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Aula 12 Relações Econômicas Internacionais o balanço de pagamento

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Aula 12
Relações Econômicas Internacionais: 
o balanço de pagamentos
Cleber Ferrer Barbosa
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Aula 12 • Relações Econômicas Internacionais: o balanço de pagamentos
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Apresentar a sistemática de como se registra o universo de transações 
comerciais e financeiras de um país com os demais países do mundo, 
isto é, no contexto internacional.
Esperamos que, ao final desta aula, você seja capaz de:
1. diferenciar o conceito de residentes e não residentes de um país;
2. distinguir as operações comerciais que devem ser registradas no ba-
lanço de pagamentos;
3. simular o registro das operações comerciais e financeiras nos diver-
sos itens do balanço de pagamentos;
4. calcular o saldo de qualquer item do balanço de pagamentos;
5. identificar a situação de superávit ou déficit no balanço de pagamentos;
6. evidenciar as operações que afetam as reservas internacionais de 
um país.
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Análise Macroeconômica
Introdução
Hoje em dia, nós importamos mais, viajamos mais, telefonamos mais, 
compramos e vendemos mais do que no passado. Nossas transações 
econômicas são mais intensas, tanto as nacionais como as internacio-
nais. Ligar para o exterior está infinitamente mais barato do que há 
trinta anos. Viajar também. As transações nos mais variados tipos de 
negócios entre países estão mais simples. Ao processo que origina essa 
simplificação e esse crescimento transacional, chamamos globalização 
de mercados, ou apenas globalização. 
Na macroeconomia, as relações internacionais de comércio e finanças 
ganham a denominação de macroeconomia aberta. A macroeconomia 
de um país é abrangida não apenas pelos seus negócios internos – como 
consumo, investimentos domésticos (nacionais) e gastos do governo. 
Também se consideram importantes as exportações e importações de 
bens e serviços, bem como os fluxos de empréstimos envolvidos entre 
diversos países.
Nesta aula vamos estudar como são registradas as operações de um país 
com qualquer outro, as relações econômicas entre eles. Esses registros 
são importantes porque evidenciam como estão a situação comercial e 
financeira internacional do país, isto é, se ele compra mais do que vende 
nas suas relações com os outros países, e se acumula ou não reservas 
monetárias internacionais (chamadas divisas) – o que, sem sombra de 
dúvida, permite evidenciar a situação de estabilidade nacional.
O setor externo
Chamamos de setor externo o conjunto de países que mantém rela-
ções comerciais e financeiras com um dado país. Nesse sentido, para o 
Brasil, setor externo são os parceiros internacionais de transações co-
merciais, como EUA, França, Argentina e tantos outros.
Muitas vezes, os economistas utilizam o termo resto do mundo 
como referência ao setor externo. Por exemplo, pode-se dizer “O Brasil 
aumentou suas transações com o resto do mundo”, quando se poderia 
ter dito “com o setor externo”.
Manter relações externas é importante para o crescimento do país. 
Com as importações, podemos oferecer produtos à população em quan-
tidade ou qualidade apenas possível devido a tais transações. 
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Por exemplo, se produtos ortopédicos são importados, possivelmen-
te isso ocorre porque os similares nacionais não têm a mesma eficiência. 
Ainda, quem tem cão de estimação sabe da diferença entre a vacina na-
cional e a importada para os animais em seus primeiros meses de vida.
É evidente a percepção de que um país isolado ou com baixas transa-
ções com o resto do mundo está fadado à estagnação de sua economia. 
A integração econômica permite assimilar importantes vantagens. Se 
você, por exemplo, tem todo este aparato de ensino a distância dispo-
nível para ajudar na sua formação acadêmica (plataforma eletrônica, li-
vros que podem ser baixados pela internet, grupos de estudos em redes 
sociais etc.), é porque grande parte dessa tecnologia foi importada de 
países mais avançados industrialmente. Dessa forma, o setor externo 
tem importância impescindível até para os estudos desenvolvidos em 
um país, que, em nosso caso, recaem sobre a própria economia.
