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Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:08:57 RESUMOS DE BIOQUÍMICA II FCFRP–USP RodrRodrRodrRodrRodrigo Fioravantigo Fioravantigo Fioravantigo Fioravantigo Fioravanti Bragai Bragai Bragai Bragai Braga (Nélson (Nélson (Nélson (Nélson (Nélson ) ) ) ) ) 8787878787 Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:08:57 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 2 SUMÁRIO GLICÓLISE ........................................................................................................................ 3 COMPLEXO DA PIRUVATO-DESIDROGENASE ........................................................... 10 CICLO DO ÁCIDO CÍTRICO ........................................................................................... 14 CADEIA RESPIRATÓRIA E FOSFORILAÇÃO OXIDATIVA ...........................................20 TRANSDUÇÃO DE SINAIS ............................................................................................. 27 GLUCONEOGÊNESE ..................................................................................................... 38 METABOLISMO DO GLICOGÊNIO .................................................................................45 VIA DAS PENTOSES-FOSFATO .................................................................................... 57 REGULAÇÃO E INTEGRAÇÃO DAS VIAS DE CARBOIDRATOS ................................. 62 METABOLISMO DE AMINOÁCIDOS .............................................................................. 70 METABOLISMO DE LIPÍDEOS ....................................................................................... 79 METABOLISMO DE NUCLEOTÍDEOS ........................................................................... 95 INTEGRAÇÃO DO METABOLISMO ENERGÉTICO ..................................................... 106 FONTES: • Aulas (2º semestre de 2014) das professoras: Carem Gledes Vargas Rechia Luciane Carla Alberici Carolina Patrícia Aires • Livro: NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:08:57 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 3 GLICÓLISE 1) Conceito e objetivo: A glicólise consiste em uma via metabólica na qual uma molécula de glucose é degradada, por meio de uma série de reações catalisadas por enzimas, gerando duas moléculas de piruvato (composto de três átomos de carbono). A glicólise difere entre as espécies apenas nos detalhes de sua regulação e no destino metabólico subsequente desse piruvato formado. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:08:57 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 4 2) Diferentes moléculas de carboidratos que podem ser oxidadas na via: Os polissacarídeos e os dissacarídeos ingeridos são convertidos a monossacarídeos por enzimas hidrolíticas intestinais, e os monossacarídeos, então, entram nas células intestinais e são transportados para o fígado ou para outros tecidos. Várias D-hexoses, incluindo a frutose, a galactose e a maltose, podem entrar na glicólise. Cada uma delas é fosforilada e convertida a glucose-6-fosfato, frutose-6- fosfato ou frutose-1-fosfato. A seguinte figura ilustra as formas de entrada do glicogênio, do amido, dos dissacarídeos e das hexoses na fase de preparação da glicólise: 3) Definição das fases da via glicolítica: A quebra da glucose ocorre em 10 etapas, sendo que as primeiras 5 constituem a . Nessa fase, ocorre a degradação do FASE PREPARATÓRIA esqueleto carbônico da glucose (com gasto de energia), preparando-a para se transformar em piruvato. Etapa 1: a glucose é inicialmente fosforilada no grupo hidroxil ligado ao C-6 com ATP como doador de grupo fosforil. Trata-se de uma reação irreversível em condições intracelulares. (enzima: ) HEXOCIN ASE O objetivo principal dessa fosforilação é manter a molécula de glucose dentro da célula; sem estar fosforilada, a glucose poderia sair da célula pelo mesmo transportador pelo qual entrou. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:08:57 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 5 Etapa 2: a glucose-6-fosfato assim formada é convertida a frutose-6-fosfato. (enzima: ) FOSFO-HEXO -ISOMERASESE Essa isomeração é necessária pois, se ela não ocorresse, a próxima fosforilação (etapa 3) aconteceria no C-1 da glucose-6-fosfato, comprometendo o seu carbono anomérico. Por consequência, impossibilitaria a abertura do anel ( ). Por etapa 4 outro lado, na frutose-6-fosfato, o carbono anomérico localiza-se no C-2; dessa forma, a segunda fosforilação, feita em C-1, não comprometeria as reações subsequentes dessa via. Etapa 3: a frutose-6-fosfato é novamente fosforilada, desta vez em C-1, para formar frutose-1,6-bifosfato, sendo o grupo fosforil proveniente de outra molécula de ATP. (enzima: FOSFOFRUTOCINASE-1 ou PFK-1) Essa reação é essencialmente irreversível em condições celulares e é a primeira etapa “comprometida” da via glicolítica, pois a glucose-6-fosfato e a frutose-6- fosfato possuem outros destinos possíveis, mas a frutose-1,6-bifosfato é direcionada unicamente para a glicólise. Etapa 4: a frutose-1,6-bifosfato é dividida em duas moléculas de três carbonos, a diidroxiacetona-fosfato e o gliceraldeído-3-fosfato, por meio de uma reação aldólica reversível. Essa é a etapa de “lise”, que dá nome à via. (enzima: ALDOLASE) Etapa 5: a diidroxiacetona-fosfato é isomerizada a uma segunda molécula de gliceraldeído-3-fosfato, finalizando a fase preparatória da glicólise. (enzima: TRIOSE-FOSFATO-ISOMERASE) Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:08:57 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 6 A seguir, ocorre a ), em que FASE COMPENSATÓRIA (ou de PAGAMENTO moléculas de ATP são formadas, compensando o gasto energético da fase anterior, e formando, assim, piruvato. Vale ressaltar que cada molécula de glucose rende duas moléculas de gliceraldeído-3-fosfato, e cada uma destas segue a mesma via na segunda fase da glicólise. Etapa 6: cada molécula de gliceraldeído-3-fosfato é oxidada e fosforilada por fosfato inorgânico (não por ATP) para formar 1,3-bifosfoglicerato. (enzima: GLICERALDEÍDO-3-FOSFATO-DESIDROGENASE) Esta é a primeira das duas reações de conservação de energia da glicólise que no final leva à formação de ATP. A quantidade de NADem uma célula é muito + menor que a quantidade de glucose metabolizada em poucos minutos. A via glicolítica pararia se o NADH formado nessa etapa não fosse reoxidado e reciclado posteriormente. Etapa 7: ocorre a transferência de um grupo fosforil de alta energia do grupo carboxil do 1,3-bifosfoglicerato para o ADP, formando ATP e 3-fosfoglicerato. (enzima: ) FOSFOGLICERATO-CINASE As etapas 6 e 7 da glicólise constituem um processo de acoplamento de energia em que 1,3-bifosfoglicerato é um intermediário comum; ele é formado na primeira reação (que seria endergônica se isolada) e seu grupo acil-fosfato é transferido ao ADP na segunda reação (que é extremamente exergônica). A soma dessas duas reações faz com que a reação global seja exergônica. Etapa 8: o 3-fosfoglicerato é convertido a 2-fosfoglicerato, sendo a presença de Mg2+ essencial para essa reação. (enzima: ) FOSFOGLICERATO-MUTASE Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:08:57 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 7 Etapa 9: uma molécula de água do 2-fosfoglicerato é removida, formando fosfoenolpiruvato (PEP). (enzima: ) ENOLASE Etapa 10: na última etapa da glicólise, há a transferência do grupo fosforil do fosfoenolpiruvato ao ADP, sendo necessários K e Mg ou Mn (enzima: + 2+ 2+. PIRUVATO-CINASE) Nesta fosforilação no nível do substrato, o piruvato resultante aparece inicialmente em sua forma enólica, depois tautomeriza de forma rápida e não enzimática à sua forma cetônica, predominante em pH 7,0. 4) Os produtos da via glicolítica: Na fase preparatória da glicólise, a energia de duas moléculas de ATP é consumida, aumentando o conteúdo de energia livre dos intermediários, e as cadeias de carbono de todas as hexoses metabolizadas são convertidas a gliceraldeído-3-fosfato. Na fase compensatória, quatro moléculas de ADP são fosforiladas a ATP e ocorre a transferência de um íon hidreto para o NAD . + Dessa forma, ao final da glicólise, tem-se um saldo de duas moléculas de ATP, duas de NADH e duas de piruvato (por molécula de glucose). 5) Os pontos de controle d via glicolítica: a A glicólise é rigidamente regulada de forma coordenada com outras vias geradoras de energia para assegurar um suprimento constante de ATP. São três os seus pontos de controle: Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:08:57 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 8 A fosforilação da glucose em glucose-6-fosfato (etapa 1) enzima: – HEXOCINASE; A fosforilação da frutose-6-fosfato a frutose-1,6-bifosfato (etapa 3) enzima: – FOSFOFRUTOCINASE-1; A transferência de um grupo fosforil do fosfoenolpiruvato para ADP (etapa 10) – enzima: PIRUVATO-CINASE. O ponto de controle mais importante é o da FOSFOFRUTOCINASE-1, pois ocorre no início da via (não faz sentido chegar quase no produto final para, então, ocorrer a regulação, uma vez que há gasto energético desnecessário como é o – caso da PIRUVATO-CINASE, que catalisa a última reação da via) e seu controle é exclusivo (diferente da HEXOCINASE, cujo produto da reação que ela catalisa não é utilizado apenas na via glicolítica). Na figura abaixo, pode-se ver o mecanismo de regulação da via glicolítica nas etapas 1, 3 e 10: 6) Fermentação láctica: Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:08:57 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 9 Quando tecidos animais não podem ser supridos com oxigênio suficiente para realizar a oxidação aeróbica do piruvato e do NADH produzidos na glicólise, NAD+ é regenerado a partir de NADH pela redução do piruvato a lactato pela catálise da enzima LACTATO-DESIDROGENASE. Caso o NAD não fosse regenerado, a célula + ficaria carente de aceptor de elétrons para a oxidação de gliceraldeído-3-fosfato, e as reações geradoras de energia da glicólise cessariam. É importante ressaltar que alguns tecidos e tipos celulares (como os eritrócitos, que não possuem mitocôndria e, portanto, não podem oxidar piruvato até CO2) produzem lactato a partir de glucose mesmo em situações aeróbicas. O lactato formado pelo músculo esquelético em atividade (ou pelos eritrócitos) é transportado pelo sangue até o fígado, onde é convertido a glucose (gluconeogênese) durante a recuperação da atividade muscular exaustiva. 7) Fermentação alcoólica: É realizada por leveduras e outros micro-organismos, ocorrendo em duas etapas. Na primeira, o piruvato é descarboxilado em uma reação irreversível catalisada pela PIRUVATO-DESCARBOXIL ASE, que requer Mg e TPP (tiamina-2+ pirofosfato, coenzima). Essa reação é uma descarboxilação simples e não envolve a oxidação do piruvato. Na segunda etapa, o acetaldeído é reduzido a etanol pela ação da ÁLCOOL-DESIDROGENASE, com o poder redutor fornecido pelo NADH derivado da desidrogenação do gliceraldeído-3-fosfato. A álcool-desidrogenase está presente em muitos organismos que metabolizam álcool, incluindo em humanos. No fígado ela catalisa a oxidação do etanol ingerido ou produzido por micro-organismos intestinais, com a concomitante redução de NAD+ para NADH. Nesse caso, a reação segue no sentido oposto àquele envolvido na produção de etanol pela fermentação. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:08:57 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 10 COMPLEXO DA PIRUVATO-DESIDROGENASE 1) Função e localização: O complexo da piruvato-desidrogenase (PDH) tem por função oxidar o piruvato proveniente da glicólise a acetil-CoA e CO por meio de cinco etapas. Consiste em 2 um grupo de enzimas múltiplas cópias de três enzimas localizado nas – – mitocôndrias de células eucarióticas e no citosol de bactérias. 2) Papel da E (piruvato-desidrogenase):1 Nessa enzima ocorre a primeira etapa do processo, em que o piruvato reage com o TPP (pirofosfato de tiamina), sendo descarboxilado ao derivado hidroxietil. Etapa 1: 3) Papel da E (diidrolipoil-transacetilase): 2 Na E ocorrem a segunda e a terceira etapas. A etapa 2 consiste na 2 transferência de dois elétrons e do grupo acetil a partir do TPP presente na E para a 1 forma oxidada do grupo lipoil-lisina presente na E , formando o acetil-tioéster do 2 grupo lipoil reduzido. Etapa 2: Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:09:34 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 11 Na etapa 3, acontece uma transesterificação, na qual o grupo SH da CoA – substitui o grupo SH de E , produzindo acetil-CoA (produto de interesse) e a forma – 2 completamente reduzida (ditiol) do grupo lipoil. Etapa 3: 4) Papel da E (diidrolipoil-desidrogenase): 3 A E , durante a etapa 4, promove a transferência de dois átomos de hidrogênio 3 dos grupos lipoil reduzidos de E ao grupo prostético FAD de E , restaurando a 2 3 forma oxidada do grupo lipoil-lisina de E 2. Etapa 4: Na etapa 5, o FADH reduzido de E transfere um íon hidreto ao NAD2 3 +, formando NADH. Etapa 5: 5) Grupos prostéticos e coenzimas envolvidas: TPP (pirofosfato de tiamina): Ligada à E , reage com o piruvato. 1 Lip (lipoato): Ligado ao resíduo de lisina na E aceita grupos acetil do TPP. 2, Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:09:34 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 12 CoA (coenzima A): Livre em solução, aceita grupos acetil do Lip na E . 2 FAD (dinucleotídeo de flavina-adenina): Ligada à E , aceita equivalentes de redução de grupos Lip reduzidos. 3 NAD (nucleotídeo de nicotinamida-adenina): Livre em solução, aceptor terminal de equivalentes de redução da flavoproteína reduzida. 6) Esquema de ação de cada enzima: 7) Produtos do complexo: Temos como produtos do PDH uma molécula de acetil-CoA, uma molécula de CO2 e um (que, posteriormente, doa um íon hidreto ( ) para a cadeia NADH :H- respiratória). 8) Regulação do complexo: Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:09:34 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 13 O complexo da PDH é regulado simultaneamente por uma proteína-cinase e por uma . A cinase, ao fosforilar o complexo (com o gasto de um proteína-fosfatase ATP), é responsável por sua DESATIVAÇÃO, ao passo que a fosfatase promove a sua ATIVAÇÃO. O aumento da concentração dos substratos utilizados pela PDH (piruvato, CoA- SH e NAD+), bem como o aumento da concentração de ADP, inibem a proteína- cinase de agir, fazendo com que o complexo permaneça ativo, de modo a diminuir a concentração de substrato e aumentar a de produto. Quando, por sua vez, os produtos do complexo têm aumentada a sua concentração, (acetil-CoA e NADH) eles inibem alostericamente o complexo, ao mesmo tempo em que estimulam a proteína-cinase a agir, fazendo com que o complexo da PDH se desative, indicando que existem bastantes produtos, não sendo necessários mais deles naquele instante. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:09:34 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 14 CICLO DO ÁCIDO CÍTRICO 1) Função e localização: O ciclo do ácido cítrico tem por função gerar equivalentes de redução, que serão utilizados para gerar energia na forma de ATP (na cadeia respiratória). O conjunto de todas as suas reações acontece inteiramente na matriz mitocondrial. 2) Reações do ciclo: O ciclo do ácido cítrico é uma via catabólica central e praticamente universal, por meio da qual os compostos derivados da degradação de carboidratos, gorduras e proteínas são oxidados a CO , com a maior parte da energia da oxidação 2 temporariamente armazenada nos transportadores de elétrons FADH e NADH. São 2 oito etapas ao todo, conforme esquema: Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:09:34 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 15 Etapa 1: ocorre a condensação da acetil-CoA com oxaloacetato, formando citrato . (enzima: ) CITRATO-SINTASE A CoA liberada nesta reação é reciclada para participar da descarboxilação oxidativa de outra molécula de piruvato pelo complexo PDH. Etapa 2: nessa etapa ocorre a transformação do citrato a , com isocitrato formação intermediária de -aconitato. (enzima: cis ACONITASE) A aconitase contém um centro de ferro-enxofre, que atua tanto na ligação do substrato ao sítio ativo quanto na adição ou remoção catalítica de H 2O. Etapa 3: descarboxilação oxidativa do citrato, formando . Pode α-cetog lutarato ser formado um NADH ou um NADPH. (enzima: I SOCITRATO - DESIDROGENASE) Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:09:34 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 16 Etapa 4: outra descarboxilação oxidativa, na qual o -cetoglutarato é convertido a α succinil-CoA e CO . NAD é o aceptor de elétrons, formando um NADH, e CoA é 2 + o transportador do grupo succinil. (enzima: complexo da α-CETOGLUTARATO- DESIDROGENASE) Este complexo enzimático é bastante semelhante ao complexo da PDH em estrutura e função, e a reação é essencialmente idêntica. Etapa 5: conversão de succinil-CoA a por meio de uma reação succinato reversível. Pode formar uma molécula de ATP ou de GTP. (enzima: SUCCINIL- CoA-SINTETASE) As células animais possuem duas isoenzimas da , uma succinil-CoA-s intetase específica para ADP e outra para GDP. O GTP formado pode doar o grupo fosfato terminal ao ADP para formar ATP, sendo a reação reversível catalisada pela enzima nucleosídeo-difosfato-cinase. Dessa forma, o resultado líquido da atividade de cada isoenzima da succinil-CoA-sintetase é a conservação de energia como ATP. Etapa 6: o succinato formado é, então, oxidado a . Forma-se, também, fumarato uma molécula de FADH , uma vez que a enzima possui uma molécula de FAD 2 covalentemente ligada, além de três grupos ferro-enxofre diferentes. (enzima: SUCCINATO-DESIDROGENASE) Malonato, um análogo do succinato que normalmente não está presente nas células, é um forte inibidor competitivo da succinato- desidrogenase , e sua adição à mitocôndria bloqueia a atividade do ciclo do ácido cítrico. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:09:34 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 17 Etapa 7: ocorre a hidratação reversível do fumarato a , com formação de L-malato um carbânion como estado de transição. (enzima: FUMARASE) Etapa 8: o L-malato é oxidado a , com formação de um NADH, oxaloacetato dando fim ao ciclo. (enzima: L-MALATO-DESIDROGENASE) 3) Produtos do ciclo: Para cada molécula de acetil-CoA que entra no ciclo, são produzidos (as): 2 moléculas de CO ; 2 3 NADH; 1 FADH ; 2 1 ATP (ou GTP). 4) Pontos de controle: O fluxo de átomos de carbono que entram no ciclo a partir do piruvato, e também durante o curso do ciclo, está sob constante regulação em dois níveis: A conversão de piruvato a acetil-CoA (reação da PDH) A entrada da acetil-CoA no ciclo (reação da citrato-sintase)Além disso, o ciclo também é regulado nas seguintes etapas: Conversão do citrato a α-cetoglutarato (reação da isocitrato-desidrogenase) Conversão de -cetoglutarato a succinil-CoA (reação da α α-cetoglutarato- desidrogenase) Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:09:34 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 18 Assim, a velocidade global do ciclo do ácido cítrico é controlada pela taxa de conversão do piruvato a acetil-CoA e pelo fluxo pelas enzimas citrato sintase, isocitrato -desidrogenase e α-cetoglutarato-desidrogenase. Esses fluxos são determinados pelas concentrações dos substratos e dos produtos: os produtos finais ATP e NADH são inibidores, e os substratos NAD e ADP são estimuladores. + A produção de acetil-CoA para o ciclo do ácido cítrico pelo complexo da PDH é inibida alostericamente pelos metabólitos que sinalizam a suficiência de energia metabólica (ATP, acetil-CoA, NADH e ácidos graxos), sendo estimulada pelos metabólitos que indicam um suprimento de energia reduzido (AMP, NAD , CoA). + 5) Utilização dos intermediários do ciclo: Em organismos aeróbicos, o ciclo do ácido cítrico é uma , ou via anfibólica seja, que serve a processos anabólicos e catabólicos. Além do papel no catabolismo oxidativo de carboidratos, ácidos graxos e aminoácidos, o ciclo fornece precursores para muitas vias de biossíntese. α-Cetoglutarato e oxalacetato podem, por exemplo, ser os precursores dos aminoácidos aspartato e glutamato por simples transaminação. Por meio do aspartato e do glutamato, os carbonos do oxalacetato e α-cetoglutarato são, então, utilizados para a síntese de outros aminoácidos, assim como para a síntese de nucleotídeos de purinas e pirimidinas. O oxalacetato é convertido em glucose na gluconeogênese. A succinil-CoA é um intermediário central para a síntese do anel porfirínico dos grupos heme, que agem como transportadores de oxigênio (na hemoglobina e na mioglobina) e transportadores de elétrons (nos citocromos). O citrato é fonte de carbono para processos biossintéticos citosólicos (p.e. ácidos graxos, esteroides), é regulador de outras etapas metabólicas (p.e. fosfofrutocinase [-], acetil-CoA-carboxilase [+]) e, além disso, é utilizado comercialmente para uma grande variedade de propósitos. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:09:34 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 19 Conforme os intermediários do ciclo do ácido cítrico são removidos por servirem como precursores na biossíntese, eles são repostos por reações anapleróticas, mostradas em vermelho na figura acima. Na tabela abaixo estão mostradas as reações mais comuns, as quais, em vários tecidos e organismos, convertem ou piruvato ou fosfoenolpiruvato a oxaloacetato ou malato. A reação anaplerótica mais importante no fígado e nos rins de mamíferos é a carboxilação reversível do piruvato pelo CO para a formação de oxaloacetato, 2 catalisada pela piruvato-carboxilase. Quando o ciclo do ácido cítrico está deficiente em oxaloacetato ou qualquer outro intermediário, o piruvato é carboxilado para produzir mais oxaloacetato, reação que requer energia suprimida pelo ATP. – A piruvato carboxilase é uma enzima de regulação e é essencialmente inativa na ausência de acetil-CoA, seu modulador alostérico positivo. Sempre que a acetil- CoA, o combustível do ácido cítrico, está presente em excesso, ela estimula a reação da piruvato-carboxilase para a produção de mais oxaloacetato, permitindo que o ciclo utilize mais acetil-CoA na reação da citrato-sintase. As outras reações anapleróticas mostradas na tabela também são reguladas de modo a manter o nível dos intermediários suficientemente alto para sustentar a atividade do ciclo do ácido cítrico. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:09:34 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 20 CADEIA RESPIRATÓRIA E FOSFORILAÇÃO OXIDATIVA 1) Conceito: A fosforilação oxidativa é a culminação do metabolismo produtor de energia em organismos aeróbios. Trata-se da redução de O a H O, com elétrons doados por 2 2 NADH e FADH . 2 2) Objetivo: Oxidar moléculas de NADH e FADH para a produção de ATP. 2 3) Força próton-motriz: Para cada par de elétrons do NADH transferidos para o O , quatro prótons são 2 bombeados para o espaço inter-membranas da mitocôndria pelo Complexo I, quatro pelo Complexo III e dois pelo Complexo IV. Dessa forma, a membrana mitocondrial interna separa dois compartimentos de diferentes [H ], resultando em diferenças na concentração química (+ energia potencial química) e na distribuição de cargas através da membrana (energia potencial elétrica, que resulta da separação de cargas quando um próton se move através da membrana sem um contra-íon). O efeito resultante é a . força próton-motriz Quando, enfim, os prótons fluem espontaneamente a favor de seu gradiente eletroquímico, energia se faz disponível para realizar trabalho. Dessa forma, tal energia é utilizada para a síntese de ATP a partir de ADP e P . i Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:11:37 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 21 4) Localização e funcionamento da cadeia respiratória: Ela ocorre na membrana interna da mitocôndria, conforme o modelo quimiosmótico abaixo: A cadeia respiratória mitocondrial consiste de uma série de carregadores de elétrons que agem sequencialmente, sendo a maioria deles proteínas integrais com grupos prostéticos capazes de aceitar e doar um ou dois elétrons. Cinco tipos de moléculas carregadoras de elétrons funcionam na cadeia respiratória: NADH; FADH ; 2 Ubiquinona (coenzima Q ou simplesmente Q); Citocromos; Proteínas ferro-enxofre. Ocorrem três tipos de transferência de elétrons na fosforilação oxidativa: 1. Transferência direta de elétrons (ex: redução de Fe a Fe 3+ 2+); 2. Transferência na forma de um átomo de hidrogênio (H + e + -); 3. Transferência como um íon hidreto (:H ), que possui dois elétrons. - Os carregadores de elétrons atuam em complexos multienzimáticos. São eles: Complexo I: NADH a ubiquinona Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:11:37 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 22 Catalisa dois processos simultâneos e obrigatoriamente acoplados: 1. A transferência rgônica de um íon hidreto do NADH e de um próton da exe matriz para a ubiquinona 2. A transferência rgônica de quatro prótons da matriz para o espaço ende intermembrana. Ubiquinol, a forma completamente reduzida da ubiquinona difunde-se na – QH2 – membrana mitocondrial interna, do Complexo I ao Complexo III, ondeé oxidado a Q em um processo que também envolve o movimento de H para fora. + Amital (uma droga do tipo barbiturato), (um produto vegetal usado como rotenona inseticida) e piericidina A (um antibiótico) inibem o fluxo de elétrons dos centros de ferro-enxofre do Complexo I para a ubiquinona, bloqueando o processo global da fosforilação oxidativa. Complexo II: succinato a ubiquinona Corresponde à succinato-desidrogenase do ciclo do ácido cítrico (única enzima do ciclo que é ligada à membrana). Além do succinato que, quando oxidado a fumarato, transfere elétrons ao Complexo II, fazendo com que uma molécula de FAD se converta em FADH2, outros substratos (como a acil-CoA de ácidos graxos e o glicerol-3-fosfato de triacilgliceróis) também passam elétrons para a cadeia respiratória no nível da ubiquinona, mas por meio de outras enzimas, e não pelo Complexo II. O efeito de cada uma dessas enzimas transferidoras de elétrons é contribuir para o conjunto (pool) de ubiquinona reduzida, que será reoxidado pelo Complexo III. Complexo III: ubiquinona para citocromo c Acopla a transferência de elétrons do ubiquinol (QH ) para o citocromo c 2 com o transporte vetorial de prótons da matriz para o espaço intermembrana. A cada ubiquinol que é oxidado, dois citocromos c são reduzidos e quatro prótons são bombeados para o espaço intermembrana. Após aceitar o elétron, o citocromo c move-se para o Complexo IV. Complexo IV: citocromo c para O 2 Na etapa final da cadeia respiratória, esse complexo carrega elétrons do citocromo c para o oxigênio molecular, reduzindo-o a H2O. Para cada quatro elétrons que passam através deste complexo, a enzima consome quatro “substratos” H+ da matriz na conversão de O a 2H O. Além 2 2 disso, bombeia um próton para o espaço intermembrana para cada elétron que passa. 5) Diferença entre o número de ATPs formados a partir de NADH e FADH : 2 NADH: ele se oxida no Complexo I, deixando dois elétrons e fazendo com que 4 H sejam bombeados para o espaço inter-membranas. Esse par de elétrons é + transferido à ubiquinona, que o transfere ao Complexo III, de onde também são bombeados mais 4 H . O Complexo III transfere os elétrons para o citocromo , que + c Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:11:37 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 23 os leva até o Complexo IV, que, por sua vez, bombardeia mais 2 H e transfere os + elétrons ao O . 2 Total de H+ bombeados: 10 FADH2: ele se oxida no Complexo II, deixando dois elétrons. Esse par de elétrons é transferido à ubiquinona, que o transfere ao Complexo III, de onde são bombeados 4 H+. O Complexo III transfere os elétrons para o citocromo , que os c leva até o Complexo IV, que, por sua vez, bombardeia mais 2 H e transfere os + elétrons ao O . 2 Total de H bombeados: 6 + Um ATP é produzido a cada 4 H que retornam à matriz mitocondrial. Dessa + forma, a partir de um NADH são formadas 2,5 moléculas de ATP, ao passo que de cada FADH é formada 1,5 molécula de ATP. 2 6) Inibidores conceito e exemplos: – Inibidores são substâncias que inibem a transferência de elétrons em cada carregador. Na presença de O e de um doador de elétrons, os carregadores que 2 funcionam antes da etapa inibida ficam completamente reduzidos, e aqueles que funcionam depois desta etapa são completamente oxidados. Rotenona: inibe a transferência de elétrons no Complexo I; Antimicina A: inibe a transferência de elétrons no Complexo III; CN- ou CO : inibem a transferência de elétrons no Complexo IV. - 7) Desacoplador – conceito e exemplos: São compostos químicos que desacoplam as reações de oxidação e de fosforilação da cadeia respiratória (as duas só ocorrem ao mesmo tempo em condições normais). Têm-se como exemplos o DNP e o FCCP, ácidos fracos com propriedades hidrofóbicas que lhes permitem difundir prontamente através das membranas mitocondriais. Depois de entrarem na matriz na forma protonada, eles podem liberar um próton, assim dissipando o gradiente de prótons. Ionóforos como a valinomicina permitem que íons inorgânicos passem facilmente através das membranas. Ionóforos desacoplam a transferência de elétrons da fosforilação oxidativa, dissipando a contribuição elétrica ao gradiente eletroquímico através da membrana mitocondrial. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:11:37 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 24 8) A F -ATPase ou ATP-sintase estrutura e função: oF1 – A ATP-sintase ou F -ATPase tem dois componentes distintos: F , uma oF1 1 proteína periférica de membrana, e F ( indicando sensibilidade à oligomicona), que o o é integral à membrana. O H entra pelo poro da F , fazendo com que esta estrutura e a subunidade F + o 1 rotacionem, sofrendo mudanças conformacionais. Dessa forma, uma molécula de ADP se liga a um P , formando um ATP. i Embora a ATP-sintase equilibre o ATP com ADP + P na ausência de um i gradiente de prótons, o ATP recém sintetizado não sai da superfície da enzima. É o gradiente de prótons que faz com que a enzima libere o ATP formado em sua superfície. Para a síntese continuada de ATP, a enzima precisa oscilar entre uma forma que liga ATP muito fortemente e uma forma que libera ATP. 9) Catálise rotacional: Consiste em três sítios ativos da subunidade F da ATP-sintase que se 1 revezam, catalisando a síntese de ATP. Uma dada subunidade β começa na conformação β-ADP, que liga ADP e P do i meio circundante. A subunidade agora muda de conformação, assumindo a forma β- ATP, que se liga firmemente e estabiliza o ATP, gerando o pronto equilíbrio de ADP + P com ATP na superfície da enzima. Finalmente, a subunidade muda para a i conformação β-vazio, que tem baixa afinidade por ATP, e o ATP recém-sintetizado deixa a superfície da enzima. Uma outra rodada de catalise começa quando esta subunidade novamente assume a forma β-ADP e liga ADP e P . i As três subunidades β interagem de modo que, quando uma assume a conformação β-vazio, sua vizinha em um dos lados precisa assumir a forma β-ADP e a outra vizinha, a forma β-ATP. Assim, uma rotação completa da subunidade faz γ com que cada subunidade β passe por suas três conformações possíveis e, para cada rotação, três ATPs são sintetizados e liberados da superfície da enzima. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:11:37 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 25 As mudanças conformacionais centrais a este mecanismo são desencadeadas pela passagem de prótons através da porção Fo da ATP-sintetase 10) Translocadores/lançadeiras: Translocadores: transportam ADP e P para dentro da matriz mitocondrial e i ATP para fora no citosol. Acima temos a e o . A ad enina-nucleotídeo-translocase fo sfato-translocase primeira é um antiportador; a mesma proteína move ADP para a matriz e ATP para fora. O efeito de substituir ATP por ADP na matriz é o efluxo líquido de uma carga 4- 3- negativa, que é favorecido pela diferença de cargas através da membrana interna (positiva fora). Em pH 7, o P está presente tanto como HPO quanto como HPO . A fosfato-i 42- 4- translocase é específica paraHPO . Não existe nenhum fluxo líquido de carga 4- durante o simporte de HPO e H , mas a concentração relativamente baixa de 4- + prótons na matriz favorece o movimento para dentro de H . + Dessa forma, a força próton-motriz é responsável por proporcionar energia não só para a síntese de ATP, mas também para os transportes acima citados. Lançadeiras: transportam NADH do citosol para as mitocôndrias por uma via indireta. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:11:37 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 26 Acima, a lançadeira do malato-aspartato, que ocorre no fígado, rim e coração. (1) O NADH no citosol (espaço intermembrana) passa dois equivalentes redutores ao oxaloacetato, produzindo malato, sendo a reação catalisada pela malato- desid roge nase citosólica; (2) O malato cruza a membrana interna via transportador de malato- -α cetoglutarato; (3) Na matriz, o malato passa dois equivalentes redutores ao NAD+ pela ação da malato desidrogenase da matriz e o NADH resultante é oxidado pela cadeia respiratória. Cerca de 2,5 moléculas de ATP são geradas à medida que este par de elétrons passa para o O ; 2 (4) O oxaloacetato formado a partir do malato não pode passar diretamente para o citosol. Ele, então, é primeiro transaminado a aspartato pela ação da aspartato-a minotransferase da matriz; (5) Assim, o aspartato pode sair via transportador de glutamato-aspartato; (6) O oxaloacetato é regenerado no citosol pela aspartato-aminotransferase citosólica, completando o ciclo. Abaixo, a lançadeira do glicerol-3-fosfato, que opera no músculo esquelético e no . encéfalo No citosol, diidroxiacetona-fosfato aceita dois equivalente redutores do NADH em uma reação catalisada pela glicerol-3-fosfato-desidr ogen ase citosólica. Uma isoenzima da glicerol-3 -fo sfato-desidrogenase ligada à face externa da membrana interna transfere então dois equivalentes redutores do glicerol-3-fosfato no espaço intermembrana para a ubiquinona, não sendo necessários sistemas de transporte de membrana. Ela difere da lançadeira do malato-aspartato por entregar os equivalentes redutores do NADH para a ubiquinona e, então, para o Complexo III, não o Complexo I, proporcionando energia suficiente apenas para sintetizar 1,5 molécula de ATP por par de elétrons. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:11:37 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 27 TRANSDUÇÃO DE SINAIS 1) Conceito: É a conversão de informação, detectada por receptores específicos, em resposta celular, que sempre envolve um processo químico. 2) Objetivo: Os receptores ligam a molécula sinalizadora, amplificam o sinal, integram-no com o sinal de outros receptores e transmitem a informação à célula. A célula recebe o sinal externo e executa a ação necessária solicitada. Se o sinal persiste, a dessensibilização do receptor reduz ou cessa a resposta. 3) Características dos sistemas de transdução de sinais: Especificidade: há uma complementaridade molecular precisa entre as moléculas sinalizadoras e receptoras. Os organismos multicelulares possuem um grau de especificidade adicional, pois os receptores de um dado sinal (ou os alvos intracelulares de uma dada rota de sinalização) estão presentes em apenas alguns tipos celulares. Alta Sensibilidade: é determinada pela alta dos receptores para as afinidade moléculas sinalizadoras, pela (frequentemente, mas nem cooperatividade sempre) da interação ligante-receptor, e a amplificação do sinal por cascatas enzimáticas. Dessenssibilização: ocorre quando um sinal está presente continuamente, fazendo com que o receptor se dessenssibilize; quando o estímulo diminui, ficando abaixo de certo limite, o sistema torna-se novamente sensível. Int egração : capacidade de um sistema de receber múltiplos sinais e produzir uma resposta unificada apropriada às necessidades da célula ou do organismo. 4) Tipos de transdutores de sinais: Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:11:37 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 28 4.1) Receptor associados a proteínas definição, funcionamento e es G – exemplo: Consiste de um receptor na membrana plasmática com sete segmentos helicoidais transmembrana, uma enzima efetora na membrana plasmática que gera um intracelular, e uma proteína de ligação a nucleotídeos de segundo mensageiro guanosina (proteína G) que ativa a enzima efetora. A proteína G, estimulada pelo receptor ativado, troca o GDP ligado a ela por GTP; a proteína GTP dissocia-se do receptor ocupado e liga-se a uma enzima vizinha, alterando sua atividade. O sistema receptor β-adrenérgico atua por meio do segundo mensageiro AMPc : Os receptores adrenérgicos, que medeiam os efeitos da adrenalina, são de quatro tipos básicos, α , α , β e β1 2 1 2, definidos pelas diferenças nas afinidades e respostas a um grupo de (se ligam a um receptor e mimetizam o efeito agonistas normal do ligante natural) e antagonistas (se ligam ao receptor sem disparar o efeito normal, bloqueando os efeitos dos agonistas, incluindo o ligante biológico). Eles são bem compreendidos biológica e farmacologicamente. Dessa forma, são o protótipo de todos os GPCRs receptores associados a proteínas G. – Os receptores adrenérgicos dos subtipos β1 e β2 atuam por meio do mesmo mecanismo. Dessa forma, a partir de agora, ao se dizer “β-adrenérgico”, aplica-se a ambos os tipos e refere-se àqueles encontrados no , no e no músculo fígado tecido adiposo. A ligação da adrenalina ao sítio no receptor mergulhado na membrana plasmática ( ) promove uma alteração conformacional no domínio etapa 1 intracelular do receptor que afeta sua interação com a segunda proteína da rota de transdução de sinal, a ( ) na face citoplasmática da proteína G estimulatória Gs membrana. A Gs é heterotrimérica, com estrutura de subunidades αβγ. Quando o sítio de ligação a nucleotídeos na Gs (na subunidade α) é ocupado por GTP, a Gs é ativada e pode ativar a adenilil-ciclase; com GDP ligado ao sítio, a Gs é inativada. O receptor β-adrenérgico ativado interage com a G , catalisando a s substituição do GDP ligado por GTP e convertendo a G na sua forma ativa (s etapa 2). À medida que isso acontece, as subunidades β e γ da G dissociam-se, sob a s forma de um dímero βγ, da subunidade α, e a Gsα, com GTP, move-se, no plano da membrana, do receptor a uma molécula de (AC) próxima adenilil-ciclase Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:11:37 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 29 (etapa 3). O GTP ligado a Gsα é hidrolisado pela atividade GTPásica intrínseca da proteína; desta forma, Gsα inativa a si mesma. A subunidade α inativa reassocia- se com a subunidade βγ. A adenilil-ciclase é uma proteína integral da membrana com o sítio ativo na face citoplasmática. A sua associaçãocom G ativa estimula sα a ciclase a catalisar a síntese de AMPc a partir de ATP ( ), elevando a etapa 4 [AMPc] citosólica. O AMPc, por sua vez, ativa alostericamente a proteína-cinase dependente de AMPc, também chamada de proteína-cinase A ou PKA (etapa 5), a qual catalisa a fosforilação de outras proteínas celulares, causando a resposta celular à adrenalina (etapa 6). Diversos mecanismos levam ao término da resposta β-adrenérgica. O primeiro é quando a concentração de adrenalina na corrente sanguínea diminui, fazendo com que o hormônio se dissocie do receptor, que reassume a conformação inativa. Uma segunda maneira é pela hidrólise de GTP ligado à subunidade Gα. Um terceiro mecanismo é a remoção do segundo mensageiro: a hidrólise do AMPc a 5’-AMP pela AMPc-fosfodiesterase ( ). Por ultimo, ao etapa 7 final da rota de sinalização, os efeitos metabólicos que resultam da fosforilação enzimática são revertidos pela ação de fosfoproteína- sfatases. fo Os mecanismos acima se iniciam com o término do estímulo. A dessensibilização suprime a resposta mesmo enquanto o sinal persiste. O receptor α-adrenérgico atua por meio de diacilglicerol, de inositol-trifosfato e de Ca2+ como segundos mensageiros : Uma segunda classe de GPCRs -adrenérgico se acopla por – o receptor α – meio de uma proteína G a uma (PLC), a qual é específica para o fosfolipase C fosfolipídeo de membrana fosfatidil-inositol-4,5-bifosfato, ou PIP . 2 O hormônio (H) liga-se a um receptor específico ( ). O receptor etapa 1 ocupado leva à troca de GDP por GTP na Gq ( ), que move-se até a PLC e etapa 2 a ativa ( ). A PLC ativa cliva o PIP em inositol-trifosfato (IP ) e diacilglicerol etapa 3 2 3 (etapa 4). O IP difunde-se da membrana plasmática e liga-se a um receptor 3 específico no retículo endoplasmático, liberando o Ca sequestrado (2+ etapa 5). O diacilglicerol e o Ca ativam a proteína-cinase C (PKC) na superfície da 2+ Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:11:37 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 30 membrana plasmática ( ); portanto, o Ca também age como segundo etapa 6 2+ mensageiro. A ativação envolve o afastamento de um domínio da PKC de sua posição na região de ligação ao substrato da enzima, promovendo a fosforilação de proteínas celulares e desencadeando algumas das respostas celulares ao hormônio (etapa 7). A [Ca ] também regula (frequentemente via calmodulina) muitas outras 2+ enzimas e proteínas envolvidas em secreção, rearranjos ou contrações do citoesqueleto. A atividade do segundo mensageiro Ca , assim como a do AMPc, 2+ pode ser espacialmente restrita; depois que sua liberação inicia uma resposta local, o Ca geralmente é removido antes que possa difundir-se para regiões 2+ mais distantes da célula. Existe uma interconexão significativa entre os sistemas de sinalização do Ca2+ e do AMPc. Em alguns tecidos, tanto a enzima que produz AMPc (adenilil- ciclase) quanto a enzima que degrada AMPc são estimuladas por Ca . Variações 2+ espaciais e temporais na [Ca ] podem, portanto, produzir variações transitórias e 2+ localizadas na [AMPc]. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:12:12 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 31 4.2) Receptor tirosina-cinases definição, funcionamento e exemplo: es – Os receptores tirosina-cinases ( ) possuem um domínio de interação com RTKs o ligante na face extracelular da membrana plasmática e um sítio ativo enzimático na face citoplasmática, conectados por um único segmento transmembrana. O domínio citoplasmático é uma proteína-cinase que fosforila resíduos de Tyr em proteínas-alvo específicas uma tirosina-cinase. Os receptores da insulina e do fator de – crescimento da epiderme são os protótipos desse grupo. O receptor proteico de insulina (INS-R) consiste de duas subunidades α na face externa da membrana plasmática e duas subunidades β que atravessam a membrana e projetam-se para dentro do citosol. A ligação da insulina à subunidade α provoca uma mudança conformacional que permite a autofosforilação dos resíduos de Tyr no domínio carboxiterminal das subunidades β. A autofosforilação também ativa o domínio Tyr-cinase, que então catalisa a fosforilação de outras proteínas-alvo. Uma dessas proteínas alvo do INS- é o R substrato do receptor de insul ina-1 (IRS-1). Nesse ponto, a rota de sinalização da insulina se ramifica, sendo elas detalhadas abaixo: A rota de sinalização através da qual a insulina regula a expressão de genes específicos: Essa ramificação envolve uma cascata de proteína-cinases, onde cada uma delas ativa a próxima. O INS-R é uma proteína-cinase específica para Tyr; as outras cinases (todas mostradas em azul na figura abaixo) fosforilam resíduos de Ser ou Thr. MEK é uma cinase com dupla especificidade, que fosforila tanto um resíduo de Thr quanto um resíduo de Ser na cinase com regulação extracelular (ERK); MEK é a cinase ativada por mitógeno fator de resposta ao soro ativadora de ERK e SRF é o . Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:12:12 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 32 A rota de sinalização através da qual a insulina iva a glicogênio-sintaseat : O IRS-1, fosforilado pelo receptor de insulina, ativa a PI-3K ligando-se ao domínio SH2. Uma vez ativada, ela converte fosfatidilinositol-4,5-bifosfato (PIP ) a 2 fosfatidilinositol-3,4,5-trifosfato (PIP ) ( ). A PKB ligada ao PIP é fosforilada 3 etapa 1 3 pela PDK1 (não mostrado). Uma vez ativada, a PKB fosforila a GSK3 em um resíduo de Ser, inativando-a ( ). A GSK3 inativa não consegue converter a glicogênio-etapa 2 sintase (GS) à sua forma inativa por fosforilação, de maneira que a GS permanece ativa ( ). Dessa forma, a síntese de glicogênio a partir de glucose é acelerada etapa 3 (etapa 4). A PKB estimula o movimento do transportador de glucose GLUT4 de vesículas membranosas internas para a membrana plasmática, aumentando a captação de glucose ( etapa 5). Como em todas as rotas de sinalização, existe um mecanismo para o término da atividade da rota de PI- -PKB. Uma fosfatase específica para PIP (PTEN em 3K 3 humanos) remove o grupo fosfato da posição 3 do PIP e gera PIP , que não serv3 2 e como um sítio de ligação para a PKB, e a cadeia de sinalização é rompida. Interconexão entre o receptor de insulina e o receptor β2-adrenérgico: Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:12:12 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 33 A insulina contrapõe os efeitos metabólicos da adrenalina na maioria dos tecidos, e ativação da rota de sinalização da insulina atenua diretamente o sistema de sinalização do receptor β-adrenérgico. Por exemplo, a cinase do INS-R fosforila diretamente dois resíduos de Tyr na porção citoplasmática do receptor β2-adrenérgico (na figura acima, à direita), e a PKB, ativada pela insulina, fosforila dois resíduos de Ser na mesma região. A fosforilaçãodestes quatro resíduos desencadeia a internalização do receptor β2-adrenérgico, retirando-o da membrana plasmática e diminuindo a sensibilidade da célula à adrenalina. Um segundo tipo de interconexão (na figura acima, à esquerda) entre esses receptores ocorre quando os resíduos de Tyr-fosfato do receptor β2-adrenérgico, fosforilados pelo INS-R, servem como pontos de nucleação para proteínas contendo domínios SH2, como Grb2. A ativação da MAPK ERK pela insulina é de 5 a 10 vezes maior na presença do receptor β2- adrenérgico, presumivelmente por causa dessa interconexão. 4.3) Receptor guanilil-ciclases definição, funcionamento e exemplo: es – As guanilil-ciclases são enzimas receptoras que, quando ativadas, convertem GTP ao segundo mensageiro monofosfato cíclico de 3’,5’-guanosina ( GMP cíclico ou cGMP). Muitas das ações do cGMP em animais são mediadas pela proteína-cinase dependente de cGMP ( ). Quando ativada por cGMP, a PKG fosforila resíduos PKG de Ser e Thr em proteínas-alvo. O GMP cíclico transmite diferentes mensagens em diferentes tecidos. Nos rins e no intestino, ele leva a alterações no transporte de íons e retenção de água; no músculo cardíaco, ele sinaliza relaxamento; no cérebro, ele pode estar envolvido no desenvolvimento e na função cerebral em adultos. Receptor de ANF: A guanilato-ciclase renal é ativada pelo hormônio peptídico fator natriurético atrial ANF ( ), que é liberado pelas células do átrio cardíaco quando o coração está estirado pelo aumento do volume sanguíneo. Transportado até os rins pelo sangue, o ANF ativa a guanilil-ciclase nas células dos ductos coletores. O aumento resultante na [cGMP] desencadeia um amento na excreção renal de Na consequentemente, + e, de água, impelida pela variação na pressão osmótica. A perda de água reduz o volume de sangue, opondo-se ao estímulo que inicialmente causou a secreção de ANF. O músculo liso vascular também possui um receptor guanilil-ciclase para o ANF; quando ligado a este receptor, o ANF causa o relaxamento (vasodilatação) dos vasos sanguíneos, o que aumenta o fluxo de sangue enquanto diminui a pressão sanguínea. Receptores de guanilina e endotoxina: Um receptor guanilil-ciclase similar presente na membrana plasmática das células epiteliais que revestem o intestino é ativado pelo peptídeo , que guanilina regula a secreção de Cl- no intestino. Este receptor também é o alvo de uma endotoxina proteica termoestável produzida por Escherichia coli e outras bactérias gram-negativas. O aumento na [cGMP] causado pela endotoxina eleva a secreção de Cl- e, consequentemente, diminui a reabsorção de água pelo epitélio intestinal, causando diarreia. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:12:12 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 34 Receptores de NO: Um tipo diferente de guanilil-ciclase é uma proteína citosólica solúvel fortemente associada a um grupo heme, uma enzima ativada por óxido nítrico, NO. O óxido nítrico é produzido a partir de arginina pela enzima NO-sintase dependente de Ca , presente em muitos tecidos de mamíferos, difundindo-se da célula de 2+ origem para as células próximas. O NO é suficientemente apolar para atravessar as membranas plasmáticas sem um transportador. Na célula-alvo, ele liga-se ao grupo heme da guanilil-ciclase e ativa a produção de cGMP. No coração, o cGMP reduz o vigor das contrações através do estímulo de bombas de íons que removem o Ca 2+ do citosol. O óxido nítrico é instável e sua ação é breve; dentro de segundos após a formação, ele é oxidado a nitrito ou nitrato. 4.4) Canais iônicos com portões definição e exemplo: – Certas células dos organismos multicelulares são “excitáveis”: elas podem detectar um sinal externo, convertê-lo a um sinal elétrico (especificamente, uma alteração do potencial da membrana) e passá-lo adiante. As células excitáveis desempenham papéis essenciais na condução nervosa, na contração muscular, na secreção hormonal, nos processos sensoriais, no aprendizado e na memória. A excitabilidade de células sensoriais, neurônios e miócitos depende de canais iônicos, transdutores de sinal que fornecem uma rota regulada para o movimento de íons inorgânicos, como Na , K , Ca e Cl , através da membrana plasmática em resposta + + 2+ - a vários estímulos. A ATPase de Na é eletrogênica; ela cria um desequilíbrio de +K+ cargas através da membrana plasmática por transportar 3 Na para fora de célula + para cada 2 K transportados para dentro, tornando o interior negativo em relação ao + exterior. A membrana, assim, é dita polarizada. Como os canais iônicos geralmente permitem a passagem de ânions ou de cátions, mas não de ambos, o fluxo dos íons através de um canal causa uma redistribuição de cargas nos dois lados da membrana, alterando o potencial elétrico transmembrana, Vm. A entrada de um íon positivamente carregado, tal como Na , ou + a saída de um íon negativamente carregado, como o Cl , despolariza a membrana e - aproxima Vm de zero. Inversamente, a saída de K hiperpolariza a membrana, e + Vm torna-se mais negativo. Estes fluxos iônicos são passivos, ao contrário do transporte ativo efetuado pela ATPase de Na . +K+ Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:12:12 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 35 Temos como exemplos os canais iônicos controlados por voltagem, que produzem os potenciais de ação neuronais (abaixo, à esquerda ) e os canais iônicos controlados por ligante, como é o caso do receptor de acetilcolina (abaixo, à esquerda). As neurotoxinas produzidas por muitos organismos atacam canais iônicos; portanto, são de ação rápida e letal. 4.5) Receptores de adesão definição e exemplo: – As são proteínas da membrana plasmática que medeiam a adesão integrinas das células umas às outras e à matriz extracelular, e transmitem sinais em ambas as direções através da membrana. Como as integrinas podem informar às células sobre a vizinhança extracelular, elas desempenham funções cruciais em processos que requerem interações celulares seletivas, como o desenvolvimento embrionário, a coagulação sanguínea, o funcionamento das células imunológicas e o crescimento e a metástase tumorais. Todas as integrinas possuem uma subunidade α e uma subunidade β, cada uma com uma curta extensão citoplasmática, que interagem com as proteínas do citoesqueleto logo abaixo da membrana plasmática, uma única hélice transmembrana e um grande domínio extracelular com o sítio de interação com o ligante. A subunidade β é rica em resíduos de Cys e apresenta muitas ligações dissulfeto intracadeia. Em muitas integrinas, a subunidade α possui alguns sítios de ligação a cátions divalentes, como Ca , que são essenciais para a atividade de 2+ interação com o ligante. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:12:12 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 36 Os ligantes extracelulares que interagem com as integrinas incluem colágeno, fibrinogênio, fribronectina e muitas outras proteínas que possuem a sequência reconhecida pelas integrinas: -Arg-Gly-Asp- (RGD). A dupla associaçãodas integrinas com a matriz extracelular e o citoesqueleto permite que a celula integre as informações sobre o ambiente extracelular e intracelular, e coordene o posicionamento do citoesqueleto com os sítios de adesão extracelulares. Com esta propriedade, as integrinas governam a forma, a mobilidade, a polaridade e a diferenciação de muitos tipos celulares. Na sinalização “de fora para dentro”, os domínios extracelulares de uma integrina passam por mudanças conformacionais globais dramáticas quando o ligante interage com um sítio localizado muitos angstroms distante das hélices transmembrana. Estas mudanças, de alguma maneira, alteram a disposição das caudas citoplasmáticas das subunidades α e β, alterando suas interações com proteínas intracelulares e, desta maneira, conduzindo o sinal para dentro da célula. A conformação e a adesividade dos domínios extracelulares das integrinas também são dramaticamente afetados por sinais de dentro da célula. Em uma conformação, os domínios extracelulares não apresentam afinidade pelas proteínas da matriz extracelular, porém sinais celulares podem favorecer outra conformação, na qual as integrinas aderem firmemente às proteínas extracelulares. As integrinas medeiam diferentes aspectos da resposta imunológica, coagulação sanguínea e angiogênese, e participam da . metástase tumoral Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:12:12 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 37 4.6) Receptores nucleares (receptores de esteroides) definição e exemplo: – Os hormônios esteroides, o ácido retinoico (retinoide) e os hormônios da tireóide formam um grande grupo de hormônios (ligantes de receptores) que exercem pelo menos parte de seus efeitos por meio de um mecanismo fundamentalmente diferente daquele de outros hormônios: eles atuam no núcleo e alteram a expressão gênica. Na figura abaixo segue o mecanismo geral por meio do qual os hormônios esteroides e da tireóide, retinoides e vitamina D regulam a expressão gênica. Certos efeitos dos esteroides parecem ocorrer rápido demais para serem resultantes da alteração da síntese de proteínas via mecanismo clássico de ação dos hormônios esteroides por meio de receptores nucleares. Por exemplo, a dilatação dos vasos sanguíneos mediada pelo estrogênio é sabidamente independente da transcrição gênica ou síntese proteica, assim como o é a redução na [AMPc] celular induzida por esteroides. Outro mecanismo de transdução de sinal envolvendo receptores da membrana plasmática pode ser responsável por alguns desses efeitos. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:12:12 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 38 GLUCONEOGÊNESE 1) Função, localização e precursores: Em mamíferos, alguns tecidos dependem quase completamente de glucose para sua energia metabólica. O cérebro humano, por exemplo, requer mais da metade de toda a glucose estocada como glicogênio nos músculos e no fígado. No entanto, o suprimento de glucose a partir desses estoques não é sempre suficiente; entre as refeições e durante períodos de jejum mais longos, ou após exercício vigoroso, o glicogênio esgota-se. Para esses períodos, os organismos precisam de um método para sintetizar glucose a partir de precursores que não são carboidratos. A gluconeogê nese, síntese “de novo” da glucose, converte em glucose o piruvato e os compostos relacionados, com três e quatro carbonos. Em mamíferos, a gluconeogênese ocorre principalmente no citosol das células do fígado, e em menor extensão no córtex renal e nas células epiteliais que revestem internamente o intestino delgado. Os precursores importantes em animais são compostos de três carbonos como o lactato, o e o , assim como certos piruvato glicerol aminoácidos. 2) Enzimas envolvidas: Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:12:12 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 39 A gluconeogênese e a glicólise, embora compartilhem várias etapas, não são vias idênticas correndo em direções opostas. Sete das 10 reações da gluconeogênese são o inverso das reações glicolíticas; no entanto, três reações da glicólise são essencialmente irreversíveis e não podem ser utilizadas na gluconeogênese. Tais reações glicolíticas são as catalisadas pelas enzimas hexocinase (etapa 1), fosfofrutocin ase -1 (etapa 3) e piruvato-cinase (etapa 10). As enzimas correspondentes na via gluconeogênica catalisam as chamadas reações de contorno. Esse nome refere-se ao contorno das reações irreversíveis da via glicolítica pela gluconeogênese. São elas: 2.1) Conversão de : piruvato a fosfoenolpiruvato A importância relativa das duas vias ilustradas acima depende da disponibilidade de lactato ou piruvato e das necessidades citosólicas de NADH para gluconeogênese. A via à direita predomina quando o lactato é precursor, já que o NADH citosólico é gerado na reação da lactato-desidrogenase, uma vez que não pode ser transportado para fora da mitocôndria quando lá é produzido. Segue à frente o detalhamento das duas vias. Quando PIRUVATO ALANINA são os precursores glucoou neogênicos: O piruvato é primeiro transportado do citosol para a mitocôndria ou é gerado dentro da mitocôndria a partir da transaminação da alanina; nessa reação, o grupamento α amino é transferido da alanina (gerando piruvato) para um α- - cetoácido carboxílico. A seguir, a piruvato-carboxilase, uma enzima mitocondrial que requer a coenzima biotina (atua como um transportador de bicarbonato ativado), converte o piruvato a oxaloacetato. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:12:12 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 40 A piruvato-carboxilase é a primeira enzima de regulação na via gluconeogênica, necessitando de acetil-CoA como um efetor positivo (isto é, o acúmulo de acetil-CoA, produzida pela oxidação de ácidos graxos, sinaliza a disponibilidade de ácidos graxos como combustíveis). Como a membrana mitocondrial não possui transportador para o oxaloacetato, este deve ser reduzido a malato pela malato-desidrogenase mitocondrial antes de ser exportado para o citosol. Nesta reação, há o consumo de NADH. A malato- desidrogenase age tanto na gluconeogênese como no ciclo do ácido cítrico, mas o fluxo global dos metabólitos nos dois processos ocorre em sentidos opostos. O malato deixa a mitocôndria por meio de um transportador específico presente na membrana mitocondrial interna, e no citosol ele é reoxidado a oxaloacetato, com produção de NADH citosólico. O oxaloacetato é então convertido em PEP pela fosfoenolpiruvat o -carboxi naseci . Esta reação é dependente de Mg e requer 2+ GTP como doador de grupo fosforil. A relação [NADH/NAD ] no citosol é cerca de 10 vezes menor do que na + 5 mitocôndria. Como o NADH é consumido na gluconeogênese (na conversão de 1,3- bifosfoglicerato em gliceraldeído-3-fosfato),a biossíntese de glucose não pode ocorrer a menos que o NADH esteja disponível. O transporte de malato da mitocôndria ao citosol e a sua conversão a oxaloacetato transfere efetivamente equivalentes redutores para o citosol, onde eles são escassos. Consequentemente, essa transformação de piruvato em PEP proporciona um importante equilíbrio entre NADH produzido e consumido no citosol durante a gluconeogênese. Quando LACTATO é o precursor gluconeogênico: Esta via faz uso do lactato produzido pela glicólise nos eritrócitos ou no músculo em anaerobiose, por exemplo, sendo particularmente importante em vertebrados após exercício vigoroso. A conversão de lactato em piruvato no citosol de hepatócitos pela ação da gera NADH, e a exportação de lactato-desidrogenase equivalentes redutores (como malato) da mitocôndria é consequentemente desnecessária. Depois que o piruvato formado é transportado para a mitocôndria, ele é convertido em oxaloacetato pela piruvato-carboxilase, como descrito anteriormente. Este oxaloacetato, no entanto, é convertido diretamente a PEP pela enzima , e o PEP é transportado para fora da PEP-carboxicinase mitocondrial mitocôndria para dar continuidade à via gluconeogênica. As isoenzimas mitocondriais e citosólicas da PEP-carboxicinase são codificadas por genes Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:12:56 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 41 separados nos cromossomos nucleares, proporcionando outro exemplo de duas enzimas distintas catalisando a mesma reação, mas em localizações celulares ou com papéis metabólicos diferentes. 2.2) Conversão de : frutose-1,6-bifosfato a frutose-6-fosfato Essa reação é catalisada pela enzima frutos e-1,6-bifosfatase (FBPase-1), que promove a hidrólise essencialmente irreversível do fosfato em C-1 (não a transferência do grupo fosforil para o ADP). A FBPase-1 é assim chamada para distingui-la de outra enzima similar (FBPase-2) com função de regulação. 2.3) Conversão de : glucose-6-fosfato em glucose A reação catalisada pela , assim como a anterior, glucose-6-fosfatase promove a hidrólise simples de uma ligação éster fosfato. Esta enzima ativada por Mg é encontrada no lúmen do retículo 2+ endoplasmático de hepatócitos, de células renais e das células epiteliais do intestino delgado, mas não é encontrada em outros tecidos, que são, portanto, incapazes de fornecer glucose para o sangue. Se outros tecidos tivessem a glucose-6-fosfatase, esta atividade enzimática hidrolisaria a glucose-6-fosfato necessária para a glicólise nesses tecidos. A glucose produzida pela gluconeogênese no fígado, nos rins ou ingerida na dieta é entregue a esses outros tecidos, inclusive o cérebro e os músculos, pela corrente sanguínea. 3) Utilização do lactato (ciclo de Cori): Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:12:56 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 42 Músculos extremamente ativos usam o glicogênio como fonte de energia, gerando lactato via glicólise. Durante a recuperação, parte desse lactato é transportada para o fígado e convertida em glucose via gluconeogênese. Esta glucose e liberada no sangue e retorna ao músculo para repor seus estoques de glicogênio. 4) Utilização da alanina (ciclo da glucose-alanina): A alanina funciona como transportadora de amônia e do esqueleto carbonado do piruvato desde o músculo esquelético até o fígado. A amônia é excretada, e o piruvato é utilizado para produzir glucose via gluconeogênese, que é devolvida ao músculo. 5) Utilização do glicerol: Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:12:56 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 43 Apesar de os mamíferos não converterem ácidos graxos em carboidrato, eles podem usar uma pequena quantidade de glicerol para a gluconeogênese. Nos triacilgliceróis, o glicerol liberado pela ação de uma lipase é fosforilado pela glicerol- cinase, e o glicerol-3-fosfato resultante é oxidado a diidroxicetona-fosfato. 6) Utilização do propionato: A propionil-CoA -oxidação de ácidos graxos de cadeia , proveniente da β carbônica de número ímpar, carboxilada, formando D-metilmalonil-CoA. Essa é molécula sofre uma epimerização ao seu isômero L-metilmalonil-CoA que, por sua vez, sofre um rearranjo intramolecular para formar succinil-CoA, que pode entrar no ciclo do ácido cítrico. Seguindo as reações do ciclo, ela se transforma em oxaloacetato, que pode entrar na gluconeogênese por meio da enzima PEP- carboxicinase, formando fosfoenolpiruvato. 7) Utilização de aminoácidos: Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:12:56 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 44 Alguns ou todos os átomos de carbono da maior parte dos aminoácidos derivados das proteínas são basicamente catabolisados a piruvato ou em intermediários do ciclo do ácido cítrico. Esses intermediários -– citrato, α cetoglutarato, succinil-CoA, succinato, fumarato e malato podem sofrem oxidação – a oxaloacetato. Dessa forma, tais aminoácidos podem, portanto, ser convertidos a glucose e são chamados de glicogênicos. Dos 20 aminoácidos comuns, apenas a leucina e a lisina são incapazes de fornecer carbonos para a síntese líquida de glucose. 8) Regulação: A glicólise e a gluconeogênese são reguladas de forma que, quando o fluxo de glucose através da glicólise aumenta, o fluxo de piruvato em direção à glucose diminui, e vice-versa, prevenindo o gasto operacional com as duas vias ao mesmo tempo. Maiores detalhes da regulação mútua da glicólise e da gluconeogênese são discutidos no tópico de “regulação e integração das vias de carboidratos”. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:12:56 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 45 METABOLISMO DO GLICOGÊNIO 1) Glicogenólise: 1.1) Onde ocorre, condições metabólicas necessárias e sinalizador: Nos vertebrados, o glicogênio é encontrado principalmente no fígado e no músculo esquelético. Se toda a glucose fosse dissolvida no citosol de um hepatócito, sua concentração seria cerca de 0,4 M, suficiente para influenciar nas propriedades osmóticas da célula. Quando armazenada na forma de glicogênio (um grande polímero), a mesma massa de glucose tem uma concentração de apenas 0,01 M. O glicogênio do músculo fornece uma fonte de energia rápida para o metabolismo aeróbio e anaeróbio do próprio músculo. O glicogênio muscular pode ser gasto em menos de uma hora durante atividade intensa. O glicogênio hepático serve para a manutenção da glicemia sanguínea, sendo um reservatório de glucose para os outros tecidos quando esta não se encontra disponível(entre as refeições ou no jejum); isto é especialmente importante para os neurônios do cérebro, que não podem utilizar ácidos graxos como combustível. O glicogênio do fígado pode ser exaurido em 12 e 24 horas. Nos humanos, a quantidade total de energia armazenada na forma de glicogênio é muito menor que a armazenada como gordura (triacilglicerol), mas as gorduras, nos mamíferos, não podem ser convertidas em glucose e não podem ser metabolizadas anaerobicamente. Os sinalizadores da via são os hormônios adrenalina (age sobre os miócitos) e o glucagon (age sobre os hepatócitos), fazendo com que a cascata de degradação do glicogênio se inicie. 