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ITEP-RN 
 
 
1. Antropologia Forense: 1.1. Conceitos fundamentais. 1.2. Princípios de identificação humana e 
identificação de identidade. 1.3. Exumações. 1.4. Ossadas: diagnóstico médico-legal da espécie, sexo, 
idade e estatura em ossadas e restos humanos. 1.5. Sinais de violência. 1.6. Métodos de Antropologia 
Forense. 1.7. Biometria médica.. ............................................................................................................. 1 
 
 
Candidatos ao Concurso Público, 
O Instituto Maximize Educação disponibiliza o e-mail professores@maxieduca.com.br para dúvidas 
relacionadas ao conteúdo desta apostila como forma de auxiliá-los nos estudos para um bom 
desempenho na prova. 
As dúvidas serão encaminhadas para os professores responsáveis pela matéria, portanto, ao entrar em 
contato, informe: 
- Apostila (concurso e cargo); 
- Disciplina (matéria); 
- Número da página onde se encontra a dúvida; e 
- Qual a dúvida. 
Caso existam dúvidas em disciplinas diferentes, por favor, encaminhá-las em e-mails separados. O 
professor terá até cinco dias úteis para respondê-la. 
Bons estudos! 
Apostila gerada especialmente para: Wagner André Vieira da Silva 073.769.494-70
 
. 1 
 
 
Caro(a) candidato(a), antes de iniciar nosso estudo, queremos nos colocar à sua disposição, durante 
todo o prazo do concurso para auxiliá-lo em suas dúvidas e receber suas sugestões. Muito zelo e técnica 
foram empregados na edição desta obra. No entanto, podem ocorrer erros de digitação ou dúvida 
conceitual. Em qualquer situação, solicitamos a comunicação ao nosso serviço de atendimento ao cliente 
para que possamos esclarecê-lo. Entre em contato conosco pelo e-mail: professores @maxieduca.com.br 
 
Antropologia Forense 
 
A antropologia forense é uma subespecialidade da antropologia biológica que utiliza os 
conhecimentos da biologia do esqueleto humano e de outras ciências forenses na identificação de 
cadáveres em avançado estado de decomposição, carbonizados ou gravemente mutilados e restos 
esqueléticos e no esclarecimento da causa e circunstâncias da morte dos indivíduos. Assim, utiliza-se 
esse processo de identificação para fins de aplicação no direito criminal. 
Em síntese, a antropologia forense é a área científica que estuda as ossadas. Resulta da aplicação de 
conhecimentos de Antropologia às questões de direito no que diz respeito à identificação de restos 
cadavéricos (necroidentificação). Através dos ossos, podemos obter dados sobre o sexo, idade, estatura 
do falecido e pormenores da vida que a pessoa teve (hábitos alimentares, algumas doenças, lesões, etc). 
Deste modo, estuda questões relativas a identidade médico-legal e à identidade judiciária ou policial. 
A identidade é o conjunto de caracteres próprios e exclusivos das pessoas, dos animais, das coisas e 
dos objetos. É a soma de sinais, marcas e caracteres positivos ou negativos que, no conjunto, 
individualizam o ser humano ou uma coisa, distinguindo-os dos demais. 
A identidade médico-legal poderá ser feita no vivo no cadáver inteiro ou espostejado, ou ainda reduzido 
a fragmentos ou simples ossos. 
 
Identidade, Identificação e Reconhecimento 
 
Estabelecer a identidade de uma pessoa incontestavelmente tem sido desde os tempos remotos uma 
meta incansável. 
Para Federico Olóriz Aguilera “a identificação é o ato mais frequente e elementar da vida social”. 
Usamos todos os nossos sentidos, a visão, o olfato, a audição, o tato e o paladar, constantemente no 
processo de identificação, seja ele com pessoas ou coisas. 
Porém, quando nos deparamos com a necessidade específica de imputarmos uma responsabilidade 
a uma pessoa, e este é o objetivo da Polícia Científica, o termo “identificação” precisa ser diferenciado 
de “reconhecimento”. 
Ao atendermos um telefone, procuramos imediatamente reconhecer de quem é a voz do outro lado. 
Quando pretendemos comer algo, fazemos um reconhecimento do alimento utilizando praticamente todos 
os sentidos, talvez exceto a audição, para termos certeza de que ele nos seja prazeroso. É claro que 
alguns sentidos são mais utilizados do que outros, fato este que determinará inclusive o comportamento 
e a forma como cada pessoa irá se relacionar com o seu ambiente. 
Portanto, no sentido estrito que queremos dar ao termo “identificação”, é preciso que fique claro que 
ele nos levará à obrigação de estabelecermos uma identidade inequívoca, enquanto que o 
“reconhecimento” nos traz apenas a ideia de comparação, sem o pressuposto da punição no caso de 
uma ambiguidade. 
Historicamente vários foram os métodos utilizados nesta tentativa de promover a identificação. Visando 
a determinação de propriedades sobre animais, escravos e objetos pessoais, os primeiros processos 
preocupavam-se muito mais com a identificação civil do que com a criminal e só posteriormente é que o 
homem sentiu necessidade de identificar pessoas nocivas à sociedade. 
1. Antropologia Forense: 1.1. Conceitos fundamentais. 1.2. Princípios 
de identificação humana e identificação de identidade. 1.3. 
Exumações. 1.4. Ossadas: diagnóstico médico-legal da espécie, sexo, 
idade e estatura em ossadas e restos humanos. 1.5. Sinais de 
violência. 1.6. Métodos de Antropologia Forense. 1.7. Biometria 
médica. 
Apostila gerada especialmente para: Wagner André Vieira da Silva 073.769.494-70
 
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Recentemente, face às necessidades da vida moderna, é cada vez mais requisitado que cada um de 
nós porte uma identificação que seja rápida e segura. 
 
IDENTIDADE: conjunto de atributos que individualiza uma pessoa, distinguindo-a das demais. 
Pode ser classificada em: identidade objetiva e identidade subjetiva. 
Identidade Objetiva: É o conjunto de traços anatômicos físicos, que constituem o indivíduo: altura, 
peso, cabelo, olhos, características particulares, amputação de uma parte do corpo. 
Identidade Subjetiva: A descrição do próprio EU: como a pessoa se vê. Como você se descreve? 
Existem alterações da personalidade em que alguém confunde-se com um personagem. Parte daí a 
cometer atos de violência. 
 
IDENTIFICAÇÃO: processo pelo qual se determina a identidade de uma pessoa. Aurélio define como 
sendo o ato ou o efeito de identificar-se. 
No processo de identificação distinguimos 3 fases: 
a) 1ª registro ou fichamento, em que são anotados os elementos úteis capazes de individualizar a 
pessoa. 
b) 2ª registro e coleta de dados ou inspeção dos meses- grupo de caracteres, quando posteriormente 
se quer identificar o indivíduo. 
c) Julgamento ou comparação entre dois registros anteriores, do qual se concluem ou se exclui a 
identidade. 
Para que o método de identificação seja perfeito é necessário que preencha os seguintes requisitos 
técnicos: unicidade (utilize caracteres que se apresentem em uma única pessoa); imutabilidade (isto é, 
que as características utilizadas para a identificação não se transformem, não mudem durante a vida do 
indivíduo); praticabilidade (a técnica empregada deve ser prática, fácil de ser executada, sem o emprego 
de grande quantidade de material e possa ser feita em qualquer local); classificabilidade (os dados 
coletados devem ser facilmente encontrados quando necessário, deve ser arrumado de modo que assim 
o permita, dever ser classificados). Atualmente o único método que preenche estes 4 requisitos é o da 
identificação datiloscópica. 
 
Identificação médico-legal: 
- Espécie; 
- Caracterização sexual; 
- Idade; 
- Sinais individuais; 
- Demais formas de identificação. 
 
ESPÉCIE 
Uma vez encontrados os fragmentos de um corpo, deve-se primeiramente determinar a espécie. A 
determinação da espécie pode ser feita através da análise dos ossos e do sangue. 
 
A identificação dos ossos pode ser: 
- Macroscópica - através da morfologia; 
- Microscópica - através da disposição dos canais de Havers (conjunto de canais que percorre 
longitudinalmente o osso). 
 
A identificação pelo sangue: 
- Estrutura morfológica das hemácias10) A diluição do sangue e a presença de líquido nos pulmões e no estômago, nos asfixiados por 
submersão, de substâncias sólidas no interior da traqueia e dos brônquios, no soterramento, de fuligem 
nas vias respiratórias e monóxido de carbono no sangue dos que respiraram no foco de incêndio, de 
aeração pulmonar e conteúdo lácteo no tubo digestivo de recém-nascido são sinais certos de reação vital. 
Os exames complementares laboratoriais compreendem a prova de Verdereau e a prova histológica: 
1) Prova de Verdereau — Consiste na existência de maior percentual de leucócitos em relação ao 
número de hemácias numa área lesada em vida do que o habitualmente encontrado noutra região 
incólume do corpo. O maior afluxo leucocitário na zona traumatizada afirma fenômeno vital. Esta prova é 
sempre negativa nas hemorragias copiosas e acidentes fulminantes, nas lesões produzidas no cadáver, 
e se realiza, em média, a cerca de 72 horas do óbito (vide “Prova de ser nascente”). 
2) Prova histológica — Objetiva evidenciar possíveis fenômenos vitais que lembram os que 
descrevemos nas reações inflamatórias, como: a) intensa congestão vascular e afluxo leucocitário com 
marginação e invasão dos interstícios tissulares pelos histiócitos, quando o dano foi produzido apenas 2 
minutos antes do exitus; b) neoformação vascular e assenhoreamento sanguíneo dos capilares em 
repouso, se a lesão corporal ocorreu 5 minutos antes da morte; c) incursão dos neutrófilos 
polimorfonucleares e dos linfócitos nos interstitium se a morte ocorreu 10 minutos após a produção da 
lesão. Nenhum desses fenômenos vitais de reação de defesa processa-se no cadáver. Desse modo, tem 
a prova histológica importância médico-legal na diagnose diferencial entre as produzidas bem antes ou 
logo após a morte. Quanto maior for o espaço de tempo transcorrido entre a produção da lesão e o evento 
morte mais acentuados serão os fenômenos vitais subsidiários da diagnose. Esse tempo não deverá 
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exceder, contudo, os 4 dias, pois a putrefação cadavérica e as hipóstases obviamente falseiam os 
resultados da prova histológica. É oportuna a complementação da prova histológica pela observação 
de alterações estruturais nos linfonodos, do tipo congestão vascular, e presença de elementos 
histiocitários de reação fagocitária, nos seios linfáticos, carregados de hemossiderina, pigmento castanho 
que toma coloração azul, pelo reativo de Perls, e que é o corpo mais prestimoso subsidiário da diagnose 
de reação vital. 
 
Métodos de Antropologia Forense. 
 
Na atualidade são utilizados diferentes métodos de necropsias que são variações das técnicas de 
Virchow, Ghon, Letulle e Rokitansky. 
 
Na técnica de Rokitansky, há retirada dos órgãos isoladamente logo após terem sido dissecados, 
abertos e examinados no local e favorecem as condições, geralmente necessárias, nos casos em que a 
autopsia autorizada é parcial ou restritiva e o limite de tempo é escasso para a realização do 
procedimento. 
No método de Virchow, os órgãos são retirados e examinados posteriormente em laboratório. Este 
método é recomendado para mostrar as alterações de cada órgão, porém a relação topográfica entre eles 
é prejudicada. 
A técnica de Ghon onde a retirada dos órgãos se realiza com monoblocos de órgãos com função 
anatômica e funcional relacionados. 
Na técnica de Letulle, os órgãos das cavidades cervical, torácica e abdominal são retirados em 
monobloco. 
Os métodos de Ghon e Letulle preservam as relações entre os órgãos e sistema linfático. 
 
Vejamos mais detalhadamente a utilização dessas técnicas: 
 
a) ECTOSCOPIA2: A necropsia inicia-se pela inspeção externa ou ectoscopia do corpo. Esta parte 
do exame tem por objetivo descrever, além das possíveis lesões externas, os fenômenos cadavéricos 
(rigor mortis ou flacidez muscular e livores, entre outros), estado de nutrição, estatura, ainda que 
aproximada, compleição física, cor da pele e dos pêlos, e o aspecto das mucosas de globos oculares, 
boca e genitália externa. Visa também detectar eventuais alterações gerais, como palidez e icterícia, por 
exemplo. Para a realização da ectoscopia o cadáver deve estar nu. Realiza-se o exame das superfícies 
dorsal e ventral do corpo, iniciando-se do geral para o específico e das regiões proximais para as distais 
dos membros. A descrição dos achados no laudo seguirá esta mesma ordem. 
VESTES: nos orifícios de saída produzidos por projetil de arma de fogo, deve-se observar, na face 
interna, das vestes em contato com o corpo, a presença de fragmentos de pele que podem ter sido 
levados pela bala desde o orifício de entrada. É o sinal de LATES E TOVO. 
 
b) ACESSO ÀS CAVIDADES CORPORAIS: O exame interno, próxima etapa da necropsia, é dividido 
em exame interno da cabeça (cavidade craniana) e do tronco (cavidades torácica e abdominal) e inicia-
se pela incisão. Após a incisão, são retirados os planos ósseos das respectivas cavidades. O exame 
interno deve começar pela cabeça. 
CABEÇA: Para o acesso à cavidade craniana é realizada a incisão bimastóidea, de um processo 
mastóideo (posterior ao pavilhão auditivo) ao contralateral, em orientação coronal, passando pelas 
regiões temporais e parietais. Após essa incisão os planos subcutâneos do couro cabeludo são rebatidos, 
expondo-se a abóbada craniana e os músculos temporais. Os músculos temporais são rebatidos com 
uma faca ou uma rugina. A abóbada craniana é serrada com serra de arco, passando pelo osso frontal, 
cerca de três centímetros acima das sobrancelhas, em orientação transversal em relação ao longo eixo 
do corpo. Na altura do osso temporal, realiza-se uma angulação de cerca de 120 graus na linha de 
serragem, de maneira a se formar uma calota craniana em forma de cunha. O osso não é serrado em 
toda a sua espessura para se evitarem danos às meninges e ao encéfalo. Serram-se a tábua óssea 
externa e partes da tábua interna para, posteriormente, completar-se a abertura com o uso de cinzel e 
martelo. 
TRONCO: Para a realização do procedimento completo, a incisão a se utilizar para o exame interno 
do tronco é a biacrômio-fúrculo-pubiana, também chamada “em Y”. Esta incisão inicia-se nos ombros, a 
partir do acrômio de cada escápula, convergindo-se, ambos os cortes, para a fúrcula esternal, após 
 
2 http://www.patologia.medicina.ufrj.br/graduacao/images/_dep-patologia/arquivos_texto/Metodos_Estudo/UFRJ-HUCFF-POP-Necropsia-logo.pdf 
Apostila gerada especialmente para: Wagner André Vieira da Silva 073.769.494-70
 
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passarem pelo bordo inferior das regiões mamárias. Da fúrcula esternal o corte desce para a sínfise 
pubiana em linha reta, medialmente, fazendo-se um pequeno contorno na cicatriz umbilical. Após essa 
incisão, os planos cutâneo, subcutâneo e muscular são rebatidos para a exposição do gradil costal e da 
cavidade peritoneal. Outras técnicas de incisão podem ser utilizadas na dependência do que se deseja 
examinar e das características próprias do corpo em estudo. Em recém-nascidos a incisão preferencial é 
a mentopubiana, que se estende, na linha média, do mento à sínfise púbica, podendo ser feito um 
pequeno contorno na cicatriz umbilical ou, então, pouco acima desta, o corte divergir, “em V”, até o púbis. 
Em casos excepcionais, quando se realizam necropsias parciais, a incisão irá depender do(s) órgão(s) a 
ser(em) estudado(s). Cabe ao patologista a decisão da técnica de incisão mais apropriada a ser usada. 
O gradil costal é retirado, juntamente com o esterno, através da secção do corpo das costelas, por 
meio de um costótomo, o mais próximo possível dos bordos laterais do corpo. As extremidades cortadas 
das cortelas devem ser protegidas com gaze. A clavícula é desarticulada do manúbrio esternal com o uso 
de um bisturi e, então, se retira o plastrão costoesternal, separando-o dos ligamentos com o pericárdio 
ou outras estruturas.Não serão realizadas, a menos que haja autorização específica dos familiares, incisões na face e nas 
extremidades dos membros, que possam implicar em mutilação do corpo, salvo a retirada da extremidade 
distal do fêmur esquerdo (autópsias de fetos ou de recém-natos, para a pesquisa de sífilis) e das 
musculaturas das panturrilhas, em adultos, para a pesquisa de trombos venosos profundos. 
 
c) EVISCERAÇÃO: Consta da retirada das vísceras de suas respectivas cavidades para dissecção e 
exame posteriores. Após a evisceração, o exame das cavidades propriamente ditas poderá ser levado a 
termo. Assim, após a retirada do encéfalo, procede-se ao exame da base do crânio e, após a retirada das 
vísceras tóracoabdominais, são examinadas as porções posteriores dos arcos costais, a coluna vertebral 
e o retroperitônio. Usualmente são pesados e, ou medidos os órgãos (encéfalo, tireóide, glândulas 
salivares submandibulares, timo, coração, pulmões, fígado, baço, pâncreas, adrenais, rins, e a próstata). 
CAVIDADE CRANIANA: A retirada do encéfalo é feita após rebater-se a dura-máter. Seccionam-se 
os pares de nervos cranianos e, posteriormente, a medula espinhal cervical alta. Para o exame da base 
da cavidade craniana, é rebatida a dura-máter que o recobre. Deve-se, neste momento, e com cuidado, 
retirar a hipófise por meio de fratura ou corte do dorso da sela túrcica do esfenóide. 
CAVIDADES TORÁCICA E ABDOMINAL: A retirada das vísceras das cavidades torácica e abdominal 
pode ser realizada por técnicas diversas que podem ser usadas em combinação, na dependência de cada 
caso em exame. A escolha da técnica de evisceração a ser utilizada é atribuição do médico patologista. 
 
