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SISTEMA DE ENSINO
NOÇÕES 
DE DIREITO 
CONSTITUCIONAL
Poder Legislativo
Livro Eletrônico
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Aragonê Fernandes
Poder Legislativo
NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL 
Relações entre os Poderes do Estado e a Teoria dos Freios e Contrapesos ....................4
Poder Legislativo ...........................................................................................................6
Introdução ......................................................................................................................6
1. Estrutura do Legislativo ..............................................................................................6
2. O Congresso Nacional ............................................................................................... 11
3. Competência das Casas Legislativas......................................................................... 13
3.1. Competência Exclusiva do Congresso Nacional (Indelegável) ................................. 15
3.2. Competência Privativa da Câmara do Deputados ................................................... 18
3.3. Competência Privativa do Senado Federal ............................................................ 20
4. Estatuto dos Congressistas ...................................................................................... 31
4.1. Imunidades Parlamentares .................................................................................... 31
4.2. Imunidades nas Esferas Estadual e Distrital ..........................................................39
4.3. Imunidades na Esfera Municipal ............................................................................39
4.4. Incompatibilidades e Impedimentos ...................................................................... 40
4.5. Hipóteses de Perda do Mandato ............................................................................ 41
4.6. Observações Complementares ..............................................................................43
5. Reuniões ...................................................................................................................46
6. Comissões Parlamentares ........................................................................................ 51
7. Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) .................................................................52
7.1. Criação ...................................................................................................................53
7.2. Objeto ...................................................................................................................54
7.3. Prazo .....................................................................................................................55
7.4. Poderes .................................................................................................................55
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Poder Legislativo
NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL 
7.5. Poderes das CPIs Estaduais, Distritais e Municipais .............................................. 60
7.6. Conclusões ........................................................................................................... 60
8. Processo Legislativo ................................................................................................ 61
8.1. Fase de Iniciativa ....................................................................................................63
8.2. Fase Constitutiva ...................................................................................................70
8.3. Fase Complementar .............................................................................................. 77
9. Espécies Normativas ............................................................................................... 80
9.1. Emendas à Constituição ......................................................................................... 81
9.2. Leis Ordinárias e Complementares ........................................................................93
9.3. Lei Delegada ..........................................................................................................97
9.4. Medida Provisória ................................................................................................. 98
9.5. Decreto Legislativo e Resolução ......................................................................... 106
10. Função Fiscalizatória ............................................................................................ 107
10.1. Controle Externo ................................................................................................ 109
10.2. Controle Interno ................................................................................................. 122
11. Tópico Especial: Súmulas Aplicáveis à Aula ........................................................... 123
Questões de Concurso ................................................................................................ 126
Gabarito .................................................................................................................... 133
Gabarito Comentado ................................................................................................... 134
Questões de Concurso ................................................................................................ 160
Gabarito ..................................................................................................................... 179
Gabarito Comentado ................................................................................................... 180
Questões de Concurso ................................................................................................ 219
Gabarito .....................................................................................................................245
Gabarito Comentado .................................................................................................. 246
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Poder Legislativo
NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL 
RELAÇÕES ENTRE OS PODERES DO ESTADO E A TEORIA 
DOS FREIOS E CONTRAPESOS
No artigo 2º, a Constituição, de forma muito resumida, fala no princípio da separação dos poderes.
Não há dúvidas de que nós adotamos, em linhas gerais, a ideia de Montesquieu, segundo 
a qual o poder seria uno e pertenceria ao povo. No entanto, para melhor funcionamento da 
máquina pública, haveria a tripartição das funções.
É nesse contexto que surge a distribuição das tarefas estatais, em um sistema que fun-
ciona de maneira contínua para controlar os agentes públicos. Um Poder fiscalizaria o outro, 
atuando todos como uma engrenagem perfeita, ao menos do ponto de vista teórico.
É também na concepção de Montesquieu que cada Poder desempenharia uma função princi-
pal (típica) e, de forma secundária (atípica), atuaria naquela tarefa inerente ao outro Poder.
Vou ilustrar com a seguinte tabela:
Poder Função típica Funções atípicas
ExecutivoExecutivo Administrar
1. Legislar: por exemplo, ao editar uma medida provisória ou um 
decreto autônomo.
2. Julgar: julgamentos feitos pelo CADE acerca da possível for-
mação de cartéis ou outras formas deo Vice-presidente e os Ministros de 
Estado.
- Proceder à tomada de contas do 
Presidente da República se ele não 
as apresentar ao Congresso Nacio-
nal no prazo de 60 dias após a 
abertura da sessão legislativa.
- Processar e julgar o Presidente 
da República e o Vice-presidente 
nos crimes de responsabilidade, 
bem como os Ministros e Estado e 
Comandantes do EMA, nos crimes 
de responsabilidade conexos àque-
les.
- Processar e julgar Ministros do 
STF, membros do CNJ, CNMP, PGR 
e AGU, nos crimes de responsabi-
lidade.
- Suspender a execução, no todo ou 
em parte, de lei declarada incons-
titucional por decisão definitiva do 
STF.
OBSERVAÇÕESOBSERVAÇÕES
A incorporação de tratados em 
nosso ordenamento é ato com-
plexo, que conta com a manifesta-
ção do Executivo e do Legislativo.
A competência de sustar os atos 
normativos é controle político 
repressivo de constitucionalidade.
A necessidade de autorização da 
CD para abertura de processos 
contra o PR é prerrogativa de chefe 
de Estado, não se estendendo para 
governadores e prefeitos. A CD dá 
autorização, mas o julgamento fica 
para o STF (crimes comuns) ou 
para o SF (crimes de responsabi-
lidade). Não se aplicam regras de 
suspeição ou impedimento no jul-
gamento do impeachment.
CD toma as contas do PR se ele não 
as prestar ao CN dentro do prazo.
O julgamento de autoridades por 
crime de responsabilidade é presi-
dido pelo Presidente do STF.
Condenação no impeachment é 
política, e não penal. Restringe-se à 
perda da função e inabilitação por 
oito anos.
Só o SF atua na sabatina de nomes 
para STF, PGR, Diplomatas etc. A 
votação é secreta, mas a arguição 
é pública (exceto diplomatas).
O STF afirmou mutação constitu-
cional no artigo 52, X, quando aco-
lheu a tese de abstrativização do 
controle difuso. Papel do SF seria 
de apenas dar publicidade à deci-
são.
Observação:
1) As competências da Câmara e do Senado são exercidas mediante resoluções (regra) ou lei (aumento de 
remuneração dos respectivos servidores).
2) As competências do Congresso Nacional previstas no artigo 48 são exercidas por meio de lei; as do artigo 
49 usam resoluções ou decretos legislativos (não existem na CD ou SF).
3) Sejam privativas ou exclusivas, as competências da CD, SF e CN são indelegáveis.
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4. estatuto dos Congressistas
Não há dúvida da importância dos parlamentares na Democracia em que vivemos. Afinal, 
como adotamos como regra a democracia representativa, eles serão os responsáveis por de-
fender nossos interesses perante o Congresso Nacional e nas demais Casas Legislativas.
É em razão disso que eles contam com certas prerrogativas, dentre as quais se destacam 
a imunidade formal e material.
Além das imunidades, também abordarei os impedimentos e as incompatibilidades dos 
parlamentares, bem assim as hipóteses que levam à perda do mandato.
Fique de olho num ponto: os vereadores receberam tratamento nitidamente diferenciado 
quando comparados com os demais parlamentares. Já adiantando, a Constituição Federal 
não lhes deu foro especial ou imunidade formal. Por sua vez, a imunidade material se restrin-
giu ao território do município, enquanto os demais contam com ela em todo o Brasil.
4.1. imunidades ParLamentares
As imunidades são prerrogativas inerentes à função parlamentar, garantidoras do exercício 
do mandato, com plena liberdade. Essas imunidades não podem ser renunciadas pelo político, 
pois a ele não pertencem.
Nada impede, é certo, que o parlamentar abra mão do próprio mandato, o que conduzirá à 
perda da imunidade. Mais à frente, tratarei da questão referente à manutenção – ou não – da 
competência do STF para julgar membro do Congresso Nacional que abra mão de seu cargo 
político com o claro intuito de evitar seu julgamento.
Ainda, é importante lembrar que o suplente não gozará de imunidade, a não ser no período 
em que esteja substituindo o titular. Nesse período, ele possuirá a imunidade e o foro espe-
cial. Voltando à condição de suplente, o processo deixa de ser julgado pelo STF (INQ n. 2.421).
Além disso, a imunidade parlamentar não se estende ao corréu sem essa prerrogativa 
(STF, Súmula n. 245).
As imunidades dividem-se em duas espécies, a material e a formal. Vejamos a disciplina 
de cada uma delas.
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Para começar, veja este quadro:
IMUNIDADE MATERIALIMUNIDADE MATERIAL IMUNIDADE FORMALIMUNIDADE FORMAL
Também chamada de imunidade real ou substantiva Também chamada de imunidade processual ou adje-
tiva
Abrange opiniões, palavras e votos, afastando a res-
ponsabilidade penal e civil
Conjunto de prerrogativas processuais, como restri-
ções a prisão e outras medidas impeditivas de exer-
cício do mandato
Não impede responsabilização administrativa (quebra 
de decoro)
Foro especial se restringe a fatos cometidos durante o 
mandato e relativos ao cargo
Imunidade Material
Também chamada de imunidade real, substantiva ou inviolabilidade, essa imunidade ga-
rante que não há responsabilidade penal ou civil em relação às opiniões, palavras e votos dos 
parlamentares.
Desse modo, no exercício de suas funções, não podem os parlamentares responder por 
crimes contra a honra – calúnia, injúria e difamação – ou ser condenados a pagar indenização 
por danos morais (STF, RE n. 577.785).
Há uma distinção na amplitude da imunidade material quanto aos atos praticados dentro 
e fora do parlamento.
Avançando, a imunidade penal e civil será absoluta quanto às declarações proferidas den-
tro do Parlamento.
Já em relação aos atos praticados em local distinto só haver imunidade quando guarda-
rem pertinência, por um nexo de causalidade, com o desempenho das funções do mandato 
parlamentar (STF, RE n. 299.109).
Você deve lembrar um caso muito rumoroso, no qual o então deputado federal Jair Bolso-
naro teria afirmado que não estupraria a também Deputada Federal Maria do Rosário, porque 
ela não merecia.
Apreciando o caso, o STF entendeu que o parlamentar deveria responder pelos seus atos, 
que não estariam cobertos pela imunidade material.
Na ocasião se entendeu que, apesar de ele ter dado entrevista a veículo de comunicação de 
dentro de seu gabinete na Câmara do Deputados, a matéria teria sido publicada na imprensa 
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e na internet fora das dependências da Casa, e não guardaria relação com a atividade parla-
mentar (STF, INQ n. 3.932).
Ah, ainda sobre Jair Bolsonaro, em outro caso envolvendo o tempo em que ele era depu-
tado federal, o STF entendeu que estaria coberta pela imunidade material uma fala sua se 
referindo ao peso de quilombolas por arrobas, medida para pesagem de animais. Rejeitou-se, 
assim, denúncia de crime de racismo oferecida pela PGR (STF, Inq n. 4.694).
Também teve outro caso, envolvendodois parlamentares federais: um deles teria pegado 
uma fala, feito um corte e descontextualizado, colocando no Facebook para ofender a honra 
do seu opositor.
Na ocasião, o STF pontuou que:
A imunidade parlamentar material, estabelecida para fins de proteção republicana ao 
livre exercício do mandato, não confere aos parlamentares o direito de empregar expe-
diente fraudulento, artificioso ou ardiloso, voltado a alterar a verdade da informação, com 
o fim de desqualificar ou imputar fato desonroso à reputação de terceiros (STF, PET 5.705).
Em fevereiro de 2021, quando houve a prisão do Deputado Federal Daniel Silveira, o STF 
afastou a tese defensiva segundo a qual os atos praticados estariam cobertos por imunidade. 
Isso porque a imunidade, surgida para proteger o Estado democrático de direito, não deveria 
ser utilizada para preservar condutas contrárias a esse valor. 
Assim, manifestações em redes sociais buscando retirar a força do pensamento crítico, 
indispensável ao regime democrático, e aquelas que pretendam destruir instituições repu-
blicanas e o desrespeito à separação de Poderes e aos direitos fundamentais não estariam 
cobertas pela liberdade de expressão (STF, INQ n. 4.781).
Outra coisa: a imunidade material não alcança os atos praticados sem claro nexo de vin-
culação entre o discurso e o desempenho das funções parlamentares. De igual modo, não se 
poderia invocar a liberdade de expressão quando configurada a prática de discursos dolosos, 
com intuito manifestamente difamatório, de juízos depreciativos de mero valor, de injúrias em 
razão da forma ou de críticas aviltantes (STF, PET 8.242).
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Por fim, fique atento(a), pois a imunidade material afastará a responsabilidade penal e civil 
dos parlamentares, mas não impedirá que eles possam responder por quebra de decoro par-
lamentar (STF, PET 5.647).
Sistematizando a questão, temos o seguinte quadro:
Imunidade MaterialImunidade Material
Dentro da Casa Fora da Casa
Imunidade é Imunidade é absolutaabsoluta, afastando a responsa-
bilização penal e civil. No entanto, parlamen-
tar pode responder por quebra de decoro.
Imunidade é Imunidade é relativarelativa, abrangendo as opiniões, 
palavras e votos se tiverem relação com a ativi-
dade parlamentar. 
Antes de passar para a imunidade formal, lembro a você que a imunidade material é para 
opiniões, palavras e votos, permitindo um mandato livre, de forma plural.
Outros atos, como agressões físicas ou mesmo um homicídio, mesmo dentro da Casa, 
geraria a investigação criminal, não se falando em imunidade.
Ilustrando, no ano de 1963, no Plenário do Senado Federal, o senador Arnon de Mello, pai de 
Fernando Collor de Mello, atirou contra seu adversário político (Silvestre Péricles), acertando o 
também Senador José Kairala, que morreu horas depois. Os dois senadores alagoanos acaba-
ram sendo absolvidos.
Já no ano de 1967, houve outro tiroteio, só que dessa vez na Câmara, envolvendo os deputa-
dos federais Nelson Carneiro e Estácio Souto Maior (pai do piloto Nelson Piquet). No processo, 
ambos foram absolvidos.
A imunidade material protege o parlamentar para que não seja processado por suas opiniões, 
palavras e votos, afastando a responsabilização penal e civil.
Imunidade Formal
Também chamada de imunidade processual ou adjetiva, é responsável por definir as re-
gras sobre prisão dos parlamentares, bem como ao processo instaurado contra eles. Ela so-
freu significativas mudanças, trazidas pela EC n. 35/2001.
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Segundo as regras atuais, desde a expedição do diploma – ou seja, antes mesmo da posse 
–, os parlamentares não poderão ser presos, salvo em flagrante delito por crime inafiançável.
Havendo prisão em flagrante por crime inafiançável, os autos serão remetidos em 24 ho-
ras à respectiva Casa Legislativa, para que ela resolva sobre a prisão, pelo voto da maioria de 
seus membros. Isso significa que poderá o próprio Legislativo relaxar a prisão, caso entenda 
que ela é fruto de perseguição.
Essa regra, no entanto, pode ser relativizada. Em um julgado que cai bastante nas provas, 
relacionado à Operação Dominó, o STF entendeu que não haveria a necessidade de comunicar 
à Casa, pois a quase totalidade dos deputados estaduais (23 dos 24) respondia a inquéritos e 
ações penais (STF, HC n. 89.417).
Outra coisa: em julgados recentes – ex.: prisão do deputado Federal Daniel Silveira e do 
então senador Delcídio do Amaral –, o Tribunal tem entendido que o conceito de inafiançabi-
lidade não se restringe aos crimes assim considerados no artigo 5º da Constituição. Ao con-
trário, seria possível a imposição de prisão sempre que a gravidade dos fatos torne necessária 
a preventiva, o que afastaria o deferimento de fiança.
Ah, mas o cenário pode mudar consideravelmente se for aprovada a PEC que passou a 
tramitar às pressas logo após a prisão de Daniel Silveira (mantida pela Casa). Ela vem sendo 
“carinhosamente” chamada de PEC da Impunidade.
Seguindo, o noticiário político já traz alguns exemplos de parlamentares que foram afas-
tados do exercício de suas funções, como é o caso do ex-presidente da Câmara, deputado 
Eduardo Cunha, ou ainda do deputado Rodrigo Rocha Loures (o homem da mala) e do então 
senador Aécio Neves.
Ainda dentro da imunidade processual, você viu que, pelo tex-to constitucional, parlamen-
tar só pode ser preso em flagrante em razão de crime inafiançável. Havendo a prisão, a Casa 
deve ser comunicada para saber se mantém ou não o Parlamentar preso.
Contudo, o STF entende que a comunicação à Casa deve acontecer nos casos de restri-
ções relacionadas ao exercício do mandato, e não apenas em caso de prisão. 
Assim, vê-se que houve um alargamento do que consta na Constituição.
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Para exemplificar, a orientação beneficiou o então Senador Aécio Neves, que tinha algumas 
cautelares do artigo 319 do Código de Processo Penal substitutivas da prisão – entre elas, 
recolhimento domiciliar e impossibilidade de ingresso na Casa.
A imunidade parlamentar se inicia com a expedição do diploma, que é antes da posse.
Mas a grande transformação operada pela EC n. 35/2001 vem agora!
Antes de 2001, para se processar um parlamentar, havia a necessidade de a Casa Legisla-
tiva dar autorização, o que não ocorria. Assim, enquanto estivesse no exercício do mandato, o 
processo ficaria suspenso, o que também acontecia com o prazo prescricional.
No entanto, após a EC n. 35/2001, não há mais necessidade de prévia licença para a aber-
tura de processo contra parlamentares.
Agora, a regra fica assim:
ANTESANTES DA EC N. 35/2001 APÓSAPÓS A EC N. 35/2001
Para processar parlamentar, era necessária autoriza-
ção da respectiva Casa
Não há maisnecessidade de autorização da Casa.
Se o crime for posterior à diplomação, Casa pode 
sustar o processo, no prazo de 45 dias, por iniciativa 
de partido político e decisão de maioria dos membros.
A mudança trazida pela EC n. 35/2001 é autoaplicável, estendendo-se automaticamente para os parlamenta-
res estaduais e distritais.
Depois que a EC n. 35/2001 entrou em vigor, as ações penais que estavam represadas – 
lembra que ninguém dava a licença prévia? – começaram a andar.
Foi aí que no ano de 2007 o STF julgaria o primeiro parlamentar. Na véspera da sessão de 
julgamento, o então Deputado Federal Ronaldo Cunha Lima renunciou ao mandato parlamen-
tar, em claro intuito de escapar da condenação.
No dia marcado, o ministro Joaquim Barbosa, que era o Relator, entendia pela possibilidade 
de se prosseguir no julgamento mesmo após a renúncia. Prevaleceu, contudo, a tese contrária.
O processo contra Ronaldo Cunha Lima acabou “descendo” para a 1ª instância. Cinco anos 
depois, ele morreu sem nunca ter sido julgado pelo crime de homicídio tentado, que teria sido 
praticado contra um adversário político em seu Estado.
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Seguiu-se para o julgamento do também deputado federal Natan Donadon.
Advinha o que ele fez na véspera?
Isso mesmo! Renunciou...
Em nova discussão, o Plenário do STF manteve o julgamento, condenando o Deputado à 
pena de aproximadamente 13 anos de reclusão, em regime fechado, nada se falando sobre a 
perda do mandato.
Seguindo, chega a vez do julgamento do Mensalão (AP n. 470). Àquela altura, o STF enten-
deu que a perda do mandato seria automática, como consequência do trânsito em julgado da 
condenação.
Contudo, a orientação que prevalece hoje é diferente: a partir do caso do Senador Ivo Cas-
sol (AP n. 565), o STF passou a entender que a perda do mandato deve ser decidida pela Casa, 
mesmo em caso de condenação definitiva. Foi aplicado o raciocínio de combinação dos arti-
gos 15, III, e 55, § 2º, ambos da Constituição.
A partir da EC n. 76/2013, não há mais voto secreto para a apreciação de vetos presidenciais 
ou para os julgamentos de cassação do mandato parlamentar. Desse modo, a perda será de-
cidida pela Casa em votação aberta.
Está bem, mas não preciso dizer a você que escândalos de corrupção dominam o noticiá-
rio. Notícias e mais notícias relacionadas – ou não – à Operação Lava Jato indicam a acusa-
ção envolvendo dezenas de nomes, inclusive de grandes autoridades públicas.
Também não é novidade que os processos tramitando na 1ª instância costumam andar 
muito mais rápido do que aqueles que correm no STF. Em comparação rápida, enquanto deze-
nas de feitos já haviam sido sentenciados, as primeiras denúncias começaram a ser recebidas 
no STF. Veja que o recebimento da denúncia marca o começo da ação penal.
Então, na Ação Penal n. 937, após intensos – e ‘calorosos’ – debates, uma Questão de Or-
dem no Plenário do STF acabou decidindo que, em relação aos parlamentares federais, o foro 
especial no STF estava limitado a fatos praticados durante o mandato e que tivessem relação 
com o mandato.
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Em outras palavras, afastou-se o entendimento que vigorava até ali. Antes, era seguida a 
regra do artigo 53 da Constituição, segundo a qual o foro especial começava com a expedição 
do diploma (antes da posse), sem distinguir se o crime teria ocorrido antes ou depois, ou mes-
mo se tinha algum tipo de relação com o mandato.
Repito: a regra atual é no sentido de restringir o foro especial a fatos ocorridos durante o 
mandato e relacionados ao mandato. Os demais fatos seriam remetidos à Justiça de 1º grau.
Outra coisa: para evitar manobras tendentes a escapar do julgamento perante o STF, foi 
firmada a seguinte tese: após o final da instrução processual, com a publicação do despacho 
de intimação para apresentação de alegações finais, a competência para processar e julgar 
ações penais não será mais afetada em razão de o agente público vir a ocupar outro cargo ou 
deixar o cargo que ocupava.
Ou seja, se o processo chegasse à fase de alegações finais, eventual renúncia ou qualquer 
outra circunstância (ou manobra) não deslocaria o julgamento para a 1ª instância. Ao contrá-
rio, o processo seria concluído no STF.
Mas sempre tem detalhe: em caso de “mandato cruzado”“mandato cruzado”, a competência continuará sen-
do do STF. 
E o que é mandato cruzado?
É o seguinte: se o acusado era deputado federal e depois se torna senador ou vice-versa. 
Nessa situação, o processo estava no STF e ali vai continuar, sem descer para a 1ª instância 
mesmo após o término do primeiro mandato (STF, PET 9.189). Uma ressalva: o foro especial se 
manterá apenas se não houver interrupção ou término do mandato (STF, INQ 4.342).
Não confunda:Não confunda: imunidade vale desde a diplomação, mas o foro especial que tem a restri-
ção. Basta lembrar o caso Flordelis. Ela não foi presa preventivamente por conta da imunidade, 
mas o julgamento ficou no tribunal do júri (1ª instância).
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4.2. imunidades nas esFeras estaduaL e distritaL
Aos parlamentares estaduais e distritais são atribuídas as mesmas imunidades assegura-
das no âmbito federal.
Desse modo, a eles também aplica a regra segundo a qual suas opiniões, palavras e votos 
não ensejarão a responsabilização civil ou criminal, quando guardarem relação ao exercício do 
mandato – imunidade material. Renova-se, nessa ocasião, a diferenciação feita linhas atrás no 
que tange à manifestação feita fora ou dentro da Casa, bem como acerca da possibilidade de 
responsabilização por quebra de decoro.
Ademais, se deputado estadual (ou distrital) cometer crime após a diplomação, o respectivo 
Tribunal de Justiça comunicará à Casa Legislativa – assembleia legislativa ou câmara legislati-
va – para que, em 45 dias, se pronuncie quanto à possibilidade de sustação do processo.
Havendo prisão em flagrante por crime inafiançável, a Casa será comunicada para decidir 
sobre a permanência do parlamentar na prisão.
Sobre o tema, inclusive, houve grande discussão no STF, prevalecendo, por placar aperta-
do, a tese de que a Assembleia Legislativa pode rever prisão decretada pelo Poder Judiciário 
(STF, ADI n. 5.823).
Ah, as alterações operadas na Constituição Federal que limitem a imunidade dos parla-
mentares federais serão desde logo aplicadas na esfera estadual e distrital, independente-
mente da (in)existência de adaptação na Constituição Estadual.
4.3. imunidades na esFera muniCiPaL
Aos vereadores, a imunidade material fica restrita ao Município, ao contrário do que acon-
tecia com parlamentares federais, estaduais e distritais – imunidade em todo o País.
Já a imunidade formal não lhes foi atribuída.
Quanto ao foroespecial, entendia o STF que, embora ele não tenha sido dado pela Consti-
tuição Federal, nada impediria que seja conferido por Constituição Estadual (STF, ADI n. 2.587).
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No entanto, em 2019, o Tribunal mudou a sua orientação, para deixar claro que não cabe-
ria à Constituição Estadual conceder foro especial a autoridades, indo além daqueles casos 
já disciplinados na Constituição Federal. Isso porque a própria CF já estabelece autoridades 
estaduais e até municipais (Prefeito e membro de TCM) que contam com a prerrogativa.
Ao final, prevaleceu a tese de que o foro especial só seria aplicável aquelas autoridades 
mencionadas na CF, ou naqueles casos em que o foro previsto na CE derivasse diretamente 
dos artigos 27 e 28 da Constituição – ou seja, deputados estaduais e distritais, vice-governa-
dor, secretários de Estado e chefes das forças policiais (STF, ADI n. 2.553).
Sistematizando:
DEPUTADOS ESTADUAIS E DISTRITAISDEPUTADOS ESTADUAIS E DISTRITAIS VEREADORESVEREADORES
Têm as mesmas imunidades materiais e formais 
aplicáveis aos parlamentares federais, inclusive foro 
especial. 
Não têm imunidade formal nem foro especial.
Possuem apenas imunidade material, dentro do 
município.
4.4. inComPatibiLidades e imPedimentos
Determinadas condutas são incompatíveis com a atividade desenvolvida pelo parlamentar. 
De acordo com o artigo 54, I e II, da CF, têm-se as seguintes proibições:
Desde
a expedição 
do diploma
Firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa pública, 
sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público, salvo quando 
o contrato obedecer a cláusulas uniformes;
Aceitar ou exercer cargo ou emprego remunerado, inclusive os que sejam demissíveis ad 
nutum, nas entidades constantes na alínea anterior;
 Desde a 
posse
Ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de 
contrato com pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função remunerada;
Ocupar cargo ou função de que sejam demissíveis ad nutum, nas entidades referidas no pri-
meiro quadro desta tabela;
Patrocinar causa em que seja interessada qualquer das entidades a que se refere o primeiro 
quadro desta tabela;
Ser titulares de mais de um cargo ou mandato público eletivo.
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Imunidades Constitucionais não se estendem aos suplentes. Desse modo, o exercício do man-
dato de prefeito não acarretaria a perda da condição jurídica de suplente, podendo ele ser con-
vocado para substituir o titular, desde que renuncie ao mandato no Executivo municipal (STF, MS 
n. 21.266).
4.5. HiPóteses de Perda do mandato
O artigo 55 da Constituição Federal traz as hipóteses em que o parlamentar poderá perder 
seu mandato.
Desde logo, peço que você redobre os cuidados para as situações nas quais a perda deve 
ser decidida pela Casa, diferenciando-as daquelas nas quais a perda será declarada.
Essa distinção é de grande importância, na medida em que na declaração não haveria mar-
gem para a Casa para deixar de aplicar a punição.
As regras da fidelidade partidária não se aplicam às eleições majoritárias (Chefes do Executi-
vo e senadores). Elas valem apenas para as eleições proporcionais (Deputados e Vereadores), 
ocorrendo a perda do mandato se o parlamentar trocar de legenda fora das hipóteses permi-
tidas – STF, ADI n. 5.081.
Vamos lá! Em vez de seguir a ordem da Constituição, vou separar usando os casos de 
perda decidida e perda declarada, OK?
Antes, porém, outro alerta: a EC n. 76/2013 acabou com o voto secreto na cassação de 
mandato parlamentar e na apreciação dos vetos presidenciais. Atualmente, persiste o voto 
secreto apenas na sabatina de nomes, feita pelo Senado Federal.
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Perda Decidida
Conjugando os artigos 54 e 55 da Constituição, a perda do mandato será decidida nos se-
guintes casos:
a) quando parlamentar infringir qualquer das proibições do art. 54 (quadro anterior – item 8.4);
b) quando houver quebra de decoro parlamentar;
Nessa hipótese, em respeito à separação de Poderes, não caberia ao Judiciário controlar o 
mérito das razões que ensejaram a perda do mandato por quebra de decoro (STF, MS n. 23.388).
Em importantíssimo julgado, que envolvia o ex-deputado federal José Dirceu, o STF de-
cidiu que o membro do Congresso Nacional que se licenciasse do mandato para se investir 
no cargo de ministro de Estado não perderia os laços que o unem ao Parlamento. Em razão 
disso, ainda que licenciado, poderia perder o mandato por quebra de decoro parlamentar (STF, 
MS n. 25.579).
c) quando o parlamentar sofrer condenação criminal transitada em julgado.
Aqui, redobre as atenções! Isso porque, no julgamento do Mensalão (AP n. 470), o STF en-
tendeu que a perda do mandato seria automática, como consequência do trânsito em julgado 
da condenação.
Contudo, a orientação que prevalece hoje é diferente: a partir do caso do senador Ivo Cas-
sol (AP n. 565), o STF passou a entender que a perda do mandato deve ser decidida pela Casa, 
mesmo em caso de condenação definitiva. Foi aplicado o raciocínio de combinação dos arti-
gos 15, III, e 55, § 2º, ambos da Constituição.
Dentro desse contexto, a perda não é mais automática, devendo a decisão de perda ser 
tomada por maioria absoluta de votos na respectiva Casa, em votação aberta.
Só cuidado com um ponto: a regra de que a perda deve ser decidida pela Casa pode ser 
excepcionada, quando a condenação impõe o cumprimento de pena em regime fechado, e não 
viável o trabalho externo diante da impossibilidade de cumprimento da fração mínima de para 
a obtenção do benefício durante o mandato e antes de consumada a ausência do congressista 
a 1/3 das sessões ordinárias da Casa Legislativa da qual faça parte. Nesse cenário aconteceria 
a perda automática do mandato, por impossibilidade de exercê-lo (STF, AP 694).
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Perda Declarada
Aqui, a perda seria automática, dependendo de iniciativa da Mesa da Casa respectiva, de 
ofício, ou mediante provocação de qualquer de seus membros ou de partido político.
Veja as hipóteses:
a) que deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça parte das sessões ordinárias da 
Casa a que pertencer, salvo licença ou missão por esta autorizada;
b) que perder ou tiver suspensos os direitospolíticos;
c) quando o decretar a Justiça Eleitoral, nos casos previstos nesta Constituição.
4.6. observações ComPLementares
1. O parlamentar não perderá o mandato nas seguintes hipóteses:
a) Quando estiver investido em cargo de ministro de Estado, governador de território, se-
cretário de Estado, do DF, de Território, de prefeitura de capital ou chefe de missão diplomática 
temporária.
O STF entende que o membro do Congresso Nacional que se licencia do mandato para se 
investir no cargo de ministro de Estado não perde os laços que o unem ao Parlamento. Em 
razão disso, ainda que licenciado, poderia perder o mandato por quebra de decoro parla-
mentar (STF, MS n. 25.579).
b) Quando licenciado por motivo de doença (sem prazo).
O processo de cassação do mandato não ficará suspenso mesmo que tenha sido deferida 
licença ao parlamentar para tratar de sua saúde (STF, MS n. 34.064).
c) Quando licenciado pela respectiva Casa para tratar, sem remuneração, de interesse 
particular, desde que o afastamento não ultrapasse 120 dias por sessão legislativa.
Note-se que o período máximo de duração da licença para tratar de interesses particu-
lares é bem menor que aquele previsto na Lei n. 8.112/1990, Regime Jurídico aplicável aos 
servidores públicos civis da União.
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2. Os deputados e os senadores não serão obrigados a testemunhar sobre informações 
recebidas ou prestadas em razão do exercício do mandato, nem sobre as pessoas que lhes 
confiaram ou deles receberam informações.
É o chamado “sigilo da fonte”, garantia que também alcança os profissionais de jornalismo.
Sobre o tema, cabe lembrar que o art. 221 do Código de Processo Penal assegura a al-
gumas autoridades – entre elas, os parlamentares federais e estaduais – a prerrogativa de 
serem inquiridos em local, dia e hora previamente ajustados entre eles e o juiz.
No entanto, a orientação do STF é no sentido de que a autoridade perderá essa prerrogati-
va se não indicar, no prazo de 30 dias, o dia, hora e local para a sua inquirição (STF, AP n. 421).
3. É indispensável a prévia licença da Casa respectiva para que o parlamentar se incorpore 
às Forças Armadas, ainda que em tempo de guerra.
4. Durante estado de sítio, imunidades poderão ser suspensas, mediante o voto de 2/3 
(dois terços) dos membros da Casa, nos atos praticados fora do recinto do Congresso, que 
sejam incompatíveis com a execução da medida.
Em nenhuma hipótese, imunidades serão cassadas. As possibilidades de suspensão se 
referem somente ao Estado de Sítio, que é o mais grave de todos.
5. De acordo com o artigo 55, § 2º, da Constituição, ocorrendo vaga de Senador e não ha-
vendo suplente, será feita eleição para preenchê-la se faltarem mais de quinze meses para o 
término do mandato.
Ou seja, nenhum dos suplentes estaria apto a assumir a cadeira, certo?
Aqui, preciso abrir um parêntese!
É que a Lei Federal n. 13.165/2015 prevê que, na vacância em cargos majoritários (no 
âmbito do Executivo, dupla vacância) provocada por razões eleitorais – indeferimento de re-
gistro, cassação do diploma e perda do mandato de candidato em pleito majoritário, indepen-
dentemente do número de votos anulados –, só haverá eleições indiretas se faltarem menos 
de seis meses para o término do mandato.
Exemplificando, a perda de mandato de governador e de vice por compra de votos geraria a 
aplicação da regra atual do artigo 224, § 4º, do Código Eleitoral, sendo realizadas eleições 
diretas, exceto se faltarem menos de seis meses para seu mandato acabar.
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Por outro lado, se o motivo da dupla vacância for alguma causa não eleitoral (morte, desistên-
cia, renúncia ao mandato etc.), valerá a regra prevista na Constituição Estadual (governador) 
ou na Lei Orgânica (governador do DF e municípios).
Por que há regras diferentes, professor?
Se a causa for eleitoral, vale a regra federal, porque cabe à União legislar privativamente 
sobre matéria eleitoral. Do contrário, se a matéria tratar de organização político-administrativa, 
cada ente da Federação tem legitimidade para legislar – autonomia financeira, administrativa 
e política.
Ou seja, se você reparou bem, a lei federal contrariou as regras que falam em eleições 
indiretas para presidente e vice-presidente da República nos últimos dois anos do mandato e 
também as regras supracitadas, para senador.
Pois é, apreciando a constitucionalidade da referida lei, o STF entendeu pela validade das 
novas regras para os cargos de governador e de prefeito, mas não para presidente da Repúbli-
ca e senador.
Como assim?
Deixe-me explicar: primeiro, é bom lembrar que cabe à União, de forma privativa, legislar 
sobre direito eleitoral. Então, até aí, nada de errado com a lei federal.
O problema é que ela dizia que as novas regras seriam aplicáveis aos cargos majoritários, 
sem fazer nenhuma ressalva. Acontece que, para o cargo de presidente da República e para o 
de senador, a própria Constituição Federal já prevê um procedimento específico e diferente do 
que constou na Lei n. 13.165/2015.
Então, para presidente continua valendo a regra do artigo 81, § 1º, da Constituição, segun-
do a qual as eleições indiretas ocorrerão se vagarem os cargos de presidente e de vice-presi-
dente nos dois últimos anos do mandato.
Por sua vez, para senadores, prevalecerá a norma que vimos, do artigo 56, § 2º, da Consti-
tuição, a qual prevê que, ocorrendo vaga e não havendo suplente, nova eleição será feita para 
preenchê-la se faltarem mais de quinze meses para o término do mandato (STF, ADI 5.525).
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Lembrando, para governador e para prefeito, teremos duas opções: a) se a dupla vacância 
decorrer de causas eleitorais, aplica-se a lei federal, com eleições indiretas apenas se falta-
rem menos de seis meses para o fim do mandato; b) para dupla vacância fundada em causas 
não eleitorais, vale a regra editada pelo próprio ente – estado ou município.
Outra coisa: ainda sobre a Lei n. 13.165/2015, o STF firmou a seguinte tese:
É constitucional legislação federal que estabeleça novas eleições para os cargos majo-
ritários simples – isto é, Prefeitos de Municípios com menos de duzentos mil eleitores e 
senadores da República – em casos de vacância por causas eleitorais (STF, ADI 5.690).
Nesse julgamento, discutia-se a validade da norma eleitoral que prevê novas eleições não 
importando o número de votos anulados.
Como você viu, prevaleceu a tese de que deve haver novas eleições quando a vacância 
se der por causas eleitorais (ex.: abuso do poder econômico), não importando quantos votos 
válidos tenham sido anulados – se mais ou menos de 50%.
5. reuniões
Não é difícil ouvir uma crítica na sociedade acerca da quantidade dedias em que os parla-
mentares efetivamente trabalham.
As discussões no Legislativo se concentram, geralmente, entre as terças e as quintas-feiras.
Mas, se você está achando ruim, lembre-se de que até 2006 o cenário era ainda mais ne-
buloso. Isso porque a EC n. 50/2006 promoveu duas significativas mudanças.
A primeira, no sentido de reduzir o recesso parlamentar, de 90 para 55 dias.
Pelas regras atuais, durante o período compreendido entre 2/2 a 17/7 e 1/8 a 22/12, fun-
ciona a sessão legislativa ordinária. Fora desse período, ou seja, no intervalo entre 18/7 a 31/7 
e 23/12 a 1º/2, ocorre o recesso parlamentar.
Há ainda a previsão no artigo 57, § 2º, segundo a qual os parlamentares não podem sair de 
recesso no meio do ano legislativo sem que tenham votado a lei de diretrizes orçamentárias 
– LDO.
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Essa proibição só funciona na teoria (nas provas), porque na vida real eles saem de “reces-
so branco”. Em outras palavras, quase todos simplesmente deixam de ir trabalhar. Em razão 
disso, não há quórum para a abertura das sessões de votação.
A segunda modificação consistiu no fim do pagamento de verbas extraordinárias, conhe-
cidas como jeton, nos casos de convocação extraordinária. Essa mudança repercutiu imedia-
tamente nas outras esferas da Federação, impedindo o pagamento também aos deputados 
estaduais (STF, ADPF n. 836). Por outro lado, não há impedimento a que a norma estadual 
preveja o pagamento de ajuda de custo correspondente ao subsídio no final e no início de 
cada sessão legislativa (STF, ADI n. 6.468).
Mas tome cuidado para não trocar as bolas! Ainda é possível fazer a convocação extraordi-
nária. Foi retirada apenas a possibilidade de pagamentos extras se ela acontecer. Como você 
é brasileiro(a), nem preciso dizer que, de lá para cá, as convocações, que eram frequentes, 
passaram a minguar.
Veja aí na tabelinha as hipóteses de convocação extraordinária:
Hipóteses de convocação extraordináriaHipóteses de convocação extraordinária
Quem pode convocar Hipóteses
Presidente da República
Em caso de urgência ou interesse público relevante, sempre 
com aprovação da maioria absoluta de cada uma das Casas 
do Congresso Nacional.
