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História Natural das Doenças 1 História Natural das Doenças Maria Eduarda Netto INTRODUÇÃO A epidemiologia se preocupa muito sobre os modos de transmissão de uma doença e o combate às epidemias. Existe um rede de processos que determinam a distribuição de doença nas condições concretas de vida. Assim, é pensando a doença em todas as suas dimensões que o se consegue integrar essas expressões do social em seu raciocínio sobre o processo de transmissão. História Natural= é o curso da doença desde o seu início até sua resolução, sem nenhuma intervenção, prevenção ou tratamento nesse caminho. Estudar a História Natural da Doença nos permite intervir em seu curso natural e diminuir a frequência de desfechos graves e fatais, além de melhorar o prognóstico. O modelo explicativo da história natural das doenças é baseado em um modelo multicausal dos processos de saúde-doença, levando em conta a determinação social nos quadros de saúde. 🚨 O conhecimento da história natural proporciona entendimentos importantes para instruir ações que visem modificar o curso natural das doenças. Quando se detecta as doenças em fase mais inicial 🚨 A história natural da doença abrange um conjunto de processos interativos que compreendem: "as inter- relações entre o agente, a pessoa suscetível e o meio ambiente que afetam o processo global e o desenvolvimento da doença, História Natural das Doenças 2 de sua história natural, o tratamento se torna mais eficaz. Assim, pode-se conhecer a gravidade da doença para estabelecer prioridades para programas de saúde pública. desde as primeiras forças que criam o estímulo para o processo patológico no meio ambiente; passando pela resposta do homem a esse estímulo, até as alterações que levam a um defeito, invalidez, recuperação ou morte". → Leavell e Clarck (1976) VAMOS REFLETIR! → Por que a doença não se desenvolve imediatamente após a infecção? Devido a período de latência ou incubação. � Período de latência: período em que ocorreu a doença até o momento em que a pessoa fique realmente infectada. É um período de equilíbrio durante o qual não existem sinais clínicos manifestos da doença e o doente ainda não constituí fonte de contágio. 💉 Período de incubação: vai do momento em que ocorreu a exposição até o momento em que começa a aparecer os primeiros sinais e sintomas. → assintomático. História Natural das Doenças 3 🦠 Algumas pessoas não se tornam infectadas, pois combatem o vírus antes que ele se multiplique (período de latência). OBS: No período de latência + incubação = já ocorreu a infecção de outras pessoas (ex: covid). Tríade Epidemiológica: É o modelo tradicional de causalidade das doenças transmissíveis (infecciosas). O ambiente envolve aspectos sociais e individuais. Há uma intensa interação entre os elementos da tríade. Agentes causais biológicos: 🚨 Na história natural da doença, admite-se o conceito de saúde com uma estruturação explicativa proporcionada pela tríade epidemiológica (agente, suscetível e meio ambiente), enquanto na determinação social do processo de saúde-doença admite-se um processo dinâmico, complexo e multidimensional que engloba dimensões biológicas, psicológicas, socioculturais, econômicas, ambientais e políticas a fim de identificar uma complexa inter-relação quando se trata de saúde e doença de uma pessoa, de um grupo social ou de uma sociedade. Doenças crônicas não transmissíveis É o modelo multifatorial de causalidade das doenças crônicas não transmissíveis. História Natural das Doenças 4 História natural das doenças É uma descrição da evolução de uma doença, desde os seus primórdios no ambiente biopsicossocial até o surgimento no suscetível e consequente desenvolvimento no doente. Primeiro tem que conhecer a história natural da doença para depois intervir. 🚨 Aponta os diferentes métodos de prevenção e controle, servindo de base para a compreensão de situações reais e específicas e tornando operacionais as medidas de prevenção. Doenças de forma natural= sem intervenção (vacina, tratamento, medicamento, cirurgia). Vai do inicio até seu fim, sem intervenções, prevenções ou tratamentos. Fatal= morte. Oligossintomático= poucos sintomas. Extremamente grave= sequelas. Assintomático= sem sintomas. Grave= agravamento + recuperação. História Natural das Doenças 5 A história natural tem desenvolvimento em dois períodos sequenciados: Período epidemiológico: interesse é dirigido para as relações suscetível- ambiente; Período patológico: modificações que se passam no organismo vivo. Esses períodos abrangem 2 domínios interagentes: meio ambiente (onde ocorrem as pré-condições) e o meio interno (lucus da doença, onde se processa alterações bioquímicas, fisiológicas e histológicas características de uma enfermidade). Há fatores intrínsecos preexistentes (hereditariedade, fatores congênitos ou adquiridos) e estímulos externos (p.ex.condições sociais que afetam e contribuem para o desenvolvimento da patologia). Os estímulos externos em combinação com fatores intrínsecos, transformam-se em estímulos patogênicos. História Natural das Doenças 6 Pré-patogênico (é o primeiro período): indivíduo não entra em contato com o agente causal. Representa a própria evolução das inter-relações dinâmicas, que envolve os condicionantes sociais e ambientais e os fatores próprios do suscetível, até que chegue a uma configuração favorável à instalação da doença. → Engloba as relações entre os agentes etiológicos, o suscetível e os fatores ambientais que estimulam o desenvolvimento da enfermidade e as condições socioeconômico-culturais que possibilitam a existência desses fatores. → Nesse período podem ocorrer situações que vão desde um mínimo risco até o risco máximo, dependendo dos fatores presentes e de que maneira esses fatores se estruturam. 🦠 As pré-condições que condicionam a produção de doença, seja em indivíduos, seja em coletividades humanas, estão de tal modo interligadas e são tão INTERDEPENDENTES em sua tessitura que seu conjunto forma uma estrutura reconhecida pela denominação de estrutura epidemiológica. Período patogênico: em que se inicia as primeiras ações que os agentes patogênicos exercem sobre o afetado (perturbações bioquímicas, fisiológicas e histológicas, as quais evoluem para defeitos permanentes, cronicidade, morte ou cura). É subdividido em 3 etapas: subclínica, prodrômica e clínica. Estágio de interação estímulo-suscetível: doença ainda não se desenvolveu, mas estão presentes todos os fatores necessários para a sua ocorrência → predispondo o organismo à ação subsequente de agentes patógenos. História Natural das Doenças 7 Alterações bioquímicas, fisiológicas e histológicas: a doença já está implantada no organismo afetado, embora não se perceba manifestações clínicas (doença pode ser percebida por meio de exames clínicos e laboratoriais orientados) → PERÍODO DE INCUBAÇÃO. Sinais e sintomas: sinais da doença se torna nítidos e se transformam em sintomas. É quando se atinge uma massa crítica de alterações funcionais no organismo acometido. Recuperação, deficiência, imunidade, estado do portador ou óbito: desfecho sem intervenção. 🦠 A prevenção pode ser feita nos períodos de pré-patogênese e patogênese. O conhecimento da história natural da doença favorece o domínio das ações preventivas necessárias. Se um dos fundamentos da prevenção consiste em cortar elos, o conhecimento destes é fundamental para que se atinjam os objetivos colimados. Devem ser conhecidos os múltiplos fatores relacionados com o agente, o suscetível e o meio ambiente, e com a evolução da doença no acometido. 