As técnicas de evisceração são basicamente quatro: 
- Técnica de Ghon, en bloc, ou em blocos: É a mais utilizada em necropsias de adultos, constando 
da retirada das vísceras em três blocos principais. O primeiro bloco, também chamado bloco 
cardiopulmonar, é constituído da língua e órgãos do pescoço (faringe, esôfago, laringe, traquéia, 
glândulas tireóide e paratireóides e as glândulas salivares submandibulares, entre outros), além do 
coração, com os vasos da base e ramos, e dos pulmões com os brônquios principais e as demais 
estruturas do mediastino. O segundo bloco, também chamado bloco digestivo, constitui-se 
principalmente pelo estômago, usualmente acompanhado do terço distal do esôfago, e pelo duodeno, 
pâncreas e a porção inicial do jejuno, além do fígado com a vesícula biliar e as vias biliares extra-hepáticas 
e o baço. Este bloco é retirado após a remoção dos intestinos delgado (com o mesentério) e grosso (ceco, 
cólons ascendente, transverso, descendente e sigmoide e parte do reto), junto com o omento maior. 
Compõem o terceiro bloco, ou bloco genitourinário, as suprarrenais com os rins e os ureteres, a 
bexiga, o reto, a próstata e ambos os testículos com os epidídimos e os funículos espermáticos, ou o 
útero com os anexos bilaterais e o terço superior da vagina. Tal conjunto é retirado juntamente com a veia 
cava inferior e tributárias e com a aorta e ramos, além dos linfonodos e demais estruturas retroperitoneais. 
- Técnica de Letulle ou en masse: Nesta técnica, todas as vísceras, das cavidades torácica e 
abdominal, são retiradas como um único bloco. Pode ser usada, preferencialmente, em necropsias 
perinatais, ou quando se deseja detectar lesões em estruturas que atravessam o diafragma. 
- Técnica de Virchow ou órgão a órgão: Nesta, os órgãos são retirados através da secção dos 
pedículos ou hilos de cada um, separadamente. Está indicada quando se deseja diminuir o tempo de 
exposição dos profissionais aos materiais biológicos infecciosos, quando não for necessário o estudo das 
relações anatômicas entre os diferentes órgãos, e quando for possível direcionar o estudo dos órgãos e 
prescindir do exame de alguns deles, com o intuito de se realizar apenas uma “verificação de óbito”. 
- Técnica de Rokitansky ou in situ: Nesta, as vísceras não são retiradas de seus lugares, sendo 
examinadas in situ. Tem a vantagem de também minimizar o tempo de exposição aos materiais biológicos 
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infecciosos, além de abreviar, sobremodo, o tempo de realização do exame necroscópico. Pode ser 
utilizada associada com as outras técnicas de evisceração descritas. 
Dependendo da indicação clínica, poderão ser retirados outros órgãos, como, por exemplo, os globos 
oculares, os seios paranasais, e as estruturas do ouvido médio e interno. Na necessidade de se analisar 
a medula óssea, idealmente se coleta um fragmento do esterno e fragmentos dos arcos costais ou 
segmentos de corpos vertebrais (torácicos ou lombares). Na retirada da medula espinhal, esta será feita 
pela remoção dos corpos vetebrais, seccionando-se, com serra ou cinzel, os arcos vertebrais bilaterais, 
após a retirada completa das vísceras torácicas e abdominais. 
 
d) DISSECAÇÃO: É a técnica pela qual o patologista irá, através de cortes nas peças, realizar o exame 
sistemático de cada órgão e estrutura, possibilitando o achado das alterações anatomopatológicas 
porventura existentes. Em geral, as vísceras sólidas são seccionadas em seus maiores eixos e 
examinadas as superfícies externa e aos cortes. As vísceras ocas são abertas longitudinalmente e têm 
suas superfícies externa e interna examinadas, juntamente com as características de suas paredes. Os 
cortes permitem uma visualização detalhada das estruturas em análise. Os órgãos que seguem técnicas 
diferentes ou particulares de dissecção são a seguir descritos: 
- ENCÉFALO: Há duas técnicas básicas de exame anatomopatológico do encéfalo. Na primeira, a ser 
utilizada rotineiramente, o tronco cerebral, juntamente com o cerebelo, é separado do cérebro. O cérebro 
é então seccionado em cortes coronais de cerca de 1,0cm cada. O cerebelo e o tronco cerebral são 
cortados em cortes mais finos, oblíquos ou transversais. Na outra, a ser utilizada quando se deseja uma 
correlação com exames de imagem (tomografia computadorizada ou ressonância nuclear magnética), o 
encéfalo é cortado como um todo, em planos transversais, discretamente descendentes no sentido 
anteroposterior. Os cortes do encéfalo, em virtude da consistência diminuída do tecido, são realizados 
após a fixação em solução de formol, preferencialmente a 20%, por 15 dias. O encéfalo deve ser pesado 
tanto a fresco, quanto após a fixação. 
- TRAQUÉIA: É aberta pela sua porção membranosa (posterior), até os brônquios fontes, usualmente 
ainda unidos aos pulmões; 
- CORAÇÃO: Há duas técnicas básicas de dissecção do coração. Na primeira, a ser utilizada quando 
se deseja investigar um infarto do miocárdio, o órgão é examinado em cortes transversais de cerca de 
1,0cm cada. Na outra, a ser seguida quando se deseja examinar detalhadamente as estruturas valvares, 
o endocárdio, o miocárdio, e as artérias coronárias e ramos; as câmaras de enchimento e de 
esvaziamento ventriculares e os átrios são abertos no sentido do fluxo sanguíneo normal. Inicia-se o corte 
das veias cavas superior e inferior, abrindo-se o átrio direito. Observa-se a disposição in situ das 
estruturas da valva tricúspide e, após, secciona-se, lateralmente, a parede da câmara de enchimento do 
ventrículo direito e, a seguir, com corte anterior e adjacente ao septo interventricular, abre-se a câmara 
de esvaziamento do ventrículo direito. Este último corte normalmente é estendido ao tronco da artéria 
pulmonar, sendo, a seguir, abertas as artérias pulmonares direita e esquerda. O exame do lado esquerdo 
inicia-se com a secção das quatro veias pulmonares, de modo a se expor a cavidade atrial esquerda. 
Igualmente examinam-se as cúspides da valva mitral e, fazendo-se cortes homólogos, aos realizados 
no ventrículo direito, abrem-se as câmaras de enchimento e de esvaziamento do ventrículo esquerdo, de 
modo a se expor também a luz do ramo ascendente da aorta. A abertura das cavidades cardíacas é 
realizadacom uma faca de lâmina fina, curta e pontiaguda ou com uma tesoura de lâmina longa e ponta 
romba, sendo a abertura das artérias com a tesoura. Os vasos, depois de abertos, são examinados quanto 
à sua parede e a sua superfície endotelial. O exame das artérias coronárias e ramos é idealmente 
realizado antes da abertura do coração. Após a observação da origem dos óstios das artérias coronárias 
direita e esquerda, as aa. coronárias e os seus ramos são abertos, longitudinalmente, com uma tesoura 
pequena com lâminas finas e uma das pontas romba. Pode-se também fazer cortes transversais e 
sequenciais, em todo o trajeto das artérias coronárias e de seus ramos, na busca de obstruções das suas 
luzes. Usualmente o coração é pesado, após ter sido aberto e limpo dos coágulos, e são medidos a 
espessura das paredes das câmaras de enchimento ventriculares, direita e esquerda, a cerca de 1 cm 
após as valvas tricúspide e mitral, e os perímetros das valvas tricúspide, pulmonar, mitral e aórtica. 
- ESTÔMAGO: É aberto pela grande curvatura, cujo corte se estende para o duodeno, expondo-se a 
papila de Vater. Neste momento deve-se espremer um pouco a vesícula biliar in situ para se verificar se 
estão pérvias as vias biliares extra-hepáticas. 
- FÍGADO: É cortado no plano coronal, após o exame e a retirada da vesícula biliar. 
- INTESTINO DELGADO: É aberto pelo bordo antimesentérico; 
- INTESTINO GROSSO: Sua abertura deve ser, a partir do cólon sigmóide, por corte acompanhando 
(lateralmente) uma das tênias (faixa muscular longitudinal), usualmente a tênia livre. 
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- RINS: São desencapsulados e cortados do córtex para a medula passando pelo hilo. No caso de 
uma das eviscerações em bloco e em que se queira examinar os ureteres, o melhor procedimento é retirar 
o máximo da gordura perirrenal e, após o corte do rim, acessar a cavidade pielo-calicial, a qual é aberta 
com uma tesoura, cujo corte é direcionado para o ureter, o qual é aberto até a bexiga; 
- BEXIGA: Pode ser aberta, com uma tesoura, através do colo vesical ou das inserções dos ureteres. 
- ÚTERO: Pode ser aberto com uma tesoura, através do colo uterino, em direção às trompas (abertura 
em “Y”) ou ser cortado em fatias paralelas de cerca de 5mm cada, no plano sagital, sendo o primeiro 
corte, mediano, buscando-se passar pela cavidade endometrial e pelo canal endocervical. Para facilitar o 
exame da luz dessas estruturas, pode-se amputar o colo uterino antes dos cortes. 
 
Ações Preliminares 
- Conferir a identificação do cadáver e providenciar sua identificação civil papiloscópica, sempre que 
possível. 
- Consultar a ocorrência policial e a solicitação de necropsia feita em hospitais. 
- Conferir as informações da guia e do cadáver. 
 
Ações durante o exame pericial 
- Iniciar o exame pela análise das vestes, buscas de detalhes que possam influenciar na condução da 
necropsia, como zonas de esfumaçamento, queimadura e tatuagem. 
- Nos casos de vítimas de projétil de arma de fogo e que o corpo esteja em decomposição, recomenda-
se radiografá-lo antes do exame. 
- Examinar todo o cadáver com a finalidade de se constatar as lesões e as alterações externas 
macroscopicamente visíveis. Recomenda-se agrupá-las conforme sua classificação, descrevendo-as em 
sua localização, tamanho, número e forma, no sentido craniocaudal, medial para lateral e de anterior para 
posterior. 
- Descrever todas as lesões observadas, mesmo que não se relacionem ao evento em apuração. 
- Acessar as cavidades craniana, torácica e abdominal, para análise de possíveis lesões e alterações 
macroscópicas. A cavidade raquidiana deve ser acessada quando houver suspeita de trauma 
raquimedular. A região cervical deve ser dissecada nos casos de enforcamento, estrangulamento, 
esganadura e trauma raquimedular cervical. 
- A coleta de sangue e urina é recomendada, nos casos de homicídio e morte suspeita. 
- A coleta de material para exame histopatológico deve ser realizada quando a morte for suspeita e 
nos casos de suspeita de erro médico. 
- Os projéteis recolhidos devem ser individualizados ou separados em letais e não letais, para serem 
enviados para o exame balístico. 
- Procurar identificar os orifícios de entrada e de saída de projétil de arma de fogo, descrever as 
características da ferida de entrada do projétil para inferir sobre a distância do disparo, antes do exame 
interno. 
- Descrever o número e posição do gume, nas feridas provocadas por instrumentos pérfuro-cortantes. 
- Deve-se ilustrar com fotografias e/ou gráficos as lesões externas e internas encontradas. 
- Nos crimes com suspeita de práticas sexuais, deve-se coletar material biológico das áreas suspeitas 
para exame laboratorial (pesquisa de espermatozoides, dosagem do PSA, exame de DNA), além de 
amostra referência da vítima (sangue ou swab oral) para exame de DNA. 
- Em necropsia de vítimas do sexo feminino em idade fértil, examinar o útero para verificar a presença 
de gravidez. 
- Nas necropsias de vítimas de acidentes de trânsito, deve-se coletar sangue para dosagem de 
alcoolemia. Resolução n. 432/2013, art. 12. CONTRAN. 
 
Recomendações: (reportam as considerações orientativas que o documento determina) 
- Conforme o Artigo 95 do Código de Ética Médica, “é vedado ao médico realizar exames médico-
legais de corpo de delito em seres humanos no interior de prédios ou dependências de delegacia de 
polícia, unidades militares, casas de detenção e presídios”. 
- Na necropsia, a dissecação do pescoço e dos vasos sanguíneos deve ser realizada pelo médico-
legista. 
- É importante estabelecer contato com os peritos que realizaram o exame do local de crime de 
homicídio para subsidiar a condução da necropsia. 
- A redação do laudo, como qualquer peça técnica, deve ser feita na terceira pessoa, respeitando-se 
a impessoalidade, e a linguagem utilizada deve ser acessível ao seu destinatário. 
 
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Elaboração do laudo 
 
Geralmente o laudo descrito na realização do exame consta os seguintes itens: 
 
1. Preâmbulo 
- Devem constar a hora, o dia, o mês, o ano e a cidade em que a perícia é realizada, o nome da autoridade 
requisitante do exame, o Médico Legista incumbido da perícia, o nome do Diretor do IML que designou o perito, o 
nome do exame solicitado e a qualificação do periciando. 
 
2. Quesitos 
- Houve morte? 
- Qual a causa da morte? 
- Qual o instrumento ou meio que a produziu? 
- Foi produzida com o emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel? 
(resposta especificada). 
 
3. Histórico 
Os dados importantes do histórico estarão na guia de requisição de necropsia, na ocorrência policial e na 
solicitação hospitalar de necropsia. Este item serve como norteador para a perícia, visto que orientará o 
estabelecimento de nexos causal e temporal entre os achados durante o exame e o delito em investigação. 
 
4. Descrição 
Aconselha-se subdividir este item em: 
- Apresentação do corpo: descrever as vestes do cadáver, invólucros e como se apresenta o cadáver para o 
exame. 
- Identificação do corpo: descrever características do cadáver quanto a sexo, idade, estatura, peso, biótipo, 
ancestralidade geográfica, cor dos olhos, cabelos, tatuagens, sinais particulares e defeitos físicos. Se o corpo estiver 
acompanhado de documentos de identificação, anotar seu número e órgão que o expediu. 
- Sinais de morte: informar quais fenômenos cadavéricos o corpo apresenta. 
- Estimativa da data provável do óbito: pelos fenômenos cadavéricos apresentados, estimar data e hora 
aproximada do óbito. 
- Exame externo: descrever pormenorizadamente as alterações observadas tais como: palidez cutânea, pletora 
facial, cianose labial e de leitos ungueais, turgência de jugulares, edema de membros inferiores, drenagem de 
líquidos ou espuma pelos orifícios oral e nasais, e todasas lesões encontradas, suas características, topografia, 
número e suas repercussões no organismo. 
Nos casos de ferimentos por arma de fogo, caracterizar bem as feridas de entrada dos projéteis em todos os 
seus detalhes de tal forma que se possa estabelecer a distância dos disparos. Nas feridas pérfuro-incisas, descrever 
formato e dimensão para estabelecer o número e a posição dos gumes. Deve-se utilizar a terminologia anatômica. 
As lesões que não guardam relação ao fato delituoso, quando existirem, serão descritas à parte. 
- Exame interno: descrever as cavidades acessadas, seus achados e características. 
A incisão biacrômio mento pubiana é a que melhor permite acesso às cavidades cervical torácica e abdominal. 
No exame das lesões provocadas por projétil de arma de fogo ou instrumento pérfuro-cortante, identificar quais 
vísceras foram lesionadas para definição do seu trajeto e da sua gravidade (letalidade). Quantificar o volume dos 
derrames encontrados dentro das cavidades. 
Nos casos de vítimas de projéteis de arma de fogo e de arma branca, sugere-se realizar a descrição dos exames 
externo e interno num mesmo subitem. Assim, logo após a descrição da ferida externa, já indica/indicar por onde o 
instrumento que a produziu penetrou no corpo, que vísceras ele lesou e por onde saiu, ou em que local interrompeu 
sua progressão. 
Essa maneira facilita a descrição e a interpretação dos trajetos encontrados. 
 
5. Discussão 
Estabelecer o nexo causal entre os achados do exame e o delito em apuração. As lesões que não guardam 
relação com o evento em apuração devem ser elencadas, excluindo-se seu nexo causal com o evento. Informar se 
foram feitas radiografias e descrever laudo sumário sobre elas. Informar, de acordo com as características da ferida 
de entrada, a distância do disparo da arma de fogo, bem como o trajeto descrito pelo projétil no corpo examinado. 
Informar o destino dado ao projétil retirado do corpo da vítima. Separar e informar quais projéteis, 
individualmente, poderiam causar a morte. Definir número e posição dos gumes do instrumento pérfuro-cortante e 
determinar seu sentido de ação. Informar se foram realizadas fotografias e/ou gráficos e se foram coletadas 
amostras de material biológico para exames de laboratório. Referir quais exames solicitou. 
Se houver relato de atendimento médico da vítima antes do óbito, transcrever, neste tópico, os aspectos 
relevantes dos procedimentos realizados. 
 
6. Conclusão 
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Estabelecer a cronologia dos eventos que, partindo de uma causa básica, produziram alterações no organismo 
da vítima, culminando com o seu óbito. É um resumo objetivo, porém real e lógico, dos eventos que determinaram 
a sua morte. Iniciar pela causa imediata, indo até a causa básica, que é anotada por último. 
 
7. Respostas aos quesitos 
O perito responde aos quesitos com os seguintes termos: 
- SIM (quando tem convicção de que ocorreu o que o quesito pergunta). 
- NÃO (quando tem convicção de que não ocorreu o que o quesito pergunta). 
- SEM ELEMENTOS (quando não tem convicção para responder nem sim, nem não ao que o quesito pergunta). 
- PREJUDICADO (quando a pergunta que o quesito faz não se aplica àquela situação, ou quando a resposta 
anterior prejudica a resposta do quesito seguinte). 
- AGUARDAR (quando depende de exame laboratorial para determinar a causa da morte. Exceto o 2º quesito 
que deverá ser respondido informando a causa imediata da morte, e o 3º quesito que deverá ser respondido 
informando o instrumento ou meio que produziu a morte, quando isso for possível). 
 
Fluxograma 
 
 
Biometria médica. 
 
Biometria [bio (vida) + metria (medida)] é o estudo estatístico das características físicas ou 
comportamentais dos seres vivos. Recentemente este termo também foi associado à medida de 
características físicas ou comportamentais das pessoas como forma de identificá-las unicamente. Hoje a 
biometria é usada na identificação criminal, controle de acesso, etc. Os sistemas chamados biométricos 
podem basear o seu funcionamento em características de diversas partes do corpo humano, por exemplo: 
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os olhos, a palma da mão, as digitais do dedo, a retina ou íris dos olhos. A premissa em que se 
fundamentam é a de que cada indivíduo é único e possuí características físicas e de comportamento (a 
voz, a maneira de andar, etc.) distintas, traços aos quais são característicos de cada ser humano. 
 
