10_-_Fluviometria
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FLUVIOMETRIA 
 
Definição: É o setor da Hidrologia que trata das técnicas de medição de níveis d\u2019água, velocidades e 
vazões nos rios. 
 
Objetivo: Conhecer o volume de água que escoa por uma seção transversal de um rio, em um 
determinado intervalo de tempo. O ideal seria termos conhecimento, em tempo-real, da vazão a cada 
instante. Todavia, isto, ainda não é possível. Portanto, procura-se conhecer a vazão durante um período 
de tempo (campanha) e extrapolam-se os resultados obtidos para períodos de tempo maiores. Existem 
várias metodologias de medição de vazões, cada uma delas com o índice de precisão diretamente 
associado ao custo de obtenção dos dados. 
 
 
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O HIDROGRAMA, ou fluviograma, é simplesmente um gráfico de representação das vazões ao longo de 
um período de observação, na seqüência cronológica de ocorrência. Pode ser constituído por uma linha 
contínua, indicando a variação do valor instantâneo da vazão no tempo ou por traços horizontais 
descontínuos correspomdentes às vazões médias de um certo intervalo de tempo unitário. 
 
CRITÉRIOS PARA O ESTABELECIMENTO DE UM POSTO FLUVIOMÉTRICO: 
a) Localizar em um trecho retilíneo, de fácil acesso e o mais estável possível; 
b) Localizar fora da área de influência de obras hidráulicas existentes; 
c) Selecionar trecho com velocidades regularmente distribuídas e não muito reduzidas; 
d) Entregar os cuidados de leitura da régua ou troca de papel do limnígrafo, à pessoa de confiança. 
 
 
Observação: Um dos grandes objetivos de se medir as vazões de um rio em determinado trecho, é 
podermos associar a descarga medida à respectiva cota do nível d\u2019água da superfície do rio. Assim, para 
 
cada cota do nível d\u2019água, corresponderá uma vazão. Essa relação, \u201ccota x vazão\u201d, é chamada na 
Hidrologia de Curva-Chave, e será vista em maior detalhe, posteriormente. 
 
 
 
 
MÉTODOS DE MEDIÇÃO DE VAZÕES: 
 
 
a) MÉTODO VOLUMÉTRICO 
 
É empregado para pequenos cursos d\u2019água e canais, ou em nascentes. Consiste em derivar as águas para 
recipientes volumétricamente calibrados, ou que tenham formas que facilitem a determinação de seus 
volumes. A vazão será o quociente do volume do recipiente pelo tempo de enchimento cronometrado. 
 
)(
)()(
tempot
volumeVvazãoQ = 
 
Q = v.A
A
A A
h (cota)
Curva chave
(equivalente a uma parábola).
Q
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b) MÉTODO DOS TRAÇADORES 
 
Químicos \u2013 A concentração de sal é medida na seção de montante e um tempo depois na seção de 
jusante. 
 
01
1
CC
CCqQ \u2212
\u2212= 
 
Onde: 
C \u2013 Concentração de sal injetado, 
C1 \u2212 Concentração de sal em regime permanente, 
C0 \u2013 Concentração natural de sal do rio. 
q \u2013 Vazão injetada. 
 
Radioativos \u2013 Em geral esses traçadores são utilizados para medições em rios violentos, encachoeirados, 
ou seja, rios que possam apresentar riscos de vida para a equipe de fluviometria. O manuseio do material 
radioativo é perigoso e exige pessoal especializado, sendo portanto mais dispendiosa a sua utilização. 
 
 
c) MÉTODO DOS NÍVEIS D\u2019ÁGUA 
 
A leitura é feita em uma \u201cescala limnimétrica\u201d, uma régua em geral denteada, construída em madeira ou 
metal esmaltado e \u201camarrada\u201d a um RN (referencial de nível). 
 
 
 
Observação: O uso da régua limnimétrica para se medir as vazões de um rio em uma determinada seção 
transversal, só é possível se conhecermos a curva que relaciona o nível d\u2019água à vazão, isto é, a curva-
chave na seção. 
 
 
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d) MÉTODOS ÁREA X VELOCIDADE 
 
Definição: São métodos indiretos e se baseiam na equação da continuidade dos escoamentos líquidos. 
 
AvQ .= 
 
d.1) Método dos Flutuadores: 
 
É empregado mais freqüentemente para se obter estimativas de vazões em reconhecimentos hidrológicos 
ou para medir vazões de enchentes. 
 
 
 
Quando o flutuador cruza a seção de montante, o auxiliar dá um sinal, para que o operador à jusante 
acione o cronômetro. Quando o flutuador cruza a seção de jusante, é registrado o tempo de percurso. 
Repete-se o procedimento várias vezes, em várias faixas e, assim definem-se as diferentes velocidades 
superficiais. 
 