🦠 A fase assintomática (doença subclínica) vai variar de acordo com cada doença. � OBS: Quando detecta a doença na fase subclínica, tem maior chance de intervenção.🦠 Período de latência está dentro do período de incubação. 🦠 Agentes patogênicos: os que levam estímulos do meio ambiente ao meio interno do ser humano, por sua presença ou ausência → são como iniciadores e mantedores de uma patologia que passará a existir no ser humano → podem ser de natureza física, química, biológica ou psicológica. → ex: fatores nutricionais e fatores genéticos. História Natural das Doenças 8 Períodos de latência e incubação O período de latência para doenças transmissíveis: É o tempo que transcorre desde a exposição até que a pessoas e torne infectada. Micro-organismo precisa superar as barreiras de defesa do organismo para infectá- lo. O período de latência para doenças não transmissíveis é o tempo que transcorre desde alterações celulares, teciduais e bioquímica até que elas desenvolvam deficiências ou incapacidades funcionais que sejam sintomáticas. História Natural das Doenças 9 EX: ciclo de vida do S.mansoni → o micro-organismo gosta de se alojar no sistema porta-hepático, quando ele chega até lá ele passou para o período de latência. O período de incubação: É o tempo que transcorre desde a exposição até a apresentação dos sintomas iniciais. História Natural das Doenças 10 Qual a importância de se conhecer o período de latência e incubação das doenças? O prognóstico determinará o acompanhamento da doença. História Natural das Doenças 11 Resposta Humoral para o vírus Zika: Período de isolamento viral: maior multiplicação= PCR (indicado o exame virológico). Período sorológico (a partir do quinto dia)= em que se realiza a pesquisa por anticorpos. Obs: o teste sorológico durante o isolamento viral pode dar falso negativo. Sintomas começam após alta taxa de multiplicação viral (usa-se o teste virológico). História Natural das Doenças 12 Transmissão assintomática: está no período de incubação, mas não há sintomas, ou seja, já superou o período de latência. Ideal= virológico + sorológico (mais caro) → indicação da história para saber os períodos. Horizonte clínico Doença em fase subclínica (assintomática, oculta, inaparente): a doença não é clinicamente aparente (sem sinais e sintomas) e pode ou não estar destinada a tornar-se clinicamente aparente Obs: a história natural das doenças vai ser dividida em período pré-patogênico e patogênico. Doença na fase clínica: é caracterizada por apresentar sinais e sintomas. História Natural das Doenças 13 Durante a infecção inaparente=diagnóstico de rastreamento. Ex: mamografia. Exposição sem infecção: período de latência. Doença em fase não clínica Doença latente: uma infecção sem multiplicação ativa do agente, quando o ácido nucleico viral é incorporado ao núcleo da célula como um provírus. Ao contrário da infecção persistente, somente a mensagem genética está presente no hospedeiro, não um organismo viável. Ex: Herpes (genoma nas células → doença fica latente sem a multiplicação, mas pode ocorrer transmissão- menor potencial de multiplicação e de infecção); HIV; Tuberculose. Prognóstico É a predição do curso de uma doença e é expresso como a probabilidade de um evento particular vai ocorrer no futuro. → Morte →Cura →Internação Estado de portador É um indivíduo (ou animal) infectado, que abriga um agente infeccioso específico para uma doença, sem apresentar sintomas ou sinais clínicos desta e constituí uma fonte potencial de infecção para o ser humano. Pode infectar → garante potencial de infecção/ transmissão. Maior multiplicação Ex: Covid= pode ter períodos de latência, portador. Níveis de Prevenção Diminuem o dano= intervenção ou cura. Intervém antes que a doença acontece → prevenção → proteção específica (vacina). História Natural das Doenças 14 Prevenção primária: É o conjunto de atividades que visam evitar ou remover a exposição de um indivíduo ou de uma população a um fator de risco ou agente causal antes que se desenvolva um mecanismo patológico. Subdivide-se em dois níveis: 1° nível é de promoção de saúde (campanhas, saneamento básico) e 2° nível de proteção específica. Além disso, está no período pré-patogênico. A. 1° nível: ações que incidem no período pré-patogênico , destinadas a manter o bem-estar de uma população, sem visar a nenhuma doença em particular. Exemplos: Educação alimentar, incentivo à prática de atividades físicas, saneamento básico, campanhas contra o uso de álcool e tabaco, etc. *Campanha contra aedes aegipht: contra não somente à dengue, mas as outras patologias em que o mosquito é vetor. B. 2° nível: Ações que incidem no período pré-patogênico, antes da instalação da doença. A diferença é que elas são dirigidas ao combate de uma enfermidade específica ou um grupo de doenças em particular. Limita-se com o uso máximo das tecnologias. Exemplos: Vacinação (gripe, covid, caxumba), higiene pessoa e do lar; proteção contra acidentes; aconselhamento genético; exame pré-natal, eliminação de focos de vetores de doenças, fluoretação da água (contra degradação do esmalte do dente), distribuição de preservativos (contra infecções sexualmente transmissíveis), ginástica laboral no ambiente de trabalho, etc. e História Natural das Doenças 15 🚨 Não adianta proteção quando o indivíduo estiver com a doença. 💉 Vacina: ajuda nas possíveis variantes do sistema imunológico. Prevenção secundária: Ocorrem quando o processo de doença já está instaurado. É aquela que tem como finalidade a detecção de um problema de saúde em um indivíduo ou em uma população numa fase precoce (período patogênico) (já passou da latência e está sem sintomas). → é realizada no indivíduo. Esta fase de divide em: 3° nível de diagnóstico e tratamento precoce (imediato- o mais rápido possível) e 4° nível de limitação e incapacidade. A. 3° Nível: Objetiva detectar e tratar o mais rapidamente possível processos patogênicos já instalados, antes do aparecimento dos sintomas. Dessa forma, é possível adotar medidas protetoras antes mesmo de um agravo em curso cruzar o horizonte clínico. Exemplos: exames periódicos de saúde (checkups) (exames de rotina), rastreamentos (screenings) para doenças infecto-contagiosas, auto-exame, intervenções médicas ou cirurgias precoces, isolamento para evitar a propagação de doenças, tratamento para evitar a progressão da doença. B. 4° Nível: aplicadas quando o processo de adoecimento já está plenamente instalado (danos celulares/ teciduais). As ações neste nível são extremamente relevantes por limitar a extensão das lesões e retardar o aparecimento de complicações. Exemplos: grupos de apoio a pacientes crônicos, acesso facilitado a serviços de saúde, tratamento médico ou cirúrgico adequados, hospitalização em função de necessidades, evitar futuras complicações e sequelas, reduzir o risco de transmissão da doença. 🚨 Quanto mais cedo se diagnóstica a doença, melhor o prognóstico, pois pode-se entrar com tratamento imediato. História Natural das Doenças 16 � Na prevenção secundária faz-se a limitação do dano. Prevenção terciária: Quando o quadro patológico já evoluiu a ponto de se manifestar de uma forma estável a longo prazo (cura com sequelas ou cronificação). Busca-se a reabilitação do paciente e estabilização das limitações. É a prevenção da incapacidade mediante medidas de reabilitação, reeducação e readaptação. Quadro patológico já evoluiu para consequências crônicas. Só resta cessar a doença e reabilitar o paciente. Assim, cessa-se a doença e a controla para que não apareça outras consequências. Apresenta apenas um nível: 5° nível chamado de Reabilitação. � Tenta resgatar o máximo da função que se pode daquele paciente. As vezes o dano está tão grande que se tem que tentar reabilitar o máximo que puder. 