Presidente do Senado Federal
Presidente da Câmara do Deputados
Requerimento da maioria dos membros 
de ambas as Casas
Presidente do Senado
Decretação de estado de defesa;
decretação de intervenção federal;
pedido de autorização para a decretação de estado de sítio;
para o compromisso e a posse do Presidente e Vice-Presi-
dente da República.
Durante sessão legislativa extraordinária, o Congresso Nacional somente deliberará sobre 
a matéria para a qual foi convocado, além das medidas provisórias que estiverem em vigor na 
data da convocação da sessão.
Há também a previsão das situações nas quais ocorrerá a sessão conjunta, abrangendo a 
Câmara e o Senado. São elas: a) inauguração de sessão legislativa; b) elaboração de Regimen-
to Interno comum; c) criação de serviços comuns às duas Casas; d) receber compromisso do 
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Presidente e Vice-Presidente da República; e e) conhecer do veto do presidente da República e 
sobre ele deliberar.
Antes de seguirmos, preciso abrir um parêntese:
Será que há diferença entre sessão conjunta e sessão unicameral?
Há sim, mas, primeiro, vamos à semelhança: em ambas, a reunião dos deputados e dos 
senadores ocorrerá concomitantemente.
Já a diferença, mais importante para as provas, é que na sessão conjunta a votação con-
sidera a maioria absoluta (MA) em cada Casa do Congresso, de forma isolada. Em outras pa-
lavras, para a aprovação será necessário alcançar MA da Câmara (257 deputados Federais) e 
MA do Senado (41 senadores).
Passando para a sessão unicameral, a votação é conjunta, sendo contada a maioria ab-
soluta sobre o total de 594 parlamentares (513 da Câmara e 81 do Senado). Ou seja, para a 
aprovação, seriam necessários os votos de 298 parlamentares, sendo indiferente o número de 
deputados ou senadores.
A sessão unicameral era prevista para a aprovação das Emendas Constitucionais de Revi-
são (ECR), modificações com quórum muito menos rigoroso se comparado com as Emendas 
à Constituição. Confira:
DIFERENÇAS ENTRE CONSTITUINTE REVISOR X CONSTITUINTE REFORMADOR
RevisorRevisor ReformadorReformador
São as emendas constitucionais de revisão – ECR. São as emendas à Constituição – EC.
Emendas deviam ser feitas cinco anos após a pro-
mulgação da CF/1988.
Emendas podem ser feitas a qualquer tempo (salvo nas 
limitações circunstâncias).
Precisavam obter maioria absoluta de votos. Precisava obter três quintos de votos.
Votação em sessão unicameral. Votação em cada Casa do Congresso Nacional (CD + SF).
Uma única votação (1x). Duas votações em cada Casa (2x).
Parou na ECR n. 6/1994. Já são mais de 90 emendas.
Fecho aqui o parêntese e já retomo com uma observação: embora normalmente as ses-
sões legislativas comecem no dia 2 de fevereiro, cada uma das Casas deverá se reunir a partir 
de 1º de fevereiro, no primeiro ano da legislatura, para a posse de seus membros e eleição das 
respectivas Mesas, para mandato de dois anos.
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Por falar em duração do mandato das Mesas do Congresso, o artigo 57, § 4º, da Constitui-
ção veda a recondução para o mesmo cargo, dentro da mesma legislatura.
Falando em outras palavras, considerando que uma legislatura tenha quatro anos, no pri-
meiro ano, os parlamentares se reunirão no dia 1º de fevereiro. Eles elegerão os integrantes da 
Mesa, cujo mandato terá duração de dois anos.
No biênio seguinte – dois últimos anos da mesma legislatura –, serão feitas novas elei-
ções, mas não poderá haver a eleição dos membros para os mesmos cargos. Ah, nesse segun-
do biênio, a sessão legislativa começará normalmente em 2 de fevereiro.
Preste muita atenção para um ponto já julgado pelo STF e que tem frequentado o noticiá-
rio político nos últimos tempos: as regras sobre reeleição de membros da Mesa Diretora das 
Casas Legislativas!
Eu falei ainda agora que é proibida a recondução dos parlamentares para as Mesas das 
Casas Legislativas na mesma legislatura.
Até aí, tudo bem. Acontece que o regimento interno da Câmara dos Deputados (artigo 5º, 
§ 1º) previa que, tratando-se de legislaturas diferentes, nada impediria a recondução para o 
mesmo cargo (usando os dois últimos anos de uma legislatura e os dois primeiros da próxi-
ma). No âmbito do Senado, seguia-se a mesma orientação, com base em um parecer da CCJ. 
Isso porque o artigo 59 do RISF apenas citava que “os membros da Mesa serão eleitos para 
mandato de dois anos, vedada a reeleição para o período imediatamente subsequente”.
Então, houve o ajuizamento da ADI n. 6.524 no STF, questionandoo citado dispositivo do 
RICD, o qual, nesse ponto, seria um ato normativo primário.
O pedido formulado pelo PTB era no sentido de que fosse proibida a reeleição seja para 
eleições ocorridas na mesma legislatura, seja em legislaturas diferentes.
Ao apreciar o caso, o Plenário do STF, em votação majoritária, julgou parcialmente proce-
dente a ação. De um lado, confirmou a regra do artigo 57, § 4º, vedando a reeleição na mesma 
legislatura; de outro lado, possibilitou a continuidade da orientação que já vinha sendo adota-
da, no sentido de admitir a reeleição para legislaturas diferentes.
Na ocasião, ficou vencida a posição minoritária, que buscava dar uma interpretação per-
mitindo a recondução até 2023. Em outras palavras, a tese vencida abria a possibilidade de 
Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre continuarem nos cargos que estavam no biênio 2019-2020.
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Conforme prevaleceu, eventual intenção de recondução na mesma legislatura deveria ser 
levada a efeito a partir de emenda à Constituição, alterando o multicitado § 4º do artigo 57.
Resumo da ópera: nada mudou. Continua sendo possível a reeleição, desde que em le-
gislaturas diferentes (o que foi feito várias vezes por José Sarney e Renan Calheiros, que se 
revezavam no comando do Senado). 
Para não incidir na proibição, eles ocupavam o cargo de Presidente nos dois últimos anos 
de uma legislatura e nos dois primeiros da legislatura seguinte – exemplo: 2013-2014 (legisla-
tura 2011-2014) e 2015-2016 (legislatura 2015-2018).
Na recente polêmica envolvendo a reeleição do deputado federal Rodrigo Maia para a pre-
sidência da Câmara dos Deputados, o STF entendeu que era possível a candidatura, uma vez 
que, no primeiro período, ele chegou ao comando da Casa apenas para completar o mandato 
(mandato-tampão) do então deputado Eduardo Cunha, chamado por muitos de Meu Malvado 
Favorito.
Ou seja, havia uma excepcionalidade a afastar a proibição: o primeiro período em que ele 
presidiu a Casa era um mandato-tampão. Logo, não incidiria a proibição constitucional (STF, 
MS n. 34.602). 
Outro ponto: seria possível que normas estaduais possibilitassem a reeleição na mesma 
legislatura, ou a proibição constitucional se estenderia, exigindo aplicação em simetria?
A resposta é afirmativa. No entender do STF, a proibição existente na CF não seria norma 
de repetição obrigatória, pois não se enquadra entre os princípios constitucionais estabeleci-
dos (STF, ADI n. 793).
Vou repetir um conselho que vivo dando aos meus alunos: olhe para o noticiário com olhos 
de concurseiro! Esteja atento ao que se passa. No mínimo, você se sairá bem nas provas sobre 
atualidades.
Estou dizendo isso porque foi veiculada na imprensa, com destaque, a reeleição do Presi-
dente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Jorge Picciani, para novo mandato dentro 
da mesma legislatura. Você acabou de ver que isso é possível, independentemente de se tra-
tar de mandato-tampão ou não.
Você viu aí uma norma que não é de repetição obrigatória, certo?
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Então vamos para outra em sentido inverso. É o seguinte: o artigo 50, § 2º, da CF prevê 
que as Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal poderão encaminhar pedidos 
escritos de informações a Ministros de Estado ou a quaisquer titulares de órgãos diretamente 
subordinados à Presidência da República. Consta, ainda, que a recusa ou o não atendimento 
importará em crime de responsabilidade.
Pois é, mas algumas Constituições Estaduais estendiam essa exigência de prestar infor-
mações também ao Procurador-Geral de Justiça (PGJ), à Defensoria Pública, ao Presidente 
do TCE, aos diri-gentes da Administração Indireta e ao Corregedor-Geral de Justiça.
Ao julgar o caso, o STF entendeu ser incompatível com a Constituição Federal ato normati-
vo estadual que amplie as atribuições de fiscalização do Legislativo local e o rol de autoridades 
submetidas à solicitação de informações. Confirmou-se, assim, que o artigo 50 da CF seria 
uma norma de repetição obrigatória, sem a possibilidade de ampliação na esfera estadual 
(STF, ADI n. 5.289). 
Outra coisa: é da Casa Legislativa – e não do parlamentar individualmente – o poder de 
requisitar informações ao Poder Executivo. Na ocasião, o STF ressalvou a possibilidade de 
o parlamentar atuar na condição de cidadão, invocando o direito previsto no inciso XXXIII do 
artigo 5º (STF, ADI n. 4.700).
A proibição de reeleição dos membros da Mesa da Casa Legislativa na mesma Legislatura não 
é norma de repetição obrigatória. Assim, pode a Constituição Estadual prever a reeleição para 
a Presidência da Assembleia Legislativa.
6. Comissões ParLamentares
As comissões parlamentares são órgãos com número restrito de membros, encarregados 
de estudar e examinar as proposições legislativas e apresentar pareceres. São elas:
1. comissão temática ou em razão da matéria: discutem e votam projeto de lei que dis-
pensam a competência do Plenário; realizam audiências; convocam Ministros para prestar 
depoimentos etc.
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Ex.: Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), comissão de saúde, de orçamento, de transporte.
2. Comissão especial ou temporária: apreciam matéria específica, extinguindo-se com o 
término da legislatura ou cumprida a finalidade para a qual foi criada.
Ex.: comissões que representam a Casa durante congressos, solenidades ou Comissões Par-
lamentares de Inquérito.
3. Comissão mista: apreciam assuntos que devem ser examinados em sessão conjunta 
pelo Congresso Nacional.
Há uma comissão mista que é permanente, qual seja, a Comissão Mista do Orçamento 
(art. 166, § 6º, da Constituição).
4. Comissão representativa: durante o recesso parlamentar, funcionará uma comissão repre-
sentativa, eleita pela Câmara e pelo Senado na última sessão legislativa do período legislativo.
Pensando nos concursos públicos, não há nenhuma dúvida: as CPIs são as comissões 
mais exploradas pelas Bancas Examinadoras.
É por isso que eu cuidarei delas em um tópico próprio, a partir de agora.
7. Comissão ParLamentar de inquérito (CPi)
A CPI nasce em decorrência de uma das atividades típicas do Legislativo, a saber, a função 
fiscalizatória. Assim, o seu objetivo não é apurar crimes, mas fiscalizar. As funções típicas do 
Legislativo são legislar e fiscalizar.
Embora as CPIs sejam mencionadas de forma muito tímida na Constituição – elas apare-
cem apenas no artigo 58, § 3º –, a sua presença nos noticiários e na jurisprudência dá mostras 
da relevância do tema para as provas.
Vou trabalhar pontualmente alguns aspectos relevantes sobre as CPIs. Ajeite-se aí na 
cadeira, pois não vai ser fácil, mas eu garanto que compensará o trabalho.
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7.1. Criação
Elas podem ser criadas pela Câmara e pelo Senado, em conjunto ou separadamente, me-
diante requerimento de um terço de seus membros. Levando-se em conta a atual composição 
dessas Casas – 513 deputados e 81 senadores –, é necessária a assinatura de no mínimo 171 
deputados ou 27 senadores.
O Regimento Interno da Câmara do Deputados – art. 102, § 4º – dispõe que, depois da 
apresentação do requerimento de instalação da CPI à Mesa, não será possível a retirada de 
assinatura.
Fique de olho para um detalhe: normalmente, quem quer a instalação da CPI não é o go-
verno, mas sim a oposição.
E, como regra, o governo possui maioria dentro do Parlamento. Assim, a ideia de se exigir 
a assinatura de apenas um terço dos membros é prestigiar o direito das minorias.
Há dois pontos muito cobrados em provas quando falamos em CPIs: o mais importante, 
sem dúvida, é relativo aos Poderes, que estudaremos mais para frente. O outro você vai ver 
agora mesmo!
É o seguinte: quando estourou o escândalo do Mensalão, houve a coleta de assinaturas 
para iniciar a CPI dos Correios – toda a confusão começou com um vídeo contendo um em-
pregado dos Correios recebendo propina.
Daí, para barrar aquele movimento, o então Presidente do Senado adotou a seguinte es-
tratégia: entendeu que deveria submeter o requerimento de criação da CPI, com as assinatu-
ras necessárias, à aprovação de maioria do Plenário da Casa.
Mas onde estava o problema?
Ora, voltando ao que eu falei, o governo normalmente tem maioria no parlamento. Aquele 
um terço de assinaturas já havia sido obtido. Submeter à aprovação do Plenário era uma clara 
tentativa de “matar” a CPI, pois no Plenário o governo ganharia.
Então, alguns senadores foram ao STF, tendo o Tribunal decidido que não poderia o presi-
dente da Casa submeter à apreciação do Plenário requerimento da criação da comissão, pois 
essa seria uma clara tentativa de calar o direito das minorias (STF, MS n. 26.441).
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Com o julgamento desfavorável no STF, o Presidente do Senado foi para outra tentativa: 
ele deixou de instalar a CPI, alegando que os líderes partidários não tinham feito a indicação 
dos membros que comporiam a comissão.
Novamente, alguns senadores foram ao STF. Dessa vez, o Tribunal decidiu que, se os 
líderes partidários não fizessem a indicação dos componentes da comissão, essa tarefa 
passaria ao Presidente da Casa, que não poderia deixar de instalar e iniciar os trabalhos (STF, 
MS n. 24.849).
A exigência de assinatura de apenas 1/3 dos Membros da Casa Legislativa para a abertura de 
CPI caracteriza direito subjetivo das minorias.
Outra coisa: a existência de procedimento penal investigatório, em tramitação no Judiciá-
rio, não impede a instalação e atuação de uma CPI, ainda que seus objetos sejam correlatos, 
pois cada qual possui amplitude distinta, delimitada constitucional e legalmente, além de fina-
lidades diversas (STF, HC n. 100.341).
7.2. objeto
A instauração de CPI busca apurar a existência de um fato determinado, o que não impede 
a investigação de fatos conexos. Além disso, pode haver o aditamento do fato inicial, o que 
possibilitaria um alargamento das investigações.
Exemplificando, na CPI dos Correios, que mencionei acima, o fato que ensejou a instauração 
era um vídeo envolvendo um empregado que havia sido indicado por um partido político.
A partir daí, descobriu-se grande esquema de corrupção, conhecido como “Mensalão”.
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7.3. Prazo
O regramento constitucional estabelece que o prazo de duração da CPI é certo.
Mas fique atento(a), pois dizer que o prazo é certo não impede que haja prorrogações, a re-
querimento de pelo menos um terço dos membros da Casa. A prorrogação lançará novo prazo 
certo. Em outras palavras, existirá sempre uma data prevista para a conclusão dos trabalhos.
Há, contudo, uma limitação: a Lei n. 1.579/1952, que trata das CPIs, prevê que a duração 
não poderá ultrapassar o final da legislatura em que ela foi constituída.
Embora essa lei seja anterior à Constituição de 1.988, o STF já confirmou sua recepção 
(STF, HC n. 71.261).
7.4. Poderes
Está aqui o ponto de maior destaque para as provas! São várias e várias questões objetivas e 
subjetivas, que não escolhem Banca Examinadora. O assunto CPI domina o noticiário, diante de 
sucessivos escândalos, provoca uma série de decisões do STF e “despenca” nas provas.
Desse modo, todo cuidado é pouco!
Eu primeiro vou fazer alguns comentários e depois vou usar um quadro comparativo, di-
zendo o que a CPI pode – e o que não pode. Já adianto que o lado das proibições ficará maior.
O artigo 58, § 3º, da Constituição diz que a CPI tem poderes de investigação, próprios das 
autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos internos das Casas.
Você viu que eu destaquei o trecho em que consta que os poderes da CPI serão os das 
autoridades judiciais?
Pois é, mas as coisas não são bem assim. Isso porque a CPI não poderá atuar quando o assunto 
estiver protegido pela cláusula de reserva de jurisdição (ou cláusula de reserva jurisdicional).
Vamos avançar, usando os exemplos mais cobrados nas provas.
É fato que as CPIs podem quebrar os sigilos das correspondências, de dados bancários, 
fiscais e telefônicos, mesmo sem autorização judicial.
O único sigilo que estaria fora do alcance das CPIs, exatamente por estar abarcado na 
cláusula de reserva de jurisdição, é o das comunicações telefônicas (interceptações).
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E, para que você não fique em dúvida, CPI pode quebrar os dados telefônicos, o que equiva-
le ao extrato da conta, com a menção de chamadas recebidas e enviadas. O que ela não pode 
fazer é a quebra do sigilo das conversas (interceptações).
Para ter acesso às comunicações telefônicas, a CPI deverá solicitar a quebra do sigilo ao 
Judiciário. Aliás, esse procedimento também deve ser seguido pelo Ministério Público, Recei-
ta Federal, autoridades policiais, fazendárias etc.
Ah, assim como acontece com as decisões judiciais, as decisões de quebra de sigilos das 
CPIs deverão ser fundamentadas (STF, MS n. 24.749).
Além disso, deverá ser observado o princípio da colegialidade. Em outras palavras, a deter-
minação de quebra deve ser tomada por decisão da maioria dos integrantes da Comissão, não 
bastando requerimento dorelator ou do presidente.
Outro ponto: CPI pode ordenar busca e apreensão de bens, objetos e computadores, desde 
que a diligência não seja realizada em um local que se enquadre no conceito de domicílio. A busca 
domiciliar também está protegida pela cláusula de reserva de jurisdição (STF, MS n. 33.663).
Quanto à prisão, é importante diferenciar a prisão decorrente de condenação definitiva (pri-
são pena) da prisão de natureza provisória, cautelar.
A prisão temporária e a preventiva só podem ser determinadas pelo Judiciário. Assim, 
estaria fora da competência da CPI.
Todavia, lembro que qualquer um do povo pode prender quem esteja em situação de fla-
grante. Exemplificando, uma testemunha que esteja mentindo ao prestar depoimento à CPI 
pode ser presa em flagrante pelo crime de falso testemunho (STF, MS n. 23.652).
Ah, o investigado pode permanecer em silêncio durante sua oitiva perante a CPI. Isso por-
que o “compromisso legal de dizer a verdade” só se aplica às testemunhas.
A pessoa presa, acusada, investigada tem o direito de não produzir prova contra si (em 
latim, nemo tenetur se detegere), tanto nos interrogatórios (policial e judicial) quanto na CPI 
(STF, HC n. 100.200).
Você já deve ter visto na TV notícias de Ministros de Estado que são convocados para pres-
tarem esclarecimentos na CPI. Isso é plenamente possível.
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No entanto, a CPI não poderia convocar o presidente da República, sob pena de violação 
ao princípio da separação de Poderes.
Professor, mas eu já vi a ex-presidente Dilma falando à CPI...
Pois é, mas isso aconteceu quando ela ainda era ministra de Estado nos governos do ex-
-presidente Lula.
Aproveitando que falei na convocação de autoridades para prestar esclarecimentos, dentro 
da CPI da COVID foi determinada a convocação de inúmeros governadores dos estados e do DF.
Daí, houve questionamento junto ao STF, tendo o tribunal afirmado que a convocação dos 
governadores viola o princípio da separação dos Poderes e autonomia federativa dos estados-
-membros (STF, ADPF n. 808).
Ainda a respeito de convocação de autoridades estaduais, o STF declarou a inconstitucio-
nalidade de dispositivo da Constituição da Bahia, que previa a possibilidade de a CPI convocar 
o PGJ (chefe do Ministério Público estadual) e dirigentes da administração indireta. A norma 
previa, inclusive, a responsabilização por crime de responsabilidade em caso de descumpri-
mento ao chamado da CPI.
Na ocasião, prevaleceu a ideia de que deveria ser respeitada a simetria com o artigo 50 da 
CF, o qual permite a convocação de ministros de Estado ou titulares de órgão diretamente su-
bordinados ao chefe do Poder Executivo. Ah, CPI estadual não pode convocar o PGJ, mas pode 
convocar o PGE (chefe da advocacia pública estadual), por estar subordinado diretamente ao 
governador (STF, ADI n. 6.651).
Avançando, é também por conta do princípio da separação de Poderes que não se permite 
a convocação de Magistrado para prestar esclarecimentos sobre ato jurisdicional praticado. 
Como você sabe, contra decisão judicial cabe recurso, e não CPI (STF, HC n. 86.581).
Vou tentar reunir várias informações de modo sistematizado para facilitar sua vida, ok?
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QUADRO GERAL SOBRE CPIQUADRO GERAL SOBRE CPI
Criação Basta requerimento de 1/3 dos membros da CD ou 
do SF (direito das minorias). Também pode ser mista 
(CPMI), contando com representantes de ambas as 
Casas.
Não é válido procedimento de submeter o requeri-
mento com 1/3 dos membros à aprovação da maioria 
do Plenário.
A existência de processo penal investigatório trami-
tando no Judiciário não impede criação de CPI.
É válida norma regimental que limite o número de 
CPIs tramitando ao mesmo tempo.
Objeto Apura fato determinado, o que não impede a apura-
ção de fatos conexos.
Prazo É sempre certo. Contudo, pode haver prorrogações, 
sempre por prazo certo. Só não pode ultrapassar a 
legislatura. 
Poderes É aqui que o bicho pega! São próprios de investiga-
ção das autoridades judiciais, exceto quando incidir 
a cláusula de reserva de jurisdição. Ou seja, depen-
dendo da providência, só o Judiciário poderá decre-
tar.
Sendo honesto, melhor fazer um bate-bola com o que 
CPI pode ou não fazer.
Conclusões Ao final dos trabalhos é feito um relatório final. Ele 
não incriminará nem condenará ninguém. É reme-
tido às autoridades competentes (ex.: MP) para que 
apurem os desvios.
Remessa ao MP não implica indiciamento.
Com o final da CPI, ficam prejudicados HC ou MS 
impetrados contra a comissão.
Ah, remédios contra CPIs são julgados originaria-
mente pelo STF.
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Vamos detalhar o que CPI pode ou não fazer:
PODERES DA CPIPODERES DA CPI
PODEPODE NÃO PODE
Decretar a quebra de sigilos das correspondências e 
de dados (bancários, fiscais e telefônicos).
A decisão deve ser fundamentada e observando o 
princípio da colegialidade.
Decretar a quebra do sigilo das comunicações telefô-
nicas (interceptação telefônica, grampo).
Os dados telemáticos usam comunicações telefôni-
cas.
Determinar busca e apreensão de bens, objetos e 
computadores em repartições públicas.
Determinar busca e apreensão domiciliar.
Decretar prisão em flagrante. Decretar outras prisões cautelares (preventiva e tem-
porária).
Ouvir testemunhas e investigados (respeitado o 
direito ao silêncio).
Impedir que o advogado esteja ao lado do cliente 
dando instruções.
Requerer ao TCU a realização de inspeções e audito-
rias.
Impor que o investigado assine termo de compro-
misso de dizer a verdade.
Requisitar de órgãos públicos informações ou docu-
mentos de qualquer natureza, bem como obter provas 
emprestadas do Judiciário, inclusive utilizando docu-
mentos oriundos de inquéritos sigilosos.
CPI não possui poder geral de cautela.
Em razão disso, não pode decretar:
a) indisponibilidade de bens;
b) sequestro;
c) arresto;
d) penhora;
e) ressarcimento ao erário;
f) retenção de passaporte.
Convocar Ministros de Estado. Convocar o presidente da República, governadores ou 
magistrado para prestar esclarecimentos sobre ato 
jurisdicional praticado.
Compartilhar provas com o Judiciário. Convocar indígena não aculturado para prestar 
depoimento na condição de testemunha, fora de sua 
comunidade.
CPIs Federais, Estaduais e Distritais podem quebrar todos os sigilos, exceto o das comunica-
ções telefônicas (interceptações). Já as CPIs Municipais não podem quebrar sigilos, devendo 
pleitear a medida junto ao Judiciário.
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7.5. Poderes das CPis estaduais, distritais e muniCiPais
As CPIs estaduais e distritais também gozam dos mesmos poderes daquelas instaladas 
perante o Congresso Nacional, podendo, por exemplo, quebrar todos os sigilos, menos o das 
comunicações telefônicas.
Já as CPIs municipais não poderiam quebrar sigilos. Entre outros fundamentos, a doutrina 
destaca o fato de os Municípios não contarem com Poder Judiciário.
Essa linha de raciocínio lembra que o artigo 58, § 3º, da CF, confere às CPIs os poderes de 
investigação próprios das autoridades judiciais. Não havendo Judiciário nos municípios, tam-
bém não poderiam as CPIs instaladas pelas Câmaras de Vereadores determinarem a quebra. 
Nada impede, no entanto, que elas instalem as comissões e peçam a quebra ao Judiciário.
7.6. ConCLusões
Não cabe à CPI a imposição de penalidades ou condenações. As conclusões de seus tra-
balhos são inseridas em um relatório final, a ser encaminhado às autoridades responsáveis, 
como é o caso do Ministério Público. Aliás, o relatório pode ser encaminhado ao MP, à AGU e 
a outros órgãos públicos, enviando inclusive documentação que possibilite a instauração de 
inquérito policial contra pessoas envolvidas nos fatos que foram apurados (STF, MS n. 35.216).
Ah, o encaminhamento ao MP não implica o indiciamento dos investigados (STF, HC n. 
95.277).
Será dos órgãos competentes a tarefa de promover a responsabilização civil ou penal dos 
infratores, caso haja indícios nesse sentido.
Em outras palavras, é, por exemplo, o MP que terá legitimidade para oferecer denúncia (se 
entender necessário) até mesmo em relação aos fatos apurados pelos parlamentares.
Agora, uma polêmica: a Lei n. 10.001/2000 trazia a previsão de prioridade na tramitação 
de processos e procedimentos decorrentes de relatórios das CPIs.
Daí a PGR foi ao STF alegando inconstitucionalidade ao argumento de que a lei violava a 
independência funcional do Ministério Público. 
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Porém, o Tribunal rejeitou o pedido e confirmou a validade da norma, pontuando que, em-
bora influencie indiretamente o trabalho do Ministério Público, a prioridade no processamento 
das conclusões da CPI não fere a autonomia do órgão.
Pesou na decisão a importância e o interesse público do trabalho das CPIs, inseridas na 
função fiscalizatória do Congresso Nacional sobre a administração pública, viabilizando uma 
das facetas do sistema de freios e contrapesos, essencial à democracia (STF, ADI n. 5.351).
Uma questão recorrente em prova: finalizada a CPI, será extinto, sem análise de mérito, o 
HC ou o MS impetrados contra a Comissão (STF, MS n. 25.459).
Falando nos remédios...
Compete ao STF julgar HC ou MS impetrados contra CPI, assim como quando impetrados 
contra as Mesas das Casas que integram o Congresso Nacional.
8. ProCesso LegisLativo
Nos artigos 59 a 69, a Constituição traz as regras para a elaboração dos atos normativos pri-
mários. Eles recebem esse nome, pois retiram sua força normativa diretamente da Constituição.
Já os atos normativos secundários se subordinam aos primários, sofrendo o chamado 
controle de legalidade. Entre eles, temos as portarias, as instruções normativas e os de-
cretos regulamentares.
Afora os atos normativos primários, existem as normas supralegais, que são os tratados 
internacionais sobre direitos humanos não submetidos ao regramento inserido pelo art. 5º, § 
3º, da Constituição. Em outras palavras, são os TIDH que passem pelo mesmo rito das Emen-
das à Constituição – aprovação na Câmara e no Senado, em dois turnos, com voto de 3/5 dos 
membros de cada uma dessas Casas.
O artigo 59 da CF/1988 lista os seguintes atos normativos primários: Emendas à Consti-
tuição (EC), leis complementares (LC), leis ordinárias (LO), leis delegadas (LD), medidas provi-
sórias (MP), decretos legislativos (DL) e resoluções legislativas (RES).
A não observância das regras constitucionais levará à declaração de inconstitucionalida-
de da norma criada, por vício formal, também chamado de vício nomodinâmico.
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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL 
Dentro do controle de constitucionalidade, a norma deve ser compatível com a Constitui-
ção sob o critério formal e material. O critério formal se refere ao respeito ao devido processo 
legislativo. Já o critério material apura se o conteúdo da norma está de acordo com o texto 
constitucional.
Assim, a norma pode padecer de vício formal ou material de constitucionalidade.
Exemplos
1) A Constituição proíbe, em tempos de paz, a pena de morte, certo? Caso algum parlamentar 
apresente um projeto de lei, estabelecendo essa pena para os crimes hediondos, estaremos 
diante de norma que possui vício material (inconstitucionalidade nomoestática).
2) Uma lei complementar deve ser aprovada pelo quórum de maioria absoluta de votos, tanto 
na Câmara quanto no Senado. Supondo que essa lei tenha sido aprovada pelo quórum de 
maioria relativa, ela padecerá de vício formal de constitucionalidade, pouco importando qual 
o conteúdo nela contido.
Veja o quadro a seguir:
Diferença entre vício formal e vício material
Vício Vício 
materialmaterial
Também chamado de nomoestático. Está relacionado ao conteúdo da espécie normativa. Ex.: 
lei discriminatória, que afronta o princípio da igualdade.
Vício Vício 
formalformal
Também chamado de nomodinâmico. Está relacionado ao processo de formação da lei. Pode ser:
a) subjetivo: vício está na fase de iniciativa (quem inicia projeto não é a “pessoa certa”). Ex.: 
projeto de lei da competência do PR, que é apresentado por parlamentar.
b) objetivo: vício está nas demais fases do processo. Ex.: desrespeito ao quórum de votação.
Observação: fala-se ainda em vício de decoro parlamentar ou vício de corrupção na vontade parlamentar. 
Ele teria surgido com o escândalo do Mensalão. Não haveria defeito na forma ou no conteúdo, e sim no 
motivo que levou o parlamentar a votar naquele sentido (propina). 
O STF reconheceu a possibilidade, mas não anulou a EC n. 41/2003 (Reforma da Previdência), uma vez que 
mesmo retirando os votos dos parlamentares condenados ainda sobraria número suficiente para a apro-
vação da PEC.
O processo legislativo desenvolve-se em diferentes fases. A primeira delas é a fase de ini-
ciativa. A partir daí, segue-se para a fase constitutiva, havendo a discussão e votação nas Ca-
sas legislativas. Sendo aprovado o projeto, haverá a manifestação do presidente da República 
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– sanção ou veto –, ausente em algumas espécies normativas. Por fim, na fase complementar, 
será feita a promulgaçãoviolação da concorrência. 
Ainda, os julgamentos feitos pelo CARF, órgão envolvido na Ope-
ração Zelotes.
JudiciárioJudiciário Julgar
1. Legislar: elaboração de Regimentos Internos.
2. Administrar: “cuidar” de seus servidores. Ex.: conceder férias.
LegislativoLegislativo
Legislar
e fiscalizar
1. Julgar: processar e julgar as autoridades indicadas pela Consti-
tuição (art. 52). Ex.: Pres. da República.
2. Administrar: “cuidar” de seus servidores. Ex.: concessão de 
horas extras.
Observação: Ministério PúblicoMinistério Público, Tribunal de ContasTribunal de Contas e Defensoria PúblicaDefensoria Pública não se subordinam a nenhum dos 
Poderes. Eles contam com autonomia AFO (administrativa, funcional e orçamentária-financeira).
A forma pela qual os Poderes se relacionam e, especialmente, o modo de funcionamento 
dos mecanismos de controle são demasiadamente cobrados pelas bancas examinadoras.
Em razão disso, de antemão, vou apresentar algumas situações corriqueiras nas provas. 
Afinal, este material nasceu deliberadamente voltado para preparar você para resolver as ques-
tões dos mais variados graus de dificuldade.
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Vamos lá!
1) A escolha de ministros do STF (Judiciário) cabe ao presidente da República (Execu-
tivo). Depois disso, o indicado deve ter seu nome aprovado pela maioria absoluta do 
Senado Federal (Legislativo).
2) O aumento na remuneração de servidores da Câmara do Deputados deve ser proposto 
pela própria Câmara (Legislativo). O projeto de lei, mesmo aprovado nas duas Casas do 
Congresso Nacional, deve ser submetido à sanção ou veto do presidente da República 
(Executivo). Sancionada, promulgada e publicada, a lei pode ser declarada inconstitu-
cional pelo STF (Judiciário).
3) As súmulas vinculantes e as decisões proferidas pelo STF em controle concentrado 
têm caráter vinculante erga omnes (contra todos). No entanto, a vinculação não atinge 
o Poder Legislativo em sua função típica de legislar. Isso existiria para evitar o fenôme-
no da fossilização da Constituição. Ou seja, não se impede que o Legislativo edite nor-
mas no sentido inverso do que foi decidido pelo Judiciário. E, num movimento circular, 
nada impede que novamente haja a declaração de inconstitucionalidade.
4) O presidente da República (Executivo), ao escolher o procurador-geral da República 
(PGR), indica livremente um nome entre integrantes da Carreira, não havendo lista trí-
plice. Após isso, o indicado deve passar pela aprovação da maioria absoluta do Senado 
Federal (Legislativo). Já para o cargo de procurador-geral de Justiça (PGJ), Chefe do 
MP Estadual, o governador fica restrito a escolher entre integrantes de lista tríplice, 
elaborada por toda a Carreira. Nesse caso, o STF entende ser inconstitucional norma 
de Constituição Estadual que preveja sabatina do indicado pela Assembleia Legislati-
va. A ideia é que o sistema de freios e contrapesos já atuou.
Essas são apenas algumas demonstrações de aplicação dos freios e contrapesos. Outras 
serão mencionadas ao longo das aulas.
Ultrapassada essa visão inicial, é hora de estudar cada um dos Poderes de forma separada.
Lembro que o Título IV da Constituição – Organização dos Poderes – engloba os Poderes 
Legislativo, Executivo e Judiciário, além das Funções Essenciais à Justiça. Entre estas, têm-
-se o Ministério Público, a Advocacia (pública e privada) e a Defensoria Pública.
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Poder LegisLativo
introdução
A Constituição trata do Poder Legislativo nos artigos 44 a 75.
Para você não vacilar na hora da prova, fique de olho em temas como competência entre 
as Casas Legislativas (artigos 49, 51 e 52), as regras sobre o funcionamento de comissões – 
destacando-se as CPIs – e sobre as imunidades parlamentares.
Vencida essa etapa, os artigos 59 a 69 cuidarão do Processo Legislativo, assunto que é 
relevante para praticamente todos os concursos, não se limitando ao próprio Legislativo.
Mais à frente, nos artigos 70 a 75, aparece a função fiscalizatória, com os controles in-
terno e externo. Não se esqueça de que o Legislativo possui duas funções típicas: legislar 
e fiscalizar.
Então, ajeite-se aí na cadeira que a tarefa está longe de ser uma moleza!
1. estrutura do LegisLativo
Em âmbito federal, o Poder Legislativo, é bicameral, ou seja, composto por duas Casas: a 
Câmara do Deputados, composta de representantes do povo, e o Senado Federal, representan-
do os Estados e o Distrito Federal.
De antemão, é bom lembrar que os Municípios e os Territórios Federais (se forem criados) 
não terão representantes no Senado Federal.
Nas outras esferas, o Poder Legislativo é unicameral, já que conta apenas com a Assem-
bleia Legislativa (estados), Câmara Legislativa (DF) e Câmara dos Vereadores (municípios).
Vou voltar para o modelo federal, mostrando a você uma tabela muito útil, pois soluciona 
inúmeras questões de prova. Assim, toda atenção é pouca!
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Bate bola entre a Câmara dos Deputados e o Senado Federal
Câmara do DeputadosCâmara do Deputados Senado FederalSenado Federal
Representa o povo Representa os Estados e o Distrito Federal
É a câmara baixa É a câmara alta
Número de membros varia em função da popula-
ção: no mínimo 8 e no máximo 70 deputados, por 
unidade da Federação
Número de membros é fixo, pois todas as unidades 
da Federação (Estados e DF) possuem três sena-
dores
Eleição pelo sistema proporcional (quociente eleitoral)
Eleição pelo sistema majoritário simples – o mais 
votado é o escolhido, não havendo 2º turno
Deputados não têm suplentes 
(suplentes são do partido)
Senador é eleito com dois suplentes
Renovação total a cada quatro anos
Renovação parcial a cada quatro anos: 1/3 e 2/3, 
alternadamente
Mandato de 4 anos – uma legislatura Mandato de 8 anos – duas legislaturas
Idade mínima de 21 anos. Idade mínima de 35 anos 
Território possuirá quatro deputados Território federal não possuirá senadores
Aplicam-se as regras de fidelidade partidária. 
Desse modo, em regra, haverá a perda do mandato 
se houver a troca de legenda
Não se aplicam as regras de fidelidade partidária. 
Trocando de legenda, Senador não perde o man-
dato
Não há coligação partidária É possível coligação partidária
Como você acabou de ver aí em cima, a EC n. 97/2017 acabou com as coligações nas elei-
ções proporcionais (deputados e vereadores). A regra passou a valer nas eleições municipais 
de 2020.
Ou seja, elas (as coligações) ainda existem, mas só são válidas para as eleições dos che-
fes do Executivo e para o Senado.
Fique atento a um detalhe: a Lei 14.208/2011 criou a figura das Federações Partidárias, 
que não se confundem com as coligações. As federações serão a união de dois ou mais par-
tidos, que se agrupame a publicação do ato normativo.
Sobre o tema, confira este quadro esquemático:
Fases do processo legislativoFases do processo legislativo
FF
AA
SS
EE
SS
1. Iniciativa
Pode ser geral, concorrente, privativa (exclusiva ou 
reservada), popular e conjunta.
2. Constitutiva
Deliberação
Parlamentar
Discussão
Votação
Deliberação
Executiva*
Sanção
Veto
3. Complementar
Promulgação
Publicação
* Alguns atos normativos primários não passam por deliberação executiva. São 
eles: emendas à Constituição, resoluções, decretos legislativos, leis delegadas e 
medidas provisórias aprovadas pelo Congresso Nacional sem alterações.
8.1. Fase de iniCiativa
Todo cuidado é pouco dentro da fase de iniciativa. Afinal, é ela que concentra, de longe, a 
maior parte das questões de prova.
Os itens, geralmente, apontam situações de competência privativa, na qual a competência para 
deflagrar o processo legislativo pertenceria a uma autoridade, sendo, contudo, iniciado por outra.
Fique atento(a) também para a iniciativa popular e para a concorrente.
Quer um exemplo disso?
É fácil! Basta pensar na quantidade de leis nascidas das mãos de parlamentares preven-
do gratificações aos servidores do Executivo. Aqui se encaixa perfeitamente a frase popular 
“ema, ema, ema, cada um tem seu problema”.
Em outras palavras, um projeto de lei proposto por deputado estadual não poderia prever uma gra-
tificação para os policiais militares daquele Estado. No entanto, ainda que ele seja aprovado, e haja 
a sanção, promulgação e publicação, estaremos diante de lei que contém um vício insanável.
