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Direito Constitucional II - João Batista Berthier Aula 1 - Rio, 03.08.11 Bibliografia: Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, José Afonso da Silva. CRFB. ............................................................... INTRODUÇÃO - Uma Constituição como a nossa trata de três grandes temas: a própria organização do Estado (art. 84 e 49 - normas de organização do Estado, seu conteúdo), é o ato constitutivo do Estado; indica os fins/objetivos do Estado (art 3º, CRFB), são as normas constitucionais programáticas; Estado tem que seguir os princípios fundamentais de direito, na busca das finalidades constitucionais é preciso seguir os direitos fundamentais. Posso encontrar entre esses três temas integração – a organização do Estado, a definição de direitos fundamentais e a definição de finalidade do Estado. A Const. organizou e limitou o Estado. O Est brasileiro se diz democrático porque se formou para buscar fins baseados na Constituição. O Estado tem uma estrutura em função dos fins que resolve buscar. Exemplo: artigo 144. Estado está habilitado a condenar, processar, habilitar, investigar, acusar. Não se pode esquecer que aquele que é processado, acusado, investigado, também tem direitos fundamentais, pois tem direitos da personalidade, tem direito a vida, e por isso suas informações pessoais devem estar sob sigilo (exemplo: informação bancaria da pessoa. Obs: o Estado tem a competência para ter acesso as suas informações, não é um ato invasivo, o que não pode é terceiros, que não são autoridades, poderem ter acesso a essas suas informações. Você mesmo dá o acesso mínimo necessário. Não é uma invasão desmedida). OBS: EVITAR A EXPRESSÃO QUEBRA DE SIGILO BANCARIA! - Vamos falar sobre a organização dos poderes. - Direitos fundamentais não servem como escudo da ação do Estado. Direitos fundamentais têm eficácia vertical e eficácia horizontal. Estado é legislativo, judiciário e executivo, seguindo os direitos fundamentais, tendo a função de nos proteger. Para nós, em Constitucional II, vamos tratar direitos fundamentais tendo eficácia vertical. - A Constituição é compreendida quando conhecemos o seu texto, e a interpretação dele. E é preciso saber que a interpretação do texto muda, isso é chamado de Mutação Constitucional. - De certa forma há um descompasso entre o nosso texto constitucional e o que realmente acontece na nossa realidade. Se faz uma Constituição nova com a intenção de realizar um processo de mudança, portanto, ela pode vir justamente para contrariar a realidade, a fim de que ocorra essa mudança. Faz sentido a Constituição se distanciar do que ocorre na realidade. Exemplo: art 196, CRFB. - Interpretação tópica. - Caso semelhante admite mesma solução - analogia. - Sistema de freios e contrapesos. Poderes estão em equilíbrio. - Princípio da razoabilidade no Brasil perdeu um pouco do seu caráter cientifico, virou um pouco princípio da "achabilidade", por isso, deve-se tomar cuidado com ele. Só se pode trabalhar com a razoabilidade quando se estabelece um padrão. Depois que se estabelece um padrão partimos para analisar o caso, o qual apresenta suas peculiaridades, então é inevitável não se afastar do padrão. Explico que para algumas situações irei me afastar do padrão para entender as peculiaridades que determinado caso tem. ORGANIZAÇÃO DOS PODERES - A separação é estrutural, são três estruturas que consigo diferenciar enquanto estruturas. É uma separação de cunho estrutural, pois consigo pegar órgão do poder público é separar em executivo, legislativo e judiciário. Acontece que essas estruturas existem para funcionamento. Ao partir para o olhar funcional, a separação perde a sua nitidez. - Por mais que a nossa Constituição coloque a separação dos poderes como uma separação estrutural, é o executivo que possui a maior parte do poder. O verdadeiro monopólio da força é o executivo. A cultura de agigantamento é uma cultura que o executivo ainda tem. ............................................................................ Mais anotações sobre a última aula Relação entre definir direitos fundamentais, organizar o Estado e determinar os fins do Estado. Chama-se Constituição porque é o ato constituinte do Estado, as leis feitas pelo legislativo são para serem cumpridas, se não forem cumpridas se evoca o poder judiciário. Quem cria o Estado, cria um aparato que é o exercício de poder. Já que a Constituição constituiu o Estado para ser Estado democrático de direito é fundamental que o Estado nasça limitado. Os fins a realizar são os fins que a Constituição indica o Estado quando legisla vai em busca de finalidades que a Constituição indica e os meios que vai adotar são os compatíveis com os direitos fundamentais que ela vai determinar. O Estado já nasce limitado, nasce com os fins que a Constituição determinou. O Estado democrático de direito rejeita a razão de Estado, o fim só posso buscar por meios que a Constituição indique, permite. A Constituição trata do seu conteúdo, da organização do Estado, da definição política dos direitos fundamentais e da indicação dos fins do Estado. Por mais que sejam três temas que consigo diferenciar, são matérias relacionadas, pois a Constituição é uma só e a relação se faz quando percebo esses fins que a Constituição indica são impositivos para o Estado e os direitos que ela define também, ou seja, o Estado está estruturado pela Constituição para alcançar finalidade que ela indica, respeitando direito que igualmente pré-estabelece. O que o Estado pode fazer ou não passa pelos fins que a Constituição indica e pelo que ela pode ou não fazer. Exemplo: A mídia fala muito de quebra de sigilo bancário, na doutrina cada vez mais se critica essa expressão, e se considera imprópria. O artigo 3º indica os objetivos da república federativa do Brasil, uma sociedade para ser livre, justa e solidária deve ter condutas antissociais que são objetos de repressão, as mais graves tipificadas como crime. Há um fim e esse fim indica reação do Estado com relação às condutas antissociais. No artigo 144 se fala de polícias, as polícias civil e militar têm uma atividade investigadora, essa estrutura do Estado que o 144 desenha está habilitada a investigar, essa atividade é sem dúvida evasiva. Se coletadas provas, indícios, o Estado de investigador se torna acusador. Art. 127 -> MP; art. 129, I -> ação penal pública para acusar da prática de crime. No que acusa tem que ter uma instância para processar e julgar, o art. 92 começa o tratamento do poder judiciário. E a execução de pena fica a cargo do poder público, que mantém os presídios. O Estado acaba autorizado a investigar, acusar, processar, julgar, condenar e executar a pena. A atividade do Estado permite isso, por meio de órgãos que ela possui. Essa estrutura está ligada aos fins que o Estado quer realizar. Mas o Estado quando acusa, processa e julga, respeita os direitos fundamentais daquilo que é investigado, acusado -> Vai que uma autoridade policial já tem um princípio de prova sobre autoria de um crime, mas para fechar a atividade investigatória precisa de uma informação bancária do investigado, buscará então uma ordem judicial para conseguir a informação bancária. E o juiz vai ver se os indícios e provas representam justa causa para que seja concedido acesso àquelas informações bancárias. Quando o juiz autoriza não é uma quebra de sigilo, no fundo, é acesso à informação, porque para demais pessoas continua sendo sigilosa a informação. Quando ele determina essa quebra de sigilo não é para a atividade policial vasculhar a vida inteira do acusado; ele fixa um lapso de tempo para mostrar que ele como juiz, como autoridade do Estado, viabilizou que uma outra autoridade cumprisse seu papel de investigar tendo acesso dentro do que era necessário, pois é uma questão que envolve a vida privada do investigado. Nas questões constitucionais a temática é essa, o que o Estado pode realizar, o que não pode e em que medida poderá agir. Passa a ver como o Estado legitima a sua conduta, diante do que a Constituiçãoindica e o procedimento é feito com respeito aos direitos fundamentais. A Constituição é um documento estruturante e limitador. Esses direitos fundamentais que estão na Constituição tem a eficácia vertical, posso exigir que o Estado me garanta o direito à saúde, que o Estado não invada minha casa à noite. Oponho tais direitos a quem exerce soberania, no caso, o Estado. Esses direitos têm uma eficácia horizontal também, têm uma eficácia perante outros particulares, deixa de ser uma questão de mera estrutura do Estado. Exemplo: Quando certo empregador vai selecionar candidato a emprego, pode levar em consideração a pretensão salarial do candidato, é um critério válido, podendo levar o empregador a contratar um outro candidato. Mas não pode discriminar por sexo. Esses direitos fundamentais são oponíveis a particulares. ................................................................. Aula 2 - Rio, 08.08.11 continuação... ORGANIZAÇÃO DOS PODERES -A separação de poderes é estrutural, e em termos estruturais a fronteira é claríssima. Acontece que em nosso estudo, mais importante do que a estrutura é o funcionamento, ver como esses três poderes funcionam, ver que eles colocados em marcha se inter-relacionam. Quando penso nos três poderes, não mais no aspecto estrutural e sim no funcional, quando os vejo em atividade, descubro que a separação pode ser estrutural, mas não alcança o aspecto funcional. Exemplo: três poderes se inter-relacionando -> três poderes estão presentes na escolha de alguém para ocupar um cargo no STF, pois o presidente nomeia, legislativo aprova e assim se terá um ministro do STF. -Executivo, legislativo e judiciário são três estruturas conjuntas. Ao evitar a concentração de poderes, evita-se o arbítrio e o autoritarismo (“O pode absoluto corrompe absolutamente”). Esses três poderes exercem três funções: legislar, administrar e jurisdicionar. E eles se relacionam com essas funções de certa forma. Cada poder exerce essas três funções, e por isso, é viabilizado o sistema de freios e contrapesos – cada poder ora controla, ora é controlado; estabelece competências distintas e não estabelece hierarquias entre eles. Então temos separação na perspectiva estrutural e sistema de freios e contrapesos na perspectiva funcional. Se o executivo só exercesse função administrativa, o legislativo só legislasse e o judiciário só prestasse jurisdição, esses poderes iam ter pouco contrato um com o outro. Veremos quais são cada uma dessas funções exercidas em cada um dos três poderes. -Legislar -> não é somente elaboração de leis. Tem a ver com a função por meio da qual chamamos normas de abstratas e genéricas – legislar é quando o Estado edita um ato que tem por conteúdo normas abstratas e genéricas. É abstrata quando descreve algo hipoteticamente – exemplo: conceitos do que é empregado e empregador no artigo 2º.A norma é abstrata quando trata de uma situação hipotética para que se aplique em qualquer caso que ali se enquadre. E quando a norma é abstrata ela acaba também sendo genérica, pois cabe para um número indeterminado de pessoas. Essa função tem a ver com regrar, disciplinar todos que integram a sociedade. Legislar é quando o poder público por certo ato introduz na nossa ordem jurídica normas abstratas e genéricas. O objetivo é regrar a sociedade. Legislar é regrar um assunto genericamente e de forma abstrata, dando soluções iguais para casos semelhantes, independente de quem esteja envolvido. Encontramos essa função preponderantemente no poder legislativo – leis complementares, leis ordinárias. No executivo vemos o ato de legislar nas medidas provisórias (art. 62, CRFB), art. 84, IV, CRFB - presidente da republica pode ditar regulamento para fiel obrigação das leis – regulamentação de leis (mesmo sendo um ato abaixo da lei) – competência para o presidente: editar decretos para sua execução – quando a lei entre em vigor o executivo pode definir um regulamento, ou seja, qual fundamento daquela lei o executivo regulamentará. É um ato típico do executivo, a ideia é detalhar mais do que a lei detalhou, fica no plano abstrato, mas detalha mais. Exemplo: lei federal 8213/91 -> Câmara aprovou projeto de lei que fala de benefícios pagos aos filhos de presidiários que a previdência paga, benefício chamado de auxílio reclusão. A previdência paga ao dependente enquanto a pessoa cumpre pena, pois o dependente não pode ser penalizado por via indireta. Mas e se o sujeito foge da prisão? A lei não fala nada. O presidente pelo decreto 3048 regrou a situação: na fuga do segurado, o benefício é suspenso, nem é extinto e nem permanece sendo pago. O regulamento tratou bastante abstrata e genericamente, só que detalhou mais do que a lei fez. Todo regulamento tem mais artigos do que a lei que ele regulamentou. O judiciário legisla através da súmula vinculante – é norma abstrata e genérica e impositiva, ADI (legislar negativamente, porque retira a constitucionalidade de uma norma), mandado de injunção (legislar positivamente, porque faz valer um direito – direito à greve), tribunais portam autonomia (elabora seu regimento interno) – normas abstratas e genéricas. Todos os poderes que integram a estrutura acabam legislando. É uma função que integra os três poderes. Obs.: Lei de efeitos concretos – só é lei no seu aspecto formal, no conteúdo é ato administrativo. Não é norma abstrata e genérica, logo não é legislar. -Função administrativa e jurisdicional dão mais problemas, pois são funções que se parecem muito. O que há de comum entre a figura do juiz e de um administrador? São aplicadores do que o direito diz. É por isso que Kelsen dizia que o Estado não tinha três funções, mas sim duas funções, mesmo tendo três poderes – legislar = criar um direito, jurisdicionar e administrar = aplicar o direito. Nessa visão, enquanto o legislador cria o direito, o juiz e o administrador são aplicadores. Mas essa tese não pode ser adotada, pois, hoje, esta tese é descartável – Na visão de Kelsen, elaborar uma lei era criar um direito, porém quando se elabora uma lei segue-se um procedimento previsto na Constituição, no fundo o fazer de uma lei é a criação de um direito aplicado à Constituição; quando você cria uma lei, na verdade aplicou regras constitucionais de como vai construir a lei. E quando o juiz vai aplicar uma lei e tem uma lacuna? Aumenta o potencial criativo dele, cria a solução por princípios gerais e analogias. Então as funções são na verdade três, mesmo admitindo que a função de jurisdicionar e de administrar sejam parecidas. Ambas são funções de aplicações do direito e por isso trazem complicações nas suas definições. Mas em três aspectos consigo diferenciar o papel do administrador e do juiz. 1)O juiz realiza a aplicação do direito porque uma das parte pediu isso, o juiz só age quando é provocado – o direito de ação é o direito de provocar o judiciário para que ele saia da inércia e dê solução ao caso. Jurisdicionar depende de uma provocação. A função jurisdicional é uma aplicação do direito que em regra depende de uma provocação. Obs.: quando o juiz declara de ofício é uma exceção. Já as atividades administrativas se iniciam de ofício, não dependem de uma provocação. Na função administrativa, a lógica é outra, pois a provocação nem sempre é necessária – ora depende, ora independe da provocação – exemplo: concurso público é feito de ofício; é feito quando a administração pública acha que seu quadro de pessoa está desfalcado, mesmo que ninguém nada tenha requerido. Então a primeira diferença é que enquanto na jurisdição é necessária a provocação, na administrativa pode agir pro provocação ou de ofício. Obs.: esse critério é considerado fraco, pois em alguns casos o juiz também age de ofício, mesmo não sendo comum exemplo: artigo 878, CLT: depois da sentença trabalhista em julgado, o juiz pode iniciar de ofício a execução. 2)Na prestação jurisdicional o juiz aplica o direito a uma situação litigiosa. É na situação de conflito. Na função administrativa aplica-se o direito a situações não litigiosas –licença para construir, licitação, aposentadoria perante a previdência -> em todos não há litigiosidade da situação. Obs.: jurisdição voluntária -> magistrados recebem a função de aplicar direito a situações que não sejam apenas litigiosas, logo não é propriamente jurisdição, são atos jurisdicionais apenas nas suas formas, mas não nos seus conteúdos, é uma jurisdição de cunho administrativo. “O que o nosso código chama de jurisdição voluntária, é muito mais uma administração judicial de interesses”. 3) Chiovenda – para ele a jurisdição foi uma atividade substitutiva – juiz impõe sua vontade às partes que estão em conflito, ele afasta a vontade das partes e impõe a sua, tem postura de intervenção. Quando a atividade é administrativa não tem essa intervenção Na função jurisdicional: aplicação do direito, que depende de provocação em regra, da litigiosidade e que afasta a vontade das partes e impõe a sua. O Estado é provocado para resolver litígios, em que substitui a vontade das partes, impõe uma vontade que é uma função substitutiva. É um Estado-Juiz. Na função administrativa: aplicação do direito, que nem sempre depende de provocações, situações que não são litigiosas e o poder público é figura originária e não de intervenção. Estado age sem depender e provocação, aprecia questões não litigiosas, aplica direito onde não há litígio em situação que envolve o Estado desde o começo. -Função administrativa -> Executivo tem basicamente função administrativa. O poder legislativo também tem sua função de cunho administrativo – concursos, licitações, comissões parlamentares de inquérito. O judiciário também tem funções administrativas – juiz eleitoral (recebe as inscrições de candidatos, fiscaliza propaganda eleitoral, apuração eleitoral), concursos públicos. -Função jurisdicional -> A jurisdição é uma função preponderantemente do judiciário. Mas o legislativo também a exerce – impeachment. Também é exercida pelo executivo – leva-se uma multa e recorre-se, criando um litigio na esfera do executivo -> recursos ao DETRAN. -Alguns livros colocam que cada poder tem a sua função típica (legislativo = legislar, judiciário = jurisdicionar, executivo = administrar), mas o professor acha melhor que se fale em preponderância ou residualidade, pois o que é típico é cada poder exercer as três funções. Chamar algo de atípico é dizer que é incomum, e é comum para os três poderes exercer as três funções, pois todas as funções são típicas dos poderes. ....................................................................... Aula 3 - Rio, 10.08.11 -Quando se fala na relação entre os poderes entra numa discussão entre os sistemas de governo: parlamentarismo e presidencialismo. Como faço uma relação para diferenciar esses sistemas? Preciso achar o ponto diferenciador entre eles. Vamos partir primeiro para a diferença entre Monarquia e República. Monarquia e república são diferentes quando o foco é no Chefe de Estado. Na Monarquia há a vitaliciedade e hereditariedade, enquanto que na república há a temporariedade e a eletividade, dessa forma obtenho as características do Chefe de Estado em cada um deles. -Monarquia e República -> forma de governo -Brasil: República e democracia -Forma de Estado: .Atribuição de competências *Unitário, una. Estado concentra em si todas as competências. *Federação = reparte em competências – Brasil reparte entre entidades autônomas. -Sistema de governo: Presidencialismo e parlamentarismo ≠: maneira como se relacionam o legislativo e o executivo. -Presidencialismo: independência entre eles, pois há casa(s) legislativa(s) eleita pelo povo + presidente da república eleito diretamente. Ele é Chefe de Estado (relações exteriores) e de Governo (define políticas públicas. Carga decisória, importante). Crítica: não consegue solucionar as crises de governabilidade. Se não tem maioria no Congresso, suas propostas podem ser vetadas. -Parlamentarismo: Chefe de Estado (Monarca – Inglaterra; presidente – França + chefe de governo – 1º ministro escolhido pelo parlamento). O povo elege o parlamento que elege o primeiro ministro. Cria-se uma lógica que quem legisla escolhe quem cria políticas públicas. Maior sintonia. Voto ou moção de desconfiança -> o parlamento faz o primeiro ministro – coloca-se outro primeiro ministro em seu lugar. Quase sempre 1º ministro sai. Se o Chefe de Estado desse apoio, convocaria novas eleições do parlamento, eleito pelo povo. “Conta os minutos e os segundos da política”. Ambos foram produtos da história e tem a ver com o parlamento britânico. O opressor era o monarca e o libertador era o parlamento. Já para os EUA, o parlamento inglês era o opressor. -O presidencialismo nomeia e exonera ministros. No parlamentarismo escolhe o primeiro ministro e o gabinete (ministros), escolhe uma equipe. O primeiro ministro não coordena os outros. Presidencialismo -> posturas colegiadas, pondera, ambos têm que concordar para intervenção federal (presidencialismo com vestígios parlamentares). Parlamentarismo -> posturas monocráticas, pode até agir de maneira unilateral. -Art. 89 -> conselho da república – civis. Art. 90 -> conselho nacional – civis e militares. -O Brasil como sistema de governo é presidencialista, com vestígios parlamentaristas. Saber que o Brasil é república, presidencialista e uma federação. Essas três informações têm muito significado. Mas agora temos que pensar em regime político. Toda Constituição se diz democrática – entra em cena o que Barroso chama de “hipocrisia constitucional” -> exemplo: Constituição da URSS. Com isso como poderei concluir o que é um regime político democrático e um autoritário¿ Em um regime democrático temos regras pré-estabelecidas, os processos decisórios seguem as regras de jogo, pois num ambiente democrático não predominam o voluntarismo e a casualidade, mas sim regras previstas e respeitadas. Num regime autoritário vale o voluntarismo. O voluntarismo não é bom, pois com regras pré-estabelecidas consigo a vida em sociedade de forma regrada e organizada. Essas regras devem ser efetivas e garantidoras de inclusão; no autoritarismo não tenho regras de jogo, se as tenho não são cumpridas, ou então são excludentes. Democracia não é ditadura de maioria, pois numa democracia a ordem democrática garante direitos também para segmentos minoritários. Numa democracia processos decisórios seguem regras estabelecidas e efetivadas, são regras de inclusão e de ampla participação, levam em conta direito fundamentais até para segmentos minoritários -> essas características formam o ambiente democrático. No fundo quando olhamos para o Brasil dá pra dizer que nosso ambiente é democrático, pois existem regras de jogo, efetivadas em sua maioria, permitem inclusão, direitos fundamentais declarados temos muito, porém o nosso problema está na efetivação desses direitos fundamentais, principalmente para setores colocados como em desfavorecimento. .............................................................. Aula 4 – Rio, 15.08.11 PODER LEGISLATIVO -Aquele poder que preponderantemente legisla, edita atos, mas que também têm funções administrativas e jurisdicionais. -O nosso legislativo possui duas casas: a câmara e o senado. Qual relação existe entre as duas casas? O Brasil tem o bicameralismo em âmbito federal, temos o unicameralismo em âmbito estadual e municipal. O senado é a casa que representa os membros da federação e a câmara representa o povo; podemos comprovar isto a partir dos art. 45, §1º e art. 46, CRFB -> art. 45, §1º: deputados federais tem um número variável em função da população de cada estado, e lei complementar fixará que estados com maior população vão ter um maior número de deputados federais e estados com menor população vão ter um menor número de deputados federais. Mas há um número mínimo e um número máximo de deputados em cada estado: no mínimo 8 e no máximo 70. Art. 46: cada estado em senadores e o DF tem 3 senadores, então temos no total 81 senadores (3x27=81) – princípiofederativo: unidades de uma federação tenham tratamento isonômico – fica claro que o senado representa a federação, é fundamental para ter federação que unidades federadas recebam tratamento isonômico. Outro aspecto de se diferenciar uma casa da outra é a partir do art. 14, CRFB que enumera direitos políticos como o direito de ser votado, de se candidatar, de se filiar a partido político, fazer propaganda na época própria; estes direitos acabam indicando as condições de elegibilidade para concorrer a determinados cargos legislativos como, por exemplo a idade mínima – para ser deputado federal é de 21 anos e para ser senador tem ter pelo menos 35 anos, outra condição é pelo tempo de mandato: câmara dos deputados ao fim de cada legislatura, a cada 4 anos, ela tem sua casa inteira renovada, então é uma renovação total e o tempo de mandato de um deputado é de 4 anos, já no senado tem eleições a cada 4 anos, mas sua renovação nunca é total, somente por renovações parciais de 1/3 ou 2/3 e o tempo de mandato de um senador é de 8 anos. São diferenças formais, mas que levam a uma conclusão: quando pensar o Senado não é só casa que cumpre o papel de representar a federação, mas também uma casa com posturas mais conservadoras, é uma casa fechada em si mesma, enquanto que a Câmara dos Deputados é mais aberta, são posturas progressistas. Estas são observações de cunho jurídico formal. -Se fizermos uma análise de ciência política, vamos constatar que nossas práticas políticas não implicam antagonismos entre posturas progressistas ou conservadoras, mas sim antagonismos partidários. A nossa politica constitucionalizada é partidária. Os mesmos partidos que ocupam cadeira na câmara, são os partidos que também ocupam cadeira no senado, então nas duas casas o embate é o embate político partidário. Segundo ponto, em termos de prestígio o Senado tem uma concentração maior de poder político real (tem ex-presidente da república, principais líderes de partidos, ex-governadores, etc.), Senado tem maior prestígio político. -Uma das coisas a se aprender é saber qual a primeira casa a apreciar um projeto de lei. O projeto de lei parlamentar começa na casa que iniciar o projeto, ou seja, se um projeto de lei é de um deputado federal ou de uma comissão da câmara, a primeira casa é a câmara, e se for de um senador ou de uma comissão do senado, o senado é a primeira casa. Mas têm casos de projeto extraparlamentar (de fora do Congresso), isto é, projetos de lei do presidente, do STF, do procurador geral da república, de iniciativa popular. Nesse caso, em qual casa começa? Como a Câmara é a mais progressista, e que representa o povo, é em regra, a casa que inicia projeto de lei extraparlamentar. O Senado é primeira casa quando o projeto é de senador ou de comissão do senado. A Câmara dos Deputados é a primeira casa quando o projeto é de deputado ou de comissão da câmara e quando é projeto extraparlamentar. Projeto de lei por iniciativa popular -> é apresentado à câmara dos deputados, porque é um iniciativa extraparlamentar – art. ?, CRFB. -Proposta de emenda – art. 60 -> diz quem tem legitimidade para apresentar proposta de emenda: 1/3 dos senadores, 1/3 dos deputados, presidente e mais da metade das assembleias legislativas das entidades da federação. Para aprovar proposta: duas vezes em cada casa e 3/5 para aprovar. Há quem diga que esses que apresentam proposta de emenda são representantes do povo, e pelo art. 1º, parágrafo único, CRFB, todo poder emana do povo, esse artigo seria então um postulado para que chegássemos à seguinte interpretação: por mais que a democracia seja representativa, é fundamental viabilizar que o povo pratique atos de democracia direta – o art. 61, §2º permite ao povo apresentar projetos de lei, e se pegarmos esse artigo e a ele aplicarmos analogicamente o art. 60, apesar deste último não ver o próprio povo podendo apresentar projeto de emenda, temos que o art. 1º, parágrafo único, ao colocar como princípio interpretativo a abertura ao máximo possível de portas para que todos exerçam democracia direta, esse artigo 1º, parágrafo único permite que eu aplique por analogia o art. 61, §2º, não somente para que o povo apresente projeto de lei, mas também que apresente proposta de emenda; obviamente seria nos moldes do: § 2º - a iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo, 1% do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles – José Afonso que tem a paternidade dessa ideia. Qual é a primeira casa que apresenta proposta de emenda? (isso não está na Constituição) -> art. 60 – presidente da república (extraparlamentar) – então é a câmara; 1/3 dos deputados é a câmara; 1/3 dos senadores é o senado; mais da metade das assembleias legislativas (câmaras federativas do DF também entram) das unidades da federação -> alguém poderia pensar que essa proposta vem de fora do congresso, isto é, extraparlamentar, fazendo crer que seria a câmara a casa iniciadora, mas como são os estados que estão apresentando a proposta, o senado é a primeira casa, mesmo sendo extraparlamentar, pois é o senado a casa que representa os estados; quando a iniciativa é das unidades federadas a primeira casa é o senado. Impeachment -> quem vê é a câmara, e quem julga é o senado, por ser mais conservador, é a cúpula que vai julgar o presidente, pois tem mais concentração política. A casa aberta é a casa que o cidadão oferece a denúncia popular, o protocolo é apresentado na câmara, se não admitiu fim de papo, mas admitindo o senado é que vai julgar. Cabe à casa conservadora julgar. No Brasil se discute abolição do senado, para que o Brasil passasse a ser unicameral no âmbito federal, uma das vantagens disso seria acabar com essa concentração de pessoas poderosas politicamente, é um elitismo de classe política. Pensando dessa forma, parece ser até uma ideia a se pensar. Porém, a dificuldade que existe nessa abolição é que o Brasil não é apenas uma federação, se formos ao art. 60, § 4º temos as cláusulas pétreas, não posso aboli-las, e com isso não posso abolir a federação. Ao abolir o senado, não seria abolir a federação, mas seria TENDER abolir a federação, e isso o art. 60, § 4º não permite. Para o professor a existência do Senado é cláusula pétrea. O fim do Senado acabaria com a isonomia, iria fragilizar a federação, rompendo uma isonomia que os membros da federação têm ali com o Senado. Se o Brasil não tivesse mais senado, as unidades estariam todas na câmara, e estados mais populosos teriam mais força e estados menos populosos teriam menos força. Extinguir o senado por emenda tenderia a abolir a federação, pois membros da federação têm um tratamento isonômico, e é necessário que eles tenham as mesmas oportunidades. Por mais que a Câmara represente o povo, tem tudo para não ser uma proporcionalidade perfeita, pois por menor que seja um estado terá no mínimo 8 deputados e um estado grande terá no máximo 70 deputados, então não tem uma proporcionalidade perfeita. Art. 45,§ 1º. ADI – art. 103 -> quem pode ajuizar a ADI, que antes tinha legitimidade única, e agora é de legitimidade pluri. O governador do estado do RS ajuizou uma ADI ao art. 45,§ 1º - ao ir art. 60 e ver as cláusulas pétreas, no § 4º, II – voto secreto, universal e periódico – para respeitar o igual peso de voto de cada brasileiro, a proporcionalidade tinha que ser perfeita então. Nesta ação, o Supremo falou o seguinte: extinguiu essa ADI, dizendo que o pedido era juridicamente impossível. Otto Bachof (regras de estruturação do Estado não podem bastar). Se fala em voto universal e não em igualdade. -> pegar melhor com alguém -Imaginar o poder legislativo é pensar na produção de normas, acontece que também vão fiscalizar, o parlamentar, também fiscaliza atividades do Estados, atividades sociais de relevância – legislar e fiscalizar. Atividade de fiscalização -> comissão parlamentar de inquérito. Porém, há uma certainércia quanto a essa atividade de fiscalização no Brasil, é ainda uma atividade acanhada aqui. A função preponderante é a de legislar, produzir normas abstratas e genéricas que regram a sociedade, no entanto, não pode se esquecer da função de fiscalizar. Com isso, chegamos a uma síntese do que é a atividade de legislar. .Funções do legislativo: -art. 59, CRFB -> atos que aparecem quando o Congresso está legislando. O processo legislativo compreende a elaboração de emendas, leis complementares, leis ordinárias, leis delegadas, medida provisória, decretos legislativos e resoluções. Todo processo são atos interligados e preparatórios para a prática de um ato final. Processo legislativo -> Conjunto de atos ordenados e interligados que são atos preparatórios para que no final se produza uma das espécies normativas que o art. 59 prevê. -Quando olhamos o art. 59 vemos um ato muito diferente no procedimento, em comparação com os outros, que é a medida provisória. Os outros atos representam o fim de um processo legislativo, no final nasce emenda, lei ordinária, decreto, resolução. Mas a medida provisória é ao contrário: o presidente a edita, não tem preparação formal para isso, já nasce com força de lei como está no art. 62, enquanto ela está em vigor, você começa um processo legislativo para ver se aquela medida provisória vai ser ou não convertida em lei. A medida provisória representa o início de um processo legislativo, enquanto vigora começa um projeto no congresso para ver se aquele texto vai ser convertido num texto previsto em lei. Ela desencadeia um processo que começa quando ela é editada. Ela representa o fim e não o início. -1ªespécie -> emendas constitucionais. Art. 60 – não é pra falar em projeto de emenda, mas sim em proposta de emenda! A feitura de emenda vem do presidente da república, 1/3 dos senadores ou dos deputados ou de mais da metade das assembleias legislativas das unidades da federação (no inciso III temos que ter uma cautela, pois cada estado tem seu poder legislativo chamado de assembleia legislativa, pelo texto do artigo dá a ideia de estar excluído o DF, mas como fala em unidades da federação, inclui o DF, pois não usa a expressão ‘estado’, e sim entes federativos). José Afonso -> estes que estão no artigo são representantes do povo, e no art. 61 são poderes que emanam do povo, por representantes ou sempre que possível de forma direta, então o povo pode, por analogia do art. 1º, parágrafo único, ofertar proposta de emenda – professor acha que é uma analogia bem construída. Apresentada a proposta por emenda, esta será votada nas duas casas, perceberemos que não tem isonomia entre as duas casas, pois a primeira casa pode rejeitar e ai é fim de papo, se aprova e a segunda rejeita também é fim de papo; mas se a primeira aprova e a segunda quer fazer mudança, volta então para a primeira casa para ver o que vai valer, então não há isonomia entre as duas casas. A proposta irá e voltará até que ambas aprovem, mostrando a rigidez constitucional. Textos têm que ser substancialmente os mesmos. Vamos imaginar que o presidente apresentou proposta de emenda e a câmara é a primeira casa, e aprovou um texto “x” e mandou para o senado, e o senado aprovou por 3/5 um texto “y” – em princípio, ela voltaria para a primeira casa, pois tem que haver consenso – por mais que os textos não sejam iguais, quando chego mais perto vejo que o que mudou foi que a segunda casa aprovou o texto “x”, mas diminuiu um artigo que era grande, uma palavra que não era técnica e foi trocada por uma palavra de significado mais técnico em doutrina do direito, uma certa norma que era artigo primeiro passou a ser artigo oitavo. As duas casas não aprovaram i mesmo texto se eu analisar sob o aspecto formal, tem diferença quanto à organização de um texto, mas por mais que tenham mudanças formais, os dois textos têm i mesmo significado. -> O STF falou sobre isso, e disse que a emenda nasce quando as duas casas aprovam duas vezes por 3/5 um texto que substancialmente seja o mesmo, mas pode ser que formalmente não seja o mesmo. Há essa possibilidade de aprovarem dois textos em que o significado é o mesmo. Quem vai dizer que o texto formalmente não é igual, mas substancialmente é? Art. 60, § 3º -> tal como está, a emenda é promulgada pelas mesas da câmara e do senado, as duas têm que ter consenso de que o significado é o mesmo, mesmo com alterações formais – é uma exigência de consenso nas duas casas. Se a primeira não concordar, ela não promulgará, dizendo que não tem consenso. Se uma acha que a outra afetou substância e forma, ela não promulga. Se houver divergência quanto à substancialidade e a forma terem mudado, as casas vão aprovar o último. ..................................................................... Aula 5 – Rio, 17.08.11 continuação... -A proposta pode ir e vir até que as duas casas aprovem um texto que seja substancialmente o mesmo. Temos o chamado ato complexo -> ato que não se forma por apenas uma manifestação de vontade, é pela manifestação de vontade de mais de um órgão. O ato complexo desigual é quando dois órgãos manifestam vontades diferentes – é o caso de projeto de lei ordinária e de lei complementar -> as duas casas aprovaram, mas não foi o mesmo texto. A emenda constitucional é um exemplo de ato complexo igual, porque são duas manifestações que têm que ser de mesmo conteúdo. E quando o texto substancialmente é o mesmo e formalmente não é (câmara aprova um texto e o senado aprova o outro)? A câmara diz que o texto substancialmente é o mesmo, mas o senado diz que não, este não vai achar que são só diferenças formais -> nesse caso, a Constituição traz uma válvula de escape no art. 6º, § 3º: promulgação é atestar que o ato normativo existe, e isso é um ato que tem que ser feito pelas duas mesas, então a Constituição quer que haja um consenso. Mas e se uma das casas quer o consenso e a outra não? Então a emenda não será promulgada. O professor acha que esse é um processo muito político, e seria esse um dos motivos para não levar esta questão ao judiciário, até porque não é possível levar todas as questões ao judiciário. -Limites ao poder constituinte derivado -> art. 60. Tipos de limites que este poder tem ao produzir uma emenda: *Limites formais e procedimentais, que são os limites que já foram vistos, se ele violar um desses limites, estará violando um dos limites colocado pela Constituição. Mas não são só limites formas e procedimentais, temos também no at. 60, § 1º -> normas de estabilização constitucional: intervenção federal, estado de sítio, estado de necessidade são momentos de instabilidade, de crise, e estes são momentos em que não se cabe fazer proposta de emenda, e com isso temos limites circunstanciais, impedindo fazer proposta de emenda constitucional. *Limitações materiais ou cláusulas pétreas – art. 60, § 4º. Limitações formais e circunstanciais são limites mais fáceis de delimitar, mas no caso dos materiais é mais complicado. Preciso saber o que se torna pétreo a partir dessas quatro petrificações do art. 60, § 4º, preciso saber se existem limitações além dessas. Qual é a razão de ser das cláusulas pétreas? -> paralelo entre a Constituição e o CPC: o CPC mudou tanto que mudaram seus princípios fundantes, o objetivo eram ter processos seguros, porém esse processo seguro passa a ser um processo lento, e então se buscou um processo com celeridade e rapidez/efetividade, mesmo que isso significasse ter menos segurança – o CPC mudou substancialmente, e esta é a diferença de uma lei para uma Constituição -> a Constituição não muda como as leis mudam, as leis podem se tornar outras, mas a Constituição não. E o que garante o princípio de identidade da Constituição são as cláusulas pétreas, faz com que a Constituição não se perca no tempo, faz com que ela mantenha sua identidade. A receita para o sucesso constitucional de um país está em garantir o princípio fundante daquele país, mas também permitir adaptabilidade sem que se perca a identidade do país. Temos que pensar onde estáa identidade da nossa Constituição: art. 60, § 4º -> são garantias individuais. Vamos ver se existem cláusulas pétreas fora da Constituição. Brasil deve ver a separação de poderes como cláusula pétrea, temos que manter o sistema de freios e contrapesos, mas ele pode rever questões em que se pode ter mais flexibilização -> ver melhor este exemplo, exemplo do voto, exemplo das garantias e dos direitos individuais (são individuais porque tutelam a individualidade, e não porque cabem apenas aos indivíduos – nossa sociedade é uma sociedade que tolera diferenças, posso ter comportamentos diferentes dos de outras pessoas, então posso construir a minha individualidade. Porém, construir individualidades significa construir diferenças, e é ai que entram as garantias. Mas na literalidade, este artigo não coloca o direitos sociais como cláusulas pétreas. Temos dois caminhos que dizem que as garantias e os direitos individuais podem levar a petrificar parcela dos direitos sociais – 1º: não posso construir minha individualidade na pobreza, na falta de moradia, passando fome, sem saúde, sem educação -> haveria um núcleo essencial dos direitos sociais que seriam cláusula pétrea, é necessário ter um mínimo existencial como garantia. Não se pode atingir o núcleo essencial dos direitos sociais, pois preciso deles para construir minha individualidade; então uma emenda não pode abolir núcleos essenciais de direitos sociais que dão direito à vida. 2º: o professor prefere essa tese – a Constituição tem uma identidade, e a nossa Constituição é uma Constituição social, se eu suprimisse que tudo de direito social nossa Constituição tem, eu desapareceria com ¼ da nossa Constituição, por isso não posso atingir os direitos sociais, pois estariam construindo uma nova Constituição, e isso não pode acontecer, pois uma Constituição não pode mudar muito a ponto de se tornar outra. E com isso, posso falar que as cláusulas pétreas estão para além do art. 60, § 4º. Por causa dessa última tese, o professor acha que os direitos sociais podem ser cláusulas pétreas. Ainda na questão da existência de cláusulas pétreas fora do art. 60, § 4º - a existência do MP seria cláusula pétrea? -> MP tem semelhanças com os três poderes, mas também têm diferenças: poder judiciário na essência resolve conflitos, o legislativo decide as normas a criar, o executivo tem o poder decisório de medidas públicas – o MP não tem essa vocação para decisão, o que ele faz é PROMOVER e não decidir, então na essência o MP é um não-poder, pois apenas provoca a decisão alheia e não toma decisões propriamente ditas, e com isso não seria cláusula pétrea, pois estaria fora da separação dos poderes. Mas o art. 127 chama o MP de instituição permanente – poder constituinte originário faz isso para definir que aquele instituição não deixará de existir, quer deixar isso claro para o poder constituinte derivado. Chamar de permanente quer dizer que não poderá ser abolido. O MP é permanente na existência e no funcionamento, então sua permanência tem dupla face. Estudar cláusula pétrea é buscar a identidade da Constituição. PROCESSO LEGISLATIVO PARA ELABORAR LEIS ORDINÁRIAS -Não podemos falar de proposta de lei, e sim PROJETO de lei ordinária. -Todo projeto de lei ordinária se inicia a partir do ato da iniciativa, que irá apresentar o projeto de lei. A iniciativa pode ser parlamentar ou extraparlamentar. Temos projetos de lei do presidente da república, procurador geral da república, projeto de iniciativa popular, que são iniciativas extraparlamentares, pois a iniciativa vem a alguém externo ao poder legislativo. Saber se a iniciativa será parlamentar ou extraparlamentar irá me ajudar a descobrir qual será a primeira casa: quando a iniciativa é parlamentar pode ser projeto da Câmara ou do Senado, se for extraparlamentar sempre será da Câmara, pois esta é a casa progressista. Tanto câmara quanto senado tem suas estruturas definidas pela própria casa. Quando o projeto de lei chega a primeira casa, tem que se estudar o projeto, e ai entram as comissões temáticas. Tanto uma casa quanto outra divide o seu corpo por comissões que se dividem por temas específicos, varia porque cada casa tem autonomia para definir quais comissões terá. Temos a comissão de Constituição e Justiça, e quando o projeto começa a tramitar ele precisa ser estudado para ver se o seu tema é constitucional e garante os “interesses” da justiça. Comissões temáticas tem o papel de realizar os atos preparatórios. Frentes parlamentares. ..................................................... Aula 6 – Rio, 22.08.11 1º projeto parlamentar ou extraparlamentar 2ºComissões temáticas -> colegiados divididos em grupo. Variando a menor ou maior extensão do tema da lei vai passar por determinada comissão temática. Qualquer lei passa pela comissão de Constituição de Justiça -> controle preventivo de constitucionalidade – é um controle político. Quando ainda está passando por essa comissão ainda é um projeto de lei, e não lei propriamente dita, então o que a comissão analisa é um projeto. 3ºUma certa hora esse projeto de lei ordinária virá para o plenário aprovar ou rejeitar. Se a primeira casa rejeita, acabou, o projeto está vetado. O quórum para se apreciar projeto de lei ordinária – art. 47, CRFB -> não é quórum para aprovar projeto de lei ordinária, mas sim um quórum geral para quando não há um quórum específico – no caso de emenda constitucional não se aplica pois já tem um quórum estabelecido no art. 60 para as emendas constitucionais. Nesse quórum do art. 47 precisa-se de maioria absoluta presente -> não pode ser a metade +1, pois isso só dá certo com número par; a maioria absoluta é o primeiro número inteiro após a metade. O senado para deliberar precisa ter 41 senadores (81/2). Se for deliberado por menos do que isso, será inconstitucional formalmente. Um projeto de lei para ser aprovado é porque estava presente no mínimo a maioria absoluta e em função do número da maioria absoluta que aprovar – maioria simples ou relativa -> é uma maioria que oscilará em função de quantos lá estiverem, em função da maioria absoluta. O mínimo para aprovar tem que ser 21 (41/2). Gilmar Ferreira Mendes acha que o texto não fala exatamente isso -> exemplo dos 81 estão presentes 41, e desses 41 10 são pela abstenção, e 19 estão aprovando, e os outros 12 são contra – a maioria é pela aprovação -> a maioria dos VOTOS (e não dos presentes, e o texto fala em maioria dos votos daqueles que estão presentes) – a literalidade suporta isso. Porém, o professor achar complicado projetos de lei serem aprovados com um quórum muito baixo, e 19 é um número baixo para aprovação. O professor acha que não parece uma tese legitimadora, apesar dessa interpretação ser cabível. Se a primeira casa rejeita, nem vai para a segunda. Porém, quando a primeira casa aprova, passa para a segunda casa, que é a casa revisora. No Brasil, sabemos que a nossa política é partidária, então nossa política não é feita com conservadores em uma casa e progressistas em outra. Os mesmos conflitos de uma casa aparecem na outra também. A segunda casa é muitas vezes só uma casa de homologação de conflito que a primeira casa resolveu. Por mais que há essa tendência de que a segunda casa aprove, ela também pode rejeitar, e essa casa também para aprovar ou rejeitar segue o quórum do art. 47. Além disso, a segunda casa pode aprovar, rejeitar ou emendar – aqui a palavra emenda é em relação a um projeto de lei, e é quando a segunda casa ao aprovar um projeto de lei resolve modificar parte do projeto -> pode ser emenda aditiva, supressiva – a segunda casa aprovou, então, outro texto. Se as duas casa aprovam o mesmo texto, o projeto vai para o presidente. Mas o art. 65 prevê que se houver emenda por parte da segunda casa, o projeto volta para a primeira casa -> essa primeira casa recebe um projeto que ela já apreciou, porém com emendas – nos projetos de lei ordinária não há uma lógica de isonomia, pois a primeira casa pode aprovar com ou sem as emendas, se o quórum seguido for o doart. 47 – a primeira casa tem uma posição de supremacia, pois a reposta que ela der será enviada ao presidente da república; a primeira tem a competência para decidir. A primeira casa também pode aprovar algumas emendas e rejeitar outras. As emendas constitucionais é um ato complexo igual -> ato que para se formar depende de mais de um ato de manifestação – a câmara e o senado votam duas vezes, com o quórum de 3/5 em cada uma, aprovaram um mesmo texto que substancialmente é o mesmo. Nas leis ordinárias é um ato complexo desigual -> as duas casa votam, mas podem não aprovar o mesmo texto. No fundo a ideia é dar privilégio para a primeira casa, a fim de que se acelere um processo que já é lento, é uma lógica técnica e mais flexível, enquanto que para a Constituição é uma técnica mais rígida. 4ºAo chegar no presidente -> mais do que nunca vemos o sistema de freios e contrapesos – presidente em atividade legislativa (apreciando projeto de lei) -> art. 66, CRFB : *§1º -> presidente tem 15 dias úteis para vetar - quando o projeto é inconstitucional ou em algum aspecto não atende o interesse da sociedade. *§3º -> a sanção tácita vem com 15 dias de silêncio - é incompatível com o §1º na sua literalidade. O que está certo é o prazo do §1º, pois é o que está mais claro. * no que veta terá 48 horas para comunicar o veto: 15 dias úteis + 48 horas a partir do dia em que deu o veto. *sanção pode ser expressa o tácita. Com a sanção o que se chamava de projeto de lei, posso chamar de Lei, pois é quando nasce a lei. A lei ainda não está em vigor, mas já é lei. O que se promulga e se publica já é a lei, esses outros dois atos são atos para que ela entre em vigor. O projeto acaba com a sanção expressa ou tácita. *mas o presidente pode também vetar. Em alguns países o veto é insuperável, absoluto. No Brasil, o veto não é absoluto, é relativo – quando o presidente veta ele se opõe ao projeto, e então continua sendo um projeto. O veto é relativo, porque ele pode ser superado. Art. 66, §2º -> veto total ou parcial (um artigo, uma alínea, um parágrafo). Veto tem a ver com o poder de impedir e não de modificar, sendo por isso também um motivo de ser algo que é superado. *quando o presidente veta o projeto volta para o CN – art. 66,§4º -> CN terá que apreciar o veto, e para vencer o veto tem que haver maioria absoluta contra o veto – por que não aplicamos o quórum do art. 47? Pois se tem um quórum específico e mais elevado a partir do art. 66,§ 4º - faz sentido pelo seguinte: quando o presidente veta, e volta para o CN, precisa-se de um quórum mais qualificado e elevado para vencer o veto do presidente, ai entra o sistema de freios e contrapesos, pois o poder executivo é mais pesado e ao vetar tem muita força, o quórum específico e elevado é importante para se tornar mais forte que o veto do executivo, afastando o art. 47. Atenção: a sessão deve ser conjunta, mas continua sendo bicameral (primeiro vota a câmara, devendo ter maioria absoluta e depois o senado). Art. 3º, ADCT – em 1993, Congresso virou unicameral, Senado e Câmara viraram um colegiado só – revisão é um instrumento mais flexível. Não podemos confundir sessão conjunta com sessão unicameral! Conjunta: as duas casas trabalham juntas, mas com funções distintas, cada uma tem um voto. Preciso ter a maioria absoluta nas duas casas para vencer o veto. Tema que ficou em aberto: nas emendas de revisão podia mudar questões que eram cláusulas pétreas? Quanto a isso a doutrina divergiu: limite material não podia ser flexibilizado, era intocável; e a outra parte achava que era flexível. ..................................................................... Aula 7 – Rio, 24.08.11 continuação... -Diferença entre sanção e promulgação. MUITO IMPORTANTE, CAI NA PROVA COM CERTEZA! Diferenças formais: 1)Com sanção o que era projeto virou lei – a sanção acontece no curso do processo legislativo. A promulgação acontece depois de encerrado o processo legislativo. A promulgação vem quando a lei já existe. 2)A sanção nem sempre será um ato, pois há a sanção tácita, então pode ser ato expresso do presidente da república ou fato por decurso dos 15 dias úteis sem sanção expressa, sendo então tácita. A promulgação sempre será um ato – promulgar é algo que implica manifestação de vontade. 3)A sanção seja ela ato ou fato, é um comportamento do presidente, ou seja, perante a sanção os olhares estão na figura do presidente, pois ou é o ato expresso dele, ou o silêncio dele com a sanção tácita. Art. 66, §7º. A promulgação será um ato que virá do presidente da república, se não do presidente do senado e se esse não fizer será do vice presidente do senado. Esses três aspectos não são os mais importantes, pois estes só são os aspectos formais. Diferenças substanciais: 1)A sanção transforma o que era projeto em lei, logo a sanção muda o que ela encontra no mundo jurídico -> SANÇÃO TEM NATUREZA CONSTITUTIVA. No direito, eu digo que algo tem natureza constitutiva quando o advento daquele ato ou fato altera a situação jurídica. Promulgar é atestar que a lei já existe, PROMULGAÇÃO TEM NATUREZA DECLARATÓRIO -> é uma certidão de nascimento da lei, é declarar que a lei já existe. 2)O oposto da sanção é o veto. A sanção é a resposta positiva, é a concordância com o que o legislativo elaborou. O destinatário da sanção é o Congresso, pois recebe resposta do executivo ao que o legislativo elaborou. A sanção destina-se ao Congresso. A destinatária da promulgação é a sociedade, tanto que o ato seguinte é a publicação, dando o conhecimento a todos, atestando que a lei existe para a sociedade, exigindo o seu cumprimento. 3)Nem toda lei é sancionada, algumas são vetadas, e o Congresso supera o veto. Mas toda lei foi promulgada. Toda lei passou pela promulgação. Sanção e promulgação assumem papéis completamente distintos. Promulgação e publicação, na maioria da doutrina, são vistos como atos separados. Mas Manoel Gonçalves acha que o ato é a promulgação, mas como esse ato se destina à sociedade, ela é publicada, então o que temos na verdade é um ato de publicação da promulgação, é um ato conjunto. -O veto pelo art. 66,§2º pega uma parte integral do projeto de lei. O veto é o poder de impedir e não de modificar. Temos o veto total e o veto parcial. Sanção encerra o projeto legislativo, o veto faz o processo continuar. Quando o veto é total não tenho maiores problemas. Tudo volta ao Congresso. E quando é parcial? O que a nossa CRFB não responde é: quando o veto é parcial o que faço com as partes não vetadas? Logicamente, pensaríamos que as partes não vetadas estão sancionadas tacitamente, então aquelas partes não vetadas já são uma lei. As partes que não foram vetadas ficaram aguardando os vetos ou ficam esperando para serem promulgadas? A nossa CRFB não responde isso. A Constituição Argentina diz que essa parte não vetada, espera para ver como a lei nascerá. O professor acha que essa seria a melhor interpretação para essa lacuna da nossa Constituição, porém essa a maioria da doutrina acha que essa parte não vetada deveria ser promulgada e publicada. Mas o professor acha isso ruim, pois pode surgir um problema intertemporal. Se o é veto total, alcançou o projeto todo. Tem o veto total -> totalmente mantido, acabou o processo legislativo e não nasceu lei nenhuma. Tem o veto total -> totalmente superado, então a lei nasce. A lei nasce pela sanção expressa ou tácita ou quando o veto é superado. Tem o veto total -> parcialmente superado, então temos nascimento de uma lei. Quando o veto é parcial já nasceu a lei, pois as partes não vetadas ja são lei, basta promulgar e publicar. Veto parcial -> totalmente mantido, de tantos artigos mantidos, o CN não conseguiu superar o veto de determinados artigos. Veto parcial -> totalmente superado, a lei nasce. Veto parcial -> parcialmente superado, nasce lei. Depois que nasce a lei, promulga-se e depois publica. -A emenda é um ato complexo igual, a lei não. (aula passada) A lei é um ato complexo desigual, pois a primeira casa pode impor a sua vontadeà segunda casa. A lei ordinária é um ato complexo duplamente desigual, pois vai que a primeira casa faz um texto, ai a segunda emenda, e a primeira mantém o seu texto – primeira casa prevaleceu. Se o presidente veta 5 artigos, e esse veto é mantido, no fundo a câmara queria um texto “x”, o senado “y”, e o presidente um outro, mas o veto é superado, então se o veto não é mantido, o legislativo não concordou com o executivo. PROCESSO LEGISLATIVO PARA A ELABORAÇÃO DE LEIS COMPLEMENTARES -Art. 69, CRFB. Diferença entre art. 47 e art. 69. Lei ordinária – sigo rito do art. 47; art. 69 – os projetos de lei complementar são aprovados por maioria absoluta. Quando comparo as duas leis, a espécie mais flexível é a lei ordinária, e a lei complementar é mais rígida, pois o quórum é mais elevado (maioria absoluta no mínimo a favor daquilo). -> análise do que o texto diz. -Outra análise: quando um país elabora a sua Constituição ele acaba obrigado a fazer juízo de temas que vai tratar e temas que não vai tratar, ou seja, faz uma relevância do tratamento dos assuntos. Assuntos relevantes vão ser tratados na Constituição, e outros não vão ser tratados dessa forma. Algumas normas são materialmente constitucionais, e outras são formalmente constitucionais – essa visão é objeto de uma relativização -> muitas matérias que não eram constitucionais, com o passar do tempo se tornou constitucional. Não dá pra chegar a um critério cientifico sobre quais temas devem estar na Constituição, pois isso se faz num processo político e histórico, sendo então objeto de relativização. Nessa história de buscar aferir pesos importantes, é que nasceram as cláusulas pétreas, tratando de temas que não podiam ser abolidos, e por isso não podiam ser modificadas por emendas. Nossa Constituição foi feita tendo em vista o peso dos assuntos, por isso as passíveis de modificação poderiam ser modificadas pelas emendas constitucionais. Quando o Brasil fez a sua CRFB, o Brasil pensou que alguns temas acabaram não cabendo na Constituição, mas esses temas não eram de um único assunto de um único peso, e é nessa lógica que surge a figura da lei complementar, pois na CRFB de 88 estabeleceu-se que o que a CRFB não podia tratar não podia ficar no campo das leis ordinárias, e é ai que nascem as leis complementares -> art. 146: temas de direito tributário que só podem ser tratados por lei complementar. Art. 93: estrutura orgânica da magistratura só por lei complementar. Qualquer competência para o vice só pode ser por lei complementar. Você começa a descobrir que você vai fazer lei complementar quanto temas que a CRFB indica, e quando faz indicação é porque que esse tema mesmo sendo infraconstitucional, é marcado pela sua relevância. São temas que por serem mais importantes, merecem tratamento mais rígido do que as leis ordinárias, bastando as regras do art. 47 para essas. Art. 62 -> trata de medidas provisórias – assuntos que não posso tratar por medida provisória -> não posso tratar lei complementar por medida provisória. Art. 68: alguns temas não podem ser tratados por lei delegada, dentre eles, matérias de lei complementar. Lei complementar, por terem maior importância, maior relevância de assuntos, precisam de estrutura mais rígida. Matérias paraconstitucionais trato por lei complementar, pois estão mais próximas da Constituição, e matérias mais flexíveis temos matérias infraconstitucionais, pois os assuntos têm menor relevância. As leis complementares são uma das espécies normativas que integram nosso processo legislativo, que tratam de assuntos que não tiveram espaço na nossa Constituição, mas por terem assuntos relevantes, são mais rígidas. Se a lei ordinária invadir matéria reservada à lei complementar, a lei ordinária é inconstitucional. E se a lei complementar sai do seu campo, tratando de matérias que não são reservadas a ela? Dizer que é inconstitucional não faz sentido, sobram então duas alternativas: a lei complementar pode ir além do seu campo, passando a ter um novo assunto que pode tratar -> minoria da doutrina – lei complementar não pode estender seu campo de regência, pois dá impressão de que ela pode definir quais são suas matérias, e quem faz isso é a Constituição; a saída é dizer que essa lei complementar que está fora do seu campo é constitucional, mas ela perde sua força de lei complementar, adquirindo força de lei ordinária. Se surgir lei ordinária sobre esse assunto que fez a lei complementar se tornar lei ordinária, então a lei ordinária que surge depois sobre esse mesmo assunto revoga a lei ordinária anterior, que se tornou ordinária pois começou como uma lei complementar que tratou de assunto fora da sua alçada. Quando essa lei complementar ganha força de lei ordinária permite criar medida provisória para tratar dela. Obs.: Na recepção constitucional só tem um momento no qual a forma pesa. O Brasil não adota o fenômeno da desconstitucionalização. A nova Constituição não trata do artigo “x”, mas ele é compatível com a Constituição nova, então era para ser recepcionado passando a ter força de lei, perdendo a força de norma constitucional. Mas o Brasil não aceita a teoria da desconstitucionalização. Na recepção o que pesa é a compatibilidade material e não formal, salvo se for constitucional. -> falaremos sobre isso mais tarde, de forma mais aprofundada. ................................................................. Aula 8 – Rio, 29.08.11 continuação... Lei complementar tem quórum mais elevado, trata dos temas que a CRFB indicar, os demais serão tratados pelas leis ordinárias. Tem temas que por importância extrema são tratados por cláusula pétrea, outros são modificados por emenda, temos também os paraconstitucionais e os infraconstitucionais tratados por lei ordinária. Existe hierarquia entre lei complementar e lei ordinária? A principio parece que sim, mas não podemos trabalhar dessa forma. Existem teses quanto a isso: 1ª) não há hierarquia entre as duas, pois ambas estão abaixo da Constituição – as leis complementares até tratam de matéria mais importante com quórum mais elevado, mas está hierarquicamente no mesmo nível da lei ordinária. A lei ordinária se entra no campo da complementar é inconstitucional. Se a complementar entra no campo da ordinária, ela fica com força de lei ordinária, podendo ser revogada por outra lei ordinária. São espécies de mesma hierarquia, com campos distintos de atuação e tendo consequências ao adentrar no campo de cada uma. Essa primeira tese é extremamente positivista, e quem segue isso diz que existe uma fronteira clara e rígida entre Constituição, lei complementar e lei ordinária. CONSTITUIÇÃO 2ª) há hierarquia – não quer dizer que temos a Constituição em um nível, em outro a lei complementar e no último nível temos a lei ordinária; não é esse o esquema válido nesse caso. Aqui temos a Constituição e abaixo dela temos a lei complementar e a lei ordinária -> há uma zona comum, não há uma fronteira tão clara: se lei complementar invade matéria de lei ordinária, ganha força de lei ordinária, e a ordinária ao tratar de matéria de lei complementar é inconstitucional, mas existe uma zona cinzenta em que ambas podem adentrar, a lei ordinária vale como ordinária e a lei complementar vale como lei complementar, e acontece que nesse campo a lei ordinária não pode ir contra a lei complementar, pois se for, prevalece a lei complementar. CONSTITUIÇÃO CONSTITUIÇÃO LEI COMPLEMENTAR LEI ORDINÁRIA Para o supremo a visão correta é que não há hierarquia – não tem campo comum, a fronteira é rígida. O supremo avaliou isso em matéria tributária. Variando a tese que adoto, varia a conclusão. Exemplo: art. 79, CRFB – vice-presidente substitui o presidente em determinadas ausências temporárias e sucede quando o presidente sai do cargo, fora isso cumpre tarefas que o presidente designa. Parágrafo único: outro atribuição só por lei complementar – além de receber competências constitucionais, também recebe por lei complementar -> outrasfunções podem ser criadas por lei complementar, além das que a Constituição define . Art. 89,I + 90,§ 2º -> art. 89: Na ANC, eram muitos que defendiam o parlamentarismo, mesmo perdendo no plebiscito a vertente parlamentarista não deixou como legado o plebiscito, deixaram outras marcas; no sistema presidencialista clássico, o presidente nomeia ministros e auxiliado por eles, ele governa o país, é uma autoridade monocrática, e isso sempre assustou a lógica dos que defendiam o parlamentarismo. No sistema parlamentarista, existe a lógica de decidir as coisas no gabinete – o primeiro ministro reúne-se com o gabinete nos momentos de crise. Arts. 89, 90 e 91 -> Conselho da República e da Defesa Nacional, em certas situações de crise, o presidente é obrigado a ouvir os dois colegiados. No da república não temos militares, e na defesa nacional temos civil e militares. Art. 89, I -> vice presidente é membro do conselho da república. Art. 90, § 2º -> falou em lei e não adjetivou, então é lei ordinária. Tenho uma matéria para lei complementar e lei ordinária e as duas questões são referentes ao vice presidente da república. Variando a teoria que eu uso, variará a teoria sobre o assunto. Qual das regras permanece? Variando a tese que eu adoto, varia a minha conclusão. Exemplo: Lei complementar vem para tratar do vice-presidente da república. Art. 79, parágrafo único. Vai que essa lei complementar fala do vice-presidente como autoridade monocrática, mas também dele como membro do conselho da república. Passado um tempo, vem lei ordinária para tratar do conselho da república, e ao tratar fala do vice-presidente, e percebendo que pela lei complementar o papel do vice é um, e pela ordinária é outro. Que papel o vice presidente da república cumpre? Visão número 1 -> Constituição, logo abaixo dela leis complementares e leis ordinárias, com fronteira rígida. O intérprete fica obrigado a ser preciso na habilitação do campo normativo de uma espécie e de outra – ou a matéria é para lei complementar ou é matéria para lei ordinária. Já que adoto a tese de que existem campos demarcados claramente sem hierarquia: o art. 79, parágrafo único diz que só por lei complementar crio competências para o vice, o conselho da república fala de lei ordinária, e ao falar disso, fala do vice como membro do colegiado, o vice como membro do colegiado permite a lei complementar criar competências para ele. A lei ordinária ao tratar do conselho, trata do vice como um dos seus integrantes. -> A conclusão é que a lei complementar ao tratar das atribuições do vice é uma lei complementar no seu campo, com força de lei complementar, mas quando ela fala do vice como membro do conselho passou sua fronteira, e a lei complementar fora do seu campo tem força de lei ordinária. Ao tratar do vice como autoridade monocrática era uma lei complementar dentro do seu campo, mas esta lei ao falar do vice como membro do conselho era uma lei complementa fora do seu campo, e, sendo assim, ela tem força de lei ordinária. Quando vem uma norma depois que ao falar do conselho, fala ao vice, o que a lei ordinária fez com a lei complementar foi revogá-la. -> é a visão que prega não haver hierarquia, a lei ordinária posterior prevalece, revogando a complementar no que ela for fora do seu campo. Visão número 2 -> O ponto comum seria o vice como membro da república, o vice como autoridade monocrática quem pode tratar é lei complementar, e do conselho da república quem pode tratar é lei ordinária. Mas ele como membro do conselho da república, as duas espécies podem, como se eu dissesse que a lei complementar ao tratar do vice pode falar do vice como membro do conselho da república. A lei ordinária pode falar do vice como um dos seus integrantes, existe uma área comum. O vice como membro do conselho, as duas espécies podem regrar. Se não houvesse lei complementar sobre esse tema, a lei ordinária que iria regrar, mas como a lei complementar veio antes e falou dele como membro do conselho, a lei ordinária não pode contrariar a lei complementar. A lei complementar impede que a lei ordinária tenha aplicação, a ordinária no campo comum não pode descartar o que a complementar definiu. Na área comum, quem prevalece é a complementar, pois o quórum é maior na hora da deliberação. Esse é um tema que tem a ver com o