🏥 Conhecendo a historia natural das doenças, se pode intervir nelas. A. 5° Nível: O objetivo é contribuir para que o indivíduo aprenda a conviver com sua condição de saúde e consiga levar uma vida útil e produtiva. É para melhorar aqualidade de vida do paciente. Exemplos: Acompanhamento de complicação em pacientes diabéticos, reabilitação pós- infarto ou acidente vascular cerebral, terapia ocupacional, treinamento do deficiente, próteses e órteses, fisioterapia, redução da dependência social e familiar, melhora da qualidade de vida da pessoa com sequela. Paciente aprende a conviver com suas morbidades. Prevenção Quaternária É mais nova. A detecção de indivíduos em risco de tratamento excessivo (exames, medicamentos, procedimentos, cirurgias), para protegê-los de novas intervenções médicas inapropriadas e sugerir-lhe alternativas eticamente aceitáveis. História Natural das Doenças 17 Não está relacionada ao risco de doenças e sim ao risco de adoecimento iatrogênico, ao excessivo intervencionismo diagnóstico e terapêutico e a medicalização desnecessária. 🏥 Iatrogênico: efeitos adversos ou complicações causadas ou resultantes do tratamento médico. → PROVA. 🚨 Não tem nível por não estar relacionado ao risco da doença, mas de causar problema no paciente devido a sua intervenção que pode ser em excesso. Quais os riscos dos excessos? Excesso de rastreamento: detectar e tratar alterações inofensivas, que sequer seriam sintomáticas no futuro. Excesso de exames complementares: a solicitação desnecessária de exames pode ocasionar sérios danos à saúde. Medicalização de fatores de risco: buscar primeiro alternativas naturais para controle de risco. Medicalização indiscriminada: administrações erradas e excessos de medicalização. Doenças Transmissíveis 1 Doenças Transmissíveis Maria Eduarda Netto INTRODUÇÃO Modo de transmissão da doença se relaciona com a forma como se previne ela. É importante o conhecimento para se fazer uma intervenção. Doença: Desajustamento ou falha no mecanismo de adaptação do organismo ou uma ausência de reação aos estímulos a cuja ação está exposto. Ela pode ser infecciosa ou não infecciosa (também chamadas de não transmissíveis → não resultam de uma infecção). 🦠 Doenças infecciosas estão associadas à pobreza e ao subdesenvolvimento. 📌 A história natural da doença mostra que de um estado inicial de saúde passa-se a uma situação interativa de agentes patogênicos ou de fatores de risco que virão a perturbar a normalidade. 🦠 Infecção é a penetração, desenvolvimento ou multiplicação de um agente infeccioso no organismo de uma pessoa ou animal. Ela não é sinônimo de doença infecciosa, tendo em vista que pode ocorrer infecção sem doença (assintomática). DOENÇA TRANSMISSÍVEL Qualquer doença causada por um agente infeccioso específico ou seus produtos tóxicos (botulismo), que pode ser transmitida entre pessoa-pessoa (covid, tuberculose, sarampo, DST's), animais- pessoa (raiva, leptospirose, toxoplasmose), animais-vetor-pessoa (doença de chagas, dengue, zika), substância inanimada-pessoa (H1N1, covid, tétano) (inanimado-sem vida). Nela o agente etiológico é vivo e transmissível. Doenças Transmissíveis 2 🦠 As doenças transmissíveis constituem importante causa de morte e são resultados de uma infecção. 🦠 Com a descoberta dos antibióticos e seu uso popularizado surgiu a resistência bacteriana →Os microrganismos foram desenvolvendo novos mecanismos de sobrevivência, seja pelo rompimento das barreiras mantenedoras do equilíbrio ambiental, seja pelo oportunismo de hospedeiros suscetíveis, seja ainda pelas mutações provedoras das chamadas doenças emergentes. A manifestação de uma doença envolve a interação entre o hospedeiro, o meio ambiente e o agente etiológico. Além disso, há alguns casos em que existe a participação de um vetor nessa interação. CONCEITOS IMPORTANTES Agente etiológico = agente causal. Cada agente possuí um tempo de exposição determinado. Massa crítica= multiplicação. A virulência diz respeito à capacidade de infecção (uns são mais rápidos que outros). Doenças Transmissíveis 3 Agente infeccioso: Pode ser um micro-organismo (bactéria, vírus, parasita), substância derivada destes (toxinas ou produtos tóxicos), ou príons (proteína que induz a alteração de outras proteínas- bovino e doença da vaca louca), cuja presença é essencial para a ocorrência da doença. Pode ser introduzido em outro ser vivo por meio das formas que assume em seus ciclos reprodutivos (adulto, larva, cisto, ovo, esporo, etc.), onde é capaz de se desenvolver ou se multiplicar dependendo das predisposições intrínsecas do novo hospedeiros. Pode gerar ou não estado patológico manifesto →doença infecciosa ou transmissível. Se associa a outros fatores do hospedeiro suscetível e do ambiente. Possuí propriedades importantes como: infectividade, patogenicidade, virulência, poder invasivo e poder imunológico. → podem ser amplificadas ou não, dependendo da resposta do hospedeiro e do ambiente em que são inseridos. OBS: No caso do alimento é DTA (doença transmissível do alimento). Agente causais Príons ou prião: É um agente infeccioso composto por proteínas (que vem do animal para o ser humano) com conformação estrutural alterada. Induz a proteína normal a se alterar (interações). Doenças Transmissíveis 4 Hospedeiro: É uma pessoa ou animal vivo, incluindo as aves e os artrópodes que, em circunstâncias naturais, permite a subsistência e o alojamento de um agente infeccioso (permanente ou temporário). É suscetível → sujeito à infecção. 🚨 Espécie refratária: é aquela (seja humana ou outra) que, penetrada por bioagente patogênico específico, inviabiliza seu desenvolvimento ou multiplicação. Ex: ser humano é refratário ao bacilo da cólera aviária. Indivíduo resistente: aquele que via algum mecanismo natural ou de imunização artificial, tornou-se capaz de impedir o desenvolvimento, em seu organismo, de agentes infecciosos. Indivíduos não infectados: não expostos; suscetíveis-expostos, ainda não infectados; expostos, porém resistentes. Indivíduos infectados: doentes e portadores. Indivíduo infectado: pessoa ou animal que alberga um agente infecioso e que apresenta manifestações da doença ou uma infecção inaparente. Doenças Transmissíveis 5 🚨 Portador: individuo infectado que alberga um agente infeccioso, sem apresentar sintomas e constituindo fonte potencial de infecção. Pode ocorrer no período de incubação e quando a infecção é inaparente. 