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A PATA DA GAZELA: CONTEXTOS E REFLEXÃO SOBRE A OBRA LITERÁRIA
VALENTIN, Denize Camara1
RESUMO
O objetivo deste presente trabalho é discorrer de forme breve e simplificada sobre os contextos de uma obra literária brasileira analisada, compreender a sociedade do século que a mesma se insere e o período literário. O livro “A pata da gazela” é uma obra do autor José de Alencar e foi publicada em 1870, sendo do período do Romantismo e se encaixando no estilo de Romance Urbano. 
No decorrer do trabalho ficará evidente a sociedade do século XIX, público específico a qual a obra foi direcionada, as mudanças, a realidade social, a sociedade carioca, as influências, e as manifestações dos indivíduos.
O trabalho foi realizado a partir da leitura dos Livros: A pata da gazela (ALENCAR, José de); A história do Brasil para quem tem pressa (COSTA, Marcos), e a História do mundo para quem tem presa (MARRIOTT, Emma). Além disso, em leituras de artigos sobre o Romantismo e o século XIX, e leituras em sites da Internet.
PALAVRAS-CHAVE: Romantismo; Romance Urbano; Contextos e Mudanças.
1. INTRODUÇÃO
O livro A pata da gazela, publicado em 1870, é um romance escrito por José de Alencar e é considerado como a cinderela da literatura brasileira, pois o autor se inspirou no conto A Cinderela, e nesta obra o mesmo dialoga com dois clássicos da literatura ocidental: A Cinderela de Perrault e O leão amoroso de La Fontaine.
José de Alencar é um dos fundadores da literatura autônoma de Portugal e um dos maiores representes de ficção romântica nacional. Em suas obras há marcação de temáticas voltados para o nacionalismo, a história e a cultura popular brasileira. Segundo José Veríssimo “foi José de Alencar o primeiro dos nossos romancistas a mostrar real talento literário e a escrever com elegância”. Outra importante característica presente em suas obras é à linguagem, uma vez que Alencar foi um grande inovador da língua portuguesa e valorizou uma linguagem mais nacional.
 A presente obra além de ser do período literário Romantismo, se enquadra no estilo de Romance Urbano. O Romantismo foi um movimento artístico, intelectual e filosófico que surgiu na Europa no final do século XVIII e, na maioria dos locais, atingiu seu ápice na metade do século XIX. Se caracterizou pela ênfase nas emoções, no individualismo e na exaltação da natureza. Por esses motivos característicos, o movimento é entendido como uma reação ao racionalismo e materialismo exacerbados difundidos pelo Iluminismo e pela Revolução Industrial. No Brasil, o Romantismo guardou muitas semelhanças como o movimento romântico da Europa, mas difere por marcar peculiaridades do contexto histórico local. 
O Romance Urbano (ou Romance de Costume) enfoca uma temática estreitamente vinculada à esfera social, se dedicando principalmente a tecer críticas aos hábitos praticados no âmbito da sociedade. Com narrativas de amores impossíveis, encontros e desencontros, esse estilo de romance conquistou um público leitor ávido e fiel, o qual se divertia com os retratos bem-humorados sobre seus valores e costumes, o mesmo não era apenas um perfil literário desenvolvido para tratar somente os costumes da elite carioca, mas também desenvolvido e direcionado a esse público.
Portanto, A pata da gazela é uma obra divertida e leve onde o autor procura fotografar a sociedade carioca do século XIX, representando com ironia e humor a história amorosa entre Amélia, Horácio e Leopoldo. 
2. MUDANÇAS DO SÉCULO XIX NA EUROPA E NO BRASIL; SURGIMENTO DO ROMANTISMO.
Antecipadamente ao analisar uma obra literária é de suma importância entender o período literário que o mesmo se insere e suas características. Em relação a obra “A Pata da Gazela”, e todas as outras obras literárias, é extremamente necessário iniciar o estudo pelo contexto histórico, pois o mesmo tem grande influência na produção da literatura.
