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ACTOS DO COMÉRCIO Betsabé Jamba Nunes Manual do Professor Marques de Oliveira. Direito Comercial ACTOS DE COMÉRCIO • Definição • Natureza jurídica dos actos do comércio • Elementos gerais do acto do comércio • Elementos específicos do acto do comércio • Formação do acto do comércio • Validade e invalidades dos actos do comércio • Classificação dos actos do comércio • Regime jurídico dos actos do comércio ACTOS DE COMÉRCIO • São acontecimentos juridicamente relevantes para o comércio; • São factos involuntários relevantes para o comércio: acontecimentos naturais, alheios a vontade humana, mas que a lei liga a estes factos, efeitos jurídicos. (Como por exemplo o decurso do prazo; Prescrição/caducidade; Destruição de um bem segurado pelas chuvas; art. 439.º C.Com, a morte de um sócio (art 247.º e 248.º da Lei das Sociedades Comerciais). • São factos voluntários relevantes para o comércio: é necessário que a vontade de acção e que a vontade de declaração negocial estejam ligadas a um “querer”. Quer-se que a conduta que se pratica produza efeitos jurídicos na esfera da pessoa que pratica o acto jurídico. • São actos jurídicos, relevantes para o comércio, praticados por qualquer pessoa, seja ela comerciante ou não. ACTOS DE COMÉRCIO-INVOLUNTÁRIOS E VOLUNTÁRIOS • Factos jurídicos naturais ou involutários. São aqueles factos que acontecem sem que haja manifestação de vontade de alguém. É algo natural, cujas consequências ou efeitos jurídicos decorrem da lei. Exemplo: o decurso do tempo, o caso da prescrição e a caducidade. • Factos jurídicos voluntários. São actos jurídicos que podem ser lícitos ou ilícitos. São actos lícitos aqueles que correspondem aos efeitos jurídicos da lei ou aqueles cujos efeitos são legais. Exemplo: A comprou um telemóvel numa das lojas da FNAC e pediu o envio, via Fedex, para a WAMMO. O telemóvel chegou, mas danificado. A fez uma reclamação à transportadora. A reclamação que A fez é um acto jurídico lícito (vide art. 385.º § 2, C.Com.) São actos ilícitos os que contratriem a lei; os seus efeitos são correspondem aos normativos legais. Uso indevido de uma marca: ninguém pode usar a uma marca de outrem sem a autorização do proprietário. Exemplo: uma cantina coloca um reclame na sua loja a dizer “Candando” ou “Kero”. Cont. ACTOS DE COMÉRCIO Os actos do comércio podem ser factos involutários ou voluntários, lícitos ou ilícitos, praticados por uma pessoa que seja comerciante ou não, desde que tais factos sejam regulados pela lei comercial. O artigo primeiro do C.Com diz que são actos do comércio os que se encontrem regulados na lei comercial. Das várias definições acima conclui-se que os actos de comércio são negócios jurídicos. Tais negócios jurídicos podem ser unilaterais, bilaterais ou plurilaterais. Cont. ACTOS DE COMÉRCIO (Negócio Jurídico) Negócio jurídico é um acto do comércio em sentido amplo que implica uma manifestação de vontade. É uma declaração de vontade que tem por finalidade a constituição/aquisição, modificação e extinção de um direito. É uma manifestação de vontades entre duas ou mais pessoas no sentido de efectuar um negócio. • Classificação dos Negócios Jurídicos Os negócios jurídicos podem ser classificados quanto ao 1- Número de intervenientes. 2- As vantagens das partes. 3- O momento da produção de efeitos. 4- O modo de existência. 5- A formalidade do negócio. 6- Número de actos necessários. 