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Neoplasias 
1. Introdução: 
Definições 
Neoplasia significa novo crescimento, portanto, um neoplasma ou um tumor é uma massa tecidual com 
crescimento excessivo, e não coordenado com o crescimento dos tecidos adjacentes normais. Um 
outro termo bastante utilizado quando se fala em neoplasias, é a oncologia, que é o estudo de tumores 
ou neoplasmas. 
Componentes tumorais 
Se tratando de analises anatomopatológicas é importante saber que uma neoplasia apresenta dois 
grandes componentes: 
• Parênquima: que são as células 
neoplásicas que estão em proliferação; 
• Estroma de sustentação: parte de 
tecido conjuntivo de sustentação, onde 
serão encontrados fibroblastos, 
excesso de matriz extracelular e muitos 
vasos, que darão a sustentação 
nutricional para as células em 
proliferação. 
Classificação dos tumores 
 
De maneira geral, os tumores serão classificados em benignos e malignos. O epitélio em azul 
representado na imagem, considera uma arquitetura normal, um padrão de morfologia celular normal. 
Quando uma célula começa a se proliferar e se tornar um tumor, ela ainda vai apresentar 
características semelhantes com o tecido normal, mas que já se identifica alterações importantes, 
sendo considerado um tumor benigno (roxo). Quando o tumor começa a adquirir características, as 
células começam ser modificadas de forma que modifique a arquitetura original do tecido, a 
morfologia da própria célula é muito diferente do tecido normal, então já tem um padrão de 
malignidade. Mas não é só a morfologia que vai definir se é benigno ou maligno, o que na verdade faz a 
definição é a taxa de crescimento e o acumulo de mutações genéticas que essas células vão ter, e 
principalmente a capacidade desse tumor de invadir tecido adjacente e sua disseminação para outros 
tecidos (metástase). 
Portanto, uma definição bastante clara seria, tumores benignos não invadem tecidos adjacentes e nem 
fazem metástase. Por outro lado, os tumores malignos tem um componente celular capaz de invadir 
tecido ao redor, e se instalar e colonizar outras regiões do corpo. 
O que é o câncer? 
O câncer é o temor utilizado para tumores malignos, aqueles que conseguem invadir e criar metástase. 
É um termo utilizado desde a época de Hipócrates, em seus estudos sobre o processo neoplásico. 
Então, atualmente, o câncer é considerado um conjunto de mais de 100 doenças, que tem em comum o 
crescimento desordenado de células que invadem tecidos e órgãos, podendo espalhar-se para outras 
regiões do corpo (metástase). 
As muitas formas de câncer: 
• Tecidos diferentes: acomete diferentes tipos teciduais; 
• Crescimento: A taxa de crescimento é muito variada de tumor para tumor; 
• Resposta aos tratamentos: A resposta terapêutica também é muito especifica para cada tipo 
tumoral; 
• Frequência: Varia de acordo com os hábitos, cultura, etc. 
O gráfico ao lado representa a quantidade de mortes no 
Brasil desde 1930 até 2007, e é possível observar que 
inicialmente a causa principal de morte eram as doenças 
infecciosas, que diminuíram bastante a partir da década 
de 80, e a partir desse momento, vê-se um aumento no 
número de câncer de doenças cardiovasculares como 
principal causa de óbito, devido a mudança de hábitos 
alimentares, migração do campo para a cidade, exposição 
a substancias toxicas, drogas, etc. 
A ultima estimativa no Brasil para 
incidência de câncer foi feita em 
2020, e foi constatado que o principal 
tipo de câncer que acomete os homens 
é o câncer de próstata, e nas mulheres, 
câncer de mama. 
Já quando consideramos a distribuição 
de casos e óbitos dos 10 tipos de câncer mais comuns mundialmente, tem-se um gráfico que mostra a 
incidência de ambos os sexos, onde há predominância de câncer de mama, seguido por câncer de 
pulmão, colorretal e próstata. É importante salientar que, pela primeira vez, o tipo de mama 
ultrapassou o câncer de pulmão. Nos dados de mortalidade, a principal causa é o câncer de pulão, 
seguido pelo colorretal e fígado. Outra observação importante, o fígado ocupa a 6ª posição de 
incidência, mas no caso de mortalidade, é o terceiro tipo de câncer mais mortal mundialmente. 
