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CURSO TÉCNICO EM AGROPECUÁRIA APOSTILA MÓDULO II 1º BIMESTRE SUMÁRIO Agroindústria-----------------------------------------------------------------------02 Avicultura---------------------------------------------------------------------------21 Culturas Anuais II------------------------------------------------------------------30 Fruticultura--------------------------------------------------------------------------41 Manejo do Solo---------------------------------------------------------------------49 Ovinocaprinocultura----------------------------------------------------------------69 Suinocultura-------------------------------------------------------------------------75 Referências Bibliográficas --------------------------------------------------------84 CURSO TÉCNICO EM AGROPECUÁRIA A G R O IN D Ú S T R IA 3 AGROINDÚSTRIA A agroindústria brasileira é um setor próspero que superou grandes desafios nos últimos anos, gerando divisas e empregos. O país conta com uma enorme extensão territorial, mas a ferramenta que propicia essa obtenção de resultados é, essencialmente, o conhecimento. Com o crescimento das fronteiras agrícolas e a expansão da produção agroindustrial e, especificamente, com o aumento da importância estratégica da produção de alimentos para o mercado internacional, o Brasil vem se mostrando competitivo no que se refere ao agronegócio, em que o país consegue obter mais produção com menos tecnologias que os países ricos. O termo agroindústria é definido e descrito por diferentes instituições e entidades. Entretanto, estas se dão em duas abordagens principais: uma ampliada e outra mais restrita. Num conceito ampliado, agroindústria engloba o complexo agroindustrial (CAI) como um todo, ou seja, todos os agentes que fazem parte do segmento de insumos e fatores de produção (antes da porteira), da produção propriamente dita (dentro da porteira), do processamento e da transformação até a distribuição e o consumo (depois da porteira). A agroindústria, no entanto, definida por um conceito mais restrito revela basicamente as indústrias que se dedicam à transformação e ao processamento de matérias-primas agropecuárias (de origem animal e vegetal). Tais matérias-primas que são transformadas e preservadas através de alterações físico-químicas, caracterizam-se por apresentar grande variabilidade (qualitativa e quantitativa), diferentes graus de perecibilidade e sazonalidade. A agroindústria é o conjunto de atividades relacionadas à transformação de matérias-primas provenientes da agricultura, pecuária, aqüicultura ou silvicultura. Numa linguagem mais rural pode- se dizer que as atividades da agroindústria classificam-se em: atividades antes da porteira, atividades dentro da porteira e atividades depois da porteira. Em termos mais simplistas podemos dizer que, agroindústria é apenas um dos itens da chamada organização da produção, que envolve todo o processo de produção deste as atividades chamadas antes da porteira, como insumos, sementes, máquinas e equipamentos, mão-de-obra e crédito, passando pela produção dentro da porteira, onde os agricultores geram a matéria prima, chegando depois da porteira, que prevê a transformação industrialização e comercialização da produção até o consumidor final. Já para Araújo (2005, p. 93), agroindústria é uma unidade empresarial na qual ocorrem as etapas de beneficiamento, processamento e transformação de produtos agropecuários “in natura” até a embalagem, prontos para comercialização, envolvendo diferentes tipos de agentes econômicos, como comércio, agroindústrias, prestadores de serviços governo e outros. Agroindústria pode ser definida como todo “o segmento industrial de produtos alimentícios, as indústrias que transformam matéria-prima agropecuária em produtos intermediários para fins alimentares e não alimentares como casos especiais, as indústrias de óleos vegetais não comestíveis, de insumos agropecuários”. (MARION, 1996 apud DORIGHELLO, 2003, p. 37). Segundo Araújo (2005, p. 93) na agroindústria existem dois grupos distintos de agroindústrias: Agroindústrias não alimentares: como fibras, couros, calçados, óleos vegetais não comestíveis e outras; Agroindústrias alimentares: voltadas para a produção de alimentos (líquidos e sólidos), como sucos, polpas, extratos, lácteos, carnes e outros. Nas agroindústrias alimentares e não alimentares os procedimentos industriais são bem distintos uns dos outros, enquanto que os cuidados são maiores e bastantes específicos nas agroindústrias