Prévia do material em texto
Fundamentos Filosóficos do Serviço Social O Neotomismo e a Relação com o Serviço Social Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Profa. Esp. Ana Lucia Oliveira Marim Revisão Textual: Profa. Sandra Regina F. Moreira 5 Nesta unidade conheceremos as concepções e bases filosóficas de sustentação do neotomismo. O principal objetivo é entender como o caminho teórico-metodológico desse movimento influenciou e fundamentou historicamente a prática do Serviço Social. Para que possamos juntos, atingir o objetivo proposto, leia atentamente o conteúdo desta unidade! Você também encontrará nesta unidade uma atividade composta por questões de múltipla escolha, relacionadas com o conteúdo estudado. Além disso, terá a oportunidade de trocar conhecimentos e debater questões no fórum de discussão. Não deixe de consultar os materiais complementares, pois são ricos em informações que lhe possibilitarão o aprofundamento de seus estudos sobre este assunto. · Fundamentar teoricamente os conceitos sobre as principais correntes filosóficas do Ocidente; · Conhecer as concepções e bases filosóficas de sustentação do Neotomismo e sua influência, bem como os caminhos teórico-metodológicos que fundamentam a prática do Serviço Social; · Refletir criticamente sobre as teorias sociais, sua valência e funcionalidade na atuação profissional do Assistente Social. O Neotomismo e a Relação com o Serviço Social • As escolas filosóficas de Platão e Aristóteles e sua influência no tomismo • Tomismo • O Neotomismo • A influência do pensamento neotomista e o Serviço Social 6 Unidade: O Neotomismo e a Relação com o Serviço Social Contextualização Para iniciar esta Unidade, convido você a fazer uma viagem na história. Voltamos no tempo e espaço. Estamos na Grécia Antiga. Fonte: Wikimedia Commons Pelos anos de 571 a.C. e 570 a.C., encontramos um cidadão que atende pelo nome de Pitágoras, nascido na cidade de Samos ou simplesmente, o “Samiano”. Trata-se de um filósofo e matemático grego, cujos feitos lhe renderam o título de fundador de uma escola de pensamento, a saber, a pitagórica. Pitágoras percorreu por 30 anos o Egito, a Babilônia, a Síria, a Fenícia e, talvez, a Índia e a Pérsia, onde acumulou conhecimentos como: astronomia, matemática, ciência, filosofia, misticismo e religião. Sua biografia é incerta e sua figura histórica imprecisa, pois tudo que sabemos vem da tradição oral. Diz-se que seu nome significa “altar da Pítia” ou “o que foi anunciado pela Pítia”, pois sua mãe, ao consultar a sacerdotisa, soube que a criança seria um ser excepcional. Importante! Ele mesmo inventou e utilizou pela primeira vez a palavra filosofia, do grego philos (φίλος) e sophia (σοφία) que em vez de se chamar sábio, como os demais, dizia-se apenas um amante, ou amigo da sabedoria. A partir daí os sábios gregos passaram a serem chamados filósofos. Considerando esses conceitos, vamos iniciar nossa jornada pelos fundamentos das principais correntes filosóficas do Ocidente, sua influência na construção das Ciências Sociais e, fundamentalmente, nas origens do Serviço Social. 7 Pitágoras, detalhe de “A escola de Atenas” de Raffaello Sanzio (1509) Fonte: Wikimedia Common As escolas filosóficas de Platão e Aristóteles e sua influência no tomismo Toda a existência do homem foi caracterizada pela busca por respostas. Desde a antiguidade este homem procurou explicar os fenômenos que ocorriam na natureza e, com o passar do tempo, diante das insatisfações dadas pelas explicações mitológicas, registram-se tentativas de ultrapassar essas fantasias. Em decorrência desse interesse pelo conhecimento e dessa vontade da alma humana, surgiram muitas propostas de explicações para diferentes acontecimentos na natureza entre as quais, a filosofia, que em sua origem é empírica, busca o conhecimento da realidade que podemos ou não sentir e enxergar. Podemos destacar na civilização ocidental um dos principais pensadores, Pitágoras. Ele mesmo inventou e utilizou pela primeira vez a palavra filosofia, e em vez de se chamar sábio, como os demais pensadores, dizia-se apenas um amante, amigo da sabedoria. Pitágoras foi o fundador de uma escola de pensamento grega cuja linha principal, a filósofa e matemática, que por meio de pesquisas e investigações das relações ali presentes, descobriu vários fundamentos, favorecendo explicar de forma menos fantasiosa os fenômenos que ocorriam na natureza em oposição àquelas tradicionalmente mitológicas. A escola pitagórica caracterizava-se pelo ensinamento ligado ao ocultismo (reservado a poucos) e a moral pitagórica enfatizava o conceito de harmonia, considerando ainda que todas as coisas são números e o processo de libertação da alma