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EO - Linguagens e Códigos_VOLUME6

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Bruno Alves

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1
Caro aluno 
O Hexag Medicina é, desde 2010, referência na preparação pré-vestibular de candidatos às 
melhores universidades do Brasil.
Ao elaborar o seu Sistema de Ensino, o Hexag Medicina considerou como principal diferen-
cial em relação aos concorrentes sua exclusiva metodologia em período integral, com aulas 
e Estudo Orientado (E.O.), e seu plantão de dúvidas personalizado.
Você está recebendo o livro Estudo Orientado. Com o objetivo de verificar se você aprendeu 
os conteúdos estudados, este material apresenta nove categorias de exercícios:
• Aprendizagem: exercícios introdutórios de múltipla escolha para iniciar o processo de fixa-
ção da matéria dada em aula. 
• Fixação: exercícios de múltipla escolha que apresentam um grau de dificuldade médio, 
buscando a consolidação do aprendizado. 
• Complementar: exercícios de múltipla escolha com alto grau de dificuldade. 
• Dissertativo: exercícios dissertativos seguindo a forma da segunda fase dos principais ves-
tibulares do Brasil. 
• Enem: exercícios que abordam a aplicação de conhecimentos em situações do cotidiano, 
preparando o aluno para esse tipo de exame. 
• Objetivas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp): exercícios de múltipla escolha das universi-
dades públicas de São Paulo. 
• Dissertativas (Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp): exercícios dissertativos da segunda fase 
das universidades públicas de São Paulo 
• Uerj (exame de qualificação): exercícios de múltipla escolha que possibilitam a consolida-
ção do aprendizado para o vestibular da Uerj. 
• Uerj (exame discursivo): exercícios dissertativos que possibilitam a consolidação do apren-
dizado para o vestibular da Uerj.
Visando a um melhor planejamento dos seus estudos, os livros de Estudo Orientado rece-
berão o encarte Guia de Códigos Hierárquicos, que mostra, com prático e rápido manuseio, 
a que conteúdo do livro teórico corresponde cada questão. Esse formato vai auxiliá-lo a 
diagnosticar em quais assuntos você encontra mais dificuldade. Essa é uma inovação do 
material didático 2020. Sempre moderno e completo, trata-se de um grande aliado para seu 
sucesso nos vestibulares.
Bons estudos!
Herlan Fellini
2
SUMÁRIO
ENTRE LETRAS
GRAMÁTICA
LITERATURA
Aulas 45 e 46: Ortografia 4
Aulas 47 e 48: Funções de "a", "que" e "se 20
Aulas 49 e 50: Pontuação I 37
Aulas 51 e 52: Pontuação II 59
Aulas 45 e 46: Modernismo no Brasil: 2.ª fase – poesia 80
Aulas 47 e 48: Modernismo no Brasil: 2.ª fase – prosa 102
Aulas 49 e 50: Modernismo no Brasil: 3.ª fase 119
Aulas 51 e 52: Concretismo, Marginália, Contemporânea e outras literaturas lusófonas 134
3
GRAMÁTICA
4
 OrtOgrafiaAULAS 
45 e 46
CompetênCias: 1 e 5 Habilidades: 1, 2, 3 e 17
E.O. AprEndizAgEm
1. (IFSP) De acordo com a norma padrão da Língua Por-
tuguesa, assinale a alternativa em que todas as palavras 
devam ser acentuadas de acordo com a mesma regra de 
acentuação do vocábulo sublinhado na placa abaixo.
a) Facil/animo (substantivo)/apendice 
b) Ingenuo/varzea/magoa (substantivo) 
c) Virus/alcoolatra/unico 
d) Alibi/antibiotico/monossilabica 
e) Album/maniaco/amidala 
2. (UTFPR) O texto abaixo apresenta inadequações, de 
acordo com a norma padrão. A(s) questão(ões) a seguir 
analisa(m) alguns desses problemas.
No caminho de Montevideo, dirigindo pela rota beira-
-mar obrigatóriamente voce vai passar pelo porto de 
Montevideo, lá existe um mercado muito sofisticado com 
ótimos restaurantes. Vale [à pena] uma parada para al-
moçar no El Palenque, um dos melhores restaurantes do 
Uruguai para comer carnes, é incrivel lá dentro! Paramos 
para conhecer, mas não almoçamos no El Palenque dessa 
vez, pois estavamos com o almoço marcado na Bodega 
Bousa e depois a visita a vinicola. Seguimos viagem pela 
rota 5 em direção a Bodega Bousa (fique atento as pla-
cas, pois voce pode passar despercebido por elas).
(Disponível em: http://cozinhachic.com/Diario-De-viagemmonteviDeo-
vinicolas-e-restaurantes. acesso em 16/01/2017). 
No texto há algumas palavras com erro de acentuação 
gráfica. Assinale a alternativa que registra todas elas 
com os erros corrigidos. 
a) Obrigatoriamente, você, incrível, estávamos, viní-
cola, você. 
b) Montevidéo, obrigatóriamente, você, pôrto, está-
vamos, você. 
c) Você, incrível, estávamos, você, pôrto. 
d) Você, incrível, estávamos, vinícola, você. 
e) Montevidéo, obrigatoriamente, você, incrível, viní-
cola, você. 
3. (COL. Naval) Aumenta o número de adultos que não 
consegue focar sua atenção em uma única coisa por 
muito tempo. São tantos os estímulos e tanta a pressão 
para que o entorno seja completamente desvendado 
que aprendemos a ver e/ou fazer várias coisas ao mes-
mo tempo. Nós nos tornamos, à semelhança dos com-
putadores, pessoas multitarefa, não é verdade?
Vamos tomar como exemplo uma pessoa dirigindo. 
4Ela precisa estar atenta aos veículos que vêm atrás, 
ao lado e à frente, à velocidade média dos carros por 
onde trafega, às orientações do GPS ou de programas 
que sinalizam o trânsito em tempo real, 6às informações 
de alguma emissora de rádio que comenta o trânsito, 
ao planejamento mental feito e refeito várias vezes do 
trajeto que deve fazer para chegar ao seu destino, aos 
semáforos, faixas de pedestres etc.
Quando me vejo em tal situação, eu me lembro que di-
rigir, após um dia de intenso trabalho no retorno para 
casa, já foi uma atividade prazerosa e desestressante. 
O uso da internet ajudou a transformar nossa maneira 
de olhar para o mundo. Não mais observamos os deta-
lhes, por causa de nossa ganância em relação a novas e 
diferentes informações. Quantas vezes sentei em frente 
ao computador para buscar textos sobre um tema e, de 
repente, me dei conta de que estava em temas que em 
nada se relacionavam com meu tema primeiro.
Aliás, a leitura também sofreu transformações pelo nos-
so costume de ler na internet. Sofremos de uma ten-
tação permanente de pular palavras e frases inteiras, 
apenas para irmos direto ao ponto. O problema é que 
alguns textos exigem a leitura atenta de palavra por 
palavra, de frase por frase, para que faça sentido. 5Aliás, 
não é a combinação e a sucessão das palavras que dá 
sentido e beleza a um texto?
3Se está difícil para nós, adultos, focar nossa atenção, 
imagine, caro leitor, para as crianças. Elas já nasceram 
neste mundo de 8profusão de estímulos de todos os 
tipos; elas são exigidas, desde o início da vida, a dar 
conta de várias coisas ao mesmo tempo; elas são esti-
muladas com diferentes objetos, sons, imagens etc.
Aí, um belo dia elas vão para a escola. Professores e 
pais, a partir de então, querem que as crianças prestem 
atenção em uma única coisa por muito tempo. E quando 
elas não conseguem, reclamamos, levamos ao médico, 
5
arriscamos hipóteses de que sejam portadoras de sín-
dromes que exigem tratamento etc.
A maioria dessas crianças sabe focar sua atenção, sim. 
Elas já sabem usar programas complexos em seus apa-
relhos eletrônicos, brincam com jogos desafiantes que 
exigem atenção constante aos detalhes e, se deixarmos, 
passam horas em uma única atividade de que gostam.
Mas, nos estudos, queremos que elas prestem atenção 
no que é preciso, e não no que gostam. E isso, caro lei-
tor, exige a árdua aprendizagem da autodisciplina. Que 
leva tempo, é bom lembrar.
As crianças precisam de nós, pais e professores, para co-
meçar a aprender isso. Aliás, boa parte desse trabalho é 
nosso, e não delas. 
Não basta mandarmos que elas prestem atenção: isso 
de nada as ajuda. 13O que pode ajudar, por exemplo, é 
analisarmos o contexto em que estão 7quando precisam 
focar a atenção e organizá-lo para que seja favorável a 
tal exigência. E é preciso lembrar que não se pode espe-
rar toda a atenção delas por muito tempo: o ensino desse 
quesito no mundo de hoje é um processo lento e gradual. 
(saYÃo, roselY. profusÃo De estímulos. 
folha De s. paulo, 11 fev. 2014.) 
Assinale a opção em que as palavras destacadas rece-
bem, respectivamente, a mesma classificação quanto à 
acentuação gráfica queas palavras sublinhadas em “Se 
está difícil para nós, adultos [...]. Elas já, nasceram neste 
mundo de profusão de estímulos[...].” (ref. 3). 
a) “Ela precisa estar atenta aos veículos que vêm 
atrás, ao lado e à crente, à velocidade média dos car-
ros [...].” (ref. 4) 
b) “Aliás, não é a combinação e a sucessão das pala-
vras que dá sentido a um texto?” (ref. 5) 
c) “[...] às informações de alguma emissora de rádio 
que comenta o trânsito, ao planejamento mental 
[...].” (ref. 6) 
d) “[...] quando precisam focar a atenção e organizá-
-lo para que seja favorável a tal exigência. E é preciso 
lembrar [...].“ (ref. 7) 
e) “[...] profusão de estímulos [...]; elas são exigidas, 
desde o início da vida, a dar conta de várias coisas 
[...].” (ref. 8) 
4. (CFTSC) PRETO E BRANCO
Perdera o emprego, chegara a passar fome, sem que 
6ninguém soubesse: por constrangimento, afastara-se 
da roda 7boêmia escritores, jornalistas, um sambista de 
cor que vinha a ser o seu mais velho que antes costuma-
va frequentar companheiro de noitadas.
De repente, a salvação lhe apareceu na forma de um 
americano, que lhe oferecia um emprego numa agência. 
Agarrou-se com unhas e dentes à oportunidade, vale 
dizer, ao americano, para garantir na sua nova função 
uma relativa estabilidade.
E um belo dia vai seguindo com o chefe pela rua 10Mé-
xico, já distraído de seus passados tropeços, mas trope-
çando obstinadamente no inglês com que se entendiam 
– quando vê do outro lado da rua um preto agitar a 
mão para ele.
Era o sambista seu amigo.
Ocorreu-lhe desde logo que ao americano poderia pa-
recer estranha tal amizade, e mais ainda incompatível 
com a ética ianque a ser mantida nas funções que pas-
sara a exercer. Lembrou-se num átimo que o americano 
em geral tem uma coisa muito séria chamada precon-
ceito racial e seu critério de julgamento da capacidade 
funcional dos subordinados talvez se deixasse influir 
por essa odiosa deformação. Por via das dúvidas corres-
pondeu ao cumprimento de seu amigo da maneira mais 
discreta que lhe foi possível, mas viu em pânico que ele 
atravessava a rua e vinha em sua direção, sorriso aberto 
e braços prontos para um abraço.
Pensou rapidamente em se esquivar – não dava tempo: o 
americano também se detivera, vendo o preto aproximar-se.
Era seu amigo, velho companheiro, um bom sujeito, 
dos melhores mesmo que já conhecera – acaso jamais 
chegara sequer a se lembrar que se tratava de um pre-
to? Agora, com o gringo ali a seu lado, todo branco e 
sardento, é que percebia pela primeira vez: não podia 
ser mais preto. Sendo assim, tivesse paciência: mais tar-
de lhe explicava tudo, haveria de compreender. Passar 
fome era muito bonito nos romances de Knut Hamsun, 
lidos depois do jantar, e sem credores à porta. Não teve 
mais dúvidas: virou a cara quando o outro se aproximou 
e fingiu que não o via, que não era com ele.
E não era mesmo com ele.
Porque antes de 9cumprimentá-lo, talvez ainda sem 
8tê-lo visto, o sambista abriu os braços para acolher o 
americano – também seu amigo.
(saBino, fernanDo. a mulher Do vizinho. 7. eD. 
rio De Janeiro: recorD, 1962. p.163-4.) 
Assinale a alternativa correta relativamente à acentua-
ção gráfica das palavras sublinhadas no texto. 
a) O pronome ninguém (ref. 6) recebe acento por ser 
uma monossílaba tônica terminada em em.
b) O substantivo boêmia (ref. 7) é acentuado por ser 
palavra proparoxítona.
c) A combinação da forma verbal ter com o pronome 
oblíquo o, resultou em tê-lo (ref. 8), que é acentuado 
por se tratar de paroxítona terminada em o.
d) A forma verbal cumprimentá (ref. 9) é acentuada 
porque, ao associar-se ao pronome o, perdeu o r final, 
tornando-se uma oxítona terminada em a.
e) O substantivo México (ref. 10) recebe acento por-
que é uma palavra importada, que precisa manter o 
acento original.
5. (IFAL) Assinale a alternativa em que as palavras, que 
completam a frase abaixo, estão acentuadas correta-
mente.
Os tabloides que eles __________, __________ man-
chetes curtas que todos __________. 
a) leem – tem – veem 
b) lêm – teem – vêm 
c) leem – têm – veem 
d) leem – têm – vêm 
e) lêm – tem – veem 
6
6. (COL. Naval) Em que opção a acentuação do termo 
destacado está correta? 
a) A prática da leitura constrói cidadãos capazes de 
entender criticamente a realidade. 
b) De acordo com o texto, pessoas que lêem, desen-
volvem o raciocínio e falam melhor. 
c) Quando o conferencista enfatizou a importância da 
leitura, foi ovacionado pela platéia. 
d) A ignorância prepotente deforma por estagnação, 
pois o indivíduo pára de questionar. 
e) Se os livros são fundamentais na formação das 
pessoas, é bom que se averigúem as causas da dimi-
nuição da leitura. 
7. (IFSUL) A partir da entrada em vigor do Acordo Orto-
gráfico, a palavra assembleia passou a ser grafada sem 
acento agudo. Qual é a alternativa em que um ou mais 
vocábulos, segundo as regras do Acordo Ortográfico, 
foi(ram) acentuado(s) INDEVIDAMENTE? 
a) estóico – proíbe – vôo 
b) hotéis – usuário – volátil 
c) troféus – retórico – hífen 
d) herói – alcoólico – têm 
8. (IFAL) Cientistas americanos apresentaram ontem re-
sultados preliminares de uma vacina contra o fumo. O 
medicamento impede que a nicotina – componente do 
tabaco que causa dependência – chegue ao cérebro. Em 
ratos vacinados, até da nicotina injetada deixou de 
atingir o sistema nervoso central.
(o gloBo,18/12/99.) 
Analise as afirmativas a seguir:
I. A palavra “cérebro” é paroxítona.
II. “Cientistas” é, no texto, uma palavra masculina, haja 
vista a concordância do adjetivo que a acompanha.
III. A palavra “até” é monossílabo tônico. 
IV. A palavra “até” é oxítona terminada em “e”, por isso 
é acentuada.
V. No texto, há três palavras oxítonas que não são acen-
tuadas graficamente: deixou, atingir e central.
Estão corretas. 
a) apenas II e IV. 
b) apenas II, IV e V. 
c) apenas I e III. 
d) apenas III e V. 
e) apenas IV e V. 
9. (IFSC)
 
Com relação à acentuação gráfica das palavras no texto, é CORRETO afirmar: 
a) A palavra por (quinto quadrinho) deveria ter recebido acento diferencial por se tratar de uma forma verbal. 
b) A palavra parabéns (terceiro quadrinho) recebe um acento diferencial porque está no plural. 
c) A palavra ótima (terceiro quadrinho) recebe acento por ser proparoxítona. 
d) A palavra me (primeiro quadrinho) deveria ter recebido acento, por ser monossílabo tônico terminado em e.
e) O acento na palavra é (terceiro quadrinho) pode ser classificado como diferencial, porque não há regra que justifique seu uso. 
10. (UTFPR) Em qual alternativa todas as palavras em negrito devem ser acentuadas graficamente? 
a) Atraves de uma lei municipal, varias pessoas recebem ingressos gratis para o cinema. 
b) É dificil correr atras do prejuizo sozinho. 
c) Aqui, em Foz do Iguaçu, a dengue esta sendo um grande problema de saude publica. 
d) O bisneto riscou os papeizinhos com o lapis. 
e) O padrão economico do juiz é elevado. 
E.O. FixAçãO
1. (IMED)
ADIANTE SEGUIU A JUSTIÇA
maria Berenice Dias
Durante séculos, ninguém titubeava em responder: fa-
mília, só tem uma – a 2constituída pelos sagrados laços 
do matrimônio. Aos noivos era imposta a obrigação de 
se multiplicarem até a morte, mesmo na tristeza, 
na pobreza e na doença. Tanto que se falava em 
débito conjugal. 
Esse modelito se manteve, ao menos na aparência, _____ 
expensas da integridade física e psíquica das mulheres, 
que se mantinham dentro de casamentos esfacelados, 
pois assim exigia a sociedade. Tanto que o casamento 
era indissolúvel. As pessoas até podiam se desquitar, mas 
não podiam se casar de novo. Caso encontrassem um par, 
tornavam-se concubinos e alvos de punições. 
7
As mudanças foram muitas: vagarosas, mas significativas. 
As causas, incontáveis. No entanto, o resultado foi um 10só. 
O conceito de família mudou, se esgarçou. O casamento 
perdeu a sacralidade e permanecer dentro dele deixou de 
ser uma imposição social e uma obrigação legal.Veio o 11divórcio. Antes, porém, o 12purgatório da sepa-
ração, que exigia que se identificassem causas, punin-
do-se os culpados. A liberdade total de casar e descasar 
chegou somente no ano de 2006. 
A lei regulamentava exclusivamente o casamento. Punia 
com o silêncio toda e qualquer modalidade de estrutu-
ras familiares que se afastasse do modelo “oficial”. 
E foi assumindo a responsabilidade de julgar que os 
14juízes começaram a alargar o conceito de família. As 
mudanças chegaram _____ Constituição Federal, que 
enlaçou no conceito de família, outorgando-lhes espe-
cial proteção, outras estruturas de convívio. Além do 
casamento, trouxe, de forma exemplificativa, a união 
estável entre um homem e uma mulher e a chamada 
família parental: um dos pais e seus filhos. 
Adiante ainda seguiu a Justiça. Reconheceu que o rol 
constitucional não é exaustivo, e continuou a reconhe-
cer como família outras estruturas familiares. Assim 
as famílias anaparentais, constituídas somente pelos 
filhos, sem a presença dos pais; as famílias parentais, 
decorrentes do convívio de pessoas com vínculo de pa-
rentesco; bem como as famílias homoafetivas, que são 
as formadas por pessoas do mesmo sexo. 
O reconhecimento da homoafetividade como união 
estável foi levado _____ efeito pelo Supremo Tribunal 
Federal no ano de 2011, em decisão unânime e históri-
ca. Agora esta é a realidade: homossexuais casam, têm 
filhos, ou seja, podem constituir família. 
Ativismo judicial? Não, interpretação da Carta Consti-
tucional segundo um punhado de princípios fundamen-
tais. É a Justiça cumprindo o seu papel de fazer justiça, 
mesmo diante da lacuna legal. 
Da inércia, passou o Legislativo, dominado por autointi-
tulados profetas religiosos, a reagir. 
Não foi outro o intuito do Estatuto da Família, que aca-
ba de ser aprovado pela comissão especial na Câmara 
dos Deputados (PL 6.583/2013). Tentar limitar o concei-
to de família à união entre um homem e uma mulher, 
além de afrontar todos os princípios fundantes do Es-
tado, impõe um retrocesso social que irá retirar direitos 
de todos aqueles que não se encaixam neste conceito 
limitante e limitado. 
Mas _____ mais. Proceder ao cadastramento das en-
tidades familiares e criar Conselhos da Família é das 
formas mais perversas de excluir direito à saúde, à 
assistência psicossocial, à segurança pública, que são 
asseguradas somente às entidades familiares reconhe-
cidas como tal. Limitar acesso à Defensoria Pública e à 
tramitação prioritária dos processos à entidade familiar 
definida na lei, às claras tem caráter punitivo. 
O conceito de família mudou. E onde procurar a sua de-
finição atual? Talvez na frase piegas de Saint-Exupéry: 
na responsabilidade decorrente do afeto.
(zero hora, caDerno proa, 27-09-2015.) 
Sobre o uso de acento gráfico em vocábulos do texto, 
analise as afirmações que seguem:
I. Em constituída (ref. 2) e juízes (ref. 14), a letra i recebe 
acento gráfico por razões distintas.
II. aparência (ref. 3) e purgatório (ref. 12) recebem acen-
to gráfico em virtude da mesma regra.
III. As palavras só (ref. 10) e divórcio (ref. 11) são acentu-
adas a fim de marcar a sonoridade da vogal o.
Quais estão INCORRETAS? 
a) Apenas I. 
b) Apenas II. 
c) Apenas III. 
d) Apenas I e II. 
e) Apenas I e III. 
2. (IFPE) UMA REVISÃO DE DADOS RECENTES SOBRE A 
MORTE DE LÍNGUAS
Linguistas preveem que metade das mais de mil línguas 
faladas no mundo desaparecerá em um século – uma 
taxa de extinção que supera as estimativas mais pessi-
mistas quanto à extinção de espécies biológicas. (...)
Segundo a Unesco, 96% da população mundial falam só 
4% das línguas existentes. E apenas 4% da humanidade 
partilha o restante dos idiomas, metade dos quais se 
encontra em perigo de extinção. Entre 20 e 30 idiomas 
desaparecem por ano – uma média de uma língua a 
cada duas semanas. (...)
A perda de línguas raras é lamentável por várias razões. 
Em primeiro lugar, pelo interesse científico que des-
pertam: algumas questões básicas da linguística estão 
longe de estar inteiramente resolvidas. E essas línguas 
ajudam a saber quais elementos da gramática e do vo-
cabulário são realmente universais, isto é, resultantes 
das características do próprio cérebro humano.
A ciência também tenta reconstruir o percurso de anti-
gas migrações, fazendo um levantamento de palavras 
emprestadas, que ocorrem em línguas sem qualquer 
parentesco. Afinal, se línguas não aparentadas parti-
lham palavras, então seus povos estiveram em contato 
em algum momento.
Um comunicado do Programa das Nações Unidas para o 
Meio Ambiente (Pnuma) diz que “o desaparecimento de 
uma língua e de seu contexto cultural equivale a queimar 
um livro único sobre a natureza”. Afinal, cada povo tem 
um modo único de ver a vida. Por exemplo, a palavra rus-
sa mir significa igualmente “aldeia”, “mundo” e “paz”. É 
que, como os aldeões russos da Idade Média tinham de fu-
gir para a floresta em tempos de guerra, a aldeia era para 
eles o próprio mundo, ao menos enquanto houvesse paz.
(Disponível em: <http://revistalingua.com.Br/textos/116/a-
morte-anunciaDa-355517-1.asp>. acesso em 28 set. 2015.) 
No início do texto, aparece a forma verbal “preveem”, 
que perdeu o acento circunflexo após o último acordo 
ortográfico.
Assinale a única alternativa em que todas as palavras 
seguem o padrão de acentuação determinado pelo re-
ferido acordo. 
8
a) Eu fui à feira e comprei cinco pêras e três maçãs. 
b) A sonda espacial acabou de descobrir um novo 
asteróide. 
c) Joana d’Arc é uma mártir da Guerra dos Cem anos. 
d) Ele, estranhamente, saiu sem cumprimentar a platéia. 
e) O Brasil acabou de enviar uma equipe de pesquisa 
ao pólo Sul. 
3. (COL. Naval) Assinale a opção na qual as palavras fo-
ram acentuadas pelo mesmo motivo que “aritméticos”, 
“prioritária”, “cálculos” e “Taubaté”, respectivamente. 
a) rotatória, cólica, vermífugo, Maringá. 
b) hebdomadário, ausência, andrógino, Itajaí. 
c) farmacêutico, ípsilon, síndrome, Piauí. 
d) alaúde, húngaro, déspota, Grajaú. 
e) anêmona, glúten, nômade, Tribobó. 
4. (IFSC) Texto 1: Livro
Eu me livro daquele garoto chato
Com um livro enfiado no meu nariz
Fingindo achar a história feliz.
(maria, selma. isso isso. sÃo paulo: peirópolis, 2010. s/p.)
Texto 2
 
Considerando a posição da sílaba tônica e as regras de 
acentuação das palavras, assinale a alternativa CORRETA: 
a) As palavras “garoto”, “história”, “feliz” e “nariz”, do texto 
1, são palavras proparoxítonas, e “livro”, “dicionário”, “ter-
minar” e “nunca”, do texto 2, são palavras oxítonas. 
b) As palavras “história”, do texto 1, e “dicionário”, do 
texto 2, não deveriam estar acentuadas, porque os acen-
tos agudos não fazem mais parte do português brasileiro. 
c) A palavra “história”, do texto 1, é uma palavra pa-
roxítona e está corretamente acentuada; e “você”, do 
texto 2, é uma palavra oxítona e deve ser acentuada 
da mesma forma que “café”, “dendê”. 
d) As palavras “história”, do texto 1, e “dicionário”, do 
texto 2, foram acentuadas corretamente, mas possuem 
regras de acentuação diferentes, porque a primeira é 
considerada paroxítona e, a segunda, proparoxítona. 
e) As palavras “nariz” e “feliz”, do texto 1, deveriam 
estar acentuadas assim como as palavras “terminar”, 
“ler”, “grosso” e “nunca”, do texto 2, que deveriam 
receber acento circunflexo. 
5. (IFSC)
Sobre o texto apresentado na tirinha é CORRETO 
afirmar que: 
a) O pronome “vocês”, no primeiro quadrinho, é acen-
tuado por ser uma palavra paroxítona terminada em s.
b) A forma verbal “é”, que aparece no segundo e quin-
to quadrinhos, é acentuada com base na regra que 
manda acentuar as palavras monossílabas tônicas ter-
minadas em e (no quarto quadrinho não tem é). 
c) O substantivo “país”, no segundo quadrinho, recebe 
acento porque é uma palavra oxítona terminada em is. 
d) O substantivo “país”, no segundo quadrinho, rece-
be acento diferencial para não ser confundido com o 
adjetivo “pais”. 
e) A regra que justificao acento no pronome “nin-
guém”, que aparece no segundo e terceiro quadri-
nhos, também justifica que se acentue o advérbio 
“ontem”, opcionalmente. 
6. (IFSC) ASSALTO
Na feira, a gorda senhora protestou a altos brados con-
tra o preço do chuchu:
– Isto é um assalto!
Houve um rebuliço. Os que estavam perto fugiram. Al-
guém, correndo, foi chamar o guarda. Um minuto de-
pois, a rua inteira, atravancada, mas provida de admi-
rável serviço de comunicação espontânea, sabia que se 
estava perpetrando um assalto ao banco. Mas que ban-
co? Havia banco naquela rua? Evidente que sim, pois do 
contrário como poderia ser assaltado?
– Um assalto! Um assalto! – a senhora continuava a 
exclamar, e quem não tinha escutado escutou, multipli-
cando a notícia. Aquela voz subindo do mar de barracas 
e legumes era como a própria sirene policial, documen-
tando, por seu uivo, a ocorrência grave, que fatalmente 
se estaria consumando ali, na claridade do dia, sem que 
ninguém pudesse evitá-la.
Moleques de carrinho corriam em todas as direções, 
atropelando-se uns aos outros. Queriam salvar as mer-
cadorias que transportavam. Não era o instinto de pro-
priedade que os impelia. Sentiam-se responsáveis pelo 
transporte. E no atropelo da fuga, pacotes rasgavam-se, 
9
melancias rolavam, tomates esborrachavam-se no as-
falto. Se a fruta cai no chão, já não é de ninguém; é de 
qualquer um, inclusive do transportador. Em ocasiões 
de assalto, quem é que vai reclamar uma penca de ba-
nanas meio amassadas?
– Olha o assalto! Tem um assalto ali adiante! 
O ônibus na rua transversal parou para assuntar. Pas-
sageiros ergueram-se, puseram o nariz para fora. Não 
se via nada. O motorista desceu, desceu o trocador, um 
passageiro advertiu:
– No que você vai a fim de ver o assalto, eles assaltam 
sua caixa.
Ele nem escutou. Então os passageiros também acha-
ram de bom alvitre abandonar o veículo, na ânsia de 
saber, que vem movendo o homem, desde a idade da 
pedra até a idade do módulo lunar.
Outros ônibus pararam, a rua entupiu. 
– Melhor. Todas as ruas estão bloqueadas. Assim eles 
não podem dar no pé.
– É uma mulher que chefia o bando!
– Já sei. A tal dondoca loura.
– A loura assalta em São Paulo. Aqui é a morena.
– Uma gorda. Está de metralhadora. Eu vi.
– Minha Nossa Senhora, o mundo tá virado!
– Vai ver que está é caçando marido.
– Não brinca numa hora dessas. Olha aí sangue 
escorrendo! 
– Sangue nada, tomate.
Na confusão, circularam notícias diversas. O assalto fora 
a uma joalheria, as vitrinas tinham sido esmigalhadas a 
bala. E havia joias pelo chão, braceletes, relógios. O que 
os bandidos não levaram, na pressa, era agora objeto 
de saque popular. Morreram no mínimo duas pessoas, e 
três estavam gravemente feridas.
Barracas derrubadas assinalavam o ímpeto da convul-
são coletiva. Era preciso abrir caminho a todo custo. 
No rumo do assalto, para ver, e no rumo contrário, para 
escapar. Os grupos divergentes chocavam-se, e às ve-
zes trocavam de direção: quem fugia dava marcha à ré, 
quem queria espiar era arrastado pela massa oposta. 
Os edifícios de apartamentos tinham fechado suas por-
tas, logo que o primeiro foi invadido por pessoas que 
pretendiam, ao mesmo tempo, salvar o pelo e contem-
plar lá de cima. Janelas e balcões apinhados de mora-
dores, que gritavam:
– Pega! Pega! Correu pra lá!
– Olha ela ali!
– Eles entraram na kombi ali adiante!
– É um mascarado! Não, são dois mascarados!
Ouviu-se nitidamente o pipocar de uma metralhado-
ra, a pequena distância. Foi um deitar-no-chão geral, e 
como não havia espaço, uns caíam por cima de outros. 
Cessou o ruído. Voltou. Que assalto era esse, dilatado no 
tempo, repetido, confuso?
– Olha o diabo daquele escurinho tocando matraca! E a 
gente com dor de barriga, pensando que era metralhadora!
Caíram em cima do garoto, que soverteu na multidão. A 
senhora gorda apareceu, muito vermelha, protestando 
sempre:
– É um assalto! Chuchu por aquele preço é um verda-
deiro assalto!
(anDraDe, carlos DrummonD. assalto. in: para gostar 
De ler. vol. 3. sÃo paulo: Ática, 1979. p. 12-14.) 
Em relação à acentuação gráfica, leia e analise as se-
guintes afirmações:
I. As palavras notícias, relógio, ânsia e contrário são 
acentuadas por serem paroxítonas e terminarem em 
ditongo.
II. Os vocábulos pé, lá, aí e já recebem acento tônico por 
serem monossílabos tônicos.
III. As palavras veículo, módulo, ímpeto e ônibus rece-
bem acento gráfico por serem proparoxítonas.
Assinale a alternativa CORRETA. 
a) Apenas as afirmações I e III são verdadeiras. 
b) Apenas a afirmação II é verdadeira. 
c) Apenas as afirmações I e II são verdadeiras. 
d) Apenas as afirmações II e III são verdadeiras. 
e) Todas as afirmações são verdadeiras. 
7. (UFRGS) No século XV, viu-se a Europa invadida por 
uma raça de homens que, vindos ninguém sabe de 
onde, se espalharam em bandos por todo o seu terri-
tório. Gente inquieta e andarilha, deles afirmou Paul 
de Saint-Victor que era mais fácil predizer o ........ das 
nuvens ou dos gafanhotos do que seguir as pegadas da 
sua invasão. Uns risonhos despreocupados: passavam a 
vida esquecidos do passado e descuidados do futuro. 
Cada novo dia era uma nova aventura em busca do es-
casso alimento para os manter naquela jornada. Trajo? 
No mais completo ........: ........ sujos e puídos cobriam-
-lhes os corpos queimados do sol. Nômades, aventurei-
ros, despreocupados – eram os boêmios.
Assim nasceu a semântica da palavra boêmio. O nome 
gentílico de 9Boêmia passou a aplicar-se ao 8indivíduo 
despreocupado, de existência irregular, relaxado no ves-
tuário, vivendo ao 11deus-dará, à toa, na vagabundagem 
alegre. 12Daí também o substantivo boêmia. Na defini-
ção de Antenor Nascentes: vida despreocupada e ale-
gre, vadiação, estúrdia, vagabundagem. Aplicou-se de-
pois o termo, especializadamente, à vida desordenada 
e sem preocupações de artistas e escritores mais dados 
aos prazeres da noite que aos trabalhos do dia. Eis um 
exemplo clássico do que se chama degenerescência se-
mântica. De limpo gentílico – natural ou habitante da 
Boêmia – boêmio acabou carregado de todas essas co-
notações desfavoráveis. 
A respeito do substantivo boêmia, vale dizer que a forma 
de uso, ao menos no Brasil, é boemia, acento tônico em 
-mi-. E é natural que assim seja, considerando-se que -ia é 
sufixo que exprime condição, estado, ocupação. Conferir: 
alegria, anarquia, barbaria, rebeldia, tropelia, pirataria... 
Penso que sobretudo palavras como folia e orgia devem 
ter influído na fixação da tonicidade de boemia. Notar 
10
também o par abstêmio/abstemia. Além do mais, a pro-
sódia boêmia estava prejudicada na origem pelo nome 
10próprio Boêmia: esses boêmios não são os que vivem 
na Boêmia... 
(luft, celso peDro. Boêmios, Boêmia e Boemia. in: o romance 
Das palavras. sÃo paulo: Ática, 1996. p. 30-31.) 
Considere os pares de palavras abaixo.
1. puídos (ref. 7) e indivíduo (ref. 8) 
2. Boêmia (ref. 9) e próprio (ref. 10) 
3. deus-dará (ref. 11) e Daí (ref. 12)
Em quais pares as palavras respeitam a mesma regra de 
acentuação ortográfica? 
a) Apenas 1. 
b) Apenas 2. 
c) Apenas 3. 
d) Apenas 1 e 2. 
e) Apenas 1 e 3. 
8. (COL. Naval) Quando a rede vira um vício
Com o titulo “Preciso de ajuda”, fez-se um desabafo aos 
integrantes da comunidade Viciados em Internet Anô-
nimos: “Estou muito dependente da web, Não consigo 
mais viver normalmente. Isso é muito sério”. Logo ob-
teve resposta de um colega de rede. “Estou na mesma 
situação. Hoje, praticamente vivo em frente ao compu-
tador. Preciso de ajuda.” O diálogo dá a dimensão do 
tormento provocado pela dependência em Internet, um 
mal que começa a ganhar relevo estatístico, à medida 
que o uso da própria rede se dissemina. Segundo pesqui-
sas recém-conduzidas pelo Centro de Recuperação para 
Dependência de Internet, nos Estados Unidos, a parcela 
de viciados representa, nos vários países estudados, de 
5% (como no Brasil) a 10% dos que usam a web – com 
concentração na faixa dos 15 aos 29 anos. Os estragossão enormes. Como ocorre com um viciado em álcool 
ou em drogas, o doente desenvolve uma tolerância que, 
nesse caso, o faz ficar on-line por uma eternidade sem se 
dar conta do exagero. Ele também sofre de constantes 
crises de abstinência quando está desconectado, e seu 
desempenho nas tarefas de natureza intelectual despen-
ca. Diante da tela do computador, vive, aí sim, momentos 
de rara euforia. Conclui uma psicóloga americana: “O vi-
ciado em internet vai, aos poucos, perdendo os elos com 
o mundo real até desembocar num universo paralelo – e 
completamente virtual”.
Não é fácil detectar o momento em que alguém deixa de 
fazer uso saudável e produtivo da rede para estabelecer 
com ela uma relação doentia, como a que se revela nas 
histórias relatadas ao longo desta reportagem. Em todos 
os casos, a internet era apenas “útil” ou “divertida” e foi 
ganhando um espaço central, a ponto de a vida longe 
da rede ser descrita agora como sem sentido. Mudança 
tão drástica se deu sem que os pais atentassem para a 
gravidade do que ocorria. “Como a internet faz parte do 
dia a dia dos adolescentes e o isolamento é um compor-
tamento típico dessa fase da vida, a família raramente 
detecta o problema antes de ele ter fugido ao controle”, 
diz um psiquiatra. A ciência, por sua vez, já tem bem ma 
peados os primeiros sintomas da doença. De saída, o 
tempo na internet aumenta – até culminar, pasme-se, 
numa rotina de catorze horas diárias, de acordo com o 
estudo americano. As situações vividas na rede passam, 
então, a habitar mais e mais as conversas. É típico o apa-
recimento de olheiras profundas e ainda um ganho de 
peso relevante, resultado da frequente troca de refeições 
por sanduíches – que prescindem de talheres e liberam 
uma das mãos para o teclado. Gradativamente, a vida 
social vai se extinguindo. Alerta outra psicóloga: “Se a 
pessoa começa a ter mais amigos na rede do que fora 
dela, é um sinal claro de que as coisas não vão bem”.
Os jovens são, de longe, os mais propensos a extrapolar 
o uso da internet. Há uma razão estatística para isso – 
eles respondem por até 90% dos que navegam na rede, 
a maior fatia –, mas pesa também uma explicação de fun-
do mais psicológico, à qual uma recente pesquisa lança 
luz. Algo como 10% dos entrevistados (viciados ou não) 
chegam a atribuir à internet uma maneira de “aliviar os 
sentimentos negativos”, tão típicos de uma etapa em que 
afloram tantas angústias e conflitos. Na rede, os adoles-
centes sentem-se ainda mais à vontade para expor suas 
ideias. Diz um outro psiquiatra: “Num momento em que 
a própria personalidade está por se definir, a internet 
proporciona um ambiente favorável para que eles se ex-
pressem livremente”. No perfil daquela minoria que, mais 
tarde, resvala no vicio se vê, em geral, uma combinação 
de baixa autoestima com intolerância à frustração. Cerca 
de 50% deles, inclusive, sofrem de depressão, fobia social 
ou algum transtorno de ansiedade. É nesse cenário que os 
múltiplos usos da rede ganham um valor distorcido. Entre 
os que já têm o vicio, a maior adoração é pelas redes de 
relacionamento e pelos jogos on-line, sobretudo por aque-
les em que não existe noção de começo, meio ou fim.
Desde 1996, quando se consolidou o primeiro estudo 
de relevo sobre o tema, nos Estados Unidos, a depen-
dência em internet é reconhecida – e tratada – como 
uma doença. Surgiram grupos especializados por toda 
parte. “Muita gente que procura ajuda ainda resiste à 
ideia de que essa é uma doença”, conta um psicólogo. 
O prognóstico é bom: em dezoito semanas de sessões 
individuais e em grupo, 80% voltam a níveis aceitá-
veis de uso da internet. Não seria factível, tampouco 
desejável, que se mantivessem totalmente distantes 
dela, como se espera, por exemplo, de um alcoólatra 
em relação à bebida. Com a rede, afinal, descortina-se 
uma nova dimensão de acesso às informações, à produ-
ção de conhecimento e ao próprio lazer, dos quais, em 
sociedades modernas, não faz sentido se privar. Toda a 
questão gira em torno da dose ideal, sobre a qual já 
existe um consenso acerca do razoável: até duas horas 
diárias, no caso de crianças e adolescentes. Quanto an-
tes a ideia do limite for sedimentada, melhor. Na avalia-
ção de uma das psicólogas, “Os pais não devem temer 
o computador, mas, sim, orientar os filhos sobre como 
usá-lo de forma útil e saudável”. Desse modo, reduz-se 
drasticamente a possibilidade de que, no futuro, eles 
enfrentem o drama vivido hoje pelos jovens viciados.
(silvia rogar e JoÃo figueireDo. in: revista veJa, 24 De março De 2010.) 
11
Assinale a opção cujas palavras são, respectivamente, 
acentuadas pela mesma justificativa das que aparecem 
destacadas em “Na avaliação de uma das psicólogas, 
‘os pais não devem temer o computador, mas, sim, 
orientar os filhos sobre como usá-lo de forma útil e sau-
dável’.” (4° parágrafo) 
a) Família, incluí-lo, saída. 
b) Prognóstico, atrás, fútil. 
c) Plausível, alguém, factível. 
d) Alcoólatra, razoável, vício. 
e) Múltiplos, amá-la, intolerância. 
9. (UFRGS) Darwin passou quatro meses no Brasil, em 
1832, durante a sua 2célebre viagem a bordo do Beagle. 
Voltou impressionado com o que viu: “5Delícia é um ter-
mo 17insuficiente para exprimir as emoções sentidas por 
um naturalista a 8sós com a natureza em uma floresta 
brasileira”, escreveu. O Brasil, 11porém, aparece de for-
ma menos 21idílica em seus escritos: “Espero nunca mais 
voltar a um 12país escravagista. O estado da enorme po-
pulação escrava deve preocupar todos os que chegam ao 
Brasil. Os senhores de escravos querem ver o negro romo 
outra espécie, mas temos todos a mesma origem.”
Em vez do gorjeio do 6sabiá, o que Darwin guardou 
nos ouvidos foi um som 3terrível que o acompanhou 
por toda a vida: “13Até hoje, se eu ouço um grito, lem-
bro-me, com dolorosa e clara memória, de quando 
passei numa casa em Pernambuco e ouvi urros 14ter-
ríveis. Logo entendi que era algum pobre escravo que 
estava sendo torturado,”
Segundo o 4biólogo Adrian Desmond, “a viagem do Be-
agle, para Darwin, foi menos 41importante pelos 15es-
pécimes coletados do que pela 16experiência de teste-
munhar os horrores da escravidão no Brasil. De certa 
forma, ele escolheu focar na descendência comum do 
homem justamente para mostrar que todas as raças 
eram iguais e, desse modo, enfim, objetar àqueles que 
insistiam em dizer que os negros pertenciam a uma 
espécie diferente e inferior à dos brancos”. Desmond 
acaba de lançar um estudo que mostra a paixão aboli-
cionista do cientista, revelada por seus 7diários e cartas 
pessoais. “A extensão de seu interesse no combate à 
ciência de cunho racista 9é surpreendente, e pudemos 
detectar um ímpeto moral por 10trás de seu trabalho 
sobre a evolução humana – uma crença na ‘irmandade 
racial’ que tinha origem em seu ódio ao escravismo e 
que o levou a pensar numa descendência comum.”
(haag, c. o elo perDiDo tropical. pesquisa 
fapesp, n. 159, p. 80 - 85, maio 2009.) 
Assinale a alternativa em que as três palavras são 
acentuadas graficamente pela mesma razão. 
a) célebre (ref. 2) - terrível (ref. 3) - biólogo (ref. 4) 
b) Delícia (ref. 5) - sabiá (ref. 6) - diários (ref. 7) 
c) sós (ref. 8) - é (ref. 9) - trás (ref. 10) 
d) porém (ref. 11) - país (ref. 12) - Até (ref. 13) 
e) terríveis (ref. 14) - espécimes (ref. 15) - experiência 
(ref. 16) 
10. (EPCAR) QUARTO DE DESPEJO
“O grito da favela que tocou a consciência do mundo 
inteiro”
2 de MAIO de 1958. Eu não sou indolente. Há tempos 
que eu pretendia fazer o meu diario. Mas eu pensava 
que não tinha valor e achei que era perder tempo.
...Eu fiz uma reforma para mim. Quero tratar as pessoas 
que eu conheço com mais atenção. Quero enviar sorriso 
amavel as crianças e aos operarios.
...Recebi intimação para comparecer as 8 horas da noite 
na Delegacia do 12. Passei o dia catando papel. A noite 
os meus pés doiam tanto que eu não podia andar.
Começou chover. Eu ia na Delegacia, ia levar o José Car-
los. A intimação era para ele. OJosé Carlos tem 9 anos.
3 de MAIO. ...Fui na feira da Rua Carlos de Campos, ca-
tar qualquer coisa. Ganhei bastante verdura. Mas ficou 
sem efeito, porque eu não tenho gordura. Os meninos 
estão nervosos por não ter o que comer.
6 de MAIO. De manhã não fui buscar agua. Mandei o 
João carregar. Eu estava contente. Recebi outra intima-
ção. Eu estava inspirada e os versos eram bonitos e eu 
esqueci de ir na Delegacia. Era 11 horas quando eu re-
cordei do convite do ilustre tenente da 12ª Delegacia.
...o que eu aviso aos pretendentes a política, é que o 
povo não tolera a fome. É preciso conhecer a fome para 
saber descrevê-la.
Estão construindo um circo aqui na Rua Araguaia, Circo 
Theatro Nilo.
9 de MAIO. Eu cato papel, mas não gosto. Então eu pen-
so: Faz de conta que estou sonhando.
10 de MAIO. Fui na Delegacia e falei com o Tenente. Que 
homem amavel! Se eu soubesse que ele era tão amavel, 
eu teria ido na Delegacia na primeira intimação.
(...) O Tenente interessou-se pela educação dos meus 
filhos. Disse-me que a favela é um ambiente propen-
so, que as pessoas tem mais possibilidades de delinquir 
do que tornar-se util a patria e ao país. Pensei: se ele 
sabe disso, porque não faz um relatorio e envia para 
os politicos? O Senhor Janio Quadros, o Kubstchek, e o 
Dr Adhemar de Barros? Agora falar para mim, que sou 
uma pobre lixeira. Não posso resolver nem as minhas 
dificuldades.(...) O Brasil precisa ser dirigido por uma 
pessoa que já passou fome. A fome tambem é profes-
sora. Quem passa fome aprende a pensar no proximo e 
nas crianças.
11 de MAIO. Dia das mães. O céu está azul e branco. Pa-
rece que até a natureza quer homenagear as mães que 
atualmente se sentem infeliz por não realizar os desejos 
de seus filhos. (...) O sol vai galgando. Hoje não vai cho-
ver. Hoje é o nosso dia. (...) A D. Teresinha veio visitar-me. 
Ela deu-me 15 cruzeiros. Disse-me que era para a Vera 
ir no circo. Mas eu vou deixar o dinheiro para comprar 
pão amanhã, porque eu só tenho 4 cruzeiros.(...) Ontem 
eu ganhei metade da cabeça de um porco no frigorifi-
co. Comemos a carne e guardei os ossos para ferver. E 
com o caldo fiz as batatas. Os meus filhos estão sempre 
com fome. Quando eles passam muita fome eles não são 
exigentes no paladar. (...) Surgiu a noite. As estrelas 
12
estão ocultas. O barraco está cheio de pernilongos. Eu 
vou acender uma folha de jornal e passar pelas paredes. 
É assim que os favelados matam mosquitos.
13 de MAIO. Hoje amanheceu chovendo. É um dia sim-
patico para mim. É o dia da Abolição. Dia que comemo-
ramos a libertação dos escravos. Nas prisões os negros 
eram os bodes expiatorios. Mas os brancos agora são 
mais cultos. E não nos trata com desprezo.
Que Deus ilumine os brancos para que os pretos sejam 
feliz. (...) Continua chovendo. E eu tenho só feijão e sal. 
A chuva está forte. Mesmo assim, mandei os meninos 
para a escola. Estou escrevendo até passar a chuva para 
mim ir lá no Senhor Manuel vender os ferros. Com o di-
nheiro dos ferros vou comprar arroz e linguiça. A chuva 
passou um pouco. Vou sair. (...) Eu tenho dó dos meus fi-
lhos. Quando eles vê as coisas de comer eles brada: Viva 
a mamãe!. A manifestação agrada-me. Mas eu já perdi 
o habito de sorrir. Dez minutos depois eles querem mais 
comida. Eu mandei o João pedir um pouquinho de gor-
dura a Dona Ida. Mandei-lhe um bilhete assim:
“Dona Ida peço-te se pode me arranjar um pouquinho 
de gordura, para eu fazer sopa para os meninos. Hoje 
choveu e não pude catar papel. Agradeço. Carolina”
(...) Choveu, esfriou. É o inverno que chega. E no inverno 
a gente come mais. A Vera começou a pedir comida. E 
eu não tinha. Era a reprise do espetaculo. Eu estava com 
dois cruzeiros. Pretendia comprar um pouco de farinha 
para fazer um virado. Fui pedir um pouco de banha a 
Dona Alice. Ela deu-me a banha e arroz. Era 9 horas da 
noite quando comemos.
E assim no dia 13 de maio de 1958 eu lutava contra a 
escravatura atual – a fome!
(De Jesus, carolina maria. quarto De DespeJo.) 
Pode-se afirmar que um recorrente problema encontra-
do no texto, no que se refere ao uso da língua padrão, 
está relacionado à acentuação gráfica. Assinale a alter-
nativa em que esse fato NÃO ocorre. 
a) “...as pessoas tem mais possibilidades de delinquir...” 
b) “Pretendia comprar um pouco de farinha para fa-
zer um virado.” 
c) “Nas prisões os negros eram os bodes expiatorios.” 
d) “...os meus pés doiam tanto que eu não podia andar.”
E.O. COmplEmEntAr
1. (IFSUL) Crônica parafraseada de uma Síria em guerra
Ela abre os olhos. Não fosse o cheiro horrível de morte, 
o silêncio seria até agradável, mas o olfato a lembra 
que não há paz – nem pessoas, vizinhos, crianças. A tré-
gua na manhãzinha não traz esperança. Tão somente 
lhe permite descansar o corpo, mas não a mente. As 
lembranças da noite anterior ainda produzem sobres-
saltos. Bombas, casas caindo e soldados gritando.
Levanta-se, bebe o pouco da água que restou do copo 
ao lado da cama. Já não é tão limpa, nem farta como 
antes. Sempre um gosto amargo misturado com 
Abre a geladeira, e só encontra comida enlatada e con-
gelada. E mesmo não tão congelada assim, já que os cor-
tes diários de eletricidade derretem as camadas de gelo.
Os sobrinhos ainda dormem, e ela tenta orar. Não con-
segue. A mente desconcentra-se facilmente. Em uma 
prece fragmentada, pede a Deus descanso e trégua. E 
faz a oração sem pensar muito. Não precisa; é a mesma 
oração das últimas semanas.
Ela não quer sair de casa. Não é teimosia, é falta de op-
ção. “Para onde ir?”, pergunta, com uma voz desesperan-
çosa. Está tão confusa que não consegue imaginar saídas.
Nem a piedade de enterrar os mortos o governo per-
mite. Cadáveres estão espalhados pelas ruas. As for-
ças de Assad 3impediram de sepultar ou mesmo remo-
ver os restos mortais. Ou seja, mesmo viva, ela não 
tem como fugir da morte escancarada diante de seus 
olhos. Não é fácil acreditar na vida, quando a realida-
de grita o contrário.
Se não podem sepultar os mortos, os sobreviventes 
tentam ao menos ajudar a curar as feridas dos machu-
cados. Não podem levá-los aos hospitais da cidade, já 
que há um medo generalizado de que o governo pren-
da os feridos como se fossem prisioneiros de guerra. 
Resta improvisar atendimento nos campos. Não bas-
tasse a precariedade do atendimento, não há medica-
mentos suficientes.
Rebeca, de 32 anos, é trabalhadora autônoma. Ou me-
lhor, 4era. Agora já não sabe mais o que é e o que faz em 
sua cidade Damasco, capital da Síria.
Crônica parafraseada do depoimento de uma mora-
dora da capital da Síria (identificada apenas pela le-
tra “R”) ao jornal Folha de São Paulo, de quarta-feira, 
dia 25. A Síria está em revolta há 16 meses contra 
a ditadura de Bashar al-Assad. Nos últimos dias, o 
confronto contra os rebeldes se acirrou e as mortes 
aumentaram. 
(Disponível em: <http://ultimato.com.Br/sites/
fatosecorrelatos/2012/07/26/cronica-parafraseaDa-De-
uma-siria-em-guerra/>. acesso em: 14 set. 2015.)
Sobre a acentuação gráfica, são feitas as seguintes 
afirmações: 
I. As palavras horrível, agradável e fácil seguem a regra 
de acentuação gráfica das oxítonas. 
II. Os vocábulos só, há e já recebem acento gráfico em 
decorrência de regras distintas. 
III. A presença ou a ausência do acento gráfico na pa-
lavra e é determinante para a classificação gramatical 
desse vocábulo. 
IV. As palavras levá-las, diários, contrário seguem a re-
gra de acentuação gráfica das paroxítonas. 
Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s) 
a) I, III e IV apenas. 
b) II e IV apenas. 
c) I, II, III e IV. 
d) III apenas. 
