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ANTROPOLOGIA FORENSE – IDENTIFICAÇÃO HUMANA Antropologia Forense → Cuida da identificação humana dentro da Medicina Legal e da Odontologia legal. Identificar pessoas vivas ou mortas. Com documentos duvidosos ou sem documento oficial. Casos em que um indivíduo alega ser menor, mas a autoridade policial fica em dúvida. Obs. No IML o médico legista ou odontolegista, através de exames radiológicos das arcadas, do crânio, de alguns ossos do corpo, conseguem estimar a idade daquele indivíduo. • Identificação Humana • Identidade: conjunto de caracteres que permitem diferenciar um ser ou objeto dos demais; • Identificação: processo para determinar a identidade de um ser ou objeto; • Unicidade: sinais (características) únicas ou pouco frequentes; • Imutabilidade: não muda; pouco alterável; • Perenidade: característica duradoura; • Praticabilidade: processo factível, viável, prático; • Classificabilidade: permitir arquivar os dados de forma metódica para facilitar a pesquisa rápida. Qual é o método mais eficiente, mais prático, mais rápido, mais econômico, mais factível de identificação humana? → Técnicas de identificação por impressões papilares. - O método de identificação papiloscópicos, Método de Juan Vucetich – um croata naturalizado argentino que, por volta de 1900. - Utilizada no Brasil e no mundo todo. Obs. A impressão digital, que é um sinal único identificador de cada pessoa: mesmo tendo um irmão gêmeo univitelino, embora o DNA seja idêntico, a impressão digital é diferente. - Esse método atende a todos os requisitos, havendo outros métodos que igualmente atendem, porém não são tão acessíveis e práticos. Infelizmente, em casos de cadáveres em avançado estado de decomposição ou que perderam as mãos, sofreram mutilação ou que já estão esqueletizados, não é possível fazer uso dessa técnica, sendo necessária a utilização de outros métodos, por exemplo, identificação por arcada dentária e, em último caso, os exames por DNA, que são mais caros e demorados. Classificação dos Métodos de Identificação • Médico-legal: sempre feita por médico legista ou (peritos criminais) odontolegistaS; • Judiciária ou policial: feita por experts em identificação: peritos criminais ou papiloscopistas. Parâmetros da identificação médico-legal 1. Espécie: anatomia geral dos ossos; 2. Etnia: medidas de ossos (crânio, fêmur, tíbia, rádio); 3. Sexo: genitália e mamas; cromossomos (H: 46 XY; M 46 XX); crânio; mandíbula; ossos da pelve – “bacia”; 4. Idade: dentição, suturas cranianas, densidade, formato e tamanho dos ossos; 5. Estatura: grandes ossos (fêmur, tíbia, rádio); 6. Má-formação: lábio leporino, pé torto, deficiências em geral; 7. Sinais particulares: tatuagens, cicatrizes, palatoscopia, queiloscopia etc. Palatoscopia é o estudo da rugosidade do céu da boca. Pouco utilizado no Brasil e em outros países. Reconhecimento é a conferência subjetiva.uma pessoa da família que conhece a vítima, que conhece aquele corpo como sendo o cadáver de uma determinada pessoa. Procedimento subjetivo, pouco técnico, pouco científico. É pouco confiável, pois a pessoa morta tem as suas feições alteradas em razão de uma série de fenômenos que ocorrem com a cessação de vida. Reconhecer por roupa, por tatuagem, por cicatriz, ajuda, mas não é técnico, não é científico, não é confiável. Trata-se apenas de um direcionamento para a identificação do cadáver. Isso é apenas um direcionamento para a identificação do cadáver porque para restituir um cadáver com segurança (científica, técnica) para a família, tem que ser por meio dos exames acima mencionados, exames chamados de identificação, de métodos de identificação que permitem chegar à identidade do indivíduo. Essa é a diferença de reconhecimento para identificação. A queiloscopia estuda o formato, a configuração da rugosidade das estrias do lábio. Cada um de nós tem um formato típico de lábio que permite diferenciar uns dos outros. Muito utilizado em países avançados. Nos EUA, é uma técnica aplicada para identificar criminosos em cenas de crime que ingeriram alguma bebida em algum copo, porque ali fica marca. Investigação da espécie • Necessária quando do encontro de ossadas que geram dúvidas; • Ossadas humanas; • Comparação morfológica: dimensões, dentes, crânio, membros. • Microscopia: estudo histológico. • Comparação radiológica: densidade • Sangue: exames laboratoriais e microscopia das hemácias; DNA. Reações imunológicas: 2g farinha osso de molho durante 48h em solução fisiológica. soro antiproteínas humanas; precipitação/floculação positiva = osso humano. Identificação da espécie é também chamada identificação genérica. Determinação do sexo, vários tipos, FRANÇA: 1. Morfológico; Configuração fenotípica do indivíduo. Genótipo são as informações genéticas moleculares que os seres humanos possuem. Fenótpo nada mais é do que a manifestação dessas características microbioquímicas moleculares do genótipo da molécula do DNA na aparência externa do corpo humano. O fenótipo permite, de um modo geral, na maioria das vezes, nos padrões normais de