2. Nomenclatura dos tumores: 
Tumores benignos 
A nomenclatura dos tumores é diferente entre tumores malignos e benignos, e também de acordo com 
o tipo de célula envolvida. 
→ Células mesenquimais: 
Então, no caso de tumores benignos, quando eles têm origem de células mesenquimais, que tem origem 
embrionária, tem uma 
nomenclatura que adiciona o 
sufixo OMA na célula de origem. 
Exemplo: 
• Células fibroblásticas: 
fibroma; 
• Osteoblastos: osteoma; 
• Músculo liso: mioma. 
→ Células epiteliais: 
Já no caso das células epiteliais, 
os tumores benignos adquirem 
uma classificação muito 
diferente, bastante variado. Mas 
existem alguns padrões: 
• Quando o tumor tem um padrão de organização ou uma origem glandular: Adenoma; 
• No caso de tumores benignos originados de células epiteliais, que formam projeções 
digitiformes ou verrucosas visíveis: papiloma. 
Tumores malignos: 
Para os tumores malignos, a classificação também vai seguir a origem celular. 
→ Células mesenquimais: 
São denominas sarcomas, por apresentarem pouco 
estroma e serem carnosos. Exemplo: 
• Células fibroblásticas: fibrossarcoma; 
• Tecido adiposo: lipossarcoma. 
→ Células epiteliais: 
Todo tumor maligno vai ser denominado de 
carcinomas, e existem as variações: 
• Padrões ou origem glandulares: adenocarcinoma de células renais; 
• Células escamosas do epitélio: carcinoma de células escamosas broncogênico. 
Estadiamento 
Além da nomenclatura, as neoplasias podem ser descritas de acordo com os sistemas de estadiamento 
e classificações, que pode variar de um tipo de neoplasia para outro. No caso do estadiamento, ou 
também chamado de estágios da neoplasia, tem o objetivo de identificar ou tentar descrever a 
extensão e o tamanho da neoplasia, e também o comportamento de acordo com a disseminação e 
invasão local, e disseminação para locais mais distantes do tumor primário. 
O estadiamento é importante para tentar avaliar a gravidade do tumor, tentar identificar tratamento 
mais adequados para aquele tipo e aquela agressividade tumoral, e com isso, aumentar a sobrevida do 
paciente. 
A tabela ao lado apresenta algumas etapas, estágios da neoplasia: 
• Estágio 0: é caracterizado por células anormais, porém, que não conseguem ainda fazer uma 
invasão do tecido adjacente. É denominado carcinoma in situ ou CIS, que na verdade, não chega 
a ser uma neoplasia maligna, mas que pode se tornar. 
• Estágios I, II e III: já tem uma neoplasia maligna consolidada, e nesse caso, quanto mais o 
número do estágio, mais esse tumor é agressivo cancerígeno, e mais ele se espalhou para os 
tecidos próximos. 
• Estágio IV: É o estágio mais agressivo. Nesse ponto, a neoplasia maligna já se espalhou para 
partes distantes do corpo, o que significa que o tumor conseguiu formar metástase. 
→ Sistema TNM: 
O sistema mais utilizado para estadiamento tumoral é o TNM, que se aplica para a grande maioria dos 
tumores, mas a depender do tipo, vai ser necessário aplicar sistemas específicos. No caso do TNM, ele 
utiliza a letra T para identificar o tamanho e extensão do tumor primário, o N é o número de 
linfonodos regionais que apresentam foco de neoplasia, e M significa se aquele câncer teve metástase 
no momento do diagnóstico. 
Então, explorando a letra T, quando é identificado no laudo patológico: 
• TX: significa que o tumor primário não pode ser medido. 
• T0: significa que o tumor primário não foi encontrado. 
• T1, T2, T3, T4: Determina o tamanho e/ ou extensão do tumor principal. Quanto maior for 
o tumor, maior será o número que acompanha a letra. 
No caso da letra N: 
• NX: O câncer em nódulos linfáticos próximos não pode ser medido. 
• N0: Não há câncer nos gânglios linfáticos próximos. 
•N1, N2, N3: Número e localização dos gânglios linfáticos que contem câncer. Quanto maior 
for o número, maior será o numero de gânglios acometidos. 
 
E sobre a letra M: processo metastático. 
• M1: a metástase não pode ser medida. 
