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Nervos Cranianos Pares Cranianos ↪ 12 pares de nervos cranianos -> associados ao encéfalo, sendo o I e II relacionados ao prosencéfalo e os demais ao tronco encefálico. ↪ Se estendem em diferentes partes da cabeça e pescoço, com exceção do vago que chegam ao abdome. Classificação Funcional I – Nervo Olfatório ↪ Origem no encéfalo – bulbo olfatório ↪ Origem no crânio – lâmina crivosa do osso etmoide ↪ Responsável pelo sentido do olfato ↪ Supõe-se que a função do nervo esteja normal quando o paciente detecta o odor, mesmo não sendo capaz de identifica-lo corretamente. ↪ Geralmente é o par craniano que é mais acometido por contusões cranianas : ↪ Examinar uma narina por vez utilizando odores típicos/conhecidos (café, canela, cravos, hortelã...). ↪ Examinar o paciente em pé ou sentado ↪ Examinar se a alteração é unilateral ou bilateral ↪ Investigar alterações do olfato, se presente, buscar causas/patologias. ➘Anosmia (diminuição ou perda absoluta do olfato) em ambas as narinas -> resfriados, traumas e obstrução das narinas ➘Anosmia unilateral -> narina bloqueada, tumores frontais (meningeomas e gliomas). ➘Hiposmia: diminuição da sensibilidade olfativa -> pode ocorrer devido a rinite, uso excessivo de remédios para desentupir o nariz. I – Olfatório II – Óptico III – Oculomotor IV – Troclear V – Trigêmeo VI – Abducente VII – Facial VIII – Vestíbulo coclear IX – Glossofaríngeo X – Vago XI – Acessório XII - Hipoglosso ➘Parosmia: perversão do olfato; é uma sensação distorcida do olfato, geralmente resultando em sensação de cheiros que não existem ou cheiros desagradáveis ➘Cacosmia: condição alterada de cheiro em que a pessoa aprecia ou se sente atraída por cheiros desagradáveis. Pode referir-se também a uma sensação constante ou frequente de estar emitindo odor desagradável, devido a causas fisiológicas ou psiquiátricas (alucinação sensorial). O indivíduo em causa sente odores desagradáveis em situações em que o restante das pessoas percebe odores normais ou mesmo não percebem nenhum odor. . II – Nervo Óptico ↪ Origem no encéfalo – quiasma óptico ↪ Origem no crânio – canal óptico ↪ Transmite informação visual a partir da retina, através do quiasma óptico, para então trafegar pelos tratos ópticos para o núcleo geniculado lateral do tálamo. ↪ Sua função é avaliada separadamente para cada olho. : - Oftalmoscopia: feita em sala escura para a dilatação das pupilas, para observar o fundo do olho. ↪ Examina-se o fundo do olho para observar se tem alterações nas artérias, coloração do nervo óptico e mácula. ↪ A anormalidade mais importante nesse exame é o edema de disco óptico (papiledema). - Avaliação do campo visual: (campometria por confrontação) ↪ Verifica-se cada olho separadamente e pede para o paciente olhar para um ponto fixo. Após, coloca-se um objeto (de cor) equidistante do paciente e examinador e movimenta-o em quadrantes (superior, inferior, lateral direito e lateral esquerdo) para observar até onde o paciente vai perceber o objeto. ↪ As alterações indicam neoplasias, infecções e demielinização, sendo que são caracterizadas de acordo com a porção do campo atingido (amaurose unilateral, hemianopsia, heterônima bitemporal, hemianopsia homônima esquerda, quadrantonopsia homônima esquerda. - Acuidade visual: é avaliada ao pedir para o paciente que veja e nomeie os objetos da sala ou leia algo, cada olho, separadamente. É testada usando a tabela de Snellen. Podem ocorrer alterações unilateral ou bilateral, como na ambliopia ou abolida na amaurose, indicando neoplasias, hipertensão intracraniana e neurite retrobulbar. - Reação consensual: avaliar se as pupilas são fotorreagentes - Posição de pálpebra – ptose e retração; - Protusões – exoftalmia e enoftalmia (olhos pra dentro).. Hemianopsias bitemporais: defeito nos campos temporais de ambos os olhos. Quadrantanopsias homônimas: defeito do mesmo quadrante de visão de ambos os olhos; ↳ Quadrante superior: lesão temporal ↳ Quadrante inferior: lesão parietal Hemianopsias homônimas: defeito do mesmo hemicampo em ambos os olhos; Lesão do trato óptico; Lesão posterior do corpo geniculado lateral; Córtex visual – área 17 OLHO NORMAL: Mácula Disco óptico Vasos sanguíneos https://www.abc.med.br/p/psicologia-e-psiquiatria/355369/alucinacoes+o+que+sao+quais+os+tipos.htm ↪ Olho normal: disco óptico amarelado e oval, situado em posição nasal; vasos sanguíneos bem demarcados e veias com pulsação espontânea; mácula é mais pálida que o restante da retina, situada em região temporal. PAPILEDEMA ATROFIA ÓPTICA GLAUCOMA RETINOPATIA HIPERTENSIVA RETINOPATIA DIABÉTICA ↪ OBSERVAÇÃO: (QUEIXAS NEUROLÓGICAS) Paciente com dor de cabeça: - Modo súbito/aguda -> doença vascular; - Modo progressivo -> doença degenerativa, processo expansivo (doença que ocorre em curso) III – IV – VI : Oculomotor ↪ Estes 3 nervos controlam a ação dos músculos intraoculares (esfíncter da pupila) e dos músculos extraoculares. III – Origem no encéfalo: sulco medial do pedúnculo cerebral; Origem no crânio: fissura orbital superior IV – Origem no encéfalo: véu medular superior; Origem no crânio: fissura orbital superior VI – Origem no encéfalo: sulco bulbopontino Origem no crânio: fissura orbital superior - É um inchaço do disco óptico que é causado por uma pressão intracraniana aumentada. - Artérias dilatadas, disco óptico embaçado. - Perda de algumas ou da maioria das fibras do nervo óptico. - Nervo óptico opaco/pálido, há dilatação dos vasos sanguíneos. - Causas: esclerose múltipla, aumento da PIC e hereditária. - Causada principalmente pela elevação da pressão intraocular que provoca lesões no nervo ótico. - Disco óptico aumentado, brilho