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Direito constitucional - Sufiane Bacar

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Universidade Alberto Chipande 
 
 
 
 
 
 
 
Evolução da Constituição Moçambicana 
 
 
 
 
 
Sufiane Bacar 
 
 
 
 
Curso: Ciências Jurídicas 
Disciplina: Direito Constitucional 
Ano de Frequência: 1º ano 
 
Docente: 
Dr: Eusébio Lambo 
 
 
 
 
 
Caia, Outubro, 2021 
 
 
1 
 
Índice 
1. Introdução ........................................................................................................................... 2 
2. Evolução da Constituição Moçambicana ........................................................................... 3 
2.1. Periodificação da evolução histórico-política de Moçambique ...................................... 3 
2.2. A Constituição da República Popular de Moçambique de 1975, as suas revisões e a I 
República (1975-1990) .............................................................................................................. 4 
2.3. O início da transição democrática, a Constituição da República de Moçambique de 
1990, as suas revisões pontuais e o Acordo Geral de Paz de 1992 (1990-2004) ....................... 5 
2.4. A actual Constituição da República de Moçambique de 2004 ....................................... 6 
2.5. A Constituição da República de Moçambique de 2004 .................................................. 7 
3. Poder constituinte ............................................................................................................... 8 
3.1. Poder constituinte originário ........................................................................................... 9 
3.1.1. Poder constituinte derivado ......................................................................................... 9 
4. Princípios Constitucional .................................................................................................. 11 
5. Conclusão ......................................................................................................................... 13 
6. Referencia Bibliografia ..................................................................................................... 14 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
1. Introdução 
O presente trabalho da cadeira de Direito constitucional mostra a dinâmica da Evolução da 
Constituição Moçambicana. 
A abordagem deste tema só foi possível fazendo menção as três principais Constituições da 
República, designadamente de 1975, 1990, 2004, que são os principais vectores destes ciclos 
de constitucionais. 
Dá-se o início o primeiro ciclo constitucional em 1975 até ao período de 1990 em que é 
revogada e entra em vigor uma nova constituição, constituindo o segundo ciclo 
constitucional, que vai até 2004, período este da revogação da constituição anterior, a partir 
deste período começa o terceiro período que vai até a actualidade. 
Para a melhor compreensão do tema, o trabalho está organização da seguinte estrutura: uma 
introdução, onde foi feito uma abordagem suscita do mesmo tema, no corpo do trabalho serão 
analisados os seguintes itens: Poder constituinte e Princípios Constitucionais. 
Após os itens anteriormente mencionados, será feita uma breve conclusão e no final, far-se-á 
menção as referencias bibliográficas consultadas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
2. Evolução da Constituição Moçambicana 
2.1.Periodificação da evolução histórico-política de Moçambique 
Não obstante a centralidade da sua Constituição e o lugar que tem na terceira vaga do 
Constitucionalismo de Língua Portuguesa, Moçambique como nação e como território não 
surgiram no plano político apenas em 25 de Junho de 1975 -data da sua independência- ou 
em 16 de Novembro de 2004 -momento da aprovação da actual Constituição da República de 
Moçambique (CRM) pela Assembleia da República-. 
Inserindo-se na rota dos Descobrimentos Portugueses da Idade Moderna, é aí que 
Moçambique pode mergulhar as suas raízes mais profundas, ou até mesmo indo mais 
retrospectivamente às ancestrais culturas que precederam a colonização portuguesa, num 
mosaico apreciável de povos e de migrantes. 
 O itinerário histórico-político de Moçambique permite divisar as seguintes fases: 
 A fase colonial, da descoberta e ocupação portuguesa; 
 A fase da I República, com a independência política no exercício do direito à 
autodeterminação contra a potência colonizadora e posterior adopção de um regime 
inspirado no socialismo soviético; 
 A fase de transição para um regime jurídico-constitucional de Estado de Direito 
Democrático, com a aprovação da Constituição de 1990, seguindo-se a assinatura do 
Acordo Geral de Paz e a abertura ao pluralismo político-social com a realização das 
primeiras eleições pluripartidárias -presidenciais e legislativas- em 1994, e 
 A fase da consolidação político-constitucional, com a adopção de uma Constituição 
aprovada por um parlamento pluripartidário em 2004. 
 Certamente que esta não é a única maneira de se conceber a evolução histórico-política de 
Moçambique, mas julga-se que esta periodificação tem o mérito de atender aos tópicos mais 
relevantes para o Direito Constitucional, que são aqueles que se relacionam com a 
organização do poder público e a protecção dos direitos fundamentais. 
Tal não anulará a validade de outras tantas periodificações que possam tornar mais relevantes 
critérios de índole económica e social, na medida em que os mesmos espelhem, de um modo 
mais rigoroso, tendências de evolução da sociedade moçambicana em cada um daqueles 
regimes político-sociais. 
4 
 