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Vamos, então, falar sobre cada uma das espécies de iniciativa!
Iniciativa Geral
O art. 61 da Constituição define que as leis ordinárias e complementares podem ser pro-
postas por qualquer deputado federal ou senador; por comissão da Câmara, do Senado ou do 
Congresso Nacional; pelo presidente da República; pelo Supremo Tribunal Federal; pelos Tribu-
nais Superiores; ou pelo procurador-geral da República.
Essa regra trata da iniciativa geral e terá lugar sempre que o texto constitucional não exigir 
que o projeto seja iniciado por alguma autoridade específica.
Exatamente por ser muito aberta, ela tende a cair pouco nas provas. Um ponto, no entanto, 
é recorrente: legislar sobre matéria tributária.
A esse respeito, o STF entende que a competência para deflagrar o processo legislativo 
em matéria tributária pertence tanto ao presidente da República quanto ao Poder Legislativo. 
A discussão decorre do fato de a Constituição de 1969 restringir essa matéria ao Chefe do 
Executivo, limitação que não mais existe (STF, RE n. 424.674).
Cuidado para a exceção: no caso de leis que disponham acerca de matéria tributária perti-
nente a Territórios Federais, tem-se iniciativa privativa do presidente da República, consoante 
prevê o art. 61, § 1º, II, b, da Constituição (STF, ADI n. 2.447).
A competência para legislar sobre matéria tributária não é privativa do presidente da Repú-
blica (exceto em relação aos Territórios). Desse modo, é válida a lei de iniciativa parlamentar 
versando sobre o tema.
Iniciativa Concorrente
A iniciativa concorrente é gravada pela expressão “ou”. Nela, a competência é atribuída a 
mais de uma pessoa ou órgão. Exemplificando, ao tratar sobre a propositura de emendas ao 
seu texto, a Constituição lista os seguintes legitimados:
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Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:
I – de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara do Deputados ou do Senado Federal;
II – do presidente da República;
III – de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, 
cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros.
Qualquer um dos legitimados poderá propor a PEC, não sendo necessário que eles atuem 
em conjunto. Aliás, a necessidade de atuação conjunta, gravada pela expressão “e” é própria 
da iniciativa conjunta.
Também as normas gerais de organização do Ministério Público estariam dentro da atua-
ção concorrente, do presidente da República e do próprio MP, em iniciativa concorrente.
Aliás, embora hoje em dia o MP possa ser entendido como autônomo, ele já foi subordina-
do ao Executivo. Aqui está um resquício dessa característica.
Iniciativa Privativa, Reservada ou Exclusiva
Essa é a que mais cai em provas! Se eu pudesse reduzir em uma expressão, usaria a frase 
popular “ema, ema, ema, cada um com seu problema”. Isso porque, se a iniciativa couber a um 
órgão ou pessoa, não poderá o processo legislativo ser iniciado por outra pessoa/órgão.
E o que mais vemos em provas?
Exatamente um reflexo do que acontece na vida real, chega em questionamento ao STF e 
vem direto para a sua prova!
Situação hipotética
Um projeto de lei tratando sobre aumento de vencimentos para servidores da administra-
ção direta é apresentado por um deputado federal. Essa proposta legislativa é aprovada na 
Câmara e no Senado, sancionada pelo presidente da República, que a promulgou e a publicou.
De acordo com o art. 61, § 1º, II, ‘a’, da CF/1988, a iniciativa para a apresentação dessa lei 
caberia privativamente ao presidente da República.
Mas você viu que ele sancionou o projeto e sabe que a sanção corresponde à sua concordância.
Pergunto, então: o vício de iniciativa foi suprido pela sanção presidencial?
A resposta só pode ser negativa.
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Com efeito, a jurisprudência dominante entende que eventual vício de iniciativa nunca se 
convalida, nem mesmo com a sanção (STF, ADI n. 2.867). Ou, usando um trechinho de uma 
música popular, “pau que nasce torto nunca se endireita”.
Ah, se você se deparar com a Súmula n. 5 do STF (a súmula ‘normal’, que não é vinculante) 
verá o seguinte texto: “a sanção do projeto supre a falta de iniciativa do Poder Executivo”. 
Saiba que ela é do ano de 1963 e não vale atualmente.
Invocando a regra prevista no art. 61, § 1º, II, ‘e’, da Constituição, o STF declarou a incons-
titucionalidade de lei estadual, proposta por deputado estadual, que conferia à Secretaria de 
Educação do Estado de Alagoas a obrigatoriedade de instituir programa de leitura de jornais e 
revistas em salas de aula (STF, ADI n. 2.329). Na ocasião, foi dito que, mesmo sendo louvável 
a iniciativa do parlamentar, deveria ser respeitada a regra constitucional, que diz competir ao 
presidente da República – e, em simetria, aos governadores de Estado – cuidar da criação e 
da estruturação dos órgãos da administração indireta.
Em outra lei, por meio da iniciativa parlamentar se criou a obrigatoriedade de as escolas 
públicas da educação básica de Santa Catarina manterem a presença de um segundo profes-
sor nas salas de aula em que houvesse alunos com diagnósticode deficiências e transtornos 
mentais. Nessa situação, por mais bem-intencionado que fosse o legislador, a questão não 
poderia nascer de lei de iniciativa parlamentar. Ao contrário, por criar obrigação para o Execu-
tivo estadual, a iniciativa deveria ser do governador. Assim, a norma foi declarada inconstitu-
cional, por vício de iniciativa (STF, ADI 5.786).
No mesmo sentido, entendeu-se que, embora a anistia seja dada pelo Legislativo, tratando-
-se de infrações administrativas praticadas por policiais civis, militares e bombeiros – agentes 
de segurança estadual –, cabe ao governador enviar o projeto de lei. Desse modo, seria incons-
titucional lei fruto de iniciativa parlamentar conferindo anistia a tais integrantes da segurança 
pública (STF, ADI n. 4.928).
Agora fique atento(a) a um julgado que certamente cairá nas provas, seja lá em Admi-
nistração Pública, seja aqui no processo legislativo: a LODF sofreu uma emenda de iniciativa 
parlamentar, segundo a qual se exigia que ao menos 50% dos cargos em comissão fossem 
preenchidos por servidores efetivos (concursados).
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Daí, o governador contestou a norma no STF. Ao julgar o caso, o Tribunal declarou a in-
constitucionalidade, por vício formal na iniciativa.
Qual o defeito?
É que a norma distrital deveria ter surgido a partir da iniciativa do chefe do Executivo, por 
aplicação em simetria do artigo 61 da Constituição.
Ah, embora não haja iniciativa privativa para a apresentação de PEC em âmbito federal, 
na esfera estadual ou distrital não pode ser feita EC a partir de iniciativa parlamentar, como 
forma de burlar a exigência de o projeto de lei nascer das mãos do governador (STF, n. 6.585).
Só para deixar claro: se a norma distrital tivesse nascido a partir de iniciativa do gover-
nador, poderia ser estabelecido o percentual mínimo de servidores efetivos nos cargos em 
comissão.
É também em decorrência da aplicação do princípio da simetria que não pode o Legislativo 
Estadual apresentar emenda parlamentar que implique aumento de despesa em projeto de lei 
de iniciativa reservada do Poder Executivo (STF, ADI n. 2.076).
O mesmo raciocínio, aliado à aplicação do princípio da separação de poderes veda emen-
da parlamentar que provoque aumento de despesa em projeto de iniciativa do Poder Judiciá-
rio ou do Ministério Público (STF, ADI n. 4.062).
Entretanto, a própria Constituição admite que emenda parlamentar implique aumento de 
despesa, quanto às leis orçamentárias (art. 166, §§ 3º e 4º).
Antes de finalizar, vou trazer mais três exemplos que tendem a aparecer em provas, não 
apenas aqui dentro do Processo Legislativo, mas também nas Funções Essenciais à Justiça, 
na Administração Pública e na Segurança Pública.
Começando, uma lei estadual de iniciativa parlamentar (geralmente está aí o problema) 
obrigava a Universidade Estadual do Rio Grande do Norte a prestar serviço de assistência judi-
ciária durante os finais de semana aos necessitados presos em flagrante. Repare que de uma 
só tacada a norma invadiu a competência privativa do Chefe do Executivo ao criar obrigações 
a Secretarias do Governo e ao mesmo tempo instituiu uma substituta ao trabalho que fica a 
cargo da Defensoria Pública (STF, ADI n. 3.792).
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No outro caso, novamente por iniciativa parlamentar, foi criada uma lei estadual conferin-
do status de carreira jurídica, com independência funcional (o que não pode acontecer), ao 
cargo de delegado de polícia. Novamente, dois erros: nasceu das mãos erradas (vício formal 
na iniciativa) e trouxe autonomia indevidamente aos Delegados de polícia (vício material) – 
STF, ADI n. 5.520.
Para fechar com “chave de ouro”, lei estadual de iniciativa parlamentar (olha ela aí de 
novo...) regulamentou o direito de greve dos servidores estaduais. Ou seja, a norma tratou do 
regramento dos servidores da administração direta, tarefa na qual a iniciativa legislativa in-
cumbe ao governador, e não aos deputados (STF, ADI n. 5.213).
Iniciativa Popular
A possibilidade de o povo apresentar projeto de lei é uma das formas de exercício do 
poder, de forma direta, ao lado do plebiscito ou do referendo, conforme prevê o artigo 14 
da Constituição.
Diz o art. 61, § 2º, da Constituição, que a iniciativa popular pode ser exercida pela apresen-
tação à Câmara do Deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo, um por cento do elei-
torado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três décimos 
por cento dos eleitores de cada um deles.
A Lei n. 9.709/1998, em seu artigo 13, prevê que o projeto de lei de iniciativa popular deverá 
circunscrever-se a apenas um assunto.
Ademais, ele não poderá ser rejeitado por vício de forma, cabendo à Câmara do Deputados, 
por seu órgão competente, providenciar a correção de eventuais impropriedades de técnica 
legislativa ou de redação.
Contudo, perceba que a Constituição faz referência a “projeto de lei”, o que abrange as leis 
ordinárias (LO) e complementares (LC). Não há, na esfera federal, permissão para a iniciativa 
popular na propositura de emenda à Constituição (PEC).
De lembrança, a Lei Complementar n. 135/2010, chamada Lei da Ficha Limpa, é fruto da 
iniciativa popular.
No âmbito estadual, o art. 27, § 4º, da Constituição aponta que “a lei disporá sobre a inicia-
tiva popular no processo legislativo estadual”.
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Acresça-se que a Constituição Estadual pode prever a propositura de emenda à Constitui-
ção por iniciativa popular (STF, ADI 825).
Também no Distrito Federal, que é regido por Lei Orgânica (artigo 76 da LODF), há a previ-
são de participação popular na iniciativa de proposta de emendas à Lei Orgânica (PELO), além 
de projetos de lei (ordinária e complementar).
Por fim, na esfera municipal, vale a exigência prevista no art. 29, XIII, da Constituição, se-
gundo o qual a iniciativa popular de projetos de lei de interesse específico do Município, da 
cidade ou de bairro, por meio de manifestação de, pelo menos 5% do eleitorado.
A explicação para o percentual maior seria o fato de a maioria dos Municípios brasileiros 
não ser tão grande. Assim, 1% de pouca coisa daria quase nada.
Destaco que igualmente na esfera municipal poderia haver a iniciativa popular para a elabo-
ração de leis ordinárias, leis complementares e emendas à Lei Orgânica (PELO).
Vamos sistematizar as informações?
ESFERA PREVISÃO ESPÉCIES NORMATIVAS REQUISITOS EXIGIDOS
FederalFederal Artigo 61, § 2º LC e LO
1% do eleitorado, dividido em pelo 
menos 5 estados, com no mínimo 0,3% 
de votos em cada um
EstadualEstadual 27, § 4º PEC, LC e LO A ser definido na legislação local
DistritalDistrital
Artigos 32, § 1º, c/c 
o Artigo 27, § 4º
PELO,LC e LO A ser definido na legislação local
MunicipalMunicipal Artigo 29, XIII PELO, LC e LO 5% do eleitorado
Iniciativa Conjunta
Diferentemente do que acontece com a iniciativa concorrente, na iniciativa conjunta se 
exige uma comunhão de vontades, ou seja, que o projeto de lei seja subscrito pela somatória 
de diferentes autoridades.
A Emenda n. 19/1998, responsável pela “Reforma Administrativa”, acrescentou o inciso XV 
ao art. 48 da CF/1988, estabelecendo que a fixação do subsídio dos ministros do STF seria 
fixada a partir de lei de iniciativa conjunta dos presidentes da República, da Câmara do Depu-
tados, do Senado Federal e do Supremo Tribunal Federal.
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A justificativa para o uso da iniciativa conjunta decorria do fato de o subsídio de ministro 
do STF funcionar como teto geral do funcionalismo de todos os Poderes e em todas as esfe-
ras de governo.
No entanto, essa regra não chegou a ser aplicada na prática. Isso porque, antes mesmo da 
edição de algum projeto de lei subscrito por essas autoridades, a EC n. 41/2003 acabou com 
a iniciativa conjunta.
Agora, a fixação do subsídio de Ministros do STF – e, em consequência, do teto do funcio-
nalismo – depende da apresentação de projeto de lei de iniciativa privativa do próprio STF. 
Voltamos para a regrinha do “ema, ema, ema, cada um com seu problema”.
8.2. Fase Constitutiva
A fase constitutiva abrange as deliberações no Congresso Nacional e também a manifes-
tação do chefe do Executivo.
Em relação às leis ordinárias, fala-se em um rito ordinário, que perpassa pela fase de ini-
ciativa, discussão em ambas as Casas Legislativas, sanção ou veto presidencial e depois pro-
mulgação e publicação.
Contudo, há ritos especiais para as outras espécies normativas. Por exemplo, as resolu-
ções e os decretos legislativos não contam com a participação do Chefe do Executivo em 
nenhum momento – ele não sanciona, não veta, não promulga e não publica.
Já em relação às emendas à Constituição, o presidente até pode propô-las, sem participa-
ção dali em diante.
Vamos lá matar mais esse leão!
Deliberação Parlamentar
Em razão da existência do bicameralismo federativo, os projetos de lei, na esfera federal, 
devem ser apreciados pelas duas Casas: iniciadora e revisora.
Na maioria das vezes, a Casa iniciadora é a Câmara do Deputados. Isso acontecerá em 
projetos de iniciativa do presidente da República, dos órgãos integrantes do Poder Judiciário, 
do PGR, na iniciativa popular, dos Tribunais de Contas, de deputados ou de Comissões da Câ-
mara do Deputados.
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Perante o Senado Federal são propostos os projetos de lei de iniciativa dos senadores ou 
de Comissões do Senado.
Após a sua iniciação, o projeto pode passar por algumas comissões, destacando-se a Co-
missão de Constituição e Justiça – CCJ. Nela, será analisado se a proposta é constitucional. 
Trata-se de controle político de constitucionalidade, na forma preventiva.
Daí segue, se for o caso, para aprovação em Plenário. Eu disse se for o caso, pois pode 
acontecer de o projeto tramitar em caráter conclusivo nas Comissões. Se isso acontecer, ele 
não passará pelo Plenário, seguindo direto para a outra Casa Legislativa.
Sendo aprovado pela Casa Iniciadora, o projeto seguirá para a Revisora, na qual poderá:
a) ser aprovado: se for aprovado pela Casa Revisora, será enviado para sanção ou veto do Chefe do 
Executivo – isso para as situações em que se exige sua participação, como é o caso de leis ordiná-
rias e complementares;
b) ser rejeitado: se a Casa Revisora não aprovar o projeto, ele será arquivado. Aqui surgirá uma 
distinção entre a irrepetibilidade relativa (LC e LO) e a absoluta (EC e MP).
Como assim?
Na irrepetibilidade relativa, que incide na LO e na LC, o projeto poderá ser reapresentado 
dentro da mesma sessão legislativa pela proposta de maioria absoluta dos membros de qual-
quer das Casas.
Por sua vez, na irrepetibilidade absoluta, que vale para a EC e para a MP, a proposta rejei-
tada em uma sessão legislativa não pode ser reapresentada na mesma sessão.
Aqui, chamo sua atenção para um ponto muito cobrado nas provas: a irrepetibilidade vale 
para a mesma sessão legislativa, e não para a mesma legislatura (período de quatro anos).
Outra coisa: embora o assunto seja para lá de controverso, a doutrina e a jurisprudência 
apontam para a possibilidade de se relativizar a irrepetibilidade absoluta.
Isso aconteceria nas emendas à Constituição, quando, apresentada a PEC, ela fosse objeto 
de alterações, passando a tramitar como substitutivo.
Para facilitar sua comprovação, vou usar a nomenclatura “PEC mãe” para o texto original e 
“PEC filha” para o substitutivo, ok?
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Nesse contexto, sendo votada a “PEC filha” e havendo a sua rejeição, nada impediria a 
reapresentação, na mesma sessão legislativa, da “PEC mãe”.
O STF entende que o que não pode ser votado na mesma sessão legislativa é a emenda 
rejeitada ou havida por prejudicada, e não o substitutivo que é uma subespécie do projeto 
originalmente proposto (STF, MS n. 22.503).
De todo modo, nunca se esqueça de uma coisa: você deve prestar atenção ao comando da 
questão! Se não houver o direcionamento para a situação excepcional que acabei de explicar, 
a resposta esperada é a regra. Ou seja, no sentido de não poder ser reapresentada na mesma 
sessão, a PEC rejeitada naquela sessão legislativa.
Tem mais uma exceção, que se aplica tanto para as leis quanto para MP e EC: a rejeição 
de uma matéria em uma sessão legislativa ordinária (2/2 a 17/7 e 1/8 a 22/12) não impede 
a reapresentação na sessão legislativa extraordinária, que funciona durante o recesso parla-
mentar (STF, ADI n. 2.010).
c) ser emendado (alterado): nesse caso, a parte que foi alterada deverá ser apreciada novamente 
pela Casa que deu início.
Uma primeira observação diz respeito à diferenciação entre emendas substanciais de 
emendas redacionais.
Isso porque somente as emendas que alterem substancialmente o projeto vindo da Casa 
Iniciadora precisam voltar. Se a alteração for apenas meramente redacional, essa necessida-
de não existirá.
Seguindo em frente, ao menos em relação às leis (ordinárias e complementares) e aos pro-
jetos de conversão de MP em lei ordinária, posso afirmar que a Casa Iniciadora terá um papel 
de proeminência sobre a Revisora.
Como isso se daria?
Veja que a proposta que saiu da Casa Iniciadora, se não for aprovada nos mesmos moldes 
na Casa Revisora, voltará para ser votada apenas a modificação. A Iniciadora dará a palavra 
final, seja aprovando a modificação, seja rejeitando-a – hipótese em que prevalecerá o primeiro 
projeto, aquele que tinha sido encaminhado.
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Exemplo
Um projeto de lei A possui dez artigos. Ele é aprovado pela Câmara (casa iniciadora) e encami-
nhado do Senado (casa revisora). Chegando a esta última, dois artigos são modificados. Esta 
parte do projeto de lei retornará à Câmara, que poderá aprovar as modificações ou rejeitá-las 
– hipótese na qual seguirá para sanção o projeto contendo os dez artigos originalmente apro-
vado pela Câmara.
Veja a ilustração:
Ah, fique atento(a) para um importante detalhe: nas emendas à Constituição, não vigora 
essa relação de proeminência de uma Casa sobre a outra. Nelas, funcionará uma espécie de 
pingue-pongue. Em outras palavras, somente quando coincidirem as propostas das duas Ca-
sas é que o texto da EC seguirá para promulgação.
Avançando, o art. 64, § 1º, da Constituição, prevê o chamado regime de urgência consti-
tucional ou processo legislativo abreviado. Ele consiste em um pedido formulado pelo presi-
dente da República (apenas ele!) para que projeto de sua iniciativa seja votado com brevidade.
Aplicando-se esse mecanismo, cada uma das Casas terá 45 dias para apreciar o projeto. 
Se houver emenda na Casa revisora, a iniciadora deverá analisar a emenda no prazo de 10 dias. 
Fazendo-se a somatória desses prazos, chega-se ao montante de 100 dias. Lembro a você que 
esses prazos não correm durante recesso do Congresso Nacional.
Não havendo a manifestação do Congresso dentro do período mencionado, haverá o 
sobrestamento das demais deliberações (exceto as medidas provisórias). É o chamado 
trancamento de pauta.
Além do regime de urgência previsto na Constituição (daí o nome de urgência constitucio-
nal), o regimento interno das Casas prevê a possibilidade de se requerer urgência na votação 
de determinadas matérias. É a chamada urgência regimental ou urgência urgentíssima (art. 
336, RISF e art. 152 do RICD).
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A esse respeito, o Partido Verde foi ao STF questionar o regi-me de urgência regimental, 
alegando que o RICD traria hipóteses taxativas de aplicação do rito, mas ele estaria sendo 
aplicado a qualquer projeto, encurtando o debate e dispensando a apresentação de pareceres 
pelas comissões. Em resumo, apontava-se violação ao devido processo legislativo.
Porém, ao julgar a ação, o STF negou o pedido, defendendo tratar-se de matéria interna 
corporis, ficando a cargo do próprio Legislativo. Na ocasião, reforçou-se a ideia segundo a qual 
não cabe ao Judiciário exercer o controle jurisdicional em relação à interpretação do sentido e 
do alcance de normas regimentais (STF, ADI n. 6.968).
Deliberação Executiva
Essa fase só acontece nas leis ordinárias e complementares, além das medidas provisó-
rias aprovadas com modificações pelo Congresso Nacional.
Desse modo, não haverá sanção ou veto nas emendas à Constituição, nas resoluções e 
nos decretos legislativos, nas leis delegadas, ou ainda nas medidas provisórias aprovadas 
sem modificação pelo Congresso Nacional.
A deliberação executiva consiste na demonstração da concordância – ou não – do presi-
dente da República.
Caso ele esteja de acordo com o texto do projeto, deverá sancioná-lo; entendendo haver 
vícios, pode o chefe do Executivo vetar a proposta que lhe foi encaminhada.
A sanção pode ainda ser expressa ou tácita. Esta última acontece quando o Presidente não 
se manifesta dentro do prazo de 15 dias úteis, dado pela Constituição.
Apesar disso, o veto presidencial pode alcançar toda a proposta legislativa ou, ainda, res-
tringir-se a apenas determinado artigo, parágrafo, inciso ou alínea.
Fique de olho, pois o Presidente não pode vetar apenas uma palavra, um trecho ou expres-
são dentro de uma frase. Essa proibição é para evitar desvirtuamento do projeto aprovado pelo 
Legislativo.
Nesse sentido, basta pensar na seguinte frase: “Não poderá ser realizada a alienação de 
determinado bem”. Excluída a palavra “não” do texto, certamente outro sentido terá a lei.
Ah, é importante falar que o Judiciário, ao contrário do Executivo, pode retirar uma palavra 
ou expressão de dentro da frase.
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Mais do que isso, ao fazer o controle de constitucionalidade, pode o Judiciário retirar ape-
nas uma interpretação entre as possíveis, quando estivermos diante de palavras plurissignifi-
cativas. Isso será possível dentro das técnicas de declaração de inconstitucionalidade parcial 
sem redução de texto ou ainda na interpretação conforme a Constituição.
Optando o chefe do Executivo pelo veto, deverá ele comunicar as razões de sua decisão ao 
Presidente do Senado dentro do prazo de 48 horas.
Caso o presidente da República não se manifeste no prazo de 15 dias úteis, ocorrerá a sanção 
tácita do projeto de lei.
A motivação do veto poderá ser política ou jurídica, conforme a seguinte ilustração:
Motivação do veto
Veto PolíticoVeto Político Veto JurídicoVeto Jurídico
O presidente da República entende que o projeto de lei, 
apesar de constitucional, é contrário ao interesse público.
Ex.: determinado aumento aos aposentados, se conce-
dido, pode causar desequilíbrio nas contas públicas.
O presidente da República entende que o projeto de 
lei é inconstitucional.
Ex.: está presente vício de iniciativa, o que torna o 
projeto inconstitucional, sob o ponto de vista formal.
Quando o presidente faz o veto jurídico, está atuando em controle político de constitu-
cionalidade, feito na forma preventiva, tendo em vista que a norma ainda não entrou em vigor.
Vou abrir um parêntese.
É até comum você “trocar as bolas”. Eu disse que existem os vetos políticos e os jurídicos, 
dizendo em seguida que o veto jurídico era controle político de constitucionalidade.
Deixe-me esclarecer: existem dois modelos de controle de constitucionalidade: o político e 
o jurisdicional. O jurisdicional é feito pelo Poder Judiciário, enquanto o político cabe ao Poder 
Legislativo e ao Executivo.
Fechando o parêntese, você viu que a inércia do presidente da República dentro do prazo 
constitucional – 15 dias úteis – corresponde à sanção tácita.
Acontece que, se ele vetar, mas não motivar o veto, também haverá sanção. Isso acontece 
porque o veto será submetido ao Congresso Nacional, que levará em conta exatamente os 
fundamentos utilizados no veto.
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Há controle de constitucionalidade político preventivo quando o presidente da Repúblicaveta 
o projeto de lei por entender que ele viola a Constituição (veto jurídico).
Seguindo na sistemática, após o veto, caberá ao Congresso Nacional apreciá-lo, em sessão 
conjunta (não unicameral), dentro do prazo de 30 dias, contado a partir do recebimento. Não 
havendo deliberação dentro do prazo, serão sobrestadas as demais proposições. Ou seja, será 
trancada a pauta do Congresso Nacional.
A EC n. 76/2013 acabou com o voto secreto na apreciação dos vetos presidenciais e na 
cassação de mandato parlamentar. Atualmente, o voto secreto se aplica apenas à sabatina de 
autoridades, feita pelo Senado Federal.
Optando o Congresso Nacional pela rejeição (derrubada) de veto, tal decisão produzirá 
os efeitos de sanção presidencial, seguindo-se para a promulgação, a cargo do presidente 
da República.
Ah, o STF decidiu que os vetos presidenciais não precisam ser apreciados em ordem cro-
nológica de apreciação (STF, MS n. 31.816).
Antes de terminar, uma nota importante dentro do controle de constitucionalidade: não 
cabe ADPF (arguição por descumprimento de preceito fundamental) contra vetos presiden-
ciais (STF, ADPF n. 1).
Agora imagine a seguinte situação: o presidente da República resolve vetar parte do projeto 
de lei aprovado pelo Congresso Nacional (sancionando o restante). Dias depois, ele republica 
a lei, acrescentando vetos a alguns artigos. 
Pode isso, Arnaldo?
Nananinanão! Depois de sua primeira manifestação, acontece a preclusão, não se admi-
tindo novo veto em lei já promulgada e publicada. Assim, é incabível eventual retratação (STF, 
ADPF n. 714).
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Hora de sistematizar:
SANÇÃOSANÇÃO VETOVETO
Expressa Tácita Político Jurídico
PR manifesta concordân-
cia dentro do prazo
Quando escoa o prazo de 
15 dias úteis sem mani-
festação do PR
PR entende que projeto 
é contrário ao interesse 
público
PR entende que o projeto 
é inconstitucional
Observações:
1) O veto jurídico é controle político preventivo de constitucionalidade.
2) Presidente não pode vetar apenas uma palavra ou expressão dentro da frase. Pode vetar a lei, o título, o 
capítulo, o artigo, inciso ou a alínea, desde que na íntegra. 
3) Veto precisa ser motivado. Veto sem motivação equivale a sanção.
4) Havendo o veto, o CN vai deliberar, em votação aberta, se mantém ou rejeita. A ordem de apreciação dos 
vetos não precisa ser cronológica.
5) Não cabe ADPF contra vetos presidenciais.
8.3. Fase ComPLementar
Nesta fase são analisadas a promulgação e a publicação.
Vamos lá!
Promulgação
Aqui está uma das perguntas mais recorrentes dentro do processo legislativo: o que se 
promulga? A lei ou o projeto de lei?
É claro que o examinador não deixaria passar batido esse ponto.
O que se promulga é a lei! A promulgação é citada na doutrina como “atestado de existência 
válida da lei”. Eu confesso a você que prefiro dizer que ela é a certidão de nascimento da lei.
Falo isso porque ela tem natureza declaratória, assim como acontece quando nossos fi-
lhos nascem e vamos ao Cartório para registrá-lo. O nascimento aconteceu em momento ante-
rior, servindo a certidão de nascimento como caráter declaratório, e não constitutivo.
Mas e quando nasce a lei? Ela nascerá com a sanção presidencial ou com derrubada de 
veto por parte dos parlamentares.
A promulgação das leis (ordinária, complementar) será feita, em regra, pelo presidente 
da República.
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No entanto, na hipótese de sanção tácita ou ainda na derrubada de veto, caberá ao presi-
dente do Senado fazer a promulgação se o chefe do Executivo permanecer inerte pelo prazo 
de 48 horas.
Ficando inerte também o presidente do Senado pelo prazo de 48 horas, a promulgação 
passa a ser incumbência do vice-presidente do Senado.
Já a promulgação das emendas à Constituição cabe às Mesas da Câmara e do Senado, 
em conjunto, com o respectivo número de ordem. Fique atento(a), pois não é correto falar em 
Mesa do Congresso Nacional. Tem mais: na Constituição, não há prazo para a promulgação 
de emendas.
Quanto às resoluções e aos decretos legislativos, a promulgação cabe aos presidentes 
das respectivas Casas (Câmara, Senado ou Congresso).
Resumindo:
ATO NORMATIVOATO NORMATIVO QUEM PROMULGA?QUEM PROMULGA?
Lei ordinária e complementar Presidente da República; se ele nada fizer em 48h, 
passa para o Presidente do Senado; se ele nada fizer 
em 48h, vai para o Vice-presidente do SF.
Emenda à Constituição Mesas da CD + SF em conjunto, com o respectivo 
número de ordem. Não há prazo para promulgação.
Resolução legislativa Depende. Se a resolução é unicameral, promulgação 
será feita pelo presidente da respectiva Casa; resolu-
ção do CN será promulgada pelo Presidente do SF.
Decreto legislativo Presidente do Senado
Publicação
A publicação é o ato por meio do qual a lei é levada ao conhecimento de todos. É nesse 
momento que o cumprimento da lei pode começar a ser exigido.
A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro – LINDB, antiga LICC – prevê em seu 
artigo 1º que, salvo disposição em contrário, a lei começa a vigorar, no Brasil, 45 dias após a 
publicação e, no exterior, três meses após a publicação.
Se houver disposição em contrário, ela prevalecerá sobre a regra. Nas leis de menor 
impacto, é comum o último artigo trazer a expressão “esta lei entra em vigor na data de 
sua promulgação”.
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Em sentido oposto, as leis de grande impacto social podem prever uma vacatio legis 
maior. É o caso do Código Civil e do Código de Processo Civil, que entraram em vigor apenas 
um ano após a publicação.
Vou explicar o que significa vacatio legis. A tradução literal seria “período vago da lei”. 
Entretanto, prefiro traduzir para “período para você se adaptar à nova lei”.
Você já deve estar acostumado(a) com meu costume de fazer uma interdisciplinaridade. 
Digo isso, porque vou tocar num ponto tormentoso, que mescla o Constitucional e o Penal.
É o seguinte: durante a vacatio legis, uma lei penal mais benéfica ao acusado pode 
ser aplicada?
A resposta é negativa!
Isso acontece porque a lei existe, é válida, mas ainda não tem eficácia.
Vou usar um exemplo para você não esquecer: o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, 
Lei n. 8.069, de 13/7/1990 –, quando foi publicado, previa uma alteração no Código Penal, tra-
zendo a regra de que a pena do crime de estupro seria de quatro a dez anos, se a vítima fosse 
menor de 14 anos. No caso do ECA, houve vacatio legis de 90 dias.
Para dizer o mínimo, era um verdadeiro absurdo, pois o estupro praticado contra a mulher 
na idade adulta tinha pena mais branda (6 a 10 anos) do que se a vítima fosse uma criança. 
Obviamente, ambos os delitos são repugnantes, mas a reprovação tenderia a ser menor contrauma criança, que sequer tem o corpo preparado para a prática sexual.
Buscando corrigir a situação, a Lei n. 8.072, de 25/7/1990, Lei dos Crimes Hediondos, não 
só revogou a redação dada ao artigo 213 do Código Penal pelo ECA, como ainda previa, em seu 
artigo 9º, a aplicação de uma causa de aumento de ½ quando o crime sexual fosse praticado 
contra vítima com menos de 14 anos.
Ou seja, 12 dias após a publicação do ECA, quando a lei ainda estava em vacatio legis – 
era de 90 dias, lembra? –, veio a Lei dos Crimes Hediondos, entrando em vigor na data de sua 
publicação, com o aumento das penas do estupro contra pessoas com menos de 14 anos.
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Na prática, a pena mínima aumentou de quatro para nove anos (seis anos + ½). Isso durou 
até a edição da Lei n. 12.015/2009, que trouxe o crime de estupro de vulnerável, no artigo 217-
A do Código Penal, sendo previstas penas entre oito e 15 anos de reclusão para o estupro de 
pessoas com menos de 14 anos de idade.
Mas, depois de toda essa explicação, volto ao ponto-chave: várias pessoas que haviam sido 
condenadas por estupro contra vítimas menores de catorze anos antes de 13/7/1990 – data de 
publicação do ECA – ingressaram na Justiça buscando a redução das penas, em virtude da apli-
cação da norma constitucional que prevê a retroatividade da lei penal mais benéfica.
A fundamentação era a seguinte: antes do ECA, a pena variava entre seis e dez anos de 
reclusão, havendo na nova norma a redução para quatro a dez anos. Inegavelmente, a lei nova 
era mais favorável.
Contudo, decidiu o STJ que não poderia haver a aplicação retroativa, uma vez que esse 
ponto do ECA ainda estava no período da vacatio legis quando foi revogado. Ou seja, ele nunca 
entrou em vigor (STJ, HC n. 29.809).
Será que podemos falar em vacatio constitucionis?
A resposta é sim, desde que conste previsão expressa na Constituição.
A título ilustrativo, a Constituição de 1967 e a EC n. 1/1969 – por muitos considerada uma 
nova Constituição – estabeleceram um momento posterior para a entrada em vigor de ambas.
O mestre José Afonso da Silva, inclusive, destaca que a norma infraconstitucional editada 
no período de vacatio constitucionis deve ter sua constitucionalidade aferida de acordo com a 
Constituição que vigorava à época (a quase-morta).1 
Tem mais: se a lei editada no período de vacatio constitucionis for incompatível com a 
nova Constituição, ela será revogada por ausência de recepção. 
9. esPéCies normativas
Agora é a hora de vermos cada um dos atos normativos primários do artigo 59 separadamente.
De antemão, já adianto que você deve ter mais atenção com as emendas à Constituição e 
com as medidas provisórias, pois elas são as queridinhas das bancas examinadoras.
1 SILVA, José Afonso da. Aplicabilidade das normas constitucionais. 3ª ed. São Paulo: Malheiros, 1998, pág. 54.
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9.1. emendas à Constituição
As ECs são alterações feitas pelo Poder Constituinte Derivado Reformador ao trabalho 
feito pelo Poder Constituinte Originário. Elas podem fazer acréscimos, supressões ou modifi-
cações do texto constitucional.
Como todas as espécies do Poder Constituinte Derivado (Decorrente, Revisor e Reforma-
dor), elas apresentam algumas limitações, fixadas pelo Poder Constituinte Originário.
As limitações, por sua vez, se desdobram em explícitas (limitações procedimentais, mate-
riais e circunstanciais), previstas no art. 60 da Constituição, e implícitas, extraídas da orienta-
ção doutrinária e jurisprudencial.
Daqui a pouco falarei de cada uma delas. Antes, porém, vou falar sobre quem pode 
propor as ECs.
Legitimados
Em relação à Constituição Federal, iniciativa para a formulação de proposta de emenda à 
Constituição – PEC – cabe, concorrentemente, aos seguintes legitimados:
a) presidente da República;
b) Um terço da Câmara do Deputados;
c) Um terço do Senado Federal;
d) Mais da metade das Assembleias Legislativas, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria 
relativa de seus membros.
Obs.: � Três observações: a primeira, no sentido de que, no plano federal, não há iniciativa 
privativa para a propositura de PEC. Ou seja, qualquer um dos legitimados pode tratar 
dos mais variados temas.
 � Tal regra, entretanto, se aplica apenas à Constituição Federal. Isso porque nas Cons-
tituições Estaduais, pode haver vício de iniciativa em PEC quando aquela matéria, no 
plano federal, só puder ser tratada por lei de iniciativa do Executivo.
 � Nesses casos, buscando burlar a necessidade de o governador deflagrar o processo 
legislativo, os parlamentares estaduais buscam a EC para escapar da inconstitucio-
nalidade, o que não funciona.
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 � A segunda, no sentido de que, no âmbito federal, não há previsão para a iniciativa 
popular para a apresentação de PEC.
 � Por fim, a terceira para lembrar a maioria relativa, indicada em relação às Mesas das Assem-
bleias Legislativas, é sinônimo de maioria simples. Em qualquer um dos casos, o quórum 
exigido será do 1º número inteiro superior à metade dos presentes naquela votação.
Limitações ao Poder de Emenda à Constituição
É certo que o Poder Constituinte Originário é ilimitado juridicamente. Já o Constituinte 
Derivado, como eu disse algumas linhas atrás, sofre limitações impostas pelo Originário.
É por isso que alguns autores preferem usar o nome Poder Constituinte apenas para o Ori-
ginário, e Poder Constituído para o Derivado. Faz sentido...
Vamos lá para as limitações, tanto explícitas quanto implícitas.
Limitações Circunstanciais
Em determinadas circunstâncias, relacionadas à instabilidade política, não poderá haver 
emenda à Constituição. São elas:
a) intervenção federal;
b) estado de defesa;
c) estado de sítio.
Limitações Procedimentais
Elas podem ser chamadas de limitações formais ou procedimentais. O certo é que, para se 
aprovar uma EC, exige-se um processo muito mais rigoroso do que aquele necessário para a 
aprovação dos demais atos normativos.
Com efeito, a proposta precisa passar nas duas Casas do Congresso, sendo que em am-
bas ocorrerão dois turnos de votação, exigindo-se, em cada um deles, a aprovação de 3/5 dos 
membros – se o examinador colocar o percentual de 60% também está certo.
Fique atento(a), pois o quórum de 3/5 deve ser respeitado pelas Constituições Estaduais. 
Por conta disso, declarou-se a inconstitucionalidade de normas estaduais que previam o quó-
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rum de 2/3 ou 4/5 para a modificação da Constituição daqueles estados. Tal exigência acaba-
ria engessando a CE (STF, ADI n. 486 e 6.453).
Outra coisa: o STF entende que a Constituição não fixou um intervalo temporal mínimo 
entre os dois turnos de votação para fins de aprovação de emendas à Constituição (CF, art. 60, 
§ 2º). Assim, ficaria a cargo do Legislativo a definição do momento em que a matéria estaria 
“madura” para nova votação (STF, ADI n. 4.425).
Se houver o descumprimento desse procedimento rigoroso, a EC sofrerá de vício formal de 
inconstitucionalidade.
Foi o que aconteceu com uma parte da EC n. 19/1998, que introduziu a Reforma Administrativa.
Um dos pontos dessa EC, que alterava o artigo 39 da Constituição, permitindo à Admi-
nistração Direta a contratação de servidores por outros regimes jurídicos que não o da Lei n. 
8.112/1990, foi aprovado em dois turnos na Câmara do Deputados e enviado ao Senado.