13
2. (ESPCEX) Assinale a alternativa cujo vocábulo só pode 
ser empregado com acento gráfico. 
a) Diálogo 
b) Até 
c) Análogo 
d) É 
e) Música 
3. (IFAL) À beira da extinção, ave saíra-apunhalada tem 
rara chance de se recuperar na natureza
A saíra-apunhalada (o nome faz referência à mancha 
vermelha no peito do pássaro, que se assemelha a 
uma “punhalada”) é uma ave simpática de dez cen-tímetros, com plumagem branca e cinza. A alcunha, 
que na origem só fazia referência ao visual da espécie, 
agora serve bem como indicação simbólica do perigo 
pelo qual passa a saíra: estimativas indicam que só 
existem 50 delas na natureza. Para protegê-la, ONGs 
e órgãos ambientalistas do governo lutam para que 
seja criada uma reserva florestal de 5 mil hectares na 
região serrana capixaba.
A saíra-apunhalada vive em bandos e se alimenta de 
pequenos insetos e frutos. Ela vive no alto de florestas 
da Mata Atlântica, e está aí a sua maior fraqueza, já que 
dessa vegetação foi destruída pelo homem. A ave, que 
também era encontrada em Minas Gerais, hoje só pode 
ser vista no Espírito Santo.
“A extinção está associada à destruição secular da Mata 
Atlântica, porque a espécie só sobrevive em florestas mui-
to bem conservadas”, diz o biólogo Edson Ribeiro Luiz, 
coordenador de projetos da SAVE Brasil, ONG ligada 
à Bird Life International, que tem como foco a prote-
ção das aves brasileiras. “Em território capixaba, onde 
existe apenas um bloco de vegetação preservado, elas 
tendem a ficar ilhadas.”
A luta para proteger a ave ganhou força no mês pas-
sado, quando aconteceu no Estado o Avistar, principal 
evento de observação de pássaros do país. Tendo na 
saíra-apunhalada o seu símbolo, a festa foi o incentivo 
que faltava para que o Instituto Estadual de Meio Am-
biente (IEMA) estabelecesse o prazo de março de 2016 
para a constituição da reserva. A decisão final, porém, 
continua nas mãos do governo.
(Disponível em: <http://veJa.aBril.com.Br/noticia/ciencia/
amBientalistaspressionam- governo-capixaBa-a-proteger-
ave-sairaapunhalaDa>. acesso em: 13/11/2015.) 
Quanto à acentuação das palavras, assinale a afirmação 
verdadeira. 
a) Os vocábulos “é”, “já” e “só” recebem acento por 
constituírem monossílabos tônicos fechados. 
b) As palavras “saíra”, “destruída” e “aí” acentuam-
-se pela mesma razão. 
c) Acentuam-se “simpática”, “centímetros”, “simbó-
lica” porque todas as paroxítonas são acentuadas. 
d) A palavra “tendem” deveria ser acentuada grafica-
mente, como “também” e “porém”. 
e) O nome “Luiz” deveria ser acentuado graficamen-
te, pela mesma razão que a palavra “país”. 
4. (IFSUL) 
Texto 1 
O PREÇO DE SER DE VERDADE
fernanDa pinho 
Acabei de ler um livro que me marcou bastante. Cha-
ma-se “A Extraordinária Garota Chamada Estrela”, do 
autor Jerry Spinelli. Estrela tem um rato de estimação, 
fica feliz quando seu time faz cesta no basquete (mas 
quando o outro time pontua, também), distribui cartões 
de aniversários para desconhecidos, usa as roupas de 
que gosta (e isso pode ser um vestido que esteve na 
moda duzentos anos atrás), tenta trazer um pouco de 
alegria tirando canções de seu ukulele que leva sempre 
a tiracolo. Num primeiro momento, junto com o impac-
to de sua chegada à escola nova, Estrela desperta sim-
patias. Afinal, este livro nada mais é que uma delicada e 
verdadeira metáfora da vida. 
E a princípio somos assim. Grandes admiradores da au-
tenticidade. Capazes de fazer discursos inflamados de-
fendendo a liberdade de cada um fazer o que quiser, res-
peitar as próprias convicções, seguir o que seu coração 
manda, persistir nos seus sonhos, manter relações com 
quem se sente à vontade, construir seu próprio caminho. 
Lindo, maravilhoso. Se ficar só no discurso, melhor ainda.
Porque, em algum momento, Estrela vai levantar sus-
peitas. “Ninguém pode ser tão legal assim”. E da sus-
peita para a rejeição se passa num piscar de olhos. Por 
que ninguém pode ser “tão legal assim”? Porque ser 
legal demais implica ser diferente e a gente pode até 
admirar pessoas que fazem tudo o que “dá na telha”, 
desde que mantenham uma distância de segurança de 
nós, por favor. E, veja bem, quando eu falo de gente que 
faz tudo o que “dá na telha”, eu não estou me referin-
do a nada que possa machucar ou prejudicar o outro 
de alguma forma. Estou falando de atitudes inocentes, 
mas que, por sair da previsibilidade, são tratadas quase 
como se fossem atos imperdoáveis.
Gente que dança como se ninguém estivesse olhando, 
que ignora a uniformização das vitrines e faz a própria 
moda, que se recusa a fazer social em ambientes inóspi-
tos, que fala a verdade quando questionada, que dá abra-
ços de dez minutos, que ri na hora que tem vontade de rir, 
que chora na hora que tem vontade de chorar, que fala 
“eu te amo” quando sente que ama, que escolheu não 
perder tempo com quem lhe faz mal, que muda o rumo 
da própria vida, que ignora as etiquetas e as convenções. 
Sabe essa gente louca, sem noção, desvairada, sem juízo, 
perturbada? Então, elas não são nada disso. São apenas 
pessoas autênticas e verdadeiras, que se respeitam muito 
(e só quem se respeita muito é capaz de respeitar o ou-
tro). Elas não estão fazendo nada de mau. Nada que irá 
prejudicar você ou quem quer que seja. E por que te inco-
modam tanto? Bom, apenas optaram optaram por fazer 
o que tinham vontade, e não o que você, preso em seu 
mundo limitado e previsível, esperava. 
(Disponível em: <http://www.cronicaDoDia.com.Br/2014/10/o-preco-
De-ser-De-verDaDe-fernanDa-pinho.html>. acesso em: 7 aBr. 2015.)
14
Texto 2 
COMO NASRUDIN CRIOU A VERDADE 
nasruDin (KhawaJah nasr al-Din) 
– As leis não fazem com que as pessoas fiquem melho-
res – disse Nasrudin ao rei.
– Elas precisam, antes, praticar certas coisas de manei-
ra a entrar em sintonia com a verdade interior, que se 
assemelha apenas levemente à verdade aparente. O 
rei, no entanto, decidiu que ele poderia, sim, fazer com 
que as pessoas observassem a verdade, que poderia 
fazê-las observar a autenticidade – e assim o faria. O 
acesso a sua cidade dava-se através de uma ponte. So-
bre ela, o rei ordenou que fosse construída uma forca. 
Quando os portões foram abertos, na alvorada do dia 
seguinte, o chefe da guarda estava a postos em frente 
de um pelotão para testar todos os que por ali passas-
sem. Um edital fora imediatamente publicado: “Todos 
serão interrogados. Aquele que falar a verdade terá seu 
ingresso na cidade permitido. Caso mentir, será enforca-
do". Nasrudin, na ponte entre alguns populares, deu um 
passo à frente e começou a cruzar a ponte. 
– Aonde o senhor pensa que vai? – perguntou o chefe 
da guarda.
– Estou a caminho da forca – respondeu Nasrudin, cal-
mamente. – Não acredito no que está dizendo! 
– Muito bem, se eu estiver mentindo, pode me enforcar.
– Mas se o enforcarmos por mentir, faremos com que 
aquilo que disse seja verdade! 
– Isso mesmo – respondeu Nasrudin, sentindo-se vito-
rioso. – Agora vocês já sabem o que é a verdade: é ape-
nas a sua verdade.
(Disponível em: <http://metaforas.com.Br/como-nasruDin-
criou-a-verDaDe>. acesso em: 14 aBr.2015.)
Nos textos 1 e 2, aparecem várias palavras acentuadas 
graficamente.
Em que alternativa as palavras seguem a regra de acen-
tuação das oxítonas? 
a) terá, juízo, ninguém. 
b) fazê-las, através, será. 
c) vocês, construída, previsível. 
d) imperdoáveis, metáfora, você. 
5. (IFAL) COMO PREVENIR A VIOLÊNCIA DOS ADOLECENTES 
“(...) Quando deparo com as notícias sobre crimes he-
diondos envolvendo adolescentes, como o ocorrido com 
Felipe Silva Caffé e Liana Friedenbach, fico profunda-
mente triste e constrangida. Esse caso é consequência 
da baixa valorização da prevenção primária da violência 
por meio das estratégias cientificamente comprovadas, 
facilmente replicáveis e definitivamente muito mais ba-
ratas do que a recuperação de crianças e adolescentes 
que comentem atos infracionais graves contra a vida.
Talvez seja porque a maioria da população não se deu 
conta e os que estão no poder nos três níveis não este-
jam conscientes de seu papel histórico e de sua respon-
sabilidade legal de cuidar do que tem de mais impor-
tante à nação: as crianças e os adolescentes, que são o 
futuro do país e do mundo.
A construção da paz e a prevenção da violência depen-
dem de como promovemos o desenvolvimento físico, 
social, mental, espiritual e cognitivo das nossas criançase adolescentes, dentro do seu contexto familiar e co-
munitário. Trata-se, portanto, de uma ação intersetorial, 
realizada de maneira sincronizada em cada comunida-
de, com a participação das famílias, mesmo que estejam 
incompletas ou desestruturadas (...)”
“(...) Em relação às crianças e adolescentes que come-
teram infrações leves ou moderadas – que deveriam ser 
mais bem expressas – seu tratamento para a cidadania 
deveria ser feito com instrumentos bem elaborados e 
colocados em prática, na família ou próxima dela, com 
acompanhamento multiprofissional, desobstruindo as 
penitenciárias, verdadeiras universidades do crime. (...)”
“(...) A prevenção primária da violência inicia-se com a 
construção de um tecido social saudável e promissor, 
que começa antes do nascer, com um bom pré-natal, 
parto de qualidade, aleitamento materno exclusivo até 
seis meses e o complemento até mais de um ano, vaci-
nação, vigilância nutricional, educação infantil, princi-
palmente propiciando o desenvolvimento e o respeito 
à fala da criança, o canto, a oração, o brincar, o andar, o 
jogar; uma educação para a paz e a nãoviolência.
A pastoral da criança, que em 2003 completa 20 anos, 
forma redes de ação para multiplicar o saber e a soli-
dariedade junto às famílias pobres do país, por meio de 
mais de 230 mil voluntários, e acompanhou no terceiro 
trimestre deste ano cerca de 1,7 milhão de crianças me-
nores de seis anos e 80 mil gestantes, de mais de 1,2 
milhão de famílias, que moram em 34.784 comunidades 
de 3.696 municípios do país.
O Brasil é o país que mais reduziu a mortalidade infantil 
nos últimos dez anos; isso, sem dúvida, é resultado da or-
ganização e universalização dos serviços de saúde pública, 
da melhoria da atenção primária, com todas as limitações 
que o SUS possa ainda possuir, da descentralização e mu-
nicipalização dos recursos e dos serviços de saúde. A in-
tensa luta contra a mortalidade infantil, a desnutrição e 
a violência intrafamiliar contou com a contribuição dessa 
enorme rede de solidariedade da Pastoral da Criança. (...)”
“(...) A segunda área da maior importância nessa pre-
venção primária da violência envolvendo crianças e 
adolescentes é a educação, a começar pelas creches, 
escolas infantis e de educação fundamental e de nível 
médio, que devem valorizar o desenvolvimento do ra-
ciocínio e a matemática, a música, a arte, o esporte e a 
prática da solidariedade humana.
As escolas nas comunidades mais pobres deveriam ter 
dois turnos, para darem conta da educação integral 
das crianças e dos adolescentes; deveriam dispor de 
equipes multiprofissionais atualizadas e capacitadas a 
avaliar periodicamente os alunos. Urgente é incorporar 
os ministérios do Esporte e da Cultura às iniciativas da 
educação, com atividades em larga escala e simples, 
baratas, facilmente replicáveis e adaptáveis em todo o 
território nacional. (...)”
15
“(...) Com relação à idade mínima para a maioridade pe-
nal, deve permanecer em 18 anos, prevista pelo Estatu-
to da Criança e do Adolescente e conforme orientações 
da ONU. Mas o tempo máximo de três anos de reclusão 
em regime fechado, quando a criança ou o adolescente 
comete crime hediondo, mesmo em locais apropriados 
e com tratamento multiprofissional, que urgentemen-
te precisam ser disponibilizados, deve ser revisto. Três 
anos, em muitos casos, podem ser absolutamente in-
suficientes para tratar e preparar os adolescentes com 
graves distúrbios para a convivência cidadã. (...)”
(zilDa arns neumann, 69, méDica peDiatra e sanitarista; foi 
funDaDora e coorDenaDora nacional Da pastoral Da criança. 
puBlicaDo em: folha De s. paulo, 26/11/2003.). 
Foram retiradas do texto as seguintes palavras acen-
tuadas: ministérios, replicáveis, adaptáveis, máximo, 
distúrbios, convivências.
Assinale a alternativa que melhor justifica a acentu-
ação gráfica. 
a) De todas as palavras destacadas, somente “máximo” 
não se insere na mesma regra de acentuação gráfica. 
b) Todas as palavras mencionadas seguem o mesmo 
padrão ou regra de acentuação gráfica. 
c) Com exceção de “máximo” e “convivência”, que 
são proparoxítonas, as demais palavras são acentua-
das pelo mesmo motivo. 
d) Três regras de acentuação contemplam as palavras su-
pracitadas: a das proparoxítonas, a das paroxítonas termi-
nadas em ditongos e as que terminam em hiato, que, no 
caso em análise, trata-se da palavra “convivência”. 
e) Todas são proparoxítonas. 
E.O. dissErtAtivO
1. (FGV) O artista Juan Diego Miguel apresenta a exposi-
ção Arte e Sensibilidade, no Museu Brasileiro da Escultura 
(MUBE) de suas obras que acabam de chegar no país.
Seu sentido de inovação tanto em temas como em ma-
teriais que elege é sempre de uma sensação extraordi-
nária para o espectador.
Juan Diego sensibiliza-se com os materiais que nos ro-
deam e lhes da vida com uma naturalidade impressio-
nante, encontrando liberdade para buscar elementos 
no fauvismo de Henri Matisse, no cubismo de Pablo Pi-
casso e do contemporâneo de Juan Gris. Uma arte que 
está reservada para poucos.
(exposiçÃo: De 03 De agosto à 02 De setemBro Das 10 às 19h.) 
Explique a importância da regra do acento diferencial, 
baseando-se na frase – Juan Diego sensibiliza-se com 
os materiais [...] e lhes da vida com uma naturalidade 
impressionante. 
2. (Fgv) Leia o texto.
"Cuidado com as palavras
Uma moça se preparou toda para ir ao ensaio de uma 
escola de samba.
Chegando lá, um rapaz suado pede para dançar e, para 
não arrumar confusão, ela aceita.
Mas o rapaz suava tanto que ela já não estava supor-
tando mais. Assim, ela foi se afastando e disse:
– Você sua, hein!!!
Ele puxou-a, lascou um beijo e respondeu:
– Também vô sê seu, princesa!!!"
(www.munDoDaspiaDas.com/arquivo/2006-2-1.html. aDaptaDo)
a) Tendo como base a frase da moça, explique o que 
ela quis dizer e o que o rapaz entendeu.
b) Explique, do ponto de vista fonológico, o que gerou 
a interpretação do rapaz. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
E dizem que rola um texto na internet com minha assi-
natura baixando o pau no “Big Brother Brasil”.
Não fui eu que escrevi.
Não poderia escrever nada sobre o “Big Brother Brasil”, 
a favor ou contra, porque sou um dos três ou quatro 
brasileiros que nunca o acompanharam.
O pouco que vi do programa, de passagem, zapeando 
entre canais, só me deixou perplexo: o que, afinal, atraía 
tanto as pessoas – além do voyeurismo* natural da es-
pécie – numa jaula de gente em exibição?
Também me dizem que, além de textos meus que nunca 
escrevi, agora frequento a internet com um Twitter.
Aviso: não tenho tuiter, não recebo tuiter, não sei o que 
é tuiter.
E desautorizo qualquer frase de tuiter atribuída a mim a 
não ser que ela seja absolutamente genial. Brincadeira, 
mas já fui obrigado a aceitar a autoria de mais de um 
texto apócrifo (e agradecer o elogio) para não causar 
desgosto, ou até revolta. Como a daquela senhora que 
reagiu com indignação quando eu inventei de dizer que 
um texto que ela lera não era meu:
— É sim.
— Não, eu acho que...
— É sim senhor!
Concordei que era, para não apanhar. O curioso, e o as-
sustador, é que, em textos de outros com sua assinatura 
e em tuiters falsos, você passa a ter uma vida paralela 
dentro das fronteiras infinitas da internet.
É outro você, um fantasma eletrônico com opiniões pró-
prias, muitas vezes antagônicas, sobre o qual você não 
tem nenhum controle,
— Olha, adorei o que você escreveu sobre o “Big Bro-
ther”. É isso aí!
— Não fui eu que...
— Foi sim!
(luiz fernanDo veríssimo, http://ogloBo.gloBo.
com, 30.01.2011. aDaptaDo.)
* voyeurismo: forma de curiosidade mórbida com rela-
ção ao que é privativo, privado ou íntimo. 
16
3. (UFTM) 
a) O que o contraste das grafias Twitter e tuiter, em 
destaque no texto, revela sobre o ponto de vista do 
autor acerca desse meio de comunicação virtual?
b) É correto afirmar que o autor reage com bom humor 
e resignação diante do fato de lhe atribuírem a autoria 
de textos que não escreveu? Justifique, transcrevendo 
e comentandoum ou mais trechos do texto. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
COMPOSIÇÕES INFANTIS
O comportamento
O comportamento é uma coisa que a mamãe diz que 
não suporta o meu mas eu é que não entendo o dela. 
Uma hora ela me dá uma porção de beijinhos, outra 
hora ela me põe de castigo o dia todo. Uma vez ela diz 
que eu sou tudo lá na vida dela, outra vez ela grita: 
"Que menino mais impossível, você vai ver só quando 
seu pai chegar!" Tem umas ocasiões que ela chora mui-
to porque não sabe mais o que fazer comigo e outras eu 
ouvo ela dizendo pras visitas que "o meu, felizmente, é 
muito bonzinho e muito carinhoso." Eu já desconfio que 
a mamãe é a médica e a monstra.
http://www.memoriaviva.com.Br/ocruzeiro/ o 
cruzeiro, 3 maio 1959. acesso: aBril 2007. 
4. (UFMG) REESCREVA esse texto, fazendo as adapta-
ções necessárias para ajustá-lo à norma padrão da lín-
gua escrita. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO 
O artista Juan Diego Miguel apresenta a exposição 
Arte e Sensibilidade, no Museu Brasileiro da Escultura 
(MUBE) de suas obras que acabam de chegar no país.
Seu sentido de inovação tanto em temas como em ma-
teriais que elege é sempre de uma sensação extraordi-
nária para o espectador.
Juan Diego sensibiliza-se com os materiais que nos ro-
deam e lhes da vida com uma naturalidade impressio-
nante, encontrando liberdade para buscar elementos 
no fauvismo de Henri Matisse, no cubismo de Pablo Pi-
casso e do contemporâneo de Juan Gris. Uma arte que 
está reservada para poucos.
exposiçÃo: De 03 De agosto à 02 De setemBro Das 10 às 19h. 
5. (FGV) Nossa língua registra as palavras "espectador" 
e "expectador". Explique a diferença de sentido dessas 
palavras. 
E.O. dissErtAtivAs 
(UnEsp, FUvEst, UniCAmp E UniFEsp)
1. (Unifesp) O Museu da Língua Portuguesa foi inau-
gurado em São Paulo, em março de 2006. Na ocasião, 
houve um erro num painel, conforme a imagem:
Sobre isso, Pasquale Cipro Neto escreveu:
"Na última segunda-feira, foi inaugurado o Museu da 
Língua Portuguesa. Na terça, a imprensa deu destaque 
a um erro de acentuação presente num dos painéis do 
museu (grafou-se 'raiz' com acento agudo no 'i'). Va-
mos ao que conta (e que foi objeto das mensagens de 
muitos leitores): por que se acentua 'raízes', mas não se 
acentua 'raiz'?"
(www2.uol.com.Br/linguaportuguesa/artigos.)
a) Considerando o contexto social, cultural e ideológi-
co, por que o erro do painel teve grande repercussão?
b) Responda à pergunta que foi enviada ao professor 
Pasquale por seus leitores. 
2. (Unesp) A questão toma por base uma passagem do 
romance Canaã, de Graça Aranha (1868-1931), e uma 
tira de Henfil (1944-1988).
CANAÃ
– Hoje – disse Milkau quando chegaram a um trecho 
desembaraçado da praia –, devemos escolher o local 
para a nossa casa.
– Oh! não haverá dificuldade, neste deserto, de talhar o 
nosso pequeno lote... – desdenhou Lentz.
– Quanto a mim, replicou Milkau, uma ligeira inquieta-
ção de vago terror se mistura ao prazer extraordinário 
de recomeçar a vida pela fundação do domicílio, e pelas 
minhas próprias mãos... O que é lamentável nesta soleni-
dade primitiva é a intervenção inútil do Estado...
– O Estado, que no nosso caso é o agrimensor Felicíssimo...
– Não seria muito mais perfeito que a terra e as suas coisas 
fossem propriedade de todos, sem venda, sem posse?
– O que eu vejo é o contrário disto. É antes a venalida-
de de tudo, a ambição, que chama a ambição e espraia 
o instinto da posse. O que está hoje fora do domínio 
amanhã será a presa do homem. Não acreditas que 
o próprio ar que escapa à nossa posse será vendido, 
mais tarde, nas cidades suspensas, como é hoje a ter-
ra? Não será uma nova forma da expansão da conquis-
ta e da propriedade?
– Ou melhor, não vês a propriedade tornar-se cada dia 
mais coletiva, numa grande ânsia de aquisição popular, 
que se vai alastrando e que um dia, depois de se apos-
sar dos jardins, dos palácios, dos museus, das estradas, 
se estenderá a tudo?... O sentimento da posse morrerá 
com a desnecessidade, com a supressão da ideia da de-
fesa pessoal, que nele tinha o seu repouso...
17
– Pois eu – ponderou Lentz –, se me fixar na ideia de 
converter-me em colono, desejarei ir alargando o meu 
terreno, chamar a mim outros trabalhadores e fundar 
um novo núcleo, que signifique fortuna e domínio... Por-
que só pela riqueza ou pela força nos emanciparemos 
da servidão.
– O meu quinhão de terra – explicou Milkau – será o 
mesmo que hoje receber; não o ampliarei, não me 
abandonarei à ambição, ficarei sempre alegremente 
reduzido à situação de um homem humilde entre gen-
te simples. Desde que chegamos, sinto um perfeito en-
cantamento: não é só a natureza que me seduz aqui, 
que me festeja, é também a suave contemplação do 
homem. Todos mostram a sua doçura íntima estampada 
na calma das linhas do rosto; há como um longínquo 
afastamento da cólera e do ódio. Há em todos uma re-
signação amorosa... Os naturais da terra são expansivos 
e alvissareiros da felicidade de que nos parecem os por-
tadores... Os que vieram de longe esqueceram as suas 
amarguras, estão tranquilos e amáveis; não há grandes 
separações, o próprio chefe troca no lar o seu prestígio 
pela espontaneidade niveladora, que é o feliz gênio da 
sua raça. Vendo-os, eu adivinho o que é todo este País – 
um recanto de bondade, de olvido e de paz. Há de haver 
uma grande união entre todos, não haverá conflitos de 
orgulho e ambição, a justiça será perfeita; não se imo-
larão vítimas aos rancores abandonados na estrada do 
exílio. Todos se purificarão e nós também nos devemos 
esquecer de nós mesmos e dos nossos preconceitos, 
para só pensarmos nos outros e não perturbarmos a 
serenidade desta vida...
(graça aranha. canaÃ, 1996.)
 
 
Tomando como referência o sistema ortográfico, expli-
que por que o cartunista Henfil, ao aportuguesar, com 
intenção irônica, a expressão inglesa my brother, colo-
cou o acento agudo em Bróder.
3. (Unesp)
O QUE EU LHE DIZIA
Não sei se é certo ou não o que eu li outro dia,
Onde, já não me lembra, ó minha noiva amada:
– “A posse faz perder metade da valia
À cousa desejada.”
Não sei se após haver saciado no meu peito,
Quando houver de possuir-te, esta ardente paixão,
Eu sentirei em mim, de gozo satisfeito,
Menor o coração.
Sei que te amo, e a teus pés a minh’alma abatida
Beija humilde e feliz o grilhão que a tortura;
Sei que te amo, e este amor é toda a minha vida,
Toda a minha ventura.
Talvez haja entre mim que os passos te acompanho,
E a abelha que a zumbir vai procurar a flor,
– Alma ou asas movendo – o mesmo fluido estranho, 
seja instinto ou amor;
Talvez o que eu presumo irradiação divina,
Minha nobre paixão, meu fervoroso afeto,
Por sua vez o sinta o verme da campina,
O inseto ao pé do inseto...
(alBerto De oliveira. poesias - segunDa série. 
rio De Janeiro: h. garnier, 1906, p. 20-21.)
No terceiro verso da quarta estrofe, o eu-poemático escreve 
“o mesmo fluido estranho”. Considerando que o vocábulo 
“fluido” foi adequadamente empregado, explique por que 
o poeta não poderia ter usado a forma acentuada “fluído”. 
4. (Unesp) O acolhimento que dispensou aos seus pro-
jetos o excelentíssimo senhor ministro do Fomento Na-
cional, animou o russo a improvisar novos processos que 
levantassem a pecuária no Brasil. Xandu, com o cotovelo 
direito sobre a mesa e a mão respectiva na testa, conside-
rava Bogóloff com espanto e enternecido agradecimento.
– Ah! Doutor! disse ele. O senhor vai dar uma glória 
imortal ao meu ministério.
– Tudo isso, Excelência, é fruto de longos e acurados 
estudos.
Xandu continuava a olhar embevecido o russo admirá-
vel; e este aduziu com toda convicção:
– Por meio da fecundação artificial, Excelência, injec-
tando germens de uma em outra espécie, consigo ca-
britos que são ao mesmo tempo carneiros e porcos que 
são cabritos ou carneiros, à vontade.
Xandu mudou de posição, recostou-se na cadeira; e, 
brincando com o monóculo, disse:
– Singular! O doutor vai fazer uma revolução nos méto-
dos de criar! Não haverá objecções quanto à possibili-dade, à viabilidade?
– Nenhuma, Excelência. Lido com as últimas descober-
tas da ciência e a ciência é infalível.
18
– Vai ser uma revolução!...
– É a mesma revolução que a química fez na agricultu-
ra. Penso assim há muitos anos, mas não me tem sido 
possível experimentar os meus processos por falta de 
meios; entretanto, em pequena escala já fiz.
– O quê?
– Uma barata chegar ao tamanho de um rato.
– Oh! Mas... não tem utilidade.
– Não há dúvida. Uma experiência ao meu alcance, mas, 
logo que tenha meios...
– Não seja essa a dúvida. Enquanto eu for ministro, não 
lhe faltarão. O governo tem muito prazer em ajudar to-
das as tentativas nobres e fecundas para o levantamen-
to das indústrias agrícolas.
– Agradeço muito e creia-me que ensaiarei outros pla-
nos. Tenho outras ideias!
– Outras? fez em resposta o Xandu.
– É verdade. Estudei um método de criar peixes em seco.
– Milagroso! Mas ficam peixes?
– Ficam... A ciência não faz milagres. A cousa é simples. 
Toda a vida veio do mar, e, devido ao resfriamento dos 
mares e à sua concentração salina, nas épocas geológi-
cas, alguns dos seus habitantes foram obrigados a sair 
para a terra e nela criarem internamente, para a vida de 
suas células, meios térmicos e salinos iguais àqueles em 
que elas viviam nos mares, de modo a continuar per-
feitamente a vida que tinham. Procedo artificialmente 
da forma que a cega natureza procedeu, eliminando, 
porém, o mais possível, o factor tempo, isto é: provoco 
o organismo do peixe a criar para a sua célula um meio 
salino e térmico igual àquele que ele tinha no mar.
– É engenhoso!
– Perfeitamente científico.
Xandu esteve a pensar, a considerar um tempo perdido, 
olhou o russo insistentemente por detrás do monóculo 
e disse:
– Não sabe o doutor como me causa admiração o arrojo 
de suas ideias. São originais e engenhosas e o que tisna 
um pouco essa minha admiração, é que elas não partam 
de um nacional. Não sei, meu caro doutor, como é que nós 
não temos desses arrojos! Vivemos terra à terra, sempre 
presos à rotina! Pode ir descansado que a República vai 
aproveitar as suas ideias que hão de enriquecer a pátria.
Ergueu-se e trouxe Bogóloff até à porta do gabinete, 
com o seu passo de reumático.
Dentro de dias Grégory Petróvitch Bogóloff era nomea-
do diretor da Pecuária Nacional.
(afonso henriques De lima Barreto. numa e a ninfa.)
O MUNDO ASSOMBRADO PELOS DEMÔNIOS
Sim, o mundo seria um lugar mais interessante se hou-
vesse UFOS escondidos nas águas profundas, perto das 
Bermudas, devorando os navios e os aviões, ou se os 
mortos pudessem controlar as nossas mãos e nos escre-
ver mensagens. Seria fascinante se os adolescentes fos-
sem capazes de tirar o telefone do gancho apenas com o 
pensamento, ou se nossos sonhos vaticinassem acurada-
mente o futuro com uma frequência que não pudesse ser 
atribuída ao acaso e ao nosso conhecimento do mundo.
Esses são exemplos de pseudociência. Eles parecem usar os 
métodos e as descobertas da ciência, embora na realidade 
sejam infiéis à sua natureza – frequentemente porque se 
baseiam em evidência insuficiente ou porque ignoram pis-
tas que apontam para outro caminho. Fervilham de creduli-
dade. Com a cooperação desinformada (e frequentemente 
com a conivência cínica) dos jornais, revistas, editoras, rá-
dio, televisão, produtoras de filmes e outros órgãos afins, 
essas ideias se tornam acessíveis em toda parte.
(...)
Não é preciso um diploma de nível superior para co-
nhecer a fundo os princípios do ceticismo, como bem 
demonstram muitos compradores de carros usados que 
fazem bons negócios. A ideia da aplicação democrática 
do ceticismo é que todos deveriam ter as ferramentas 
essenciais para avaliar efetiva e construtivamente as 
alegações de quem se diz possuidor do conhecimento. O 
que a ciência exige é tão somente que façamos uso dos 
mesmos níveis de ceticismo que empregamos ao com-
prar um carro usado ou ao julgar a qualidade dos anal-
gésicos ou da cerveja pelos seus comerciais na televisão.
Mas as ferramentas do ceticismo em geral não estão à 
disposição dos cidadãos de nossa sociedade. Mal são 
mencionadas nas escolas, mesmo quando se trata da 
ciência, que é seu usuário mais ardoroso, embora o ce-
ticismo continue a brotar espontaneamente dos desa-
pontamentos da vida diária. A nossa política, economia, 
propaganda e religiões (Antiga e Nova Era) estão inun-
dadas de credulidade. Aqueles que têm alguma coisa 
para vender, aqueles que desejam influenciar a opinião 
pública, aqueles que estão no poder, diria um cético, 
têm um interesse pessoal em desencorajar o ceticismo.
(carl sagan. o munDo assomBraDo pelos Demônios. 
traDuçÃo De rosaura eichemBerg.)
PREOCUPAÇÃO COM CIGARRO.
QUE FAZER?
Quando você acende um cigarro, acende também uma 
preocupação?
Bem, se você anda preocupado mas gosta muito de fu-
mar, quem sabe você muda para um cigarro de baixos 
teores de nicotina e alcatrão?
Quer uma ideia? Century.
Century é diferente dos outros cigarros de baixos teo-
res, por motivos fundamentais.
Century jogou lá embaixo a nicotina e o alcatrão, mas 
não acabou com seu prazer de fumar.
Isto só foi possível, evidentemente, graças a uma cui-
dadosa seleção de fumos do mais alto grau de pureza 
e suavidade.
E à competência do filtro especial High Air Dilution, 
consagrado internacionalmente.
Não é o cigarro sob medida para você também?
Pense nisto.
(texto De puBliciDaDe De cigarros De início Da DécaDa De 1980.) 
19
No quinto parágrafo do texto de Lima Barreto ocorre 
a palavra “germens”, paroxítona terminada em “-ns”, 
que aparece grafada corretamente sem nenhum acento 
gráfico. Tomando por base esta informação,
a) explique a razão pela qual se escreve no plural 
“germens” sem acento gráfico, enquanto a forma do 
singular “gérmen” recebe tal acento.
b) apresente outro vocábulo de seu conhecimento em 
que se observa essa mesma diferença de acentuação 
gráfica entre a forma do singular e a forma do plural. 
gAbAritO
E.O. Aprendizagem
1. B 2. A 3. D 4. D 5. C
6. A 7. A 8. B 9. C 10. A
E.O. Fixação
1. E 2. C 3. E 4. C 5. B
6. A 7. B 8. B 9. C 10. B
E.O. Complementar
1. D 2. C 3. B 4. B 5. A
E.O. Dissertativo
1. A falta de acento na forma tônica dá (verbo dar) leva o leitor 
a ler a preposição "de" contraída com o artigo "a", o que gera 
obscuridade e incoerência no texto e obriga o leitor a reler o 
trecho, buscando descobrir-lhe o sentido. 
2. 
a) A moça quis dizer que o rapaz transpirava muito. O rapaz 
entendeu que ela estava manifestando o desejo de ser dele.
b) O rapaz entendeu a frase da moça - "Você sua" – 
como se fosse "Vou ser sua". A confusão fonológica 
deveu-se ao fato de o rapaz ter tomado a frase da 
moça pela pronúncia popular. 
3. 
a) O destaque do termo “tuiter” enfatiza a falta de 
prática do autor na rede social a que está associada a 
palavra inglesa “twitter” provocada pelo desinteresse 
que o autor nutre por esse tipo de comunicação. 
b) Sim, Luís Fernando Veríssimo reage com bom humor e 
resignação à autoria incorreta que lhe é atribuída. O fato de 
afirmar que concordou só para não ser submetido a violên-
cia física executada por uma senhora confere humor ao tex-
to e demonstra a submissão do autor perante a situação.
4. COMPOSIÇÕES INFANTIS
Comportamento
Minha mãe diz que não suporta o meu comportamento, mas eu 
é que não entendo o dela. Uma hora, ela me dá uma porção de 
beijinhos; outra hora, põe-me de castigo. Em algumas ocasiões, ela 
fala que eu sou tudo na vida dela, no entanto, em outras, ela grita 
comigo, fala que sou um menino impossível e que, quando o meu 
pai chegar, verei que me acontecerá. Há umas ocasiões nas quais 
ela chora muito por não saber o que fazer comigo; em outras, eu a 
ouço dizer às visitas que sou muito bonzinho e carinhoso. Por isso, 
desconfio que a minha mãe seja a médica e a monstra. 
5. ESPECTADOR é substantivo; denomina aquele que presencia 
um fato, que observa algo ou assiste a um espetáculo.
EXPECTADOR é adjetivo ou substantivo; refere-se àquele que semantém na expectativa, à espera de algo. 
E.O. Dissertativas
(Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp)
1. 
a) Por se tratar do museu da língua portuguesa.
b) A palavra "raiz" não deve ser acentuada por ser 
uma oxítona terminada em "Z." – ra-iz.
No caso de raízes, há o acento por haver um "i" tôni-
co, formando hiato, sozinho na sílaba - ra-í-zes. 
2. A colocação de acento agudo na palavra “bróder” obedece à 
regra de acentuação das palavras paroxítonas terminadas em “r”. 
3. A forma acentuada da palavra fluído caracteriza o particípio 
do verbo fluir, e sua utilização não é adequada ao contexto do 
poema. Além disso, o texto é formado por quartetos rigorosa-
mente metrificados, com estrofes de três versos alexandrinos (ou 
dodecassílabos) e um hexassílabo. Para manter a regularidade 
métrica, o poeta utilizou o substantivo “fluido” (com um ditongo, 
o que o caracteriza como uma palavra de duas sílabas). Dessa 
maneira, o verso apresenta a seguinte escansão:
Al/ma ou/a/sas/mo/ven/do o/mes/mo/flui/do es/tra/nho 
4. 
a) Acentuam-se as palavras paroxítonas termindadas 
em “-n” ; por isso, acentua-se gérmen. As palavras 
terminadas em “-ns”, porém, acentuam-se quando 
são oxítonas (parabéns, por exemplo). Observe-se 
que as palavras terminadas em “-ens” são quase 
sempre formas de plural das palavras que, no singu-
lar, terminam em “-em”. A regra de acentuação das 
oxítonas manda que elas sejam acentuadas quando 
terminadas em “-em” seguido ou não de “-s”. Con-
clusão: a regra para acentuar gérmen é uma e a que 
faz com que não se acentue germens é outra.
b) Hífen - hifens.
20
 funções de "a", "que" e "se"AULAS 
47 e 48
CompetênCia: 1 Habilidades: 1, 2 e 3
E.O. AprEndizAgEm
1. (CFTMG) Com o balanço do trem, seu quimono vo-
ejava suavemente por sobre o jornal de Opalka, que, 
irritado, revirava os olhos a cada vez que o tecido se 
sobrepunha ao texto que lia.
stigger, veronica. opisanie Œwiata. sÃo paulo: sesi-sp, 2018. p. 37.
O termo destacado acima apresenta sentido sintático 
equivalente à sua ocorrência no trecho 
a) “Bopp ensaiou falar, mas percebeu que Opalka 
não estava prestando atenção.” (p. 36). 
b) “Seu ombro encostou no ombro de Opalka, que o 
olhou de esguelha.” (p. 37). 
c) “Era a primeira vez que Opalka se via sozinho em 
toda a viagem.” (p. 133). 
d) “Olhou para os próprios sapatos e viu que tam-
bém estavam gastos.” (p. 135). 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
A(s) questão(ões) abaixo refere(m)-se ao texto a seguir.
Um muro para pichar
Em frente da minha casa existe um muro enorme, todo 
branco. No Facebook, uma postagem me chama aten-
ção: é um muro virtual e a brincadeira é pichá-lo com 
qualquer frase que vier à cabeça. Não quero pichar o 
mundo virtual, quero um muro de verdade, igual a este 
de frente para a minha casa. Pelas ruas e avenidas, vou 
trombando nos muros espalhados pelos quarteirões, 
repletos de frases tolas, xingamentos e erros de portu-
guês. Eu bem poderia modificar isso.
“O caminho se faz caminhando”, essa frase genial, tão 
forte e certeira do poeta espanhol Antonio Machado, 
merece aparecer em diversos muros. Basta pensar um 
pouco e imaginar; de fato, não há caminho, o caminho 
se faz ao caminhar.
De repente, vejo um prédio inteiro marcado por riscos 
sem sentido e me calo. Fui tentar entender e não me 
faltaram explicações: é grafite, é tribal, coisas de difí-
cil compreensão. As explicações prosseguem: grafite é 
arte, pichar é vandalismo. O pequeno vândalo escon-
dido dentro de mim busca frases na memória e, então, 
sinto até o cheiro da lama de Woodstock em letras gar-
rafais: “Não importam os motivos da guerra, a paz é 
muito mais importante”.
Feito uma folha deslizando pelas águas correntes do rio 
me surge a imagem de John Lennon; junto dela, outra 
frase: “O sonho não acabou”, um tanto modificada pela 
minha mão, tornando-se: o sonho nunca acaba. E minha 
cabeça já se transforma num muro todo branco.
Desde os primórdios dos tempos, usamos a escrita 
como forma de expressão, os homens das cavernas 
deixaram pichados nas rochas diversos sinais. Num 
ato impulsivo, comprei uma tinta spray, atravessei a 
rua chacoalhando a lata e assim prossegui até chegar 
à minha sala, abraçado pela ansiedade aumentada a 
cada passo. Coloquei o dedo no gatilho do spray e fi-
quei respirando fundo, juntando coragem e na mente 
desenhando a primeira frase para pichar, um tipo de 
lema, aquela do Lô Borges: “Os sonhos não envelhe-
cem” – percebo, num sorrir de canto de boca, o quanto 
os sonhos marcam a minha existência.
Depois arriscaria uma frase que criei e gosto: “A lagarta 
nunca pensou em voar, mas daí, no espanto da meta-
morfose, lhe nasceram asas...”. Ou outra, completamen-
te tola, me ocorreu depois de assistir a um documentá-
rio, convencido de que o panda é um bicho cativante, 
mas vive distante daqui e sua agonia não é menor das 
dos nossos bichos. Assim pensando, as letras duma 
nova pichação se formaram num estalo: “Esqueçam os 
pandas, salvem as jaguatiricas!”.
No muro do cemitério, escreveria outra frase que gosto: 
“Em longo prazo estaremos todos mortos”, do John Ke-
ynes, que trago comigo desde os tempos da faculdade. 
Frases de túmulos ganhariam os muros; no de Salvador 
Allende está consagrado, de autoria desconhecida: “Al-
guns anos de sombras não nos tornarão cegos.” Sempre 
apegado aos sonhos, picharia também uma do Charles 
Chaplin: “Nunca abandone os seus sonhos, porque se 
um dia eles se forem, você continuará vivendo, mas terá 
deixado de existir”.
Claro, eu poderia escrever essas frases num livro, num 
caderno ou no papel amassado que embrulha o pão da 
manhã, mas o muro me cativa, porque está ao alcance 
das vistas de todos e quero gritar para o mundo as frases 
que gosto; são tantas, até temo que me faltem os muros. 
Poderia passar o dia todo pichando frases, as linhas vão 
se acabando e ainda tenho tanto a pichar... “É preciso 
muito tempo para se tornar jovem”, de Picasso, “Há um 
certo prazer na loucura que só um louco conhece”, de 
Neruda, “Se me esqueceres, só uma coisa, esquece-me 
bem devagarzinho”, cravada por Mário Quintana...
Encerro com Nietzsche: “Isto é um sonho, bem sei, mas 
quero continuar a sonhar”, que serve para exemplificar o 
que sinto neste momento, aqui na minha sala, escreven-
do no computador o que gostaria de jogar nos muros lá 
21
fora, a custo me mantendo calmo, um olho na tela, outro 
voltado para o lado oposto da rua. Lá tem aquele muro 
enorme, branco e virgem, clamando por frases. Não sei 
quanto tempo resistirei até puxar o gatilho do spray.
aDaptaDo De: alvez, a. l. um muro para pichar. correio Do 
estaDo, fev 2018. Disponível em <https://www.correioDoestaDo.
com.Br/opiniao/leia-acronica-De-anDre-luiz-alvez-um-muro-
para-pichar/321052/> acesso em: ago. 2018. 
2. (ITA) Assinale a alternativa em que o item sublinhado 
NÃO é pronome relativo. 
a) a brincadeira é pichá-lo com qualquer frase que 
vier à cabeça 
b) ou no papel amassado que embrulha o pão da 
manhã
c) são tantas, até temo que me faltem os muros 
d) há um certo prazer na loucura que só um louco 
conhece 
e) que serve para exemplificar o que sinto neste 
momento 
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: 
Política pública de saneamento básico: as bases do sa-
neamento como direito de cidadania e os debates so-
bre novos modelos de gestão
ana lucia Britto
professora associaDa Do prourB-fau-ufrJ
pesquisaDora Do inct oBservatório Das metrópoles
A Assembleia Geral da ONU reconheceu em 2010 que 
o acesso à água potável e ao esgotamento sanitário 
é indispensável para o pleno gozo do direito à vida. É 
preciso, para tanto, fazê-lo de modo financeiramente 
acessível e com qualidade para todos, sem discrimina-
ção. Também obriga os Estados a eliminarem progres-
sivamente as desigualdades na distribuição de água e 
esgoto entre populações das zonas rurais ou urbanas, 
ricas ou pobres.
No Brasil, dados do Ministério das Cidades indicam que 
cerca de 35 milhões de brasileiros não são atendidos 
com abastecimento de águapotável, mais da metade 
da população não tem acesso à coleta de esgoto, e ape-
nas 39% de todo o esgoto gerado são tratados. Aproxi-
madamente 70% da população que compõe o déficit de 
acesso ao abastecimento de água possuem renda do-
miciliar mensal de até 1/2 salário mínimo por morador, 
ou seja, apresentam baixa capacidade de pagamento, o 
que coloca em pauta o tema do saneamento financei-
ramente acessível.
Desde 2007, quando foi criado o Ministério das Cida-
des, identificam-se avanços importantes na busca de 
diminuir o déficit já crônico em saneamento e pode-se 
caminhar alguns passos em direção à garantia do aces-
so a esses serviços como direito social. Nesse sentido 
destacamos as Conferências das Cidades e a criação da 
Secretaria de Saneamento e do Conselho Nacional das 
Cidades, que deram à política urbana uma base de par-
ticipação e controle social.
Houve também, até 2014, uma progressiva ampliação de 
recursos para o setor, sobretudo a partir do PAC 1 e PAC 
2; a instituição de um marco regulatório (Lei 11.445/2007 
e seu decreto de regulamentação) e de um Plano Nacio-
nal para o setor, o PLANSAB, construído com amplo de-
bate popular, legitimado pelos Conselhos Nacionais das 
Cidades, de Saúde e de Meio Ambiente, e aprovado por 
decreto presidencial em novembro de 2013.
Esse marco legal e institucional traz aspectos essenciais 
para que a gestão dos serviços seja pautada por uma 
visão de saneamento como direito de cidadania: a) arti-
culação da política de saneamento com as políticas de 
desenvolvimento urbano e regional, de habitação, de 
combate à pobreza e de sua erradicação, de proteção 
ambiental, de promoção da saúde; e b) a transparên-
cia das ações, baseada em sistemas de informações e 
processos decisórios participativos institucionalizados.
A Lei 11.445/2007 reforça a necessidade de planeja-
mento para o saneamento, por meio da obrigatorie-
dade de planos municipais de abastecimento de água, 
coleta e tratamento de esgotos, drenagem e manejo de 
águas pluviais, limpeza urbana e manejo de resíduos 
sólidos. Esses planos são obrigatórios para que possam 
ser estabelecidos contratos de delegação da prestação 
de serviços e para que possam ser acessados recursos 
do governo federal (OGU, FGTS e FAT), com prazo final 
para sua elaboração terminando em 2017. A Lei reforça 
também a participação e o controle social, através de 
diferentes mecanismos como: audiências públicas, de-
finição de conselho municipal responsável pelo acom-
panhamento e fiscalização da política de saneamento, 
sendo que a definição desse conselho também é condi-
ção para que possam ser acessados recursos do gover-
no federal.
O marco legal introduz também a obrigatoriedade da 
regulação da prestação dos serviços de saneamento, 
visando à garantia do cumprimento das condições e 
metas estabelecidas nos contratos, à prevenção e à re-
pressão ao abuso do poder econômico, reconhecendo 
que os serviços de saneamento são prestados em cará-
ter de monopólio, o que significa que os usuários estão 
submetidos às atividades de um único prestador.
fonte: aDaptaDo De http://www.assemae.org.Br/artigos/
item/1762-saneamento-Basico-como-Direito-De-ciDaDania 
3. (Espcex) Em “ A Assembleia Geral da ONU reconhe-
ceu em 2010 que o acesso à água potável (...)”, a pala-
vra “QUE” encontra emprego correspondente em 
a) “(...) os serviços de saneamento são prestados em 
caráter de monopólio, o que significa (...)” 
b) “Esses planos são obrigatórios para que possam 
ser estabelecidos (...)” 
c) “(...) o que significa que os usuários estão submeti-
dos às atividades de um único prestador.” 
d) “(...) 70% da população que compõe o deficit de 
acesso ao abastecimento (...)” 
e) “(...) e do Conselho Nacional das Cidades, que de-
ram à política urbana (...)” 
22
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Como prevenir a violência dos adolescentes
“(...) Quando deparo com as notícias sobre crimes he-
diondos envolvendo adolescentes, como o ocorrido com 
Felipe Silva Caffé e Liana Friedenbach, fico profunda-
mente triste e constrangida. Esse caso é consequência 
da baixa valorização da prevenção primária da violência 
por meio das estratégias cientificamente comprovadas, 
facilmente replicáveis e definitivamente muito mais ba-
ratas do que a recuperação de crianças e adolescentes 
que comentem atos infracionais graves contra a vida.
Talvez seja porque a maioria da população não se deu 
conta e os que estão no poder nos três níveis não este-
jam conscientes de seu papel histórico e de sua respon-
sabilidade legal de cuidar do que tem de mais impor-
tante à nação: as crianças e os adolescentes, que são o 
futuro do país e do mundo.
A construção da paz e a prevenção da violência depen-
dem de como promovemos o desenvolvimento físico, 
social, mental, espiritual e cognitivo das nossas crianças 
e adolescentes, dentro do seu contexto familiar e co-
munitário. Trata-se, portanto, de uma ação intersetorial, 
realizada de maneira sincronizada em cada comunida-
de, com a participação das famílias, mesmo que estejam 
incompletas ou desestruturadas (...)”
“(...) Em relação às crianças e adolescentes que come-
teram infrações leves ou moderadas – que deveriam ser 
mais bem expressas – seu tratamento para a cidadania 
deveria ser feito com instrumentos bem elaborados e 
colocados em prática, na família ou próxima dela, com 
acompanhamento multiprofissional, desobstruindo as 
penitenciárias, verdadeiras universidades do crime. (...)”
“(...) A prevenção primária da violência inicia-se com a 
construção de um tecido social saudável e promissor, 
que começa antes do nascer, com um bom pré-natal, 
parto de qualidade, aleitamento materno exclusivo até 
seis meses e o complemento até mais de um ano, vaci-
nação, vigilância nutricional, educação infantil, princi-
palmente propiciando o desenvolvimento e o respeito 
à fala da criança, o canto, a oração, o brincar, o andar, o 
jogar; uma educação para a paz e a nãoviolência.
A pastoral da criança, que em 2003 completa 20 anos, 
forma redes de ação para multiplicar o saber e a soli-
dariedade junto às famílias pobres do país, por meio de 
mais de 230 mil voluntários, e acompanhou no terceiro 
trimestre deste ano cerca de 1,7 milhão de crianças me-
nores de seis anos e 80 mil gestantes, de mais de 1,2 
milhão de famílias, que moram em 34.784 comunidades 
de 3.696 municípios do país.
O Brasil é o país que mais reduziu a mortalidade infantil 
nos últimos dez anos; isso, sem dúvida, é resultado da or-
ganização e universalização dos serviços de saúde pública, 
da melhoria da atenção primária, com todas as limitações 
que o SUS possa ainda possuir, da descentralização e mu-
nicipalização dos recursos e dos serviços de saúde. A in-
tensa luta contra a mortalidade infantil, a desnutrição e 
a violência intrafamiliar contou com a contribuição dessa 
enorme rede de solidariedade da Pastoral da Criança. (...)”
“(...) A segunda área da maior importância nessa pre-
venção primária da violência envolvendo crianças e 
adolescentes é a educação, a começar pelas creches, 
escolas infantis e de educação fundamental e de nível 
médio, que devem valorizar o desenvolvimento do ra-
ciocínio e a matemática, a música, a arte, o esporte e a 
prática da solidariedade humana.
As escolas nas comunidades mais pobres deveriam ter 
dois turnos, para darem conta da educação integral 
das crianças e dos adolescentes; deveriam dispor de 
equipes multiprofissionais atualizadas e capacitadas a 
avaliar periodicamente os alunos. Urgente é incorporar 
os ministérios do Esporte e da Cultura às iniciativas da 
educação, com atividades em larga escala e simples, 
baratas, facilmente replicáveis e adaptáveis em todo o 
território nacional. (...)”
“(...) Com relação à idade mínima para a maioridade pe-
nal, deve permanecer em 18 anos, prevista pelo Estatu-
to da Criança e do Adolescente e conforme orientações 
da ONU. Mas o tempo máximo de três anos de reclusão 
em regime fechado, quando a criança ou o adolescente 
comete crimehediondo, mesmo em locais apropriados 
e com tratamento multiprofissional, que urgentemen-
te precisam ser disponibilizados, deve ser revisto. Três 
anos, em muitos casos, podem ser absolutamente in-
suficientes para tratar e preparar os adolescentes com 
graves distúrbios para a convivência cidadã. (...)”
zilDa arns neumann, 69, méDica peDiatra e sanitarista; 
foi funDaDora e coorDenaDora nacional Da pastoral 
Da criança. (folha De s paulo, 26/11/2003.) 
