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MATERIAIS I IMPERFEIÇÕES CRISTALINAS MOVIMENTOS ATÔMICOS Bauru, setembro de 2012 1 IMPERFEIÇÕES CRISTALINAS Defeitos em relação aos arranjos atômicos perfeitos • Defeitos Pontuais • Defeitos de Linha • Imperfeições de Fronteira resistência mecânica propriedades elétricas propriedades químicas 2 IMPERFEIÇÕES CRISTALINAS Defeitos Pontuais 3 vazios defeito de Schottky defeito intersticial defeito de Frenkel IMPERFEIÇÕES CRISTALINAS Defeitos Pontuais – exemplo • A densidade experimental de um mono cristal de alumínio é 2,697 g/cm3. O parâmetro da célula unitária é 4,049 Å. Se a discrepância entre o valor calculado e o experimental da densidade é resultante de vazios. (a) qual a fração dos átomos que estão faltando? (b) quantos vazios existem por cm3? *estrutura CFC **massa atômica do alumínio = 26,98 g 4 IMPERFEIÇÕES CRISTALINAS Defeitos Pontuais – Vazios ou lacunas • Empacotamento imperfeito • Vibrações térmicas – temperatura elevada Nv= número de vazios por cm3 N= número de átomos por cm3 Qv= energia para se produzir um mol de vazios, cal/mol k= constante do gás = 8,31 J/mol.K ou 1,987 cal/mol.K T = temperatura em K. 5 kT Q exp N N vv IMPERFEIÇÕES CRISTALINAS Defeitos Pontuais – Vazios ou lacunas • Exemplo - Calcule a concentração de lacunas no cobre a temperatura ambiente (25 °C). - Que temperatura de tratamento térmico do cobre será necessária pra que a concentração de lacunas produzidas seja 1000 vezes superior à concentração equilíbrio a temperatura ambiente? *Considere que são necessárias 20.000 calorias para produzir um mol de lacunas no cobre. **Dado = parâmetro de rede do cobre CFC é de 0,36252 nm. 6 IMPERFEIÇÕES CRISTALINAS Defeitos Pontuais – Intersticiais • Fator de empacotamento atômico baixo • Alojamento de um átomo extra na estrutura cristalina • Exemplo: aço-carbono 7 Átomo intersticial pequeno Átomo intersticial grande – maior distorção IMPERFEIÇÕES CRISTALINAS Defeitos Pontuais – Schottky • Envolve a falta de um ânion e um cátion • Mantém a neutralidade elétrica 8 vazio de um par de íons IMPERFEIÇÕES CRISTALINAS Defeitos Pontuais – Frankel • Deslocamento de um íons no reticulado para um interstício • Ocorre em materiais iônicos, metálicos e com ligações covalentes 9 IMPERFEIÇÕES CRISTALINAS Defeitos Lineares – Discordância • As discordâncias estão associadas com a cristalização e a deformação (origem: térmica, mecânica e supersaturação de defeitos pontuais) • A presença deste defeito é a responsável pela deformação, falha e ruptura dos materiais 10 CUNHA HELICOIDAL MISTA IMPERFEIÇÕES CRISTALINAS Defeitos Lineares – Discordância em Cunha (aresta) • A aresta de um plano atômico extra na estrutura cristalina 11 Compressão = escuros Tração = claros IMPERFEIÇÕES CRISTALINAS Defeitos Lineares – Discordância helicoidal (espiral) • Deslocamento paralelo ao defeito da linha • Tensões de cisalhamento associadas aos átomos adjacentes • Produz distorção na rede 12 IMPERFEIÇÕES CRISTALINAS Defeitos Lineares – Vetor de Burgers • Dá a magnitude e a direção de distorção da rede • Corresponde à distância de deslocamento dos átomos ao redor da discordância 13 cunha espiral IMPERFEIÇÕES CRISTALINAS Defeitos Lineares – Vetor de Burgers 14 IMPERFEIÇÕES CRISTALINAS Vetor de Burgers – exemplo • A figura apresenta uma discordância aresta no cristal do óxido de magnésio (MgO), que possui parâmetro de rede de 0,396 