tipo de conflito das normas. PROCESSO DE LEGISLATIVO DE LEIS COMPLEMENTARES: -Procedimento para elaborar lei complementar é IGUAL ao de lei ordinária, só muda uma coisa: primeira votação na câmara, segunda votação na câmara, mais dois na casa seguinte, se emendar e voltar para a primeira, usamos o artigo 69, enquanto que na outra usamos o art. 47. Quando é projeto de lei ordinária: 3 votações no máximo seguindo quórum do art. 47 e projeto de lei complementar: quórum d art. 69. Pontes de Miranda: Projetos de lei complementar não são sujeitos a veto. Na lei ordinária o veto faz sentido, pois com o veto ao voltar para o CN tem que conseguir um quórum diferente para superar o veto; já a lei complementar tem quórum suficiente para superar o veto, antes de precisa voltar para o CN. Mas isso não foi aceito, pois o veto tem o argumento do presidente, mesmo tendo a maioria absoluta da câmara e do senado, quando o presidente veta ele dá os motivos, e o que se leva em consideração é esse argumento, e não só o quórum -> veto é um ato motivado; outro argumento é que ? LEIS DELEGADAS -Art. 66, CRFB. A lei delegada é feita pelo poder executivo, mas o nosso presidente não tem utilizado muito esse processo, pois faz uso das medidas provisórias. É uma espécie normativa de pouco uso. -A diferença inicial da lei delegada para a medida provisória é a seguinte: presidente para editar medida provisória basta que ele veja conveniência e oportunidade e publique, já a lei delegada ele precisa pedir -> art. 68: mensagem do presidente na qual ele pede delegação de competência para elaborar lei delegada sobre certo assunto para o CN. Na MP ele edita quando acha que é o momento, na lei delegada ao enviar a mensagem, se o CN aceita, ele elabora uma lei. Presidente só faz lei delegada se o CN abrir essa possibilidade. CN dá competência para o presidente legislar. -Algumas matérias não podem ser de lei delegada -> art. 68, § 1º -> matéria de lei complementar não pode ser de lei ordinária, não se edita MP e não pode ser de lei delegada. -Art. 68, § 2º: o CN vai deliberar para ver se delega ou não, se delegar é porque aprovou uma resolução. Resolução é do CN, então foi votada nas duas casas. Votada primeiro na Câmara, porque mensagem do presidente é extraparlamentar. Falta o quórum para a aprovar a resolução, faltando o quórum específico, aplico o do art. 47. Se houve o quórum do art. 47, a resolução é aprovada, e então o presidente pode elaborar a lei delegada quanto ao tema “x”, e depois publicá-la. PROCEDIMENTO DE LEI DELEGADA -Se a lei elaborada foi quanto a “x”, mas também quanto a “y” e a “z”, abusando da competência que lhe foi delegada. Temos que ver em que termos a delegação foi dada. Pode ser que o CN delegue, mas sujeitando à sua aprovação, ou seja, após a elaboração da lei o CN irá aprovar ou não, fará um referendo - se fala em referendo porque o CN não pode modificar a lei -> art. 68, § 3º. É a melhor mecânica que o CN tem para se proteger. A lei delegada será um projeto de lei delegada, que voltará ao CN para referendar e ser aprovada, ou então para por ali. Lei delegada não vai depender só da vontade do presidente. Para que isso aconteça, tem que ser expresso. Esse referendo do CN, protege o CN, mas e se o projeto demanda pressa? Pode ser que não venha expresso na resolução o referendo, e ai o presidente elabora a lei e a publica. Delega a competência sem prever o referendo na resolução. Muitos dizem que essa lei delegada é inconstitucional, podendo ajuizar ADI -> saída inadequada – quem delega uma competência, controla o seu exercício – CN pode auto-executar sua pretensão -> art. 49 – tudo que está ai é decretado pelo CN e por decreto legislativo; ou seja, pode suspender a leidelegada, podendo ser toda lei ou parte dela, a partir do momento que a lei delegou de objeto que não era da delegação. Isso na doutrina é chamado de veto legislativo – geralmente quem veta é o presidente, mas aqui invertemos os papéis. Como o CN pode controlar a utilização abusiva da competência que delega o presidente de elaborar lei delegada: art. 68, § 3º -> CN faz referendo que está na resolução, e mesmo que não tenha referendo previsto na resolução o CN pode por decreto legislativo vetar assuntos que não foram delegados, a partir do art. 49. -Os livros de direito constitucional dizem que a resolução do CN tem que prever um prazo pré-fixado, mas o professor acha que a resolução pode vir por prazo indeterminado, pois o CN não fica vinculado ao prazo, já que a competência é dele, podendo fazer resolução posterior que revoga resolução anterior, após o prazo. Professor achar que a resolução pode vigorar por prazo indeterminado. O presidente ter liberdade para criar lei delegada pode parecer algo perigoso, mas temos que tomar cuidado para não criar amarras rígidas demais, pois vai que vigora uma guerra no Brasil, então é importante o presidente ter mais liberdade para governar. Cuidado para não apostar muito numa normalidade. -Enquanto vigorar a delegação o presidente pode fazer mais de uma lei delegada sobre o assunto? Se a competência foi delegada vou ter que ver em quais termos o CN delegou. É possível que só haja resolução de apenas uma lei delegada, não podendo fazer outra. -CN poderá delegar lei ordinária sobre o mesmo tema? Sim, pois é ato de sua competência. Conflito de lei delegada com lei ordinária prevalece a que for posterior, uma pode revogar a outra. ..................................................................... Aula 9 – Rio, 31.08.11 MEDIDAS PROVISÓRIAS -Art. 62: redação complicada. MP é ato editado pelo presidente da república, é o presidente tipicamente legislando. O art. 62 diz que a MP tem força de lei, mas é uma literalidade que não deve ser levada tão em conta. Temos uma lei, e ai vem uma MP, mas essa lei não deixa de existir, só perde sua eficácia – pode acontecer que a MP deixa de existir, e a lei anterior volte a ter eficácia – então MP não é lei, só tende a ser lei. -A MP é o início de um processo legislativo, diferente dos outros atos do art. 59. Começa um processo para ver ser essa MP será transformada em lei, para que aquilo que começou vigorando como MP passe a vigorar como lei. -Presidente edita MP por motivos de urgência, e no prazo de 30 dias o CN transforma ou não em lei. Era algo simples. Mas o art. 62 não dizia o que acontecia se a lei não fosse transformada em lei e nem vetada, e ai surgiu a Teoria das Reedições Sucessivas de MP – no silêncio do CN, se editava uma nova MP; a cada 30 dias presidente editava nova MP com mesmo conteúdo da anterior -> presidente tinha poder de legislar muito claro. Nossa Constituição é analítica, porém o art. 62 peca em ser sintético demais, e por conta disso vem a emenda constitucional 32/2001, para informar e reduzir poderes do executivo – porém, percebemos que o executivo não perdeu tanta força assim. Executivo não tem mais aptidão pare reeditar MPs sucessivamente, mas ele não perdeu tanta força assim. -Art. 62, caput. – se formos ao artigo 1º temos as matérias que não podem ser tratadas por MP. 62,§3º - MP se não convertida em lei, perde a eficácia desde a sua edição, ou seja, retroativamente -> é como se não deixasse vestígio no mundo jurídico. 62,§1º - ? MP enquanto vigorou deixa os seus efeitos remanescentes, os efeitos só não permanecem se o CN os afastar. 62,§3º - MP é editada e vigora por 60 dias. 62,§ 7º - mais 60 dias. Dá a impressão que MP vigora por 120 dias. Mas isso é um erro óbvio. Isso é o tempo máximo que o CN tem para apreciar, não estando em recesso. 62,§ 4º - 60 dias + 60 dias não é o tempo que vigora a MP, mas sim o prazo que o CN tem para, não estando em recesso, deliberar sobre a MP. Se tiver recesso, o prazo fica suspenso. Enquanto o CN não deliberar, a MP fica vigorando para a sociedade. Entre o dia 23/dez e o dia 1º/ fev é recesso do CN – só ai o prazo para o CN voltar a contar; e no outro tempo de recesso é a mesma coisa. A cada 30 dias eu editava uma nova MP que tinha o mesmo texto da MP anterior. Se pegamos o art. 62, § 3º e § 7º -> edito ato uma vez, que tem possibilidade do prazo inicial de vigência ser prorrogado, e isso não quer dizer que é possível reeditar uma MP nova de mesma conteúdo – não é uma reedição, mas sim uma única edição que pode ter seu prazo prorrogado. └> art. 62 prevê que o presidente pode editar medida provisória com força de lei. Ela naõ tem bem a força de lei – digamos que tenha uma lei vigorando, tivesse a MP força de lei, ela revogaria a lei anterior. Mas a lei anterior é apenas suspensa em sua eficácia, perde a sua eficácia, mas não a sua existência. Pode ser que a MP seja rejeitada, e aí a lei anterior voltaria a ter eficácia. Quando a Constituição foi elaborada, o CN tinha 30 dias, e veio a interpretação de que se não fosse convertida em lei ou rejeitada definitivamente, ele poderia renovar por 30 dias, e assim ao infinito. Se naqueles 30 dias não há conversão nem rejeição, o presidente pode editar centésimas MPs, dando a ele poder de legislar quase ilimitado. Emenda 32/2001 -> dá um novo regramento à MP: no fundo o executivo não perdeu tanta força assim, hoje, como está no art. 62, a MP vigora por 60 dias, mas volta e meia alguém diz que só pode reeditar uma vez, mas juridicamente está errado, pois, hoje, eu não posso reeditar. Na redação original editava para vigorar 30 dias, no silêncio da redação original, veio a construção interpretativa de que se o CN não convertesse em lei ou rejeitasse, de q ue posso reeditar para períodos de 30 dias cada um MPs de mesmo conteúdo, mas em lapsos de tempo que sucedem a cada 30 dias. Hoje, se edita uma vez, ela vigora por um prazo de 60 dias, se nesses 60 dias ela não é rejeitada ou convertida em lei, o prazo é prorrogável, não tem o que reeditar, o ato é editado uma vez, e a vigência inicial pode ser prorrogada. Art. 62, § 3º -> esse parágrafo está dizendo que a MP é editada por 60 dias, mas esse prazo é prorrogável como está no § 7º, que pode se prorrogar por prazo igual. Hoje, não se pode reeditar MP, prorroga o tempo de vigência por outros 60 dias. Se parasse aqui entenderíamos que a duração máxima é de 120 dias, mas vai entrar o § 4º do art. 62 -> 60 + 60 é o tempo que o CN tem para, em funcionamento, se manifestar – ele não conta em períodos de recesso do CN: art. 57, CRFB -> entre 23 de dezembro de um ano e 1º de fevereiro do outro ano, o CN está de recesso, assim como de recesso também vai estar entre 18 de julho e 31 de julho. Então, se for publicar uma medida provisório no início de dezembro, quando emplacou 23 de dezembro, parou de contar, mas a MP continua em vigor, e depois do dia 1º de fevereiro volta a contar. PROCESSO LEGISLATIVO DE MEDIDA PROVISÓRIA -Art. 62, § 9º - Comissão Mista de deputados federais e senadores – paralelo com processo legislativo de leis ordinárias: quando lei ordinária chega nas casas, começam as comissões temáticas a entrar em cena, tem tempo para isso. As MPs tem menos tempo, então a Comissão Mista concentra nela o que faria em cada casa as respectivas comissões temáticas – é uma forma de acelerar o ritmo, em conta do pouco tempo. A Comissão Mista não fica circunscrita a isso – é possível que a lei venha com texto distinto que tinha a MP -> deputado, senador, comissão da câmara ou senado pode modificar o texto da MP, e para isso, tem que apresentar as emendas à Comissão Mista. -Teremos a primeira casa apreciando e depois a segunda. Se a MP é editada pelo presidente, então a primeira casa é a câmara, pois é projeto extraparlamentar – art. 82, § 8º - esse parágrafo seria desnecessário. Se a MP for convertida em lei, virará lei ordinária, então o quórum de aprovação tem que ser o de lei ordinária – art. 47. -O controle de constitucionalidade não está entregue só aopoder judiciário, o controle também existe no âmbito do CN, que faz o controle preventivo (controle contra atos que ainda não existem) e político, através da Comissão Temática de Justiça. Controle repressivo -> torna inconstitucional uma lei que já existe – ADI. Art. 62, § 5º - tanto na câmara quanto no senado a votação tem uma dupla-face: podem rejeitar por não ver os elementos de constitucionalidade presentes - casas do congresso controlando constitucionalidade repressivamente -> controle repressivo: as MPs já estão em vigor e ai são rejeitadas. É uma figura de destaque que a emenda 31 trouxe. Art. 62, § 6º - MP bloqueia a pauta do CN. Se emplacar o 45º dia sem resposta a MP entra em regime de urgência, ou seja, na casa onde estiver tem que apreciar primeiro o projeto de conversão para depois apreciar projeto de qualquer outro cunho, porque só o projeto de lei de conversão tem essa propriedade de bloquear a pauta. Isso não quer dizer que as Comissões Temáticas, CPIs parem. Ficam obstadas outras deliberações legislativas. Qual o problema desse regime de urgência que bloqueia a pauta de outras deliberações legislativas? Quando esse artigo nasceu questionou-se a sua constitucionalidade, pois haveria um bloqueio da separação dos poderes, já que o presidente teria força para bloquear a pauta do legislativo, mas esse argumento não vingou. Porém, para o professor, essa ideia pune muito mais a sociedade do que o CN, pois vai que para o Brasil é mais importante aprovar uma lei complementar do que uma MP. Mas nossos congressistas passaram a adotar uma prática: CN tanto na câmara quanto no senado passaram a ter o seguinte entendimento -> o art. 62, § 6º obstrui a pauta de seções ordinárias, o que não impede que eu bloqueie seções extraordinárias, e essa seção extraordinária apreciará outras questões -> cria lógica de flexibilização, e como estratégia é uma boa interpretação. -Essa história pode acabar de quatro maneiras: Lei anterior – MP -> lei anterior sem eficácia/ eficácia suspensa. 1ª)MP com elementos constitucionais atendidos e aprovados nas duas casas – conversão da MP em lei. 2ª) Rejeição – se a câmara rejeitar nem chega ao senado. Senado também pode rejeitar. Fazem isso pelo fato da MP não apresentar os pressupostos constitucionais necessários. 3ª) Perda de eficácia. MP perde sua eficácia. Com isso, volto ao § 3º - volta a valer a lei anterior, ressalvando o § 11 e o § 12. Executivo permaneceu com razoável força para legislar. § 12 – casas aprovam o projeto de conversão com modificações – alteração no texto da MP -> presidente sanciona ou veta, volta para ele no prazo de 15 dias úteis, enquanto ele não faz isso a MP fica em vigência, vigorando com seu texto original. └> Tal qual a medida foi editada, as duas casas podem apreciar. A câmara será a primeira casa a apreciar, pois é uma medida extraparlmentar. Art. 62, § 8º -> votação iniciada na câmara – tudo que vem de fora do CN começa na câmara. Depois o senado aprecia. O art. 62 não prevê quorum, então aplico o art. 47, que é a regra geral das deliberações do CN – toda deliberação sem quorum específico aplico o art. 47. Se MP vira lei, vira lei ordinária. Art. 62, § 5º -> quando a câmara delibera sobre um projeto de MP ou quando o senado o faz, tem duas questões a apurar, cabe a câmara deliberar se havia relevância e urgência, em havendo, se aproveita ou rejeita a MP, e depois o senado em aprovar o mérito da MP. Quando as casas verificam se havia relevância e urgência eles estavam verificando a constitucionalidade. Antes da emenda 32, esse critério era subjetivo do presidente, seria uma questão política de decisão dele. É expresso que a câmara delibera se há relevância e urgência para depois enfrentar o conteúdo da MP – a câmara pode rejeitar ou porque não viu relevância ou urgência, ou porque discorda do conteúdo e do mesmo modo o senado. Esse é um controle político repressivo, pois a MP para de vigorar o que já havia vigorando. A MP para de produzir efeito, pois foi considerada inconstitucional – é um controle político e repressivo. -> as duas casas fazem um controle de constitucionalidade, pode ser rejeitada porque o CN não concorda ou porque acha inconstitucional. Cada casa tem duas apreciações a fazer, a rejeição pode acontecer tanto na primeira quanto na segunda casa. Essas deliberações do § 5º e do § 8º são feitas pelo quorum do art. 47, que é de maioria relativa. Art. 62, § 9º -> o processo legislativo para leis ordinárias e complementares é o mesmo, só muda o quorum, mas nesses processos trabalham as chamadas comissões temáticas, órgãos internos de cada uma das casas que se dividem para tratar de temas específicos – o projeto de lei passa por comissões que tratem de assunto contido no projeto de lei. Mas, no caso de MP é diferente, o tempo é apertado, o CN tem 60 + 60 dias, tem que acelerar o ritmo do trabalho, e essa comissão mista vem com ritmo acelerado, pois ela fará de maneira concentrada os trabalhos que seriam repartidos em diversas comissões temáticas. A câmara faz as duas análises e depois o senado faz as duas análises. A comissão mista da o parecer se estavam ou não presentes os pressupostos constitucionais. É possível que a MP seja rejeitada ou que ela seja aprovada. Mas é possível que o CN aprove uma lei com redação distinta da MP, pode ser que o texto seja emendado. Se o texto for emendado, é porque congressistas apresentaram suas ideias para muda o texto, cabe a esse congressista ofertar sua mudança do texto à essa comissão mista. A comissão mista faz o trabalho preparatório, vai emitir parecer – se o conteúdo é constitucional, se convém ao país, e vai se manifestar sobre as mudanças que o CN quer fazer, se deputados quiserem mudanças. Depois que a comissão mista analisa, se presentes os pressupostos constitucionais, a câmara delibera primeiro e senado em seqüência. Se a primeira casa rejeitar porque faltam pressupostos constitucionais ou porque o conteúdo da MP não corresponde ao interesse nacional, basta essa rejeição para que a MP seja vetada. A lei nasce se as duas casas visualizarem pressupostos constitucionais, do texto original ou com alguma emenda. As duas casas verificam se estão presentes pressupostos constitucionais, e depois verificam o conteúdo da MP, ai vota-se e aprova-se o texto como está ou com a alteração? Tem que ver, às vezes, quando se percebe que há consenso se vota em conjunto, e se tem um tema polêmico, vota em destaque aquele tema polêmico, o tema separado é deixado em destaque para ver se chega ao consenso ou não. A comissão vai emitir pareceres, mas não decide nada, quem vai decidir se o texto emendado vai permanecer são as duas casas. § 6º -> MP vigora por 60 dias, prorrogáveis por mais 60, mas o mais desejável é que o CN tenha deliberado em 45 dias os primeiros 2/3 do prazo inicial, se a medida provisória chega ao 46º dia sem apreciação, ela entra em urgência, a casa em que a medida estiver fica com a pauta trancada ou obstruída. A casa onde está o projeto não pode tomar nenhuma deliberação legislativa a não ser que destranque a MP que está trancando. As duas casas devem atuar rápido para evitar o trancamento da pauta - a casa não pode deliberar sobre projeto de lei ordinária, lei complementar. CPI e outras atividades própria de uma casa do CN prosseguem, o que a MP tranca é a pauta de cunho legislativo. Isso traz um problema evidente, pois a MP que está trancando a pauta pode tratar de um tema de menor relevância que um projeto de lei ordinária, lei complementar e etc., se constata uma situação de desproporcionalidade. De um tempo pra cá, o CN ajuizou uma interpretação para se livrar de problemas: câmara e senado tem dito que o § 6º é o trancamento de pauta para sessões ordinárias, mas o presidente da casa pode convocar uma sessão extraordinária com temas específicos e a MP não trancaria a pauta, não impedirá essa deliberação feita nessa sessão extraordinária – projeto de lei sobre algo importantíssimo o presidente da casa pode elaborar uma sessão extraordinária para votar essalei, pois ela é mais importante que a MP. Não se pode criar uma lei absoluta em que o executivo impõe ao legislativo votar. A casa por ser outro poder pode marcar um sessão extraordinária para um tema específico. Isso privilegia a figura de um legislativo independente. Essa história pode acabar de 4 maneiras. 1)O desfecho mais evidente é a conversão em lei, é a situação mais tranquila, a MP é editada, a comissão começa a trabalhar, a comissão emite parecer, a câmara aprova, verifica presentes os pressupostos constitucionais e aprova o texto e subsequentemente o senado. Se a MP virou lei, a lei anterior sobre o tema estaria revogada. Não tivemos então problema de direito intertemporal. 2)MP pode ser rejeitada, a primeira casa viu ausente os pressupostos constitucionais ou a segunda casa que rejeitou o conteúdo, basta a rejeição em uma só, por um dos dois motivos. Aqui a MP vigorou, mas foi rejeitada, então a lei anterior que teve eficácia suspensa volta a vigorar. 3) Perda da eficácia -> vamos imaginar que a MP foi editada, começaram a fluir os 60 dias, passaram os 45 primeiros, a MP entrou em regime de urgência, bloqueou a pauta, mas esse bloqueio não é eterno, uma hora os 60 dias e passam a prorrogar por 60, e chega-se a 120 dias do CN funcionando sem dizer sim ou não. É a perda da eficácia que corresponde a uma rejeição tácita, a MP pode ser rejeitada expressamente ou perder eficácia como nesse caso. Se ela perde eficácia, a lei anterior volta a produzir efeitos no momento seguinte. Esses dois últimos casos trazem à tona o problema do direito intertemporal. Art. 62, § 3º -> literalidade ruim -> acaba se apegando a uma frase colocada no início, “perderão eficácia desde a edição” – dá a ideia de que a MP perdeu a eficácia desde a edição, quando se fala nisso parece uma perda de eficácia retroativa. Perder eficácia desde a edição -> parece sumir do mapa sem deixar vestígio, se perder os efeitos desde editadas é porque não surgiu nada. Dá uma impressão falsa – se a MP é rejeitada ou perde a eficácia, perderia eficácia de maneira retroativa, os efeitos não sobreviveriam, a não ser que o CN dissesse o contrário, por decreto legislativo, ressalvando os efeitos que produziu ou alguns efeitos que produziu. Por mais que o art. 62, § 3º passe essa ideia, é mentira, pois ele fala que o que está ali prevalece, ressalvados os parágrafos 11 e 12 - § 11 -> na data que a MP foi rejeitada expressamente, começa a contar um novo prazo de outros 60 dias, se nesses 60 dias o CN não editar o tal decreto legislativo, a MP, enquanto vigorou, seus efeitos prevalecem. Nesses 60 dias, o CN pode por decreto legislativo dizer que os efeitos da MP, no espaço de tempo que ela vigorou, não prevalecem ou alguns efeitos não prevalecem. Se nos 60 dias o CN não fizer decreto nenhum, passados os 60 dias a MP tem efeitos no período que vigorou constituídos definitivamente. O executivo com essa emenda 32 perdeu o poder de reeditar indefinidamente no tempo a MP, mas conseguiu para ela e tendência de que a MP tenha efeitos permanentes enquanto ela vigorou. Em princípio, continua prevalecendo o que o executivo quis, mas o CN pode por decreto legislativo impedir que os efeitos permaneçam, é o CN controlando o executivo. Quórum para aprovar decreto legislativo -> quórum do art. 47, e quem promulga é o presidente do senado. MP não gera direito adquirido, tem que se ter cuidado ao conceituar direito adquirido – direito adquirido é o direito que ingressou no patrimônio do titular e que nenhuma vontade alheia pode suprimir, nem a vontade do legislador. O direito é adquirido quando ele ingressou no patrimônio do titular definitivamente. Tem direitos que eu tenho e que não são adquiridos, são direitos a título provisório. Contratos que envolvem a realização do interesse público são contratos que a rede pública pode suprimir ou rescindir de maneira unilateral. Vai que vem uma MP que gerou um direito, enquanto for respaldado por MP é um direito a título precário, pois ela pode perder a eficácia e o CN suprir o direito. Tem uma vontade alheia que pode suprimir que é a vontade do CN. Se passados os 60 dias o CN não falou nada, agora sim é direito adquirido, pois a vontade alheia não foi exercida no prazo que a Constituição prevê. Os regimentos não podem adotar quóruns diferentes dos previstos no texto constitucional. § 12 -> no 120º dia, o CN aprova o texto com modificações, o que vai continuar vigorando é a MP, porque como o CN alterou o texto, a questão vai para o presidente que tem 15 dias úteis para sancionar ou vetar, daí volta ao CN que tem 30 dias para superar ou manter o veto. Nos 15 dias úteis para sancionar ou vetar, se ele vetar, nos 30 dias pra superar ou manter o veto o que continua em vigor é a redação original da MP. No que o presidente recebe o projeto de MP modificada é igual ao mecanismo da lei ordinária: veto total, parcial, etc. ............................................................ Aula 10 – Rio, 05.09.11 DECRETO LEGISLATIVO -É aquilo que o CN vai editar quando for apreciar os termos do art. 49 – tudo o que o CN delibera a respeito do art. 49 ele faz por decreto legislativo. O peculiar desses atos é que no aspecto procedimental o decreto que é aprovado numa casa e em outra, não precisa da sanção do presidente – controla nos freios e contrapesos o executivo. Não depende de sanção e não pode ser vetado -> legislativo é o controlador – é o melhor ato que o CN usa e que aplica bem o sistema de freios e contrapesos pelo legislativo. No art. 49, o CN está deliberando sobre o controle que ele exerce sobre o executivo. Por que esse ato é dito legislativo? Esse ato não depende de sanção presidencial e muito menos pode ser vetado pelo presidente. Se o CN edita ato que o executivo nem tem que sancionar, nem impedir para que ele valha, fica muito claro que é o melhor ato que o legislativo tem para controlar o executivo. Aquele decreto legislativo do art. 62, o qual afasta os efeitos da MP, já é o Congresso controlando o presidente/ executivo. -> sistema de freios e contrapesos. Se a MP perde eficácia e o congresso fica em silêncio por 60 dias, os efeitos da MP são definitivos, se o CN fizer um decreto legislativo, ele pode suprimir todos ou alguns efeitos da MP que estava em vigor. Quando presidente faz lei delegada e trata de assunto que não podia ser objeto de delegação, o CN entra com decreto legislativo contra essa lei delegada – é outro caso do Congresso controlando o executivo. -> sistema de freios e contrapesos. -Para cada espécie normativa do art. 59 teve um quórum. Mas o decreto legislativo é uma exceção: por não ter quórum específico, deveria aplicar o do art. 47, porém não é isso que o ocorre sempre. No caso dos decretos legislativos, o quórum vai depender de acordo com a matéria que tratar. Decreto legislativo tem seu quórum modificado em razão da matéria. Os outros atos que vimos tinham um ato em comum, para cada ato um quórum, mas o decreto tem um quórum que pode variar em função da matéria que é votada. Em regra, são aprovados pelo quórum do art. 47. Três casos de decretos legislativos onde não se aplica o art. 47, que tem um quórum específico, mas o que está no art. 49, III - casos onde não se aplicará o quórum do art. 47 e sim do art. 49: Art. 49, IV -> intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio passam por um controle que o Estado faz, é no art. 49,IV que encontro decretos em que não se aplicam o art. 47. 1) A intervenção federal -> é sempre um ato do presidente da república, e é decretada se acontecer algum caso que o art. 34 enumera. Na situação de ameaça o presidente decreta intervenção federal e começa a executar, cabe ao CN aprovar a intervenção federal que ele decretou, assim como o CN pode suspendê-la. Quando o CN aprova ou suspende, são todos atos realizados por decreto legislativo. 2)Estado de defesa -> pode ser que uma grave calamidade afete o país, segundo o art. 136 é possível que se aplique estado de defesa que é mais agressivo que a intervenção federal. Esse ato quando decretadoé decretado por 30 dias – o presidente comunica isso ao CN e o CN poderá aprovar ou rejeitar. Art. 136, § 4º -> se o Brasil enfrentar uma grave calamidade institucional, decreta-se estado de defesa, decretado pelo presidente que comunica ao CN, que pode aprovar ou suspender. Quando o CN aprova ou suspende, ou primeiro aprova e depois suspende, ele edita um decreto legislativo, só que aqui, o art. 136, § 4º prevê que aprovado o estado de defesa, o CN decide por maioria absoluta. Esse decreto tem um quórum mais elevado que de outros processos legislativos. Aprovar o estado de defesa ou suspender é uma medida feita por maioria absoluta, se pronunciam câmara e depois senado. 3)Estado de sítio -> crise de extrema gravidade – art. 137. Para comoções de âmbito nacional, para situações que no estado de defesa sua prorrogação não resolveu, se parte para o estado de sítio, ou então começa com ele direto se tiver uma comoção nacional ou guerra. No estado de sítio, o presidente pede autorização para decretar e o CN defere ou não autorização, e o CN pode suspender se entender que não é mais necessário. Art. 137, parágrafo único -> decreto legislativo sobre estado de defesa e sobre estado de sítio afasta o art. 47, pois tem regras específicas. Pelo 49, § 4º -> é o CN que autoriza estado de sítio e depois pode suspender essa medida. Intervenção federal e estado de defesa -> o presidente decreta e o CN aprova ou suspende; estado de sítio -> o CN primeiro autoriza e depois ele pode a qualquer hora suspender. └> Decreto legislativo que aprova intervenção federal e suspende -> art. 47. / Decreto legislativo que aprova estado de defesa ou suspende essa medida ou prorroga -> maioria absoluta – art. 136, § 4º. / Decreto que autoriza estado de sítio ou suspende ou autoriza a prorrogação -> art. 137, parágrafo único – maioria absoluta. .Tratados internacionais -> quando o Brasil fez a Constituição de 88 já era evidente que o mundo estava globalizado, então era para essa Constituição já tratar de questões externas/internacionais. Demos pouca atenção às relações internacionais, não fomos cuidadosos nesse assunto. Tratado internacional quem assina pelo Brasil é o presidente ou alguém que ele delega – art. 84, VIII, logo a competência é do presidente. Essa assinatura não vincula o Brasil por si só, vou para o art. 49, I. A Constituição anterior do Brasil tinha uma marca de um executivo agigantado, a Constituição de 88 tenta vencer isso. O art. 49, I diz que o CN resolve definitivamente - a impressão que tenho é que se o CN rejeitar ou aprovar, é fim de papo. Mas às vezes o espírito da norma antiga é trazido para a norma nova. Quando o CN diz “não”, o “não” dele é definitivo, mas se ele aprova, a questão volta ao executivo que deve ratificar a assinatura e editar o chamado decreto de promulgação. O executivo assina por decreto legislativo, o CN aprova, se aprovar o executivo tem a questão de volta, se o decreto legislativo aprovar, se o executivo ficar inerte, o tratado não entra na ordem jurídica pois o executivo não ratificou nem editou o decreto de publicação. Essa visão tem problemas pois minimiza o papel do CN e não bate com a interpretação de que é o CN que resolve. Se o CN aprovar, o faz por decreto legislativo, o executivo ratifica ou não, se ratificar expede o decreto de promulgação e o tratado passaria a valer no nosso país. Esse decreto legislativo tem quórum específico? Não, então vou ao art. 47, seria um decreto legislativo aprovado por maioria relativa da câmara e do senado. Veio então a reforma do judiciário e o art. 5º ganhou o § 3º. Tratado sobre direitos humanos pode ser aprovado por 3/5 em duas votações na câmara e duas no senado, esse tratado não é uma emenda, ele fala que tratados aprovados a esse quórum equivalem a emenda, logo não tem a mesma natureza, mas a mesma força e status. O ato do CN que aprova um tratado de direitos humanos por 3/5 é um decreto legislativo, é um decreto legislativo onde o quórum não é maioria absoluta e sim exatos 3/5 da câmara e do senado votados duas vezes. Esse é um decreto legislativo que passa por duas votações em cada casa e o quórum é de 3/5.Brasil mantém sua tradição de que o presidente pode ratificar ou não, para esse caso não pode ser assim. Se um decreto aprova por 3/5, o presidente nem sanciona, nem pode vetar por ter força de emenda, deve nascer somente pelo CN. Presidente não pode controlar se a emenda vale ou não. Na ordem interna, o decreto vale por si só, pois tem força de emenda. Se um tratado for sobre direitos humanos, o ato equivale por emenda, o presidente não pode sancionar e nem vetar. Se não for sobre direitos humanos, se mantém a tese de que o presidente pode ratificar ou não. Se discute no STF, que quando o CN aprova, o presidente pode ratificar ou não e pode não ratificar ou pode ratificar e depois denunciar. Uma Convenção da OIT nº 158, para Nelson Jobim, o presidente assina e se o CN assinar, o presidente pode não ratificar e ratificar e a qualquer hora pode denunciar. Tem outra posição que diz que não pode, se o CN aprovou e o presidente ratificou é porque a denúncia só vale se o CN depois aprovar a denúncia. A melhor tese é de que desde 1977 dizemos que tratados têm força de lei, e não pode perder valor, pois o presidente denunciou, uma lei anterior é revogada por lei posterior. O executivo não pode tirar lei do mundo jurídico a partir da cabeça dele. O presidente assina e o CN aprova, e o presidente ratificou, deveria o presidente ter pedido autorização prévia para denunciar. Num estado democrático de direito, os tratados devem passar por esse lógica – essa é a tese de Joaquim Barbosa. O Supremo tem dito que se o tratado for aprovado por 3/5 tem força de emenda, outros tratados que não são de direitos humanos têm força de lei ordinária, se um tratado foi aprovado com o quórum do art. 47 sobre direitos humanos, não tem força de emenda, mas está acima das leis. └> Tratado internacional sobre outros temas: força de lei ordinária. / Sobre direitos humanos aprovados com quórum do art. 47: acima das leis, abaixo das normas constitucionais. / Sobre direitos humanos: força de emenda. -> tratado de direitos humanos tem duas alternativas => aprovar por emenda constitucional ou por força supralegal. O risco de colocar todos por 3/5 é que nem todos vão passar, tem direitos fundamentais