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Durante a realização desta atividade, foi feita uma busca nos prontuários da Unidade Básica de Saúde Indígena (UBSI) onde atuo, com o objetivo de identificar pacientes que procuraram atendimento por linfonodomegalia ou que apresentaram aumento de linfonodos durante o exame físico. Na unidade, os registros são realizados predominantemente em prontuários físicos individuais. Como os atendimentos ocorrem também nas aldeias, onde não há acesso à internet, as informações são registradas manualmente e, posteriormente, atualizadas nos sistemas disponíveis no Polo Base. Esse modelo garante o registro da assistência, porém torna a localização de casos específicos mais demorada e dificulta a obtenção de dados para análises epidemiológicas. A pesquisa foi facilitada pelo bom vínculo da equipe com a comunidade e pelo trabalho dos Agentes Indígenas de Saúde (AIS), que conhecem as famílias e auxiliam na identificação e no acompanhamento dos pacientes. Entretanto, algumas dificuldades foram encontradas durante a busca das informações, como a inexistência de prontuário eletrônico, registros incompletos em alguns atendimentos, necessidade de consultar diversos prontuários físicos e limitações relacionadas à distância entre as aldeias e ao acesso aos serviços especializados. Na análise dos casos identificados, observou-se que a maior parte das linfonodomegalias estava associada a processos infecciosos, especialmente infecções das vias aéreas superiores, problemas odontológicos e infecções de pele, situações frequentemente encontradas na Atenção Primária. Nos casos em que houve persistência do aumento dos linfonodos ou presença de características sugestivas de maior gravidade, foram registrados dados como localização, tamanho, consistência, mobilidade e tempo de evolução, além da investigação de sintomas gerais, como febre prolongada, perda de peso e sudorese noturna. Apesar disso, verificou-se que esses registros nem sempre estavam descritos de forma padronizada em todos os prontuários, o que demonstra a necessidade de qualificar a documentação clínica. A avaliação desses sinais de alerta é recomendada pelos protocolos do Ministério da Saúde para identificar precocemente pacientes com maior risco de doenças hematológicas ou neoplásicas. Quanto à abordagem dos casos, quando a causa da linfonodomegalia era identificada pela história clínica e pelo exame físico, o tratamento foi direcionado à doença de base, associado ao acompanhamento da evolução clínica. Nos casos em que não foi possível definir a etiologia ou quando havia sinais de alerta, foram solicitados os exames complementares disponíveis e realizado encaminhamento para serviços especializados, por meio da regulação e, quando necessário, do Tratamento Fora do Domicílio (TFD). Essa conduta está de acordo com as recomendações da Atenção Primária, que orientam investigação complementar e encaminhamento dos casos suspeitos para avaliação especializada. De forma geral, considero que a unidade apresenta pontos positivos importantes, como o acompanhamento longitudinal dos pacientes, o trabalho integrado da equipe multiprofissional e a participação ativa dos Agentes Indígenas de Saúde, fatores que favorecem a identificação precoce de alterações clínicas e o seguimento dos pacientes. Por outro lado, ainda existem limitações relacionadas à ausência de prontuário eletrônico, à dificuldade de acesso a exames complementares, à escassez de especialistas na região e ao tempo necessário para encaminhamento dos casos que dependem de atendimento fora do município. Também foi possível perceber a necessidade de padronizar o registro dos sinais de alerta para linfonodomegalias, contribuindo para uma investigação mais completa e para encaminhamentos mais oportunos. Essas melhorias podem fortalecer a qualidade da assistência e favorecer o diagnóstico precoce das doenças hematológicas mais graves.