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Prévia do material em texto

Indaial – 2021
ImunologIa ClínICa
Prof.a Amanda de Ávila Bicca Martins
1a Edição
Copyright © UNIASSELVI 2021
Elaboração:
Prof.a Amanda de Ávila Bicca Martins
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
Impresso por:
M386i
Martins, Amanda de Ávila Bicca
Imunologia clínica. / Amanda de Ávila Bicca Martins. – Indaial: 
UNIASSELVI, 2021.
198 p.; il.
ISBN 978-65-5663-616-0
ISBN Digital 978-65-5663-615-3
1. Imunologia. - Brasil. II. Centro Universitário Leonardo da Vinci.
CDD 610
apresentação
Olá, acadêmico! Seja bem-vindo ao Livro Didático em Imunologia 
Clínica, que trata da imunologia em um contexto aplicado, ou seja, a 
imunologia no laboratório clínico. Assim, todos os conceitos aprendidos 
em disciplinas de imunologia básica serão a base para compreender como 
funcionam as principais metodologias utilizadas na rotina laboratorial, bem 
como o significado clínico dos resultados obtidos.
Ao longo da Unidade 1, veremos os conceitos básicos relacionados 
ao funcionamento do sistema imune, como as doenças reumáticas, o modo 
como se desenvolvem e a relação que os processos fisiopatológicos dessas 
doenças têm com as provas imunológicas disponíveis atualmente.
A Unidade 2 apresentará a aplicação da imunologia no diagnóstico 
e no prognóstico do pré-natal e de doenças autoimunes. Nesse contexto, 
trataremos tanto das dinâmicas fisiológicas, relacionadas ao período 
gestacional e seus principais exames, quanto das características referentes a 
doenças autoimunes e das análises clínicas atreladas a elas.
Por fim, na Unidade 3, aprofundaremos a aplicação da imunologia no 
diagnóstico e prognóstico de doenças infecciosas e autoimunes. Assim, serão 
abordadas as doenças infecciosas como sífilis, síndrome da imunodeficiência 
adquirida (Aids), hepatites, coronavírus (Covid-19), além de doenças 
autoimunes, como a doença celíaca e a tireoidite de Hashimoto.
Ao longo desse livro, será possível observar quão interessante e 
relevante são os tópicos abordados, embora isso não os tornem menos 
complexos. Para compreender e absorver os conhecimentos da melhor forma 
possível, sugerimos que o acadêmico utilize todos os recursos educacionais 
disponibilizados pela instituição, como leituras complementares, realização 
das autoatividades e demais recursos disponíveis no seu ambiente virtual e 
na trilha de aprendizagem.
Bons estudos!
Prof.ª Amanda de Ávila Bicca Martins
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para 
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há 
novidades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é 
o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um 
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova 
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também 
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
NOTA
Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela 
um novo conhecimento. 
Com o objetivo de enriquecer seu conhecimento, construímos, além do livro 
que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você terá 
contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementares, 
entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento.
Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.
Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!
LEMBRETE
sumárIo
UNIDADE 1 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E 
PROGNÓSTICO DE DOENÇAS REUMÁTICAS .............................................. 1
TÓPICO 1 — CONSIDERAÇÕES SOBRE IMUNOLOGIA CLÍNICA ....................................... 3
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 3
2 CONCEITOS EM IMUNOLOGIA BÁSICA .................................................................................. 3
2.1 RESPOSTA INATA ......................................................................................................................... 6
2.1.1 Barreiras físicas ...................................................................................................................... 6
2.1.2 Barreiras químicas ................................................................................................................. 7
2.1.3 Fagócitos ................................................................................................................................. 7
2.1.4 Processo inflamatório ............................................................................................................ 7
2.1.5 Sistema complemento ........................................................................................................... 7
2.2 RESPOSTA IMUNE ADAPTATIVA ............................................................................................. 8
3 INTRODUÇÃO AOS ENSAIOS IMUNOLÓGICOS ................................................................... 9
RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 14
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 15
TÓPICO 2 — COMPREENDENDO AS DINÂMICAS SOBRE DOENÇAS REUMÁTICAS ...... 17
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 17
2 ETIOPATOGENIA DAS DOENÇAS REUMÁTICAS ................................................................ 17
3 OSTEOARTRITE ............................................................................................................................... 18
4 ARTRITE REUMATOIDE (AR) ...................................................................................................... 19
5 FEBRE REUMÁTICA ........................................................................................................................ 23
RESUMO DO TÓPICO 2..................................................................................................................... 26
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 27
TÓPICO 3 — MARCADORES DE DOENÇAS REUMÁTICAS ................................................. 29
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 29
2 PROTEÍNA C-REATIVA .................................................................................................................. 29
3 FATOR REUMATOIDE ....................................................................................................................32
4 ANTIESTREPTOLISINA O ............................................................................................................. 34
RESUMO DO TÓPICO 3..................................................................................................................... 36
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 37
TÓPICO 4 — METODOLOGIAS UTILIZADAS PARA INVESTIGAÇÃO DE 
DOENÇAS REUMÁTICAS ....................................................................................... 39
1 AGLUTINAÇÃO EM LÁTEX .......................................................................................................... 39
2 NEFELOMETRIA ............................................................................................................................... 41
3 TURBIDIMETRIA ............................................................................................................................. 42
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................ 44
RESUMO DO TÓPICO 4..................................................................................................................... 51
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 52
REFERÊNCIAS ...................................................................................................................................... 53
UNIDADE 2 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E 
PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL ...................................................................... 57
TÓPICO 1 — DEMANDAS IMUNOLÓGICAS E A IMPORTÂNCIA DO 
ACOMPANHAMENTO IMUNOLÓGICO NO PERÍODO PRÉ-NATAL ........ 59
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 59
2 GONADOTROFINA CORIÔNICA HUMANA .......................................................................... 61
2.1 DOENÇA TROFOBLÁSTICA GESTACIONAL ....................................................................... 64
RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 66
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 67
TÓPICO 2 — TOXOPLASMOSE ....................................................................................................... 69
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 69
2 TOXOPLASMOSE ............................................................................................................................. 69
2.1 CICLO BIOLÓGICO ..................................................................................................................... 70
2.2 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS ................................................................................................... 72
2.3 LABORATÓRIO CLÍNICO NA TOXOPLASMOSE ................................................................ 74
2.3.1 Infecção recente .................................................................................................................... 75
2.3.2 Transição imunológica ........................................................................................................ 76
2.3.3 Infecção latente ou crônica ................................................................................................ 76
RESUMO DO TÓPICO 2..................................................................................................................... 79
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 80
TÓPICO 3 — CITOMEGALOVÍRUS E RUBÉOLA ....................................................................... 81
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 81
2 CITOMEGALOVÍRUS ..................................................................................................................... 81
2.1 LABORATÓRIO CLÍNICO APLICADO AO CITOMEGALOVÍRUS ................................... 83
3 RUBÉOLA ............................................................................................................................................ 84
3.1 LABORATÓRIO CLÍNICO APLICADO À RUBÉOLA ........................................................... 86
RESUMO DO TÓPICO 3..................................................................................................................... 88
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 89
TÓPICO 4 — METODOLOGIAS UTILIZADAS PARA DIAGNÓSTICO E 
PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL .......................................................................... 91
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 91
2 IMUNOCROMATOGRAFIA .......................................................................................................... 91
2.1 FLUXO LATERAL ........................................................................................................................ 92
2.2 DUPLA MIGRAÇÃO OU DUPLO PERCURSO (DPP) ........................................................... 93
2.3 IMUNOCONCENTRAÇÃO ...................................................................................................... 93
3 ENSAIO IMUNOENZIMÁTICO (ELISA) .................................................................................... 96
4 ENSAIO IMUNOENZIMÁTICO DE MICROPARTÍCULAS ................................................. 101
5 HEMAGLUTINAÇÃO .................................................................................................................... 103
LEITURA COMPLEMENTAR .......................................................................................................... 104
RESUMO DO TÓPICO 4................................................................................................................... 109
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 110
REFERÊNCIAS .................................................................................................................................... 113
 
UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES .......................... 117
TÓPICO 1 — SÍFILIS ......................................................................................................................... 119
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 119
2 SÍFILIS ............................................................................................................................................... 119
3 LABORATÓRIO CLÍNICO NO DIAGNÓSTICO E ACOMPANHAMENTO DA SÍFILIS ..... 123
3.1 TESTES NÃO TREPONÊMICOS .............................................................................................. 123
3.1.1 Floculação: VDRL .............................................................................................................. 125
3.1.2 Ensaio RPR .......................................................................................................................... 129
3.2 TESTES TREPONÊMICOS ........................................................................................................ 130
3.2.1 Imunofluorescência indireta – FTA-Abs ........................................................................130
3.2.2 Teste treponêmico imunoenzimático – ELISA .............................................................. 132
RESUMO DO TÓPICO 1................................................................................................................... 136
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 137
TÓPICO 2 — SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA (SIDA OU AIDS) ..... 139
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 139
2 VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA (HIV) ............................................................. 140
3 LABORATÓRIO CLÍNICO NO DIAGNÓSTICO E ACOMPANHAMENTO 
DO HIV/AIDS .................................................................................................................................. 144
RESUMO DO TÓPICO 2................................................................................................................... 151
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 152
TÓPICO 3 — HEPATITES VIRAIS ................................................................................................. 153
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 153
2 HEPATITES VIRAIS ....................................................................................................................... 153
3 LABORATÓRIO CLÍNICO NO DIAGNÓSTICO E ACOMPANHAMENTO DAS 
HEPATITES VIRAIS ....................................................................................................................... 157
3.1 HEPATITE A ................................................................................................................................ 158
3.2 HEPATITE B ................................................................................................................................. 158
3.3 HEPATITE C ................................................................................................................................ 159
3.4 HEPATITE D ................................................................................................................................ 159
3.5 HEPATITE E ................................................................................................................................. 160
RESUMO DO TÓPICO 3................................................................................................................... 161
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 162
TÓPICO 4 — CORONAVÍRUS ........................................................................................................ 165
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 165
2 CORONAVÍRUS .............................................................................................................................. 165
2.1 SARS-COV-1 ................................................................................................................................ 167
2.2 SARS-COV-2 ................................................................................................................................ 169
3 O LABORATÓRIO CLÍNICO NO DIAGNÓSTICO E ACOMPANHAMENTO 
DE SARS-COV-1 E SARS-COV-2 ................................................................................................. 173
3.1 DETECÇÃO DE ANTÍGENO PARA SARS-COV – IMUNOCROMATOGRAFIA 
DE FLUXO LATERAL ................................................................................................................ 174
3.2 DETECÇÃO DE ANTICORPOS PARA SARS-COV – ELISA .............................................. 179
RESUMO DO TÓPICO 4................................................................................................................... 181
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 183
TÓPICO 5 — LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO .................................................................. 185
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 185
2 LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO ........................................................................................ 185
3 LABORATÓRIO CLÍNICO NO DIAGNÓSTICO DO LÚPUS .............................................. 188
3.1 ANTICORPOS ANTINUCLEARES (ANA/FAN) ................................................................... 188
LEITURA COMPLEMENTAR .......................................................................................................... 191
RESUMO DO TÓPICO 5................................................................................................................... 192
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 193
REFERÊNCIAS .................................................................................................................................... 195
1
UNIDADE 1 — 
APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO 
DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DE 
DOENÇAS REUMÁTICAS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• entender conceitos de imunologia básica;
• compreender as dinâmicas relacionadas a doenças reumáticas;
• reconhecer a etiopatogenia das doenças reumáticas;
• desenvolver uma visão abrangente sobre os mecanismos de desenvolvi-
mento das doenças reumáticas;
•	 identificar	aspectos	relacionados	às	principais	técnicas	imunológicas	uti-
lizadas para investigação de patologias reumáticas.
Esta	 unidade	 está	 dividida	 em	 quatro	 tópicos.	 No	 decorrer	 da	
unidade, você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo 
apresentado.
TÓPICO	1	–	 CONSIDERAÇÕES	SOBRE	IMUNOLOGIA	CLÍNICA
TÓPICO	2	–	 COMPREENDENDO	AS	DINÂMICAS	SOBRE	DOENÇAS	
REUMÁTICAS
TÓPICO	3	–	 MARCADORES	DE	DOENÇAS	REUMÁTICAS
TÓPICO	4	–		METODOLOGIAS	UTILIZADAS	PARA	INVESTIGAÇÃO	DE	
DOENÇAS	REUMÁTICAS
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos 
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá 
melhor as informações.
CHAMADA
2
3
TÓPICO 1 — 
UNIDADE 1
CONSIDERAÇÕES SOBRE IMUNOLOGIA CLÍNICA
1 INTRODUÇÃO
Entre os vários sistemas que possuímos, vamos destacar a importância do 
sistema	imunológico	e	seu	papel	em	todo	nosso	organismo.	
Qualquer	pessoa	que	tenha	tido	o	privilégio	de	ouvir	o	desempenho	de	
uma brilhante orquestra executando uma sinfonia composta por um dos 
maiores maestros sabe que cada instrumento musical, cuidadosamente 
afinado, contribui para o som coletivamente harmonioso produzido pelos 
músicos.	(COICO;	SUNSHINE,	2010,	p.	1).
Em uma analogia com o corpo humano, podemos dizer que, para desfrutar 
de	coisas	simples,	como	assistir	a	um	filme,	existe	uma	“orquestra	biológica”	não	
apenas	gigante,	mas	também	bastante	diversa, que, com uma sinergia singular, 
faz com que todos os sistemas funcionem de modo coordenado, 24 horas por dia, 
para manter a estabilidade interna, chamada homeostase.
Nesse	aspecto,	para	compreender	as	dinâmicas	relacionadas	à	imunologia	
clínica, revisaremos alguns conceitos básicos sobre a imunologia, abordando os 
principais aspectos clínicos associados a esta disciplina.
2 CONCEITOS EM IMUNOLOGIA BÁSICA
O	 sistema	 imunológico	 tem	 como	 principal	 função	 proteger	 o	 organismo	
contra	agressores	externos.	Para	isso,	conta	com	diferentes	tipos	celulares	e	moléculas	
mediadoras que atuarão de modo a manter o equilíbriodos demais sistemas. Quando 
o	 corpo	 é	 exposto	 a	 algum	 tipo	de	microrganismo	ou	de	um	agente	 agressor	 que	
coloca em risco o equilíbrio – e, por conseguinte, a saúde – dos indivíduos, ocorre 
uma mobilização do sistema imune, no sentido de gerar uma resposta para eliminar o 
potencial	agente	de	risco	(LUNDY;	FOX;	GIZINSKI,	2015).
As	respostas	desencadeadas	pelo	sistema	imune	ocorrem,	ordenadamente,	
em quatro processos principais:
•	 identificação	de	antígenos	estranhos;
• determinação do potencial prejudicial do agressor;
•	 ativação	de	células	e	mediadores	próprios	para	eliminar	o	agressor;
• desenvolvimento da resposta efetora para eliminação do agente e restabelecimento 
do equilíbrio homeostático.
UNIDADE 1 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DE DOENÇAS REUMÁTICAS
4
Para que todos esses passos sejam executados com sucesso, contamos com 
diferentes	tipos	celulares	pertencentes	ao	sistema	imune.	A	medula	óssea	é	a	fonte	
de	 origem	 de	 células-tronco	 hematopoiéticas	 pluripotentes,	 que,	 após	 sucessivas	
diferenciações,	podem	originar	diferentes	células	com	diferentes	funções	(Figura	1). 
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TÓPICO 1 — CONSIDERAÇÕES SOBRE IMUNOLOGIA CLÍNICA
5
Entre	as	funções	descritas	na	Figura	1,	podemos	perceber	que	os	linfócitos	
B	secretam	anticorpos.	Afinal,	o	que	são	esses	anticorpos?
Os anticorpos	são	moléculas	proteicas,	classificadas	como	imunoglobulinas, 
que	 conseguem	 identificar	 agentes	 estranhos,	 presentes	 tanto	 na	 superfície	 de	
patógenos	 quanto	 em	 porções	 de	 toxinas	 produzidas	 por	 eles.	 Esses	 agentes	
estranhos	 são	 moléculas	 grandes	 que	 recebem	 o	 nome	 de	 antígenos.	 Assim,	
o anticorpo liga-se a uma pequena porção do antígeno chamada epítopo 
antigênico, semelhantemente ao modelo de chave/fechadura estudado em 
enzimas	(ABBAS;	LICHTMAN;	POBER,	2008).	Essa	ligação	é	muito	importante	
na	 rotina	 laboratorial,	 uma	 vez	 que	 é	 justamente	 a	 ligação	 entre	 antígeno e 
anticorpo, ou seja, a formação desse imunocomplexo,	o	qual	é	base	para	diversos	
ensaios	imunológicos, que veremos ao longo desta disciplina.
FIGURA 2 – REAÇÃO ANTÍGENO ANTICORPO
FONTE: <https://www.fcav.unesp.br/Home/departamentos/patologia/HELIOJOSEMONTASSIER/
aula-8-interacao-ag-ac-testes-sorologicos-primarios-e-secundarios.pdf>. Acesso em: 15 jan. 2021.
O reconhecimento de potenciais agressores e a abordagem resolutiva, 
por	parte	das	células	e	moléculas	relacionadas	ao	sistema	imune, podem ocorrer 
por	intermédio	de	dois	tipos	diferentes	de	resposta:	inata	ou	adaptativa	(Figura	
3), que trabalham de modo coordenado para neutralizar qualquer ameaça ao 
equilíbrio	dos	órgãos	e	tecidos	(ABBAS;	LICHTMAN;	POBER,	2008).
Epítopo
Antígeno
Anticorpo
UNIDADE 1 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DE DOENÇAS REUMÁTICAS
6
FIGURA 3 – PRINCIPAIS MECANISMOS DA IMUNIDADE INATA E ADQUIRIDA
FONTE: Abbas; Lichtman; Pober (2008, p. 3)
2.1 RESPOSTA INATA
A	resposta	inata	corresponde	à	primeira	resposta	do	sistema	imune	diante	
de um dano tecidual. Trata-se de uma resposta rápida, composta por mecanismos 
que	precedem	a	existência	da	infecção	(ABBAS;	LICHTMAN;	POBER,	2008).	O	
objetivo	da	imunidade	inata	é	controlar	e	 impedir	o	avanço	da	infecção,	o	que	
ocorre	via	 ativação	de	mecanismos	 inespecíficos	para	 o	patógeno	 em	questão.	
São	 exemplos	 desses	 mecanismos	 inatos:	 barreiras	 físicas,	 barreiras	 químicas,	
fagócitos,	processo	inflamatório	e	sistema	complemento.
2.1.1 Barreiras físicas
• Junções intercelulares ocludentes	 –	 tornam	 as	 células	 epiteliais	 “seladas”,	
dificultando	o	acesso	de	invasores	ao	ambiente	interno.
• Muco	–	produzido	pelas	células	mucosas	presentes	no	trato	respiratório,	no	trato	
gastrointestinal	 e	 no	 trato	 genital,	 trata-se	 de	 uma	 secreção	 glicoproteica.	 Sua	
função	 é	 recobrir	 as	 superfícies	 dos	 locais	 em	 que	 está	 presente, impedindo a 
invasão	de	microrganismos	ao	epitélio,	uma	vez	que	eles	são	aderidos	ao	muco.
• Cílios – auxiliam na expulsão de agentes patogênicos, uma vez que sua 
movimentação impele o muco com potenciais agressores para fora do local em 
que estão presentes, por exemplo,	o	trato	respiratório.
TÓPICO 1 — CONSIDERAÇÕES SOBRE IMUNOLOGIA CLÍNICA
7
• Microbiota	 –	 presentes	 em	 boa	 parte	 das	 superfícies	 epiteliais,	 é	 composta	
por	microrganismos	não	patogênicos,	que	auxiliam	no	combate	a	patógenos	
por	 competir	 pelos	 nutrientes	 disponíveis,	 além	 de	 produzir	 moléculas	
antimicrobianas.
• Lágrimas e saliva	 –	 compostas	por	 fosfolipase	A	e	 lisozima,	moléculas	 com	
propriedades antimicrobianas.
2.1.2 Barreiras químicas
O pH e as enzimas digestivas compõem uma barreira química que impede 
a proliferação de boa parte dos possíveis invasores no trato digestivo.
2.1.3 Fagócitos
Células	 responsáveis	 por	 reconhecer,	 englobar	 e	 destruir	 patógenos,	
além	de	sinalizarem	ao	sistema	imunológico	que	esses	patógenos	estão	atacando	
órgãos	e	tecidos.	Os	fagócitos	mononucleares	podem	ser:
• Monócitos	 –	 células	 precursoras	 de	 macrófagos,	 presentes	 na	 circulação	
sanguínea.
• Macrófagos	–	células	presentes	nos	tecidos	dotadas	de	capacidade	fagocítica,	
que podem expressar diferentes características, de acordo com o estímulo de 
ativação recebido.
•	 Neutrófilos	 –	 células	presentes	 em	grande	quantidade	no	nosso	organismo,	
responsáveis	pelo	combate	a	microrganismos	como	bactérias	e	fungos.
2.1.4 Processo inflamatório
Respostas	geradas	para	defender	o	organismo	de	um	potencial	agressor, 
com o intuito de curar ou reparar danos. Trata-se de um processo mediado 
pela	 conjunção	 de	 ações	 imunoendócrinas, que apresentam, como sinais e 
sintomas característicos, calor, dor, rubor, edema e limitação ou perda funcional 
do	 local	 em	que	o	processo	 inflamatório	 se	estabeleceu	 (ABBAS;	LICHTMAN;	 
POBER,	2008).
2.1.5 Sistema complemento
Além	 dos	 mecanismos	 e	 componentes	 do	 sistema	 inato	 descritos	
anteriormente,	temos	também	o	sistema complemento, que atua tanto na resposta 
inata	 quanto	 na	 resposta	 adquirida,	 é	 composto	 por	 30	 proteínas	 plasmáticas	
inativadas	presentes	na	nossa	corrente	sanguínea.	Sua	ativação	pode	acontecer	
de três modos diferentes, chamados vias de ativação do sistema complemento: 
UNIDADE 1 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DE DOENÇAS REUMÁTICAS
8
• Via clássica	–	a	ativação	ocorre	por	intermédio	da	ligação	de	certos	tipos	de	
anticorpos ligados aos antígenos.
• Via das lecitinas – ativada pela ligação da lecitina plasmática aos resíduos de 
manose localizados na superfície de agentes agressores.
• Via alternativa – a ativação ocorre via superfície de membrana do agente 
agressor, na ausência de anticorpos.
Qualquer	uma	das	 três	vias	de	ativação	resultará	na	clivagem	(divisão)	
da	proteína	C3.	Com	a	ativação	da	C3,	são	ativadas	proteínas	uma	após	a	outra,	
levando a um efeito de ativação em cascata que resulta na geração de mecanismos 
efetores contra o agente agressor. Entre os mecanismos efetores, podemos destacar 
a	oponização,	a	fagocitose,	o	complexo	de	ataque	à	membrana	e	o	recrutamento	
de	células	pró-inflamatórias	(VOLTARELLI,	2009).
Agora	 que	 reconhecemos	 alguns	 mecanismos	 associados	 à	 imunidade	
inata, abordaremos a resposta imune adquirida. 
2.2 RESPOSTA IMUNE ADAPTATIVA
A	 resposta	 imune	 adquirida,	 também	 conhecida	 como	 resposta	 imune	
específica,	que,	como	o	próprio	nome	revela,	é	uma	resposta	adquirida	à	medida	
que	o	organismo	é	exposto	aos	agressores.	Assim,	quando	em	contato	com	um	
novo	patógeno,	a	imunidade	adaptativa	memoriza	quais	mecanismos	específicos	
são	mais	eficazes	para	defender	órgãos	e	tecidos	contra	o	patógeno	em	questão.	A	
especificidade	dessa	resposta	é	o	que	a	torna	tão	eficaz,	no	que	tange	à	proteção	do	
organismo.	Desse	modo,	diante	de	uma	nova	exposiçãoao	agressor	previamente	
“memorizado”,	o	sistema	imune	adaptativo	 já	sabe	os	mecanismos	necessários	
para	eliminá-lo	(LUNDY;	FOX;	GIZINSKI,	2015).
O	 reconhecimento	 ocorre	 pela	 identificação	 dos	 antígenos	 específicos	
presentes	na	constituição	de	cada	patógeno.	Dessa	forma,	os	linfócitos	identificam	
esses antígenos, por meio de receptores de membrana capazes de realizar esse 
reconhecimento.	A	partir	daí,	é	desencadeado	um	processo	de	multiplicação	de	
células	de	defesa,	que	serão	divididas	em	dois	tipos:	células	efetoras,	que	farão	
a	 defesa	 contra	 o	 patógeno,	 e	 células	 de	memória,	 que	 serão	 ativadas	 apenas	
quando	 houver	 uma	 segunda	 exposição	 ao	 mesmo	 patógeno	 (LUNDY;	 FOX;	
GIZINSKI,	2015).
TÓPICO 1 — CONSIDERAÇÕES SOBRE IMUNOLOGIA CLÍNICA
9
Acadêmico, para aprimorar seu conhecimento relacionado às diferenças entre 
os linfócitos B e T leia o artigo Sistema imunitário – parte II. Fundamentos da resposta 
imunológica mediada por linfócitos T e B, acessando: https://www.scielo.br/scielo.php? 
script=sci_arttext&pid=S0482-50042010000500008. Boa leitura!
DICAS
A	 seguir,	 conheceremos	 tópicos	 introdutórios	 relacionados	 aos	 ensaios	
imunológicos	e	sua	aplicação	clínica	em	diferentes	tipos	de	patologia.
3 INTRODUÇÃO AOS ENSAIOS IMUNOLÓGICOS
Após	relembrar	alguns	conceitos	importantes	relacionados	à	imunologia,	
é	importante	entender	alguns	conceitos	relacionados	aos	ensaios	imunológicos.
Você já parou para pensar como são realizados os testes que indicam se você 
está passando por um processo infeccioso e como o médico consegue, através de exames, 
saber se a vacina estimulou a produção de anticorpos suficientes para o proteger de um 
vírus ou se você está passando por um processo infeccioso recente? 
 A chave para essas perguntas está relacionada ao tipo de reação que ocorre nas 
técnicas usadas em ensaios imunológicos: a interação entre antígeno e anticorpos.
INTERESSA
NTE
Os	 ensaios	 imunológicos	 são	 técnicas	 que	 determinam	 respostas	 imunes	
de	anticorpos,	antígenos	ou	 linfócitos	para	detectar	de	 forma	exata	a	presença	de	
agentes	agressores	no	organismo.	A	base	que	fundamenta	esses	testes	é	a	interação	
que	ocorre	entre	antígeno	e	anticorpo,	de	modo	que	nós	podemos	utilizar	como	
reagentes tanto anticorpos quanto antígenos e seus componentes.
Por	 exemplo,	 quando	 você	 realiza	 uma	 técnica	 que	 busca	 identificar	
um	 determinado	 anticorpo,	 à	 composição	 do	 reagente	 utilizada	 para	 o	 teste	
será	adicionado	um	antígeno,	sendo	esse	tipo	de	teste	classificado	como	ensaio	
indireto.	Por	outro	lado,	quando	o	objetivo	é	identificar	a	presença	de	determinado	
antígeno o reagente deverá conter o anticorpo para esse antígeno, e esse teste será 
classificado	como	um	ensaio direto.
UNIDADE 1 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DE DOENÇAS REUMÁTICAS
10
Para	 entender	 como	 essas	 técnicas	 podem,	 entre	 tantos	 antígenos	 e	
anticorpos	existentes,	quantificar	especificamente	um	determinado	antígeno	ou	
anticorpo,	 deve-se	 compreender	 que	 os	 testes	 imunológicos	 são	 baseados	 no	
princípio	 da	 especificidade que a resposta imune possui. Existem diferentes 
métodos	para	detecção	de	antígenos	e	anticorpos,	cada	um	com	suas	vantagens	
e desvantagens. Por exemplo, há metodologias que podem apresentar reagentes 
marcados e reagentes não marcados.	 Quando	 a	 metodologia	 é	 do	 tipo	 que	
apresenta	reagentes	marcados,	uma	substância	como	um	fluoróforo,	por	exemplo,	
é	adicionada	ao	reagente	com	o	intuito	de	aumentar	a	sensibilidade	de	detecção	
do	ensaio	(VOLTARELLI,	2009).
Nesse	momento, podemos pensar nas características que são importantes 
para entender qual a melhor metodologia a ser utilizada.	Assim,	para	optar	por	
uma	 metodologia,	 critérios	 como	 sensibilidade	 e	 especificidade devem ser 
observados.	A	sensibilidade	de	um	teste	corresponde	à	menor	concentração	da	
ligação	antígeno-anticorpo	que	o	imunoensaio	é	capaz	de	detectar.	Isso	significa	
que, quanto maior a sensibilidade do teste, menores são as concentrações que 
ele	é	capaz	de	quantificar.	Portanto,	um	teste	com	alta	sensibilidade	é	um	teste	
capaz	de	quantificar	melhor	a	proporção	de	 indivíduos	doentes.	Dessa	 forma,	
podemos	 afirmar	 que	 a	 sensibilidade	 informa	 quão	 boa	 é	 uma	 metodologia	
para detectar pacientes que estão, de fato, com alguma doença. Isso indica que 
um	 teste	 com	 alta	 sensibilidade	 é	 um	 teste	 com	menor	 chance	 de	 apresentar	
resultados falso-negativos,	isto	é,	quando	o	teste	apresentou	resultado	negativo	
em	indivíduos	que	apresentam	a	doença	investigada	(FERREIRA;	PATINO,	2017).	
Resultados	falso-negativos	podem	ocorrer	também	por	conta	do	efeito prozona, 
um fenômeno que ocorre quando existem muitos anticorpos na amostra de soro 
analisada, em resposta ao antígeno infeccioso. O excesso de anticorpos gera 
uma desproporção em relação aos antígenos presentes no reagente, resultando 
na formação de complexos muito pequenos que não se aglomeram de modo a 
permitir	aglutinação	visível	(SMITH;	HOLMAN,	2004).
Sabemos que, muitas vezes, é difícil visualizar alguns conceitos descritos. Para 
facilitar sua compreensão sobre a aglutinação resultante da reação antígeno e anticorpo, 
indicamos o vídeo “Reação de Aglutinação”, disponibilizado pelo Canal Butantan. Assista ao 
vídeo sugerido em: https://www.youtube.com/watch?v=PAxlKvpTT5Y.
UNI
Em metodologias para análise de proteína C-reativa por aglutinação 
em látex, por exemplo, os fabricantes indicam a partir de quais concentrações 
os imunoensaios podem apresentar resultados falso-negativos devido ao efeito 
prozona	(Figura	4).	Esse	resultado	falso-negativo	é	descartado	ao	serem	realizadas	
diluições seriadas, para que a amostra apresente aglutinação visível.
TÓPICO 1 — CONSIDERAÇÕES SOBRE IMUNOLOGIA CLÍNICA
11
FIGURA 4 – EFEITO PROZONA
FONTE: <https://imunosite.wordpress.com/category/materiais/>. Acesso em: 14 jan. 2021.
Além	da	sensibilidade	da	metodologia,	ainda	existem	outras	circunstâncias	
que podem gerar resultados falso-negativos, como a janela imunológica, que 
corresponde ao intervalo entre o momento em que o paciente teve contato com o 
antígeno e o momento em que o organismo passa a apresentar níveis detectáveis 
de	anticorpos	para	o	antígeno	em	questão	(BRASIL,	2018).
Outra característica que merece atenção quando avaliamos a qualidade 
de	um	imunoensaio	é	a	especificidade.	Especificidade	é	um	termo	que	indica	a	
capacidade	de	um	teste	de	identificar	os	indivíduos	que	não	possuem	a	doença	ou	
condição	clínica	investigada.	Assim,	quanto	maior	for	a	especificidade	de	um	teste,	
menor será o número de pacientes com resultado falso-positivo.	Resultados	falso-
positivos são aqueles que apresentam resultados positivos apesar de o paciente 
não	apresentar	a	doença	 investigada.	As	 circunstâncias	que	podem	apresentar	
resultados falso-positivos podem ter origem tanto das limitações da metodologia 
do	imunoensaio	quanto	das	condições	clínicas	do	paciente	(FERREIRA;	PATINO,	
2017).	Em	se	 tratando	de	 limitações	 relacionadas	à	metodologia,	um	resultado	
falso-positivo pode ocorrer por conta de uma reação cruzada, ou seja, quando o 
anticorpo	é	capaz	de	interagir	com	um	antígeno	diferente	daquele	que	o	originou.	
Isso	 pode	decorrer	 da	 semelhança	 entre	 o	 antígeno	 homólogo	 (que	 estimulou	
a	 formação	 daquele	 anticorpo)	 e	 o	 antígeno	 heterólogo.	Além	 disso,	 a	 reação	
cruzada pode ser resultado de dois antígenos diferentes apresentarem o mesmo 
epítopo, chamado epítopo compartilhado	(Figura	5).
UNIDADE 1 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DE DOENÇAS REUMÁTICAS
12
FIGURA 5 – REAÇÕES CRUZADAS
FONTE: <https://www.microbiologybook.org/Portuguese/5.GIF>. Acesso em: 14 jan. 2021.
Diluições seriadas
 Uma diluição seriada é uma técnica na qual são realizadas várias diluições 
progressivas; assim, inicia com a solução mais concentrada chegando a soluções menos 
concentradas, amplificando o fator de diluição rapidamente.A fonte do material de diluição 
(soluto) para cada etapa é proveniente do material diluído da etapa anterior. Em uma 
diluição em série, o fator de diluição total é o produto dos fatores de diluição em cada 
etapa. Logo, em uma diluição 1/2, o fator de diluição é 2 e todas as diluições seguintes 
serão multiplicadas por 2. Para ter 1 mL de solução, como mostra a figura a seguir, tem-se 
a adição de 0,1 ml do concentrado mais 0,9 mL do diluente.
 Diluições em série são usadas para criar, com precisão, soluções extremamente 
diluídas, bem como soluções para experimentos que exigem uma curva de concentração 
com uma escala exponencial ou logarítmica. A técnica é útil quando há escassez do 
volume do concentrado ou do diluente, havendo necessidade de minimizar seu uso, ou 