nm. Determine o vetor de Burgers. *admita que o defeito se dá na direção [110] 15 IMPERFEIÇÕES CRISTALINAS Imperfeições de fronteira São contorno de grão ou planos cristalinos dividem o material em regiões Cada região possui a mesma estrutura cristalina, mas com orientações cristalográficas diferentes Envolvem fronteiras (defeitos em duas dimensões) separam regiões dos materiais de diferentes estruturas cristalinas ou orientações cristalográficas 16 IMPERFEIÇÕES CRISTALINAS Imperfeições de fronteira - superfícies Átomos superficiais não são inteiramente circundados por outros Átomos superficiais possuem mais energia que os internos 17 • Número de coordenação diferente • Ligações atômicas rompidas IMPERFEIÇÕES CRISTALINAS Imperfeições de fronteira – contorno de grão • Corresponde à região que separa dois ou mais cristais de orientação diferente • No interior de cada grão todos os átomos estão arranjados segundo um único modelo e única orientação, caracterizada pela célula unitária 18 Contorno de grão sob microscópio IMPERFEIÇÕES CRISTALINAS Formação de grão • A forma do grão é controlada: - pela presença dos grãos circunvizinhos • O tamanho de grão é controlado - Composição - Taxa de cristalização ou solidificação 19 IMPERFEIÇÕES CRISTALINAS Tamanho do grão • O tamanho de grão influi nas propriedades dos materiais • Para a determinação do tamanho de grão utiliza- se cartas padrões Número ASTM do tamanho do grão 𝑵 = 𝟐𝒏−𝟏 N = número de grãos por unidade de área n = número ASTM de tamanho de grão 20 IMPERFEIÇÕES CRISTALINAS Tamanho do grão ASTM 21 N° de tamanho de grão Número de grãos Por mm2 com 1X Por polegada quadrada, com 100X 1 15,5 1,0 2 31,0 2,0 3 62,0 4,0 4 124 8,0 5 248 16,0 6 496 32,0 IMPERFEIÇÕES CRISTALINAS Tamanho do grão – exercicio • Vamos supor que tenham sido contados 2 grãos por centímetro quadrado em uma micrografia com um aumento de 250 vezes. Determine o número ASTM do tamanho do grão. Número ASTM do tamanho do grão 𝑵 = 𝟐𝒏−𝟏 N = número de grãos por unidade de área n = número ASTM de tamanho de grão 22 IMPERFEIÇÕES CRISTALINAS Imperfeições de fronteira – maclas • É um tipo especial de contorno de grão • A macla ocorre num plano definido e numa direção específica, dependendo da estrutura cristalina • O seu aparecimento está geralmente associado com a presença de: - tensões térmicas - tensões mecânicas - impurezas - entre outras 23 MOVIMENTOS ATÔMICOS Movimento dos átomos busca minimizaras diferenças de concentração Fluxo de átomos depende do gradiente de concentração e temperatura Átomos e íons tendem a se difundir para eliminar as diferenças de concentração Busca a produção de composições homogêneas e uniformes 24 MOVIMENTOS ATÔMICOS Aplicações da difusão Cementação de aço Difusão de dopantes em componentes semicondutores Cerâmicas condutoras Produção de garrafas plásticas para bebidas Oxidação do alumínio Recobrimento e filmes finos Fibras óticas e componentes microeletrônicos Difusão e outros mecanismos de transporte de massa 25 MOVIMENTOS ATÔMICOS Mecanismos de movimentos atômicos 26 Mecanismos de vazios Mecanismos intersticial Difusão em anel MOVIMENTOS ATÔMICOS Distribuição de energia térmica • A energia cinética de um gás aumenta em proporção direta com a temperatura 𝑬𝑪 = 𝟑 𝟐 𝒌𝑻 𝑵 N = número de Avogadro k = 0,33 x 10-23 cal/molécula °C T = temperatura 27 MOVIMENTOS ATÔMICOS Distribuição de energia térmica (a) Tanto a energia média 𝑬 como a fração