Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

1 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
 
 
 
 
 
2 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
 
 
 3 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
Allan Leon Casemiro da Silva 
Bruno César Góes 
Fernando Ferrari Putti 
 
 
 
 
 
SUSTENTABILIDADE NO 
AGRONEGÓCIO 
 
 
 
 
 
1ª Edição 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANAP 
Tupã/SP 
2020 
 
 
 
4 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
CDD: 630.7 
CDU:631.5 
 Sustentabilidade no agronegócio / organizadores: Allan Leon Casemiro da 
Silva, Bruno César Góes, Fernando Ferrari Putti. – Tupã: ANAP, 2020. 
 271 p; il.; 14,8 x 21cm. 
 
 Inclui bibliografia. 
 ISBN 978-65-86753-24-0. 
 
 
 1. 1. Agropecuária 2. Tecnologia. 3. Sustentabilidade. 
I. Silva, Allan Leon Casemiro da. II. Góes, Bruno César. III. Putti, Fernando Ferrari. 
IV. Título. 
SI586s 
EDITORA ANAP 
Associação Amigos da Natureza da Alta Paulista 
Pessoa de Direito Privado Sem Fins Lucrativos, fundada em 14 de setembro de 2003. 
Rua Bolívia, nº 88, Jardim América, Cidade de Tupã, São Paulo. CEP 17.605-310. 
Contato: (14) 99808-5947 e 99102-2522 
www.editoraanap.org.br 
www.amigosdanatureza.org.br 
editora@amigosdanatureza.org.br 
 
O presente livro é uma coletânea de artigos independentes. Assim é de 
responsabilidade exclusiva dos autores de cada capítulo, quaisquer critérios legais de 
propriedade material, imaterial, conteúdo, correções de língua portuguesa, normas de 
ABNT, e fontes utilizadas para elaboração dos textos. 
 
Ficha Catalográfica 
 
Elaborada por Eliana Kátia Pupim, bibliotecária CRB 8 – 6202. 
 
Índice para catálogo sistemático 
1. Brasil: Agricultura 630.7 
http://www.editoraanap.org.br/
http://www.amigosdanatureza.org.br/
mailto:editora@amigosdanatureza.org.br
 3 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
Comissão Científica Internacional - 
2017 a 2020 
 
Prof. Dr. Carlos Andrés Hernández 
Arriagada 
Prof. Dr. Eduardo Salinas Chávez - 
Universidade de La Habana, PPGG, 
UFGD-MS 
Prof. Dr. Eros Salinas Chàvez - UFMS 
/Aquidauana Post doctorado 
Prof. Dr. Josep Muntañola Thornberg - 
UPC -Barcelona, Espanha 
Prof. Dr. José Seguinot - Universidad de 
Puerto Rico 
Prof. Dr. Miguel Ernesto González 
Castañeda - Universidad de 
Guadalajara - México 
Prof. Dr. Oscar Buitrago Bermúdez - 
Universidad Del Valle - Cali, Colombia 
Prof. Dr. Paulo Nuno Maia de Sousa 
Nossa - Universidade de Coimbra 
 
 
Comissão Científica Nacional 
2017 a 2020 
 
 
Prof. Dr. Adeir Archanjo da Mota - 
UFGD 
Prof. Dr. Adriano Amaro de Sousa - 
Fatec de Itaquaquecetuba-SP 
Profa. Dra. Alba Regina Azevedo Arana 
- UNOESTE 
Prof. Dr. Alessandro dos Santos Pin -
Centro Universitário de Goiatuba 
Prof. Dr. Alexandre Carneiro da Silva 
Prof. Dr. Alexandre França Tetto - UFPR 
Prof. Dr. Alexandre Gonçalves - 
Faculdade IMEPAC Itumbiara 
Prof. Dr. Alexandre Sylvio Vieira da 
Costa - UFVJM 
Prof. Dr. Alfredo Zenen Dominguez 
González - UNEMAT 
Profa. Dra. Alina Gonçalves Santiago - 
UFSC 
 
Profa. Dra. Aline Werneck Barbosa de 
Carvalho - UFV 
Prof. Dr. Alyson Bueno Francisco - 
CEETEPS 
Profa. Dra. Ana Klaudia de Almeida 
Viana Perdigão - UFPA 
Profa. Dra. Ana Lúcia de Jesus Almeida 
- UNESP 
Profa. Dra. Ana Lúcia Reis Melo 
Fernandes da Costa - IFAC 
Profa. Dra. Ana Paula Branco do 
Nascimento – UNINOVE 
Profa. Dra. Ana Paula Fracalanza – USP 
Profa. Dra. Ana Paula Novais Pires 
Profa. Dra. Ana Paula Santos de Melo 
Fiori - IFAL 
Prof. Dr. André de Souza Silva - 
UNISINOS 
Profa. Dra. Andrea Aparecida Zacharias 
– UNESP 
Profa. Dra. Andrea Holz Pfutzenreuter 
– UFSC 
Prof. Dr. Antonio Carlos Pries Devide - 
Polo Regional Vale do Paraiba - 
APTA/SAA 
Prof. Dr. Antonio Cezar Leal - 
FCT/UNESP 
Prof. Dr. Antonio Fábio Sabbá 
Guimarães Vieira - UFAM 
Prof. Dr. Antonio Marcos dos Santos - 
UPE 
Prof. Dr. Antônio Pasqualetto -PUC 
Goiás e IFG 
Prof. Dr. Antonio Soukef Júnior - 
UNIVAG 
Profa. Dra. Arlete Maria Francisco - 
FCT/UNESP 
Profa. Dra. Beatriz Ribeiro Soares - UFU 
Profa. Dra. Carla Rodrigues Santos - 
Faculdade FASIPE 
Prof. Dr. Carlos Eduardo Fortes 
Gonzalez – UTFPR - Curitiba 
Profa. Dra. Carmem Silvia Maluf – 
Uniube 
 
 
 
4 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
Profa. Dra. Cássia Maria Bonifácio - 
UFSCar 
Profa. Dra. Célia Regina Moretti 
Meirelles - UPM 
Prof. Dr. Cesar Fabiano Fioriti - 
FCT/UNESP 
Prof. Dr. Cledimar Rogério Lourenzi - 
UFSC 
Profa. Dra. Cristiane Miranda Martins - 
IFTO 
Prof. Dr. Christiano Peres Coelho – UFJ 
Profa. Dra. Dayana Aparecida Marques 
de Oliveira Cruz - IFSP 
Prof. Dr. Daniel Sant'Ana - UnB 
Profa. Dra. Daniela de Souza Onça - 
FAED/UESP 
Prof. Dr. Darllan Collins da Cunha e 
Silva - UNESP 
Profa. Dra. Denise Antonucci - UPM 
Profa. Dra. Diana da Cruz Fagundes 
Bueno - UNITAU 
Prof. Dr. Edson Leite Ribeiro - Unieuro 
- Brasília / Ministério das Cidades 
Profa. Dra. Edilene Mayumi Murashita 
Takenaka - FATEC de Presidente 
Prudente 
Prof. Dr. Edvaldo Cesar Moretti - UFGD 
Profa. Dra. Eliana Corrêa Aguirre de 
Mattos - UNICAMP 
Profa. Dra. Eloisa Carvalho de Araujo - 
UFF 
Profa. Dra. Eneida de Almeida - USJT 
Prof. Dr. Erich Kellner – UFSCar 
Profa. Dra. Eva Faustino da Fonseca de 
Moura Barbosa - UEMS 
Profa. Dra. Fátima Aparecida da SIlva 
Iocca - UNEMAT 
Prof. Dr. Felippe Pessoa de Melo - 
Centro Universitário AGES 
Prof. Dr. Fernanda Silva Graciani - 
UFGD 
Prof. Dr. Fernando Sérgio Okimoto – 
UNESP 
Profa. Dra. Flávia Akemi Ikuta - UFMS 
 
Profa. Dra. Flávia Maria de Moura 
Santos - UFMT 
Profa. Dra. Flávia Rebelo Mochel - 
UFMA 
Prof. Dr. Flavio Rodrigues do 
Nascimento - UFC 
Prof. Dr. Francisco Marques Cardozo 
Júnior - UESPI 
Prof. Dr. Frederico Braida Rodrigues de 
Paula - UFJF 
Prof. Dr. Frederico Canuto - UFMG 
Prof. Dr. Frederico Yuri Hanai – UFSCar 
Profa. Dra. Geise Brizotti Pasquotto - 
UNESP 
Prof. Dr. Gabriel Luis Bonora Vidrih 
Ferreira - UEMS 
Profa. Dra. Gelze Serrat de Souza 
Campos Rodrigues - UFU 
Prof. Dr. Generoso De Angelis Neto - 
UEM 
Prof. Dr. Geraldino Carneiro de Araújo 
- UFMS 
Profa. Dra. Gianna Melo Barbirato - 
UFAL 
Prof. Dr. Gilivã Antonio Fridrich – 
Faculdade DAMA 
Prof. Dr. Glauco de Paula Cocozza – 
UFU 
Profa. Dra. Iracimara de Anchieta 
Messias - FCT/UNESP 
Profa. Dra. Irani Lauer Lellis - UFOPA 
Profa. Dra. Isabel Crisitna Moroz Caccia 
Gouveia - FCT/UNESP 
Profa. Dra. Jakeline Aparecida 
Semechechem - UENP 
Profa. Dra. Jakeline Santos Cochev da 
Cruz 
Prof. Dr. João Adalberto Campato Jr. - - 
Universidade BRASIL 
Prof. Dr. João Cândido André da Silva 
Neto - UEA 
Prof. Dr. João Carlos Nucci - UFPR 
Prof. Dr. João Paulo Peres Bezerra - 
UFFS 
 5 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
 
Prof. Dr. João Roberto Gomes de Faria 
- FAAC/UNESP 
Prof. Dr. José Aparecido dos Santos - 
FAI 
Prof. Dr. José Mariano Caccia Gouveia - 
FCT/UNESP 
Prof. Dr. José Queiroz de Miranda Neto 
– UFPA 
Prof. Dr. Josinês Barbosa Rabelo - 
Centro Universitário Tabosa de 
Almeida 
Profa. Dra. Jovanka Baracuhy 
Cavalcanti Scocuglia - UFPB 
Profa. Dra. Juliana de Oliveira Vicentini 
Profa. Dra. Juliana Heloisa Pinê 
Américo-Pinheiro -Universidade 
BRASIL 
Prof. Dr. Junior Ruiz Garcia - UFPR 
Profa. Dra. Karin Schwabe Meneguetti 
– UEM 
Profa. Dra. Katia Sakihama Ventura - 
UFSCar 
Prof. Dr. Leandro Gaffo - UFSB 
Prof. Dr. Leandro Teixeira Paranhos 
Lopes -Universidade BRASIL 
Profa. Dra. Leda Correia Pedro 
Miyazaki - UFU 
Profa. Dra. Leonice Domingos dos 
Santos Cintra Lima - Universidade 
BRASIL 
Profa. Dra. Leonice Seolin Dias - ANAP 
Profa. Dra. Lidia Maria de Almeida 
Plicas - IBILCE/UNESP 
Profa. Dra. Lilian Keila Barazetti – 
UNOESTE 
Profa. Dra. Liriane Gonçalves Barbosa 
Profa. Dra. Lisiane Ilha Librelotto - UFS 
Profa. Dra. Lucy Ribeiro Ayach - UFMS 
Profa. Dra. Luciana Ferreira Leal - 
FACCAT 
Profa. Dra. Luciane Lobato Sobral - 
UEPA 
Profa. Dra. Luciana Márcia Gonçalves – 
UFSCar 
 
Prof. Dr. Luiz Fernando Gouvêa e Silva - 
UFG 
Prof. Dr. Marcelo Campos - FCE/UNESP 
Prof. Dr. Marcelo Real Prado - UTFPR 
Profa. Dra. Marcia Eliane Silva Carvalho 
- UFS 
Prof. Dr. MárcioRogério Pontes - 
EQUOIA Engenharia Ambiental LTDA 
Profa. Dra. Margareth de Castro Afeche 
Pimenta - UFSC 
Profa. Dra. Maria Ângela Dias - UFRJ 
Profa. Dra. Maria Ângela Pereira de 
Castro e Silva Bortolucci - IAU 
Profa. Dra. Maria Augusta Justi Pisani - 
UPM 
Profa. Dra. María Gloria Fabregat 
Rodríguez - UNESP 
Profa. Dra. Maria Helena Pereira 
Mirante – UNOESTE 
Profa. Dra. Maria José Neto - UFMS 
Profa. Dra. Maristela Gonçalves Giassi - 
UNESC 
Profa. Dra. Marta Cristina de Jesus 
Albuquerque Nogueira - UFMT 
Profa. Dra. Martha Priscila Bezerra 
Pereira - UFCG 
Prof. Dr. Maurício Lamano Ferreira - 
UNINOVE 
Profa. Dra. Nádia Vicência do 
Nascimento Martins - UEPA 
Profa. Dra. Natacha Cíntia Regina 
Aleixo - UEA 
Profa. Dra. Natália Cristina Alves 
Prof. Dr. Natalino Perovano Filho - 
UESB 
Prof. Dr. Nilton Ricoy Torres - FAU/USP 
Profa. Dra. Olivia de Campos Maia 
Pereira - EESC - USP 
Profa. Dra. Onilda Gomes Bezerra - 
UFPE 
Prof. Dr. Paulo Alves de Melo – UFPA 
Prof. Dr. Paulo Cesar Rocha - 
FCT/UNESP 
Prof. Dr. Paulo Cesar Vieira Archanjo 
 
 
 
6 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
Profa. Dra. Priscila Varges da Silva - 
UFMS 
Profa. Dra. Regina Célia de Castro 
Fereira - UEMA 
Prof. Dr. Raul Reis Amorim - UNICAMP 
Prof. Dr. Renan Antônio da Silva - 
UNESP – IBRC 
Profa. Dra. Renata Morandi Lóra - IFES 
Profa. Dra. Renata Ribeiro de Araújo - - 
FCT/UNESP 
Prof. Dr. Ricardo de Sampaio Dagnino - 
UFRGS 
Prof. Dr. Ricardo Toshio Fujihara - 
UFSCar 
Profa. Dra. Risete Maria Queiroz Leao 
Braga – UFPA 
Profa. Dra. Rita Denize de Oliveira - 
UFPA 
Prof. Dr. Rodrigo Barchi - UNISO 
Prof. Dr. Rodrigo Cezar Criado - 
TOLEDO / Prudente Centro 
Universitário 
Prof. Dr. Rodrigo Gonçalves dos Santos 
- UFSC 
Prof. Dr. Rodrigo José Pisani - UNIFAL-
MG 
Prof. Dr. Rodrigo Santiago Barbosa 
Rocha - UEPA 
Prof. Dr. Rodrigo Simão Camacho - 
UFGD 
Prof. Dr. Ronaldo Rodrigues Araujo - 
UFMA 
Profa. Dra. Roselene Maria Schneider - 
UFMT 
Prof. Dr. Salvador Carpi Junior - 
UNICAMP 
Profa. Dra. Sandra Mara Alves da Silva 
Neves - UNEMAT 
Prof. Dr. Sérgio Augusto Mello da Silva 
- FEIS/UNESP 
Prof. Dr. Sergio Luis de Carvalho - 
FEIS/UNESP 
Profa. Dra. Sílvia Carla da Silva André - 
UFSCar 
Profa. Dra. Silvia Mikami G. Pina - 
Unicamp 
Profa. Dra. Simone Valaski - UFPR 
Profa. Dra. Sueli Angelo Furlan - USP 
Profa. Dra. Tânia Fernandes Veri Araujo 
- IF Goiano 
Profa. Dra. Tânia Paula da Silva – 
UNEMAT 
Profa. Dra. Tatiane Bonametti Veiga - 
UNICENTRO 
Prof. Dr. Thiago Ferreira Dias Kanthack 
Profa. Dra. Vera Lucia Freitas Marinho 
– UEMS 
Prof. Dr. Vilmar Alves Pereira - FURG 
Prof. Dr. Vitor Corrêa de Mattos 
Barretto - FCAE/UNESP 
Prof. Dr. Xisto Serafim de Santana de 
Souza Júnior - UFCG 
Prof. Dr. Wagner de Souza Rezende - 
UFG 
Profa. Dra. Yanayne Benetti Barbosa 
 
 
 
 
 
7 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
 
APRESENTAÇÃO DA OBRA 
 
No Brasil e basicamente em todo o mundo, nota-se uma conjunção entre 
agricultura e sustentabilidade, tal fato se dá pela necessidade de conservação 
dos recursos naturais em todo o globo. Por isso ações e políticas 
governamentais tem sido cada dia mais rigorosas no monitoramento agrícola e 
os impactos ambientais causados por tal atividade. Nesse sentido, o 
agronegócio deve estar cada dia mais conciliando práticas agrícolas com 
sustentabilidade. 
O livro “Sustentabilidade no agronegócio” é composto por oito capítulos 
com leitura que envolve o tema em sua totalidade, os autores dos capítulos, 
que são pesquisadores e professores em sua maioria, possuem experiência nos 
temas e pertencem a renomadas instituições de ensino e pesquisa do país. 
O primeiro capítulo desta obra “Situação atual da produção na 
agropecuária de forma sustentável”, apresenta o crescimento agrícola 
brasileiro e a necessidade da criação de meios sustentáveis, advindos de 
técnicas experimentalmente estudadas, para a produção de alimentos, 
evitando a contaminação dos recursos naturais. 
O segundo capítulo “A modernização da agricultura e o caso brasileiro”, 
apresenta a evolução do desenvolvimento agrícola e o monopólio de países na 
chamada revolução verde, também neste capítulo, o leitor terá em suas mãos 
uma crítica sobre a evolução da agricultura no país e os caminhos tomados pelo 
Brasil para o protagonismo no setor. 
O capítulo “Aspectos de produção de biocombustível”, discute os 
problemas sobre o uso de combustíveis fósseis e o uso de biocombustíveis 
como energia mais limpa e melhor opção para sustentabilidade do planeta. 
Já neste tema “Desenvolvimento sustentável e energia renovável no 
meio rural: um estudo sobre o uso do biodigestor como fonte alternativa e 
econômica para o pequeno produtor”, os autores apresentam uma discussão 
sobre a viabilidade do uso do biodigestor como matriz energética no Brasil, 
 
 
 
8 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
abordando as problemáticas do consumo de energia, as dificuldades e 
disponibilidade e as principais fontes disponíveis. 
No capítulo “Insetos: alimento sustentável para nutrição animal”, os 
autores enfatizam a importância dos insetos como fonte de alimento 
sustentável, as principais espécies de insetos alimentícios utilizadas e o 
interesse global de acadêmicos e empreendedores para este tipo de atividade. 
 A obra neste capítulo “Manejo sustentável do solo como alternativa 
para mitigação das mudanças climáticas”, elucida como o manejo sustentável 
do solo pode ser uma alternativa para a mitigação dos efeitos das mudanças 
climáticas, através do reaproveitamento de resíduos e técnicas de conservação 
do solo. 
Ainda no âmbito das mudanças climáticas, o capítulo “Mudanças 
climáticas e a agropecuária”, de Ilca Puertas de Freitas e Silva e colaboradores, 
aborda o cenário das mudanças climáticas e seus efeitos no agronegócio e 
algumas medidas de mitigação de emissão de gases do efeito estufa, utilizando 
tecnologia em sistemas produtivos , tema de fundamental importância no 
cenário de discussões ambientais em que se insere a agricultura. 
A obra é finalizada com o tema “O uso da água na agricultura: 
importância, ineficiências e tendências”, os autores abordam como a água é o 
principal agente da revolução agrícola no mundo, tal capítulo remete a 
agricultura como maior consumidor e agente poluidor dos recursos hídricos, 
sendo necessário atenção e emprego de tecnologias para o aumento da 
eficiência do uso da água. 
Trata-se de um livro com discussões importantes e atuais em um cenário 
diversificado como é o setor do agronegócio, espera-se que o conteúdo 
apresentado nesta obra possa ser utilizado em pesquisas, revisões de literatura 
e consultas para estudantes e profissionais das ciências agrárias, assim como 
produtores e interessados no setor. 
Prof. Dr. Alexsandro Oliveira da Silva 
 
 
 
9 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
 
ORGANIZADORES DA OBRA 
 
 
ALLAN LEON CASEMIRO DA SILVA 
Doutorando em Agronegócio e Desenvolvimento pela Faculdade de Ciências e 
Engenharia (FCE) da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - UNESP 
(2018), Especialista em Gestão do Agronegócio pela Faculdade de Ciências e Engenharia 
(FCE) - UNESP (2011), graduado em Direito pela FADAP-FAP (2006) e em Administração 
pela FCE UNESP (2014). Atualmente é Docente dos cursos de Direito e Administração das 
Faculdade de Direito da Alta Paulista FADAP/FAP. 
 
FERNANDO FERRARI PUTTI 
Possui graduação em Administração de Empresas (2012), pela Universidade 
Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho do Campus Experimental de Tupã, Mestrado 
em Agronomia (Irrigação e Drenagem) (2014) e doutorado (2015) pela FCA/ UNESP- 
Botucatu. Atualmente é Professor Assistente Doutor da Faculdade de Ciências e 
Engenharia do Campus de Tupã no Departamento de Engenharia de Biossistemas. 
Assessor Técnico da Pró-Reitoria de Graduação da UNESP (PROGRAD) 
 
BRUNO CÉSAR GÓES 
Possui graduação em Administração de Empresas e Agronegócios (2016) pelaFaculdade de Ciências e Engenharia (FCE) da Universidade Estadual Paulista Júlio de 
Mesquita Filho (UNESP) - Campus de Tupã, Mestrado em Agronegócio e 
Desenvolvimento (2019) pela Faculdade de Ciências e Engenharia (FCE) da Universidade 
Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP) - Campus de Tupã, com bolsa 
fomentada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), 
Doutorado em Agronegócio e Desenvolvimento (2020) pela Faculdade de Ciências e 
Engenharia (FCE) da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP) - 
Campus de Tupã. Atualmente é docente da Universidade José do Rosário Vellano 
(UNIFENAS), Alfenas-MG. 
 
 
 
 
 
10 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
 
 
11 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
 
SUMÁRIO 
 
CAPÍTULO 1 
SITUAÇÃO ATUAL DA PRODUÇÃO NA AGROPECUÁRIA DE 
FORMA SUSTENTÁVEL 
Carlos Eduardo Botega, Elaine da Silva Lima, Elisa Cristina Rocha, 
Ligiane Aparecida Florentino, Marcos Speroni Ceron 
 
15 
 
CAPÍTULO 2 
 
A MODERNIZAÇÃO DA AGRICULTURA E O CASO BRASILEIRO 
Carlos Guida Anderson, Paulo César Ferreira, Lucas Lima de 
Resende, Fernando Ferrari Putti, Bruno César Góes 
47 
 
CAPÍTULO 3 
 
ASPECTOS DE PRODUÇÃO DE BIOCOMBUSTÍVEL 
Álvaro de Baptista Neto, Fernando Masarin, Ariela Veloso de 
Paula, Rodney Helder Miotti Junior, Guilherme Peixoto 
69 
 
CAPÍTULO 4 
 
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E ENERGIA RENOVÁVEL 
NO MEIO RURAL: UM ESTUDO SOBRE O USO DO 
BIODIGESTOR COMO FONTE ALTERNATIVA E ECONÔMICA 
PARA O PEQUENO PRODUTOR 
Vitor Bini Teodoro, Patrícia Cristina Melero Pereira Leite, Márcio 
Presumido Júnior, Estela Violin de Melo, Angélica Gois Morales 
117 
 
 
 
 
12 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
CAPÍTULO 5 
INSETOS: ALIMENTO SUSTENTÁVEL PARA NUTRIÇÃO 
ANIMAL 
Ariane Flávia do Nascimento, Andressa Santanna Natel, Fábio dos 
Santos Corsini, Eric Ribeiro Madureira, Diego Vicente da Costa 
 
153 
 
CAPÍTULO 6 
 
MANEJO SUSTENTÁVEL DO SOLO COMO ALTERNATIVA 
PARA MITIGAÇÃO DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS 
Tayla Évellin de Oliveira, Ana Beatriz Carvalho Terra, Kleso Silva 
Franco Júnior, Ademir Calegari, Ligiane Aparecida Florentino 
195 
 
CAPÍTULO 7 
 
MUDANÇAS CLIMÁTICAS E A AGROPECUÁRIA 
Ilca Puertas de Freitas e Silva, Paula de Aguiar Silva, Josué Ferreira 
Silva Junior, Luis Henrique Almeida de Matos 
 
219 
 
CAPÍTULO 8 
 
O USO DA ÁGUA NA AGRICULTURA: IMPORTÂNCIA, 
INEFICIÊNCIAS E TENDÊNCIAS 
Teucle Mannarelli Filho, Vitória Aparecida Cardoso, Suzana Márcia 
Marangoni, Wagner Luiz Lourenzani, Cristiane Hengler Corrêa 
Bernardo 
243 
 
 
 
 
 
13 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
 
 
 
 
 
 
14 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
 
 
 
15 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
 
 
CAPÍTULO 1 
___________________________________ 
 
 
 
 
 
SITUAÇÃO ATUAL DA PRODUÇÃO NA 
AGROPECUÁRIA DE FORMA SUSTENTÁVEL 
 
 
Carlos Eduardo Botega1 
Elaine da Silva Lima2 
Elisa Cristina Rocha3 
Ligiane Aparecida Florentino4 
Marcos Speroni Ceron5 
 
 
 
 
1 Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal-UNIFENAS, E-mail: 
cebotega@gmail.com 
2 Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal-UNIFENAS, 
elaine.96lima@gmail.com 
3 Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal-UNIFENAS, 
lisarocha15@gmail.com 
4 Prof. Dr. Ligiane Aparecida Florentino-UNIFENAS, ligiane.florentino@unifenas.br 
5 Prof. Dr. Prof. Dr. Marcos Speroni Ceron-UNIFENAS, marcos.ceron@unifenas.br 
 
 
 
16 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
INTRODUÇÃO 
 
A expressão "desenvolvimento sustentável", começou a se tornar 
popular a partir da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e 
Desenvolvimento (CNUMAD), realizada no Rio de Janeiro em 1992. Com o 
surgimento dos conceitos de sustentabilidade, os impactos negativos causados 
por diversas tecnologias no campo social e ambiental, em especial no setor 
agrícola, vêm exigindo um novo padrão de desenvolvimento científico e 
tecnológico, tendo como objetivo a agricultura sustentável (KHAN et al., 2019) 
O termo “agricultura sustentável” pode ser traduzido como a relação 
entre a agricultura e o meio ambiente. De modo que os agricultores 
responsáveis pela gestão de suas propriedades devem adotar práticas corretas 
respeitando o ambiente, utilizando tecnologias adequadas e cumprindo a 
regulamentação em vigor (SILVA et al., 2020). Gliessman (2014) considera as 
seguintes necessidades para a prática de uma agricultura mais sustentável: 
melhorias no sistema, redução da utilização de insumos, utilização de insumos 
mais sustentáveis, e restabelecimento de conexões entre produtores e 
consumidores. 
O Brasil tem se destacado nas últimas décadas como um dos maiores 
produtor e exportador de alimentos, e para atender exigências deste mercado 
o governo brasileiro passou a adotar algumas políticas públicas como: o Plano 
de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (plano ABC), o Programa de 
Desenvolvimento da Agricultura Orgânica (Pró-Orgânico), o Pronaf, o Programa 
Federal de Apoio à Regularização Ambiental de Imóveis Rurais e mais 
recentemente, a obrigatoriedade do Cadastro Ambiental Rural (CAR). Assim 
como a implementação de técnicas ou alternativas sustentáveis utilizadas na 
produção animal e vegetal que visem a utilização de métodos alternativos aos 
utilizados pela agricultura convencional. Deste modo o presente trabalho teve 
como objetivo realizar um breve levantamento da situação atual da produção 
na agropecuária de forma sustentável 
 
 
 
 
 
17 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
1 SUSTENTABILIDADE NA AGROPECUÁRIA 
 
Para Gasques et al. (2014) o crescimento nos últimos anos do setor 
agrícola no Brasil deve-se a fatores como: a melhor qualificação da mão-de-
obra, as melhorias nas máquinas e equipamentos, os novos processos de 
execução e monitoramento de operações, utilização de melhores cultivares, 
uso de sementes geneticamente modificadas e investimentos em pesquisa 
(GASQUES et al., 2014). Porém, sabe-se que a produção agropecuária 
convencional acumula uma série de críticas que incluem contaminação de 
águas por fertilizantes químicos, riscos para a saúde humana e animal 
decorrentes do manejo incorreto de pesticidas, perda da diversidade genética, 
resistência das pragas aos agrotóxicos , redução da produtividade do solo 
devido à erosão, compactação e perda de matéria orgânica do solo e riscos à 
saúde e segurança incorridos pelos trabalhadores agrícolas (LAURANCE, SAYER 
e CASSMAN, 2014). 
 Nessa linha, Nassar et al. (2010), observam que a sustentabilidade é 
um dos elos para a manutenção da trajetória de crescimento do setor 
agropecuário brasileiro. Sendo assim, conciliar eficiência produtiva com 
equilíbrio ambiental é, particularmente desafiador para a agropecuária 
brasileira. Deste modo a sustentabilidade se tornou, portanto, uma necessidade 
e não apenas uma alternativa, a fim de mitigar tais impactos. Segundo Costa 
(2010), para a caracterização da sustentabilidade deve-se ter uma visão global 
das três dimensões fundamentais do desenvolvimento sustentável, 
considerando os aspectos ambientais em harmonia com os aspectos 
econômicos e sociais, para que se possa obter equilíbrio ambiental, eficácia 
econômica e equidade social. Ao mesmo tempo em que as necessidades dos 
produtores e consumidores possam ser atendidas a longo prazo, envolvendo a 
agropecuária e sua interação com a sociedade (YUNLONG e SMIT, 1994). 
As transformações nas bases da agricultura e na migração de um modelo 
tradicional para um modelo sustentável passam pela transformação da 
sociedade, assim, não é uma simples substituição de implementos que 
fortalecerão as novas práticas, mas a promoção de políticas públicas, voltadas 
para o fortalecimento dessa agricultura (MOREIRA e CARMO, 2004). Para Altieri 
 
 
 
18 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.)(2002), a implantação de sistema agroecológicos para produção de alimentos 
são fundamentais para redução do passiva ambiental da atividade 
agropecuária. O mesmo também sugere que para um modelo de produção 
agropecuário ser considerado agroecológico, deve-se seguir as seguintes 
características ilustradas na figura 1. 
Figura 1: Principais características das propriedades autossustentáveis 
Fonte: adaptado de Altieri (2002). 
 
 
2 PRODUÇÃO ANIMAL E VEGETAL SUSTENTÁVEIS 
 
No setor de produção animal, a maior e mais recente preocupação é a 
introdução dos conceitos relacionados ao bem-estar do animal, em protocolos 
de boas práticas de produção. Esse fato é um reflexo das discussões que vem 
ocorrendo nas cadeias de produção de proteína animal (MAZZUCO, 2008). 
Como e o caso de algumas atividades de produção adotadas na cadeia 
produtiva de ovos que tem gerado controvérsias frente a percepção pública, 
devido ao manejo convencional e alojamento praticados comercialmente, 
como por exemplo, a debicagem das aves, aplicação de muda induzida, o tipo 
 
 
19 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
de gaiola e densidade de alojamento (nº de aves/gaiola), transporte das aves e 
de população de aviários vêm recebendo maior atenção uma vez que são 
atividades que têm gerado discussões sobre o bem-estar de poedeiras em 
sistemas de criação intensivo ( MAZZUCO, 2008). 
Outro fato preocupante nos sistemas produtivos é a formação de 
resíduos tanto na avicultura quanto na suinocultura, pois ambas possuem 
grande potencial poluidor. Nestas atividades, para minimizar os impactos tem-
se praticado a armazenagem desses resíduos em lagoas ou tanques para 
posteriormente serem utilizados como fertilizante vegetal ou na geração de gás 
(KUNZ et al., 2006). Outra atividade agropecuária intensiva que também tem a 
característica de produzir significativa carga de matéria orgânica diariamente é 
a bovinocultura em confinamentos, tanto de corte como de leite (PASQUALINI, 
2020). 
 Já a produção animal em regime de pastagens, caracteriza-se pelo 
extrativismo, de modo que ocorre a perda da capacidade produtiva das 
pastagens e seus impactos sobre o ambiente e o comprometimento da 
sustentabilidade da atividade são facilmente percebidos (PASQUALINI, 2020). 
Como reflexo disso estimasse que 80% da área de pastagens cultivadas no Brasil 
encontram se em algum estado de degradação, o que afeta interfere 
negativamente na eficiência alimentar dos bovinos. 
Com isso outros sistemas de criação vêm ganhando espaço no mercado 
consumidor cárneo como é o caso da produção cunícula que apresenta 
características favoráveis em aspectos econômicos e para a oferta de alimentos 
de forma sustentável, diante da baixa demanda de espaço para o manejo dos 
animais, elevada proliferação da espécie, baixa utilização de água, 
características alimentares da carne e possibilidade de agregação de valor dos 
subprodutos gerados, como miúdos e pele (BONAMIGO et al. 2017) 
Já no setor agrícola uma das preocupações referentes e à o grande uso 
de fertilizantes químicos, que encarecem a produção e podem causar danos ao 
meio ambiente. De acordo com a associação nacional de difusão de adubos 
(ANDA) no ano de 2018 foram entregues ao mercado brasileiro cerca de 
35.506.301 toneladas de fertilizantes químicos, cerca de 4% a mais comparado 
aos dois últimos anos, estes dados refletem diretamente no valor da produção 
 
 
 
20 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
bruta agrícola que segundo o IBGE no ano de 2018 chegou a 383,9 bilhões de 
reais, 3% a mais do que nos dois últimos anos. Outro fato de extrema 
importância refere-se ao possível esgotamento das reservas de rochas que dão 
origem aos fertilizantes, como é o caso da rocha fosfática, matéria-prima de 
fertilizantes fosfatados, pois de acordo com as estimativas as reservas sofreram 
alterações significativas nos últimos anos. Com isso diversas técnicas e 
alternativas sustentáveis vem sendo criadas e empregadas tanto na produção 
animal quanto vegetal. 
 
3 TÉCNICAS OU ALTERNATIVAS SUSTENTÁVEIS UTILIZADAS NA PRODUÇÃO 
ANIMAL E VEGETAL 
Para garantir o sucesso de produções sustentáveis, devem incluir 
alternativas que ajudem a melhorar as condições e o desenvolvimento da 
produção, favorecendo todo o processo e reduzindo os impactos ao meio 
ambiente, a produção animal e vegetal podem apresentar efeitos positivos ou 
negativos, esses aspectos vão depender da qualidade do manejo. (ANDRADE; 
STONE; GODOY, 2013). A atual agricultura tem o desafio de garantir a 
produtividade da produção e aprimorar a qualidade biológica mantendo o valor 
nutritivo e visando a ausência de resíduos tóxicos nos alimentos, tem o 
compromisso de conservar os recursos naturais para as futuras gerações 
(EMBRAPA, 2003). 
O Plano ABC teve origem na COP-15 (2009) Convenção-Quadro das 
Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), onde o governo brasileiro 
assumiu o compromisso voluntário de redução das emissões até 2020. Esse 
comprometimento para com a redução de GEE, inclui medidas sustentáveis 
como aumentar a participação de biocombustível na matriz energética, 
restaurar e reflorestar e eliminar o desmatamento ilegal, garantindo práticas 
sustentáveis e eficazes para uma agropecuária mais limpa, e com menor 
impacto (GOVERNO FEDERAL, 2012). O Plano ABC é composto por sete 
programas, seis deles referentes às tecnologias de mitigação, e ainda um último 
programa com ações de adaptação às mudanças climáticas: 
 
 
 
21 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
• Programa 1: Recuperação de Pastagens Degradadas 
A recuperação de pastagens degradadas é busca por técnicas de manejo 
para melhorar as condições das pastagens, aumentando o vigor e 
produtividade, para sustentar os níveis de produção e qualidade exigida pelos 
animais. Pois pastagens degradadas perdem sua cobertura vegetal e matéria 
seca, resultando em um aumento da emissão de CO2. Tendo em vista os 
avanços, a busca por melhorar a qualidade das pastagens e condições de 
manejo adequado, a pecuária mostra ter um grande potencial de sequestro de 
carbono. (ZEN et al., 2008). 
 
• Programa 2: Sistemas Agroflorestais (SAFs) e Integração Lavoura-Pecuária-
Floresta (iLPF) 
Os Sistemas Agroflorestais (SAFs) se caracterizam pelo consórcio de 
árvores perenes, com espécies agrícolas, forrageiras e atividade pecuária em 
uma mesma área, seguindo uma disposição espacial e temporal, com grande 
variedade de espécies e interações ecológicas entre os componentes. Ao 
contrário da monocultura, o sistema agroflorestal é extremamente adequado 
para a agricultura familiar, pois devido à grande diversificação de culturas, 
garante renda ao produtor rural ao longo de todo o ano. Os SAF mais 
conhecidos no Brasil são: os quintais agroflorestais, silvipastoris, taungya e os 
sistemas multiestratificados comerciais (GOVERNO, 2012). 
A Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) caracteriza-se pela 
integração de ciclos de atividades agrícolas e atividades pecuárias, em 
sequência na mesma área de produção. O sistema faz a rotação de culturas 
anuais de grãos com pastagens anuais ou perenes. O consórcio de leguminosas 
com gramíneas forrageiras pode aumentar o teor de nutrientes, principalmente 
nitrogênio, no solo através da fixação biológica por rizóbios de leguminosas 
(Ashworth; West, 2015; Xavier et al., 2011). O ILPF reduz o uso de insumos 
agrícolas, possibilita a reciclagem de carbono e torna atividade agropecuária 
mais sustentável. 
 
 
 
 
 
22 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
• Programa 3: Sistema Plantio Direto (SPD) 
O sistema de plantio direto (SPD) é uma alternativa de produção 
sustentável, o mesmo aumenta eficiência energética do sistema de produção 
(RUSU,2014), e o não revolvimento do solo, aconselhado por este manejo, gera 
maior conservação de nitrogênio, potássio e carbono no sistema solo-planta 
(VILLAMIL& NAFZIGER,2015). Este processo produtivo aumenta a matéria 
orgânica presente no solo, a porosidade total e o conteúdo de água disponível, 
além de controlar o escorrimento superficial e diminuir as perdas de solo 
(AWALE,2013). 
 
• Programa 4: Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) 
Visando aumento da eficiência agronômica os inoculantes bacterianos 
são uma alternativa a fim de melhorar a absorção de nutrientes, a inoculação 
com microrganismos fixadores de nitrogênio (N) atmosférico, onde reduzem a 
utilização de fertilizantes nitrogenados, e esses microrganismos pode aumentar 
a disponibilidade de nutrientes nos solos (SÁNCHEZ LÓPEZ, et al. 2020). Já existe 
diversos estudos com inúmeros gêneros bacterianos que apresentam potencial 
como inoculantes, dentre os mais aceitos estão Azospirillum, Pseudomonas, 
Azotobacter, Bacillus, entre outros (Yasmin et al., 2010; Sánchez et al.,2019). Na 
FBN, o nitrogênio atmosférico (N 2) é convertido em amônio (NH4 +) em 
nódulos radiculares formados pela simbiose leguminosa-rizóbios (ASHWORTH 
et al,2015) bactérias diazotróficas de vida livre presentes no solo. A fixação do 
N se deve a atuação do complexo enzimático da nitrogenase, que catalisa a 
redução do nitrogênio (N 2) em amônia (NH 3), que é protonado para formar 
NH 4 + (IPATA; PESI,2015). 
 
• Programa 5: Florestas Plantadas 
A produção de florestas plantadas tem como objetivos gerar uma fonte 
de renda produtor e sua família a longo prazo e diminuir pressão sobre as matas 
nativas, e capturar CO2 da atmosfera, reduzindo os efeitos do aquecimento 
global. E assim promovendo ações de reflorestamento no país, ampliando a 
área reflorestada destinada à produção (GOVERNO, 2012). O Brasil vem se 
 
 
23 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
destacando com um dos líderes mundiais em florestas plantadas, e atualmente 
possui mais de 7,84 milhões de hectares, constituindo mais de 72% dessa área 
do gênero Eucalyptus (IBA,2016). 
 
• Programa 6: Tratamento de Dejetos Animais 
O biodigestor é um equipamento utilizado para acelerar a decomposição 
de matéria orgânica e resulta na produção de biogás (metano, dióxido de 
carbono, gás sulfídrico e nitrogênio). Esse processo consiste no tratamento 
apropriado dos efluentes e dejetos, uma prática sustentável para a redução da 
emissão de metano, essa técnica auxilia no aumento na renda dos agricultores, 
seja pelo biocomposto produzido ou pela geração de energia automotiva, 
térmica e elétrica por meio do uso do biogás, através de biodigestores. 
(GOVERNO,2012). O sistema de manejo de dejetos de suínos empregando 
biodigestores é um hábil instrumento de redução de emissão de CO2, desde que 
o metano seja queimado ou utilizado para outros fins, por exemplo, a geração 
de energia (ANGONESE et al, 2007). 
 
• Programa 7: Adaptação às Mudanças Climáticas 
A adaptação às Mudanças Climática é o conjunto de políticas públicas de 
enfrentamento das alterações do clima, essas mudanças podem afetar o ciclo 
das culturas e vegetação consequentemente podem resultar em safras 
menores e produtos de menor qualidade, e trazer grandes prejuízos para a 
agricultura, e permanência dos agricultores no campo (GOVERNO, 2012). Nesse 
sentido, estratégias de adequação às mudanças climáticas são essenciais para 
que os agricultores e todos os elos da cadeia produtiva do agronegócio possam 
atenuar os efeitos adversos previstos (MOORE & LOBELL,2014). 
 
 
 
 
 
 
24 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
4 CONTROLE BIOLÓGICO 
 
O controle biológico é uma prática de manejo de pragas agrícolas, 
apresenta um custo mais baixo, menor risco à saúde humana e ao meio 
ambiente, reduzindo assim os danos (EMBRAPA, 2003). O mesmo tem se 
destacado como uma das possibilidades para a redução de infestações por 
pragas em culturas agrícolas, especialmente onde redução ou eliminação de 
pesticidas, pois almejam práticas sustentáveis de manejo de pragas. A produção 
agrícola está tomando novos direcionamentos que cabe desenvolver práticas 
de menor impacto ambiental no combate de pragas, desenvolvendo métodos 
alternativos substitui ou reduz a utilização de químicos com efeitos negativos à 
saúde humana e meio ambiente, proporcionando e impulsionando o uso 
sustentável da biodiversidade (SILVA et al., 2010). O biocontrole tem sido 
reconhecido pelos produtores que utilizam do método como uma considerada 
uma alternativa viável com resultados satisfatórios para um sistema de 
produção orgânica, substituindo defensivos químicos e proporcionando a 
manutenção do equilíbrio ambiental (CHAGAS, et al. 2016). 
 
Compostagem 
A compostagem é um conjunto de processos aeróbicos, denominado 
decomposição controlada da matéria orgânica em condições que desenvolvem 
temperaturas termofílicas, resultantes de uma produção calorífica de origem 
biológica, tendo um produto final estável, sanitizado, rico em compostos 
húmicos e cuja utilização no solo não oferece riscos ao meio ambiente (Valente 
et al. 2009). Diante disso, a compostagem é uma alternativa viável e muito 
eficaz para amenizar os impactos causados pela produção animal (SOUZA, 
2019). Um processo biológico de reciclagem de nutrientes, podendo ser 
empregada desde que alguns parâmetros sejam adaptados para que as carcaças 
possam ser decompostas de maneira eficiente e segura, sem que haja 
disseminação de doenças, mesmo não se sabendo a causa da mortalidade dos 
animais, se todos os critérios forem seguidos justifica-se o usa do processo, 
amenizando os resíduos gerados e os impactos (GARDONI, 2019). 
 
 
25 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
De acordo com a Resolução nº 481 de 03 de outubro de 2017, do 
Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, para adoção de processos de 
compostagem é necessário cumprir requisitos mínimos, sendo controle 
ambiental para minimizar lixiviados e emissão de odores e evitar geração de 
chorume, proteção do solo por impermeabilização, manejo e tratamento dos 
líquidos lixiviados e manejo de águas pluviais. Também devem conter sistema 
de recepção e armazenamento de resíduos orgânicos, medidas de isolamento 
e sinalização da área, sendo proibido o acesso de pessoas não autorizadas e 
animais. 
 
 Produção Siscal 
 O Sistema Intensivo de Suínos Criados ao Ar Livre (SISCAL) teve origem 
no continente europeu e o mesmo foi aderido pelos brasileiros por volta da 
década de 80, por oferecer grandes vantagens e facilidades e baixo custo na 
produção, tendo também custo reduzido na sua implantação e manutenção, 
garantindo a flexibilidade desse sistema (DALLA COSTA, 1998). No SISCAL, os 
animais são mantidos em piquetes, ao ar livre com abrigos rústicos, onde 
podem explorar o ambiente e expressar seu comportamento natural. Este 
sistema se difere do sistema convencional, onde os animais são mantidos em 
baias de alvenaria, e em alguns casos com excesso de animais (CARVALHO & 
VIANA, 2011). 
 
 Certificação 
A globalização econômica tem permitido que pessoas aprendam e 
conheçam as mais diversificadas regiões do mundo e diferentes formas de 
produção e alimentos, gerando busca por preços competitivos, segurança 
alimentar e maior qualidade do alimento. O ambiente social envolvido no 
processo de produção começa a desempenhar um papel fundamental nas 
relações comerciais, à medida que os consumidores se tornam mais conscientes 
e demandam ao mercado uma busca por alimentos mais saudáveis (Martins, D, 
dos, S; et al; 2013). 
Em busca de uma abrangência maior de mercado, as empresas têm 
buscado um modo mais comum de alertar aos consumidores sobre as 
 
 
 
26 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
qualidades especiais de produtos, com isso realizam a certificação e usam os 
selos incorporados na rotulagem para diversificar os produtos. Certificados ou 
selos de qualidade são usados em muitos países, incluindo o Brasil, para 
distinguir produtos ou unidades de produçãode alimentos (Aquino, A.M; Assis, 
R.L; 2005). Estes são considerados mecanismos de supervisão de qualidade e 
podem ser concedidos ou reconhecidos por organizações não-governamentais 
e por agências governamentais. 
 
Certificação na produção vegetal orgânica 
 
A produção orgânica do Brasil é regulada Ministro da Agricultura 
Pecuária e Abastecimento (MAPA) e definido como um produto cultivado sem 
uso agrotóxicos, fertilizantes, e substância sintética. As razões para a 
certificação são as mais diversas possíveis, incluindo; as necessidades dos 
clientes, as impressões dos clientes, as demandas dos consumidores mais 
elevados e até o valor agregado dos produtos ou serviços, sendo sua avalição 
baseada na auditoria do processo de produção, coleta e testes de amostras. 
(ABNT, 2020) (Perreti; et al 2010). 
A certificação de produtos orgânicos é o procedimento pelo qual uma 
certificadora, devidamente credenciada pelo (MAPA) e “acreditada” 
(credenciada) pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade 
Industrial (Inmetro), assegura por escrito (Quadro 1) que determinado produto, 
processo ou serviço obedeça às normas e práticas da produção orgânica 
(Munoz; et al; 2016). 
 
 
 
27 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
Quadro 1 - Principais Selos de certificação 
 
Orgânico 
A certificação de produtos orgânicos é o 
procedimento pelo qual uma certificadora, 
devidamente credenciada pelo Ministério da 
Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e 
“acreditada” (credenciada) pelo Instituto 
Nacional de Metrologia, Normalização e 
Qualidade Industrial (Inmetro), assegura por 
escrito que determinado produto, processo ou 
serviço obedece às normas e práticas da 
produção orgânica. Fonte Mapa 2020. 
 
Orgânico por 
Certificação/ 
Auditoria 
A concessão do selo SisOrg é feita por uma 
certificadora pública ou privada credenciada no 
Ministério da Agricultura. O organismo de 
avaliação da conformidade obedece a 
procedimentos e critérios reconhecidos 
internacionalmente, além dos requisitos técnicos 
estabelecidos pela legislação brasileira. Fonte 
Mapa 2020. 
 
 
Orgânico 
Sistema 
Participativo 
Os Sistemas Participativos de Garantia – SPG são 
grupos formados por produtores, consumidores, 
técnicos e pesquisadores que se auto-certificam, 
ou seja, estabelecem procedimentos de 
verificação das normas de produção orgânica 
daqueles produtores que compõe o SPG. 
Precisam ser credenciados no Ministério da 
Agricultura, Pecuária e Abastecimento que 
fiscaliza seu trabalho. Os produtos do SPG 
recebem o selo brasileiro. Fonte: MAPA 2020 
 
 
EOS (Ecocert 
Organic 
Standard) 
Regulamento 
Europeu. 
 
O CR 834/07 (Council Regulation No 834/07) 
regulamenta produtos orgânicos na União 
Européia. A fim de atestar para os consumidores 
em todo o mercado que o produto é orgânico, o 
logotipo é obrigatório para todos os alimentos 
orgânicos pré-embalados produzidos na União 
Européia. No caso de não-embalados, seu uso é 
voluntário. (Martins, D, dos, S; et al; 2013). 
 
 
USDA-NOP 
(National 
Organic 
Program) 
O Programa Norte-Americano de Orgânicos 
(National Organic Products – NOP) faz parte do 
Departamento de Agricultura dos Estados Unidos 
(USDA). O NOP desenvolve, implementa e 
administra critérios para a produção, manuseio e 
normas de rotulagem. Além disso, credencia 
empresas privadas, organizações e órgãos 
estaduais para certificar produtores e 
manipuladores de acordo com as normas NOP, 
inclusive em outros países. (Martins, D, dos, S; et 
al; 2013). 
 
 
 
28 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
 
COR 
(Canadian 
Organic 
Rules) 
 
O Canada Organic Regime (COR) foi elaborado 
pelo governo do Canadá. A Agência Canadense de 
Inspeção de Alimentos (Canadian Food 
Inspection Agency – CFIA) é responsável pelo 
acompanhamento e aplicação dos regulamentos. 
Há organismos de certificação, espalhados por 
todo o mundo, responsáveis por verificar a 
aplicação dos padrões canadenses. (Martins, D, 
dos, S; et al; 2013). 
 
 
JAS (Japan 
Agricultural 
Standards) 
 
A Norma Japanese Agricultural Standard (JAS) de 
produtos orgânicos foi estabelecida no Japão 
com base nas diretrizes para a produção, 
processamento, rotulagem e marketing de 
produtos orgânicos, que foram aprovadas pela 
Comissão do Codex Alimentarius. Organismos de 
certificação registrados no Japão ou em outros 
países podem conceder o uso do logotipo JAS 
orgânico nos produtos que sejam produzidos ou 
fabricados em conformidade com essas normas. 
(Martins, D, dos, S; et al; 2013). 
Fonte JULIÃO, L.; VIANA, M 2011 
 
A IFOAM (Federação Internacional de Movimentos de Agricultura 
Orgânica, é a organização mundial do movimento de agricultura orgânica, figura 
2) tem desenvolvido um conjunto de normas aprovadas oficialmente como 
orgânicas pelo movimento orgânico internacional, e que de alguma forma 
traçam um critério para distinguir entre orgânico e não orgânico. A aprovação 
de cada norma é baseada numa avaliação técnica detalhada destas, seguindo 
um procedimento determinado pelo sistema de garantia orgânica e auxilia no 
desenvolvimento e capacidade do agricultor para facilitar a transição dos 
agricultores, conscientizam sobre a necessidade de produção e consumo 
sustentáveis e defendem um ambiente político propício às práticas agrícolas 
agroecológicas e ao desenvolvimento sustentável (IFOAM, 2020). 
 
 
 
29 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
Figura 2 – Símbolo da IFOAM 
 
 
Fonte: IFOAM, 2020. 
 
 
5 CERTIFICAÇÃO NA PRODUÇÃO ANIMAL ORGÂNICA 
 
Embora ainda em crescimento, o mercado de produtos orgânicos animal 
tem apresentado uma crescente demanda mundial, fazendo com que os 
produtores façam adaptações em suas linhas de criação e produção buscando 
atender as novas demandas globais. A Organização das Nações Unidas para 
Agricultura e Alimentação (FAO) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), 
criado em 1963, com o objetivo de estabelecer normas internacionais na área 
de alimentos, incluindo padrões, diretrizes e guias sobre Boas Práticas e de 
Avaliação de Segurança e Eficácia. Seus principais objetivos são proteger a 
saúde dos consumidores e garantir práticas leais de comércio entre os países, 
assim como a regulamentação onde o Codex Alimentarius, desde a década de 
70, com o objetivo de estabelecer normas internacionais na área de alimentos, 
incluindo padrões, diretrizes e guias sobre Boas Práticas e de Avaliação de 
Segurança e eficácia (OCDE-FAO, 2017); (ONU, 2001). 
Uma das vantagens do sistema orgânico de produção é o uso da 
rastreabilidade dos animais que geram impacto no PNCRB (Plano de Nacional 
de Controle de Resíduos e Contaminantes). Destacam-se os programas do 
governo federal para melhorar a performance do país no que tange a 
sustentabilidade (GOUVELLO, C. 2010) (BRASIL, 2011): 
 
 
 
 
 
30 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
a. Agricultura de Baixo Carbono (ABC): este programa visa a promover a 
recuperação de áreas de pasto que sofreram degradação de solo e 
colocar em prática um sistema de produção integrada de cultivo, 
pecuária e florestamento. 
b. Agroecologia, do Pronaf 48: que proporciona crédito de investimento 
para a introdução de sistemas agrícolas ambientalmente sustentáveis 
e para a produção orgânica. 
c. Novo Código Florestal de 2012: ao demandar o registro de unidades 
agrícolas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), deixando claro que após 
maio de 2017 as propriedades rurais não incluídas no CAR não terão 
acesso a crédito agrícola. Mesmo assim, os agricultores podem se 
comprometer a cumprir as exigências ambientais de acordo com o 
Plano de Recuperação Ambiental (PAR), inclusive com ações de 
reflorestamento, conservação de solo e a manutenção de uma parcela 
da propriedade com cobertura natural. 
 
