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AULA 4 NEUROCIÊNCIA E COMPORTAMENTO HUMANO 2 Prof.ª Angela Christine Gosch TEMA 1 – MOVIMENTO NO DESENVOLVIMENTO HUMANO O sistema motor é de fundamental importância para o desenvolvimento do ser humano como um todo. Ele é caracterizado por constantes evoluções baseadas no aprendizado de cada dia, em nossas relações com o meio em que vivemos, em nossas necessidades de realizarmos tarefas e nas características biológicas de cada indivíduo. O comportamento perceptivo-motor é formado por uma gama variada de informações, tais como: o controle motor, a imagem corporal, a integração dos sentidos, as noções de espaço e tempo, a lateralidade, entre outros, que se agregam para dar condições ao organismo de interagir com os demais e integrar os conhecimentos psicomotores adquiridos como forma de contextualizar o comportamento motor e cognitivo (Gallahue, 2005). Por meio do desenvolvimento perceptivo-motor, a criança aprende a se relacionar com o meio que a cerca. Desde a exploração lúdica até as interações complexas com movimentos organizados, o ser humano interage com o meio por intermédio de relações funcionais que mesclam o movimento e o psiquismo. Colocando-se ativamente diante de novas situações perceptivo-motoras, o relacionamento com o meio permitirá que se aprendam novos conceitos. Isso permite um desenvolvimento sensório-motor (Kandel; Schwartz; Jessell, 2000). A psicomotricidade busca as potencialidades do ser humano por intermédio do estímulo das capacidades funcionais. Trabalha com o indivíduo biopsicossocial, integrando os aspectos motores e psíquicos como um meio de desenvolvimento humano. As atividades psicomotoras estão integradas com o desenvolvimento dos relacionamentos sociais. Aos poucos, a criança toma consciência do próprio corpo e se utiliza de suas expressões corporais para se relacionar com o meio, facilitando as interações biopsicossociais e processo contínuo de aprendizagem em um contexto amplo (Gallahue, 2005). As noções de corporais de espaço e tempo são essenciais no dia a dia e refletem na aprendizagem da criança. Embora sejam conceitos bastante abstratos, o aprendizado vem por meio da experiência que se agrega aos poucos ao próprio conjunto de informações de cada um. A percepção temporal gera uma compreensão do que acontece, quando e como acontece e qual a relação causal e as possíveis consequências desses fatos. A percepção da duração de algo, a 3 conceituação do antes, durante e depois, relacionando os espaços temporais em curta, média e longa duração aos conceitos de simultaneidade, permite à criança a compreensão do contexto de diferentes situações (Kandel; Schwartz; Jessell, 2000). Qualquer aprendizagem que se utilize de referenciais simbólicos é interligada ao desenvolvimento sensório-motor, potencializando o amadurecimento cognitivo e suas relações gerais com o meio (Feldman, 2015). Do mesmo modo, os conceitos de percepção espacial devem ser contextualizados tendo a própria criança como referência. Inicialmente, conhece- se ao seu redor para que depois se possa conhecer o todo. As noções de longe, perto, ao lado, em cima, embaixo, na frente, atrás, entre outros, permite a compreensão do próprio corpo no espaço e, ao ampliar esses conceitos, relacioná-los a outros conhecimentos como forma de integração com o meio. Os conceitos corporais, tais como lateralidade, localização espacial, diferenças e semelhanças, alternâncias e reversibilidade, entre outros, norteiam a compreensão do conceito sensório-motor de espaço e permitem que a criança se desenvolva de forma plena (Feldman, 2015). O desenvolvimento motor usualmente ocorre em ambientes lúdicos, em que os critérios de socialização são amplos. Durante as atividades motoras, os indivíduos experimentam uma maior liberdade e passam a demonstrar seu comportamento e sua personalidade mais livremente. O convívio com os colegas e a realização de atividades motoras em grupo faz com que a criança tenha de abrir mão da sua individualidade para satisfazer as expectativas do grupo, ajudando, dessa forma, a desenvolver suas capacidades de socialização (Bear, 2010). A psicomotricidade estuda, portanto, as relações do indivíduo e sua motricidade com sua formação biopsicossocial, sua pessoalidade, ou seja, o todo que forma o indivíduo e sua personalidade, bem como suas relações afetivas e cognitivas (Boulch, 2007). A compreensão entre motricidade, atos motores e psiquismo é que retrata a mente como todo, desde a percepção até as emoções e os processos cognitivos (Kandel; Schwartz; Jessell, 2000). 4 TEMA 2 – MOVIMENTO Os movimentos fazem parte de nossas atividades de vida diária, e estamos o tempo todo melhorando e aprimorando nossas capacidades motoras. Essas habilidades permitem que nos relacionemos com o meio e desenvolvamos nossas capacidades cognitivas e de percepção do todo (Feldman, 2015). A grande gama de movimentos que somos capazes de realizar na já na infância se iniciam de um modo bastante desorganizado, e conforme o sistema nervoso vai amadurecendo, os movimentos começam a ganhar um nível organizacional de força, velocidade e ritmo. Os movimentos corporais são comandados pelo sistema nervoso que coordena força, velocidade e precisão de cada gesto. Possuímos basicamente três tipos de movimentos: os reflexos, os rítmicos e os voluntários (Feldman, 2015). 2.1 Reflexos Os reflexos são movimentos mais simples e involuntários que ocorrem sob o comando de centros neuronais mais inferiores, tais como a medula espinhal. São os movimentos mais rápidos do nosso corpo, comandados por estímulo e resposta. Possuem sempre a mesma resposta, pois não tem uma interpretação diferenciada e normalmente servem como mecanismos protetores de nosso organismo (Kandel et al., 2014). Os reflexos são compostos por um órgão receptor do estímulo, um neurônio aferente que conduz o impulso nervoso em direção ao sistema nervoso central (SNC). O sistema nervoso enviará a resposta, o neurônio eferente conduzirá o impulso nervoso em direção ao corpo e, por último, o órgão efetor realizará a resposta proposta (normalmente um músculo ou glândula) (Kandel et al., 2014). Muitos desses reflexos possuímos desde o nascimento, como o de preensão palmar, o de sucção e o dos pontos cardeais, os quais são chamados de primitivos. Eles tendem a desaparecer quando o sistema neurológico amadurece e passa a ser capaz de realizar movimentos voluntários. Alguns desses reflexos primitivos estão relacionados à sobrevivência enquanto que outros funcionam como uma preparação do movimento voluntário que será aprendido (Bear, 2010). Os reflexos miotáticos ou tendinosos profundos são aqueles que ocorrem em função do estiramento de um músculo em resposta à percussão de seu 5 tendão. Podem ocorrer em qualquer músculo do corpo, sendo o mais conhecido o reflexo patelar. Esses reflexos são de grande utilidade clínica, pois estão relacionados à integridade do sistema nervoso. Quando o reflexo está aumentado, pode indicar lesão do sistema nervoso central, ao passo que, se estiverem diminuídos, podem indicar lesão do sistema nervoso periférico (Kandel et al., 2014). Os reflexos superficiais também possuem importância clínica e, assim como os reflexos profundos, estão aumentados em caso de lesão no sistema nervoso central e diminuídos em caso de lesão no sistema nervoso periférico. Os reflexos superficiais mais comuns são o reflexo cutâneo-abdominal, o cremastérico e o cutâneo-plantar (Guyton, 1993). 2.2 Os movimentos rítmicos Os movimentos rítmicos são uma mescla entre os movimentos reflexos e os movimentos voluntários. Quando caminhamos, corremos, nadamos ou realizamos qualquer movimento que já foi aprendido e que seja repetitivo, o ato voluntárioé executado para iniciar, parar ou mudar a direção do movimento executado, mas a continuidade do movimento é feita de modo automático, sem que se precise pensar em sua execução (Bear, 2010). 2.3 Os movimentos voluntários Os movimentos voluntários são os movimentos mais complexos que normalmente foram aprendidos. Quanto mais se pratica esses movimentos, melhor fica sua execução. Com o tempo, tornam-se quase automáticos e não existe mais a necessidade de pensar para executá-los (Bear, 2010). TEMA 3 – MÚSCULOS Os músculos são compostos de fibras musculares que possuem a capacidade de contração e relaxamento. As fibras musculares têm composição proteica, são formadas por filamentos de actina e miosina que, juntos, formam o sarcômero (Gray, 1988). O sarcômero é considerado a unidade anatomofuncional do sistema muscular. Quando ocorre um estímulo nervoso para que o músculo se contraia, os filamentos de actina e miosina deslizam uns sobre os outros diminuindo o 6 tamanho do sarcômero, promovendo, dessa forma, a contração muscular (Guyton, 1993). A contração pode ser classificada em isométrica e isotônica (que, por sua vez, se divide em concêntrica e excêntrica) (Gray, 1988). Na contração isométrica, os músculos encurtam, porém, não existe movimento e o gasto energético é alto (Guyton, 1993). Na contração isotônica, ocorre o movimento e o gasto energético é menor. A contração concêntrica é aquela na qual o músculo encurta durante a contração e a excêntrica ocorre durante o alongamento das fibras musculares (Guyton, 1993). Possuímos três tipos de músculos. Os músculos lisos se localizam nas vísceras e são de contração involuntária. Recebem comandos do sistema nervoso autônomo e são responsáveis pela motilidade dos órgãos (Gray, 1988). O músculo cardíaco ou estriado cardíaco localiza-se no miocárdio e tem contração involuntária. É responsável pela contração cardíaca (Gray, 1988). Os músculos estriados esqueléticos localizam-se nos membros inferiores, membros superiores, parede do tronco, face e pescoço. Possuem contração muscular voluntária e são responsáveis por nossa atividade motora. Macroscopicamente são compostos por um ventre muscular, que contém as fibras responsáveis pela contração muscular, por um tendão ou por uma aponeurose, que é responsável pela fixação do músculo, e por uma fáscia, que é uma delicada membrana que envolve o ventre muscular, realizando sua proteção (Gray, 1988). Os músculos podem ser divididos em três categorias: os agonistas, que realizam os movimentos propostos; os antagonistas, que se opõem ao movimento realizado; e os sinergistas, que estabilizam as articulações, para que os movimentos possam ser realizados (Gray, 1988). TEMA 4 – SISTEMA NERVOSO MOTOR Todo movimento se inicia com uma ação pensada sobre a realização desse movimento por meio de um comando do córtex cerebral que realiza um controle voluntário do movimento proposto. A esses comandos somam-se às inferências do cerebelo, que coordenará o movimento, tornando-se preciso em questões de velocidade, força e precisão. O sistema vestibular agregará a manutenção do equilíbrio e da postura durante o preparo e a execução do movimento. Finalmente, a medula espinhal conduzirá o impulso nervoso até o músculo que efetuará a ação (Guyton, 1993). 7 4.1 Neurônio motor superior São todos aqueles neurônios do SNC que influenciam o funcionamento do neurônio motor inferior. O neurônio motor superior começa no cérebro, mas emite axônio longo que percorre a medula espinhal para fazer sinapse com o neurônio motor inferior. Eles se dividem em subgrupos: as vias piramidais têm as fibras que saem do córtex, e dentro do bulbo, passam por uma região chamada de pirâmides. As vias extrapiramidais possuem fibras que não passam pelas pirâmides do bulbo (Machado, 2003). Uma lesão no neurônio motor superior causa um movimento inadequado com convulsão, rigidez, marcha em círculo, déficit proprioceptivo. Observa-se uma paralisia espástica (contraído), com hipertonicidade (excesso de rigidez) e hiperreflexia. Os músculos apresentam grau de trofismo adequado sem sinais de hipotrofia. Os reflexos segmentares estão mantidos, porém de forma acentuada. Pode-se ver também um tremor não intencional que aumenta com o repouso. O Mal de Parkinson é uma disfunção do sistema extrapiramidal (Menezes, 2011). 4.2.1 Sistema piramidal Promove um desencadeamento do movimento voluntário, hábil e aprendido. Possui movimentos bem desenvolvidos, sendo sua principal via axônica. O sistema piramidal é constituído por três grandes vias axônicas originárias do córtex cerebral, unindo-se a medula, o tronco encefálico e o cerebelo (Machado, 2003). No tracto córtico-espinhal, as fibras partem do córtex e vão até a medula espinhal contralateral, influenciando os neurônios motores inferiores espinhais (Machado, 2003). No tracto córtico-bulbar, as fibras partem do córtex e vão até o bulbo, influenciando os neurônios motores inferiores do tronco cerebral para os músculos da cabeça (Machado, 2003). No tracto córtico-pontino-cerebelar, as fibras partem do córtex cerebral e fazem sinapse na ponte com um segundo neurônio, que vai ao córtex cerebelar informar o cerebelo do movimento pretendido pelo córtex cerebral para que este faça os ajustes necessários (Machado, 2003). As lesões no sistema piramidal causam fraqueza muscular no lado contralateral à área lesada, denominada hemiparesia (Menezes, 2011). 8 4.2.2 Sistema extrapiramidal Tem grande importância ao iniciar o controle do tônus da musculatura extensora antigravitacional, que controla de forma subconsciente a postura. Também é importante na coordenação dos movimentos da cabeça e dos olhos para que se possa realizar a observação de um objeto em movimento (Machado, 2003). O sistema extrapiramidal apresenta tratos que começam no tronco cerebral e terminam na medula espinhal. O tracto retículo-espinhal se inicia na formação reticular e vai para a medula espinhal. Essa região (formação reticular no bulbo) contém o centro do vômito, o centro respiratório e o centro vasomotor. O tracto vestíbulo-espinhal começa no núcleo vestibular do bulbo e vai até a medula espinhal. Ambos são responsáveis pela contração da musculatura antigravitacional por meio do controle do tônus postural. O tracto tecto-espinhal começa no mesencéfalo e termina na medula cervical. É responsável pela coordenação reflexa dos movimentos da cabeça e dos olhos durante a observação de um objeto em movimento. O tracto rubro espinhal começa no núcleo rubro do mesencéfalo e termina na medula espinhal; não se conhece exatamente sua função, mas sabe-se que interage com os neurônios motores inferiores para ativação dos músculos mais distais (Machado, 2003). 4.2.3 Cerebelo É responsável pela coordenação motora global e fina, pelo equilíbrio e pelo controle do tônus muscular. Coordena os movimentos iniciados pelo sistema piramidal e extrapiramidal, comparando o movimento que se deseja realizar com o movimento real e os ajusta. Pode ser dividido em três partes: o arquicerebelo ou cerebelo vestibular, que é responsável pelo equilíbrio e pelos movimentos oculares; o paleocerebelo ou espinocerebelo, que é responsável pela coordenação dos movimentos repetidos, como locomoção e reações posturais, sendo também responsável pelo tônus muscular; e finalmente o neocerebelo, que é responsável pela coordenação motora, estando relacionado com os movimentos não estereotipados como aqueles resultantes de ensinamentos e treinamentos (Bear, 2010). 9 Quando se observa uma lesão nessa área, a principal característica é a ataxia, que se caracteriza por afastamento das pernas para aumentar a base e, consequentemente, o equilíbrio (Menezes, 2011). A dismetria é uma alteração de marcha na qual se observa dificuldade de colocaro membro em ponto específico devido à incapacidade de coordenar o movimento pretendido com o real. Consideram-se as hipermetrias (levantar demasiadamente os membros para a marcha, subir escada etc.) ou hipometrias (movimento diminuído, insuficiente) (Menezes, 2011). O nistagmo é um descontrole do movimento ocular, em que o olho realiza movimentos repetitivos para um lado e para o outro sem que se tenha controle sobre esse movimento. Pode-se observar também um temor intencional, que é aquele que aumenta com o movimento (Menezes, 2011). 4.2.4 Neurônio motor inferior É o neurônio cujo corpo celular e dendritos estão localizados no SNC e cujo axônio se estende através dos nervos periféricos para fazer sinapse com as fibras musculares que se localizam na região periférica (Machado, 2003). Em caso de lesão, pode-se observar uma paralisia flácida com uma incapacidade de realizar os movimentos por uma perda de tônus muscular. Essa falta de movimentos leva a um quadro de hipotrofia muscular com perda significativa da massa muscular. Tem-se uma perda da capacidade de realizar os reflexos miotáticos, os quais promoveriam um estiramento e contração constante e inconsciente a todo o momento, impedindo a atrofia muscular (Menezes, 2011). Pode-se ver uma hiporeflexia, pois a mensagem que deveria chegar aos músculos é interrompida e, desse modo, não funcionam o reflexo de estiramento e o reflexo de retração (Menezes, 2011). 4.2.5 Córtex motor É responsável pelos movimentos voluntários, e prepara o início desses movimentos codificando sua força e direção. O córtex é a área motora consciente e prepara o movimento não apenas pelo movimento, mas correlacionando-o com o meio externo e as ações comportamentais (Gray, 1988). Podemos observar no lobo frontal a área motora primária denominada área 4 e a área pré-motora 6. As áreas pré-motoras têm a capacidade de preparar e 10 modular os sistemas corporais para o movimento, enquanto que a área motora executa o movimento (Gray, 1988). As lesões cerebrais podem ou não vir acompanhadas de déficits motores ou cognitivos, dependendo da área lesionada. A perda da consciência pode ser um fator indicativo de lesão cerebral. O estado de consciência é mantido pelo bom funcionamento do sistema ou formação reticular (córtex e tronco cerebral), que garante a regulação do ciclo sono/vigília. Lesões nessas estruturas podem induzir ao sono cada vez mais profundo que leva ao coma (Menezes, 2011). Não pode ser esquecido que as alterações de consciência podem ocorrer em consequência de distúrbios metabólicos gerais (coma diabético, urêmico ou hepático) ou tóxicos (envenenamentos) (Menezes, 2011). As sonolências são muito observadas nas lesões mesencefálicas, enquanto que as agressões e a passividade são pertinentes a lesões do córtex temporal. As incapacidades de reconhecimento e aprendizado são características de lesão do lobo frontal (Menezes, 2011). As lesões no córtex motor primário dificultam a aprendizagem de novos componentes motores, uma vez que este está diretamente relacionado à capacidade de modular e aprender novos movimentos. Quem possui esse tipo de lesão apresenta também dificuldade em planejar e executar os movimentos (Menezes, 2011). TEMA 5 – SISTEMA MOTOR E COGNIÇÃO O sistema nervoso motor tem influência direta no comportamento. Ele demostra por meio de uma linguagem não verbal as ligações do indivíduo com o meio. Por intermédio da linguagem corporal, das atitudes posturais e de todo o gestual que acompanha cada momento, as pessoas se relacionam umas com as outras e desenvolvem as relações biopsicossociais (Boulch, 2007). Diversos são os benefícios da atividade física para o corpo humano e, para que isso se torne uma realidade, é necessário que a atividade seja constante. O ideal é que se realize diariamente uma atividade de pelo menos 60 minutos, mas caso isso não seja possível, toda atividade realizada é sempre melhor do que nenhuma. Dentre os benefícios da atividade física, podemos citar alguns, tais como ativar a circulação e, com isso, melhorar o aporte de oxigênio e nutrientes para os tecidos, melhorar a força e a resistência muscular, melhorar o equilíbrio e a coordenação motora, entre outros. 11 No entanto, a atividade física contribui não somente com o aspecto físico, mas também com a condição biopsicossocial do indivíduo. Desse modo, podemos observar uma melhora na interação social, redução do estresse, facilitação das conexões cerebrais, estímulo da gênese de células nervosas, principalmente no hipocampo, aumento da produção de serotonina e do fator neurotrófico, incremento da capacidade cognitiva e de memória, facilidade de atenção e motivação, diminuição dos problemas comportamentais e melhora da aprendizagem. Enfim, pode-se observar que a atividade física trabalha o corpo como um todo, desde a expressão corporal e o estado físico até os processos mentais, como as capacidades de aprendizagem e aspectos comportamentais (Linda, 2016). Na área de aprendizagem, o uso do movimento favorece a ativação de área coligadas como a visão e a audição, e isso facilita a compreensão, pois estimulamos a percepção em vários níveis. Muitas vezes, utilizamos uma comunicação não verbal como forma de interação e aprendizagem. As meninas habitualmente são mais comunicativas (linguagem verbal), enquanto que os meninos costumam ser mais ativos fisicamente (linguagem não verbal). Com isso, a utilização de técnicas ativas facilita a aprendizagem. A atividade física ativa a mente facilitando o desempenho na aprendizagem por meio de um estímulo da atenção e da motivação (Linda, 2016). 12 REFERÊNCIAS BEAR, M. Neurociências: desvendando o Sistema Nervoso. 3. ed. São Paulo: Artmed, 2010. BOULCH, L. Educação psicomotora. 2. ed. São Paulo: Artmed, 2007. FELDMAN, R. S. Introdução à Psicologia. 10 ed. São Paulo: Artmed, 2015. GALLAHUE, D. L. Compreendendo o desenvolvimento motor. 3. ed. São Paulo: Phorte, 2005. GRAY, H. F. R. S. Anatomia. 29 ed. São Paulo: Guanabara, 1988. GUYTON, A. C. Neurociência básica, anatomia e fisiologia. 2. ed. São Paulo: Guanabara Koogan, 1993. KANDEL, E. R.; SCHWARTZ, J. H.; JESSELL, T. M. Fundamentos da neurociência e do comportamento. São Paulo: Guanabara Koogan, 2000. KANDEL, E. R. et al. Princípios de neurociências. 5. ed. São Paulo: Artmed, 2014. LINDA, L. L. Brain Science for Principals. Lanham: Rowman & Littlefild, 2016. MACHADO, A. Neuroanatomia funcional. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2003. MENEZES, M. S. Neuroanatomia aplicada. 3. ed. São Paulo: Guanabara Koogan, 2011.