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A PRODUÇÃO HISTORIOGRÁFICA Empresa: Modular Criativo Professora: Yasmin Maia Faculdade Campos Elíseos (FCE) São Paulo – 2023 SUMÁRIO RESUMO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 A PRODUÇÃO HISTORIOGRÁFICA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 Produção, Importância e Função da Escrita da História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 O que é Historiografia e Interpretação de Fontes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 O Objeto da História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 BIBLIOGRAFIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 3 4 R E S U M O Esta disciplina de Historiografia visa demonstrar o que é historiografia, destacando a importância da escrita da História, a interpretação das fontes a serem trabalhadas, e a delimitação de um objeto e temporalidade para historiografia. Além disso, tem como objetivo discutir as características das principais correntes historiográficas, como o Materialismo Histórico, Positivismo e a Nova História Cultural, com a Escola dos Annales. Também deseja destacar como as produções historiográficas dos séculos XIX e XX contribuíram para o crescimento dos temas abordados na História, e como essas produções chegaram ao Brasil através de pensadores como Sérgio Buarque de Holanda e Gilberto Freyre, por exemplo, que abordavam em suas obras temáticas como raça, classe e a própria cultura brasileira. Portanto, compreenderemos o desenvolvimento da História como ciência e o método historiográfico, bem como as abordagens teórico-metodológicas e as novas temáticas exploradas pelos historiadores brasileiros nos últimos anos. A P R O D U Ç ÃO H I S TO R I O G R Á F I C A Produção, Importância e Função da Escrita da História Foi longo o processo até que a História fosse reconhecida como ciência. É considerada como uma forma interligar eventos, ideias e lugares, como argumenta Michel de Certeau. Dessa forma, é necessário compreendermos como a teoria da História busca estabelecer um vínculo entre a prática e teoria e organizar lugares, datas e acontecimentos, conforme a citação abaixo: Mas perceptível é apenas a teoria que articula uma prática, a saber, a teoria que por um lado abre as práticas para o espaço de uma sociedade e, que, por outro lado, organiza os procedimentos próprios de uma disciplina. Encarar a história como uma operação será tentar, de maneira necessariamente limitada, compreendê- la como a relação entre um lugar (um recrutamento, um meio, uma profissão, etc.), procedimentos de análise (uma disciplina) e a construção de um texto (uma literatura) (CERTEAU, 1982, p.66). Primeiramente, entende-se que toda escrita histórica parte de um lugar social e cultural, e isso implica em uma História tomada por interesses e ressignificações a partir das particularidades de quem a escreve, e por isso, a fim de organizar a escrita da História, é necessário a criação de um método de pesquisa, que objetiva a pesquisa do historiador: 5 Toda pesquisa historiográfica se articula com um lugar de produção socioeconômica, política e cultural. Implica um meio de elaboração que circunscrito por determinações próprias: uma profissão liberal, um posto de observação ou de ensino, uma categoria de letrados, etc. Ela está, pois, submetida a imposições, ligada a privilégios, enraizada em uma particularidade (CERTEAU, 1982, p.66). Aproximadamente na década de 1920, a escola dos Annales aparece com uma crítica ao termo de “História Ciência”. Isso fez com que o conceito de História deixasse de ser limitado e com que perdesse o seu principal objetivo até então, que era o da reprodução da “verdade”. Com isso, a relatividade histórica dá lugar a historiadores escrevendo sobre um mesmo evento a partir de diferentes lugares sociais. A história objetiva, aliás, perpetuava com essa ideia de uma “verdade” um modelo tirado da filosofia de ontem ou da teologia de anteontem; contentava-se com traduzi-la em termos de “fatos históricos…” (CERTEAU, 1982, p.67). Dessa forma, ainda como argumenta Certeau, o lugar em que ocorre a relação entre historiador e seu objeto de pesquisa é chamado de “instituição do saber”, que marca a instituição da História como ciência. É importante compreender como o entendimento