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Capítulo 3: Hobbes
1. Qual seria, segundo Thomas Hobbes, a relação entre a limitação cogniti-
va dos homens e o surgimento das religiões?
R: De acordo com ele, os seres humanos são limitados cognitivamente, eles não conseguem
compreender a realidade com toda a sua capacidade racionalmente. Diante disso, a
racionalidade não oferece algum tipo de resposta em razão do seu próprio limite e é a partir
daí que a religião surge. Para Hobbes, os homens possuem uma tal natureza em que eles se
fascinam e se impressionam com aquilo que não pode ser explicado pela racionalidade. A
faculdade intelectiva da espécie humana é marcada pela limitação cognitiva que desencadeia
a irracionalidade das crenças religiosas. É justamente a limitação dos sentidos, da
imaginação, da memória, das paixões que cria uma inexorável dependência da religião e,
portanto, de uma autoridade representativa do Estado que possa controlar suas crenças
externas.
2. Aponte três características subjacentes à máxima Auctoritas, non veritas fa-
cit legem (é a autoridade, e não a verdade, quem faz as leis).
R:. A primeira é que isso significa dizer que a lei é produto de um ato da vontade de uma
autoridade de alguém que foi autorizado a tomar decisões em nome de outros. A segunda é
que significa que a autoridade tem poder para decidir, poder de fato, reconhecido como
legítimo, para fazer com que a sua vontade seja posta. A Terceira é que a lei não é
necessariamente derivada de uma verdade científica, ela não deriva da verdade. É a
autoridade que dita a lei, não precisando necessariamente de uma verdade científica ou
satisfazer critérios da cientificidade para determinar a lei.
3. Thomas Hobbes aduz duas soluções a fim de dar cabo à especiosa distinção entre o
espiritual e o temporal que leva à ruína do Estado. Indique-as.
R: Hobbes, ao se insurgir contra a distinção entre o poder espiritual e o poder temporal, o
que equivale dizer contra a distinção entre religião e política, propõe a restauração da unidade
pagã. Chega mesmo a proclamar que “a religião dos gentios fazia parte de sua política” Para
eliminar a referida distinção que impede que haja um domínio estritamente secular, deve-se
restituir a unidade dos gentios em que “a política e as leis civis fazem parte da religião, não
tendo, portanto, lugar a distinção entre a dominação temporal e a espiritual. As soluções são,
ou o poder civil, que é poder do Estado, está submetido ao poder espiritual, situação em que
não há nenhuma soberania exceto a espiritual; ou o poder espiritual está subordinado ao
temporal, assim não existe outra supremacia senão a temporal.
4. Por que o monopólio da decisão política tira partido da religião, isto é, da
tendência do gênero humano à irracionalidade das crenças nos poderes
invisíveis?
R: Porque usufrui da religião, ele sabe que o seres humanos possui uma natureza que são
influenciados pelas crenças religiosas, a religião possui essa capacidade de mobilização e de
impacto emocional sobre os seres humanos em razão dessa capacidade do ser humano não
entender tudo produz medo. A esperança e a fé que existe um paraíso, um deus que zela pelo
bem estar e recompensa os justos e atua de modo a salvar aqueles que se conduziram a seguir
de acordo com a sua palavra, essas crenças têm uma forte capacidade de mobilização das
ações humanas e o poder político deve se aproveitar disso para fazer com que a sua
autoridade seja reforçado fazendo com que seus governados obedeçam e tenham mais
aceitação e reconhecimento que o poder político é digno de respeito e obediência.
5. Explique o conceito antropológico introduzido por Hobbes, sem deixar
de aludir à miséria cognitiva dos homens.
R: O autor continua a desenvolver sua antropologia política retratando o funcionamento das
forças cognitivas do homem e suas paixões. A psicologia humana revelada na primeira parte
do Leviatã ressalta a miséria cognitiva, o hedonismo e a concupiscência provenientes,
respectivamente, das sensações, dos apetites e das aversões do homem. para Hobbes as ações
humanas são determinadas por paixões e não pela racionalidade. Porque o que mobiliza a
vontade são as paixões humanas, oamor, medo, esperança, etc. A racionalidade não tem
condição de responder todas perguntas existentes e é aí que entra religião que procura dar
respostas para aquilo que a racionalidade não tem como responder. A miséria cognitiva é a
limitação que temos para responder racionalmente às questões.
