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Atividade de História (3º ano EM) que propõe análise da ilustração de Felipe Guamán Poma de Ayala sobre o Peru colonial (mita, encomienda, hierarquia racial), questões sobre a divisão político‑administrativa da América espanhola e trecho do discurso de Hugo Chávez.

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ATIVIDADE II – História (VALE 4,0)
INSTRUÇÕES: Ao realizar a atividade você poderá consultar outras fontes para ter base histórica em suas respostas, no entanto, NÃO poderá copiar respostas ou trechos destas fontes. Caso ocorra esta situação, sua atividade poderá ser anulada a critério do Professor. 
Ao terminar poste sua atividade na plataforma E-CLASS. 3º ano E.M
QUESTÃO 1. 
Observe a imagem e leia o texto.
Felipe Guamán Poma de Ayala, o autor da imagem, foi um cronista ameríndio de ascendência incaica que viveu no Peru entre 1534 e 1615. A imagem faz parte de sua Nueva Corónica y Buen Gobierno, finalizada no começo do século XVII e endereçada ao rei Felipe III, sendo acompanhada da seguinte legenda, traduzida do espanhol:
“Pobre dos índios, de seis animais que comem e a que temem os pobres dos índios deste reino: serpente, corregedor; tigre, espanhóis das cidades; leão, encomendero; cadela, padre da doutrina; gato, escrivão; rato, cacique principal. Estes ditos animais que não temem a Deus esfolam aos pobres índios deste reino, e não há remédio, pobre Jesus Cristo”.
a) Identifique a situação do Peru quando da elaboração da obra. Resposta:
Na época o Peru estava sendo colonizado pelos espanhóis, com larga extração de recursos naturais (em especial a prata) por meio dos sistemas da mita e da
encomenda.
b) Descreva as estruturas de poder político e econômico que são comentadas na imagem e no texto que a acompanha. Resposta: A estrutura do poder político colonial no Peru era hierarquizada por "raça": no topo os espanhóis "puros", abaixo deles os espanhóis "puros", mas nascidos na América. Abaixo deles as lideranças nativas, e na base os povos nativos, por meio da escravidão ou do cristianismo, forçados a trabalhar para a Espanha.
c) Analise as tensões no mundo indígena sugeridas por texto e imagem. Resposta: A imagem sugere que os nativos estavam sendo sistematicamente abusados pelas autoridades coloniais, o que tornava a sua vida insuportável e o poder colonial detestável.
 
QUESTÃO 2. 
DIVISÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA NA AMÉRICA DE COLONIZAÇÃO ESPANHOLA (1808-1850)
	VICE-REINADOS (1808)
	CAPITANIAS-GERAIS (1808)
	ESTADOS INDEPENDENTES (ATÉ 1850, EXCETO QUANDO INDICADO)
	Nova Espanha 
	Guatemala 
	Honduras, El Salvador, Guatemala 
Nicarágua 
Costa Rica 
México 
	
	Cuba
	Cuba (1898) 
Haiti 
República Dominicana
	Nova Granada 
	Venezuela 
	Venezuela 
Colômbia 
Equador 
Panamá (1903) 
	Peru 
	Chile 
	Chile 
Peru 
	Prata 
	–
	Bolívia 
Argentina 
Uruguai 
Paraguai 
Adaptado de FREIRE, Américo et al. História em curso. São Paulo: Editora do Brasil,2008.
Apesar da fragmentação da América Espanhola em dez repúblicas no momento da independência (até meados do século já havia 16), políticos, intelectuais e escritores, nos anos 1850 e 1860, mantinham a ideia anteriormente propagada (não só por Simón Bolívar) de que existe uma consciência e identidade hispano-americana/latino-americana comum que supera os “nacionalismos” locais e regionais. Eles argumentavam que a “América Latina” era fundamentalmente distinta dos Estados Unidos, a “outra” América. Acima de tudo, também acreditavam que os Estados Unidos eram seu inimigo.
Adaptado de BETHELL, Leslie. O Brasil e a ideia de “América Latina” em perspectiva histórica. Revista Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v. 22, n. 44, 2009.
A noção de América Latina, construída a partir de meados do século XIX, está associada a processos internos e externos aos países da região.
Apresente um fator de ordem interna responsável pela dinâmica territorial retratada na tabela.
Cite, ainda, uma ação política dos Estados Unidos, entre 1840 e 1910, que reforçava o entendimento de políticos, intelectuais e escritores, ressaltado no texto, diante desse país. 
Resposta: Apesar da fragmentação da América Espanhola em dez repúblicas no momento de sua independência (até meados do século já havia 16), esses políticos, intelectuais e escritores, nos anos 1850 e 1860, mantinham a ideia (anteriormente propagada não só por Simón Bolívar, mas mais notavelmente por Andrés Bello) de que existe uma consciência e identidade hispano-americana/latino-americana comum que supera os "nacionalismos" locais e regionais. E, tal como Michel Chevalier, eles argumentavam que a "América Latina" era fundamentalmente distinta dos Estados Unidos, a "outra" América.
 