intenso, artérias dilatadas. - Lesão vascular da retina causada por hipertensão - Presença de hemorragia em chamas, brilho normal no nervo óptico, irregularidades nas artérias (constrição arteriolar), exsudatos algodonosos. - Doença que afeta os pequenos vasos da retina. - Hemorragias em borrão, hemorragias pontuais e exsudatos duros, nervo óptico pálido. ↪ Inervam os músculos do olho e pálpebra - Músculo elevador da palpébra superior – III par - Músculo reto superior e inferior – III par - Músculo reto medial – III par - Músculo reto lateral – VI par - Músculo oblíquo superior – VI par - Músculo oblíquo inferior – III par - Esfincter da pupila – III par ↪ Movimentos oculares: 4 tipos (movimentos normais esperados) Sacádicos: movimentos de um ponto a outro Perseguição: observação de objeto em movimento, o olhar acompanha o objeto. Vestibular: compensa o movimento de cabeça, o olho tenta compensar o movimento em balanço. (Ex. Pede para o paciente balançar a cabeça, se o olho compensar o movimento, não tem alterações. Se o olhar ficar fixo, com alterações.) Convergente: fixa à medida que o objeto se aproxima III e VI: inervam os músculos que movimentam os olhos para dentro e para fora (abducente só pra fora) : - Posição de cabeça (analisar se possui movimento involuntário) - Ptoses - Estrabismos - Teste da bandeira (bandeira da Inglaterra): avalia os 3 nervos ↪ O examinador faz o movimento da bandeira da Inglaterra e o paciente tem que acompanhar sem movimentar a cabeça (normal) ↪ Faz o desenho sem retirar o dedo do traçado da bandeira ↪ Alteração: lesão do mesencéfalo, o paciente não consegue olhar pra cima sem movimentar a cabeça. E também desconfiar de isquemia nessa região dos nervos. - Cover test – estrabismo latente (cobre um olho e examina cada um separadamente) - Teste de convergência: ↪ Peça para o paciente olhar para o dedo que você está segurandoa cerca de 1 metro do rosto do paciente. ↪ Ao olhar atentamente para as pupilas do paciente, rapidamente mova o dedo para um ponto entre as sobrancelhas do paciente. ↪ Peça para o paciente seguir o seu dedo. ↪ Ao monitorar posição ocular do paciente, verifique se os olhos estão realmente seguindo o dedo. ↪ Observe a reação pupilar durante este teste de convergência. - Teste de vestíbulo ocular – olho de boneca ↪ Desvio do oblíquo: lesão de tronco – AVC, desmielinização ↪ Paralisia de um único nervo oculomotor: ↳ Causas clínicas: diabetes e aterosclerose ↳ Causas cirúrgicas: tumor, aneurisma, trauma, hérnia de huncus ↪ Olhar leteral ou desvio conjugado do olhar: lesão frontal ou parietal (olha para o lado oposto da lesão central), lesão pontina (olha para a lesão) ↪ Paralisia do olhar vertical: lesão do tronco cerebral posterior ↪ OBSERVAÇÃO: - Lesão no nervo oculomotor causa: midríase, ptose e estrabismo divergente. - Lesão do nervo abducente causa: estrabismo convergente. V - Trigêmeo ↪ Origem cerebral: entre a ponte e o pedúnculo cerebelar médio ↪ Origem no crânio: fissura orbital superior (oftálmico); forame redondo (maxilar), forame oval (mandibular). ↪ Carrega fibras sensoriais e fibras motoras para os músculos mastigatórios. ↪ Nervo trigêmeo possui 3 divisões sensitivas (RAMOS): Oftálmica – V1 Maxilar – V2 Mandibular – V3 : - Função motora: avaliar masseter (parte sensitiva e motora) – avaliar se o paciente consegue morder dos dois lados do rosto. - Observar a face: simetria, movimentos anormais, reflexo córneo palpebral. - Testar os 3 segmentos do nervo e a mastigação - Toque facial e sensação térmica são testados tocando a face do paciente e testados colocando uma superfície fria simultaneamente dos dois lados do rosto nos ramos do nervo trigêmeo. E pergunta-se ao paciente se a sensação é a mesma em ambos os lados, caso não seja, perguntar qual dos lados o estimulo é percebido como mais fraco ou onde a temperatura é mais fria. ↪ Na presença de um distúrbio funcional do trigêmeo, nenhum olho pisca, enquanto o piscar unilateral indica uma lesão de nervo facial no lado que não pisca. ↪ A função motora do trigêmeo é testada pela observação da simetria da abertura e do fechamento da boca; durante o fechamento, a mandíbula desce de modo mais rápido e mais intenso do lado fraco, deixando o rosto torto. Uma fraqueza menos intensa pode ser detectada pedindo-se ao paciente para cerrar os dentes, enquanto se tenta abrir a mandíbula. A força normal da mandíbula não consegue ser superada pelo examinador. ↪ OBSERVAÇÃO: - Lesão do nervo trigêmeo causa: estrabismo oblíquo. - Medicamentos/tratamentos para neuralgia do trigêmeo: * Tegretol - carbamazepina -> 200 mg/dia * Pregabalina -> 75 – 150 mg/dia * Gabapentina -> 300 mg/dia * Neurólise - destruição deliberada de um nervo ou uma rede de entrelaçamento de nervos (plexo) com o objetivo de aliviar permanentemente a dor, interrompendo a transmissão de sinais de dor nos nervos. - Herpes zoster, traumatismos e neoplasias geram alterações nesse nervo. VII - Facial ↪ Origem no cérebro: sulco bulbopontino, lateral VI par ↪ Origem no crânio: forame estilomasteodeo : - Simetria da face: procurar rugas, sulcos, sorriso e piscar - Mostrar os dentes - Assoviar - Fechar os olhos com força - Olhar para o teto - Avaliar conduto auditivo externo ↪ PARTE SENSITIVA: Avaliar 2/3 anterior da língua com a identificação de diferentes sabores (sal, doce, amargo e azedo), sempre lavando a boca a cada sabor que é colado. ↪ PARTE MOTORA: Pede-se ao paciente para franzir a testa, apertar os olhos (lacrimejamento, incapacidade de piscar), sorrir e mostrar os dentes (avaliação de simetria ou assimetria). * Alterações encontradas: paralisias faciais. ↪ Lesão periférica: todo o lado da face está enfraquecido e o olho não pode ser