quando há necessidade de diversas diluições, por exemplo, na determinação de um título 
ou na contagem de microrganismos.
IMPORTANT
E
TÓPICO 1 — CONSIDERAÇÕES SOBRE IMUNOLOGIA CLÍNICA
13
ESQUEMA DE DILUIÇÃO SERIADA
FONTE: <https://kasvi.com.br/preparo-de-solucoes-laboratorio-concentracao-fator-
diluicao-seriada/>. Acesso em: 14 jan. 2021.
FONTE: Kasvi. Preparo de Soluções em Laboratório. 2018. Disponível em: https://kasvi.com.br/
preparo-de-solucoes-laboratorio-concentracao-fator-diluicao-seriada/. Acesso em: 14 jan. 2021.
14
Neste tópico, você aprendeu que:
•	 As	 respostas	 desencadeadas	 pelo	 sistema	 imune	 podem	 ser	 divididas,	
resumidamente,	 em	 quatro	 processos	 principais:	 identificação	 de	 antígenos	
estranhos; determinação do potencial prejudicial do potencial agressor; ativação 
de	células	e	mediadores	próprios	para	conter	o	agressor;	e	restabelecimento	do	
equilíbrio homeostático.
•	 Os	 linfócitos	 T	 são	 responsáveis	 pela	 eliminação	 de	 microrganismos	
intracelulares	e	pela	regulação	de	respostas	imunológicas	diante	de	antígenos).
•	 Os	linfócitos	B	estimulam	a	geração	de	plasmócitos	e	a	produção	de	anticorpos	
próprios	para	ataque	ao	antígeno	identificado.
•	 As	respostas	imunológicas	podem	ser	do	tipo	inata	(a	primeira	linha	de	defesa	
do corpo humano, capaz de eliminar micro-organismos invasores antes da 
ativação	da	resposta	adaptativa)	ou	adaptativa	(que	corresponde	à	imunidade	
de	memória,	desenvolvida	após	contato	com	agente	agressor	específico).
•	 As	barreiras	físicas	e	químicas,	fagócitos	e	o	processo	inflamatório	integram	a	
resposta inata.
•	 Os	linfócitos	efetores	e	de	memória	integram	a	resposta	adaptativa.
•	 Janela	 imunológica	 é	 o	 intervalo	 entre	 o	momento	 em	 que	 o	 paciente	 teve	
contato com o antígeno e o momento em que o organismo passa a apresentar 
níveis detectáveis de anticorpos para o antígeno em questão.
•	 Resultados	 falso-negativos são aqueles que o teste apresentou resultado 
negativo em indivíduos que apresentam a doença investigada.
•	 As	reações	cruzadas	favorecem	o	estabelecimento	de	resultados	falso-negativos	
por	 conta	 da	 desproporção	 entre	 anticorpo	 e	 antígenos,	 o	 que	 dificulta	 a	
visualização da aglutinação.
•	 Resultados	 falso-positivos	 apresentam	 testes	 positivos	 sem	 que	 o	 paciente	
tenha a doença investigada.
•	 A	 sensibilidade	 indica	 a	menor	 concentração	 da	 ligação	 antígeno-anticorpo	
que	o	imunoensaio	é	capaz	de	detectar.	A	especificidade	indica	a	capacidade	
de	um	teste	identificar	os	indivíduos	que	não	possuem	a	doença	ou	a	condição	
clínica investigada.
RESUMO DO TÓPICO 1
15
AUTOATIVIDADE
1	 A	imunologia	é	a	ciência	que	estuda	o	sistema	imune	e,	por	conseguinte,	
todos os seus mecanismos de defesa. Para que o sistema imune desenvolva 
sua	função	protetora,	a	atividade	das	células	de	defesa	se	faz	essencial.	Com	
relação	 às	 células	 com	 ação	 importante	 de	 defesa,	 assinale	 a	 alternativa	
INCORRETA:
a)	(			)	Célula	NK.
b)	(			)	Linfócito	B.
c)	 (			)	Células	da	macroglia.
d)	(			)	Linfócito	T.
2	 Alguns	componentes	caracterizam	a	resposta	imunológica	inata.	Quais	são	
esses	componentes	e	as	suas	funções?	
3	 O	sistema	imunológico	pode	apresentar	dois	tipos	de	resposta	a	potenciais	
agressores:	a	 resposta	 inata	e	a	 resposta	adquirida.	Nesse	contexto,	 cada	
uma	contém	mecanismos	que	interagem	com	o	patógeno	com	o	objetivo	de	
eliminá-lo.	Assinale	a	alternativa	que	apresenta	exemplos	de	mecanismos	
pertencentes a imunidade inata e adquirida, respectivamente:
a)	(			)	Monócitos	e	eliptócitos.
b)	(			)	Macrófagos	e	linfócitos	efetores.
c)	 (			)	Linfócitos	efetores	e	células	de	memória.
d)	(			)	Células	de	memória	e	macrófagos.
4	 Explique	a	função	do	processo	inflamatório	no	sistema	imune.
16
17
TÓPICO 2 — 
UNIDADE 1
COMPREENDENDO AS DINÂMICAS SOBRE DOENÇAS 
REUMÁTICAS
1 INTRODUÇÃO
É muito comum que, ao apresentar dores nas articulações, as pessoas 
relacionem	 esse	 sintoma	 ao	 reumatismo.	Apesar	 desse	 entendimento	 fazer	 parte	
do	senso	comum,	trata-se	de	uma	ideia	distorcida.	Isso	porque	reumatismo	não	é	
uma	doença	específica,	mas, sim,	um	grupo	de	“diferentes	doenças	que	acometem	
o aparelho locomotor, ou seja, ossos, articulações, cartilagens, músculos, tendões e 
ligamentos”	(BRASIL,	2013)	manifestando	eventos	dolorosos.	Assim,	neste	 tópico,	
abordaremos	os	mecanismos	etiopatológicos	atrelados	a	essas	doenças.
2 ETIOPATOGENIA DAS DOENÇAS REUMÁTICAS
De	 posse	 do	 conhecimento	 de	 que	 as	 doenças	 reumáticas	 apresentam	
eventos	dolorosos	 relacionados	 ao	 aparelho	motor,	 é	 importante	 compreender	
quais	mecanismos	 conduzem	 ao	 estabelecimento	 dessas	 doenças.	Mesmo	 não	
apresentando mecanismos claros sobre como esse grupo de doenças se estabelece, 
sabe-se	que	fatores	genéticos,	imunológicos	e	infecciosos	têm	importante	relação	
com	sua	causa.	As	doenças	reumáticas	podem	ser	de	fase	aguda,	originadas	por	
fatores	exógenos,	ou	crônica.
	Nesse	contexto,	o	período	de	duração	da	doença	está	associado	à	retirada	
do	estímulo	exógeno,	como	o	tratamento	de	uma	infecção,	por	exemplo.	Por	outro	
lado,	quando	as	doenças	reumáticas	apresentam	perfil	crônico,	em	geral,	trata-se	
de uma doença caracterizada por um processo autoimune que pode acompanhar 
o paciente ao longo da vida, alternando períodos de manifestação de sinais e 
sintomas	e	períodos	assintomáticos	(HAMMER;	MCPHEE,	2016).
As	doenças	reumáticas	de	fase	aguda	e	crônica	apresentam	em	comum	
o	 estabelecimento	 de	 um	 processo	 inflamatório.	 A	 importância	 de	 destacar	
o	 componente	 inflamatório	 dessas	 doenças	 é	 que,	 a	 partir	 dos	 elementos	
moleculares	que	configuram	essa	 inflamação,	 é	possível	 realizar	exames	que	serão,	
em	associação	 às	 características	 clínicas	do	paciente,	 balizadores	 a	 respeito	da	
suspeita	clínica	inicialmente	proposta	pelo	médico.	Nesse	contexto,	abordaremos	
o	processo	inflamatório	como	um	dos	principais	elementos	etiopatogênicos	das	
doenças reumáticas e compreender como o sistema imune interage diante dessas 
infecções	e	como	percebemos	essa	interação	nos	exames	laboratoriais	(HAMMER;	
MCPHEE,	2016).
18
UNIDADE 1 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DE DOENÇAS REUMÁTICAS
Para	 isso,	 é	necessário	entender	a	fisiopatologia	das	principais	doenças	
reumáticas em nível celular e molecular. 
3 OSTEOARTRITE
Nossos	 ossos	 são	 revestidos	 em	 suas	 extremidades	 por	 uma	 estrutura	
chamada	cartilagem,	 cuja	 função	é	absorver	o	 impacto	gerado	pelos	movimentos	
que	fazemos.	Assim,	quando	um	ginasta	executa	um	salto	e	cai	em	pé,	por	exemplo,	
a	cartilagem	é	um	componente	essencial	para	que	o	choque	do	solo	com	o	pé	do	
atleta	não	gere	um	evento	doloroso	considerável	 (SOCIEDADE	BRASILEIRA	DE	
REUMATOLOGIA,	2019).
Na	 osteoartrite,	 também	 conhecida	 como	 artrose,	 temos	 um	 processo	
degenerativo nas estruturas cartilaginosas. Com isso, os ossos perdem o 
revestimento cartilaginoso, o que os expõe diretamente aos impactos gerados 
pelos diversos tipos de movimentos que realizamos,	e	a	estrutura	óssea	passa	a	ser	
comprometida pelo desgaste. Esse desgaste gera alterações nos ossos e conduz a 
formação	de	um	processo	 inflamatório	namembrana	sinovial,	que	contribui	para	
manifestação	de	dor	ao	realizar	movimentos	(SOHN	et al.,	2012).
Lembre-se de que os ossos, ao contrário da cartilagem, são dotados de tecido 
nervoso e circulação sanguínea. Por isso, movimentos que normalmente seriam indolores 
passam a manifestar dor.
ATENCAO
O	 processo	 inflamatório	 que	 compõe	 a	 osteoartrite	 está	 associado	 à	
degeneração	da	 cartilagem	 (Figura	 7),	 que, quando rompida, libera elementos 
de sua matriz extracelular lesionada no líquido sinovial. O extravasamento de 
matriz	extracelular	(MEC)	estimula	a	produção	de	elementos	pró-inflamatórios	
no líquido sinovial, que podem, por sua vez, estimular a produção de enzimas 
que	intensificam	a	degradação	da	cartilagem	(REZEND;	CAMPOS,	2013).
O líquido chamado de sinovial está localizado no interior da cápsula articular, 
que reveste e protege a articulação, auxiliando no alívio do impacto entre os ossos.
IMPORTANT
E
TÓPICO 2 — COMPREENDENDO AS DINÂMICAS SOBRE DOENÇAS REUMÁTICAS
19
FIGURA 7 – OSTEOARTRITE
FONTE: <https://drmarciosilveira.com/artrose-no-joelho-descricao-doenca/#Artrose_no_
joelho_Primaria>. Acesso em: 20 dez. 2020.
Os	fatores	que	influenciam	o	estabelecimento	desse	processo	degenerativo	
são	multifatoriais	 e	 podem	estar	 tanto	 relacionados	 às	 características	 do	paciente	
quanto	à	influência	de	fatores	mecânicos.	Os	fatores	associados	às	características	
dos pacientes dizem respeito a componentes relacionados a:
• hereditariedade: se já existem casos de osteoartrite na família;
•	 obesidade:	 uma	 vez	 que	 é	 uma	 condição	 clínica	 que	 acarreta	 sobrecarga	
articular, o que pode favorecer processos degenerativos;
• hipermobilidade: condição que aumenta o estresse articular e favorece a 
ruptura da malha colágena.
Quanto aos fatores mecânicos atrelados ao estabelecimento da osteoartrite, 
temos a sobrecarga esportiva por realização de atividades de alto impacto, a 
utilização de aparelhos de musculação da maneira errada, os macrotraumas e as 
alterações na biomecânica articular.
4 ARTRITE REUMATOIDE (AR)
Na	 artrite	 reumatoide	 (AR),	 células	 do	 sistema	 imune	 atacam	 os	
componentes	 teciduais	 do	 próprio	 indivíduo,	 pois	 é	 uma	 doença	 autoimune. 
Trata-se	 de	 uma	 doença	 inflamatória,	 autoimune	 sistêmica,	 que	 acomete	
aproximadamente 1% da população mundial, apresentando maior propensão 
de	desenvolvimento	 em	mulheres.	Apesar	de	 acometer	 indivíduos	de	 qualquer	
idade,	 a	 maior	 incidência	 ocorre	 na	 faixa	 entre	 50	 e	 75	 anos	 (RODBARD	 
et al.,	2019).
Cartilagem 
articular Esporões 
ósseos
Menisco Perda de 
cartilagem
Espaço 
articular 
normal
Redução 
do espaço 
articular
20
UNIDADE 1 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DE DOENÇAS REUMÁTICAS
As	manifestações	 da	AR	 ocorrem	 principalmente	 na	membrana	 sinovial.	
Assim,	todas	as	articulações	que	apresentam	membrana	sinovial	serão	afetadas,	de	
modo que, conforme a doença progride,	é	possível	observar	um	gradativo	efeito	
de	erosão	e	deformidade	articular	(RODBARD	et al.,	2019).
Na	verdade,	as	manifestações	clínicas	não	se	limitam	apenas	às	articulações,	
pois,	 além	 desses	 efeitos,	 é	 possível	 o	 estabelecimento	 de	 manifestações	 em	
órgãos	e	sistemas,	classificados	como	manifestações	extra-articulares.	De	acordo	
com	Moura	et al.	(2012),	são	exemplos	de	manifestações	extra-articulares:
Nódulos	 reumatoides,	 pericardite,	 derrame	 pericárdico,	 pleurite,	
derrame	pleural,	doença	pulmonar	intersticial,	hipertensão	da	artéria	
pulmonar,	síndrome	de	Caplan,	síndrome	de	Felty,	anemia	de	doença	
crônica, trombocitose, neuropatia, esclerite, episclerite, síndrome 
Sicca,	 escleromalácia	 perforans,	 glomerulonefrite,	 úlceras	 cutâneas,	
vasculites,	 tenossinovite	de	De	Quervain,	amiloidose	e	Síndrome	de	
Sjögren	(MOURA	et al.,	2012,	p.	687).
A	artrite	reumatoide	é	uma	doença	de	origem	multifatorial.	Contudo,	sabe-se	
que existem fatores passíveis de mudança, como o tabagismo, a periodontite e o 
microbioma,	que	têm	em	comum	o	estabelecimento	de	um	evento	inflamatório.	
Um	ambiente	inflamatório	estimula	a	citrulinização	dos	peptídeos,	que	consiste	
na	conversão	de	uma	arginina	em	citrulina.	Sabe-se	que	as	 reações	que	 levam	
à	 citrulinização	 estimulam	 a	 produção	 de	 anticorpos	 contra	 as	 proteínas	
citrulinadas, por isso esses fatores têm relação com o estabelecimento da artrite 
reumatoide	(CARVALHO et al.,	2014).
Os peptídeos são moléculas compostas por aminoácidos ligados entre si por 
ligações peptídicas.
ATENCAO
Além	 dos	 fatores	 de	 risco	 que	 podemos	mudar,	 existem	 também	 fatores	
relacionados	à	hereditariedade,	ou	seja,	a	fatores	genéticos.	Na	artrite	reumatoide, 
os	genes	HLA	estão	associados	ao	estímulo	para	que	os	linfócitos	B	autorreativos	
produzam	 anticorpos	 contra	 proteínas	 citrulinizadas.	 Os	 macrófagos	 também	
são	 um	 importante	 elemento	 fisiopatológico	 na	 artrite	 reumatoide,	 uma	 vez	
que	 secretam	 fator	 de	 necrose	 tumoral	 α	 (TNF-α)	 e	 interleucina	 1	 (IL-1),	 que	
são	citocinas	estimuladoras	da	inflamação,	processo	envolvido	intimamente	na	
patogenia	da	AR	(CARVALHO et al.,	2014).
TÓPICO 2 — COMPREENDENDO AS DINÂMICAS SOBRE DOENÇAS REUMÁTICAS
21
A IL-1 é uma citocina que atua como mediadora na resposta imunológica 
diante da invasão bacteriana, da inflamação, de infecções e de lesões.
 Assim como a IL-1, o TNF-α também é uma citocina que atua promovendo a 
resposta imune e a inflamatória por meio do recrutamento de neutrófilos e monócitos 
na região da infecção, além de apresentar mecanismos com a capacidade de ativar essas 
células imunes.
IMPORTANT
E
Conhecendo os elementos gerais que compõem o quadro de artrite 
reumatoide,	 é	 necessário	 compreender	 como	 esse	 processo	 interage	 com	 as	
articulações.	Na	Figura	8,	podemos	observar	as	estruturas	presentes	na	articulação	
de um indivíduo sadio e a de um indivíduo com artrite reumatoide. 
FIGURA 8 – COMPARAÇÃO ENTRE JOELHO NORMAL (A) E JOELHO COM ARTRITE (B)
FONTE: Montes (2014, p. 24)
espaço articular
cartilagem
sinoviócitos
Pannus
neutrófilo
osso
Hiperplasia	sinovial
cápsula articular
membrana sinovial
osteoclasto 
fibroblasto	
macrófafo	
célula	dendritica	
linfócito	T	
célula	B	plasma	
linfócito	B
angiogênese
mastócito
22
UNIDADE 1 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DE DOENÇAS REUMÁTICAS
Na	representação	esquemática	da	figura,	é	possível	observar	que,	na	artrite	
reumatoide,	 o	 ataque	 à	membrana	 sinovial	desencadeia	um	processo	 inflamatório.	
A	 inflamação	 persistente	 propicia	 a	 formação	 de	 uma	 estrutura	 chamada	 pannus. 
De	acordo	 com	Carvalho	 et al.	 (2014,	p.	 12):	 “Esse	 tecido,	denominado	pannus 
reumatoide,	 apresenta	 hiperplasia	 e	 hipertrofia	 dos	 sinoviócitos,	 infiltrado	
inflamatório	 predominantemente	 de	 linfócitos,	 plasmócitos	 e	 macrófagos	 e	
intensa	angiogênese,	tornando-se	densamente	vascularizado”.
É importante ressaltar que, nessas circunstâncias, o líquido sinovial 
contém,	em	sua	predominância,	neutrófilos.	Nesse	caso,	utilizamos	a	representação	
esquemática	de	um	joelho	para	facilitar	a	compreensão.	Entretanto,	é	importante	
lembrar que esse processo pode ocorrer em qualquer articulação do tipo sinovial 
(GOELDNER	et al.,	2011).
 Por conta disso, as manifestações clínicas compreendem o estabelecimento 
de poliartrite crônica, de padrão erosivo, principalmente nas mãos e nos punhos. 
Além	 disso,	 indivíduos	 portadores	 de	 AR	 apresentam	 artralgia	 de	 padrão	
inflamatório	 (dor	 nas	 articulações),	 tendo	 como	 caraterística	 manifestação	
principalmente ao acordar, com sensação de rigidez que apresenta melhora com 
a realização de esforço físico.
	Ao	pesquisar	 sobre	AR,	 é	 comum	surgirem	 imagens	de	mãos	e	dedos	
deformados,	uma	vez	que	uma	das	consequências	de	um	processo	inflamatório	
persistente	é	o	dano	tecidual	com	evolução	para	perda	da	função.	Nessa	doença,	
tais alterações são consequência do não tratamento, queevolui para deformidade 
e	consequente	prejuízo	funcional	das	articulações	acometidas.	Deformidades	em	
formato	de	botoeira	(deformação	de	boutonnière)	e	pescoço	de	ganso	(Figura	9)	
são	 exemplos	 do	 resultado	 da	 progressão	 da	 artrite	 reumatoide	 (GOELDNER	 
et al.,	2011).
IGURA 9 – DEFORMIDADES CARACTERÍSTICAS DA ARTRITE
FONTE: <https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/dist%C3%BArbios-dos-tecidos-
conjuntivo-e-musculoesquel%C3%A9tico/dist%C3%BArbios-das-m%C3%A3os/deformidade-em-
pesco%C3%A7o-de-cisne>. Acesso em: 21 dez. 2020.
Deformidade	em	botoeira
Deformidade	
pescoço de ganso
TÓPICO 2 — COMPREENDENDO AS DINÂMICAS SOBRE DOENÇAS REUMÁTICAS
23
Como visto anteriormente, as manifestações clínicas extra-articulares 
representam	 um	 espectro	 de	 pior	 prognóstico	 dentro	 da	 artrite	 reumatoide,	
devido	a	sua	potencial	gravidade.	Um	elemento	 importante	das	manifestações	
clínicas	 extra-articulares	 é	 a	 presença	 do	 fator	 reumatoide,	 um	 tipo	 de	 anticorpo	
importante	e	que	será	mais	bem	abordado	nas	provas	laboratoriais	relacionadas	às	
doenças reumáticas.
5 FEBRE REUMÁTICA
A	 febre	 reumática	 é	 uma	 doença	 autoimune	 que	 acomete	 pacientes	
geneticamente	 predispostos	 (em	 torno	 de	 1	 a	 2%	 da	 população),	 quando	
infectados	 pela	 bactéria	 Streptococcus pyogenes.	 Via	 de	 regra,	 trata-se	 de	 uma	
doença	precedida	por	um	caso	de	infecção	de	via	aérea	superior	(RACHID,	2003).
Caro acadêmico, nesse momento, você pode se perguntar: mas se essa é 
uma doença originada por uma bactéria, por que a febre reumática integra o grupo de 
doenças reumáticas?
UNI
Os	 eventos	 característicos	 relacionados	 à	 febre	 reumática	 estão	 associados	
ao	 estabelecimento	de	um	quadro	 inflamatório	 que	 acomete	diferentes	 órgãos	
e estruturas, resultando em condições clínicas de maior complexidade, como 
valvulite,	 e	 coreia,	 além	de	 artrite	 reativa	 pós-estreptocócica	 (RACHID,	 2003).	
Esse	quadro	se	desenvolve	quando	o	mecanismo	fisiopatológico	que	justifica	as	
condições clínicas citadas está associado a um fenômeno chamado mimetismo 
molecular.	Desse	modo,	devido	às	semelhanças	entre	os	componentes	moleculares	
que constituem o Streptococcus e componentes presentes no corpo humano, o 
sistema	imunológico	se	“confunde”	e	ataca	os	próprios	tecidos	do	indivíduo,	ou	
seja, a ativação do sistema imune, necessária para combater a infecção, resulta na 
produção de anticorpos capazes de reconhecer e atacar as estruturas bacterianas 
para	eliminar	o	agente	patogênico.	Entretanto,	além	de	atacar	o	agente	infeccioso,	
os	anticorpos	atacam	também	tecidos	que	contêm	em	sua	estrutura	componentes	
moleculares	similares	aos	da	bactéria	(RACHID,	2003).	
Assim,	o	mimetismo	molecular	do	estreptococo	gera	uma	reação	cruzada,	
uma	vez	que	 células	 saudáveis	do	 indivíduo	passam	a	 ser	 atacadas.	Veja	 abaixo,	
o estabelecimento das condições clínicas resultantes das reações cruzadas que 
ocorrem	na	febre	reumática	(Figura	10):
24
UNIDADE 1 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DE DOENÇAS REUMÁTICAS
FIGURA 10 – ESTRUTURA DA BACTÉRIA S. PYOGENES E SUAS SIMILARIDADES COM OS TECI-
DOS DO CORPO HUMANO, QUE TAMBÉM SE TORNAM ALVOS DOS AUTOANTICORPOS
FONTE: Herdy (2000 apud Cruz, 2017, p. 5)
• Valvulite: anticorpos produzidos contra os polissacarídeos da parede celular 
do estreptococo atacam as glicoproteínas presentes nas valvas cardíacas. Com 
isso,	ocorre	um	processo	inflamatório	nas	valvas	cardíacas, que pode resultar 
em	prejuízo	permanente	no	funcionamento	dessas	estruturas	(Figura	11).
• Vasculite: anticorpos produzidos contra antígenos presentes na membrana 
citoplasmática	bacteriana	atacam	o	sarcolema	dos	vasos.	Com	isso,	é	estabelecido	
um	processo	inflamatório	que	altera	a	espessura	vascular,	prejudicando	o	fluxo	
de	sangue	para	órgãos	e	tecidos.
• Artrite: anticorpos produzidos contra a cápsula de ácido hialurônico presente 
no Streptococcus atacam o tecido sinovial. Com isso, cria-se um processo 
inflamatório	na	membrana	sinovial	que	progride	para	limitação	de	movimentos.
FIGURA 11 – VALVULITE CARACTERÍSTICA DE FEBRE REUMÁTICA
FONTE: <https://medifoco.com.br/febre-reumatica-o-que-e-quais-seus-sintomas/>. 
Acesso em: 5 fev. 2021.
↓
TROPOMIOSINA
(Miocárdio)
Reações	cruzadas	com...
PAREDE 
CELULAR
STREPTOCOCCUS 
β	Hemolítico	do	grupo	A
CÁPSULA
PROTEÍNA	(M.R.T.)
CARBO-HIDRATOS	
N-ACETIL	GLICOSAM)
MUCOPETÍDEO
M.	PROTOPLASMAT.	
(↓ag)
CITOPLASMA	
(Neuron.	N.	Caucato)
SARCOLEMA
(Miocárdio	e	vasos)
SINÓVIA	
(articulação)
GLICOPROTEÍNA	
(válvula)	
TÓPICO 2 — COMPREENDENDO AS DINÂMICAS SOBRE DOENÇAS REUMÁTICAS
25
• Coreia: anticorpos produzidos contra antígenos presentes na membrana 
plasmática	estreptocócica	atacam	regiões	do	encéfalo.	Com	isso,	o	indivíduo	
passa	 a	 apresentar	 distúrbios	 relacionados	 à	 realização	 de	 movimentos	 e	
hipotonia	(PEREIRA;	BELO;	SILVA,	2015).
Em 2019, pesquisadores do Instituto do Coração, de São Paulo, desenvolveram 
uma vacina que pode evitar o desenvolvimento da febre reumática. Já existe uma versão 
pronta da vacina para testes em seres humanos que espera por autorização. 
Para saber mais sobre essa vacina, acesse:
https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2019/02/18/pesquisadores-de-sp-criam-
vacina-que-pode-evitar-febre-reumatica.ghtml.
INTERESSA
NTE
Como	observado	anteriormente,	as	doenças	reumáticas,	por	 intermédio	
de	diferentes	vias,	têm	como	denominador	comum	o	processo	inflamatório.
26
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
•	 As	doenças	reumáticas	 têm	como	componente	comum	o	estabelecimento	de	
um	processo	inflamatório.
•	 A	 osteoartrite	 (artrose)	 é	 definida	 como	 um	 processo	 degenerativo	 nas	
estruturas cartilaginosas. Com isso, os ossos perdem esse revestimento 
cartilaginoso, o que os expõe diretamente aos impactos gerados pelos diversos 
tipos de movimentos que realizamos.
•	 O	desgaste	presente	na	osteoartrite	gera	alterações	na	estrutura	óssea	e	leva	à	
formação	de	um	processo	inflamatório	na	membrana	sinovial.
•	 Na	artrite	reumatoide,	a	membrana	sinovial	é	afetada	e,	conforme	progride,	é	
possível observar um gradativo efeito de erosão e deformidade articular.
• O avanço da artrite reumatoide dá origem ao pannus, caracterizado por hiperplasia 
e	hipertrofia	dos	sinoviócitos,	 infiltrado	inflamatório	predominantemente	de	
linfócitos,	plasmócitos	e	macrófagos	e	intensa	angiogênese.
•	 A	febre	reumática	é	uma	doença	autoimune	decorrente	de	uma	infecção	nas	
vias	aéreas	superiores	causada	por	Streptococcus pyogenes.
•	 Os	eventos	característicos	relacionados	à	febre	reumática	estão	associados	ao	
estabelecimento	 de	 um	quadro	 inflamatório	 que	 acomete	 diferentes	 órgãos,	
resultando em condições clínicas de maior complexidade, como valvulite, 
artrite e coreia.
27
1	 Na	 artrite	 reumatoide,	 ocorre	 a	 formação	 de	 um	 processo	 hiperplásico	
e	 hipertrófico	 estabelecido	 nas	 células	 sinoviais	 que	 contêm	 infiltrado	
inflamatório	e	intensa	angiogênese,	o	que	o	torna	densamente	vascularizado.	
Com relação ao termo que caracteriza essa descrição, assinale a alternativa 
CORRETA:
a)	(			)	Sinoviose	hiperplásica.
b)	(			)	Pannus. 
c)	 (			)	Deformação	de	boutonnière.
d)	(			)	Valvulite.
2	 As	doenças	reumáticas	possuem	uma	característica	que	permite	a	realização	
de	exames	para	compor	diagnóstico	e	traçar	prognóstico	dessas	doenças.	
Qual	é	essa	característica?	Justifique.
3	 Os	eventos	característicos	 relacionados	à	 febre	 reumática	estão	associados	ao	
estabelecimento	 de	 um	 quadro	 inflamatório	 que	 acomete	 diferentes	 órgãos	
e estruturas, resultando em condições clínicas de maior complexidade. 
Explique o papel do mimetismo molecular na febre reumática.
AUTOATIVIDADE
28
29
TÓPICO 3 — 
UNIDADE 1
MARCADORES DE DOENÇAS REUMÁTICAS
1 INTRODUÇÃO
Quando	 se	 trata	 do	 diagnóstico, estamos falando em evidências que, 
em	conjunto,	apontam	o	estabelecimento	de	alguma	patologia.	Nesse	contexto,	
estudaremos	um	dosmais	importantes	elementos	que	estruturam	um	diagnóstico:	
as	 análises	 laboratoriais	 –	 também	 conhecidas	 como	 provas	 ou	 exames	
laboratoriais.	 Sabe-se	 que,	 atualmente,	 os	 exames	 laboratoriais	 constituem	um	
importante	elemento	balizador	de	mais	da	metade	das	decisões	médicas.
Assim,	conheceremos	as	características	dos	principais	exames	aplicados	
às	patologias	previamente	discutidas.
2 PROTEÍNA C-REATIVA
A	proteína	C-reativa	(PCR)	foi	descrita	pela	primeira	vez	na	década	de	
1930.	A	indicação	“C-reativa”	foi	dada,	inicialmente,	por	ter	sido	identificada	a	
sua	reação	com	o	polissacarídeo	C	da	cápsula	da	bactéria	Streptococcus pneumoniae 
em	casos	de	pacientes	com	pneumonia	pneumocócica.	Após	essa	descoberta,	novos	
estudos	identificaram	sua	presença	em	outras	condições	clínicas.	Isso	fez	com	que	
a	PCR	se	tornasse	um	exame	amplamente	utilizado,	em	função	da	variedade	de	
doenças em que sua mensuração aparece alterada. Por isso,	a	PCR	é	classificada	
como	inespecífica	(CARVALHO	et al.,	2007).	Dessa	maneira,	a	detecção	da	PCR	
não	 é	 considerada	 patognomônica,	 ou	 seja,	 não	 é	 própria	 e	 característica	 de	
nenhuma	doença	específica.
Acadêmico, a sigla PCR também pode surgir em textos com o significado 
de reação em cadeia da polimerase. Para diferenciá-las, é necessário compreender que a 
proteína C-reativa é uma proteína de fase aguda inespecífica, visto que está presente em 
diversas patologias, enquanto a reação em cadeia da polimerase é uma técnica da biologia 
molecular que visa a amplificar o material genético – por isso, sugerimos que você revise 
o livro da disciplina de Biologia Molecular.
IMPORTANT
E
30
UNIDADE 1 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DE DOENÇAS REUMÁTICAS
A	PCR	é	uma	pentraxina	(Figura	12)	de	origem	hepática,	que	atua	ligando-
se	a	potenciais	agressores,	células	em	apoptose	ou	com	alguma	lesão,	causando	a	
sua	destruição	por	intermédio	da	ativação	de	fagócitos	e	do	sistema	complemento.
FIGURA 12 – ESTRUTURA MOLECULAR DA PROTEÍNA C-REATIVA
FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/creactive-protein-crp-human-
molecule-chemical-117136327>. Acesso em: 5 fev. 2021.
De	acordo	com	Neto	e	Carvalho	(2009,	p.	416),	“A	PCR	e	a	via	clássica	do	
complemento	atuam	em	sintonia,	promovendo	a	limpeza	de	células	apoptóticas	
sem	 ocasionar	 lise	 celular”.	 Dessa	 forma,	 os	 mediadores	 pró	 inflamatórios	
dentro	dessas	 células	 não	 são	 liberados,	 impedindo	 a	 intensificação	da	 reação	
inflamatória	presente.
Ao longo deste livro, alguns termos serão recorrentes, por isso, vamos relembrar 
as diferenças entre os seguintes conceitos:
• Análise qualitativa: indica se há ou não quantidade relevante do analito que está sendo 
investigado na amostra. O critério que estabelece se existe uma quantidade significativa 
do analito chama-se cut-off, que corresponde ao ponto de corte predeterminado. Nesse 
tipo de metodologia, não identificamos a concentração do analito.
IMPORTANT
E
TÓPICO 3 — MARCADORES DE DOENÇAS REUMÁTICAS
31
Com	relação	a	sua	influência	sobre	o	processo	inflamatório,	sabemos	que	a	
PCR	pode	 atuar	 tanto	 como	mediador	pró-inflamatório	 quanto	 anti-inflamatório.	 
De	acordo	com	Neto	e	Carvalho	(2009,	p.	416),	isso	ocorre	porque:
A	 interação	 entre	 PCR	 e	 porção	 Fc	 de	 imunoglobulinas	 dá-se,	 em	
fagócitos,	 por	 meio	 de	 receptores	 FcγRI	 (CD64)	 e	 FcγRIIa	 (CD32),	
levando	 à	 indução	 de	 fagocitose	 e	 à	 secreção	 de	 citocinas	 pró-
inflamatórias	como	interleucina	1	(IL-1)	e	fator	de	necrose	tumoral-α	
(TNF-α).	 Já	 em	 neutrófilos,	 a	 interação	 promove	 down-regulation 
da	 inflamação	 com	 inibição	 da	 resposta	 quimiotática,	 clivagem	 de	
L-selectina	 diminuindo	 a	marginação	 de	 leucócitos	 e	 endocitose	 de	
receptores	IL-6.
Acadêmico, você sabe o que é downregulation? É um termo em inglês que 
significa “desregulação” ou “dessensibilização”. Ao receber um estímulo de downregulation, 
a célula ou um tecido diminui a sua função ou a liberação de moléculas, como as citocinas, 
que são quimiotáticos no processo inflamatório.
IMPORTANT
E
• Análise semiquantitativa: atribui-se valores às escalas qualitativas estabelecidas de 
acordo com cada técnica. Contudo, não necessariamente o número atribuído a cada 
descrição representa com exatidão a concentração presente. A função desse tipo de 
análise objetiva produzir resultados mais detalhados do que aqueles obtidos em análise 
qualitativas e não sugerir valores absolutos, como em análises quantitativas.
• Análise quantitativa: mensura a concentração do analito na amostra utilizada.
• Down-regulation: é um termo que se refere ao processo de redução ou supressão de 
uma resposta a um determinado estímulo. Por exemplo: uma célula pode reduzir sua 
resposta a uma molécula devido à redução do número de receptores presentes na 
superfície dessa célula.
Por	se	tratar	de	uma	proteína	de	fase	aguda,	a	PCR	apresenta-se	elevada	
na	fase	ativa	de	doenças	relacionadas	a	processos	inflamatórios	–	é	 importante	
notar	 que	 a	 presença	 desse	 componente	 no	 organismo	 é	 sempre	 associada	 a	
um	 processo	 inflamatório,	 mas	 não	 é	 possível	 saber	 o	 que	 desencadeou	 essa	
manifestação apenas por causa disso. 
Isso	 significa	 que,	 em	 doenças	 reumáticas,	 haverá	 a	 presença	 da	 PCR,	
pois, conforme discutido anteriormente, as doenças reumáticas integram o grupo 
de	doenças	de	 caráter	 inflamatório.	Assim,	 condições	 como	artrite	 reumatoide	
e	 vasculites	 em	 fase	 ativa	 apresentarão	 dosagens	 aumentadas	 de	 PCR.	 As	
concentrações	da	PCR	tendem	a	aumentar	entre	a	quarta	e	sexta	hora	após	o	início	
do	processo	inflamatório,	podendo	atingir	o	pico	de	concentração	na	circulação	
sanguínea	em	até	50	horas.
32
UNIDADE 1 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DE DOENÇAS REUMÁTICAS
Até o momento, vimos que a PCR foi apresentada como um importante 
marcador relacionado a doenças reumáticas. Contudo, existe uma grande variedade de 
condições em que ela é utilizada como marcador de diagnóstico e prognóstico, integrando 
um grupo de exames utilizados com frequência, em especial no ambiente hospitalar, 
para acompanhamento da evolução do paciente. Nesse contexto, sugerimos a leitura 
do artigo Aplicações Clínicas Atuais da Proteína C-reativa, escrito por Guilherme Birchal 
Collares e Urquiza Helena Meira Paulino, que destaca outras condições em que a PCR é 
um instrumento importante para as equipes médicas: http://rmmg.org/exportar-pdf/579/
v16n4a12.pdf.
INTERESSA
NTE
Quando	solicitada	com	o	objetivo	de	investigar	doenças	reumatológicas,	
algumas	 condições	podem	elevar	discretamente	os	valores	da	PCR,	posto	que	
apresentam	quadros	inflamatórios	como,	por	exemplo:	“Obesidade,	tabagismo,	
diabetes, uremia, hipertensão arterial, inatividade física, uso de anticoncepcionais 
orais, distúrbios do sono, álcool, fadiga crônica, depressão, envelhecimento, 
doença	periodontal,	entre	outras	situações”	(NETO;	CARVALHO,	2009,	p.	416).
3 FATOR REUMATOIDE
O	 fator	 reumatoide	 (FR)	 é	 um	 autoanticorpo	 descrito	 inicialmente	 na	
década	de	1940	por	Waller	Rose.	A	denominação	FR	se	deve	ao	fato	de	que	esses	
autoanticorpos	 foram	identificados	pela	primeira	vez	em	pacientes	com	artrite	
reumatoide.	Após	essa	descoberta,	novos	estudos	identificaram	sua	presença	em	
outras	 condições	 clínicas.	Assim,	 embora	o	nome	 remeta	 à	 artrite	 reumatoide,	
esse	não	é	um	marcador	patognomônico	para	a	doença.	Apesar	de	não	se	tratar	
de	um	exame	confirmatório	para	artrite	reumatoide,	ele	faz	parte	das	evidências	
clínicas	que	compõem	o	diagnóstico	diferencial	dessa	doença.
Em	termos	moleculares	(Figura	13):
O	 fator	 reumatoide	 (FR)	 é	um	auto-anticorpo	que	 tem	 como	alvo	 a	
região	 Fc	 de	 IgGs,	 ou	 seja,	 ele	 se	 liga	 em	 outros	 anticorpos	 e	mais	
especificamente,	na	sua	porção	“Fc”	(parte	invariável	dos	anticorpos,	
que foi nomeada por se cristalizar em análises estruturais de 
anticorpos).	A	 maioria	 dos	 FR	 sãodo	 isotipo	 IgM	mas	 podem	 ser	
também	IgA	e	IgG	(MACEDO	et al.,	2016,	p.	2).
TÓPICO 3 — MARCADORES DE DOENÇAS REUMÁTICAS
33
IGURA 13 – ALGUNS TIPOS DE ISÓTOPOS DOS FATORES REUMATOIDES
FONTE: Macedo et al. (2016, p. 3)
Apesar	 da	 impossibilidade	 de	 utilização	 exclusiva	 desse	 marcador	
para	 confirmação	 de	 artrite	 reumatoide,	 a	 avaliação	 do	 fator	 reumatoide	 tem	
uma	 importante	 função	 prognóstica	 (capacidade	 de	 uma	 informação	 indicar	
a	evolução	mais	provável	de	uma	condição	clínica).	De	acordo	com	Mota	et al. 
(2011),	 os	 níveis	mais	 elevados	de	 fator	 reumatoide	no	 soro	de	pacientes	 com	
artrite reumatoide estão associados a um estágio agressivo da doença agressiva, 
à	presença	de	nódulos	reumatoides	e	às	manifestações	extra-articulares.
No	que	se	refere	a	outras	condições	clínicas	 (Quadro	1),	Carvalho	et al. 
(2014,	p.	72)	indicam	que:
Imunoglobulinas	 com	 atividade	 de	 FR	 estão	 presentes	 em	pequena	
quantidade e com baixa avidez no soro da maior parte dos 
indivíduos;	nesses	casos,	a	pesquisa	do	FR	é	negativa	ou	fracamente	
reagente.	Em	determinadas	condições	patológicas,	a	concentração	de	
imunoglobulinas	pode	se	elevar	com	atividade	de	FR	de	alta	afinidade.	
As	duas	condições	em	que	o	FR	é	detectado	com	maior	frequência	e	
em	maiores	títulos	são	a	artrite	reumatoide	e	a	síndrome	de	Sjögren.	
Entretanto,	 uma	vez	que	 o	 FR	 é	 encontrado	 em	 frequência	 variável	
em	grande	número	de	outras	condições	mórbidas,	sua	especificidade	
e	seu	valor	preditivo	positivo	para	o	diagnóstico	de	artrite	reumatoide	
não são elevados.
Os	fatores	reumatóides	são	auto-anticorpos	que	apresentam	estruturas	 
diferentes	e	pertencem	às	classes	IgM	(mais	comumente),	IgG	e	IgA
34
UNIDADE 1 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DE DOENÇAS REUMÁTICAS
QUADRO 1 – ENFERMIDADES EM QUE É COMUM A PRESENÇA DE FATOR REUMATOIDE
FONTE: Carvalho et al. (2014, p. 72) 
Grupo de doenças Enfermidades	específicas
Doenças	virais Hepatite	B	ou	C,	mononucleose,	Influenza,	AIDS,	pós-vacinação	
Doenças	
autoimunes
Artrite	reumatoide,	lúpus	eritematoso	sistêmico,	esclerose	sistêmica,	
polimiosite,	dermatomiosite,	síndrome	de	Sjögren,	crioglobulinemia	mista,	
cirrose	biliar	primária,	hepatite	autoimune,	fibrose	pulmonar	idiopática	
(Harman-Hirsch),	doença	mista	do	tecido	conjuntivo,	vasculites	
Neoplasias Principalmente	após	irradiação	ou	quimioterapia	
Infecções 
bacterianas
Tuberculose,	sífilis,	hanseníase,	salmonelose,	endocardite	bacteriana	
subaguda, brucelose, borreliose 
Doenças	
parasitárias Malária,	calazar,	esquistossomose,	filariose,	tripanossomíase
Nesses	termos,	pode-se	considerar	que	o	FR	é	uma	análise	auxiliar	para	
o	fechamento	do	diagnóstico	de	artrite	reumatoide.	Entretanto,	em	pacientes	já	
diagnosticados	com	essa	doença,	é,	sobretudo,	um	bom	indicador	prognóstico,	
haja vista que a presença de altas titulações desses anticorpos no soro de 
pacientes apontam um agravamento da doença, que pode indicar manifestações 
extra-articulares.
O fator reumatoide é um exame que integra a rotina da maior parte dos 
laboratórios, independentemente do porte. Contudo, existem exames mais específicos para 
investigação de AR e que são menos conhecidos, uma vez que o número de laboratórios 
que os realizam é bem menor. O peptídeo citrulinado cíclico é um desses marcadores. 
Assim, sugerimos a leitura da publicação feita pelo laboratório Fleury Autoanticorpos 
contra peptídeo citrulinado cíclico (CCP) apresentam alta especificidade e sensibilidade 
para o diagnóstico de artrite reumatoide, que aborda esse marcador: https://www.fleury.
com.br/medico/artigos-cientificos/autoanticorpos-contra-peptideo-citrulinado-ciclico-ccp-
apresentam-alta-especificidade-e-sensibilidade-para-o-diagnostico-de-artrite-reumatoide.
INTERESSA
NTE
4 ANTIESTREPTOLISINA O
A	estreptolisina	O	é	uma	exotoxina	(proteínas	que	podem	ser	produzidas	
por	bactérias,	capazes	de	gerar	prejuízo	a	uma	célula	hospedeira)	produzida	por	
Streptococcus pyogenes. Quando ativada, tem ação hemolítica, ou seja, desencadeia 
a	lise	(quebra)	das	hemácias.	É	importante	esclarecer	que	o	que	leva	à	ativação	
biológica	dessa	toxina	bacteriana	é	a	ausência	de	oxigênio	(RACHID,	2003).
TÓPICO 3 — MARCADORES DE DOENÇAS REUMÁTICAS
35
Como	vimos,	quando	um	patógeno	invade	o	organismo,	muitos	eventos	
imunológicos	 ocorrem	 para	 culminar	 em	 sua	 eliminação,	 entre	 eles, temos a 
ativação	dos	linfócitos	B.	Após	a	infecção	por	S. pyogenes, anticorpos são produzidos 
pelos	 linfócitos	B	 específicos	para	 combater	 essa	 exotoxina,	 uma	vez	 que	 essa	
molécula	é	imunogênica.	Esses	anticorpos	são	chamados	de	antiestreptolisina	O	
(ASO	ou	ASLO)	(RACHID	2003).
Assim,	análises	que	investigam	a	presença	de	ASO	apontam	a	existência	
prévia	de	 infecção	estreptocócica.	É	comum	que,	em	um	primeiro	momento,	a	
dosagem	sanguínea	desse	anticorpo	esteja	fortemente	vinculada	à	investigação	
de	 febre	reumática.	Contudo,	devemos	 lembrar	que	a	ASO	estará	presente	em	
qualquer	 manifestação	 clínica	 vinculada	 a	 infecções	 pela	 espécie	 S. pyogenes 
(GEERTS	 et al.,	 2011),	 como	 glomerulonefrite	 aguda, escarlatina, amigdalite, 
faringite	(Figura	14), erisipela e sepse puerperal.
FIGURA 14 – FARINGITE ESTREPTOCÓCICA
FONTE: <https://www.sanarmed.com/casos-clinicos-dor-de-garganta-ha-6-dias-ligas>. 
Acesso em: 5 fev. 2021.
É	 importante	 ressaltar	 que	 a	 presença	 de	 ASO	 pode	 permanecer	 na	
circulação	 sanguínea	 por	 semanas	 após	 o	 evento	 infeccioso.	 No	 Tópico	 4,	
compreenderemos	como	esse	analito	pode	ser	dosado	no	laboratório. 
36
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
•	 São	as	interações	relacionadas	aos	componentes	do	sistema	imune	em	resposta	
ao	 processo	 inflamatório	 que	 permitem	 as	 análises	 laboratoriais	 e,	 por	
conseguinte,	a	construção	de	diagnóstico	e	prognóstico	das	doenças	reumáticas.
•	 A	proteína	C-reativa	é	uma	pentraxina	produzida	por	células	do	fígado,	que	
atua	ligando-se	a	potenciais	agressores,	células	em	apoptose	ou	com	alguma	
lesão,	ativando	sua	destruição	por	 intermédio	da	ativação	de	 fagócitos	e	do	
sistema complemento.
 