QUESTÃO 3. 
Leia o trecho do discurso do presidente da República Bolivariana da Venezuela, Hugo Chávez, na 60ª assembleia da ONU, em 2005:
“Pois bem, nós lutaremos pela Venezuela, pela integração latino-americana e pelo mundo. Reafirmamos aqui nesse salão, nossa infinita fé no homem, hoje sedento de paz e de justiça para sobreviver como espécie. Simón Bolívar, pai de nossa pátria e guia de nossa revolução, jurou não dar descanso a seu braço, nem repouso a sua alma, até ver a América livre. Não demos nós descanso a nossos braços, nem repouso a nossas almas até salvar a humanidade.”
(CHAVEZ, H. apud SOUZA, Maria de Fátima Rufino de; MARQUES DA SILVA, Maria Zélia. Bolívar, para além das representações e discursos políticos. Ameríndia. Vol. 5, número 1/2008, p. 3)
Discorra sobre os problemas de implantação do projeto de desenvolvimento almejado por figuras políticas como Simón Bolívar e San Martin para as ex-colônias hispânicas no século XIX. Em seguida, explique por que e de que forma a figura de Bolívar é lembrada e cultuada nos dias atuais na política latino-americana. Resposta: Os defensores do projeto integracionista para as ex-colônias ibéricas nas Américas encontraram resistência dos latifundiários, que tinham grande poder político e econômico a nível local, e que temiam perder prestígio com a unificação política do território, de modo que este projeto não conseguiu sucesso. Bolívar é cultuado como o símbolo, o representante maior de uma ideia, que é a aproximação das ex-colônias na América Latina em torno de um projeto político e econômico comum que, em tese, permitiria a independência econômica destes países.
 