Na produção animal orgânica para amenizar estes impactos no meio 
ambiente se desenvolveram alguns programas mais sustentáveis para o meioambiente e bem estar do animal, como a Bovinocultura, Galinha Feliz e SISCAL 
já citados anteriormente onde temos a HFAC que certifica (MAPA, 2020). A 
Humane Farm Animal Care (figura 3) é a principal organização internacional de 
certificação sem fins lucrativos voltada para a melhoria da vida dos animais 
criados, desde o nascimento até o abate, para a produção de alimentos. Na 
América do Sul ela é representada pelo Instituto Certified Humane Brasil, 
também uma organização sem fins lucrativos. O objetivo do programa é 
melhorar a vida dos animais de criação, direcionando a demanda do 
consumidor por práticas mais agradáveis e responsáveis. 
 
 
 
 
 
 
31 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
Figura 3 – Símbolo da HFAC 
 
Fonte: Mapa, 2020. 
 
 
6 ADAPTAÇÃO DAS EMPRESAS A PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL 
 
No atual ambiente de negócios global, o desempenho global de uma 
organização é uma característica essencial de seu gerenciamento estratégico. O 
mercado global impõe às empresas uma série de procedimentos, mudanças 
(QUARDO 2) e padrões éticos mínimos em relação à conformidade, sendo os 
negócios formados por diretrizes, normas e regulamentos de adaptação com 
monitoramento contínuo para manter desenvolvimento sustentável 
corporativo e sobrevivência no mercado (Assad, E.D; et al 2012). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
32 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
QUADRO 2 - Mudança de abordagem a partir da conscientização ambiental 
Temas Abordagem 
Convencional 
Abordagem Consciente 
Lucro 
Assegurar lucro 
transferido ineficiências 
para o preço do produto. 
Assegurar lucro 
controlando custos e 
eliminando ou reduzindo 
perdas, fugas, 
ineficiências 
(ecoeficiência). 
Resíduos 
Descartar os resíduos de 
maneira mais fácil e 
econômica. 
Valorizar os resíduos e 
maximizar a reciclagem; 
destinar corretamente os 
resíduos não 
recuperáveis. 
Investimentos 
Protelar investimentos 
em proteção ambiental. 
Investir em melhoria do 
processo e da qualidade 
ambiental dos produtos. 
Legislação 
Cumprir a lei no que seja 
essencial, evitando 
manchar a imagem já 
conquistada pela 
empresa. 
Adiantar-se às leis 
vigentes e vindouras, 
projetando uma imagem 
avançada da empresa. 
Meio Ambiente 
Meio ambiente é um 
problema. 
Meio ambiente é uma 
oportunidade. 
Fonte: Valle, 2002 
 
São aspectos importantes para agronegócio sistemas sustentáveis de 
produção de alimentos e programas de práticas agrícolas resistentes (QUADRO 
3), para aumento da produção e produtividade, mantendo ecossistema e 
ajudando na adaptação climática, melhorando progressivamente a qualidade 
do solo e para isso o governo brasileiro se comprometeu com acordo de Paris e 
com Agenda 2030, implementado programas para a reduzir a emissão de 
carbono pelo programa ABC (agricultura de baixo carbono), com novo código 
florestal de 2012 registrando propriedades rurais no CAR (cadastro ambiental 
rural), o PAR (plano de recuperação ambienta) l com exigências de 
reflorestamento, manutenção do solo e manter parte natural da propriedade, 
 
 
33 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
com prazo de 20 anos para execução tendo ainda o programa Agroecologia do 
Pronaf incentivando crédito para sistemas agrícolas ambientalmente (Arifa; 
B.I.A 2012) (Caporal, F.R. & Petersen, P. 2012). 
 
QUADRO 3 – Frentes de atuação para o desenvolvimento sustentável 
Fonte: WWF, 2012 
 
O contexto estratégico do agronegócio brasileiro é examinado diante 
dos fatores de maior influência sobre a sua presença no mercado global. São 
considerados os princípios internacionais de mercado, bem como as normas da 
economia sustentável, baseadas na concepção do “tripé” econômico, 
ambiental e social. São descritas as ações do país com vista ao cumprimento 
desses princípios e normas, e soluções desenvolvidas para viabilizar a 
sustentabilidade agropecuária em ambiente tropical. Destaca-se a necessidade 
da inovação e do aprendizado para os atores envolvidos no setor, bem como 
uma postura ética, com valores a serem compartilhados ao longo da cadeia 
produtiva. (Tarapanoff, 2018). 
Observando problemas da construção histórica das relações sociais / 
naturais as mudanças ambientais produziram uma série de mudanças na 
sociedade civil, muito sensível a questões ecológicas, seja no estado ou no 
mercado, Estratégia. Acreditamos que muitos avanços e desafios são o limite 
penetre em discussões e práticas ambientais. Além disso, é possível concluir 
desde o início da produção agrícola, os métodos de produção do agronegócio 
Preservar capital natural 
Restaurar ecossistemas; expandir rede 
de áreas protegidas; recuperar habitats 
estratégicos. 
Produzir melhor 
Reduzir drasticamente os insumos e 
resíduos nos sistemas de produção; 
manejar recursos de forma sustentável; 
ampliar produção de energia renovável. 
Consumir com mais prudência Alcançar estilos de vida de baixa pegada, 
 
 
 
34 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
mudaram. A sustentabilidade (FIGURA 4) é considerada a barreira de entrada 
nos mercados internacionais, Estratégia competitiva (Costa, 2019). 
 
FIGURA 4: Bases para sustentabilidade 
Fonte Costa, 2019. 
 
 
7 FATORES IMPORTANTES A SEREM NO AGRONEGÓCIO 
 
Temos várias aspectos relevantes do agronegócio, segundo (Moraes M; 
et al; 2020) incluem: garantir um sistema sustentável de produção de alimentos 
e desenvolver práticas agrícolas direcionadas para aumentar a produtividade e 
o rendimento; além de melhorar gradualmente a qualidade da terra e do solo, 
também ajuda a manter os ecossistemas, esses podem melhorar a capacidade 
de se adaptar às mudanças climáticas e condições climáticas extremas 
(QUADRO 4). 
 
 
 
35 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
QUADRO 4 – Frentes atuação para produção sustentável no agronegócio. 
Agroenergia 
Consiste na geração de energia a partir 
de produtos agrícolas (biomassa). No 
Brasil, os principais exemplos de 
biomassa líquida, ou biocombustíveis, 
são o etanol produzido a partir da cana-
de-açúcar e o biodiesel. Considerada 
menos poluente e mais barata do que as 
fontes energéticas tradicionais, a 
biomassa representa a segunda principal 
fonte de energia do Brasil (MAPA 2014; 
GREENPEACE, 2013). 
Manejo sustentável da água 
A irrigação é responsável por 70% da 
água captada de rios e reservas 
subterrâneas no mundo (WWF, 2012). 
Entre as tecnologias aplicáveis para 
amenização desse quadro, destacam-se 
o planejamento de bacias hidrográficas; 
práticas de cobertura de solo; 
recomposição de matas ciliares e 
proteção de áreas frágeis, dentre outras. 
Uso eficiente da terra 
Técnicas como a Lavoura-Pecuária-
Floresta (ILPF) e Plantio Direto 
corroboram para a redução no uso de 
insumos químicos e controle dos 
processos erosivos, uma vez que a 
infiltração da água se torna mais lenta 
pela permanente cobertura no solo 
(MAPA, 2014). 
Fonte Filho, 2015. 
 
Aliado ao movimento sustentável temos os desafios comerciais que 
influenciam como as incertezas e volatilidade do mercado, transparência e 
visibilidade nas cadeias de valor, mudanças no hábito do consumidor, trabalho 
com parceiros e fornecedores, comunicação clara e justa, gerenciamento e 
capacitação de mão de obra (PWC, 2020). 
 
 
 
 
36 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
8 CONSUMIDOR 
 
O comportamento e o interesse dos consumidores estão mudando e as 
marcas precisam entender os novos movimentos que se anunciam para melhor 
adaptação. O setor de produção de alimentos é crítico em qualquer parte do 
planeta por sua posição estratégica nos modelos de elaboração de 
planejamento governamental e de estruturação de políticas públicas, ao 
mesmo tempo, os produtos alimentícios subordinam-se às leis de mercado 
como qualquer outro bem de consumo. Assim, por exemplo, sofrem os efeitos 
de crises econômicas; dependem das leis de oferta e demanda; sujeitam-se àsalterações de hábitos, preferências e expectativas dos consumidores; 
subordinam-se às novas percepções de usuários de bens ou serviços e, também, 
sofrem com o alcance de níveis de saturação de faixas específicas de mercado 
(Moraes M; et al; 2020). 
As campanhas de conscientização devem e precisam continuar 
existindo, levando conhecimento a toda a sociedade, além de legislação que 
norteie o comportamento adequado com relação ao consumo e à produção 
responsáveis seguindo a legislação brasileira, acordos internacionais e 
programas nacionais. De acordo com a Angus. A; Westbrook.G; (2019) existem 
5 tendências que mais se destacam: 
a. Alimentos “Livres De” se consolidam no mercado 
b. Demanda por alimentos naturais impulsiona produtos orgânicos 
c. Produtos fortificados se destacam em países emergentes 
d. Alimentos energéticos se tornam parte de uma dieta holística 
e. Alimentação saudável vira alvo dos clubes de assinatura 
 
 
 
 
 
 
 
37 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
8.1 Influências Sociodemográficas no Comportamento do Consumidor 
 
As questões qualitativas advêm de maior nível de escolaridade, 
incremento de renda, envelhecimento dentro outros movimentos na sociedade 
podem influenciar o padrão de consumo de uma população, por isso a indústria 
de alimentos deve estar atenta às tendências e desafios deste novo cenário de 
demanda e mantenha uma vantagem competitiva. Investimento em larga 
escala em termos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, se é um produto, 
se no monitoramento do processo é necessário ambiente regulatório. No 
entanto, à medida que a renda e o poder aumentam a compra, além de obter 
mais informações, também enfrenta desafios produzir bens que atendam à 
demanda do consumidor. O dia mais crítico relacionado a todos os fatores 
relevantes produção de alimentos. Esses fatores são configurados como 
tendências nos próximos anos (Shukla, P., Banerjee, M. and Adidam, P.T. 2013), 
(Costa; et al; 2020): 
a. População; 
b. Urbanização; 
c. Estrutura Etária e Familiar e a Mulher no Mercado de Trabalho; 
d. Renda; 
e. Nível de Escolaridade; 
f. Tamanho da Família. 
 
 
9 POLÍTICAS PÚBLICAS 
 
O planejamento governamental para alteração de políticas públicas, 
torna-se constatável pela existência do DHAA que é um pré-requisito para o 
desenvolvimento econômico e social da população. De acordo com Valente 
(2002), o DHAA é o direito de acesso a alimentação suficiente e adequada, em 
quantidade e qualidade para uma vida digna. Peterson (2012) o Brasil tem 
exercido um pepel importante por se uma dar maiores potências mundiais do 
 
 
 
38 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
agronegócio. Anacleto e Padim (2015) os produtos orgânicos são na prática 
oriundos de uma cadeia específica de produção de alimentos. 
 
9.1 PRONAF 
 
O Pronaf foi criado em 1996, durante o governo de Fernando Henrique 
Cardoso, através do Decreto 1.946, com o objetivo de promover o 
desenvolvimento sustentável da "agricultura familiar". É mais conhecido pelo 
crédito aos agricultores familiares, mas vai além disso. Atualmente o programa 
conta com o sub-programa de Assistência Técnica e Extensão Rural - ATER, que 
busca fomentar a geração de renda pela agroindústria, turismo rural, 
biocombustíveis, plantas medicinais, cadeia produtiva, seguro agrícola, seguro 
de preço e seguro contra calamidade por seca na Região Nordeste (Banco 
Central do Brasil; 2020). Temos várias modalidades do PRONAF 
 
a. Custeio 
b. Pronaf Mais Alimentos - Investimento 
c. Pronaf Agroindústria 
d. Pronaf Eco 
e. Pronaf Floresta 
f. Pronaf Semiárido 
g. Pronaf Mulher 
h. Pronaf Jovem 
i. Pronaf Custeio e Comercialização de Agroindústrias Familiares 
j. Pronaf Cota-Parte 
k. Mais Alimentos: 
 
 
 
 
39 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
10 Considerações finais 
 
A agropecuária sustentável vem se destacando nos últimos anos, 
consumidores cada vez mais exigentes e busca constante pela redução de 
impactos ambientais vem transformando esse setor positivamente. E o Brasil é 
um país que se destaca em produção animal e vegetal, sendo um dos que mais 
produzem, garantindo uma alimentação de qualidade para população mundial. 
Diante tamanha escala de produção, o país vem se adequando as novas 
exigências, e se comprometendo com o bem estar animal e do planeta. Diante 
disso, medidas estão sendo tomadas, como programas de incentivo a redução 
dos impactos ambientais, como os presente no plano ABC, onde incluir diversas 
técnicas para a prática sustentável, políticas públicas de incentivo pequenos 
produtores e produção sustentável e obtenção de selos, certificando e 
valorizando a produção. A atual situação do setor agropecuário sustentável 
está em progresso, a difusão das tecnologias é de extrema importância para 
alavancar o mesmo, novas pesquisas e estudos devem chegar ao campo e 
transformar o sistema produtivo, e programas de incentivo amparam esse 
progresso sustentável e busca por melhores produtos ofertados, prezando a 
ética, o bem estar animal e conservação dos recursos naturais. 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
. 
ABNT. (2020) – Certificação. Associação Brasileira de Normas Técnicas. 
http://www.abnt.org.br/certificacao. Agroecologia 2020. Agroecologia 
http://agroecologia.gov.br/ Acessado em julho de 2020. 
 
ALTIERI, M. A. Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável. Guaíba: 
Agropecuária, 2002. 
 
ALVES, A. C. O. et al. Agricultura orgânica no Brasil: sua trajetória para a certificação compulsória. 
Rev. Bras. de Agroecologia, v. 7, n. 2, p. 19-27, 2012 
 
Anacleto, C.A. & Paladini, E.P. (2015) – Gestão estratégica da qualidade para empresas produtoras 
de produtos orgânicos: diretrizes para a expansão do mercado consumidor. Revista de Gestão e 
Tecnologia. Navus, vol. 5, n. 1, p. 51-64. 
http://www.abnt.org.br/certificacao
http://agroecologia.gov.br/
 
 
 
40 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
ANDRADE, R. da S.; STONE, L. F.; GODOY, S. G. Estimativa da resistência do solo à penetração 
baseada no índice S e no estresse efetivo. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e 
Ambiental,Campina Grande, v. 17, n. 9, p. 932-937, 2013. 
ANGONESE, André R.; CAMPOS, Alessandro T.; WELTER, Rosilene A.. Potencial de redução de 
emissão de equivalente de carbono de uma unidade suinícola com biodigestor. Eng. 
Agríc., Jaboticabal , v. 27, n. 3, p. 648-657, Dec. 2007 . 
Angus. A; Westbrook.G; (2019) Top 10 Global Consumers Trends. Euromonitor Internacional. 
Disponível em https://go.euromonitor.com/white-paper-EC-2019-Top-10-Global-Consumer-
Trends.html acesso 25 de junho de 2020. 
 
Aquino, A.M; Assis, R.L; 2005; Agroecologia: Princípios e Técnicas para uma Agricultura Orgânica 
Sustentável. Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica, p. 21-48. 
 
Arifa, B.I.A. (2012) – O novo código florestal e a ECO-92. Revista de Direito Internacional, vol. 9, n. 
3, p. 171-180. 
 
Ashworth, A. J., West, C. P., Allen, F. L., Keyser, P. D., Weiss, S. A., Tyler, D. D., ... & Beamer, K. 
P. Biologically Fixed Nitrogen in Legume Intercropped Systems: Comparison of Nitrogen‐Difference 
and Nitrogen‐15 Enrichment Techniques. Agronomy Journal, v. 107, n. 6, p. 2419-2430, 2015. 
 
ASSAD, Eduardo Delgado; MARTINS, Susian Christian; PINTO, H. P. Sustentabilidade no agronegócio 
brasileiro. Embrapa Informática Agropecuária-Livro científico (ALICE), 2012. 
AWALE, R.; CHATTERJEE, A.; FRANZEN, D. Tillage and N-fertilizer influences on selected organic 
carbon fractions in a North Dakota silty clay soil. Soil and Tillage Research, v.134, p.213-222, 2013.. 
Banco Central do Brasil. 2020. FAQ - Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar 
- Pronaf Https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/produto/pronaf 
 
Barbieri, J. C., Vasconcelos, I. F. G. D., Andreassi, T., & Vasconcelos, F. C. D. Inovação e 
sustentabilidade:novos modelos e proposições. Revista de Administração de Empresas, v. 50, n. 
2, p. 146-154, 2010. 
Bonamigo, A., Duarte, C., Winck, C. A., & Sehnem, S. Produção da carne cunícula no Brasil como 
alternativa sustentável. Revista em Agronegócio e Meio Ambiente, v. 10, n. 4, p. 1247-1270, 2017. 
BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Caderno do plano de manejo 
orgânico/ Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Secretaria do desenvolvimento 
agropecuário e extrativismo. Brasília: MAPA/ACS, 2011. 56p.b 
 
CAMARGO, C. P. et al. Qualidade e Certificação de Produtos Agropecuários. Brasília. Embrapa 
Informação Tecnológica, 2002, 188 p. 
https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/produto/pronaf
 
 
41 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
 
Caporal, F.R. & Petersen, P. (2012) – Agroecologia e políticas públicas na América Latina: o caso do 
Brasil. Agroecología, vol. 6, p. 63-74. 
 
CARVALHO, P. L. C.; VIANA, E. F. Suinocultura SISCAL e SISCON: análise e comparação dos custos de 
produção. Custos e Agronegócio Online, v. 7, n. 3, 2011. 
 
CODEX ALIMENTARIUS COMISSION – CAC. Guidelines for the design, operation, assessment and 
accreditation of food import and export inspection and certification. 1997. Disponível em: 
http://www.codexalimentarius.net Acesso em: 20 junho 2020. 
COSTA DA SILVA, M. A.; MELLO DORNELES, F. DESDOBRAMENTOS DA QUESTÃO AMBIENTAL NO 
AGRONEGÓCIO: Revista Científica Agropampa, v. 1, n. 1, 16 jul. 2019. 
 
Costa, Antônio Carlos Prado B, et al; 2020, Brasil Food Trends. Fatores que influenciam o consumo 
de alimentos. Cap. 2. p23 a 36. 
 
DALLA COSTA, O. A. Sistema intensivo de suínos criados ao ar livre- SISCAL. Recomendações para 
instalação e manejo de bebedouros. Concórdia: EMBRAPA-CNPSA, 1998, 2p. ( EMBRAPA-CNPSA. 
Introdução técnica para o suinocultor, 8). 
 
DAS CHAGAS, Francieli et al. Controle biológico em sistema orgânico de produção por agricultores 
da cidade de Maringá (Paraná, Brasil). Ciência e Natura, v. 38, n. 2, p. 637-647, 2016. 
 
De Casa, Valeria Campos, Revista Feed e Food, ano 14, nº158 Pag. 20 a 21. junho 2020. 
 
FILHO, Fernando Arcoverde Cavalcanti; CARTAXO, Glauber Araújo Alencar; Perspectivas Globais 
para a Engenharia de Produção .Fortaleza, CE, XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE 
PRODUCAO Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. 
http://www.abepro.org.br/biblioteca/TN_STO_216_277_26665.pdf 
 
FLEURY, Lorena Cândido; ALMEIDA, Jalcione; PREMEBIDA, Adriano. O ambiente como questão 
sociológica: conflitos ambientais em perspectiva. Sociologias, Porto Alegre, v. 16, n. 35, p. 34-82, 
abril de 2014. 
 
GARDONI, Rafael Artur de Paiva; AZEVEDO, Mônica de Abreu. Estudo da biodegradação de carcaças 
de aves por meio do processo de compostagem em biodigestores fechados descontínuos. Eng. 
Sanit. Ambient., Rio de Janeiro , v. 24, n. 3, p. 425-429, May 2019 . 
 
GASQUES, J. G. et al. Produtividade da agricultura: resultados para o Brasil e estados selecionados. 
Revista de Política Agrícola, v. 23, n. 3, p. 87-98, 2014. 
 
GLIESSMAN, S.R. Agroecology: The Ecology of Sustainable Food Systems, 3o ed. 2014. 405p. 
Global organic farming statistics and news. Data tables FiBL-IFOAM, 2014. Disponível em: 
Disponível em: http://www.organic-world.net/statistics-fao.html Acesso em: 28 abr. 2014. 
http://www.codexalimentarius.net/
http://www.abepro.org.br/biblioteca/TN_STO_216_277_26665.pdf
http://www.organic-world.net/statistics-fao.html
 
 
 
42 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
GOUVELLO, C. Estudo de baixo carbono para o Brasil. Brasília: Banco Mundial, 2010. 278 p. 
 
HALFELD-VIEIRA .et al. Defensivos Agrícolas Naturais: uso e perspectivas. Brasília, DF: Embrapa, 
2016. 
IBÁ, Indústria Brasileira de Árvores. Anuário Estatístico: Ano base 2016. Disponível em: 
http://iba.org/images/shared/Biblioteca/IBA_RelatorioAnual2017.pdf 
IFOAM - International Federation of Organic Agriculture Movements. Documento de Política 
IFOAM: Cómo los gobiernos pueden 
 
IFOAM - International Federation of Organic Agriculture Movements. e FIBL - Research Institute of 
Organic Agriculture. Organic world. 
 
Inmetro 2020. http://www.inmetro.gov.br/qualidade/comites/codex_ccab.asp Acessado em julho 
de 2020. 
IPATA, P. L.; PESI, R. What is the true nitrogenase reaction? A guided approach. Biochemistry and 
Molecular Biology Education, 42(3):142-144, 2015. 
JULIÃO, L.; VIANA, M. Certificações socioambientais a nova geração das boas práticas na 
fruticultura. Hortifruti Brasil, Piracicaba, v.9, n.99, p.8-17, 2011. 
 
Khan, A. S., Gadelha, J. V. M., & Silva, L. M. R. BENEFÍCIOS POTENCIAIS DO DESENVOLVIMENTO 
SUSTENTÁVEL NA AGRICULTURA CEARENSE: 0 CASO DA REGIÃO SERRANA DE BATURITÉ. Revista de 
Economia e Sociologia Rural, v. 35, n. 1, p. 95-118, 2019. 
KUNZ, A. Impactos sobre a disposição inadequada de dejetos de animais sobre a qualidade 
das águas superficial e subterrâneas. In: SIMPÓSIO NACIONAL SOBRE USO DA ÁGUA NA 
AGRICULTURA, 2, 2006, Passo Fundo. Anais...Passo Fundo: UPF, 2006. p.1-6.23 
LAURANCE, W.F.; SAYER, J.; CASSMAN, K.G. Agricultural expansion and its impacts on tropical 
nature. Trends in Ecology & Evolution, v.29, p.107-116, 2014. 
Mais Alimentos 2020. Governo Federal. 
http://maisalimentos.mda.gov.br/documentospublicos/MANUAL_CONSULTA_PUBLICA.pdf 
Acessado em julho de 2020. 
 
MAPA - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Orgânicos. Brasil, 2014. Disponível 
em: <Disponível em: http://www.agricultura.gov.br/desenvolvimento-sustentavel/organicos 
Acesso em: abr. 2014. 
 
MARTINS, D. dos S.; FONTES, J. R. M.; FORNAZIER, M. J.; ASSIS, J. S. Produção certificada. Informe 
Agropecuário, Belo Horizonte: v. 34, n. 275, p. 89-95, 2013 
 
http://iba.org/images/shared/Biblioteca/IBA_RelatorioAnual2017.pdf
http://www.inmetro.gov.br/qualidade/comites/codex_ccab.asp
http://maisalimentos.mda.gov.br/documentospublicos/MANUAL_CONSULTA_PUBLICA.pdf
http://www.agricultura.gov.br/desenvolvimento-sustentavel/organicos
 
 
43 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
MAZZUCO, Helenice. Ações sustentáveis na produção de ovos. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 
37, n. SPE, p. 230-238, 2008. 
Ministério da Agricultura 2020. Governo Federal. https://www.gov.br/agricultura/pt-
br/assuntos/inspecao/produtos-animal/empresario/empresas#section-3 Acessado em julho de 
2020. 
 
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento 2020. Governo Federal. 
https://www.gov.br/agricultura/pt-br/internacional/exportacao/animal/origem-
animal/certificacao-sanitaria Acessado em julho de 2020. 
 
MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA (MCT). Segunda Comunicação Nacional do Brasil à 
Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre 
Ministério do Meio Ambiente - Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) - Resolução nº 
481, de 03 de outubro de 2017. Disponível em: 
http://www2.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=728. 
 
Moore, F. C., & Lobell, D. B. (2014). Adaptation potential of European agriculture in response to 
climate change. Nature Climate Change, 4, 610-614. 
Moraes M; et al; 2020 Impactos do Covid no Agronegócio Brasileiro. PWC abril 2020. 
https://www.pwc.com.br/pt/estudos/setores-atividades/agribusiness/2020/impacto-covid19-
agro-2020.pdf Acessado em julho 2020. 
 
Mudança do Clima. Brasília, 2010. v. 1 e 2. 
 
MUNOZ, Cindy Marcela Guzmán et al. Normativa de Produção Orgânica no Brasil: a percepção dos 
agricultores familiares do assentamento da Chapadinha, Sobradinho (DF). Rev. Econ. Sociol. Rural, 
Brasília, v. 54, n. 2, p. 361-376, 2016. 
 
NASSAR, A.M.; HARFUCH, L.; MOREIRA, M.M.R.; CHIODI, L.; ANTONIAZZI, L.B. Relatório Final 
“Modelagem do Uso da Terra no Brasil”: documento preparado para o “Estudo de Baixo Carbono 
para o Brasil” coordenado pelo Banco Mundial. 2010. 
OCDE-FAO. Agricultura brasileira: perspectivas e desafios. In:______ Perspectivas Agrícolas 2015-
2024. [S.l], 2015.Disponível em: http://www.fao.org.br/download/PA20142015CB.pdf Acesso em: 
27 set. 2017 
 
Orgânicos 2020: http://www.agricultura.gov.br/assuntos/sustentabilidade/organicos Acessado em 
julho de 2020. 
 
ORGANIZACIÓN DE LAS NACIONES UNIDAS PARA LA AGRICULTURA Y LA ALIMENTACIÓN. Codex 
Alimentarius. Comission Alimentos producidos organicamente. Roma, 2001. 77 p. 
 
PAA 2020. Ministério do Desenvolvimento Social. http://mds.gov.br/assuntos/seguranca-
alimentar/programa-de-aquisicao-de-alimentos-paa Acessado em julho 2020. 
https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/inspecao/produtos-animal/empresario/empresas#section-3
https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/inspecao/produtos-animal/empresario/empresas#section-3
https://www.gov.br/agricultura/pt-br/internacional/exportacao/animal/origem-animal/certificacao-sanitaria
https://www.gov.br/agricultura/pt-br/internacional/exportacao/animal/origem-animal/certificacao-sanitaria
http://www2.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=728
https://www.pwc.com.br/pt/estudos/setores-atividades/agribusiness/2020/impacto-covid19-agro-2020.pdf%20Acessado%20em%20julho%202020
https://www.pwc.com.br/pt/estudos/setores-atividades/agribusiness/2020/impacto-covid19-agro-2020.pdf%20Acessado%20em%20julho%202020
http://www.fao.org.br/download/PA20142015CB.pdf
http://www.agricultura.gov.br/assuntos/sustentabilidade/organicos
http://mds.gov.br/assuntos/seguranca-alimentar/programa-de-aquisicao-de-alimentos-paa
http://mds.gov.br/assuntos/seguranca-alimentar/programa-de-aquisicao-de-alimentos-paa
 
 
 
44 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
PASQUALINI, Alexandre Antônio. APLICAÇÃO DOS BIODIGESTORES NA PECUÁRIA SUSTENTÁVEL. 
Revista Faculdades do Saber, v. 5, n. 09, 2020. 
PEDRAZZOLI, D.S.; HERRMANN, G. R. Análise do Mercado de Defensivos Agrícolas Naturais. In: 
HALFELD-VIEIRA, B. de A. et al. Defensivos agrícolas naturais: uso e perspectivas. Brasília, DF: 
Embrapa, 2016. cap. 3, p.52-64. 
 
PERETTI, A. P. R.; ARAÚJO, W. M. C. Abrangência do requisito segurança em certificados de 
qualidade da cadeia produtiva de alimentos no Brasil. Revista Gestão & Produção. v. 17, n. 1, p. 35-
49, 2010 
 
Plano, A. B. C. (2012). Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a 
Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura. MDA, Brasília-DF. 
 
Pnater 2020. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12188.htm Acessado 
em julho de 2020. 
 
Pronater 2020. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12188.htm. 
Acessado em julho de 2020. 
RUSU, T. Energy efficiency and soil conservation in conventional, minimum tillage and no-tillage. 
International Soil and Water Conservation Research, v.2, p.42-49, 2014. 
SANCHEZ-LOPEZ, Diana Beatriz et al . Azotobacter chroococcum y Azospirillum lipoferum como 
bioestimulantes en cultivo de Ipomoea batatas Lam. Agron. Mesoam, San Pedro , v. 30, n. 2, p. 
563-576, 2019 .. 
 
Shukla, P., Banerjee, M. and Adidam, P.T. The moderating influence of socio‐demographic factors 
on the relationship between consumer psychographics and the attitude towards private label 
brands. Journal of Consumer Behaviour, v. 12, n. 6, p. 423-435, 2013. 
 
SILVA, Débora; Horn da. Inserção da sustentabilidade na estratégia competitiva de uma organização 
nascente. 2018. Tese de Doutorado. 
Silva, L. L., Baptista, F., Cruz, V. F., & da Silva, J. R. M. Aumentar as competências dos agricultores 
para a prática de uma agricultura sustentável. Revista de Ciências Agrárias, v. 43, n. 2, p. 240-252, 
2020. 
SILVA, M. B. et al. Extratos de plantas e seus derivados no controle de doenças e pragas. In: VENZON, 
M.; JÚNIOR, T. J. P.; PALLINI, A. Controle alternativo de pragas e doenças em agricultura orgânica. 
1. ed. Viçosa: EPAMIG, 2010. p. 33-54. 
 
SOUZA, H.A.; OLIVEIRA, E.L.; FACCIOLI-MARTINS, P.y.; SANTIAGO, L.; PRIMO, A.A.; MELO, M.D.; 
PEREIRA, G.A.C.. Características físicas e microbiológicas de compostagem de resíduos 
animais. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, [S.L.], v. 71, n. 1, p. 291-302, fev. 
2019. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12188.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12188.htm
 
 
45 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
 
TARAPANOFF, Kira Maria Antonia. Monitoramento do agronegócio brasileiro sustentável em 
relação ao mercado global. Ciência da Informação, v. 45, n. 3, 2016. 
 
VALENTE, B. S. et al. Fatores que afetam o desenvolvimento da compostagem de resíduos 
orgânicos. Archivos de zootecnia, v. 58, n. 224, p. 59-85, 2009. 
 
Valente, F.L. (2002) – Direito Humano à Alimentação: desafios e conquistas. Cortez Editora, São 
Paulo 
. 
VALLE, C. E. Qualidade Ambiental – ISO 1400. 11ª Edição. São Paulo: Senac, 205 p., 2002. 
VILLAMIL, M.B.; NAFZIGER, E.D. Corn residue, tillage, and nitrogen rate effects on soil carbon and 
nutrient stocks in Illinois. Geoderma, v.253-254, p.61-66, 2015. 
WWF - World Wide Fund, 2012. Relatório Planeta Vivo 2012 – A Caminho da Rio +20. 
 
XAVIER, D. F. et al. Dinâmica da serapilheira em pastagens de braquiária em sistema silvipastoril e 
monocultura. Pesquisa Agropecuária Brasileira, 46(10):1214-1219, 2011. 
 
YASMIN, F., Othman, R., Sijam, K., Saad, MS (2010). Caracterização das propriedades benéficas de 
rizobactérias promotoras de crescimento de plantas isoladas da rizosfera da batata-doce. African 
Journal of Microbiology Research , 3 (11), 815-821. 
 
YUNLONG, Y. L.; SMIT, B. SUSTAINABILITY IN AGRICULTURE - A GENERALREVIEW. Agriculture 
Ecosystems & Environment, v. 49, n. 3, p. 299-307, Jul 1994. 
ZANELLA, Tamara Pereira; LEISMANN, Edison Luiz. Abordagem da sustentabilidade nas cadeias de 
commodities do agronegócio brasileiro a partir de sites governamentais. Revista Metropolitana de 
Sustentabilidade v. 7, n. 2, p. 6-19, 2017. 
 
 
 
 
 
46 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
 
 
47 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
 
 
CAPÍTULO 2 
___________________________________ 
 
 
 
 
A MODERNIZAÇÃO DA AGRICULTURA E O CASO 
BRASILEIRO 
 
 
Carlos Guida Anderson6 
Paulo César Ferreira7 
Lucas Lima de Resende8 
Fernando Ferrari Putti9 
Bruno César Góes10 
 
 
 
 
 
6 Universidade José do Rosário Vellano (UNIFENAS), Departamento de Agronomia, Alfenas‐MG. E‐
mail: carlos.anderson@aluno.unifenas.br 
7 Universidade José do Rosário Vellano (UNIFENAS), Departamento de Agronomia, Alfenas‐MG. E‐
mail: paulo.ferreira@aluno.unifenas.br 
8 Universidade José do Rosário Vellano (UNIFENAS), Departamento de Agronomia, Alfenas‐MG. E‐
mail: lucas.resende@aluno.unifenas.br 
9 Universidade Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Ciências e Engenharia, Tupã‐SP. E‐mail: 
fernando.putti@unesp.br 
10 Universidade José do Rosário Vellano (UNIFENAS), Departamento de Agronomia, Alfenas‐MG. E‐
mail: bruno.goes@ unifenas.br 
 
 
 
48 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
RESUMO 
Diante das mudanças climáticas no planeta Terra, o homem viu-se na necessidade de 
produzir próprio alimento. O processo de cultivo se tornou a base da sociedade 
moderna, fixando o homem na terra e favorecendo as suas relações sociais. Porém, este 
processo foi longo devido as facilidades em que os alimentos para a subsistência eram 
oferecidos pela natureza. Com a constituição de grupos sociais cada vez mais numerosos, 
haviam a necessidade de aumentar a produção agrícola, sendo desenvolvidas novas 
tecnologias produtivas. A evolução da agricultura pode ser dividida em quatro fases, 
sendo a mais velha associada a força de tração animal e atualmente sistemas integrados 
e em nuvem. Mas a expansão das formas mais modernas se apresenta de forma 
assimétrica no mundo, a Revolução Verde, foi uma tentativa dos países capitalistas mais 
desenvolvidos de impor o domínio sobre a produção de alimentos no mundo causando 
desiquilíbrios econômicos e sociais. No Brasil percebe-seum salto qualitativo na 
produção agrícola, de rudimentar no início do século XX, com baixa produtividade, para 
umas das mais produtivas do mundo já no final do mesmo século, isso se deu em parte, 
aos investimentos em pesquisas e ao desenvolvimento de novas tecnologias promovidas 
pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA. Entretanto mesmo com 
a evolução e inserção da tecnologia no campo, é necessário refletir sobre, pois a 
existência da assimetria tecnológica na agricultura, ainda é visível e buscando fontes de 
redução. 
 
PALAVRAS-CHAVE: Revolução Verde. Tecnologia. EMBRAPA. 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
No início da civilização, os homens viviam basicamente daquilo que a 
natureza os oferecia. Os grupos aos quais pertenciam eram nômades e sua 
alimentação provinha da coleta, da caça e da pesca, não havendo prática de 
cultivo tampouco de criações domésticas, vivendo em determinado local até 
que os recursos se esgotassem, mudando-se posteriormente para áreas que 
pudessem satisfazer suas necessidades nutricionais sem se estabelecer com o 
local onde viviam uma relação de longo prazo (SILVA, 2018). 
Há 12 mil anos a população estimada era de 4 milhões de habitantes, 
não havendo grandes aspirações por parte dos seres humanos daquela época 
senão sua sobrevivência, a natureza oferecia grandes espaços territoriais e tudo 
que lhes era necessário de forma gratuita e espontânea (ARAÚJO, 2010). Com 
o tempo, alguns obstáculos migratórios, levaram o homem, a buscar novas 
 
 
49 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
alternativas em busca da sua alimentação, pois ele era essencialmente caçador–
coletor (FELDENS, 2018). 
O homem, percebeu que algumas atitudes poderiam exercer algum 
controle sobre o fornecimento de alimentos fundamentais a sua sobrevivência, 
e notou que as sementes das plantas, se lançadas corretamente no solo, 
poderiam germinar e dar origem a uma nova planta. Percebeu também que 
alguns animais poderiam ser domesticados e consequentemente mantidos em 
cativeiro, o que garantia o fornecimento de proteínas e subprodutos como o 
couro, dando início a agropecuária, que como consequência permitiu a fixação 
do homem em locais predefinidos, tendo a agricultura iniciada no período 
Neolítico (entre 8000 e 5000 a.C.) com o domínio dos metais e ferramentas 
(FELDENS, 2018; SILVA, 2018). 
Contudo, para Mazoyer e Roudart (2010) a agricultura foi a base para a 
instalação e evolução das civilizações não pelo fato de aprender a semear o 
grão, mas por todo configuração sociocultural decorrente do processo de 
divisão de terras e o desenvolvimento do cultivo agrícola. 
Fato é que, por muitos séculos a evolução no processo de produção 
agrícola foi moroso e suas alterações na sociedade pouco percebidas, contudo 
entre os séculos XVIII e XIX a sociedade experimentou grandes modificações, 
tendo como sustentáculo o crescente aumento na oferta de alimentos, 
ocasionada por intensas mudanças tecnológicas, sociais e econômicas. Tal 
evolução denominamos de Revolução Agrícola, o que corroborou para a 
decomposição do modo de produção feudal e o consequente advento do modo 
capitalista (VEIGA, 1991). 
A união do cultivo e da criação de animais, anteriormente antagônicas, 
constituíram a base das sociedades europeias, o que promoveu um salto de 
qualidade da população com o fim da escassez de alimentos (VEIGA, 1991). 
Uma das tecnologias fundamentais utilizadas na promoção da Revolução 
Agrícola chama-se pousio, significa a interrupção da produção em determinada 
área por um ou mais anos para que haja a recuperação da fertilidade natural da 
terra, permitindo que a agricultura e a pecuária prosperassem (CASTANHO; 
TEIXEIRA, 2017). 
 
 
 
50 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
Contudo, mesmo com o advento da agricultura, havia a preocupação da 
falta de abastecimento, principalmente para as regiões menos desenvolvidas 
do planeta, como a África, Ásia e América Latina, onde a população apresentaria 
um aumento em termos absolutos de ordem geométrica enquanto a oferta de 
alimentos cresceria em ordem aritmética, ou seja, a produção não seria 
suficiente para atender totalmente a demanda (MALTUS, 1978). 
Entretanto, a aplicação contínua de novos métodos e a de novas 
tecnologias tornaram a produção mais eficiente, capaz de atender a uma 
demanda crescente (CASTANHO; TEIXEIRA, 2017). 
 
2 CHEGADA DOS PORTUGUESES E SEUS IMPACTOS NA AGRICULTURA DO 
BRASIL 
 
O empreendimento agrário brasileiro em seus primórdios foi conduzido 
por um povo que não apresentava vocação agrícola, o que impedia a fixação 
dessa identidade (KLUG, 2016). 
No século XVI, Portugal, contava com uma população de 
aproximadamente 1 milhão de habitantes, que se aglomeravam nas grandes 
cidades, como Lisboa, Porto e Setúbal, advindo do declínio da produção 
agrícola, somado a uma população rural que cada vez mais se encaminhava para 
os grandes centros, causando uma grande redução na oferta de alimentos 
decorrente desse êxodo rural (LINHARES; SILVA, 2000). 
O Estado Português dedicava a comercialização de especiarias na 
“carreira das Índias” e cada vez mais recrutava seus habitantes despovoando 
sua terra e povoando suas colônias (FERREIRA; DIAS, 2016). 
A agricultura no Brasil daquela época era basicamente extrativista, a qual 
a colonização promovida por Portugal apresentava um objetivo diferente da 
praticada na América do Norte, em que os colonos norte-americanos tinham 
como objetivo refazer suas vidas, que por sua vez, os colonos brasileiros de 
fazer fortuna (SZMRECSÁNYI, 1990). 
 
 
51 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
Nos três primeiros séculos de existência, a agricultura brasileira foi 
marcada pelo atraso e pela baixa produtividade, ocasionada pela inexistente 
técnica produtiva dos seus fazendeiros (RAMBO et al., 2016). Nos primeiros 
tempos, Amaral (1958) aponta como fator determinante para o 
subdesenvolvimento da agricultura brasileira o interesse pela mineração, que 
gerou despovoamento das regiões agrícolas e alta mortalidade nas minas. 
Os portugueses que aqui chegaram, no século XVI, não vieram para 
praticar a agricultura, mas sim para explorar as riquezas minerais, os 
conhecimentos técnicos já existentes no Brasil pelos povos indígenas, que eram 
agricultores, foram totalmente desprezados (BRANDÃO, 1943; LEITE, 2017). 
Os portugueses não tinham apreço pela agricultura, além disso o 
ambiente tropical da colônia dificultava a aplicação de técnicas agrícolas 
praticadas na Europa, com isso houve estagnação no progresso dos processos 
produtivos, o cultivo se assemelhava ao que era praticado pelos índios 
(HOLANDA,1963). 
Contudo, no século XIX, a necessidade crescente de alimentos e o 
descaso com que a agricultura era tratada, gerou movimentos para estimular a 
produção e melhorar as técnicas despendidas no processo (SILVA, 2005). 
Nas comemorações do primeiro centenário da Independência do Brasil, 
o então Ministro da Agricultura, Artur Eugênio Magarinos Torres Filho, deixou 
claro seu descontentamento com a atividade mineradora, atribuindo a ela o 
atraso da agricultura brasileira (TORRES FILHO, 1922). 
No início do processo de colonização do Brasil houve uma atenção 
especial na produção de açúcar para atender a demanda mundial e 
posteriormente na exploração das minas, com isso não houve incentivos para a 
agricultura local, os alimentos deveriam ser importados da metrópole (FOGUEL, 
2016). 
Contudo, Portugal, no século XVI era incapaz de produzir para o próprio 
consumo e começou a incentivar o consumo de produtos locais, porém esta 
ideia não foi aceita visto que o senhores locais achavam que produzir gêneros 
para a alimentação era uma atividade banal, achavam que desperdiçaria tempo, 
mão-de-obra e boas terras com produtos plebeus. Nesse contexto, a população 
 
 
 
52 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
branca assumiu rapidamente o legado tecnológico doíndio, e a mandioca (pão 
da terra, munição de boca, pão dos trópicos) reinou absoluta, pela facilidade de 
manejo e alta produtividade (LINHARES; SILVA, 2000). 
Em certo momento, na tentativa de estimular a produção interna de 
gêneros, importa-se tecnologia e insumos não adaptados ao clima tropical, 
abandonando os frutos aqui já adaptados (TORRES, 1933). 
A baixa produtividade agrícola tem como base o despreparo técnico, a 
instrução do homem do campo era fundamental para promover a mudanças 
necessárias para o progresso deste setor (TORRES FILHO, 1922). 
 
3 FASES DE MODERNIZAÇÃO DA AGRICULTURA 
 
A agricultura tradicional, conhecida como Agricultura 1.0, tem como 
característica a baixa produção e o uso modesto de tecnologias, é vista como 
um trabalho de subsistência, com equipamentos artesanais e com o uso da 
tração anima, sendo ainda praticada em muitas propriedades no Brasil, mas 
perdeu-se muito espaço no início do século XX (SANTOS, 2019; SANTOS et al., 
2019). 
Na década de 1950, as máquinas que funcionam com motores a 
combustão começam a substituir os animais, dando início a fase que chamamos 
de Agricultura 2.0, iniciando com a produção em escala e a comercialização de 
insumos e da produção ultrapassando os limites territoriais dos países (SANTOS, 
2019; SANTOS et al.2019). 
Entre os anos de 1990 e 2010, a chamada a Agricultura 3.0 ganha espaço, 
em diferentes áreas de produção começaram a ser observadas e estudos 
complementares passaram a ser feitos para dar mais precisão aos tratos 
culturais despendidos, era o início da Agricultura de Precisão, e tecnologias 
como o georreferenciamento via satélite passam a indicar com grande precisão 
a real necessidade tanto de adubação como irrigação de cada área (MIRANDA 
et al, 2017). 
 
 
53 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
Após 2010, há o surgimento da Agricultura 4.0, que incorpora todas as 
tecnologias anteriormente utilizadas com o incremento da automação e da 
conectividade, com uso de máquinas e veículos autônomos, drones e animais 
com sensores estão conectados diretamente a uma central que processa toda 
a informação, permitindo que as decisões sejam tomadas de forma mais 
eficiente, conhecido como Agricultura Inteligente ou “Smart Agriculture” 
(MASSRUHÁ; LEITE, 2016). 
 
4 REVOLUÇÃO VERDE 
 
O termo Revolução Verde (Green Revolution) foi cunhado em 1968 por 
William S. Gaud, diretor da United States Agency for Internacional Development 
(USAID), para descrever o aumento na produção de alimentos a partir da 
transferência de tecnologia para outras partes do mundo pobre (CUNHA et al., 
2010). 
A Revolução Verde, promoveu o uso de agrotóxicos, fertilizantes e 
máquinas na agricultura que aconteceu em várias partes do mundo no período 
pós Segunda Guerra, esse processo de modernização da agricultura dependia 
de um conjunto de variáveis técnicas, sociais, políticas e principalmente 
econômicas (SERRA et al., 2016). 
Nesse contexto, algumas instituições privadas como Rockfeller e Ford 
aproveitaram para investir no melhoramento de sementes no México e na 
Filipinas, classificadas como sementes de Variedade de Alta Produtividade 
(VAP), principalmente para as culturas de trigo, milho e arroz, considerada a 
base da alimentação mundial (ROSA, 1998). 
Muitas indústrias do setor químico que investiram pesado para suprir o 
setor industrial bélico dos Estados Unidos, viram a oportunidade de fazer uso 
seus conhecimentos na confecção de produtos químicos que poderiam ser 
utilizados na agricultura para o controle de fungos, insetos e ervas daninhas 
(COSTA; PIRES, 2016). 
A indústria de máquinas e equipamentos de guerra também mudaram 
suas plantas fabris e as adaptaram para a construção de tratores, colheitadeiras 
 
 
 
54 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
e equipamentos completando o ciclo de inovações tecnológicas oriundo da 
Revolução Verde (ANDRADE, GANIMI, 2007). 
Com as bases tecnológicas já definidas, questões sociais, políticas e 
econômicas deveriam ser implantados para a sequência no processo de 
modernização da agricultura em todo o mundo (SERRA et al., 2016). 
 Com o final da Segunda Guerra, duas superpotências disputavam 
economicamente e ideologicamente a hegemonia, de um lado o bloco 
capitalista (Primeiro Mundo) liderado pelos Estados Unidos e do outro, o bloco 
socialista (Segundo Mundo) liderado pela União Soviética que disputavam o 
apoio dos demais países, àqueles que não se alinhavam com nenhum dos blocos 
eram conhecidos como Terceiro Mundo. Para ganhar o apoio dos países era 
necessário fazer investimentos nos mesmos em contrapartida (ANDRADE; 
GANIMI, 2007). 
Para Rosa (1998), a bandeira levantada pelo lado capitalista cujo objetivo 
era acabar com a fome nos países menos privilegiados, particularmente na Ásia 
e América Central, na verdade era o receio da falta de alimentos criar tensões 
nestes países e os mesmos serem seduzidos pelo ideal socialista. 
A fome mundial não acaba apenas com o processo de inovações 
tecnológicas, aumentando a produtividade das culturas agrícolas, contudo a 
agricultura era uma forma de reproduzir o capital, ao invés de colaborar para 
solucionar o problema da fome, criando dependência dos agricultores em 
relação as grandes empresas transnacionais que ofereciam pacotes 
tecnológicos completos (GEORGE, 1978; SERRA et al., 2016; NOVAES, 2017). 
A Revolução Verde trouxe também a monocultura como máxima, 
abandonando a prática da policultura com ela as práticas passadas. Havia 
tendência evidente de atender as demandas do mercado externo e também a 
retirada das mãos dos agricultores a participação na seleção de sementes, 
melhoramentos genéticos e o desenvolvimento de novos bens que, lhes foram 
oferecidos a altos custos pelas multinacionais e que muitos não podiam 
comprar (LAZARI; SOUZA, 2017). 
De acordo com Lazari e Souza (2017) as variedades vegetais que foram 
desenvolvidas pelos processos tecnológicos e que apresentavam alta 
 
 
55 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
produtividade dependiam de um conjunto de práticas conhecido como “pacote 
tecnológico” resultado da Revolução Verde, como os insumos e fertilizantes 
sintéticos e químicos, defensivos agrícolas, manejo de irrigação, maquinário 
que ficavam nas mãos das grandes empresas multinacionais. 
É importante lembrar que houve ousadia, investimentos e tenacidade 
para que se pudesse desenvolver pacotes tecnológicos que se adaptassem as 
diversas regiões do planeta. Rosa (1998) complementa que para terem acesso 
às novas tecnologias oriunda da Revolução Verde, era necessário a ampliação 
de créditos por parte do governo para o favorecimento de médios e pequenos 
agricultores. 
 
5 REVOLUÇÃO VERDE NO BRASIL 
 
Com base no pressuposto que o setor industrial passou a abastecer a 
agricultura com os insumos necessários a produção, a contrapartida deveria ser 
estabelecida, ou seja, para a manutenção do setor industrial a agricultura 
deveria oferecer “mão-de-obra” e matérias-primas para o setor agroindustrial, 
tanto no mercado interno como externo. Estabelecida esta relação, a partir da 
década de 1950 começaram a se instalar no Brasil as empresas com sede no 
Primeiro Mundo, entre elas Ford, Shell, Ciba Geyge, ICI, UNILEVER, Du Pont, 
Bayer, Basf, Stauffer, Dow Química, Pfizer, Union Carbide, Hoeschte, Monsanto, 
Rhodia, dando início a formação do CAI - Complexo Agroindustrial brasileiro 
(TOLENTINO, 2016). 
Mas, a efetivação de um setor produtor de bens de produção voltado 
realmente para a agricultura ocorreu apenas no final da década de 1960 no 
Brasil, neste momento foi possível implementar o desenvolvimento da 
agricultura em escala nacional, ficando esse processo conhecido como 
“modernização da agricultura” (MARAFON, 1998). 
O governo federal para dar prosseguimento ao processo de 
modernização da agricultura brasileira abriu linhas de crédito, para tanto foi 
criado oSistema Nacional de Crédito Rural (SNCR) que, destinava a atender 
principalmente a demanda dos grandes proprietários de terras, permitindo aos 
 
 
 
56 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
agricultores o acesso aos insumos produtivos e também o fortalecimento do 
Complexo Agroindustrial brasileiro. (SORDI, 1980; SOUZA et al., 2020) 
A modernização da agricultura brasileira foi focada no grande produtor, 
antigas relações de trabalho entre o grande proprietário e o camponês se 
deterioram, a mecanização ocupou o lugar de muitos e eles se viam forçados a 
se deslocar para os grandes centros que em busca de emprego nas indústrias, 
o Brasil passou de um país com a maioria da população no campo para um país 
majoritariamente urbano (TOLENTINO, 2016). 
De acordo com Santili (2009), a Revolução Verde, nos países em 
desenvolvimento, veio para atender as demandas dos grandes produtores, haja 
vista os custos dos insumos, tornava-se inacessível aos pequenos, o que 
prejudicou a maioria da população rural. 
Outra questão importante neste processo foi que a política de 
financiamento rural a baixas taxas de juros perdeu força com a crise mundial 
por conta do setor petrolífero em meados da década de 1980, de modo a 
resultar no fim do financiamento para modernização da agricultura no Brasil 
(SOUZA et al., 2020). 
 Os camponeses foram os que mais sentiram este momento, pois os 
centros urbanos não mais o absorviam e o campo estava saturado e sem 
investimentos, nessa época surgiram movimentos reacionistas como MST 
(Movimento dos Sem-Terra) e o CPT (Comissão Pastoral da Terra), que 
reivindicavam além de terra para produzir, financiamentos para a instalação e 
para o início do processo produtivo (TOLENTINO, 2016). 
Na década de 1990 o Brasil experimentou um aumento grotesco de 
produtividade no campo, que o transformou em um dos maiores produtores e 
exportadores de alimentos do mundo, contudo outros desafios foram deixados, 
tais como, uma agricultura mais sustentável e mais ambientalmente correta e 
uma maior valorização do pequeno produtor que, expulso do campo foi 
relegado as periferias de grandes capitais (VIEIRA FILHO, 2018). 
 