• Por se tratar de uma proteína de fase aguda, a proteína C-reativa apresenta-se 
elevada	na	fase	ativa	de	doenças	relacionadas	a	processos	inflamatórios.
 
•	 O	fator	reumatoide	é	um	autoanticorpo,	geralmente	da	classe	IgM,	que	atua	
contra	a	fração	Fc	de	um	anticorpo	IgG.
 
•	 Diferentes	condições	clínicas	alteram	os	valores	de	fator	reumatoide,	o	que	o	
torna	um	marcador	inespecífico.
 
•	 A	estreptolisina	O	é	uma	exotoxina	produzida	por	Streptococcus pyogenes.
 
•	 A	 ativação	da	 estreptolisina	O	 tem	ação	hemolítica,	 diante	de	 condições	de	
ausência de oxigênio.
 
•	 A	antiestreptolisina	O	é	o	anticorpo	produzido	para	neutralizar	essa	exotoxina
 
•	 A	antiestreptolisina	O	não	é	um	marcador	patognomônico	de	febre	reumática.
 
•	 A	 antiestreptolisina	 O	 estará	 presente	 em	 qualquer	 manifestação	 clínica	
vinculada	a	infecções	por	estreptococos	do	grupo	A,	não	se	restringindo	apenas	
à	febre	reumática.
37
1 Considere as lacunas apresentadas no texto a seguir:
A	 febre	 reumática	 é	 um	 dos	 possíveis	 desfechos	 relacionados	 à	 infecção	
bacteriana por Streptococcus pyogenes.	 Essa	 bactéria	 produz	 uma	
_____________, chamada de ______________. Com o objetivo de neutralizar 
os prejuízos resultantes dessa infecção, são produzidos anticorpos chamados 
de ______________________.
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	(			)	Endotoxina;	estreptolisina	O;	antiestreptolisina	O.
b)	(			)	Exotoxina;	antiestreptolisina	O;	estreptolisina	O.
c)	 (			)	Exotoxina;	estreptolisina	O;	antiestreptolisina	O.
d)	(			)	Estreptolisina	O;	endotoxina;	exotoxina.
2	 Atualmente,	 a	 proteína	 C-reativa	 tem	 recebido	 maior	 destaque,	 devido	
às	 variadas	 aplicações	 atribuídas	 principalmente	 ao	 âmbito	 hospitalar.	
Explique	por	que	ocorre	o	aumento	significativo	de	sua	utilização	com	base	
nas característicasdesse marcador.
3	 O	 fator	 reumatoide	 não	 é	 um	 marcador	 patognomônico	 de	 artrite	
reumatoide.	Justifique	essa	afirmação.
AUTOATIVIDADE
38
39
TÓPICO 4 — 
UNIDADE 1
METODOLOGIAS UTILIZADAS PARA INVESTIGAÇÃO DE 
DOENÇAS REUMÁTICAS
1 AGLUTINAÇÃO EM LÁTEX
A	técnica	de	aglutinação	em	látex	é	baseada	nas	reações	de	precipitação. 
Os imunoensaios, desenvolvidos pelo princípio das reações de precipitação, 
estão baseados na interação entre antígeno e anticorpo solúveis que produzem 
complexos	insolúveis	visíveis.	A	formação	desses	complexos	visíveis	é	realizada	
a	partir	da	utilização	de	partículas	inertes	(que	não	reagem	quimicamente),	como	
o	 látex.	 Em	 casos	 de	 técnicas	 que	 utilizam	 a	 aglutinação	 em	 látex,	 é	 possível	
realizar	 a	 análise	 qualitativa	 e	 semiquantitativa	 de	marcadores	 imunológicos,	
como	a	PCR,	o	fator	reumatoide	e	a	ASO.	De	acordo	com	Voltarelli	(2009,	p.	78):
Partículas de látex são esferas de poliestireno utilizadas como 
suportes na adsorção de proteína solúvel e antígenos polissacarídicos, 
funcionando como sistema indicador da reação antígeno-anticorpo. 
O teste pode ser empregado na pesquisa de antígenos ou anticorpos. 
A	 aplicação	 mais	 comum	 é	 na	 detecção	 de	 fator	 reumatoide	 IgM,	
dirigido	contra	isotipos	de	IgG,	IgA1,	IgM	ou	IgE.
Com	relação	à	possibilidade	de	esse	tipo	de	teste	ser	usado	tanto	para	pesquisa	
de antígenos quanto de anticorpos, fazemos referência a testes diretos (partículas 
de	látex	sensibilizadas	com	anticorpos	–	Figura	15)	ou	indiretos	(partículas	de	látex	
sensibilizadas	 com	 antígeno).	Assim,	 quando	 existe	 na	 amostra	 uma	 concentração	
mínima	do	marcador	que	está	 sob	 investigação,	é	possível	observar	a	 formação	de	
pequenos	grumos	(imunocomplexos),	resultantes	da	aglutinação.
Caro acadêmico, lembre-se de que a concentração mínima que um ensaio é capaz 
de detectar é a sensibilidade desse teste. Portanto, quando as instruções do teste indicam um 
determinado valor de concentração do marcador como o valor da sensibilidade do teste, isso 
significa que aquela é a menor concentração que essa técnica é capaz de detectar.
IMPORTANT
E
40
UNIDADE 1 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DE DOENÇAS REUMÁTICAS
A	execução	da	técnica	de	aglutinação	em	látex	para	marcadores	de	doença	
reumatoide	 segue	 um	 procedimento	 comum.	 São	 utilizadas	 amostras	 de	 soro	
do paciente, que serão pipetadas conforme a qualidade indicada nas instruções 
do	kit	reagente	em	uma	placa	própria	para	essa	técnica	(Figura	16).	Em	seguida,	
na mesma placa, a quantidade de látex sensibilizado indicada nas instruções do 
teste	 (dependendo	 do	 marcador	 em	 investigação)	 será	 aplicada	 na	 amostra	 e	
homogeneizada	pelo	tempo	indicado	pelo	fabricante	do	teste.	Após	essa	etapa,	o	
analista deverá observar a presença ou a ausência de grumos na suspensão (mistura 
contendo	 látex	 sensibilizado	 e	 amostra).	 Suspensões	 que	 apresentarem	 grumos	
(Figura	17)	indicam	que	existe	uma	concentração	igual	ou	superior	ao	cut-off (ponto 
de	corte)	estabelecido	no	kit	do	reagente	(DOLES,	2018).
FIGURA 15 – PARTÍCULA DE LÁTEX SENSIBILIZADA COM O ANTICORPO ANTI-PCR
FONTE: Labtest (2010, p. 3)
Sabemos que a execução correta de uma técnica depende, além da leitura do 
protocolo da técnica, da visualização de execução dos procedimentos. Para isso, sugerimos 
um vídeo que demonstra a técnica de aglutinação em látex para PCR: https://www.youtube.
com/watch?v=pFQwrVO15wQ.
UNI
FIGURA 16 – EXECUÇÃO DA TÉCNICA DE AGLUTINAÇÃO EM PLACA
FONTE: Doles (2018, p. 2)
Anticorpo	(ligado	a	
partícula	de	látex)
Precipitados
Antígeno	
protéico	
TÓPICO 4 — METODOLOGIAS UTILIZADAS PARA INVESTIGAÇÃO DE DOENÇAS REUMÁTICAS
41
FIGURA 17 – AGLUTINAÇÃO EM LÁTEX APRESENTANDO FORMAÇÃO DE GRUMOS 
NA POSIÇÃO 2
FONTE: Veiga (2009, p. 153)
É importante ressaltar que, para que o teste apresente resultados 
adequados,	a	correta	execução	do	procedimento	é	essencial.	Para	 isso,	deve-se	
atentar para as instruções de uso do teste, bom como os possíveis interferentes, 
como: 
• Tempo de execução: nas instruções, consta o tempo que a reação deve ocorrer 
e o intervalo que o analista deve avaliar a presença ou ausência de grumos. 
Passado	 esse	 tempo,	 podem	 ocorrer	 aglutinações	 inespecíficas,	 resultando	
falso-positivos.
• Condições da amostra: alguns kits utilizados para aglutinação em látex podem 
ter	 seu	 desempenho	 prejudicado	 pela	 presença	 de	 hemólise	 (rompimento	
das	hemácias	com	liberação	de	hemoglobina	no	soro)	e	lipemia	(presença	de	
lipídeos	 na	 amostra	 de	 soro),	 apresentando	 resultados	 falso-positivos	 pelo	
estabelecimento	de	aglutinações	inespecíficas.
• Altas concentrações do marcador investigado: as instruções de uso dos kits 
indicam sempre os limites de concentração do marcador investigado que 
podem	gerar	efeito	prozona	(LABTEST,	2018).
2 NEFELOMETRIA
A	 nefelometria	 é	 uma	 técnica	 quantitativa	 utilizada	 para	 mensurar	 a	
concentração	 dos	 marcadores	 de	 doenças	 reumáticas.	 Para	 sua	 execução,	 é	
utilizado um nefelômetro, equipamento que mede a dispersão de luz gerada em 
soluções contendo imunocomplexos. O nefelômetro mensura a luz dispersa pelos 
imunocomplexos, pois possui, em sua estrutura, um detector posicionado em um 
ângulo	de	70°	em	relação	à	fonte	de	luz.	Segundo	Voltarelli	(2009,	p.	76):
Uma	 característica	 importante	 das	 soluções	 coloidais	 é	 a	 sua	
pronunciada dispersão da luz. Quando um feixe de luz incidente 
atravessa um meio contendo partículas, estas interferem com 
a passagem da luz, fazendo com que seja dispersa em todas as 
direções.	Esse	 fenômeno,	 conhecido	 como	efeito	Tyndall,	 não	altera	
o	 comprimento	de	 onda	da	 luz	 incidente	 e	 é	 independente	 do	 tipo	 
de partícula.
42
UNIDADE 1 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DE DOENÇAS REUMÁTICAS
A	fonte	luminosa	utilizada	em	ensaios	nefelométricos	é	de	alta	intensidade	
e incide sob uma cubeta (pequeno tubo que pode ser feito de plástico, vidro ou 
quartzo,	muito	utilizado	em	ensaios	laboratoriais)	que	contém	a	solução	resultante	
da	 amostra	 com	 o	 reagente.	A	 forma	 e	 o	 tamanho	 das	 partículas, resultantes 
dos imunocomplexos formados, serão fatores determinantes para quantidade e 
natureza	da	dispersão	de	 luz	 captada	 e	quantificada	pelo	nefelômetro	 (Figura	
17).	A	medida	de	um	marcador	utilizando	a	nefelometria	é	rápida,	apresenta	boa	
precisão, principalmente quando os nefelômetros dispõem de dispositivos que 
subtraem	interferentes,	como	a	lipemia	e	a	hemólise	(VOLTARELLI,	2009).
FIGURA 17 – ESQUEMA DO PRINCÍPIO FÍSICO DA NEFELOMETRIA E TURBIDIMETRIA
FONTE: Bender; von Mühlen (2009, p. 77)
3 TURBIDIMETRIA
O	 princípio	 do	 método	 turbidimétrico	 quantitativo	 para	 análise	 de	
marcadores de doenças reumáticas funciona, assim como na nefelometria, a partir 
da emissão de feixe de luz na amostra previamente preparada com reagente. Com a 
incidência	desse	feixe	de	luz,	as	partículas	sólidas	existentes	no	líquido	refletem	os	
raios	luminosos.	De	acordo	com	Voltarelli	(2014,	p.	77):
Esse	 teste	 está	 sujeito	 às	 mesmas	 condições	 dos	 sistemas	
nefelométricos.	O	sinal	de	detecção	é	a	absorbância	e	não	a	intensidade	
de	 luz	dispersa.	Não	necessita	de	 aparelhagem	especial.	As	 reações	
podem ser medidas em espectrofotômetros simples utilizados em 
bioquímica. Pode ser utilizada para medidas quantitativas de drogas 
ou biomarcadores no soro, plasma ou urina.
Dessa	 forma,	 enquanto	 o	 nefelômetro	 mede	 a	 luz	 dispersa,	 a	
turbidimetria	 mede	 a	 luz	 absorvida	 (não	 dispersada)	 pela	 turbidez	 gerada	
pelos imunocomplexos formados na combinação entre amostra e reagente. Para 
medir a absorbância presente na reação entre amostra e reagente, o equipamento 
utilizado	 é	 o	 espectrofotômetro.	Na	 turbidimetria,	 fatores	 pré-analíticos como 
hemólise,	 lipemia	 e	 concentrações	 elevadas	de	 bilirrubina	podem	 interferir	 na	
TÓPICO 4 — METODOLOGIAS UTILIZADASPARA INVESTIGAÇÃO DE DOENÇAS REUMÁTICAS
43
medida de marcadores de doença reumática. É importante lembrar que existem 
diferentes	 kits	 reagentes	 no	 mercado	 para	 quantificação	 de	 marcadores	 de	
doenças reumáticas por essa metodologia. Portanto, outros possíveis interferentes 
relacionados a compostos que podem estar presentes na amostra de soro devem 
ser	verificados	nas	instruções	de	uso	do	kit	utilizado.
Na leitura complementar, a seguir, veremos as provas laboratoriais que estão 
relacionadas ao diagnóstico dessas doenças, as principais metodologias utilizadas na rotina 
clínica e as possíveis interpretações dos resultados.
NOTA
44
UNIDADE 1 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DE DOENÇAS REUMÁTICAS
LEITURA COMPLEMENTAR
O USO DE PROVAS DE ATIVIDADE INFLAMATÓRIA EM REUMATOLOGIA
Nilton	Salles	Rosa	Neto 
Jozélio	Freire	de	Carvalho
INTRODUÇÃO
A	 resposta	 de	 fase	 aguda	 é	 um	 mecanismo	 fisiopatológico	 de	 defesa	
associado	a	estados	inflamatórios	que,	apesar	do	nome	já	consagrado,	ocorre	tanto	
na	inflamação	aguda	quanto	na	crônica.	Caracteriza-se	pelo	aumento	ou	diminuição	
da	 concentração	 sérica	 de	 determinadas	 proteínas	 em	 decorrência	 de	 algum	
estímulo	que	ocasione	 injúria	 tecidual.	Atualmente,	opta-se	por	utilizar	o	 termo	
biomarcador	inflamatório	ao	se	referir	às	proteínas	envolvidas	nessa	resposta.
Utiliza-se	 a	 análise	 dos	 biomarcadores	 de	 inflamação	 em	 doenças	
reumatológicas	 para	 a	monitoração	de	 atividade	de	doença	 –	 correlacionando	
com outros dados clínicos e laboratoriais – e para a diferenciação entre doença 
ativa e presença de infecções. Este artigo revisa o uso de provas de atividade 
inflamatória	atualmente	disponíveis	no	âmbito	assistencial.
HISTÓRICO
Em	 1930,	 pesquisadores	 descobriram	 uma	 proteína	 que	 reagia	 com	 o	
polissacarídeo C da cápsula de S. pneumoniae obtida do sangue de pacientes durante a 
fase	aguda	de	pneumonia	pneumocócica.	A	ela,	deram	o	nome	de	proteína	C-reativa	
(PCR).	 A	 partir	 de	 então,	 estudaram-se	 as	 alterações	 das	 proteínas	 plasmáticas	
em	 soro	 de	 pacientes	 agudamente	 enfermos	 devido	 a	 infecções.	 As	 proteínas	
encontradas nessas situações foram denominadas proteínas de fase aguda, e a 
reação	inflamatória	–	ou	resposta	do	organismo	diante	da	lesão	tecidual	–,	resposta	
de	fase	aguda.	Posteriormente,	verificou-se	a	presença	dessas	proteínas	após	outros	
eventos,	 como	 trauma,	 isquemia,	 neoplasia	 e	 reações	 de	 hipersensibilidade.	 Suas	 
concentrações	também	se	encontravam	alteradas	em	estados	inflamatórios	crônicos.
RESPOSTA DE FASE AGUDA
A	 resposta	de	 fase	 aguda	 caracteriza-se	pela	 alteração	na	 concentração	
sérica	 de	 certas	 proteínas	 após	 a	 injúria	 tecidual,	 algumas	 respondendo	 com	
elevação	 (biomarcadores	 positivos)	 e	 outras	 com	 diminuição	 (biomarcadores	
negativos)	 de	 suas	 concentrações.	 Essas	 proteínas	 terão	 funções	 pró	 e	 anti-
inflamatórias	e	podem	estimular	ou	inibir	a	produção	umas	das	outras.	Apesar	
da importância desse trabalho em conjunto, na prática clínica somente algumas 
dessas proteínas são utilizadas como marcadores, quer pela disponibilidade do 
método,	quer	pelo	custo	de	sua	determinação.	Podem	ser	encontradas	nas	Tabelas	
1 e 2 algumas das proteínas de fase aguda, divididas de acordo com sua função 
biológica	original.
TÓPICO 4 — METODOLOGIAS UTILIZADAS PARA INVESTIGAÇÃO DE DOENÇAS REUMÁTICAS
45
TABELA 1 – BIOMARCADORES INFLAMATÓRIOS POSITIVOS
Sistema de Coagulação/Fibrinólise
Fibrinogênio
Plasminogênio
Ativador	de	plasminogênio	tecidual
Uroquinase
Proteína	S
Vitronectina
Inibidor do ativador de plasminogênio tecidual 1
Sistema Complemento
C3;	C4;	C9
Fator	B
Inibidor	C1	(C1	INH)
Proteína ligadora C4b
Lectina	ligadora	de	manose	(MBL)
Proteínas de Transporte
Ceruloplasmina
Haptoglobina
Hemopexina
Participantes	da	Resposta	Inflamatória
Fosfolipase	A2	secretória	(sPLA2-IIA)
Proteína	ligadora	de	lipopolissacarídeo	(LPS)
Antagonista	do	receptor	de	interleucina-1	(IL-1	RA)
Fator	estimulador	de	colônias	–	granulócitos	(G-CSF)
Antiproteases
α1-Antiprotease
α1-Antiquimiotripsina
Inibidor da tripsina pancreática
Inibidor da interalfatripsina
Outros
Proteína	C-reativa	(PCR)
Proteína	sérica	amiloide	A	(SAA)
α1-glicoproteína	ácida	(AGP)
Fibronectina
Ferritina
Angiotensinogênio
Proteína	Ligadora	do	Retinol
Adaptado para o português de Kushner e Gabay com permissão dos autores. 
Copyright © 1999 - Massachusetts Medical Society. Todos os direitos reservados.
46
UNIDADE 1 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DE DOENÇAS REUMÁTICAS
TABELA 2 – BIOMARCADORES INFLAMATÓRIOS NEGATIVOS
Adaptado para o português de Kushner e Gabay com permissão dos autores.
Copyright © 1999 - Massachusetts Medical Society. All rights reserved.
Albumina
Transferrina
α2-HS	glicoproteína
Alfafetoproteína	(AFP)
Globulina	ligadora	de	tiroxina
Fator	de	crescimento	insulina-símile-1	(IGF-1)
Fator	XII
Mudanças	 comportamentais	 e	 alterações	 fisiológicas,	 bioquímicas	 e	
nutricionais somam-se para completar a resposta de fase aguda.
Alterações neuroendócrinas
Uma	das	maiores	 características	dessa	 fase	 é	 a	presença	de	 febre,	 uma	
resposta	existente	para	promover	um	meio	ótimo	de	funcionamento	de	enzimas	e	
a	estabilização	de	membranas	celulares.	Há	indisposição	e	sonolência	–	medidas	
que	 reduzem	 o	 consumo	 energético	 do	 organismo.	 Modulando	 a	 resposta	
inflamatória,	há	aumento	da	secreção	de	hormônio	liberador	de	corticotrofinas	
(CRH),	hormônio	adrenocorticotrófico	(ACTH)	e	cortisol,	hormônio	antidiurético	
(ADH)	e	catecolaminas;	e	diminuição	do	fator	de	crescimento	similar	à	insulina	
do	tipo	1	(IGF-1).
Alterações hematopoéticas
Em	 decorrência	 de	 inflamação,	 podemos	 encontrar	 leucocitose	 e	
trombocitose e, nos casos mais prolongados, anemia de doença crônica.
Alterações metabólicas
Incluem-se perda muscular e balanço nitrogenado negativo, levando, em 
casos	crônicos,	à	restrição	de	crescimento	em	crianças	e	à	caquexia	em	adultos.	Há	
diminuição	da	gliconeogênese	e	aceleração	de	osteoporose.	Verificam-se	aumento	
da	lipogênese	hepática	e	lipólise	de	tecido	adiposo,	assim	como	diminuição	da	
atividade das lipoproteínas lipases muscular e adiposa, com o objetivo de, em 
casos de infecção, haver aumento da concentração de lipoproteínas, promovendo 
maior	ligação	à	lipopolissacarídeo	(LPS)	e	resultando	em	menor	efeito	tóxico	para	
o organismo.
TÓPICO 4 — METODOLOGIAS UTILIZADAS PARA INVESTIGAÇÃO DE DOENÇAS REUMÁTICAS
47
Alterações hepáticas
O fígado participa da produção e da liberação de muitas das proteínas 
relacionadas	 à	 resposta	 inflamatória.	 Fisiologicamente,	 há	 aumento	 de	
metalotioneína,	 óxido	 nítrico	 sintase,	 heme	 oxigenase,	 superóxido	 dismutase,	
inibidor tecidual de metaloproteinase-1 e redução da atividade fosfoenolpiruvato 
carboxiquinase.
Alterações em outros constituintes do plasma
Como controle das reações em andamento, há consumo de zinco, ferro e 
cobre e retinol plasmático e aumento de antioxidantes como glutationa.
CLASSIFICAÇÃO
Os	biomarcadores	da	inflamação	dividem-se	em	quatro	grupos:
• Proteínas de defesa do hospedeiro – participam do reconhecimento e eliminação 
de	patógenos:	proteína	C-reativa,	lectina	ligadora	de	manose,	proteína	ligadora	de	
lipopolissacarídeo,	proteínas	do	complemento,	fibrinogênio;
• Inibidores de proteinases séricas – atuam na limitação do dano tecidual, 
neutralizando	 enzimas	 proteolíticas	 e	 metabólitos	 de	 oxigênio:	 α1-
antiproteinase,	α1-antiquimiotripsina,	α2-antiplasmina,	inibidor	do	C1;
• Proteínas de transporte com atividade antioxidante – responsáveis pela 
contenção	da	 reação	 inflamatória	 e	 restauração	da	estrutura	original	 lesada:	
ceruloplasmina, hemopexina, haptoglobina;
• Outras – proteína	sérica	amiloide	A	(SAA),	antagonista	do	receptor	de	 IL-1,	
α1-glicoproteína	ácida,	fosfolipase	A2	secretória	grupo	IIA	(sPLA2-IIA).
Há	diferenças	significativas	em	termos	de	cinética,	magnitudee	duração	
de	resposta	entre	os	biomarcadores	inflamatórios.	A	PCR	e	a	SAA	são	detectadas	
a	partir	de	quatro	horas	do	insulto	e	têm	pico	de	24	a	72	horas,	podendo	chegar	
a	mil	vezes	o	valor	normal.	O	fibrinogênio	tem	pico	em	sete	a	dez	dias	e	eleva-se	
duas	a	três	vezes	o	normal	(Figura	1).
48
UNIDADE 1 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DE DOENÇAS REUMÁTICAS
FIGURA 1. PADRÃO DE RESPOSTA DE BIOMARCADORES INFLAMATÓRIOS FRENTE 
À LESÃO TECIDUAL. 
Apenas	 alguns	 desses	 marcadores	 encontram-se	 disponíveis	 para	
utilização na rotina do reumatologista, e o texto trata, inicialmente, das origens 
e	 funções	biológicas	das	proteínas	envolvidas	e	dos	métodos	de	determinação	
de sua atividade. Em seguida, detalhamos seus usos nas diversas doenças 
reumáticas.
PROTEÍNA C-REATIVA
É o biomarcador mais estudado. Promove a interação entre imunidades 
humoral	e	celular.	É	produzida	no	fígado	e	classificada	como	pentraxina	–	um	
pentâmero	com	uma	fenda	ligadora	de	fosfatidilcolina	(dependente	de	íons	cálcio)	
e outras em face oposta que se ligam ao componente do sistema complemento 
C1q	e	à	porção	Fc	de	imunoglobulinas	(Fcγ).
TÓPICO 4 — METODOLOGIAS UTILIZADAS PARA INVESTIGAÇÃO DE DOENÇAS REUMÁTICAS
49
Sua	 função	 é	 ligar-se	 a	 patógenos	 e	 células	 lesadas	 e/ou	 apoptóticas	
(fosfatidilcolina)	 e	 iniciar	 sua	 eliminação	 por	 meio	 da	 ativação	 do	 sistema	
complemento	 e	 de	 fagócitos	 (C1q	 e	 Fcγ).	 Essas	 ligações	 e	 atrações	 celulares	
permitem	 considerá-la	uma	opsonina.	Também	atua	 regulando	 a	 extensão	 e	 a	
intensidade	da	reação	inflamatória.
Apesar	 de	 sua	 função	 assemelhar-se	 à	 de	 anticorpos	 e	 participar	 da	
imunidade	inata,	não	há	descrição	de	estados	deficientes	de	proteína	C-reativa	
(PCR),	o	que,	a	princípio,	deve	ser	incompatível	com	a	vida.
A	ativação	do	complemento	ocorre	pela	via	clássica,	por	deposição	dos	
fragmentos	de	C3	e	C4	na	PCR	e	no	ligante,	formação	da	C3	convertase	clivando	
o	C3	em	C3a,	uma	anafilatoxina	que	induz	a	liberação	de	histamina	de	basófilos	
e	mastócitos,	e	C3b,	que	atua	como	opsonina,	atraindo	fagócitos	–	macrófagos	–	
ao	local	da	inflamação.	A	ativação	não	converte	C5,	ou	seja,	não	há	amplificação	
dos	efeitos	pró-inflamatórios	ou	formação	do	complexo	de	ataque	à	membrana	
(CAM)	diretamente	pela	PCR.	A	PCR	e	a	via	clássica	do	complemento	atuam	em	
sintonia,	promovendo	a	limpeza	de	células	apoptóticas	sem	ocasionar	lise	celular,	
minimizando	a	liberação	de	mediadores	que	aumentariam	a	reação	inflamatória.5	
É	sabido	que,	na	artrite	 reumatoide	 (AR),	o	complemento	é	ativado	pela	PCR,	
especialmente	naqueles	com	maior	atividade	de	doença,	porém	não	está	clara	a	
participação	da	ativação	do	complemento	na	manutenção	da	reação	inflamatória	
e destruição articular.
A	interação	entre	PCR	e	porção	Fc	de	imunoglobulinas	dá-se,	em	fagócitos,	
por	meio	de	 receptores	FcγRI	 (CD64)	e	FcγRIIa	 (CD32),	 levando	à	 indução	de	
fagocitose	e	à	secreção	de	citocinas	pró-inflamatórias	como	interleucina	(IL)-1	e	
fator	de	necrose	tumoral	(TNF)-α.	Já	em	neutrófilos,	a	interação	promove	down-
regulation	 da	 inflamação	 com	 inibição	 da	 resposta	 quimiotática,	 clivagem	 de	
L-selectina	diminuindo	a	marginação	de	 leucócitos	 e	 endocitose	de	 receptores	
IL-6.	 Verifica-se,	 portanto,	 que	 a	 PCR	 tem	 funções	 pró	 e	 anti-inflamatórias.	A	
determinação	da	PCR	é	mais	sensível,	avaliando	uma	resposta	rápida	por	uma	
medida	 direta.	 Reflete,	 também,	 a	 extensão	 do	 processo	 inflamatório	 ou	 da	
atividade	clínica,	principalmente	em	infecções	bacterianas	(e	não	virais),	reações	
de hipersensibilidade, isquemia e necrose tecidual. Podem-se encontrar valores 
discretamente	 elevados	 de	 PCR	 em	 obesidade,	 tabagismo,	 diabetes,	 uremia,	
hipertensão arterial, inatividade física, uso de anticoncepcionais orais, distúrbios 
do sono, álcool, fadiga crônica, depressão, envelhecimento, doença periodontal, 
entre	 outras	 situações.	 É	 também	 um	 marcador	 de	 aterosclerose,	 sendo	 um	
preditor de infarto do miocárdio, morte súbita ou acidente vascular encefálico e 
deve ter papel na patogênese da aterogênese.
A	metodologia	amplamente	utilizada	é	a	imunonefelometria,	que	permite	
a liberação de resultados quantitativos, facilitando a interpretação clínica e 
permitindo o acompanhamento laboratorial de cada caso.
50
UNIDADE 1 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DE DOENÇAS REUMÁTICAS
A	 PCR	 também	 é	 importante	 como	marcador	 de	 ativação	 endotelial	 e	
indutor	 de	 lesão	 vascular	 relacionada	 à	 inflamação,	 em	 especial	 em	placas	 de	
ateroma. Pode ser utilizada como preditor de coronariopatias (angina e infarto 
do	miocárdio),	por	acelerar	o	processo	de	aterosclerose.	A	denominação	de	PCR	
hipersensível,	 ou	 ultrassensível,	 diz	 respeito	 a	 métodos	 que	 possam	 detectar	
valores	 mais	 baixos	 (menor	 do	 que	 o	 percentil	 97,5)	 do	 que	 os	 limites	 dos	
métodos	usuais	(menor	do	que	percentil	90),	ou	seja,	exames	mais	sensíveis,	que	
já	 identifiquem	alterações	inflamatórias	em	pacientes	aparentemente	saudáveis	
ou com fatores de risco conhecidos e permitam estimar o risco cardiovascular. Em 
pacientes	com	AR	e	lúpus	eritematoso	sistêmico	(LES),	a	inflamação	persistente,	
demonstrada	por	dosagens	sequenciais	de	PCR,	implica	morbidade	e	mortalidade	
cardiovascular precoce.
FONTE: Adaptado de ROSA NETO, N. S.; CARVALHO, J. F. O uso de provas de atividade 
inflamatória em reumatologia. Rev. Bras. Reumatol., v. 49, n. 4, p. 413-30, 2009. Disponível em: 
https://www.scielo.br/pdf/rbr/v49n4/08.pdf. Acesso em: 18 dez. 2020.
51
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico, você aprendeu que:
•	 A	 técnica	de	aglutinação	em	 látex	é	baseada	nas	 reações	de	precipitação,	os	
quais	refletem	a	interação	entre	antígeno	e	anticorpos	solúveis	que	produzem	
complexos insolúveis visíveis.
•	 Técnicas	 que	 utilizam	 a	 aglutinação	 em	 látex	 permitem	 realizar	 análise	
qualitativa	e	semiquantitativa	de	marcadores	imunológicos,	como	a	proteína	
C-reativa, o fator reumatoide e a antiestreptolisina O.
• O nefelômetro mede a luz dispersa pelos imunocomplexos a partir de um 
detector	posicionado	em	um	ângulo	de	70°	em	relação	à	fonte	de	luz.
•	 A	nefelometria	é	uma	metodologia	rápida	e	precisa,	principalmente	quando	os	
nefelômetros dispõem de dispositivos que subtraem interferentes.
•	 A	turbidimetria	é	uma	metodologia	que	ocorre	a	partir	da	emissão	de	feixe	de	
luz na amostra previamente preparada com reagente, que incide sob as partículas 
sólidas	existentes	no	líquido	e	reflete	os	raios	luminosos	e	o	turbidímetro	mede	
a luz absorvida.
Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem 
pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao 
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.
CHAMADA
52
1	 Existem	alguns	métodos	quantitativos	utilizados	para	mensurar	marcadores	
de doenças reumáticas. Explique a diferença entre a nefelometria e a 
turbidimetria.
2	 O	fator	reumatoide	é	um	marcador	utilizado	para	diagnóstico	e	prognóstico	
de artrite reumatoide, entre outras doenças. Para execução das metodologias 
de aglutinação em látex e nefelometria, temos a formação de uma solução 
com micropartículas capazes de dispersar luz e, com isso, permitir a análise 
desse	analito.	 Sobre	o	 tipo	de	 solução	utilizada	nessas	 técnicas,	 assinale	a	
alternativa	CORRETA:
a)	(			)	Solução	coloidal.
b)	(			)	Solução	ácida.
c)	 (			)	Solução	não	inerte.
d)	(			)	Solução	precipitadora.
3	 Alguns	interferentes	podem	interferir	nos	resultados	obtidos	pela	técnica	
de aglutinação em látex. Cite-os e explique por que eles podem ocorrer.
AUTOATIVIDADE
53
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VOLTARELLI,	J.	C.	Imunologia Clínica na Prática Médica.	7.	ed.	Rio	de	Janeiro:	
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57
UNIDADE 2 — 
APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO 
DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO 
PRÉ-NATAL
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOSA partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• entender as demandas imunológicas e a importância do acompanhamento 
imunológico no período pré-natal;
•	 identificar	a	toxoplasmose,	doença	causada	por	um	protozoário	chamado	
Toxoplasma gondii;
• entender as principais características do vírus da rubéola e do 
citomegalovírus;
•	 conhecer	as	metodologias	utilizadas	para	diagnóstico	e	prognóstico	do	
pré-natal.
Esta	unidade	está	dividida	em	quatro	tópicos.	No	decorrer	da	unidade,	
você	 encontrará	 autoatividades	 com	 o	 objetivo	 de	 reforçar	 o	 conteúdo	
apresentado.
TÓPICO	1	–	DEMANDAS	IMUNOLÓGICAS	E	A	IMPORTÂNCIA	DO	
ACOMPANHAMENTO	IMUNOLÓGICO	NO	PERÍODO	
PRÉ-NATAL
TÓPICO	2	–	TOXOPLASMOSE
TÓPICO	3	–	CITOMEGALOVÍRUS	E	RUBÉOLA
TÓPICO	4	–	METODOLOGIAS	UTILIZADAS	PARA	DIAGNÓSTICO	E	
PROGNÓSTICO	DO	PRÉ-NATAL
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos 
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá 
melhor as informações.
CHAMADA
58
59
UNIDADE 2
TÓPICO 1 — 
DEMANDAS IMUNOLÓGICAS E A IMPORTÂNCIA DO 
ACOMPANHAMENTO IMUNOLÓGICO NO PERÍODO 
PRÉ-NATAL
1 INTRODUÇÃO
Sob	 o	 aspecto	 imunológico,	 a	 gestação	 é	 semelhante	 à	 invasão	 do	
organismo	por	um	patógeno,	pois,	ao	longo	de	9	meses,	o	feto	se	nutre	e	cresce	
consideravelmente	 até	 estar	 apto	 a	 viver	 fora	 do	 ambiente	 que	 propiciou	 o	
seu	desenvolvimento	–	afinal,	se	existe	essa	semelhança	entre	a	gestação	e	um	
processo	infeccioso,	por	que	o	sistema	imune	da	gestante	não	ataca	o	feto?	Neste	
tópico,	veremos	por	que	isso	não	ocorre.	
A	 ideia	de	que	uma	mulher	 tem	a	capacidade	de	gerar	uma	nova	vida	
é	 vista	 como	um	milagre,	 que	 é	 resultado	de	diversas	mudanças	no	 corpo	da	
gestante.	Adaptações	fisiológicas,	anatômicas	e	endócrinas	permitem	que	o	feto	
se	desenvolva	em	sua	completude.	Entretanto,	algo	 também	deveria	acontecer	
no	sistema	imunológico	da	mãe,	uma	vez	que	as	características	genéticas	do	feto	
diferem	das	genéticas	da	mãe.	Assim,	ele	deveria	ser	reconhecido	pelo	sistema	
imune como um agente agressor.
Sabemos	que,	de	alguma	forma,	o	feto	não	é	percebido	dessa	maneira	pelo	
sistema	 imune.	 Isso	 acontece	 porque	 nós,	 mamíferos	 placentários,	 possuímos	
estruturas	 que	 protegem	 o	 desenvolvimento	 embrionário,	 do	 ponto	 de	 vista	
imunológico,	 como	 a	 decídua.	 Decídua	 é	 um	 nome	 que	 deriva	 do	 termo	 em	
latim deciduus,	 traduzido	 como	 “que	 se	 desprende”.	 Trata-se	 do	 endométrio	
do	tecido	gravídico,	que	possui	funções	relacionadas	à	composição	estrutural	e	
nutricional	embrionária.	No	aspecto	imunológico,	Nancy	et al. (2012) descobriram 
que	 a	 decídua	 é	 capaz	 de	 silenciar	 a	 expressão	 de	 genes	 responsáveis	 pela	
produção	 citocinas	 mediadoras	 de	 inflamação.	 Essas	 citocinas,	 por	 sua	 vez,	
atuam	recrutando	linfócitos	T.	Com	o	silenciamento	desses	genes,	os	 linfócitos	
não	recebem	sinalização	na	decídua,	o	que	impede	que	eles	se	acumulem	nesta	
estrutura	placentária.	Essa	descoberta	indica	que	um	dos	mecanismos	associados	
à	imunotolerância	materno-fetal	permite	que	o	feto	se	desenvolva	sem	ser	atacado	
pelo	sistema	imune	materno.	Mesmo	sabendo	que	a	gestante	é	imunotolerante,	e	
o	feto	não	é	visto	como	um	“inimigo”,	é	importante	tratarmos	de	outro	assunto	
importante: o acompanhamento pré-natal.
UNIDADE 2 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL
60
Pré-natal	é	um	termo	que	se	refere	ao	acompanhamento	recebido	pelas	
gestantes	desde	a	confirmação	da	gravidez	ao	nascimento	do	bebê.	O	objetivo	
do	pré-natal	é	acompanhar	a	evolução	das	adaptações	fisiológicas	gestacionais	
como	 o	 ganho	 de	 peso,	 a	 alimentação,	 a	 pressão	 arterial,	 o	 desenvolvimento	
fetal	e	demais	ocorrências	que	podem	gerar	algum	prejuízo	ao	longo	da	gestação	
(BRASIL,	2016).
De	acordo	com	o	atual	risco	gestacional,	existem	dois	tipos	de	abordagem	
pré-natal: o pré-natal de risco habitual (quando	a	gestante	não	possui	doenças	
que	 possam	 sofrer	 agravo	 ao	 longo	 da	 gestação),	 e	 o	 pré-natal de alto risco 
(quando	a	gestante	já	possui	fatores	de	risco	ou	doenças	que	podem	prejudicar	
na	gestação,	o	que	exige	um	acompanhamento	mais	próximo).
Ao	acompanhar	o	período	gestacional,	o	objetivo	é	monitorar	sinais	vitais	
e	parâmetros	que,	quando	alterados,	representam	forte	indício	de	risco	para	mãe	
e	para	o	bebê,	como	hipertensão,	diabetes	gestacional	e	infecções	(BRASIL,	2010).
Como	é	possível	imaginar,	a	contar	pelos	exemplos	de	infecções	e	diabetes	
gestacional,	o	laboratório	clínico	é	um	elemento	essencial	para	um	pré-natal	de	
sucesso.	 Nesse	 contexto,	 além	 da	 avaliação	 realizada	 pelas	 equipes	 médicas,	
diferentes	 exames	 são	 solicitados	 com	 o	 intuito	 de	 investigar	 as	 condições	 de	
saúde	 da	 gestante,	 podendo-se	 destacar	 os	 ensaios	 imunológicos	 voltados	 à	
detecção	da	gestação	(como	a	dosagem	de	gonadotrofina	coriônica	humana)	e	a	
investigação	de	doenças	infecciosas,	como	a	toxoplasmose,	o	citomegalovírus	e	a	
rubéola.	A	seguir,	conheceremos	mais	sobre	esses	marcadores	imunológicos,	sua	
importância	e	metodologias	utilizadas	para	execução	desses	imunoensaios.	
Importância do pré-natal
 Segundo o Ministério da Saúde, a realização do pré-natal representa papel 
fundamental na prevenção e/ou detecção precoce de patologias tanto maternas como 
fetais, permitindo um desenvolvimento saudável do bebê e reduzindo os riscos da gestante. 
Informações sobre as diferentes vivências devem ser trocadas entre as mulheres e os 
profissionais de saúde. Essa possibilidade de intercâmbio de experiências e conhecimentos 
é considerada a melhor forma de promover a compreensão do processo de gestação.
 Para saber mais sobre o tema, sugerimos a leitura do texto Importância do pré-natal, 
do Ministério da Saúde, que aborda a relevância da realização do pré-natal para a saúde da 
gestante e do bebê, acesse: http://bvsms.saude.gov.br/dicas-em-saude/2198-importancia-
do-pre-natal.
INTERESSA
NTE
TÓPICO 1 — DEMANDAS IMUNOLÓGICAS E A IMPORTÂNCIA DO ACOMPANHAMENTO IMUNOLÓGICO 
NO PERÍODO PRÉ-NATAL
61
2 GONADOTROFINA CORIÔNICA HUMANA
A	gonadotrofina	coriônica	humana	(hCG)	é	um	hormônio	popularmente	
conhecido	para	detectar	uma	gestação.	Trata-se	de	um	hormônio	produzido,	em	
condições	fisiológicas,	durante	a	gestação.	Inicialmente,	sua	produção	ocorre	via	
sinciciotrofoblastos,	 e	 representa	uma	sinalização	essencial	para	a	manutenção	
da	gestação.	Ao	longo	do	primeiro	mês	e	meio	de	gravidez,	é	o	hCG	que	sinaliza	
a	manutenção	do	corpo	lúteo.	O	corpo	lúteo,	por	sua	vez,	produz	progesterona,	
um	 hormônio	 responsável	 por	 manter	 a	 gestação	 ao	 longo	 das	 primeiras	
semanas	de	gravidez.	A	progesterona	tem	esse	papel	devido	a	sua	capacidade	de	
espessamento	do	endométrio	e	 inibição	das	contrações	uterinas,	características	
que	 favorecem	 a	 implantação	 e	 a	 manutenção	 do	 óvulo	 fertilizado	 no	 útero	
(Figura	1).	Além	da	produção	de	progesterona	no	estágio	inicial	da	gestação,	o	
hCG	 liga-se	 a	 receptores	 específicos	 que	 estimulam	 a	 angiogênese	 (criação	 de	
vasos	sanguíneos)	no	endotélio	uterino	(NWABUOBI	et al.,	2017).
Contudo,	o	corpo	lúteo	não	permanece	viável	ao	 longo	de	toda	gestação,	o	
que	significa	que,	após	algum	tempo,	será	necessário	que	outra	estrutura	mantenha	
a	secreção	de	hormônios	da	gestação.	De	acordo	com	Silverthorn	(2017,	p.	829):	“A	
menos	que	o	embrião	em	desenvolvimento	envie	um	sinal	hormonal,	o	corpo	lúteo	
degenera-se,	os	níveis	de	estrogênio	e	progesterona	caem	e	o	embrião	é	eliminado	do	
corpo	junto	com	as	camadas	superficiais	do	endométrio	durante	a	menstruação”.
Assim,	a	partir	da	8ª	semana	de	desenvolvimento	fetal,	é	a	placenta	que	
passa	a	secretar	hormônios	que	impedirão	a	menstruação	ao	longo	da	gestação,	
como	 estrogênio,	 progesterona,	 hormônio	 lactogênio	 placentário	 humano	 e	
gonadotrofina	coriônica	humana.	Durante	esse	período,	as	concentrações	desses	
hormônios	na	 corrente	 sanguínea	 sofrem	grandes	variações,a	fim	de	permitir	
que	ocorram	as	adaptações	físicas	e	metabólicas	necessárias	para	a	boa	evolução	
da	gestação	(SANARMED,	2019).
FIGURA 1 – VARIAÇÃO DOS NÍVEIS HORMONAIS DURANTE A GRAVIDEZ
FONTE: <https://www.indagacao.com.br/2018/12/famema-2019-o-grafico-ilustra-variacao-dos-
niveis-de-tres-hormonios-durante-uma-gravidez.html>. Acesso em: 20 jan. 2021.
UNIDADE 2 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL
62
Atualmente,	 a	detecção	 laboratorial	de	hCG	qualitativa	ou	quantitativa	
é	o	principal	 instrumento	no	diagnóstico	de	gestação.	O	hCG	é	uma	molécula	
composta	 por	 proteínas	 em	 70%	 de	 sua	 estrutura	 e	 30%	 de	 ramificações	 e	
unidades	de	carboidratos.	Essa	molécula	contém	2	subunidades,	a	alfa,	composta	
por	 aminoácidos	 organizados	 de	 maneira	 semelhante	 à	 região	 alfa	 de	 outras	
glicoproteínas,	 como	 o	 hormônio	 luteinizante	 (LH)	 e	 o	 hormônio	 folículo-
estimulante	 (FSH).	Por	outro	 lado,	a	outra	 subunidade,	que	 recebe	o	nome	de	
beta (BhCG)	não	apresenta	essa	similaridade	com	outras	moléculas,	o	que	confere	
a característica de especificidade biológica.	 Assim,	 quando	 as	 metodologias	
apresentam	 o	 nome	 BhCG,	 sabemos	 que	 essa	 subunidade	 será	 utilizada	 no	
princípio	do	teste	para	reduzir	potenciais	interferentes	na	amostra	(MEDEIROS;	
NORMAN,	2006).
Para	 a	 detecção	 do	 BhCG,	 podemos	 realizar	 ensaios	 qualitativos	 e	
quantitativos.	 Um	 exemplo	 de	 ensaio	 qualitativo	 são	 os	 testes	 de	 gravidez	
comercializados	 em	 farmácias,	 nos	 quais	 a	 amostra	 utilizada	 é	 urina.	 No	
laboratório	clínico,	também	podemos	utilizar	ensaios	quantitativos,	geralmente	
realizados	com	soro	da	paciente.
Caro acadêmico, ao longo desta disciplina, alguns termos serão recorrentes, 
como a caracterização de técnicas como qualitativas ou quantitativas. A seguir, 
aproveitamos para relembrar esses conceitos: 
• Análise qualitativa: indica se há ou não quantidade relevante do analito que está 
sendo investigado na amostra em questão. O critério que estabelece se existe uma 
quantidade significativa do analito se chama cut-off, que corresponde ao ponto de 
corte predeterminado. Nesse tipo de metodologia, não identificamos a concentração 
do analito.
• Análise quantitativa: mensura a concentração do analito em questão na amostra utilizada.
IMPORTANT
E
Nesse	momento,	pode	surgir	a	seguinte	dúvida:	se	podemos	utilizar	urina	
para	detectar	esse	hormônio,	por	que	coletar	sangue?	
Amostras	 de	 urina	 podem	 apresentar	 concentrações	 inferiores	 àquelas	 que	
são	consideradas	o	nível	mínimo	de	detecção	do	teste,	como	no	caso	de	pacientes	
que	 consomem	 muitos	 líquidos,	 que	 podem	 apresentar	 urina	 diluída,	 podendo	
gerar	 resultados	 falso-negativos.	Por	outro	 lado,	a	utilização	de	amostras	de	soro	
para	 testes	quantitativos	não	apresenta	 esse	 tipo	de	 interferência,	 o	que	 reduz	
consideravelmente	a	possibilidade	de	resultados	falso-negativos.	A	detecção	de	
BhCG	utilizando	amostras	de	soro	pode	ocorrer	a	partir	do	8°	ao	11°	dia	pós-
concepção.	Em	geral,	testes	qualitativos	são	considerados	testes	de	triagem,	que	
permitem	que	a	paciente	identifique	ou	não	uma	possível	gestação	(BRITO,	2018).
TÓPICO 1 — DEMANDAS IMUNOLÓGICAS E A IMPORTÂNCIA DO ACOMPANHAMENTO IMUNOLÓGICO 
NO PERÍODO PRÉ-NATAL
63
As	 metodologias	 quantitativas	 para	 dosagem	 do	 BhCG	 podem	 ser	
utilizadas	 para	 detecção,	 porém,	 o	 principal	 motivo	 de	 solicitação	 médica	 é	
como	instrumento	de	auxílio	na	estimativa	do	tempo	de	gestação,	pois	é	possível	
detectar	a	concentração	do	hormônio	presente	no	sangue.	A	Figura	2	apresenta	
um	fluxograma	que	 indica	 a	 relação	 entre	 as	 concentrações	desse	 hormônio	 e	
período gestacional estimado.
Podemos	 afirmar	 que,	 se	 esse	 hormônio	 estiver	 presente	 em	
concentrações	elevadas	em	amostras	de	soro	ou	urina	de	paciente,	sua	detecção	
não	 necessariamente	 indica	 gestação,	 pois,	 até	 o	 momento, vimos apenas as 
circunstâncias	fisiológicas	em	que	o	hCG	é	produzido.	Contudo,	existem	ainda	
condições	patológicas	em	que	a	dosagem	de	BhCG	pode	estar	aumentada,	tanto	
em	homens	quanto	mulheres.
FIGURA 2 – FLUXOGRAMA DE DIAGNÓSTICO GESTACIONAL
FONTE: <https://www.sanarmed.com/diagnostico-de-gravidez>. Acesso em: 16 mar. 2021.
Antigamente, os laboratórios clínicos utilizavam sapos para realizar testes de 
gravidez. Leia a reportagem, publicada no site Aventuras na História, que relata a evolução dos 
testes de gravidez ao longo do tempo, acessando o seguinte link: https://aventurasnahistoria.
uol.com.br/noticias/almanaque/sapo-o-primeiro-teste-de-gravidez.phtml.
INTERESSA
NTE
1°	trimestre:	até	
150.000	mUI/ml
2°	trimestre:	
3.500 a 20.000 
mUI/mL
3°	trimestre:	
5.000 a 50.000 
mUI/mL
Positivo
Negativo
BETA-hCG
Sangue
Urina
UNIDADE 2 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL
64
2.1 DOENÇA TROFOBLÁSTICA GESTACIONAL
De	acordo	com	Lima	et al.	(2017,	p.	94):
Doença	 trofoblástica	 gestacional	 (DTG)	 compreende	 um	 grupo	 de	
tumores	derivados	do	 tecido	placentário,	 incluindo	 lesões	benignas,	
representadas	pela	mola	hidatiforme	completa	(MHC)	e	parcial,	e	um	
grupo	 de	 lesões	 com	 diferentes	 graus	 de	 invasão	 de	 disseminação,	
denominadas	 neoplasia	 trofoblástica	 gestacional	 (NTG):	 mola	
invasora,	 coriocarcinoma,	 tumor	 trofoblástico	 do	 sítio	 placentário	 e	
tumor	trofoblástico	epitelioide.
A	mola	hidatiforme,	ou	gravidez	molar,	é	uma	complicação	gestacional	que	
resulta	no	desenvolvimento	de	células	anormais,	causando	um	agrupamento	celular	
desordenado,	semelhante	a	cachos	de	uva	(Figura	3).
FIGURA 3 – COMPARAÇÃO ENTRE ÚTERO NORMAL E ÚTERO COM GRAVIDEZ MOLAR
FONTE: <https://eigierdiagnosticos.com.br/blog/doencas/o-que-e-cromossomopatia-fetal/> 
Acesso em: 17 fev. 2021.
Apesar	 do	 nome	 “gravidez”,	 esta	 não	 é	 uma	 condição	 capaz	 de	 gerar	
um	 feto	normal.	Ela	pode	 ser	 o	 resultado	de	um	espermatozoide	que	 fertiliza	
um	óvulo	 sem	núcleo	de	DNA	 (mola	 hidatiforme	 completa)	 ou	pode	 resultar	
da	fertilização	de	um	óvulo	normal	por	dois	espermatozoides	(mola	hidatiforme	
incompleta),	sendo	este	último	tipo	com	menor	probabilidade	de	evolução	para	
doença	trofoblástica	gestacional	maligna.	Apesar	de	 tratar-se	de	uma	condição	
que	não	evoluirá	para	formação	de	um	feto	viável,	a	mola	hidatiforme	apresenta	
aumento	expressivo	nas	concentrações	de	BhCG.
TÓPICO 1 — DEMANDAS IMUNOLÓGICAS E A IMPORTÂNCIA DO ACOMPANHAMENTO IMUNOLÓGICO 
NO PERÍODO PRÉ-NATAL
65
Assim,	a	presença	de	concentrações	elevadas	de	BhCG,	discrepantes	do	
período	gestacional,	em	associação	às	manifestações	clínicas	características	como	
indicado	por	Andrade	(2009,	p.	95):
Do	ponto	de	vista	clínico,	o	volume	uterino	aumentado	e	complicações	
como	 hiperemese,	 pré-eclâmpsia	 e	 cistos	 tecaluteínicos	 são	 mais	
frequentes	 entre	 as	 portadoras	 de	 MHC.	 As	 pacientes	 com	 MHP	
geralmente apresentam sintomas consistentes com abortamento 
incompleto	ou	retido	e	por	isto	quase	sempre	o	diagnóstico	de	MHP	é	
obtido	após	avaliação	histológica	de	material	de	curetagem.
Esse	conjunto	de	informações	permite	que	o	médico	identifique	a	doença	
e	realize	o	manejo	adequado	(ANDRADE,	2009).
Além	 da	 mola	 hidatiforme,	 o	 BhCG	 pode	 apresentar	 concentrações	
elevadas	 na	 presença	 de	 coriocarcinomas.	 O	 coriocarcinoma	 é	 uma	 doença	
trofoblástica	 gestacional	 com	 características	 cancerígenas.	 Trata-se	 de	 uma	
condição	majoritariamente	 originada	 de	 uma	 gestação	 prévia	 ou	 presença	 de	
gestação	molar.	Entretanto,	em	casos	raros,	o	coriocarcinoma	pode	aparecer	em	
outras	regiões	fora	do	útero,	acometendo	inclusive	homens,	principalmente	nos	
testículos	(AMERICAN	CANCER	SOCIETY,	2016).
Como visto, uma solicitação de exame de BhCG para homens está relacionada 
com a investigação da presença de coriocarcinoma. A detecção de BhCG pode ser realizada 
por metodologias diferentes, cada uma com vantagens e desvantagens relacionadas a 
sua especificidadee sensibilidade, assim como interferentes presentes na amostra, que 
podem prejudicar os resultados dos testes, reduzindo sua capacidade de indicar a condição 
dos pacientes.
DICAS
66
Neste tópico, você aprendeu que:
•	 O	hCG	é	um	hormônio	produzido	durante	a	gestação,	em	condições	fisiológicas,	
podendo	também	apresentar	concentrações	elevadas	em	condições	patológicas,	
como	as	doenças	trofoblásticas	gestacionais.
•	 O	 hCG	 auxilia,	 inicialmente,	 na	 manutenção	 do	 corpo	 lúteo,	 para	 que	 ele	
permaneça	viável	e	produza	progesterona,	hormônio	que	auxiliará	no	sucesso	
das	etapas	iniciais	da	gestação.	Além	disso,	o	hCG	está	vinculado	à	angiogênese	
no endométrio.
•	 A	partir	da	8ª	semana	de	gestação,	a	placenta	passa	a	ser	quem	secreta	diversos	
hormônios,	entre	eles	o	hCG	e	a	progesterona.
•	 Durante	 a	 gestação	 as	 concentrações	 de	 hormônios	 na	 corrente	 sanguínea	
variam.	Essas	oscilações	promovem	as	adaptações	físicas	e	metabólicas	
•	 Para	fins	diagnósticos,	a	subunidade	beta	do	hCG	é	a	mais	comumente	utilizada,	
uma	vez	que	apresenta	maior	especificidade	biológica,	 reduzindo, assim, as 
chances	de	resultados	alterados	em	decorrência	de	interferentes	presentes	na	
amostra.
•	 A	detecção	de	BhCG	utilizando	amostras	de	soro	pode	ocorrer	a	partir	do	8°	ao	
11°	dia	pós-concepção.
•	 Testes	qualitativos	de	BhCG	são	considerados	testes	de	triagem,	que	permitem	
que	a	paciente	identifique	ou	não	a	gestação
•	 Metodologias	quantitativas	para	BhCG	são	instrumento	de	auxílio	na	estimativa	
do	tempo	de	gestação.
RESUMO DO TÓPICO 1
67
1	 O	 hormônio	 gonadotrofina	 coriônica	 humana	 (hCG)	 é	 encontrado	 em	
amostras	de	sangue	ou	urina	de	mulheres	grávidas.	Assinale	a	alternativa	
CORRETA:	
a)	 (			)	Os	testes	rápidos,	comercializados	em	farmácias,	são	utilizados	como	
testes	confirmatórios	de	gestação,	uma	vez	que	a	amostra	utilizada	é	a	
urina.
b)	(			)	A	análise	quantitativa	não	é	capaz	de	estimar	o	tempo	de	gestação	da	
paciente.
c)	 (			)	Dosagem	de	BhCG	em	amostras	de	soro	permite	uma	detecção	mais	
precoce	 da	 gestação,	 quando	 comparada	 a	 dosagens	 realizadas	 em	
amostras de urina.
d)	(			)	Testes	realizados	em	amostras	de	urina	permitem	detecção	de	gestação	
em	até	duas	semanas	após	a	fecundação.
2	 A	gonadotrofina	coriônica	humana	é	um	hormônio	essencial	para	que	o	
embrião	permaneça	viável,	uma	vez	que	é	responsável	pela	manutenção	do	
corpo	lúteo,	que,	por	sua	vez,	produz	progesterona,	hormônio	que	auxiliará	
no	 sucesso	 das	 etapas	 iniciais	 da	 gestação.	Apesar	 de	 sua	 semelhança	 a	
outros	hormônios,	como	o	LH	e	o	FSH,	o	hCG	pode	ser	medido	em	amostras	
de	soro	sem	que	esses	hormônios	interfiram	na	dosagem.	Explique	como	é	
possível	realizar	a	detecção	de	hCG	sem	a	interferência	desses	hormônios.
3	 Cite	uma	vantagem	e	uma	desvantagem	da	execução	de	testes	de	gravidez	
em amostras de urina.
4	 Considere	as	lacunas	apresentadas	no	texto	a	seguir:
O	hCG	é	um	hormônio	que	 tem	importante	papel	como	marcador	sorológico	
indicativo	de	 ____________.	Contudo,	 existem	condições	 clínicas	que	 também	
geram	 aumento	 da	 concentração	 de	 hCG	 na	 circulação	 sanguínea,	 como	
________________,	por	exemplo.	Essa	condição	__________________________.
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	(			)	Massa	 tumoral	 –	 mola	 hidatiforme	 –	 corresponde	 a	 uma	 doença	
trofoblástica	gestacional.
b)	(			)	Mola	hidatiforme	–	gestação	–	corresponde	a	uma	doença	trofoblástica	
gestacional.
c)	 (			)	Gestação	–	mola	hidatiforme	–	corresponde	a	uma	doença	trofoblástica	
gestacional.
d)	(			)	Doença	trofoblástica	gestacional	–	gestação	–	mola	hidatiforme.
AUTOATIVIDADE
68
5	 O	 teste	 que	 detecta,	 seletivamente,	 a	 presença	 do	 hCG	 é	 usada	 como	
diagnóstico	de	gravidez.	Reagentes	 imunológicos	secos	são	dispostos	em	
uma	membrana	e	reagem	à	medida	que	as	amostras	migram.	Considerando	
o	resultado	válido	indicativo	de	ausência	de	gestação,	assinale	a	alternativa	
CORRETA:	
a)	 (			)	Linha	teste	ausente	e	linha	controle	presente.	
b)	(			)	Linha	teste	ausente	e	linha	controle	ausente.
c)	 (			)	Linha	teste	presente	e	linha	controle	presente.	
d)	(			)	Linha	teste	presente	e	linha	controle	ausente.
69
UNIDADE 2
TÓPICO 2 — 
TOXOPLASMOSE
1 INTRODUÇÃO
A	 toxoplasmose	 integra	um	grupo	de	doenças	 infecciosas	 investigadas	
durante	o	período	pré-natal.	Por	ser	uma	doença	que,	na	maioria	dos	infectados, 
é	 assintomática,	 pode	 trazer	 grandes	 prejuízos	 ao	 desenvolvimento	 fetal.	 É	
essencial	identificar	se	a	gestante	foi	infectada,	e	se	ela	está	no	estágio	agudo	ou	
crônico	da	infecção.
Por	isso,	surgem	questões	como	quem	é	o	agente	infeccioso	por	trás	de	
uma	doença	que	pode	acarretar	prejuízos	ao	 feto,	como	evitar	a	contaminação	
por	esse	agente	infeccioso,	como	os	imunoensaios	podem	auxiliar	o	corpo	clínico	
na	 identificação	 dessa	 condição	 e	 qual	 o	 estado	 imunológico	 da	 paciente. A 
seguir,	 descobriremos	mais	 sobre	 as	dinâmicas	 relacionadas	 à	 toxoplasmose	 e	
sua	importância	no	contexto	gestacional.	
2 TOXOPLASMOSE
A	 toxoplasmose	 é	 uma	 doença	 causada	 por	 um	 protozoário	 chamado	
Toxoplasma gondii,	 que	 infecta	 a	maioria	 das	 espécies	 endotérmicas,	 incluindo	
os	 seres	 humanos.	 Os	 únicos	 hospedeiros	 definitivos	 para	 Toxoplasma gondii 
são	 os	 membros	 da	 família	 Felidae (que	 compreende	 principalmente	 os	 
gatos domésticos).
• Animais endotérmicos: utilizam todo o calor que produzem internamente para manter 
a temperatura corporal estável. É importante lembrar que o corpo depende de uma série 
de reações químicas que dependem de uma temperatura ideal. Por termos a capacidade 
de manter a nossa temperatura estável, nossas reações podem ocorrer e a homeostase 
é mantida.
• Protozoário: microrganismos compostos por apenas uma célula, dotado de núcleo, e 
que precisam de outros seres vivos para obter nutrição.
• Hospedeiros definitivos: são seres em que o toxoplasma é capaz de se amadurecer e 
passar por reprodução sexuada.
• Hospedeiros intermediários: são seres em que o toxoplasma é capaz de se reproduzir 
apenas de forma assexuada.
• Ciclo heteróxeno: é um ciclo que necessita de um ou mais hospedeiros intermediários.
NOTA
70
UNIDADE 2 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL
2.1 CICLO BIOLÓGICO
O	 ciclo	 de	 vida	 do	 parasita	 é	 heteroxeno,	 caracterizado	 por	 diversas	
etapas,	sendo	que	o	T. gondii	estará	presente	de	diferentes	maneiras,	chamados	
de estágios evolutivos (Figura 4):
• Taquizoítos:	 também	 chamados	 de	 trofozoítos,	 essa	 forma	 evolutiva	 ocorre	
na	infecção	aguda.	Como	o	próprio	nome	indica	(taqui-	=	“rápido”	em	grego),	
é	 uma	 forma	 evolutiva	 que	 se	 reproduz	 rapidamente	 dentro	 de	 diversos	
tipos	 celulares	 e	 nas	 células	 epiteliais	 (exceto	 aquelas	 pertencentes	 ao	 trato	
gastrointestinal)	 do	 hospedeiro	 intermediário.	 Sua	 multiplicação	 acontece	
por endodiogenia,	que	é	um	modo	especializado	de	multiplicação	assexuada,	
no	 qual	 duas	 células-filhas	 são	 formadas	 dentro	 da	 célula-mãe.	Ao	 fim	 da	
reprodução,	a	membrana	plasmática	da	célula	hospedeira	é	 rompida,	o	que	
permite	que	os	novos	parasitas	cheguem	ao	meio	extracelular	e,	a	partir	daí,	
passem	a	se	disseminar	pela	corrente	sanguínea	e	pelo	sistema	linfático	para	
outros	tecidos	(SOUZA	et al.,	2014).
• Oocistos:	são	as	formas	infectantes	do	T. gondii,	resultado	do	ciclo	sexuado	do	
parasita	que	ocorre	no	epitélio	gastrointestinal	dos	 felinos.	São	 liberados	no	
meio	externo	pelas	fezes.
• Bradizoítos:	também	conhecidos	como	merozoítos,	são	formas	evolutivas	de	
reprodução	 lenta	 (bradi-	 =	 lento,	 em	 grego),	 que	 aparecem	 dentro	 de cistos 
teciduais.	Os	bradizoítos	utilizam	o	cisto	como	um	artifício	de	proteção	contra	
a	resposta	imune.	De	acordo	com	Souza	e	Belfort	Jr.	(2014,	p.	35),	“embora	os	
cistos	teciduais	se	desenvolvam	em	diversos	órgãos	como	pulmões,	fígado	e	
rins,	eles	são	prevalentes	nos	tecidos	musculare	nervoso,	incluindo	o	cérebro,	
olhos	e	músculos	esquelético	e	cardíaco”.
Os cistos teciduais podem permanecer latentes por toda a vida do 
hospedeiro	 sem	 causar	 uma	 resposta	 inflamatória	 ou	 imunológica,	
evitando,	assim,	sua	destruição.	Durante	o	curso	da	infecção,	os	cistos	
teciduais	podem	romper-se,	e	com	a	diferenciação	de	bradizoítas	em	
taquizoítas	 (conversão),	 reinvadem	 outras	 células	 hospedeiras	 e	 se	
rediferenciam	 em	 bradizoítas	 (interconversão),	 formando	 um	 novo	
cisto	tecidual	(SOUZA;	BELFORT	JR.,	2014,	p.	35).	
FIGURA 4 – FORMAS EVOLUTIVAS DO TOXOPLASMA GONDII: OOCISTO (A; AUMENTO DE 
1.000 X);TAQUIZOÍTOS LIVRES (B; AUMENTO DE 1.000X); E CISTO COM BRADIZOÍTOS 
(C; AUMENTO DE 1.000X)
FONTE: Hornink et al. (2013, p. 86)
A B C
TÓPICO 2 — TOXOPLASMOSE
71
Para	facilitar	a	compreensão	de	cada	etapa	do	ciclo	de	vida	do	T. gondii,	
o	 Quadro	 1	 descreve	 o	 significado	 dos	 números	 apresentados	 na	 Figura	 5	 
(CDC,	2020).
FIGURA 5 – CICLO DE VIDA DO TOXOPLASMA GONDII
FONTE: <https://www.nanocell.org.br/toxoplasmose-a-culpa-e-dos-gatos/>. Acesso em: 21 jan. 2021.
72
UNIDADE 2 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL
QUADRO 1 – ETAPAS DO CICLO DE VIDA DO TOXOPLASMA GONDII
(1)	Apesar	da	eliminação	dos	oocistos	produzidos	ocorrer	somente	após	1	a	3	semanas,	um	grande	
número	deles	é	eliminado	nas	fezes	de	gatos.	No	ambiente,	os	oocistos	levam	de	1	a	5	dias	para	
esporular	e	se	tornar	infectantes.
(2)	Estágio	em	que	os	hospedeiros	intermediários	presentes	na	natureza	se	tornam	infectados	após	
ingerir	solo,	água	ou	plantas	contaminadas	com	esses	oocistos.
(3)	Após	 a	 ingestão,	 os	 oocistos	 originam	 taquizoítos	nos	 enterócitos	 (intestino).	 Essa	 forma	
evolutiva	localiza-se,	predominantemente,	no	tecido	nervoso	e	muscular,	e	forma	cistos	tissulares	
denominados	bradizoítos.
(4)	Os	gatos	se	tornam	infectados	após	consumir	hospedeiros	intermediários,	como	roedores	que	
contenham	bradizoítos.	Além	disso,	também	podem	ser	infectados	diretamente	pela	ingestão	de	
oocistos esporulados.
(5)	Animais	criados	para	consumo	humano	também	podem	ser	infectados	após	ingestão	de	oocistos	
esporulados no ambiente.
(6)	Os	humanos	podem	ser	infectados	pela	ingestão	de	carnes	malcozidas	contendo	bradizoítos.
(7)	Os	humanos	podem	ser	infectados	pelo	consumo	de	alimentos	e/ou	água	contaminados	com	
fezes	de	gatos	ou	oriundos	de	solo	contaminado.
(8)	Os	humanos	podem	ser	infectados	via	transplante	de	órgãos	ou	transfusão	sanguínea	(mais	raro).
(9)	Os	humanos	podem	ser	infectados	via	transplacentária,	ou	seja,	a	infecção	presente	na	mãe	
passa	para	o	feto.
FONTE: CDC (2020)
Com base nas etapas descritas sobre o ciclo de vida do T. gondii,	é	possível	
compreender	 como	 podemos	 prevenir	 a	 infecção	 por	 este	 parasita.	 Assim,	 os	
cuidados	 profiláticos	 estão	 relacionados	 a	 evitar	 beber	 água	 não	 tratada,	 usar	
luvas	 ao	 realizar	 jardinagem	 ou	 qualquer	 tipo	 de	 contato	 com	 o	 solo	 ou	 areia,	
ensinar	as	crianças	a	importância	da	lavagem	de	mãos	na	prevenção	de	infecções,	
manter	 caixas	 de	 areia	 externas	 cobertas	 (uma	 vez	 que	 gatos	 podem	 defecar	
nelas),	alimentar	gatos	apenas	com	rações	ou	alimentos	bem	cozidos,	não	fornecer	
alimentos	crus	ou	com	pouco	cozimento	aos	gatos,	manter	a	liteira	(caixa	de	areia	
do	gato)	higienizada	diariamente.
2.2 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
A	 toxoplasmose	 na	 maior	 parte	 dos	 infectados	 pode	 permanecer	
assintomática	 ao	 longo	de	maior	parte	da	vida.	Contudo,	pacientes	 infectados	
que	apresentam	manifestações	clínicas	podem	ter	características	diferentes.
Pacientes	 saudáveis,	 que	 não	 estão	 em	 período	 gestacional,	 estão	
propensos	a	não	apresentar	sintomas,	uma	vez	que	o	sistema	imune	impede	que	
o	parasita	se	multiplique	e	gere	maiores	prejuízos	ao	organismo.	Caso	existam	
sintomas,	eles	se	assemelham	a	sintomas	gripais,	com	a	presença	de	linfonodos	
inchados e dores musculares. Esses sintomas podem durar de semanas a meses 
e	desaparecer,	o	que	ainda	não	é	indicativo	de	cura,	mas,	sim,	de	que	o	parasita	
está	em	estado	inativo.	A	reativação	da	doença	pode	ocorrer	quando	o	paciente	
apresentar	quadro	de	imunodepressão.
TÓPICO 2 — TOXOPLASMOSE
73
É fundamental compreendermos a diferença entre pacientes imunodeprimidos 
e imunossuprimidos. Para isso, apresentaremos um trecho de um texto da Revista de 
Medicina Tropical, justamente sobre a diferença entre esses conceitos.
 Os dois termos têm sido empregados indistintamente para caracterizar a 
deficiência do sistema imunitário. Embora tenham o mesmo fundamento semântico, como 
termos médicos não devem ser considerados sinônimos. Quando devemos empregar um 
ou outro?
 Define-se imunodepressão como um estado de deficiência do sistema 
imunitário para, normalmente, responder aos agentes agressores. A imunodepressão 
pode ser primária e secundária ou adquirida. É primária quando dependente de fatores 
genéticos hereditários que afetam o processo de defesa imunológica, causando maior 
susceptibilidade às infecções, geralmente por germes de baixa patogenicidade, bem como 
às doenças autoimunes e às neoplasias. Na maioria das vezes, manifesta-se na infância. 
A forma adquirida, como o próprio nome indica, se deve a um fator externo que afeta 
o sistema imunológico e é exemplificada pela síndrome da imunodeficiência adquirida 
causada pelo vírus HIV-1; apresenta igualmente grande susceptibilidade às infecções por 
germes oportunistas e ao aparecimento de neoplasias. Imunossupressão é o ato de reduzir 
deliberadamente a atividade ou eficiência do sistema imunológico.
 A imunossupressão é feita, usualmente, para coibir a rejeição em transplantes 
de órgãos ou para o tratamento de doenças autoimunes como lúpus, artrite reumatoide, 
esclerose sistêmica, doença inflamatória intestinal, entre outras. Para fazê-la, recorre-se, 
normalmente, a medicamentos, mas também podem ser utilizados outros métodos, 
como plasmaferese ou radiação. Com o sistema imunológico praticamente desativado, o 
indivíduo imunossuprimido fica vulnerável a infecções oportunistas.
FONTE: REZENDE, J. M. Imunodepressão, Imunossupressão. Revista de Patologia Tropical, 
v. 40, n. 2, p. 199-201, 2011.
IMPORTANT
E
No	que	se	refere	às	gestantes,	saber	o	período	em	que	a	infecção	ocorreu	
é	 importante	para	entender	os	possíveis	prejuízos	ao	 feto.	De	modo	geral,	 em	
mulheres	 infectadas	 antes	 do	 período	 gestacional,	 a	 toxoplasmose	 oferece	
menores	riscos	ao	feto,	uma	vez	que	a	gestante	já	desenvolveu	imunidade.	Por	
outro	 lado,	 no	 caso	de	mulheres	 infectadas	pouco	 tempo	antes,	 ou	mesmo	ao	
longo	da	gestação,	existe	grande	risco	de	infecção	congênita,	ou	seja,	da	doença	
ser	transmitida	da	mãe	para	o	feto.
A	 severidade	 de	 danos	 ao	 feto	 é	 maior	 quão	 mais	 próximo	 ao	 início	
da	 gestação	 a	 infecção	 congênita	 tiver	 ocorrido.	 São	 consequências	 ao	 feto	 na	
toxoplasmose	 congênita	 no	 período	 gestacional	 (WALCHER;	 COMPARSI;	
PEDROSO,	2014):
• aborto;
• nascimento prematuro;
•	 redução	ou	aumento	da	cabeça	do	feto.
 