2.2.A Constituição da República Popular de Moçambique de 1975, as suas revisões e 
a I República (1975-1990) 
A proclamação da independência de Moçambique ocorreu às zero horas do dia 25 de junho 
de 1975, altura em que passou a vigorar a sua primeira Constituição, com a designação de 
“Constituição da República Popular de Moçambique 
O primeiro texto constitucional moçambicano, no cotejo com os textos constitucionais 
africanos lusófonos da sua geração, acusava a influência do constitucionalismo soviético, 
ainda que tivesse introduzido importantes alterações marcando alguma originalidade na 
modelação do seu recém-criado Estado Constitucional. 
Em relação à definição do novo Estado, assinalavam-se preocupações com a construção pós-
colonial da Nação Moçambicana: “A República Popular de Moçambique, fruto da resistência 
secular e da luta heróica e vitoriosa do Povo Moçambicano, sob a direcção da FRELIMO, 
contra a dominação colonial portuguesa e o imperialismo, é um Estado soberano, 
independente e democrático” 
À FRELIMO foi deferido um papel liderante nos destinos do novo Estado na sequência da 
posição de único movimento de libertação nacional, dizendo-se que “A República Popular de 
Moçambique é um Estado de democracia popular em que todas as camadas patrióticas se 
engajam na construção de uma nova sociedade, livre da exploração do homem pelo homem”, 
afirmando-se ainda que “Na República Popular de Moçambique o poder pertence aos 
operários e camponeses unidos e dirigidos pela FRELIMO, e é exercido pelos órgãos do 
poder popular”. 
No tocante aos direitos fundamentais, apresentava-se uma lista algo incompleta, com a 
principal ausência de certas liberdades fundamentais de natureza política, embora se deva 
referir a importante afirmação de alguns direitos fundamentais sociais. 
Do ponto de vista estrutura do Estado, previa-se os seguintes órgãos: 
 A Assembleia Popular, “órgão supremo do Estado” e “o mais alto órgão 
legislativo…”, com funções legislativo-parlamentares; 
 O Presidente da República, Chefe de Estado, por inerência o Presidente da 
FRELIMO, com funções político-representativas; 
5 
 
 O Conselho de Ministros, presidido pelo Presidente da República e composto por 
Ministros e Vice-Ministros, com funções executivas; 
 Os Tribunais, com a função jurisdicional, encimados pelo Tribunal Popular Supremo. 
 
2.3.O início da transição democrática, a Constituiçãoda República de Moçambique 
de 1990, as suas revisões pontuais e o Acordo Geral de Paz de 1992 (1990-2004) 
 A I República Moçambicana foi igualmente marcada pelo conflito que opôs o 
Governo/FRELIMO e a RENAMO, o qual só terminaria com a assinatura do Acordo Geral 
de Paz41, em 4 de Outubro de 1992. 
Assim descrita recentemente por Jaime Gonçalves, Arcebispo Emérito da Beira: “O mais 
grave era a autodestruição das pessoas. Criava-se muito ódio no coração das pessoas. Os da 
Frelimo falavam dos Bandidos Armados como inimigos, seres da selva, dignos de morte. Os 
da Renamo consideravam os da Frelimo como comunistas, dignos de desprezo e de morte”. 
Contrariamente ao sucedido no país irmão de Angola, em Moçambique passar-se-ia o inverso 
no fim dessa guerra: primeiro fez-se uma nova lei constitucional, e só depois se aprovou o 
Acordo de Paz. 
Foi assim que em 1990 se adoptou a primeira Constituição da República de Moçambique de 
uma nova fase (CRM1990), aprovada ainda pela Assembleia Popular em 2 de Novembro de 
1990 e com início de vigência a 30 do mesmo mês, seguindo no fundamental a sistematização 
estabelecida na CRPM, de 1975. 
 Ao longo da sua vigência de 14 anos,45 a CRM1990 foi objecto de algumas revisões 
constitucionais: 
 Lei nº 11/92, de 8 de outubro: alteração da norma sobre a iniciativa da revisão 
constitucional, aditando-se o nº 3 do art. 204 da CRM1990, permitindo que a mesma 
ocorresse depois das eleições multipartidárias previstas no Acordo Geral de Paz; 
 Lei nº 12/92, de 9 de outubro: alteração de vários preceitos constitucionais na 
sequência da assinatura do Acordo Geral de Paz, designadamente em matéria de 
direito de sufrágio para os órgãos do Presidente da República e Assembleia da 
República; 
 Lei nº 9/96, de 22 de novembro: reformulação da organização territorial do poder 
público, esclarecendo a legitimidade e as funções dos órgãos locais do Estado e dos 
6 
 