 
 
57 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
6 BRASIL: VALORIZAÇÃO DA AGRICULTURA 
 
Entre os anos e 1950 e 1970 a agricultura brasileira era rudimentar e 
prevalecia o trabalho braçal, o uso de maquinários nas propriedades quase não 
existia (SANTOS, 2019). 
De acordo com Schuh e Alves (1971), muito pouco se conhecia da 
dinâmica dos solos o que limitava a capacidade de gerar novas variedades mais 
produtivas, enquanto na pecuária o desconhecimento era igual, não se tinha 
noção de quais combinações de atividades eram mais lucrativas e pouca 
pesquisa era feita, o resultado era o baixo rendimento por hectare e pouca 
produção na pecuária, cada vez mais se exigia áreas maiores para a produção, 
gerando impactos ambientais como erosão e assoreamento. 
Este período foi marcado por uma forte industrialização, o poder 
aquisitivo da população aumentava com o número de habitantes, mas o campo 
não respondia a altura, era necessária uma expansão produtiva no campo para 
assim, garantir que o processo de industrialização se mantivesse (CAMPOS et 
al., 2019). 
Era necessário a implantação de políticas públicas para aumentar a 
produção e a produtividade como incrementar a pesquisa e desenvolvimento, 
promover a extensão rural e oferecer crédito a baixos custos (EMBRAPA, 2018). 
Para atender uma demanda externa, inovações nos processos de 
produção foram feitos por meio de políticas de Estado no incremento de 
créditos agrícolas e no incentivo a pesquisa com a criação de órgãos como a 
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA (LOBÃO, 2018). 
O Brasil é privilegiado pela abundância de recursos naturais que 
favorecem as práticas agrícolas, mas o que fez a diferença nos últimos 50 anos 
foi o investimento em pesquisas (EMBRAPA, 2018). 
 
 
 
 
 
 
58 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
7 CRIAÇÃO DA EMBRAPA 
 
Em 1972, o então Ministro da Agricultura, Luís Fernando Cirne Lima, por 
meio da Portaria nº143, instituiu um grupo de trabalho para analisar o Sistema 
de Pesquisa Agropecuário Brasileiro, com vistas a tornar mais efetivo o processo 
de modernização do campo, por meio deste grupo foi criada a EMBRAPA, sendo 
a intuição que contemplava o maior volume de recursos e maior número de 
pesquisadores (MENGEL; AQUINO, 2015). 
Segundo Alves (1972) a direção da EMBRAPA era no sentido de 
aproximar o setor industrial e agrícola, tornando os sistemas mais eficientes do 
ponto de vista econômico para os agricultores, era necessário a realização de 
pesquisas que solucionassem o problema de integração entre a agricultura e a 
indústria. 
O objetivo inicial da criação da Embrapa era pensar um sistema de 
produção em que estivessem integrados agricultores, fabricantes de máquinas, 
insumos e beneficiadores de produtos agrícolas (MENGEL; AQUINO, 2015). 
Os esforços para a elevação da produção e da produtividade passariam 
necessariamente pelo incremento de pesquisas que poderiam tornar o sistema 
produtivo mais integrado e desenvolvido (ROMMINGER, 2017). 
A Figura 1apresenta evolução do número de pesquisadores na área da 
agropecuária entre os anos de 1983 a 2013 e faz um comparativo entre os 
setores públicos, privados e universidades. 
 
 
 
59 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
Figura 01: Número de pesquisadores no setor de agropecuária. 
 
Fonte: AGROSTAT (2017). 
 
Avanços na melhoria genética na agropecuária e no trato do solo como 
o uso de fertilizantes, aliados a políticas públicas e a competência dos 
produtores contribuíram para um expressivo aumento da produção e 
produtividade nos últimos 50 anos (EMBRAPA, 2018). 
Entre os anos de 1975 e 2018, pode-se verificar expressivo aumento da 
produção em relação a área, conforme Figura 2. 
 
 
 
 
 
60 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
Figura 02: Relação área plantada e produção. 
 
Fonte: CONAB (2018). 
 
A área plantada praticamente não apresentou aumento expressivo, 
entretanto a produção teve um salto de 50 para 250 milhões de tonelada, desta 
forma, verifica-se o incremento da tecnologia, que provocou o aumento de 
produtividade. 
A Figura 3 apresenta o crescimento produtivo dos principais cereais no 
Brasil entre os anos de 1977 a 2018. 
 
 
 
61 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
Figura 03: Evolução da produção dos principais cereais. 
 
Fonte: CONAB (2018). 
 
Outro indicador relevante para mensurarmos a evolução no processo 
produtivo é a produção de carnes (Figura 4), sendo dede suínos e de frangos 
entre os anos de 1975 e 2018. 
 
Figura 04: Evolução da produção na pecuária. 
 
Fonte: CONAB (2017). 
 
 
 
 
62 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 O aumento da produtividade ao longo dos anos tem contribuído em 
muito para o favorecimento de dois indicadores importantes para a economia 
do país O primeiro lugar a redução gradativa do valor dos produtos que 
compõem a cesta básica, tonando mais fácil o acesso ao alimento 
principalmente para a parte da sociedade mais carente; o outro fator é o 
impacto nas exportações, com o aumento da produção há o favorecimento de 
vendas para o mercado externo, auxiliando na balança comercial. A Figura 5 
apresenta valores relativo à cesta básica ente os anos de 1965 e 2017. 
 
Figura 05: Valor relativo da cesta básica. 
 
Fonte: Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (2017). 
 
E em relação ao segundo fator que demonstra a importância do 
agronegócio, verifica-se na Figura 6 a evolução da exportação, em que pode-se 
observar o crescimento do valor em bilhões de dólares das exportações do 
agronegócio brasileiro entre os anos de 1989 e 2017. 
 
 
 
 
 
 
63 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
Figura 06: Valor das exportações do agronegócio brasileiro.Fonte: AGROSTAT (2017). 
 
O agronegócio Brasileiro tem se mostrado muito bem‐sucedido, uma vez 
que mudou seu status de importador de alimentos na década de 1960 para um 
importante de produtor e exportador na atualidade, outra condicionante para 
o sucesso do agronegócio foi que na década de 1990 a produção mundial 
apresentava sinais de estagnação e o Brasil entrou como um tipo de repositor 
de alimentos para o mundo colocando em prática suas pesquisas (VIEIRA FILHO, 
2014). 
Os investimentos em pesquisas foram fundamentais para transformar o 
Brasil em um grande exportador de alimentos (LOBÃO, 2018). 
A Embrapa teve papel fundamental na modernização da agropecuária 
Brasileira, como fonte de fornecimento de conhecimento e novas tecnologias, 
além de ser responsável pela expansão da fronteira agrícola para o Cerrado 
(ROMMINGER, 2017). 
 
 
 
 
 
 
 
 
64 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Quando consideramos o avanço histórico no processo produtivo da 
agricultura e seus impactos no desenvolvimento das sociedades, percebe-se 
que o mesmo foi fundamental para ampliar o convívio dos seres humanos, 
favorecendo, com o passar do tempo, as trocas de conhecimentos e 
promovendo saltos tecnológicos que interferiram nas esferas econômicas, 
sociais e políticas. 
No Brasil, apesar de apresentar nos séculos iniciais de sua existência, por 
parte de seus colonizadores, interesse em desenvolver uma agricultura mais 
voltada para a demanda externa, com a Revolução Verde, já no século XX, 
começou a explorar seu verdadeiro potencial produtivo, porém criando um 
desequilíbrio social e econômico pois os grandes proprietários quem mais se 
beneficiaram. 
O fato de possuir um clima tropical e as tecnologias vindas dos países de 
Primeiro Mundo serem adaptadas ao clima temperado e a outros tipos de solos, 
o governo brasileiro optou por investir em pesquisa e desenvolvimento da 
agropecuária e sem dúvidas, com a criação da EMBRAPA no início da década de 
1970, deu assas ao desenvolvimento do Agronegócio, postulando o Brasil, como 
um dos maiores produtores de alimentos do mundo. 
 
REFERÊNCIAS 
AMARAL, L. História geral da agricultura brasileira. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1958. 
 
ANDRADES, T. O. e GANIMI, R. N. Revolução verde e a apropriação capitalista. CES Revista, Juiz de 
Fora, v. 21, p. 43‐56, 2007. 
 
ARAÚJO, M J. Fundamentos de agronegócios. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2010. 
 
AZEVEDO, F. A cidade e o campo na civilização industrial. São Paulo: Melhoramentos, 1962. 
 
BRANDÃO, A. F. Diálogos das grandezas do Brasil. Rio de Janeiro: Dois Mundos, 1943. 
 
BRASIL. Ministério da Agricultura, Industria e Commercio. Aspectos da economia rural brasileira: 
contribuição do Serviço de Inspecção e Fomento Agrícolas para a comemoração do Centenário da 
Independência do Brasil. 
 
 
65 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
Rio de Jaeiro: Officinas Graphicas Villas Boas, 1922. 
 
CAMPOS, J. R. S.; LEMOS, J. .J. S.; SILVA, L.M. R.. Progresso tecnológico e alocação de recursos na 
agricultura brasileira. Revista de Economia e Sociologia Rural, v. 26, n. 2, p. 195‐212, 2019. 
 
CASTANHO, R. B., TEIXEIRA, M. E. S. A evolução da agricultura no mundo: da gênese até os dias 
atuais. Brazilian Geographical Journal: Geosciences and Humanities reserch medium:V. 8 N. 1, 2017. 
 
COSTA, L.F.; PIRES, G. L. P. Análise Histórica sobre a Agricultura e o Advento do Uso de Agrotóxicos 
no Brasil. ETIC ‐ Encontro de Iniciação Científica ‐ issn 21‐76‐8498, v. 12, n. 12, 2016. 
 
EMBRAPA. O futuro da agricultura brasileira, c2018. Página inicial. Disponível em 
<https://www.embrapa.br/visao/o‐futuro‐da‐agricultura‐brasileira> Acessado em 24 de jul. de 
2020. 
 
EMBRAPA. Trajetoria da agricultura brasileira, 2018. Página inicial. Disponível 
em:<https://www.embrapa.br/visao/trajetoria‐da‐agricultura‐brasileira> Acessado em 22 jun. de 
2020. 
 
FELDENS, L. O homem, a agricultura e a história. Lajeado: Ed. Univates, 2018. 
 
FERREIRA, D, DIAS, P. História de Portugal. Lisboa: Verso de Kapa, 2016. 
 
FOGUEL, Israel. Brasil: Colônia, Império e República. São Paulo: Clube de Autores, 2016. 
 
HOEHNE, F. C.. Botânica e agricultura no Brasil no século XVI. São Paulo: Companhia Editora 
Nacional, 1937. 
 
HOLANDA, S. B.. Raízes do Brasil. Brasília: UnB, 1963. 
 
KEHL, R.. Por que sou eugenista. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1937. 
 
LAZZARI, F. M.; SOUZA, A. S.. Revolução Verde: Impactos sobre os conhecimentos tradicionais. 4º 
Congresso Internacional de Direito e Contemporaneidade. Santa Maria/RS, 08 a 10 de novembro de 
2017. 
 
LINHARES, M.Y. L.; SILVA, F. C. .T.. Terra e alimento: panorama dos 500 anos de agricultura no Brasil. 
Brasília: Embrapa, 2000. 
 
LEITE, M. J. S. (2017) Tráfico Atlântico, Escravidão e Resistência no Brasil. Revista de História da 
Africa e de Estudos da Dispora Africana Ano X, agosto, 2019. 
 
LOBÃO, M. S. P.. Meio rural, agropecuária e modernização agrícola: uma discussão teórica. Revista 
Observatorio de la Economía Latinoamericana, Julho, 2018. 
 
MALTHUS, T. R. An essay on the principle of population. Oxford: Oxford University Press, 1798 
 
MAZOYER, M.; ROUDART, L. História das Agriculturas do Mundo: do Neolítico à Crise 
Contemporânea. Trad. Cláudia F. Falluh Balduino Ferreira. São Paulo/Brasília: Edunesp/NEAD/MDA, 
2010,568p. 
https://www.embrapa.br/visao/o-futuro-da-agricultura-brasileira
https://www.embrapa.br/visao/trajetoria-da-agricultura-brasileira
 
 
 
66 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
MENGEL, A. A., AQUINO, S. L. (2016). A modernização da agricultura e a criação da Embrapa: 
transformações na pesquisa agropecuária brasileira / The Embrapa ad the modernization of 
agriculture: transformation of the brazilian agriculture research.CAMPO ‐ TERRITÓRIO: REVISTA DE 
GEOGRAFIA AGRÁRIA,10(21). 
 
MIRANDA, A. C. C.; VERÍSSIMO, A. M.; CEOLIN, A. C. Agricultura de Precisão: Um mapeamento da 
base da Scielo. Revista Eletrônica de Gestão Organizacional, v. 15, p. 129‐137. 2017. 
 
MOLINA, M., SARRUGE, R ; JACOMELI, M.RM. História da educação agrícola no século XIX: 
Formação gestora e operária no Brasil. In: 
http://www.histedbr.fe.unicamp.br/acer_histedbr/jornada.2010. 
 
MOURA, Caetano Lopes de. Diccionario geographico, historico e descriptivo do Imperio do Brazil. 
Paris: J.P. Ailaud, 1845. 
 
MASSRUHÁ, S. M. F. S.; LEITE, M. A. A. Agricultura digital. RECoDAF – Revista Eletrônica 
Competências Digitais para Agricultura Familiar, Tupã, v. 2, n. 1, p. 72‐88, jan./jun. 2016. 
 
PATERNIANI, E. Ciência, Agricultura e Sociedade. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica, 2006. 
 
ROMMINGER, A. E.. Inovação Agropecuária: A Embrapa e o Sistema Setorial de Inovação. Tese de 
Doutorado. Brasília:UNB, 2017. 
 
RAMBO, J. R.; TARSITANO, M. A. A.; LAFORGA, G. Agricultura Familiar no Brasil, conceito em 
construção: trajetória de lutas, história pujante. Revista de Ciências Agroambientais. Alta Floresta: 
UNEMAT, v. 14, n. 1, p. 86‐96, 2016. 
 
ROSA, A. V.. Agricultura e meio ambiente. São Paulo: Atual, 1998. 
 
SANTOS, A. O.; CAVICHIOLI, F. A.; SOARES, N. M.; CLAUDINO, T. S. AGRICULTURA 4.0.SIMTEC ‐ 
Simpósio de Tecnologia da Fatec Taquaritinga, v. 6, n. 1, p. 38‐47, 22 dez. 2019. 
 
SANTOS, R. F.. O crédito rural na modernização da agricultura brasileira. Revista de Economia e 
Sociologia Rural, v. 26, n. 4, p. 393‐404, 2019. 
 
SANTOS, T., ESPERIDIÃO, T., AMARANTE, M.. AGRICULTURA 4.0. Revista Pesquisa E Ação,5(4), 122‐
131, 05 dez. 2019. 
 
SERRA, L. S.; MENDES, M. R. F.; SOARES, M. V. A.; MONTEIRO,I. P Revolução Verde: reflexões acerca 
da questão dos agrotóxicos. Revista do CEDS, São Luiz, MA, v. 1, n. 4, p. 2‐25, jan./jul. 2016. 
 
SILVA, É. M.. A Gênese sócio-histórica do homem e a revolução neolítica. Revista de Ciências 
Humanas ReAGES, [S.l.], v. 1, n. 2, p. 12‐30, ago. 2018. 
 
SILVA, P. P. Farinha, feijão e carne seca: um tripé culinário do Brasil colonial. São Paulo: Senac; 2005. 
 
SMITH,B. D. The emergence of agriculture. New York: Scientific American Library, 1995. 230p. 
 
SOUSA, Sílvio Braz de et al. Crédito Rural no Brasil: evolução e distribuição espacial (1969–
http://www.histedbr.fe.unicamp.br/acer_histedbr/jornada.2010
 
 
67 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
2016).Confins. Revue franco‐brésilienne de géographie/Revista franco‐brasilera de geografia, n. 45, 
2020. 
 
SZMRECSÁNYI, T. Pequena história da agricultura no Brasil. São Paulo: Contexto, 1990. 
 
TORRES, A. O problema nacional brasileiro. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1933. 
 
TORRES FILHO, A. E. M. Introdução. In: BRASIL. Ministério da Agricultura, Industria e Commercio 
(Org.). Contribuição do Serviço de Inspecção e Fomento Agrícolas para a comemoração do 
Centenário da Independência do Brasil. Rio de Janeiro: Officinas Graphicas Villas Boas, 1922. 
 
VEIGA, J.E.O desenvolvimento agrícola: uma visão histórica. São Paulo: Editora Universidade de São 
Paulo: HUCITEC, 1991. 
 
VIEIRA FILHO, J. E. R. Transformações históricas e padrões tecnológicos da agricultura brasileira. 
In: BUAINAIN, A. M.; ALVES, E.; SILVEIRA, J. M.; NAVARRO, Z. (Editores técnicos).O mundo rural no 
Brasil do século 21. A formação de um novo padrão agrário e agrícola. Brasília: Embrapa/Instituto 
de Economia da Unicamp, 2014. 
 
VIEIRA FILHO, J. E. R. Efeito poupa-terra e ganhos de produção no setor agropecuário brasileiro. 
Texto para Discussão, 2018. 
 
ZAMBERLAN, J.; FRONCHETI, A. Agricultura ecológica: preservação do pequeno agricultor e o meio 
ambiente. Petrópolis: Vozes, 2001. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
68 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
 
 
 
 
 
 
69 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
 
 
CAPÍTULO 3 
___________________________________ 
 
 
 
 
ASPECTOS DE PRODUÇÃO DE 
BIOCOMBUSTÍVEL 
 
 
 
 
Álvaro de Baptista Neto11 
Fernando Masarin12 
Ariela Veloso de Paula13 
Rodney Helder Miotti Junior14 
Guilherme Peixoto 15 
 
 
 
 
 
 
 
 
11 Profº Dr. da Universidade Estadual Paulista. E-mail: alvaro.baptista@unesp.com.br 
12 Profº Dr. da Universidade Estadual Paulista. E-mail: fernando.masarin@unesp.br 
13 Profº Dr. da Universidade Estadual Paulista. E-mail: ariela.veloso@unesp.br 
14 Doutorando pela Universidade Estadual Paulista. E-mail: rodneymiotti@gmail.com 
15 Profº Dr. da Universidade Estadual Paulista. E-mail: guilherme.peixoto@unesp.br 
 
 
 
70 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
RESUMO 
Atualmente, há uma grande preocupadao com o aquecimento global que é causado pelo 
acúmulo dos gases do efeito estufa utiliz na atmosfera. O dióxiode de carbono é um dos 
gases do efeito estura, sendo que a sua produção ocorre devido a queima de 
combustíveis. A utilização de combustíveis de origem fósseis é o principal fator para o 
acúmulo do dióxido de carbono na atmosfera. Sendo assim, a utilização de combustíveis 
de origem renovável (biocombustíveis) é uma alternativa promissora para evitar o 
acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera. No Brasil, a participação dos 
biocombustíveis na matriz energética é alta, cerca de 43% atualmente, o que mostra a 
importância da produção de biocombustíveis. A energia produzida pela biomassa da 
cana de açúcar representa 18% da matriz energética nacional, sendo por isso que os 
biocombustíveis oriundos dessa fonte possuem uma grande importância. Em relação ao 
Biodiesel, atualmente, há a previsão de adicionar cerca de 12% de biodiesel em todo o 
diesel vendido no Brasil, mostrando uma grande demanda destes biocombustíveis. Por 
fim, a produção de biogás, mostra um grande aumento, mostrando ser um potencial 
biocombustível. Sendo assim, no presente trabalho, serão discutitos importância da 
produção de biocombustíveis e a sua participação na matriz energética mundial e 
nacional bem como aspetos relacionado a produção de etanol, biodiesel e biogás. 
 
PALAVRAS-CHAVE: Etanol, Biodiesel e Biogas 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
A sociedade moderna necessidade de energia para a realização das suas 
atividades. Em 2017, de acordo com ao International Energy Agency (IEA), a 
produção de energia mundial foi de 14.034 Mtep, energia equivalente a 
produção de 14 bilhões de toneladas de petróleo. Deste montante produzido, 
13,8 % são oriundas de fontes renováveis de energia (hídrica, solar, eólica, 
biocombustível e outras) e 86,2% são oriundas de fontes não renováveis 
(carvão, petróleo, gás natural e petróleo). A figura 1 mostra a distribuição das 
fontes para a produção de energia no ano de 2017. 
 
 
 
71 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
Figura 1 - Fonte mundial para a produção de energia em 2017 
 
 
 
Fonte: adaptado do International Energy Agency (IEA) 
 
Comparando com o ano de 1990 (dados da IEA), observa-se um aumento 
de 1,6 na produção de energia na produção atual de energia. Tal resultado 
mostra uma crescente demanda na produção de energia. Em relação a 
produção de energia utilizando fones renováveis, no ano de 1990, fontes 
renováveis representavam 12,7% da produção de energia. O da participação de 
fontes renováveis para a produção de energia, mostra uma preocupação 
mundial no desenvolvimento de processos e produtos que usem fontes 
renováveis para a produção de energia. 
Comparando a matriz energética mundial com a brasileira, mostra uma 
distribuição bem diferente. De acordo com o Balanço energético Nacional (BEN) 
publicado em 2020 pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o Brasil teve a 
disponibilidade de aproximadamente de 294,1 Mtep, ou seja, uma quantidade 
de energia equivalente a 294 milhões de toneladas de petróleo em 2019. Desde 
total, as fontes de energia não renováveis representam cerca de 53,9% 
enquanto as fontes renováveis representam cerca de 46,1%. Diferentemente 
da matriz energética mundial, a participação de fontes de energia renováveis 
na matriz brasileira é mais de 3 vezes superior à média mundial, mostrando a 
preocupação nacional na produção de energia utilizando fontes renováveis. A 
figura 2 mostra a participação de cada uma das fontes para a produção nacional 
de energia, de acordo com o relatório de BEN publicado em 2020 com o ano 
base de 2019 
 
 
 
72 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
Devido as características nacionais, a participação dos recursos hídricos 
é bem maior que a média mundial. Além disso, a utilização da biomassa de cana 
representa 18% da matriz energética nacional, sendo 2 vezes maior a 
participação de biocombustíveis na matriz de produção de energia mundial que 
é somente de 9%. De acordo como relatório do BEN publicado em 2010 (ano 
base de 2009), a produção de energia utilizando fontes não renováveis 
representou 46,8% da matriz energética nacional. Esse resultado mostra uma 
pequena queda na participação de fontes renováveis na matriz energética 
nacional nos no período de 2009 a 2019, diminuindo de 46,8% para 46,1%. Em 
relação ao total de energia produzida em 2009, esta foi de 241,1 Mtep, 
mostrando um aumento na produção de energia nos últimos 10 anos de cerca 
de 1,2 vezes na produção de energia. Visto a isso, o aumento da produção de 
energia utilizando fontes renovável está sendo suficiente para acompanha a 
necessidade de atender a demanda de produção de energia nacional e por isso 
houve um maior aumento na participação de energias não renováveis na matriz 
energética nacional. 
A produção de energia é uma preocupação constante para a 
manutenção das atividades econômica. Porém a produção utilizando energias 
não renováveis tem se tornado uma preocupação por dois motivos principais: 
i) Fontes não renováveis tem quantidade finita de recursos e ii) a utilização de 
muitas das fontes não renováveis geram efeitos adversos ao ambiente, sendo 
responsável pelas alterações climáticas que está ocorrendo. 
O documento apresentado por MARENGO (2007), ao Ministério do Meio 
Ambiente (MMA), descreve que há influencia humana na mudança climática 
que está ocorrendo. De acordo com esse documento, destaca-seum aumento 
de 0,6oC na temperatura global da superfície terrestre. Também relatam que 
houve um aumento na concentração de gases do efeito estufa como resultados 
das atividades humanas. Relatam também que as temperaturas médias 
poderão aumentar entre 2 a 4,5oC devido ao aumento da concentração de 
dióxido de carbono, que é gerada devido a atividade humana que gera a 
emissão de dióxido de carbono oriunda de fontes não renováveis como o carvão 
mineral, gás natural e petróleo. De acordo com as informações da IEA, a 
emissão e dióxido de carbono por fontes não renováveis em 2017 foi de 32,8 
 
 
73 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
Gton, representando um aumento de 1,6 vezes em relação a emissão dessas 
fontes em 1990. 
 
Figura 2 - Fonte para a produção nacional de energia em 2019 
 
 
 
Fonte: adaptado do BEN (2020) 
 
De acordo relatório do IPEA (2019), a emissão de dióxido de carbono no 
Brasil em 2009 foi de 1,28 GTon. O Brasil é signatário do acordo de Paris, sendo 
assim, se comprometeu em reduzir a emissão de dióxido de carbono para a 
atmosfera. Neste acordo, o Brasil se comprometeu em reduzir a emissão de 
gases do efeito estufa em 37% em relação ao ano de 2005 (2,13Gton). Em 2015, 
último dado consolidado pelo relatório do IPEA (2019), mostra a emissão e 1,37 
Gton de dióxido de carbono no ano de 2015. 
A utilização de fontes renováveis é uma alternativa evitar o aumento da 
concentração de dióxido de carbono na atmosfera, diminuindo os efeitos do 
dióxido de carbono na alteração climática. Sendo assim, a produção de etanol 
é um dos combustíveis de destaque na matriz energética nacional. De acordo 
dom o relatório de BEN (2020), o etanol supriu o consumo de 7% de toda a 
energia consumida no Brasil no ano de 2019. Além disso, a utilização do bagaço 
de cana, subproduto da produção de etanol, supriu cerca de 10,9% da demanda 
de energia nacional. Este resultado mostra a importância do setor 
sucroalcoleiro na produção nacional de energia. 
 
 
 
74 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB, 2020), 
a produção de etanol na safra de 2019/2020 foi de 35,6 bilhões de litros, sendo 
considerando um recorde de produção. Também relata a produção de etanol a 
partir de milho como sendo de 1,6 bilhões de litros. A figura 3 mostra o aumento 
da produção de etanol entre os anos de 2012 a 2020 de acordo com os 
resultados apresentado pelos relatórios da Agência Nacional de Petróleo. Neste 
gráfico mostra um aumento na produção de etanol entre os anos de 2012 a 
2019. 
O Brasil possui um grande destaque sobre a produção de álcool de 
segunda geração devido a grande disponibilidade de bagaço de cana de açúcar 
oriunda do processo de produção de etanol de primeira geração. Porém a 
grande dificuldade para a produção industrial, ainda são os desafios técnicos 
que eleva o custo do processo, tornando menos competitivo. De acordo com 
SANTOS et al. (2011), o Brasil moeu cerca de 458 milhões de toneladas de cana 
de açúcar em 2005. Sendo estimado pelos autores que 45% do bagaço é 
material lignocelulose e que 30% é caldo de cana, estima-se que houve a 
produção de 320,6 milhões de toneladas de bagaço de cana e 144,3 milhões de 
toneladas de material lignocelulosico, mostrando o potencial do uso desse 
resíduo como matéria prima para a produção e biocombustível. 
De acordo com LORENZI e ANDRADE (2019) seria possível aumentar a 
produtividade de etanol, em torno de 50% ao utilizado o bagaço de cana como 
matéria-prima. Os autores também relatam uma previsão por parte da Granbio, 
Raízen, CTC em que o etanol de segunda geração tornasse parte significativa da 
matriz energética brasileira e que haverá em operação de mais de uma dezena 
de usinas de álcool de segunda geração em 2025. A capacidade instalada 
atualmente na produção de etanol de segunda geração é de 125 milhões de 
litros por ano (Granbio, Raízen e CTC), sendo o Brasil o quarto país em 
capacidade instalada para a produção de etanol de segunda geração. No mesmo 
artigo os autores relatam que mesmo após 7 anos do início da operação das 
plantas de etanol de segunda geração da Raízen e da Granbio, alguns dos 
desafios técnicos para a produção de etanol de segunda geração nenhuma das 
metas ou expectativa foram alcançadas. Neste período houve grandes 
paralelização e a produção ficou abaixo dos 10% da capacidade da planta, 
 
 
75 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
mostrando grande incertezas em relação ao futuro da produção do etanol de 
segunda geração. 
 
Figura 3 - Histórico de produção de etanol doa anos e 2012 a 2019 
 
 
Fonte: Agência Nacional de Petróleo (ANP) 
 
O biodiesel é outro biodiesel para se destacar. O Biodiesel é um 
combustível biodegradável derivado de fontes de óleos e gorduras de origem 
animal e vegetal. De acordo como a Análise de Conjuntura de Biocombustível 
em 2019 (realizada pelo IPEA), nos últimos 20 anos, houve uma especial atenção 
no desenvolvimento de biodiesel vista a políticas ambientais, na qual tem como 
meta a diminuição da emissão de dióxido de carbono. O biodiesel tem sido 
introduzido ao mercado brasileiro através do programa nacional de produção e 
uso de biodiesel (PNPB), que visa a implantação da produção de biodiesel 
através de uma política sustentável. 
No mesmo documento há a apresentação de um histórico sobre a 
produção de biodiesel, sendo que ele relata que em 2004 houve a 
implementação de uma política de uso de biodiesel, sendo proposta o aumento 
da quantidade de biodiesel adicionado ao diesel. Com isso, foi implementada 
um aumento gradual na proporção do biodiesel no diesel no seguinte 
 
 
 
76 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
cronograma: adição de 2% de biodisel ao diesel (B2) em 2008, 5% (B5) em 2010 
e em 2014 aumentou para 6% (B6) e logo depois para 7% (B7). Depois, pela 
resolução 16 de 29 de outubro de 2018 do Conselho Nacional de Política 
Energética (CNPE), em primeiro de março de 2020 a adição é de 12%, sendo que 
haverá um acréscimo de 1% ao ano e no ano de 2023 chegará em 15%. 
Em 2019, houve a produção de 5,9 milhões de metros cúbicos de 
biodiesel a a partir de uma capacidade instalada de 8,8 milhões de metros 
cúbicos (ANP, relatório de mercado de 2019). No relatório do BEN (2020), houve 
o destaque da evolução do crescimento do biodiesel. A figura 4 mostra o 
histórico de consumo do biodiesel. 
 
Figura 4 - Histórico de consumo de Biodiesel 
 
 
Fonte: adaptado do BEN (2020) 
 
Outra fonte de energia renovável a ser considerada é o resíduo orgânico 
que pode ser utilizado para a de Biogás. O Biogás ainda representa um pequeno 
impacto na matriz energética nacional, porém devido a sua matéria prima, 
resíduos orgânicos das mais diferentes fontes, a sua utilização e produção deve 
ser considerada. De acordo com o relatório do BEN (2020), a participação do 
biogás na matriz energética nacional ainda é pequena (0,1% da matriz 
energética nacional) porém tem um crescimento acelerado por ano (cerca de 
23% ao ano). De acordo com o mesmo relatório, 2020, produção de biogás foi 
 
 
77 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
de 269.000 tep em 2019, apresentando um crescimento de 31,8% em relação a 
2018. 
De acordo com o Centro Internacional de Energia Renovável-Biogás 
(CIBIOGÁS) no documento intitulado “Panorama do Biogás no Brasil em 2019”, 
publicado em 2019, é relatado como o país com maior potencial de produção 
de Biogás (estimado em 84,6 bilhões de metros cúbicos por ano). Neste 
documento, há ao relato de que há 548 plantas instaladas para a produção de 
biogás, sendo que 521 estão em operação sendo que a produção em 2019 foi 
de 1,3 bilhões de metros cúbicos. A figura 5 mostra o histórico de produção de 
biogás desde o ano de 2003. 
 
Figura 5 - Histórico de produção de biogás 
 
 
Fonte: Adaptado do CIBIOGAS (2019) 
 
Visto a importância dos biocombustíveiscomo alternativa viável como 
fonte de energia, os seus processos de produção devem ser avaliados. A 
obtenção de biocombustível a um preço competitivo é um desafio que se deve 
ser enfrentado. As fontes de combustíveis não renováveis ainda são as mais 
utilizadas, porém para atender à necessidade crescente de preservação do meio 
ambiente e evitar o aumento de gases do efeito estufa na atmosfera, 
aumentando a temperatura global do planeta, a utilização de biocombustíveis 
passa a ser uma opção que deve ser avaliada. 
 
 
 
 
78 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
2 PRODUÇÃO DE ETANOL CELULÓSICO 
 
O Brasil, um dos maiores produtores agrícolas do mundo, gera 
quantidades significativas de subprodutos de biomassa em atividades 
decorrentes da colheita e transformação de produtos. De acordo com a 
Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB, 2020), na safra 2020/2019, 
foram obtidos 630 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. A produção 
brasileira de etanol, no mesmo período, foi acima de 29,2 bilhões de litros. Dos 
principais subprodutos são produzidos no processamento da cana-de-açúcar: 
palha de cana-de-açúcar (PCA, durante a colheita) e bagaço de cana-de-açúcar 
(BCA, na etapa de extração de sacarose, no processo industrial). O 
processamento da cana-de-açúcar gera 14% e 12% de PCA e BCA (dados em 
base seca), sendo que estes valores representam 82,4 e 73,6 milhões de 
toneladas desses subprodutos por ano, respetivamente (SZCZERBOWSKI et al., 
2014). No Brasil, cerca de 40% da oferta interna de energia é baseada em 
matéria prima do tipo renovável (bioenergia); sendo 15,7% de energia oriunda 
de biomassa vegetal, que está diretamente associada com o cultivo de cana-de-
açúcar e seus derivados (EPE, 2020) 
A utilização do BCA tem a vantagem de já se encontrar disponível na 
indústria, pois é gerado após a etapa de extração do caldo de cana-de-açúcar 
(FERREIRA-LEITAO et al., 2010). Quanto ao destino da PCA, o governo do estado 
de São Paulo criou uma lei estadual que proíbe de forma gradativa à queima de 
PCA no campo resultando no aumento da mecanização da colheita da cana-de-
açúcar por parte das indústrias e consequente acúmulo de PCA no campo 
(RIBEIRO; FICARELLI, 2010). Atualmente em média 80% do BCA são queimados 
nas plantas termoelétricas para cogeração de energia o que é fundamental para 
tornar o processo viável economicamente. Todavia, a PCA não é utilizada para 
cogeração de energia, pois essa biomassa contém altos teores de matéria 
inorgânica (principalmente sílica) (SZCZERBOWSKI et al., 2014). Desta forma, 
parte da PCA deve ser removida do campo para sua transformação em 
bioprodutos e/ou bioenergia, todavia, outra porção deve permanecer no 
campo para a manutenção dos níveis adequados de microrganismos no solo, 
que são fundamentais para sua fertilidade, além do crescimento das plantas, de 
forma a sustentar o cultivo de cana-de-açúcar (MORAIS et al., 2019). 
 
 
79 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
O BCA e a PCA podem ser utilizadas para a produção de bioetanol 
celulósico (etanol 2G), todavia, o processamento evolve etapas adicionais ao 
processo convencional de produção de bioetanol de sacarose (etanol 1G). As 
etapas de pré-tratamento e a hidrólise enzimática dos subprodutos são 
considerados os gargalhos para tornar o processo de bioetanol 2G 
economicamente viável. A seguir será descrito o estado da arte acerca da 
produção de etanol 2G e seus principais gargalhos. 
 
2.1 COMPOSIÇÃO E ESTRUTURA 
 
2.1.1 CELULOSE 
A celulose é o biopolímero natural mais abundante na terra e é 
considerado o composto orgânico produzido mais importante na biosfera. É 
sintetizada por um amplo número de organismos, que varia de plantas e 
animais, bactérias e fungos, sendo que mais de 99% desses organismos são 
plantas. A celulose é um homopolímero linear com fórmula molecular 
(C6H10O5)n composto por unidades de D-anidroglucopiranose, também 
conhecidas como unidades de glicose. Estas estão unidas por ligações do tipo 
β-(1-4)-glicosídicas, formando um dímero conhecido como celobiose à unidade 
repetitiva da celulose, tal como mostrado na figura 6, (GELLERSTEDT; 
HERIKSSON, 2009; TRACHE et al., 2016). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
80 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
Figura 6 - Estrutura molecular da celulose. 
 
 
 
Fonte: adaptado de TRACHE et al., (2016). 
 
O tamanho das moléculas de celulose é expresso como grau de 
polimerização (GP), que indica o tamanho em termos de número de unidades 
de monômero por cadeia de celulose. O grau de polimerização pode variar de 
100, em celulose microcristalina a 15.000 em fibras de algodão (EK; 
GELLERSTEDT; HERIKSSON, 2009; SUHAS et al., 2016; TRACHE et al., 2016). 
(FENGEL; WEGENER, 1989; GELLERSTED; HENRIKSSON, 2009; SUHAS et al., 
2016; TRACHE et al., 2016). 
As ligações de hidrogênio (intramoleculares e intermoleculares) e as 
interações de Van der Waals presentes na cadeia de celulose impedem a 
rotação das moléculas de glicose, enrijecendo a cadeia resultando na formação 
de regiões ordenadas da molécula (regiões cristalinas) e regiões desordenadas 
(amorfas). As cadeias de celulose se agrupam formando microfibrilas, que 
juntas, formam as fibras de celulose. As microfibrilas de celulose são formadas 
por 36 cadeias de celulose (GELLERSTEDT; HERIKSSON, 2009; SUHAS et al., 
2016; TRACHE et al., 2016). 
 
 
 
 
 
81 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
2.1.2 HEMICELULOSE 
 
As hemiceluloses são heteropolímeros de cadeias curtas contendo 
grupos laterais compostos de unidades de pentoses (xilose e arabinose), 
hexoses (glicose, manose, ramnose e galactose) e ácidos urônicos 
(galacturônico, glucurônico e metil-glucurônico). Esses heteropolímeros 
entremeiam as microfibrilas de celulose conferindo resistência e flexibilidade à 
parede celular da planta. A Hemicelulose representa o terceiro polímero mais 
abundante na biosfera, ficando atrás da celulose e quitina (GELLERSTEDT; 
HERIKSSON, 2009; HELD et al., 2015; ZHOU et al., 2018) . 
As hemiceluloses dos subprodutos de cana-de-açúcar são compostas 
principalmente por arabinoxilana. As arabinoxilanas possuem um esqueleto 
que consiste em resíduos β-(1→4)-D-xilopiranosil, sendo que alguns pontos há 
cadeias laterais, como por exemplo grupos arabinosil (α-L-arabinoxilana), 
grupos acetil e ácido-metil-glucurônico (4-O-metil), tal como mostrado na 
Figura 7 (BUCKERIDGE et al., 2016; PENG et al., 2012; XIAO et al., 2017). 
A arabinoxilana apresenta grande potencial para produção de 
bioprodutos de interesse comercial e alto valor agregado, por exemplo, os XOS. 
A arabinoxilana pode ser convertida bioprodutos, como por exemplo, etanol, 
xilitol, ácido láctico, oligossacarídeos funcionais, dentre outros (EBRINGEROVÁ 
et al., 2005; ZHOU et al., 2018). 
 
 
 
 
82 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
Figura 7 - Estrutura da L-arabino-D-xilana, principal hemicelulose constituinte 
nos subprodutos de cana-de-açúcar. 
 
 
Fonte: adaptado de ZHOU et al., (2018). 
 
 
2.1.3 LIGNINA 
 
A lignina é uma macromolécula composta por três principais tipos de 
álcoois hidroxicinamil: álcool p-cumárico, álcool coniferílico e álcool sinapílico. 
Quando polimerizados, esses monolignóis são denominados como unidades 
monoméricas da lignina, como se segue: p-hidroxifenil (unidade H), guaiacil 
(unidade G) e siringil (unidade S). Essas unidades monoméricas encontram-se 
irregularmente conectadas quimicamente a uma variedade de ligações do tipo 
éter, onde a mais comum é a arilglicerol-β-aril (β-O-4’) (DE OLIVEIRA et al., 
2017). 
A proporção entre os constituintes da lignina varia de acordo com o tipo 
de célula, tecidos vegetais e a espécie da planta. A lignina de madeiras duras, é 
composta por unidades S e G em proporções semelhantes e pequenas 
quantidades de unidades H. Nas madeiras macias (coníferas), encontra-se 
principalmenteligninas compostas por unidades G e apenas pequenas 
quantidades de unidades H. As gramíneas, por sua vez, apresentam ligninas 
 
 
83 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
compostas pelas três unidades, com unidades H comparativamente menores 
(DE OLIVEIRA et al., 2017; DEL RÍO et al., 2015). 
A lignina dos subprodutos de cana-de-açúcar está localizada 
principalmente nos feixes vasculares (parede celular de células de vasos e 
fibras) e em menor quantidade localizada nas paredes das células de células de 
parênquima, que armazenam sacarose (BUCKERIDGE; DE SOUZA, 2017). Há 
evidências que sugerem que a arabinoxilana é a principal hemicelulose ligada 
quimicamente à lignina, através de seus grupos laterais (grupo arabinosil) 
conectados nas unidades de xilose da cadeia principal de xilana (Figura 8) 
(BUCKERIDGE; DE SOUZA, 2017). Desta forma, a estrutura geral das fibras dos 
subprodutos de cana-de-açúcar é formada por longas cadeias de celulose 
interligadas por ligações de hidrogênio com moléculas de hemicelulose 
entrelaçadas, o que resulta em uma estrutura altamente complexa que é 
encapsulada pela lignina. Assim, as microfibrilas de celulose estão organizadas 
de forma paralela e encaixadas em uma matriz de hemicelulose e lignina 
(BRANDT et al., 2013; GELLERSTEDT; HERIKSSON, 2009). 
 
Figura 8 - Esquema mostrando resíduos de ferulato acoplados à lignina, ambos 
resíduos de álcoois coniferílico e sinapílico são ligados com ferulatos. 
 
 
Fonte: adaptado de HATFIELD et al. (1999) e RALPH et al. (2004). 
 
 
 
 
 
 
84 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
2.2 PRÉ-TRATAMENTOS 
 
 O pré-tratamento pode ser de caráter químico (ácido, básico e 
oxidativo) ou físico (explosão a vapor e termo tratamento) ou ainda uma 
combinação destes (GELLERSTEDT; HENRIKSSON, 2009; MENDES et al., 2011; 
SANTOS et al., 2012). Nesta presente seção serão destacados os pré-
tratamentos em meio ácido, alcalino e explosão a vapor. O pré-tratamento deve 
ser escolhido em função de sua eficiência concomitante a seu custo, pois esta 
etapa é um dos gargalhos do processo de produção de etanol 2G. 
 
2.2.1 PRÉ-TRATAMENTOS EM MEIO ÁCIDO 
 
O pré-tratamento hidrotérmico (PTH) utiliza apenas água como meio 
reacional, que pode estar em sua forma de vapor ou líquida. O PTH consiste em 
uma tecnologia em que os materiais lignocelulósicos são tratados com água a 
quente comprimida a altas pressões (entre 1-10 Kgf.cm-2), e temperaturas 
(entre 150-220°C), e a uma razão líquido/sólido (mL de água por grama de 
biomassa lignocelulósica, dados em base seca) pré-determinada. O PTH 
apresenta vantagens por ser um processo ecológico e ambientalmente correto, 
ou seja, não necessita de produtos químicos e utiliza apenas água como meio 
reacional, não apresentando problemas de corrosão em equipamentos. O pré-
tratamento com ácido diluído é semelhante ao PTH, porém é adicionado uma 
solução diluída de um ácido (sendo os mais comuns os sulfúrico e clorídrico) 
diminuindo o pH do meio reacional resultando na formação de íons hidrônio 
(H3O+), que atuam como catalisadores na hidrólise da biomassa. A formação de 
um nível elevado de íons (H3O+) pode causar problemas de corrosão em 
equipamentos (CANILHA et al., 2011; CHEN et al., 2017a; GELLERSTEDT; 
HERIKSSON, 2009; RUIZ et al., 2020; SINGH et al., 2019; ZANUSO et al., 2017). O 
PTH também pode promover o decaimento do pH da solução do meio reacional 
devido à liberação de ácido acético e ácidos urônicos presentes nas cadeias 
laterais da arabinoxilana. Além disso, a altas temperaturas (150-230°C), as 
ligações de hidrogênio da água se enfraquecem, resultando na sua 
 
 
85 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
autoionização em íons hidrônio (H3O+), que atuam como catalisadores e 
contribuem para a diminuição do pH do meio (CHEN et al., 2017a). A principal 
fração dos subprodutos de cana-de-açúcar a ser hidrolisada em ambos pré-
tratamentos em meio ácido (PTH e pré-tratamento ácido diluído) é a 
arabinoxilana por ser a mais instável dos três principais constituintes da parede 
celular (CANILHA et al., 2011; CHEN et al., 2017a; GELLERSTEDT; HERIKSSON, 
2009; RUIZ et al., 2020; SINGH et al., 2019; ZANUSO et al., 2017). A degradação 
da arabinoxilana ocorre em três etapas: inicialmente ocorrem reações na 
superfície do material que resultam na formação dos produtos primários (XOS), 
xilose, ácido metil-glucurônico e ácido acético, que são produzidos pela 
clivagem das ligações do tipo éter e éster. Os XOS em condições mais severas 
de temperatura e tempo são hidrolisados a xilose. A xilose é instável em meio 
ácido e em altas temperaturas, sendo desidratada em furfural que por sua vez 
pode ser oxidado a ácido fórmico (CANILHA et al., 2011; CHEN et al., 2017a; 
GELLERSTEDT; HERIKSSON, 2009; EWANICK; BURA, 2010; RUIZ et al., 2020; 
ZHUANG et al., 2016). A fração celulósica obtida após os pré-tratamentos são 
ricas em celulose e lignina (celulignina). A celulose pode ser hidrolisada 
enzimaticamente com celulases para produzir glicose, no entanto, devido a ao 
alto teor de lignina e de pseudo-lignina na parede celular dificultam o acesso 
das enzimas tornando o material recalcitrante. 
 
2.2.2 PRÉ-TRATAMENTOS EM MEIO ALCALINO 
 
Os pré-tratamentos alcalinos combinados com sulfito de sódio (Na2SO3) 
se destacam, pois, tem capacidade de sulfonar a lignina, tornando a celulose e 
a xilana mais acessíveis às enzimas. O Na2SO3 dissolvido em meio aquoso resulta 
na formação dos íons hidrosulfito (HSO3-) e hidróxido (OH-) (GELLERSTEDT; 
HENRIKSSON, 2009). Os íons OH- subtraem um próton de um OH fenólico 
presente em anéis aromáticos da lignina, formando um intermediário (metileno 
quinona) o qual é atacado por íons hidrosulfito (no carbono α), tornando o OH 
fenólico novamente protonado e o carbono α sulfonado. A reação química 
prossegue com a clivagem da ligação β-aril-éter, entre os dois anéis aromáticos 
resultando na sulfonação do carbono β e consequente dissolução/degradação 
da lignina. O pré-tratamento em meio alcalino não promove problemas de 
 
 
 
86 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
corrosão em equipamentos, no entanto, libera um licor que deve ser 
previamente tratado para seu descarte. Além disso, a celulose resultante do 
pré-tratamento alcalino apresenta maior potencial de hidrólise enzimática por 
celulases, sendo um material menos recalcitrante (GELLERSTEDT; HENRIKSSON, 
2009; MENDES et al., 2011. MENDES et al., 2013; TAVARES et al., 2018). 
 
2.2.3 PRÉ-TRATAMENTO EXPLOSÃO À VAPOR 
 
O pré-tratamento explosão à vapor consiste em uma tecnologia em que 
os materiais lignocelulósicos são tratados em reatores com água a altas 
pressões (entre 10-20 Kgf.cm-2), por um período curto de tempo (3-10 min) 
sendo que ao final da reação a uma descompressão súbita do reator (abertura 
de válvula de forma súbita e explosão do material). O pré-tratamento explosão 
à vapor promove o aumento da porosidade e área superficial do material. 
Normalmente, o pré-tratamento explosão à vapor é aplicado em combinação 
com soluções acidas ou alcalinas o que potencializa a eficiência da hidrólise 
enzimática da celulose resultante após a explosão à vapor. Uma desvantagem 
deste pré-tratamento é alto consumo de energia (GELLERSTEDT; HENRIKSSON, 
2009; TAVARES et al., 2018). 
 
2.3 HIDRÓLISE ENZIMÁTICA 
 
As celulases e xilanases são enzimas que constituem um complexo com 
capacidade de hidrolisar materiais celulósicos. As celulases, enzimas 
responsáveis pela hidrolise da celulose, constituem um complexo enzimático 
constituído de endoglucanase (EC 3.2.1.4) que cliva aletoriamente as ligações 
internas da fibra celulósica (tipo β-1,4-glicosídicas) liberando celo-
oliogssacarídeos (COS); exoglucanase ou celobihidrolase (EC 3.2.1.91) que cliva 
a região externa da celulose liberando uma molécula de celobiose; β-glicosidase 
(EC 3.2.1.21) que cliva oligossacarídeossolúveis (COS e celobiose) em glicose. A 
ação sinérgica entre as três enzimas é necessária para efetivamente clivar a 
celulose em glicose. A glicose é matéria prima para produção de bioprodutos 
 
 
87 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
de interesse comercial, como por exemplo, o etanol 2G (MARTINS et al., 2008; 
BRIENZO et al., 2008; GE et al., 2010; MASARIN et al., 2011). As xilanases 
constituem um complexo enzimático constituído por endoxilanase (EC 3.2.1.8) 
que cliva aleatoriamente as ligações do tipo β-1,4-xilosídicas da cadeia principal 
da xilana liberando XOS e β-xilosidade (EC 3.2.1.37) que cliva os XOS de cadeias 
curtas à xilobiose, a qual é convertida em xilose. A xilose pode ser aplicada na 
produção de açúcares dietéticos, como por exemplo, o xilitol (WONG et al., 
1988; KNOB et al., 2010; SANTOS et al.,. 2011; MAFEI et al., 2019). 
A hidrólise enzimática de celulose com altas consistências tem a 
vantagem de promover a formação de um hidrolisado contendo altas 
concentrações de glicose evitando etapas de concentração resultando em 
economia de energia elétrica e aumento na produtividade do bioprocesso. 
Todavia, altas consistências na hidrólise enzimática tem a desvantagem de 
promover problemas associados à inibição da enzima pelo seu produto final 
impedindo à completa hidrólise da celulose e/ou a diminuição da velocidade de 
hidrólise, portanto, alta concentração de glicose apresenta efeitos inibitórios 
significativos na atividade de celulases (XIAO et al., 2004; CASPETA et al., 2014; 
WANG et al., 2012; ZHOU et al., 2028). Além disso, a alta consistência na 
hidrólise enzimática de celulose também apresenta problemas de transferência 
de massa resultando na diminuição da velocidade de hidrólise. No entanto, os 
problemas de inibição da enzima e de transferência de massa podem ser 
parcialmente resolvidos com o desenvolvimento de biorreatores e impelidores 
adequados (CASPETA et al., 2014; WANG et al., 2012). 
 
2.3.1 FERMENTAÇÃO ETANÓLICA 
 
O etanol obtido através da fermentação de açúcares utilizando 
catalisadores biológicos como as leveduras, vem sendo considerado uma 
importante fonte de energia alternativa. No Brasil o processo tradicional é a 
fermentação de caldo e melaço de cana-de-açúcar (etanol 1G) por 
Sacharomyces cerevisiae. Linhagens selecionadas de S. cerevisiae são 
amplamente utilizadas pelo setor sucroenergético brasileiro, por possuírem alta 
eficiência fermentativa. As linhagens de S. cerevisiae mais amplamente usadas 
 
 
 
88 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
para fermentar açúcar em etanol pelas usinas brasileiras são PE-2, CAT-1 e BG-
1. Na safra de 2007/2008, as linhagens PE-2 e CAT-1 foram usadas em cerca de 
150 destilarias, representando cerca de 60% do etanol combustível no Brasil 
(BASSO et al., 2008). O gargalho da produção de etanol 1G está relacionado ao 
controle de contaminantes no processo fermentativo, o qual ocorre com certo 
nível de contaminação. Buscando alternativas de outras fontes para a produção 
de bioetanol, a utilização de materiais lignocelulósicos tem se mostrado 
promissora fonte de carboidrato para o processo fermentativo etanólico, no 
qual incluem a utilização de subprodutos agroindustriais de matérias primas 
agrícolas (SUN et al., 2002). 
Durante a etapa de pré-tratamento e hidrólise enzimática ocorre a 
decomposição de pentoses e hexoses que podem culminar na produção dos 
inibidores: furfural e 5-hidroximetilfurfural (HMF). Esses inibidores podem 
afetar negativamente o processo fermentativo, promovendo a inibição da 
velocidade específica de crescimento dos microrganismos, diminuir a produção 
específica de bioetanol e reduzir a síntese da biomassa (ROSSELL, 2006a). Além 
disso, podem danificar as membranas e paredes celulares, reduzir as atividades 
enzimáticas, causar danos ao DNA e inibir a síntese de proteínas e RNA (LIU et 
al., 2004; LIU et al., 2009; VAN MARIS et al., 2006). O controle do processo de 
hidrólise tem como objetivo minimizar as concentrações desses compostos 
tóxicos e diferentes tratamentos vem sendo empregados para a melhoria da 
capacidade de fermentação desses hidrolisados (PALMQVIST et al., 2000). 
As linhagens de S. cerevisiae são capazes de fermentar glicose em etanol 
com altos rendimentos, até mesmo em condições aeróbicas. Entretanto, S. 
cerevisiae são incapazes de assimilar ou fermentar a xilose, principal 
constituinte da fração hemicelulósica de diversas biomassas (BAKKER et al., 
2000). A bioconversão de pentoses a etanol é ainda considerada um desafio 
econômico e tecnológico (JEFFRIES et al., 2004). Desta forma, a conversão 
dessas pentoses em XOS pode representar uma estratégia interessante de 
aproveitamento desses açúcares. 
 