4. (IFAL) Na frase: “A intensa luta contra a mortalidade 
infantil...” (7º parágrafo), em relação às palavras que 
a constituem, temos presente, respectivamente, as se-
guintes classes ou categorias gramaticais: 
a) artigo, substantivo, substantivo, verbo, artigo, subs-
tantivo, adjetivo. 
b) artigo, adjetivo, substantivo, preposição, artigo, 
substantivo, adjetivo. 
c) pronome, adjetivo, substantivo, verbo, artigo, subs-
tantivo, adjetivo. 
d) artigo, substantivo, verbo, preposição, artigo, subs-
tantivo, adjetivo. 
e) pronome pessoal oblíquo, adjetivo, substantivo. 
5. (Ufal) Seria necessário QUE todos SE pusessem a agir 
e SE fizessem os reparos necessários.
Na frase anterior, as partículas QUE e SE classificam-se, 
respectivamente, como 
a) pronome relativo - conjunção condicional - conjun-
ção integrante 
b) conjunção integrante - pronome oblíquo - partícula 
apassivadora 
c) pronome relativo - pronome oblíquo - conjunção 
integrante 
d) conjunção integrante - conjunção condicional - 
partícula apassivadora 
e) pronome relativo - pronome oblíquo - partícula 
apassivadora 
23
6. (Mackenzie) "Na ata da reunião, registraram-se to-
das as opiniões dos presentes."
Assinale a alternativa que apresenta corretamente a 
classificação da partícula SE, na frase acima. 
a) índice de indeterminação do sujeito 
b) pronome reflexivo (objeto direto) 
c) partícula apassivadora 
d) conjunção subordinativa integrante 
e) palavra de realce 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
O desgaste das palavras
Sou um tonto. Dia destes recebi um recado na secretá-
ria eletrônica pedindo retorno urgente. Liguei.
Era um corretor de imóveis querendo me vender um 
lançamento.
− Qual era a urgência? − perguntei, irritado.
− Bem... Estamos selecionando alguns clientes e...
Conversa mole. As pessoas usam a palavra “urgente” 
em mensagens de todo tipo. Ainda sou daqueles que se 
assustam de leve com um e-mail “urgente” para, logo 
depois, descobrir que se trata de um assunto muito cor-
riqueiro. A palavra está perdendo a força. Daqui a pou-
co não vai significar mais nada.
A mesma coisa acontece com o verbo “revelar”. Abro uma 
revista e vejo: atriz “revela” que vai pintar o cabelo de loiro. 
Isso é revelação que se preze? Resultado: quando se quer 
realmente revelar algo se usa “denuncia” ou “confessa”.
E vip? A sigla surgiu como abreviação de “very impor-
tant people”. Os vips tinham acesso preferencial a fes-
tas e eventos de todo tipo. Obviamente, todo mundo 
quis ser tratado como vip. Alguns shows e camarotes 
carnavalescos ficam lotados por manadas de vips. Para 
diferenciar “vips” entre si, nos lugares mais disputados 
surgiram chiqueirinhos para os “supervips” ou “vips 
dos vips”. Em resumo: “vip” não significa absoluta-
mente coisa nenhuma − somente que a pessoa é rápida 
para descolar um convite com pulseirinha.
Os anúncios imobiliários são pródigos em detonar pa-
lavras. “Exclusivo” é um exemplo. Quase todos falam 
em “condomínio exclusivo”, “espaço exclusivo” (e não 
havia de ser, se o proprietário está pagando?). De tão 
comum, “exclusivo” deixou de ser “exclusivo”. Veio o 
“diferenciado”. Ou “único”. Mas como um apartamen-
to pode ser “diferenciado” ou “único” se está em um 
prédio com mais cinquenta iguais?
A palavra “amigo” é incrível. Implica uma relação es-
pecial, mas a maioria fala em “amigos” referindo-se a 
conhecidos distantes. O mesmo ocorre com “abraço”. 
Terminar a mensagem com um “abraço” era suficiente, 
pois era uma forma de oferecer nosso carinho à pessoa. 
Foi tão banalizado que agora se usa “grande abraço”, 
“forte abraço”, mas agora é pouco, pois já surgiu o 
“beijo no coração”. A seguir, o que virá?
Por que deixar que as palavras se desgastem? Se o que têm 
de mais belo é justamente sua história e o sentimento que 
contêm? Enfim, tudo o que lhes dá realmente significado.
(walcYr carrasco, veJa sp, 13.08.2008. aDaptaDo) 
7. (IFSP) Considere as frases.
I. Ainda sou daqueles que se assustam de leve com um 
e-mail “urgente”...
II. ... para, logo depois, descobrir que se trata de um 
assunto muito corriqueiro.
III. Isso é revelação que se preze?
Assinale a alternativa em que o pronome proclítico está 
antes do verbo porque há, como partícula atrativa, um 
pronome relativo. 
a) I, apenas. 
b) II, apenas. 
c) I e III, apenas. 
d) II e III, apenas. 
e) I, II e III. 
8. (Mackenzie)
I. "O velho sorriu-SE, deixando apenas escapar em tom 
de dúvida um significativo - Qual..."
II. "Nada (...) SE conseguiu com a receita; o mal continuou."
III. - "- Só lhe direi, respondeu a comadre depois de 
alguma hesitação, SE me prometerdes guardar todo o 
segredo, que o caso é muito sério."
IV. "As três velhas conversaram por largo tempo, não 
porque muitas coisas SE tivessem a dizer..."
Aponte a sequência correta quanto à classificação mor-
fológica da palavra SE nessas frases de Manuel Antônio 
de Almeida. 
a) I - partícula expletiva, II - partícula apassivadora, III 
- conjunção subordinativa condicional, IV - pronome 
reflexivo. 
b) I - partícula apassivadora, II - partícula expletiva, III 
- conjunção subordinativa condicional, IV - pronome 
reflexivo. 
c) I - pronome reflexivo, II - partícula apassivadora, 
III - conjunção subordinativa integrante, IV - pronome 
reflexivo. 
d) I - partícula expletiva, II - partícula reflexivo, III - 
conjunção subordinativa condicional, IV - pronome 
reflexivo. 
e) I - partícula apassivadora, II - partícula apassiva-
dora, III - conjunção subordinativa condicional, IV - 
partícula apassivadora. 
9. (Espcex) Em “Há também o que vai para se entregar, ser 
um com o Arpoador, mil-partido.” a palavra “o”, grifada, é 
a) termo essencial da oração. 
b) termo acessório da oração. 
c) palavra expletiva. 
d) termo integrante da oração. 
e) pronome de interesse. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Uma visão do futuro
1 Estamos ÀS PORTAS de um milênio 2miraculoso. A 
pessoa tem a mão decepada por uma serra elétrica, 
e os médicos conseguirão fazer crescer uma 3nova 
24
no mesmo lugar. Casas e carros serão feitos de 4ma-
teriais que podem consertar-se a si próprios. Um ali-
mento em pó incolor com 90% de proteína em sua 
fórmula poderá ser modificado para ter o sabor que 
se deseje. As previsões acima podem parecer 1ousa-
das, mas, no fundo, são até conservadoras. Membros 
reimplantáveis? Os cientistas começaram a regenerar 
a pele humana ainda nos anos 70, e atualmente alguns 
laboratórios conseguem produzir válvulas cardíacas 
com base em algumas poucas células. O dia chegará 
em que substituir órgãos humanos defeituosos será 
rotina. No campo dos materiais, já existe um metal, o 
nitinol, que consegue desamassar sua própria super-
fície sem esforço. Basta aplicar um pouco de calor. A 
comida milagrosa? Já existe. É um 5derivado da soja 
produzido pela empresa Archer Daniels Midland desde 
meados dos anos 80.
2 Pouca coisa se pode dizer sobre o futuro. Não 
sabemos se nossos bisnetos vão passear ou, um 
dia, viver em Marte. Também não sabemos se será 
possível reanimar alguém que já morreu. Não sabe-
mos quando teremos robôs, escravos, máquinas de 
orgasmo ou naves para viajar no tempo. Sabemos 
apenas que, sejam quais forem os milagres que o 
próximo milênio trouxer, eles serão possíveis graças 
ao mesmo gênio: o computador.
3 Estamos chegando bem próximos de uma época em 
que os computadores serão capazes de desenhar cópias 
de si mesmos. Ou seja, eles não precisarão da ajuda hu-
mana para se reproduzir. Assustador? Talvez. Será uma 
época em que, pelaprimeira vez na história da huma-
nidade, não seremos os seres mais inteligentes sobre a 
face do planeta. Para alguns cientistas, estaremos en-
trando no paraíso. Para outros, no inferno. Todos con-
cordam que estamos cruzando rapidamente a fronteira 
do desconhecido. Computadores já ensaiam formas pri-
mitivas de pensamento autônomo.
4 Alguns 6cientistas já se preocupam em garantir que 
os robôs do futuro tragam em sua programação um 
chip da bondade que 7os impeça de fazer mal à hu-
manidade. Assumem, assim, que não nos será possível 
sequer desligá-los8. Talvez estejam apenas sonhando. 
Talvez, não.
[aDaptaDo De] especial Do milênio (parte integrante Da 
veJa, ano 31, nº 51, 23 Dez. 1998, p.126.)
10. (UFRN) Na estrutura 
Também não sabemos SE será possível reanimar al-
guém que já morreu. 
o vocábulo destacado corresponde, morfológica e sin-
taticamente, ao que se encontra em destaque na opção: 
a) Pouca coisa SE pode dizer com certeza sobre o futuro. 
b) Será uma época em QUE (...) não seremos os seres 
mais inteligentes (...) 
c) Alguns cientistas já SE preocupam em garantir (...) 
d) Assumem, assim, QUE não nos será possível sequer 
desligá-los. 
E.O. FixAçãO
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
SOBRE ARTES E ARTISTAS
"Uma coisa que realmente não existe é aquilo a que se 
dá o nome de Arte. Existem somente artistas. Outrora, 
eram homens que apanhavam terra colorida e modela-
vam toscamente as formas de um bisão na parede de 
uma caverna; hoje, alguns compram suas tintas e dese-
nham cartazes para os tapumes; eles faziam e fazem mui-
tas outras coisas. Não prejudica ninguém chamar a todas 
essas atividades arte, desde que conservemos em mente 
que tal palavra pode significar coisas muito diferentes, 
em tempos e lugares diferentes, e que Arte com A maiús-
culo não existe. Na verdade, Arte com A maiúsculo pas-
sou a ser algo de um bicho-papão e de um fetiche. Pode-
mos esmagar um artista dizendo-lhe que o que ele acaba 
de fazer pode ser muito bom no seu gênero, só que não 
é "Arte". E podemos desconcertar qualquer pessoa que 
esteja contemplando com prazer um quadro, declarando 
que aquilo de que ela gosta não é Arte, mas algo muito 
diferente. Na realidade, não penso que existam quais-
quer razões erradas para se gostar de um quadro ou de 
uma escultura. Alguém pode gostar de uma paisagem 
porque ela lhe recorda seu berço natal, ou de um retrato 
porque lhe lembra um amigo. Nada há de errado nisso. 
(...) Somente quando alguma recordação irrelevante nos 
torna parciais e preconceituosos, quando instintivamen-
te voltamos as costas a um quadro magnífico de uma 
cena alpina porque não gostamos de praticar alpinismo, 
é que devemos perscrutar o nosso íntimo para desvendar 
as razões da aversão que estraga um prazer que de ou-
tro modo poderíamos ter. Há razões erradas para não se 
gostar de uma obra de arte."
e. h. gomBrich
1. (Ita) Nas orações "e QUE Arte com A maiúsculo não 
existe" e "o QUE ele acaba de fazer...", as palavras em 
maiúsculo funcionam respectivamente como: 
a) conjunção integrante e pronome relativo 
b) pronome relativo e pronome relativo 
c) conjunção integrante e conjunção integrante 
d) pronome relativo e conjunção integrante 
e) conjunção aditiva e pronome demonstrativo 
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: 
Política pública de saneamento básico: as bases do sa-
neamento como direito de cidadania e os debates so-
bre novos modelos de gestão
ana lucia Britto
professora associaDa Do prourB-fau-ufrJ
pesquisaDora Do inct oBservatório Das metrópoles
A Assembleia Geral da ONU reconheceu em 2010 que 
o acesso à água potável e ao esgotamento sanitário 
é indispensável para o pleno gozo do direito à vida. É 
preciso, para tanto, fazê-lo de modo financeiramente 
25
acessível e com qualidade para todos, sem discrimi-
nação. Também obriga os Estados a eliminarem pro-
gressivamente as desigualdades na distribuição de 
água e esgoto entre populações das zonas rurais ou 
urbanas, ricas ou pobres.
No Brasil, dados do Ministério das Cidades indicam que 
cerca de 35 milhões de brasileiros não são atendidos 
com abastecimento de água potável, mais da meta-
de da população não tem acesso à coleta de esgoto, 
e apenas 39% de todo o esgoto gerado são tratados. 
Aproximadamente 70% da população que compõe o 
déficit de acesso ao abastecimento de água possuem 
renda domiciliar mensal de até 1/2 salário mínimo por 
morador, ou seja, apresentam baixa capacidade de pa-
gamento, o que coloca em pauta o tema do saneamento 
financeiramente acessível.
Desde 2007, quando foi criado o Ministério das Cida-
des, identificam-se avanços importantes na busca de 
diminuir o déficit já crônico em saneamento e pode-se 
caminhar alguns passos em direção à garantia do aces-
so a esses serviços como direito social. Nesse sentido 
destacamos as Conferências das Cidades e a criação da 
Secretaria de Saneamento e do Conselho Nacional das 
Cidades, que deram à política urbana uma base de par-
ticipação e controle social.
Houve também, até 2014, uma progressiva ampliação de 
recursos para o setor, sobretudo a partir do PAC 1 e PAC 
2; a instituição de um marco regulatório (Lei 11.445/2007 
e seu decreto de regulamentação) e de um Plano Nacio-
nal para o setor, o PLANSAB, construído com amplo de-
bate popular, legitimado pelos Conselhos Nacionais das 
Cidades, de Saúde e de Meio Ambiente, e aprovado por 
decreto presidencial em novembro de 2013.
Esse marco legal e institucional traz aspectos essenciais 
para que a gestão dos serviços seja pautada por uma 
visão de saneamento como direito de cidadania: a) arti-
culação da política de saneamento com as políticas de 
desenvolvimento urbano e regional, de habitação, de 
combate à pobreza e de sua erradicação, de proteção 
ambiental, de promoção da saúde; e b) a transparên-
cia das ações, baseada em sistemas de informações e 
processos decisórios participativos institucionalizados.
A Lei 11.445/2007 reforça a necessidade de planeja-
mento para o saneamento, por meio da obrigatorie-
dade de planos municipais de abastecimento de água, 
coleta e tratamento de esgotos, drenagem e manejo de 
águas pluviais, limpeza urbana e manejo de resíduos 
sólidos. Esses planos são obrigatórios para que possam 
ser estabelecidos contratos de delegação da prestação 
de serviços e para que possam ser acessados recursos 
do governo federal (OGU, FGTS e FAT), com prazo final 
para sua elaboração terminando em 2017. A Lei reforça 
também a participação e o controle social, através de 
diferentes mecanismos como: audiências públicas, de-
finição de conselho municipal responsável pelo acom-
panhamento e fiscalização da política de saneamento, 
sendo que a definição desse conselho também é condi-
ção para que possam ser acessados recursos do gover-
no federal.
O marco legal introduz também a obrigatoriedade da 
regulação da prestação dos serviços de saneamento, 
visando à garantia do cumprimento das condições e 
metas estabelecidas nos contratos, à prevenção e à re-
pressão ao abuso do poder econômico, reconhecendo 
que os serviços de saneamento são prestados em cará-
ter de monopólio, o que significa que os usuários estão 
submetidos às atividades de um único prestador.
fonte: aDaptaDo De http://www.assemae.org.Br/artigos/
item/1762-saneamento-Basico-como-Direito-De-ciDaDania 
2. (Espcex) “Nesse sentido destacamos as Conferências 
das Cidades e a criação da Secretaria de Saneamento e 
do Conselho Nacional das Cidades, que deram à política 
urbana uma base de participação e controle social”.
No fragmento, o pronome relativo exerce a função 
sintática de 
a) objeto direto e introduz uma explicação. 
b) objeto direto e introduz uma restrição. 
c) objeto indireto e introduz uma explicação. 
d) sujeito e introduz uma restrição. 
e) sujeito e introduz uma explicação. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
O CORPO DA MULHER
Coisa mais difícil é ser mulher. Não bastassem as sur-
presas que a fisiologia lhes impõe, as sociedades criam 
regras para cercear-lhesa liberdade de ir e vir e padrões 
rígidos de comportamento e moralidade que não se 
aplicam aos homens. 
De todas as imposições sociais, a mais odiosa é a apro-
priação indébita do corpo feminino. 
Não é por outra razão que cidadãos de mais de 20 países 
se dão o direito de mutilar os genitais de suas filhas, na 
mais tenra idade. São cirurgias cruentas, sem anestésicos 
nem assepsia, a que o mundo assiste em silêncio acovar-
dado, em nome do respeito às “tradições culturais”. 
Nós, que nos intitulamos “civilizados”, não chegamos a 
esse nível de barbárie, no entanto, repreendemos a me-
nina de dois anos quando leva a mão ao sexo ou senta 
com as pernas abertas. 
Na piscina de um condomínio de classe média alta, em 
Cleveland, nos Estados Unidos, minha filha foi admoes-
tada pela encarregada da segurança por deixar minha 
neta sem a parte de cima do biquíni. O argumento? Pro-
vocar os homens presentes. Uma criança de cinco anos? 
Na puberdade, com o cérebro inundado pela testoste-
rona, jamais alguém ousou sugerir que iniciação sexual 
levasse em conta o amor, sentimento que mães e pais 
que se consideram avançados exigem das adolescen-
tes. Sexo casual exalta a condição masculina, enquanto 
mancha a reputação da mulher. Não é preciso gradua-
ção em filosofia pura para expor o paradoxo. 
Aos 12 ou 13 anos, idades em que o corpo ensaia com 
graça os primeiros passos em direção mulher adulta, 
os interesses da indústria e da publicidade sexualizam 
com minishorts e camisetas decotadas, o modo de ves-
tir das meninas. 
26
Quando saem às ruas com as roupas da moda exibidas 
na TV e nas revistas, elas são acusadas de provocadoras, 
portanto sujeitas às grosserias e ao risco de se torna-
rem vítimas dos instintos masculinos mais bestiais. 
Ao ficar adultas, são forçadas a atender a um padrão es-
tético que privilegia a magreza doentia das top models. 
Sem levar em conta os caprichos da genética, a mulher 
moderna deve ser magra, sobretudo. A exigência de exi-
bir a ossatura acaba por lhes distorcer a autoimagem. 
Passam a implicar com o pequeno acúmulo de gordura, 
com rugas insignificantes e com celulites só visíveis em 
posições acrobáticas sob o foco de luz. 
No passado, demonstrar interesse por uma mulher era 
elogiar sua beleza; hoje, dizer que está 
mais magra é meio caminho andado. 
Nós, homens, somos complacentes com a autoimagem. 
O sujeito com 20 quilos a mais sai do banho enrolado 
na toalha, para na frente do espelho, bate no abdômen 
avantajado e se vangloria: “tô simpático, tô bonitão”. 
Está para nascer mulher com tamanha autoconfiança. 
Mas é na gravidez que fica demonstrada a superiorida-
de fisiológica do organismo feminino. 
Produzem apenas um óvulo, enquanto nos obrigam a 
ejacular 300 milhões de espermatozoides, para que se 
deem ao luxo de escolher o mais apto. Daí em diante, 
por conta própria, constroem uma criança de três qui-
los, sem qualquer participação masculina. 
Na gravidez nosso papel é tão desprezível que precisa-
mos fazer exame de DNA para comprovar a paternidade.
Apesar da irrelevância, no entanto, nós é que aprovamos as 
leis que as consideram criminosas em caso de abortamento 
provocado. O sofrimento e as mortes das jovens submeti-
das a procedimentos realizados nas condições mais desu-
manas que possamos imaginar não nos sensibilizam. 
Depois de passar décadas espremidas em trajes incô-
modos e de andar mal equilibradas em saltos de um 
palmo de altura, só lhes restam duas saídas: a cirurgia 
plástica ou o suicídio, providências nem sempre exclu-
dentes. Antes operar o rosto, aspirar a gordura abdomi-
nal ou partir deste mundo do que envelhecer. 
Às que ficam mais velhas não sobram alternativas: se 
deixam os cabelos embranquecer são rotuladas de ve-
lhas, se decidem pintá-los de preto ficam com cara de 
senhoras, se os tingem de loiro são xingadas de exibi-
das. Se vestem roupas em tons discretos são antiqua-
das, se acompanham a moda das mais jovens são ridí-
culas, sem noção.
As leitoras que me perdoem, mas na próxima encarna-
ção prefiro nascer homem, outra vez. 
Drauzio varella. www1.folha.uol.com.Br/colunas/
Drauziovarella/2017/06/1891661-o-corpo-Da-
mulher.shtml. acessaDo em 28-06-2017 
3. (FCMMG) Assinale a alternativa cujo termo destaca-
do NÃO é um elemento coesivo. 
a) “... se acompanham a moda das mais jovens são 
ridículas, sem noção.” 
b) “... se deixam os cabelos embranquecer são rotu-
ladas de velhas...” 
c) “... se decidem pintá-los de preto ficam com cara 
de senhoras...” 
d) “... se dão o direito de mutilar os genitais de suas 
filhas...” 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Leia o texto abaixo e responda à(s) questão(ões).
A PIPOCA
Rubem Alves
A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até 
atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competen-
te com as palavras que com as panelas. Por isso tenho 
mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-me 
a algo que poderia ter o nome de “culinária literária”. 
Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo 
da cozinha: cebolas, ora-pro-nóbis, picadinho de carne 
com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, 
churrascos. Cheguei mesmo a dedicar metade de um 
livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme 
A festa de Babette, que é uma celebração da comida 
como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limita-
ções e competências, nunca escrevi como chef. Escrevi 
como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo – porque a 
culinária estimula todas essas funções do pensamento.
As comidas, para mim, são entidades oníricas. Provocam 
a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretan-
to, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer so-
nhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu. A pipoca, 
milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma 
simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimen-
sões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, 
conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. 
E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas 
ideias começaram a estourar como pipoca. Percebi, en-
tão, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pen-
sar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que 
estoura, de forma inesperada e imprevisível. A pipoca 
se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto 
poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu 
pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles 
das pipocas dentro de uma panela.
Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca 
tem sentido religioso? Pois tem. Para os cristãos, reli-
giosos são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e 
o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque 
vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho 
devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir 
juntas. Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a 
Mãe Stella, sábia poderosa do candomblé baiano: que a 
pipoca é a comida sagrada do candomblé...
A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido. Fosse 
eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos 
graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu fi-
caria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é 
que, sob o ponto de vista do tamanho, os milhos da 
pipoca não podem competir com os milhos normais. 
Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que hou-
ve alguém que teve a ideia de debulhar as espigas e 
27
colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que 
assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos. 
Havendo fracassado a experiência com água, tentou a 
gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter 
imaginado. Repentinamente os grãos começaram a es-
tourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. 
Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os 
grãos duros quebra-dentes se transformavam em flo-
res brancas e macias que até as crianças podiam comer. 
O estouro das pipocas se transformou, então, de uma 
simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, 
molecagem, para os risos de todos, especialmente as 
crianças. É muito divertido ver o estouro daspipocas!
E o que é que isso tem a ver com o candomblé? É que 
a transformação do milho duro em pipoca macia é sím-
bolo da grande transformação porque devem passar os 
homens para que eles venham a ser o que devem ser. 
O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser 
aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pi-
poca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para 
comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, 
nos transformar em outra coisa − voltar a ser crianças!
Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. 
Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a 
ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com 
a gente. As grandes transformações acontecem quando 
passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do 
mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mes-
mice e dureza assombrosas. Só que elas não percebem. 
Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. 
Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos 
lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode 
ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar 
doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo 
de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão – sofri-
mentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso aos 
remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. 
E com isso a possibilidade da grande transformação.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, 
lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua 
hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, 
fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino 
diferente. Não pode imaginar a transformação que está 
sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que 
ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a 
grande transformação acontece: pum! − e ela aparece 
como uma outra coisa, completamente diferente, que 
ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante 
e feia que surge do casulo como borboleta voante.
Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está 
representado pela morte e ressurreição de Cristo: a 
ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso 
deixar de ser de um jeito para ser de outro. “Morre e 
transforma-te!” − dizia Goethe.
Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre 
os piruás com os paulistas descobri que eles ignoram o que 
seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, 
que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a 
me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento 
da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estou-
rar. Meu amigo William, extraordinário professor-pesquisa-
dor da Unicamp, especializou-se em milhos, e desvendou 
cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com 
certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. 
Mas, no mundo da poesia as explicações científicas não 
valem. Por exemplo: em Minas “piruá” é o nome que se dá 
às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, pas-
sada dos quarenta, lamentava: “Fiquei piruá!” Mas acho 
que o poder metafórico dos piruás é muito maior. Piruás 
são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, 
se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa 
mais maravilhosa do que o jeito delas serem. Ignoram o 
dito de Jesus: “Quem preservar a sua vida perdê-la-á.” A 
sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que 
não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida 
inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não 
vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre 
da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não ser-
vem para nada. Seu destino é o lixo. Quanto às pipocas que 
estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que 
sabem que a vida é uma grande brincadeira...
Disponível em http://www.releituras.com/ruBemalves_pipoca.asp.
acessaDo em 31 De mai. 2016.
Obs.: O texto foi adaptado às regras do Novo Acordo 
Ortográfico.
4. (Efomm) Analisando os mecanismos de coesão, assi-
nale a opção em que o termo sublinhado NÃO retoma 
o termo antecedente, mas funciona como elemento se-
quencial ou de conexão. 
a) Dedico-me a algo que poderia ter o nome de "culi-
nária literária". 
b) Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia 
em que a pipoca iria me fazer sonhar. 
c) Um bom pensamento nasce como uma pipoca que 
estoura, de forma inesperada e imprevisível. 
d) Para os cristãos, religiosos são o pão e o vinho, que 
simbolizam o corpo e o sangue de Cristo (...) 
e) Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. 
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: 
Mais velho, poucos amigos?
Um curioso estudo divulgado na última semana mos-
trou que a redução do número de amigos com a idade, 
tão comum entre os humanos, pode não ser exclusivo 
da nossa espécie. 1Aparentemente, macacos também 
passariam por processo semelhante em suas redes de 
contatos sociais, o que poderia sugerir um caráter evo-
lutivo desse fenômeno.
2No trabalho desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa 
com Primatas em Göttingen, Alemanha, se identificou 
uma redução de grooming (tempo dedicado ao cuidado 
com outros indivíduos, como limpar o pelo e catar pio-
lhos) entre os macacos mais velhos da espécie Macaca 
sylvanus. 3Além disso, eles praticavam grooming em um 
número menor de “amigos” ou parentes.
4Fazer grooming está para os macacos mais ou me-
nos como o “papo” para nós. 5Da mesma forma que 
28
o “carinho” humano, ele parece provocar a liberação 
de endorfinas. 6Geram-se, dessa forma, sensações de 
bem-estar tanto em homens como em outros animais. 
Na pesquisa, publicada pelo periódico New Scientist, os 
cientistas perceberam que macacos de 25 anos tiveram 
uma redução de até do tempo de grooming quando 
comparados com adultos de cinco anos. 7Se esse fenô-
meno acontece em outros primatas, ele também pode 
ter chegado a nós ao longo do caminho de formação da 
nossa espécie. 8Se chegou, qual teria sido a vantagem 
evolutiva?
9Durante muito tempo se especulou que esse “encolhi-
mento” social em humanos seria, na verdade, resultado 
de um processo de envelhecimento, em que depressão, 
morte de amigos, limitações físicas, vergonha da apa-
rência e menos dinheiro poderiam limitar as novas co-
nexões. 10Mas, pesquisando os idosos, se percebeu que 
ter menos amigos era muito mais uma escolha pessoal 
do que uma consequência do envelhecer.
Uma linha de investigação explica que essa redução dos 
amigos seria, na verdade, uma seleção dos mais velhos de 
como usar melhor o tempo. Mas outros especialistas de-
fendem a ideia de que os mais velhos teriam menos recur-
sos e defesas para lidar com estresse e ameaças e, assim, 
11escolheriam com mais cautela as pessoas com quem se 
sentem mais seguros (os amigos) para passar seu tempo.
Bouer, J. Jornal o estaDo De sÃo paulo, caDerno 
metrópole, Domingo, 26 Jun. 2016, p. a23. aDaptaDo.
5. (FMP) No trecho “Se esse fenômeno acontece em ou-
tros primatas, ele também pode ter chegado a nós ao lon-
go do caminho de formação da nossa espécie.” (ref. 7), a 
palavra destacada exerce a mesma função textual que em: 
a) “No trabalho desenvolvido pelo Instituto de Pes-
quisa com Primatas em Göttingen, Alemanha, se 
identificou uma redução de grooming” (ref. 2) 
b) “Se chegou, qual teria sido a vantagem evolu-
tiva?” (ref. 8) 
c) “Durante muito tempo se especulou que esse ”en-
colhimento” social em humanos seria, na verdade, 
resultado de um processo de envelhecimento” (ref. 9) 
d) “Mas, pesquisando os idosos, se percebeu que ter 
menos amigos era muito mais uma escolha pessoal 
do que uma consequência do envelhecer.” (ref. 10) 
e) “escolheriam com mais cautela as pessoas com 
quem se sentem mais seguros (os amigos) para pas-
sar seu tempo.” (ref. 11) 
6. (Fmp) No trecho “Geram-se, dessa forma, sensações 
de bem-estar tanto em homens como em outros ani-
mais.” (ref. 6) a forma verbal foi utilizada no plural, por 
respeito às exigências da norma-padrão da língua por-
tuguesa. Essa mesma flexão deve ser aplicada ao verbo 
destacado em: 
a) Com o aumento da depressãoem pessoas de dife-
rentes idades, é necessário que se procedam a no-
vos estudos sobre medicamentos mais eficazes. 
b) Os estudos recentes desenvolvidos em institutos 
de pesquisa permitem que se suspeitem das causas 
prováveis do “encolhimento” social. 
c) Apesar de a imprensa divulgar constantemente 
novos medicamentos, desconfiam-se dos métodos 
utilizados nas pesquisas sobre obesidade. 
d) Para detectar os reflexos mais prejudiciais do “en-
colhimento” social em humanos, necessitam-se de 
estudos com maior número de indivíduos. 
e) Os pesquisadores concordam que é preciso que se 
empreguem muitos esforços para investigar os pro-
cessos relativos ao envelhecimento. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Eu, Etiqueta
carlos DrummonD De anDraDe
Em minha calça está grudado um nome
que não é meu de batismo ou de cartório,
um nome... estranho. 
Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei. 
Minhas meias falam de produto 
que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés. 
(...) 
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara, 
minha toalha de banho e sabonete, 
meu isso, meu aquilo, 
desde a cabeça até o bico dos sapatos,
são mensagens, 
letras falantes, 
gritos visuais, 
ordem de uso, abuso, reincidência, 
costume, hábito, premência, 
indispensabilidade, 
e fazem de mim homem-anúncio itinerante, 
escravo da matéria anunciada. 
Estou, estou na moda. 
É doce estar na moda, ainda que a moda
seja negar minha identidade, 
trocá-la por mil, açambarcando 
todas as marcas registradas, 
todos os logotipos do mercado. 
Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia 
tão diverso de outros, tão mim-mesmo,
ser pensante, sentinte e solitário 
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio, 
ora vulgar, ora bizarro, 
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer, principalmente). 
(...) 
29
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de ser não eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem. 
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa. 
Eu sou a coisa, coisamente. 
7. (CP2) No poema, nos versos “Em minha calça está 
grudado um nome / que não é meu de batismo ou de 
cartório”, a palavra “que” evita repetição (versos 1 e 2). 
Marque a alternativa em que essa palavra esteja fazen-
do o mesmo. 
a) “Em minha camiseta, a marca de cigarro / que não 
fumo, até hoje não fumei.” (versos 6-7) 
b) “É doce estar na moda, ainda que a moda / seja 
negar minha identidade,” (versos 26-27) 
c) “Com que inocência demito-me de ser” (verso 31) 
d) “peço que meu nome retifiquem.” (verso 43) 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
REDES SOCIAIS E COLABORAÇÃO EXTREMA: O FIM DO 
SENSO CRÍTICO?
eugênio mira
Conectados. Essa palavra nunca fez tanto sentido quan-
to agora. 1Quando se discutia no passado sobre como 
os homens agiriam com o advento da aldeia global (...) 
não se imaginava o quanto esse processo seria rápido 
e devastador.
(...) quando McLuhan apresentou o termo, em 1968, 2ele 
sequer imaginaria que não seria a televisão a grande 
responsável pela interligação mundial absoluta, e sim 
a internet, que na época não passava de um projeto 
militar do governo dos Estados Unidos.
3A internet mudou definitivamente a maneira como nos 
comunicamos e percebemos o mundo. Graças a ela te-
mos acesso a toda informação do mundo à distância 
de apenas um toque de botão. 4E quando começaram 
a se popularizar as redes sociais, 5um admirável mundo 
novo abriu-se ante nossos olhos. Uma ferramenta cola-
borativa extrema, que possibilitaria o contato imediato 
com outras pessoas através de suas afinidades, fossem 
elas políticas, religiosas ou mesmo geográficas. Proje-
tos colaborativos, revoluções instantâneas... 6Tudo seria 
maior e melhor quando as pessoas se alinhassem na ór-
bita de seus ideais. 7O tempo passou, e essa revolução 
não se instaurou.
Basta observar as figuras que surgem nos sites de humor 
e outros assemelhados. Conhecidos como memes (termo 
cunhado pelo pesquisador Richard Dawkins, que repre-
sentaria para nossa memória o mesmo que os genes 
representam para o corpo, ou seja, uma parcela mínima 
de informação), 8essas figuras surgiram com a intenção 
de demonstrar, de maneira icônica, algum sentimento ou 
sensação. 9Ao fazer isso, a tendência de ter uma reação 
diversa daquelas expressas pelas tirinhas é cada vez me-
nor. Tudo fica branco e preto. 10Ou se aceita a situação, ou 
revolta-se. Sem chance para o debate ou questionamento.
(...)
A situação é ainda mais grave quando um dos poucos 
entes criativos restantes na internet produz algum co-
mentário curto, espirituoso ou reflexivo, a respeito de 
alguma situação atual ou recente... Em minutos pipocam 
cópias da frase por todo lugar. 11Copia-se sem o menor 
bom senso, sem créditos. Pensar e refletir, e depois falar, 
são coisas do passado. O importante agora é 12copiar e 
colar, e depois partilhar. 13As redes sociais desfraldaram 
um mundo completamente novo, e o uso que o homem 
fará dessas ferramentas é o que dirá o nosso futuro cul-
tural. 14Se enveredarmos pela partilha de ideias, gestan-
do-as em nossas mentes e depois as passando a outros, 
será uma estufa mundial a produzir avanços incríveis em 
todos os campos de conhecimento. Se, no entanto, as 
redes sociais se transformarem em uma rede neural de 
apoio à preguiça de pensar, a humanidade estará fada-
da ao processo antinatural de regressão. O advento das 
redes sociais trouxe para perto das pessoas comuns os 
amigos distantes, os ídolos e as ideias consumistas mais 
arraigados, mas aparentemente está levando para longe 
algo muito mais humano e essencial na vida em socieda-
de: o senso crítico. Será uma troca justa?
http://oBviousmag.org/archives/2011/09/reDes_sociais_e_
colaBoracao_extrema_o_fim_Do_senso_critico-.
htm. aDaptaDo. acesso em: 21 fev 2017. 
8. (Epcar (Afa) 2018) O vocábulo se exerce, na língua 
portuguesa, várias funções. Observe seu uso nos excer-
tos a seguir.
I. “Copia-se sem o menor bom senso...” (ref. 11)
II. “...um admirável mundo novo abriu-se ante nossos 
olhos.” (ref. 5)
III. “Ou se aceita a situação ou revolta-se.” (ref. 10)
IV. “O tempo passou, e essa revolução não se instaurou”. 
(ref. 7)
Assinale a análise correta. 
a) Em I, o “se” é uma partícula expletiva ou de realce. 
b) Em II, o “se” é uma partícula integrante do verbo. 
c) Em III, o “se” foi utilizado para flexionar o verbo na 
voz passiva sintética em ambas as ocorrências. 
d) Em IV, o “se” classifica-se como pronome apassivador. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Leia o conto “A cartomante”, de Lima Barreto (1881-
1922), para responder à(s) questão(ões).
Não havia dúvida que naqueles atrasos e atrapalhações 
de sua vida, alguma influência misteriosa preponderava. 
Era ele tentar qualquer coisa, logo tudo mudava. Esteve 
quase para arranjar-se na Saúde Pública; mas, assim que 
obteve um bom “pistolão1”, toda a política mudou. Se jo-
gava no bicho, era sempre o grupo seguinte ou o anterior 
que dava. Tudo parecia mostrar-lhe que ele não devia ir 
para adiante. Se não fossem as costuras da mulher, não 
sabia bem como poderia ter vivido até ali. Há cinco anos 
que não recebia vintém de seu trabalho. Uma nota de 
dois mil-réis, se alcançava ter na algibeira por vezes, era 
obtida com auxílio de não sabia quantas humilhações, 
apelando para a generosidade dos amigos. 
30
Queria fugir, fugir para bem longe, onde a sua miséria 
atual não tivesse o realce da prosperidade passada; 
mas, como fugir?
Onde havia de buscar dinheiro que o transportasse, a 
ele, a mulher e aos filhos? Viver assim era terrível! Pre-
so à sua vergonha como a uma calceta2, sem que ne-
nhum código e juiz tivessem condenado, que martírio!
A certeza, porém, de que todas as suas infelicidades vi-
nham de uma influência misteriosa, deu-lhe mais alen-
to. Se era “coisa feita”, havia de haverpor força quem a 
desfizesse. Acordou mais alegre e se não falou à mulher 
alegremente era porque ela já havia saído. Pobre de sua 
mulher! Avelhantada precocemente, trabalhando que 
nem uma moura, doente, entretanto a sua fragilidade 
transformava-se em energia para manter o casal.
Ela saía, virava a cidade, trazia costuras, recebia dinhei-
ro, e aquele angustioso lar ia se arrastando, graças aos 
esforços da esposa.
Bem! As coisas iam mudar! Ele iria a uma cartomante e 
havia de descobrir o que e quem atrasavam a sua vida.
Saiu, foi à venda e consultou o jornal. Havia muitos 
videntes, espíritas, teósofos anunciados; mas simpa-
tizou com uma cartomante, cujo anúncio dizia assim: 
“Madame Dadá, sonâmbula, extralúcida, deita as car-
tas e desfaz toda espécie de feitiçaria, principalmente 
a africana. Rua etc.”.
Não quis procurar outra; era aquela, pois já adquirira 
a convicção de que aquela sua vida vinha sendo traba-
lhada pela mandinga de algum preto-mina3, a soldo do 
seu cunhado Castrioto, que jamais vira com bons olhos 
o seu casamento com a irmã.
Arranjou, com o primeiro conhecido que encontrou, o 
dinheiro necessário, e correu depressa para a casa de 
Madame Dadá.
O mistério ia desfazer-se e o malefício ser cortado. A 
abastança voltaria à casa; compraria um terno para 
o Zezé, umas botinas para Alice, a filha mais moça; e 
aquela cruciante vida de cinco anos havia de lhe ficar 
na memória como passageiro pesadelo.
Pelo caminho tudo lhe sorria. Era o sol muito claro e 
doce, um sol de junho; eram as fisionomias risonhas dos 
transeuntes; e o mundo, que até ali lhe aparecia mau e 
turvo, repentinamente lhe surgia claro e doce.
Entrou, esperou um pouco, com o coração a lhe saltar 
do peito.
O consulente saiu e ele foi afinal à presença da pitonisa4. 
Era sua mulher.
(contos completos, 2010.)
1pistolão: recomendação de pessoa influente; indivíduo 
que faz essa recomendação.
2calceta: argola de ferro que, fixada no tornozelo do pri-
sioneiro, ligava-se à sua cintura por meio de corrente 
de ferro.
3preto-mina: indivíduo dos pretos-minas (povo que ha-
bita a região do Grand Popo, no Sudoeste da África).
4pitonisa: profetisa. 
9. (UEFS 2018) Em “Onde havia de buscar dinheiro que 
o transportasse, a ele, a mulher e aos filhos?” (3º pa-
rágrafo), o termo sublinhado refere-se ao substantivo 
“dinheiro” e exerce a função sintática de 
a) sujeito. 
b) objeto direto. 
c) objeto indireto. 
d) adjunto adnominal. 
e) adjunto adverbial. 
10. (G1) Na oração "Contam-se casos curiosos sobre os 
índios.", o SE é: 
a) pronome pessoal oblíquo; 
b) índice de indeterminação do sujeito; 
c) pronome apassivador; 
d) pronome reflexivo; 
e) pronome possessivo. 
E.O. COmplEmEntAr
1. (CPS 2019) Observe as passagens:
I. “Candidato, me ajuda a comer, candidato!”
II. “Mas é claro que te ajudo! Tem aí um sanduíche para a gente dividir?”
Assinale a alternativa que apresenta a análise correta da função morfológica dos termos destacados nas passagens.
I. II.
ME A MAS QUE AÍ A
a) Pronome pessoal Preposição Conjunção Conjunção Advérbio Artigo
b) Pronome indefinido Artigo Preposição Pronome relativo Advérbio Preposição
c) Pronome reflexivo Conjunção Conjunção Pronome relativo Advérbio Pronome pessoal
d) Pronome pessoal reto Preposição Preposição Pronome relativo Pronome pessoal Artigo
e) Pronome pessoal Pronome pessoal Conjunção Conjunção Pronome
demonstrativo
Preposição
31
2. (Espcex) Assinale a alternativa que apresenta a cor-
reta classificação da partícula “se”, na sequência em 
que aparece no período abaixo.
O maquinista se perguntava se a próxima parada seria 
tão tumultuada quanto a primeira, com aquelas pes-
soas todas se debatendo, os bilhetes avolumando nas 
mãos do cobrador, os reclamos que se ouviam dos mais 
exaltados. 
a) objeto indireto – conectivo integrante – parte do 
verbo – partícula apassivadora 
b) objeto direto – conectivo integrante – pronome 
reflexivo – partícula apassivadora 
c) objeto direto – conjunção integrante – pronome 
recíproco – indeterminação do sujeito 
d) objeto indireto – conjunção integrante – pronome 
reflexivo – partícula apassivadora 
e) objeto direto – conectivo integrador – pronome 
oblíquo – partícula apassivadora 
3. (Mackenzie) Aponte a alternativa que contém um 
QUE classificado morfologicamente como partícula ex-
pletiva (ou de realce). 
a) "A vida é tão bela que chega a dar medo." 
b) "Havia uma escada que parava de repente no ar." 
c) "Oh! Que revoada, que revoada de asas!" 
d) "O vento que vinha desde o princípio do mundo / 
Estava brincando com teus cabelos..." 
e) "Nós / é que vamos empurrando, dia a dia, sua 
cadeira de rodas." 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Quando a rede vira um vício
Com o titulo "Preciso de ajuda", fez-se um desabafo 
aos integrantes da comunidade Viciados em Internet 
Anônimos: "Estou muito dependente da web, Não con-
sigo mais viver normalmente. Isso é muito sério". Logo 
obteve resposta de um colega de rede. "Estou na mes-
ma situação. Hoje, praticamente vivo em frente ao com-
putador. Preciso de ajuda." Odiálogo dá a dimensão do 
tormento provocado pela dependência em Internet, um 
mal que começa a ganhar relevo estatístico, à medida 
que o uso da própria rede se dissemina. Segundo pes-
quisas recém-conduzidas pelo Centro de Recuperação 
para Dependência de Internet, nos Estados Unidos, a 
parcela de viciados representa, nos vários países estu-
dados, de 5% (como no Brasil) a 10% dos que usam a 
web — com concentração na faixa dos 15 aos 29 anos. 
Os estragos são enormes. Como ocorre com um viciado 
em álcool ou em drogas, o doente desenvolve uma tole-
rância que, nesse caso, o faz ficar on-line por uma eter-
nidade sem se dar conta do exagero. Ele também sofre 
de constantes crises de abstinência quando está desco-
nectado, e seu desempenho nas tarefas de natureza in-
telectual despenca. Diante da tela do computador, vive, 
aí sim, momentos de rara euforia. Conclui uma psicólo-
ga americana: "O viciado em internet vai, aos poucos, 
perdendo os elos com o mundo real até desembocar 
num universo paralelo — e completamente virtual".
Não é fácil detectar o momento em que alguém deixa de 
fazer uso saudável e produtivo da rede para estabelecer 
com ela uma relação doentia, como a que se revela nas 
histórias relatadas ao longo desta reportagem. Em todos 
os casos, a internet era apenas "útil" ou "divertida" e foi 
ganhando um espaço central, a ponto de a vida longe da 
rede ser descrita agora como sem sentido. Mudança tão 
drástica se deu sem que os pais atentassem para a gravi-
dade do que ocorria. "Como a internet faz parte do dia a 
dia dos adolescentes e o isolamento é um comportamen-
to típico dessa fase da vida, a família raramente detecta 
o problema antes de ele ter fugido ao controle", diz um 
psiquiatra. A ciência, por sua vez, já tem bem mapeados 
os primeiros sintomas da doença. De saída, o tempo na 
internet aumenta — até culminar, pasme-se, numa ro-
tina de catorze horas diárias, de acordo com o estudo 
americano. As situações vividas na rede passam, então, 
a habitar mais e mais as conversas. É típico o apareci-
mento de olheiras profundas e ainda um ganho de peso 
relevante, resultado da frequente troca de refeições por 
sanduíches — que prescindem de talheres e liberam uma 
das mãos para o teclado. Gradativamente, a vida social 
vai se extinguindo. Alerta outra psicóloga: "Se a pessoa 
começa a ter mais amigos na rede do que fora dela, é um 
sinal claro de que as coisas não vão bem".
Os jovens são, de longe, os mais propensos a extrapolar 
o uso da internet. Há uma razão estatística para isso — 
eles respondem por até 90% dos que navegam na rede, 
a maior fatia —, mas pesa também uma explicação de 
fundo mais psicológico, à qual uma recente pesquisa 
lança luz. Algo como 10% dos entrevistados (viciados 
ou não) chegam a atribuir à internet uma maneira de 
"aliviar os sentimentos negativos", tão típicos de uma 
etapa em que afloram tantas angústias e conflitos. Narede, os adolescentes sentem-se ainda mais à vontade 
para expor suas ideias. Diz um outro psiquiatra: "Num 
momento em que a própria personalidade está por se 
definir, a internet proporciona um ambiente favorável 
para que eles se expressem livremente". No perfil da-
quela minoria que, mais tarde, resvala no vicio se vê, 
em geral, uma combinação de baixa autoestima com 
intolerância à frustração. Cerca de 50% deles, inclusive, 
sofrem de depressão, fobia social ou algum transtorno 
de ansiedade. É nesse cenário que os múltiplos usos da 
rede ganham um valor distorcido. Entre os que já têm o 
vicio, a maior adoração é pelas redes de relacionamen-
to e pelos jogos on-line, sobretudo por aqueles em que 
não existe noção de começo, meio ou fim.
Desde 1996, quando se consolidou o primeiro estudo 
de relevo sobre o tema, nos Estados Unidos, a depen-
dência em internet é reconhecida — e tratada — como 
uma doença. Surgiram grupos especializados por toda 
parte. "Muita gente que procura ajuda ainda resiste à 
ideia de que essa é uma doença", conta um psicólogo. 
O prognóstico é bom: em dezoito semanas de sessões 
individuais e em grupo, 80% voltam a niveis aceitá-
veis de uso da internet. Não seria factível, tampouco 
desejável, que se mantivessem totalmente distantes 
dela, como se espera, por exemplo, de um alcoólatra 
em relação à bebida. Com a rede, afinal, descortina-se 
32
uma nova dimensão de acesso às informações, à produ-
ção de conhecimento e ao próprio lazer, dos quais, em 
sociedades modernas, não faz sentido se privar. Toda a 
questão gira em torno da dose ideal, sobre a qual já 
existe um consenso acerca do razoável: até duas horas 
diárias, no caso de crianças e adolescentes. Quanto an-
tes a ideia do limite for sedimentada, melhor. Na avalia-
ção de uma das psicólogas, "Os pais não devem temer 
o computador, mas, sim, orientar os filhos sobre como 
usá-lo de forma útil e saudável". Desse modo, reduz-se 
drasticamente a possibilidade de que, no futuro, eles 
enfrentem o drama vivido hoje pelos jovens viciados.
silvia rogar e JoÃo figueireDo, veJa, 24 De março De 2010. aDaptaDo. 
4. (col. naval) Assinale a opção em que a palavra que 
não faz referência a um termo que a antecede. 
a) "[...] um mal que começa a ganhar relevo estatísti-
co [...]". (1° parágrafo) 
b) "[...] o doente desenvolve uma tolerância que, nes-
se caso [...]".(1° parágrafo) 
c) "[...] resultado da frequente troca de refeições 
por sanduíches - que prescindem de talheres [...]". 
(2° parágrafo) 
d) "No perfil daquela minoria que, mais tarde, resvala 
no vício se vê [...]".(3° parágrafo) 
e) "Não seria factível, tampouco desejável, que se 
mantivessem totalmente [...]".(4° parágrafo) 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
CINZAS DA INQUISIÇÃO
1 Até agora fingíamos que a Inquisição era um episódio 
da história europeia, que tendo durado do século XII ao 
século XIX, nada tinha a ver com o Brasil. No máximo, 
se prestássemos muita atenção, íamos ouvir falar de um 
certo Antônio José - o Judeu, um português de origem 
brasileira, que foi queimado porque andou escrevendo 
umas peças de teatro.
2 Mas não dá mais para escamotear. Acabou de se rea-
lizar um congresso que começou em Lisboa, continuou 
em São Paulo e Rio, reavaliando a Inquisição. O ideal 
seria que esse congresso tivesse se desdobrado por to-
das as capitais do país, por todas as cidades, que tivesse 
merecido mais atenção da televisão e tivesse sacudi-
do a consciência dos brasileiros do Oiapoque ao Chuí, 
mostrando àqueles que não podem ler jornais nem fre-
quentar as discussões universitárias o que foi um dos 
períodos mais tenebrosos da história do Ocidente. Mas 
mostrar isso, não por prazer sadomasoquista, e sim 
para reforçar os ideais de dignidade humana e melho-
rar a debilitada consciência histórica nacional.
.......................................................................................
3 Calar a história da Inquisição, como ainda querem al-
guns, em nada ajuda a história de instituições e países. 
Ao contrário, isto pode ser ainda um resquício inqui-
sitorial. E no caso brasileiro essa reavaliação é inesti-
mável, porque somos uma cultura que finge viver fora 
da história.
4 Por outro lado, estamos vivendo um momento pri-
vilegiado em termos de reconstrução da consciência 
histórica. Se neste ano (1987) foi possível passar a 
limpo a Inquisição, no ano que vem será necessário 
refazer a história do negro em nosso país, a propósito 
dos cem anos da libertação dos escravos. E no ano se-
guinte, 1989, deveríamos nos concentrar para rever a 
"república" decretada por Deodoro. Os próximos dois 
anos poderiam se converter em um intenso período de 
pesquisas, discussões e mapeamento de nossa silen-
ciosa história. Universidades, fundações de pesquisa e 
os meios de comunicação deveriam se preparar para 
participar desse projeto arqueológico, convocando a 
todos: "Libertem de novo os escravos", "proclamem 
de novo a República".
5 Fazer história é fazer falar o passado e o presente 
criando ecos para o futuro.
6 História é o anti-silêncio. É o ruído emergente das lu-
tas, angústias, sonhos, frustrações. Para o pesquisador, o 
silêncio da história oficial é um1 silêncio ensurdecedor. 
Quando penetra nos arquivos da consciência nacional, 
os dados e os feitos berram, clamam, gritam, sangram 
pelas prateleiras. Engana-se, portanto, quem julga que 
os arquivos são lugares apenas de poeira e mofo. Ali 
está pulsando algo. Como num vulcão aparentemente 
adormecido, ali algo quer emergir. E emerge. Cedo ou 
tarde. Não se destrói totalmente qualquer documenta-
ção. Sempre vai sobrar um herege que não foi queima-
do, um judeu que escapou ao campo de concentração, 
um dissidente que sobreviveu aos trabalhos forçados 
na Sibéria. De nada adiantou aquele imperador chinês 
ter queimado todos os livros e ter decretado que a his-
tória começasse com ele.
7 A história recomeça com cada um de nós, apesar dos 
reis e das inquisições.
(Affonso R. de Sant'Anna. A RAIZ QUADRADA DO AB-
SURDO. Rio de Janeiro, Rocco, 1989, p. 196-198.) 
