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40 Unidade II Unidade II 5 ÉTICA PROFISSIONAL DAS EXATAS A escolha da profissão é o momento que define uma vida! É nesse instante que a pessoa deve se perguntar: conheço suficientemente essa carreira para executá-la de acordo com as condutas éticas? A escolha é o momento do compromisso com aquela atividade que, além de prover sustento, deve ser executada como estilo de vida, que acaba por fazer parte do cotidiano daquele que a escolhe. Conhecer a profissão é mais do que se envolver com os conteúdos técnicos que são absorvidos ao longo do curso, mas sim desenvolver todas as capacidades e habilidades para que a profissão seja executada de acordo com os fundamentos éticos exigidos. Lembrete A norma moral pertence ao grupo social cujo descumprimento somente implica em reprovação daquele mesmo grupo. Para Lopes de Sá (2013, p. 170): “o exercício de uma profissão demanda a aquisição de pleno conhecimento, domínio sobre a tarefa e sobre a forma de executá-la, além de atualização constante e aperfeiçoamento cultural”. O trabalho será executado de forma habitual, contínua, portanto, estar envolvido com aquilo que se realiza é indispensável para que, ao final, se materialize todo o esforço em resultados positivos, que satisfaçam o cliente, mas, especialmente, o próprio profissional. Assim, a busca constante pela execução da atividade profissional da forma mais correta possível não se trata de perfeição, mas de um dever do profissional. A falta de competência para a execução de uma tarefa de alguém que se dispõe a realizá-la demonstra infração aos ditames éticos daquela profissão. Não podemos nos esquecer da utilidade da atividade. Uma vez comprometida com a profissão, cada atuação não pode se resumir tão somente ao serviço prestado, mas sim a sua finalidade. O alcance da finalidade social de cada atividade é a própria realização dela. Por fim, existe a relação do profissional com o cliente que, ao escolher o profissional, gera um elo de confiança, o cumprimento da demanda conforme aquilo que foi acertado atende as expectativas e mantém a respeitabilidade do profissional. 41 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL Para cada profissão, um conjunto de condutas específicas são exigidas dos profissionais. Na área de exatas não é diferente, o profissional terá de se debruçar em todos os conteúdos de ordem ética para que execute com maestria seu mister. Portanto, muito além de ser conhecedor da ciência, o profissional de exatas deve saber os preceitos éticos que cada profissão indicar e agir dentro destas diretrizes a fim de ser um profissional completo. Passaremos a estudar a responsabilidade do profissional dessa área, bem como seu código de ética, para entendermos como deve pautar sua conduta. 6 RESPONSABILIDADE DO ENGENHEIRO A palavra engenheiro tem origem latina, ingenium, ou seja, genialidade, habilidade, que indicava talento, aquele que produzia soluções. É uma das profissões mais antigas que existem, de grande criatividade, mas também de muita responsabilidade. Esse profissional tem grande impacto na vida das pessoas, bem como no meio ambiente, lidando diretamente com a segurança da própria sociedade. Não há quase nada que exista que não tenha passado pelo crivo de um profissional da área de engenharia. Existe uma vertente da filosofia chamada de deontologia. Essa parcela da ciência filosófica se importa com a tendência humana de perseguir o prazer e fugir da dor, o fundamento da ação eticamente correta. A deontologia profissional é aquela aplicada a determinado grupo de pessoas que exerce um mesmo mister, ou seja, tarefa dentro da sociedade. Esse conjunto de regras e deveres está atrelado ao código de ética da categoria em que o profissional está inserido. O primeiro código de ética que se tem notícia na história foi o de medicina. As normas estabelecidas para os profissionais são estipuladas por eles mesmos, para regular as relações entre a profissão e a sociedade. O engenheiro civil, especificamente, é responsável pela elaboração e cálculo de projetos, topografia, escolha de materiais e profissionais, fiscalização, orientação, segurança do trabalho, construção, gestão de pessoas, entre outros. Diversas vidas passam pela atuação responsável esses profissionais antes, durante e após a realização de qualquer tipo de obra, por mais simples que seja. 42 Unidade II Figura 13 Este profissional deve se atentar não somente à obra, mas sim com a relação com o cliente. Os contratos realizados geram dever de cumprimento, que raras as vezes que podem ser escusados, como é o caso de fortuito e força maior a ser explicado mais adiante. Assim, por se tratar de relação de consumo, que trata a lei n. 8.078/1990, Código de Defesa do Consumidor (CDC), o engenheiro responde pelo cumprimento integral do contrato, bem como com relação a qualquer vício que a prestação de serviços ou bem entregue possam apresentar. No caso de vícios, dispõe o CDC, são características de qualidade ou quantidade que tornem o produto ou serviço impróprios ao uso a que se destinam, ou seja, não oferecem a segurança que se espera. Cabe ao profissional cumprir os ditames da lei e realizar o conserto, abatimento do preço ou restituição da quantia paga. Assim, pois, ainda que o contrato tenha terminado, o profissional continua responsável pela integridade do produto ou serviço. Já os defeitos são vícios que se exteriorizam, causando danos à saúde, segurança e patrimônio do consumidor. Nesse caso, ocorre a indenização para encerrar a responsabilidade do profissional pelo dano, uma vez que o defeito impossibilita que o serviço ou o bem sejam refeitos. Para compreender melhor as consequências dos vícios, saiba que indenização significa toda a compensação ou reparação monetária feita por uma pessoa a outra, para reembolsar de despesas feitas ou para ressarcir de perdas. A indenização se apresenta como um dever jurídico destinado a integrar o patrimônio de quem o teve desfalcado. De todo modo, não é possível prever onde ocorrerão falhas, mas é obrigação do profissional usar todo seu conhecimento técnico e habilidades para se precaver e evitar que falhas ocorram. E na sua constatação deve haver integral reparação pela responsabilidade do engenheiro responsável. 43 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL Nesse contexto, podemos afirmar que a obrigação do profissional da área pode ser de meio e de resultado, dada a gama de atuação desse profissional. É obrigação de meio aquela em que o profissional se compromete a utilizar todas as técnicas e conhecimento científico para tentar alcançar o resultado. Ele não garante o resultado, que pode depender de situação ou condições alheias a sua vontade ou gerência. Assim, em alguns tipos de contratação, é preciso deixar claro qual é a responsabilidade envolvida e quais serão os esforços para alcançar aquilo que se deseja como objetivo, mas também é preciso frisar quais poderão ser os problemas que poderão ser encontrados, para que o profissional possa se eximir de eventual ação judicial requerendo cumprimento forçado ou dever de indenização. Por outro lado, pode ser que a atuação do profissional seja efetiva em algumas situações menos complexas e mais certeiras. Entende-se por obrigação de resultado quando se reputa cumprida a obrigação quando o profissional entrega exatamente aquilo que foi contratado ou acordado. Nesse caso, não significa que não haverá riscos ou incertezas, mas que o profissional vai se acautelar para que os riscos sejam afastados e que seja entregue exatamente aquilo que foi solicitado. Veja como é importante a análise da responsabilidade, que estudaremos de forma aprofundada a seguir. 7 RELAÇÕES COM O UNIVERSO JURÍDICO Podemos dizer que todas as pessoas que convivem em sociedade têm um dever chamado dever geral de conduta, que consiste em não ferir o direito do outro. Isso porque, como explicamos anteriormente, o nosso comportamento é artificial, balizado por leis que determinam aquilo que temosque fazer, como devemos agir. Esse tipo de comportamento faz com que nossa liberdade seja reduzida, o que pode parecer algo ruim a princípio, para que haja um ganho maior, que são os benefícios de viver em sociedade. Por isso, as leis determinam o que devemos fazer para que haja convívio harmônico. No Brasil, o sistema aplica o chamado direito positivo, ou seja, que tudo aquilo que não é proibido por normas escritas e anteriores aos fatos, é permitido. Então, é necessário que exista um conjunto normativo determinando que uma conduta seja proibida para que a pessoa não possa realizar determinado ato, e ao fazer, que seja aplicada a pena imposta em lei. Para tanto, é importante falarmos um pouco sobre como se formam as esferas de direito das pessoas. São os direitos de personalidade que permitem que uma pessoa tenha um escudo protetor contra os desígnios do Estado ou dos seus pares (outros cidadãos) contra a violação de direitos e danos. 44 Unidade II Observação Os direitos de personalidade são um conjunto de direitos que visam a proteção dos sujeitos de direito, isto é, a pessoa. Para o direito, somente se considera pessoa os seres humanos nascidos com vida, portanto, é necessário que o bebê se desvincule das vísceras maternas e realize o primeiro ato autônomo e individual, que é a respiração. Até que a primeira respiração ocorra, o bebê, até então considerado nascituro, tem proteção por se tratar de um ser que carrega o genoma do ser mais evoluído do planeta, contudo, ainda não tem toda a proteção que recebe aquele que já nasceu. Essa proteção é bastante ampla, abrangendo a parte patrimonial e extrapatrimonial da pessoa, significa que, a partir do nascimento, haverá proteção; em caso de violação que cause dano à pessoa, haverá indenização. Assim, não é permitido que ninguém cause qualquer dano, pois isso gera um vínculo jurídico entre o ofensor e vítima, que só vai se desfazer quando houver novamente o equilíbrio de direitos, ou seja, pelo ressarcimento. Os atos ilícitos são condutas tomadas que ofendem a ordem jurídica. Estão disciplinados no Código Civil (BRASIL, 2002), no artigo 186, que conceitua: Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. Portanto, o ato ilícito abrange muito mais que as condutas ilícitas do direito penal. Nesse caso, basta o ato já tipificado na lei penal. Aqui podemos dizer que o ato ilícito é a própria violação do direito, que causa dano a outra pessoa (seja a vítima ou não). Nesse sentido, podemos afirmar que o simples desrespeito a algo que seria o direito alheio não gera o dever de indenizar, é indispensável que seja seguido do dano. O Código Civil, no artigo 187, também determina que comete ato ilícito aquele que abusa do direito. Seria abuso de direito aquele que, ao exercer um direito que é seu, ultrapassa limites e causa dano a outro. Um exemplo bastante comum é o credor de certa quantia que, ao ver que não será pago pontualmente, utiliza-se de técnicas de cobrança que expõem o devedor ao ridículo. Nesse caso, o credor pode fazer cobrança dentro de limites que sejam aceitáveis, ou seja, que não viole os direitos do devedor e não lhe cause prejuízo. 45 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL Os limites que a lei trata no caso de abuso de direito são os fins econômicos, sociais, a boa-fé e os bons costumes. Lembrando, o titular do direito pode exercê-lo, mas sem ofender os direitos dos demais. A partir da verificação do dano, nasce para o titular do direito a possibilidade de invocar o judiciário para se ressarcir do prejuízo sofrido. 7.1 Responsabilidade civil A responsabilidade civil é a parte do direito que trata da obrigação gerada a partir do ato lesivo que causa o dano. Em outras linhas, é a própria obrigação de ressarcir o prejuízo sofrido. Quando existe um ato ilícito, se gera um vínculo, um elo entre o autor e a vítima. Observe o esquema da classificação da responsabilidade na figura a seguir: Área do direito Gerada por um fato não criminal Exemplo: atraso em decorrência de desorganização na compra de materiais para concluir a obra Civil Criminal Gerada em razão de um ilícito penal Exemplo: enganar o cliente com relação à qualidade do produto utilizado na obra Comprovação da conduta do agente para o resultado danoso Exemplo: obra executada por engenheiro não habilitado profissionalmente Subjetiva Objetiva Independentemente de culpa do agente Código de Defesa do Consumidor e responsabilidade do Estado Duas partes se comprometem a cumprir o ajustado Decorre do contrato entre as partesContratual Extracontratual ou aquiliana Deixar de observar um dever geral de conduta Omissão voluntária, negligência ou imprudência Culpa do agente Origem Figura 14 46 Unidade II O direito civil é responsável por tratar da responsabilidade civil que a classifica em: • Civil e criminal: distintas, mas as duas geram responsabilidade civil. A responsabilidade gerada a partir de um ato ilícito do direito penal gera o dever de ressarcimento, caso o ato tenha causado prejuízo apurável na esfera civil, ou seja, que o ressarcimento possa ser pecuniário. Para o direito penal, que fixa condutas que ferem a própria ordem pública, o mero descumprimento faz com que o agente responda perante as leis penais e, se condenado, receba a punição que o crime ou contravenção penal previa. Assim, é possível afirmar que a vítima, no caso do cometimento de um crime, a vítima é a própria sociedade, pois a conduta ofende a organização e segurança pública, ainda que haja em segundo plano alguém cujo direito foi violado. A responsabilidade civil permite à vítima (seja de um ilícito penal ou civil) ser indenizada pelo prejuízo sofrido, tendo esta pessoa como o sujeito a ser considerada vítima. • Subjetiva e objetiva: tem como parâmetro a culpa do agente, conhecida como teoria da culpa, na qual há a necessidade de comprovação da conduta do agente como requisito para a ação de indenização. Já a teoria da responsabilidade objetiva retira a obrigação da vítima de comprovar a culpa do agente, para facilitar a busca dos interesses. Essa teoria só pode ser utilizada quando a lei determina que seja assim, como é o caso do Código de Defesa do Consumidor – lei n. 8.078/1990 –, Responsabilidade do Estado – Constituição Federal, artigo 37, §6º – ou danos ambientais – lei n. 6.938/1981. São excludentes da responsabilidade subjetiva: • Legítima defesa: ato de quem usa de meios moderados para repelir ameaça atual e iminente com o intuito de salvar-se ou seus bens, conforme descreve o artigo 25 do Código Penal. • Exercício regular de um direito: aquele que exerce direito dentro de limites do seu próprio exercício, ainda que cause dano a outro, fica isento de indenizar como dita o artigo 188, I, do Código Civil. Temos, por exemplo, a pessoa que tem a casa invadida por um ladrão, que ao pular o muro se depara com o cachorro do dono que lhe morde a perna. Ainda que a lesão na perna do invasor seja um dano, ele não será indenizado, pois o cachorro como meio de proteger os bens do dono é considerado exercício regular de um direito. • Estrito cumprimento de dever legal: quando o próprio ordenamento delimita ações que quem se submete a ela deve cumprir. Como no caso do uso da força policial para reprimir ofensa à segurança pública. 47 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL Observação A relação jurídica do engenheiro com seu cliente é considerada uma relação de consumo, portanto aplica-se a lei n. 8.078/1990. Contudo, o engenheiro é profissional liberal, cuja atividade é única. São profissionais liberais aqueles que exercem atividade intelectual, em que é necessária a verificação da culpa para sua responsabilização, de acordo com o artigo 14, §4º do Código de Defesa do Consumidor. • Contratual ou extracontratual: a responsabilidade civil pode tervárias origens. É chamada de responsabilidade contratual aquela que, em razão do descumprimento de um contrato ou vínculo jurídico assumido, gera dano para a parte contrária que esperava seu cumprimento ou dele necessitava. Exemplificando: um hospital que deveria ser entregue em determinada data, mas que, ao chegar no prazo final, sequer foi construído, causando dano a várias vidas. Também, e mais comum, a responsabilidade extracontratual, ou aquiliana, é a inobservância do dever geral de conduta, ou seja, do dever de não ofender direito alheio. Essa ofensa deve gerar dano para que seja indenizável. Assim, não basta que haja a responsabilidade civil, é necessário que o prejudicado ingresse com a respectiva ação de indenização para que consiga se recompor. 7.2 Ação de indenização O Poder Judiciário tomou para si o dever de resolver conflitos, portanto, é vedada a autotutela como meio de solução dos litígios. O meio correto de se pedir um direito violado, um dano sofrido, é através do Judiciário. A ação de indenização tem como objeto a ligação do dano sofrido a alguém, a quem se pede o ressarcimento daquilo que foi o prejuízo, ou seja, que pague o dano que causou. Essa ação tem alguns requisitos que devem ser comprovados ao juiz para que a ação seja admitida e esteja tecnicamente apta a ser processada e julgada, são eles: • Autor do ato/dano: a ação de indenização deve ser proposta contra alguém que deve ter legitimidade para figurar como o ofensor, ou seja, deve ser a pessoa responsável pelo dano, embora não necessariamente quem agiu, mas quem deva ser responsável pelos atos de quem agiu. A pessoa legítima responde por ação ou omissão, desde que a conduta causadora do dano tenha sido voluntária, ou seja, o autor não precisa querer o resultado do dano, mas realizou a ação ou omissão. Verifica-se negligência, imprudência ou imperícia na conduta. 48 Unidade II Observação Entende-se por negligência a falta de cuidado ou diligência que qualquer pessoa deveria ter para realizar o ato. Como exemplo, podemos citar o engenheiro que usa o material errado para determinada obra. Imprudência, por sua vez, é agir de forma precipitada, sem as cautelas e reflexão que o ato necessitava. Nesse caso, é o engenheiro que não utiliza EPI nas obras em que trabalha. Por outro lado, a imperícia seria a falta de conhecimento ou habilidade técnica necessária para realizar um ato. Aqui, podemos exemplificar o engenheiro de alimentos que assume a construção de uma ponte. • Dano: prejuízo efetivamente verificado, ou seja, aquilo que se perde em razão da conduta do ofensor. O dano pode ser classificado em dano material, também chamado de danos emergentes, que é o prejuízo patrimonial efetivado. Nesse caso, o ressarcimento será igual aquilo que foi perdido, bastando demonstrar ao juiz o que foi perdido e o valor de um equivalente. Há também o dano moral, que é bastante difundido, trata-se de ofensa à honra subjetiva da pessoa, sua imagem, autoconsideração, parte emocional do ser ou o conjunto pensante, ou seja, a atitude do ofensor causa um sofrimento, dor que a pessoa não experimentava antes do ato lesivo. Já o dano estético, embora seja um prejuízo a bens extrapatrimoniais, ou seja, à própria pessoa, não é exatamente dano moral, não podendo com ele ser confundido. Aqui, o prejuízo é na integridade física da pessoa que causa abalo emocional. • Nexo de causa: também chamado de nexo causal, é a relação de causa e efeito entre o ato realizado (ou omissão) e o dano. Assim, é necessário demonstrar ao juiz que, sem que haja a relação entre os dois outros elementos, não há ação de indenização. Pode até ser que tenha ação, mas contra outra pessoa. Isso quer dizer que o nexo de causa que determina a ligação, o dano só ocorreu porque a pessoa x fez a ação y, que se o ato não tivesse ocorrido, o prejuízo não aconteceria. São excludentes do nexo causal, que não geram indenização: • Caso fortuito ou força maior: são eventos fora da influência ou gerência das pessoas que fazem com que haja o dano. O caso fortuito é evento da natureza que não pode ser previsto, como terremoto, tufão, enchentes etc. Já a força maior é ato do ser humano (mas não pode ser causado pelas partes) que não pode ser evitado, como guerra, acidentes de trânsito que geram congestionamento além do normal etc. Nesses casos, se houver dano, não pode ser imputado a ação ou omissão da outra parte que não tem culpa. 49 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL • Culpa exclusiva da vítima: não gera o dever de indenizar, pois a vítima é a única culpada pelo dano sofrido, por ter contribuído para o evento. Exemplo, a pessoa que foi atropelada pelo trem pede indenização à companhia férrea mesmo havendo grades, muros e avisos que é proibida travessia pelos trilhos. • Fato de terceiro: nessa situação, nem a vítima nem mesmo o agente contribuíram para o evento que causa o dano, mesmo que estejam no mesmo incidente; o agente não agiu de modo a realizar o ato. Podemos citar como exemplo um engavetamento de veículos, a pessoa que acertou o primeiro carro foi o segundo, mas o causador pode ter sido o carro de trás, que fez com que o segundo carro se projetasse para atingir o primeiro e assim consecutivamente, quebrando a cadeia de responsabilidade. Portanto, após a comprovação desses requisitos e análise das demais provas e argumentos trazidos no processo, o juiz, se entender que é o caso, julgará o processo condenando o ofensor (que no processo será chamado de réu) ao pagamento que será fixado de acordo com o tipo de dano. Se for dano material, a indenização será representada pelo prejuízo comprovado. Exemplo de aplicação Mas como que isso se aplica na prática da vida profissional? Vamos analisar um problema real, que envolve todos os conhecimentos apresentados até aqui, submetido à apreciação do Poder Judiciário, explicado de uma forma que se consiga compreender o desenrolar jurídico e, também, as possíveis implicações técnicas da sua atuação profissional, inclusive com relação a uma eventual atuação enquanto perito judicial. Trata-se de uma ação de reparação de danos materiais e morais ajuizada por Caio e Tícia em face de Mévio e Semprônia. Alegam os autores (Caio e Tícia), em síntese, que celebraram com os requeridos (Mévio e Semprônia) um compromisso de permuta de imóveis, em razão do qual, em 30/04/X0, o primeiro requerido (Mévio) entregou-lhes seu imóvel, contudo, danificado, em razão da péssima instalação das caixas d’água, causando inundação com infiltração em um dos quartos, banheiro e corredor, com danos em armários, tornando o imóvel inabitável. Também foram necessários reparos na rede elétrica, devido a sua má instalação, inclusive na área da sauna. Ainda que, sem a devida autorização dos autores (Caio e Tícia), o requerido (Mévio) retirou do imóvel coifa, cooktop e assento sanitário do banheiro do casal, instalando-os na casa da segunda requerida (Semprônia), que, em razão da necessidade dos reparos (Caio e Tícia), somente puderam mudar para a residência em 05/08/X0. Que tentaram solucionar a questão através de Reclamação pelo Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), que restou infrutífera. O Cejusc é uma unidade do Poder Judiciário especializada para a solução consensual de conflitos e orientação sobre matéria de cidadania. 50 Unidade II Inicialmente, as partes Caio e Tícia tentaram solucionar o problema amigavelmente, sem precisar ingressar com um processo judicial. Essa pode ser uma alternativa útil antes de recorrer ao Poder Judiciário. Caio e Tícia disseram para a Justiça que os fatos lhes causaram, além dos danos materiais, também danos de ordem moral, em razão dos transtornos vivenciados. Ao final, requereram a procedência da demanda com a condenação dos réus em indenização por danos materiais no valor de R$ 6.501,95 e por danos morais no valor de R$ 20.000,00. Juntaram documentos para comprovar as alegações. Antes de concluídos os atosde citação, que ocorre quando alguém é chamado na Justiça e notificado para, caso queira, contestar a ação, os réus Mévio e Semprônia apresentaram contestação, alegando, preliminarmente, suspeição ou impedimento do Juiz Titular. As causas de impedimento e suspeição estão previstas nos artigos 134 a 138 do Código de Processo Civil e dizem respeito à imparcialidade do juiz no exercício de sua função. É dever do juiz declarar-se impedido ou suspeito, podendo alegar motivos de foro íntimo, ou seja, razões pessoais para não julgar aquela questão. No mérito, Mévio e Semprônia sustentaram que as partes celebraram a avença de permuta de imóveis descrita na petição inicial. Que o imóvel que pertencia aos requeridos foi analisado e vistoriado de maneira minuciosa pelos autores Caio e Tícia e que eventuais defeitos não foram objetos de significância para eles no ato da permuta. Mévio e Semprônia disseram que Caio e Tícia tinham ciência de que estavam adquirindo um imóvel usado, com desgaste natural de uso. Que os requeridos residiam no imóvel até a entrega das chaves, o que afasta a alegação de que ele era inabitável. Que, por ocasião da permuta, dispensaram reciprocamente a vistoria dos imóveis, a afastar o pedido de reparação de danos. Impugnaram o valor dos danos materiais e as fotografias apresentadas. Debateram-se contra os danos morais. Ao final, requereram a improcedência da ação judicial, juntando documentos para comprovar o que diziam. Foi realizada uma tentativa de conciliação em uma audiência, mas não houve consenso entre as partes. O juiz titular da Vara do Juizado Especial declarou sua suspeição, ou seja, o juiz que tinha sido inicialmente designado para tratar do caso decidiu que poderia não ser isento em seu julgamento. Assim, foi nomeado outro juiz imparcial para julgar o caso em questão. Caio e Tícia pediram para a Justiça que fossem produzidas provas orais, que são testemunhas e informantes, e Mévio e Semprônia solicitaram a prova pericial. Sobre essa forma de prova, é importante que se diga que o juiz, sempre que a matéria em questão envolver uma área do conhecimento técnica, que é o caso da engenharia, será assistido por um perito. Isso porque o juiz não entende de matérias técnicas de engenharia, que deve ser produzida por perito, ou seja, profissional capacitado para exame, vitoria ou avaliação do objeto de discussão na lide. 51 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL O Juiz não nomeou um perito, mas decidiu ouvir o Engenheiro Tullius, que analisou tecnicamente todas as questões e esclareceu, na qualidade de informante, respondendo as seguintes perguntas formuladas pelas partes e pelo juiz: — Analisei as fotos apresentadas e verifico situação de umidade na laje, fissuras, trincas e respingos na luminária. Pergunta 1: — Há algum tipo de infiltração pela cobertura ou um rompimento de alguma tubulação que esteja na laje? Se é perceptível a olho nu? Engenheiro Tullius responde: — Não é perceptível. Se o engenheiro civil subir na laje e verificar todas as instalações na cobertura, como foi feito, poderá identificar alguma patologia pré-existente. A partir do momento que existe algum problema, o leigo pode estar visualizando alguma situação. Vejo alguns disjuntores, tubulação com durepox não apropriados, caixas com umidade, algum dano na parte elétrica, patologia na caixa com grau de umidade um pouco maior. Não posso dizer a origem das fissuras. Pergunta 2: — No que tange à umidade existente, se os problemas de infiltração verificados nas fotos são condutas antigas ou são problemas que possam ter surgido? Engenheiro Tullius responde: — É difícil falar, um problema de tubulação de abastecimento da caixa d’água de um dia para o outro pode aparecer... às vezes uma chuva muito forte ou uma situação de umidade maior vai acarretando problemas, os respingos podem aparecer de um dia para o outro... O juiz pergunta: “Mas em razão de ter sido feita uma estrutura ruim do imóvel ou não necessariamente?” E o engenheiro respondeu: “Não necessariamente. Não no imóvel, mas a instalação pode ter sido executada de uma forma inadequada. Estou vendo uma foto com fissuras em parede... umidade na laje, quando é uma telha solta, a laje vai ficar um pouco úmida, mas não vai entrar na parte de baixo da laje; quando acontece uma umidade maior em cima da laje é que vai criar uma situação de verculação na parte de baixo da laje”. Pergunta 3: — É adequada a instalação da caixa d’água na forma constante da fotografia? Engenheiro Tullius responde: — Na verdade, precisa saber se a transferência deste madeiramento está adequada, se está transferindo para local certo. Se estiver distribuindo diretamente na laje, não é adequado. 52 Unidade II Pergunta 4: — Existe umidade? Engenheiro Tullius responde: — Sim, na madeira, mas é difícil falar que é por conta de algum vazamento, não é possível concluir a causa e o momento em que ocorreu. Vejo um apoio da caixa d’água que está jogando uma carga diretamente na laje. Não é certo, a laje não foi feita para suportar carga. O juiz pergunta se o apoio seria adequado, ao que o engenheiro Tullius respondeu: “Se não está distribuindo, por exemplo, os claretes, podem estar distribuindo em cima de um vigamento ou em cima de uma parede que tem uma viga no respaldo. Nesse caso, tudo bem, porque você transfere em uma área que concentraria a carga para alvenaria; mas se for diretamente na laje que não tem estrutura para transferir a carga, vai aparecer um problema, o qual não consegue se aferir exatamente o que está acontecendo a partir destas fotos. Se nota umidade pelas fotos e não sei como está sendo feita a transferência. Mas reafirmo: se estiver diretamente na laje, se for um corredor com viga, tudo bem; mas se for diretamente na laje, não é adequado”. Pergunta 5: — Como engenheiro e perito judicial, tem possibilidade de afirmar a existência de dano no imóvel e qual a extensão deste dano sem vistoriar o imóvel e efetuar parecer técnico. Engenheiro Tullius responde: — Não tem como, só se for até o local e levantar metragem, uma perícia. Se tem possibilidade de saber, pelas fotos vistas e que lhe foram mostradas, se são realmente do imóvel objeto deste processo, respondeu que não. Pergunta 6: — Se, em uma negociação de compra e venda se o comprador pede para alguém subir no imóvel e fazer uma vistoria, estes problemas são de fácil percepção, para quem é técnico? Engenheiro Tullius respondeu: — Sim, são patologias aparentes. Dito-lhe que Caio e Tícia alegaram na petição inicial que a má instalação da caixa d’água e da parte elétrica, questionado se o vício, quanto à caixa d ́água, é visível a olho nu ou é oculto, o engenheiro disse que não, que não é visível, aparente, trata-se de um erro construtivo, na verdade. E nas paredes? Vício aparente. E nas caixas elétricas? “Não tem como afirmar se já existiam ou se era um vício oculto. Não é possível afirmar se na época já estava aparentemente visível ou não”. 53 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL Por fim, se além de não dar para apontar as causas precisas desses problemas, também não tem ele condições de, sem fazer uma perícia, apontar o tempo em que eles ocorreram, ao passo que respondeu que seria muito difícil. Com base em tudo o que foi dito e apresentado, o juiz decidiu que Caio e Tícia não tinham razão, ou seja, indeferiu os pedidos. O fundamento foi que Caio e Tícia não conseguiram comprovar quando surgiram os danos existentes no imóvel e nem que esses danos seriam de responsabilidade de Mévio e Semprônia. Sobre a alegada retirada de alguns equipamentos da casa (coifa,cooktop e assento sanitário) também não foi provada, eis que nenhum elemento de prova atestou que eles realmente nela se encontravam por ocasião da entrega das chaves. O juiz, em sua decisão, afirmou que é fato que Caio e Tícia, por ocasião da negociação, não realizaram vistoria no imóvel, conforme depoimento deles mesmos, e que afirmaram que a imobiliáriaque fez a intermediação não faz vistoria quando se trata de venda, apenas em casos de locação, o que foi confirmado por outras testemunhas. Ao final, o juiz decidiu que o conjunto fático-probatório não se revelou suficiente para afirmar que a existência de ação/omissão por parte de Mévio e Semprônia fosse causadora dos danos alegados por Caio e Tícia, nem mesmo de que os problemas descritos na inicial eram pré-existentes à entrega das chaves e, ainda, que não eram de conhecimento dos autores. No entender do juiz, cabia a Caio e Tícia produzir, no mínimo, laudo de vistoria no qual demonstrasse, amiúde, as condições do imóvel por ocasião da negociação ou entrega das chaves; ou seja, apresentar ao menos início de prova de fato relevante a corroborar as alegações da petição inicial. Assim, não agindo, atraiu para si o ônus de fazer provas de suas alegações, quais sejam, de que os danos encontrados na casa eram anteriores à sua posse do imóvel, bem como de que o imóvel seria entregue com os equipamentos descritos na inicial (a coifa, cooktop e assento sanitário), o que não teria sido cumprido por parte de Mévio e Tícia. Por consequência, não tendo se desincumbido do seu ônus da prova, de rigor a improcedência da demanda dos autores. Ante o exposto, o juiz julgou improcedente a demanda, extinguindo o processo com a isenção de custas e honorários advocatícios nessa instância, nos termos dos artigos 54 e 55 da lei n. 9.099/1995. Como você percebeu, o conhecimento do engenheiro Tullius foi útil para ajudar o juiz no julgamento justo e ético do processo, independentemente de ele ter sido nomeado perito ou na qualidade de informante, como no caso visto. Para o dano moral e dano estético, várias considerações devem ser feitas, como quem é a vítima, o impacto que o dano terá em sua vida, a intensidade do sofrimento, impacto para sua vida profissional, entre outros. Nesse caso, a fixação da indenização leva em consideração outros critérios e depende de cada caso. 54 Unidade II 8 REGIME LEGAL Já vimos que nem todas as condutas podem ser esperadas como espontâneas e que em alguns casos há a responsabilidade do profissional de engenharia nos atos realizados. Passaremos a estudar agora as principais normas que regulam a atividade do profissional, tratando de forma minuciosa, para que seja possível uma atuação responsável e que atinja a finalidade desta profissão. 8.1 Lei n. 5.194/1966: regulamentação profissional dos engenheiros No Brasil, é livre o exercício de qualquer profissão ou ofício, com ressalvas para as atividades regulamentadas, conforme dispõe o artigo 5º, XIII, da Constituição Federal. Ou seja, é possível que se escolha a atividade profissional, contudo há de se verificar se a atividade escolhida necessita de requisitos ou pressupostos para que seja realizada. Isso acontece para limitar a atuação, impondo responsabilidades aos profissionais pelos atos cometidos na realização de seu ofício. Para os engenheiros, a lei n. 5.194/1966 traz a regulamentação do exercício da profissão, que passaremos a estudar. A profissão é tratada na lei conjuntamente com a regulamentação de arquiteto e engenheiro agrônomo, dadas as similaridades das atividades. Logo, no primeiro artigo, a lei nos permite compreender que tais profissões se caracterizam pelo interesse social e humano. Portanto, qualquer atividade desses profissionais importa em uma melhoria para as pessoas e sociedade, dada sua importância. Ainda, versa sobre os tipos de empreendimentos que caracterizam a atividade desses profissionais: Art. 1º As profissões de engenheiro, arquiteto e engenheiro-agrônomo são caracterizadas pelas realizações de interêsse social e humano que importem na realização dos seguintes empreendimentos: a) aproveitamento e utilização de recursos naturais; b) meios de locomoção e comunicações; c) edificações, serviços e equipamentos urbanos, rurais e regionais, nos seus aspectos técnicos e artísticos; d) instalações e meios de acesso a costas, cursos e massas de água e extensões terrestres; e) desenvolvimento industrial e agropecuário (BRASIL, 1966) 55 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL Conforme dissemos anteriormente, algumas profissões possuem requisitos específicos ou pressupostos, como é o caso. Para se tornar engenheiro no Brasil, é necessário diploma de bacharel em engenharia em instituição de ensino superior devidamente reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC). Para os estrangeiros ou brasileiros que se formaram fora do Brasil, é necessária a revalidação do diploma em instituição de ensino superior pública brasileira equivalente à estrangeira, conforme normas de revalidação dispostas na Portaria Normativa MEC 22, de 13 de dezembro de 2016. Saiba mais No Brasil, não há acordo para revalidação automática de diplomas conferidos no exterior, portanto há a necessidade da revalidação para que o profissional possa atuar no território nacional e atender todas as exigências legais. No site do Ministério da Educação há informações para início do processo de revalidação do diploma estrangeiro. Acesse: http://portal.mec.gov.br/ Também são admitidos profissionais estrangeiros quando houver aumento súbito de demanda que não puder ser suportado pelos profissionais brasileiros, nesse caso, esses profissionais terão registros temporários, levando-se em conta a necessidade e interesse nacional. 8.1.1 Conselhos Por ser profissão regulamentada, a lei n. 5.194 estabelece a existência de Conselho Federal e Conselhos Regionais com a finalidade de fiscalizar o exercício da profissão. O Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura (Confea) atua no território nacional, foi instituída pelo decreto 23.569/1933 e tem a natureza jurídica e autarquia, portanto, pessoa jurídica de direito público, com sede no Distrito Federal. O mesmo decreto institui os conselhos regionais, cada qual para uma unidade da federação, com sede na capital de cada estado. Para o uso do título de engenheiro, bem como as demais profissões que trata a lei, os profissionais, além do bacharelado em engenharia, carecem de estar regularmente inscritos nos conselhos. Para obtenção do registro profissional, observe as etapas a seguir: • Protocolo da documentação (menu abaixo) no Crea. 56 Unidade II • Análise pela câmara especializada competente. • Atribuição de título, atividades e competências profissionais pela câmara especializada. • Anotação do diploma no Sistema de informações do confea (SIC). • Expedição, pelo Crea, da Carteira de Identidade Profissional ou da Carteira de Identidade Provisória, conforme o caso. Nesse sentido, cabem aos conselhos a emissão das licenças e identidades profissionais, que são documentos que servem como meio de identificação civil do profissional em todo território nacional. Contudo, antes da emissão das carteiras profissionais, no ingresso na carreira o candidato formado deve realizar o protocolo do pedido de inscrição no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), juntamente com os documentos a seguir: • original do diploma ou do certificado, registrado pelo órgão competente do sistema de ensino; • histórico escolar com a indicação das cargas horárias das disciplinas cursadas; • carteira de identidade, expedida na forma da lei; • registro de cadastro de pessoa física (CPF); • título de eleitor (quando brasileiro); • certidão de quitação eleitoral (quando brasileiro); • certidão de quitação com o serviço militar (quando brasileiro); • comprovante de residência; • duas fotografias, de frente, nas dimensões 3x4 cm, em cores, sendo recomendado o fundo branco e sem data. Somente após recebido o pedido que serão atribuídos título, competências e atividades. Em seguida, haverá a anotação do diploma no sistema nacional do Confea, para somente depois disso as carteiras de identidade profissionais serem emitidas. A emissão das carteiras é realizada pelo Crea, que foram instituídas pelo mesmo decreto que criou o Confea. A diferençaentre esses órgãos é que os Creas são autarquias estaduais, havendo um em cada estado da federação, ao passo em que o Confea é único, com sede no Distrito Federal. 57 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL A lei n. 5.194/1966 prevê no artigo 24 que compete aos conselhos a verificação e fiscalização do efetivo exercício das profissões por ela regulamentada. Também é o mesmo diploma legal que determina a distribuição dos conselhos. São atribuições do Confea: Art. 27. São atribuições do Conselho Federal: a) organizar o seu regimento interno e estabelecer normas gerais para os regimentos dos Conselhos Regionais; b) homologar os regimentos internos organizados pelos Conselhos Regionais; c) examinar e decidir em última instância os assuntos relativos no exercício das profissões de engenharia, arquitetura e agronomia, podendo anular qualquer ato que não estiver de acôrclo com a presente lei; d) tomar conhecimento e dirimir quaisquer dúvidas suscitadas nos Conselhos Regionais; e) julgar em última instância os recursos sôbre registros, decisões e penalidades impostas pelos Conselhos Regionais; f) baixar e fazer publicar as resoluções previstas para regulamentação e execução da presente lei, e, ouvidos os Conselhos Regionais, resolver os casos omissos; g) relacionar os cargos e funções dos serviços estatais, paraestatais, autárquicos e de economia mista, para cujo exercício seja necessário o título de engenheiro, arquiteto ou engenheiro-agrônomo; h) incorporar ao seu balancete de receita e despesa os dos Conselhos Regionais; i) enviar aos Conselhos Regionais cópia do expediente encaminhado ao Tribunal de Contas, até 30 (trinta) dias após a remessa; j) publicar anualmente a relação de títulos, cursos e escolas de ensino superior, assim como, periòdicamente, relação de profissionais habilitados; k) fixar, ouvido o respectivo Conselho Regional, as condições para que as entidades de classe da região tenham nêle direito a representação; l) promover, pelo menos uma vez por ano, as reuniões de representantes dos Conselhos Federal e Regionais previstas no art. 53 desta lei; 58 Unidade II m) examinar e aprovar a proporção das representações dos grupos profissionais nos Conselhos Regionais; n) julgar, em grau de recurso, as infrações do Código de Ética Profissional do engenheiro, arquiteto e engenheiro-agrônomo, elaborado pelas entidades de classe; o) aprovar ou não as propostas de criação de novos Conselhos Regionais; p) fixar e alterar as anuidades, emolumentos e taxas a pagar pelos profissionais e pessoas jurídicas referidos no art. 63. q) autorizar o presidente a adquirir, onerar ou, mediante licitação, alienar bens imóveis (BRASIL, 1966). Já os Creas têm como atribuições o disposto no artigo 34: Art. 34. São atribuições dos Conselhos Regionais: a) elaborar e alterar seu regimento interno, submetendo-o à homologação do Conselho Federal. b) criar as Câmaras Especializadas atendendo às condições de maior eficiência da fiscalização estabelecida na presente lei; c) examinar reclamações e representações acêrca de registros; d) julgar e decidir, em grau de recurso, os processos de infração da presente lei e do Código de Ética, enviados pelas Câmaras Especializadas; e) julgar em grau de recurso, os processos de imposição de penalidades e multas; f) organizar o sistema de fiscalização do exercício das profissões reguladas pela presente lei; g) publicar relatórios de seus trabalhos e relações dos profissionais e firmas registrados; h) examinar os requerimentos e processos de registro em geral, expedindo as carteiras profissionais ou documentos de registro; i) sugerir ao Conselho Federal médias necessárias à regularidade dos serviços e à fiscalização do exercício das profissões reguladas nesta lei; 59 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL j) agir, com a colaboração das sociedades de classe e das escolas ou faculdades de engenharia, arquitetura e agronomia, nos assuntos relacionados com a presente lei; k) cumprir e fazer cumprir a presente lei, as resoluções baixadas pelo Conselho Federal, bem como expedir atos que para isso julguem necessários; l) criar inspetorias e nomear inspetores especiais para maior eficiência da fiscalização; m) deliberar sôbre assuntos de interêsse geral e administrativo e sôbre os casos comuns a duas ou mais especializações profissionais; n) julgar, decidir ou dirimir as questões da atribuição ou competência, das Câmaras Especializadas referidas no artigo 45, quando não possuir o Conselho Regional número suficiente de profissionais do mesmo grupo para constituir a respectiva Câmara, como estabelece o artigo 48; o) organizar, disciplinar e manter atualizado o registro dos profissionais e pessoas jurídicas que, nos têrmos desta lei, se inscrevam para exercer atividades de engenharia, arquitetura ou agronomia, na Região; p) organizar e manter atualizado o registro das entidades de classe referidas no artigo 62 e das escolas e faculdades que, de acôrdo com esta lei, devam participar da eleição de representantes destinada a compor o Conselho Regional e o Conselho Federal; q) organizar, regulamentar e manter o registro de projetos e planos a que se refere o artigo 23; r) registrar as tabelas básicas de honorários profissionais elaboradas pelos órgãos de classe. s) autorizar o presidente a adquirir, onerar ou, mediante licitação, alienar bens imóveis (BRASIL, 1966). Os conselhos são compostos por profissionais devidamente habilitados, que atendam todos os requisitos da lei n. 5.194/1966 que, dependendo do cargo que queiram assumir, ficam sujeitos à eleição, como é o caso do caso do presidente dos conselhos federal e regionais. Há um mapeamento da atuação de mulheres em todo o Sistema Confea/Crea e Mútua. O Conselho propõe reflexões sobre a gestão do tempo da mulher, a instituição do Dia da Mulher na Engenharia e a criação de um programa chamado Programa da Mulher do Sistema Confea/Crea e Mútua, com o objetivo de contribuir para que o país alcance a igualdade de gênero e empodere mulheres e meninas, 60 Unidade II meta preconizada pelo objetivo de desenvolvimento sustentável (ODS) número 5 da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). Figura 15 São ações do Programa Mulher do Sistema Confea/Crea: • Aprovar o dia 23 de junho como a data oficial do Sistema Confea/Crea da Mulher na Engenharia. • Ampliar e fortalecer as ações parlamentares com a Bancada Feminina da Câmara dos Deputados e Senado. • Incentivar a promoção de eventos e seminários com foco na mulher enquanto profissional do Sistema Confea/Crea. • Incentivar a promoção da valorização e o reconhecimento da contribuição das mulheres em todas as esferas do Sistema Confea/Crea e entidades de classe. • Atuar de forma a manter o Selo Equidade de Gênero do Confea, bem como fornecer diretrizes necessárias para que os Creas que desejarem possam aderir ao programa Pró-Equidade de Gênero e Raça da Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres da Presidência da República. • Incentivar a promoção anual de encontros nacionais das mulheres do sistema Confea/Crea, que poderão ocorrer anualmente e, preferencialmente, durante os eventos calendarizados do Confea, a exemplo do Encontro de Líderes do Sistema Confea/Crea e da Semana Oficial de Engenharia e Agronomia. • Incentivar a promoção de encontro com as mulheres das entidades que compõem o CDEN, uma vez que será de vital importância o debate com o intuito de sensibilizar sobre a raiz do problema das entidades que não indicam mulheres para os Conselhos. Esse encontro deverá ocorrer anualmente 61 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL e, preferencialmente, durante os eventos calendarizados do Confea, a exemplo do Encontro de Líderes do Sistema Confea/Crea e da Semana Oficial de Engenharia e Agronomia. • Incentivar a promoção anual do Encontro Nacional das Coordenadoras dos Comitês Mulheres dos Creas, de modo a promover debates e fornecer diretrizes para que todos os Creas que tenham interessepossam implantar o Comitê Mulher em seu respectivo regional. • Promover, anualmente, a manutenção do projeto “Mapeamento da participação feminina dentro do Sistema Confea/Crea”, através da atualização de dados enviados pelos Conselhos Regionais. • Incentivar a promoção de palestra com o tema assédio sexual e moral nos Creas. • Incentivar a promoção de palestras sobre a gestão do tempo da mulher nos Creas e entidades de classe. • Incentivar palestras sobre equidade de gênero na posse de conselheiros federais no Confea e na posse dos conselheiros regionais nos Creas. • Incentivar a promoção de ações de combate ao machismo na política institucional do Sistema Confea/Crea, como trabalhar entre as funcionárias e funcionários do Sistema o tema através de campanhas, promoção de diálogos e atividades sobre o tema. • Incentivar a promoção de campanhas como Confea sem Machismo, Engenharia sem Machismo, Sistema Confea/Crea contra o Feminicídio, entre outros, nos grandes eventos do Confea, como a Soea e Encontro de Líderes, e incentivar que os Creas reproduzam as campanhas em seus eventos regionais. • Estimular a formulação e difusão de dados e indicadores da participação da mulher dentro do Sistema Confea/Crea através do projeto Mapeamento Feminino dentro do Sistema Confea/Crea. Importante ressaltar que os conselhos regionais dispõem de câmaras especializadas, competentes para julgar infrações à lei n. 5.194/1966; bem como julgamento de infrações ao Código de Ética; pedido de inscrição de registro profissional de profissionais, órgãos, entidades e faculdades; aplicação de pena; elaboração de normas para fiscalização; e tratar de questões interdisciplinares de interesse comum, tudo conforme o artigo 46 da mesma lei. 8.1.2 Do registro profissional Como anteriormente explicado, para o exercício da atividade de engenheiro, é necessário estar vinculado ao Conselho Federal e Regional. Para isso, o profissional deve ser formado em faculdade reconhecida pelo MEC. O pedido e processamento deve ser realizado no Conselho Regional em que o profissional tem domicílio e a carteira profissional expedida após julgamento de critérios previamente estabelecidos por cada Conselho, como idoneidade, veracidade das informações e documentos apresentados. 62 Unidade II Os registros profissionais podem ser conferidos à pessoa jurídica, quando essa se constituir com a finalidade de realizar obras ou serviços que estejam no escopo da lei n. 5.194/1966. Para tanto, o pedido de registro deve ser acompanhado com os atos constitutivos da pessoa jurídica, bem como o quadro de profissionais, estes também devidamente habilitados, que se responsabilizarão pelas atividades profissionais que serão desenvolvidas. Nesse caso, a pessoa jurídica terá registro próprio, que deverá ser informado na realização das obras e serviços ou na aprovação destas. O artigo 63 determina que o registro profissional das pessoas físicas e jurídicas geram a obrigação do pagamento de anuidade aos conselhos de respectiva jurisdição. Esse valor custeia a manutenção do conselho e mantém o registro profissional válido. A anuidade tem vencimento sempre a cada dia 1º de janeiro de cada ano, e a falta de pagamento por dois anos consecutivos gera o cancelamento automático do registro profissional, seja de pessoa física ou jurídica. 8.1.3 Das penas A lei n. 5.194/1966 regulamenta a profissão, contudo, também prevê pena para o descumprimento de seus ditames e estão dispostas no artigo 71. As penalidades são gradativas de acordo com a gravidade da infração e serão impostas pelas câmaras especializadas após procedimento de julgamento, que poderá ser objeto de recurso após a notificação do interessado dentro de sessenta dias do recebimento da notificação, para apresentação ao Conselho Regional de inscrição e Conselho Federal no mesmo prazo. O recurso que alude o artigo 78 terá efeito suspensivo até sua decisão final, portanto, a penalidade aplicada somente será cumprida se a decisão for mantida nos recursos ao Conselhos Regionais e Federal. As penas descritas no artigo 71 são: • advertência reservada; • censura pública; • multa; • suspensão temporária do exercício profissional; • cancelamento definitivo do registro. Note que as primeiras são menos gravosas que as últimas, como dissemos anteriormente, são uma graduação que depende da gravidade do ato e da reincidência, que será fixado por decisão das câmaras especializadas. 63 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL Importante frisar que as penas de advertência reservada e censura pública são aplicáveis aos casos de descumprimento do Código de Ética, que será estudado mais à frente. A pena de multa está descrita no artigo 73, que prevê diversos tipos de multa dependendo da situação, bem como do infrator. A suspensão é pena prevista em caso de reincidência das infrações, podendo o exercício da profissão ser de 6 meses a dois anos, caso a decisão seja proferida pela câmara especializada, e de 2 a 5 anos, caso a decisão seja proveniente do Conselho Regional. Por sua vez, a pena de cancelamento tem previsão de aplicação direta em três situações: má conduta pública, escândalos e condenação por crime infamante. Mas qual o conceito de crime infamante? Conforme Coelho (1977), infamante é a denominação dada ao crime que, devido aos meios empregados e às circunstâncias em que se realizou, ocasiona, no meio social, uma reprovabilidade maior manifestada sobre o autor do crime e que o rebaixa, desonra e avilta, principalmente levando-se em conta os motivos que levaram o agente a delinquir e que causam repulsa. 8.2 Resolução n. 205/1971: Código de Ética do engenheiro – revogada Vamos ver os códigos de ética, tanto o revogado quanto o vigente. Isso porque é importante que você compreenda as bases sobre as quais os primeiros foram construídos e a sua evolução legislativa. Os códigos de ética profissionais são instrumentos normativos que norteiam a conduta do profissional, para que sua atuação no exercício profissional esteja de acordo com diretrizes previamente estabelecidas e fundada em valores. Lembrete Regras morais variam dentro de cada núcleo social e são baseadas naquilo que o grupo entende como correto ou incorreto. Esses instrumentos normativos devem ser seguidos por todos aqueles que exercem a atividade a que ele trata. A Resolução n. 205/1971, aprovada pelo Confea, instituiu o Código de Ética do Engenheiro. Essa norma veio por determinação da lei n. 5.194/1966. Embora tivesse o caráter eminentemente deontológico, essa resolução era vazia quanto ao procedimento para julgamento dos infratores, o que gerou impunidade, descrédito e paralização nos julgamentos. 64 Unidade II Note que havia descrição de condutas, mas não orientação quanto ao que era necessário para a condução dos processos, o que não pode ser suprido por normas processuais como Código de Processo Civil, Código de Processo Penal e outros. Somente com a Resolução n. 401/1995, que instituiu o Manual de Procedimentos para condução de processos de infração ao Código de Ética, é que foi possível sanar tantas lacunas deixadas pela Resolução n. 205/1971. As mudanças naturais na sociedade política, nas organizações e nos próprios fundamentos éticos demandaram novo estatuto ético para traçar as diretrizes dos engenheiros. Após longa discussão, em 2002 foi aprovada a Resolução n. 1.002/2002, o Novo Código de Ética do Engenheiro. Esse novo código precisou de um longo período para adaptação dos profissionais, organizações e faculdades, para que se fosse dada ciência de seu conteúdo, bem como para se prepararem para seu cumprimento. Esse período de adaptação das normas é chamado de vacatio legis, chamado de férias da lei ou descanso da lei. É necessário, por se tratar de norma impositiva sujeito à sanção. Com o vigor dessa nova resolução, a anterior, de n. 205/1971, foi revogada, deixando de ter poder impositivo para essa categoria de profissionais. 8.3 Resolução n. 1.002/2002: Códigode Ética do engenheiro – vigente O Código de Ética do engenheiro vigente foi aprovado por unanimidade no Confea, retirou a vigência do código anterior e segue alinhado com a lei n. 5.194/1971, que prevê sua existência. Esse documento é aplicável aos engenheiros, arquitetos, agrônomos, geólogos, geógrafos e meteorologista, contudo, é permitido que a cada especialidade sejam adotados outros preceitos próprios, além desses. Código de Ética Resolução normativa CFA 537/2018 Figura 16 O atual código se divide em: proclamação; preâmbulo; da identidade das profissões e dos profissionais; princípios éticos; dos deveres; das condutas vedadas; dos direitos; e da infração ética. Vamos analisar cada parte para compreendermos melhor como devem ser atendidas as suas diretrizes. 8.3.1 Proclamação É parte pré-textual do documento e visa somente informar o leitor sobre como o texto foi promulgado, portanto, com caráter meramente informativo. 65 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL O item 1 explica que sua elaboração se deve ao trabalho conjunto das entidades representativas de cada um dos profissionais a que trata esse documento, portanto, todas as profissões foram ouvidas e promulgaram a norma. 8.3.2 Preâmbulo De maneira geral, tem a função de introduzir o texto, fazendo com que o leitor tenha conhecimento do que o texto vai tratar. O preâmbulo do código de ética explica sua função e aplicação, como se vê pelo artigo 1º: Art. 1º O Código de Ética Profissional enuncia os fundamentos éticos e as condutas necessárias à boa e honesta prática das profissões da Engenharia, da Arquitetura, da Agronomia, da Geologia, da Geografia e da Meteorologia e relaciona direitos e deveres correlatos de seus profissionais (Confea, 2002). Embora tenha aplicabilidade para diversos profissionais de especialidades diferentes, cabe a cada entidade de classe se organizar para atender e fiscalizar os ditames do código. Note que ainda não houve a imposição de qualquer tipo de conduta, por se tratar de parte introdutória e não ter essa função. 8.3.3 Da identidade das profissões e dos profissionais Tratando-se de documento que se aplica a várias categorias profissionais, o código deixa claro que a cada uma delas incumbe utilizar suas próprias formas de identidade, caracterizado pela peculiaridade de cada atividade. 8.3.4 Princípios éticos Todo documento que carrega normas de caráter deontológico necessita partir de princípios para sua construção, tais preceitos éticos são o ponto de partida para a construção das demais diretrizes. Observação Os princípios permeiam todo o ordenamento jurídico e devem ser cumpridos, ainda que não sejam escritos, pois de uma forma ou de outra acabam fazendo parte das próprias normas, portanto se aplicam e se impõem. São utilizados como fundamentos e normalmente existem antes da própria norma, influenciando na sua elaboração, interpretação e aplicação. Para todos os tipos de norma existem princípios que foram necessários para sua criação. 66 Unidade II No caso desse código não foi diferente, por isso importante frisar que os organizadores desse documento deixaram claro quais são os princípios que serviriam como fundamentos e os explicitaram no artigo 8º: Art. 8º A prática da profissão é fundada nos seguintes princípios éticos aos quais o profissional deve pautar sua conduta: Do objetivo da profissão: I - A profissão é bem social da humanidade e o profissional é o agente capaz de exercê-la, tendo como objetivos maiores a preservação e o desenvolvimento harmônico do ser humano, de seu ambiente e de seus valores; Da natureza da profissão: II – A profissão é bem cultural da humanidade construído permanentemente pelos conhecimentos técnicos e científicos e pela criação artística, manifestando-se pela prática tecnológica, colocado a serviço da melhoria da qualidade de vida do homem; Da honradez da profissão: III - A profissão é alto título de honra e sua prática exige conduta honesta, digna e cidadã; Da eficácia profissional: IV - A profissão realiza-se pelo cumprimento responsável e competente dos compromissos profissionais, munindo-se de técnicas adequadas, assegurando os resultados propostos e a qualidade satisfatória nos serviços e produtos e observando a segurança nos seus procedimentos; Do relacionamento profissional: V - A profissão é praticada através do relacionamento honesto, justo e com espírito progressista dos profissionais para com os gestores, ordenadores, destinatários, beneficiários e colaboradores de seus serviços, com igualdade de tratamento entre os profissionais e com lealdade na competição; Da intervenção profissional sobre o meio: VI - A profissão é exercida com base nos preceitos do desenvolvimento sustentável na intervenção sobre os ambientes natural e construído e da incolumidade das pessoas, de seus bens e de seus valores; Da liberdade e segurança profissionais: VII - A profissão é de livre exercício aos qualificados, sendo a segurança de sua prática de interesse coletivo (CONFEA, 2002). Embora à primeira vista pareçam vagos, são esses princípios que permitem que as regras a seguir sejam impostas, pois, ao declarar o conteúdo do princípio, o elaborador da norma diz o que quer que seja considerado no momento em que os deveres e direitos começam a ser elaborados. Os princípios servem, também, para a interpretação, uma vez que possuem um padrão teleológico, portanto quando da leitura dos artigos do Código de Ética, o profissional sempre deverá integrar o comando da norma com a fluência dos princípios. Na prática, os artigos a seguir já contém os princípios e o profissional só deverá recorrer aos princípios em caso de dúvidas na interpretação, para harmonizar aquilo que está escrito com a diretriz traçada pelo princípio. Os princípios anteriores ressaltam a importância da atividade profissional para o desenvolvimento social, conhecimento humano, ciência, lealdade de competição, honestidade e honradez. 67 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL 8.3.5 Dos deveres Os deveres dos profissionais estão estabelecidos no artigo 9º e são divididos em cinco dimensões: face ao ser humano; à profissão; nas relações com os clientes, empregadores e colaboradores; nas relações com os demais profissionais; e face ao meio. Essas dimensões determinam como o profissional deve agir em cada uma dessas situações. Tais condutas, tipificadas nesse artigo, compõem um conjunto de condutas obrigatórias que devem ser observadas pelo profissional vinculado a esse Código de Ética: Art. 9º No exercício da profissão são deveres do profissional: I – ante o ser humano e seus valores: a) oferecer seu saber para o bem da humanidade; b) harmonizar os interesses pessoais aos coletivos; c) contribuir para a preservação da incolumidade pública; d) divulgar os conhecimentos científicos, artísticos e tecnológicos inerentes à profissão; II – ante à profissão: a) identificar-se e dedicar-se com zelo à profissão; b) conservar e desenvolver a cultura da profissão; c) preservar o bom conceito e o apreço social da profissão; d) desempenhar sua profissão ou função nos limites de suas atribuições e de sua capacidade pessoal de realização; e) empenhar-se junto aos organismos profissionais no sentido da consolidação da cidadania e da solidariedade profissional e da coibição das transgressões éticas. III - nas relações com os clientes, empregadores e colaboradores: a) dispensar tratamento justo a terceiros, observando o princípio da eqüidade; b) resguardar o sigilo profissional quando do interesse de seu cliente ou empregador, salvo em havendo a obrigação legal da divulgação ou da informação; c) fornecer informação certa, precisa e objetiva em publicidade e propaganda pessoal; d) atuar com imparcialidade e impessoalidade em atos arbitrais e periciais; e) considerar o direito de escolha do destinatário dos serviços, ofertando-lhe, sempre que possível, alternativas viáveis e adequadas às demandas em suas propostas; f) alertar sobreos riscos e responsabilidades relativos às prescrições técnicas e as conseqüências presumíveis de sua inobservância, g) adequar sua forma de expressão técnica às necessidades do cliente e às normas vigentes aplicáveis; Confea – Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia LDR - Leis Decretos, Resoluções IV - nas relações com os demais profissionais: a) Atuar com lealdade no mercado de trabalho, observando o princípio da igualdade de condições; b) Manter-se informado sobre as normas que regulamentam o exercício da profissão; c) Preservar e defender os direitos profissionais; V – Ante ao meio: a) Orientar o exercício das atividades profissionais pelos preceitos do desenvolvimento sustentável; b) Atender, quando da elaboração de projetos, execução de obras ou criação de novos produtos, aos 68 Unidade II princípios e recomendações de conservação de energia e de minimização dos impactos ambientais; c) Considerar em todos os planos, projetos e serviços as diretrizes e disposições concernentes à preservação e ao desenvolvimento dos patrimônios sócio-cultural e ambiental (CONFEA, 2002). Veja que, embora exista um limite para a atuação livre do sujeito, imposto pelo documento, a atuação profissional não é violada pelo Código de Ética, é somente aperfeiçoada para que os profissionais atendam às expectativas que a profissão demanda, garantindo sua honradez e importância social. 8.3.6 Das condutas vedadas Para que tenha importância coercitiva, o Código de Ética determina condutas proibidas no exercício profissional, por estarem em descompasso com o seu bojo. A positivação dessas condutas, ou seja, por serem escritas, permite aos órgãos fiscalizadores a aferição de eventuais desvios na atuação profissional. Sendo possível o julgamento e a imposição de penalidade para o caso. Assim como os deveres, as condutas vedadas estão dispostas em cinco dimensões, como veremos no artigo 10: Art. 10. No exercício da profissão, são condutas vedadas ao profissional: I - ante ao ser humano e a seus valores: a) Descumprir voluntária e injustificadamente com os deveres do ofício; b) Usar de privilégio profissional ou faculdade decorrente de função de forma abusiva, para fins discriminatórios ou para auferir vantagens pessoais. c) Prestar de má-fé orientação, proposta, prescrição técnica ou qualquer ato profissional que possa resultar em dano às pessoas ou a seus bens patrimoniais; II – ante à profissão: a) Aceitar trabalho, contrato, emprego, função ou tarefa para os quais não tenha efetiva qualificação; b) Utilizar indevida ou abusivamente do privilégio de exclusividade de direito profissional; c) Omitir ou ocultar fato de seu conhecimento que transgrida a ética profissional; Confea – Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia LDR - Leis Decretos, Resoluções III - nas relações com os clientes, empregadores e colaboradores: a) formular proposta de salários inferiores ao mínimo profissional legal; b) apresentar proposta de honorários com valores vis ou extorsivos ou desrespeitando tabelas de honorários mínimos aplicáveis; c) usar de artifícios ou expedientes enganosos para a obtenção de vantagens indevidas, ganhos marginais ou conquista de contratos; d) usar de artifícios ou expedientes enganosos que impeçam o legítimo acesso dos colaboradores às devidas promoções ou ao desenvolvimento profissional; e) descuidar com as medidas de segurança e 69 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL saúde do trabalho sob sua coordenação; f) suspender serviços contratados, de forma injustificada e sem prévia comunicação; g) impor ritmo de trabalho excessivo ou, exercer pressão psicológica ou assédio moral sobre os colaboradores; IV - nas relações com os demais profissionais: a) intervir em trabalho de outro profissional sem a devida autorização de seu titular, salvo no exercício do dever legal; b) referir-se preconceituosamente a outro profissional ou profissão; c) agir discriminatoriamente em detrimento de outro profissional ou profissão; d) atentar contra a liberdade do exercício da profissão ou contra os direitos de outro profissional; V – ante ao meio: a) prestar de má-fé orientação, proposta, prescrição técnica ou qualquer ato profissional que possa resultar em dano ao ambiente natural, à saúde humana ou ao patrimônio cultural (CONFEA, 2002). 8.3.7 Dos direitos Os direitos se dividem em duas categorias: direitos coletivos universais e individuais universais. No artigo 11 encontramos os direitos coletivos universais, apresentados na figura a seguir: Livre associação e organização em corporações profissionais Gozo da exclusividade do exercício profissional Representação institucional Reconhecimento legal Para que o profissional não tenha limitação para escolha e associação. Vai de encontro com a liberdade de associação disposta na Constituição Federal Competência profissional Pelas entidades de classe respectivas Da profissão e de seu exercício Figura 17 70 Unidade II Individualmente, os direitos estão descritos no artigo 12: • À liberdade de escolha de especialização: para que o profissional trabalhe na área de seu interesse. • À liberdade de escolha de métodos, procedimentos e formas de expressão: está ligado com a autonomia do profissional em determinar a forma que o trabalho será realizado de acordo com seu conhecimento, técnicas e decisão. • Ao uso do título profissional como parte da sua identidade. • À exclusividade do ato de ofício a que se dedicar: liberdade de exercício de profissão ou ofício. • À justa remuneração proporcional à sua capacidade e dedicação e aos graus de complexidade, risco, experiência e especialização requeridos por sua tarefa. • Ao provimento de meios e condições de trabalho dignos, eficazes e seguros. • À recusa ou interrupção de trabalho, contrato, emprego, função ou tarefa, quando julgar incompatível com sua titulação, capacidade ou dignidade pessoais: garante ao profissional a integridade profissional e pessoal. • À proteção do seu título, de seus contratos e de seu trabalho. • À proteção da propriedade intelectual sobre sua criação: é direito do profissional não somente a autoria dos projetos, mas também a possibilidade de explorá-los economicamente. • À competição honesta no mercado de trabalho: possibilita participar de concorrências e disputar clientes dentro de limites éticos para a captação. • À liberdade de associar-se a corporações profissionais: além de ser um direito coletivo, também o é individual, a liberdade de associação. • À propriedade de seu acervo técnico profissional: os projetos de sua autoria aderem ao seu patrimônio. Direito de autor não se confunde com direito autoral, embora sejam tratados em conjunto, por se tratar de direitos personalíssimos, são muito confundidos. Ambos existem em decorrência dos direitos de personalidade, que é um conjunto de direitos essenciais das pessoas. Se iniciam com o nascimento com vida e cessam com a morte, restando alguns reflexos após a morte. Esses direitos protegem desde o nome, corpo físico, conjunto pensante, psique, honra subjetiva, imagem, entre outros. Portanto, são direitos patrimoniais e extrapatrimoniais. O direito de autor é o direito de ser reconhecido como autor de determinada obra, é estar para sempre ligado a ela pela criação e autoria. 71 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL Não se confunde com direito autoral, que somente existe em razão do direito de autor. Quando alguém cria determinada obra intelectual (que podem ser literárias, artísticas, científicas, musicais, fotográficas, desenho, entre tantas outras), tem o direito de explorar economicamente aquilo que criou. A lei n. 9.610/1998 versa sobre os direitos autorais e traz um rol das obras protegidas, sua utilização, proteção, transferência de direitos etc. Saiba mais No Brasil, o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), registra marcas, patentes, desenhos industriais, indicações geográficas, programasde computador, topografias de circuitos integrados, contratos de tecnologia e franquia. O registro permite ao autor considerar esse direito como propriedade que, conforme a lei de direitos autorais, é um bem móvel. https://www.gov.br/inpi/pt-br 8.3.8 Da infração ética As escolhas pessoais e profissionais são moralmente necessárias, proibidas ou permitidas. Existe uma vertente da filosofia chamada de deontologia que apresenta teorias morais que orientam nossas escolhas sobre o que deve ser feito. A deontologia na engenharia é mais ou menos semelhante nos países ocidentais. Isso porque se trata de uma ciência exata e, portanto, não está tão suscetível a variações como as ciências sociais, que se alteram em razão do campo social no qual estão inseridos. O conceito geral de infração é aquilo que quebra, infringe e se relaciona com uma ação ou fato que viole alguma disposição de lei com alguma cominação de pena. Nesse contexto, a infração ética para a engenharia é aquela que vai contra a disposição legal do Código de Ética que estipula uma pena, ou seja, determina uma punição a quem agir em contrariedade a esse código. Os artigos 13 e 14 do Código de Ética são destinados às infrações e aos preceitos éticos trazidos pelo documento. Por se tratar de normas de condutas de caráter deontológico, o código de ética impõe a todos os profissionais a que se destina o dever de sua observância. 72 Unidade II Lembrete A deontologia profissional é aquela aplicada a determinado grupo de pessoas que exerce um mesmo mister, ou seja, tarefa dentro da sociedade. O seu descumprimento ofende a própria profissão e pode ser objeto de julgamento e aplicação da penalidade prevista em lei. No caso dos engenheiros, o código de ética deve ser analisado em conjunto com a lei n. 5.194/1966, uma vez que o código prevê a forma de agir e condutas proibidas pelos profissionais, contudo deixa de cominar pena. Portanto, foi a lei que regulamentou a profissão dos engenheiros que fixou o conjunto de penas que podem ser aplicados no caso de descumprimento do código de ética, precisamente no artigo 71, conforme já explicamos. Cabe, portanto, às câmaras especializadas ou ao Conselho Regional o julgamento das infrações para aplicação da pena correspondente à gravidade do ato. 8.3.9 Processo ético disciplinar A infração ao disposto no Código de Ética profissional permite a aplicação de sanção, que conforme já explicamos, estão previstas no artigo 71 da lei n. 5.195/1966. Todavia, nem o Código de Ética nem mesmo a lei tem previsto o procedimento para o julgamento das condutas infracionais para fixação e aplicação da pena. Por isso, em 27 de junho de 2003 foi aprovada a Resolução Confea n. 1.004/2003, regulamento para a condução de processo ético disciplinar, que tem o escopo de estabelecer o procedimento para tais processos. Essa norma refere-se, exclusivamente, às infrações cometidas pelos profissionais que se submetem à Resolução Confea n. 1.002/2002. Ao ser elaborado, os redatores desse regulamento levaram em consideração não somente a lei que regulamenta a profissão, como também a Lei de Contravenções Penais, o Código Civil, Constituição Federal, entre outras. Os processos para apuração de faltas éticas são processos administrativos que, uma vez instaurados, devem seguir trâmite já especificado na norma, passam por instrução e pelo julgamento. Como qualquer norma, esse regulamento foi conduzido por princípios que ficaram determinados no artigo 2º: 73 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL Art. 2º A apuração e condução de processo de infração ao Código de Ética Profissional obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (Confea, 