7- A modificação que podem produzir. Cont. ACTOS DE COMÉRCIO (Negócio Jurídico) • Quanto ao número de declarantes, ou seja, as pessoas que manifestam o interesse em negociar ou que se relacionam diretamente no negócio jurídico, pode ser unilateral, bilateral ou plurilateral. Unilaterais: são os que se consolidam ou se aperfeiçoam com uma única manifestação de interesse. Um exemplo, um comerciante emitir uma declaração unilateral de venda de um bem dentro do seu negócio. Cont. ACTOS DE COMÉRCIO (Negócio Jurídico) • Os negócios unilaterais podem ser receptícios e não receptícios. Receptícios, são aqueles em que alguém emite uma declaração de vontade. Esta declaração será acolhida por alguém que passa a ter o direito de exigir do declarante o efeito da sua declaração. Não receptícios, são aqueles em que alguém emite uma declaração de vontade, sendo irrelevante o conhecimento da outra pessoa, ou outras pessoas. • Bilaterais: são aqueles que se consolidam com duas manifestações de vontade. Há duas pessoas que manifestam o seu interesse em negociar. • Plurilaterais: são aqueles que envolvem mais de duas partes. Cont. ACTOS DE COMÉRCIO (Negócio Jurídico) • Quanto a vantagem obtida, os negócios jurídicos são divididos em gratuitos, onerosos. • Gratuitos: são os negócios jurídicos em que apenas uma das partes consegue vantagem ou benefício em decorrência dele. Aqui se dá vantagens a uma das partes sem exigir qualquer contraprestação em troca. Como por exemplo a doação. • Onerosos: são os negócios jurídicos que ambos os contratantes obtém vantagens, no entanto, tais vantagens decorrem de uma contraprestação ou sacrifício realizado por uma das partes. Como por exemplo a compra e venda. Cont. ACTOS DE COMÉRCIO (Negócio Jurídico) • Levando em conta o momento da produção de efeitos, os negócios podem ser inter vivos e mortis causa. • Inter vivos são os negócios celebrados ainda enquanto as partes estão vivas, e produz efeitos desde logo. • Mortis causa são aqueles que produzem efeitos apenas após a morte de uma das partes. Um exemplo . Cont. ACTOS DE COMÉRCIO (Negócio Jurídico) • Quanto ao modo de existência, os negócios jurídicos podem ser principais ou acessórios. • Principais: são os negócios que possuem existência em si mesmo, ou seja, não depende de outro negócio para existir ou produzir efeitos. • Acessórios: por outro lado, são aqueles em que a existência dele depende da existência de outro negócio jurídico. • No que diz respeito a formalidade dos negócios jurídicos, estes podem ser formais (solenes) ou não formais (não solenes). • Formais ou solenes, são os negócios jurídicos que devem obedecer a certa forma prescrita em lei para se aperfeiçoar. Ex. Compra e venda de um bem imóvel sujeito a escritura pública. • Não formais ou não solenes, são aqueles que não precisam obedecer a qualquer forma prevista em lei para serem considerados válidos. Escritos particulares simples. Cont. ACTOS DO COMÉRCIO (Negócio Jurídico) • Quanto ao número de actos necessários, os negócios se classificam em simples, complexos. • Simples são os negócios jurídicos que se constituem por um acto único. • Complexos são aqueles que se formam dada a fusão de vários actos que não possuem eficácia independente. • Levando em conta as modificações que podem produzir, os negócios jurídicos são dispositivos ou obrigacionais. • Dispositivos são os negócios jurídicos utilizados pelo titular para alienar, modificar ou extinguir algum direito. • Obrigacionais são aqueles em que, por meio da manifestação de vontade, geram obrigações para uma ou ambas as partes, possibilitando a uma delas exigir da outra o cumprimento de determinada prestação. ELEMENTOS GERAIS DO ACTO DE COMÉRCIO Elementos gerais do acto de comércio Pressupostos: Partes e objectos( coisa, direito serviço) Outros elementos: contéudo e forma. Momentos subjectivos: motivação e fim ELEMENTOS GERAIS DO ACTO DE COMÉRCIO • Como temos vindo a referir, os actos de comércio são verdadeiros negócios jurídicos e para que os mesmos sejam válidos é necessário que se observe determinados elementos, que podem ser gerais e específicos. São gerais porque dizem respeito a todos os actos de comércio ou a todos os negócios jurídicos. Todas as partes intervenientes em tais actos devem observar tais pressupostos. Dito de outra forma, são actos que recaem sobre os que praticam um negócio jurídico. Sendo específicos aqueles que dizem respeito a cada negócio específico. ELEMENTOS GERAIS DO ACTO DO COMÉRCIO (contin) • Os elementos gerais subdividem-se em dois: Em primeiro lugar temos os pressupostos,que são relactivos as partes e o objecto. • • As partes, de acordo com os artigos 7.