Na Casa Revisora, houve emenda substancial, o que obrigava o retorno da proposta para 
a Câmara, com o intuito de se chegar a um consenso. Acontece que, nesse retorno, uma das 
votações na Câmara foi feita por meio de destaques julgados em quórum de maioria absoluta 
– inferior ao de maioria qualificada.
Não deu outra! A EC n. 19/1998, quanto ao artigo 39 da Constituição, teve sua eficácia 
suspensa pelo STF (STF, ADI-MC n. 2.135).
Outra coisa: a proposta de emenda rejeitada em uma sessão legislativa não poderá ser 
reapresentada na mesma sessão, dentro da chamada irrepetibilidade absoluta.
Você vai se lembrar de que, ao comentar a deliberação parlamentar, diferenciei a irre-
petibilidade relativa, incidente sobre a LO e a LC, da irrepetibilidade absoluta, aplicável às 
ECs e às MPs.
Naquela ocasião, chamei sua atenção para um ponto muito cobrado nas provas: que a 
irrepetibilidade vale para a mesma sessão legislativa, e não para a mesma legislatura (período 
de quatro anos).
Outra coisa: embora o assunto seja para lá de controverso, a doutrina e a jurisprudência 
apontam para a possibilidade de se relativizar a irrepetibilidade absoluta.
Isso aconteceria dentro das emendas à Constituição, quando, apresentada a PEC, ela for 
objeto de alterações, passando a tramitar como substitutivo.
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Nesse contexto, sendo votada a “PEC filha” (substitutivo), e havendo a sua rejeição, nada 
impediria a reapresentação, na mesma sessão legislativa, da “PEC mãe” (original).
O STF entende que o que não pode ser votado na mesma sessão legislativa é a emenda 
rejeitada ou havida por prejudicada, e não o substitutivo que é uma subespécie do projeto ori-
ginalmente proposto (STF, MS n. 22.503).
De todo modo, nunca se esqueça de uma coisa: você deve prestar atenção ao comando da 
questão! Se não houver o direcionamento para a situação excepcional que acabei de explicar, 
a resposta esperada é a regra. Ou seja, no sentido de não poder ser reapresentada na mesma 
sessão a PEC rejeitada naquela sessão legislativa.
Limitações Materiais
Todo(a) concurseiro(a) já ouviu falar nas cláusulas pétreas! Pois bem, chegou a hora de tra-
tamos delas, que estão previstas no artigo 60, § 4º, da Constituição – ao menos as explícitas.
Uma primeira (e importante) observação é no sentido de que as cláusulas pétreas podem 
sofrer modificação. Quer um exemplo?
O artigo 5º foi alterado pela EC n. 45/2004, que inseriu três novos direitos ao seu já extenso 
rol: 1) princípio da razoável duração do processo; 2) adesão ao Tribunal Penal Internacional – 
TPI; e 3) equiparação dos tratados internacionais sobre direitos humanos aprovados em dois 
turnos, três quintos de votos em cada Casa do Congresso Nacional às ECs.
Seguindo, o que a Constituição não permite é que as cláusulas pétreas sejam abolidas, 
retiradas. Mais do que isso: se proíbe que as matérias sejam objeto de deliberação.
Sabe o que isso significa?
É que nós podemos “cortar o mal pela raiz”, barrando a própria tramitação da EC que ve-
nha a violar uma cláusula pétrea. Para isso, abre-se a excepcional possibilidade de controle 
preventivo jurisdicional de constitucionalidade, viabilizado apenas, e tão somente, aos par-
lamentares, por meio de mandado de segurança a ser impetrado no STF (STF, MS n. 32.033).
Professor, mas o MS não é o remédio utilizado para proteger direito líquido e certo não 
amparado por HC ou HD?
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Isso mesmo. Nesse caso, os parlamentares possuiriam o direito líquido e certo ao devido 
processo legislativo.
Está bem, mas eu falei demais e ainda não mostrei a você quais são as tais cláusulas pé-
treas, né?! Então, vamos lá: não será objeto de deliberação a proposta tendente a abolir:
a) A forma federativa de Estado.
Não se permite o direito de secessão (separação), pois a característica central de uma 
Federação é a união indissolúvel de seus membros.
Aliás, ideias separatistas autorizam o uso da intervenção federal, por violar um dos princí-
pios sensíveis de nossa Constituição – artigo 34, VII.
Ainda dentro do tema, alguns Estados questionaram a lei federal que fixou o piso nacional 
para profissionais da educação. Em outras palavras, uma lei editada pela União estabeleceu o 
valor mínimo que os Estados, o DF e os Municípios deveriam pagar aos seus professores.
Ao julgar o caso, o STF entendeu que não haveria ofensa à forma federativa de Estado 
(STF, ADI n. 4.167).
Ainda sobre a forma federativa de Estado, preste atenção num julgado que tem grande im-
pacto para as provas, até por envolver legislação de interesse de toda a população brasileira, 
que sofre com o saneamento básico deficiente.
É que o STF validou a lei federal que criou o Marco Legal do Saneamento Básico (Lei n. 
1.026/2020). A norma visa aumentar a eficácia da prestação dos serviços de água potável e 
esgoto tratado, buscando sua universalização, reduzindo as desigualdades sociais e regio-
nais. Porém, havia questionamentos relativos à violação ao pacto federativo e de violação à 
autonomia municipal. 
Ambos foram afastados pelo STF, ao entendimento de que não havia ofensa ao modelo 
federativo na atribuição de competência à Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico 
(ANA) para criar normas sobre regulamentação tarifária e padronização dos instrumentos ne-
gociais, além do que a previsão legal para que os estados instituam normas para a integração 
compulsória de regiões metropolitanas, visando ao planejamento e à execução de serviços de 
saneamento básico, não violaria a autonomia municipal. Prevaleceu a compreensão segundo 
a qual o interesse comum justifica a formação de microrregiões e regiões metropolitanas para 
a transferência de competências para estado (STF, ADI n. 6.492).
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b) O voto direto, secreto, universal e periódico.
A primeira coisa a pontuar é que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea. Para que 
o voto passe a ser facultativo, bastaria a promulgação de EC nesse sentido.
Seguindo, foi com base no voto secreto que se declarou a inconstitucionalidade de lei fe-
deral que previa a utilização de impressoras junto às urnas eletrônicas.
A ideia da lei era permitir um maior controle sobre a segurança das urnas, diante dos ques-
tionamentos acerca de possíveis fraudes. Previa-se que, por amostragem, o resultado de al-
gumas urnas eletrônicas seria confrontado com os votos impressos, depositados num coletor 
junto à própria impressora.
Contudo, prevaleceu a ideia segundo a qual o voto impresso acabava permitindo a possibi-
lidade de acesso humano aos votos já depositados nas urnas, sob o pretexto, por exemplo, de 
corrigir algum defeito na impressora (STF, ADI n. 4.543).
Daí, depois o Congresso editou outra lei no mesmo sentido, mas ela foi novamente decla-
rada inconstitucional (STF, ADI n. 5.889). Lembre-se que isso é possível, porque o Legislativo 
não fica vinculado pela decisão do Judiciário, mesmo em ação de controle concentrado. Do 
mesmo modo, o Judiciário pode novamente apreciar a constitucionalidade da lei que venha 
após sua decisão. Ou seja, os freios e contrapesos vão atuando continuamente.
Ah, fique atento(a), pois o voto secreto é assegurado nas eleições diretas. Nas eleições 
indiretas, poderia o voto ser aberto. Foi o que aconteceu, por exemplo, no Estado de Tocantins, 
que teve de realizar eleições indiretas, sendo a escolha do novo governador e do Vice a cargo 
da Assembleia Legislativa (STF, ADI n. 4.298).
c) A separação dos Poderes.
Esta é a cláusula pétrea campeã nas provas de concursos! Em vários julgados, o STF afir-
ma a violação ao princípio da separação de Poderes. Vou te passar as questões mais cobradas 
pelos examinadores, ok?
Antes, porém, um alerta: na maioria das vezes, o defeito está no fato de se exigir a partici-
pação do Legislativo em um assunto que seria próprio aos outros Poderes. Veja:
1) viola a separação de Poderes lei estadual que condiciona todas as desapropriações 
feitas a prévia aprovação do Legislativo. O defeito aqui seria o fato de essa tarefa – de-
sapropriar – caber ao Executivo (STF, ADI n. 106).
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2) Viola a separação de Poderes lei estadual que exija a sabatina de nomes de lista tríplice 
ao cargo de Procurador-Geral de Justiça (PGJ). A razão da inconstitucionalidade nesse 
caso consiste na ausência de previsão da sabatina na Constituição Federal. E, na esco-
lha do PGJ, o Chefe do Executivo já fica restringido por conta da lista tríplice, elaborada 
pelo próprio MP (STF, ADI n. 3.888).
3) No mesmo sentido do item anterior, também seria inconstitucional norma estadual 
que previsse a aprovação, pela Assembleia Legislativa, dos integrantes da lista tríplice 
do quinto constitucional para preenchimento de vaga de desembargador do TJ (STF, 
ADI n. 4.150);
4) viola a separação de Poderes lei estadual que preveja sabatina do Legislativo para 
os integrantes de Diretorias das entidades da Administração Indireta (empresas pú-
blicas e sociedades de economia mista). A exceção ficaria por conta das autarquias 
e das fundações públicas, pois, em relação a elas, a Constituição Federal prevê a 
aprovação do Senado. Assim, em simetria, a Constituição Estadual também poderia 
prever (STF, ADI n. 2.225).
5) viola a separação de Poderes e a autonomia administrativa do Judiciário lei estadual 
que preveja caber ao Poder Executivo fazer controle de qualidade de serviços públicos 
prestados por órgãos do Poder Judiciário (STF, ADI n. 1.903).
6) viola a separação de Poderes decisão judicial que anule aumento de tarifa telefônica 
acima da inflação, desrespeitando cláusula de contrato de concessão de serviço públi-
co firmado por agência reguladora. A lógica é que havia lei autorizando o reajuste em 
percentual superior ao índice inflacionário, não cabendo intervenção judicial (STF, RE n. 
1.059.819).
7) viola a separação de Poderes a convocação de Magistrado, por CPIs, para prestar es-
clarecimentos sobre ato jurisdicional praticado. Como você sabe, contra decisão judi-
cial cabe recurso, e não CPI (STF, HC n. 86.581).
Aproveitando que falei na convocação de autoridades para prestar esclarecimentos, dentro 
da CPI da covid foi determinada a convocação de inúmeros governadores dos estados e do DF.
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Daí, houve questionamento junto ao STF, tendo o tribunal afirmado que a convocação dos 
governadores viola o princípio da separação dos Poderes e autonomia federativa dos esta-
dos-membros (STF, ADPF n. 808).
Agora pense aí: uma empresa pública, entidade que atuava prestando serviço público em 
regime não concorrencial, teve valores bloqueados e penhora de recursos para pagamento de 
dívida de natureza trabalhista.
Daí, foi ao Judiciário, alegando violação à regra dos precatórios, já que a decisão judicial 
restringindo os valores estava “furando a fila” do precatório.
Ao julgar o caso, o STF entendeu que os recursos públicos vinculados ao orçamento de 
estatais prestadoras de serviço público essencial, em regime não concorrencial e sem intuito 
lucrativo primário, não podem ser bloqueados ou sequestrados por decisão judicialnão podem ser bloqueados ou sequestrados por decisão judicial para pa-
gamento de indenizações trabalhistas, sob pena de violação aos artigos 100 (regra do preca-
tório), 2º e 60 (separação de Poderes), 37 (princípio da eficiência) e 167, que trata do princípio 
da legalidade orçamentária. O caso julgado envolvia a Companhia de Habitação do Estado da 
Paraíba (STF, ADPF n. 588).
Avançando, em respeito ao princípio da separação dos Poderes, quando não caracteriza-
do o desrespeito às normas constitucionais pertinentes ao processo legislativo, é vedado ao 
Judiciário exercer o controle jurisdicional em relação à interpretação do sentido e do alcance 
de normas meramente regimentais das Casas Legislativas. Isso porque as normas regimen-
tais, via de regra, tratam de matéria interna corporis (STF, RE n. 1.297.884). 
Usando uma linguagem doutrinária, atos interna corporis e a escolha própria da oportuni-
dade e conveniência do administrador são conhecidos como espaços vazios de jurisdição, ou 
seja, fora da esfera de atuação do Judiciário.
Outra coisa: imagine que caiba ao Poder Executivo deflagrar o processo legislativo para 
regulamentar determinado ponto da CF. Daí, a fim de forçar a atuação do governante, o Legis-
lativo edita uma lei estabelecendo prazo para o envio do projeto de lei.
Pode isso, Arnaldo?
Claro que não, pois cabe ao chefe do Poder Executivo examinar a conveniência e a oportu-
nidade para desempenho das atividades legislativas e regulamentares que lhe são inerentes. 
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A imposição vinda do Legislativo caracteriza indevida interferência, violando a separação dos 
Poderes (STF, ADI n. 4.728).
Há algumas decisões do STF que indicam um espaço no qual o Judiciário não poderia se 
meter, por envolver questões próprias dos outros Poderes.
A mais importante para as provas – e para o seu dia a dia – diz respeito ao valor do fundo 
eleitoral para o ano de 2022, ampliado para “apenas” 4,9 bilhões de reais.
Ao julgar a ação que lá chegou, o tribunal pontuou que não era seu papel fixar qual o valor 
correto, por envolver questão política, a cargo do Legislativo. Em outras palavras, não cabe ao 
Judiciário o controle da destinação de recursos do orçamento feita pelo Legislativo (STF, ADI 
n. 7.058).
No mesmo cenário, entendeu-se que não caberia ao Judiciário alargar as hipóteses de 
moratória fixadas pelo Executivo e pelo Legislativo, mesmo durante a pandemia. Lembro que 
moratória é um alargamento do prazo para pagamento, gerando a suspensão do crédito tribu-
tário (STF, ARE 1.037.729).
d) Os direitos e garantias individuais.
Dentro da expressão “direitos e garantias individuais”, segundo o STF, estariam os artigos 
5º (direitos e deveres individuais e coletivos); 16 (princípio da anterioridade eleitoral) e 150 
(limitações ao poder de tributar).
Cuidado para uma pegadinha comum nas provas: trocar direitos e garantias individuais 
por fundamentais. Onde estaria o erro?
Direitos e garantias fundamentais compreendem todo o Título II da Constituição – artigos 
5º a 17. E, não são cláusulas pétreas os direitos sociais, de nacionalidade etc.
Foi com base nessa cláusula pétrea que se afirmou a inconstitucionalidade da EC n. 
52/2006 na parte em que permitia a aplicação da referida emenda às eleições daquele ano.
É que o teor da emenda alterava o processo eleitoral, devendo ser aplicado apenas às elei-
ções que ocorressem um ano após a entrada em vigor da norma (STF, ADI n. 3.685).
Está bem! Você viu as cláusulas pétreas explícitas. Será que haveria outras, implícitas no 
texto constitucional?
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A doutrina entende que sim!
Ilustrativamente, Gilmar Mendes e Paulo Gonet, no Curso de Direito Constitucional, citam os 
Princípios Fundamentais (artigos 1º a 4º) como cláusulas pétreas implícitas. Isso faz bas-
tante sentido, uma vez que eles abrem a Constituição, servindo como parâmetro para outros 
dispositivos do texto.
Além das cláusulas pétreas previstas no texto da Constituição (artigo 60, § 4º), a doutrina 
entende haver outras implícitas, como é o caso dos Princípios Fundamentais.
Limitações Implícitas
Ao lado das limitações circunstanciais, materiais e procedimentais, a doutrina lista tam-
bém as limitações implícitas.
Entre elas estaria impossibilidade de alteração tanto do titular do poder constituinte.
Além disso, não se permitiria a chamada dupla revisão, instituto constituído da seguinte 
forma: num primeiro momento, seriam extraídas as regras constitucionais nas quais constam 
as proibições.
A título de exemplo, seria revogada a norma prevista no art. 60, § 4º, I, ‘e’ – prevê a forma 
federativa de Estado; num segundo momento, outra emenda constitucional diria que o estado 
unitário seria adotado no Brasil.
Ou seja: seria uma forma de disfarçar a retirada de uma cláusula pétrea.
O Brasil não admite o procedimento da dupla revisão em relação às emendas à Constituição.
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Limitações Temporais?
Não existem limitações temporais na Constituição atual sobre as ECs. Elas já existiram, na 
Constituição de 1824.
Aliás, a Constituição de 1824 era ao mesmo tempo imutável e semirrígida.
Aragonê, como isso é possível?
É o seguinte: ela era imutável nos primeiros quatro anos.
Depois disso, poderia ser modificada, passando a ser semirrígida. Isso porque, para alte-
rar matérias realmente constitucionais, exigia-se procedimento mais rigoroso.
Já, quanto os conteúdos que, embora estivessem no texto constitucional, não contivessem 
matéria realmente constitucional, a alteração seria pelo mesmo procedimento aplicável às leis.
Promulgação
A promulgação da emenda constitucional será feita pelas Mesas da Câmara e do Senado, 
em conjunto, com o respectivo número de ordem. Note-se que não compete à Mesa do Con-
gresso Nacional a promulgação.
Ressalto, também, outros dois pontos: primeiro, a Constituição não previu prazo para a 
promulgação das ECs; segundo, o presidente da República não participará com sanção, veto, 
promulgação ou publicação das emendas.
Você viu que o único momento em que ele poderá participar da formação das emendas é 
na iniciativa.
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Vamos compilar as informações?
LIMITAÇÕES AO PODER DE EMENDAR A CONSTITUIÇÃO
LimitaçãoLimitação ComentáriosComentários
Circunstancial Não pode haver EC na vigência de intervenção fede-
ral, estado de defesa e estado de sítio.
Formal É necessária aprovação em dois turnos, por 3/5 de 
votos, em cada Casa do CN. Não há prevalência da 
Casa Iniciadora sobre a Revisora.
Quem promulga são as mesas da CD + SF. Não há 
prazo entre 1º e 2º turno nem para promulgar. Não há 
sanção ou veto pelo Presidente. Aplica a irrepetibili-
dade absoluta.
Material São as cláusulas pétreas. Proposta não pode sequer 
ser deliberada nas seguintes matérias:
- forma federativa de Estado;
- direitos e garantias individuais;
- voto direto, secreto, universal e periódico;
- separação de Poderes.
Implícita Não pode haver mudança nos legitimados à proposi-
tura de PEC e não se admite procedimento da dupla 
revisão (primeiro mexe no artigo 60, retirando as 
limitações explícitas, e depois mexe o que elas prote-
giam).
Temporal Não existe na Constituição atual.
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Mas as cláusulas pétreas merecem um show à parte. Vamos?
DESTAQUES SOBRE AS CLÁUSULAS PÉTREASDESTAQUES SOBRE AS CLÁUSULAS PÉTREAS
Forma Federativa de Estado - Não se permite direito de secessão.
Direitos e garantias individuais - Abrange os artigos 5º, 16 e 150.
Voto direto, secreto, universal e periódico - Obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea.
- Voto impresso é inconstitucional por serpossível 
violar sigilo das votações.
Separação de Poderes - Não há violação se o Judiciário impuser obrigação 
à Administração para realizar obras emergenciais em 
presídio.
- É inconstitucional a criação, por Constituição Esta-
dual, de órgão de controle administrativo do Poder 
Judiciário local.
- É inconstitucional lei estadual que condiciona todas 
as desapropriações feitas a prévia aprovação do 
Legislativo.
- É inconstitucional lei estadual que exija a sabatina 
de nomes de lista tríplice ao cargo de Procurador-Ge-
ral de Justiça ou de candidatos ao quinto constitu-
cional para o TJ.
Observações: 
1) a doutrina cita a existência de cláusulas pétreas implícitas. Ex.: princípios fundamentais (professor Gilmar 
Mendes).
2) Para barrar a tramitação de PEC violando cláusula pétrea, cabe MS impetrado por parlamentar (controle 
jurisdicional preventivo de constitucionalidade).
9.2. Leis ordinárias e ComPLementares
As leis ordinárias e complementares têm muitas semelhanças. Isso porque elas tramitam 
de forma semelhante.
Veja que ambas precisam de aprovação nas duas Casas, com deliberação parlamentar de 
um turno e deliberação executiva (sanção ou veto), com fase complementar de promulgação 
e publicação.
Mais do que isso: elas também contam com a irrepetibilidade relativa, ou seja, não podem 
ser reapresentadas na mesma sessão legislativa, a não ser que haja manifestação de maioria 
absoluta de uma das Casas Legislativas nesse sentido.
Ah, o regime de urgência constitucional (processo legislativo abreviado) também se aplica 
na LO e na LC.
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Um ponto de grande controvérsia doutrinária é a (in)existência de hierarquia entre elas. 
Bons autores defendem que a LC seria hierarquicamente superior. É o caso de Manoel Gonçal-
ves Ferreira Filho e de Alexandre de Moraes.
Contudo, prevalece a orientação de inexistência de hierarquia. É o que defendem, entre ou-
tros, Celso Bastos e Michel Temer. O STF também adota essa orientação (STF, RE n. 509.300).
Agora que você já viu as semelhanças, é hora de conferir as diferenças.
Diferenças entre lei ordinária (LO) e lei complementar (LC)
Aspecto formal
(Quórum de aprovação*)
Aspecto material (Matéria)
LCLC Maioria absoluta Rol taxativo na CF/1988. Exemplos: art. 7º, I; 14, § 9; 21, IV.
LOLO Maioria simples Natureza residual: tudo o que não for LC, DL e Resoluções.
* O quórum de instalação é o mesmo para LC e LO: maioria absoluta.
Não pode a CE ampliar o rol de matérias abrangidas por LC. Assim, se a CF não exigiu LC para aquele 
assunto, não pode a CE exigir.
Uma LC pode revogar uma LO, mas uma LO não pode revogar uma LC. A exceção acontece quando a LC 
regulou matéria de LO. Nesse caso, ela terá “casca de LC, mas conteúdo de LO”.
Vendo o que está no esquema, a primeira diferença está no quórum de aprovação. A LC 
exige maioria absoluta, que corresponde ao primeiro número inteiro superior à metade dos 
componentes da Casa.
Já, para aprovar uma LO, basta maioria simples (ou relativa), que seria o primeiro número 
inteiro superior à metade dos presentes na Casa naquela sessão.
Muito cuidado com um ponto: é comum o concurseiro gravar “metade mais um dos presen-
tes” e “metade mais um dos componentes”. Isso mais atrapalha do que ajuda.
É o seguinte: vou usar o Senado Federal como exemplo. Há 81 senadores lá, certo? Metade 
mais um dos componentes seria 40,5 (metade) mais um, o que alcança 41,5 senadores. Per-
gunto a você: arredonda para cima ou para baixo?
Na verdade, não existe isso de “arredonda”. Basta você aplicar a ideia de “primeiro número 
inteiro superior à metade”. Assim, considerando os 81 senadores, o primeiro número inteiro 
superior à metade (40,5) é 41.
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É possível se exigir o mesmo quórum de aprovação para LO e para LC? Sim, desde que 
todos os membros da Casa estejam presentes para votar.
Avançando, a distribuição material feita pela Constituição é determinante para saber se o 
caso será de LC ou de LO. Dizendo com outras palavras, quando a Constituição quer LC, ela 
“pede”. Isso aparecerá mais ou menos assim: “na forma da lei complementar”, “nos termos da 
lei complementar”, “a lei complementar estabelecerá”.
Quanto à LO, a Constituição reserva todas as demais matérias. Normalmente, aparecem 
as expressões “na forma da lei”, “nos termos da lei” etc. Não se fala a expressão “lei ordinária”.
Mas pense comigo: pode uma Constituição Estadual exigir a edição de lei complementar 
para matérias nas quais a Constituição Federal só pedia lei ordinária?
Analisando essa situação, o STF disse não.
Na ocasião, foi pontuado que a criação de reserva de lei complementar tem a finalidade mini-
mizar a influência das maiorias parlamentares circunstanciais no processo legislativo referente 
a determinadas matérias. Isso porque a aprovação de leis complementares depende de mobi-
lização parlamentar mais intensa para a criação de maiorias consolidadas no âmbito do Poder 
Legislativo, bem como o gasto de capital político e institucional que propicie essa articulação.
Assim, a ampliação da reserva de lei complementar, para além daquelas hipóteses previs-
tas no texto constitucional, geraria uma restrição indevida no arranjo democrático-represen-
tativo desenhado pela Constituição Federal.
Para deixar ainda mais claro, nada melhor do que você entender de quais assuntos esta-
mos tratando, né?
É que a Constituição do Estado de Santa Catarina exigia a edição de lei complementar 
para o tratamento (i) do regime jurídico único dos servidores estaduais e diretrizes para a ela-
boração de planos de carreira; (ii) da organização da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros 
Militar e do regime jurídico de seus servidores; (iii) da organização do sistema estadual de 
educação; e (iv) do plebiscito e do referendo.
Acontece que em nenhum desses casos a CF exigiu lei complementar. Basta pensar que 
a Lei (ordinária) n. 8.112/1990 é a norma que traz o regime jurídico dos servidores civis da 
União, certo?
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Sintetizando, se a CF não exigiu LC para aquele assunto, não pode a CE exigir. Basta lei 
ordinária (STF, ADI n. 5.003).
Seja como for, nada impede que o Congresso Nacional edite uma LC mesmo diante de 
matéria que deveria ser LO. O contrário é que gera inconstitucionalidade.
É dentro desse cenário que surgem algumas afirmações: uma LO pode revogar outra LO; 
uma LC pode revogar outra LC; uma LC pode revogar uma LO; e, em regra, uma LO não pode 
revogar uma LC.
Eu disse “em regra”, porque, se a LC trouxer conteúdo de LO, ela será LC “na casca”, 
mas LO “na essência”. Desse modo, é verdadeira a afirmação segundo a qual “uma LO pode 
revogar uma LC”.
Aliás, já me deparei com algumas questões de prova exatamentepor possuírem afinidade ideológica ou programática. Elas agirão como 
se fosse uma agremiação única.
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Vou mostrar um bate-bola aqui embaixo para facilitar sua compreensão, ok?
Coligações PartidáriasColigações Partidárias Federações PartidáriasFederações Partidárias
Precisa haver ao menos dois partidos. Precisa haver ao menos dois partidos.
Atualmente só existem em relação às 
eleições majoritárias, não podendo ser 
criadas para eleições de deputados e 
vereadores.
Se criadas, valerão para eleições 
majoritárias e proporcionais.
São criadas para disputar uma eleição 
específica.
São criadas para atuar por 
no mínimo 4 anos.
Depois das eleições, a coligação é 
dissolvida.
Elas se comportam como se fossem 
uma agremiação única, por todo o 
tempo que durarem.
Como são criadas para uma disputa 
específica, podem ser formadas nacio-
nalmente, nos estados, DF ou nos 
municípios. O registro será no respectivo 
órgão competente (TSE ou TRE).
Obrigatoriamente terá abrangência 
nacional. O registro é sempre no TSE.
A prestação de contas é feita por cada 
partido, isoladamente, 
e não pela coligação
A prestação de contas é feita por cada 
partido, isoladamente, e não pela coli-
gação
A prestação de contas é feita por cada 
partido, isoladamente, 
e não pela coligação
A prestação de contas é feita por cada 
partido, isoladamente, 
e não pela coligação
Partido pode deixar a coligação 
a qualquer tempo.
Partido pode deixar a coligação 
a qualquer tempo.
Ah, professor, já sei: vi na TV que o DEM e o PSL se juntaram... então eles criaram uma 
Federação Partidária?
Não, pequeno gafanhoto! Ali houve outra figura, a fusão partidária. As duas legendas deixa-
ram de existir, dando lugar a uma nova, chamada União Brasil. 
Avançando, o artigo 45, § 1º, da Constituição, diz que o número total de deputados, bem 
como a representação por Estado e pelo DF, será estabelecido por lei complementar federal.
Como você viu, há um número mínimo de oito e máximo de 70 deputados Federais por Es-
tado, sendo que a definição será proporcional à população (e não aos eleitores) da localidade.
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No entanto, você sabe que a população se desloca dentro de nosso território. Assim, exa-
tamente para fazer esses ajustes, a Constituição prevê que, no ano anterior às eleições, seja 
feita uma lei complementar.
Ocorre que o Congresso Nacional editou a LC n. 78/1993, delegando a tarefa de fixação do 
número de deputados Federais ao TSE. O Tribunal, por sua vez, editou uma Resolução, redefinin-
do a quantidade de Cadeiras para cada Estado, fazendo uso de dados do IBGE. Alguns estados 
ganharam, enquanto outros perderam. Quem ganhou não reclamou, mas quem perdeu...
A questão, então, foi ao STF. O Tribunal entendeu que cabe somente ao Congresso Nacio-
nal a regulamentação da matéria.
Assim, declarou-se inconstitucional a delegação feita pela LC, transferindo a atribuição do 
Congresso Nacional ao TSE. Em consequência, por arrastamento, também se entendeu pela 
inconstitucionalidade da Resolução do TSE (STF, ADI n. 4.963).
Mudando de assunto, você se lembra do Enéas Carneiro, que foi candidato à Presidência 
da República e depois se tornou deputado federal? Fala a verdade, eu sei que se lembra da-
quela figura folclórica!
Ele, Tiririca e Clodovil Hernandes – só para ficar em alguns exemplos – ficaram conheci-
dos como grandes “puxadores de voto”. Isso porque, na eleição para deputado, por vigorar o 
sistema proporcional, o quociente eleitoral deles era muito alto, sobrando votos para os de-
mais candidatos da legenda (ou da coligação, quando existia).
No caso do Enéas, ele teve tantos votos, que elegeu, sozinho, todos os outros candidatos 
do seu partido (extinto PRONA) para deputado federal e só não elegeu mais um, porque não 
existia. Um dos beneficiados tinha alcançado votação ínfima, cerca de duzentos votos à épo-
ca, sendo eleito no maior colégio eleitoral do País.
Pois é, para acabar com essa situação, a Lei n. 13.165/2015 modificou o Código Eleitoral, 
passando a prever que estariam eleitos os candidatos registrados por um partido que tenham 
obtido votos em número igual ou superior a 10% (dez por cento) do quociente eleitoral. Ou 
seja, o desempenho individual precisa ser bom, não podendo o candidato ficar “na aba” do 
puxador de votos (STF, ADI n. 5.920).
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Ah, no mesmo dia do julgamento supracitado, o Tribunal enfrentou outra discussão rela-
cionada ao Código Eleitoral: é que a Lei n. 13.488/2017 mudou o artigo 109 do Código, pre-
vendo que todos os partidos que participaram do pleito poderiam concorrer às denominadas 
“sobras eleitorais”. Na regra anterior, as sobras só eram distribuídas aos partidos (ou coliga-
ções, hoje inexistentes nas eleições proporcionais) que tivessem alcançado ao menos uma 
cadeira na primeira rodada de distribuição das vagas. Em outras palavras, quem não tivesse 
atingindo o quociente eleitoral mínimo também ficava de fora das sobreas.
Depois do julgado, o artigo 109 do Código Eleitoral foi nova-mente modificado – desta vez, 
pela Lei n. 14.211/2201. Agora, só podem concorrer à distribuição das sobras os candidatos 
que obtive-rem votos equivalentes a pelo menos 20% do quociente eleitoral e os partidos que 
conquistarem um mínimo de 80%.
Para você entender melhor, vou indicar um exemplo que vi aqui em Brasília há muitos anos 
(1994), quando eu ainda era adolescente – o arco-íris ainda era preto e branco... Hahaha. Foi o 
seguinte: o então candidato a deputado federal Paulo Octavio concorreu pelo PRN, partido que 
elegera Fernando Collor à Presidência da República na eleição de 1989.
Acontece que Paulo Octavio foi o candidato mais votado àquela época. No entanto, como o 
partido dele não atingiu o quociente eleitoral, ele ficou de fora – ele ficou com 0,9 do quociente. 
Os outros candidatos, mesmo com menos votos, conseguiram as cadeiras, porque juntaram 
com votos dados a outros nomes que disputaram pela mesma legenda/coligação.
Se isso ocorresse atualmente, o Paulo Octavio teria conseguido uma vaga nas sobras 
eleitorais (STF, ADI n. 5.947).
Fala-se em inconstitucionalidade por arrastamento quando, ao declarar a inconstitucionalida-
de de uma norma, o Tribunal acaba retirando do ordenamento outra norma que esteja relacio-
nada à primeira. É também chamada de inconstitucionalidade por reverberação, consequên-
cia, decorrência ou por ricochete.
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https://www.grancursosonline.com.brnesse sentido. O que o 
examinador perguntou foi a exceção, e não a regra. Fazendo uma comparação, seria o mesmo 
de um item de sua prova falar “existe pena de morte no Brasil”.
Ora, nesse caso, você sabe que, em regra, a pena de morte é proibida. No entanto, em caso 
de guerra declarada, ela será possível, não é mesmo?
Voltando para as leis, essa situação – de LC com conteúdo de LO – chegou ao STF. Na 
ocasião, a Lei Complementar n. 70/1991 tratou de matéria não prevista para ser tratada por 
LC (instituição de contribuição social). Posteriormente, a Lei (Ordinária) n. 9.430/1996 revo-
gou a referida LC.
Houve questionamento, mas o STF entendeu pelo cabimento da revogação, pois, repito, a 
LC tinha “casca” de LC, mas “essência” de LO. Ou seja, na prática, seria o mesmo de uma LO 
revogar outra LO (STF, RE n. 509.300).
Prevalece a orientação segundo a qual não há hierarquia entre leis ordinárias e complementares.
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9.3. Lei deLegada
As leis delegadas estão mais para “figuras decorativas” que só servem para cair em prova. 
Sabe por quê?
Há um procedimento relativamente complicado para que elas saiam do forno, como você 
vai ver logo abaixo. Há também limitações, pois algumas matérias não podem ser tratadas 
por lei delegada.
Por fim – e mais importante –, por que o Presidente usaria a lei delegada se ele dispõe das 
medidas provisórias, mais rápidas, mais práticas e que começam a produzir efeitos desde a 
sua publicação?
Uma prova do que estou falando: a última vez em que se editou uma lei delegada foi em 
27/8/1992 (Lei Delegada n. 13 – numeração teve início no ano de 1962).
Seja como for, vamos lá, porque o negócio aqui é acertar questões na prova.
A lei delegada é elaborada pelo presidente da República, após prévia autorização dada 
pelo Congresso Nacional, delimitando o assunto sobre o qual pretende legislar.
Se o Congresso Nacional aprovar a solicitação do presidente da República, editará resolução.
A resolução editada pelo Congresso pode prever a posterior apreciação do projeto de lei 
delegada. Se houver apreciação, ela será em votação única e sem direito a qualquer emenda.
Se o Executivo, ao fazer a lei, exceder os limites da delegação, caberá ao Congresso sustar 
a lei delegada, por meio de decreto legislativo.
Essa hipótese está prevista no artigo 49, V, da Constituição e é conhecida como veto legis-
lativo. Ela representa um controle político de constitucionalidade, na forma repressiva, pois se 
pressupõe que a norma já entrou em vigor.
Avançando, não podem ser objeto de delegação as matérias constantes no artigo 49, 51 e 
52 da Constituição (competências exclusivas/privativas das Casas Legislativas), bem como as 
matérias reservadas à lei complementar.
Na jurisprudência, o STF entende que a outorga de subsídios, isenções ou créditos pre-
sumidos, bem como a redução da base de cálculo e a concessão de anistia ou remissão em 
matéria tributária só poderiam ser dadas por meio de lei específica, não cabendo a delegação 
legislativa (STF, ADI n. 1.247).
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9.4. medida Provisória
Se eu puder dar um conselho a você, eu diria para ler este tópico com extrema atenção. 
Digo isso porque nenhum ato normativo é mais cobrado do que medida provisória nas provas. 
Aliás, as “estrelas da festa” no processo legislativo são a MP e as ECs.
Vamos lá!
As medidas provisórias nasceram no direito brasileiro com a Constituição de 1988.
Elas vieram para substituir o antigo Decreto-Lei (lembre-se que ainda existe decreto le-
gislativo). Há, no entanto, algumas diferenças entre as MPs e os Decretos-lei, como vou mos-
trar logo adiante.
A medida provisória é uma espécie normativa que tem força de lei ordinária e não conta 
com a participação do legislativo em sua formação, pois o Legislativo só entra na jogada 
depois que a MP já está produzindo seus efeitos jurídicos. Afinal, ela entra em vigor já no 
momento de sua publicação.
Agora, um alerta: a edição de uma MP não revoga lei anterior, mas apenas suspende seus 
efeitos no ordenamento jurídico, em face do seu caráter transitório e precário. Assim, apro-
vada a MP pela Câmara e pelo Senado, surge nova lei, a qual terá o efeito de revogar lei an-
tecedente. Todavia, caso a medida provisória seja rejeitada (expressa ou tacitamente, como 
adiante se verá), a lei que existia no ordenamento, e que estava suspensa, volta a ter eficácia 
(STF, ADI n. 5.709).
Embora os presidentes usem e abusem das MPs, elas deveriam ser utilizadas apenas 
quando presentes os requisitos constitucionais de urgência e relevância.
Aqui nasce a primeira diferença entre as MPs e os decretos-leis: nos últimos, os requisitos 
constitucionais eram alternativos (urgência ou relevância).
Voltando, embora a Constituição diga respeito às MPs editadas apenas pelo presidente 
da República, nada impede que elas sejam editadas pelos demais Chefes do Executivo (Go-
vernadores e Prefeitos), desde que haja previsão na Constituição Estadual e na Lei Orgânica 
Municipal (STF, ADI n. 2.391).
Até a EC n. 32/2001, as MPs tinham vigência pelo prazo de 30 dias, prorrogáveis indefinida-
mente. Não era incomum encontrar medidas provisórias que foram reeditadas por vários anos.
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Atualmente, depois de editada, a MP tem vigência pelo prazo de 60 dias, prorrogáveis, uma 
vez, por mais 60 dias. Esse prazo, no entanto, fica suspenso durante o recesso parlamentar, 
salvo se houver convocação extraordinária.
Você certamente já ouviu falar em trancamento de pauta. Funciona assim: caso a MP não 
seja apreciada dentro do prazo de 45 dias, contados de sua edição, a MP entra em regime de 
urgência, ou seja, ela sobrestará as votações na Casa onde estiver.
Que fique claro: se o prazo da MP está estourado e ela ainda está na Câmara do Deputa-
dos, a pauta do Senado não será atingida. Por sua vez, chegando ao Senado, a MP trancará 
a pauta apenas dessa Casa.
No ano de 2009, Michel Temer, então Presidente da Câmara do Deputados, passou a en-
tender que o sobrestamento das votações somente alcançaria as leis ordinárias.
O raciocínio foi o seguinte: as MPs têm força de lei ordinária. Então, não faria sentido tran-
car a pauta de todas as votações (emendas à Constituição, leis complementares etc.). Tam-
bém não seriam atingidos aqueles projetos de lei ordinária que versassem sobre matérias que 
não podem ser tratadas por meio de MP.
Inconformados, alguns parlamentares ingressaram com mandado de segurança junto ao 
STF, alegando violação à Constituição, por vício no procedimento. O pedido, no entanto, foi 
negado pelo Tribunal (STF, MS n. 27.931).
Depois de editar a medida provisória, o presidente da República não pode retirá-la, já que 
o ato normativoestará submetido ao Legislativo. O que ele pode fazer é editar nova MP, revo-
gando a anterior (STF, ADI n. 2.984).
Ao chegar ao Congresso Nacional, a medida provisória passará por uma comissão mista, 
responsável por analisar se estão – ou não – presentes os requisitos constitucionais (urgência 
e relevância).