• M0: O câncer não se espalhou para outras partes do corpo; 
• M1: O câncer se espalhou para outras partes do corpo. 
Grau do tumor 
Além do sistema de estadiamento, é muito comum encontrar nos laudos de patologia, descrição sobre 
o grau do tumor, que nada mais é do que uma caracterização do tumor, com base na aparência das suas 
células, e também da organização dessas células tumorais e do tecido ao microscópio. 
Então, é considerado um tumor: 
• Bem diferenciado: quando suas células e sua organização estão muito semelhantes ao que é 
encontrado no tecido normal; 
• Pouco diferenciado/ indiferenciado: vai ter pouca semelhança com o tecido normal. 
Pode ser feita uma graduação do tumor: 
• GX: A nota não pode ser avaliada (nota indeterminada); 
• G1: tumor bem diferenciado (baixo grau); 
• G2: tumor moderadamente diferenciado (grau intermediário); 
• G3: mal diferenciado (alto grau); 
• G4: indiferenciado (alto grau). 
o Em alguns casos, o G4 pode ser classificado como um tumor anaplásico, ou seja, perdeu 
completamente a semelhança com o tecido normal. 
Classificações moleculares 
Atualmente, é muito comum nos depararmos com as classificações moleculares para o câncer. Ou seja, 
são classificações que utilizam plataformas para avaliação molecular para as células tumorais, e as 
metodologias são variadas. Dependendo do tumor, essa classificação vai envolver avaliação de 
sequenciamento de exoma, de RNA mensageiro, biblioteca de micro RNAs, etc. 
Então, é muito comum além de classificar em grau, estadiamento, tem uma subclassificação com base 
no perfil molecular dessas células tumorais. E a depender desse perfil, é traçado um prognóstico, com 
uma expectativa de sobrevida desse paciente, e muita das vezes, pode ser direcionado terapias alvo 
para que haja uma melhora na resposta terapêutica. 
3. Bases moleculares da carcinogênese 
A carcinogênese se inicia a partir da transformação maligna de uma única célula. Então, tem-se uma 
célula normal com um genoma estável, e após uma serie de exposições ou até mesmo de questões de 
herança genética, essa célula adquire uma mutação em genes que são importantes para a manutenção 
da homeostasia proliferativa dessa célula. Uma vez adquirida essas mutações, o genoma se torna 
instável, tendo uma associação com vários erros, e alterações bioquímicas e metabólicas, e 
consequentemente, há um estimulo exagerado para proliferação dessa célula. Portanto, ela se torna 
uma célula tumoral. 
Com relação ao tipo de célula afetada pela mutação, tem-se: 
• Células germinativas: 
o A mutação aconteceu durante a meiose, e vai afetar a formação dos gametas. Então, 
estará presente no espermatozoide ou nos ovócitos, e consequentemente, isso será 
transmitido por hereditariedade; 
• Células somáticas: 
o A mutação ocorre durante a mitose, e toda célula que será afetada, terá células filhas 
afetadas que perpetuará essa mutação, e ela não é hereditária. 
Predisposição genética 
Apenas uma pequena parcela, em torno de 10% dos pacientes diagnosticados com o câncer, herdou 
alguma mutação que realmente pré-dispõem ao câncer. A grande maioria (90%) são associados a 
mutações adquiridas ao longo da vida. Considerando as pré-disposições, teremos os tipos de mutações 
com: 
• Herança autossômica dominante: 
o Precisa apenas de um alelo mutado (geralmente ocorre nos genes 
supressores tumorais); 
o Segundo alelo silenciado posteriormente. 
• Herança Autossômica recessiva: 
o Está associado com doenças mais raras, que correm devido a algum 
defeito no reparo do DNA; 
o Os dois alelos precisam estar mutados para que aconteça isso; 
• Cânceres Familiares: 
o Envolvem uma serie de genes relacionados; 
o Envolve a formação de tumores em idade precoce, e geralmente, em vários sítios 
anatômicos; 
o Cólon, mama, ovário, cérebro, melanoma, linfomas. 