 
 
 
 
89 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
2.4 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
A implementação do processo de produção de etanol celulósico 
dependerá de alternativas de melhor aproveitamento da biomassa, focando na 
produção de vários bioprodutos dentro do âmbito da plataforma de 
biorrefinarias. Por exemplo, uma alternativa de melhor aproveitamento dos 
subprodutos de cana-de-açúcar (BCA e PCA) seria a produção de um derivado a 
partir da fração hemicelulósica, por exemplo, os xilo-oligossacarídeos (XOS) 
seguido de recuperação da fração celulósica, a qual poderia ser 
biotransformada em etanol (etanol 2G), além da recuperação de lignina de alta 
pureza. Para este fim, o PTH pode ser uma alternativa, pois resulta na obtenção 
de duas frações: fração líquida (remoção da fração hemicelulósica por hidrólise 
química resultando na formação de XOS) e fração sólida, denominada de 
celulignina (rica em celulose e lignina) (CANILHA et al., 2011; CHEN et al., 2017b; 
GELLERSTEDT; HERIKSSON, 2009; RUIZ et al., 2020) A celulignina é fracionada 
em mais duas frações: fração líquida (extração de lignina por uso de solventes 
ou líquidos iônicos) e fração sólida (rica em celulose) (BRANDT-TALBOT et al., 
2017; EMINOV et al., 2014; HALDER et al., 2019; MICHUD et al., 2016). Por fim 
a fração celulósica pode ser hidrolisada enzimaticamente por celulases 
obtendo-se hidrolisado de glicose que pode ser fermentado a etanol (etanol 
2G). Desta forma, os subprodutos de cana-de-açúcar podem ser utilizados para 
à produção de bioprodutos de alto valor agregado (XOS e lignina de alta pureza), 
além de combustível de fonte renovável (etanol 2G e lignina de baixa pureza). 
Os subprodutos de cana-de-açúcar podem ser mais bem aproveitados 
como, por exemplo, na produção de XOS (bioprodutos de alto valor agregado), 
pois a hemicelulose e celulose têm baixo aproveitamento de energia em sua 
oxidação (queima). Desta forma, a proposta é produzir XOS a partir da fração 
hemicelulósica e etanol 2G a partir da fração celulósica culminando em um 
“resíduo rico em lignina” que pode ser de baixa pureza: aplicação na queima 
para produção de vapor d´água/energia elétrica, pois a lignina tem um alto 
aproveitamento de energia em sua queima e de alta pureza: aplicação nos 
setores de química e de construção civil a partir da formulação de aglutinantes 
naturais, adesivos, compósitos, fibra de carbono, dentre outros bioprodutos. 
 
 
 
 
90 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
3 BIODIESEL 
O anseio por inovação e a necessidade da produção energética de menor 
impacto ambiental tornam-se crucias para o desenvolvimento econômico de 
um país. As necessidades energéticas mundiais, a natureza finita das reservas 
dos combustíveis fósseis e o aumento das emissões de CO2 têm ocasionado a 
volatilidade dos preços do petróleo, bem como a instabilidade geopolítica nas 
zonas fornecedoras de combustível. 
Desta forma, estudos se concentram no desenvolvimento de fontes 
renováveis utilizando biomassa como potencial fornecedor de energia e baixa 
emissão de dióxido de carbono (ARAUJO et al., 2017; ATABANI et al., 2012). 
Neste contexto, este item terá comofoco o biodiesel produzido via catálise 
enzimática como substituto parcial ao uso do diesel de petróleo. 
 
3.1 PRODUÇÃO DE BIODIESEL NO BRASIL 
 
De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e 
Biocombustíveis (ANP), por definição, define-se biodiesel como sendo um 
“Combustível derivado de biomassa renovável para uso em motores a 
combustão interna com ignição por compressão, que possa substituir parcial ou 
totalmente o óleo diesel de origem fóssil” (ANP, 2020). 
Os primeiros relatos de experimentos brasileiros com biodiesel datam 
da década de 1920, quando o Instituto Nacional de Tecnologia começou a 
estudar esse biocombustível (BAILIS, 2014). Segundo Saravan et al., (2020), a 
governança do programa brasileiro de biodiesel passou por três fases 
diferentes, sendo elas: primeira fase (1975-2004) período anterior à adoção do 
PNPB; segunda fase (2004-2010) durante a implementação do programa e a 
terceira fase (2010 até os dias atuais) como a fase de liberalização do 
combustível. 
Em 2002 a etanólise de óleos vegetais foi considerada a rota principal 
para um programa de substituição de diesel de petróleo. Nesse cenário, o 
primeiro programa de incentivo ao biodiesel surgiu com o PROBIODIESEL 
(Programa Brasileiro de Desenvolvimento Tecnológico para Biodiesel) criado 
 
 
91 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
por um Decreto Presidencial nº 702 e introduzido pelo Departamento de 
Ciência e Tecnologia (MCT) em 30 de outubro de 2002 (POUSA et al., 2007). 
Com objetivo de promover a inclusão social e possibilitar o 
desenvolvimento regional por meio da introdução do biodiesel na matriz 
energética brasileira, em dezembro de 2004, o governo federal lançou o 
Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB) (ANP, 2020), criado 
pela lei federal n°. 11097/2005 em 13 de janeiro de 2005. A lei estabelecia que 
a mistura de 2% de biodiesel B100 ao diesel poderia ser voluntária até janeiro 
de 2008, quando entraria em vigor a mistura legalmente obrigatória de 2% (B2) 
em todo o território nacional. Com o amadurecimento do mercado brasileiro, 
esse percentual foi sucessivamente ampliado, sendo de 3% (julho/2008 a 
junho/2009), 4% (julho/2009 a dezembro/2009), 5% (janeiro/2010 a 
julho/2014), 6% (agosto/2014 a outubro/2014), 7% (novembro/2014 a 
fevereiro/2017), 8% (março/2017 a fevereiro/2018), 10% (março/2018 a 
fevereiro/2019), 11% (março/2019 a fevereiro/2020) e 12% (março/2020) 
(ANP, 2020). 
No Brasil, a comercialização do biodiesel é feita por meio de leilões 
públicos organizados pela ANP, que adicionalmente indica metodologias e 
procedimentos experimentais para testes físicos e químicos para a 
padronização das características do biodiesel. A Resolução n° 45/2014 da ANP 
é responsável por elucidar quais características o biodiesel deve apresentar 
(Quadro 1) para assim poder ser comercializado. Entre os mais importantes a 
serem testados em escala laboratorial são: o teor mínimo de ésteres no produto 
final (96,5% massa); viscosidade cinemática a 40 °C correspondendo ao 
intervalo de 3,0 – 6,0 mm2/s; teor residual máximo de monoacilglicerol e 
diacilglicerol respectivamente de 0,2 e 0,7% em massa. 
As matérias primas empregadas na produção de biodiesel são óleos e 
gorduras, fontes naturais renováveis (YUSUF et al., 2011). Em geral, a 
composição destes óleos e gorduras compreende cerca dos 90 a 98% de 
triglicerídeos e pequenas quantidades de diglicerídeos, monoglicerídeos, ácidos 
graxos livres, fosfolipídios, carotenoides, tocoferóis, agua e outras impurezas 
(SRIVASTAVA e PRASAD 2000; BALAT e BALAT, 2010). 
 
 
 
92 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
Triglicerídeos, são formados por um mol de glicerol e três mols de ácidos 
graxos com comprimento da cadeia de carbono e número de ligações 
insaturadas variáveis (MA e HANNA, 1999). Normalmente, os principais ácidos 
graxos incluem o ácido palmítico (C16:0), esteárico (C18:0), oleico (C18:1), 
linoleico (C18:2) e linolênico (C18:3) (KNOTHE e RAZON, 2017). As quantidades 
variam entre matérias-primas, sendo esta variedade responsável por diferentes 
propriedades fisioquímicas (SINGH et al., 2019). A Tabela 1 apresenta 
informações úteis como teor de óleo na semente (%), produtividade e 
composição química de algumas matérias-primas usadas na produção de 
biodiesel. 
Com relação à origem, as matérias-primas são divididas em quatro 
categorias: óleos vegetais (comestíveis e não comestíveis), gorduras animais, 
óleos residuais e óleos derivados de microrganismos oleaginosos (microalgas, 
bactérias, leveduras e fungos). Com relação à geração, as matérias-primas são 
divididas em três categorias: primeira, segunda e terceira geração. Neste 
sentido, os óleos vegetais comestíveis são considerados a primeira geração por 
serem os primeiros cultivos usados na produção de biodiesel. Enquanto a 
segunda geração compreende os óleos vegetais não comestíveis, gorduras 
animais e óleos residuais. Mais recentemente, os óleos de microrganismos 
oleaginosos são considerados a terceira geração (KARMAKAR e HALDER, 2019; 
ATABANI et al., 2012). 
 
 
 
 
93 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
Quadro 1-Especificações estabelecidas ao biodiesel pela Resolução 45/2014 
Fonte: ANP (2020). 
Característica Unidade Limite 
Método 
ABNT 
NBR 
ASTM 
D 
EN/ISSO 
Aspecto - LII - - - 
Massa específica a 20º C kg/m3 850-900 7148 
14065 
1298 
4052 
EN ISO 3675 
EN ISO 12185 
Viscosidade cinemática a 
40ºC 
mm2/s 3,0-6,0 10441 445 EN ISO 3104 
Teor de água, máx. mg/kg 350 - 6304 EN ISO 12937 
Contaminação total, máx. mg/kg 24 - - EN ISO 12662 
Ponto de fulgor, mín. ºC 100,0 14598 93 EN ISO 3679 
Teor de éster, mín. % massa 96,5 15342 - EN 14103 
Resíduo de carbono % massa 0,050 - 4530 - 
Cinzas sulfatadas, máx. % massa 0,020 6294 874 EN ISO 3987 
Enxofre total, máx. mg/kg 10 5453 EN ISO 20846 
EN ISO 20884 
Sódio + potássio, máx. mg/kg 5 15554 
15555 
15553 
15556 
- EN 14108 
EN 14109 
EN 14538 
Cálcio + magnésio, máx. mg/kg 5 15553 
15556 
- EN 14538 
Fósforo, máx. mg/kg 10 15553 4951 EN 14107 
Corrosividade ao cobre, 3h a 
50ºC, máx. 
- 1 14359 130 EN ISO 2160 
Número de cetano - Anotar - 613 
6890 
EN ISO 5165 
Ponto de entupimento de 
filtro a frio, máx. 
ºC 5-19 14747 6371 EN 116 
Índice de acidez, máx. mg 
KOH/g 
0,50 14448 
 
664 
 
EN 14104 
Glicerol livre, máx. % massa 0,02 15341 6584 
 
EN 14105 
EN 14106 
Glicerol total, máx. % massa 0,25 15344 6584 
 
EN 14105 
Monoacilglicerol, máx. % massa 0,70 15342 
15344 
15908 
6584 EN 14105 
Diacilglicerol, máx. % massa 0,20 15342 
15344 
15908 
6584 EN 14105 
Triacilglicerol, máx. % massa 0,20 15342 
15344 
15908 
6584 EN 14105 
Metanol e/ou etanol, máx. % massa 0,20 15343 - EN 14110 
Índice de iodo g/100g Anotar - - EN 14111 
Estabilidade à oxidação a 
110ºC, mín. 
H 6 - - EN 14112 
EN 15751 
 
 
 
94 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
Tabela 1 - Teor de óleo, produtividade e perfil composicional em ácidos graxos 
de algumas matérias-primas. 
Matéria-
prima 
Teor de 
óleo (%) 
Produtividade 
(L/ha/ano) 
Perfil composicional (%) 
C14:0 C16:0 C18:0 C18:1 C18:2 C18:3 
Palma 30-60 5950 0,5-2,0 35-48 3-7 36-44 9-14 0-0,2 
Girassol 25-35 952 5-8 2-6 15-40 30-70 3-5 
Soja 15-35 446 - 6-10 2-5 20-30 50-60 5-11 
Oliva 45-70 1212 - 9-10 2-3 72-85 10-12 0-1 
Pinhão-
manso 
30-40 1892 14-15 - 0-13 34-46 14-15 0-0,3 
Algodão 18-25 325 - 23-28 0,8-0,9 13-18 57 0-0,2 
Frango - - 3 20 3 38 - - 
 
Fonte: ATABANI et al., 2012; AMBAT et al., 2018 
 
Em virtude do Brasil ser um país tropical com excelentes condições 
climáticas que favorecem a grande biodiversidade e áreas ricas em produção 
agrícola, o PNPB almejava a utilização de culturas múltiplas que explorassem a 
grande variedade de oleaginosas do país e que são boas para a produção de 
biodiesel, tais como pinhão manso, algodão, soja, mamona, palma, coco, 
babaçu e girassol.No entanto, apesar da extensa variedade de matérias-primas 
acessíveis para a produção de biodiesel, atualmente as matérias-primas de 
primeira geração ou óleos vegetais comestíveis dominam o mercado global de 
biodiesel. Na prática, o que predomina é a cultura da soja na conversão do óleo 
em biodiesel (SARAVANAN et al., 2020). Desde o início, a soja ocupou uma 
posição preferencial no PNPB, por deter uma agricultura em larga escala com 
pouca demanda por mão de obra não qualificada, monoculturas e excelente 
conexão com os mercados de commodities. Dados da ANP de abril de 2020, 
revelam que o percentual de produção de biodiesel que utiliza óleo de soja 
como matéria-prima foi de 75,20% (ANP, 2020). 
Vale ressaltar que o custo da matéria prima (óleos comestíveis) 
representa cerca dos 70 a 80% do custo total de produção de biodiesel, uma vez 
que geralmente são submetidos a processos de refinamento que envolve várias 
etapas como desodorização, branqueamento, neutralização e degomagem 
(LEUNG, WU E LEUNG, 2010; KNOTHE E RAZON, 2017). Logo, a redução desses 
 
 
95 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
custos pode ser alcançada empregando-se matérias-primas mais baratas. No 
entanto, os óleos e gorduras mais baratos podem conter quantidades 
relativamente altas de ácidos graxos livres e água que prejudicam o rendimento 
e a qualidade do biodiesel. Portanto, a seleção da matéria-prima é fundamental 
na produção de biodiesel, visto que afeta vários fatores incluindo custo, 
rendimento, composição e pureza do biodiesel produzido (AMBAT et al., 2018). 
De acordo com a literatura, o uso direto de óleos e gordura na queima 
em motores apresenta limitações. A viscosidade elevada ocasiona diversos 
problemas, tais como: depósito de carbono em componentes do motor; 
entupimento de injetores; pouca pulverização de bico e formação de gomas em 
deposição no pistão (LIAQUAT et al., 2013; JAYED et al., 2011; RAMADHAS et 
al., 2005; KNOTHE et al., 2006). Para superar essas limitações, a 
transesterificação é o processo utilizado para reduzir a viscosidade do material 
lipídico. O biocombustível gerado apresenta propriedades semelhantes ao 
diesel (LEUNG; WU; LEUNG, 2010). Além disso, o biodiesel, comparado ao 
biogás, é uma das fontes energéticas alternativas mais atrativas como 
biocombustível em território nacional, pois seu uso direto em motores do ciclo 
diesel torna-o um substituinte capaz de ser aplicado sem necessidade de 
alterações no motor ou nos automóveis (PINTO et al., 2005). 
A produção de biodiesel a partir da transesterificação envolve o uso de 
óleo vegetal ou gordura animal com álcool de cadeia curta na presença de 
catalisador. A reação ocorre de maneira sequencial e reversível, sendo 
constituída de três etapas (figura 9), a saber: clivagem do triacilglicerol (TAG), 
seguida do diacilglicerol (DAG) finalizando com a do monoacilglicerol (MAG) que 
resulta na liberação do glicerol e um mol de éster em cada etapa da reação 
(MEHER; SAGAR; NAIK, 2006; ARAUJO et al., 2017). 
 
 
 
 
96 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
Figura 9 - Esquema geral de transesterificação 
 
 
Conforme a estequiometria, a produção de biodiesel requer o mínimo 
de três mols de álcool para cada mol de triacilglicerol. O excesso de álcool é 
normalmente utilizado para favorecer o direcionamento da reação para os 
produtos, auxiliando também na transferência de massa entre o meio e o 
catalisador (TARIQ; ALI; KHALID, 2012; VERMA; SHARMA, 2016). 
Por sua vez, os catalisadores podem ser de caráter básico, ácido ou 
enzimático. Para material lipídico com elevado teor em ácidos graxos livres, os 
catalisadores ácidos são os mais indicados, como o ácido sulfúrico (H2SO4) e o 
ácido clorídrico (HCl), entretanto, a transesterificação ocorre em razões molares 
altas (30:1 álcool/óleo), com tempo reacional longo e elevada temperatura (100 
°C) (FAROBIE; MATSUMURA, 2017; BRASKAR; AISWARYA, 2016). 
A produção industrial de biodiesel utiliza predominantemente os 
catalisadores alcalinos, tais como o hidróxido de potássio (KOH) e o hidróxido 
de sódio (NaOH), pois apresentam elevadas conversões e maior velocidade de 
reação. Entretanto, problemas relacionados à reação de saponificação dos 
ácidos graxos livres e reações de hidrólise causadas pelo teor de água no meio 
reacional, consomem parte da matéria-prima, reduzindo o rendimento da 
reação. Além disso, a complexidade no tratamento de água residual formada na 
etapa de purificação e a dificuldade de recuperação do glicerol são as principais 
desvantagens, apresentando custos adicionais ao processo (FAROBIE; 
MATSUMURA, 2017; BRASKAR; AISWARYA, 2016). 
Desta forma, as buscas por novas rotas na produção de biodiesel com 
maior facilidade de purificação dos produtos, como as que utilizam 
catalisadores enzimáticos, surgem como método alternativo à produção 
convencional (ZENEVICZ et al., 2017; TAN et al., 2010; CHRISTOPHER; HUMAR; 
ZAMBARE, 2014; POPPE et al., 2015; WANG et al., 2015). 
 
 
97 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
Dentre as enzimas disponíveis, destacam-se as lipases (triacilglicerol 
hidrolase, EC 3.1.1.3), que constituem um grupo diverso de enzimas obtidas a 
partir de fontes animais, vegetais ou de microrganismos como fungos, 
leveduras e bactérias (AMINI et al., 2017). Estas enzimas catalisam 
naturalmente a hidrólise de triglicerídeos na interface água e óleo (VILLENEUVE 
et al., 2000). No Quadro 2 são apresentadas as vantagens e as desvantagens 
associados ao emprego de catalisadores químicos e enzimáticos. 
Catalisadores enzimáticos distinguem-se de um catalisador químico, não 
apenas por atuar em condições mais brandas de reação, apresentam 
especificidade ao substrato como característica diferenciada. Vale ressaltar 
que, dependendo da via empregada, o processo enzimático pode utilizar óleos 
vegetais refinados, óleo bruto com elevado teor em ácidos graxos, não 
apresentando restrições quanto à qualidade da matéria-prima. 
 
Quadro 2 - Catalisadores químicos e enzimático na produção de biodiesel 
 
Fonte: Adaptada de AMINI et al. (2017) 
 
 
 
 
98 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
Apesar de sua elevada aplicabilidade, não são plenamente utilizadas em 
escala industrial devido seu alto custo, dificuldade de separação do meio 
reacional e instabilidade de suas estruturas quando em condições 
desnaturantes. Essas limitações podem ser superadas utilizando-se técnicas de 
imobilização (RODRIGUES, 2009). Enzimas imobilizadas são definidas como 
enzimas fisicamente confinadas ou localizadas em uma região do espaço com 
retenção de sua atividade catalítica e que podem ser utilizadas repetida e 
continuamente. Em relação à sua forma livre, as enzimas quando imobilizadas 
possuem diversas vantagens, tais como: possibilidade de reutilização da 
preparação enzimática, com redução no custo, possibilidade de utilização em 
processos contínuos e a fácil separação da enzima dos produtos (DUARTE, 
2016). 
A produção e biodiesel já é uma realidade Brasil e o seu consumo 
apresenta uma fatia significativa sobre o consumo diesel combustível. Através 
de informações disponíveis pela ANP, atualmente o Brasil possui 51 unidade 
com capacidade de produção e 798.068 m3/mês sendo utilizado 438.077 
m3/mês. (abril de 2020). Sendo assim, para se adotar uma política de utilização 
de biocombustível mais agressiva, haverá a necessidade de utilização e 
tecnologia inovadores, visando a obtenção de maiores quantidades de biodiesel 
a um preço competitivo ao mercado nacional. 
 
3.2 PRODUÇÃO DE BIOGÁS DE RESÍDUOS 
 
Em escala mundial cerca de 140 bilhões de toneladas de resíduos da 
agricultura são geradas a cada ano (EGGA, 2014). Dessa forma esses 
subprodutos da atividade agrícola têm sido considerados a fonte mais 
abundante e promissora para a produção de bioenergia porque implicam na 
conversão de materiais não‐utilizáveis em matériasprimas, sendo 
ambientalmente corretas e economicamente viáveis pelo baixo custo de 
aquisição (AL‐HAMAMRE, 2017). 
O biogás produzido a partir de resíduos em biorrefinarias pode ser o 
subproduto de uma atividade agroindustrial ou mesmo o produto final de uma 
planta industrial específica. Particularmente, o biohidrogênio – um carreador 
 
 
99 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
energético limpo – tem se mostrado muito importante na última década como 
um dos substitutos dos combustíveis fósseis, que estão sujeitos às oscilações 
dos preços do petróleo, o esgotamento de fontes de exploração e precurssores 
de gases do efeito estufa (LAI et al., 2011). O biometano, produto final da 
digestão anaeróbia, também é considerado uma fonte limpa de energia quando 
não é liberado diretamente para a atmosfera, pois seu impacto sobre o 
aquecimento global pode ser até 25 vezes maior que o do dióxido de carbono 
num horizonte de 100 anos. De acordo com PEIXOTO et al. (2012) a produção 
de metano a partir dos metabólitos solúveis da fermetação hidrogenogênica 
deve ser considerada sempre que tecnicamente possível, pois autores como 
WANG et al. (2011) indicam que a produção de metano compreende até 95% 
do rendimento energético num processo sequencial (H2→CH4). Dessa forma 
pode-se obter a máxima eficiência de recuperação energética de resíduos 
orgânicos via a produção desse biogás. 
Considerando-se que o processo de digestão anaeróbia possa ser 
dividido somente em duas grandes etapas, ou seja, em acidogênese e 
metanogênese, a obtenção de hidrogênio só é possível se o processo for 
interrompido na primeira etapa, pois o hidrogênio caracteriza-se como um 
intermediário do processo, sendo produzido na primeira etapa e consumido na 
segunda. A figura 10 ilustra as etapas do processo de degradação anaeróbia da 
matéria orgânica, o qual é responsável pela produção de Hidrogênio e de 
Metano. 
 
 
 
 
100 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
Figura 10 – Diagrama do processo completo da digestão anaeróbia. 
 
 
Fonte: Adaptada de CHERNICHARO (1997). 
 
A produção de hidrogênio, na primeira etapa do processo, pode ser 
representada pelas reações descritas pelas equações 1 e 2, nas quais os 
produtos finais são ácido acético e o butírico, respectivamente. 
 
C6H12O6 + 2H2O → 2CH3COOH + 2CO2 + 4H2 ↑ (1) 
C6H12O6 + 2H2O → CH2CH2CH2COOH + 2CO2 + 2H2 ↑ (2) 
 
 
 
101 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
Cabe a ressalva de que a não-interrupção do processo na etapa 
fermentativa acidogênica levará à produção de metano pelas vias acetoclástica 
e hidrogenotrófica apresentadas na figura 10 e representadas pelas reações 
descritas pelas equações 3 e 4, respectivamente (GUJER E ZEHNDER, 1983). 
 
CH3COOH → CO2 + CH4 ↑ (3) 
H2 + 0,25CO2 → 0,5H2O + 0,25CH4 ↑ (4) 
 
 
3.2 PRODUÇÃO DE HIDROGÊNIO 
 
As águas residuárias originadas de efluentes domésticos e industriais são 
consideradas fontes energéticas quando convertidas em biohidrogênio. A 
geração de hidrogênio a partir de resíduos agroindustriais pode ser 
economicamente viável quando a matéria prima é um subproduto e encontra-
se disponível on site. Além disso, o hidrogênio apresenta a maior densidade 
energetic (142 kJ g‐1) entre todos os combustíveis convencionais, é um carreador 
energetico limpo produzindo água como subproduto e sua produção biológica 
não envolve o uso de insumos não‐renováveis como nos processos 
convencionais de reforma e eletrólise (MATHEWS E WANG, 2009; 
BHARATHIRAJA, 2016; BOBOESCU, 2016). 
A fermentação escura é uma tecnologia viável para a produção de 
biohidrogênio. Essa denominação aplica-se a todos os processos envolvendo 
culturas anaeróbias mistas (CAM), majoritariamente bactérias acidogênicas e 
acetogênicas cultivadas sem fonte de energia luminosa (DAS E VEZIROGLU, 
2008). Esse tipo de fermentação apresenta inúmeras vantagens comparada a 
outros bioprocessos, como a menor necessidade de gasto energético, maior 
resistência à contaminação e a possibilidade da utilização de reíduos orgânicos 
como fonte de carbono (LEITE et al. 2008; ANTONOPOULOU et al. 2008; LOGAN 
et al. 2002). Ademais, os ácidos graxos voláteis (AGV) obtidos como subprodutos 
desse processo podem ser usados como substratos para a produção de 
biocombustíveis como etanol e butanol (ZVERLOV et al. 2006; STEINBUSCH et 
al. 2008). Embora a fermentação escura ainda seja uma tecnologia em 
desenvolvimento com o potencial de processar resíduos para a produção de H2 
 
 
 
102 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
com alto rendimento, a maior parte dos estudos mostram baixos rendimentos 
no processo. Dessa forma, a fermentação escura deve ser submetida a mais 
estudos para a melhoria de sua eficiência (BOODHUN et al. 2017). Entre as 
abordagens para melhorar a produção de hidrogênio na fermentação escura 
figuram, principalmente, a bioaumentação e o pré‐tratamento físico‐químico do 
inóculo. A bioaumentação de uma cultura mista é uma técnica promissora 
porque permite que o sistema utilize o metabolismo de diferentes 
microrganismos, mas requer um cuidadoso isolamento e seleção de espécies 
que contribuam para a função primordial do inóculo. Além desses requisitos, a 
comunidade remanescente deve ter a habilidade de se integrar, caso contrário 
a eficiência do processo não será otimizada (KUMAR et al. 2016). 
Usualmente os carboidratos são a fraçao mais prontamente consumível 
da matéria orgânica devido a alta biodegradabilidade, em especial os 
monossacarídeos e pequenos polissacarídeos. Resíduos como bagassos, feno e 
palhas (materiais lignocelulósicos) têm um alto conteúdo de carboidratos 
(majoritamente celulose e hemicelulose) que podem ser hidrolisados em 
monossacarídeos (hexoses e pentoses, respectivamente). Essas biomassas pré‐
tratadas são fontes de carbono baratas e viáveis para a fermentação escura 
(CHEN et al. 2012; PEIXOTO et al. 2011) 
 LUCAS et al. (2015) confirmaram a produção de biohidrogênio a partir 
de águas residuárias de processamento de mandioca, laticínios e resíduos de 
citros sem suplementação nutricional em reatores em batelada operados com 
agitação de 150 RPM e 37ºC por 70h. A produção de hidrogênio de águas 
residuárias de mandioca, laticínios e citros foi 31,41, 37,25 e 28,95 mL g‐1 de 
demanda química de oxigênio aplicada (COD). Os parâmetros cinéticos 
indicaram que as taxas de produção de H2 dos resíduos de mandioca (0,32 mL 
h‐1) e laticínios (0,31 mL h‐1) foram similares, enquanto a de processamento de 
água residuária de citros foi significativamente maior (0,59 mL h‐1). A taxa de 
degradação de carboidratos “k1App” foi maior no bioprocesso com laticínios 
(0,045 h‐1), mas a maior conversão de matéria orgânica em hidrogênio “k2App” 
foi encontrada no processo que utilizou água residuária de processamento de 
mandioca (0,014 h‐1). Logo, o maior volume de geração de H2 também foi 
encontrado na água residuária de processamento de mandioca (97,9 mL) em 
contraste com 76,1 e 66,6 mL alcançados com a utilização de resíduos de 
 
 
103 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
laticínios e citros, respectivamente. Nesse estudo a estimativa econômica 
baseada no equivalente energético da gasolina demonstrou que num 
bioprocesso de 1 etapa (manipueira) o rendimento econômico seria de 
US$ 0,009 centavos L‐1de água residuária, enquanto num sistema de 2 etapas 
(H2→CH4) com vinhaça a recuperação energética e o rendimento econômico 
aumentariam para 10,48 kJ g‐1 de DQO e US$ 0,61 cents L‐1 de água residuária 
(US$ 6,10 por m3). O potencial energético máximo de 48,6 109 MJ por ano seria 
obtido nessa última condição de processamento de vinhaça em 2 fases com a 
combustão do biogás. Segundo de DEL NERY (1993), sistemas de digestão 
anaeróbia de duas fases podem apresentar vantagens no tratamento de águas 
residuárias, pois são mais estáveis que sistemas de estágio único, uma vez que 
o primeiro estágio(acidogênico) tem melhor capacidade de assimilar choques 
de carga orgânica, variações de pH e de temperatura. No primeiro estágio, a 
matéria orgânica é hidrolisada e fermentada para produzir ácidos orgânicos e 
hidrogênio, enquanto no segundo estágio os ácidos orgânicos são convertidos a 
metano pelas arqueias metanogênicas. Usando esse processo em suas 
pesquisas COONEY et al. (2007) determinaram que a produtividade relacionada 
ao volume reacional, rendimento, velocidade de produção de biogás e fração de 
produto no biogás, foi respectivamente de 84,57 mmol L‐1 d‐1, 0,34 mmol mmol‐
1 substrato, 446,06 mL h‐1 e 39,9% de H2, ao passo que no reator metanogênico 
operado a uma vazão específica de alimentação de 0,33 d‐1, 35 ºC e pH 7,0 , os 
melhores resultados obtidos foram respectivamente 12,95 mmol L‐1 d‐1, 0,06 
mmol mmol‐1 substrato, 867,47 mL h‐1 e 23,1% de CH4. No trabalho de PEIXOTO 
et al. (2012), foi demonstrado que a produção sequencial de hidrogênio e 
metano deve ser sempre considerada, uma vez que o potencial de recuperação 
global de energia no sistema de duas fases é 40 vezes maior (10,48 kJ g−1 DQO) 
que num sistema hidrogenogênico (0,26 kJ g−1 DQO), portanto com uma única 
fase de digestão do substrato (vinhaça). Além disso, a remoção de matéria 
orgânica no sistema combinado aumentou de 42,72% (sistema de etapa única) 
para 74,72% (sistema de 2 etapas). 
 
 
 
 
 
 
104 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
3.3 PRODUÇÃO DE METANO 
 
 
O processo anaeróbio de produção de metano oferece a possibilidade 
de geração de energia usando muitos substratos renováveis como glicerol (ITO 
et al., 2005), subprodutos do processamento de farinha de trigo (HAWKES et 
al., 2008), vinhaças (LI et al., 2007), palha de arroz (LIANHUA et al., 2010), 
silagem de capim (PAKARINEN et al., 2009), resíduo do processamento de 
mandioca (WANG et al., 2011), água residuária de produção de refrigerantes 
(PEIXOTO et al., 2011) e água rediduária doméstica (GAO et al., 2011), entre 
outras. Na digestão anaeróbia completa (Figura 10) o metano é o principal 
produto gasoso decorrente da ação conjunta de dois grandes consórcios 
bacterianos. Esses grupos são compostos por bactérias acidogênicas (hidrólise 
de substratos em H2, CO2 e ácido acético) e organismos metanogênicos 
(arqueias que convertem ácido acético, H2 e CO2 em CH4). Essa associação de 
consórcios confere uma grande versatilidade no uso de diversas fontes de 
carbono para a produção de metano. No estudo de PEIXOTO et al. (2012) o 
esgoto doméstico apresentou 46,36 mL CH4 g-1 de DQO, 1,85 kJ g-1 de DQO e 
41,92% como rendimento de produto (CH4), potencial de recuperação de 
energia e impacto ambiental (redução da DQO no resíduo), respectivamente. 
Em contraste, foi obtido 180,14 mL CH4 g-1 de DQO, 7,20 kJ g-1 de DQO e 61,17% 
com glicerol, 115,55 mL CH4 g-1 de DQO, 4,62 kJ g-1 de DQO e 54,36% com água 
residuária de parboilização de arroz e 255,44 mL CH4 g-1 de DQO, 10,22 kJ g-1 de 
DQO e 50,77% com vinhaça da produção de etanol. Nesses subprodutos 
avaliados o biometano apresentou-se como fonte energética renovável de alto 
rendimento, elevado potencial energético e alternativa para o tratamento de 
resíduos, já que a digestão anaeróbia promoveu até 61,17% de remoção de 
matéria orgânica dos efluentes agroindustriais. Em termos do aproveitamento 
energético do biometano, seria possível suprir a demanda por eletricidade de 
434.258 residências com os 681.942,40 GW.h produzidos em turbinas 
termelétricas de ciclo combinado (CHIESA E MACCHI, 2002) a partir da vinhaça 
gerada anualmente no Estado de São Paulo. Contudo, há ainda possibilidade de 
obtenção de outros carreadores energéticos com características físicas já 
compatíveis com a infraestrutura atual de distribuição e armazenamento 
 
 
105 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
(estado líquido à CNTP). Esse é o caso do etanol e butanol produzidos a partir 
de resíduos lignocelulósicos degradados usando o mesmo processo anaeróbio 
que gera metano, o que permite a diversificação da produção de 
biocombustíveis a partir de resíduos (H2, CH4, EtOH, BuOH) de acordo com a 
demanda e tipo de aplicação requerida (aquecimento; eletricidade; transporte). 
A figura 11 ilustra a versatilidade do processo de digestão anaeróbio para a 
produção de diversos produtos de interesse a partir de resíduos agroindustriais. 
A produção de hidrogênio e dióxido de carbono em cada via bioquímica 
foi estimado por balanço de massa considerando as rotas metabólicas 
mostradas na Figura 11 e descritas no Quadro 3. 
 
Figura 11 – Rotas metabólicas desenvolvidas a partir da degradação anaeróbia 
de matéria orgânica. 
 
Fonte: Adaptada de Mockaitis et al. (2020). 
 
 
 
 
 
106 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
A figura 11 mostra as prováveis rotas acidogênicas, metanogênicas e 
solventogênicas baseadas na geração de ácidos orgânicos e alcoois (HARPER E 
POHLAND, 1985; JONES E WOODS, 1986). Dessa forma, juntamente com as 
reações apresentadas no quadro 3, demonstra-se que o processo anaeróbio de 
geração de biogás também permite a produção de outros biocombustíveis, 
além do biohidrogênio e biometano. 
Quadro 3 – Estequiometria, razão H2/substrato (mol mol‐1) e energia de 
Gibbs associada às rotas metabólicas descritas. 
 
Processos anaeróbicos Estequiometria H2/S 
ΔG° 
(kJ/mol) 
(1) Acidogênese do 
butirato 
2𝐶5𝐻10𝑂5 + 4𝐻2𝑂 → 𝐶4𝐻8𝑂2 +
6𝐶𝑂2 + 5𝐻2 
2,5 ‐224 
(2)Acidogênese do 
propionato 
3𝐶5𝐻10𝑂5 + 5𝐻2 → 5𝐶3𝐻6𝑂2 + 5𝐻2𝑂 ‐1,7 ‐473 
(3)Acidogênse do 
acetato 
𝐶5𝐻10𝑂5 + 3𝐻2𝑂 → 𝐶2𝐻4𝑂2 + 3𝐶𝑂2
+ 6𝐻2 
6 ‐100 
(4)Solventogênse do 
etanol (xilose) 
3𝐶5𝐻10𝑂5 → 5𝐶2𝐻6𝑂 + 5𝐶𝑂2 ‐ ‐609 
(5)Solventogênse do 
etanol (acetato) 
𝐶2𝐻4𝑂2 + 2𝐻2 → 𝐶2𝐻6𝑂 + 𝐻2𝑂 ‐2 ‐37,8 
(6)Solventogênese do 
metanol 
𝐶5𝐻10𝑂5 + 5𝐻2 → 5𝐶𝐻4𝑂 ‐5 ‐86 
(7)Degradação 
anaeróbia do metanol 
𝐶𝐻4𝑂 +𝐻2𝑂 → 𝐶𝑂2 + 3𝐻2 3 9,1 
(8)Degradação 
anaeróbia do etanol 
𝐶2𝐻6𝑂 + 3𝐻2𝑂 → 2𝐶𝑂2 + 6𝐻2 6 97,5 
(9)Metanogênse 
acetoclástica 
𝐶2𝐻4𝑂2 → 𝐶𝐻4 + 𝐶𝑂2 ‐ ‐71 
(10)Metanogênese 
hidrogenotrófica 
𝐶𝑂2 + 4𝐻2 → 𝐶𝐻4 + 2𝐻2𝑂 ‐4 ‐131 
(11)Homoacetogênese 2𝐶𝑂2 + 4𝐻2 → 𝐶2𝐻4𝑂2 + 2𝐻2𝑂 ‐4 ‐59,7 
Fonte: Adaptado de MOCKAITIS et al. (2020) 
 
 
 
 
 
 
 
107 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
REFERENCIAS 
AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO, GÁS NATURAL E BIOCOMBUSTÍVEIS (ANP). Dispõe sobre o 
regulamento técnico da certificação e comercialização do biodiesel. Resolução ANP n°45/2014. 
Disponível em: www.anp.gov.br. Acesso em: 05 ago. 2020. 
AL-HAMAMRE, Z.; SAIDAN, M.; HARARAH, M.; RAWAJFEH, K.; E. ALKHASAWNEH, H.; AL-
SHANNAG,M.; Wastes and biomass materials as sustainable-renewable energy resources for 
Jordan. Renewable and Sustainable Energy Reviews, [S.l.], 67, p. 295-314, 2017. 
AMBAT I, SRIVASTAVA V, SILLANPÄÄ M. Recent advancement in biodiesel production methodologies 
using various feedstock: A review. Renew Sustain Energy Reviewer, 90, p. 356–69, 2018. 
AMINI, Z.; ILHAM, Z.; ONG, H. C.; MAZAHERI, H.; CHEN, W. H. State of the art and prospective of 
lipase‐catalyzed transesterification reaction for biodiesel production. Energy Conversion and 
Management, 141, p 339‐353, 2017. 
ANP – Agência Nacional de Petróleo, disponível em <http://www.anp.gov.br/producao‐de‐
biocombustiveis/etanol/dados‐de‐safras>. Acesso em: 15 ago 2020 
ANP – Agência Nacional de Petróleo, disponível em <http://www.anp.gov.br/producao‐de‐
biocombustiveis/biodiesel/informacoes‐de‐mercado>. Acesso em: 15 ago 2020 
ANTONOPOULOU, G.; GAVALA, H. N.; V. SKIADAS, I.; ANGELOPOULOS, K.; LYBERATOS, G. Blofuels 
generation from sweet sorghum: Fermentative hydrogen production and anaerobic digestion of the 
remaining biomass. Bioresource Technology, 99(1), 110-119, 2008. 
ARAUJO, K.; MAHAJAN, D.; KERR, R.; DA SILVA, M. Global biofuels at the crossroads: an overview of 
technical, policy, and investmentcomplexities in the sustainability of biofuel. Development 
Agriculture, 7(4), p. 32, 2017. 
ATABANI, A. E.; SILITONGA, A. S.; BADRUDDIN, I. A.; MAHLIA, T. M. I.; MASJUKI, H. H.; MEKHILEF, S. 
A comprehensive review on biodiesel as an alternative energy resource and its characteristics. 
Renewable and Sustainable Energy Reviews, 16(4), p. 2070‐2093, 2012. 
BAILIS R. Brazil: Biodiesel. In: Solomon B., Bailis R. (eds) Sustainable Development of Biofuels in 
Latin America and the Caribbean. Springer, New York, NY, 2014. https://doi.org/10.1007/978‐1‐
4614‐9275‐7_4 
BAKKER, B. M.; BRO, C.; KOTTER, P.; LUTTIK, M. A.; DIJKEN, J. P.; PRONK, J. T. The mitochondrial 
alcohol dehydrogenase Adh3p is involved in a redox shuttle in Saccharomyces cerevisiae. Journal of 
Bacteriology, 182( 17), p. 4730‐4737, 2000. 
BALAT M, BALAT H. Progress in biodiesel processing. Applied Energy, 6, p. 1815–1835, 2010. 
BASSO, L. C.; AMORIM, H. V.; OLIVEIRA, A. J.; LOPES, M. L. Yeast selection for fuel ethanol production 
in Brazil. FEMS Yeast Res, 8(7), p. 1155‐63, 2008. 
BHARATHIRAJA, B.; SUDHARSANAA, T.; BHARGHAVI, A.; JAYAMUTHUNAGAI, J.; PRAVEENKUMAR,R.; 
Biohydrogen and Biogas – An overview on feedstocks and enhancement process, Fuel, 185, p. 810‐
828, 2016, 
BOBOESCU, I. Z.; GHERMAN, V. D.; LAKATOS, G.; PAP, B.; BÍRÓ, T.; MARÓTI, G. Surpassing the 
current limitations of biohydrogen production systems: The case for a novel hybrid approach, 
Bioresource Technology,Volume 204, p. 192-201, 2016 
 
 
 
108 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
BOODHUN, B. S. F.; MUDHOO, A.; KUMAR, G.; KIM, SANG-HYOUN; LIN, CHIU-YUE; Research 
perspectives on constraints, prospects and opportunities in biohydrogen production, International 
Journal of Hydrogen Energy, 42 (45), p. 27471-27481, 2017 
BRANDT, A.; GRÄSVIK, J.; HALLETT, J. P.; WELTON, T.; Deconstruction of lignocellulosic biomass with 
ionic liquids. Green Chemistry, 15 (3), p. 550–583, 2013. 
BRANDT‐TALBOT, A.; GSCHWNED, F. J. V.; FENNELL, P. S.; LAMMENS, T. M.; TAN, B.; WEALEA, J.; 
HALLETT, J. P.; An economically viable ionic liquid for the fractionation of lignocellulosic biomass. 
Green Chemistry, 19 (13), p. 3078–3102, 2017. 
BRASKAR, G.; AISWARYA, R. Trends in catalytic production of biodiesel from various feedstocks. 
Renewable and Sustainable Energy Reviews, 57 (12), p. 495‐504, 2016. 
BUCKERIDGE, M. S. et al. The Cell Wall Architecture of Sugarcane and its Implications to Cell Wall 
Recalcitrance. In: LAM, E. et al. (Eds.). Compendium of Bioenergy Plants: SUGARCANE. 1. ed. Boca 
Raton: CRC Press Taylor & Francis Group, 2016. p. 127. 
BUCKERIDGE, M. S.; DE SOUZA, A. P. Advances of Basic Science for Second Generation Bioethanol 
from Sugarcane‐Springer International Publishing. 1. ed. Cham: Springer Nature, 2017. 
CASPETA,L.; CARO‐BERMÚDEZ, M.A.; PONCE‐NOYOLA, T. P.; MARTINEZ, A. Enzymatic hydrolysis at 
high‐solids loadings for the conversion of agave bagasse to fuel ethanol. Applied Energy, 113, p. 
277‐286, 2014. 
CHEN, H.; LIU, J.; CHANG, J. L.; CHEN, D.; XUE, Y.; LIU, P. LIN, H.; HAN, S. A review on the pretreatment 
of lignocellulose for high‐value chemicals. Fuel Processing Technology, 160, p. 196–206, 2017a. 
CHEN, J.; YUAN, Z.; ZANUSO, E.; TRAJANO, H.L. Response of Biomass Species to Hydrothermal 
Pretreatment. In: RUIZ, H. A.; THOMSEN, M. H.; TRAJANO, H. L. (Eds.). Hydrothermal Processing in 
Biorefineries. 1. ed. Cham: Springer International Publishing AG, p. 524, 2017b. 
Chen, Y.; Xiao, N.; Zhao, Y.; Mu, H. Enhancement of hydrogen production during waste activated 
sludge anaerobic fermentation by carbohydrate substrate addition and pH control, Bioresource 
Technology, 114, p. 349-356, 2012. 
CHERNICHARO, C. DE L. Reatores Anaeróbios. 2 ed. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1997. 
CHIESA, P.; MACCHI, E. A thermodynamic analysis of different options to break 60% electric 
efficiency in combined cycle power plants, Journal of Engineering for Gas Turbines and Power, 126 
(4), p. 770–785, 2004. 
CHRISTOPHER, L. P.; KUMAR, H.; ZAMBARE, V. P. Enzymatic biodiesel: Challenges and opportunities. 
Applied Energy, 119, p. 497‐520, 2014. 
CIBIOGÁS, Nota Técnica: N° 002/2010 – Panorama do Biogás no Brasil em 2019. Foz do Iguaçu, Abril 
de 2020. 
Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), Acompanhamento da Safra Brasileira: cana de 
Açúcar; Brasil: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; 7; 2020 
CONAB. Análise Mensal Cana-de-açúcar Abril/maio de 2020. Disponível em: 
<file:///C:/Users/lidia/Downloads/Cana‐de‐acucarZ‐ZAnaliseZMensalZ‐ZAbrilZ‐Z2020.pdf>. Acesso 
em: 14 jun. 2020. 
COONEY M, MAYNARD N, CANNIZZARO C, BENEMANN J. Two‐phase anaerobic digestion for 
 
 
109 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
production of hydrogen‐methane mixtures, Bioresource Technology, 98(14):2641–2651, 2007. 
DAS D, VEZIROGLU T N, Hydrogen production by biological processes: a survey of literature, 
International Journal of Hydrogen Energy, 26(1), 13–28, 2008 
DEL NERY, V. Tese (Doutorado em Engenharia Hidráulica e Saneamento) – EESC - Universidade de 
São Paulo, 1993. 
DUARTE, L.S., Imobilização de β-galactosidase de Bacillus circulans em macroesferas de quitosana 
para a produção de lactosacarose. Dissertação de mestrado. Universidade Federal do Rio Grande 
do Sul. Porto Alegre, 2016. 
EBRINGEROVÁ, A.; HROMÁDKOVÁ, Z.; HEINZE, T. Hemicellulose. Advances in Polymer Science, 186, 
p. 1–67, 2005. 
EGGA, E. S. Journal of Natural Sciences and Research.4 ed., 101-104, 2014. 
EMINOV, S.; WILTON‐ELY, J. D. E. T.; HALLETT, J. P. Highly selective and near‐quantitative conversion 
of fructose to 5‐hydroxymethylfurfural using mildly acidic ionic liquids. ACS Sustainable Chemistry 
and Engineering, 2 (4), p. 978–981, 2014. 
EPE – Empresa de Pesquisa Energética, Análise de conjuntura de Biocombustíveis, disponível em 
<https://www.epe.gov.br/pt/publicacoes‐dados‐abertos/publicacoes/analise‐de‐conjuntura‐dos‐
biocombustiveis‐2019>. Acesso em: 15 de ago 2020 
EPE – Empresa de Pesquisa Energética, Balanço Energético Nacional – Relatório síntese/ano base 
2019, disponível em <https://www.epe.gov.br/pt/publicacoes‐dados‐abertos/publicacoes/balanco‐
energetico‐nacional‐2020>. Acesso em: 15 ago 2020 
EPE – Empresa de Pesquisa Energética, Balanço Energético Nacional – ano base 2009, disponível 
em <https://www.epe.gov.br/pt/publicacoes‐dados‐abertos/publicacoes/Balanco‐Energetico‐
Nacional‐2010>. Acesso em: 15 ago 2020 
EWANICK, S.; BURA, R. Hydrothermal pretreatment of lignocellulosic biomass. In: WALDRON, K. 
(Ed.). Bioalcohol production: Biochemical conversion of lignocellulosic biomass. 1. ed. Boca Raton: 
Woodhead Publishing Limited, 2010. p. 485. 
FAROBIE, O.; MATSUMURA, Y. State of the art of biodiesel production under supercritical conditions. 
Progress in Energy and Combustion Science, 63, p. 173‐203, 2017. 
FERREIRA‐LEITÃO, V.; GOTTSCHALK, L. M. F.; FERRARA, M. A.; NEPOMUCENO, A. L.; MOLINARI, H. B. 
C; BON, E. P. S. Biomass residues in Brazil: Availability and potential uses. Waste and Biomass 
Valorization, 1(1), p. 65–76, 2010. 
GAO, D., AN, R., TAO, Y., LI, J., LI, X., REN, N. Journal of Hazardous Materials. 186 ed., 383–389, 
2011. 
GELLERSTEDT, G.; HENRIKSSON, G. Pulp and Paper Chemistry and Technology Wood. Chemistry and 
Wood Biotechnology. Water de Gruyter, 2009. 
GUJER, W., & ZEHNDER, A. J. B. Conversion processes in anaerobic digestion. Water Science and 
Technology, 15, 127-167, 1983 
HALDER, P.; KUNDU, S.; PATEL, S.; SETIAWAN, A.; ATIKIN, R.; PARTHASARTHY, R.; PAZ‐FERREIRO, J.; 
SURAPANENI, A.; SHAH, K. Progress on the pre‐treatment of lignocellulosic biomass employing ionic 
liquids. Renewable and Sustainable Energy Reviews, 105, p. 268–292, 2019. 
 