Não há dúvidas de que se trata de controle de constitucionalidade, feito pelo Legislativo 
(controle político) na forma repressiva (posterior). Isso porque a MP já estará produzindo 
efeitos desde o dia em que foi publicada.
Em 2013, chegou ao STF uma ação direta de inconstitucionalidade que discutia a cons-
titucionalidade da medida provisória que criou o Instituto Chico Mendes para a Biodiversi-
dade – ICMBio.
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A discussão dizia respeito à violação ao artigo 62, § 9º, da Constituição, uma vez que não 
teria sido observada a necessidade de a medida provisória ser submetida à Comissão Mista 
do Congresso Nacional, responsável por apurar a urgência e a relevância.
Ao julgar o caso, o STF confirmou o desrespeito ao procedimento constitucional, mas ve-
rificou que a regra da aprovação pela Comissão Mista não vinha sendo respeitada há longos 
anos (desde a edição da Resolução n. 01/2002 – Congresso Nacional).
Então, para preservar a segurança jurídica, manteve a validade da norma, mas apontou a 
necessidade de o Legislativo respeitar o procedimento nas MPs editadas dali em diante (STF, 
ADI n. 4.029).
Traduzindo em outros termos: o STF viu que estava errado, mas a anulação levaria a um 
efeito-cascata, anulando várias leis decorrentes de medidas provisórias. Para pensar apenas 
no ICMBio, a entidade foi criada em 2007, cinco anos antes do julgamento do STF.
Abrindo um rápido parêntese, é para situações assim que existe o instituto da modulação 
temporal de efeitos, prevista no artigo 27 da Lei n. 9.868/1999 – Lei da ADI. Veja o que diz o 
texto legal:
Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de se-
gurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria 
de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só te-
nha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado.
Ah, embora tenha nascido no controle concentrado, a modulação temporal de efeitos tam-
bém pode ser feita no controle difuso, por qualquer juiz ou Tribunal do país.
Como regra, a declaração de inconstitucionalidade produz efeitos ex tunc, ou seja, retroa-
gindo à data da edição da norma. Ela (a norma) é retirada do ordenamento como se não tives-
se existido. Então, a modulação temporal relativiza essa regra, permitindo que a decisão te-
nha efeitos dali em diante (ex nunc) ou em outro momento determinado pelo Tribunal (futuro).
Fecho o parêntese e vou para uma pergunta espinhosa: a quem cabe analisar se a MP é 
realmente relevante e urgente?
Normalmente, esse controle é feito pelo Legislativo, por meio da comissão mista indicada 
no § 9º do artigo 62, e nas próprias Casas, durante a tramitação.
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A discussão também poderá ser levada ao Judiciário, quando a ausência dos requisitos 
constitucionais (urgência e relevância) for manifesta, evidente (STF, ADI n. 2.527).
Sistematizando:
CONTROLE SOBRE URGÊNCIA E RELEVÂNCIACONTROLE SOBRE URGÊNCIA E RELEVÂNCIA
Executivo Faz o controle político ao editar a MP.
Legislativo Ao receber MP, Comissão Mista do CN faz controle 
para saber se estão presentes os pressupostos. É um 
controle político repressivo de constitucionalidade.
Judiciário Pode excepcionalmente fazer o controle, inclusive via 
controle concentrado, quando a ausência dos pres-
supostos for manifesta.
No antigo decreto-lei os pressupostos constitucionais eram alternativos, enquanto na MP são cumulativos. 
Aprovação com e sem emendas e o problema do contrabando legislativo
Sigo agora para tratar sobre o que acontece com a medida provisória quando ela é aprova-
da ou rejeitada pelo Congresso Nacional.
Para me ajudar nessa tarefa, usarei o seguinte esquema:
Aprovação da medida provisória
SEM MODIFICAÇÕES
O texto aprovado segue direto para a Promulgação, a ser feita pelo Presidente 
do Congresso Nacional.
Não há necessidade de sanção/veto, pois prevaleceu a vontade do Presidente.
COM MODIFICAÇÕES
O texto aprovado pelo Congresso é encaminhado ao presidente da República, 
para fins de sanção ou veto.
Isso porque precisa ser verificado se ele concorda com o novo texto.
Repare que, se a MP foi aprovada sem modificações pelo Congresso Nacional, é porque 
prevaleceu a vontade do presidente da República. É por isso que ela não passará por delibe-
ração executiva. Em outras palavras, o texto seguirá direto para a promulgação, não havendo 
sanção ou veto.
Contudo, se a MP foi modificada pelo Congresso, a proposta precisa voltar para o Presi-
dente, para saber se ele concorda ou não com o novo texto.
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Exemplificando: foi editada uma MP prevendo aumento de 5% para os proventos dos apo-
sentados. No Congresso Nacional, houve alteração, com a elevação do aumento para 16%. O 
adequado nesse cenário é o texto voltar para o Presidente, para saber se ele sanciona ou veta, 
fundamentando na ausência de verbas suficientes (veto por interesse público).
Por falar em modificações, você sabe o que é o contrabando legislativo?
É o seguinte: muitas vezes os parlamentares se utilizavam da rapidez da tramitação das 
MPs para incluírem matérias que não tinham literalmente nada a ver com o conteúdo central 
que justificou a edição da medida.
Em outras palavras, eles se aproveitavam da “cauda de cometa” para aprovar outros assun-
tos que, isoladamente, teriam dificuldade de aprovação. Seria uma espécie de “toma lá, dá cá”, 
uma negociação entre o Legislativo e o Executivo.
Aliás, não causa muita surpresa o noticiário de delações premiadas envolvendo diretores 
de grandes empresas. Muitas vezes eles informam terem “comprado a aprovação” deste ou 
daquele artigo em uma MP.
Obviamente, não podemos generalizar, dizendo que todas as alterações propostas teriam 
fins espúrios. Falar isso seria leviano e injusto. Contudo, que essa era uma porta aberta para 
conchavos, não há dúvidas.
Pois bem. O STF, atento a tal questão, firmou a tese segundo a qual as emendas parlamen-
tares podem prever mudanças ao texto da MP, desde que a alteração tenha efetiva relação 
com a matéria segundo a qual se reputou haver urgência e relevância (STF, ADI n. 5.127).
Seguindo em frente, há na Constituição uma regra que é bastante criticada na Doutrina: 
ainda que a MP seja alterada pelo Congresso Nacional, o texto original (aquele elaboradopelo 
Presidente) permanecerá em vigor até sanção ou veto – artigo 62, § 12 da Constituição.
O STF entendeu pela impossibilidade de emendas parlamentares quando a matéria da 
emenda não guardar relação com aquela que ensejou a edição da medida provisória 
(contrabando legislativo).
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Rejeição da Medida Provisória
Mas o Congresso Nacional também pode rejeitar a MP, tanto de modo expresso quanto tácito.
A rejeição expressa dispensa comentários. Por sua vez, a tácita pode ser chamada tam-
bém de rejeição por decurso de prazo. Ela aconteceria quando o Congresso Nacional deixa 
expirar o prazo de validade (60 + 60 dias), sem que tenha aprovado o texto.
Aqui, aliás, reside a segunda diferença entre a medida provisória e o decreto-lei: é que o 
decreto-lei que não fosse apreciado dentro do prazo era considerado aprovado tacitamente.
Isso, por si só, já seria absurdo, mas, para piorar, você precisa lembrar que Getúlio Vargas, 
ao impor a Constituição de 1937 (responsável por criar o decreto-lei), fechou o Congresso. Ou 
seja: ao menos naquela época, os decretos-lei acabavam sendo todos aprovados tacitamente.
Superado esse ponto, vamos para outro: a rejeição das MPs se opera com efeitos ex nunc 
(prospectivos) ou ex tunc (retroativos)?
A Constituição trata do tema nos parágrafos 3º, 11 e 12 do artigo 62 e a redação é bem confusa.
Funciona assim: a rejeição – expressa ou tácita – se opera retroativamente à data da 
edição da medida provisória. Dito de outro modo, ela é retirada do ordenamento como se não 
tivesse existido.
Daí, no entanto, nasce outro problema: é que a MP efetivamente produziu efeitos entre a 
sua edição e a rejeição, certo?
Nesse caso, a Constituição prevê que o Congresso Nacional edite um decreto legislativo 
regulando as relações jurídicas ocorridas no período em que a MP vigorou.
Caso o Congresso permaneça inerte dentro do prazo, a MP, “mesmo depois de morta”, 
valerá para aquele período entre a edição e a rejeição. Vai entender...
Assim como acontece com as emendas à Constituição, as medidas provisórias também 
são alcançadas pela irrepetibilidade absoluta. Vale dizer, caso a MP seja rejeitada pelo Con-
gresso Nacional, não será possível a reedição na mesma sessão legislativa.
A esse respeito, preste atenção na seguinte tese firmada pelo STF:
É inconstitucional MP ou lei decorrente de conversão de MP cujo conteúdo normativo 
caracterize a reedição, na mesma sessão legislativa, de MP anterior rejeitada, de eficácia 
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exaurida por decurso do prazo ou que ainda não tenha sido apreciada pelo Congresso 
Nacional dentro do prazo estabelecido pela Constituição Federal (STF, ADI n. 5.709).
Olhe agora por outro ângulo os caminhos possíveis para a MP:
POSSÍVEIS CAMINHOS DA MEDIDA PROVISÓRIAPOSSÍVEIS CAMINHOS DA MEDIDA PROVISÓRIA
SEM MODIFICAÇÕES COM MODIFICAÇÕES
APROVAÇÃOAPROVAÇÃO Projeto segue direto para promul-
gação, sem passar por sanção ou 
veto.
Projeto volta para deliberação 
executiva, para saber se o PR con-
corda ou não com as modificações
Observação: a alteração só pode girar em torno da matéria que se entendeu urgente e relevante, pois do con-
trário configuraria um contrabando legislativo, vedado pelo STF.
EXPRESSA TÁCITA
REJEIÇÃOREJEIÇÃO Durante a tramitação da MP, CN 
rejeita expressamente a proposta.
MP não é apreciada dentro do 
prazo constitucional.
Observações: 
1) A rejeição da MP se opera retroativamente à data de sua edição (ex tunc). Como ela produziu efeitos 
durante certo tempo, deve ser editado um decreto legislativo, em 60 dias, dizendo como ficarão as relações 
jurídicas ocorridas no tempo em que ela vigorou. Nada sendo feito, MP, mesmo rejeitada, valerá para aquele 
período. 
2) MPs possuem a irrepetibilidade absoluta, assim como as ECs. Assim, rejeitada em uma sessão, não pode 
ser reapresentada na mesma sessão legislativa.
Proibições em Matéria de Medida Provisória
Tema recorrente nas provas em concurso, determinadas matérias não podem ser objeto 
de medida provisória. São elas:
a) à nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral;
b) ao direito penal, processual penal e processual civil;
Primeira observação: não há proibição de medida provisória em direito civil – a vedação é 
para direito processual civil.
Seguindo, em 8/11/2000, o STF proferiu uma decisão dizendo que seria possível medida 
provisória em direito penal, quando ela favorecesse o réu (STF, RE n. 254.818).
No entanto, a Emenda n. 32/2001 passou a proibir expressamente medida provisória em 
direito penal. Tal proibição não diferencia se a MP é favorável ou desfavorável ao réu.
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Assim, nas provas objetivas, você deve responder que não cabe MP em direito penal, nem 
mesmo se ela trouxer normas favoráveis ao réu, como é o caso de extinção da punibilidade, 
abolitio criminis etc.
Nas provas subjetivas, por sua vez, é importante que você diga que não pode atualmente, 
mas que já foi possível antes da EC n. 32/2001.
c) à organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, à carreira e à garantia de seus membros;
d) a planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e suplementares, 
ressalvado o previsto no art. 167, § 3º;
e) que vise à detenção ou sequestro de bens, de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro;
Dizem que gato escaldado tem medo de água fria, né?!
Você deve lembrar que logo no início de seu governo o Ex-Presidente Collor acabou “con-
gelando” o dinheiro que havia nas poupanças, na tentativa de frear a hiperinflação que asso-
lava nosso País.
A medida, embora hoje seja defendida por bons economistas, gerou grande confusão à 
época, inclusive com número elevado de suicídios.
Seja como for, a EC n. 32/2001 proibiu expressamente nova tentativa no mesmo sentido.
f) reservada à lei complementar;
Medida provisória tem força de lei ordinária. Em razão disso, não poderia tratar de matéria 
para a qual se exija a edição de lei complementar.
g) já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou 
veto do presidente da República.
Também não será possível a edição de MP em relação àquelas matérias que não podem 
ser objeto de delegação legislativa ou ainda as reservadas à resolução e a decreto legislativo.
Repare que não há proibição à edição de MP em matéria tributária. No entanto, se a MP 
não for convertida em lei antes do final do ano em que houve a sua edição, o novo tributo não 
poderá ser cobrado no exercício seguinte (STF, ADI n. 1.667).
No entanto, há alguns tributos que não precisam respeitar o princípio da não surpresa (ou 
anterioridade ou anualidade tributária). Em relação a eles, seria possívela cobrança no mes-
mo ano da conversão da MP em lei.
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Antes de encerrar o assunto, não posso deixar de falar algo muito importante: suponha que 
seja ajuizada uma ADI contra determinada MP e que, antes do julgamento, ela seja convertida 
em lei ordinária.
Será que podemos falar em convalidação do vício ou em extinção da ADI contra ela ajuizada?
A resposta é negativa. O STF entende que caberá ao autor da ação fazer um aditamento ao 
pedido (informando a conversão da MP em lei ordinária). Desse modo, não haveria obstáculo 
ao prosseguimento no julgamento.
Igualmente, não se falaria em convalidação do vício (ex.: inconstitucionalidade formal) pela 
conversão em lei ordinária (STF, ADI-MC n. 4.048).
Não cabe medida provisória em direito penal, nem mesmo em benefício do acusado.
9.5. deCreto LegisLativo e resoLução
A Constituição é lacônica ao falar desses dois atos normativos. Ou seja, fala-se muito pou-
co, cabendo aos regimentos internos das Casas a regulamentação da matéria.
Isso, entretanto, não é motivo para eu deixar de falar o que interessa para a sua prova! Va-
mos lá!
A competência exclusiva do Congresso Nacional (artigo 49) é geralmente exercida por 
meio de decreto legislativo. Há hipóteses, porém, de que será executada por intermédio de 
resolução. É o caso da autorização dada ao presidente da República para a edição de lei dele-
gada – art. 68, § 2º, da CF/1988.
Outro ponto importante é que Câmara e Senado não editam decretos legislativos, reserva-
dos exclusivamente ao Congresso.
Desse modo, uma resolução legislativa pode ser editada tanto pelo Congresso Nacional 
(exceção), quanto pela Câmara e pelo Senado. Já o Decreto Legislativo, só pode ser feito pelo 
Congresso Nacional.
Mais uma informação: nem todas as competências da Câmara e do Senado serão viabili-
zadas por meio de resolução legislativa.
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É que, na fixação da remuneração dos servidores dessas Casas Legislativas, o texto cons-
titucional (artigos 51, IV e 52, XIII, da CF/1988) prevê que esse assunto será regulado por lei, 
de iniciativa da respectiva Casa.
A grande importância dessa regra, introduzida pela EC n. 19/1998, é que a lei na qual se 
busque a concessão de aumento na remuneração dos servidores passará pela sanção (ou 
veto) presidencial, procedimento inexistente em relação às outras competências delineadas 
nos artigos 49, 51 e 52 da Constituição.
Por fim, não existe manifestação do Poder Executivo em ambos, pois são atos interna 
corporis. Traduzindo, o Presidente não pode propor, sancionar, vetar, promulgar ou publicar as 
resoluções e os decretos legislativos.
10. Função FisCaLizatória
Você lembra que são duas as funções típicas do Legislativo? Nos artigos 59 a 69 temos 
o processo legislativo, inerente à função legislativa. Agora, é hora de falar sobre a função 
fiscalizatória.
A primeira coisa que você precisa saber é que existem dois controles: um interno e 
outro externo.
O controle interno é feito por todos os órgãos e entidades, sem distinção de Poder ou de 
esfera de governo (federal, estadual, distrital ou municipal). Funciona, por exemplo, com as 
auditorias internas.
Como órgãos de controle interno, eu cito, por exemplo, a CGU, as CGEs, CGMs e o CNJ.
Um parêntese: alguns dizem que o CNJ seria um órgão de controle externo.
Ora, basta ler o artigo 92 da Constituição para ver que o CNJ está expressamente no rol 
dos órgãos do Judiciário. Além disso, o STF, ao julgar uma ADI, entendeu no mesmo sentido, 
destacando o fato de a maior parte de seus integrantes – 9 dos 15 membros – ser originária 
do próprio Judiciário (STF, ADI n. 3.395).
Alargando o parêntese, agora para falar da CGU, houve questionamento sobre o seu papel.
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No caso julgado pelo STF, um Prefeito que sofreu a fiscalização da CGU em relação aos 
recursos que haviam sido repassados pela União alegava a incompetência do órgão, sob a 
alegação de que a apuração relativa à aplicação de verbas federais seria exclusiva do TCU.
Ao julgar o caso, o STF entendeu que a atuação da CGU decorreria de ato de controle inter-
no do Poder Executivo. Aliás, seria dever do Executivo fiscalizar se houve a correta aplicação 
dos recursos públicos repassados aos demais Entes públicos. Em tal missão, não haveria 
choque com a atuação do TCU, responsável pelo controle externo.
Entretanto, os ministros decidiram que a investigação da CGU deve se limitar às verbas 
federais repassadas pela União aos municípios por meio de convênios, não alcançando os 
recursos de outras origens. Com isso, os prefeitos não podem ser obrigados a exibir documen-
tos e comprovar gastos que estivessem fora deste limite. (STF, RMS n. 25.943)
Fecho o parêntese.
Já a função fiscalizatória atribuída ao Poder Legislativo e aos Tribunais de Contas se re-
fere ao controle externo. Não se engane com um ponto: os responsáveis pelo controle externo 
também fazem controle interno.
Dentro da função fiscalizatória, o Legislativo realiza o controle COFOP da administração 
direta e indireta. Mas o que seria COFOP?
Traduzindo, COFOP é um mnemônico que engloba o controle Contábil, Orçamentário, Fi-
nanceiro, Operacional e Patrimonial.
A Constituição define que o dever de prestar contas se estende a qualquer pessoa física 
ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, 
bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma 
obrigações de natureza pecuniária.
Em outras palavras, a fiscalização leva em conta não o critério subjetivo (ligado à pessoa), 
mas, sim, o objetivo (ligado ao objeto = dinheiro público). Havendo dinheiro público envolvido, 
ocorrerá a fiscalização.
As funções típicas do Poder Legislativo são legislar e fiscalizar.
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10.1. ControLe externo
De acordo com o art. 71 da Constituição, o controle externo, a cargo do Congresso Nacio-
nal, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União, ao qual compete:
I – apreciar as contas prestadas anualmente pelo presidente da República, mediante parecer prévio 
que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento;
Como regra, o parecer do Tribunal de Contas sobre as contas do Chefe do Poder Executivo 
não vincula o Poder Legislativo,responsável pelo Controle Externo. Em outras palavras, ainda 
que se recomende a desaprovação das contas, poderá o Legislativo decidir de forma contrária.
Esse entendimento é aplicável no plano federal (art. 71, I, da CF) e se estende na esfera 
estadual e na distrital.
Entretanto, em relação às contas do chefe do Executivo Municipal (prefeito), a regra é 
diversa. Isso porque, de acordo com o disposto no art. 31, § 2º, da Constituição, o parecer 
prévio, emitido pelo TCE ou TCM (onde houver), só deixará de prevalecer por decisão de dois 
terços dos membros da Câmara Municipal.
Esquematizando a questão, temos que:
Esfera Chefe do Executivo
Responsável pelo
controle externo
Quem auxilia
Parecer do TC vincula 
o Legislativo?
FederalFederal
Presidente
da República
Congresso Nacional TCU Não
EstadualEstadual Governador Assembleia Legislativa TCE Não
DistritalDistrital Governador Câmara Legislativa TCDF Não
MunicipalMunicipal Prefeito Câmara Municipal
TCE/TCM 
(onde houver)
Em regra, vincula; só 
pode ser contrariado 
por 2/3 da Câmara 
dos Vereadores.
O mais importante vem agora: o STF entendeu que quem dá a palavra final sobre as Contas 
do Prefeito é a Câmara dos Vereadores, e não o Tribunal de Contas.
Em virtude disso, os prefeitos candidatos à reeleição só poderiam ser considerados ine-
legíveis com base na Lei das Inelegibilidades (LC n. 64/1990, alterada pela LC n. 135/2010 
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– Ficha Limpa) se suas contas tiverem sido rejeitadas pelos legislativos locais, e não apenas 
pelas chamadas cortes de contas (STF, RE n. 848.826).
II – julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores 
públicos da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e man-
tidas pelo Poder Público federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra 
irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público;
O papel de fiscalizador do Tribunal de Contas recai inclusive sobre o Poder Legislativo. Em 
razão disso, o STF entendeu ser inconstitucional norma estadual que conferia exclusivamente 
à Assembleia Legislativa a tarefa de julgar as contas do Poder Legislativo (STF, ADI n. 3.077).
Por falar nisso, o STF invalidou norma da Constituição do estado de Roraima que atribuía 
competência à Assembleia Legislativa para julgar contas do Tribunal de Justiça, do Ministério 
Público e da Defensoria Pública. 
Na ocasião, prevaleceu a orientação de que os estados deveriam aplicar, em simetria, as 
regras contidas nos incisos I e II do artigo 71 da CF. Assim, se no plano federal cabe ao TCU 
a missão de julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens 
e valores públicos da administração direta, incluídos os Poderes Executivo, Legislativo e Ju-
diciário, os Tribunais de Contas dos estados, do Distrito Federal e dos municípios deveriam 
observar o mesmo modelo jurídico estabelecido pela CF (STF, ADI n. 4.978).
Lembre-se: as contas da Assembleia Legislativa devem ser julgadas pela própria Casa Le-
gislativa (com a fiscalização do TC). Por outro lado, as contas do Tribunal de Justiça, do Minis-
tério Público e da Defensoria Pública são julgadas pelo Tribunal de Contas, que não se limita, 
nesse caso, à emissão de parecer.
Outra coisa: existe o Fundo Nacional de Assistência Social, regulado pela Lei n. 9.604/1998. 
Acontece que essa lei atribuía a competência dos TCEs e das Câmaras Municipais para análise 
da prestação de contas da aplicação de recursos financeiros, oriundos do Fundo e repassados 
aos estados e municípios.
Ao analisar a constitucionalidade da norma, o STF decidiu que competência para o con-
trole da prestação de contas da aplicação de recursos federais é do TCU, conforme o art. 70 e 
incisos da Constituição (STF, ADI n. 1.934).
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Tem mais: o STF entendeu ser válida a competência do TCU para fiscalizar a aplicação, 
pelos estados, DF e municípios, dos recursos integrantes do FUNDEB que receberem comple-
mentação da União.
Na ocasião, estava em discussão uma mudança operada especialmente a partir da EC 
108/2020, pois quando o montante investido pelos entes federativos (estados, DF e municí-
pios) não atingir o mínimo por aluno definido nacionalmente, caberá à União fazer o comple-
mento. Logo, a fiscalização da aplicação dos recursos federais é atribuição do TCU (STF, ADI 
5.791).
III – apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, 
na administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, 
excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão, bem como a das concessões 
de aposentadorias, reformas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o 
fundamento legal do ato concessório;
Aqui, todo cuidado é pouco. É que este tema é um verdadeiro campo minado nas provas 
de concursos.
Primeiro, numa pegadinha simples, mas corriqueira: é que o TCU aprecia a legalidade dos 
atos de admissão de pessoal da Administração Direta e Indireta, mas não de cargos em co-
missão. Todas as bancas, em provas de todos os níveis, vivem perguntando a mesma coisa...
Avançando, a concessão inicial de aposentadoria é um ato administrativo complexo. 
Isso significa que o ato só se aperfeiçoa após a conjugação de duas manifestações, quais 
sejam, a do próprio órgão ao qual o servidor está vinculado e do TCU, fiscalizando o pro-
cesso (STF, MS n. 24.997).
Em razão disso, mesmo depois de ter a aposentadoria concedida pelo órgão em que tra-
balha, o servidor pode ver o ato anulado pelo TCU, precisando voltar ao trabalho. E pior: o TCU, 
a princípio, pode fazer isso sem abrir para contraditório e ampla defesa.
É que a SV n. 3 estabelece que, nos processos perante o Tribunal de Contas da União, 
asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação 
ou revogação de ato administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da 
legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão.
Mas as coisas sempre podem se complicar, não é?
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É o seguinte: até fevereiro de 2020, o STF entendia que, se o TCU se manifestasse sobre 
o ato de aposentadoria dentro do prazo de cinco anos (artigo 54 da Lei n. 9.784/1999), não 
precisaria abrir para o servidor se manifestar em contraditório e ampla defesa.
Contudo, prevalecia (sempre no passado) a orientação de que, mesmo depois desses cin-
co anos, o TCU ainda poderia cassar a aposentadoria, desde que respeitando o contraditório e 
ampla defesa.
E como ficou agora?
Invocando a segurança jurídica e o princípio da confiança legítima, o STF firmoua seguinte 
tese:
Os Tribunais de Contas estão sujeitos ao prazo de cinco anos para o julgamento da 
legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma ou pensão, a contar da 
chegada do processo à respectiva Corte de Contas, em atenção aos princípios da segu-
rança jurídica e da confiança legítima (STF, RE n. 636.553).
Trocando em miúdos, para evitar que o servidor ficasse a vida inteira com a espada na 
cabeça, esperando o TCU aparecer do nada com uma “pegadinha do malandro”, o STF decidiu 
que, se o controle não for feito dentro do quinquênio legal, opera-se a decadência, não poden-
do mais o TCU cassar a aposentadoria.
E a Súmula Vinculante n. 3 foi alterada?
Não, a alteração de entendimento do STF não atinge a Súmula, porque a interpretação que 
mudou não alterou a natureza jurídica do ato de aposentadoria, que continua sendo complexo.
Tem mais: o STF entende que a competência técnica do Tribunal de Contas do Estado, 
ao negar registro de admissão de pessoal, não se subordina à revisão pelo Poder Legislativo 
respectivo. Ou seja, deu-se mais peso ao papel do TC, na medida em que não atuaria somente 
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como auxiliar do Legislativo. Por ter natureza técnica, a decisão do TC não poderia ser revista 
pelo Legislativo (STF, RE n. 576.920).
A Súmula Vinculante n. 3 estabelece que, nos processos perante o Tribunal de Contas da 
União, asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anu-
lação ou revogação de ato administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação 
da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão.
IV – realizar, por iniciativa própria, da Câmara do Deputados, do Senado Federal, de Comissão téc-
nica ou de inquérito, inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, opera-
cional e patrimonial, nas unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, 
e demais entidades referidas no item 2;
Repare que nesse dispositivo se fala numa auditoria feita pelo TCU sobre órgãos públicos, 
e não diretamente em relação a terceiros.
É por essa razão que se firmou a jurisprudência do STF no sentido de que, na auditoria 
promovida pelo Tribunal de Contas sobre órgãos públicos, o contraditório se forma entre os 
referidos órgãos e o TCU, não se admitindo a integração do feito por eventuais terceiros.
Num dos casos apreciados pelo STF, a discussão girava em torno de regularização fundi-
ária e uma das moradoras da área queria questionar no STF, diretamente, a atuação do TCU, 
o que foi negado ante sua ilegitimidade (STF, MS n. 31.707).
V – fiscalizar as contas nacionais das empresas supranacionais de cujo capital social a União 
participe, de forma direta ou indireta, nos termos do tratado constitutivo;
VI – fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União mediante convênio, acor-
do, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a Município;
VII – prestar as informações solicitadas pelo Congresso Nacional, por qualquer de suas Casas, ou 
por qualquer das respectivas Comissões, sobre a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, 
operacional e patrimonial e sobre resultados de auditorias e inspeções realizadas;
VIII – aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as 
sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano 
causado ao erário;
IX – assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato cum-
primento da lei, se verificada ilegalidade;
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X – sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à Câmara do 
Deputados e ao Senado Federal;
No caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacio-
nal, que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis.
Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de noventa dias, não efetivar as 
medidas previstas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito.
XI – representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados.
Avançando, o STF decidiu que o artigo 71 da Constituição não insere na competência do 
TCU a aptidão para examinar, previamente, a validade de contratos administrativos celebra-
dos pelo Poder Público.
Em razão disso, aplicando o princípio da simetria, entendeu pela inconstitucionalidade de 
norma estadual que previa a competência do TCE para realizar exame prévio de validade de 
contratos firmados com o Poder Público (STF, ADI n. 916).
Um ponto recorrente nas provas: as decisões do Tribunal de que resulte imputação de 
débito ou multa terão eficácia de título executivo (extrajudicial).
Tem um ponto que eu tenho certeza de que será cobrado nas provas objetivas e subjeti-
vas, que é a discussão para se saber se há ou não prescrição das decisões dos tribunais de 
contas que imputam débito aos agentes públicos.
Em maio de 2020, o Plenário do STF fixou tese dizendo ser prescritível a pretensão de res-
sarcimento ao erário fundada em decisão de Tribunal de Contas (STF, RE n. 636.886).
Na ocasião, afastou-se a imprescritibilidade das ações de ressarcimento ao erário base-
adas em atos dolosos de improbidade administrativa (tese firmada em 2018).
Prevaleceu a orientação de que: (a) TCU não analisa a existência ou não de ato doloso de 
improbidade administrativa; (b) não há decisão judicial caracterizando a existência de ato ilí-
cito doloso, inexistindo contraditório e ampla defesa plenos, pois não é possível ao imputado 
defender-se no sentido da ausência de elemento subjetivo.
Fique atento, pois após a Lei n. 14.230/2021 não há mais a previsão de ato de improbidade 
na forma culposa. Todas as condutas exigem a ação ou omissão dolosa. Em consequência, 
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não há mais a distinção existente no sentido de que a ação de ressarcimento ao erário pres-
creveria quando o ato fosse culposo e não prescreveria se fosse doloso. Na prática, todo ato 
de improbidade é doloso, o que gera a imprescritibilidade da ação de ressarcimento ao erário.
As decisões proferidas pelo TCU que resultem a imputação de débito ou de multa têm eficácia 
de título executivo.
O Tribunal encaminhará ao Congresso Nacional, trimestral e anualmente, relatório de suas 
atividades.
Para o STF, além dos poderes outorgados pela Constituição expressamente no art. 71, o 
TCU também possuiria os chamados poderes constitucionais implícitos.
Assim, para exercer sua missão constitucional (fiscalizar), ele teria legitimidade para ex-
pedir medidas cautelares para prevenir lesão ao erário e garantir a efetividade de suas deci-
sões (STF,MS n. 24.510).
De todo modo, não se enquadraria dentro desses poderes implícitos a possibilidade de 
decretação de quebra de sigilo bancário (STF, MS n. 22.801).
Ocorre que em um julgamento rumoroso – política e juridicamente –, o STF entendeu que 
o TCU poderia requisitar informações ao BNDES, de um contrato de empréstimo envolvendo 
o BNDES e a JBS/Friboi.
Na ocasião, o Banco alegava que dar acesso aos dados significava quebrar o sigilo dos 
dados (bancários). O STF rebateu essa tese, pontuando que, se ela fosse vencedora, nenhum 
contrato entabulado pelo BB, pela Caixa poderia ser fiscalizado, o que certamente vai contra a 
missão do TCU (STF, MS n. 33.340).
Mas não parou por aí: uma determinação do TCU determinava que o Banco do Brasil forne-
cesse dados necessário para a realização de uma auditoria.
Daí, o Banco negou, invocando a proteção de sigilos bancário e empresarial.
Novamente, lá foi o TCU ao STF, tendo o Tribunal pontuado o sigilo bancário não se aplica-
ria a dados inerentes a sociedade de economia mista, enquanto entidade integrante da admi-
nistração pública indireta, nem a operações que envolvam recursos públicos.
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Logo, quando enfocados apenas dados operacionais da sociedade de economia mista, 
sem identificação de dados pessoais ou de movimentações individuais dos correntistas, não 
haveria como invocar o sigilo bancário como obstáculo ao fornecimento dos documentos de 
auditoria interna requisitados pelo TCU (STF, MS n. 23.168).
Antes de falar do TCU e dos demais TCs especificamente, vou destacar outra informação 
para lá de importante: a Súmula n. 347 do STF prevê a possibilidade de os Tribunais de Contas, 
no exercício de suas atribuições, apreciarem a constitucionalidade das leis e dos atos do poder 
público.
Ou seja, esse entendimento permitiria ao TC fazer controle de constitucionalidade, diante 
do caso concreto.
Porém, a súmula foi editada em 1963 e há algum tempo vinha sendo questionada.
Daí, em abril de 2021, o Plenário do STF definiu que não cabe à Corte de Contas, por não ter não cabe à Corte de Contas, por não ter 
função jurisdicional, exercer o controle de constitucionalidade nos processos sob sua análise. função jurisdicional, exercer o controle de constitucionalidade nos processos sob sua análise. 
A invocação da Súmula n. 347 estaria comprometida desde a promulgação da atual Consti-
tuição.
Na ocasião, pontuou-se que admitir a continuidade da possibilidade de o TC declarar inci-
dentalmente a inconstitucionalidade geraria desrespeito à função jurisdicional e à competên-
cia exclusiva do STF, além de afrontar as funções do Legislativo, responsável pela produção 
das normas jurídicas.
Embora a Súmula n. 347 não tenha sido formalmente cancelada, o efeito prático da deci-
são proferida pelo Plenário do STF é afastar a possibilidade de o TC fazer controle de consti-
tucionalidade dentro de sua atuação (STF, MS n. 35.410).
Embora o TCU não possa quebrar sigilo bancário, ele pode requisitar informações constantes 
em contrato de empréstimo firmado entre o BNDES e um particular.
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Tribunal de Contas da União
Para auxiliar o Poder Legislativo federal na função fiscalizatória é que existe o Tribunal de 
Contas da União.
Quanto ao TCU – e aos demais TCs –, é importante destacar que não há relação de subor-
dinação ao Legislativo, inexistindo qualquer vínculo de ordem hierárquica (STF, ADI n. 4.190).
Até mesmo dentro dessa ótica, os TCs possuem legitimidade para propor projetos de lei 
relativos à alteração de sua organização e funcionamento. Isso decorreria da autonomia finan-
ceira, administrativa e financeira que eles detêm (STF, ADI n. 4.418).
É por tal razão que se declarou inconstitucionalidade de lei complementar do Estado do 
RJ, de origem parlamentar, que alterou diversos dispositivos da Lei Orgânica do TCE/RJ. Na 
ocasião, reafirmou-se que as Cortes de Contas do país gozam das prerrogativas da autono-
mia e do autogoverno, o que inclui, essencialmente, a iniciativa privativa para instaurar pro-
cesso legislativo que pretenda alterar sua organização e funcionamento (STF, ADI n. 4.643).
Vamos falar um pouco sobre o TCU!
Você já viu que ele emite pareceres sobre as contas do presidente da República e viu tam-
bém que tais pareceres não vinculam o Poder Legislativo.
Os requisitos para ser Ministro do TCU estão na Constituição. Veja:
a) ser brasileiro (nato ou naturalizado);
b) ter entre 35 e 65 anos;
c) possuir idoneidade moral e reputação ilibada;
d) possuir notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou de adminis-
tração pública;
e) ter mais de 10 anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija os co-
nhecimentos acima listados.
O TCU é composto por nove Ministros, sendo 1/3 (um terço) escolhido pelo presidente da 
República, enquanto os outros 2/3 (dois terços) são eleitos pelo Congresso nacional.
Confira como funciona:
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COMPOSIÇÃO DO TCU
1/3 (três ministros)1/3 (três ministros)
Escolhidos pelo
presidente da República
1 livre escolha do PR.
1 entre auditores, escolhido pelo PR entre integrantes de lista tríplice 
elaborada pelo TCU.
1 entre membros do MP/Contas, escolhido pelo PR entre integrantes de 
lista tríplice elaborada pelo TCU.
Necessária aprovação por maioria simples do Senado Federal.
2/3 (seis ministros)2/3 (seis ministros)
Escolhidos pelo
Congresso Nacional
Constituição não especifica as regras, que cabem ao próprio Parla-
mento.
Não haverá sabatina pelo Senado, uma vez que a escolha foi feita pelo 
Poder Legislativo.
Na tabela aí de cima, ficou claro que apenas em relação aos ministros indicados pelo pre-
sidente da República haverá a necessidade de aprovação do nome pelo Senado Federal.
Isso se deve por conta da atuação dos freios e contrapesos, na medida em que não faria 
sentido o Congresso Nacional indicar e o Senado avaliar o nome proposto.
Um detalhe que passa despercebido por muitos candidatos experientes é o quórum exigi-
do para a aprovação do nome indicado para o TCU.
Diferentemente do que acontece com o STF, o STJ e o TST, para os quais se exige quó-
rum de maioria absoluta, no caso do TCU, basta a aprovação de maioria simples (=relativa) 
dos senadores.
Aliás, grave aí dois importantes casos de exigência de quórum de maioria simples para a 
aprovação do nome pelo Senado: TCU, que você acabou de ver, e o STM!
Avançando, os ministros gozam das mesmas garantias, prerrogativas, impedimentos, 
vencimentos e vantagens dos Ministros do STJ.
Então, como os ministros do STJ – na verdade, dos Tribunais Superiores – são julgados 
no STF tanto pelo crime comum quanto no crime de responsabilidade, os ministros doTCU 
seguirão o mesmo caminho.
O auditor, quando em substituição a ministro, terá as mesmas garantias e impedimentos 
do titular e, quando no exercício das demais atribuições da judicatura, as de juiz de TRF.
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Outra coisa: o Ministério Público que atua perante o Tribunal de Contas (MP/Contas) não 
se insere na estrutura nem do Ministério Público da União nem do Ministério Público Estadu-
al. Ao contrário, ele está ligado à própria Corte de Contas.
Digo mais: o entendimento do STF é no sentido de que o MP/Contas não dispõe das ga-
rantias institucionais pertinentes ao MPU e ao MPE, especialmente aquelas prerrogativas re-
lativas à autonomia administrativa e financeira e ao poder de iniciativa de projetos de lei refe-
rentes à sua organização.
Aliás, é por isso que os projetos de lei de interesse do MP/Contas serão propostos pelo 
respectivo Tribunal de Contas (STF, ADI n. 2.378).
Tribunal de Contas dos Estados
Eu diria que a Constituição é muito econômica (até demais) quando fala dos TCEs.
Note que no artigo 75 da Constituição está previsto que cada TCE possuirá sete conselhei-
ros, cabendo às Constituições Estaduais a responsável por organizar esses Tribunais.
Diante de regras conflitantes, o STF editou a Súmula n. 653, muito cobrada nas provas.
A súmula veio para definir como ficaria a distribuição das cadeiras, uma vez que o tema 
não foi disciplinado na Constituição. Mais do que isso: havia outro complicador, que era o fato 
de 7 ser um número primo.
No final, ficou previsto que, dos sete conselheiros, três são escolhidos pelo governador e 
quatro pela Assembleia Legislativa.
Traçando um paralelo com o modelo federal, nos três integrantes indicados pelo governa-
dor, um seria de sua livre escolha, enquanto os outros dois viriam de listas tríplices, elaborada 
pelo TCE, envolvendo auditores e membros do MP/Contas – uma vaga para cada.