do que é lugar social deu margem para mais historiadores escreverem com base em suas vivências, o que expande o conceito de História. À maneira de uma retirada relativa dos “assuntos públicos” e dos “assuntos religiosos” (que se organizam também em corpos particulares), constitui-se um lugar “científico”. A ruptura que torna possível a unidade social, chamada a se transformar na “ciência”, indica uma reclassificação global, em curso. Este corte mostra, pois, através da sua face externa um lugar articulado sobre outros num conjunto novo, e através da sua face interna, a instauração de um saber indissociável de uma instituição social (CERTEAU, 1982, p.69). Assim, conforme a citação acima, ao abranger temáticas que fogem do religioso e público, a História passa a ser considerada ciência, e isso faz com que apareçam críticas ao discurso historiográfico pois é necessário definir o conceito de História, já que o acontecia até então eram relatos oficiais que não representavam a maior parte da sociedade. Com isso, surge a necessidade também da criação de um conjunto de métodos e práticas de escrita, a fim de organizar as ideias. Mais genericamente um texto histórico enuncia uma operação que se situa num conjunto de práticas. Esse aspecto é o primeiro. É essencial numa pesquisa científica. Um estudo particular será definido pela relação que mantém com os outros, contemporâneos, com um ”estado da questão”, com as problemáticas exploradas pelo grupo e os pontos estratégicos que constituem, com os pontos avançados e os vazios determinados como tais ou tornados pertinentes com relação a uma pesquisa em andamento (CERTEAU, 1982, p.72). Outra questão importante a ser levada em consideração no estudo sobre a escrita da História é sobre como ele pode tornar uma pesquisa realizável ou não, já que ele define se uma narrativa se trata de História ou lenda. Desconsiderar o lugar seria semelhante a anular um dos principais traços da ciência histórica, já que ao excluir o lugar, não se pode falar mais sobre sociedade, e quando se perde a capacidade de falar sobre a sociedade, não existe História. 6 Se a organização da História se refere ao estudo do lugar e do tempo, deve-se levar em conta no estudo a utilização de instrumentos e técnicas utilizadas, os alimentos consumidos e todas as especificidades da sociedade, pois a partir dos registros cotidianos que demonstrem as relações sociais, políticas e culturais consegue-se fazer a História. Com isso, é importante o processo de separação documental, pois estes são os principais registros em que a escrita da História se baseia. O trabalho científico é realizado quando se ressignifica os fatos e dar lugar baseando-se nas fontes escolhidas. O agrupamento de fontes em formato de arquivos é um dos motivadores de uma nova História. Figura 1 - Arquivo no Museu Imperial - RJ. Fonte: Gov.br. Porém, mesmo com as alterações, a História não perdeu a função que exerceu durante vários séculos, mas apenas voltou-se para um olhar crítico a fim de ressignificar algumas características. A operação histórica deseja distinguir o presente e passado, destacando a mudançae o distanciamento. Ela busca relacionar o presente com o passado: 7 A operação histórica consiste em recortar o dado segundo uma lei presente, que se distingue do seu ”outro” (passado),distanciando-se com relação a uma situação adquirida e marcando, assim, por um discurso, a mudança efetiva que permitiu este distanciamento. Assim, a operação histórica tem um efeito duplo. Por um lado, historiciza o atual. Falando mais propriamente, ela presentifica uma situação vivida. Obriga a explicitar a relação da razão reinante com um lugar próprio que, por oposição a um “passado” se toma o presente. Uma relação de reciprocidade entre a lei e seu limite engendra, simultaneamente, a diferenciação de um presente e de um passado (CERTEAU, 1982, p.93). Sendo assim, diante do que foi discutido, Certeau apresentou diversas contribuições para a escrita da História, destacando as principais alterações que aconteceram com a ciência durante os séculos. Inicialmente, enquanto História baseada no método Rankeano que veremos a seguir, era objetiva, imparcial e distante cronologicamente do passado, porém, com a chegada da escola dos Annales e mudança de pensamentos, bem como críticas