seria resultante de um esforço predominantemente intelectual. Desta maneira, por meio das considerações de Pitágoras concebendo o termo filosofia, este passaria a ser apropriado e largamente utilizado pela sociedade humana. Fonte: Wikimedia Commons Platão e Aristóteles levando a “Ética”, detalhe de “A escola de Atenas” de Raffaello Sanzio (1509) Os pensadores gregos Platão [427-347 a.C.] e Aristóteles [384-322 a.C.] definiram a filosofia como um tipo de ciência, pois através dela investigavam o conhecimento relativo às causas da realidade e, sobretudo,com relação ao próprio homem. Esses dois amigos e filósofos gregos,apesar de possuírem concepções divergentes, se uniram para desvendar a origem de seus pensamentos. Enquanto um apresentava a razão como instrumento para se alcançar a realidade, o outro denominava os sentidos como meios para se experimentá-la. 8 Unidade: O Neotomismo e a Relação com o Serviço Social Platão, discípulo de Sócrates, elegeu a “ideia” como a origem de todas as representações (geral e abstrata) de uma realidade que temos em mente. Propôs que antes de nossa existência material (carne e osso),havíamos sido um ente espiritual (alma), que habitava num mundo onde existiam apenas as ideias (que são perfeitas), que se materializam (de forma imperfeita) no mundo sensível. Por outro lado, Aristóteles, discípulo do próprio Platão, discordou das propostas de seu mestre. Para ele, tudo o que existe é o que conseguimos perceber por meio de nossos sentidos, e, através da apropriação das imagens captadas, podemos dar nomes e formar ideias ao que vemos. Aristóteles afirma que o homem é originalmente um animal social e político, porque sozinho não pode garantir sua sobrevivência, precisando unir-se a seus semelhantes para superar as dificuldades encontradas na natureza. Assim, de acordo com Amaral [...] é pelo convívio com os semelhantes que o homem busca o que falta para reunir as condições que possibilitem expressar e viver as suas potencialidades e ações que revelem sua aptidão de ser humano. (AMARAL, 1998, p. 99-131) Dessa forma, com relação a origem do pensamento, podemos dizer que essas preocupações não estão conceitualmente voltadas apenas para o entendimento de como as ideias chegam em nossos cérebros, ou de que forma estão organizadas e programadas, mas também seessas descobertas podem estar restritas,ou não,a tudo o que existe no mundo. Nas Idades Antiga e Medieval, a filosofia abrangiavárias áreas de investigação teórica. Apartir do século XVII, alguns ramos do conhecimento começam a se separar da filosofia, tornando-se ciências independentes,com métodos próprios de observação e experimentação. Apesar disso, a filosofia atual ainda pode ser vista como uma disciplina que trata de questões gerais e abstratas que são relevantes para alicerçar as demais ciências particulares ou atividades culturais. Você sabia? Para Platão a filosofia é o uso do saber em proveito do homem.As ideias trazidas por Platão e Aristóteles contribuem com o surgimento da filosofia, ciência na qual o homem buscar uma explicação racional para o mundo, não se contentando com as análises de mitos e lendas, em que todos os fenômenos eram atribuídos aosdeuses.A partir de Platão e Aristóteles a filosofia é considerada como ciência, pois é conhecimento certo pelas causas, cujo objeto material são todas as coisas e o objeto formal, as suas causas últimas. 9 Tomismo Santo Tomás de Aquino, monge dominicano que viveu no século XIII, sob a influência de Aristóteles, de Platão e de Santo Agostinho, criou um sistema filosófico e teológico próprio e original. Esse sistema,denominado tomismo tornou-se muito importante na era medieval, inspirando sobremaneira toda a filosofia e redirecionando-a sob sua influência. São Tomás de Aquino Nascido em 1225 numa nobre família, que lhe havia proporcionado ótima formação, Santo Tomás de Aquino foi atraído pela pobreza pregada pela Ordem Dominicana e que, diante da oposição familiar, principalmente da mãe condessa, chegou a viajar às escondidas para Roma com dezenove anos, para um mosteiro? No entanto, ao ser enviado a Paris, foi preso pelos irmãos servidores do Império. Levado ao lar paterno ficou, ordenado pela mãe, um tempo detido. Tudo isto com a finalidade de fazê-lo desistir da vocação, mas de nada adiantou. Uma das características dessa corrente filosófica é a preocupação com a adaptação e integração do pensamento de Aristóteles ao Cristianismo e a relação entre teologia e filosofia. Tomás considera que o homem tende naturalmente para Deus e a ética tomista é esse movimentoracional, da criatura para Deus que é a fonte de todos os seres. Aquino acreditava que “para conhecer uma verdade, o homem precisa da