órgãos do Poder Local, este passando a ser um novo Título IV na sistemática do texto 
constitucional, acomodando a reforma profunda feita na instalação de uma 
administração autárquica; 
 Lei nº 9/98, de 14 de dezembro: alteração dos arts. 107 e 181 da CRM1990 no sentido 
de antecipar alterações efetuadas no plano da legislação ordinária. 
 
2.4.A actual Constituição da República de Moçambique de 2004 
A formação do novo texto constitucional depois de eleições gerais 
O texto constitucional moçambicano é o segundo mais jovem dos textos constitucionais de 
língua portuguesa e surgiu no contexto da abertura propiciada pelo fim do conflito interno e 
da assinatura do Acordo Geral de Paz, sucedendo a um texto constitucional -a CRM de 1990- 
que tinha sido aprovado pela Assembleia Popular, numa altura em que não ainda havia 
pluripartidarismo no país. 
Foi assim que por alguns anos, sobretudo depois do fim da guerra em 1992, vigorou aquele 
primeiro texto constitucional, até que se chegou à conclusão da conveniência de se fazer 
outro texto constitucional que pudesse ser aprovado por uma Assembleia da República 
resultante de eleições multipartidárias. 
O procedimento constituinte ocorreu na segunda legislatura, que se iniciou em 2000 e 
terminou em 2005. 
Tal foi a sua tarefa fundamental, trabalhos que tiveram lugar no âmbito de uma Comissão 
Constitucional, e com um amplo debate popular. 
Na sequência dessa discussão, o texto da nova Constituição da República de Moçambique foi 
o culminar de um processo constitucional, com vários momentos: 
 A aprovação pela Assembleia da República, em 16 de Novembro de 2004, por 
unanimidade e aclamação dos Deputados presentes (231 em 250); 
 A promulgação pelo Presidente da República, em 16 de Novembro de 2004; 
 A publicação no Boletim da República, em 22 de Dezembro de 2004, e 
 O início da vigência, em 20 de Janeiro de 2005. 
 
7 
 
2.5.A Constituição da República de Moçambique de 2004 
A actual Constituição da República de Moçambique foi elaborada no âmbito de um 
procedimento constitucional democrático, de cariz parlamentar e presidencial, já em ambiente 
de parlamento pluripartidário. 
Embora não se pudesse duvidar da introdução do modelo de Estado de Direito Democrático 
que a CRM1990 operou, o certo é que deste modo a legitimidade do texto constitucional 
surgiria reforçada por dimanar de um parlamento sufragado por eleições pluripartidárias. 
Tem sido discutido se o aparecimento de uma nova Constituição -como sucede a partir de 
Novembro de 2004 com a CRM- não implica automaticamente a mudança de regime 
constitucional a ponto de se impor uma III República de Moçambique, à semelhança do que 
sucedeu com a periodificação da história político-constitucional portuguesa. 
Assim acontece com o surgimento de novos textos constitucionais, seja por revolução, seja 
por transição, pois que os mesmos, contrastando com o passado constitucional, estabelecem 
um novo projecto de Direito, alterando substancialmente a identidade constitucional. 
É esse o resultado na esmagadora maioria das experiências de mudança de Constituição por 
esse mundo fora, sendo até os textos constitucionais os símbolos das alterações ocorridas na 
forma política, no sistema social e no regime económico dos Estados. 
A doutrina moçambicana pouco se tem dedicado ao assunto, pelo que estão em aberto as 
opções quer pela manutenção da II República -inaugurada em 1990 com a nova CRM- quer 
pela referência à III República - correspondente ao novo texto constitucional de 2004. 
Naturalmente que o tema não é apenas jurídico-constitucional, dado que também oferece uma 
intensa coloração político-simbólica, em associação à forma da linguagem, que no Direito 
Constitucional tem muitas vezes uma metafunção que não se pode negligenciar. 
Da nossa parte, não se crê que, em Moçambique, o aparecimento da CRM, em 2004, tenha 
determinado a mudança para uma III República, com isto evidentemente não se pretendendo 
apoucar sequer a importância deste novel texto constitucional. 
A verdade é que a Constituição de 2004 segue as linhas originalmente traçadas pela CRM de 
1990, essas realmente inovadoras e transformadoras do regime constitucional anteriormente 
vivido e que foi até então a I República Moçambicana. 
8 
 