Tipos de Biometria 
 
Alguns dos principais sistemas de leitura biométrica: 
 
A) Veias: fiabilidade média , difícil de fraudar, alto custo. 
B) Impressão digital: Sistema que capta a imagem da impressão digital com um leitor biométrico 
óptico e compara com um banco de dados de imagens com as digitais gravadas. Método rápido, de alta 
confiabilidade e baixo custo. 
C) Reconhecimento da face: menor fiabilidade, rápido e de baixo custo. 
D) Identificação pela íris: muito fiável, imutável com o passar dos anos, alto custo. 
E) Reconhecimento pela retina: fiável, imutável, leitura difícil e incómoda na medida em que exige 
que a pessoa olhe fixamente para um ponto de luz, alto custo. 
F) Reconhecimento de voz: menos fiável, problemas com ruídos no ambiente, problemas por 
mudança na voz do utilizador devido a gripes ou stress, demora no processo de cadastramento e leitura, 
baixo custo. 
G) Geometria da mão: menos fiável, problemas com anéis, o utilizador precisa de encaixar a mão na 
posição correcta, médio custo. 
H) Reconhecimento da assinatura: muito fiável, algumas assinaturas mudam com o passar do 
tempo, porém características como pressão, movimentos aéreos, entre outras são únicas de cada 
indivíduo, tornando extremamente difícil sua falsificação. Método prático e ágil, acessível a todos os 
públicos, médio custo. 
I) Reconhecimento da digitação: pouco fiável, demora no cadastramento e leitura, baixo custo. 
J) Tecnologias futuras: odores e salinidade do corpo humano, padrões das veias por imagens 
térmicas do rosto ou punho, análise de DNA. 
K) Estilo de Escrita: biometria comportamental baseada no estilo de escrita. 
 
Os principais componentes de um sistema biométrico são: 
- Captura: É a obtenção da amostra a ser mecanizada (exemplo, a digital); 
- Extração: Ocorre quando se transforma a informação em característica única do indivíduo; 
- Criação de padrão: É quando o formato inicial é convertido em um formato final, para 
armazenamento; 
- Comparação: É aqui que são realizados testes para comparar se a informação dada é compatível 
ou não com os dados armazenados. 
 
Vejamos a seguir um dos mais famosos métodos de identificação, desenvolvido pela biometria 
médica. 
 
SISTEMA DATILOSCÓPICO DE VUCETICH. 
 
Em 1884, Juan Vucetich, filho de Victor Vucetich e Vicenta Kovacevich e oriundo da cidade de Lesina 
(Iugoslávia), muda-se para a Argentina, indo morar em La Plata. Em julho de 1888, ele toma contato com 
os trabalhos científicos de Bertillon através do artigo “El color del íris”, mesmo ano em que ingressa na 
Polícia da Província de Buenos Aires. Em 15 de novembro deste mesmo ano, toma posse na Polícia de 
La Plata. Em 10 de maio de 1889, é designado Auxiliar de Estatística e, em 26 de setembro deste mesmo 
ano, assume o cargo de Chefe desse Escritório. 
Em 1891, Vucetich lê o artigo “Anthropologie – Lês empreintes digitales, d’apres Francis Galton”, de 
Henry de Varigny, ambos publicados na revista científica Revue Scientifique (ver nota 133). Nesse mesmo 
ano, Guillermo J. Núnez, Chefe da Polícia da Província de Buenos Aires, que já havia levado os dois 
artigos citados anteriormente ao conhecimento de Vucetich, o encarrega de montar um escritório de 
identificação antropométrica em La Plata, semelhante ao de Bertillon em Paris, sugerindo o uso das 
impressões digitais. 
Sua dedicação e os estudos de Francis Galton e Henry de Varignylevaram Vucetich a crer que as 
impressões digitais poderiam sem classificadas em grupos, inventando inclusive formas mais eficientes 
para sua coleta, ao acumular grande quantidade delas, suficientemente para sistematizar o seu próprio 
método. Vucetich afirmou em 1901, referindo-se a Galton, “não fiz mais do que seguir a rota traçada pelo 
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sábio mestre. Ele tem sido meu piloto, e devo ao seu trabalho e ao seu saber a ressonância que tem tido 
o meu humilde trabalho e a honra que desmerecidamente me foi dispensada” (Barberá & Turégano, 1988, 
p. 87). 
Primeiramente, Vucetich nomeou seu procedimento de “Icnofalangometría” ou “Método Galtoneano”, 
onde dividia os datilogramas em 101 grandes grupos, assim como constava na sistemática de Galton. 
Ao aprofundar seus estudos, em 24 de dezembro de 1896 (Kehdy, 1962, p. 68), Vucetich reduziu seus 
grupos a apenas 4 tipos fundamentais, similarmente a Galton, aos quais denominou: Arco (1), Presilha 
Interna (2), Presilha Externa (2) e Verticilo (4), criando o Sistema Datiloscópico Argentino. 
 
 
 
Uma pergunta que sempre é feita e poucos estudiosos respondem é acerca do por que Vucetich 
utilizou esta nomenclatura. 
Antes de respondermos a pergunta sobre a origem dos nomes, é importante que entendamos a origem 
das impressões digitais, e para isso B. C. Bridges (1942, ps. 1-2) explica que, desde milhões de anos 
atrás, “a sobrevivência de cada animal dependia dele reconhecer os rastros deixados por seus amigos 
ou inimigos”, desde que minúsculas formas de vida deixaram a água e passaram a se mover sobre a 
terra. Assim os pés dos animais que andam no chão logo desenvolveram blocos para apoiar seu peso e 
acolchoar seus passos, e em alguns mamíferos esses blocos criaram pequenos agrupamentos, verrugas 
epidérmicas “que se organizaram circularmente ao redor de um ápice elevado, e em cada uma delas 
abriu-se uma minúscula glândula de suor. Essas verrugas tenderam a se fundir, formando linhas 
transversais através do bloco, criando uma superfície de atrito que prevenia os deslizamentos. Dobras da 
pele cercaram os blocos, criando uma leve depressão, e onde essas dobras se encontraram formou-se 
um delta. Como escalar árvores para se alimentar tornou-se um hábito, parte da existência da espécie, 
os agrupamentos de verrugas nesses blocos foram pouco a pouco se aplainando, e um padrão apareceu. 
Esse achatamento reduziu a impressão que se tinha de uma terceira dimensão, como se estando em alto 
relevo, tornando-o mais parecido com um desenho”. 
Para Bridges, “a sobrevivência passou a depender cada vez mais da certeza com que se pegavam as 
coisas e os padrões das cristas papilares começaram a se formar proporcionalmente ao tamanho do 
animal. A superfície inteira de atrito foi coberta por elevações, mas ao invés de irem de um lado para o 
outro, elas mantiveram a direção das dobras que originalmente cercavam os blocos, assumindo a forma 
de um verticilo, proporcionando o máximo de tração para uma determinada superfície. Indubitavelmente 
as mãos e pés de aborígines tiveram essa mesma aparência. Porém, nos grandes macacos e no homem 
primitivo, o peso do corpo transformou-se em um obstáculo muito grande para se continuar escalando as 
árvores; assim as superfícies de atrito deixaram de ser uma parte tão importante. Os verticilos 
começaram, então, a se transformar em outras formas, laços e arcos”. 
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Tais fatos sustentam a afirmação de Barberá e Turégano (1988, p. 420) de que “As formas vão se 
simplificando, de uma mais primitiva a outra mais recente, à medida que as gerações humanas 
necessitam de menos trabalho rude e preensor (pegar objetos)”. Perceba que, conforme demonstrado na 
Tabela – Comparação entre a incidência de Arco Verticilo em ambas as mãos, a prova de que os Verticilos 
estão mais associados à característica de preensão está ao constatar-se que eles são mais frequentes 
na mão direita e menos na mão esquerda, ocorrendo o oposto com os Arcos. 
 
 
Tabela - Comparação entre a incidência de Arco Verticilo em ambas as mãos. 
 
Assim vemos que a mão direita trabalha mais que a esquerda, assim, nela ocorrem mais vezes 
Verticilos, enquanto que na mão esquerda ocorrem mais Arcos. (Barberá & Turégano, 1988, p. 420). 
Outro fator preponderante para essa afirmativa está no fato de ser nos dedos Mínimos, justamente os 
que têm menor atividade de agarramento, que há menor incidência de Verticilo. 
Outros fatos curiosos citados por Barberá e Turégano (1988, p. 420) são que “... atuais descentes de 
famílias nobres (casa real), que há séculos não executam trabalhos rudes, exibem com certa frequência 
a fórmula 1-1111/1-1111” e que segundo uma teoria defendida no Congresso de Medicina Legal de 
Barcelona (3 a 7 de outubro de 1961) “os homossexuais apresentam uma maior incidência de Arcos”, por 
fim “As mulheres possuem, em geral, mais Arcos do que Verticilos, pois desde remotamente elas têm um 
trabalho menos pesado do que os homens”. 
Nas mãos e pés do homem moderno, evoluindo desde tempos remotos, as papilas dérmicas ainda 
proveem o atrito necessário para aumentar a segurança no contato com outros objetos. Elas fortalecem 
a estrutura dérmica e facilitam o processo de transpiração, além de terem a função de ajudar na 
sensibilidade do toque. 
Quanto aos nomes, Arco se deve à forma abaulada das linhas que forma este tipo de datilograma, o 
mesmo ocorrendo com Verticilo, proveniente do inglês “Whorl” e do espanhol “Espira” ou “Torvellino”, 
espiral, arredondado, circular. A grande dúvida fica por conta dos tipos Presilha Interna e Externa. 
O termo Presilha vem do espanhol “Presilla” e do inglês “Loop”, que significa laçada, volta. Mas por 
que Interna e Externa? Os vocábulos, Interna e Externa, seguem o raciocínio de Galton e Henry, que 
definiram seus tipos como “Radial” e “Ulnar” Loop. Para diferenciar dos nomes em inglês, Vucetich 
preferiu adotar a posição destes ossos em relação à mão humana, tomando por base a localização do 
ápice da laçada, e não a direção da sua abertura (Radial como Externa e Ulnar como Interna), tendo estes 
pontos como fixos e não variáveis, independentemente da mão em que ocorram, ao contrário do proposto 
pelo sistema Henry. O mais engraçado nessa definição de Vucetich é que seu raciocínio só vale do ponto 
de vista da mão direita, pois, da perspectiva da mão esquerda, essas definições se invertem, e aí a lógica 
de Henry parece ser mais racional. 
Entretanto, a partir do momento em que a coleta e o arquivamento dos dedos nas planilhas 
datiloscópicas são feitos pela “ordem natural”, dos polegares para os mínimos, sendo dividida em mão 
direita, parte superior, e mão esquerda, parte inferior, a ideia de Vucetich volta a ser muito mais eficiente, 
principalmente pelo fato de não ser preciso saber de qual mão se trata o datilograma, o que é impossível 
pelo sistema Henry. 
Uma melhor solução para evitar essa confusão de nomenclatura foi proposta por Olóriz e adotada 
pelos espanhóis, mudando o ponto de vista do núcleo do desenho para a posição dos deltas . Os nomes 
adotados (Barberá & Turégano, 1988, p. 92) foram “Sinistrodeltos”, para Presilha Externa, delta à 
esquerda do núcleo, e “Dextrodelta”, delta à direita do núcleo, para Presilha Interna. Perceba que esses 
nomes têm vantagens mnemônicas sobre os propostos por Galton-Henry e Vucetich. 
O modelo da ficha decadactilar de Vucetich, onde as impressões digitais são impressas, consistia 
numa folha de papel de 20 x 9 cm, dividida em 2 partes, sendo que na inferior ficariam os dedos da mão 
direita e na superior a mão esquerda, dos polegares aos mínimos, dispensando o uso das simultâneas. 
Originalmente a ficha reservava as seguintes dimensões para os dedos (Kehdy, 1962, p. 317): 
Apostila gerada especialmente para: Wagner André Vieira da Silva 073.769.494-70. 32 
• Polegares: 35 mm; 
• Indicadores: 30 mm; 
• Médios: 30 mm; 
• Anulares: 30 mm; 
• Mínimos: 25 mm. 
Atualmente usamos praticamente a mesma ficha, apenas com o detalhe que invertemos a posição das 
mãos, a direita é a superior e a esquerda a inferior, e, em seu verso, coletamos as impressões dos dez 
dedos simultaneamente. 
A originalidade do Sistema Vucetich está em: 
• Redigir e ler a fórmula datiloscópica do polegar direito até o mínimo esquerdo, em sequência, ao 
contrário de Henry que coletava as impressões em ordem, mas não as lia da mesma forma; 
• Simbolizar os polegares com letras e os outros dedos com números; 
• Representar as Presilhas com 2 ou 3, considerando-as 2 tipos distintos, ao contrário de Galton que 
as tratava em relação aos ossos da mão (Rádio e Cúbito). O sentido radial é do polegar para o mínimo e 
o sentido cubital é o oposto; 
• Escrever os símbolos dos tipos fundamentais no canto superior direito dos respectivos dedos 
(atualmente esta notação é feita no canto superior esquerdo); 
• Criou a canaleta para a tomada de impressões digitais (segundo Piédrola algo totalmente 
desnecessário); 
• Chamou de “Serie” e “Sección” à semifórmula da mão direita e esquerda, respectivamente. 
“Fundamental” à letra inicial do polegar direito e aos dedos restantes de “Divisiones”. “Subclasificación” à 
letra inicial do polegar esquerdo e “Subdivisiones” aos dedos restantes. 
 
Um dos críticos de Vucetich, Piédrola afirma que o uso da canaleta é “nocivo e totalmente 
desnecessário” e, em relação ao excesso de denominações descritas no item 6, todas elas seriam “tolas” 
(Barberá & Turégano, 1988, p. 87). E é dessa “tolice” que herdamos até hoje o termo “fundamental”, 
quando na verdade Vucetich só o aplicava ao datilograma encontrado no polegar direito, mas que nos 
parece corretamente ser aplicado para todos os dedos. Associado ao fato de que, em 24 de fevereiro de 
1910, o Poder Executivo na Argentina (Kehdy, 1962, p. 70) decretaria a obrigatoriedade da aposição do 
polegar direito em seus títulos de cidadania, advém daí até os dias atuais o equívoco histórico do excesso 
de valor aplicado aos polegares, e principalmente ao direito, em menosprezo aos outros dedos, 
principalmente os indicadores. 
O método começou a ser aplicado em 1º de setembro de 1891 com o registro das impressões digitais 
de 23 delinquentes e tinha como objetivo individualizá-los. O primeiro deles a ser cadastrado foi Julio 
Torres, vulgo “SaltaParedes” (Barberá & Turégano, 1988, p. 84). Em dezembro deste mesmo ano 
identificou 7 pessoas dentre 645 criminosos. 
Em 1892, seu sistema datiloscópico foi estendido às penitenciárias de Mercedes, San Nicolas e Sierra 
Chica. De 393 aspirantes ao cargo policial, 11 tinham antecedentes criminais. No mesmo ano, Vucetich 
coleta impressões digitais de 1.462 pessoas, sendo que 78 delas foram identificadas com antecedentes 
e um com nome falso. 
Em 29 de junho de 1892, um funcionário de Vucetich, Eduardo M. Alvaréz, vai a um local de crime, na 
cidade de Necochea, e coleta os fragmentos de impressões digitais ensanguentadas em uma porta. A 
mãe, solteira, Francisca Rojas de Caraballo, de 27 anos, acusava um ancião seu vizinho, Pedro Ramón 
Velázquez, de 45 anos, da morte de seus dois filhos, Ernesto Ponciano, de 6 anos, e Felisa Caraballo, de 
4 anos, porém este funcionário descobre que a impressão digital corresponde ao polegar direito da mãe. 
 Vários autores tentam sempre estipular “a primeira vez” de alguns importantes fatos históricos, e entre 
eles estão os datiloscópicos. Cabe ressaltar neste ponto que, apesar da tentativa de alguns escritores em 
tentar tornar o nome de Vucetich maior do que ele realmente foi, esta não foi a “primeira aplicação da 
datiloscopia na Argentina e no mundo”, mas apenas na Argentina. Lembre-se que, afora os fatos ocorridos 
séculos antes de Cristo pelos imperadores chineses, que utilizaram a datiloscopia tanto para fins civis 
como criminais, Herschel, em 1877, e Faulds, em 1880, usaram as impressões digitais civil e 
criminalmente, respectivamente. Portanto, se há alguma primazia em se afirmar a identidade de um 
criminoso, esta pertence a Henry Faulds e não a Vucetich. Perceba que Edward Henry só em 1898, 18 
anos após Faulds e 6 anos após Vucetich, viria também solucionar um crime através dos datilogramas. 
Em seu artigo “Idea de la Identificatión antropométrica: las impresiones digitales”, publicado no jornal 
“El Dia” de 12 de dezembro de 1893, Vucetich propõe a expansão do uso das impressões digitais à 
identificação civil, até então restrita ao uso criminal. 
Nesse mesmo ano, também publica um livro intitulado “Sistema de filiación. Provincia de Buenos 
Aires”, mas que, na opinião de Barberá e Turégano (1988, p. 85) “não teve nenhuma originalidade por 
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ser uma adaptação das obras de Lavater “L’art de connaître lês hommes pour la phisonomie” de 1781 e 
de Brocca “Instructions générales pour lês recheches antropologiques à faire pour lê vivant” de 1864 e 
1879”. 
Em 14 de setembro de 1895, na cidade de La Plata, Vucetich pessoalmente faz a primeira identificação 
necroscópica de um cadáver que havia se suicidado com um corte na garganta provocado por uma 
navalha. Confrontando apenas as impressões digitais da mão direita, tendo em vista o estado de 
decomposição do corpo, com as fichas que tinha obtido na cadeia de Sierra Chica dois anos antes e que 
guardava em seus arquivos, conseguiu identificar o suicida como Carlos Casali (Sappietro, 2000). Em 6 
de dezembro de 1896, na mesma cidade, em uma cena de crime onde foi assassinado Abdón Rivas, 
impressões digitais foram encontradas e identificadas como sendo Audifrásio González, o autor do crime 
(Kehdy, 1962, p. 68). 
A contribuição positiva desse procedimento nas investigações policiais, devido à sua grande 
simplicidade e eficiência, levou o governo argentino a adotá-lo em suas cédulas de identidade, pois se 
comprovou ser muito mais eficaz que todos os métodos anteriores. Em 6 de novembro de 1895, é adotado 
oficialmente pela Polícia de La Plata e, em 1º de janeiro de 1896, abandona-se definitivamente a 
identificação utilizada pelo sistema antropométrico de Bertillon. Um ano após é batizado de “Sistema 
Datiloscópico Argentino”. 
Os livros e artigos de Vucetich serviam para reproduzir a evolução de seus pensamentos e estudos, 
assim ao reunir um farto material submeteu-os ao Segundo Congresso Científico Latino-Americano, em 
março de 1901 na cidade de Montevidéu. Uma das decisões desse Congresso foi a de sugerir aos países 
latino-americanos que adotassem as impressões digitais como “meio individualizador insuperável”. A 
partir daí, difundiu-se por todo o mundo como técnica identificadora, sendo cunhada por Lacassagne a 
expressão “Vucetismo”, a ponto de ser considerada por Reyna Almandos “por sua inquestionável eficácia, 
perfeito em sua aplicação matemática”. Vários órgãos de diferentes países, principalmente os de língua 
não anglo-saxônica, como a França (1903), Itália (1906), Espanha (1907), Chile, México (1920), Noruega, 
Japão, Bélgica, Tchecolosváquia, Alemanha, passam a adotá-lo. 
Após Félix Pacheco assistir palestra de Juan Vucetich neste Congresso, o Brasil oficializou seu método 
em 5 de fevereiro de 1903, por meio do Decreto 4.764, que, em seu artigo 57 e em seu parágrafo único, 
introduz a identificação datiloscópica nos seguintes termos: 
 
“Art. 57 – a identificação dos delinquentes será feita pela combinação de todos os processos 
atualmente em uso nos países mais adiantados, constando do seguinte, conforme o modelo do Livro de 
Registro Geral, anexo a este Regulamento: 
a) exame descritivo (retrato falado); 
b) notas cromáticas; 
c) observações antropométricas; 
d) sinais particulares, cicatrizes, tatuagens; 
e) impressões digitais; 
f) fotografia de frente de perfil. 
Parágrafo Único – Estes dados serão na sua totalidade subordinados à classificaçãodactiloscópica, 
de acordo com o método instituído por D. Juan Vucetich, considerando-se, para todos os efeitos, a 
impressão digital como prova mais concludente e positiva da identifidade do indivíduo, dando-se-lhe a 
primazia no conjunto das outras observações, que servirão para corroborá-la.” 
 
