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DJi - Prescrição

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consiste na colaboração efetiva
do autor do crime econômico com as investigações e o processo
administrativo, resultando na identificação dos demais co-autores da
infração e na obtenção de informações e documentos que comprovem a
infração. Celebrado o acordo, fica suspenso o oferecimento da denúncia,
bem como a prescrição da pretensão punitiva, até que o ajuste seja
integralmente cumprido, após o que haverá extinção da punibilidade.
- a enumeração é taxativa. A suspensão do processo para instauração de
incidente de insanidade mental não é causa suspensiva da prescrição
(CPP, art. 149).
Crimes complexos e Crimes conexos: a prescrição da pretensão punitiva
no tocante a crime que funciona como elemento típico de outro não se
estende a este. Exemplo: crime de extorsão mediante seqüestro; a
prescrição do seqüestro em nada afeta o tipo complexo do art. 159 do
CP.
Da mesma forma, a prescrição do crime conexo não afeta a agravação
da pena do outro crime em face da conexão. Exemplo: homicídio
qualificado pelo fim de assegurar ocultação de crime anterior (art. 121, §
2º, V, do CP). A prescrição do crime anterior que se quis ocultar não
extingue a qualificadora do fim de garantir a ocultação, de maneira que o
homicídio continua sendo qualificado.
Prescrição da pretensão punitiva intercorrente, posterior ou superveniente
à sentença condenatória: é a prescrição que ocorre entre a data da
publicação da sentença condenatória e o trânsito em julgado. Por isso,
ela é chamada de intercorrente ou de superveniente à sentença
condenatória. Seu prazo é calculado com base na pena concreta fixada
na sentença e não com base no máximo cominado abstratamente. No
momento da consumação do crime, ou seja, na data em que se inicia o
prazo prescricional, ainda não se sabe qual pena será fixada, no futuro,
pelo juiz na sentença. É impossível, portanto, na data do fato, pretender
calcular a prescrição de acordo com a pena concreta (ninguém tem bola
de cristal para adivinhar qual pena o juiz irá aplicar). Só há, portanto, uma
solução: calcular o prazo prescricional em função da maior pena possível.
No entanto, depois de proferida a sentença condenatória, não existe mais
qualquer justificativa para continuar calculando a prescrição pela pior das
hipóteses (a maior pena possível), uma vez que já se conhece a pena para
aquele caso concreto. Por essa razão, o art. 110, § 1º, do CP determina
que, após o trânsito em julgado da condenação para a acusação, a
prescrição é regulada pela pena fixada na sentença. Note-se que a
condenação precisa transitar em julgado para a acusação. Isso porque,
em face do que dispõe o art. 617 do CPP, a pena não pode ser agravada
em recurso exclusivo da defesa (princípio da non reformatio in pejus).
Assim, se a acusação se conformou com a pena fixada, esta passou a ser
a maior pena possível, pois não poderá ser aumentada em recurso
exclusivo da defesa, passando, então, a servir de base para o cálculo da
prescrição. Conclusão: até a sentença condenatória, a prescrição é
calculada pela maior pena prevista no tipo; após a sentença condenatória
transitada em julgado para a acusação, calcula-se pela pena fixada na
sentença.
Não é só: mesmo que a acusação não se conforme com a pena e apele,
ainda assim a prescrição poderá ser calculada de acordo com a pena
concreta. Quando? Quando o recurso acusatório for improvido. Explica-
se: a acusação poderia pretender ingressar com um recurso somente para
evitar o trânsito em julgado e, assim, impedir o cálculo da prescrição pela
pena in concreto. Desse modo, negado provimento ao seu recurso, é
como se nunca tivesse recorrido, devendo o tribunal calcular a prescrição
de acordo com a pena fixada na sentença.
A prescrição, portanto, é regulada pela pena concretamente fixada na
sentença quando esta transitar em julgado para a acusação ou quando
seu recurso for improvido.
Há outras hipóteses: se o recurso da acusação não visava a aumento de
pena, também a prescrição será calculada pela pena que foi fixada pelo
juiz, uma vez que, nesse caso, a pena jamais poderá ser aumentada.
Finalmente, ainda que haja recurso da acusação visando aumento de
pena e que tal recurso seja provido, será possível o reconhecimento da
prescrição se, mesmo diante do aumento determinado pelo tribunal, ainda
assim tiver decorrido o prazo prescricional. Exemplo: a pena é elevada de
1 para 3 anos, aumentando-se de 2 para 4 anos o prazo prescricional. Se
tiverem decorrido 4 anos entre a publicação da sentença condenatória e
o acórdão, será reconhecida a prescrição intercorrente, com base na
pena concreta fixada pelo tribunal.
Como se reconhece a prescrição? Da seguinte forma:
a) se a condenação tiver transitado em julgado para a acusação, o
tribunal, antes de examinar o mérito do recurso da defesa, declara extinta
a punibilidade pela prescrição;
b) se a acusação tiver recorrido, o tribunal julga em primeiro lugar o seu
recurso. Se lhe negar provimento, antes de examinar o mérito do recurso
da defesa, reconhece a prescrição.
- o juiz de primeira instância não pode reconhecê-Ia, uma vez que, ao
proferir a sentença condenatória, esgotou sua atividade jurisdicional,
sendo impossível reconhecer que o Estado tem o direito de punir e, em
seguida, declarar extinto esse mesmo direito.
E se foi imposta medida de segurança ao semi-imputável? A prescrição é
calculada pelo mínimo da pena abstratamente prevista para a espécie. Na
hipótese de inimputável, impõe-se a mesma solução: prescrição calculada
com base no mínimo previsto para o crime (Nesse sentido: STJ, 5ª T.,
Rel. Min. Assis Toledo, REsp 20211RJ, j. 16-5-1990, DJU, 4-6-1990,
p. 5065, e RSTJ, 39/351.).
Prescrição da pretensão punitiva retroativa: trata-se de outra modalidade
de prescrição da pretensão punitiva. É também calculada pela pena
concretamente fixada na sentença condenatória, desde que haja trânsito
em julgado para a acusação ou desde que improvido o seu recurso. Tudo
o que foi dito com relação à prescrição intercorrente é válido para a
prescrição retroativa, com uma única diferença: enquanto a intercorrente
ocorre entre a publicação da sentença condenatória e o trânsito em
julgado para a defesa, a retroativa é contada da publicação dessa decisão
para trás. Reconta-se a prescrição, que, antes, teve seu prazo calculado
em função da maior pena possível, e, agora, é verificada de acordo com
a pena aplicada na sentença. Pode ser que, com um prazo bem mais
reduzido, tenha ocorrido a PPP entre marcos anteriores. Por essa razão,
se o tribunal constatar que não ocorreu prescrição pela pena concreta
entre a publicação da sentença condenatória e o acórdão, passará
imediatamente a conferir se o novo prazo prescricional, calculado de
acordo com a pena concreta, não teria ocorrido entre:
a) a data do fato e o recebimento da denúncia ou queixa;
b) entre o recebimento da denúncia ou queixa e a pronúncia;
c) entre a pronúncia e sua confirmação por acórdão;
d) entre a pronúncia ou seu acórdão confirmatório e a sentença
condenatória;
e) entre o recebimento da denúncia ou queixa e a publicação da sentença
condenatória (no caso de crimes não dolosos contra a vida).
Por que o nome "retroativa"? Porque se conta de frente para trás. O
tribunal faz o cálculo da publicação da sentença condenatória para trás,
ou seja, da condenação até a pronúncia ou o recebimento da denúncia ou
queixa, conforme o crime seja ou não doloso contra a vida, e assim por
diante. É como se o tribunal estivesse retrQcedendo do presente ao
passado, gradativamente.
Exemplo da necessidade de proceder à recontagem retroativa: o prazo
prescricional do furto simples calculado pela pena abstrata é de 8 anos
(pena máxima = 4 anos de reclusão), mas, se a pena concreta for
aplicada no mínimo de um ano, esse prazo despencará para 4 anos. É
bem possível que, embora não tendo decorrido 8, tenham-se passado
mais de 4 anos entre a data do fato e a do recebimento da denúncia.
Assim, na recontagem pela pena concreta, ter-se-á operado a prescrição
da pretensão punitiva,