ajuda divina; que o intelecto pode ser movido por Deus a agir”. Porém, ele acreditava também que os seres humanos tinham a capacidade natural de conhecer muitas coisas sem nenhuma revelação divina especial. A verdade é então conhecida pela razão (revelação natural) e pela fé (revelação sobrenatural). Como já vimos, a filosofia tomista encontra-se sob influência do pensamento grego de Aristóteles e sua doutrina está baseada nos conceitos de grupos religiosos, especialmente dos latino-agostinianos,que perceberam a necessidade de aprofundar uma fé que estava amadurecendo, na tentativa de harmonizá-la às exigências do pensamento filosófico e,por fim, daqueles que a ele antecederam nos princípios escolásticos,aqui entendido como um método de aprendizagem que nasceu nas escolas monásticas cristãs que conciliavam a fé com o pensamento racional. Você sabia? Após a morte de São Tomás de Aquino em 7 de março de 1274, doze das suas teses foram condenadas em Paris (1277). Contudo, em 1278 o tomismo foi adotado pelos dominicanos e, em 1323, o Papa João XXII canonizou São Tomás. O tomismo proliferou, então, durante um período relativamente longo, mas acabou por cair posteriormente em discussões abstratas mais ou menos estéreis. 10 Unidade: O Neotomismo e a Relação com o Serviço Social Saiba Mais O pensamento escolástico foi o método de pensamento crítico dominante no ensino nas universidades medievais europeias entre 1100 e 1500. Não tanto uma filosofia ou uma teologia, como um método de aprendizagem, a escolástica nasceu nas escolas monásticas cristãs, de modo aconciliar a fé cristã com um sistema de pensamento racional, especialmente o da filosofia grega. Colocava uma forte ênfase na dialética para ampliar o conhecimento por inferência e resolver contradições.De acentos notadamente cristãos, a escolástica surgiu da necessidade de responder às exigências da fé, ensinada pela Igreja, considerada então como a guardiã dos valores espirituais e morais de toda a Cristandade. Por assim dizer, responsável pela unidade de toda a Europa, que comungava da mesma fé. Essa linha vai do começo do século IX até ao fim do século XVI, ou seja, até ao fim da Idade Média. Esse pensamento cristão deve o seu nome às artes ensinadas na época pelos acadêmicos (escolásticos) nas escolas medievais. Essas artes podiam ser divididas em Trivium (gramática, retórica e dialética) e Quadrivium (aritmética, geometria, astronomia e música). A escolástica resulta essencialmente do aprofundar da filosofia. As obras mais conhecidas de Tomás são a “Suma Teológica” (em latim: Summa Theologiae) e a “Suma contra os Gentios” (Summa contra Gentiles). Seus comentários sobre as Escrituras e sobre Aristóteles também são parte importante de seu corpus literário.1 A relação entre fé e a razão permeou todo o pensamento de Tomás de Aquino. Aquino defende certa autonomia da razão para se alcançar respostas, apesar de em nenhum momento negar tal subordinação da razão à fé e utilizar-se de metodologia própria para provar a existência de Deus através de um raciocínio lógico. O que importa para nós é entendermos que para Tomás, a pessoa se distingue de um ente, ou seja, o homem é composto de corpo e alma e a partir dessa união resulta o ser humano que, dotado de inteligência se difere de qualquer outro ser. Segue ainda Tomás, arguindo sobre a natureza do homem como um ser social (assim como em Aristóteles), que necessita da convivência em sociedade, como quando acontece a união de homens com o objetivo de realizar alguma coisa que é comum a todos. Acrescenta ainda que essa vivência é imprescindível para o desenvolvimento do homem. Nos séculos XVII e XVIII, observa-se um declínio da influência do pensamento tomista na sociedade. Tomás se distingue por seus hinos eucarísticos que ainda hoje fazem parte da liturgia da Igreja. Para seu deleite, ouça “Canta ó língua”... o glorioso mistério do Corpo e do Sangue precioso... Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=-rF1rGoJJmo 1 Para o dicionário da Língua Portuguesa,aplicado ao texto refere-se como sendo tudo que se refere à obra literária, o texto e suas implicações a partir da tríade: obra, autor e leitor. O estudo do gênero, do espaço, da vida do autor, do leitor, da época, dos costumes, etc... 11 O Neotomismo Fonte: Wikimedia Commons Papa Leão XIII O Neotomismo é a corrente filosófica que resgata o Tomismo, a filosofia do pensador italiano e monge dominicano, Santo Tomás de Aquino.Trata-se de um movimento de retorno à filosofia tomista da Idade Média, retomada a partir de 1879, por influência do Papa Leão XIII, por meio dos pressupostos e ensinamentos registrados em sua encíclica Aeterni Patris. O tomismo exemplificou o embate entre