alimentares, nas não alimentares os procedimentos industriais gerais são bastante similares aos de indústrias de outros setores. Sendo assim, os cuidados adotados pelas agroindústrias alimentares se justificam, pois elas tratam da produção de alimentos e têm uma preocupação muito 4 maior, que é a segurança alimentar dos consumidores, com o objetivo de fornecimento de alimento seguro para a saúde do consumidor. A agroindústria ocupa destaque no Brasil, constituindo-se no segmento mais importante do setor industrial sendo o setor agroindustrial de alimentos o mais interiorizado, favorecendo a política de emprego, ficando o mais próximo possível da área rural. Na atividade agroindustrial encontram-se o beneficiamento dos produtos agrícolas, a transformação dos produtos zootécnicos e dos produtos agrícolas como a cana-de-açúcar em álcool, soja em óleo, a moagem do trigo etc. Nesse contexto, vários benefícios são promovidos pela agroindustrialização: a) Maior integração do meio rural com a economia de mercado; b) Especialização da agricultura com a consequente redução de custos na produção; c) Padronização da produção; d) Processamento industrial; e) Redução dos índices de perdas pós-colheita; f) Regularização do abastecimento, por meio da sazonalidade da oferta, inerente à maioria dos produtos agropecuários. A agroindustrialização do meio rural pode proporcionar a integração do setor rural com a economia de mercado, além de garantir uma regularização no abastecimento em períodos de sazonalidade da oferta. Os produtos agropecuários em sua maioria são produzidos em um único período do ano. Logo, a agroindustrialização destes produtos pode impulsionar a padronização da produção e garantir sua oferta durante todo ano. O processamento de produtos agropecuários pode promover a especialização da agricultura, reduzir os índices de perdas pós-colheita e com a consequente redução de custos na produção. A especialização consiste basicamente em concentrar as atividades da empresa em determinado segmento de mercado ou na utilização de dada tecnologia. Esta estratégia é muito utilizada por pequenas empresas que buscam, desta forma, ocupar os espaços de mercado não ocupados pelos grandes grupos empresariais. Contudo, apesar dos avanços tecnológicos nas regiões mais pobres do país, verifica-se, ainda, a movimentação inadequada dos alimentos. Uma grande parcela da produção é perdida, com implicações socioeconômicas diretas: redução da disponibilidade de alimentos e conseqüente elevação dos preços. A solução deste problema está, sem dúvida, no aprimoramento de técnicas direcionadas à conservação e ao armazenamento de alimentos, ou seja, no incremento da agroindústria e na modernização dos canais de comercialização. ATIVIDADES 01 – Qual a definição de agroindústria, num contexto globalizado? _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ ________________________________________________ 02 - Na agroindústria existem dois grupos distintos de agroindústrias. Cite-as: ____________________________________________________________________________________________________________________________________________ 03 -Vários benefícios são promovidos pela agroindustrialização. Cite 4 desses benefícios: _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 5 OBJETIVOS DA INDUSTRIALIZAÇÃO DE ALIMENTOS A eliminação dos desperdícios, principalmente de frutos e hortaliças, bem como um abastecimento equilibrado durante o ano inteiro só seria possível através de uma tecnologia adequada, principalmente à que se refere à industrialização do alimento, desta maneira a tecnologia de alimentos constitui o elo de ligação entre a produção e o consumo. O emprego de métodos e respectivas técnicas visando a conservação do alimento por um período de tempo mais prolongado ou seja, a industrialização do alimento, tem os seguintes objetivos: Estimular cada vez mais a produção agrícola, permitindo que grande parte do alimento seja aproveitado no próprio local de produção, através de indústrias que fixariam grande parte da população nessas regiões. Reduzir o desperdício dos alimentos (perda no transporte e armazenamento inadequados de vegetais "in natura") aumentando a sua disponibilidade. Manter a distribuição de alimentos uniforme o ano todo. Favorecer o transporte de alimentos por longas distâncias, atingindo regiões que não possuem condições de produzirem certos alimentos. Oferecer ao consumidor alimentos variados a exemplo de sucos, compotas, geleias, extratos etc. com a manutenção máxima possível de suas qualidades