2003). Esses são, em grande parte, os princípios aplicáveis aos processos administrativos e judiciais. Entre os princípios mencionados, gostaríamos de ressaltar a importância do princípio do contraditório, em que as partes sempre poderão ter acesso e falar sobre informações e documentos juntados ao processo, bem como o princípio da ampla defesa, por este princípio entende-se que serão colocados à disposição das partes todos os instrumentos processuais para defender-se. Portanto, os processos éticos são garantidos para que ninguém seja julgado sem ter a oportunidade de se defender, usando todos os meios de defesa permitidos. Por comando desse regulamento, comissões de ética profissional devem ser estabelecidas com a função de iniciar o procedimento ético quando do recebimento da informação da infração ou de seu indício, realizar a instrução processual pela realização de audiências, coleta das provas e diligências, bem como o encaminhamento de relatório à câmara especializada com os fundamentos do procedimento para que seja parte do julgamento. A comissão será formada de acordo com o regimento interno dos Creas e terá um coordenador responsável pela gerência dos processos. Ele designará um membro da comissão para cada processo, a fim de que sirva como relator. Os processos se iniciam no Crea mediante denúncia ou notícia da infração ética. De acordo com o artigo 7º, tem legitimidade para redigir a denúncia instituições de ensino, qualquer cidadão, associação ou entidades de classe, pessoas jurídicas titulares de interesses individuais ou coletivos. As denúncias serão sempre fundamentadas e identificadas. Legitimidade significa uma qualidade processual que determinadas pessoas possuem para propor uma denúncia de alguma infração ética profissional. Tão logo recebida a denúncia pela câmara especializada, ela terá o prazo de trinta dias para notificar o denunciado; em seguida, o procedimento vai para a comissão de ética profissional, que realizará a instrução do processo. A fase instrutória é a fase em que as provas são produzidas para o convencimento dos julgadores acerca da veracidade ou não dos fatos trazidos nos autos. Essa fase tem seu procedimento descrito a partir do artigo 15. Cabe ressaltar que não são permitidas provas ilícitas ou obtidas por meio ilícito nesses processos, conforme determina o § 2º do artigo 15, corroborando com o comando constitucional disposto no artigo 5º, LVI. 74 Unidade II Os depoimentos do denunciante e denunciado serão obtidos em audiência, que será designada e as partes intimadas com prazo de 15 dias de antecedência ou por questionário, quando requerido e autorizado. As oitivas serão reduzidas a termo. O denunciado poderá trazer informações que versem sobre seu interesse, bem como requerer a juntada de documentos que comprovem os fatos. Para que você compreenda, oitiva é uma informação que se transmite por ouvir dizer. Assim, tudo o que alguém disser dentro do processo em audiência será escrito (ou seja, transmitido) ao papel, para que fique registrado (reduzido a termo). É muito comum ao engenheiro, quando estiver na qualidade de denunciado, pedir para apresentar documentos que corroborem suas alegações de defesa. Por exemplo, se alguém estiver denunciando uma situação em que se diz que o profissional não possui habilitação para realizar determinado tipo de trabalho técnico, que o profissional apresente, em sua defesa, a devida comprovação que o habilite para tanto. No mesmo ato, ou seja, na audiência de instrução, serão ouvidas as testemunhas, que devem ser arroladas 15 dias antes de sua realização. Contudo, não podem ser arroladas como testemunhas pessoa impedidas, suspeitas ou incapazes. Figura 18 As testemunhas têm papel importante em um processo. Elas são pessoas que vivenciaram, conheceram, ouviram, participaram, estavam presentes ou por qualquer outro sentido possam atestar a veracidade de um fato. São pessoas que, no momento da audiência, respondem perguntas realizadas pelo condutor do ato, que pode ser juiz, presidente ou outra pessoa responsável pelo processo. Contudo, há limites para figurar como testemunhaem um processo, isso porque a testemunha tem compromisso com a verdade, ou seja, não pode mentir. Algumas pessoas, em razão do vínculo e posição, 75 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL não poderiam falar sempre a verdade, por essa razão, a lei processual as exclui dessa função para evitar danos aos processos, como nulidade. Esse é o caso dos impedidos, suspeitos e incapazes. O artigo 447 do Código de Processo Civil trata de tais impedimentos, como passamos analisar: Art. 447 Podem depor como testemunhas todas as pessoas, exceto as incapazes, impedidas ou suspeitas. § 1o São incapazes: I – o interdito por enfermidade ou deficiência mental; II – o que, acometido por enfermidade ou retardamento mental, ao tempo em que ocorreram os fatos, não podia discerni-los, ou, ao tempo em que deve depor, não está habilitado a transmitir as percepções; III – o que tiver menos de 16 (dezesseis) anos; IV – o cego e o surdo, quando a ciência do fato depender dos sentidos que lhes faltam. § 2o São impedidos: I – o cônjuge, o companheiro, o ascendente e o descendente em qualquer grau e o colateral, até o terceiro grau, de alguma das partes, por consanguinidade ou afinidade, salvo se o exigir o interesse público ou, tratando-se de causa relativa ao estado da pessoa, não se puder obter de outro modo a prova que o juiz repute necessária ao julgamento do mérito; II – o que é parte na causa; III – o que intervém em nome de uma parte, como o tutor, o representante legal da pessoa jurídica, o juiz, o advogado e outros que assistam ou tenham assistido as partes. § 3o São suspeitos: I – o inimigo da parte ou o seu amigo íntimo; II – o que tiver interesse no litígio. § 4o Sendo necessário, pode o juiz admitir o depoimento das testemunhas menores, impedidas ou suspeitas. § 5o Os depoimentos referidos no § 4o serão prestados independentemente de compromisso, e o juiz lhes atribuirá o valor que possam merecer (BRASIL, 2015). 76 Unidade II São cuidados importantes para que não haja vício no processo que venha anular todo o procedimento. Após os depoimentos e as oitivas das testemunhas, a comissão realizará relatório que será encaminhado à câmara especializada, que intimará as partes para que tenham dez dias para manifestação do relatório elaborado pela comissão de ética profissional. A falta de manifestação não prejudica o julgamento, que deve ser realizado em até noventa dias do recebimento do processo. Se as partes estiverem presentes no julgamento, sairão intimadas do seu teor para efeitos de contagem do prazo para a apresentação de recurso. Caso não estejam presentes, a intimação deve ser encaminhada com aviso de recebimento ou por edital, caso não seja possível o recebimento por carta. O recurso é uma provocação para que alguém, em hierarquia superior, examine novamente a questão e dê uma nova sentença, modificando a primeira. O fundamento de todo o recurso é o possível erro da primeira decisão. Só existe recurso quando as partes não estão satisfeitas com a decisão obtida na primeira instância. Assim, caso as partes não estejam contentes ou achem que o julgamento foi injusto, podem recorrer, nos termos do Código de Ética. O prazo para a interposição de recurso é de sessenta dias a contar do recebimento da intimação, da sua ciência em audiência, ou da juntada do aviso de recebimento nos autos do processo. Ao recurso será concedido o efeito suspensivo, ou seja, durante a pendência de julgamento do recurso, a pena não será cumprida. A parte contrária é intimada da interposição do recurso e terá 15 dias para apresentar sua manifestação. O presidente do Crea vai designar um membro do conselho que sirva como relator na fase recursal, que não tenha participado da apuração das provas na fase recursal. O relator é a pessoa que cuida de ler, analisar e relatar o processo. Relatar significa contar aos demais o que ocorreu, com um outro olhar isento. É por isso que está determinado que o relator que for designado pelo presidente do Crea não tenha participado da apuração das provas na fase de recurso. O julgamento do recurso será realizado pelo plenário do Crea, que terá até sessenta dias para realizar o julgamento contados a partir do recebimento do processo. As partes serão intimadas da decisão, caso não estejam presentes no julgamento, através de carta com aviso de recebimento ou edital, para que, havendo interesse, possam recorrer da decisão do recurso no prazo de sessenta dias para o plenário do Confea. Do teor do segundo recurso, será dado conhecimento à parte contrária para apresentação de sua manifestação, que deve ocorrer em até 15 dias. Recebidos o recurso e a manifestação da outra parte, o processo será remetido ao Confea para julgamento, de acordo com seu regimento interno. 77 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL Relatório da Comissão de Ética Audiência (depoimentos e oitivas) Comissão de Ética Câmara especializadaDenúncia Câmara especializada Prazo de 10 dias para as partes Julgamento Recurso para o Crea (60 dias) Crea Confea Manifestação parte contrária (15 dias) Julgamento do recurso Recurso Figura 19 As penas previstas na lei n. 5.194/1966 serão fixadas no julgamento e somente poderão ser executadas após o trânsito em julgado da decisão, ou seja, o período em que a decisão se tornou imutável por não comportar mais recurso. A pena de advertência reservada não terá caráter público. Embora fique anotada, não pode ser objeto de consulta pública, diferente da pena de censura pública, que fica publicada em edital, jornais de grande circulação, Diário Oficial do Estado ou outro meio. O pedido de reconsideração da decisão é o procedimento trazido pelo regulamento no artigo 55, que visa a apresentação de fatos novos ao julgador de processo que teve decisão proferida e transitada em julgado. Aceito o processamento desse procedimento, o julgador poderá modificar, anular, revogar total ou parcialmente a decisão anterior. Aplica-se a revelia a esses procedimentos éticos ao denunciado que não apresentar defesa quando intimado ou se opuser ao recebimento da intimação do próprio processo. Na revelia, ou contumácia do denunciado, são considerados verdadeiros os fatos alegados, o que prejudica a defesa de seus interesses. 78 Unidade II A nulidade no processo ético ocorrerá nas seguintes hipóteses descritas pelo artigo 64: Art. 64. A nulidade dos atos processuais ocorrerá nos seguintes casos: I - por impedimento ou suspeição reconhecida de um membro da Comissão de Ética Profissional, câmara especializada, Plenário do Crea ou do Plenário do Confea, quando da instrução ou quando do julgamento do processo; II - por ilegitimidade de parte; ou III - por falta de cumprimento de preceitos constitucionais ou disposições de leis (Confea, 2003). De todo modo, o regulamento prevê que não pode ser levantada nulidade pela parte causadora, bem como não será acolhido o pedido de nulidade se não houver prejuízo para as partes. O processo será extinto nas seguintes hipóteses: Art. 71. A extinção do processo ocorrerá: I - quando o órgão julgador proferir decisão definitiva; II - quando a câmara especializada concluir pela ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo; III - quando a câmara especializada ou Plenário do Crea ou Plenário do Confea declararem a prescrição do ilícito que deu causa ao processo; ou IV - quando o órgão julgador concluir por exaurida a finalidade do processo ou o objeto da decisão se tornar impossível, inútil ou prejudicado por fato superveniente (Confea, 2003). Por outro lado, caso o processo não seja instaurado em até cinco anos da conduta infratora, prescreve a pretensão. O prazo prescricional pode ser interrompido no caso de intimação encaminhada ao denunciado sobre a conduta faltosa. A prescrição tem como fundamento a negligência ou inércia do exercício do direito em razão do tempo decorrido, ou seja, é necessário agir com cautela, dentro do prazo estipulado,para não se prejudicar. 