que são complicados, matéria ambiental, relações econômicas e de trabalho. RESOLUÇÕES -O regime interno da câmara foi feita por resolução da câmara, e o regimento interno do senado foi feito por resolução do senado -> art. 51 e 52, respectivamente. São temas que quando se delibera a respeito é por resolução. Além disso, a câmara por resolução cria os cargos que formam a sua estrutura, e o senado também. Mas o vencimento é fixado por uma lei – sistema de freios e contrapesos. O que está no art. 51 e 52 são temas que quando se delibera a respeito, é por resolução. O regimento interno da câmara e do senado, são feitos a partir do quórum do art. 47. Mas quando é impeachment, crime de responsabilidade do presidente, tem o quórum específico de 2/3 – art. 51 e art. 86 preveem. -> decreto legislativo e resolução tem esse ponto em comum – tem quórum variado em razão da matéria. O decreto legislativo tem um quórum variável em função da matéria, em regra, se aprova pelo quórum do art. 47, agora no art. 136 e no art. 137 tem decretos por maioria absoluta e no art. ?, § 3º decreto aprovado por 3/5 com duas votações em cada casa. Resoluções também vão ter quórum variável em razão da matéria – art. 51 -> ele não prevê quórum, o que dá ideia de aplicar o art. 47, mas o inciso I autoriza, por 2/3 dos membros, a instauração de processo contra o presidente e o vice e os ministros de estado. Quatro incisos não preveem quórum, mas o 51, I prevê 2/3. Uma resolução sobre os temas indicados nos incisos IV, II, III e V aprovo usando o quórum do art. 47. Art. 52 -> não prevê um quórum, o que atrai o art. 47 de novo; art. 52, parágrafo único -> se é uma resolução sobre o 52, I o quórumé de 2/3. Crime de responsabilidade do presidente -> 2/3 admite condenação na câmara e 2/3 no senado. As resoluções previstas da câmara estão no art. 51 e do senado no art. 52 – quando monto esse quadro, montamos um quadro que mereceria aproveitamento, se parássemos por aqui que impressão estaríamos passando? Que o decreto tem por marca ser bicameral e a resolução tem por marca ser unicameral, pois o decreto precisa da câmara + senado. Decretos legislativos federais são sempre bicamerais. As resoluções, em regra, são unicamerais. Mas há resolução bicameral. Existe também decreto legislativo unicameral. Temos falado do processo legislativo em âmbito federal, e em âmbito federal o CN possui duas casas. E quando vou para os estados e nos municípios? Assembleias legislativas de estados e câmaras municipais , tudo é unicameral, pois é uma só casa nos dois casos. └> Num estado temos a assembleia legislativa e nos municípios temos a câmara dos vereadores. Qual o traço comum de uma câmara municipal, a assembleia legislativa de um estado e a câmara legislativa do DF? O unicameralismo. Nesses âmbitos temos processos legislativos e sempre unicamerais – quem aprova uma emenda à Constituição do estado é a assembleia legislativa, esses mesmos atos que existem em âmbito federal aparecem no âmbito das demais entidades que integram a república federativa do Brasil. Como uso resoluções ou decreto no âmbito dos municípios, DF e estados? É fundamental usar o Princípio da Simetria ou Paralelismo – a ideia é que por esse princípio a estrutura que a União tem dada pela Constituição da república, deve ser reproduzida por estados, municípios e DF. Art. 51, § 3º: competência da câmara para agir unicameralmente e elaborar resoluções – quando a câmara elabora seu regimento interno, ela o faz por resolução; art. 52, XII – compete ao senado elaborar seu regimento interno; por simetria ou paralelismo, por qual ato uma assembleia legislativa elabora seu regimento interno? Por resolução e do mesmo modo no âmbito municipal e no DF. -> se as duas casas elaboram seu regimento interno por resolução é porque cada casa em âmbito federal, municipal ou do DF elaborará seu regimento interno por resolução. Os cargos que existem foram criados por lei. Art. 51, IV -> quando a câmara delibera o faz por resolução. Como são criados cargos na câmara dos deputados? Por resolução, assim como o 51, IV prevê, e o senado tem uma regra igual -> art. 52, XIII. São leis que criam os cargos públicos, e a lei não só cria como fixa quanto a pessoa recebe – os cargos que existem a lei criou e o valor que se recebe a lei fica. Os cargos que existem na estrutura do senado foi uma resolução do senado que criou, e do mesmo modo na câmara. -> a casa por resolução cria os cargos que formam sua estrutura, mas por mais que crie cargos, não fixa quanto a pessoa recebe – a fixação de quanto cada um recebe a casa por resolução cria pros cargos dela e encaminha projeto de lei, pois a lei fixará quanto as pessoas receberão. O mérito disso é que fica sujeito a pesos e contrapesos, pois o senado, se a câmara tiver feito a resolução, vota na lei também, e o presidente pode sancionar ou vetar. O mesmo vale para as assembleias legislativas, câmara legislativa do DF e câmara dos vereadores. Quando o presidente decreta intervenção federal quem controla ato do presidente? O CN, que edita o decreto legislativo. Pelo art. 49, IV o CN pode aprovar a intervenção ou extingui-la. -> Quem controla o governador do estado é assembleia legislativa, que pode aprovar a intervenção estadual ou do munícipio, que pode suspender por decreto legislativo estadual, que será um decreto unicameral, no âmbito do estado nunca teremos duas casas. O princípio da simetria vale para pensar como estados e municípios se estruturam, ajuda a entender como o estado deve se estruturar. O que está no art. 49 como em âmbito federal, resolvo por decreto, se couber resolver, em âmbito estadual, resolvo por decreto legislativo, se houver situação simétrica em estado e município. O grande drama é saber os limites disso, pois os estados acabam não se atualizando, em muitas situações os estados decidirão sobre a própria estrutura, então não se aplica a simetria. (processo legislativo encerra aqui) ........................................................... Aula 11 – Rio, 12.09.11 .Função de fiscalizar do poder legislativo -Aqueles que integram o poder legislativo tem também a função de fiscalizar. Cada poder exerce as três funções. E quanto ao poder legislativo, tem a função preponderante de legislar, mas também presta atividade jurisdicional, igualmente exerce atividade de cunho administrativo. Mas cuidado com o seguinte: algumas funções administrativas são importantes porque buscam fiscalizar. O que me leva às comissões parlamentares de inquérito. COMISSÕES PARLAMENTARES DE INQUÉRITO (CPIs) -No campo das funções administrativas do poder legislativo a CPI merece destaque. Uma comissão parlamentar de inquérito não está legislando, também não julga ninguém, a CPI assim como não legisla e não presta jurisdição, acaba exercendo uma atividade de cunho administrativo, uma atividade investigatória, o poder legislativo acaba nessa campo mais especificamente exercendo uma atividade investigatória. -O CN tem pessoas, que são casa representativas da nossa população, são todas figuras da nossa vida política que legitimam a democracia em nossa sociedade, é investigando que observo questões de relevância social mal encaminhadas pelo MP, pelo judiciário, pela sociedade, e são nas CPIs que descubro fatos que são importantes para nossa sociedade e merecem alguma responsabilização daquele que está infringindo o nosso ordenamento jurídico. É uma alternativa de ter vários caminhos para chegar ao mesmo resultado: quando um certo assunto demanda normatização espera-se a lei, mas cabe ao governo editar MP, espera-se que a polícia exerça o seu papel investigatório, se espero que o MP ajuíze ações sobre crimes, se algo falhar, tem-se o recurso da CPI – nosso congresso é inerte, ao presidente cabe a competência para editar MP, se a polícia não cumpre seu papel investigatório, ao CN cabe instaurar a comissão parlamentar de inquérito. -Não tem nada mais típico do que um parlamentar investigar membros de conduta duvidosa. -Parte para atividade de cunho investigatório. -Art. 58, § 3º -> o parlamentar tem dois verbos a conjugar: legislar e fiscalizar – votar em projetos de lei e fiscalizar CPIs. Pode ser uma CPI mista, assim como pode ser uma CPI de uma casa ou de outra. Mista -> criada pelas duas casas, pois ambas consideravam relevante a criação de uma CPI -> a mista é 1/3 das duas casas – temos as duas casas legitimando a atuação das CPIs. -É uma investigação com tonalidade política, enquanto na polícia e no MP a investigação é mais técnica. -art. 58, § 3º -> as comissões parlamentares de inquérito vão ter os poderes investigatórios próprios das autoridades judiciais. Quem investiga está tentando obter uma informação que não está facilmente disponível, você bisbilhota até descobrir. Esse art. tem um problema técnico, pois no Brasil juízes não têm poderes investigatórios, juízes somente julgam quando as provas são apresentadas. Dizer que CPI tem poder investigatório como juiz não faz sentido, porque juiz aqui não tem poder investigatório, a literalidade aqui não faz sentido. O juiz coleta provas, intima testemunhas, busca e apreende documentos e objetos. O que acontece é que os atos que o juiz pratica para coletar provas, a CPI também pode. A equiparação que há entre juiz e CPI é quanto aos atos que eventualmente podem ser praticados. Assim como a CPI tem o direito de buscar provas e investigar, o que o juiz faz na coleta de provas é julgar – CPI para buscar provas investiga. -Uma comissão evidentemente é um colegiado, tem presidente, vice-presidente, relator – são parlamentares que integram e que tem atividade investigatória típica. A equiparação que a Constituição faz é entre a CPI e a autoridade judicial, e nãoentre o membro da CPI e a autoridade judicial – o que o juiz decidirá monocraticamente, a CPI decidirá em colegiado. A CPI quanto atua como juiz, tem que ser ato dela como comissão, para fazer isso tem que ser ato do colegiado e não do presidente. O que o juiz faz monocraticamente, a CPI faz como colegiado – a isso o STF chama de Princípio da Colegialidade, que é essa equiparação que não se pode confundir. O juiz quando age, age por maneira monocrática. Porém, a CPI só pode fazer quando colegiada. O princípio da colegialidade diz justamente isso, aquilo que o juiz faz de maneira monocrática, as CPIs só podem agir por colegiado. CPI só decide em colegiado. O ato final do juiz é a sentença e a CPI é o relatório do que ela apurou. Nisso, o texto é para ser seguido, a equiparação entre a CPI e o juiz se dá somente com o colegiado e com o que o juiz decide monocraticamente. Art. 58, § 3º dá a impressão de que a equiparação é perfeita, o que o juiz pode fazer monocraticamente a CPI pode fazer como um colegiado. Mas esse preceito vai ter que se objeto de interpretação sistemática, vou ter que encaixá-la com outros assuntos presentes. -> Art. 5º, XI – só entra na casa de alguém com consentimento de alguém ou em flagrante delito ou para prestar socorro ou durante o dia sob ordem judicial. Inciso XII – a interceptação telefônica é só por ordem judicial. Quem lê os dois artigos, muito claramente, vê que eles preveem duas exceções à inviolabilidade de uma casa e das conversas telefônicas, sempre interpreto norma excepcional de maneira restritiva. De um lado, o art. 58, § 3º com o art. 5º, XI e XII. -> O ato da CPI não é um ato judicial e sim um ato equiparado a um ato judicial, buscar e apreender documentos, acessar informação bancária, é fugir de questões problemáticas, as normas do art. 5º, XI e XII fazem parte da Cláusula de Reserva Jurisdicional, ou seja, esses atos por expressa norma constitucional são só por ordem judicial. Nesse aspecto, a CPI não se equipara nem como colegiado a uma autoridade judicial, não pode por sua vontade ingressar na casa de alguém ou fazer interceptação telefônica. Se ela precisar de provas como essas, tem que pedir uma ordem judicial, requererá isso ao judiciário. Chegamos aos freios e contrapesos – se a CPI quer essa providência, demandará a autorização do judiciário pela chamada clausula de reserva judicial. Prisão também só por ordem judicial. -Pode ter CPI federal, estadual, municipal. As municipais têm menos poder de agir, porque se quer tem poder judiciário, pois CPI que tem poder equiparado à autoridade judicial é a CPI federal ou estadual, a CPI municipal vai sempre buscar ordens judiciais, é mais regulada pelo controle do judiciário, os municípios não têm poder judiciário. -Quem pega o art. 58, § 3º vê que a CPI é instaurada para investigar fato determinado, ou seja, a CPI pode investigar a ação de um grupo de extermínio, uma certa corrupção, a prática de uma certa indústria, uma certa milícia, traficantes que a polícia não atua. É fundamental que se delimite o que se deve investigar. Às vezes, se instaura CPI e não tem um fato determinável, algumas CPIs são feitas com a marca da generalidade, isso foge um pouco ao texto. Essa figura do fato determinado merece uma interpretação maior, estando pessoas eleitas pelo povo a tratar de questões de relevância social, algumas CPIs fogem dessa recomendação de determinabilidade. O CN nesse ponto acerta, o olhar mais abrangente é resultado de um parlamentar que é fiscal da sociedade, ainda que tenha a roupagem certa, as CPIs mais gerais ampliam o fato tanto quanto a nossa sociedade necessita que as questões sejam ampliadas. -A CPI vai poder interceptar as 3 primeiras hipóteses do art. 5º, XII, menos a interceptação telefônica, que só será possível por ordem judicial. TRIBUNAIS DE CONTAS -Apesar de ter o nome “tribunal” é um órgão do legislativo, que também tem a função de fiscalizar. -> prevê a lei orçamentária (despesas que fará, dinheiro que arrecadará). É fundamental que um tribunal de contas tenha pessoas que possuam conhecimento jurídico, administrativo, econômico, pois são órgãos auxiliares do poder legislativo na questão da lei orçamentária. O CN fiscaliza a atividade financeira da União através do tribunal de contas, tendo como parâmetro básico a lei orçamentária. -O tribunal de contas auxilia o CN -> art. 71, CRFB – se o órgão for meremanete auxiliar jamais se chamaria tribunal, quando penso no tribunal, penso em uma instância com capacidade decisórias próprias. Tudo bem que o tribunal de contas tem a função de auxiliar, porém ele toma decisões próprias – quando vê que um agente público praticou atos ilegais, pode aplicar multa aquele agente público. É sim órgão auxiliar no que concerne à atividade financeira, mas é um órgão auxiliar que toma decisões próprias. Merece o nome de tribunal porque tem poder decisório próprio. Todo poder legislativo elabora a lei orçamentária da entidade da qual faz parte, mas não basta legislar, tem que fiscalizar, e para isso é necessário respaldo técnico, e é o que o tribunal de contas faz, possuindo poder de decisão próprio. Lei federal nº 8443/92. São atribuições decisórias. -Cada estado tem seu tribunal de contas, auxiliados pela assembleia legislativa, e o DF tem o seu tribunal de contas, auxiliado pelo. O problema mais sério tem a ver com os municípios – art. 31, CRFB – quem vai auxiliar a câmara municipal? -> confronto entre o art. 31, § 1º e § 4º - o que o §1º parece autorizar, o §4º parece vetar – em termos de literalidade parecem inconciliáveis. No §1º - alternativas: 1)câmara municipal será auxiliado pelo tribunal de contas do estado. 2)a câmara municipal será auxiliada pelo tribunal de contas do município. 3)câmara municipal seria auxiliada pelo tribunal de contas dos municípios criados pelos estados; no §4º parece vetar todas essas alternativas. Só da pra entender a partir do contexto histórico em que a Constituição foi feita, só da pra matar a charada a partir da última expressão do §1º “onde houver” -> quando a Constituição de 88 foi criada, RJ e SP eram os únicos municípios que já tinham tribunal de contas próprios, que faziam parte de sua estrutura. Em outros estados, não tinham tribunais de contas dos municípios e nem nos municípios, e por isso que vinham as três alternativas do § 1º. Para o professor só deveria ter uma alternativa: o município ter o seu próprio tribunal de contas. Queriam decidir essa questão, então se criou o §4º, e a Constituição de 88 ficou com o §1º e o §4º. No fundo, o que o §4º veta é criar NOVOS tribunais de contas, após a Constituição de 88, então os municípios do RJ e de SP puderam manter os seus tribunais, os estados que criaram os tribunais de contas dos seus municípios também puderam manter, mas aonde o estado não criou o tribunal de contas dos seus municípios não puderam criar. Então, no fundo os municípios têm seus tribunais de contas criados pelos estados aqueles estados criados após a Constituição de 88 ? -Poderes do tribunal de contas -> art. 71, § 3º, se refere ao da União, mas adota-se o princípio da simetria ou paralelismo – atividade jurisdicional. O nome tribunal é um nome adequado, pois mesmo sendo órgão auxiliar, tem poderes decisórios, que implica até mesmo condenação. Encontro mais do que fiscalizar, encontro também atos de condenação – atos decisórios. ..................................................................... Aula 12 – Rio, 14.09.11 continuação... TRIBUNAL DE CONTAS -art. 71, X – caso de inexigibilidade de licitação -> caso de fornecedor único. Tribunal de contas tem atribuições decisórias – pode sustar ato de adm. pública que ao ver dele seja prejudicial às finanças públicas. Se for um contrato, sai de cena do art. 71, X e entra o art. 71, § 1º - ato de sustar será ato do CN – tribunal comunica, e o CN susta -> poder legislativo com função administrativa. Se o CN fica em silêncio, o tribunal pode sustar. + § 2º -> se o CN ou o executivo não tomares as medidas necessárias (CN ficar em silêncio), otribunal pode sustar o ato. ESTATUTO DOS CONGRESSISTAS -Imunidades parlamentares. -Nessa assunto aparece imunidade e inviolabilidade. Imunidade comporta duas espécies: imunidade formal e imunidade material. Imunidade formal -> esta imunidade não impede que o congressista seja responsabilizado/julgado, mas há requisitos a serem cumpridos, tem regras específicas. A grande característica é que não impede que seja responsabilizado. Imunidade material -> cláusula que livra o congressista de ser responsabilizado. São também chamadas de inviolabilidades. Inviolabilidade é sinônimo de imunidade material. Imunidade é uma palavra abrangente, dentro dela tenho imunidade formal e material. Se dentro da imunidade tenho que o congressista pode ser responsabilizado, seguindo determinadas regras, eu tenho imunidade formal; se tiver imunidade em que o congressista não pode ser responsabilizado, tenho imunidade material, que é sinônimo de inviolabilidade. -Art. 53 -> imunidade material – por palavras, opiniões e votos que o congressista venha emitir, ele não será responsabilizado – inviolabilidade. Normas constitucionais ora são regras, ora são princípios – cada um tem a sua natureza. Tenho regra quando o conteúdo é marcado pela objetividade, é princípio quando o conteúdo tem caráter valorativo. Exemplo: art. 1º, III -> princípio; art. 41 -> regra. Qual a diferença da regra pro princípio? Regra eu aplico – tudo ou nada, princípio eu pondero – medida. Regras não podem ser aplicadas ao mesmo tempo, ou você aplica uma ou a outra, não tem meio termo, pois são objetivas. Os princípios por serem juízos de valor, eu posso ponderar. -> Isso é decisivo para pensar o art. 53, caput. -> se alguém pensar que o art. 53 é uma regra, então os congressistas não serão responsabilizados nunca, mas se eu achar que esse art. é um princípio, é juízo de valor, então posso ponderar, e ai se eu achar que a inviolabilidade é um princípio começo a considerar que esse princípio seja objeto de um abuso, e ai o congressista pode passar a ser responsabilizado. Na doutrina, o art. 53,caput é considerado princípio, é juízo de valor, admite ponderação, então se o congressista abusar do seu poder, ele pode ser responsabilizado. Um dos deveres que o congressista tem é o decoro parlamentar. As imunidades materiais ou inviolabilidades são cláusulas por meios das quais o congressista não será responsabilizado, SE não agir de maneira abusiva (agindo de maneira abusiva tem consequência penal e civil). Pondero para ver se não houve nenhuma prática abusiva. A falta de decoro existe, mas temos que levar isso para casos extremos – temos que saber ouvir as diferentes opiniões, não pode ter patrulhamento da liberdade de expressão; a liberdade ampla de falar traz responsabilidades. art. 53, caput -> é uma inviolabilidade com limites. -Imunidades formais -> art. 53, § 1º - é uma imunidade formal – pode ser responsabilizado, em um tribunal superior – qualquer crime (militar, federal, etc.) de deputado quem julga é o tribunal superior, por causa do cargo que ocupa. -Diplomacia -> quando a pessoa é eleita, isso é reconhecido e ai vem o ato chamado diplomação – esse estatuto dos congressista, pode ser apenas por ser diplomado – é antes mesmo de tomar posse. Depois de ser diplomado os atos são direcionados ao STF. Após ser diplomado, já está protegido. -§ 3º -> tem uma redação dada pela emenda 35/2001 -> antes dessa emenda, qual o problema que enfrentávamos? Antes o STF só podia processar o congressista se a casa que ele pertencesse autorizasse – em termos de linguagem política, era muito cômodo para casa, não porque a casa dizia que não podia processar, mas ela simplesmente ficava inerte, e isso já impedia o processo. Com isso, se tinha consagrado a ideia de imunidade, de 88 a 2001 nenhum congressista foi processado. A emenda constitucional 35/2001 mudou tudo isso -> hoje, para sustar o andamento do processo a casa tem que se pronunciar de maneira expressa – agora, vai ser processado, a não ser que a casa decida sustar expressamente o andamento. Se o crime acontecer ANTES da diplomação, o processo não pode ser sustado em nenhuma hipótese, mas APÓS a diplomação a casa pode sustar por maioria de seus membros, maioria absoluta – o processo tramitará e só sustará se a casa por maioria de seus membros se manifestar expressamente. -> esse é um preço político altíssimo para uma casa do CN. -Ainda que a casa venha a sustar, ai vem o que está no art.53, § 5º -> a prescrição da punição não está fluindo, pois está suspensa desde que a casa sustou. Voltará a fluir quando ele não for mais congressista. Responder, ele responderá, o que ocorre é uma proteção em razão do seu cargo. -Se o art. 53 ficasse nisso, o professor acharia ele ótimo, porém vejamos o art. 53, § 4º -> se partido político pega a sustação, a casa tem 45 dias para deliberar. É a boia de salva- vidas deixada. Tá na cara que esse caso veio para quando se pratica crime após a diplomação -> logo, “indubio pro reu” (na dúvida, a pessoa não pode ser presa. Situação fica a favor do réu). Apesar de ser um problema, a emenda foi um avanço. -Deputados pegos em flagrante: art. 53, § 2º -> a única prisão é a prisão em flagrante, em relação a crimes mais graves, crime inafiançável. Se ele está eleito e diplomado, não pode ser preso. Toda prisão em flagrante é comunicado ao juiz para controlar se a prisão é ou não legal, mas aqui nesse parágrafo, se comunica a casa a qual ele pertence também. Tem direito a dois controles da legalidade da prisão: ao juiz e a casa a qual pertence. Se houver dissonância entre a decisão do juiz e da casa, o congressista ficará solto -> “indubio pro reu” -art. 53, § 6º -> divergência do professor: costuma- se dizer que é uma imunidade formal, mas para o professor é imunidade material -> garantia de sigilo a quem quer falar com eles – para o professor é uma imunidade material – não falar a verdade ou calar a verdade é um crime de falso testemunho. O crime de falso pode ser praticado quando digo uma mentira ou quando calo uma verdade – o congressista pode calar uma verdade -> ele não é responsabilizado por algo que leva a pessoa ser responsabilizada. O congressista pode garantir sigilo, ele não é obrigado a falar nada em razão de seu mandato – pessoas têm liberdade ampla para falar com ele. Nem ordem judicial o fará revelar – MP se tiver ordem judicial é obrigado a falar. É o direito que tem de dizer ao juiz que sabe a verdade, mas que não vai revelar. Cala a verdade e aqui não é falso testemunho. -Perda do mandato -> art. 55: enumera os seis casos de perda do mandato. Obs.: -> por causa desse artigo que Jaqueline R. Não foi cassada por falta de decoro. Por quais procedimentos e em quais casas o congressista pode perder a legislatura. .......................................................................... Aula 13 – Rio, 19.09.11 continuação... -Art. 55 -> perda do mandato – alguns atos que o congressista pratique, pode fazer com que ele perca o mandato. Art. 55 indica 6 situações de perda do mandato. -A primeira situação da perda de mandato é quando o congressista viola uma das vedações do art. 54. Art. 54,I -> o estatuto dos congressistas tem também os deveres, o art. 54 tem algumas situações que o congressista não poderá estar, na medida que ele está diplomado, em algumas situações ele não pode se encontrar senão pode perder o mandato. E em outros mesmo diplomado mas não tendo tomado posse, ele não pode se encontrar em alguma situações. Situações em que o congressista tem que manter distância. Se ele está diplomado, ele merece ter algum afastamento da administração pública, ele não pode firmar contratos com a administração pública. Se ele for viajar de avião, pode comprar passagem em que ele é consumidor. No que ele está diplomado, os contratos que ele pode ter com a administração pública são os contratos que qualquer pessoa tem e em regra de adesão. No que está diplomado, não pode ocupar cargos na administração pública já que está diplomado, esse afastamento da administraçãopública é um afastamento quanto a contratos, e quanto a cargos e empresas da própria administração pública. É a tentativa de evitar trocas de favores. No que ele está diplomado já existem algumas vedações. -Art. 55, II -> decoro parlamentar -> perde o mandato por falta de decoro. Um cargo público de congressista, assim como tem imunidades, um cargo dessa importância tem uma obrigação de comportamento ético. Art. 55, parágrafo primeiro deve ser sempre ligado com esse inciso. Posso perder meu cargo, se eu praticar ato que implique falta de decoro parlamentar. -Art. 55, III -> falta das sessões ordinárias –> a cada quatro anos é uma legislatura, cada ano é uma sessão legislativa. Art. 57 -> 2 de fevereiro, cujo nome é período legislativo. Uma legislatura em 4 sessões legislativas, e cada ano tem 2 períodos legislativos. Ao longo desses períodos legislativos são convocadas sessões ordinárias e extraordinárias. Se o sujeito é congressista deve organizar a sua agenda, mas há um dever mínimo de comparecimento a sessões ordinárias. Se for eleito, e comparecer a pouquíssimas sessões ordinárias, perde o mandato. Se ao longo de uma sessão legislativa, 1 ano de legislatura, ele completa 1/3 de faltas injustificadas, isso é motivo para a perda do mandato. 1/3 de falta das sessões ordinárias. Se ficar em outro país, em missão especial, por 4 ou 5 meses, é uma falta justificada. As sessões extraordinárias não são contadas porque são surpresa, ele poderia ter programado outra atividade, mas as sessões ordinárias são contadas, porque desde o começo do ano estão marcadas. -Art. 55, IV -> Perder ou tiver suspenso os direitos políticos -> direitos políticos são os do art. 15, CRFB: votado, ser votado, filiar-se a partido, desfiliar-se, são os direitos que me permitem participação nos processos políticos da sociedade da qual faço parte. O art. 55 não diz o quanto perco ou quando perco meus direitos políticos, ele tem que ser interpretado com o art. 15 da CRFB, que diz em quais casos vou perder direitos políticos e em quais casos vou ter eles suspensos. Art. 15 de perda e suspensão de direitos políticos -> é vedada a cassação de direitos políticos, isso é dito pois na história brasileira essa expressão era usando quando se retirava de alguém o direito de expressão. Cassação de direitos políticos é vedado, pois a ideologia da pessoa não pode em hipótese nenhuma ser causa para que não possa exercer direitos políticos essenciais para a concretização da democracia. Se veda a cassação, possibilita situações nas quais ocorre a perda ou suspensão de mandato. O art. 15 se tivesse sido melhor escrito, diria nos incisos dele quais os casos de perda e suspensão, mas não diz. Nos incisos não diz se o caso é perda ou suspensão. Inciso I -> perda de direitos políticos -> sujeito se naturaliza brasileiro, antes era estrangeiro, mas obteve a naturalização como o art. 15, II prevê, é a chamada nacionalidade brasileira derivada ou secundária. Brasileiro naturalizado -> exerce direitos políticos, mas vamos imaginar que após naturalizado pratica atividades nocivas ao país. Não só se naturalizou como foi eleito congressista, vai que ele pratica algum ato que leva a perda da nacionalidade, caberá ao MP ajuizar uma ação contra esse naturalizado, e se o pedido do MP for precedente, a naturalização dele é cancelada, pois ele fez mal uso da naturalização que o Estado deu a ele. Vai que ele era congressista brasileiro, praticou atividade nociva ao interesse do país, se a justiça federal acolher o pedido, ele perde o mandato, não pode ser congressista pois nem brasileiro ele é. Esse art. 15, I merece interpretação extensiva, toda vez que perder a nacionalidade estrangeira, eu perco direitos políticos no Brasil. Tem outro caso que posso perder a nacionalidade, segundo o art. 12, que é quando requeiro a nacionalidade de outro país – o Brasil não tolera que você tendo a nacionalidade brasileira busque outra que você não tenha, ou seja, que não seja originalmente sua. O que o Brasil não tolera é quando você tem a nacionalidade brasileira e busca outra nacionalidade que não seja originária. Perde a nacionalidade brasileiro que adquire outra nacionalidade por ato de vontade, perde direitos políticos. No que o brasileiro vira alemão, perde a nacionalidade brasileira, e não pode se candidatar e ocupar cargos no CN. Art. 15, II -> incapacidade civil absoluta -> sujeito está na condição de civilmente incapaz, foi interditado, é um caso de suspensão de direitos políticos, se a interdição contamina a vontade, gera uma suspensão de direitos políticos, se era congressista, perde o mandato. Ele segue sendo brasileiro, mas não se descarta um tratamento que o leve a voltar a ter condições de ocupar o cargo. Suspensão dos direitos políticos. A interdição pode ser levantada pelo juiz, ele pode recuperar a doença que o levou a ser absolutamente incapaz, se houver a recuperação pode recuperar a plena capacidade. Art. 15, III -> sujeito é condenado criminalmente por decisão transitada em julgado. Essa decisão implica suspensão de direitos políticos, se tem suspenso, ele vai perder o mandato. Isso vale para todos, menos para o congressista. A pessoa quando condenada criminalmente tem direitos políticos suspensos enquanto a condenação penal produzir efeitos. No fundo, a sentença penal esgota os efeitos todos quando se repara o dano, se reabilita e quando termina o cumprimento da pena, extinguindo a punibilidade por esse último. Se o art. 15, III só devolvesse direitos políticos para quem fosse reabilitado, reparasse o dano e extinguisse a punibilidade seria oneroso demais para os criminosos, pois se o sujeito é pobre, pode nunca reparar o dano. Então, na jurisprudência fica determinado que o que interessa é a pena estar extinta, extinta a punibilidade volta a ter direitos políticos. Essa regra não vale para os congressistas, o congressista não tem suspensos direitos políticos quando condenado criminalmente. Art. 15, IV -> Na doutrina se diz perda, mas o professor entende como suspensão. Art. 5º, VIII -> escusa de consciência – direito que eu tenho de ser isento de cumprir obrigação legal imposta a todos, se aquela obrigação ofende alguma crença religiosa ou convicção filosófica ou política. Mas a lei pode prever prestação alternativa para ele, se ele não vai cumprir a obrigação imposta a todos, pode cumprir uma obrigação alternativa. Se ele é isento da obrigação legal, mas não tem lei prevendo obrigação alternativa, como ele sai da história? Livre, leve e solto, porque ele alegou e provou algo que a Constituição permite e a lei que tinha de prever obrigação alternativa não previu, ele sai sem ônus. Se ele falar que não cumpre a obrigação legal, mas não aceita a alternativa também, ai ele perde direitos políticos. Perdendo os direitos políticos, ele perde o cargo na câmara e no senado. -> O professor acha que é suspensão, que basta ele manifestar vontade e se dispor a cumprir a obrigação alternativa que ele volta a ter direitos políticos. A qualquer hora ele pode mudar de ideia e aceitar a cumprir obrigação alternativa. Art. 15, V -> Lei 8429/92 – lei voltada para o art. 10 -> servidores públicos que combatem os atos chamados de improbidade. Arts. 9, 10 e 11, os principais, para agente públicos que não tem comportamento ético. As punições são reparar o dano e pagar multa civil e perder o cargo. O juiz fixa dada a improbidade e o grau de reprobabilidade, e então determina qual será a sentença para aquele sujeito. -Art. 55, V -> Sujeito diplomado e tomou posse, já diplomado e exercendo o cargo, ele tem na justiça eleitoral uma ação onde se discute que ele abusou de poder econômico nas comissões, a justiça eleitoral que diploma pode alegar abuso, e então anular a diplomação e a consequência disso é perder o mandato. Aquele eleito foi eleito por abuso de poder econômico, a possa está invalidada e vai perder o mandato também. Hipótese de suspensão. -Art. 55, VI -> Sofrer condenação criminal transitada em julgado. O art. 55, III vale para todos os brasileiros, paraos congressistas vale o art. 55, VI. Tudo que está no art. 15 vale para os congressistas, menos o inciso III. -Art. 55, §2º e §3º -> segundo o §3º nos casos dos incisos III, IV e V, a perda é declarada, não tem o que discutir. O III é o da falta em 1/3 das sessões ordinárias – a perda é certa, não precisa ter votação nenhuma. IV -> §3º -> perder ou ter suspensos