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Página 1 de 9 MICROBIOLOGIA 19/11/2021 – BACTERIOLOGIA BÁSICA Metabolismo e crescimento bacteriano Metabolismo microbiano As bactérias da nossa microbiota ou patogênicas: são quimiorganotróficas, precisarão de compostos orgânicos, geralmente baseados na glicose. Teremos respiração celular ou fermentação que gerará ATP. Temos outros microrganismo que retirarão de compostos inorgânicos ou farão fotossíntese. Esse ATP participará de toda a fisiologia, metabolismo da célular bacteriana. As reações que envolverão a fisiologia e metabolismo dessas células bacterianas dependerão de compostos químicos (microrganismos quimiotróficos). Temos como fonte de carbono principalmente os compostos orgânicos. Posso ter nesse processo final de metabolismo um aceptor final de elétrons que é o oxigênio, a gente pensa na respiração celular aeróbica. No caso das células procarióticas, onde ocorre o processo de respiração celular, onde temos a cadeia de transporte de elétrons, e como receptor final de elétrons o oxigênio → mitocôndrias. Mitocôndria → talvez a evolução de uma célula bacteriana, estruturas parecidas Bactérias não possuem mitocôndria, ocorrerá nos mesossomos da membrana celular (processo semelhante). Vários microrganismos não vão realizar essa geração de ATP baseado nessa cadeia respiratória, cadeia de transporte elétrons, e como receptor final de elétrons o oxigênio. Teremos então as bactérias que farão fermentação ou terão esse processo de respiração com outros receptores finais de elétron. Página 2 de 9 Metabolismo dos carboidratos Fonte primária de energia celular → metabolismo de carboidratos (glicose); Produção de energia e biossíntese de componentes celulares e aminoácidos; Respiração: • Respiração aeróbica; • Respiração anaeróbica; A diferença entre elas é o aceptor final de elétrons. Aeróbica: oxigênio e anaeróbica: outros compostos orgânicos. Fermentação: • Fermentação homolática (gera um único tipo de produto final de fermentação); • Fermentação alcóolica (vinho, cerveja, gera um produto alcóolico); • Fermentação heterolática (acontece com boa parte das bactérias, gera mais de um tipo de produto final de fermentação); Metabolismo microbiano Respiração tem geração de NADH, FADH, ciclo de Krebs (total ou parcial), e no final a cadeia transportadora de elétrons onde teremos a geração maior de oxigênio. Bactérias que são fermentadoras precisam fermentar grande quantidade de substrato para gerar uma mesma quantidade de ATP que teríamos pela via respiratória. Fermentação: glicose quebrada em duas moléculas de ácido pirúvico e o que mudará são os caminhos a partir do ácido pirúvico. Teremos diferentes produtos finais. Diversas vias glicolíticas 1.Via Embden-Meyerhoff-Parnas (EMP) • Glicólise “clássica”; • Presente em todos os organismos vivos. 2.Via Pentose monofosfato (HMP) • Quebra de açúcar com 5 carbonos; • Síntese de ácidos nucleicos. 3.Via Etner-Doudoroff (ED) • Encontrada das Pseudomonas e gêneros relacionados (bactérias que degradam de forma ruim alimentos ou que fazem a fermentação alcóolica); • Piruvato reduzido a etanol. Ciclo de Krebs/ respiração aeróbica • Bactérias não tem mitocôndrias, o ciclo ocorre no citoplasma e depois a cadeia de transporte de elétrons vai ocorrer nos mesossomos da membrana citoplasmática; • O ciclo é funcional em muitas bactérias aeróbicas, protozoários e maioria das algas e fungos; • E. coli (anaeróbicas facultativas) não usa este ciclo completo em condições anaeróbicas ou quando a concentração de glicose é alta. Página 3 de 9 Ocorre oxidação energética gerando as coenzimas importantes FADH e NAD, sempre liberando CO2. A cadeia de transporte de elétrons ocorre nos mesossomos da membrana citoplasmática. Temos a membrana dividida em membrana interna e externa. Processo oxidativo, de respiração celular, há uma geração de uma grande quantidade de ATP. Algumas enzimas importantes auxiliam na entrada e saída de ATP. Respiração anaeróbica • O aceptor final de elétrons são compostos inorgânicos diferente de O2; • Ex: NO3, NO2, N2O, N2, SO4, H2S, CO3, etc; • Produção de ATPs menor, crescimento mais lento; • Glicólise + fermentação. Glicólise: vias de fermentação a) Fermentação homolática Ácido pirúvico → Ácido lático Bactérias que fazem a deterioração dos alimentos, mas também que geram alimentos. Ex: Streptococcus, Lactobacillus b) Fermentação alcóolica Ácido pirúvico → Etanol Ex: Leveduras (Saccharomyces spp) c) Fermentação mista ou heterolática Ácido pirúvico → Ácido lático/ácido acético/ácido succínico Pode gerar etanol também - H2 + CO2 + Etanol Ex: Escherichia coli e algumas enterobactérias Glicólise gera duas moléculas de ácido pirúvico, isso gera enzimas e uma pequena parte de moléculas