Neste mesmo ano, o Brasil realizaria um convênio com a Argentina sobre a troca de individuais 
datiloscópicas entre o Rio de Janeiro e La Plata e, em 20 de outubro de 1905, esse acordo estender-se-
ia às polícias de Buenos Aires, Montevidéu e Santiago, ocasião em que foi proposta a adoção da carteira 
de identidade (Kehdy). 
Historicamente devemos a esse artigo dois pontos extremamente distintos para os profissionais da 
área da papiloscopia: um deles positivo, a oficialização da datiloscopia como forma inequívoca de 
identificar as pessoas; o outro extremamente negativo, deixando a pecha de que a datiloscopia estaria 
voltada principalmente para os delinquentes, com reflexo até os dias de hoje, uma vez que o Congresso 
Nacional por meio de norma constitucional, em 1988, estabeleceu que “o civilmente identificado não será 
submetido à identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei”. Ora, um dos pontos mais 
positivos do sistema datiloscópico, que outros processos não possibilitavam, isto é, a sua aplicação tanto 
para fins civis como criminais, com este Decreto viu-se inoperante. Apenas em abril de 1907, quatro anos 
após o Decreto 4.764 ser editado, seria estendido à identificação civil, começando pelo Rio de Janeiro, 
mas aí o mal já estava realizado. 
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O livro “Datiloscopia Comparada”, considerado a principal obra de Vucetich, foi apresentado no II 
Congresso Médico de Buenos Aires, continha a base de sua disciplina e a relacionava com a Biologia, 
além de compará-la com outros sistemas de identificação de seus antecessores. Tal obra, traduzida 
inclusive para o japonês, recebeu vários prêmios e menções por todo o mundo. 
Em agosto de 1905, ao analisar seu mais recente livro “Evolución de la Dactiloscopia”, o III Congresso 
Científico Latino-Americano, realizado no Rio de Janeiro – Brasil, ressaltou a eficiência do método 
datiloscópico, devido à sua economia, facilidade e praticidade. Ademais demonstrou ser “infalível” ao 
comprovar que não existem duas pessoas com impressões digitais idênticas. 
Em 1º de julho de 1907, a Academia de Ciências de Paris reconhece que o Sistema Vucetich é superior 
ao Sistema de Bertillon e, em 1908, foi a vez do IV Congresso Científico Latino-Americano, realizado no 
Chile, onde apresentou as teses “Necesidad de crear en cada país una Oficina Central de Identificación”, 
“Estadística de la Criminalidad” e “Ficha o Cédula de Canje Universal”. 
Em 1º de maio de 1909, o Banco Espanhol adotaria as impressões digitais como forma de identificar 
seus clientes. 
Em 1911, foi nomeado Diretor do Registro Nacional de Identificação, quando a Lei 8.129, decretada 
pelo Congresso Nacional, ordenou o cadastramento eleitoral de todos os cidadãos argentinos. 
Em 1912, o Brasil adotaria este sistema em todo território nacional e Vucetich faria várias viagens de 
estudo pelo mundo, com o objetivo de saber como cada país estava desenvolvendo a técnica de 
identificação. Assim conheceu Bombaim, Nova Delhi, Calcutá, Madras, Colombo, Panag, Singapura, 
Hong-Kong, Shangai. Em 14 de abril de 1913, montou em Pequim, a pedido do Ministro da Justiça Dr. 
Shih Iin Hsii, o primeiro Gabinete de Identificação pelo Sistema Argentino na China. 
Ainda em 1913, visitou o Japão, país no qual seu livro “Dactiloscopia Comparada” já havia sido 
traduzido, Estados Unidos, divulgando seu sistema nas cidades da Califórnia, Berkeley, Oakland e 
Alameda, e Cuba em Havana. 
De volta à Argentina, ocupou-se com a redação de um Projeto de Lei para a criação do Registro Geral 
das Pessoas, na Província de Buenos Aires, promulgada em 20 de julho de 1916, porém, para sua 
tristeza, o projeto foi abortado dez meses depois de começado, em 28 de maio de 1917. Nesta lei, no 
artigo 4º, Inciso 10, Letra B, estabelecia a obrigatoriedade da identificação dos recém-nascidos pelo 
método datiloscópico. A afirmativa de que esse projeto seria o “primeiro de sua espécie” não condiz com 
a realidade, pois tal proposta já havia sido feita na Espanha, em 1911, por Federico Olóriz Aguilera. 
É importante ressaltar que até hoje não é possível fazer este tipo de coleta de forma satisfatória, pois 
os equipamentos, por mais avançados que estejam, não possuem tecnologia suficiente para conseguir 
capturar estas impressões digitais de forma nítida e que possibilitem aos técnicos uma análise eficiente. 
O que conseguimos são apenas borrões que de nada ajudam no estabelecimento de uma identidade. 
No Brasil, a ideia proposta para solução de semelhantes problemas, antevistos por Vucetich, foram 
primeiramente discutidas em 1934 no I Congresso Brasileiro de Identificação, que conclui pela 
identificação das crianças apenas em sua idade escolar, ao se matricular pela primeira vez em um 
estabelecimento de ensino. Posteriormente, em 1997, houve a edição do Decreto regulamentador da Lei 
número 9.454 que em seu Capítulo III – Do Registro Civil das Pessoas Naturais, artigo 8º, § 1º estabelece 
que: 
 
“Art. 8° O número único de Registro de Identidade Civil será atribuído à pessoa pelos órgãos locais, 
quando da lavratura do seu Registro de Nascimento. 
§ 1° Os órgãos locais atribuirão o número único de Registro de Identidade Civil, ao recém-nascido, 
mediante apresentação da Declaração de Nascido Vivo, padronizada pelo Ministério da Saúde e 
preenchida pelo estabelecimento de saúde onde ocorreu o nascimento, dela devendo constar sua 
impressão plantar e a impressão digital do polegar direito da mãe, sem prejuízo de outras formas 
normatizadas pela autoridade administrativa competente.” 
 
Apesar de mais de 40 anos, a afirmação de Carlos Kehdy, de 1962 (p. 492), ainda continua sendo 
extremamente atual, ao dizer que “o recém-nascido continua sendo identificado nas maternidades, a título 
precário, embora essa identificação associe o filho à mãe, pela respectiva ficha, ainda não está 
positivamente garantida a identidade da criança, em virtude dessa precariedade da identificação do 
recém-nascido e da não implantação da identificação escolar, nos estabelecimentos de ensino primário”. 
Podem existir métodos modernos e precisos para a identificação do indivíduo, mas nenhum que seja 
tão preciso, barato e tão difundido quanto a identificação datiloscópica de Vucetich. Este é o método oficial 
adotado no Brasil desde 1903. 
 
 
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Especificações do Sistema 
O Sistema decadactilar de Vucetich se baseia na identificação utilizando as impressões de todos os 
dedos de ambas as mãos. 
 
Principais elementos das impressões digitais 
- Cristas papilares (linhas pretas) 
- Sulcos papilares (linhas brancas) 
- Deltas (utilizados para a classificação dos vários desenhos) 
- Pontos característicos (ponto, ilhota, cortada etc) 
 
Um impressão digital apresenta três sistemas de linhas: 
a) Sistema Basal ou basilar - corresponde ao conjunto de linhas paralelas ao sulco que separa a 
segunda e a terceira falanges. No polegar é o da primeira e terceira falanges; 
b) Sistema marginal - conjunto de linhas das bordas de impressão; 
c) Sistema central ou nuclear - conjunto de linhas entre os dois anteriores. 
 
 
 
Na existência de ponto(s) de confluência entre os três sistemas cria-se uma figura típica denominada 
delta ou trirrádio (pequeno ângulo ou triangulo formado pelo encontro das linhas). 
A presença de um, dois ou nenhum delta na impressão digital estabelece os 4 padrões do Sistema 
Dactiloscópico de Vucetich. 
- Verticilo: ter dois deltas, um de cada lado; 
- Presilha Externa: ter um delta, à esquerda do observador; 
- Presilha Interna:ter um delta, à direita do observador; 
- Arco: não ter delta. 
 
Para fins de classificação, essas quatro formas fundamentais se designam pelas letras (V,E,I,A) 
quando se encontram no polegar, e por números (de 1 a 4), quando se encontram em qualquer um dos 
outros dedos: 
- V (Verticilo) = 4 (dois deltas); 
- E (Presilha Externa) = 3 (um delta à esquerda); 
- I (Presilha Interna) = 2 (um delta à direita); 
- A (Arco) = 1 (adéltico: sem deltas). 
 
Algumas situações especiais, recebem notações próprias: 
- Dedos amputados (0) 
- Dedos defeituosos ou com cicatriz que impede a classificação (X) 
 
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Fórmula Dactiloscópica 
Também denominada Individual Dactiloscópica é uma fórmula empregada para arquivamento dos 
achados obtidos a partir da tomada e classificação das impressões digitais de um indivíduo. Nessa 
fórmula, os dedos da mão direita constituem a série, e os dedos da mão direita, a seção. O polegar da 
série é denominado fundamental, e os demais dedos constituem a divisão. 
 
Estrutura da fórmula 
a) Numerador (série): 
- dedos da mão direita 
- começando pelo polegar (representado por uma letra) 
- demais dedos (indicador, médio, anular e mínimo): representados por números 
 
b) Denominador (secção): 
- os dedos da mão esquerda 
- na mesma sequência da mão direita 
 
Exemplo de uma fórmula dactiloscópica: 
 
Série: V - 3243 
Seção: I - 2131 
 
Anomalias 
São defeitos dos dedos, os quais podem ser congênitos ou adquiridos; os primeiros já nascem com o 
indivíduo e os últimos são adquiridos no decorrer da existência. Chamamos a atenção para diferença 
entre desenho anômalo e anomalia. 
DESENHO ANÔMALO – convencionou-se designar os tipos especiais como desenhos anômalos, isto 
é, os seus núcleos apresentam características anormais, diferentes dos tipos fundamentais preconizados 
por VUCETICH. 
ANOMALIAS – são apenas defeitos dos dedos, podendo apresentar desenhos digitais perfeitos. 
Apresentaremos, a seguir, um exemplo da anomalia mais comum, a hiperdatilia. Esta anomalia consiste 
na presença de dedos em número superior ao normal. 
 
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Os indivíduos portadores de hiperdatilia costumam submeter-se a uma intervenção cirúrgica para 
extração dos dedos anormais. Neste caso, ficará com as mãos normais, porém, com uma cicatriz que 
deverá ser anotada pelo identificador, na respectiva ficha de identidade. Além da hiperdatilia, existem 
outras anomalias congênitas, tais como: a hipodatilia (números de dedos inferior ao normal), a sindatilia 
(dedos ligados pela pele ou pelos ossos), a agenésia total (a não formação dos dedos), etc. Dentre as 
anomalias não congênitas podemos citar a microdatilia (diminuição do volume do dedo) e a macrodatilia 
(aumento anormal do volume digital), etc. 
Em resumo: 
 
ANOMALIAS CONGÊNITAS 
- Hiperdatilia 
- Hipodatilia 
- Sindatilia 
- Agenésia total 
 
ANOMALIAS NÃO CONGÊNITAS 
- Macrodatilia 
- Microdatilia 
 
Deve-se anotar essas anomalias nas ID (tiradas em duplicata), para a orientação do datiloscopista, 
pois constituem as únicas exceções à classificação normal, sendo arquivadas em arquivos especial. 
Quando o desenho papilar for impossível de classificação, deformado por cicatrizes e nas 
malformações escreve-se X; e na falta parcial ou total do dedo, 0 (zero). 
 
PONTOS CARACTERÍSTICOS 
São os acidentes encontrados nas cristas papilares; os elementos individualizadores da impressão 
digital. 
A evidenciação de 12 pontos característicos permite o estabelecimento da identidade de uma pessoa 
(Brasil). 
 
1 - Ilhota; 
2 - Cortada; 
3 - Bifurcação; 
4 - Forquilha; 
5 - Encerro. 
 
 
 
 
 
 
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A leitura da impressão digital se faz em sentido horário, sendo iniciada a análise na posição 12 h. 
 
 
 
 
 
FASES DE UM PROCESSO DE IDENTIFICAÇÃO 
1ª registro 
Dados prévios - planilha dactiloscópica (Instituto de Identificação) 
 
2ª Registro 
Planilha dactiloscópica obtida quando do levantamento pericial ou impressão digital deixada em local 
de crime (exame de local de crime, necroscópico). 
 
3ª Comparação 
Busca de pontos característicos correspondentes (planilha do Instituto de Identificação com impressão 
digital deixada no local dos fatos ou coletada do cadáver). 
 
TIPOS DE IMPRESSÃO DIGITAL 
 
1. Moldada: impressão se faz sobre superfícies plásticas, tornando a impressão em relevo. 
 
2. Latentes: para ficar evidente, a impressão precisa ser revelada com reveladores próprios (carbonato 
de chumbo, negro de fumo e outros métodos mais modernos) 
 
3. Reveladas ou normais: a impressão impregnada de qualquer sujidade (gordura, sangue, tinta, 
graxa, carvão etc.) marca a superfície de contato. 
 
 
 
Questões 
 
01. (PC/TO – Papiloscopista - Aroeira) O processo de identificação, para ser completo, necessita de 
certos requisitos de natureza biológica e técnica para a obtenção de bons resultados. A ciência que utiliza 
esse processo de identificação para fins de aplicação no direito criminal é chamada de 
(A) Antropologia forense. 
(B) Arqueologia penal. 
(C) Medicina criminal. 
(D) Paleontologia humana. 
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02. (PC/GO - Delegado de Polícia – UEG). Em Antropologia Forense, os ângulos faciais (Jacquart, 
Cloquet e Curvier) são determinantes para: 
(A) altura 
(B) idade 
(C) sexo 
(D) raça 
 
03. (PC/MG -Delegado de Polícia – PC-MG). No esqueleto, a estimativa do sexo, faz-se pelas 
características morfológicas observadas, após a puberdade. Os achados mais evidentes do dimorfismo 
sexual são observados no(a) 
(A) clavícula. 
(B) úmero. 
(C) fêmur. 
(D) pelve. 
 
04. (PC/RJ - Delegado de Polícia – FUNCAB). A identificação de uma pessoa se define como um 
conjunto de características que individualiza a pessoa, tornando-a diferente das demais. Sob esta óptica, 
o exame de DNA, embora moderno e com alto grau de confiabilidade, não é suficiente para a 
determinação da identidade, pois via de regra, essas análises são realizadas utilizando-se como material 
de comparação amostras de familiares, sendo assim um método capaz de gerar o grau de parentesco e, 
não a identidade propriamente dita, ou seja, pode determinar se um indivíduo é filho de alguém, mas não 
qual dos filhos. Outras técnicas, científicas, ao contrário do exame de DNA, podem, isoladamente, conferir 
a identidade a um cadáver, considerando a preexistência de parâmetros de comparação. Entre essas 
técnicas, estão: 
(A) reconhecimento facial, arcada dentária e sobreposição de imagens. 
(B) reconhecimento facial, sinais particulares e sobreposição de imagens. 
(C) impressão dactiloscópica, sinais particulares e sobreposição de imagens. 
(D) impressão dactiloscópica, arcada dentária e sobreposição de imagens. 
(D) impressão dactiloscópica, arcada dentária e sinais particulares. 
 
05. (DPF - Perito Criminal Federal – CESPE). Considerando que questões relativas à identidade e 
identificação são estudadas pelo ramo da medicina legal denominado antropologia forense, julgue o item 
a seguir. 
A identificação médico-legal antropológica é realizada sobre o corpo vivo ou sobre o cadáver inteiro, 
espostejado ou reduzido a ossos, a partir da análise das características de idade, sexo, raça, peso e 
estatura. 
 