º do C.Com e por força do artigo 3.º C.Com, que nos remetem para os artigos 66.º e 67.º do C.C., (as partes) têm que ter a capacidade jurídica para celebrar o acto de comércio, isto é, a capacidade de gozo ( a medida de direitos e obrigações que cada uma das pessoas pode ter), e têm que possuir a legitimidade, a qual pode ser directa, quando é o próprio sujeito da relação jurídica a dispor da situação jurídica, ou indirecta, quando poder de dispor da situação jurídica advém da representação, cfr. Arts. 258.º,259.º C.C., por força do artigo 3.º. Vejam a parte da relação jurídica. ELEMENTOS GERAIS DO ACTO DE COMÉRCIO (contin) • O objecto consiste numa coisa, (ex: casa, carro) num direito (ex: direitos de autor) ou num serviço, (ex: consultorias) e deve preencher os requisitos gerais do objecto negocial, previstos no art 280.º nº1, C.C., isto é, deve ser possível, lícito e determinável. Tem de ser um objecto que seja possível de ser negociado, deve ser lícito não contrário a lei e deve ser determinável é aquele bem certo e concreto ou que poderá ser concreto. • Em segundo temos como elementos o conteúdo e a forma. • O Conteúdo por via da liberdade contratual (arts.219.º e 405.º C.C.) as partes podem por no contrato disposições que visem regulamentar o seu negócio. É a forma como as partes se relacionam com o objecto, que reflete a autoregulamentação do interesse das partes. • A forma é exteriorização da relação estabelecida entre as partes e o objecto. (ver os negócios formais-solenes e não formais). ELEMENTOS GERAIS DO ACTO DE COMÉRCIO (contin) • Para além dos elementos gerais acima descritos, existem dois momentos subjectivos ( que dependem do comportamento das partes), exteriores à estrutura do acto, isto é, que fazem parte dos elementos gerais do acto do comércio, que são a motivação e o fim. • A motivação integra as circunstâncias que determinam a celebração do negócio jurídico, e é relevante na medida em que os arts. 251.º , 252.º e 257.º C.C. sancionam com a anulabilidade a falta de motivação. • O fim é o que pretende alcançar com negócio jurídico, e sendo em regra de natureza igualmente subjetiva mereceu do legislador proteção especial com fundamento idêntico no princípio da boa fé, no caso dos negócios simulados ( 240.º), fins ilícitos ( 281.º) e negócios usurários (282.º) ELEMENTOS ESPECÍFICOS DO ACTO DE COMÉRCIO • Enquanto os elementos gerais são transversais e dizem respeito a todas as pessoas que praticam um negócio jurídico, os elementos específicos são aqueles que caracterizam e individualizam os negócios jurídicos em concreto. Referem-se a cada negócio em particular. Olham para o negócio em concreto definindo quais os elementos que caracterizam esse negócio. A regulamentação destes negócio vem consagrada no livro segundo do C.Com que trata dos contratos especiais do comércio. A Formação do Acto de Comércio O acto de comércio é o resultado de um processo, isto é, é uma sequência de actos, eles percorrem três fases. 1- Fase das negociações ou dos preliminares, nesta fase existe a intenção a motivação de negociar. Aqui nesta fase observam-se aqueles elementos subjectivos ( motivação e o fim), que antecedem a celebração do negócio propiamente dito. Nesta a fase as partes vão manifestando um interesse em negociar. Embora não seja vinculada, isto é, as partes não estão vinculadas a nada, apenas estão a negociar, elas devem proceder de boa fé, nos termos do art. 227.