74
UNIDADE 2 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL
Além	desses	 eventos,	 quando	o	 recém-nascido	não	 apresenta	 sintomas	
ao	nascer,	ainda	assim	ele	pode	desenvolver,	posteriormente,	condições	clínicas	
como	perda	de	visão,	deficiência	mental	e	convulsões.
2.3 LABORATÓRIO CLÍNICO NA TOXOPLASMOSE
A	 investigação	 laboratorial	 da	 toxoplasmose	 é	 fundamentada	 na	 pesquisa	
sorológica	 de	 anticorpos	 produzidos	 contra	 o	 T. gondii,	 em	 que	 cada	 tipo	 de	
anticorpo	pode	fornecer	diferentes	informações	à	equipe	médica.	As	principais	
imunoglobulinas	(anticorpos)	pesquisadas	são	das	classes	IgM	e	IgG,	específicas	
para T. gondii.	Sua	aplicação	na	clínica	permite	identificar,	de	modo	genérico,	se	
a	infecção	está	em	fase	aguda	ou	crônica.	Além	dessas	imunoglobulinas,	também	
podem	ser	utilizadas	como	instrumento	diagnóstico	as	das	classes	IgA	e	IgE	para	
compreender	commaior	clareza	o	período	de	infecção.
No	 período	 gestacional,	 a	 investigação	 de	 anticorpos	 IgM	 e	 IgG	
para	 toxoplasmose	 é	 tão	 importante	 que	 já	 faz	 parte	 dos	 exames	 de	 triagem	
solicitados	por	serviços	de	saúde,	tanto	públicos	quanto	privados,	que	realizam	
acompanhamento pré-natal.
A	 determinação	 desses	 anticorpos	 no	 soro	 da	 paciente	 auxilia	 na	
compreensão	de	qual	é	sobre	o	estágio	da	toxoplasmose	pelo	qual	a	gestante	está	
passando,	porque	os	anticorpos	auxiliam	a	traçar	uma	espécie	de	“linha	do	tempo”	
da	infecção	(Figura	6).	Isso	porque	o	aumento	e	a	redução	das	concentrações	de	
cada	anticorpo	variam	de	acordo	com	a	evolução	da	doença	(Quadro	2).
QUADRO 2 – RELAÇÃO ENTRE AS DIFERENTES CLASSES DE ANTICORPOS 
ANTI-TOXOPLASMA GONDII E O PERÍODO DE INFECÇÃO
FONTE: O autor
Anticorpo 
anti-Toxoplasma gondii Período de detecção
IgM
Detectável	no	soro	da	paciente	em	até	duas	semanas	após	a	infecção,	
podendo	atingir	 seu	pico	de	 concentração	 em	até	um	mês	após	 a	
infecção
IgA Detectável	em	mais	da	metade	dos	pacientes	após	15	dias	de	infecção,	permanecendo	presente	na	corrente	sanguínea	de	3	a	6	meses.
IgE Detectável,	majoritariamente,	nos	4	primeiros	meses	após	a	infecção
IgG
Detectável	 entre	 a	 primeira	 e	 segunda	 semana	 pós-infecção,	
apresentando	pico	de	concentração	aproximadamente	2	meses	após	a	
infecção.	Nesse	período	inicial,	os	anticorpos	IgG	produzidos	possuem	
baixa	avidez,	ou	seja,	baixa força da ligação entre o anticorpo IgG 
anti-Toxoplasma gondii e o parasita.	A	partir	do	4°	mês	de	infecção,	
os	 anticorpos	 IgG	passam	a	apresentar	 aumento	gradativo	de	 sua	
força	de	interação	(avidez)	ao	T. gondii.
TÓPICO 2 — TOXOPLASMOSE
75
IMPORTANT
E
Para compreender com maior clareza o momento imunológico de uma 
paciente que apresenta anticorpos anti-Toxoplasma gondii, é importante não avaliar os 
anticorpos isoladamente, pois é a variação desse conjunto de anticorpos que confere ao 
médico clareza no entendimento do estágio evolutivo da toxoplasmose. A triagem básica 
solicitada pelos serviços de saúde compreende a solicitação de anticorpos IgM e IgG 
anti-Toxoplasma gondii. É a partir dos resultados obtidos nesses exames que o médico 
começa a entender a situação da paciente e, caso ainda exista alguma dúvida, ele pode 
solicitar a dosagem de outros anticorpos como IgA e IgE ou teste de avidez para IgG. A 
seguir, apresentamos um trecho de uma matéria do laboratório Pró Exame sobre o teste de 
avidez para IgG, uma prova imunológica muito importante para a compreensão do estágio 
imunológico da paciente:
 Avaliando a avidez de anticorpos IgG
 A avaliação da avidez da IgG assume grande relevância em situações de dilema 
diagnóstico, especialmente em gestantes, para avaliar o tempo de infecção em doenças 
como toxoplasmose, rubéola e citomegalovirose.
 O conceito de “avidez” refere-se à força da ligação depois da formação dos 
complexos antígeno-anticorpo reversíveis. Resulta de interações múltiplas entre uma 
molécula de anticorpo e os epítopos de um antígeno complexo. Quanto mais sítios de 
ligação tiver um anticorpo, maior a avidez.
 A propriedade de avidez do anticorpo se acentua no decorrer da resposta 
imunológica, notadamente para imunoglobulinas da classe IgG, cuja produção segue à 
das imunoglobulinas da classe IgM. Desse modo, a avidez é diretamente proporcional 
ao tempo de infecção. Esse conhecimento tem sido amplamente utilizado em testes 
imunoenzimáticos que avaliam a avidez da IgG em resposta a agentes infecciosos e a 
relação com o tempo de infecção.
 A utilidade do teste de avidez: a avaliação da avidez da IgG assume grande 
relevância em situações de dilema diagnóstico, especialmente em gestantes com presença 
de anticorpos IgM, para investigação de toxoplasmose, rubéola e citomegalovirose. Na 
primo-infecção, o tratamento precoce é essencial para reduzir o risco de transmissão ao 
feto ou reduzir as sequelas. Nessa fase, a resposta antigênica primária é baixa e a avidez dos 
anticorpos aumenta com o amadurecimento do sistema imunológico.
FONTE: <http://www.proexame.com.br/painel/informativos/images/MzY=/lab.com%20agosto 
%20%202015-%20Avidez%20de%20anticorpos%20IgG.pdf.pdf>. Acesso em: 20 jan. 2021.
2.3.1 Infecção recente
Quando	 a	 paciente	 apresenta	 parasitemia	 (presença	 de	 parasitas	 na	
corrente	sanguínea)	ao	longo	das	primeiras	semanas	de	infecção.	Nesse	período,	
a gestante pode apresentar no sangue anticorpos anti-Toxoplasma gondii do tipo 
IgM	em	maiores	concentrações,	IgA,	IgE	e	IgG	de	baixa	avidez.
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UNIDADE 2 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL
FIGURA 6 – DIAGNÓSTICO SOROLÓGICO DA TOXOPLASMOSE
FONTE: <http://www.proexame.com.br/painel/informativos/images/MzY=/lab.com%20
agosto%20%202015-%20Avidez%20de%20anticorpos%20IgG.pdf.pdf>. Acesso em: 20 jan. 2021.
2.3.2 Transição imunológica
Conforme	a	infecção	evolui,	o	sistema	imune	passa	a	criar	defesas	para	
combater o T. gondii.	Assim,	é	possível	encontrar	no	sangue	do	paciente	anticorpos	
específicos	 IgM	em	concentrações	 reduzidas,	 em	 relação	 ao	 estágio	 anterior,	 e	
concentrações	elevadas	de	IgG	que,	nesse	momento,	apresentam	avidez	crescente.
2.3.3 Infecção latente ou crônica 
Trata-se	 de	 um	 período	 de	 evolução	 relativamente	 lento,	 em	 que	 o	
principal	marcador	sorológico	é	a	presença	de	anticorpos	IgG	de	alta	avidez	em	
concentrações	baixas,	permanecendo	dessa	forma	ao	longo	da	vida	da	paciente.	
Esses	anticorpos	de	alta	avidez	são	moléculas	que	apresentam	uma	resposta	de	
defesa	mais	efetiva.	Essa	eficácia	se	deve	à	capacidade	que	o	IgG	de	alta	avidez	
possui	de	interagir	e	ligar-se	à	diversos	epítopos	antigênicos,	resultando	em	maior	
força	na	ligação	estabelecida	entre	antígeno	e	anticorpo	(MITSUKA-BREGANÓ;	
LOPES-MORI;	NAVARRO,	2010).
É	 importante	 lembrar	 que,	 toda	 vez	 que	 um	 imunoensaio	 detecta 
anticorpos	relacionados	a	um	antígeno	específico	no	sangue,	estamos	utilizando	
uma metodologia indireta.	 Isso	significa	que	precisamos	que	nosso	sistema	 imune	
apresente uma resposta diante	 do	 antígeno	 para	 que	 possamos	 compreender	
Dias													Semanas													Meses Infecção	secundária	ou	
reativação
Infecção	
Primária	
Início dos 
Sintomas
IgG	Avidez
Estímulo 
'Antigênico
IgM																						IgG
TÓPICO 2 — TOXOPLASMOSE
77
se	 existiu	 ou	 não	 determinada	 infecção.	 Assim,	 dependemos	 do	 tempo	 que	
cada	 indivíduo,	 de	 acordo	 com	 seu	 estado	 imunológico,	 consegue	 reagir	 aos	
antígenos	com	os	quais	entra	em	contato.	Esse	tipo	de	metodologia	não dá uma 
resposta definitiva,	mas,	 sim,	 um	panorama	 das	 dinâmicas	 imunológicas	 que	
estão	acontecendo	naquele	momento	em	que	a	amostra	do	paciente	é	coletada	
(SOUZA;	BELFORT	JR.,	2014).
É	 importante	conhecer	as	principais	metodologias	utilizadas	para	detectar	
os	anticorpos	da	toxoplasmose,	uma	vez	que	cada	uma	delas	contém	vantagens	
e	 desvantagens	 relacionadas	 a	 sua	 especificidade	 e	 sensibilidade,	 bem	 como	
possíveis	moléculas	presentes	na	amostra,	que	podem	interferir	nos	resultados	
dos	testes,	reduzindo	sua	capacidade	de	indicar	as	reais	interações	imunológicas	
do	paciente.	Nesse	momento,	os	princípios	das	técnicas	não	serão	abordados	–	o	
Tópico	4	 abordará	os	 aspectos	metodológicos	das	 técnicas	 aqui	 indicadas.	Por	
ora,	 citaremos	as	metodologias	utilizadas	 e	possíveis	particularidades	de	 cada	
uma	apresenta	na	detecção	de	anticorpos	anti-Toxoplasma gondii.
Caro acadêmico, aproveite esse momento para revisar conceitos de 
sensibilidade e especificidade.
• Sensibilidade: menor concentração da ligação antígeno-anticorpo que o imunoensaio 
é capaz de detectar. Quanto maior a sensibilidade do teste, menores as concentrações 
que ele é capaz de quantificar. Assim, um teste com alta sensibilidade é um teste que 
irá quantificar melhor a proporção de indivíduos doentes. Portanto, um teste com alta 
sensibilidade é aquele com menor chance de apresentar resultados falso-negativos.• Especificidade: indica a capacidade de um teste de identificar os indivíduos que não 
possuem a doença ou condição clínica investigada. Dessa forma, quanto maior for a 
especificidade de um teste, menor o número de pacientes com resultado falso-positivo.
IMPORTANT
E
Uma	 das	 metodologias	 mais	 utilizadas	 na	 rotina	 laboratorial	 é	 o	
ELISA (sigla do inglês enzyme linked immunosorbent assay),	 que	 é	 um	 ensaio	
imunoenzimático.	Essa	técnica	é	comumente	utilizada	para	detecção	de	anticorpos	
IgM	e	IgG	anti-Toxoplasma gondii,	embora	seja	importante	ressaltar	que	existe	a	
possibilidade	de	resultados	falso-positivos	para	IgM,	porque	pacientes	com	fator	
reumatoide	no	soro	podem	interagir	com	os	reagentes	utilizados.
78
UNIDADE 2 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL
	Além	do	ELISA,	também	é	possível	utilizar	a	técnica	chamada	MEIA (sigla 
para Microparticle Enzyme Immunoassay),	para	realizar	a	determinação	quantitativa	
IgG	 e	 IgM	 anti-Toxoplasma.	Nessa	 técnica,	 as	 amostras	 de	 soro	 ou	plasma	 são	
tratadas	com	tampão	que	neutraliza	 fator	reumatoide	(FR),	 removendo, assim, 
a	possível	interferência	gerada	por	esse	complexo	antígeno-anticorpo,	evitando	
resultados	falso-positivos	para	IgM	(COSTA,	2007).
Fator reumatoide (FR) é um autoanticorpo que interage com a região Fc de 
IgGs, ou seja, ele se liga em na sua porção “Fc”, que é uma porção que não se altera nos 
anticorpos.
IMPORTANT
E
Para facilitar a visualização e a compreensão da técnica de ELISA, assista a 
seguinte animação, desenvolvida pelo canal Open Michigan: https://youtu.be/RRbuz3VQ100.
UNI
79
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
•	 A	toxoplasmose	é	causada	por	um	protozoário	chamado	Toxoplasma gondii,	que	
utiliza	 seres	 humano	 e	 outros	 animais	 como	 hospedeiro	 intermediário,	 tendo	
felídeos	como	hospedeiros	definitivos.
• O Toxoplasma gondii	tem	ciclo	de	vida	heteroxeno,	caracterizado	por	diversas	
etapas,	e	que	apresenta	diferentes	 formas,	 chamadas	de	estágios	evolutivos,	
em	que	o	parasita	se	apresenta	como	oocisto,	bradizoíto	e	taquizoíto.
•	 A	maior	parte	dos	pacientes	apresenta	infecção	assintomática.	Contudo,	pacientes	
com	a	imunidade	fragilizada	podem	apresentar	manifestações	clínicas.
•	 Quanto	mais	próximo	do	primeiro	 trimestre	de	gestação	a	 infecção	ocorrer,	
maior	 a	 probabilidade	 de	 severidade	 de	 danos	 ao	 feto.	Aborto,	 nascimento	
prematuro	 e	 redução	 ou	 aumento	 da	 cabeça	 do	 feto	 são	 exemplos	 das	
consequências	da	toxoplasmose	congênita	no	período	gestacional.
A	 investigação	 laboratorial	 da	 toxoplasmose	 é	 fundamentada	 na	 pesquisa	 de	
anticorpos contra o Toxoplasma gondii,	produzidos	pelo	sistema	imunológico,	
quando	 em	 contato	 com	o	parasita.	Nessa	pesquisa,	 cada	 tipo	de	 anticorpo	
pode	fornecer	diferentes	informações	sobre	a	evolução	da	doença.
•	 Os	principais	anticorpos	pesquisados	são	IgM	e	IgG,	porém,	também	podem	
ser	pesquisados	IgA	e	IgE	todos	os	específicos	contra	o	T. gondii.
•	 A	combinação	da	 interpretação	dos	anticorpos	pesquisados	pode	 indicar	ao	
médico	se	a	gestante	está	passando	por	uma	infecção	recente,	uma	transição	
imunológica	ou	uma	infecção	latente.
•	 ELISA	e	MEIA	são	alguns	dos	principais	imunoensaios	utilizados	no	diagnóstico	 
e	no	controle	da	toxoplasmose.
80
1	 A	 toxoplasmose	 é	 uma	 doença	 causada	 por	 um	 protozoário	 chamado	
de Toxoplasma gondii,	 que	 infecta	 a	 maioria	 das	 espécies	 endotérmicas,	
incluindo	os	seres	humanos.	Assinale	a	alternativa	INCORRETA:
a)	(			)	É	causada	pela	bactéria	chamada	de	Toxoplasma gondii.
b)	(			)	Gera	mais	prejuízos	em	pacientes	imunodeprimidos.
c)	 (			)	Em	imunocompetentes,	é	predominantemente	assintomática.
d)	(			)	Quando	adquirida	no	primeiro	trimestre	de	gestação,	pode	gerar	sérios	
prejuízos	no	desenvolvimento	do	feto.
2	 Sobre	o	Toxoplasma gondii e	seu	ciclo	de	vida,	classifique	V	para	as	sentenças	
verdadeiras	e	F	para	as	falsas:
( ) O Toxoplasma gondii	é	um	parasito	capaz	de	infectar	praticamente	qualquer	
animal	de	sangue	quente.
(			)	Os	hospedeiros	definitivos	do	Toxoplasma gondii são	os	cães	e	os	roedores,	
ocorrendo	a	sua	reprodução	sexuada	no	intestino	desses	animais.
(			)	Os	taquizoítos	são	a	forma	infectante	na	fase	ativa	da	doença.
(			)	Após	cerca	de	10	dias	da	primeira	infecção,	o	hospedeiro	intermediário	
elimina	nas	fezes	milhões	de	oocistos	contendo	esquisoporozoítos.
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	(			)	V	–	V	–	V	–	F.
b)	(			)	V	–	V	–	F	–	V.
c)	 (			)	V	–	F	–	V	–	F.
d)	(			)	F	–	V	–	V	–	F.
3	 Cite	os	estágios	evolutivos	do	toxoplasma	e	explique	suas	características.
4	 A	 toxoplasmose	 causada	 pelo	 Toxoplasma	 gondii	 adquire	 especial	
relevância	quando	infecta	gestantes,	devido	ao	elevado	risco	de	prejuízos	
potenciais	 ao	 feto.	 Assim,	 o	 Ministério	 da	 Saúde	 indica	 que	 todas	 as	
gestantes	passem	por	investigação	de	anticorpos	da	classe	IgG	e	IgM	desde	
o	início	do	acompanhamento	pré-natal.	Sobre	a	detecção	de	anticorpos	IgM	
e	IgG,	assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	A	detecção	de	imunidade	vacinal	contra	toxoplasma	é	identificada	pela	
presença	de	anticorpos	de	IgG	de	alta	avidez.
b)	(			)	A	detecção	de	anticorpos	de	IgG	de	baixa	avidez	no	início	da	gestação	é	
indicativo de bom prognóstico.
c)	 (			)	A	detecção	de	IgG	reagente	e	IgM	reagente	é	confirmatório	de	infecção	
prévia	à	gestação,	o	que	indica	proteção	fetal.
d)	(			)	Resultados	sorológicos	que	não	especificam	se	a	infecção	é	aguda	têm	
indicação	de	realização	de	teste	de	avidez	de	IgG.
5	 Explique	qual	a	importância	dos	testes	de	avidez	IgG	para	toxoplasmose.
AUTOATIVIDADE
81
UNIDADE 2
TÓPICO 3 — 
CITOMEGALOVÍRUS E RUBÉOLA
1 INTRODUÇÃO
Além	 da	 toxoplasmose,	 vimos	 que	 a	 investigação	 de	 anticorpos	 para	
citomegalovírus	 e	 rubéola	 também	 integra	 o	 grupo	 de	 exames	 solicitados	 no	
período	pré-natal.	Esses	vírus	têm	especial	importância	pelo	potencial	prejuízo	
que	 podem	 causar	 ao	 feto,	 uma	 vez	 que	 as	 mães	 infectadas	 que	 podem	 não	
apresentar	quaisquer	sintomas,	como	é	o	caso	do	citomegalovírus.	Nesse	sentido,	
todos	os	esforços	diagnósticos	são	voltados	principalmente	para	proteger	o	feto	e	
permitir	que	ele	se	desenvolva	sem	qualquer	efeito	deletério.
Neste	 tópico,	 apresentaremos	 as	 características	 do	 vírus	 da	 rubéola	 e	 do	
citomegalovírus,	a	fim	de	conhecer	suas	características,	suas	possíveis	interferências	
no	desenvolvimento	fetal	e	como	é	realizado	o	diagnóstico	laboratorial.
2 CITOMEGALOVÍRUS
O	citomegalovírus	(CMV)	é	um	vírus	que	pertence	à	família	herpesviridae,	
sendo	 considerado	 um	 herpesvírus	 humano.	 De	 acordo	 com	 Stephens	 et al. 
(2015,	p.	54),	“O	nome	da	família	vem	de	um	verbo	grego	herpein,	que	significa	
‘rastejamento’”,	 logo,	 refere-se	 ao	 fato	 de	 os	 membros	 da	 família	 causarem	
infecções latentes recorrentes	com	progressão	lenta.	Por	isso,	também	pode	ser	
encontrado	na	literatura	como	herpesvírus	humano	tipo	5	(HHV-5).	Os	agentes	
virais	pertencentes	a	esse	grupo	possuem	algumas	características	que	merecem	
destaque,	como:
• Latência: quando	 o	 vírus	 continua	 no	 organismo,	 sem	 que	 o	 hospedeiro	
apresente sintomas clínicos relacionados a ele.
• Recorrência: quando	o	vírus	pode	gerar	manifestações	clínicas	novamente.
• Cronicidade: quando	a	infecção	viral	é	passível	de	tratamento,	porém	sem	que	
o paciente se cure.
Quando	o	CMV	infecta	pacientes	imunocompetentes,	ou	seja,	pacientes	que	
estão	 com	 o	 sistema	 imune	 funcionando	 normalmente,	 na	maioria	 dos	 casos,	 não	
ocorre	o	aparecimento	de	sintomas.	Existem	diferentes	vias	de	infecção,	mas	nenhuma	
delas	envolve	hospedeiro	intermediário,	pois	o	único	hospedeiro	é	o	ser	humano.	A	
transmissão	do	CMV	pode	ocorrer	de	forma	(FERREIRA;	MORAES,	2013):
82
UNIDADE 2 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL
• Adquirida: infecção	 por	 transmissão	 horizontal,	 fora	 do	 período	 neonatal.Os	principais	fluídos	transmissores	de	CMV	são	a	saliva	e	a	urina.	Assim,	em	
locais	com	condições	precárias	de	higiene,	a	infecção	por	CMV	é	mais	comum	
e	ocorre	de	modo	mais	precoce.	Além	disso,	é	possível	que	a	transmissão	do	
CMV	ocorra	por	via	sexual.
• Perinatal: infecção	durante	o	parto	ou	pela	amamentação.	Tanto	as	secreções	com	
as	quais	o	recém-nascido	tem	contato	quanto	o	leite	podem	estar	contaminados	
com	CMV.	Trata-se	de	um	tipo	de	infecção	que	oferece	menos	riscos	ao	recém-
nascido,	uma	vez	que	a	maioria	dos	infectados	não	apresenta	sintomas.
• Congênita: das	 transmissões	 congênitas,	 o	CMV	 é	 a	 infecção	mais	 comum.	
Além	 da	 maior	 ocorrência	 em	 grupos	 em	 condições	 socioeconômicas	 de	
vulnerabilidade,	outro	fator	que	favorece	essa	capacidade	de	contaminação	é	
que,	mesmo	que	a	mãe	tenha	sido	infectada	antes	de	engravidar,	ainda	assim	
o	CMV	consegue	infectar	o	feto.	Isso	se	dá	pela	capacidade	de	reativação do 
CMV	que	está	latente	na	mãe.	Apesar	disso,	o	maior	risco	de	recém-nascidos	
com	manifestações	clínicas	relacionadas	aos	CMV	congênito	são	casos	em	que	
a	mãe	foi	infectada	durante	o	período	gestacional.
No	 caso	da	 infecção	 congênita,	 o	 recém-nascido	pode	apresentar	 como	
manifestações	 clínicas	 surdez	 neurossensorial,	 microcefalia,	 hepatoesplenomegalia	 
e	calcificações	que	resultam	em	retardo	no	desenvolvimento.
 