a forma de escrita adotada, a História passa a levar em consideração alguns outros aspectos, como o lugar social do historiador, o método, o objeto e o tempo, que são destacados por Certeau ao longo da obra. A escrita não fala do passado senão para enterrá-lo. Ela é um túmulo no duplo sentido de que, através do mesmo texto, ela honra e elimina. Aqui a linguagem tem como função introduzir no dizer aquilo que não se faz mais. Ela exorciza a morte e a coloca no relato, que substitui pedagogicamente o que o leitor deve crer e fazer…” (CERTEAU, 1982, p.108). É um autor que destaca a importância do método, fontes e fundamentos para a escrita da História, porém levando sempre em consideração a sociedade, o tempo e o local, pois estes determinam que a História de um mesmo evento possa ser contada de forma diferente por historiadores que ocupam lugares distintos. Ainda segundo o autor e conforme a citação acima, a História possui a função de exaltar feitos positivos para determinada sociedade, mas também serve como túmulo que demonstra o que não se deve repetir ou deve ser evitado. Além de Certeau, outros historiadores e pensadores contribuem com obras que falam sobre a escrita da História e métodos para que o historiador obtenha sucesso em sua pesquisa, como acontece na obra de Peter Burke, chamada de “A escrita da História”, e que busca contar as principais mudanças que ocorreram no campo da História com a chegada da chamada História Cultural. O autor em questão visa demonstrar como a historiografia é modificada e como a História Contemporânea passa por historiadores da chamada “Nova História”. Burke cita autores como Lévi Strauss, que segundo ele faz uma análise semelhante à de Marx, porém, levando em consideração a superestrutura, enquanto Marx analisava a partir da infra-estrutura. Muitos outros também escrevem sobre o assunto, como veremos posteriormente, como o próprio Karl Marx, Marc Bloch, etc. 8 O que é Historiografia e Interpretação de Fontes Se verificarmos no dicionário, a definição de historiografia seria aproximadamente: O trabalho historiográfico, ou estudo de História. Porém esse termo possui uma história muito longa e passou por diversas modificações que ultrapassaram temporalidade e tradição histórica. Com a ascensão da chamada Nova História Cultural, como veremos a seguir, os objetivos mudam, porém, o principal deles continua sendo o registro de como viviam e se comportavam as sociedades, quais seus hábitos e costumes e como era feita a “História dos de baixo”, tendo em vista que antes da nova História conhecíamos apenas os grandes heróis nacionais, e agora poderíamos ouvir uma narrativa de pessoas que não são de elite, mas que participaram ativamente dos debates. Uma das obras que ajuda a compreender o que é História e a importância da historiografia é a intitulada de “Apologia da História”, escrita por Marc Bloch. A obra foi organizada e publicada pelo amigo e também autor da revista Annales, Lucien Febvre, após a morte de Bloch. É republicada alguns anos depois pelo filho de Bloch, que neste capítulo acrescenta algumas anotações feitas pelo pai. O livro possui 5 capítulos, mas na introdução já inicia o diálogo com o leitor a fim de realizar perguntas que despertem a curiosidade do leitor, já que nem sempre apresentam respostas, o que leva o próprio leitor a construir a narrativa junto com o autor. Esse método de escrita já demonstra como o processo de escrita da História foi modificado. Uma das principais temáticas abordadas é sobre o papel do historiador, e segundo Bloch, o historiador decidir se optaria pela preservação da memória, pois é uma ciência que além dessa função, também se diverte. Dessa forma, torna-se uma escolha do historiador a forma de fazer ciência e escrever a história através do gosto ou da curiosidade do próprio indivíduo. Apesar de defender uma nova abordagem histórica e defender as mudanças no papel do historiador, Bloch também faz considerações sobre o positivismo, argumentando que teve diversas contribuições, nas quais se destaca o trabalho com as fontes e o método, porém a História deve ser menos conservadora e mais interdisciplinar. Por outro lado, esta História deve ser entendida como o estudo dos processos com os quais se constrói sentido. Rompendo com a antiga ideia de que dotava