🚨 Resistência: caracteriza o sistema de defesa com o qual o organismo impede a difusão ou multiplicação de agentes infecciosos que o invadiram ou os efeitos nocivos de seus produtos tóxicos. Vetor: um mosquito, carrapato, barbeiro ou qualquer portador vivo que transporta um agente infecioso até um indivíduo suscetível (hospedeiro). Obs: na Covid a espécie humana se torna um vetor quando transmite esse vírus a outras pessoas. Ambiente: inclui todos os fatores que não sejam específicos do agente infeccioso ou do hospedeiro (saneamento básico, densidade populacional, clima, vegetação etc). É um determinante social. Cada ambiente com suas peculiaridades, ou seja, com seus agentes infecciosos, os quais contribuem para o desenvolvimento de uma doença. Conceitos importantes Doença transmissível: é qualquer doença causada por um agente infeccioso específico ou seus produtos tóxicos e por príons (OPAS/OMS). Doença contagiosa: transmissível de pessoa para pessoa Doenças Transmissíveis 6 📌 Uma doença contagiosa é aquela cujos agentes etiológicos atingem os sadios mediante o contato direto desses com indivíduos infectados. Ex: sarampo e IST's. TODA DOENÇA CONTAGIOSA É INFECCIOSA. As doenças transmissíveis possuem diversos mecanismos de transmissão, podendo ser transmitidas entre pessoa-pessoa (gripe, covid), animais-pessoa (raiva e toxoplasmose), animais-vetor-pessoa (febre amarela), pessoa-vetor-pessoa (dengue), substância inanimada-pessoa (tétano), etc. Mudança no dogma das doenças transmissíveis: →Príon ou prião: é um agente infeccioso composto por proteínas com conformação estrutural alterada. Infecção: é a entrada, desenvolvimento ou multiplicação de um agenteinfeccioso no organismo de uma pessoa ou animal. Pode se disseminar por meio das vias aéreas (primeira imagem) ou por meio da pele (segunda imagem). Infecção de pessoas ou animais: refere-se ao alojamento, Figura A: Vias aéreas. Figura B: Pele. Doenças Transmissíveis 7 desenvolvimento e reprodução de artrópodes na superfície do corpo ou nas vestes. Ex: carrapato e piolho. Doenças contagiosas: são aquelas que podem ser transmitidas pelo contato direto entre os seres humanos (pessoa-pessoa), sem a necessidade de um vetor ou veículo interveniente (superfícies). O sarampo, sífilis, H1N1 e Covid 19 são tanto transmissíveis quanto contagiosas. *zoonose é também uma doença contagiosa. OBS: Todas as doenças contagiosas são transmissíveis, porém, nem todas as doenças transmissíveis são contagiosas. ATENÇÃO → A malária, febre amarela, dengue, leishmaniose são exemplos de doenças transmissíveis, porém não contagiosas. Por que? Não são transmitidas por via direta (gotículas, aerossóis, pele), ou seja, de pessoa para pessoa. ESPECTRO DE CLASSIFICAÇÃO DE DOENÇAS EM TRANSMISSÍVEIS Transmissíveis Agudas Em geral, apresentam um ciclo curto (história natural curta), inferior a três meses de duração (não é regra), e tendem a se autolimitar (desfecho com configuração rápida/ finalização rápida- cura ou morte). → Dengue →Zika →Febre Amarela → Chikungunya →Gripe comum →Covid (viremia alta)(morte por sequela ou doença oportunista) Doenças Crônicas Doenças Transmissíveis 8 São divididas em transmissíveis ou não; definitivas ou não. As condições crônicas, em geral, apresentam um ciclo relativamente longo, superior a três meses de duração, geralmente apresentam múltiplas causas e tendem a se apresentar de forma definitiva e permanente. Até a morte é demorada. Tratamento pode ser para o resto da vida. Doenças não transmissíveis podem se tornar crônicas. → Diabetes →Câncer ( em cura deixa de ser definitivo) → Hipertensão arterial → Asma →Hanseníase →Exemplos selecionados de "doenças crônicas" nas quais demonstrou-se o papel suspeito de agentes infecciosos: (doenças que se tornaram crônicas devido ao agente infeccioso) →Exemplos selecionados de “doenças crônicas” nas quais demonstrou-se o papel suspeito de um ou mais agentes infecciosos: Doenças transmissíveis- conceitos importantes Reservatório de agentes infecciosos: É qualquer ser humano, animal, artrópode, planta (de fungo- doença do jardineiro), solo ou matéria inanimada, onde normalmente vive e/ou se multiplica um agente infeccioso. Alguns agentes infecciosos podem se multiplicar na matéria inanimada, ou seja, fora de um organismo vivo. Podem ou não serem definitivas. Doenças Transmissíveis 9 Reservatório animal: Qualquer animal onde normalmente vive e se multiplica um agente infeccioso. →Leptospirose: reservatório são os roedores. →Raiva: reservatórios são várias espécies de mamíferos. Reservatório ambiental: a água, o solo, as plantas podem comportar-se como reservatório para alguns agentes infecciosos. Ex: tétano (bactéria alojada no ambiente). *No ambiente há a forma esporulada, resistente. Zoonose: é uma doença infecciosa transmissível que em condições naturais ocorre entre animais vertebrados e o homem. *transmitidas por artropódes. →Raiva →Toxoplasmose →Dengue →Febre amarela 📌 Pesquisas apontam o COVID como uma zoonose: picada de artrópodes em animais silvestres e depois no homem. Doenças Transmissíveis 10 Doenças de isolamento: são aquelas que exigem a segregação (isolamento) dos indivíduos doentes durante o período de transmissibilidade da doença, em lugar e condições que evitem a transmissão direta ou indireta do agente infeccioso (período dentro da história natural da doença. Ex: Tuberculose- isolamento respiratório para aerossóis (uso de máscara N95); Covid-19 (uso de máscara N95); etc. Doenças quarentenáveis: são aquelas que podem levar à restrição de atividades, durante o período máximo de incubação, a fim de evitar a propagação da doença. Pessoas podem ou não manifestar a doença. Ex: Ebola, cólera, febre amarela (doença não contagiosa e doença transmissível) (artrópodes podem infectar outras pessoas se este picar alguém infectado). Infectividade: capacidade do agente infeccioso se alojar no hospedeiro e multiplicar-se, causando uma infecção. Cada microrganismo tem a sua capacidade de infectividade, o que vai refletir na dose infecciosa de cada um (alguns se multiplicam mais rápido, outros mais lentamente, o que dificulta a sua infectividade). Ciclo da Febre Amarela. Ciclo da Raiva. Doenças Transmissíveis 11 A infectividade do agente causal pode variar de acordo com a porta de entrada (é um diferencial entre os microrganismos), a idade (idade avançada- sistema imunológico mais frágil) e outras características do hospedeiro. Ex: Infecção por vias aéreas da doença sarampo em dose pequena tem alto poder de infectividade. Alta infectividade: vírus da gripe. Baixa infectividade: fungos (embora bastante difundidos no ambiente, dificilmente se instalam e se multiplicam no organismo humano, produzindo infecção). 🚨 Na infecção inaparente o indivíduo não apresenta sinais ou sintomas clínicos manifestos. Fala-se usualmente numa forma subclínica ou assintomática da doença. Essa forma de infecção tem grande importância em epidemiologia, dado o fato de que as pessoas podem transmitir o agente aos suscetíveis com a mesma intensidade encontrada na doença manifesta, porém de maneira encoberta. Patogenicidade: qualidade que tem o agente infeccioso de, uma vez instalado no organismo, produzir sintomas em maior ou menor proporção dentre os hospedeiros infectados. Vírus do sarampo→ alta patogenicidade (praticamente todos os infectados desenvolvem sinais e sintomas específicos) Vírus da poliomielite→ baixa patogenicidade Dose infectante: consiste na quantidade do agente etiológico necessária para iniciar uma infecção (necessária para superar a barreira do período de latência). *quantidade pequena- muito provável de não se infectar- exposição é extremamente importante. 