Agentes ambientais da carcinogênese: 
Sabendo então que apenas 10% dos canceres estão relacionados com herança de mutação, pensamos 
então que 90% dos casos estão relacionados com a exposição ambiental: 
• Radiação UV Ionizante; 
• Hábitos nutricionais; 
• Exposição a vírus, como HBV, HPV, EBV; 
• Imunidade do indivíduo: Uma vez que o tumor precisa invadir o sistema imunológico; 
• Agentes químicos: 
o Agentes alquilantes; 
o Hidrocarbonetos; 
o Aminas aromáticas; 
o Nitrosamina; 
o Inseticidas/ fungicidas. 
Todos esses, associados uns aos outros, ou de maneira mais isolada, pode levar a danos genéticos não 
letais, que são consideradas mutações. Essas mutações podem ocorrer em genes chave, para a 
formação de um tumor, como os supressores tumorais, mas isso pode acontecer de forma mais 
aleatória, acometendo vários genes até que, de fato, uma célula consiga ser transformada. 
Homeostase Celular 
Para que uma célula consiga manter a sua homeostasia, ela precisa ter uma regulação muito delicada 
entre os sinais que regulam o crescimento celular, que mantem aquele crescimento contido, e isso 
envolve a ativação de genes supressores tumorais, a participação genes de reparo do DNA, e ativação 
de apoptose. E por outro lado, tem um grupo de genes que vão induzir o aumento de sinais mitóticos, 
podem regular a diferenciação e proliferação de células, que são os proto-oncogenes. 
Quando uma célula se torna transformada, tem-se alterações ou mutações envolvendo principalmente 
esses grupos de genes, que são os supressores tumorais, genes de reparo do DNA, genes de apoptose 
e os poto-oncogenes. 
Fenótipo maligno → Funções alteradas 
Uma vez que a célula se transformou, ela irá adquirir um fenótipo maligno, e consequentemente, suas 
funções vão estar alteradas. Então, não é somente a parte replicativa que estará alterada, a célula 
adquire: 
• Capacidade de evadir a morte celular por apoptose; 
• Possui sinais de crescimento que são autossuficientes, e muitas vezes as células produzem o 
próprio fator de crescimento na sua membrana; 
• Torna-se insensível a sinais inibidores de crescimento; 
• Faz invasão e metástase, produzindo enzimas que vão degradar a MEC, que vão conseguir 
invadir o tecido ao redor desse grupo de células tumorais; 
• Tem um potencial infinito de replicação, e muitas das vezes, isso está relacionado com 
alterações nas expressões das telomerases; 
• Consegue fazer uma manutenção da angiogênese. Uma vez que a célula começa a proliferar 
numa taxa maior do que o normal, terá uma maior necessidade de vascularização ao redor 
desse tumor, para que todas as células tumorais sejam nutridas. 
× 1 – autossuficiência nos sinais de crescimento × 
Proto-oncogenes/ oncogenes 
Os proto-oncogenes, na verdade, são um grupo de genes com diferentes funções dentro de uma célula, 
seja ele com papel de fator de crescimento, receptor, transdutor intracelular, podem ainda fazer um 
papel de fator de transcrição lá no núcleo, ou ainda serem proteínas do ciclo celular. Alguns exemplos 
de genes são MYC, RET, RAS, Ciclinas e as CDKs. 
Uma vez que esse proto-oncogene sofre uma mutação, ele será transformado ou modificado para uma 
versão de oncogene, que dará todo o sinal autossuficiente de crescimento que uma célula tumoral 
maligna adquire. 
◊ Origem dos oncogenes: 
Um oncogene se origina a partir da mutação de um proto-oncogene, que pode ser de vários tipos, como 
por exemplo a mutação de ponto, amplificação gênica, ou translocação cromossômica, e isso vai fazer 
com que a função normal seja alterada, para uma função com perfil de proliferação alterada, que é a 
função do oncogene. 
A mutação sofrida pelo proto-
oncogene pode ter origens 
diferentes, pode ser através de um 
carcinógeno, atuação de vírus, 
radiação ou até mesmo predisposição.Então, ele será modificado de um 
formato de proto, para uma 
transformação em oncogene, e 
consequentemente, isso pode estar 
relacionado com uma maior produção 
de proteínas alteradas, que são 
chamadas de oncoproteínas, que 
muitas vezes servem como marcador 
de tumor maligno. 