O presente livro literário se trata do período do Romantismo. Segundo Taís Gasparetti (2012, p.7):
O Romantismo foi um movimento literário que se iniciou na Europa, no fim do século XVIII. Em oposição à objetividade, ao racionalismo e à retomada dos valores clássicos do Arcadismo, o Romantismo foi um movimento marcado por subjetividade, valorização das emoções, idealismo, individualismo, busca da liberdade de criação, espiritualidade, valorização do passado e nacionalismo.
A Europa é marcada por vários acontecimentos no século XIX, também conhecido como século da razão. Este foi um século de grandes invenções e profundas transformações político-sociais. O Romantismo foi um movimento que iniciou na Europa, nascendo no contexto da Revolução Francesa. A Revolução Francesa, aconteceu devido a falência dos impérios feudais, foi um movimento de revolta impulsionado pela burguesia, que derrubou o poder absolutista dos reis, desse modo o poder passava das mãos da nobreza para as da burguesia. A revolução teve como lema como lema: liberdade, igualdade e fraternidade. A mesma foi muito benéfica para a sociedade, pois houve a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, restruturação do aparelho burocrático, liberdade individual, igualdade perante a lei e elaboração de um novo pensamento filosófico.
A queda dessa monarquia desencadeou em outros países uma série de transformações políticas e econômicas. Na Inglaterra as mudanças ocorreram no modo de produção, que deixou de ser artesanal passando para o fabril. A criação da máquina a vapor e de teares mecânicos foi essencial para o rendimento do trabalho e aumento da produção e ganhos. Desse modo, no início do século XIX a Inglaterra estava em plena revolução industrial, período que contribuiu para a consolidação do capitalismo, como novo sistema econômico, e de profundas mudanças na sociedade. Em sequência desse processo, a ascensão da classe burguesa provocou o desenvolvimento da imprensa, onde o livro deixou de ser o principal veículo de informações, concorrendo com o jornal, e provocou então uma alteração no público consumidor de literatura, que se tornou mais popular. A imprensa então, passou a ser responsável pela divulgação de notícias cotidianas, tanto como a da literatura. Nesse período surgiram os primeiros folhetins nos jornais, constituídos de uma literatura extremamente sentimentalista, com o intuito de atrair leitores. 
Se tratando de arte e cultura, o século XIX foi um furacão devido as transformações ocorridas na revolução francesa e industrial. Durante esta transição houve um estilo indefinido, pois, o gosto popular mudara bastante, mas o tom deste século foi exatamente a expressão individual. A nova ordem era representar o natural e assim fez as manifestações, tanto nas artes plásticas quanto na música e literatura. A arte passou a valorizar a nacionalidade e ganhou o povo.
No Brasil, o século XIX é um momento de grandes transformações para a sociedade. As principais mudanças aconteceram na política e no modo de vida social, havendo o crescimento do país e modificação do território. 
A vinda da família real portuguesa para o Brasil, após as ameaças das Guerras Napoleônicas, trouxe modernização e mudança no cenário político local. O impacto da transferência da corte foi grande e imediato pois a mesma efetivou a abertura dos portos para “todas as nações amigas”, saindo do pacto colonial, segundo Marcos Costa (2016, p. 60):
A abertura dos portos é o ato mais pleno de significado para o Brasil, pois, ao franqueá-los ao comércio internacional livremente, D. João destruía, assim, com uma canetada, todo o esquema colonial que havia surgido na época da Restauração (1640) e que era a base do domínio colonial português e da própria razão de ser da Colônia, que era o exclusivismo comercial.
E durante os anos em que a corte esteve presente houve a implantação de construções administrativas, reforma do ensino, instalações de bibliotecas, criação da Imprensa Régia, o que facilitou a circulação de jornais e periódicos, representando um significativo estímulo à produção literária, reforma e remodelação da cidade do Rio de Janeiro. 