5. (Cesgranrio) "O ideal seria QUE esse congresso ti-
vesse se desdobrado por todas as capitais do país, por 
todas as cidades, QUE tivesse merecido mais atenção 
da televisão e tivesse sacudido a consciência dos bra-
sileiros do Oiapoque ao Chuí, mostrando àqueles QUE 
não podem ler jornais nem frequentar as discussões 
universitárias o que foi um dos períodos mais tenebro-
sos da história do Ocidente."
Assinale a classificação CORRETA das palavras em des-
taque, respectivamente: 
a) pronome relativo / conjunção integrante / conjun-
ção integrante. 
b) pronome relativo / conjunção integrante / conjun-
ção consecutiva. 
c) conjunção integrante / conjunção integrante / pro-
nome relativo. 
d) conjunção integrante / conjunção consecutiva / 
conjunção comparativa. 
e) conjunção consecutiva / pronome relativo / prono-
me relativo. 
33
E.O. ObjEtivAs 
(UnEsp, FUvEst, UniCAmp E UniFEsp)
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Leia o excerto do “Sermão do bom ladrão”, de Antônio Vieira 
(1608-1697), para responder à(s) questão(ões) a seguir.
Navegava Alexandre [Magno] em uma poderosa arma-
da pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia; e como fosse 
trazido à sua presença um pirata, que por ali andava 
roubando os pescadores, repreendeu-o muito Alexan-
dre de andar em tão mau ofício; porém ele, que não era 
medroso nem lerdo, respondeu assim: “Basta, Senhor, 
que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, 
porque roubais em uma armada, sois imperador?”. As-
sim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é gran-
deza: o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar 
com muito, os Alexandres. Mas Sêneca, que sabia bem 
distinguir as qualidades, e interpretar as significações, a 
uns e outros, definiu com o mesmo nome: [...] Se o rei de 
Macedônia, ou qualquer outro, fizer o que faz o ladrão 
e o pirata; o ladrão, o pirata e o rei, todos têm o mesmo 
lugar, e merecem o mesmo nome.
Quando li isto em Sêneca, não meadmirei tanto de 
que um filósofo estoico se atrevesse a escrever uma 
tal sentença em Roma, reinando nela Nero; o que mais 
me admirou, e quase envergonhou, foi que os nossos 
oradores evangélicos em tempo de príncipes católicos, 
ou para a emenda, ou para a cautela, não preguem a 
mesma doutrina. Saibam estes eloquentes mudos que 
mais ofendem os reis com o que calam que com o que 
disserem; porque a confiança com que isto se diz é sinal 
que lhes não toca, e que se não podem ofender; e a cau-
tela com que se cala é argumento de que se ofenderão, 
porque lhes pode tocar. [...]
Suponho, finalmente, que os ladrões de que falo não 
são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de 
sua fortuna condenou a este gênero de vida, porque 
a mesma sua miséria ou escusa ou alivia o seu pecado 
[...]. O ladrão que furta para comer não vai nem leva ao 
Inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu trato, 
são os ladrões de maior calibre e de mais alta esfera 
[...]. Não são só ladrões, diz o santo [São Basílio Mag-
no], os que cortam bolsas, ou espreitam os que se vão 
banhar, para lhes colher a roupa; os ladrões que mais 
própria e dignamente merecem este título são aqueles 
a quem os reis encomendam os exércitos e legiões, ou o 
governo das províncias, ou a administração das cidades, 
os quais já com manha, já com força, roubam e despo-
jam os povos. Os outros ladrões roubam um homem, es-
tes roubam cidades e reinos: os outros furtam debaixo 
do seu risco, estes sem temor, nem perigo: os outros, se 
furtam, são enforcados: estes furtam e enforcam.
(essencial, 2011.) 
1. (Unesp 2018) “[...] os ladrões de que falo não são 
aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua for-
tuna condenou a este gênero de vida [...].” (3º parágrafo)
Os termos destacados constituem, respectivamente, 
a) um artigo, uma preposição e uma preposição. 
b) uma preposição, um artigo e uma preposição. 
c) um artigo, um pronome e um pronome. 
d) um pronome, uma preposição e um artigo. 
e) uma preposição, um artigo e um pronome. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Leia o conto “A moça rica”, de Rubem Braga (1913-
1990), para responder à(s) questão(ões) a seguir.
A madrugada era escura nas moitas de mangue, e eu 
avançava no 1batelão velho; remava cansado, com um 
resto de sono. De longe veio um 2rincho de cavalo; de-
pois, numa choça de pescador, junto do morro, tremulou 
a luz de uma lamparina.
Aquele rincho de cavalo me fez lembrar a moça que eu 
encontrara galopando na praia. Ela era corada, forte. 
Viera do Rio, sabíamos que era muito rica, filha de um 
irmão de um homem de nossa terra. A princípio a olhei 
com espanto, quase desgosto: ela usava calças compri-
das, fazia caçadas, dava tiros, saía de barco com os pes-
cadores. Mas na segunda noite, quando nos juntamos 
todos na casa de Joaquim Pescador, ela cantou; tinha 
bebido cachaça, como todos nós, e cantou primeiro 
uma coisa em inglês, depois o Luar do sertão e uma 
canção antiga que dizia assim: “Esse alguém que logo 
encanta deve ser alguma santa”. Era uma canção triste.
Cantando, ela parou de me assustar; cantando, ela dei-
xou que eu a adorasse com essa adoração súbita, mas 
tímida, esse fervor confuso da adolescência – adoração 
sem esperança, ela devia ter dois anos mais do que eu. E 
amaria o rapaz de suéter e sapato de basquete, que cos-
tuma ir ao Rio, ou (murmurava-se) o homem casado, que 
já tinha ido até à Europa e tinha um automóvel e uma co-
leção de espingardas magníficas. Não a mim, com minha 
pobre 3flaubert, não a mim, de calça e camisa, descalço, 
não a mim, que não sabia lidar nem com um motor de 
popa, apenas tocar um batelão com meu remo.
Duas semanas depois que ela chegou é que a encontrei 
na praia solitária; eu vinha a pé, ela veio galopando a 
cavalo; vi-a de longe, meu coração bateu adivinhando 
quem poderia estar galopando sozinha a cavalo, ao lon-
go da praia, na manhã fria. Pensei que ela fosse passar 
me dando apenas um adeus, esse “bom-dia” que no in-
terior a gente dá a quem encontra; mas parou, o animal 
resfolegando e ela respirando forte, com os seios agita-
dos dentro da blusa fina, branca. São as duas imagens 
que se gravaram na minha memória, desse encontro: a 
pele escura e suada do cavalo e a seda branca da blusa; 
aquela dupla respiração animal no ar fino da manhã.
E saltou, me chamando pelo nome, conversou comigo. 
Séria, como se eu fosse um rapaz mais velho do que ela, 
um homem como os de sua roda, com calças de “palm-
-beach”, relógio de pulso. Perguntou coisas sobre peixes; 
fiquei com vergonha de não saber quase nada, não sa-
bia os nomes dos peixes que ela dizia, deviam ser peixes 
de outros lugares mais importantes, com certeza mais 
bonitos. Perguntou se a gente comia aqueles cocos dos 
34
coqueirinhos junto da praia – e falou de minha irmã, que 
conhecera, quis saber se era verdade que eu nadara des-
de a ponta do Boi até perto da lagoa.
De repente me fulminou: “Por que você não gosta de 
mim? Você me trata sempre de um modo esquisito...” 
Respondi, estúpido, com a voz rouca: “Eu não”.
Ela então riu, disse que eu confessara que não gostava 
mesmo dela, e eu disse: “Não é isso.” Montou o cavalo, 
perguntou se eu não queria ir na garupa. Inventei que 
precisava passar na casa dos Lisboa. Não insistiu, me deu 
um adeus muito alegre; no dia seguinte foi-se embora.
Agora eu estava ali remando no batelão, para ir no Seve-
rone apanhar uns camarões vivos para isca; e o relincho 
distante de um cavalo me fez lembrar a moça bonita e 
rica. Eu disse comigo – rema, bobalhão! – e fui remando 
com força, sem ligar para os respingos de água fria, cada 
vez com mais força, como se isto adiantasse alguma coisa.
(os melhores contos, 1997.)
1batelão: embarcação movida a remo.
2rincho: relincho.
3flaubert: um tipo de espingarda.
2. (Unesp 2018) “Duas semanas depois que ela chegou 
é que a encontrei na praia solitária; eu viajava a pé, ela 
veio galopando a cavalo”(4º parágrafo)
Os termos sublinhados constituem, respectivamente, 
a) artigo, preposição, artigo. 
b) artigo, preposição, preposição. 
c) pronome, artigo, artigo. 
d) pronome, preposição, preposição. 
e) pronome, artigo, preposição. 
3. (Fuvest) "É da história do mundo que (1) as elites 
nunca introduziram mudanças que (2) favorecessem a 
sociedade como um todo. Estaríamos nos enganando 
se achássemos que (3) estas lideranças empresariais te-
riam motivação para fazer a distribuição de rendas que 
(4) uma nação equilibrada precisa ter." 
O vocábulo que está numerado em suas quatro ocorrên-
cias, nas quais se classifica como conjunção integrante e 
como pronome relativo. Assinalar a alternativa que re-
gistra a classificação correta em cada caso, pela ordem: 
a) 1. pronome relativo, 2. conjunção integrante, 3. 
pronome relativo, 4. conjunção integrante; 
b) 1. conjunção integrante, 2. pronome relativo, 3. 
pronome relativo, 4. conjunção integrante; 
c) 1. pronome relativo, 2. pronome relativo, 3. conjun-
ção integrante, 4. conjunção integrante; 
d) 1. conjunção integrante, 2. pronome relativo, 3. 
conjunção integrante, 4. pronome relativo; 
e) 1. pronome relativo, 2. conjunção integrante, 3. 
conjunção integrante, 4. pronome relativo. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
As questões a seguir tomam por base o seguinte frag-
mento do diálogo Fedro, de Platão (427-347 a.C.). Fedro
SÓCRATES: – Vamos então refletir sobre o que há pouco 
estávamos discutindo; examinaremos o que seja recitar 
ou escrever bem um discurso, e o que seja recitar ou 
escrever mal.
FEDRO: – Isso mesmo.
SÓCRATES: – Pois bem: não é necessário que o orador 
esteja bem instruído e realmente informado sobre a 
verdade do assunto de que vai tratar?
FEDRO: – A esse respeito, Sócrates, ouvi o seguinte: para 
quem quer tornar-se orador consumado não é indispen-
sável conhecer o que de fato é justo, mas sim o que pa-
rece justo para a maioria dos ouvintes, que são os que 
decidem; nem precisa saber tampouco o que é bom ou 
belo, mas apenas o que parece tal – pois épela aparência 
que se consegue persuadir, e não pela verdade.
SÓCRATES: – Não se deve desdenhar, caro Fedro, da pa-
lavra hábil, mas antes refletir no que ela significa. O que 
acabas de dizer merece toda a nossa atenção.
FEDRO: – Tens razão.
SÓCRATES: – Examinemos, pois, essa afirmação.
FEDRO: – Sim.
SÓCRATES: – Imagina que eu procuro persuadir-te a 
comprar um cavalo para defender-te dos inimigos, mas 
nenhum de nós sabe o que seja um cavalo; eu, porém, 
descobri por acaso uma coisa: “Para Fedro, o cavalo é o 
animal doméstico que tem as orelhas mais compridas”...
FEDRO: – Isso seria ridículo, querido Sócrates.
SÓCRATES: – Um momento. Ridículo seria se eu tratasse 
seriamente de persuadir-te a que escrevesses um pane-
gírico do burro, chamando-o de cavalo e dizendo que 
é muitíssimo prático comprar esse animal para o uso 
doméstico, bem como para expedições militares; que 
ele serve para montaria de batalha, para transportar 
bagagens e para vários outros misteres.
FEDRO: – Isso seria ainda ridículo.
SÓCRATES: – Um amigo que se mostra ridículo não é 
preferível ao que se revela como perigoso e nocivo?
FEDRO: – Não há dúvida.
SÓCRATES: – Quando um orador, ignorando a natureza 
do bem e do mal, encontra os seus concidadãos na mes-
ma ignorância e os persuade, não a tomar a sombra de 
um burro por um cavalo, mas o mal pelo bem; quando, 
conhecedor dos preconceitos da multidão, ele a impele 
para o mau caminho,
– nesses casos, a teu ver, que frutos a retórica poderá 
recolher daquilo que ela semeou?
FEDRO: – Não pode ser muito bom fruto.
SÓCRATES: – Mas vejamos, meu caro: não nos teremos 
excedido em nossas censuras contra a arte retórica? 
Pode suceder que ela responda: “que estais a tagarelar, 
homens ridículos?
Eu não obrigo ninguém – dirá ela – que ignore aver-
dade a aprender a falar. Mas quem ouve o meu con-
selho tratará de adquirir primeiro esses conhecimen-
tos acerca da verdade para, depois, se dedicar a mim. 
Mas uma coisa posso afirmar com orgulho: sem as 
minhas lições a posse da verdade de nada servirá 
para engendrar a persuasão”.
35
FEDRO: – E não teria ela razão dizendo isso?
SÓCRATES: – Reconheço que sim, se os argumentos usu-
ais provarem que de fato a retórica é uma arte; mas, se 
não me engano, tenho ouvido algumas pessoas atacá-la 
e provar que ela não é isso, mas sim um negócio que 
nada tem que ver com a arte. O lacônio declara: “não 
existe arte retórica propriamente dita sem o conheci-
mento da verdade, nem haverá jamais tal coisa”.
(platÃo. DiÁlogos. porto alegre: eDitora gloBo, 1962.) 
4. (Unesp) “... para quem quer tornar-se orador consu-
mado não é indispensável conhecer o que de fato é justo, 
mas sim o que parece justo para a maioria dos ouvintes, 
que são os que decidem; nem precisa saber tampouco o 
que é bom ou belo, mas apenas o que parece tal...”
Neste trecho da tradução da segunda fala de Fedro, 
observa-se uma frase com estruturas oracionais recor-
rentes, e por isso plena de termos repetidos, sendo no-
tável, a este respeito, a retomada do demonstrativo o 
e do pronome relativo que em o que de fato é justo, o 
que parece justo, os que decidem, o que é bom ou belo, 
o que parece tal. Em todos esses contextos, o relativo 
que exerce a mesma função sintática nas orações de 
que faz parte. Indique-a. 
a) Sujeito. 
b) Predicativo do sujeito. 
c) Adjunto adnominal. 
d) Objeto direto. 
e) Objeto indireto. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Leia o trecho extraído do artigo “Cosmologia, 100”, de 
Antonio Augusto Passos Videira e Cássio Leite Vieira, 
para responder à(s) questão(ões) a seguir.
“Vou conduzir o leitor por uma estrada que eu mesmo 
percorri, árdua e sinuosa.” A frase – que tem algo da es-
sência do hoje clássico A estrada não percorrida (1916), 
do poeta norte-americano Robert Frost (1874-1963) – 
está em um artigo científico publicado há cem anos, 
cujo teor constitui um marco histórico da civilização.
Pela primeira vez, cerca de 50 mil anos depois de o 
Homo sapiens deixar uma mão com tinta estampada 
em uma pedra, a humanidade era capaz de descrever 
matematicamente a maior estrutura conhecida: o Uni-
verso. A façanha intelectual levava as digitais de Albert 
Einstein (1879-1955).
Ao terminar aquele artigo de 1917, o físico de origem 
alemã escreveu a um colega dizendo que o que pro-
duzira o habilitaria a ser “internado em um hospício”. 
Mais tarde, referiu-se ao arcabouço teórico que havia 
construído como um “castelo alto no ar”.
O Universo que saltou dos cálculos de Einstein tinha 
três características básicas: era finito, sem fronteiras e 
estático – o derradeiro traço alimentaria debates e tra-
ria arrependimento a Einstein nas décadas seguintes. 
Em “Considerações Cosmológicas na Teoria da Relativi-
dade Geral”, publicado em fevereiro de 1917 nos Anais 
da Academia Real Prussiana de Ciências, o cientista 
construiu (de modo muito visual) seu castelo usando as 
ferramentas que ele havia forjado pouco antes: a teoria 
da relatividade geral, finalizada em 1915, esquema teó-
rico já classificado como a maior contribuição intelectu-
al de uma só pessoa à cultura humana.
Esse bloco matemático impenetrável (mesmo para fí-
sicos) nada mais é do que uma teoria que explica os 
fenômenos gravitacionais. Por exemplo, por que a Terra 
gira em torno do Sol ou por que um buraco negro devo-
ra avidamente luz e matéria.
Com a introdução da relatividade geral, a teoria da gra-
vitação do físico britânico Isaac Newton (1642-1727) 
passou a ser um caso específico da primeira, para si-
tuações em que massas são bem menores do que as 
das estrelas e em que a velocidade dos corpos é muito 
inferior à da luz no vácuo (300 mil km/s).
Entre essas duas obras de respeito (de 1915 e de 
1917), impressiona o fato de Einstein ter achado tem-
po para escrever uma pequena joia, “Teoria da Relati-
vidade Especial e Geral”, na qual populariza suas duas 
teorias, incluindo a de 1905 (especial), na qual mostra-
ra que, em certas condições, o espaço pode encurtar, e 
o tempo, dilatar.
Tamanho esforço intelectual e total entrega ao raciocí-
nio cobraram seu pedágio: Einstein adoeceu, com pro-
blemas no fígado, icterícia e úlcera. Seguiu debilitado 
até o final daquela década.
Se deslocados de sua época, Einstein e sua cosmologia 
podem ser facilmente vistos como um ponto fora da 
reta. Porém, a historiadora da ciência britânica Patri-
cia Fara lembra que aqueles eram tempos de “cosmo-
logias”, de visões globais sobre temas científicos. Ela 
cita, por exemplo, a teoria da deriva dos continentes, do 
geólogo alemão Alfred Wegener (1880-1930), marcada 
por uma visão cosmológica da Terra.
Fara dá a entender que várias áreas da ciência, naque-
le início de século, passaram a olhar seus objetos de 
pesquisa por meio de um prisma mais amplo, buscando 
dados e hipóteses em outros campos do conhecimento.
folha De s. paulo, 01.01.2017. aDaptaDo. 
5. (Unesp) Em “Vou conduzir o leitor por uma estrada 
que eu mesmo percorri, árdua e sinuosa.” (1º parágra-
fo), o termo destacado exerce a mesma função sintática 
do trecho destacado em: 
a) “[...] o derradeiro traço alimentaria debates e 
traria arrependimento a Einstein nas décadas seguin-
tes.” (4º parágrafo) 
b) “Ela cita, por exemplo, a teoria da deriva dos 
continentes [...].” (10º parágrafo) 
c) “[...] o cientista construiu (de modo muito visual) 
seu castelo usando as ferramentas que ele havia for-
jado pouco antes [...].” (5º parágrafo) 
d) “Seguiu debilitado até o final daquela déca-
da.” (9º parágrafo) 
e) “Se deslocados de sua época, Einstein e sua 
cosmologia podem ser facilmente vistos como um 
ponto fora da reta.” (10º parágrafo)
36
gAbAritO
E.O. Aprendizagem
1. B 2. C 3. C 4. B 5. B
6. C 7. C 8. A 9. D 10. D
E.O. Fixação
1. A 2. E 3. D 4. B 5. B
6. E 7. A 8. D 9. A 10. C
E.O. Complementar
1. A 2. A 3. E 4. E 5. C
E.O. Objetivas
(Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp)
1. B 2. D 3. D 4. A 5. B
37
 POntuaçãO iAULAS 
49 e 50
E.O. AprEndizAgEm
TEXTO PARA A PRÓXIMAQUESTÃO: 
UM DOADOR UNIVERSAL
Tomo um táxi e mando tocar para o hospital do Ipase. 
Vou visitar um amigo que foi operado. O motorista vol-
ta-se para mim: 
- O senhor não está doente e agora não é hora de visi-
ta. Por acaso é médico? Ultimamente ando sentindo um 
negócio esquisito aqui no lombo... 
- Não sou médico. 
Ele deu uma risadinha. 
- Ou não quer dar uma consulta de graça, hein, doutor? 
É isso mesmo, deixa para lá. Para dizer a verdade, não 
tem cara de médico. Vai doar sangue. 
- Quem, eu? 
- O senhor mesmo, quem havia de ser? Não tem mais 
ninguém aqui. 
- Tenho cara de quem vai doar sangue? 
- Para doar sangue não precisa ter cara, basta ter san-
gue. O senhor veja o meu caso, por exemplo. Sempre 
tive vontade de doar sangue. E doar mesmo de graça, 
ali no duro. Deus me livre de vender meu próprio san-
gue: não paguei nada por ele. Escuta aqui uma coisa, 
quer saber o que mais, vou doar meu sangue e é já. 
Deteve o táxi à porta do hospital, saltou ao mesmo 
tempo que eu, foi entrando: 
- E é já. Esse negócio tem de ser assim: a gente sente 
vontade de fazer uma coisa, pois então faz e acabou-se. 
Antes que seja tarde: acabo desperdiçando esse sangue 
meu por aí, em algum desastre. Ou então morro e nin-
guém aproveita. Já imaginou quanto sangue desperdi-
çado por aí nos que morrem? 
- E nos que não morrem? - limitei-me a acrescentar. 
- Isso mesmo. E nos que não morrem! Essa eu gostei. 
Está se vendo que o senhor é moço distinto. Olhe aqui 
uma coisa, não precisa pagar a corrida. 
Deixei-me ficar, perplexo, na portaria (e ele tinha razão, 
não era hora de visitas) enquanto uma senhora recla-
mava seus serviços: 
- Meu marido está saindo do hospital, não pode andar 
direito... 
- Que é que tem seu marido, minha senhora? 
- Quebrou a perna. 
- Então como é que a senhora queria que ele andas-
se direito? 
- Eu não queria. Isto é, queria... Por isso é que estou dizen-
do - confundiu- se a mulher. - O seu táxi não está livre? 
- O táxi está livre, eu é que não estou. A senhora vai me 
desculpar, mas vou doar sangue. Ou hoje ou nunca. 
E gritou para um enfermeiro que ia passando e que nem 
o ouviu: 
- Você aí, ô, branquinho, onde é que se doa sangue? 
Procurei intervir: 
- Atenda a freguesa... O marido dela... 
- Já sei: quebrou a perna e não pode andar direito. 
- Teve alta hoje. - acudiu a mulher, pressentindo simpatia. 
- Não custa nada – insisti. - Ele precisa de táxi. A esta 
hora... 
- Eu queria doar sangue - vacilou ele. - A gente não pode 
nem fazer uma caridade, poxa! 
- Deixa de fazer uma e faz outra, dá na mesma. 
Pensou um pouco, acabou concordando: 
- Está bem. Mas então faço o serviço completo: vai de 
graça. Vamos embora. Cadê o capenga? 
Afastou-se com a mulher, e em pouco passava de novo 
por mim, ajudando-a a amparar o marido, que se arras-
tava, capengando. 
- Vamos, velhinho: te aguenta aí. Cada uma! 
Ainda acenou para mim, de longe, se despedindo. 
saBino, fernanDo. um DoaDor universal. Disponível em: <<http://
www.otempo.com.Br/opini%c3%a3o/fernanDo-saBino/fernanDo-
saBino-um-DoaDor-universal-1.538>>. acesso: 08 maio 2017. 
1. (IFPE) Releia os excertos seguintes, extraídos do 
texto: 
I. Não sou médico. 
II. Ou não quer dar uma consulta de graça, hein, doutor? 
III. Para dizer a verdade, não tem cara de médico. 
IV. Para doar sangue não precisa ter cara. 
V. Ele tinha razão, não era hora de visitas. 
Atentando para o uso da vírgula, assinale a única al-
ternativa que preserva o sentido original expresso pela 
frase no texto. 
a) Ele tinha razão, não, era hora de visitas. 
b) Ou, não, quer dar uma consulta de graça, hein, doutor?
c) Para dizer a verdade, não, tem cara de médico. 
d) Para doar sangue, não, precisa ter cara. 
e) Sou médico, não. 
CompetênCias: 1, 6 e 8 Habilidades: 1, 2, 3, 4, 18, 27 e 29
38
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
A(s) questão(ões) a seguir estão relacionadas ao 
texto abaixo.
André Devinne procura cultivar a ingenuidade – uma 
defesa contra tudo 1o que 2não entende. 3Pressente: há 
alguma coisa irresolvida que 4está em parte alguma, 
mas os nervos sentem- 1. Quem sabe seja uma espé-
cie de vergonha. Quem sabe o medo enigmático dos 
quarenta anos. Certamente não é a angústia de se ver 
lavando o carro numa tarde de sábado5, um homem de 
sua posição. É até com delicadeza que se entrega ao sol 
das três da tarde, agachado, sem camisa, esfregando o 
pano sujo no pneu, num ritual disfarçado em que evita 
formular seu tranquilo desespero. Assim: ele está numa 
guerra, mas por acaso6; de onde está, submerso na in-
genuidade, 7à qual 8se agarra sem saber, não consegue 
ver o inimigo. 9Talvez não haja nenhum.
10– Filha, não fique aí no sol sem camisa.
A menina recuou até a sombra. Agachou-se, olhos ne-
gros no pai.
11– Você vai pra praia hoje?
André Devinne contemplou o pneu lavado: um bom tra-
balho.
12– Não sei. Falou com a mãe?
– Ela está pintando.
A filha tem o mesmo olhar da mãe, 13quando Laura, da 
janela do ateliê, observa o mar da Barra, transforman-
do aquela estreita faixa de azul acima da Lagoa, numa 
outra faixa, de outra cor, mas igualmente suave, na tela 
em branco. Um olhar que investiga sem ferir – que pa-
rece, de fato, ver o que está lá.
Devinne espreguiçou-se esticando as pernas14. Largou o 
pano imundo no balde, sentou-se e olhou o céu, o hori-
zonte, as duas faixas de mar, o azul da Lagoa, vivendo 
momentaneamente o prazer de proprietário. Lembrou-
-se da lição de inglês – It’s a nice day, isn’t it? – e tentou 
2 de imediato, mas era tarde: o corpo inteiro se povoou 
de lembrança e ansiedade, exigindo explicações. Esta-
va indo bem, a professora era uma mulher competente, 
agradável, independente. Talvez justo por isso, ele te-
nha cometido aquela estupidez. Sem pensar, voltou a 
cabeça e acenou para Laura, que do janelão do ateliê 
respondeu- 3 com um gesto. A filha insistiu:
– Pai, você vai pra praia?
Mudar todos os assuntos.
– Julinha, o que é, o que é? Vive casando 15e está sem-
pre solteiro?
Ela riu.
– Ah, pai. Essa é fácil. O padre!
tezza, c. o fantasma Da infância. rio De 
Janeiro: eD. recorD, 2007. p. 9-10. 
2. (UFRGS) Considere as seguintes propostas de altera-
ção de sinais de pontuação no texto.
I. Substituição da vírgula da referência 5 por ponto e 
vírgula.
II. Substituição do ponto e vírgula da referência 6 por 
ponto final.
III. Substituição do ponto final da referência 14 por vírgula.
Desconsiderando eventuais ajustes no emprego de 
letras maiúsculas e minúsculas, quais propostas estão 
corretas? 
a) Apenas I. 
b) Apenas II. 
c) Apenas I e II. 
d) Apenas II e III. 
e) I, II e III. 
3. (Espcex) Leia os versos abaixo e assinale a alterna-
tiva que apresenta o mesmo emprego das vírgulas no 
primeiro verso.
“Torce, aprimora, alteia, lima
A frase; e, enfim,”
(olavo Bilac) 
a) “E, ao vir do sol, saudoso e em pranto” 
b) “O alvo cristal, a pedra rara,/ O ônix prefiro.” 
c) “Acendeu um cigarro, cruzou as pernas, estalou as 
unhas,...” 
d) “Uns diziam que se matou, outros, que fora para 
o Acre.” 
e) “Mocidade ociosa, velhice vergonhosa.” 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
A MAÇÃ DE OURO
A Apple supera a Microsoft em valor de mercado, pre-
miando o espírito visionário e libertário de Steve Jobs
12A Microsoft e a Apple vieram ao mundo praticamen-
te ao mesmo tempo, em meados dos anos 1970, criadas 
na garagem de jovens estudantes. Mas as empresas não 
trilharam caminhos paralelos. A Microsoft desenvolveu 
o sistema operacional mais popular do mundo e rapi-
damente se tornou uma das maiores corporações ame-
ricanas, rivalizando com gigantes da velha indústria. A 
Apple, ao contrário, demorou a decolar. 14Fazia produtos 
inovadores, mas que vendiam pouco. 4Isso começou a 
mudar quando Steve Jobs, um de seus fundadores, 6que 
fora afastado nos anos 80, assumiu o comando criativo 
da empresa, em 1996. 11A Apple estava à beira da falên-
cia e só ganhou sobrevida porque recebeu um 10aporte 
de 150 milhões de dólares de Microsoft. Jobs iniciou o 
lançamento de produtos 8genuinamenterevolucionários 
nas áreas que mais crescem na indústria de tecnologia. 
Primeiro com o iPod e a loja virtual iTunes. Depois vieram 
o iPhone e, agora, o iPad. Desde o início de 2005, o pre-
ço das ações da empresa foi multiplicado por oito. 3Na 
semana passada, a Apple alcançou o cume. 15Tornou-se 
a companhia de tecnologia mais valiosa do mundo, su-
perando a Microsoft. 13Na sexta-feira, a empresa de Jobs 
tinha valor de mercado de 233 bilhões de dólares, contra 
226 bilhões de dólares da companhia de Bill Gates.
2A Marca, para além da disputa pessoal entre os 7maio-
res gênios da nova economia, coroa a estratégia defi-
39
nida por Jobs. Quando ele retornou à Apple, tamanha 
era a descrença no futuro da empresa que Michael Dell, 
fundador da Dell, afirmou que o melhor a fazer era fe-
char as portas e devolver o dinheiro a 5seus acionistas. 
Hoje, a Dell vale um décimo da Apple. 1O mérito de Jobs 
foi ter a 9presciência do rumo que o mercado tomaria.
Barrucho, luís guilherme & tsuBoi, larissa. a maçà De 
ouro. in: revista veJa, 02 De Jun. 2010, p.187. aDaptaDo. 
4. (Epcar (Afa) Assinale a alternativa em que o uso da 
vírgula se dá pela mesma razão da que se percebe no 
trecho abaixo.
“A Microsoft e a Apple vieram ao mundo praticamente 
ao mesmo tempo, em meados dos anos 1970, criadas 
na garagem de jovens estudantes.” (ref. 12) 
a) “A Marca, para além da disputa pessoal entre os 
maiores gênios da economia, coroa a estratégia defi-
nida por Jobs.” (ref. 2) 
b) “Na sexta-feira, a empresa de Jobs tinha valor de 
mercado de 233 bilhões de dólares, contra 226 bi-
lhões de dólares...” (ref. 13) 
c) “... Fazia produtos inovadores, mas que vendiam 
pouco.” (ref. 14) 
d) “Tornou-se a companhia de tecnologia mais valio-
sa do mundo, superando a Microsoft.” (ref. 15) 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
CAPÍTULO 48
Conclusão feliz
[...]
Passado o tempo indispensável do luto, o Leonardo, em 
uniforme de Sargento de Milícias, recebeu-se na Sé com 
Luisinha, assistindo à cerimônia a família em peso.
Daqui em diante aparece o reverso da medalha. Se-
guiu-se a morte de Dona Maria, a do Leonardo-Pataca, 
e uma enfiada de acontecimentos tristes que poupare-
mos aos leitores, fazendo aqui o ponto final.
almeiDa, manuel antonio De. memórias De um sargento 
De milícias. rio De Janeiro: eDiouro, p. 121. 
5. (Udesc) Nas alterações da frase “o Leonardo, em uni-
forme de Sargento de Milícias, recebeu-se na Sé com 
Luisinha”, uma das alternativas apresenta incorreção 
quanto ao emprego formal da vírgula, bem como alte-
ração de sentido em relação à frase original. Assinale-a. 
a) Em uniforme de Sargento de Milícias, o Leonardo 
encontrou-se na Sé com Luisinha. 
b) O Leonardo, encontrou-se na Sé com Luisinha em 
uniforme de Sargento de Milícias. 
c) Encontrou-se na Sé, e em uniforme de Sargento de 
Milícias, o Leonardo com Luisinha. 
d) Na Sé, e em uniforme de Sargento de Milícias, o 
Leonardo encontrou-se com Luisinha. 
e) Encontrou-se o Leonardo, em uniforme de Sargen-
to de Milícias, na Sé com Luisinha. 
6. (Espm) Assinale a frase que apresente o melhor uso 
das vírgulas: 
a) Com o desenvolvimento econômico a participação 
dos serviços sofisticados, aumenta e, em consequên-
cia, a participação da indústria de transformação cai. 
b) Com o desenvolvimento econômico, a participação 
dos serviços sofisticados aumenta, e em consequên-
cia, a participação da indústria de transformação cai. 
c) Com o desenvolvimento econômico, a participação 
dos serviços sofisticados aumenta, e, em consequên-
cia, a participação da indústria de transformação cai. 
d) Com o desenvolvimento econômico, a participação 
dos serviços sofisticados aumenta, e, em consequên-
cia a participação da indústria de transformação cai. 
e) Com o desenvolvimento econômico, a participação 
dos serviços sofisticados aumenta e em consequên-
cia, a participação da indústria de transformação, cai. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
A(s) questão(ões) a seguir está(ao) relacionada(s) ao 
texto abaixo.
É preciso estabelecer uma distinção radical entre um 
“brasil” escrito com letra minúscula, nome de um tipo 
de madeira de lei 1ou de uma feitoria interessada em 
explorar uma terra como outra qualquer2, 3e o Brasil 
que designa um povo, uma 4nação, um conjunto de va-
lores, escolhas e ideais de vida. O “brasil” com b minús-
culo é apenas um objeto sem vida5, pedaço de coisa que 
morre e não tem a menor condição de 6se reproduzir 
como sistema. 7Mas o Brasil com B maiúsculo é algo 
muito mais complexo.
Estamos interessados em responder esta pergunta: afi-
nal de contas, o que faz o brasil, BRASIL? Note-se que 
se trata de uma pergunta relacional que, tal como faz 
a própria sociedade brasileira, quer juntar e não dividir. 
Queremos, 8isto sim, descobrir como é que eles se ligam 
entre 9si10; como é que cada um depende do outro; e 
11como os dois formam uma realidade única que existe 
concretamente naquilo que chamamos de “12pátria”.
13Se a condição humana determina que todos os ho-
mens devem comer, dormir, trabalhar, reproduzir-se e 
rezar, essa determinação não chega ao ponto de especi-
ficar também qual comida ingerir, de que modo produ-
zir e para quantos deuses 14ou espíritos rezar. É precisa-
mente aqui, nessa espécie de zona indeterminada, mas 
necessária, que nascem as diferenças e, nelas, os estilos, 
os modos de ser e estar; os “15jeitos” de cada grupo 
humano. 16Trata-se, sempre, da questão de identidade.
Como se constrói uma identidade social? Como um povo 
se transforma em Brasil? 17A pergunta, 18na sua discreta 
singeleza, permite descobrir algo muito importante. É 
que, no meio de uma multidão de experiências dadas 
a todos os homens e sociedades, algumas necessárias 
à própria sobrevivência – como comer, dormir, morrer, 
reproduzir-se etc. – outras acidentais ou históricas –, 19o 
Brasil ter sido descoberto por portugueses e não por 
chineses, a geografia do Brasil ter certas características, 
falarmos 20português e não 21francês, a família real ter 
se transferido para o Brasil no início do século XIX etc. 
40
–, cada sociedade (e cada ser humano) apenas se utiliza 
de um número limitado de “22coisas” (e de experiên-
cias) 23para se construir como algo único.
24Nessa perspectiva, a chave para entender a 25socie-
dade brasileira é uma 26chave dupla. 27E, 28para mim, a 
capacidade relacional — do antigo com o moderno – ti-
pifica e singulariza a sociedade brasileira. Será preciso, 
29portanto, discutir o Brasil como uma 30moeda. Como 
algo que tem dois lados. 31E mais: como uma realida-
de que nos tem 32iludido, precisamente porque 33nunca 
lhe propusemos esta questão relacional e reveladora: 
afinal de contas, como se ligam as duas faces de uma 
mesma moeda? O que faz o 34brasil, 35Brasil?
aDaptaDo De: Damatta, r. o que faz o Brasil, 
Brasil? a questÃo Da iDentiDaDe.
in:_____. o que faz o Brasil, Brasil? rio De 
Janeiro: rocco, 1986. p. 9-17. 
7. (Ufrgs) Considere as seguintes propostas de altera-
ção de sinais de pontuação no texto.
I. Supressão da vírgula na referência 2.
II. Substituição da vírgula na referência 5 por travessão.
III. Substituição do ponto e vírgula na referência 10 por 
ponto final.
Desconsiderando eventuais ajustes no emprego de 
letras maiúsculas e minúsculas, quais propostas estão 
corretas, no contexto do parágrafo em que ocorrem? 
a) Apenas I. 
b) Apenas II. 
c) Apenas I e III. 
d) Apenas II e III. 
e) I, II e III. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Leia o texto abaixo e responda à(s) questão(ões).
Leitura - leituras: quando ler (bem) é preciso
“[...] Alguns leitores ao lerem estas frases (poesia cita-
da) não compreenderam logo. Creio mesmo é impossível 
compreender inteiramente à primeira leitura pensamen-
tos assim esquematizados sem uma certa prática.”
mÁrio De anDraDe – artista
“Eu sou um escritor difícil
Que a muita gente enquizila,
Porém essa culpa é fácil
De se acabar duma vez:
É só tirar a cortina
Que entra luz nesta escurez.”
mÁrio De anDraDe – lunDuDo escritor Difícil
No eterno criar e recriar da atividade verbal, a criati-
vidade, a semanticidade, a intersubjetividade, a mate-
rialidade e a historicidade são propriedades essenciais 
da linguagem, indispensáveis a todos os atos da fala, 
sejam eles presente, passados ou futuros.
Porém, é a atividade semântica que intermedeia a co-
nexão dos seres humanos com o mundo dos objetos, es-
tabelecendo a relação entre o EU e o Universo, e, junto 
com a alteridade (relação do EU com o Outro, de cará-
ter interlocutivo), permite a identificação da linguagem 
como tal, pois a linguagem existe não apenas para sig-
nificar, mas significar alguma coisa para o outro.
A semanticidade possibilita o indivíduo conceber e re-
velar as coisas pertencentes ao mundo do real e da ima-
ginação. Logo, é ao mesmo tempo significação, modo 
de conceber, ou melhor, uma configuração linguística de 
conhecimento, uma organização verbal do pensamento, 
e designação ou referência, aplicação dos conceitos às 
coisas extralinguísticas. [...].
No processo de leitura do texto, para que o leitor se apro-
prie desse(s) sentido(s), é necessário que ele domine não 
apenas o código linguístico, mas também compartilhe 
bagagem cultural, vivências, experiências, valores, corre-
lacione os conhecimentos construídos anteriormente (de 
gênero e de mundo, entre outros) com as novas informa-
ções expressas no texto; faça inferências e comparações; 
compreenda que o texto não é uma estrutura fechada, 
acabada, pronta; perceba as significações, as intenciona-
lidades, os dialogismos, o não dito, os silêncios.
Em resumo, é fundamental que, por meio de uma série 
de contribuições, o interlocutor colabore para a constru-
ção do conhecimento. Assim, ler não significa traduzir um 
sentido já considerado pronto, mas interagir com o outro 
(o autor), aceitando, ou não, os propósitos do interlocutor.
profª marina cezar – revista villegagnon. 
ano iv. nº 4. 2009 – texto aDaptaDo. 
8. (Esc. Naval) No trecho a seguir.
“No eterno criar e recriar da atividade verbal, a criativi-
dade, a semanticidade, a intersubjetividade, a materia-
lidade e a historicidade são propriedades essenciais da 
linguagem [...]” (1º parágrafo)
Assinale a opção em que o comentário acerca do uso 
dos sinais de pontuação está correto, tendo em vista a 
norma-padrão. 
a) A primeira vírgula separa o sujeito do restante da 
frase, as demais separam os apostos. 
b) As vírgulas separam, respectivamente, um adjunto 
adverbial a termos de mesma função sintática. 
c) Todas as vírgulas poderiam ser retiradas, pois não 
há necessidade de pausas no trecho. 
d) É igualmente correto usar ponto e vírgula no lugar 
de cada vírgula presente no trecho. 
e) Pode-se usar um travessão no lugar da primeira 
vírgula e manter as demais sem prejuízo. 
9. (Espcex (Aman)) Marque a opção que justifica a colo-
cação do ponto e vírgula e da vírgula utilizados por José 
de Alencar no período.
“Depois Iracema quebrou a flecha homicida; deu a haste 
ao desconhecido, guardando consigo a ponta farpada.” 
a) O ponto e vírgula indica citação e a vírgula indica 
locução. 
b) O ponto e vírgula separa oração coordenada e a 
vírgula separa oração reduzida. 
41
c) O ponto e vírgula indica citação e a vírgula separa 
termos da oração. 
d) O ponto e vírgula separa oração coordenada e a 
vírgula marca mudança de sujeito. 
e) O ponto e vírgula indica enumeração e a vírgula 
separa termos da oração. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
O homem deve reencontrar o Paraíso...
Rubem Alves
Era uma família grande, todos amigos. Viviam como to-
dos nós: moscas presas na enorme teia de aranha que 
é a vida da cidade. Todos os dias a aranha que é a vida 
da cidade. Todos os dias a aranha lhes arrancava um 
pedaço. Ficaram cansados. Resolveram mudar de vida: 
um sonho louco: navegar! Um barco, o mar, o céu, as 
estrelas, os horizontes sem fim: liberdade. Venderam o 
que tinham, compraram um barco capaz de atravessar 
mares e sobreviver tempestades.
Mas para navegar não basta sonhar. É preciso saber. 
São muitos os saberes necessários para se navegar. 
Puseram-se então a estudar cada um aquilo que teria 
de fazer no barco: manutenção do casco, instrumentos 
de navegação, astronomia, meteorologia, as velas, as 
cordas, as polias e roldanas, os mastros, o leme, os pa-
rafusos, o motor, o radar, o rádio, as ligações elétricas, 
os mares, os mapas... Disse cero o poeta: Navegar é 
preciso, a ciência da navegação é saber preciso, exige 
aparelhos, números e medições. Barcos se fazem com 
precisão, astronomia se aprende com o rigor da geome-
tria, velas se fazem com saberes exatos sobre tecidos, 
cordas e ventos, instrumentos de navegação não infor-
mam mais ou menos. Assim, eles se tornaram cientistas, 
especialistas, cada um na sua – juntos para navegar.
Chegou então o momento de grande decisão – para 
onde navegar. Um sugeria as geleiras do sul do Chile, 
outro os canais dos fiordes da Noruega, um outro que-
ria conhecer os exóticos mares e praias das ilhas do 
Pacífico, e houve mesmo quem quisesse navegar nas 
rotas de Colombo. E foi então que compreenderam que, 
quando o assunto era a escolha do destino, as ciências 
que conheciam para nada serviam.
De nada valiam, tabelas, gráficos, estatísticas. Os com-
putadores, coitados, chamados a dar seu palpite, fica-
ram em silêncio. Os computadores não têm preferên-
cias – falta-lhes essa sutil capacidade de gostar, que é a 
essência da vida humana. Perguntados sobre o porto de 
sua escolha, disseram que não entendiam a pergunta, 
que não lhes importava para onde se estava indo.
Se os barcos se fazem com ciência, a navegação faz-se 
com sonhos. Infelizmente a ciência, utilíssima, especia-
lista em saber como as coisas funcionam, tudo ignora 
sobre o coração humano. É preciso sonhar para se decidir 
sobre o destino da navegação. Mas o coração humano, 
lugar dos sonhos, ao contrário da ciência, é coisa precio-
sa. Disse certo poeta: Viver não é preciso. Primeiro vem 
o impreciso desejo. Primeiro vem o impreciso desejo de 
navegar. Só depois vem a precisa ciência de navegar.
Naus e navegação têm sido uma das mais poderosas 
imagens na mente dos poetas. Ezra Pound inicia seus 
Cânticos dizendo: E pois com a nau no mar/ assestamos 
a quilho contra as vagas... Cecília Meireles: Foi, desde 
sempre, o mar! A solidez da terra, monótona/ parece-nos 
fraca ilusão! Queremos a ilusão do grande mar / multipli-
cada em suas malhas de perigo. E Nietzsche: Amareis a 
terra de vossos filhos, terra não descoberta, no mar mais 
distante. Que as vossas velas não se cansem de procurar 
esta terra! O nosso leme nos conduz para a terra dos nos-
sos filhos... Viver é navegar no grande mar!
Não só os poetas: C. Wright Mills, um sociólogo sábio, 
comparou a nossa civilização a uma galera que navega 
pelos mares. Nos porões estão os remadores. Remam 
com precisão cada vez maior. A cada novo dia recebem 
novos, mais perfeitos. O ritmo da remadas acelera. Sa-
bem tudo sobre a ciência do remar. A galera navega cada 
vez mais rápido. Mas, perguntados sobre o porto do des-
tino, respondem os remadores: O porto não nos importa. 
O que importada é a velocidade com que navegamos.
C Wright Mills usou esta metáfora para descrever a nos-
sa civilização por meio duma imagem plástica: multipli-
cam-se os meios técnicos e científicos ao nosso dispor, 
que fazem com que as mudanças sejam cada vez mais 
rápidas; mas não temos ideia alguma de para onde na-
vegamos. Para onde? Somente um navegador louco ou 
perdido navegaria sem ter ideia do para onde. Em re-
lação à vida da sociedade, ela contém a busca de uma 
utopia. Utopia, na linguagem comum, é usada como so-
nho impossível de ser realizado. Mas não é isso. Utopia 
é um ponto inatingível que indica uma direção.
Mário Quintana explicou a utopia com um verso: Se as 
coisas são inatingíveis... ora!/ não é um motivo para 
não querê-las... Que tristes os caminho, se não fora/ A 
mágica presença das estrelas! Karl Mannheim, outro 
sociólogo sábio quepoucos leem, já na década de 1920 
diagnosticava a doença da nossa civilização: Não temos 
consciência de direções, não escolhemos direções. Fal-
tam-nos estrelas que nos indiquem o destino.
Hoje, ele dizia, as únicas perguntas que são feitas, de-
terminadas pelo pragmatismo da tecnologia (o impor-
tante é produzir o objeto) e pelo objetivismo da ciência 
(o importante é saber como funciona), são: Como pos-
so fazer tal coisa? Como posso resolver este problema 
concreto em particular? E conclui: E em todas essas 
perguntas sentimos o eco intimista: não preciso de me 
preocupar com o todo, ele tomará conta de si mesmo.
Em nossas escolas é isso que se ensina: a precisa ciência 
da navegação, sem que os estudantes sejam levados a 
sonhar com as estrelas. A nau navega veloz e sem rumo. 
Nas universidades, essa doença assume a forma de pes-
te epidêmica: cada especialista se dedica com paixão e 
competência, a fazer pesquisas sobre o seu parafuso, 
sua polia, sua vela, seu mastro.
Dizem que seu dever é produzir conhecimento. Se fo-
rem bem-sucedidas, suas pesquisas serão publicadas 
em revistas internacionais. Quando se lhes pergunta: 
Para onde seu barco está navegando?, eles respondem: 
Isso não é científico. Os sonhos não são objetos de co-
nhecimento científico.
42
E assim ficam os homens comuns abandonados por 
aqueles que, por conhecerem mares e estrelas, lhes po-
deriam mostrar o rumo. Não posso pensar a missão das 
escolas, começando com as crianças e continuando com 
os cientistas, como outra que não a da realização do 
dito poeta: Navegar é preciso. Viver não é preciso.
 É necessário ensinar os precisos saberes da navegação 
enquanto ciência. Mas é necessário apontar com impre-
cisos sinais para os destinos da navegação: A terra dos 
filhos dos meus filhos, no mar distante... Na verdade, 
a ordem verdadeira é a inversa. Primeiro, os homens 
sonham com navegar. Depois aprendem a ciência da na-
vegação. É inútil ensinar a ciência da navegação a quem 
mora nas montanhas.
O meu sonho para a educação foi dito por Bachelard: O 
universo tem um destino de felicidade. O homem deve 
reencontrar o Paraíso. O paraíso é o jardim, lugar de fe-
licidade, prazeres e alegrias para os homens e mulheres. 
Mas há um pesadelo que me atormenta: o deserto. Hou-
ve um momento em que se viu, por entre as estrelas, um 
brilho chamado progresso. Está na bandeira nacional... 
E, quilha contra as vagas, a galera navega em direção 
ao progresso, a uma velocidade cada vez maior, e nin-
guém questiona a direção. E é assim que as florestas 
são destruídas, os rios se transformam em esgotos de 
fezes e veneno, o ar se enche de gases, os campos se 
cobrem de lixo – e tudo ficou feio e triste.
Sugiro aos educadores que pensem menos nas tecnolo-
gias do ensino – psicologias e quinquilharias – e tratem 
de sonhar, com os seus alunos, sonhos de um Paraíso.
Obs.: O texto foi adaptado às regras do Novo Acordo 
Ortográfico. 
10. (Efomm 2018) Nos fragmentos que se seguem, é 
possível a presença de uma vírgula, EXCETO no frag-
mento da alternativa 
a) É necessário ensinar os precisos saberes da nave-
gação enquanto ciência. 
b) Infelizmente a ciência, utilíssima, especialista em 
saber ‘como as coisas funcionam’, tudo ignora sobre 
o coração humano. 
c) Em nossas escolas é isso que se ensina: a precisa 
ciência da navegação, sem que os estudantes sejam 
levados a sonhar com as estrelas. 
d) Primeiro, os homens sonham com navegar. Depois 
aprendem a ciência da navegação. 
e) Todos os dias a aranha lhes arrancava um pedaço. 
Ficaram cansados.
E.O. FixAçãO
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Noruega como Modelo de Reabilitação de Criminosos
O Brasil é responsável por uma das mais altas taxas 
de reincidência criminal em todo o mundo. No país, a 
taxa média de reincidência (amplamente admitida, mas 
nunca comprovada empiricamente) é de mais ou menos 
70%, ou seja, 7 em cada 10 criminosos voltam a come-
ter algum tipo de crime após saírem da cadeia.
Alguns perguntariam "Por quê?". E eu pergunto: "Por 
que não?" O que esperar de um sistema que propõe 
reabilitar e reinserir aqueles que cometerem algum tipo 
de crime, mas nada oferece, para que essa situação re-
almente aconteça? Presídios em estado de depredação 
total, pouquíssimos programas educacionais e laborais 
para os detentos, praticamente nenhum incentivo cul-
tural, e, ainda, uma sinistra cultura (mas que diverte 
muitas pessoas) de que bandido bom é bandido morto 
(a vingança é uma festa, dizia Nietzsche).
Situação contrária é encontrada na Noruega. Considerada 
pela ONU, em 2012, o melhor país para se viver (1º no 
ranking do IDH) e, de acordo com levantamento feito pelo 
Instituto Avante Brasil, o 8º país com a menor taxa de ho-
micídios no mundo, lá o sistema carcerário chega a rea-
bilitar 80% dos criminosos, ou seja, apenas 2 em cada 10 
presos voltam a cometer crimes; é uma das menores taxas 
de reincidência do mundo. Em uma prisão em Bastoy, cha-
mada de ilha paradisíaca, essa reincidência é de cerca de 
16% entre os homicidas, estupradores e traficantes que 
por ali passaram. Os EUA chegam a registrar 60% de rein-
cidência e o Reino Unido, 50%. A média europeia é 50%.
A Noruega associa as baixas taxas de reincidência ao 
fato de ter seu sistema penal pautado na reabilitação 
e não na punição por vingança ou retaliação do crimi-
noso. A reabilitação, nesse caso, não é uma opção, ela 
é obrigatória. Dessa forma, qualquer criminoso poderá 
ser condenado à pena máxima prevista pela legislação 
do país (21 anos), e, se o indivíduo não comprovar estar 
totalmente reabilitado para o convívio social, a pena 
será prorrogada, em mais 5 anos, até que sua reintegra-
ção seja comprovada.
O presídio é um prédio, em meio a uma floresta, decora-
do com grafites e quadros nos corredores, e no qual as 
celas não possuem grades, mas sim uma boa cama, ba-
nheiro com vaso sanitário, chuveiro, toalhas brancas e 
porta, televisão de tela plana, mesa, cadeira e armário, 
quadro para afixar papéis e fotos, além de geladeiras. 
Encontra-se lá uma ampla biblioteca, ginásio de espor-
tes, campo de futebol, chalés para os presos receberem 
os familiares, estúdio de gravação de música e oficinas 
de trabalho. Nessas oficinas são oferecidos cursos de 
formação profissional, cursos educacionais, e o traba-
lhador recebe uma pequena remuneração. Para contro-
lar o ócio, oferecer muitas atividades, de educação, de 
trabalho e de lazer, é a estratégia.