completamente fechado. (Gerada por infecções virais, traumas e neoplasias) ↪ Lesão central: região frontal poupada e existe a possibilidade de fechar os olhos. VIII - Vestibulococlear ↪ Origem no cérebro: sulco bulbopontino ↪ Origem no crânio: osso temporal, canal auditivo. ↪ Também chamado de nervo acústico ↪ Possui duas divisões: auditiva e vestibular, envolvidos na audição e equilíbrio. : O exame deve incluir a inspeção otoscópica dos canais auditivos e das membranas timpânicas. Examinar os ouvidos separadamente, produzindo ruídos brandos (teste do sussurro). . ↪ A acuidade auditiva pode ser testada esfregando o polegar e o dedo indicador em conjunto, acerca de 2 polegadas de distância de cada orelha do paciente. Teste de Rinne – condução óssea e condução aérea. Coloca- se a base de um diapasão de alta frequência vibrando levemente sobre o processo mastoideo do osso temporal, ate que o som deixe de ser escutado. Teste de Weber – diapasão sobre o vértex. O cabo do diapasão é colocado no vértex. Na perda auditiva de condução, o som será mais alto na orelha afetada; na perda auditiva neurossensorial, o som será mais alto na orelha normal. - Examinar marcha: avaliar a base de sustentação (equilíbrio dinâmico). - Avaliar nistagmos (movimento involuntário dos olhos que pode fazer o olho moverem-se rapidamente de um lado para outro, para cima e para baixo ou em um círculo, podendo borrar ligeiramente a visão): Avaliar movimentando os dedos e pedir para o paciente acompanhar com o olhar. * fisiológico (depois de estimular os olhos movimentando a cabeça de um lado para o outro, o olhar fica normal( * Periférico (anormalidades vestibulares, núcleo do VIII ou do próprio nervo) * Central (anormalidades das conexões vestibulares centrais ou no cerebelo) * Retiniano (incapacidade de fixação ocular) ↪ Essa condição de nistagmo pode ser decorrente de medicamentos anticonvulsivantes ou sedativos, ou doença que afeta os músculos extraoculares ou inervação, ou as vias vestibulares ou cerebelares. - Teste de impulsão da cabeça: paciente sentado, movimento lateral da cabeça - Teste de Halpike: paciente deitado, movimento lateral da cabeça - Resultados: → Ausência de nistagmo = normal - Turning test: marcha parado, braços estendidos. Serve para examinar se tem alterações na marcha. IX – Glossofaríngeo ↪ Origem no cérebro: sulco lateral posterior do bulbo ↪ Origem no crânio: forame jugular ↝ Inervação dos músculos da faringe ↝ Sensibilidade do 1/3 posterior da língua ↝ Sensibilidade da trompa de Eustáquio ↪ FUNÇÃO MOTORA: avaliada solicitando ao paciente que diga “ah” com a boca aberta e observando a elevação completa e simétrica do palato. ↪ FUNÇÃO SENSORIAL: Testada através do reflexo de vômito (parede posterior da faringe). A região posterior da língua é estimulada de cada lado, usando-se um abaixador de língua ou um cotonete. Assim, é possível observar diferenças na magnitude da resposta do reflexo de vômito provocado dessa maneira. - Pede para o paciente abrir a boca - Avaliar gengivas, língua e movimentos involuntários. - Teste de força – língua – bochecha (coloca o dedo na bochecha e pede ao paciente para empurrar com a língua) - Avaliar a úvula (se tiver queda de úvula indica lesão nesse nervo) - Avaliar a laringe Tosse – explosiva e gradual Som da fala – volume e qualidade Fala fadigada Esclerose lateral: miofasciculações na língua X - Vago ↪ Origem no cérebro: sulco lateral posterior caudalmente ao IX par ↪ Origem no crânio: forame jugular ↝ Músculos da faringe e laringe ↝ órgãos torácicos ↝ Cavidade abdominal ↝ Gustação ↝ Epiglote ↝ Conduto auditivo (sensibilidade) difícil avaliação XI - Acessório ↪ Origem no cérebro: sulco lateral posterior do bulbo (raiz craniana) e medular (raiz espinhal) ↪ Origem no crânio: forame jugular ↪ Inerva o músculo esternocleidomastóideo e o trapézio. ↝ Musculatura da faringee laringe ↝ Esternocleidomastoideo e trapézio - O esternocleidomastóideo é testado solicitando ao paciente que gire a cabeça contra uma resistência fornecida pela mao do examinador, que é colocada sobre a mandíbula do paciente. A fraqueza desse músculo resulta em uma redução da capacidade de girar a cabeça para longe do músculo fraco. - O trapézio é testado fazendo com que o paciente empurre os ombros contra uma resistência. (encolher ombros) - Observação de pescoço e ombro - Testar força da cabeça XII - Hipoglosso ↪ Origem no cérebro: sulco lateral anterior do bulbo, adiante da oliva ↪ Origem no crânio: canal do hipoglosso ↪ Inerva os músculos da língua ↝ Musculatura da língua - Teste de força da língua – paciente empurra a língua contra o interior da bochecha, e o examinador oferece uma resistência do lado de fora da bochecha. ↪ A denervação da língua pode estar associada com atrofia e fasciculação. Alterações Reflexos Superficiais e Profundos ↪ O exame dos reflexos é importante porque sua alteração pode ser a primeira e mais sutil indicação de um distúrbio da função neurológica. ↪ A avaliação dos reflexos é a parte mais objetiva do exame neurológico. ↪ Os reflexos estão submetidos a menor grau de controle voluntário do que a maioria dos outros componentes do exame neurológico. Eles não dependem tanto da atenção, cooperação ou inteligência do paciente e podem ser avaliados em pacientes que não conseguem ou não querem cooperar em outras partes do exame. ↪ Nessas circunstâncias, às vezes o exame dos reflexos avalia melhor a integridade dos sistemas motor e sensorial do que outros métodos. Embora seja essencial, o exame dos reflexos é apenas uma parte do exame neurológico e é preciso levar em conta os outros achados ao avaliá-los. ↪ O reflexo é uma resposta involuntária a um estímulo sensorial. ↪ Os impulsos aferentes originados de um órgão sensorial provocam a resposta de um órgão efetor. É dividido em componentes segmentar e suprassegmentar. A doença das vias suprassegmentares pode aumentar a atividade de alguns reflexos, diminuir a atividade de outros e causar o surgimento de reflexos que não ocorrem normalmente. ↪ O componente segmentar é formado por um centro reflexo local na medula espinal ou no tronco encefálico e suas conexões aferentes e eferentes. ↪ O componente suprassegmentar é constituído de vias centrais descendentes, que controlam, modulam e regulam a atividade segmentar. ↪ O reflexo pode ser motor, sensorial ou autônomo. ↪ O estímulo é recebido pelo receptor, que pode ser uma terminação sensorial na pele, nas mucosas, no músculo, no tendão, no periósteo ou, em tipos especiais de reflexos, na retina, na cóclea, no aparelho vestibular, na mucosa olfatória, nos bulbos gustativos ou nas vísceras. ↪ A estimulação do receptor inicia um impulso que segue pela via aferente até o sistema nervoso central (SNC), onde há sinapse em um centro reflexo que ativa o corpo celular do neurônio eferente. O neurônio eferente transmite o impulso para o efetor: a célula, o músculo, a glândula ou o vaso sanguíneo, que então responde. ↪ Um distúrbio na função de uma parte do arco reflexo – receptor, via aferente, centro do reflexo, via eferente ou aparelho efetor – interrompe o arco reflexo, com consequente diminuição ou perda do reflexo. ↪ A maioria dos reflexos avaliados durante o exame clínico é mais complexa do que o reflexo primitivo que acabamos de descrever. ↪ Todas as partes do sistema nervoso estão intimamente conectadas; é raro que uma parte reaja sem afetar outras partes ou ser afetada por elas. Quase imediatamente depois de entrar no SNC, a fibra aferente envia ramos colaterais para células em centros superiores e inferiores no mesmo lado e no lado oposto. ↪ A ativação de um grupo muscular agonista é acompanhada por inibição do grupo muscular antagonista (lei de Sherrington da inervação recíproca); quando os extensores de um membro estão contraídos, os flexores estão relaxados. ↪ As vias de associação podem conduzir o impulso até o córtex cerebral para modificação reflexa ou voluntária da resposta. ↪ Os reflexos complexos exigem conexões entre vários segmentos no mesmo lado e em lados opostos da medula espinal, do tronco encefálico e do encéfalo. Quanto mais complexo é o reflexo, maior é o número de neurônios associados e de mecanismos participantes. ↪ Estímulos mais intensos causam a excitação de um número maior de neurônios: o fenômeno de irradiação. ↪ A atividade reflexa é essencial para a atividade normal. ↪ Os reflexos nociceptivos ajudam a evitar estímulos prejudiciais. ↪ A atividade reflexa é importante para manter o corpo em seu ambiente diário, manter a posição ortostática, ficar de pé, caminhar e movimentar os membros. É parte integrante da resposta a estímulos visuais, gustativos, auditivos e vestibulares e é importante nas funções viscerais. ↪ Os reflexos foram nomeados de várias maneiras: de acordo com o local de produção, a parte do corpo estimulada, os músculos participantes, a parte do corpo que responde, os movimentos subsequentes, a articulação acionada ou o nervo implicado. ↪ Na clínica, as anormalidades reflexas causadas por doença das vias motoras descendentes costumam ser conhecidas como sinais do neurônio motor superior, corticospinais ou piramidais, mas o mais provável é que as anormalidades sejam consequência da disfunção de vias motoras relacionadas, e não do trato corticospinal propriamente dito. ↪ O reflexo é o resultado do estímulo que submetemos uma aferência sensível ao estiramento muscular que provoca uma resposta motora, ou seja: obtido pela percussão osteotendina ou fáscia do músculo avaliado. ↪ O reflexo vai estar normal, diminuído ou aumentado. ↪ Divisão: Superficiais: Cutâneoabdominal, cremastérico superficial e cutâneo plantar. Profundos: Bicipital, supinador, tricipital, flexores dos dedos, patelar e aquileu. Patológicos: Hoffmann, wartenberg da mão, trommer e babinski. ↪ Classificação dos Reflexos: 0 = ausente +/- = presente com facilitação 1+ = presente atenuado 2+ = normal 3+ = aumentado 4+ = clônus REFLEXOS SUPERFICIAIS ↪ Os reflexos superficiais (cutâneos) são respostas à estimulação da pele ou da mucosa. ↪ Os reflexos cutâneos são produzidos em resposta a um estímulo cutâneo superficial, como um toque leve ou um arranhão. A resposta ocorre na mesma área geral de aplicação do estímulo (sinal local). ↪ Um estímulo demasiado doloroso pode provocar uma reação defensiva em vez do reflexo desejado. ↪ Os reflexos superficiais são polissinápticos, ao contrário dos reflexos de estiramento, que são monossinápticos. ↪ A resposta ao estímulo é mais lenta do que a dos reflexos de estiramento; sua latência é mais longa, há fadiga com mais facilidade e eles não ocorrem de maneira tão sistemática quanto a dos reflexos tendinosos. ↪ A principal utilidade dos reflexos superficiais é que estão abolidos nas lesões do trato piramidal, que provocam a característica combinação de aumento dos reflexos tendinosos profundos e diminuição ou ausência dos reflexos superficiais. ↪ Os reflexos superficiais obtidos com maior frequência são os abdominais e cremastérico. ↪ A ausência unilateral dos reflexos abdominais superficiais pode ser um indicador precoce e sensível de lesão do trato corticospinal. TIPOS DE REFLEXOS SUPERFICIAIS o Cutâneo plantar o Cutâneo abdominal o Cremastérico o Reflexo Cutâneo Plantar ↪ Para examinar esse reflexo, o examinador estimula a região plantar do paciente e como resposta apresenta flexão dos dedos. Porém, em crianças de até um ano