Então, teremos uma célula transformada devido uma mutação em proto-oncogene em oncogene, e as 
funções dessa célula estarão alteradas também. Essa mutação de comportamento dominante precisa 
ter apenas um alelo modificado com a mutação, pata que haja um ganho de função, seja ele 
quantitativo ou qualitativo, e isso está sempre relacionado a autossuficiência de sinal de crescimento 
daquela célula. 
→ Oncogene RAS: 
Ele tem suas funções associadas com uma serie de vias de fatores de crescimento, como o EGF, PDGF, 
e o CSF-1, e ele se encontra modificado em 90% dos adenocarcinomas pancreáticos, que são muito 
agressivos e com alta taxa de mortalidade, e também 50% de outros canceres, como cólon, endométrio 
e tireóide. 
Nessa representação podemos 
entender coo o gene RAS atua para 
manter a divisão celular constante na 
célula maligna. Então, tem-se a 
membrana citoplasmática, um 
receptor de fator de crescimento, e 
o seu fator de crescimento, que 
podem ser de diferentes tipos. 
Então, a família RAS vai atuar junto 
ao receptor, ou seja, enquanto não há 
o estimulo com o fator de 
crescimento, RAS estará inativo, e 
uma vez que há a presença do fator 
de crescimento, sinais serão passados 
para dentro da célula, ativando RAS, 
e consequentemente RAS vai levar sinais intracelulares para a ativação da via das MAPKnases. 
Uma vez que há o desligamento desse fator de crescimento, RAS será inativada por um mecanismo de 
feedback negativo. Então, quando acontece a modificação do gene RAS para oncogene, esse feedback 
negativo ficará comprometido, ou seja, vai bloquear a função de inativação de RAS. Portanto, 
independente do estimulo do receptor, RAS se manterá ativa em toda a célula que tiver mutação. 
→ Amplificação do proto-oncogene MYC 
Ao invés de uma ou duas copias de 
MYC, terão varias cópias, ou seja, 
uma amplificação desse proto-
oncogene, que tem como função 
ativar outros componentes que 
estão relacionados com 
proliferação, motilidade celular, e 
redução da adesão celular. 
Portanto, tem uma 
hiperexpressão de MYC, ou seja, uma amplificação que vai induzir uma maior proliferação e uma 
redução da adesão celular. O MYC estará amplificado principalmente em tumores do tipo de mama, 
cólon, pumão e neuroblastomas. 
A amplificação pode chamar denominados duplos minutos, que são pequenos fragmentos da região 
amplificada que são encontrados fora dos cromossomos, e é considerado uma evidencia 
extracromossômica. 
→ Amplificação do proto-oncogene HER2 (HERBB2) 
É um receptor tipo 2 do fator de 
crescimento epidérmico humano, e é um 
constituinte normal de células epiteliais, ou 
seja, receptor de superfície com função de 
enviar sinais para as células se dividirem e 
proliferarem. Porém, no caso dos tumores, 
em especial o câncer de mama, essas células 
adquirem uma amplificação dessa região do 
HER2, e como consequência, há um aumento 
na quantidade do HER2 na superfície da 
célula tumoral. Esse excesso de receptores 
faz com que, consequentemente, tem-se um 
aumento nos sinais proliferativos dessas células, aumentando a agressividade. 
Portanto, o HER2, na verdade, se tornou um bom 
marcador de célula tumoral, no caso do câncer de 
mama, mas ele também pode ser utilizado como alvo 
terapêutico, uma vez que podemos bloquear esses 
receptores, ou suas funções, através de anticorpos 
monoclonais, ou drogas especificas bloqueadoras. 
As evidências de amplificação do proto-oncogene HER2, pode ser observado através de imuno-
histoquímica, em que a classificação dessa amplificação pode ser classificada em Escore +1, +2 ou +3. 
Quanto mais for a tonalidade marrom, maior é a quantidade de HER2 presente na membrana celular. 
De forma mais molecular, podemos identificar pontos de amplificação da região do HER2. 
→ Ciclo celular alterado 
Os sinais de crescimento autossuficiente podem estar relacionados com mutações e componentes do 
ciclo celular. Devemos lembrar que em cada fase do ciclo celular, tem a atuação de ciclinas e CDKs. 
Essas mutações ou alterações podem estar associadas a: 
• Hiperexpressão da Ciclina D: 
o Mama, esôfago, fígado e linfomas. 