( ) certo ( ) errado 
 
06. (PC/RO - Delegado de Polícia – FUNCAB). Identidade médico-legal é o conjunto de 
características apresentadas por um indivíduo que o torna único. Assinale a opção INCORRETA acerca 
da identificação médico-legal. 
(A) O sistema de identificação dactiloscópica de Vucetich é um processo de grande valia e de 
extraordinário efeito, porque apresenta os requisitos essenciais para um bom método: unicidade, 
praticabilidade, imutabilidade e classificabilidade; só não apresentao requisito de perenidade. 
(B) Identificação médico-legal pode ser realizada em um indivíduo vivo ou em cadáver, inteiro, 
espostejado ou reduzido a ossos. 
(C) Na identificação médico-legal, são considerados os seguintes parâmetros: idade, sexo, raça, 
estatura e peso, pois, partindo-se do geral, chega-se ao particular, ao indivíduo. 
(D) Características ocasionais, tais como a presença de tatuagens, calos de fraturas ósseas e próteses 
dentárias, ósseas ou de outros tipos, não possuem valor para a antropologia forense. 
(E) Medidas de dimensões de ossos longos e comparações com tabelas podem dar ideia da estatura 
de indivíduos quando vivos. 
 
07. (PC/MA - Médico Legista - FGV) A necropsia pode ser realizada conforme várias técnicas. Quanto 
à técnica de Ghon, assinale a afirmativa correta. 
(A) Ela se inicia pela abertura da cavidade tóracoabdominal. 
(B) O primeiro monobloco engloba todo o mediastino. 
(C) O esôfago faz parte do primeiro monobloco, segundo esta técnica. 
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(D) O segmento terminal do duodeno, o jejuno, o íleo e o cólon são os últimos a serem examinados. 
(E) Os testículos fazem parte do quarto monobloco. 
 
08. (PC/PA – Papiloscopista - FUNCAB/2016) Acerca do sistema datiloscópico de Vucetich, qual das 
alternativas abaixo apresenta corretamente as quatro formas básicas de desenhos de cristas papilares 
das polpas digitais? 
(A) Arco, presilha interna, verticilo e presilha externa 
(B) Presilha interna, deita presilha externa e verticilo 
(C) Arco, delta, presilha interna e presilha externa 
(D) Delta, arco, presilha interna e vertícilo 
(E) Presilha externa, vertícilo, delta e arco 
 
09. (Polícia Científica/PE - Perito Papiloscopista - CESPE/2016) Acerca dos tipos fundamentais de 
datilograma descritos por Juan Vucetich, assinale a opção correta. 
(A) O arco se caracteriza pela presença de um delta à esquerda do observador. 
(B) A forquilha é o datilograma que apresenta um delta à direita do observador. 
(C) O verticilo se caracteriza pela presença de dois deltas. 
(D) A bifurcação é um datilograma didéltico. 
(E) A presilha é o datilograma adéltico formado por linhas paralelas e abauladas. 
 
10. (PC/AC - Perito Criminal - Contabilidade – FUNCAB/2015). De acordo com o sistema 
dactiloscópico de Vucetich, assinale a assertiva correta. 
(A) O arco é a parte central do polegar que forma um turbilhão em que se encontram as linhas do 
sistema basal e marginal, formando dois triângulos. 
(B) Presilha interna ocorre quando as linhas se dividem da direita para o centro e voltam para a direita, 
formando apenas um delta à esquerda. 
(C) Presilha externa ocorre quando as linhas se encaminham da esquerda para o centro e voltam para 
a esquerda, resultando a presença de um delta à direita. 
(D) No arco, situa-se apenas o sistema de linhas marginais e basais, não encontrando o sistema 
central, tampouco havendo formato de delta. 
(E) No sistema de identificação de Vucetich, utilizam-se apenas as impressões dos cinco dedos da 
mão direita do indivíduo para a sua classificação. 
 
11. (PC/GO - Delegado de Polícia – UEG). No local do crime, os peritos arrecadaram um desenho 
digital que apresentava um delta à esquerda. Pelo sistema de Vucetich, este desenho é classificado como 
(A) presilha interna 
(B) verticilo 
(C) presilha externa 
(D) arco 
 
Respostas 
 
01. Resposta: A 
A antropologia forense é ciência que utiliza esse processo de identificação para fins de aplicação no 
direito criminal, utiliza os conhecimentos da biologia do esqueleto humano e de outras ciências forenses 
na identificação de cadáveres em avançado estado de decomposição, carbonizados ou gravemente 
mutilados e restos esqueléticos e no esclarecimento da causa e circunstâncias da morte dos indivíduos. 
 
02. Resposta: D 
Há cinco tipos étnicos fundamentais: caucasiano, mongólico, negróide, indiano e australóide. A raça é 
identificada pelo índice cefálico (forma do crânio e ângulo facial). 
 
03. Resposta: D 
A pelve tem fundamental importância na proteção dos órgãos localizados na cavidade pélvica, também 
atua como ponto de fixação para os músculos do períneo e dos membros inferiores. Servindo para 
sustentar o tronco e promover uma área para inserção das extremidades inferiores, atuando na 
transferência de peso para os membros inferiores. É limitada anteriormente pela sínfise púbica ou púbis, 
lateralmente pelos ossos do quadril (íleo, ísquio e púbis), posteriormente pelo sacro e cóccix e 
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inferiormente pelo diafragma da pelve, este último separando a pelve do períneo. A pelve da mulher serve 
ainda para outra função vital: proteger os órgãos reprodutores e o feto em desenvolvimento. 
 
04. Resposta: D 
As técnicas que são usualmente utilizadas, como a impressão dactiloscópica e o exame de arcada 
dentária, são válidas para a imensa maioria dos casos como meio de produção de prova de identificação. 
Os sinais particulares, tais como tatuagens, cicatrizes, amputações e estigmas profissionais não 
seguem aos princípios básicos de identificação que são: a unicidade, imutabilidade e praticidade. 
Não é possível, do ponto de vista científico, conferir identidade a um indivíduo unicamente por ele 
possuir determinada marca ou tatuagem. 
Os sinais particulares, embora incapazes de, por si só, identificar o indivíduo, geralmente tem 
relevância como critério de exclusão no processo de investigação médico-legal. 
 
05. Resposta: Errado 
Segundo o ilustre doutrinador, Delton Croce Junior, em seu manual de Medicina Legal, a identificação 
médico-legal antropológica “poderá” ser feita no vivo, no cadáver inteiro ou espostejado, ou ainda 
reduzido a fragmentos ou a simples ossos. Assim, embora permitido a realização do método de 
identificação médico-legal antropológica em vivos, é incorreto afirmar que “é realizada”, posto que outros 
métodos mais eficazes são utilizados em vivos. 
 
06. Resposta: D 
Genival Veloso assevera: "Finalmente, pode-se dizer que o método de identificação pelo sistema 
dactiloscópico de Vucetich é um processo de grande valia e de extraordinário efeito, porque ele apresenta 
os requisitos essenciais de um bom método: unicidade, praticabilidade, imutabilidade e classificabilidade. 
Só não apresenta o requisito da perenidade". 
 
07. Resposta: B 
O primeiro bloco, também chamado bloco cardiopulmonar, é constituído da língua e órgãos do pescoço 
(faringe, esôfago, laringe, traquéia, glândulas tireóide e paratireóides e as glândulas salivares 
submandibulares, entre outros), além do coração, com os vasos da base e ramos, e dos pulmões com os 
brônquios principais e as demais estruturas do mediastino. 
 
08. Resposta: A 
De acordo com o sistema dactiloscópico de Vucetich as quatro formas básicas de desenhos de cristais 
papilares das polpas digitais são: o arco (sem delta), a presilha interna (um delta à direita do observador), 
o verticilo (dois deltas) e a presilha externa (um delta a esquerda do observador). 
 
09. Resposta: C 
Conforme o Sistema de Vucetich o verticilo pela existência de dois deltas, sendo um delta à direita e 
outro à esquerda do observador, tendo pelo menos uma linha livre e curva à frente de cada delta. 
 
10. Resposta: D 
Arco: é o datilograma, geralmente adéltico, formado por linhas que atravessam o campo digital, 
apresentando em sua trajetória formas mais ou menos paralelas e abauladas ou alterações 
características. É representado pela letra A para os polegares e número 1 para os demais dedos. 
 
11. Resposta: C 
Presilha externa - o delta situa-se à esquerda do observador - representado pela letra E para os 
polegares e 3 para os demais dedos 
 
 
 
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http://www.tcpdf.org- nos humanos as hemácias são anucleadas e circulares; 
- O método mais seguro é o da albumina reação ou processo de UHLENHUTH. (Este método consiste 
em colocar o sangue a ser pesquisado em contato com o soro preparado de diversos animais). 
 
RECONHECIMENTO: é uma declaração por escrito na qual uma pessoa afirma identificar alguém. 
Não é um médico científico, e sim, apenas, uma afirmação de uma pessoa, passível, pois, de uma mentira. 
Tais situações ocorrem quando indivíduos sem identificação prévia vêm a falecer e são recolhidos aos 
necrotérios dos institutos médico-legais. Nesses casos, é feito um Auto de Reconhecimento Cadavérico 
na presença de um delegado de polícia, um escrivão policial e duas testemunhas. A responsabilidade é 
de quem declara. 
O doutrinador RAZOLI conceitua o Reconhecimento como “uma comparação e uma relação de 
identidade entre um estado atual ou sensação e um estado que foi atual no passado ou representação”. 
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. 3 
Existe semelhança entre identificar e reconhecer. Ao se identificar usamos elementos obtidos no 
passado e elementos colhidos na atualidade. 
Entretanto, há diferenças fundamentais. A identificação é feita por técnico que usa métodos científicos 
e elementos concretos para identificar, não deixando dúvidas quanto à identificação ou negativa da 
identidade. O reconhecimento é feito por leigos, é processo empírico, em que processos biológicos e 
psicológicos entram em jogo e interferindo no resultado. 
Influenciam no reconhecimento, a acuidade dos sentidos, principalmente a visão, as condições de 
percepção, (tempo de contato, luminosidade, nível de ruído, etc.) a semelhança entre as pessoas ou 
objetos a serem reconhecidos. Importante são os processos cata tímicos, fazendo com que a boa-fé, 
reconheçamos o que queremos reconhecer ou não reconhecer o que não queremos reconhecer. No caso 
de cadáveres, o reconhecimento que mais interessa ao médico legista, encontramos dificuldades 
próprias, como a ausência de expressão facial e a palidez do cadáver, que modificam sua fisionomia. O 
cadáver é visto em posição horizontal, o que não é usual no vivo. Além disto existe a natural aversão, já 
sabida à morte, que faz com que as pessoas não olhem o cadáver frontalmente e façam rapidamente o 
reconhecimento. 
O reconhecimento não é feito só em cadáveres, mas também no vivo, e até coisas podem ser objeto 
de reconhecimento, autos, joias, relógios, armas, etc. 
 
Do Reconhecimento de Pessoas e Coisas 
A importância do “reconhecimento” no âmbito do processo penal tem sido uma constatação a que nem 
a doutrina nem a jurisprudência se têm furtado. 
O reconhecimento de pessoas concretiza-se, essencialmente através da sinalização de elementos de 
identificativos individualizantes da pessoa a identificar. Sem qualquer preocupação de exaustividade, 
podemos dizer que são especialmente relevantes para a identificação de pessoas os seguintes 
elementos: rosto, sexo, idade, raça, porte, modo de andar, deformidades, altura, vestuário, cabelo, 
tatuagens ou a voz. 
Fazendo o contraponto com a nossa legislação processual penal podemos distinguir, dentro do âmbito 
do reconhecimento de pessoas, entre: 
1) reconhecimento físico ou pessoal: 
- em inquérito/instrução; 
- em audiência de julgamento. 
2) reconhecimento fotográfico 
3) reconhecimento vocal 
 
É com base nesta categorização que a nossa análise se desenvolverá. 
 
1- Reconhecimento Pessoal em Inquérito/Instrução e em Audiência de Julgamento. 
Sobre esta matéria versa o artigo 226 do Código de Processo Penal. De acordo com o disposto naquela 
norma, o ato de reconhecimento passará por duas fases essenciais. 
Numa primeira fase, a que alude o inciso I do referido artigo, proceder-se-á a um controle de 
credibilidade, no âmbito do qual o identificante procederá a uma descrição pormenorizada do sujeito a 
identificar, elucidando todas as características físicas e outras de que se recorde. Para além desta 
descrição, o identificante deverá esclarecer qual a sua relação com o sujeito a identificar, referindo, por 
exemplo, se já conhecia o sujeito a identificar anteriormente aos fatos pelos quais aquele tem a correr (ou 
ainda não) processo penal contra si; bem como indicar outras circunstâncias que considere relevantes 
para o sucesso do ato recognitivo. 
Caso, todavia, esta primeira descrição não seja cabal, isto é, suficientemente elucidativa e geradora 
de um reconhecimento positivo, deverá proceder-se em conformidade com o disposto no inciso II do artigo 
226 do CPP. Nessa medida, afastar-se-á o identificante, chamando duas pessoas com as maiores 
semelhanças possíveis (inclusive de vestuário), que se colocarão lado a lado com o sujeito a identificar. 
Com estes cuidados pretende-se a criação de um ambiente cénico adequado potenciador de uma 
neutralidade psíquica do identificante e evitando o seu prévio sugestionamento no ato de identificação. 
Neste particular, deixe-se nota para o especial cuidado que deverá presidir à escolha dos figurantes, na 
medida em que, não raro, são conhecidos insólitos atos de reconhecimento de suspeitos ladeados de 
agentes fardados ou indivíduos de raça diversa, geradores de óbvia invalidade do ato recognitivo. 
O CPP procurou também resguardar a lisura e eficiência do ato, colocando a pessoa chamada para 
reconhecer a salvo de qualquer constrangimento, influência ou intimidação, ao permitir no artigo 226, 
inciso III, que o reconhecimento seja feito sem que aquela seja vista pelo reconhecido. 
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. 4 
Posto isto, diga-se que o ato de reconhecimento deve ser sempre reduzido a auto (inciso IV). Todavia, 
tem vindo a ser posta em causa a forma como os mesmos são redigidos, tendo em conta a importância 
probatória de que necessariamente são dotados para a fase seguinte: a fase de julgamento. 
Em observância aos princípios do contraditório e ampla defesa, e ciente da natureza acusatória do 
processo criminal brasileiro, pela qual o acusado tem o direito de conhecer todas as provas contra são 
produzidas, a lei proibiu aplicação do mencionado inciso III em Juízo, quer em plenário de julgamento, 
quer na fase de instrução criminal (art. 226, parágrafo único do CPP). Assim a vítima ou testemunha terá 
de efetuar o reconhecimento frente a frente com o acusado, o que pode afetar o alcance da verdade real. 
Na prática, mesmo com a proibição está pratica vem sendo adotada, principalmente em processos 
crime de roubo onde a palavra do ofendido assume valor preponderante. Tecnicamente esta prova seria 
ilegítima, contudo em atenção ao princípio da verdade real, da proteção do bem e da proporcionalidade, 
não é reconhecida qualquer nulidade. Reforça este entendimento o disposto no art. 217, caput, do CPP 
que dispõe: “Se o juiz verificar que a presença do réu poderá causar humilhação, temor, ou sério 
constrangimento à testemunha ou ao ofendido, de modo que prejudique a verdade do depoimento, fará 
a inquirição por videoconferência e, somente na impossibilidade dessa forma, determinará a retirada do 
réu, prosseguindo na inquirição, com a presença do seu defensor”. Assim, autoriza-se a retirada do réu 
da sala de audiência, sempre que estiver incutido fundado temor da testemunha ou vítima. 
 
2 – O reconhecimento fotográfico 
O reconhecimento de pessoas tem que ser efetuado ao vivo e não por fotografias. Doutrinariamente 
tem-se concluído que o reconhecimento fotográfico é possível e que constitui na realidade, mais uma das 
provas inominadas. No entanto, convém ressaltar que o reconhecimento fotográfico, isoladamente (sem 
outras provas), não pode ensejar uma sentença condenatória. Inexiste qualquer empecilho em se 
considerar este tipo de prova, na medida em que, como já afirmado em outros tópicos específicos, o rol 
de provas elencado no Código de Processo Penal é meramente exemplificativo. 
 
3 – O ReconhecimentoVocal 
O reconhecimento vocal reveste-se de especial importância para a investigação, entre outros, de 
crimes que envolvam ameaças, reivindicação de atentados, pedidos de resgate, etc. É conhecida a 
possibilidade de utilização de escutas telefónicas para a investigação de crimes cometidos através de 
telefone. 
 
II – O Reconhecimento de Objetos 
Trata-se aqui do reconhecimento de objetos, naturalmente, relacionados com o crime. O 
reconhecimento deste tipo de objetos obedece ao regime do reconhecimento pessoal com as devidas 
adaptações. 
Assim sendo, o identificante deverá proceder a uma descrição inicial do objeto a identificar nos termos 
do disposto nos artigos 226 e seguintes do CPP. Caso o identificante tenha procedido a um 
reconhecimento com dúvidas, proceder-se-á à junção do objeto a reconhecer com pelo menos dois outros 
semelhantes e perguntar-se-á à pessoa se reconhece algum de entre ele e, em caso afirmativo, qual. 
Quanto à inobservância das formalidades legais tem lugar a aplicação do regime da invalidade do 
reconhecimento pessoal ao reconhecimento de objetos. 
 
III – Pluralidade de Reconhecimentos 
A pluralidade de reconhecimentos consiste na necessidade de proceder ao reconhecimento da mesma 
pessoa ou do mesmo objeto por mais de uma pessoa. Neste caso, cada uma das pessoas procederá ao 
reconhecimento separadamente, impedindo-se a comunicação entre elas. 
Por outro lado, a pluralidade de reconhecimentos poderá referir-se, de igual modo, ao reconhecimento 
pela mesma pessoa de várias pessoas ou vários objetos, caso em que o reconhecimento será efetuado 
separadamente para cada pessoa ou cada objeto. 
 
Em linhas gerais, considerando os conceitos de identidade, identificação e reconhecimento 
apresentados pela doutrina podemos chegar nas seguintes definições: 
Identidade: conjunto de caracteres próprios e exclusivos de uma pessoa, nome, idade, estado civil, 
profissão, sexo, defeitos físicos, impressões digitais, etc. é a soma de caracteres que individualiza uma 
pessoa, distinguindo-a das demais. 
Identificação: é o ato ou efeito de identificar-se. Considerando que a identidade é a qualidade ou 
atributo, identificação é a sua determinação. 
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. 5 
Reconhecimento: é uma comparação e uma relação de identidade entre um estado atual ou sensação 
e um estado que foi atual no passado ou representação. 
 
