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SIMBOLISMO
Movimento literário do final do século XIX, simultâneo ao Realismo, Naturalismo e o Parnasianismo.
Foi um movimento de oposição contra o materialista e o objetivismo do Realismo, Naturalismo e do Parnasianismo.
O Simbolismo iniciou quando alguns escritores passaram a considerar que a forte influência das correntes científicas e o ateísmo (características do Realismo e Naturalismo) não conseguiam expressar o que acontecia com o homem e a Natureza.
Simbolismo
No Simbolismo, ao contrário do Realismo, não há uma preocupação com a representação fiel da realidade.
Apesar de se opor tematicamente ao Parnasianismo, existe uma semelhança na forma entre os dois movimentos. 
No Brasil, o inicio se dá com a obra “Broqueis (poesia) e Missal(poemas em prosa) de Cruz e Souza em 1893.
Decadentismo: foi o primeiro nome do Simbolismo .
Nefelitaba é outra denominação do poeta simbolista .
A designação Simbolismo se deve à intenção principal de evocar a realidade, traduzindo-a em forma de símbolos e não descrevendo-a detalhadamente. 
Percebe-se no Simbolismo uma aproximação com os ideais românticos, entretanto, com uma profundidade maior;
Os simbolistas preocupavam-se em retratar em seus textos o inconsciente, o irracional, com sensações e atitudes que a lógica não conseguia explicar.
O leitor não deveria tentar entender os textos, mas se deixar levar pelas sensações.
mistérios do mundo
o fascínio pela morte e pelo desconhecido
os contrastes entre o real e o irreal
o dualismo humano(matéria/espírito)
Temas mais frequentes do Simbolismo
ORIGENS DO SIMBOLISMO
Poeta, teórico e crítico francês. 
Conhecido como “Pai do Simbolismo”;
Precursor do movimento simbolista na França e também o fundador da poesia moderna.
Principal obra: “Flores do Mal” (1857). Após a publicação, ela foi censurada e Baudelaire foi condenado por ser subversivo e ofender à moral pública.
CHARLES BAUDELAIRE – 1821 - 1867
As Flores do Mal reúnem, de modo exemplar, uma série de motivos da obra do poeta: a queda; a expulsão do paraíso; o amor; o erotismo; a decadência; a morte; o tempo; o exílio e o tédio.
Os chamados “poetas malditos” (Arthur Rimbaud, Paul Verlaine e Stéphane Mallarmé) sofreram influência da obra de Baudelaire. Até os dias de hoje, sua obra influencia a literatura mundial.
CHARLES BAUDELAIRE – 1821 - 1867
CONTEXTO HISTÓRICO 
 O Simbolismo surgiu nas últimas décadas do século XIX com o objetivo de negar o materialismo que dominava o pensamento da época.
O final do século XIX representou uma sociedade marcada por um sentimento de inquietação decorrente da influência das descobertas científicas, que acabou desencadeando um processo de indefinições com relação a valores e convicções que todo ser humano possui.
 Paralelamente a isso, o mundo sofria uma enorme crise social desencadeada pela disputa econômica entre as grandes potências mundiais devido à Revolução Industrial. Esse fato resultou nas duas grandes guerras mundiais.
Esses acontecimentos geraram uma grande insatisfação e frustração ao homem , que deixou de lado o otimismo da época das revoluções e passa a ter uma visão mais reflexiva e pessimista da vida.
Assim, o homem passa a buscar conforto no lado místico e espiritual do universo.
Essa busca pelo subjetivismo é retratada nas artes como um retorno ao Romantismo, onde o desejo pelo refúgio fora do mundo real era muito valorizado. 
Nesse sentido, o predomínio da emoção supera o cientificismo e o objetivismo do período anterior.
CARACTERÍSTICAS
Predominância da emoção;
O objeto deve estar subentendido, não se mostrando claramente – daí o "símbolo“
Obsessão pela cor branca e tudo que sugere brancura;
Espiritualismo e misticismo - Religiosidade;
Sugestão
Imprecisão
Sinestesias
Musicalidade
Maiúsculas Alegorizantes
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS
Predominância da emoção
Os artistas desse movimento não se limitaram aos princípios estéticos que norteavam a arte vigente;
Enfatizaram que as emoções eram mais importantes que a razão. 
O artista deveria criar segundo sua percepção, entendimento e imaginação deixando de lado a observação e a descrição do mundo físico.
Eugène Delacroix: A Morte de Sardanapal — 1827 
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2) O objeto deve estar subentendido, não se mostrando claramente – daí o "símbolo“
A carícia: versão simbolista de uma esfinge, por Fernand Khnopff
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3) Obsessão pela cor branca e tudo que sugere brancura:
Encontram-se inúmeras referências à cor branca, assim como à transparência, à translucidez, à nebulosidade e aos brilhos, e a muitas outras cores.
4) Espiritualismo e Misticismo: 
A arte como forma de religião. 
Alguns textos simbolistas apresentam uma visão cristã. 
Distinção entre corpo e alma; 
desejo de purificação e sublimação: anulação da matéria para a libertação da alma. 
Uso de vocábulos ligados ao místico e ao religioso, como missal, breviário, hinos, salmos, entre outros.
O sonho, de Pierre Puvis de Chavanes 
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5) Sugestão:
Para a arte simbolista mais importante que nomear as coisas era sugeri-las. 
Segundo os simbolistas os leitores é que deveriam adivinhar o enigma de cada poema.
 A Noite Estrelada – Van Gogh (1889)
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6) Imprecisão :
Atrelada à característica anterior, a realidade deveria ser expressa de maneira vaga e imprecisa.
O Simbolismo buscava a essência do ser humano, os estados da alma, o inconsciente.
El cíclope. Odilon Redon
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7) Sinestesias:
Na poesia simbolista era comum a presença de sinestesias. A sinestesia é uma figura de linguagem que consiste na fusão de várias sensações, sem que necessariamente haja lógica:
“Nasce a manhã, a luz tem cheiro ... Ei-la que assoma Pelo ar sutil ... Tem cheiro a luz, a manhã nasce ...
Oh sonora audição colorida do aroma!”
 
Alphonsus de Guimaraens
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8) Musicalidade:
A poesia deveria se aproximar da música. 
Uso de figuras de linguagem associadas à sonoridade – rimas, ecos, aliteração, assonância.
Aliteração: repetição de sons consonantais
Assonância: repetição de sons de vogais
“E as cantinelas de serenos sons amenos fogem fluidas fluindo à fina flor dos fenos”.
 
Eugênio de Castro
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9) Maiúsculas alegorizantes:
Correspondem à utilização de letras maiúsculas no meio do texto sem que haja alguma razão gramatical para o seu uso. Elas são usadas para enfatizar as palavras:
“Indefiníveis músicas supremas, Harmonias da Cor e do Perfume ...
 
Horas do Ocaso, trêmulas, extremas, Réquiem do Sol que a Dor da Luz resume ...”
 
Cruz e Souza
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SIMBOLISMO NO BRASIL
SIMBOLISMO NO BRASIL
Oficialmente, o Simbolismo foi instaurado no Brasil em 1893, com a publicação de dois livros de Cruz e Souza – Missal (Prosa poética) e Broquéis. 
Cruz e Souza e Alphonsus Guimaraens são considerados os maiores representantes do movimento no país.
Missal é o nome de um livro que contém orações utilizadas nas missas e broquéis vem de broquel, tipo de um escudo espartano, numa clara aproximação com o parnasianismo e seu gosto por objetos antigos.
No Brasil, o Simbolismo coincide com a Revolução Federalista (1893-95) e a Revolta da Armada (1893-94).
A Revolução Federalista opunha-se ao governo de Floriano Peixoto, o que provocou conflitos na Região Sul. 
Na Revolta da Armada, a Marinha, em ação combinada com os federalistas, apontou os canhões dos navios para o palácio do governo no Rio de Janeiro como forma de exigir a renúncia de Floriano. 