• Amplificação do CDK4: 
o Melanomas, sarcomas e glioblastomas; 
• Inativação da CDKI (p160: inibidor de CDK 
o 75% câncer pancreático. 
• Pontos de verificação desregulados. 
→ Dentre os principais oncogenes, tem: 
 
× 2 – Insensibilidade aos sinais inibidores de crescimento × 
Genes Supressores de Tumor 
Os supressores tumorais são genes que tem a capacidade de inibir o fenótipo neoplásico, ou seja, eles 
conseguem inibir o crescimento e diferenciação de células, regulam a parada do ciclo celular, induzem 
a célula a apoptose, e também fazem papel no reparo do DNA. 
Uma vez que a célula perde a função desse gene supressor tumoral devido a uma mutação, geralmente 
do comportamento recessivo, ou seja, precisa fazer mutação em ambos os alelos do gene, que resulta 
na perda de função, e consequentemente, um descontrole de todas as funções normais dos 
supressores tumorais. 
→ Supressor tumoral RB: 
O gene RB é uma proteína que atua no núcleo, regulando o ciclo celular, porque ele vai se ligar a 
fatores de transcrição, como por exemplo o E2F, inativando a transcrição de genes do ciclo celular. 
O professor Alfred Knudson estudou o gene RB, em 1971, e propôs uma explicação para a ocorrência 
do retinoblastoma. A hipótese de Knudson (“2 hits”), fala que são necessários dois eventos para que 
aconteça o desenvolvimento tumoral, que são dois locais de mutação, um em cada alelo. 
Então, 60% dos casos de retinoblastoma acontecem de forma esporádica, portanto, os dois eventos 
necessários ocorrem em células somáticas, em células diferentes. Então, se olharmos na imagem ao 
lado, observamos um gene normal, que sofre uma mutação em um dos alelos, caracterizando o primeiro 
evento, e posteriormente, sofre uma segunda mutação, que é o segundo evento. 
Os outros 40% dos casos de retinoblastoma são hereditários, dessa forma, a mutação ocorre na célula 
germinativa, que é passado de forma hereditária para o filho, e essa primeira mutação, primeiro 
evento, é herdado. Ao nascer, o individuo terá o segundo evento, induzindo a formação do tumor. 
 
× Hipótese de Knudson aplicada a 
canceres familiais (hereditários): 
Apesar de muito associado ao retinoblastoma, 
a hipótese de Knudson dos dois eventos pode 
ser aplicada em diferentes canceres familiais, 
como por exemplo, a polipose adenomatosa do 
colon familial que causa câncer de cólon, 
câncer de mama e ovário, Melanoma familial, 
etc. 
 
→ Supressor tumoral TP53: 
O supressor tumoral TP53 encontra-
se mutado, em pelo menos, 50% dos 
canceres humanos diagnosticados. A 
função do TP53 é muito vasta e 
variada, uma vez que ele e um fator 
de transcrição, que se torna ativado 
através de estresse, seja por danos 
ao DNA, hipoxia, entre outros mais, e 
uma vez ativado, induzirá a 
transcrição de diferentes genes que 
estão relacionados com funções 
especificas dentro da célula, sempre visando a inibição do crescimento. 
Então, ele pode induzir a expressão de P21, por exemplo, para fazer parada do ciclo celular, ou ainda 
induzir o reparo do DNA, ou levar a célula a morte celular por apoptose. As mutações no TP53 
precisam acontecer em ambas as copias, ambos os alelos, e estão relacionadas com diferentes tipos de 
canceres. Uma vez que há a inativação, perde-se também a sensibilidade, e a célula se torna insensível 
a sinais inibidores do crescimento. Essas células vão então se tornar mutantes, induzindo expansão e 
mutações adicionais, visto que não há reparo do DNA, etem potencial para se tornar um tumor 
maligno, ou também continuar a progressão de tumores já estabelecidos. 
× Autossuficiência nos sinais de crescimento e Insensibilidade aos sinais inibidores 
de crescimento × 
Modelo molecular para evolução 
dos cânceres colorretais: 
Durante o processo de evolução 
do câncer, em vários momentos 
via haver a mutação de genes 
específicos, mas isso não 
acontece tudo ao mesmo tempo. 
Um modelo bastante 
esclarecedor para entender como 
funciona essa evolução é o câncer 
de colorretal. 