. Vale lembrarque, de todos os acontecimentos desencadeados pela chegada da família real portuguesa, o que teve maior impacto cultural foi a proclamação de Independência política brasileira, em 7 de setembro de1822, onde os laços que uniam Brasil e Portugal foram cortados, significando soberania para que o país pudesse estabelecer suas normas políticas e sua administração pública. E de acordo com Marcos Costa (2016, p.66):
Enquanto os meninos aqui no Brasil brincavam no playground da emancipação política, os pragmáticos ingleses preparavam as faturas. Em 1827, condicionaram o reconhecimento da independência do Brasil à renovação dos tratados de livre-comércio assinados entre 1808 e 1810. Pode-se dizer que o Brasil se livrou dos portugueses, mais caiu nas garras dos ingleses.
Pois esse ato heroico com direito a brado retumbante às margens do rio Ipiranga só foi possível com o respaldo da Inglaterra, que intimidou qualquer reação de Portugal, além de ter emprestado 2 milhões de libras esterlinas a título de indenização a Portugal.
Um momento de grande importância no Brasil foi o segundo Reinado, período que se compreende de23 de julho de 1840 a 15 de novembro de 1889, onde o mesmo era governado pelo império de D. Pedro II, este foi uma época de grande avanço industrial e cultural com o crescimento do país após a Independência. 
3. A OBRA AO CONTEXTO HISTÓRICO
A presente obra literária foi publicada em 1870 e está relacionada a história do século XIX, sendo que a história se passa na cidade do Rio de Janeiro, em pleno século "burguês". Nesta obra, o narrador é uma presença constante, descrevendo-nos o ambiente onde a ação se passa. O Rio de Janeiro nesse período estava em pleno desenvolvimento, pois quando D. João chegou ao Brasil, a mesma era uma cidade descuidada, com instalações precárias, ruas sujas e malcheirosas. E durante os anos em que a corte esteve presente houve a implantação de construções administrativas, reforma do ensino, instalações de bibliotecas, criação da Imprensa Régia (o que facilitou a circulação de jornais e periódicos, representando um significativo estímulo à produção literária), reforma e remodelação da cidade do Rio de Janeiro. Além disso no início do século XIX, o mesmo era a capital do estado do Brasil. 
No livro a pata da gazela percebe se essa evolução da cidade:
“Estava parada na rua da Quitanda, próximo à da Assembleia, uma linda vitória, puxada por soberbos cavalos do Cabo”. (ALENCAR, 1870, p.15).
Neste fragmento é evidente perceber o avanço do Rio de Janeiro ao ponto de possuir uma Assembleia que é um órgão colegial representativo, de caráter extraordinário e temporário, que é investido do poder de elaborar a Constituição, ou seja, o conjunto de regras normativas primárias e fundamentais do ordenamento jurídico estatal, além disso um automóvel com semelhanças de uma carruagem. Ademais, na obra é retratada outras ruas principais da cidade do Rio de Janeiro tais como a rua do Ouvidor: 
“Ao escritório de papai: talvez ele queira vir conosco. Na volta passaremos pela rua do Ouvidor-respondeu a mais esbelta, cujo talhe era desenhado por um roupão cinzento”. (ALENCAR, 1870, p. 15).
Esta rua retrata, era uma rua onde estava localizada a torre da igreja dos Mercadores da Lapa e da igreja da Cruz dos Militares. E percebe se a burguesia relatada, esta era uma classe que que detinha o direito de cidadania o qual acarretava vários privilégios sociais, políticos e econômicos.
É notório perceber as mudanças que ocorreram nesse período:
“Alguns dias depois do encontro na rua da Quitanda, o Castro percorrendo distraidamente os jornais da manhã, deu com os olhos sobre os anúncios de espetáculo, coisa que desde muito tempo não existia para ele”. (ALENCAR, 1870, p. 35).