os direitos políticos, que leva ao art. 15 – se perde a nacionalidade brasileira, perde direitos políticos e o mandato – é automático. Da mesma forma, se ele é interditado, tem suspensos direitos políticos e automaticamente perde o mandato. Do mesmo modo, se ele é condenado por improbidade administrativa, suspende direitos políticos, perde o mandato. Da mesma forma, na questão da escusa de consciência, descumpre a obrigação legal e descumpre também a prestação alternativa, perde direitos políticos e perde o mandato também. O §3º vale para os casos que a justiça eleitoral declara que ele perdeu o mandato, é um dado objetivado também, justiça eleitoral declarou a perda do mandato, a casa acatará e não será mais congressista. Não analisamos os incisos I, II e VI. Se ele descumpre o art. 54, aplicaremos o §2º - faltou com o decoro e condenado criminalmente. A perda será decidida pela casa do qual ele pertence por voto secreto, se o problema for violar esses incisos, tem que ter uma votação secreta na casa que ele pertence, e maioria absoluta o quórum. A condenação criminal não leva ele por si só a perder o mandato. -Resumo geral da aula: Art. 55 -> perda do mandato. Inciso I – perda que depende de votação, pode violar o art. 54 e ficar lá, basta que a votação não aconteça ou que não alcance o quórum da votação. Inciso II – perda por falta de decoro parlamentar -> para perder o mandato depende de votação na casa da qual o congressista faz parte. Inciso III – perda objetivada -> perde o mandato. Inciso IV – perda objetivada para hipóteses do art. 15. Inciso V – perda é certa pela justiça eleitoral condena. Inciso VI – a perda é objeto de votação, assim como os incisos I e II; a perda é apenas uma possibilidade, não é certa, é uma votação secreta e o quórum é em maioria absoluta. Enquanto ele estiver lá, ele não é condenado, e pode continuar votando em projetos de lei, emenda, etc. ......................................................................... Aula 14 – Rio, 21.09.11 PODER EXECUTIVO -função preponderante: administrativa. Também legisla e tem também tem função jurisdicional. - Brasil é presidencialista – presidente é chefe de estado e chefe de governo. Como chefe de governo é auxiliado pelos ministros do estado, é um definidor de políticas públicas. Como chefe de estado é uma figura que representa o país, principalmente no âmbito internacional. └> Brasil adotou o presidencialismo, isso quer dizer que o nosso presidente da república é eleito por 4 anos, cabendo reeleição, e na medida que é eleito, toma posse e passa a exercer o cargo de presidente, vai ter duas funções a serem desempenhadas: vai ser chefe de estado – figura representativa do país, ideia ligada a atos cerimonias, vai falar pelo país em atos internacionais, se manifestar em situações de crise, participar de datas comemorativas, ou seja, cria um papel simbólico, representativo; e também vai ser chefe de governo – definidor de políticas públicas, vai procurar estabelecer metas segundos diretrizes que tiver emitido, a chamada máquina administrativa. Nos países parlamentaristas não é assim, a cúpula do executivo é modificada. Tem um que é o chefe de estado, que pode ser um monarca (parlamentarismo monárquico – hereditariedade, permanência vitalícia no cargo, pode ser um rei chefe de estado) ou um presidente eleito por via direta ou indireta (parlamentarismo republicano – presidente eleito e de permanência temporária), e o chefe de governo vai ser um primeiro ministro, que é escolhido pelo parlamento, que é escolhido pelo povo. O parlamentarismo é um sistema mais flexível, e o presidencialismo é mais rígido. O parlamentarismo busca um sintonia mais clara entre o que legisla e o que define políticas públicas; no fundo, o parlamentarismo quer um parlamento eleito pelo povo periodicamente, que escolhe um primeiro ministro que ele apoia, e enquanto esse primeiro ministro define políticas públicas apoiado pelo parlamento, há uma sintonia entre quem define políticas públicas e quem legisla. O chefe de estado tem uma função mais representativa, seja ele um monarca ou um presidente eleito de permanência temporária. No presidencialismo, eu elejo o parlamento e elejo o presidente, o sistema não exige que entre os dois exista sintonia. Não se tem dúvida de que o parlamentarismo é um sistema bem mais acabado, mais bem elaborado, condizente com a política do futuro – é um sistema que resolve rápido suas crises de governabilidade, se é tirada a confiança do primeiro ministro, emite a monção de desconfiança, se o primeiro ministro tiver apoio, fica. No presidencialismo, temos um presidente eleito que é chefe de estado e de governo, Pode ser que ele fique sem sintonia com o parlamento, e ai é difícil levar um país adiante quando o que o presidente define como políticas públicas não bate com o que o CN aprova. O presidencialismo brasileiro, por ser democrático, o presidente não tem tanto poder assim, mas tem poder para agir de maneira unilateral, muito mais do que o poder que o 1º ministro de um país parlamentarista tem, pois é muito mais um chefe do que um coordenador, como é o primeiro ministro. O Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional (artigos 89, 90 e 91, CRFB) são dois conselhos que o presidente é obrigado a ouvir. São dois conselhos porque houve uma discussão para ver se os militares participariam ou não. No conselho da república eram só civis, e no conselho nacional os militares têm participação junto com os civis. Para tomar certas decisões como decretar intervenção federal, estado de defesa, guerras, certas decisões gravíssimas, o presidente é obrigado a ouvir certos conselhos, às vezes, dos dois. No presidencialismo, o que fica mais claro entre os poderes é a separação, enquanto o parlamentarismo privilegia a harmonização dos poderes. O presidencialismo privilegia a separação. Quando se estuda a figura do presidente da república, entra em cena a questão que o Brasil é uma república, e essa palavra tem dois significados: não podemos confundir forma republicana com princípio republicano. Forma republicana -> quando o chefe de estado é escolhido por critérios hereditários e tem a permanência vitalícia no cargo é porque o país é uma monarquia, ou seja, a forma é monárquica; quando vejo um país com chefe de estado escolhido por eleições e permanência temporária, a forma é republicana. Princípio republicano -> a finalidade do Estado é atender à sociedade, e isso gera para agentes públicos deveres a cumprir, os quais violados, podem fazer com que eles sejam responsabilizados. Esse é um princípio comum a todos que agem em nome do Estado, ou que exercem alguma atribuição própria das funções do Estado – não há agente político imune à responsabilização. -Em outros aspectos, o papel do presidente vai ser um papel que vou usar como parâmetro para governadores, prefeitos, mas isso nem sempre vai ser perfeito. O que há de comum entre todos eles é que todos são chefes de governo, a diferença do presidente é que ele é chefe de estado. Essa distinção é importante, pois o que o presidente faz como chefe de governo, os outros também vão poder fazer, ou seja, há simetria – a chefia de governo é simétrica, implica práticas iguais. O presidente da república é quem pode regulamentar uma lei estadual, os outros regulamentam uma lei municipal. As prerrogativas que o presidente tem como chefe de estado são apenas dele -> art. 86, §3º: o presidente só pode ser preso após decisão transitado em julgado, não existe prisão cautelar para o presidente; art. 86, §4º: se o presidente cometer um crime, e o crime não tiver nada a ver com as funções presidenciais, enquanto for presidentenão poderá ser julgado ou condenado – são arts. que falam especificamente do presidente -> isso não pode ser estendido aos outros chefes de governo, são prerrogativas do presidente, porque ele é chefe de estado, então são prerrogativas apenas dele, se alguma Constituição estadual prever para governador, ela será inconstitucional, e a mesma coisa vale para prefeitos – a conclusão de ser para chefe de estado, é algo que não fica claro no texto, pois não está escrito que é por esse motivo. -Essas figuras que chefiam o executivo são figuras politicamente de relevo nacional ou em âmbito local, por mais que o cargo implique prerrogativas, não quer dizer que essas pessoas não possam ser responsabilizados. Não há agente público imune à responsabilização, mesmo sendo chefe de estado ou de governo. O Brasil mostra que aplica o princípio republicano -> pra efeitos constitucionais, esse princípio quer dizer que atende às necessidades da sociedade – república para o povo – então, os agente públicos tem deveres a cumprir, ao descumprir suas funções tem que ser responsabilizados. Ninguém está imune a responsabilização, se integra a estrutura do estado, e tem funções. Obs.: O Brasil já conseguiu o impeachment de um presidente da república. Nesse assunto, mais do que nunca, presidente, governador e prefeito não têm o mesmo regime. Como o presidente pode ser responsabilizado -> art. 86, CRFB: para julgar o presidente tem que ser o STF e o Senado, só vão poder julgar se a câmara autorizar por 2/3, podendo o presidente responder por crime de responsabilidade e por infração penal comum. Responsabilidade do presidente sobre um aspecto procedimental: .se praticar crime de responsabilidade, quem o julga é o senado, se praticar infração penal, quem julga é o STF. As infrações penais comuns devem ser ligadas às funções, porque se ele exercer, praticar um ato, e for uma infração penal comum não ligada às funções dele, ele só vai responder após terminar o mandato. Temos então que dividir em infrações penais comuns não ligada às funções – não responde enquanto for presidente, infrações penais ligadas às funções é julgado pelo STF, e por crime de responsabilidade é julgado pelo senado, e nesses casos, só com a autorização da câmara por 2/3. Se for uma infração penal não ligada a função de presidente, pode investigar, mas não irá além disso. - § 4º. O fato de ser presidente já começa a pesar. Não se vai além da atividade investigatória. Só vai responder quando não for mais presidente. A prescrição da pretensão punitiva é suspensa. Se ele praticar uma infração penal comum, a prescrição da pretensão punitiva está suspensa, pois quando ele não for mais presidente, será julgado como qualquer outra pessoa seria pela infração penal comum. Se é uma infração penal comum ligada às funções, vou além de investigar, o próximo passo é acusar, ou seja, ajuizar a ação penal. É responsabilizado. Obs.: a expressão “infração penal comum” na linguagem jurídica tem mais de um significado: crime que qualquer pessoa pode praticar; ser julgado por tribunais comuns; no art. 86 são todas as infrações penais, todos os crimes tipificados, menos os crimes de responsabilidade. Art. 85 -> crimes de responsabilidade do presidente. Não está tipificando os crimes de responsabilidade, está dizendo os bens jurídicos que são ofendidos pelos crimes de responsabilidade. Não é uma tipificação de ilícitos, apenas enumera os bens jurídicos ofendidos por esses crimes. É responsabilizado. O que significa dizer que uma infração penal comum está ligada com as funções? Em termos doutrinários, o infrações penais comuns está ligada às funções por dois caminhos: a primeira ligação vem do crime ser praticado na função (presidente receber vantagem pecuniária para fazer certo ato ou deixar de praticar ao de ofício que deveria pratica – faz isso a fim de se beneficiar) e a segunda ligação vem do crime implicar ao decoro (presidente agredir sua esposa fisicamente, delito praticada numa esfera privada de vida – exemplo: mandar matar um inimigo político). Os crimes de responsabilidade estão tipificados na lei 1079/50 – art. 85, parágrafo único diz que a lei que tipificar os crimes de responsabilidade, também deve dar o procedimento. Esta lei fala que quem acusa o presidente é qualquer cidadão. A denúncia popular é no fundo um direito político. Eu protocolo a denúncia popular na câmara dos deputados, para que ela admita ou não a acusação. Se o presidente pratica uma infração penal comum ligada às funções – se for pública, a denúncia é feita pelo procurador geral da república, pois a ofensa atinge a sociedade, se for privada, a denúncia é feita pelo agredido/ofendido. Ambos vão protocolar no STF, mas o Supremo também aguarda a câmara. Seja senado ou Supremo, ficam dependendo da autorização da câmara. └> Há uma fase investigatória, se ela é bem sucedida, é formulada uma acusação, e ai começamos uma fase de processo e julgamento. A fase investigatória deve ser feita sempre que possível de maneira imediata após o fato para coletar as provas quando é possível coletá-las – se não realizar a perícia de imediato, as provas desaparecem. A investigação sempre acontece, ainda que o sujeito seja o presidente da república – vai que ele praticou crime contra um inimigo pessoal de honra, uma questão de sua vida particular, se a pessoa ofendida registra a ocorrência, vai haver um inquérito policial. O inquérito acaba quando o delegado elabora o relatório, onde escreve as provas que teve e as conclusões que chegou. Se a situação envolve infração penal comum não ligadas às funções, o delegado chega ao máximo ao relatório e nem pode indiciar, e enquanto ele for presidente da república, nada mais poderá ser feito. Se a infração penal comum não for ligada às funções, a vítima poderá mover a ação penal quando ele não for mais presidente. Então no máximo haverá investigação e o encerramento do inquérito policial. Se for crime de ação penal pública, o MP aguarda que ele não seja mais presidente, se for de ação penal privada, a vítima aguarda para que ele não seja mais presidente para ajuizar a ação contra ele. Seja queixa (vítima) ou denúncia (MP), a ação será julgada no STF, será julgada no poder judiciário em primeira instância. O crime de ação penal pública é quando a ofensa é contra a sociedade, e o crime de ação penal privada é quando a vítima é que faz a queixa contra o sujeito. Agora, se for uma infração penal comum ligada à função de presidente, o delegado realiza a atividade investigatória, e ao fazer o relatório a situação muda de figura, pois a infração é ligada as funções. Esse inquérito irá para a fase acusatória. Se for ação penal pública a ação é ajuizada pelo MP – MP oferece a denúncia, que é o nome que se dá a petição inicial da ação pública - e na estrutura do MP essa ação contra o presidente só um membro do MP pode assinar que é o procurador geral da república. Se for ação penal privada, quem vai ajuizar a ação é a vítima – vítima oferece a queixa, que é a petição inicial da ação privada. Temos uma ação penal protocolada no STF, é o sistema de competência originária, ou seja, não chega em grau de recurso ao STF, é ajuizada diretamente no Supremo, como se fosse ele o órgão a apreciar aquela questão judicial. O Supremo recebe essa ação penal comum pública ou privada e encaminha para a câmara dos deputados, porque tal como esta no art. 86, a câmara tem que fazer juízo de admissibilidade, ela tem que autorizar o Supremo para que ele possa julgar a questão. No crime de responsabilidade, no momento inicial, também acontece a fase investigatória, ao fim da investigação temos que pensar quem vai acusar o presidente por crime de responsabilidade – a CRFB não diz quem acusa o presidente por crime de responsabilidade, se não há norma na Constituição a previsão vai estar na lei 1079/50 ou no art.85, parágrafo único. Lei federal tipificará quais são os crimes de responsabilidade, uma lei que trata do processo, trata de quem faz a acusação, então vamos ter que na lei 1079/50 que qualquer cidadãopode acusar o presidente da república, é a famosa denúncia popular. Qualquer cidadão acusa, mas vai para a câmara para juízo de admissibilidade. Os dois julgamentos dependem da anuência da câmara – segundo o art. 86, a câmara tem que admitir acusação para que ele possa ser julgado por crime de responsabilidade no senado e crime de infração penal comum no STF. A câmara antes de votar o assunto, deve oportunizar o direito de defesa, porque ele já está na condição de acusada quando está perante a câmara, então mesmo que a câmara dê essa oportunidade de defesa quando ele não está perante quem vai julgá-lo, ele tem direito às mesmas oportunidades de fala que a outra parte. O art. 55, § 5º mostra que o direito de defesa nasce não porque estou perante a quem vai me julgar, mas sim porque estou na condição de acusado. Desde que o cidadão ofereceu a denúncia, ou desde que o MP ofereceu a ação penal no STF, se eu já estou na condição de acusado, já tenho direito de defesa. Quando a câmara faz o juízo de admissibilidade o quórum é de 2/3, a acusação tem que ser admitida por 2/3 dos deputados federais. Art. 51 -> competências da câmara dos deputados -> art. 51, I -> a mesma previsão do art. 86: câmara delibera por uma resolução, autorizando o Supremo a julgar o presidente por ação penal comum e autorizará o senado a julgar o presidente por crime de responsabilidade. Quando deputados votam sim ou não para autorizar crime de responsabilidade, devem avaliar duas coisas: 1º) devem avaliar se a acusação, que vem de um cidadão, da pessoa MP na ação penal pública, ou na figura da vítima na ação penal privada, tem consistência. 2º) devem avaliar um aspecto político – tudo que eu levo a votação numa casa legislativa é porque quero dar conotação política. Se fosse só para avaliar se as provas são consistentes, não se entregaria isso para uma casa legislativa, porque quando se tem um presidente acusado por crime de responsabilidade ou por infração penal comum, talvez ele deixe de ser presidente, podendo gerar instabilidade política, institucional, econômica. O congressista tem o legítimo poder de fazer esse juízo de valor, se vale a pena julgar e deixar a crise ir adiante ou se vale a pena cessar a crise, e deixar o sujeito na presidência mesmo que a acusação pese. Se a câmara não admite a acusação, temos que ver. Se for uma acusação por crime de responsabilidade, quem formulou foi um cidadão, então não admitindo, é fim de papo – não foi e nem será julgado por crime de responsabilidade. Se for infração penal comum ligada as funções, não é fim de papo, pois quando ele deixar de ser presidente vai ser julgado por aquele crime, a prescrição da pretensão de punir fica suspensa. No crime de responsabilidade, a ideia é que ele saia do cargo, na infração penal comum, ele responde pelo que fez, mas depois de terminado o mandato, o processo fica suspenso. Se a câmara admite -> art. 86, § 1º -> consequência material -> o presidente fica suspenso das funções, se recebida a denúncia ou queixa do Supremo ou após a instauração do processo no senado. Se é uma infração penal comum ligada as funções, e o Supremo recebe, o presidente está suspenso. A admissibilidade pela câmara não importará prévio julgamento, mas é porta aberta para que o presidente fique afastado das funções, ainda que ocupando o cargo. Art. 86, § 2º -> ele fica suspenso por exatos 180 dias, se o julgamento não ocorrer em 180 dias, ele volta a ser presidente, mesmo que o julgamento não aconteça. -A câmara condena ou absolve presidente? Não. Ela apenas admite ou não a acusação. Primeiro, tem que saber se essa acusação tem um princípio de prova, senão você não pode ajuizar uma ação penal sem justa causa – você quando acusa não tem total certeza, mas tem que ter minimamente um princípio da prova; segundo, deputados não fazem juízo de admissibilidade apenas do aspecto jurídico, mas também por conta de uma conveniência política, pois convém ao país não ficar numa situação de crise, pois quando um presidente é acusado, pode entrar em crise a economia, política, paz social – requer uma contextualização política. A câmara antes de votar deve ou não assegurar ao presidente o direito de defesa? Art. 5º, inciso 55 -> você tem direito de se defender porque está na posição de alguém que é acusado – então sim, o presidente tem direito de defesa, pois a queixa do ofendido, a denúncia popular ou a denúncia do STF são acusações. No art. 51, temos que será uma resolução da câmara admitir ou não a acusação. A câmara tem esse direito a partir do art. 86. O presidente tem que se defender antes da resolução da câmara por 2/3, se a coisa prosseguir no STF ou no senado, pois ele fica suspenso das suas funções, mesmo estando no cargo. Então, já sofre não por ser condenado, mas porque foi acusado. Se a câmara não admitir, ele não será julgado, quando se tratar de infração penal comum ligada às funções; se a câmara não admitir, ele será julgado quando não ocupar mais o cargo, quando se tratar de infração penal comum – não responderá no STF, pois não é mais presidente, responderá como qualquer outro cidadão comum. -Resumo Geral -> por mais que o presidente tenha proteção dada a importância do cargo, isso não inibe a atividade investigatória que acontecerá. Vai que a situação é a do 86, § 4º -> infração penal comum não ligada a condição de presidente, enquanto ele for presidente nada mais poderá ser feito, pois enquanto ele for presidente não responde por atos estranhos a sua função de presidente, e a prescrição da pretensão punitiva está suspensa, quando ele deixar de ser presidente a ação penal pública ou privada será ajuizada e não será no STF. Crime de responsabilidade -> tipificados na lei 1079/50 -> qualquer cidadão pode fazer a acusação na câmara por crimes de responsabilidade previstos no art. 85, CRFB, tipificados na lei 1079/50. Qualquer cidadão poderá oferecer a denúncia popular na câmara, que oferecerá direito de defesa, e deliberará por 2/3. Se não admitir, fim de papo, se admitir, editará uma resolução e encaminhará pro senado, que está obrigado a instaurar o processo e no que instaura o presidente fica suspenso de sua função por 180 dias. A sanção pro crime de responsabilidade traz a perda do cargo, e fica inabilitado por 8 anos a exercer qualquer função pública. São penas autônomas, posso aplicar uma mesmo não sendo possível aplicar a outra. O art. 52 prevê duas punições, e uma não indica que é principal e a outra acessória. Infração penal comum ligada as funções -> MP oferece denúncia ou vítima oferece a queixa no STF, mas o STF nada pode fazer, ele então encaminha a questão para a câmara pro tal juízo de admissibilidade. Se a câmara não admitir, o presidente por hora não será julgado, mas como é infração penal comum, quando ele não for mais presidente será julgado como qualquer outra pessoa, pois quando a câmara admitiu, a prescrição punitiva ficou suspensa. Se a câmara por 2/3 admitir, a questão vai pro Supremo, que pode receber denúncia ou queixa, ou não. O presidente fica então suspenso por 180 dias. Quem lê a Constituição de 88 percebe que a ela não diz que se condenado por infração penal comum ligada as funções, ele perde o cargo. Quando é uma infração penal comum onde a câmara admite e o STF julga, tem que ser por 2/3 dos deputados. O art. 86, § 3º diz que enquanto não sobrevier sentença condenatória, o presidente não estará sujeito a prisão, mas quando vem a condenação ele pode ser preso. Se ele pode ser preso, é porque não é mais presidente. Devemos conjugar o art. 86, § 3º com o art. 15, III, na condenação criminal transitada em julgado, enquanto durar seus efeitos. Pessoas quando condenadas criminalmente tem direitos políticos suspenso, isso vale para o presidente também. Se não pode votar, não pode presidir no país. Quando conjugo o art. 15, III com o art. 86, percebo que se o STF condenar o presidente por infração penal comum ligada as funções, o presidente não mais ocupa esse cargo. É um procedimento que blinda o presidente na medida do necessário..................................................................... Aula 15 – Rio, 26.09.11 Pegar com alguém! ................................................................... Aula 16 – Rio, 28.09.11 Pegar com alguém! ...................................................................... Possíveis conteúdos das últimas aulas – Anotações Vinicius RESPONSABILIDADE DE GOVERNADORES E DO DF Artigo 86§ 3º e 4º (Não pode prender cautelarmente o presidente, não pode prender temporariamente e preventivamente. Não pode ser preso em flagrante, preventivamente, nem preso temporariamente. A prisão tem a ver com garantir a própria utilidade do processo. O 86§ 4º prevê que o presidente não responde por atos estranhos as funções presidenciais, o presidente enquanto presidente não responde por infrações penais comuns não ligadas a função de presidente. Artigo 11 do adct. (Se dizia que cada estado teria 12 meses para fazer sua constituição compatível com a da republica. Alguns estados perderam esse prazo mas elaboraram logo após sua constituição estadual, algumas constituições pegaram o parágrafo terceiro e quarto e reproduziram para seus governadores. Por infração penal comum não ligada ao cargo, não poderia ser ele responsabilizado. Elas reproduziram o que a constituição federal previa para o presidente da republica. O procurador do estado ajuizou para cada uma dessas constituições uma adi, contra essas normas de constituição estadual, as constituições do estado não poderiam prever esse privilegio para o governador. O ponto comum entre presidente, governador e prefeitos é que todos chefiam o poder executivo e definem políticas publicas na hora de incompetência do executivo federal. O presidente é o único que é chefe de estado, pois simboliza a nação nas relações internacionais e nas situações de atividade cerimonial, essa tese o procurador geral da republica o supremo acatou. São prerrogativas como chefe de estado, valem só para o presidente e não se pode estender isso para nenhuma outra pessoa. Resumo (Governador de estado e DF pode ser preso cautelarmente, eles podem ser presos, pois a prerrogativa do 86§ 3º é só para o presidente. O presidente não responde por ações penais comuns não ligadas as funções por causa do 86§ 4º,mas isso não vale para os governadores, pois é atribuição do presidente por ser chefe de estado. O governador enquanto governador responde por infrações penais comuns ligadas ou não a atividades que ele desempenha. Outro problema é o seguinte, responde sendo julgado por quem e por qual procedimento? A nossa constituição não fala nada a esse respeito. Ela fala que quem julga o governador de estado ou do DF por infração penal comum é o STJ. Art. 105, I. É a única regra expressa sobre a responsabilidade do governador. Nas infrações penais comuns ,o STF julga o presidente, autorizado pela câmara. Nas infrações penais comuns ,quem julga é o STJ, será que deve ser autorizado por alguém? A nossa constituição não diz nada sobre isso, talvez seja o caso de pensar que o STJ para julgar o governador deve ser autorizado por alguém, e esse alguém será a assembleia legislativa do estado ou no caso do DF sua câmara legislativa. 105,I diz que quem julga é o STJ, se esse tribunal federal julgasse sem autorização de ninguém, podendo prende-lo, isso seria uma intervenção federal, seria um tribunal da união prendendo o governador cautelarmente e destituindo do cargo, seria um caso de intervenção federal, uma autoridade impondo a prisão do governador, a destituição do cargo e deveria estar presente no artigo 34 que prevê os casos, e deve ser interpretada de maneira restritiva. O artigo 34 prevê os casos de intervenção federal, a união não intervirá nos estados e DF, e esse caso não esta lá. Logo, não pode ser uma intervenção federal, então o STJ deve agir autorizado pelo próprio estado, o STJ só julga porque o poder legislativo do estado autorizou por 2/3,ou a câmara legislativa autorizou por 2/3.É o quórum em paralelo com a câmara. Há 2 anos atrás a ideia era essa. Arruda -> STJ viu o escândalo de corrupção mais bem documentado da historia do Brasil. STJ se seguisse o que sempre seguiu não ia fazer nada, pois ele STJ só podia prender cautelarmente se primeiro houvesse a autorização. Mas em meio aquelas filmagens, quem aparecia era o pessoal da câmara legislativa do DF, pareceu ao STJ que se ficar esperando o pessoal da câmara autorizar a processar o governador, vai demorar muito, estavam todos em coautoria e não autorizariam nada. O STJ mesmo sem autorização da câmara legislativa prendeu cautelarmente, tomou uma decisão arrojada, mas certa. O que o Brasil sempre disse que por infração quem vai julgar é o STJ, mas para não ser intervenção federal deve ser autorizado pelo legislativo da unidade federada. Mas Arruda, o STJ prendeu cautelarmente, sem ter autorização de quem quer que seja. Mas e por crimes de responsabilidade? Quem admite? Câmara e quem julga? Senado. Isso no caso do presidente. O julgamento por crime de responsabilidade do presidente da republica esta associado a 2 casas do legislativo, mas sabemos que âmbito estadual a assembleia legislativa ou câmara legislativa é apenas uma casa. Aqui não tem como fazer paralelo com o presidente. REPONSABILIZAÇÃO DOS GOVERNADORES DE ESTADO Crime de responsabilidade -> essa lógica não dá para transpor para os estados e DF, pois em âmbito federal temos a lógica bicameral, e no DF e estados temos a lógica unicameral. Os estados, em sua maioria, disseram que a assembleia legislativa faz o juízo de admissibilidade e ela mesmo julga com o mesmo quórum de 2/3.A tentativa era essa, de trabalhar com, um lógica segunda a qual o presidente por crime de responsabilidade, a casa que faz a admissibilidade é a mesma que julga. Vantagem (Tentar seguir o padrão federal. Desvantagem (Um colegiado que faz a admissibilidade já tem propensão para condenar, haveria quase um pré-julgamento. 