os textos e as obras de um sentido intrínseco, absoluto, único - o qual a crítica tinha a obrigação de identificar -, dirige-se às práticas que, pluralmente, contraditoriamente, dão significado ao mundo. Daí a caracterização das práticas discursivas como produtoras de ordenamento, de afirmação de distâncias, de divisões; daí o reconhecimento das práticas de apropriação cultural como formas diferentes de interpretação (CHARTIER, 1985, p.27). No primeiro capítulo, o autor foca justamente na sociedade, já que sem as pessoas não existe História, por isso é considerada a “ciência dos homens no tempo”. Ele também destaca a importância do objeto e do método, porém, o maior foco é o homem e a construção de sua História não mais voltada a fatos e datas, mas sim para as relações sociais e particularidades do indivíduo. Diferente do que era visto na escola metódica, em que deveria acontecer uma separação temporal do historiador e seu objeto estudado, a fim de realizar uma 9 pesquisa imparcial, Bloch defende que ao estudar um fato recente, há maior chance de entendimento, mesmo existindo testemunhos de pessoas que viveram os eventos, a vivência própria do historiador é indispensável. Na pesquisa, o historiador limita-se aos testemunhos quando não possui experiência e aproximação com o tema, como argumenta Bloch. Durante a pesquisa, o historiador deve compreender que existem diversos tipos de documentos e fontes que podem atrapalhar ou auxiliar na realização da pesquisa. Muitos documentos são anônimos e tornam a análise mais difícil. A mudança mais significativa acontece realmente relacionado ao uso de fontes históricas, tendo em vista que não está mais limitado a apenas fontes escritas e oficiais. O historiador pode utilizar não-escritos, imagens, literatura, filmes, arqueologia, dentre outros documentos que possibilitem conhecer a realidade vivida durante o evento estudado. Além disso, a diversidade de documentos expande a possibilidade de pesquisa e as interpretações podem ser diversas. O historiador não é mais o homem capaz de construir um império. Não visa mais o paraíso de uma História global. Circula em torno das racionalizações adquiridas. Trabalha nas margens. Deste ponto de vista se transforma num vagabundo. Numa sociedade devotada à generalização, dotada de poderosos meios centralizadores, ele se dirige para as marcas das grandes regiões exploradas. ‘Faz um desvio’ para a feitiçaria, a loucura, a festa,a literatura popular, o mundo esquecido dos camponeses, a Occitânia, etc., todas elas zonas silenciosas (CERTEAU, 1982, p.87). Assim, conforme a citação acima, a História não tem mais como objetivo um relato global e total, mas consegue focar nos eventos específicos, analisando, dessa forma, particularidades da sociedade e como se davam relações sociais, trabalhistas, culturais e políticas, porém, evitando generalização e enfatizando as diferenças entre as civilizações. Bloch também inaugura a História oral, informando em sua obra que o historiador deve utilizar não apenas testemunhos escritos, mas também não escritos. Segundo ele, os historiadores têm atuado como juízes, definindo o que é verdade ou não e quais os personagens de destaque das narrativas. Então, ele sugere que sejam verificados diversos aspectos antes de “condenar” ou “heroicizar” alguma figura. O autor defende na última parte da sua obra que o historiador deve selecionar um recorte histórico para sua análise, já que a História é muito longa e as fontes ampliadas, principalmente se for utilizado um período muito longo. A história recebe seu vocabulário, portanto em sua maior parte, da própria matéria de seu estudo. Aceita-o, já cansado e deformado por longo uso; ambíguo, aliás, não raro desde a origem, como todo sistema de expressão que não resulta do esforço severamente combinado dos técnicos (BLOCH, 2001, p.136). Marc Bloch nos mostra em sua obra qual o ofício do historiador e o motivo de sua dedicação, bem como o método de pesquisa adotado e como deveria-se defender a História. Dessa forma, ao mostrar os pontos positivos e negativos do estudo da História, o autor interage com o historiador/leitor para que ele escolha se essa é uma profissão que realmente pretende exercer. 