A mudança evidenciada neste fragmento é a criação da Imprensa Régia que possibilitou a circulação do jornal para a população. A imprensa régia foi criada na Europa após a revolução industrial em sequência disso o livro deixou de ser o principal veículo de informações, concorrendo com o jornal. A imprensa então, passou a ser responsável pela divulgação de notícias cotidianas tanto como a da literatura. Vale lembrar que a mesmo só foi desenvolvida no Brasil após a vinda da corte e a mesma possibilitou a produção literária de nosso país.
Outro fator importante do contexto histórico dessa obra é o público específico a qual esta obra é destinada, já que, no início do século XIX o número de brasileiros analfabetos chegava a 60%, isso representa que apenas os mais abastados tinham acesso à educação como prática formal e sistematizada. Por isso, os leitores fiéis dos folhetins românticos eram membros da elite, profissionais liberais, rapazes e moças que seguiam os hábitos das cortes europeias. Além disso, sua publicação em 1870 imerge-o em plena moda romântica, quando o romance visava ao entretenimento e para isso envolvia o leitor em peripécias sucessivas: fazia-o presenciar cenas patéticas de paixões não correspondidas, fazia-o comover-se com desencontros lacrimosos, tudo isso para possibilitar ao leitor identificar-se aos personagens e assim escapar, por instantes, à rotina do cotidiano burguês. É justamente o que ocorre com este romance, em que Alencar fornece ao público os ingredientes que este estava habituado a consumir e com os quais costumava se identificar.
4. DO CONTEXTO SOCIOLÓGICO A OBRA
A sociologia surgiu no século XIX, como decorrência das necessidades dos homens de compreender os inúmeros problemas sociais que estava aparecendo em proporções numa vista, devido à industrialização iniciada no século XVIII. Segundo MAX WEBER (1864-1920) a sociedade pode ser compreendida a partir de um conjunto individual, são todos tipos de ação que o indivíduo faz, só existe ação social quando o indivíduo tenta estabelecer algum tipo de comunicação a partir de suas ações. 
Na obra “A pata da gazela”, é notável ver a sociedade carioca do Rio de Janeiro e a Burguesia. Burguesia é uma classe social do regime capitalista, onde seus membros são os proprietários do capital, ou seja, comerciantes, industriais, proprietários de terras, de imóveis, os possuidores de riquezas e dos meios de produção.
“O Sr. Pereira Sales habitava nas Laranjeiras uma bela chácara. Amélia era filha única, e seu dote, convertido em cem apólices, só esperava o noivo”. (ALENCAR, 1870, p. 54).
Sendo perceptível observar os bens capital que as pessoas possuíam. Outro fato característico da sociedade é as mulheres no início da juventude já estarem preparadas para o casamento.
“Laura perdera o marido aos 17 anos, pouco tempo depois de casada. Era rica; não lhe faltavam pretendentes atraídos pelo dote e pela beleza; mas ela não parecia disposta a tentar segunda vez a felicidade conjugal, embora não tivesse passado da lua-de-mel. É natural que o desejo lhe chegasse com o primeiro fio de neve; quando fossem rareando os apaixonados que a cercavam”. (ALENCAR, 1870, p. 121).
Sabe se que hoje as mulheres em nossa sociedade preferem estudar e se qualificar antes de realizar o matrimônio. Desse modo, a sociedade brasileira passou por mudanças fundamentais nos campos políticos, sociais e consequentemente na forma de ver e entender a nova realidade que estavam vivendo. Os hábitos igualmente se modificavam. Uma grande mudança é que as damas da sociedade, vestidas no rigor da moda parisiense, já podiam passear livremente (embora não desacompanhadas). Caracterizando o momento em que a mulher estava inserindo no meio social.