EXUMAÇÕES. 
 
Exumar significa abrir a sepultura, local de consumpção aeróbia, caixão de metal ou madeira onde se 
encontra inumado o cadáver para a realização de perícia médico-legal. 
Tanto no Código de Processo Civil como no Código de Processo Penal deve ser aplicada a regra de 
que se trata de procedimento probatório que fica submetido à discricionariedade do juízo. Nesse caso, 
em particular, com muito mais razão, pois o requerimento de exumação de cadáver é medida de caráter 
essencialmente excepcional, porquanto ocasiona enorme desgaste emocional aos familiares. De forma 
que nem mesmo se a acusação e a defesa, em conjunto, requererem a exumação estará obrigado a 
deferi-la, o Juízo. O deferimento de diligências é ato que se inclui na discricionariedade regrada do juiz. 
Via de regra, essa discricionariedade deverá se ater a dois pré-requisitos básicos para deferir a 
exumação: a necessidade e a pertinência da medida. 
A necessidade diz conta à convicção do Juízo de que não existem outros meios probatórios para se 
confirmar um fato ou, havendo outros meios, haja séria divergência que justifique a nova perícia. É que a 
exumação pode ser suprida, muitas vezes, pela análise de fotos, de laudo de necropsia, de termos de 
reconhecimento, da oitiva dos peritos e testemunhas, de exames de DNA de parentes diretos, etc. Se há 
outros mecanismos de prova, a exumação será desnecessária. 
A pertinência diz conta à prova ser direcionada a um ponto importante, essencial do processo. Se a 
questão da exumação trouxer apenas certezas paralelas, secundárias ou inúteis ou, ainda, revelar-se 
procrastinatória, não deverá ser deferida. 
Todavia, são muitos os casos em que se deve permitir a exumação. O mais comum é sobre a 
investigação de paternidade post mortem, essencialmente quando os parentes mais próximos 
(descendentes, ascendentes, irmãos e até tios e sobrinhos) se negam a fornecer material genético para 
o exame de DNA. Sendo o estado de filiação um direito indisponível e imprescritível (Súmula nº 149, 
STF), a exumação dos restos mortais do suposto pai biológico é perfeitamente cabível. A obtenção de 
amostras de DNA da medula dos ossos mais longos (fêmur, tíbia, ulna, etc.) é algo que se busca em um 
primeiro momento no cadáver, mas também é possível a realização do exame a partir de restos 
cadavéricos tais como: ossada, cartilagem, unha ou cabelo. 
No âmbito criminal, temos assistido os tribunais deferirem medidas exumatórias quando surgem novas 
versões do crime, como por exemplo, suspeita posterior de envenenamento, intoxicação, espancamento 
ou outra causa da morte não averiguada ou percebida no primeiro exame de necropsia. Já foi objeto de 
exumação intenso espasmo cadavérico em velório, a suspeita posterior de erro médico, suspeita de troca 
de cadáveres no enterro quando de acidente com muitas vítimas, a dúvida da identidade do cadaver, de 
corpos enterrados como indigentes - mas suspeitos de serem alguém desaparecido - a suspeita de falsa 
perícia médica, a ausência ou perda da perícia original, etc. 
 
Apresentados estes conceitos iniciais, estudaremos a seguir o processo de identificação pelo: 
gênero, raça, idade, estatura, dentes, malformações, sinais profissionais e tatuagens. 
 
GÊNERO, RAÇA, IDADE, ESTATURA 
 
A primeira questão a ser respondida pelo antropólogo forense é a espécie a ser examinada. Por razões 
óbvias, precisa identificar o analisado como “humano”. Alguns critérios podem ser usados como a 
verificação como a morfologia dos ossos ou da avaliação dos Canais de Havers. Que são estruturas 
encontradas no interior dos ossos e componentes estruturais dos mesmos. Ao olhar do microscópio, 
podemos constatar que os ossos humanos têm forma elíptica ou circular, diâmetro superior a 3μm e 
densidade de 8 a 10 por mm2. Os ossos animais têm forma circular, diâmetro inferior a 25μm e densidade 
superior a mencionada. Outro critério é a análise do sangue. A mais simples consiste na procura dos 
cristais de Teichmann. Colocando o sangue sobre a lâmina com solução de ácido acético glacial, e 
expondo-o ao calor de evaporação lenta formam-se cristais em forma de charuto na cor marrom, 
perceptível ao microscópio. 
 
Gênero: é o sexo da pessoa. O gênero da pessoa pode ser masculino ou feminino. Há formas de se 
constatar qual o gênero da pessoa: 
- Gênero (sexo) cromossomial: determinação através dos cromossomos XX, XY 
- Gênero (sexo) gonadal: determinação pela avaliação das gônadas, se há testículos ou ovários 
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- Gênero (sexo) cromatínico: determinação pela presença do corpúsculo de Barr (pedaços de material 
genético). 
- Gênero (sexo) da genitália interna: presença de ductos de Wolff (no homem viram os canais 
diferentes) ou ductos de Müller (na mulher viram fimbrias, trompas, útero e terço proximal da vagina) 
- Gênero (sexo) comportamental (psíquico): sexo que o indivíduo acha que tem. 
- Gênero (sexo) médico legal: constatado por perícia médica nos indivíduos de genitália dúbia ou sexo 
duvidoso. 
 
Geralmente, determinar o sexo no vivo e no cadáver recente e sem mutilações do aparelho reprodutor 
e dos caracteres sexuais secundários, não oferece dificuldade. Contudo, não se tem a mesma facilidade 
para identificação dos pseudo-hermafroditismo, no vivo ou no cadáver putrefeito, ou no carbonizado, ou 
reduzido a esqueleto. 
 
O crânio e o tórax propiciam elementos de presunção. O crânio feminino tem a fronte mais vertical, a 
articulaçãofrontonasal curva, saliências ósseas e as apófises mastoides e estiloides menos 
desenvolvidas que o crânio masculino. De modo geral, aceita-se a capacidade do crânio feminino 
correspondendo a nove décimos da capacidade do masculino. O tórax na mulher tende à forma ovoide, 
mais achatado no sentido ântero--posterior, e no homem, à forma conoide. Na mulher, a capacidade 
torácica é menor e as apófises transversas das vértebras dorsais mostram-se mais dirigidas para trás. 
 
Contudo, nota-se que é a pelve (bacia) que fornece os caracteres diferenciais mais importantes. A 
pelve feminina tem constituição mais frágil que a do homem e maiores os diâmetros transversais; a grande 
e a pequena pelve, mais largas, o sacro mais baixo e côncavo somente na sua metade inferior, o ângulo 
sacrovertebral mais fechado (107º), o forame obturador maior e triangular e o ângulo subpubiano amplo, 
com cerca de 110º. A inclinação da sínfise vertical é menos pronunciada na mulher. As dimensões 
verticais da pelve masculina sobrepujam as correspondentes da pelve feminina. A partir da puberdade, o 
ângulo formado pela diáfise femoral e o plano dos côndilos é de 80º para o homem e de 76º para a mulher, 
conforme Sterwart e Washington. 
 
 
Fonte: Manual de medicina legal. Delton Croce e Delton Croce Jr. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2012 
 
 
Raça: é uma classificação de ordem social, onde a cor da pele e certas características morfológicas 
são usadas como parâmetros. 
O conceito de raças humanas foi usado pelos regimes colonialistas, para perpetuar a submissão dos 
colonizados, já que tais características se transferem de pais para filhos. Hoje em dia, somente nos 
Estados Unidos se classifica a população em raças, supostamente para proteger os direitos das minorias. 
As características morfológicas mais comuns referem-se à cor de pele, tipo de cabelo, forma da face e do 
cranial, ancestralidade e genética. Por ser um tema tratado como tabu, devido ao seu impacto na 
identidade social e política, o conceito de raça é contestado por alguns estudiosos. Entre os biólogos, é 
um conceito com certo descrédito por não se respeitar as normas taxonômicas atualmente aceitas. 
Algumas vezes utiliza-se o termo raça para identificar um grupo cultural ou étnico-linguístico, sem 
quaisquer relações com um padrão biológico. Nesse caso pode-se preferir o uso de termos como 
população, etnia, ou mesmo cultura. 
A obra "Nouvelle division de la terre par les différents espèces ou races qui l'habitent" ("Nova 
divisão da terra pelas diferentes espécies ou raças que a habitam") de François Bernier, publicada 
Apostila gerada especialmente para: Wagner André Vieira da Silva 073.769.494-70
 
. 7 
em 1684, trouxe a primeira classificação do homem em raças. Os naturalistas do século XIX, 
publicaram estudos sobre as "raças humanas", como Georges Cuvier, James Cowles Pritchard, Louis 
Agassiz, Charles Pickering e Johann Friedrich Blumenbach. Nesse momento, as "raças humanas" 
diferenciavam-se pela cor da pele, tipo facial (principalmente as formas dos lábios, olhos e nariz), 
perfil craniano e características do cabelo, mas considerava-se também que essas características 
proporcionavam diferenças no conceito de moral e na inteligência, pois uma caixa craniana maior 
ou mais alta representava um cérebro maior, mais alto e por consequência maior quantidade de 
células cerebrais. Como dissemos, identificar é determinar alguém por meio de descrições. 
A necessidade de descrever as pessoas nasce do contato entre indivíduos e entre grupos diferentes. 
No entanto, a classificação de grupos traz sempre consequências negativas, principalmente pelos termos 
empregados, que podem ser considerados pejorativos pelos grupos visados. Mesmo num país 
multicultural como o Brasil, chamar alguém de japonês é bem diferente de chamar alguém de negro ou 
de branco. 
Tradicionalmente, os seres humanos foram divididos em três ou cinco grandes grupos de linhagem, 
que apresentam características que foram mudando ao longo do tempo: 
- Mongoloide (raça amarela): povos do leste e sudeste asiático, Oceania (malaios e polinésios) e 
continente americano (esquimós e ameríndios). 
- Caucasoide (raça branca): povos de todo o continente europeu, norte da África e parte do continente 
asiático (Oriente Médio e norte do Subcontinente Indiano). 
- Negróide (raça negra): povos da África Subsaariana. 
 
Os outros dois grupos de linhagem humana poderiam ser: 
- Australoide: sul da Índia (drávidas), negritos das Ilhas Andaman (Oceano Índico), negritos das 
Filipinas, aborígenes de Papua-Nova Guiné, aborígenes da Austrália e povos melanésios da Oceania. 
- Capóide: tribos Khoisan (extremo sul do continente africano). 
 
Apesar de poderem ser considerados como dois grupos distintos de linhagem humana, australóides e 
capóides também podem ser considerados como negróides, de acordo com essa mesma classificação 
tradicional. Como toda classificação, a classificação em raças não é perfeita e, ao longo do tempo, foram 
sendo usados outros termos, principalmente para grupos de características que não se ajustavam 
aos grupos "definidos", como por exemplo os pardos (indígenas do sub-continente indiano) e 
outros. Além das características físicas, houve sempre outras, mais relacionadas com a cultura, 
principalmente a religião dos "outros", como os mouros ou "infiéis", como os europeus denominavam 
os muçulmanos, ou os judeus. No início do século XX, Franz Boas pôs em causa a noção de raça e foi 
seguido por outros antropólogos, como Ashley Montagu, Richard Lewontin e Stephen Jay Gould. 
Contudo, alguns poucos cientistas como J. Philippe Rushton, Arthur Jensen, Vincent Sarich e Frank Miele 
(autores de "Race: The Reality of Human Differences") proclamam que não só essa tese é falsa, mas que 
foi politicamente motivada e não tem bases científicas. 
O conceito divisão em raças era usado como mecanismo de dominação entre os povos, com finalidade 
política. Há estudos mostram que a percepção social da cor como definidora de uma divisão humana 
em "raças" apenas uma construção sociocultural. Assim, durante a montagem do sistema escravista 
moderno, no qual milhões de africanos foram transferidos compulsoriamente para as Américas 
para o trabalho escravo, fortaleceu-se o conceito de uma "raça negra", superpondo-se a toda uma grande 
quantidade diferenças étnicas que existiam na África, e que ainda existem hoje. 
Os africanos nas sociedades que precederam o moderno sistema escravista, não se viam como 
"negros", tal como sustenta José D'Assunção Barros em seu livro A Construção Social da Cor. Na 
África, os africanos se diferenciavam pelas identidades étnicas, e não se viam como pertencendo a 
uma única "raça negra", um conceito que para eles não existia, já que todos eram negros. Os interesses 
do tráfico levavam os comerciantes a motivar a diferença étnica entre os africanos de modo que os 
comerciantes conseguiam escravos das guerras intertribais, nas quais as tribos vencedoras vendiam 
os indivíduos pertencentes às tribos vencidas. Não foi o homem branco europeu que inventou a 
escravidão. Análises genéticas recentes indicam que, como pensam os que defendem a teoria da origem 
única, a África foi o berço da humanidade, outros defendem a teoria da origem multiregional. 
Verificou-se que os aborígenes australianos de um grupo isolado dos restantes por muito tempo e que 
os outros grupos, incluindo "europeus", "asiáticos" e "nativos americanos" surgiram de um único 
grupo resultado das migrações para fora do continente africano e que poderia dividir-se no 
equivalente aos oeste e leste "euro-asiáticos", reconhecendo sempre haver muitos grupos 
intermédios. 
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. 8 
É interessante notar que no Brasil, houve como resultado da miscigenação a formação de outros 
grupos decorrentes da mistura entre o branco, o negro e o índio. 
Assim, temos o mulato (negro+branco), o caboclo ou mameluco; (branco+índio), o cafuzo; 
(negro+índio) e o pardo (diversos cruzamentos). No início eram somente essas as raças que se poderia 
encontrar como resultado da miscigenação, mas com o tempo, mais imigrantes participaram desses 
cruzamentos de raças, tornando ainda mais complexo o agrupamento de semelhanças entre os 
indivíduos. 
 
Para a caracterização da raça tem valor o exame dos seguintes elementos: 
1) Forma do crânio — O exame detalhado dos contornos vertical, anterior, posterior e laterais enseja 
figuras geométricas aplicáveis a várias formas do casco. 
 
2) Índices cefálicos — Antes de estudá-los convém conhecer os pontos anatômicos craniométricos 
utilizados nas suas determinações, para o que valemo-nos do magistério de L. Testut e A. Latarjet, 
Anatomia humana, Salvat Ed., 1954, p. 284 e s.: 
— gnation: situado entre os forames mentonianos bilaterais, na parte mais anterior e inferior do mento 
ósseo; 
— próstion (ponto alveolar): situado no rebordo alveolar dos dentes incisivos centrais superiores; 
— násion (ponto nasal): situado no centro da articulação nasofrontal; 
— ponto subnasal ou espinal: situado no centro virtual da espinha nasal anterior; 
— glabela: protuberância frontal entre as cristas superciliares; 
— bregma: ponto de convergência das suturas sagital, metópica e coronária; 
— obelion: ocupa a altura dos buracos parietais; 
— lambda: ponto de junção da sutura lambdoide com a sagital; 
— ínion: situado na base da protuberância occipital externa; 
— metalambda: situado no centro mais posterior do crânio; 
— opístion: situado na margem posterior do forame occipital; 
— básion: situado no ponto médio da borda anterior do buraco occipital. 
 
Os pontos anatômicos laterais e pares de importância são: 
— gonion: lado externo do ângulo mandibular; 
— dacrion: ponto de encontro das suturas vertical lacrimomaxilar e nasofrontal 
 
3) Capacidade do crânio — É dada pela quantidade de chumbo miúdo necessária para encher o 
crânio após prévia obturação de seus orifícios. A quantitas plumbem obtida é posta em vaso graduado 
em centímetros cúbicos, determinando-se, desta forma, o seu volume em capacidade. 
A capacidade do crânio é maior no homem e na raça branca (1.558cm3), seguindo-se, em ordem 
decrescente, a amarela (1.518cm3), a vermelha (1.437cm3) e a negra (1.430cm3) (vide n. 2.2.2). 
 
4) Ângulo facial — Serve para determinar o prognatismo, ou seja, a proeminência, especialmente dos 
maxilares, das raças. Quanto mais agudo for o ângulo facial, tanto mais pronunciado será o prognatismo. 
Suas medidas se fazem com os goniômetros, como o de Broca, e obedecem a vários critérios. 
Para Jacquart, o ângulo é dado por uma linha vertical que passa pela fronte e pela espinha nasal 
anterior — linha facial — e por uma outra que vai da espinha nasal anterior ao meio da linha biauricular 
— linha aurículo-espinal. 
Segundo Cloquet, essas duas linhas se encontram no rebordo alveolar. Curvier preconiza a 
intersecção dessas duas linhas na margem cortante dos incisivos. 
Atualmente tem mais valia o método de Rivet para estudar o prognatismo. Consiste esse processo em 
se traçar um triângulo facial por intermédio das linhas facial e aurículo-espinal como foram descritas no 
método de Jacquart, e uma outra linha tangente ao mento e aos incisivos mediais inferiores. Conhecidos 
os comprimentos dos três lados do triângulo obtido, calcula-se facilmente os seus ângulos por meio de 
tábuas logarítmicas. 
Daí termos os seguintes tipos: 
— ortognatas: mais de 73º; 
— mesognatas: de 72,99º a 70º; 
— prognatas: menos de 70º. 
 
 
 
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As partes moles (principalmente os lábios) impedem a determinação do prognatismo no vivo e no 
cadáver recente. 
Outrossim, qualquer que seja o método goniométrico empregado pelos diferentes autores na 
determinação do ângulo facial, não se deve conceder ao prognatismo a importância de outrora e, sim, a 
de caráter morfológico designativo simplesmente da proeminência do maciço ósseo da face, ou seus 
diversos segmentos, adiante da caixa craniana. 
Importa saber que o ângulo facial é máximo na raça branca e menor na raça negra. 
 
5) Dimensões da face — Obtêm-se pela relação entre a largura e a altura da face. Utilizam-se várias 
medidas para obtê-lo. Considerando os diâmetros bizigomático e násio-alveolar, os amarelos têm a face 
mais larga, sendo secundados pelos negros e, depois, pelos brancos, que as têm mais estreitas. 
 
De forma geral, o ângulo facial, que é o ângulo formado por dois planos, um passando pela face e o 
outro pela base do crânio, determina o prognatismo, que permite agrupar os seres humanos em três 
grupos, ou raças: 
 -ortognatas (brancos, leucodermas ou caucasóides) 
 -prognatas (negros, melanodermas e faiodermas) 
 -mesognatas (raças primitivas e aborígenes australianos). 
 
