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Aluno: Davi de Aguiar Portela (0001418) 
Medicina – 4º Período APG IV – S12 P02 
 
Doença Hemorroidária 
 
Anatomia Anorretal 
A vascularização da região anorretal é 
constituída por dois plexos hemorrágicos, que 
são uma rede de arteríolas e vênulas que se 
comunicam diretamente. 
 
Figura 1- Fonte: MOORE, K. L.; DALEY II, A. F. 2014. 
 
PLEXO HEMORROIDÁRIO INTERNO 
Localiza-se no espaço submucoso do canal anal, 
acima da linha pectínea, sendo formado por uma 
rede de vasos sanguíneos calibrosos. 
o Vascularizado pelos três ramos terminais 
da artéria retal superior; 
o Drenando para o sistema portal, pela veia 
retal superior, tributária da veia 
mesentérica inferior. 
o Plexo nervoso visceral: o canal anal 
superior à linha pectinada tem inervação 
visceral; assim, é inervado por fibras de 
dor aferentes viscerais, de modo que 
estímulos a essa região são indolores 
As hemorroidas internas não são dolorosas e 
podem ser tratadas sem anestesia. 
Os corpos cavernosos são estruturas 
angiocavernosas sustentadas por fibras 
musculares lisa localizadas na submucosa anal, 
que auxilia a fixar o plexo hemorroidário interno 
nessa localização. 
 
PLEXO HEMORROIDÁRIO EXTERNO 
Localiza-se no espaço subcutâneo do canal anal, 
abaixo da linha pectínea, sendo: 
o Vascularizado pelos ramos terminais das 
artérias retais inferiores; 
o Drenado para a circulação sistêmica (veia 
cava inferior), pelas veias retais inferiores, 
tributárias das veias pudendas e ilíacas 
internas; 
o Fibras sensitivas somáticas: inferiormente 
à linha pectinada, o canal anal é somático, 
suprido pelos nervos anais inferiores que 
contêm fibras sensitivas somáticas. 
Portanto, é sensível a estímulos dolorosos 
(ex., à espetada com uma agulha hipo-
dérmica). 
As hemorroidas externas podem ser dolorosas, 
mas não raro se resolvem em alguns dias. 
Ambos os plexos se comunicam por 
anastomoses arteriovenosas. 
 
Etiopatologia 
A doença hemorroidária surge quando há 
congestão, dilatação e aumento dos corpos 
cavernosos do canal anal, formando grandes 
emaranhados vasculares, submucosos e 
subcutâneos, que são flexíveis e se enchem de 
sangue. 
Vários fatores são importantes na sua etiologia: 
Veia varicosa. 
Representada pela dificuldade do esvaziamento 
sanguíneo do canal anal no ato defecatório, 
com congestão e dilatação dos corpos 
cavernosos; 
 
Degenerativa. 
Presença de prolapso anormal do plexo 
hemorroidário interno, durante a evacuação, 
por deficiência de sua fixação pela musculatura 
longitudinal da submucosa (músculo de Treitz); 
 
Mecânica. 
Caracterizada pelo excessivo esforço 
defecatório e/ou pela dieta pobre em resíduos 
(fibras) e pouca ingestão de líquidos, que pode 
acarretar o endurecimento das fezes e 
aumentar ainda mais o esforço evacuatório; 
 
Hiperplasia vascular. 
A presença de hiperplasia dos corpos 
cavernosos do canal anal que poderá ocasionar 
sua dilatação e aumento; 
 
Hemodinâmica. 
Pela presença das comunicações 
arteriovenosas, muito calibrosas, na submucosa 
do canal anal, facilitando o aumento e dilatação 
dos corpos cavernosos; 
 
Disfunção do esfíncter anal interno. 
Hiperatividade do esfíncter anal interno do 
ânus com hipertonia ocasionando distensão 
dos corpos cavernosos. 
. 
Fatores Desencadeantes 
Os fatores desencadeantes são: 
o Constipação intestinal; 
o Abuso de laxativos (catárticos); 
o Diarreia crônica; 
o Gravidez (pelo aumento da pressão intra-
abdominal); 
o Posição bípede do ser humano. 
Com isso, na doença hemorroidária não sofre 
remissão espontânea, pois uma vez manifestada 
ela tente a progredir. 
 
Fatores Agravantes 
Além disso, há também os fatores agravantes, 
que estão relacionados com hábitos defecatórios 
errôneos, tais como: 
o Insistência em evacuar todos os dias; 
o Esforçar-se para defecar em um 
determinado horário por conveniência; 
o Forçar o esvaziamento total do conteúdo 
retal de uma só vez. 
 
CLASSIFICAÇÃO 
A classificação mais utilizada esta relacionada com 
a localização do mamilo hemorroidário no canal 
anal e com a presença ou ausência de seu 
prolapso. 
Eles podem ser: 
o Mamilo hemorroidário interno; 
o Mamilo hemorroidário externo; 
o Mamilo hemorroidário misto. 
Apresentam consistência amolecida e forma 
abaulada. 
 
Mamilo Hemorroidário Interno 
Está localizado acima da linha pectínea, sendo 
subclassificado de acordo com a presença ou 
não de prolapso para o exterior do canal anal. 
o 1º grau. Mamilo hemorroidário interno que 
não prolaba pelo canal anal quando da 
evacuação ou aos esforços; 
o 2° grau. Quando ele prolaba através do 
canal anal durante o esforço evacuatório, 
exteriorizando-se pelo ânus, porém 
retraindo-se, espontaneamente, cessado 
esse esforço; 
o 3º grau. Mamilo que prolaba à evacuação 
e/ou aos esforços se não retoma 
espontaneamente, necessitando ser 
recolocado digitalmente para o interior do 
canal anal; 
o 4º grau. Mamilo interno 
permanentemente prolabado pelo canal 
anal (lado externo), sem possibilidade de 
ser recolocado para o interior do canal 
anal. 
 
Figura 2- Esquema da localização no canal anal dos três mamilos 
hemorroidários internos principais: anterior e posterior direitos e 
lateral esquerdo (Fonte: Gastroenterologia Essencial). 
 
As hemorroidas internas resultam de ruptura da 
muscular da mucosa, uma camada de músculo 
liso situada profundamente à túnica mucosa. 
As hemorroidas internas que prolapsam através 
do canal anal são muitas vezes comprimidas 
pelos esfíncteres contraídos, impedindo o fluxo 
sanguíneo. Consequentemente, tendem a 
estrangular e ulcerar. 
Por causa das anastomoses arteriovenosas 
abundantes, o sangramento de hemorroidas 
internas é caracteristicamente vermelho-vivo. 
A conduta atual é tratar apenas as hemorroidas 
internas ulceradas e com prolapso. 
 
Mamilo Hemorroidário Externo 
Localiza-se abaixo da linha pectínea, 
caracterizando-se por dilatações dos vasos 
subcutâneos do anoderna, que forma um 
abaulamento de consistência mole, indolor e de 
coloração vinhosa. 
As hemorroidas externas são trombos nas veias 
do plexo venoso retal externo e são cobertas 
por pele. 
 
Mamilo Hemorroidário Misto 
Representa a existência concomitante de 
mamilos internos e externos. 
 
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS 
A doença hemorroidária pode ser assintomática, 
porém é mais comum aparecer sintomas em 
diferentes graus de intensidade, tais como: 
o Sangramentos; 
o Prolapsos; 
o Exsudação perianal; 
o Desconforto anal. 
 
Sangramento/ Enterorragia 
É o sinal mais frequente, sendo o primeiro a se 
manifestar, em que o sangue tem coloração 
vermelho rutilante. 
A passagem de fezes endurecidas pelo canal anal 
ou o uso de papel higiênico pode traumatizar o 
mamilo hemorroidário 
Caracteriza-se por ser uma enterorragia 
esporádica, frequência intermitente, pouco 
volume e relacionado a evacuação. 
 
Prolapso 
É a exteriorização da mucosa retal do mamilo 
hemorroidário interno para fora do canal anal. 
Pode aparecer durante o ato evacuatório ou em 
atividades físicas. 
 
Exsudação Perianal 
Corresponde a umidade da pele perianal causada 
pela presença de muco decorrente da irritação 
da mucosa dos mamilos hemorroidários internos 
prolabados. 
Acompanhada pela dermatite e pelo prurido anal. 
 
Desconforto Anal 
Ocorre durante ou após a evacuação, por causa 
da pressão anal, porém não aparece dor anal. 
 
Diagnóstico 
É realizado por meio de anamnese 
pormenorizada dos sintomas e sinais 
anteriormente mencionados, além de: 
o Avaliação dos hábitos evacuatórios e 
alimentares dos pacientes; 
o Uso de laxativos; 
o Existência de doenças anteriores ou de 
cirurgias no trato digestivo; 
o Questionar a existência de doenças 
gastrintestinais nos familiares. 
Nas enfermidades agudas e dolorosas, como na 
trombose hemorroidária no plexo externo, o 
exame proctológico deverá limitar-se ao mínimo 
necessário para confirmar o diagnóstico, sem 
agravar o sofrimentodo paciente 
O exame proctológico deverá seguir a sequência 
indicada anteriormente. 
 
Referências: 
1. BLEDAY, Ronald; BREEN, Elizabeth. 
Hemorrhoids: Clinical manifestations and 
diagnosis. Uptodate, 2020. 
2. DANI, Renato; PASSOS, Maria do Carmo 
Friche. Gastroenterologia essencial. 4.ed. 
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. 
1006 p. 
3. KHAN, Mudassir Ahmad et al. Classificação 
“PNR-Bleed” e escore de gravidade das 
hemorróidas-uma nova tentativa de 
classificac¸ ão de hemorróidas. Journal of 
Coloproctology (Rio de Janeiro), v. 40, n. 
4, p. 398-403, 2020. 
4. MOORE, K. L.; DALEY II, A. F. Anatomia 
orientada para a clínica. 7ª. edição. 
Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, 2014.

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