Acadêmico, ao longo dos conteúdos apresentados, podemos perceber que 
novos conceitos surgem. É importante que você saiba diferenciá-los com clareza. Por isso, 
precisamos relembrar das diferenças entre os conceitos de reinfecção e reativação: 
• Reinfecção: quando um paciente contrai a doença, se cura totalmente, entra em contato 
novamente com o patógeno e fica doente novamente.
• Reativação: quando o paciente trata a doença, mas o patógeno não desaparece do 
organismo (permanece incubado) e, frente a um quadro de imunossupressão ou 
imunodepressão, o patógeno gera novas manifestações clínicas.
IMPORTANT
E
Além	disso,	é	primordial	conhecermos	como	esse	vírus	se	comporta	no	
organismo	de	seu	hospedeiro:	após	a	 infecção	primária,	o	CMV	pode	ficar	em	
um	intervalo	que	varia	de	1	a	3	meses	sem	que	o	 indivíduo	apresente	sinais	e	
sintomas. Esse intervalo recebe o nome de período de incubação (MATTOS;	
MEYER;	LIMA,	2011).	
Em	pacientes	com	o	sistema	imune	saudável,	o	CMV	é	destruído	por	células	
T	citotóxicas	direcionadas	para	atacar	esse	vírus,	além	da	produção	de	anticorpos	
IgM antiCMV e IgG antiCMV,	importantes	biomarcadores	sorológicos,	conforme	
TÓPICO 3 — CITOMEGALOVÍRUS E RUBÉOLA
83
veremos	a	seguir.	Dessa	forma,	a	 infecção	é	contida	e	o	paciente	pode	apresentar	
sintomas	leves	ou	até	mesmo	nenhum	sintoma.	Algumas	das	possíveis	manifestações	
clínicas	são	(MATTOS;	MEYER;	LIMA,	2011):
•	 febre	prolongada;
• sudorese;
• hepatomegalia;
• dor muscular;
•	 fraqueza.
Em	 pacientes	 com	 sistema	 imunológico	 debilitado,	 a	 primo-infecção	
ou	 reativação	 do	 CMV	 está	 atrelada	 a	 manifestações	 clínicas	 mais	 graves,	
como	 a	 coriorretinite,	 pericardite	 e	 miocardite.	 A	 contar	 pela	 gravidade	 das	
manifestações	 clínicas,	 tanto	 em	 recém-nascidos	 quanto	 em	 pacientes	 com	
imunidade	prejudicada,	é	possível	compreender	que	o	exame	laboratorial	é	uma	
ferramenta	muito	relevante,	tanto	para	obter	diagnóstico	inicial	de	CMV	quanto	
para	 acompanhamento	 da	 evolução	 e	 tratamento	 de	 eventuais	 reativações	 do	
CMV	(MATTOS;	MEYER;	LIMA,	2011).
2.1 LABORATÓRIO CLÍNICO APLICADO AO 
CITOMEGALOVÍRUS
Os	 imunoensaios	 aplicados	 à	 investigação	 do	 CMV	 são	 baseados	 na	
pesquisa	 sorológica	 de	 anticorpos	 específicos	 para	 CMV.	 Assim	 como	 na	
toxoplasmose,	os	anticorpos	utilizados,	quando	avaliados	em	conjunto,	fornecem	
elementos	a	 respeito	da	 infecção.	Dada	à	 característica	de	 reativação	do	CMV,	
os	marcadores	 sorológicos	 permitem	 também	 compreender	 se	 o	 paciente	 está	
passando	por	um	episódio	de	reativação	viral,	como	resultado	de	uma	fase	de	
maior	 vulnerabilidade	 imunológica.	 Nesse	 contexto,	 a	 detecção	 de	 anticorpos	
IgM	e	IgG	antiCMV	corresponde	a	um	dos	principais	instrumentos	diagnósticos	
para	compreender	o	estágio	desta	infecção.	
Em	pacientes	com	idade	igual	ou	superior	a	um	ano	(quando	os	anticorpos	
maternos	não	estão	mais	presentes	na	circulação),	a	detecção	de	anticorpos	IgG 
antiCMV	 indica	que	houve	 infecção	 em	algum	momento	da	vida,	porém	não	
determina	quando	ocorreu	esta	infecção.
Os anticorpos IgM antiCMV podem ser detectados no soro da gestante 
a	 partir	 da	 segunda	 semana	 de	 infecção,	 podendo	 permanecer	 detectável	 no	
sangue	por	até	18	meses.	O	IgM	antiCMV	também	pode	ser	detectado	em	casos	
de	reativação	do	vírus,	o	que	também	enfraquece	a	ideia	de	que	paciente	positivo	
para	 esse	 anticorpo	 está	 necessariamente	 passando	 pela	 fase	 aguda	 de	 uma	
primeira	infecção.	Nesse	caso,	pode-se	pensar	na	detecção	de	IgM	antiCMV	como	
um	alerta	para	que	outros	exames	sorológicos	sejam	solicitados	para	esclarecer	o	
estágio	da	infecção.
84
UNIDADE 2 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL
Se	a	detecção	de	IgM	não	é	confirmatória	para	infecção	recente	nem	a	IgG	
pode	confirmar	isso,	para	evidenciar	com	clareza	se	a	presença	de	IgM	antiCMV	
corresponde	 a	 uma	 infecção	 primária,	 é	 indicado	 que	 sua	 interpretação	 seja	
combinada	 com	a	 avaliação	da	avidez de IgG antiCMV.	Assim,	quando	uma	
paciente	possui	anticorpos	IgM	contra	o	CMV	e	anticorpos	IgG	com	baixa	avidez,	
temos	resultados	confiáveis	que	evidenciam	infecção	primária.
A	 sorologia	 para	 IgG	 e	 IgM	 é	 comumente	 realizada	 pelo	 ensaio	
imunoenzimático	ELISA.	No	caso	desses	ensaios,	a	presença	de	fator	reumatoide	
e	outros	herpesvírus	pode	gerar	reações	cruzadas	e,	com	isso,	resultados	falso-
positivos.	 Além	 disso,	 o	 aumento	 da	 sensibilidade	 das	 metodologias,	 com	 o	
avanço	tecnológico,	permite	que	IgM	antiCMV	sejam	detectados	por	meses	após	
a	fase	inicial	em	que	sua	produção	foi	estimulada,	o	que	pode	ser	um	eventual	
fator	de	confusão	no	momento	da	interpretação	desses	resultados.
3 RUBÉOLA
A	rubéola	 é	uma	doença	 causada	por	um	vírus	que	pertence	 à	 família	
togaviridae,	chamado	de	rubivírus.	Os	seres	humanos	são	os	únicos	hospedeiros	
desse	 vírus,	 que	 se	 dissemina	 por	 via	 respiratória,	 a	 partir	 de	 secreções	
nasofaríngeas	contaminadas.
De acordo com Costa et al.	(2013,	p.	48):
Seu	período	de	incubação	pode	variar	entre	14	e	21	dias	(média	de	17	
dias). A maior transmissibilidade é observada no período entre sete 
dias	antes	do	 surgimento	do	exantema	característico	da	doença,	 até	
o sétimo dia após o seu desaparecimento. O vírus invade o epitélio 
respiratório	e	se	dissemina	por	viremia	primária.	Após	replicação	no	
sistema	reticuloendotelial,	há	uma	viremia	secundária,	podendo	então	
ser	isolado	a	partir	de	monócitos	do	sangue	periférico.
Em	 indivíduos	 com	 a	 imunidade	 preservada,	 trata-se	 de	 uma	 infecção	
benigna	 e	 autolimitada,	 ou	 seja,	 evolui	 apresentando	 começo,	 meio	 e	 fim,	 e	
pode	terminar	sem	tratamento.	Quando	sintomática,	a	rubéola	pode	apresentar	
(COSTA et al.,	2013):
•	 febre	baixa;
•	 nódulos	e	gânglios	linfáticos	inchados	na	nuca,	pescoço	e	atrás	das	orelhas;
• mal-estar;
•	 cefaleia;
•	 coriza;
•	 dores	músculo-articulares.
TÓPICO 3 — CITOMEGALOVÍRUS E RUBÉOLA
85
Nesse	 momento,	 pode	 surgir	 a	 dúvida:	 se	 é	 uma	 doença	 benigna	 e	
autolimitada,	qual	sua	relevância	na	gestação?
A	rubéola	é	uma	doença	infectocontagiosa	muito	importante	associada	ao	
período	gestacional.	Em	gestantes,	pode	ocorrer	a	síndrome	da	rubéola	congênita.	
Trata-se	de	uma	condição	desafiadora	para	a	equipe	médica,	uma	vez	que	não	
possui	 tratamento	 específico.	 Por	 não	 possuir	 tratamento,	 o	 acometimento	 de	
gestantes	pelo	vírus	da	rubéola	pode	apresentar	sequelas	relevantes,	conforme	
descrito por Costa et al.	(2013,	p.	47):
Esse,	 um	 vírus	 do	 gênero	 Rubivírus,	 determina	 em	 geral	 infiltradoinflamatório	 mononuclear	 e	 necrose	 nas	 porções	 maternas	 e	 fetais	
da	 placenta,	 bem	 como	 esclerose	 do	 endotélio	 vascular	 placentário	
e	 do	 concepto	 em	 formação.	 Há	 especial	 tropismo	 pelos	 tecidos	
ricamente	vascularizados	além	dos	derivados	da	porção	ectodérmica	
do	 disco	 embrionário,	 como	 o	 Sistema	 Nervoso	 Central.	 Assim,	
quando	precoce,	a	infecção	(durante	o	primeiro	trimestre	de	gestação)	
resulta	em	anomalias	de	diversos	órgãos,	sendo	clássica,	porém	não	
patognomônica,	a	tríade	de	má	formação	cardíaca,	catarata	e	surdez.
A prevenção é um tópico sempre relevante. Para abordar esse assunto, 
apresentamos a matéria do laboratório Hermes Pardini Rubéola: saiba como se prevenir.
 A vacinação é a melhor forma de se prevenir
 Existem duas formas de se tornar imune à doença: por infecção natural ou por 
meio da vacinação, que dura por quase toda a vida. Além disso, a vacina contra a rubéola 
é o meio mais seguro e eficaz de prevenir a doença, sendo eficiente em quase 100% dos 
casos. Por fim, as pessoas que não tomaram a vacina ou o seu reforço na infância podem 
se imunizar durante qualquer fase da vida, com exceção do período da gravidez ocorre 
porque a vacina contra rubéola pode levar ao aborto ou malformações no bebê, como 
sinalizamos anteriormente.
 LEMBRETE: Filhos de mães imunes geralmente permanecem protegidos por 
anticorpos maternos em torno de seis a nove meses após o nascimento.
Existem dois tipos de vacinas:
• Vacina tríplice viral: protege contra três doenças causadas por vírus (sarampo, caxumba 
e rubéola).
• Vacina tetra viral: protege contra quatro doenças causadas por vírus (sarampo, caxumba, 
rubéola e catapora).
 Acima de tudo, a vacina tríplice-viral faz parte do calendário básico de vacinação 
da criança e é administrada em forma de injeção, a partir de vírus atenuados contra 
a rubéola.
IMPORTANT
E
86
UNIDADE 2 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL
É	 importante	 ressaltar	 que,	 a	 gravidade	 das	 anomalias	 resultantes	 da	
rubéola	 congênita	 é	 maior	 quando	 a	 infecção	 ocorre	 nos	 estágios	 iniciais	 da	
gestação.	 Isso	 porque,	 nesse	 estágio,	 o	 feto	 fica	mais	 vulnerável	 por	 estar	 em	
estágios	 iniciais	de	 formação	de	 suas	 estruturas.	Nesse	 contexto,	 é	 importante	
que	 a	 infecção	 seja	 investigada	 e	 o	 status	 imunológico	 da	 gestante,	 perante	
essa	infecção,	seja	detectado	e	acompanhado.	Assim,	o	laboratório	clínico	é	um	
importante	aliado	da	equipe	médica.
3.1 LABORATÓRIO CLÍNICO APLICADO À RUBÉOLA
A	contar	pela	presença	de	sintomas	leves	e	inespecíficos	da	rubéola,	que	
podem	ser	facilmente	confundidos	com	outras	doenças,	como	sarampo,	dengue,	
enteroviroses	 e	 rickettsioses,	 o	 laboratório	 é	 fundamental	 para	 confirmar	 ou	
descartar	casos	de	rubéola.	Assim,	o	principal	instrumento	diagnóstico	para	isso	
é	a	detecção	de	anticorpos	IgM	e	IgG.	
A	 presença	 de	 anticorpos IgM específicos para o vírus da rubéola 
apresenta	seu	pico	de	concentração	sanguínea	poucos	dias	após	o	estabelecimento	
da	 infecção,	 com	 redução	 a	 partir	 da	 6ª	 semana	 pós-infecção.	 Apesar	 de	
representar um indicativo de infecção em estágio agudo,	é	importante	ressaltar	
que	a	evolução	das	metodologias	para	detecção	de	IgM	apresentou	aumento	na	
sensibilidade	desse	teste,	o	que	permite	que	este	anticorpo	seja	detectado	mesmo	
após	a	fase	aguda,	porém	em	baixas	concentrações,	o	que	pode	causar	dúvidas	na	
interpretação	dos	resultados.
Então, quem deve se vacinar?
• Pessoas de 6 meses a 49 anos de idade.
• Pessoas de 12 meses a 29 anos precisam tomar a segunda dose após 30 dias de ter 
tomado a primeira dose.
Esquema vacinal
 De acordo com a Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm), o esquema de 
vacinação brasileiro envolve a administração de duas doses. Dessa forma, o recomendado 
é que a primeira dose seja administrada logo após a criança completar um ano de idade, 
então, o tempo máximo recomendado é de até 15 meses de vida, podendo ser aplicada a 
partir dos seis meses. Nesses casos, geralmente, é aplicada a vacina tríplice viral. Assim, o 
ideal é administrar a segunda dose entre 4 e 6 anos, apesar de não haver limite de idade 
para a aplicação desta dose.
FONTE: <http://hermespardini.com.br/blog/?p=395>. Acesso em: 20 jan. 2021.
TÓPICO 3 — CITOMEGALOVÍRUS E RUBÉOLA
87
Além	de	 fase	aguda	da	primo-infecção,	é	possível	encontrar	anticorpos	
IgM em casos de reinfecção.	Em	casos	que	é	sabido	que	houve	infecção	antes	do	
período	gestacional,	a	literatura	indica	que	o	feto	não	corre	o	risco	de	apresentar	
síndrome	 da	 rubéola	 congênita,	 não	 representando	 assim	 um	 problema	 no	
período	gestacional.	Caso	não	haja	 clareza	 se	a	presença	de	 IgM	refere	a	uma	
primo-infecção	ou	reinfecção,	é	indicada	a	solicitação	do	teste de avidez para IgG 
para rubéola.	Assim,	testes	que	indicam	alta	avidez	para	IgG	representam	que	a	
infecção	pelo	vírus	da	rubéola	ocorreu	há	mais	de	3	meses.
A	detecção	de	anticorpos IgG para rubéola é	possível	entre	o	10°	e	20°	
dia	da	 infecção,	 e	 aumenta	 rapidamente,	 com	pico	de	 concentração	 em	até	 10	
semanas.	A	partir	desse	período,	tende	a	reduzir	gradativamente,	sendo	detectável	
ao	longo	de	toda	vida	da	paciente	(BRITO	et al.,	2016).
	Quanto	às	técnicas	utilizadas	para	detecção	de	anticorpos	para	rubéola,	
o	ELISA	constitui	a	principal	metodologia	para	investigação	desses	anticorpos.	
Os	 ensaios	 imunoenzimáticos	 são	 utilizados	 devido	 a	 boa	 sensibilidade	 que	
apresentam.	 Dentro	 dos	 tipos	 de	 ELISA	 utilizados,	 destacamos	 o	 método	 de	
captura	para	 IgM,	e	o	método	 indireto	para	 IgG	uma	vez	que,	de	acordo	com	
Ferreira	e	Moraes	(2013,	p.	151):
O	ELISA	para	a	detecção	de	IgM-antirrubéola	é	o	teste	mais	importante	
no	 diagnóstico	 da	 infecção	 primária	 materna	 e	 da	 rubéola	 congênita.	
A	 técnica	de	 captura	de	 IgM	é	 a	mais	 empregada	por	não	 apresentar	
reações	falso-positivas	ou	falso-negativas,	respectivamente,	em	amostras	
que	 apresentam	 o	 fator	 reumatoide	 e	 naquelas	 com	 excesso	 de	 IgG	
antirrubéola.	No	ELISA	indireto,	a	presença	do	fator	reumatoide	da	classe	
M	em	amostras	positivas	para	IgG	pode	provocar	resultado	falso-positivo	
para	IgM	e	constituir	um	problema	importante,	pois	a	prevalência	desse	
fator	é	particularmente	mais	alta	na	rubéola	congênita	do	que	as	infecções	
congênitas causadas por outros vírus.
88
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
•	 Citomegalovírus	(CMV)	é	um	vírus	que	pertence	à	família	Herpesviridae,	sendo	
considerado um herpesvírus humano.
•	 A	infecção	por	CMV	desenvolve-se	em	três	estágios:	latência	(vírus	continua	
no	organismo,	sem	que	o	hospedeiro	apresente	sintomas),	recorrência	(vírus	
pode	gerar	manifestações	clínicas	novamente)	e	cronicidade	(vírus	é	passível	
de	tratamento,	porém	sem	que	haja	cura).
•	 Em	indivíduos	imunocompetentes,	o	CMV	é	destruído	por	células	T	citotóxicas	
direcionadas	 para	 atacar	 este	 vírus,	 além	 da	 produção	 de	 anticorpos,	 IgM	
antiCMV	seguido	de	IgG	antiCMV.
•	 IgG	antiCMV	indica	que	houve	infecção	em	algum	momento	da	vida,	porém,	
não	determina	quando	ocorreu	esta	infecção.
•	 Quando	paciente	possui	anticorpos	IgM	antiCMV	e	anticorpos	IgG	antiCMV	com	
baixa	avidez,	temos	resultados	confiáveis	que	evidenciam	infecção	primária.
•	 Rubéola	é	uma	doença	causada	por	um	vírus	que	pertence	à	família	Togaviridae,	
chamado rubivírus.
•	 Os	 seres	 humanos	 são	 os	 únicos	 hospedeiros	 do	 vírus	 da	 rubéola,	 que	 se	
dissemina	por	via	respiratória,	a	partir	de	secreções	nasofaríngeas	contaminadas.
•	 Em	 indivíduos	 com	 a	 imunidade	 preservada,	 a	 rubéola	 é	 uma	 doença	 de	
infecção	benigna	e	autolimitada.
•	 A	presença	de	anticorpos	IgM	para	rubéola	apresenta	seu	pico	de	concentração	
poucos	dias	após	o	estabelecimento	da	 infecção,	 com	redução	a	partir	da	6ª	
semana	pós-infecção.
•	 Além	de	fase	aguda	da	primo-infecção,	é	possível	encontrar	anticorpos	IgM	em	
casos	de	reinfecção.	Para	confirmara	reinfecção,	recomenda-se	o	teste	de	avidez	
IgG	para	rubéola,	que	confirma	esse	quadro	quando	apresenta	altas	titulações.
89
1	 Os	seres	humanos	são	os	únicos	hospedeiros	do	rubivírus,	que	se	dissemina	
por	 via	 respiratória,	 a	 partir	 de	 secreções	 nasofaríngeas	 contaminadas.	
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a) ( ) O Toxoplasma gondii é o agente etiológico da rubéola.
b)	(			)	A	 rubéola	 é	 uma	doença	 que	 exige	 tratamento	medicamentoso	para	
que	seja	curada.
c)	 (			)	A	rubéola	é	uma	doença	benigna	e	autolimitada.
d)	(			)	A	primo-infecção	por	rubéola	em	gestantes	no	primeiro	trimestre	não	
causa	nenhum	prejuízo	ao	desenvolvimento	fetal.
2	 Explique	 qual	 é	 a	 importância	 do	 teste	 de	 avidez	 IgG	 em	 investigações	
sorológicas.
3	 Descreva	os	três	estágios	presentes	na	infecção	por	citomegalovírus.
4	 Considerando	 investigações	 sorológicas	 para	 rubéola,	 os	 ensaios	
imunoenzimáticos	 (ELISA)	 são	 uma	 das	 principais	 metodologias	 para	
detectar	anticorpos	lgM	e	lgG	antirrubéola	e	os	testes	de	avidez	para	lgG.	
Analise	as	sentenças	a	seguir:
I-	 A	presença	de	 IgG	específica	antivírus	da	rubéola,	com	alta	avidez,	em	
amostra de soro da paciente demonstra imunidade para a rubéola.
II-	 Exposição	prévia	ao	período	gestacional	de	rubéola	é	diagnosticada	pela	
presença	apenas	de	IgM	específica	antivírus	da	rubéola	numa	amostra	de	
soro da paciente.
III-	Títulos	 de	 anticorpos	 IgG	 específicos	 antivírus	 da	 rubéola,	
independentemente	 da	 avidez,	 progressivamente	 aumentados	 nos	
lactantes	indicam	proteção	à	infecção.
IV-	A	infecção	aguda	de	rubéola	é	diagnosticada	pelo	aumento	dos	títulos	de	
IgG	específica	antivírus	da	rubéola,	com	baixa	avidez.
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	(			)	As	sentenças	I	e	II	estão	corretas.
b)	(			)	As	sentenças	I	e	IV	estão	corretas.
c)	 (			)	As	sentenças	I,	III	e	IV	estão	corretas.
d)	(			)	As	sentenças	II,	III	e	IV	estão	corretas.
AUTOATIVIDADE
90
5	 A	infecção	congênita	por	citomegalovírus	tem,	na	maioria	dos	casos,	recém-
nascidos	 assintomáticos.	 Considerando	 a	 sequela	 tardia	 dessa	 infecção,	
que	 pode	 ser	 reduzida	 com	 o	 diagnóstico	 laboratorial	 precoce	 e	 terapia	
medicamentosa,	assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	(			)	A	calcificação	parenquimatosa	difusa.
b)	(			)	A	microcefalia.
c)	 (			)	A	surdez.
d) ( ) A coriorretinite multilateral.
91
UNIDADE 2
TÓPICO 4 — 
METODOLOGIAS UTILIZADAS PARA DIAGNÓSTICO E 
PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL
1 INTRODUÇÃO
Anteriormente,	conhecemos	as	características	relacionadas	aos	marcadores	
imunológicos	 investigados	durante	o	período	pré-natal,	 tanto	para	diagnóstico	
quanto	para	acompanhamento	das	pacientes.	
Para	 que	 esse	 acompanhamento	 ocorra,	 diferentes	 metodologias	 são	
utilizadas.	Neste	 tópico,	 serão	 apresentadas	 as	 técnicas	 citadas	 ao	 longo	desta	
unidade para compreendermos suas principais características.
2 IMUNOCROMATOGRAFIA
Um	teste	de	gravidez,	daqueles	de	farmácia,	é	capaz	de	indicar	se	uma	
mulher	 está	 grávida	 através	 da	 metodologia	 imunocromatografia,	 também	
conhecida	 como	 teste	 rápido,	 a	 partir	 de	 uma	 amostra	 de	 urina.	 Entretanto,	
além	dos	testes	de	farmácia,	a	imunocromatografia	também	faz	parte	da	rotina	
laboratorial.	Trata-se	de	uma	metodologia	qualitativa,	utilizada	em	laboratório	
como	 triagem	para	 identificar	os	mais	diferentes	 tipos	de	 substâncias,	 como	o	
próprio	 hormônio	 hCG,	 e	 para	 detecção	 de	 agentes	 patogênicos,	 como	 vírus	
(HIV,	SARS-CoV2	e	hepatite)	e	bactérias	(Helicobacter pylori)	(BRASIL,	2018).
Essa	 técnica	 é	 realizada	 utilizando	 uma	matriz,	 que	 é	 o	 local	 em	 que	
ocorrerá	a	 reação,	geralmente	 feita	de	nitrocelulose	ou	nylon e coberta por uma 
tira	de	acetato	transparente,	que	possibilita	visualizar	o	resultado	do	teste.	Nesse	
teste,	podemos	 identificar	o	anticorpo produzido	no	organismo	ou o antígeno 
(BRASIL,	2018).
Quando	o	objetivo	é	detectar	se,	na	amostra,	há	a	presença	do	anticorpo de 
interesse,	a	matriz	apresentará	o	antígeno	específico	para	o	anticorpo	investigado.	
Além	 disso,	 a	matriz	 possui	 anti-imunoglobulina	 associada	 a	 uma	 substância	
chamada de marcador,	 que,	 na	 presença	 da	 formação	 do	 complexo	 antígeno-
anticorpos,	apresentará	uma	coloração	na	região	teste	(BRASIL,	2018).
Caso	o	objetivo	seja	a	detecção	da	presença	de	um	determinado	antígeno,	
a	matriz	do	teste	conterá	anticorpos	específicos	para	o	antígeno	que	está	sendo	
pesquisado.	 Esse	 anticorpo	 apresenta	 um	 marcador	 conjugado	 a	 ele,	 com	
coloração	 na	 região-teste,	 quando	 houver	 a	 formação	 de	 complexo	 antígeno-
anticorpo	(BRASIL,	2018).
92
UNIDADE 2 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL
Existem	 diferentes	 apresentações	 de	 testes	 imunocromatográficos,	
conforme	veremos	a	seguir.
2.1 FLUXO LATERAL
O	fluxo	lateral	apresenta	quatro	áreas	(Figura	7),	nas	quais	temos	o	local	em	
que	a	amostra	será	depositada,	chamado	de	área	ou cavidade da amostra,	a	zona	
ou base de conjugado (que	contém	o	anticorpo	anti-imunoglobulina	conjugado	
com	seu	marcador),	a	área	ou banda teste	(local	onde,	ocorrendo	a	reação	antígeno-
anticorpo,	será	possível	identificar	a	presença	de	uma	banda	colorida	indicando	
positividade) e a área controle (local	em	que	temos	o	controle	da	reação,	o	que	
permite	 considerar	o	 resultado	da	banda	 teste	válido).	 Independentemente	do	
resultado	da	banda	de	teste,	a	aplicação	da	amostra	deve	sempre	corar	a	banda	
da	área	controle,	porque	esta	já	contém	o	marcador	pesquisado.	Assim,	mesmo	a	
aplicação	de	uma	amostra	que	não	contenha	o	marcador	investigado,	em	conjunto	
com	o	diluente,	deverá	marcar	essa	área.	A	área	controle	marcada	indica	que	os	
líquidos	aplicados	na	tira-teste	estão	fluindo	corretamente.
Quando a área controle não apresentar coloração após aplicação da 
amostra,	 o	 resultado	 deve	 ser	 rejeitado,	 uma	 vez	 que	 isso	 indica	 presença	 de	
alguma	 falha	 no	 teste.	 Essa	 avaliação	 da	 banda	 controle	 se	 aplica	 a	 todos	 os	
diferentes	tipos	de	ensaios	imunocromatográficos	(BRASIL,	2018).
FIGURA 7 – ESTRUTURA DE TESTE RÁPIDO DE FLUXO LATERAL
FONTE: <https://repositorio.ufscar.br/bitstream/handle/ufscar/12046/
Disserta%C3%A7%C3%A3o_JCL.pdf?sequence=1&isAllowed=y>. Acesso em: 28 jan. 2021.
TÓPICO 4 — METODOLOGIAS UTILIZADAS PARA DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL
93
2.2 DUPLA MIGRAÇÃO OU DUPLO PERCURSO (DPP)
A	dupla	migração	apresenta	 três	áreas	visíveis,	 conforme	mostra	a	Figura	
8,	nas	quais	 temos	o	 local em que a amostra será depositada	 (área	1),	a	área em 
que o tampão é depositado	(solução	capaz	de	evitar	grandes	variações	no	pH	do	
meio	em	que	é	adicionado),	permitindo	o	deslocamento	do	conjugado	em	direção	
à	área	de	teste	(área	2),	e	as	bandas teste e controle	 (área	3).	Assim,	o	tampão	
desloca	o	conjugado	na	direção	da	amostra.	Caso	a	amostra	contenha	o	anticorpo	
ou	antígeno	pesquisado,	a	banda	teste	apresentará	coloração.
FIGURA 8 – IMUNOCROMATOGRAFIA DE DUPLA MIGRAÇÃO OU PERCURSO
FONTE: <https://telelab.aids.gov.br/moodle/pluginfile.php/22168/mod_resource/content/2/
HIV%20-%20Manual%20Aula%206%20%281%29.pdf> Acesso em: 28 jan. 2021.
2.3 IMUNOCONCENTRAÇÃO 
Nesse	teste,	a	amostra	é	depositada	sobre	uma	membrana	de	nitrocelulose,	
que	 a	 absorve	 (Figura	 9).	Ao	 entrar	 em	 contato	 com	 o	 antígeno	 ou	 anticorpo	
presente	no	dispositivo,	ocorre	a	formação	do	complexo	antígeno-anticorpo.	Em	
seguida,	o	conjugado	com	marcador	de	cor	é	depositado	na	mesma	membrana	
que,	se	houver	formação	do	complexo	antígeno-anticorpo,	apresentará	um	ponto	
colorido	visível	na	área	teste	(T)	(Figura	10).
94
UNIDADE 2 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL
FIGURA 9 – REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DE UM TESTE DE IMUNOCONCENTRAÇÃO
FONTE: <https://telelab.aids.gov.br/moodle/pluginfile.php/22168/mod_resource/content/2/
HIV%20-%20Manual%20Aula%206%20%281%29.pdf>. Acesso em: 28 jan. 2021.
FIGURA 10 – DISPOSITIVOS DE IMUNOCONCENTRAÇÃOAPRESENTANDO AMOSTRA 
REAGENTE (ESQUERDA) E NÃO REAGENTE (DIREITA)
FONTE: <https://www.completesafetysupplies.co.uk/images/products/medium/ 
1444739842-07632800.jpg>. Acesso em: 28 jan. 2021.
Independentemente	do	modo	de	 execução	do	 teste	 imunocromatográfico,	 
a	interpretação	do	teste	é	realizada	da	mesma	forma,	e	esses	resultados	podem	
ser	visualizados	na	forma	de	ponto,	linha	ou	banda	colorida,	variando	de	acordo	
com	o	fabricante	(Figura	11).
TÓPICO 4 — METODOLOGIAS UTILIZADAS PARA DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL
95
FIGURA 11 – INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS DO TESTE DE IMUNOCROMATOGRAFIA
FONTE: <https://telelab.aids.gov.br/moodle/pluginfile.php/22168/mod_resource/content/2/
HIV%20-%20Manual%20Aula%206%20%281%29.pdf> Acesso em: 28 jan. 2021
De	acordo	com	Brasil	(2018,	p.	9):
Algumas	 das	 causas	 prováveis	 para	 a	 invalidação	 do	 teste	 podem	
ser	 o	 armazenamento	 inadequado	dos	 kits,	 um	volume	 insuficiente	
de	 amostra,	 um	 volume	 incorreto	 de	 solução	 diluente	 e	 a	 simples	
execução	incorreta.	Se	o	resultado	obtido	em	um	teste	for	inválido,	leia	
novamente	as	instruções	do	fabricante	e	repita	o	teste	com	a	utilização	
de	 um	 novo	 dispositivo.	 Se	 o	 problema	 persistir,	 não	 utilize	 mais	
nenhum teste desse lote.
Em alguns casos, a formação de cor da banda ou ponto do teste pode 
aparecer mais fraca. Contudo, a presença de formação de ponto ou banda colorida, 
independentemente da intensidade de cor, deve ser considerada resultado reagente, 
quando a coloração da banda do teste for acompanhada da coloração da banda ou ponto 
que indica controle, conforme visto anteriormente.
IMPORTANT
E
Reagente: 
Quando	houver	formação	de	duas	linhas	
coloridas: uma na área de teste (T) e outra na 
área de controle (C).
Não reagente: 
Quando	houver	formação	de	uma	linha	
colorida,	somente	na	área	de	controle (C).
Inválido: 
Quando	não	houver	linha	colorida,	na	área de 
controle (C).
96
UNIDADE 2 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL
3 ENSAIO IMUNOENZIMÁTICO (ELISA)
O	ELISA	(do	inglês,	Enzyme Linked Immuno Sorbent Assay) é um imunoensaio 
no	 qual	 a	 ligação	 antígeno-anticorpo	 é	 acompanhada	 por	 mensuração	 de	
atividade	enzimática	presente	na	reação.	O	reagente	de	cor	é	uma	enzima	que	gera	
mudança	de	coloração	se	o	teste	for	positivo,	e	a	mudança	na	coloração	é	medida	
por	 metodologia	 espectrofotométrica.	 Trata-se	 de	 uma	 metodologia	 utilizada	
para	 diferentes	 finalidades,	 como	 a	 detecção	 viral,	 a	medida	 de	 antígenos	 ou	
anticorpos	e	a	dosagem	hormonal.	De	acordo	com	Voltarelli	(2009,	p.	83):
Trata-se	de	técnica	imunoenzimática	sensível,	heterogênea	(múltiplas	
fases),	 para	 a	 quantificação	 de	 antígenos	 ou	 anticorpos.	 Um	 dos	
reagentes	é	imobilizado	na	fase	sólida,	enquanto	outro	pode	ser	ligado	
a	uma	enzima,	com	preservação	tanto	da	atividade	enzimática	como	
da	imunológica	do	anticorpo.	A	fase	sólida	pode	ser	constituída	por	
partículas	de	agarose,	poliacrilamida,	dextrano,	poliestireno	etc.	Placas	
plásticas	são	as	mais	difundidas	por	permitirem	múltiplos	ensaios	e	
automação.	O	 teste	detecta	quantidades	extremamente	pequenas	de	
antígenos	ou	anticorpos,	podendo	ter	elevada	precisão	se	os	reagentes	
e	os	parâmetros	forem	bem	padronizados.
Existem	diferentes	métodos	de	ELISA,	que	são	(Figura	12):
• ELISA direto:	 em	kits	que	pesquisam	antígenos,	 os	 anticorpos	 são	fixados	 em	
uma	placa	composta	por	material	rígido,	como	poliestireno.	Esse	anticorpo	fixado	
reagirá	com	antígenos	presentes	na	amostra.	Em	seguida,	é	adicionado	anticorpo	
específico,	dessa	vez,	marcado	com	enzima.	A	placa,	então,	é	incubada,	ou	seja,	
tem	todas	suas	regiões	mantidas	a	uma	mesma	temperatura,	para	que	a	reação	
ocorra em todas as regiões da placa (também	conhecidas	como	poços)	de	modo	
uniforme.	Por	fim,	um	substrato	(molécula	que	reage	com	a	enzima	presente	no	
kit	reagente)	é	adicionado.	Esse	substrato	é	um	cromógeno,	ou	seja,	quando	reage	
com	a	enzima	forma	um	produto	colorido.	A	coloração	que	se	forma	é	medida	
por	espectrofotômetro,	que,	a	partir	da	 intensidade	da	cor	presente,	mensura	a	
quantidade	do	antígeno	presente	na	amostra.
• ELISA indireto:	mensura	a	concentração	de	anticorpos	na	amostra.	Isso	acontece	
quando	a	amostra,	contendo	anticorpos,	reage	com	seu	antígeno	específico,	que	
está	presente	na	placa	de	ELISA	(fase	sólida).	Essa	ligação	antígeno-anticorpo	
é	 revelada	 pela	 ação	 do	 conjugado	 enzimático	 específico,	 que	 gera	 coloração	
ao	 reagir	 com	 o	 substrato	 cromogênico	 (moléculas	 em	 que	 a	 enzima	 se	 liga	
resultando	em	formação	de	cor).	É	um	ensaio	que	 inspira	cuidados,	uma	vez	
que	 a	 medida	 de	 anticorpos	 IgM,	 aplicada	 a	 doenças	 infecciosas,	 tem	 como	
interferente	a	presença	de	grandes	quantidades	do	fator	reumatoide	na	amostra,	
gerando	resultados	falso-positivos,	o	que	prejudica	sua	especificidade.
• ELISA competitivo:	 a	placa	 contém	o	 antígeno	ou	anticorpo	de	 interesse,	 e	
o	antígeno	ou	anticorpo	presente	na	amostra	compete	com	aqueles	presentes	
na	placa	pelo	local	ligação.	Em	consequência,	a	leitura	da	concentração	desse	
teste	é	inversamente	proporcional,	uma	vez	que,	quanto	menor	a	concentração	
da	substância	 investigada,	menos	elas	se	 ligam	aos	sítios	disponíveis,	 sendo	
ocupados	pelas	substâncias	presentes	no	reagente.	Dessa	forma,	quanto	menor	
a	coloração	gerada	pela	reação,	mais	positivo	é	o	teste.
TÓPICO 4 — METODOLOGIAS UTILIZADAS PARA DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL
97
FIGURA 12 – ESQUEMAS DOS TESTES ENZIMÁTICOS HETEROGÊNEOS DO TIPO DIRETO, 
INDIRETO E COMPETIÇÃO
FONTE: Adaptada de <http://docente.ifsc.edu.br/rosane.aquino/MaterialDidatico/AnalisesClinicas/
avalia%C3%A7%C3%A3o/Testes-Laboratoriais-Aplicados-Imunologia-Clinica.pdf>. 
Acesso em: 28 jan. 2021. 
ELISA DIRETO OU SANDUÍCHE
ELISA INDIRETO
ELISA COMPETIÇÃO
Para	compreender	com	maior	clareza	as	diversas	etapas	necessárias	para	
execução	da	técnica	de	ELISA,	utilizaremos	o	ELISA indireto	(AFTER	et al.,	2000):
• Sensibilização da placa:	na	primeira	etapa,	o	antígeno	específico	será	diluído	
em	uma	solução	 tampão.	A	solução tampão	 é	 importante	para	evitar	que	o	
pH	da	solução	varie,	o	que	pode	prejudicar	as	reações	a	seguir.	Essa	solução	
contendo	 antígenos	 é	 aplicada	 à	 placa	 de	 poliestireno	 (Figura	 13),	 onde	 os	
antígenos	deverão	ficar	aderidos.
98
UNIDADE 2 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL
FIGURA 13 – PLACA DE POLIESTIRENO COM 96 POÇOS UTILIZADA PARA TÉCNICAS DE ELISA
FONTE: <https://www.lojanetlab.com.br/acessorios-para-laboratorios/microplacas-de-microtitulacao/
microplaca-para-elisa-96-pocos-fundo-chato-esteril-ref-k30-5096p-olen>. Acesso em: 16 mar. 2021.
• Lavagem da placa:	 uma	 vez	 sensibilizada,	 a	 placa	 que	 recebeu	 o	 antígeno	
passa	por	alguns	ciclos	de	lavagem	(Figura	14)	para	retirar	antígenos	que	não	
se	fixaram	na	placa.
FIGURA 14 – EQUIPAMENTO PARA LAVAGEM AUTOMÁTICA DE MICROPLACA DE ELISA
FONTE: <https://www.medicalexpo.com/pt/prod/awareness-technology/
product-67695-431705.html>. Acesso em: 16 mar. 2021.
• Bloqueio da placa: a placa é tratada com uma solução rica em proteínas 
(como	leite	desnatado,	albumina,	caseína	ou	gelatina).	O	objetivo	dessa	etapa	
é bloquear	regiões	que	não	estão	recobertas	por	antígeno	e,	com	isso,	impedir	
que	reações inespecíficas ocorram.
• Lavagem de placa:	 após	 o	 bloqueio,	 novas	 lavagens	 são	 executadas	 para	
retirada	das	moléculas	passíveis	de	reações	inespecíficas.
TÓPICO 4 — METODOLOGIAS UTILIZADAS PARA DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL
99
• Adição de amostra:	 as	 amostras	 dos	 pacientes	 são	 pipetadas	 na	 placa	 e	
incubadas.	 A	 incubação	 é	 a	 manutenção	 da	 placa	 sob	 uma	 temperatura	
uniforme	durante	um	mesmo	período	estabelecido	pelo	kit	reagente	utilizado.	
Caso	as	amostras	contenham	anticorpos	específicos	para	os	antígenos	fixados	
na	placa,	ocorrerá	a	formação	de	complexo	antígeno-anticorpo.
• Lavagem da placa:nova lavagem ocorre para retirada de anticorpos presentes 
na	amostra	que	não	se	ligaram	aos	antígenos	presentes	na	placa.
• Adição do conjugado:	 o	 conjugado	 corresponde	 a	 um	 anticorpo anti-IgG 
(anticorpos	 secundários) ligado a uma enzima peroxidase (enzima	 mais	
comumente	utilizada	para	técnica	de	ELISA).	Esse	anticorpo	secundário	tem	
como	 função	 ligar-se	 ao	 anticorpo	 primário,	 quando	 este	 estiver	 presente	
na	amostra	 (Figura	15).	A	placa	passa	por	nova	 incubação	e	novos	ciclos	de	
lavagens	(remoção	de	anticorpos	soltos),	antes	da	adição	do	substrato.
FIGURA 15 – REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DAS LIGAÇÕES PRESENTES NO ELISA INDIRETO
FONTE: <http://biomedicinabrasil.com.br/metodologia/teste-de-elisa/>. Acesso em: 18 mar. 2021.
• Adição do substrato: o substrato consiste em uma substância (no caso da 
peroxidase,	o	 substrato	é	o	H2O2)	que	 forma	um	complexo	com	a	enzima	e,	
com	 isso,	 gera	novos	produtos.	Nessa	 técnica,	 o	 substrato	 está	 ligado	 a	um	
cromógeno	(substância	que	gera	reação	de	cor).	Caso	ocorra	reação	enzimática,	
devido	à	presença	de	anticorpos	na	amostra,	o	substrato	é	oxidado	e,	com	essa	
reação,	o	cromógeno	gera	cor	(Figura	16).
• Leitura: por	 fim,	 a	 formação	 de	 cor	 presente	 na	 placa	 é	 mensurada	 por	
espectrofotometria	com	filtro	ajustado	para	leitura	do	marcador	de	interesse	
(Figura	17).
100
UNIDADE 2 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL
FIGURA 16 – REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DAS ETAPAS DE ELISA INDIRETO
FONTE: <https://www.misodor.com.br/HIVAIDSPEDIATRIA.php> Acesso em: 16 mar. 2021.
Adiciona-se o soro do paciente;
o anticorpo complementar se liga 
ao antígeno.
	Anti-HISG	conjugado	a	enzima	é	
adicionado e se liga ao anticorpo 
ligado ao antígeno.
Adiciona-se	o	substrato	da	enzima	(				),	e	a	
reação	produz/forma	um	produto	que	resulta	
em	uma	mudança	visível	de	cor	(				).	
1
2
3
4
O	antígeno	é	adsorvido	ao	poço.
(b) Um	teste	ELISA	indireto	positivo	para	detectar	anticorpos.
TÓPICO 4 — METODOLOGIAS UTILIZADAS PARA DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL
101
FIGURA 17 – EQUIPAMENTO LEITOR DE PLACAS DE ELISA
FONTE: <https://static.biotek.com/images/products/800TS/800TS_right_open_door-apps.jpg>. 
Acesso em: 15 mar. 2021.
A espectrofotometria é uma metodologia importante e muito utilizada no 
laboratório clínico, sendo um conteúdo que consideramos importante ser revisitado. Leia 
o texto Introdução à Espectrofotometria, escrito por Paulo Valim, no site Ciência em Ação: 
https://cienciaemacao.com.br/introducao-a-espectrofotometria/.
IMPORTANT
E
4 ENSAIO IMUNOENZIMÁTICO DE MICROPARTÍCULAS
Assim	como	o	ELISA,	trata-se	de	uma	técnica	imunoenzimática,	porém	a	
diferença	é	que	a	porção	sólida	são	micropartículas	em	suspensão	líquida	e	não	
uma	placa	(VOLTARELLI,	2009).
Nessa	 técnica,	 a	 fase	 sólida	 são	 micropartículas	 de	 látex	 contendo	 os	
antígenos	 que	 se	 ligam	 aos	 anticorpos	 presentes	 na	 amostra	 estudada.	 Essas	
micropartículas	se	ligarão	a	uma	matriz	de	fibra	de	vidro	de	maneira	irreversível.	
O	 conjugado	 contendo	 antígenos	 e	 fosfatase	 alcalina	 é	 adicionado	 a	 seguir,	
ligando-se	aos	anticorpos,	formando	um	complexo	antígeno-anticorpo-antígeno.	
A	reação	é	revelada	pela	adição	de	um	substrato,	que	gera	um	produto	fluorescente	
pela	sua	ligação	com	a	enzima.	A	intensidade	da	fluorescência	é	medida,	sendo	
considerada	reagente	quando	supera	o	ponto	de	corte	da	técnica	(Figura	18).
102
UNIDADE 2 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL
FIGURA 18 – ENSAIO IMUNOENZIMÁTICO DE MICROPARTÍCULAS 
FONTE: <https://telelab.aids.gov.br/moodle/pluginfile.php/22167/mod_resource/content/1/
HIV%20-%20Manual%20Aula%205.pdf> Acesso 28 jan. 2021
TÓPICO 4 — METODOLOGIAS UTILIZADAS PARA DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL
103
5 HEMAGLUTINAÇÃO
Nessa	 metodologia,	 são	 utilizados	 fragmentos	 de	 antígenos	 recobrindo	
glóbulos	vermelhos.	Essa	solução	contendo	hemácias	e	antígenos	específicos	para	
o	 marcador	 investigado	 é	 distribuída	 em	 poços	 de	 microplaca.	 A	 presença	 de	
anticorpos	específicos	interage	com	o	antígeno	presente	na	solução	dispensada	na	
placa,	recobrindo	o	poço	como	uma	espécie	de	“tapete”	vermelho	(amostras	1	a	
3	na	Figura	19);	caso	a	amostra	de	soro	não	apresente	os	anticorpos	investigados,	
as	hemácias	ficam	depositadas	no	fundo	do	poço	formando	um	botão	vermelho	
(amostras	4	a	7	da	Figura	19)	(FERREIRA;	MORAES,	2013).
FIGURA 19 – REAÇÃO DE HEMAGLUTINAÇÃO
FONTE: <http://twixar.me/wttm>; <http://twixar.me/9ttm>. Acesso em: 16 mar. 2021.
104
UNIDADE 2 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL
LEITURA COMPLEMENTAR
CUIDADOS COM A DOSAGEM DA GONADOTROFINA CORIÔNICA 
HUMANA NO SEGUIMENTO DE PACIENTES COM DOENÇA 
TROFOBLÁSTICA GESTACIONAL
Elza	Uberti
José	Mauro	Madi
Antonio	Braga
Bruno	Grillo
Maurício	Viggiano
A principal vigilância hormonal no seguimento pós-molar consiste na 
dosagem	periódica	e	sistemática	da	gonadotrofina	coriônica	humana	(hCG).	Sendo	
um	produto	das	células	da	placenta,	em	especial	do	sinciciotrofoblasto,	o	hCG	
também	é	secretado	em	menores	quantidades	pelas	células	citotrofoblásticas.	O	
hCG	pertence	ao	grupo	dos	hormônios	glicoproteicos,	que	também	compreende	
o	 luteinizante	 (LH),	 o	 folículo-estimulante	 (FSH)	 e	 o	 tireoestimulante	 (TSH).	
Todos	 esses	 possuem	duas	 subunidades	diferentes,	 a	 e	 b,	 que	 são	unidas	por	
ligações	não	covalentes	e	que	precisam	estar	combinadas	para	formar	o	hormônio	
biologicamente	 ativo.	 A	 subunidade	 α	 é	 produzida	 tanto	 na	 hipófise	 como	
na	 placenta	 e	 tem	 a	mesma	 sequência	 peptídica	 das	 subunidades	 a	 de	 outros	
hormônios	 (LH,	 FSH,	 TSH).	 A	 subunidade	 β	 é	 peculiar	 a	 cada	 hormônio	 e	
determina	sua	especificidade.
O	 hCG	 é	 produzido	 pela	 placenta	 na	 gestação	 normal,	 pela	 doença	
trofoblástica	gestacional	(DTG),	em	mulheres	que	estão	ou	estiveram	grávidas,	
nas	neoplasias	de	origem	germinativa,	por	tumores	não	trofoblásticos	e	também	
em	tecidos	normais,	incluindo	testículo	e	hipófise	humana.	A	principal	função	do	
hCG	é	promover	a	produção	de	progesterona	pelo	corpo	lúteo	do	ovário.
No	 início	 da	 gestação	 normal,	 o	 trofoblasto	 se	 diferencia	 em	 células	
predominantemente	citotrofoblásticas,	enquanto	as	células	sinciciotrofoblásticas	
são	dominantes	 ao	 término	da	 gravidez.	O	 sinciciotrofoblasto	 é	 a	maior	 fonte	
secretora	de	hCG	intacto	na	circulação	materna	e	as	células	menos	diferenciadas	do	
citotrofoblasto	secretam	além	do	hormônio	na	sua	forma	intacta,	as	subunidades	
α	e	β.	À	semelhança	da	placenta	normal,	as	células	anormais	do	trofoblasto	na	
doença	trofoblástica	gestacional	(DTG)	sintetizam	e	secretam	tanto	o	hCG	intacto	
como	as	formas	livres	das	subunidades	α	e	β.
TÓPICO 4 — METODOLOGIAS UTILIZADAS PARA DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL
105
Figura 1 – Estrutura química da molécula intacta do hCG com as cadeias α e β; 
peso molecular: 37.500 daltons
Após	 1980,	 foram	 desenvolvidos	 imunoensaios	 tipo	 sanduíche,	 rápidos	 e	
automatizados,	 usando	 anticorpos	monoclonais	 para	 reconhecer	 especificamente	 o	
hCG	e	suas	subunidades	livres.	Tais	ensaios,	que	são	tão	ou	mais	sensíveis	do	que	o	
teste	do	BhCG	por	radioimunoensaio,	não	utilizam	radioisótopos,	apresentam	menor	
coeficiente	de	variação	e	maior	durabilidade	dos	reagentes,	o	que	implica	um	menor	
custo	 final	 na	 execução	 do	 exame.	As	 diferentes	 formas	 degradadas	 do	 hCG	 são	
reconhecidas	por	um	grande	número	de	anticorpos,	o	que	resulta	em	grande	variação	
nos	 resultados	 inter-ensaios,	 especialmente	 se	 a	determinação	 é	na	urina,	 trazendo	
confusão	nos	resultados	dos	testes	para	diagnóstico	de	gravidez.	Utilizam-se	amostras	
séricas	para	fins	de	monitorização	dos	níveis	de	hCG	durante	a	gravidez	(tratamento	
conservador	e	medicamentoso	da	gravidez	ectópica	e	na	 fertilização	assistida)	e	na	
monitorização	das	neoplasias,	em	especial	a	neoplasia.
Trofoblástica Gestacional(NTG)
A	natureza	complexa	dos	produtos	de	degradação	do	hCG	intacto,	da	meia-
vida	 dos	 produtos	 de	 degradação	 e	 das	 reações	 cruzadas	 dos	 vários	 produtos	 de	
degradação	com	os	vários	anticorpos,	explica	a	discrepância	entre	os	resultados	da	
dosagem	 de	 gonadotrofina	 coriônica	 feita	 nos	 diferentes	 laboratórios	 e,	 num	
mesmo	laboratório,	com	o	mesmo	kit,	entre	as	diferentes	amostras	do	material.
Atualmente,	a	conduta	efetiva	dos	casos	de	DTG	é	altamente	dependente	
da	determinação	do	imunoensaio	sérico	para	dosagem	quantitativa	do	hCG,	que	
deve	ser	utilizado	em	todos	os	estágios	do	manejo	da	DTG,	incluindo	diagnóstico,	
planejamento	 terapêutico,	monitorização	da	 resposta	ao	 tratamento	e	detecção	
das	eventuais	 recidivas.	Em	DTG,	é	 recomendável	um	ensaio	que	dose	o	hCG	
total	 +	 BhCG,	 que	 tem	 a	 vantagem	de	 reconhecer	 também	o	 hCG	 clivado	 e	 o	
BhCG-clivado,	o	que	proporcionará	resultados	mais	precisos	e	condutas	clínicas	
mais acertadas.
O	uso	do	hCG	apenas	na	propedêutica	da	DTG	é	direcionado	para	cinco	
momentos:	 1)	diagnóstico	de	DTG;	 2)	 Seguimento	pós-esvaziamento	molar;	 3)	
diagnóstico	de	neoplasia	trofoblástica	gestacional	pós-molar	4)	Monitorização	do	
tratamento	quimioterápico;	5)	diagnóstico	de	recidiva	da	NTG.
106
UNIDADE 2 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL
Para	os	fins	referidos,	é	indispensável	a	determinação	quantitativa	de	BhCG	
(hCG	intacto	+	BhCG),	exames	que	preferencialmente	devem	ser	realizados	em	
um	mesmo	laboratório,	para	se	ter	credibilidade	e	se	poder	comparar	o	resultado	
com	outros	da	mesma	procedência.	É	 importante	 também	que	os	profissionais	
do	laboratório	onde	o	exame	é	realizado	tenham	conhecimento	que	lidam	com	
um	marcador	tumoral	e	que	os	resultados	se	destinam	à	monitorização	de	DTG,	
e	não	apenas	ao	diagnóstico	de	gravidez,	ou	seja,	ratificando	a	necessidade	de	o	
resultado	ser	precisamente	quantificado.
hCG no diagnóstico de DTG
Em	condições	normais	da	gestação,	os	níveis	séricos	de	hCG	biologicamente	
ativo	aumentam	exponencialmente	no	1°	trimestre	da	gravidez,	duplicando	a	cada	
dois	dias,	atingindo	o	pico	em	torno	da	10ª	a	12ª	semana,	quando	podem	alcançar	
valores	de	100.000	mUI/mL.	A	partir	daí,	os	valores	decrescem	até	a	20ª	semana,	
atingindo	cerca	de	20%	dos	valores	de	pico	máximo	e	assim	permanecem	até	o	
final	da	gestação.	Após	o	parto,	os	níveis	séricos	de	hCG	seguem	regredindo	e	os	
resultados	dos	testes	atingem	valores	normais	(<	5	mUI/mL)	em	torno	de	30	dias.
Após	a	interrupção	de	uma	gravidez	não	molar	na	1ª	metade	da	gestação,	
os	valores	de	hCG	atingem	resultado	normal	em	torno	de	2	a	3	semanas.	Essa	
informação	 é	 importante	 por	 auxiliar	 a	 conduta	 clínica	 frente	 à	 paciente	 que	
tenha	 apresentado	 um	 abortamento	 espontâneo	 e	 completo,	 e/ou	 quando	 um	
exame	anatomopatológico	for	inconclusivo	no	diagnóstico	de	mola	hidatiforme	
(MH)	(quando,	por	exemplo,	evidenciar	apenas	edema	de	vilos	sem	hiperplasia	
de	trofoblasto),	situação	em	que	uma	dosagem	de	hCG	feita	em	3	semanas	ajuda	
a	 elucidar	 o	 diagnóstico:	 se,	 nesse	 tempo	 referido,	 a	 dosagem	 sérica	 do	 hCG	
for	<	5	mUI/mL	fica	afastada	uma	DTG	e	o	edema	de	vilos	deve	refletir	outras	
cromossomopatias.
Na	mulher	 em	 idade	 fértil	 e	 sem	uso	de	 contraceptivos,	 diante	 de	um	
resultado	positivo	de	hCG,	a	maior	probabilidade	é	se	 tratar	de	uma	gravidez	
normal.	 Diante	 de	 um	 atraso	 menstrual,	 se	 uma	 paciente	 com	 hCG-positivo	
apresentar	sangramento	genital	e	um	exame	de	ultrassonografia	(US)	mostrando	
conteúdo	uterino	 sugestivo	de	MH,	uma	dosagem	de	hCG	sérico	quantitativo	
com	valores	elevados	confirma	a	suspeita	de	DTG.	Na	MH	parcial,	situação	na	
qual	 os	 valores	 séricos	 quantitativos	do	hCG	 são	 geralmente	menos	 elevados,	
o	 diagnóstico	 clínico	 e	 US	 inicialmente	 é	 de	 gestação	 interrompida;	 para	 um	
diagnóstico	precoce	de	MH	parcial	destaca-se	a	importância	do	exame	histológico	
sistemático	 de	 todo	 material	 curetado,	 com	 alerta	 ao	 patologista	 se	 houver	
suspeita	diagnóstica	de	MH	parcial.
A	realização	de	uma	dosagem	de	hCG	é	também	importante	no	diagnóstico	
diferencial	 de	miomas	 uterinos	 intracavitários	 (submucosos)	 com	 degeneração:	 a	
imagem	ao	US	dessa	patologia,	por	vezes,	é	sugestiva	de	MH.	Se	a	dosagem	de	
hCG	for	negativa	é	afastada	uma	gravidez	e	fica	reforçada	a	suspeita	inicial	de	
mioma degenerado.
TÓPICO 4 — METODOLOGIAS UTILIZADAS PARA DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL
107
A	dosagem	de	hCG	 também	é	 essencial	 no	 rastreamento	de	 causas	de	
sangramento	 uterino	 disfuncional	 ou	 em	mulheres	 que,	 no	menacme,	mesmo	
sem	sangramento	anormal,	apresentem	sintomas	atípicos	como	hemoptise,	dores	
abdominais,	 convulsões	 etc.;	 nesses	 casos,	 na	 ausência	 de	 gestação	documentada	
há	mais	de	30	dias,	um	hCG	positivo	levanta	a	hipótese	de	DTG	e	indica	avaliação	
diagnóstica.
Para	diagnóstico	de	gestação	molar	basta	um	resultado	positivo	na	dosagem	
de	hCG	(≥	200	mUI/mL)	associado	à	 imagem	típica	ao	US.	A	quantificação	do	
hCG	nessa	etapa	diagnóstica	será	relevante,	entretanto,	para	identificação	da	MH	
de	alto-risco	para	desenvolvimento	de	NTG;	em	tais	pacientes	uma	dosagem	de	
hCG	≥	100.000	mUI/mL	é	sinal	de	alerta	para	rastreio	das	complicações	médicas	
associadas	ao	hCG	elevado,	tais	como	tamanho	uterino	maior	do	que	o	esperado	
para	a	idade	gestacional,	presença	de	cistos	ovarianos	teca-luteínicos	volumosos,	
pré-eclampsia,	hipertireoidismo	e	embolização	trofoblástica.
Na	quantificação	do	hCG,	é	importante	também	destacar	a	possibilidade	
de	um	resultado	falsamente	mais	baixo	devido	ao	efeito	“hook”,	que	pode	estar	
presente	 quando	 os	 níveis	 da	 gonadotrofina	 são	 extremamente	 elevados.	 O	
excesso	de	hCG	progressivamente	satura	a	fase	sólida	e	a	detecção	de	anticorpos,	
impedindo	 que	 haja	 formação	 do	 “sanduíche”	 que	 quantifica	 o	 hCG,	 quando	
se	 utilizam	 os	 novos	 ensaios	 com	 anticorpos	 monoclonais.	 Esse	 efeito	 pode	
ser	 prevenido	pela	diluição	da	 amostra	 a	 1/100	 e	 1/10.000.	Diante	da	paciente	
com	gestação	molar	e	úteros	volumosos,	um	contato	da	equipe	médica	 com	o	
laboratório	torna-se	essencial,	antes	de	ser	iniciado	o	processo	de	quantificação	
do	hCG,	para	evitar	os	resultados	incorretos.
O	 valor	 do	 BhCG	 obtido	 antes	 ou	 logo	 após	 esvaziamento	 da	 MH	
representa	o	ponto	 inicial	de	uma	curva	onde	 serão	 colocadas	 sucessivamente	
a	cada	7	dias	os	outros	valores	numéricos,	configurando	a	curva	individual	de	
regressão	do	BhCG,	que	possibilita	identificar	precocemente	a	evolução	da	DTG	
para	remissão	espontânea	ou	para	evolução	neoplásica.
hCG no acompanhamento pós-molar
 