QUESTÃO 4. 
Texto 1 
Depois que o Estado ficou em estado de orfandade política devido à ausência e prisão de Fernando VII, os povos reassumiram o poder soberano. Ainda que seja verdade que a nação havia transmitido esse poder aos reis, sempre foi com um caráter reversível, não somente no caso de uma deficiência total, mas também no de uma deficiência momentânea e parcial. 
Fragmento do Regulamento da Divisão de Poderes, Buenos Aires, 1811. Apud PAMPLONA, Marco A. e MÄDER, Maria Elisa (orgs.). Revoluções de independências e nacionalismos nas Américas. Região do Prata e do Chile. São Paulo: Paz e Terra, 2007, p. 251. 
Texto 2 
Para sustentar a escravidão dos povos, não têm outro recurso que transformar em mérito o orgulho de seus sequazes e cobri-los de distinções que criam uma distância imensa entre o infeliz escravo e seu pretendido senhor. Essa é a origem dos títulos de condes, marqueses, barões, etc., que a corte da Espanha prodigalizava para duplicar o peso de seu cetro de ferro que gravitava sobre a inocente América. Longe de nós tão execráveis e odiosas preeminências; um povo livre não pode ver brilhar o vício diante da virtude. Estas considerações estimularam a Assembleia a expedir a seguinte LEI: 
A Assembleia Geral ordena a extinção de todos os títulos de condes, marqueses e barões no território das Províncias Unidas do Rio da Prata. 
O redator da Assembleia, n. 9. 29 de maio de 1813. In. PAMPLONA, Marco Antônio e MÄDER, Maria Elisa (orgs.). Revoluções de independências e nacionalismos nas Américas; regiões do Rio da Prata e Chile. São Paulo: Paz e Terra, 2007, p.110. (Adaptado) 
Os textos apontam para ânimos distintos relativos ao processo de independência na América espanhola.
Explique o contexto histórico europeu relacionado ao início do processo revolucionário na América espanhola. Resposta: O conjunto das emancipações intenções políticas das colônias sob o domínio da Espanha irrompeu logo no do século XIX, resultou de um processo de mobilização envolvendo popularese fração da elite colonial (criollos) contra o domínio metropolitano. A emancipação política das 13 colônias inglesas no final do século XVIII, as crescentes mobilizações anti-absolutistas na Europa ocidental, com destaque para a França, e a mecanização do processo de beneficiamento de bens primários, iniciada na Inglaterra, compuseram um cenário de afirmação do projeto liberal nos planos econômicos e políticos. O “Bloqueio continental” contra a Inglaterra, decretado por Napoleão Bonaparte, não contou com as adesões do governo português e espanhol e, em represália, Napoleão determinou a ocupação sobre a península ibéricos. Em razão do “ vazio do poder “ observando na Espanha, os movimentos de libertação colonial, influenciado pelo iluminismo, ganharam novos impulso.
b) Identifique as mudanças no processo de independência do Rio da Prata a partir dos documentos acima apresentados. Resposta: Os documentos sinalizaram a pretensão das lideranças de romper com os elementos do “Antigo Regime” europeu e suas repercussões nas colônias americanas (sociedade ordens, servidão, vassalagem, etc.). Sob inspiração das ideias liberais, os líderes da emancipação política do Vice Reino do Rio da Prata (atuais Estados Nacionais do Uruguai, do Paraguai e da Argentina), executando o Uruguai que se encontrava desde 1816 sob domínio do Reino Unido de Portugal e Algarves, trataram de instituir uma ordem político-institucional tendo como referência os Estados Unidos, isto é, adotaram um regime republicano e presidencialista tanto nós Estados argentino quanto nos Estados paraguaiano. O Uruguai, ao se desvencilhar do império Brasileiro em 1828, adotou um modelo semelhante. 
 
QUESTÃO 5. 
Leia atentamente o texto.
O período de pré-independência assistiu ao nascimento de uma literatura de identidade, na qual os americanos glorificavam seus países, proclamavam seus recursos e louvavam seu povo. Enquanto mostravam a seus compatriotas as suas qualidades, esses autores apontavam as qualificações dos americanos para os cargos públicos e na verdade para o autogoverno. Os próprios termos instilavam confiança por repetição – pátria, país, nação, nossa América, nós americanos. Embora ainda se tratasse de um nacionalismo mais cultural do que político e não fosse incompatível com a unidade imperial, mesmo assim ele preparava as mentes dos homens para a independência, ao lembrar-lhes que a América tinha recursos independentes e as pessoas para administrá-los.
(John Lynch. As origens da independência da América Espanhola. Leslie Bethell: História da América Latina, 2001.)
Indique os principais motivos que levaram as colônias espanholas à independência. 
Resposta: Aquisição de uma identidade nacional americana, reação contra a opressão metropolitana, pretensão da aristocracia criolla em alcançar o poder político (rivalizando com os chapetones), influência da ideologia liberal-iluminista, exemplos das Revoluções Norte-Americana e Francesa e interesse da Inglaterra em quebrar o exclusivo metropolitano espanhol – devendo-se entender todos esses fatores no quadro das crises do Antigo Regime e do Sistema Colonial, ligadas à consolidação do capitalismo advinda da Revolução Industrial. 
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