formas de pensar diante da modernidade e os desafios que ela trazia.O objetivo, portanto, pautava-se em resolver problemas contemporâneos.A partir dessa encíclica, surgiram vários centros de estudo e difusão do tomismo: no século XIX, nas universidades como o Instituto Superior de Filosofia, na Universidade de Louvain, os institutos católicos na Europa e Estados Unidos, a Universidade de Friburgo, na Suíça, entre outros. Para o neotomismo, toda a filosofia moderna, a partir de Descartes (31/03/1596-11/02/1650), filósofo, físico e matemático francês, criador do método cartesiano, considerado o primeiro filósofo moderno(Mayos, 1993),se constituiria em erros e equívocos, responsáveis pela crise do mundo moderno. As primeiras ideias neotomistas surgiram no Collegio Alberoni, de Piacenza, Itália, na segunda metade do século XVIII. Estabeleceram-se com o grupo fundador da revista Civilitá Cattolica, publicada em Nápoles, a partir de 1850 e, posteriormente, também em Roma. Destacaram-se nesse grupo Matteo Liberatore e Gaetano Sanseverino. Descartes Fonte: Wikimedia Commons Você sabia? O Papa Leão XIII (1878-1903), em 1884, criou uma oração homenageando São Miguel Arcanjo, depois de ter uma visão assustadora na qual legiões de demônios voavam das profundezas do inferno para causar a destruição das almas da Igreja quando, repentinamente, São Miguel Arcanjo aparecia e lutava contra os demônios, enviando-os de volta para o abismo do inferno. Acesse os links abaixo e ouça: 12 Unidade: O Neotomismo e a Relação com o Serviço Social Universidade Católica de Louvain Fonte: Wikimedia Commons A Université Catholique de Louvain estabeleceu-se como o centro de onde emanoutoda energia intelectual do reestabelecimento do tomismo, chefiada pelo Cardeal Mercier. Nascido Désiré-Félicien-François-Josep Mercier, em Braine-l’Alleud, aos21 de Novembro de 1851 — Bruxelas. Foi uma autoridade eclesiástica belga da Igreja Católica Romana que serviu como arcebispo de Bruxelas-Mechelen, de 1906 até falecer em 23 de Janeiro de 1926. Foi elevado a Cardeal em 1907. Ele se posicionou como defensor da resistência belga à ocupação alemã em 1914, seu pensamento social influenciaria o cardeal Leo Joseph Suenens em favor da reforma da igrejadurante o Concílio Vaticano II (1962-1965). A intenção era formar sob o novo tomismo não só padres, mas também pessoas influentes ocupando postos de comando. Nessa corrente filosófica, notaremos a presença fundamental do pensamento de Tomás que traz consigo noções e ideias, princípios tomistas de “Visão de pessoas humana”, “Conceitos de sociedade e bem comum” e ainda assuntos relacionados a “questões éticas”, as quais se apresentam no Neotomismo representadas indiretamente, princípios estes ensinados nas escolas de Serviço Social a partir de 1936 e não por acaso estará na base do trabalho social. Cardeal Desiré-Joseph Mercier (1851-1926) Fonte: Wikimedia Commons A partir de 1920, surge a “União Internacional de Estudos Sociais”, instituição católica presidida pelo Cardeal Mercier, a qual instaurou uma espécie de “ciência social” da Igreja, oferecendo as bases teóricas da prática assistencial católica. A União foi fundada em Malinas, na Bélgica, e preparou um documento batizado de “Código de Malinas”, cujo teor contém diretrizes da intervenção social e política da Igreja. O principal neste código, além das afirmações baseadas em Tomás, é de que economia e moral não se separam. Conforme Aguiar (2011), este código difundiu a ação dos cristãos na chamada questão social e marcará também os assistentes sociais católicos brasileiros. (Aguiar, 2011. p.62). Entre os numerosos órgãos de divulgação do Neotomismo incluem-se a Rivista di Filosofia Neo-Scolastica, de Milão, e a parisiense La Revue Thomiste. 13 A influência do pensamento neotomista e o Serviço Social De acordo com Aguiar (2011, p.26), no século XIX, os operários europeus viviam em situação de extrema pobreza e miséria e haviam se tornado vítimas da exploração industrial e do capitalismo. Em resposta à questão social que se instalara, a Igreja se posiciona, considerando que a sociedade se encontrava em plena decadência moral e de costumes. Inicia-se então, uma intervenção objetiva nesse meio, que foi marcada pela promulgação da Encíclica Rerun Novarum(15/05/1891). Nesse momento, como descrito por Mairinque Castro (2011, p.51), o Serviço Social começa a percorrer o caminho para sua profissionalização, tendo seu acesso verificado nas instituições de ensino superior e se vinculando a certas instâncias do Estado. A sociedade é concebida e pensada para, além de garantir a sobrevivência física do homem, atender às necessidades da alma (o fim atemporal). Martinelli (1997, p.99), afirma