 
 
110 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
HARPER, S.R.; POHLAND, F.; Biotechnology and Bioengineering. 28 ed., p. 585-602, 1985. 
HATFIELD, R. D.; RALPH2, J.; GRABBER1, J. H. Review Cell wall cross‐linking by ferulates and 
diferulates ingrasses 1. Journal of the Science of Food and Agriculture J Sci Food Agric, 79, p. 403–
407, 1999. 
HAWKES F.R., FORSEY H., PREMIER G.C., DINSDALE R.M., HAWKES D.L., GUWY A.J., MADDY J., 
CHERRYMAN S., SHINE J. AND AUTY D. Fermentative production of hydrogen from a wheat flour 
industry co‐product; Bioresource Technology., 99, p. 5020‐5029., 2008. 
HELD, M.A.; JIANG, N.; BASU, D.; SHOWALTER, A.M.; FAIK, A. PLANT CELL WALL POLYSACCHARIDES: 
STRUCTURE AND BIOSYNTHESIS. IN: RAMAWAT, K. G.; MÉRILLON, J.‐M. (Eds.). Polysaccharides: 
Bioactivity and Biotechnology. 1. ed. Cham: Springer International Publishing AG, p. 2234, 2015. 
Instituto de Pesquisa Economia Aplicada (IPEA); Caderno ODS- ODS 13: Tomar Medidas Urgentes 
para Combater a Mudança Climática e seus impactos, Brasil: Ministério da Economia; 2019, 50p. 
International Agency Energy (IEA), disponível em <hhttps://www.iea.org/data‐and‐statistics/? 
country=WORLD&fuel=CO2%20emissions&indicator=CO2%20emissions%20by%20energy%20sour
ce>. Acesso em: 15 ago 2020 
International Agency Energy (IEA), disponível em <https://www.iea.org/data‐and‐statistics/data‐
tables?country=WORLD&year=2017&energy=Balances>. Acesso em: 15 ago 2020 
International Agency Energy (IEA), disponível em <https://www.iea.org/data‐and‐statistics/data‐
tables?country=WORLD&energy=Balances&year=1990>. Acesso em: 15 ago 2020 
ITO, T.; NAKASHIMADA, Y.; SENBA, K.; MATSUI, T.; NISHIO, N. Hydrogen and ethanol production from 
glycerol‐containing wastes discharged after biodiesel manufacturing process. Journal of Bioscience 
Bioengineering.;100(3):260‐265, 2005 
JAYED, M. H.; MASJUKI, H. H.; KALAM, M. A.; MAHILA, T. M. I.; HUSNAWAN, M.; LIAQUAT, A. M. 
Prospects of dedicated biodiesel engine vehicles in Malaysia and Indonesia. Renewable and 
Sustainable Energy Reviews, 15 (1), p. 220‐235, 2011. 
JEFFRIES, T. W.; JIN, Y. S. Metabolic engineering for improved fermentation of pentoses by yeasts. 
Applied Microbiology Biotechnology, 63 (5), p. 495‐509, 2004. 
JONES, D.T., WOODS, D.R. Acetone-butanol fermentation revisited, Microbioloy Reviwer, 
50(4):484-524, 1986 
KARMAKAR B, HALDER G. Progress and future of biodiesel synthesis: Advancements in oil extraction 
and conversion technologies. Energy Convers Managazine, 182, p. 307‐390, 2019. 
KNOB A., CARMONA E.C.; Purification and characterization of two extracellular xylanases from 
Penicillium sclerotiorum: a novel acidophilic xylanase. Applied Biochemistry and Biotechnology. 
162, 429‐443 (2010). 
KNOTHE G, RAZON LF. Biodiesel fuels. Prog Energy Combust Sci, 58, p. 36‐59, 2017. 
KNOTHE, G.; GERPEN, J. V.; KRAHL, J.; RAMOS, L. P. Manual do biodiesel. São Paulo: Edgard Blucher, 
2006. 
KUMAR, G.; BAKONYI, P.; KOBAYASHI, T.; XU, K. Q., SIVAGURUNATHAN, P., KIM, S. H., BUITRÓN, G., 
NEMESTÓTHY, N., BÉLAFI-BAKÓ, K. Enhancement of biofuel production via microbial augmentation: 
the case of dark fermentative hydrogen. Renew Sust Energ Rev, 57; p. 879–891, 2016 
 
 
111 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
LAI, WEN-HSIANG; CHEN, HSIANG-YI; CHANG, FENG-YUAN; WU, CHUEH-CHENG; LIN, CHIU-YUE; 
HUANG, SY-RUEN, Market and patent analysis of commercializing biohydrogen technology, 
International Journal of Hydrogen Energy, 36 (21), p. 14049-14058, 2011 
LARISSA CANILHA 1, VICTOR T O SANTOS, GEORGE J M ROCHA, JOÃO B ALMEIDA E SILVA, MARCO 
GIULIETTI, SILVIO S SILVA, MARIA G A FELIPE, ANDRÉ FERRAZ, ADRIANE M F MILAGRES, WALTER 
CARVALHO; A study on the pretreatment of a sugarcane bagasse sample with dilute sulfuric acid. 
Journal of Industrial Microbiology and Biotechnology, 38(9), p. 1467–1475, 2011. 
LEITE, JAC, FERNANDES BS, POZZI E, BARBOZA M, ZAIAT M. Application of anaerobic packed-bed 
bioreactor for the production of hydrogen and organic acids. International Journal of Hydrogen 
Energy, 33, p. 579-586, 2008. 
LEUNG, D. Y. C.; WU, X.; LEUNG, M. K. H. A review on biodiesel production using catalyzed 
transesterification. Applied Energy, 87 (4), p. 1083‐1095, 2010. 
LI, J.; LI, B.; ZHU, G.; REN, N.; BO, L.; HE, J. Hydrogen production from diluted molasses by anaerobic 
hydrogen producing bacteria in an anaerobic baffled reactor (ABR), International Journal of 
Hydrogen Energy, 32(15), p. 3274-3283, 2007 
LIANHUA, L.; DONG, L.; YONGMING, S.; LONGLONG, M.; ZHENHONG, Y.; XIAOYING, K. Effect of 
temperature and solid concentration on anaerobic digestion of rice straw in South China. 
International Journal of Hydrogen Energy, 35(13), p.7261‐7266, 2010. 
LIAQUAT, A. M.; MASJUKI, H. H.; KALAM, M. A.; FAZAL, M. A.; KHAN, A. F.; FAYAZ, H.; VARMAN, M. 
Impact of palm biodiesel blend on injector deposit formation. Applied Energy, 111, p. 882‐893, 
2013. 
LINO, A. G.; COLODETTE, J.L.; LIMA, C. F.; GUITIERREZ, A.; MARTÍNEZ, A. T.; LU, F.; RALPH, J.; RECORET, 
J. Differences in the chemical structure of the lignins from sugarcane bagasse and straw. Biomass 
and Bioenergy, 81, p. 322–338, 2015. 
LIU, Z. L.; MA, M.; SONG, M. Evolutionarily engineered ethanologenic yeast detoxifies lignocellulosic 
biomass conversion inhibitors by reprogrammed pathways. Mol Genet Genomics, 282(3), p. 233‐
244, 2009. 
LIU, Z. L.; SLININGER, P. J.; DIEN, B. S.; BERHOW, M. A.; KURTZMAN, C. P.; GORSICH, S. W. Adaptive 
response of yeasts to furfural and 5‐hydroxymethylfurfural and new chemical evidence for HMF 
conversion to 2,5‐bis‐hydroxymethlfuran. Journal of Industrial Microbiology & Biotechnology, 
31(8), p. 345‐352, 2004. 
LOGAN, B. E.; OH, S. E.; KIM, I. S.; VAN GINKEL, S. Biological hydrogen production measured in batch 
anaerobic respirometers. Environmental Science & Technology, 36(11): 2530–2535, 2002 
LORENZI, B.R; ANDRADE, T. H. N.; O Etanol de Segunda Geração no Brasil: Políticas e redes 
sociotécnicas, RBCS, 34(100), 2019 
LUCAS, S. D. M.; PEIXOTO, G.; MOCKAITIS, G.; ZAIAT, M.; GOMES, S. D. Energy recovery from agro‐
industrial wastewaters through biohydrogen production: Kinetic evaluation and technological 
feasibility, Renewable Energy, 75, p. 496‐504,2015. 
MA F, HANNA MA. Biodiesel production: A review. Bioresour Technology, 1, p. 1‐15, 1999. 
MAFEI, T.D.T., NETO, F.S.P.P., PEIXOTO, G., NETO, A.B., MONTI, R., MASARIN, F.;. Extraction and 
Characterization of Hemicellulose from Eucalyptus By‐product: Assessment of Enzymatic Hydrolysis 
to Produce Xylooligosaccharides. Applied Biochemistry and Biotechnology, 1, p. 1‐21.,2019 
 
 
 
112 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
MARENGO, JOSÉ A.; Mudanças climáticas globais e seus efeitos sobre a biodiversidade: 
caracterização do clima atual e definição das alterações climáticas para o território brasileiro ao 
longo do século XXI; Brasília: Ministério do Meio Ambiente (MMA), 2a. Ed; 212p., 2007 
MATHEWS, J.; WANG, G.; Metabolic pathway engineering for enhanced biohydrogen production, 
International Journal of Hydrogen Energy, 34 (17), p. 7404‐7416, 2009 
MEHER, L. C; SAGAR, D. V; NAIK, S. N. Technical aspects of biodiesel production by 
transesterification: a review. Renewable and Sustainable Energy Reviews, 10 (3), p. 248‐ 268, 2006. 
MENDES, F.M.; LAURITO, D.F.; BAZZEGGIO, M.; FERRAZ, A.; MILAGRES, A.M. Enzymatic Digestion of 
Alkaline‐Sulfite Pretreated Sugar Cane Bagasse and Its Correlation with the Chemical and Structural 
Changes Occurring During the Pretreatment Step. Biotechnology Progress, 29(4), 2013. 
MENDES; F.M., SIQUEIRA, G; CARVALHO, W.; FERRAZ, A.; MILAGRES, A.M.; Enzymatic Hydrolysis of 
Chemithermomechanically Pretreated Sugarcane Bagasse and Samples with Reduced Initial Lignin 
Content. Biotechnology Progress, 27, p. 395‐401, 2011. 
MICHUD, A., TANTTU, M., ASAADI, S., MA, Y., NETTI, E., KÄÄRIAINEN, P., PERSSON, A., BERNTSSON, 
A., HUMMEL, M., & SIXTA, H. Ioncell‐F: ionic liquid‐based cellulosic textile fibers as an alternative to 
viscose and Lyocell. Textile Research Journal, 86 (5), p. 543–552, 2016. 
MOCKAITIS, G.; BRUANT, G.; GUIOT, S. R.; PEIXOTO, G.; FORESTI, E.; ZAIAT, M.; Acidic and thermal 
pre‐treatments for anaerobic digestion inoculum toimprove hydrogen and volatile fatty acid 
production using xylose as the substrate, Renewable Energy, 145, p. 1388‐1398, 2020 
MORAIS, M. C.; FERRARI, B. M.; BORGES, C. D.; CHERUBIN, M. R.; TSAI, S. M.; CERRI, C C.; CERRI, C. 
E. P.; FEIGL, B. J.; Does Sugarcane Straw Removal Change the Abundance of Soil Microbes? Bioenergy 
Research, 12(4), p. 901–908, 2019. 
OLIVEIRA, D. M.; TEIXEIRA, A. F.; FREITAS, D. L.; BARRETO, G. E.; LIMA, R. B.; SOARES, A. R.; 
FERRARESE‐FILHO, O.; MACHIOSI, R.; SANTOS, W. D. Phenolic Compounds in Plants: Implications for 
Bioenergy. In: BUCKERIDGE, M. S.; DE SOUZA, A. P. (Eds.). Advances of Basic Science for Second 
Generation Bioethanol from Sugarcane. 1. ed. Cham: Springer International Publishing AG, 2017.. 
PAKARINEN, O. M., TAHTI, H. P.; RINTALA, J. A. One-stage H2 and CH4 and grass silage, Biomass & 
Bioenergy.33(10), p. 1419-1427, 2009. 
PALMQVIST, E.; HAN‐HÄGERDAL, B. Fermentation of lignocellulosic hydrolysates. I: Inhibition and 
detoxification. Bioresource Technology, 74, p. 17‐24, 2000. 
PEIXOTO, G., PANTOJA‐FILHO, J.L.R., AGNELLI, J.A.B., BARBOZA, M., ZAIAT, M. Hydrogen and 
Methane Production, Energy Recovery, and Organic Matter Removal from Effluents in a Two‐Stage 
Fermentative Process, Appliede Biochemistry Biotechnology, 168, p. 651–671, 2012 
PEIXOTO, G.; SAAVEDRA, N. K.; VARESCHE, M. B. A.; ZAIAT, M. Hydrogen production from soft‐drink 
wastewater in an upflow anaerobic packed‐bed reactor, International Journal of Hydrogen Energy, 
Oxford, 36, p.8953–8966, 2011. 
PENG, F.; PENG, P.; XU, F.; SUN, RUN‐CANG; Fractional purification and bioconversion of 
hemicelluloses. Biotechnology Advances, 30(4), p. 879–903, 2012. 
PINTO, A. C.; GUARIEIRO, L. L. N.; MICHELLE, J. C. R.; RIBEIRO, N. M.; TORRES, E. A.; LOPES, W. A.; 
PEREIRA, P. A. P.; ANDRADE, B. A. Biodiesel: An overview. Journal of the Brazilian Chemical Society, 
16 (6b), p.1313‐1330, 2005. 
 
 
113 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
POPPE, J. K.; MATTE, C. R.; PERALBA, M. C.; FERNANDEZ‐LAFUENTE, R.; RODRIGUES, R. C.; AYUB, M. 
A. Z. Optimization of ethyl ester production from olive and palm oils using mixtures of immobilized 
lipases. Applied Catalysis A: General, 490 (10), p. 50‐56, 2015. 
POUSA, G. P. A. G.; SANTOS, A. L. F.; SUAREZ, P. A. Z. History and policy of biodiesel in Brazil. Energy 
Policy, 35, p. 5393–5398, 2007. 
RALPH, J.; LUNDQUIST, K.; BRUNOW, G.; LU, F.; KIM, H.; SCHATZ, P. F.; MARITA, J. M.; HATFIELD, R. D.; 
RALPH, S. A.; CHRISTENSEN, J. H.; BOERJAN, W.; Lignins: Natural polymers from oxidative coupling 
of 4‐hydroxyphenyl‐ propanoids, Phytochemistry Reviews, 2004. 
RAMADHAS, A. S.; JAYARAJ, S.; MURALEEDHARAN, C. Characterization and effect of using rubber 
seed oil as fuel in the compression ignition engines. Renewable Energy, 30 (5), p.795‐803, 2005. 
RIBEIRO, H.; FICARELLI, T. R. DE A. Queimadas nos canaviais e perspectivas dos cortadores de cana‐
de‐açúcar em Macatuba, São Paulo. Saude e Sociedade, 19(1), p. 48–63, 2010. 
RODRIGUES, R.S.B. Produção e caracterização de um biocatalisador heterogêneo para ser utilizado 
em aplicações industriais. Tese de doutorado. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto 
Alegre, 2009. 
ROSSELL, C. E. V. Fermentação do hidrolisado. In: FAPESP. Workshop do Projeto Diretrizes de Políticas 
Públicas para a Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo: Hidrólise. São Paulo, 2006a. 
Disponível em: http://www.apta.sp.gov.br/cana/. Acesso em novembro de 2016. 
RUIZ, H. A. et al. Engineering aspects of hydrothermal pretreatment: From batch to continuous 
operation, scale‐up and pilot reactor under biorefinery concept. Bioresource Technology, 299, p. 
122685, 2020. 
SANTO, M. L. DOS; LIMA, O. J.; NASSAR, E. J.; CIUFFI, K. J.; CALEFI, P. S.; Estudo das Condições de 
Estocagem do Bagaço de Cana‐de‐Açucar por Análise Térmica, Química Nova, 34 (3), 507‐511, 2011 
SANTOS LF, FREIRE L, ISHII PL. Xilanases: principais metodologias e parâmetros cinéticos. Journal of 
Biotechnology and Biodiversity. 2, 7–15, 2011. 
SANTOS, C. R.; PAIVA, J. H.; SFORÇA, M. L.; NEVES,J. L.; NAVARRO, R. Z.; COTA, J.; AKAO, P. K.; 
HOFFMAM, Z. B.; MEZA, A. N.; SMETANA, J. H.; NOGUEIRA, M. L.; POLIKARPOV, I.; XAVIER‐NETO, J.; 
SQUINA, F. M.; WARD, R. J.; RULLER, R.; ZERI, A. C.; MURAKAMI, M. T. Dissecting structure‐function‐
stability relationships of a thermostable GH5‐CBM3 cellulase from Bacillus subtilis 168. The 
Biochemical journal, 441 (1), p. 95–104, jan. 2012. 
SARAVANANA, A. P.; PUGAZHENDHIB, A.; MATHIMANIC, T. A comprehensive assessment of biofuel 
policies in the BRICS nations: Implementation, blending target and gaps. Fuel, 272, p. 1‐12, 2020. 
SINGH D, SHARMA D, SONI SL, SHARMA S, KUMARI D. Chemical compositions, properties, and 
standards for different generation biodiesels: A review. Fuel, 253, p. 60‐71, 2019. 
SINGH, A. et al. The enzyme biorefinery platform for advanced biofuels production. Bioresource 
Technology Reports, 7, p. 100257, 2019. 
SRIVASTAVA A, PRASAD R. Triglycerides‐based diesel fuels. Renew Sustain Energy Reviews, 4, p. 111‐
133, 2000. 
STEINBUSCH, K. J. J.; HAMELERS, H. V. M.; BUISMAN, C. J. M. Alcohol production through volatile 
fatty acids reduction with hydrogen as electron donor by mixed cultures. Water Research, 42 (15), 
p. 4059-4066, 2008 
 
 
 
114 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
SUHAS et al. Cellulose: A review as natural, modified and activated carbon adsorbent. Bioresource 
Technology, 216, p. 1066–1076, 2016. 
SUN, Y.; CHENG, J. Hydrolysis of lignocellulosic materials for ethanol production: a review. 
Bioresource Technology, 83, p. 1‐11, 2002. 
SZCZERBOWSKI, D. Pitarelo, A. P.; Zandoná Filho, A.; Ramos, L. P.;Sugarcane biomass for 
biorefineries: Comparative composition of carbohydrate and non‐carbohydrate components of 
bagasse and straw. Carbohydrate Polymers, 114, p. 95–101, 2014. 
TAN, T.; LU, J.; NIE, K.; DENG, L.; WANG, F. Biodiesel production with immobilized lipase: A review. 
Biotechnology Advances, 28(6), p. 628‐634, 2010. 
TARIQ, M.; ALI, S.; KHALID, N. Activity of homogeneous and heterogeneous catalysts, spectroscopic 
and chromatographic characterization of biodiesel: A review. Renewable and Sustainable Energy 
Reviews, 16(8), p. 6303–6316, 2012. 
TAVARES, J.; ŁUKASIK, R. M.; PAIVA, T. DE; SILVA, F. DA; Hydrothermal alkaline sulfite pretreatment 
in the delivery of fermentable sugars from sugarcane bagasse, New J. Chem. 42, p. 4474–4484, 
2018. 
TRACHE, D. et al. Microcrystalline cellulose: Isolation, characterization and bio‐composites 
application—A review. International Journal of Biological Macromolecules, 93, p. 789–804, 2016. 
VAN MARIS, A. J.; ABBOTT, D. A.; BELLISSIMI, E.; VAN DEN BRINK, J.; KUYPER, M.; LUTTIK, M. A.; 
WISSELINK, H. W.; SCHEFFERS, W. A.; VAN DIJKEN, J. P.; PRONK, J. T. Alcoholic fermentation of carbon 
sources in biomass hydrolysates by Saccharomyces cerevisiae: current status. Antonie Van 
Leeuwenhoek, 90(4), p. 391‐418, 2006 
VERMA, P.; SHARMA, M. P. Review of process parameters for biodiesel production from different 
feedstocks. Renewable and Sustainable Energy Reviews, 62, p. 1063‐1071, 2016. 
VILLENEUVE P, MUDERHWA JM, GRAILLE J, HAAS MJ. Customizing lipases for biocatalysis: A survey 
of chemical, physical and molecular biological approaches. Journal of Molecular Catalysis. B, 
Enzymatic, 9, p. 113‐148, 2000. 
WANG, M.; NIE, K.; YUN, F.; CAO, H.; DENG, L.; WANG, F.; TAN, T. Biodiesel with low temperature 
properties: Enzymatic synthesis of fusel alcohol fatty acid ester in a solvent free system. Renewable 
Energy, 83(5), p. 1020‐1025, 2015. 
WANG, W. et al. High consistency enzymatic saccharification of sweet sorghum bagasse pretreated 
with liquid hot water. Bioresource technology, 108, p. 252‐257, 2012. 
Wang, W.; Xie, L.; Chen, J.; Luo, G.; Zhou, Q.; Biohydrogen and methane production by co-digestion 
of cassava stillage and excess sludge under thermophilic condition, Bioresource Technology, 102 
(4),p. 3833-3839, 2011, 
WONG, K. K.; TAN, L. U. L.; SADDLER, J. N. Multiplicity of beta‐1, 4‐xylanase in microorganisms: 
functions and applications. Microbiological reviews, 52(3), p. 305, 1988. 
XIAO, L.‐P.; SONG, G.‐Y.; SUN, R.‐C. Effect of Hydrothermal Processing on Hemicellulose Structure. In: 
RUIZ, H. A.; THOMSEN, M. H.; TRAJANO, H. L. (Eds.). Hydrothermal Processing in Biorefineries. 1. 
ed. Cham: Springer International Publishing AG, p. 524, 2017. 
XIAO, Z. et al. Effects of sugar inhibition on cellulases and β-glucosidase during enzymatic 
hydrolysis of softwood substrates. Proceedings of the Twenty‐Fifth Symposium on Biotechnology 
 
 
115 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
for Fuels and Chemicals Held, Totowa, p. 1115‐1126. 2004. 
YUSUF NNAN, KAMARUDIN SK, YAAKUB Z. Overview on the current trends in biodiesel production. 
Energy Conversion Management, 52, p. 2741‐2751, 2011. 
ZANUSO, E. et al. Kinetic Modeling, Operational Conditions, and Biorefinery Products from 
Hemicellulose: Depolymerization and Solubilization During Hydrothermal Processing. In: RUIZ, H. A.; 
THOMSEN, M. H.; TRAJANO, H. L. (Eds.). Hydrothermal Processing in Biorefineries. 1. ed. Cham: 
Springer International Publishing AG, p. 524, 2017. 
ZENEVICZ, M. C. P.; JACQUES, A.; DE OLIVEIRA, D.; FURIGO JR, A. A two‐step enzymatic strategy to 
produce ethyl esters using frying oil as substrate. Industrial Crops & Products, 108, p. 53‐55, 2017. 
ZHOU, X.; ZHANG, H.; XU, Y. Biodegradation and Utilization of Hemicellulose. In: CHEN, J.; ZHU, Y.; 
LIU, S. (Eds.). . Functional Carbohydrates Development, Characterization, and Biomanufacture. 1. 
ed. Boca Raton: CRC Press Taylor & Francis Group, 2018. p. 322. 
ZHUANG, X. et al. Liquid hot water pretreatment of lignocellulosic biomass for bioethanol 
production accompanying with high valuable products. Bioresource Technology, 199, p. 68–75, 
2016. 
ZVERLOV, V. V., BEREZINA, O., VELIKODVORSKAYA, G. A., SCHWARZ, W.H. Bacterial acetone and 
butanol production by industrial fermentation in the Soviet Union: use of hydrolyzed agricultural 
waste for biorefinery. Applied Microbiology Biotechnology, 71, p. 587–597, 2006. 
 
 
 
 
 
116 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
 
 
 
 
117 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
 
 
 
CAPÍTULO 4 
___________________________________ 
 
 
 
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E 
ENERGIA RENOVÁVEL NO MEIO RURAL: 
UM ESTUDO SOBRE O USO DO 
BIODIGESTOR COMO FONTE 
ALTERNATIVA E ECONÔMICA PARA O 
PEQUENO PRODUTOR 
 
 
Vitor Bini Teodoro16 
Patrícia Cristina Melero Pereira Leite17 
Márcio Presumido Júnior18 
Estela Violin de Melo19 
 Angélica Gois Morales20 
 
16 Mestre em Ciências pela FSP-USP, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Agronegócio 
e Desenvolvimento – Unesp. Email: vitor.bini@unesp.br 
17 Especialista em Gestão Empresarial pela Unisalesiano, mestranda do Programa de Pós-Graduação 
em Agronegócio e Desenvolvimento – Unesp. Email: patrícia.melero@unesp.br 
18 Bacharel em Engenharia de Biossistemas pela Unesp, mestrando do Programa de Pós-Graduação 
em Agronegócio e Desenvolvimento – Unesp. Email: marcio.presumido@unesp.br 
19 Especialista em Gestão de Projetos e Processos pela Unoeste, mestranda do Programa de Pós-
Graduação em Agronegócio e Desenvolvimento – Unesp. Email: estelaviolin.arqurb@gmail.com 
20 Doutora em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela UFPR, professora associada do Programa de 
Pós-Graduação em Agronegócio e Desenvolvimento. Líder do Grupo de Pesquisa em Gestão e 
Educação Ambiental (PGEA) – Unesp. Email: ag.morales@unesp.br 
 
 
 
118 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
 
RESUMO 
O presente artigo tem como objetivo geral identificar a viabilidade do uso do biodigestor 
como matriz energética no Brasil, com foco no pequeno produtor rural, tendo como base 
o disposto no sétimo objetivo para o desenvolvimento sustentável proposto pela 
Organização das Nações Unidas (ONU). Para tanto, por ter um caráter exploratório, 
adotou-se a pesquisa bibliográfica, por meio das bases de dados científicos. No 
desenvolvimento do estudo são apresentadas: as problemáticas do consumo de energia; 
as dificuldades e disponibilidade; as principais fontes disponíveis com foco no 
biodigestor; tipificação do produtor rural no Brasil, atrelando a matriz energética da 
biomassa como uma possibilidade à eficiência energética para este tipo de propriedade; 
e fontes de financiamento para a implementação de melhorias voltadas aos produtores 
rurais. O estudo concluiu que o uso de biodigestores por pequenas propriedades é 
considerado uma matriz energética renovável e alternativa com boa eficiência 
produtiva, carecendo entretanto, de maiores políticas de informação quanto a sua 
existência e formas de financiamento. 
 
Palavras chave: Biomassa. Energia Renovável. Sustentabilidade. 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
“Nada é permanente, exceto a mudança”. Esta pequena citação, reflete 
o pensamento do filósofo Heráclito, datada de 540 a.C. Apesar de sua origem 
datar dos primórdios do pensamento filosófico, ela permite uma reflexão sobre 
a evolução da humanidade e sua permanente transformação. Desde o início da 
civilização, o ser humano buscou na natureza os recursos necessários para sua 
sobrevivência sem, necessariamente, preocupar-se com a finitude destes 
recursos (HERRERA, 1974; RATTNER, 1977; CMMAD, 1991; BAUMGARTEN, 
2002). 
Com o desenvolvimento da sociedade e da compreensão dos recursos 
naturais como limitados, passam-se a constituir novas maneiras de repensar os 
modelos de consumo destes recursos, surgindo aí o desenvolvimento do termo 
sustentabilidade e seus amplos desdobramentos, tornando-se imprescindível 
buscar fontes alternativas de energia para garantir as necessidades dos seres 
humanos frente a uma sociedade de consumo, sem comprometer a capacidade 
 
 
119 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
do planeta para atender as futuras gerações. Nesta mesma lógica, o conceito 
de desenvolvimento sustentável passa a ser compreendido como aquele que 
não esgota os recursos, tampouco deixa de consumi-los: seu uso passa a ser 
pensado sob a consciência de sua finitude (PHILIPPI et al., 2014). 
Este conceito passa a ser encarado também de forma econômica. É 
necessário repensar os meios de produção para tornarem-se, 
progressivamente, mais eficientes. Entretanto, dada a diversidade de 
realidades sociais, econômicas e demográficas dos países, associadas a uma 
falta de articulação conjunta, poderia tornar a conscientização, um fato nulo 
frente aos problemas globais. 
Assim, para promover o desenvolvimento sustentável, os países 
precisariam agir conforme suas peculiaridades, com metas personalizadas e 
locais, além de um planejamento coletivo e alinhado. Desta forma, surge, por 
meio de um esforço mútuo de governos em todo o mundo, uma agenda global 
com metas visando atenuar estes grandes problemas mundiais, que 
culminaram nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos 
pela Organização das Nações Unidas (ONU), que são oriundos de sucessivos 
eventos e também dos desdobramentos da própria Agenda 21 e dos Objetivos 
de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que já abordavam a importância desta 
cooperação (CMMAD, 1991; LIMA, 2010; CUNHA, 2013; CARVALHO e 
BARCELOS,2014; ALVES, 2015). 
Os ODS propostos partem da premissa de que a cidadania plena será 
alcançada somente com a manutenção da dignidade humana e, para que esta 
seja possível, é preciso que o futuro esteja garantido em sua plenitude, 
abrangendo questões de desenvolvimento social, ambiental e econômico. 
Destes, surgem uma coleção de dezessete metas globais, amplas e 
interdependentes, envolvendo os 193 Estados Membros e toda a sociedade civil 
sob a coordenação da ONU (ONU, 2000; 2015). Contudo, vale destacar que 
cada país deve ser protagonista de suas agendas, priorizando as áreas com 
maior necessidade de atenção. 
Frente ao exposto, este trabalho parte de umaanálise do sétimo objetivo 
proposto pela ODS, que prevê garantir acesso à energia acessível, confiável, 
sustentável e renovável, assegurando a toda população mundial o acesso e a 
 
 
 
120 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
disponibilidade de energia, atualmente com grande dependência de 
combustíveis fósseis. 
Assim, a metodologia utilizada para sua realização foi de caráter 
exploratório, proporcionando maior familiaridade com a temática a partir do 
levantamento bibliográfico com vistas à proposta de uma matriz energética 
voltada ao pequeno produtor. 
Desta forma, a adoção de novas plataformas energéticas é crucial, uma 
vez que o petróleo - maior expoente das energias não-renováveis - tende a ser 
cada vez menos disponível, surgindo a necessidade de fontes de energias 
renováveis acessíveis e limpas, como a energia solar, eólica, térmica e, mais 
recentemente, a biomassa (GOLDEMBERG & LUCON, 2007). 
Este ODS é também de grande importância ao pensarmos o Brasil e a 
produção rural, envolvendo os pequenos produtores, uma vez que o país é o 
terceiro maior exportador mundial de alimentos do mundo, com safras 
recordes anuais. É também o principal produto de exportação do país, 
impulsionando o agronegócio e a economia nacional (CARDOSO, 2012). 
Entretanto, faz-se necessário desbravar novas possibilidades para a 
promoção sustentável deste importante insumo comercial, bem como a 
possibilidade de uso destas novas energias, priorizando o pequeno produtor 
rural, uma vez que estes são os principais responsáveis por boa parte dos 
alimentos produzidos para consumo (DIAS et al., 2013; ARRUDA et al., 2002). 
Para além desta identificação, o artigo busca compreender formas de 
financiamento destinadas aos produtores rurais, que sejam capazes de 
proporcionar o financiamento destas novas tecnologias de forma viável e 
financeiramente possível, com capacidade de payback e retroalimentação 
positiva para as propriedades que investirem em tecnologias de energia limpa. 
O artigo também busca encontrar não a fonte de energia mais barata para 
assegurar o acesso à energia elétrica, mas sim às fontes que melhor se encaixam 
no desenvolvimento sustentável das propriedades rurais, à luz do proposto pela 
ODS. 
Para tanto, pensando em criar uma linha lógica, o trabalho encontra-se 
dividido em três partes: a primeira traz uma caracterização da produção e do 
 
 
121 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
consumo de energia elétrica no meio rural. A segunda parte dedica-se ao 
panorama das energias renováveis e não renováveis no mundo, além de 
identificar o perfil do pequeno produtor rural, sua capacidade produtiva e a 
possibilidade de adequação desta para viabilidade para uso do biodigestor 
como uma matriz energética sustentável e economicamente viável; E, por fim, 
a terceira parte aponta possíveis formas de financiamento para a instalação 
destas tecnologias, buscando melhorar o investimento com as possibilidades de 
financiamento por parte do pequeno produtor, além de formas de custeio para 
a implementação desta tecnologia. 
 
1.2 OBJETIVOS 
 
O presente artigo tem como objetivo geral identificar a viabilidade do 
uso do biodigestor como matriz energética no Brasil, com foco no pequeno 
produtor rural, tendo como base o disposto no sétimo objetivo para o 
desenvolvimento sustentável proposto pela Organização das Nações Unidas 
(ONU), bem como formas de financiamento existentes para implementação 
desta tecnologia. 
 
 
2 PRODUÇÃO E CONSUMO DE ENERGIA NO MEIO RURAL 
 
Faria (2017) afirma que a falta de energia é um dos maiores problemas 
encontrados na sociedade moderna. Diante desse cenário e a preocupação com 
o impacto ambiental principalmente pela falta de fontes de energia não 
renováveis, como o petróleo, tem se tornado cada vez comum à busca de 
energia limpa como fonte de energia alternativa. Faria (2017) relata que “o uso 
de energia deve ser de forma racional e adequado para evitar desperdícios, 
visando à manutenção do equilíbrio ecológico e a garantia da saúde, da 
qualidade de vida e do bem-estar social e econômico dos seus proprietários e 
daqueles que utilizam desta para as atividades laborais, assim como suas 
famílias”. A maneira mais correta para evitar desperdício é a manutenção 
 
 
 
122 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
semestral e fiscalização periódica dos equipamentos para que possa 
desenvolver a melhor qualidade de energia (REIS; SILVEIRA, 2001). 
Contudo, sabe-se que, atualmente, já há diferentes maneiras de adquirir 
energia, como alternativa às fontes não renováveis, caso das fontes renováveis, 
que são o foco deste capítulo. 
As fontes renováveis são capazes de se regenerar na natureza, conforme 
explica Cosbey (2011) e Faria (2017) e por isso, causam menos impactos 
ambientais e não se esgotam quando comparados às energias não renováveis. 
São as fontes de energia mais aconselhadas uma vez que geram menos 
poluentes para o meio ambiente. As principais delas são: - energia hidráulica; - 
energia solar; - energia eólica; - energia geotérmica; - biomassa; - energia 
gravitacional; - energia do hidrogênio. 
No entanto, a fonte energética mais utilizada para a produção de energia 
elétrica é proveniente de fontes não renováveis que causam diversos impactos 
ambientais quando não consumidas de maneira racional, o que pode implicar 
em desequilíbrios na medida em que seus recursos se esgotam (FREITAS; 
DATHEIN, 2013). As mais utilizadas são: - combustíveis fósseis; - energia nuclear. 
Tem-se na agroindústria, alguns processos produtivos que envolvem o 
trabalho de pessoas e máquinas. Assim, torna-se necessário o consumo de 
energia para o beneficiamento dos produtos, seja na alimentação do rebanho, 
processamento de grãos, ordenha mecanizados, sistemas de abastecimento de 
água e irrigação, tornando fundamental o uso da energia elétrica. (CUNHA, 
2004); (ALVES; MELO; WISNIEWISKI, 1980). 
 Cunha (2004) ressalta que para o próprio sistema de iluminação de 
residências, galpões, barracões de criação, pátios e outros, há a essencialidade 
do uso de energia para as atividades corriqueiras e habituais do ser humano. 
Tal fato deixa explícito que já existe o consumo mínimo de energia elétrica em 
propriedades rurais, mesmo não sendo bem definidas as atividades. 
Benincasa, Ortolani e Lucas Junior (1991) enfatizam ainda que 
independentemente da finalidade produtiva da propriedade, ela estará sempre 
consumindo energia elétrica, sendo que algumas de maneira adequada com 
 
 
123 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
boas instalações e outras mais rústicas podendo, inclusive, causar prejuízos 
tanto para o fornecedor quanto para o consumidor. 
 
Às instalações elétricas do campo deveria ser dispensada 
maior atenção pela sua relativa complexidade devido às 
grandes distâncias existentes entre o centro de distribuição 
(transformador) e os centros de energia pertencentes às 
propriedades rurais [...] (CUNHA, 2004). 
 
Contudo, apresenta-se grande preocupação tanto com a qualidade da 
energia elétrica no meio rural, quanto com o serviço prestado, com o intuito de 
melhorar o desempenho das atividades e sua distribuição até locais mais 
remotos, caso mais frequente nas propriedades rurais. 
A Concessionária Energisa (2020) explica que as propriedades rurais são 
classificadas em pequeno, médio e grande, de acordo com as características do 
transformador elétrico instalado pela concessionária, sendo elas: 
• Pequeno porte: são consideradas propriedades rurais de 
pequeno porte as que possuem um transformador instalado 
com potência de até 37,5 kVA (quilovoltampères). 
• Médio porte: São aquelas propriedades que possuem um 
transformador trifásico instalado com potência de até 112,5 
kVA. 
• Grande porte: propriedades rurais que possuem 
transformadores acima de 112,5kVA. 
A preocupação com a qualidade da energia elétrica entregue é 
crescente.Este fato se justifica em razão da sofisticação dos equipamentos 
instalados, como pelo valor da tarifa da mesma (CUNHA, 2004). 
A biomassa torna-se importante para o capítulo pelo fato de que sua 
produção de desejos gera os impactos ambientais que prejudicam o meio 
ambiente. Portanto, a aplicação de novos métodos contribui para geração de 
energia e de subprodutos. 
 
 
 
 
124 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
2.1. BIOMASSA 
 
O Brasil é um país que possui inúmeras vantagens comparativas que o 
coloca como líder mundial no mercado de produtos agrícolas e agroindustriais, 
principalmente os que se destacam pelas fontes de energia. Condições 
geográficas e climáticas favoráveis, além da grande quantidade de terra para a 
agricultura com alto poder tecnológico, possibilitam uma maior produção anual 
e, isso faz com que se torne líder na produção e no uso energético da biomassa 
(EPE, 2013). 
De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL, 2002) “a 
biomassa é toda matéria orgânica de origem animal ou vegetal que pode ser 
utilizada para a produção de energia”. Como a energia hidráulica e fontes 
renováveis, a biomassa parte da energia solar onde a mesma é convertida em 
energia química (pela fotossíntese). 
Uma das principais vantagens encontradas na biomassa é por ser 
realizada diretamente através da combustão em forno e caldeiras. Para a 
redução dos impactos ambientais e para aumentar a eficiência do processo 
surgem novas pesquisas em tecnologias de aperfeiçoamento como gaseificação 
(processo que transforma combustíveis sólidos e líquidos em uma mistura de 
combustível de gases) e a pirólise (reação de análise ou decomposição que 
ocorre pela ação de altas temperaturas) (ANNEL, 2002). 
De acordo com o EPE (2013) a biomassa é representada por 27% da 
oferta interna de energia primária, que nada mais é que a energia na forma de 
recursos naturais (madeira, carvão, petróleo, gás natural, ventos, entre outros), 
15,4% é representada por cana de açúcar com etanol e bagaço de cana, 10,8% 
de carvão vegetal e lixívia e 0,8% de biomassa. 
Já no cenário mundial, a ANNEL (2002) informa que o consumo de 
biomassa é representado por apenas 14% devido ao uso não comercial. Porém, 
esse índice é similar ao uso de gás natural e de energia elétrica e superior ao 
uso do carvão mineral. 
 
 
125 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
Segundo IEA (1998) inúmeras tecnologias de aproveitamento estão em 
fase de desenvolvimento e aplicação. Os estudos de Hall et al. (2000) mostram 
que a biomassa deve-se manter estável e aumentar por consequência de duas 
razões: crescimento populacional; e urbanização e melhoria nos padrões da 
vida. 
Aquino et al. (2014) relata que as pequenas propriedades rurais com 
baixa produção, sofrem com impactos relacionados ao uso da energia. Por isso, 
a implantação do uso de tecnologias alternativas que produzem energia vem 
sendo mais utilizados em propriedades rurais, diminuindo custos e impactos 
ambientais. 
Dentro do consumo de biomassa, destaca-se o biogás, que segundo 
Deublein e Steinhauser (2008), pode ser obtido na degradação da matéria 
orgânica e é composto principalmente por gás de metano inodoro, incolor e 
insípido. Também ressalta que esse gás contribui para o efeito estufa e, 
consequentemente, para o aquecimento global. A tabela 1 mostra a 
composição química do biogás expondo a porcentagem presente que pode ser 
prejudicial ao meio ambiente e aos seres humanos. 
 
Tabela 1 - Composição química do biogás 
Gases % 
Metano (CH4) 50 a 70 
Dióxido de carbono (CO2) 30 a 40 
Nitrogênio (N2) 0 a 10 
Hidrogênio (H2) 0 a 5 
Oxigênio (O2) 0 a 1 
Gás sulfídrico (H2S) 0 a 1 
Vapor d’água 0,3 
Fonte: Adaptado de BRETON et al, (2004). 
 
 
 
 
126 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
A conversão energética do biogás é representada como um método de 
um grande volume de resíduos produzidos, reduzindo assim, o potencial tóxico 
das emissões de metano e, dessa forma, produzindo energia elétrica, 
diminuindo custos e melhorando os processos ambientais (DEUBLEIN; 
STEINHAUSER, 2008). Para a obtenção do biogás é necessário um processo de 
decomposição anaeróbica e são feitos em três fases diferentes: liquefação, 
acidulação e gaseificação. 
É notável a importância da atividade agropecuária no Brasil em relação 
à economia, devido ao grande número de produção, geração de renda, tais 
como inúmeros estabelecimentos agropecuários, colocando assim, como uma 
das principais e mais relevantes atividades do país, sendo assim, o “motor do 
agronegócio” (NUNES; CONTINI, 2001). 
Nos dias atuais, as iniciativas de produção de biogás no Brasil ainda são 
pouco utilizadas e isoladas em determinados locais. Porém, as fontes de energia 
renováveis se caracterizam principalmente pela durabilidade e sustentabilidade 
(ANDION, 2003). 
Bond e Templeton (2011) afirmam que países continentais e com grande 
produção pecuária como China e Índia, demonstram um grande investimento e 
desenvolvimento em sistemas de biogás, principalmente para pequenas 
propriedades rurais. 
Países que possuem produção efetiva de aves, suínos e bovinos por meio 
do biogás tem grande possibilidade de geração de energia elétrica nas fazendas 
devido aos dejetos dos animais. Além da geração de energia elétrica, o biogás é 
utilizado para a energia térmica, como por exemplo, a secagem de grãos (BOND 
E TEMPLETON, 2011). 
O cenário mundial de produção de biomassa mostra que o consumo de 
energia primária no mundo apresenta comportamento distinto no decorrer do 
tempo, como ilustra a figura 1, no qual desde meados do século XIX, a 
Revolução Industrial iniciou-se ao consumo dos combustíveis fósseis, e mostra 
que uma visão de cenário para o ano de 2100, as energias renováveis serão as 
maiores produtores de suprimentos para suprir as necessidades energéticas. 
 
 
 
127 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
Figura 1 - Evolução da demanda mundial de energia entre 1850 – 2100 
 
Fonte: UNDP; UNDESA; WEC, 2000. 
 
Dentre as energias renováveis, a energia solar é a mais fomentada, tanto 
por países desenvolvidos quanto pelos países em desenvolvimento como 
mostra a figura 2. A energia de biomassa teve um investimento de US$ 3,9 em 
2015 nos países desenvolvidos enquanto que os países em desenvolvimento 
investiram apenas US$ 2,1 (REN 21, 2016). 
 
Figura 2 - Novos investimentos mundiais em energia renovável por tecnologia, 
países desenvolvidos e em desenvolvimento, 2014. 
 
Fonte: REN 21, 2016. 
 
 
 
 
128 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
Como exposto na figura 3, houve um crescimento acentuado no uso de 
biomassa pela União Europeia, seguido da América do Norte e Ásia. A rede 
mundial de políticas de energia renovável (REN, 2016) relata o aumento do 
consumo de biomassa para aquecimento no continente europeu, enquanto que 
China, Japão, Alemanha e Reino Unido dependem fortemente de eletricidade 
de biomassa. 
 
Figura 3 - Geração mundial de energia de biomassa, por país/região, 2005-
2015. 
 
Fonte: REN 21, 2016. 
 
No ano de 2015 houve uma crescente na comercialização e 
desenvolvimento de biocombustíveis avançados, principalmente, na 
capacidade e produção de combustíveis tanto por vias térmicas como biológicas 
(REN 21, 2016). 
 Conforme se observa na figura 4, a produção de etanol teve um 
aumento de 4% com recordes da produção nos Estados Unidos e no Brasil. Já 
a produção de biodiesel, obteve uma queda devido à restrição da produção em 
alguns mercados asiáticos (REN 21, 2016). 
 
 
 
129 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
Figura 4 - Produção mundial de biocombustíveis, participação por tipo e por 
país/região, 2015. 
 
Fonte: REN 21, 2016. 
 
Já em uma visão do cenário nacional, Guardabassi (2006) cita que “A 
matriz energética brasileira é bastante diversificada quanto aos combustíveis 
utilizados”. 
Oliveira e Mendes(2016) ressaltam que a energia elétrica no Brasil busca 
uma predominância produtiva com enfoque em meios mais renováveis, embora 
que ainda a energia hidráulica, seja a maior responsável pela geração de 
energia. 
 O setor industrial e o de transportes correspondem por 65,4% do total 
consumido, 33,0% e 32,4% respectivamente, de acordo com a Empresa de 
Pesquisas Energéticas (EPE, 2017) Ainda, segundo o mesmo relatório da EPE ( 
2017), o consumo se divide nos seguintes setores: 
Setor industrial: conta com 58% proveniente de fontes renováveis. 
Enquanto as fontes não renováveis, respondem juntos por 26,4% do total de 
energia consumida. 
 
 
 
 
 
 
 
130 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
Figura 5 - Consumo de energia na indústria. 
 
Fonte: EPE, 2017. 
 
Setor de transportes: o principal combustível que é gerado pelo 
transporte rodoviário no país é o óleo diesel, em segundo lugar em consumo 
vem à gasolina, 29,3%, que apresenta um crescimento da produção interna a 
fim de provocar diminuição na dependência externa da mesma. 
Figura 6 - Consumo de energia nos transportes 
 
Fonte: EPE, 2017. 
 
 
 
131 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
Setor residencial: O consumo de eletricidade chega com 46%, seguido 
pelo gás liquefeito de petróleo (GLP) com 26,5% e da lenha com 24,4%, este 
vem apresentando uma queda ao decorrer dos anos com o objetivo de redução 
do impacto nas florestas nativas e pelo aparecimento de fontes renováveis que 
são menos agressivas ao meio ambiente. 
 
Figura 7 - Consumo residencial de energia 
 
Fonte: EPE, 2017. 
 
Dessa forma, a biomassa vem ganhando espaço devido a sua grande 
produção de resíduos que podem tornar-se grandes geradores de energia 
elétrica e também de subprodutos. O principal objetivo é de uma energia mais 
limpa e sustentável e que tenha retorno ao produtor que utilize esse 
mecanismo. 
 
2.2. APLICAÇÃO DA BIOMASSA NO MEIO RURAL: BIODIGESTOR 
 
Nos últimos anos, tem se tornado cada vez mais comum, a utilização de 
energias renováveis em propriedades rurais. A biomassa é visivelmente 
rentável a produtores que tenham uma determinada quantidade de resíduos, 
portanto o biodigestor é um dos mecanismos mais aplicados para esse tipo de 
empreendimento, transformando a biomassa em energia e em subprodutos 
 
 
 
132 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
que possam ser utilizados ou até mesmo comercializados (GUARDABASSI, 
2006). 
Pesquisas relacionadas à fonte de energia alternativa se intensificaram 
tanto no mercado interno quanto no externo. Essa busca vem com o intuito de 
diminuir a poluição ambiental usando fontes como dejetos de animais e 
vegetais que possui em grande quantidade nas propriedades rurais e isso faz 
com que aumente pesquisas com objetivo de proteger o meio ambiente das 
poluições e melhorar a qualidade de vida (BARRERA, 1993). 
De acordo com Barrera (1993), os resíduos produzidos pelos animais nas 
pequenas e médias propriedades são prejudiciais ao meio ambiente, pois 
lançam um gás que provoca o efeito estufa afetando assim, a camada de ozônio 
e o solo, por meio das chuvas que infiltra no lençol freático contaminando as 
águas. 
As propriedades rurais usadas para a criação de suínos e bovinos leiteiros 
são mais propícias à utilização do biodigestor, devido à quantidade excessiva de 
dejetos e a facilidade em recolher já que os animais são criados em 
confinamento na maior parte do tempo (SANTOS; BALBINO; ESTEVAM, 2015). 
 
Figura 8 - Funcionamento do biodigestor. 
 
 Fonte: OLIVEIRA, 2006. 
 
 
133 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
 
Como demonstra a figura 8, o funcionamento do biodigestor se dá por 
meio de resto de alimentos, urina e fezes produzidos dentro do local que tenha 
os criadores de animais. Após a limpeza ser realizada, os resíduos vão 
diretamente até o biodigestor, no qual ocorrem as ações das bactérias 
transformando em gás metano e adubo. Por fim, o gás metano pode ser 
encanado para ser transformado em energia elétrica e as sobras são utilizadas 
como biofertilizantes para pastagens e plantações ou até mesmo para venda 
desses subprodutos, que após todo o processo do biodigestor os resíduos ainda 
possuem grande carga nutricional (OLIVEIRA, 2006). 
Portanto, a utilização da biomassa e do biodigestor torna-se uma 
aplicação sustentável e rentável frente aos ODS proposto pela ONU, que 
enfocam energia limpa e acessível aos produtores de pequeno e médio porte, 
e que contribui diretamente com os três pilares: social, ambiental e econômico. 
 
 
3 DIAGNÓSTICO DE DEMANDA PARA BIODIGESTORES EM PEQUENAS 
PROPRIEDADES RURAIS: ASPECTOS GERAIS 
 
O Brasil tem condições excelentes para se consolidar como gerador de 
diversas matrizes energéticas. Dada sua dimensão continental, com grande 
parte do território localizado entre o equador e o trópico de capricórnio, 
oferece boas condições climáticas para a utilização de diversas fontes de 
energia, adequando cada matriz à região com melhor capacidade de adaptação 
e eficiência entre as quais, destacam-se as oriundas da biomassa. Infelizmente, 
ainda temos na energia elétrica a grande fonte de energia para as atividades 
agrícolas e industriais. 
Devido às grandes dimensões territoriais, além dos custos ambientais 
para sua geração, apresenta custos adicionais para o transporte dessa energia 
para todo o território. Adicionalmente, observa-se uma intensa busca, em todo 
o mundo pela substituição dos combustíveis fósseis motivada pelas questões 
ambientais, desde sua prospecção até sua utilização, no primeiro por danificar 
 
 
 
134 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
constantemente fauna e flora, e no segundo, pelos altíssimos percentuais de 
emissão de gás carbônico. 
As energias renováveis encontram-se em alta no cenário nacional; sendo 
de extrema importância também para a agricultura familiar, reduzindo assim, 
os custos do pequeno produtor. Os dejetos produzidos na pequena propriedade 
contribuem para a produção de biogás. Ainda que se reconheça que o biogás 
enfrente alguns obstáculos para o seu desenvolvimento em pequenas 
propriedades, como os custos iniciais, pressupõe-se viável quando 
acompanhado de análise adequada. Para estimar o potencial de geração de 
biogás é preciso mensurar a quantidade demandada de dejetos, ou seja, a 
matéria seca de bovinos, aves e suínos que as produzem. 
Consequentemente, se faz necessário observar quantidade de animais 
existentes, valendo-se do menor número possível para sua viabilidade em 
pequenas propriedades. Por isso, a importância de se calcular adequadamente 
a quantidade de produção diária de matéria seca e sua relação direta com a 
conversão desta em biogás (BOND; TEMPLETON, 2011). 
 
Tabela 2 - Produção diária de dejetos e biogás por animal adulto. 
Tipo de animal 
Média de produção de 
dejetos (kg/dia) 
 
Produção de biogás a 
partir de material seco 
(m³/ton) 
Bovinos 10,00 270 
Suínos 2,25 560 
Aves 0,18 285 
Fonte: Adaptado GASPAR (2003). 
 
Observa-se a relevância da agricultura familiar não apenas pela 
quantidade de produção, servindo também como um importante indicador da 
disponibilidade de produtos que chegam à mesa das famílias brasileiras. A 
própria variedade de produtos acaba sendo uma exigência, seja pela sua 
sazonalidade ou pela concorrência e viabilidade no cultivo dos produtos em um 
determinado mercado. Vê-se então a diversificação do pequeno coletivo 
 
 
135 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
produtivo rural como um mecanismo intrínseco às suas estratégias de 
revitalização para competitividade. A agricultura familiar é uma (...) 
(...) forma de produção que compreende o cultivo da terra 
realizado por pequenos proprietários rurais, com mão de obra 
representada principalmente por membros do núcleo familiar, 
e em que a direção dos trabalhos é exercida pelo próprio 
produtor rural”. O conceito de AgriculturaFamiliar foi definido 
pela Lei Nº 11.326 de 24 de julho de 2006 (LANDAU, 2013, p. 
07). 
Para efeitos legais, tomamos a lei número 11.428, de 22 de Dezembro 
de 2006, que dispõe sobre a proteção do bioma da Mata Atlântica e outras 
providências, inclusive no seu artigo terceiro apontando a definição necessária, 
que contextualiza sobre o pequeno produtor: 
I - pequeno produtor rural: aquele que, residindo na zona 
rural, detenha a posse de gleba rural não superior a 50 
(cinqüenta) hectares, explorando-a mediante o trabalho 
pessoal e de sua família, admitida a ajuda eventual de 
terceiros, bem como as posses coletivas de terra considerando-
se a fração individual não superior a 50 (cinqüenta) hectares, 
cuja renda bruta seja proveniente de atividades ou usos 
agrícolas, pecuários ou silviculturais ou do extrativismo rural 
em 80% (oitenta por cento) no mínimo (BRASIL, 2006). 
Desta forma, compreende-se à partir da lei que são considerados 
pequenos produtores rurais aquele que possui uma propriedade rural não 
superior a cinquenta hectares. Penha (2020), ao discutir as orientações do 
Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF), – 
indica com maior precisão as diretrizes financeiras não apontadas na Lei 
supracitada. O programa estabelece um limite anual de renda bruta no valor de 
R$ 360.000,00 para produtores de baixa renda. 
(...) Este fato é um indício que a classificação geral por si 
só não é capaz de fornecer o suporte necessário à formulação 
de políticas públicas, que precisam de diretrizes e requisitos 
adicionais para delimitar melhor o público de interesse (SILVA, 
2019, p. 182). 
Esse pequeno produtor, seja pelo aspecto da terra ou da renda, encontra 
uma série de dificuldades para manter-se competitivo. Dentre essas 
dificuldades, tem-se o acesso ao crédito e a transferência de tecnologias como 
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%2011.428-2006?OpenDocument
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%2011.428-2006?OpenDocument
 
 
 
136 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
centrais no cenário atual. Ademais, Souza (2000) indica que não basta alocar 
recurso como fator de potencialização de produção e riqueza na agricultura 
familiar. O pequeno produtor, carente de apoio das políticas públicas, precisa 
de apoio para as transferências de tecnologias, e a viabilidade do uso do 
biodigestor como matriz energética. Em uma visão geral, percebe-se que a 
simples disponibilidade de recursos financeiros que são, na maioria dos casos, 
escasso, não possibilita aos diferentes agricultores familiares o sucesso 
econômico com o uso dessas novas tecnologias de produção. 
Para melhor compreensão, pode-se exemplificar um caso concreto 
evidenciado por Souza (2000), em que não basta agregar tecnologia por meio 
de investimentos em uma produção leiteira se não houver uma integração na 
cadeia de consumo, pode ter muito mais produção por um preço muito menor, 
dada a quantidade de produto disponível; por isso é fundamental a definição 
de políticas públicas que considerem a variável investimento tecnológico em 
função de um planejamento integrado. 
Pode-se inferir então, que adianta pouco, para o retorno sobre o valor 
de investimento, alocar recursos sem o devido planejamento. O agronegócio, 
por sua especificidade, consegue resultados melhores por seu volume de 
produção, entretanto, sem diversidade e com alta concentração de renda. A 
significativa presença dos agricultores familiares em determinadas regiões, em 
especial da região Sul, faz com que eles respondam por maior nível 
organizacional, integração com o mercado, capacidade de negociação, 
eficiência tecnológica e, consequentemente, sejam mais capitalizados. Ou seja, 
quando apoiada, a agricultura familiar consegue resultados significativos do 
ponto de vista financeiro e social (SOUZA, 2000). 
Coloca-se, como hipótese intermediária do trabalho, o papel decisivo do 
acompanhamento das transferências de tecnologias. No presente artigo indica-
se que não basta a instalação de uma fonte alternativa de energia na pequena 
propriedade. Faz-se necessário, além do conhecimento e da conscientização 
ambiental, também o preparo para o uso do novo recurso de modo eficiente. 
 
 
 
 
 
137 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
Apesar destas condições favoráveis, nota-se que a 
propagação da tecnologia dos biodigestores rurais no país não 
teve o êxito esperado. Pode-se afirmar que os biodigestores 
rurais apresentam uma má fama na maioria das vezes devido 
a problemas causados por erros de projeto, operação e/ou 
manutenção destas instalações (ANDRADE et al., 2002, p.02) 
Assim, os biodigestores indicados para o pequeno produtor rural como 
busca por fontes alternativas de energia, se inserem no contexto global dos 
desafios pela competitividade e produtividade da agricultura pela busca de 
transferência de novas tecnologias. 
Ressalta-se a necessidade de repensar e planejar uma 
nova matriz energética brasileira, incrementando nesta nova 
matriz - a utilização dos dejetos de animais para a produção de 
energia - mesmo que este potencial energético de aplicação 
não seja muito grande, pois devem ser considerados outros 
aspectos como o ambiental e o social, decisivos na implantação 
desta alternativa. (ANDRADE et al., 2002, p.11) 
 
Uma rápida abordagem histórica aponta que no Brasil, os biodigestores 
rurais tiveram maior desenvolvimento na década de 1980 quando contaram 
com grande apoio dos Ministérios da Agricultura e de Minas e Energia, sendo 
instaladas no país cerca de 8.000 unidades (ANDRADE et al., 2002). A difusão da 
tecnologia dos biodigestores no Brasil enfrenta dificuldades decorrentes por um 
lado, da escassez de recursos financeiros, pelo custo inicial dos biodigestores; 
por outro, da falta de uma mentalidade relacionada com a importância de um 
programa de formação de recursos humanos para dar apoio à sua implantação, 
sendo necessário o acompanhamento da tecnologia adotada. 
 
Ressalta-se a necessidade de repensar e planejar uma 
nova matriz energética brasileira, incrementando nesta nova 
matriz - a utilização dos dejetos de animais para a produção de 
energia - mesmo que este potencial energético de aplicação 
não seja muito grande, pois devem ser considerados outros 
aspectos como o ambiental e o social, decisivos na implantação 
desta alternativa. (ANDRADE et al., 2002, p.12). 
 