pessoas, diferenciar um homem de uma mulher, sem entrar na questão das discussões de gênero, sexo. 2. Cromossomial; análise do cromossomo; masc. 46 XY; fem. 46 XX; 3. Gonodal; : masc., testículos; fem., ovários; 4. Cromatínico; corpúsculos de Barr; corpos cromatínicos; células femininas; 5. Genitália interna; masc., dutos de Wolff; fem., dutos de Müller; 6. Genitália externa; masc., pênis e escroto; fem., vulva/vagina/mamas; 7. Sexo jurídico; : registro civil; registro de sexo por determinação judicial; 8. Sexo de identificação; sexo declarado, moral; 9. Sexo médico-legal. constatado no exame médico-legal. Ex.: hipospádia, genitália dúbia. Obs. Há casos de deficiência na genitália na região peniana, como no caso de hipospádia, que é uma doença localizada no canal do pênis. Esse caso pode gerar dúvidas, mas, pela literatura, é considerado sexo masculino. Determinação do Sexo • Determinação sexo, crânio; resultados confiáveis; • Dimorfismo sexual (masculino/feminino); • Crânio, pelve, fêmur, rádio, clavícula, calcâneo; • 1ª vértebra cervical; • Ossos masculinos: robustos, pesados, maiores; • Ossos femininos: delicados, mais leves, menores; • Tórax: homem, cone; mulher, ovóide; • Pelve mulher: maior diâmetro. Análise craniana Homem Mulher Fronte mais inclinada p/ trás Fronte mais vertical Glabela e arcos superciliares salientes Glabela não saliente; continuação do perfil frontonasal Reborda supraorbitária romba Reborda supraorbitariana cortante Apófises mastóides proeminentes Apófises mastóides discretas Crânio mais pesado Crânio mais leve Mandíbula angulosa robusta + ou – 80g Mandíbula curva Suave Leve + ou - 63g Estimativa da estatura • Ossos longos; • Comparação tabelas antropométricas; • Úmero, rádio, fêmur, tíbia, metatarso; Estimativa do fenótipo cor de pele • Fenótipo: manifestação visível ou detectável de um genótipo; • Genótipo: composição genética de um indivíduo; grupo de genes; • Espécie humana: várias raças ou subespécies; genótipos morfológicos distintos; • Estudos antropológicos de raça em ossadas: resultados não válidos para aplicação em geral; melhor em populações homogêneas; • População brasileira: grande miscigenação. Obs. Quanto mais ocorre a mistura de raças, menos detectáveis se tornam esses caracteres nos ossos do indivíduo. Para o Brasil, isso tem pouca aplicabilidade, para outros países tem mais aplicabilidade • Crânio: estrutura com mais indicações anatômicas de raças; • Estimativa da raça: medidas relativas do crânio; diâmetro, ângulos; tipo de dente molar inferior Tipos étnicos fundamentais – Ottolenghi Tipo Caucásico: pele branca ou trigueira; cabelos lisos, ondulados ou crespos; louros ou castanhos; íris azuis, verdes, cinzas ou castanhas; contorno craniofacial anterior ovoide ou ovoide poligonal. • Tipo mongólico: pele “amarela”; cabelos finos, lisos e escuros;face achatada; íris pretas; fronte larga e baixa; espaço interorbital largo. • Tipo negroide: pele negra; cabelos crespos; crânio pequeno; íris escuras; nariz largo e achatado; narinas grandes e afastadas Tipo indiano: pele amarelada-avermelhada; cabelos pretos, lisos e grossos; crânio pequeno; olhos amendoados. • Tipo australoide: alto; nariz curto, largo e alto; arcadas zigomáticas largas; mento retraído; ÂNGULOS FACIAIS PARA ESTIMAR RAÇA • Ângulos de Curvier: linha que passa pela parte mais saliente da fronte até o ângulo dentário superior, e por outra linha que vai do ângulo dentário superior até o conduto auditivo externo; • Ângulo de Cloquet: linha que vai da parte mais saliente da fronte até o ponto alveolar e outra linha que vai do ponto alveolar até o conduto auditivo externo. Noções de Anatomia dentária Os dentes são importantes para a identificação do ser humano, porque eles variam em quantidade, em dimensões, em morfologia ao longo da idade. Antigamente era maxilar superior e maxilar inferior, hoje é maxilar e mandíbula, porque as nomenclaturas evoluem e são atualizadas. Estimativa da IDADE Métodos Intrauterino: morfologia do embrião/feto, estatura, ecografias, raio-X. É possível diferenciar o crânio de um adulto do crânio de uma criança ou de um bebê, porque o formato, o tamanho, as dimensões, as sinostoses (suturas), o peso, a robustez são diferentes e também variam do homem para a mulher O crânio de uma criança tem as estruturas denominadas fontanelas (alguns autores chamam de fontículos), que as mães chamam de “moleira”, uma pequena abertura existente entre um osso e outro da parte superior do crânio: a criança está crescendo, o encéfalo (cérebro) está crescendo e precisa ser acomodado, ele não pode ser comprimido. Quando a criança cresce, as placas vão se afastando para acomodar o cérebro, essas aberturas são protegidas por películas de cartilagens e quando se torna adulto, ocorre a consolidação, a calcificação, e fecham. Nos adultos existem os pontos de união das placas ósseas, das peças ósseas, denominadas suturas cranianas, que se assemelham a “costuras”. O ângulo da mandíbula é útil para estimar a idade. Na criança, o ângulo é bem aberto e, à medida em que se avança a idade, esse ângulo vai fechando.