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FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 1 DRA. ANDRÉIA MOREIRA DA FONSECA BOECHAT Microeconomia “A Faculdade Católica Paulista tem por missão exercer uma ação integrada de suas atividades educacionais, visando à geração, sistematização e disseminação do conhecimento, para formar profissionais empreendedores que promovam a transformação e o desenvolvimento social, econômico e cultural da comunidade em que está inserida. Missão da Faculdade Católica Paulista Av. Cristo Rei, 305 - Banzato, CEP 17515-200 Marília - São Paulo. www.uca.edu.br Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem autorização. Todos os gráficos, tabelas e elementos são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência, sendo de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos. Diretor Geral | Valdir Carrenho Junior FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 3 SUMÁRIO AULA 01 AULA 02 AULA 03 AULA 04 AULA 05 AULA 06 AULA 07 AULA 08 AULA 09 AULA 10 AULA 11 AULA 12 AULA 13 AULA 14 AULA 15 AULA 16 05 10 17 23 29 36 42 48 52 57 63 68 73 80 85 91 ADMINISTRAÇÃO MERCADOLOGICA I PROF.a ANDRÉIA MOREIRA DA FONSECA BOECHAT INTRODUÇÃO À ECONOMIA CONCEITOS PRELIMINARES DE MICROECONOMIA COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR TEORIA DA DEMANDA TEORIA DA OFERTA E EQUILÍBRIO DE MERCADO ELASTICIDADES O MERCADO COMPETITIVO MONOPÓLIO DETERMINAÇÃO DE PREÇOS E PODER DE MERCADO CONCORRÊNCIA MONOPOLÍSTICA OLIGOPÓLIO TEORIA DA PRODUÇÃO CUSTOS DE PRODUÇÃO MERCADOS COM INFORMAÇÃO ASSIMÉTRICA EXTERNALIDADES E BENS PÚBLICOS TEORIA DOS JOGOS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 4 3 INTRODUÇÃO Olá, caro(a) aluno(a)! Seja bem-vindo(a) à disciplina Microeconomia. Sou a professora Andréia Moreira da Fon- seca Boechat e irei acompanhar você nesta disciplina tão fascinante, intrigante e atual que é a Microeconomia. Antes de iniciarmos nossa discussão, falarei um pouquinho so- bre a minha formação acadêmica. Sou formada em Economia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (2007), mestre em Economia pela Universidade Estadual de Maringá (2011) e Doutora em Eco- nomia também pela Universidade Estadual de Maringá (2016). Sou professora de Econo- mia de cursos de graduação e pós-graduação tanto presenciais quanto a distância de diversas faculdades e universidades. Agora que você já me conhece, quero apresentar a disciplina a você. A economia faz parte do nosso dia a dia: desde quando nascemos até a hora da nossa partida, vivemos a economia e tomamos decisões econômicas a toda hora. Por esse motivo, é importante decisões estratégicas, como os da área da gestão. A Economia é uma ciência social que procura estudar a sociedade e a melhor forma de satisfazer as necessidades e desejos das pessoas. Para que isso seja possível, são utiliza- dos teorias e instrumentais matemáticos e estatísticos. Ela (a Economia) é dividida em duas grandes áreas: a Microeconomia, que estuda os agentes econômicos (pessoas e empresas) e setores econômicos de forma individual e a Macroeconomia, que estuda o que chamamos de agregados econômicos, ou temas pertinentes ao conjunto da econo- O nosso foco, neste momento, é estudar a Microeconomia, portanto, nosso objetivo é conduzir você até o conhecimento do funcionamento inicial da Economia por meio da - truturas de mercado, equilíbrio de mercado, teoria dos jogos e tantos outros. Após o término da disciplina, você conhecerá o ambiente microeconômico, que é composto pelo universo das empresas e consumidores. Antes de iniciarmos o estudo dessa grande área da economia, apresentarei a você alguns conceitos básicos e fundamentais para o entendimento da economia, e na sequência, falaremos sobre os fundamentos da microeconomia. E aí, preparado para entrar no fascinante universo da Economia? Espero que sim! Tenho certeza que ao término da disciplina, você estará apto a discutir Economia e tomar de- cisões empresariais. Bons estudos! Prof.ª Dr.ª Andréia Moreira da Fonseca Boechat FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 5 AULA 01 INTRODUÇÃO À ECONOMIA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 6 5 Olá, aluno(a), tudo bem? Seja bem-vindo(a) à primeira aula da disciplina Microeconomia. Você já ouviu falar da área de estudo da Economia? Acredito que pelo nome não, mas pelos temas que fazem parte do estudo, certamente sim. Porém, para iniciar nossas dis- Figura 1: Economy Você certamente já se deparou com algumas situações econômicas em seu dia a dia e - dos fenômenos ocorrem e as possíveis soluções para cada um dos problemas. Os pro- • Alterações na taxa de câmbio. • Aumento da taxa de juros, • Carga tributária. • Desemprego. • • Redução na oferta. • Variações na demanda, entre outros. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 7 6 ISTO ESTÁ NA REDE Preço médio da gasolina nos postos cai pela 9ª semana seguida, diz ANP Valor médio por litro passou de R$ 4,365 para R$ 4,349. O preço médio da gasolina nos postos caiu nesta semana, no nono recuo se- guido, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (21) pela Agência Nacional do Petróleo, do Gás Natural e dos Biocombustíveis (ANP). O valor médio por litro passou de R$ 4,365 para R$ 4,349. O valor representa uma média calculada pela ANP com os dados coletados nos postos, e, portanto, os preços podem variar de acordo com a região. Fonte: <https://g1.globo.com/economia/noticia/2018/12/21/preco-medio-da-gasolina-nos- -postos-cai-pela-9a-semana-seguida-diz-anp.ghtml> Acesso em 23 dez. de 2018. Esses são alguns problemas que a economia estuda. Agora que você já relembrou de al- gumas questões econômicas, deve estar se perguntando: mas o que, de fato, é economia? Em termos etimológicos, a palavra economia vem do grego: Oikós (casa) + Nomos (norma, lei) = “administração da casa”. É isso mesmo, a economia funciona da mesma maneira que a nossa casa: trabalhamos para receber um salário, dividimos nossa renda para pagar as contas, procuramos viver na maior harmonia possível, e caso não tenhamos dinheiro para todas as contas, pegamos empréstimos; se sobrar dinheiro, fazemos investimentos, etc. – da mesma for- ma que ocorre em uma empresa e em um país. O que difere é que em Economia estudamos as formas como os diferentes tipos ciência social que trata do estudo da alocação dos recursos escassos na produção de bens e serviços para a satisfação das necessidades ilimitadas ou desejos humanos (MENDES, 2009). FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 8 7 percebeu que os termos “ciência social”, “recursos escassos” e “necessidades ilimitadas” entendimento da economia. exata, e sim uma ciência social, pois ela estuda a melhor forma da satisfazer as necessi- dades das pessoas (sociedade). Para isso, a economia utiliza teorias, história, sociologia, matemática e estatística. Já as palavras recursos escassos estão em negrito porque escassez, que pode ser de- de estudo a escassez. Se os recursos fossem ilimitados, não haveria economia, ou se as necessidades da população fossem limitadas, também não haveria economia, já que to- das as necessidades seriam satisfeitas. Assim, só existe a economia porque precisamos distribuir os recursos produtivos escassos ou limitados, de forma a satisfazer todas ou a maior parte possível das necessidades humanas. É importante observar que a escassez está relacionada a diversas variáveis tais como tempo, dinheiro, espaço físico, matéria-prima e mão de obra, seja especializada ou não, entre outras. Por esse motivo, está presente em todas as economias, seja em países ricos como os Estados Unidos, que é a maior economia do mundo, ou em países em desenvolvimento, como aqueles do continente africano. Por exemplo, talvez no Brasil não tenhamos escassez de espaço para a produção de bens agrícolas, mas no Japão tem. Por outro lado, aqui falta tecnologia, lá não. Compreendeu o funcionamento da escassez? Espero que sim, pois esta é a base de todo o estudo da economia. Já necessidades ilimitadas estão destacadas,pois, diferente da escassez, os desejos humanos são ilimitados, ou seja, nunca terminam. Por exemplo, temos R$50,00 para ir ao shopping comprar uma blusa. Chegando lá, compramos uma blusa, mas, logo, de- sejamos uma calça ou uma bolsa e assim sucessivamente. Sem falar nas necessidades básicas, como alimentação e moradia. Lembre-se de que a Economia estuda o todo/ agregada, assim, mesmo que uma pessoa individualmente não tenha desejos ilimitados ou que todas as suas necessidades sejam satisfeitas, na economia como um todo não é assim que funciona. Mais uma vez, se os recursos fossem escassos, mas as necessidades humanas fossem limitadas, não teríamos problema. Ou se os recursos fossem ilimitados e as necessida- des humanas também, não haveria problema. O grande problema é recursos escassos e necessidades ilimitadas. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 9 8 ANOTE ISSO “A economia é a ciência da escassez ou das escolhas” (MENDES, 2004, p. 3) Com base no que discutimos até agora, você percebeu que a Ciência Econômica procu- ra responder, mesmo que de forma parcial, questões como: • Como os preços são determinados? • • Como melhorar a distribuição de renda de um país? • Como fazer com que aumente o número de empregos? • Qual são as funções do governo? • Por que uma crise internacional afeta a economia nacional? AS QUESTÕES ECONÔMICAS FUNDAMENTAIS qualquer economia, independentemente de ser rica ou pobre, capitalista ou socialista, industrializada ou em processo de industrialização, procura responder as seguintes per- guntas: • O que produzir? • Quanto produzir? • Para quem produzir? • Como produzir? Vamos entender cada uma dessas perguntas? “O que produzir” não é uma decisão fácil, pois, como você já sabe, os recursos são escassos. Então, não podemos produzir tudo o que desejamos ou precisamos. Em outras palavras, aumentar bens. quan- tidade do bem ou serviços escolhidos que será produzida, além do público-alvo desse produto. Um dos fatores de escolha do “para quem produzir” é a renda desse consu- midor. Quanto maior for a renda, maior a quantidade de mercadorias que ele poderá empresa/país são os consumidores. Já na última, “como produzir”, Dado que os recursos produtivos são escassos, a empresa deverá escolher a combinação desses recursos com o menor custo possível para fabricar bens e serviços. Ótimos estudos e até a próxima aula! FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 10 AULA 02 CONCEITOS PRELIMINARES DE MICROECONOMIA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 11 10 Olá, aluno(a)! Como já discutimos, a Economia está ligada ao problema da escolha, já que os recursos produtivos são limitados e as necessidades humanas são ilimitadas. Em outras palavras, é imposta aos agentes econômicos uma escolha para a produção/con- sumo de diversos tipos de bens e serviços. Para entender melhor como a escolha é feita, vamos analisar a seguinte situação hipotética para uma determinada economia: a. Uma economia só produz dois bens: bem X e bem Y, que você pode, por exemplo, chamar de roupas e alimentos. b. - dentemente de produzir o bem X ou o bem Y, a quantidade e a qualidade dos recursos produtivos serão as mesmas. c. Existe pleno emprego, ou seja, essa economia produz o máximo que ela pode dada a quantidade de recursos produtivos que ela tem disponível. d. A tecnologia é constante, já que o uso da tecnologia é uma forma de aumentar a produção, utilizando a mesma quantidade de fatores de produção disponíveis. - dade de cada bem que poderá ser produzido dados os recursos produtivos que temos disponíveis. Isso pode ser visto no Quadro 2.1: Bem Quantidade X (roupas) 180 160 150 130 100 60 Y (alimentos) 10 20 30 40 50 60 Ponto 1 2 3 4 5 6 Quadro 2.1: Quantidade de cada bem que pode ser produzido dada a quantidade de fatores de produção disponível. Fonte: a autora. Caso a economia queira produzir tanto o bem X quanto o bem Y, ela deverá “abrir mão” de determinada quantidade de um bem para produzir o outro. Por exemplo, para pro- duzir 20 unidades de Y, a empresa deverá deixar de produzir 20 unidades de X, ou, para - transformação da situação hipotética apresentada Fonte: Elaboração da autora FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 12 11 produzir dados os fatores de produção limitados. Isso é conhecido como curva das possi- bilidades de produção ou curva de transformação. Então, qualquer ponto sobre a curva mostra que a quantidade de bens X e Y que a economia poderá produzir nessa situação está em pleno emprego. - mais. Em outras palavras, haverá capacidade ociosa. Fonte: Elaboração da autora - tecnologia. A tecnologia é um fator que desloca a curva das possibilidades de produção, pois, como já discutimos, podemos produzir mais, dados os mesmos fatores de produ- ção disponíveis, ou seja, aumenta a capacidade produtiva da empresa. Essa situação Fonte: Elaboração da autora FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 13 12 No mundo real, pode acontecer de a curva das possibilidades de produção se deslocar mais em direção a um bem do que a outro. Isso acontece porque os bens não possuem exatamente o mesmo processo produtivo ou as mesmas quantidades de todos os fato- res de produção. Então, o recurso produtivo mais afetado pela tecnologia tende a deslo- car mais a curva de transformação. Tudo que discutimos sobre curva das possibilidades de produção também nos mos- tra outro conceito muito importante para a ciência econômica, que é o custo de oportu- nidade, no qual a empresa teve que “abrir mão” de certa quantidade produzida do bem Y em função da produção do bem X. recursos de uma atividade para outra, ou seja, é a quantidade de um bem ou serviço que se deve renunciar para obter outro. É importante observar que só existe custo de opor- tunidade se a economia estiver funcionando em pleno emprego, ou seja, se os recursos forem plenamente utilizados, como os pontos de 1 a 6 CLASSIFICAÇÃO DOS BENS E SERVIÇOS - dade humana – lembrando que as necessidades humanas são ilimitadas e cada pessoa relação a sua raridade e em relação a quem os oferta. No que diz respeito à raridade, os bens e serviços podem ser: Livres – são aqueles bens cuja quantidade é ilimitada e que podem ser obtidos sem ne- nhum esforço humano. Por esse motivo, não têm preço, e a economia não se preocupa com eles, por exemplo: mar, rio, lagoa e oxigênio, entre outros. Econômicos – são bens e serviços limitados (escassos), têm valor de mercado e pre- cisam de esforço humano para produzi-los, por exemplo: carro, computador e caneta, entre outros. Os bens e serviços econômicos são os bens estudados pela economia. a. Materiais – são bens tangíveis e que podem ser estocados. Por exemplo, computa- dor, sapato, roupa, etc. Podem ser: i. Consumo – bens duráveis e de consumo imediato. Exemplo: roupa. ii. Intermediário – necessários para fabricação de bens de consumo. Exemplo: matéria-prima. iii. Capital – permitem produzir bens. Exemplo: máquinas. b. Imateriais ou serviços – são intangíveis, não podem ser estocados e, assim que con- sumidos, acabam. Exemplo: uma consulta médica, uma aula ou uma consultoria. A partir do que foi discutido sobre bens econômicos materiais e imateriais, farei uma pergunta a você: uma passagem de metrô é um bem material ou um serviço? O ticket do metrô é um bem material, pois conseguimos estocar. Porém, a viagem feita é um serviço e, assim que descemos do metrô, o bem acabou. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 14 13 AGENTES ECONÔMICOS Para fabricar bens e serviços, comprar produtos, pagar tributos, regular a economia, en- tre outros, ou seja, para fazer com que a economia gire, são necessários os agentes eco- que, por meio de suas ações, contribui para o funcionamento do sistema econômico. a. Empresas – também são conhecidas como unidades produtivas e são responsá- veis pela produção e comercialização dos bens e serviços. As empresas combinam - ços, de modo a obter o máximo de lucro. b. Família – conhecida como consumidores, incluem,segundo Passos e Nogami (2012), todos os indivíduos e unidades familiares da economia; têm como função adquirir bens e serviços, além disso, são proprietários do fator de produção “traba- lho”. Em outras palavras, trabalhamos para receber salários para poder comprar bens e serviços. Figura 1: Pessoas c. Governo – são as organizações que estão, direta ou indiretamente, sob o domínio do Estado e que atuam no sistema econômico. Temos o governo federal, estadual e municipal, além das leis e regulações. O governo pode intervir na economia de duas formas, segundo Passos e Nogami (2012): atuando como empresários e pro- duzindo bens e serviços por meio das empresas estatais ou contratando serviços, comprando materiais, equipamentos, etc. O governo pode intervir também por FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 15 14 ISTO ACONTECE NA PRÁTICA DE REGULAÇÃO A AMAZON: AS AMEAÇAS QUE PAIRAM SOBRE O GOOGLE A pressão por regulamentação tem crescido no mundo inteiro. Mas há riscos maiores no horizonte da empresa O Google já tem sentido o calor da batalha regulatória. O governo japo- nês divulgou há poucos dias um relatório de especialistas pedindo maior vigilância para proteger a competição e a privacidade dos usuários. Segue a tendência da União Europeia, que multou o Google em 4,34 bilhões de euros por práticas anticoncorrenciais (a empresa recorre da ação, em que é acusada de usar o sistema operacional Android, presente na maioria dos smartphones, para promover seu buscador, fechando a porta a rivais). Fonte: https://exame.abril.com.br/negocios/de-regulacao-a-amazon-as-ameacas-que-pai- ram-sobre-o-google/ Acesso em 21 dez. de 2018. d. Setor externo – são os demais países que ao fazer comércio com o Brasil, acabam composto por todas as instituições que mantêm relações econômicas com o país/ economia que se está analisando e que tenham sua estrutura física fora das fron- FATORES DE PRODUÇÃO OU RECURSOS PRODUTIVOS utilizados no processo de fabricação de bens e serviços que irão satisfazer as necessida- des humanas. Os fatores de produção têm como características serem escassos, como dito de outro modo, os fatores de produção fabricam diversos bens e podem ser combi- a. Recursos naturais ou terra – é a origem de todo processo produtivo, como terra, água, minerais, matérias-primas, etc. b. Recursos humanos – é a contribuição do ser humano na produção. Podem ser físicos ou intelectuais. Como trabalho físico, temos o trabalho de um agricultor no campo. Já uma consulta médica é considerada um trabalho intelectual. c. Capital – são bens utilizados no processo produtivo, como máquinas, construções e infraestrutura, entre outros. Atualmente, além dos três fatores de produção clássicos que citamos anteriormente, ainda temos a capacidade empresarial e o empreendedorismo como fatores de produ- ção, pois é fundamental a tomada de decisão dos empresários quanto à utilização dos recursos produtivos. A tecnologia também pode ser considerada um fator de produção. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 16 15 DIVISÃO DA CIÊNCIA ECONÔMICA em duas grandes áreas, sendo elas a Microeconomia e a Macroeconomia. A Microeco- nomia, segundo Viceconti e Neves (2010, p. 9), “é o ramo da teoria econômica que estuda o funcionamento do mercado de um determinado produto ou grupo de produtos”. Em outras palavras, estuda a interação entre compradores e vendedores em determinados mercados como, por exemplo, no mercado de produtos alimentícios. Assim sendo, o estudo da Microeconomia está voltado, entre outros, para: a. instituições individualizáveis, isoladamente ou em grupos homogêneos; b. comportamento dos consumidores; c. comportamento das empresas; d. estruturas e mecanismos de funcionamento dos mercados; e. funções e imperfeições dos mercados; f. remuneração paga aos agentes e à repartição funcional da renda nacional e g. Nas unidades II e III, serão abordadas as noções básicas que envolvem essa área da Teo- ria Econômica. ANOTE ISSO A economia é dividida em duas grandes áreas de estudo principais: a microe- conomia que estuda os agentes econômicos individuais e a macroeconomia que estuda as variáveis econômicas agregadas. A Macroeconomia, por sua vez, “é o ramo da teoria econômica que estuda o funciona- tais como nível de produção total, investimento agregado, poupança agregada, nível de emprego, nível geral de preços, etc. (VICECONTI; NEVES, 2010, p. 9). Dessa forma, o estu- do da Macroeconomia está voltado, entre outros, para: a. a economia em seu conjunto; b. o desempenho total da economia, dados as causas e os mecanismos de correção c. os agregados macroeconômicos, tais como PIB e RN; d. as relações entre macro variáveis, tais como investimento e nível de emprego; e. as medidas de tendência central, tais como taxas de juros e de câmbio; f. as trocas internacionais e g. Ótimos estudos e até a próxima aula! FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 17 AULA 03 COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 18 17 Olá, aluno(a)! Na aula anterior, foi apresentado que família e a empresa são agentes econômicos e fazem parte do sistema econômico capitalista. Nesta aula, estudaremos apenas as famílias, que são os consumidores, e o comportamento deles em relação às decisões de consumo. Você saberia dizer quais são os fatores que os consumidores levam em consideração ao escolher um determinado conjunto de bens e serviços? No geral, os consumidores possuem algumas características na relação entre a renda disponível e a escolha por bens e serviços. E você saberia dizer quais são essas características? Você, por exemplo, como escolhe um determinado bem ou serviço? As características que a maioria dos consumidores tem são, segundo Mendes (2009): Excluindo a poupança, os consumidores gastam toda sua renda em bens e serviços; Os consumidores gastam sua renda em mais de um bem ou serviço, ou seja, pos- suem cestas de bens, que veremos mais para frente; Figura 1: Compras Como vimos, as necessidades humanas são ilimitadas, e por isso os consumidores rara- mente estão satisfeitos com a quantidade de produtos comprados. ISTO ESTÁ NA REDE VENDAS DA BLACK FRIDAY CRESCEM 23%, MAS RECLAMAÇÕES TAMBÉM SOBEM As vendas da Black Friday cresceram mais do que o previsto em 2018. O comércio eletrônico faturou o equivalente a 2,6 bilhões de reais, uma alta de 23% em rela- ção a 2017, segundo levantamento da Ebit|Nielsen. A estimativa inicial era de um aumento nas vendas de 15%. O site Reclame Aqui recebeu 5.607 reclamações das 11h da quarta-feira, 21, até as 23h59 da sexta, 23. Isso representa um aumento de 20% na comparação com 2017. As principais queixas foram sobre propaganda enganosa e maquiagem de preço, com 14,2% %. Em seguida, apareceram as quei- xas sobre atraso na entrega (3,9%). Depois vieram reclamações sobre estorno do valor pago (3%). Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/vendas-da-black-friday-crescem-23 -mas-reclamacoes-tambem-sobem/ FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 19 18 • Os consumidores procuram maximizar a satisfação total, dado sua renda e os pre- ços dos bens. A partir dessas características, sabemos que as pessoas têm preferência por alguns bens e serviços em relação a outros, ou seja, os consumidores, também conhecidos como famílias, são capazes de colocar as cestas de bens e serviços em ordem de acordo com suas preferências. Uma cesta de bens e serviços é um conjunto de quantidades de determinados bens - te de dois bens e/ou serviços. Tal situação pode ser representada a seguir: C = (Q1, Q2) No qual: C – cesta de bens e serviços Q1– quantidade do bem ou serviço 1 Q2 – quantidade do bem ou serviço 2 Mas como esta escolha por determinada cesta de bens e serviços é feita? A escolha que o consumidor faz por determinadas cestas de bens e serviços em relação a outras é feita a partir de três pressupostos: • Mais é melhor do que menos – os consumidores preferem maiores quantidades do que menores; ANOTE ISSO Em geral,os consumidores escolhem sempre maiores quantidades possí- veis. Mesmo aqueles que preferem qualidade gostariam de comprar um nú- mero maior de mercadorias. • A preferência é completa – os consumidores são capazes de comparar duas ou mais cestas de bens e serviços e escolher a que mais o agrada; • A preferência é transitiva – dados três cestas, A, B e C, e comparando duas cestas por vez, entre A e B, o consumidor prefere a cesta A. Entre B e C, o consumidor pre- fere a cesta B. Então, entre A e C, o consumidor irá preferir a cesta A. Esta situação por ser vista no esquema a seguir: Para melhor entender o terceiro pressuposto, vamos pensar no seguinte exemplo: Maria tem três cestas de bens e serviços disponíveis, A, B e C, dados a sua renda e o preço dos bens, conforme situação abaixo. • Cesta A = (10 balas, 1 chocolate) • Cesta B= (5 balas, 2 chocolates) • Cesta C = (1 bala e 3 chocolates) Entre a cesta A e a cesta B, Maria prefere a cesta A. Entre a cesta B e a cesta C, ela esco- lherá a cesta B. Então, como a A ganhou da B e a B ganhou da C, se compararmos as cestas A e C, Maria preferirá a A. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 20 19 UTILIDADE Os pressupostos da teoria do consumidor mostram as preferências de um determinado Mendes (2009) como o benefício ou satisfação que o consumo de um bem ou serviço pode gerar a uma pessoa. A função utilidade pode ser representada como: U = f ( Q1, Q2) No qual: U – utilidade Q 1– quantidade do bem 1 Q 2 – quantidade do bem 2 Existem dois tipos de utilidade, a total e a marginal. A utilidade total é a satisfação com- pleta pelo consumo de todas as quantidades consumidas de um determinado bem ou serviço. A utilidade total é crescente até certo ponto, o chamado ponto de saturação. A partir desse ponto, ela vai decrescendo. Diferente da utilidade total, a utilidade marginal é a satisfação gerada pelo consu- mo de uma unidade a mais de um determinado bem ou serviço. A utilidade marginal explica uma das características que foram citadas no início desta unidade, a de que o consumidor não gasta toda a sua renda em um único bem ou serviço, pois, se formos explicar de forma bem radical, ele enjoa. Portanto, a utilidade marginal é decrescente, ou seja, ela reduz à medida em que a pessoa vai consumindo quantidades adicionais de um bem ou serviço, mantendo os demais constantes. Para melhor entendimento da diferença entre utilidade total e marginal, Mendes (2009) apresenta um exemplo que iremos utilizar com algumas alterações. Imagina Ma- ria no deserto do Saara, morrendo de sede. Ela encontra um vendedor de água e como está com sede e tem dinheiro, comprará copos de água. Para o primeiro copo, Maria está disposta a pagar um valor muito alto pela água, por exemplo, 70 reais, pois o grau de satisfação que o consumo deste copo trará é muito alto. Já no segundo copo, Maria está disposta a pagar um valor ainda alto, mas não tão alto quanto pagou pelo primeiro copo, por exemplo, 50 reais. E assim sucessivamente, até chegar ao décimo copo, no qual ela não está mais disposta a pagar nada pela água, pois o décimo copo não trará mais benefícios ao nosso consumidor. E se continuarmos analisando cada possível copo consumido, chegaremos a um valor negativo, ou seja, o consumo, por exemplo, do déci- mo primeiro copo gera uma repulsa. Veja tal situação na tabela 3.1. Tabela 3.1 – Utilidades Total e Marginal do consumo de copos de água por José Quantidade de copos de água Utilidade Total Utilidade Marginal 0 0 - 1 70 70 2 120 50 3 165 45 4 190 25 5 210 20 6 225 15 FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 21 20 Quantidade de copos de água Utilidade Total Utilidade Marginal 7 235 10 8 240 5 9 242 2 10 243 1 FONTE: Mendes (2009). A tabela 3.1 representa as utilidades total e marginal de Maria ao consumir os copos de água. Como você vê, o valor que Maria está disposta a pagar por cada copo reduz a me- dida que o consumo aumenta, sendo o primeiro copo 70 reais e o décimo copo, apenas um real. Então, você percebeu que a utilidade marginal foi caindo, ou seja, o grau de satisfação de Maria por cada copo de água reduz ao longo do consumo. Já a utilidade total, que é a soma de todas as utilidades, aumentou. Para melhor visualizar essa situa- FONTE: Elaboração da autora a utilidade total aumenta conforme aumenta a quantidade consumida de um deter- minado bem ou serviço e a utilidade marginal decresce à medida em que aumenta o consumo de um determinado bem ou serviço. ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Na prática, essa situação acontece em um rodízio de pizzas ou carnes, por exemplo. Quando chegamos ao restaurante, estamos com tanta fome que o primeiro pedaço de pizza gera um grau de satisfação enorme. Porém, con- forme vamos comendo, nossa fome vai acabando e a satisfação gerada vai reduzindo, até chegar ao ponto que não querermos mais pizza e pedimos ao garçom para não nos oferecê-la mais (utilidade marginal negativa) FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 22 21 É importante observar que representei a utilidade, tanto total como marginal, por meio de dinheiro, mas apenas para facilitar o entendimento. Como a utilidade é a satisfação - ção é diferente para cada pessoa. Então, utilidade não é medida por meio de números, e sim de grau de satisfação. CURVA DE INDIFERENÇA Outra curva importante que deve ser analisada antes de estudarmos a teoria da deman- da de fato é a curva de indiferença, que mostra as cestas que o consumidor considera indiferente, ou seja, as possíveis cestas que o consumidor desejaria adquirir, de acordo os pressupostos que estudamos no início da unidade. Claro que apresentarei a curva de - mos supor que Maria consuma refrigerantes e pipoca e que, dados sua renda e o preço destes bens, existem quatro cestas disponíveis. Tabela 3.2 – Cestas de Maria compostas por refrigerantes e pipocas Cesta Quantidade de refrigerantes Quantidade de pipocas C1 (1,4) 1 4 C2 (2,3) 2 3 C3 (3,2) 3 2 C4 (4,1) 4 1 FONTE: Elaboração da autora A tabela 3.2 mostra quatro cestas compostas por refrigerantes e pipocas que Maria pode para melhor visualização: FONTE: Elaboração da autora nome já diz, indiferente para Maria adquirir. Podemos ver também que, assim como na curva de utilidade marginal, a curva de indiferença é negativamente inclinada. O motivo é que, de acordo com os pressupostos da teoria do consumidor, “mais é melhor do que menos.” Ótimos estudos e até a próxima aula! FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 23 AULA 04 TEORIA DA DEMANDA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 24 23 Olá, aluno(a)! Agora, vamos começar o estudo da teoria de demanda, pois até o mo- mento vimos os fundamentos da teoria do consumidor. A teoria da demanda tem como objetivo tratar das necessidades dos consumidores, ou seja, ela procura explicar o com- portamento do consumidor ao escolher bens e serviços. Na Aula 1, você viu que qualquer economia procurar responder a quatro perguntas básicas: O que produzir? Quanto pro- duzir? Para quem produzir? Como produzir? Destas, as três primeiras são respondidas pela teoria do consumidor. de um determinado bem ou serviço que um consumidor deseja e está capacitado a comprar por unidade de tempo. A palavra “deseja” está em destaque porque a deman- da é uma intenção de compra e não a compra efetiva. Figura 1: Supermercado a. Só existe demanda se a pessoa puder pagar pelo bem ou serviço. Se não puder pagar, não há demanda. Então, o sonho de consumo que muitas vezes temos não é considerado demanda, pois não podemos pagar por ele. b. O conceito de demanda está relacionado a ideia de utilidade. Isto mesmo, aquela utilidade que vimos anteriormente. Só existirá demanda se aquele bem ou serviço gerar algum tipo de satisfação para o consumidor. Se não gera satisfação, não há demanda, pois quem irá desejar um bem ou serviço sem utilidade? c. A demanda vem sempre acompanhada da unidade tempo, pois a demanda altera com o tempo. Se a demanda é uma intenção de compra dados a renda e o preço do bem,com o tempo o preço altera e a renda também, então, a demanda é alte- rada. Podemos concluir então que a demanda é dinâmica! FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 25 24 ANOTE ISSO um consumidor deseja comprar dados sua renda e o preço do bem, sendo, portanto, uma intenção de compra. FONTE: Elaboração da autora A curva de demanda (D) é a relação entre preço (P) e quantidade (Q) e é negativamente inclinada. Você sabe responder por que a curva de demanda é negativamente inclinada? A curva de demanda é negativamente inclinada porque conforme o preço aumenta, a quantidade que os consumidores estão dispostos a adquirir reduz, pois se o preço aumen- tar, os consumidores irão substituir o consumo do bem pelo seu substituto. Esse efeito é chamado de efeito substituição. Outro motivo que faz com que a curva de demanda seja negativamente inclinada é o chamado efeito renda, que nos diz que ao aumentar a renda, o consumidor irá demandar quantidades maiores de um determinado bem. Então, a utilidade marginal explica que a curva de demanda é negativamente in- clinada, pois conforme o preço altera, a quantidade demandada altera também (efeito substituição), e alterações na renda, alteram a quantidade demanda (efeito renda). Para facilitar a explicação acima, vou mostrar um exemplo. Maria deseja ir ao cinema ver os - do do preço do ingresso, Maria está disposta a ir mais de uma vez ao mês ao cinema, Preço do ingresso Quantidades de ida ao teatro 15 1 12 2 10 3 7 4 5 5 FONTE: Elaboração da autora FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 26 25 preço do ingresso para o cinema reduz, a quantidade demandada, ou seja, a quantidade de vezes que Maria está disposta a ir ao cinema aumenta, o que faz com que a curva de demanda seja negativamente inclinada. FONTE: Elaboração da autora Claro que a curva de demanda representa apenas um consumidor, mas também temos a curva de demanda de mercado, que é a soma das curvas de demanda individuais de um determinado bem que está sendo vendido a um determinado preço. Independen- temente de ser curva de demanda individual ou de mercado, ela será sempre negativa- mente inclinada, pelos motivos que já explicamos. FATORES QUE AFETAM A CURVA DE DEMANDA - ca, vou apresentar alguns fatores que afetam a curva de demanda tanto positiva quanto negativamente, ou seja, fatores que fazem com que a demanda aumente ou diminua e um fator que determina a demanda. O fator que determina a demanda é o preço do bem ou serviços em questão. Neste caso, como discutimos até agora, um aumento do preço faz com que a quantidade que os consumidores estão dispostos a consumir reduza e vice-versa. Assim, não há um des- locamento da curva de demanda, mas apenas os pontos sobre a curva que deslocam. Chamados isso de alteração na quantidade demandada e não alteração na demanda. Já os fatores que afetam e, portanto, deslocam a curva de demanda para a direita ou para a esquerda são diversos, e irei apresentar alguns deles. a. Renda – é um dos principais fatores que afetam a curva de demanda. Então, de acordo com a renda, os consumidores irão escolher qual das cestas de produtos disponíveis irá demandar. A partir da variação da renda e do impacto que esta Normal – quando há um aumento de renda, a quantidade demanda do bem ou serviço aumenta. A maioria dos bens são normais, pois quando a pessoa tem um aumento de renda, ela passa a demandar mais daquele bem. Neste caso, a curva de demanda se desloca para a direita, ou seja, para cima. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 27 26 Inferior – quando há aumento da renda, a pessoa passa a consumir menos daque- le bem. Por exemplo, se Maria, nosso consumidor, tiver um aumento de salário, ela passará a consumir mais carne de primeira. Neste caso, a curva de demanda para carne de segunda se desloca para a esquerda, ou seja, para baixo. Consumo saciado – independentemente da renda, a quantidade de deman- da será a mesma, ou seja, mesmo que Maria passe a receber um salário maior ou o preço do bem reduzir, ela não irá demandar mais ou menos quantidades, por exemplo, de sal. Neste caso, a curva de demanda não se desloca, pois não há aumento ou redução da demanda. b. Preço dos bens complementares – bens complementares são os bens consumi- dos juntos como, por exemplo, café e açúcar, arroz e feijão, pão e manteiga, etc. Então, se o preço de um bem aumentar (café) a quantidade demanda de café e do seu complementar, que é o açúcar, reduzirá, deslocando a curva de demanda para a esquerda. c. Preço dos bens substitutos – bens substitutos são aqueles que têm praticamen- te as mesmas características e, por este motivo, podem ser substituídos um pelo outro. Por exemplo, bolo de chocolate e bolo de coco, manteiga e margarina, pão francês e pão de forma, entre outros. Como são bens que podem ser substituídos, quando o preço de um aumentar, por exemplo, da manteiga, a quantidade demandada de manteiga cairá e a quantida- de demandada do seu substituto, no caso, da margarina, aumentará. Neste caso, a curva de demanda de manteiga se desloca da direita para a esquerda, ou seja, para baixo, e a curva de demanda de margarina se desloca para a direita. d. Propaganda/Marketing – cria uma necessidade de consumo. Então, é um instru- mento muito utilizado para aumentar a quantidade demandada de determinados bens e serviços, deslocando a curva de demanda para a direita. e. Expectativa sobre o futuro – se Maria acredita que receberá um aumento daqui a noventa dias, a demanda dele hoje aumentará. Caso contrário, se ele está em aviso prévio, a demanda dele hoje reduzirá. f. Fatores Climáticos – no inverno, a demanda por biquínis reduz, enquanto a de- manda por calças aumenta. Outro exemplo: a demanda de aquecedor na região Norte do Brasil é quase nula, pois não tem clima para utilizar este tipo de aparelho, enquanto a demanda por ar condicionado na Noruega é baixa. g. Hábitos/costumes – a demanda de alguns bens varia conforme o hábito e costu- me da região. Por exemplo, na Índia a vaca é sagrada, então a demanda por carne bovina é quase nula, enquanto no Brasil, é alta. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 28 27 ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Com as altas temperaturas comerciantes de Curitiba relatam aumento na venda de ventiladores Capital paranaense registrou temperaturas acima dos 33º neste sábado (15), segundo a Somar Meteorologia. As altas temperaturas registradas em Curitiba têm empolgado os comer- nas últimas semanas. Neste sábado (15) a capital paranaense registrou tem- peraturas de até 33,5º, por volta das 15h, segundo a Somar Meteorologia. Nas ruas do Centro, vendedores comentam a procura pelo produto. “Hoje, só em ventiladores, eu vendi na faixa de R$ 2 mil”, conta a vendedora Ro- sangela Morais. FONTE: https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2018/12/15/com-altas-temperaturas-comercian- tes-de-curitiba-relatam-aumento-na-venda-de-ventiladores.ghtml Acesso em 23 dez. de 2018. Citei alguns fatores que afetam a curva de demanda, mas temos diversos outros. É im- portante lembrar que qualquer fator que aumente a demanda deslocará a curva de de- de demanda para a direita. FONTE: Elaboração da autora demanda para a esquerda FONTE: Elaboração da autora - do algum dos fatores que estudados acima aumenta a demanda, como por exemplo, aumento da renda, aumento do preço do bem substituto, etc. quando algum dos fatores que estudados acima reduz a demanda, como por exemplo, redução da renda, redução do preço do bem complementar, etc. Não podemos deixar de observar que quando falamos em uma alteração na quantidade demandada em função de uma variação no preço do próprio bem, a curva de demanda não se desloca, alterando apenas os pontos sobre a curva. Ótimos estudos e até a próxima aula! FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 29 AULA 05 TEORIA DA OFERTA E EQUILÍBRIO DE MERCADO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 30 Olá, aluno(a)! Na aula anterior, estudamos o lado do consumidor na teoria da demanda, agora iremos analisar ooutro lado, o do produtor. Em outras palavras, a oferta. Então, a teoria da oferta analisa os principais aspectos relacionados à oferta de mercado, ou melhor, estuda o comportamento das empresas. Sinte�zando, a teoria da oferta estu - da a resposta do produtor aos incen�vos de mercado, incen�vos estes relacion ados a quan�dade demandada, custos, incen�vos governamentais, disponibilidade de fatores de produção, etc. Mas, então, o que é oferta? A oferta pode ser definida, segundo Passos e Nogami (2012), como a quan�dade de um bem ou serviço que uma determina empresa deseja vender por unidade de tempo. Mais uma vez, a palavra “ deseja” está negrito, isso porque dependendo do preço do bem, as empresas têm um incen�vo para aumentar a produ - ção, mas não significa que de fato aumentem, pois aumentar a produção depende de outros fatores e não somente do preço que a empresa deseja vender seu produto, até porque nem sempre o desejado é o preço vendido de fato. Outra observação é em relação à “unidade de tempo”. Vimos na teoria da demanda que a demanda altera com o tempo. A oferta tem o mesmo funcionamento: com o tem- po, ela poderá ser alterada. E como a curva de oferta é representada? A curva de oferta é representada conforme gráfico 5.1. Gráfico 5.1 – Representação da curva de oferta FONTE: Elaboração da autora ANOTE ISSO Diferente da curva de demanda, a curva de oferta é positivamente inclina- da, pois as empresas desejam vender mais quando o preço de mercado dos seus produtos está mais alto. Você percebeu que o formato da curva de oferta é o oposto da curva de demanda, já que a curva de oferta é posi�vamente inclinada. Vamos ver o mo�vo? Imagine uma empresa que venda pizzas congeladas e que tem a seguinte oferta: Tabela 5.1 – Oferta de uma empresa hipoté�ca de �tulos de capitalização. 29 Preço por pizza Quantidade ofertada (milhões de pizza) 5 18 4 16 FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 31 30 Preço por pizza Quantidade ofertada (milhões de pizza) 3 12 2 7 1 0 FONTE: Elaboração da autora Pela tabela 5.1 você percebeu que conforme o preço da pizza congelada reduz, a quan- tidade que a empresa deseja vender diminuiu também, fazendo com que a curva seja FONTE: Elaboração da autora - do reduziu, a quantidade que a empresa deseja vender também diminuiu, chegando ao ponto que a R$1,00 a empresa não está disposta a vender nenhuma pizza. Qual a explicação de que ao preço de R$ 1,00 a empresa não está disposta a vender o produ- to? A preços muito baixos, as empresas não têm incentivo a aumentar sua produção e poderão ofertar outro tipo de produto, no caso, outro tipo de lanche congelado, como o cachorro-quente, que tenha um preço de mercado mais alto. FATORES QUE AFETAM A CURVA DE OFERTA Agora que você conhece o conceito de oferta, vou apresentar alguns fatores que afetam positiva e negativamente a curva de oferta. Assim como na demanda, o preço do bem ou serviço afeta a curva de oferta, mas não a desloca. Quanto maior for o preço, maior será a quantidade ofertada. Caso contrário, se o preço diminui, a quantidade ofertada também diminui. a. Preço dos insumos – aumento no preço dos insumos, aumenta os custos da em- empresa terá menos lucro, deslocando a curva de oferta para a esquerda. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 32 31 ISTO ESTÁ NA REDE TABELA DO FRETE DEVERÁ TER REAJUSTE DE CERCA DE 5% Aumento tem por objetivo atualizar os preços após a Petrobrás elevar em 13% A tabela do frete rodoviário deverá ser reajustada em cerca de 5%, segundo informou fonte ao Estado. O aumento tem por objetivo atualizar os preços após reajuste de 13% do diesel anunciado na última sexta-feira. O ajuste será feito sobre a tabela vigente. O tema será discutido nesta terça-feira, 4, em reunião da diretoria da Agên- cia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O órgão regulador também - mento da tabela pelos contratantes de serviços de transportes. Fonte: https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,tabela-do-frete-devera-ter- reajuste-de-cerca-de-5,70002487166 Acesso em 23 dez. de 2018. b. Tecnologia – ótima forma de aumentar a produção, utilizando a mesma quantidade de fatores de produção, assim, reduzindo os custos e aumentando a oferta, deslocando a curva de oferta para a direita. c. Preço dos produtos competitivos – quando falamos em produtos competitivos estamos nos referindo a produtos alternativos do processo de produção, ou seja, são produtos que utilizam mais ou menos o mesmo processo produtivo. Neste caso, a empresa escolherá produzir e vender aquele produto que tem um preço de mercado mais alto. Esta foi a situação no nosso exemplo da empresa hipotética de pizza congelada, no qual ao preço de R$1,00 a empresa optaria em oferta outro tipo de lanche. d. Políticas do governo – dependendo da política pública do governo, a empresa tem incentivo para aumentar ou reduzir a produção. Por exemplo, subsídio é um incentivo para as empresas aumentaram a produção. Os subsídios acontecem principalmente no setor agropecuário. e. é como quando uma condição meteorológica afeta alguns setores e faz com que as empresas aumentem ou reduzam a produção. Por exemplo, uma chuva causa uma redução na produção dos agricultores, reduzindo a oferta. Como vimos, alguns fatores afetam a deslocam a curva de oferta para a direita ou para a es- querda. Qualquer fator que reduza custos é um incentivo para a empresa aumentar a pro- FONTE: Elaboração da autora. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 33 32 Agora, qualquer fator que aumente o custo, ou que reduza o lucro, é um incentivo para a empresa reduzir a produção, deslocando a curva de oferta para a esquerda, conforme FONTE: Elaboração da autora. Não posso deixar de observar que quando falamos em uma alteração na quantidade ofertada, em função de uma variação no preço do próprio bem, a curva de oferta, assim como a curva de demanda, não se desloca, alterando apenas os pontos sobre a curva, do mesmo que a curva de demanda. EQUILÍBRIO DE MERCADO Nas aulas anteriores, estudamos o comportamento dos consumidores e das empresas separadamente, mas sabemos que no mundo real a oferta e a demanda atuam conjun- tamente, e o preço e a quantidade que são vendidas no mercado se dá quando as duas curvas (oferta e demanda) se interceptam. Figura 1: Acordo FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 34 33 Agora, apresentarei o equilíbrio em mercados competitivos, ou seja, mercados que são formados por um grande número de compradores e vendedores. Fiz a observação de que o equilíbrio discutido aqui é em mercados competitivos, pois temos outros mer- cados, como os poucos competitivos e os sem competição, no qual o equilíbrio se dá em outro ponto, ou seja, funciona de outra forma a relação entre demanda e oferta, e o preço é formado em um ponto mais alto, mas isso discutiremos na próxima seção desta FONTE: Elaboração da autora e demanda (D) se encontram é o ponto de equilíbrio (E), e esse ponto mostra o preço e a quantidade negociados no mercado, P’ e Q’ respectivamente. Qualquer preço acima de oferta, e pela lei da oferta e da demanda, oferta maior que demanda, o preço tende a baixar. Então, pontos acima de P’ fazem com que sobrem produtos no mercado, e o preço automaticamente reduzirá. um excesso de demanda, ou seja, mais pessoas desejando adquirir o bem ou serviço do que empresas dispostas de vender. Neste caso, o preço aumentará, de modo a chegar ao ponto E, que é o ponto de equilíbrio. ANOTE ISSO O equilibro de mercado acontece quando as curvas de oferta e demanda se encontram. Mesmo quando há aumento ou redução de preços, e conse- quentemente as curvas de oferta e demanda se deslocam, com o passar o tempo, elas tendem a encontrar um novo ponto de equilíbrio. Todos os fatores estudados nos tópicos anteriores que afetam as curvas de demanda, tais como renda, preço dos produtos complementares e substitutos, expectativa sobre o futuro, entreoutros, e todos os fatores que vimos que afetam a curva de oferta, tais como, tecnologia, preço dos produtos relacionados, interferência governamental, etc., afetam o ponto de equilíbrio. O governo também pode afetar o ponto de equilíbrio por meio de: FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 35 34 a. Fixação de preços mínimos – produtor de forma a garantir um nível de preço superior ao preço de equilíbrio. Um - tro mercado que participa dessa política é o mercado agrícola, no qual o governo se compromete a adquirir a produção caso o preço de mercado esteja abaixo do b. Fixação de preços máximos – acontece quando o preço vendido no mercado está muito alto e o governo, com o objetivo de defender o consumidor, estabelece um preço máximo que as empresas podem vender seus produtos. O preço máximo será sempre menor do que o preço de equilíbrio, ou seja, abaixo de P’. c. Subsídios – neste caso, o governo, com o objetivo muitas vezes de desenvolver de- terminados setores, paga uma parte dos custos produtivos da empresa, que terá incentivo para aumentar a quantidade ofertada e ou reduzir preço. Com o subsí- d. Congelamento e tabelamento de preços – ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Um preço mínimo é o menor preço legal que pode ser pago em um mercado conhecido de preço mínimo seja o do salário mínimo, que é baseado na visão normativa de que alguém que trabalhe em tempo integral deve ser capaz de era de $7,25 por hora, o que gera uma renda para uma única pessoa ligeira- mente acima da linha da pobreza. À medida que o custo de vida sobe ao lon- go do tempo, o Congresso eleva periodicamente o salário mínimo federal. Preços mínimos as vezes são chamados de subsídios de preços, pois eles mantêm um preço, evitando que ele caia abaixo de um certo valor. Ao redor do mundo, muitos países aprovaram leis para criar suportes de preço agríco- – às ve- zes largamente. Então, mesmo se, na média, as receitas agrícolas estiverem do suporte de preços é prevenir esses tipos de oscilações. - Ótimos estudos e até a próxima aula! FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 36 AULA 06 ELASTICIDADES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 37 36 Olá, aluno(a)! Elasticidade é um conceito muito importante na Microeconomia, pois mostra a relação entre as diferentes quan- tidades de demanda e oferta de determi- nados bens e serviços em função das mu- danças de preço. Nesse sentido, Mendes - dida de resposta que compara a mudança percentual de uma variável devido a uma mudança percentual em outra variável. Em outras palavras: sabemos, por exemplo, que a redução do preço de um bem aumenta a demanda deste bem, mas não sabemos exatamente em quanto. E é esse impacto que a elasticidade mostra! De acordo com o conceito de elasticida- em bens de demanda inelástica ou fraca- mente elásticas e bens de demanda forte- mente elástica. Os primeiros englobam os bens de primeira necessidade, indispen- sáveis à subsistência diária da população. O sal é o mais característico entre os bens de demanda inelástica. Consumido em pequenas quantidades, mas tratando-se de ingrediente indispensável à alimenta- ção cotidiana, as alterações no preço do sal praticamente em nada afetam sua procura (SANDRONI, 1999). ANOTE ISSO Elasticidade é a alteração percentual em uma variável, dada uma variação percentual em outra. É sinônimo de sensibilidade, resposta, reação de uma variável, em face de mudanças em outras variáveis. Entre os bens de demanda inelástica, encontram-se também alguns produtos de luxo utilizados pela camada mais rica da população, que continuará comprando esses arti- gos mesmo que os preços se elevem bastante (SANDRONI, 1999). Os bens de demanda fortemente elástica são aqueles que não são indispensáveis à subsistência da população, sendo geralmente utilizados pelos setores médios da socie- dade. Selecionados cuidadosamente pelos consumidores, uma elevação do preço des- ses artigos acarreta imediata diminuição da demanda. Demanda fortemente elástica caracteriza também os artigos que podem ser, sem problemas, substituídos por outros produtos similares (SANDRONI, 1999). Figura 1: Elástico FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 38 37 ELASTICIDADE DA DEMANDA A elasticidade da demanda mostra a variação da quantidade demandada (procurada) em função do aumento ou redução do preço, ou seja, é uma medida da variação na de- manda de uma mercadoria. Como nós vimos nas aulas anteriores, a demanda depende de alguns fatores tais como o preço da mercadoria, a renda do consumidor, o preço de outras mercadorias e o gosto do consumidor, entre outros. Assim, quando há qualquer mudança em um desses fatores, ocorre variação na quantidade comprada da mercado- ria na unidade de tempo em questão (SANDRONI, 1999). Portanto, a elasticidade da procura mede a variação relativa da quantidade compra- da na unidade de tempo, quando ocorre uma variação em um dos fatores citados ante- riormente, mantendo-se constantes os demais (SANDRONI, 1999). A partir disso, têm-se a elasticidade-preço da demanda, a elasticidade-renda da demanda e outras variáveis. Vamos conhecê-las? a. Elasticidade preço A elasticidade preço da demanda mostra o impacto da variação do preço na quantidade demanda de um determinado bem ou serviço. Segundo Sandroni (1999), a elasticidade preço da demanda é a relação entre a variação na quantidade procurada de um bem e uma variação relativa de seu preço. - ção percentual dos seus preços, conforme expressão a seguir: p P Q Q P No qual: Ep – elasticidade preço P – preço Q – quantidade É importante observar que a análise da elasticidade preço é feita por módulo, ou seja, sempre será negativo, mas a análise sempre levará em consideração o valor ser positivo. a. Elásticos, quando a elasticidade preço for maior do que 1. exemplo, se o preço aumentou em 10%, a quantidade demandada reduzirá em mais do que 10%. Em geral, bens não muito essenciais são elásticos, como roupas e sapatos. b. Inelásticos, quando a elasticidade preço for menor do que 1. - - plo, se o preço aumentar em 10%, a quantidade demandada reduz em menos do que 10%. Em geral, os bens mais essenciais são inelásticos, como gasolina e alimentos. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 39 38 c. Elasticidade unitária, quando a elasticidade preço for igual a 1 - ma proporção, ou seja, um aumento de 10% no preço acarreta uma redução de 10% na quantidade demandada. ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Estudos recentes indicam que a elasticidade-preço das importações brasilei- ras é baixa. Este trabalho procura racionalizar o referido resultado revisitando as estimativas das importações do país desagregadas por “categoria de uso”. Os resultados reportados sugerem que a baixa elasticidade-preço das im- das importações de combustíveis, bens intermediários e de alguns tipos de serviços – notadamente, transporte, aluguel de equipamentos e pagamentos de royalties – produtos que, somados, respondem por pouco menos de dois terços do total importado. Isso ocorre porque vários desses produtos têm pouca ou nenhuma possibilidade de substituição por similares nacionais, de- FONTE: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/ecos/article/view/8649650/16145 Alguns fatores fazem com que o bem ou serviço seja mais elástico do que outros. Pode- Grau de essencialidade do produto Quanto mais essencial ou necessário for o bem, mais inelástico ele será, como por exemplo, a água. Mesmo que o preço aumente, não tem como substituir a água tão facilmente, então, a quantidade demandada não alterará. Disponibilidade de produtos substitutos para o bem considerado Quanto maior for o número de bens substitutos para o produto em questão, mais elástico ele será. Por exemplo, refrigerantes. Caso o preço do refrigerante aumen- te, podemos substitui-lo por suco, água ou outra marca de refrigerante. Número de utilizações que se pode dar ao produto Quanto maior for o uso do produto, maior será a elasticidade. Por exemplo, a soja. farelo. Proporção da renda gasta com produtosQuanto maior for a renda proporcional gasta com um produto, mais elástico ele será. Por exemplo, se o preço de uma televisão aumenta, a demanda reduzirá mais do que se o preço do açúcar aumentar, mantendo a renda constante. b. Elasticidade preço cruzada A elasticidade preço cruzada mede o impacto da variação do preço de um bem na quan- tidade demanda do outro bem. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 40 39 xy Qx Qx Py Py No qual: Exy – elasticidade preço cruzada Qx – quantidade do bem X Py – preço do bem Y Nesse tipo de elasticidade, o sinal precisa ser analisado. Se o resultado for positivo, os bens são substitutos. Se for negativo, os bens são complementares, e se o resultado for zero, os bens são independentes, ou seja, não tem nenhum tipo de relação, como gaso- lina e pão. c. Elasticidade renda A elasticidade renda mede o impacto da variação da renda na quantidade demandada de um determinado bem. y Q Q y y No qual: Ey – elasticidade renda Qx – quantidade y – renda Assim como na elasticidade preço cruzada, o sinal da elasticidade renda precisa ser ana- lisado. Se o valor for positivo, o bem é normal. Se for negativo, o bem é inferior. ELASTICIDADE DA OFERTA Como vimos, o produto responde a alterações no preço, e esta resposta pode ser medida - ço da oferta como mudança percentual na quantidade ofertada de um bem ou serviço em resposta a uma variação no preço, mantendo os demais fatores constantes. Assim como na demanda, a elasticidade-preço da oferta pode ser de três tipos: a. Elástica nos preços em 1% faz com que a quantidade ofertada aumente mais do que 1%. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 41 40 b. Inelástica nos preços em 1% faz com que a quantidade ofertada aumente menos do que 1%. c. Elasticidade Unitária aumento nos preços em 1% faz com que a quantidade ofertada aumente exata- mente 1%. Ótimos estudos e até a próxima aula! FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 42 AULA 07 O MERCADO COMPETITIVO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 43 42 ESTRUTURAS DE MERCADO Olá, aluno(a)! A interação entre oferta e demanda acontece no mercado e forma o pre- estrutura de mercado como sendo: “Estrutura de mercado se refere às características organizacionais de um mercado, ou seja: grau de concentração, grau de diferenciação - cada uma delas? a) Grau de concentração É o tamanho do mercado. Em outras palavras: é o número de vendedores e compra- dores que fazem parte daquele mercado. Dependendo da quantidade de empresas e consumidores, dizemos que o mercado é concentrado ou competitivo, e uma forma de medir é por meio dos índices de mercado. Quando as quatro maiores empresas que fazem parte deste mercado detêm, pelo me- nos, 75% da quantidade comercializada, dizemos que este é um mercado altamente concentrado. Um dos maiores problemas de um mercado muito concentrado é que as empresas con- do que em mercados competitivos. Outros problemas podem ser em relação à quanti- dade e à qualidade do produto. ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Aumento da concorrência reduz preço de medicamentos para pacientes acometidos por doenças raras no Brasil Uma das empresas que atua no sentido de promover a agilização e a redu- ção dos preços dos medicamentos destinados ao tratamento de doenças raras no Brasil é a Oncolabor Medical, sediada em Minas Gerais. Criada em - calizadas nos Estados Unidos, para importar produtos médicos de alta com- plexidade. A partir de iniciativas como as da Oncolabor, já foi registrada, por exemplo, uma economia anual aos cofres públicos de mais de R$ 400 mil por pacien- te tratado pelo medicamento eculizumabe. Isso porque o valor do remédio caiu a menos da metade do preço anterior, passando de US$ 8 mil para US$ 3,5 mil depois do início das atividades da Oncolabor. Segundo os diretores da empresa, “a Oncolabor está contribuindo para a quebra do monopólio em um setor fundamental na sociedade, que é o cuidado com a saúde”. Eles ressaltam que “a empresa representa uma concorrência saudável, que tem qualidade de vida de pacientes que necessitam de cuidados especiais”. FONTE: https://www.terra.com.br/noticias/dino/aumento-da-concorrencia-reduz-preco- -de-medicamentos-para-pacientes-acometidos-por-doencas-raras-no-brasil,86aa475e- 1d8a8aa9eb52b98c43e0223daf0lhpre.html FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 44 43 b) Grau de diferenciação do produto O grau de diferenciação do produto refere-se a quanto um bem ou serviço que está sendo negociado no mercado é diferente. Pela visão da economia, quanto mais hete- rogêneo for um bem, ou seja, quanto mais diferente ele for, menos produtos substitu- tos teremos para ele e, portanto, mais inelástico ele será. Em outras palavras: um bem ou serviço heterogêneo, mesmo que o preço aumentar, a quantidade demanda será a mesma, pois não há substitutos próximos. A diferenciação pode ser obtida de diferentes formas. Mendes (2009) cita ingredientes de qualidade superior, prêmios oferecidos, serviços especiais, como entrega delivery e embalagens especiais como formas da empresa diferenciar seu produto e, portanto, aumentar seu preço. Você saberia dar um exemplo de um produto homogêneo e de um diferenciado? Em geral, produtos agropecuários tais como soja e milho in natura são produtos homogêneos, pois a soja do produtor A é igual à soja do produtor B. Como produtos diferenciados, podemos citar os produtos semi-industrializados e os industrializados tais como comida congelada, roupas, sapatos, etc. c) Barreiras à entrada - sa tem para fazer parte do mercado. E podem ser: Economia de escala – acontece quando a empresa aumenta a quantidade produ- zida e consegue reduzir seu custo médio no longo prazo. Existem diversas formas de conseguir gerar economia de escala, como especialização da mão de obra, uti- lização de tecnologia e compra de fatores de produção em grandes quantidades, entre outros. Desvantagens de custo – quando a empresa que deseja fazer parte do mercado tem alguma desvantagem em custo, como pouca experiência no setor, pouco do- mínio tecnológico ou ainda grande necessidade de propaganda. Com base no que foi discutido, quanto à competitividade os mercados podem ser clas- • Competitivos – concorrência perfeita e concorrência monopolística • Pouco competitivos – oligopólio • Sem competição – monopólio quanto ao número de empresas e ao tipo de produto, ou seja, as características que dis- cutimos anteriormente. Número de empresas Tipo de produto Estrutura de mercado Muitas Homogêneo Concorrência perfeita Muitas Diferenciados Concorrência monopolística FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 45 44 Poucas Homogêneo ou diferenciado Oligopólio Uma Diferenciado Monopólio FONTE: Baseado em Mendes (2009) Conforme podemos visualizar no quadro 7.1, quando existe um grande número de em- presas e o produto comercializado é homogêneo, ou seja, idêntico, este mercado é de concorrência perfeita. Agora se forem muitas empresas que vedam produtos diferencia- dos, o mercado é concorrência monopolística. Por outro lado, se tivermos poucas empresas, mesmo que vendam produtos idênticos ou não, estamos nos referindo a um oligopólio, e se for uma única empresa que comer- cializa um produto altamente diferenciado, é um monopólio. Veremos cada uma dessas estruturas nas próximas aulas. Agora, falaremos do mercado competitivo, do qual a con- corrência perfeita, também chamada de concorrência pura, faz parte. Vamos conhecê-la? MERCADO COMPETITIVO: CONCORRÊNCIA PERFEITA OU PURA Para iniciar nossos estudos sobre as estruturas de mercado, discutiremos, inicialmente, a concorrência perfeita ou também como é conhecida, a concorrência pura. Está é, com certeza, a estrutura de mercado menos real, pois, como você verá pelas características, é muito difícil achar um setor ou uma empresa que apresente todas as características para que possa ser incluída na concorrência perfeita. Depois dessa declaração, você deve estar se perguntando então por que irei apresentar a você a concorrência perfeita.É importante estudarmos essa estrutura de mercado por ser considerada, apesar de não muito real, a estrutura ideal, em termos de concorrência. Um mercado em concorrência perfeita ou pura tem como características: Grande número de compradores e vendedores O número de vendedores e compradores neste mercado é tão grande que as deci- - feita o preço é determinado no mercado por meio da oferta e demanda e é pratica- mente o mesmo para todos os vendedores. Produtos homogêneos Os produtos são homogêneos ou idênticos, de forma que o bem do vendedor A é substituto perfeito do bem do vendedor B. Por essa razão, o preço é praticamente constante, já que, como os produtos são idênticos, se um vendedor aumentar seu preço, os consumidores irão comprar no outro produtor. Dizemos que na concorrência perfeita ou pura o governo não deve intervir no merca- do por meio de, por exemplo, congelamentos e tabelamentos de preços. Em outras palavras, o mercado deve funcionar livremente. Ausência de barreiras à entrada - presa tem em entrar no mercado. Na concorrência perfeita ou pura, não há barreiras à entrada, ou seja, qualquer empresa pode fazer parte do mercado, sem maiores FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 46 45 Perfeito conhecimento Uma vez que os produtos são homogêneos, uma empresa conhece todas as infor- mações dos seus concorrentes tais como preços, processos produtivos, etc. Como já visto aqui, na realidade, a situação de concorrência perfeita ou pura seria uma situação ideal, mas que de fato não acontece. O mercado que mais se aproxima desse tipo de estrutura de mercado é o agropecuário. ANOTE ISSO Os mercados competitivos têm como característica um grande numero de empresas e preços mais baixos, já que há concorrência. Agora que você conheceu o mercado competitivo, você deve estar querendo saber como são as curvas de oferta e demanda, e, portanto, o equilíbrio neste mercado, certo? Então, vamos considerar as curvas de demanda e oferta para um produto qualquer, do quilo de batata, por exemplo, que é vendido diariamente em um mercado do seu município. Sabendo que a curva “D” representa a demanda, que mostra quanto os compradores estão dispostos a comprar (quantidade) da mercadoria por cada nível de preço. E a curva “S” que representa a oferta, ou ainda, a quantidade que os produtores estão dispostos a vender a cada preço. Lembre-se de que os compradores desejam preços baixos e quan- tidades altas, fazendo com que a curva de demanda seja negativamente inclinada, e que os vendedores desejam vender seus produtos ao preço mais alto possível, fazendo FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 47 46 - equilíbrio de mercado. Porém, quando o preço está abaixo dos R$0,70, temos um ex- cesso de demanda (um número maior de pessoas quer comprar um quilo de batata). Por outro lado, quando o preço está R$1,00, temos um excesso de oferta. O que ocorre quando há excesso de demanda ou de oferta? O preço altera até chegar ao ponto de equilíbrio. Portanto, em mercados competitivos, existe uma espécie de acordo informal entre compradores e vendedores para se achar o equilíbrio deste mercado quando não há excesso ou escassez de demanda ou oferta. Ótimos estudos e até a próxima aula! FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 48 AULA 08 MONOPÓLIO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 49 48 Figura 1: Postes/iluminação Olá, aluno(a)! O monopólio é, assim como a concorrência perfeita, uma situação extre- ma, mas, diferente da anterior, ele é real, ou seja, muito presente na economia brasileira. A situação do monopólio é, muitas vezes, indesejável, pois pode prejudicar o consumi- dor, já que não temos concorrência. Você sabe dizer como um monopólio é caracteriza- do? As características principais do monopólio são: Uma única empresa Como o próprio nome já diz, no monopólio temos uma única empresa que atua no mer- cado e oferece um determinado tipo de produto. ISTO ESTÁ NA REDE Tarifa de pedágio sobe para R$ 2,40 na rodovia Fernão Dias neste sábado O preço dos pedágios da rodovia Fernão Dias vai sofrer reajuste neste sá- bado (22). A tarifa básica, para carros de passeio, passa a ser de R$ 2,40, 10 centavos a mais que o preço atual, o que representa um aumento 4,3%. O novo valor será aplicado nas quatro praças de pedágio localizadas no Sul de Minas, além de outros dois pontos no estado e dois em São Paulo. Os preços começam a ser cobrados já a partir de meia-noite FONTE: https://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2018/12/21/tarifa-de-pedagio-sobe- -para-r-240-na-rodovia-fernao-dias-neste-sabado.ghtml Produtos altamente diferenciados Os produtos são altamente diferenciados, ou seja, são únicos, não havendo substitu- tos próximos. Neste caso, o consumidor não consegue substituí-lo por outro. Como em outras estruturas de mercado. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 50 49 Não há concorrência Se há uma única empresa, não existe concorrência no mercado monopolista. Com isso, o preço tende a ser mais alto. ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Falta de concorrência em bancos é a vilã dos juros, dizem especialistas O vilão dos altos juros no cartão de crédito não é o parcelado sem juros, mas a forte concentração de bancos nas mãos de poucos grupos. Especialistas - no cartão de crédito é que gera distorção nas taxas cobradas - - tores que levam o Brasil a ter um dos maiores spreads bancários do mundo. O spread é a diferença entre o que os bancos pagam de remuneração para quem investe neles e o que eles cobram de clientes que tomam dinheiro em- prestado. Na avaliação de economistas, com a forte concentração do setor - do de crédito. Esse cenário contribui para a manutenção das taxas elevadas. FONTE: https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2018/05/18/concentracao -bancaria-vila-altos-juros-cartoes-de-credito.htm Considerável controle de preço por parte da empresa A empresa monopolista é formadora de preços, ou seja, como ela é única, ela consegue - no se preocupa com as práticas dos monopolistas. ANOTE ISSO Apesar do monopólio só ter uma empresa e, portanto, não há concorrência, as empresas monopolistas não conseguem cobrar o preço que desejam, pois perderá mercado. Porém, ela consegue cobrar um preço bem mais alto do que em mercados concorrenciais. De acordo com Mendes (2009), o governo pode controlar o monopólio de duas formas: a. Controle de preço – o governo pode exigir que o monopolista produza até que o custo marginal seja igual ao preço. Essa é uma prática difícil, pois o governo preci- saria conhecer toda a estrutura de custo da empresa. b. Política de taxação - o governo pode taxar o monopolista de forma a reduzir seu lucro. A taxação pode ser de três formas: • Pagamento de uma licença anual • Tributação sobre lucro • Imposto sobre vendas FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 51 50 mantêm o preço para o consumidor. Já o imposto sobre vendas afeta os custos variáveis e reduz a quantidade produzida. É importante observar que, mesmo sendo uma única empresa, se o monopolista quiser aumentar sua venda, ele deverá reduzir o preço do seu produto. E uma estratégia utilizada pelo monopolista para vender mais é por meio da política de discriminação de preços. Trata-se de uma prática que ocorre quando um monopolista vende o mesmo produto a consumidores diferentes e com preços diferentes. Para isso, é necessário: 1. comprar no outro mercado; 2. - midor mais elástico, o monopolista coloca um preço mais baixo, e para o mercado mais inelástico, o preço é mais alto. Deste modo, a empresa monopolística conse- gue aumentar sua receita. Podemos citar como exemplo de prática de discriminação de preços: • Tarifa de energia elétrica residencial, comercial, industrial e rural; • Ligação telefônica de dia e à noite; • Passagens aéreas em baixa e alta temporada e • “Meia entrada” em cinemas, teatros, shows para estudantes e idosos, entre outros. Você percebeu pelos exemplos que não é somente uma empresa monopolística que pratica a discriminação de preços, mas se trata deuma prática comum em outras estru- turas de mercado também. Altas barreiras à entrada - dade que uma nova empresa tem em fazer parte do mercado é muito grande e muitas vezes não é economicamente viável termos uma concorrente, como é o caso dos mono- pólios naturais. Então, os monopólios surgem por diversas razões, entre elas, regulamen- tações do governo e pelo processo de produção. - das, o setor elétrico, saneamento básico, extração de petróleo e, em algumas cidades, transporte coletivo (ônibus). O maior problema do monopólio é que, como não há concorrentes, a empresa pode cobrar um preço muito alto ou ofertar uma quantidade baixa, além de não se preocupar com a qualidade. Por isso o governo sempre acompanha e regula as empresas perten- centes ao monopólio. Claro que em alguns setores o monopólio é essencial, pois não é economicamente viável ter uma concorrente, como nos setores de energia elétrica e saneamento básico. Neste caso, chamamos o monopólio de monopólio natural, já que é mais viável ter ape- nas uma empresa ofertando aquele produto. Ótimos estudos e até a próxima aula! FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 52 AULA 09 DETERMINAÇÃO DE PREÇOS E PODER DE MERCADO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 53 52 Olá, aluno(a)! Depois de conhecer as principais características do mercado monopolista, preços de tal forma que podem obter lucro positivo mesmo no longo prazo. Por isso, esse tipo de empresa busca constantemente usufruir desse poder de mercado de forma O objetivo primordial dessa aula é explicar como as empresas com poder de mono- pólio determinam seus preços por meio da captação do chamado excedente do consu- midor, fazendo isso por meio da discriminação de preços. Você sabe dizer o que é discriminação de preços? Pode-se dizer que a discriminação de preços ocorre quando o mesmo produto pode ser vendido pelo mesmo preço. Os produtos são considerados idênticos quando pos- suem a mesma qualidade e o mesmo custo. Wessels (2010) lembra que o monopolista pode praticar a discriminação de preços - sicas: 1. Os compradores não podem revender os produtos: se assim o fosse, toda sua pro- dução acabaria sendo vendida o preço baixo. 