que,a partir dessa hipótese neotomista, da aliança da alta burguesia inglesa com a Igreja e o Estado, nasce a Sociedade de Organização da Caridade, a primeira proposta de prática para o Serviço Social no terço final do século XIX. Considerando-se contextualmente as características de atuação profissional nesse período, os assistentes sociais idealizavam um projeto societário que atendesse às duas dimensões do homem: o corpo e a alma. Naturalmente, a sociedade era entendida como “meio posto ao homem para apontar livre e plenamente sua destinação” (MANCINI, 1940, p. 4). Trata-se de um movimento de reconstrução da sociedade no qual as bases fundamentais não eram questionadas. Apesar disso, houve uma grande repercussão a respeito dos documentos papais que se seguiram, bem como da ação organizada pelos cristãos em favor da construção de uma legislação social e de uma ação voltada aos operários. Você sabia? 15 de maio, ocasião em que se comemora o dia do Assistente Social é uma referência à data de publicação da Encíclica Renum Novarium (Das Coisas Novas), publicada pelo Papa Leão XIII aos 15/05/1891, que pela primeira vez apresentava ao mundo católico as diretrizes da doutrina social. A compreensão de homem dos primeiros assistentes sociais pautava-se no campo metafísico. Eles entendiam que o homem, como pessoa humana, era portador de “valor soberano a qualquer outro valor temporal” (FERREIRA, 1939, p. 28) e tinha sua existência marcada por uma característica temporal e, atemporal, entendida como prioritária para sua realização enquanto pessoa que caminha para a vida eterna. Importante! A partir dessa concepção, esses assistentes sociais vinculavam o exercício profissional a princípios não submetidos ao movimento histórico. 14 Unidade: O Neotomismo e a Relação com o Serviço Social Essa corrente filosófica sugeria que a formação profissional do assistente social fosse orientada pela doutrina católica que era, segundo Telles (1940, p.14), constituída por princípios verdadeiros, porque nunca sofriam mudanças. Doutrinas católicas, sobretudo a explicitada nas encíclicas Rerum Novarum(1881) e Quadragésimo Ano (1921), propunham o envolvimento dos católicos com os problemas sociais advindos da questão social, como já vimos. Propostas relacionadas principalmente à exploração dos operários, as doutrinas concebiam o homem inspiradas na concepção neotomista, a partir da compreensão da Igreja e, também, da sugestão doutrinária relacionada à filosofia de São Tomás de Aquino (Encíclica Aerteni Patris, 1879). Os primeiros assistentes sociais, considerando que o homem apresentava-se à nossa razão como composto de “corpo e alma [...] Ser social incompleto, utilizando-se da sociedade para o cumprimento de seu fim último” (TELLES, 1940, p.4), compartilhavam, portanto da visão neotomista. A partir dessa idealização de projeto societário, esses profissionais recusavam, como sugeria a Igreja Católica, o comunismo e o liberalismo que interpretavam como sendo “doutrinas individualistas”. Importante! A sociabilidade essencial, atributo da natureza humana, remete a prática do assistente social para duas instâncias: o indivíduo e a sociedade. Esta precisaria ser restaurada em seus ideais comunitários destruídos pelo ideário liberal e aquele deve ser elevado à condição de pessoa humana. Os primeiros assistentes sociais previam um processo educativo a partir de dois aspectos que constituíam a visão neotomista da pessoa humana: a inteligência e a liberdade, o que favoreceria a superação de sua própria condição permitindo sua adaptação às circunstâncias, sendo porventura esta precária em termos materiais e espirituais, fortalecendo-se para sua realização enquanto pessoa humana. A questão social era encarada como uma questão moral, pregando a atuação profissional junto às “deficiências sociais e individuais”, com vistas à construção de uma nova ordem social. Assimpara Mancini (1940, p. 2), sua intervenção junto a indivíduos desajustados, deve dirigir- se “diretamente ao espírito” e “corrigi-lo das suas más formações, construindo ali o alicerce de suas obras”. Os primeiros assistentes sociais, pautados pelo Neotomismo, vinculavam sua prática à liberdade da pessoa humana. Respeitar esta liberdade, na atuação profissional, significa respeitar a liberdade do assistido. Esta seria, segundo Pereira, uma das mais sérias dificuldades do assistente social, uma vez que ele deveria usar o mais possível de sua influência, sem faltar, entretanto, com o devido respeito à liberdade humana. Acima de tudo, está a dignidade da pessoa humana, o ser livre, que deverá ser esclarecido, orientado, porém, nunca coagido (PEREIRA, 1940, p.10). Dentre as categorias de atuação profissional estão a família e o trabalho. 