 
 
 
138 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
As mudanças energéticas iniciadas no mundo e demandadas pelos riscos 
gerados por energias não renováveis coloca a energia gerada pelas fontes de 
biomassas como alternativa real, demandando pesquisas para potencializar o 
setor. Neste cenário o presente estudo com foco na pequena propriedade 
familiar, reforça que o biodigestor traz grande contribuição. 
A agricultura familiar, com todas as dificuldades, como a obtenção de 
crédito e transferência de conhecimentos e tecnologias para o pequeno 
produtor, apresenta também oportunidades. Assim, procura-se compreender a 
problemática da potencialidade energética da biomassa por meio de um 
biodigestor como fonte de energia para o pequeno produtor rural. 
 
4 CRÉDITO RURAL PARA PRODUTORES 
 
Para que o pequeno produtor rural tenha chances de aumentar sua 
produção, uma das alternativas possível é recorrer às linhas de crédito para 
subsidiar um investimento tecnológico ainda de alto custo. Ou seja, uma vez 
identificado o perfil do pequeno produtor rural, é possível reafirmar que a 
viabilidade para a implementação de biodigestores, perpassa pela necessidade 
de acesso a recursos financeiros, que possibilitem a instalação destas 
ferramentas, de tal maneira que seja viável e acessível para produtores. Assim, 
esta seção tem como intuito demonstrar algumas políticas existentes voltadas 
para o pequeno produtor rural, para investimentosnos métodos de produção, 
melhorando sua eficiência. 
As linhas de crédito são disponibilizadas aos produtores rurais, que por 
motivos diversos, necessitam de complementação financeira para gerir sua 
produção, considerando que a produção desse setor da economia é muito 
vulnerável, tais como clima e pragas, algo que não pode ser controlado pelo 
agricultor e desse modo, imprevistos podem ocasionar uma grande crise 
econômica e de safra (BANCO DO BRASIL, 2004). 
Ao longo do tempo, o Brasil vem incrementando e viabilizando a 
produção agrícola, seja por meio de linhas de crédito ou legislações que os 
valorizem. O caminho para chegar até o patamar atual, com um Produto Interno 
 
 
139 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
Bruto (PIB) significativo de 21,8 % do montante total brasileiro, foi desenvolvido 
por várias ocorrências no país, que se tornaram marcos da agricultura brasileira. 
É necessário ressaltar que até 1965 não havia crédito rural por parte do governo 
brasileiro, sendo apenas o Banco do Brasil, o órgão disponível para esses 
recursos financeiros ao produtor rural, por meio da Carteira de Crédito Agrícola 
e Industrial (CREAI), criada em 1935 (BANCO DO BRASIL, 2004). 
No ano de 1965, foi criado o Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR), 
este constituído por diferentes bancos e órgãos de fomento, como: Banco 
Central do Brasil (Bacen), Banco do Brasil (BB), Banco da Amazônia (Basa), 
Banco do Nordeste (BNB), Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e 
Social (BNDES), bancos privados e estaduais, caixas econômicas, cooperativas 
de crédito rural e sociedades de crédito, todos unidos para concessão de crédito 
ao pequeno e médio produtor rural (BANCO DO BRASIL, 2004). A seguir temos 
a figura da linha do tempo que ilustra as leis e decretos referentes ao crédito 
rural, onde podemos destacar aquelas que estão com o ponto azul, o qual são 
de maior relevância para compreensão do tema. 
 
Figura 9 – Leis e Decretos do Agronegócio Brasileiro 
 
 
Fonte: BANCO DO BRASIL (2004). Adaptado pelo autor. 
 
Os resultados dessas legislações podem ser mensurados também a partir 
da análise do Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB), o qual o agronegócio é 
 
 
 
140 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
responsável por 21,4% em 2019, frente a 21,1% em 2018 de acordo com a 
Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA, demonstrando sua 
grande participação no PIB brasileiro (CNA BRASIL, 2020). 
 
4.1 OBJETIVOS DAS LINHAS DE CRÉDITO 
 
As linhas de crédito, oriundas de bancos particulares ou por meio do 
governo, existem para auxiliar o agronegócio brasileiro com objetivos de: 
estimular o desenvolvimento econômico, o ordenamento da cadeia produtiva, 
favorecer o custeio de produção e comercialização, beneficiar a industrialização 
e incentivar à utilização de tecnologias avançadas. Tais auxílios tem o intuito 
final de aumentar a produtividade e melhoria de vida rural, para pequenos e 
médios produtores e cooperativas agrícolas (BANCO DO BRASIL, 2004; BRASIL, 
2020). 
São diversas as linhas de crédito disponíveis para o agronegócio 
brasileiro, tanto para pecuária quanto para a agricultura e, ao acessar o site do 
Banco Central do Brasil é possível ter conhecimento dos bancos integrantes da 
SNCR. 
Para os agentes financeiros que participam das linhas de créditos rurais 
no Brasil, foi desenvolvido um calendário diferenciado ou comum, utilizado pela 
população e denominado de Plano Safra, o qual tem início em todo dia primeiro 
do mês de Julho e finaliza em 30 de Junho do ano posterior, ou seja, se inicia 
em 01/07/2020 e vai até 30/06/2021, se comparado a atual data da finalização 
dessa revisão bibliográfica e que serão explorados a seguir.. 
 
4.2 LINHAS DE CRÉDITO PARA PEQUENO PRODUTOR RURAL 
 
Para que o produtor rural de pequeno ou médio porte possa ter esse 
aproveitamento e lucro em sua propriedade, quando relacionado ao 
aproveitamento energético oriundo de sua própria produção, ou seja, energias 
renováveis a partir da biomassa, foram levantadas as possibilidades de crédito 
 
 
141 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
e investimento implementação de novas tecnologias, inclusive novas 
alternativas energéticas, em especial a biomassa. 
 Vale destacar primeiramente o perfil do produtor rural, que vai 
determinar diretamente em qual linha de crédito ou custeio ele vai estar 
classificado, sendo basicamente: Programa Nacional da Agricultura Familiar 
(PRONAF), Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (PRONAMP) 
ou demais linhas. 
Os produtores rurais da área de estudo, são aqueles se enquadram no 
PRONAF. Atuam preferencialmente na atividade agropecuária e seu maior 
sustento vem da terra, possuem uma Renda Bruta Anual (RBA) de até 
R$415.000,00 e o trabalho necessita ser predominantemente familiar. Utilizam 
da exploração de terras próprias, arrendatário ou comodatário, podendo 
também ser concessionário do Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA). 
Residam em local próximo aà propriedade rural, ou sobre ela, mas não possuam 
mais que quatro módulos fiscais (hectares). Nesta linha o produtor tem o 
benefício no valor total de R$165.000,00 por ano safra, com prazo para 
financiamento de até 10 anos incluindo carência de até três anos, com juros de 
4,6% a.a. (PENHA, 2020). 
O Sicredi, primeira cooperativa de crédito que surgiu no Brasil, existente 
há 117 anos no mercado, também conta com o Programa de Incentivo à 
Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária ( Inovagro), linha de crédito 
para o Produtor Rural e Cooperativas de associados ao Sicredi que buscam 
melhorias na produtividade rural através da inovação tecnológica. É ideal para 
quem preza pelo meio ambiente e quer lucros para sua produção, sendo que é 
uma linha de financiamento correspondente a implantação de sistemas 
alternativos à produção elétrica, a partir da compatibilidade do projeto com a 
demanda da produção (SICREDI, 2020). 
Esse financiamento pode ocorrer de duas maneiras, sendo por meio: do 
auxílio do BNDES juntamente com um agente financeiro, neste caso através do 
Sicredi, com o crédito denominado BNDES Automático Agropecuário, o qual 
ocorre a apresentação do código Finame; ou de modo direto com a Sicredi, pela 
linha de Investimento Empresarial, a partir da apresentação de um projeto 
 
 
 
142 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
completo para implementação do biodigestor, destacando a necessidade da 
apresentação de um projeto para ambos os tipos de suporte financeiro. 
A maior diferença encontrada nos dois benefícios, até este momento, 
está relacionada ao prazo, que pode ocorrer em cinco anos, pelo Investimento 
Empresarial da Sicredi, ou chegar em 10 anos, a partir da posse do BNDES 
Finame, que trabalha com auxílio na produção e aquisição de máquinas e 
equipamentos nacionais, linha crédito também disponível com auxílio da 
agência financiadora Sicredi. (BNDES, 2020). 
Por meio do Investimento Empresarial da Sicredi, foram levantadas duas 
simulações de financiamento para o projeto de biodigestores rurais, nos valores 
de 100.000,00 reais e 150.000,00 reais respectivamente, demonstrando a 
quantidade de juros e meses de pagamento (em parcelas progressivas) que 
garantem a quitação do custeio para o produtor rural, para ambos foi possível 
o pagamento em 60 meses. 
 
Figura 10 – Simulação para financiamento com crédito de R$100.000,00
 
Fonte: RODRIGUES (2020). 
 
Figura 11 – Simulação para financiamento com crédito de R$150.000,00 
 
Fonte: RODRIGUES (2020). 
 
 
143 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
 
É importante destacar, que a partir do momento que o agricultor instala 
o biodigestor em sua propriedade, sua conta de energia tende a redução, e se 
considerado o período de um ano, a viabilidade econômica é comprovada, 
mesmo com custos de aquisição do biodigestor e sua manutenção, bem como 
o aproveitamento do fertilizanteresultante do processo de fermentação 
(ESPERANCINI, 2007). 
 
4.3 FINANCIAMENTO POR MEIO DO BNDES FINAME 
 
O processo de financiamento do BNDES por meio de instituições 
financeiras credenciadas, pode ocorrer de modo direto, ou de modo indireto, 
que devido o BNDES não possuir agências, necessita de parcerias para exercer 
o papel de agente financiador, sendo possível encontrar uma lista desses 
parceiros a partir do site (BNDES, 2020). 
Na operação direta, é necessário que o pedido seja feito diretamente 
para aprovação o BNDS, através do roteiro de pedido de financiamento online, 
e respeitando o investimento com montante superior a R$ 10 milhões (BNDES, 
2020). 
Já processo de modo indireto, se caracteriza pela aprovação automática 
do BNDES para com a agência financiada (Sicredi, por exemplo), que se 
responsabiliza sobre os riscos da operação e estipula os prazos e as condições 
de pagamento diretamente com o cliente, porém respeitando algumas 
imposições do BNDES e possíveis aprovações. Nesse método de operação 
indireta, ainda existem mais duas modalidades: a denominada automática e a 
não automática. 
A automática, realizada pelo Sicredi, é aquela que exige apresentação do 
código Finame, sem avaliação prévia pelo BNDES, mas que requer a liberação 
dos recursos, de modo que não ultrapasse o limite de R$ 150 milhões (BNDES, 
2020). A Figura 15 representa simplificadamente, através de fluxograma, o 
processo de financiamento com auxílio do BNDES por parceiros credenciados: 
 
 
 
144 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
Figura 12 - Fluxo simplificado do processo de financiamento através do Finame
 
Fonte: BNDES (2020). 
 
Para as operações de financiamento indiretas, as taxas de juros são 
compostas pelo custo financeiro, pela Taxa do BNDES e também pela taxa do 
agente financeiro, seguindo abaixo o melhor exemplo encontrado para explicar 
as taxas de financiamento que são aplicadas no Finame Indireto Automático. 
 
Figura 13 - Taxas para financiamento indireto 
 
Fonte: BNDES (2020). 
 
 
 
 
145 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
 
Na linha de crédito indireta não automática, é necessário apresentar a 
Consulta Prévia, que será encaminhada para análise ao BNDES, pela instituição 
credenciada, demonstrando a operação de financiamento que deseja ser 
realizada nesta linha, que será avaliada individualmente e aprovada ou não pelo 
BNDES, sendo o valor mínimo igual a linha de crédito direta, R$ 10 milhões 
(BNDES, 2020). 
Como podemos observar, existem diferentes modos de adquirir o 
financiamento para implantação de sistema limpo para obtenção de energia 
renovável a partir da biomassa, para isso, a renda do produtor rural e outras 
características já citadas, deverão ser analisadas e comprovadas pelas agências 
financiadoras, para então ser enquadrado em linhas de créditos específicas. 
Mesmo que a aquisição de linhas de crédito rural seja bastante criteriosa, esse 
recurso está presente na maioria das agências de financiamento do Brasil, 
beneficiando o pequeno produtor rural. 
 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Após levantamento bibliográfico, observou-se uma crescente em 
relação às fontes alternativas e renováveis na distribuição energética total, com 
especial destaque para a energia solar, eólica, hidráulica e biomassa. Contudo, 
há de se destacar que a principal matriz energética do país é obtida por meio 
das hidroelétricas, estendendo, portanto, a distribuição destas também para o 
meio rural. 
Contudo, o foco deste estudo, para além de observar as peculiaridades 
do pequeno produtor rural, é também o de encontrar uma matriz que seja 
capaz de prover uma energia de qualidade, com as características preconizadas 
pelo ODS-7. 
Assim, apesar da existência de outras matrizes renováveis e com maior 
adesão e consolidação no mercado, o biodigestor é considerado uma matriz 
limpa e eficiente que merece destaque, dada sua possibilidade em disponibilizar 
 
 
 
146 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
energia elétrica e maximizar os insumos que poderiam ser descartados, 
reutilizando, inclusive, os dejetos orgânicos animais. 
Ainda que esta matriz apresente maior custo para implementação 
quando comparado às outras matrizes, a energia obtida por biomassa e 
biodigestor proporcionam melhor reuso dos insumos, tornando esta matriz a 
que melhor se adequa à ODS7 em relação ao pequeno produtor rural. 
Não obstante, observou-se durante a elaboração deste trabalho a 
necessidade de melhores políticas públicas de informação tanto sobre a 
existência destas tecnologias ao pequeno produtor, bem como de incentivo à 
divulgação, em arenas nos quais os produtores possam conhecer experiências 
compartilhadas, seja por meio de cooperativas, dias de campo ou até mesmo 
iniciativas das Universidades, por meio de projetos de extensão. 
O conhecimento sobre a existência destas tecnologias são ainda mais 
facilitados, uma vez que, as fontes de financiamento destinadas à produção 
rural (inclusive com taxas de juros com subsídio do governo) já existem. Porém, 
são pouco exploradas para adoção de novas matrizes energéticas. 
Outrossim, é condição indispensável o treinamento e informação por 
parte dos colaboradores das agências bancárias sobre a existências das linhas 
de crédito direcionadas ao produtor rural, compreendendo que estes são os 
intermediários responsáveis por conectar formas de viabilização financeira 
junto aos produtores. 
O presente artigo reitera, por fim, a existência de créditos destinados ao 
pequeno produtor rural, inclusive os que possibilitam financiamentos de longo 
prazo para investimentos em tecnologias, inclusive de biodigestores. Apesar do 
custo total ainda elevado para a implementação desta matriz, observa-se um 
payback favorável não somente ao pequeno produtor, mas também ao meio 
ambiente, com alta consonância com os objetivos propostos pela ODS. 
Por consequência, o presente estudo compreende como necessário a 
disseminação da informação quanto à existência destas tecnologias, bem como 
das linhas de créditos dirigidas para o desenvolvimento do agronegócio, algo 
que perpassa, obrigatoriamente, pelo devido treinamento dos stakeholders e o 
consequente conhecimento da existências destes programas por parte dos 
 
 
147 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
pequenos produtores, ações estas cruciais para que matrizes de energia limpa 
e renováveis sejam uma realidade mais frequente no agronegócio brasileiro. 
 
REFERÊNCIAS 
ALVES, J. E. D. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS): boa intenção, grande ilusão. 
Ecodebate, 2015. 
ALVES, S. M.; MELO, C.F.M.; WISNIEWISKI, A. Biogás: uma alternativa de energia no meio rural. 
Belém, EMBRAPA/CPATU, 1980. 
ANDION, C.; Análise de redes e desenvolvimento local sustentável. Rio de Janeiro, Revista de 
Administração Pública RAP, 37(5):1033-54, Set./Out. 2003. 
ANDRADE, M. A. N., RANZI, T. J. D., MUNIZ, R. N. et al. Biodigestores rurais no contexto da atual 
crise de energia elétrica brasileira e na perspectiva da sustentabilidade ambiental. In: Encontro de 
Energia no Meiro Rural 4., 2002, Brasil. Anais... Campinas, 2002. p. 12. 
ANNEL – Agência Nacional de Energia Elétrica. Atlas de energia elétrica do Brasil. Brasília, 2002. 
AQUINO, G. T. et al. O uso do biogás no âmbito rural como proposta de desenvolvimento 
sustentável. Revista Científica da Faculdade de Educação e Meio Ambiente, Ariquemes, 5(1): p. 
140-149, jan-jun. 2014. 
 
ARRUDA, M. H.; AMARAL, L. De L.; PIRES, O. P. J.; BARUFI, Charles R.V. Dimensionamento de 
Biodigestor para Geração de Energia Alternativa. Revista científica eletrônica de Agronomia, 
Garças, ano 1, n. 2, 2002. 
BANCO DO BRASIL – BB . Diretoria de Agronegócio. O Agronegócio Brasileiro Desempenho, 
Mercados e Potencialidades. Revista de Política Agrícola. Ano XIII - Nº - Out./Nov./Dez. 2004. 
Disponível em: <https://seer.sede.embrapa.br/index.php/RPA/article/view/585/535>.Acesso em: 
3 jun. 2020. 
BANCO NACIONAL DO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL – BNDES. Finame. Brasília, 2020. 
Disponível em: <https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/finame>. 
Acesso em: 28 mai. 2020. 
______ .Formas de Apoio. Disponível em: 
<https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/guia/formas-de-apoio>. 
Acesso em: 28 mai. 2020. 
______ .Taxa de Juros. Disponível em: 
<https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/guia/taxa-de-juros>. Acesso 
em: 29 mai. 2020. 
https://seer.sede.embrapa.br/index.php/RPA/article/view/585/535
https://seer.sede.embrapa.br/index.php/RPA/article/view/585/535
https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/finame
https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/guia/formas-de-apoio
https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/guia/taxa-de-juros
 
 
 
148 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
BARRERA, P.; Biodigestores - Energia, Fertilidade e Saneamento Para Zona Rural – São Paulo – 
Ícone, 1993. 
BAUMGARTEN, M. Conhecimento, planificação e sustentabilidade. São Paulo em Perspectiva, v. 16, 
n. 3, p. 31-41, 2002. 
BENINCASA, M.; ORTOLANI, A.F.; LUCAS JUNIOR, J. Biodigestores convencionais. Jaboticabal, 
FUNEP, 1991. 25p. 
BOND, T. & TEMPLETON, M. R. History and future of biogasplants in the developing world. Energy 
for Sustainable Development, n. 15, p. 347-354, 2011. 
 
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente (MMA). Lei n. 11.428, de 22 de dezembro de 2006. Dispõe 
sobre a utilização e proteção da vegetação nativa do Bioma Mata Atlântica, e dá outras 
providências. Brasília, DF, 2006. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-
2006/2006/Lei/L11428.htm>. Acesso em: 03/06/2020. 
BRETON, J. et al. Renewable energy sourses and Technologies on farm systems: focusingon 
Dasihscenario. The Royal Veterinary end agricultural University, Denmark: Department of 
Agricultural Sciences, 2004. 
CARDOSO, B. M. Uso da Biomassa como Alternativa Energética. Tese (Doutorado) — Universidade 
Federal do Rio de Janeiro, 2012. 
CARVALHO, P. G. M.; BARCELLOS, F. C. Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio - ODM: uma 
avaliação crítica. Sustentabilidade em Debate, v. 5, n. 3, p. 222-244, set./dez. 2014. 
COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO. Nosso Futuro Comum. 2 ed. 
Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1991. 
CONCESSIONÁRIA ENERGISA – O sistema de bandeiras tarifadas. Disponível em: 
<https://www.energisa.com.br/Paginas/informacoes/taxas-prazos-e-normas/bandeiras-
tarifarias.aspx>. Acesso em: 04 jun.2020. 
COSBEY, A. Trade, sustainable development and a green economy: Benefits, challenges and risks. 
The Transition to a Green Economy: Benefits, Challenges and Risks from a Sustainable Development 
Perspective, p. 40, 2011. 
CUNHA, Guilherme Farias et al . Princípio da precaução no Brasil após a Rio-92: impacto ambiental 
e saúde humana. Ambient. soc. São Paulo , v. 16, n. 3, p. 65-82, 2013. 
CUNHA, R. S.; Posicionamento de transformadores para a melhoria de instalações elétricas em 
propriedades rurais. Dissertação de Mestrado, UFU. Uberlândia, 2004. 
DEUBLEIN, D.; STEINHAUSER, A. Biogas from waste and renewable resources. Weinheim: WILEY-
VCH Verlag GmbH & Co. KGaA, 2008. 
DIAS, M.I.A; COLEN, F; FERNANDES, L.A; SOUZA R.M; BUENO, O.C. Viabilidade econômica do uso do 
biogás proveniente da suinocultura, em substituição a fontes externas de energia. Revista Energia 
na Agricultura. v. 28, n. 3, p. 155-164, 2013. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11428.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11428.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11428.htm
 
 
149 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
EPE –EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA. Balanço Energético Nacional. Ministério de Minas e 
Energia. Rio de Janeiro, 2013. 
EPE –EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA. Balanço Energético Nacional. Ministério de Minas e 
Energia. Rio de Janeiro, 2012. 
EPE –EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA. Balanço Energético Nacional. Ministério de Minas e 
Energia. Rio de Janeiro, 2017. 
ESPERANCINI, Maura S. T. et al . Viabilidade técnica e econômica da substituição de fontes 
convencionais de energia por biogás em assentamento rural do Estado de São Paulo. Eng. Agríc., 
Jaboticabal , v. 27, n. 1, p. 110-118, abr. 2007. Disponível em 
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-
69162007000100004&lng=pt&nrm=iso>. Acesso: em 15 set. 2020. 
FACULDADE CNA – CNA BRASIL. PIB do Agronegócio cresce 2,42% no 1° bimestre de 2020. 
Disponível em:< https://www.cnabrasil.org.br/boletins/pib-do-agronegocio-cresce-2-42-no-1-
bimestre-de-2020>. Acesso em: 28 mai. 2020. 
FARIA, G. M.; Gestão de projetos de geração sustentável de energia em propriedade rural. 2017. 
Disponível em: <http://pmkb.com.br/uploads/26111/gp-de-geracao-sustentavel-de-energia-em-
propriedade-rural.pdf>. Acesso em: 22 mai. 2020. 
FREITAS, G.C.; DATHEIN, R. As energias renováveis no Brasil: uma avaliação acerca das implicações 
para o desenvolvimento socioeconômico e ambiental. Revista Nexos Econômicos, v. 7, n. 1, p. 71-
94, 2013. 
GASPAR, R. M. B. L. Utilização de biodigestores em pequenas e médias propriedades rurais, com 
ênfase na agregação de valor: um estudo de caso na região de Toledo-PR. Florianópolis, 
Universidade Federal de Santa Catarina, Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, 
Dissertação de Mestrado, 106p. 2003. 
GOLDEMBERG, J.; LUCON, O. Energia e meio ambiente no brasil. Estudos avançados, SciELO Brasil, 
v. 21, n. 59, p. 7–20, 2007. 
GUARDABASSI, P. M. Sustentabilidade da biomassa como fonte de energia: perspectivas para 
países em desenvolvimento. Universidade Estadual de São Paulo. São Paulo, 2006. 
 
HALL, D. O.; HOUSE, J. I.; SCRASE, I.; Overview of Biomass Energy. In. ROSILLO-CALLE, F., BAJAY, S. 
V. e ROTHMAN, H. Industrial Uses of Biomass Energy: the example of Brazil. Londres – New York: 
Taylor & Francis, 2000 (capítulo 1). 
 
HERÁCLITO. Fragmentos. In: Os Pré-Socráticos. Trad. José Cavalcanti de Souza et al. São Paulo, Abril, 
1989. 
HERRERA, A. O. Recursos minerales y los limites dei crescimento econômico. Buenos Aires: Editora 
Siglo XXI, 1974. 
IEA – Agência Internacional de Energia (IEA). Nuclear Power: Sustainability, Climate Change and 
Competition. Paris: IEA/OECD, 1998. 
 
 
 
150 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
LANDAU, E. C. (Org.). Concentração geográfica da agricultura familiar no Brasil. In.: EMBRAPA. 
Documentos Embrapa, n. 155, Agosto de 2013. 
LIMA, A. Consumo e Sustentabilidade: Em busca de novos paradigmas numa sociedade pós-
indutrial. In: Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI (Fortaleza/CE). Florianópolis: Fundação 
Boiteux, 2010. 
NUNES, E. P.; CONTINI, E. Complexo Agroindustrial Brasileiro. Caracterização e dimensionamento. 
Brasília: Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), 2001. 
OLIVEIRA, A. P.; MENDES, K. P. Economia e os mercados florestais: diagnóstico preliminar e 
perspectivas do setor florestal na geração de energia no Brasil. Monografia, III Prêmio Serviço 
Florestal Brasileiro em Estudos de Economia e Mercado Florestal. Salinas, 2016. 
OLIVEIRA, A. S., RIBEIRO, L. S. Ciclo do MDL e Implicações no Aproveitamento Energético do Biogás 
a partir de Resíduos Sólidos. Biogás – Pesquisas e Projetos no Brasil / CETESB, Secretaria do Meio 
Ambiente. São Paulo, 184 p. SMA, 2006. 
 
ONU. Nações Unidas.Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Brasília, 2015. Disponível 
em: <https://nacoesunidas.org/acao/meio-ambiente/> . Acessado em 2 de junho de 2020. 
______ . Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.Brasília, 2000.Disponível em: Disponível em: 
<https://nacoesunidas.org/acao/meio-ambiente/>. Acessado em: 20 de maio de 2020. 
PENHA, T. G. Crédito Rural [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por: 
<tiago.guerreiro@gmail.com> em 13 jun. 2020. 
 
PHILIPPI, A.; SOBRAL, M.; FERNANDES,V.; ALBERTO, C. Desenvolvimento sustentável, 
interdisciplinaridade e Ciências Ambientais. Revista Brasileira de Pós-Graduação, v. 10, n. 21, 14 
fev. 2014. 
RATTNER, H. O esgotamento dos recursos naturais: catástrofe interdependência?. Rev. adm. 
empresas., São Paulo , v. 17, n. 2, p. 15-21, 1977. 
REIS, L. B.; SILVEIRA, S.; Energia Elétrica para o Desenvolvimento Sustentável: Introdução para uma 
Visão Multidisciplinar. 2.ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo,2001. 
REN 21 – Renewable Energy Policy Network for the 21st Century. Energias Renováveis. Relatório da 
situação mundial, 2016. 
RODRIGUES, S. Simulação de Crédito [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por: 
<samira_rodrigues@sicredi.com.br> em 8 jun. 2020. 
SANTOS, A. A.; BALBINO, F. C.; ESTEVAM, C. R. N. Modelo Matemático para Análise da Viabilidade 
Econômica de Instalação de Biodigestores em Propriedades Rurais Destinadas a Ordenha de 
Bovinos. 2015. Disponível em: <http://cdsid.org.br/sbpo2015/wp-
content/uploads/2015/08/143020.pdf>. Acesso em: 30 mai. 2020. 
 
SILVA, R. P. Agropecuária patronal e familiar: diferença entre e dentro dos grupos. In: PARRA, R. A., 
et al. Direito Aplicado ao Agronegócio. Uma abordagem multidisciplinar. Londrina, PR: Editora 
Thoth, 2019. Cap. 7, p. 173-191. 
 
 
151 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
SISTEMA DE CRÉDITO COOPERATIVO – SICREDI. Inovagro. Disponível em: 
<https://www.sicredi.com.br/html/para-seu-agronegocio/credito/inovagro/>. Acesso em: 27 mai. 
2020. 
______ .Investimento Agropecuário. Disponível em: <https://www.sicredi.com.br/html/para-seu-
agronegocio/credito/investimento-agropecuario/>. Acesso em: 27 mai. 2020. 
SOUZA, P. M. Modernização e mudanças estruturais na agricultura brasileira, 1970 a 1995. UFV, 
2000. 318 f. Tese (Doutorado em Economia Aplicada) - Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, 
2000. 
UNDP, UNDESA, WEC World Energy Assessment. ISBN 9211261260. Nova Iorque, 2000. 
 
 
https://www.sicredi.com.br/html/para-seu-agronegocio/credito/inovagro/
https://www.sicredi.com.br/html/para-seu-agronegocio/credito/investimento-agropecuario/
https://www.sicredi.com.br/html/para-seu-agronegocio/credito/investimento-agropecuario/
https://www.sicredi.com.br/html/para-seu-agronegocio/credito/investimento-agropecuario/
 
 
 
152 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
 
 
153 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
 
CAPÍTULO 5 
___________________________________ 
 
 
 
INSETOS: ALIMENTO SUSTENTÁVEL 
PARA NUTRIÇÃO ANIMAL 
 
 
 
 
Ariane Flávia do Nascimento21 
Andressa Santanna Natel 22 
Fábio dos Santos Corsini 23 
Eric Ribeiro Madureira 24 
Diego Vicente da Costa 25 
 
 
 
 
 
 
 
21 Profa. Dra. do Instituto Federal de Minas Gerais, Campus Bambuí. E-mail: 
ariane.nascimento@ifmg.edu.br 
22 Profa. Dra. da Universidade José do Rosário Vellano. E-mail: andressa.natel@unifenas.br 
23 Prof. Dr. do Instituto Federal do Sul de Minas Gerais, Campus Machado. E-mail: 
fabio.corsini@ifsuldeminas.edu.br 
24 Mestrando pela Universidade Federal de Minas Gerais, Campus Montes Claros. E-mail: 
eric.rmbh@gmail.com 
25 Prof. Dr. da Universidade Federal de Minas Gerais, Campus Montes Claros. E-mail: 
diego2@ufmg.br 
 
 
 
 
154 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
RESUMO 
Insetos constituem parte da alimentação natural de várias espécies de animais, 
como aves, suínos, peixes, cães e gatos, e são uma boa fonte de proteínas, 
gorduras, vitaminas, fibras e minerais para os animais. Dada a crescente 
demanda mundial por proteína animal e a veemente busca por recursos 
alimentares sustentáveis e que substituam parcial ou integralmente os 
ingredientes convencionalmente utilizados na nutrição animal, algumas 
espécies de insetos alimentícios têm se destacado. De modo geral, insetos se 
reproduzem e crescem com facilidade em cativeiro, podem se alimentar de 
resíduos orgânicos, têm baixa demanda por água e energia quando comparados 
a outras espécies de animais, e não exigem terras agricultáveis em sua 
produção. Os insetos podem ser fornecidos vivos, inteiros desidratados ou em 
forma de farinha, dependendo do nível tecnológico da produção e dos objetivos 
do fornecimento na alimentação animal. Nos últimos anos, diversos estudos 
científicos têm demonstrado o imenso potencial do uso de insetos e seus 
produtos na alimentação animal. Desse modo, a entomocultura, ou seja, a 
produção de insetos em cativeiro, tem se firmado como uma nova cultura 
zootécnica, atraindo a atenção de acadêmicos e empreendedores ao redor do 
mundo. Nesse capítulo será discutida a importância dos insetos como fonte de 
alimento sustentável, as principais espécies de insetos alimentícios utilizadas, 
os efeitos da inclusão de insetos na alimentação de animais não-ruminantes, 
bem como o panorama regulatório mundial dessa nova e disruptiva fonte de 
alimentação animal. 
 
PALAVRAS-CHAVE: Alimento alternativo. Insetos alimentícios. Proteína animal. 
Sustentabilidade. 
 
 
 
155 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
1 INTRODUÇÃO 
 
Com uma população em crescimento, estimada em 9,7 bilhões de 
habitantes até 2050, o aumento na produção de alimentos e rações resultará 
em uma pressão ainda maior sobre o meio ambiente. Os sistemas de produção 
atuais incorrerão em escassez de recursos naturais (terras cultiváveis, água, 
florestas, recursos pesqueiros e de biodiversidade), além de nutrientes e fontes 
não renováveis energia. Estratégias emergentes para contrastar essa tendência 
e soluções viáveis são discutidas em todo o mundo. A sustentabilidade dos 
sistemas de produção e processamento de alimentos baseados em baixas 
emissões de gases de efeito estufa, uso eficiente de matérias-primas e 
minimização de resíduos tornou-se uma prioridade. 
A indústria global de carne tem sido questionada por ser responsável por 
pelo menos 20% das emissões de gases de efeito estufa (GEE) pelo homem e, 
em geral, é uma prática insustentável. Vinte e seis por cento das terras sem gelo 
do planeta são usadas para pastagem de gado e 33% das terras cultivadas são 
usadas para produção de ração animal. A alimentação dos animais de produção 
é um ponto crucial a ser trabalhado dentro da sustentabilidade, já que 
representa de 40 a 70% dos custos de produção e contribui significativamente 
com a pegada de carbono da carne convencional. A conclusão inevitável é que 
essas opções de proteínas são uma das maneiras menos ecológicas de se obter 
nutrientes. Neste cenário, onde se projeta uma ameaçadora crise global, os 
"insetos comestíveis" (IC) podem ser um ingrediente essencial para atravessá-
la, criando fontes alternativas de alimentos. 
Insetos podem ser cultivados em terras não agricultáveis possibilitando 
a produção de alimento em áreas improdutivas. Além disso, demandam pouca 
energia e água para sua produção, comparados a outras proteínas de origem 
animal, não competem por recursos alimentares com humanos e são capazes 
de eficientemente transformar resíduos orgânicos de baixa qualidade em 
biomassa de alto valor nutricional. Existem mais de 1900 espécies de insetos 
com potencial para utilização na alimentação animal e humana, que 
representam uma ampla possibilidade para mitigar a fome e questões 
ambientais relacionadas às atividades intensivas tradicionais. Nos últimos anos, 
 
 
 
156 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
os insetos foram reconhecidos como uma importante fonte de matérias-primas 
sustentáveis para a alimentação animal e como são consumidos naturalmente 
por muitas espécies incluindo peixes, aves e suínos, podemos assumir que estes 
animais estão evolutivamente adaptados a utilizá-los como alimento. 
Embora os níveis de nutrientes variem de acordo com a espécie, os IC’s 
geralmente apresentam alto teor de proteína, gordura, vitaminas, fibras e 
minerais. Assim, as fontes de insetos poderiam ser alternativas, principalmente, 
para a diminuição do uso de farinha/óleo de peixe e soja, ingredientes pouco 
sustentáveisdas rações. Antes de incorporar qualquer espécie de inseto em 
uma dieta, é necessário determinar a composição exata do inseto, que varia de 
acordo com o táxon, seu estágio de vida específico, condições de criação e dieta 
e compará-la com os requisitos da espécie de interesse. Uma ração balanceada 
resultará em um melhor desempenho e higidez dos animais, independente da 
espécie. 
Vale ressaltar também que algumas espécies de insetos, além de serem 
ótima fonte de nutrientes, possuem compostos antimicrobianos, de 
importância para melhoria da resposta imune dos animais e até mesmo 
aumento da vida de prateleira de rações com contém farinha de insetos. 
Os insetos têm ciclos curtos de reprodução e exibem uma taxa de 
crescimento notavelmente elevada que reflete uma eficiência muito alta na 
conversão de alimento em biomassa corporal. O uso de terra, necessário para 
a produção de insetos, é mínimo e otimizado por sua capacidade de converter 
resíduos orgânicos em biomassa de alto valor agregado. 
Os insetos são uma fonte de alimento ambientalmente sustentável, com 
uma pegada de carbono significativamente menor em comparação à produção 
de outras fontes de proteína. A quantidade de alimento necessária para obter 
1 kg de carne, ou, equivalentemente, um aumento de peso de 1 kg, depende 
significativamente da espécie e do sistema de produção adotado. Por serem 
heterotérmicos, os insetos convertem seus alimentos em energia com muito 
mais eficiência. Estima-se que são necessários 2,5 kg de ração para frangos, 5 
kg para suínos e até 10 kg para bovinos e apenas 1,7 kg para os grilos ganharem 
1 kg de peso. 
 
 
157 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
A maioria das espécies de IC criadas comercialmente, como tenébrio 
comum (Tenebrio molitor), o tenébiro gigante (Zophobas morio), grilo 
doméstico (Acheta domesticus), o grilo preto (Grillus assimilis), a mosca-soldado 
negra (Hermetia illucens) e o gafanhoto (Locusta migratoria), são mais 
sustentáveis em termos de emissões diretas de GEE e de produção de amônia 
quando comparados a outras espécies animais. A emissão de GEE em 
equivalentes de CO2 por quilograma de ganho de massa, as emissões das 
espécies de IC já estudadas são, no geral, muito menores do que para suínos e 
aves e apenas 1% da emissão gerada por ruminantes. Mesmo quando 
comparados com a soja, o uso de terra necessário para a produção deste 
ingrediente, faz com que ele tenha uma maior pegada de GEE que os insetos. 
Os níveis de emissão de NH3 também são inferiores aos da pecuária 
convencional e o ganho médio de peso/dia é maior, indicando que os insetos 
poderiam servir como uma alternativa mais ambientalmente amigável para a 
produção de proteína animal da perspectiva das emissões de GEE e NH3. Além 
disso, os insetos têm um maior rendimento, com um maior peso comestível 
após processamento, gerando menos resíduos. 
Os sistemas de produção devem se adequar ao ambiente circundante, 
levando em devida conta a limitação de seus recursos, de forma resiliente e 
inovadora. É certo que a eficiência de conversão alimentar, a pegada ambiental 
notavelmente vantajosa, combinados ao valor nutricional dos insetos os tornam 
um alimento sustentável para a nutrição animal. Assim, a produção de insetos 
pode contribuir significativamente para o desenvolvimento das sociedades que 
virão, preenchendo a atual lacuna da produção animal. O caminho para uma 
economia moderna em resposta à grande demanda e às questões ambientais 
deve estender a pecuária intensiva aos insetos e considerá-los na alimentação 
animal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
158 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
2 ESPÉCIES DE INSETOS COMESTÍVEIS 
 
O uso de IC na alimentação de animais de produção é uma área da 
ciência relativamente incipiente quando comparada a própria área da ciência 
que trata da produção desses animais. Devido ao crescente número de 
trabalhos desenvolvidos na área muitos resultados promissores têm sido 
observados. Do ponto de vista mercadológico a atual produção de IC ainda está 
muito aquém de suprir a demanda de proteína animal. No entanto, já é possível 
usufruir de benefícios dos IC através da incorporação como suplementos em 
etapas específicas do processo produtivo. Cabe apenas que o 
pesquisador/produtor observe adequadamente as questões pontuais ou 
individuais de cada localidade, situação e/ou setor produtivo. 
Dentre as espécies de IC, 80% pertencem as ordens Coleoptera 
(besouros), Hymenoptera (formigas, abelhas), Orthoptera (gafanhotos e grilos) 
e Lepidoptera (lagartas), enquanto os demais 20% compreendem as ordens 
Hemiptera (cigarras, pulgões), Isoptera (cupins), Diptera (moscas) entre outras 
(LAVALETTE, 2013). Poucas dessas ordens, no entanto, estão sendo 
amplamente pesquisadas, devido algumas peculiaridades de certas espécies, 
que as tornam mais promissoras que outras, para a atual utilização de IC na 
nutrição animal. Embora existam milhares de espécies de insetos alimentícios 
catalogadas ao redor do mundo, poucas são as comercialmente produzidas em 
cativeiro para fins de alimentação animal, tais como grilos, besouros, baratas e 
moscas. 
 Lepidoptera, Coleoptera e Diptera são mais comumente consumidas 
na fase larval, enquanto as demais são geralmente consumidas na fase adulta 
(YI et al., 2013). A priori, a fase adulta apresenta mais praticidade em sua 
colheita enquanto a fase larval pode apresentar melhor perfil nutricional. Entre 
as fases larval e adulta, para algumas espécies, há ainda as fases de pré-pupa e 
pupa, a exemplo da mosca-soldado negra, que na fase de pré-pupa, apresenta 
duas vantagens, menor risco de patogenicidade, por esvaziar seu trato digestivo 
e, por possuir um comportamento de migração, que foi adaptado para sua auto-
colheita em sistemas de escala industrial (DANIELI et al., 2019). 
 
 
 
159 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
3 USO DE INSETOS NA AQUICULTURA 
 
As principais fontes de proteína e lipídios utilizadas nas rações para 
organismos aquáticos provém da soja e de peixes. As alternativas mais 
estudadas para estes ingredientes são algas, microalgas, bactérias, subprodutos 
de animais e insetos (LOCK et al., 2018). Um grande número de espécies de 
insetos pode ser considerado como fonte de proteínas e lipídios para os peixes 
e outros organismos aquáticos, já que fazem parte da dieta natural destes. 
Porém, os insetos que vêm sendo estudados para aquicultura representam 
espécies que podem ser produzidas em larga escala, como o Tenebrio molitor, 
Hermetia illucens e Musca domestica (SOGARI et al., 2019). Os resultados dos 
estudos existentes diferem, dependendo do organismo aquático, níveis e tipos 
de inclusão do inseto e formulação da ração. 
Em um levantamento realizado por Vasconcelos (2019) foi constatado 
que dietas contendo níveis de até 25% de substituição da farinha de peixe 
podem sem utilizadas sem afetar negativamente o desempenho em 
crescimento, eficiência alimentar, composição muscular dos peixes e 
coeficiente de digestibilidade da proteína e extrato etéreo (EE). Dietas contendo 
níveis de substituição da farinha de peixe em até 50% não causaram efeitos 
adversos na histologia, resposta imunológica, parâmetros hematológicos e 
enzimas do estresse oxidativo. É importante ressaltar que os parâmetros são 
influenciados pela espécie de inseto, fase de desenvolvimento ou substrato de 
criação, tipo de processamento, conteúdo de quitina e a espécie de organismo 
aquático testada. 
Sabe-se que, mais importante que as quantidades totais de nutrientes 
presentes em um alimento para peixes, saber o quanto esses alimentos são 
digeridos e utilizados metabolicamente pelos animais é de suma importância. 
Fontes et al. (2019) avaliaram o valor nutricional e o coeficiente de 
digestibilidade aparente dos nutrientes e energia de cinco espécies de insetos 
para alevinos de tilápia do Nilo. Os peixes foram alimentadoscom dietas 
contendo farinha de barata cinérea (Nauphoeta cinerea), farinha de larva de 
tenébrio gigante (Zophobas morio), farinha de larva de tenébrio comum 
(Tenebrio molitor), farinha de barata de Madagascar (Gromphadorhina 
 
 
 
160 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
portentosa) e farinha de grilo (Gryllus assimilis). De modo geral, todas as 
espécies de insetos avaliadas apresentaram potencial para serem utilizadas 
como alimento alternativo para alevinos de tilápia do Nilo. No entanto, a farinha 
de larvas de tenébrio comum apresentou o melhor coeficiente de 
digestibilidade aparente dos nutrientes dentre as espécies insetos estudadas. 
O perfil de aminoácidos da maioria dos insetos mostra boa correlação 
com as exigências nutricionais dos peixes e camarões, embora em alguns casos 
haja necessidade de suplementação de metionina e lisina (HENRY et al., 2015; 
PANINI et al., 2017; MASTORAKI et al., 2020). O alto teor e o perfil de lipídios 
das larvas de insetos podem afetar negativamente o desempenho e o perfil de 
ácidos graxos da carne dos peixes. St-Hilaire et al. (2007) investigaram o uso de 
pré-pupa de H. illucens com gordura total na substituição parcial de farinha e 
óleo de peixe na dieta de truta arco-íris (Oncorhynchus mykiss). A farinha foi 
incluída em dois níveis (15% e 30%), levando a uma substituição de farinha de 
peixe de 25% e 50% e a uma substituição de óleo de peixe 36% e 72%, 
respectivamente. Não foram relatadas diferenças significativas no desempenho 
dos peixes no nível mais baixo de inclusão, levando a uma diminuição 
representativa no uso de farinha e óleo de peixe na alimentação das trutas. 
Os principais insetos utilizados na aquicultura apresentam 
majoritariamente ácidos graxos saturados (especialmente ácido láurico) e 
ácidos graxos monoinsaturados. Os ácidos graxos poli-insaturados (PUFA) 
ômega-3 (n-3), especialmente EPA (C20: 5) e DHA (C22: 6), são essenciais para 
o crescimento e a reprodução ideais em peixes e camarões (TOCHER, 2015). É 
possível incorporar ácidos graxos n-3 da dieta na gordura larval, mas quando as 
larvas ganham peso, a porcentagem desses ácidos graxos diminui. Assim, o 
potencial para substituição ao óleo de peixe parece pequeno, mas é uma 
alternativa aos óleos vegetais (EWALD et al., 2020). O uso das farinhas 
desengorduradas permite o maior controle dos ácidos graxos da dieta, porém 
aumenta os custos do processamento. Os resultados sugerem que a farinha de 
larva de H. illucens parcialmente desengordurada é uma fonte alternativa de 
proteína válida e pode substituir até 50% da farinha de peixe na alimentação da 
truta arco-íris (40% de inclusão na dieta) sem prejudicar os índices 
organossomáticos nem o rendimento dos filés. No entanto, aumentou o EE e 
diminuiu a quantidade de ácidos graxos poli-insaturados no filé, este efeito não 
 
 
161 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
foi observado quando o nível de substituição foi de 25% (20% de inclusão). Os 
autores sugerem uma alimentação estratégica rica em PUFA na fase pré-abate 
para contornar este problema (RENNA et al., 2017). 
Tubin et al. (2020) verificaram que é possível incluir 10% de farinha de T. 
molitor em dietas para juvenis de tilápia criados em sistemas de bioflocos sem 
prejuízo no desempenho zootécnico, composição da carcaça, índices somáticos 
e hematológicos. Níveis acima de 10% precisam ser cuidadosamente avaliados, 
pois podem impactar a sobrevivência e comprometer a qualidade nutricional 
da carcaça. 
Lira (2015), avaliou a farinha de larvas de T. molitor na alimentação de 
juvenis de tambaqui (Colossoma macropomum). As variáveis do desempenho 
produtivo (Ganho de Peso, Ganho de Peso Diário, Conversão Alimentar 
Aparente, Taxa de Crescimento Específico, Taxa de Crescimento Relativo, Taxa 
de Eficiência Proteica, Índice Hepato-somático, Índice Víscero-somático, Fator 
de Condição e Taxa de Sobrevivência) não diferiram estatisticamente entre os 
tratamentos, quando incluídos níveis crescentes (10, 20 e 30%) de farinha de T. 
molitor em relação à ração controle. Os níveis de inclusão não afetaram os 
indicadores de crescimento dos peixes, nas condições experimentais do estudo. 
Zarantoniello et al. (2020) avaliaram a biomassa H. illucens em zebrafish 
(Danio rerio), um importante modelo para organismos aquáticos. Os resultados 
mostraram que a substituição de 50% da farinha de peixe pela farinha de inseto 
representou o melhor resultado, quando considerada a sustentabilidade dos 
ingredientes e o crescimento e bem-estar adequado dos peixes. Peixes 
alimentados com maiores inclusões (75 e 100%) apresentaram um grau severo 
de esteatose hepática, modificação de microbiota, maior conteúdo lipídico, 
modificação do perfil de ácidos graxos e maior expressão de marcadores de 
estresse e de resposta imune. A substituição da farinha de peixe pela inclusão 
de 15% de farinha de H. illucens e T. molitor não afetou o crescimento, a taxa 
de sobrevivência ou a altura das vilosidades do esturjão siberiano (Acipenser 
baerii). A inclusão de H. illucens na dieta parece favorecer positivamente a 
composição da microbiota intestinal e a morfologia intestinal sem alterações 
negativas na altura das vilosidades (JÓZEFIAK et al., 2019). 
 
 
 
162 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
Como os insetos são ricos em quitina, sua utilização em rações tem sido 
associada a efeitos prébióticos, aumentando bactérias comensais benéficas, 
como Pseudomonas sp. e Lactobacillus sp., que por sua vez, melhoram o 
desempenho e a saúde em alguns peixes (BRUNI et al., 2018). A modificação na 
microbiota pode alterar a atividade enzimática intestinal, aumentando a 
proliferação de bactérias produtoras de lipases e quitinases (HUYBEN et al., 
2019). Apesar disso, os efeitos benéficos da quitina dependem da espécie, o 
bacalhau do Atlântico (Gadus morhua) e várias espécies de ciprinídeos 
demonstraram taxas de crescimento aumentadas em dietas com níveis 
variáveis de quitina, enquanto os híbridos de tilápia (O. niloticus × O. aureus) e 
a truta arco-íris têm taxas de crescimento diminuídas (PERRY et al., 2020). A 
substituição total da farinha de peixe pela farinha de H. illucens não 
comprometeu a saúde intestinal do salmão do Atlântico (Salmo salar) (LI et al., 
2016). 
Mastoraki et al. (2020), utilizaram farinha de T. molitor, H. illucens e M. 
domestica (7,8%) na alimentação de camarões do báltico (Palaemon 
adspersus), em dietas à base de farinha de peixes e farinha de soja. A inclusão 
de H. illucens nas dietas de farinha de peixe resultou em um maior desempenho 
e maior taxa de sobrevivência. O desempenho não foi afetado pela inclusão de 
insetos nas dietas à base de farinha de soja, mas a sobrevivência foi maior nas 
dietas de inclusão de tenébrio e H. illucens. Os autores concluíram que as 
combinações de farinha de peixe- H. illucens e farinha de soja- T. molitor podem 
ser usadas para a criação de camarão do Báltico. Ainda, foi observado um 
aumento da atividade da glutationa redutase nos camarões alimentados farinha 
soja- H. illucens, aumentando a atividade antioxidante. A qualidade nutricional 
da parte comestível dos camarões não foi afetada pela inclusão de farinha de 
insetos nas dietas experimentais e foi semelhante ou superior aos valores 
encontrados nas populações selvagens de P. adspersus. 
Motte et al. (2019), formularam rações isoproteicas e isoenergéticas 
com farinha de larva de T. molitor para camarão branco do pacífico (Litopenaeus 
vannamei). A ração com insetos melhorou o desempenho de crescimento e 
conversão alimentar dos camarões (50% da substituição da farinha de peixe). 
Além disso, os camarões alimentados com ração a base de inseto tiveram taxas 
de sobrevivência maiores quando desafiados a bactérias patogênicas (Vibrio 
 
 
163 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
parahaemolyticus), reduzindo a imunossupressão. Os autoresconcluíram que a 
ração com adição de T. molitor é uma alternativa adequada à farinha de peixe 
na produção comercial de camarão devido ao alto valor proteico e à presença 
de quitina/outras substâncias bioativas que auxiliam no combate a infecção por 
patógenos. 
A farinha de barata cinérea (Nauphoeta cinérea) foi testada na 
alimentação de rãs-touro (Lithobates catesbeianus). Não houve diferença 
significativa para peso final, consumo de ração e comprimento de vilosidade 
intestinal com a inclusão da farinha. O ganho de peso médio foi maior nos 
tratamentos com inclusão de 12,5 e 25%, concluindo-se que a inclusão de 
farinha de inseto na dieta de rã-touro é uma alternativa de ingrediente proteico 
promissor para a ranicultura (FERREIRA, 2020). 
Por fim, um estudo de Maiolo et al. (2020) analisou algumas alternativas 
para a farinha de peixe na ração: biomassa de algas, farinha de larva de H. 
illucens e farinha de subprodutos de frango. Os efeitos ambientais foram 
avaliados considerando cinco impactos: aquecimento global (kg CO2 eq.), 
acidificação (kg SO2 eq.), eutrofização (kg PO4-3 eq.), uso cumulativo de energia 
(MJ) e uso de água (m3 m− 2 meses− 1) como variáveis. Avaliando o ciclo de vida 
como indicador de sustentabilidade, o ranking baseado em desempenho 
indicou os cenários de subprodutos de frango e farinha de inseto como as 
opções mais sustentáveis. 
 
4 O USO DE INSETOS NA ALIMENTAÇÃO DE AVES 
 
 Os IC’S podem ser fornecidos em forma de farinha, inteiros, 
desidratados ou até mesmo vivos, sendo esse último relativamente comum em 
produção de aves caipiras ou semiconfinadas por exemplo, para diminuir a 
bicagem de penas, melhorar o bem-estar animal ou diminuir o estresse 
ambiental nesse setor (ODDON et al., 2019; VELDKAMP; VAN NIEKERK, 2019). 
Os insetos constituem boa fonte de aminoácidos para aves. De Marco 
(2015) observou um coeficiente de digestibilidade ileal aparente (CDIA) para a 
metionina de 0.80 nas farinhas de mosca soldado negra e Tenebrio molitor. Vale 
 
 
 
164 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
ressaltar que essas espécies apresentam quantidade de metionina maior que as 
proteínas de origem vegetal usadas comumente na avicultura (BARROSO et al., 
2014). 
 Al-Qazzaz et al., (2016) obtiveram melhora significativa na aparência, 
textura e sabor dos ovos de codornas com a inclusão de mosca-soldado negra 
na dieta das aves. A inclusão de 25% e 50%, quando comparadas à dieta 
controle, também melhoraram a qualidade dos ovos, mais especificamente 
com ovos de maior massa, melhor aparência, textura e sabor. As pré-pupas de 
mosca-soldado negra também foram consideradas altamente palatáveis para 
codornas, que apresentaram maior preferência pela farinha de inseto quando 
comparada a ração a base de trigo e soja fornecida ad libidum (RUHNKE et al., 
2017). A inclusão de mosca-soldado negra também teve efeito sobre a 
modulação da micrbiota intestinal e seus respectivos metabólitos em codornas 
de postura (BORRELLI et al., 2017), além de afetar positivamente os produtos 
da fermentação microbiana, tais como o ácido butírico, propiônico e acético, 
regulando a mucosa intestinal e melhorando o metabolismo sistêmico (PTAK et 
al., 2015). Ademais, esses produtos, como o butirato por exemplo, podem 
apresentar efeitos inibidores de virulências e patogenicidades bacterianas 
(POLANSKY et al., 2016). 
Outro elemento a favor da utilização da pré-pupa de mosca-soldado 
negra na avicultura é sua riqueza de ácido láurico (C12:0), de melhor e mais 
rápida absorção que ácidos graxos de cadeia longa, além de efeitos 
nutracêuticos (SALOMONE et al., 2017; SPRANGHERS et al., 2017). Também 
foram observados efeitos prebióticos na microbiota (DEVI et al., 2014) e efeitos 
antibióticos sobre bactérias causadoras de doenças gastrointestinais, devido a 
dominância de bactérias gram-positivas no início do intestino delgado 
(SKŘIVANOVÁ et al., 2006). Schiavone et al., (2019) encontraram melhora no 
peso final de carcaça em frangos de corte alimentados com 10% de substituição 
de soja por mosca-soldado negra. 
 A inclusão de farinha de grilo doméstico na dieta de codornas foi capaz 
de satisfazer as exigências nutricionais para essa espécie, especialmente para 
aminoácidos, com forte influência positiva no sistema imune (ABBASI et al., 
2014). Com codornas mais saudáveis também há melhoras em índices de 
produtividade (PERMATAHATI et al., 2019). 
 