79 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL 8.4 Resolução normativa CFA n. 537/2018: Código de Ética dos administradores de empresas O engenheiro, dada suas diversas habilidades treinadas ao longo do curso e da atividade profissional, ocupa cada vez mais lugares de destaque no mercado de trabalho. Organização, pensamento lógico, raciocínio rápido são alguns dos diferenciais desse profissional que vem sendo contratado para cargos de administração e gestão, antes ocupados por administradores, mas que perdem espaço para profissionais de outras áreas. Sem desmerecer a importante profissão do administrador, outras habilidades têm sido consideradas para esses cargos. Figura 20 Não existe óbice para que o engenheiro possa administrar empresas próprias ou como contratado. Aliás, o Código Civil não menciona a profissão no momento de tratar do administrador nos atos constitutivos das sociedades empresariais. Para tanto, há de se observar algumas condutas de ordem ética que devem ser adotadas em paralelo com as condutas da própria engenharia. Por isso, faremos um breve estudo da Resolução Normativa n. 537/2018, aprovada pelo Conselho Federal de Administração, previsto pela lei n. 4.769/1965, que regula a profissão do administrador. Primeiramente, o código de ética é destinado a todos os profissionais de administração inscritos no Conselho Regional de Administração (CRA), que devem praticar seu ofício de forma honesta, zelosa, defendendo o cliente e o sigilo profissional. 80 Unidade II O artigo 3º alinha as condutas infracionais, que são passíveis de punição, vejamos: I. Tratar outros profissionais ou profissões sem urbanidade, de modo a ofender sua dignidade, ou discriminá-los de qualquer forma. II. Manter sociedade profissional que explore atividade nos campos da administração, sem registro no CRA. III. Assinar documentos elaborados por terceiros sem a sua orientação ou supervisão. IV. Afastar-se, sem justificativa, de suas atividades profissionais sem comunicar previamente ao seu cliente ou empregador. V. Violar, sem justa causa, sigilo profissional. VI. Pleitear, para si ou para outrem, emprego, cargo ou função que esteja sendo ocupado por colega, bem como praticar atos de concorrência desleal. VII. Obstar ou dificultar a fiscalização do Conselho Regional de Administração. VIII. Prejudicar, por meio de declaração, ação ou omissão, colegas de profissão, entidades representativas da categoria, bem como seus membros e dirigentes. IX. Induzir ou promover a convicções filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito, quando do exercício de suas funções profissionais, ou como representante do CRA ou da profissão. X. Permitir a utilização de seu nome ou de seu registro profissional por organização onde não ocupe cargo ou não exerça atividade profissional típica de profissional de administração. XI. Facilitar, por qualquer modo, o exercício da profissão a terceiros, não habilitados ou impedidos. XII. Recusar-se ou omitir-se quanto ao dever de prestar contas de bens e numerários que lhe foram confiados em razão do exercício profissional. XIII. Deixar de cumprir, as normas emanadas do Conselho Federal de Administração e de atender às suas requisições administrativas, intimações ou notificações, no prazo determinado. XIV. Praticar, no exercício da atividade profissional, ato que seja caracterizado como assédio moral ou sexual. XV. Praticar, no exercício da atividade profissional, ato contrário à lei ou destinado a fraudá-la, ou contribuir para a realização de ato definido como ilícito penal. XVI. Usar de artifícios enganosos ou fraudulentos para obter vantagem indevida. XVII. Prestar, de má-fé, orientação, proposta, prescrição técnica ou qualquer ato profissional que possa resultar em dano a pessoas ou organizações. XVIII. Incidir, no exercício da atividade, em erros reiterados que denotem inépcia profissional. XIX. Exercer a profissão quando impedido por decisão do Sistema CFA/CRAs, transitada em julgado. Figura 21 81 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL Assim, como verificamos no código de ética do engenheiro, esse documento também elenca atos e condutas reprováveis sob o prisma ético. O mesmo código indica que as penas aplicáveis às violações serão: advertência escrita e reservada, censura pública, suspensão do exercício profissional e cancelamento do registro, conforme determina o artigo 11. A fixação da pena vai depender da gravidade do ato, que será apurado em processo ético, cujo procedimento é regulamentado pelo regimento interno do CRA. Todas as profissões regulamentadas têm códigos de ética, pois organizam um modo único de agir, que respeita a integridade da própria profissão, permitindo que todos os profissionais sejam sempre respeitados, agindo com coerência e honradez. Resumo A ética profissional é uma importante diretriz para que as condutas dos profissionais sejam universais, permitindo respeito à profissão, aos clientes e aos demais profissionais. São regras deontológicas geralmente regulamentadas por órgãos de classe. Para os engenheiros não é diferente, face a um ofício tão antigo e de tamanho vulto, sendo esperada a conduta dentro de limites. São limites éticos e jurídicos. Como qualquer profissional, o engenheiro se submete às normas jurídicas, para que haja proteção da sociedade, meio ambiente e patrimônio face às condutas tomadas pelos profissionais que causam dano durante a sua atividade profissional. Para tanto, vimos que a responsabilidade civil é a forma na qual o vínculo jurídico se estabelece, exigindo do causador do dano o dever de ressarcir o prejuízo sofrido. É por meio da ação de indenização que ocorre reparação do dano, que é um processo iniciado junto ao Poder Judiciário que, mediante a apresentação de requisitos mínimos como dano, nexo de causa e culpa, permite fazer com que o juiz elucide a questão e condene ao ressarcimento, se for o caso. As normas de conduta ética para os profissionais devem estar escritas, perfeitamente traçadas para que não reste dúvida ao profissional. Nesse sentido, a lei n. 5.194/1966 regulamenta a profissão do engenheiro, bem como dá o comando para que seja editado o Código de Ética, que foi apresentado pela Resolução n. 1.002/2002, que trata dos deveres éticos, 82 Unidade II das condutas proibidas e do procedimento disciplinar ético, para que sejam aplicadas as penas descritas na lei n. 5.194/1966, pela inobservância do Código de Ética. De igual modo estudamos o Código de Ética do administrador de empresas, trazendo luz àqueles profissionais que, embora sejam engenheiros, não possam se equivocar enquanto atuarem como administradores de empresas, função que é cada vez mais solicitada aos profissionais de engenharia em razão de suas inúmeras habilidades. Exercícios Questão 1. Vitorina Nook é engenheira civil e foi contratada para realizar uma obra de reforma residencial para Heitorjon. No imóvel residem Heitorjon, sua esposa e quatro filhos pequenos. O contrato de prestação de serviços tem uma cláusula em que consta que o serviço deverá ser realizado em até seis meses. Faz dois anos que a obra está em andamento e ainda não terminou, porque Vitorina não cumpre prazos, não orienta os trabalhadores, não comparece a reuniões com os proprietários. A vida de Heitorjon e sua família se tornou um caos porque a obra não termina e todos se sentem bastante incomodados, inclusive com repercussão na saúde física e psicológica das crianças. Heitorjon já tentou todas as tratativas possíveis com a engenheira e não conseguiu nenhum resultado positivo. O melhor que ele tem a fazer é: A) Denunciar a profissional perante o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura. B) Denunciar a profissional perante o Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura. C) Denunciar o caso na polícia civil. D) Ingressar com uma ação judicial para rescindir o contrato, exigir reparação de danose denunciar a profissional no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura. E) Denunciar a profissional no Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura e exigir o pagamento da indenização no próprio conselho por ser mais rápido. Resposta correta: alternativa D. Análise das alternativas A) Alternativa incorreta. Justificativa: a denúncia é recomendável, porém não dará direito à indenização, que só poderá ser obtida perante o poder judiciário. 83 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL B) Alternativa incorreta. Justificativa: a denúncia deve ser feita perante o conselho da região em que a engenheira está inscrita. C) Alternativa incorreta. Justificativa: a polícia civil não poderá solucionar o caso porque não há tipificação de direito penal, mas sim prática profissional irregular e danos decorrentes dessa má prática. D) Alternativa correta. Justificativa: o contrato de prestação de serviços de engenharia precisa ser regularmente rescindido por falta de cumprimento das obrigações da profissional. Além disso, é preciso apurar os danos e o valor da indenização por meio de perícia, para que a engenheira seja condenada no pagamento dos danos causados; e, finalmente, é preciso apresentar denúncia perante o conselho regional em que ela está inscrita. E) Alternativa incorreta. Justificativa: o conselho regional não tem poderes para determinar o pagamento de indenização, embora possa punir a engenheira com aplicação de multa caso fique comprovado que ela agiu de forma incorreta. A indenização por danos decorrentes do atraso da obra somente poderá ser determinada pelo juiz de direito. Questão 2. Eleutidio Correctus é engenheiro automobilístico em uma indústria fabricante de peças e observou que foram feitas mudanças em especificações técnicas que ele havia recomendado, com objetivo de diminuir a descarga de gases pelos automóveis. Ele apontou o problema para a diretoria que, de imediato, determinou que ele não fizesse mais comentários sobre esse assunto e respeitasse o sigilo da profissão, que é um dever do Código de Ética. Preocupado em não perder o emprego, ele ficou quieto e, tempos depois, foi preso com toda a diretoria por prática de crime ambiental denunciado por empresas que haviam adquirido as peças. Foram todos julgados e condenados e ele ainda foi punido pelo Conselho Regional de Engenharia no qual estava inscrito, com pena de multa. Alegou perante o Conselho que não poderia ser punido porque estava cumprindo ordens de seus superiores. O conselho manteve a punição porque: I – O Código de Ética dos engenheiros determina que eles devem atender, quando da elaboração de projetos, execução de obras ou criação de novos produtos, aos princípios e recomendações de conservação de energia e de minimização dos impactos ambientais. II – O código de ética dos engenheiros determina que eles devem resguardar o sigilo profissional quando do interesse de seu cliente ou empregador, salvo havendo a obrigação legal da divulgação ou da informação. III – O Código de Ética dos engenheiros determina que eles não devem ser presos. 84 Unidade II Assinale a alternativa correta: A) I, somente. B) II, somente. C) I e II, somente. D) II e III, somente. E) I, II e III. Resposta correta: alternativa C. Análise das alternativas I – Afirmativa correta. Justificativa: o Código de Ética dos engenheiros determina que eles devem atender, quando da elaboração de projetos, execução de obras ou criação de novos produtos, aos princípios e recomendações de conservação de energia e de minimização dos impactos ambientais, o que permitiria a ele não guardar sigilo e denunciar a empresa perante as autoridades públicas. II – Afirmativa correta. Justificativa: o Código de Ética dos engenheiros determina que eles devem resguardar o sigilo profissional quando do interesse de seu cliente ou empregador, salvo havendo a obrigação legal da divulgação ou da informação, como ocorreu nesse caso, em que os danos ao meio ambiente deveriam ter sido denunciados. III – Afirmativa incorreta. Justificativa: o Código de Ética dos engenheiros não tem determinação no sentido de que eles não poderão ser presos, até porque muitos crimes poderão ser praticados sem nenhuma relação com a prática profissional. 85 FIGURAS E ILUSTRAÇÕES Figura 1 HESKETH, J. L.; COSTA, M. T. P. M. Construção de um instrumento para medida de satisfação no trabalho. Rev. adm. empres., v. 20, n. 3, jul.-set. 1980. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S0034-75901980000300005&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 4 ago. 2020. Adaptada. Figura 2 LITTLE-GIRL-1894125_960_720.JPG. Disponível em: https://cdn.pixabay.com/photo/2016/12/09/09/52/ little-girl-1894125_960_720.jpg. Acesso em: 4 ago. 2020 Figura 3 CHURCH-WINDOW-2217785_960_720.JPG. Disponível em: https://cdn.pixabay.com/ photo/2017/04/10/08/08/church-window-2217785_960_720.jpg. Acesso em: 4 ago.2020. Figura 5 FANTASY-1377536_960_720.JPG. Disponível em: https://cdn.pixabay.com/photo/2016/05/07/15/32/ fantasy-1377536_960_720.jpg. 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