15 Com relação ao trabalho, chamamos a atenção para os estudos de Ferreira (1940), que o aponta como o “esteio moral” que garantiria a obediênciaaos “verdadeiros valores” da sociedade. Enquanto meio para formação moral, o trabalho deve completar a educação dos operários, “não bastam os segredos da fiação, da cerâmica ou da siderurgia, mas é necessária a aragem vivificadora de outras zonas: a zona da moral e da religião” (FERREIRA, 1940, p.26). Por extensão, outras características da ação dos assistentes sociais junto aos trabalhadores, segundo Ribera (1940), eram a orientação vocacional, a prevenção de acidentes de trabalho, a melhoriadas condições de vida do empregado e, ao mesmo tempo, a garantia do rendimento da empresa,a estabilização das condições de trabalho, além de implementar medidas de proteção à saúde etc.,que se davam em torno da “situação física e moral do trabalhador” e com este trabalho, pretendia-se “beneficiar” os trabalhadores e “comprometê-los com a ordem social” (RIBERA, 1940, p.6 ). A atuação dos primeiros assistentes sociais estava voltada à classe trabalhadora e tinha como perspectiva a conciliação das classes sociais. O trabalho do Serviço Social segundo Telles (1940, p.9), tem o foco na família, pela qual se entende e preserva a ordem social, é ainda na família que o homem pode desenvolver-se para viver em harmonia na sociedade. A família, “ambiente natural à formação dos homens”, fica comprometida em quadros familiares que se constituem em “ambientes promíscuos e sem formação moral”. Esse quadro levaria, por exemplo,à “precariedade de habitações” como os cortiços, “situações como a de concubinato, abandono do lar pelo chefe, mãe solteira, separação de cônjuges, menores pervertidos e alcoolismo”. Importante! A prática profissional dos assistentes sociais em uma perspectiva idealista, vinculada às diretrizes da Igreja Católica daquele período, se posicionava a favor de um projeto de sociedade que pudesse reconstruir a ordem social destruída pelo desrespeito à dignidade humana, para através da ação profissional pautada na reeducação moral, obter o essencial para o bem estar ou para a atividade profissional,assegurando condições mínimas de sobrevivência tais como: restaurantes em ambientes de trabalho, assistência a menores e algumas garantias legais para minorar as condições de trabalho. Neste contexto, a recuperação de quadros sociais degenerados, segundo esses assistentes sociais, se dava, sobretudo, a partir da atuação profissional junto a indivíduos e famílias. Para Silva, a presença das ideias tomistas repercutiu profundamente na percepção que a Igreja tem acerca da realidade social, política e econômica, servindo como grande protetor contra os anarquistas e comunistas que se espalhavam entre os trabalhadores, seja na Europa, seja no Brasil. (Silva, 1995, p. 93). O Brasil não ficou imune às ideias tomistas, havendo registros que datam do período colonial, quando os padres da Companhia de Jesus, em seus colégios, ensinavam filosofia e teologia. A partir da saída dos jesuítas do Reino Português, em1759, e de suas colônias, incluindo o Brasil, o ensino da filosofia tomista foi deixado de lado, dando lugar às ideias iluministas(AGUIAR, 2011 p.31). 16 Unidade: O Neotomismo e a Relação com o Serviço Social De acordo com Bruneau (1974), a preocupação de Igreja Católica era recuperar as prerrogativas perdidas com a Proclamação da República, em 1889. O governo provisório, com o Decreto de 1890, promoveu a separação entre Igreja e Estado, permitindo o fim do Padroado, surgindo um Estado Republicano laico. A corrente neotomista vem servir de sustentação à teoria e prática do Serviço Social e como expoente desse movimento, por exemplo, destaca-se a presença do filósofo francês Jacques Maritain. Jacques Maritain Estamos falando de uma das maiores expressões inspiradoras do Neotomismo. Nasceu em Paris em 1882, num ambiente familiar republicano e antiliberal. Profundo conhecedor da filosofia, ele influenciou a ideologia da democracia-cristã, cuja obra, quase toda traduzida para o espanhol e o português, tornou-se referência para os autores católicos da América Latina e Brasil. Este considera o homem como pessoa humana, dotado de corpo e alma. Entende que a sociedade é uma instância da qual este homem não pode prescindir em sua existência corpórea. De acordo com Aguiar, as repercussões concretas de suas posições encontram-se no Movimento de Legislação Social e na Constituição de 1934 (AGUIAR, 2011, p. 73). Fonte: Wikimedia Commons Segundo Aguiar (2011, p.75), Maritain propôs o humanismo integral no qual o papel dos cristãos é questionado dizendo que a tarefa destes é de suscitar “[...] uma força cultural e temporal de inspiração cristã capaz de agir na história e ajudar os homens [...]”