Contexto histórico
O Simbolismo no Brasil não teve muita aceitação por parte do público leitor. 
A maior parte dos leitores preferia os textos parnasianos. 
Os parnasianos tinham a imprensa como aliada, pois seus poemas vendiam muito mais. É por isso que se costuma dizer que o Brasil não teve um momento tipicamente simbolista, ele ficou meio à margem da literatura oficial da época.
Não-racionalidade
Subjetivismo, individualismo e imaginação
Espiritualidade e transcendentalidade
Subconsciente e inconsciente
Musicalidade e misticismo
Figuras de linguagem: sinestesia, aliteração, assonância
Característicasdo Simbolismo
AUTORES SIMBOLISTAS BRASILEIROS
Filho de ex-escravos, foi criado por um Marechal e sua esposa como um filho e teve educação de qualidade. 
Perseguido a vida inteira por ser negro, é ativo na causa abolicionista. 
Morre jovem de tuberculose, vítima da pobreza e do preconceito. 
Considerado um dos maiores representantes do Simbolismo mundial
Por ser negro foi vítima de muitos preconceitos.
Cruz e Souza - 1861-1898
Partindo de seus sofrimentos enquanto homem negro, alcançou a dor e o sofrimento do ser humano. 
Suas poesias eram marcadas por um forte misticismo e religiosidade, na busca de um mundo mais espiritualizado. 
Outra característica interessante de sua obra é a recorrência direta e indireta à cor branca, vista na maioria das vezes como símbolo da pureza. 
Uma de suas obsessões era cor branca, como mostra a passagem a seguir:
	Ó Formas alvas, brancas, Formas claras 
De luares, de neves, de neblinas! 
Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas... 
Incensos dos turíbulos das aras
	Formas do Amor, constelarmante puras, 
De Virgens e de Santas vaporosas... 
Brilhos errantes, mádidas frescuras 
E dolências de lírios e de rosas ... 
ANTÍFONA
É considerado neo-romântico simbolista, pois valoriza os impulsos pessoais e sua condição de indivíduo sofredor como fonte de inspiração poética. 
Suas poesias sempre oferecem dificuldade de leitura. 
Trata-se de um poeta expressivo, apelidado de “Cisne Negro” ou “Dante Negro".
Prenuncia duas tendências que marcam a poesia moderna: sondagem psicológica, pela expressão do mundo interior e invenção linguística, pela preferência a estruturas conscientemente elaboradas.
OBRA
Poesia: 
Bróqueis (1893); 
Faróis (1900); 
Últimos sonetos (1905).
Prosa: 
Tropos e fantasias (1885) Missal (1893) – poemas em prosa; 
Evocações (1898) – poemas em prosa.
	VIOLÕES QUE CHORAM
	Ah! plangentes violões dormentes, mornos, 
Soluços ao luar, choros ao vento... 
Tristes perfis, os mais vagos contornos, 
Bocas murmurejantes de lamento. 
Noites de além, remotas, que eu recordo, 
Noites da solidão, noites remotas 
Que nos azuis da fantasia bordo, 
Vou constelando de visões ignotas. 
Sutis palpitações à luz da lua. 
Anseio dos momentos mais saudosos, 
Quando lá choram na deserta rua 
As cordas vivas dos violões chorosos. 
Quando os sons dos violões vão soluçando, 
Quando os sons dos violões nas cordas gemem, 
E vão dilacerando e deliciando, 
Rasgando as almas que nas sombras tremem. 
	Harmonias que pungem, que laceram, 
Dedos nervosos e ágeis que percorrem 
Cordas e um mundo de dolências geram, 
Gemidos, prantos, que no espaço morrem... 
E sons soturnos, suspiradas mágoas, 
Mágoas amargas e melancolias, 
No sussurro monótono das águas, 
Noturnamente, entre remagens frias. 
Vozes veladas, veludosas vozes, 
Volúpias dos violões, vozes veladas, 
Vagam nos velhos vórtices velozes 
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas. 