e meio de idade a extensão do hálux se fará presente, pois o sistema piramidal ainda não está totalmente mielinizado. ↪ Normalmente, a estimulaçãoda superfície plantar do pé, do calcanhar para a parte anterior, é seguida por flexão plantar do pé e dos dedos. ↪ Há variação individual da resposta e alguma variabilidade dependente do local de estimulação máxima. ↪ A flexão é a resposta normal após os primeiros 12 a 18 meses de vida. A variação patológica do reflexo plantar é o sinal de Babinski. ↪ Pode ser difícil obter o reflexo plantar normal em indivíduos com calosidades plantares. ↪ Em pacientes sensíveis, pode haver a retirada voluntária com flexão do quadril e do joelho, mas todo indivíduo normal apresenta algum grau de flexão plantar dos dedos em resposta à estimulação da planta do pé. ↪ Esse reflexo é mediado pelo nervo tibial (L4-S2). o Reflexo Cutâneo Abdominal ↪ Com um objeto de ponta fina estimule a parede abdominal na região paraumbilical, em resposta normal a cicatriz umbilical desvia para o lado do estímulo. ↪ Os reflexos abdominais superficiais são caracterizados por contração dos músculos abdominais, provocadas por um estímulo deslizante leve ou um arranhão na parede abdominal anterior, que puxa a linha alba e o umbigo na direção do estímulo. ↪ Pode-se dividir a resposta em reflexos abdominais superiores e abdominais inferiores. O umbigo está na altura de T10. ↪ A parede abdominal anterior pode ser dividida em quatro quadrantes por linhas verticais e horizontais que atravessam o umbigo. ↪ Um leve deslizamento da mão ou um arranhão em cada quadrante provoca o reflexo, puxando o umbigo na direção do estímulo. ↪ O estímulo pode seguir em direção ao umbigo, afastar-se ou seguir paralelamente a ele; os estímulos em direção ao umbigo parecem ser mais efetivos. ↪ A resposta é uma contração curta e rápida seguida por relaxamento imediato. ↪ O reflexo é mediado pelos nervos intercostais (T7- T10) nos quadrantes superiores (reflexos supraumbilicais) e pelos nervos intercostais, ílio- hipogástricos e ilioinguinais (T10-segmentos lombares superiores) nos quadrantes inferiores (reflexos infraumbilicais ou suprapúbicos). ↪ Geralmente, as respostas são vivas e ativas em indivíduos jovens com bom tônus abdominal anterior. Podem ser lentas ou estar ausentes em indivíduos normais com baixo tônus abdominal, em pessoas obesas ou em mulheres que já deram à luz. ↪ Pode ser difícil obter ou avaliar reflexos abdominais superficiais em indivíduos sensíveis. Eles podem estar ausentes em distúrbios abdominais agudos (sinal de Rosenbach) e na distensão abdominal ou vesical, assim como no mesmo lado de uma incisão de cirurgia abdominal ou toracotomia posterolateral. ↪ A latência é maior e as respostas são mais lentas em crianças e idosos do que em adultos jovens. ↪ Em caso de diminuição ou ausência fisiológica dos reflexos abdominais superficiais, geralmente os reflexos nos quadrantes inferiores são afetados primeiro. ↪ Na paralisia abdominal unilateral, pode haver inversão do reflexo, com desvio do umbigo para o lado oposto. o Reflexos Cremastérico ↪ Nesse reflexo o examinador promove uma dipitopressão na face medial da coxa, entre o terço superior e médio, que promove elevação do testículo ipsilateral. ↪ Esse reflexo é provocado ao se aplicar um estímulo deslizante, arranhar de leve ou beliscar a pele na face interna superior da coxa. A resposta é a contração do músculo cremaster com rápida elevação do testículo homolateral. ↪ O reflexo é mediado pelos nervos ilioinguinal e genitofemoral (L1–L2). ↪ Não se deve confundir o reflexo cremastérico com o reflexo escrotal, ou do músculo dartos, que provoca a contração lenta, sinuosa, vermicular da pele do escroto ao se aplicar um estímulo deslizante sobre o períneo ou a coxa ou encostar um objeto frio no escroto. ↪ O reflexo cremastérico pode estar ausente em homens idosos, em indivíduos com hidrocele ou varicocele, naqueles com torção do testículo e nos que tiveram orquite ou epididimite. REFLEXOS PROFUNDOS ↪ A avaliação dos reflexos miotáticos/profundos (ou de estiramento, ou tendinosos) através da percussão dos tendões é um dos métodos mais rápidos e eficazes para detectar alterações nos nervos ou nas raízes nervosas, e para isso precisamos apenas de um martelo de reflexos. ↪ Um reflexo tendinoso é a reação de um músculo a uma extensão passiva pela percussão de um tendão e depende da integridade de ambos os nervos aferente e eferente e de sua inibição pelas vias descendentes centrais. ↪ Os reflexos tendinosos são graduados em uma escala de acordo com a força de contração ou de acordo com a força mínima necessária para provocar a resposta: 4, muito rápido, muitas vezes com contrações reflexas rítmicas (clônus); 3, rápido, mas normal; 2, normal; 1, mínimo; 0, ausente. ↪ Em alguns casos, os reflexos tendinosos são difíceis de provocar, mas podem ser induzidos fazendo o paciente cerrar o punho do lado que não está sendo examinado, ou entrelaçar os dedos e então tentar separá-los. ↪ O objetivo principal do teste de reflexo é detectar assimetria. No entanto, reflexos simetricamente abolidos sugerem uma polineuropatia, e reflexos simetricamente aumentados podem indicar doença cerebral bilateral ou doença da medula espinal. ↪ Os reflexos tendinosos comumente testados e as raízes nervosas neles envolvidas são os seguintes: bíceps e braquiorradial (C5-6), tríceps (C7-8), quadríceps (L3-4) e tendão do calcâneo* (S1-2). TIPOS DE REFLEXOS PROFUNDOS o Bicipital o Supinador o Tricipital o Flexores dos dedos o Patelar o Aquileu o Reflexo Bicipital ↪ Mãos sobre o abdômen, coloque o dedo indicador no tendão do bíceps e percuta seu dedo com o martelo. ↪ Paciente sentado com