Pode haver decerto um impulso político legítimo trazido por um novo documento 
constitucional, que representa o culminar de todo um período, alentando os moçambicanos 
para os desafios futuros, explicando-se que politicamente se possa falar em III República. 
Porém, a substância jurídica dessa ordem constitucional é o aprofundamento da ordem 
constitucional inaugurada em 1990, podendo, quando muito, dizer-se que se trata de uma 
consolidação de tal sistema político-constitucional, assim se atingindo a sua plenitude na 
definição de elementos ali imperfeitamente expressos, sem que qualquer dos seus traços 
essenciais tivesse sido modificado. 
Significa isso que a nova Constituição de 2004 manteve a identidade constitucional 
inaugurada em 1990, a qual não foi tolhida e dela se apresentando como um aprofundamento 
jurídico-constitucional. 
Porquê? Por várias razões. 
É uma conclusão que se retira logo do facto de a nova Constituição ter sido limitada pela 
CRM através de um severo regime de hiper-rigidez constitucional, através da aposição de um 
forte conjunto de limites ao correspondente poder constitucional, precisamente designado de 
revisão constitucional. 
Mas essa é uma conclusão que se pode também testar pela leitura do próprio articulado da 
CRM, que mantém todas as características que já existiam no texto da CRM de 1990. 
 
3. Poder constituinte 
O Poder Constituinte é aquele capaz de editar uma Constituição, estabelecendo uma 
organização jurídica fundamental, dando forma ao Estado, constituindo poderes e criando 
normas de exercício de governo, tal qual o estabelecimento de seus órgãos fundamentais, os 
limites da sua acção e as bases do ordenamento económico e social. 
O titulardesse poder é o Povo, representados por um órgão colegiado (Assembleia 
Constituinte). A legitimação destes é a representação da democracia de um Estado soberano, 
onde a premissa do ubisocietas e ibi ius encontram-se límpidas na forma de criação de um 
Estado. 
9 
 
O Poder Constituinte causa um rompimento com a ordem jurídica anterior, fazendo com que 
o Estado precedente à que o povo estava sendo submetido seja substituído por uma nova 
legitimação maior. 
Quanto à Natureza Jurídica do Poder Constituinte, os positivistas acreditam que é um poder 
político, que tem a sua força extraída não de normas jurídicas, mas de forças sociais 
consolidadas, sendo um poder de Fato. Já para os jusnaturalistas, o poder Constituinte está 
acima do direito positivo, sendo um direito inato do homem, partindo do seu direito natural 
que é eterno, universal e imutável. 
Existem, para tanto, duas formas de manifestação do Poder Constituinte: 
 O Poder Originário e 
 O Poder Derivado. 
 
3.1.Poder constituinte originário 
O Poder constituinte originário é aquele responsável pela criação integral de uma nova 
Constituição, inaugurando uma nova ordem jurídica. 
 Este tem várias características, sendo ele: 
 Inicial, porque inicia uma nova ordem jurídica, posto que também é chamado de 
Poder Constituinte Genuíno ou de Primeiro Grau; 
 Ilimitado, porque não sofre qualquer limite anterior, ao passo que pode desconsiderar 
de maneira absoluta o ordenamento vigente anterior; 
 Autónomo, da forma que só cabe a ele estruturar os termos da nova Constituição; 
 Incondicionado e Permanente, por conta de não se submeter a nenhum processo 
predeterminado para sua elaboração, bem como que não se esgota com a realização da 
nova Constituição, podendo o legislador deliberar a qualquer momento pela criação 
de uma nova. 
3.1.1. Poder constituinte derivado 
O Poder Constituinte Derivado é o poder já estabelecido na própria Constituição pelo poder 
Originário, que está inserido com o objectivo de legitimar a sua alteração quando necessária. 
Conforme ensina Manoel Gonçalves Ferreira Filho: 
10 
 