 
 
As raças ortognatas exibem: 
-cúspides distais muito pequenas nos molares superiores, quando comparadas com as cúspides 
mesiais; 
-leve marca de soldadura da cúspide posterior do primeiro molar inferior; 
-ausência de cúspides diferenciadas no segundo e terceiro molares inferiores; 
 
As raças prognatas apresentam: 
-cúspides distais de bom tamanho nos molares superiores; 
-cúspide posterior diferenciada nos molares inferiores. 
 
As raças mesognatas possuem: 
 -molares inferiores semelhantes aos dos chimpanzés. 
Dois outros critérios permitem ainda definir a raça, o índice dentário e a forma da cúspide do primeiro 
molar inferior (Alvarado, 1986; Galvão et al. 2000). O índice dentário normalmente é determinado pela 
fórmula de Flower(1855): 
 
(Comprimento em reta entre borda mesial do 1º pré-molar e borda distal do 3º molar) x 100 
Distância basion-nasion 
 
 
 
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Tipo Índice Dentário= ID Grupo étnico 
microdentes 44,0 australóides 
Índice dentário e Grupo étnico 
Fonte: Campos in http://www. Pericias-forenses.com.br/identesodo.htm 
 
As cúspides do primeiro molar inferior podem ser: 
 
Mamelonada Caucásicos 
Intermediária Amarelos 
Estrelada Negróides 
Cúspides e etnia. Fonte: França 
 
Por fim, a curvatura do palato (abóbada palatina) e do arco dentário também podem contribuir para a 
determinação da raça. A forma dos arcos dentários, no plano horizontal, pode exibir variações de forma 
características como: 
- normal: em forma de arco de elipse, 
- trapezoidal, 
- triangular, na etnia caucasóide 
- redonda: em "arco de ferradura" (arco de círculo) na mongolóide 
- assimétrica 
- retangular, na negróide. 
 
 
 
 
 
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A abóbada palatina pode apresentar-se, no plano frontal, sob uma das três formas fundamentais, 
conforme o grau de elevação de sua parte central, o rafe mediano, a saber: 
- em "alça de balaio", quando menos acentuada a elevação e arredondada, 
- ogival ou "em arco gótico", com elevação central muito acentuada, 
- plano, quando o arco da abóbada é praticamente inexistente. 
 
 
 
A mandíbula também pode contribuir para a determinação da etnia, conforme as características de 
quatro aspectos, a largura, forma do ramo, forma do mento e a forma do arco dental. 
 
Aspecto Branco Negro 
Largura Larga Estreita 
Ramo Alto e estreito Baixo e largo 
Mento Proeminete Plano 
Arco dental “V” “U” 
Etnia pela mandíbula. 
Fonte: Galvão in http://Malthus.com.br/mg_th.asp?idtopico=315.Apostila gerada especialmente para: Wagner André Vieira da Silva 073.769.494-70
 
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6) Envergadura — A envergadura serve de sinal étnico. Os negros comumente têm os membros 
superiores mais longos em relação aos inferiores. 
 
7) Cabelos — Sinal étnico de grande valor, já foram descritos nos tipos raciais de Ottolenghi. 
Desde que Alec Jeffreys e outros desenvolveram uma técnica chamada “impressões digitais genéticas 
do DNA”, Finger prints, elemento que contém todas as informações genéticas de cada pessoa, com 
características únicas, como ocorre com as impressões digitais, os cabelos passaram a constituir 
elemento sinalético preciso de identificação de um indivíduo. O DNA há de ser detectado em quantidade 
Apostila gerada especialmente para: Wagner André Vieira da Silva 073.769.494-70
 
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suficiente no fio de cabelo examinado para permitir a indiscutível identificação do indivíduo. Desse modo, 
nem todo cabelo encontrado no local do crime se presta à segura identificação da pessoa. 
Os cabelos e os pelos examinados pelo sistema DNA — sigla que significa ácido desoxirribonucléico 
— amiúde, todavia, permitem identificar a raça e o indivíduo que os portava. 
Os pelos pubianos recolhidos de peças íntimas de uma estuprada, ou no local onde o delito foi 
praticado, poderão, caso não pertençam à ofendida, confirmar ou repelir a veracidade afirmada sobre a 
identidade do autor. Efetivamente, se encontrados nas roupas íntimas de uma mulata, cujos pelos do 
monte de Vênus são escuros, outros pelos pubianos louros, é de se pensar ter sido a mulher violentada 
por indivíduo louro tipo ariano. 
Os pelos e os cabelos são comumente encontrados no local do crime; geralmente permitem determinar 
a espécie animal, a raça, o sexo, a idade, a região onde se implantavam; se cabelos postiços, 
descoloridos ou tingidos, manchados, deformados; reconstituir as circunstâncias que puderam separá-los 
do corpo: pelos ou cabelos caídos, arrancados, rompidos, cortados, gastos, queimados. 
Para determinar se trata-se de um pelo humano, o perito observa o aspecto da medula, da casca e da 
cutícula e o índice medular, ou seja, a relação entre o diâmetro da medula e o diâmetro total do pelo. O 
aspecto da medula, da casca e da cutícula é muito diferente no homem e no animal, o que está longe de 
ter um valor absoluto. 
Igualmente o diâmetro médio, pois no mesmo indivíduo existem pelos mais finos e mais grossos. 
O índice medular é constante em cada espécie, seja qual for o próprio diâmetro do cabelo: no homem 
é sempre inferior a 0,30, enquanto, na maioria dos animais, é superior a 0,60. 
Os pelos ou cabelos caídos ou arrancados mostram o bulbo de aspecto particular e diferente; os pelos 
ou cabelos rompidos por puxões ou esmagamento acabam em leque; os pelos ou cabelos calcinados 
apresentam degenerescências sucessivas que permitem avaliar a que temperatura ficaram expostos. 
O valor dos resultados depende do confronto de pelos ou cabelos suficientemente numerosos com os 
de um indivíduo já conhecido, principalmente se houver particularidades especiais; ainda assim, somos 
de opinião que, no sentido mais amplo de “crime”, deve-se conferir-lhes o valor de simples prova indicial, 
a ser empregada quando não se dispõe de meios para as aplicações médico-legais do DNA. 
 
Idade: é o número de anos a se contar desde o nascimento do indivíduo. 
A idade tem relevância para a apuração não só da identidade, mas também com a questão 
da capacidade de direitos e deveres. Em matéria penal, por exemplo, a idade tem relevância para a 
averiguação da imputabilidade. 
Há certa correlação entre a estatura e a idade. As mulheres, em geral, são de menor estatura que os 
homens. A estatura é medida no vivo, de pé, pelo antropômetro; no cadáver e nas crianças as medidas 
são tomadas em decúbito dorsal por dois planos verticais que passam pelo vértice e pela planta dos pés. 
O método mais seguro para averiguar a idade é a radiografia dos ossos, vez que identifica com grau 
de aproximação significativo. 
O estudo radiológico visa cronologicamente ao aparecimento dos pontos de ossificação, o completo 
desenvolvimento e soldadura dos ossos, seu achatamento e rarefação, as fontanelas nas crianças, o 
período osteossutural no adulto e perturbações tróficas, como adelgaçamento da díploe e atrofia da tábua 
externa, na senilidade. 
O estudo dos núcleos ou pontos de ossificação primitivos (POP) e dos núcleos ou pontos de 
ossificação complementares (POC) do esqueleto de nascituro e do já nascido propicia importantes 
subsídios para a determinação da idade. Assim é que: 
1) Vértebras dorsais — Os POP surgem em torno do 2.º mês de vida intrauterina, e os POC, entre 14 
e 16 anos de idade. 
2) Costelas — O POP pode ser detectado entre 40 e 50 dias de vida embrionária. 
3) Sacro — O primeiro POP aparece acerca do 4.º mês, seguido de mais outros dois, do 5.º ao 6.º 
mês, e os POC entre 10 e 12 anos de idade. 
4) Frontal — Formam-se entre 40 e 50 dias dois POP, um na metade direita e outro na metade 
esquerda do osso. No 4.º mês de vida endouterina podem ser encontrados mais seis núcleos de 
ossificação secundários, individualizados, que, no 7.º mês, fundem-se para formar um único pontus 
ossisfacere. 
5) Etmoide — Os POP aparecem, lateralmente, no 4.º mês. No feto a termo as massas laterais da 
peça óssea estão completamente ossificadas. 
6) Esfenoide — Entre o 3.º e o 6.º mês formam-se, no feto, sucessivos POP. 
7) Occipital — Os POP são encontrados da 7.ª à 8.ª semana, no embrião. 
8) Parietal — O POP desenvolve-se a partir dos 45 dias de vida intrauterina. 
9) Temporal — São encontrados no 3.º mês de vida embrionária. 
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10) Maxilar superior — No 6.º mês constitui um osso único, formado à custa dos POP, surgido, no 
embrião, no final do 2.º mês. 
11) Ossos próprios do nariz — Existe, em cada um deles, um POP aos 80 dias de vida embrionária. 
12) Únguis — O POP aparece, em geral, no 3.º mês, no embrião. 
13) Palatinos — Aos 45 dias surgem, no embrião, dois POP. 
14) Vômer — Ocorre o mesmo que nos palatinos. 
15) Maxilar inferior — Os POP, em número de seis, aparecem, em geral, nos 50 dias de vida 
embrionária. Primitivamente duplo, cada hemimaxilar desenvolve-se por seis POP, a partir do 50.º dia de 
vida embrionária. No feto a termo, as hemimandíbulas direita e esquerda têm de permeio tecido 
conjuntivo. Entre o 2.º e o 3.º mês de vida extrauterina ocorre a soldadura das mesmas formando a sínfise 
mentoniana. 
16) Clavícula — O POP forma-se, amiúde, no final da 4.ª semana, no embrião, e o POC entre 20 e 22 
anos de idade. 
17) Omoplata — Em torno dos 45 aos 60 dias gestacionais, aparece um POP, e o ponto caracoideo, 
entre 15 e 18 meses após o nascimento; os demais núcleos complementares formam-se desde os 14 até 
os 20 anos. 
18) Úmero — Desenvolve-se por um POP e sete complementares. O primitivo surge aos 45 dias de 
vida embrionária. Entre o 2.º e o 4.º mês após o nascimento surge um núcleo de ossificação complementar 
na extremidade superior do osso, e ao iniciar-se o 3.º ano forma-se, na extremidade inferior, um ponto 
condileano. Aos 5 anos aparece um segundo núcleo epitrocleano, e aos 12 anos são detectados na 
epitróclea e no epicôndilo o 3.º e o 4.º POC. 
19) Cúbito — O POP surge no início do 2.º mês de vida embrionária. O ponto epifisário inferior aparece 
entre o 6.º e o 9.º ano e o núcleo epifisário superior, dos 14 aos 18 anos. 
20) Rádio — O POP aparece cerca do 40.º dia de gestação. O ponto complementar epifisário inferior 
principia a ossificação durante o 5.º ano e o ponto epifisário superior, no 6.º ano de vida extrauterina 
21) Carpo — Os núcleos de ossificação aparecem do 1.º ao 3.º ano após o nascimento no grande osso 
e no osso ganchoso; entre o 3.º e o 4.º ano, no escafoide, no semilunar e no piramidal; do 4.º ao 5.º, no 
trapézio e no trapezoide, e dos 10 aos 16 anos no psiforme.22) Metacarpo — O primeiro metacarpiano desenvolve-se por um POP que surge aos 75 dias de vida 
embrionária. O POC aparece ao final do 7.º ano de vida extrauterina. O segundo, terceiro, quarto e quinto 
metacarpianos o fazem por um POP que surge no 3.º mês de vida embrionária. O POC epifisário aparece 
entre o 5.º e o 6.º ano de vida extrauterina. 
23) Quirodáctilos — O núcleo primitivo surge aos 60 dias de gestação e o ponto secundário entre o 5.º 
e o 6.º ano, após o nascimento. 
24) Bacia — O POP ilíaco aparece dos 45 aos 50 dias de gestação, em embriões de 3 a 6cm; o ponto 
isquiático, aos 90 dias em embriões com 18cm, e o ponto pubiano, ao final do 4.º mês, em fetos de 25 a 
33cm. Os POC surgem: para a espinha ilíaca anterior e inferior, dos 14 aos 15 anos; para a crista ilíaca 
e para a tuberosidade isquiática, dos 15 aos 16 anos; para a espinha púbica, aos 18 anos. 
25) Fêmur — O pontus ossisfacere primitivus aparece no embrião de aproximadamente 60 dias. O 
POC epifisário inferior surge, no feto, 15 dias antes do nascimento; é o chamado ponto de ossificação de 
Bèclard, que, no feto a termo, mede de 4 a 8mm e que tem importância médico-legal para afirmar, como 
simples probabilidade, a idade do recém-nascido. Vermelho vivo no cadáver frescun, amarelo-escuro no 
feto macerado ou no neonato putrefeito, pode não existir em 10 a 15% dos casos. Os POC epifisários 
superiores aparecem aos 2, aos 3 e aos 8 anos de idade. 
26) Tíbia — O ponto primitivo surge no embrião entre 35 e 40 dias. O POC epifisário superior aparece 
no momento do nascimento, o ponto epifisário inferior, aos 18 meses, e o ponto de ossificação destinado 
à tuberosidade anterior, entre 12 e 14 meses de vida extrauterina 
27) Perônio — O ponto primitivo diafisário surge dos 35 aos 40 dias de vida embrionária. O ponto 
complementar epifisário superior aparece aos 2 anos, e o ponto epifisário inferior, aos 4 anos de idade. 
28) Tarso — Os pontos de ossificação aparecem na seguinte ordem no: 
a) Calcâneo — O POP, entre o 4.º e o 5.º mês de vida fetal, e o ponto secundário, desde os 7 até os 
10 anos. 
b) Astrágalo — Entre o 6.º e o 9.º mês de vida intrauterina. 
c) Cuboide e primeiro cuneiforme — No 1.º ano, depois do nascimento. 
d) Escafoide — De 4 a 5 anos. 
e) Metatarso — Cada um dos metatarsianos desenvolve-se por um POP a partir do 3.º mês de vida 
fetal e por um POC que aparece de 2 a 4 anos após o nascimento. 
 
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. 16 
Pododáctilos — Os pontos de ossificação aparecem desde os 45 dias de vida embrionária até os 3 e 
meio a 4 anos de vida extrauterina. 
A observação da época em que ocorre a soldadura dos diferentes pontos de ossificação nos ossos, 
associada a outros elementos, tem importância na determinação da idade. A soldadura desses núcleos 
de ossificação processa-se da seguinte forma: 
1) Corpos vertebrais — Até a idade de 2 anos, unem-se os pontos primitivos laterais entre si, para, 
decorridos mais 3 a 4 anos, soldarem-se ao corpo vertebral. A soldadura dos pontos secundários tem 
lugar entre os 19 e os 25 anos de idade. 
2) Costelas — A soldadura ocorre dos 16 aos 25 anos. 
3) Maxilar superior — As diversas peças constitutivas do maxilar superior soldam-se entre si no final 
do 6.º mês de vida fetal. 
4) Malar — Os três POP que o formam mostram-se completamente soldados no 5.º mês de vida 
endouterina. 
5) Maxilar inferior — A soldadura das duas metades entre si, formando a sínfise mentoniana, se dá 
entre 2 e 3 meses pós-nascimento. 
6) Clavícula — O tempo de soldadura é de 22 a 25 anos. 
7) Omoplata — A época de soldadura dos diferentes POP varia dos 14 aos 25 anos. Ou seja: o ponto 
coracoide principal, de 14 a 16 anos; o ponto coracoide acessório, de 16 a 18 anos; o ponto acromial, de 
17 a 18 anos; o ponto blenoide superior, de 16 a 18 anos; a placa glenoide, de 19 a 20 anos; o ponto 
genoide inferior, de 20 a 24 anos; e o ponto marginal, de 22 a 25 anos. 
8) Úmero — A soldadura das duas peças epifisárias e da diáfise ocorre entre 16 e 18 anos, e na 
epitróclea, dos 19 aos 20 anos pós-nascimento. 
9) Cúbito — A soldadura ocorre na epífise superior dos 16 aos 20 anos, e na epífise inferior, entre 20 
e 22 anos, na mulher, e 21 a 25 anos, no homem. 
10) Rádio — A epífise inferior solda-se dos 16 aos 20 anos, e a epífise superior, dos 20 aos 24 anos. 
11) Bacia — O púbis solda-se ao ísquion dos 11 aos 12 anos; o ísquion se une ao ílio entre 12 e 13 
anos; o púbis solda-se ao ílio dos 15 aos 20 anos. 
12) Fêmur — A solidare do grande e do pequeno trocânter à diáfise dá-se dos 16 aos 18 anos, e com 
a cabeça femoral, aos 19 anos. A extremidade inferior do fêmur principia a soldadura com a diáfise aos 
18 anos, terminando dos 20 aos 22 anos após o nascimento. 
13) Tíbia — A epífise inferior solda-se à diáfise dos 16 aos 18 anos, e a epífise superior, dos 18 aos 
25 anos. 
14) Perônio — O ponto epifisário superior solda-se dos 18 aos 19 anos, e o ponto epifisário inferior, 
dos 19 aos 20 anos post partum. 
 
Existem tabelas que indicam a idade aproximada pela morfologia e densidade dos ossos. A radiografia 
da mão e pulso é indicada para verificar idades próximas dos 18 anos e a partir dos 25 a do crânio, 
devido a fusão dos ossos. 
Os dentes são bons indicativos para idades até 18 anos, mas a sua precisão é menor que a da 
radiografia. 
A aparência também constitui elemento indicativo (assim como a pele, os olhos, a calvície), embora 
sejam falhos em relação a outros métodos. 
Assim, vários são os aspectos físicos que podem indicar uma idade para fins de estimativa: aparência, 
rugas na pele, presença de pelos pubianos, arco senil na região do globo ocular, dentição, radiografia dos 
ossos com solduras ou pontos de ossificação, estatura, formato de coluna, ausência de cabelos, 
coloração grisalha de cabelos. 
 
Detalhe técnico importante: no cadáver, deve-se deduzir 16mm da medida total, correspondente ao 
achatamento natural dos discos intervertebrais sobre as cartilagens intra-articulares, e, no esqueleto em 
posição normal, deve-se aumentar, nessa medida total, 6cm correspondentes às partes moles destruídas. 
É obviamente um cálculo empírico. 
 