10 Marc Bloch possui outras obras de destaque, como o livro "A sociedade feudal", escrito em 1939, que busca demonstrar as características do feudalismo para além de uma compreensão marxista, já que a maioria dos trabalhos sobre o tema foram feitos nessa abordagem. Outra obra é chamada de "Os reis Taumaturgos", em que é feita uma análise da sociedade francesa e da Inglaterra, que analisa como as relações de poder eram pautadas em crenças e no "sobrenatural". O livro Apologia da história propõe justamente que o historiador faça uma reflexão sobre como exercer o papel e qual abordagem e temática prefere, tendo em vista que Bloch faz diversas perguntas ao longo da obra, e não apresenta resposta concreta a todas, justamente para propor essas problematizações sobre a pesquisa e escrita da História. O Objeto da História Autores como Marc Bloch, Michel de Certeau, entre outros, dispuseram-se a falar sobre a escrita da História, o método, o papel do historiador e o objeto da História. Tendo em vista o contexto vivido durante o auge do domínio da escola metódica no campo da historiografia, as mudanças que ocorreram no pensamento liberaram o historiador para explorar novas temáticas, recortes e objetos. As fontes históricas e temáticas estudadas compõem o objeto da História. Dessa forma, podemos compreender que com a chegada do marxismo e principalmente da Escola dos Annales, houve uma liberação de novas temáticas para pesquisa, tendo em vista que com a escola metódica apenas as fontes oficiais poderiam ser utilizadas durante a pesquisa histórica. O marxismo possibilitou que os trabalhadores fossem o centro das pesquisas e que alguns relatos e documentos servissem como fonte para tal estudo, mas a escola dos Annales tornou formal o uso de outras fontes para a análise dos eventos, como a literatura, jornais, relatos orais, pinturas rupestres, como vemos na figura 2, dentre outras fontes. 11 Figura 2 - Pintura rupestre retratando caça a baleias. Fonte: National Geographic. Com essa expansão das fontes, os historiadores passam a utilizar outras abordagens para suas pesquisas históricas, como a História social, que contaria os eventos pautados nas questões que mais afetam a sociedade, a História das mentalidades, que buscava a explicação para o evento a partir da análise das mentalidades dos personagens participantes, a História dos trabalhadores, como citei acima, que pretende estudar as relações trabalhistas e sociais estabelecidas durante o evento estudando, dentre diversas outras abordagens. De acordo com a citação abaixo, Bloch argumenta sobre como os livros deveriam ter diálogos estabelecidos com seus leitores, pois através desses diálogos entre autor e leitor, que possuem interesse pelo mesmo objeto, o texto tornaria-se mais interessante e ambos experimentariam um “prazer intelectual”: Todo livro de História digno desse nome deveria comportar um capítulo ou [caso se prefira], inserida nos pontos de inflexão da exposição uma série de parágrafos que se intitulavam algo como: “como posso saber o que vou lhes dizer”?” Estou convencido de que, ao tomar conhecimento dessas confissões, inclusive os leitores que não são do ofício experimentariam um verdadeiro prazer intelectual. O espetáculo da busca, com seus sucessos e reveses, raramente entendia. É o tudo pronto que espalha o gelo e o tédio (BLOCH, 2001, p. 66). Apesar dos mais diversos objetos a serem escolhidos pelo historiador de acordo com suas preferências, o maior objeto da História é o homem, já que esta detém-se a estabelecer a relação entre evento, temporalidade e a sociedade. Sendo assim, a História consegue ser diversa e abrange muitos temas pois o homem é um ser complexo, e assim sendo, o historiador precisa “caçar” o homem para descobrir suas nuances e especificidades. 