com energia superior a um determinado valor aumentam com a elevação da temperatura (b) A razão do número de átomos de alta energia (área hachurada) para o número total de átomos é uma função exponencial, quando E>>> 𝑬 (a) (b) 28 MOVIMENTOS ATÔMICOS Distribuição de energia térmica • Probabilidade dos átomos possuírem mais energia que um dado valor específico 𝒏 𝑵𝒕𝒐𝒕𝒂𝒍 = 𝑴𝒆−𝑬 𝒌𝑻 k = constante de Boltzmann = 1,38 x 1016 erg/°K n = número de átomos com energia maior que E N = número total de átomos M = constante *1 erg = 1 grama·centímetro2/segundo2 29 MOVIMENTOS ATÔMICOS Difusão atômica • Energia de ativação - energia requerida para superar as barreiras de energia (a) um átomo pequeno tem energia de ativação menor que um átomo grande ou molécula (b) movimentos intersticiais requerem mais energia que os movimentos de vazios 31 MOVIMENTOS ATÔMICOS Difusão atômica • Autodifusão – difusão de átomos dentro de sua própria estrutura 32 t = 0 Gradiente de difusão T0< t < t∞ t = t∞ MOVIMENTOS ATÔMICOS Coeficiente de difusão • Primeira Lei de Fick – determina o fluxo de átomos em regime estacionário 𝑱 = −𝑫 𝒅𝑪 𝒅𝒙 J = fluxo (átomos/cm2.s) D = difusibilidade ou coeficiente de difusão (cm2/s) dC /dx = gradiente de concentração (átomos/cm3.cm) *o sinal negativo indica que o fluxo ocorre de altas para baixas concentrações 33 MOVIMENTOS ATÔMICOS Coeficiente de difusão • Segunda Lei de Flick - descreve a difusão em regime transiente de átomos 𝒅𝑪 𝒅𝒕 = 𝑫 𝒅𝟐𝑪 𝒅𝒙𝟐 *Estágios finais de homogeneização são lentos ** velocidade diminui com a diminuição do gradiente de concentração 34 MOVIMENTOS ATÔMICOS Coeficiente de difusão • Fatores que afetam a difusão - temperatura e coeficiente de difusão 𝑫 = 𝑫𝟎𝒆 −𝑸 𝑹𝑻 R = 1,987 cal/mol.°K T = °K D = coeficiente de difusão Q = energia de ativação da difusão D0 = constante 35 MOVIMENTOS ATÔMICOS Coeficiente de difusão • Fatores que afetam a difusão - tipo de difusão 36 Tório no Tugnstênio Prata na Prata Local de Difusão D 0 (cm2/s) Q (cal/mol) D 0 (cm2/s) Q (cal/mol) superfície 0,47 66.400 0,068 8.900 contorno de grão 0,74 90.000 0,24 22.750 volume 1,00 120.000 0,99 45.700 MOVIMENTOS ATÔMICOS Coeficiente de difusão • Fatores que afetam a difusão - Dependência da difusão com as ligações atômicas e a estrutura cristalina - Dependência do coeficiente de difusão com a composição 37 MATERIAIS I IMPERFEIÇÕES CRISTALINAS MOVIMENTOS ATÔMICOS 38 MOVIMENTOS ATÔMICOS Coeficiente de difusão – exercício Uma amostra de silício com 0,1 cm de espessura, contendo originalmente um átomo de fósforo (P) para cada 10 milhões de átomos de silício (Si) é tratada de modo que haja 400 átomos de fósforo na superfície para cada 100 milhões de átomos de Si. Calcule o gradiente de concentração em (a) em percentual atômico por centímetro e (b) em á𝒕𝒐𝒎𝒐𝒔 𝒄𝒎𝟑𝒄𝒎 Dado: o parâmetro de rede do silício é 0,54307 nm a estrutura do silício contém 8 átomos/célula 39 MOVIMENTOS ATÔMICOS Coeficiente de difusão – exercício Suponha que um par de difusão constituído de uma barra de tungstênio puro em contato com uma barra de uma liga de tungstênio contendo 1% de átomos de tório. Após vários minutos de exposição a 2000 °C, foi estabelecida uma zona de restrição com 0,01 cm de espessura. Qual seria o fluxo dos átomos de tório nesse instante se a difusão fosse devida a (a)Difusão de volume (b)Difusão por contorno de grãos (c)Difusão superficial Dado: parâmetro de rede do tungstênio CCC é 0,3165 nm 40