“O vestido roxo debruçou-se de modo a olhar para fora, no sentido contrário àquele em que seguia o carro, enquanto o roupão, recostando-se nas almofadas, consultava uma carteirinha de lembranças, onde naturalmente escrevera a nota de suas encomendas. -- O lacaio ficou-se de uma vez! disse o vestido roxo com um movimento de impaciência”. (ALENCAR, 1870, p.15).
Além disso na obra é perceptível que o Rio de Janeiro, era uma cidade heterogênea, ou seja, com mansões e palacetes ao lado de bairros miseráveis. Na rua do Ouvidor encontrava-se as últimas novidades de Paris,mas a febre amarela e a varíola periodicamente dizimavam a população pobre. Uma pequena população culta e exigente povoava os salões e os espetáculos de ópera, enquanto o desemprego empurrava milhares de pessoas para uma vida incerta de pequenos trabalhos avulsos. Nos palacetes de Laranjeiras falava-se francês nas noites de gala, enquanto não longe dali, nos cortiços, a fome e a miséria faziam estragos na população, existindo uma grande desigualdade social.
5. O CONTEXTO CULTURAL DA OBRA
O contexto cultural da obra está totalmente interligado com a sociedade do século XIX, pois Segundo Clyde kluckhohn, A cultura é “a vida total de um povo, a herança social que o indivíduo adquire de seu grupo. Ou pode ser considerada parte do ambiente que o próprio homem criou”.
 Ademais, cultura refere-se à personalidade e à vida social do indivíduo. E a mesma é conceituada como o conjunto de características que estabelecem normas comuns de comportamento, identificando um ser ao grupo. Vale lembrar que a cultura não é simplesmente um referente que marca uma hierarquia de “civilização”, mas a maneira de viver total de um grupo, sociedade, país ou pessoa.
 Cultura é, em Antropologia Social e Sociologia, um mapa, um receituário, um código através do qual as pessoas de um dado grupo pensam, classificam, estudam e modificam o mundo e a si mesmas. (DA MATTA, 1986, p. 123). 
A cultura, portanto, estabelece normas básicas de comportamento, mas ela é regulada por um número finito de regras, permitindo diversas variações dentro de uma única cultura.
No Brasil, as artes “eruditas” tiveram o seu início no período colonial, durante o qual foram introduzidos os movimentos artísticos europeus.
Durante esse período a arte realizada na colónia esteve intimamente ligada à arte portuguesa muitas vezes, porém com "sotaque" brasileiro. De maneira geral, as artes no Brasil seguiam as correntes europeias, particularmente os movimentos da arte francesa.
Na presente obra literária é possível perceber aspectos da cultura da sociedade burguesa da época influenciada pela europeia em:
“Depois de trabalhar muitos anos em casas francesas, o mestre fluminense resolveu estabelecer-se por sua conta. Alugou uma pequena loja de duas portas, onde trabalhava com dois oficiais. A necessidade de ganhar o pão o obrigava a tornar-se mercenário, fazendo obra de carregação para vender barato. Mas no meio dessa tarefa ingrata tinha ele suas delícias de artista. Meia dúzia de fregueses, conhecedores da habilidade do sapateiro, preferiam seu calçado ao melhor de Paris, e o pagavam generosamente. Essas raras encomendas, o Matos as executava com enlevo; revia-se em sua obra, verdadeiro primor”. (ALENCAR, 1870, p. 45).
Onde um mestre ao trabalhar em casas francesas, produz seus sapatos em relação ao de Paris, de forma que a população prefira o mesmo.
Ademais, outros aspectos da cultura burguesa são evidenciados tais como:
“Seus amigos já não o reconheciam; ele aparecia nos bailes, nos teatros, nos pontos de reunião, de relance, como um meteoro, seguindo após uma ideia fixa, ou uma sombra que fugia diante de seus passos. Conversou-se muito na rua do Ouvidor a este respeito. Uns atribuíram o fato inaudito à primeira derrota”. (ALENCAR, 1870, p. 38).
