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Sociologia ambiental

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OLIVEIRA, Luiz Fernandes de; COSTA, Ricardo Cesar Rocha da. “O mercado 
exclui como o gás carbônico polui”: capital, desenvolvimento econômico e a 
questão ambiental in Sociologia para jovens do século XXI – 3.ed. – Rio de 
Janeiro: Imperial Novo Milênio, 2013. 
• “No início do ano de 2007, o tema do aquecimento global surgiu em todos os 
meios de comunicação como um grande alerta para a humanidade; o relatório 
do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (ou IPCC, sua sigla em 
inglês) [..] anunciou que as mudanças no clima da Terra são irreversíveis e 
colocam em risco a própria sobrevivência do ser humano” (p. 181) 
• “[...] dos doze anos mais quentes registrados pelas estações climáticas de todo 
o planeta (esses registros são feitos desde 1850), onze deles foram percebidos 
entre 1995 e 2006.” (p. 182) 
• “Percebe-se que o aquecimento global vem ocorrendo há algum tempo e 
diversos sinais de alerta já haviam sido identificados, tais como o aumento dos 
períodos de secas, cada vez mais frequentes; o aumento da temperatura dos 
oceanos, provocando chuvas mais intensas e a maior ocorrência de furacões, 
tufões e ciclones, que passaram a afetar várias regiões do planeta “ 
• Entendendo as causas do aquecimento global 
• “Mudanças climáticas não são novidade na Terra. Além da Era do Gelo, 
retratada em uma série de filmes de animação de grande sucesso, que ocorreu 
há 1,8 milhões de anos, nosso planeta passou por muitas transformações 
drásticas em sua trajetória de bilhões de anos” 
• “[...] as atuais alterações do clima não são fenômenos naturais, previstos para 
acontecer com a Terra: o aquecimento global está sendo provocado e 
acelerado pelo próprio homem.” (p. 183) 
• O que é o aquecimento global?” Em primeiro lugar, a Terra está esquentando 
por causa da intensificação do chamado efeito estufa. Este não é sinônimo de 
aquecimento global, mas trata-se de um processo natural, importante para a 
vida no planeta, tornando-o mais quente [...] O aquecimento global começa a 
ocorrer quando a maior parte do calor do Sol é refletida de volta para a Terra, 
por causa da formação de uma camada bem mais espessa de gases-estufa.” 
• “Por que ocorreu esse aumento descontrolado de gases-estufa? Por causa da 
Revolução Industrial e da acelerada urbanização da vida humana que tomou o 
planeta desde o século XIX.” (p. 184) 
• “São as queimadas, por sinal, que fazem do Brasil o quinto maior emissor de 
dióxido de carbono (CO2) do mundo” os quatro primeiros são respectivamente: 
EUA, China, União Europeia e Indonésia 
• O surgimento da Sociologia Ambiental 
• “A partir de 1970, esses estudos passaram a fazer parte do que se chamou de 
Sociologia Ambiental” 
• Segundo o professor Gustavo Lima, em estudo elaborado com Fátima Portilho, 
a Sociologia Ambiental [...] não seria exatamente nova, pois reuniria 
preocupações manifestadas em estudos anteriores sobre o tema Ecologia 
Humana e de áreas de pesquisa mais tradicionais da Sociologia, como a 
Sociologia Urbana, os Movimentos Sociais e a Sociologia do Desenvolvimento, 
entre outras.” (p. 185) 
• “A professora Selene Herculano chama a nossa atenção para o fato de que a 
Sociologia Ambiental vai tratar as questões ambientais de forma integradora, 
utilizando o conhecimento acumulado e a produção científica de diversas 
disciplinas.” 
• “Outra perspectiva para se analisar a questão do meio ambiente, sob o ponto 
de vista sociológico, é a percepção de que a poluição não é “democrática”, ou 
seja, ela não atinge a todas as pessoas da mesma forma. Os mais pobres são 
exatamente os que mais são afetados pela exposição aos riscos ambientais” 
• “Meio ambiente, portanto, [...]trata-se de um tema relacionado à qualidade da 
vida de toda a população, que envolve a organização da cidade, o transporte, a 
saúde pública e a alimentação das famílias.” 
• “Esses problemas foram bastante agravados pela Revolução Industrial (como 
mostra Friedrich Engels, no seu livro A situação da classe trabalhadora na 
Inglaterra, publicado pela primeira vez em 1845) e estão presentes em todas 
as nossas cidades, até os dias atuais” (p. 186) 
• Capital, desenvolvimento econômico e a questão ambiental 
• “O uso dos recursos existentes na natureza, através da extração de minérios e 
de produtos vegetais [...] fazem parte, historicamente, da própria sobrevivência 
humana. O homem, através do trabalho, dominou a natureza e colocou-a a seu 
serviço.” 
• “[...]a exploração desenfreada, sem qualquer forma de controle, causando a 
destruição dos recursos naturais, com a degradação do meio ambiente, está 
inserida numa determinada lógica que passou a imperar a partir de certo 
momento da História: a lógica do capital” 
• “A ideia de desenvolvimento, até pouco tempo, não havia sido colocada em 
questão pelos sociólogos, nem pelos governantes, nem pela população em 
geral. [...] No capitalismo, sabemos o quanto essa ideia sempre foi ilusória, em 
razão da brutal desigualdade no acesso ao consumo, existente entre as 
classes sociais. “ 
• “[...]o desenvolvimento capitalista, segundo propagado pelos meios de 
comunicação, é sempre anunciado como “igual para todos!” Não importa, aqui, 
que uns poucos sejam os verdadeiros beneficiados, e não a grande maioria de 
trabalhadores” (p. 187) 
• “A grande contradição, que está por trás do desenvolvimento econômico sem 
freios das forças produtivas, segundo a visão acima, é a destruição da própria 
sociedade” 
• São apresentadas duas reflexões do filósofo húngaro István Mészáros sobre a 
“destruição da própria sociedade” 
➢ “Não existiriam freios possíveis à expansão destruidora do capital 
[...] segundo Mészáros, a continuidade da expansão das forças 
produtivas do capital, no atual momento, passou a representar a 
destruição completa da natureza e, por conseguinte, da própria 
espécie humana. 
➢ “A lógica que esteve presente e acompanhou todo o desenvolvimento 
soviético era, na verdade, a mesma lógica de desenvolvimento e 
reprodução do capital, descrita acima (ver também MÉSZÁROS, 
2002). Apesar desses países se constituírem formalmente como 
socialistas, eles não tiveram como se libertar do poder destrutivo do 
capital, presente no interior dessas sociedades 
• “Se essas considerações de Mészáros são pertinentes, pode-se concluir que a 
destruição do meio ambiente, causada pelo homem, pode ser impedida pelo 
próprio homem, desde que se modifique radicalmente o modelo econômico que 
vem sendo imposto à sociedade nestes últimos dois séculos.” 
• “O geógrafo David Harvey, num recente livro intitulado O enigma do capital 
(2011), argumenta que o chamado mundo natural é objeto de grandes 
transformações pela atividade humana.” (p. 188) 
• “Na opinião de Harvey, por mais que muitos agentes (instituições, empresas 
etc.) atuem na produção dessa “segunda natureza”, os dois principais agentes 
da nossa época, que promovem a ‘destruição criativa da Terra’, são o Estado e 
o Capital. E mais: as modificações no meio ambiente são cada vez mais 
impulsionadas, principalmente no último século, porque o ‘capitalista que 
detém dinheiro deseja colocá-lo em qualquer lugar em que os lucros estejam’ 
(HARVEY, 2011, p. 167). “

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