2. O monopólio deixa claro quais consumidores pagam mais e quais pagam menos: Diante desse contexto, vamos estudar os três principais tipos de discriminação de pre- ços: de primeiro grau, de segundo grau e a de terceiro grau. Preparado(a)? ISTO ACONTECE NA PRÁTICA A discriminação de preços também pode envolver a cobrança do mesmo locação de DVDs on-line, aparentemente se engajou nessa segunda forma - não enfatizar isso em sua propaganda, os assinantes que retirarem a menor mais recentes e geralmente receberão seus DVDs mais rapidamente. Quan- - gam em relação a consumidores que recebem um serviço melhor. Portanto, - tando seus lucros acima do que obteria se todo assinante recebesse o mes- mo serviço pelo mesmo preço. Fonte: Adaptado de Hubbard e O’Brien (2010, p. 574-575). Mas quais as diferenças básicas entre os três tipos de discriminação de preços mencio- nadas anteriormente? Por meio do quadro abaixo, é possível visualizar as características de cada uma delas. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 54 53 Quadro 1 – Tipos de discriminação de preços Discriminação de preços de primeiro grau O monopolista vende diferentes unidades de produtos por diferentes preços e que os preços podem diferir de pessoa para pessoa. Conhecida como discriminação perfeita de preços. Discriminação de preços de primeiro grau O monopolista vende diferentes unidades de produtos por diferentes preços, mas cada pessoa que compra mesma quantidade de bens para o mesmo preço. Assim, os preços diferem no que tange às unidades do bem, mas não no que diz respeito às pessoas. Um exemplo é dos descontos por unidade. Discriminação de preços de primeiro grau O monopolista vende a produção para pessoas diferentes por diferen- tes preços, mas cada unidade vendida a determinada pessoa é vendida pelo mesmo preço. É a modalidade mais comum de discriminação de preços. Exemplos muito comuns são os descontos para pessoas idosas e para estudantes. Após você conhecer as características de cada uma delas, vamos estudar como ocorre o Antes de começar com as particularidades de cada um dos conceitos, é importante - que o consumidor paga abaixo daquele que ele estaria disposto a pagar, o excedente do produtor é o valor que a empresa vende por um valor maior do que ela estaria disposta a vender. A discriminação de preços de primeiro grau ocorre quando o monopolista vende seus produtos para as pessoas que estão dispostas a pagar o maior valor e pelo preço máximo que essa pessoa está disposta a pagar. Se a empresa monopolista cobrasse o mesmo preço para todos os consumidores, certamente permitiria a apropriação de excedente do consumidor de alguns compra- dores do produto. Cobrando preços mais elevados de consumidores que desejam pagar mais, ele maximiza seus benefícios em forma de excedente do produtor. Dessa forma, o produtor seria capaz de apropriar-se de todo o excedente do consumi- dor, ou seja, ele capta todo o excedente gerado no mercado e transforma em excedente do produtor. Essa perfeita discriminação de preços pode ser visualizada por meio da Figura 1. A Figura 1 - Discriminação de preços de primeiro grau. Fonte: Frank (2013, p, 393) FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 55 54 Por meio da Figura 1, é possível perceber que o produtor pode cobrar pode diversos níveis de preços para diversos consumidores. Por exemplo, as primeiras Q1 unidade por P1, as Q2 - Q1 unidades por P2 e assim sucessivamente, de forma a apropriar-se de toda a área verde do triângulo e transformá-lo de excedente do consumidor (caso não ocorra discriminação de preços) em excedente do produtor (com a discriminação perfeita de preços). A discriminação de preços também pode ser baseada na quantidade que se compra de determinado produto. Nesse caso, tratamos da discriminação de preços de segundo Quando os produtos escolhidos para os diferentes segmentos de mer- embalagem, ou qualitativamente, como automóveis populares e de luxo, a discriminação de preços é denominada de segunda ordem. Para esse tipo de discriminação de preços, o produtor de determinado produto ou ser- viço elabora uma lista de preço de forma a cobrar preços menores para o consumidor de quantidades maiores e preços maiores para consumidores de menores quantidades. energia elétrica em que os consumidores pagam tarifas diferenciadas por blocos de consumo em Kwh/mês, de forma que maiores quantidades consumidas representam - te do consumidor pelo produtor no caso da discriminação de preços de segundo grau. A Figura 2 - Discriminação de preços de segundo grau. Fonte: Frank (2013, p, 395) Observando a Figura 2, nota-se que, se a empresa cobrasse o preço único de P1 pela quantidade total ofertada de Q1, não estaria captando o excedente representado pela área verde, que, embora não seja o excedente total que pode ser apropriada pelo produ- tor, já representa uma grande parcela desse benefício gerado pelo aumento das vendas dos consumidores que gastam maior quantidade do produto. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 56 55 Figura 3: Energia elétrica Em outras situações, quando ocorre a separação dos mercados e a empresa não precisa ofertar produtos diferentes para segmentar o mercado, ela simplesmente cobra preços diferentes para cada um dos mercados, com preços mais elevados naqueles mercados menos sensíveis a preços. Nesse caso, ocorre a discriminação de preços de terceiro grau. Fonte: Frank (2013, p, 391) produto em dois mercados, 1 e 2 (na maioria das vezes esses mercados estão separados Considerando a condição de maximização de lucros em que a Receita Marginal igua- la-se ao Custo Marginal, perceba que a empresa cobra um preço maior daqueles consu- midores que apresentam uma menor elasticidade-preço da demanda. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 57 56 ANOTE ISSOdo termo “elasticidade-preço da demanda”, que nada mais é do que a sen- sibilidade da quantidade demanda quando os preços variam. Quanto mais elástica a demanda, maior é essa sensibilidade. Uma demanda elástica sig- quantidade demanda. Por outro lado, uma demanda inelástica é aquela em que uma variação de preços provoca variações menos que proporcionais na quantidade demandada. Fonte: Elaborado pela autora - de-preço da demanda? Bom, quanto mais inclinada for a curva de demanda, menos sensível será a quan- tidade demandada para uma dada variação do preço. Podemos visualizar na Figura X que o Mercado 2 apresenta uma curva de demanda mais inclinada, permitindo que a empresa monopolista cobre um preço mais elevado para fornecer seu produto. uma ferramenta que amplia os benefícios econômicos em prol dos produtos, frequen- temente estão sujeitos a limitações por parte do governo, pois, em alguns casos, pode prejudicar o nível de concorrência. Na próxima aula, trataremos de uma estrutura de mercado que possui caracterís- ticas presentes tanto na concorrência perfeita como nas empresas monopolistas. Por- tanto, você vai conhecer os determinantes dos preços e das quantidades demandas da chamada Concorrência Monopolísticas. Ótimos estudos e até a próxima aula! FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 58 AULA 10 CONCORRÊNCIA MONOPOLÍSTICA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 59 58 Olá, aluno(a)! Agora você vai conhecer outra estrutura de mercado: a concorrência monopolística. Saímos um pouco do extremismo visto na concorrência perfeita e no monopólio, mas utilizaremos muitas de suas premissas. As características básicas das empresas pertencentes a este mercado são destacadas por Vasconcellos: Muitas empresas produzindo dado bem ou serviço; cada empresa pro- duz um produto diferenciado, mas com substitutos próximos; cada empresa tem certo poder sobre os preços, dado que os produtos são diferenciados, e o consumidor tem a opção de escolha de acordo com sua preferência. (Vasconcellos, 2015, p 173): A semelhança com a concorrência perfeita é que a concorrência monopolística tem a característica de possuir muitas empresas, mas se distingue pelo fato de que os pro- dutos agora são diferenciados e consequentemente as empresas possuem um certo Nordhaus (2012, p. 151): Essa estrutura de mercado faz lembrar a concorrência perfeita pelo fato de existirem muitos vendedores, nenhum dos quais tem uma grande parcela de mercado. Ela difere da concorrência perfeita pelo fato de os produtos vendidos pelas várias empresas diferentes não serem idênticos. Além dessas características, pode-se dizer que, ao contrário do monopólio (que já estu- damos anteriormente) e do oligopólio (que estudaremos mais adiante), existe livre en- Rossetti (2016) vai mais além e sintetiza as características da Concorrência Monopo- lística em cinco grandes critérios: competição, diferenciação, substitutibilidade, preço- -prêmio e baixas barreiras. Vejamos cada uma delas: Competição: Caracterizada pelo elevado número de empresas que um determi- nado setor econômico possui. Essa particularidade aproxima esta estrutura de mercado com a concorrência perfeita. Diferenciação: A diferenciação da empresa é uma das formas de obter vantagens competitivas e um certo poder de monopólio, o que permite cobrar um preço su- Substitutibilidade: Na concorrência monopolística, os produtos são diferenciados. Porém, pelo elevado número de empresas, os produtos apresentam alto grau de substitutibilidade, de forma que existem limitações quanto ao aumento ilimitado do nível de preços, sob pena de que perder mercado para outra empresa do setor pertencendo ao mesmo setor. Preço-prêmio: A empresa em concorrência monopolística, por meio de atribu- denominado Preço-prêmio. Todavia, devido ao alto grau de substitutibilidade co- mentado anteriormente, este poder apresenta algumas limitações. Baixas barreiras: Neste mercado, as barreiras à entrada são relativamente baixas por meio da diferenciação dos produtos por meio de alguns atributos como mar- cas, qualidade e embalagem, entre outros. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 60 59 ISTO ESTÁ NA REDE O mercado de Concorrência Monopolística, possui a característica de não apresentar substanciais barreiras à entrada de novas empresas. Ercília Bas- tos, utiliza o modelo baseado nas cinco forças de Porter para mostrar os principais determinantes da existência de barreiras à entrada por meio da análise do ambiente interno e externo da empresa. Acesse o artigo no se- guinte endereço eletrônico: www.https://www.portal-gestao.com/artigos/7545-o-que-s%C2%A3o-barreiras--entrada.html É importante lembrar que, por serem diferenciados, os produtos deste mercado não podem ser considerados substitutos perfeitos. Mas você sabe quais os fatores explicam esta diferenciação de produtos? O estudo do Marketing é importante na explicação dos fatores de diferenciação da con- e praça. Antes de analisar como cada um desses elementos se apresentam na diferen- Produto (Product)= combinação de bens e serviços que a empresa ofe- rece ao mercado. Preço (Price)= montante de dinheiro que os clientes devem pagar para obter o produto. Promoção (Promotion) = atividades que levantam informações sobre os atributos do produto aos consumidores para persuadi-los a com- prá-lo. Praça (Place) = atividade que tornam o produto disponível para consu- midores alvo. Diferenciação FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 61 60 - to ao mercado (URDAN; URDAN (2012). O Quadro 1 resume as principais atividades que podem ser desenvolvidas pelas empresas através dos componentes que formam o Mo- Composto de Marketing Atributos Produto Marca, qualidade, design e características Preço Orientado para competição, para custos e para demanda Promoção Publicidade, cupons, amostras, pacotes e competições Praça Canais de distribuição, localização do varejo e logística No caso de uma empresa caracterizada, como pertencente ao mercado de concorrência - de de equilíbrio no curto e no longo prazo. A condição de maximização de lucros na concorrência monopolística é similar àque- la que ocorre no caso do monopólio, ou seja, a Receita Marginal deve se igualar ao Custo Marginal. Conforme pode ser visualizado na Figura 1, no curto prazo, por possuir relativo poder Figura 1 - Maximização de lucro no curto prazo em concorrência monopolística Todavia, no longo prazo, por apresentar um lucro expressado pela diferença entre o pre- ço de venda o Custo Médio, novas empresas serão atraídas para o mercado. A entrada de novas empresas torna o mercado mais concorrido, de forma a deslocar a curva de demanda para a esquerda e uma redução do lucro ao longo do tempo. Esse deslocamento ocorrerá até que a curva de demanda passe a tangenciar a curva de custo médio, a o mercado passe a apresentar lucro zero (pois o custo médio passa a ser igual na Figura 2. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 62 61 Figura 2 - Maximização de lucro no longo prazo em concorrência monopolística Portanto, podemos concluir que, no curto prazo, a empresa que está inserida no merca- do de Concorrência Monopolística aufere lucro positivo. Porém, no longo prazo, a atra- ção de novas empresas provoca um deslocamento da demanda para a esquerda e uma substancial queda no nível de preços até o ponto em que o lucro passe a ser nulo. ANOTE ISSO PRINCIPAL DIFERENÇA ENTRE EMPRESAS PERFEITAMENTE E IMPERFEITAMENTE COMPETITIVAS Na indústria perfeitamente competitiva, as curvas de oferta e de demanda cruzam-se para determinar o preço de equilíbrio de mercado. A esse pre- ço, ela vende quantas unidades desejar. A empresa não tem incentivos para Nem possui incentivos para cobrar menos do que o preço de mercado, por- que pode vender quantas unidades desejar ao preço de mercado. A curva de demanda da empresa perfeitamente competitiva será, portanto, uma linha horizontal no preço de mercado. Em contrapartida, se um posto de gasolina, um concorrente imperfeito, co- brassealguns centavos a mais por um litro de gasolina, alguns de seus clien- tes o abandonariam, mas outros permaneceriam – talvez porque estejam dis- postos a pagar um pouco mais para continuar abastecendo em um local mais conveniente. Assim, sua curva de demanda seria negativamente inclinada. Fonte: Frank e Bernanke (2012, p.236) A concorrência monopolística, ao reunir características do monopólio e da concorrência - dos de cervejas, refrigerantes, produtos de limpeza, computadores e gasolina no varejo, dentre muitos outros. Na próxima aula, vamos complementar nossa análise sobre as estruturas de mer- cado falando sobre oligopólio. A compreensão do funcionamento desse mercado é im- portante para entender de que forma os preços são determinados em uma situação caracterizada como concorrência imperfeita. Ótimos estudos e até a próxima aula! FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 63 AULA 11 OLIGOPÓLIO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 64 63 Olá, aluno(a)! A quarta e última estrutura de mercado estudada é o oligopólio. Ela apre- senta as mesmas características do monopólio, com exceção do número de empresas vendedoras. No caso no monopólio, a empresa é única, no oligopólio temos poucas oligopólio, “existe um pequeno número de vendedores ou em que, apesar de existir um grande número de vendedores, uma pequena parcela destes domina a maior parte do mercado”. Preparado(a) para conhecer mais essa estrutura de mercado? Então vamos lá! Antes de mais nada, é importante destacar que o estudo do mercado oligopolista com- plementa nossa análise e permite entender as estruturas de mercado em dois grandes tipos. O primeiro é o mercado de Concorrência Perfeita, e o segundo é a Concorrência Imperfeita, representada pelo Monopólio, Concorrência Monopolística e Oligopólio. Figura 1 - Estruturas de Mercado É importante lembrar que, no caso no oligopólio, os produtos podem ser homogêneos (minério de ferro, petróleo, etc.) ou diferenciados (automóveis, combustíveis, etc.). Da mesma forma que no monopólio, ocorrem lucros tanto no longo como no curto prazo, já que também podem ser resumidas por Vasconcellos et al. (2015, p. e ) da seguinte forma: - tência de barreiras à entrada de novas empresas no setor. Por razões tecnológicas ou pela necessidade de investimentos iniciais elevados, alguns bens só podem ser produzidos por empresas de grande porte (por exemplo, a produção de automóveis, a extração de petróleo); por- tanto, esses mercados têm um pequeno número de empresas. Assim como no caso do monopólio, as empresas em mercados oligopoliza- dos podem obter lucros extraordinários, ou seja, lucros superiores aos Mais adiante, ao tratar falar sobre externalidades, vamos estudar os determinantes das principais barreiras à entrega das empresas em determinado mercado. Elas são as se- guintes: monopólio natural, proteção de patentes, controle sobre o fornecimento de ma- térias-primas e a tradição no mercado. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 65 64 Vasconcellos (2015) lembra que as empresas podem se comportar de forma tanto coo- perativa como não-cooperativa. Vejamos cada um desses casos separadamente. No caso de atuar de forma cooperativa, elas podem agir em conluio e formar cartéis para preço maior e uma quantidade menor que aquela praticada em um mercado concor- rencial. Com isso, elas são capazes de aumentar a lucratividade das empresas envolvidas. Mas será que mesmo existindo poucas empresas no mercado, elas sempre vão operar de forma cooperativa? Se sua resposta foi não, você está correto(a). Em mercados que existem muitas empre- sas operando, a tentação em trapacear e quebrar o acordo para auferir lucros elevados ocorre constantemente. - tiva a atitude das demais empresas que respondem da forma mais racional possível. A tomada de decisão de uma empresa com base nas ações de outra(s) empresa(s) é um objeto central da chamada Teoria dos Jogos, tema que será tratado em aula posterior. ANOTE ISSO Cartéis são organizações de produtores ou indústrias dentro de certo setor ou atividade que determinam a política de preços para todos os associados, - tar guerra de preços que pode trazer resultados ruins para todos. Fonte: Gremaud et al. (2017, p. 283) ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Concorrência e o preço das passagens aéreas A concorrência é menos acirrada no mercado de viagens aéreas do que no mercado de laranjas por motivos inerentes ao tipo de atividade e por conta da legislação. De fato, é complicado e demorado entrar no ramo de trans- porte aéreo, demora-se para estabelecer uma reputação com a clientela e montar a estrutura necessária para operar, e os ganhos de escala fazem com - nhias em operação, mas aspectos da legislação colaboram para reduzir a competição ao estabelecer que a maior parte dos voos entre dois países só possa ser operada por companhias com base em um dos dois países. Há alguns anos, a União Europeia aboliu esse tipo de restrição para voos entre países membros da União. Essa lei aumentou a competição no setor ao permitir a mais empresas acesso a esse mercado. De fato, a partir dessa liberação, novas empresas entraram no mercado de transporte aéreo e hoje se paga muito menos para viajar de avião pela Europa. Fonte: Gonçalves e Guimarães (2010, p. 52 e 53) FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 66 65 Voltando às ações cooperativas dos cartéis, pelo fato de combinarem preços mais eleva- dos e quantidades menores, o nível de bem-estar econômico da sociedade pode sofrer uma considerável redução Figura 2: Cooperação Por esse motivo, o poder público tem o papel de desenvolver políticas para inibir o abu- so de poder econômico dessas empresas. As ações do Estado com esse objetivo são denominadas “políticas antitrustes”. Vasconcellos et al. (2015) destaca que, além da re- gulamentação legal, o comportamento de um oligopólio é determinado pelos fatores destacados no Quadro 1. Quadro 1 - Determinantes do comportamento dos oligopólios. Número de empresas Quanto maior o número de empresas, menor a probabilidade de cooperação entre as empresas e maior a dificuldade de supervisionar as ações dos membros de um cartel. Poder de barganha com compradores Quanto maior o poder de barganha dos compradores, menor a pro- babilidade de organizar cartéis. Diferenciação do produto e liderança de preço A empresa maior fixa preço e detém maior fatia de mercado, e as demais empresas se comportam de acordo com as ações da empresa líder escolhendo o preço e quantidade que vão produzir. - cado oligopolista. Também foi citado que os produtos fabricados podem ser homogê- - cado em quatro tipos: oligopólio concentrado, oligopólio diferenciado, oligopólio misto e oligopólio competitivo. O oligopólio concentrado é conhecido por possuir poucas empresas que detêm fatia substancial do mercado sendo que, pelo fato dos produtos serem homogêneos, as van- tagens competitivas se dão por meio das vantagens de custos por meio de economias de escalas. Como exemplos desse tipo de mercado, estão as empresas dos setores que demanda vultosos investimentos para operacionalização das atividades, como é o caso da indústria do aço, máquinas e equipamentos. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 67 66 O oligopólio diferenciado, por outro lado, caracteriza-se por produzir produtos que, em- bora substitutos, possuem algum grau de diferenciação entre eles. Vasconcellos et. al (2011, p. 222) faz uma importante distinção entre o oligopólio concentrada (chamado de oligopólio homogêneo) e o oligopólio diferenciado: As empresas de um oligopólio homogêneo produzem produtos que não são diferenciados por seus compradores de modo que o preço será com o oligopólio diferenciado em que grupos de compradores podem As vantagens competitivas do oligopólio diferenciado são oriundas do investimento na publicidade de suas marcas, pesquisa e desenvolvimento de produtos. Sobre essa ques- de renda, hábitos, padrões de consumo e aspirações sociais”. Os produtos de limpeza e higiene pessoalsão bons exemplos de oligopólio diferenciado. O oligopólio misto, também chamado de oligopólio concentrado-diferenciado, como o próprio nome já diz, detém as características dos dois tipos analisados anteriormente, sendo que a competição se dá por meio da diferenciação unida a uma escala mínimo - trônicos. No oligopólio competitivo, existe a concorrência via preços das empresas mais bem situadas do mercado, o que possibilita um eventual aumento da fatia de mercado des- sas empresas. A estrutura de custos das empresas é fortemente competitiva e compara- tivamente aos outros tipos de oligopólios, as barreiras à entrada de novos ingressantes no mercado são relativamente baixas. O mercado de refrigerantes do Brasil é um exem- plo de oligopólio diferenciado. Com base em tudo que estudamos sobre as estruturas de mercado, é possível resu- mir as características de cada uma delas com base nas ideias expostas por Vasconcellos a. - b. Monopólio: uma única empresa, produto sem substitutos próximos, com barreiras c. Concorrência monopolística: inúmeras empresas, produto diferenciado, livre aces- d. Oligopólio: pequeno número de empresas que dominam o mercado, os produtos podem ser homogêneos ou diferenciados, com barreiras à entrada de novas em- presas. Nas próximas aulas, deixaremos um pouco de lado as estruturas de mercado, em que compreendemos a determinação do preço nos diferentes mercados. A partir da Aula 12, quando analisaremos as principais relações existentes entre o nível de produção e os insumos utilizado no processo produtivo. Ótimos estudos e até a próxima aula! FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 68 AULA 12 TEORIA DA PRODUÇÃO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 69 68 Olá, aluno(a)! A partir de agora, o foco do nosso estudo passa a ser a Teoria da Produção. Fundamentalmente, o nosso objetivo principal é compreender de que forma as empre- sas transformam os diversos fatores de produção (capital, trabalho e recursos naturais) em produtos e serviços utilizado para a satisfação das necessidades dos agentes econô- Então mãos à obra! em produtos por meio da chamada Função de Produto, que será nosso ponto de parti- “quantidade máxima de produto que se pode obter a partir da utilização combinada de de tempo”. A Figura 1 mostra de forma esquemática a transformação de insumos e produtos por meio da atividade produtiva. Figura 1 - Transformação de insumos em produtos Por meio da parte superior da Figura 1, é possível visualizar como a função de produção é formada e de que maneira ela se comporta. O eixo vertical representa a Produção Total, representado pelo símbolo PT, ao passo que o eixo vertical mede a quantidade do fator Três trechos devem ser destacados ao longo da Função de Produção. Na parte que vai desde a origem até o ponto A, a produtividade do fator trabalho é muito elevado, de tal forma que a produção cresce a taxas crescentes, ou seja, o crescimento da produção cresce proporcionalmente mais do que o aumento da utilização do fator de produção. À medida em que a utilização de fator trabalho aumenta, sua produtividade começa mais a taxas menores (ponto A ao ponto B). Por outro lado, do ponto B ao ponto C, a pro- dução cresce a taxas decrescentes. Isso quer dizer que, a partir desse ponto, o aumento da produção passa a ser inferior ao aumento da utilização do fator de produção trabalho. A partir do ponto C, a produtividade passa a ser negativa e a produção começa declinar à medida em que a quantidade de trabalho utilizada aumenta. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 70 69 Figura 2 - Relação entre o Produto Total, Produto Médio e Produto Marginal Fonte: Vasconcellos et al. (2011, p.151) A parte inferior da Figura 2 permite visualizar a relação existente entre o Produto Total, o Produto Médio e o Produto Marginal, mas antes de compreender o que esses três deles. O Produto Total, conforme mostrado anteriormente, é o volume de produção gerado em determinado período de tempo. É uma função da quantidade dos fatores de pro- dução utilizadas. No caso de uma economia que utiliza trabalho (L) e capital (K) como fatores de produção, a função de produção pode ser representada da seguinte forma: Q K L� � �, O Produto Marginal, também chamado Produtividade Marginal, é medido pelo aumen- to da produção quando a utilização de um determinado fator de produção aumenta. Por exemplo, se a produção aumenta em 10 unidades quando a quantidade de um determinado fator de produção aumenta em 1 unidade, podemos dizer que o Produto Marginal é igual a 10. É importante lembrar que o Produto Marginal é sempre medido com relação a um determinado fator de produção utilizado, por isso pode ser chamado de Produto Marginal do Trabalho (PMgL) ou, dependendo do caso, Produto Marginal do Capital (PMgK). Tomando como exemplo o PMgL, seu valor é facilmente obtido por meio da seguinte equação: PMgL Variação da produção Variação do fator trabalho O Produto Médio mostra qual quantidade de produção pode ser obtida para cada uni- dade do fator de produção empregada no processo produtivo. Por exemplo, se a partir do emprego de 10 unidades do fator trabalho é possível produzir 200 unidades de um certo produto, pode-se dizer que o produto médio do trabalho é de 20 unidades. O pro- cesso de cálculo é simples, basta dividir a produção total pela quantidade do fator de produção empregado para a obtenção dessa quantidade de produto. A equação utiliza- da para encontrar o Produto Médio do fator trabalho é a seguinte: FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 71 70 PMeL Produção total Quantidade empresada do fator trabalho Dados os conceitos de Produto Total, Produto Marginal e Produto Médio, é possível esta- belecer algumas relações importantes. Observado a parte inferior da Figura 2, é possível perceber que enquanto a curva de Produto Marginal for maior que a curva de Produto Médio, este último está crescendo, mostrando-se vantajosa o emprego deste fator de produção. A partir do momento em que o Produto Marginal passa a ser menor que o Produ- to Médio, este passa a decrescer, e o emprego adicional do fator trabalho para passa a acrescentar cada vez menos ao Produto Total, ou seja, passa a crescer a taxas decrescen- tes. está caindo, indicando que o emprego de quantidades adicionais de trabalho passa a ser prejudicial para a empresa. O formato da curva de Produto Total evidencia um fenômeno importante na Teoria da Produção. Ela é conhecida como Lei dos Retornos Decrescentes, que ocorre no curto Quantidades iguais de um insumo variável vão sendo adicionadas sequen- - mentos à produção resultantes desse aumento acabarão diminuindo. ISTO ACONTECE NA PRÁTICA A lei dos rendimentos decrescentes é observada com frequência na agricul- tura. À medida em que o agricultor contrata mais trabalho, os campos serão mais intensamente semeados e os canais de irrigação mais desimpedidos. A certo ponto, contudo, o trabalho adicional torna-se cada vez menos produ- exemplo, adiciona pouco ao produto. O produto acaba aumentando muito - tragam a colheita. As experiências na agricultura são um dos mais importantes tipos de pesquisa tecnológica. Essas técnicas têm sido usadas há mais de um século para testar diferentes sementes, fertilizantes e outras combinações de fatores de produ- ção em um esforço bem-sucedido para aumentar a produtividade agrícola. Fonte: Samuelson e Nordhaus (2012, p. 98). FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 72 71 ANOTE ISSO Ao estudar a Teoria da Produção, não podemos confundir os conceitos de A primeira se refere à descrição da relação entre aumento da produção e a - vê que, conforme aumenta-se a utilização de um recurso, a produção cresce produção começa reduzir-se. Por outro lado, o Rendimentos Decrescente de Escala ocorre quando o au- mento de um fator de produção provoca um aumento menos que proporcio- nal na quantidade produzida. Ainda temos o conceito de Rendimento Crescentes de Escala, que ocorre quando o aumento de um fatorde produção provoca um aumento mais que proporcional na quantidade produzida. Também pode ocorrer o Rendimento Constante de Escala quando da utilização de um recurso produtivo provoca um aumento da produção na mesma proporção do aumento desse recurso. Fonte: Elaborado pela autora produção, ela é útil para descrever relações importantes entre o Produto Total, Médio e Marginal. No mundo real, as decisões tomadas são embasadas em uma estrutura de produção que prevê a utilização de mais um fator de produção variável. Então, como poderia ser o entendimento, vamos supor a utilização de apenas dois fatores de produção, capital e trabalho. Por analogia, a apresentação de uma função de produção com dois fatores de pro- - - Figura 3 - Mapa de isoquantas Fonte: Vasconcellos (2011, p.153) FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 73 72 A Figura 3 mostra a representação de três isoquantas: , e . Em , para qualquer combina- ção de capital e trabalho, a produção gerada é de 200 unidades de produto. O mesmo raciocínio pode ser aplicado às isoquantas e , ou seja, quanto mais distante da origem estiver uma isoquanta, mais elevado é o nível de produção. O formato da isoquanta mostra que, ao reduzir a utilização de um dos fatores de pro- dução para que a produção se mantenha constante, é necessário aumentar o nível de um termo importante – a Taxa Marginal de Substituição – que indica quantas unidades de um fator de produção (capital) devem ser adicionadas ao processo produtivo para compensar a redução na utilização de outro fator de produção (mão de obra). principais postulados da Teoria da Produção tanto no curto prazo (utilização de apenas um fator de produção variável) como no longo prazo (utilizando dois fatores de produ- ção variáveis. - troduz a importância da minimização dos custos de produção e a análise da utilização Ótimos estudos e até a próxima aula! FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 74 AULA 13 CUSTOS DE PRODUÇÃO FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 75 74 Olá, aluno(a)! Esta aula tem o intuito de apresentar uma importante vertente da Teoria da Firma, que é a abordagem sobre a importância dos custos nas decisões de produção. Como apresentado na aula anterior, a empresa combina os fatores de produção com - Carvalho (2017, p. 190): - do realiza sua atividade produtiva. Dessa forma, procurará sempre ob- ter a máxima produção possível em face da utilização de certa combi- nação de fatores. Calculando Custos Visando otimizar seus resultados, a empresa adquire fatores de produção para combinar - ros para sua aquisição. O montante destinado a saldar essas despesas é denominado De forma geral, os custos das empresas são divididos em Custos Fixos e Variáveis cujo soma totaliza o Custo Total (CT) da empresa. Custos Variáveis: também chamado de Custo Variável Total (CVT), são aqueles que variam diretamente com a quantidade produzida. Os gastos com mão de obra e matérias-primas são exemplos desse tipo de gasto. Custos Fixos: conhecido na teoria econômica como Custo Fixo Total (CFT), refe- rem-se àqueles custos que não variam com a quantidade produzido pois atribuí- dos a todos os produtos por meio de rateio. Os exemplos mais comuns são os gas- tos para pagamento de aluguel e os gastos administrativos. O comportamento do Custo Variável, Custo Fixo e Custo Total com relação ao nível de produção pode ser visualizado por meio da Figura 1 abaixo: FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 76 75 Figura 1: Nível de produção e o Custo Variável, Fixo e Total Fonte: Viceconti e Neves (2013, p. 132) - dos de Custo Médio (CMe) e Custo Marginal (Cmg). Vejamos cada um deles. O CMe, também chamado de Custo Total Médio (CTMe), é obtido por meio da divi- são do Custo Total pela quantidade produzida, podendo ser dividido em duas partes: o Custo Variável Médio e o Custo Fixo Médio, conforme podemos visualizar por meio das seguintes equações abaixo, em que Q representa a quantidade total produzida. CTMe CT Q CVMe CVT Q CFMe CFT Q O Custo Marginal (CMg) é o aumento do custo dado um aumento da quantidade pro- duzida que mede o dispêndio em unidades monetárias ocasionado pelo aumento de uma unidade produzida. A equação abaixo mostra a forma de obtenção dessa medida de custo. CMg CT Q � � � Portanto, para chegar ao valor do Custo Marginal é muito simples: basta dividir a va- riação do Custo Total pela variação da quantidade total produzida ocasionado por este aumento de custo. É possível estabelecer uma relação entre o Produto Médio e Produto Marginal (vistos na aula anterior) com os conceitos de Custo Variável Médio e Custo Marginal que acabei de apresentar. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 77 76 Figura 2: Relação entre Produto Médio e Marginal com os Custo Variável Médio e Marginal. Fonte: Viceconti e Neves (2013, p. 100) Em uma rápida observação na Figura 2, você pode perceber que enquanto as curvas de Produto Médio e Produto Marginal são crescentes, as curvas de Custo Variável Médio e Custo Marginal são decrescentes. Da mesma forma, quando as curvas de Custo Variável Médio e Custo Marginal estão crescendo, as curvas de Produto Médio e Produto Margi- nal estão decrescendo. Também é possível ver os níveis de produção nos pontos de má- ximo das curvas de Produto Médio e Produto Marginal correspondem, respectivamente, aos pontos de mínimo das curvas de Custo Variável Médio e Custo Marginal. Esses fatos têm uma explicação econômica importante: quando a produtividade dos - ção sofrem uma redução. Em outras palavras, a produtividade e os custo de produção são inversamente proporcionais. ANOTE ISSO - de todos os fatores de produção envolvidos numa dada atividade, inclusive a capacidade ou talento empresarial. Como todos os recursos produtivos são limitados, o conceito de custo de oportunidade permite captar a ver- dadeira escassez relativa do recurso uti- lizado. Ou seja, qual o custo para a sociedade da alocação de recursos (o custo social). Fonte: Vasconcellos e Braga (2011, p. 161) FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 78 77 ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Alguns dados interessantes sobre custos de teatro foram disponibilizados - dutor dos espetáculos pagou aluguel de 25 mil libras esterlinas por semana Os custos foram estimados entre 30 mil e 35 mil libras esterlinas por semana. Uma discriminação mais geral dos custos típicos da montagem de um espe- - vas da destinação real do dinheiro recebido por cada ingresso vendido. Tipo de custo Fonte % dos custos totais Custos fixos Custos de aluguel manutenção e administração do teatro. Até 50% Custos Variáveis Ticketmaster (taxas da reserva de entradas) 4% Comissão sobre a venda (por entrada) 10% Pagamento da equipe de cria- ção (contrato em comissão) 8% Imposto sobre valor agregado 20% (dependendo da quantidade de público) 8% Fonte: Adaptado de Wall (2015, p.90). Até aqui analisamos os custos de produção no curto prazo, ou seja, quando apenas um dos fatores de produção são variáveis. É nos casos em que mais de um fator de produção sofrem variações. tridimensional, precisamos relacionar as combinações das quantidades dos fatores de produção que geram o mesmo custo total. Fazendo isso, chegaremos na curva conhe- cida como Isocusto, O conjunto das curvas de Isocusto é conhecido como Mapa de Isocusto que pode ser representada por meio da Figura 3 FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 79 78 Figura 3: Mapa de Isocusto Fonte: Dias (2015, p.79) Alinhando os conhecimentos da Teoria da Produção (vista da aula anterior) e a Teo- ria os Custos (vista nesta aula), é possível determinar o nível ótimo de produção, que é encontrado no ponto onde a curva de Isoquanta tangencia a curva de Isocusto. Nesse que forneceu informações importantes sobre as decisões das empresas na determina- ção da produção máxima com os recursos que se dispõe e com o menor custo de produ- ção. Na próxima aula, vamos estudar de que forma os agentes econômicos tomam suas Ótimos estudos e até a próxima aula! FACULDADE CATÓLICAPAULISTA | 80 AULA 14 MERCADOS COM INFORMAÇÃO ASSIMÉTRICA FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 81 80 Olá, aluno(a)! Até agora, supomos que as decisões dos agentes econômicos fossem to- madas com base no acesso de informações perfeitas. Considerando que isso nem sem- pre ocorre na prática, o intuito dessa aula é compreender de que forma as informações disponíveis são utilizadas para embasar a tomada de decisão dos agentes econômicos. que segundo Samuelson e Nordhaus (2012, p. 177), “ocorre quando os compradores e os vendedores têm informação diferenciada sobre fatos importantes, como o estado de saúde pessoal ou a qualidade do bem vendido. Portanto, na economia, a ocorrência de assimetria de informação pode afetar tanto os agentes que compõem o mercado ofertante como demandante, com interesses co- muns ou adversos. Existem muitas situações em que as decisões precisam ser tomadas mesmo com assimetria de informação. Podemos destacar os seguintes exemplos: a. b. c. Contratação de um seguro de automóvel d. Relação entre médicos e pacientes e. Investimento em ações de uma empresa f. O mercado de carros usados Para explicar os agentes em situações que ocorrem assimetria de informações, serão utilizados e contextualizados os conceitos de seleção adversa e risco moral. Mas você - empresa de seguro de vida muitas vezes não consegue determinar se uma pessoa é fu- mante ou não, de forma que as pessoas com maior risco, ou seja, as fumantes, têm maior propensão em procurar seguros desse tipo. Pode-se dizer que esse tipo de assimetria de informação é uma problema pré-contratual. Uma das implicações da ocorrência de seleção adversa pode ser observada frequen- temente no mercado de seguros de automóveis, já que a empresa seguradora atrai mais motoristas com alto risco de acidentes do que ela deseja para um preço da apólice. do mercado de automóveis usados. Nele, os vendedores detêm informações privilegiadas sobre a qualidade dos produtos e os vendedores não têm acesso a todas essas informações. Figura 1: Informação incompleta FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 82 81 Vamos supor que os compradores de determinada marca de veículo estejam dispostos a pagar um valor de R$20.000 por um veículo de alta qualidade e R$10.000 por um veí- culo de baixa qualidade. transacional seria um meio termo entre esses valores, digamos R$15.000. Isso causaria de carros de alta qualidade se recusariam vender por esse preço médio. Por outro lado, aumentaria a quantidade de carros de menor qualidade para a venda. Para reduzir o problema de seleção adversa no mercado de automóveis usados, é necessário criar mecanismos mais transparentes para a geração de garantias para os compradores potenciais. dívidas. Na ocasião, as empresas que emitem ações ou títulos de dívida possuem mais É por este motivo que apenas as grandes empresas disponibilizam grande quanti- dade de informações (Balanço Patrimonial, Demonstrativo do Resultado do Exercício - DRE e Fluxo de Caixa) e estão frequentemente sendo acompanhadas por especialistas Em muitos dos países, para amenizar o problema da seleção adversa, o mercado Agora, vamos falar sobre outro ponto importante do problema gerado pela assime- tria de informação: o risco moral. agente econômico não observável pela outra parte do contrato, ou como diz Hubbard, e O’Brien (2010, p. 637), “o risco moral se refere às ações tomadas por uma parte em rela- ção a uma transação que difere do que era esperado pela outra parte no momento em que a transação foi realizada.” Assim como no caso da seleção adversa, o risco moral também pode ser frequente- No mercado de seguros automotivos, este fenômeno ocorre porque alguns moto- ristas mudam seus comportamentos pelo fato de possuir um contrato de seguros e passam a dirigir seus veículos com menor prudência, aumentando a probabilidade da ocorrência de acidentes. A constatação de informação assimétrica no mercado de seguros de veículos gera - nos de veículos, de modo que as empresas buscam o aperfeiçoamento constante dos sistemas de informação para reduzir ao máximo a incerteza do setor, cobrando um valor maior daqueles agentes com maior probabilidade de acionar o seguro, assim como o estabelecimento de franquia uma vez que o seguro for acionado. como serão aplicados os recursos que foram captados por meio das ações e dos títulos de dívidas emitidos. Nesse sentido Hubbard, e O’Brien (2010, p. 637) mostram que: faz com os fundos levantados? Obviamente, os investidores esperam que a empresa utilize os fundos de modo a tornar a empresa mais ren- tável. Mas existe a possibilidade de a empresa utilizá-los de uma ma- neira que, na verdade, reduza os lucros, o que obviamente não é do interesse dos investidores. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 83 82 ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Um amigo seu lhe propõe o seguinte esquema: investir em uma nova com- panhia seguradora, chamada Seguro-N.com, que oferece seguro de notas para estudantes. Em troca de um prêmio modesto, a companhia promete compensar os estudantes em 100% pela perda de renda em virtude de notas ruins. Isso parece uma boa ideia, uma vez que os riscos de renda são muito grandes para a maioria das pessoas. - dividual e, portanto, o mercado seria contaminado pelo risco moral e pela seleção adversa. Os estudantes seriam tentados a estudar menos (risco mo- ral) e os estudantes que esperam ter notas piores estariam mais inclinados a comprar seguro de notas (seleção adversa). Esses problemas levam a um “mercado perdido” no sentido de que a oferta e a demanda se interceptam no nível zero de seguro de notas. De modo que a companhia ou não terá negócio, ou terá prejuízos colossais. Fonte: Adaptado de Samuelson e Nordhaus (2012, p. 192). Diante dessas diferenças conceituais e suas implicações no comportamento dos agentes, Varian (2006, p. 753) realiza uma importante comparação entre os dois termos e estabe- lece a diferenciação das expressões risco moral e seleção adversa. Faz isso denominado a primeira como “ação oculta” e a segunda como “informação oculta”. Segundo ele: O perigo moral se refere a situações em que um lado do mercado não pode observar as ações do outro. Por esse motivo é algumas vezes cha- mado problema da ação oculta. A seleção adversa se refere a situação em que um lado do mercado não pode “o tipo” ou a qualidade dos bens no outro lado do mercado. Por esse motivo é as vezes chamado de problema da informação oculta. ANOTE ISSO A solução para um problema de seleção adversa é conhecida como sinaliza- ção. O vendedor agiria de modo que provesse o comprador de informações atenuando a assimetria de informações e, como consequência, o problema de seleção adversa. O exemplo clássico para esse fenômeno é o mercado forma apropriada. Fonte: Gremaud et al. (2017, p. 249) FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 84 83 em que a transação (ou contrato) ocorre. Por outro lado, o risco moral acontece devido à De tudo que estudamos ao longo desta aula, é importante que você saiba que, inde- pendentemente do mercado que se analisa, os conceitos de seleção adversa e risco mo- ral são muito úteis para a compreensão do comportamento dos agentes econômicos em situações em que apenas umas das partes detém um maior número de informações sobre o produto ou serviço a ser transacionado. Na próxima aula, você terá a oportunidade de conhecer quais as implicações da exis- tência de externalidades geradas por meio do consumo e da produção de bens e servi- ços. A partir do conhecimento dessas falhas de mercado, será possível compreender qual o papel do estado para reduzir as perdas sociais geradas e maximizar o nível de bem-es- tar dos agentes econômicos. Ótimos estudos e até a próxima aula! FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 85 AULA 15 EXTERNALIDADES E BENS PÚBLICOS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 86 85 - cam a intervenção do governo em uma economia de mercado. Pode-se destacar a exis- tência de quatro fatores que motivam estaintervenção: a existência de bens públicos, externalidades positivas e negativas, monopólios naturais e a necessidade de estimular a atividade econômica de modo a evitar a ocorrência de desemprego e o aumento do nível de preços e promover o crescimento econômico. pela existência de falhas de mercado gerada a partir da existência dos chamados bens públicos. Para isso, precisamos compreender o que é um bem público. Você saberia de- Para responder a essa pergunta, utilizaremos o conceito de bens públicos proposto - midores individuais não paguem nada pela provisão desse bem. Os Para uma melhor compreensão do que é um bem público, é fundamental entender os conceitos de bens não rivais e bens não excludentes. Um bem público tem que apresen- tar as características desses dois tipos de bens. Um bem rival é aquele que, uma vez consumido por um indivíduo, reduz a quanti- dade disponível para o consumo de outros indivíduos. Podemos utilizar como exemplo o consumo de uma refeição. Uma vez utilizado como fonte de alimentação por uma pessoa, reduz a quantidade disponível para outros. Mas para ser um bem público, ele também precisa ser não exclusivo, ou seja, a capacidade de pagamento de uma pessoa não pode restringir o seu consumo. A construção de uma barragem por um ente privado pode ser considerada um bem público: além de ser não rival, ele também é não exclusivo, ou seja, pessoas que não arca- 1 evidencia as características dos bens rivais e não rivais. Quadro 1: Características e tipos de bens Excluível Não-Excluível Rival Bens privados: alimentos, vestuário, etc. Recursos comuns: peixes do oceano, ar puro, água de rios, etc. Não-Rival Monopólio natural: conteúdos apre- sentados na televisão a cabo, etc. Bens públicos: iluminação e segurança pública, etc. Quando a quantidade de pessoas envolvidas no consumo de um bem público é peque- na, a cooperação para custear seu consumo pode ser uma alternativa possível, como é o caso de uma barragem. Entretanto, quando o número de pessoas é relativamente eleva- do, a cooperação se torna improvável, como nos casos de segurança pública, construção de praças, ruas e hospitais. Nesses casos, a intervenção do governo é necessária para viabilizar o fornecimento, que pode ser custeado por meio de uma cooperação forçada mediante o recolhimento de impostos. Outro fator que motiva a intervenção do governo é a existência de externalidades. - mento de conhecer este conceito e os tipos de externalidade. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 87 86 Segundo Vasconcellos (2011, p.101), ocorre externalidade, também chamada de econo- mia externa, quando “o consumo ou a produção de determinado bem ou serviço pode produzir efeitos colaterais, positivos ou negativos sobre outros”. Dessa maneira, pode-se dizer que as externalidades ocorrem por meio do consumo e da produção de determinados agentes e, com base nos seus efeitos sobre outros, que podem materializar-se em externalidade positivas ou negativas. A poluição é um exemplo de externalidade negativa, sendo assim, mecanismos de controle do nível de poluição se fazer necessário devido à existência de falhas de mer- - ciente para gerar o ótimo social. - dades provocam a diferenciação entre os custos sociais marginais e os custos privados levar a um distanciamento da quantidade social ótima da quantidade privada ótima”. Figura 1: Poluição Considerando o contexto da poluição, o custo social marginal pode ser entendido como o aumento do custo gerado pelo aumento da emissão de poluição visto pela ótica da so- ciedade como um todo, ou seja, recai sobre a coletividade. Já o custo privado marginal é o aumento do custo gerado pela poluição quando o nível de poluição aumenta, porém, visto pela ótica da empresa responsável pela emissão dessa poluição, recaindo sobre ela. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 88 87 ISTO ACONTECE NA PRÁTICA mortalidade infantil - pais poluentes do ar foram reduzidas nos Estados Unidos em mais da me- período, o Produto Interno Bruto real dos Estados Unidos quase dobrou, o consumo de energia aumentou em 50% e o número de milhas percorridas por todos os veículos quase dobrou. Quando níveis de poluição são altos, o benefício marginal de reduzir a po- luição também é alto. Portanto, esperaríamos que o benefício de reduzir a poluição do ar em 1970 tivesse sido bem maior do que o benefício a partir de uma redução proporcional da poluição do ar seria hoje, quando o nível de poluição é muito menor. redução na poluição do ar e também uma redução na mortalidade infantil. A redução da mortalidade infantil deveu-se principalmente a uma redução de mortes no primeiro mês após o nascimento. Fonte: Adaptado de Hubbard e O’Brien (2010, p. 198-199). Tomando como exemplo o caso de uma lavanderia que despeja produtos químicos em um riacho, ou qualquer exemplo de externalidade negativa, os custos sociais marginais são maiores que os custos privados marginais, de modo que a sociedade paga um preço maior pela poluição. Ou seja, o custo da atividade da lavanderia que polui o meio ambien- te causa mais impacto na vida das famílias do que a atividade da próxima lavandeira: a primeira paga um preço maior do que a segunda com a poluição causada pela lavanderia. Para corrigir essa falha de mercado e igualar os custos sociais marginais e custos privados marginais, o governo estabelece uma compensação em forma de impostos ou Como o meio ambiente e os recursos naturais não possuem proprietá- rios privados, sua degradação ou poluição não necessariamente atinge outro agente econômico de forma direta. Neste caso, temos a ocorrência governamentais as providências cabíveis para a resolução do problema. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 89 88 O estabelecimento de taxas e impostos aumenta o preço dos insumos utilizados no pro- cesso produtivo e provoca uma elevação do custo de produção, de modo que a quantida- de demandada pelos insumos sofra uma queda e contribua para a preservação do meio ambiente. Considera-se também que os insumos podem ser perfeitamente substituídos, não gerando prejuízo para o crescimento econômico. Portanto, existe um nível ótimo de poluição no ponto que o custo da poluição seria o mesmo que o custo da despoluição. Um terceiro elemento que motiva a intervenção do governo é a existência de mono- geração de monopólio. Já estudamos sobre o monopólio, que ocorre quando apenas uma empresa atende a totalidade da demanda do mercado devido à existência de barreiras à entrada. O Qua- um deles. Quadro 2: Barreiras à entrada Fonte de monopólio Significado Monopólio natural Empresa já estabelecida em grandes dimensões e tem condições de operar a baixos custos. Está associada a serviços de utilidade pública como água, esgoto e energia elétrica. Proteção de patentes Direito único de produzir um bem ou serviço. Exemplo: xerox. Controle sobre o fornecimento de matérias-primas É quando uma empresa detém a produção da matéria-prima utili- zada no seu produto final. É o caso da Alcoa, que detinha grande parte das minas de bauxita nos Estados Unidos. Tradição no mercado Quando uma empresa domina o mercado devido a sua tradição na fabricação de um bem ou serviço. Exemplo: relógios japoneses. Fonte: Elaborado pela autora com base em Vasconcellos (2011) A existência de monopólio provoca uma queda no nível de bem-estar dos consumidores, uma vez que a empresa fornece uma quantidade menor e um preço maior do que aque- Por isso, o governo tem o papel de interferir no mercado, de modo a inibir práticas de abuso do poder de mercado por parte dessas empresas. Ele faz isso por meio do estabelecimento de normas reguladoras ou até mesmo passando a produzir os bens e serviços em questão. ANOTE ISSO O fenômeno do monopólio é um dos fatores que motivam a intervenção do Estado em uma economia, independentemente do sistema econômico adotado no país. Isso ocorre devido às falhas de mercado provocadas pelas livres forças oriunda do funcionamento da economia,o que causa uma que- da no nível de bem-estar da sociedade considerada como um todo e isso motiva a intervenção do Estado na economia. Fonte: Elaborada pela autora FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 90 89 Por último, é importante mencionar o papel que o governo tem como estimulador da atividade econômica, de modo a evitar a ocorrência de desemprego, aumento do nível de preços e promover o crescimento econômico. Para isso, o governo utiliza de diversos Com base em tudo que estudamos ao longo desta aula, é importante compreender que, devido à existência de todos esses fatores (bens públicos, externalidades, monopó- de bem-estar da coletividade mediante o desenvolvimento de suas diversas funções (alocativa, distributiva, regulatória e estabilizadora). Na próxima aula, você terá contato com a Teoria dos Jogos, campo da Economia que - ciado pela decisão tomada por outros, agindo estrategicamente. Ótimos estudos e até a próxima aula! FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 91 AULA 16 TEORIA DOS JOGOS FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 92 91 Olá, aluno(a)! É com grande entusiasmo que iniciamos o estudo de mais um campo fascinante da Economia, a Teoria dos Jogos, que subsidia o entendimento do comporta- mento dos agentes econômicos em situações de escolhas estratégicas. Nesse sentido, Samuelson e Nordhaus (2012) lembram que a Teoria dos Jogos é mui- to utilizada no estudo da interação entre as empresas que compõem um mercado oli- gopolista (que estudamos anteriormente), mas vai além disso. Antes de explorar os principais postulados da Teoria dos Jogos, convém esclarecer o seu conceito. Segundo Vasconcellos (2015, p. 179): Jogo estratégico A Teoria dos Jogos é um ramo da Matemática Aplicada que estuda situações estratégicas, nas quais os jogadores escolhem diferentes ações com o objetivo de melhorar seus ganhos. Por levar em conta ele- mentos racionais e emocionais, ela se aplica à economia, às ciências - ma, é possível dizer que a teoria dos jogos busca compreender como cada jogador se comporta estrategicamente (buscando o melhor resultado para si), sempre levando com consideração as ações que foram tomadas pelo outro jogador. - gos, você seria capaz de dizer em que situações ela se aplica na vida real? Com o intuito utilizada. Vejamos: a. Lançamento de um novo produto por uma empresa; b. c. Decisões judiciais; d. Fixação de preços no oligopólio. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 93 92 ISTO ACONTECE NA PRÁTICA A Teoria dos Jogos constitui-se em um instrumento de grande utilidade na compreensão de fenômenos ou problemas econômicos. Um bom exemplo é a vida curta observada dos cartéis. Na Aula 11, quanto tratamos do oligopólio, vimos que os cartéis são organi- zações de produtores ou indústrias dentro de certo setor ou atividade que de mercado para cada um. É estabelecido como forma de evitar guerra de preços que pode trazer resultados ruins para todos. Sua sobrevivência, no entanto, depende da cooperação de cada um em seguir a política comum. Nesse contexto, um produtor pode individualmente melhorar sua situação se romper o acordo, reduzindo seu preço e conquistando, assim, uma fatia maior no mercado. Tal possibilidade pode se constituir em um desestímulo à formação do cartel caso os produtores pensem estrategicamente como em um jogo. Fonte: Elaborado pela autora com base em Gremaud et al. (2017, p. 283) O principal conceito relacionado à Teoria dos Jogos é o chamado “Equilíbrio de Nash”, (...) combinação de estratégias tal que a estratégia de cada jogador é a melhor que ele pode escolher dada a estratégia escolhida pelo outro jogador. Assim, em um equilíbrio de Nash, nenhum jogador tem um incentivo para se desviar de sua estratégia atual. Para ilustrar o equilíbrio de Nash, será utilizada uma analogia clássica amplamente utili- zada pela Teoria Econômica, o Dilema dos Prisioneiros, uma situação em que dois joga- dores precisam tomar uma decisão sabendo que as consequências serão determinadas pela ação do outro jogador. Para ilustrar a importância do Dilema dos Prisioneiros, será utilizado o exemplo adaptado de Montella (2012). O jogo consiste na existência de participantes denominados Prisioneiro 1 e Prisionei- ro 2. Eles estão presos suspeitos de cometerem um crime juntos, são colocados em salas separados (de modo que não ocorre a comunicação entre eles) e são questionados se cometeram ou não o crime sob as seguintes condições: a. Se o suspeito não confessar e o seu parceiro confessar, a pena será de dez anos de b. um; c. Se nenhum deles confessar o crime, não será aplicada uma pena menor de um ano para cada prisioneiro. A matriz de resultados possíveis, também conhecida como matriz de payoff, pode ser apresentada no Quadro 1. Note que o valor precedido de sinal negativo representa a pri- Como você pode deduzir, o primeiro valor mostra o resultado para o jogador que se localiza à esquerda do Quadro 1, que é o Prisioneiro 1, ao passo que o segundo valor mostra o resultado para o Jogador que se na parte de cima, ou seja, o Prisioneiro 2. Por e que o Prisioneiro 2 sofrerá uma pena de 10 anos de prisão. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 94 93 Quadro 1: Matriz de resultados - Dilema dos Prisioneiros Prisioneiro 2 Prisioneiro 1 confessa não confessa confessa (-3,-3) (0, -10) não confessa (-10, 0) (-1,-1) Fonte: Adaptado de Montella (2012) Qual será resultado mais provável para este jogo? O Equilíbrio de Nash é um possível re- - do para um jogador, com base na escolha do seu oponente e vice-versa. O Equilíbrio de Nash também pode ser entendido como uma situação em que nenhum dos jogadores tem condições de melhorar sua situação. Mas então qual seria essa estratégia para o jogo apresentado no Quadro 1? A res- posta é confessar para ambos os prisioneiros, em que cada um dos jogadores pegaria exatamente três anos de prisão. Compreendendo o Equilíbrio de Nash, vamos partir da análise da decisão do Prisio- neiro 1. Dado que o Prisioneiro 2 escolheu confessar, ele não estaria em uma situação melhor caso não confessasse (pois pegaria 10 anos de prisão) e por isso escolhe confes- sar. Da mesma forma, se o Prisioneiro 2 tomar como dado que a escolha do Prisioneiro 1 é confessar, ele também confessará, pois assim pegaria apenas três anos de prisão ao in- vés de dez anos caso não confessasse. Você também pode notar que ambos os jogado- res escolheriam confessar como resposta à decisão de não confessar de seus oponentes. Uma solução para este jogo também pode ser encontrada por meio do conceito de eles: Uma estratégia é chamada de dominante em relação à outra quando os resultados obtidos com sua utilização são melhores relativamente aos resultados obtidos com outra estratégia, qualquer que seja a atua- ção dos demais jogadores. Essa estratégia é, assim,melhor que as ou- tras e pressupõe-se que é a que deverá ser escolhida pelo jogador. Analisando novamente o Quadro 1, você irá perceber que, independentemente da esco- lha do Prisioneiro 2, o Prisioneiro 1 está em melhor situação escolhendo confessar. Desa- também será confessar. - líbrio de Nash e Estratégia Dominante, estabelecendo relações importantes eles elas. O Equilíbrio de Nash expressa a resposta de um jogador com base na escolha do outro, pode ocorrer mais de um Equilíbrio de Nash em um mesmo jogo. Por outro lado, existe somente uma Estratégia Dominante em cada jogo, embora esse resultado possa coincidir com um Equilíbrio de Nash. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 95 94 ANOTE ISSO Dados os conceitos de Estratégia Dominante e Equilíbrio de Nash, pode-se concluir que toda Estratégia Dominante também é um Equilíbrio de Nash, mas o contrário não é verdadeiro, ou seja, nem todo Equilíbrio de Nash é uma Estratégia Dominante. Por outro lado, qualquer outra estratégia disponível a um jogador que possui uma estratégia dominante é chamada de estratégia dominada. Fonte: Elaborado pela autora. Conhecer a Estratégia Dominante do seu opositor é importantepara que um jogador maximize seus ganhos com base na escolha mais provável do outro e, consequente- mente o resultado de uma deste jogo seria um Equilíbrio de Nash. Você deve estar se perguntando, se o Prisioneiro 2 não tiver tanta certeza de que o Prisioneiro 1 irá agir de modo racional? Qual poderia ser sua estratégia? ocorre quando o jogador escolhe a “opção que torna o payoff mais baixo que uma em- utilizar o exemplo dos prisioneiros em que os resultados estão dispostos no Quadro 1. Primeiramente, o Prisioneiro 2 deve escolher quais piores resultados ele pode obter para cada uma das escolhas que ele pode fazer. Por exemplo, ao escolher confessar, o 1 também escolhe confessar). Alternativamente, se o Prisioneiro 2 escolher não confes- - neiro 1 também escolhe confessar). opção optando por confessar. Dessa forma ele estaria maximizando os piores resultados possíveis. Esse tipo de estratégia pode ser utilizado em diversos contextos no mundo dos ne- - ganda ou publicidade. Até agora, vimos que as decisões dos jogadores são colocadas em prática de forma simultânea, ou seja, nenhum dos jogadores se movimentam primeiro. Chegou o mo- mento de compreender de que forma os jogadores se comportam quando os jogos são sequenciais. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 96 95 Figura 1: Matriz de resultado de um ataque nuclear da Rússia sobre os Estados Unidos. Para que isso se torne possível, será utilizado um exemplo disponível em Frank (2013, p. contra os Estados Unidos. Considerando que a Rússia tomasse a decisão primeiro, os resultados de cada jogador podem ser visualizados na Figura 1. Primeiramente, vamos supor que a Rússia decida atacar lançando mísseis nos Esta- dos Unidos. A melhor resposta dos Estados Unidos para esse ataque é não reagir, obten- do um resultado negativo de -50 ao invés de -100. Alternativamente, se Rússia decide não atacar os Estados Unidos, a melhor resposta dos Estados Unidos seria não reagir, obtendo um resultado nulo ao invés de -50. Portanto, se a Rússia espera que os Estados Unidos ajam racionalmente maximizan- do resultados, a melhor opção para a Rússia seria atacar, alcançando um benefício de 100 ao invés de nenhum benefício. - versos contextos. O importante é que você compreenda como os agentes econômicos Espero que você tenha gostado dessa última aula de nossa disciplina e passe aplicar FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 97 96 CONCLUSÃO - croeconomia. Nesse momento, faremos uma retomada das principais ideias tratadas ao longo da nossa jornada de estudos. Preparado(a)? Na Aula 1, vimos que a Economia se conceitua como a ciência que estuda as alter- ilimitadas dos agentes econômicos. Vimos também que a ciência econômica por ser dividida em diversas áreas de estudo. Na Aula 2, exploramos os aspectos gerais de uma das principais áreas que a análise econômica pode ser dividida: A Microeconomia. Ficou claro que ela se detém a analisar o comportamento dos agentes de forma individual, estudando variáveis como demanda, oferta, preço de um produto, etc. Ao longo da Aula 3 foram estudados os determinantes do comportamento do con- sumidor, que tem o objetivo de maximizar a satisfação das necessidades por meio do consumo de bens e serviços, sempre levando em conta a utilidade e a restrição orça- mentário que eles estão sujeitos. preços que os consumidores estão dispostos a pagar. Ficou claro que a demanda de- pende dos preços dos bens complementares e substitutos, renda, gostos, preferências e sazonalidade, entre outros. Por meio dos estudos, foi possível perceber que a quantida- de demandada depende do preço transacionado. pela ótica dos ofertantes de bens e serviços, ou seja, quais as quantidades que as empresas estão dispostas a ofertar no mercado para cada um dos preços praticados. Vimos que os principais determinantes da oferta, que são os seguintes: tecnologia, custos dos fatores de produção e preços dos bens substitutos na produção. Com os conhecimentos dos conteú- determinado produto são obtidos pela interação entre a oferta e demanda de mercado. Encerramos nossa análise da oferta e demanda com a explanação do conceito de elasticidade apresentada ao longo da Aula 6, e descobrimos como medir o impacto da variação de preços na quantidade demandada de um produto. Da Aula 7 à Aula 11 vimos que as estruturas de mercado se diferenciam sob diversos aspectos como o número de vendedores, barreiras à entrada de novas empresas, dife- renciação de produtos e poder de mercado. Ao longo da Aula 12, vimos como as empresas combinam os diversos fatores de pro- dução com o objetivo de obter a máxima produção tanto do curto como no longo pra- zo. Ficou claro de que forma se relacionam a Produto Total, Produto Médio e o Produto Marginal. Outro conceito importante visto nesta aula é a Lei da Produtividade Marginal Decrescente mostrando que, conforme a utilização de um fator de produção aumenta, a produtividade passa a ser cada vez menor até decrescer. Complementando a Teoria da Firma, a Aula 13 tratou dos custos de produção. Estudamos de forma a empresa conside- ra seus custos para obter o nível ótimo de produção. suas decisões quando as informações são incompletas ou inexistentes. Ao longo da Aula 15, consideramos a existência de externalidades geradas pelas ativi- dades produtivas e de que forma o Estado deve se comportar para maximizar os efeitos positivos e minimizar os efeitos negativos desse fenômeno. A Teoria dos Jogos foi apresentada na Aula 16. Por meio dela, é possível compreender de que forma os agentes tomam suas decisões com base das ações executadas por ou- tros agentes econômicos. Não pare por aqui, caro(a) aluno(a)! Incremente seus conheci- mentos resolvendo exercícios práticos e fazendo constantes pesquisas em diversas fon- tes de informações. Desejo sucesso! Um forte abraço! FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 98 97 ELEMENTOS COMPLEMENTARES LIVRO MICROECONOMIA Autor: Robert Pindyck e Daniel L. Rubinfeld Editora: Pearson Sinopse: Com o objetivo de atender à necessidade dos alunos de compreender plenamente como a microecono- mia pode ser utilizada na prática, oferece uma abordagem à teoria microeconômica, realçando sua relevância e apli- cação no processo de tomada de decisão tanto no setor privado como no público. Sumário - Parte I - Introdução - mercados e preços; Parte II - Produtores, consumidores e mercados competitivos; Parte III - Estrutura de mercado e estratégia competitiva; Parte IV - Informação, falhas de mercado e o papel do governo. Comentário: O livro Microeconomia de Pindyck e Rubinfeld é uma leitura e obrigatória para aprofundar os conhecimentos sobre a microeconomia. FILME FREAKONOMICS Ano: 2010 Sinopse: O documentário, baseado no livro “Freakonomi- cs – O lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta”, de Steven Levitt e Stephen J. Dubner, mistura economia e cultura pop para mostrar a aplicação surpreendente de diversos temas da economia para explicar a sociedade. sendo útil para a compreensão da aplicação prática de conceitos de microeconomia, tais como utilidade margi- nal, e elasticidade-preço da demanda. WEB A série Economia Descomplicada traz pequenos vídeos sobre os principais conceitos in- seridos no estudo na economia, e que aprofundam o conhecimento dos estudantes da disciplina. https://www.youtube.com/watch?v=liZcE05M93U https://www.youtube.com/watch?v=2FdEBPCxmvM FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 99 98 REFERÊNCIAS Microeconomia: Uma abordagem completa. Rio de CABRAL, A. S. YONEYAMA, T. Microeconomia: uma visão integrada para empreende- dores CAIXETA ANDRADE, D. Economia e meio ambiente: aspectos teóricos e metodológicos nas visões neoclássica e da economia ecológica. Leituras de Economia Política, v. 11, n. CARVALHO, J. L et al. Fundamentos de Economia: microeconomia. Vol. 2. São Paulo: VASCONCELLOS, M. A. S.; TONEDO JÚNIOR, R. Manual de economia: equipe de profes- sores da USP. 7 ed. São Paulo: Saraiva, 2017.p. 177-210. DIAS, M. C. Economiafundamental. FRANK, R. H. Microeconomia e Comportamento FRANK, R. H.; BERNANKE, L. D. Economia sem truques: o mundo a partir das escolhas de cada um Teoria do Jogos: uma introdução PINHO, D. B.; VASCONCELLOS, M. A. S.; TONEDO JÚNIOR, R. Introdu- ção à economia. São Paulo: Atlas, 2007. O crescimento econômico e as emissões de CO2: uma análise de re- gressão por MQO para o brasil entre os anos 1995 e 2010 - duação). Centro socioeconômico, Universidade Federal de Santa Catarina, 2015. Introdução à economia. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2010. Economia: Fundamentos e Aplicações MONTELLA, M. Micro e macroeconomia: uma abordagem conceitual e prática. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2012. Princípios de Economia. São Paulo: Cengage Learning, 2012 ROSSETTI, J. P. Introdução à economia. 21 ed. São Paulo: Atlas, 2016. SAMUELSON, P. A.; NORDHAUS, W. D. Economia SILVEIRA, S. J. C. Externalidades negativas: as abordagens neoclássica e institucionalista. Revista da FAE, v. 9, n. 2, 2016. URDAN, F. T, URDAN, A. T. Gestão do composto de marketing. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2012. VARIAN, H. R. Microeconomia: princípios básicos. 7 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. VASCONCELLOS, M. A. S. Economia micro e macro. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2015. VASCONCELLOS, M. A. S., OLIVEIRA, R., BARBIERI, F. Manual de microeconomia, 3. ed. São Paulo: Atlas,2011. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 100 99 - NHO, D. B.; VASCONCELLOS, M. A. S.; TONETO JUNIOR, R. Introdução à economia. São VASCONCELLOS, M. A; TONETO JUNIOR, R.; SAKURAI, S. Economia fácil. São Paulo: Sa- raiva, 2015. Fundamentos de Economia. 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