1.2) Enzimas envolvidas e seu mecanismo de ação; papel do PLP: Três enzimas agem no processo de degradação do glicogênio: Glicogênio-fosforilase Enzima de desramificação do glicogênio (transferase e glucosidase) Fosfoglucomutase A glic ogênio-fosforilase catalisa a reação na qual uma ligação glicosídica (α14) entre dois resíduos de glucose em uma extremidade não redutora de glicogênio é atacada por um fosfato inorgânico (P ), removendo o resíduo terminal na i forma de α-D-glucose-1-fosfato . O piridoxal-fosfato (PLP) é um (ver figura à frente) cofator essencial na reação da glicogênio-fosforilase; seu grupo fosfato atua como um catalisador ácido geral, promovendo o ataque pelo P sobre a ligação glicosídica. i A glicogênio-fosforilase age repetidamente sobre as extremidades não redutoras das ramificações do glicogênio até que alcance a quarta unidade de glucose antes de um ponto de ramificação (α16), onde interrompe sua ação. Seguem algumas figuras para ilustrar o que foi dito: Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:12:56 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 46 Remoção de um resíduo de glucose da extremidade não redutora de uma cadeia de glicogênio pela glicogênio-fosforilase: Ação do piridoxal-fosfato (PLP): Estruturas de ligações (α1 4) e (α1 6) para recordar: Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:12:56 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 47 A degradação pela glicogênio-fosforilase continua somente depois que a enzima de desramificação catalisa duas reações sucessivas (transferase e glucosidase). 1.3) Produtos formados, função da fosfoglucomutase e função da glucose-6- fosfatase: A glucose-1-fosfato, produto final da reação da glicogênio-fosforilase, é convertida em glucose-6-fosfato pela , sendo reversível a reação. fosfoglucomutase A enzima, inicialmente fosforilada em um resíduo de Ser, doa um grupo fosforil ao C-6 do substrato e aceita um grupo fosforil do C- 1. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:12:56 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 48 No fígado, a degradação do glicogênio tem como propósito a liberação da glucose para o sangue quando o nível de glucose sanguínea diminui, como acontece entre as refeições. Isso requer a enzima , presente no fígado e glucose-6-fosfatase no rim apenas. A glucose-6-fosfatase é uma proteína integral da membrana do retículo endoplasmático, cujo sítio ativo encontra-se voltado para o lúmen do retículo. A glucose-6-fosfato formada no citosol é transportada para o lúmen do retículo por um transportador específico (T1) e hidrolisada na superfície lumenal pela glucose-6- fosfatase. Acredita-se que os produtos resultantes, P e glucose, sejam transportados i de volta para o citosol por dois transportadores diferentes (T2 e T3), e a glucose deixa o hepatócito pelo transportador GLUT2 na membrana plasmática. É importante observar que, por ter o sítio ativo da enzima no lúmen do retículo, a célula separa esta reação do processo de glicólise, que acontece no citosol e poderia ser abortado pela ação da glucose-6-fosfatase. Defeitos genéticos na glucose-6-fosfatase ou no T1 levam a perturbações sérias no metabolismo do glicogênio, resultando na doença de depósito de glicogênio tipo Ia. A glucose-6-fosfato formada no músculo esquelético a partir do glicogênio pode entrar na glicólise e serve como uma fonte de energia para a contração muscular. O músculo e o tecido adiposo não podem converter em glucose a glucose-6- fosfato porque não possuem a enzima glucose-6-fosfatase e, por isso, estes tecidos não fornecem glucose para o sangue. 2) Glicogênese: 2.1) Onde ocorre, condições metabólicas necessárias e sinalizador: A síntese do glicogênio ocorre em quase todos os tecidos animais, mas é mais importante no fígado e no músculo esquelético. O ponto de partida para a síntese de glicogênio é a glucose-6-fosfato. Como já foi visto, esta pode ser derivada da glucose livre em uma reação catalisada pelas isoenzimas hexocinase I e hexocinase II no músculo, e hexocinase IV (glucocinase) no fígado. No entanto, parte da glucose ingerida faz uma via mais indireta para o glicogênio. Ela é captada primeiramente pelos eritrócitos e transformada glicoliticamente em lactato, que é captado pelo fígado e convertido em glucose-6- fosfato pela gluconeogênese. O sinalizador da via é o hormônio insulina, liberado quando há alta concentração de glucose no sangue. Ele estimula a síntese do glicogênio. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:12:56 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 49 2.2) Enzimas envolvidas e seu mecanismo de ação: Para iniciar a síntese do glicogênio, a glucose-6-fosfato é convertida em glucose- 1-fosfato na reação da . A glucose-1-fosfato é, então, convertida fosfoglucomutase em UDP-glucose (um nucleotídeo de açúcar) pela ação da UDP-glucose- pirofosfo rilase. A UDP-glucose é o doador imediato dos resíduos de glucose na reação catalisada pela , que promove a transferência da glucose da UDP-g licogênio-sintase glucose para uma extremidade não redutora de uma molécula ramificada de glicogênio. O equilíbrio total da via, desde a glucose-6-fosfato até o glicogênio acrescido de uma unidade de glucose, favorece muito a síntese do polímero. A glicogênio-sintase não pode formar as ligações (α16) encontradas nos pontos de ramificação do glicogênio, as quais são formadas pela enzima de ramificação . Essa enzima catalisa a transferência de um fragmento terminal de 6 a 7 resíduos de glucose da extremidade não redutora de uma ramificação de glicogênio, contendo pelo menos 11 resíduos, para o grupo hidroxil C-6 de um resíduo de glucose em uma posição mais interna da mesma ou de outra cadeia de glicogênio, criando assim uma nova ramificação. Resíduos adicionais de glucose podem ser ligados à nova ramificação pela glicogênio-sintase. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:12:56 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 50 O efeito biológico da ramificação é tornar a molécula mais solúvel e aumentar o número de sítios acessíveis à glicogênio-fosforilase e à glicogênio-sintase, que agem somente nas extremidades não redutoras. 2.3) Formação e função do açúcar ativado e estrutura e função da glicogenina: Nucleotídeos de açúcar são compostos nos quais o carbono anomérico do açúcar é ativado pela união a um nucleotídeo por meio de uma ligação éster de fosfato. Tais compostos são os substratos para a polimerização de monossacarídeos em dissacarídeos, glicogênio, amido, celulose e polissacarídeos extracelulares mais complexos. Além disso, são intermediários-chave na produção de amino-hexoses e desoxi-hexoses, encontradas em alguns desses polissacarídeos, e na síntese da vitamina C. A adequação dos nucleotídeos de açúcar para as reações biossintéticas tem origens em varias propriedades: 1. Sua formação é metabolicamente irreversível, contribuindo para a irreversibilidade das vias biossintéticas em que são intermediários; 2. Embora as transformações químicas dos nucleotídeos de açúcar não envolvam os átomos do próprio nucleotídeo, esta parte da molécula tem muitos grupos que podem interagir covalentemente com enzimas; 3. Assim como o fosfato, o grupo nucleotidil (UMP ou AMP, p.e.) é um excelente grupo de fácil eliminação, facilitando o ataque nucleofílico pela ativação do carbono do açúcar ao qual está ligado; 4. Pela “marcação” de algumas hexoses com grupos nucleotidil, as células podem deixá-las confinadas em um reservatório para uma finalidade (síntese de glicogênio, p.e.), separadas das hexoses-fosfato destinadas a outra finalidade (como a glicólise). Para os nucleotídeos de açúcar serem formados, ocorre uma reação de condensação entre um nucleosídeo-trifosfato (NTP) e um açúcar-fosfato. O oxigênio carregado negativamente no açúcar fosfato serve como um nucleófilo, atacando o fosfato α do nucleosídeo-trifosfato e deslocando o pirofosfato. A hidrólise de PP pela i pirofosfatase inorgânica impulsiona a reação para a frente. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:13:46 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 51 A cadeia do glicogênio é alongada pela glicogênio-sintase. A enzima transfere o resíduo de glucose da UDP-glucose para a extremidade não redutora de uma ramificação para fazer uma nova ligação (α14). A glicogênio-sintase não consegue iniciar uma cadeia de glicogênio “de novo”. Ela necessita de um iniciador, geralmente uma c 4) ou adeia poliglicosídica em (α1 uma ramificação que tenha, pelo menos, oito resíduos de glucose. Para isso, a proteína glicogenina é ao mesmo tempo o iniciador, sobre o qual são montadas novas cadeias, e a enzima que catalisa essa montagem. A primeira etapa na síntese de uma nova molécula de glicogênio é a transferência de um resíduo de glucose da UDP-glucose para o grupo hidroxil da Tyr194 da glicogenina, catalisada pela atividade da intrínseca da glucosil-transferase proteína. A cadeia nascente se alonga pela adição sequencial de mais sete resíduos de glucose, cada um derivado de uma UDP-glucose; as reações são catalisadas pela atividade de extensão da cadeia da glicogenina. Nesse ponto, a glicogênio-sintase age, alongando ainda mais a cadeia de glicogênio. A glicogenina muscular forma dímeros em solução. Os humanos tem uma segunda isoforma no fígado, glicogenina-2. O substrato, UDP-glucose, está ligado a uma dobra de Rossmann próximo da extremidade aminoterminal e a alguma distância do resíduo de Tyr . Cada UDP-glucose está ligada por meio de seus fosfatos a um 194 íon de Mn que é essencial para a catálise. Acredita-se que o Mn atue como 2+ 2+ aceptor de elétrons para estabilizar o grupo de fácil eliminação UDP. A ligação glicosídica no produto tem a mesma configuração no C-1 da glucose que no substrato UDP-glucose, sugerindo que a transferência da glucose do UDP para a Tyr ocorra 194 em duas etapas. A primeira provavelmente é um ataque nucleofílico pela Asp162, formando um intermediário temporário com a configuração invertida. Um segundo ataque nucleofílico pela Tyr restabelece a configuração inicial. 194 Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:13:46 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 52 3) Regulação: 3.1) A glicogênio-fosforilase tem regulação alostérica e hormonal: Em resposta ao estímulo pela adrenalina ou pelo glucagon, a concentração de AMPc aumenta na célula, dando início a uma cascata enzimática, o que permite uma grande amplificação do sinal inicial. O aumento da [AMP ] ativa a proteína-cinase A c (PKA). Esta, então, fosforila e ativa a fosforilase-b-cinase, que catalisa a fosforilação dos resíduos de Ser nas duas subunidades idênticas da glicogênio-fosforilase, ativando-a e estimulando, dessa forma, a degradação do glicogênio. No músculo, isto fornece combustível para a glicólise sustentar a contração muscular para a resposta de luta ou fuga sinalizada pela adrenalina. No fígado, a degradação do glicogênio age contra a baixa glucose sanguínea sinalizada pelo glucagon, liberando glucose. Estas diferentes funções se refletem em diferenças sutis nos mecanismos reguladores no músculo e no fígado. As glicogênio-fosforilases do fígado e do músculo são isoenzimas, codificadas por genes diferentes, e diferem em suas propriedades reguladoras. Segue abaixo o mecanismo de cascata da ação da adrenalina e do glucagon: Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:13:46 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 53 A enzima glicogênio-fosforilase, responsável pela degradação de glicogênio a glucose-1-fosfato, existe em duas formas interconversíveis: glicogênio-fosforilase a, que é cataliticamente ativa, e glicogênio-fosforilase b, que é menos ativa. Abaixo segue um esquema da regulação da glicogênio-fosforilase por modificação muscular covalente: No músculo, há dois mecanismos alostéricos de controle que se sobrepõem à regulação da fosforilase por modificação covalente. O Ca , o sinal para a contração 2+ muscular, liga-se à fosforilase-b-cinase, ativando-a e promovendo a conversão da fosforilase b para a sua forma ativa . O AMP, que se acumula no músculo em a contração vigorosa como resultado da degradação do ATP, liga-se à fosforilase e a ativa, acelerando a liberação da glucose-1-fosfato a partir do glicogênio. Quando os níveis de ATP estão adequados, o ATP bloqueia o sítio alostérico ao qual o AMP se liga, causando, assim, a inativação da fosforilase. Quando o músculo retorna ao repouso, uma segunda enzima, a fosforilase-a- fosfatase (ou PP1), remove os grupos fosforil da fosforilase a, convertendo-a em fosforilase b. De forma semelhante à enzima do músculo, a glicogênio-fosforilase do fígado é regulada hormonalmente (por fosforilação/desfosforilação) e alostericamente. A forma desfosforilada é totalmente inativa. Quando o nível de glucose sanguínea está muito baixo, o glucagon ativa a fosforilase-b-cinase, que, por sua vez, converte a fosforilase b em sua forma ativa, iniciando a liberação da glucose para o sangue. Quando o a nível retorna ao normal, a glucose entra nos hepatócitos e se liga a um sítio alostérico inibitório na . Esta ligação também produz uma mudança conformacional fosforilase a que expõe os resíduos fosforilados de Ser à PP1, que catalisa a desfosforilação da fosforilase, causando, assim, sua inativação. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:13:46 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 54 3.2) A glicogênio-sintase também é regulada por fosforilação e desfosforilação: Tal como a glicogênio-fosforilase, a glicogênio-sintase pode existir nas formas fosforilada e desfosforilada. Sua forma ativa, a , é não fosforilada. glicogênio-sintase a A fosforilação das cadeias laterais hidrolíticas de vários resíduos de Ser de ambas as subunidades converte a glicogênio-sintase a glicogênio-sintase b em , que é inativa na ausência da glucose, seu ativador alostérico. A glicogênio-sintase pode ser fosforilada em vários resíduos por pelo menos 11 diferentes proteínas-cinases. A cinase reguladora mais importante é a glicogênio - sintase-cinase 3 (GSK3), que adiciona grupos fosforil a três resíduos de Ser próximos à extremidade carboxílica da glicogênio-sintase, inativando-a fortemente. A ação da GSK3 é hierárquica: ela só pode fosforilar a glicogênio-sintase depois que outra proteína-cinase, caseína-cinase II (CKII), tenha fosforilado a glicogênio-sintase em um resíduo próximo, evento chamado de preparação. A GSK3 se associa primeiramente com seu substrato (glicogênio-sintase) por interação entre os três resíduos carregados positivamente e um resíduo de fosfosserina na posição +4 no substrato. Essa associação alinha o sítio ativo da enzima com o resíduo de Ser na posição 0, que ela fosforila. Isto cria um novo sítio de preparação, e a enzima se desloca ao longo da proteína para fosforilar a Ser na posição -4, e a seguir a Ser na posição -8. No fígado, a conversão da glicogênio-sintase b em sua forma ativa é promovida pela PP1, que está ligada à partícula de glicogênio. No músculo, uma fosfatase diferente pode ter o papel desempenhado pela PP1 no fígado, ativando a glicogênio- sintase por desfosforilação. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:13:46 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 55 3.3) A GSK3 medeia algumas ações da insulina: Conforme já foi visto, a insulina desencadeia mudanças intracelulares pela ativação de uma proteína-cinase, a PKB, que, por sua vez, fosforila e inativa a GSK3. A fosforilação de um resíduo de Ser próximo da extremidade aminoterminal da GSK3 converte esta região da proteína em um peseudossubstrato (ver figura abaixo), que se dobra para dentro do sítio ao qual normalmente se liga o resíduo de Ser fosforilado. Isso impede a GSK3 de se ligar ao sitio de preparação do substrato verdadeiro, inativando, assim, a enzima e fazendo pender o equilíbrio em favor da desfosforilação da glicogênio-sintase pela PP1. A glicogênio-fosforilase também pode afetar a foforilação da glicogênio-sintase: a glicogênio-fosforilase ativada inibe PP1 diretamente, impedindo-a de ativar a glicogênio-sintase. Segue um esquema do caminho a partir da insulina até a GSK3 e a glicogênio- sintase: A ligação da insulina ao seu receptor ativa nele uma tirosina-proteína-cinase, que fosforila o substrato-1 do receptor da insulina (IRS-1). A fosfotirosina nessa proteína é então ligada pela P1-3K, que converte, na membrana, o PIP em PIP2 3. Uma proteína-cinase, PDK-1, que é ativada quando ligada ao PIP , ativa uma 3 segunda proteína-cinase, PKB, que fosforila a GSK3 na sua região do pseudossubstrato, inativando-a. A inativação da GSK3 permite que a PP1 desfosforile e ative a glicogênio-sintase. Dessa forma, a insulina estimula a síntese do glicogênio. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:13:46 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 56 3.4) A PP1 é central no metabolismo do glicogênio: Uma única enzima, a PP1, pode remover grupos fosforil das três enzimas que são fosforiladas em resposta ao glucagon (no fígado) e à adrenalina (no figado e no músculo): fosforilase-cinase, glicogênio-fosforilase e glicogênio-sintase. A PP1 não existe livre no citosol e está firmemente ligada a essas enzimas por uma proteína de associação ao glicogênio, GM. A proteína GM pertence à família de proteínas que ligam outras proteínas à partícula de glicogênio. A GM pode ser fosforilada em dois sítios diferentes em resposta à insulina ou à adrenalina. (1) A fosforilação no sítio 1, estimulada pela insulina, ativa a PP1, que desfosforila a fosforilase-cinase, a glicogênio-fosforilase e a glicogênio- sintase (não explícito na figura acima). (2) A fosforilação no sítio 2, estimulada pela adrenalina, causa a dissociação de PP1 da partícula de glicogênio, impedindo seu acesso à glicogênio- fosforilase e à gligogênio-sintase. A PKA também fosforila uma proteína (inibidor 1) que, quando fosforilada, inibe a PP1. Dessa forma, a insulina inibe a degradação do glicogênio e estimula sua síntese, e a adrenalina (ou glucagon, no fígado) tem o efeito oposto. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:13:46 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 57 VIA DAS PENTOSES-FOSFATO 1) Conceito e local onde ocorre: Consiste na oxidação da glucose-6-fosfato até pentoses-fosfato. É uma via oxidativa citoplasmática e anaeróbica na qual NADP é o aceptor de elétrons, + gerando NADPH. As células que se dividem rapidamente, como as da medula óssea, da pele e da mucosa intestinal, bem como aquelas de tumores, utilizam a pentose ribose-5-fosfato para fazer RNA, DNA e coenzimas como ATP, NADH, FADH2 e coenzima A. Em outros tecidos, o produto essencial da via das pentoses-fosfato não é pentose, mas sim o NADPH, necessário para as reduções biossintéticas ou para contrapor os efeitos deletérios dos radicais de oxigênio. Os tecidos em que ocorre a síntese de grande quantidade de ácidos graxos (fígado, tecido adiposo, glândulas mamárias durante a lactação) ou a síntese muito ativa de colesterol e hormônios esteroides (fígado, glândulas adrenais e gônadas) utilizam o NADPH produzido por essa via. Os eritrócitos, células da córnea e do cristalino, que estão diretamente expostos ao oxigênio, são mais propensos a sofrerem danos dos radicais livres provenientes do oxigênio. Assim, elas mantêm um ambiente redutor, cuja relação de NADPH para NADP é muito alta. Dessa forma, essas células podem prevenir ou + recuperar o dano oxidativo de proteínas, lipídeos e outras moléculas sensíveis. 2) Reações envolvidas: REAÇÕES OXIDATIVAS: A fase oxidativa consiste de quatro reações, sendo duas delas oxidações (primeira e terceira etapas), cujas reações são essencialmente irreversíveis na célula.Nesta fase ocorre a conversão de glucose-6-fosfato a ribulose-5-fosfato e a redução de NADP a NADPH. + Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:13:46 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 58 1. A primeira reação é a oxidação da glucose-6-fosfato a 6-fosfoglucona- -lactona δ pela glucose-6-fosfato-desidrogenase G6PD ( ), sendo NADP aceptor de + elétrons. 2. A lactona é hidrolisada ao ácido livre 6-fosfogluconato por uma lactonase específica. 3. O 6-fosfogluconato sofre oxidação e descarboxilação pela 6-fo sfogluconato- desidrogenase para formar a ribulose-5-fosfato. A reação gera uma segunda molécula de NADPH. 4. A cetose ribulose-5-fosfato é convertida ao seu isômero aldose, ribose-5-fosfato, por meio da fosfopentose-isomerase. Em alguns tecidos, a via das pentoses-fosfato termina neste ponto. Tem-se, pois, como resultado líquido, a produção de NADPH, um agente redutor para as reações biossintéticas, e ribose-5-fosfato, um precursor para a síntese de nucleotídeos. Forma-se, também, como subproduto. CO 2 Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:13:46 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 59 REAÇÕES NÃO OXIDATIVAS: Primeiramente, ocorre a epimerização da ribulose-5-fosfato à xilulose-5-fosfato por meio da enzima ribos e- 5-fosfato-epimerase. A seguir, em uma série de rearranjos dos esqueletos de carbono, seis moléculas de pentoses-fosfato são convertidas a cinco moléculas de hexoses-fosfato, completando o ciclo e permitindo a oxidação contínua de glucose-6-fosfato com a produção de NADPH em tecidos que requerem principalmente esta molécula. A transacetola se e a são enzimas exclusivas dessa via, agindo transaldolase na interconversão desses açúcares; as outras enzimas também participam das vias glicolítica e gluconeogênica. Primeira reação da transacetolase: Forma-se um produto com sete carbonos e outro com três (gliceraldeído-3- fosfato). Reação da transaldolase: Forma-se um produto com quatro carbonos e outro com seis (frutose-6-fosfato). Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:13:46 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 60 Segunda reação da transacetolase: Forma-se novamente gliceraldeído-3-fosfato e frutose-6-fosfato. A partir dessas reações, partindo de seis pentoses-fosfato, formam-se duas moléculas de e quatro moléculas de . gliceraldeído-3-fosfato frutose-6-fosfato As moléculas de gliceraldeído-3-fosfato podem ser convertidas em frutose- 1,6-bifosfato (como na gluconeogênese) que, por sua vez, é convertida em frutose-6-fosfato pela FBPase- 1. As cinco moléculas de frutose-6-fosfato formadas são, dessa forma, convertidas a glucose-6-fosfato. As reações da fase não oxidativa são prontamente reversíveis, proporcionando também uma maneira de converter hexoses-fosfato a pentoses-fosfato. Essa via, denominada “via redutora das pentoses fosfato”, é utilizada na fotossíntese para a - fixação de CO pelas plantas. 2 3) Ramo oxidativo e ramo não oxidativo, quando ocorrem: Quando NADPH e ribose-5-fosfato são necessários à celula em concentrações equilibradas, somente a fase oxidativa da via ocorre. No caso de a necessidade de NADPH para a célula ser maior que a de ribose- 5-fosfato, como é o caso dos adipócitos, que precisam sintetizar muitos ácidos graxos, ocorre a fase oxidativa da via, juntamente com a fase não oxidativa. Dessa forma, a ribose-5-fosfato produzida é utilizada para sintetizar glucose-6-fosfato, reiniciando o ciclo. Quando a célula necessita de NADPH e ATP, ocorre a fase oxidativa, em que a ribose-5-fosfato produzida é convertida a gliceraldeído-3-fosfato e frutose-6-fosfato (pela via não oxidativa), que entram na via glicolítica para produzir piruvato. 4) Integração com a via glicolítica: Todas as enzimas da via das pentoses-fosfato estão localizadas no citosol, como aquelas da glicólise e a maioria das enzimas da gluconeogênese. De fato, essas três vias estão conectadas por meio de vários intermediários e enzimas compartilhados. O gliceraldeído-3-fosfato formado pela ação da transacetolase é prontamente convertido a diidroxiacetona-fosfato pela enzima glicolítica triose- fosfato-isomerase, e essas duas trioses podem ser unidas pela aldolase como na gluconeogênese, formando frutose-1,6-bifosfato. Alternativamente, a triose-fosfato pode ser oxidada a piruvato pelas reações glicolíticas. O destino das trioses é determinado pelas necessidades relativas das células por pentoses-fosfato, NADPH e ATP. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:14:18 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 61 Abaixo, segue um esquema do papel do NADPH na regulação da partilha da glucose-6-fosfato entre a glicólise e a via das pentoses-fosfato: A entrada de glucose-6-fosfato na glicólise ou na via das pentoses depende das necessidades momentâneas da célula e da [NADP ] no citosol. Na ausência + deste aceptor de elétrons, a primeira reação da via das pentoses não pode prosseguir. Quando a célula está convertendo rapidamente NADPH em NADP nas + reduções biossintéticas, o nível de NADP eleva-se, estimulando alostericamente a + glucose-6-fosfato-desidrogenase e, dessa forma, aumentando o fluxo de glucose-6- fosfato pela via das pentoses. Quando a demanda por NADPH é menor, o nível de NADP+ diminui; consequentemente a via das pentoses também diminui, e a glucose- 6-fosfato é utilizada para alimentar a glicólise. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:14:18 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 62 REGULAÇÃO E INTEGRAÇÃO DAS VIAS DE CARBOIDRATOS 1) Controle hormonal de cada via: Efeitos metabólicos da : insulina Fígado: diminui as taxas de gluconeogênese e de glicogenólise, estimula a glicogênese; Músculo: estimula a glicogênese e faz com que aumente a captação de glucose por aumentar o número de transportadores na membrana celular. Efeitos metabólicos do : glucagon Fígado: diminui as taxas de glicólise e promove o aumento da glicogenólise e da gluconeogênese. Efeitos metabólicos da : adrenalina Fígado: aumento da gluconeogênese e da glicogenólise; Músculos: estimula a glicogenólise e a glicólise. 2) Controle/regulação das diferentes enzimas de cada via: HEXOCINASES: (glicólise) Os humanos possuem quatro isoenzimas da hexocinase (designadas de I a IV). As hexocinases I e II presentes nas células musculares, têm atividade aumentada devido ao leve aumento da concentração intracelular de glucose. A hexocinase II atingea metade da sua saturação em 0,1 mM de glucose, concentração bem abaixo da concentração de glucose sanguínea, que varia de 4 a 5 mM. Essas enzimas são inibidas por seu produto, a glucose-6-fosfato, de forma que, sempre que a concentração intracelular de glucose se eleva acima do seu nível normal, estas enzimas são temporária e reversivelmente inibidas, levando a velocidade da formação da glucose-6-fosfato ao equilíbrio com a velocidade de sua utilização e restabelecendo o estado estável. Já a , predominante nos hepatócitos, atinge a metade da sua hexocinase IV saturação em 10 mM de glucose, concentração bem maior que a usual do sangue. Uma vez que o GLUT2 equilibra rapidamente a concentração de glucose no citosol e no sangue, o alto Km da hexocinase IV permite sua regulação direta pelo nível de glucose sanguínea (e não pela glucose-6-fosfato). Quando a glucose sanguínea é alta, como acontece após uma refeição rica em carboidratos, o excesso de glucose é transportado para os hepatócitos, onde a hexocinase IV o converte a glucose-6- fosfato. Como a hexocinase não está saturada em 10 mM de glucose, sua atividade continua aumentando à medida que a concentração da glucose se eleva para 10 mM ou mais. Sob condições de glucose sanguínea baixa, a concentração do açúcar no hepatócito é baixa em relação ao Km da hexocinase IV, e a glucose gerada pela gluconeogênese deixa a célula antes de ficar retida pela fosforilação. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:14:18 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 63 No gráfico acima, pode-se perceber que, enquanto a glucose sanguínea se eleva acima de 5 mM, a atividade da hexocinase IV aumenta, mas a hexocinase I já está agindo próximo de sua não pode responder ao aumento da concentração Vmáx e da glucose. A hexocinase IV está sujeita à inibição pela interação reversível com uma proteína reguladora específica do fígado. A ligação é muito mais forte na presença do efetor alostérico frutose-6-fosfato. A glucose compete com a frutose-6-fosfato e causa a dissociação da proteína reguladora da hexocinase, removendo a inibição. Imediatamente após uma refeição rica em carboidratos, quando a glucose sanguínea está alta, esta entra nos hepatócitos via GLUT2 e ativa a hexocinase por esse mecanismo. Durante o jejum, quando os níveis de glucose no sangue diminuem para menos de 5 mM, a frutose-6-fosfato provoca a inibição da hexocinase IV pela proteína reguladora, de forma que o fígado não compete com outros órgãos pela glucose escassa. O mecanismo de inibição pela proteína reguladora é interessante: a proteína ancora a enzima dentro do núcleo, onde ela fica segregada das outras enzimas da glicólise no citosol. Quando a concentração da glucose no citosol se eleva, ela equilibra com a glucose no núcleo pelo transporte por meio dos poros nucleares. A glucose causa a dissociação da proteína reguladora, e a hexocinase passa para o citosol e inicia a fosforilação da glucose. Fosfofrutocinase-1 (PFK-1) e frutose-1,6- fosfatase bi (FBPase-1): (glicólise e gluconeo) Durante a glicólise, ATP não é somente um substrato para a PFK-1, sendo também um produto final da via glicolítica. Quando a concentração celular alta de ATP sinaliza que ele está sendo produzido mais rapidamente do que está sendo consumido, ele inibe a PFK-1 por se ligar a um sítio alostérico na enzima, o que reduz sua afinidade pelo substrato frutose-6-fosfato. ADP e AMP, cujas concentrações aumentam à medida que o consumo de ATP suplanta a produção, atuam alostericamente para liberar a inibição pelo ATP. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:14:18 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 64 O citrato, intermediário-chave na oxidação aeróbica do piruvato, dos ácidos graxos e dos aminoácidos, é também um regulador alostérico da PFK-1; concentração alta de citrato aumenta o efeito inibidor do ATP, reduzindo ainda mais o fluxo de glucose pela glicólise. O citrato, dessa forma, serve como um sinal intracelular de que a célula está satisfazendo suas necessidades de energia metabólica pela oxidação de ácidos graxos e proteínas. Na gluconeogênese, a FBPase-1 é fortemente inibida alostericamente pelo AMP. Quando o suprimento de ATP da célula está baixo – correspondendo a uma alta concentração de AMP , diminui a síntese de glucose, que requer ATP. – Assim, estas etapas opostas nas vias glicolítica e gluconeogênica PFK-1 e – FBPase-1 – são reguladas de uma forma coordenada e recíproca. Em geral, quando há concentração suficiente de acetil-CoA ou de citrato, ou quando uma alta proporção do adenilato da célula está na forma de ATP, a gluconeogênese é favorecida. Quando aumenta o nível de AMP, isso promove a glicólise pela estimulação da PFK-1 e promove a degradação do glicogênio pela ativação da glicogênio-fosforilase. Existe um mecanismo regulador adicional dessas duas enzimas. Quando o nível de glucose no sangue diminui, o hormônio glucagon sinaliza para o fígado produzir e liberar mais glucose e parar de consumi-la para suas próprias necessidades. Uma das fontes de glucose é o glicogênio armazenado no fígado; outra fonte é via gluconeogênese, usando piruvato, lactato, glicerol, ou determinados aminoácidos como material de partida. Quando o nível de glucose sanguínea está alto, a sinaliza para o insulina fígado usar o açúcar como combustível e como precursor na síntese e no armazenamento de glicogênio e triacilglicerol. A regulação hormonal rápida da glicólise e da gluconeogênese é mediada pela frutose-2,6-bifosfato (F26BP), um efetor alostérico das enzimas PFK-1 e FBPase- 1. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:14:18 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 65 Quando a frutose-2,6-bifosfato se liga ao seu sítio alostérico na PFK-1, ela aumenta sua afinidade pelos inibidores alostéricos ATP e citrato. Em concentrações fisiológicas de seus substratos ATP e frutose-6-fosfato, e de seus efetores positivos ou negativos (ATP, AMP, citrato), a PFK-1 está praticamente inativa na ausência da frutose-2,6-bifosfato, cuja presença tem efeito oposto sobre a FBPase-1: ela reduz a afinidade pelo seu substrato, reduzindo a gluconeogênese. A concentração celular do regulador alostérico frutose-2,6-bifosfato é ajustada pelas taxas relativas de sua formação e degradação. Ela se forma pela fosforilação da frutose-6-fosfato, catalisada pela fosfofrutocinase-2 (PFK-2) e degradada pela frutose-2,6-bifosfatase (FBPase-2). Observe que estas enzimas são distintas da PFK-1 e da FBPase-1. PFK-2 e FBPase-2 são duas atividades enzimáticas separadas de uma única proteína bifuncional. O equilíbrio destas duas atividades no fígado, que determina o nível celular da frutose-2,6-bifosfato, é regulado pelo glucagon e pela insulina. O glucagon estimula a adenilil-ciclase do fígado a produzir AMP a partir de c ATP. O AMP ativa a PKA, que transfere um grupo fosforil para a proteína c bifuncional PFK-2/FBPase-2. A fosforilação dessa proteína aumenta a atividade da FBPase-2 e inibe a PFK-2. Dessa maneira, o glucagon reduz aconcentração de frutose-2,6-bifosfato, inibindo a glicólise e aumentando a taxa de gluconeogênese. A produção de mais glucose permite ao fígado repor a glucose sanguínea em resposta ao glucagon. A insulina tem efeito oposto, uma vez que aumenta a atividade de PFK-2, levando ao aumento da concentração de frutose-2,6-bifosfato e, consequentemente, estimulando a glicólise e inibindo a gluconeogênese. A insulina faz com que a enzima bifuncional PFK-2/FBPase-2 seja desfosforilada pela PP2A. RIBULOSE-5-FOSFATO: (via das pentoses-fosfato) No fígado, a ribulose-5-fosfato (produto da via das pentoses) medeia o aumento da glicólise que segue após a ingestão de uma refeição rica em carboidratos. A concentração de ribulose-5-fosfato aumenta à medida que a glucose entra no fígado e é convertida a glucose-6-fosfato, que entra tanto na via glicolítica como na via das pentoses. A ribulose-5-fosfato ativa a fosfoproteína-fosfatase 2A Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:14:18 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 66 (PP2A), a qual desfosforila a PFK-2/FBPase-2, ativando, assim, a PFK-2 e inibindo a FBPase-2, e o aumento da concentração de frutose-2,6-bifosfato estimula a glicólise, inibindo a gluconeogênese. A glicólise aumentada impulsiona a produção de acetil-CoA, enquanto o fluxo aumentado de hexoses através da via das pentoses-fosfato gera NADPH. Acetil-CoA e NADPH são os materiais de partida para a síntese de ácidos graxos. Dessa forma, uma ingestão rica em carboidratos faz com que aumente drasticamente esses substratos, fazendo, portanto, com que aumente a síntese de ácidos graxos. A ribulose-5-fosfato também aumenta a síntese de todas as enzimas necessárias na síntese de ácidos graxos, satisfazendo a predição a partir da análise do controle metabólico. PIRUVATO-CINASE: (glicólise) As três isoenzimas da piruvato-cinase são inibidas alostericamente por altas concentrações de ATP, acetil-CoA e ácidos graxos de cadeia longa, ao passo que o acúmulo de frutose-1,6-bifosfato desencadeia sua ativação. O acúmulo de alanina, que é sintetizada a partir do piruvato em uma única etapa, inibe alostericamente a piruvato-cinase, reduzindo a velocidade de produção de piruvato na glicólise. A isoenzima do fígado (forma L) também é regulada hormonalmente. O glucagon ativa a PKA, que fosforila a isoenzima L da piruvato-cinase, inativando-a. Quando os níveis de glucagon diminuem, uma proteína-fosfatase (PP) desfosforila a piruvato-cinase, ativando-a. Esse mecanismo impede que o fígado degrade glucose pela glicólise quando a glucose sanguínea estiver baixa. Em vez disso, o fígado exporta glucose. A isoenzima do músculo (forma M) não é afetada por esse mecanismo de fosforilação. No músculo, o efeito do aumento da concentração de AMPc é bem diferente. Em resposta à adrenalina, o AMPc ativa a degradação do glicogênio e a glicólise e fornece o combustível necessário para a resposta de luta ou fuga. PIRUVATO-CARBOXILASE e PEP-CARBOXICINASE (gluco neogênese): Na conversão de piruvato a glucose, o primeiro ponto de controle determina o destino do piruvato na mitocôndria: I) Sua conversão a acetil-CoA (pelo complexo da PDH) para suprir o ciclo do ácido cítrico; II) Ou sua conversão a oxaloacetato (pela piruvato-carboxilase) para iniciar o processo de gluconeogênese. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:14:18 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 67 Quando os ácidos graxos estão disponíveis como combustíveis, sua degradação nas mitocôndrias do fígado gera acetil-CoA, um sinal que indica que não é necessária oxidação adicional de glucose para combustível. A acetil-CoA é um modulador alostérico positivo da piruvato-carboxilase e negativo da piruvato- desidrogenase, por meio de uma proteína-cinase que inativa a desidrogenase. Quando as necessidades energéticas da célula estão satisfeitas, a fosforilação oxidativa é reduzida, o NADH aumenta em relação NAD e inibe o ciclo do ácido + cítrico, e a acetil-CoA se acumula. A concentração aumentada da acetil-CoA inibe o complexo da PDH, diminuindo a formação de acetil-CoA a partir de piruvato, e estimula a gluconeogênese pela ativação da piruvato-carboxilase, permitindo a conversão do excesso de piruvato em oxaloacetato (e no final, em glucose). O oxaloacetato assim formado é convertido em fosfoenolpiruvato (PEP) na reação catalisada pela PEP-carboxicinase. Nos mamíferos, a regulação dessa enzima-chave ocorre principalmente no nível de sua síntese e degradação, em resposta a sinais hormonais e dietéticos. 3) Regulação integrada das diferentes vias de carboidratos: Após a ingestão de uma refeição rica em carboidratos: A elevação da glucose sanguínea provoca a liberação de insulina. Nos hepatócitos, a insulina tem dois efeitos imediatos: ela inativa a GSK3, agindo por meio de uma cascata já estudada (vide metabolismo do glicogênio“ ”), e ativa uma proteína-fosforilase, talvez a PP1. Estas duas ações ativam totalmente a glicogênio- sintase. A PP1 também inativa a glicogênio-fosforilase e a fosforilase-cinase pela a desfosforilação de ambas, interrompendo de forma efetiva a degradação do glicogênio. A glucose entra no hepatócito por meio do transportador de alta capacidade GLUT2, sempre presente na membrana plasmática, e a glucose intracelular elevada leva à dissociação da hexocinase IV (glucocinase) de sua proteína reguladora nuclear. A hexocinase IV entra no citosol e fosforila a glucose, estimulando a glicólise, além de fornecer o precursor para a síntese de glicogênio. Sob estas condições, os hepatócitos usam o excesso de glucose do sangue para sintetizar glicogênio, até o limite de 10% do peso total do fígado. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:14:18 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 68 Entre as refeições ou durante um jejum prolongado: A queda da glucose sanguínea provoca a liberação de glucagon, o qual, agindo por meio de uma cascata (vide metabolismo do glicogênio“ ”), ativa a PKA. Esta enzima medeia todos os efeitos do glucagon. Ela fosforila a fosforilase-cinase, ativando-a e levando à ativação da glicogênio-fosforilase. Ela também fosforila a glicogênio-sintase, inativando-a e bloqueando a síntese de glicogênio. Além disso, ela fosforila a PFK-2/FBPase-2, levando a uma redução na concentração do regulador frutose-2,6-bifosfato, que tem o efeito de inativar a enzima glicolítica PFK- 1 e de ativar a enzima gluconeogênica FBPase-1. Por fim, ela também fosforila e inativa a enzima glicolítica piruvato-cinase. Sob estas condições, o fígado produz glucose-6-fosfato pela degradação do glicogênio e pela gluconeogênese, e para de usar a glucose na glicólise ou na síntese de glicogênio, maximizando a quantidade de glucose que pode ser liberada para o sangue. Esta liberação de glucose é possível somente no fígado e no rim, uma vez que outros tecidos não possuem glucose-6-fosfatase. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzidoou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:14:18 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 69 Durante uma situação de luta ou fuga: A fisiologia do músculo esquelético difere da do fígado em três aspectos importantes para a discussão sobre regulação metabólica: 1. O músculo usa seu glicogênio armazenado somente para as suas próprias necessidades; 2. Quando passa do repouso para a contração vigorosa, o músculo sofre mudanças muito grandes em sua demanda por ATP, a qual é suprida pela glicólise; 3. O músculo não possui a maquinaria enzimática para a gluconeogênese. A regulação do metabolismo de carboidratos no músculo reflete estas diferenças em relação ao fígado. Em primeiro lugar, os miócitos não possuem receptores para o glucagon. Em segundo lugar, a isoenzima muscular da piruvato- cinase não é fosforilada pela PKA, e assim a glicólise não é interrompida quando a concentração de AMPc estiver alta. Na verdade, o AMP aumenta a velocidade da c glicólise no músculo, provavelmente por ativar a glicogênio-fosforilase. Quando a adrenalina é liberada no sangue em uma situação de luta ou fuga, a PKA é ativada pela elevação da AMPc e fosforila e ativa a glicogênio-fosforilase-cinase. A consequente fosforilação e ativação da glicogênio-fosforilase resulta em degradação mais rápida do glicogênio. A adrenalina não é liberada em condições de baixo estresse, mas, com cada estímulo neuronal da contração muscular, a concentração de Ca aumenta brevemente e ativa a fosforilase-cinase por meio da subunidade de 2+ calmodulina. A elevação da insulina provoca aumento de síntese do glicogênio nos miócitos pela ativação da PP1 e inativação da GSK3. Ao contrário do hepatócitos, os miócitos têm uma reserva de transportadores GLUT4 sequestrada em vesículas intracelulares. A insulina provoca seu deslocamento para a membrana plasmática, onde eles permitem o aumento na captação de glucose. Consequentemente, os miócitos ajudam a baixar a glucose sanguínea em resposta à insulina, porque aumentam a taxa de captação de glucose, a síntese de glicogênio e a glicólise. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:14:18 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 70 METABOLISMO DE AMINOÁCIDOS 1) Digestão de proteínas: 1.1) Localização: A digestão de proteínas ingeridas até seus aminoácidos constituintes ocorre no trato gastrintestinal, mais especificamente no estômago e no intestino delgado. 1.2) Enzimas envolvidas e seus mecanismos de ativação: A chegada de proteína da dieta ao estomago estimula a mucosa gástrica a secretar o hormônio gastrina, que, por sua vez, estimula a secreção de acido clorídrico pelas células parietais e pepsinogênio pelas células principais das glândulas gástricas. A acidez do suco gástrico (pH 1,0 a 2,5) permite que ele funcione tanto como um antisséptico, matando a maior parte das bactérias e de outras células estranhas ao organismo, quanto como um agente desnaturante, desenovelando proteínas globulares e tornando suas ligações peptídicas internas mais suscetíveis à hidrólise enzimática. O pepsinogênio é convertido na ativa por meio de uma pepsina clivagem autocatalisada (mediada pelo próprio pepsinogênio) que ocorre apenas em pHs baixos. No estômago, a pepsina hidrolisa as proteínas ingeridas, atuando em ligações peptídicas em que o resíduo de aminoácido localizado na porção aminoterminal provém dos aminoácidos aromáticos Phe, Trp e Tyr, clivando longas cadeias polipeptídicas em uma mistura de peptídeos menores. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:14:57 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 71 Na medida em que o conteúdo ácido do estômago passa para o intestino delgado, o baixo pH desencadeia a secreção do hormônio secretina na corrente sanguínea. A secretina estimula o pâncreas a secretar bicarbonato no intestino delgado para neutralizar HCl gástrico, aumentando abruptamente o pH, que fica próximo a 7,0. A digestão das proteínas prossegue agora no intestino delgado. A chegada de aminoácidos no duodeno determina a liberação para o sangue do hormônio colecistocinina, que estimula a secreção de diversas enzimas pancreáticas, cujas atividades são ótimas em pH 7,0 a 8,0. O tripsinogênio, o quimiotripsinogênio e as procarboxipeptidases A e B (zimogênios da tripsina quimiotripsina, e carboxipeptidases A e B) são sintetizados e secretados pelas células exócrinas do pâncreas. O tripsinogênio é convertido a tripsina pela enteropeptidase , uma enzima proteolítica secretada pelas células intestinais. A tripsina livre catalisa então a conversão de moléculas adicionais de tripsinogênio em tripsina. A tripsina também ativa o quimiotripsinogênio, as procarboxipeptidases e a proelastase. A tripsina e a quimiotripsina continuam a hidrólise dos peptídeos produzidos pela tripsina no estômago. Esse estágio da digestão proteica é realizado com grande eficiência, pois a pepsina, a tripsina e a quimiotripsina apresentam especificidades distintas quanto aos aminoácidos sobre os quais atuam. A degradação de pequenos peptídeos no intestino delgado é então completada por outras peptidases intestinais. Estas incluem as carboxipeptidases A e B, as quais removem sucessivamente resíduos da extremidade carboxil dos peptídeos, e uma , que aminopeptidase hidrolisa sucessivamente resíduos da extremidade amino de peptídeos pequenos. A mistura resultante de aminoácidos livres é transportada para dentro das células epiteliais que revestem o intestino delgado, através das quais os aminoácidos chegarão aos capilares sanguíneos nas vilosidades e serão levados até o fígado. 