Tudo nas cordas dos violões ecoa 
E vibra e se contorce no ar, convulso... 
Tudo na noite, tudo clama e voa 
Sob a febirl agitação de um pulso. 
Que esses violões nevoentos e tristonhos 
São ilhas de degredo atroz, funéreo, 
Para onde vão, fatigadas no sonho, 
Almas que se abismaram no mistério. 
Leia o trecho:
Vozes veladas, veludosas vozes,
 Volúpias dos violões, vozes veladas,
 Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.
a)Indique o recurso literário evidente no trecho de Violões que choram, poema de Cruz e Souza, e:
b)Explique o efeito obtido pelo autor através deste recurso.
Apaixonado desde jovem por uma prima, sofre com a prematura morte da amada e passa por uma crise de doença e boêmia. Forma-se em Direito e Ciências Sociais, colaborando sempre na melhor imprensa paulistana. Fica conhecido como “O Solitário de Mariana”.
O outro representante do Simbolismo brasileiro. 
Temas constantes em sua obra: a fuga da realidade, a natureza, a religiosidade, o amor espiritualizado, a mulher, muitas vezes comparada à Virgem Maria, os tons fúnebres de cemitérios e enterros.
Muitos de seus poemas relacionam-se à noiva, Constança, morta prematuramente
ALPHONSUNS DE GUIMARAENS - 1870 -1921
Obras Principais: 
Poesia: 
Setenário das Dores de Nossa Senhora (1899)
Dona Mística (1899)
Câmara Ardente (1899)
Pastoral aos Crentes do Amor e da Morte (1923)
Prosa: 
Mendigos (1920) 
Seus versos tinham musicalidade e sutileza para a atmosfera religiosa que inspiravam, como mostra a passagem a seguir:
"O céu é todo trevas: o vento uiva.
Do relâmpago a cabeleira ruiva
Vem açoitar o rosto meu.
E a catedral ebúrnea do meu sonho
Afunda-se no caos do céu medonho
Como um astro que já morreu.”
Área Temática: Transcendência pelo onirismo e espiritualismo
Cárcere das Almas
Ah! Toda a alma num cárcere anda presa.
soluçando nas trevas, entre as grades
Do calabouço olhando imensidades,
Mares, estrelas, tardes, natureza.
Tudo se veste de uma igual grandeza 
Quando a alma entre grilhões as liberdades
Sonha e sonhando, as imortalidades
Rasga no etéreo Espaço da Pureza.
Ó almas presas, mudas e fechadas
Nas prisões colossais e abandonadas,
da dor no calabouço, atroz, funéreo!
Nesses silêncios solitários, graves
Que chaveiro do Céu possui as chaves 
Para abrir-vos as portas do Mistério?!
1 – Condição humana
 sofrida e oprimida.
2 – O sonho como
 condicionante para a
 libertação do homem.
3 – Os valores espirituais
 como solução do caos.
Onirismo: estado anormal de consciência caracterizado por sensação de irrealidade, como num sonho [Pode ser causado por substâncias tóxicas, drogas anestésicas, autointoxicação etc.]
Tema: Esoterismo, Satanismo, Goticismo
“Como fantásticos signos,
 erram demônios malignos.
 Na brancura da ossadas
 gemem as almas penadas.
 Lobisomens, feiticeiras
 gargalham no luar das eiras.
 Os uivos dos enforcados
 uivam nos ventos irados”.
O Plano Poético
	Derrama luz e cânticos e poemas
No verso, torna-o musical e doce
Como se o coração nessas supremas
Estrofes, puro e diluído fosse.
Faze estrofes assim! E após, na chama
Do amor, de fecundá-las e acendê-las,
Derrama em cima lágrimas, derrama,
Como as eflorescências das Estrelas.
Recusa a materialidade do signo: palavras abstratas, vagas, etéreas.
 A linguagem busca a interioridade do “EU”.
Recursos utilizados no Simbolismo
Vozes veladas, veludosas vozes
Volúpia dos violões, vozes veladas
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas
 Aliteração

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