nutricionais e organolépticas. Facilitar a vida diária do consumidor pela utilização de alimentos prontos ou semi-prontos. CAUSAS DAS ALTERAÇÕES DE FRUTOS E HORTALIÇAS Os alimentos de um modo geral estão sujeitos a sofrerem alterações, estragando-se ou deteriorando-se quando não consumidos após a colheita, se precauções não forem tomadas, visando sua preservação. Essas alterações em princípio são de ordem FÍSICA, QUÍMICA E BIOLÓGICA. ALTERAÇÕES DE ORDEM FÍSICA Incluem-se os danos mecânicos que os alimentos podem sofrer, tais como: quebra amassamento, cortes e outros. Também o ar, luz, temperatura, e outros agentes físicos podem causar alterações em certas características do alimento tais como: aparência, cor, sabor e ainda no valor nutricional. As alterações físicas na maioria das vezes proporcionam o início de alterações de ordem química e biológica. ALTERAÇÕES DE ORDEM QUÍMICA A mais importante a ser considerada seria a alterações químicas enzimáticas. As enzimas são definidas como um complexo de moléculas orgânicas com o poder de acelerar uma reação química. São de natureza protéica e possuem atividade metabólica. Algumas vezes sua presença nos alimentos é vantajosa e pode ser aproveitada para melhorar o gosto, a textura ou a aparência do alimento, outras vezes as enzimas podem induzir reações indesejáveis sendo o controle dessas reações o que viria a determinar em grande parte a qualidade do produto processado. Na célula vegetal intacta, a ação de enzimas pode ser controlada por vários mecanismos naturais, porém, quando essas células são danificadas, como durante o processamento de frutas e hortaliças, o controle desses mecanismos deixa de existir e as reações enzimáticas podem ocorrer descontroladamente causando alterações indesejáveis até mesmo em alimentos congelados. Entre as alterações químicas enzimáticas em frutos e hortaliças as mais importantes seriam as causadoras de: A) Escurecimento do produto, B) Mudança na textura (amolecimento), C) Mudança no valor nutritivo (perda) 6 ALTERAÇÕES DE ORDEM BIOLÓGICA São resultantes da ação de organismos vivos (microrganismos, insetos e roedores) que estragam ou decompõem os alimentos num determinado período de tempo após a colheita, principalmente durante um armazenamento inadequado do alimento. MICRORGANISMOS De um modo geral os microrganismos que atuam nos alimentos são os fungos ou bolores, bactérias e leveduras, que podem desempenhar muitas vezes atividade útil na obtenção de vários alimentos como queijos, iogurtes, vinhos, vinagres etc, outras vezes atuam deteriorando os alimentos e disseminando doenças. Os microrganismos que transmitem doenças são denominados "patogênicos" e quando estão presentes nos alimentos, mesmo em quantidades pequenas, os tornam condenados ao consumo humano, tais microrganismos são responsáveis por envenenamento ou intoxicação alimentar resultante da ingestão de alimentos contendo "toxinas" produzidas por microrganismos. INSETOS E ROEDORES Os insetos e roedores podem alterar os alimentos, consumindo-os no todo ou em parte, e na maioria das vezes agem disseminando doenças (moscas, baratas, ratos etc.). Essas alterações são mais significativas em grãos e cereais. As doenças transmitidas são geralmente por contaminação fecal. ex.: coliformes fecais. Portanto, torna-se necessário após a colheita, proteger os alimentos de possíveis ataques desses animais, utilizando armazenamento apropriado. Noções de higiene, como utensílio, ambiente de trabalho e alimentos manuseados em aula pratica, utilizando procedimentos de higiene e limpeza pessoal de instalações e de equipamentos Os alimentos podem ser contaminados por contato com superfícies e equipamentos que não estão suficientemente limpos. Micro-organismos patogênicos podem se multiplicar em partículas de alimentos de utensílios que não estão adequadamente lavados. É necessário à limpeza adequada dos equipamentos, utensílios e do ambiente, pois o alimento durante a manipulação entra sempre em contato com a mão do homem. A OMS recomenda a utilização do cloro, pois possui condições adequadas: agente fungicida e bactericida, e quando usado nas concentrações adequadas é de baixa toxicidade. Utensílios, peças de equipamentos, bancadas, pisos, paredes, câmeras e ralos (método químico) Alguns métodos são utilizados na higiene ambiental, são eles: - Lavar bem com água e sabão; - Enxaguar bem em água corrente (preferencialmente quente); - Imergir ou banhar por 2 minutos em água clorada a 250ppm. Depois de lavados, deve-se secar ao ar, em local adequado a