2 estados fugiram desse modelo: um são Paulo e outro Mato Grosso do Sul. A constituição paulista disse que se o governador for suspeito de praticar crime de responsabilidade, quem faz a admissão é a assembleia legislativa por 2/3,mas quem vai julgar é um tribunal especial formado por deputados estaduais e desembargadores do tribunal de justiça do estado, os mais antigos do TJ, os deputados sorteados no âmbito da assembleia legislativa. Tentou fugir da figura de um mesmo órgão. Artigo 5º,inciso 37 (Tribunal de exceção (Não haverá juízo ou tribunal de exceção, tribunal criado após o fato para julgar apenas o fato, isso indica casuísmo, é criado para julgar um caso especifico. Cria um órgão especificamente para julgá-lo, essa figura ofende o artigo 5º,37 pois lá diz que não haverá juízo ou tribunal de exceção. Esse caminho não parece adequado, pois é inconstitucional. Supremo não aceita nem o que estados em geral fizeram, nem o que os paulistas fizeram. A constituição sul mato-grossense, diz que o governador do estado será julgado por crime de responsabilidade segundo lei federal, se quer é competência dos estados falar de responsabilização de governador. § único do 85 (LEI FEDERAL QUE estabelecerá normas de processo e julgamento. prevaleceu a postura da constituição do mato grosso do sul, que disse que lei federal regulamentará isso. Lei federal 1079/50 (Artigo 78 (De onde são Paulo tirou a ideia do tribunal especial, quando cidadão acusa por crime de responsabilidade, a assembleia legislativa faz a admissibilidade por 2/3 e se ela admitir, o governador será julgado por um tribunal especial, que é pior que o tribunal paulista, na lei 1079,são desembargadores sorteados e são os deputados eleitos por seus colegas, o tribunal é mais de exceção do que o da lei paulista. Eleger político é direcionar o julgamento. É um exemplo deque nossa ordem jurídica possui lacuna, constituição estadual ano pode tratar do assunto, e a constituição do mato grosso do sul remete a lei 1079 que é de duvidosa validade. A chance de um governador ser condenado por crime de responsabilidade é nenhumaatualmente. Resumo (Constituição estadual não pode dizer como se processa o governador por crime de responsabilidade, pois essa competência não é dos estados, e sim a competência cabe a união, conforme o 85 § único e 22 inciso I, a lei federal que temos é muito anterior a constituição, ela prevê um tribunal chamado de especial que é criado depois do fato, composto para o fato é composto por magistrado e por deputados que são eleitos no âmbito da assembleia legislativa, é um tribunal que se pode escolher em que vai julgar, em função de quem a pessoa se dispõe a julgar previamente, como julgamento idôneo, não sobra nada. O tribunal é de exceção, o supremo por hora tem validado isso. O presidente fica suspenso por 8 anos, a constituição de SC, disse que o governador fica suspenso por 8 anos, mas constituição estadual não pode fixar penas, e estabelecer o tipo penal. A lei 1079 diz que a vedação é por 5 anos e não por 8 anos, como no caso do presidente da republica. O supremo por hora tem validado o artigo 78 da lei 1079,mas também seria de exceção. O supremo disse que constituição estadual não pode legislar sobre crime, nem tratar sobre a fixação da pena, a vedação de exercer função publica é de 5 anos e não 8 anos(artigo 79 da lei 1079). Para o supremo a lei 1079 foi recepcionada, mas esta recepcionando um tribunal de exceção, se um dia acontecer o crime de responsabilidade do governador, o governador vai bater nesse ponto e criar problema para o seu julgamento. Visão do professor (Quem julga é a assembleia legislativa sem juízo de admissibilidade, ou então que a admissibilidade fique para a comissão de constituição e justiça. Cria uma admissibilidade sem que a figura implique em pré-julgamento. PREFEITOS Aspecto problemático. Artigo 29 da CF,X (Quem julga o prefeito é o tribunal de justiça. Se um prefeito pratica um crime, a ação penal é ajuizada no tribunal de justiça do estado, tribunais exercem a chamada competência originaria, é como se ali fosse o primeiro grau de jurisdição, o MP ajuíza a ação numa vara criminal, se o autor é prefeito ajuíza no TJ, é um foro por prerrogativa de função. O TJ é o tribunal de cúpula da justiça do estado ,ai surgem alguns problemas. O 29,X quem julga o prefeito é o tribunal de justiça. Vamos imaginar que a união federal repasse verbas para o município em função de um convênio, a verba vira municipal quando repassada pela União ou pelos estados. Mas em convênios, as verbas federais são repassadas mas permanecem com a natureza federal, quem vai controlar é o TCU. E se o município faz com que o dinheiro vá parar no bolso do prefeito? Ele se apropriou de verbas federais, que permaneceram como verbas federais. O 29,X diz que crimes praticados pelo prefeito o TJ diz, mas o 109 da CRFB prevê que crimes contra interesses da união quem julga é a justiça federal e eleitorais a justiça eleitoral. Crime eleitoral e federal (Seja matéria eleitoral ou federal, elas nunca são competência do tribunal de justiça, ai nasceu o problema a enfrentar que o STF já resolveu, o STF tem até sumula que é a 702,o artigo 29,X merece interpretação extensiva, o tribunal de justiça se o crime for de competência do estado. Se for um crime federal quem julgará será a justiça federal, mas quem julgará será o órgão da justiça federal que equivale ao TJ, que é o TRF, se cometer crime eleitoral será no TRE, se for crime comum quem julga é o tribunal de justiça. Se o prefeito pratica crime federal, só quem pode atuar são os procuradores de segunda instancia. Decreto lei 201/67 (Prevê os crimes de responsabilidade dos prefeitos, a lei 1079 não vale para eles, vale para governadores, presidentes e outras autoridades como mais tarde veremos. São dois elencos de infrações penais, numa das tipificações, quem julga o prefeito é o tribunal de justiça e no outro elenco quem julga é a câmara municipal. Tem os crimes de responsabilidade próprios, em que o prefeito é julgado na câmara municipal, mas no decreto lei, o outro elenco é julgado pelo TJ são crimes de responsabilidade impróprias, são infrações penais comuns e quem julga é o judiciário e não uma casa legislativa. São tipificados os crimes de responsabilidade que os prefeitos podem praticar. Quem vai julgar os prefeitos por crime de responsabilidade? A câmara municipal, e aqui julga sem juízo de admissibilidade. Para prefeito isso não se discute, por infrações penais em geral respondem em tribunal de segunda instancia da justiça competente para apreciar a questão e não precisa de admissibilidade previa para o julgamento. Artigo 1º (Infrações penais que o TJ julga. Artigo 4º que a câmara julga, crime de responsabilidade. SUCESSÃO E SUBSTITUIÇÃO DO CARGO DE CHEFE DO EXECUTVO Artigos 79,80,81 da CF (Quando se diz que ele foi substituído ou sofreu uma sucessão? Substituído (Permanece no cargo, mas por mais que esteja no cargo, momentaneamente não esta exercendo as funções, porque se licenciou por motivo de doença, ou porque acusado de crime de responsabilidade ou infração penal comum. Sucessão (Cargo vago, pois o presidente faleceu, renunciou, ou perdeu o cargo por crime de responsabilidade ou infração penal comum. Artigo 79 (Na sucessão ou substituição processual vice-presidente é o único sucessor e o primeiro substituto, sucessor temos um só, substituto temos outros. Artigo 80 (O vice-presidente é o primeiro e único sucessor, o vice assume a partir de então como presidente, pode assumir o cargo sem ele ficar vago, se o presidente tem no vice seu único sucessor, seu primeiro substituto. Os dois viajaram, estão licenciados por motivo de descanso, quem exercerá a presidência da republica, será o deputado federal que presidir a câmara dos deputados, se ele não puder, o senador que preside a câmara dos senadores, e por ultimo se este não puder, o presidente do STF. Exercerão momentaneamente Artigo 81 (Vamos supor que em determinado momento vaga o cargo de vice, ficamos só com o presidente, e ai como o presidente não tem mais vice, o substituo 1 é o da câmara, 2 do senado e 3 do STF.O vice como sucessor vira presidente, assumirão o presidente da câmara, do senado e do STF. Se vagarem os dois cargos de vice e presidente? Ai não vai importar se um vagou primeiro ou outro, se naquele quadriênio vagou, quem assumi primeiro será o presidente da câmara que vai assumir como substituto, não pode ele virar titular da chefia do executivo, enquanto isso vai realizar novas eleições, esses novos eleitos são eleitos não para 4 anos, mas sim para completar o novo quadriênio. *O artigo 81 prevê que se os dois cargos vagam e estou no primeiro biênio de 4 anos, ai temos eleições diretas. § 1º(Se vagar e estando nos 2 últimos anos, a eleição será feita indiretamente pelo congresso nacional. Dá para fazer um certo paralelo com municípios e estados mas deve ter cuidado com o DF. O único sucessor do governador é o vice-governador, ele é o único sucessor e o primeiro substituto. O vice-prefeito é o único sucessor do prefeito e único substituto, quem é o terceiro substituto do prefeito? É o vereador presidente da câmara municipal. Vice governador (Deputado estadual que presidente a assembleia legislativa (Desembargador que preside o tribunal de justiça do estado. Vice prefeito ( Vereador Presidente da câmara de vereadores (Vice presidente da câmara de vereadores(pois município não tem poder judiciário) DF (Primeiro substituto (Vice governador é o único sucessor, e segundo substituto é o deputado estadual que preside a câmara legislativa, e quem é o terceiro substituto do governador do DF? Seria o desembargador que preside o TJ do DF. O DF não é estado nem município, o artigo 22 da CF, prevê as competências da união para legislar, o artigo 22 inciso XVII,LEGISLAR sobre a competência de justiça do DF é competência da União. Estados tem poder judiciário próprio, que na sua constituição estrutura. O DF tem um judiciário que o diferencia dos municípios, mas tem um judiciário que ele não cria por lei própria, pois é criado por leis federais. Não é TJDF, e sim TJDFT(tribunalde justiça do distrito federal e territórios). Juízes do distrito federal são autoridades que ocupam cargos criados por leis federais, não se pode colocar uma autoridade federal para governar o DF pois senão, implantaria uma intervenção federal. Substituo 1 (vice governador 2(Deputado distrital que preside a câmara legislativa 3(Deputado distrital que é vice presidente da câmara legislativa. Se o município não tem judiciário, o DF tem judiciário, mas a União que estrutura o judiciário dele, é um judiciário criado e TR mantido pela União, substituição do chefe do executivo, o DF se parece com os municípios. .................................................... Aula 17 – Rio, 17.10.11 MINISTROS DE ESTADO Art. 84 -> define as competências de um presidente da república. Inciso I: compete privativamente ao presidente da república; II: com auxílio dos ministros de estado -> na sua essência, indo além da literalidade, esse art. tenta passar também o que é ser chefe de poder executivo no Brasil. Esse art. 84, I e II serve também para governadores e prefeitos quando estão na chefia do poder executivo. Assim como o presidente exerce com o auxilio dos ministros de estado, um governador exercerá auxiliado por secretários do estado, um ministro do DF exercerá com secretários do DF e um ministro municipal exercerá com secretários municipais -> paralelismo. Vale para qualquer um que chefie o poder executivo. Existe uma discricionariedade que a norma oferece, a política tende a restringir, a fim de integrar um respaldo partidário que é preciso ter. Essas ligações políticas não são ruins, se se derem de maneira transparente. O problema dessas negociações são as clandestinidade. Assessores que ele nomeia ou exonera livremente. Mesmo que eu abstraia uma política que restringe essa liberdade, veremos que essa liberdade não existe tanto assim. Para que nomeie é porque existem ministérios e secretariados. Art. 61 -> vemos que alguns projetos de lei são de exclusividade privativa do presidente. § 1º, II, alínea “e” -> ministério para ser criado ou extinto demanda projeto de lei que só pode vir pelo chefe do poder executivo – para que um presidente nomeie um ministro, tem que ter uma lei que criou um ministro. A mesma coisa vale para criar um secretariado -> o governador tem que por lei criar o secretariado e posteriormente nomear os secretários. Mas tem que ter anuência do poder legislativo -> legislativo cumpre papel de controlador do executivo -> executivo tem que encaminhar o projeto de lei para o legislativo. Uma crítica: tem se criado ministérios por MP, afastando o poder de freios e contrapesos do legislativo. A tendência da criação dos ministérios são as despesas, por isso que é importante que passe pela aprovação de quem representam o povo. -Depois que o ministro é nomeado, o presidente pode livremente exonerar. Art. 87 -> competências que um ministro de estado tem – por mais que a literalidade fale em ministro, isso também vale para secretários. Incisos I, II, III, IV – problema: Inciso I -> diz que o ministro de estado tem competência para referendar os atos do presidente -> espera-se de um ato do presidente da republica que ele venha assinado por presidente e por ministro de estado, ou seja, é uma referenda ministerial -> nem todo ato do presidente deve ser referendado por todos os seus ministros. Os ministros que referendarão o ato, vão referendar em razão da matéria. A primeira coisa a dizer sobre a referenda ministerial é que ela se dá em razão da matérias. Todo ato do presidente da república vem assinado por ele e por ministro ou ministros do estado (s) – dependendo da matéria, mais ministros irão referendar. Atos em geral do presidente da república passam pela referenda ministerial. O Brasil com isso se afasta de um regime ditatorial, não bastará o ato do presidente da república, valendo a mesma coisa para atos de governadores, prefeitos e DF – secretários referendam os atos também. Não se age só a partir da sua cabeça, também vale a posição do seu assessor. Qualquer ato demanda referendo. Art. 87 é abrangente. E se uma certa hora vem um ato do presidente, de um governador, de um prefeito ou do DF, sem vir acompanhada da assinatura de um ministro ou secretário? Para dizer que o art. 87, I foi violado, tem que primeiro dizer que esse ato foi inconstitucional. Mas a referenda em princípio não contamina o ato, então qual papel ela cumpre? Professor concorda que segundo o art. 87, os atos do presidente para valarem teriam que ser referendados, mas se fosse assim o caput do art. 84 também deveriam vir referendados, mas esse art. fala que compete privativamente ao presidente da república e só, dando a ideia de que o ato vale sem o referendo. Outro argumento é o art. 84, VIII -> compete privativamente ao presidente da república celebrar tratados, convenções e atos internacionais com referendo. Na doutrina, a tese tem sido que a falta de referendo não é nulo ou inconstitucional, pois o art. 84 não fala em referendo, não depende de referendo, só no inciso VIII que se pede esse referendo. O referendo é só a concordância de um ato do presidente, e só do presidente. Mas então a referenda não serviria de nada, pois já começa nomeando alguém segundo um critério seu, se ao nomear o sujeito rejeita, ele exonera e nomeia outro, e a falta de referenda não anula um ato que é do presidente. Mas a referenda se explica por aquela transparência já mencionada. A referenda dá uma certa transparência para saber a relação dos chefes do executivo e seus assessores. Quando um ato do presidente sai sem a assinatura dos ministros a primeira coisa que a mídia pergunta é por que aquele ato saiu sem a referenda ministerial. A referenda ministerial parece às vezes de pouco valor, porque aqui valorizamos muito o que valida ou invalida o ato, mas esse ramo do direito também lida com regrar processos políticos, e uma das formas de regrar é a partir de transparência política. A referenda permite esse controle de ver que se o ministro referendou é porque concorda com o ministro, e se não referenda é porque não concorda, então se vê a divergência, e muitas vezes quando um ministro é exonerado e outro é nomeado no seu lugar, após aquele não ter referendado um ato, vemos que ele foi exonerado só por não ter referendado. Então a referenda ministerial é importante para passar essa transparência. PODER JUDICIÁRIO -Diferença em relação aos dois outros poderes: processo ao cargo. Chefes de executivo, integrantes de casa legislativa se consideram representantes do povo, mas quando se pensa na magistratura, a maioria dos magistrados ingressou a partir do concurso público, mas alguns ingressaram pelo quinto constitucional. Grande parte da magistratura é escolhido por concurso público, e os outros são escolhidos por processo político restrito, e com isso fica difícil ver um membro da magistratura como representante do povo. Nos outros poderes se chega ao cargo por eleição. Por isso se acusa a magistratura por ser um corpo elitista. Os cargos da magistratura são vitalícios. Então são cargos que não passam por eleição política e não tem temporariedade, sendo visto como um corpo elitista. Mas tem uma outra face da moeda: se afastar da maioria, faz afirmar direitos para segmentos minoritários – o judiciário tem potencial para virar um corpo elitista, mas tem um outro caminho de cumprir um papel contra majoritário. Pense o poder judiciário como um poder que consegue se legitimar em uma afirmação de direitos, muitas vezes contra majoritários. Mais do que outros poderes o judiciário deve ter essa liberdade, para aprovar esses direitos de cunho contra majoritário. É um poder um pouco mais afastado de escolhas majoritárias para fazer valer direitos minoritários. É importante ter isso, quando já se tem dois poderes que são eleitos para fazer valer direitos majoritários. ................................................................ Aula 18 – Rio, 19.10.11 continuação... -Papel importante de ser contra majoritária -> talvez tenha como via pra sualegitimidade essa papel de afirmação de direitos. Talvez o judiciário em momentos como esse se aproxime de uma via de legitimação se não pelo voto, pela afirmação de direitos até pra que a democracia não seja uma ditadura da maioria, ao afirmar direitos fundamentais, afirma pra toda a sociedade. Direitos fundamentais são universais, mas em um sistema universal reconhecemos a diversidade, e nisso podemos ter segmentos minoritários – direitos fundamentais na universalidade atende a diversidade. -Princípio do juiz natural -> art. 5º, 53 CRFB: está dizendo que ninguém será processado e nem julgado senão pela autoridade competente que integra a estrutura do judiciário, a lei especifica a partir do que a Constituição pré estabeleceu. - todo órgão jurisdicional tem fundamento porque criado pela lei, tem expressa previsão constitucional. Temos varas federais Brasil a fora, quando a Constituição desenhou o judiciário ela falou em justiça trabalho, eleitoral, militar – a lei não tem liberdade para criar outras que não essas ramificações, todo órgão jurisdicional tem expressa previsão constitucional. A estrutura do judiciário será conferida por lei, lei feita em expressa previsão constitucional. Tenho varas federais criadas por lei porque é uma justiça federal criada por lei - essas ramificações tem expressa previsão constitucional. Judiciário é estruturado por um legislador seguindo o que a Constituição previu. Outra face: depois que o judiciário é estruturado, como se faz a distribuição de processo entre tais órgãos jurisdicionais? A distribuição é feita por critérios previamente fixados e objetivo, não cabe ao juiz escolher o que ele vai julgar e nem quem ele vai julgar, nem a parte escolher quem julgará processos na área de seu interesse. Esse princípio é um princípio de impessoalidade na prestação jurisdicional, pois quando eu ajuízo a ação não sei quem vai julgar, nem ele escolhe por critério seu que processo será seu para julgar – abro porta pra imparcialidade. O principio do juiz natural -> órgãos jurisdicionais instituídos por lei, que tem respaldo em expressa previsão constitucional – exemplo: varas do trabalho, varas federais – criadas por lei e que tem expressa previsão constitucional . O princípio não é apenas um limitador pra estruturação por ato do legislativo através de leis que tem respaldo na constituição, mas também a distribuição do trabalho se dá por critério pré fixados e objetivos. Abre porta pra ética – mesmo sendo um princípio abstrato, é usado na prática. Não é apenas um principio organizacional, é um princípio que institui ética nas relações processuais. Como figura na contramão disso é o art. 5º, 37 -> não haverá juízo ao tribunal de exceção: é quando certo órgão jurisdicional é criado para julgar fato já acontecido – problema: abre porta pra casuísmo -> órgão é criado para julgar aquele caso, e após encerrado o julgamento, o órgão deixa de existir. O problema disso é que é um órgão de jurisdição que não terá passado e nem futuro para ser uma espécie de parâmetro de controle. Se você afirma o juiz natural, você afasta o tribunal de exceção. Representa o casuísmo, posso escolher direcionando quem será o julgador. O juiz ou tribunal de exceção é o juiz criado para um caso que em regra já aconteceu. O que é nefasto não é só o casuísmo, o problema é que com o passar do tempo você conhece o juiz com quem você mais trabalha. Quando um juiz tem passado e futuro é mais fácil controla-lo -> Por que será que ele mudou? Pelas circunstâncias do caso ou por que tem algo a mais por trás? Num juízo de exceção não dá pra ter esse controle, de imparcialidade e saber como o sujeito vai se comportar em determinado caso. Juiz natural -> estrutura que o judiciário tem é a que a lei estipular, se essa estiver expressa na previsão constitucional ao órgão que ela criou. Trabalho interno repartido segundo critérios objetivos e impessoais, evitando um tribunal ou juízo de exceção. O judiciário por um critério de escolha marcado pelo concurso público vai ter um papel contra majoritário para evitar ditadura de maiorias, e o judiciário com a emenda 45 passou por mudanças profundas, haja visto o aparecimento de súmulas vinculantes bem como a criação de um conselho nacional de justiça (CNJ) que dão ao judiciário a compreensão de seu aspecto nacional. -O juiz por ser integrante de um poder é chamado como agente político de um Estado. Assim como legisladores votam projetos de lei por conta própria, o juiz vai também compreender o direito por uma convicção própria. Que tipo de liberdade ele tem para apreciar aqueles casos? Surgem 3 teorias: a da prova legal, a da íntima convicção e a da persuasão racional. Sistema da prova legal: ao juiz não havia grande margem de liberdade – ele fala o que a lei já tem como conteúdo (“juiz é a boca da lei” -> Montesquieu) -> O valor que as provas tem era o valor de peso pré estabelecido pela normatização aplicada -> o juiz fala o que a lei já tem como conteúdo, juiz não tem potencial criativo nenhum, juiz julga mecanicamente. Cabia ao juiz aplicar o direito e nem mesmo apreciando os fatos, teria ele liberdade. Na idade média, existiam juízes que só levavam em conta a opinião de um nobre em relação a um plebeu, mesmo se o plebeu parecesse ter razão. O nobre sempre tinha razão, e seu testemunho era mais forte. Variando o estamento social, variaria a força o seu testemunho, só por pertencer aquele estamento social .É um sistema para ser descartado. Num estado democrático de direito, que pretende garantir a todos igual respeito, isso nem de perto se cogita, o sistema de prova legal ou tarifada é um sistema para ser abandonado, pois faz o juiz alguém sem independência para apreciar o caso concreto, para apreciar o conhecimento sobre um fato acontecido. Sistema da íntima convicção -> o julgador julga segundo aquilo que o convenceu, sem precisar explicar, argumentar – ao julgar posso julgar sem dar motivos que me levaram aquela conclusão -> em uma democracia esse sistema se afasta, mas temos o seu uso no caso dos tribunais de júri -> jurado julga sem ter que motivar o porque da resposta negativa ou positiva. Art. 5º, XXXVIII -> jurados votam de maneira sigilosa. Jurado quando vai julgar vai dizer sim ou não sem ter que motivar a sua conclusão. Resquício do papel do jurado. Juízes seguem o livre convencimento ou a persuasão racional -> o juiz tem uma certa liberdade na interpretação das normas, mas por mais que tenha certa liberdade, deverá apresentar os motivos. É no iluminismo que a razão é valorizada e que as ideias preconceituosas e dizer que julgou com a sua convicção não permanecem. Art. 93, IX, CRFB – todos os julgamentos do órgão judiciário serão por órgão público e fundamentados -> são julgamentos feitos em público e as decisões são fundamentadas, pois ao fundamentar segue o princípio de persuasão racional. O juiz atua com publicidade para ser controlado e as decisões são fundamentadas – se ele disser que determinada interpretação da lei melhor, explicará porque, se ele disser que uma testemunha o convenceu, explicará porque. Não usa o sistema da prova legal, nem da íntima convicção, vai usar a persuasão racional -> vai decidir tendo a obrigação de fundamentar porque certa interpretação foi a que você adotou, e uma certa compreensão dos fatos foi a verdadeira. No art. 93, um juiz leva adiante um processo marcado por publicidade, no qual ele toma decisões fundamentadas, ele é levado a agir com publicidade e persuasão, pois assim ele facilita o controle sobre ele, e facilita para um recurso das partes. Julgamentos são feito em público para ter um controle social, e as decisões são fundamentadas para permitir o sistema de persuasão racional. A melhor maneira de atacar uma decisão é atacar os seus fundamentos. Toda sentença possui um relatório, o relatório é o que o juiz descreve o que aconteceu no processo. É a parte relevante do processo. Pra processos mais simples a lei dispensa o relatório. Depois do relatório vem a fundamentação – fundamentação é aquela parteda sentença em que o juiz mostra a vinculação dele com o sistema da persuasão racional. -É fundamental que o juiz possua algumas garantias. Garantias que a magistratura tem. Garantias que o juiz tem para exercer sua função com uma certa proteção – o juiz pode tomar decisões contra majoritárias, que muitas vezes desagradam. O juiz para exercer seu papel de persuasão racional deve ter certa proteção, e essa proteção está no art. 95, CRFB -> garantias da magistratura: vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de subsídios. I – Vitaliciedade -> Juiz é vitalício porque só perde o cargo por decisão judicial – garantia de que juízes não podem ser demitidos, dispensados ou destituídos a não ser por uma via formal que é via de uma decisão judicial. Essas garantias são garantias para a independência dele. Dar vitaliciedade pro juiz não é dar a ele um privilégio, mas sim dar uma garantia para a própria sociedade, porque o juiz vitalício é um juiz independente para tomar a decisão que foi cabível segundo a aplicação da persuasão racional dele. Forma comum de ingresso na magistratura: concurso público -> quem entra dessa forma não toma posse como vitalício automaticamente, quem entra por concurso faz estágio probatório de 2 anos e ao fim se torna vitalício – antes disso já é juiz, mas ainda não porta vitaliciedade; nessa fase ele pode ser destituído do cargo por decisão do tribunal ao qual está vinculado. Nessa fase de 2 anos, pode perder o cargo sem ser por decisão judicial, nessa fase pode perder o cargo por decisão administrativa do tribunal ao qual está vinculado – no estágio probatório você é mais fiscalizado para ver se você está exercendo o cargo como as funções demandam, tendo vigor, comportamento ético. Por muito tempo a lógica foi essa, mas agora ao ir ao art. 95, I devemos fazer um acréscimo: há um risco do judiciário se tornar um corpo elitista fechado em si mesmo, e ai veio a emenda 45 de 2004, e talvez a principal criação dessa emenda tenha sido o CNJ – um dos papéis do conselho nacional de justiça cumpre é de fazer controle administrativo quando falharem controles locais -> uma das razões pelas quais o CNJ foi criado é que o judiciário tinha uma tradição de ser complacente com os próprios integrantes, todo mundo vitaliciava, os tribunais eram muito tolerantes com os juízes de carreira. Todo mundo vitaliciava e portanto o judiciário, assim como o MP eram extremamente corporativistas. Uma das lógicas do CNJ: vai que num certo caso, um tribunal vai vitaliciar um juiz que agrediu a parte no julgamento, que deu tratamento desrespeitoso, logo é questionável o decoro desse juiz, mas, ao que tudo indica, o tribunal vai vitaliciar -> O CNJ pode impedir, pode tomar decisão em sentido contrário ao da deliberada pelo tribunal. Ele tem o papel de instância correcional de desmandos administrativos. CNJ também pode destituir juiz antes que este chegue à vitaliciedade. Isso precisa ser acrescido no entendimento do art. 95, I -> um juiz concursado, nos dois anos em que está em estágio probatório, pode ser destituído sem ser por decisão judicial, vai poder ser destituído por decisão administrativa ou do tribunal ao qual está vinculado ou então do CNJ, que tem como um dos seus principais papéis, esse papel de órgão de controle administrativo, que funciona subsidiariamente quando falha os órgãos de controle disciplinar locais. Nessa mesma linha, não da pra esquecer que às vezes a pessoa ingressa na magistratura e não é por concurso público – vai que alguém é nomeado ministro do STF, STJ, nos Supremos Tribunais, no que você toma a posse, a vitaliciedade é automática, e a mesma coisa vale para quem vem pelo quinto constitucional do art. 94 -> no quinto constitucional, um membro da advocacia ou do MP que ingressa em um Supremos Tribunal pelo quinto, no que ele ingressa já é vitalício – é só no primeiro grau que há estágio probatório, para quem ingressa pelo quinto constitucional não há estágio probatório, a vitaliciedade é automática, e mesma coisa vale pra quem ingressa nos Tribunais Superiores. Em tribunais de segunda instância, a vitaliciedade é inerente, se tomou posse já é vitalício. Todos os vitaliciados podem perder o cargo por decisão judicial – vitaliciedade não é absoluta. O CNJ não pode tirar o magistrado do cargo, pois se o magistrado é vitalício aplica-se o art. 95, I: só perde o cargo pode decisão chamada sentença judicial, e o CNJ só toma decisões de cunho administrativo – então o máximo que o CNJ pode fazer é aposentar o magistrado compulsoriamente na esfera administrativa, porque pro juiz ficar com a aposentadoria caçada e perder o cargo só por decisão judicial. É uma proposta de emenda constitucional pra relativizar a vitaliciedade pelo CNJ -> professor concorda com isso. A vitaliciedade é flexibilizada. Quando pego o art. 95, I, tenho a impressão de que o sujeito é vitalício porque completou dois anos de estágio probatório, mas é preciso ter cuidado com isso. Pois mesmo com a emenda, a redação do art. 95 não mudou, então é preciso fazer uma relação do art. 95, I com o art. 93, IV – o art. 93 dá as principais regras do instituto da magistratura -> hoje, compreender vitaliciedade só se faz conjugando o art. 95, I com o art. 93, IV : você vitalícia não por comportamento adequado durante os dois anos e só, mas porque, além disso, ao longo dos dois anos, você fez o tal curso de vitaliciamento do art. 93, IV. Juízes que hoje estão no estágio probatório vitaliciam por comportamento adequado, pelo decoro que devem prestar em relação a esse cargo, como também porque fazem esse curso que é uma etapa obrigatória. O art. 93, IV contribui para que o magistrado após passar no concurso, quando já está exercendo a sua função de magistrado mantém a sua postura de estudo, e isso é importante – mesmo aprovado, irá fazer um curso de vitaliciedade, para conseguir a vitaliciedade, ou seja não bastará o decoro, é fundamental também a aprovação nesse curso. O art. 93, IV vai além, pois até para ser promovido precisa desse curso. Então o art. 93, IV institui uma obrigação de estudo contínuo. Quando se fala em vitaliciedade se fala em uma garantia da magistratura, mas tem uma pergunta: quando uma pessoa ingressa na carreira da magistratura, você em regra como agente político do Estado, vai exercer a função jurisdicional. Mas existe o juiz chamado diretor do ?, e esse juiz além de ser titular de uma vara, ele vai administrar aquele prédio judiciário – ou seja um juiz ocupa um cargo com as funções típicas jurisdicionais, e também praticam muitos atos de cunho administrativo -> em algumas situações, juiz se comporta como administrador. Ai vem a seguinte pergunta: e se o juiz praticar algum indício como administrador? Será que nesse caso a vitaliciedade protege ele? Em outras palavras, a vitaliciedade é uma garantia do cargo ou uma garantia da função jurisdicional? A vitaliciedade tem a ver com o cargo de juiz qualquer que seja a função ou tem a ver com a função jurisdicional? Essa pergunta é importante, porque se eu achar que o juiz como administrador ao praticar um ilícito pode ser dispensado como qualquer outro administrador ele vai poder ser dispensado por decisão administrativa. A vitaliciedade é uma garantia do cargo, não tem a ver só com a função jurisdicional, tem a ver com os atos todos que o judiciário pratica em função do cargo. Essa vitaliciedade protege como juiz que presta a jurisdição, como também protege como juiz na função de administrador. A vitaliciedade é uma garantia do cargo e não só das funções jurisdicionais próprias do cargo! A perda do cargo será sempre pode decisão judicial. Isso é muito importante pro juiz, principalmente pro juiz eleitoral, porque o juiz eleitoral é basicamente o administrador de uma eleição – ele registra as candidaturas, fiscaliza a propaganda eleitoral, apura os votos -> é um juiz que atua como administrador -> tese na qual a vitaliciedade protege o cargo. Se houvesse fraude, o que o protegeria seria a vitaliciedade. Tem uma exceção a tudo que foi falado:tem a ver com o ministro do STF. No que o sujeito é nomeado ministro do STF, tem vitaliciedade de imediato, mas a vitaliciedade deles tem um problema, porque quando você é vitalício só pode perder o cargo por decisão judicial, mas o ministro do Supremo pode perder o cargo por decisão judicial e outro ponto a ser visto é em relação ao crime de responsabilidade, e para isso temos que ir ao art. 52, II CRFB: compete privativamente ao senado processar e julgar os ministros do STF pro crimes de responsabilidade -> o senado quando julga leva ao artigo 52, parágrafo único: se condenado, o ministro perde o cargo e será impedido por 8 anos de exercer qualquer função pública – tudo que o senado decide a partir do art. 52, decide por uma resolução -> ministros do supremo são vitalícios? Em sendo, o que há de peculiar na vitaliciedade? O ministro do Supremo com certeza é vitalício, mas é uma vitaliciedade sob certo aspecto diferenciada, porque ministro do STF se praticar crime de responsabilidade, vai ser julgado pelo senado como o art. 52, II prevê, e o senado quando delibera sobre qualquer tema desse artigo, libera por uma resolução, e não por uma sentença judicial, que tirará aquele ministro do Supremo do cargo de ministro do STF. Então ministro do STF pode perder o cargo ou por decisão judicial do próprio Supremo, ou por resolução do senado no chamado crime de responsabilidade. A vitaliciedade é uma garantia pro juiz que terá uma certa independência, que poderá julgar, administrar, ou seja, de uma certa maneira você tenta evitar que ele seja pressionado. Só porque o juiz não atingiu a vitaliciedade não quer dizer que ele está impedido a realizar as funções jurisdicionais do cargo. Se alguma lei vier para impedir o juiz que ainda não é vitalício de exercer as funções jurisdicionais, ela será uma lei inconstitucional, até porque o sujeito se ocupa o cargo pode praticar todos os atos do cargo, e o estágio probatório é só um meio inicial de fiscalização, mas aquele sujeito já é juiz apto a exercer todas as funções do cargo. ............................................. Aula 19 – Rio, 24.10.11 Pegar aula com alguém! Caderno Vinicius Resumo:1-vitaliciedade (artigo 93,IV DEVE-SE levar em conta a dependência do estagio probatório, se ele entra em segunda instancia é automática, é uma garantia do cargo, e não uma função jurisdicional apenas, depois de vitaliciado só perde o cargo por decisão do tribunal, salvo se for ministro do supremo em caso de praticar crime de responsabilidade tipificado na lei 1079/50 podem perder o cargo por decisão do senado através de uma resolução, essa resolução equivale a uma sentença no que concerne os ministros do STF. Membros do CNJ nem sempre são juízes. II (Inamovibilidade (Artigo 95,II Quando o juiz titulariza um órgão jurisdicional ele só sai de lá se quiser. .Quando certo juiz titulariza órgão jurisdicional ele se torna imóvel. Só vai para outro órgão jurisdicional se ele quiser, não é obrigado a mudar o local de atuação se ele não quiser. Se ele pudesse mover as peças, teria uma porta aberta para direcionar julgamentos. O magistrado ao titularizar órgão jurisdicional torna-se inamovível, salvo o que esta no 93,VIII. Ex: Imagina um crime causa comoção em uma cidade, vai que o juiz que presidente o tribunal do júri dá uma declaração minimizando a violência de homens contra mulheres, isso causa um alvoroço, todos que defendem cidadania vão protestar. As vezes se percebe que o próprio interesse publico pede remoção do juiz, são garantias para a sociedade. As vezes o juiz por seu comportamento torna necessária a remoção. A inamovibilidade não é absoluta assim como a vitaliciedade. Um tribunal ao qual esta vinculado, pode ser removido por interesse público, esse juiz terá direito a ampla defesa, e quando o tribunal remover respeitará o 93,X,as decisões administrativas serão motivadas sendo as decisões finais tomadas pelo voto da maioria absoluta de seus membros. A ideia é dar transparência, mas alguns magistrados, por algumas opiniões que proferem tornam impossível o convívio naquela cidade. Ex: Um certo magistrado num estado de maior dimensão territorial, faz critica dizendo que o pessoal do sul do estado é burro diferente do pessoal do norte. O conselho nacional então remove, pois não tem condição de ter aquele sujeito como magistrado daquele estado, na inamovibilidade certo magistrado trabalha mas não com total liberdade. Ex²:Um juiz de direito teceu considerações sobre a lei Maria da Penha, dizendo que haveria superioridade sobre o homem. O CNJ pediu a remoção dele afirmando se tratar de questão de interesse público ,o supremo caçou a decisão dizendo que tem a ver com a pessoa dele. O professor concorda com o CNJ, ele pode achar isso intimamente, mas como juiz ele deve considerar que as mulheres são iguais os homens. O supremo não seguiu o melhor caminho quando deu a liminar para ele. Inciso III (Irredutibilidade de subsídios -> A irredutibilidade dos subsídios impede que uma lei nova reduza os ganhos do magistrado, mas não impede que por lei aumente a carga tributaria erga omnes e que repercuta no subsidio do juiz, pois ele pode sofrer com impostos tributários como os demais sofrem, mas uma redução em seus ganhos não pode. Isso contamina a própria independência deles. A lógica é de alguma maneira de evitar que haja uma pressão pelo cunho financeiro. (Alguns livros doutrinários adicionam uma quarta proteção (não prevista em lei): a imparcialidade. A doutrina que é contra alega que não se trata de uma garantia e sim um dever. / Imparcialidade não é dar mesmo valor a bens jurídicos diferentes, pois eles tem pesos diferentes para todos, o que ele tem que fazer é justificar seus argumentos. Imparcialidade tem a ver com as oportunidades dadas as partes (mesmo tratamento para ambas as partes). – se as partes tiverem o mesmo tratamento, a sentença proferida será nula. [Anotação Carlos] Quinto constitucional ( O ingresso na magistratura é por concurso público, ao fim do estágio de 2 anos, a pessoa alcança a vitaliciedade. Mas nos tribunais existe a figura do 5º constitucional que encontramos no artigo 94 da CF. 1/5 dos tribunais regionais federais, dos tribunais dos estados será composto por membros do MP ou da advocacia com mais de 10 anos de carreira. Artigo 94 da CF (1/5 de determinados tribunais é formado por membros do MP, ou da advocacia Lá no artigo são citados o TRF,TJ e por fim entra o tribunal de justiça do distrito federal e territórios. Artigo 94 não vê menção aos chamados TRTS, mas aqui é fundamental fazer a relação do artigo 94 com o 115 da CF. Os tribunais regionais do trabalho, o quinto constitucional também chega a justiça do trabalho. 