º C.C. A Formação do Acto de Comércio 2- Fase da formação propiamente dita, em que se conclui o negócio. As partes chegam a conclusão que querem celebrar o negócio, e dá-se o encontro de vontades, tal como fixam o seu relacionamento como o conteúdo, por força dos arts.239.º e 405.º C.C. Porém, se a lei impuser que o negócio seja celebrado por escritura pública, as partes terão que submeter o negócio à escritura pública, se a lei não impuser, este poderá ser celebrado por escrito particular. 3- Fase de execução, uma vez celebrado o negócio, cumprindo todas formalidades que a lei prevê, ele deve ser naturalmente cumprido, executado. VALIDADES E INVALIDADES DOS ACTOS DO COMÉRCIO (contin) Os regimes da validade e invalidade do acto de comércio, na falta de regulamentação no código comercial, tal matéria é regulada no C.C. O acto de comércio é válido quando reúne os elementos gerais que o compõem, as partes, o objecto, o conteúdo e a forma, e estejam presentes sem vícios. Caso contrário, ou seja, se faltar algum deles ou se estiverem presentes, mas com vícios, o acto de comércio será inválido. Quais serão então as consequências da invalidade do acto de comércio? O regime das invalidades desdobra-se em: - Nulidades; -Anulabilidades. VALIDADES E INVALIDADES DOS ACTOS DO COMÉRCIO (contin) O regime geral da nulidade e da anulabilidade vem regulado no C.C. nos artigos 285.º a 294.º. As fontes da nulidade e da anulabilidade encontram-se dispersas quer na parte geral do C.C., quer no regime especial de cada negócio (por exemplo C.C. 125.º, 220.º, 240.º, 247.º, 254.º, 256.º, 892.º e 1416.º e arts. 44.º a 55.º L.S.C.). A nulidade tem como. Causa geral a violação de uma norma de carácter imperativo, de acordo com o artigo 294.º C.C. VALIDADES E INVALIDADES DOS ACTOS DO COMÉRCIO (contin) • Analisemos então a aplicação deste regime substituindo-o nos respectivos elementos do acto de comércio: • Quanto às partes: • Estas têm que ter capacidade de gozo e capacidade de exercício. • A capacidade de gozo vem regulada no artigo 67.º, C.C., e a de exercício vem regulada no artigo 7.º do C.Com. • A falta de capacidade de gozo acarreta a nulidade, porque se a pessoa não tem capacidade de gozo põe-se em causa a sua existência, não está registada como pessoa humana na conservatória. • A falta de capacidade de exercício dá lugar a anulabilidade, porque a pessoa existe (de facto e de jure) e poder vir a provar a sua capacidade de exercício, não tendo, pode supri-la por meios indicados legalmente, por exemplo no artigo 125.º do C.C. • A falta de legitimidade conduz a ineficiência ou nulidade, para os negócios em geral de • acordo com o artigo 268.º, C.C, e para o contrato de compra e venda, nos termos do artigo 892.º, C.C. VALIDADES E INVALIDADES DOS ACTOS DO COMÉRCIO (contin) • Quanto ao objecto: • Este deve preencher os requisitos do artigo 280.º do C.C isto é, tem que ser possível, lícito e determinável, no caso de algum desses requisitos não estar presente, o negócio é considerado nulo. • Quanto ao conteúdo: • Aqui, aplica-se mutatis mutandis o regime do objecto do negócio ( artigo 280.º C.C). • Quanto a forma: • A inobservância da forma prescrita para determinado negócio acarreta a sua nulidade, art 220.º, C.C. • Quanto aos momentos subjectivos, a motivação e o fim, enquanto elementos extra- estrutura do acto de comércio vimos atrás que ainda que a lei os não considere por via de regra relevantes, a motivação quando viciada, por erro, medo, ou incapacidade acidental pode conduzir à anulação do negócio ( arts. 251.º a 257.º e 287.º C.C.), e o fim quando simulado ou ilícito acarreta a nulidade do negócio ( arts. 240.