fim de evitar a recontaminação. A higiene poderá ser feita em apenas uma operação, no caso de se utilizar detergentes que possuem cloro em sua composição química. Nesse caso, ao aplicar o produto, deixar agir por 10 minutos, em seguida enxaguar bem em água corrente. (SILVA JÚNIOR, 1995) Higiene dos alimentos Segundo Silva Júnior (1995), a higiene dos alimentos se caracteriza pelos processos, nos quais os alimentos tornam-se higienicamente adequado ao consumo. Para isso utilizam-se técnicas de calor ou frio, além das técnicas de limpeza e desinfecção. Higienização correta dos vegetais, legumes e frutas: Preparar um local próprio para higienização, fazendo desinfecção deste local; 7 Lavar os vegetais folhosos folha a folha e os legumes e frutas um a um, em água corrente potável (se bem feita elimina 74% doas sujidades e micro-organismos presentes), retirando as partes estragadas e as sujidades; Em seguida imergir os vegetais, frutas ou legumes em solução clorada (entre 150 e 200 ppm de cloro ativo) por um período de 15 minutos; Escorrer os resíduos, retirando as sobrenadantes; Para finalizar deve se enxaguar bem com água corrente potável. Limpeza e desinfecção A limpeza é operação de remoção de substâncias minerais e/ou orgânicas desejáveis, tais como terra, poeira, gordura e outras sujidades. A desinfecção é a operação de redução, por método físico e/ou agente químico, do número de microorganismos em nível que não comprometa a qualidade higiênico-sanitáriodos alimentos. De acordo com Arruda (1998), uma das maneiras para evitar os riscos de contaminação cruzada dos alimentos é a higienização do ambiente. A limpeza e a desinfecção são procedimentos necessários para a higienização ambiental e devem ser realizadas de acordo com a periodicidade e as normas estabelecidas anteriormente. Todas as bancadas, utensílios, equipamentos e área devem ser higienizadas com detergente neutro e enxaguadas com solução clorada a 200ppm de cloro ativo ou álcool á 70° GL, permanecendo no mínimo por 10 minutos. Para o caso de áreas e equipamentos com grande acúmulo de sujidades é aconselhado à utilização de produto desincrustaste com ação de no mínimo 30 minutos. Após a desincrustação deve ocorrer a higienização e enxágue com detergente neutro e solução clorada, respectivamente. Os produtos de limpeza devem atender a legislação vigente, possuindo registro atualizado no Ministério da Saúde. Procedimentos e critérios (temperatura e controle de higienização) A cozinha é o lugar onde os alimentos são submetidos às técnicas de cocção, sem deixar de lado os critérios de segurança sanitária. Arruda (1998), afirma ainda que a eliminação das formas vegetativas dos micro-organismos patogênicos é adquirida através da cocção. Para o autor quando não for possível manter o alimento quente o reaquecimento é recomendado, quando a temperatura do alimento alcançar temperaturas mais baixas que 60ºC antes da distribuição desde que não ultrapasse o critério de tempo, ou seja, o período de 2 (duas) horas. Além disso, os alimentos quentes em espera para distribuição e os que vão ser transportados internamente devem permanecer a uma temperatura maior que 60ºC ou mais baixa que 10ºC. O tempo também é muito importante no êxito da execução das preparações, pois o mesmo afirma que os alimentos devem ser preparados poucas horas antes do momento de servi-los e que deve existir o monitoramento da validade através de etiquetas datadas. No ambiente, nos equipamentos e utensílios a higienização deve ser realizado com o uso de detergente neutro e solução clorada a 200(duzentos) ppm de cloro para a desinfecção com duração mínima de 10 minutos. O enxágue deve ser feito com água corrente antes da reutilização Uma das técnicas para a proteção dos alimentos na hora da execução é o filme ou saco plástico igual em toda a sua superfície, durante a espera das etapas de um processo e/ ou no armazenamento. Observação: Ministério da Saúde Secretaria de Vigilância Sanitária - PORTARIA Nº 326, DE 30 DE JULHO DE 1997. Utensílios de limpeza Se não se efetuar a higienização dos utensílios de limpeza utilizados na higiene das instalações, equipamentos e utensílios, como por exemplo, esfregões, escovas, entre outros, pode ocorrer contaminação dos locais onde são utilizados. É também essencial que estes utensílios apresentem um bom estado de conservação e higiene. 