Planta (visão superior)
V
Corte
V
Vmáx
Vsuperfície
Flutuadores
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Pode-se, portanto, relacionar a velocidade superficial com a velocidade média da seção transversal. 
 
LSUPERFICIAMÉDIASEÇÃOMÉDIA vKv .= 
 
O coeficiente K varia com a rugosidade da calha fluvial, com a geometria da área molhada (raio 
hidráulico) e com a turbulência do escoamento. 
 
 
TABELA DE VALORES PARA K, SEGUNDO DNAEE. 
Situação K 
Velocidades fortes, profundidades superiores a 4m 1,00 
Velocidades médias em rios e montanhas 1,05 
Declives fracos, rios médios 0,85 
Grandes rios 0,95 
Declives médios, rios médios 0,90 \u23af 0,95 
Velocidades muito fracas 0,80 
 
 
 
 
 
 
d.2) Método do Tubo de Pitot. 
 
O tubo de Pitot, em sua configuração mais simples é um tubo recurvado, com dois ramos em angulo reto. 
Aplica-se a Equação de Bernoulli aos pontos 1 e 2 do escoamento da figura. 
 
 
Equação de Bernoulli: 
 
teC
g
vpy =++
2
2
\u3b3 
 
 
 
 
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APLICAÇÃO: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ghvh
g
v 2;
2 1
2
1 =\u2234= 
 
 
d.3) Método dos Molinetes. 
 
 
O Molinete Hidrométrico: 
Definição: É um aparelho que dá a velocidade local da água através da medida do número de revoluções 
da hélice. 
 
Procedimento: 
(a) Faz-se o levantamento batimétrico da seção transversal selecionada para obter-se o perfil e a área da 
seção; 
(b) Divide-se a seção transversal do rio em um certo número de posições verticais para o levantamento do 
perfil de velocidades; 
(c) Mede-se as velocidades nessas verticais em pontos; 
(d) Acha-se a velocidade média ponderada para perfil vertical; 
(e) Determina-se a velocidae média aritmética para cada setor definido entre duas verticais; 
(f) Calcula-se a vazão em cada setor, multiplicando-se a velocidade obtida no item (d), pela área do setor; 
(g) A vazão total estimada será o somatório das vazões em cada um dos setores definidos na seção 
transversal do rio. 
 
 
 
:;0,;
22 221
2
22
2
2
11
1 entãovehhmasg
vph
g
vph ==++=++ \u3b3\u3b3
( )[ ] :;
2
;
2
12
2
112
2
1 assim
g
hhhg
g
vpp
g
v
\u3c1
\u3c1
\u3b3
\u2212+=\u2212= 
Peso
Molinete
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Operação do Molinete Hidrométrico 
 
1) A cada número inteiro de rotações, o molinete emite um sinal (sonoro ou luminoso). 
2) O tempo transcorrido entre os sinais é cronometrado. 
3) Multiplicando-se o número de sinais medidos, pelo número de rotações por sinal (item 1), tem-se o 
número total de rotações, que dividido pelo intervalo de tempo cronometrado, fornece o número de 
rotações por segundo (RPS). 
4) Usa-se a \u201cequação de calibragem do molinete\u201d para transformar a rotação do eixo (RPS) em 
velocidade linear (m/s). 
 
 
 
Exemplo: Modelo A.Ott no 9473 
 
 
41,0;019,04853,0 <+= nparanv 
41,0;007,05145,0 \u2265+= nparanv 
 
Parâmetros hidráulicos da seção: 
 
Área molhada, (Am) \u23af é a área da seção transversal ocupada pela água, (m2); 
Perímetro molhado, (Pm) \u23af é o perfil da seção transversal em contato com a água, (m); 
Raio hidráulico, (R): Rm = Am/Pm, (m); 
Largura média, (Lm) \u23af Lm = (l-
_
IP ), (m); onde l é a distância do PI até o PF. 
Profundidade média, (h): h = Am/Lm, (m). 
 
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EXEMPLO PARCIAL DE RESOLUÇÃO DE UM PROBLEMA DE FLUVIOMETRIA: 
 
Seja a seção transversal do rio. 
 
 
Vamos considerar o uso de um Molinete Hidrométrico com as seguintes características: 
 
 
 
 
 
 
 
 
TABELA COM VALORES MEDIDOS NOS PONTOS ASSINALADOS DE VERTICAIS DA SEÇÃO TRANSVERSAL: 
 
NO DO 
PONTO 
DISTÂNCIA 
AO PI (m) 
PROFUNDIDADE 
DO PONTO (m) 
NÚMERO 
DE SINAIS 
TEMPO 
(seg) 
NÚMERO DE 
ROTAÇÕES POR 
SEGUNDO (RPS) 
VELOCIDADE 
(m/s)