	Feito	um	diagnóstico	clínico	de	MH,	o	próximo	passo	é	o	esvaziamento	
da	cavidade	uterina,	preferencialmente	com	o	método	de	vácuo-aspiração	elétrica	
ou	manual,	através	do	qual	se	consegue	o	material	para	ser	enviado	para	exame	
histopatológico.	 Segue	 tal	 procedimento	 cirúrgico,	 um	 acompanhamento	 com	
consultas	médicas	e	dosagens	quantitativas	de	hCG,	que	duram	em	média	6	a	8	
meses,	conhecido	como	acompanhamento	pós-molar.	Esse	acompanhamento	que	
deve	ser	realizado	preferencialmente	em	Centros	de	Referência	(CR),	onde	uma	
equipe	multidisciplinar	treinada	proporcione	o	atendimento	adequado	em	todas	
as	fases	do	tratamento.	Nessa	etapa,	o	BhCG,	que	precisa	sempre	ser	precisamente	
quantificado,	tem	papel	relevante	como	marcador	tumoral.
108
UNIDADE 2 — APLICAÇÃO DA IMUNOLOGIA NO DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO DO PRÉ-NATAL
Recomenda-se	que	as	pacientes	façam	consultas	médicas	acompanhadas	
da	dosagem	de	BhCG	até	serem	obtidos	três	resultados	semanais	consecutivos	
com	níveis	inferiores	a	5	mUI/mL	quando,	por	definição	clínica,	é	caracterizada	a	
remissão	da	doença.	Após	a	remissão,	o	controle	passa	a	ser	mensal,	durante	mais	
cerca	de	6	meses.	Durante	todo	o	seguimento	pós-molar,	as	pacientes	devem	fazer	
anticoncepção	rigorosa,	de	preferência	mediante	o	uso	de	anticoncepcional	oral,uma	vez	que	não	podem	engravidar	durante	o	período	de	acompanhamento.	A	
anticoncepção	eficaz	é	um	dos	pilares	do	controle	pós-molar	e,	como	tal,	o	uso	
é	recomendado	e	garantido.	A	maioria	das	pacientes	portadoras	de	MH	(80%)	
permanece	assintomática	até	a	cura	completa	da	doença.
A	 curva	 de	 regressão	 do	 BhCG	 de	 cada	 paciente	 realizada	 durante	 o	
acompanhamento pós-molar pode ser comparada com a curva semilogarítmica e 
exponencial	de	regressão	normal	do	hCG,	conforme	proposto	por	Schlaerth	et al. 
(Figura	2)	ou	com	outra	proposta	em	nosso	meio	por	Maestá.	Se	os	valores	forem	
progressivamente	descendentes	e	paralelos	à	curva	padrão	de	regressão,	significa	
que	a	paciente	está	evoluindo	para	remissão	espontânea	da	doença,	dispensando	
qualquer	tratamento	adicional.
Figura 2 – Curva semilogarítmica de regressão do hCG proposta por Schlaerth et al. (média ± 2 
desvios padrões), adaptada para mostrar o valor considerado normal (inferior a 5 mUI/mL)
 
FONTE: Adaptado de UBERTI, E. et al. Cuidados com a dosagem da gonadotrofina coriônica 
humana no seguimento de pacientes com Doença Trofoblástica Gestacional. Federação Brasileira 
das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. 2018. Disponível em: https://www.febrasgo.org.
br/pt/noticias/item/414-cuidados-com-a-dosagem-da-gonadotrofina-corionica-humana-no-
seguimento-de-pacientes-com-doenca-trofoblastica-gestacional. Acesso em: 2 fev. 2021.
109
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico, você aprendeu que:
•	 A	imunocromatografia	é	uma	metodologia	qualitativa,	utilizada	em	laboratório	
como	triagem	para	identificar	vírus,	hormônios	e	bactérias.
•	 Na	 imunocromatografia,	 utiliza-se	 uma	matriz,	 que	 pode	 estar	 coberta	 por	
uma	tira	de	acetato	transparente,	para	permitir	visualizar	o	resultado	do	teste,	
podendo-se	identificar	o	anticorpo	ou o antígeno presente na amostra.
•	 Fluxo	 lateral,	 dupla	 migração	 e	 imunoconcentração	 são	 as	 possíveis	
apresentações	dos	testes	imunocromatográficos.
•	 Existem	tipos	diferentes	de	ELISA:	direto,	indireto	e	competitivo.
•	 No	ELISA	direto,	que	detecta	antígenos,	o	anticorpo	é	fixado	na	placa,	ligando-
se, posteriormente,	a	um	anticorpo	ligado	a	uma	enzima,	a	qual	se	liga	a	um	
substrato	que	irá	formar	a	cor	que	o	espectrofotômetro	quantifica.
•	 No	ELISA	indireto,	o	antígeno	é	fixado	na	placa,	ligando-se	a	um	anticorpo	não	
marcado.	Em	seguida,	é	adicionado	um	segundo	anticorpo	conjugado	a	uma	
enzima	que,	ao	reagir	com	o	substrato,	forma	a	cor	que	será	mensurada	por	
espectrofotometria.
•	 No	ELISA	competitivo,	a	placa	apresenta	antígeno	ou	anticorpo	de	interesse,	e	
o	antígeno	ou	anticorpo	que	existe	na	amostra	compete	com	aqueles	presentes	
na	placa	pelo	local	ligação.
•	 Ensaio	 imunoenzimático	de	micropartículas	é	uma	técnica	 imunoenzimática	
em	que	a	porção	sólida	é	composta	por	micropartículas	em	suspensão	líquida.
Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem 
pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao 
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.
CHAMADA
110
1	 A	 imunocromatografia	 é	 uma	 metodologia	 qualitativa,	 utilizada	 em	
laboratório	 como	 triagem	 para	 identificar	 os	 mais	 diferentes	 tipos	
de	 substâncias,	 como	 o	 próprio	 hormônio	 hCG,	 e	 para	 detecção	 de	
agentes	 patogênicos,	 como	 vírus	 e	 bactérias.	 A	 respeito	 do	 método	
imunocromatográfico,	observe	a	figura	a	seguir:
FONTE: <http://www.nano-macro.com/2015/09/a-magica-do-diagnostico-post-2.html>. 
Acesso em: 16 mar. 2021.
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a) ( ) Trata-se de um teste com resultado reagente.
b)	(			)	Trata-se	 de	 um	 teste	 inválido,	 uma	 vez	 que	 a	 área	 de	 controle	 não	
apresentou	marcação.
c)	 (			)	Trata-se	 de	 um	 teste	 válido,	 uma	 vez	 que	 a	 área	 de	 controle	 não	
apresentou	marcação.
d)	(			)	Trata-se	 de	 um	 resultado	 não	 reagente,	 uma	 vez	 que	 a	 área	 C	 não	
apresentou	marcação.
2	 ELISA	 é	 uma	 metodologia	 utilizada	 para	 diferentes	 finalidades,	 como	
a	 detecção	 viral,	 a	 medida	 de	 antígenos	 ou	 anticorpos	 e	 a	 dosagem	
hormonal.	Explique	por	que	o	ELISA	indireto	não	é	a	melhor	opção	para	
detecção	de	IgM.	
3	 Existem	tipos	diferentes	de	ELISA:	direto,	indireto	e	competitivo.	Explique	
o	funcionamento	da	técnica	de	ELISA	competitivo.
4	 A	técnica	de	ELISA,	independentemente	do	tipo,	apresenta	diversas	etapas	
que	precedem	a	geração	de	resultados	que	indicarão	ou	não	a	presença	do	
marcador	 investigado.	Com	relação	ao	 teste	de	ELISA	indireto,	analise	a	
ordem	dos	compostos	utilizados:
I- Antígeno de interesse.
II-	 Substrato.
III-	Soro	de	paciente.
IV-	Anticorpo	secundário.
AUTOATIVIDADE
111
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	(			)	II	–	IV	–	I	–	III.	
b)	(			)	I	–	III	–	IV	–	II.	
c)	 (			)	II	–	IV	–	I	–	III.
d)	(			)	III	–	I	–	IV	–	II.
5	 Sobre	a	hemaglutinação	passiva,	assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	(			)	Resultados	 reagentes	 são	 identificados	 pela	 presença	 de	 um	 botão	
vermelho	no	fundo	do	poço.
b)	(			)	São	 utilizados	 glóbulos	 brancos	 sensibilizados	 com	 fragmentos	 do	
antígeno de interesse.
c)	 (			)	Resultados	 reagentes	 são	 identificados	 pela	 presença	 de	 um	 tapete	
vermelho	no	fundo	do	poço.
d)	(			)	São	 utilizados	 glóbulos	 brancos	 sensibilizados	 com	 fragmentos	 de	
cromógeno associado ao antígeno de interesse.
112
113
REFERÊNCIAS
AFTER,	R.	A. et al. Kuby Immunology.	4.	ed.	New	York:	WH	Freeman & 
Company;	2000.
AMERICAN	CANCER	SOCIETY.	Sinais e sintomas da doença trofoblástica 
gestacional.	2016.	Disponível	em:	https://www.cancer.org/cancer/gestational-
trophoblastic-disease/detection-diagnosis-staging/signs-symptoms.html.	Acesso	
em: 30 abr. 2021. 
ANDRADE,	J.	M.	Mola	hidatiforme	e	doença	trofoblástica	gestacional.	Rev. 
Bras. Ginecol. Obstet.,	Rio	de	Janeiro,	v.	31,	n.	2,	p.	94-101,	2009.
BRASIL.	Ministério	da	Saúde.	Secretaria	de	Projetos	Especiais	de	Saúde,	
Coordenação	Nacional	DST	e	AIDS	–	TELELAB.	Teste rápido para investigação 
da infecção pelo HIV por meio do kit ABON HIV.	2018.	Disponível	em:	https://
telelab.aids.gov.br/moodle/pluginfile.php/155183/mod_resource/content/1/
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116
117
UNIDADE 3 — 
DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS 
E AUTOIMUNES
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em cinco tópicos. No decorrer da unidade, 
você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo 
apresentado.
TÓPICO 1 – SÍFILIS
TÓPICO 2 – SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA 
(SIDA OU AIDS)
TÓPICO 3 – HEPATITES VIRAIS
TÓPICO 4 – CORONAVÍRUS
TÓPICO 5 – LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos 
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá 
melhor as informações.
CHAMADA
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• entender as principais doenças infecciosas e autoimunes; 
• compreender as principais características e os testes imunológicos mais 
utilizados no diagnóstico e no acompanhamento de sífilis, síndrome da 
imunodeficiência adquirida (SIDA ou AIDS), hepatites virais, coronavírus 
e lúpus eritematoso sistêmico.
118
119
UNIDADE 3
TÓPICO 1 — 
SÍFILIS
1 INTRODUÇÃO
Nesta unidade, apresentaremos as principais doenças infecciosas e 
autoimunes, abordando suas principais características e os testes imunológicos 
mais utilizados no diagnóstico e no acompanhamento dessas doenças. Neste 
tópico, aprofundaremos nosso conhecimento a respeito da sífilis. 
2 SÍFILIS
A sífilis é uma doença sistêmica que tem como agente etiológico o 
Treponema pallidum. Esse microrganismo apresenta forma de espiroqueta e 
característica microaeróbia (que cresce sob baixa tensão de oxigênio), com parede 
celular semelhante às bactérias Gram-negativas. Apesar da semelhança, o T. 
pallidum não se cora na coloração de Gram. São os componentes estruturais da 
bactéria (Figura 1) (FERREIRA, 2013):
• Filamento axial: tem como função promover a movimentação do Treponema. 
É composto por um feixe de fibrilas que formam uma espiral em torno do 
Treponema, semelhante ao formato de um saca-rolhas. 
• Membrana celular: estrutura composta por proteínas de ligação à penicilina, 
lipoproteínas, glicolipídeos e cardiolipina. A cardiolipina é o principal antígeno 
utilizado para investigações sorológicas não treponêmicas.
• Periplasma: composta por uma camada que, de acordo com Ferreira (2013, p. 
5), “uma membrana interna ou citoplasmática que rodeia o corpo celular e uma 
membrana externa protetora. Entre uma membrana e outra, encontra-se um 
espaço periplasmático com uma pequena camada de peptidoglicano”. É nessa 
região que o filamento axial fica aderido, o que confere o formato espiralado ao 
Treponema. É a partir desta estrutura que o movimento em hélice é possível, 
bem como sua capacidade de se deslocar em meios com maior viscosidade.
• Membrana externa: tem como função proteger o microrganismo do meio 
externo, por revestir a superfície treponêmica (FERREIRA, 2013).
A identificação da bactéria por microscopia óptica não faz parte das 
práticas laboratoriais de rotina, uma vez que é uma bactéria muito delgada, o 
que dificulta sua visualização no setor de microbiologia. “A pequena diferença de 
densidade entre o corpo e a parede do T. pallidum faz com que seja prejudicada 
sua visualização à luz direta no microscópio. Cora-se fracamente; daí o nome 
pálido, do latim pallidum” (AVELLEIRA; BOTTINO, 2006, p. 113).
UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES
120
É sempre importante rever alguns conceitos para absorver o conteúdo com 
maior clareza:
• Doença sistêmica: afetam diversos órgãos, não se restringindo ao prejuízo de um único 
determinado órgão ou sistema.
• Bactéria Gram-negativa: são bactérias constituídas de uma parede de peptidoglicano 
mais delgada, o que faz com que não retenham o cristal violeta ao longo da etapa de 
descoloração, o que resulta na cor vermelha ao final da coloração de Gram.
• Microaeróbia: microrganismos que se desenvolvem em baixas tensões de oxigênio.
IMPORTANT
E
FIGURA 1 – COMPOSIÇÃO ESTRUTURAL DO TREPONEMA PALLIDUM
FONTE: <https://www.biomedicinapadrao.com.br/2011/09/espiroquetas.html>. Acesso em: 8 fev. 2021.
O T. pallidum é um patógeno que tem como hospedeiro apenas os seres 
humanos e a via de transmissão ocorre principalmente por contato sexual, porém 
também pode ser causado por transmissão vertical, ou seja, da gestante para o 
feto (quando não houver tratamento da gestante) (AVELLEIRA; BOTTINO, 2006). 
Ao ser transmitido, o T. pallidum penetra no organismo e atinge a corrente 
sanguínea, sendo distribuído por diversos tecidos. Com essa dispersão, uma 
resposta inflamatória e imunológica por parte do sistema imune é desencadeada 
culminando nas manifestações clínicas que podem ser divididas em 3 estágio:
TÓPICO 1 — SÍFILIS
121
•	 Sífilis	primária: nesse primeiro estágio as manifestações ocorrem de 10 a 90 
dias após a infecção (período de incubação). Nessa etapa, o sinal clínico inicial 
é a presença de lesão no local onde a bactéria penetrou no organismo. Essa 
lesão, que contém muitas espiroquetas, recebe o nome de cancro duro (Figura 
2), pois apresenta base endurecida e secreção, porém sem manifestação de dor. 
Essa lesão desaparece espontaneamente em cerca de 15 dias (BRASIL, 2010). 
•	 Sífilis	secundária: quando a sífilis não é detectada e tratada já no estágio primário 
as manifestações clínicas evoluem para o estágio secundário (Figura 3), em 
decorrência da dispersão da bactéria por todos os órgãos. A partir desse estágio, a 
presença de exantemas (roséolas	sifilíticas),que consistem em erupções cutâneas 
contendo treponemas, é a manifestação clínica característica (BRASIL, 2010).
•	 Sífilis	 latente: caso o paciente infectado siga sem detecção e tratamento da 
sífilis, as manifestações clínicas cessam, configurando o estágio latente, o qual 
é considerado recente durante o primeiro ano de infecção e, após esse período, 
é considerada latente tardia (BRASIL, 2010).
•	 Sífilis	 terciária: o paciente apresenta um processo inflamatório acompanhado 
da destruição de tecido ósseo, estabelecimento da sífilis cardiovascular 
(manifestada pela aortite, uma inflamação na artéria aorta) e da neurossífilis 
(que pode se manifestar por prejuízos auditivos, motores, visuais, depressão, 
perda de memória e dor) (BRASIL, 2010). É um estágio considerado grave que 
pode se manifestar de 10 a 30 anos após a infecção. 
A sífilis terciária se manifesta na forma de inflamação e destruição 
de tecidos e ossos. É caracterizada por formação de gomas sifilíticas, 
tumorações amolecidas vistas na pele e nas membranas mucosas, 
que também podem acometer qualquer parte do corpo, inclusive no 
esqueleto ósseo (BRASIL, 2010, p. 22). 
As manifestações clínicas estão presentes em três estágios, porém, a 
patologia em si apresenta quatro estágios, sendo um deles latente e com poucos 
ou nenhum sintoma ou sinal clínico. 
FIGURA 2 – REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DE CANCRO DURO CARACTERÍSTICO DE 
SÍFILIS PRIMÁRIA
FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/syphilitic-ulcers-ulcus-durum-
close-view-465543644>. Acesso em: 8 fev. 2021.
UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES
122
Nos últimos anos, as solicitações de provas para diagnóstico de sífilis 
aumentaram consideravelmente. Isso se deveu ao aumento no número de casos 
apresentados no Brasil. Por isso, sugerimos a leitura da matéria Sífilis volta a ser uma 
epidemia no Brasil, apesar do tratamento rápido, de 2017, publicada na Globo News.
 Uma doença que não escolhe idade, sexo nem classe social. É assim que especialistas 
descrevem a sífilis, transmitida pela bactéria treponema pallidum, principalmente por 
via sexual, mas também da mãe para o filho, durante a gravidez. A falta de tratamento 
pode causar cegueira, demência e más formações, no caso de fetos. Mas infectologistas 
destacam que o tratamento é rápido, assim como o diagnóstico, que pode ser feito com 
um teste rápido, com resultado pronto em dez minutos. No caso da sífilis primária, uma 
única dose de penicilina benzatina intramuscular já o suficiente para a cura. O aumento dos 
casos da doença preocupa especialistas. O Dr. Alexandre Chieppe, subsecretário Estadual 
de Vigilância em Saúde, afirma que, desde 2011, vem sendo observado um aumento de 
casos de sífilis congênita e do número de casos na população geral. Desde o início dos 
anos 2000, a comunidade médica internacional já vinha alertando para o aumento do 
número de casos da doença. No Brasil, especialmente nos grandes centros urbanos, a 
infecção dava sinais de avanço rápido e preocupava as autoridades. Tanto que, em meados 
de 2007, a ONG do Rio de Janeiro “Centro de Educação Sexual”, junto com outros parceiros, 
lançou uma campanha de prevenção, estrelada por artistas como Glória Pires e o marido 
Orlando Moraes. 
FONTE: <http://g1.globo.com/globo-news/noticia/2017/04/sifilis-volta-ser-uma-epidemia-no-
brasil-apesar-do-tratamento-rapido.html>. Acesso em: 20 fev. 2021.
INTERESSA
NTE
FIGURA 3 – ERUPÇÕES CUTÂNEAS CARACTERÍSTICAS DA SÍFILIS SECUNDÁRIA
FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/secondary-stage-syphilis-sores-lesions-
on-1024557601>. Acesso em: 5 fev. 2021.
TÓPICO 1 — SÍFILIS
123
3 LABORATÓRIO CLÍNICO NO DIAGNÓSTICO E 
ACOMPANHAMENTO DA SÍFILIS
Inicialmente, apresentaremos as características do T. pallidum e as 
manifestações clínicas de acordo com o estágio de evolução da doença. Contudo, 
se realizarmos provas imunológicas para detectar o treponema, qual a importância 
de conhecer todas estas características da doença? 
Conforme a doença evolui, cada fase tem um grupo de provas imunológicas 
próprias para diagnóstico da sífilis. De posse do conhecimento dessas diferenças, 
o médico avalia o paciente para, então, compreender quais testes são ideais para 
investigar a suspeita médica. 
As provas imunológicas utilizadas para detecção de sífilis dividem-se 
em dois tipos: ensaios treponêmicos e não treponêmicos. A seguir, veremos as 
diferenças entre essas provas e o significado clínico de cada uma.
3.1 TESTES NÃO TREPONÊMICOS
Como o próprio nome indica, nos ensaios não treponêmicos, os anticorpos 
detectados não	são	específicos para o T. pallidum. É possível encontrar na literatura 
esses testes classificados como anticardiolipínicos, ou seja, anticorpos produzidos 
contra moléculas chamadas cardiolipinas. As cardiolipinas são fosfolipídios 
que apresentam carga negativa e, em mamíferos, estão presentes na membrana 
mitocondrial. Em condições patológicas, essas moléculas estão presentes em células 
apoptóticas, na ativação plaquetária e em complicações durante a gestação. Contudo, 
também são encontrados na sífilis (RAND; WOLGAST, 2018). 
Os testes não treponêmicos estão amplamente disponíveis nos 
laboratórios, são de baixo custo e possibilitam o monitoramento 
da resposta ao tratamento. Como desvantagens, possuem baixa 
sensibilidade na sífilis primária e também na sífilis latente e tardia, 
além de produzirem resultados falso-positivos, devido à ocorrência 
de outras enfermidades que causam degeneração celular (BRASIL, 
2016, p. 23).
Assista ao seguinte vídeo, desenvolvido pelo Telelab, sobre testes não 
treponêmicos: https://www.youtube.com/watch?v=nAWWmxLM9vg. Trata-se de um 
material importante que visa a facilitar a compreensão desses novos conhecimentos e 
revisa o conceito de efeito prozona, conhecimento essencial para evitar a obtenção de 
resultados falso-negativos.
IMPORTANT
E
UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES
124
Assim, quando aplicamos testes não treponêmicos para investigação de 
sífilis, é importante ter em mente que resultados reagentes (positivos) indicam a 
presença de anticorpos anticardiolipínicos, que também podem ser encontrados 
em outras condições clínicas. Apesar de inespecíficos, são testes importantes para 
acompanhamento da eficácia do tratamento para sífilis, sendo de fácil realização 
e baixo custo. Isso ocorre pela observação, em casos de tratamentos efetivos, da 
redução na quantidade de anticorpos anticardiolipínicos no soro de pacientes. Os 
testes não treponêmicos podem ser de dois tipos: 
• Qualitativos: aplicados a triagem de amostras, indicando apenas se a amostra 
apresenta resultado reagente ou não.
• Quantitativos: testes que determinam a quantidade de anticorpos presentes 
em amostras e auxiliam principalmente no acompanhamento da evolução do 
paciente frente ao tratamento. 
Pelo resultado de um teste não treponêmico quantitativo, como o paciente 
está respondendo a um tratamento? Ocorre que, nestes tipos de testes, o médico 
tem acesso à titulação de anticorpos anticardiolipínicos da amostra do paciente. 
A titulação corresponde à maior diluição em que a amostra apresentou resultado 
reagente (NADAL; FRAMIL, 2007). 
A titulação descrita é realizada a partir de diluições seriadas, assunto abordado 
nas unidades anteriores.
IMPORTANT
E
Assim, quanto maiores os títulos de anticorpos anticardiolipínicos que a 
amostra do paciente apresenta, maior a atividade da doença em casos em que o 
tratamento ainda não foi aplicado ao paciente; já em pacientes em tratamento, 
indica que a resposta ao tratamento não é suficiente para combater a bactéria. Por 
outro lado, baixas titulações em pacientes em tratamento indicam que o paciente 
está respondendo bem ao medicamento (BRASIL, 2010).
A seguir, abordaremos as principais metodologias de testes imunológicos 
não treponêmicos no que diz respeito à interpretação dos resultados. Os princípios 
das metodologias apresentadas aqui serão discutidosno Tópico 5.
TÓPICO 1 — SÍFILIS
125
3.1.1 Floculação: VDRL
O VDRL (sigla do inglês Venereal Disease Research Laboratory) é um dos 
principais testes não treponêmicos para diagnóstico e acompanhamento da 
sífilis, uma vez que é possível verificar a presença de anticorpos anticardiolipina 
presentes nas amostras de soro ou líquor antes e depois do tratamento. Trata-se de 
uma técnica de floculação em que, de acordo com o Grupo Wiener Laboratórios 
(2000, p. 4): “As ‘reaginas’ que se encontram presentes em indivíduos infectados 
por T. pallidum, são detectadas no soro pela reação com um antígeno cardiolipínico 
purificado e estabilizado. Se a amostra contiver reagina, esta se unirá ao antígeno, 
produzindo uma floculação visível ao microscópio”.
Para que a reação de floculação ocorra, diferentes etapas devem ser 
seguidas. A Figura 4 apresenta os passos que devem ser executados para triagem 
inicial de amostras em que o soro do paciente é testado puro e na diluição ⅛, 
chamada de VDRL qualitativo. Caso a avaliação qualitativa da amostra analisada 
apresente resultado reagente pura e/ou diluída, a técnica de VDRL quantitativo 
deverá ser executada (Figura 5) com o objetivo de identificar a maior titulação 
de anticorpos anticardiolipínicos presentes na amostra analisada (BRASIL, 2016).
Após tratamentos bem-sucedidos, o VDRL pode se tornar não reagente, ou, 
após redução progressiva dos títulos (durante acompanhamento do tratamento), 
ainda apresentar, mesmo tempos depois do tratamento, baixas titulações. 
Contudo, as permanências dessas baixas titulações não necessariamente indicam 
que a infecção segue ativa ou que o tratamento não seja efetivo, mas, sim, que 
existe uma cicatriz sorológica. Assim, um tratamento é considerado eficaz quando 
um apresenta redução das titulações em comparação àquelas presentes antes do 
tratamento. Em geral, se após a conclusão do tratamento o paciente apresentar 
titulações de 1/2 e 1/4, acompanhados de testes treponêmicos não reagentes, 
trata-se de uma cicatriz sorológica (BRASIL, 2010). 
UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES
126
FIGURA 4 – ETAPAS DA TÉCNICA DE VDRL QUALITATIVA
FONTE: <https://telelab.aids.gov.br/moodle/pluginfile.php/22193/mod_resource/content/1/
S%C3%ADfilis%20-%20Manual%20Aula%202.pdf>. Acesso em: 7 abr. 2021.
TÓPICO 1 — SÍFILIS
127
Para ilustrar todas as etapas, assista ao vídeo VDRL – O que todo biomédico 
precisa saber, que mostra o passo a passo da técnica. Utilize esse material como instrumento 
facilitador para visualização e compreensão dos passos previamente descritos. Acesse: 
https://www.youtube.com/watch?v=G_mcKz03LoA.
IMPORTANT
E
Em pacientes com a doença ativa, os resultados reagentes de VDRL 
apresentam titulações altas, a partir de 1/16, entre a 2ª e a 4ª semana após o 
surgimento do cancro duro, sendo necessário o início do tratamento. Além disso, 
pacientes pós-tratamento que apresentam titulações de VDRL ainda maiores 
que as mencionadas anteriormente têm indicação para repetição de tratamento 
(BRASIL, 2010). 
FIGURA 5 – ETAPAS DA TÉCNICA DE VDRL QUANTITATIVA
UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES
128
FONTE: <https://telelab.aids.gov.br/moodle/pluginfile.php/22193/mod_resource/content/1/
S%C3%ADfilis%20-%20Manual%20Aula%202.pdf>. Acesso em: 7 abr. 2021.
É importante lembrarmos que, por se tratar de um teste que não está 
detectando a bactéria em si, ele não é específico para sífilis. Assim, existem causas 
transitórias ou permanentes que podem gerar resultados falso-positivos, como 
mostra o Quadro 1. 
QUADRO 1 – SITUAÇÕES QUE PODEM GERAR RESULTADOS FALSO-POSITIVOS NOS 
TESTES NÃO TREPONÊMICOS
FONTE: Brasil (2016, p. 23)
Assim, para saber quando o resultado reagente realmente indica a doença, 
a Portaria n° 3.242, de 30 de dezembro de 2011, estabelece o fluxo de testes para 
sífilis que devem ser realizados e indica quais são necessários para compreender 
se o resultado reagente corresponde ou não a sífilis, entre outras recomendações.
Situações que podem gerar resultados falso 
positivos transitórios
Situações que podem gerar resultados 
falso-positivos permanentes
• Algumas infecções;
• Após vacinações;
• Uso concomitante de medicamentos;
• Após transfusões de hemoderivados;
• Gravidez;
• Em idosos.
• Portadores de lúpus eritematoso sistêmico; 
• Síndrome antifosfolipídica e outras 
 colagenoses;
• Hepatites virais crônica;
• Usuários de drogas ilícitas injetáveis; 
• Hanseníase; 
• Malária; 
• Em idosos.
TÓPICO 1 — SÍFILIS
129
3.1.2 Ensaio RPR
O ensaio RPR (sigla do inglês Rapid Test Reagin) é uma variação do VDRL, 
porém tem como diferencial não necessitar de microscópio para visualização do 
resultado reagente. Isso é possível porque o kit reagente contém partículas de 
carvão na sua composição, o que torna a floculação visível a olho nu (Figura 6). 
A interpretação dos resultados deste teste é semelhante à apresentada no VDRL 
(BRASIL, 2016).
FIGURA 6 – DEMONSTRAÇÃO DA VISUALIZAÇÃO DE RESULTADO NA TÉCNICA DE RPR
FONTE: <https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/stanbio-rpr-test-kit-add-
serum-463825115> Acesso em: 26 abr. 2021.
Além dos casos de resultados falso-positivos, existe também a possibilidade 
de resultados falso-negativos – anteriormente, abordamos o fenômeno prozona, 
que pode gerar resultados falso-negativos diante de altas concentrações de 
anticorpos em amostras não diluídas. Desse modo:
Nos testes não treponêmicos, especialmente na sífilis secundária, quando 
há grande produção de anticorpos, podem ocorrer resultados falso-
negativos em decorrência do fenômeno de prozona. Esse fenômeno 
consiste na ausência de reatividade aparente no teste realizado em uma 
amostra não diluída que, embora contenha anticorpos anticardiolipina, 
apresenta resultado não reagente quando é testada. Esse fenômeno 
decorre da relação desproporcional entre as quantidades de antígenos 
e anticorpos presentes na reação não treponêmica, gerando resultados 
falso-negativos (BRASIL, 2016, p. 20).
Por isso, quando realizamos a técnica de VDRL na rotina laboratorial, é 
indispensável que a amostra seja testada tanto pura quanto diluída 1/8, sendo a 
testagem em diluição necessária para evitar resultados falso-negativos pelo efeito 
prozona (BRASIL, 2016). 
UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES
130
3.2 TESTES TREPONÊMICOS
Os testes treponêmicos são provas qualitativas que detectam anticorpos 
antitreponêmicos, ou seja, anticorpos produzidos especificamente contra o 
T. pallidum. Essa detecção ocorre pela presença de antígenos treponêmicos nas 
técnicas utilizadas. Por detectar anticorpos, resultados reagentes são indicativos 
de que, em dado momento, o paciente foi exposto ao T. pallidum, o que não 
necessariamente indica infecção ativa. São testes realizados em amostras que 
apresentaram resultados reagentes em testes não treponêmicos, conforme 
indicado no Manual Técnico para Diagnóstico da Sífilis (BRASIL, 2016).
3.2.1 Imunofluorescência indireta – FTA-Abs
O teste FTA-Abs (sigla do inglês, Fluorescent Treponemal Antibody Absorption 
Test) é uma metodologia considerada padrão-ouro para sífilis, ou seja, é a melhor 
opção de exame, aquela que apresenta menor probabilidade de erro. Trata-se de 
uma técnica de imunofluorescência indireta (Figura 7) que “utiliza T. pallidum (da 
cepa Nichols) fixado em áreas demarcadas de lâminas de vidro em que são feitas as 
reações” (BRASIL, 2016), composta por várias etapas:
A amostra de soro utilizada deve ser inativada, por 30 minutos, 
a 56 °C. As diluições são feitas em tubo. A amostra é diluída a 1/5, 
misturando-se 1 parte de soro e 4 partes de solução absorvente ou 
sorbent – extrato de cultura de treponema Reiter não patogênico. 
Essa diluição é feita para remover anticorpos treponêmicos comuns à 
maioria dos treponemas não patogênicos que podem estar presentes 
no soro. A amostra diluída é colocada sobre a demarcação da lâmina. 
Se a amostra contiver anticorpos antitreponema pallidum, estesvão se 
ligar aos treponemas fixados na lâmina.Após a incubação da reação e 
a lavagem da lâmina para remover anticorpos e outros componentes 
da amostra que não se ligaram à reação, é adicionado o conjugado 
fluorescente – soro anti-imunoglobulina humana conjugado ao 
isotiocianato de fluoresceína). Se na amostra houver anticorpos 
ligados aos treponemas fixados na lâmina, o conjugado vai se ligar 
aos anticorpos, tornando os treponemas fluorescentes. Assim, estes 
poderão ser vistos, em microscopia de fluorescência, emitindo luz 
verde-maçã (BRASIL, 2016, p. 41).
Para ilustrar melhor a técnica de FTA-Abs, assista ao vídeo “Imunofluorescência 
Indireta no FTA-Abs”, no qual os recursos visuais facilitam a compreensão dos princípios da 
técnica. Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=yc_GEJBOIr0.
IMPORTANT
E
TÓPICO 1 — SÍFILIS
131
Em pacientes com sífilis em estágio primário, é a primeira prova sorológica 
que apresenta resultado reagente. Além disso, é um teste utilizado em casos em que 
as manifestações clínicas são compatíveis com sífilis, porém apresenta resultado não 
reagente em provas não treponêmicas, situação possível em pacientes em estágio de 
sífilis primária, latente recente ou tardia (BRASIL, 2010).
FIGURA 7 – REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DE UMA REAÇÃO DE IMUNOFLUORESCÊNCIA 
INDIRETA – FTA-ABS
FONTE: <https://telelab.aids.gov.br/moodle/pluginfile.php/22197/mod_resource/content/1/
S%C3%ADfilis%20-%20Manual%20Aula%206.pdf>. Acesso em: 7 abr. 2021.
Essa técnica pode apresentar três tipos de resultados: reagente, não 
reagente e inconclusivo. No caso de resultados inconclusivos, é importante 
atentar para possíveis problemas relacionados à qualidade dos reagentes 
utilizados, bem como se a amostra que apresentou tal resultado foi acondicionada 
e manipulada corretamente. As particularidades relacionadas aos interferentes 
técnicos relacionados a essa metodologia, que culminam em resultados 
inconclusivos, serão discutidos no Tópico 5 (BRASIL, 2016). No caso de resultados 
reagentes, é importante ter em mente que se trata da investigação de anticorpos 
antitreponêmicos. Assim, se o paciente tiver sido infectado pelo Treponema, o 
organismo produzirá anticorpos para combatê-lo, os quais continuam detectáveis 
mesmo após a sua cura. Dessa forma, uma vez que o paciente tenha resultado 
FTA-Abs reagente, novas testagens utilizando essa metodologia seguirão 
apresentando resultado reagente, uma vez que se trata de uma cicatriz imunológica 
(BRASIL, 2016).
Anticorpo 
treponêmico 
da amostra
Conjugado 
fluorescente
UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES
132
3.2.2 Teste treponêmico imunoenzimático – ELISA
Nesse tipo de teste, antígenos do Treponema estão fixados a uma fase sólida 
(placa de poliestireno) e ligam-se aos anticorpos antitreponêmicos presentes na 
amostra do paciente. Seguindo a mesma lógica do FTA-Abs, por ser um teste 
que detecta anticorpos específicos para Treponema, uma vez que o resultado 
seja reagente, o paciente seguirá apresentando esse mesmo resultado ao longo 
de sua vida. Dessa maneira, não é um teste aplicável para acompanhamento de 
tratamento ou diagnóstico de reinfecção (BRASIL, 2016). 
Deve-se observar que, ao tratar do teste imunoenzimático para Treponema, 
utilizamos a palavra reinfecção, ou seja, mesmo após a cura, o paciente ainda corre risco de 
novas infecções. Isso ocorre porque, apesar da produção de anticorpos antitreponêmicos 
na primeira infecção, essa bactéria tem mecanismos de evasão (mecanismos que tornam 
um patógeno menos detectável pelo sistema imune), como a baixa capacidade que as 
proteínas de superfície tem de gerar resposta imune (baixa imunogenicidade) e a variação 
de antígenos expressos pelas lipoproteínas (moléculas compostas por lipídios e proteínas) 
(BRAGA, 2018).
IMPORTANT
E
De acordo com o Ministério da Saúde, o diagnóstico e acompanhamento 
aplicado à sífilis deve seguir fluxogramas de trabalho, a partir das metodologias 
previamente descritas:
•	 Triagem	 não	 treponêmica	 confirmada	 por	 teste	 treponêmico	 (Figura 8) – 
fluxograma no qual a amostra é, inicialmente, testada utilizando provas não 
treponêmicas, como o VDRL. Casos em que o teste inicial não treponêmico 
apresenta resultado não reagente, tanto amostra pura quanto diluída 1/8, o 
fluxograma se encerra nessa etapa. Caso o paciente apresente manifestações 
clínicas compatíveis com sífilis, nesse caso, a equipe médica deve solicitar 
novamente novo exame dentro de 30 dias após a data da primeira coleta, 
para excluir da hipótese diagnóstica a sífilis. Caso a amostra seja testada pura 
e diluída e apresente resultado reagente para o teste não treponêmico, esse 
resultado deverá ser confirmado por um teste treponêmico. Tanto o resultado 
do teste não treponêmico quanto o teste treponêmico devem constar em laudo 
(BRASIL, 2016).
TÓPICO 1 — SÍFILIS
133
FIGURA 8 – FLUXOGRAMA DE TESTES DE TRIAGEM NÃO TREPONÊMICO CONFIRMADO 
POR TESTE TREPONÊMICO
FONTE: Brasil (2016, p. 34)
•	 Diagnóstico	laboratorial	reverso	de	sífilis	baseado	em	testes	 imunológicos	
automatizados: nesse fluxo de trabalho (Figura 9), a amostra é processada 
primeiro por testes automatizados treponêmicos, em que o resultado inicial 
determina as próximas etapas. Se o primeiro teste apresentar resultado não 
reagente, não é necessária mais nenhuma etapa. Caso apresente resultado 
reagente, ele deve ser seguido de um teste não treponêmico para confirmação 
diagnóstica (CASTEJON et al., 2019).
Resultado 
Reagente?
Resultado 
Reagente?
Amostra 
Não Reagente
para	Sífilis
Amostra 
Não Reagente
para	Sífilis
Amostra 
Reagente
para	Sífilis
Amostra
Realizar Teste
não 
Treponêmico
Realizar Teste
Treponêmico
simsim
simsim
nãonão
nãonão
UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES
134
FIGURA 9 – FLUXOGRAMA DE DIAGNÓSTICO LABORATORIAL REVERSO DE SÍFILIS BASEADO 
EM TESTES IMUNOLÓGICOS AUTOMATIZADOS
FONTE: Brasil (2016, p. 36)
A combinação dos resultados de testes não treponêmicos e treponêmicos 
obtidos nos fluxos de trabalho previamente descritos têm diferentes interpretações 
para equipes médicas. O Quadro 2 indica as combinações e os significados clínicos 
possíveis com base nos resultados obtidos pelos exames imunológicos.
Amostra
Resultado 
Reagente?
Amostra 
Não Reagente
para	Sífilis
Realizar Teste
Treponêmico
nãonão
simsim
Resultado 
Reagente?
Realizar Teste
não 
Treponêmico
nãonão
Resultado 
Reagente?
Amostra 
Não Reagente
para	Sífilis
Realizar Teste
Treponêmico*
nãonão
Amostra 
Reagente
para	Sífilis
simsim
Amostra 
Reagente
para	Sífilis
simsim
TÓPICO 1 — SÍFILIS
135
QUADRO 2 – INTERPRETAÇÃO DE PROVAS SOROLÓGICAS PARA SÍFILIS
FONTE: Adaptado de <https://www.drakeillafreitas.com.br/como-fazer-o-diagnostico-da-sifilis/>. 
Acesso em: 12 fev. 2021.
VDRL FTA-Abs Interpretação
Titulação 1/16 Reagente
Doença ativa, exceto quando o resultado de paciente em 
tratamento apresentar redução em relação às titulações 
anteriores
Titulação 1/1, 
1/2, 1/4 Reagente Cicatriz imunológica ou doença terciária ou latência tardia
Reagente Não Reagente Falso-positivo
Não reagente Reagente Cicatriz imunológica, independente se após tratamento ou cura espontânea
136
Neste tópico, você aprendeu que:
• Sífilis é uma doença sistêmica que tem como agente etiológico o Treponema 
pallidum, uma bactéria com parede celular semelhante às Gram-negativas que 
apresenta forma de espiroqueta microaeróbia. Os seres humanos são os únicos 
hospedeiros dessa bactéria.
• A estrutura do Treponema pallidum é composta por: filamento axial (promove a 
movimentação do Treponema), membrana celular (composta por lipoproteínas, 
glicolipídios e cardiolipina, sendo este o principal antígeno investigado em 
testes não treponêmicos), periplasma (dá o formato espiralado ao Treponema) e 
membrana externa (protege o microrganismo).
• Treponema é transmitido por contato sexual, mas também pode ser transmitido 
por transmissão vertical e contato com secreções.
• As manifestaçõesclínicas podem ser divididas em três estágios: sífilis primária 
(manifestação clínica é a presença de lesão no local em que a bactéria invade) 
sífilis secundária (dispersão do Treponema pallidum por todos os órgãos com 
formação de exantemas), sífilis latente (manifestações clínicas cessam) e sífilis 
terciária (processo inflamatório acompanhado de prejuízo no tecido ósseo, 
cardiovascular e do sistema nervoso).
• A detecção de sífilis é feita por provas imunológicas de dois tipos: treponêmicos 
(provas qualitativas que detectam anticorpos antitreponêmicos, ou seja, 
anticorpos específicos para o Treponema) e não treponêmicos (não são específicos 
para o Treponema, investiga a presença de anticorpos anticardiolipínicos). 
• FTA-Abs é a metodologia treponêmica considerada padrão-ouro para sífilis 
pois apresenta menor probabilidade de erro.
• Teste treponêmico imunoenzimático ELISA utiliza antígenos do Treponema 
fixados a uma fase sólida que se ligam aos anticorpos antitreponêmicos 
presentes na amostra do paciente. 
• Os fluxos diagnósticos para sífilis compreendem principalmente: triagem 
não treponêmica confirmada por teste treponêmico e diagnóstico laboratorial 
reverso de sífilis baseado em testes imunológicos automatizados.
RESUMO DO TÓPICO 1
137
1 Sobre o Treponema pallidum, assinale a alternativa INCORRETA:
a) ( ) Trata-se de uma bactéria Gram-negativa em formato de espiroqueta e 
microaerófila.
b) ( ) Indivíduos infectados pelo Treponema pallidum apresentam como 
sintoma inicial uma ferida no local em que ocorreu a infecção.
c) ( ) A bactéria apresenta mecanismos de evasão de alta imunogenicidade, 
que permitem novas infecções em indivíduos já curados.
d) ( ) Com a evolução do quadro infeccioso sem tratamento, o Treponema 
pode gerar prejuízos neurológicos.
2 Na técnica de VDRL, é indispensável a realização de testes com a amostra 
pura e com a amostra diluída na proporção 1/8. Justifique essa afirmação. 
3 A respeito dos testes treponêmicos, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) São testes comumente utilizados para acompanhamento do tratamento 
para sífilis.
b) ( ) São testes confirmatórios, que pesquisam anticorpos específicos para 
Treponema pallidum.
c) ( ) São testes de triagem inespecíficos para Treponema pallidum.
d) ( ) São os testes mais indicados para investigar reinfecções.
4 Por que são utilizados testes não treponêmicos para sífilis, apesar de sua 
inespecificidade? Justifique sua resposta.
5 A sífilis é uma doença infecciosa que apresenta diferentes estágios, 
caracterizados por diferentes manifestações clínicas. Sobre os estágios 
dessa doença, assinale a alternativa INCORRETA:
a) ( ) Os dois primeiros estágios da doença são considerados os de maior 
chance de contágio. 
b) ( ) O terceiro estágio pode ser assintomático.
c) ( ) Na sífilis secundária, a pele é acometida pelo surgimento de manchas.
d) ( ) Na sífilis terciária, é possível observar a formação do cancro duro, 
correspondente a uma ferida indolor que surge no local da inoculação 
da bactéria.
AUTOATIVIDADE
138
139
UNIDADE 3
TÓPICO 2 — 
SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA (SIDA OU AIDS)
1 INTRODUÇÃO
No início da década de 1980, um dos primeiros registros do que, ao 
final do mesmo ano, seria definido pelo Center for Disease Control (CDC) como a 
síndrome	da	imunodeficiência	adquirida	(SIDA ou, do inglês, AIDS), resultante 
da infecção pelo vírus	da	imunodeficiência	humana	(HIV), foi:
Recentemente, tratamos vários homossexuais jovens, previamente 
sadios, com múltiplos episódios de pneumonia por Pneumocystis 
carinii, candidíase extensa de mucosa e infecções virais graves. As 
manifestações clínicas e os estudos da imunidade celular indicaram um 
grave defeito da função das células T. Esta síndrome representa uma 
deficiência imunológica potencialmente transmissível (GOTTLIEB et al., 
1981, p. 444).
 Como podemos perceber, inicialmente, foi relatada como uma condição 
clínica restrita a indivíduos homossexuais do sexo masculino. Essa conclusão 
inicial estigmatizou a AIDS como uma doença relacionada a indivíduos 
homossexuais do sexo masculino e transmitida via contato sexual nos anos 1980 
(CDC, 2020). 
Contudo, com a evolução dos conhecimentos adquiridos sobre a AIDS, 
essa informação inicial foi desmistificada. Isso porque foi observado que mulheres, 
recém-nascidos filhos de gestantes com HIV e indivíduos que, independentemente 
da orientação sexual, compartilhavam agulhas para uso de drogas de abuso ou 
receberam doação de sangue contaminado também poderiam ser infectados pelo 
vírus HIV. Assim, foi possível compreender que, diferentemente das conclusões 
iniciais sobre a doença, além da via sexual a transmissão do HIV (Figura 10), 
poderia ocorrer por via vertical (mãe para filho) e via sanguínea (CDC, 2020).
140
UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES
FIGURA 10 – VIAS DE TRANSMISSÃO DO VÍRUS HIV
FONTE: <https://www.vihda.pt/saber-sobre-o-hiv/como-se-transmite/>. Acesso em: 20 fev. 2021.
O HIV é um vírus que infecta o sistema imunológico dos seres humanos. 
Quando essa infecção não é devidamente tratada, ela passa a expressar um 
quadro conhecido como AIDS. Até o momento, trata-se de uma condição para 
a qual não existe cura, assim, uma vez infectado, o paciente permanece com 
o vírus por toda sua vida. Contudo, com os avanços no desenvolvimento de 
estratégias terapêuticas, pacientes infectados podem viver de modo saudável e 
com maior qualidade de vida atualmente (FIOCRUZ; HOAGLAND, 2013).
A seguir, compreenderemos os mecanismos de infecção desse vírus, e 
como ele desencadeia a AIDS. Ao longo deste tópico, abordaremos também as 
metodologias utilizadas para detecção e acompanhamento dos pacientes que 
vivem com HIV. 
2 VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA (HIV)
O HIV foi originado de um vírus presente em chimpanzés da África 
Central, chamado de vírus da imunodeficiência símia (SIV), e é provável que 
tenha sido transmitido aos humanos pelo contato com a carne de caça desses 
animais, bem como com o seu sangue infectado. O HIV é um retrovírus (vírus 
que armazena suas informações em formato de ácido ribonucleico-RNA e 
possui a enzima transcriptase reversa) pertencente à família Lentiviridae. Esta 
subfamília de vírus tem como características um longo período de incubação 
antes do estabelecimento de sinais e sintomas relacionados à doença, supressão 
imunológica e infecção de células sanguíneas e do sistema nervoso (FIOCRUZ; 
HOAGLAND, 2013). 
TÓPICO 2 — SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA (SIDA OU AIDS)
141
É importante ressaltarmos que existem dois tipos de HIV: o HIV tipo 1 e o HIV 
tipo 2. O primeiro é um retrovírus mais disperso por todo o mundo, enquanto o segundo é 
o principal causador de infecções por HIV na região central da África.
IMPORTANT
E
Ao infectar um indivíduo, o HIV liga-se ao receptor CD4+, que está 
presente na membrana plasmática dos linfócitos T auxiliares (também conhecidos 
como linfócitos T-CD4+). A partir daí, ele utiliza a célula infectada para se 
reproduzir. A replicação do HIV tem início com a liberação do RNA viral dentro 
da célula infectada. Esse RNA é transcrito por uma enzima chamada transcriptase 
reversa, responsável por transcrever o RNA viral em DNA pró-viral. Uma vez 
sintetizado, o DNA pró-viral entra no núcleo da célula infectada e se integra 
ao DNA celular com o auxílio da enzima viral integrase. Posteriormente, a 
célula passa a produzir o RNA e as proteínas do HIV, que são importantes para 
a formação de novos virions (partícula viral completa que está estruturalmente 
intacta e é infecciosa) ainda imaturos. Os virions imaturos são convertidos em 
vírus HIV maduros, por ação das enzimas virais proteases, rompem a célula ao 
qual se originaram e invadem outra célula do hospedeiro, e, assim, o ciclo se 
reinicia (Figura 11). Ao utilizar os componentes celulares para sua replicação, o 
HIV destrói progressivamente os linfócitos. Os linfócitos atuam na defesa contramicrorganismos patogênicos e células cancerígenas, por isso, com a redução dos 
linfócitos, o indivíduo infectado passa a ficar vulnerável a infecções oportunistas 
(infecções por microrganismos que, diante da vulnerabilidade imunológica do 
paciente, conseguem causar infecções generalizadas) (BRASIL, 2013). 
Muitas vezes, é desafiador compreender alguns processos biológicos, e um 
exemplo é o processo de replicação do HIV. Assim, assista à animação a seguir, que pode 
auxiliar no entendimento das etapas da replicação do HIV: https://www.youtube.com/
watch?v=ZQ9amIhyZ48.
IMPORTANT
E
142
UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES
FIGURA 11 – CICLO DE REPLICAÇÃO DO HIV
FONTE: <http://twixar.me/TBtm>. Acesso em: 21 fev. 2021.
Quando a infecção progride de tal forma que a quantidade de linfócitos 
fica muito baixa, diferentes manifestações clínicas passam a surgir configurando 
a AIDS. Esta progressão que ocorre entre a infecção e o estabelecimento da AIDS 
pode ser dividida nas seguintes fases:
• Infecção aguda: trata-se da fase de incubação, que corresponde ao período 
entre o contágio e a manifestação de sinais e sintomas. Essa fase dura de 3 a 
6 semanas, e por apresentar sintomas leves e similares ao de uma gripe, não 
recebem a devida atenção por parte do paciente.
• Fase assintomática (ou latência clínica): o vírus se replica intensamente, 
porém o sistema imune por ainda apresentar número considerável de glóbulos 
brancos, consegue controlar a replicação viral, de modo que o paciente não 
manifesta sintomas. Essa fase pode perdurar por até 10 anos, e o indivíduo 
infectado pode transmitir o vírus para outras pessoas. Próximo do fim desse 
período, a carga viral (quantidade de cópias do vírus presente em determinado 
fluido corporal) passa a aumentar, enquanto os linfócitos T-CD4 apresentam 
redução em sua quantidade. 
TÓPICO 2 — SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA (SIDA OU AIDS)
143
• Fase sintomática inicial: por conta da redução das células CD4+, o paciente 
infectado se torna imunologicamente vulnerável, o que favorece o aparecimento 
de outras doenças, quando os linfócitos T-CD4+ apresentam concentrações 
abaixo de 500 células/mm3 (em condições normais, os indivíduos apresentam 
entre 500 e 1200 células/mm3 de linfócitos T-CD4+). Entre as manifestações 
clínicas possíveis, temos: tuberculose pulmonar, herpes-zoster, candidíase 
genital de repetição e dermatoses.
• AIDS: um paciente é enquadrado nessa fase quando a contagem de linfócitos 
T-CD4+ é inferior a 200 células/mm3. Nessa etapa, a redução drástica das células 
de defesa favorece o aparecimento de doenças oportunistas como sarcoma 
de kaposi (Figura 12), caquexia, neurocriptococose, neurotoxoplasmose, 
candidíase, tuberculose extrapulmonar, diarreia crônica, entre outras (FURRER; 
FUX, 2002). 
FIGURA 12 – PACIENTES COM CANDIDÍASE (A) E SARCOMA DE KAPOSI (B)
FONTE: <https://www.mdsaude.com/doencas-infecciosas/dst/sarcoma-kaposi/>. 
Acesso em: 20 fev. 2021.
Síndrome é um termo que tem origem do grego “syndromé”, que significa 
reunião. Assim, ao se deparar com o termo síndrome na área da saúde, isso significa 
que o paciente apresenta um conjunto de sinais e sintomas inespecíficos, mas que, em 
conjunto, configuram uma determinada síndrome.
INTERESSA
NTE
144
UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES
É importante ter clareza quanto à diferença de alguns termos relacionados a 
este tópico: uma pessoa que vive com HIV não é uma pessoa que necessariamente 
está com AIDS. Em especial, pessoas que vivem com HIV e fazem uso de 
terapia antiretroviral (medicamentos responsáveis por inibir a replicação do 
HIV e, por conseguinte, reduzir o prejuízo ao sistema imunológico), e realizam 
o acompanhamento médico corretamente, apresentam melhora na qualidade de 
vida, uma vez que apresentam melhora na disposição, energia e apetite e menores 
chances do desenvolvimento de doenças oportunistas (UNAIDS, 2017).
3 LABORATÓRIO CLÍNICO NO DIAGNÓSTICO E 
ACOMPANHAMENTO DO HIV/AIDS
Nesse momento, compreenderemos como é realizado o diagnóstico da 
infecção por HIV e o acompanhamento de pacientes que vivem com o vírus a 
partir das provas sorológicas presentes no laboratório clínico, bem como a 
interpretação dos resultados de cada metodologia e sua aplicação clínica. 
Os aspectos técnicos das metodologias ainda não discutidas nesta disciplina 
serão abordados no Tópico 5.
NOTA
As metodologias e fluxos de trabalho aplicados ao diagnóstico do HIV 
foram implantados na rotina laboratorial com base nas orientações técnicas 
disponibilizadas pelo Ministério da Saúde, a partir do Manual Técnico para o 
Diagnóstico da Infecção pelo HIV, aprovado pela Portaria SVS/MS n° 29, de 
17 de dezembro de 2013. Essa portaria deve ser seguida pelos profissionais 
envolvidos no diagnóstico de HIV tanto nos setores públicos quanto privados.
A construção deste manual foi pensada considerando cenários de maior 
e menor disponibilidade de recursos técnicos. Desse modo, existem seis fluxos 
de trabalho possíveis preconizados pelo manual (apresentados na forma de 
fluxogramas), com o objetivo de contemplar as diferentes condições de trabalho 
dos laboratórios brasileiros. Assim, quando um laboratório objetiva implantar 
uma rotina para diagnóstico de HIV, esse manual deve ser consultado e, dentro 
dos recursos disponíveis, um dos fluxogramas disponíveis deve ser selecionado 
para nortear os fluxos de trabalho.
TÓPICO 2 — SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA (SIDA OU AIDS)
145
O Ministério da Saúde consegue delinear esses fluxogramas propostos a 
partir da Classificação de Fiebig et al. (2003), uma vez que, conforme descrito por 
Souza (2017, p. 42):
Estudos de Fiebig et al. apontam o período de reatividade de cada 
metodologia de testagem após o evento de infecção, servindo como 
base para a construção dos fluxogramas. O sistema proposto estabelece 
seis estágios na infecção recente pelo HIV, de acordo com o padrão 
de reatividade a marcadores específicos (RNA viral, antígeno, p.24, 
ELISA e Western Blot), que surgirão nos ensaios de detecção ao longo 
da progressão da infecção viral. Tal sistema é a base para a tomada de 
decisão sobre quais metodologias são mais adequadas em contextos 
distintos da infecção pela sintomatologia e histórico do paciente.
Os testes utilizados para detecção do HIV são divididos em gerações. 
Quanto maior a geração do ensaio, maior a capacidade de detecção do vírus em 
infecções recentes por HIV (BRASIL, 2018):
• Primeira geração: são imunoensaios de formato indireto, que detectam a presença 
de IgG para HIV, e que apresenta janela de soroconversão (surgimento do anticorpo 
no soro) de 35 a 45 dias. Por detectar IgG, é considerado um teste pouco específico e 
menos sensível em comparação com as gerações seguintes, o que fez com que esta 
geração de testes entrasse em desuso nos laboratórios clínicos.
• Segunda geração: também um imunoensaio indireto (metodologia já 
apresentada na Unidade 2), porém sua vantagem consiste no uso de fragmentos 
de proteínas do HIV. A opção por este antígeno está relacionada à presença de 
epítopos imunodominantes (regiões antigênicas presente em certas proteínas 
do HIV pelo qual a resposta humoral tem maior afinidade). Assim, quanto 
mais epítopos imunodominantes, maior a sensibilidade do ensaio.
• Terceira geração: são ensaios do tipo imunométricos, também conhecidos 
como sanduíche, que permitem a detecção de anticorpos anti-HIV IgM e anti-
HIV anti-IgG simultaneamente. A capacidade de detecção de IgM deste tipo 
de teste confere maior sensibilidade em relação à primeira e segunda geração. 
Nestes testes, a janela de soroconversão é de 20 a 30 dias.
• Quarta geração: testes que detectam tanto o antígeno p24 presente no vírus 
e ainda detectam os anticorpos específicos para HIV. Nesses testes, o tempo 
médio de janela sorológica é de 15 dias. 
Dada a importância das metodologias de quarta geração, assista ao vídeo a seguir, 
que aborda esses testes,demonstrando como este tipo de ELISA é realizado, bem como 
outras características importantes: https://www.youtube.com/watch?v=cE6IL4H8HJE.
IMPORTANT
E
146
UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES
Assim, os imunoensaios mais comumente utilizados nas rotinas para HIV 
são os ensaios imunoenzimáticos (ELISA). De modo geral, o princípio de ensaios 
sorológicos para HIV não está voltado para detectar o vírus, mas, sim, detectar a 
presença	 de	 anticorpos	 específicos	 para	HIV. Um lembrete importante é que a 
produção de anticorpos específicos precede a presença do patógeno investigado. 
Dessa forma, somente pacientes infectados pelo vírus HIV, por exemplo, poderão 
apresentar anticorpos para esse vírus. 
Antígeno p24 é uma proteína que compõe a cápsula protetora que guarda os 
genes e enzima viral, chamada de capsídeo, na zona central do vírus.
ANTÍGENO P24
FONTE: <http://docplayer.com.br/11719439-Francisco-andre-marques-de-oliveira-cariri.html>. 
Acesso em: 27 fev. 2021.
NOTA
TÓPICO 2 — SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA (SIDA OU AIDS)
147
Os Fluxogramas 1, 2 e 3 são os preferenciais por combinarem os testes 
que permitem agilizar o diagnóstico da infecção, sendo também os 
que apresentam maior resolutividade e, por esses motivos, o DIAHV 
os indica como sendo os de primeira escolha nas situações nas quais 
está recomendada sua aplicação (BRASIL, 2018, p. 66).
Conforme citado anteriormente, a execução das provas sorológicas 
aplicadas ao diagnóstico de HIV deve seguir os fluxos de trabalho indicados pelo 
Ministério da Saúde. Os principais fluxos e seu respectivo funcionamento são:
• Dois testes rápidos realizados em sequência com amostras de sangue: fluxo 
de trabalho que utiliza dois testes rápidos (Figura 13), que devem detectar 
antígenos diferentes, em amostras de sangue de punção digital (gotas de sangue 
extraídas da ponta dos dedos) ou punção venosa. Contudo, um resultado só 
é válido em testes rápidos quando a faixa controle é marcada. Assim, quando 
aparece “Válido?” ao longo do fluxograma, estamos tratando de um possível 
problema no teste de teste. Testes que apresentarem resultado que não é válido 
tem indicação de nova coleta por punção venosa e processamento de acordo 
com fluxogramas que incluem outras metodologias. Por outro lado, casos em 
que o teste apresentar resultado válido não reagente, o fluxograma de trabalho 
se encerra nessa etapa. Entretanto, pacientes que apresentam resultado 
válido reagente para HIV devem ser testados com um segundo teste rápido. 
Se o resultado neste segundo teste rápido apresentar resultado reagente e a 
amostra utilizada por originada de punção digital, devemos solicitar coleta de 
segunda amostra para repetir e com isso confirmar o resultado. Já em casos em 
que o segundo teste apresenta resultado não reagente, também é necessária 
realização de coleta de nova amostra para comparação com o primeiro teste 
rápido utilizado (BRASIL, 2018). 
148
UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES
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TÓPICO 2 — SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA (SIDA OU AIDS)
149
•	 Um	teste	rápido	utilizando	fluido	oral	seguido	por	um	teste	rápido	utilizando	
sangue: neste fluxo de trabalho, também são utilizados dois testes rápidos 
diferentes, em que um deles utilizamos amostra de fluido oral enquanto o 
segundo é realizado com amostra de sangue (Figura 14). Sua aplicação é 
indicada principalmente em ações e campanhas de testagem que ocorrem fora 
dos estabelecimentos de saúde. Este fluxograma é semelhante ao anterior, com 
a diferença de que um teste é realizado com fluído oral (BRASIL, 2018).
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150
UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES
•	 Aplicação	 de	 um	 imunoensaio	 de	 quarta	 geração	 confirmado	 por	 teste	
molecular como metodologia complementar: nesse fluxo de trabalho, é 
utilizada metodologia de imunoensaio (ELISA) de 4ª geração que, frente a 
resultados não reagentes, o resultado já pode ser liberado (Figura 15). Contudo, 
amostras que apresentam resultado reagente devem ser confirmadas utilizando 
teste molecular para contagem de carga viral. Quando a carga viral presente 
apresentar resultado igual ou superior a 5.000 cópias do vírus/mL de sangue 
a amostra é considerada reagente para HIV. Caso a avaliação da carga viral 
apresente resultado inferior a 5.000 cópias do vírus/mL, a amostra deverá ser 
testada por metodologia de Western Blot, que, ao apresentar resultado reagente, 
confirma que a amostra é reagente para HIV e, caso apresente resultado não 
reagente, deverá ser laudada como resultado inconclusivo, com indicação para 
nova coleta de amostra 1 mês da data da primeira coleta (BRASIL, 2018).
FIGURA 15 – ENSAIOS DE QUARTA GERAÇÃO UTILIZANDO TESTE MOLECULAR COMO 
METODOLOGIA COMPLEMENTAR
FONTE: Brasil (2018, p. 80)
Resultado 
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Molecular
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151
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• O vírus da imunodeficiência adquirida (HIV) ataca o sistema imunológico. 
Quando essa infecção não é tratada, passa a expressar um quadro conhecido 
como síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA ou AIDS).
• HIV é um retrovírus (vírus que armazena suas informações em formato de ácido 
ribonucleico) pertencente à família Lentiviridae. Esta subfamília de vírus tem 
como características um longo período de incubação antes do estabelecimento 
de sintomas relacionados à doença, à supressão imunológica e à infecção de 
células sanguíneas e nervosas.
• A progressão da infecção ocorre de tal forma que a quantidade de leucócitos 
fica muito baixa. A partir daí, diferentes manifestações clínicas passam a surgir 
configurando a síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS).
• O princípio de ensaios sorológicos para HIV é voltado para detectar a presença 
deanticorpos específicos para o HIV.
• As metodologias e fluxos de trabalho aplicados ao diagnóstico do HIV 
são implantados na rotina laboratorial seguindo orientações técnicas 
disponibilizadas pelo Ministério da Saúde, a partir do Manual Técnico para o 
Diagnóstico da Infecção pelo HIV, aprovado pela Portaria SVS/MS n° 29/2013. 
• Entre os principais fluxos de trabalho para diagnóstico de HIV, podemos 
destacar: dois testes rápidos realizados em sequência com amostras de sangue; 
um teste rápido utilizando fluido oral seguido por um teste rápido utilizando 
sangue; e a aplicação de um imunoensaio de quarta geração confirmado por 
teste molecular como metodologia complementar.
152
1 Explique a diferença entre HIV e AIDS.
2 Sobre o vírus HIV, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Trata-se de uma doença que culmina com o estabelecimento de prejuízo 
hepático crônico.
b) ( ) É sinônimo da síndrome da imunodeficiência adquirida.
c) ( ) É responsável pelo estabelecimento da AIDS.
d) ( ) É transmitida exclusivamente por via sexual.
3 A detecção de HIV é realizada por provas sorológicas classificadas em 
gerações. A respeito das gerações dessas provas sorológicas, assinale a 
alternativa CORRETA:
a) ( ) Ensaios de primeira geração são do tipo imunométrico e detectam 
anticorpos anti-HIV IgM e anti-HIV anti-IgG simultaneamente.
b) ( ) Ensaios de segunda geração são do tipo sanduíche direto, sendo 
considerados pouco específicos e menos sensíveis em comparação com 
as gerações seguintes.
c) ( ) Ensaios de terceira geração apresentam 15 dias de janela de 
soroconversão.
d) ( ) Ensaios de quarta geração detectam o antígeno p24 e os anticorpos 
específicos para HIV.
4 Sobre a evolução clínica que caracteriza o estabelecimento da AIDS, assinale 
a alternativa CORRETA:
a) ( ) O aumento progressivo de cópias dos linfócitos T-CD4+ precede o 
aparecimento de sintomas.
b) ( ) O aumento progressivo da carga viral é o evento que precede o 
aparecimento de sintomas.
c) ( ) A redução progressiva da carga viral é o evento que precede o 
aparecimento de sintomas.
d) ( ) A manifestação de sintomas precede as alterações nos marcadores de 
carga viral.
5 Explique a importância do antígeno p24 relacionado ao HIV.
AUTOATIVIDADE
153
UNIDADE 3
TÓPICO 3 — 
HEPATITES VIRAIS
1 INTRODUÇÃO
“Em todo o mundo, 290 milhões de pessoas vivem com hepatite viral e 
desconhecem que estão contaminadas”, esta afirmação é do Ministério da Saúde 
e destaca a importância de diagnosticar pessoas que vivem com hepatite viral e 
desconhecem esse fato. A seguir, conheceremos mais sobre as hepatites virais, 
bem como as metodologias utilizadas para diagnóstico e o significado clínico dos 
resultados obtidos. 
2 HEPATITES VIRAIS
Hepatite é um termo que vem da palavra grega Hepar, que significa 
fígado. Associada ao sufixo “ite”, que refere a inflamação, indica que se trata de 
um processo inflamatório localizado no fígado. Este quadro inflamatório hepático 
pode ter diferentes causas, como:
• doenças metabólicas; 
• doenças autoimunes;
• uso excessivo de álcool; 
• substâncias tóxicas;
• medicamentos;
• infecção viral.
 
