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Universidade Federal do Rio Grande - FURG 18ª Mostra da Produção Universitária - MPU Rio Grande/RS, Brasil, 07 a 09 de outubro de 2019 ISSN: 2317-4420 DIAGNÓSTICO RADIOLÓGICO DE DISCOESPONDILITE EM UM CÃO RAMOS, Mayara Cristtine; COZZA-SANTOS, Thaís; BORBA, Alana Moraes; SILVA, Renata Garin Freire; MARTINS, Lisiane Basilio Torres. CAVALCANTI, Guilherme Albuquerque de Oliveira mayaracramos@outlook.com.br Universidade Federal de Pelotas Palavras-chave: cão, discoespondilite; radiologia; veterinária. 1 INTRODUÇÃO A discoespondilite é definida como a infecção do disco intervertebral, bem como, das duas vértebras adjacentes ao mesmo. Está descrita em várias espécies, no entanto, o cão é o animal mais afetado, podendo assim, resultar em uma infeção por via hematógena, paravertebral, peri ou pós-operatória e também por corpo estranho (ALMEIDA, 2017). Os organismos mais comumente associados à discoespondilite são Staphylococcus aureus e Staphylococcus intermedius (HOLLETT, 2006). O diagnóstico desta doença é geralmente através da radiografia simples, na qual permite a avaliação das vértebras, sendo esta uma técnica acessível à maioria dos médicos veterinários (MAGRO 2013). Os sinais radiográficos tornam-se evidentes em 10 a 14 dias após a infecção inicial e incluem lise de uma ou ambas as superfícies articulares dos corpos vertebrais atingidos, seguido por um colapso do espaço do disco intervertebral. Com evolução do processo, os sinais de lise continuam e proliferação óssea adjacente ocorre. Margens escleróticas surgem e proliferação óssea ventral pode ser observada levando a uma espondilose ventral associada (SEIM, 1996; SANTOS, et al. 2006). Objetivou-se, com este trabalho, relatar um caso de discoespondilite, diagnosticado através de exame radiográfico, em um cão atendido no Hospital de Clínicas Veterinárias da Universidade Federal de Pelotas (HCV-UFPel). 2 METODOLOGIA Um cão adulto e sem raça definida, encontrado em via pública e sem histórico clínico, foi atendido pelo HCV-UFPel. Realizou-se exame clínico geral no animal, obteve-se suspeita clínica de lesão em coluna vertebral torácica e lombar. Sendo assim, foi encaminhado ao Laboratório de Diagnóstico por Imagem e Cardiologia Veterinária (LADIC-UFPel) para realização de exame radiográfico simples com projeções ortogonais do segmento tóraco-lombar da coluna vertebral. mailto:mayaracramos@outlook.com.br Universidade Federal do Rio Grande - FURG 18ª Mostra da Produção Universitária - MPU Rio Grande/RS, Brasil, 07 a 09 de outubro de 2019 ISSN: 2317-4420 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO Na discoespondilite, inicialmente observa-se radiograficamente colapso do disco intervertebral, seguido de lise concêntrica simétrica das placas terminais, esclerose e espondilose (CARRERA et al, 2011; ALMEIDA, 2017). Nos exames radiológicos do paciente, visualizou-se diminuição de espaço intervertebral, irregularidade nas superfícies articulares discais, lise e proliferação ósseas locais (Figura 1), sinais descritos como característicos de discoespondilite. Fonte: Os autores. Frequentemente, o diagnóstico definitivo é baseado nos resultados do estudo radiográfico convencional. É essencial que toda a coluna vertebral seja radiografada de forma a avaliar a possibilidade de múltiplas lesões ou de lesões silenciosas (LORENZ et al., 2011; THOMAS, 2000, ALMEIDA, 2017). As principais limitações do estudo radiográfico assentam no atraso, que pode ir até várias semanas, entre o início dos sinais clínicos e a detecção de achados radiográficos, bem como, a discrepância que existe entre os sinais clínicos e os radiográficos durante a