Embora grupo constituinte algum cuide de preparar a substituição da ideia de direito 
que incita a agir, a experiência faz prever a necessidade futura de alterações ou 
complementações no texto que edita. Por isso é que dispõe sobre a revisão da 
Constituição, atribuindo a um poder constituído o direito de emendá-la. Esse poder 
instituído goza de um Poder Constituinte Derivado do originário. Sua Modalidade 
principal é o poder de modificar formalmente a Constituição. 
O Poder Constituinte Derivado tem várias formas, podendo ser reformador, revisor ou 
decorrente. 
 Poder constituinte derivado reformador 
É poder responsável pela alteração e ampliação do texto constitucional, que se manifesta 
através das emendas constitucionais, bem como os tratados de Direitos Humanos com força 
de emenda constitucional. 
A titularidade desse poder emana do povo, que, por sua vez, será representado pelo 
Congresso Nacional. Tem por principais características ser: 
 Subordinado, porque retira a sua força do poder originário, previamente estabelecido; 
 Limitado, porque tem os seus limites definidos pelo poder originário, que estabeleceu 
o texto base constitucional; 
 Condicionado, sendo que o seu exercício deve seguir as regras previamente 
estabelecidas na Constituição. 
 
 Poder constituinte derivado revisor ou revisional 
É um poder de revisar a Constituição por um processo legislativo menos dificultoso à forma 
das emendas constitucionais. Tem eficácia exaurível, ao passo que fora realizada em 1993, 
originando 6 (seis) emendas de revisão. Logo, este poder não mais poderá ser exercido, sendo 
que qualquer mudança na Constituição Federal actualmente só poderá ser feita através de 
emendas, pelo poder Reformador. 
 Poder constituinte derivado decorrente 
Trata-se do poder de cada Estado-Membro em criar a sua própria Constituição estadual, 
sendo, todavia, respeitada a supremacia da Constituição Federal. 
11 
 
Cada Assembleia Legislativa, com os poderes constituintes definidos, deveriam elaborar a 
sua Constituição do Estado dentro do prazo de 1 (um) ano, à partir da promulgação da 
Constituição. 
4. Princípios Constitucional 
Os princípios constitucionais têm função ordenadora e acção imediata funcionando como 
critério de interpretação e de integração, dando coerência ao sistema. 
Os princípios constitucionais têm função ordenadora e acção imediata funcionando como 
critério de interpretação e de integração, dando coerência ao sistema, como ensina Jorge 
Miranda, em seu "Manual de Direito Constitucional". Os princípios são normas-síntese ou 
normas-matriz. 
Há três tipos de princípios: 
1. Princípios políticos constitucionais são os que traduzem as opções políticas fundamentais 
conformadoras da Constituição, dito de outra forma, são decisões políticas fundamentais 
sobre a forma de existência da Nação. 
2. Princípios jurídicos constitucionais são aqueles que informam a ordem jurídica 
constitucional, constituem desdobramentos dos princípios fundamentais. 
3. Princípios institucionais ou regionais são os que regem e modelam o sistema normativo 
das instituições constitucionais. 
Assim, ensina Canotilho e Vital Moreira que os princípios fundamentais são variados e visam 
essencialmente a definir e caracterizar a colectividade política, o Estado e a enumeração das 
principais opções político-constitucionais. São, também, a síntese de todas as normas 
constitucionais. 
O primeiro princípio fundamental diz respeito à forma de Estado. O Brasil é uma federação, 
isto é, um Estado Federal composto de diversos outros Estados-membros que se unem para 
formar uma unidade nova. Essa unidade nova é a Federação. Nesse Estado, a União se 
apresenta externamente como Estado unitário (Federal). Os Estados-membros gozam de 
autonomia política e administrativa, mas não de soberania. Incluem-se na federação o Distrito 
Federal e os Municípios. 
12 
 