Nesse primeiro momento, abordaremos hepatites originadas por infecções 
virais. Trata-se de uma doença crônica causada por vírus	hepatotrópicos, ou seja, 
vírus que tem maior afinidade pelos hepatócitos, células que formam o tecido 
hepático. Dividem-se em cinco tipos, nomeados de acordo com as cinco primeiras 
letras do alfabeto:
•	 Vírus	 da	 hepatite	 A	 (HAV): vírus de RNA com capsídeos formados pelo 
antígenos HAVAg (Figura 16). É encontrado no sangue e nas fezes de 
indivíduos contaminados e tem como meio de transmissão a via oral-fecal. 
Assim, dissemina-se com facilidade quando um indivíduo ingere alimentos 
contaminados ou por contato próximo com pessoas contaminadas. Os sintomas 
da hepatite A incluem náusea, icterícia, dor estomacal e fadiga, e podem durar 
por até 2 meses. A vacinação é a melhor forma de prevenir a contaminação por 
HAV (BRASIL, 2015).
154
UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES
FIGURA 16 – VÍRUS DA HEPATITE A
FONTE: <https://telelab.aids.gov.br/moodle/pluginfile.php/22180/mod_resource/content/3/
Hepatites-Manual-Aula-1.pdf>. Acesso em: 11 fev. 2021.
•	 Vírus	da	hepatite	B	(HBV): vírus de DNA que é revestido com duas camadas, 
compostas por diferentes antígenos (Figura 17). A camada interna composto 
por HBcAg, que representa o antígeno core (do inglês, núcleo) e o antígeno 
HBeAg, conhecido como antígeno “e”, que é um produto do gene do cerne 
viral. Já a camada externa (envelope) é composta por HBsAg, que corresponde 
ao antígeno de superfície desse vírus. É transmitido por contato com fluídos 
corporais contaminados. Indivíduos com infecção recente por HBV nem 
sempre apresentam sintomas. Contudo, quando existem sintomas nessa fase, o 
indivíduo pode manifestar fadiga, icterícia, dor estomacal, náusea e redução do 
apetite. A evolução do processo inflamatório desencadeado por esse vírus 
pode ocorrer de duas formas: como uma doença de curto prazo ou como 
uma infecção crônica com complicações clínicas como câncer de fígado ou 
cirrose (lesão hepática crônica que formam tecido cicatricial gerando 
insuficiência hepática). A vacinação é a principal via de prevenção desta 
infecção (BRASIL, 2015).
FIGURA 17 – VÍRUS DA HEPATITE B
FONTE: <https://telelab.aids.gov.br/moodle/pluginfile.php/22180/mod_resource/content/3/
Hepatites-Manual-Aula-1.pdf>. Acesso em: 11 fev. 2021.
TÓPICO 3 — HEPATITES VIRAIS
155
•	 Vírus	 da	 hepatite	 C	 (HCV): vírus de RNA com capsídeo e um envoltório 
externo, composto por lipoproteínas (Figura 18). É disseminado por via 
sanguínea, sexual e instrumentos de manicure não esterilizados. A maior parte 
dos indivíduos infectados não apresenta sintomas por longos períodos após a 
infecção. Contudo, quando se dá a manifestação de sintomas, frequentemente 
é indicativo de problemas hepáticos em estágio avançado, apresentando 
complicações como cirrose e câncer de fígado. Não existe vacina própria para 
esse vírus. Dessa forma, evitar o compartilhamento de agulhas, instrumentos 
de manicure e atividade e usar preservativo são hábitos que previnem a 
contaminação por este vírus (BRASIL, 2015).
FIGURA 18 – VÍRUS DA HEPATITE C
FONTE: <https://telelab.aids.gov.br/moodle/pluginfile.php/22180/mod_resource/content/3/
Hepatites-Manual-Aula-1.pdf>. Acesso em: 11 fev. 2021.
•	 Vírus	da	hepatite	D	 (HDV): vírus responsável pela hepatite delta, que possui 
envoltório composto por HBsAg, que é o mesmo antígeno de superfície presente 
no HBV (Figura 19). O HDV depende deste antígeno para completar seu ciclo 
biológico e sua capacidade de invadir a célula e se replicar (FONSECA, 2002). 
Assim, a infecção por HDV depende de coinfecção (infecção simultânea) ou 
superinfecção, que é quando ocorre a infecção por HDV após o indivíduo ter 
sido contaminado por HBV. A transmissão acontece quando sangue ou fluidos 
corporais contaminados entram em contato com o indivíduo. A contar pela 
relação de dependência que o HDV tem com o HBV, a vacinação para HBV é 
uma via de prevenção de infecção por HDV (FONSECA, 2002).
156
UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES
FIGURA 19 – VÍRUS DA HEPATITE D
FONTE: <https://telelab.aids.gov.br/moodle/pluginfile.php/22180/mod_resource/content/3/
Hepatites-Manual-Aula-1.pdf>. Acesso em: 11 fev. 2021.
•	 Vírus	da	hepatite	E	(HEV): vírus de RNA com capsídeo formado pelo antígeno 
HEVAg, que pode ser encontrado nas fezes de indivíduos infectados (Figura 
20). Assim, a infecção se dá pelo consumo de alimentos e água contaminados. 
Pode ocorrer de modo assintomático, mas em casos sintomáticos, as 
manifestações clínicas são semelhantes àquelas presentes em infecções por 
HAV. Manifestações clínicas de perfil crônico por HEV são raras e ocorrem em 
pacientes com sistema imune comprometido (CDC, 2020).
FIGURA 20 – VÍRUS DA HEPATITE E
FONTE: <https://telelab.aids.gov.br/moodle/pluginfile.php/22180/mod_resource/content/3/Hepatites-Manual-Aula-1.pdf>. Acesso em: 11 fev. 2021.
TÓPICO 3 — HEPATITES VIRAIS
157
3 LABORATÓRIO CLÍNICO NO DIAGNÓSTICO E 
ACOMPANHAMENTO DAS HEPATITES VIRAIS
Inicialmente, apresentaremos as características de cada um dos tipos de 
vírus da hepatite, pois cada vírus tem seus antígenos. É a partir das particularidades 
antigênicas de cada um deles que o laboratório clínico se pauta para investigar 
infecções causadas por esses vírus. 
A seguir, conheceremos os marcadores sorológicos aplicados ao 
diagnóstico das hepatites virais, sendo importante compreender que a confirmação 
das hipóteses clínicas relacionadas a esses vírus depende da combinação desses 
marcadores.
O diagnóstico das hepatites virais é baseado na detecção dos marcadores 
presentes no sangue, soro, plasma ou fluido oral da pessoa infectada, 
por meio de imunoensaios, e/ou na detecção do ácido nucleico viral, 
empregando técnicas de biologia molecular. O constante avanço 
tecnológico na área de diagnóstico permitiu o desenvolvimento de 
técnicas avançadas de imunoensaios, incluindo o de fluxo lateral, 
que são atualmente empregadas na fabricação de testes rápidos (TR). 
Os TR são de fácil execução, não exigem infraestrutura laboratorial 
para a sua realização e podem gerar resultados em até 30 minutos, 
permitindo ampliar o acesso ao diagnóstico (BRASIL, 2015, p. 13).
Nas hepatites virais, os fluxos de análise da amostra são diferentes frentes, 
resultados de triagem não reagentes e reagentes (BRASIL, 2015):
•	 Testes	rápidos	de	triagem	com	resultado	não	reagente	para	hepatite: resultado 
liberado com base nesse único teste aplicado. A repetição dessa análise é 
sugerida apenas em casos em que o paciente apresenta manifestações clínicas 
que reforçam a suspeita de hepatite, após 30 dias da primeira análise realizada. 
A recomendação de repetição após 1 mês da primeira análise tem como objetivo 
eliminar a possibilidade de o paciente estar passando pelo período de janela 
diagnóstica, que corresponde ao tempo entre a infecção e o período de detecção do 
marcador infeccioso investigado.
•	 Testes	 de	 triagem	 com	 resultado	 reagente	 para	 hepatite: testes de triagem 
reagente para hepatite devem ser acompanhados de outro teste confirmatório. 
A aplicação deste segundo teste é realizada com o objetivo de aumentar o valor 
preditivo positivo (VPP), que corresponde à probabilidade de o indivíduo 
avaliado de fato estar doente (BRASIL, 2015).
158
UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES
3.1 HEPATITE A
Causada pelo vírus HAV, sua detecção ocorre por sorologia IgM e IgG 
para HAV. De 5 a 10 dias após infecção, o IgM anti-HAV passa a ser detectável, 
permanecendo, assim, por até meio ano após o momento da infecção. Após o 
término da fase aguda, é possível que este marcador se torne indetectável. No caso 
dos anticorpos IgG, uma vez reagente, este anticorpo permanecerá detectável ao 
longo de toda vida do paciente. Sua aplicabilidade está associada principalmente 
ao acompanhamento epidemiológico da doença (BRASIL, 2015).
3.2 HEPATITE B
O antígeno e os anticorpos utilizados para diagnóstico de hepatite B 
permitem compreender qual o estágio da infecção. Inicialmente, a triagem é 
realizada pelos seguintes marcadores (BRASIL, 2015):
• HbsAg: trata-se do antígeno de superfície presente no HBV, detectável na 
corrente sanguínea após o 1° mês de infecção. É um antígeno presente tanto na 
infecção aguda quanto na infecção crônica, também conhecido como antígeno 
Austrália. 
• Anti-Hbc: trata-se do anticorpo da classe IgG contra o antígeno presente no 
capsídeo ou core do vírus da hepatite B. Este anticorpo é passível de detecção 
por toda vida.
Além dos marcadores utilizados para triagem, existem ainda outros 
marcadores utilizados no diagnóstico da hepatite B (BRASIL, 2015):
• Anti-HBc: trata-se de um anticorpo da classe IgM produzido contra o antígeno 
do capsídeo ou core do HVB, presente na fase aguda (recente) da infecção.
• Anti-HBs: classe de anticorpos produzidos em resposta ao antígeno de 
superfície do HVB, presente em pacientes que foram imunizados contra este 
vírus por vacinação.
• HBeAg: presente após o primeiro mês de infecção, trata-se de um marcador 
que indica que o paciente apresenta alta infectividade devido à presença de 
replicação viral intensa. Quando presente em estágios crônicos da hepatite 
indica que a doença está em atividade.
• Anti-HBe: trata-se de anticorpo produzido contra o antígeno “e” presente no 
HVB. De modo geral, é indicador de bom desfecho para o paciente, uma vez 
que sinaliza, em hepatites agudas, resolução da infecção ou menor chance 
de evolução da hepatite para cirrose, pela atividade reduzida da doença, em 
pacientes crônicos.
Muitas vezes, a investigação sorológica para hepatite B inclui a maior 
parte dos marcadores discutidos anteriormente. Para facilitar o entendimento do 
significado clínico das combinações possíveis de resultados, o Quadro 3 apresenta as 
interpretações possíveis para os achados sorológicos.
TÓPICO 3 — HEPATITES VIRAIS
159
QUADRO 3 – INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS SOROLÓGICOS PARA HEPATITE B
FONTE: <https://www.biomedicinapadrao.com.br/2013/11/marcadores-sorologicos-da-
hepatite-b.html>. Acesso em: 15 fev. 2021.
3.3 HEPATITE C
O diagnóstico da hepatite C é realizado pela investigação de anticorpos 
anti-HCV como metodologia de triagem. A presença de resultado reagente indica 
que, em algum momento, o paciente teve contato com o vírus. Esse marcador, 
contudo, não é capaz de especificar em qual fase (aguda ou crônica) da infecção o 
paciente se encontra (BRASIL, 2015).
3.4 HEPATITE D
 A investigação de infecção por HVD é realizada pela dosagem de anticorpos 
totais anti-HVD (IgM e IgG juntos). É importante lembrar que, nesse caso, trata-
se de um vírus que depende da presença do HVB para se reproduzir, seja via 
superinfecção ou coinfecção (BRASIL, 2015). A interpretação dos marcadores para 
hepatite B, em conjunto com os resultados da dosagem de anticorpos totais para 
HVD, permite diferenciar se o quadro do paciente é resultado de superinfecção ou 
coinfecção, conforme mostram os Quadros 4 e 5.
Hepatite B: Interpretação dos resultados sorológicos
Interpretação HBsAg HBeAg 
Anti-
HBc 
IgM 
Anti-
HBc IgG 
Anti-
HBe 
Anti-
HBs
Incubação + - - - - -
Fase aguda + + + + - -
Fase aguda final ou 
hepatite crônica
+ + - + - -
+ - - + + -
+ - - + - -
Início da fase convalescente - - + + - -
Imunidade, 
infecção passada recente - - - + + +
Imunidade, 
infecção passada - - - + - + ou -
Imunidade, 
resposta vacinal - - - - - +
160
UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES
QUADRO 4 – RESULTADOS COMPATÍVEIS COM SUPERINFECÇÃO
FONTE: A autora
Marcador Resultado
HbsAg Reagente
anti-HBc Reagente
anti-HBc IgM Não reagente
anti-HDV Reagente
antiHBs Não reagente
QUADRO 5 – RESULTADOS COMPATÍVEIS COM COINFECÇÃO
FONTE: A autora
Marcador Resultado
HbsAg Reagente
anti-HBc Reagente
anti-HBc IgM Reagente
anti-HDV Reagente
antiHBs Não reagente
3.5 HEPATITE E
A infecção pelo HVE é possível pela pesquisa de anticorpos anti-HVE IgM 
e anticorpos anti-HVE totais no soro do paciente, cuja presença de anticorpos IgM 
indica infecção recente e a presença de anticorpos totais indica exposição prévia ao 
HVE (BRASIL, 2015).
161
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• Hepatites virais são um processo inflamatório localizado no fígado causada 
por infecções virais.
• Hepatites virais são causadas por vírus hepatotrópicos (que têm maior 
afinidade com o tecido hepático) que se dividem em cinco tipos: A, B, C, D e E.
• Cada um dos tipos virais apresenta antígenos diferentes, que, no laboratório 
clínico, são utilizados para detecção em amostras de sangue, soro, plasma ou 
fluido oral do indivíduo infectada
• A detecção de hepatite A ocorre por sorologia IgM e IgG para HAV. 
• A detecção de hepatite B ocorre por marcadores de triagem como HbsAg e 
anti-Hbc e marcadores diagnósticos como anti-Hbc, anti-Hbs,HBeAg, anti-
HBe
• A detecção de hepatite C é realizado pela investigação de anticorpos anti-HCV 
como metodologia de triagem, que indica contato com o vírus em dado momento
• A detecção da hepatite D deve ser avaliada juntamente com marcadores 
de hepatite B, uma vez que permite discernir se existe uma coinfecção ou 
superinfecção.
• A infecção pelo HVE é possível pela pesquisa de anticorpos anti-HVE IgM 
(infecção recente) e anticorpos anti-HVE totais (exposição prévia ao HVE)
162
1 Com relação ao marcador indicativo de imunidade vacinal para hepatite B, 
assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Anti-HBs.
b) ( ) Anti-HBc.
c) ( ) Anti-HVA.
d) ( ) Anti-HVB.
 