1/5 é formado por membros que não são da magistratura de carreira, os outros são formados por membros da magistratura, que são promovidos por antiguidade ou merecimento, a algum dos órgãos superiores. A tentativa é de arejar o tribunal, fazer com que a segunda instancia não seja feita somente por pessoa que olharam pela lógica do judiciário, que seja formada por outros que adquirem experiências do MP ou da advocacia. Para membro do MP,10 anos de efetivo exercício, para advocacia mais de 10 anos de atividade profissional. Artigo 94 (Para o MP basta de 10 anos, na advocacia é preciso ainda o notório saber jurídico. É uma diferença de pouca consequência pratica. Mas esse critério passa por escolhas políticas, então não pesa tanto assim. Problemas: 1º (O juiz torna-se vitalício, a vitaliciedade depende de estagio probatório, chega a ser magistrado pelo quinto, já tem a posse. É um quinto para a advocacia e pro MP, conjuntos, não 1/5 pra cada um. Ex: Um tribunal tem 20 membros,1/5 são 4 vagas,2 pra advocacia e 2 pro MP. 25 integrantes, ai o quinto eleva a 5 vagas, como vou decidir quem vai ter 3 vagas e quem vai ter 2 vagas?2 vagas são sempre da advocacia e 2 do MP, e tem uma quinta vaga, essa vaga é ocupado alternadamente por membro do MP e da advocacia. Cria uma lógica equânime com o passar do tempo, em um tempoa advocacia terá mais representação e em outro será o MP. Se dá um numero fracionado, subo pro numero inteiro acima, se são 23 membros, quantas vagas terá o quinto?5. Não pode ter menos de 1/5,tem que ter sempre mais de 1/5. Processo de escolha (Freios e contra pesos (Artigo 115 não trata do processo de escolha. Inciso I (Membros do TRT. Começa na entidade que vai ter a vaga do 5º preenchido, cabe ao MP fazer uma lista de 6,e se sendo uma vaga de advogado cabe a OAB indicar 6 membros que tenham exercício de sua função a mais de 10 anos. O tribunal vai escolher 3 dos 6,que a advocacia oferece e o MP oferece.. Desses 3 é o chefe do poder executivo que nomeia, um deles. Um membro do MP sempre substitui um membro do MP, e do mesmo modo membro da advocacia. Membros do quinto do tribunal de justiça do Ceara, vem do ministério publico do ceara. Se vai pro quinto de um tribunal regional federal, veio do MP federal Se vai pro quinto de um tribunal de justiça de um estado, veio do MP daquele estado. Se vai pro quinto do tribunal de justiça do DF e territórios, é porque vem do MP do DF e territórios. Há uma ligação, porque tem que ser alguém com a experiência que o judiciário trata naquele respectivo lugar e isso se liga a aquele respectivo MP. Para membros da OAB, é relacionado à localidade, mas a regra é mais aberta porque são advogados todos, e não membros do poder publico de determinada justiça. Essas instituições são regradas por lei. No ministério publico de estados, quem nomeia é o conselho superior do ministério publico daquele estado, tem uma cúpula de 100 promotores que escolhem, e isso parece um corpo elitista, não com uma cúpula com entendimentos que tem. As pessoas escolhidas tem mais a cara da cúpula, do que do sistema. Na advocacia, a lista sêxtupla deveria vir de eleições mas é o conselho da OAB que escolhe os 6. Na opinião do professor era pro quinto constitucional acabar, ele não consegue cumprir com o papel de arejar, não tem tanta diferença assim quando se torna juiz, se a origem dele é do MP ou advocacia. 13 anos atrás (Nos anos 90,o MP do trabalho enfrentava um problema, tinha um numero reduzido de membros, e sendo um numero reduzido a maioria não tinha mais de 10 anos. Entra na lista sêxtupla quem quer, pegava um numero pequeno de membros do MP do trabalho, a maioria não tinha mais de 10 anos, dos poucos, muitos não queriam. O que acontecia é que ele não conseguia uma lista sêxtupla, e ai qual o problema? Isso foi levado ao conselho superior, no que o MP não apresenta, o tribunal fica com uma pessoa a menos, e prejudica a coletividade. O conselho superior por uma resolução, disse que por resolução na falta de candidatos com mais de 10 anos, vai permitir que se candidatem pessoas com menos de 10 anos, se tiverem completado o estagio probatório. Passou a ver uma regra prevendo e a lista sêxtupla com pessoas se candidatando com menos de 10 anos. Isso foi alvo de uma adi, e o supremo julgou essa adi procedente. Tem que ser sêxtupla, acontece que essa decisão do supremo foi tomada por maioria, naquela época, quando ele decidia por maioria, cabia embargos infringentes. Nessa época previa, e foram impostos embargos para que o tribunal reapreciasse a questão resolvida por maioria. O supremo quando julgou os embargos, mudou a decisão dele e pra acertar. Foi interposto e provido, tal como estavam as consequências fáticas a CF seria descumprida fatalmente, porque se o MP não apresentasse lista nenhuma porque não tinha sexto, no tribunal ficaria uma pessoa a menos, e o artigo 94 manda que o quinto do tribunal seja composto por membros oriundos da advocacia e do MP, violava-se a constituição, se não tivesse quinto nenhum. E se ele apresentava uma lista só com os interessados com mais de 10 anos mesmo em menor numero? Não seria uma lista sêxtupla como a constituição diz que deve ter. Se a lista que o MP apresentasse fosse tríplice, ia tirar a possibilidade de escolha do tribunal. Se fosse uma lista com 1?O MP estaria escolhendo, pois nem o tribunal nem o chefe do executivo teriam opções de escolha. O Supremo percebeu que estava diante de uma situação em que algum aspecto da norma seria violado. Alguma parte do texto teria que descartar. Se não tem como escapar a violação, tem que partir para o postulado do menor sacrifício. O essencial é que o quinto seja preenchido, o quinto tem que estar formado, e o tribunal estar com sua composição completa, para que a coletividade não seja prejudicada Se eu não vou sacrificar a composição do tribunal, ou eu sacrifico a lista ser sêxtupla ou os mais de 10 anos, não vou sacrificar os mais de 10 anos, vou dizer o seguinte: deixa a lista ser sêxtupla, pois pode ter 5 que não tenham mais de 10 anos e 1 que tenha. Se o tribunal achar tão importante a experiência quando escolher um dos 3,fatalmente vai escolher esse mais experiente. E se o chefe do executivo achar isso importante, nomeará o mais antigo. O tribunal tinha que ser ter a sua composição completa,2- era fundamental que fosse sêxtupla para dar chance de escolha ao tribunal e ao executivo, mas para ser sêxtupla era fundamental que nem todos tenham 10 anos. No MP isso tem acontecido até hoje. Temos em cada estado um tribunal de justiça, e TRFS temos 5,e 24 tribunais regionais do trabalho, e um TJ para o DF e territórios. Justiça do trabalho são 24,e algumas são englobadas, por exemplo,2 em são Paulo, uma em campinas e outra na grande são Paulo. A entidade escolhe, o tribunal escolhe 3,quem faz essa analise? Quem escolhe a lista tríplice? Artigo 93 (Inciso 11 (Se um tribunal tem 25 membros ou menos, o órgão de cúpula dele é pleno e ponto final. Tem tribunal pleno e não tem órgão especial. E qual a lógica do tribunal pleno? Formado por todos os membros do tribunal. Vai que a advocacia ou MP formaram sua lista sêxtupla, quem vai escolher dos 6,3 é o tribunal pleno. E quando tem 26 membros ou mais? A situação muda, quanto maior a estrutura mais necessário um órgão especial. Inciso 11 (Se um tribunal tem mais de 25 membros, ele pode optar em seu regimento interno em ter órgão especial. Quando o tribunal escolhe, ele escolhe numa votação, quem faz varia de tribunal para tribunal. Se tem 26 ou mais membros, vou ter que ver se foi criado órgão especial, se não foi é o pleno que decide isso, se existe órgão especial, o tribunal repassou a eleição de 3 dos 6 que a OAB indica. Se foi criado, vou ter que ver se o órgão tribunal foi criado e a competência passada a ele. Caso não tenha recebido quem segue deliberando é o pleno. Depois que ele escolhe 3 quem escolhe um é o chefe do poder executivo. Quem escolhe o membro do MPT que ocupa vaga no tribunal regional do trabalho ou membro da advocacia? Sejam tribunais regionais federais ou trabalho, são tribunais que integram a estrutura da justiça da União, quem escolhe é o presidente da republica. E se fosse o MP federal? Ela também, a nomeação é por ato do presidente da republica. E se for pro TJ? Ai é o governador do estado. O problema é o TJ DFT, o distrito federal tem governador, esta como uma estado. Artigo 22,inciso 17 da CF(Competências das união, uma delas é legislar sobre poder judiciário no DF. Municípios não tem judiciário. Cada estado tem seu judiciário, o DF não é uma coisa nem outra, tem um judiciário para ele, mas enquanto cada estado cria seu próprio estado ,a união que cria por lei sua o judiciário do DF e eventuais territórios que o Brasil venha a instituir. e quem nomeia um é o governador do DF ou presidente? Presidente da republica, pois o poder judiciário do DF como fala Jose Afonso é um poder judiciário no DF. ................................................ Aula 20 – Rio, 26.10.11 Pegar aula com alguém! Caderno Vinicius PROMOÇÃO PARA JUÍZES – ART. 93 Para magistratura o estagio probatório é de 2 anos. Quem pega pensa que o juiz é vitalício após o estagio probatório dele. Artigo 93,inciso IV (Tem uma redação dada pela emenda 45,uma das grandes criticas é que o juiz quando passa no concurso para de estudar tanto, e tem menos tratotem com as leis novas. Esse artigo 93,inciso IV cria uma obrigação do juiz continuamente estudar, ele tem que fazer cursos obrigatórios para a promoção por aperfeiçoamento, durante o estagio probatório de 2 anos, ele faz um curso que é uma etapa obrigatória para vitaliciar ou não. Ele faz um estagio que é bifronte, o primeiro é trabalhar e o outro é curso. Aqueles 2 anos de estagio probatório, os juízes são avaliados na pratica mas são avaliados no curso que fazem, onde fazem provas, estudam, que é uma etapa obrigatório do vitaliciamento. De fato era necessário que por imposição normativa, o juiz fosse obrigado a estudar. Quando for ser promovido tem que fazer outros cursos se quiser ser promovido por merecimento, tem que marcar pontos, que são cursos de aperfeiçoamento. Vai que faz concurso para juiz de direito, começa o estagio de 2 anos, começa a trabalhar como juiz e faz o curso, se for bem avaliado será vitalício. Depois, quanto mais curso ele faz mais chances de promoção por merecimento a desembargador ele tem. Na magistratura não pode entregar isso pro subjetivismo, pro magistrado ser independente tem que ter garantida sua carreira independente de como julgar. Controlar estagio probatório, tem que controlar como a pessoa se sai, mas não como a pessoa decide. O juiz mesmo em estagio probatório já é juiz. A lógica é de um magistrado que começa estagio probatório por 2 anos, e vitalícia após esse período se fizer o curso que a vitaliciedade exige e ter uma atividade adequada como magistrado. Inciso II (O magistrado tem independência para tomar a decisão e por regras colocadas na constituição mesmo que a decisão dele desagrade ao tribunal, ele terá chances de subir na carreira. É fundamental que a distribuição do trabalho seja impessoal de maneiras objetivas, do mesmo modo na promoção de magistrados, para evitar favorecimentos. a)Vai que um juiz figura continuamente em listas de promoção de merecimento, esta sendo lá, pelos critérios ligados a celeridade, estar em dia, não ter punições anteriores como censura, e fazer os cursos de aperfeiçoamento visando promoção e figura numa lista de merecimento. Quando a questão chega ao tribunal para que ele escolha a questão da margem ao subjetivismo, esta sempre merecendo mas não é escolhido. Se eu sou juiz e nas ultimas duas listas figurei na relação de quem merece e numa terceira entro de novo, se figurei 4 vezes e figuro uma quinta, a promoção é minha. 3 vezes consecutivas ou 5 alternadas na lista de merecimento. Essa lista de merecimento é fixado por critérios objetivos criados pelo tribunal. A lista é por critérios objetivos. b)Vai que numa certa situação da carreira, estão sem magistrados e estão todos no mesmo nível, querem ir a desembargadores, se for por merecimento, pressupõe 2 anos de exercício na entrância, tem que estar a 2 anos pelo menos, em principio se é uma promoção por merecimento, os que podem subir são os 20 mais antigos. Busca por merecimento dentre os mais antigos. Para evitar um juiz queridinho de um tribunal superior. A promoção por merecimento é uma escolha dos que formam a 5ª parte dos mais antigos, se nenhum deles quer, quem pode concorrer são os outros. A promoção por merecimento pressupõe que eu faça parte da 5ª parte dos mais antigos, é preponderantemente feita por merecimento dentre os mais antigos. 2 magistrados com direito a promoção, mas a promoção é para um, tem duas saídas, a primeira é sorteio, pois os dois tem o mesmo direito, mas tem outra saída, se os dois estão na 5ª parte dos mais antigos, e um esta 3 vezes consecutivos, e outro figura pela 5ª vez, o desempate deve ser feito pela antiguidade. É complicado um procurador geral escolher quem vai fazer a força tarefa, mais vale um critério impessoal. C)objetivar os critérios que levem ao merecimento, é fundamental que seja feito conforme o merecimento, pela frequência e aproveitamento em cursos oficiais, ver se ele tem presteza, se ele é rápido, se ele sentencia e julga muito, se participou de curso. Produzir com quantidade, celeridade, qualidade e fazer cursos de aperfeiçoamento. d)Nem a promoção por antiguidade escapa do merecimento, se a promoção for por antiguidade, não escapa da objetividade, pode ser que o mais antigo juiz seja uma pessoa que se envolveu em algum escândalo.3 semanas atrás foi flagrado agredindo uma criança, esse fato pode descartar a promoção, ou então vem tentando advogar de maneira grosseira faltando com humanidade. O juiz mais antigo é dele a promoção, e para perder tem que ter 2/3 do tribunal contra ele por um fato escandaloso que o envolve. e)Vale para promoção por antiguidade e merecimento, o juiz não pode concorrer a uma promoção se não estiver em dia com trabalho. Era muito comum ,o juiz ambicionar a promoção, mas via que o trabalho não estava em dia, o que ele fazia ele botava tudo em dia em uma hora, botou de maneira formal e não real, se não estiverem numeradas é só colocar. Não há motivo para a secretaria ver se as folhas estão numeradas, se não estiverem é só numerar. Era um despacho por fingir estar em dia, que não era verdadeiro. Tem que ver qual despacho cabível e proferir. Artigo 93 fica evidenciado que a promoção seja por antiguidade, seja por merecimento, garante ao juiz que ele tenha condições de seguir carreira mesmo que não seja algum que faça política interna no tribunal, uma tentativa de ter uma postura mais moralizadora quanto a carreira de magistrado. O professor acha interessante colocar ainda uma promoção por concurso, uma prova para ver se estão estudando, seria uma outra forma de ver se a pessoa estuda o direito ainda. Ao passar pelo artigo 93 dá pra entender como funciona o poder judiciário. Algumas regras vieram para poder trabalhar com duas ideias. A ideia de efetividade e celeridade. O Brasil fez um código de processo civil em 1973,quando foi feito havia uma preocupação de fazer um processo seguro, tal que regras processuais dessem segurança. As comunicações processuais, o ato de comunicação era formal, a republica controla a pessoa, e manda o caso citando. Mais ainda, qualquer decisão interlocutória (aquela praticada no âmbito do processo sem resolver) agrava o instrumento, é o recurso, pedia para produzir uma prova, questionava lá a nulidade processual, mas era o ato valido, agrava o instrumento,. Qualquer decisão interlocutória de uma decisão tramitada no processo, que encerra a questão, fosse o agravo instrumento quem julgava era o colegiado, uma turma do tribunal. A versão original do código de processo mostra que a preocupação não era celeridade, nem efetividade, e sim segurança, a busca era pelo processo seguro, processo legal era fazer com que todas as partes tenham garantias processuais. Esse processo seguro, da década de 90 nosso código passou paulatinamente por modificação, as ideias de efetividade e de celeridade ganhem espaço, no fundo se pode chamar assim de modernização, pois o processo precisa atender a demanda de uma sociedade como a nossa. A constituição não fica imune a essa lógica de dar efetividade e dar celeridade. Artigo 93,inciso VII (É uma tentativa de fazer com que o magistrado titular do órgão jurisdicional resida na área territorial do órgão jurisdicional do qual ele é titular. Ex: Se é titular do Rio morará no Rio de janeiro, a ideia é fazer com que o juiz fique próximo do local de trabalho, por muito tempo se assistiu o juiz titular de uma vara em local distante, e o juiz só ia terça, quarta e quinta, não ia segunda nem sexta, e era o titular, numa necessidade de contato com o juiz, isso era complicado. A ideia de que o magistrado titular reside na área de abrangência do órgão jurisdicional do qual ele é titular. Toda vara tem sua competência e abrangência territorial. Tem uma regra clara, de que salvo autorização do tribunal, essa proximidade as vezes nem é possível. Vão ter varas localizadas em locais que o juiz nem vai ter uma moradia condizente com o padrão de quanto ele ganha, e por ser juiz em algumas varas pega locais pobres. Em alguns casos elepode não morar, mas dependerá de uma autorização, ele tem que fundamentar porque não pode morar e o tribunal autorizar. O inciso 7 merece uma leitura junta com o inciso 10. Esse juiz não quer morar na área territorial, fará o requerimento, e o tribunal decidirá motivadamente, dirá que não é possível por tais razões. Pode ser por uma questão de segurança física, ou então porque o local é muito pobre, não condizirá com o padrão de vida dele. Esse é um tribunal que busca por efetividade, o passo inicial é um juiz próximo para emergências, é um primeiro passo que busca efetividade e celeridade. Artigo 37,inciso XIV (Quando aprofundarmos o estudo sobre direito processual, atos que o juiz pratica num processo, podem se dividir em 3 tipos, ele profere despachos, decisões interlocutórias e sentenças. Sentença (Decisão do juiz na qual ele expõe pó que deve expor. Se for uma ação civil publica, ele diz absolvo ou condeno, se for pedido de despacho, ele diz procedente ou improcedente. A sentença traz a solução do processo, põe fim a discussão porque é a resposta que o estado juiz. A figura oposta a sentença é o despacho, é quando o juiz dá um andamento mas sem caráter decisório. Ex: Em determinado processo foi necessário, uma prova pericial, para discutir como se passou um acidente, prova pericial é necessário, quando vem um laudo o juiz intima as partes a falarem sobre o laudo sobre como ele é, ele não decidiu nada, só dá andamento ao processo, para as partes se manifestarem caso queiram sobre o processo. Decisão interlocutória (Alguma coisa decidiu mas sem por fim ao processo. Ex: Uma parte pede prova pericial, mas uma parte diz que não defere pois não é necessária, é uma decisão sim, mas sem por fim no processo. Esses 3 atos,2 tem carga decisória ,um não, o típico ato decisório é a sentença pro caso levado a ele quando ajuizada a ação, a sentença é um ato do juiz. Na decisão interlocutória há uma carga de decisão, para saber se a intimação é valida ou não. No despacho são despachos sem qualquer conteúdo decisório, é a mera burocracia pro procedimento caminhar, as partes falam sobre o laudo, ou então se a sentença transitou em julgado, é necessário para fazer um calculo. Artigo 93,inciso XIV (Foi acrescentado pela emenda 45,muitos anos no Brasil juízes delegavam o ato de despachar para seus assessores, despachos eram os assessores que faziam, ofensa ao principio do juiz natural, isso lembra a primeira aula sobre poder judiciário, o juiz é aquele órgão jurisdicional criado por lei, que estrutura o judiciário com base em expressa previsão constitucional, e os magistrados agem seguindo regras expressas e objetivas a respeito de determinada causa. Principio do juiz natural na pratica, muitos juízes repassavam esse atos a assessores, e havia quem visse nisso ofensa ao juiz natural, pois é o juiz repassando seu trabalho quando esse é indelegável. Nosso código de processo civil passa a possibilitar isso, de que o despacho pode ser feito por servidores da secretaria. Acontece que se essa é uma previsão na lei processual, tem respaldo na constituição, era uma possibilidade de alguém sem ser juiz dar andamento ao processo sem que a constituição possibilitasse. A emenda 45 tratou dessa questão e trouxe a matéria para a sede constitucional, hoje a lei pode estipular isso porque a própria constituição prevê, que pode haver delegação para atos sem caráter decisório, é uma delegação, se ele faz do nada um pedido, comete uma infração disciplinar. Naquela vara naquele órgão emitirá tais despachos aquele que o juiz delegar essa tarefa. Se tudo correr como manda o figurino, o assessor pesquisa, e elaborará, e o juiz tem que ler pra ver se assina ou não. E quem assina o acordão? O juiz de segunda instancia, é um grave vício, quando qualquer juiz assina o que qualquer assessor tenha elaborado, pois ofende o juiz natural, qualquer ato tem que ser do magistrado, os únicos que ele delega são os sem conteúdo decisório, os despachos eles fazem para dar celeridade ao andamento do processo. Pois fazer laudos perde tempo, e hoje o servidor carimba pela delegação feita pelo juiz, é uma lógica de simplificação prevendo a efetividade e celeridade. Havia uma pratica ilícita que foi tornado licita e para não haver duvida foi constitucionalizada, não tinha sentido entregar para juiz despacho, pois as vezes levavam um ano só despachando para dar andamento ao processo, um servidor poderia dar despacho tranquilamente. Artigo 93,inciso XV (Uma outra regra que a emenda 45 acrescenta. Qual o problema? Muitos órgão jurisdicionais, a distribuição era feita em dias de semana, tinha uma ação na quarta mas a distribuição era feita na semana seguinte, o problema disso era a lentidão e o problema dois, é que a inicial parada com outras, facilitava eventuais fraudes. Poderia fraudar porque distribuía de maneira simultânea. A distribuição agora é imediata, no que protocola o judiciário tem que de imediato distribuir, o advogado deve acompanhar a distribuição, atualmente quando distribui já vem com a vara e o numero do processo, já sabe onde vai cair, fora a celeridade e eficiência, você evita fraudes. A constituição avançou para tornar as regras mais voltadas para efetividade e celeridade. A ideia é fazer com que o juiz tenha maior possibilidade de ser célere. A constituição detalhou dizendo onde o juiz tem que morar, que a distribuição tem que ser imediata, que o despacho pode ser feita por um servidor que não o juiz, isso parece muito detalhado, analítico. Na teoria constitucional se discute isso, dizendo que ela é muito grande detalhada, mas não tem porque pressupor o tamanho de uma constituição, ela tem que ser eficiente. Cada pais tem sua historia constitucional e enfrenta seus problemas. Anotações Carlos – PROMOÇÃO -Art. 93, CRFB. Há requisitos previstos no art. 93, II -> a)antiguidade; b)merecimento. Nunca a promoção será dada apenas por um desses requisitos, mas um sempre prepondera. Nas promoções por merecimento há maior espaço para subjetivismo. Alínea a: lista de merecimento Alínea b: juiz a ser promovido tem que estar entre 1/5 dos mais antigos daquele nível, o requisito de antiguidade entra em cena, para evitar saltos de carreira. Obs.: claro, se sobrar lugares (na concorrência) abre espaço para a parte que não faz parte do 1/5. Mais antigo entra em cena inamovibilidade. c: nenhuma promoção se dará apenas por fatores subjetivos, para evitar favorecimentos ilegais. Deve se levar em consideração a profissionalidade (aspectos objetivos que dão ensejo no merecimento). Mais que apenas frequência em cursos, mas também a realização de atividade que mostre a profissionalidade do juiz. Obs.: órgão julgador de promoções: art. 93, XI, CRFB: com 25 ou menos julgadores -> tribunal pleno julga; com mais de 25 julgadores -> tribunal pleno pode julgar, a não ser que crie um tribunal especial para realizar tal função (pelo regimento interno). d:promoção por antiguidade é relativizada. Recusa, pelo voto fundamentado de dois terços do tribunal pleno ou de órgão especial. Assegurada a ampla defesa do concorrente a promoção -> não promover não é punir, nada se ganha e nada se perde. Se a promoção do mais antigo for negada, vai o seguindo mais antigo. e:para o juiz se candidatar a promoções, o juiz não pode reter autos, injustificadamente, promovendo o abuso. CRFB, art. 93, IX – todas as decisões serão fundamentadas, sob pena de nulidade. X – dá transparência aos processos de promoção, com sessões públicas. Art. 93, VII, CRFB: quando um juiz se torna titular, ele terá que residir em sua área de atuação, dando uma maior facilidade ao processo, ao acesso ao juiz (-> campo de competência da área do tribunal). Salvo autorização do tribunal. Exceção: autorização do respectivo tribunal, por exemplo, se a área de atuação for imprópria para o magistrado ter sua residência, ou se o local de sua residência for perto, de fácil acesso ao tribunal. Art. 93, XII -> só tribunais superiores podem ter férias coletivas. – Além do mais, a prestaçãojurisdicional não pode parar, logo a atividade jurisdicional será ininterrupta. -> Nos dias em que não há expediente forense formal, haverá sempre um juiz de plantão (para casos extraordinários). Art. 93, XV -> a distribuição de processos será feita imediatamente para as varas utilizando o princípio do juiz natural. -> para evitar fraudes. Despacho -> normalmente, assessor faz e juiz assina. – ato sem conteúdo decisório. Marcação de audiência, por exemplo; alteração de datas de audiência. Decisões interlocutórias -> juiz deve fazer. – quando o juiz toma a decisão, sem por fim ao processo. Juiz permite uma nova prova ao processo, ou a nega; indefinir o ingresso de um terceiro interessado no processo (exemplos). Sentença -> com ou sem resolução do mérito, põe fim ao processo. Art. 93, XIV -> atos sem caráter decisório de um mero expediente ou atos de administração serão delegados a servidores públicos, não é realmente necessário, mas diminui o trabalho do juiz, podendo ser focar nas resoluções do caso. CNJ – ART. 103 -CNJ (A emenda 45 cria o CNJ o que ela queria era que o judiciário ganhasse uniformidade no seu desempenho administrativo, financeiro e que o controle disciplinar fosse melhor aplicado. Artigo 103,B ( É um órgão de controle interno com elementos externos, no fundo temos 9 magistrados,2 membros do MP,2 advogados e 2 pessoas indicados pelo legislativo. O juiz poderia recusar o cargo se quisesse e qualquer outro membro também, não é uma ideia impositiva. § 4º(103 B (Qual sempre foi o problema do judiciário? Tínhamos o STF que era uma instancia decisória, fora isso, o judiciário tinha um funcionamento marcado pela falta total de autoridade, fora isso, cada tribunal de justiça tem uma autonomia para seu funcionamento interno. Cada TJ tinha seu regulamento e seu funcionamento interno, mesma coisa vale para cada tribunal federal, tribunal regional do trabalho. Essa falta de controle gerava alguns abusos, era um poder que ate certo ponto passava por um esfacelamento, cada instância tem suas rotinas próprias para licitar, realizar gastos, e quando nasce o CNJ, a ideia é tentar ter uma instancia que vai regrar como o judiciário funcionará como um todo. Muitas vezes, você constatava que em certo tribunal, magistrados recebiam licenças para cursos no exterior em prejuízo do tribunal ou gastos para viagens desnecessários ou contratos sem licitação, e tinham muitos cargos em comissão criados, em que pessoas nomeadas eram parentes de magistrados. O STF não tinha como controlar tribunais Brasil a fora. O CNJ SERIA ESSA instancia que vai controlar o judiciário em termos administrativos, financeiros e quanto ao cumprimento de deveres funcionais por parte dos membros da magistratura. É como se nascesse uma instancia que faria tal fiscalização, que também faria apreciações disciplinares. O CNJ tenta assumir a questão se a instancia local disciplinar não funcionar, para que force o cumprimento de deveres pelo membro da magistratura. É aquele papel de instancia controladora, de atividades administrativas, financeiras e do cumprimento funcional dos que são magistrados, tudo foi pensado para o CNJ garantir o aspecto financeiro, disciplinar, mas uma coisa o CNJ não pode, é apreciar o conteúdo das decisões. Decisões podem ser revistas por instancias outras e não pelo CNJ. Anotações Carlos -Art. 103-B – CNJ -> é composto por 15 membros, com mandado de dois anos, admitida uma recomendação. Membros: incisos I ao XIII. -Padronizar e fiscalizar o funcionamento do judiciário, a nível nacional. -Surge a discussão se o art. 103-B seria inconstitucional, por ser um órgão de controle externo, violando a separação de poderes. a)Art. 92,I-A, CRFB -> CNJ não é órgão de controle externo, ele é interno do poder judiciário. b)9 membros (dos 15) são do poder judiciário. CNJ é um órgão interno de controle e fiscalização, com elementos externos (aproximam o judiciário do povo, havendo democracia, já que os membros do judiciário não são eleitos – o senado e a câmara eleitos pelo povo podem indicar dois membros) – Art. 103, XII, XIII. ............................................ Aula 21 – Rio, 31.10.11 continuação... CNJ -não pode ser visto como um órgão externo ao judiciário. -Art. 103-B, § 4º -> o controle que o CNJ exerce é o controle administrativo, controla atividade financeira de um tribunal, controla os deveres funcionais do judiciário. CNJ controla o judiciário na atividade administrativa e financeira -> não se controla o conteúdo das decisões, o que os magistrados pensam (livre convencimento ou persuasão racional). Inciso I: o CNJ tem esse poder de regulamentar a atividade de magistrados. O juiz por se rum agente político do estado não tem uma hora para chegar e outra para sair, determinada a hora do julgamento, lá ele estará, não estará sujeito a uma carga horário então – sendo professor, tem uma carga horária, magistério tem carga horária, e sendo magistrado, tem que dedicar mais tempo à magistratura do que ao magistério -> CNJ regula questões como essa – tem que pensar na carga horária máxima como professor, para não prejudicar a atividade da magistratura -> art. 95, parágrafo único, I. Poder normativo -> juiz além da magistratura, só pode exercer o magistério, ser professor. -> CNJ regula a questão de carga horária do magistério (professor) - a magistratura deve ser sua função principal, devido à importância do cargo, um abuso na carga horário poderia, de algum modo, atrapalhar a atividade da magistratura -> o inciso I do § 4º foi criado para resolver problemas como esse – tentativa de anular os desmandos administrativos e financeiros, CNJ é uma instância de revisão e muitas vezes de anulação de atos abusivos, ou ilícitos. Hoje, o CNJ pode regulamentar o funcionamento do judiciário, pode normatizar questões como pagamento de diária, feitura de licitações – normatização do judiciário. II: Um judiciário que funciona como instancia administrativa, segundo os princípios que a CF consagra. Atos administrativos de um tribunal podem ser anulados, revistos pelo CNJ, ou dar prazos para que providencias sejam tomadas. Teto remuneratório (Subsidio de ministros do STF (Na adm. publica não se ganha mais que ministro do STF, esse teto é imposto, mas volta e meia se tem noticia que um magistrado ganha mais que esse teto. Quem entra em cena, é o CNJ, pois o ato que definiu isso pode ser anulado, e voltar ao estado anterior, a ideia é criar uma instancia que rege essa atividade de controle. Tudo em consonância com princípios que norteiam a administração publica como um todo. III: Tem poder disciplinar sobre os magistrados -> art. 103-B, § 4º, III -> prevê o máximo de punição na esfera administrativa. A única decisão que o CNJ não pode ter é destituir do cargo. O CNJ pode receber reclamações sobre a atuação de magistrados ou de outros servidores do judiciário. Um certo magistrado ofende as partes, e não há reação do tribunal ao qual vinculado, pode ser que isso chegue ao CNJ, ou alguém prejudicado sem ser advogado, vai que é notificado na mídia, algum conselheiro pode instaurar de oficio esse procedimento. Cada tribunal tem um controle disciplinar sobre seus membros, mas se ele é frágil, o CNJ pode avocar para si a questão. A ideia é uma instancia no qual se falharem os controles disciplinares, ele funcione. O CNJ pode impor algumas punições previstas no inciso III. O CNJ não pode declarar a perda do cargo, o máximo que ele faz é aposentar de maneira compulsória a bem do serviço publico. A punição mais leve que pode ter um juiz é a censura, mas é uma punição que o sujeito pode continuar sendo juiz, ou dando aula. Se ele é aposentado compulsoriamente, a decisão transitado em julgado pode fazer ele perder o cargo ou se for improcedente ele continua aposentado, não volta ao cargo. CNJ recebe reclamações caso o juiz realize arbítrios, o CNJ, normalmente, envia reclamações ao tribunal do juiz para tomar as devidas providências. O CNJ tem função complementar, caso o tribunal não tome as devidas providências.O máximo que o CNJ pode fazer é uma aposentadoria compulsória (punição de cunho administrativo), para destituí-lo do cargo é necessário uma decisão judicial. IV: pode provocar o MP. Pode encaminhar pro MP um crime, comunica ao MP para que ele investigue se o crime aconteceu e processe na esfera criminal também. CNJ não pode, por si só, destituir o juiz do cargo, mas pode provocar o MP para que uma decisão judicial seja feita e dai o juiz pode ser destituído do cargo. V: Caso um juiz cometa um ilícito, seja julgado e não seja punido, o CNJ pode rever o caso, um ano após a decisão de não punição. Toda vez que ele é absolvido numa instancia administrativa interna, pode ser que venha uma decisão que implique revisão pelo CNJ, no prazo de 1 ano pode rever a decisão tomada, para aumentar a pena se ela foi por demais leve. └> Vendo esses incisos, percebe-se que o CNJ aumenta a possibilidade do juiz ser responsabilizado (Princípio Republicano). VI: Verificar a produtividade dos tribunais, o tribunal mais célebre, mais prestativo. Para checar quais os menos produtivos e descobrir os motivos dessa falta de produção. VII: Relatório anual, com possíveis providências para resolução de problemas -> a ser remetido ao CN (notando-se os freios e contra pesos) - freios e contra pesos. CNJ presta satisfação ao CN, porque é representante do povo. Tentativa de expor e cobrar do judiciário perante a sociedade. De alguma maneira o judiciário passou a sujeitar maior controle, de forma externa. RAMOS DO JUDICIÁRIO E COMPETÊNCIAS -Repartição de competências. Estrutura básica: justiça federal, do trabalho, eleitoral, militar, em cada estado, assim como uma justiça do DF e territórios. O Brasil por ser uma federação, lida muita na Constituição com a repartição de competências. Nossa Constituição pensou nossa repartição de competências: para a União as competências são as competências enumeradas -> art. 22, 23 e 24 – não são só competências da União, mas ela é citada em todos eles, fazendo ter competências para outras entidades também. Pros estados a regra são as chamadas competências remanescentes -> art. 25, § 1º -> competência constitucionalmente não definidas, são competências do estado. Pros municípios a competência é quando for interesse local. E pro DF é quando acumula competência estadual e municipal. Tirem da cena municípios, municípios não têm poder judiciário. Todo estado por lei própria estrutura seu poder judiciário, é uma competência que todo estado tem, mas o DF não -> art. 22, XVII: compete privativamente à União organizar o poder judiciário do DF – vem por leis federais. A JF, JT, J Eleitoral, JM e JDTF são organizadas pela União. Art. 109 -> enumera as competências da JF – quais ações são ajuizadas na JF – é uma competência da União ter suas competências enumeradas. Art. 114 -> enumera as competências da JT. Art. 121 -> lei complementar disporá sobre a organização e competência da J Eleitoral -> enumerada em lei complementar – trata de matéria eleitoral e eleitoral criminal. Art. 124-> JM compete processar e julgar os crimes militares – tem competência apenas penal. -> são competências enumeradas expressas. A J Estadual não tem competência para si, tem a competência remanescente – o que não for competência atribuída de forma expressa, é competência do estado. O mesmo papel que cada justiça cumpre no seu estado, é o mesmo que cumprirá o DF e territórios. ............................................................. Aula 22 – Rio, 07.11.11 FUNÇÕES ESSENCIAIS DA JUSTIÇA – MP, DEFENSORIA, ADVOCACIA PUBLICA E PRIVADA Quando vamos fazer referencia ao judiciário falamos em justiça – pegamos a palavra justiça e damos a ela um sentido orgânico. Por mais que a palavra justiça tenha esse sentido orgânico, essa mesma palavra tem um sentido axiológico -> dar a cada um o que é seu. Justiça mereça mais atenção quando saio do sentido orgânico e penso no sentido axiológico. Quando fala do MP, defensoria, advocacia como funções essenciais da justiça, a palavra justiça aqui pode ser usada das duas formas. São funções essenciais, mas também determina valores essenciais para a realização do justo. Tais entidades são essenciais organicamente, mas também são essenciais para o valor da justiça, transformando a sociedade em justa e solidária. FIGURA DO MP -É uma entidade criada para defender os interesses maiores da sociedade. MP para isso tem conflitos com outros poderes, as vezes o réu é o próprio Estado, a União. Por ser função essencial da justiça, é essencial para o poder judiciário e para fazer valer o valor de justiça. -Alguns dizem que o MP seria o 4º poder – quem defende esse tese encontra fundamentos em um aspecto que não dá pra dizer que não é verdade: MP realiza sua própria lei orçamentária, promove seus próprios concursos públicos, tem autonomia financeira, tem autonomia administrativa (concurso e compõe seu próprio quadro administrativo), com isso estabeleço uma igualdade com os 3 poderes, pois todo poder tem autonomia financeira, administrativa -> pelo ângulo da autonomia tem igualdade com os três poderes. Quando os poderes se auto estruturam isso não é um poder na sua atividade fim, mas sim na sua atividade estrutural, então o MP como 4º poder perde sua força aqui -> a finalidade é mais importante que a estrutura – MP só se iguala na atividade estrutural -> quando saio da atividade meio esse argumento de 4º poder perde sua força. Legislar é criar leis abstratas e genéricas que disciplinam a vida em sociedade e essa é a função preponderante do poder legislativo; o executivo define políticas públicas e serviços públicos, executivo é que decide a realização deles; o judiciário decide conflitos – poderes são poderes pela atividade decisória que possuem, mostrando as funções preponderantes de cada um desses poderes – quando pensamos no MP não pensamos na conjugação do verbo decidir -> M investiga fatos para ajuizar uma ação penal -> MP não deve ser visto como 4º poder porque na sua atividade finalística não realiza atividades decisórias, ele promove ações, dá suas manifestações, investiga -> enquanto poderes são instâncias decisórias, o MP é uma entidade que provoca, não tem carga impositiva e decisória. O aspecto de auto estruturação o MP está igual aos 3 poderes, mas quando saio da atividade meio, e vou para a atividade fim, descubro que enquanto os poderes tem ação decisória, o MP provoca para ter os interesses de grupos garantidos, é uma instância de promoção, ele não decide, é uma instância de provocação de interesses. É um órgão externo aos poderes. Ver o MP como poder é desvirtuá-lo – MP provoca uma instância para a tomada de decisão, do que decidir sobre tal questão. Se alguém disser que o MP é 4º poder, faz dele cláusula pétrea, mas quem advogar que ele não é 4º poder vai dizer que ele também é cláusula pétrea -> art. 127, CRFB: é objeto de poder constituinte originário – MP é uma instituição permanente -> poder constituinte originário quando chama uma instituição de permanente é porque não quer a sua abolição ou mudança, tornando cláusula pétrea. As questões do art. 60, § 4º são cláusulas pétreas porque são permanentes, da mesma forma que o art. 127 coloca o MP como permanente, sendo por isso também cláusula pétrea, com isso, vemos que na Constituição existem cláusulas pétreas fora do art. 60, § 4º. MP é cláusula pétrea porque é permanente -> é permanente porque não deixa de existir e porque não para de funcionar (mesmo em estado de sítio não deixa de funcionar). -Art. 127 -> a promoção que faz é em relação ao poder judiciário. MP tem que defender a ordem jurídica – MP não defende pessoas, mas sim a própria ordem jurídica. Fazer valer o direito de forma difusa. Interesses individuais indisponíveis -> quando eu tenho um direito alguma disponibilidade eu tenho sobre ele, todo direito dá ao titular um direito de dispor do seu próprio agir – mas não devemos tratar assim, a indisponibilidade não tem a ver com a forma que a pessoa trata esse direito, mas sim com a importância queesse direito tem para a sociedade. A indisponibilidade tem a ver com a importância do direito para a coletividade. Com isso tratamos isso como um dever, então não deveria ser chamado de direito, porém a relevância desse direito é tão grande, que pode ser chamado de direito e ainda sim é tratado como um dever, pois é muito importante para a sociedade, é um direitos indisponível. A indisponibilidade não tem a ver com a maneira que a pessoa trata o seu direito, mas sim com a importância que esse direito tem para a sociedade. Art. 127, § 1º: Princípio da Unidade -> MP é uma entidade una. Art. 128: MP federal, MP do trabalho, MP militar, MP DFT – MPs da União e MP Estadual -> isso não parece uma unidade – alguns autores acham que o MP é sim uma unidade, parte de uma só estrutura, mas hoje cresce outro entendimento: MP é uma estrutura una para atuar na justiça federal, para atuar na justiça do trabalho, para atuar na justiça militar -> é uma unidade por ramos, são estruturas unas porque cada ramificação da União tem o seu próprio procurador geral, crescendo que a unidade do MP é uma unidade por ramos. Essa discussão tem consequências processuais, pois isso variará o indisconssórcio entre MPs -> aqueles que acham que o MP é uma unidade no seu todo acham impossível o indisconssórcio, quem considera que a unidade é por ramos, cada ramo é uma estrutura distinta da outra tem o seu próprio procurador, possibilitando o indisconsórcio entre ramos do MP. Para o professor o MP se distingue pela ordem jurídica que ele protege. Há também a função de MP eleitoral, mas a justiça eleitoral não tem quadro próprio -> a justiça eleitoral usa magistrados estaduais e federais, valendo a mesma coisa para o MP eleitoral – não haveria porque manter uma justiça eleitoral e um MP eleitoral valendo todo tempo, se só necessários em momentos pontuais. Cada vez mais cresce a ideia de que a unidade é uma unidade por ramo. Princípio da indivisibilidade -> a indivisibilidade também é dentro de cada ramo. Qualquer membro daquele ramo pode falar por qualquer outro membro daquele ramo. Princípio da independência funcional -> quando eu ajuízo uma ação, os pedidos que eu faço, são os pedidos que eu defino – o juiz pode ate julgar improcedente, mas não há como o procurador geral falar como eu devo ajuizar a ação. Cada membro do MP atuará segundo seu livre convencimento. Demonstra que o membro do MP age com a chamada independência. O risco da independência são posições diferentes, e a vantagem é que dá liberdade, MP age segundo o seu entendimento. Cada membro do MP vai ajuizar os casos segundo o seu livre convencimento. Princípio do promotor natural -> equivale ao princípio do juiz natural. O princípio do juiz natural os órgãos do judiciário são criados por lei com base em previsão Constitucional, e a repartição do trabalho se faz de maneira objetiva. Os órgãos do MP são criadas com base em previsão constitucional -> art. 128: estrutura do MP – os órgãos desses ramos são criados por lei, e esses o trabalho desses ramos é feito de forma objetiva. Obs.: No MP o princípio do promotor natural está no art. 5º, LIII – o STF rejeita essa tese, o STF acha que o princípio do promotor natural não está na Constituição, porém ao mesmo tempo fala que esse princípio não é incompatível com a Constituição, pois ele pode ser previsto em lei, não nega a lógica que o princípio alberga. Aceita que a lógica é essa, mas não que o princípio está na Constituição -> professor prefere que seja assim, pois se fosse ao contrário, daria outra coloração à interpretação do princípio. -Art. 129, § 2º CRFB -> funções do MP só podem ser exercidas por integrantes da carreira. Anteriormente, era comum em alguns lugares quando faltava promotor, o advogado substituía. O juiz hoje não pode escolher quem vai ajuizar as ações, pois só pode exercer função do MP integrantes da carreira. .......................................................... Aula 23 – Rio, 09.11.11 ATRIBUIÇÕES DO MP -Art. 129, I -> a primeira função institucional do MP privativamente é ajuizar ação penal pública e privada. Defender interesses coletivos e controle da constitucionalidade. Aqui o artigo 129,I traz como primeira aquisição a condenação criminal. É a atribuição mais tradicional, sempre se pensa na figura do acusador tribunal, se pensa nos crimes de ação penal publica, o crime é tão grave que dá margem a uma providencia tomada em prol da sociedade, então a petição inicial é chamada de denuncia. II -> MP fiscaliza poderes públicos para ver se os serviços são realizados garantindo os direitos fundamentais. Como a nossa sociedade não exerce um forte controle sobre o Estado, o MP o faz, porém vem também a crítica, pois o MP faz parte do Estado. O estado tem deveres com a sociedade, de prestar saúde, assistência publica, são serviços a cargo do poder publico, outros são de relevância publica como transportes coletivos. O MP tem uma atribuição de fiscal, se a assistência publica é prestada com destreza. Essa figura do MP só acusador criminal, hoje perdeu espaço pro MP defensor de direitos fundamentais, vai buscar fazer com que o poder publico alcance a missão dele no campo coletivo, atividade que ele deve desempenhar. III -> tutela de interesse coletivos e difusos, interesses chamados transindividuais. Promover a ação civil pública – MP promove medidas para que serviços públicos atendam aos interesses da cidade, mas ele não toma medidas decisórias, apenas ajuíza ações, e faz isso ao tutelar interesses difusos e coletivos. A noção de interesses difusos, coletivos e individual homogêneo são conceitos criados propriamente pelo direito, são jurídicos – entender como que a partir da relação jurídica surgem esses interesses. Ajuíza ações civis para garantir esses interesses/direitos. Interesse difuso -> o titular desse interesse é um grupo indeterminável – é um grupo que eu sei que existe, mas não sei dizer quem são as pessoas que o integram. Geralmente, se fala do meio ambiente – proteção do meio ambiente é um direito de todos –> art. 225: direito que é um uso de bem comum a todos, até de gerações futuras. O direito ao meio ambiente é um direito difuso, porque pertence a um grupo indeterminável de pessoas. Dá a entender que tem que pertencer a humanidade, mas o núcleo pode ser seguramente difuso, porém restrito . É difuso porque não consigo identificar qual é esse grupo de pessoas. Interesse coletivo -> é um grupo determinado de pessoas, porque a relação jurídica permite a identificação dos seus integrantes. Exemplo: direito de fazer greve. Grupo determinado com interesses indivisíveis. Direito individual homogêneo -> grupo determinado de pessoas, mas aqui os interesses são divisíveis. Interesses de origem comum, porém podem ser divisíveis. Tem uma atribuição que ganha mais espaço, que é a chamada tutela coletiva, tutela dos interesses metaindividuais ou transindividuais. Uma montadora faz um carro que vem causando prejuízos, se o MP não resolver na questão extrajudicial, propõe uma ação para fazer com que a montadora não promova o defeito em carros futuros. É a ideia de acordo com a qual cabe ao MP defender direitos metaindividuais, se esse grupo é indeterminável, o interesse é difuso, e se o grupo é indeterminado o interesse é difuso. Tivesse acontecido o concurso, alguém iria se inscrever, estou tutelando um grupo de pessoas que não sei precisar quem são, mas certamente elas existem. Ex: Mover ação para dissolver torcida organizada, e evitar a violência institucionalizada, evitar que as organizações causem danos, não dá para saber quem é, a lógica da tutela difusa é essa, quando o interesse é coletivo, a atuação muda de figura, tem recém nascidos e a saúde esta sendo prestado de forma ruim, então move ação para que a saúde seja prestada a eles com destreza Interesses difusos e coletivos (Consumidor, trabalho, combate ao racismo, pratica discriminatória. O MP atua se uma fabrica coloca poluentes, se um certo empregador explora trabalho escravo, se uma obra de arte esta sendo degradadae a autoridade publica não atua corretamente, são situações que atua o MP. A ideia é essa de proteger um interesse pertencente à sociedade. IV -> merecia ser o inciso I, porque o MP tem o papel importante do controle de constitucionalidade. A intervenção federal também tem papel do MP. Art. 34, VII -> quando Estado viola tais princípios fica sujeito à intervenção federal – procurador geral da república ajuizará ação penal pública. V -> Promover a proteção dos direitos, é um direito difuso, proteger um segmento desfavorecido ao extremo. A nossa legislação quer preservar o indígena do direito de continuar sendo indígena. Numa comunidade indígena, nasceu uma criança albina, e eles queriam matar, mas isso não pode, tem que proteger cultura indígena mas respeitar a ordem publica, e sacrificar uma criança albina não é o caso. VI -> previsão de expedir notificações. MP quanto está investigando um fato, ele vai notificar pessoas para testemunhas, para investigar. É um inciso mal colocado, pois isso é um instrumento de atuação. Tem mais a ver com instrumento e não com campo. O MP pode notificar para apresentar documentos e informações. VII -> controle externo da atividade policial – atividade policial -> Estado com autoridade máxima, Estado com a posição de maior uso da força -> evitar que na polícia ocorram abusos. Essa lógica já estaria no inciso II, criou-se um art. específico por causa da relevância do assunto. Cabe ao MP fazer o controle externo da atividade policial, que é uma atividade de força, quando necessário a utilizará, como é uma atividade de estado especifica-se o controle externo da atividade policial. VIII -> poder de requisição. Indícios de crime (Requisitar a policial para ela instaurar inquérito policial. Também uma pratica instrumental. IX -> termo de ajustamento de conduta. O MP pode receber por lei outras atribuições, é incompatível para ele poder advogar para a união. MP não impõe nada, só investiga, mas ele pode propor sugestões, caso a parte discorde, pode-se entrar com ação em juízo. MP não defende entidades públicas, defende a sociedade, seus interesses. -> Diferença entre advocacia pública e MP – existe a figura do procurador em ambos. Advocacia publica x defesa da sociedade. Antes de 1988 não existia a advocacia da união, nos estados já tinha MP e procuradoria do estado, mas a união na CF de antes, tinha no MP federal um órgão que fazia 2 funções, era MP e advocacia da União, depois de 5 de outubro de 88, foi separado. A cisão entre defesa do estado e defesa da sociedade foi correta, essa adequação da estrutura federal ao que os estados já tinham foi boa. Assim como o estado tem a procuradoria do estado e o MP do estado, deve ter a lógica na união, com o MP de um lado e advocacia publica do outro. A advocacia publica defende qualquer coisa, por mais obvia que seja a ilegalidade, quando o MP era o MP, e era a advocacia da união, ele não defendia absurdos. Essa advocacia publica tem sido parecida com advocacia privada, pois se defende com unha e dentes o estado, e tem defesas que beiram o absurdo. ............................................................... Aula 24 – Rio, 16.11.11 MP -MP ora atua como parte, ora como fiscal da lei ou o chamado custo legis -> MP é parte quando ajuíza uma ação, mesmo ação civil pública para proteger o meio ambiente; é custo legis ou fiscal da lei quando em um certo processo ele não é nem autor nem réu, mas alguém não capaz merece acompanhamento do MP no processo. Isso merece uma crítica. Porque fiscal da lei ele é sempre, e esse classificação pressupõe que o MP só atua judicialmente – art. 129 -> atribuições que o MP tem -> algumas dessas atribuições são extrajudiciais. Não se deve falar nessa classificação, deve falar que o MP ora é órgão agente e ora interveniente -> essa classificação é melhor -> MP órgão agente: investiga fatos e quando necessário ajuíza ações – é mais do que ser parte. Ser órgão agente é mais amplo. Órgão agente mostra que é uma ação extrajudicial -> primeira investiga para ver se a ação é necessária. MP tem atuação judicial e extrajudicial, portanto a classificação agente e interveniente é melhor. O órgão interveniente é o clássico custo legis. Formas de atuação do MP -> ora atua como órgão agente e ora como órgão interveniente. Quando instala inquérito para investigar fatos atua como órgão agente – é uma atuação extrajudicial, é uma mera coleta de provas. Órgão agente é ideia mais ampla que a ideia de parte – engloba atuação investigatória e de ação. O órgão interveniente ele não é parte, mas há algum interesse ali relevante, que tem que ser defendido. -Para cada ramo do judiciário há um ramo do MP – art. 128, CRFB -> quando elaborada a Constituição de 88 o objetivo desse art. era alcançar todo o MP -> a redação não ficou boa. Tribunal de contas -> órgão meramente auxiliar não receberia o nome de tribunal, então recebe esse nome porque tem capacidade decisória própria – nesse auxílio que dá ao legislativo, toma decisões. Art. 130, CRFB -> visão completa do MP: art. 128 c/c art. 130 -> o MP da união é composto pelos 4 ramos (art. 128, I), e o art. 130 fala do MP + tribunal de contas da União – tem MP da união e 4 ramos(MPF, MPT, MPM e MPDFT) e há o tribunal de contas da união junto ao MP, que é o MPTCU (é como se o tribunal de contas tivesse o seu próprio MP) -> MPTCU são servidores do próprio tribunal de contas, não faz parte do MP da união. Lei 8443 -> MPTCU junto ao tribunal de contas da união. Porém, cada estado tem o seu tribunal de contas do estado, e ai surgiu o problema: cada estado membro da federação brasileira tinha que elaborar a sua própria constituição até o dia 5 de outubro de 89 – eu como qualquer outro estado foi ter o meu MPE (MP do estado – art. 128, II), mas cada estado tem a sua assembleia legislativa – Tribunal de contas do estado -> algumas constituições fizeram: MP do Estado designasse membros dele para atuar no tribunal de contas do estado – no fundo, a constituição estadual não reproduzia aqui o modelo federal, que é o art. 128 conjugado com o art. 130 (há o MP da união e junto com ele o tribunal de contas da união, que tem o MPTCU) -> o STF foi apreciar essa questão, e tendo em vista o art. 75, CRFB o STF entendeu o seguinte: a estrutura que a constituição deu da união é de reprodução obrigatória nos estados – todo tribunal de contas tem como órgão interno o seu MP para fiscalizar e ser órgão de execução. Cada tribunal de contas estadual terá como órgão seu próprio MP. Não dá pra um tribunal de contas estadual ter membros do MP do estado, tem que ser membros do próprio MP do tribunal de contas. Panorama completo do MP da União e seus 4 ramos, MP em cada estado, e MP junto a cada tribunal de contas que existe na estrutura do nosso país – onde há tribunal de contas há MP próprio seu. DEFENSORIA PÚBLICA -Art. 134, CRFB -> a palavra cidadania tem significados variados – 1º cidadania e se quer usar como sinônimo de nacionalidade: é o significado de menor importância, e o prof. descarta esse significado, mas reconhece que em livros de DI usa-se dessa forma (cidadão brasileiro, cidadão russo) – nacionalidade é a relação que tenho com aquele Estado; 2º cidadania equivale a exercer direitos políticos, esse é o significado que os livros de constitucional mais utilizam -> art. 14, CRFB – cidadania circunscrita a ação política; porém, talvez cidadania mereça um significado mais amplo: 1º cidadania civil -> sou reconhecido como sujeito de direitos – direito ao nome, direito chave da minha individualidade -> ou seja, ser cidadão no aspecto civil é ser tratado como sujeito de direitos, tendo direito ao nome; 2º cidadania política; 3º cidadania social -> dada a minha condição humana eu vou necessitar de acesso á saudade, ao meio ambiente, à educação – e é ai que entra a figura de defensoria pública. No Brasil, com todos os nossos defeitos, o sujeito é reconhecido como sujeito de direitos – votar e se candidatar fazemos com liberdade, o nosso déficit está na cidadania social.Dificuldade de acesso à saúde, educação, moradia – e muitas vezes para realizar tais direitos preciso ir ao poder judicial. Cidadania tem que ser visto sob o aspecto civil, político e social -> é indivíduo, tem exercício político e direitos sociais -> defensoria é garantidora da cidadania quando garante direitos. A defensoria como o art. 134 prevê vai atender aos necessitados. Art. 194, CRFB: seguridade social garante previdência social, assistência social e saúde. Art. 196: saúde é direitos de todos – é um direito incondicionado -> o Estado tem o dever de dar acesso à saúde a todos. Art. 201: previdência social -> não é para todos, tem caráter contributivo, para ter proteção da previdência social eu tenho que ter contribuído – INSS paga pensões e aposentadorias; quando contribuo para a previdência, gero proteção para mim e para os meus dependentes – a previdência não é para todos e nem é condicionado o direito -> ou eu contribui, ou dependi de alguém que antes contribui -> defensoria pública não é para todos, e não depende da contribuição de alguém. Art. 203: assistência social -> será dada a quem dela necessitar – a pessoa idosa que jamais ingressou no mercado de trabalho, a criança abandonada, o portador de deficiência que não tem quem cuide dele -> quando penso seguridade social tem 3 campos sociais que tem 3 lógicas distintas. Art. 134 tem a ver com o art. 203: a defensoria pública é uma instituição garantidora de cidadania para os necessitados, tem uma declaração assistencial -> advoga por essas pessoas necessitadas – não tem caráter contributivo. É uma lógica assistencial: dá orientação jurídica, age como advogado daquelas pessoas que não podem pagar por isso. -O estado do Rio tinha defensoria pública por postura legislativa sua, porque postura obrigacional não tinha. Quando vem a Constituição de 88, a figura muda, porque o art. 134 coloca que aonde há exercício do poder judiciário, tem que haver defensoria pública, para atuar pelos necessitados. Hoje, ter defensoria pública para a união é uma obrigação constitucionalmente imposta – união deve estruturar defensoria para ela, para DF e territórios. -Defensor público tem que realizar cidadania para pessoas necessitadas – parece com o papel do advogado, só que este é remunerado, dando assistência ao poder judiciário. -Defensor é servidor público e advogado. Tentativa de dar igualdade de condições -> aquele que não puder pagar, terá a sua disposição um defensor público. ADVOCACIA -Art. 133, CRFB -> faz do advogado figura indispensável a administração da justiça. Para ajuizar ação só com a figura do advogado – não é que em toda situação processual autor e réu tem que estar acompanhados de advogado, mas para o funcionamento da justiça tem que haver pessoas que conheçam a ordem jurídica. É a tentativa do advogado estar como garantidor da cidadania. Para um leigo fica inviável discutir questões processuais. Então tem a função de colocar o papel do advogado como importante e o advogado ser o garantidor do justo, da cidadania. Em uma condenação tem que ter a existência de defesa. A indispensabilidade de advogado é que a estrutura do judiciário demanda profissionais dessa profissão. Advogado tem que se manifestar de forma incisiva para a proteção do seu cliente – é um princípio, o advogado tem liberdade ampla para falar, mas havendo o acesso, o abuso, o advogado pode ser responsabilizado; é um juízo de valor que diz que você tem que respeitar a fala do advogado, ainda que incisiva, mas o advogado pode ser responsabilizado no caso de abuso – o mesmo vale para o promotor e para o defensor. PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA -Art. 37: cita os princípios. A lógica de criar princípios -> o direito administrativo não funciona sobre as mesmas regras que ela cria. Muitas vezes a adm. pública tem leis a seguir, atos internos a respeitar para funcionar – quando normatiza, não conhece bem a sua estrutura, e quando não consegue seguir o que está na lei, dá seus próprios procedimentos, dá soluções informais. Uma normatização elogiável, atos internos regrando, mas na pratica faltam condições materiais, e ai adm. público por atos criados na prática. Nem sempre o adm. público consegue cumprir tudo o que a lei demanda dele. -Quando foi feita a Constituição de 88 foram colocados alguns princípios, e esses princípios tem o papel de que ainda não consiga funcionar da forma como a Constituição detalha, esses princípios você vai minimamente seguir – tem quem diga que a partir desses princípios são regrados os funcionamentos da adm. pública, como se o caminho fosse linear, porém se fosse assim, a questão estaria resolvida, mas na verdade, muitas vezes a adm. pública não consegue funcionar segundo esse roteiro normativo, e ai ela dá suas próprias soluções, então nesses casos é que deve seguir esses princípios -> quando dá sua própria solução a partir das condições materiais possíveis, tem que seguir minimamente esses princípios. Esses princípios fora nortear a legislação, tem que estar presentes nessas condições materiais. Princípio da pessoalidade -> Atender primeiro a pessoa com quadro de saúde mais grave, quem quer que seja essa pessoa. ................................................................. Aula 18 – Rio, 21.11.11 PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA -Princípio da Legalidade -> para o indivíduo: fazer o que lei impõe, vedados a fazer o que a lei proíbe. Art. 5º, II, CRFB – somos livres para agir no espaço jurídico não legislado. Viver com liberdade. Para a administração pública: legalidade ganha outro contorno -> age quando a lei estipula, como a lei estipula, e onde não há previsão constitucional ela não age. Adm. pública age segundo legalidade. Art. 37, CRFB. As consequências diferem para particular e para a administração pública. Para a adm. pública não há liberdade, ela não age no espaço livre. Princípio da legalidade não quer dizer que a administração pública tem que agir segundo a lei, mas sim que toda conduta da adm. pública deve estar pautada em espécies normativas que a nossa constituição prevê, reconhece -> a legalidade é agir sempre em consonância com espécie normativa que a constituição prevê. Obs.: o art. 59, CRFB não encerra todas as espécies normativas, existem outras na nossa constituição e que produzem condutas a serem praticadas pela administração pública – exemplo: súmula vinculante; art. 237 -> constituição reconhece portaria como espécie normativa. A adm. pública quando age fundamenta a sua conduta. -Princípio da Moralidade Administrativa -> não é moral no sentido de deveres que tenho para com a minha consciência. Aqui, é atender uma expectativa ética da sociedade. Situações em que pareço agir com legalidade, mas violei a moralidade -> não podendo pagar a todos, paga a quem ganha menos. O verdadeiro cumprimento da lei para a adm. pública é de acordo com esta expectativa. A adm. pública tem que cumprir o direito e a expectativa ética que a sociedade tem. -Princípio da Impessoalidade -> quando o sujeito é servidor público nas funções do seu cargo não pode beneficiar amigos ou prejudicar inimigos – exemplo: em concursos públicos, licitações. Art. 37, II -> concurso público; art. 37, IX -> exceção: contratação temporária com a lei autorizando – sem concurso público, quando há necessidade dessa contratação. -> Se estou dispensado de fazer concurso público, aplicando o art. 37, IX, tenho que continuar agindo por meio de critérios impessoais. Nas contratações temporárias não escolho por concurso público, mas os critérios para ingressar tem que ser impessoais. Além disso, tem que contratar para as funções que a lei indicou. -Princípio da Publicidade -> dá a ideia de que os atos do poder público são divulgados, mas isso não é um princípio é uma regra. Os atos devem ser divulgados, mas publicidade é mais do que isso. Qualquer cidadão pode chegar numa repartição e pedir para ver os autos de licitação. Para o professor o nome deveria ser princípio da transparência -> obrigação da adm. pública de dar visibilidadesobre o que ela faz – essa transparência é importante para fazer melhor o controle da adm. pública. -Princípio da eficiência -> emenda 19 de 92 – adm. pública tem que ter muitas atenção para que o uso dos pessoal, do material e do dinheiro sejam usados para resultados suficientes. Não pode fazer gastos que não vão dar resultados suficientes. Fazer uso de gastos adequados. O material que tem, as verbas e o pessoal são para fazer o melhor serviço possível. └> Princípios que vão reger a adm. pública e que vão permitir o controle sobre ela. LO LC FORÇA LO INCONST.. LC LO ZONA COMUM