recuperação do paciente. A radiografia não permite a visualização do envolvimento epidural, sendo por isso impossível avaliar o grau de compressão medular através deste método (THOMAS, 2000, ALMEIDA, 2017). A tomografia computadorizada é útil para o diagnóstico de discoespondilite quando o exame radiográfico se apresenta normal, ou inconclusivo (GONZALO-ORDEN et al., 2000; DEVECIOGLU et al. 2006). Segundo Costa & Sami (2010), nos processos de discoespondilite, a ressonância magnética permite avaliar os tecidos moles e o osso com detalhes, Figura 1: Projeção radiográfica latero-lateral direita de coluna vertebral lombar demonstrando diminuição do espaço intervertebral entre vértebras L1-L2, irregularidade nas superfícies articulares discais, sinais de lise e proliferação ósseas locais (seta branca). Universidade Federal do Rio Grande - FURG 18ª Mostra da Produção Universitária - MPU Rio Grande/RS, Brasil, 07 a 09 de outubro de 2019 ISSN: 2317-4420 tendo elevada aptidão para a avaliação da medula óssea, detectando alterações inflamatórias que podem ser observadas antes das alterações ósseas, sendo mais precisa do que tomografia computadorizada. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Através das imagens radiográficas, foi possível inferir o diagnóstico de discoespondilite no paciente. O trabalho demonstrou que o exame radiográfico é utilizado frequentemente como primeira opção para diagnóstico dessa afecção, porém este apresenta limitações, o clínico deve estar ciente de outras possibilidades de exame complementar que possam auxiliar no seu diagnóstico. 5 REFERÊNCIAS ALMEIDA, A. R. S. A. P. Discoespondilite no cão: estudo retrospectivo de 16 casos clínicos (2015-2017). 2017. 57f. Tese (Mestrado em Medicina Veterinária) - Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Lisboa, 2017. CARRERA, I.; et al. Magnetic resonance imaging features of discospondylitis in dogs. Veterinary Radiology and Ultrasound, 52(2), 125-131, 2011. COSTA, R. & SAMII, V. (2010). Advanced Imagingof the Spinein Small Animals-Spinal Diseases-Veterinary Clinics of North America 40, (5), 765-791 DEVECIOGLU, Y.; AKTAS M.; SAROGLU, M.. Proteus induced discospondylitis the first case reported in an Anatolian sheepdog. Veteriner Fakultesi Dergisi Istanbul 32:23-28, 2006. GONZALO-ORDEN, J. M.; ALTÓNAGA, J. R.; ORDEN, M. A.; GONZALO, J. M. Magnetic Resonance, Computed Tomographic and Radiologic Findings in a Dog with Discospondylitis. Vet Radiol Ultrasound 41:142-144, 2000. HOLLETT, R. B. Canine brucellosis: Outbreaks and compliance. Theriogenology.66. 575–587, 2006. LORENZ, M. D.; COATES, J. R.; KENT, M.. Neurologic History, Neuroanatomy, and Neurologic Examination. In Handbook of Veterinary Neurology, edited by E. Saunders, 2, 15-35, 2011. MAGRO, S. M. R. Discoespondilite Canina: Estudo Retrospectivo de 10 Casos Clínicos. 129f. Tese (Mestrado em Medicina Veterinária) - Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Lisboa, 2013. SANTOS, T.C.C. et al. Principais afecções da coluna vertebral de cães: Estudo Restrospectivo (1995-2005). Vet. e Zootec. v.13, n.2, p.144-152. 2006. SEIM, H.B.Consitions of the thoracolumbar spine. Seminars in Veterinary Med and Surgery (Small Animal), 11, 4, 235-253,1996. THOMAS, W. B. Diskospondylitis and Other Vertebral Infections. Vet Clin North Am Small Anim Pract 30:169-182, 2000. 1 INTRODUÇÃO A discoespondilite é definida como a infecção do disco intervertebral, bem como, das duas vértebras adjacentes ao mesmo. Está descrita em várias espécies, no entanto, o cão é o animal mais afetado, podendo assim, resultar em uma infeção por via hemató... 2 METODOLOGIA 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS