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Universidade Alberto Chipande Evolução da Constituição Moçambicana Sufiane Bacar Curso: Ciências Jurídicas Disciplina: Direito Constitucional Ano de Frequência: 1º ano Docente: Dr: Eusébio Lambo Caia, Outubro, 2021 1 Índice 1. Introdução ........................................................................................................................... 2 2. Evolução da Constituição Moçambicana ........................................................................... 3 2.1. Periodificação da evolução histórico-política de Moçambique ...................................... 3 2.2. A Constituição da República Popular de Moçambique de 1975, as suas revisões e a I República (1975-1990) .............................................................................................................. 4 2.3. O início da transição democrática, a Constituição da República de Moçambique de 1990, as suas revisões pontuais e o Acordo Geral de Paz de 1992 (1990-2004) ....................... 5 2.4. A actual Constituição da República de Moçambique de 2004 ....................................... 6 2.5. A Constituição da República de Moçambique de 2004 .................................................. 7 3. Poder constituinte ............................................................................................................... 8 3.1. Poder constituinte originário ........................................................................................... 9 3.1.1. Poder constituinte derivado ......................................................................................... 9 4. Princípios Constitucional .................................................................................................. 11 5. Conclusão ......................................................................................................................... 13 6. Referencia Bibliografia ..................................................................................................... 14 2 1. Introdução O presente trabalho da cadeira de Direito constitucional mostra a dinâmica da Evolução da Constituição Moçambicana. A abordagem deste tema só foi possível fazendo menção as três principais Constituições da República, designadamente de 1975, 1990, 2004, que são os principais vectores destes ciclos de constitucionais. Dá-se o início o primeiro ciclo constitucional em 1975 até ao período de 1990 em que é revogada e entra em vigor uma nova constituição, constituindo o segundo ciclo constitucional, que vai até 2004, período este da revogação da constituição anterior, a partir deste período começa o terceiro período que vai até a actualidade. Para a melhor compreensão do tema, o trabalho está organização da seguinte estrutura: uma introdução, onde foi feito uma abordagem suscita do mesmo tema, no corpo do trabalho serão analisados os seguintes itens: Poder constituinte e Princípios Constitucionais. Após os itens anteriormente mencionados, será feita uma breve conclusão e no final, far-se-á menção as referencias bibliográficas consultadas. 3 2. Evolução da Constituição Moçambicana 2.1.Periodificação da evolução histórico-política de Moçambique Não obstante a centralidade da sua Constituição e o lugar que tem na terceira vaga do Constitucionalismo de Língua Portuguesa, Moçambique como nação e como território não surgiram no plano político apenas em 25 de Junho de 1975 -data da sua independência- ou em 16 de Novembro de 2004 -momento da aprovação da actual Constituição da República de Moçambique (CRM) pela Assembleia da República-. Inserindo-se na rota dos Descobrimentos Portugueses da Idade Moderna, é aí que Moçambique pode mergulhar as suas raízes mais profundas, ou até mesmo indo mais retrospectivamente às ancestrais culturas que precederam a colonização portuguesa, num mosaico apreciável de povos e de migrantes. O itinerário histórico-político de Moçambique permite divisar as seguintes fases: A fase colonial, da descoberta e ocupação portuguesa; A fase da I República, com a independência política no exercício do direito à autodeterminação contra a potência colonizadora e posterior adopção de um regime inspirado no socialismo soviético; A fase de transição para um regime jurídico-constitucional de Estado de Direito Democrático, com a aprovação da Constituição de 1990, seguindo-se a assinatura do Acordo Geral de Paz e a abertura ao pluralismo político-social com a realização das primeiras eleições pluripartidárias -presidenciais e legislativas- em 1994, e A fase da consolidação político-constitucional, com a adopção de uma Constituição aprovada por um parlamento pluripartidário em 2004. Certamente que esta não é a única maneira de se conceber a evolução histórico-política de Moçambique, mas julga-se que esta periodificação tem o mérito de atender aos tópicos mais relevantes para o Direito Constitucional, que são aqueles que se relacionam com a organização do poder público e a protecção dos direitos fundamentais. Tal não anulará a validade de outras tantas periodificações que possam tornar mais relevantes critérios de índole económica e social, na medida em que os mesmos espelhem, de um modo mais rigoroso, tendências de evolução da sociedade moçambicana em cada um daqueles regimes político-sociais. 4 2.2.A Constituição da República Popular de Moçambique de 1975, as suas revisões e a I República (1975-1990) A proclamação da independência de Moçambique ocorreu às zero horas do dia 25 de junho de 1975, altura em que passou a vigorar a sua primeira Constituição, com a designação de “Constituição da República Popular de Moçambique O primeiro texto constitucional moçambicano, no cotejo com os textos constitucionais africanos lusófonos da sua geração, acusava a influência do constitucionalismo soviético, ainda que tivesse introduzido importantes alterações marcando alguma originalidade na modelação do seu recém-criado Estado Constitucional. Em relação à definição do novo Estado, assinalavam-se preocupações com a construção pós- colonial da Nação Moçambicana: “A República Popular de Moçambique, fruto da resistência secular e da luta heróica e vitoriosa do Povo Moçambicano, sob a direcção da FRELIMO, contra a dominação colonial portuguesa e o imperialismo, é um Estado soberano, independente e democrático” À FRELIMO foi deferido um papel liderante nos destinos do novo Estado na sequência da posição de único movimento de libertação nacional, dizendo-se que “A República Popular de Moçambique é um Estado de democracia popular em que todas as camadas patrióticas se engajam na construção de uma nova sociedade, livre da exploração do homem pelo homem”, afirmando-se ainda que “Na República Popular de Moçambique o poder pertence aos operários e camponeses unidos e dirigidos pela FRELIMO, e é exercido pelos órgãos do poder popular”. No tocante aos direitos fundamentais, apresentava-se uma lista algo incompleta, com a principal ausência de certas liberdades fundamentais de natureza política, embora se deva referir a importante afirmação de alguns direitos fundamentais sociais. Do ponto de vista estrutura do Estado, previa-se os seguintes órgãos: A Assembleia Popular, “órgão supremo do Estado” e “o mais alto órgão legislativo…”, com funções legislativo-parlamentares; O Presidente da República, Chefe de Estado, por inerência o Presidente da FRELIMO, com funções político-representativas; 5 O Conselho de Ministros, presidido pelo Presidente da República e composto por Ministros e Vice-Ministros, com funções executivas; Os Tribunais, com a função jurisdicional, encimados pelo Tribunal Popular Supremo. 2.3.O início da transição democrática, a Constituiçãoda República de Moçambique de 1990, as suas revisões pontuais e o Acordo Geral de Paz de 1992 (1990-2004) A I República Moçambicana foi igualmente marcada pelo conflito que opôs o Governo/FRELIMO e a RENAMO, o qual só terminaria com a assinatura do Acordo Geral de Paz41, em 4 de Outubro de 1992. Assim descrita recentemente por Jaime Gonçalves, Arcebispo Emérito da Beira: “O mais grave era a autodestruição das pessoas. Criava-se muito ódio no coração das pessoas. Os da Frelimo falavam dos Bandidos Armados como inimigos, seres da selva, dignos de morte. Os da Renamo consideravam os da Frelimo como comunistas, dignos de desprezo e de morte”. Contrariamente ao sucedido no país irmão de Angola, em Moçambique passar-se-ia o inverso no fim dessa guerra: primeiro fez-se uma nova lei constitucional, e só depois se aprovou o Acordo de Paz. Foi assim que em 1990 se adoptou a primeira Constituição da República de Moçambique de uma nova fase (CRM1990), aprovada ainda pela Assembleia Popular em 2 de Novembro de 1990 e com início de vigência a 30 do mesmo mês, seguindo no fundamental a sistematização estabelecida na CRPM, de 1975. Ao longo da sua vigência de 14 anos,45 a CRM1990 foi objecto de algumas revisões constitucionais: Lei nº 11/92, de 8 de outubro: alteração da norma sobre a iniciativa da revisão constitucional, aditando-se o nº 3 do art. 204 da CRM1990, permitindo que a mesma ocorresse depois das eleições multipartidárias previstas no Acordo Geral de Paz; Lei nº 12/92, de 9 de outubro: alteração de vários preceitos constitucionais na sequência da assinatura do Acordo Geral de Paz, designadamente em matéria de direito de sufrágio para os órgãos do Presidente da República e Assembleia da República; Lei nº 9/96, de 22 de novembro: reformulação da organização territorial do poder público, esclarecendo a legitimidade e as funções dos órgãos locais do Estado e dos 6 órgãos do Poder Local, este passando a ser um novo Título IV na sistemática do texto constitucional, acomodando a reforma profunda feita na instalação de uma administração autárquica; Lei nº 9/98, de 14 de dezembro: alteração dos arts. 107 e 181 da CRM1990 no sentido de antecipar alterações efetuadas no plano da legislação ordinária. 2.4.A actual Constituição da República de Moçambique de 2004 A formação do novo texto constitucional depois de eleições gerais O texto constitucional moçambicano é o segundo mais jovem dos textos constitucionais de língua portuguesa e surgiu no contexto da abertura propiciada pelo fim do conflito interno e da assinatura do Acordo Geral de Paz, sucedendo a um texto constitucional -a CRM de 1990- que tinha sido aprovado pela Assembleia Popular, numa altura em que não ainda havia pluripartidarismo no país. Foi assim que por alguns anos, sobretudo depois do fim da guerra em 1992, vigorou aquele primeiro texto constitucional, até que se chegou à conclusão da conveniência de se fazer outro texto constitucional que pudesse ser aprovado por uma Assembleia da República resultante de eleições multipartidárias. O procedimento constituinte ocorreu na segunda legislatura, que se iniciou em 2000 e terminou em 2005. Tal foi a sua tarefa fundamental, trabalhos que tiveram lugar no âmbito de uma Comissão Constitucional, e com um amplo debate popular. Na sequência dessa discussão, o texto da nova Constituição da República de Moçambique foi o culminar de um processo constitucional, com vários momentos: A aprovação pela Assembleia da República, em 16 de Novembro de 2004, por unanimidade e aclamação dos Deputados presentes (231 em 250); A promulgação pelo Presidente da República, em 16 de Novembro de 2004; A publicação no Boletim da República, em 22 de Dezembro de 2004, e O início da vigência, em 20 de Janeiro de 2005. 7 2.5.A Constituição da República de Moçambique de 2004 A actual Constituição da República de Moçambique foi elaborada no âmbito de um procedimento constitucional democrático, de cariz parlamentar e presidencial, já em ambiente de parlamento pluripartidário. Embora não se pudesse duvidar da introdução do modelo de Estado de Direito Democrático que a CRM1990 operou, o certo é que deste modo a legitimidade do texto constitucional surgiria reforçada por dimanar de um parlamento sufragado por eleições pluripartidárias. Tem sido discutido se o aparecimento de uma nova Constituição -como sucede a partir de Novembro de 2004 com a CRM- não implica automaticamente a mudança de regime constitucional a ponto de se impor uma III República de Moçambique, à semelhança do que sucedeu com a periodificação da história político-constitucional portuguesa. Assim acontece com o surgimento de novos textos constitucionais, seja por revolução, seja por transição, pois que os mesmos, contrastando com o passado constitucional, estabelecem um novo projecto de Direito, alterando substancialmente a identidade constitucional. É esse o resultado na esmagadora maioria das experiências de mudança de Constituição por esse mundo fora, sendo até os textos constitucionais os símbolos das alterações ocorridas na forma política, no sistema social e no regime económico dos Estados. A doutrina moçambicana pouco se tem dedicado ao assunto, pelo que estão em aberto as opções quer pela manutenção da II República -inaugurada em 1990 com a nova CRM- quer pela referência à III República - correspondente ao novo texto constitucional de 2004. Naturalmente que o tema não é apenas jurídico-constitucional, dado que também oferece uma intensa coloração político-simbólica, em associação à forma da linguagem, que no Direito Constitucional tem muitas vezes uma metafunção que não se pode negligenciar. Da nossa parte, não se crê que, em Moçambique, o aparecimento da CRM, em 2004, tenha determinado a mudança para uma III República, com isto evidentemente não se pretendendo apoucar sequer a importância deste novel texto constitucional. A verdade é que a Constituição de 2004 segue as linhas originalmente traçadas pela CRM de 1990, essas realmente inovadoras e transformadoras do regime constitucional anteriormente vivido e que foi até então a I República Moçambicana. 8 Pode haver decerto um impulso político legítimo trazido por um novo documento constitucional, que representa o culminar de todo um período, alentando os moçambicanos para os desafios futuros, explicando-se que politicamente se possa falar em III República. Porém, a substância jurídica dessa ordem constitucional é o aprofundamento da ordem constitucional inaugurada em 1990, podendo, quando muito, dizer-se que se trata de uma consolidação de tal sistema político-constitucional, assim se atingindo a sua plenitude na definição de elementos ali imperfeitamente expressos, sem que qualquer dos seus traços essenciais tivesse sido modificado. Significa isso que a nova Constituição de 2004 manteve a identidade constitucional inaugurada em 1990, a qual não foi tolhida e dela se apresentando como um aprofundamento jurídico-constitucional. Porquê? Por várias razões. É uma conclusão que se retira logo do facto de a nova Constituição ter sido limitada pela CRM através de um severo regime de hiper-rigidez constitucional, através da aposição de um forte conjunto de limites ao correspondente poder constitucional, precisamente designado de revisão constitucional. Mas essa é uma conclusão que se pode também testar pela leitura do próprio articulado da CRM, que mantém todas as características que já existiam no texto da CRM de 1990. 3. Poder constituinte O Poder Constituinte é aquele capaz de editar uma Constituição, estabelecendo uma organização jurídica fundamental, dando forma ao Estado, constituindo poderes e criando normas de exercício de governo, tal qual o estabelecimento de seus órgãos fundamentais, os limites da sua acção e as bases do ordenamento económico e social. O titulardesse poder é o Povo, representados por um órgão colegiado (Assembleia Constituinte). A legitimação destes é a representação da democracia de um Estado soberano, onde a premissa do ubisocietas e ibi ius encontram-se límpidas na forma de criação de um Estado. 9 O Poder Constituinte causa um rompimento com a ordem jurídica anterior, fazendo com que o Estado precedente à que o povo estava sendo submetido seja substituído por uma nova legitimação maior. Quanto à Natureza Jurídica do Poder Constituinte, os positivistas acreditam que é um poder político, que tem a sua força extraída não de normas jurídicas, mas de forças sociais consolidadas, sendo um poder de Fato. Já para os jusnaturalistas, o poder Constituinte está acima do direito positivo, sendo um direito inato do homem, partindo do seu direito natural que é eterno, universal e imutável. Existem, para tanto, duas formas de manifestação do Poder Constituinte: O Poder Originário e O Poder Derivado. 3.1.Poder constituinte originário O Poder constituinte originário é aquele responsável pela criação integral de uma nova Constituição, inaugurando uma nova ordem jurídica. Este tem várias características, sendo ele: Inicial, porque inicia uma nova ordem jurídica, posto que também é chamado de Poder Constituinte Genuíno ou de Primeiro Grau; Ilimitado, porque não sofre qualquer limite anterior, ao passo que pode desconsiderar de maneira absoluta o ordenamento vigente anterior; Autónomo, da forma que só cabe a ele estruturar os termos da nova Constituição; Incondicionado e Permanente, por conta de não se submeter a nenhum processo predeterminado para sua elaboração, bem como que não se esgota com a realização da nova Constituição, podendo o legislador deliberar a qualquer momento pela criação de uma nova. 3.1.1. Poder constituinte derivado O Poder Constituinte Derivado é o poder já estabelecido na própria Constituição pelo poder Originário, que está inserido com o objectivo de legitimar a sua alteração quando necessária. Conforme ensina Manoel Gonçalves Ferreira Filho: 10 Embora grupo constituinte algum cuide de preparar a substituição da ideia de direito que incita a agir, a experiência faz prever a necessidade futura de alterações ou complementações no texto que edita. Por isso é que dispõe sobre a revisão da Constituição, atribuindo a um poder constituído o direito de emendá-la. Esse poder instituído goza de um Poder Constituinte Derivado do originário. Sua Modalidade principal é o poder de modificar formalmente a Constituição. O Poder Constituinte Derivado tem várias formas, podendo ser reformador, revisor ou decorrente. Poder constituinte derivado reformador É poder responsável pela alteração e ampliação do texto constitucional, que se manifesta através das emendas constitucionais, bem como os tratados de Direitos Humanos com força de emenda constitucional. A titularidade desse poder emana do povo, que, por sua vez, será representado pelo Congresso Nacional. Tem por principais características ser: Subordinado, porque retira a sua força do poder originário, previamente estabelecido; Limitado, porque tem os seus limites definidos pelo poder originário, que estabeleceu o texto base constitucional; Condicionado, sendo que o seu exercício deve seguir as regras previamente estabelecidas na Constituição. Poder constituinte derivado revisor ou revisional É um poder de revisar a Constituição por um processo legislativo menos dificultoso à forma das emendas constitucionais. Tem eficácia exaurível, ao passo que fora realizada em 1993, originando 6 (seis) emendas de revisão. Logo, este poder não mais poderá ser exercido, sendo que qualquer mudança na Constituição Federal actualmente só poderá ser feita através de emendas, pelo poder Reformador. Poder constituinte derivado decorrente Trata-se do poder de cada Estado-Membro em criar a sua própria Constituição estadual, sendo, todavia, respeitada a supremacia da Constituição Federal. 11 Cada Assembleia Legislativa, com os poderes constituintes definidos, deveriam elaborar a sua Constituição do Estado dentro do prazo de 1 (um) ano, à partir da promulgação da Constituição. 4. Princípios Constitucional Os princípios constitucionais têm função ordenadora e acção imediata funcionando como critério de interpretação e de integração, dando coerência ao sistema. Os princípios constitucionais têm função ordenadora e acção imediata funcionando como critério de interpretação e de integração, dando coerência ao sistema, como ensina Jorge Miranda, em seu "Manual de Direito Constitucional". Os princípios são normas-síntese ou normas-matriz. Há três tipos de princípios: 1. Princípios políticos constitucionais são os que traduzem as opções políticas fundamentais conformadoras da Constituição, dito de outra forma, são decisões políticas fundamentais sobre a forma de existência da Nação. 2. Princípios jurídicos constitucionais são aqueles que informam a ordem jurídica constitucional, constituem desdobramentos dos princípios fundamentais. 3. Princípios institucionais ou regionais são os que regem e modelam o sistema normativo das instituições constitucionais. Assim, ensina Canotilho e Vital Moreira que os princípios fundamentais são variados e visam essencialmente a definir e caracterizar a colectividade política, o Estado e a enumeração das principais opções político-constitucionais. São, também, a síntese de todas as normas constitucionais. O primeiro princípio fundamental diz respeito à forma de Estado. O Brasil é uma federação, isto é, um Estado Federal composto de diversos outros Estados-membros que se unem para formar uma unidade nova. Essa unidade nova é a Federação. Nesse Estado, a União se apresenta externamente como Estado unitário (Federal). Os Estados-membros gozam de autonomia política e administrativa, mas não de soberania. Incluem-se na federação o Distrito Federal e os Municípios. 