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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA DISCIPLINA: TÓPICOS DE HISTÓRIA POLITICA DO BRASIL I DOCENTE: JOSÉ ALVES DIAS DISCENTE: YASMIN SILVA PAIXÃO RESUMO CRÍTICO DO FILME “ UMA CIDADE SEM PASSADO” Do diretor Michael Verhoeven, o filme “Uma Cidade sem Passado”, baseado em uma história verídica, conta a trajetória da jovem estudante alemã, Sonja Rosenberger, que ao participar de um concurso de redação, no qual o tema era “Minha Cidade Natal no III Reich”, se depara com inúmeros obstáculos ao iniciar suas pesquisas. Além da dificuldade em acessar os arquivos municipais do período, por conta das leis classificação em caso de documentos sigilosos, Sonja ainda enfrenta o silencio da própria população, que se negar a fornecer informações do período e ainda a hostiliza por sua tentativa de resgatar a memória histórica da cidade. O longa está inserido no contexto da Alemanha de 1970, período da guerra fria, e é narrado pela protagonista, passando a impressão de que a própria Sonja está tentando resgatar sua história através da memória da cidade. Não existe uma verdade absoluta para um acontecimento histórico, pois ele é sempre composto de duas ou mais versões, dessa forma, a memória relacionada a esse período histórico encontrava-se em conflito, visto que existia uma polarização de ideias entre ocidente e oriente (capitalismo e socialismo) na Alemanha. Por conta dessa cisão, para a população, revisar o passado desse país era algo extremamente delicado, pois eles encontravam-se num momento de valorização da pátria, reconstrução da glória alemã e, ao mesmo tempo, uma negação do passado nazista do país ou do impacto desse regime sobre sua cidade natal. Portanto, Sonja, que num primeiro momento tinha intenção de demonstrar a luta da sua cidade contra o regime nazifascista, percebe que muitos fatos sobre a história da cidade foram ocultados, passando a ter como motivação a busca pelo verdadeiro passado. Além da história, o filme se destaca do ponto de vista metodológico, pois ele apresenta os principais passos de uma pesquisa historiográfica. A protagonista utiliza várias fontes, como jornais, documentos oficiais da época, documentos dos arquivos públicos, além da História oral, utilizando- se de depoimentos pessoais de quem vivenciou a época. O filme traz um debate sobre a importância da memória para o resgaste histórico, como ela, apesar de crucial para o trabalho do historiador, pode ser manipulada a depender do contexto histórico e da relação de poder existente em determinado período. Segundo Le Goff, a memória é elemento essencial na constituição da identidade, individual ou coletiva e a memória coletiva, apesar de ser uma conquista, é também um instrumento e um objeto de poder ligada estritamente a uma classe social dominante, levando, por muitas vezes, a uma ausência de memória ou um esquecimento intencional, que é o caso do filme “Uma Cidade Sem Passado”. O longa traz um desfecho surpreendente, em sua cena final, a população da cidade sem saber mais como impedir Sonja, decide “apoiá-la”, fazendo uma reparação para opinião pública, e a homenageando com um busto. Porém, a protagonista, por acreditar que o ato era apenas mais um mecanismo de silenciamento, recusa a homenagem e, num momento de desespero, foge com sua filha mais velha para um lugar em que ela se sentia segura, um refúgio de sua memória, a arvore dos milagres, onde em sua adolescência ela fazia seus pedidos e orações. Referências: • LE GOFF, Jacques. História e memória. Tradução de Bernardo Leitão. 5º Ed. Campinas: Editora da UNICAMP. 2003. • Uma Cidade sem Passado. Direção: Michael Verhoeven. Alemanha, 1990.