Se tratando de arte e cultura, o século XIX foi um furacão devido as transformações ocorridas na revolução francesa e industrial. Durante esta transição houve um estilo indefinido, pois, o gosto popular mudara bastante, mas o tom deste século foi exatamente a expressão individual. A nova ordem era representar o natural e assim fez as manifestações, tanto nas artes plásticas quanto na música e literatura. 
 Em relação ao teatro realmente nacional, o mesmo só veio se estabilizar em meados do século XIX, quando o Romantismo teve seu início. Como já citado anteriormente, A vinda da família real para o Brasil, em 1808, trouxe uma série de melhorias para o Brasil. Uma delas foi direcionada ao teatro. Pois teve o reconhecimento da necessidade da construção de "teatros decentes".
É observado na obra, onde a sociedade estava sempre prestigiando os espetáculos ocorrentes no teatro, como uma forma de lazer e de encontrar os “conhecidos”. Ademais, outra importante manifestação cultural evidenciada na obra é as casas destinadas a dança:
“Entre as casas que outrora frequentava, escolheu para a primeira noite a de D. Clementina, amiga íntima de sua irmã. Era uma senhora já no declínio da idade e da formosura; gostava muito de dançar, e por isso reunia constantemente em sua sala as moças de sua amizade. Logo que se achavam presentes quatro pares, a dona da casa dava o sinal, o marido arredava a mesa do centro, o filho, menino de quinze anos, sentava-se ao piano e... -- Chassé-croisé! gritava D. Clementina”. (ALENCAR, 1870, p. 59). 
Sabe-se que a dança é uma das expressões artísticas mais antigas. E que sua história acompanha a evolução das artes visuais, da música e do teatro.
Mas se percebe que a dança abordada na obra é uma dança mais livre, mais solta, mais ligada à vida real. Onde os Homens chamam as mulheres para bailar pelo salão.
6. CONTEXTO LINGUÍSTICO EVIDENCIADO NA OBRA LITERÁRIA
Por se tratar de tratar de uma obra do período literário do Romantismo e se enquadrar no estilo de Romance Urbano, José de Alencar dialoga em sua obra A pata da gazela de maneira irônica e crítica. Esse tom irônico e crítico é em relação a sociedade do século XIX, o mesmo aborda nesse sentido os pontos negativos da sociedade urbana, os costumes burgueses, os hábitos e costumes da época, e critica a forma como as pessoas deveriam amar as outras. Além disso é evidente perceber na obra literária o autor abordando as desigualdades econômicas daquele século.
A linguagem da presente obra é bastante acessível, sem muitos rebuscamentos. A descrição de cenários e personagens é uma das principais características, de maneira geral.
É notório perceber essas características em:
“Dentro do carro havia duas moças; uma delas, alta e esbelta, tinha uma presença encantadora; a outra, de pequena estatura, muito delicada de talhe, era talvez mais linda que sua companheira”. (ALENCAR, 1870, p. 15).
A crítica referente a sociedade burguesa da época é perceptível em:
“Ninguém imagina que belos talentos sorvem essa voragem do mundo, que chamam a vida elegante. São como as árvores luxuriantes que se vestem de linda folhagem, e consomem toda a seiva nessa gala estéril e efêmera. Nunca elas dão fruto, nem sequer flor”. (ALENCAR, 1870, p. 25).
Além disso, a linguagem é um sistema que está sempre em desenvolvimento, se expandindo e se alterando, sendo que essas alterações no vocabulário são consequências das continuas mudanças sociais e culturais que se vivencia. De acordo com Biderman:
Qualquer sistema léxico é a somatória de toda a experiência acumulada de uma sociedade e do acervo da sua cultura através das idades, sendo que os membros dessa sociedade funcionam como sujeitos – agentes, no processo de perpetuação e reelaboração contínua do léxico de sua língua. (BIDERMAN, 2001, p.179).
