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1 Evaporadores Profa. Dra. Lorena Oliveira Pires Engenharia Química Instituto de Química Unesp - Araraquara Evaporador • Equipamento utilizado para concentrar uma solução composta por um soluto não-volátil e um solvente volátil. • Para a maioria dos processos envolvendo evaporadores: • vente → água • Soluto → sólido com pressão de vapor muito baixa • Produto → solução concentrada • Tipo particular de trocador de calor • Fluido quente → vapor de água saturado que se condensa • Fluido frio → solução a ser concentrada, em ebulição • Todo evaporador é composto por uma área de troca de calor e um espaço e/ou acessório para separar o líquido do vapor Fornecimento de calor latente Entrada de vapor (Fluido quente) Alimentação (Fluido frio) Ebulição Solução concentrada Condensado Vapor gerado Região de Separação Região de Aquecimento • Como nos trocadores de calor, aplica-se: tAUq = .. • Os evaporadores normalmente operam sob vácuo • Um condensador estará ligado ao evaporador para condensar o vapor produzido. • O vácuo é feito no condensador. 2 Aplicações • Vários processos químicos utilizam evaporadores: • Indústria alimentícia • Concentração de sucos • Concentração do caldo de cana – produção de açúcar • Leite condensado e em pó • Indústria de processos inorgânicos • Produção de hidróxido de sódio, nitrato de amônio, cloreto de cálcio, etc. • Indústria de papel e celulose • Concentração de resíduos Características das Soluções • Concentração da solução de alimentação • Aumenta a densidade, viscosidade e ponto de ebulição • Inicialmente • Solução diluída → baixa viscosidade → altos coeficientes de transferência • A medida que a solução se evapora • Solução concentrada → maior viscosidade → baixos coeficientes de transferência • Solubilidade • Limita a máxima concentração da solução • Inicialmente • Solução diluída → concentração do soluto aumenta com o tempo • À medida que a solução se evapora • Solubilidade limite do soluto pode ser excedida → cristais podem ser formados • Sensibilidade à temperatura • Deve-se operar sob vácuo para reduzir a temperatura de ebulição e com baixo tempo de residência • Alguns materiais podem ser sensíveis e se degradar à altas temperaturas ou após prolongado aquecimento • Incrustação 3 • prejudica a transferência de calor • Pressão e Temperatura • Elevação do ponto de ebulição (EPE) • O ponto de ebulição da solução está relacionado com a pressão do sistema P → Teb • Com aumento da concentração do soluto na solução a temperatura de ebulição pode aumentar x → Teb • Formação de Espuma • Arraste com o vapor, perda de produto e contaminação do condensado • Em alguns casos, as soluções podem formar espuma durante a ebulição • Ex.: soluções de ácidos graxos, soda cáustica, etc. • Usa-se dispositivos para evitar que a espuma seja arrastada juntamente com o vapor Tipos de Evaporadores Circulação natural Circulação forçada Evaporadores de Película Evaporadores de Circulação Natural • A movimentação da solução é realizada por variação da densidade, ocasionada pelo aquecimento e ebulição. • O principal tipo é o Calandra, Roberts ou de tubos curtos • Atualmente a grande utilização deste tipo é na produção de açúcar de cana Evaporador de tubos horizontais • Vapor circula no interior dos tubos; • Circulação natural; • Baixa eficiência; • Incrustações no exterior dos tubos. 4 • Vantagens: • Baixo custo; • Fácil instalação. • Indicação: • Líquidos pouco viscosos, sem formação de espuma nem incrustações. • Líquidos com altos coeficientes de troca térmica. Evaporador do tipo Cesta • Câmara de vapor → cesta suspensa • Vapor circula pelo exterior dos tubos; • Vapor produzido no interior dos tubos gera a circulação do líquido. • Vantagens: • Boa relação custo/eficiência. • Indicação: • Líquidos pouco viscosos. Evaporador de tubos verticais curtos (tipo Calandra, padrão ou Roberts) • Câmara de vapor anular; • Vapor circula pelo exterior dos tubos; • Vapor produzido no interior dos tubos gera a circulação do líquido; • Incrustações no interior dos tubos. • Vantagens: • Boa relação custo/eficiência. • Indicação: • Líquidos pouco à semi-viscosos. 