12 Há muito tempo, com efeito, nossos grandes precursores, Michelet, Fustel de Coulanges, nos ensinaram a reconhecer: o objeto da História é, por natureza, o homem. Digamos melhor: os homens. Mais que o singular, favorável à abstração, o plural que é o modo gramatical da relatividade, convém a uma ciência da diversidade. Por trás dos grandes vestígios da paisagem, [os artefatos ou as máquinas] dos escritos aparentemente mais insípidos e as instituições aparentemente mais desligadas daqueles que as criaram, são os homens que a história quer capturar. Quem não conseguir isso será apenas no máximo um serviçal da erudição. Já o bom historiador se parece com o ogro da lenda. Onde fareja carne humana, sabe que ali está a sua caça (BLOCH, 2001, p. 54). Assim sendo antes, com a escola metódica, era comum o afastamento temporal entre historiador e objeto a fim de manter a imparcialidade e fazer com que a História se aproximasse ainda mais da “verdade” e do que aconteceu no evento relatado. Com a escola dos Annales, quanto mais próximo o historiador tiver de seu objeto, mais aproximação e interesse terá com sua pesquisa, e assim despertaria também o interesse do leitor na História contada. Além disso, poderia assim demonstrar outros aspectos do evento histórico, como a mentalidade, o sentimento, os medos, dentre outras particularidades. Assim, com a Nova História cultural, Histórias contadas com sensibilidade pertencem ao campo da literatura e da História. O trabalho do historiador também é observar o evento levando em consideração intencionalidades, discursos, oralidade, arte, literatura, e estabelecer uma ponte com o evento em si, considerando que estes relatam parte das vivências e pensamentos e dizem muito sobre a sociedade em si, conforme a citação abaixo: Desta forma, pode pensar-se uma história cultural do social que tome por objecto a compreensão das formas e dos motivos – ou, por outras palavras, das representações do mundo social –, que à revelia dos actores sociais, traduzem as suas posições e interesses objetivamente confrontados e que, paralelamente, descrevem a sociedade tal como pensam que ela é, ou como gostariam que fosse (CHARTIER, 1985, p. 19). De acordo com a citação acima, com as mudanças no campo da Historiografia e a criação das chamadas História Cultural e social, o foco agora torna-se os motivos e representaçõesdo mundo social, levando em consideração os interesses dos personagens e como as práticas pequenas e do dia-a-dia podem descrever características de uma sociedade que merecem ser analisadas. Podemos compreender também como o objeto da História pode ser alterado de acordo com o momento histórico vivido. Compreende-se que o principal objeto é a sociedade, porém, como a sociedade passa por mudanças, o foco e objeto também acompanham esse desenvolvimento. Na pré História, por exemplo, como as formas de escrita cuneiforme ainda não existiam, não temos como analisar o desenvolvimento da humanidade dessa forma, então é necessário partir para as figuras rupestres, como as apresentadas na figura 2, pois a partir desses vestígios consegue-se construir uma História desse povo focando em sua realidade. O mesmo acontece durante a antiguidade, que conseguimos explicar a História da sociedade da época através dos mitos e lendas contadas oralmente, ou das epopeias escritas para demonstrar feitos heroicos e costumes daquele povo, mas que também servem como documento histórico. Durante a Idade Média, a modernidade 13 e a contemporaneidade, já possuímos a escrita cuneiforme e os documentos oficiais, porém, eles não são capazes sozinhos de definir como se dava o comportamento de uma sociedade, nem de demonstrar, como era sugerido pela escola metódica, a “verdade” sobre os eventos históricos. Os historiadores reescrevem a História com frequência e fazem isso devido ao objeto do estudo da História ser o homem e a sociedade, e o presente precisa da interpretação do passado para mudar o futuro. A História pode ser conceituada, portanto, como a reescrita frequente a partir de lugares sociais e posições diferentes do historiador. Isso implica dizer que uma História pode ser escrita diversas vezes através de pontos de vista diferentes do historiador. A relação entre História e historiografia pode ser percebida como uma comparação entre as concepções e produções já existentes que a sociedade tem sobre si mesmo ou sobre o outro. Dessa forma, ao pensar-se na História levando em consideração que nem sempre existiu a escrita cuneiforme e os documentos ditos “oficiais”, podemos perceber como essa ideia de análise apenas documental tornava a História um campo limitado, tendo em vista que não englobaria a vivência e realidade das civilizações existentes. A historiografia atual pode-se também aproximar de uma narrativa literária, principalmente quando há a construção de personagens. Michel de Certeau argumenta que, por mais que