Uma língua muda porque é falada segundo os costumes, a cultura, as tradições, modernização tecnológica e o modo de viver da população. Depois, há para considerar o fator tempo que altera todas as coisas. Assim, não existe razão para que a língua escape a essa lei universal. Considera-se, também. Que a língua varia no espaço, razão porque a língua portuguesa apresenta variedade nacionais e internacionais.
Na obra é evidente perceber a evolução da língua no seguinte fragmento:
“– Deveras? – Acudiu Horário.” (ALENCAR, 1870, p. 107).
Segundo o site significados, deveras é um advérbio de modo, que significa "a valer", "verdadeiramente", "realmente". É uma expressão usada para dar ênfase ao que se considera muito, com toda a verdade. Porém, percebe se que atualmente na sociedade em que vivemos as pessoas deixaram de usar muitas palavras, e deveras é uma que era altamente usada no século XIX, sendo hoje substituída pela palavra verdade.
Ademais, o autor também usa sempre expressões galicizadas(adaptações do francês), ao invés de usar palavras francesas, uso comum da época, nacionalizando assim a linguagem.
Uma característica linguística de suma importância para a narração da história, é Alencar ter o uso de metáforas em sua obra. De acordo com Cegalla (2000), a metáfora é uma figura de palavra e “é o desvio da significação própria de uma palavra, nascido de uma comparação mental ou característica comum entre dois seres ou fatos”. Pimentel & Mendes (s/d) definem metáfora como “uma substituição por semelhança ou uma comparação subentendida, em que o conectivo não está expresso”. Desse modo, metáfora apresenta uma relação entre está e a comparação, como se a metáfora fosse simplesmente uma comparação implícita.
“O coração é um solo. Vale onde brotam as paixões, como os outros vales da natureza inanimada, ele tem suas estações, suas quadras de aridez ou de seiva, de esterilidade ou de abundância”. (ALENCAR, 1870, p. 16).
Na obra, a metáfora altamente utilizada é comparar o pé bonito como uma pata, o pé defeituoso de aleijão e o grande homem como leão. 
“- É verdade! – murmurou soltando uma fumaça de charuto. – O leão deixou que lhe cerceassem as garras; foi esmagado pela pata da gazela”. (ALENCAR, 1870, p. 138).
Desse modo, a metáfora do leão e da gazela compõe uma desmistificação da retórica romântica.
7. O CONTEXTO LITERÁRIO LIGADO A OBRA
O contexto literário é a relação entre o texto e a situação em que ele ocorre dentro do texto. Devido ao acontecimento dos valores burgueses no século XIX, os românticos tiveram a necessidade de produzir uma arte menos intelectualizada, possibilitando assim a popularização da literatura. Assim essa nova arte aproximou o homem comum e não apenas atendeu a liberdade de criação. Como consequência, as narrativas passaram a ter uma linguagem simples, personagens com as quais o leitor podia se identificar e tramas embasadas em amor e aventuras, fazendo desse gênero o preferido pelo público.
O romantismo se caracterizou no individualismo, na exaltação da natureza e pela ênfase nas emoções. Por esses motivos, o movimento é entendido como uma reação ao racionalismo e materialismo exacerbados difundidos pelo Iluminismo e pela Revolução Industrial. Considerando que o romantismo buscava um afastamento dos valores de urbanização, progresso e racionalidade, a maioria das suas características são oposições diretas a esses preceitos. As obras do romance urbano são histórias melodramáticas, que tratam de aventuras amorosas e a personalidade das mulheres que os protagonizam. Um dos aspectos marcantes do romance urbano é a caracterização que faz das heroínas românticas como mulheres fortes, senhoras de seu destino. Estas possuem um coração romântico que orienta seu comportamento em nome dos ideais mais puros. 
Em relação as características do Romantismo e Romance Urbano é notório perceber ao longo da leitura da obra. 