Outra coisa: segundo o STF, é válida a previsão regimental que permite a reeleição do pre-
sidente e vice-presidente do TCE (STF, ADI n. 3.377). Porém, ao julgar a ADI n. 5.692, o Tribunal 
estabeleceu que só poderia haver uma reeleição para cargos de direção, a exemplo do que 
acontece com as mesas diretoras das Casas Legislativas.
Avançando, o STF decidiu que o artigo 71 da Constituição não insere na competência do 
TCU a aptidão para examinar, previamente, a validade de contratos administrativos celebrados 
pelo Poder Público.
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Em razão disso, aplicando o princípio da simetria, entendeu pela inconstitucionalidade de 
norma estadual que previa a competência do TCE para realizar exame prévio de validade de 
contratos firmados com o Poder Público (STF, ADI n. 916).
Outra coisa: os membros dos Tribunais de Contas – TCU, TCE, TCDF e TCM (onde houver) 
– gozam da garantia da vitaliciedade, tal qual acontece com os membros da Magistratura.
Em virtude disso, foi declarado inconstitucional dispositivo de Constituição Estadual que 
previa a perda do cargo de Conselheiro do TCE por decisão da Assembleia. Isso porque só 
seria possível a perda do cargo por decisão judicial transitada em julgado (STF, ADI n. 4.190).
Quanto à competência para julgamento dos membros do TCE, o artigo 105, I, a, da Cons-
tituição, diz caber ao STJ o julgamento dos Conselheiros, tanto nos crimes comuns quanto 
nos de responsabilidade.
Ah, essa regra – julgamento pelo STJ nos crimes comuns e nos de responsabilidade – 
vale para membros do TCE, do TCDF e do TCM (onde houver).
Portanto, pensando em membros dos TCs, ficam de fora apenas os Ministros do TCU, pois 
eles serão julgados pelo STF.
Ainda pensando nos TCEs, o STF entendeu que o cargo de Conselheiro tinha natureza 
técnico-administrativa, e não política.
Daí você me pergunta qual a consequência.
É que o STF, ao menos neste momento (há uma tendência de superação da orientação), 
definiu que a proibição do nepotismo – SV n. 13 – não se aplicaria aos cargos de natureza 
política, como é o caso de secretários de Estado (STF, RCL n. 6.702).
Trazendo o caso concreto para facilitar sua lembrança, o então governador do Paraná 
colocou um irmão para Secretário de Estado e outro para Conselheiro do TCE.
Na ocasião, o STF entendeu que era possível a nomeação do irmão (parente de 2º grau) 
para Secretário de Estado, mas não para Conselheiro do TCE, exatamente por conta da natu-
reza dos cargos.
Outra coisa: a Lei Orgânica do TCDF previa a aplicação subsidiária aos conselheiros do 
das normas do regime jurídico dos servidores públicos desse órgão. Ao analisar o dispositivo, 
o STF considerou que essa possibilidade conduziria à extensão indevida de vantagens não 
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estabelecidas na Lei Orgânica da Magistratura e quebra da paridade determinada pela Cons-
tituição da República entre os membros do Tribunal de Contas e os magistrados, conforme 
previsão do § 3º do art. 73 e do art. 75 da Constituição da República.
Ou seja, sendo os membros de TCs equiparados aos Membros da Magistratura, não po-
dem aqueles buscar benefícios previstos apenas para servidores (STF, ADI n. 3.417).
Exatamente dentro dessa ideia é que o STF reconhece a constitucionalidade da equipara-
ção remuneratória entre auditores de contas e juízes estaduais como garantia funcional de in-
dependência da judicatura de contas – artigo 73, § 4º, da CF. Pode anotar, pois isso vai chover 
nas provas, pois nós sabemos que o artigo 37 veda, em regra, a vinculação ou equiparação de 
quaisquer espécies remu-neratórias (STF, ADI 6.953).
Finalizando, o papel do TCE vai além de fiscalizar as contas do próprio Estado, na medida 
em que, em regra, não existe TCM. Cabe, então, ao TCE auxiliar tanto a respectiva Assembleia 
quanto as Câmaras Municipais.
Tribunal de Contas do Município
Esse assunto, na verdade, deveria ser abordado lá na aula de Organização Político-admi-
nistrativa, no ponto destinado aos municípios. Mas vou colocar aqui também só para pegar 
carona na cauda do cometa... Rsrs.
A CF atual proíbe a criação de tribunais ou conselhos de contas municipais, mas excep-
ciona os órgãos que já existiam antes de 1988. Na prática, há somente dois, que são o TCM-
-SP e o TCM-RJ. Repare que são órgãos municipais, certo?
Daí, o que você precisa saber para as provas é que o julgamento de membros do TCM ca-
berá ao STJ tanto em crimes comuns, quanto nos de responsabilidade – artigo 105, I, da CF.
Além disso, a Constituição do Estado de São Paulo prevê que o TCM-SP da capital (órgão 
municipal, repito!) deve ter cinco conselheiros: dois escolhidos pelo prefeito e três pela Câ-
mara Municipal.
Então, uma entidade de classe que representa nacionalmente os auditores de contas (AU-
DICON) ingressou com ADI no STF alegando invasãoestadual na autonomia do município (já 
que o órgão municipal teve a composição delimitada por Constituição Estadual) e quebra da 
simetria, uma vez que o TCE tem sete conselheiros, enquanto o TCM teria apenas cinco.
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Examinando as ações, o STF, em decisão majoritária, concluiu em 2020 pela constitucio-
nalidade do dispositivo da CE-SP, pontuando que não houve violação à autonomia municipal 
nem ao princípio da simetria.
Em primeiro lugar, porque a lei orgânica municipal também citava a composição de cinco 
conselheiros para o TCM-SP; em segundo lugar, porque era proporcional o número de cinco 
conselheiros para o órgão municipal, considerando que o TCE tem sete e que o TCU tem nove 
integrantes. Ou seja, o escalonamento no número de membros estava de acordo com o tama-
nho da estrutura e importância de cada uma das Cortes de Contas (STF, ADI n. 346).
Ainda sobre o TCM-SP e o TCM-RJ (órgãos municipais), o STF entendeu que não precisa 
existir Ministério Público especial atuando junto a esses órgãos. 
Prevaleceu a ideia de que não faria sentido falar em simetria aos modelos federal e esta-
dual na medida em que na esfera municipal não existe Ministério Público, Defensoria Pública 
ou Judiciário (STF, ADPF n. 292).
Nos crimes comuns e nos de responsabilidade, os ministros do TCU serão julgados pelo STF; 
já os membros do TCE, TCDF e do TCM serão julgados no STJ pelas mesmas infrações.
10.2. ControLe interno
Além do controle externo, trazido pelo art. 71, a Constituição também prevê expressamente 
o controle interno.
Lá no comecinho de nossa aula sobre função fiscalizatória, eu já alertava que o controle 
interno é feito por todos os Poderes, em todas as esferas de governo, não importando se Ad-
ministração Direta ou Indireta.
Dentro dessa perspectiva, pensando nas provas, destaco os seguintes órgãos de controle 
interno: a CGU, as CGEs, CGMs e o CNJ. Aliás, eles são velhos conhecidos dos concurseiros 
mais experientes, tendo em vista a quantidade de questões relacionadas ao tema.
Há uma previsão bem importante na Constituição, no sentido de conferir mais proteção 
ao patrimônio público. É a previsão segundo a qual os responsáveis pelo controle interno, ao 
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tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tri-
bunal de Contas da União, sob pena de responsabilidade solidária.
Abrindo um parêntese, não sei se você conhece a diferença entre responsabilidade soli-
dária e subsidiária. Esta (a subsidiária) é tecnicamente menos grave, pois incide o benefício 
de ordem, uma espécie de fila. Usando a fiança como exemplo, primeiro se cobra a dívida do 
devedor principal. Se ele não pagar, a cobrança recai sobre o fiador.
Já, na responsabilidade solidária, o devedor poderia avançar contra o devedor principal ou 
contra o outro sem nenhuma ordem de preferência. É o caso do aval.
Seja como for, é importante para as provas e para a vida que você tenha muito cuidado 
com a fiança e o aval. Não são raras as hipóteses de pessoas que têm a vida destruída por 
“emprestar o nome” na confiança.
Já fechando o parêntese, como se trata de responsabilidade solidária, independentemen-
te do que aconteça com o servidor que praticou a ilegalidade, aquele servidor responsável 
pelo controle interno poderá ser responsabilizado.
Qual foi a ideia do Constituinte? Passar um recado claro para os servidores que cuidam do 
controle interno: não caia na besteira de tentar proteger um colega servidor que esteja fazen-
do um malfeito, pois isso pode sobrar para você!
Ah, também existe a previsão no sentido de que qualquer cidadão, partido político, asso-
ciação ou sindicato é parte legítima para, na forma da lei, denunciar irregularidades ou ilegali-
dades perante o TCU.
11. tóPiCo esPeCiaL: súmuLas aPLiCáveis à auLa
Súmulas Vinculantes – STF
Súmula Vinculante n. 3
Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o contraditório e a 
ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato administrativo 
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que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial 
de aposentadoria, reforma e pensão.
Súmula Vinculante n. 13
A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, 
até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurí-
dica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em 
comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e 
indireta em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, 
compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal.
Súmula Vinculante n. 54
A medida provisória não apreciada pelo congresso nacional podia, até a Emenda Consti-
tucional n. 32/2001, ser reeditada dentro do seu prazo de eficácia de trinta dias, mantidos os 
efeitos de lei desde a primeira edição.
Súmulas STF – não Vinculantes
Súmula n. 5. A sanção do projeto supre a falta de iniciativa do Poder Executivo. 
(Atenção: esta súmula não foi formalmente cancelada, mas não vigora na atualidade, por-
que se entende que vício de iniciativa não se convalida nem mesmo com a sanção).
Súmula n. 6
A revogação ou anulação, pelo Poder Executivo, de aposentadoria ou qualquer outro ato 
aprovado pelo Tribunal de Contas não produz efeitos antes de aprovada por aquele Tribunal, 
ressalvada a competência revisora do Judiciário.
Súmula n. 245
A imunidade parlamentar não se estende ao corréu sem essa prerrogativa.
Súmula n. 347
O Tribunal de Contas, no exercício de suas atribuições, pode apreciar a constitucionalidade 
das leis e dos atos do poder público.
Embora a Súmula n. 347 não tenha sido formalmente cancelada, em abril de 2021, o Plená-
rio do STF afastou a possibilidade de o TC fazer controle de constitucionalidade dentro de sua 
atuação (STF, MS n. 35.410).
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Súmula n. 651
A medida provisória não apreciada pelo Congresso Nacional podia, até a EC n. 32/2001, 
ser reeditada dentro do seu prazo de eficácia de trinta dias, mantidos os efeitos de lei desde a 
primeira edição.
Súmula n. 653
No tribunal de contas estadual, compostopor sete conselheiros, quatro devem ser escolhi-
dos pela assembleia legislativa e três pelo chefe do Poder Executivo estadual, cabendo a este 
indicar um dentre auditores e outro dentre membros do Ministério Público, e um terceiro à sua 
livre escolha.
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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL 
QUESTÕES DE CONCURSO
AOCP
Temas Gerais
questão 1 (EBSERH/ADVOGADO/2017) Analise as assertivas e assinale a alternativa que 
aponta as corretas.
I – Os pagamentos devidos pelas Fazendas Públicas Federal, Estaduais, Distrital e Municipais, 
em virtude de sentença judiciária, dar-se-ão exclusivamente na ordem cronológica de apresenta-
ção dos precatórios e à conta dos créditos respectivos, ficando vedada a designação de casos 
ou de pessoas nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para esse fim.
II – Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, julgar originariamente a ação direta 
de inconstitucionalidade de qualquer lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declara-
tória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal, estadual e municipal.
III – Cabe ao Congresso Nacional a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional 
e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, 
legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas.
IV – Não será objeto de deliberação somente proposta de emenda constitucional tendente a 
abolir o voto direto, secreto, universal e periódico, a forma federativa de Estado e os direitos e 
garantias fundamentais.
V – São fundamentos da República Federativa do Brasil a soberania, a cidadania, a dignidade da 
pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre-iniciativa e a liberdade de expressão.
a) Apenas I, III e V.
b) Apenas II, IV e V.
c) Apenas I, II e III.
d) Apenas I e III.
e) Apenas II, III, IV e V.
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questão 2 (CASAN/ADVOGADO/2016) Sobre a organização do Estado e dos Poderes, as-
sinale a alternativa correta.
a) A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, 
os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, exceto a União, nos termos 
da Constituição Federal.
b) A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suple-
mentar dos Estados.
c) Compete privativamente à União legislar sobre florestas, caça, pesca, fauna, conservação 
da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da 
poluição.
d) Compete privativamente à Câmara dos Deputados processar e julgar o Presidente da Repú-
blica nos crimes de responsabilidade.
e) No caso de deputado ter procedimento declarado incompatível com o decoro parlamentar, 
a perda do mandato será decidida pela Câmara dos Deputados, por maioria simples, mediante 
provocação da mesa da Câmara ou de partido político representado no Congresso Nacional, 
assegurada a ampla defesa.
questão 3 (UFPB/ADVOGADO/2014) De acordo com a Constituição Federal a respeito do 
que compete privativamente à Câmara dos Deputados, analise as assertivas e assinale a alter-
nativa que aponta as corretas.
I – Autorizar, por dois terços de seus membros, a instauração de processo contra o Presidente 
e o Vice-Presidente da República e os Ministros de Estado.
II – Proceder à tomada de contas do Presidente da República, quando não apresentadas ao 
Congresso Nacional dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa.
III – Elaborar seu regimento interno.
IV – Dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção 
dos cargos, empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da respec-
tiva remuneração, observados os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias.
a) Apenas I, II e IV.
b) Apenas I, II e III.
c) Apenas I, III e IV.
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d) Apenas II e III.
e) I, II, III e IV.
questão 4 (UFSM/ADVOGADO/2014) Assinale a alternativa INCORRETA.
a) Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opini-
ões, palavras e votos.
b) Os Deputados e Senadores, desde a expedição do diploma, serão submetidos a julgamento 
perante o Supremo Tribunal de Justiça.
c) Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser pre-
sos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro 
de vinte e quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, 
resolva sobre a prisão.
d) Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime ocorrido após a diplomação, 
o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido po-
lítico nela representado e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, 
sustar o andamento da ação.
e) Os Deputados e Senadores não serão obrigados a testemunhar sobre informações recebi-
das ou prestadas em razão do exercício do mandato, nem sobre as pessoas que lhes confia-
ram ou deles receberam informações.
questão 5 (UFSM/ADVOGADO/2014) De acordo com a Constituição Federal, os Deputa-
dos e Senadores NÃO poderão, desde a expedição do diploma,
a) firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa públi-
ca, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público, salvo quando 
o contrato obedecer a cláusulas uniformes.
b) ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de 
contrato com pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função remunerada.
c) ocupar cargo ou função de que sejam demissíveis ad nutum, em pessoa jurídica de direito 
público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária 
de serviço público.
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d) patrocinar causa em que seja interessada qualquer pessoa jurídica de direito público, autar-
quia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço 
público.
e) ser titulares de mais de um cargo ou mandato público eletivo.
questão 6 (UFSM/ADVOGADO/2014) Analise as assertivas e assinale a alternativa que 
aponta as corretas. De acordo com a Constituição Federal, perderá o mandato o Deputado ou 
Senador:
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2. o Congresso naCionaL
O Congresso Nacional é a junção das duas Casas Legislativas. A sua presidência é exer-
cida pelo Presidente do Senado Federal. Exatamente por isso, são comuns questões de con-
cursos que colocam o presidente do Congresso Nacional à frente do presidente da Câmara na 
linha sucessória, logo abaixo do vice-presidente.
No entanto, você deve lembrar que a ordem contempla, imediatamente após o vice-presi-
dente, o presidente da Câmara do Deputados, Casa que representa o povo.
Pensando na Mesa do Congresso, os demais membros que a compõem vêm, alternada-
mente, das Mesas do Senado e da Câmara do Deputados.
Veja como fica a composição no quadro a seguir:
Mesa do Congresso Nacional
Presidente: Senado Federal
1º Vice-presidente: Câmara do Deputados 2º Segundo vice-presidente: Senado Federal
1º Primeiro secretário: Câmara do Deputados 2º Segundo secretário: Senado Federal
3º Terceiro secretário: Câmara do Deputados 4º Quarto secretário: Senado Federal
Ah, outro item frequente em provas: a promulgação de Emendas à Constituição cabe às 
Mesas da Câmara e do Senado em conjunto. Não é correto substituir pela Mesa do Congresso.
Ou seja, considerando que cada uma das Casas possui sete membros, as Emendas 
contarão com 14 assinaturas no ato da promulgação: sete da Câmara e outras sete do 
Senado Federal.
A promulgação de emendas à Constituição é feita pelas Mesas da Câmara e do Senado em 
conjunto, e não pela mesa do Congresso Nacional.
Avançando, de acordo com o art. 48 da Constituição, cabe ao Congresso Nacional, com a 
sanção do presidente da República, não exigida esta para o especificado nos artigos 49, 51 e 
52, dispor sobre todas as matérias de competência da União, especialmente sobre:
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I – sistema tributário, arrecadação e distribuição de rendas;
II – plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orçamento anual, operações de crédito, dívida pública 
e emissões de curso forçado;
III – fixação e modificação do efetivo das Forças Armadas;
IV – planos e programas nacionais, regionais e setoriais de desenvolvimento;
V – limites do território nacional, espaço aéreo e marítimo e bens do domínio da União;
VI – incorporação, subdivisão ou desmembramento de áreas de Territórios ou Estados, ouvidas as 
respectivas Assembleias Legislativas;
VII – transferência temporária da sede do Governo Federal;
VIII – concessão de anistia;
IX – organização administrativa, judiciária, do Ministério Público e da Defensoria Pública da União e 
dos Territórios e organização judiciária e do Ministério Público do Distrito Federal;
X – criação, transformação e extinção de cargos, empregos e funções públicas, observado o que 
estabelece o art. 84, VI, b;
Se os cargos, empregos ou funções públicas estiverem vagos, a extinção se dará por meio 
de decreto do presidente da República; estando preenchidos, a extinção será feita por meio de 
lei, com a sanção presidencial.
XI – criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública;
Se organização e funcionamento não implicar o aumento de despesa nem a criação ou ex-
tinção de órgãos públicos, a competência será privativa do presidente da República, mediante 
decreto.
XII – telecomunicações e radiodifusão;
XIII – matéria financeira, cambial e monetária, instituições financeiras e suas operações;
XIV – moeda, seus limites de emissão, e montante da dívida mobiliária federal.
XV – fixação do subsídio dos Ministros do STF, observada que, por ser fixado em parcela única, é 
vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou 
outra espécie remuneratória.
A EC n. 19/1998 previu que a lei que fixava o subsídio dos Ministros do STF deveria ser de 
iniciativa conjunta dos presidentes da República, da Câmara do Deputados, do Senado Federal 
e do Supremo Tribunal. Isso porque esses subsídios servem como limite da remuneração dos 
servidores dos três Poderes da União (é o teto do funcionalismo federal).
No entanto, esse dispositivo foi modificado pela EC n. 41/2003, que conferiu ao STF a 
iniciativa privativa para a apresentação de lei versando sobre fixação dos subsídios de seus 
Ministros.
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Um conselho final: há muitos anos, quando eu ainda estudava para concursos de técnico 
judiciário, um professor tinha me sugerido fazer uma tabela, na horizontal (modo paisagem), 
com três colunas.
A primeira teria o artigo 21 da Constituição (competência exclusiva da União); a segunda, 
com o artigo 49 (competência exclusiva do Congresso Nacional); por fim, a terceira conteria 
as atribuições do presidente da República, previstas no artigo 84 da Constituição.
Segui aquela orientação e não me arrependi! Entendi quem deveria executar as tarefas 
descritas no artigo 21 da Constituição.
Exemplificando, lá no artigo 21, I, é dito que compete à União “manter relações com Estados 
estrangeiros”. Mas quem faria isso? O presidente, segundo o artigo 84, VII, deve:
celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional”. 
Já o Congresso Nacional ficaria encarregado de “resolver definitivamente sobre tratados, acordos 
ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional 
(artigo 49, I, da Constituição).
Tente você também!
3. ComPetênCia das Casas LegisLativas
Os artigos 49, 51 e 52 da Constituição tratam, respectivamente, das competências do Con-
gresso Nacional, da Câmara do Deputados e do Congresso Nacional.
Aqui vai uma dica inicial: é pequeno o rol de competências da Câmara do Deputados – são 
apenas cinco, mas as mais relevantes são somente duas. Já as competências do Congresso 
Nacional e do Senado Federal são bem extensas.
Na minha experiência como concurseiro, sempre usei uma linha de raciocínio: se eu fixasse 
as competências da Câmara, bastava eu escolher uma das outras para ler com mais dedica-
ção, no intuito de gravar.
Pois bem. Escolhi compreender melhor as competências do Senado. Por exclusão, as com-
petências que não estivessem naquelas que eu tinha em mente pertenceriam ao Congresso 
Nacional.
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Obviamente, você pode ou não seguir essa técnica. Aliás, cada um desenvolve suas pró-
prias técnicas ao longo dos estudos. Nem tudo aquilo que foi eficaz para mim terá efetividade 
para você... De todo modo, é importante ter uma boa diretriz.
Vamos em frente!
A competência exclusiva do Congresso Nacional (artigo 49) é geralmente exercida por 
meio de decreto legislativo. Há hipóteses, porém, de que será executada por intermédio de 
resolução. É o caso da autorização dada ao presidentecujo procedimento for declarado incompatível com o decoro parlamentar.
II – que deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça parte das sessões ordinárias 
da Casa a que pertencer, salvo licença ou missão por esta autorizada.
III – que perder ou tiver suspensos os direitos políticos.
IV – quando o decretar a Justiça Eleitoral, nos casos previstos nesta Constituição.
a) Apenas I e III.
b) Apenas III e IV
c) Apenas II e III
d) Apenas I, II e IV
e) I, II, III e IV
questão 7 (UFSM/ADVOGADO/2014) A Mesa do Congresso Nacional será presidida pelo
a) Presidente da Câmara dos Deputados
b) Presidente do Senado Federal.
c) Presidente da Assembleia Legislativa
d) Ministro da Justiça
e) Presidente da República
questão 8 (UFMT/ADVOGADO/2014) Analise as assertivas e assinale a alternativa que 
aponta as corretas.
I – O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe da Câmara dos 
Deputados e do Senado Federal.
II – Cada legislatura terá a duração de quatro anos.
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III – A Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo, eleitos, pelo sistema 
proporcional, em cada Estado, em cada Território e no Distrito Federal.
IV – Cada território elegerá três deputados.
a) Apenas I, II e III.
b) Apenas III e IV.
c) Apenas II e III.
d) Apenas I e IV
e) I, II, III e IV.
questão 9 (UFMT/ADVOGADO/2014) De acordo com a Constituição Federal, compete pri-
vativamente à Câmara dos Deputados, EXCETO
a) autorizar, por dois terços de seus membros, a instauração de processo contra o Presidente 
e o Vice-Presidente da República e os Ministros de Estado.
b) processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsa-
bilidade, bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da 
Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles
c) proceder à tomada de contas do Presidente da República, quando não apresentadas ao 
Congresso Nacional dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa.
d) elaborar seu regimento interno
e) dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção 
dos cargos, empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da respec-
tiva remuneração, observados os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias
questão 10 (UFMT/ADVOGADO/2014) Analise as assertivas e assinale a alternativa que 
aponta as corretas.
I – Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opini-
ões, palavras e votos.
II – Os Deputados e Senadores, desde a expedição do diploma, serão submetidos a julgamento 
perante o Supremo Tribunal Federal.
III – Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser pre-
sos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro 
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de vinte e quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, 
resolva sobre a prisão.
IV – Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime ocorrido após a diploma-
ção, o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido 
político nela representado e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, 
sustar o andamento da ação.
a) Apenas I, II e III.
b) Apenas III e IV
c) Apenas II e III.
d) Apenas I e IV.
e) I, II, III e IV.
questão 11 (MPE-BA/DIREITO/2014) Analise as assertivas e assinale a alternativa que 
aponta as corretas. Compete privativamente ao Senado Federal:
I – processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsa-
bilidade, bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da 
Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles.
II – processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho 
Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-Geral da Re-
pública e o Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade.
III – autorizar, por dois terços de seus membros, a instauração de processo contra o Presidente 
e o Vice-Presidente da República e os Ministros de Estado.
IV – proceder à tomada de contas do Presidente da República, quando não apresentadas ao 
Congresso Nacional dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa.
a) Apenas I e II.
b) Apenas I, II e IV.
c) Apenas II e III.
d) Apenas II e IV.
e) I, II, III e IV.
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questão 12 (UFS/ADVOGADO/2014) De acordo com a Constituição Federal, cada Estado e 
Distrito Federal elegerão
a) três Senadores, com mandato de oito anos
b) três Senadores, com mandato de quatro anos
c) dois Senadores, com mandato de oito anos
d) dois Senadores, com mandato de quatro anos.
e) um Senador, com mandato de três anos.
Função Fiscalizatória 
questão 1 (UFS/ASSISTENTE ADMINISTRATIVO/2014) Assinale a alternativa correta. A 
EBSERH e suas subsidiárias estarão sujeitas à fiscalização dos órgãos de controle interno do 
Poder Executivo e ao controle externo que será exercido
a) pelo Congresso Nacional, com auxílio do Tribunal de Contas da União.
b) pela Câmara dos Deputados, com auxílio do Tribunal de Contas da União.
c) pelo Senado Federal, com auxílio do Tribunal de Contas da União.
d) pelo Poder Judiciário, com auxílio do Tribunal de Contas da União.
e) pelo Poder Legislativo, com auxílio do Tribunal de Contas da União.
questão 2 (UFES/ADVOGADO/2014) De acordo com a Constituição Federal, é da compe-
tência exclusiva do Congresso Nacional:
a) resolver provisoriamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem en-
cargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional.
b) autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da República a se ausentarem do País, quando a 
ausência exceder a dez dias.
c) aprovar o estado de defesa e a intervenção federal, autorizar o estado de sítio, ou suspender 
qualquer uma dessas medidas.
d) revogar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou 
dos limites de delegação legislativa.
e) mudar definitivamente sua sede.
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GABARITO 
Temas Gerais
1. d
2. b
3. e
4. b
5. a
6. e
7. b
8. a
9. b
10. e
11. a
12. a 
Função Fiscalizatória1. a
2. c
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GABARITO COMENTADO
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I – Os pagamentos devidos pelas Fazendas Públicas Federal, Estaduais, Distrital e Municipais, 
em virtude de sentença judiciária, dar-se-ão exclusivamente na ordem cronológica de apresenta-
ção dos precatórios e à conta dos créditos respectivos, ficando vedada a designação de casos 
ou de pessoas nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para esse fim.
II – Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, julgar originariamente a ação direta 
de inconstitucionalidade de qualquer lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declara-
tória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal, estadual e municipal.
III – Cabe ao Congresso Nacional a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional 
e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, 
legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas.
IV – Não será objeto de deliberação somente proposta de emenda constitucional tendente a 
abolir o voto direto, secreto, universal e periódico, a forma federativa de Estado e os direitos e 
garantias fundamentais.
V – São fundamentos da República Federativa do Brasil a soberania, a cidadania, a dignidade da 
pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre-iniciativa e a liberdade de expressão.
a) Apenas I, III e V.
b) Apenas II, IV e V.
c) Apenas I, II e III.
d) Apenas I e III.
e) Apenas II, III, IV e V.
Letra d.
Vou analisar cada item em separado.
É verdadeira a afirmação do item I, pois corresponde ao que consta no artigo 100, caput, da 
Constituição.
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Está errada a afirmação do item II. É que a ADI caberá para o questionamento de normas 
federais e estaduais, enquanto na ADC só podem ser analisadas as leis ou atos normativos 
federais. Digo ainda que na ADPF podem ser questionadas normas federais, estaduais, distri-
tais e municipais, inclusive editados antes da Constituição em vigor.
É verdadeiro o item III, que corresponde ao caput do artigo 70. Em âmbito federal, o controle 
externo é feito pelo Congresso Nacional, auxiliado pelo TCU.
O item IV está incorreto, pois, na parte final, faz menção a “direitos e garantias fundamentais”, 
quando na verdade deveria dizer “direitos e garantias individuais”, expressão que consta no ar-
tigo 60, § 4º, da Constituição. Ah, para o STF, nos direitos e garantias individuais, encontram-se 
os artigos 5º, 16 e 150.
O erro do item V está na inclusão da liberdade de expressão como fundamento da RFB. O fun-
damento correto é o pluralismo político, formando o mnemônico SO-CI-DI-VA-PLU.
Sendo verdadeiros os itens I e III, a resposta esperada está na letra d.
questão 2 (CASAN/ADVOGADO/2016) Sobre a organização do Estado e dos Poderes, as-
sinale a alternativa correta.
a) A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, 
os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, exceto a União, nos termos 
da Constituição Federal.
b) A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suple-
mentar dos Estados.
c) Compete privativamente à União legislar sobre florestas, caça, pesca, fauna, conservação 
da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da 
poluição.
d) Compete privativamente à Câmara dos Deputados processar e julgar o Presidente da Repú-
blica nos crimes de responsabilidade.
e) No caso de deputado ter procedimento declarado incompatível com o decoro parlamentar, 
a perda do mandato será decidida pela Câmara dos Deputados, por maioria simples, mediante 
provocação da mesa da Câmara ou de partido político representado no Congresso Nacional, 
assegurada a ampla defesa.
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Letra b.
Na competência concorrente, a União fica responsável por editar normas gerais, enquanto os 
Estados e o DF editam as normas suplementares.
a) Errada. A União, os Estados, o DF e os Municípios são dotados da tríplice autonomia (FAP 
– financeira, administrativa e política). Apenas os territórios federais, se criados, não terão au-
tonomia por serem autarquias da União.
c) Errada. Trata-se de competência concorrente – artigo 24, VI.
d) Errada. Nos crimes de responsabilidade (impeachment), o Presidente da República é julga-
do pelo Senado Federal, conforme artigo 52, I, da Constituição.
e) Errada. O artigo 55 diz o seguinte:
Art. 55. Perderá o mandato o Deputado ou Senador:
I – que infringir qualquer das proibições estabelecidas no artigo anterior;
II – cujo procedimento for declarado incompatível com o decoro parlamentar;
III – que deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça parte das sessões ordinárias da 
Casa a que pertencer, salvo licença ou missão por esta autorizada;
IV – que perder ou tiver suspensos os direitos políticos;
V – quando o decretar a Justiça Eleitoral, nos casos previstos nesta Constituição;
VI – que sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado.
§ 1º É incompatível com o decoro parlamentar, além dos casos definidos no regimento interno, o 
abuso das prerrogativas asseguradas a membro do Congresso Nacional ou a percepção de vanta-
gens indevidas.
§ 2º Nos casos dos incisos I, II e VI, a perda do mandato será decidida pela Câmara dos Deputados 
ou pelo Senado Federal, por maioria absoluta, mediante provocação da respectiva Mesa ou de parti-
do político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa.
Logo, analisando-se os trechos sublinhados, fica claro que a perda será decidida por maioria ab-
soluta da Casa, e não relativa como constou, o que torna errada a alternativa e.
questão 3 (UFPB/ADVOGADO/2014) De acordo com a Constituição Federal a respeito do 
que compete privativamente à Câmara dos Deputados, analise as assertivas e assinale a alter-
nativa que aponta as corretas.
I – Autorizar, por dois terços de seus membros, a instauração de processo contra o Presidente 
e o Vice-Presidente da República e os Ministros de Estado.
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II – Proceder à tomada de contas do Presidente da República, quando não apresentadas ao 
Congresso Nacionaldentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa.
III – Elaborar seu regimento interno.
IV – Dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção 
dos cargos, empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da respec-
tiva remuneração, observados os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias.
a) Apenas I, II e IV.
b) Apenas I, II e III.
c) Apenas I, III e IV.
d) Apenas II e III.
e) I, II, III e IV.
Letra e.
As competências privativas da Câmara dos Deputados estão previstas no artigo 51 da Consti-
tuição, que é pequeno.
Você vai notar que as competências da Câmara aparecem em apenas cinco incisos, mas que 
dois deles são realmente importantes.
Vamos lá, então!
O artigo 51 da Constituição lista as seguintes competências:
I – autorizar, por 2/3 de seus membros, a instauração de processo contra o Presidente da República, 
o Vice-Presidente e os Ministros de Estado.
Não importa se o crime é comum ou de responsabilidade! Para os dois casos, há a necessida-
de de autorização de 2/3 da Câmara (342 Deputados) para abrir processo contra o Presidente 
da República.
Um ponto importantíssimo: o STF, modificando sua jurisprudência, passou a entender que a 
necessidade de autorização do Legislativo para o julgamento do Presidente da República seria 
uma prerrogativa exclusiva do Chefe de Estado.
Em outras palavras, para se processar Governadores ou Prefeitos não há a necessidade de a 
Assembleia Legislativa ou a Câmara dos Vereadores darem autorização.
Mais do que isso: se houver na Constituição Estadual algum dispositivo prevendo a necessida-
de de autorização, essa regra será inconstitucional (STF, ADI n. 4.797).
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Tratando-se de crime comum, o julgamento caberá ao STF. De outro lado, será o Senado o 
órgão responsável para julgar os crimes de responsabilidade praticados pelo Presidente da 
República e pelo Vice-Presidente.
Em relação aos Ministros de Estado, cabe uma ressalva: se eles praticarem o crime de respon-
sabilidade juntamente com o Presidente da República ou Vice, serão julgados pelo Senado. 
Não havendo a conexão, caberá ao STF o julgamento desse agente, tanto no crime comum 
quanto no crime de responsabilidade.
Atualmente, o STF entende que não há necessidade de autorização do Legislativo para o STJ 
abrir processo por crime comum contra Governadores. Essa prerrogativa seria apenas do Pre-
sidente da República.
II – proceder à tomada de contas do Presidente da República se ele não as apresentar ao Congresso 
Nacional no prazo de 60 dias após a abertura da sessão legislativa;
Lá no artigo 49 você viu que o Presidente da República deve prestar as contas ao Congresso. 
Mas, se dentro do prazo de 60 dias após a abertura da sessão legislativa ele não fizer isso, 
caberá à Câmara dos Deputados proceder à tomada de contas.
III – elaborar seu regimento interno;
IV – dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção dos 
cargos, empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da respectiva remu-
neração, observados os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias;
V – eleger dois membros do Conselho da República.
Eu tinha dito a você que seriam apenas 5 incisos com as competências, mas a complexidade 
maior ficava com 2 deles – os dois primeiros.
Igual ao ditado popular, os 3 incisos restantes são mais fáceis do que empurrar bêbado na 
ladeira... Pense comigo: quem vai elaborar o Regimento Interno da Câmara? Quem vai organizar 
o funcionamento e a polícia da Câmara? Quem deve apresentar projeto de lei para aumentar a 
remuneração dos servidores da Câmara?
É óbvio que para todas essas perguntas há apenas uma resposta: a própria Câmara, no bom e 
velho estilo do “Ema, ema, ema, cada com seu problema”.
Para fechar as competências, o Conselho da República (artigo 89 da Constituição) tem, em sua 
composição, 6 cidadãos natos. A escolha desses cidadãos cabe à Câmara, ao Senado e ao Pre-
sidente da República, cada qual indicando dois integrantes.
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Voltando ao comando da questão, todas as quatro assertivas estão corretas, o que conduz 
para a letra e como resposta esperada.
questão 4 (UFSM/ADVOGADO/2014) Assinale a alternativa INCORRETA.
a) Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opini-
ões, palavras e votos.
b) Os Deputados e Senadores, desde a expedição do diploma, serão submetidos a julgamento 
perante o Supremo Tribunal de Justiça.
c) Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser pre-
sos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro 
de vinte e quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, 
resolva sobre a prisão.
d) Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime ocorrido após a diplomação, 
o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido po-
lítico nela representado e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, 
sustar o andamento da ação.
e) Os Deputados e Senadores não serão obrigados a testemunhar sobre informações recebi-
das ou prestadas em razão do exercício do mandato, nem sobre as pessoas que lhes confia-
ram ou deles receberam informações.
Letra b.
Repare que o examinador quer a alternativa que contém erro. A resposta esperada está na letra b.
Isso porque o artigo 53 da Constituição prevê o seguinte:
Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opini-
ões, palavras e votos.
§ 1º Os Deputados e Senadores, desde a expedição do diploma, serão submetidos a julgamento 
perante o Supremo Tribunal Federal.
Como consta no § 1º do artigo 53, o julgamento caberá ao STF, chamado indevidamente de 
Supremo Tribunal de Justiça.
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questão 5 (UFSM/ADVOGADO/2014) De acordo com a Constituição Federal, os Deputa-
dos e Senadores NÃO poderão, desde a expedição do diploma,
a) firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa públi-
ca, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público, salvo quando 
o contrato obedecer a cláusulas uniformes.
b) ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de 
contrato com pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função remunerada.
c) ocupar cargo ou função de que sejam demissíveis ad nutum, em pessoa jurídica de direito 
público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária 
de serviço público.
d) patrocinar causa em queseja interessada qualquer pessoa jurídica de direito público, autar-
quia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço 
público.
e) ser titulares de mais de um cargo ou mandato público eletivo.
Letra a.
Sobre o tema, é importante recuperar o artigo 54 da Constituição:
Art. 54. Os Deputados e Senadores não poderão:
I – desde a expedição do diploma:
a) firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa pública, so-
ciedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público, salvo quando o contrato 
obedecer a cláusulas uniformes;
b) aceitar ou exercer cargo, função ou emprego remunerado, inclusive os de que sejam demissíveis 
ad nutum, nas entidades constantes da alínea anterior;
II – desde a posse:
a) ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato 
com pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função remunerada;
b) ocupar cargo ou função de que sejam demissíveis ad nutum, nas entidades referidas no inciso I, “a”;
c) patrocinar causa em que seja interessada qualquer das entidades a que se refere o inciso I, “a”;
d) ser titulares de mais de um cargo ou mandato público eletivo.
Pelo trecho sublinhado, a resposta esperada está na letra a.
As demais alternativas também constituem vedações, mas que incidem apenas após a posse, 
e não a partir da expedição do diploma.
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questão 6 (UFSM/ADVOGADO/2014) Analise as assertivas e assinale a alternativa que 
aponta as corretas. De acordo com a Constituição Federal, perderá o mandato o Deputado ou 
Senador:
I – cujo procedimento for declarado incompatível com o decoro parlamentar.
II – que deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça parte das sessões ordinárias 
da Casa a que pertencer, salvo licença ou missão por esta autorizada.
III – que perder ou tiver suspensos os direitos políticos.
IV – quando o decretar a Justiça Eleitoral, nos casos previstos nesta Constituição.
a) Apenas I e III.
b) Apenas III e IV
c) Apenas II e III
d) Apenas I, II e IV
e) I, II, III e IV
Letra e.
O artigo 55 da Constituição Federal traz as hipóteses em que o parlamentar poderá perder seu 
mandato.
Desde logo, peço que você redobre os cuidados para as situações nas quais a perda deve ser 
decidida pela Casa, diferenciando-as daquelas nas quais a perda será declarada.
Essa distinção é de grande importância, na medida em que na declaração não haveria margem 
para a Casa para deixar de aplicar a punição.