 
165 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
A substituição total de farinha de peixe por farinha de grilo doméstico na 
dieta de codornas de postura aumentou a produção e qualidade dos ovos (peso 
total, peso da clara e textura da casca) apesar de afinar um pouco a espessura 
da casca (PERMATAHATI et al., 2019). A espessura da casca do ovo depende 
diretamente do peso e tamanho final deles (DUMAN et al., 2016). Jayanegara 
et al. (2017) utilizaram farinha de grilo doméstico com 6.59% de lisina e 1.88% 
de metionina, o que melhorou significantemente novos parâmetros de ovos 
avaliados, como a coloração da gema, também de interesse mercadológico. 
Resultado explicado pelos autores devido às altas concentrações de xantofilas 
disponíveis nessa dieta, uma das principais divisões do grupo dos carotenoides 
(WIRYAWAN et al., 2016). 
 O Tenebrio molitor também é uma espécie de IC com grande potencial 
de uso na alimentação de aves. O óleo desse inseto pode substituir totalmente 
o óleo de soja na nutrição de frangos de corte adultos, sem efeitos adversos em 
digestibilidade ou performance (KIERONCZYK et al., 2018a). Em estudo prévio, 
Bovera et al. (2016) identificaram um aumento significativo no comprimento 
intestinal de codornas de postura jovens alimentadas com esse inseto, mas não 
na forma de óleo. Frangos de corte apresentaram preferência por farinha de 
tenébrio comparado aos ingredientes convencionais (milho e soja) e 
melhoraram a eficiência alimentar, de acordo com Nascimento Filho et al. 
(2020). 
O CDIA de 17 aminoácidos testados por Valencia (2009), foi maior para 
Tenebrio molitor que para a mosca-soldado negra. O CDIA do Tenebrio molitor 
para todos os aminoácidos essenciais foi maior que 0.80, enquanto alguns não 
essenciais apresentaram valores superiores aos da soja ou outras fontes 
proteicas analisadas. Já a energia metabolizável aparente (EMA) foi 
relativamente igual, tanto para Tenebrio molitor quanto para a mosca-soldado 
negra em frangos de corte, sendo superiores aos alimentos convencionais da 
avicultura (SAUVANT et al., 2004). 
 Bovera et al. (2015) observou melhora no desempenho produtivo de 
frangos de corte quando alimentados com Tenebrio molitor. Resultados 
semelhantes foram encontrados por Loponte et al. (2017). Esses autores 
também obtiveram melhora no peso final, ganho de peso e consumo de ração. 
Também foi observado efeito positivo no perfil de ácidos graxos da carne do 
 
 
 
166 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
peito das aves alimentadas com Tenebrio molitor. Biasato et al. (2017) 
substituíram o milho e soja por Tenebrio molitor em dietas de frangos de corte 
e obtiveram também maior rendimento de carcaça. 
Em síntese, o uso de insetos na alimentação de aves é promissor do 
ponto de vista nutricional e ambiental. Cabe aos atores da cadeia produtiva 
envidarem esforços para que haja quantidade e qualidade de insetos 
disponíveis para uso na nutrição avícola a preços competitivos com outras 
commodities no mercado. 
 
5 INSETOS NA ALIMENTAÇÃO DE SUÍNOS 
 
O uso de IC como fonte de proteína animal na alimentação de suínos é, 
também, considerado uma abordagem promissora e sustentável (ALLEGRETTI 
et al., 2018; MATISSE et al., 2016), nutricionalmente favorável, ricos em 
proteína, com adequado perfil de aminoácidos e lipídios (MAKKAR, 2018), 
apresentam compostos ativos, como peptídeos antimicrobianos e quitina 
(GASCO; FINKE; VAN HUIS, 2018) e, além disso,podem ser usados na 
bioconversão de resíduos, constituindo uma nova abordagem de economia 
circular sustentável (MENEGUZ et al., 2018). No entanto, ainda são poucos os 
estudos que avaliaram o uso de insetos na alimentação de suínos (CROSBIE et 
al., 2020). 
Na literatura podemos encontrar estudos sobre desempenhos, 
digestibilidade e saúde intestinal de suínos alimentados com dietas com 
inclusão de Bombyx mori (ZHANG; ZHOU , 2002), Tenebrio molitor (CHEN et al., 
2012; JI et al., 2016; JIN et al., 2016), Musca domestica (JI et al., 2016; TAN et 
al., 2020) e Hermetia illucens (NEWTON et al., 1977; VIROJE-
WANASITHCHAIWAT, 1989; DRIEMEYER, 2016; VELTEN et al., 2017; 
SPRANGHERS et al., 2018; ALTMANN et al., 2019; BIASATO et al., 2019; CHIA et 
al., 2019; CROSBIE et al., 2020, TAN et al., 2020). 
O uso de H. illucens na dieta de suínos recebeu uma atenção especial nos 
últimos anos, embora não seja um conceito inteiramente novo. A mais de 
quatro décadas, Newton et al. (1977) relataram que a adição de larvas de H. 
 
 
167 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
illucens na dieta de suínos apresentou digestibilidade aparente semelhante à 
do PB do farelo de soja e, atualmente, Crosbie et al. (2020) sugerem que farinha 
de larva de H. illucens pode ser alternativa proteica adequada para inclusão em 
dietas suínas, pois apresenta lisina ileal digestível padronizada (LIDP) alta para 
a maioria dos aminoácidos (AA), apesar de fornecer, em geral, menos proteína 
digestível que o farelo de soja. 
Em suíno o requerimento de proteína na dieta está relacionado às 
necessidades de LIDP (Stein et al., 2001) com proporções de outros aminoácidos 
essenciais em relação à lisina (NRC, 2012). No estudo de Crosbie et al. (2020) foi 
demonstrado que farinhas de larva de H. illucens (36,5% desengordurada e 50% 
engordurada) são fontes razoáveis de Lisina digestível para suínos em 
crescimento, com digestibilidade ileal padronizada de lisina (média 88%) tão 
alta quanto para farelo de soja (LIDP 89%; NRC, 2012), e maior que de fonte de 
proteínas tradicionais de origem animal, como farinha de sangue (LIDP de 84%; 
KERR et al., 2019) e farinha de peixe (LIDP de 86%; NRC, 2012). 
TAN et al. (2020), usaram a digestibilidade ileal padronizada para 
determinar a disponibilidade de AA nas dietas de suínos contendo farinha de 
M. domestica e H. illucens como única fonte de nitrogênio, observaram que a 
farinha de M. domestica apresentou coeficiente de digestibilidade ileal 
padronizada (CDIP) de todos os AA superior, variando de 0,870 a 1,608, 
comparado aos da farinha de H. illucens, que variaram de 0,767 a 1.177. A 
maior digestibilidade ileal de AA da farinha de M. domestica pode ser devido ao 
maior conteúdo de PB (53% vs 43%, farinha de M. domestica e H. illucens, 
respectivamente) (TAN et al., 2020). Além disso, diferentes concentrações de 
quitina em farinha de inseto também podem ter influência na digestibilidade 
do AA nas dietas (MARONO et al., 2015). 
Biasato et al. (2019) observaram que leitões aceitaram prontamente as 
dietas com inclusão de 0, 5 e 10% de farinha de H. illucens em substituição a 0, 
30 e 60% do farelo de soja, não sendo observado efeitos sobre a digestibilidade 
da dieta, nem ganho de peso dos animais, indicando a inclusão de 10% de 
farinha de H. illucens para leitões pós desmama. Da mesma forma, Spranghers 
et al. (2018) não constatou efeito na digestibilidade dos nutrientes e 
desempenho de leitões desmamados alimentados com dietas incluindo farinha 
de larva de H. illucens engordurada (4% e 8%) e desengordurada (5,4%). Na 
 
 
 
168 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
substituição gradual (0, 25, 75 e 100%) de farinha de peixe por farinha de larva 
de H. illucens engordurada Chia et al. (2019) concluíram que é possível uma 
substituição completa entre as fontes de proteína, sem efeitos adversos sobre 
o desempenho e características sanguíneas de suínos em crescimento. 
Zhang e Zhou (2002) apresentaram evidências de que a inclusão de 
Bombyx mori na dieta de suínos em crescimento aumentou o ganho de peso em 
23,6% e diminuiu o período de acabamento. Suínos alimentados com M. 
domestica (JI et al., 2016) não apresentaram diferença no desempenho e na 
digestibilidade ileal aparente de aminoácidos, exceto para metionina. A 
inclusão de níveis crescente de T. molitor (0%; 1,5%; 3,0%; 4,5% e 6,0%), em 
substituição ao farelo de soja e óleo de soja na dieta de suínos pós-desmama, 
possibilitou um aumento linear da digestibilidade da matéria seca (MS) e da PB, 
o que resultou em melhora no desempenho sem qualquer efeito na resposta 
imune (JIN et al., 2016) corroborando os estudos de Chen et al (2012), que 
também observaram um aumento linear no peso final e ganho de peso de 
leitões desmamados com inclusão de até 6% de farinha de T. molitor. Os 
resultados heterogêneos de desempenho podem estar relacionados ao valor 
nutritivo da farinha de inseto, que pode ser influenciada pelas espécies, pelo 
estágio de vida do inseto (adulto, larva ou pupa) e pelo substrato de criação de 
insetos (SÁNCHEZ-MUROS et al., 2015). 
De acordo com Jin et al. (2016), o aumento linear na ingestão diária de 
suínos com a inclusão crescente de farinha de larvas de T. molitor pode ser 
atribuído a melhor palatabilidade relacionada a inclusão de T. molitor. Newton 
et al. (1977) relataram que leitões não apresentaram diferença no consumo 
diário de dietas com farinha de larva H. illucens (33%, 169g/dia) comparado a 
dieta com farelo de soja (25,5%, 175 g/dia), concluindo que as dietas compostas 
com farinha de H. illucens são palatáveis. 
Altmann et al. (2019) avaliaram a substituição o farelo de soja das dietas 
de suínos em crescimento e terminação por 50, 75 e 100% de farinha de H. 
illucens (parcialmente desengordurada; 61% de PB e 14% de lipídios) e não 
observaram efeito negativo na qualidade da carne. Para os parâmetros 
sensoriais os mesmos autores constataram aumento na suculência da carne de 
animais alimentados com proteína de inseto, o que pode afetar positivamente 
a preferência do consumidor por esses produtos (AASLYNG et al., 2007). A carne 
 
 
169 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
dos suínos alimentados com farinha de larva de H. illucens apresentaram níveis 
significativamente mais altos de ácidos graxos poliinsaturados (PUFA) e cinco 
vezes mais ácido láurico que a carne dos animais controle (ALTMANN et al., 
2019). 
O nível nutricional (quantidade e qualidade da dieta) é um dos fatores 
que podem afetar a fisiologia dos animais, incluindo parâmetros sanguíneos 
(AJAO et al., 2013). Driemeyer (2016) e Jin et al. (2016) não observaram 
diferença nas concentrações de IgG, IgA e IgM em leitões alimentados com 3,5% 
de farinha de H. illucens e 6% de farinha de larva de T. mollitor, 
respectivamente. Todos os parâmetros hematoquímicos registrados para 
leitões, alimentados com 30 e 60% de farinha de larva de H. illucens 
parcialmente desengorduradas, no estudo de Biasato et al. (2019), estiveram 
dentro dos intervalos de referência fisiológicos relatados para suínos 
(FRIENDSHIP et al., 1984), sugerindo que a utilização de dietas com insetos não 
influenciou negativamente o estado de saúde dos animais. 
Em aves e suínos de corte, peptídeos antimicrobianos melhoram o 
desempenho, a digestibilidade dos nutrientes e a saúde intestinal, alteram 
positivamente a microbiota intestinal e a função imunológica (WANG et al., 
2016), com baixo risco de resistência bacteriana (CHERNYSH et al., 2015). Os 
insetos possuem uma variedade de peptídeos antibacterianos induzíveis que 
são produzidos na presença de ataque ou infecção (SHEPPARD et al., 
1994). Spranghers et al. (2018) relataram efeitos antimicrobianos intestinais 
em leitões desmamados alimentados com farinha de larva de H. illucens. 
Redução acentuada na diarreia de leitões entre 15 à 28 dias foi observado por 
Jin et al. (2016)quando os animais foram suplementados com 5% de farinha de 
T. molitor, M. domestica ou Zophobas morio. Os autores atribuem esses 
resultados ao efeito peptídico antimicrobiano das farinhas de insetos. 
A quitina é um prebiótico conhecido por modular a microbiota intestinal 
benéfica em animais (BORRELLI et al., 2017). O estudo de Xu et al. (2012) indicou 
que a quitosana, um derivado desacetilado da quitina, pode inibir a proliferação 
de E. coli no intestino e melhorar a microflora intestinal de suínos pós-
desmama. Yuanqing et al. (2013) recomendou 500 mg / kg de quitosana como 
antibiótico substituto em suínos desmamados. Contudo, ainda há muito 
 
 
 
170 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
trabalho a ser feito para chegar à produção de antimicrobianos a base de 
insetos em larga escala para aplicação na pecuária (JÓZEFIAK; ENGBERG, 2017). 
No momento, o uso de insetos na alimentação animal enfrenta um 
desafio econômico, pois a inclusão da farinha de inseto como fonte de proteína 
na dieta de suínos é inviável em termos de custo, devido à falta de 
infraestrutura para suportar a produção. De acordo com Crosbie et al. (2020) a 
farinha de H. illucens desengordurada, em uma base por kg, teria que ser 
aproximadamente metade do preço do farelo de soja para fornecer LIDP pelo 
mesmo custo, em relação a diferença relativa no fornecimento de LIDP entre 
ambas as fontes proteicas. Portanto, é mais apropriado explorar os benefícios 
funcionais dos insetos, até que a infraestrutura exista para produzir em maior 
escala. (BIASATO et al., 2019; CROSBIE et al., 2020). 
 
6 INSETOS NA ALIMENTAÇÃO DE PET 
 
O Brasil é o terceiro maior país em população total de animais de 
estimação, são 55,1 milhões de cães, 40 milhões de aves canoras e ornamentais, 
24,7 milhões de gatos, 19,4 milhões de peixes e mais 2,4 milhões de outros 
animais, como pequenos mamíferos e repteis (ABINPET, 2020). A crescente 
população de animais de estimação, tem estimulado pesquisas para fontes 
alternativas de proteína de alta qualidade e sustentáveis para a produção de 
ração (MCCUSKER et al., 2014; LERICHE et al., 2017a). Neste sentido, o uso de 
farinha de insetos tem elevado potencial para nutrição de cães e gatos. 
A farinha de insetos apresenta alta qualidade nutricional e pode 
substituir, com sucesso, ingredientes usados na produção de ração (como o 
farelo de soja e farinha de peixe). As espécies Tenebrio molitor, Hermetia 
illucens e Musca domestica são as principais espécies recomendadas para 
produção de ração comercial para peixes (ver sessão “Uso de insetos na 
aquicultura”). Na produção de ração para aves destacam-se as espécies H. 
illucens, Acheta domesticus e T. molitor (ver sessão “Espécies de insetos 
comestíveis e uso na avicultura”). Estudo direcionados para nutrição de cão e 
gato (KILBURN et al., 2020; LEI et al., 2019; KIEROŃCZYK et al., 2018b; LERICHE 
 
 
171 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
et al., 2017ab; LISENKO, 2017; BOSCH et al., 2014, MCCUSKER et al., 2014) 
apontam o uso das espécies H. illucens, A. domesticus, T. molitor, Gryllodes 
sigillatus e Zophobas morio, em razão da alta digestibilidade de nitrogênio (N), 
maior composição de AA limitantes, presença de Taurina e efeito antioxidantes. 
Insetos são comumente consumidos por felinos selvagens em todo o 
mundo contribuindo com até 6% de sua dieta total (PLANTINGA et al., 2011). 
Gatos adultos apresentam um requerimento proteico mínimo de 16%, 
necessidade de ingestão de dez AA essenciais, arginina, histidina, isoleucina, 
leucina, lisina, metionina, fenilalanina, treonina, triptofano e valina, além disso, 
apresentam necessidades diárias de taurina (NRC, 2006). 
 De acordo com Morris et al. (1990), baixas concentrações de taurina 
no sangue ou no plasma de carnívoros estritos, têm sido diretamente 
relacionadas à degeneração retinal e cardiomiopatia, tornando a taurina um AA 
essencial para gatos (NRC, 2006). As concentrações mínimas de inclusão de 
taurina na dieta de felinos recomendadas vão de 0,1 a 0,20 % (MS) (AAFCO, 
2013) e 0,2 a 0,25 % (MS) (FEDIAF, 2008). Os insetos são ótima fonte de taurina, 
no estudo de McCusker et al. (2014) os autores observaram uma variação de 
taurina de 0,19 mg/g de MS em larvas de H. illucens a 6,22 mg / g de MS em 
Chondracanthus spp. Finke (2002) relatou uma concentração de 1,4 mg/ g da 
MS de taurina em grilos A. domesticus adultos. Em relação aos dez AA 
essenciais, H. illucens e Chondracanthus spp, assim como os demais insetos 
avaliados por McCusker et al. (2014) excederam os requisitos mínimos 
preconizados para cães e gatos no NRC (2006). 
Há poucos estudos sobre a digestibilidade da proteína em felinos in vivo, 
Lisenko (2017) não observou diferença no coeficiente de digestibilidade na 
inclusão de 7,5% e 15% da farinha de barata de Madagascar Gromphadorhina 
portentosa (87,4%), barata cinérea Nauphoeta cinerea (88,2%) e tenébrio 
gigante Zophobas morio (88%) em substituição à uma dieta referência 
convencional (87,5%). Também não foram notadas diferenças na consistência 
das fezes, que permaneceram sólidas e consistentes, tampouco na microbiota 
fecal e em parâmetros sanguíneos. A autora conclui que a inclusão de até 15% 
de farinha de insetos na dieta de gatos adultos é segura. 
 
 
 
172 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
Leriche et al. (2017a) avaliaram a tolerância digestiva de gatos adultos 
alimentados com dieta seca contendo farinha de T. molitor como fonte de 
proteína. Os autores relataram que não houve mudança no escore fecal (sem 
desenvolvimento de diarreia), na quantidade e no odor fecal. A dieta foi 
considerada palatável por 74% dos tutores e, sobre a pelagem, 70% dos tutores 
relataram que permaneceu inalterada e 26% que a dieta a melhorou. 
Com relação aos cães, na Europa 12 alimentos secos para cães a base de 
insetos estão registrados, o primeiro foi lançado em 2015. Todos os 12 
alimentos são classificados como hipoalergênicos e oito deles trazem em seu 
rótulo o selo de sustentabilidade (BEYNE, 2018), o que demonstra o avanço do 
uso de insetos na alimentação canina. 
Bosch et al (2014) simularam o processo digestivo canino para avaliar a 
digestibilidade da proteína e AA essenciais de larvas de M. domestica, T. molitor, 
Alphitobius diaperinus, Zophobas morio, H. illucens e insetos adultos de A. 
domesticus, Eublaberus distante, Blaberus craniifer e Blaptica dubia, 
comparando com alimentos de referência (farinha de carne, farinha de peixe e 
farelo de soja). Os autores concluíram que o teor de proteína bruta (70,6%) e o 
perfil de AA (todos acima do requerimento do NRC, 2006) era mais elevados em 
A. domesticus, igualando-se ao da farinha de peixe (71% PB), porém, com 
digestibilidade de N maior (91,7%) que a F. peixe (85,7%). 
Para alimentos extrusados com farinha de H. illucens parcialmente 
desengordurado (30% PB) ou T. molitor (30% PB), as digestibilidades aparentes 
da proteína foram 83,9 e 83,6% da ingestão em cães e 79,8 e 80,4% em gatos, 
respectivamente (VSP, 2017). 
Ao avaliar beagles alimentados com dieta contendo 0, 8, 16 e 24% de 
farinha de G. sigillatus em substituição a farinha de carne de frango, Kilburn et 
al. (2020) observaram uma redução na digestibilidade da matéria seca (média 
85,9%), proteína (média 84,3%), lipídeos (média 95,5%) e fibra (média 50,4%) 
das dietas com farinha de inseto em comparação a dieta controle (88,9, 88,2, 
96,4 e 57,5%, respectivamente), atribuindo a maior quantidade de fibra na 
farinha de inseto, proveniente da quitina (DUMAS et al., 2018). Contudo, a 
digestibilidade aparente da MS de todos os tratamentos neste estudo foi 
 
 
173 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
superior 80%, o que é comparável aos alimentos industrializados para cães 
(CASTRILLO et al., 2001). 
Lei et al. (2019) estudaram a inclusão de 0%,1% e 2% de farinha de H. 
illucens na dieta de Beagle (19% PB)e observaram aumento da digestibilidade 
da MS (71,9, 74,5 e 75,2%, respectivamente) e do N (73,1, 77,1 e 78,5%, 
respectivamente), sem alterar a digestibilidade do EE (média 78,8%). O perfil 
lipídico no sangue dos beagles também não foi influenciado pela inclusão de 
farinha de H. illucens, indicando que não houve efeito prejudicial no 
metabolismo lipídico dos cães. Além disso, foi observado uma redução linear na 
concentração de TNG-α (13,6, 12,6 e 7,4 pg/mL) e aumento linear na 
concentração de Glutationa peroxidase (42,1, 50,9 e 83 nmol/min/mL) 6 horas 
após a alimentação com a inclusão de farinha de H. illucens (0, 1 e 2% 
respectivamente). A superprodução de TNF-α (citocina pró-inflamatória) tem 
efeitos negativos na integridade intestinal e na função epitelial (YU et al., 2017; 
XU et al., 2018), assim sua redução pode indicar que houve diminuição na 
intensidade do processo inflamatório induzido por lipopolissacarídeo 
bacteriano (LEI et al, 2019). Já o aumento na concentração da enzima glutationa 
peroxidase pode sugerir que a inclusão de H. illucens melhorou a capacidade 
antioxidante, em razão da presença de quitina (KHOUSHAB; YAMABHAI, 2010; 
NGO; KIM, 2014). 
 A quitina não é digerível por cães, mas a quitosana sim (Okamoto et al., 
2001). Insetos são fonte de quitina, alguns gêneros de grilo podem apresentar 
4,3 a 7,1% da MS das fibras na forma de quitina e 2,4 a 5,7% (peso seco) em 
quitosana (IBITOYE et al., 2018). A quitosana pode atuar como prebiótico, 
auxiliando na modulação da microbiota intestinal (STULL et al., 2018). Lisenko 
(2017) não observou diferença na microbiota intestinal de cães alimentados 
com farinha de insetos (G. portentosa, N. cinérea e Z. morio) em comparação a 
dieta controle. Jarett et al. (2019) observaram que o uso de níveis crescentes 
de farinha de G. sigillatus (0, 8, 16 e 25% em substituição a farinha de carne de 
frango) suportam o mesmo nível de diversidade microbiana que uma dieta 
saudável balanceada padrão, portanto, o impacto da farinha de insetos na 
capacidade funcional do microbioma intestinal é correspondentemente 
pequeno. 
https://doi.org/10.1016%252FS0144-8617%252800%252900229-0
https://doi.org/10.1016%252FS0144-8617%252800%252900229-0
https://doi.org/10.1088%252F1748-605X%252Faa9dde
https://doi.org/10.1038%252Fs41598-018-29032-2
 
 
 
174 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
Lemos et al. (2020) avaliaram os parâmetros hematológicos e 
bioquímicos de cães sem raça definida após a inclusão de farinha da larva de T. 
molitor em diferentes níveis ( 0%, 2,5%, 5% e 7,5%) e não observaram diferenças 
significativas entre os tratamentos nos parâmetros avaliados (hemograma 
completo, contagem diferencial leucocitária, ureia, creatinina, alanina 
aminotransferase, fosfatase alcalina, colesterol, proteínas totais e frações, 
glicose, triglicérides, proteína C reativa, fibrinogênio e imunoglobulinas). 
No geral, a inclusão de insetos na alimentação não afetou 
negativamente a saúde aparente do animal de estimação em estudos com 
duração de 15 dias (LISENKO, 2017), 28 dias (LERICHE et al., 2017a, 2017b), 29 
dias (KILBURN et al., 2020) ou 42 dias (KRÖGER et al., 2017; LEI et al., 2019). 
Contudo, o impacto do consumo de insetos na saúde a longo prazo é 
desconhecido. 
O cheiro do alimento desempenha papel fundamental na indicação de 
preferências nutricionais canina (HOUPT et al., 1978). Kierończyk et al. (2018b) 
realizaram uma análise da atratividade olfativa de alimentos à base de T. 
molitor, Shelfordella lateralis, H. illucens e Gryllodes sigillatu comparado a uma 
ração granulada seca comercial para cães e observaram um efeito positivo de T 
molitor, bem como de S. lateralis, na melhora da atratividade. Os autores 
atribuíram a preferência as substâncias olfativas presentes nos insetos, assim 
como ao valor nutricional, visto que T. molitor (58,8%) e S. lateralis (73,4%) 
apresentam maior teor de proteína bruta comparados a H. illucens (40,4%) e 
Gryllodes sigillatu (56,4%) e dieta comercial (28,6%). Desta forma, os insetos 
podem desempenhar uma alternativa para aditivos aromáticos comerciais na 
nutrição canina. 
Para outros animais de estimação podemos citar a venda de insetos vivos 
usados como nutrição para exóticos, como anfíbios, répteis e roedores e, em 
alguns casos, insetos na forma seca ou liofilizada são incluídos nas dietas 
comerciais para aumentar a atratividade nas dietas de animais de companhia 
(KIEROŃCZYK et al., 2018b). Para pequenos mamíferos, Marciano et al. (2019) 
não constataram diferença na digestibilidade aparente da proteína em coelhos 
da raça Lionhead alimentados com dieta contendo 20% de farinha de T. molitor 
(18% PB) em substituição total ao farelo de soja (18% PB), nem no consumo dos 
animais (76 vs 79 g/dia, respectivamente), o que denotou boa aceitabilidade. 
 
 
175 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
7 VIABILIDADE DO USO DE INSETOS NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL 
 
Como vimos até este momento, sustentabilidade é um termo 
extremamente significativo e o equilíbrio do tripé em que se constrói esse 
conceito (social, econômico e ambiental) é constantemente buscado (FAO, 
2018; TROELL et al., 2014). Com base em todas as premissas propostas, 
considerar os possíveis riscos no emprego dos insetos na alimentação animal é 
de extrema importância. Através de experiências já vividas em outros países é 
possível conhecer os riscos já evidenciados além de permitir ações mais 
assertivas frente a esses desafios (LÄHTEENMÄKI‐UUTELA et al., 2017). A busca 
pela produção de uma boa fonte de alimento que atenda as demandas 
nutricionais propostas por órgãos reguladores internacionais têm fomentado a 
pesquisa científica mundial e os insetos têm recebido uma significativa atenção 
(FAO, 2013; TROELL et al., 2014). 
Utilizar insetos como suplementação alimentar animal é considerado, 
para a maioria dos países, como uma nova abordagem de alimentação e esse 
emprego pode variar de acordo com o país em questão. Questões culturais 
podem obstaculizar seu uso na alimentação humana, mas pesquisas têm 
demonstrado que isto não chega a ser um impeditivo para o seu uso na 
alimentação de alguns animais como peixes e aves (SOGARI et al., 2019; 
SOGARI; MENOZZI; MORA, 2017). Em contrapartida a aceitação diminui quando 
se trata da aplicação deste tipo de alimento para porcos e gado (FARIA 
DOMINGUES et al., 2020; MANCUSO; BALDI; GASCO, L., 2016). A utilização de 
insetos na alimentação animal é válida, mas todos os riscos devem ser 
considerados buscando um nível de segurança alimentar aceitável (NAYAK; 
WATERSON, 2019; RAAMSDONK, VAN et al., 2017). 
 
7.1 UNIÃO EUROPEIA 
 
A União Europeia (UE) é formada pela união de 27 países europeus (UE, 
2020). Dentro dos limites da UE, a Autoridade de Segurança Alimentar Europeia 
(European Food Safety Authority – EFSA) é incumbida de avaliar os riscos da 
 
 
 
176 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
utilização de insetos na alimentação animal (EFSA, 2015a, 2015b; FINKE et al., 
2015; PARLAMENTO EUROPEU, 2002). Segundo parecer da EFSA, riscos 
caracterizados como alergênicos, químicos, biológicos e, também, riscos 
ambientais com a criação destes insetos podem ser significativos. Tudo 
dependerá do inseto utilizado e das metodologias aplicadas no processo de 
produção do produto (EFSA, 2015a). De maneira geral, a EFSA determina um 
conjunto de insetos permitidos os quais devem ser criados segundo parâmetros 
pré‐definidos (COMISSÃO EUROPEIA, 2017a). 
O Regulamento 2017/1017 permite a utilização de insetos desde que 
eles sejam reconhecidos como seguros e não apresentem riscos patogênicos 
para o ser humano e outros animais (COMISSÃO EUROPEIA, 2017b). Um dos 
principais motivos de controle na UE é controlar e erradicar doenças como 
algumas encefalopatias espongiformes transmissíveis de insetos (COMISSÃO 
EUROPEIA, 2017a; MARBERG; KRANENBURG, VAN; KORZILIUS,2017). 
Atualmente os insetos permitidos são as espécies de grilo (Acheta domesticus, 
Gryllodes sigillatus, Gryllus assimilis), a larva‐da‐farinha ou tenébrio comum 
(Tenebrio molitor), a larva do cascudinho (Alphitobius diaperinus), a mosca-
soldado negra (Hermetia illucens), e a mosca doméstica (Musca domestica) 
(COMISSÃO EUROPEIA, 2017a; SOGARI et al., 2019). 
 
7.2 CHINA 
 
O consumo de insetos para alimentação humana na China já data de mais 
de 2000 anos (FENG et al., 2018). Apesar deste cenário de consumo humano o 
país possui uma regulamentação específica quanto ao seu uso na produção de 
ração exigindo que novos ingredientes possuam autorização específica. 
Independente da grande experiência com o tema, questões sobre segurança 
alimentar, apesar de serem consideradas seguras no país, ainda não foram 
amplamente exploradas (FENG et al., 2018). Na China essas regulamentações 
são realizadas pela Administrative Measures for Feed and Feed Additives 
(LÄHTEENMÄKI‐UUTELA et al., 2017). 
 
 
177 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
Todos os aditivos a serem inseridos na alimentação animal precisam ser 
autorizados pelos órgãos governamentais. Todos os materiais, após autorizados, 
são inseridos no Catálogo de Materiais para Ração (Feed Materials Catalogue – 
FMC) e todos os órgãos estão subordinados ao Departamento Administrativo 
Agrícola (Agricultural Administrative Department). Dentro de províncias há 
governanças locais que supervisionam seguindo regulamentações nacionais de 
licenças para fabricação e padrões de rotulagem e higiene (BYRNE, 2018; 
LÄHTEENMÄKI‐UUTELA et al., 2017). 
 
7.3 COREIA DO NORTE E COREIA DO SUL 
 
Em diversos países asiáticos a entomofagia é comumente aceita. É 
comum encontrar este tipo de produtos nos mercados locais. As duas Coreias, 
a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, possuem origens similares que se separaram 
devido aos conflitos armados da Segunda Grande Guerra Mundial. Apesar de 
culturas similares, as duas Coreias possuem diferentes abordagens frente ao uso 
de insetos na alimentação animal. Ambos países são geridos por seus 
respectivos Ministérios da Agricultura. A Coreia do Norte, também conhecida 
como República da Coreia, não possui uma regulamentação específica quanto 
ao uso de insetos na produção de rações. O órgão denominado Análise de 
Perigos e Pontos Críticos de Controle da República da Coréia (HACCP) tem 
recebido solicitações para que este tipo de regulamentação seja desenvolvido. 
Na República da Coreia a proteína de inseto é classificada como de origem 
animal e, devido a legislação proibir o uso deste tipo de proteína na alimentação 
animal, a produção de rações com este tipo de material é proibida (JO; LEE, 
2016). 
Por outro lado, a Coreia do Sul, ou simplesmente Coreia, se apresenta 
bem mais flexível quanto a questão do uso de insetos tanto na alimentação 
humana quanto na produção de ração para alimentação animal (SOGARI et al., 
2019). Apesar do consumo de inseto ser comum o governo Coreano tem 
dificultado o cenário interno. O governo coreano eliminou regras quanto ao 
número de espécies comestíveis de inseto. Outra ação problemática é quanto a 
legislação no país. Para o Ministério da Agricultura local, a produção de insetos 
 
 
 
178 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
não é classificada como produção agrícola o que gera problemas de adequação 
legal para os produtores (PAJAČ ŽIVKOVIĆ et al., 2017). 
 
7.4 AUSTRÁLIA 
 
O órgão responsável pelo controle e regulamentação de materiais 
utilizados na fabricação de ração é a Autoridade Australiana de Pesticidas e 
Medicina Veterinária (Australian Pesticides and Veterinary Medicine Authority ‐ 
APVMA). Materiais utilizados na fabricação de ração precisam ser registrados no 
APVMA. Aditivos que fazem parte da dieta natural do animal não demanda 
registro específico. Todos os padrões de fabricação de ração seguem as 
regulamentações como a FeedSafe e FIAAACoP e o padrão australiano AS 5812‐
2011 (LÄHTEENMÄKI‐UUTELA et al., 2017). 
 
7.5 ESTADOS UNIDOS 
 
Nos Estados Unidos da América (EUA) a autoridade responsável é a 
Administração Federal de Alimentos e Medicamentos (Federal Food and Drugs 
Administration ‐ FDA). Especificamente na regulamentação da fabricação de 
rações existe Associação de Oficiais de Controle de Rações Americanas 
(Association of American Feed Control Officers – AAFCO). Qualquer tipo de 
aditivo para fabricação de ração, seja de forma direta ou indireta, precisa estar 
de acordo com o § 348 da lei de Aditivos Alimentares americana 
(LÄHTEENMÄKI‐UUTELA et al., 2017; LII, 2018). Uma das responsabilidades 
deste órgão é compor uma lista com os aditivos permitidos na fabricação de 
ração. Referente a insetos, apenas a mosca-soldado negra é listada como 
ingrediente permitido e apenas na aquicultura (SOGARI et al., 2019). 
 
 
 
 
 
179 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
7.6 CANADÁ 
 
No Canadá uma porcentagem significativa de consumidores já tem se 
voluntariado para experimentar insetos mais que uma vez (LÄHTEENMÄKI‐
UUTELA et al., 2017). Estes consumidores, quando questionados consideraram 
que este tipo de alimentação possui potencial para utilização futura com o 
possível aumento da população mundial. Com relação ao uso de insetos na 
produção de rações o Canadá gerencia as adições de ingredientes através da 
Agência Canadense de Inspeção de Alimentos (Canadian Food Inspection 
Agency ‐ CFIA). Apresentando um comportamento comum mundialmente os 
órgãos governamentais agem de forma mais passiva frente estas novas 
estratégias de fabricação de ração em comparação com a indústria. 
A utilização de insetos como ingrediente na fabricação de ração é 
considerada como uma nova abordagem e, por esta razão, estão debaixo da 
autoridade federal. A CFIA controla o registro de rações e dos ingredientes 
utilizados além de fiscalizar as unidades de fabricação. Para requerer a 
autorização para utilização de insetos como ingredientes para ração é 
necessário um dossiê que aborde as espécies utilizadas, o processo a ser 
executado, o estágio de crescimento, identificação dos riscos biológicos, dentre 
outros (CANADA, 2018). Atualmente é autorizado o uso apenas da mosca-
soldado negra e, neste caso, na criação de aves e peixes (LÄHTEENMÄKI‐UUTELA 
et al., 2017; SOGARI et al., 2019). 
 
7.7 MÉXICO 
 
O México possui uma longa tradição de consumo humano de insetos. 
Segundo pesquisas uma porcentagem significativa da população consome 
insetos ocasionalmente ou de maneira regular. Apesar de toda esta tradição, 
não existe regulamentações específicas para a utilização de insetos na 
fabricação de ração. Por esta razão no país não é exigido nenhum registro para 
uso dos insetos (LÄHTEENMÄKI‐UUTELA et al., 2017). Em contrapartida, visando 
evitar riscos, de maneira geral, as mesmas legislações de segurança alimentar 
 
 
 
180 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
animal, adicionadas a Lei Federal de Sanidade Animal e o Regulamento de 
Sanidade Animal, são aplicadas (MEXICO, 2016, 2018). 
 
7.8 BRASIL 
 
No Brasil ainda não existe uma legislação que aborde especificamente o 
uso de insetos na alimentação animal, ainda que no SIPE – Sistema Integrado de 
Produtos e Estabelecimentos do Ministério da Agricultura, Pecuária e 
Abastecimento (MAPA), constem algumas espécies de insetos alimentícios 
(mosca‐soldado negra, tenébrio comum, tenébrio gigante, barata cinérea e grilo 
preto) com status ativo para a alimentação de animais não ruminantes. 
 Os decretos 7.045/2009, 6.296/2007 do MAPA e a lei 6.198/1974 
direcionam a responsabilidade ao MAPA de fiscalização a respeito da fabricação 
de ração para animais (BRASIL, 1974, 2007, 2009). Apesar de não haver nada 
claramente descrito nas legislações disponíveis a Instrução normativa (IN) 13 de 
2004 apresenta algumas considerações sobre a utilização de aditivos na 
fabricaçãode ração. Na seção 3 denominada Princípios gerais, quando se fala 
sobre o processo de fabricação referente ao registro de nova fórmula, no item 
“f” levanta‐se a necessidade de estudos científicos que avalie os riscos à saúde 
animal do aditivo utilizado (BRASIL, 2004). Além do mais a IN 44/2015 MAPA 
atualiza a IN 13/2004 MAPA onde pontua sobre o uso de aditivos na fabricação 
de ração para alimentação animal. Nesse documento não há declarado o nome 
inseto, mas o item 2.1 apresenta considerações que podem ser aplicadas, pois 
os insetos possuem um valor nutritivo significativo que pode encaixá‐lo na 
descrição (BRASIL, 2015). 
Ainda que não haja regulamentações específicas no Brasil para o uso de 
insetos alimentícios, orienta‐se observar estudos e o posicionamento de órgãos 
reguladores internacionais. Frente a estas dificuldades a FAO (Food and 
Agriculture Organization) considera o nicho de fabricação de rações como um 
dos possíveis impulsionadores da geração de regulamentações para essa área 
(FAO, 2013, 2017). É importante ressaltar que o tema está sendo considerado 
amplamente em diversos meios de comunicação e, apesar de não existir uma 
 
 
181 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
formalização por parte dos órgãos reguladores do Brasil, considerando a 
tendência mundial, é válido esperar que regulamentações específicas sejam 
desenvolvidas em breve. 
 
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 Dentro da perspectiva de sustentabilidade e o valor nutricional dos 
insetos apresentados, a utilização na alimentação animal é válida, desde que 
todos os quesitos de biossegurança sejam considerados. A viabilidade técnica 
da inclusão de insetos como ingrediente na alimentação de animais de produção 
não‐ruminantes está comprovada, diante das inúmeras evidências científicas 
apresentadas. Ainda há necessidade de se explorar a viabilidade econômica do 
uso deste nosso insumo, de modo a garantir a disponibilidade em quantidade, 
qualidade e preços competitivos no mercado. 
Do ponto de vista mercadológico, a criação e uso de insetos alimentícios 
é promissora e, apesar de algumas barreiras culturais ainda existirem no 
Ocidente, a tendência é de grande expansão nos próximos anos. Todo esse 
cenário favorece um ambiente promissor, tanto para novas pesquisas e 
desenvolvimento científico, quanto para novos empreendimentos e 
oportunidades de negócios como um todo. No Brasil, a cadeia de insetos 
alimentícios ainda é incipiente e há grande necessidade de desenvolvimento, no 
que tange a investimentos, tecnologia e qualificação de recursos humanos. São 
também necessários esforços dos órgãos reguladores, de modo a envidar 
esforços no desenvolvimento de normativas que visem regulamentar a 
produção e utilização de insetos na alimentação animal, pavimentando assim o 
caminho de quem deseja se engajar nesta inovadora atividade. 
Por ora os insetos alimentícios estão longe de ser os protagonistas da 
nutrição animal, mas sem dúvidas, apresentam‐se como uma importante e 
promissora alternativa para expansão sustentável da cadeia de proteína animal 
no mundo. 
 
 
 
 
 
182 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
REFERÊNCIAS 
 
AAFCO. Model regulations for pet and specialty pet food under the model bill. Champaign, IL: 
Association of American Feed Control Officials, Official Publication, pp. 135–150, Inc., 2013. 
 
AASLYNG, M. D. M. et al. The impact of sensory quality of pork on consumer preference. Meat 
science, v.71 (1), 61-73, 2007 
 
ABBASI, M. A. et al. Effects of different levels of dietary crude protein and threonine on 
performance, humoral immune responses and intestinal morphology of broiler chicks. Brazilian 
Journal of Poultry Science, v. 16, n. 1, p. 35-44, 2014. 
 
ABINPET. O mercado PET Brasil 2019. Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais 
de Estimação, 2019. Disponível em: <http://abinpet.org.br/mercado/>. Acesso em: 08 jul. 2020. 
 
AJAO, B. H.; OLA, S. I.; ADAMEJI, O. V. et al. The relationship of ambient temperature and relative 
humidity to the thermorespiratory function of greater grasscutter. Proc. of the 18th Annual Conf. 
of Anim. Sci. Assoc. of Nig. Proc. of the 18th Annual Conf. of Anim. Sci. Assoc. of Nig., p 92, 2013. 
 
AL-QAZZAZ, M. F. A. et al. Effect of using insect larvae meal as a complete protein source on quality 
and productivity characteristics of laying hens. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 45, n. 9, p. 518-
523, 2016 
 
ALLEGRETTI, C.; TALAMINI E.; SCHMIDT V., et al. Insect as feed: an energy assessment of insect meal 
as a sustainable protein source for the Brazilian poultry industry. J. Clean. Prod, v. 171, p. 403–412, 
2018. 
 
ALTMANN, B. A.; NEUMANN, C.; ROTHSTEIN, S. et al. Do dietary soy alternatives lead to pork quality 
improvements or drawbacks? A look into micro-alga and insect protein in swine diets. Meat Science, 
v. 153, p. 26–34, 2019. 
 
BARROSO, F. G. et al. The potential of various insect species for use as food for fish. Aquaculture, v. 
422, p. 193-201, 2014. 
 
BEYNEN, A.C. Insect based petfood. Researchgate, 2018. Disponível em: < 
https://www.researchgate.net/publication/327436986_Beynen_AC_2018_Insect-
based_petfood>. Acesso em: 08 jul. 2020. 
 
BIASATO, I. et al. Effects of yellow mealworm larvae (Tenebrio molitor) inclusion in diets for female 
broiler chickens: implications for animal health and gut histology. Animal Feed Science and 
Technology, v. 234, p. 253-263, 2017. 
 
https://www.researchgate.net/publication/327436986_Beynen_AC_2018_Insect-based_petfood
https://www.researchgate.net/publication/327436986_Beynen_AC_2018_Insect-based_petfood
 
 
183 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
BIASATO, I.; RENNA, M.; GAI, F. et.al. Partially defatted black soldier fly larva meal inclusion in piglet 
diets: effects on the growth performance, nutrient digestibility, blood profile, gut morphology and 
histological features. Journal of Animal Science and Biotechnology, v. 10, n. 12, 2019. 
 
BORRELLI, L. et al. Insect-based diet, a promising nutritional source, modulates gut microbiota 
composition and SCFAs production in laying hens. Scientific reports, v. 7, n. 1, p. 1-11, 2017 
 
BOSCH G, ZHANG S, OONINCX AB, HENDRIKS WH. Protein quality of insects as potential ingredients 
for dog and cat foods. Journal of Nutritional Science, v. 3, n. 29, p. 1-4, 2014. 
 
BOVERA, F. et al. Yellow mealworm larvae (Tenebrio molitor, L.) as a possible alternative to soybean 
meal in broiler diets. British poultry science, v. 56, n. 5, p. 569-575, 2015. 
 
BOVERA, F. et al. Use of Tenebrio molitor larvae meal as protein source in broiler diet: Effect on 
growth performance, nutrient digestibility, and carcass and meat traits. Journal of Animal Science, 
v. 94, n. 2, p. 639-647, 2016. 
 
BRASIL. Decreto No 6.296, De 11 De Dezembro De 2007. Diario Oficial da União. 
 
BRASIL. DECRETO No 7.045, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2009. Diário Oficial da União. Disponível em: 
<https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/insumos-agropecuarios/insumos-
pecuarios/alimentacao-animal/arquivos-alimentacao-animal/legislacao/decreto-no-7-045-de-22-
de-dezembro-de-2009.pdf>. Acesso em: 10 ago. 2020. 
BRASIL. Instrução Normativa 13 de 30 de Novembro de 2004. Diário Oficial da União. Disponível 
em: <http://www.agricultura.gov.br/assuntos/insumos-agropecuarios/insumos-
pecuarios/alimentacao-animal/aditivos>. Acesso em: 10 ago. 2020. 
 
BRASIL. Instrução Normativa 44 de 15 de Dezembro de 2015. Diário Oficial da União. Disponível 
em: < 
https://www.gov.br/agricultura/pt‐br/assuntos/insumos‐agropecuarios/insumos‐
pecuarios/produtos‐veterinarios/legislacao‐1/instrucoes‐normativas/instrucao‐normativa‐sda‐
mapa‐ndeg‐44‐de‐15‐12‐2015.pdf/@@download/file/instrucao‐normativa‐sda‐mapa‐ndeg‐44‐de‐
15‐12‐2015.pdf >. Acesso em: 10 ago. 2020. 
 
BRASIL. Lei Ordinária 6198 / 1974. Diário Oficial da União. 
 
BRUNI, L. et al. Characterisation ofthe intestinal microbial communities of rainbow trout 
(Oncorhynchus mykiss) fed with Hermetia illucens (black soldier fly) partially defatted larva meal as 
partial dietary protein source. Aquaculture, v. 487, p. 56-63, 2018. 
 
BYRNE, J. Stricter regulation of China ’ s feed imports. Feed Navigator, 2018. Disponível em: 
<https://www.feednavigator.com/Article/2018/05/29/Stricter-regulation-of-China-s-feed-
imports>. Acesso em: 10 ago. 2020. 
 
 
 
 
184 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
CANADA. RG-1 Regulatory Guidance: Feed Registration Procedures and Labelling Standards. 
Government of Canada, 2018. Disponível em: <https://www.inspection.gc.ca/animal-
health/livestock-feeds/regulatory-guidance/rg-1/eng/1329109265932/1329109385432>. Acesso 
em: 10 ago. 2020. 
 
CASTRILLO, C.; VICENTE, F.; GUADA, J. A. The effect of crude fibre on apparent digestibility and 
digestible energy content of extruded dog foods. J. Anim. Physiol. Anim. Nutr. (Berl), v. 85, p. 231–
236, 2001. 
 
CHEN, Z. B. Analysis for nutritional value of four kinds of insects and use of Tenebrio 
molitor power in weaning pig production. Shandong: China knowledge resource integrated 
database (CNKI), Shandong Agricultural University, 2012. 
 
CHERNYSH, S.; GORDYA, N.; SUBOROVA, T. Insect antimicrobial peptide complexes prevent 
resistance development in bacteria. PLOS ONE, v. 10, n. 7, p. e0130788, 2015. 
 
CHIA, S. Y.; TANGA, C. M.; OSUGA, I. M. et al. Effect of dietary replacement of fishmeal by insect 
meal on growth performance, blood profiles and economics of growing pigs in Kenya. Animals, v. 
9, p. 705, 2019. 
 
COMISSÃO EUROPEIA. Regulamento (UE) 2017/893 da Comissão de 24 de maio de 2017. Jornal 
Oficial da União Europeia. 2017a. 
 
COMISSÃO EUROPEIA. Regulamento (UE) 2017/1017 da Comissão de 15 de junho de 2017 que 
altera o Regulamento (UE) no 68/2013 relativo ao Catálogo de matérias-primas para a 
alimentação animal. Jornal Oficial da União Europeia. 2017b. 
 
CROSBIE, M.; ZHU, C.; SHOVELLER, A. K. et al. Standardized ileal digestible amino acids and net 
energy contents in full fat and defatted black soldier fly larvae meals (Hermatia illucens) fed to 
growing pigs. Translational Animal Science, v. 4, n. 3, 2020. 
 
DANIELI, P. P. et al. The effects of diet formulation on the yield, proximate composition, and fatty 
acid profile of the black soldier fly (Hermetia illucens L.) prepupae intended for animal feed. 
Animals, v. 9, n. 4, p. 178, 2019. 
 
DE MARCO, M. et al. Nutritional value of two insect larval meals (Tenebrio molitor and Hermetia 
illucens) for broiler chickens: apparent nutrient digestibility, apparent ileal amino acid digestibility 
and apparent metabolizable energy. Animal Feed Science and Technology, v. 209, p. 211-218, 2015. 
 
DEVI, S. M.; KIM, I. H. Effect of medium chain fatty acids (MCFA) and probiotic (Enterococcus 
faecium) supplementation on the growth performance, digestibility and blood profiles in weanling 
pigs. Veterinarni Medicina, v. 59, n. 11, 2014. 
 
 
 
185 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
DUMAN, M. et al. Relation between egg shape index and egg quality characteristics. European 
Poultry Science, v. 80, p. 1-9, 2016. 
 
DUMAS, A.; RAGGI, T.; BARKHOUSE, J.; LEWIS, E.; WELTZIEN, E. The oil fraction and partially defatted 
meal of black soldier fly larvae (Hermetia illucens) affect differently growth performance, feed 
efficiency, nutrient deposition, blood glucose, and lipid digestibility of rainbow trout (Oncorhynchus 
mykiss). Aquaculture, v. 492, p. 24–34, 2018. 
 
DRIEMEYER, H. Evaluation of black soldier fly (hermetia illucens) larvae as an alternative protein 
source in pig creep diets in relation to production, blood and manure microbiology 
parameters. Thesis (MScAgric)--Stellenbosch University. Africa do Sul. 114p, 2016. 
 
EFSA. Risk profile related to production and consumption of insects as food and feed. EFSA Journal, 
v. 13, n. 10, 2015a. 
 
EFSA. Annual report of the Scientific Network on Microbiological Risk Assessment 2015. EFSA 
Supporting Publications, v. 12, n. 12, 2015b. 
 
EWALD, N. et al. Fatty acid composition of black soldier fly larvae (Hermetia illucens)–Possibilities 
and limitations for modification through diet. Waste Management, v. 102, p. 40-47, 2020. 
 
FAO. Edible insects. Future prospects for food and feed security. Rome: Food and Agriculture 
Organization of the United Nations, v. 171, 2013 
 
FAO. Indicator 2.1.1 - Prevalence of undernourishment. Sustainable Development Goals, 2018. 
Disponível em: <http://www.fao.org/sustainable-development-goals/indicators/211/en/>. Acesso 
em: 04 fev. 2020. 
 
FAO. The future of food and agriculture – Trends and challenges. Rome: Food and Agriculture 
Organization. 2017 
 
FARIA DOMINGUES, C. H. DE et al. Understanding the factors influencing consumer willingness to 
accept the use of insects to feed poultry, cattle, pigs and fish in Brazil. PLoS ONE, v. 15, n. 4, p. 1–
11, 2020. 
 
FEDIAF. Nutritional guidelines for complete and complementary pet food for cats and dogs. 
European Pet Food Industry Federation, 2008. Disponível em: <http://www.fediaf.org/self-
regulation/ >. Acesso em: 08 jul. 2020. 
 
FENG, Y. et al. Edible insects in China: Utilization and prospects. Insect Science, v. 25, n. 2, p. 184–
198, 2018. 
 
 
 
 
186 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
FERREIRA, M. E. O. Desempenho e parâmetros hematológicos de Rãs-touro (Lithobates 
catesbeianus) alimentadas com ração contendo farinha de inseto. Dissertação (Mestrado) – 
Universidade José do Rosário Vellano. UNIFENAS, Alfenas, MG, 2020. 
 
FINKE, M. D. Complete nutrient composition of commercially raised Inver. Zoo Biology, v. 21, n. 3, 
p. 269-285, 2002. 
 
FINKE, M. D. et al. The European Food Safety Authority scientific opinion on a risk profile related to 
production and consumption of insects as food and feed. Journal of Insects as Food and Feed, v. 1, 
n. 4, p. 245–247, 2015. 
 
FONTES, T. V. et al. Digestibility of insect meals for nile tilapia fingerlings. Animals, v. 9, n. 4, p. 181, 
2019. 
 
FRIENDSHIP, R. M.; LUMSDEN, J. H.; MCMILLAN, I. et al. Hematology and biochemistry reference 
values for Ontario swine. Can J Comp Med, v. 48, n. 4, p. 390-393, 1984. 
 
GASCO, L.; FINKE, M.; VAN HUIS, A. Can diets containing insects promote animal health? J. Insects 
Food Feed, v. 4, p. 1–4, 2018. 
 