A prisão é construída em blocos de oito celas cada (al-
guns dos presos, como estupradores e pedófilos, ficam 
em blocos separados). Cada bloco tem sua cozinha. A 
comida é fornecida pela prisão, mas é preparada pelos 
próprios detentos, que podem comprar alimentos no 
mercado interno para abastecer seus refrigeradores.
Todos os responsáveis pelo cuidado dos detentos de-
vem passar por no mínimo dois anos de preparação 
para o cargo, em um curso superior, tendo como obriga-
ção fundamental mostrar respeito a todos que ali estão. 
Partem do pressuposto que, ao mostrarem respeito, os 
outros também aprenderão a respeitar.
43
A diferença do sistema de execução penal norueguês em 
relação ao sistema da maioria dos países, como o bra-
sileiro, americano, inglês, é que ele é fundamentado na 
ideia de que a prisão é a privação da liberdade, e pautado 
na reabilitação e não no tratamento cruel e na vingança.
O detento, nesse modelo, é obrigado a mostrar progres-
sos educacionais, laborais e comportamentais, e, dessa 
forma, provar que pode ter o direito de exercer sua li-
berdade novamente junto à sociedade.
A diferença entre os dois países (Noruega e Brasil) é a 
seguinte: enquanto lá os presos saem e praticamente 
não cometem crimes, respeitando a população, aqui os 
presos saem roubando e matando pessoas. Mas essas 
são consequências aparentemente colaterais, porque 
a população manifesta muito mais prazer no massacre 
contra o preso produzido dentro dos presídios (a vin-
gança é uma festa, dizia Nietzsche).
luiz flÁvio gomes, Jurista,Diretor-presiDente Do instituto 
avante Brasil e coeDitor Do portal atualiDaDesDoDireito.
com.Br. estou no BlogDolfg.com.Br.
** colaBorou flÁvia mestriner Botelho, socióloga 
e pesquisaDora Do instituto avante Brasil.
fonte: aDaptaDo De http://institutoavanteBrasil.com.Br/
noruega-como-moDelo-De-reaBilitacao-De-criminosos/.
acessaDo em 17 De março De 2017. 
1. (Espcex (Aman) 2018) Assinale a alternativa em que 
o emprego da vírgula é opcional. 
a) "Partem do pressuposto que, ao mostrarem respei-
to, os outros também aprenderão a respeitar." 
b) "O detento é obrigado a mostrar progressos, para 
provar que pode ser reincluído na sociedade." 
c) "Os EUA chegam a registrar 60% de reincidência, 
o Reino Unido, 50%." 
d) "Para controlar o ócio, oferecer muitas atividades 
de educação é a estratégia." 
e) "Cada bloco contém uma cozinha, comida forneci-
da pela prisão e preparada pelos presos." 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
A CONDIÇÃO HUMANA
A Vita Activa e a Condição Humana
Com a expressão vita activa, pretendo designar três ati-
vidades humanas fundamentais: 1labor, trabalho e ação. 
Trata-se de atividades fundamentais porque a cada uma 
delas corresponde uma das condições básicas mediante 
as quais a vida foi dada ao homem na Terra.
O labor é a atividade que corresponde ao processo 
biológico do corpo humano, 2cujos crescimento espon-
tâneo, metabolismo e eventual declínio têm a ver com 
as necessidades vitais produzidas e introduzidas pelo 
labor no processo da vida. A condição humana do la-
bor é a própria vida.
3O trabalho é a atividade correspondente ao artificia-
lismo da existência humana, existência esta não neces-
sariamente contida no eterno ciclo vital da espécie, e 
cuja mortalidade não é compensada por este último. O 
trabalho produz um mundo “artificial” de coisas, nitida-
mente diferente de qualquer ambiente natural. Dentro 
de suas fronteiras habita cada vida individual, embora 
esse mundo se destine a sobreviver e a transcender to-
das as vidas individuais. A condição humana do traba-
lho é a mundanidade.
A ação, única atividade que se exerce diretamente entre 
os homens sem a mediação das coisas ou da matéria, cor-
responde à condição humana da pluralidade, ao fato de 
que homens, e não o Homem, vivem na Terra e habitam o 
mundo. Todos os aspectos da condição humana têm algu-
ma relação com a política; mas esta pluralidade é especifi-
camente a condição – não apenas a conditio sine qua non, 
mas a conditio per quam – de toda a vida política. Assim, 
o idioma dos romanos – talvez o povo mais político que 
conhecemos – empregava como sinônimas as expressões 
“viver” e “estar entre os homens” (inter homines esse), 
ou “morrer” e “deixar de estar entre os homens” (inter 
homines esse desinere). Mas, em sua forma mais elemen-
tar, a condição humana da ação está implícita até mesmo 
em Gênesis (macho e fêmea Ele os criou), se entendermos 
que esta versão da criação do homem diverge, em prin-
cípio, da outra segundo a qual Deus originalmente criou 
o Homem (adam) – a ele, e não a eles, de sorte que a 
pluralidade dos seres humanos vem a ser o resultado da 
multiplicação4. A ação seria um luxo desnecessário, uma 
caprichosa interferência com as leis gerais do comporta-
mento, se os homens não passassem de repetições inter-
minavelmente reproduzíveis do mesmo modelo, todas 
dotadas da mesma natureza e essência, tão previsíveis 
quanto a natureza e a essência de qualquer outra coisa. 
A pluralidade é a condição da ação humana pelo fato de 
sermos todos os mesmos, isto é, humanos, sem que nin-
guém seja exatamente igual a qualquer pessoa que tenha 
existido, exista ou venha a existir.
As três atividades e suas respectivas condições têm ínti-
ma relação com as condições mais gerais da existência 
humana: o nascimento e a morte, a natalidade e a mor-
talidade. O labor assegura não apenas a sobrevivência 
do indivíduo, mas a vida da espécie. O trabalho e seu 
produto, o artefato humano, emprestam certa perma-
nência e durabilidade à futilidade da vida mortal e ao 
caráter efêmero do corpo humano. A ação, na medida 
em que se empenha em fundar e preservar corpos po-
líticos, cria a condição para a lembrança, ou seja, para 
a história. O labor e o trabalho, bem como a ação, têm 
também raízes na natalidade, na medida em que sua ta-
refa é produzir e preservar o mundo para o constante 
influxo de recém-chegados que vêm a este mundo na 
qualidade de estranhos, além de prevê-los e levá-los em 
conta. Não obstante, das três atividades, a ação é a mais 
intimamente relacionada com a condição humana da 
natalidade; o novo começo inerente a cada nascimento 
pode fazer-se sentir no mundo somente porque o recém-
-chegado possui a capacidade de iniciar algo novo, isto 
é, de agir. Neste sentido de iniciativa, todas as atividades 
humanas possuem um elemento de ação e, portanto, de 
natalidade. Além disto, como a ação é a atividade política 
por excelência, a natalidade, e não a mortalidade, pode 
constituir a categoria central do pensamento político, em 
contraposição ao pensamento metafísico.
44
A condição humana compreende algo mais que as 
condições nas quais a vida foi dada ao homem. Os ho-
mens são seres condicionados: tudo aquilo com o qual 
eles entram em contato torna-se imediatamente uma 
condição de sua existência. O mundo no qual transcor-
re a vita activa consiste em coisas produzidas pelas 
atividades humanas; mas, constantemente, as coisas 
que devem sua existência exclusivamente aos homens 
também condicionam os seus autores humanos. Além 
das condições nas quais a vida é dada ao homem na 
Terra e, até certo ponto, a partir delas, os homens 
constantemente criam as suas próprias condições que, 
a despeito de sua variabilidade e sua origem huma-
na, possuem a mesma força condicionante das coisas 
naturais. O que quer que toque a vida humana ou en-
tre em duradoura relação com ela, assume imediata-
mente o caráter de condição da existência humana. É 
por isso que os homens, independentemente do que 
façam, são sempre seres condicionados. Tudo o que 
espontaneamente adentra o mundo humano, ou para 
ele é trazido pelo esforço humano, torna-se parte da 
condição humana. O impacto da realidade do mundo 
sobre a existência humana é sentido e recebido como 
força condicionante. A objetividade do mundo – o seu 
caráter de coisa ou objeto – e a condição humana 
complementam-se uma à outra; por ser uma existên-
cia condicionada, a existência humana seria impossí-
vel sem as coisas, e estas seriam um amontoado de 
artigos incoerentes, um não mundo, se esses artigos 
não fossem condicionantes da existência humana.
arenDt, hannah. a conDiçÃo humana. traDuçÃo 
De roBerto raposo: eDitora Da universiDaDe De sÃo 
paulo, 1981. pp. 15-17 (texto aDaptaDo).
4Quando se analisa o pensamento político pós-clás-
sico, muito se pode aprender verificando-se qual das 
duas versões bíblicas da criação é citada. Assim, é tí-
pico da diferença entre os ensinamentos de Jesus de 
Nazareth e de Paulo o fato de que Jesus, discutindo 
a relação entre marido e mulher, refere-se a Gênesis 
1:27 “Não tendes lido que quem criou o homem desde 
o princípio fê-los macho e fêmea” (Mateus 19:4), en-
quanto Paulo, em ocasião semelhante, insiste em que 
a mulher foi criada “do homem” e, portanto, “para 
o homem”, embora em seguida atenue um pouco a 
dependência: “nem o varão é sem mulher, nem a mu-
lher sem o varão” (1 Cor.11:8-12). A diferença indica 
muito mais que uma atitude diferente em relação ao 
papel da mulher. Para Jesus, a fé era intimamente re-
lacionada com a ação; para Paulo, a fé relacionava-se, 
antes de mais nada, com a salvação. Especialmente in-
teressante a este respeito é Agostinho (De civitate Dei 
xii.21), que não só desconsidera inteiramente o que 
é dito em Gênesis 1:27, mas vê a diferença entre o 
homem e o animal no fato de ter sido o homem criado 
unum ac singulum, enquanto se ordenou aos animais 
que “passassem a existir vários de uma só vez” (plu-
ra simul iussit existere). Para Agostinho,a história da 
criação constitui boa oportunidade para salientar-se 
o caráter de espécie da vida animal, em oposição à 
singularidade da existência humana.
DAS VANTAGENS DE SER BOBO
O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo 
para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar 
sentado quase sem se mexer por duas horas. Se pergun-
tado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou 
fazendo. Estou pensando.".
Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque 
os espertos só se lembram de sair por meio da esperte-
za, e 1o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe 
vem a ideia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os esper-
tos não veem. Os espertos estão sempre tão atentos 
_____I_____ espertezas alheias que se descontraem 
diante dos bobos, e estes os veem como simples pesso-
as humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para 
viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, 
muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.
_____II_____ desvantagem, obviamente. Uma boba, 
por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido 
para _____III_____ compra de um ar refrigerado de se-
gunda mão: ele disse que o aparelho era novo, pratica-
mente sem uso porque se mudara para a Gávea onde 
é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo se-
quer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a 
opinião deste era de que o aparelho estava tão estra-
gado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar 
outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo 
é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranquilo, 
enquanto o esperto não dorme à noite com medo de 
ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estôma-
go. O bobo não percebe que venceu.
Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: 
pode receber uma punhalada de quem menos espera. 
É uma das tristezas que o bobo não prevê. César termi-
nou dizendo a célebre frase: "2Até tu, Brutus?".
Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar 
todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria 
morrido na cruz.
O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fa-
zem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como 
toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não con-
seguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. 
Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventura-
dos os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. 
Aliás não se importam que saibam que eles sabem.
Há lugares que facilitam mais _____IV_____ pessoas 
serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, 
com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. 
Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!
3Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por 
cima das casas. É quase impossível evitar o excesso de 
amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de 
excesso de amor. E só o amor faz o bobo.
lispector, clarice. Das vantagens De ser BoBo. 
Disponível em: http://www.revistapazes.com/Das-vantagens-
De-ser-BoBo/. acesso em 10 De maio De 2017.
originalmente puBlicaDo no Jornal Do Brasil em 12 De setemBro De
45
2. (IME 2018) Marque a opção em que a regra usada 
para a colocação das vírgulas é a mesma encontrada no 
trecho abaixo destacado:
(…) cujos crescimento espontâneo, metabolismo e 
eventual declínio têm a ver com as necessidades vitais 
produzidas e introduzidas pelo labor no processo da 
vida (A condição humana, referência 2). 
a) (…) labor, trabalho e ação (A condição humana, 
referência 1). 
b) O trabalho é a atividade correspondente ao arti-
ficialismo da existência humana, existência esta não 
necessariamente contida no eterno ciclo vital da es-
pécie (…) (A condição humana, referência 3). 
c) o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe 
vem a ideia (Das vantagens de ser bobo, referência 1). 
d) Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por 
cima das casas (Das vantagens de ser bobo, referência 3). 
e) "Até tu, Brutus?" (Das vantagens de ser bobo, re-
ferência 2).
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Leia este texto para responder à(s) questão(ões) a seguir.
SAUDADE DE ESCREVER
Apesar da concorrência (internet, celular), a carta conti-
nua firme e forte. Basta uma folha de papel, selo, caneta 
e envelope para que uma pessoa do Rio Grande do Norte, 
por exemplo, fique por dentro das fofocas registradas por 
um amigo em São Paulo, dois dias depois. “Adoro receber 
cartas, fico super ansiosa para descobrir o que está escri-
to”, conta Lívia Maria, de 9 anos. Mas ela admite que faz 
tempo que não escreve nenhuma cartinha. “As últimas fo-
ram para a Angélica e para um dos programas do Gugu.”
Isabela, de 9 anos, lembra que, quando morava em 
Curitiba, no Paraná, trocava correspondência com sua 
amiga Raquel, que vive em Belo Horizonte, Minas Ge-
rais. “Eu ficava sabendo das novidades e não gastava 
dinheiro com telefonemas.”
Já Amanda, de 10 anos, também gosta de receber car-
tinhas, mas prefere enviar e-mails. “Atualmente estou 
conversando com meu primo que está nos Estados Uni-
dos via computador, já que a mensagem chega mais 
rápido e não pago interurbano.”
tourrucco, Juliana. sauDaDe De escrever. o estaDo De 
sÃo paulo, p.5, 25 Jul.1998. suplemento infantil. 
3. (ifal 2018) O adjunto adverbial vem, normalmente, 
no final da frase, mas ele pode aparecer em outra po-
sição, basta que se indique esse deslocamento com a 
vírgula. A colocação inadequada do adjunto adverbial, 
porém, poderá prejudicar a compreensão da frase. É o 
que acontece na fala da Amanda, no texto. Das cinco 
reestruturações apresentadas nas alternativas a seguir, 
uma continua com problema. Marque-a. 
a) Atualmente, via computador, estou conversando 
com meu primo que está nos Estados Unidos. 
b) Atualmente estou, via computador, conversando 
com meu primo que está nos Estados Unidos. 
c) Atualmente estou conversando, via computador, 
com meu primo que está nos Estados Unidos. 
d) Atualmente estou conversando com meu primo, via 
computador, que está nos Estados Unidos. 
e) Via computador, atualmente estou conversando 
com meu primo que está nos Estados Unidos. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
A(s) questão(ões) refere(m)-se ao texto a seguir: 
TEXTO
Proibido para menores de 50 anos. Nos últimos meses, 
em meio ao debate sobre as reformas na Previdência, 
um ponto acabou despertando a atenção. Afinal, existem 
empregos para quem tem mais de 50 anos? Pendurar as 
chuteiras nem sempre é fácil. Às vezes, pode significar 
uma quebra tão grande na rotina que afeta até mesmo o 
emocional. Foi a partir de uma experiência familiar nes-
ta linha que o paulistano Mórris Litvak criou a startup 
MaturiJobs. Trata-se de uma agência virtual de empregos, 
especializada em profissionais com mais de 50 anos. 
(revista isto é Dinheiro. mercaDo De traBalho. maio/2017. p. 6.) 
4. (Ita 2018) “Nos últimos meses, em meio ao deba-
te sobre as reformas na Previdência, um ponto acabou 
despertando a atenção.” Na frase transcrita, as vírgulas 
foram utilizadas para 
a) realçar a escrita formal em contraste à escrita informal. 
b) separar um termo complementar da oração principal. 
c) marcar a sobreposição de várias informações in-
tercaladas. 
d) indicar o deslocamento da informação secundária 
em relação à principal. 
e) antecipar o tempo e o espaço físico da informação 
principal. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
A(s) questão(ões) a seguir está(ão) relacionada(s) ao 
texto abaixo.
1– Temos sorte de viver no Brasil – dizia meu pai, depois 
da guerra. – Na Europa 2mataram 3milhões de judeus.
Contava as 4experiências que 5os médicos nazistas fa-
ziam com os prisioneiros. Decepavam-lhes as cabeças, 
faziam-nas encolher – à maneira, li depois, dos índios 
Jivaros. 6Amputavam pernas e braços. Realizavam es-
tranhos transplantes: uniam a metade superior de um 
homem _____1_____ metade inferior de uma mulher, 
ou aos quartos traseiros de um bode. 7Felizmente 8mor-
riam 9essas atrozes quimeras; 10expiravam como seres 
humanos, não eram obrigadas a viver como aberrações.(_____2_____ essa altura eu tinha os olhos cheios de 
lágrimas. Meu pai pensava 11que a descrição das malda-
des nazistas me deixava comovido.)
12Em 1948 13foi proclamado 14o Estado de Israel. Meu 
pai abriu uma garrafa de vinho – o melhor vinho do 
armazém –, brindamos ao acontecimento. E não saía-
mos de perto do rádio, acompanhando _____3_____ 
46
notícias da guerra no Oriente Médio. Meu pai estava 
entusiasmado com o novo Estado: em Israel, explicava, 
vivem judeus de todo o mundo, judeus brancos da Eu-
ropa, judeus pretos da África, judeus da Índia, isto sem 
falar nos beduínos com seus camelos: tipos muito es-
quisitos, Guedali.
Tipos esquisitos – aquilo me dava ideias. Por que não 
ir para Israel? 15Num país de gente tão estranha – e, 
16ainda por cima, em guerra – eu certamente não cha-
maria a atenção. Ainda menos como combatente, entre 
a poeira e a fumaça dos incêndios. Eu me via correndo 
pelas ruelas de uma aldeia, empunhando um revólver 
trinta e oito, atirando sem cessar; eu me via caindo, 
17varado de balas. 18Aquela, sim, era a 19morte que eu 
almejava, morte heroica, esplêndida justificativa para 
uma vida miserável, de monstro 20encurralado. E, caso 
não morresse, poderia viver depois num kibutz . Eu, que 
conhecia tão bem a vida numa fazenda, teria muito a 
fazer ali. Trabalhador dedicado, os membros do kibutz 
terminariam por me aceitar; numa nova sociedade há 
lugar para todos, mesmo os de patas de cavalo.
aDaptaDo De: scliar, m. o centauro no JarDim. 
9. eD. porto alegre: l&pm, 2001. 
5. (Ufrgs 2018) Assinale a proposta de mudança no em-
prego de vírgula que mantém a correção e o sentido do 
enunciado original. 
a) Colocação de vírgula imediatamente após expe-
riências (ref. 4). 
b) Colocação de vírgula imediatamente após Feliz-
mente (ref. 7). 
c) Colocação de vírgula imediatamente após que (ref. 11).
d) Colocação de vírgula imediatamente após país 
(ref. 15). 
e) Colocação de vírgula imediatamente após morte 
(ref. 19). 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Texto 1 
HÁ ESCRITORES QUE SE QUEIXAM, MAS ESCREVER SÓ 
ME TRAZ ALEGRIA
Passei dois anos escrevendo o livro que acabo de termi-
nar. 1A tarefa não foi realizada em tempo integral, mas 
nos momentos livres que ainda me restam.
Há escritores que precisam de silêncio, solidão e am-
biente adequado para a prática do ofício. 2Se fosse 
esperar por essas condições teria demorado 20 anos 
para publicá-lo, tempo de vida de que não disponho, 
infelizmente. 
Por força da necessidade, aprendi a escrever em qual-
quer lugar em que haja espaço para sentar com o com-
putador.
Por exemplo, nas salas de embarque durante as viagens 
de bate-e-volta que sou obrigado a fazer. Consigo me 
concentrar apesar das vozes esganiçadas que anunciam 
os voos, os atrasos, as trocas de portões, a ordem nas 
filas, os nomes dos retardatários. 
Os avisos vêm aos berros como se fossem destinados 
a uma horda de deficientes auditivos; mal termina 
um, começa outro. Suspeito de uma conspiração das 
companhias aéreas contra a integridade dos tímpa-
nos dos passageiros. 
3Embora com dificuldade, sou capaz de escrever no 
meio daqueles idiotas que xingam as secretárias pelo 
celular, alguns dos quais o fazem andando nervosamen-
te de um lado para outro, 4com a intenção declarada 
de atazanar o maior número possível de circunstantes.
São executivos de terno que empregam adjetivos for-
tes: incompetente, burra, ignorante. Escutei um deles 
dizer: "Contratei você para cumprir ordens, se fosse 
para pensar escolhia outra pessoa". Nunca os ouvi 
chegar perto desse tom ao falar com o chefe, ocasiões 
identificáveis pela voz melosa e submissa.
Mal o avião levanta voo, puxo a mesinha e abro o com-
putador. Estou nas nuvens, às portas do paraíso celes-
tial. O telefone não vai tocar, ninguém me cobrará o 
texto que prometi, a presença na palestra para a qual 
fui convidado, os e-mails atrasados, nenhum ser huma-
no me pedirá para apoiar um projeto e não descobrirei 
que me incluíram num grupo de WhatsApp em que os 
300 participantes dão bom dia uns aos outros. 
Já escrevi por 13 horas consecutivas num voo de volta 
da Ásia. Num retorno de Salvador, escrevi uma coluna 
como está sentado na primeira fila, ao lado de um bebê 
com dor de ouvido que chorou sem dar um minuto de 
trégua. Só ficou quietinho, quando o comandante anun-
ciou que o pouso em Guarulhos fora autorizado. 
Minha carreira de escritor começou com "Estação Ca-
randiru", publicado quando eu tinha 56 anos. Foi tão 
grande o prazer de contar aquelas histórias, que senti 
ódio de mim mesmo por ter vivido meio século sem 
escrever livros.
A dificuldade vinha da timidez e da autocrítica. Para 
mim, o que eu escrevesse seria fatalmente comparado 
com Machado de Assis, Gógol, Faulkner, Joyce, Pushkin, 
Turgenev, Dante Alighieri. Depois do que disseram esses 
e outros gênios, que livro valeria a pena ser escrito?
A resposta encontrei em "On Writing", que reúne en-
trevistas e textos de Ernest Hemingway sobre o ato de 
escrever. Em conversa com um estudante, Hemingway 
diz que ao escritor de nossos tempos cabem duas alter-
nativas: escrever melhor do que os grandes mestres já 
falecidos ou contar histórias que nunca foram contadas. 
De fato, se eu escrevesse melhor do que Machado de As-
sis, poderia recriar personagens como Dom Casmurro ou 
descrever com mais poesia o olhar de ressaca de Capitu. 
Restava a outra alternativa: a vida numa cadeia com 
mais de 7.000 presidiários, na cidade de São Paulo, nas 
últimas décadas do século 20, não poderia ser descrita 
por Tchékhov, Homero ou pelo padre Antonio Vieira. O 
médico que atendia pacientes no Carandiru havia dez 
anos era quem reunia as condições para fazê-lo.
Seguindo o mesmo critério, publiquei outros livros. Às 
cotoveladas, a literatura abriu espaço em minha agen-
da. Há escritores talentosos que se queixam dos tor-
mentos e da angústia inerentes ao processo de criação. 
Não é o meu caso, escrever só me traz alegria. 
47
Diante da tela do computador, fico atrás das palavras, en-
contro algumas, apago outras, corrijo, leio e releio até sen-
tir que o texto está pronto. Às vezes, ficou melhor do que 
eu imaginava. Nesse momento sou invadido por uma sen-
sação de felicidade plena que vai e volta por vários dias. 
Drauzio varella 
Disponível em:http://www1.folha.uol.com.Br/colunas/
Drauziovarella/2017/05/1883616-ha-escritores-que-se-queixam-
mas-escrever-so-me-traz-alegria.shtml acesso em 18 De ago 2017.
TEXTO 2 
Nove manias adotadas por grandes autores mundiais 
na hora de escrever
Antonio Prata, escritor e colunista da Folha, precisa de 
silêncio. E prefere digitar numa cadeira dobrável, com o 
notebook no colo. Quando viaja, inclusive, despacha o 
apetrecho nas bagagens. Mas quando o transporte não 
é possível... “Eu escrevo em qualquer canto, desde que, 
sim, haja algum silêncio”. 
(...) 
Uma vez começado um livro, o escritor francês Alexan-
dre Dumas, autor de clássicos como “Os Três Mosque-
teiros”, trabalhava dia após dia, noite após noite, sem 
cessar, até ver concluído o trabalho. Também não admi-
tia interrupção, fosse lá de quem fosse... 
(...) 
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.Br/
ilustraDa/2016/07/1795149-no-Dia-nacional-Do-
escritor-conheca-manias-e-costumes-De-granDes-
autores.shtml acesso em 20 De ago De 2017. 
6. (ifsul 2018) As vírgulas nos períodos abaixo foram 
empregadas pelo mesmo motivo, EXCETO em: 
a) Consigo me concentrar apesar das vozes esgani-
çadas que anunciam os voos, os atrasos, as trocas de 
portões, a ordem nas filas, os nomes dos retardatários. 
b) São executivos de terno que empregam adjetivos 
fortes: incompetente, burra, ignorante. 
c) O telefone não vai tocar, ninguém me cobrará o 
texto que prometi, a presença na palestra para a qual 
fui convidado, os e-mails atrasados, nenhum ser hu-
mano me pedirá para apoiar um projeto e não desco-
brirei que me incluíram num grupo de WhatsApp em 
que os 300 participantes dão bom dia uns aos outros. 
d) Num retorno de Salvador, escreviuma coluna como 
está sentado na primeira fila, ao lado de um bebê com 
dor de ouvido que chorou sem dar um minuto de trégua. 
7. (Espcex (Aman) Marque a alternativa correta quan-
to ao emprego da vírgula, de acordo com as normas 
gramaticais. 
a) Ele pediu, ao motorista que parasse no hotel. 
b) A vida como diz o ditado popular é breve. 
c) Da sala eu vi sem ser visto todo o crime acontecendo. 
d) Atletas de várias nacionalidades, participarão da 
maratona. 
e) Meus olhos, devido à fumaça intensa, ardiam muito. 
8. (ESPM) A reivindicação do massacre na Charlie Hebdo 
pela facção da al-Qaeda na Península Arábica recoloca 
em primeiro plano um movimento afastado da mídia pe-
los sucessos militares da Organização do Estado Islâmico.
le monDe Diplomatique Brasil, 04.02.2016.
Das afirmações abaixo sobre o uso da vírgula, assinale 
a única correta: 
a) o segmento “pela facção da al-Qaeda na Penínsu-
la Arábica” é um adjunto adnominal e deveria estar 
entre vírgulas. 
b) poderia haver uma vírgula após o sujeito “A reivin-
dicação do massacre na Charlie Hebdo”. 
c) deveria haver uma vírgula após o objeto direto “um 
movimento afastado”. 
d) deveria haver uma vírgula após a forma verbal “re-
coloca”. 
e) o segmento “em primeiro plano” é um adjunto 
adverbial intercalado e poderia estar entre vírgulas. 
9. (EEAR) De acordo com o significado de cada senten-
ça, marque a opção que apresenta erro em relação à 
presença ou ausência da vírgula. 
a) Eu que não sou o dono da verdade sei que o se-
nhor está certo. 
b) Maria foi a pessoa rara que escolheu a casa dos 
pais. 
c) Meu avô Tobias, que foi meu modelo de pai, fale-
ceu quando eu era menino. 
d) Dona Jorgina, que dedicou-se inteiramente ao 
trabalho aos outros, era muito respeitada pelos mais 
novos da família. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Leia o texto abaixo e responda à(s) questão(ões).
A PIPOCA
ruBem alves
A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até 
atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competen-
te com as palavras que com as panelas. Por isso tenho 
mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-me 
a algo que poderia ter o nome de “culinária literária”. 
Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo 
da cozinha: cebolas, ora-pro-nóbis, picadinho de carne 
com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, 
churrascos. Cheguei mesmo a dedicar metade de um 
livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme 
A festa de Babette, que é uma celebração da comida 
como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limita-
ções e competências, nunca escrevi como chef. Escrevi 
como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo – porque a 
culinária estimula todas essas funções do pensamento.
As comidas, para mim, são entidades oníricas. Provocam 
a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretan-
to, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer so-
nhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu. A pipoca, 
milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma 
48
simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimen-
sões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, 
conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. 
E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas 
ideias começaram a estourar como pipoca. Percebi, en-
tão, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pen-
sar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que 
estoura, de forma inesperada e imprevisível. A pipoca 
se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto 
poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu 
pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles 
das pipocas dentro de uma panela.
Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca 
tem sentido religioso? Pois tem. Para os cristãos, reli-
giosos são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e 
o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque 
vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho 
devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir 
juntas. Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a 
Mãe Stella, sábia poderosa do candomblé baiano: que a 
pipoca é a comida sagrada do candomblé...
A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido. Fosse 
eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos 
graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu fi-
caria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é 
que, sob o ponto de vista do tamanho, os milhos da 
pipoca não podem competir com os milhos normais. 
Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que hou-
ve alguém que teve a ideia de debulhar as espigas e 
colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que 
assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos. 
Havendo fracassado a experiência com água, tentou a 
gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter 
imaginado. Repentinamente os grãos começaram a es-
tourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. 
Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os 
grãos duros quebra-dentes se transformavam em flo-
res brancas e macias que até as crianças podiam comer. 
O estouro das pipocas se transformou, então, de uma 
simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, 
molecagem, para os risos de todos, especialmente as 
crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!
E o que é que isso tem a ver com o candomblé? É que 
a transformação do milho duro em pipoca macia é sím-
bolo da grande transformação porque devem passar os 
homens para que eles venham a ser o que devem ser. 
O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser 
aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pi-
poca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para 
comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, 
nos transformar em outra coisa − voltar a ser crianças!
Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. 
Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a 
ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com 
a gente. As grandes transformações acontecem quando 
passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do 
mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mes-
mice e dureza assombrosas. Só que elas não percebem. 
Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. 
Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos 
lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode 
ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar 
doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo 
de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão – sofri-
mentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso aos 
remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. 
E com isso a possibilidade da grande transformação.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, 
lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua 
hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, 
fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino 
diferente. Não pode imaginar a transformação que está 
sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que 
ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a 
grande transformação acontece: pum! − e ela aparece 
como uma outra coisa, completamente diferente, que 
ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante 
e feia que surge do casulo como borboleta voante.
Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está 
representado pela morte e ressurreição de Cristo: a 
ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso 
deixar de ser de um jeito para ser de outro. “Morre e 
transforma-te!” − dizia Goethe.
Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando so-
bre os piruás com os paulistas descobri que eles igno-
ram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era go-
zação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a 
ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu 
conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que 
se recusa a estourar. Meu amigo William, extraordinário 
professor-pesquisador da Unicamp, especializou-se em 
milhos, e desvendou cientificamente o assombro do es-
touro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação 
científicapara os piruás. Mas, no mundo da poesia as 
explicações científicas não valem. Por exemplo: em Mi-
nas “piruá” é o nome que se dá às mulheres que não 
conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, 
lamentava: “Fiquei piruá!” Mas acho que o poder me-
tafórico dos piruás é muito maior. Piruás são aquelas 
pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam 
a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais 
maravilhosa do que o jeito delas serem. Ignoram o dito 
de Jesus: “Quem preservar a sua vida perdê-la-á.” A sua 
presunção e o seu medo são a dura casca do milho que 
não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras 
a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca 
macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o 
estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os 
piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo. 
Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que 
voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma 
grande brincadeira...
Disponível em http://www.releituras.com/ruBemalves_pipoca.asp.
acessaDo em 31 De mai. 2016.
Obs.: O texto foi adaptado às regras do Novo Acordo 
Ortográfico.
10. (Efomm) Em todos os períodos que se seguem há a 
possibilidade de colocação de vírgula, EXCETO em 
49
a) A sua presunção e o seu medo são a dura casca do 
milho que não estoura. 
b) Repentinamente os grãos começaram a estourar, 
saltavam da panela com uma enorme barulheira. 
c) Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está 
representado pela morte e ressurreição de Cristo (...) 
d) Com certeza ele tem uma explicação científica para 
os piruás. 
e) De vez em quando eu até me até atrevo a cozinhar.
E.O. COmplEmEntAr
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
MAIS QUE ORWELL, HUXLEY PREVIU NOSSO TEMPO
hélio gurovitz
Publicado em 1948, o livro 1984, de George Orwell, saltou 
para o topo da lista dos mais vendidos (...) 1A distopia de 
Orwel, mesmo situada no futuro, tinha um endereço certo 
em seu tempo: o stalinismo. (...) 2O mundo da “pós-verda-
de”, dos “fatos alternativos” e da anestesia intelectual 
nas redes sociais mais parece outra distopia, publicada 
em 1932: Admirável mundo novo, de Aldous Huxley.
3Não se trata de uma tese nova. Ela foi levantada pela 
primeira vez em 1985, num livreto do teórico da comu-
nicação americano Neil Postman: Amusing ourselves to 
death (4Nos divertindo até morrer), relembrado por seu 
filho Andrew em artigo recente no The Guardian. “Na vi-
são de Huxley, não é necessário nenhum Grande Irmão 
para despojar a população de autonomia, maturidade ou 
história”, escreveu Postman. “Ela acabaria amando sua 
opressão, adorando as tecnologias que destroem sua 
capacidade de pensar. Orwell temia aqueles que proibi-
riam os livros. Huxley temia que não haveria motivo para 
proibir um livro, pois não haveria ninguém que quisesse 
lê-los. Orwell temia aqueles que nos privariam de infor-
mação. Huxley, aqueles que nos dariam tanta que sería-
mos reduzidos à passividade e ao egoísmo. 5Orwell temia 
que a verdade fosse escondida de nós. Huxley, que fosse 
afogada num mar de irrelevância.”
6No futuro pintado por Huxley, (...) não há mães, pais ou 
casamentos. O sexo é livre. A diversão está disponível 
na forma de jogos esportivos, cinema multissensorial e 
de uma droga que garante o bem-estar sem efeito cola-
teral: o soma. Restaram na Terra dez áreas civilizadas e 
uns poucos territórios selvagens, onde 7grupos nativos 
ainda preservam costumes e tradições primitivos, como 
família ou religião. “O mundo agora é estável”, diz um 
líder civilizado. “As pessoas são felizes, têm o que dese-
jam e nunca desejam o que não podem ter. Sentem-se 
bem, estão em segurança; nunca adoecem; 8não têm 
medo da morte; vivem na ditosa ignorância da paixão 
e da velhice; não se acham sobrecarregadas de pais e 
mães; 9não têm esposas, nem filhos, nem amantes por 
quem possam sofrer emoções violentas; são condicio-
nadas de tal modo que praticamente não podem deixar 
de se portar como devem. E se, por acaso, alguma coisa 
andar mal, há o soma.”
10Para chegar à estabilidade absoluta, foi necessário abrir 
mão da arte e da ciência. “A felicidade universal mantém 
as engrenagens em funcionamento regular; a verdade e a 
beleza são incapazes de fazê-lo”, diz o líder. “Cada vez que 
as massas tomavam o poder público, era a felicidade, mais 
que a verdade e a beleza, o que importava.” A verdade é 
considerada uma ameaça; a ciência e a arte, perigos pú-
blicos. Mas não é necessário esforço totalitário para con-
trolá-las. Todos aceitam de bom grado, fazem “qualquer 
sacrifício em troca de uma vida sossegada” e de sua dose 
diária de soma. “Não foi muito bom para a verdade, sem 
dúvida. Mas foi excelente para a felicidade.”
No universo de Orwell, a população é controlada pela 
dor. No de Huxley, pelo prazer. “Orwell temia que nossa 
ruína seria causada pelo que odiamos. Huxley, pelo que 
amamos”, escreve Postman. Só precisa haver censura, diz 
ele, se os tiranos acreditam que o público sabe a diferença 
entre discurso sério e entretenimento. (...) O alvo de Post-
man, em seu tempo, era a televisão, que ele julgava ter 
imposto uma cultura fragmentada e superficial, incapaz 
de manter com a verdade a relação reflexiva e racional da 
palavra impressa. 11O computador só engatinhava, e Post-
man mal poderia prever como celulares, tablets e redes 
sociais se tornariam – bem mais que a TV – o soma con-
temporâneo. Mas suas palavras foram prescientes: “O que 
afligia a população em Admirável mundo novo não é que 
estivessem rindo em vez de pensar, mas que não sabiam 
do que estavam rindo, nem tinham parado de pensar”.
aDaptaDo, revista época nº 973 – 13 De fevereiro De 2017, p. 67.
Distopia = Pensamento, filosofia ou processo discursivo 
caracterizado pelo totalitarismo,
autoritarismo e opressivo controle da sociedade, repre-
sentando a antítese de utopia. 
(Bechara, e. DicionÁrio Da língua portuguesa. 1ª eD. rio 
De Janeiro: eDitora nova fronteira, 2011, p. 533). 
1. (Epcar (Afa) 2018) Assinale a alternativa em que a 
análise dos termos presentes no excerto abaixo está de 
acordo com o que prescreve a Gramática Normativa da 
Língua Portuguesa.
“A distopia de Orwell, mesmo situada no futuro, tinha 
um endereço certo em seu tempo: o stalinismo.” (ref. 1) 
a) O período é composto por três orações, sendo duas 
subordinadas e uma coordenada. 
b) “... mesmo situada no futuro...” é classificada 
como oração subordinada adverbial temporal redu-
zida de particípio. 
c) “... o stalinismo” é um aposto que se refere ao 
termo imediato que o antecede – “seu tempo”. 
d) As vírgulas servem para isolar a oração subordinada 
adverbial que está inserida em sua oração principal. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Leia o texto a seguir e responda à(s) questão(ões).
PROMESSA CONTRA SINAIS DA IDADE
1O tempo passa, e com ele os sinais da idade vão se 
espalhando pelo nosso organismo. Entre eles, os mais 
50
evidentes 2ficam estampados em nossa pele, e rostos, 
na forma de rugas, flacidez e perda de elasticidade. Um 
estudo publicado ontem no periódico científico Journal 
of Investigative Dermatology, no entanto, identificou 
um mecanismo molecular em células da pele que pode 
estar por trás deste processo, abrindo caminho para o 
desenvolvimento de novos tratamentos para, se não 
impedir, pelo menos retardar o envelhecimento delas e, 
talvez, as de outros tecidos e órgãos do corpo.
Na pesquisa, cientistas da Universidade de Newcastle, 
no Reino Unido, analisaram amostras de células da pele 
de vinte e sete doadores com entre seis e anos, tiradas 
de locais protegidos do Sol, para determinar se havia 
alguma diferença no seu comportamento com a idade. 
3Eles verificaram que, quanto mais velha a pessoa, me-
nor era a atividade de suas mitocôndrias, as “4usinas 
de energia” de nossas células. 5Essa queda, porém, 6era 
esperada, já que há décadas a redução na capacidade 
de geração de energia por essas 7organelas celulares e 
na sua eficiência neste trabalho com otempo é uma das 
principais vertentes nas teorias sobre envelhecimento.
/.../
Baima, césar. o gloBo, 27 De fev. 2016, p. 24.
2. (Epcar (Afa)) Observe o uso da vírgula nos trechos 
abaixo destacados:
I. “O tempo passa, e com ele os sinais da idade vão se 
espalhando...” (ref. 1)
II. “... ficam estampados em nossa pele, e rostos, na for-
ma...” (ref. 2)
III. “Eles verificaram que, quanto mais velha a pessoa, 
menor era a atividade de suas mitocôndrias...” (ref. 3)
IV. “Essa queda, porém, era esperada...” (ref. 5)
V. “... era esperada, já que há décadas a redução na ca-
pacidade de geração de energia...” (ref. 6)
Assinale a opção que apresenta uma análise correta. 
a) No fragmento I, o uso da vírgula é facultativo, ten-
do em vista que introduz uma oração coordenada 
sindética aditiva. 
b) A vírgula foi utilizada nos excertos II e III pelo mes-
mo motivo: isolar termos explicativos. 
c) O uso da vírgula, em IV, justifica-se pela presença 
de um termo interferente. 
d) A presença de oração subordinada adverbial, no 
fragmento V, justifica o uso da vírgula. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
A doença do amor
Luiz Felipe Pondé 
Existe de fato amor romântico? Esta é uma pergunta 
que ouço quando, em sala de aula, estamos a discutir 
questões como literatura romântica dos séculos 18 e 
19. 1Quando o público é composto de pessoas mais 
maduras, a tendência é um certo ceticismo, muitas ve-
zes elegante, apesar de trazer nele a marca eterna do 
desencanto. 
Quando o público é mais 2jovem há uma tendência 
maior de crença no amor romântico. 3Alguns diriam que 
4essa crença é típica da idade jovem e inexperiente, as-
sim como crianças creem em Papai Noel.
Mas, em matéria de amor romântico, melhor ainda do 
que ir em busca da literatura dos séculos 18 e 19 é ir 5à 
fonte primária 6: a literatura europeia medieval, verda-
deira fonte do amor romântico. A literatura conhecida 
como amor cortês.
Especialistas no assunto, como o suíço Denis de Rouge-
mont, suspeitavam que a literatura medieval criou uma 
verdadeira expectativa neurótica no Ocidente sobre o 
que seria o amor romântico em nossas vidas concre-
tas, fazendo com que 7sonhássemos com algo que, na 
verdade, nunca existiu como experiência universal. 8Dos 
castelos da Provence francesa do século 12 ao cinema 
de Hollywood, teríamos perdido o verdadeiro sentido 
do amor medieval, que seria uma doença da qual deve-
mos fugir como o diabo da cruz. 
Para além dos céticos e crentes, a literatura medieval de 
amor cortês é marcante pela sua descrição do que seria 
esse pathos amoroso. Uma doença, uma verdadeira des-
graça para quem fosse atingindo em seu coração por ta-
manha tristeza. André Capelão, autor da época (Tratado 
do Amor Cortês, ed. Martins Fontes), sintetiza esse amor 
como sendo uma 9"doença do pensamento". Doença 
essa que podemos descrever como uma forma de obses-
são em saber o que ela está pensando, o que ela está 
fazendo nessa exata hora em que penso nela, com o que 
ela sonha à noite, como é seu corpo por baixo da roupa 
que a veste, o desejo incontrolável de ouvir sua voz, de 
sentir seu perfume. Mas a doença avança: sentir o gosto 
da sua boca, beijá-10la por horas a fio. 
11Mas, quando em público, jamais deixe ninguém saber 
que se amam. Capelão chega a supor que desmaios fe-
mininos poderiam ser indicativos de que a infeliz es-
taria em presença de seu desgraçado objeto de amor 
inconfessável. A inveja dos outros pelos amantes, ape-
sar de 12condenados a 13tristeza pela interdição sempre 
presente nas narrativas (casados com outras pessoas, 
detentores de responsabilidades públicas e privadas), 
se dá pelo fato que se trata de uma doença encantado-
ra quando correspondida.
Nada é mais forte do que o desejo de estar com alguém 
a quem você se sente ligado, mesmo que a milhares de 
quilômetros de distância, sem poder trocar um único 
olhar ou toque com ela.
O erro dos modernos românticos teria sido a ilusão de 
que esses medievais imaginariam o amor romântico 
numa escala universal e capaz de 14conviver com um 
apartamento de dois quartos, pago em cem anos.
Não, o amor cortês seria algo que deveríamos temer 
justamente por seu caráter intempestivo e avassalador. 
Sempre fora do casamento, teria contra ele a condena-
ção da norma social ou religiosa que, aos poucos, 15le-
varia as suas vítimas à destruição, psicológica ou física.
Para os medievais, um homem arrebatado por esse 
amor tomaria decisões que destruiriam seu patrimônio. 
A mulher perderia sua reputação. Ambos viriam, neces-
51
sariamente, a morrer por conta desse amor, fosse ele 
em batalha, por obrigação de guerreiro, fosse fugindo 
do horror de trair seu melhor amigo com sua até en-
tão fiel esposa. Ela morreria eventualmente de tristeza, 
vergonha e solidão num convento, buscando a paz de 
espírito há muito perdida. A distância física, social ou 
moral, proibindo a realização plena desse desejo inces-
sante como tortura cotidiana. 
O poeta mexicano Octavio Paz, que dedicou alguns tex-
tos ao tema, entendia que a literatura medieval descre-
via o embate entre virtude e desejo, sendo a desgraça 
dos apaixonados a maldição de ter que 16pôr medida 
nesse desejo 17(nesse amor fora do lugar), em meio à 
insuportável culpa de estar doente de amor.
texto aDaptaDo. foi puBlicaDo em 16 De maio De 
2016 na folha De s. paulo. Disponível em: 
<http://www1.folha.uol.com.Br/colunas/
luizfelipeponDe/2016/05/1771569-a-Doenca-Do-
amor.shtml>. acesso em: 21 set. 2016. 
3. (ifsul) No que diz respeito ao emprego dos sinais de 
pontuação, é correto afirmar que 
a) falta uma vírgula depois de jovem (ref. 2) para separar 
a oração subordinada adverbial anteposta à principal. 
b) os dois-pontos presentes na referência 6 têm por 
finalidade sinalizar uma enumeração de itens. 
c) as aspas utilizadas na expressão doença do pensa-
mento (ref. 9) indicam ironia. 
d) os parênteses presentes na referência 17 isolam 
um exemplo de desejo pelo amado. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
O anjo Rafael
machaDo De assis
Cansado da vida, descrente dos homens, desconfiado 
das mulheres e aborrecido dos credores, 1o dr. Antero 
da Silva determinou um dia despedir-se deste mundo.
Era pena. O dr. Antero contava trinta anos, tinha saúde, 
e podia, se quisesse, fazer uma bonita carreira. Verdade 
é que para isso fora necessário proceder a uma comple-
ta reforma dos seus costumes. Entendia, porém, o nosso 
herói que o defeito não estava em si, mas nos outros; 
cada pedido de um credor inspirava-lhe uma apóstrofe 
contra a sociedade; julgava conhecer os homens, por ter 
tratado até então com alguns bonecos sem consciência; 
pretendia conhecer as mulheres, quando apenas havia 
praticado com meia dúzia de regateiras do amor.
O caso é que o nosso herói determinou matar-se, e para 
isso foi à casa da viúva Laport, comprou uma pistola e 
entrou em casa, que era à rua da Misericórdia.
Davam então quatro horas da tarde.
O dr. Antero disse ao criado que pusesse o jantar na mesa.
– A viagem é longa, disse ele consigo, e eu não sei se há 
hotéis no caminho.
Jantou com efeito, tão tranquilo como se tivesse de ir 
dormir a sesta e não o último sono. 2O próprio criado 
reparou que o amo estava nesse dia mais folgazão que 
nunca. Conversaram alegremente durante todo o jantar. 
No fim dele, quando o criado lhe trouxe o café, Antero 
proferiu paternalmente as seguintes palavras:
3– Pedro, tira de minha gaveta uns cinquenta mil-réis 
que lá estão, são teus. Vai passar a noite fora e não vol-
tes antes da madrugada.
– Obrigado, meu senhor, respondeu Pedro.
– Vai.
 Pedro apressou-se a executar a ordem do amo.
O dr. Antero foi para a sala, estendeu-se no divã, abriu 
um volume do Dicionário filosófico e começou a ler.
Já então declinava a tarde e aproximava-se a noite. A lei-
tura do dr. Antero não podia ser longa. Efetivamente daí a 
algum tempo levantou-se o nosso herói e fechou o livro.
Uma fresca brisa penetrava na sala e anunciava uma 
agradável noite. Corria então o inverno, aquele benigno 
invernoque os fluminenses têm a ventura de conhecer 
e agradecer ao céu.
4O dr. Antero acendeu uma vela e sentou-se à mesa para 
escrever. 5Não tinha parentes, nem amigos a quem dei-
xar carta; entretanto, não queria sair deste mundo sem 
dizer a respeito dele a sua última palavra. Travou da 
pena e escreveu as seguintes linhas:
Quando um homem, perdido no mato, vê-se cercado de 
animais ferozes e traiçoeiros, procura fugir se pode. De 
ordinário a fuga é impossível. Mas estes animais meus 
semelhantes tão traiçoeiros e ferozes como os outros, 
tiveram a inépcia de inventar uma arma, mediante a 
qual um transviado facilmente lhes escapa das unhas.
É justamente o que vou fazer.
Tenho ao pé de mim uma pistola, pólvora e bala; com 
estes três elementos reduzirei a minha vida ao nada. 
Não levo nem deixo saudades. Morro por estar enjoado 
da vida e por ter certa curiosidade da morte.
Provavelmente, quando a polícia descobrir o meu cadá-
ver, os jornais escreverão a notícia do acontecimento, e 
um ou outro fará a esse respeito considerações filosó-
ficas. Importam-me bem pouco as tais considerações.
Se me é lícito ter uma última vontade, quero que estas 
linhas sejam publicadas no Jornal do Commercio. Os ri-
madores de ocasião encontrarão assunto para algumas 
estrofes.
O dr. Antero releu o que tinha escrito, corrigiu em al-
guns lugares a pontuação, fechou o papel em forma de 
carta, e pôs-lhe este sobrescrito: Ao mundo.
Depois carregou a arma; e, para rematar a vida com um 
traço de impiedade, a bucha que meteu no cano da pis-
tola foi uma folha do Evangelho de S. João.
Era noite fechada. O dr. Antero chegou-se à janela, res-
pirou um pouco, olhou para o céu, e disse às estrelas:
– Até já.
E saindo da janela acrescentou mentalmente:
– Pobres estrelas! Eu bem quisera lá ir, mas com certeza 
hão de impedir-me os vermes da terra. Estou aqui, e 
estou feito um punhado de pó. É bem possível que no 
futuro século sirva este meu invólucro para macadami-
zar a rua do Ouvidor. Antes isso; ao menos terei o prazer 
de ser pisado por alguns pés bonitos.
52
Ao mesmo tempo que fazia estas reflexões, lançava 
mão da pistola, e olhava para ela com certo orgulho.
6– Aqui está a chave que me vai abrir a porta deste cár-
cere, disse ele.
7Depois sentou-se numa cadeira de braços, pôs as per-
nas sobre a mesa, à americana, firmou os cotovelos, e 
segurando a pistola com ambas as mãos, meteu o cano 
entre os dentes.
Já ia disparar o tiro, quando ouviu três pancadinhas à 
porta. Involuntariamente levantou a cabeça. Depois de 
um curto silêncio repetiram-se as pancadinhas. O ra-
paz não esperava ninguém, e era-lhe indiferente falar 
a quem quer que fosse. Contudo, por maior que seja a 
tranquilidade de um homem quando resolve abandonar 
a vida, é-lhe sempre agradável achar um pretexto para 
prolongá-la um pouco mais. 
O dr. Antero pôs a pistola sobre a mesa e foi abrir a porta. 
4. (IFCE) Em “Não tinha parentes, nem amigos a quem 
deixar carta; entretanto, não queria sair deste mundo 
sem dizer a respeito dele a sua última palavra” (referên-
cia 5), o uso do ponto e vírgula se justifica porque 
a) indica um esclarecimento, resultado ou resumo do 
que se disse. 
b) trata de sujeitos diferentes. 
c) anuncia uma enumeração. 
d) alonga a pausa de conjunções adversativas, substi-
tuindo, assim, a vírgula. 
e) separa orações coordenadas não unidas por con-
junção, que guardem relação entre si. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Entre as situações linguísticas que o português já viveu 
em seu contato com outras línguas, cabe considerar 
uma situação que se realiza em nossos dias: 4aquela em 
que ele é uma língua de emigrantes. 9Para o leitor brasi-
leiro, 18soará talvez estranho que falemos 5aqui do por-
tuguês como uma língua de EMIGRANTES, pois o Brasil 
foi antes de mais nada um país para 6o qual se dirigiam 
em massa, durante mais de dois séculos, pessoas nasci-
das em vários países europeus e asiáticos; assim, para a 
maioria dos brasileiros, a 19representação mais natural 
é a da convivência no Brasil com IMIGRANTES vindos de 
outros países. Sabemos, 10entretanto, que, nos últimos 
cem anos, muitos falantes do português foram buscar 
melhores condições de vida, 11partindo não só de Portu-
gal para o Brasil, mas 12também desses dois países para 
a América do Norte 13e para vários países da Europa: em 
certo momento, na década de 1970, viviam na região 
parisiense mais de um milhão de portugueses – uma 
população superior 21à 7que tinha então a cidade de Lis-
boa. Do Brasil, têm 1__________ nas últimas décadas 
muitos jovens e trabalhadores, 20dirigindo-se aos qua-
tro cantos do mundo.
A existência de comunidades de imigrantes é sempre 
uma situação delicada 22para os próprios imigrantes e 
23para o país que os recebeu: 14normalmente, os imi-
grantes vão a países que têm interesse em 15usar sua 
força de trabalho, mas qualquer oscilação na economia 
faz 24com que os nativos 2__________ 8sua presença 
como indesejável; as diferenças na cultura e na fala po-
dem alimentar preconceitos e desencadear problemas 
reais de diferentes ordens.