de ATP, nesse caminho o ácido pirúvico pode ir a fermentação lática gerando duas moléculas de ácido lático ou pode ir gerar o etanol. Página 4 de 9 A célula bacteriana para sobreviver e fazer multiplicação precisa não apenas de ATP. Precisará fazer metabolismo de lipídeos para extrair energia dessas vias, como de proteínas. Metabolismo lipídeos Lipases: produzem enzimas extracelulares, essas serão jogadas para fora do espaço intracelular das bactérias e irão quebrar os lipídeos em ácido graxo e glicerol. Metabolismo oxidativo de proteínas Desaminação: remoção do grupo amino (convertido em NH4+ e excretado da célula) e ácidos orgânicos (ciclo de Krebs); Descarboxilação: remoção de COOH; Desidrogenação: remoção de OH. Crescimento microbiano Crescimento de uma população de células bacteriana (uma célula dará origem à outras células, dependendo do tempo de geração ou de duplicação). Tempo de geração: cada vez que temos uma célula se dividindo por fissão binária (célula mãe → duas células filhas). Vai duplicando, multiplicando-se (diferente do vírus que se replica). UFC: unidade formadora de colônia. Fatores físicos Temperatura, pH e pressão osmótica (contração de sal). 1. Temperatura: A maioria dos microrganismos crescem bem nas temperaturas ideais para os seres animais/humanos. Temperatura de crescimento mínimo: menor temperatura onde a espécie é capaz de crescer; Temperatura de crescimento ótima: onde a espécie apresenta melhor crescimento (ótimo exponencial em curto espaço de tempo); Temperatura de crescimento máxima: maior temperatura, onde ainda é possível o crescimento (sem ter inativação ou morte). Classificação dos microrganismos 3 grupos: Psicrófilos: • Crescem em baixas temperaturas (-10 a 15ºC); • Temperatura ótima: 15ºC; • Oceano, regiões polares; • Não causam problemas na preservação de alimentos. Mesófilos: • Crescem temperaturas moderadas (10 a 50ºC); • Temperatura ótima: 25 a 40ºC; • Bactérias patogênicas: temperatura ótima 37ºC; • Deterioração de alimentos e são patogênicos. Página 5 de 9 Psicrotróficos: (mesófilos) • Temperatura ótima: 20 a 30ºC; • Crescem em temperatura de refrigeradores (4ºC); • Deterioração de alimentos. Termófilos: • Crescem em altas temperaturas (40 a 70ºC); • Temperatura ótima: 50 a 60ºC; • Não crescem em temperatura abaixo de 45ºC; • Águas termais. Termófilos extremos: 68 a 110ºC 2. pH: • Maioria cresce melhor em pH neutro (6,5- 7,5); • Poucas bactérias são capazes de crescer em pH ácido (pH 4,0); Excreções: Bactérias acidófilas: tolerância a acidez Thiobacillus → pH 0,5-6,0 Bactérias alcalófilas: tolerância à alcalinidade Bacillus e Archaea → pH 10-11 Fungos: tendem a ser mais acidófilos que as bactérias → pH <5 3. Pressão osmótica: força exercido pela H2O dentro da célula A quantidade de solutopresente vai interferir na atividade de água que a gente vai ter no meio extracelular. Conteúdo celular: 80-90% água Se a bactéria for colocada em uma solução hipertônica (alta concentração de sais) → ocorre plasmólise, devido a perda de H2O por osmose Adição de sais: alta concentração de sal ou açúcar → plasmólise bacteriana para preservação de alimentos Não halófilos: não toleram a presença de sal no meio Halotolerantes: não necessitam de sal, mas toleram Halófilos (facultativos): necessitam de sal em concentração moderada Halófilos extremos (obrigatórios): necessitam de sal em altas concentrações Fatores químicos • Água; • Fontes de carbono e nitrogênio; • Minerais; • Oxigênio; • Fatores orgânicos. Página 6 de 9 1. Água: Ambiente com menor concentração de água: • Microrganismos aumentam concentração de solutos intracitoplasmáticos para tentar fazer o bombeamento de mais íons para o interior celular, mais água na célula; • Síntese de solutos orgânicos (açúcares, álcoois, aminoácidos). 2. Fontes de carbono, nitrogênio, enxofre e fósforo: Carbono: • Essencial para a síntese de todos os compostos orgânicos; • Organismos quimio-heterotróficos: obtém C a partir de compostos orgânicos como proteínas, carboidratos e lipídeos; Nitrogênio: Fontes: Decomposição de matéria orgânica (proteínas, aminoácidos); Amônia (NH4+); Nitrato (NO3-). Enxofre: Fontes de S: íon sulfato (SO4-2), sulfito de hidrogênio e aminoácidos; • Síntese de aminoácidos contendo S e vitaminas (tiamina e biotina); Fósforo: Fontes de P: íon fosfato (PO4-3), DNA, RNA, ATP. • Faz síntese de ácidos nucleicos, ATP e fosfolipídeos da membrana celular; Potássio, Magnésio e Cálcio Elementos traços (quantidade pequena): Ferro, Cobre, Molibdênio, Zinco* *presentes na água destilada São cofatores essenciais para atividades de algumas enzimas. 