2) Absorção de dipeptídeos, tripeptídeos e aminoácidos: 2.1) Mecanismos de transporte na membrana celular: Transferência passiva por difusão simples: Ocorre principalmente com aminoácidos livres. Quanto maior for seu caráter hidrofóbico (neutro) e seu gradiente de concentração através da membrana, maior será a taxa de difusão simples. Transferência passiva por difusão facilitada: Ocorre principalmente com aminoácidos livres e é mediada por carreadores independentes de Na e ATP. + As transferências passivas são importantes para equilibrar a concentração de aminoácidos transportados através da membrana. Transferência ativa por cotransporte: Ocorre com aminoácidos livres, di e tripeptídeos. Mediada por carreadores, é capaz de bombear contra o gradiente de concentração, havendo, pois, gasto energético. Aminoácidos livres: cotransportados juntamente com Na+ e depende do gradiente eletroquímico gerado pela bomba de Na . É um transporte ativo +/K+ secundário. Di e tripeptídeos: cotransportados com H , mantido pelo cotransporte Na + +/H+ na membrana borda de escova em resposta ao gradiente de Na . É um + transporte ativo terciário. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:14:57 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 72 3) Degradação de aminoácidos: 3.1) Transdesaminação:No fígado, a primeira etapa do catabolismo da maioria dos L-aminoácidos é a remoção de seus grupos α-amino, realizada pelas ou aminotransferases transaminases. Essas reações de transamin ação consistem na transferência do grupo α-amino para o carbono α do α cetoglutarato, liberando o correspondente α- - cetoácido, análogo do aminoácido. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:14:57 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 73 O efeito das reações de transaminação é a coleta de grupos amino, a partir de diferentes aminoácidos, na forma de L-glutamato. O glutamato então funciona como doador de grupos amino para vias biossintéticas ou para vias de excreção, que levam à eliminação de produtos nitrogenados não utilizados. As células contêm diferentes tipos de aminotransferases, sendo que todas elas apresentam o mesmo grupo prostético e o mesmo mecanismo de reação. O grupo prostético é o piridoxal-fosfato (PLP). Seu principal papel nas células é o metabolismo de moléculas com grupos amino. O PLP funciona como um carreador intermediário de grupos amino no sítio ativo das aminotransferases. Ele sofre transformações reversíveis entre sua forma aldeídica, o piridoxal-fosfato, que pode aceitar um grupo amino, e sua forma aminada, a piridoxamina-fosfato, que pode doar seu grupo amino para um α-cetoácido. O L-glutamato formado pela transaminação necessita que o grupamento amino a ele ligado seja removido e preparado para excreção. Dessa forma, nos hepatócitos, o glutamato é transportado do citosol para a mitocôndria, onde sofre desaminação oxidativa, catalisada pela L-glutamato-desidrogenase (presente na matriz mitocondrial de mamíferos) única enzima que utiliza NAD ou NADP como aceptor – + + de equivalentes redutores. Segue a reação catalisada por essa enzima: A ação combinada de uma aminotransferase e da glutamato-desidrogenase é conhecida como . transd esaminação Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:14:57 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 74 Uns poucos aminoácidos contornam a via de transdesaminação e sofrem diretamente desaminação oxidativa. O destino do NH produzido por qualquer 4+ desses processos de desaminação é discutido à frente. O α-cetoglutarato formado a partir de desaminação do glutamato pode ser utilizado no ciclo do ácido cítrico e para a síntese de glucose. Em muitos tecidos, incluindo o encéfalo, alguns processos como a degradação de nucleotídeos geram amônia livre. Por ser muito tóxica, na maioria dos animais, a maior parte dessa amônia livre é convertida em um composto não tóxico antes de ser exportada dos tecidos extra-hepáticos para o sangue e, dessa forma, é transportada até o fígado ou até os rins. Essa amônia livre produzida nos tecidos combina-se com o glutamato pela ação da , produzindo glutamina. Segue a glutamina-sintetase reação, que ocorre em duas etapas: A glutamina é uma forma de transporte não tóxico para a amônia; ela normalmente está presente no sangue em concentrações muito maiores que os demais aminoácidos. A glutamina também serve como fonte de grupos amino em várias reações biossintéticas. Na maioria dos animais terrestres, a glutamina que excede as necessidades de biossíntese é transportada pelo sangue para o intestino, fígado e rins para ser processada. Nesses tecidos, o nitrogênio amídico é liberado como íon amônio na mitocôndria, onde a enzima converte glutamina em glutamato e . O glutaminase NH4+ NH4+ do intestino e dos rins é transportado no sangue para o fígado. No fígado, a amônia de todas essas fontes é utilizada na síntese de ureia. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:14:57 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 75 3.2) Ciclo da glucose-alanina: A alanina também transporta grupos amino para o fígado em uma forma não tóxica, por meio do . No músculo e em alguns outros tecidos ciclo da glucose-alanina que degradam aminoácidos como combustível, os grupos amino são coletados na forma de glutamato por transaminação. O glutamato pode ser convertido em glutamina para transporte ao fígado (como descrito anteriormente), ou pode transferir seu grupo α-amino para o piruvato, um produto da glicólise muscular facilmente disponível, pela ação da . A alanina assim produzida alanina-aminotransferase passa para o sangue e segue para o fígado. No citosol dos hepatócitos, a alanina- aminotransferase transfere o grupo amino da alanina para o α-cetoglutarato, formando piruvato e glutamato. O piruvato é utilizado para produzir glucose (pela gluconeogênese), que é devolvida ao músculo. O glutamato pode, por sua vez, entrar na mitocôndria, onde a reação da enzima glutamato-desidrogenase produz esqueletos carbonados e libera NH , ou pode sofrer transaminação com o 4+ oxaloacetato para formar aspartato, outro doador para a síntese de ureia. 3.3) Ciclo da ureia e sua regulação: Nos indivíduos ureotélicos (excretam o nitrogênio amínico na forma de ureia), a amônia depositada na mitocôndria dos hepatócitos é convertida em ureia no ciclo da ureia. A produção de ureia ocorre quase que exclusivamente no fígado, sendo o destino da maior parte da amônia canalizada para esse órgão. A ureia passa para a circulação sanguínea e chega aos rins, sendo excretada na urina. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:14:57 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 76 Um grupo amino entra no ciclo da ureia como carbamoil-fosfato, formado na matriz a partir do NH por catálise da 4+ carbamoil-fosfato-sintetase I; o outro entra como aspartato, produzido na matriz pela transaminação entre oxaloacetato e glutamato, catalisada pela . O ciclo da ureia consiste em aspartato- aminotransferase quatro passos: 1. Formação de citrulina a partir de ornitina e carbamoil-fosfato, com catálise da enzima (entrada do primeiro grupo amino); a ornitina-transcarbamoilase citrulina passa para o citosol; 2. Formação de arginino-succinato, pela formação de um intermediário citrulil- AMP, reação catalisada pela (entrada do arginino-succinato-sintetase segundo grupo amino); 3. Formação da arginina a partir do arginino-succinato, catalisada pela arginino-succinase; essa reação libera fumarato, que entra no ciclo do ácido cítrico; 4. Formação de ureia a partir da arginina por meio da ; esta reação arginase também regenera a ornitina, recomeçando o ciclo. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:14:57 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 77 O fluxo de nitrogênio através do ciclo da ureia em um determinado animal varia com a dieta: I) Ingestão dietética basicamente proteica os esqueletos carbonadosdos – aminoácidos são utilizados para combustível, produzindo muita ureia a partir dos grupos amino excedentes; II) Jejum prolongado a degradação de proteína muscular começa a suprir boa – parte da energia metabólica do organismo, fazendo com que a produção de ureia também aumente significativamente. Essas alterações de demanda com relação à atividade do ciclo da ureia são realizadas, a longo prazo, pela regulação das velocidades de síntese das quatro enzimas do ciclo da ureia e da carbamoil-fosfato-sintetase I, no fígado. Essas cinco enzimas são sintetizadas em taxas mais altas em animais em jejum e em animais com dietas de alto conteúdo protéico, em comparação a animais alimentados cujas dietas contenham principalmente carboidratos e gorduras. Animais com dietas desprovidas de proteínas produzem níveis mais baixos das enzimas do ciclo da ureia. Em uma escala de tempo mais curta, a regulação alostérica de pelo menos uma enzima-chave ajusta o fluxo através do ciclo da ureia. A primeira enzima da via, a carbamil-fosfato-sintetase I, é ativada alostericamente por , que é N-acetil-glutamato sintetizado a partir de acetil-CoA e glutamato pela . Em N-acetil-glutamato-sintase vegetais e micro-organismos, essa enzima catalisa a primeira etapa na síntese de novo de arginina a partir do glutamato, mas, nos mamíferos, a atividade da N-acetil- glutamato-sintase no fígado tem uma função puramente reguladora (mamíferos não possuem as demais enzimas necessárias para a conversão de glutamato em arginina). Os níveis estacionários de N-acetil-glutamato são determinados pelas concentrações de glutamato e acetil-CoA (substratos da N-acetil-glutamato-sintase) e arginina (um ativador da N-acetil-glutamato-sintase e, portanto, um ativador do ciclo da ureia). 3.4) Integração do ciclo da ureia com o ciclo do ácido cítrico: Uma vez que o fumarato produzido na reação da arginino-succinase também é um intermediário do ciclo do ácido cítrico, os ciclos estão, a principio, interconectados – em um processo que foi apelidado de o “biciclo de Kebs” (uma vez que o ciclo do ácido cítrico e o ciclo da ureia foram descritos pela primeira vez por Krebs). Contudo, Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:14:57 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 78 cada ciclo opera independentemente, e a comunicação entre eles depende do transporte de intermediários-chave entre a mitocôndria e o citosol. Diversas enzimas do ciclo do ácido cítrico, incluindo a fumarase e a malonato-desidrogenase, também estão presentes como isoenzimas no citosol. O fumarato gerado na síntese de arginina no citosol pode, assim, ser convertido em malato no citosol, e esses intermediários podem ser posteriormente metabolizados no citosol ou transportados para o interior da mitocôndria, para utilização no ciclo do ácido cítrico. O aspartato formado na mitocôndria por transaminação entre o oxaloacetato e o glutamato pode ser transportado para o citosol, onde atua como doador de nitrogênio na reação do ciclo da ureia catalisada pela arginino-succinato-sintetase. Essas reações, que constituem o desvio aspartato-arginino-succinato, fornecem elos metabólicos entre essas vias separadas, pelos quais os grupos amino e os esqueletos de carbono dos aminoácidos são processados. Abaixo, representação do “biciclo de Krebs”: Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:14:57 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 79 METABOLISMO DE LIPÍDEOS 1) Digestão, absorção, transporte e armazenamento de TAG: As micelas mistas de sais biliares e triacilgliceróis, formadas no duodeno a partir da gordura ingerida na dieta, aumentam muito a fração das moléculas de lipídeo acessíveis à ação das lipases hidrossolúveis no intestino. A ação dessas lipases converte os triacilgliceróis em monoacilgliceróis e diacilgliceróis, em ácidos graxos livres e em glicerol. Esses produtos da ação da se difundem para dentro das lipase pancreática células epiteliais que revestem a superfície intestinal (a mucosa intestinal), onde eles são reconvertidos em triacilgliceróis e empacotados, juntamente com o colesterol da dieta e proteínas específicas, em agregados de lipoproteínas chamadas de quilomícrons. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:14:57 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 80 As são proteínas de ligação a lipídeos no sangue, apolipoproteínas responsáveis pelo transporte de triacilgliceróis, fosfolipídeos, colesterol e ésteres de colesteril entre os órgãos. As apolipoproteínas se combinam com os lipídeos para formar várias classes de partículas , agregados esféricos com de lipoproteínas lipídeos hidrofóbicos no centro e cadeias laterais hidrofílicas de proteínas e grupos polares de lipídeos na superfície. As porções proteicas das lipoproteínas são reconhecidas por receptores nas superfícies celulares. Na absorção de lipídeos no intestino, os quilomícrons, que contêm a apolipoproteína C-II (apoC-II), se deslocam da mucosa intestinal para o sistema linfático e então entram no sangue, que os carrega para os músculos e para o tecido adiposo. Nos capilares desses tecidos, a enzima extracelular lipase lipoproteica, ativada pela apoC-II, hidrolisa os triacilgliceróis em ácidos graxos e glicerol, que são absorvidos pelas células nos tecidos-alvo. No músculo, os ácidos graxos são oxidados para obter energia; No tecido adiposo, eles são reesterificados para armazenamento na forma de triacilgliceróis. Os remanescentes dos quilomícrons, contendo ainda colesterol e apolipoproteínas, deslocam-se no sangue até o fígado, onde são captados por endocitose mediada pelos receptores para as suas apolipoproteínas. Os triacilgliceróis que entram no fígado por essa via podem ser oxidados para fornecer energia ou ser precursores para a síntese de corpos cetônicos. Quando a dieta contém mais ácidos graxos do que o necessário imediatamente como combustível ou como precursores, o fígado os converte em triacilgliceróis, que são empacotados com apolipoproteínas específicas em VLDLs (lipoproteínas de densidade muito baixa). O excesso de carboidratos na dieta também pode ser convertido em triacilgliceróis no fígado e exportado como VLDLs. As VLDLs são transportadas no sangue até o tecido adiposo, onde os triacilgliceróis são removidos e armazenados em gotículas lipídicas dentro dos adipócitos. A perda de triacilgliceróis converte parte de VLDL em IDL (lipoproteínas de densidade intermediária); a remoção adicional de triacilgliceróis das VLDLs produz LDLs (lipoproteínas de baixa densidade). Muito ricas em colesterol e ésteres de colesterila e contendo apo-B como sua principal apolipoproteína, as LDLs transportam colesterol para os tecidos extra-hepáticos que possuem receptores específicos na membrana plasmática, que reconhecem a apoB- 100. O quarto dos principais tipos de lipoproteínas, a , origina-se no fígado e no HDL intestino delgado como pequenas partículas ricas em proteína que contêm relativamente pouco colesterol e ésteres de colesterila. Na sua superfície, além da apoA-I, apoC-I e apoC-II, existe a enzima lecitina-colesterol-aciltransferase(LCAT), que converte o colesterol e a lecitina dos remanescentes do quilomícron e da VLDL em éster de colesterila, dando início à formação do núcleo da HDL, transformando a sua forma nascente (em forma de disco) em uma partícula de HDL madura, de forma esférica. Esta lipoproteína rica em colesterol retorna então ao fígado, onde é descarregada; parte desse colesterol é convertido em sais biliares. A HDL pode ser captada pelo fígado por endocitose mediada por receptor, mas pelo menos parte do colesterol contido na HDL é fornecida para outros tecidos por um mecanismo novo. A HDL pode ligar-se a proteínas receptoras na membrana plasmática chamadas de SR-BI, presentes nos tecidos hepático e esteroidogênicos, a glândula adrenal. Esses receptores não promovem endocitose, mas sim a transferência parcial e seletiva do colesterol e de outros lipídeos da HDL para dentro da célula. A HDL desprovida desses componentes então dissocia-se e volta a circular na corrente sanguínea, extraindo mais lipídeos dos quilomícrons e das VLDLs remanescentes. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:15:40 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 81 A HDL vazia também pode captar colesterol armazenado em tecidos extra- hepáticos e transportá-lo para o fígado, em vias chamadas de transporte reverso do colesterol. Em uma via de transporte reverso, a interação da HDL nascente com os receptores SR-BI em células ricas em colesterol ativa o movimento passivo do colesterol presente na superfície celular para a HDL, que o transporta de volta para o fígado. Em uma segunda via, a apoA-I na HDL vazia interage com um transportador ativo, a proteína ABC1, em células ricas em colesterol, a apoA-I (e presumivelmente a HDL) é captada por endocitose e, então, novamente secretada com uma carga de colesterol que é transportada para o fígado. Mecanismo de captação de colesterol por endocitose mediada por receptor: Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:15:40 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 82 Cada partícula de LDL na corrente sanguínea contém apoB-100, a qual é reconhecida por proteínas que são receptores de superfície específicos, os receptores de LDL, em células que precisam captar colesterol. A ligação da LDL ao receptor de LDL inicia a endocitose, transferindo a LDL ao seu receptor para o interior da célula dentro de um endossomo. O endossomo funde-se com um lisossomo, o qual contém enzimas que hidrolisam os ésteres de colesterila, liberando colesterol e ácidos graxos no citosol. A apoB- da LDL também é degradada em 100 aminoácidos, que são liberados para o citosol. O receptor de LDL, no entanto, escapa da degradação e retorna para a superfície celular, para atuar novamente na captação de LDL. A apoB-100 também está presente na VLDL, mas o seu domínio de ligação ao receptor não está disponível para a interação com o receptor de LDL; a conversão de VLDL em LDL expõe o domínio de ligação ao receptor da apoB-100. O colesterol que entra nas células por essa via pode ser incorporado nas membranas ou reesterificado pela ACAT para armazenamento no interior de gotículas citosólicas de lipídeos. O acúmulo do excesso de colesterol intracelular é prevenido pela redução da velocidade de sua síntese, quando colesterol suficiente está disponível a partir da LDL presente no sangue. O receptor de LDL também liga apoE e exerce um papel significativo na captação hepática de remanescentes de quilomícrons e de VLDL. No entanto, se os receptores de LDL não estão disponíveis, remanescentes de VLDL e de quilomícrons ainda são captados pelo fígado, mesmo que LDL não o seja. Isso indica a presença de um sistema de apoio para a endocitose mediada por receptor de remanescentes de VLDL e de quilomícrons. Um receptor de apoio é a proteína relacionada ao receptor de lipoproteína (LRP), que liga tanto a apoE como uma diversidade de outros ligantes. 2) Mobilização: 2.1) Via de sinalização intracelular, ativação de lipases e transporte de AG no sangue: Quando os hormônios sinalizam a necessidade de energia metabólica, os triacilgliceróis armazenados no tecido adiposo são mobilizados (retirados do armazenamento) e transportados aos tecidos (musculatura esquelética, coração e córtex renal) nos quais os ácidos graxos podem ser oxidados para a produção de energia. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:15:40 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 83 O hormônio glucagon, secretado em resposta aos baixos níveis de glucose no sangue, (1) liga-se ao seu receptor na membrana do adipócito e, assim, estimula a (2) adenilil-ciclase, via uma proteína G, a produzir AMPc. Isso ativa a PKA, que fosforila (3) a lipase sensível a hormônio e as moléculas de perilipina na superfície da (4) gotícula lipídica. A fosforilação da perilipina permite que a enzima lipase sensível a hormônio tenha acesso à superfície da gotícula lipídica, onde ela hidrolisa os (5) triacilgliceróis a ácidos graxos livres. Os ácidos graxos saem do adipócito, se ligam (6) à albumina sérica no sangue, onde são transportados; eles são liberados da albumina e (7) entram em um miócito por meio de um transportador específico de ácidos graxos. No miócito, os ácidos graxos são oxidados a CO , e a energia da oxidação (8) 2 é conservada em ATP, que abastece a contração muscular e outros tipos de metabolismo que necessitam de energia no miócito. Cerca de 95% da energia biologicamente disponível dos triacilgliceróis residem nas suas três cadeias longas de ácidos graxos; apenas 5% são fornecidos pela porção glicerol. O glicerol liberado pela ação da lipase é fosforilado pela glicerol- cinase, e o glicerol-3-fosfato resultante é oxidado a diidroxicetona-fosfato. A enzima glicolítica triose-fosfato-isomerase converte esse composto em gliceraldeído-3-fosfato, que é oxidado na glicólise. 2.2) Esterificação de AG com a CoA e transporte para a matriz mitocondrial via sistema de carnitinas: Os ácidos graxos com comprimento de cadeia de 12 carbonos ou menos entram na mitocôndria sem a ajuda de transportadores de membrana. Aqueles com 14 carbonos ou mais, que constituem a maioria dos ácidos graxos livres obtidos na dieta ou liberados do tecido adiposo, não conseguem passar diretamente através das membranas mitocondriais, sendo necessária a passagem pelo circuito da carnitina. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:15:40 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 84 PRIMEIRA REAÇÃO: esterificação (ativação) dos ácidos graxos com a CoA no citosol. É catalisada pelas , presentes na membrana mitocondrial acil-CoA-sintetases externa, que catalisam a reação geral: Ácido graxo + CoA + ATP acil graxo-CoA + AMP + PP i Assim, as acil-CoA-sintetases catalisam a formação de uma ligação tioéster entre o grupo carboxil do ácidograxo e o grupo tiol da coenzima A para produzir uma acil graxo-CoA, acoplada à clivagem do ATP em AMP e PP . A reação ocorre em dois i passos e envolve um intermediário. Os ésteres de acil graxo-CoA formados no lado citosólico da membrana externa da mitocôndria podem ser transportados para dentro da mitocôndria e oxidados para produzir ATP, ou podem ser utilizados no citosol para sintetizar lipídeos de membrana. SEGUNDA REAÇÃO: transesterificação dos ácidos graxos com a carnitina na mitocôndria. Os ácidos graxos destinados à oxidação mitocondrial estão transitoriamente ligados ao grupo hidroxil da , formando acil graxo-carnitina. Essa carnitina transesterificação é catalisada pela carnitina-acil-transferase I, na membrana externa mitocondrial. A passagem para o espaço intermembranas ocorre por meio de grandes poros (formados pela proteína porina) na membrana externa. O éster de acil graxo-carnitina então entra na matriz pela difusão facilitada por meio do transportador acil-carnitina/carnitina da membrana mitocondrial interna. TERCEIRA REAÇÃO: transporte e transesterificação de volta a CoA. O grupo acil graxo é transferido da carnitina para a coenzima A intramitocondrial pela carnitina-acil-transferase II. Essa isoenzima, localizada na face interior da membrana mitocondrial interna, regenera a acil graxo-CoA e a libera, juntamente com a carnitina livre, dentro da matriz. A carnitina retorna ao espaço intermembranas por meio do transportador acil-carnitina/carnitina. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:15:40 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 85 Esse processo de transferência de ácidos graxos para dentro da mitocôndria liga dois reservatórios de coenzima A e de acil graxo-CoA: um no citosol e outro na mitocôndria. A coenzima A na matriz mitocondrial é amplamente utilizada na degradação oxidativa do piruvato, dos ácidos graxos e de alguns aminoácidos, enquanto a coenzima A citosólica é utilizada na biossíntese de ácidos graxos. A acil graxo-CoA do citosol pode ser utilizada para a síntese de lipídeos de membrana ou pode ser transportada para dentro da matriz mitocondrial para oxidação e produção de ATP. A conversão ao éster de carnitina compromete a porção acil graxo com o destino oxidativo. O processo de entrada mediado pela carnitina é o passo limitante para a oxidação dos ácidos graxos na mitocôndria e é um ponto de regulação. 3) Catabolismo de AG: A oxidação mitocondrial de ácidos graxos ocorre em três etapas: 1. Um ácido graxo de cadeia longa é oxidado para produzir resíduos de acetil na forma de acetil-CoA, processo denominado β-oxidação; 2. Os grupos acetil são oxidados a CO no ciclo do ácido cítrico; 2 3. Os elétrons derivados das oxidações das etapas 1 e 2 passam ao O por meio da 2 cadeia respiratória mitocondrial, fornecendo a energia para a síntese de ATP por fosforilação oxidativa. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:15:40 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 86 3.1) Beta-oxidação: função, etapas e produtos; saldo energético: Consiste de quatro reações catalisadas por enzimas e tem por função produzir acetil-CoA. A primeira reação é uma desidrogenação da acil graxo-CoA, produzindo uma ligação dupla (de configuração trans) entre os átomos de carbono α e β. Os elétrons removidos são transferidos para o FAD, que se torna FADH e transfere esses 2 elétrons imediatamente para um transportador de elétrons da cadeia respiratória mitocondrial. Na , água é adicionada à ligação dupla, com auxílio de uma segunda reação enzima (enoil-CoA-hidratase) que só age em ligações trans; na terceira reação, ocorre novamente uma desidrogenação e o aceptor de elétrons é o NAD . O NADH formado + transfere seus elétrons para outro transportador da cadeia respiratória. A quarta reação (última) consiste na reação com uma CoA livre, removendo um fragmento de dois carbonos na forma de acetil-CoA da extremidade carboxílica do ácido graxo original. A regulação dessas reações ocorre na etapa 3, inibida por alta razão de [NADH]/[NAD] e na , inibida por alta concentração de acetil-CoA. etapa 4 Os quatro passos da β-oxidação são repetidos para produzir acetil-CoA e ATP. Em uma passagem por esse processo, 1 acetil-CoA, 2 pares de elétrons e 4 prótons (H+) são removidos da acil graxo-CoA de cadeia longa. Cada molécula de FADH formada doa um par de elétrons para o transportador 2 da cadeia respiratória, sendo resultante cerca de 1,5 molécula de ATP. Similarmente, cada NADH doa um par de elétrons para o outro transportador mitocondrial, resultando em 2,5 moléculas de ATP no fim. Assim, a cada unidade de dois carbonos retirada da acil graxo-CoA em uma sequência da β-oxidação são produzidas quatro moléculas de ATP. Além disso, também é produzida água nesse processo, sendo que a cada dois pares de elétrons doados pelas coenzimas ao O produz-se uma H 2 2O. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:15:40 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 87 Em animais hibernantes, a oxidação de ácidos graxos fornece energia metabólica, calor e água – todos essenciais para a sobrevivência de um animal que não come e nem bebe por longos períodos. A acetil- A produzida a partir da oxidação de ácidos graxos pode ser oxidada a Co CO2 e H O pelo ciclo do ácido cítrico, formando 3 NADH, 1 FADH e 1 GTP (ATP) por 2 2 molécula oxidada. OBS.: para calcular o saldo de ATPs formados de uma molécula de acil graxo- CoA, deve-se descontar 2 ATPs gastos na etapa de ativação. 3.2) Oxidação de AG insaturados ou com número ímpar de carbonos: Ácidos graxos insaturados: A maioria dos ácidos graxos de animais e plantas é insaturada, sendo estas insaturações encontradas na configuração cis. Dessa forma, a enoil-CoA-hidratase não consegue agir para adicionar a molécula de água durante a β-oxidação. Assim, é necessário que haja duas reações adicionais. Quando o ácido graxo é , a oxidação requer apenas uma cis-monoinsaturado enzima a mais ( ), que reposiciona a ligação dupla, convertendo enoil-CoA-isomerase o isômero em isomero cis trans. Quando o ácido graxo é po li- insaturado , além da enoil-CoA-isomerase, é necessária a , que é dependente de NADPH. A ação 2,4-dienoil-CoA-redutase combinada dessas duas enzimas permite que a β-oxidação continue para a produção de acetil-CoA. Ácidos graxos com número ímpar de carbonos: Ácidos graxos de cadeia longa de número ímpar são oxidados na mesma via que os ácidos de número par, iniciando na extremidade carboxil da cadeia. Entretanto, o substrato para a última passagem pela sequência de β-oxidação é uma acil graxo-CoA com um ácido graxo de cinco carbonos. Quando é oxidado e clivado, os produtos são acetil-CoA e propionil-CoA. A acetil-CoA pode ser oxidada no ciclo do ácido cítrico, mas a propionil-CoA entra em uma via diferente, envolvendo três enzimas. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:15:40Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 88 A propionil-CoA é primeiro carboxilada para formar a D-metilmalonil-CoA pela enzima , que contém o cofator biotina. O COpropionil-CoA-carboxilase 2 é primeiramente ativado pela biotina (com clivagem de um ATP a ADP + P ) para depois i ser transferido ao propionato. A molécula D formada sofre uma epimerização (enzima metilmalonil-CoA-epimerase) ao seu isômero L-metilmalonil-CoA que, por sua vez, sofre um rearranjo intramolecular (enzima metilmalonil-CoA-mutase) para formar succinil-CoA, que pode entrar no ciclo do ácido cítrico. 3.3) Formação de corpos cetônicos: Na maioria dos mamíferos, a acetil-CoA pode entrar no ciclo do ácido cítrico ou sofre conversão a “corpos cetônicos”. Pessoas saudáveis e bem nutridas produzem corpos cetônicos a uma taxa relativamente baixa. Quando a acetil-CoA se acumula (p.e. em jejum prolongado ou diabete não tratado), a enzima tiolase catalisa a condensação de duas moléculas de acetil-CoA em acetoacetil-CoA, composto que origina os três corpos cetônicos: Acetona – produzida em quantidades menores que os outros corpos cetônicos, é exalada. Acetoa cetato e D-β-hidroxib utirato – são transportados pelo sangue para os tecidos extra-hepáticos, onde são convertidos em acetil-CoA e, então, entram no ciclo do ácido cítrico, fornecendo a energia necessária a eles. As reações da formação de corpos cetônicos ocorrem na matriz mitocondrial do fígado, órgão produtor de corpos cetônicos para os outros tecidos, mas não um consumidor. Quando intermediários do ciclo do ácido cítrico estão sendo drenados para a síntese de glucose pela gluconeogênese, por exemplo, a oxidação dos intermediários do ciclo fica mais lenta bem como a oxidação de acetil-CoA. Além disso, o fígado – contém somente uma quantidade limitada de coenzima A, e quando a maior parte dela está presa em acetil- -oxidação fica mais lenta por necessidade de CoA, a β coenzima livre. Dessa forma, a produção e a exportação de corpos cetônicos liberam coenzima A, permitindo a continuação da oxidação de ácidos graxos. Segue a figura ilustrando o que foi dito: Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:15:40 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 89 Reações de formação de corpos cetônicos no fígado e do D- -(esquerda) β hidroxibutirato como combustível nos tecidos extra-hepáticos (direita): Os níveis sanguíneos aumentados de acetoacetato e D- -hidroxibutirato baixam β o pH do sangue, causando acidose. Corpos cetônicos no sangue e na urina de pessoas com diabete não tratado ou que fazem dieta com redução severa na ingestão de calorias podem alcançar níveis extraordinários, condição chamada de Cetose. 4) Biossíntese de AG: 4.1) Precursores: A biossíntese e a degradação de ácidos graxos ocorrem por meio de vias diferentes, são catalisadas por diferentes grupos de enzimas e localizam-se em compartimentos distintos na célula. Além disso, a biossíntese requer a participação de um intermediário de três carbonos, a malonil-CoA, que não está envolvido na degradação dos ácidos graxos. 4.2) Síntese de malonil-CoA pela acetil-CoA-carboxilase: A síntese de ácidos graxos é feita a partir do excesso de carboidratos e aminoácidos da dieta. A formação de malonil-CoA a partir de acetil-CoA é um processo irreversível, catalisado pela (ACC). Essa enzima acetil-CoA-carboxilase possui um grupo prostético, a biotina, covalentemente ligado. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:15:40 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 90 A reação em duas etapas catalisada por essa enzima ocorre da seguinte maneira: primeiramente, um grupo carboxil derivado do bicarbonato é transferido para a biotina em uma reação dependente de ATP. O grupo biotinila age como um transportador temporário de CO , transferindo-o para a cetil-CoA na segunda etapa, 2 gerando malonil-CoA. 4.3) Síntese dos ácidos graxos sistema ácido graxo-sintase: – As longas cadeias de ácidos graxos são construídas por uma sequência de reações repetitivas, em quatro etapas, catalisadas pelo sistema ácido graxo- sintase. Existem dois tipos da enzima ácido graxo-sintase: a tipo I (AGS I), encontrada em vertebrados e fungos, e a tipo II (AGS II), encontrada em vegetais e bactérias. Com os sistemas AGS I, a síntese dos ácidos graxos leva a um único produto, e não são liberados intermediários. Quando o comprimento da cadeia atinge 16 carbonos, este produto (palmitato, 16:0) deixa o ciclo. A enzima possui 6 domínios catalíticos. Primeiramente, o grupo acetil da acetil-CoA é transferido para a ACP, em uma reação catalisada pelo domínio MAT. O grupo acetil é, então, transferido para o grupo SH da Cys da KS e o grupo – malonila, da malonil-CoA, também é transferido para o grupo SH da ACP, reações – estas catalisadas pela MAT (carregamento do complexo AGS). Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:16:19 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 91 Em seguida, ocorre uma condensação entre os grupos acetil e malonila ativados, com produção de uma molécula de CO (o carbono dessa molécula é o 2 mesmo introduzido na malonil-CoA pela reação da ACC). O produto fica ligado ao – SH da ACP. O próximo passo é a redução do grupo carbonil formado, catalisado pela KR, com doação de elétrons do NADPH. Em seguida, ocorre a desidratação, formando uma ligação dupla no produto, com catálise da DH. Finalmente, a ligação dupla é reduzida pela ação da enzima ER, sendo NADPH doador de elétrons novamente. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:16:19 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 92 Para continuar a síntese, há o deslocamento do grupo butiril para o SH da KS, – deixando a ACP livre. Os próximos passos seriam os ilustrados abaixo. Repete-se o ciclo até que ele se complete 7 vezes, formando o palmitato (16:0) que, então, é desligado do complexo. A alongação do palmitato ocorre no retículo endoplasmático liso e na mitocôndria. Embora diferentes enzimas estarem envolvidas e a CoA ser o doador de grupos acila (em vez de ACP), o mecanismo de alongamento é idêntico ao utilizado na síntese de palmitato: doação de dois carbonos da malonil-CoA, redução, desidratação e nova redução. 4.4) Lançadeira para transferência de grupos acetil da mitocôndria para o citosol: A membrana mitocondrial externa é impermeável a acetil-CoA, de modo que um transportador indireto transfere os equivalentes do grupo acetil através da membrana interna. A acetil-CoA mitocondrial reage com oxaloacetato, formando citrato. Este, por sua vez, atravessa a membrana interna pelo transportador de citrato. No citosol, esse citrato é clivado, regenerando acetil-CoA e oxaloacetato em uma reação dependente de ATP. O oxaloacetato não pode retornar à matriz mitocondrial diretamente, uma vez que não existe um transportador específico para ele. Dessa forma, o oxaloacetato é reduzido a malato, que retorna à matriz mitocondrial pelo transportador de malato- -α cetoglutarato. Na matriz, o malato é reoxidado a oxaloacetato, completando o ciclo. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:16:19 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 93 No entanto, a maior parte do malato produzido no citosol é utilizada para regenerar NADPH citosólico. O piruvato então produzido é transportado para a mitocôndria pelo transportador de piruvato, sendo convertido em oxaloacetato na matriz. O ciclo resultante consome dois ATPs para cada molécula de acetil-CoA entregue para a síntese de ácidos graxos. Após a clivagem do citrato para gerar acetil-CoA, a conversão dos quatro carbonos remanescentes em piruvato e CO pela enzima málica gera 2 aproximadamente a metade do NADPH necessário para a síntese de ácidos graxos. A via das pentoses-fosfato fornece o restante de NADPH necessário. 4.5) Regulação: Quando uma célula ou um organismo tem combustível metabólico mais que suficiente para suprir as necessidades energéticas, geralmente o excesso é convertido em ácidos graxos e estocado como lipídeos, como os triacilgliceróis. A reação catalisada pela acetil-CoA-carboxilase é a etapa limitante na biossíntese de ácidos graxos, e essa enzima é um ponto importante de regulação. Nos vertebrados, o principal produto da síntese de ácidos graxos, a palmitoil-CoA, é um inibidor por Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:16:19 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 94 retroalimentação dessa enzima. Quando as concentrações mitocondriais de acetil- CoA e ATP aumentam, o citrato é transportado para fora da mitocôndria; ele torna-se, portanto, tanto o precursor citosólico de acetil-CoA quanto um sinal alostérico para a ativação da acetil-CoA-carboxilase. Ao mesmo tempo, o citrato inibe a atividade da PFK-1, reduzindo o fluxo de carbono para a glicólise. A acetil-CoA-carboxilase também é regulada por modificação covalente. A fosforilação promovida pelas ações dos hormônios glucagon e adrenalina inativa a enzima e reduz sua sensibilidade à ativação por citrato, reduzindo, dessa maneira, a velocidade da síntese de ácidos graxos. Regulação coordenada da síntese e da degradação de ácidos graxos: Quando a dieta disponibiliza uma fonte imediata de carboidratos como combustível, -oxidação dos ácidos graxos é desnecessária, sendo, portanto, a β desativada. Duas enzimas são essenciais na coordenação do metabolismo dos ácidos graxos: a ACC, a primeira enzima da síntese dos ácidos graxos, e a carnitina- aciltransferase I, que limita o transporte de ácidos graxos para dentro da matriz mitocondrial para a β-oxidação. 1. A ingestão de uma refeição rica em carboidratos aumenta o nível de glucose no sangue e, portanto, ativa a liberação de insulina. 2. A proteína fosfatase dependente de insulina desfosforila a ACC, ativando- a. 3. A ACC catalisa a formação de malonil-CoA (o primeiro intermediário da síntese de ácidos graxos). 4. A malonil-CoA inibe a carnitina-aciltransferase I, impedindo, assim, a entrada de ácidos graxos na matriz mitocondrial. 5. Quando os níveis de glucose no sangue baixam entre as refeições, a liberação de glucagon ativa a proteína-cinase dependente de AMPc (PKA). 6. A PKA fosforila e inativa a ACC. 7. A concentração de malonil-CoA diminui, a inibição da entrada de ácidos graxos na mitocôndria é aliviada, e os ácidos graxos entram na matriz mitocondrial. 8. Estando na matriz, os AG tornam-se o principal combustível. Como o glucagon também ativa a mobilização de ácidos graxos no tecido adiposo, um suprimento de ácidos graxos começa a chegar no sangue. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:16:19 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 95 METABOLISMO DE NUCLEOTÍDEOS 1) Nucleotídeos púricos: 1.1) : Vias “de novo” As vias de novo para a biossíntese de purinas e pirimidinas parecem ser quase idênticas em todos os organismos vivos. As bases livres guanina, adenina, timina, citidina e uracil não são sintetizadas e então ligadas à ribose, como seria esperado. A estrutura do anel púrico é construída ligada à ribose durante todo o processo, com a adição de um ou uns poucos átomos por vez. Embora as bases livres não sejam intermediárias nas vias de novo, elas são intermediárias em algumas das vias de recuperação. Os dois nucleotídeos púricos precursores dos ácidos nucleicos são o AMP (adenilato) e o GMP, os quais contêm as bases púricas adenina e guanina, respectivamente. Segue o detalhamento da via: Etapa 1: um grupo amino, doado pela glutamina, é ligado ao C-1 do PRPP. Tem-se como resultado uma 5-fosforribosilamina, sobre a qual o anel púrico é subsequentemente contruído. Etapa 2: ocorre a adição de três átomos doados pela glicina. Um ATP é consumido para ativar o grupo carboxil da glicina para essa reação de condensação. Etapa 3: o grupo amino da glicina, que foi adicionado, é então formilado pelo -N10 formiltetraidrofolato. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:16:19 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 96 Etapa 4: ocorre a doação de um nitrogênio pela glutamina. Etapa 5: desidratação e fechamento do anel, formando o anel imidazólico do núcleo púrico, com cinco membros, na forma de AIR. Etapa 6: é adicionado um grupo carboxil (proveniente de bicarbonato), iniciando a formação do outro anel. Etapa 7: um rearranjo transfere o carboxilato do grupo amino exocíclico para a posição 4 do anel imidazólico. OBS: As etapas 6 e 7 ocorrem apenas em bactérias e fungos. Em eucariotos superiores, ocorre a etapa “6a”, descrita à frente. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:16:19 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 97 Etapa 6a: o AIR produzido no passo 5 é carboxilado diretamente em CAIR, em um único passo em vez de dois. Etapa 8: o aspartato doa seu grupo amino, formando uma ligação amida. Etapa 9: ocorre a eliminação do esqueleto carbonado do aspartato (como fumarato, que pode entrar na via glicolítica). Etapa 10: o último carbono é doado pelo N10-formiltetraidrofolato. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzidoou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:16:19 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 98 Etapa 11: ocorre um segundo fechamento de anel, produzindo o segundo anel fundido ao núcleo púrico e formando o intermediário IMP. Na figura abaixo, pode-se ver de uma forma geral a origem dos átomos de carbono e de hidrogênio no sistema de anéis púricos. Pode-se perceber, a partir das etapas 1, 4 e 8, que aminoácidos são importantes precursores nessa via, tendo ela íntima relação com o metabolismo de aminoácidos. A conversão de IMP em AMP requer a inserção de um grupo amino derivado do aspartato; isso ocorre por meio de duas reações semelhantes aos passos 8 e 9 citados, com exceção de o GTP (e não o ATP) ser a fonte de fosfato de alta energia para a síntese de adenilosuccinato. O GMP é produzido pela oxidação dependente de NAD no C-2 do iosinato, + seguindo-se a adição de um grupo amino derivado da glutamina. No passo final, um ATP é clivado em AMP e PP . i Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:16:19 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 99 1.2) Regulação: Três principais mecanismos de retroalimentação cooperam na regulação da velocidade geral da síntese de novo de nucleotídeos púricos e das velocidades relativas de formação dos dois produtos finais, adenilato e guanilato. O primeiro mecanismo é exercido sobre a primeira reação que é exclusiva da síntese de purinas: a transferência de um grupo amino para o PRPP para formar 5- fosforribosilamina. Essa reação é catalisada pela enzima alostérica glutamina-PRPP- amidotransferase , que é inibida pelos produtos finais IMP, AMP e GMP. O AMP e o GMP atuam sinergicamente nessa inibição concertada. Assim, sempre que AMP ou GMP acumulam-se e estão presentes em excesso, o primeiro passo de sua biossíntese a partir de PRPP é parcialmente inibido. No segundo mecanismo de controle, exercido sobre um estágio posterior, um excesso de GMP na célula inibe a formação de xantilato a partir de inosinato, pela IMP-desidrogenase, sem afetar a formação de AMP. Por sua vez, um acúmulo de adenilato inibe a formação de adenilatosuccinato pela ade nilosuccinato-sintase, sem afetar a biossíntese de GMP. No terceiro mecanismo, o GTP é necessário para a conversão de IMP em AMP, enquanto o ATP é necessário para a conversão de IMP em GMP, um arranjo recíproco que tende a equilibrar a síntese dos dois ribonucleotídeos. O último mecanismo de controle é a inibição da síntese e PRPP pela regulação alostérica da . Essa enzima é inibida por ADP e GDP, ribose-fosfato-pirofosfocinase além de metabólitos de outras vias para as quais o PRPP é o ponto de partida. 1.3) Catabolismo: Os nucleotídeos púricos são degradados por uma via na qual eles perdem seu fosfato por meio da ação da . 5’-nucleotidase Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:16:19 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 100 O AMP produz adenosina, que é desaminada pela adenosina-desaminase, gerando inosina, a qual é hidrolisada produzindo hipoxantina (sua base púrica) e D- ribose. A hipoxantina é sucessivamente oxidada a xantina e a ácido úrico pela xantina-oxidase, sendo o oxigênio o aceptor de elétrons. O catabolismo do GMP também produz ácido úrico como produto final. O GMP é originalmente hidrolisado originando guanosina, a qual é então clivada, liberando guanina livre. A guanina sofre remoção hidrolítica de seu grupo amino, produzindo xantina, que é convertida a ácido úrico pela xantina-oxidase. Na maioria dos mamíferos e em muitos outros vertebrados, o ácido úrico é ainda degradado até alantoína pela ação de uma enzima chamada . urato-oxidase 1.4) Vias de recuperação: Bases púricas e pirimídicas livres são constantemente liberadas nas células durante a degradação metabólica dos nucleotídeos. Purinas livres são em grande parte salvas e reutilizadas para sintetizar nucleotídeos, em uma via muito mais simples que a síntese de novo dos nucleotídeos púricos. Uma das principais vias de recuperação (ou salvação) consiste em uma única reação, catalisada pela adenosina- fosforribosiltransferase , na qual adenina livre reage com PRPP para produzir o AMP, nucleotídeo correspondente da adenina. Guanina e hipoxantina (produto da desaminação da adenina) livres são salvas por essa mesma via, pela . Na hipoxantina-guanina-fosforribosiltransferase ausência desta enzima, os níveis de PRPP aumentam e ocorre uma superprodução de purinas pela via de novo, resultando na produção de altos níveis de ácido úrico e lesão tecidual semelhante à da gota. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:16:48 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 101 Um defeito genético na atividade desta última enzima resulta em uma síndrome chamada de Lesch-Nyhan, presente quase que exclusivamente em crianças do sexo masculino. As conseqüências são sintomas mentais, comportamento agressivo e tendência à automutilação. O encéfalo é especialmente dependente das vias de salvação, e isso pode ser a causa da lesão do sistema nervoso central nas crianças acometidas por essa síndrome. A comparação entre a via de novo e a via de recuperação é que a primeira é mais lenta e tem maior gasto energético, uma vez que a síntese é iniciada desde o início (“de novo”). Já a segunda gasta menos energia e é mais rápida, porque recupera as bases livres que já estão sintetizadas e as transforma em nucleotídeos pela ação de uma única enzima. 1.5) Doenças: A gota é uma doença das articulações, causada pela concentração elevada de ácido úrico no sangue e nos tecidos. As articulações tornam-se inflamadas, doloridas e artríticas devido à deposição anormal de cristais de urato de sódio. Os rins também são afetados, pois ácido úrico em excesso se deposita nos túbulos renais. Um grande alívio dos sintomas pode ser obtido pela administração de alopurinol, que inibe a xantina-oxidase (enzima que catalisa a conversão de purinas em ácido úrico). A hipoxantina é o substrato normal da xantina oxidase. Apenas uma leve alteração na estrutura da hipoxantina produz um inibidor enzimático clinicamente efetivo, o alopurinol. No sítio ativo, o alopurinol é convertido em oxipurinol, um forte inibidor competitivo, que permanece firmemente ligado à forma reduzida da enzima. Dessa forma, os produtos da excreção do metabolismo das purinas são xantina e hipoxantina, que são mais hidrossolúveis que o ácido úrico e apresentam menor probabilidade de formar depósitos de cristais. Uma outra doença, consequência da deficiência da enzima adenosina- desaminase (catalisa a transformação de adenosina em inosina no catabolismo de AMP), é caracterizada por uma grave imunodeficiência, na qual os linfócitos T e B não se desenvolvem adequadamente. Indivíduos com esse problema não possuem um sistema imunológico efetivo e não sobrevivem, a não ser isolados no ambiente de uma “bolha” estéril. O crescimento de células cancerosas não é controlado da mesma forma que o crescimentodas células na maioria dos tecidos normais. Células cancerosas apresentam maiores necessidades de nucleotídeos como precursores de DNA e RNA e, em consequência, geralmente são mais sensíveis que células normais a inibidores da biossíntese de nucleotídeos. Um conjunto crescente de agentes Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:16:48 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 102 quimioterápicos importantes atua – para o câncer ou para outras doenças – inibindo uma ou mais enzimas dessas vias. Azasserina acivicinae são quimioterápicos inibidores suicidas de glutamina- amidotransferases, que competem com a glutamina pela enzima. A glutamina, por aparecer duas vezes na síntese de novo, é um bom alvo de ataque de quimioterápicos. Além disso, ela é o principal doador de nitrogênio nessa via. Esses quimioterápicos, por serem inibidores suicidas, são pouco reativos após serem ingeridos. No entanto, quando encontram a enzima-alvo específica (que tem mais afinidade por eles que pela glutamina), ligam-se ao seu sítio ativo, sofrendo, assim, uma série de reações que os convertem em um composto reativo para a enzima. Eles se combinam covalentemente à , sendo glut amina-amidotransferase esta ligação irreversível. Um inibidor suicida bem planejado é específico para uma única enzima e é reativo até que esteja dentro do sítio ativo da enzima alvo. não Dessa forma, causam poucos efeitos colaterais no organismo. A fluorouracila é outro importante agente quimioterápico que atua na síntese de timidilato. A fluorouracila não é, por si, um inibidor enzimático. Na célula, vias de salvação a convertem em FdUMP, um inibidor suicida que se liga à enzima timidilato-sintase, inativando- a. Metotrexato é um medicamento inibidor competitivo do folato. As enzimas diidrofolato-redutases ligam-se a ele com afinidade cerca de 100 vezes maior que com o diidrofolato, substrato da enzima na via de novo. Após se ligar à enzima, a via fica estagnada. O metotrexato possui mais efeitos colaterais que os inibidores competitivos, porque são mais reativos. A é um composto aminopterina relacionado, que atua de forma semelhante. T rimeto prima é um antibiótico que se liga à hidrofolato-redutase bacteriana com eficiência cerca de 100.000 vezes maior do que se liga à enzima de mamíferos. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:16:48 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 103 2) Nucleotídeos pirimídicos: 2.1) Biossíntese: Os pirimídicos comuns são o CMP (citidilato) e o UMP ribonucleotídeos (uridilato), os quais contêm as pirimidinas citosina e uracil, respectivamente. A biossíntese de novo dos nucleotídeos pirimídicos ocorre de forma um pouco diferente em relação à síntese dos nucleotídeos púricos; o anel pirimídico de seis membros é sintetizado inicialmente, sendo então ligado à ribose-5-fosfato. Nesse processo, é necessário o carbamoil-fosfato, que também é intermediário no ciclo da ureia. Contudo, nos animais o carbamoil-fosfato necessário para a síntese da ureia é produzido na mitocôndria pela carbamoil-fosfato-sintetase I, enquanto que o carbamoil-fosfato necessário para a síntese de pirimidinas é produzido no citosol por uma forma diferente da enzima, a carbamoil-fosfato-sintetase II. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:16:48 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 104 O carbamoil-fosfato reage com o aspartato, produzindo carbamoilaspartato, N- sendo a reação catalisada pela aspartato transcarbamoilase. Em seguida, com o auxílio da diidroorotase, o anel pirimídico é fechado pela remoção de água, formando o L-diidroorotato, que sofre oxidação, sendo um NAD reduzido a NADH. + Forma-se o orotato. Quando, enfim, o anel pirimídico está completo, a ribose-5-fosfato é adicionada a ele pela enzima orotato-fosforribosiltransferase. O orotidilato formado é, então, descarboxilado, originando uridilato, que é fosforilado até UTP. Este, por sua vez, é transformado em CTP pela citidilato-sintetase. Os de soxirribonucleotídeos são produzidos a partir dos ribonucleotídeos correspondentes por redução direta do átomo de carbo -ribose, formando o no 2’ da D derivado 2’-desóxi. Por exemplo, o difosfato de adenosina (ADP) é reduzido a difosfato de 2’-desoxiadenosina (dADP) e o GDP é reduzido a dGDP. A reação é catalisada pela ribonucleotídeo-redutase. O DNA contém timina em vez de uracil, e a via de novo até a timina envolve apenas desoxirribonucleotídeos. O precursor imediato do timidilato (dTMP) é o dUMP. A conversão de dUMP em dTMP é catalisada pela , com timidilato-sintase concomitante oxidação de tetraidrofolato a diidrofolato. Este é reduzido novamente a tetraidrofolato pela enzima . diidrofolato- redutase 2.1) Regulação: A regulação da velocidade da síntese de nucleotídeos pirimídicos em bactérias ocorre, em grande parte, sobre a ação da (ATCase), as partato- transcarbamoilase que catalisa a primeira reação da via e é inibida pelo CTP, produto final da sequência. A molécula de ATCase completa, assim como suas subunidades, existe em duas conformações, ativa e inativa. Quando o CTP não está ligado às subunidades Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:16:48 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 105 reguladoras, a enzima apresenta atividade máxima. Na medida em que o CTP se acumula e se liga às subunidades reguladoras, estas sofrem uma mudança em sua conformação. Essa mudança é transmitida às subunidades catalíticas, que também mudam para uma conformação inativa. 2.2) Catabolismo: As vias de degradação das pirimidinas geralmente levam à produção de NH e, 4+ assim, à síntese de ureia. A timina, por exemplo, é degradada em semialdeído metilmalônico, um intermediário do metabolismo da valina. Esse composto é então degradado, via propionil-CoA e metilmalonil-CoA, gerando, por fim, succinil-CoA. 2.3) Doenças: A formação excessiva de catabólitos pirimidínicos raramente está associada a anormalidades importantes, uma vez que são compostos hidrossolúveis e, portanto, são mais fáceis de serem excretados. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:16:48 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 106 INTEGRAÇÃO DO METABOLISMO ENERGÉTICO 1) O fígado processa e distribui os nutrientes: O fígado funciona como o centro de distribuição do organismo, exportando nutrientes nas proporções corretas para os órgãos, reduzindo as flutuações no metabolismo causadas pela ingestão intermitente de alimento e processando o excesso de grupos amino em ureia e outros produtos para serem eliminados pelos rins. 1.1) Metabolismohepático da glucose-6-fosfato: 1. A glucose-6-fosfato é desfosforilada pela glucose-6-fosfatase para gerar glucose livre, que é exportada para repor a glucose sanguínea. A exportação é a via predominante quando o estoque de glucose-6-fosfato é limitado, porque a concentração da glucose no sangue deve ser mantida suficientemente alta (4 mM) para fornecer energia adequada para o encéfalo e outros tecidos; 2. A glucose-6-fosfato que não é necessária de imediato para manter a glicemia é convertida em glicogênio hepático ou direcionada para um de vários outros destinos. 3. Seguindo a glicólise e a reação da piruvato-desidrogenase, a acetil-CoA formada pode ser oxidada no ciclo do ácido cítrico para a produção de energia, com a geração de ATP pela transferência de elétrons e a fosforilação oxidativa. (Normalmente, contudo, os ácidos graxos são o combustível preferido para a produção de energia nos hepatócitos.); 4. A acetil-CoA também pode servir como precursora dos ácidos graxos, que são incorporados em TAGs e fosfolipídeos, e do colesterol. Grande quantidade dos lipídeos sintetizados no fígado é transportada pelas lipoproteínas sanguíneas para outros tecidos. 5. A glucose-6-fosfato pode, alternativamente, entrar na via das pentoses-fosfato, gerando poder redutor (NADPH) necessário para a biossíntese de ácidos graxos e colesterol, e D-ribose-5-fosfato, um precursor para a síntese de nucleotídeos. O NADPH também é um cofator essencial na detoxificação e eliminação de muitas drogas e outros xenobióticos metabolizados no fígado. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:16:48 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 107 1.2) Metabolismo hepático de aminoácidos: 1. Eles são precursores para a síntese proteica. O fígado repõe constantemente suas proteínas, que têm uma taxa de renovação relativamente alta, sendo também o local de biossíntese da maioria das proteínas plasmáticas; 2. Alternativamente, os aminoácidos passam via corrente sanguínea para outros órgãos, onde são usados na síntese das proteínas teciduais. 3. Outros aminoácidos são precursores na biossíntese de nucleotídeos, hormônios e outros compostos nitrogenados no fígado e em outros tecidos; 4a. Os aminoácidos que não são utilizados como precursores biossintéticos são transaminados ou desaminados e degradados para gerar piruvato e intermediários do ciclo do ácido cítrico, com vários destinos; 4b. A amônia liberada é convertida em ureia, um produto de excreção; 5. O piruvato pode ser convertido em glucose e glicogênio pela gluconeogênese; 6. Ou pode ser convertido em acetil-CoA, que tem vários destinos possíveis: 7. Oxidação via ciclo do ácido cítrico 8. E fosforilação oxidativa para produzir ATP, 9. Ou conversão em lipídeos para armazenamento. 10. Os intermediários do ciclo do ácido cítrico podem ser desviados para a síntese de glucose pela gluconeogênese. O fígado também metaboliza os aminoácidos que provêm intermitentemente de outros tecidos. O sangue é suprimido adequadamente com glucose logo após a digestão e a absorção dos carboidratos da dieta ou, entre as refeições, pela conversão do glicogênio hepático em glucose sanguínea. Durante o intervalo entre as refeições, especialmente se for prolongado, algumas proteínas musculares são degradadas em aminoácidos, que doam seus grupos amino (por transaminação) para o piruvato, o produto da glicólise, formando alanina que é transportada para o (11) fígado e desaminada. Os hepatócitos convertem o piruvato resultante em glucose sanguínea via gluconeogênese , e a amônia em ureia para excreção . uma (5) (4b) vantagem deste ciclo glucose-alanina é amenizar flutuações nos níveis de glucose sanguínea nos intervalos entre as refeições. O déficit de aminoácidos imposto aos músculos é suprido após a próxima refeição pelos aminoácidos da dieta. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:16:48 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 108 1.3) Metabolismo hepático de ácidos graxos: 1. Alguns ácidos graxos são convertidos em lipídeos hepáticos; 2. Na maior parte das vezes, os ácidos graxos são o principal combustível oxidativo do fígado. Ácidos graxos livres podem ser ativados e oxidados para gerar acetil- CoA e NADH; 3. A acetil-CoA é posteriormente oxidada no ciclo do ácido cítrico; 4. E as oxidações no ciclo promovem a síntese de ATP por fosforilação oxidativa; 5. O excesso de acetil-CoA, não requerido pelo fígado, é convertido em acetoacetato e β-hidroxibutirato. Estes corpos cetônicos circulam pelo sangue para outros tecidos, para serem usados como combustível para o ciclo do ácido cítrico. Os corpos cetônicos podem ser considerados como uma forma de transporte de grupos acetil. Eles podem suprir uma fração significativa da energia em alguns tecidos extra-hepáticos; 6. Uma parte da acetil-CoA derivada dos ácidos graxos (e da glucose) é usada na biossíntese de colesterol, que é necessário para síntese de membranas. O colesterol também é precursor de todos os hormônios esteroides e dos sai biliares, que são essenciais para a digestão e a absorção de lipídeos; 7. Os ácidos graxos são convertidos em fosfolipídeos e TAGs de lipoproteínas plasmáticas, que transportam os lipídeos para o tecido adiposo para serem armazenados como triacilgliceróis; 8. Alguns ácidos graxos livres são ligados à albuminasérica e transportados para o coração e para os músculos esqueléticos, que os captam e oxidam como um importante combustível. A albumina é a proteína plasmática mais abundante. Uma molécula pode transportar até 10 moléculas de ácidos graxos livres. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:16:48 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 109 2) Metabolismo corporal em estado alimentado: Imediatamente após uma refeição rica em calorias, a glucose, os ácidos graxos e os aminoácidos entram no fígado. A insulina, liberada em resposta à alta concentração sanguínea de glucose, estimula a captação do açúcar pelos tecidos. Parte da glucose é exportada para o encéfalo para suas necessidades energéticas e parte para os tecidos adiposo e muscular. No fígado, o excesso de glucose é oxidado a acetil-CoA, que é usada na síntese de ácidos graxos, que são exportados com triacilgliceróis em VLDLs para os tecidos adiposo e muscular. O NADPH necessário para a síntese de lipídeos é obtido pela oxidação da glucose na via das pentoses-fosfato. O excesso de aminoácidos é convertido em piruvato e acetil-CoA, que também são usados para a síntese de lipídeos. As gorduras da dieta se deslocam na forma de quilomícrons, via sistema linfático, do intestino para o músculo e o tecido adiposo. 3) Metabolismo corporal em estado de jejum: Após algumas horas sem alimento, o fígado torna-se a principal fonte de glucose para o encéfalo. O glicogênio hepático é degradado, e a glucose-1-fosfato produzida é convertida em glucose-6-fosfato e, a seguir, em glucose livre, que é liberada para a corrente sanguínea. Os aminoácidos procedentes da degradação das proteínas no fígado e no músculo e o glicerol oriundoda degradação dos TAGs no tecido adiposo são usados para a gluconeogênese. O fígado usa os ácidos graxos como seu combustível principal, e o excesso de acetil-CoA é convertido em corpos cetônicos que são exportados para outros tecidos; o encéfalo é particularmente dependente deste combustível quando há deficiência de fornecimento de glucose. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:16:48 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 110 Apesar dos mecanismos hormonais para a manutenção do nível de glucose no sangue, ela começa a diminuir depois de dois dias de jejum. O nível de corpos cetônicos, quase indetectáveis antes do jejum, aumenta drasticamente após 2 a 4 dias de jejum. Estas cetonas hidrossolúveis, acetoacetato e β-hidroxibutirato, suplementam a glucose como fonte de energia durante o jejum prolongado. Os ácidos graxos não servem como combustível para o encéfalo, porque não atravessam a barreira hematoencefálica. Vide o seguinte gráfico, ilustrando o que foi dito: Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:17:16 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 111 4) Metabolismo energético do fígado em jejum prolongado ou diabete: Após a depleção dos estoques de carboidratos, as proteínas se tornam uma fonte importante de glucose, produzida pela gluconeogênese a partir dos aminoácidos glicogênicos . Os ácidos graxos importados do tecido sdiposo são convertidos – (1) a (4) em corpos cetônicos para serem exportados para o encéfalo . As setas – (5) a (8) tracejadas representam as reações com fluxo reduzido nessas condições. 5) Leptina e grelina hormônios que controlam o apetite: – Leptina: O tecido adiposo produz hormônios peptídicos, conhecidos como adipocinas. Eles podem agir localmente ou sistemicamente, levando informações para outros tecidos e para o encéfalo sobre a adequação das reservas de energia (TAGs) armazenadas no tecido adiposo. A leptina é uma adipocina que, ao alcançar o cérebro, age nos receptores hipotalâmicos e . O receptor de leptina é expresso principalmente em reduz o apetite regiões do cérebro que regulam o comportamento alimentar. Esse hormônio leva a mensagem de que as reservas de gordura são suficientes, e promove uma redução na captação de combustível e um aumento no gasto de energia. A interação leptina- receptor no hipotálamo altera a liberação de sinais neuronais para a região do cérebro que controla o apetite. A quantidade de leptina liberada pelo tecido adiposo depende do número e do tamanho dos adipócitos. Quando a massa do tecido adiposo aumenta, a leptina liberada inibe o consumo de alimentos e a síntese de gordura, estimulando a oxidação de ácidos graxos. Quando a massa do tecido adiposo diminui, a produção reduzida da leptina favorece uma maior ingestão de alimento e uma redução na oxidação dos ácidos graxos. Impresso por Rhyan Petterson, CPF 062.409.203-80 para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 07/10/2021 13:17:16 Rodrigo Fioravanti Braga (Nélson 87) - 2014 NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de Bioquímica de Lehninger – 5ª Ed. ARTMED, 2011. 112 A redução no nível de leptina, provocada pela deficiência nutricional, reverte os processos de termogênese, permitindo a conservação de combustível. Assim sendo, a redução da leptina (de modo a diminuir sua ação no hipotálamo) também provoca redução na produção do hormônio da tireoide (reduzindo o metabolismo basal), redução não produção de hormônios sexuais (prevenindo a reprodução) e aumento na produção de glicocorticoides (mobilizando os recursos corporais geradores de combustível). Por minimização do gasto de energia e maximização do uso das reservas endógenas de energia, estas respostas mediadas pela leptina podem permitir a um animal sobreviver em períodos de grave privação nutricional. Grelina: A grelina é um hormônio peptídico prouzido pelas células que revestem o estômago. Além se ser mediador da liberação do GH, é um potente estimulante do apetite, que funciona em uma escala mais curta (entre as refeições) do que a leptina e a insulina. Os receptores de grelina relacionados ao apetite estão localizados no hipotálamo. A concentração de grelina no sangue varia entre as refeições, atingindo um pico imediatamente antes da refeição e diminuindo rapidamente logo após a refeição. À esquerda: os níveis plasmáticos de grelina aumentam bastante imediatamente antes da hora normal das refeições e diminuem rapidamente após as refeições, acompanhando a sensação subjetiva de fome. À direita: os níveis de insulina aumentam imediatamente cada refeição, em após resposta ao aumento da concentração de glucose sanguínea. “Qualquer um que pretenda ter mais que uma compreensão extremamente superficial da vida, em todas as suas diversas manifestações, necessita da bioquímica.” Hans Adolf Krebs