º, 246.º e 281.º C.C.). VALIDADES E INVALIDADES DOS ACTOS DO COMÉRCIO (contin) • Consequências da nulidade e anulabilidade: • Nulidade- está consagrada no art 286.º do C.C., pode ser invocada a todo tempo, por qualquer pessoa interessada; pode ser declarada oficiosamente pelo tribunal; é insuprível • Anulabilidade- está consagrada no art.º 287.º do C.C., tem que ser invocada em tempo determinado ( um ano após o conhecimento do vício) e só têm legitimidade para arguir as pessoas em cujo interesse a lei estabelece; é suprível; não pode ser arguida pelo tribunal. • Uma vez declarada, a anulabilidade retroage-se à data da celebração do negócio, o mesmo que acontece com a nulidade. A diferença reside no facto de na anulabilidade existir susceptibilidade de o negócio vir a ser considerado válido com o decursodo prazo no qual esta deve ser arguida pelas pessoas interessadas no negócio. A Eficácia do Acto de Comércio A eficácia jurídica é a tutela que o direito confere ao conteúdo do negócio jurídico. É a tutela que as partes esperam na protecção do negócio. Por exemplo, num contrato de compra e venda de um automóvel, o vendedor pretende com a alienação do bem automóvel, obter dinheiro e o comprador com o pagamento do preço pretende obter o bem automóvel. Ambos pretendem dispor livre e definitivamente dos ganhos que obtiveram do negócio. Para tal o negócio carecerá de uma garantia ou segurança, e esta é que constitui a eficácia jurídica. É a proteção que o direito vai conceder por via das normas, às partes para que obtenham o que pretende com o negócio. A IMPORTÂNCIA DO REGISTO Em princípio os negócios obrigam apenas às partes; É o chamado princípio da relatividade dos contratos ou pactos; Porém o registo é importante porque de acordo com art. 409.º, nº 2, C.C., conjugado com o art. 129.º, lei 1/97, de 17 de Janeiro I série nº 3, da simplificação e modernização dos registos Predial, Comercial e Serviço Notarial, “ os factos sujeitos a registo só produzem efeitos contra terceiros depois da data do respectivo registo...”. Deste modo, a plena segurança pública de certos actos de comércio ( bens imóveis e móveis sujeitos a registo), diante de terceiros requer o respectivo registo na conservatória do registo comercial. Classificação dos Actos de Comércio • Os actos do comércio podem ser: • Actos de comércio objectivos e subjectivos • Actos de comércio absoluto e por conexão ou acessórios • Actos substancialmente e formalmente comerciais • Actos de comércio causais e abstractos • Actos bilateralmente comerciais ou puros e actos unilateralmente comerciais ou mistos • Classificação dos Actos de Comércio Actos de comércio objectivos e subjectivos Os actos de comércio objectivos encontram consagração legal nos arts 1.º e 2.º, 1.ª parte, e são todos aqueles que se acham regulados especialmente pelo código comercial, sejam ou não comerciantes as pessoas que os praticam. Já os actos de comércio subjectivos são aqueles que devem a sua comercialidade ao facto de as pessoas que o praticam serem comerciantes, segundo o art. 2.º, 2.ª parte. Temos assim que enquanto os actos subjectivos pressupõem a qualidade de quem os pratica, o comerciante, os actos objectivos são adequados para atribuir a qualidade de comerciante a quem os pratica, relevando daí a importância dessa classificação. É que só é comerciante quem pratica actos de comércio objectivos por profissão ( art. 13.º/1 e 1.