📌 A dose infectante está diretamente relacionada com o período de exposição. Doenças Transmissíveis 12 *Vária com a virulência do agente e a resistência do acometido. Quanto maior o número de microrganismo inoculados no suscetível, tanto maior será a probabilidade de infectá-lo. (mais difícil do sistema imunológico vencê-lo). Poder invasivo: consiste na capacidade que tem o parasito de se difundir, através de tecidos, órgãos e sistemas anatomofisiológicos do hospedeiro. Ex: cercária da esquistossomose, penetrando na pele, proteases que libera em contato com a pele que degrada o tecido e o invade até chegar no interior do organismo e no seu local ideal de multiplicação e sobrevivência. Se o poder invasivo é pequeno, o agente precisa ser mais invasivo (por exemplo: em feridas abertas) para vencerem mais as barreiras do organismo. Pele: principal barreira protetora, para penetração o parasita tem uma alta evolução. UFC é a unidade de formação de colônias. Invadindo tecidos e órgãos até chegar ao seu local de multiplicação. Covid. Doenças Transmissíveis 13 Imunogenicidade: é a capacidade que tem o agente etiológico de induzir imunidade no hospedeiro. Há agentes, como o vírus da rubéola, do sarampo, da caxumba e da varicela, entre outros, dotados de alto poder imunogênico. Um vez infectadas por esses microorganismos, as pessoas, em geral, ficam imunes para o resto da vida. 💉 Covid= não tem poder de imunogenicidade → anticorpo durável +- 5 meses (teste sorológico). Vacina= estimula o organismo a criar memória contra o agente infeccioso= anticorpo. Período de incubação: é o intervalo de tempo decorrente entre a exposição a um agente infeccioso e o aparecimento de sinais ou sintomas da doença. É extremamente variável,desde algumas horas (cólera) até meses ou anos (hanseníase, AIDS). Período de transmissibilidade: é o período em que o agente infeccioso pode ser transferido (direta ou indiretamente) de uma pessoa infectada a outra, ou de um animal infectado ao ser humano ou vice-versa. Modo de transmissão das doenças 1 Modo de transmissão das doenças Maria Eduarda Netto 🚨 Cada pessoa exposta a uma determinada doença, pode apresentar um período de incubação diferente, ou seja, apresentar sinais e sintomas posteriormente, ou desde o início. Isso varia com o tempo de exposição, a quantidade de agente infeccioso (mais vírus podem acarretar maiores danos celulares), estado imunológico, genética e dentre outros. Existem algumas doenças de transmissão direta (contato direto e transmissão de gotículas e aerossóis→ o contato com o hospedeiro é direto) e outras de indireta (pelo ar: partículas de suspensão em algo que carregam o agente infeccioso em questão, como em poeira com vários microrganismos): 🌬 Aerossóis: pequenas gotículas (+ leves), por isso ficam em suspensão e percorrem uma distância maior= transmissão direta. 📌 O veículo é aquele que leva o agente até o hospedeiro. Nosso organismo é muito potente, ele mata tudo, precisa só enxergar. Uma doença tem mais de um modo de transmissão, mas tem o seu preferencial. Modo de transmissão das doenças 2 Transmissão direta: É a transferência imediata do agente infeccioso de um hospedeiro ou reservatório animal para uma porta de entrada em outro hospedeiro, através da qual a infecção poderá ocorrer. Pode ser pelo contato direto através do toque, beijo, relação sexual ou pela disseminação de gotículas ao tossir ou espirrar. Covid=transmissão direta por gotículas. Porém, também pode ser indireta. 📢 Gotículas pesadas tendem a sair da boca e já sumirem. Já as gotículas mais leves (aerossóis), atingem maiores distâncias. Transmissão indireta: Pode acontecer através de um veículo, vetor ou pelo ar. 1. Veículo: transmissão por veículos ocorre através de materiais contaminados como roupas, talheres, água, leite, alimentos, sangue, instrumentos cirúrgicos etc. 2. Vetor: é causada por insetos ou animais que carregam o agente infeccioso de pessoa para pessoa. 3. Ar ou aérea: as partículas de poeira também facilitam a transmissão aérea, por exemplo, esporos de fungos, bactérias e vírus podem estar aderidos em partículas de poeira. →poeira + microrganismos Imagem real. Mostra a dispersão de partículas com dose infectante. Modo de transmissão das doenças 3 Transmissões Qual a importância da distinção entre os modos de transmissão de um agente causal? Para propor formas de prevenção, através da identificação do modo de transmissão, e para que haja um rompimento da sua transmissão. →A cólera é transmitida pela água Ex: Doença em que o agente etiológico tem tropismo pelas vias aéreas superiores e inferiores: →prevenção: máscara, distanciamento, diminuindo a dose infectante. →modo de transmissão: direta (gotas e contato-beijo). Período de Transmissibilidade: Tempo durante o qual o agente infeccioso pode ser transferido de uma pessoa infectada a outra pessoa, de um animal infectado ao homem ou de um homem a um animal. Período em que a carga viral ou bacteriana é suficiente para conseguir transmitir. 🚨 Conhecer este período é muito importante para auxiliar na prevenção ou para romper o ciclo de transmissão.. OBS: Toda doença infecciosa tem seu período final de transmissão, dependendo de várias características. Modo de transmissão das doenças 4 Cadeia epidemiológica/ cadeia de transmissão É o elo de interação (transmissão) entre o agente, o hospedeiro e o ambiente. Porta de saída: via aérea, intestinal, vômito e dentre outras. Dependendo dela, consegue-se induzir o meio de transmissão. Porta de entrada: podem ser várias. Ex: oronasal (covid). >Todos os contaminados podem ser reservatórios. >Porta de entrada: boca. >Contato direto: pode ser também através do veículo (água). >Se o hospedeiro não for suscetível à doença, ele não terá a doença. Mecanismos de penetração do agente causal 1. Ingestão: A água, os alimentos em geral, mãos e objetos, quando levados à boca, constituem as principais maneiras pelas quais a maioria dos agentes infectantes é transportada e introduzida no organismo por via oral. A tríade epidemiológica mostra os passos que o microrganismo precisa percorrer. Modo de transmissão das doenças 5 2. Inalação através das vias respiratórias superiores: introdução de microrganismos em suspensão por inalação. Gotículas expelidas pela boca e pelo nariz (gotículas de Flugge) contendo vírus diversos (gripe, sarampo, etc.); Mycobacterium tuberculosis no escarro em dessecação, associada a micropartículas de poeira (núcleos de Wells). 3. Transmissão da mãe para o feto por via transplacentária: o feto está sujeito a receber da mãe, por via plascentária, agentes infecciosos como o Toxoplasma gondii, protozoário responsável pela toxoplasmose; o Treponema pallidum, responsável pela sífilis e etc... 🚨 Um novo estudo sobre covid demonstrou que mães que vacinaram ou que tiveram a doença, transferiram anticorpos Igg (contra covid) para os fetos. 4. Penetração através de mucosas: as mucosas (vagina, uretra, olhos, boca) expostas aos fatores ambientais dispõe de condições biofísico-químicas favoráveis à instalação de germes. O microrganismo que chega à mucosa sadia pode ter tido origem no contato direto com outra mucosa doente ou ter sido transportado por algum veículo ou vetor. Ex: DST's, vírus da herpes simples- HSV-1 etc. *Nesse casos não tem a pele, que é uma barreira física, a qual impede a infecção. *pelos do nariz também auxilia na proteção. 5. Penentração através de solução de descontinuidade na pele: Toda descontinuidade da pele podem servir de porta de entrada para agentes infecciosos. Ex: feridas cirúrgicas, ferimentos acidentais, tecidos necrosados, queimaduras, escarificaçõe. Ex: bactérias, fungos e etc. Inalação: transmissão de forma direta ou indireta. É pela circulação. Modo de transmissão das doenças 6 *Lesões na pele: A pele pode ser porta de entrada para vários microorganismos *Também pode ser através de espinhas, falta de assepsia. 