Avançando, as regras da fidelidade partidária não se aplicam às eleições majoritárias (Chefes 
do Executivo e Senadores). Elas valem apenas para as eleições proporcionais (Deputados e 
Vereadores), ocorrendo a perda do mandato se o parlamentar trocar de legenda fora das hipó-
teses permitidas – STF, ADI n. 5.081.
Vamos lá! Em vez de seguir a ordem da Constituição, vou separar usando os casos de perda 
decidida e perda declarada, OK?
Antes, porém, outro alerta: a EC n. 76/2013 acabou com o voto secreto na cassação de man-
dato parlamentar e na apreciação dos vetos presidenciais. Atualmente, persiste o voto secreto 
apenas na sabatina de nomes, feita pelo Senado Federal.
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Perda decidida
Conjugando os artigos 54 e 55 da Constituição, a perda do mandato será decidida nos seguin-
tes casos:
a) quando parlamentar infringir qualquer das proibições do art. 54;
b) quando houver quebra de decoro parlamentar; (item I)
Nessa hipótese, em respeito à separação de Poderes, não caberia ao Judiciário controlar o mé-
rito das razões que ensejaram a perda do mandato por quebra de decoro (STF, MS n. 23.388).
Em importantíssimo julgado, que envolvia o ex-Deputado Federal José Dirceu, o STF decidiu 
que o membro do Congresso Nacional que se licenciasse do mandato para se investir no car-
go de ministro de Estado não perderia os laços que o unem ao Parlamento. Em razão disso, 
ainda que licenciado, poderia perder o mandato por quebra de decoro parlamentar (STF, MS n. 
25.579).
c) quando o parlamentar sofrer condenação criminal transitada em julgado.
Aqui, redobre as atenções! Isso porque no julgamento do Mensalão (AP n. 470), o STF enten-
deu que a perda do mandato seria automática, como consequência do trânsito em julgado da 
condenação.
Contudo, a orientação que prevalece hoje é diferente: a partir do caso do Senador Ivo Cassol 
(AP n. 565), o STF passou a entender que a perda do mandato deve ser decidida pela Casa, 
mesmo em caso de condenação definitiva. Foi aplicado o raciocínio de combinação dos arti-
gos 15, III, e 55, § 2º, ambos da Constituição.
Dentro desse contexto, a perda não é mais automática, devendo a decisão de perda ser toma-
da por maioria absoluta de votos na respectiva Casa, em votação aberta.
Perda declarada
Aqui, a perda seria automática, dependendo de iniciativa da Mesa da Casa respectiva, de ofício, 
ou mediante provocação de qualquer de seus membros ou de partido político.
Veja as hipóteses:
a) que deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça parte das sessões ordinárias 
da Casa a que pertencer, salvo licença ou missão por esta autorizada; (item II)
b) que perder ou tiver suspensos os direitos políticos; (item III)
c) quando o decretar a Justiça Eleitoral, nos casos previstos nesta Constituição. (item IV)
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Se você reparou, liste, sublinhando, os itens I a IV como verdadeiros, o que conduz à letra e 
como resposta esperada.
questão 7 (UFSM/ADVOGADO/2014) A Mesa do Congresso Nacional será presidida pelo
a) Presidente da Câmara dos Deputados
b) Presidente do Senado Federal.
c) Presidente da Assembleia Legislativa
d) Ministro da Justiça
e) Presidente da República
Letra b.
O Congresso Nacional é a junção das duas Casas Legislativas. A sua presidência é exercida 
pelo Presidente do Senado Federal.
Exatamente por isso, são comuns questões de concursos que colocam o Presidente do Con-
gresso Nacional à frente do Presidente da Câmara na linha sucessória, logo abaixo do Vice-
-Presidente.
No entanto, você deve lembrar que a ordem contempla imediatamente após o Vice-Presidente 
o Presidente da Câmara dos Deputados, Casa que representa o povo.
Pensando na Mesa do Congresso, os demais membros que a compõem vêm, alternadamente, 
das Mesas do Senado e da Câmara dos Deputados.
Veja como fica a composição no quadro a seguir:
Mesa do Congresso Nacional
Presidente: Senado Federal
1º Vice-Presidente: 
Câmara dos Deputados
2º Segundo Vice-Presidente: 
Senado Federal
1º Primeiro Secretário: 
Câmara dos Deputados
2º Segundo Secretário: 
Senado Federal
3º Terceiro Secretário: 
Câmara dos Deputados
4º Quarto Secretário: 
Senado Federal
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Ah, outro item frequente em provas: a promulgação de Emendas à Constituição cabe às Mesas 
da Câmara e do Senado em conjunto. Não é correto substituir pela Mesa do Congresso.
Ou seja, considerando que cada uma das Casas possui sete membros, as Emendas contarão 
com 14 assinaturas no ato da promulgação – 7 da Câmara e outros 7 do Senado Federal.
Dito isso, a resposta esperada está na letra b.
questão 8 (UFMT/ADVOGADO/2014) Analise as assertivas e assinale a alternativa que 
aponta as corretas.
I – O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe da Câmara dos 
Deputados e do Senado Federal.
II – Cada legislatura terá a duração de quatro anos.
III – A Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo, eleitos, pelo sistema 
proporcional, em cada Estado, em cada Território e no Distrito Federal.
IV – Cada território elegerá três deputados.
a) Apenas I, II e III.
b) Apenas III e IV.
c) Apenas II e III.
d) Apenas I e IV
e) I, II, III e IV.
Letra a.
Em âmbito federal, o Poder Legislativo, é bicameral, ou seja, composto por duas Casas: a Câ-
mara dos Deputados, composta de representantes do povo e o Senado Federal, representando 
os Estados e o Distrito Federal.
De antemão, é bom lembrar que os Municípios e os Territórios Federais (se forem criados) não 
terão representantes no Senado Federal.
Nas outras esferas, o Poder Legislativo é unicameral, já que conta apenas com a Assembleia 
Legislativa (estados), Câmara Legislativa (DF) e Câmara dos Vereadores (municípios).
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Vou voltar para o modelo federal, mostrando a você uma tabela muito útil, pois soluciona inú-
meras questões de prova. Assim, toda atenção é pouca!
Diferenças entre a Câmara dos Deputados e o Senado Federal
Câmara dos Deputados Senado Federal
É chamada de câmara baixa. É chamado de câmara alta.
Representa o povo. Representa os Estados e o Distrito Federal.
Número de membros varia em função da população: 
no mínimo 8 e no máximo 70 deputados, por unidade 
da federação.
Número de membros é fixo, pois todas as unidades da 
federação (Estados e DF) possuem 3 senadores.
Eleição pelo sistema proporcional (quociente eleito-
ral).
Eleição pelo sistema majoritário simples – o mais 
votado é o escolhido, não havendo 2º turno.
Renovação total a cada quatro anos.
Renovação parcial a cada quatro anos: 1/3 e 2/3, alter-
nadamente.
Mandato é de quatro anos – uma legislatura. Mandato é de oito anos – duas legislaturas.
Idade mínima de 21 anos.
Idade mínima de 35 anos (é por isso chamado de “Casa 
dos Anciãos”).
Caso criado, território possuirá 4 deputados federais. Caso criado, território federal não possuirá senadores.
Aplicam-se as regras de fidelidade partidária. Desse 
modo, em regra, haverá a perda do mandato se 
houver a troca de legenda.
Não se aplicam as regras de fidelidade partidária. Tro-
cando de legenda, Senador não perde o mandato.
O artigo 45, § 1º, da Constituição, diz que o número total de Deputados, bem como a representa-
ção por Estado e pelo DF, será estabelecido por lei complementar federal.
Como você viu, há um número mínimo de 8 e máximo de 70 Deputados Federais por Estado, 
sendo que a definição será proporcional à população (e não aos eleitores) da localidade.
No entanto, você sabe que a população se desloca dentro de nosso território. Assim, exata-
mente para fazer esses ajustes, a Constituição prevê que, no ano anterior às eleições, seja feita 
uma lei complementar.
Ocorre que o Congresso Nacional editou a LC n. 78/1993, delegando a tarefa de fixação do nú-
mero de Deputados Federais ao TSE. O Tribunal, por sua vez, editou uma Resolução, redefinin-
do a quantidade de Cadeiras para cada Estado, fazendo uso de dados do IBGE. Alguns Estados 
ganharam, enquanto outros perderam. Quem ganhou não reclamou, mas quem perdeu...
A questão, então, foi ao STF. O Tribunal entendeu que cabe somente ao Congresso Nacional a 
regulamentação da matéria.
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Assim, declarou-se inconstitucional a delegação feita pela LC, transferindo a atribuição do 
Congresso Nacional ao TSE. Em consequência, por arrastamento, também se entendeu pela 
inconstitucionalidade da Resolução do TSE (STF, ADI n. 4.963).
Fala-se em inconstitucionalidade por arrastamento quando, ao declarar a inconstitucionalida-
de de uma norma, o Tribunal acaba retirando do ordenamento outra norma que esteja relacio-
nada à primeira. É também chamada de inconstitucionalidade por reverberação, consequência, 
decorrência ou por ricochete.
Voltando à questão, apenas a assertiva IV é falsa, uma vez que cada Território possuirá quatro 
Deputados. Estando as demais corretas, a resposta esperada está na letra a.
questão 9 (UFMT/ADVOGADO/2014) De acordo com a Constituição Federal, compete pri-
vativamente à Câmara dos Deputados, EXCETO
a) autorizar, por dois terços de seus membros, a instauração de processo contra o Presidente 
e o Vice-Presidente da República e os Ministros de Estado.
b) processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsa-
bilidade, bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da 
Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles
c) proceder à tomada de contas do Presidente da República, quando não apresentadas ao 
Congresso Nacional dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa.
d) elaborar seu regimento interno
e) dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção 
dos cargos, empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da respec-
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Letra b.
Nós já vimos a competência privativa da Câmara dos Deputados em outra questão.
Indo direto ao ponto, a resposta esperada está na letra B, porque o artigo 52, I e II, da Constitui-
ção, diz que cabe ao Senado Federal processar e julgar algumas autoridades por crime de res-
ponsabilidade, estando entre elas as listadas na alternativa. Vale ainda lembrar os julgamentos 
de impeachment envolvendo os ex-Presidentes Fernando Collor e Dilma Rousseff.
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aponta as corretas.
I – Os Deputados eSenadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opini-
ões, palavras e votos.
II – Os Deputados e Senadores, desde a expedição do diploma, serão submetidos a julgamento 
perante o Supremo Tribunal Federal.
III – Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser pre-
sos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro 
de vinte e quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, 
resolva sobre a prisão.
IV – Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime ocorrido após a diploma-
ção, o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido 
político nela representado e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, 
sustar o andamento da ação.
a) Apenas I, II e III.
b) Apenas III e IV
c) Apenas II e III.
d) Apenas I e IV.
e) I, II, III e IV.
Letra e.
A questão trata das imunidades materiais e formais de que gozam os parlamentares. Elas (as 
imunidades) existem para proteger o cargo, e não a pessoa que o ocupa.
O item I está correto, correspondendo ao caput do artigo 53 da Constituição.
Sobre o tema, destaco que a imunidade material é chamada também de imunidade real, subs-
tantiva ou inviolabilidade e garante que não há responsabilidade penal ou civil em relação às 
opiniões, palavras e votos dos parlamentares.
Desse modo, no exercício de suas funções, não podem os parlamentares responder por crimes 
contra a honra – calúnia, injúria e difamação – ou ser condenados a pagar indenização por 
danos morais (STF, RE n. 577.785).
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Há uma distinção na amplitude da imunidade material quanto aos atos praticados dentro e 
fora do parlamento.
Avançando, a imunidade penal e civil será absoluta quanto às declarações proferidas dentro 
do Parlamento.
Já em relação aos atos praticados em local distinto só haverá imunidade quando guardarem 
pertinência, por um nexo de causalidade, com o desempenho das funções do mandato parla-
mentar (STF, RE n. 299.109).
Você deve lembrar um caso muito rumoroso, no qual o Deputado Federal Jair Bolsonaro teria 
afirmado que não estupraria a também Deputada Federal Maria do Rosário, porque ela não 
merecia.
Apreciando o caso, o STF entendeu que o parlamentar deveria responder pelos seus atos, que 
não estariam cobertos pela imunidade material.
Na ocasião se entendeu que, apesar de ele ter dado entrevista a veículo de comunicação de 
dentro de seu gabinete na Câmara dos Deputados, a matéria teria sido publicada na imprensa 
e na internet fora das dependências da Casa, e não guardaria relação com a atividade parla-
mentar (STF, INQ n. 3.932).
Por fim, fique atento(a), pois a imunidade material afastará a responsabilidade penal e civil dos 
parlamentares, mas não impedirá que eles possam responder por quebra de decoro parlamen-
tar (STF, PET n. 5.647).
Sistematizando a questão, temos o seguinte quadro:
Imunidade Material
Dentro da Casa Fora da Casa
Imunidade é absoluta, afastando a responsabilização 
penal e civil. No entanto, parlamentar pode responder 
por quebra de decoro.
Imunidade é relativa, abrangendo as opiniões, pala-
vras e votos se tiverem relação com a atividade par-
lamentar. Assim, se os atos não possuírem relação 
com o mandato, o parlamentar por eles responderá.
Antes de passar para a imunidade formal, lembro a você que a imunidade material é para opi-
niões, palavras e votos, permitindo um mandato livre, de forma plural.
Outros atos, como agressões físicas ou mesmo um homicídio, mesmo dentro da Casa, geraria 
a investigação criminal, não se falando em imunidade.
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Ilustrando, no ano de 1963, no Plenário do Senado Federal, o Senador Arnon de Mello, pai de 
Fernando Collor de Mello, atirou contra seu adversário político (Silvestre Péricles), acertando o 
também Senador José Kairala, que morreu horas depois. Os dois senadores alagoanos acaba-
ram sendo absolvidos.
Já no ano de 1967, houve outro tiroteio, só que dessa vez na Câmara, envolvendo os Deputa-
dos Federais Nelson Carneiro e Estácio Souto Maior (pai do piloto Nelson Piquet). No proces-
so, ambos foram absolvidos.
Voltando à questão, está correto o item II, pois o foro especial começa a partir da expedição 
do diploma (antes da posse). Nos crimes comuns, o julgamento de parlamentares federais 
competirá ao STF.
Está correto o item III, pois, dentro da imunidade processual, o parlamentar só pode ser preso 
em flagrante em razão de crime inafiançável. Havendo a prisão, a Casa deve ser comunicada 
para saber se mantém ou não o Parlamentar preso.
Ah, em rumorosa decisão, o STF entendeu que a comunicação à Casa deveria acontecer nos 
casos de restrições relacionadas ao exercício do mandato, e não apenas em caso de prisão. 
Houve um alargamento do que consta na Constituição. Para exemplificar, a orientação bene-
ficiou o Senador Aécio Neves, que tinha algumas cautelares do artigo 319 do Código de Pro-
cesso Penal substitutivas da prisão – entre elas, recolhimento domiciliar e impossibilidade de 
ingresso na Casa.
Está correto também o item IV. É que nos crimes praticados após a diplomação, pode haver a 
sustação do andamento do processo, por iniciativa de partido político. A regra, no entanto, é o 
processo correr sem parar. Lembro que antes da EC n. 35/2001 os parlamentares só poderiam 
ser processados se a Casa autorizasse (o que geralmente não acontecia).
Estando corretas todas as assertivas, a resposta esperada está na letra e.
questão 11 (MPE-BA/DIREITO/2014) Analise as assertivas e assinale a alternativa que 
aponta as corretas. Compete privativamente ao Senado Federal:
I – processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsa-
bilidade, bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da 
Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles.
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II – processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho 
Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-Geral da 
República e o Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade.
III – autorizar, por dois terços de seus membros, a instauração de processo contra o Presidente 
e o Vice-Presidente da República e os Ministros de Estado.
IV – proceder à tomada de contas do Presidente da República, quando não apresentadas ao 
Congresso Nacional dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa.
a) Apenas I e II.
b) Apenas I, II e IV.
c) Apenas II e III.
d) Apenas II e IV.
e) I, II, III e IV.
Letra a.
O artigo 52 é bem extenso, mas há algumas diretrizes a seguir. A primeira,relacionada ao julga-
mento de crimes de responsabilidade de boa parte das autoridades mais importantes do país, 
como aparece nos incisos I e II.
A segunda diretriz está relacionada à sabatina de nomes, que é feita apenas pelo Senado Fe-
deral. Nada nesse sentido caberá à Câmara ou ao Congresso. Ah, não esqueça que a EC n. 
76/2013 acabou com as hipóteses de voto secreto, ficando de fora da proibição exatamente as 
sabatinas feitas pelo Senado, as quais continuam com a arguição pública, mas votação secreta.
A terceira – e última – diretriz está relacionada à própria razão de ser do Senado. Veja que ele 
representa os Estados e o DF. Assim, quando o assunto estiver relacionado aos Entes federa-
dos, acenda o sinal de alerta, pois provavelmente você estará diante de alguma competência 
do artigo 52.
Quer um exemplo? Não é segredo algum que existe uma declarada “guerra fiscal” entre os 
Estados para atrair a instalação de indústrias em seus territórios. Nesse contexto, benefícios 
tributários são oferecidos, como é o caso da redução das alíquotas do ICMS. Para trazer parâ-
metros à disputa, o Senado fixará alíquotas mínimas e máximas.
É esta a redação do art. 52 da Constituição Federal:
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I – processar e julgar o Presidente da República e o Vice-Presidente nos crimes de responsabilidade, 
bem como os Ministros e Estado e Comandantes das Forças Armadas, nos crimes de responsabili-
dade conexos (relacionados) àqueles.
Você viu no tópico anterior que a autorização para o julgamento dessas autoridades deve ser 
dada por 2/3 dos membros da Câmara dos Deputados.
Nas “infrações penais comuns”, expressão que também abrange os crimes eleitorais e as con-
travenções penais, o Presidente e o Vice-Presidente serão julgados pelo STF.
Em relação aos Ministros de Estado, cabe uma ressalva: se eles praticarem o crime de respon-
sabilidade juntamente com o Presidente da República ou Vice, serão julgados pelo Senado.
Do contrário, não havendo a conexão, caberá ao STF o julgamento dos Ministros de Estado, 
tanto no crime comum quanto no crime de responsabilidade.
II – processar e julgar Ministros do STF, membros do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), do Con-
selho Nacional do Ministério Público (CNMP), o Procurador-Geral da República (PGR) e o Advogado-
-Geral da União (AGU), nos crimes de responsabilidade;
Se você reparar bem, verá que compete ao STF julgar as autoridades do “Primeiro Escalão” de 
cada um dos Poderes da República nos crimes comuns. Não entendeu? Então, veja:
O artigo 102 diz que compete ao STF julgar, nos crimes comuns, o Presidente e o Vice-Presi-
dente da República (Executivo); os Ministros do próprio STF (Judiciário); os Membros do Con-
gresso Nacional (Legislativo) e o PGR, mandatário do MPU.
Já nos crimes de responsabilidade, a regra é no sentido de o integrante do “primeiro escalão” 
ser julgado perante o Senado Federal.
Por que eu usei a expressão “a regra”?
Simples! É que os Parlamentares não estão sujeitos ao chamado crime de responsabilidade, 
havendo quanto a eles uma sistemática própria, da quebra de decoro, ocasião em que cada um 
responde na respectiva Casa.
Mas, se você reparou bem, notou que outras autoridades também receberam foro especial no 
caso de apuração para crimes de responsabilidade: o AGU e os Membros do CNJ e do CNMP.
Pois bem, o AGU, apesar de ser equiparado a Ministro de Estado, tem duas diferenças de trata-
mento quando comparado aos próprios Ministros:
a) a idade mínima para ser AGU é de 35 anos (artigo 131, § 1º, da Constituição), enquanto a dos 
demais Ministros de Estado é de apenas 21 anos;
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b) nos crimes comuns e nos crimes de responsabilidade, os Ministros de Estado são julgados 
originariamente pelo STF.
Excepcionalmente, eles responderão perante o Senado Federal quando o crime de responsa-
bilidade tiver sido praticado em conexão com o Presidente ou o Vice-Presidente da República.
Quanto ao AGU, independentemente de haver ou não conexão com o Presidente ou o Vice-Pre-
sidente, ele sempre será julgado no Senado Federal no crime de responsabilidade, por conta de 
regra específica, prevista no artigo 52, II, da Constituição.
Avançando, vale mais um alerta: é que, embora a Constituição tenha previsto a competência 
do Senado para julgar os membros do CNJ e CNMP em caso de crime de responsabilidade, 
ela não disse a quem caberia o julgamento dessas autoridades quando praticassem crimes 
comuns.
Desse modo, não haverá foro especial para o julgamento de crime comum tão só pelo fato de 
a pessoa atuar como membro do CNJ ou do CNMP.
Contudo, pode acontecer de alguns integrantes serem julgados diretamente nos Tribunais, 
sem começar na primeira instância.
É certo que alguns integrantes dos referidos conselhos ostentam o foro especial, mas isso se 
dá em razão de outro cargo que ocupam. Exemplificando, um Ministro do STJ também integra-
rá o CNJ. Caso ele cometa crime comum, será julgado pelo STF, não pelo fato de ser membro 
do CNJ, mas sim por ser Ministro de Tribunal Superior – art. 102, I, “c”, da CF/1988.
Contudo, os dois advogados e os dois cidadãos (um indicado pela Câmara e outro pelo Sena-
do) que integram os Conselhos não contam com foro especial, pois não se prevê essa prerro-
gativa pela sua ocupação originária. Desse modo, caso sejam acusados da prática de crime 
comum, o julgamento caberá a Juiz de 1º grau.
Superado esse ponto, é bom lembrar que a condenação no crime de responsabilidade é políti-
ca, e não penal.
A decisão final, de mérito, não pode ser revista pelo STF em atenção ao princípio da separação 
de Poderes. Ou seja, não pode o Judiciário dizer se o Senado agiu certo ou errado ao decidir 
pelo impeachment. O que o STF pode – e deve – fazer é assegurar a observância do devido 
processo legal em todo o andamento processual, tanto na Câmara quanto no Senado.
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Em qualquer das hipóteses dos incisos I e II, a condenação dependerá de 2/3 dos votos do 
Senado Federal (votação aberta).
Quem presidirá os trabalhos no Senado é o Presidente do STF. Você deve se lembrar de que 
foi o Ministro Ricardo Lewandowski quem esteve à frente do julgamento do impeachment da 
Ex-Presidente Dilma.
Voltando à condenação, ela pode gerar duas consequências: perda da função pública e inabili-
tação, por oito anos, para qualquer cargo ou função pública.
Por ser mais recente, você provavelmente se lembra do que aconteceu no julgamento da Ex-Pre-
sidente Dilma. Então, vou fazer um paralelo entre ele e o julgamento do Ex-Presidente Collor.
No caso de Fernando Collor, buscando escapar do processo de cassação, ele, na véspera do jul-
gamento, renunciou ao mandato. Qual era a estratégia? Escapar da inabilitaçãopor oito anos.
Sua tentativa não deu certo. Isso porque o STF entendeu que a renúncia ao cargo, apresenta-
da durante a sessão de julgamento, não paralisaria o processo de impeachment (STF, MS n. 
21.689).
Ou seja, no final das contas, acabou havendo o fatiamento das sanções.
Como assim, professor?
Ora, se as punições (perda do cargo e inabilitação por oito anos) fossem atreladas, Collor es-
caparia sem sofrer nenhuma delas, uma vez que a sanção de perda da função não poderia ser 
aplicada diante da renúncia ao cargo.
Vou analisar agora a situação do impeachment de Dilma Rousseff.
Durante a votação, os Senadores findaram separando os quesitos. Primeiro, votou-se favora-
velmente à perda do cargo. Em seguida, não se aplicou a inabilitação por oito anos.
Dito em outras palavras, novamente se fatiou, impondo-se apenas uma das punições.
Houve questionamento perante o STF, por parte de alguns parlamentares, que impetraram vá-
rios mandados de segurança. As liminares foram indeferidas, mas o mérito dos pedidos ainda 
não foi julgado.
III – aprovar previamente, por voto secreto, após arguição pública, a escolha de:
a) Magistrados, nos casos estabelecidos nesta Constituição;
b) Ministros do Tribunal de Contas da União indicados pelo Presidente da República;
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c) Governador de Território;
d) Presidente e diretores do Banco Central;
e) Procurador-Geral da República;
f) titulares de outros cargos que a lei determinar;
IV – aprovar previamente, por voto secreto, após arguição em sessão secreta, a escolha dos chefes 
de missão diplomática de caráter permanente;
Nos incisos III e IV, você vê quando o Senado atuará na sabatina de nomes. A votação será 
sempre secreta, única exceção ao fim do voto secreto decretado pela EC n. 76/2013. Fique 
atento(a), pois a arguição pode ser pública (inciso III) ou secreta (inciso IV).
V – autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados, do 
Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios;
VI – fixar, por proposta do Presidente da República, limites globais para o montante da dívida conso-
lidada da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;
VII – dispor sobre limites globais e condições para as operações de crédito externo e interno da 
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de suas autarquias e demais entidades 
controladas pelo Poder Público federal;
VIII – dispor sobre limites e condições para a concessão de garantia da União em operações de 
crédito externo e interno;
IX – estabelecer limites globais e condições para o montante da dívida mobiliária dos Estados, do 
Distrito Federal e dos Municípios;
X – suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão defini-
tiva do Supremo Tribunal Federal;
Tome muito cuidado com esse dispositivo, pois ele é de extrema relevância para as provas, 
especialmente por envolver controle de constitucionalidade feito pelo Legislativo (controle po-
lítico), de forma repressiva (a norma já existe).
É certo que o STF faz controle de constitucionalidade tanto difuso quanto concentrado.
As decisões proferidas no controle concentrado já são dotadas de eficácia vinculante erga om-
nes (aspecto subjetivo: vinculam a todos). Em razão disso, não haveria como aplicar o artigo 
52, X, uma vez que não haveria norma a suspender – a declaração de inconstitucionalidade já 
retiraria a norma do sistema para todos.
Assim, a suspensão de eficácia a que se refere o dispositivo vale apenas para o controle difuso.
Avançando, por conta do princípio da separação de poderes, o Senado não é obrigado a sus-
pender a norma. Ou seja, o STF não pode determinar que ele adote essa providência.
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Doutrinariamente, Gilmar Mendes defendia que esse dispositivo teria sofrido mutação consti-
tucional, servindo na atualidade apenas para dar publicidade à decisão da Suprema Corte.
Abrindo um parêntese, mutação constitucional é a mudança na interpretação da norma sem 
alteração formal do texto. Ela também é conhecida como poder constituinte difuso ou proce-
dimento de mudança informal da Constituição.
Voltando ao objeto da discussão, na visão de Gilmar Mendes, em virtude de uma crescente 
aproximação entre os controles difuso e concentrado, as decisões do STF no controle difuso 
teriam sofrido uma abstrativização/objetivação.
Trocando em miúdos, isso significaria que também as decisões do Plenário do STF no controle 
difuso teriam eficácia erga omnes, e não inter parts.
A questão saiu do campo doutrinário e veio a ser discutida no STF.
Num primeiro momento, após longos anos de tramitação, o Tribunal negou a tese da mutação 
constitucional, entendendo que a decisão tomada no controle difuso, ainda que partisse do 
Plenário, teria efeitos apenas sobre as partes do processo (inter parts). Isso aconteceu no 
julgamento da Reclamação n. 2.176. Àquela altura, o placar foi de 8 x 2 contrariamente à tese.
Pois é, mas o tempo passa, o tempo voa e a questão foi parar novamente no Plenário do STF 
em razão de outros processos.
Deixe-me explicar: ao julgar a proibição de comercialização de amianto em todas as suas for-
mas, inclusive a crisotila, o STF confirmou a constitucionalidade de leis estaduais – que veda-
vam a comercialização, em virtude de as substâncias serem cancerígenas.
Em consequência, incidentalmente (ou seja, de forma difusa), declarou a inconstitucionalidade 
da lei federal que autorizava a comercialização do amianto na forma crisotila (usada na fabri-
cação de telhas, por exemplo).
Avançando, como se tratava de declaração incidental de inconstitucionalidade, pelo entendi-
mento clássico, seria necessária a comunicação ao Senado Federal para que a Casa Legislati-
va, se quisesse, suspendesse a eficácia da norma, estendendo a decisão para todos – lembro: 
a decisão no controle difuso (incidental) só atingia as partes.
Contudo, o Tribunal, acolhendo aquela tese da abstrativização/objetivação do controle difuso, 
decidiu que o artigo 52, X, da Constituição sofreu verdadeira mutação constitucional.
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No frigir dos ovos, o papel do Senado passou a ser de apenas dar publicidade à decisão do Ple-
nário do STF, que já seria dotada, tanto no controle concentrado quanto no difuso, de eficácia 
vinculante contra todos.
A explicação para essa mudança na orientação seria de prestigiar a unidade do sistema, evi-
tando-se a fragmentação desnecessária.
Repetindo para que você não se confunda: as decisões proferidas pelo Plenário do STF, mes-
mo em controle difuso de constitucionalidade, repercutem contra todos, de forma vinculante. 
Aproximaram-se, assim, os controles difuso e concentrado (STF, ADI n. 3.406 e 3.470).XI – aprovar, por maioria absoluta e por voto secreto, a exoneração, de ofício, do Procurador-Geral da 
República antes do término de seu mandato;
O Senado participará no processo de nomeação do PGR, tendo que aprovar o nome do indica-
do pelo Presidente da República em votação secreta, pelo quórum de maioria absoluta.
O mandato do PGR tem duração de dois anos. E daí vem uma pergunta? Ele pode ser exonera-
do antes do biênio?
Sim. No entanto, para evitar que a exoneração do PGR seja feita pelo Presidente da República por 
razões políticas – ex.: insatisfação pelo fato de as investigações atingirem a sua própria figura –, 
a Constituição prevê novamente a participação do Senado.
É mais um exemplo de atuação dos freios e contrapesos. A destituição seria feita pelo Presi-
dente, sendo precedida de autorização de maioria absoluta do Senado.
XII – elaborar seu regimento interno;
XIII – dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção dos 
cargos, empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da respectiva remu-
neração, observados os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias;
XIV – eleger dois membros do Conselho da República.
XV – avaliar periodicamente a funcionalidade do Sistema Tributário Nacional, em sua estrutura e 
seus componentes, e o desempenho das administrações tributárias da União, dos Estados e do 
Distrito Federal e dos Municípios.
Antes de encerrar as competências das Casas Legislativas, repito que nem todas as compe-
tências da Câmara e do Senado serão viabilizadas por meio de resolução legislativa.
É que, na fixação da remuneração dos servidores dessas Casas, o texto constitucional (artigos 
51, IV e 52, XIII, da CF/1988) prevê que esse assunto será regulado por lei, de iniciativa da res-
pectiva Casa.
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A grande importância dessa regra, introduzida pela EC n. 19/1998, é que a lei na qual se busque 
a concessão de aumento na remuneração dos servidores passará pela sanção (ou veto) presi-
dencial, procedimento inexistente em relação às outras competências delineadas nos artigos 
49, 51 e 52 da Constituição.
Voltando à questão, os itens III e IV fazem parte do rol de competências do artigo 51 da Cons-
tituição, pertencentes à Câmara dos Deputados.
Assim, estão dentro da competência do Senado apenas os itens I e II, o que conduz à letra A 
como resposta esperada.
questão 12 (UFS/ADVOGADO/2014) De acordo com a Constituição Federal, cada Estado e 
Distrito Federal elegerão
a) três Senadores, com mandato de oito anos
b) três Senadores, com mandato de quatro anos
c) dois Senadores, com mandato de oito anos
d) dois Senadores, com mandato de quatro anos.
e) um Senador, com mandato de três anos.
Letra a.
No Senado, cada UF tem três representantes. Isso não muda se o Estado ou DF for grande ou 
pequeno, com muita ou pouca população. Na Câmara dos Deputados, ao contrário, a represen-
tação gira em torno da população.
Voltando, os Senadores são eleitos pelo sistema majoritário, para um mandato de oito anos, 
sendo duas legislaturas.
A renovação é parcial, de quatro em quatro anos, sendo 1/3 e 2/3, alternadamente.
Dito isso, a resposta esperada está na letra a.
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Função Fiscalizatória
questão 1 (UFS/ASSISTENTE ADMINISTRATIVO/2014) Assinale a alternativa correta. A 
EBSERH e suas subsidiárias estarão sujeitas à fiscalização dos órgãos de controle interno do 
Poder Executivo e ao controle externo que será exercido
a) pelo Congresso Nacional, com auxílio do Tribunal de Contas da União.
b) pela Câmara dos Deputados, com auxílio do Tribunal de Contas da União.
c) pelo Senado Federal, com auxílio do Tribunal de Contas da União.
d) pelo Poder Judiciário, com auxílio do Tribunal de Contas da União.
e) pelo Poder Legislativo, com auxílio do Tribunal de Contas da União.
Letra a.
Enquanto o controle interno é feito por todos os órgãos e entidades, o controle externo caberá 
ao Poder Legislativo, com o auxílio do respectivo Tribunal de Contas.
Considerando que a EBSERH é um órgão federal, o controle caberá ao Congresso Nacional, que 
contará com o auxílio do TCU.
Assim, a resposta esperada está na letra a.
questão 2 (UFES/ADVOGADO/2014) De acordo com a Constituição Federal, é da compe-
tência exclusiva do Congresso Nacional:
a) resolver provisoriamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem en-
cargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional.
b) autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da República a se ausentarem do País, quando a 
ausência exceder a dez dias.
c) aprovar o estado de defesa e a intervenção federal, autorizar o estado de sítio, ou suspender 
qualquer uma dessas medidas.
d) revogar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou 
dos limites de delegação legislativa.
e) mudar definitivamente sua sede.
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Letra c.
A letra c corresponde ao que consta no artigo 49, IV.
a) Errada. Isso, pois se fala em resolver definitivamente (artigo 49, I).
b) Errada. O erro está no fato de a autorização só ser necessária quando a ausência for supe-
rior a quinze dias (artigo 49, III).
d) Errada. Isso, pois se fala em sustar os atos normativos (artigo 49, V).
e) Errada. Está errado, uma vez que a competência da CN é para a mudança provisória de sede 
(artigo 49, VI).
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QUESTÕES DE CONCURSO
Vunesp
Função Fiscalizatória
questão 1 (Q1952974/PREFEITURA DE GUARUJÁ/PROCURADOR/2021) Determinado 
Vereador apresentou projeto de lei ordinária objetivando a criação de um órgão vinculado à Câ-
mara Municipal, para auxiliar a Casa na sua função constitucional de fiscalização das contas 
do Município, dispondo que os cargos públicos desse novo órgão seriam todos de livre nome-
ação e exoneração por parte do Presidente da Câmara.
Nessa situação hipotética, segundo o disposto na Constituição Federal, é correto afirmar que 
o referido projeto de lei
a) está em consonância com a Constituição Federal, pois não há impedimento para a criação 
do órgão por meio de projeto de lei ordinária de iniciativa parlamentar, e os respectivos cargos 
podem ser criados como cargos em comissão.
b) apresenta vício de iniciativa no projeto de lei, uma vez que um único Vereador não poderia 
proporesse tipo de projeto e, ainda, essa matéria teria que ser proposta por meio de emenda 
à Lei Orgânica Municipal.
c) é inconstitucional quanto aos cargos do novo órgão, que não poderiam ser criados como 
cargos em comissão, mas teriam que ser preenchidos por meio de concurso público, mas não 
há inconstitucionalidades quanto aos seus demais aspectos.
d) viola a Constituição Federal quanto à proposta de criação do órgão, que é vedado pelo texto 
constitucional, ainda que, em tese, possa haver interesse público na sua criação.
e) não contraria o texto constitucional se a criação do novo órgão esteja prevista na Constitui-
ção do Estado e na Lei Orgânica Municipal, devendo prever que apenas os cargos de direção, 
chefia e assessoramento devem ser cargos em comissão.
questão 2 (Q1243982/ANAPREV/PROCURADOR/2020) Assinale a alternativa que con-
templa, corretamente, uma atribuição do Tribunal de Contas da União.
a) Fiscalizar a aplicação de recursos repassados pela União a Estado, ao Distrito Federal ou a 
Município.
b) Sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar.
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c) Julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República.
d) Apreciar os relatórios sobre a execução dos planos de governo.
e) Apreciar a legalidade dos atos de admissão de pessoal na administração, incluindo nomea-
ções para cargos em comissão.
questão 3 (Q1233245/PREFEITURA DE SÃO ROQUE/ADVOGADO/2020) A respeito dos 
Tribunais de Contas, de acordo com a Constituição Federal e com a jurisprudência dos Tribu-
nais Superiores, assinale a alternativa correta.
a) O Tribunal de Contas da União não possui competência para fiscalizar a aplicação de recur-
sos repassados pela União mediante convênio a Município.
b) O Tribunal de Contas possui competência para direta e imediatamente suspender a execu-
ção de contrato administrativo, sempre que verificada ilegalidade capaz de gerar prejuízo ao 
interesse público.
c) O Tribunal de Contas possui competência para realizar, por iniciativa própria, inspeções e au-
ditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas unidades 
administrativas do Poder Executivo.
d) Deverão ser obedecidos os princípios do contraditório e da ampla defesa pelo Tribunal de 
Constas na apreciação da legalidade do ato de concessão de aposentadoria.
e) O Ministério Público de Contas possui competência privativa para executar multa resultante 
de sanção aplicada pelo Tribunal de Contas.
questão 4 (Q1243908/AVAREPREV/PROCURADOR/2020) Segundo o disposto na Cons-
tituição Federal, na hipótese de o Tribunal de Contas da União se deparar com um contrato 
administrativo que entenda ilegal, o órgão de contas
a) mandará sustá-lo de imediato e tomará as medidas cabíveis contra o gestor do contrato.
b) intimará o órgão público responsável para suspender a sua execução no prazo de 30 dias.
c) deverá assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao 
exato cumprimento da lei.
d) remeterá cópias ao Ministério Público para que este tome as medidas para a sua sustação.
e) não poderá sustá-lo, uma vez que o ato de sustação deve ser adotado diretamente pelo 
Congresso Nacional.
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questão 5 (Q1945397/PREFEITURA DE ILHA BELA/ANALISTA/2020) Assinale a alterna-
tiva correta a respeito das atribuições do Tribunal de Contas da União.
a) É uma das suas competências apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admis-
são de pessoal, a qualquer título, na administração direta e indireta, inclusive as nomeações 
para cargo de provimento em comissão, bem como a das concessões de aposentadorias, re-
formas e pensões.
b) É da sua competência aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou 
irregularidade de contas, as sanções previstas em lei, que estabelecerão, entre outras comina-
ções, indisponibilidade dos bens do acusado e multa proporcional ao dano causado ao erário.
c) Se verificar alguma ilegalidade, tem competência para assinar prazo a fim de que o órgão 
ou entidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei e sustar, se não 
atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e 
ao Senado Federal.
d) É sua competência julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República e 
apreciar os relatórios sobre a execução dos planos de governo, aplicando as sanções previstas 
em lei em caso de ilegalidade de despesa ou de contas.
e) O Supremo Tribunal Federal já decidiu, por meio de súmula, que é vedado ao Tribunal de 
Contas da União, no exercício de suas funções, apreciar a constitucionalidade das leis e dos 
atos do Poder Público.
questão 6 (Q1261901/FITO/ADVOGADO/2020) De acordo com a Constituição Federal, o 
controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de 
Contas da União. Sobre o tema, é correto afirmar que
a) o Poder Legislativo manterá sistema de controle interno com a finalidade de apoiar o contro-
le externo exercido pelo Tribunal de Contas, no exercício de sua missão institucional.
b) os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade 
ou ilegalidade, dela darão ciência ao Tribunal de Contas da União, sob pena de responsabilida-
de subsidiária.
c) as Constituições estaduais disporão sobre os Tribunais de Contas respectivos, que serão 
integrados por nove Conselheiros.