º/2 da lei das sociedades comerciais). Classificação dos Actos de Comércio Actos de comércio absolutos relativos ou por conexão Actos de comércio absolutos relativos ou por conexão Os actos de comércio absolutos são aqueles que basta a ocorrência da previsão legal dos seus elementos para que sejam considerados comerciais. A sua natureza funda-se na própria actividade mercantil, isto é, são tipificado em função das necessidades o comércio. A doutrina distingue três espécies de actos de comércio absoluto ou por natureza: Actos absolutos por serem os actos caracterizadores das actividades que constituem o objecto do direito comercial. • Actos absolutos por serem os actos caracterizadores das actividades que constituem o objecto do direito comercial. • a) actividades de intermediação nas trocas (artº463º. C .Com .e artº 230º. h) da lei 6/03 de 3 de Março). Classificação dos Actos de Comércio Actos de comércio absolutos relativos ou por conexão • Actos absolutos em razão da sua forma. são os actos relativos aos títulos de créditos, os quais devem a sua existência histórica ás exigências tráfico do comércio, e que sendo actos de comércio objectivos, porque estão regulados na lei comercial, são hoje em cada vez mais utilizados nos negócios jurídicos civis. Os principais títulos de créditos são as letras livranças e cheques. • Actos absolutos em razão de objecto sobre qual incidem. os actos de comércio que tinham como objecto o próprio estabelecimento comercial, como é o caso do trespasse ( art.º 1118º C.C.), e da cessão de exploração ( art.º 1112º C.C) e os actos que tenham como objecto participações sociais, ações ou quotas das sociedades (art.º 247º e 348ºda lei das sociedades comerciais). Classificação dos Actos de Comércio Actos de comércio relativos ou por conexão Os actos de comércio relativos ou por conexão são aqueles actos que estão dependentes de um acto de comércio absoluto para serem considerados actos de comércio. Estes actos são pois considerados comerciais por estarem presumivelmente relacionados com actividades de um comerciante. • Os actos de comércio relativos ou por conexão subdividem- se em actos de comércio por conexão subjetiva (abrange todos os actos de comércio em função do artº 2º 2ª parte do C. Com. ), e actos de comércio por conexão objectiva ( abarcando determinados atos objectivos, como por exemplo , o depósito , artº 403º, o mandato, art.º.º.231.º, o transporte, art. 366º., o penhor, art.º. 397.º, e o empréstimo, art.º. 394º. • A doutrina distingue ainda a conexão objectiva em conexão direita e conexão indireta, • Conexão direita verifica-se quando o acto está directamente aliado a um acto absoluto, isto é, por meio de um acto de comércio absoluta é praticado um outro acto, que por este facto é considerado comercial. Classificação dos Actos de Comércio Actos de comércio relativos ou por conexão (exemplos) Exemplo 1): A e B celebram um mandato para B celebrar com C um contrato de trespasse de estabelecimento comercial, art 1118º.código Civil. O mandato é comercial nos termos previstos no art.º 1118º, e por isso, é um acto de comércio por conexão objectiva directa, porque está direitamente ligado ao trespasse comercial. Exemplo 2) A e B Celebram um mandato para B celebram com C, fornecer de equipamento informático, um contato de compra de 100 computadores para revenda A classificação do mandato como acto comercial, também aqui resulta, como prevê o art. 231º do C. Com da sua ligação ao acto subsequente , neste caso, ao acto de compra e venda comercial consagrado no art.ºº 463º do C .Com. , regulado subsidiariamente nos art.º 874º. E seguintes do C.C., por esse facto é esse mandato um acto de comércio objectivo por conexão directa. A conexão indirecta ocorre quando por meio de dois ou mais actos comércio é praticado um outro acto, que considerado um acto de comércio pelo facto de estar ligado aos actos de comércio praticamente anteriormente. Exemplo A celebra um contrato comercial (231.º) com B, para que o B, possa celebrar um contrato de empréstimo (394.º) com um Banco, para com este dinheiro celebrar um contrato de trespasse de estabelecimento comercial com C, art.