6. Deposição sobre a pele seguida de propagação localizada: os agentes etiológicos das dermatomicoses, fungos dos gêneros Miccrosporum e Trichophyton, tem acesso ao couro cabeludo, às unhas e à pele por contato direto com indivíduos infectados ou indiretamente por contato com objetos, pisos úmidos, instrumentos de barbearia e manicure. Ex:micose. 7. Penetração ativa através da pele: Agente infeccioso que abandona seu hospedeiro atual e penetra ativamente no novo hospedeiro. Ex: Cercárias de Schistosoma mansoni, Miíase, Ancylostoma brasilienses (larvamigranscutânea)etc... 8. Introdução no organismo com o auxílio de objetos e instrumentos: O acesso pode se dar através de perfurações cirúrgicas ou acidentais. A penetração do microrganismo no hospedeiro se dá por auxílio de objetos mecânicos. Ex:Clostridiumtetani, S.aureus, E.colietc... 9. Introdução em tecido muscular ou na corrente sanguínea por picadas de inseto ou por mordedura de animais: Introdução de microrganismos através do repasto sanguíneo por fêmeas de mosquitos. EX: Aedes aegypti, Anopheles, Flebotomíneos, Haemagogus, Sabethes etc... O vírus rábico é introduzido no organismo de seres humanos por mordedura lacerante de cães e gatos infectados e ,em bovinos, por mordedura de morcego. Modo de transmissão das doenças 7 10. Ingestão com tecido animal utilizado como alimento: infectados com algum microrganismos que vão ser introduzidos diretamente no organismo. → Ingestão de carne crua ou mal cozida pode ser fonte da contaminação por coliformes, salmonelas, teníase e etc. Espectro de gravidade de doenças infecciosas: A diferença entre patogenicidade, virulência e letalidade pode ser entendida atravésdo esquema de espectro de gravidade de doenças infecciosas: A gravidade da doença pode ser inaparente (história natural subclínica- sem sintomas) e quando está aparente é sintomática, manifestando alguns sintomas (podendo serem moderados, graves ou fatais) (fase clínica). O espectro está relacionado à patogenicidade Conceito de iceberg: parte que se vê pode ser grande, porém é ainda infinitamente menor do que a parte submersa. A proporção de casos da doença podem estar na fase assintomática ou subclínica. São detectados em rastreamento, quando a infecção é inaparente. Modo de transmissão das doenças 8 Quando é assintomática pode ter casos graves, moderados ou levar ao óbito. 📌 Sintomas estão muito relacionados a danos celulares e teciduais. Quando é inaparente, os danos são mínimos. Indicadores epidemiológicos Patogenicidade: é a capacidade de um agente infeccioso de produzir a doença com sintomas clínicos e danos em pessoas infectadas e suscetíveis. Ela é variável, de acordo com o tipo de microrganismo. A medida da patogenicidade é simplesmente a proporção de sujeitos infectados que desenvolvem a doença. Modo de transmissão das doenças 9 *Covid é de baixa patogenicidade. *patogenicidade envolve indivíduos que foram diagnosticadas, mas fala das que evoluíram para sintomas clínicos e danos Virulência: capacidade do agente infeccioso produzir casos graves e fatais. Ex: Raiva (virulência extremamente alta) e Ebola. A medida da virulência é o número de casos graves e fatais em proporção ao número total de casos aparentes. A combinação dos conceitos de Patogenicidade, virulência e letalidade pode ocorrer em um mesmo organismo ou em organismos diferentes. Letalidade: é a capacidade do agente infeccioso de produzir casos fatais. Está relacionada com transmissão. A medida de letalidade é o número de casos fatais em proporção ao número total de casos aparentes (usualmente diagnosticados) no mesmo período. Maior número de contaminados= maior letalidade. P= 100/220= 0,4545 X 100= 45,4% V=70/100=0,7 X 100= 70% L= 20/100= 0,2 X 100= 20% A patogenicidade leva em conta os que foram diagnosticado, incluindo os que evoluíram para Modo de transmissão das doenças 10 sintomas clínicos e danos. Assintomáticos possuem pouca probabilidade de virem à óbito. Muito virulentos: casos graves e fatais. Altamente letais: 1)p.ex. a raiva, com 99%, sendo também altamente virulenta; 2)p.ex. o ebola, com 80-85%. Gripe: altamente virulenta, patogênica e pouco letal. COVID: pouco patogênico (80% não desenvolve sintomas-assintomáticos), mais ou menos virulento e pouco letal (mas, a letalidade em si depende da população que se analisa). Endemia, surto e epidemia 1 Endemia, surto e epidemia Maria Eduarda Netto ENDEMIA Uma doença é classificada como endêmica (típica de uma região) quando acontece com muita frequência no local. Elas apresentam um padrão de ocorrência relativamente estável. EX: dengue, febre amarela, malária e chagas. Ex: região de MG é endêmica para esquistossomose. Uma endemia pode ou não ser revertida. Leva em conta uma média de casos por ano, ou seja, ela possuí uma frequência local. Sempre acontece algum caso esperado, todo ano. Leva em conta, pelo menos, dados dos últimos 10 anos. Condições ambientais favorecem o aparecimento do agente causal da patologia endêmica. Quando é endêmica, não se consegue zerar totalmente os casos da patologia, por mais que haja intervenção irá ocorrer casos. As doenças endêmicas podem sofrer influências sazonais (relacionadas com as estações do ano). Dessa forma, a incidência de uma doença endêmica é relativamente constante, podendo ocorrer variações sazonais (geralmente estão no pico) no comportamento esperado. → influência climática/ambiental. Ex: Gripe (união de pessoas sem circulação do ar → disseminação →inverno). ➡Como saber se uma doença se tornou endêmica? Série histórica dos últimos 10 anos? Endemia, surto e epidemia 2 Limite superior normal para a endemia=limite sazonal. Há um aumento, mas depois ela volta à normalidade (aumento= variação sazonal). ➡Como saber o limite superior normal para endemia? Série histórica dos últimos 10 anos. ➡Principais endemias no Brasil: Algumas das principais endemias que desafiam a saúde pública brasileira: → Malária, Leishmaniose, Esquistossomose, Febre amarela, Dengue, Doença de Chagas, Hanseníase, Tuberculose, Cólera e Gripe A. Endemia, surto e epidemia 3 Febre amarela → somente o ciclo silvestre é encontrado (endêmico). Febre amarela. Febre amarela. Endemia, surto e epidemia 4 🚨 Se ocorrerem mudanças nas condições do hospedeiro, do agente ou do ambiente, uma doença endêmica poderá se tornar um surto ou uma epidemia. SURTO Acontece quando há um aumento repentino do número de casos de uma doença em uma região específica. Para ser considerado surto, o aumento de casos deve ser maior que o esperado pelas autoridades (acima do que Vetor →mutação/ adaptação. Endemia, surto e epidemia 5 normalmente acontece e é observado através dos indicadores) (é sem previsão). 🚨 Em algumas cidades, a dengue, por exemplo, é tratada como um surto e não como uma epidemia, pois o aumento da incidência acontece em regiões específicas (como em em alguns poucos bairros da cidade). 1. Aumento na incidência. 2. Regiões específicas 3. Dado maior do que o esperado em uma endemia. Aumento da incidência além do limite normal: Exemplo de surto baseado na exposição ao agente causal: A) Exposição única com veículo comum; B)Exposição múltipla. → As exposições explicam os gráficos. 