2 Explique quais componentes permitem a detecção dos diferentes tipos de 
hepatites.
3 Explique a relação entre hepatite B e hepatite D.
4 Considerando os marcadores de hepatite B aguda com a interpretação de 
cada marcador, associe os itens, utilizando o código a seguir:
I- HBsAg.
II- Anti-HBc IgM.
III- Anti-HBc total.
IV- HBeAg.
V- Anti-HBe.
VI- Anti-HBs.
( ) Marcador de infecção recente, presente no soro até 8 meses após a infecção.
( ) Anticorpo que indica imunidade ao HBV.
( ) Sua presença indica estágio de alta infecciosidade.
( ) Representa contato prévio com o vírus. Está presente nas infecções agudas 
indicado pela presença de IgM e crônicas pela presença de IgG.
( ) Presente após desaparecimento do HBeAg, indica que a fase replicativa 
foi encerrada.
( ) Primeiro marcador a aparecer no curso da infecção pelo HBV. 
Assinale a alternativa que corresponde a sequência CORRETA:
a) ( ) I – V – VI – IV – II – III.
b) ( ) III – II – VI – V – I – IV.
c) ( ) II – VI – IV – III – V – I.
d) ( ) IV – I – III – VI – II – V.
AUTOATIVIDADE
163
5 Paciente do sexo feminino, 36 anos de idade, procura banco de sangue para 
fazer doação de sangue. Os exames de triagem utilizados para avaliar se a 
paciente está apta a doação de sangue indicam alterações na sorologia para 
hepatite B. Com relação ao padrão de resultados em que o sangue doado 
poderá ser utilizado sem oferecer riscos para o paciente que receberá a 
transfusão sanguínea, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Anti-HBc total (-); HBsAg (-); Anti-HBs (+).
b) ( ) Anti-HBc total (-); HBsAg (+); Anti-HBs (-).
c) ( ) Anti-HBc total (-); HBsAg (-); Anti-HBs (-).
d) ( ) Anti-HBc total (+); HBsAg (-); Anti-HBs (+).
164
165
UNIDADE 3
TÓPICO 4 — 
CORONAVÍRUS
1 INTRODUÇÃO
No final de 2019, a China foi marcada pela presença de uma pneumonia 
de origem desconhecida. Assim, em 31 de dezembro, as festividades de ano novo 
vieram acompanhadas da emissão de um alerta para Organização Mundial da 
Saúde (OMS) sobre essa situação. A partir daí, teve início uma investigação para 
descobrir o agente causador dessa pneumonia que, em poucos dias, apontou ser 
um novo tipo de coronavírus. Esse relato sucinto é apenas uma fração do que, em 
11 de março de 2020, seria declarado pelo Dr. Tedros Adhanom, diretor geral da 
OMS, como uma pandemia causada pelo novo coronavírus. 
A seguir, compreenderemos as características desses vírus e como o 
laboratório clínico pode auxiliar no diagnóstico desses agentes causadores de 
doenças. 
2 CORONAVÍRUS
Coronavírus (COVs) é um termo que se refere à vasta família de vírus 
Coronaviridae, que compreende os gêneros Alpha coronavírus, Beta coronavírus, 
Gama coronavírus e Delta coronavírus (MCBRIDE; VAN ZYL; FIELDING, 2014). 
Esses vírus estão presentes no mundo todo e são comuns também em diferentes 
espécies animais, entre eles, os seres humanos. Nos seres humanos, esses 
vírus acometem principalmente o trato respiratório superior, resultando em 
manifestações de diferentes gravidades, como resfriados (em casos brandos) 
até infecções pulmonares graves, conhecidas como síndrome respiratória aguda 
grave. Ainda sobre as características da família Coronaviridae, Gruber (2020, p. 1) 
aponta que:
As partículas virais são esféricas, com cerca de 125 nm de diâmetro 
e revestidas por um envelope fosfolipídico. O genoma de RNA de 
fita simples e senso positivo contém entre 26 e 32 quilobases e está 
associado a proteínas, formando o nucleocapsídeo. As partículas 
apresentam projeções que emanam do envelope em forma de 
espículas, formadas por trímeros da proteína S (spike protein). Essas 
projeções geram um aspecto de coroa, daí a denominação coronavírus. 
A proteína S é responsável pela adesão do vírus nas células do 
hospedeiro e participa do processo de interiorização, no qual ocorre 
a fusão entre as membranas viral e da célula e a entrada do vírus 
no citoplasma.
166
UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES
Em se tratando de material genômico que tem senso (sentido) positivo, 
estamos falando de um vírus que apresenta muita agilidade na geração de novas cópias, 
uma vez que o material genômico se presta diretamente a realização da síntese proteica.
IMPORTANT
E
O mecanismo de infecção (Figura 21) pelo coronavírus tem início com a 
forte ligação da proteína Spike (glicoproteína em formato de espícula) ao receptor 
da enzima conversora de angiotensina 2 (ECA2), presente nas células. Com a 
entrada do vírus na célula humana, as informações presentes no material genético 
viral passam a ser traduzidas, resultando na formação de proteínas capazes de 
replicar o material genético do vírus, como a RNA polimerase (SANAR, 2020). 
Como resultado da ação da RNA polimerase, são produzidas fitas de 
RNA que constituirão, após ligação com proteínas virais, as partículas virais. A 
conclusão do processo de montagem viral ocorrerá no complexo de Golgi e no 
retículo endoplasmático da célula infectada. Uma vez terminada a montagem, 
as partículas virais deixam a célula e passam a infectar novas células e repetir as 
etapas previamente descritas (SANAR, 2020).
Entre os coronavírus citados anteriormente, os Betacoronavírus serão nosso 
principal objeto de estudos, dado o potencial letal de espécies como SARS-CoV-1 
e SARS-CoV-2, que serão discutidos a seguir. 
A ECA2 é uma enzima que integra o sistema renina-angiotensina e está 
presente em pneumócitos (células epiteliais dos pulmões).
IMPORTANT
E
TÓPICO 4 — CORONAVÍRUS
167
FIGURA 21 – MECANISMO DE REPLICAÇÃO VIRAL DO CORONAVÍRUS
FONTE: <http://cienciaviva.org.br/index.php/2021/01/01/corridavacinascov2/>.
 Acesso em: 25 fev. 2021.
2.1 SARS-COV-1
Desde o início dos anos 2000, os coronavírus têm apresentado novas cepas 
infectantes tanto em populações humanas quanto animais. Em 2003, uma dessas 
cepas de coronavírus foi identificada como causadora da epidemia de Síndrome 
Respiratória Aguda Grave, comumente identificada pela sigla SARS-CoV-1 
(do inglês, acute respiratory syndrome coronavirus), responsável pela morte de 10 a 
50% das pessoas infectadas, com porcentagem variando conforme a faixa etária 
(GRAHAM; DONALDSON; BARIC, 2013).
Acredita-se que a origem desse vírus tenha ocorrido pela ingestão de 
morcegos contaminados, uma vez que se trata de um animal que é reservatório 
para diversos vírus filogeneticamente semelhantes àqueles coronavírus que já 
sabemos serem patogênicos em seres humanos. Essa característica faz com que 
exista alta probabilidade desses vírus infectarem seres humanos, resultando em 
emergências de saúde pública de escala internacional, como a ocorrida no final de 
2019 (GRAHAM; DONALDSON; BARIC, 2013).
168
UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES
O estabelecimento da SARS é bastante complexo, com diferentes fatores 
que resultam em lesões graves nos pulmões e disseminação viral em outros órgãos. 
A afinidade do SARS-CoV-1 com pneumócitos, em decorrência da presença dos 
receptores ECA2, já citados anteriormente, resulta em dano alveolar difuso (GU; 
KORTEWEG, 2007).
O desenvolvimento da SARS é caracterizado pela perda sequencial 
da integridade da membrana capilar alveolar, acúmulo de líquido no 
espaço extravascular e perda de volume de troca gasosa pulmonar, mais 
proeminente nas áreas dependentes dos pulmões.As anormalidades 
resultantes de áreas com baixa relação ventilação/perfusão e atelectasia ou 
consolidação franca conduzem a manifestações clínicas de insuficiência 
respiratória – hipoxemia arterial e insuficiência mecânica do pulmão 
(BORGES, 2018, p. 17).
O SARS-CoV-1 apresenta um período de incubação de 2 a 10 dias, a partir 
do qual iniciam-se as manifestações clínicas mais frequentes, como:
• mal-estar;
• tosse seca;
• febre persistente;
• calafrio;
• dor muscular;
• dor de cabeça;
• dispneia (dificuldade de respirar).
Além desses sintomas, alguns pacientes podem apresentar, com menor 
frequência, coriza, dor de garganta, náuseas, taquipneia (aumento da frequência 
de ciclos respiratórios), taquicardia (aumento da frequência cardíaca), diarreia e 
vômito (HUI; WONG; WANG, 2003).
É importante ressaltar que, apesar do nome referir a uma síndrome 
respiratória, outros sistemas do nosso corpo podem ser significativamente 
prejudicados. Dessa forma, existe algo em comum entre diferentes órgãos que 
faz com que eles sejam afetados. 
Ocorre que células tubulares renais, células miocárdicas, neurônios, células 
do sistema imune e células da mucosa intestinal, por exemplo, também possuem 
o receptor ECA2, que seria a “porta de entrada” do SARS-CoV-1 nas células. 
Assim, todas as células que apresentam esse receptor se tornam alvos primários 
desse agente infeccioso. Um dos efeitos observados nessa ligação foi a significativa 
elevação na concentração de citocinas	 pró-inflamatórias, que são proteínas 
produzidas pelas células infectadas que promovem o estabelecimento de um 
processo inflamatório. Sendo assim, é possível compreender que esse ambiente 
pró-inflamatório, desencadeado inicialmente para combater a infecção por SARS-
CoV-1, também acaba por prejudicar o tecido infectado (HE et al., 2006). 
TÓPICO 4 — CORONAVÍRUS
169
Nesse contexto, a presença de citocinas, como fator de necrose tumoral 
alfa (TNF-α), por exemplo, pode induzir à apoptose pneumócitos, e mediar a 
formação de fibrose no tecido pulmonar. Com a presença desse vírus na corrente 
sanguínea, ocorre infecção em outros órgãos que contêm receptores ECA2, o que 
intensifica rapidamente o processo inflamatório, gerando disfunção em diferentes 
órgãos (HE et al., 2006).
2.2 SARS-COV-2
Segundo o fragmento da matéria da BBC News Brasil, que apresenta uma 
resumida linha do tempo de uma pandemia que chegou ao Brasil em fevereiro de 
2020, o agente infeccioso dessa doença é o SARS-CoV-2, conhecido como o novo 
coronavírus (CEVIK et al., 2020). 
As primeiras notícias sobre uma “pneumonia misteriosa” que estava 
afetando algumas partes da China começaram a surgir na mídia 
internacional no final de dezembro de 2019. A informação de que a 
doença era causada por um novo tipo de coronavírus foi transmitida 
por cientistas chineses e divulgada a partir do dia 8 de janeiro de 2020. 
Rapidamente, a cidade de Wuhan, capital da província de Hubei, foi 
identificada como epicentro da crise sanitária e teve seus aeroportos, 
portos, ferrovias e rodovias bloqueadas, numa tentativa de conter 
a disseminação do agente infeccioso. Mas já era tarde demais: logo 
apareceram casos em outras partes da China e o agente infeccioso foi 
identificado em países próximos, como Japão e Tailândia. Os episódios 
de covid-19 se espalharam rapidamente para outros continentes e 
foram detectados na Europa e na América do Norte. Portanto, havia 
a certeza quase absoluta que o vírus chegaria em algum momento ao 
Brasil ainda no primeiro trimestre de 2020(BBC NEWS BRASIL, 2021).
Apesar de pertencer à mesma família do SARS-CoV-1, apresentar 
similaridades genéticas, e a preferência de ambos por interagir com o receptor 
ECA2 para invadir as células, existem diferenças que permitiram que a pandemia 
causada pelo SARS-CoV-2 perdurasse e resultasse em um maior número de 
mortes. Inicialmente, podemos destacar o número efetivo de reprodução (R) 
maior que o identificado no SARS-CoV-1, o que explica sua maior eficiência para 
se disseminar (WÖLFEL et al., 2020).
170
UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES
O número efetivo de Reprodução (R) corresponde à capacidade de 
propagação viral. Esse número é expresso como um índice que aponta a média de pessoas 
contagiadas a cada indivíduo infectado nas condições existentes em um dado momento. 
A interpretação desse índice ocorre da seguinte forma:
• R superior a 1: indica que cada pessoa infectada transmite a doença para, no mínimo, 
mais um pessoa, disseminando o vírus.
• R inferior a 1: indica que a transmissão da infecção está menor e o número de contágios 
está diminuindo. 
 Esse índice é utilizado para estimar a demanda hospitalar e, com isso, adequar 
a infraestrutura para dar conta da demanda e também auxiliar os governantes no 
entendimento das medidas necessárias para proteção da população.
IMPORTANT
E
Ainda sobre as diferenças do SARS-CoV-2, sabemos que, apesar de se 
ligar ao mesmo receptor ECA2 que o SARS-CoV-1, o SARS-CoV-2 apresenta 
diferenças em suas proteínas de superfície, que permite uma maior ligação com o 
receptor ECA2 e, com isso, maior eficiência na invasão das células hospedeiras. Além 
disso, SARS-CoV-2 tem maior afinidade com o trato respiratório superior (nariz 
externo, cavidade nasal, faringe, laringe e porção superior da traqueia), o que 
facilita a da infecção das células nessas regiões e proporciona maior facilidade para 
se disseminar pelas vias aéreas. Outro importante diferencial entre SARS-CoV-1 
e SARS-CoV-2 são as dinâmicas das cargas virais de cada um. O SARS-CoV-1 
atinge o pico de carga viral em média 15 dias após o início das manifestações 
clínicas. Essa característica permite que a infecção já tenha sido determinada e o 
paciente isolado precocemente, o que reduz a capacidade de transmissão deste 
vírus (CEVIK et al., 2020). 
Em contraste, o SARS-Cov-2 tem seu pico de carga viral no trato respiratório, 
observado no início da manifestação dos sintomas ou durante a primeira semana da 
doença, o que denota maior potencial infectante imediatamente antes ou durante 
os primeiros dias do início dos sintomas. Sabendo dessa característica, é possível 
compreender a importância do distanciamento social, mesmo com indivíduos 
que não apresentam sintomas, uma vez que eles podem estar infectados sem 
ainda ter apresentado sintomas (WÖLFEL et al., 2020).
Carga viral é termo que refere à quantidade de vírus presente na corrente 
sanguínea do indivíduo infectado.
IMPORTANT
E
TÓPICO 4 — CORONAVÍRUS
171
No que diz respeito ao potencial patogênico do SARS-CoV-2, Vaduganathan 
et al. (2020) apontam o impacto da infecção por SARS-CoV-2 no sistema renina-
angiotensina. Assim como previamente descrito no SARS-CoV-1, a entrada do 
SARS-CoV-2 ocorre pela ligação da proteína S, presente na superfície do vírus, 
com o receptor ECA2 presente nos pneumócitos tipo II. Com a entrada do vírus 
na célula, ocorre downregulation da expressão do receptor ECA2, por duas vias: 
pela destruição da célula que invadiu ou por estar ocupando o receptor ao ligar-
se a ele. Com isso, a angiotensina II passa a ficar acumulada, e isso intensifica o 
agravamento da Covid-19, nome dado às manifestações clínicas que caracterizam 
a infecção por SARS-CoV-2 (Figura 22). Como resultado da interação do SARS-
CoV-2 com as células-alvo, tem-se início a replicação ativa das partículas virais, 
seguida das manifestações clínicas, como (CEVIK, 2020):
• febre;
• dor no corpo;
• cefaleia;
• fadiga;
• dificuldades respiratórias;
• disfunção olfatória (perda temporária do olfato e do paladar);
• diarreia;
• infarto do miocárdio.
FIGURA 22 – INTERAÇÃO ENTRE O SARS-COV-2 E O SISTEMA 
RENINA-ANGIOTENSINA-ALDOSTERONA
FONTE: <https://pt.slideshare.net/flaviasmatos/doencas-pulmonares-difusas>. Acesso em: 26 fev. 2021.
172
UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES
Considerando a importante relação do receptor ECA2 na patogênese resultante 
da infecção por SARS-CoV-2, apresentamos um trecho dotexto O sistema renina-
angiotensina-aldosterona (SRAA) versus a infecção pelo coronavírus 2019, que explora as 
funções do sistema renina-angiotensina-aldosterona, do qual os receptores ECA2 fazem 
parte. Aproveite essa leitura para relembrar a importância do SRAA e compreender sua 
relação com a Covid-19. 
O sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) versus a infecção pelo coronavírus 2019
 O sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) regula funções essenciais do 
organismo, como a manutenção da pressão arterial, balanço hídrico e de sódio. A lógica 
fundamental que preside o funcionamento do sistema é responder a uma instabilidade 
hemodinâmica e evitar a redução na perfusão tecidual sistêmica. Atua de modo a reverter 
a tendência à hipotensão arterial através da indução de vasoconstricção arteriolar periférica 
e aumento na volemia por meio de retenção renal de sódio (através da aldosterona) e 
água (através da liberação de ADH-vasopressina). A renina é liberada pelos rins, enquanto 
a enzima conversora de angiotensina (ECA) é encontrada no endotélio vascular em vários 
órgãos. Uma vez ativada a cascata, surgem a angiotensina I (AI) e a angiotensina II (AII), 
que circulam pelo sangue e se ligam em receptores específicos ATI e ATII, regulando 
funções em órgãos-alvos. Receptores de ATII estão presentes universalmente na árvore 
arterial e produzem acentuada contração em segmentos isolados de todos os leitos 
arteriais. Além do efeito vasoconstritor extensivamente demonstrado in vitro e in vivo, ATII 
exerce importantes efeitos tróficos sobre a parede arterial. A participação desse sistema no 
fenômeno de redução luminal da hipertensão essencial instalada tem sido demonstrado 
pela inibição farmacológica da enzima conversora ou do antagonismo dos receptores AT1. 
Todos os componentes do SRAA estão presentes no endotélio e na parede arterial e a 
formação de Ang II, no vaso, está solidamente documentada.
 Está claro que a hiperatividade desse sistema, contribuiu expressivamente na 
fisiopatologia da hipertensão arterial e em outras patologias cardiovasculares. Os fármacos 
conhecidos como inibidores da ECA – o Dr. Sérgio Henrique Ferreira de Ribeirão Preto, SP, 
foi pioneiro ao descrever o Fator Potencializador da Bradicinina, sendo assim, o precursor 
deste grupo de drogas – realizam bloqueio reversível da enzima conversora de angiotensina, 
reduzindo a formação de AII. Sabe-se que a AII é um potente peptídeo vasoconstritor e 
estimulante da secreção adrenal de aldosterona. O bloqueio da ECA promove, diretamente, 
um efeito hipotensor causado pela inibição dos efeitos vasoconstritores e estimulantes da 
secreção de aldosterona e, indiretamente, previnem doença isquêmica cardíaca, doença 
aterosclerótica, nefropatia diabética e hipertrofia ventricular esquerda. Por outro lado, o 
receptor AT2 tem efeito antiproliferativo, vasodilatador e de apoptose. Ele também ativa a 
produção de óxido nítrico. Assim como, a produção de AT1-7 pela ECA2 traduz em efeitos 
benéficos como antiproliferativo e anti-hipertensivo.
FONTE: <https://pebmed.com.br/o-sistema-renina-angiotensina-aldosterona-versus-a-infeccao- 
pelo-coronavirus-2019/>. Acesso em: 26 abr. 2021.
IMPORTANT
E
Por se tratar de um vírus recentemente descoberto, muito sobre os 
mecanismos patogênicos do SARS-CoV-2 ainda não foram esclarecidos. Contudo, 
a urgência em detectar esse vírus e isolar pacientes para reduzir a disseminação 
TÓPICO 4 — CORONAVÍRUS
173
Assista ao vídeo, produzido pelo Instituto Butantã, que fala sobre as características 
que temos conhecimento do SARS-CoV-2 até o momento: https://www.youtube.com/
watch?v=wC3r4Lcm1Sw.
DICAS
3 O LABORATÓRIO CLÍNICO NO DIAGNÓSTICO E 
ACOMPANHAMENTO DE SARS-COV-1 E SARS-COV-2
O diagnóstico de Covid-19 é um importante instrumento no combate à 
disseminação dos vírus, porque permite que as equipes médicas identifiquem os 
pacientes infectados, isolando-os dos demais indivíduos não infectados, a fim de 
impedir o contágio. 
Existem diferentes metodologias utilizadas para detecção de SARS-CoV-1 
e SARS-CoV-2, tanto por detecção do vírus quanto pela presença de anticorpos 
produzidos contra esse vírus. A principal metodologia para detecção direta é 
realizada por RT-PCR, técnica que pertence ao setor de Biologia Molecular.
Apesar de abordarmos apenas testes sorológicos, é importante saber que 
existem também testes moleculares muito utilizados para detecção de coronavírus. 
Por isso, apresentamos, a seguir, um trecho do texto RT-PCR ou sorológico? Entenda 
as diferenças entre os testes, publicado pela Universidade Federal de Minas Gerais, que 
resume o princípio da técnica de RT-PCR e suas características. 
O que é o RT-PCR?
 Considerado o “padrão-ouro” ou “padrão de referência”, o RT-PCR é o exame que 
identifica o vírus e confirma a Covid-19. Para isso, o teste busca detectar o RNA do vírus 
através da amplificação do ácido nucleico pela reação em cadeia da polimerase. De acordo 
com a professora Glaucia, esse teste deve ser realizado no início da doença, especialmente 
na primeira semana, quando o indivíduo possui grande quantidade do vírus SARS-CoV-2.
IMPORTANT
E
do SARS-CoV-2 intensificou esforços para desenvolver metodologias para 
diagnóstico do vírus. A seguir, conheceremos as metodologias utilizadas para 
diagnóstico e acompanhamento de pacientes com Covid-19.
174
UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES
 As amostras são coletadas através de swabs (cotonetes) de nasofaringe (nariz) e 
orofaringe (garganta). A abordagem do exame, no momento, é do profissional de saúde 
que está atendendo o paciente no hospital, ambulatório ou consultório. Isso porque é 
preciso saber a fase da doença para a coleta da amostra.
FONTE: <https://www.medicina.ufmg.br/rt-pcr-ou-sorologico-entenda-as-diferencas-entre- 
os-testes-para-a-covid-19/>. Acesso em: 25 fev. 2021.
Com relação às metodologias sorológicas para detecção de SARS-CoV, 
as principais metodologias utilizadas são os testes imunocromatográficos, que 
podem realizar a detecção de antígeno ou de anticorpos IgM e IgG, ELISA e 
imunofluorescência (IFA).
Nesse momento, é importante lembrarmos que todas as metodologias 
apresentam limitações que podem prejudicar os resultados das provas 
sorológicas. No caso de metodologias aplicadas à detecção do SARS-CoV, não é 
diferente. Um dos principais elementos que se tem conhecimento que interfere 
na detecção de anticorpos e antígenos por ELISA e imunocromatografia, as 
principais metodologias utilizadas, está relacionado ao tempo de evolução clínica 
dos pacientes (Figura 23). 
3.1 DETECÇÃO DE ANTÍGENO PARA SARS-COV – 
IMUNOCROMATOGRAFIA DE FLUXO LATERAL
Por se tratar de um método de detecção direto qualitativo, ou seja, que 
identifica presença do antígeno na amostra de secreção nasofaríngea, trata-se 
da opção que apresenta capacidade de detecção mais precoce, sendo a melhor 
metodologia sorológica indicada para a detecção entre o 2° e o 10° após o início 
dos sintomas. 
Nessa metodologia, a tira de membrana é pré-revestida com anticorpo 
anti-SARS-CoV-2, imobilizado na linha de teste. Assim, amostras de secreção 
nasofaríngea, contendo antígenos de SARS-CoV-2, passam pela membrana e 
reagem com o anticorpo anti-SARS-CoV-2, formando um conjugado Ag-Ac. 
Como resultado, é possível observar a formação de tira colorida na região teste. 
Caro acadêmico, lembre-se de que a metodologia de imunocromatografia de 
fluxo lateral já foi abordada na Unidade 2. Sugerimos que você revisite esse tema para 
reforçar seus conhecimentos.
DICAS
TÓPICO 4 — CORONAVÍRUS
175
FIGURA 23 – EVOLUÇÃO CLÍNICA E DETECÇÃO LABORATORIAL DA COVID-19
FONTE: <https://www.febrasgo.org.br/es/covid19/item/977-como-utilizar-os-testes-de-covid-19-
ag-fia-e-igg-igm>. Acesso em: 26 fev. 2021.
176
UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES
A amostra utilizada é raspado nasofaríngeo, coletado por swab, uma haste 
flexível semelhante a um cotonete, conforme as etapas da técnicaapresentadas 
na Figura 24. Além da execução do teste dentro do período correto, outro 
elemento que pode prejudicar os resultados dessa técnica por gerar resultados 
falso-negativos são erros de coleta de swab nasofaríngeo. Por se tratar de um 
procedimento bastante desconfortável para o paciente, que pode atrapalhar 
a correta execução da coleta, é importante considerar que o resultado pode ter 
sido comprometido pela raspagem nasofaríngea incorreta ou insuficiente. A 
interpretação do resultado obedece às orientações apresentadas na metodologia 
de imunocromatografia, discutidas na Unidade 2.
A coleta de secreção nasofaríngea é uma etapa crucial na detecção de 
antígenos de SARS-CoV-2 por imunocromatografia e também para realização de RT-
PCR para detecção de SARS-CoV-2. Por isso, sugerimos um vídeo que demonstra 
como o procedimento de coleta deve ser realizado, acesse: https://www.youtube.com/
watch?v=owYKzDi6F6Q
IMPORTANT
E
FIGURA 24 – PROCEDIMENTO DO TESTE DE ANTÍGENO PARA SARS-COV
TÓPICO 4 — CORONAVÍRUS
177
FONTE: <https://www.centerlab.com/teste-rapido-covid-19-ag-eco.html>. Acesso em: 9 abr. 2021.
Essa metodologia qualitativa é utilizada principalmente para triagem 
de pacientes, devido a sua rapidez e praticidade. Os kits comerciais disponíveis 
possuem diferentes apresentações, como:
178
UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES
FIGURA 25 – IMUNOCROMATOGRAFIA COM BANDAS SEPARADAS PARA IGM E IGG
FONTE: <http://twixar.me/67tm>. Acesso em: 25 fev. 2021.
• Testes rápidos que não diferenciam anticorpos são aqueles que apresentam 
duas bandas (faixas): controle e teste, permitindo apenas determinar a 
presença de anticorpos, sem diferenciá-los. Ressalta-se que resultados que não 
apresentarem a banda controle serão sempre considerados testes inválidos 
(Figura 26).
FIGURA 26 – TESTE IMUNOCROMATOGRÁFICO PARA DETECÇÃO DE ANTICORPOS PARA COVID-19
FONTE: <https://guiadafarmacia.com.br/wp-content/uploads/2020/04/PROTOCOLO-
ABRAFARMA-TESTES-RAPIDOS-COVID19-V-1.1-30ABR2020.pdf>. Acesso em: 25 fev. 2021.
 Negativo IgM+ IgM+ IgG+ Inválido Inválido Inválido
 IgM+
• Testes rápidos que diferenciam IgM e IgG: são aqueles que apresentam três 
bandas (faixas) – controle, IgM e IgG –, permitindo discernir qual anticorpo 
está ou não reagente. Ressalta-se que resultados que não apresentarem a banda 
controle serão sempre considerados testes inválidos (Figura 25). 
TÓPICO 4 — CORONAVÍRUS
179
Após conhecermos as provas sorológicas mais utilizadas para detecção 
de Covid-19, é importante compreendermos que esses resultados apresentam 
diferentes interpretações quando avaliados em conjunto. Para facilitar a 
compreensão, a Figura 27 demonstra uma interpretação de resultados de sorologia 
para Covid-19, os quais devem sempre ser considerados em conjunto com os sinais 
e os sintomas manifestados pelo paciente. 
FIGURA 27 – INTERPRETAÇÃO DE RESULTADOS DE SOROLOGIA PARA COVID-19
FONTE: <https://cerpe.com.br/saude/exame-sorologia-covid-19>. Acesso em: 25 fev. 2021.
3.2 DETECÇÃO DE ANTICORPOS PARA SARS-COV – ELISA
Conforme discutido na Unidade 2, trata-se de uma metodologia que 
detecta anticorpos específicos para diferentes doenças. No caso da SARS-CoV-2 
não é diferente, uma vez que o ELISA é aplicado ao diagnóstico clínico de SARS-
CoV pela detecção quantitativa de anticorpos produzidos em resposta à infecção 
por esse vírus. Os principais anticorpos investigados são IgM e IgG. No entanto, 
para que os resultados sejam fidedignos às condições imunológicas do paciente 
no momento da coleta, é importante atentar para o tempo decorrido entre o início 
dos sintomas e a coleta. O período para coleta, a partir do qual seria possível a 
detecção de anticorpos para SARS-CoV-2, seria entre o 7° e o 10° dia após início 
dos sintomas. Assim, não é uma técnica útil para detecção de anticorpos nos 
estágios iniciais da infecção. De modo geral, o IgM é detectável mais cedo que o 
IgG (BRASIL, 2020). 
180
UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES
Contudo, a presença de IgM e IgG simultaneamente na amostra não é 
confirmatório para determinar que se trata de uma infecção recente, dado que 
os avanços tecnológicos permitiram a formulação de kits comerciais para essa 
técnica com maior sensibilidade (TAN et al., 2003; BRASIL, 2020).
Quando a finalidade do teste for identificar a exposição anterior ao 
SARS-CoV-2, podem ser usados testes sorológicos para detecção de IgG 
ou IgM (para determinar se um indivíduo foi previamente infectado), 
do tipo imunocromatográfico ou ELISA, que poderá ser quantitativo, 
caso o título do anticorpo seja necessário. Caso os achados clínicos 
permitam, o indivíduo testado não exigiria quarentena e poderia se 
associar a indivíduos não infectados ou infectados com risco mínimo 
de transmissão ou nova infecção (BRASIL, 2020, p. 5).
181
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico, você aprendeu que:
• Coronavírus pertencem a família de vírus Coronaviridae que compreende os 
gêneros Alpha coronavírus, Beta coronavírus, Gama coronavírus e Delta coronavírus. 
• Esses vírus estão presentes no mundo todo e são comuns também em diferentes 
espécies animais, entre eles os seres humanos. 
• Nos seres humanos, o trato respiratório superior é o principal sistema 
acometido, podendo resultar em manifestações de diferentes gravidades, como 
resfriados até síndrome respiratória aguda grave. 
• O mecanismo de infecção dos coronavírus tem início com a forte ligação da 
proteína Spike ao receptor da ECA2 presente em alguns tipos celulares. 
• Betacoronavírus apresentam potencial letal por incluir espécies como 
SARS-CoV-1 e SARS-CoV-2, que têm afinidade com pneumócitos.
• SARS-CoV-1 foi causador epidemia global de síndrome respiratória aguda 
grave em 2003.
• Um dos efeitos observados nesta ligação entre SARS-CoV e o receptor ECA2 é 
o aumento na concentração de citocinas pró-inflamatórias, que são proteínas 
produzidas pelas células infectadas que promovem o estabelecimento de um 
processo inflamatório.
• SARS-CoV-2 foi causador da pandemia global de Covid-19 em 2020. Assim, 
como SARS-CoV-1, sua entrada nas células ocorre pelo receptor ECA2.
• A escala de contágio do SARS-Cov-2 é maior em relação ao SARS-Cov-1, dado 
o maior número efetivo de reprodução (R), o que justifica sua maior eficiência 
para se disseminar.
• O SARS-Cov-1 tem seu pico de carga viral na segunda semana após o início 
dos sintomas, o que permite que a infecção já tenha sido determinada e o 
paciente isolado, reduzindo, assim, sua capacidade de contágio, enquanto o 
SARS-Cov-2 tem seu pico de carga viral no trato respiratório observado no 
início da manifestação dos sintomas ou durante a primeira semana da doença, 
o que denota maior potencial infectante imediatamente antes ou durante os 
primeiros dias do início dos sintomas.
182
• A compreensão do tempo de evolução clínica do paciente permite que as 
provas sorológicas sejam realizadas dentro dos períodos passíveis detecção de 
anticorpos IgM e IgG.
• A detecção de antígeno deve ser realizada nos primeiros dias após o início dos 
sintomas.
183
1 Explique a função da proteína Spike na infecção por SAR-CoV-2.
2 Sobre a relação entre o receptor ECA2 e o coronavírus, assinale a alternativa 
CORRETA:
a) ( ) Esse receptor pertence ao sistema-renina-angiotensina-aldosterona e 
está presente em diferentes órgãos vitais, como pulmão, rins e coração. 
b) ( ) Trata-se de um receptor de baixa especificidade e capacidade de ligação 
para o SARS-CoV-2 em especial.
c) ( ) O ECA2 é o marcador sorológico da Covid-19.
d) ( ) O SARS-CoV-1 teve uma evolução mais branda, pois os receptores 
ECA2 estavam em número reduzido nas populações acometidas por 
esse vírus.
3 A detecção de infecção por SARS-CoV-2 pode ser realizada por diferentes 
metodologias sorológicas. Cite quais são as principaismetodologias 
utilizadas e quando o uso de cada uma delas é indicado.
AUTOATIVIDADE
184
185
UNIDADE 3
TÓPICO 5 — 
LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, conheceremos a doença autoimune lúpus. Doenças 
autoimunes ocorrem quando nosso sistema imune ataca as células do próprio 
corpo, como se elas fossem patógenos (como vírus e bactérias). Dessa forma, 
condições autoimunes são aquelas em que o sistema imune não é capaz de 
discernir entre células saudáveis do próprio corpo e organismos estranhos.
A seguir, conheceremos mais sobre o lúpus eritematoso sistêmico e como 
seu diagnóstico é realizado. 
2 LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO
O lúpus é uma doença autoimune que afeta diferentes tecidos no corpo 
humano. Por ser uma doença que acomete principalmente o tecido conjuntivo, é 
classificada como uma condição clínica pertencente ao grupo das colagenoses. 
Assim, o lúpus apresenta um processo inflamatório crônico e multissistêmico em 
que a presença de autoanticorpos resulta em prejuízo tecidual. As manifestações 
clínicas presentes na doença são comumente confundidas com sintomas de outras 
doenças. Nesse contexto, torna-se, por vezes, uma doença de difícil diagnóstico. 
O tipo mais comum é o lúpus eritematoso sistêmico (LES), responsável 
por afetar vários órgãos, sendo uma doença mais frequente em mulheres. Apesar 
da grande variedade de sintomas presentes (Figura 28), o paciente não apresenta 
necessariamente todas as manifestações clínicas. Algumas das principais 
manifestações são (BRASIL, 2016):
• Anemia (redução do número de hemácias), leucopenia (redução no número de 
glóbulos brancos), linfopenia (redução do número de linfócitos) e plaquetopenia 
(redução do número de plaquetas).
• Inflamação renal, pleural e pericárdica.
• Inchaço e dores articulares.
• Lesões cutâneas (lesão em forma de borboleta no rosto é a mais comum).
• Vasculite (processo inflamatório nos pequenos vasos), que resulta em lesões 
avermelhadas e dolorosas.
• Perda de peso e sensação de fraqueza.
• Convulsões, psicose e prejuízo de nervos periféricos.
• Aumento do volume hepático, ganglionar e do baço (na doença em exacerbação).
186
UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES
Pacientes com lúpus alternam períodos em que expressam sinais e 
sintomas (exacerbações) a períodos assintomáticos (remissões). Os mecanismos 
específicos associados ao estabelecimento da doença ainda não foram 
completamente esclarecidos. Contudo, sabe-se que é uma doença multifatorial, 
que depende de características genéticas, hormonais e ambientais que favoreçam 
seu estabelecimento. Dada a predominância do acometimento de pacientes do 
sexo feminino em idade fértil, acredita-se que o fator hormonal esteja relacionado 
ao estrogênio, uma vez que este hormônio está vinculado a redução da apoptose 
(morte programada) e atividade dos linfócitos B, o que resulta na produção 
contínua de autoanticorpos. 
Quanto aos fatores ambientais, a exposição solar tem grande influência 
na exacerbação do lúpus, uma vez que está associada a geração de uma resposta 
inflamatória, o que favorece a produção de interleucinas e fator de necrose tumoral. 
Com isso, linfócitos B autorreativos são estimulados a produzir anticorpos. Em se 
tratando de fatores genéticos, de acordo com SANARMED (2019, p. 1):
Existe prevalência aumentada em parentes de primeiro grau e em 
gêmeos monozigóticos, 17 vezes e 29 vezes maior que população 
geral, respectivamente. A deficiência de componentes da via clássica 
do complemento como C1q (principal) e C4 conferem alta chance de 
desenvolver a doença. Também existe associação com HLA DR2 e 
DR3, além de outros polimorfismos genéticos (PTPN22, TREX 1, STAT 
4, IFR5, TLR7, entre outros).
FIGURA 28 – SINTOMAS PRESENTES NO LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO
FONTE: <http://portaldonic.com.br/jornalismo/2019/11/25/lúpus -nao-tem-cura-mas-e-possivel-
conviver-com-ela/>. Acesso em: 27 fev. 2021.
TÓPICO 5 — LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO
187
Caro acadêmico, considerando a influência da exposição solar em pacientes 
com lúpus, apresentamos um trecho de uma reportagem extraída do site do Dr. 
Drauzio Varella: Pacientes de lúpus devem evitar exposição solar. Esse texto apresenta 
recomendações importantes que objetivam prevenir agravamento dessa doença por conta 
da exposição solar. 
Pacientes de lúpus devem evitar exposição solar
 Lúpus e exposição solar definitivamente não combinam. Basta notar que 
quando o paciente fica exposto à luz solar por horas seguidas e sem proteção, sua pele 
fica avermelhada (no rosto, são visíveis lesões com o formato de asa de borboleta). Isso 
ocorre porque o sol promove uma reação imunológica no organismo que desencadeia 
os sintomas. “Orientamos que os pacientes com a doença sempre utilizem bloqueadores 
solares de fator no mínimo 30 quando saírem às ruas. Mesmo se o dia estiver nublado, é 
preciso usar o produto. O importante é impedir que surja o processo inflamatório. Quando 
a pele já está avermelhada e com certo prurido, é sinal de que a inflamação já começou”, 
destaca Eduardo Borba, professor doutor de reumatologia da USP.
 Mas atenção: a exposição solar desencadeia uma reação inflamatória que pode 
afetar não apenas a pele, mas estruturas como articulações, cérebro e rins. Dessa maneira, a 
exposição à luz do sol pode comprometer todos os órgãos envolvidos na doença. Quando 
a crise se instala, geralmente é necessário entrar com medicação, que na maioria das vezes 
é à base de corticoides. Como o uso dessa classe de medicamentos deve ser moderado, o 
ideal é prevenir.
 O paciente com lúpus pode frequentar a praia, mas é necessário cuidado 
redobrado com o corpo. Veja as orientações do dr. Eduardo:
• Sempre utilize bloqueadores solares com fator mínimo de proteção número 30. Reaplique 
a cada duas ou três horas, com antecedência de 15 a 30 minutos antes da exposição ao 
sol. Lembre-se de que os raios UV são mais intensos entre 10 e 15 horas.
• A dica é passar o equivalente a uma colher de chá de protetor no rosto e pescoço; uma 
colher de chá na parte da frente do tronco e a mesma medida na parte de trás; uma 
colher de chá em cada braço; uma colher de chá na parte da frente das coxas e pernas 
e a mesma medida na parte de trás.
• O uso de óculos escuros, com 99% a 100% de proteção, ajuda a prevenir problemas na 
região dos olhos que podem afetar os portadores de lúpus. Não se esqueça de utilizar 
chapéus e roupas leves sempre que possível.
• A prática de atividade física é muito importante para controlar e estabilizar a doença, 
além de fornecer resistência aos portadores. Se você for adepto de caminhada ou 
corrida, saia cedo de casa. Evite exposição solar depois das dez da manhã. 
FONTE: <https://drauziovarella.uol.com.br/reumatologia/pacientes-de-lúpus -devem-evitar-
exposicao-solar/#:~:text=A%20exposi%C3%A7%C3%A3o%20solar%20desencadeia%20
uma,de%20forma%20lenta%20e%20progressiva>. Acesso em: 27 fev. 2021.
IMPORTANT
E
Com a interação dos fatores citados anteriormente, há o estabelecimento 
da perda da autotolerância (incapacidade de identificar os próprios anticorpos) e 
consequente aparecimento das manifestações clínicas. 
188
UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES
3 LABORATÓRIO CLÍNICO NO DIAGNÓSTICO DO LÚPUS
O laboratório clínico aplicado ao diagnóstico de lúpus compreende, além 
das investigações sorológicas apresentadas a seguir, a investigação de parâmetros 
bioquímicos e hematológicos, que não contemplam esta disciplina. Assim, 
abordaremos a pesquisa de autoanticorpos como principal prova sorológica 
utilizada no diagnóstico e acompanhamento do lúpus. 
Em pacientes com suspeita de LES, os exames laboratoriais devem 
ser realizados para detectar a presença dos autoanticorpos, que são 
os principais marcadores da doença. Anticorpos antinucleares são 
encontrados em mais de 90% dos pacientes de LES, embora a sua 
presença não seja específica para esta doença, podendo aparecer em 
outras doenças autoimunes, infecciosas ou mesmoem indivíduos 
normais (ÁLVARO APOIO, 2018, p. 1).
3.1 ANTICORPOS ANTINUCLEARES (ANA/FAN)
A detecção de anticorpos antinucleares, também conhecida como fator 
antinuclear (FAN) é um método que utiliza como princípio a imunofluorescência	
indireta (abordada anteriormente) utilizado na investigação de lúpus por estar 
presente na corrente sanguínea de pacientes com doenças autoimunes sistêmicas 
associadas ao tecido conjuntivo (LARA; NEVES, 2004).
Conforme indicado acima, o método mais empregado para a detecção de 
anticorpos antinucleares (ANA) ou FAN é a imunofluorescência indireta. Para 
investigação de anticorpos ANA ou do FAN, esta metodologia utiliza como 
substrato células da linhagem HEp-2, derivadas de tumor de células epiteliais 
humanas. A utilização destas células ocorre pois elas expressam maior parte dos 
antígenos de importância clínica para este tipo de investigação. 
Para ilustrar todas as etapas necessárias para execução da técnica de FAN, assista 
ao vídeo Técnica de FAN – Imunofluorescência Indireta, que pode auxiliar na visualização 
e compreensão de cada etapa. Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=fblyi4r-N7w.
DICAS
TÓPICO 5 — LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO
189
Apesar de integrar parte dos 11 critérios diagnósticos paro lúpus, não 
se trata de um exame patognomônico paro lúpus, uma vez que outras doenças 
autoimunes, como síndrome de Sjögren, artrite reumatoide e tireoidite de 
Hashimoto, também apresentam esses autoanticorpos (LARA; NEVES, 2004).
Contudo, a detecção desses anticorpos nem sempre indica a presença de 
doença autoimune. De acordo com Lara e Neves (2004, p. 284):
Um problema muito expressivo no dia a dia do laboratório é a 
positividade do teste sem que haja correlação clínica. Em soro puro 
ou em baixas diluições, virtualmente toda a população apresenta 
reatividade na pesquisa de FAN; daí a necessidade de um valor de 
corte adequado. Mudanças na distribuição dos títulos dos auto-
anticorpos na população são idade e sexo dependente. Para minimizar 
essa situação, vários laboratórios adotam um valor de corte de 1:80. 
Ainda assim, até 13,3% da população sadia pode ter um teste positivo. 
Geralmente, quanto mais alto o título, mais significativo o resultado 
do exame, especialmente em pacientes jovens. 
Como podemos perceber, o resultado apresentando titulação reagente 
para FAN não necessariamente indica presença de doença autoimune. Além do 
resultado reagente apresentando titulação, existem antígenos-alvo que formam 
padrões nucleares. Esses padrões são utilizados pelas equipes médicas para 
reforçar ou descartar a suspeita clínica de lúpus. O Quadro 6 apresenta um 
resumo dos padrões possíveis para FAN reagente e suas possíveis interpretações 
clínicas (DELLAVANCE; ANDRADE, 2007).
QUADRO 6 – RELAÇÃO ENTRE A PRESENÇA DE ANTÍGENOS ALVO E POSSÍVEIS PATOLOGIAS
Antigênico/
Padrão FAN Patologia
Anti-DNA de cadeia 
dupla (ds-DNA, DNA 
nativo) 
Padrão: Homogêneo
Encontrados primariamente no LES numa frequência de 70 a 80% dos 
casos concentração de antígenos (título) correlaciona se bem com a 
atividade da doença: Presença de anticorpos anti-DNA correlaciona-se 
particularmente com a atividade da nefrite lúpica.
Anti-histona	
Padrão: Homogêneo
Estão presentes em 96% dos pacientes com lúpus induzido por 
medicamentos e em 30% do LES.
Hidralazina, procainamida e anticonvulsivantes. 
Ocorre em 15 a 20% dos pacientes com AR.
Anti-snRNP 
Padrão:	Pontilhado	
(grosso)
Altos títulos de RNP, na ausência de anti-Sm, são fortemente sugestivos 
de doença mista do tecido conjuntivo (DMTC), que se manifesta 
clinicamente por acometimento cutâneo do tipo esclerodérmico, miosite 
e sinovite tipo reumatoide, que aparece em 100% dos casos; surge em 
baixos títulos em LES, lúpus discoide, artrite reumatoide, síndrome de 
Sjögren e lúpus induzido por medicamentos.
Anti-Sm (Smith, 
nome do primeiro 
paciente em que foi 
reconhecido) Padrão 
pontilhado	(grosso)
Possui alta	especificidade	para	o	LES,	porém sua sensibilidade nesses 
pacientes é de apenas 25 a 30%, geralmente durante a fase aguda 
da doença; raramente aparece em outras desordens; alguns estudos 
associam a sua presença com nefrite branda de surto benigno, outros ao 
envolvimento do SNC, quando manifestação única do LES.
190
UNIDADE 3 — DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS E AUTOIMUNES
FONTE: <https://www.sanarmed.com/dicas-para-a-interpretacao-dos-resultados-de-fator-
antinuclear-fan-colunistas>. Acesso em: 20 fev. 2021.
FIGURA 30 – REATIVIDADE DOS ANTICORPOS ANTI-DSDNA POR IMUNOFLUORESCÊNCIA
FONTE: <https://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/2496/exames_
laboratoriais_%E2%80%93_autoanticorpos.htm>. Acesso em: 9 abr. 2021.
Anti-SSa/Ro 
Padrão pontilhado	
(fino)
Ro é uma proteína citoplasmática pequena ligada ao RNA, cuja função é 
desconhecida; esse anticorpo está presente em cerca de 70% dos pacientes 
com síndrome de Sjögren primária. 
Já na síndrome Sjögren associada à artrite reumatoide está presente em 
40% dos casos, também ocorre em 30% dos pacientes com LES, marcando 
as formas de lúpus neonatal e lúpus subagudo cutâneo, e na síndrome 
do anticorpo antifosfolipídio.
Anti-SSb/La 
Padrão	pontilhado	
(fino)
São contrapartículas proteicas do RNA que parecem participar como 
um cofator para a RNA polimerase; o	anti-La	geralmente	acompanha	
o anti-Ro; a presença de ambos no LES é geralmente associada a uma 
doença mais leve do que quando o Ro está presente isoladamente.
O SSb/La ocorre em mais da metade dos pacientes com síndrome de 
Sjögren e no LES em 15%.
Anti-centromero 
Padrão	pontilhado	
centromérico
Esclerose sistêmica forma CREST (C – calcinose; R – Raynaud; E – 
dismotilidade esofagiana; S – esclerodermia; T – telangectasia).
Anti-Scl-70 
Padrão nucleolar
Proteína 70 KDa que foi recentemente identificada como uma 
topoisomerase, encontrada em 75% de pacientes com esclerose sistêmica 
difusa.
Anti PCNA 
Padrão	pontilhado	
pleomórfico
PCNA
Específico para LES (5 a 10% dos casos), não sendo encontrado em outras 
patologias. Geralmente, pacientes com PCNA-positivo apresentam maior 
incidência de glomerulonefrite difusa.
TÓPICO 5 — LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO
191
LEITURA COMPLEMENTAR
VACINAS ANTICOVID: UM OLHAR DA SAÚDE COLETIVA
Reinaldo Guimarães
A abordagem de temas complexos
Doenças de massa costumam ser complexas. No caso da pandemia pelo 
SARS-CoV-2, a complexidade foi agravada, em seu início, pelo desconhecimento 
quase completo das características do patógeno que a causava e das 
consequências disso. Na dimensão de sua biologia, as pistas existentes remetiam 
ao conhecimento de outros coronavírus já identificados que, ao fim e ao cabo, 
pouco ajudaram no manejo do novo organismo. Em sua fisiopatologia, o que se 
pensava ser uma enfermidade respiratória revelou-se uma condição sistêmica. 
No plano da abordagem clínica, mais surpresas com uma evolução heterodoxa 
na qual sintomas prodrômicos transformavam-se rapidamente em doença grave, 
sem que o bom estado geral dos pacientes fosse condizente com a gravidade de 
sua real função respiratória medida pelo oxímetro. No terreno epidemiológico, 
o acompanhamento do estado imunitário da população também surpreendeu 
pela pouca presença de portadores de anticorpos quando comparada com 
a experiência de outras epidemias virais e isso levanta atualmente intenso 
debate sobre os mecanismos imunológicos envolvidos na doença. No plano dos 
serviços de saúde, porque a velocidade do adoecimento e a gravidade de parte 
dos pacientes revelou-se maior e mais intensa do que a organização ordinária 
deles estava preparada para suportar. Além dos serviços, a vida em sociedade, 
no campo do trabalho, do afeto, do lazer etc., foi também inesperadamente 
desorganizada, assim como a economia dos países, já bastante fragilizada antes 
mesmo da pandemia. Apesar de intensa, como veremos a seguir, os resultados 
da busca por medicamentos eficazes foram frustrantes até o momento. E agora 
temos uma corrida por uma ou mais boas vacinas.
Uma liçãodeve ser tirada a partir da descrição feita acima. Não haverá 
apenas uma medida ou mesmo o ataque a uma das dimensões descritas acima que 
seja capaz de resolver, per se, o problema em seu conjunto. O seu enfrentamento 
deve ser organizado a partir de ações articuladas nas múltiplas dimensões 
apontadas. O corolário dessa assertiva é que uma ou mais boas vacinas serão 
importantíssimas para contribuir para enfrentar a COVID 19, mas é muito pouco 
provável que possam sozinhas resolver o problema em sua totalidade. Por outro 
lado, para que uma ou mais boas vacinas cumpram seu importante papel, serão 
necessárias várias etapas e vários aspectos intrínsecos e extrínsecos às mesmas 
que deverão ser estabelecidos antes que elas possam cumprir a sua missão. Este 
texto tem o objetivo de discutir a complexidade no campo das vacinas.
FONTE: Adaptado de GUIMARÃES, R. Vacinas Anticovid: um Olhar da Saúde Coletiva. Ciênc. 
Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 25, n. 9, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.
php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232020000903579&tlng=pt. Acesso em: 26 abr. 2021.
192
RESUMO DO TÓPICO 5
Neste tópico, você aprendeu que:
• Doenças autoimunes ocorrem quando o sistema imune ataca as células do 
próprio corpo, como se elas fossem patógenos.
• O lúpus é uma doença autoimune que afeta diferentes tecidos no corpo humano. 
Por ser uma doença que acomete principalmente o tecido conjuntivo, o lúpus é 
classificado como uma condição clínica pertencente ao grupo das colagenoses. 
• O lúpus apresenta um processo inflamatório crônico e multissistêmico em que 
a presença de autoanticorpos resulta em prejuízo tecidual. 
• O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é o tipo mais comum de lúpus e é uma 
doença mais frequente em mulheres. 
• Entre as manifestações clínicas presentes no lúpus, podemos destacar: anemia, 
inflamação renal, pleural e pericárdica, inchaço e dores articulares, lesões 
cutâneas, vasculite, perda de peso, sensação de fraqueza, convulsões, psicose e 
prejuízo de nervos periféricos, aumento do volume hepático, ganglionar e do 
baço (na doença em exacerbação).
• Pacientes com lúpus alternam períodos em que expressam sinais e sintomas 
(exacerbações) com períodos assintomáticos (remissões).
• O lúpus é uma doença multifatorial, que depende de características genéticas, 
hormonais e ambientais que favorecem seu estabelecimento.
• A detecção de anticorpos antinucleares é um método que utiliza como princípio 
a imunofluorescência indireta na investigação de lúpus por estar presente na 
corrente sanguínea de pacientes com doenças autoimunes sistêmicas associadas 
ao tecido conjuntivo.
• A pesquisa de autoanticorpos não é um exame patognomônico para o lúpus, uma 
vez que outras doenças autoimunes, como síndrome de Sjögren, artrite reumatoide 
e tireoidite de Hashimoto também apresentam estes autoanticorpos.
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CHAMADA
193
1 Sobre doenças autoimunes, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Doenças autoimunes são aquelas em que anticorpos são produzidos 
contra patógenos específicos.
b) ( ) São todas as doenças em que os autoanticorpos estão ausentes.
c) ( ) Nesse tipo de doença, o corpo perde a capacidade de diferenciar células 
saudáveis de células patogênicas.
d) ( ) São doenças causadas estritamente por anticorpos lúpicos.
2 A exposição solar é um fator importante na exacerbação do lúpus. Justifique 
esta afirmação.
3 Sobre o lúpus eritematoso sistêmico, assinale a alternativa INCORRETA:
a) ( ) A confirmação do diagnóstico de lúpus se dá apenas quando o paciente 
apresenta todas as manifestações clínicas descritas para essas doenças.
b) ( ) Trata-se de um tipo de colagenose.
c) ( ) Não existe cura para o lúpus, porém a constância de cuidados previne 
novas exacerbações. 
d) ( ) O eritema malar é um dos sinais clássicos da doença.
4 Com relação ao lúpus eritematoso sistêmico, assinale a alternativa 
INCORRETA:
a) ( ) Trata-se de uma doença que ocorre com maior frequência em pacientes 
do sexo feminino. 
b) ( ) Períodos em que a doença está ativa são caracterizados pela ausência 
de sintomas, como inflamação renal, anemia, lesões cutâneas e dores 
articulares.
c) ( ) É uma doença classificada como colagenose.
d) ( ) É uma doença multissistêmica, autoimune e crônica, que alterna 
períodos sintomáticos com períodos assintomáticos.
5 Lúpus eritematoso sistêmico é uma doença autoimune do tipo colagenose. 
Explique como ocorre o mecanismo imunológico que caracteriza o lúpus.
AUTOATIVIDADE
194
195
REFERÊNCIAS
ÁLVARO APOIO. Aspectos laboratoriais para o diagnóstico do Lúpus 
Eritematoso Sistêmico. 2018 Disponível em: https://alvaroapoio.com.br/
medicina-diagnostica/aspectos-laboratoriais-para-o-diagnostico-do-lúpus 
-eritematoso-sistemico. Acesso em: 22 fev. 2021.
AVELLEIRA, J. C. R.; BOTTINO, G. Sífilis: diagnóstico, tratamento e controle. 
An. Bras. Dermatol., v. 81, n. 2, p. 111-126, 2006.
BIERNATH, A. Um ano de coronavírus no Brasil: os bastidores da descoberta do 
primeiro caso oficial. BBB NEWS. 2021. Disponível em: https://www.bbc.com/
portuguese/brasil-56189539. Acesso em: 18 fev. 2021.
BORGES, A. M. Desafios	e	Perspectivas	do	Modelo	Porcino	de	Lesão	Pulmonar	
Induzida por Ácido Oleico. Dissertação (Mestrado em Ciências Pneumológicas) 
– Programa de Pós-graduação em Ciências Pneumológicas, Universidade 
Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, 2018. Disponível em: 
https://lume.ufrgs.br/handle/10183/188949. Acesso em: 26 abr. 2021.
BRAGA, A. O. Aspectos gerais da infecção pela bactéria Treponema pallidum: 
uma revisão. 2018. Trabalho de Conclusão de Curso. Universidade Federal do 
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