braço descansado e apoiado. ↪ Golpeie sob o dedão o tendão do bíceps com o martelo. ↪ Resposta: contração do músculo do bíceps e o movimento feito pelo antebraço (flexão e supinação do antebraço). o Reflexo Supinador: ↪ Braço fletido sobre abdômen, dedo sobre a tuberosidade do radial e percuta com o martelo sobre o dedo. ↪ Braço fletido sobre o abdome. ↪ Resposta: movimento da mão. o Reflexo Tricipital: ↪ Coloque o braço a 90º sobre o braço do examinador e percuta o tendão diretamente com o martelo. ↪ Coloca-se passivamente o antebraço do paciente em pouco mais de 90º de flexão ↪ Segure o braço do paciente, de modo que ele seja capaz de relaxar complemente os músculos. ↪ Golpeie o tendão do tríceps diretamente com o martelo, cerca de 3 cm acima do olecrano. ↪ Resposta: contratura do músculo do tríceps e o movimento do antebraço. o Reflexo Flexor dos dedos ↪ Segure a mão do paciente em posição neutra, o examinador coloca sua mão sobre a mão do paciente e percute o dorso de seus próprios dedos. ↪ Antebraço do paciente em semiflexão e supinação e os dedos em leve flexão. ↪ O examinador coloca seu dedo médio e indicador sobre a superfície palmar das falanges do paciente e percute os seus próprios dedos. o Reflexo Patelar ↪ O examinador coloca a mão sob o joelho do paciente formando um ângulo de 90º e percute o ponto logo abaixo da patela. ↪ Pernas do paciente soltas sob a borda da mesa. ↪ Músculo quadríceps relaxado, golpeie o tendão do quadríceps diretamente com o martelo, entre a patela e a tuberosidade tibial. ↪ Resposta: movimento de extensão da parte inferior da perna e a contração do músculo quadríceps femoral. o Reflexo de Aquileu ↪ Segure o pé do paciente em 90º e percuta o tendão, pode ser feito com o paciente em decúbito ventral e pé em 90º, e ou com o maléolo medial voltado para o teto. ↪ Paciente pode estar sentado com as pernas pendentes ou ajoelhado em uma cadeira. ↪ Com uma mão, coloque o pé do paciente de maneira que tenha uma leve flexão dorsal. ↪ Golpeie diretamente o tendão de Aquiles. ↪ Resposta: contração do músculo da panturrilha. MANOBRAS DE FACILITAÇÃO ↪ São manobras de auxilio para obter os reflexos. ↪ Quando o examinadornão consegue o relaxamento ideal do paciente, o examinador lança mão de manobras de facilitação, como cerrar os dentes e ou cerrar os punhos, o primeiro para membros superiores e o segundo para membros inferiores. ↪ Essas manobras, além de distrair o paciente, também desencadeiam a ativação dinâmica dos fusos musculares, tornando-os mais sensíveis ao estiramento passivo (o reflexo). ACHADOS NO EXAME o Reflexo aumentado ou clônus (sempre patológico): - Contrações rápidas, muitas vezes com contrações reflexas rítmicas. - Esgotável e inesgotável. - Lesão do neurônio motor acima da raiz estimulada. o Reflexos ausentes: • Generalizados: neuropatia periférica. • Isolados: lesão de raiz ou do nervo o Reflexos diminuídos: neuropatia periférica, cerebelar, muscular. Propagação do reflexo ↪ O reflexo está presente, porém se observa resposta além do músculo estimulado, geralmente ocorre por lesão do neurônio motor acima do estímulo do músculo que foi excitado. Reflexo invertido ↪ Ocorre a perda do reflexo testado, porém ocorre propagação para músculos inferiores, indicando lesão ao nível do reflexo ausente. . Reflexo pendular ↪ Quando o reflexo continua sua estimulação mesmo após o termino do estímulo. REFLEXOS PATOLÓGICOS o Hoffmann o Wartenberg da mão o Trommer o Babinski o Hoffmann ↪ Estímulo ungueal da falange distal do dedo médio, causando flexão dos demais dedos, significando liberação piramidal dos membros superiores. o Wartenberg da mão ↪ O examinador provoca uma flexão forçada das falanges distais dos quatro dedos e se observa a adução involuntária do polegar, ou se coloca a mão estendida sobre a mesa e pede se para afastar o quinto dedo, caso não consiga o sinal é positivo. o Trommer ↪ Percussão da superfície palmar da extremidade do dedo médio, ocorre flexão dos quatro dedos e da falange distal do polegar, ou pode se bater contra o dedo médio na tentativa de provocar uma extensão forçada o que ocasiona a flexão dos demais dedos, revelando também lesão piramidal. o Babinski ↪ O reflexo de Babinski é uma resposta anormal ao estímulo cutâneo plantar onde o halúx sofre uma extensão e os demais dedos se abrem em leque, este reflexo é considerado normal em crianças até um ano de idade ↪ Sucedâneos de Babinski: Os sucedâneos todos têm a flexão dorsal do hálux homolateral como resposta esperada. Sua investigação tem valor principalmente quando o examinador está impossibilitado de realizar a pesquisa do reflexo pelo método tradicional. Os sucedâneos tem o mesmo significado diagnóstico que o sinal de Babinski. Sinal de Oppenheim - Fricção com os dedos do examinador pela crista da tíbia. - Aplicação de pressão com o polegar e o indicador na superfície anterior da tíbia, partindo da região infra patelar até o tornozelo. Sinal de Gordon - Compressão ou aplicação de pressão nos músculos da panturrilha Sinal de Schafer - Pressionando o tendão de aquiles. Sinal de Chaddock - Estímulo na lateral do pé ao redor do maléolo SINAIS DE LIBERAÇÃO FRONTAL o Reflexo palmomentoniano: ↪ Estimulação/fricção da eminência tenar que promove contração ipisilateral dos músculos mentual com elevação do mento e contração do orbicular do lábio inferior ipsilateral à estimulação (discreta elevação do lábio). o Reflexo Orbicular dos Lábios: ↪ Pode ocorrer em indivíduos normais, porém costuma traduzir lesão piramidal (ELA, aterosclerose difusa). o Reflexo Orbicular dos Olhos: ↪ Se percute na glabela do paciente, o reflexo é esgotável, caso contrário o reflexo de piscar continua (sinal de Myerson) e indica doença de Parkinson. ↪ Normalmente, esse reflexo é esgotável. Caracterização das Síndromes Cerebelares CEREBELO ↪ Divide-se anatomicamente e funcionalmente em 3 partes: 1. Lobo floculonodular 2. Lobo anterior 3. Lobo posterior 1. Lobo floculonodular ou arquicerebelo: ↪ Em termos filogenéticos é a parte mais antiga do cerebelo, também conhecida como vestibulocerebelo, pois suas projeções aferentes provêm dos núcleos vestibulares, tem como função a manutenção do equilíbrio. ↪ Ajuda a manter o equilíbrio e a coordenar os movimentos oculares, da cabeça e do pescoço; está interconectado intimamente ao núcleo vestibular. 