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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS HISTÓRIA – CAMPUS CORAÇÃO EUCARISTÍCO NAIELLY DE JESUS CANTARINE TEORIA DA HISTÓRIA: ESTUDO DE TEXTO VIVER A HISTÓRIA IN.: COMBATES PELA HISTÓRIA DE LUCIEN FEBVRE BELO HORIZONTE 2021 Novembro de 2021 NAIELLY DE JESUS CANTARINE TEORI DA HISTÓRIA: ESTUDO DE TEXTO VIVER A HISTÓRIA IN.: COMBATES PELA HISTÓRIA DE LUCIEN FEBVRE Trabalho apresentado a disciplina Teoria da História da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, como requisito parcial de avaliação do semestre. Professora: Carla Ferretti Santiago. BELO HORIZONTE 2021 Novembro de 2021 1- “O principal ponto de articulação das críticas que os Annales desfecham tanto contra os setores mais factuais do historicismo, quanto contra a influência positivista incorporada pela Escola Metódica francesa, refere-se à notória questão da “História-Problema”. (BARROS: 83) Explique em à proposta da História-problema e demonstre sua oposição à perspectiva da Escola metódica. Em seguida, retire do texto de Lucien Febvre citações que exemplifiquem essa posição. R: A História-problema é um conceito levantado e muito discutido pelos estudiosos da Escola dos Annales, no século XX. Os Annales, juntamente com os demais movimentos agindo em diversos países, vão trazer à tona o discernimento do que é uma pesquisa historiográfica, e portanto, como se vive a História em si; “Ora, como comunicar-vos esse sentimento - o sentimento de que se pode viver a vida, sendo historiador - senão examinando à vossa frente, convosco, alguns dos problemas vivos que a História põe, hoje, aqueles que se colocam na ponta extrema da investigação - aqueles que, na dianteira do barco, interrogam sem cessar os horizontes com os olhos?”, (FEVBRE, p.32. 1989). A compreensão do conceito História-problema se tornou um dos principais conceitos, constituindo-se primordial para a atuação historiográfica e sua cientificidade. O conceito se opõe aos estudiosos da Escola Metódica, que por sua vez, através dos seus métodos separatistas que afastava o historiador do seu objeto de estudo, apresentado uma pesquisa historiográfica neutra, presa em uma fatualidade, como diz Febvre, “Nesse tempo, os historiadores viviam num respeito pueril e devoto pelo facto. Habitava-os a convicção ingênua e tocante de que o sábio era um homem que, ao olhar pelo seu microscópio, apreendia logo um braçado de factos”, (FEBVRE, p.32. 1989). A História-problema vai abrir a proposta do historiador se desvincular dos métodos metódicos, interrogar seu objeto de estudo e questiona-lo através do que o historiador deseja. Muitos desses questionamentos surgirão atrás de diversos pontos políticos, socioeconômicos e culturais. Febvre, vai abortar a História-problema em seu texto Viver a História, no livro Combates pela História, de forma analítica. De acordo com Lucien, não existiria história sem algum problema; “É que pôr um problema é precisamente o começo e o fim de toda a história. Se não há problema, não há História. Apenas narrações, compilações.” (FEBVRE, p.32. 1989). A História-problema, apresentada por Febvre, foi e ainda é, uma forma de pensar, estudar e ensinar a História. Se faz necessário a interrupção dessa separação entre o historiador Novembro de 2021 e a vida do homem, pois a realidade é o objeto de estudo, pois não existe barreira ou linha entre os dois. 2- Explique a proposta de ciência histórica dos Annales a partir da seguinte citação de Lucien Febvre: “É assim que. Em primeiro lugar, qualifico a história como estudo cientificamente conduzido, e não como uma ciência (...)”. (p. 40) R: A proposta de uma ciência histórica dos Annales surgiu pela primeira vez no livro Combates pela História, de Lucien Febvre. Juntamente com a apresentação de uma discussão implementada sobre o conceito de História problema, aborda de modo analítico os métodos de pesquisas históricas de sua época, se opondo a eles, Febvre também vai nos apresentar a cientificidade da História, não como uma ciência em si, mas como um estudo conduzido pela por métodos científicos. A ciência histórica implica ao historiador tratar seu objeto como uma pesquisa cientifica moderna, o processo de estudo deve ocorrer a partir de duas operações, identificar problemas e desenvolver hipóteses. (FEBVRE, p.32. 