 “Recordava-se das mulheres mais bonitas que tinha visto, das mais lindas senhoras a quem amara com paixão, e sua memória as trazia todas, uma após outra, para as colocar ao lado daquela figura vaga e desvanecida, que planava sobre a almofada como sobre uma nuvem de ouro. Como elas fugiam abatidas e humilhadas diante de seu impetuoso desdém!”. (ALENCAR, 1870, p. 41).
Neste fragmento temos a emoção como forma de expressão, onde o autor está livre para sentir e expressar os sentimentos. A Idealização da sociedade, do amor e da mulher, também é uma característica de grande importância para o Romantismo, onde o objeto de amor é engradecido até a perfeição. 
“O contraste sobretudo era terrível. Se Amélia fosse feia, o senão do pé não passara de um defeito; não quebraria a harmonia do todo. Mas Amélia era linda, e não somente linda; tinha a beleza regular, suave e pura que se pode chamar a melodia da forma. A desproporção grosseira de um membro tornava-se pois, nessa estátua perfeita, uma verdadeira monstruosidade. Era um berro no meio de uma sinfonia; era um disparate da natureza, uma superfetação do horrível no belo. Fazia lembrar os ídolos e fetiches do Oriente, onde a imaginação doentia do povo reúne em uma só imagem o símbolo dos maiores contrastes”. (ALENCAR, 1870. p. 57).
Além disso, outras características estão presentes nas obras românticas tais como: Oposição ao modelo clássico; Estrutura do texto em prosa, longo; Desenvolvimento de um núcleo central; Narrativa ampla refletindo uma sequência de tempo; O indivíduo sendo o centro das atenções; Surgimento de um público consumidor (folhetim); Uso de versos livres e versos brancos; Exaltação do nacionalismo, da natureza e da pátria;;Criação de um herói nacional;;Subjetivismo e egocentrismo; Saudades da infância; Fuga da realidade.
Mas outra característica abordada pelo autor é o sentimentalismo e supervalorização das emoções pessoais;
 “Mais tarde, em sua alcova, enquanto desfazia o penteado, soltando os lindos anéis do cabelo castanho, Amélia recordou-se das palavras apaixonadas que ouvira de Leopoldo na véspera, e comparou-as com as queixas de Horácio. A linguagem do primeiro tinha a eloquência da paixão; parecia vir do íntimo, do mais profundo do coração. A linguagem do segundo tinha a graça da sedução: era a vibração passageira das cordas d'alma”. (ALENCAR, 1870, p. 73).
Onde o mesmo, acaba permitindo uma reflexão aos leitores sobre como o amor deve ser valorizado.
8. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considera-se que a presente pesquisa tem grande importância pois percebe a evolução do Brasil ao deixar de ser influenciado por outros continentes como a Europa, e passar a construir sua própria identidade nacional e literária. 
 Ademais, é de extrema importância que os alunos tenham o hábito de ler obras literárias, pois estas não retratam somente histórias, mas “giram” em torno de vários contextos do século que as mesmas se inserem, devido um autor ao produzir uma obra literária, o mesmo considera os aspectos e contexto do momento em que vive.
Portanto, a obra analisada enfatiza as relações sentimentais e se enquadra naquelas obras tipicamente românticas que permitem “reflexões” aos leitores. Pois, a mesma crítica a sociedade da época e mostra como as pessoas devem amar umas às outras. Além disso, é evidente perceber nessa obra os traços do Romantismo no Brasil. 
9. REFERÊNCIAS
ABAURRE, Maria Luiza M; ABAURRE, Maria Bernadete M.; PONTARA, Marcelo. Português: contexto, interlocução e sentido. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2013.
ALENCAR, José de. A pata da gazela: 3. ed. São Paulo: Martin Claret, 2012.
ARAÚJO, Luciana Kuchenbecker. Romance Urbano. Disponível em: <https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/literatura/romance-urbano.htm>. Acesso em: 14/09/2018.
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