2. Lobo anterior ou paleocerebelo: ↪ O lobo anterior é formado pelo vermis anterior e córtex paravermiano, conhecido também por espinocerebelo, já que suas projeções aferentes se originam nos proprioceptores dos músculos e tendões dos membros pelos tratos espinocerebelares, controla a postura, tônus muscular e a coordenação motora do tronco e das pernas (marcha). ↪ As lesões do verme causam anormalidades posturais e de marcha. 3. Lobo posterior ou neocerebelo: ↪ Forma a parte média do vermis e suas extensões laterais e a maior parte dos hemisférios cerebelares. Também conhecido como pontino cerebelo por receber fibras aferentes do córtex cerebral através dos núcleos pontinos e braço da ponte. ↪ Responsável pelos movimentos delicados iniciados no córtex. ↪ Controla os movimentos rápidos e finamente coordenados dos membros, predominantemente dos braços. ↪ A função de grande parte do lobo posterior é desconhecida. Sintomas cerebelares: As lesões do cerebelo causam: (1) Incoordenação (ataxias) do movimento volitivo; (2) distúrbios do equilíbrio e da marcha; (3) tremor oriundo de ataxia e hipotonia; (4) redução do tônus muscular. - Nas lesões unilaterais o distúrbio do movimento é ipsolateral. - A incoordenação dos movimentos voluntários é a manifestação mais marcante. TIPOS DE SÍNDROMES CEREBELARES 1. Axial 2. Apendicular 1. Axial ↪ Alteração do equilíbrio, alargamento da base e da marcha, da sinergia tronco-membros, da fala e da motricidade ocular. ↪ Cabeça e tronco. ↪ Lesão do arqui e paleocerebelo; Exame: - Observar o paciente em pé, de olhos abertos e depois fechados. (Analisar o paciente desde o momento que ele levanta na recepção/leito). - Observar a base de sustentação do paciente (como ele para – normal: pernas um pouco abertas). - Observar a base de sustentação do paciente com pés juntos e separados. - Base de sustentação muito alargada, o paciente faz isso pra conseguir ter equilíbrio. - Se apresenta dança dos tendões, marcha ebriosa com passos irregulares de medidas e distâncias diferentes com base alargada (alcoolizado); dificuldade para se levantar do leito sem o auxílio dos membros superiores; fala escandida com variações de tom podendo haver nistagmos. 2. Apendicular ↪ Dismetria, decomposição de movimentos. ↪ Incoordenação de extremidades para movimentos finos e voluntários. ↪ Lesão dos hemisférios cerebelares. Exame: - Apresentará ipsilateralmente decomposição de movimentos ou tremor de ação durante a manobra index-nariz, prova de rechaço Stewart-Holmes; manobra calcanhar – joelho e a prova de Barany (membros superiores estendidos paralelos apontando indicadores para frente, movimentando os membros para cima e para baixo de olhos fechados, devendo manter os membros sempre paralelos – o desvio bilateral sugere distúrbio vestibular; e o desvio unilateral sugere distúrbio cerebelar). - Por fim, pesquisa-se a diadococinesia: movimentos alternados rápidos com as mãos. É a habilidade de realizar repetições de forma rápida de padrões e simples de contrações, porém utilizando funções musculares. O paciente realiza movimentos repetitivos e alternados em pronação e supinação das mãos sobre os joelhos. Este teste estará alterado em patologias cerebelares - Portador de alteração cerebelar ipslateral comete erros durante o teste. Manobra index-nariz: com o membro superior estendido toca-se a ponta do nariz com a ponta do indicador; fazer a manobra com os olhos abertos e fechados. Erro de medida: dismetria (lesão cerebelar); Hipermetria: quandoo paciente passa o alvo; Hipometria: quando o paciente não atinge o alvo. Prova de rechaço Stewart-Holmes: - Paciente sentado; flexão do antebraço contra resistência oposta pelo examinador que bruscamente a relaxa. - Pede ao paciente para puxar o braço com força. - Se o paciente tiver lesão cerebelar: antebraço não pode frear seu movimento, indo se chocar com a região peitoral do paciente. Manobra calcanhar – joelho: paciente em decúbito dorsal e membros inferiores estendidos; pedir para que ele toque o joelho com a ponta do calcanhar do lado oposto; deslizar o calcanhar pela crista da tíbia; solicitar que ele faça com os olhos abertos e fechados. (Observar a continuidade do movimento e metria; observar se piora com os olhos fechados – a retirada do controle visual requer integridade do controle proprioceptivo). Prova de Barany: membros superiores estendidos paralelos apontando indicadores para frente, movimentando os membros para cima e para baixo de olhos fechados, devendo manter os membros sempre paralelos – o desvio bilateral sugere distúrbio vestibular; e o desvio unilateral sugere distúrbio cerebelar. - O paciente deve fechar os olhos, nesse momento, o examinador avalia se os braços do paciente vão mudar de posição. Será positivo se o paciente com os olhos fechados, mudar a posição dos braços. 