16Em geral, proteger a cultura e a língua do imigrante 
não 17é um objetivo prioritário dos países hospedeiros, 
mas no caso do português tem havido 3__________. 
Em certo momento, o português foi uma das línguas 
estrangeiras mais estudadas na França; e, em algumas 
cidades do Canadá e dos Estados Unidos, um mínimo 
de vida associativa tem garantido a sobrevivência de 
jornais editados em português, mantidos pelas próprias 
comunidades de origem portuguesa e brasileira.
aDaptaDo De: ilari, roDolfo; Basso, renato. o português como 
língua De emigrantes. in:___. o português Da gente: a língua que 
estuDamos a língua que falamos. sÃo paulo: contexto, 2006. p. 42-43. 
5. (Ufrgs) Desconsiderando questões de emprego 
de letra maiúscula, assinale a alternativa em que se 
sugere um deslocamento de adjunto adverbial que 
preservaria tanto a correção quanto o sentido do 
segmento original. 
a) Colocação de Para o leitor brasileiro (ref. 9) entre 
vírgulas, imediatamente após aqui (ref. 5). 
b) Deslocamento de entretanto (ref. 10) para imedia-
tamente após partindo (ref. 11). 
c) Passagem de também (ref. 12) para imediatamente 
após e (ref. 13). 
d) Deslocamento de normalmente (ref. 14) para ime-
diatamente após usar (ref. 15). 
e) Colocação de Em geral (ref. 16) entre vírgulas, ime-
diatamente após é (ref. 17). 
E.O. dissErtAtivO
1. (PUC-RJ) Os filósofos chineses viam a realidade, a 
cuja essência primária chamaram tao, como um proces-
so de contínuo fluxo e mudança. Na concepção deles, 
todos os fenômenos que observamos participam desse 
processo cósmico e são, pois, intrinsecamente dinâmi-
cos. A principal característica do tao é a natureza cíclica 
de seu movimento incessante; a natureza, em todos os 
seus aspectos – tanto os do mundo físico quanto os dos 
domínios psicológico e social –, exibe padrões cíclicos. 
Os chineses atribuem a essa ideia de padrões cíclicos 
uma estrutura definida, mediante a introdução dos 
opostos yin e yang, os dois polos que fixam os limites 
para os ciclos de mudança: “Tendo yang atingido seu 
clímax, retira-se em favor do yin; tendo o yin atingido 
seu clímax, retira-se em favor do yang”.
Na concepção chinesa, todas as manifestações do tao 
são geradas pela interação dinâmica desses dois polos 
arquetípicos, os quais estão associados a numerosas 
imagens de opostos colhidas na natureza e na vida so-
cial. É importante, e muito difícil para nós, ocidentais, 
entender que esses opostos não pertencem a diferen-
tes categorias, mas são polos extremos de um único 
todo. Nada é apenas yin ou apenas yang. Todos os fenô-
menos naturais são manifestações de uma contínua os-
53
cilação entre os dois polos; todas as transições ocorrem 
gradualmente e numa progressão ininterrupta. A ordem 
natural é de equilíbrio dinâmico entre o yin e o yang.
capra, fritJof. o ponto De mutaçÃo. sÃo paulo: eDitora 
cultrix. 1982. traDuçÃo De Álvaro caBral, pp. 32-33.Mantendo o sentido dos trechos em destaque, reescre-
va-os atendendo ao que é solicitado. Faça as modifica-
ções necessárias.
a) Não use gerúndio:
“Tendo yang atingido seu clímax, retira-se em favor do yin; 
tendo o yin atingido seu clímax, retira-se em favor do yang”.
b) Inicie por “A interação”.
“Na concepção chinesa, todas as manifestações do 
tao são geradas pela interação dinâmica desses dois 
polos arquetípicos.”
c) Proponha uma nova pontuação para o trecho abai-
xo, substituindo apenas o sinal de ponto e vírgula e 
os travessões.
“A principal característica do tao é a natureza cíclica 
de seu movimento incessante; a natureza, em todos os 
seus aspectos – tanto os do mundo físico quanto os dos 
domínios psicológico e social –, exibe padrões cíclicos.” 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Leia o texto para responder à(s) questão(ões) a seguir.
Muitos anos mais tarde, Ana Terra costumava sentar-se na 
frente de sua casa para pensar no passado. E no pensa-
mento como que ouvia o vento de outros tempos e sentia 
o tempo passar, escutava vozes, via caras e lembrava-se 
de coisas... O ano de 81 trouxera um acontecimento triste 
para o velho Maneco: Horácio deixara a fazenda, a contra-
gosto do pai, e fora para o Rio Pardo, onde se casara com 
a filha dum tanoeiro e se estabelecera com uma pequena 
venda. Em compensação nesse mesmo ano Antônio ca-
sou-se com Eulália Moura, filha dum colono açoriano dos 
arredores do Rio Pardo, e trouxe a mulher para a estância, 
indo ambos viver num puxado que tinham feito no rancho.
Em 85 uma nuvem de gafanhotos desceu sobre a lavou-
ra deitando a perder toda a colheita. Em 86, quando Pe-
drinho se aproximava dos oito anos, uma peste atacou 
o gado e um raio matou um dos escravos.
Foi em 86 mesmo ou no ano seguinte que nasceu Rosa, 
a primeira filha de Antônio e Eulália? Bom. A verdade 
era que a criança tinha nascido pouco mais de um ano 
após o casamento. Dona Henriqueta cortara-lhe o cor-
dão umbilical com a mesma tesoura de podar com que 
separara Pedrinho da mãe.
E era assim que o tempo se arrastava, o sol nascia e se 
sumia, a lua passava por todas as fases, as estações iam 
e vinham, deixando sua marca nas árvores, na terra, nas 
coisas e nas pessoas.
E havia períodos em que Ana perdia a conta dos dias. 
Mas entre as cenas que nunca mais lhe saíram da me-
mória estavam as da tarde em que dona Henriqueta 
fora para a cama com uma dor aguda no lado direito, 
ficara se retorcendo durante horas, vomitando tudo o 
que engolia, gemendo e suando de frio.
érico veríssimo. o tempo e o vento, “o continente”, 1956. 
2. (Fgv) Observe o emprego da vírgula nas passagens 
destacadas a seguir e responda ao que se pede.
- “Foi em 86 mesmo ou no ano seguinte que nasceu Rosa, 
a primeira filha de Antônio e Eulália?” (3º parágrafo)
- “E era assim que o tempo se arrastava, o sol nascia e 
se sumia, a lua passava por todas as fases, as estações 
iam e vinham, deixando sua marca nas árvores, na terra, 
nas coisas e nas pessoas.” (4º parágrafo)
a) O que justifica o emprego da vírgula na passagem 
do 3º parágrafo?
b) Que diferença há nas duas construções do 4º pará-
grafo para explicar o emprego das vírgulas? 
3. (Fgv) Leia o texto.
Amorim, pede pra sair
O fracasso das negociações comerciais de Doha ecoa a 
falência verbal que levou o ministro das Relações Exte-
riores, Celso Amorim, a entrar nas reuniões com o pé es-
querdo e a sair delas com a autoridade destroçada por 
duas declarações de natureza intrinsecamente perversa.
("veJa", 06.08.2008)
a) Explique o título do texto, associando-o às infor-
mações apresentadas.
b) Se fosse retirada a vírgula do título do texto, ha-
veria alteração de sentido? Justifique a sua resposta. 
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: 
PRIMEIRO ATO
Amelinha - (Virando-se para a mãe) 6Edmundo está ino-
cente. Sem culpa.
Valdelice - (Fazendo-a calar) Não repita 30essa asneira. 
(Pausa) 13Temos de pressioná-lo, minha filha. 14Você não 
tem idade para perceber a ruindade dos homens. Você 
foi 12se-du-zi-da.
Amelinha - (Sentando-se) 3Seduzida?! Mas eu sei que 
não é verdade!
Valdelice - A história tem de ser diferente... Trate de se 
convencer 31disso.
[...]
Amelinha - 9Não me sinto bem em dizer o que não fiz...
Agente - Aprenda 21a primeira lição: 2às vezes a verdade 
não é a que se conhece, mas a outra... (Pausa) É ir por 
mim. (Notando o laço de fita da moça) Pra que este laço?
Amelinha - Foi ideia da mamãe.
Valdelice - Não a quero desgraciosa diante da autoridade.
Agente - (Compenetrado) Nada de 1lacinho de fita! Você 
não é anjo de procissão. (Tom) Quem perde a honra não 
se interessa por enfeite. (Ríspido) 15Tire-o.
Amelinha - (Indecisa) 10Mas eu... eu...
Agente - (Arrebata-lhe o laço) Bobagem! (Pausa). 
22Retire também 35o ruge, o batom... 28Tenho de pre-
pará-la para impressionar o delegado, o juiz, todo 
mundo. Do contrário, ninguém defenderá você. (Tom) 
Assanhe os cabelos.
54
SEGUNDO ATO
Benedito - 29(À Amelinha, que continua assustada, mas 
impressionada com a situação que vive). Então, você 
acabou sendo enganada? (Ela aquiesce) 11Levou-a no 
caminhão da entrega sistemática, não foi? (Ela confir-
ma) Vá ver que era um caminhão Ford. (Ao Permanente) 
Ford! A influência nefasta do capitalismo internacional! 
(Pausa) E os botijões? Balançavam? Sacudiam? (Pausa) 
Estavam cheios... ou vazios?
Amelinha - (Num sopro) Vazios...
Benedito - (Eufórico) Vazio! (Pausa, em explosão) Vi-
bravam, não? (Dramatizando) Imagino como não eram 
ruidosos! (T) Tática de cinema americano, "noir", de 
péssima qualidade. (Pausa) E o carro? Corria veloz? E 
você, gritava?
Amelinha - (Voz débil, a confirmar) Gritava.
[...]
Benedito - (A Amelinha) Então estavam vazios os boti-
jões (Ela concorda) Vazios... E o carro corria, em dispara-
da, não? (Ela aquiesce) E fazia aquele ruído...
Amelinha - (Que vai aderindo, qual participasse de um 
jogo...) 4Um ruído terrível...
Benedito - Ah, eu imagino! (T.) 26E o seu desespero? 
Hem, moça?
Amelinha - Ah, como eu sofri dentro do caminhão...
Valdelice - (Surpresa, à filha) Você nunca me falou antes 
em caminhão. Que carro é esse?
Amelinha - (Indiferente) O caminhão, mãe... Caminhão Ford.
[...]
Benedito - 25E depois? Hem? Depois?
Amelinha - (Enlevada, mais fantasiosa) Ele me apertava 
em seus braços fortes, sem mais querer me soltar. (Tom) 
Meu Deus, era bom, mas eu sofria. (Pausa) Eu me sen-
tia tonta, desfalecida, principalmente pelo som infernal 
dos botijões... E por cima de tudo, eu tinha medo de 
morrer.
Benedito - (Animando-a) Mais, mais, vai para a primeira 
página.
Amelinha - Paramos num lugar distante, como se diz 
mesmo? ... ermo... (Pausa) Onde era? Onde? Ainda hoje 
me pergunto, sem resposta... (Pausa. T.) Nem sei direito. 
23Mas sei que havia uma árvore muito frondosa, e tinha 
um rio largo, perto... e... acho que havia também uma 
cabana. Um velho pescador estava sentado, longe, lon-
ge, numa pedra...
Valdelice - 17Minha filha, você está descrevendo o calen-
dário da sala de jantar!
[...]
Benedito - E depois, e depois?
Amelinha - 7Ele começou a puxar o zíper do meu vestido.
Valdelice - 18Mas você não tem vestido de zíper!!!
Benedito - Vá contando, me agrada! É matéria de pri-
meira página.
Amelinha - 8Por fim, rasgou minha combinação de "nylon".
Valdelice - "Nylon"?! Você nunca usou 32isso!
[...]
Valdelice - (Como se tudo fosse um sonho) Agora que 
você está mais calma, me diga mesmo como é a história 
do caminhão, dos botijões vazios... Onde você conse-
guiu 33tudo isso?
Amelinha - E eu sei, mamãe?! 27Simpatizei com o moço, 
e dei de imaginar tudo. (Pausa. T) Será que o meu retra-
to vai sair bonito no jornal?
[...]
Edmundo - (Principia a falar com indecisão, procuran-
do achar as palavras) 24Amelinha, eu... queria que você 
compreendesse... Por favor, 16conte ao Delegado o que 
em verdade se passou 19entre nós dois... Sei que você é 
direita... (Pausa) Fale.
Amelinha - (Em tom indefinido, como se na verdade vi-
vesse outro personagem) 5Será que você já esqueceu?
Edmundo - Esqueceu o quê? Não compreendo.Amelinha - Oh, Edmundo... Vocês, homens, esquecem 
tão ligeiro!
Edmundo - 20Mas não esqueci nada! Lembro que você 
me chamou à sua casa. E me abraçava, me queria... E eu 
então não pude resistir.
[...]
Amelinha - Oh, ao menos hoje, não seja cínico! O ca-
minhão, os botijões vazios! Vamos, não diga que não 
se lembra! Você me carregou, eu não queria... Me con-
vidou para ver os enfeites da boleia, e, de repente, 
acionou o motor, partiu veloz. Ah. Foi quando eu gritei, 
gritei: 34Não faça isso. Edmundo! Pare! Pare! E você cor-
rendo, nem me deu atenção!
Edmundo - (Ao Delegado) Isso não! Ao menos a verdade!
campos, eDuarDo. a Donzela DesprezaDa. in:________. três 
peças escolhiDas. fortaleza: eDições ufc, 2007, p.187-221.
4. (UFC) Dentre algumas funções, A VÍRGULA é empre-
gada para separar:
(1) Vocativo;
(2) Repetições;
(3) Termos coordenados;
(4) Oração adjetiva de valor explicativo;
(5) Orações coordenadas aditivas proferidas com pausa.
Observe, nas passagens do texto transcritas a seguir, o 
emprego das vírgulas, identifique a razão pela qual fo-
ram utilizadas e, em seguida, de acordo com o código 
apresentado, preencha os parênteses, estabelecendo a 
correlação adequada entre o uso e a regra.
1. ( ) "E depois, e depois?" (ref. 25).
2. ( ) "E o seu desespero? Hem, moça?" (ref. 26).
3. ( ) "Temos de pressioná-lo, minha filha" (ref. 13).
4. ( ) "Simpatizei com o moço, e dei de imaginar 
tudo" (ref. 27).
5. ( ) "Tenho de prepará-la para impressionar o de-
legado, o juiz, todo mundo" (ref. 28).
6. ( ) "(À Amelinha, que continua assustada, mas 
impressionada com a situação que vive.)" (ref. 29). 
55
5. (Ufc) A VÍRGULA também é empregada para isolar ad-
juntos adverbiais. Com base nesse conhecimento, transcre-
va, da fala de Benedito, uma frase em que a vírgula está 
empregada para isolar um adjunto adverbial de modo.
E.O. ObjEtivAs 
(UnEsp, FUvEst, UniCAmp E UniFEsp)
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Leia o trecho extraído do artigo “Cosmologia, 100”, de 
Antonio Augusto Passos Videira e Cássio Leite Vieira, 
para responder à(s) questão(ões) a seguir.
“Vou conduzir o leitor por uma estrada que eu mesmo 
percorri, árdua e sinuosa.” A frase – que tem algo da es-
sência do hoje clássico A estrada não percorrida (1916), 
do poeta norte-americano Robert Frost (1874-1963) – 
está em um artigo científico publicado há cem anos, 
cujo teor constitui um marco histórico da civilização.
Pela primeira vez, cerca de 50 mil anos depois de o 
Homo sapiens deixar uma mão com tinta estampada 
em uma pedra, a humanidade era capaz de descrever 
matematicamente a maior estrutura conhecida: o Uni-
verso. A façanha intelectual levava as digitais de Albert 
Einstein (1879-1955).
Ao terminar aquele artigo de 1917, o físico de origem 
alemã escreveu a um colega dizendo que o que pro-
duzira o habilitaria a ser “internado em um hospício”. 
Mais tarde, referiu-se ao arcabouço teórico que havia 
construído como um “castelo alto no ar”.
O Universo que saltou dos cálculos de Einstein tinha 
três características básicas: era finito, sem fronteiras e 
estático – o derradeiro traço alimentaria debates e tra-
ria arrependimento a Einstein nas décadas seguintes. 
Em “Considerações Cosmológicas na Teoria da Relativi-
dade Geral”, publicado em fevereiro de 1917 nos Anais 
da Academia Real Prussiana de Ciências, o cientista 
construiu (de modo muito visual) seu castelo usando as 
ferramentas que ele havia forjado pouco antes: a teoria 
da relatividade geral, finalizada em 1915, esquema teó-
rico já classificado como a maior contribuição intelectu-
al de uma só pessoa à cultura humana.
Esse bloco matemático impenetrável (mesmo para fí-
sicos) nada mais é do que uma teoria que explica os 
fenômenos gravitacionais. Por exemplo, por que a Terra 
gira em torno do Sol ou por que um buraco negro devo-
ra avidamente luz e matéria.
Com a introdução da relatividade geral, a teoria da gra-
vitação do físico britânico Isaac Newton (1642-1727) 
passou a ser um caso específico da primeira, para si-
tuações em que massas são bem menores do que as 
das estrelas e em que a velocidade dos corpos é muito 
inferior à da luz no vácuo (300 mil km/s).
Entre essas duas obras de respeito (de 1915 e de 1917), 
impressiona o fato de Einstein ter achado tempo para 
escrever uma pequena joia, “Teoria da Relatividade Es-
pecial e Geral”, na qual populariza suas duas teorias, 
incluindo a de 1905 (especial), na qual mostrara que, 
em certas condições, o espaço pode encurtar, e o tem-
po, dilatar.
Tamanho esforço intelectual e total entrega ao raciocí-
nio cobraram seu pedágio: Einstein adoeceu, com pro-
blemas no fígado, icterícia e úlcera. Seguiu debilitado 
até o final daquela década.
Se deslocados de sua época, Einstein e sua cosmologia 
podem ser facilmente vistos como um ponto fora da 
reta. Porém, a historiadora da ciência britânica Patri-
cia Fara lembra que aqueles eram tempos de “cosmo-
logias”, de visões globais sobre temas científicos. Ela 
cita, por exemplo, a teoria da deriva dos continentes, do 
geólogo alemão Alfred Wegener (1880-1930), marcada 
por uma visão cosmológica da Terra.
Fara dá a entender que várias áreas da ciência, naque-
le início de século, passaram a olhar seus objetos de 
pesquisa por meio de um prisma mais amplo, buscando 
dados e hipóteses em outros campos do conhecimento.
folha De s. paulo, 01.01.2017. aDaptaDo. 
1. (Unesp) Emprega-se a vírgula para indicar, às vezes, a 
elipse do verbo: “Ele sai agora: eu, logo mais.”
Evanildo Bechara. Moderna gramática portuguesa, 
2009. Adaptado.
Verifica-se a ocorrência de vírgula para indicar a elipse 
do verbo no seguinte trecho: 
a) “Entre essas duas obras de respeito (de 1915 e 
de 1917), impressiona o fato de Einstein ter achado 
tempo para escrever uma pequena joia [...]” (8º pa-
rágrafo) 
b) “[...] em certas condições, o espaço pode encurtar, 
e o tempo, dilatar.” (8º parágrafo) 
c) “[...] a teoria da relatividade geral, finalizada em 
1915, esquema teórico já classificado como a maior 
contribuição intelectual de uma só pessoa à cultura 
humana.” (5º parágrafo) 
d) “[...] Einstein adoeceu, com problemas no fígado, 
icterícia e úlcera.” (9º parágrafo) 
e) “Ela cita, por exemplo, a teoria da deriva dos conti-
nentes, do geólogo alemão Alfred Wegener [...]” (10º 
parágrafo) 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
A essência da teoria democrática é a supressão de 
qualquer imposição de classe, fundada no postulado 
ou na crença de que os conflitos e problemas humanos 
— econômicos, políticos, ou sociais — são solucioná-
veis pela educação, isto é, pela cooperação voluntária, 
mobilizada pela opinião pública esclarecida. Está claro 
que essa opinião pública terá de ser formada à luz dos 
melhores conhecimentos existentes e, assim, a pesquisa 
científica nos campos das ciências naturais e das cha-
madas ciências sociais deverá se fazer a mais ampla, a 
mais vigorosa, a mais livre, e a difusão desses conheci-
mentos, a mais completa, a mais imparcial e em termos 
que os tornem acessíveis a todos.
anísio teixeira, eDucaçÃo é um Direito. aDaptaDo. 
56
2. (Fuvest) Dos seguintes comentários linguísticos so-
bre diferentes trechos do texto, o único correto é: 
a) Os prefixos das palavras “imposição” e “impar-
cial” têm o mesmo sentido. 
b) As palavras “postulado” e “crença” foram usadas 
no texto como sinônimas. 
c) A norma-padrão condena o uso de “essa”, no tre-
cho “essa opinião”, pois, nesse caso, o correto seria 
usar “esta”. 
d) A vírgula empregada no trecho “e a difusão desses 
conhecimentos, a mais completa” indica que, aí, ocor-
re a elipse de um verbo. 
e) O pronome sublinhado em “que os tornem” tem 
como referente o substantivo “termos”. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Leia uma passagem do livro A vírgula, do filólogo Celso 
Pedro Luft (1921-1995).
A vírgula no vestibular de português
“Mas, esta, não é suficiente.”
“Porque, as respostas, não satisfazem.”
“E por isso, surgem as guerras.”
“E muitas vezes, ele não se adapta ao meio emque vive.”
“Pois, o homem é um ser social.”
“Muitos porém, se esquecem que...”
“A sociedade deve pois, lutar pela justiça social.”
Que é que você acha de quem vírgula assim?
Você vai dizer que não aprendeu nada de pontuação quem 
semeia assim as vírgulas. Nem poderá dizer outra coisa.
Ou não lhe ensinaram, ou ensinaram e ele não apren-
deu. O certo é que ele se formou no curso secundário. 
Lepidamente, sem maiores dificuldades. Mas a vírgula é 
um “objeto não identificado”, para ele.
Para ele? Para eles. Para muitos eles, uma legião. Amanhã 
serão doutores, e a vírgula continuará sendo um objeto 
não identificado. Sim, porque os três ou quatro mil me-
nos fracos ultrapassam o vestíbulo... Com vírgula ou sem 
vírgula. Que a vírgula, convenhamos, até que é um obstá-
culo meio frágil, um risquinho. Objeto não identificado? 
Não, objeto invisível a olho nu. Pode passar despercebido 
até a muito olho de lince de examinador...
— A vírgula, ora, direis, a vírgula...
Mas é justamente essa miúda coisa, esse risquinho, que 
maior informação nos dá sobre as qualidades do ensino 
da língua escrita. Sobre o ensino do cerne mesmo da lín-
gua: a frase, sua estrutura, composição e decomposição.
Da virgulação é que se pode depreender a consciência, 
o grau de consciência que tem, quem escreve, do pensa-
mento e de sua expressão, do ir-e-vir do raciocínio, das 
hesitações, das interpenetrações de ideias, das sequên-
cias e interdependências, e, linguisticamente, da frase e 
sua constituição.
As vírgulas erradas, ao contrário, retratam a confusão 
mental, a indisciplina do espírito, o mau domínio das 
ideias e do fraseado.
Na minha carreira de professor, fiz muitos testes de 
pontuação. E sempre ficou clara a relação entre a ma-
neira de pontuar e o grau de cociente intelectual.
Conclusão que tirei: os exercícios de pontuação consti-
tuem um excelente treino para desenvolver a capacidade 
de raciocinar e construir frases lógicas e equilibradas.
Quem ensina ou estuda a sintaxe — que é a teoria da 
frase (ou o “tratado da construção”, como diziam os 
gramáticos antigos) — forçosamente acaba na impor-
tância das pausas, cortes, incidências, nexos, etc., ele-
mentos que vão se espelhar na pontuação, quando a 
mensagem é escrita.
Pontuar bem é ter visão clara da estrutura do pensamen-
to e da frase. Pontuar bem é governar as rédeas da frase. 
Pontuar bem é ter ordem, no pensar e na expressão. 
3. (Unesp) As frases abaixo correspondem a tentativas 
de corrigir o erro de virgulação apontado por Celso Pe-
dro Luft na série de exemplos que apresenta.
I. “Porque as respostas não satisfazem.”
II. “E, muitas vezes, ele não se adapta ao meio em que 
vive.”
III. “Pois o homem é, um ser social.”
IV. “A sociedade deve, pois, lutar pela justiça social.”
As frases em que o problema de virgulação foi resolvi-
do adequadamente estão contidas apenas em: 
a) I e II. 
b) I e III. 
c) I, II e III. 
d) I, II e IV. 
e) II, III e IV. 
4. (Fuvest) Em qual destas frases a vírgula foi emprega-
da para marcar a omissão do verbo? 
a) Ter um apartamento no térreo é ter as vantagens 
de uma casa, além de poder desfrutar de um jardim. 
b) Compre sem susto: a loja é virtual; os direitos, reais. 
c) Para quem não conhece o mercado financeiro, pro-
curamos usar uma linguagem livre do economês. 
d) A sensação é de estar perdido: você não vai encontrar 
ninguém no Jalapão, mas vai ver a natureza intocada. 
e) Esta é a informação mais importante para a preser-
vação da água: sabendo usar, não vai faltar. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Leia o excerto do “Sermão do bom ladrão”, de Antônio Viei-
ra (1608-1697), para responder à(s) questão(ões) a seguir.
Navegava Alexandre [Magno] em uma poderosa arma-
da pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia; e como fosse 
trazido à sua presença um pirata, que por ali andava 
roubando os pescadores, repreendeu-o muito Alexan-
dre de andar em tão mau ofício; porém ele, que não era 
medroso nem lerdo, respondeu assim: “Basta, Senhor, 
que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, 
porque roubais em uma armada, sois imperador?”. As-
57
sim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é gran-
deza: o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar 
com muito, os Alexandres. Mas Sêneca, que sabia bem 
distinguir as qualidades, e interpretar as significações, a 
uns e outros, definiu com o mesmo nome: [...] Se o rei de 
Macedônia, ou qualquer outro, fizer o que faz o ladrão 
e o pirata; o ladrão, o pirata e o rei, todos têm o mesmo 
lugar, e merecem o mesmo nome.
Quando li isto em Sêneca, não me admirei tanto de 
que um filósofo estoico se atrevesse a escrever uma 
tal sentença em Roma, reinando nela Nero; o que mais 
me admirou, e quase envergonhou, foi que os nossos 
oradores evangélicos em tempo de príncipes católicos, 
ou para a emenda, ou para a cautela, não preguem a 
mesma doutrina. Saibam estes eloquentes mudos que 
mais ofendem os reis com o que calam que com o que 
disserem; porque a confiança com que isto se diz é sinal 
que lhes não toca, e que se não podem ofender; e a cau-
tela com que se cala é argumento de que se ofenderão, 
porque lhes pode tocar. [...]
Suponho, finalmente, que os ladrões de que falo não 
são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de 
sua fortuna condenou a este gênero de vida, porque 
a mesma sua miséria ou escusa ou alivia o seu pecado 
[...]. O ladrão que furta para comer não vai nem leva ao 
Inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu trato, 
são os ladrões de maior calibre e de mais alta esfera 
[...]. Não são só ladrões, diz o santo [São Basílio Mag-
no], os que cortam bolsas, ou espreitam os que se vão 
banhar, para lhes colher a roupa; os ladrões que mais 
própria e dignamente merecem este título são aqueles 
a quem os reis encomendam os exércitos e legiões, ou o 
governo das províncias, ou a administração das cidades, 
os quais já com manha, já com força, roubam e despo-
jam os povos. Os outros ladrões roubam um homem, es-
tes roubam cidades e reinos: os outros furtam debaixo 
do seu risco, estes sem temor, nem perigo: os outros, se 
furtam, são enforcados: estes furtam e enforcam.
(essencial, 2011.) 
5. (Unesp) Verifica-se o emprego de vírgula para indicar 
a elipse (supressão) do verbo em: 
a) “Basta, Senhor, que eu, porque roubo em uma bar-
ca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, 
sois imperador?” (1º parágrafo) 
b) “O ladrão que furta para comer não vai nem leva 
ao Inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu 
trato, são os ladrões de maior calibre e de mais alta 
esfera [...].” (3º parágrafo) 
c) “O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grande-
za: o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar 
com muito, os Alexandres.” (1º parágrafo) 
d) “Se o rei de Macedônia, ou qualquer outro, fizer 
o que faz o ladrão e o pirata; o ladrão, o pirata e o 
rei, todos têm o mesmo lugar, e merecem o mesmo 
nome.” (1º parágrafo) 
e) “Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam 
cidades e reinos: os outros furtam debaixo do seu risco, 
estes sem temor, nem perigo: os outros, se furtam, são 
enforcados: estes furtam e enforcam.” (3º parágrafo)
gAbAritO
E.O. Aprendizagem
1. E 2. D 3. C 4. B 5. B
6. C 7. B 8. B 9. B 10. A
E.O. Fixação
1. B 2. A 3. D 4. D 5. B
6. D 7. E 8. E 9. A 10. A
E.O. Complementar
1. D 2. D 3. A 4. D 5. E
E.O. Dissertativo
1.
a) Considerando que o gerúndio está no verbo “tendo” que apare-
ce duas vezes no período, a reescrita ficaria: “Quando yang atinge 
seu clímax, retira-se em favor do yin; quando o yin atinge o seu clí-
max, retira-se em favor do yang” ou “A partir do momento em que 
o yang atinge seu clímax, retira-se em favor do yin; a partir do mo-
mento em que o yin atinge seu clímax, retira-se em favor do yang”.
b) Considerando que “a interação dinâmica entre os dois polos 
arquetípicos” é o agente do período na voz passiva, ao passar 
esse termo para o início da oração, pode-se formar um período 
na voz ativa, tornando o agente da passiva agora sujeitoda ativa: 
“A interação dinâmica desses dois polos arquetípicos gera todas 
as manifestações do tao na concepção chinesa”. 
c) O ponto e vírgula pode ser substituído por um ponto final, 
indicando o fim de uma ideia e início de outra, agora em novo 
período. Os travessões cumprem a função de agregar uma in-
formação, assim como os parênteses. Dessa forma, pode-se re-
escrever assim: “A principal característica do tao é a natureza 
cíclica de seu movimento incessante. A natureza, em todos os 
seus aspectos (tanto os do mundo físico quanto os dos domínios 
psicológico e social), exibe padrões cíclicos.
2. 
a) No 3º parágrafo, ocorre um aposto: a expressão “a primeira 
filha de Antônio e Eulália” explica o termo antecedente (“Rosa”), 
daí a obrigatoriedade do emprego da vírgula.
b) No 4º parágrafo, o primeiro trecho é formado por um encade-
amento de orações coordenadas, com elementos que indicam o 
modo pelo qual “o tempo se arrastava”: por intermédio de uma 
gradação, “o sol nascia e se sumia”, “a lua passava por todas 
as fases” e, de forma mais ampla, “as estações iam e vinham”.
Já o segundo trecho é um encadeamento de termos com mes-
ma função sintática, uma série de adjuntos adverbiais.
3. 
a) O título do texto remete ao filme "Tropa de Elite", que foi um 
fenômeno de popularidade em 2007.
58
No filme, sempre que o personagem Capitão Nascimento 
queria tirar do seu grupo um integrante incompetente, gritava: 
"Pede pra sair!". Sugere-se, dessa forma, a incompetência do 
mencionado ministro, que teria demonstrado inépcia ao fazer 
declarações que teriam comprometido sua autoridade nas ne-
gociações de Doha. 
b) Sim, pois, da maneira como o título foi apresentado, entende-
-se uma exortação para que Celso Amorim peça para sair - das 
negociações de Doha ou do Ministério. Sem usar a vírgula, o 
verbo deixaria de estar no imperativo (pede, segunda pessoa do 
singular) e passaria a ser uma forma do presente do indicativo 
(terceira pessoa do singular); Amorim, por sua vez, deixaria de ser 
um vocativo e passaria a sujeito de pede. Assim, a frase deixaria 
de ser exortativa e passaria a ser declarativa. 
4. 
(2) - (1) - (1) - (5) - (3) - (4). 
5. 
"E o carro corria, em disparada, não?"
E.O. Objetivas
(Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp)
1. B 2. D 3. D 4. B 5. C
59
 POntuaçãO iiAULAS 
51 e 52
E.O. AprEndizAgEm
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Leia o texto para responder à(s) questão(ões) a seguir. 
ECONOMIA COMPORTAMENTAL LEVA O NOBEL
Norte-americano Richard H. Thaler diz que ‘para fazer 
uma boa análise em economia deve-se ter em mente 
que as pessoas são humanas’
Richard H. Thaler recebeu o Prêmio Nobel de Economia 
pelas suas contribuições no campo da economia com-
portamental. O professor Thaler, nascido em 1945, em 
East Orange, New Jersey (EUA), trabalha na Faculdade 
de Administração da Universidade Booth de Chicago. 
Segundo o comitê do Nobel, ao anunciar o prêmio em 
Estocolmo, Thaler é pioneiro na aplicação da psicologia 
ao comportamento em economia e em explicar como as 
pessoas tomam decisões econômicas, às vezes, rejeitan-
do a racionalidade. 
Sua pesquisa, disse o comitê, levou o campo compor-
tamental em economia, de um papel secundário, para 
a corrente principal da pesquisa acadêmica e mostrou 
que o fator tinha importantes implicações para a polí-
tica econômica. 
Thaler disse, nesta segunda-feira, 9, que a premissa bási-
ca de suas teorias é a seguinte: “Para fazer uma boa aná-
lise em economia deve-se ter em mente que as pessoas 
são humanas”. Quando lhe perguntaram como gastaria 
o dinheiro (cerca de US$ 1,1 milhão) do prêmio, respon-
deu: “Esta é uma pergunta bem divertida”. E acrescentou: 
“Tentarei gastá-lo da forma mais irracional possível” 
O prêmio de Economia foi criado em 1968 em memória 
de Alfred Nobel e é concedido pela Academia Real de 
Ciências da Suécia. 
As linhas principais de estudos econômicos em grande 
parte do século 20 basearam-se na hipótese simplificada 
de que as pessoas se comportavam racionalmente. Os 
economistas entendiam que isso não era literalmente 
real, mas argumentaram que estava bem próximo disso. 
O professor Thaler desempenhou um papel central ao 
se distanciar desse pressuposto. Ele não só defendeu 
que os seres humanos são irracionais, o que é algo ób-
vio, mas também de pouca ajuda. Em vez disso, ele 
mostrou que as pessoas saem da racionalidade de ma-
neiras coerentes, portanto seu comportamento ainda 
pode ser antecipado. 
O comitê do Nobel descreveu como a teoria de Thaler 
sobre “contabilidade mental” explica de que forma as 
pessoas simplificam as decisões financeiras, concen-
trando-se no impacto limitado de cada decisão e não 
no seu efeito mais geral. Ele também mostrou como a 
aversão a uma perda pode explicar por que as pessoas 
valorizam muito mais o mesmo item quando são pro-
prietárias do que quando não o são, fenômeno chama-
do “efeito de doação”. 
As teorias de Thaler explicam, ainda, porque as reso-
luções de ano-novo podem ser difíceis de se manter e 
analisam a tensão entre o planejamento de longo prazo 
e a ação no curto prazo. Sucumbir à tentação de curto 
prazo é uma razão importante pela qual muitas pesso-
as fracassam em seus planos de poupar para quando 
forem idosas, ou fazer escolhas de estilo de vida mais 
saudáveis, de acordo com a pesquisa de Thaler. Ele tam-
bém demonstrou o quanto mudanças aparentemente 
pequenas na forma como os sistemas funcionam, ou 
como um “empurrãozinho” (“nudging”) – termo que 
ele inventou – pode ajudar as pessoas a exercer melhor 
o autocontrole quando, por exemplo, estão economi-
zando para a aposentadoria. 
O professor Thaler teve uma rápida participação no 
filme A Grande Aposta, ao lado da atriz e cantora 
Selena Gomez, no qual ele usou a economia com-
portamental para ajudar a explicar as causas da cri-
se financeira. Quando perguntaram a ele sobre sua 
“curta carreira em Hollywood”, brincou se dizendo 
desapontado pelo fato de suas façanhas como ator 
não terem sido mencionadas no resumo de suas rea-
lizações quando o prêmio foi anunciado. 
Por que o trabalho de Thaler foi importante? Seu traba-
lho forçou os economistas a lidarem com as limitações 
da análise tradicional com base no pressuposto de que 
as pessoas são atores racionais. Ele também tem sido 
excepcionalmente bem-sucedido ao influenciar direta-
mente políticas públicas. Uma das contribuições mais im-
portantes é a sua influência sobre a mudança dos planos 
de aposentadoria nos quais os funcionários se inscrevem 
automaticamente e nas apólices que oferecem aos fun-
cionários a opção de aumentar as contribuições ao longo 
do tempo. Ambos refletem a visão de Thaler de que a 
inércia pode ser usada para moldar resultados benéficos 
sem impor limites à escolha humana.
appelBaum, BinYamin. Disponível em: <http://economia.estaDao.
com.Br/noticias/geral,noBel-De-economia-2017-vai-para-um-
Dos-funDaDores-Da-economia-comportamental,7000203479>. 
acesso em: 11 out. 2017. aDaptaDo. 
CompetênCias: 1, 6 e 8 Habilidades: 1, 2, 3, 4, 18, 27 e 29
60
1. (ifpe 2018) As aspas são amplamente utilizadas no 
texto, mas não pelas mesmas razões. Analise o uso das 
aspas nas passagens abaixo e assinale o caso em que 
tal uso indica ironia. 
a) Thaler disse [...] que a premissa básica de suas te-
orias é a seguinte: “Para fazer uma boa análise em 
economia deve-se ter em mente que as pessoas são 
humanas”. (3º parágrafo). 
b) Quando lhe perguntaram como gastaria o dinhei-
ro (cerca de US$ 1,1 milhão) do prêmio, respondeu: 
“Esta é uma pergunta bem divertida”. (3º parágrafo). 
c) Quando perguntaram a ele sobre sua “curta carrei-
ra em Hollywood”, brincou se dizendo desapontado 
pelo fato de suas façanhas como ator não terem sido 
mencionadas no resumo de suas realizações quando 
o prêmio foi anunciado. (9º parágrafo). 
d) [...] (“nudging”) – termo que ele inventou – pode 
ajudar as pessoas a exercer melhor o autocontrole 
quando, por exemplo, estão economizando para a 
aposentadoria. (8ºparágrafo). 
e) O comitê do Nobel descreveu como a teoria de 
Thaler sobre “contabilidade mental” explica de que 
forma as pessoas simplificam as decisões financeiras, 
concentrando-se no impacto limitado de cada deci-
são e não no seu efeito mais geral. (7º parágrafo). 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Era digital desafia exercício profissional
“A medicina não sobreviverá ao velho método do médi-
co de família, mas terá que se adaptar”. A afirmação é do 
desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal 
e Territórios (TJDFT), Diaulas Costa Ribeiro, proferida du-
rante a mesa-redonda “Panorama atual das mídias so-
ciais e aplicativos na medicina contemporânea”. Para ele, 
as novas tecnologias trazem desafi os que precisam ser 
colocados em perspectiva para garantir a ética e o sigilo.
“Possivelmente vamos chegar a uma medicina sem 
gosto, distanciada, mas que também funciona. Talvez 
este não seja o fim, mas um recomeço”, ponderou Ri-
beiro. Segundo ele, antes de gerar um novo modelo de 
atendimento médico, o “dr. Google” – termo que utili-
zou para indicar as buscas por informações médicas na 
internet – gerou um novo tipo de paciente, que passou 
a conhecer mais sobre as doenças e, por isso, exige um 
novo relacionamento com seu médico.
O desembargador ainda reforçou a necessidade de se 
rediscutir questões como o uso da internet nessa re-
lação médico-paciente e a segurança do sigilo médi-
co neste cenário. “Precisamos refletir sobre algumas 
questões importantes. Quem guardará o sigilo? Ou não 
haverá sigilo? O sigilo médico será mantido ou valerá 
o direito público à informação? Os conflitos serão rein-
ventados ou serão os mesmos? A solução para os pro-
blemas será a de sempre?”, indagou.
Ética – Na perspectiva do médico legista e professor da 
Universidade de Brasília (UnB), Malthus Galvão, embo-
ra acredite que algumas mudanças serão inevitáveis e 
necessárias, é preciso defender os princípios fundamen-
tais instituídos pelo Código de ética médica (CEM).
“As novas mídias devem ser entendidas como um siste-
ma de interação social, de compartilhamento e criação 
colaborativa de informação nos mais diversos formatos 
e não podemos perder essa oportunidade”, destacou. 
Ele lembra, por exemplo, que desde a Resolução CFM 
1.643/2002, que define e disciplina a prestação de ser-
viços através da telemedicina, alguns avanços colabo-
rativos já foram possíveis.
Galvão apresentou ainda preceitos da Resolução 
CFM 1.974/2011 e também da Lei do Ato Médico 
(12.842/2013), chamando a atenção para alguns cui-
dados que o médico deve ter ao divulgar conteúdo de 
forma sensacionalista. “Segundo o CEM, é vedada a di-
vulgação de informação sobre assunto médico de forma 
sensacionalista, promocional ou de conteúdo inverídico. 
A internet deve ser usada como um instrumento de pro-
moção da saúde e orientação à população”, reforçou.
eDitorial Do Jornal meDicina – puBlicaçÃo oficial Do conselho 
feDeral De meDicina (cfm). Brasília, Jul. 2017, p. 7. 
2. (Fac. Albert Einstein - Medicin 2018) No primeiro pa-
rágrafo do editorial do CFM, as aspas são empregadas, 
respectivamente, para demarcar 
a) críticas tanto ao Tribunal de Justiça quanto à mesa-
-redonda de Diaulas Costa Ribeiro. 
b) o dizer tal e qual foi proferido por Diaulas Costa 
Ribeiro e o título da mesa-redonda. 
c) o velho método do médico de família e o estado 
das mídias sociais na medicina atual. 
d) o uso de modernas tecnologias na medicina e a 
fala do desembargador do TJDFT. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
De Caetano a Guimarães Rosa, veja as referências de 
Cármen Lúcia
em seu discurso de posse
por luma poletti | 13/09/2016 10:00
Ao longo de seu discurso de posse, a ministra Cármen 
Lúcia, que assumiu a presidência do Supremo Tribunal 
Federal nesta segunda-feira (12), citou trechos de can-
ções de Caetano Veloso, Titãs, além de versos de Cecília 
Meirelles, Carlos Drummond de Andrade, Paulo Mendes 
Campos e fez menção a Riobaldo, personagem de Gran-
de Sertão: Veredas, clássico de Guimarães Rosa e uma 
das mais. A escolha das referências musicais da minis-
tra dá pistas sobre sua visão acerca do atual momento 
sociopolítico. Citando o cantor e compositor Caetano 
Veloso, presente na sessão – que interpretou em voz e 
violão o hino nacional – Cármen Lúcia concordou que 
"alguma coisa está fora da ordem".
"Caetanos e não caetanos deste Brasil tão plural con-
cluem em uníssono: alguma coisa está fora de ordem, 
fora da nova ordem mundial", disse a ministra. "O que 
nos cumpre, a nós servidores públicos em especial, é 
questionar e achar resposta: de qual ordem está tudo 
fora...", acrescentou.
61
O cantor já se posicionou contra o governo do presiden-
te Michel Temer, nos bastidores da cerimônia de abertu-
ra das Olimpíadas de 2016.
A nova presidente do STF também citou a música "Co-
mida", da banda Titãs. "Cumpre-nos dedicar-nos de for-
ma intransigente e integral a dar cobro ao que nos é 
determinado pela Constituição da República e que de 
nós é esperado pelo cidadão brasileiro, o qual quer saú-
de, educação, trabalho, sossego para andar em paz por 
ruas, estradas do país e trilhas livres para poder sonhar 
além do mais. Que, como na fala do poeta da música po-
pular brasileira, ninguém quer só comida, quer também 
diversão e arte".
Um dos compositores da canção citada é Arnaldo Antu-
nes, que também se posicionou contra o impeachment 
de Dilma Rousseff nas redes sociais.
Versos
Cármen Lúcia também citou versos da escritora Cecí-
lia Meireles, ao dizer que "liberdade é um sonho que 
o mundo inteiro alimenta" – da obra Romanceiro da 
Inconfidência, lançada em 1953.
"Se, no verso de Cecília Meireles, a liberdade é um so-
nho, que o mundo inteiro alimenta, parece-me ser a 
Justiça um sentimento, que a humanidade inteira aca-
lenta", discursou a ministra.
Mais adiante em seu discurso, Cármen Lúcia fez menção 
a um personagem do livro Grande Sertão: Veredas, do 
escritor mineiro (tal como a ministra) Guimarães Rosa. 
"Riobaldo afirmava que 'natureza da gente não cabe 
em nenhuma certeza'. Mas parece-me que a natureza 
da gente não se aguenta em tantas incertezas. Especial-
mente quando o incerto é a Justiça que se pede e que 
se espera do Estado", disse a nova presidente do STF.
Em seguida, outro escritor mineiro foi lembrado por 
Cármen Lúcia. "Em tempos cujo nome é tumulto escrito 
em pedra, como diria Drummond, os desafios são maio-
res. Ser difícil não significa ser impossível. De resto, não 
acho que para o ser humano exista, na vida, o impossí-
vel", disse a ministra, em referência ao poema "Nosso 
tempo", do escritor mineiro.
A sucessora de Ricardo Lewandowski concluiu o discur-
so citando um terceiro escritor mineiro: Paulo Mendes 
Campos. "O Judiciário brasileiro sabe dos seus compro-
missos e de suas responsabilidades. Em tempo de dores 
multiplicadas, há que se multiplicarem também as espe-
ranças, à maneira da lição de Paulo Mendes Campos", 
disse Cármen Lúcia, em referência "Poema Didático", 
de Paulo Mendes Campos.
Disponível em: http://congressoemfoco.uol.com.Br/
noticias/De-caetano-a-guimaraes-rosa-veJaas-referencias-
De-carmen-lucia-em-seu-Discurso-De-posse/.
acesso em: 26 set.2016. [aDaptaDo] 
3. (PUC-SP) "Riobaldo afirmava que 'natureza da gente 
não cabe em nenhuma certeza'. Mas parece-me que a 
natureza da gente não se aguenta em tantas incertezas. 
Especialmente quando o incerto é a Justiça que se pede 
e que se espera do Estado".
Nesse trecho do terceiro parágrafo da parte Versos, 
Luma Poletti emprega as aspas simples dentro das as-
pas duplas para 
a) identificar com as simples o texto de Guimarães 
Rosa e as duplas a fala de Riobaldo. 
b) evidenciar com as simples o discurso de Cármen 
Lúcia e com as duplas pensamento de Riobaldo. 
c) assinalar com as simples o dizer de Riobaldo e com 
as duplas o discurso da ministra. 
d) indicar com as simples a natureza da gente e com 
as duplas o discurso de Cármen Lúcia. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
TEXTO DE REFERÊNCIAPARA A(S) QUESTÃO(ÕES) SE-
GUINTE(S).
O que você faz com o seu tempo?
Estudo mostra que 35% dos brasileiros se dizem es-
cravos das rotinas. Novas tecnologias e acúmulo de 
tarefas dão a sensação de mais velocidade. O estudo 
analisou, pela primeira vez, como os brasileiros fazem 
uso e como se relacionam com o tempo, destacando 
diferenças regionais e determinando perfis com base 
nas entrevistas.
Foram identificados dois tipos de pessoas: aquelas 
que se relacionam com o tempo observando a passa-
gem na vida e outros que interagem diretamente com 
o cotidiano.
“A pessoa que se sente escrava é aquela que está sem-
pre correndo atrás do tempo perdido. Geralmente, acu-
mula muitas tarefas sem conseguir se planejar para a 
execução”, explica Silvia Cervellini, diretora executiva 
de negócios do Ibope Inteligência.
Mas o tempo está passando mais rápido hoje do que 
na época de nossos avós? O que mudou, diz Lauro Luiz 
Samojeden, chefe do Departamento de Física da UFPR, 
é que, com a celeridade das informações e o acúmulo 
de tarefas, a sensação é de que o tempo está passando 
com mais velocidade.
Foram as máquinas e as novas tecnologias que deram 
um novo ritmo ao uso do tempo pelos homens, explica 
o professor de Filosofia da PUCPR, Jelson Oliveira. Para 
ele, as máquinas surgiram com a promessa de abreviar 
o tempo de produção, mas essa estratégia deu mais 
tempo para que fossem acumuladas novas tarefas – a 
pesquisa mostra que 22% dos brasileiros dizem reali-
zar atividades simultâneas, índice que na Região Sul é 
de 43,5%.
“A tecnologia abreviou o tempo, mas fez com que as 
pessoas estejam conectadas sempre, ampliando a sen-
sação de mais tarefas e menos tempo. Esse novo ritmo 
está moldando as relações humanas, incluindo nos rela-
cionamentos uma desculpa pronta: a falta de tempo”, 
acrescenta Oliveira.
fonte: iBope inteligência. infografia: faBiane lima/
gazeta Do povo (acessaDo em 23.03.2014) 
62
4. (UTFPR) Em relação ao texto, considere as seguintes 
afirmativas sobre a pontuação:
I. No segundo parágrafo, os dois pontos (:) foram usa-
dos para introduzir uma explicação.
II. No terceiro parágrafo, as aspas são empregadas para 
indicar uma citação.
III. No quarto parágrafo, o ponto de interrogação pode 
ser substituído pelo ponto de exclamação sem prejuízo 
para o sentido do texto.
Está(ão) correta(s) apenas: 
a) I. 
b) II. 
c) III. 
d) I e II. 
e) II e III. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
5. (CFTRJ) O recurso expressivo usado na tirinha está 
corretamente explicado na alternativa: 
a) A gíria “joça” carrega valor apreciativo. 
b) A onomatopeia “Primm! Primm!” reproduz o som 
da televisão ligada. 
c) As reticências em “Perdi tudo...” reforçam a tristeza 
da personagem. 
d) As exclamações em “Atende essa joça!!!” expres-
sam euforia da personagem. 
6. (UFPR) Observe a pontuação do trecho a seguir:
Faz alguma diferença lavar a cabeça duas vezes como 
indicam as embalagens de xampu?
Não fique de cabelo em pé, mas você já deve ter gas-
to litros de produto à toa. Na prática, o que importa é 
o tempo de permanência do xampu nos fios, e não a 
quantidade de aplicações. A ação dos princípios ativos 
deve durar 3 minutos 1– o que também não depende da 
espuma, que apenas dá a sensação de limpeza. Quando 
começou essa orientação 2(na década de 50), até havia 
uma razão para repetir, já que não se lavava a cabe-
ça com frequência. Só que os novos xampus são mais 
eficientes e ninguém passa mais de uma semana sem 
usá-los 3(quer dizer, espero que você não passe). (...)
(galileu, Jul. 2011, p. 21.)
Sobre a pontuação do trecho acima, considere as se-
guintes afirmativas:
1. Se substituíssemos o travessão (ref.1) por parênteses 
– fechados depois da palavra “limpeza” – não haveria 
prejuízo de sentido nem de adequação à norma.
2. Os parênteses da referência 2 inserem uma explica-
ção ou especificação do que foi dito.
3. Os parênteses da referência 3 são usados com inten-
ção de fazer uma síntese do que foi dito anteriormente.
Assinale a alternativa correta. 
a) Somente a afirmativa 1 é verdadeira. 
b) Somente a afirmativa 2 é verdadeira. 
c) Somente a afirmativa 3 é verdadeira. 
d) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras. 
e) As afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
A queda do poderoso machão
Paula Cesarino Costa
OMBUDSMAN* da Folha de S.Paulo
folha De s.paulo, 09/04/2017
Em janeiro de 2016, a Folha anunciou a estreia de blog 
voltado à discussão das questões de gênero e do cha-
mado empoderamento feminino. Nascido do movimen-
to #Agora É Que São Elas, em que mulheres ocuparam o 
espaço de colunistas homens nos jornais, o blog homô-
nimo se somava a dezenas de outros. Interpretei como 
saudável a oferta de novos temas aos leitores do jornal.
Neste espaço, já alertara de que os tempos de redes 
sociais turbulentas sinalizavam a hora de reinventar as 
páginas de opinião. Contabilizava, em agosto de 2016, 
32 mulheres entre os 130 colunistas do jornal.
Na madrugada da sexta, 31 de março, o #Agora É Que 
São Elas publicou um post de potencial arrebatador nas 
redes sociais. O post "José Mayer me assediou" foi co-
locado no ar à 0h45. Nele, a figurinista Susllem Tonani 
acusava o ator de tê-la assediado durante oito meses 
na TV Globo. De manhã, o texto já era lido e comparti-
lhado nas redes sociais. Por volta das 10h, a Folha tirou-
-o do ar sem dar explicação.