🚨 Surto ou epidemia são definidos de acordo com a localidade. OBS: Epidemia é mais localidades. A)Perfil de surto por exposição única. Ex. de surto: 1- exposição única com veículo comum. Endemia, surto e epidemia 6 Local restrito. Não esperava nenhuma doença. Aumento significativo rápido. Características: explosivo; os casos são limitados às pessoas que compartilham a mesma exposição. Perfil típico de DTA (doenças transmitidas por alimentos ou água). → fonte comum. Esse perfil também pode ocorrer em doenças contagiosas. EPIDEMIA Se caracteriza quando um surto acontece em diversas regiões (ao mesmo tempo = agente infeccioso se espalhou). Quando o coeficiente de incidência aumento muito além do esperado, pode apontar para uma epidemia. Pode ser municipal, estadual e nacional. A epidemia a nível municipal é aquela que ocorre quando diversos bairros apresentam certa doença. Epidemia a nível estadual ocorre quando diversas cidades registram casos. Epidemia a nível nacional é quando ocorre em diferentes regiões do país. ➡Curva endêmica X Curva epidêmica: 🚨 É importante sempre analisar o contexto da situação proposta. Endemia, surto e epidemia 7 Características da curva epidêmica: A) Fase de progressão A incidência é progressivamente crescente e inicialmente lenta, acima do limiar epidêmico; →quando comparadas com uma doença endêmica *Se a patologia não for endêmica, não tem limiar. Sugere a ocorrência de um desequilíbrio no controle da doença ou evolução natural do agente causal. B)Incidência máxima (pico da curva) Diminuição do número de suscetíveis; Diminuição do número de expostos ao agente causal; Ação efetiva de vigilância e controle; Processos naturais de controle da doença. C)Regressão da curva Diminuição do número de suscetíveis; →imunização/vacina Diminuição do número de expostos ao agente causal; Retornar aos valores iniciais de incidência; Estabilizar num patamar endêmico; Regredir até a incidência nula, incluída aí a eliminação ou erradicação. 🚨 OBS: As semanas epidemiológicas são contadas de Endemia, surto e epidemia 8 domingo a segunda. OBS: Se não teve explicação a curva→ sempre olhar o enunciado. OBS: Quandose tratar de uma curva de um bairro X, se refere a surto. 1ª onda X 2ª onda etc. Fatores relacionados a ondas secundárias: Sazonalidade; Diminuição do isolamento social; Diminuição nas medidas de prevenção da doença; Diminuição da vigilância epidemiológica; Evolução (mutações) do agente causal; Endemia, surto e epidemia 9 Falta de vacina ou tratamento específico; Suscetibilidade da população. Doenças Emergentes e Reemergentes 1 Doenças Emergentes e Reemergentes Maria Eduarda Netto Conceitos importantes Epizootia: doença infecciosa que atinge grande número de animais. Análoga à epidemia em Humanos. → epidemia que ocorre só em animais Está acontecendo em regiões de matas de municípios diferentes. Enzootico: doença de animais peculiar a uma localidade ou constantemente presente nela. Análoga à endemias em humanos. → endemia que só ocorre em animais Área indene: área reconhecidamente sem transmissão (área livre) para determinada doença. Ainda não tem caso de transmissão comunitária Caso autóctone: caso contraído pelo enfermo na zona (cidade) de sua residência. Caso alóctone: caso contraído em outro local diferente de onde o enfermo se encontra. Doença emergente: É uma doença transmissível que têm aparecido recentemente (novo problema de saúde) em uma população ou que já existiam A investigação é a preocupação em variações que pode atingir a espécie humana. Doenças Emergentes e Reemergentes 2 em alguns países, mas têm aumentado rapidamente em incidência e alcance geográfico em novas regiões. EX: febre zika; febre Chikungunya; →ambas 2015= doença nova no Brasil, existia em outros países, no BR poucos casos até 2015 febre mayaro; etc. Doença reemergente: é uma doença transmissível previamente conhecida que reaparece como problema de saúde pública após uma etapa de significativo declínio de sua incidência e aparente controle. Em sua maioria, são doenças que haviam sido controladas, e que voltaram a representar ameaça à saúde humana. EX: sarampo, febre amarela, dengue, etc. →QUAIS FATORES INFLUENCIAM PARA QUE HAJA A EMERGÊNCIA E REEMERGÊNCIA DE DOENÇAS? Fatores demográficos Fatores ambientais e econômicos Baixo desempenho do setor de saúde Mudanças no perfil dos microrganismos → aparecimento de novas doenças - COVID Aumento do intercâmbio internacional Doenças Emergentes e Reemergentes 3 Globalização Facilidade de migração Baixa cobertura vacinal 🚨 COVID: Coronavac → 50% de não pegar, 20% de ter sintomas leves e 90% de não ser letal. IMUNIZAÇÃO COLETIVA OU REBANHO Muita gente imunizada ao ponto de baixar o número de transmissão. Sarampo → 95% para que os outros 5% estejam seguro. 1798- Edward Jenner → vacina contra varíola ( primeira vacina criada). Varíola bovina → causava varíola mais branda nas pessoas que tinham contato com boi/vaca, quando em contato com a varíola humana normal, pegavam de forma mais branda. Secreção inoculada em uma pessoa que ainda não tinha varíola humana → PROTEÇÃO → mais brada quando pegava a doença. Doenças Emergentes e Reemergentes 4 VACINAÇÃO: É o único meio para interromper a cadeia de transmissão de algumas doenças Só se torna possível com coberturas adequadas e homogêneas para todos os grupos da população Mellhor relação custo/benefício no setor de Saúde Pública. 🚨 Eficaz no desfecho de contaminação e morte. Um breve histórico: 1796→ A primeira vacina foi descoberta por Edward Jenner, que sistematizou os conhecimentos empíricos e criou uma vacina contra varíola, a partir da pústula formada pelo vírus vaccínia nas tetaas das vacas (daí o nome vacina). 🚨 Varíola bovina é uma zoonose causada pela proliferação do vírus do gênero ortopoxvírus. RESPOSTAS IMUNOLÓGICAS Soro→ picada de uma cobra → substâncias químicas. Doenças Emergentes e Reemergentes 5 TRANSFERÊNCIA (HUMORAL) → imunidade passiva (plascentária) É a imunidade conferida a um indivíduo pela transferência de soro (anticorpos) ou linfócitos de um indivíduo imunizado para outro não imunizado. A imunidade passiva é um método útil para conferir rapidamente a resistência, sem ter que esperar pelo desenvolvimento de uma resposta imune. Ex: Anticorpos maternos atravessam a placenta, o que permite aos recém- nascidos o combate à infecções antes deles próprios desenvolverem a habilidade de produzir anticorpos. → administração de antitoxinas (raiva, venenos...) IMUNIDADE COLETIVA OU DE REBANHO A imunidade coletiva pode ser definida como a resistência de um grupo de pessoas não imunizada ao ataque de uma doença, para a qual grande proporção de pessoas de uma população foram imunizadas. Princípio da imunização coletiva (rebanho): Quando um alto percentual (variável dependendo da doença) da população for imune a uma doença contagiosa, toda a população, provavelmente, será protegida, e não apenas aqueles que são imunes. A especificidade de memória deriva de anticorpos, os quais podem se originar de uma vacina ou de uma infecção. Doenças Emergentes e Reemergentes 6 Por que? Barreira Imunização coletiva ocorre de duas formas: vacinação e disseminação. 🚨 É a menor chance de uma pessoa suscetível contrair a patologia. Por que o conceito de imunidade coletiva é tão importante? porque ela possibilita a proteção de pessoas que não vacinaram. 