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d) os Ministros do Tribunal de Contas da União terão as mesmas garantias, prerrogativas, im-
pedimentos, vencimentos e vantagens dos Ministros do Supremo Tribunal Federal.
e) compete ao Tribunal de Contas da União julgar, em sessenta dias a contar do recebimento, 
as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República.
questão 7 (Q1284121/PREFEITURA DE CAMPINAS/AUDITOR/2020) Segundo estabele-
ce expressamente a Constituição Federal, os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário man-
terão, de forma integrada, sistema de controle interno com a finalidade de
a) fixar indicadores de macroplanejamento a serem observados pela administração pública de 
forma compulsória, como forma de atender ao princípio da eficiência administrativa, e contro-
lar o seu alcance, prestando contas à sociedade.
b) avaliar o cumprimento das metas fiscais previstas na lei de diretrizes orçamentárias, a exe-
cução das sanções aplicadas pelos órgãos correicionais e dos orçamentos das entidades da 
administração indireta instituídas por esses poderes.
c) comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da gestão 
orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração, declarando 
nulosda República para a edição de lei dele-
gada – art. 68, § 2º, da CF/1988.
Outro ponto importante é que Câmara e Senado não editam decretos legislativos, reserva-
dos exclusivamente ao Congresso.
Desse modo, uma resolução legislativa pode ser editada tanto pelo Congresso Nacional 
(exceção), quanto pela Câmara e pelo Senado. Já o Decreto Legislativo só pode ser feito pelo 
Congresso Nacional.
Mais uma informação: nem todas as competências da Câmara e do Senado serão viabili-
zadas por meio de resolução legislativa.
É que, na fixação da remuneração dos servidores dessas Casas Legislativas, o texto cons-
titucional (artigos 51, IV e 52, XIII, da CF/1988) prevê que esse assunto será regulado por lei, 
de iniciativa da respectiva Casa.
A grande importância dessa regra, introduzida pela EC n. 19/1998, é que a lei na qual se 
busque a concessão de aumento na remuneração dos servidores passará pela sanção (ou 
veto) presidencial, procedimento inexistente em relação às outras competências delineadas 
nos artigos 49, 51 e 52 da Constituição.
Ah, repare que há uma diferença na terminologia adotada quanto ao artigo 49 (competên-
cia exclusiva do Congresso Nacional) se comparada aos artigos 51 e 52 (competências priva-
tivas da Câmara e do Senado).
Quanto ao tema, há certa discussão doutrinária entre a possível distinção dos termos ex-
clusiva e privativa, dizendo alguns que o termo “exclusiva” é utilizado quando a competência 
for indelegável. Ao contrário, a competência “privativa” seria aquela que admite delegação (Pe-
dro Lenza, Direito Constitucional Esquematizado).
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No entanto, o texto constitucional – que, por vezes, peca pela má técnica – parece não 
ter utilizado essa diferenciação, pois tanto a competência do Congresso Nacional (exclusiva), 
quanto as da Câmara e do Senado (privativas) são indelegáveis.
Repare que lá nos artigos 21 e 22 da Constituição essa distinção foi feita. Ora, no artigo 
21 – competência exclusiva da União –, não se permite delegação. Por sua vez, no artigo 22 
– competência privativa –, admite-se a delegação aos Estados e ao DF, por meio de lei com-
plementar.
Enfim, essa vida de concurseiro não é nada fácil. Mas quem disse que seria, não é mesmo?!
Somente o Congresso edita decretos legislativos. Já as resoluções podem ser editadas pela 
Câmara, pelo Senado ou pelo Congresso.
3.1. ComPetênCia exCLusiva do Congresso naCionaL (indeLegáveL)
Eis o rol de competências exclusivas do Congresso Nacional, elencadas no art. 49, da 
CF/1988:
I – resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos 
ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional;
A incorporação de tratados internacionais ao seu ordenamento jurídico se caracteriza como 
um ato complexo. Isso porque caberá ao presidente da República celebrar o tratado – conforme 
art. 84, VIII –, enquanto o Congresso Nacional ficará responsável por referendá-lo ou não.
II – autorizar o presidente da República a declarar guerra, a celebrar a paz, a permitir que forças es-
trangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente, ressalvados os 
casos previstos em lei complementar;
Mais uma vez, vê-se a atuação dos Poderes Legislativo e Executivo (olha a importância da 
tabelinha com os artigos 21, 49 e 84).
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Ao presidente da República cabe privativamente a missão de declarar guerra ou celebrar 
paz, enquanto o Congresso Nacional dará a necessária autorização.
Se a declaração de guerra ou a celebração de paz ocorrer no intervalo das sessões legis-
lativas, o Congresso Nacional irá referendar, e não autorizar.
III – autorizar o Presidente e o Vice-Presidente da República a se ausentarem do País, quando a 
ausência exceder a quinze dias;
Cuidado para não confundir o prazo de 15 dias, previsto nesse dispositivo, com o de 10 
dias, previsto para o caso de presidente da República e vice não tomarem posse, injustifica-
damente, o que acarretará a declaração de cargo vago.
Mais uma coisa: fique ligado(a) para a grande incidência dessa regra nas provas de concurso!
É que algumas Constituições Estaduais previam o seguinte: para o governador sair do 
Estado por mais de 15 dias, ou para sair do País, por qualquer prazo, seria necessária a auto-
rização da Assembleia Legislativa, sob pena de perda do cargo.
O STF, invocando o princípio da simetria, afastou essas regras estaduais, estabelecendo 
a necessidade de autorização da Assembleia Legislativa apenas para ausências do governa-
dor ou vice superiores a 15 dias (STF, ADI n. 738). Idêntico raciocínio se aplica aos Prefeitos, 
quanto à necessidade de licença da Câmara dos Vereadores (STF, RE n. 317.574).
IV – aprovar (depois) o estado de defesa e a intervenção federal, autorizar (antes) o estado de sítio, 
ou suspender qualquer uma dessas medidas;
V – sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos 
limites de delegação legislativa;
É importantíssimo esse dispositivo, chamado por alguns doutrinadores de veto legislativo.
Num só inciso aparecem duas hipóteses de controle político de constitucionalidade feitas 
pelo Legislativo: no primeiro caso, o controle recairá sobre os decretos regulamentares quan-
do eles transbordarem àquela tarefa prevista para o Executivo concretizar o comando legal.
No segundo caso, ao autorizar o presidente a editar uma lei delegada, o Congresso Nacio-
nal estabelece o conteúdo e os termos de seu exercício, por meio de uma resolução. Contudo, 
se o Presidente extrapolar os limites da delegação, o Congresso Nacional poderá sustar o 
excesso, utilizando-se de um decreto legislativo.
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Em ambas as situações, é correto se falar em controle posterior (repressivo) de constitu-
cionalidade, uma vez que se pressupõe que o ato já esteja em vigor.
Um detalhe: a regra do artigo 49, V, deve ser seguida pelos estados sem ampliação. Digo 
isso porque a Constituição do estado de Goiás atribuía à Assembleia Legislativa a prerrogati-
va para sustar atos normativos do Poder Executivo ou dos Tribunais de Contas. 
A extensão da possibilidade de sustação para os atos dos Tribunais de Contas foi consi-
derada inconstitucional, por ser uma afronta aos princípios da simetria, da separação de Po-
deres, além de violação das garantias da independência, autonomia funcional, administrativa 
e financeira das Cortes de Contas (STF, ADI n. 5.290). 
Há controle político de constitucionalidade quando o Congresso susta os atos do Executivo 
que exorbitam do poder regulamentar ou dos limites da delegação legislativa.
VI – mudar temporariamente sua sede;
VII – fixar idêntico subsídio para os deputados Federais e os senadores;
VIIIos atos contrários à eficiência administrativa.
d) sob pena de responsabilidade solidária, dar ciência ao respectivo Tribunal de Contas e à 
sociedade, por meio dos órgãos de imprensa, de eventuais irregularidades identificadas no 
âmbito de sua atuação.
e) exercer o controle das operações de crédito, avais e garantias, bem como dos direitos e ha-
veres do ente da Federação.
questão 8 (CÂMARA DE COTIA/PROCURADOR/2017) De acordo com a Constituição Fe-
deral, os Tribunais de Contas podem aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de des-
pesa ou irregularidade de contas, dentre outras, a sanção de
a) suspensão dos direitos políticos.
b) perda da função pública.
c) multa proporcional ao dano causado ao erário.
d) indisponibilidade dos bens.
e) inabilitação para o exercício de cargos públicos por até 8 (oito) anos.
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questão 9 (CRBIO/ADVOGADO/2017) Segundo o que dispõem, expressamente, as nor-
mas constitucionais que tratam do Tribunal de Contas da União, as decisões do Tribunal de 
que resulte imputação de débito ou multa
a) devem reverter o valor arrecadado em favor do próprio Tribunal.
b) serão registradas em livro próprio e deverão aguardar o respectivo pagamento por cin-
co anos.
c) serão objeto de cobrança e arrecadação pelo Ministério Público do Tribunal.
d) terão eficácia de título executivo.
e) devem ser exigidas por meio de processo judicial perante o Tribunal Regional Federal.
questão 10 (Q1663754/PREFEITURA DE ESTÂNCIA HIDROMINERAL DE POÁ – PROCU-
RADOR/2019) Assinale a alternativa que corresponde a um entendimento sumulado pelo Su-
premo Tribunal Federal.
a) Compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus impetrado contra decisão 
do Relator que, em habeas corpus requerido a tribunal superior, indefere a liminar.
b) No mandado de segurança contra a nomeação de magistrado da competência do Presiden-
te da República, este é considerado autoridade coatora, ainda que o fundamento da impetra-
ção seja nulidade ocorrida em fase anterior do procedimento.
c) Cabe ação direta de inconstitucionalidade de lei do Distrito Federal derivada da sua compe-
tência legislativa municipal.
d) É constitucional toda modalidade de provimento que propicie ao servidor investir-se, sem 
prévia aprovação em concurso público destinado ao seu provimento, em cargo que não integra 
a carreira na qual já anteriormente investido.
e) No Tribunal de Contas estadual, composto por sete conselheiros, quatro devem ser escolhi-
dos pelo Chefe do Poder Executivo estadual e três pela Assembleia Legislativa, cabendo a esta 
indicar um dentre auditores e outro dentre membros do Ministério Público, e um terceiro a sua 
livre escolha.
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questão 11 (PREFEITURA DE MOGI DAS CRUZES/PROCURADOR/2016) A iniciativa para 
a propositura de lei que trata da criação e extinção de cargos do Tribunal de Contas da União, 
nos moldes da Constituição Federal, cabe
a) ao Presidente da República.
b) ao Supremo Tribunal Federal.
c) a qualquer Deputado Federal.
d) a qualquer Senador.
e) ao Tribunal de Contas da União.
Temas Gerais do Poder Legislativo
questão 1 (Q1646449/CODEN/ADVOGADO/2021) A competência para sustar os atos 
normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de dele-
gação legislativa é
a) exclusiva do Conselho Nacional de Just
b) exclusiva do Congresso Nacional
c) concorrente do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional.
d) exclusiva do Supremo Tribunal Federal.
e) exclusiva do Senado Federal.
questão 2 (Q1646431/CODEN/ADVOGADO/2021) A respeito das imunidades parlamen-
tares, assinale a alternativa correta.
a) A imunidade material, garantida aos membros do Poder Legislativo de todas as esferas de 
governo, torna o parlamentar irresponsável penal e civilmente por opiniões, palavras e votos, 
mas não impede a perda do cargo em caso de quebra do decoro parlamentar.
b) Caso um senador e um cidadão não detentor de qualquer mandato cometam um crime, em 
concurso de agentes, estarão ambos acobertados pela imunidade formal e não poderão ser 
presos, salvo em flagrante delito.
c) Não comete crime o vereador que, fora da circunscrição do seu município, mas, em razão de 
funções inerentes ao mandato, imputa crime a outro parlamentar de que sabe inocente.
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d) Os membros do Congresso Nacional poderão ser presos em caso de flagrante de crime 
inafiançável, hipótese em que os autos serão remetidos dentro de 48 horas à respectiva Casa, 
para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão.
e) Cometido o crime durante o exercício funcional, prevalece a competência especial por prer-
rogativa, ainda que o inquérito ou a ação penal sejam iniciados após a cessação daquele exer-
cício.
questão 3 (Q2188290/CÂMARA DE POTIM/PROCURADOR/2021) Sobre os Deputados e 
Senadores, assinale a alternativa que está de acordo com a Constituição Federal.
a) Perderá o mandato o Deputado ou Senador que deixar de comparecer, em cada sessão 
legislativa, à terça parte das sessões ordinárias da Casa a que pertencer, salvo licença ou mis-
são por esta autorizada.
b) A incorporação às Forças Armadas de Deputados e Senadores, militares e em tempo de 
guerra, independerá de prévia licença da Casa respectiva.
c) Perderá o mandato o Deputado investido no cargo de Ministro de Estado, Governador de 
Território ou Secretário de Estado.
d) Da expedição do diploma até a posse, os Senadores poderão firmar contrato com pessoa ju-
rídica de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa 
concessionária de serviço público.
e) As imunidades de Deputados subsistirão durante o estado de sítio, só podendo ser suspen-
sas mediante o voto de um terço dos membros da Casa, nos casos de atos praticados fora do 
recinto do Congresso Nacional.
questão 4 (Q1952975/PREFEITURA DE GUARUJÁ/PROCURADOR/2021) Julgar anual-
mente as contas prestadas pelo Presidente da República e apreciar os relatórios sobre a exe-
cução dos planos de governo, é competência constitucional
a) privativa da Câmara dos Deputados.
b) exclusiva do Senado Federal.
c) do Tribunal de Contas da União.
d) da Câmara dos Deputados, que aprecia a matéria e do Senado, que a julga.
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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL– fixar os subsídios do Presidente e do Vice-Presidente da República e dos Ministros de Estado;
IX – julgar anualmente as contas prestadas pelo presidente da República e apreciar os relatórios 
sobre a execução dos planos de governo;
O presidente da República deve prestar as contas ao Congresso. Mas, se dentro do prazo 
de 60 dias após a abertura da sessão legislativa ele não fizer a prestação devida, caberá à 
Câmara do Deputados proceder à tomada de contas.
X – fiscalizar e controlar, diretamente, ou por qualquer de suas Casas, os atos do Poder Executivo, 
incluídos os da administração indireta;
XI – zelar pela preservação de sua competência legislativa em face da atribuição normativa dos 
outros Poderes;
XII – apreciar os atos de concessão e renovação de concessão de emissoras de rádio e televisão;
XIII – escolher dois terços dos membros do Tribunal de Contas da União;
O TCU é composto de nove ministros. A escolha de um terço (três) cabe ao presidente da 
República, enquanto os outros seis membros devem ser escolhidos pelo Congresso.
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Na escolha de ministros do TCU, só haverá sabatina pelo Senado Federal em relação aos mem-
bros indicados pelo presidente da República.
XIV – aprovar iniciativas do Poder Executivo referentes a atividades nucleares;
XV – autorizar referendo e convocar plebiscito;
XVI – autorizar, em terras indígenas, a exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e a pes-
quisa e lavra de riquezas minerais;
XVII – aprovar, previamente, a alienação ou concessão de terras públicas com área superior a dois 
mil e quinhentos hectares.
XVIII - decretar o estado de calamidade pública de âmbito nacional previsto nos arts. 167-B, 167-C, 
167-D, 167-E, 167-F e 167-G desta Constituição.
O inciso XVIII foi incorporado pela EC n. 109/2021, fruto da PEC Emergencial. A decretação 
do estado de calamidade possibilita o acionamento de diversos gatilhos para contingenciar 
gastos a fim de fazer frente à necessidade, como é o caso da proibição de criação de cargos, 
de concessão de reajustes e o impedimento à realização de concursos públicos, salvo para 
suprimento de vacâncias. 
A bem da verdade, a realidade de uns anos para cá é que os concursos realizados, quando 
muito, preenchem as vagas existentes, sendo rara a criação de novos cargos ou mesmo o rea-
juste na remuneração. Assim, o efeito prático da PEC Emergencial é bem menos intenso do que 
se previa na proposta inicial, que continha, inclusive, a previsão de reduzir ¼ dos vencimentos.
Fazendo uma análise conjunta entre os artigos 49 e 84, vê-se que o presidente propõe e o 
Congresso Nacional decreta o estado de calamidade pública.
3.2. ComPetênCia Privativa da Câmara do dePutados
Há pouco, eu disse para você que o artigo 51 da Constituição é pequeno, devendo ser com-
preendido (gravado, decorado etc.). Você vai notar que as competências da Câmara aparecem 
em apenas cinco incisos, mas que somente dois deles realmente são cobrados nas provas.
Vamos lá, então!
O artigo 51 da CF/1988 lista as seguintes competências:
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I – autorizar, por 2/3 de seus membros, a instauração de processo contra o presidente da República, 
o Vice-Presidente e os Ministros de Estado.
Não importa se o crime é comum ou de responsabilidade! Para os dois casos, há a neces-
sidade de autorização de 2/3 da Câmara (342 deputados) para abrir processo contra o presi-
dente da República.
Um ponto importantíssimo: o STF, modificando sua jurisprudência, passou a entender que 
a necessidade de autorização do Legislativo para o julgamento do presidente da República 
seria uma prerrogativa exclusiva do chefe de Estado.
Em outras palavras, para se processar governadores ou Prefeitos não há a necessidade de 
a Assembleia Legislativa ou a Câmara dos Vereadores darem autorização.
Mais do que isso: se houver na Constituição Estadual algum dispositivo prevendo a ne-
cessidade de autorização, essa regra será inconstitucional (STF, ADI n. 4.797).
Seguindo, tratando-se de crime comum, o julgamento caberá ao STF. De outro lado, será 
o Senado o órgão responsável para julgar os crimes de responsabilidade praticados pelo pre-
sidente da República e pelo vice-presidente.
Em relação aos ministros de Estado, cabe uma ressalva: se eles praticarem o crime de res-
ponsabilidade juntamente com o presidente da República ou Vice, serão julgados pelo Sena-
do. Não havendo a conexão, caberá ao STF o julgamento desse agente, tanto no crime comum 
quanto no crime de responsabilidade.
Atualmente, o STF entende que não há necessidade de autorização do Legislativo para o STJ 
abrir processo por crime comum contra governadores. Essa prerrogativa seria apenas do pre-
sidente da República.
II – proceder à tomada de contas do presidente da República se ele não as apresentar ao Congres-
so Nacional no prazo de 60 dias após a abertura da sessão legislativa.
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Lá no artigo 49, você viu que o presidente da República deve prestar as contas ao Congres-
so. Mas, se dentro do prazo de 60 dias após a abertura da sessão legislativa ele não fizer isso, 
caberá à Câmara do Deputados proceder à tomada de contas.
III – elaborar seu regimento interno;
IV – dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção dos 
cargos, empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para fixação da respectiva remu-
neração, observados os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias;
V – eleger dois membros do Conselho da República.
Eu tinha dito a você que seriam apenas cinco incisos com as competências, mas a com-
plexidade maior ficava com dois deles – os dois primeiros.
Igual ao ditado popular, os três incisos restantes são mais fáceis do que empurrar bêba-
do na ladeira. Pense comigo: Quem vai elaborar o Regimento Interno da Câmara? Quem vai 
organizar o funcionamento e a polícia da Câmara? Quem deve apresentar projeto de lei para 
aumentar a remuneração dos servidores da Câmara?
É óbvio que, para todas essas perguntas, há apenas uma resposta: a própria Câmara, no 
bom e velho estilo do “ema, ema, ema, cada com seu problema”.
Para fechar as competências, o Conselho da República (artigo 89 da Constituição) tem, em 
sua composição, seis cidadãos natos. A escolha desses cidadãos cabe à Câmara, ao Senado 
e ao presidente da República, cada qual indicando dois integrantes.
3.3. ComPetênCia Privativa do senado FederaL
O artigo 52 é bem extenso, mas há algumas diretrizes a seguir. A primeira, relacionada ao 
julgamento de crimes de responsabilidade de boa parte das autoridades mais importantes do 
país, como aparece nos incisos I e II.
A segunda diretriz está relacionada à sabatina de nomes, que é feita apenas peloSenado 
Federal. Nada nesse sentido caberá à Câmara ou ao Congresso. Ah, não esqueça que a EC n. 
76/2013 acabou com as hipóteses de voto secreto, ficando de fora da proibição exatamente as 
sabatinas feitas pelo Senado, as quais continuam com a arguição pública, mas votação secreta.
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A terceira – e última – diretriz está relacionada à própria razão de ser do Senado. Veja que 
ele representa os Estados e o DF. Assim, quando o assunto estiver relacionado aos Entes fede-
rados, acenda o sinal de alerta, pois provavelmente você estará diante de alguma competência 
do artigo 52.
Quer um exemplo? Não é segredo algum que existe uma declarada “guerra fiscal” entre os 
Estados para atrair a instalação de indústrias em seus territórios. Nesse contexto, benefícios 
tributários são oferecidos, como é o caso da redução das alíquotas do ICMS. Para trazer parâ-
metros à disputa, o Senado fixará alíquotas mínimas e máximas.
É esta a redação do art. 52 da Constituição Federal:
I – processar e julgar o presidente da República e o Vice-Presidente nos crimes de responsabilida-
de, bem como os Ministros e Estado e Comandantes das Forças Armadas, nos crimes de respon-
sabilidade conexos (relacionados) àqueles.
Você viu no tópico anterior que a autorização para o julgamento dessas autoridades deve 
ser dada por 2/3 dos membros da Câmara do Deputados.
Nas “infrações penais comuns”, expressão que também abrange os crimes eleitorais e as 
contravenções penais, o Presidente e o Vice-Presidente serão julgados pelo STF.
Em relação aos Ministros de Estado, cabe uma ressalva: se eles praticarem o crime de res-
ponsabilidade juntamente com o presidente da República ou Vice, serão julgados pelo Senado.
Do contrário, não havendo a conexão, caberá ao STF o julgamento dos Ministros de Esta-
do, tanto no crime comum quanto no crime de responsabilidade.
Outra coisa: na Lei n. 1.079/1950 está previsto que cabe a qualquer cidadão denunciar o 
presidente da República nos crimes de responsabilidade.
Sendo negado o pedido pela Câmara do Deputados, não há previsão de recurso contra 
essa decisão.
Pensando no impeachment da ex-presidente Dilma, você deve se lembrar que o então 
presidente da Câmara do Deputados, Eduardo Cunha, negou uma série de pedidos e, ao final, 
de um desentendimento político com o Partido dos Trabalhadores, recebeu a acusação for-
mulada por Janaína Paschoal, Miguel Reale Júnior e Hélio Bicudo.
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Seguindo para a tramitação do pedido, admitida a acusação pela Câmara do Deputados, 
em quórum de 2/3, o processo será remetido ao Senado Federal.
Nesse ponto, houve uma importância modificação: o STF entendeu que o Senado Federal, 
ao receber o processo vindo da Câmara do Deputados, não estaria vinculado à instauração do 
processo, devendo fazer uma análise prévia de admissibilidade.
Ou seja, ao invés de ficar vinculado à manifestação da Câmara, o Senado deveria se ma-
nifestar expressamente se receberia – ou não – a denúncia autorizada pela Câmara. Nessa 
manifestação, o quórum seria de maioria simples, exigindo-se o quórum de 2/3 apenas no 
julgamento final (STF, ADPF n. 387).
Ah, diante do inegável clima hostil (para dizer o mínimo!) entre Dilma e Eduardo Cunha, 
questionou-se sobre a possibilidade de aplicação das regras de suspeição ou impedimento 
relacionadas aos parlamentares, seja da Câmara do Deputados (admissão da acusação), seja 
do Senado Federal (julgamento no Crime de Responsabilidade). A esse respeito, o STF enten-
deu pela inaplicabilidade das regras de suspeição e de impedimento previstas nos Códigos de 
Processo (STF, MS n. 21.623).
Se na relação entre Dilma e Eduardo Cunha o clima era tenebroso, não há dúvidas de que 
Arthur Lira era aliado político de Jair Bolsonaro.
Digo isso porque chegaram ao STF pedidos para que fosse determinado ao Presidente da 
Câmara dos Deputados que analisasse e encaminhasse os pedidos de impeachment contra 
Bolsonaro.
Porém, o tribunal entendeu que feriria a separação dos Poderes uma determinação do Ju-
diciário nesse sentido, pois a análise é política, não jurídica (STF, MS 38.034). 
O STF entende que, ao receber o processo de impeachment vindo da Câmara, o Senado deve 
fazer um juízo prévio de admissibilidade da acusação, em votação por maioria simples.
II – processar e julgar Ministros do STF, membros do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), do Con-
selho Nacional do Ministério Público (CNMP), o Procurador-Geral da República (PGR) e o Advogado-
-Geral da União (AGU), nos crimes de responsabilidade;
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Se você reparar bem, verá que compete ao STF julgar as autoridades do “Primeiro Escalão” 
de cada um dos Poderes da República nos crimes comuns. Não entendeu? Então, veja.
O artigo 102 diz que compete ao STF julgar, nos crimes comuns, o presidente e o vice-pre-
sidente da República (Executivo); os Ministros do próprio STF (Judiciário); os Membros do 
Congresso Nacional (Legislativo) e o PGR, mandatário do MPU.
Já nos crimes de responsabilidade, a regra é no sentido de o integrante do “primeiro esca-
lão” ser julgado perante o Senado Federal.
Por que eu usei a expressão “a regra”?
Simples! É que os parlamentares não estão sujeitos aos chamados crime de responsabi-
lidade, havendo quanto a eles uma sistemática própria, da quebra de decoro, ocasião em que 
cada um responde na respectiva Casa.
Avançando, ao analisar um pedido de impeachment dirigido contra Ministro do STF, o en-
tão presidente do Senado rejeitou a denúncia, por ausência de justa causa (falta de motivo).
Daí, foi impetrado um mandado de segurança no STF, sob o argumento de que eventual 
arquivamento deveria ser feita pela Mesa do Senado, e não pelo presidente.
Na ocasião, o STF negou o pedido e entendeu que a competência era unipessoal do Pre-
sidente do Senado (STF, MS n. 34.592).
Mas se você reparou bem, notou que outras autoridades também receberam foro especial 
no caso de apuração para crimes de responsabilidade: o AGU e os Membros do CNJ e do CNMP.
Pois bem.
O AGU, apesar de ser equiparado a Ministro de Estado, tem duas diferenças de tratamento 
quando comparado aos próprios Ministros:
a) a idade mínima para ser AGU é de 35 anos (artigo 131, § 1º, da Constituição), enquanto 
a dos demais Ministros de Estado é de apenas 21 anos;
b) nos crimes comuns e nos crimes de responsabilidade, os Ministros de Estado são jul-
gados originariamente pelo STF.
Excepcionalmente, eles responderão perante o Senado Federal quando o crime de 
responsabilidade tiver sido praticado em conexão com o Presidente ou o Vice-Presidente 
da República.
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Quanto ao AGU, independentemente de haver ou não conexão com o Presidente ou o Vi-
ce-Presidente, ele sempre será julgado no Senado Federal no crime de responsabilidade, por 
conta de regra específica, prevista no artigo 52, II, da Constituição.
Avançando, vale mais um alerta: é que, embora a Constituição tenha previsto a competência 
do Senado para julgar os membros do CNJ e CNMP em caso de crime de responsabilidade, ela 
não disse a quem caberia o julgamento dessas autoridades quando praticassem crimes comuns.
Desse modo, não haverá foro especial para o julgamento de crime comum tão só pelo fato 
de a pessoa atuar como membro do CNJ ou do CNMP.
Contudo, pode acontecer de alguns integrantes serem julgados diretamente nos Tribunais, 
sem começar na primeira instância.
É certo que alguns integrantes dos referidos conselhos ostentam o foro especial, mas isso 
se dá em razão de outro cargo que ocupam.
Exemplificando, um ministro do STJ também integrará o CNJ. Caso ele cometa crime comum, 
será julgado pelo STF, não pelo fato de ser membro do CNJ, mas sim por ser Ministro de Tribu-
nal Superior – art. 102, I, ‘c’, da CF/1988.
Contudo, os dois advogados e os dois cidadãos (um indicado pela Câmara e outro pelo 
Senado) que integram os Conselhos não contam com foro especial, pois não se prevê essa 
prerrogativa pela sua ocupação originária. Desse modo, caso sejam acusados da prática de 
crime comum, o julgamento caberá a Juiz de 1º grau.
Superado esse ponto, é bom lembrar que a condenação no crime de responsabilidade é 
política, e não penal.
A decisão final, de mérito, não pode ser revista pelo STF em atenção ao princípio da se-
paração de Poderes. Ou seja, não pode o Judiciário dizer se o Senado agiu certo ou errado ao 
decidir pelo impeachment. O que o STF pode – e deve – fazer é assegurar a observância do 
devido processo legal em todo o andamento processual, tanto na Câmara quanto no Senado.
Em qualquer das hipóteses dos incisos I e II, a condenação dependerá de 2/3 dos votos do 
Senado Federal (votação aberta).
Quem presidirá os trabalhos no Senado é o Presidente do STF. Você deve se lembrar de que 
foi o Ministro Ricardo Lewandowski quem esteve à frente do julgamento do impeachment da 
Ex-Presidente Dilma.
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Voltando à condenação, ela pode gerar duas consequências: perda da função pública e 
inabilitação, por oito anos, para qualquer cargo ou função pública.
Por ser mais recente, você provavelmente se lembra o que aconteceu no julgamento da 
ex-presidente Dilma. Então, vou fazer um paralelo entre ele e o julgamento do ex-presidente Collor.
No caso de Fernando Collor, buscando escapar do processo de cassação, ele, na véspera do 
julgamento, renunciou ao mandato. Qual era a estratégia? Escapar da inabilitação por oito anos...
Sua tentativa não deu certo... Isso porque o STF entendeu que a renúncia ao cargo, apre-
sentada durante a sessão de julgamento, não paralisaria o processo de impeachment (STF, MS 
n. 21.689).
Ou seja, no final das contas, acabou havendo o fatiamento das sanções.
Como assim, professor?
Ora, se as punições (perda do cargo e inabilitação por oito anos) fossem atreladas, Collor 
escaparia sem sofrer nenhuma delas, uma vez que a sanção de perda da função não poderia 
ser aplicada diante da renúncia ao cargo.
Vou analisar agora a situação do impeachment de Dilma Rousseff.
Durante a votação, os senadores findaram separando os quesitos. Primeiro, votou-se favo-
ravelmente à perda do cargo. Em seguida, não se aplicou a inabilitação por oito anos.
Dito em outras palavras, novamente se fatiou, impondo-se apenas uma das punições.
Houve questionamento perante o STF, por parte de alguns parlamentares, que impetraram 
vários mandados de segurança. As liminares foram indeferidas, mas o mérito dos pedidos 
ainda não foi julgado.
Outra coisa: à exceção do presidente da República, todos os agentes políticos se sujeitam 
à Lei de Improbidade Administrativa (Lei n. 8.429/1992). Ou seja, eles podem responder por 
crimes comuns, crimes de responsabilidade e também por improbidade administrativa (STF, 
PET n. 3.240).
No julgamento tanto das autoridades do inciso I, quanto nas do inciso II, a sessão de julgamen-
to do Senado Federal será presidida pelo presidente do STF.
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III – aprovar previamente, por voto secreto, após arguição pública, a escolha de:
a Magistrados, nos casos estabelecidos nesta Constituição;
b Ministros do Tribunal de Contas da União indicados pelo presidente da República;
c governador de Território;
d Presidente e diretores do Banco Central;
e Procurador-Geral da República;
f titulares de outros cargos que a lei determinar;
IV – aprovar previamente, por voto secreto, após arguição em sessão secreta, a escolha dos chefes 
de missão diplomática de caráter permanente;
Nos incisos III e IV, você vê quando o Senado atuará na sabatina de nomes. A votação será 
sempre secreta, única exceção ao fim do voto secreto decretado pela EC n. 76/2013. Fique 
atento(a), pois a arguição pode ser pública (inciso III) ou secreta (inciso IV).
V – autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados, do 
Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios;
VI – fixar, por proposta do presidente da República, limites globais para o montante da dívida con-
solidada da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;
VII – dispor sobre limites globais e condições para as operações de crédito externo e interno da 
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de suas autarquias e demais entidades 
controladas pelo Poder Público federal;
VIII – dispor sobre limites e condições para a concessão de garantia da União em operações de 
crédito externo e interno;
IX – estabelecer limites globais e condições para o montante da dívida mobiliária dos Estados, do 
Distrito Federal e dos Municípios;
X – suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão defi-
nitiva do Supremo Tribunal Federal;
Tome muito cuidado com esse dispositivo, pois ele é de extrema relevância para as provas, 
especialmente por envolver controle de constitucionalidade feito pelo Legislativo (controle 
político), de forma repressiva (a norma já existe).
É certo que o STF faz controle de constitucionalidade tanto difuso quanto concentrado.
As decisões proferidas no controle concentrado já são dotadas de eficácia vinculante erga 
omnes (aspecto subjetivo: vinculam a todos). Em razão disso, não haveria como aplicar o arti-
go 52, X, uma vez que não haveria norma a suspender – a declaração de inconstitucionalidade 
já retiraria a norma do sistema para todos.
Assim, a suspensão de eficácia a que se refere o dispositivo vale apenas para o controle difuso.
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Avançando, por conta do princípio da separação de poderes, o Senado não é obrigado a 
suspender a norma. Ou seja, o STF não pode determinar que ele adote essa providência.
Doutrinariamente, Gilmar Mendes defendia que esse dispositivo teria sofrido mutação cons-
titucional, servindo na atualidade apenas para dar publicidade à decisão da Suprema Corte.
Abrindo um parêntese, mutação constitucional é a mudança na interpretação da norma 
sem alteração formal do texto. Ela também é conhecida como poder constituinte difuso ou 
procedimento de mudança informal da Constituição.
Voltando ao objeto da discussão, na visão de Gilmar Mendes, em virtude de uma crescente 
aproximação entre os controles difuso e concentrado, as decisões do STF no controle difuso 
teriam sofrido uma “abstrativização”, objetivação.
Trocando em miúdos, isso significaria que também as decisões do Plenário do STF no 
controle difuso teriam eficácia erga omnes, e não inter partes.
A questão saiu do campo doutrinário e veio a ser discutida no STF.
Num primeiro momento, após longos anos de tramitação, o Tribunal negou a tese da mu-
tação constitucional, entendendo que a decisão tomada no controle difuso, ainda que partisse 
do Plenário, teria efeitos apenas sobre as partes do processo (inter partes). Isso aconteceu no 
julgamento da Reclamação n. 2.176. Àquela altura, o placar foi de 8 x 2 contrariamente à tese.
Pois é, mas o tempo passa, o tempo voa e a questão foi parar novamente no Plenário do 
STF em razão de outros processos.
Deixe-me explicar: ao julgar a proibição de comercialização de amianto em todas as suas 
formas, inclusive a crisotila, o STF confirmou a constitucionalidade de leis estaduais – que 
vedavam a comercialização, em virtude de as substâncias serem cancerígenas.
Em consequência, incidentalmente (ou seja, de forma difusa), declarou a inconstitucionali-
dade da lei federal que autorizava a comercialização do amianto na forma crisotila (usada na 
fabricação de telhas, por exemplo).
Avançando, como se tratava de declaração incidental de inconstitucionalidade, pelo enten-
dimento clássico, seria necessária a comunicação ao Senado Federal para que a Casa Legisla-
tiva, se quisesse, suspendesse a eficácia da norma, estendendo a decisão para todos. Lembro: 
a decisão no controle difuso (incidental) só atingia as partes.
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Contudo, o Tribunal, acolhendo aquela tese da abstrativização/objetivação do controle di-
fuso, decidiu que o artigo 52, X, da Constituição sofreu verdadeira mutação constitucional.
No frigir dos ovos, o papel do Senado passou a ser de apenas dar publicidade à decisão 
do Plenário do STF, que já seria dotada, tanto no controle concentrado quanto no difuso, de 
eficácia vinculante contra todos.
A explicação para essa mudança na orientação seria de prestigiar a unidade do sistema, 
evitando-se a fragmentação desnecessária.
Repetindo para que você não se confunda: as decisões proferidas pelo Plenário do STF, 
mesmo em controle difuso de constitucionalidade, repercutem contra todos, de forma vincu-
lante. Aproximaram-se, assim, os controles difuso e concentrado (STF, ADI n. 3.406 e n. 3.470).
Modificando o entendimento anterior, o STF passou a aceitar a teoria da abstrativização/objetiva-
ção do controle difuso de constitucionalidade. Assim, as decisões proferidas pelo Plenário do STF 
no controle difuso e no controle concentrado têm eficácia vinculante contra todos (erga omnes).
XI – aprovar, por maioria absoluta e por voto secreto, a exoneração, de ofício, do Procurador-Geral da 
República antes do término de seu mandato;
O Senado participará no processo de nomeação do PGR, tendo que aprovar o nome do 
indicado pelo presidente da República em votação secreta, pelo quórum de maioria absoluta.
O mandato do PGR tem duração de dois anos. E daí vem uma pergunta? Ele pode ser exo-
nerado antes do biênio?
Sim. No entanto, para evitar que a exoneração do PGR seja feita pelo presidente da Repúbli-
ca por razões políticas – ex.: insatisfação pelo fato de as investigações atingirem a sua própria 
figura –, a Constituição prevê novamente a participação do Senado.
É mais um exemplo de atuação dos freios e contrapesos. A destituição seria feita pelo presi-
dente, sendo precedida de autorização de maioria absoluta do Senado.
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XIV – eleger dois membros do Conselho da República.
XV – avaliar periodicamente a funcionalidade do Sistema Tributário Nacional, em sua estrutura e 
seus componentes, e o desempenho das administrações tributárias da União, dos Estados e do 
Distrito Federal e dos Municípios.
Antes de encerrar as competências das Casas Legislativas, repito que nem todas as com-
petências da Câmara e do Senado serão viabilizadas por meio de resolução legislativa.
É que, na fixação da remuneração dos servidores dessas Casas, o texto constitucional (ar-
tigos 51, IV e 52, XIII, da CF/1988) prevê que esse assunto será regulado por lei, de iniciativa 
da respectiva Casa.
A grande importância dessa regra, introduzida pela EC n. 19/1998, é que a lei na qual se 
busque a concessão de aumento na remuneração dos servidores passará pela sanção (ou 
veto) presidencial, procedimento inexistente em relação às outras competências delineadas 
nos artigos 49, 51 e 52 da Constituição.
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Vamos sistematizar? 
DESTAQUES NAS COMPETÊNCIAS DAS CASAS
Congresso Nacional (artigo 49)Congresso Nacional (artigo 49) Câmara (artigo 51)Câmara (artigo 51) Senado (artigo 52)Senado (artigo 52)
- Resolver definitivamente sobre 
tratados, acordos ou atos interna-
cionais que acarretem encargos ou 
compromissos gravosos ao patri-
mônio nacional.
- Sustar os atos normativos do 
Poder Executivo que exorbitem do 
poder regulamentar ou dos limites 
de delegação legislativa.
- Julgar anualmente as contas 
prestadas pelo Presidente da Repú-
blica e apreciar os relatórios sobre 
a execução dos planos de governo.
- Autorizar, por 2/3 de seus mem-
bros, a instauração de processo 
contra o Presidente da República,

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