º 1118º, C.C. Classificação dos Actos de Comércio Actos substancialmente e formalmente comerciais Actos substancialmente e formalmente comerciais Actos substancialmente comerciais, são aqueles que têm comercialidade em razão da sua própria natureza , ou seja devem a sua, comercialidade á sua natureza intrínseca, por representar em sim mesmos, actos próprios da vida mercantil. Actos formalmente comerciais são aqueles que estão regulados na lei comercial como um esquema meramente formal, uma vez bastas vezes são praticados para efetivação de operações não comerciais , de conteúdo económico diverso. Classificação dos Actos de Comércio Actos comércio causais e formais ou abstratos. Actos de comércio causais e formais ou abstratos. O acto de comercio é causal quando as partes o celebram para que se atinja uma determinada função social, que é a causa -função do acto. O acto está regulado na lei para realizar uma causa- função especifica. Exemplo 1) A , B, C, e D, celebram um contrato para distribuição de uma sociedade comercial, regulado na lei das sociedades comerciais. A função social ou objectivo da sociedade é distribuição de lucros, é essa a causa-função do contrato de sociedade. Os sócios nãopodem afectar os lucros a fins filantrópicos, porque a obtenção do lucro é a causa da constituição da sociedade. Classificação dos Actos de Comércio Actos comércio causais e formais ou abstratos. O acto de comércio formal ou abstrato é aquele que se configura como um meio suscetível de realizar distintas causas-funções. O acto está formalmente regulado na lei comercial podendo servir para preencher uma multiplicidade de causas-funções. Exemplo 3) A passa um cheque ao portador para pagar, a B, o homem do talho,(arts 463,º 464.º); B pega no chique e endossa ao seu fornecedor C. C por sua vez, endossa o cheque aos bombeiros voluntários, a títulos de doação (art.º 945.º C.C,). Os bombeiros voluntários vão ao banco e este desconta-o. Vimos aqui claramente neste exemplo, que embora a emissão e o endosso do cheque tenha naturalmente uma causa, esta causa-função não é típica, uma vez que pode consistir nas mais diversas relações jurídicas que lhe podem estar subjacentes, Classificação dos Actos de Comércio Actos de comércio bilateral ou puros e unilateral ou mistos. Actos de comércio bilateral ou puros e unilateral ou mistos. O critério utilizado para a sua distinção é o da comercialidade das partes ou apenas uma delas. O acto de comércio bilateral ou unilateral consoante este seja respetivamente, comercial para ambas as partes ou só para uma delas. Exemplo a compra de uma coisa movel feita por um retalhista para uso doméstico é um acto de comércio unilateral, ( artsº 464.º n 1º C. Com). A compra feita por grossista a um retalhista para revenda, é comercial para ambas as partes, e por isso conforma um acto de comércio bilateral (artsº 463º nº1). É evidente que o regime dos actos de comércio bilateral ou puros não suscita qualquer dúvida. Em contrapartida o regime dos actos de comércio unilaterais ou mistos, podem já suscitar interrogações sujeitam-se ao sistema de unidade de regime, isto é apenas a um dos regimes, o da legislação comercial ou o da lei civil? ou sujeitam-se ao sistema de cisão de regime isto é , aos dois regimes o da lei comercial e lei civil? vamos tratar desta matéria mais a frente quando falarmos dos regimes especiais dos actos de comércio. Regime jurídico dos actos de comércio • Por se tratar de transações comerciais que se impõe celeridade o seu regime é mais simplificado em contraposição aos actos civis. • A linguagem, a forma, a prova etc... nos actos de comércio são mais simplificdos. Vide art.º 291.º do CC, 96 do C.Com, 396.º C.Com, 269 L.S.C (lei das sociedades comerciais).