5 Calandra • A área de troca de calor é semelhante ao feixe de um trocador de calor casco e tubo, mas no centro do feixe é como se alguns tubos fossem substituídos por um tubo com diâmetro bem maior. Alimentação da solução a ser concentradaAlimentação do vapor de aquecimento (steam) Saída do condensado Saída do vapor gerado pela ebulição da solução (vapor) Saída da solução concentrada (produto) E a solução se movimentando, por circulação natural, dentro do evaporador • A solução a ser concentrada ocupa o interior dos tubos e o tubo central. O vapor de aquecimento ocupa o lado casco • Existem dois ambientes distintos, com pressões diferentes • Vapor de aquecimento • Lado casco da calandra; por fora dos tubos • Solução e Vapor gerado • Parte inferior do evaporador • Interior dos tubos e duto central • Espaço vapor Espaço vapor • Cilindro acima da calandra • Mesmo diâmetro da calandra • Não é ocupado pela solução • Corresponde à maior parte do evaporador 6 • Função: evitar que gotas e caldo sejam arrastadas pelo vapor gerado pela ebulição. Evaporador de Circulação Forçada • O aumento da velocidade de escoamento da solução no interior dos tubos aumenta seu coeficiente de transmissão de calor por convecção; • A movimentação da solução é feita por algum equipamento, uma bomba, por exemplo, quando as soluções são muito viscosas ou apresentam tendência à incrustação; • Unidades insensíveis às vazões ou variações nas propriedades físicas; • Adequados às operações de cristalização ou com lamas viscosas • Nestes equipamentos a superfície de troca de calor pode ser interna ou externa, horizontal ou vertical. Evaporador de tubos verticais longos • Circulação forçada do líquido; • Vapor circula pelo exterior dos tubos; • Consumo elevado de energia. • Vantagens: • Altos coeficientes de troca térmica; • Indicação: • Líquidos viscosos. Evaporador com aquecedor externo • Circulação forçada do líquido; • Trocador de calor externo; • Vapor circula pelo exterior dos tubos; • Consumo elevado de energia. 7 • Vantagens: • Facilidade de limpeza e substituição dos tubos incrustados; • Altos coeficientes de troca térmica; • Mais compacto • Indicação: • Líquidos viscosos. Evaporadores de Película Película ascendente (Kestner ou de tubos longos) Película descendente Película agitada Película ascendente-descendente De Placas Película Ascendente • Kestner ou tubos longos • Características: • Pode operar com passagem única; • Tempo de residência baixo • Ideal para substâncias termo-sensíveis • Valores de h elevados Película Descendente • Opera com fluidos mais viscosos que o anterior • Empregado também na produção de açúcar de cana 8 Recebe calor pela parede e gera vapor Mistura do produto concentrado e vapor Separação principal Vapor gerado vai para um condensado r • O principal problema é a distribuição da alimentação. • Os tubos não podem secar, pois causariam incrustação, nem ficar cheios pois reduziriam o h. • Há vários tipos de distribuidores para a alimentação • Características: • Tempo de residência inferior a 1 minuto – possibilita uso de vapor a temperatura mais elevada; • Coeficiente global maior que outros tipos – possibilita uso de menores diferenças de temperatura; • Precisa de um distribuidor adequado para a alimentação. Fundamentos • Elevação do Ponto de Ebulição – epe • Balanço de Massa • Balanço de Energia • Entalpias • Desempenho• Capacidade • Economia 9 • t no Evaporador • Coeficiente global – U Elevação do Ponto de Ebulição (epe) • Quando um líquido entra em ebulição? • Se a um líquido puro, com temperatura de ebulição t, acrescentar-se um soluto, o que ocorrerá com a temperatura de ebulição? Solvente puro = Água Pressão = P Temp. de ebulição = tsolv Solução = Água + soluto não volátil Pressão = P Temp. de ebulição = te solve ttepe −= [2] te > tsolv • Qual a pressão de vapor da água a 40 ºC? • 55,324 mmHg = 0,0752 kgf/cm2 • Qual a pressão de vapor da água em uma solução de NaOH com concentração de 30 (g NaOH/100 H20) a 40 ºC? • 36,6 mmHg = 0,0498 kgf/cm2 • Temos água em ebulição. O que acontece se adicionarmos uma quantidade considerável de NaCl? • Nível do mar; P = 1 atm • Pvap água a 100 ºC = 760 mmHg • Sal → Pvap solução = 740 mmHg • Não temos mais igualdade entre pressão de vapor e pressão ambiente. • A ebulição cessa. 10 VLF xVxLxF VLF ... += += Balanços de Massa e Energia • F, S, V, L → vazões mássicas • x → fração mássica do soluto • H e h → entalpias específicas (por unidade de massa) do vapor e do líquido • t → temperatura • tL = tV; tS > tL • tL = t + epe Balanço de Massa • Operação contínua no estado estacionário • Não há acúmulo de massa • Volume de controle: evaporador • Dois componentes: o soluto e o solvente entra = sai Obs.: vazão de S • Balanço de Massa Global • Balanço de Massa para o Soluto Solução diluída Solução concentrada Vapor de aquecimento Vapor gerado