Praticamente todos os países mantêm e desejam aumentar sempre 
que possível suas relações externas. Por exemplo, eles podem vir a pre-
cisar de recursos financeiros de outros países, por diversas razões, o que 
leva a contraírem empréstimos ou financiamentos externos.
Passemos agora para outro enfoque sobre o setor externo.
As montadoras de automóveis que atuam no Brasil, como Fiat, Ford, 
GM, não são empresas tipicamente nacionais. As matrizes dessas montado-
ras são estrangeiras. Todos sabem, por exemplo, que a Fiat é italiana. Quan-
do compramos carros dessa montadora, podemos indagar em que medida 
está havendo uma transação comercial realizada com o setor externo.
Imagine também um jogador de futebol brasileiro jogando na Espa-
nha por ter sido contratado pelo Barcelona. Quando esse craque, lá na 
Espanha, opta por comprar um DVD de um grupo de pagode brasileiro 
produzido aqui no Brasil, podemos nos perguntar se houve uma transa-
ção comercial com o setor externo?
Vejamos, então, esses dois casos para uma melhor compreensão da 
situação caracterizada ou não como operação com o setor externo. Te-
mos como situações a compra de um carro da marca Fiat e um ato de 
consumo de um jogador brasileiro morando na Espanha.
Onde fica o centro econômico e como se dá a operação com esses 
agentes? 
A filial da Fiat no Brasil realiza a sua produção aqui no país; con-
trata os seus trabalhadores, vende os seus produtos, fatura em real, ou 
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Análise Macroeconômica
seja, todo o seu centro de interesses, principalmente o econômico, está 
localizado no Brasil. Logo, esse agente econômico, a Fiat no Brasil, é 
considerado um residente brasileiro.
Agora vamos ver o caso do jogador brasileiro do Barcelona. Ele re-
cebe seu salário pelo clube espanhol. As compras que ele faz para a sua 
subsistência, para a alimentação do dia a dia são realizadas na Espanha. 
Ele mora lá, não está lá a passeio nem temporariamente. Portanto, nesse 
caso, o jogador brasileiro é dito um residente na Espanha, não residente 
no Brasil.
A transitoriedade da pessoa (física ou juridica) no país é que de-
finirá se ela é residente ou não residente. Sua nacionalidade será o 
que menos importa. Se uma pessoa qualquer ou uma empresa vier a 
se instalar de forma permanente em um Estado estrangeiro, suas tran-
sações econômicas serão contabilizadas como residente nesse país, seu 
centro econômico.
Exemplo: um brasileiro que more em outro país pode continuar com 
a sua nacionalidade, porém não mais pertence ao setor interno da eco-
nomia brasileira. Tudo que ele lá comprar ou vender não será compu-
tado como operação brasileira. Por outro lado, uma empresa de origem 
americana, alemã ou de qualquer outro país, cuja filial aqui se instala 
com prazo indefinido, é considerada residente no Brasil.
Após essas considerações, certamente você já tem como distinguir 
quando uma operação econômica é feita com o setor externo ou tem 
natureza no domínio interno de um país.
Vejamos: o setor externo de um país é o setor que inclui todos os agen-
tes econômicos não residentes nesse país, isto é, todas as famílias, as em-
presas e os governos que não têm nele seus centros de interesse econômico.
Então, pensando em termos de Brasil, como em nosso exemplo, as 
transações econômicas realizadas pelo jogador brasileiro que mora na 
Espanha são operações daquele país, ou seja, do setor externo. Por sua 
vez, a fabricante de automóveis italiana instalada aqui no Brasil não per-
tence ao setor externo.
Assim, podemos dizer que os agentes econômicos residentes em um 
país realizam transações comerciais e financeiras com agentes econômi-
cos residentes em outros países.
Observe que as transações comerciais e financeiras realizadas entre 
residentes e não residentes de um país, em regra, não são realizadas com 
Residente 
Todo agente econômico

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