Cobrei do jornal, na crítica interna que circula em torno 
das 12h30, a obrigação de prestar satisfação ao leitor. 
Só às 14h22 foi publicada a justificativa para o sumiço 
do post: "O conteúdo foi retirado do ar porque des-
respeitou o princípio editorial da Folha de só publicar 
63
acusação após ouvir e registrar os argumentos da parte 
acusada, salvo nos casos em que isso não for possível".
Às 17h30, o texto voltou a ficar disponível, ao mesmo 
tempo em que era publicada reportagem que resumia 
as acusações da figurinista e ouvia o ator. Ele negava o 
que lhe havia sido imputado. A TV Globo dizia não co-
mentar assuntos internos, mas assegurava que haveria 
apuração rigorosa, "ouvidos todos os envolvidos, em 
busca da verdade".
Houve mobilização de funcionárias da emissora, que cul-
minou em manifesto, cujo título se tornaria emblemático 
em camisetas e posts: "Mexeu com uma, mexeu com to-
das". Três dias depois do post original, a emissora divul-
gou a decisão de suspender José Mayer. Em carta, o ator 
assumiu ter errado e pediu desculpas. Tropeçou ao resu-
mir o episódio como "brincadeira" e tentar dividir sua 
culpa com a geração de homens acima de 60 anos, como 
se fossem vítimas de uma catequese única e perversa.
A polêmica alcançou o topo das redes sociais, chegando 
a estar entre os dez assuntos mais comentados do mun-
do no Twitter. A retirada do ar do post pela Folha, sem 
explicação imediata, mas deixando rastros digitais, ge-
rou reclamações e suscitou a elaboração de conjecturas:
"Acredito que a Folha precisa explicar o que motivou 
a retirada. Se está compactuando com uma operação 
abafa por parte da Globo ou se apurou erros no relato", 
registrou um leitor. O editor-executivo da Folha, Sérgio 
Dávila, diz que a Direção foi surpreendida com o con-
teúdo e determinou sua retirada temporária até que o 
outro lado fosse ouvido. "Nesse intervalo, uma reporta-
gem foi publicada para explicar o que havia acontecido. 
Não foi, portanto, sem qualquer explicação", afirma.
Para Dávila, no caso concreto, não havia impeditivo 
para que o procedimento-padrão de ouvir o outro lado 
não fosse respeitado.
A Folha tem hoje 124 colunistas e 48 blogs. Grande par-
te dos leitores não diferencia uns de outros. Mas, na 
estrutura interna do jornal, blogueiros e colunistas são 
tratados de forma diferenciada. Todos os colunistas são 
lidos por editores ou pelos secretários de Redação an-
tes que seus textos sejam publicados.
Os blogs são acompanhados a posteriori, pela própria 
natureza de "diário" que a modalidade comporta. Os 
autores cuidam diretamenteda publicação dos textos.
Argumenta Dávila que todos os que escrevem na Fo-
lha, incluindo blogueiros, devem submeter quaisquer 
acusações de prática ilegal aos seus editores antes 
de publicá-las.
É dever das titulares de um blog feminino e feminista tra-
zer a público, sabendo ser verdadeira, uma denúncia de 
prática machista. É dever do jornal trabalhar tal informa-
ção e dar voz àquele que é acusado do que quer que seja.
O correto teria sido a publicação do texto original no 
blog, com remissão simultânea para reportagem pro-
duzida pelo corpo editorial da Folha, submetida aos 
padrões exigidos pelo Manual de Redação de isenção, 
transparência e equilíbrio. A retirada do ar explicitou 
falhas de comunicação e procedimento.
Um poderoso machão sucumbiu. Os tempos são outros. 
Uma leitora, no entanto, lembrou a ombudsman de que 
nesta semana a Ilustrada ganhou três novos colunistas 
de humor. Eles dividirão espaço com o consagrado José 
Simão. Todos são homens. Também não há mulheres, por 
exemplo, no quadrado da charge da página 2 da Folha.
*Ombudsman é uma expressão de origem sueca que 
significa "representante do cidadão". A palavra é 
formada pela união de "ombuds" (representante) e 
"man" (homem). O termo surgiu em 1809, nos países 
escandinavos, para designar um Ouvidor-Geral do Par-
lamento, responsável em mediar e tentar solucionar as 
reclamações da população junto ao governo.
Hoje em dia, o ombudsman se transformou em uma 
profissão presente em quase todas as grandes e mé-
dias empresas, sejam públicas ou privadas. A função do 
búds, como também são conhecidos, é a de enxergar os 
problemas e pontos negativos de determinada empre-
sa ou instituição, a partir da ótica do consumidor/cida-
dão, e tentar solucionar as crises de maneira imparcial.
Dentro da imprensa, o ombudsman é o intermediador 
entre a editoria do jornal, por exemplo, e seus leitores. 
Nos Estados Unidos, a função de ombudsman surgiu 
nos anos 1960. No Brasil, o cargo existe desde 1989, 
quando o jornal Folha de S. Paulo publicou a primeira 
editoria do seu ombudsman, que ficaria responsável em 
ser o porta-voz dos leitores, solucionando e transmitin-
do as suas reclamações para o jornal.
Em muitas empresas o ombudsman é ligado ao depar-
tamento de Serviços Jurídicos.
Disponível em: https://www.significaDos.com.Br/omBuDsman/. 
acesso em: 13 maio 2017. [aDaptaDo para fins De vestiBular.]
7. (Pucsp) Indique em qual passagem as aspas são em-
pregadas para assinalar o pronunciamento do jornal: 
a) “José Mayer me assediou” [terceiro parágrafo] 
b) “O conteúdo foi retirado do ar porque desrespeitou 
o princípio editorial da Folha de só publicar acusação 
após ouvir e registrar os argumentos da parte acu-
sada, salvo nos casos em que isso não for possível” 
[quarto parágrafo] 
c) (...) “ouvidos todos os envolvidos, em busca da ver-
dade” [quinto parágrafo] 
d) “Mexeu com uma, mexeu com todas” [sexto parágrafo] 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
OGX poderá ficar com campos em caso de recuperação
“A OGX está bastante avisada que, em meio a tudo isso 
que ela está vivendo, ela tem que ter uma fiel obser-
vância ao contrato, tem que estar atenta para o cum-
primento das cláusulas contratuais”, afirmou Magda 
Chambriard, diretora-geral da ANP. 
Entre outras, as cláusulas abrangem fornecimento de 
garantias, realização dos planos de desenvolvimento, 
realização dos planos de avaliação, “enfim, todas as 
obrigações dos contratos que ela tem, essa uma condi-
ção ‘sine qua nom’”, completou Magda. 
(folha De sp, 17.10.2013)
64
8. (Espm) Ainda se referindo à expressão “sine qua 
nom”, o fato de haver no texto aspas simples antes e 
aspas triplas depois se justifica por: 
a) ocorrer uma transgressão gramatical (falha do jornal). 
b) tratar-se de uma expressão estrangeira no interior 
de uma citação. 
c) destacar uma expressão idiomática combinada 
com uma citação. 
d) estar sendo empregado o sentido irônico da expressão. 
e) tratar-se de um discurso direto dentro de uma citação. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Texto para a(s) questão(ões) a seguir
Eram tempos menos duros aqueles vividos na casa de 
Tia Vicentina, em Madureira, subúrbio do Rio, onde Pau-
linho da Viola podia traçar, sem cerimônia, um prato de 
feijoada - comilança que deu até samba, "No Pagode do 
Vavá". Mas como não é dado a saudades (lembre-se: é o 
passado que vive nele, não o contrário), Paulinho aceitou 
de bom grado a sugestão para que o jantar ocorresse em 
um dos mais requintados italianos do Rio. A escolha pela 
alta gastronomia tem seu preço. Assim que o sambista 
chega à mesa redonda ao lado da porta da cozinha, for-
ma-se um círculo de garçons, com o maître à frente. [...]
Paulinho conta que cresceu comendo o trivial. Seu pai 
viveu 88 anos à base de arroz, feijão, bife e batata fri-
ta. De vez em quando, feijoada. Massa, também. "Mas 
nada muito sofisticado." 
Com exceção de algumas dores de coluna, aos 70 anos, 
goza de plena saúde. O músico credita sua boa forma 
ao estilo de vida, como se sabe, não dado a exageros e 
grandes ansiedades.
t. carDoso, valor, 28/06/2013. aDaptaDo. 
9. (Fgvrj) Considere estas afirmações sobre elementos 
linguísticos presentes no texto:
I. O verbo “traçar” pertence a um registro linguístico 
diverso do que predomina no texto.
II. No trecho "um dos mais requintados italianos do 
Rio”, ocorre elipse de um substantivo.
III. Com as aspas em "Mas nada muito sofisticado", o au-
tor do texto imprime, a essa expressão, um tom irônico.
Tendo em vista o contexto, está correto apenas o que 
se afirma em 
a) I. 
b) II. 
c) III. 
d) I e II. 
e) II e III. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
TURISMO NA FAVELA: E OS MORADORES?
Água morro abaixo, fogo morro acima e invasão de tu-
ristas em favelas pacificadas são difíceis de conter. Algo 
precisa ser feito para que a positividade do momento 
não transforme esses lugares em comunidades “só pra 
inglês ver”. As favelas pacificadas tornaram-se alvo de 
uma volúpia consumidora poucas vezes vista no Rio de 
Janeiro. O momento em que se instalaram as Unidades 
de Polícia Pacificadora em algumas favelas foi como se 
tivesse sido descoberto um novo sarcófago de Tutanka-
mon, o faraó egípcio: uma legião de turistas, pesquisado-
res, empresários, comerciantes “descobriram” as favelas. 
O Santa Marta, primeira favela a ter uma UPP ao longo 
dos seus quase 80 anos, sempre recebeu, na maioria das 
vezes de forma discreta, visitantes estrangeiros. E, em 
alguns casos, ilustres: Rainha Elizabeth, Senador Kenne-
dy, Gilberto Gil. Até mesmo Michael Jackson, quando 
gravou seu clipe na favela, não permitiu a presença da 
mídia. A partir de 2008, iniciou-se a era das celebrida-
des e a exposição da favela para o mundo. 
Algumas perguntas, porém, precisam ser feitas e res-
pondidas no momento em que o poder público pensa 
em investir nesse filão: o que é uma favela preparada 
para receber turistas? Que “maquiagem1” precisa ser 
feita para que o turista se sinta bem? Que produtos os 
turistas querem encontrar ali? O comércio local deve 
adaptar-se aos turistas ou servir aos moradores? Se o 
Morro não é uma propriedade particular, se não tem um 
dono, todo e cada morador tem o direito de opinar so-
bre o que está se passando com o seu lugar de moradia. 
Essas e outras questões devem pautar o debate entre 
moradores e gestores públicos sobre o turismo nas fa-
velas pacificadas. Se os moradores não se organizarem 
e se não assumirem o protagonismo das ações de turis-
mo e de entretenimento no Santa Marta, vamos assistir 
aos nativos — os de dentro — servindo de testa de 
ferro para empreendimentos e iniciativas dos de fora, 
às custas de uma identidade local que aos poucos vai 
perdendo suas características. 
Tomar os princípios do turismo comunitário — integri-
dade das identidades locais, protagonismo e autonomia 
dos moradores — talvez ajude-nos a encontrar estraté-
gias para receber os de fora sem sucumbir às regras 
violentas de um turismo mercadológico. 
itamarsilva é presiDente Do grupo eco — santa marta e 
Diretor Do instituto Brasileiro De anÁlises sociais e econômicas 
(iBase). aDaptaDo De: Jornal o Dia, 31/01/2013. 
10. (cftrj) Quando escrevemos, dispomos, entre outros 
recursos, de vários sinais gráficos: as aspas são exem-
plos disso. No texto, elas foram empregadas em “ma-
quiagem” (ref. 1) com a intenção de destacar que essa 
palavra sofreu uma alteração de natureza: 
a) semântica. 
b) sintática. 
c) morfológica. 
d) fonética. 
E.O. FixAçãO
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
A VOZ SUBTERRÂNEA
Às vezes ouvia-se um canto surdo, 
que parecia vir debaixo da terra. 
65
Até que os homens da superfície, 
para desvendar o mistério, 
puseram-se a fazer escavações. 
Sim! eram os homens das minas, 
que um desabamento ali havia aprisionado. 
E ninguém suspeitava da sua existência, 
porque já haviam passado três ou quatro gerações! 
Mas a luz forte das lanternas não os ofuscou: 
eles estavam cegos 
– todos, homens, mulheres, crianças. 
Eles estavam cegos... e cantavam! 
quintana, mario. Baú De espantos. 1. eD. 
rio De Janeiro: oBJetiva, 2014.
1. (PUC-PR 2018) Os sinais de pontuação são importantes 
elementos de expressividade em textos de caráter poético. 
Assim, em “A voz subterrânea”, é CORRETO afirmar que 
a) os pontos de exclamação nos versos 6 e 9 têm a 
mesma finalidade, a saber, rechaçar a incredulidade 
do autor frente os eventos apresentados. 
b) os dois-pontos usados no verso 10 servem para in-
troduzir uma elucidação sobre a afirmação feita antes 
desse sinal, no mesmo verso. 
c) o travessão do verso 12 introduz um diálogo meta-
fórico, por isso pode também ser entendido como um 
elemento de realce. 
d) as reticências do verso 13 pervertem o momento 
de maior tensão do texto, criando um paradoxo entre 
as duas orações do mesmo verso. 
e) a vírgula do verso 6 possibilita a ordem indireta da 
oração adjetiva do verso 7, pois introduz uma explica-
ção quando uma restrição era esperada. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
A(s) questão(ões) a seguir refere(m)-se ao texto abaixo.
Menino do Acre talvez seja uma das maiores empulha-
ções da história “mística” do Brasil 
O estudante de Psicologia de 25 anos é produto de uma 
grande jogada de marketing que nem precisou de um 
Washington Olivetto para criá-la
O “Menino do Acre” talvez fique na história como uma 
das grandes empulhações brasileiras, e a mídia, certa-
mente para obter audiência e acesso, se não está en-
dossando diretamente, está sendo conivente com as 
trapalhadas e enganações do 1estudante de Psicologia 
Bruno Borges, de 25 anos. 
2A Argentina tem Jorge Luis Borges. O Brasil contenta-se 
com Bruno Borges, o 3pós-adolescente fujão, que ficou 
desaparecido durante algum tempo, alegando que es-
tava em busca do conhecimento. (...) Suas ideias sobre 
filosofia e alquimia são lorota pura. Ao desaparecer, 4o 
que o jovem estava buscando? “Busquei o autoconhe-
cimento. Na alquimia, dizemos que o operador procede 
em busca da pedra filosofal”, afirma. O que isso quer 
dizer? Nada. 5É pura platitude, embromação. 6Qualquer 
livro primário discute o assunto de maneira mais densa. 
Bruno Borges diz que está articulando um projeto para 
mudar a vida das pessoas. Porém, não explica o que é, 
exceto que se trata de “despertar para o mundo do co-
nhecimento” e para a “investigação da verdade”. O po-
eta Goethe, 7que se considerava alquimista, e o filósofo 
Nietzsche são precisos 8ao discutir temas sobre os quais 
o estudante apenas roça, possivelmente depois da lei-
tura, não de livros científicos, e sim de obras místicas 
– talvez de terceira categoria ou sem categoria alguma. 
Questionado, Bruno Borges, o nosso Borges “détraqué”, 
sustenta que seu projeto é “uma missão”. O projeto e 
a missão, a rigor, não são expostos de maneira cabal 
(anticientífico, ele avalia que não é preciso demons-
trar)9; eventualmente, o Menino do Acre trata do tema 
de maneira elíptica, como se não soubesse do que está 
falando ou então 10estaria sonegando alguma coisa de 
caráter seminal, que ainda não pode ser dita, sobretudo 
para os não iniciados. 
Espécie de Policarpo Quaresma da filosofia, vá lá, ou da 
alquimia, vá lá, Bruno Borges sugere que está buscando 
“a verdade da vida”. Entretanto, suas frases são ocas, as 
ideias são uma mistureba de frases de efeito e “concei-
tos” mal digeridos. (...) O que dizer de um garoto que diz 
que conseguiu “lapidar a pedra filosofal”? A única coisa 
que parece ter lapidado de verdade foi a paciência de 
jornalistas e de leitores e telespectadores e sua própria 
cara de pau. (...) Ele fala em fé, o que sugere que é, claro, 
um místico – e não um cientista precoce, ao estilo de Da-
rwin e Richard Dawkins. 11Mas certamente não chega aos 
pés de Antônio Conselheiro e do Padre Cícero. 
Há místicos que buscam o autoconhecimento duran-
te anos e, às vezes, nada encontram. Pois o Menino do 
Acre, em apenas dois meses e sem pesquisas detidas e 
rigorosas, alcançou seus objetivos, sua realização espiri-
tual. Você leu certo: dois meses! 12O garoto deveria ser 
preparado pelos grandes laboratórios para 13“descobrir” 
um medicamento que “cure” os pacientes que têm Aids. 
14Seria um portento. É possível que, depois de quatro me-
ses, o Menino do Acre poderia se candidatar ao Prêmio 
Nobel de Medicina ou, 15quem sabe, de Literatura – tal o 
poder de sua imaginação. Ou seja, se ele terminar os dias 
escrevendo autoajuda ou ficção científica, nem Paulo Co-
elho, o esperto-expert em tudo, ficará surpreso. (...) 
16O Quase-Adulto do Acre revela: “Alguns livros”, dos 14, 
“talvez mereçam permanecer ocultos”. Certos livros de-
veriam ser qualificados como terrorismo ecológico – um 
atentado às florestas –, então, talvez seja melhor que fi-
quem ocultos. 17O Menino do Acre talvez seja 18a jogada 
de marketing mais bem urdida dos últimos anos, e 19sem 
a colaboração de Duda Mendonça e Washington Olivetto. 
(...) No final da entrevista, 20tão impressionado quanto 
um conto de Borges é impressionante, o bom, o da 
Argentina, o Menino do Acre ensina aquilo que nem 
Marilena Chauí (...) é capaz de ideologizar: “Por mais que 
as pessoas não percebam, a partir de agora, o conhe-
cimento será mais valorizado. Quanto mais conheci-
mento você tiver, mais influente será na sociedade”. 
Ora, o que surpreende é que o Menino do Acre parece 
não ter conhecimento algum, ao menos de maneira 
consistente e sistemática, e, mesmo assim, está se 
66
tornando tremendamente influente, inclusive conce-
dendo entrevista ao “Fantástico”, da TV Globo, e à maior 
revista semanal do país, a “Veja”. Não é pouca coisa, não. 
(...) 
Fico na dúvida, filosófica: o Menino do Acre fica melhor 
no papel de alienista, de alienado ou os dois? Ah, o modo 
como mesmerizou o país, 21atraindo jornalistas de todas 
as plagas, alienados mesmo somos nós, que, quem sabe, 
esperamos o Messias, ainda que na forma de um Borges 
piorado e sem “O Aleph”. Borges, o “Adulto Portenho”, 
talvez esteja certo ao ecoar Marco Polo: “O real não é 
mais verdade do que o inventado”. 
(Belém, euler De frança. menino Do acre talvez seJa uma Das 
maiores empulhações Da história “mística” Do Brasil. Disponível 
em: https://www.Jornalopcao.com.Br/colunas-e-Blogs/imprensa/
menino-Do-acre-talvez-seJa-uma-Das-maiores-empulhacoes-Da-historia-
mistica-Do-Brasil-102864/. aDaptaDo. acesso em 01 set. 2017) 
2. (UPF 2018) No que concerne a aspectos semântico-sin-
táticos do texto, está correto o que se afirma em: 
a) As vírgulas que separam a oração “que se considera-
va alquimista” (referência 7) justificam-se porque evi-
denciam uma oração restritiva ligada ao nome Goethe 
que a antecede. 
b) No período “quem sabe, de Literatura – tal o poder 
de sua imaginação” (referência 15), o sinal de travessão 
poderia ser substituído por dois-pontos, sem que o sentido 
do texto e sua correção gramatical fossem prejudicados. 
c) Dada a posição que ocupa na oração, “A Argentina” 
(referência 2), caracterizada como termo adverbial, deve-ria estar isolada por vírgula, se atendido o rigor gramatical. 
d) As informações e a correção gramatical do texto se-
riam preservadas, caso, sem que fossem feitas outras al-
terações, a conjunção coordenativa “Mas”(referência 11) 
fosse substituída pela conjunção aditiva “e”, grafada em 
letra minúscula, e o ponto final que a antecede fosse subs-
tituído por vírgula. 
e) O uso do ponto e vírgula (;) na referência 9 poderia 
ser substituído por um ponto final (.) sem prejuízo à 
compreensão da ideia, uma vez que separa orações 
independentes. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
O MITO DO TEMPO REAL
O descompasso entre a velocidade das máquinas e a 
capacidade de compreensão de seus usuários leva a um 
quadro de ansiedade social sem precedentes. Em blogs, 
redes sociais, podcasts e mensagens eletrônicas diver-
sas todos pedem desculpas pela demora em responder 
às demandas de seus interlocutores, impacientes como 
nunca. E-mails que não sejam atendidos em algumas 
horas acabam encaminhados para outras redes, em um 
apelo público por uma resposta.
No desespero por contato instantâneo, telefones cha-
mam repetidamente em horas impróprias, mensagens de 
texto são trocadas madrugada adentro, conversas mul-
tiplicam-se por comunicadores instantâneos e toda oca-
sião – do trânsito ao banheiro, do elevador à cama, da 
hora do almoço ao fim de semana – parece uma lacuna 
propícia para se resolver uma pendência.
[...]
A resposta imediata a uma requisição é chamada tec-
nicamente de “tempo real”, mesmo que não haja nada 
verdadeiramente real nem humano nessa velocidade. O 
tempo imediato, sem pausas nem espera, em que tudo 
acontece num estalar de dedos é uma ficção. Desejá-lo 
não aumenta a eficiência. Pelo contrário, pode ser extre-
mamente prejudicial.
Muitos combatem a superficialidade nas relações digi-
tais pelos motivos errados, questionando a validade dos 
“amigos” no Facebook ou “seguidores” no Twitter ao 
compará-los com seus equivalentes analógicos. O pro-
blema não está na tecnologia, mas na intensidade dis-
pensada em cada interação. Seja qual for o meio em que 
ele se dê, o contato entre indivíduos demanda tempo, e 
nesse tempo não é só a informação pura e simples que 
se troca. Festas, conversas, leituras, relacionamentos, mú-
sicas e filmes de qualidade não podem ser acelerados 
ou resumidos a sinopses. Conversas, ao vivo ou media-
das por qualquer tecnologia, perdem boa parte de sua 
intensidade com a segmentação. O tempo empenhado 
em cada uma delas é muito valioso; não faz sentido eco-
nomizá-lo, empilhá-lo ou segmentá-lo. O tempo humano 
(que talvez seja irreal, se o “outro” for provado real) é 
bem mais lento. Nossas vidas são marcadas tanto pela 
velocidade quanto pela lentidão.
[...]
Essa quebra da sequência histórica faz com que muitos 
processos pareçam herméticos ou misteriosos demais. 
Quando não há uma compreensão das etapas com-
ponentes de um processo, não há como intervir nelas, 
propondo correções, adaptações ou melhorias. Tal impo-
tência leva a uma apatia, em que as condições impostas 
são aceitas por falta de alternativa. Escondidos seus pro-
cessos industriais, os produtos adquirem uma aura quase 
divina, transformando seus usuários em consumidores 
vorazes, que se estapeiam em lojas à procura do último 
aparelho eletrônico que se proponha a preencher o vazio 
que sentem.
Incapazes de propor alternativas ou sugerir mudanças, 
os consumidores são estimulados pela publicidade a 
um gigantesco hedonismo e pragmatismo. A facilidade 
de acesso à abundância leva a uma passividade e a um 
pensamento pragmático que defende a ideia de “vamos 
aproveitar agora, pois quando acontecer um problema 
alguém terá descoberto a solução”, visível na forma com 
que se abordam problemas de saúde, obesidade, consu-
mo, lixo eletrônico, esgotamento de recursos e poluição 
ambiental. Em alta velocidade há pouco espaço para a 
reflexão. Reduzidos a impulsos e reflexos, corremos o ris-
co de deixar para trás tudo aquilo que nos diferencia das 
outras espécies.
(luli raDfahrer. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.Br/
colunas/luliraDfahrer/1191007-o-mito-Do-tempo-real.shtml.) 
3. (utfpr) Em relação à pontuação do texto, considere as 
afirmativas a seguir.
I. No segundo parágrafo, o travessão foi empregado para 
isolar a explicação da expressão anterior.
67
II. No terceiro parágrafo, as aspas foram empregadas para 
ressaltar o valor significativo da expressão “tempo real”.
III. No quarto parágrafo, os parênteses são emprega-
dos para introduzir uma generalização para a expres-
são anterior.
Está(ão) correta(s) apenas: 
a) I. 
b) II. 
c) III. 
d) I e II. 
e) II e III. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Leia o texto para responder à(s) questão(ões).
CHUVA FORA DE ÉPOCA DÁ SÓ 18 DIAS DE ALÍVIO ÀS 
REPRESAS DA GRANDE SP
As primeiras duas semanas de setembro trouxeram chu-
vas acima da média e ampliaram em 50 bilhões de litros 
as reservas das principais represas da Grande São Paulo.
Todo esse volume, porém, representa apenas um ligeiro 
alívio nos agonizantes mananciais e deverá ser todo con-
sumido num intervalo de apenas três semanas de estiagem 
– como aconteceu nos últimos 18 dias do mês de agosto.
E é justamente essa a previsão dos climatologistas para a 
próxima semana. Segundo essas previsões, a região me-
tropolitana e seu entorno, onde estão os seis principais 
reservatórios, terá bastante calor e quase nenhuma chuva.
Setembro é o último mês da estação seca, iniciada em 
abril. A expectativa do governo Geraldo Alckmin (PSDB) 
é que as chuvas em grande volume voltem a partir de ou-
tubro – na última estação chuvosa, porém, elas só vieram 
em fevereiro e março.
A Grande SP vive hoje a mais grave seca já registrada.
faBrício loBel (Disponível em http://www1.folha.uol.
com.Br/cotiDiano. acesso em 15.09.2015) 
4. (utfpr ) Sobre o texto, identifique como verdadeiras (V) 
ou falsas (F) as seguintes afirmativas:
( ) A conjunção porém, no segundo parágrafo, intro-
duz uma ideia de oposição às informações do primei-
ro parágrafo.
( ) No segundo parágrafo, o travessão ( – ) foi empregado 
para introduzir um esclarecimento à informação anterior.
( ) No terceiro parágrafo, o pronome indefinido onde foi 
empregado para retomar o lugar, citado anteriormente .
( ) No título da notícia, a palavra alívio recebe acento por 
ser uma paroxítona terminada em - a.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, 
de cima para baixo. 
a) F – V – F – V. 
b) F – F – V – V. 
c) F – V – V – F. 
d) V – V – F – F. 
e) V – F – F – V. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
TEXTO
1José Leal fez uma reportagem na Ilha das Flores, onde 
ficam os imigrantes logo que chegam. E falou dos equí-
vocos de nossa política imigratória. 2As pessoas que ele 
encontrou não eram agricultores e técnicos, gente capaz 
de ser útil. Viu músicos profissionais, bailarinas austría-
cas, cabeleireiras lituanas. Paul Balt toca acordeão, Ivan 
Donef faz coquetéis, Galar Bedrich é vendedor, Serof Ne-
dko é ex-oficial, Luigi Tonizo é jogador de futebol, Ibolya 
Pohl é costureira. Tudo 15gente para o asfalto, “para entu-
lhar as grandes cidades”, como diz o repórter.
6O repórter tem razão. 3Mas eu peço licença para ficar 
imaginando uma porção de coisas vagas, ao olhar essas 
belas fotografias que ilustram a reportagem. Essa linda 
costureirinha morena de Badajoz, essa Ingeborg que faz 
fotografias e essa Irgard que não faz coisa alguma, esse 
Stefan Cromick cuja única experiência na vida parece ter 
sido vender bombons 11– não, essa gente não vai aumen-
tar a produção de batatinhas e quiabos nem 16plantar 
cidades no Brasil Central.
7É insensato importar gente assim. Mas o destino das pes-
soas e dos países também é, muitas vezes, insensato: prin-
cipalmente da gente nova e países novos. 8A humanidade 
não vive apenas de carne, alface e motores. Quem eram os 
pais de Einstein, eu pergunto; e se o jovem Chaplin quises-
se hoje entrar no Brasil acaso poderia? Ninguém sabe que 
destino terão no Brasilessas mulheres louras, esses ho-
mens de profissões vagas. Eles estão procurando alguma 
coisa12: emigraram. Trazem pelo menos o patrimônio de 
sua inquietação e de seu 17apetite de vida. 9Muitos se per-
derão, sem futuro, na vagabundagem inconsequente das 
cidades; uma mulher dessas talvez se suicide melancolica-
mente dentro de alguns anos, em algum quarto de pen-
são. Mas é preciso de tudo para 18fazer um mundo; e cada 
pessoa humana é um mistério de heranças e de taras. Aca-
so importamos o pintor Portinari, o arquiteto Niemeyer, o 
físico Lattes? E os construtores de nossa indústria, como 
vieram eles ou seus pais? Quem pergunta hoje, 10e que 
interessa saber, se esses homens ou seus pais ou seus avós 
vieram para o Brasil como agricultores, comerciantes, bar-
beiros ou capitalistas, aventureiros ou vendedores de gra-
vata? Sem o tráfico de escravos não teríamos tido Macha-
do de Assis, e Carlos Drummond seria impossível sem uma 
gota de sangue (ou uísque) escocês nas veias, 4e quem nos 
garante que uma legislação exemplar de imigração não 
teria feito Roberto Burle Marx nascer uruguaio, Vila Lobos 
mexicano, ou Pancetti chileno, o general Rondon cana-
dense ou Noel Rosa em Moçambique? Sejamos humildes 
diante da pessoa humana: 5o grande homem do Brasil 
de amanhã pode descender de um clandestino que nes-
te momento está saltando assustado na praça Mauá13, e 
não sabe aonde ir, nem o que fazer. Façamos uma política 
de imigração sábia, perfeita, materialista14; mas deixemos 
uma pequena margem aos inúteis e aos vagabundos, às 
aventureiras e aos tontos porque dentro de algum deles, 
como sorte grande da fantástica 19loteria humana, pode 
vir a nossa redenção e a nossa glória.
(Braga, r. imigraçÃo. in: a BorBoleta amarela. 
rio De Janeiro, eDitora Do autor, 1963) 
68
5. (Ita) De acordo com as normas gramaticais de pon-
tuação,
I. o travessão da referência 11 serve para realçar uma 
conclusão do que foi dito anteriormente.
II. os dois pontos da referência 12 podem ser substituí-
dos por ponto e vírgula.
III. a vírgula, em “está saltando assustado na praça 
Mauá, e não sabe”, referência 13, pode ser excluída.
IV. o ponto e vírgula da referência 14 pode ser substitu-
ído por ponto final.
Estão corretas apenas 
a) I, II e III. 
b) I, III e IV. 
c) II e III. 
d) II, III e IV. 
e) III e IV. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Leia o texto abaixo para responder à(s) questão(ões).
RENÚNCIA
Chora de manso e no íntimo... Procura
Curtir sem queixa o mal que te crucia:
O mundo é sem piedade e até riria
Da tua inconsolável amargura.
Só a dor enobrece e é grande e é pura.
Aprende a amá-la que a amarás um dia.
Então ela será tua alegria,
E será, ela só, tua ventura...
A vida é vã como a sombra que passa...
Sofre sereno e de alma sobranceira,
Sem um grito sequer, tua desgraça.
Encerra em ti tua tristeza inteira.
E pede humildemente a Deus que a faça
Tua doce e constante companheira...
BanDeira, manuel. a cinza Das horas. in: estrela Da viDa 
inteira. rio De Janeiro: nova fronteira, 1993, p. 75. 
6. (ifal) A pontuação contribui para a produção dos 
efeitos de sentido no texto. Sobre esse assunto, marque 
a alternativa que apresenta uma afirmação incorreta, 
levando-se em consideração as regras de pontuação 
previstas na gramática normativa. 
a) No trecho “E pede humildemente a Deus que a 
faça”, admitir-se-ia o uso da vírgula para intercalar o 
termo “humildemente”. 
b) O ponto, em versos como “Só a dor enobrece e é 
grande e é pura.”, encerra ideias categóricas para as 
quais não se preveem contra-argumentações. 
c) Do ponto de vista pragmático, o sinal dois pontos, no 
segundo verso, serve para expressar uma explicação. 
d) As reticências ao longo do texto criam uma atmos-
fera intimista, sugestiva e de convite à reflexão. 
e) No verso “A vida é vã como a sombra que pas-
sa...”, poder-se-ia inserir uma vírgula após a palavra 
“vida”, sem prejuízo sintático e semântico do texto. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Leia este texto e responda à(s) questão(ões) a seguir.
ORAÇÃO
– “Ave Maria cheia de graça...”
A tarde era tão bela, a vida era tão pura,
as mãos de minha mãe eram tão doces,
havia lá, no azul, um crepúsculo de ouro... lá longe...
– “Cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita!
Bendita!”
Os outros meninos, minha irmã, meus irmãos menores 
meus
brinquedos, a casaria branca de minha
terra, a burrinha do vigário pastando
junto à capela... lá longe...
Ave cheia de graça
– “bendita sois entre as mulheres, bendito é o fruto do 
vosso ventre...”
E as mãos do sono sobre meus olhos,
e as mãos de minha mãe sobre o meu sonho,
e as estampas de meu catecismo 
para o meu sonho de ave!
E isso tudo tão longe... tão longe...
(lima, Jorge De. poemas. rio; sÃo paulo: recorD, 2004, p. 39) 
7. (ifal) Quanto à pontuação no poema, indique a única 
alternativa correta. 
a) As reticências reforçam no texto o caráter seletivo, 
parcial e vacilante da memória, bem como imprimem 
no poema um tom ainda mais saudosista e polissêmico. 
b) As aspas que se põem antes e depois de algumas 
frases marcam a fala da mãe. 
c) As vírgulas presentes nos versos de dois a quatro 
servem para separar orações coordenadas. 
d) A julgar pelo que ensina a gramática, no excerto “Cheia 
de graça, o Senhor é convosco” a vírgula é opcional. 
e) Embora as exclamações que aparecem no texto não 
se vinculem à emoção do eu lírico, elas denunciam seu 
estado de espírito enquanto recorda o passado. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
VELHO MARINHEIRO
homenagem aos marinheiros 
De sempre... e para sempre.
28Sou marinheiro porque um dia, muito jovem, estendi 
meu braço diante da bandeira e jurei lhe dar minha vida.
Naquele dia de sol a pino, com meu novo uniforme 
branco, 21senti-me homem de verdade, como se estives-
se dando adeus aos tempos de garoto. 29Ao meu lado, 
as vozes de outros jovens soavam em uníssono com a 
minha, vibrantes, e terminamos com emoção, de peitos 
estufados e orgulhosos. 5Ao final, minha mãe veio em 
minha direção, apressada em me dar um beijo. 20Acari-
ciou-me o rosto e disse que eu estava lindo de unifor-
me. 6O dia acabou com a família em festa; 11eu lembro-
-me bem, fiquei de uniforme até de tarde...
69
Sou marinheiro, porque aprendi, naquela Escola, o signi-
ficado nobre de companheirismo. 7Juntos no sofrimento 
e na alegria, um safando o outro, leais e amigos. Aprendi 
o que é civismo, respeito e disciplina, no princípio, exigi-
dos a cada dia; depois, como parte do meu ser e, assim, 
para sempre. 23A cada passo havia um novo esforço espe-
rando e, depois dele, um pequeno sucesso. 26Minha vida, 
agora que olho para trás, foi toda de pequenos sucessos. 
A soma deles foi a minha carreira.
19No meu primeiro navio, logo cedo, percebi que era no-
vamente aluno. Todos sabiam das coisas mais do que eu 
havia aprendido. Só que agora me davam tarefas, incum-
bências, e esperavam que eu as cumprisse bem. 2Pouco a 
pouco, passei a ser parte da equipe, a ser chamado para 
ajudar, a ser necessário. 8Um dia vi-me ensinando aos no-
vatos 12e dei-me conta de que me tornara marinheiro, de 
fato e de direito, um profissional! 32O navio passou a ser 
minha segunda casa, onde eu permanecia mais tempo, às 
vezes, do que na primeira. Conhecia todos, alguns mais 
até do que meus parentes. Sabia de suas manhas, cacoe-
tes, preocupações e de seus sonhos. Sem dar conta, meu 
mundo acabava no costado do navio.
9A soma de tudo que fazemos e vivemos, pelo navio, 14é 
uma das coisas mais belas, que só há entre nós, em mais 
nenhum outro lugar. 24Por isso sou marinheiro, porque 
sei o que é espírito de navio.
Bons tempos aqueles das viagens, dávamos um duro 
danado no mar, em serviço, postos de combate, ades-
tramento de guerra, dia e noite. 30O interessante é que 
em toda nossa vida, 15quando buscamos as boas recor-
dações, elas vêm desse tempo, das viagens e dos navios. 
16Até 13as durezas por que passamos são saborosas 1ao 
lembrar, talvez porque as vencemos e fomos adiante. 
É aquela história dos pequenossucessos.
A volta ao porto era um acontecimento gostoso, sempre 
figurando a mulher. Primeiro a mãe, depois a namorada, 
a noiva, a esposa. Muita coisa a contar, a dizer, surpre-
sas de carinho. A comida preferida, o abraço apertado, 
o beijo quente... e o filho que, na ausência, foi ensinado 
a dizer papai. 
31No início, eu voltava com muitos retratos, principal-
mente quando vinha do estrangeiro, depois, com o 
tempo, eram poucos, até que deixei de levar a máquina. 
10Engraçado, 22vocês já perceberam que marinheiro ve-
lho dificilmente baixa a terra com máquina fotográfica? 
Foi assim comigo.
34Hoje os navios são outros, os marinheiros são outros - 
sinto-os mais preparados do que eu era - mas a vida no 
mar, as viagens, os portos, a volta, estou certo de que 
são iguais. Sou marinheiro, por isso sei como é. 
Fico agora em casa, querendo saber das coisas da Ma-
rinha. E a cada pedaço que ouço de um amigo, que leio, 
que vejo, me dá um orgulho que às vezes chega a en-
talar na garganta. 4Há pouco tempo, voltei a entrar em 
um navio. Que coisa linda! 35Sofisticado, limpíssimo, nas 
mãos de uma tripulação que só pode ser muito com-
petente para mantê-lo pronto. 33Do que me mostraram 
eu não sabia muito. Basta dizer que o último navio em 
que servi já deu baixa. 17Quando saí de bordo, parei no 
portaló, voltei-me para a bandeira, inclinei a cabeça... e, 
minha garganta entalou outra vez.
Isso é corporativismo; não aquele enxovalhado, que sig-
nifica o bem de cada um, protegido à custa do desmere-
cimento da instituição; mas o puro, que significa o bem 
da instituição, protegido pelo merecimento de cada um. 
27Sou marinheiro e, portanto, sou corporativista. 
Muitas vezes 25a lembrança me retorna aos dias da ati-
va e morro de saudades. 18Que bom se pudesse voltar 
ao começo, vestir aquele uniforme novinho — até um 
pouco grande, ainda recordo — Jurar Bandeira, ser bei-
jado pela minha falecida mãe... 
3Sei que, quando minha hora chegar, no último instante, 
verei, em velocidade desconhecida, o navio com meus 
amigos, minha mulher, meus filhos, singrando para sem-
pre, indo aonde o mar encontra o céu... e, se São Pedro 
estiver no portaló, direi: 
– Sou marinheiro, estou embarcando.
autor DesconheciDo. in: língua portuguesa: leitura e proDuçÃo De texto. 
rio De Janeiro: marinha Do Brasil, escola naval, 2011. p. 6-8) 
Glossário
- Portaló: abertura no casco de um navio, ou passagem 
junto à balaustrada, por onde as pessoas transitam 
para fora ou para dentro, e por onde se pode movimen-
tar carga leve. 
8. (Esc. Naval) Que opção analisa corretamente o uso 
das reticências em “O dia acabou com a família em fes-
ta; eu lembro-me bem, fiquei de uniforme até de tar-
de...” (ref. 6)? 
a) Destacam a interrupção de uma ideia do locutor, 
para exprimir considerações acessórias. 
b) Marcam a suspensão da voz do autor, para assina-
lar inflexões de natureza emocional. 
c) Indicam que a ideia que o autor quer exprimir deve 
ser preenchida com a imaginação do leitor. 
d) Cortam a frase do locutor pela interferência de ou-
tras informações que dão continuidade ao texto. 
e) Assinalam que foram suprimidas possíveis refe-
rências do autor, com a intenção de realçar a última 
ideia enunciada. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
QUERO VOLTAR A CONFIAR
Fui criado com princípios morais comuns. Quando eu 
era pequeno, mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos 
eram autoridades dignas de respeito e consideração. 
Quanto mais próximos ou mais velhos, mais afeto. 23Ini-
maginável responder de forma mal educada aos mais 
velhos, professores ou autoridades... 24Confiávamos nos 
adultos, porque todos eram pais, mães ou familiares 
da nossa rua, do bairro ou da cidade. Tínhamos medo 
16apenas do escuro, dos sapos, dos filmes de terror10...
22Hoje me deu uma tristeza infinita por tudo aquilo que 
perdemos. Tudo que os meus netos um dia enfrentarão. 
Pelo medo no olhar das crianças, dos velhos, dos jovens e 
70
dos adultos. Direitos humanos para os criminosos, deve-
res ilimitados para os cidadãos honestos. Não levar van-
tagem em tudo significa ser idiota. 25Trabalhador digno e 
cumpridor dos deveres virou otário. Pagar dívidas em dia 
é ser tonto – anistia para corruptos e sonegadores.
O que aconteceu conosco4? Professores maltratados 
nas salas de aula14; comerciantes ameaçados por tra-
ficantes15; grades em nossas janelas e portas. 1Que 
valores são esses5? Automóveis que valem mais que 
abraços. 26Filhas querendo uma cirurgia como presente 
por passarem de ano. Filhos esquecendo o respeito no 
trato com pais e avós. No lugar de senhor, senhora, fi-
cou 12“oi cara”, ou “como está, coroa”6? Celulares nas 
mochilas de crianças. “O que vais querer em troca de 
um abraço7?” – “A diversão vale mais que um diploma.” 
– “Uma tela gigante 20vale mais que uma boa conver-
sa.” – “21Mais vale uma maquiagem do que um sorve-
te.” – 13“Aparecer do que ser.” Quando foi que tudo de-
sapareceu ou se tornou ridículo8?
Quero arrancar as grades da minha janela para poder 
tocar nas flores11... Quero me sentar na varanda e dor-
mir com a porta aberta nas noites de verão. Quero a 
honestidade como motivo de orgulho. Quero a retidão 
de caráter, a cara limpa e o olhar “olho no olho”. Quero 
sair de casa sabendo a hora em que estarei de volta, sem 
medo de assaltos ou balas perdidas. Quero a vergonha 
na cara e a solidariedade. 2Onde a palavra valia mais que 
um documento assinado. Quero a esperança, a alegria, 
a confiança de volta. Quero calar a boca de quem diz: 
“temos que estar 3ao nível de” ao falar de uma pessoa.
E viva o retorno da verdadeira 19vida, simples como a chu-
va, limpa como o céu de primavera, leve como a brisa da 
manhã. E 17definitivamente 18bela como cada amanhecer.
27Quero ter de volta o meu mundo simples e comum, 
onde existam o amor, a solidariedade e a fraternidade 
como bases. 28Vamos voltar a ser gente. A ter indigna-
ção diante da falta de ética, de moral, de respeito. Cons-
truir um mundo melhor, mais justo e mais humano, onde 
as pessoas respeitem as pessoas.
Utopia9?
Quem sabe.
Precisamos tentar.
arnalDo JaBor. Disponível em: http://www.pensaDor.uol.com.Br/
textos_De_arnalDo_JaBor/2/. Data De acesso: 30/04/2011. 
9. (epcar (Cpcar)) Assinale a alternativa em que há uma 
afirmação correta sobre a pontuação no texto. 
a) Das seis interrogações presentes no texto, (ref. 4, 
5, 6, 7, 8, 9), apenas duas delas são meramente re-
tóricas, ou seja, visam induzir o leitor a uma reflexão. 
b) As reticências (ref. 10 e 11), em ambas as ocorrên-
cias, têm a mesma função: indicar a supressão de ele-
mentos que não são citados devido a sua irrelevância. 
c) As aspas que aparecem nas referências 12 e 13 in-
dicam citação direta e expressões estranhas à língua, 
respectivamente. 
d) O ponto e vírgula, nas ref. 14 e 15, é usado para 
enumerar constatações feitas pelo locutor em relação 
à realidade atual. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
A(s) questão(ões) a seguir refere(m)-se ao texto abaixo.
UM PAPA QUE ERA MULHER
Em plena Idade Média, na noite de 28 de janeiro do 
ano 814, nascia em uma família de camponeses, na 
aldeia alemã de Ingelheim, uma menina chamada Jo-
ana. Quando adulta, ela seria a única mulher a exercer 
a função de papa na história da humanidade. Filha de 
um missionário da Igreja Católica, a menina foi criada 
sob os rígidos ditames da religião, que naquela época 
reservava às mulheres poucos direitos e lhes impunha 
muitas proibições, como a alfabetização. Joana viveu 
questionando os cânones de seu tempo, aprendeu o la-
tim e o grego antes dos 10 anos de idade e aos 16 ado-
tou a identidade do irmão morto numa batalha. Tudo 
isso para assumir funções eclesiásticas num monastério 
beneditino. Tornou-se papa entre 851 e 853 e morreu ao 
dar à luz uma criança quando tinha 42 anos.
A sua curiosa e desconhecida trajetória já foi levada às 
telas na década de 1970 em um filme protagonizado pela 
atriz Liv Ullman. Agora, volta com mais apelo em uma 
produção alemã dirigida pelo cineastaSonke Wortmann. 
O filme baseia-se no livro “Papisa Joana”, da escritora 
inglesa Donna Woolfolk Cross, que acaba de ser lançado 
no Brasil. A autora construiu um romance sustentado por 
informações obtidas em arquivos da Igreja e reconstituiu 
a vida de Joana. Segundo a autora, a história da papisa 
era considerada uma realidade até o século XVII, quando 
disputas religiosas teriam levado o Vaticano a ordenar a 
destruição das provas de sua existência. Na obra, Donna 
Cross lança mão da criatividade, mas garante que conte-
ve os seus “saltos imaginativos”.
rangel, n. Disponível em: https://istoe.com.Br/15441. 
acesso em: 02 ago. 2018. (aDaptaDo). 
10. (cftmg 2019) Na última oração do texto, o emprego 
das aspas em “saltos imaginativos” tem a função de 
a) sinalizar a coloquialidade da expressão. 
b) atribuir a ação à autora do romance. 
c) enfatizar uma intenção irônica. 
d) introduzir uma citação direta.
E.O. COmplEmEntAr
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
DESCOLADOS E BACANAS ADOTAM VIRA-LATAS E PE-
DEM HÓSTIA 'GLUTEN FREE'
A tipologia humana contemporânea chama a atenção 
pelo ridículo. Descolados e bacanas são pessoas que 
têm hábitos, afetos e disposições de alma mais avança-
dos do que os "colados" e os "canas".
Estes são gente que não consegue acompanhar os pro-
gressos sociais e se perdem diante das novas formas de 
economia, de sociabilidade e de direitos afetivos. Veja-
mos alguns exemplos dessa tipologia dos descolados e 
71
bacanas. Se você não se enquadrar, não chore. Ser um 
"colado" ou "cana" um dia poderá ascender à condi-
ção vintage, semelhante ao vinil ou ao filtro de barro.
A busca de uma alimentação saudável é um traço de 
descolados e bacanas. Um modo rápido e preciso de 
identificá-los é usar a palavra "McDonald's" perto de-
les. Se a pessoa começar a gritar de horror ou demons-
trar desprezo, você está diante de um descolado e ba-
cana. Se você não entender o horror e o desprezo dela 
pelo McDonald's, você é um "colado" e um “cana”.
Essa busca pela alimentação segura bateu na porta de 
Jesus, coitado. A demanda dos católicos descolados e 
bacanas é que o corpo de Cristo venha sem glúten. Uma 
hóstia "gluten free". O papa, seguramente uma pes-
soa desocupada, teve que se preocupar com o corpo 
de Cristo sem glúten. A commoditização da religião, ou 
seja, a transformação da religião em produto, um dia 
chegaria a isso: que Jesus emagreça seus fiéis.
Um segundo tipo de descolado e bacana é aquele pai 
que fica lambendo o filho pra todo mundo achar que ele 
é um "novo homem". Esse "novo homem" é, na verdade, 
um mito pra cobrir a desarticulação crescente das rela-
ções entre homem e mulher. Homens cuidam de filhos há 
décadas, mas agora pai que cuida de filho virou homem 
descolado e bacana, com direito à licença-paternidade 
de 40 dias, dada por empresas descoladas e bacanas.
Além de tornar o emprego ainda mais caro (coisa que a 
lei trabalhista faz, inviabilizando o emprego no país), a 
sorte dessas empresas é que as pessoas cada vez mais 
se separam antes de ter filhos. As que não se separam, 
por sua vez, ou têm um filho só ou um cachorro. Logo, 
fica barato posar de empresa descolada e bacana. Que-
ria ver se a moçada fosse corajosa como os antigos e 
tivesse cinco filhos por casal. Com o crescimento da 
cultura pet, logo empresas descoladas e bacanas darão 
licença de uma semana quando o cachorro do casal fi-
car doente. E esse "direito" será uma exigência do capi-
talismo consciente. Aliás, descolados e bacanas adotam 
cachorros vira-latas para comprovar seu engajamento 
contra a desigualdade social animal.
Um terceiro tipo de gente descolada e bacana é o pra-
ticante de formas solidárias de economia. Este talvez 
seja o tipo mais descolado e bacana dos descritos até 
aqui nessa tipologia de bolso que ofereço a você, a fim 
de que aprenda a se mover neste mundo contemporâ-
neo tão avançado em que vivemos.
Uma nova "proposta" (expressões como "proposta" e 
"projeto" são essenciais se você quer ser uma pessoa 
descolada e bacana) é oferecer sua casa "de graça" 
para pessoas morarem com você. Calma! Se o leitor for 
alguém minimamente inteligente, desconfiará dessa pro-
posta. Algumas dessas propostas ainda vêm temperadas 
com um discurso de "empoderamento" das mulheres 
que colaborariam umas com as outras. Explico.
Imagine que uma mãe single ofereça um quarto na casa 
dela para outra mulher em troca de ela cuidar do ma-
ravilhoso e criativo filho pequeno dessa mãe single. En-
tendeu? Sim, trabalho escravo empacotado pra presente.
Gourmetizado dentro de um discurso de "solidariedade 
feminina" e economia colaborativa. Na prática, você tra-
balharia em troca de casa e comida. Essa proposta é ainda 
mais ridícula do que aquela em que você, jovem, recebe a 
"graça" de trabalhar de graça pra um marca famosa que 
combate a fome na África em troca de experiência e para 
enriquecer seu "book". Na China eles são mais solidários 
do que isso, você ganharia pelo menos um dólar.
Sim, o mundo contemporâneo é ridículo de doer. Com suas 
modinhas e terminologias chiques. Coitada da esquerda 
que abraça essas pautas criativas. Saudades do Lênin?
(por luiz felipe ponDé. folha De s. paulo, 31 De Julho De 
2017). fonte: http://www1.folha.uol.com.Br/colunas/
luizfelipeponDe/2017/07/1905751-DescolaDos-eBacanas-
aDotam-vira-latas-e-peDem-hostia-gluten-free.shtml
1. (Unioeste 2018) Considerando as palavras entre as-
pas no texto, assinale a alternativa em que estas NÃO 
criam efeito de ironia sobre os termos aspeados: 
a) “E esse ‘direito’ será uma exigência do capitalismo 
consciente”. 
b) “Uma nova ‘proposta’ é oferecer sua casa ‘de gra-
ça’ para pessoas morarem com você”. 
c) “Expressões como ‘proposta’ e ‘projeto’ são essenciais 
se você quer se tornar uma pessoa descolada e bacana”. 
d) “Essa proposta é ainda mais ridícula do que aquela 
em que você, jovem, recebe a ‘graça’ de trabalhar de 
graça para uma marca famosa”. 
e) “Algumas dessas propostas ainda vêm temperadas 
com um discurso de ‘empoderamento’ das mulheres”. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Leia o texto a seguir e responda à(s) questão(ões).