8 Assim sendo, depois de utilizados, devem ser: Lavados em água corrente; Mergulhados numa solução de detergente/desinfetante; Passados por água corrente; Secos ao ar; Guardados em armário próprio, separados dos restantes produtos, e nunca em conjunto com produtos alimentares. Procedimentos de limpeza dos equipamentos e utensílios A limpeza, lavagem e desinfecção dos equipamentos e utensílios devem ser efetuadas após cada utilização, no final de cada fase de trabalho e sempre que se justifique. Um procedimento de limpeza deve contemplar as seguintes etapas: 1-Desmontagem dos equipamentos; 2-Remoção dos resíduos dos alimentos; 3-Lavagem com água e detergente adequado utilizando uma esponja, escova, entre outros; 4-Enxaguamento com água corrente, de forma a remover os resíduos de sujidade e dos detergentes; 5-Aplicação de um desinfetante, e deixá-lo atuar de acordo com as indicações do fabricante; 6-Enxaguamento final com água limpa, para retirar restos de desinfetante; 7-Realizar pôr fim a secagem e proteger os equipamentos e utensílios de sujidade, poeiras, insetos ou outros agentes de contaminação. ATIVIDADES 01 - Os alimentos de um modo geral estão sujeitos a sofrerem alterações, estragando-se ou deteriorando-se quando não consumidos após a colheita, se precauções não forem tomadas, visando sua preservação. Cite essas alterações e explique uma delas. _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 02 – Qual a definição dos microrganismos que atuam nos alimentos? _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 03 – Com relação à higienização dos alimentos, como deve ser esse procedimento em vegetais folhosos e legumes? _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ ALTERAÇÕES DE ALIMENTOS São todas as modificações que ocorrem nos alimentos, destruindo parcial ou totalmente suas características essenciais, comprometendo: Essas alterações podem ser: 1. Microbianas; 2. Físicas ou mecânicas; 3. Químicas; 4. Bioquímicas ou enzimáticas; 5. Por ataque de insetos ou roedores. Essas modificações podem tornar o alimento indesejável ou inadequado à sua ingestão. Classificação segundo a resistência aos processos de alterações principalmente os de origem microbiana): 9 Alimentos perecíveis ou alteráveis; Alimentos semi-perecíveis ou semi-alteráveis; Alimentos não perecíveis, estáveis ou não alteráveis. A alteração do alimento vai desde a simples mudança organoléptica até a putrefação. Utilização do alimento alterado -depende do grau de alteração: Qualidades essenciais conservadas – consumo sem perigo; Alterações de pouca intensidade ou superficial - podem ser utilizadas como matéria prima, na fabricação de seus derivados. Ex: produtos com alterações que são aproveitados: Leite acidificado (para o fabrico de produtos de panificação e de confeitaria); Leite “talhado” (para fazer requeijão); Queijos fora dos padrões exigidos (para a elaboração de queijos fundidos); Frutas fermentadas (para a obtenção de vinagre); O pão “dormido” (farinha de rosca ou pudim) etc. Alteração da totalidade do alimento:- ingestão contra indicada; Aproveitamento - tolerado para a indústria de adubos, de sabão etc. CAUSAS DE ALTERAÇÕES DE ALIMENTOS: Crescimento e atividade dos microrganismos; Ação das enzimas presentes nos alimentos; Reações químicas não enzimáticas; Alterações provocadas por insetos e roedores; Mudanças físicas, como aquelas ocasionadas por queimaduras, congelação, desidratação, pressão, etc; Ação de agentes de outras origens. DIMENSÕES DAS ALTERAÇÕES ALIMENTARES É possível considerar as alterações alimentares em tipos separados. Às vezes, porém, a ação combinada de diferentes causas torna a alteração de tipo misto. A ação destes fatores isolados ou combinados pode ser favorecida por várias circunstâncias e podem ser agrupadas como: Falhas na coleta e obtenção do produto alimentício; Omissões na elaboração do produto; Incorreções nos processos de preservação; Inadequações do material de envasamento; Impropriedades do transporte. CAUSAS DE ALTERAÇÕES DE ALIMENTOS: 1.Crescimento e atividade dos microrganismos Seus efeitos podem ser benéficos ou maléficos. Microrganismos mais importantes na Tecnologia de alimentos: Fungos (mofos e leveduras); BactériasMofos São multicelulares; Crescimento é logo conhecido, aspecto semelhante ao algodão. Algumas espécies são: Responsáveis pela decomposição de hortaliças; Patógenos para raízes, etc; Alteração em cerejas, hortaliças e pão. Outras espécies participam da elaboração de alguns produtos: Maturação de queijos; Alimentos e bebidas orientais (saké – preparada a partir do arroz); Teor alcoólico e sabor especial de alguns vinhos. Leveduras São unicelulares. Benéficas: Elaboração de vinhos, Cervejas, aguardentes, Pão, maturação superficial de queijos, etc. 10 Prejudiciais: Podem alterar sucos de frutas, xaropes, carnes e outros alimentos. Bactérias Benéficas: Acéticas - fabricação de vinagres, lactobacillus – elaboração de produtos derivados do leite; - fermentação láctica de produtos vegetais (picles, chucrute, azeitona). Prejudiciais: Salmonellas – infecções alimentares. Clostridium – alterações em milho, ervilha -Intoxicação alimentar (C. botulinum) Pseudomonas – deterioração de produtos delaticínios e de pescados. Escherichia coli e Enterobacterformam o grupo coliforme e são utilizadas como índice de sanidade de um alimento, por ser uma boa indicadora de contaminação por fezes. 