3. oxigênio: Aeróbios: utilizam Estritos (obrigatórios): necessitam de O2; Microaerófilo: necessitam de O2, mas em níveis menores; Anaeróbicas facultativas: crescem melhor com O2, mas podem viver em anaerobiose. Anaeróbios: não utilizam Estritos (obrigatórios): não toleram O2 (letal); Aerotolerantes: não necessitam de O2, mas podem crescer na presença de O2 Catalase e a superóxido dismutase (SOD): reduzem para H2O os compostos tóxicos do oxigênio. Efeito do oxigênio sobre o crescimento de vários tipos de bactérias: Página 7 de 9 Meios de cultura Material nutriente preparado no laboratório (esterilizado) para o crescimento de microrganismos. • Formulação correta do meio (nutrientes); • pH ajustado; • Estéril; • Características de incubação (TºC, O2, tempo). Meio pode estar em estado (depende da concentração de ágar): • Líquido: observa-se o crescimento pela turvação do meio ou nuvem de crescimento; • Semissólidos (ágar até 0,5%); • Sólidos (ágar de 1 a 2%): colônias evidenciadas, consegue-se observar o crescimento das colônias. Meios: Complexo: depende da matéria orgânica, nutrientes que está sendo utilizado (quanto de proteína? variação, não tem mensuração exata). Quimicamente definido: depende da matéria orgânica, nutrientes que está sendo utilizado. Ex: ágar sangue, tem-se quantidades que vai utilizar, mas quanto temos dentro dos constituintes de determinado ingrediente de determinada fonte nutricional não temos essa descrição. Já o ágar de citrato de sódio temos definido. Seletivo: algum ingrediente daquele meio vai facilitar o crescimento de algum microrganismo ou inibir. Ex: grande quantidade de sal, as bactérias não alofílicas terão dificuldade de crescer. Diferencial: dentro das bactérias que podem crescer naquele meio, dará alguma informação que diferencia alguma dessas espécies. Dependendo da bactéria que cresce terá uma coloração, ou o resultado do metabolismo vai alterar o meio. Enriquecedores: algumas bactérias de dificuldades de se adaptar nesses meios, principalmente sobre amostras que podem estar diluídas (ex: urina). Como as bactérias já estarão em suspensão, quando coloca isso no meio de cultura há dificuldade de se adaptar e crescer. Pode ser utilizados meios líquidos que por não ter o meio ágar, as bactérias crescerão numa velocidade maior, se adaptam mais rápido. Manutenção: mais básicos, não tão ricos, geralmente usados para manter, estocar, congelar a bactéria. Página 8 de 9 Crescimento das culturas bacterianas Divisão bacteriana: é considerado o aumento do número de indivíduos e não do tamanho celular. Fissão binária: (1) Alongamento da célula e a replicação do DNA cromossomal; (2) Início da invaginação da parede celular e da membrana plasmática; (3) As duas seções da parede celular se encontram; (4) Produção de duas células individuais idênticas à célula mãe. Tempo de geração: tempo necessário para uma célula se dividir. Varia com o organismo, depende das condições ambientais (nutricionais, temperatura, pH), maioria das bactérias 1-3h. 2y y = número de gerações Fases de crescimento: Curva de crescimento: demonstra o crescimento das células durante um período de tempo. Obtida pela contagem da população em intervalos de tempo após inocular bactérias em meio de cultura. • Fase lag: ausência/pouca divisão celular (adaptação) maior ou igual a 1 hora (depende do microrganismo e do meio). Estado de latência, intensa atividade metabólica. • Fase log: crescimento / aumento logarítmico. Tem muitas células jovens. Fase sensível às mudanças ambientais e antibióticos. • Fase estacionária; diminuição da velocidade de crescimento. N° de células vivas = n° de células mortas • Fase de morte celular: n° células mortas excede células novas Métodos para quantificar o crescimento Quantificação direta: Contagem em placas: técnica mais utilizada na determinação do tamanho da população bacteriana. Vantagem: qualificação de células viáveis Desvantagem: tempo (24h para o aparecimento das colônias) Temos a bactéria isolada crescida no laboratório, será diluída as amostras da base 10, tendo uma solução final de 10ml (proporção de 1 pra 10). Diluição depende do material. Material muito contaminado precisa de mais diluições. Depois do crescimento se observa para fazer contagem. Página 9 de 9 Método do número mais provável; Filtração; Contagem direta ao microscópio; Quantificação indireta: Turbidimetria: monitoramento do crescimento bacteriano através da turbidez. Espectrofotômetro (660nm). Quantidade de luz que atravessa o detector é inversamente proporcional ao nº de bactérias. Quanto maior o número de bactérias, menor a quantidade de luz que é transmitida. Atividade metabólica: quantidade de um certo produto (como ácido ou CO2) é diretamente proporcional ao número de células bacterianas. Peso Seco: principalmente para fungos filamentosos. (A) Fungo é removido do meio por filtração; (B) Seco em dessecador; (C) Posterior pesagem.