Então, tem-se um epitélio de 
colón normal, uma mucosa que progrediu para um potencial risco de progressão maligna, uma vez que 
houve um primeiro evento, que são mutações que podem ser germinativas ou somáticas, em genes 
supressores tumorais, que nesse caso foi o APC. Com o passar do tempo, vai ter o segundo evento, que 
pode ser devido a metilação, ou inativação de outros alelos normais, que nesse caso novamente é a 
inativação do segundo alelo do gene APC. 
A partir daí, começam as alterações morfológicas visíveis, com a formação de pólipos e adenomas, e 
consequentemente a predisposição a novas mutações. No exemplo da imagem, ocorreu uma terceira 
mutação no gene K-RAS. E isso não para, visto que conforme o tumor vai evoluindo, progredindo, ele 
pode tomar varias direções. Na imagem, temos o exemplo da formação do TP53 selvagem, ou também 
quando ele sofre mutações de outros genes, existe uma tendencia a maior agressividade, invasão e 
formação de metástase, que evolui para carcinoma. 
Outros mecanismos 
A partir de agora serão considerados outros mecanismos além das mutações em genes supressores 
tumorais e proto-oncogenes. 
→ Evasão do apoptose: 
As células transformadas adquirem capacidade de evadir a apoptose. Se lembrarmos do mecanismo de 
apoptose, ele pode ser iniciado na superfície da célula, através da ativação de receptores de morte 
celular, ou também podem ser ativados pela via mitocondrial, e 
existem vários componentes que participam de ambas as vias, 
inclusive genes e vias comuns as vias intrínsecas e extrínsecas, e 
isso culmina com a morte celular. 
1 – Redução de CD95: Um dos mecanismos é a redução da 
expressão de CD95, que é o receptor de morte. 
2 – Inativação do complexo indutor de morte (FADD): Inativação 
de proteínas adaptadores, que fariam a ativação das caspases. 
3 – Aumento de BLC2 (anti-apoptose): aumento de proteínas anti-
apoptoticas. 
4 – Perda do P53 → Redução de BAX (pró-apoptose): Perda do 
P53, com consequente redução de BAX, que é uma proteína pró-
apoptótica. 
5 – Aumento de IAP (inibidor da apoptose): Aumento de inibidor 
de apoptose, então existem proteínas que irão inibir a apoptose, 
e consequentemente, vai evadir a morte celular. 
→ Genes de reparo do DNA: 
Outro mecanismo que pode 
desencadear alteração maligna, 
são as mudanças e alterações 
em genes de reparo de DNA. 
Geralmente, alterações no 
reparo do DNA estarão 
relacionadas com síndromes de predisposição de câncer hereditário. 
→ Vírus oncogênicos: 
• HHTLV -1: leucemia de células T-humanas tipo 1; 
• EBV: Vírus Epstein-Barr; 
• HBV/ HCV: Carcinoma hepatocelular; 
o HCV: não existe a formação de mutações especificas, porque o vírus não se integra no 
genoma do hospedeiro. Mas sabe-se que uma serie de proteinas virais podem se associar 
com proteínas importantes do nosso ciclo celular, e isso acaba desencadeando o 
descontrole da proliferação celular. 
o HBV: tem uma transformação associada a mutagênese, devido a inserção do genoma viral 
no genoma do hospedeiro, desregulando alguns genes, e inativando outros genes de 
função de supressor tumoral. 
• HPV: Papilomavírus humano. 
o Tem a capacidade de interagir com uma 
serie de proteínas do ciclo celular. 
Então, o HPV produz suas onco-
proteínas, que são denominadas E6 e E7, 
e cada uma vai interagir com 
componentes do ciclo celular. 
 
4 – Considerações finais 
• O centro da carcinogênese é o dano genético não letal (mutação), que pode ser adquirido de 
forma herdada ou por agentes ambientais; 
• O tumor é formado pela expansão clonal de uma única célula percursora que sofreu lesão 
genética; 
• A carcinogênese é um processo em múltiplas etapas tanto a nível fenotípico, quanto a nível 
genético (acumulo de mutações); 
• Há quatro classes de genes que são alvos do dano genético: 
o Proto-oncogenes (promotores de crescimento); 
o Supressores de tumor (inibem o crescimento); 
o Genes que regulam a apoptose; 
o Genes de reparo do DNA.

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