HENRY, M. et al. Review on the use of insects in the diet of farmed fish: past and future. Animal 
Feed Science and Technology, v. 203, p. 1-22, 2015. 
 
HEO, J. M.; OPAPEJU, F. O.; PLUSKE, J. R. et al. Gastrointestinal health and function in weaned pigs: 
a review of feeding strategies to control post-weaning diarrhoea without using in-feed antimicrobial 
compounds. J. Anim. Physiol. Anim. Nutr, v. 97, p. 207–237, 2012. 
 
HOUPT, K. A.; HINTZ, H. F.; SHEPHERD, P. The role of olfaction in canine food preferences. Chem. 
Sens., v. 3, p. 281–290, 1978. 
 
HUYBEN, D. et al. High-throughput sequencing of gut microbiota in rainbow trout (Oncorhynchus 
mykiss) fed larval and pre-pupae stages of black soldier fly (Hermetia illucens). Aquaculture, v. 500, 
p. 485-491, 2019. 
 
IBITOYE, E.B. et al. Extraction and physicochemical characterization of chitin and chitosan isolated 
from house cricket. Biomedical Materials, v. 13, n. 2, 2018. 
 
JARETT, J.K. et al. Diets with and without edible cricket support a similar level of diversity in the gut 
microbiome of dogs. PeerJ, v. 7, p. e7661, 2019. 
 
JAYANEGARA, A. et al. Evaluation of some insects as potential feed ingredients for ruminants: 
Chemical composition, in vitro rumen fermentation and methane emissions. Journal of Indonesian 
Tropical Animal Agriculture, v. 42, n. 4, p. 247-254, 2017. 
 
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/?term=Friendship+RM&cauthor_id=6509366
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/?term=Lumsden+JH&cauthor_id=6509366
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/?term=McMillan+I&cauthor_id=6509366https://doi.org/10.1088%252F1748-605X%252Faa9dde
https://doi.org/10.1088%252F1748-605X%252Faa9dde
 
 
187 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
JI, Y. J.; LIU, H. N.; KONG, X. F. et al. Use of insect powder as a source of dietary protein in early-
weaned piglets. Journal of Animal Science, v. 94, p. 111-116, 2016. 
 
JIN, X. H.; HEO, P. S.; HONG, J. S. et al. Supplementation of Dried Mealworm (Tenebrio molitor larva) 
on Growth Performance, Nutrient Digestibility and Blood Profiles in Weaning Pigs Asian Australas. 
J. Anim. Sci, v. 29, n. 7, p. 979-986, 2016. 
 
JO, Y. H.; LEE, J. W. Insect feed for animals under the Hazard Analysis and Critical Control Points 
(HACCP) regulations. Entomological Research, v. 46, n. 1, p. 2–4, 2016. 
 
JÓZEFIAK, A. et al. Effects of insect diets on the gastrointestinal tract health and growth 
performance of Siberian sturgeon (Acipenser baerii Brandt, 1869). BMC veterinary research, v. 15, 
n. 1, p. 348, 2019. 
 
JÓZEFIAK, A.; ENGBERG, R. M. Insect proteins as a potential source of antimicrobial peptides in 
livestock production. A review. Journal of Animal and Feed Sciences, v. 26, p. 87-99, 2017. 
 
KERR, B. J.; URRIOLA, P. E.; JHA, E. et al. Amino acid composition and digestible amino acid content 
in animal protein by-product meals fed to growing pigs. J. Anim. Sci, v. 11, p. 4540–4547, 2019. 
 
KHOUSHAB, F.; YAMABHAI, M. Chitin research revisited. Marine Drugs, v. 8, p. 1988–2012, 2010. 
 
KIEROŃCZYK, B. et al. Effects of replacing soybean oil with selected insect fats on broilers. Animal 
Feed Science and Technology, v. 240, p. 170-183, 2018a. 
 
KIEROŃCZYK, B. et al. Do insects smell attractive to dogs? A comparison of dog reactions to insects 
and commercial feed aromas – a preliminary study. Ann. Anim. Sci., v. 18, n. 3, p. 795–800, 2018b. 
 
KILBURN, L. R. et al. Cricket (Gryllodes sigillatus) meal fed to healthy adult dog does not affect and 
minimally impacts apparent total tract digestibility. Journal of Animal Science, v. 98, n. 3, p. 1-8, 
2020. 
 
KRÖGER, S.; HEIDE, C.; ZENTEK, J. Influence of proteins from the Black Soldier Fly (Hermetia illucens) 
on nutrient digestibility and faecal and immunological parameters in dogs. Proceedings 21st 
European Society of Veterinary and Comparative Nutrition Congress, Cirencester, p. 102, 2017. 
 
LÄHTEENMÄKI-UUTELA, A. et al. Insects as Food and Feed: Laws of the European Union, United 
States, Canada, Mexico, Australia, and China. European Food and Feed Law Review, v. 1, p. 22–36, 
2017. 
 
LAVALETTE, M. Les insectes: une nouvelle ressource en protéines pour l'alimentation humaine. 
Tese de Doutorado. Université de Lorraine, 2013. 
 
 
 
 
188 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
LEI, X.J. et al. Evaluation of supplementation od defatted black soldier fly (Hermetia illucens) larvae 
meal in beagle dogs. Ann. Anim. Sci., v. 19, n. 3, p. 767–777, 2019. 
LEMOS, I.A. Níveis de inclusão de farinha de larva de tenébrio na dieta de cães sobre os 
parâmetros sanguíneos. Dissertação de mestrado. Montes Claros, MG. Universidade Federal de 
Minas Gerais. 39p. 2020. 
 
LERICHE, I.; FOURNEL, S.; CHALA, V. Assessment of the digestive tolerance in cats of a new diet 
based on insects as the protein source. J Feline Med Surg., v. 19, n. 965, 2017a. 
 
LERICHE, I.; FOURNEL, S.; CHALA, V. Assessment of the digestive tolerance in dogs of a new diet 
based on insects as the protein source. Proceedings 21st European Society of Veterinary and 
Comparative Nutrition Congress, Cirencester, p 103, 2017b. 
 
LI, S. et al. Influence of black soldier fly (Hermetia illucens) larvae oil on growth performance, body 
composition, tissue fatty acid composition and lipid deposition in juvenile Jian carp (Cyprinus carpio 
var. Jian). Aquaculture, v. 465, p. 43-52, 2016. 
 
LII. 21 U.S. Code § 348. Food additives. Legal Information Institute, 2018. Disponível em: 
<https://www.law.cornell.edu/uscode/text/21/348>. Acesso em: 10 ago. 2020. 
 
LIRA, J. A. Avaliação da farinha de tenébrio (Tenebrio molitor) na alimentação de juvenis de 
tambaqui (Colossoma macropomum). Dissertação (Mestrado) – Universidade Nilton Lins. Manaus, 
AM, 2015. 
 
LISENKO, K. G. Valor nutricional de farinhas de insetos para cães e gatos. Tese (Doutorado) 
Universidade Federal de Lavras, UFLA, Lavras, MG, Brasil, 123 p., 2017. 
 
LOCK, E.; BIANCAROSA, I.; GASCO, L. Insects as raw materials in compound feed for aquaculture. 
In: Edible insects in sustainable food systems. Springer, Cham, p. 263-276, 2018. 
 
LOPONTE, R. et al. Growth performance, blood profiles and carcass traits of Barbary partridge 
(Alectoris barbara) fed two different insect larvae meals (Tenebrio molitor and Hermetia illucens). 
Research in veterinary science, v. 115, p. 183-188, 2017. 
 
MAIOLO, S. et al. Fishmeal partial substitution within aquafeed formulations: life cycle assessment 
of four alternative protein sources. INTERNATIONAL JOURNAL OF LIFE CYCLE ASSESSMENT, 2020 
 
MAKKAR, H. P. S. Review: Feed demand landscape and implications of food-not feed strategy for 
food security and climate change. Animal, v. 12, p. 1744–1754, 2018. 
 
MANCUSO, T.; BALDI, L.; GASCO, L. An empirical study on consumer acceptance of farmed fish fed 
on insect meals: the Italian case. Aquaculture International, v. 24, n. 5, p. 1489–1507, 2016. 
 
 
 
189 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
MARBERG, A.; KRANENBURG, H. VAN; KORZILIUS, H. The big bug: The legitimation of the edible 
insect sector in the Netherlands. Food Policy, v. 71, n. April, p. 111–123, 2017. 
 
MARCIANO, L. E. A.; ARAÚJO, T. M.; LIMA, N. R.; FERNANDES, L. S.; COSTA, M. L. L. Desempenho de 
coelhos alimentados com farinha de Tenebrio molitor. Revista Brasileira de Meio Ambiente, v. 6, 
n. 1, p. 042-049, 2019. 
 
MARONO, S.; PICCOLO, G.; LOPONTE, R. et al. In vitro crude protein digestibility of Tenebrio molitor 
and Hermetia illucens insect meals and its correlation with chemical composition traits. Ital. J. Anim. 
Sci., v. 14, p. 3889, 2015. 
 
MASTORAKI, M. et al. The effect of insect meal as a feed ingredient on survival, growth, and 
metabolic and antioxidant response of juvenile prawn Palaemon adspersus (Rathke, 
1837). Aquaculture Research, v. 51, n. 9, p. 3551-3562, 2020. 
 
MATISSE, S.; BOON, N.; PIEKARA, I. et al. Microbial protein: future sustainable food supply route 
with low environmental footprint. Microb. Biotechnol, v. 9, p. 568–575, 2016. 
 
McCUSKER, S.; BUFF, P. R.; YU, Z.; FASCETTI, A. J. Amino acid content of selected plant,algae and 
insect species: a search for alternative protein sources for use in pet foods. J. Nutr. Sci., v. 3, p. e39, 
2014. 
 
MENEGUZ, M.; SCHIAVONE, A.; GAI, F. et al. Effect of rearing substrate on growth performance, 
waste reduction efficiency and chemical composition of black soldier fly (Hermetia illucens) larvae. 
J. Sci. Food. Agric, v. 98, p. 5776–5784, 2018. 
 
MEXICO. Reglamento De La Ley Federal De Sanidad Vegetal. Diario Oficial de la federacion (DOF). 
2016. Disponível em: <http://www.diputados.gob.mx/LeyesBiblio/regley/Reg_LFSV.pdf>. Acesso 
em: 10 ago. 2020. 
 
MEXICO. Ley Federal De Sanidad Animal. Diario Oficial de la Federación. 2018. 
 
MORRIS, J. G.; ROGERS, Q. R.; PACIORETTY, L. M. Taurine: an essential nutrient for cats. J. Sm. Anim. 
Pract., v. 31, p. 502–509, 1990. 
 
MOTTE, C. et al. Replacing fish meal with defatted insect meal (Yellow Mealworm Tenebrio molitor) 
improves the growth and immunity of pacific white shrimp (Litopenaeus vannamei). Animals, v. 9, 
n. 5, p. 258, 2019. 
 
NASCIMENTO FILHO et al. Cafeteria-Type Feeding of Chickens Indicates a Preference for Insect 
(Tenebrio molitor) Larvae Meal. Animals, v.10, n.4, 627-640, 2020. 
 
NAYAK, R.; WATERSON, P. Global food safety as a complex adaptive system: Key concepts and future 
prospects. Trends in Food Science and Technology, v. 91, n. April, p. 409–425, 2019.190 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
NEWTON GL, BOORAM CV, BARKER RW. et al. Dried Hermetia Illucens larvae meal as a supplement 
for swine. J Anim Sci., v. 44, p. 395–400, 1977. 
 
NGO, D. H.; KIM, S. K. Antioxidant effects of chitin, chitosan and their derivatives. Adv. Food Nutr. 
Res., v. 73, p. 15–31, 2014. 
 
NRC. Nutrient Requirements of Dogs and Cats. National Academies Press: Washington, DC, USA, 
2006. 
 
NRC. Nutrient requirements of swine. 11th edition. National Academy Press: Washington, 2012. 
 
ODDON, S. B. et al. Live insect larvae in broiler nutrition: effects on performance and gut health–
preliminary results. In: 23rd European Society of Veterinary and Comparative Nutrition (ESVCN) 
Congress. European Society of Veterinary & Comparative Nutrition, p. 100-100, 2019. 
 
OKAMOTO Y. et al. Physical changes of chitin and chitosan in canine gastrointestinal 
tract. Carbohydrate Polymers, v. 44, n. 3, p. 211-215, 2001. 
 
PAJAČ ŽIVKOVIĆ, I. et al. Genetic divergence between the South Korean and Mongolian populations 
of the dung beetle , Gymnopleurus mopsus. Entomological Research, v. 47, n. May, p. 1–8, 2017. 
 
PANINI, R. L. et al. Potential use of mealworms as an alternative protein source for Pacific white 
shrimp: Digestibility and performance. Aquaculture, v. 473, p. 115-120, 2017. 
 
PARLAMENTO EUROPEU. Regulamento No 178/2002 do Parlamento Europeu e do Conselho de 28 
de Janeiro de 2002. Jornal Oficial das Comunidades Europeias, v. 31, p. 1–24, 2002. 
 
PERMATAHATI, D.; MUTIA, R.; ASTUTI, D. A. Effect of Cricket Meal (Gryllus bimaculatus) on 
Production and Physical Quality of Japanese Quail Egg. Tropical Animal Science Journal, v. 42, n. 1, 
p. 53-58, 2019. 
 
PERRY, W. B. et al. The role of the gut microbiome in sustainable teleost aquaculture. Proceedings 
of the Royal Society B, v. 287, n. 1926, p. 20200184, 2020. 
 
PLANTINGA, E. A.; BOSCH, G.; HENDRIKS, W. H. Estimation of the dietary nutrient profile of free-
roaming feral cats: possible implications for nutrition of domestic cats. Br. J. Nutr., v. 106, p. S35–
S48, 2011. 
 
POLANSKY, O. et al. Important metabolic pathways and biological processes expressed by chicken 
cecal microbiota. Applied and environmental microbiology, v. 82, n. 5, p. 1569-1576, 2016. 
 
PTAK, A. et al. Phytase modulates ileal microbiota and enhances growth performance of the broiler 
chickens. Plos one, v. 10, n. 3, p. e0119770, 2015. 
https://doi.org/10.1016%252FS0144-8617%252800%252900229-0
https://doi.org/10.1016%252FS0144-8617%252800%252900229-0
 
 
191 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
 
RAAMSDONK, L. W. D. VAN; FELS-KLERX, H. J. VAN DER; JONG, J. DE. New feed ingredients: the 
insect opportunity. Food Additives and Contaminants - Part A Chemistry, Analysis, Control, 
Exposure and Risk Assessment, v. 34, n. 8, p. 1384–1397, 2017. 
 
RENNA, M. et al. Evaluation of the suitability of a partially defatted black soldier fly (Hermetia 
illucens L.) larvae meal as ingredient for rainbow trout (Oncorhynchus mykiss Walbaum) diets. 
Journal of Animal Science and Biotechnology, v. 8, n. 1, p. 57, 2017. 
 
RUHNKE, I. et al. Feed refusal of laying hens-a case report i. ruhnke, c. normant1, 2, z. iqbal1, dlm 
campbell1, 3, j. zentek 4 and m. choct1. In: 28th ANNUAL AUSTRALIAN POULTRY SCIENCE 
SYMPOSIUM. p. 213, 2017. 
 
SALOMONE, R. et al. Environmental impact of food waste bioconversion by insects: application of 
life cycle assessment to process using Hermetia illucens. Journal of Cleaner Production, v. 140, p. 
890-905, 2017. 
 
SÁNCHEZ-MUROS, M. J.; BARROSO, F. G.; MANZANO-AGUGLIARO, F. Insect meal as renewable 
source of food for animal feeding: a review. J Clean Prod, v. 65, p. 16–27, 2015. 
 
SAUVANT, D.; PEREZ, J. M.; TRAN, G. (Ed.). Tables of composition and nutritional value of feed 
materials: pigs, poultry, cattle, sheep, goats, rabbits, horses and fish. Wageningen Academic 
Publishers, 2004. 
 
SCHIAVONE, A. et al. Black soldier fly defatted meal as a dietary protein source for broiler chickens: 
Effects on carcass traits, breast meat quality and safety. Animal, v. 13, n. 10, p. 2397-2405, 2019. 
 
SHEPPARD, D. C.; NEWTON, G. L.; THOMPSON, S. A. et al. A value added manure management 
system using the black soldier fly. Biores. Tech., v. 50, p. 275-279, 1994. 
 
SKŘIVANOVÁ, E. et al. Susceptibility of Escherichia coli, Salmonella sp and Clostridium perfringens 
to organic acids and monolaurin. Veterinární medicína, 2006. 
 
SOGARI, G. et al. The potential role of insects as feed: A multi-perspective review. Animals, v. 9, n. 
4, p. 119, 2019. 
 
SOGARI, G.; MENOZZI, D.; MORA, C. Exploring young foodies׳ knowledge and attitude regarding 
entomophagy: A qualitative study in Italy. International Journal of Gastronomy and Food Science, 
v. 7, n. June 2016, p. 16–19, 2017. 
 
SPRANGHERS, T. et al. Nutritional composition of black soldier fly (Hermetia illucens) prepupae 
reared on different organic waste substrates. Journal of the Science of Food and Agriculture, v. 97, 
n. 8, p. 2594-2600, 2017. 
 
 
 
 
192 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
SPRANGHERS, T.; MICHIELS, J.; VRANCX, J. et al. Gut antimicrobial effects and nutritional value of 
black soldier fly (Hermetia illucens L.) prepupae for weaned piglets. Anim Feed Sci Technol., v. 235, 
p. 33–42, 2018. 
 
ST‐HILAIRE, S. et al. Fly prepupae as a feedstuff for rainbow trout, Oncorhynchus mykiss. Journal of 
the world aquaculture society, v. 38, n. 1, p. 59-67, 2007. 
 
STEIN, H. H.; KIM, S. W.; NIELSEN, T. T. et al. Comparative standardized ileal protein and amino acid 
digestibilities by growing pigs and sows. J. Anim. Sci., v. 79, p. 2113–2122, 2001. 
 
STULL, V. J. et al. Impact of edible cricket consumption on gut microbiota in healthy adults, a double-
blind, randomized crossover trial. Scientific Reports, v. 8, n. 1, p. 10762, 2018. 
 
TAN, X.; YANG, H. S.; WANG, M. et al. Amino acid digestibility in housefly and black soldier fly 
prepupae by growing pigs. Animal Feed Science and Technology, v. 263, 2020. 
 
TOCHER, D. R. Omega-3 long-chain polyunsaturated fatty acids and aquaculture in perspective. 
Aquaculture, v. 449, p. 94-107, 2015. 
 
TROELL, M. et al. Does aquaculture add resilience to the global food system? Proceedings of the 
National Academy of Sciences, v. 111, n. 37, p. 13257–13263, 2014. 
 
TUBIN, J. S. B. et al. Tenebrio molitor meal in diets for Nile tilapia juveniles reared in biofloc 
system. Aquaculture, v. 519, p. 734763, 2020. 
 
UE. A União Europeia (UE) em poucas palavras. 2020. Disponível em: <https://europa.eu/european-
union/about-eu/eu-in-brief_pt>. Acesso em: 10 ago. 2020. 
 
VALENCIA, D. G. et al. Ileal digestibility of amino acids of pea protein concentrate and soya protein 
sources in broiler chicks. Livestock Science, v. 121, n. 1, p. 21-27, 2009. 
 
VASCONCELOS, G. T. Uso de farinha de insetos na nutrição de peixes. Dissertação (mestrado) - 
Universidade Estadual Paulista, Jaboticabal, SP, 2019. 
 
VELDKAMP, T.; VAN NIEKERK, T. G. C. M. Live black soldier fly larvae (Hermetia illucens) for turkey 
poults. Journal of Insects as Food and Feed, v. 5, n. 4, p. 301-311, 2019. 
 
VELTEN, S.; NEUMANN, C.; DORPER, A. et al. Response of piglets due to amino acid optimization 
of mixed diets with 75% replacement of soybean-meal by partly defatted insect meal (H. illucens). 
INSECTA Conference, Berlin, Germany, 2017. 
 
VIROJE-WANASITHCHAIWAT, M. S. Effects of fly larval meal grown on pig manure as a source of 
protein in early weaned pig diets. Thurakit-Ahansat (Thailand), v. 6, p. 28–31, 1989. 
 
https://doi.org/10.1038%252Fs41598-018-29032-2
https://doi.org/10.1038%252Fs41598-018-29032-2
 
 
193 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
VOBRA SPECIAL PETFOODS (VSP). Evaluatie van insectenbronnen in Sanimed Intestinal. Intern 
verslag, 2017 
 
WANG, S.; ZENG, X.; YANG, Q.; QIAO, S. Antimicrobialpeptides as potential alternatives to 
antibiotics in food animal industry. International Journal of Molecular Sciences, v. 17, p. 603, 2016. 
 
WIRYAWAN, K. G. et al. Egg production and quality of quails fed diets with varying levels of 
methionine and choline chloride. Media Peternakan, v. 39, n. 1, p. 34-39, 2016. 
 
XU, X. et al. Medium-chain TAG improve intestinal integrity by suppressing toll-like receptor 4, 
nucleotidebinding oligomerisation domain proteins and necroptosis signalling in weanling piglets 
challenged with lipopolysaccharide. Br. J. Nutr., v. 119, p. 1019–1028, 2018. 
 
XU, Y. Q.; SHI, B. L.; LI, J. L. et al. Effects of chitosan on intestinal flora in weaned pigs. Feed Res., v. 
10, p. 54–56, 2012. 
 
YI, L. et al. Extraction and characterisation of protein fractions from five insect species. Food 
chemistry, v. 141, n. 4, p. 3341-3348, 2013. 
 
YU, H.T. et al. Dietary supplemented antimicrobial peptide microcin J25 improves the growth 
performance, apparent total tract digestibility, fecal microbiota, and intestinal barrier function of 
weaned pigs. J. Anim. Sci., v. 95, p. 5064–5076, 2017. 
 
YUANQING, X. S.; BINLIN, G.; YIWEI, L. et al. Effects of chitosan on the development of immune 
organs and gastrointestinal tracts in weaned piglets. Feed Ind., v. 3, p. 008, 2013. 
 
ZARANTONIELLO, M. et al. Black Soldier Fly (Hermetia illucens) reared on roasted coffee by-product 
and Schizochytrium sp. as a sustainable terrestrial ingredient for aquafeeds 
production. Aquaculture, v. 518, p. 734-659, 2020. 
 
ZHANG, J. H. E.; ZHOU, E. F. Feed resource and utilization. China Agriculture Press: Beijing; 2002. 
 
 
 
 
 
194 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
 
 
 
195 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
 
 
CAPÍTULO 6 
___________________________________ 
 
 
 
MANEJO SUSTENTÁVEL DO SOLO 
COMO ALTERNATIVA PARA MITIGAÇÃO 
DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS 
 
 
 
Tayla Évellin de Oliveira26 
Ana Beatriz Carvalho Terra27 
Kleso Silva Franco Júnior28 
Ademir Calegari29 
Ligiane Aparecida Florentino30 
 
 
26 Mestre, Doutoranda em Agricultura Sustentável, UNIFENAS. E-mail: taylaeoliveira@hotmail.com 
27 Doutoranda em Agricultura Sustentável, UNIFENAS. E-mail: anabeatriz.terra@hotmail.com 
28 Doutor, Professor Pesquisador, CESEP. E-mail: kleso.junior@yahoo.com.br 
29 Doutor, Pesquisador Sênior e consultor, IAPAR. E-mail: ademircalegari@bol.com.br 
30 Doutora, Professora Pesquisadora, UNIFENAS. E-mail: ligiane.florentino@unifenas.br 
 
 
 
196 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
Estimativas mostram que a população global deve chegar a quase 10 
bilhões de pessoas até 2050 (SANDERMAN et al., 2017), e isto, exerce uma 
constante e crescente pressão sobre a área finita de recursos para o cultivo de 
alimentos. A agricultura convencional tradicional com ênfase no cultivo 
intensivo, com práticas de manejo inadequadas e contínua monocultura 
resultou em diversos níveis de degradação ambiental que pode levar a sérios 
riscos de segurança alimentar (HATFIELD et al., 2017). O grande desafio é 
atender às demandas de uma população em constante crescimento e ao 
mesmo tempo minimizar os impactos no meio ambiente (FOLEY et al. 2011). 
O atual cenário das mudanças climáticas globais constitui-se em um 
grande desafio, principalmente para as produções agrícolas que são 
demasiadamente dependentes das condições do clima, sendo assim, seus 
efeitos podem gerar impactos produtivos negativos, e consequentemente 
acarretar perdas econômicas (IPCC, 2014; SCHEMBERGUE et al., 2017). 
O Brasil é vulnerável em relação a futuros impactos causados pelas 
mudanças climáticas, visto que, o agronegócio corresponde a cerca de 22% do 
Produto Interno Bruto (PIB) do país (Centro de Estudos Avançados em Economia 
Aplicada, 2015), seu clima é tropical (HATFIELD et al., 2011), e, pela vasta área 
do semiárido nordestino que sofre com longos períodos de estiagem e seca 
(SIMÕES et al., 2010; OBERMAIER e ROSA, 2013). 
Diante disso, há uma necessidade de produção aliada à técnicas de 
manejo que possam reduzir os impactos ambientais e os efeitos causados pelas 
mudanças climáticas. Para tal, em 2010, foi proposto o Plano ABC (Agricultura 
de Baixa Emissão de Carbono), com o intuito de estabelecer ações mitigadoras 
e adaptação para o setor agropecuário (BRASIL, 2012). Além disso, é 
fundamental o estudo e a aplicação de práticas agrícolas já consolidadas a fim 
de contribuir com a mitigação de causas antropogênicas (BESEN et al., 2018). 
O manejo sustentável do solo pode ser uma alternativa chave no 
processo de mitigação das mudanças climáticas. A utilização de práticas 
conservacionistas associadas ao uso de plantas de cobertura, aproveitamento 
 
 
197 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
de resíduos e aplicação de produtos que possibilitam melhores condições de 
enfretamento e desenvolvimento à possíveis adversidades do meio, são 
estratégias fundamentais. 
Nesse sentido, o presente capítulo tem como finalidade elucidar como o 
manejo sustentável do solo pode ser uma alternativa para a mitigação dos 
efeitos das mudanças climáticas. 
 
2 MUDANÇAS CLIMÁTICAS E SEUS EFEITOS NA AGRICULTURA 
 
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), as mudanças 
climáticas constituem um dos principais desafios do mundo atual e suas 
consequências trazem não só catástrofes ambientais como também prejuízos 
para o setor agropecuário e para a produção de alimentos. A magnitude, taxa e 
o padrão das alterações climáticas na produção agrícola têm sido objeto de 
estudos há, aproximadamente, duas décadas (ROSENZWEIG et al., 2014). 
Nenhum setor econômico é mais dependente das condições climáticas 
do que a agricultura (CARTER et al., 2018), sendo assim, as mudanças climáticas 
poderão impactar o fornecimento de comida, aumentando ainda mais os 
desafios para o suprimento de uma demanda cada vez maior em virtude do 
aumento populacional e da urbanização (CARTER et al., 2018). 
O Brasil, por ser um país tropical, o aumento da temperatura pode 
causar impactos negativos na produtividade das culturas, em especial de 
cereais (HATFIELD et al., 2011). Em estudo realizado por Nelson et al. (2014), os 
impactos das mudanças climáticas poderiam causar uma redução de cerca de 
22% na produtividade até 2050, o que aumentaria os preços em até 5%, 
resultando no agravamento não só dos problemas ambientais, como também 
das questões socioeconômicas do país (CARLOS et al., 2019). 
Estudo realizado por Chen et al. (2016), indicou que o aquecimento 
global gerou um prejuízo econômico na ordem de US$820 milhões na China 
para as culturas do milho e da soja na última década. Os autores ainda estimam 
que a produtividade desses produtos tende a cair de 3 a 12% e de 7 a 19%, 
respectivamente, até o ano de 2100. Zhang et al. (2017), também avaliando os 
 
 
 
198 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
impactos do aumento de temperatura nas culturas do arroz, trigo e milho, 
verificaram que poderá haver uma queda de 36.25%, 18.26% e 45.10%, 
respectivamente, até o final desse século. 
No Brasil, Pires et al. (2016), apontam que a produtividade da soja, 
quando em rotação com outra cultura, pode cair em até 11% no estado do Mato 
Grosso como resposta a um clima mais severo. Já na região sul de Minas Gerais, 
as projeções demonstram que é esperado uma queda produtiva de Coffea 
arabica de 25% até o final do século, além de uma consequente redução na área 
cultivável em toda a região sudeste (TAVARES et al., 2017). 
Além das perdas produtivas e de áreas cultiváveis, as alterações 
climáticas podem ainda intensificar processos erosivos no solo, trazendo sérios 
problemas sociais, ambientais e econômicos (ALMAGRO et al., 2017). De acordo 
com Mullan et al. (2012), o aumento das médias globais de temperatura 
ocasiona uma maior capacidade de retenção de umidade na atmosfera, naordem de 7% a cada grau celsius. Dessa forma, países tropicais, como o Brasil, 
tendem a apresentar de forma significante uma maior ocorrência de eventos 
de chuvas extremas, aumentando assim os processos erosivos no solo 
(ALMAGRO et al., 2017). 
De acordo com o relatório do Intergovernmental Panel on Climate 
Change (IPCC, 2014), os efeitos deletérios das mudanças climáticas sobre a 
produção agropecuária já podem ser notados em diferentes regiões do planeta, 
no entanto, Yohannes (2016), destaca que os efeitos dessas alterações tendem 
a ser variáveis, afetando negativamente algumas regiões e beneficiando outras. 
De um modo geral, países localizados em latitude média e alta poderão 
apresentar um incremento positivo, ao passo que aqueles em baixas latitudes 
terão queda na sua produtividade (YOHANNES, 2016). 
No entanto, ainda que seja um dos mais afetados, o setor agrícola 
também se constitui como um agente adverso, uma vez que contribui para 
intensificação do processo por meio da liberação de gases causadores do efeito 
estufa (GEE’s) pelo desmatamento, uso de fertilizantes e outras práticas 
(BEDDINGTON et al., 2012). No Brasil, o desflorestamento é a principal fonte de 
emissão de gases do efeito estufa (CAVIGLIA-HARRIS, 2018). Segundo Thornton 
e Lipper (2013), a agricultura contribui com 30 a 40% das emissões de GEE e, à 
 
 
199 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
medida que a população e a demanda por alimentos aumentam, as emissões 
de GEE pelo setor agrícola irão se intensificar (IPCC, 2014). 
As mudanças climáticas afetam a agricultura das mais diversas formas: 
alterações nas temperaturas médias, chuvas e climas extremos com 
consequentes problemas erosivos, alterações na qualidade nutricional de 
alguns alimentos, entre outros (YOHANNES, 2016). Indiretamente, as mudanças 
nas temperaturas e na umidade do ar podem levar às alterações nas taxas de 
absorção de fertilizantes e outros minerais (YOHANNES, 2016). Dessa forma, 
nota-se a intensificação da produção agrícola sustentável (SCHEMBERGUE et al. 
2017). 
 
3. MEDIDAS MITIGADORAS 
 
3.1 PLANO ABC 
 
 O plano ABC, também conhecido por Plano Setorial de Mitigação e de 
Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de 
Baixa Emissão de Carbono na Agricultura, constitui em um dos instrumentos da 
Política Nacional de Mudanças Climáticas, instituída pela Lei 12.187/2.009. A 
tabela 1 apresenta os principais eventos que contribuíram para a criação do 
Plano ABC e contém também atualizações legislativas relacionadas a esse plano. 
 
 
 
 
200 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
Tabela 1. Breve histórico das ações brasileiras que culminaram com a criação do 
plano ABC e suas atualizações. 
Ano Evento Objetivo Referência 
2009 
Conferência das 
Partes de 
Copenhague, 
Dinamarca – COP 15 
Estabelecer metas para redução 
de GEE’s para o período entre 
2013 a 2020 
MINISTÉRIO 
MEIO 
AMBIENTE 
(2020) 
2009 
Política Nacional 
sobre Mudança do 
Clima, Lei 
12.187/2009 
Garantir o desenvolvimento 
econômico e social associado à 
proteção do sistema climático 
global 
BRASIL (2009) 
2010 Decreto 7.390/2010 Regulamentar a Lei 12.187/2009 BRASIL (2010) 
2018 Decreto 9.578/2018 
Consolidar atos normativos 
editados pelo Poder Executivo 
federal que dispõem sobre o 
Fundo Nacional sobre Mudança 
do Clima, de que trata a Lei nº 
12.114, de 9 de dezembro de 
2009, e a Política Nacional sobre 
Mudança do Clima, de que trata 
a Lei nº 12.187, de 29 de 
dezembro de 2009 
BRASIL (2018) 
2020 Decreto 10.431/2020 
Institui a Comissão Executiva 
Nacional do Plano Setorial para 
Consolidação de uma Economia 
de Baixa Emissão de Carbono na 
Agricultura. 
BRASIL (2020) 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
 
Um dos principais objetivos do plano ABC consiste na redução das 
emissões de GEE’s pelo setor agropecuário brasileiro, por meio do 
fornecimento de linhas de créditos aos produtores rurais visando adequação às 
tecnologias sustentáveis, sendo composto por seis programas de tecnologias de 
mitigação: (1) Recuperação de pastagens degradadas; (2) Integração Lavoura-
Pecuária-Floresta (ILPF) e Sistemas Agroflorestais (SAFs); (3) Sistema Plantio 
 
 
201 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
Direto (SPD); (4) Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN); (5) Florestas Plantadas; 
(6) Tratamento de Dejetos Animais. O plano conta ainda com um sétimo 
programa voltado à adaptação às mudanças climáticas, que está principalmente 
relacionado à utilização de novas variedades adaptadas às condições, visando 
garantir a produção agrícola sustentável. 
No entanto, Oliveira et al. (2016) ressaltam a dificuldade de 
implementação do plano ABC para os agricultores, o que pode estar associado 
ao desconhecimento desse plano, necessitando, portanto, de ações de difusão, 
visto que não tem sido utilizado todo o recurso disponibilizado pelo governo. 
Além disso, verifica-se uma desigualdade da distribuição dos recursos entre os 
estados e regiões e também entre os programas do plano ABC, sendo que mais 
de 80% dos recursos tem sido utilizado com o plantio direto e recuperação de 
pastagens degradadas, reforçando com isso, a necessidade de difusão 
(Observatório ABC). 
Com isso, tem-se como desafios para os próximos anos: 
• Aumentar a criação de mecanismos de comunicação mais 
eficazes entre os profissionais de assistência técnica e os 
agricultores, favorecendo com isso, a divulgação do plano ABC; 
• Reavaliar os processos envolvidos e as exigências para liberação 
dos recursos; 
• Desenvolver e/ou aperfeiçoar ações de monitoramento e 
acompanhamento dos recursos liberados. 
 
3.2 PLANTAS DE COBERTURA 
 
As alterações no uso do solo, com a intensificação da agricultura sem 
práticas sustentáveis de manejo, podem ocasionar elevação das emissões de 
gases do efeito estufa, conforme descrito por Carvalho et al. (2009), os quais 
destacam o aumento de CO2 e da absorção dos raios infravermelhos, resultando 
na elevação da temperatura média do planeta. Estima-se que no mundo a 
emissão de gases provenientes da produção agrícola e mudanças no uso da 
 
 
 
202 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
terra, como óxido nitroso (N2O) e metano (CH4) sejam em torno de 23% e no 
Brasil em torno de 84% (N2O), 74% (CH4) e 40% (CO2) (IPCC, 2014). 
É necessário ressaltar que os sistemas agrícolas que compreendem a 
vegetação e o solo são considerados um grande sumidouro de carbono (SILVA 
e MACHADO, 2000). Desta forma, Reicosky e Lindstrom (1993) e Reicosky e 
Forcella (1998) evidenciam que o manejo convencional pode resultar na 
oxidação biológica do C orgânico à CO2, aumentando sua concentração na 
atmosfera, além das fontes de fertilizantes nitrogenados que podem também 
contribuir para introdução de GEE’s. 
O manejo convencional com arações e gradagens, podem resultar em 
até 81,3 g de CO2/m2 emitidos na atmosfera, além dos efeitos na desagregação 
do solo, propiciando erosões, emissão de CO2 e problemas de armazenamento 
de água no solo. No Brasil, tal manejo gerou grandes problemas na década de 
70, onde uma das alternativas foi a adoção do SPD, principalmente na região 
Sul. Assim sendo, o manejo em SPD, além de proporcionar o sequestro de C e 
conservação do solo e água, atua na redução do consumo de combustível (60 a 
70%) e de GEE’s em relação ao cultivo convencional (CARVALHO et al., 2009). 
Segundo o IBGE (2017), o Brasil no ano de 2016, apresentava mais de 32 milhões 
de ha-1 em SPD (FUENTES et al., 2018). 
O uso de práticas agrícolas conservacionistas com intuito de mitigar o 
aumento do CO2 na atmosfera pelo sequestro do Carbono pelo solo, atua na 
prevenção da erosão, melhoria da infiltração e armazenamento de água no solo 
e principalmente pela incorporação de matéria orgânica no sistema produtivo 
(MACHADO, 2005), práticas importantes por elevar a produtividade agrícola e 
consequenteredução de CO2 atmosférico. 
O SPD com uso de plantas de cobertura proporciona uma rápida 
cobertura do solo (BERTOL et al., 2007), a qual promove proteção e reduz em 
até 88% a perda de solo e de 55% de matéria orgânica (MO) quando comparado 
ao sistema convencional (DECHEN et al., 2015). Ao longo do tempo a 
consolidação deste manejo não só reduz perdas de MO, mas também eleva os 
teores de C no solo, pela biomassa introduzida no sistema (BESEN et al., 2018). 
Quando associado a rotação de cultura o SPD proporciona a cobertura do solo 
com plantas ao longo do ano, onde estas utilizam o CO2 atmosférico na 
 
 
203 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
produção de carboidratos no Ciclo de Calvin (NELSON e COX, 2013) e na 
produção de biomassa vegetal elevando os teores de MO, resultando no solo 
um dreno de CO2 ao longo do tempo (BAYER et al., 2006). 
Calegari et al. (2008), na Estação Experimental de Pato Branco, PR num 
Latosolo roxo aluminoférrico, após 19 anos de diferentes sequências de cultivo 
e manejo do solo o manejo em SPD sequestrou mais 6,84 Mg ha – 1 C orgânico 
em relação ao preparo convencional (64,6%) na profundidade de 0 a 10 cm do 
solo, 29,4% a mais na profundidade de 0 a 20 cm, mas em quantidades 
equivalentes ao preparo convencional na profundidade de 20 a 40 cm. Maiores 
quantidades de carbono orgânico do solo estavam na profundidade de 0 a 20 
cm. O SPD sequestrou C orgânico à taxa de 1,24 Mg ha – 1 ano – 1, enquanto o 
sistema convencional sequestrou C orgânico à taxa de 0,96 Mg ha – 1 ano – 1. 
Independentemente do manejo do solo, o pousio no inverno armazenou a 
menor quantidade de C orgânico em todas as profundidades de solo avaliadas 
(0–10, 10–20, 20–40, 0–20, 0–40 cm). 
O SPD com plantas de coberturas de inverno, sequestram maiores 
quantidades de C orgânico e matéria orgânica na superfície do solo e foi o único 
tratamento de cultivo que se aproximou da condição de floresta não 
perturbada. Sendo um excelente modelo de gestão para sustentar a 
produtividade de Latossolos em regiões tropicais e subtropicais do mundo, a ser 
emulado por agricultores brasileiros e outros que estão manejando tipos de 
solo semelhantes. 
No século 21, a crescente demanda pela produção sustentável, o uso de 
plantas de cobertura se mostra importantíssimo para contribuir com os 
agrossistemas produtivos, e consequentemente torná-los sustentáveis (CARLOS 
e ROSSI, 2014), minimizando o uso de insumos e reduzindo a degradação do 
ambiente, podendo ser utilizadas em sucessão, rotação ou consórcio com 
culturas comerciais (WUTKE, CALEGARI, WILDNER, 2014). 
Assim sendo, podemos verificar o potencial das plantas de cobertura em 
produção de biomassa e sequestro de C nos diferentes tipos de cultura em 
relação a produtividade de palhada t ha-1 (Tabela 2) e no acúmulo de N em 
relação a produtividade de matéria seca (Tabela 3). 
 
 
 
 
204 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
 
Tabela 2. Produtividade de matéria seca de diferentes espécies forrageiras 
utilizadas para formação de palhada em sistema de plantio direto. UEMG, 
Passos, MG, 2006. 
Cultura Produtividade de palhada (t ha-1) 
Aveia preta 3,49 a 
Aveia branca 2,58 b 
Nabo Forrageiro 2,56 b 
Braquiária 1,98 b 
Testemunha 0,67 c 
*Médias seguidas da mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Duncan 
ao nível de 5% de significância. 
Fonte: Elaborado pelos autores. 
 
 
Tabela 3. Diferentes espécies forrageiras e relação entre acúmulo de nitrogênio 
e a produtividade de matéria seca. 
Espécie Nome Científico 
Massa Seca (t 
ha-1) 
N (kg ha-1) 
Aveia preta Avena strigosa 3-6 36-72 
Amendoim 
forrageiro 
Arachis pintoi 3-4 100-120 
Capim pé de 
galinha 
Eleusine coracana 6-10 100-120 
Centeio Secale cereale 2-5 24-60 
Crotalária breviflora Crotalaria breviflora 3-5 98-160 
C.juncea Crotalaria juncea 10-15 300-450 
C. ochroleuca C. ochroleuca 7-1 200-300 
C. spectabilis C. spectabilis 3-8 100-160 
Ervilhaca Vicia sativa 4-6 120-180 
Feijão de porco Canavalia ensiforms 3-7 80-160 
Girassol Heliantus annuus 7-12 100-180 
Guandu Cajanus cajan 7-15 120-220 
Guandu anão Cajanus cajan 3-7 100-180 
Milheto Pennisetum glaucum 10-15 100-120 
Mucuna anã Mucuna deeringiana 2,5-6 50-100 
Nabo forrageiro Raphanus sativus 2-9 60-100 
Tremoço branco Lupinus albus 3-5 60-90 
Trigo mourisco Fagopyrum esculentum 3-6 60-120 
Fonte: Adaptado de Calegari e Carlos (2014). 
 
 
205 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
 
3.3 BIOATIVADORES 
 
O modelo atual de produção agrícola exige a adoção de técnicas de 
manejo que possam fomentar a produtividade associadas à sustentabilidade do 
meio ambiente. Dessa forma, a utilização de produtos que têm apresentado 
influência em processos metabólicos nas plantas, pode se tornar uma estratégia 
(SILVA et al., 2008). 
Os bioativadores são produtos que possuem substâncias orgânicas 
complexas, capazes de modificar o crescimento e desenvolvimento das plantas. 
De modo geral, atuam como modificadores do metabolismo vegetal por meio 
da ativação de reações fisiológicas que resultam em uma maior expressão de 
proteínas, que por sua vez, interagem com mecanismos de defesa e possibilitam 
melhores condições de enfretamento à possíveis adversidades do meio 
(CASTRO, 2006). 
Existem também bioativadores de solos e plantas que se baseiam na 
tecnologia de princípios físicos. Toda a vida, incluindo crescimento, ações e 
pensamentos, não é possível sem impulsos elétricos e ondas magnéticas. A 
percepção de que cada átomo, molécula, composto e substância tem sua 
própria frequência eletromagnética. Sendo assim, é possível transmitir 
frequências selecionadas para materiais adequados sob condições controladas 
de indução, e isso leva a um status de elétron modificado da matéria. 
Esses produtos emitem frequências eletromagnéticas selecionadas para 
a área de aplicação e geram o efeito desejado. Melhorias no crescimento ou 
resistência, podem ser estimuladas com produtos energizados. Esta 
bioestimulação fortalece todo o organismo e conduz a uma utilização ótima dos 
recursos disponíveis e ao aumento da quantidade e qualidade dos produtos 
(PENERGETIC, 2018). 
Diversos estudos já demonstram resultados promissores na utilização de 
bioativadores no feijão, melhorando as condições de desenvolvimento da 
planta (BRITO et al., 2012), no trigo, aumentando substancialmente a 
produtividade de grãos (PEKARSKAS, 2012), em alface, quando associado a 
 
 
 
206 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
adubação orgânica mostrou-se viável em diferentes parâmetros de 
desenvolvimento (LOPES et al., 2019) e no café, promovendo melhor 
desenvolvimento inicial (SOUZA et al., 2020) e reduzindo a população de 
nematóides do gênero Meloidogyne (FRANCO JUNIOR et al., 2019). 
Alguns inseticidas que possuem capacidade de conferir efeitos 
fisiológicos, também podem ser chamados de bioativadores (CASTRO et al., 
2006; TAVARES et al., 2007). Neste sentido, estudos relatam estímulo ao 
desempenho fisiológico de sementes de cenoura e arroz (ALMEIDA et al., 2009; 
ALMEIDA et al., 2011), maior vigor em plântulas de milho e ervilha (HORII, 
MCCUE, SHETTY, 2007), redução dos efeitos negativos do déficit hídrico no 
processo de germinação da cultura da soja (CATANEO et al., 2010) e aumento 
no índice de clorofila durante o desenvolvimento de plantas de algodão 
(ALMEIDA et al. 2020). 
Dentro do contexto, o uso de produtos que estimulam os compostos 
bioativos pode ser uma excelente ferramenta para otimizar a produção agrícola, 
visto que, eles atuam em diferentes fases do desenvolvimento das plantas 
(KÜLEN et al., 2011). 
 
3.4 REMINERALIZADORES 
 
Aliada a necessidade de produção, há também uma procura por técnicas 
de manejo que minimizem os impactos ambientais e os efeitos causados pelas 
mudanças climáticas. Apesar do Brasil se destacar na produção de minerais, 
ainda é um país dependente da importaçãode insumos agrícolas (COSTA et al., 
2018), seguindo pela contramão da sustentabilidade e da economia. Dessa 
forma, a busca por sistemas de produção responsáveis se faz necessária. 
A remineralização consiste em uma técnica de aplicação de pó de rocha 
ou minerais com o intuito de melhorar a qualidade física, química e biológica do 
solo. A utilização e comercialização foi regulamentada a partir da edição da 
Instrução Normativa (IN) nº 05/2016, do Ministério da Agricultura Pecuária e 
Abastecimento (MAPA), onde a Lei n° 12.890, de 2013, inclui os pós de rocha 
 
 
207 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
como uma categoria de insumo destinado à agricultura. Essa Lei estabelece que 
os remineralizadores são: 
“Material de origem mineral que tenha sofrido apenas 
redução e classificação de tamanho por processos mecânicos e 
que altere os índices de fertilidade do solo por meio da adição 
de macro e micronutrientes para as plantas, bem como 
promova a melhoria das propriedades físicas ou físico-químicas 
ou da atividade biológica do solo.” 
 
A eficiência e função da utilização dessas rochas está condicionada as 
características do material utilizado e de fatores do ambiente (SOUZA et al., 
2017). Dessa forma, LUZ et al. (2010) destaca que além de ser fonte de 
nutrientes, a remineralização está ligada a correção de acidez e ao 
condicionamento do solo. No entanto, pesquisas relacionadas ao assunto 
destacam o interesse no uso como uma fonte alternativa de nutrientes para os 
sistemas de produção agrícola (SILVA et al., 2012; THEODORO e LEONARDOS, 
2014). 
Sabe-se que a disponibilização de nutrientes por meio das rochas e/ou 
subprodutos das mesmas é mais lenta quando comparadas aos fertilizantes 
químicos industriais, o que pode ser uma característica positiva para cultivos 
subsequentes (RAMOS et al., 2014) e diminuição de perdas por lixiviação 
(MANNING, 2010). Por outro lado, a carência de informações pode levar ao 
emprego de doses elevadas ou mesmo a baixa disponibilidade de nutrientes 
(BOLLAND e BAKER, 2000). 
As rochas e seus subprodutos podem proporcionar e/ou aumentar a 
disponibilidade dos macronutrientes fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca) e 
magnésio (Mg), e dos micronutrientes zinco (Zn), ferro (Fe) e cobre (Cu) que são 
essenciais para a nutrição e desenvolvimento das plantas (MANNING, 2010; 
MELO et al., 2012; SILVA et al., 2012), todavia, a disponibilidade desses 
nutrientes varia de acordo com a composição de cada rocha. Neste sentido, 
pesquisas relatam a utilização de agrominerais silicátivos que indicam potencial 
de suprir uma grande variedade de nutrientes (SILVA et al., 2014; MARCHI et 
al., 2020). 
 
 
 
208 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
No Brasil, estudos utilizando pós de rocha têm sido desenvolvidos 
apresentando resultados positivos. SILVA et al. (2011), verificaram que a 
aplicação de doses de pó de basalto proporcionou aumento no teor de P nos 
grãos de feijão. SOUZA et al. (2016), concluíram que o remineralizador 
proveniente da moagem de rejeitos gerados em um garimpo de esmeraldas, o 
qual é constituído basicamente de rochas vulcânicas, constituiu-se de uma 
fonte alternativa de K para a cultura da mandioca. MARCHI et al., (2020), 
observaram que a disponibilidade de micronutrientes nas culturas de alface e 
arroz aumentou com o uso dos agrominerais. 
Além de minimizar o uso de fertilizantes químicos industriais, 
THEODORO et al. (2006), verificaram maior teor de umidade em parcelas na 
qual foi feito o uso de rochagem, demonstrando assim, que as argilas presentes 
no material possuem uma grande capacidade de retenção de água. Dessa 
forma, a prática de remineralização pode atuar positivamente no aumento dos 
parâmetros de fertilidade dos solos e contribuir como mitigadora para os 
efeitos causados pelas mudanças climáticas (PILLON, 2017). 
 
3.5 USO DE RESÍDUOS 
 
Atualmente a população mundial encontra-se em 7 bilhões, produzindo 
1,4 bilhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos (RSU), resultando em uma 
média de 1,2 Kg/hab/dia de resíduos. Segundo previsões da Organização das 
Nações Unidas (ONU) juntamente com o Banco Mundial estima-se que sejam 
geradas 2,2 bilhões de toneladas anuais nos próximos dez anos, o que nos 
permitiria prever um aumento significativo para 4 bilhões de toneladas de RSU 
por ano em 2050 (SENADO, 2014). 
A população brasileira com mais de 200 milhões de habitantes, gerou no 
ano de 2013, cerca de 76 milhões de toneladas de RSU, sendo a média per capita 
de 1,041 kg/hab/dia (ABRELPE, 2014). É necessário destacar que no Brasil ainda 
se tem a tradição de queimar, enterrar e até mesmo destinar toneladas de RSU 
a céu aberto, o que consequentemente acaba por agravas os impactos 
negativos (ZAGO e BARROS, 2019), 
 
 
209 SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO 
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), tem como objetivo a 
redução do volume produzido, reutilização, reciclagem e tratamento dos 
resíduos sólidos, além da destinação ambiental adequada dos rejeitos (BRASIL, 
2010), desta forma o Decreto nº 7.404, de 23 de dezembro de 2010, 
regulamenta a Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a Política 
Nacional de Resíduos Sólidos, criando o Comitê Interministerial da Política 
Nacional de Resíduos Sólidos e o Comitê Orientador para a Implantação dos 
Sistemas de Logística Reversa, e dá outras providências (BRASIL, 2010). 
Estes resíduos, se não destinados adequadamente ou trabalhados por 
reciclagem ou compostagem, podem trazer inúmeros problemas ambientais, 
sociais e também de saúde pública, devido a produção de metano (CH4) e 
dióxido de carbono (CO2), através da degradação da matéria orgânica (MO), 
contribuindo com a elevação da temperatura global. 
Estudos realizados no Brasil, evidenciam que mais da metade do RSU 
gerados não são transformados em composto, causando sérios problemas 
ambientais (SIQUEIRA et al., 2015). 
Anualmente o Brasil produz aproximadamente 7,8 milhões de toneladas 
de cama aviaria, 105 milhões de m3 de dejetos líquidos suínos, e pensando no 
rebanho de suínos, aves e bovinos, estes produzem cerca de 1.200 milhões de 
ton de resíduos primários (BENITES et al., 2010). Os quais podem ser utilizados 
como material orgânico e processados por compostagem para o uso como 
fertilizantes ou até mesmo na utilização de biodigestores (MAPA, 2018). 
O tratamento dos resíduos orgânicos domiciliares, como fertilizantes 
para agricultura garante um produto estabilizado e com qualidade, atuando 
como condicionador de solo e fonte de nutrientes, surgindo como opção a 
compostagem (LOUREIRO et al., 2007), o qual sob condições controladas de 
aerobiose, temperatura e umidade, geram um produto estável (BERTOLDI et al., 
1983), denominado composto ou adubo orgânico. 
Considera-se resíduo orgânico, a fração orgânica compostável, 
ressaltando-se que, em um mesmo período de tempo, nem todos os resíduos 
orgânicos são passíveis de compostagem, como madeira tratada, borracha e 
couro, por exemplo (SIQUEIRA e ASSAD, 2015), estes resíduos podem ter 
aspecto diferentes, passando por problemas ambientais como degradação do 
 
 
 
210 SILVA, A.L.C.; B.C. GOES; PUTTI, F.F.;(Orgs.) 
solo, erosão e mudanças climáticas a soluções para a agricultura, onde podem 
ser “recurso” precioso, na produção de fertilizantes e/ou energia (ZAGO e 
BARROS, 2019) 
Estima-se que o crescimento da demanda de fertilizantes no brasil seja 
na ordem de 3,2% ao ano e que deva chegar em 2022 a 18,6 milhões de 
toneladas (ABISOLO, 2019), o que mostra que esta possibilidade de utilização 
de compostos orgânicos neste segmento de fertilizantes, seja ele como 
composto orgânico, como organomineral ou condicionares de solo, pode ser 
uma excelente opção econômica e ambiental, contribuindo para a mitigação 
das mudanças climáticas. Na tabela 4 pode ser observado a produção de ton de 
CO2 e emissão em toneladas

Mais conteúdos dessa disciplina