6. O que se entende pela restauração da unidade original dos povos pagãos
e qual sua relação com o Leviatã de Hobbes?
R: Hobbes não deixa de restaurar um princípio pagão no qual os gentios não separavam a
religião da política, pois a união dos poderes invisíveis aos poderes visíveis garantia a
estabilidade e previsibilidade dos governos de domínios temporais. O significado desse mito
secular de batalha representado sob a figura do Leviatã seria o da restauração da unidade
original dos povos pagãos. Restauração em que o secular e o espiritual constituem a alma de
um único poder soberano, no qual a religião não fosse estranha à política. A luta contra a
divisão de um poder indireto (espiritual) e um poder direto (temporal), visando a restauração
da unidade pagã original, seria o significado da teoria política de Hobbes. O significado do
Leviatã seria a tentativa de restaurar a unidade pagã que não separava a política da religião.
7. No Leviatã de Hobbes a palavra Leviatã aparece três vezes sob quatro
formas, compondo uma unidade mítica: Deus-homem-animal-máquina.
Mencione o sentido que Hobbes teria atribuído a cada um dos elementos
da referida composição mítica.
R: Leviatã se assemelha a deus enquanto poder, a soberania. Porque seus constituiu a ordem
do mundo a partir da vontade dele e o estado constitui a ordem civil, entre os seres humanos.
Homem, porque o Estado é um homem artificial, criado pela vontade de homens artificiais,
que tem o poder de utilizar suas próprias vontades e decisões para tomar decisões em nome
de outras pessoas. Animal porque destrói a separação entre poder político e religioso. Animal
que sufoca a anarquia, a guerra civil e restaura a estabilidade pública e reforça as normas
jurídicas e garante o funcionamento das instituições. Unidade entre poder político e religioso
e a submissão do poder religioso pelo político. O leviatã é uma máquina, mecanismo de
precisão, porque ele funciona tal como um relógio de precisão, funciona com base na lei e na
ordem. E isso está definido na legalidade jurídica e cria uma sensação de segurança no
homem.
8. Por que seria possível interpretar o conceito político de soberania abso-
luta do Leviatã, ou Matéria, Forma e Poder de um Estado Eclesiástico e
Civil (título completo do Leviatã de Hobbes) como um conceito teológico
secularizado?
R: Porque o conceito político de soberania absoluta de Hobbes é um conceito teo-
lógico secularizado, revelando uma afinidade estrutural entre os conceitos do
reino espiritual e temporal. Demonstrando que o significado do conceito de
secularização no Leviatã pode ser pensado como a conversão de um Deus Todo-
poderoso na figura de um soberano intramundano onipotente cujas mãos detêm
o bastão espiritual do controle da manifestação externa das crenças e o poder
coercitivo da espada.
9. Por que o Estado de Hobbes passa a representar uma “mútua relação de
proteção e obediência”?
R: Porque ao transformar o Leviatã em arma política voltada para a seculari-
zação do Estado, Hobbes busca a salvação dos homens neste mundo no interior
de um corpo político. Assim, o Estado passa a representar uma mútua relação
de proteção e obediência necessária à condição existencial da natureza humana. Se fora do
Estado “o homem é lobo do homem”, no seu interior, adquire status de cidadão e “o homem é
um deus para o homem”. Além disso, o contrato social hobbesiano consiste em que se eu
tenho que te proteger e estou encarregado dessa tarefa, logo tenho direito de estabelecer
regras e limites de vocês exercerem a sua liberdade, assim devem obedecer ou eu nãote
protejo.
10. Por que se poderia afirmar que Hobbes é o precursor do positivismo jurí-
dico?
R: Porque a sua obra leviatã inaugura uma antropologia política do homem,o positivismo
jurídico. A construção de um Estado neutro, acima de qualquer partido político ou seitas
religiosas, levou ao positivismo jurídico. No seu conceito de lei formal não importa o
conteúdo, isto é, o valor da lei. Exige que a lei seja proveniente
de autoridade competente dotada de poder coercitivo.

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