O segundo princípio refere-se à forma de governo. A forma de governo adoptada é a 
República. Isso significa que somos uma colectividade política com características de 
república, isto é, coisa pública, ou coisa do povo e para o povo. Isso traduz forma de governo, 
com características específicas inerentes à República: 
 O governante demanda ser legitimado por eleições populares; 
 Eleições são periódicas; 
 Temporariedade dos mandatos; 
 Existência de câmaras legislativas; 
 Igualdade de todos, sem qualquer vantagem própria das monarquias em que existe a 
nobreza e a plebe. 
Os demais princípios estão estabelecidos nos incisos da Constituição são: 
1) Soberania – O fundamento soberania está inserida no conceito de Estado. 
2) Cidadania – O fundamento da cidadania traduz que o titular dos direitos políticos é o 
povo, o cidadão que se integra na sociedade estatal. O governo, assim, está submetido à 
vontade popular. 
3) Dignidade da pessoa humana – A dignidade da pessoa humana é outro fundamento 
essencial. Daí todo o capítulo dos direitos e garantias fundamentas, os dados referentes à 
ordem económica que busca assegurar a todos uma existência digna, os fundamentos da 
ordem social, da educação, do exercício da cidadania. 
4) Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa – Isso querem dizer que todo trabalho é 
digno, consagrada a liberdade de iniciativa na actividade económica. Isso insere o Brasil nas 
economias abertas, em que não há dirigismo do Estado, em que os indivíduos serão os 
condutores da actividade económica. 
5) Pluralismo político – Refuta-se a ideia de partido único. Todas as doutrinas, ideias 
políticas ou filosóficas podem ser livremente manifestadas e constituídas e partidos políticos, 
desde que respeitado o sistema democrático. 
 
 
 
13 
 
5. Conclusão 
Após a consulta bibliográfica sobre os conteúdos em abordagem que me induziua uma 
leitura prudente e cautelosa, posso então concluir que: 
Moçambique é um dos países novos na história dos estados no mundo, particularmente em 
termos constitucionais. Moçambique torna-se um estado de Direito Constitucional com a 
proclamação da independência em 25 de Junho de 1975, nomeadamente passando a designar-
se por República Popular de Moçambique, começando assim uma nova era, em termos 
político-económicos, define-se assim um novo posicionamento de estado. 
O Poder Constituinte é aquele capaz de editar uma Constituição, estabelecendo uma 
organização jurídica fundamental, dando forma ao Estado, constituindo poderes e criando 
normas de exercício de governo, tal qual o estabelecimento de seus órgãos fundamentais, os 
limites da sua acção e as bases do ordenamento económico e social. 
Finalmente, estabelece-se que todo o poder emana do povo que deverá exercê-lo 
directamente ou através de representantes eleitos. Aí está explicitado quem é o verdadeiro 
titular da soberania nacional: é o povo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14 
 
6. Referencia Bibliografia 
 BONAVIDES, Paulo, Direito Constitucional, 17ª Edição, Malheiros, Rio de Janeiro, 
2005. 
 CANOTILHO, José, Direito Constitucional, 6ª Edição, Almedina, Lisboa, 1993. 
 CARRILHO, José e NHAMISSITANE, Emídio Ricardo, Alguns Aspectos da 
Constituição, Departamento da Investigação e Legislação, Edicil, Ministério da 
Justiça, Maputo, 1991. 
 CARRILHO, José, Colectânea de Legislação Constitucional, CFJJ, Ministério da 
Justiça, Maputo, 2009. 
 CISTAC, Gilles, A Evolução Constitucional da Pátria Amada, GDI, Maputo, 2009. 
 Comentário Contextual à Constituição, José Afonso da Silva, 2009, 6º Ed. Malheiros, 
São Paulo. 
 Curso de Direito Constitucional Positivo, José Afonso da Silva, 1999, Ed. Malheiros, 
São Paulo. 
 LACERDA, Francisco de Melo, O Poder Constituinte e o Processo de Revisão 
Constitucional, in www.scrib.com/doc/17197161/ acessado em 18 de outubro de 
2021. 
 MONDLANE, Carlos Pedro. Os limites na revisão constitucional em Moçambique. 
Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 18, n. 3644, 23 jun. 2013. 
Disponível em: https://jus.com.br/artigos/24761. Acesso em: 17 out. 2021.

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