12 O segundo princípio refere-se à forma de governo. A forma de governo adoptada é a República. Isso significa que somos uma colectividade política com características de república, isto é, coisa pública, ou coisa do povo e para o povo. Isso traduz forma de governo, com características específicas inerentes à República: O governante demanda ser legitimado por eleições populares; Eleições são periódicas; Temporariedade dos mandatos; Existência de câmaras legislativas; Igualdade de todos, sem qualquer vantagem própria das monarquias em que existe a nobreza e a plebe. Os demais princípios estão estabelecidos nos incisos da Constituição são: 1) Soberania – O fundamento soberania está inserida no conceito de Estado. 2) Cidadania – O fundamento da cidadania traduz que o titular dos direitos políticos é o povo, o cidadão que se integra na sociedade estatal. O governo, assim, está submetido à vontade popular. 3) Dignidade da pessoa humana – A dignidade da pessoa humana é outro fundamento essencial. Daí todo o capítulo dos direitos e garantias fundamentas, os dados referentes à ordem económica que busca assegurar a todos uma existência digna, os fundamentos da ordem social, da educação, do exercício da cidadania. 4) Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa – Isso querem dizer que todo trabalho é digno, consagrada a liberdade de iniciativa na actividade económica. Isso insere o Brasil nas economias abertas, em que não há dirigismo do Estado, em que os indivíduos serão os condutores da actividade económica. 5) Pluralismo político – Refuta-se a ideia de partido único. Todas as doutrinas, ideias políticas ou filosóficas podem ser livremente manifestadas e constituídas e partidos políticos, desde que respeitado o sistema democrático. 13 5. Conclusão Após a consulta bibliográfica sobre os conteúdos em abordagem que me induziua uma leitura prudente e cautelosa, posso então concluir que: Moçambique é um dos países novos na história dos estados no mundo, particularmente em termos constitucionais. Moçambique torna-se um estado de Direito Constitucional com a proclamação da independência em 25 de Junho de 1975, nomeadamente passando a designar- se por República Popular de Moçambique, começando assim uma nova era, em termos político-económicos, define-se assim um novo posicionamento de estado. O Poder Constituinte é aquele capaz de editar uma Constituição, estabelecendo uma organização jurídica fundamental, dando forma ao Estado, constituindo poderes e criando normas de exercício de governo, tal qual o estabelecimento de seus órgãos fundamentais, os limites da sua acção e as bases do ordenamento económico e social. Finalmente, estabelece-se que todo o poder emana do povo que deverá exercê-lo directamente ou através de representantes eleitos. Aí está explicitado quem é o verdadeiro titular da soberania nacional: é o povo. 14 6. Referencia Bibliografia BONAVIDES, Paulo, Direito Constitucional, 17ª Edição, Malheiros, Rio de Janeiro, 2005. CANOTILHO, José, Direito Constitucional, 6ª Edição, Almedina, Lisboa, 1993. CARRILHO, José e NHAMISSITANE, Emídio Ricardo, Alguns Aspectos da Constituição, Departamento da Investigação e Legislação, Edicil, Ministério da Justiça, Maputo, 1991. CARRILHO, José, Colectânea de Legislação Constitucional, CFJJ, Ministério da Justiça, Maputo, 2009. CISTAC, Gilles, A Evolução Constitucional da Pátria Amada, GDI, Maputo, 2009. Comentário Contextual à Constituição, José Afonso da Silva, 2009, 6º Ed. Malheiros, São Paulo. Curso de Direito Constitucional Positivo, José Afonso da Silva, 1999, Ed. Malheiros, São Paulo. LACERDA, Francisco de Melo, O Poder Constituinte e o Processo de Revisão Constitucional, in www.scrib.com/doc/17197161/ acessado em 18 de outubro de 2021. MONDLANE, Carlos Pedro. Os limites na revisão constitucional em Moçambique. Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 18, n. 3644, 23 jun. 2013. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/24761. Acesso em: 17 out. 2021.