🚨 Quando conduzimos um programa de vacinação, pode não ser necessário atingir 100% nas taxas de imunização para obter sucesso. → sarampo= imunização de 95% da população. Vacinados de amarelo. Rosa são os doentes. Azul são os suscetíveis a contrair a doença por não estarem imunizados. Doenças Emergentes e Reemergentes 7 Para existir imunidade coletiva, certas condições precisam ser alcançadas: O agente da doença deve-se restringir a uma única espécie de hospedeiro dentro do qual a transmissão ocorre A transmissão deve ser relativamente de forma direta de um membro da espécie para outro Se existir um reservatório em que o agente possa existir fora do hospedeiro humano, a imunidade coletiva não ocorrerá, pois outros meios de transmissão estarão disponíveis. Além disso, as infecções devem induzir uma imunidade sólida ( memória imunológica) (maior memória - menos vacina) (menor memória -mais vacina). Doenças Emergentes e Reemergentes 8 🚨 A imunização coletiva ou de rebanho consiste na resistência ou imunidade adquirida por um grupo de pessoas em relação à investida de uma doença. Dessa forma, se um alto percentual de uma população for imune, as chances de todo a população estar protegida e se beneficiar é alta, mesmo os que não estão imunes e isso é um fator importante para a proteção de pessoas que não se vacinaram, por exemplo. Uma pessoa infectada possuí, então, menor probabilidade de encontrar uma outra pessoa suscetível para a transmissão da infecção; tendo em vista que, grande parte da população está imunizada e isso proporciona o rompimento do ciclo de transmissão entre esses indivíduos, dificultando a propagação de um vírus. Assim, um infectado transmite o vírus para, em média, uma pessoa suscetível; uma taxa de transmissibilidade baixa. Ademais, isso só é alcançado quando se tem uma alta cobertura vacinal, já que as vacinas diminuem as chances de replicação do vírus e da transmissão de uma patologia; e também quando houve uma infecção natural que organismo do indivíduo foi capaz de combater, o que gerou células de memória e uma imunidade ativa. Outrossim, vale ressaltar que, para existir essa imunidade coletiva é necessário que haja condições favoráveis para tal, como a restrição do agente etiológico a uma única espécie de hospedeiro no qual a transmissão direta se sucede e a impossibilidade de existência de um reservatório no qual o agente possa existir fora do hospedeiro humano. Portanto, esse conceito pode ser exemplificado pelo seguinte quadro: em um rebanho, se um animal for infectado por um microrganismo e nenhum dos outros animais estiverem imunes, o patógeno pode se espalhar para o grupotodo, adoecendo e matando cada animal. Porém, se alguns dos animais adquirem imunidade, há o impedimento da transmissão para os outros que estão em seu contato. Pandemia 1 Pandemia Maria Eduarda Netto INTRODUÇÃO Em uma escala de gravidade, a pandemia é o pior dos cenários. Ela acontece quando uma epidemia se espalha por diversas regiões do planeta. → acontece em vários continentes, com incidência acima do esperado. 🚨 Para descobrir se é uma pandemia é bom sempre olhar a incidência Em 2009, a gripe A (gripe suína) passou de uma epidemia para uma pandemia quando a OMS começou a registrar casos nos seis continentes do mundo. O mundo já passou por várias pandemias e provavelmente passará por várias outras. 🚨 Covid →março de 2020 →PANDEMIA 🚨 Hoje, em 2021, existe a pandemia do HIV, com melhoria de vida →coquetéis→ testagem →controle. 🚨 Uma pandemia pode ter tempo curto e não ser duradoura (como o covid). 🚨 Pandemias virais possuem alta capacidade de transmissão. 🚨 Se deixar a pandemia em pico agudo → várias pessoas procurando o sistema de saúde → superlotação. HISTÓRICOS Pandemia 2 1247-1341 → Peste Negra → a pandemia da peste negra surgiu na China ou na Ásia Central, causada pela bactéria "Yersinia pestis" e transmitida por roedores. Foi a mais mortal das epidemias. Entre 1327 e 1352, a peste negra dizimou metade da população europeia. As estimativas são de 75 a 200 milhões de mortes. 1817- Cólera → a primeira "epidemia global" documentada de cólera que se estendeu do sudeste asiático para o resto do mundo e, desde então, a OMS contabilizou sete pandemias. 1824-1840 -Varíola → a doença causada pelo vírus “orthopoxvirus variolae” ressurgiu em 1824 e se estendeu por quase toda a Europa, depois de causar 827 mil mortes na Rússia, entre 1804 e 1810. 1932- Aids → o vírus HIV causou, desde então, 32 milhões de mortes e a estimativa é de que mais 33 milhões de pessoas estejam infectadas no mundo todo, principalmente na África Subsaariana. Pandemia 3 🚨 NEM SEMPRE é necessário conhecer cada detalhe do mecanismo patogênico para sermos capazes de PREVINIR uma doença. 1918 - A gripe espanhola foi uma vasta e mortal pandemia do vírus Influenza H1N1. De janeiro de 1918 a dezembro de 1920, infectou uma estimativa de 500 milhões de pessoas e matou entre 17 – 50 milhões de pessoas no mundo . A gripe espanhola foi a primeira de duas pandemias causadas pelo Influenza H1N1, sendo a segunda ocorrida em 2009 conhecida como gripe suína. Identificada primeiro no México e nos Eua. Recebeu o nome de espanhola, pelo fato da Espanha ter sido um dos países mais afetados. Gripe espanhola no BR: Eleito pela segunda vez, Rodrigues Alves não pôde assumir a presidência da República, vindo a falecer em 18 de janeiro de 1919. Pandemia 4 Desenvolvimento de vacinas e saneamento → aumento da expectativa de vida VÍRUS INFLUENZA A: Vírus de RNA Sofrem mais mutações os vírus de RNA, por serem instáveis. A mutação pode ser em 1 aminoácido da proteína e pode ser ou não significante. Os vírus, dentro de um mesmo hospedeiro, podem se comunicar e gerar uma nova variante. Vírus foi se adaptando até adquirir a capacidade de infectar humanos. A expectativa de vida caiu muito, era em torno de 55 anos e caiu para baixo de 40. Pandemia 5 O vírus é necessariamente um parasita intracelular obrigatório. Hematoglutinina é uma proteína e (H1-H18) é uma variação dessa proteína. A neuraminidase é também uma proteína. Evolução do vírus pode ocorrer de ambiente para ambiente, de animais para animais, até assumir a capacidade de chegar no homem e ser transmitida entre a espécie humana → MUTAÇÕES/ EVOLUÇÃO CONTÍNUA → pode também estagnar em uma evolução. A gripe aviária é a que está marcada com retângulo vermelho. A gripe suína é a que aconteceu em 2009. Pandemia 6 A OMS (2005) definiu seis fases de risco crescente para uma pandemia: Pode ser causada por vírus do Influenza ou por COVID e bactérias. É uma infecção de microrganismo que afeta as vias aéreas superiores. Oronasal = genoma (RNA ou DNA), partículas virais. Sorológico= anticorpos IgM ou IgG. Relação de troca de microrganismos (patogênicos e não patogênicos). Pandemia 7 Períodos interpandêmico (Fases 1 e 2): Fase 1: O vírus da influenza circula continuamente na natureza entre os animais, especialmente em pássaros. Porém, nenhum novo subtipo do vírus foi reportado por causar infecção em humanos. Fase 2: Um novo subtipo de vírus da influenza é detectado circulando em animais selvagens. Porém, nenhum novo subtipo do vírus foi reportado por causar infecção em humanos. Fase 3: Detecção de casos esporádicos de infecção humana por um novo subtipo de influenza originada de animais. Porém, com nenhuma transmissão direta entre pessoa-pessoa ou com raros casos de transmissão direta por contato próximos e prolongados que não são suficientes para um contágio comunitário. Fase 4: Detecção e confirmação de novos casos de transmissão direta de animais-pessoa e pessoa-pessoa do novo subtipo de influenza humana. Novo subtipo considerado capaz de criar um contágio comunitário. O vírus ainda não está totalmente adaptado à transmissão direta pessoa-pessoa. Fase 5: Detecção e confirmação de novos casos de transmissão direta de pessoa-pessoa do novo subtipo de influenza humana em outras regiões comunitárias. Indicando avanço na adaptação do vírus, porém ainda não totalmente adaptado para transmissão em massa. Fase 6: A transmissão direta de pessoa a pessoa da influenza é crescente e continuada em vários países e continentes.