O promotor de justiça Alexandre Couto Joppert foi 
afastado temporariamente da banca examinadora de 
um concurso para o Ministério Público do Estado do Rio 
de Janeiro e será alvo de uma investigação da própria 
Promotoria. Examinador de Direito Penal, durante uma 
prova oral, ele narrou um caso hipotético de estupro 
coletivo e disse que o criminoso que praticou a conjun-
ção carnal “ficou com a melhor parte, dependendo da 
vítima”. A prova é aberta ao público e algumas pessoas 
gravaram a afirmação do promotor. “Um (criminoso) se-
gura, outro aponta a arma, outro guarnece a porta da 
casa, outro mantém a conjunção – ficou com a melhor 
parte, dependendo da vítima – mantém a conjunção 
carnal e o outro fica com o carro ligado pra assegurar a 
fuga”, narrou o promotor. Divulgada em redes sociais, 
a afirmação causou revolta. Muitas pessoas acusam o 
promotor de difundir a cultura do estupro. Em nota, 
o procurador-geral de Justiça do Estado do Rio de Ja-
neiro, Marfan Martins Vieira, informou ter instaurado 
inquérito para apurar a conduta do promotor, além de 
afastá-lo da banca examinadora “até a conclusão da 
apuração dos fatos”. Autor de livros jurídicos, Joppert 
atua na Assessoria de Atribuição Originária em Maté-
ria Criminal do Ministério Público, setor subordinado à 
Subprocuradoria-Geral de Justiça de Assuntos Institu-
cionais e Judiciais. O promotor divulgou nota em que 
afirma ter sido mal interpretado, já que se referia ao 
ponto de vista do criminoso. “Ao me referir ao fato do 
72
executor do ato sexual coercitivo ter ficado com a me-
lhor parte”, estava tratando da “opinião hipotética do 
próprio praticante daquele odioso crime contra a digni-
dade sexual”.
aDaptaDo De: grellet, f. polêmica soBre estupro afasta 
promotor. folha De lonDrina. 24 Jun. 2016. geral. p. 7. 
2. (UEL) Com relação aos termos sublinhados no texto, 
considereas afirmativas a seguir.
I. As aspas usadas ao longo do texto marcam o discurso 
direto do promotor Alexandre Couto Joppert.
II. O termo “que” pertence à mesma classe gramatical 
nas duas ocorrências apresentadas.
III. A expressão “além de” reforça o caráter aditivo pre-
sente no período.
IV. O termo “mal” modifica a palavra “interpretado”, 
atribuindo-lhe ideia de modo.
Assinale a alternativa correta. 
a) Somente as afirmativas I e II são corretas. 
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas. 
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas. 
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas. 
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
O MITO DO TEMPO REAL
O descompasso entre a velocidade das máquinas e a 
capacidade de compreensão de seus usuários leva a um 
quadro de ansiedade social sem precedentes. Em blogs, 
redes sociais, podcasts e mensagens eletrônicas diver-
sas todos pedem desculpas pela demora em responder 
às demandas de seus interlocutores, impacientes como 
nunca. E-mails que não sejam atendidos em algumas 
horas acabam encaminhados para outras redes, em um 
apelo público por uma resposta.
No desespero por contato instantâneo, telefones cha-
mam repetidamente em horas impróprias, mensagens 
de texto são trocadas madrugada adentro, conversas 
multiplicam-se por comunicadores instantâneos e toda 
ocasião – do trânsito ao banheiro, do elevador à cama, 
da hora do almoço ao fim de semana – parece uma la-
cuna propícia para se resolver uma pendência.
[...]
A resposta imediata a uma requisição é chamada tec-
nicamente de “tempo real”, mesmo que não haja nada 
verdadeiramente real nem humano nessa velocidade. O 
tempo imediato, sem pausas nem espera, em que tudo 
acontece num estalar de dedos é uma ficção. Desejá-lo 
não aumenta a eficiência. Pelo contrário, pode ser ex-
tremamente prejudicial.
Muitos combatem a superficialidade nas relações di-
gitais pelos motivos errados, questionando a validade 
dos “amigos” no Facebook ou “seguidores” no Twitter 
ao compará-los com seus equivalentes analógicos. O 
problema não está na tecnologia, mas na intensidade 
dispensada em cada interação. Seja qual for o meio 
em que ele se dê, o contato entre indivíduos demanda 
tempo, e nesse tempo não é só a informação pura e 
simples que se troca. Festas, conversas, leituras, relacio-
namentos, músicas e filmes de qualidade não podem 
ser acelerados ou resumidos a sinopses. Conversas, ao 
vivo ou mediadas por qualquer tecnologia, perdem boa 
parte de sua intensidade com a segmentação. O tempo 
empenhado em cada uma delas é muito valioso; não 
faz sentido economizá-lo, empilhá-lo ou segmentá-lo. 
O tempo humano (que talvez seja irreal, se o “outro” 
for provado real) é bem mais lento. Nossas vidas são 
marcadas tanto pela velocidade quanto pela lentidão.
[...]
Essa quebra da sequência histórica faz com que mui-
tos processos pareçam herméticos ou misteriosos de-
mais. Quando não há uma compreensão das etapas 
componentes de um processo, não há como intervir 
nelas, propondo correções, adaptações ou melhorias. 
Tal impotência leva a uma apatia, em que as condições 
impostas são aceitas por falta de alternativa. Escondi-
dos seus processos industriais, os produtos adquirem 
uma aura quase divina, transformando seus usuários 
em consumidores vorazes, que se estapeiam em lojas à 
procura do último aparelho eletrônico que se proponha 
a preencher o vazio que sentem.
Incapazes de propor alternativas ou sugerir mudanças, 
os consumidores são estimulados pela publicidade a 
um gigantesco hedonismo e pragmatismo. A facilida-
de de acesso à abundância leva a uma passividade e 
a um pensamento pragmático que defende a ideia de 
“vamos aproveitar agora, pois quando acontecer um 
problema alguém terá descoberto a solução”, visível na 
forma com que se abordam problemas de saúde, obesi-
dade, consumo, lixo eletrônico, esgotamento de recur-
sos e poluição ambiental. Em alta velocidade há pouco 
espaço para a reflexão. Reduzidos a impulsos e reflexos, 
corremos o risco de deixar para trás tudo aquilo que 
nos diferencia das outras espécies.
(luli raDfahrer. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.Br/
colunas/luliraDfahrer/1191007-o-mito-Do-tempo-real.shtml.) 
3. (utfpr) Em relação à pontuação do texto, considere 
as afirmativas a seguir.
I. No segundo parágrafo, o travessão foi empregado 
para isolar a explicação da expressão anterior.
II. No terceiro parágrafo, as aspas foram empregadas para 
ressaltar o valor significativo da expressão “tempo real”.
III. No quarto parágrafo, os parênteses são empre-
gados para introduzir uma generalização para a 
expressão anterior.
Está(ão) correta(s) apenas: 
a) I. 
b) II. 
c) III. 
d) I e II. 
e) II e III. 
4. (UFU) Uma barra: na era das mensagens de texto e 
das descrições de perfis no Twitter, ela se tornou um 
sinal de pontuação universal para aqueles que querem 
73
descrever rapidamente suas atividades sociais (jantar/
drinques), as ambições de carreira (trabalho/diversão) e 
até mesmo os arranjos amorosos (amigo/amante).
Mas, para alguns integrantes da geração Y (aqueles nas-
cidos entre 1980 e 2000), ela se transformou em uma 
espécie de marcador de identidade (advogada/atriz; re-
lações públicas/DJ; executiva/cozinheira) para aqueles 
que trabalham em dois (ou mais) mundos diferentes.
Ao contrário de legiões de americanos que têm vários 
empregos por necessidade, esses jovens escolhem se 
esticar entre várias atividades. Enquanto um trabalho 
geralmente paga as contas, outro permite algo mais cria-
tivo. Eles consideram esse coquetel de atividades essen-
cial para o bem-estar e consideram que se concentrar em 
apenas uma coisa para o resto da vida é antiquado.
“Uma coisa para o resto da minha vida? Absolutamente 
não”, diz Maxwell Hawes 4º, 25, que atualmente se alter-
na entre uma companhia de tecnologia para publicidade 
em San Francisco e uma start-up (empresa iniciante) e de 
vestuário masculino. “Eu não imagino como seria isso”.
folha De s. paulo, 28 De DezemBro De 2014.
A citação, entre aspas, presente no fim do texto relacio-
na-se à ideia desenvolvida no parágrafo anterior com o 
objetivo de apresentar um(a) 
a) argumento de autoridade. 
b) estratégia de persuasão. 
c) exemplificação como prova. 
d) interlocução direta. 
5. (Fac. Pequeno Príncipe - Medici) Leia o texto a seguir: 
The Edge, do U2, faz história ao se apresentar na Ca-
pela Sistina 
VATICANO – The Edge, guitarrista da banda irlandesa 
U2, se tornou o primeiro roqueiro a tocar na Capela Sis-
tina, local que descreveu como "o salão paroquial mais 
bonito do mundo". 
O músico, cujo nome de batismo é David Evans, cantou 
quatro músicas na noite de sábado para um público de 
200 médicos, pesquisadores e filantropos que partici-
param de uma conferência sobre medicina regenerativa 
no Vaticano. 
Acompanhado por um coral de sete jovens irlandeses 
e vestindo o gorro preto que é sua marca registrada, 
ele tocou violão e cantou um cover de “If it be your 
Will”, de Leonard Cohen, além de versões das músicas 
“Yahweh”, “Ordinary Love” e “Walk on”, do U2. 
The Edge, cujo pai morreu de câncer no mês passado e 
cuja filha superou uma leucemia, faz parte do conselho 
de fundações que trabalham para a prevenção do câncer. 
Disponível em: <http://ogloBo.gloBo.com/cultura/musica/the-
eDge-Do-u2-faz-historia-ao-se-apresentar-na-capela-sistina>. 
acesso em: 01/05/2016.
Os sinais de pontuação, quando bem empregados, contri-
buem para a expressividade dos textos e podem modifi-
car o sentido das informações nele apresentadas. Sobre 
a pontuação empregada na notícia a respeito do músico 
The Edge, é CORRETO somente o que se afirma em: 
a) A inserção de uma vírgula antes do pronome relativo 
“que” em “que participaram de uma conferência (...)” 
é facultativa e não promove alteração de sentido. 
b) O excerto “guitarrista da banda irlandesa U2”, no 
1º parágrafo, está entre vírgulas para separar o voca-
tivo dos demais termos.c) A inserção de uma vírgula antes da conjunção “e” 
em “e vestindo o gorro preto”, no penúltimo parágra-
fo, marcaria a mudança de sujeito. 
d) Os segmentos “cujo nome” e “cujo pai”, no 2º e 
último parágrafo, respectivamente, introduzem expli-
cações intercaladas no período, por isso são marca-
dos por vírgulas. 
e) emprego das aspas no 1º e 3º parágrafos do texto 
marca a isenção do periódico que publicou a notícia 
em relação às informações marcadas por esse sinal 
de pontuação. 
E.O. dissErtAtivO
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
GERAÇÃO CANGURU
gilBerto Dimenstein
Ao mapear novas tendências de consumo no Brasil, pu-
blicitários acreditam ter detectado a "Geração Cangu-
ru". São jovens bem-sucedidos profissionalmente, têm 
entre 25 e 30 anos de idade e vivem na casa dos pais. O 
interesse neles é óbvio: compõem um nicho de consu-
midores com alto poder aquisitivo.
Ainda na "bolsa" da mãe, eles mostram que mudaram as 
fronteiras entre o jovem e o adulto. Até pouquíssimo tem-
po atrás, um marmanjão de 30 anos, enfiado na casa dos 
pais, seria visto como uma anomalia, suspeito de algum 
desequilíbrio emocional que retardou seu crescimento.
O efeito "canguru" revela que pais e filhos estão mu-
tuamente mais compreensivos e tolerantes, capazes 
de lidar com suas diferenças. Para quem se lembra dos 
conflitos familiares do passado, marcados pelo choque 
de gerações, os "cangurus" até sugerem um grau de 
civilidade. Não é tão simples assim.
Estudos de publicitários divulgados nas últimas sema-
nas indicam um lado tumultuado – e nem um pouco 
saudável – dessa relação familiar. Por trás das frias es-
tatísticas sobre tendência do mercado, a pergunta que 
aparece é a seguinte: até que ponto os brasileiros mais 
ricos estão paparicando a tal ponto seus filhos que pro-
duzem indivíduos com baixa autonomia?
Ao investigar uma amostra de 1.500 mães e filhos, no Rio 
e em São Paulo, a TNS InterScience concluiu que 82% das 
crianças e dos adolescentes influenciam fortemente as 
compras das famílias. A pressão é especialmente intensa 
nas classes A e B, cujas crianças, segundo os pesquisa-
dores, empregam cada vez mais a estratégia das birras 
públicas para ganhar, na marra, o objeto de desejo.
74
Com medo das birras, as mães tentam, segundo a pes-
quisa, driblar os filhos e não levá-los às compras, espe-
cialmente nos supermercados, mas, muitas vezes, aca-
bam cedendo. Os responsáveis pelo levantamento da 
InterScience atribuem parte do problema ao sentimen-
to de culpa. Isso porque, devido ao excesso de traba-
lho, os pais ficam muito tempo longe de casa e querem 
compensar a ausência com presentes.
Uma pesquisa encomendada pelo Núcleo Jovem da Abril 
detectou que muitos dos novos consumidores vivem 
uma ansiedade tamanha que nem sequer usufruem o 
que levam para casa. Já estão esperando o produto que 
vai sair. É ninfomania consumista. Jovens relataram que 
nunca usaram, nem mesmo uma vez, roupas que adqui-
riram. Aposentam aparelhos eletrodomésticos compra-
dos recentemente porque já estariam defasados.
Psicólogos suspeitam que essa atitude seja uma fuga 
para aplacar a ansiedade e a carência, provocadas, em 
parte, pela falta de limite. Imaginando-se modernos, 
pais tentam ser amigos de seus filhos e, assim, desfa-
z-se a obrigação de dizer não e enfrentar o conflito. O 
resultado é, no final, uma desconfiança, explicitada pe-
los entrevistados, ainda maior em relação aos adultos.
Outro estudo, desta vez patrocinado pela MTV, detectou 
um início de tendência entre os jovens de insatisfação 
diante de pais extremamente permissivos. Estão deman-
dando adultos mais pais do que amigos. Para complicar 
ainda mais a insegurança das crianças e dos adolescen-
tes, a violência nas grandes cidades leva os pais, com-
preensivelmente, a pilotar os filhos pelas madrugadas, 
para saber se não sofreram uma violência. Brincar nas 
ruas está desaparecendo da paisagem urbana, ajudando 
a formar seres obesos, presos ao computador.
Há pencas de estudo mostrando como a brincadeira, 
dessas em que nos sujamos, ralamos o joelho na árvore, 
ajuda a desenvolver a criatividade, o senso de autonomia 
e de cooperação. É um espaço de estímulo à imaginação.
Todos sabemos como é difícil alguém prosperar, com 
autonomia, se não souber lidar com a frustração. Muito 
se estuda sobre a importância da resiliência – a capa-
cidade de levar tombos e levantar como um elemento 
educativo fundamental.
Professores contam, cada vez mais, como os alunos 
não têm paciência de construir o conhecimento e de-
sistem logo quando as tarefas se complicam um pou-
co. Por isso, entre outras razões, os alunos decepcio-
nam-se rapidamente na faculdade que exige mais foco 
em poucos assuntos.
Os educadores alertam que muitos jovens têm dificulda-
de de postergar o prazer e buscam a realização imediata 
dos desejos; respondem exatamente ao bombardea-
mento publicitário, inclusive na ingestão de álcool, como 
vamos testemunhar, mais uma vez, nas propagandas de 
cerveja neste verão. Daí o risco de termos "cangurus" 
que fiquem cada vez mais na bolsa (e no bolso) dos pais.
P.S. – Em todos esses anos lidando com educação comu-
nitária, posso assegurar que uma das melhores coisas 
que as escolas de elite podem fazer por seus alunos é 
estimulá-los ao empreendedorismo social. É um notável 
treino para enfrentar desafios. Enfrentam-se em asilos, 
creches e favelas os limites e as carências. Conheci ca-
sos e mais casos de alunos problemáticos que mudaram 
sua cabeça ao desenvolver uma ação comunitária e pas-
saram, até mesmo, a valorizar o aprendizado curricular.
http://www1.folha.uol.com.Br/folha/Dimenstein/colunas/gD121205.htm 
1. (UFJF) Leia novamente:
“São jovens bem-sucedidos profissionalmente, têm en-
tre 25 e 30 anos de idade e vivem na casa dos pais. O 
interesse neles é óbvio: compõem um nicho de consu-
midores com alto poder aquisitivo.”
a) Com base na leitura do texto, identifique 3 fatores 
que justificam o fato de esses jovens apresentarem 
alto poder aquisitivo.
b) Qual é a função sintático-semântica do uso dos 
dois pontos na última oração do período acima des-
tacado? 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
ISRAEL, O BEM E O MAL
Denis russo Burgierman
Enquanto o país fundado pelas vítimas do Holocausto 
transformou-se em vilão, a pátria de Hitler virou exem-
plo de fofura. Afinal, os israelenses são bons ou maus? E 
os alemães? A resposta não está neles: está no ambiente.
Se um viajante do tempo saísse de 1950 e viesse bater 
em 2014, e calhasse de lhe cair em mãos a pesquisa da 
BBC que mede a popularidade dos países, talvez achasse 
que os dados estavam de cabeça para baixo. Segundo 
a pesquisa, realizada com 25 mil pessoas de 24 países, 
a nação mais popular que existe, vista por das pesso-
as como “uma influência positiva” para o planeta, é a 
Alemanha. Já os países mais malvistos, considerados por 
mais da metade dos terráqueos como uma “influência 
negativa”, são Irã, Paquistão, Coreia do Norte e… Israel.
O viajante do tempo não entenderia nada. Os alemães, 
portadores da mesma carga genética da nação que 
elegeu e apoiou Hitler no mais horripilante projeto de 
genocídio industrial da história, transformaram-se nos 
fofos do mundo (e olha que a pesquisa foi realizada an-
tes da Copa de 2014). E Israel, fundado em 1948, em 
nome da liberdade, da justiça e da paz, pelas próprias 
vítimas do nazismo, com amplo apoio dos progressistas, 
disputa, hoje, a lanterna da vilania global apenas com 
ditaduras fundamentalistas (e olha que a pesquisa foi 
realizada antes que bombardeios israelenses matassem 
crianças palestinas brincando em Gaza).
Se as pessoas que vivem em Israel e na Alemanha pos-
suem os mesmos genes e as mesmas tradições de seus 
avós, que passaram pela guerra encarnando, respecti-
vamente, “o bem” e “o mal”, o que mudou em meros 
70 anos? Nosso viajante, se quisesse descobrir a respos-
ta, poderia ajustar sua máquina do tempo para as 10 
horas do dia 14 de agosto de 1971.
Naquela manhã de sol, a tranquilidade da rica cidadezi-nha californiana de Palo Alto foi subitamente quebrada 
75
por uma visão rara: policiais algemando um estudante 
branco e conduzindo-o firmemente ao banco de trás da 
viatura, sob o olhar assustado dos vizinhos. Aquele seria 
o primeiro de nove jovens levados presos.
Nenhum dos nove tinha cometido crime algum – eram 
estudantes saudáveis e comuns que tinham se volunta-
riado para uma pena de duas semanas numa prisão si-
mulada, montada num porão da Universidade Stanford, 
em troca de por dia. Os guardas dessa prisão seriam 15 
rapazes tão saudáveis e comuns quanto os prisioneiros, 
contratados pelo mesmo salário. O autor da pesquisa, 
o psicólogo Philip Zimbardo, definiu por sorteio quem 
seria guarda e quem seria prisioneiro. A partir daí, os 
prisioneiros seriam tratados apenas por números, e fo-
ram obrigados a referir-se aos guardas como “senhor 
oficial correcional”. Nada de nomes.
Apenas seis dias depois, o Stanford Prison Experiment 
teve que ser encerrado prematuramente, após vários 
prisioneiros sofrerem colapsos nervosos. A convivência 
entre os dois grupos de rapazes comuns tinha degrin-
golado para a hostilidade aberta. Os guardas abusaram 
de torturas, humilhações e atos de crueldade gratuita. 
Já os prisioneiros sentiam-se impotentes, deprimidos e 
se tornaram dissimulados e amargos.
Ao fim do experimento, havia desaparecido qualquer 
sinal de empatia entre um lado e outro. Um guarda 
resumiu como uns viam os outros: “esqueci que os 
prisioneiros eram gente”. Esse fenômeno é conheci-
do pelos psicólogos como “desumanização”. Segundo 
Zimbardo, a desumanização desliga nosso senso mo-
ral. Em seu livro O Efeito Lúcifer, ele explica que, quan-
do isso acontece, pessoas comuns tornam-se capazes 
de cometer atrocidades.
Para que a desumanização ocorra, é importante apagar a 
individualidade de quem está do outro lado. É o que re-
velou um outro experimento clássico, realizado em 1963 
por Stanley Milgram, na Universidade Yale. Nesse estudo, 
os sujeitos de pesquisa tinham a tarefa de administrar 
choques elétricos em voluntários vistos através de um 
vidro (os voluntários na verdade eram atores fingindo 
estrebuchar). Em alguns dos testes, uma pessoa na sala 
comentava de passagem que os sujeitos tomando cho-
ques eram “legais”. Em outros, o comentário era: “eles 
parecem animais”. Embora os atores fingindo levar cho-
que fossem sempre os mesmos, os sujeitos da pesqui-
sa estavam muito mais dispostos a eletrocutar o outro 
quando ele era descrito como “animal”.
É que o primeiro passo para a desumanização é rotular 
o sujeito do outro lado. A partir do momento em que 
acreditamos que o outro não é um ser humano, mas um 
animal, tornamo-nos capazes de basicamente tudo. Um 
ambiente onde há uma grande desigualdade de poder – 
como uma prisão – é o lugar perfeito para que ocorra ro-
tulagem e, portanto, desumanização. É exatamente o que 
existe hoje no Oriente Médio, onde, na prática, todo um 
povo (os palestinos) virou prisioneiro de um país (Israel).
O que as pesquisas mostram é que, nessas situações, não 
adianta procurar culpados. Não interessa saber quem co-
meçou a briga ou quem tem mais razão – o que interessa 
é o ambiente. Enquanto os dois povos se relacionarem 
como se estivessem numa prisão, é inevitável que um 
não enxergue a humanidade do outro. Os mais pode-
rosos tendem a perder a compaixão pelo outro lado, e 
acabam achando normal ser brutal. Os menos poderosos 
tendem a acreditar que seus rivais são todos maus e pre-
cisam ser destruídos. A única solução para uma situação 
assim é mudar o ambiente. Foi o que a Alemanha fez nas 
últimas três décadas, quando uma sociedade tolerante, 
igualitária e largamente desmilitarizada foi instituída.
Nós humanos fomos geneticamente programados para 
acreditar que há pessoas boas e más, e que um abis-
mo separa umas das outras. A realidade é que o mal 
mora em cada um de nós. O primeiro passo para libe-
rá-lo é acreditar que os inimigos são animais – ou al-
gum outro rótulo, como “reacionários”, “comunistas”, 
“petralhas”, “tucanalhas”, “macacos”, “argentinos”, 
“feminazis”, “falocratas”, “talibikers”, “burgueses”, 
“evangélicos”, “judeus”, “terroristas”.
Isso dito, nosso viajante do tempo, depois de ter pre-
senciado a carnificina da Segunda Guerra Mundial, 
talvez se assustasse ao ver o tom desumanizador dos 
comentários no Facebook de 2014.
Burgierman, Denis russo. superinteressante. Disponível 
em:<http://super.aBril.com.Br>. acesso em: 29 ago. 2014. 
2. (Ufjf-pism 3) “Já os países mais malvistos, conside-
rados por mais da metade dos terráqueos como uma 
‘influência negativa’, são Irã, Paquistão, Coreia do Norte 
e… Israel.”
a) O autor empregou as reticências para causar que 
efeito argumentativo?
b) Reescreva a frase, mantendo o mesmo efeito argu-
mentativo, porém sem empregar as reticências. 
3. (Ufu 2018) As interrupções frequentes e o tom quase 
irônico dos congressistas deixavam claro que estávamos 
assistindo ao mais bem produzido “puxão de orelha” da 
história da internet. A imagem do jovem empresário acu-
ado, sendo constrangido perante os “representantes do 
povo”, é poderosa: algo está sendo feito. 
O prazer quase sádico que se sente com a reprimenda 
é justificável: em sua saga para tornar o mundo mais 
“aberto e conectado”, o Facebook já errou muito. Com 
os erros, costumam vir as desculpas e, com elas, algu-
mas mudanças. O que não muda é o modelo de negó-
cios da empresa que, graças à coleta massiva de dados 
de usuários, pode oferecer sofisticadas ferramentas de 
direcionamento de anúncios, serviço esse que é respon-
sável por grande parte de sua invejável receita de US$ 
40,6 bilhões, só em 2017. 
O que parece não ter ficado claro é que Zuckerberg não 
construiu tudo isso sozinho. O Facebook só existe – e con-
tinuará existindo – da forma como ele é porque o Con-
gresso dos EUA nunca implementou um modelo regu-
latório que protegesse satisfatoriamente a privacidade 
dos usuários de internet. Sempre que surgiram propostas 
nesse sentido, elas foram sumariamente rechaçadas. 
antonialli, DennYs. auDiencias De zucKerBerg no congresso Dos 
eua foram teatro De cúmplices. o estaDo De s. paulo. 12 aBr. 2018. 
Disponível em: <https://goo.gl/rp447u>. acesso em: 12 aBr. 2018. 
76
Considerando-se o emprego das aspas no texto, dis-
corra sobre a opinião do autor com relação aos temas 
abaixo. Indique outros elementos, retirados do texto, 
que justifiquem sua resposta. 
a) Facebook. 
b) Congresso norte-americano. 
4. (Fgv) Leia o texto e, em seguida, atenda ao que se pede. 
ESPIGAS CHEIAS OU CHOCHAS
Este é o momento de cair na real. Não há muita saída para 
o drama da hora, senão consertar o que está quebrado.
A economia vive de ciclos, curtos e longos. Disso já se 
sabia desde José do Egito, filho de Jacó, que avisou o 
faraó de que sete anos de vacas magras e de espigas 
chochas sucederiam a sete anos de vacas gordas e es-
pigas cheias. 
Para enfrentar caprichos do setor produtivo desse tipo 
é que a humanidade aprendeu a fazer estoques, a em-
pilhar reservas e criar fundos de segurança, também 
desde José do Egito ou desde o escravo grego Esopo, o 
autor da fábula da cigarra e da formiga. 
Um dos grandes problemas da economia brasileira é o 
de que enfrenta agora brutal crise fiscal sem que ad-
ministradores previdentes tenham previsto a tragédia 
nem se preparado para enfrentá-la. 
celso ming, http://economia.estaDao.com.Br, 04/05/2016. 
a) Tendo em vista o assunto desenvolvido no texto, 
o que existe de comum entre a fábula de Esopo e a 
história bíblica de José do Egito? 
b) Entendido em seu sentido literal, o trecho “sem 
que administradores previdentes tenham previsto” 
contém uma incoerência. O emprego de aspas em 
uma das palavras desse trecho, conferindo a ela um 
sentido especial, eliminaria a incoerência? Justifique. 
5. (Ufu) O dino está nu 
Coloquem penas nesse velociraptor 
“Se ele não tivesse dito que atualizaria os dinossauros, 
tudo bem”, reclama Maurilio Oliveira, um dos mais reno-mados paleoartistas brasileiros. Ele, no caso, é Colin Trevor-
row, o americano que assina a direção de Jurassic World, 
quarto filme da franquia inaugurada em 1993 por Steven 
Spielberg. “E quando ele fez essa promessa, anos atrás, 
toda a comunidade paleontológica sentiu um bem-estar”. 
As expectativas submergiram quando saiu a divulgação 
do filme, semanas atrás. “Garanto que no Brasil fui um 
dos primeiros a assistir ao trailer. Como fã, quero estar 
na primeira fila da primeira sessão. Mas como paleo-
artista, alguém cujo trabalho é traduzir em imagens a 
visão científica dos dinossauros, tenho sérias reservas.” 
A decepção começou já na cena inicial em que surgem 
os protagonistas. “Aqueles bichos correndo junto com 
humanos, os raptores” – ele se refere aos bípedes es-
verdeados de bracinhos inúteis que trotam ao lado de 
um jipe de safári –, “aqueles bichos tinham penas”. 
Informações como essa surpreendem o leigo incauto 
que conhece o Mesozoico apenas por intermédio de 
Hollywood e ainda reluta em acreditar que dinossau-
ros – de 60 milhões de anos atrás – nunca perseguiram 
homens das cavernas de 6 milhões.
Duarte, Douglas. o Dino estÁ nu. piauí. sÃo paulo, 
ano 9, n. 100, p. 13, Jan. 2015. (fragmento) 
Com base na leitura do texto, explique 
a) qual é a função das aspas empregadas ao longo do texto. 
b) qual é o posicionamento do autor do texto em re-
lação aos dizeres colocados entre aspas, indicando 
outro elemento textual que contribuiu para que você 
reconhecesse a opinião do autor sobre o tema tratado. 
E.O. ObjEtivAs 
(UnEsp, FUvEst, UniCAmp E UniFEsp)
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
A(s) questão(ões) a seguir focalizam uma passagem da 
comédia O juiz de paz da roça do escritor Martins Pena 
(1815-1848).
JUIZ (assentando-se): Sr. Escrivão, leia o outro requerimento.
ESCRIVÃO (lendo): Diz Francisco Antônio, natural de 
Portugal, porém brasileiro, que tendo ele casado com 
Rosa de Jesus, trouxe esta por dote uma égua. “Ora, 
acontecendo ter a égua de minha mulher um filho, o 
meu vizinho José da Silva diz que é dele, só porque o 
dito filho da égua de minha mulher saiu malhado como 
o seu cavalo. Ora, como os filhos pertencem às mães, 
e a prova disto é que a minha escrava Maria tem um 
filho que é meu, peço a V. Sa. mande o dito meu vizinho 
entregar-me o filho da égua que é de minha mulher”.
JUIZ: É verdade que o senhor tem o filho da égua preso?
JOSÉ DA SILVA: É verdade; porém o filho me pertence, 
pois é meu, que é do cavalo.
JUIZ: Terá a bondade de entregar o filho a seu dono, 
pois é aqui da mulher do senhor.
JO SÉ DA SILVA: Mas, Sr. Juiz...
JUIZ: Nem mais nem meios mais; entregue o filho, 
senão, cadeia.
(martins pena. coméDias (1833-1844), 2007.) 
1. (Unifesp) O emprego das aspas no interior da fala do 
escrivão indica que tal trecho 
a) reproduz a solicitação de Francisco Antônio. 
b) recorre a jargão próprio da área jurídica. 
c) reproduz a fala da mulher de Francisco Antônio. 
d) é desacreditado pelo próprio escrivão. 
e) deve ser interpretado em chave irônica. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Leia o texto para responder a(s) questão(ões).
Você conseguiria ficar 99 dias sem o Facebook?
Uma organização não governamental holandesa está 
propondo um desafio que muitos poderão considerar 
77
impossível: 1ficar 99 dias sem dar nem uma “olhadi-
nha” no Facebook. O objetivo é medir o grau de felici-
dade dos usuários longe da rede social.
O projeto também é uma resposta aos experimentos psi-
cológicos realizados pelo próprio Facebook. A diferença 
neste caso é que o teste é completamente voluntário.
Ironicamente, para poder participar, o usuário deve tro-
car a foto do perfil no Facebook e postar um contador 
na rede social.
Os pesquisadores irão avaliar o grau de satisfação e fe-
licidade dos participantes no 33º dia, no 66º e no último 
dia da abstinência.
Os responsáveis apontam que os usuários do Facebook 
gastam em média 17 minutos por dia na rede social. Em 
99 dias sem acesso, a soma média seria equivalente a 
mais de 28 horas, 2que poderiam ser utilizadas em “ati-
vidades emocionalmente mais realizadoras”.
(http://coDigofonte.uol.com.Br. aDaptaDo.) 
2. (Unifesp) Considere o enunciado a seguir:
[...] ficar 99 dias sem dar nem uma “olhadinha” no Fa-
cebook. (ref. 1)
[...] que poderiam ser utilizadas em “atividades emocio-
nalmente mais realizadoras”. (ref. 2)
Nos dois trechos, utilizam-se as aspas, respectivamen-
te, para 
a) indicar o sentido metafórico e marcar a fala coloquial. 
b) enfatizar o discurso direto e marcar uma citação. 
c) marcar o sentido pejorativo e enfatizar o sentido me-
tafórico. 
d) assinalar a ironia e indicar a fala de uma pessoa. 
e) realçar o sentido do substantivo e indicar uma trans-
crição. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Ossian o bardo é triste como a sombra
Que seus cantos povoa. O Lamartine
É monótono e belo como a noite,
Como a lua no mar e o som das ondas...
Mas pranteia uma eterna monodia,
Tem na lira do gênio uma só corda;
Fibra de amor e Deus que um sopro agita:
Se desmaia de amor a Deus se volta,
Se pranteia por Deus de amor suspira.
Basta de Shakespeare. Vem tu agora,
Fantástico alemão, poeta ardente
Que ilumina o clarão das gotas pálidas
Do nobre Johannisberg! Nos teus romances
Meu coração deleita-se... Contudo,
Parece-me que vou perdendo o gosto,
(...)
(Álvares De azeveDo, "lira Dos vinte anos")
3. (Fuvest) "Fibra de amor e Deus que um sopro agita:" 
(verso 7)
Os dois pontos no final deste verso introduzem uma 
a) citação. 
b) explicação. 
c) enumeração. 
d) gradação. 
e) concessão. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
SINAL FECHADO
(...)
- Me perdoe a pressa,
é a alma dos nossos negócios...
- Oh, não tem de quê,
eu também só ando a cem...
(...)
- Tanta coisa que eu tinha a dizer,
mas eu sumi na poeira das ruas...
- Eu também tenho algo a dizer,
mas me foge à lembrança...
- Por favor, telefone, eu preciso beber
alguma coisa rapidamente...
- Pra semana...
- O sinal...
- Eu procuro você...
- Vai abrir! Vai abrir!
- Prometo, não esqueço...
- Por favor, não esqueça...
- Não esqueço, não esqueço...
- Adeus...
paulinho Da viola.
4. (Fuvest) O uso reiterado das reticências na letra da 
canção denota o propósito de marcar, na escrita, 
a) as interrupções que ocorreram na breve e apres-
sada conversa. 
b) a ausência de interesse das personagens em dialogar. 
c) a supressão de falas que poderiam parecer agressivas. 
d) a enumeração de acontecimentos que deram ori-
gem ao encontro. 
e) as omissões de fatos relevantes que as persona-
gens decidem ocultar. 
5. (Fuvest) As aspas marcam o uso de uma palavra ou 
expressão de variedade linguística diversa da que foi 
usada no restante da frase em: 
a) Essa visão desemboca na busca ilimitada do lucro, 
na apologia do empresário privado como o "grande 
herói" contemporâneo. 
b) Pude ver a obra de Machado de Assis de vários ân-
gulos, sem participar de nenhuma visão "oficialesca". 
c) Nas recentes discussões sobre os "fundamentos" 
da economia brasileira, o governo deu ênfase ao 
equilíbrio fiscal. 
d) O prêmio Darwin, que "homenageia" mortes estú-
pidas, foi instituído em 1993. 
e) Em fazendas de Minas e Santa Catarina, quem 
aprecia o campo pode curtir o frio, ouvindo "causos" 
à beira da fogueira. 
78
gAbAritO
E.O. Aprendizagem
1. C 2. B 3. C 4. D 5. C
6. D 7. B 8. B 9. D 10. A
E.O. Fixação
1. B 2. E 3. D 4. D 5. B
6. E 7. A 8. E 9. D 10. B
E.O. Complementar
1. C 2. C 3. D 4. C 5. D
E.O. Dissertativo
1.
a) Trata-se de jovens bem-sucedidos profissionalmente, que 
pertencem a uma classe social sem problemas econômicos 
e que, apesar de adultos, ainda não moram em espaço pró-
prio. A ausência de responsabilidades com a sobrevivência 
do cotidiano, facilitada pelo excessivo protecionismo de 
pais, permite que grande parte do salário, auferido pelo bom 
desempenho profissional, seja direcionado para a aquisição 
de produtos oferecidos constantemente em propagandas. 
b) O emprego dosdois-pontos é usado para indicar 
que tudo o que estiver adiante dele detalha ou expli-
ca a frase anterior. 
2. 
a) O uso das reticências cria o efeito argumentativo 
de quebra de expectativa, como se demarcasse uma 
exclamação com o sentido de “pasme!”, “surpreen-
dentemente”, pois Israel é um país que tem um povo 
que historicamente foi visto como vítima, sobretudo 
por conta do Holocausto, mas que hoje em dia inte-
gra o ranking dos países mais malvistos no mundo.
b) Já os países mais malvistos, considerados por mais da 
metade dos terráqueos como uma “influência negati-
va”, são Irã, Paquistão, Coreia do Norte e, surpreenden-
temente/por incrível que pareça/acredite/pasme, Israel.
3. 
a) Considerando-se o emprego irônico das aspas e relacio-
nando-as com outros elementos referenciados no texto, in-
fere-se que o autor, mesmo reconhecendo o caráter "aberto 
e conectado" da rede social Facebook, critica a sequência 
de erros e de mudanças que enfatizam "a coleta massiva 
de dados de usuários" como "modelo de negócios".
b) O autor discorre sobre a posição ambígua do Congres-
so Norte-americano partindo do princípio que a represália 
("puxão de orelha") não passava de uma encenação pelo 
fato de "os representantes do povo" norte-americano 
nunca terem implementado um "modelo regulatório” 
que protegesse a privacidade dos usuários de internet, o 
que facilitou a coleta de dados realizada pelo Facebook. 
4. 
a) Tanto a fábula quanto a história bíblica mencionam 
a alternância entre períodos de fartura e de escassez, 
assim como a consequente necessidade de preparação 
para enfrentamento dos momentos de dificuldades. Esse 
apontamento pode ser verificado a partir da menção de 
José do Egito, “filho de Jacó, que avisou o faraó de que 
sete anos de vacas magras e de espigas chochas suce-
deriam a sete anos de vacas gordas e espigas cheias” 
e da fábula, de conhecimento geral, segundo a qual a 
formiga trabalha ao longo do verão, preparando-se para 
o momento do inverno, o que não é feito pela cigarra.
b) O emprego das aspas em “previdentes” elimina-
ria a incoerência, pois a expressão passaria a ser lida 
como ironia: aqueles que deveriam ter se preparado 
para enfrentar uma situação difícil (os administrado-
res “previdentes”) não o foram. 
5. 
a) No texto, as aspas indicam a ocorrência de discurso di-
reto: referem-se às falas do entrevistado pela revista Piauí.
b) O autor do texto concorda com o posicionamento 
do entrevistado. O paleoartista aponta disparidades 
entre o resultado dos estudos a respeito dos dinos-
sauros e a forma como eles são representados pela 
indústria cinematográfica; a partir disso, o jornalista 
emprega vocabulário que aponta a essa mesma dire-
ção, como “reclama”, “submergiram” e “decepção”. 
E.O. Objetivas
(Unesp, Fuvest, Unicamp e Unifesp)
1. A 2. E 3. B 4. A 5. E
79
LITERATURA
80
 ModernisMo no Brasil: 
2.ª fase – poesia
AULAS 
45 e 46
E.O. AprEndizAgEm
Texto para a próxima questão.
Mãos dadas
“Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
Não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
Não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os ho-
mens presentes,
A vida presente.”
ANDRADE, CARlos DRummoND DE. REuNião. 6ª ED. 
Rio DE JANEiRo: José olympio, 1974. p. 55.
1. O poema “Mãos dadas” reflete um traço constante 
na obra de Drummond, que pode ser caracterizado por: 
a) apresentar como tema uma poesia intimista, volta-
da para o amor físico. 
b) uma linguagem por intermédio da qual representa 
constantemente a sensualidade feminina. 
c) uma visão do mundo na qual não há espaço para ilusões. 
d) uma tentativa de representar o mundo sem criticar 
a realidade.
e) uma visão onírica do seu mundo e do seu tempo. 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO
Leia o poema Legado, de Carlos Drummond de Andra-
de, abaixo.
“Que lembrança darei ao país que me deu
tudo que lembro e sei, tudo quanto senti?
Na noite do sem-fim, breve o tempo esqueceu
minha incerta medalha, e a meu nome se ri.
E mereço esperar mais do que os outros, eu?
Tu não me enganas, mundo, e não te engano a ti.
Esses monstros atuais, não os cativa Orfeu,
a vagar, taciturno, entre o talvez e o se.
Não deixarei de mim nenhum canto radioso,
uma voz matinal palpitando na bruma
e que arranque de alguém seu mais secreto espinho.
De tudo quanto foi meu passo caprichoso na vida, res-
tará, pois o resto se esfuma, uma pedra que havia em 
meio do caminho.” 
2. Considere as seguintes afirmações sobre o poema.
I. No primeiro quarteto, o poeta pergunta pelo legado 
que deixará para o país a que deve tudo o que lhe é 
caro; no segundo quarteto, há uma invocação um tanto 
irônica do mundo, não se trata mais apenas do país: há 
uma ampliação da referência que atravessaria os limi-
tes geográficos para lidar com o mundo/realidade.
II. A forma soneto e a referência a Orfeu, o mitológi-
co poeta grego capaz de encantar a todos com o som 
da sua lira, revelam que o modernismo de Drummond 
agora se associa com o parnasianismo, o que permite 
ao poeta reivindicar uma posição fixa na tradição, em 
contraste com Orfeu, perplexo entre o talvez e o se.
III. No último terceto, o poeta alega que, da sua traje-
tória um tanto instável, restará uma pedra que havia 
em meio do caminho, o que equivale a uma paráfrase, 
agora em registro formal e sério, dos versos do célebre 
poema do início de sua carreira modernista: No meio 
do caminho tinha uma pedra/ tinha uma pedra no meio 
do caminho (...).
Quais estão corretas? 
a) Apenas II. 
b) Apenas III. 
c) Apenas I e II. 
d) Apenas I e III.
e) I, II e III.
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES
A(s) questão(ões) a seguir refere(m)-se ao livro Nova 
Antologia Poética, de Vinicius de Moraes. 
3. (Cefet-MG) POÉTICA (II)
“Com as lágrimas do tempo
E a cal do meu dia
Eu fiz o cimento
Da minha poesia
E na perspectiva
Da vida futura
Ergui em carne viva
Sua arquitetura.
CompetênCias: 2, 5 e 6 Habilidades: 5, 15, 16 e 17
81
Não sei bem se é casa
Se é torre ou se é templo
(Um templo sem Deus.)
Mas é grande e clara
Pertence ao seu tempo
− Entrai, irmãos meus!”
Rio, 1960
Nesse poema, Vinicius de Moraes NÃO caracteriza sua 
poética como: 
a) tradução da modernidade.
b) busca de religiosidade.
c) experiência do corpo.
d) registro do cotidiano.
e) espaço de encontro.
4. (Cefet-MG) 
SONETO DE SEPARAÇÃO
“De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.”
oCEANo AtlâNtiCo, A boRDo Do HigHlAND pAtRiot, A 
CAmiNHo DA iNglAtERRA, sEtEmbRo DE 1938.
Sobre os recursos de linguagem empregados na cons-
trução do poema, afirma-se:
I. As semelhanças sonoras entre palavras como “espal-
madas” e “espanto”, “branco” e “bruma” exemplifi-
cam o uso de aliterações no texto.
II. A repetição, ao longo do poema, da expressão “de 
repente”, acentua a ideia do espanto trazido pela se-
paração.
III. O uso de algumas antíteses no texto demonstra o con-
traste entre os momentos antes e depois da separação.
IV. No primeiro verso da segunda estrofe, a palavra “ven-
to” metaforiza a tranquilidade anterior à separação.
Estão corretas apenas as afirmativas: 
a) I e II.
b) I e IV.
c) III e IV.
d) I, II e III.
e) II, III e IV.
5. (Cefet-MG)Vinicius de Moraes, ao longo de sua traje-
tória de poeta, permitiu-se aderir a diferentes tendências 
estéticas, sejam anteriores ou contemporâneas à sua obra.
NÃO apresentam os traços da estética indicada os ver-
sos transcritos em: 
a) “E dentro das estruturas/ Via coisas, objetos/ Pro-
dutos, manufaturas./ Via tudo o que fazia/ O lucro do 
seu patrão/ E em cada coisa que via/ Misteriosamente 
havia/ A marca de sua mão.” – PARNASIANISMO
b) “O teu perfume, amada – em tuas cartas/ Renasce 
azul...– são tuas mãos sentidas!/ Relembro-as bran-
cas, leves, fenecidas/ Pendendo ao longo de corolas 
fartas.” – ROMANTISMO
c) “Ah, jovens putas das tardes/ O que vos aconteceu/ 
(...) Em vossas jaulas acesas/ Mostrando o rubro das 
presas/ Falando coisas do amor/ E às vezes cantais ui-
vando/ Como cadelas à lua/ Que em vossa rua sem 
nome/ Rola perdida no céu” – NATURALISMO
d) “– Era uma vez um poeta/ No morro do Cavalão/ 
Tantas fez que a dor-de-corno/ Bateu com ele no 
chão/ Arrastou ele nas pedras/ Espremeu seu coração/ 
Que pensa usted que saiu?/ Saiu cachaça e limão” – 
MODERNISMO
e) “Tensos/ Pela corda luminosa/ Que pende invisível/ 
E cujos nós são astros/ Queimando nas mãos/ Suba-
mos à tona/ do grande mar de estrelas/ Onde dorme 
a noite/ Subamos” – SIMBOLISMO
6. (UFRN)O livro A Rosa do Povo, de Carlos Drummond 
de Andrade, publicado em 1945, é considerado uma das 
obras mais notáveis de sua produção poética. Nessa obra, 
Drummond atinge seu mais alto nível literário, inclusive 
sem descuidar do momento histórico em que está inse-
rido. Os textos abaixo são fragmentos dos poemas “O 
medo” e “Nosso tempo”, respectivamente:
“Em verdade temos medo. 
Nascemos escuro. 
As existências são poucas: 
Carteiro, ditador, soldado. 
Nosso destino, incompleto. 
E fomos educados para o medo. 
Cheiramos flores de medo. 
Vestimos panos de medo. 
De medo, vermelhos rios 
Vadeamos.” 
(o mEDo, p. 35)
“O poeta 
Declina de toda responsabilidade 
Na marcha do mundo capitalista 
e com suas palavras, intuições, símbolos e outras armas 
promete ajudar 
a destruí-lo 
como uma pedreira, uma floresta, 
um verme.”
(“Nosso tEmpo”, p. 45) 
Da leitura dos versos acima, afirma-se que essa obra 
poética: 
82
a) funciona como instrumento de militância socio-
política, que alerta os homens sobre os riscos do 
Socialismo.
b) reflete sobre os problemas do mundo, manifestan-
do-os numa espécie de ação pelo testemunho.
c) assume uma função política, orientando os homens 
a evitar os perigos da vida em sociedade.
d) serve como testemunho do pavor gerado no mun-
do capitalista, que descuida da natureza.
E.O. FixAçãO
1. (UFSM) Observe as seguintes estrofes do poema “Co-
ração numeroso”, de Carlos Drummond de Andrade:
“Mas tremia na cidade uma fascinação casas compridas
autos abertos correndo caminho do mar
voluptuosidade errante do calor
mil presentes da vida aos homens indiferentes,
que meu coração bateu forte, meus olhos inúteis cho-
raram.
O mar batia em meu peito, já não batia no cais.
A rua acabou, quede as árvores? a cidade sou eu
a cidade sou eu
sou eu a cidade
meu amor.”
Nos versos citados, a relação entre o eu lírico e o seu 
entorno é estreita – o que é confirmado pelas expres-
sões sublinhadas. A partir de tais observações, pode-se 
afirmar que a aproximação estabelecida entre o sujeito 
e a cidade conota: 
a) a comoção do sujeito poético, cuja sensibilidade 
é despertada pela vitalidade que movimenta a urbe.
b) a desumanização do sujeito poético, cujo cotidiano 
frenético repete o ritmo do espaço urbano.
c) a soberba do eu lírico, que se supõe tão grandioso 
e fascinante quanto a cidade.
d) a degradação do sujeito lírico que, assim como a cidade, 
está “doente” por não receber a atenção das pessoas.
e) a apatia do eu lírico que, assim como a cidade, segue 
o seu rumo, imune ao caos urbano.
2. (PUC-RS) Leia o excerto do poema “Nosso tempo”, 
de Carlos Drummond de Andrade, publicado na obra A 
Rosa do Povo, em 1945.
“Esse é tempo de partido,
tempo de homens partidos.
Em vão percorremos volumes,
viajamos e nos colorimos.
A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.
Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.
As leis não bastam. Os lírios não nascem
da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se
na pedra.
Visito os fatos, não te encontro.
Onde te ocultas, precária síntese,
penhor de meu sono, luz
dormindo acesa na varanda?
Miúdas certezas de empréstimo, nenhum beijo
sobe ao ombro para contar-me
a cidade dos homens completos.
Calo-me, espero, decifro.
As coisas talvez melhorem.
São tão fortes as coisas!
Mas eu não sou as coisas e me revolto.
Tenho palavras em mim buscando canal,
são roucas e duras,
irritadas, enérgicas,
comprimidas há tanto tempo,
perderam o sentido, apenas querem explodir. [...]”
Todas as afirmativas estão corretamente associadas ao 
poema e seu contexto, EXCETO:
a) É perceptível, a partir da análise das imagens do 
poema, a influência de um tempo de guerra.
b) A forma fragmentada, com versos livres e esquema 
irregular de rimas, espelha imagens de um homem 
igualmente dilacerado, em crise.
c) Ainda que viva em um mundo em crise, o eu lírico 
não se indaga sobre a sua condição neste mundo, o 
que confere a esse sujeito um caráter de alienação 
frente ao tempo no qual está inserido.
d) O verso Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos traz 
uma ambiguidade marcante: ao mesmo tempo em que 
apresenta imagens que residem num plano concreto, 
do cotidiano, também aponta para o campo metafó-
rico, da batalha.
e) A necessidade do levante do eu lírico se materializa, 
na última estrofe, numa imagem bélica: a explosão. 
3. (UPF) Leia as seguintes afirmações sobre Carlos 
Drummond de Andrade. 
I. Em seus poemas, há lugar para o lirismo e o sentimen-
talismo, mas não para o humor e a ironia. 
II. Na obra Alguma Poesia, há poemas em que as descrições 
são espelhos da vida cotidiana que, por vezes, assumem a 
condição de símbolo. 
III. Desde sua estreia, com Alguma poesia, o escritor se 
afirmou como poeta moderno por valorizar o prosaico 
e o irônico. 
Está CORRETO apenas o que se afirma em: 
a) I. 
b) II. 
c) I e III.
d) I e II.
e) II e III.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO.
TEXTO 1
CANÇÃO DO TAMOIO
“(...) Porém se a fortuna,
Traindo teus passos,
Te arroja nos laços
Do imigo falaz!
Na última hora
Teus feitos memora,
Tranquilo nos gestos,
83
Impávido, audaz.
E cai como o tronco
Do raio tocado,
Partido, rojado
Por larga extensão;
Assim morre o forte!
No passo da morte
Triunfa, conquista
Mais alto brasão. (...)”
(goNçAlvEs DiAs)
TEXTO 2
BERIMBAU
“Quem é homem de bem não trai
O amor que lhe quer seu bem.
Quem diz muito que vai não vai
E, assim como não vai, não vem.
Quem de dentro de si não sai
Vai morrer sem amar ninguém,
O dinheiro de quem não dá
É o trabalho de quem não tem,
Capoeira que é bom não cai
E, se um dia ele cai, cai bem!”
(viNiCius DE moRAEs E bADEN powEll)
4. (Insper) O modo como a morte é figurativizada no 
fragmento de Gonçalves Dias é semelhante ao seguinte 
verso da canção de Vinicius e Baden: 
a) “O amor que lhe quer seu bem”.
b) “Vai morrer sem amar ninguém”.
c) “O dinheiro de quem não dá”.
d) “É o trabalho de quem não tem”.
e) “E, se um dia ele cai, cai bem!”.
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: 
A FELICIDADE
“Tristeza não tem fim felicidade sim.
A felicidade é como a pluma
que o vento vai levando pelo ar,
voa tão leve, mas tem a vida breve
precisa que haja vento sem parar.
A felicidade do pobre
parece a grande ilusão do carnaval
a gente trabalha o ano inteiro
por um momento de sonho
pra fazer a fantasia
de rei ou de pirata ou jardineira
pra tudo se acabar na quarta-feira.
A felicidade é como a gota de orvalho
numa pétala de flor,
brilha tranquila
depois de leve oscila
e cai como uma lágrima de amor.
A minha felicidade
está sonhando nos olhos
da minha namorada
É como esta noite, passando,
passando em busca da madrugada
Fale baixo por favor
pra que ela acorde
alegre com o dia
oferecendo beijos de amor.”
moRAEs, viNiCius E Jobim, tom. As mAis bElAs sEREstAs bRAsilEiRAs. 
9ª ED. bElo HoRizoNtE:

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