. Alceu Amoroso Lima, conhecido como Tristão de Ataíde,(11/12/1893-14/08/1983), crítico literário, ensaísta, professor universitário e o padre Leonel Franca, nascido Leonel Edgard da Silveira Franca,em São Gabriel, (06/01/1893-03/09/1948),sacerdote católico e professor, entre outros são também expoentes representantes do Neotomismo no Brasil, e seguidores de Maritain. Alceu Amoroso Lima “Tristão de Ataíde” Padre Leonel França Fonte: revistadehistoria.com.br Fonte: PUC-Rio - Núcleo de Memória - 2010 17 Desse modo, com a forte influência desses colaboradores e disseminadores, o movimento neotomista se expandiu e sedimentou nas ações dos assistentes sociais, fundamentalmente devido às contribuições e ensinamentos disseminados nas academias onde, para Iamamoto (1983, p.206), quando falamos da transmissão do Neotomismo estamos falando dos espaços onde isso era possível: nos centros e núcleo de estudos, mas, sobretudo nas faculdades. Nos anos 30, quando o Serviço Social encontra campo fértil e se mostra como profissão no Brasil,este estava imerso num processo precoce e acentuado de industrialização, com características dinâmicas que contava com avanços no desenvolvimento econômico, social, político e cultural.Quando se coloca em discussão a denominada questão social, dois elementos surgem em destaque: o trabalho e o capital. Deixamos registradas as considerações de Kiehl (1939), que relaciona os processos de institucionalização do Serviço Social como profissão,aos efeitos políticos, sociais e populistas do governo de Vargas que, na ocasião exigia um profissional cujo perfil atendesse às exigências de uma nova ordem econômica, contribuindo para a ascensão da burguesia industrial ao cenário político e econômico, a qual não poderia sofrer interrupções com questões dos trabalhadores, como bem esclarece (KIEHL, 1939, p.8). Importante! Para os teóricos do Serviço social, a solução dos “males sociais” se pautava na utilização derecursos técnicos com a finalidade de corrigir as disfuncionalidades, caracterizadas pelos fenômenos decorrentes da subordinação da força de trabalho ao capital. Assim, apoiada pelo Centro de Estudos e Ação Social(1932) e pelos diversos cursos promovidos para as senhoras católicas, foi fundada em 1936, em São Paulo, a primeira escola de Serviço Social do Brasil, com o objetivo de oferecer preparo às pessoas interessadas em ajudar aos pobres. Essas deveriam cumprir certas exigências,tais como: uma formação de consciência, elevação interior, dedicação excepcional com que abafará o egoísmo e ainda a vontade de servir desinteressadamente e de forma anônima a sociedade. Em resumo, o Serviço Social chama para si uma verdadeira vocação de seus agentes (FERREIRA, 1939, p.4). Como vimos então, a filosofia, enquanto meio utilizado para conhecer e explicar a natureza vai efetivamente contribuir para a construção de uma das correntes de pensamento que influenciaram o Serviço Social desde sua gênese, o Tomismo (teologia de Tomás de Aquino) que fez nascer no seio do trabalho social da Igreja católica a noção de caridade.O Tomismo será o ponto de partida e a base de sustentação para o pensamento Neotomista, que, retomado a partir de 1879, por influência do Papa Leão XIII, busca dar respostas aos problemas sociais emergentes advindosda pobreza, onde se considerava o homem em estado de “degradação moral”. Para a doutrina católica originariamente não são os homens que devem decidir mudar ou transformar a sociedade e sim os mandatários de Deus e assim negam toda proposta de transformação social. Somente á partir de 1920, registra-se a criação de uma instituição católica, para oferecer bases teóricas da prática assistencial católica, a “União Internacional dos Estudos Sociais”que buscará fazer uma “ciência social” da igreja, cujo teor contém diretrizes da intervenção social e política e que seguindo-se a este e ainda sob a influencia do Neotomismo no Brasil destacam-se outros colaboradores e disseminadores de ensinamentos nas academias que fizeram expandir e consolidar-se nas ações dos assistentes sociais. 18 Unidade: O Neotomismo e a Relação com o Serviço Social Material Complementar Para complementar os conhecimentos adquiridos nesta unidade, seguem algumas sugestões: Livros: AMEAL, João. São Tomás de Aquino. 