3. Global ↪ Quando observamos alterações axiais e apendiculares simultâneas. EQUILÍBRIO ESTÁTICO - O corpo está em equilíbrio quando todas as forças que atuam sobre ele são nulas, tudo que se encontra parado está em equilíbrio estático, logo a avaliação do paciente nesta situação avalia se alguma coisa ou algo altere esta situação. - A avaliação neurológica do equilíbrio estático se faz através de uma simples prova conhecida como prova de Romberg. Prova de Romberg: - Nesta prova pedimos ao paciente que fique em pé de forma natural e a primeira coisa que avaliamos é a postura anatômica e a base de sustentação, em seguida pedimos que o paciente junte os pés e feche os olhos, é possível que mesmo antes de fechar os olhos o paciente apresente alguma oscilação. - Ao fechar os olhos, se o paciente cair imediatamente podemos afirmar que o sinal é positivo, geralmente causado por lesões do funículo posterior, carência de vitamin B12, neuro sífilis, mais raramente, seringomielia e aracnoidite. - Quando a queda tem lado preferencial devemos repetir a manobra e se o sinal se repetir podemos dizer que a lesão é ipsilateral, mas não caracterizamos como Romberg. . EQUILÍBRIO DINÂMICO - Ao contrário do anterior, o equilíbrio dinâmico avalia um corpo em movimento retilíneo e uniforme, desta forma a avaliação da marcha é a maneira que temos para avaliar o equilíbrio dinâmico. Marcha: - A marcha exige a execução de movimentos alternados e padronizados com os membros. - Nos seres humanos os mecanismos de controle estão no tronco encefálico, núcleos da base e córtex, assim como as funções labirínticas, proprioceptivas e visuais. Um déficit em qualquer dessas estruturas afeta a marcha. - Avaliação: Observar sem que o paciente perceba a deambulação natural, corrida, levantar de cadeiras, caminhar em círculos, eretos com os pés juntos, com olhos abertos e fechados (Romberg). - O paciente deve ser solicitado a ficar com os pés juntos e os olhos abertos para se detectar a instabilidade decorrente de ataxia cerebelar. A seguir, o paciente deve fechar os olhos; a instabilidade que ocorre com os olhos fechados, mas não com os olhos abertos (sinal de Romberg), é um sinal de ataxia sensorial. - Em seguida, deve-se observar se o paciente deambula normalmente, se anda sobre os calcanhares ou na ponta dos pés, ou se coloca um pé diretamente na frente do outro (coordenado), para identificar qualquer uma das anomalias clássicas da marcha, apresentadas a seguir: 1 Marcha cerebelar: - Base alargada e cambaleante, como se o individuo estivesse bêbado, instabilidade ao ficar em pé ou sentado, irregularidade dos passos (marcha errática), desvio para o lado da lesão cerebelar. Oscila de olhos abertos e um pouco mais quando fechados (Romberg neg). - Causas: tumor cerebelar (vermis cerebelar), degeneração cerebelar hereditária ou adquirida (álcool), degeneração cerebelar paraneoplásica. 2 Marcha tabética: - Dificuldade para ficar em pé e caminhar com força preservada. Os movimentos são bruscos, erráticos em comprimento e altura, batendo os pés ao chão. Observa o piso com atenção, perda da sensibilidade postural das pernas e pés; e vibratória com Romberg acentuado. (Não tem noção de profundidade em relação ao chão – pisa com força, marchando). - Causas: EM, compressão medular (coluna posterior), ataxia de Friedreich, deficiência de vitamina B12, polioneuropatias, Tabs. Dorsalis. 3 Marcha espática/hemiplégica/ceifante: - Membro superior fletido; membro inferior o joelho não flexiona e o membro é abduzido ao quadril com movimentos de circundação. - A perna afetada é mantida estendida e em rotação interna, e o pé está invertido e em flexão plantar; a perna se move em uma direção circular junto ao quadril (circundução*). - Causas: AVC, tumores, traumas, neurotoxoplasmose. 4 Marcha em tesoura: - Os dois membros estão enrijecidos e espásticos, semifletidos, os pés se arrastam e se cruzam lembrando uma tesoura. O paciente também apresenta lordose. - A marcha é lenta e rígida, e as pernas se cruzam uma na frente da outra. - Causas: paralisia cerebral 5 Marcha vestibular: - Apresenta lateropulsão (tendência involuntária de se dirigir sempre para o mesmo lado) quando anda e movimentos erráticos. - Causas: lesão vestibular. 6 Marcha festinante: - Marcha como um bloco, sem MMSS, passos pequenos e rápidos, cabeça inclinada para frente podendo ocorrer aceleração no início da marcha. - A postura é fletida, a marcha se inicia lentamente, os passos são pequenos e arrastados, existe uma redução dos movimentos associados dos membros superiores, e pode ocorrer uma aceleração involuntária (festinação). - Causas: Parkinson. 7 Marcha magnética ou apraxia - Deambula com os pés grudados ao chão, arrastando, não consegue executar o movimento do passo. - Doença do lobo frontal pode resultar em perda da capacidade de realizar um ato previamente aprendido (apraxia), nesse caso, a capacidade de deambular. O paciente apresenta dificuldade para iniciar a marcha e pode parecer estar colado ao solo. Uma vez iniciada, a marcha é lenta e arrastada. No entanto, não existe dificuldade de realizar os mesmos movimentos da perna, quando o paciente se encontra deitado e as pernas não estão sustentando peso. - Causas: hidrocefalia de pressão normal, lesões frontais, tumor na região frontal. (Tratou a hidrocefalia, remoção do tumor = melhora da marcha). 8 Marcha parética ou equina: - Excessivo levantamento joelho com flexão da coxa sobre a bacia com os pés pendentes. - Causas: lesão do nervo periférico (lesão na 5º raiz lombar). 9 Marcha anserina: - Oscilação da bacia, pernas afastadas, hiperlodose, inclinação do tronco para um dos lados. - Causas: polioneuropatias, miosites, gravidez, luxação do quadril e distrofias musculares. Osce: - Cumprimentar o paciente e apresentar-se - Lavar as mãos - Explicar o procedimento para o paciente - Posicionar o paciente corretamente - Despedir-se do paciente.