1989). De acordo com Febvre, para os homens de sua época a ação de questionar o objeto de estudo seria quase como um crime, pois como o mesmo diz, “Fazer penetrar na cidade da objetividade o cavalo de Troia da subjetividade...”, (FEBVRE, p.32. 1989). Portanto, afirma que não é receptível a ideia do historiador de invocar os factos e não questionar sua veracidade, pois os factos que invocam são como “tantas outras abstrações”, para confirmar e definir sua veracidade é necessário recorrer a problematização, as hipóteses e as investigações que, muitas das vezes, trarão vestígios ainda mais contraditórios. Para ilustrar suas ideias, Lucien faz uma analogia, comparando os historiadores devotos aos factos e os camponeses que não permitiriam que seus gados pastassem no primeiro campo que surgisse. (FEBVRE, p.32. 1989). A História, como qualquer outra disciplina, necessita de bons estudiosos, e preciso pensar para viver a História, questionar, supor, analisar, duvidar. 3- Leia a citação a seguir: “O nascimento dos Annales marca profundamente a reflexão dos historiadores tanto acerca da sua área de estudos como acerca do seu trabalho. O programa intelectual de que a revista é porta-voz surge, assim, novo, agressivo. Organiza-se em torno de uma proposta central: a urgência em fazer sair a História do seu isolamento disciplinar, a necessidade de que esteja aberta às interrogações e aos métodos das outras ciências sociais”. (REVEL, Jacques. A invenção da sociedade. Lisboa: Difel, 1990. p. 17-18.) Novembro de 2021 Retire do texto de Febvre duas citações que explicitem duas características dos Annales expressas acima. Identifique para cada citação a característica que você deseja destacar. R: Abordando as características dos Annales em seu texto, Febvre nos partilha, respectivamente, seus pensamentos sobre o isolamento da História quanto disciplina, e a urgência em de reconhecer a História como uma ciência interdisciplinar, disposta a contribuir para as demais ciências socais. Podemos observar suas ideias em vários pontos do seu livro, Combates pela História, entretanto, vale ressaltar duas de relevância significativa para a compreensão das características dos Annales: ” [...] Espantam-me, pois, com as campanhas violentas contra a História, com o desamor dos jovens, com o consequente recuo e com a verdadeira crise da História que os homens da minha geração viram desenvolver-se, lentamente, progressivamente, seguramente. Imaginam que, a minha entrada na escola, a partida estava ganha. Demasiado ganha para a História. Demasiado porque ela nem sequer apareceria como uma disciplina particular e limitada. Demasiado porque tomava a dimensão de um método universal que se aplicava indistintamente a analise de todas as formas de atividade humana. Demasiado porque se tarda, ainda hoje, a definir a História não pelo seu conteúdo, mas pelo método – que não é sequer o método todo histórico, mas simplesmente o método crítico.” (FEBVRE, p.33. 1989). Nessa abordagem, Febvre diz que se dependesse unicamente de sua ação, a História deixaria de ser uma disciplina isolada das outras, pois sua definição não se dar pelo seu conteúdo, mas pelo método, este que é crítico. Em continuação ao seu pensamento, Febvre fala sobre as novas disciplinas criadas, enquanto outras renovavam seus métodos de estudos, como a Psicologia, a Sociologiateria se tornado uma ciência e a Geografia avançava sem necessidade de estudos históricos e, em consequência a esses acontecimentos, estudar História se tornou para os jovens uma perda de tempo, algo indignativo para os Annales. Portanto, Febvre diz, “É preciso remediar isto. Mas como? Tomando uma consciência clara dos laços que, quer ela o saiba ou não, quer ela queira ou não, ligam a História as disciplinas que a rodeiam. E de que o seu destino nunca se separa.” (FEBVRE, p.34. 1989). Lucien vai revelar o caráter interdisciplinar da História, afirmando que necessário compreender e aceitar que a História pode ser e é aberta a todas as demais ciências sociais. A relação entre a História e as outras ciências é algo que, ao contrário do que pensam, poderia ser benéfico para o homem, o que as realizam juntas é mais do que fariam isoladas. Novembro de 2021 REFERÊNCIAS FEBVRE, Lucien. Viver a História in.: Combates pela História. 1ª ed. Lisboa: Editora Presença, 1989.