esteja dentro de um contexto narrativo, a produção não está separada de uma prática e técnicas de pesquisa, tampouco do lugar institucional de produtora de conhecimento. O autor rompe com Paul Veyne devido a escrita da obra “Como se escreve a História”, escrita por Veyne. Segundo Certeau, a escrita da História é um discurso, porém, é marcada por práticas rigorosas como vimos anteriormente, e ao negar isso, se rompe com a prática dos historiadores. Ao ter acesso também ao conceito de História como ficção para Paul Veyne, Certeau luta para defender a História enquanto um discurso de verdade, porém, um discurso que se baseia em fontes históricas e no método rígido seguido para interpretação e escrita da História a partir dessas fontes e da metodologia trabalhada. Portanto, percebemos que com a Escola dos Annales e as mudanças sofridas no campo da História, o objeto modificou-se, pois passa a abranger novas temáticas, temporalidades e civilizações, tornando a História mais rica. Paul Ricoeur defende, por exemplo, que a narrativa histórica esteja voltada para a escrita e repensa o conceito de verdade histórica sob uma pesquisa de verossimilhança. Dessa forma, Ricoeur não pensa na História como uma narrativa fictícia, mesmo que possua esse objetivo central, pois em nenhum momento abandona as pretensões de verdade. Por possuir esta estrutura triangular, a historiografia não pode, então, ser pensada nos termos de uma oposição ou de uma adequação entre um sujeito e um objeto: isto não é senão o jogo da ficção que constrói Tampouco se poderia supor, como ela às vezes leva a crer, que um “começo’; anterior no tempo, explicaria o presente: aliás, cada historiador situa o corte inaugurador lá onde para sua investigação, quer dizer, nas fronteiras fixadas pela sua especialidade na disciplina a que pertence (CERTEAU, 1982, p.22). 14 Conforme a citação acima, a historiografia não deve ser uma adequação entre sujeito e objeto, pois isso tornaria da escrita uma obra fictícia, e um dos objetivos de se fazer História é possuir uma noção de realidade para que haja um afastamento da literatura, então para isso é necessário que o historiador faça o recorte temporal e temático adequado. Já a citação abaixo, trata sobre a importância do “lugar” no texto histórico, e segundo a citação, a prática historiográfica se apoia nesse lugar, que remete justamente ao começo da investigação histórica, as motivações iniciais. Esta lacuna, que assinala o lugar no texto e questiona o lugar pelo texto, remete, finalmente, àquilo que a arqueologia designa sem o poder dizer: a relação dos logos com uma arché, “princípio” ou “começo” que é seu outro. Este outro, sobre o qual se apoia e que a torna possível, a historiografia sempre pode colocá-lo antes; levá-lo cada vez mais para trás, ou ainda, designá-lo através daquilo que, do real, autoriza a representação, mas não lhe é idêntico. (CERTEAU, 1982, p. 24) Os historiadores atuais, dessa forma, mudam sua forma de escrever a História, mas sem deixar de lado o método de escrita e de interpretações de fontes e o compromisso com a “verdade”, porém de forma diferente da escola metódica, com um objetivo de não deixar a obra totalmente fictícia. Sendo assim, muitos trabalham com o imaginário, análise do discurso, com a própria literatura, e muitas vezes possuem também como objetivo “divertir” o leitor, a fim de manter o interesse na leitura da obra. Como argumenta George Duby, é uma forma de adaptar o discurso histórico a fim de torná-lo menos áspero e mais agradável, e atrair o maior número possível de pessoas para interessar-se pela História. Porém, isso não quer dizer que o objetivo das investigações foi alterado. Sendo assim, durante esse capítulo foi realizado um diálogo com pensadores como Michel de Certeau, Chartier e Marc Bloch a fim de compreender os principais requisitos para a escrita da História, bem como alguns dos principais conceitos de objeto, lugar, o que é historiografia, qual o papel do historiador. Foi discutido também como as obras históricas possuem como objetivo relatar um passado ou evento específico vivenciado por uma série de pessoas, tendo em vista que a História é o estudo dos homens e das sociedades no tempo. Por isso, esses conceitos foram discutidos, e como a História depois que se estabeleceu