5.ed. Porto: Livraria Tavares Martins, 1961. Ao ter contato com esta obra, você conhecerá mais detalhadamente sobre a vida e obra de Tomás de Aquino, a primeira parte é imperdível pois traz sua biografia. Enquanto a segunda expressa suas ideias e linhas de pensamento. CAMPOS, Fernando Arruda. Tomismo e Neotomismo no Brasil. São Paulo: Grijalbo, 1968. Essa obra traz algumas considerações sobre as novas configurações da sociedade quando o país passava por um processo de industrialização, deixando a economia rural, em consonância com as mudanças econômicas ocorridas no mundo, que também afetariam o Brasil agravando a os conflitos sociais, de forma inclusive a identificar as características do Serviço Social que acabava de chegar em meados de 1930, formatado pelo neotomismo. ______. Tomismo hoje. São Paulo: Loyola, 1989. Esta obra aborda de forma detalhada, como esta filosofia está presente nas ações sociais no contexto da sociedade, ainda nos dias atuais. DESCARTES, René. Meditações. São Paulo: Nova Cultural Ltda., 1999. Este material está destina aos que desejam conhecer melhor sobre a vida e obra de Descartes. MARITAN. J. Humanismo Integral: Uma visão nova da ordem cristã (Humanismo Integral) Trad. Afrânio Coutinho, 4ª. Ed. São Paulo: Dominius. 1942. Este material pode esclarecer ao aluno sobre os ensinamentos que Maritain disseminou, conceitos os quais assumidos pela Igreja Católica e feito parte da Doutrina Social da Igreja, inclusive no Brasil os quais, fundamentaram as práticas dos assistentes sociais. RODRIGUES, A. M. M. A Igreja na República. Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 1981. Esta obra aponta o Estado como organização política e social existe desde as civilizações antigas, vinculado com a religião e rompendo com essa tradição o Estado deixou de ser uma criação divina, para preocupar-se somente com os “interesses conflitantes que permeiam as relações sociais, destacando a história da Igreja, com a finalidade de buscar subsídios para a compreensão do forte vínculo, que ainda hoje, une essas duas Instituições. SILVA, F. L. Descartes: a metafísica da modernidade. 2.ed. São Paulo: Moderna, 2006. Essa obra pode contribuir trazendo conhecimento ao a luno no sentido de possibilitar a identificação das explicações sobre a essência dos seres e as razões de estarmos no mundo, do ponto de vista do autor, seguindo-se à análise da Metafísica relacionada as interações dos seres humanos com o Universo. 19 Leituras: Conheça mais sobre o Compêndio teológico de Tomas de Aquino acessando: http://goo.gl/UVRvEz Cânticos: Se você deseja ouvir um cântico medieval acesse: https://www.youtube.com/watch?v=-rF1rGoJJmo ou http://goo.gl/bGaXWQ Sites: Para conhecer a oração homenageando São Miguel Arcanjo escrita pelo Papa Leão XIII (1878-1903) a partir de sua visão em 1884 visite: http://www.arcanjomiguel.net/papa_miguel.html#ixzz3Ly5hUm1Q 20 Unidade: O Neotomismo e a Relação com o Serviço Social Referências AGUIAR. A.G. Serviço social e filosofia: das origens de Araxá. 6ª Ed. São Paulo: Cortez, 2011. AMARAL, C. E. P. Subsidiariedade e autonomia em São Tomás de Aquino: uma filosofia política para os nossos tempos. Arquipélago – Ciências Sociais, Açores, n.11/ 12, 1998. BRUNEAU, T. O catolicismo brasileiro em época de transição. São Paulo: Loyola, 1974. FERREIRA, T.P. Poema do Trabalhador. Revista do Instituto de Serviço Social, São Paulo, ano I, n.l, p.4, 1939. IAMAMOTO, M. V.; CARVALHO. R. Relações Sociais e Serviço Social no Brasil. São Paulo: Cortez/Celats, 1983. KIEHL, M. A Escola de Serviço Social e os problemas do trabalho. Revista Serviço Social, São Paulo, ano 1, n.1, p.8, 1939. LEÃO XIII. Rerum Novarum: carta encíclica de sua santidade o Papa Leão XIII sobre a condição dos operários. 8.ed. São Paulo: Ed Paulinas, 1965. MAIRINQUE CASTRO, M. História do Serviço Social na América Latina; Tradução de José Paulo Netto e Balkys Villalobos. 12 Ed. São Paulo: Cortez, 2011. MANCINI, L. C. O sentido do serviço social. Revista Serviço Social, São Paulo, ano 1, n.14, 1940. MARTINELLI, M. L. SERVIÇO SOCIAL identidade e alienação. São Paulo: Cortez, 1989. MAYOS, G. O Problema sujeito-objeto em Descartes, perspectiva da modernidade (traduzido por Mariá Brochado e Natália Freitas Miranda). Revista de investigación e información filosófica, Madrid, n. 195, V. 49, pp. 371-390, jul.-sep. 1993. PEREIRA. S.F.A. O Assistente e a liberdade do Assistido. Revista de Serviço Social, ano 2, n. 23, 1940. RIBERA. G. O Serviço Social na Indústria. Revista de Serviço Social, São Paulo, ano 2, n. 16 , 17, 1940. PEREIRA, Potyara A. P. As políticas dos anos 90: crise ou reestruturação? In: Debates Sociais. Rio de Janeiro: CBCISS, n.57, p.65-72, 1999. SILVA, C.N. A Presença de Postulados Tomistas na Gênese do Serviço Social. Departamento de Filosofia/UEL, Monografia para obtenção do título Especialista em Filosofia. Londrina PR,1995. TELLES, G. U. Formação moral do assistente social. Revista Serviço Social, São Paulo, ano 2, n.13, p. 14, 1940. 21 Anotações