Portanto, vários fatores precisam ser considerados quando do estudo dos registros prévios tais como 
hereditariedade, sexo, clima, raça, doenças sistêmicas, desnutrição, mineralização, erupção, cáries, 
extrações peri-odontopatias e o desgaste natural; é sabido que meninas magras ou longilíneas de boa 
condição socioeconômica apresentam erupção precoce e por sua vez, observa-se retardo quando o flúor 
é utilizado. Vários autores preparam tabelas que podem ser utilizadas desde que se considere os fatores 
acima citados e são unanimes em afirmar algumas conclusões: 
- quanto menor a idade do examinado maior a precisão; 
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- quanto maior a idade, em função da regressão orgânica, maiores serão os intervalos de idade 
estimado. 
- devem ser avaliados mais de um aspecto, primeiras evidências de formação da coroa, um terço, dois 
terços e coroa completa; início de mineralização da raiz, um terço, dois terços e término apical (Arbenz, 
1988; Nicodemo, Moraes e Médici 19xx); 
- na involução dentária devem ser avaliados o desgaste oclusal, periodontose, desenvolvimento da 
dentina secundária na cavidade pulpar, deposição de cemento na raiz e transparência do ápice radicular 
(GUSTAFSON, 1966). 
- a avaliação pode ser feita por meio clínico macro e microscópico bem como por radiografias. 
 
 
 
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Estimativa da idade em anos pelo fechamento das suturas cranianas 
 
Sinostose R. Martín Tood y Lion Vallois-Olivier 
S1 40-50 20-60 
S2 30-40 22-35 20-60 
S3 20-30 20-45 
S4 30-40 20-60 
C1 40-50 24-38 25-70 
C2 muito tarde 24-38 30-70 
C3 30-40 26-41 25-55 
L1 depois50 26-42 25-70 
L2 50 26-47 30-60 
L3 muito tarde 26-50 60 ou mais 
T muito tarde 31-64 65 ou mais 
Fonte: Revert Coma 
 
Estatura: é o tamanho da pessoa. Com o tempo as pessoas vão aumentando. Chega-se a uma idade, 
próxima ao fim da adolescência, que a estatura para de aumentar e começa a se estabilizar. Quando a 
3ª idade se aproxima, devido a perda de cálcio nos ossos e nova conformação da coluna, a estatura vai 
diminuindo. 
A estatura é avaliada através da medição direta no vivo ou no morto, através de tábuas ou tabelas 
osteométricas: 
- Broca 
- Etienne-Rollet 
- Lacassagne e Martin 
 
Determinação da altura 
 A literatura mostra que o pioneiro na realização desta estimativa foi Carrea, professor argentino, em 
1920, que realizou estudos visando proporcionar dados odontométricos (a partir de medidas mésiodistais 
dos incisivos centrais, laterais e caninos inferiores), que o possibilitasse fazer uma relação destes dados 
com a altura do indivíduo. 
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 A aplicabilidade do referido método foi comprovada na perícia realizada por peritos brasileiros, no 
caso Josef Mengele, onde, junto com outras estimativas, foi eficaz (Galvão, 2007–
http://abmlmedicinalegal.org.br/Artigos/1122.pdf). 
A figura a seguir demonstra o esquema do traçado do "arco" e da "corda" entre a face mesial do 
primeiro incisivo inferior e a face distal do canino inferior do mesmo lado, possibilita efetuar as medições 
necessárias para o cálculo da estatura de acordo com a fórmula de Carrea. 
 
 
 
Carrea definiu duas fórmulas que permitem calcular a altura máxima e a altura mínima possível para 
os dentes estudados: 
 
 
 
Observa-se que a altura masculina está mais próxima da máxima e a feminina da mínima. 
 
MALFORMAÇÕES 
 
São defeitos morfológicos devido à má formação do corpo humano. Exemplos: lábio leporino, pé torto, 
desvios da coluna, doenças cutâneas etc. 
 
SINAIS PROFISSIONAIS 
 
São os reflexos que a atividade laboral, ou seja, que o trabalho imprime no corpo do trabalhador. Em 
outras palavras, são as marcas que o trabalho causam no trabalhador. Normalmente são relacionadas a 
deformações no corpo da pessoa, consequência direta da prática de certa atividade por muito tempo. 
 
SINAIS INDIVIDUAIS 
 
São as características próprias, pertencentes a cada indivíduo. Alguns sinais individuais não são 
capazes de identificar as pessoas, no entanto pode excluí-la. 
Podemos citar como exemplos: cicatrizes, próteses dentárias, fraturas. 
 
TATUAGENS 
 
A tatuagem, também conhecida como Sistema Cromodérmico, foi oficialmente proposta como meio 
identificativo em 1832 pelo filósofo inglês Jeremy Bentham, nascido em Londres em 15 de fevereiro de 
1748, criador da doutrina do Utilitarismo que tinha como lema “a maior felicidade possível para o maior 
número possível de pessoas”. A proposta inicial era a de tatuar na parte interna do antebraço direito letras 
para identificar civilmente uma pessoa e números para a identificação criminal. 
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O primeiro instrumento elétrico para tatuagem foi patenteado em 1891 nos Estados Unidos, país que 
se tornou um importante centro de criação de desenhos, e só em junho de 1959, através do dinamarquês 
“Knud Harld Likke Gregersen” é que a tatuagem elétrica chegaria ao Brasil. No fim do século XIX a 
tatuagem esteve brevemente em voga nas classes altas inglesas, para ambos os sexos. 
Muitos povos acreditam que a tatuagem, a marca ou desenho permanente na pele, feito mediante a 
introdução de pigmento sob ela e somente removível com procedimentos especiais, proporciona proteção 
mágica contra as doenças e a má sorte, outros as usam como meio de tornar evidente a posição social 
de uma pessoa no grupo e, por fim, como forma de ritos de iniciação. Exemplo disso é que certas tribos 
australianas usavam como ritual de iniciação do adolescente a circuncisão, tatuagem em várias partes do 
corpo, extração de dentes e outros atos mortificantes, além de jejum e reclusão. A motivação mais 
frequente da tatuagem, no entanto, é de ordem estética. Praticada em muitos países, é, no entanto, quase 
desconhecida na China e pouco comum entre povos de pele negra, provavelmente pela tendência à 
formação de quelóides que essas populações apresentam. 
As primeiras ocorrências de tatuagens usadas com fins criminais datam do Antigo Egito entre 4000 e 
2000 a.C. Algumas múmias com sinais parecidos com tatuagens foram encontradas no Vale do Rio Nilo. 
Segundo alguns especialistas, os corpos eram de prisioneiros marcados para não fugir. Algumas tinham 
as mãos amarradas nas costas. Os romanos tatuavam criminosos e escravos. No século XIX, ex-
presidiários americanos e desertores do exército britânico eram identificados por tatuagens e, mais tarde, 
os internados em prisões siberianas e em campos de concentração nazistas foram também marcados 
assim. Foi por crueldade que os nazistas optaram pela tatuagem para identificar seus prisioneiros, pois 
já àquela, na Alemanha, usava-se o Sistema Datiloscópico de Henry. 
Muito usual, entre as tribos indígenas da América, esquimós, povos do leste da Sibéria, Polinésia, 
Micronésia, Nova Zelândia, Myanmar (antiga Birmânia), Tunísia, ainos do Japão, os ibos da Nigéria, os 
índios chontal do México, os índios pima, do Arizona, e os senoi, da Malásia, a tatuagem era aplicada 
com diferentes técnicas em cada um desses povos. 
O pai da palavra “tattoo” foi o capitão James Cook, também descobridor do surf, em 1769, que 
escreveu em seu diário a palavra “tattow”, também conhecida como “tatau” que correspondia ao som feito 
durante a execução da tatuagem, onde se utilizavam ossos finos como agulhas e uma espécie de 
martelinho para introduzir a tinta na pele. 
Tal proposição do uso da tatuagem para fins identificativos, tanto civil como criminal, não obteve 
aprovação social pela inconveniência de sua aplicação, por ser estigmatizante, doloroso, estar sujeito a 
infecções cutâneas e ser de fácil adulteração, pois atualmente já existem processos cirúrgicos que 
possibilitam seu desaparecimento. 
 
Sinais de Violência 
 
Os sinais da violência se traduzem em consequências que podem ser distintas de acordo com o 
momento em que foram produzidas. Assim, podem ser encontrados elementos que permitem distinguir 
as lesões intra vitam (em vida) e as post mortem (após a morte). Sendo o papel do perito esclarecer para 
à Justiça se as lesões encontradas no cadáver foram causadas: a) bem antes da morte; b) imediatamente 
antes da morte; c) logo após a morte; d) certo tempo após a morte. 
 
Os meios de diagnosticos poder ser clássicos ou os que impetram técnicas de laboratório. 
 
Com base no Manual de Medicina Legal de Delton Croce e Delton Croce Junior1, vejamos a 
brilhante explicação dos meios de diagnostico apresentados pelos doutrinadores: 
 
As lesões corporais sofridas em vida traduzem sempre reações vitais, do tipo hemorragia e coagulação 
do sangue, retração dos tecidos, escoriações, equimoses, reações inflamatórias, embolias, consolidação 
de fraturas ou pseudoartrose, eritema, flictenas, reticulovascular cutâneo nas queimaduras, e fuligem nas 
vias aéreas e de monóxido de carbono no sangue nos que respiraram no foco de incêndio, coágulo de 
espuma, diluição do sangue e presença de líquido nos pulmões e no estômago dos afogados, e de 
substâncias sólidas no interior da traqueia e dos brônquios, no soterramento, aeração pulmonar e 
conteúdo lácteo no tubo digestivo de recém-nascido. 
 
 
 
 
1 Croce, Delton. Manual de medicina legal / Delton Croce e Delton Croce Jr. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. 
Apostila gerada especialmente para: Wagner André Vieira da Silva 073.769.494-70
 
. 21 
1) Hemorragia — Pode ser interna, externa ou simultaneamente interna e externa. A hemorragia 
interna proveniente de lesão produzida novivo aloja--se no interior do corpo sob forma de grandes 
coleções hemáticas; ademais, o sangue infiltra-se e coagula nas malhas dos tecidos. No morto, a coleção 
hemática interna é sempre de reduzidíssima dimensão, ou não existe, e o sangue não coagula (sinal de 
Donné). Todavia, se o ferimento, ou contusão interna, foi provocado imediatamente antes ou logo após a 
morte, podem ser encontrados coágulos moles e frouxos que despegam facilmente das malhas dos 
tecidos com a aplicação de um simples jato d’água. A infiltração dos tecidos pode faltar nas hemorragias 
externas por secção dos grandes vasos do pescoço (esgorjamento), no vivo; pode ainda não ocorrer se 
o dano foi provocado certo tempo após a morte. Por isso as lesões aplicadas no cadáver são brancas. 
O extravasamento sanguíneo externo pode não ocorrer se o dano foi causado por ação de instrumento 
puntiforme, ou por arrancamento ou torção, em que o trauma promove, por si só, a hemostasia. 
 
2) Retração dos tecidos — Os ferimentos incisos e os cortocontundentes mostram as margens 
afastadas, devido à retração dos tecidos, o que não ocorre se feitos no cadáver, pois neste os músculos 
perdem a contratilidade. 
 
3) Escoriações — A presença de crosta recobrindo as escoriações e impedindo que a pele adquira 
aspecto coriáceo significa lesão intra vitam. Dessarte, pergaminhamento da pele escoriada é sinal seguro 
de lesão post mortem. 
 
4) Equimoses — São manchas inicialmente vermelhas ou vermelho- -bronzeadas, consequentes ao 
extravasamento sanguíneo por ruptura capilar, ao se depositar na derma, nas mucosas, ou nos órgãos 
profundos, que não desaparecem à vitropressão. Sobrevêm de repente no vivo após o traumatismo, e se 
apagam lenta e paulatinamente, pela reabsorção dos pigmentos de hematoidina e hemossiderina, o que 
explica o sucessivo evolver de cores do vermelho ao amarelo, passando pelos tons intermediários 
correspondentes às diversas etapas do referido processo, chegando a desaparecer por completo (vide 
espectro equimótico de Legrand Du Saulle). No cadáver não ocorrem essas contínuas variações de 
tonalidades cromáticas; nele, as equimoses têm o mesmo matiz fixado em vida. 
 
5) Reações inflamatórias — Manifestadas pelos quatro sintomas cardinais: dor, tumor, rubor e calor, 
ocorrem, em geral, quando germes piógenos penetram no organismo vivo, seja por um ponto da pele, 
seja pelos tecidos traumatizados. 
A inflamação importa em fenômenos vitais importantes, como: 
a) vasodilatação ativa, motivadora da sensação de calor local; 
b) marginação dos glóbulos brancos, que deixam a posição axial na torrente circulatória arterial mais 
rápida, e migram para a periferia dos vasos, onde a circulação sanguínea é mais lenta, e, por movimentos 
ameboides, penetram entre as células endoteliais até a intimidade dos tecidos; 
c) exsudação serosa; 
d) alterações celulares locais, em que participam tanto as células que, no indivíduo normal, concorrem 
na defesa orgânica, revertendo, nas reações inflamatórias, a um estado embrionário indiferenciado, como 
também o sistema reticuloendotelial, representado pela medula dos ossos chatos, linfonodos etc., e 
fagocitose dos agentes patogênicos, pelos histiócitos. Desse modo, é a inflamação tissular importante 
elemento afirmativo de que a lesão foi produzida bem antes da morte. 
 
6) Embolias — São acidentes cujas principais manifestações dependem do órgão em que ocorrem. 
Chama-se embolia à obliteração súbita de um vaso, especialmente uma artéria, por coágulo ou por um 
corpo estranho líquido, sólido ou gasoso, chamado êmbolo. O êmbolo pode formar-se no próprio aparelho 
circulatório ou nele penetrar, sendo conduzido pela corrente sanguínea até um vaso de menor calibre que 
ele, obliterando-o subitamente, determinando, amiúde, a morte. Em verdade, na embolia pulmonar que 
afeta preferentemente o pulmão direito, supõe-se que, tão importante quanto a oclusão de um ramo das 
artérias pulmonares, pelo embolus, é o concurso de uma intensa comoção neurovegetativa. Isto porque 
a ligadura cirúrgica de um ramo importante das artérias pulmonares produz transtornos passageiros; além 
disto, não é raro a necropsia detectar êmbolos pequenos, obliterando, portanto, vasos pouco calibrosos, 
em muitas mortes provocadas por embolia pulmonar. As localizações embólicas mais frequentes são os 
pulmões, o cérebro, a medula espinal, a retina, os rins, o baço, o mesentério, os membros e as pequenas 
arteríolas da pele. Geralmente o êmbolo desprende-se de uma endocardite valvular aguda ou, mais 
raramente, crônica, de lesão mitral estenosante, de tromboflebites ou de varizes afetadas de 
flebotromboses. 
Apostila gerada especialmente para: Wagner André Vieira da Silva 073.769.494-70
 
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A introdução de grande volume de ar na torrente circulatória, como ocorre na descompressão rápida 
dos escafandristas, em que o azoto borbulha no sangue e forma rosário de bolhas gasosas, 
interrompendo a circulação nos capilares, causa embolia fatal. Não se pode admitir que a introdução de 
ar na corrente circulatória durante injeção intravenosa cause acidente embólico, pois tem sido 
demonstrada, clínica e experimentalmente, a enorme tolerância do organismo à introdução de razoável 
quantidade de ar. Não é assim, contudo, quando grande volume de ar é introduzido acidentalmente após 
término de venóclise em que, por descuido, não se desligou o sistema perfusor; ou na seção dos grandes 
vasos do pescoço, das axilas, da pélvis, em que o êmbolo gasoso impede a circulação do sangue pelas 
artérias pulmonares e, consequentemente, a hematose, acarretando síndrome de asfixia aguda, 
manifestada por cianose, edema dos pulmões, dispneia intensa, estado de choque etc., durante minutos 
ou horas após o trauma, ou morte súbita. 
A presença de gotículas gordurosas no parenchyma pulmonarius consigna sobrevivência, pois foram 
para aí conduzidas pela circulação após desprendimento das regiões traumatizadas (tecido celular 
subcutâneo, medula espinal, degeneração hepática gordurosa, politraumatismos com fraturas 
cominutivas dos ossos longos dos membros, ou localizados na bacia, nas costelas, sobretudo nos 
idosos). Melhor do que observar os sintomas clínicos (dispneia, taquicardia, expectoração hemoptoica, 
coma) ou os pulmões congestos, edematosos, com equimoses subpleurais, da mucosa gástrica e do 
tecido nervoso cerebral, na necropsia, é proceder ao exame histológico da substantia pulmonalis, 
objetivando evidenciar, pelo tratamento com Sudam III, nos capilares interalveolares, tecido adiposo, 
aglomeradamente compactado, em formato de salsicha. 
 
7) Consolidação das fraturas — O tempo de consolidação de uma fratura varia conforme o osso. 
Amiúde demanda 1 ou 2 meses, havendo, contudo, casos que requerem mais tempo. Existem casos de 
retardo de consolidação e até de não consolidação, geradora de pseudoartrose. Nesta eventualidade o 
exame do foco traumático revela a existência de tecido conjuntivo exuberante em substituição ao calo 
ósseo, envolvendo as extremidades fraturadas e reabsorções e deformações extensas, lembrando 
corrosão do osso ofendido determinada por esse tecido de conexão. A visualização radiológica ou direta 
da fase evolutiva dos calos de fratura ou de alterações tissulares comuns à pseudoartrose constitui sinal 
comprobatório de reação vital. 
 
8) O eritema, simples e fugaz afluxo de sangue na pele, e as flictenas contendo líquido límpido ou 
citrino, leucócitos, cloreto de sódio e albuminas (sinal de Chambert), e o retículo vasculocutâneo afirmam 
queimaduras intra vitam. No cadáver não se forma nenhum desses sinais vitais. E as bolhas porventura 
existentes assestam-se em áreas edemaciadas contendo gás e, às vezes, líquido desprovido de 
albuminas e de glóbulos brancos. 
 
9) O cogumelo de espuma traduz fenômeno vital, pois só se forma nos afogados que reagiram à 
proximidade da morte e cedo foram retirados do meio líquido (vide n. 6.5.4, subitem b).

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