enquanto ciência com a escola metódica, como continuará sendo visto posteriormente, apresenta um compromisso com os fatos, mas não estabelece uma relação com a “verdade”, tendo em vista que o conceito de verdade é relativo. Dessa forma, busca apresentar o acontecimento a partir do olhar, experiência e lugar social do historiador, que pode ser alguém que observou “de fora” esses acontecimentos, ou algum narrador personagem. Por esse motivo, vimos que a História pode ser escrita de formas diferentes por diferentes historiadores, porém relatando o mesmo acontecimento. Apesar de todas essas discussões sobre a escrita e objetos da História, foi destacado a importância dessa escrita a fim de preservar a memória dos acontecimentos e evitar que alguns deles se repitam no futuro, e também foi discutido sobre a importância do método, desde o método de escrita quanto de análise e crítica aos documentos, pois esses documentos servem como base para a historiografia, já que em muitos momentos o historiador não esteve presente para testemunhar tal evento, mas através da crítica 15 pode verificarse ele relata realmente uma situação que aconteceu, para assim poder utilizá-lo em suas pesquisas. Por fim, o alargamento da possibilidade de fontes históricas com a chegada da Escola dos Annales, como veremos com mais detalhes, possibilitou que os historiadores explorassem e tivessem novas possibilidades de escrita, podendo optar pela História oral, mentalidades, História social, Cultural, e abrangendo um número ainda maior de temas que deixavam de ser explorados pois não possuíam documentos oficiais referentes. Essas mudanças possibilitaram um aumento do campo da História no Brasil e no mundo. Dessa forma, no capítulo a seguir, será realizada uma separação das correntes historiográficas nas consideradas principais: Escola metódica dita positivista, Marxismo e Escola dos Annales. Através da análise de cada movimento separadamente, será possível destacar o contexto de surgimento, suas contribuições para a historiografia atual, sobre o que atuavam de forma mais específica e o que pregavam. Também será possível destacar como as mudanças que foram acontecendo no campo da História possibilitaram um alargamento das áreas e temáticas de pesquisa, atraindo muitos historiadores que antes não escreviam devido ao método severo de Ranke e a escassez de fontes. Assim, veremos como essa Nova História e novas fontes e temas ocasionaram uma expansão no interesse de escrever, fazer e ler História. 16 B I B L I O G R A F I A BLOCH, Marc. Apologia da História, ou O ofício do historiador. Rio de Janeiro: Zahar, 2001. BURKE, Peter. A Escrita da história: novas perspectivas; tradução de Magda Lopes. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 1992. BURKE, Peter e BRIGGS, Asa. Uma história social da mídia: de Gutenberg à Internet. Tradução de Maria Carmelita Pádua Dias. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2004. CERTEAU, Michel. A Escrita da história. Tradução de Maria de Lourdes Menezes. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1982. CORBIN, Alain. 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Acesso em: 19/12/2022. Figura 5: Revista Annales. Disponível em: https://www.catalogodasartes.com.br/obra/ DGeUUAUU/. Acesso em: 19/12/2022. Figura 6: Von Martius. Disponível em: https://docs.ufpr.br/~coorhis/gilmar/vonmartius. html. Acesso em: 15/12/2022. Figura 7: Quadro Operários, de Tarsila do Amaral. Disponível em: http://www.iea.usp. br/imagens/operarios-tarsila-do-amaral/view. Acesso em: 30/12/2022. Figura 8: Capistrano de Abreu.Disponível em: https://ihgs.com.br/cadeiras/patronos/ capistranodeabreu.html. Acesso em: 27/12/2022. Figura 9: Capa do livro de José Carlos Reis. Disponível em: https://historiaemrede. medium.com/a-influ%C3%AAncia-da-micro-hist%C3%B3ria-na-historiografia-brasileira- sobre-a-coloniza%C3%A7%C3%A3o-2f73d35eabac. Acesso em: 16/12/2022. Figura 10: Pintura “A redenção de Cam”. Disponível em: https://enciclopedia. itaucultural.org.br/obra3281/a-redencao-de-cam. Acesso em: 16/12/2022. SOUZA, L de M e. 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RESUMO A PRODUÇÃO HISTORIOGRÁFICA Produção, Importância e Função da Escrita da História O que é Historiografia e Interpretação de Fontes O Objeto da História BIBLIOGRAFIA