2. Ação das enzimas presentes nos alimentos; As alterações enzimáticas de alimentos, ocorrem por enzimas procedentes do próprio produto ou elaboradas por microrganismos. Ao contrário das alterações microbianas, que podem tornar os alimentos perigosos para o consumo, as alterações enzimáticas raramente lhe conferem nocividade. Enzimas mais importantes na tecnologia de alimentos: Amilases, invertases e lactases; Pécticas; Proteolíticas; Oxidases. Os tipos de alterações que as enzimas causam aos alimentos, mais relacionadas às modificações de seus caracteres organolépticos, do que à sua total decomposição- os mais atingidos são a cor (clorofila ou carotenóides), aroma (rancidez em gorduras) e a textura do produto. 3. Reações químicas não enzimáticas; Entre as principais temos o ranço oxidativo e o escurecimento químico dos alimentos. Ranço Oxidativo: Esta reação é acelerada pelo oxigênio, luz (especialmente ultravioleta), temperatura, metais (especialmente cobre e ferro), enzimas (lipoxidase) e presença de oxidantes naturais. Escurecimento químico: Escurecimento ou “browning” químico é o nome que se dá a uma série de reações químicas que culminam com a formação de pigmentos escuros conhecidos com o nome genérico de melanoidinas. É uma reação desejável em alguns casos, como na fabricação de cerveja, pão, café, batata-frita, produção de caramelo e indesejável, como nas frutas desidratadas, ovo em pó, suco concentrado de frutas, especialmente de limão, etc. Três mecanismos ou tipos principais de escurecimento químico não enzimático: a reação de Maillard, o mecanismo do ácido ascórbico e a caramelização. Reação de Maillard: Envolve uma série de reações que se iniciam com a combinação entre o grupamento carbonila de um aldeído, cetona ou açúcar redutor, com o grupamento amino de aminoácido, peptídeo ou proteína, e culminando com a formação de pigmentos escuros. Mecanismo do ácido ascórbico: O ácido ascórbico tem sido considerado como o responsável pelo escurecimento de sucos cítricos concentrados, principalmente os de limão e tangerina. O ácido ascórbico, quando aquecido em meio ácido, origina compostos de coloração escura. Caramelização: A caramelização ocorre quando compostos polidroxicarbonilados (açúcares ou certos ácidos) são aquecidos a temperaturas relativamente altas. 4. Alterações provocadas por insetos e roedores; Os insetos são importantes, principalmente na destruição de cereais e frutas e hortaliças. O problema maior da presença do inseto não é o alimento que ele consome mas, sim o fato de ele deixar uma porta de entrada para o ataque dos microrganismos. 11 Os roedores, principalmente os ratos, são, também, consumidores de alimentos e por isso sérios competidores do homem. Alteram os alimentos não só pelo que consomem, mas, principalmente pela contaminação que provocam. 5. Mudanças físicas; São alterações causadas por choques ou pressões físicas ou mecânicas; Exemplos: amassamento de latas em conserva, rachadura na casca de ovo, queimadura de vegetal pelo frio ou desidratação, perda de umidade por evaporação da água de constituição etc. 6. Ação de agentes de outras origens. 6.1 Falhas na coleta e obtenção do produto se relacionam com a não observância e a falta de cautela na defesa da integridade do produto, a ausência de certas operações inevitáveis e as práticas condenáveis que repercutem nos caracteres organoléticos dos alimentos. Ex: A ordenha do leite (contaminação do leite); Colheita de frutas, com o arrancamento do pedúnculo (facilidade de apodrecimento da fruta); Utilização de explosivos ou de arpões, durante a pesca (danificação do pescado); Sangramento insuficiente (na matança de gado ou outros animais de grande porte) etc. 6.2 Omissões na elaboração de produtos Condições de menor defesa diante dos agentes de alterações. Ex: os desequilíbrios proporcionais de substâncias indispensáveis às preparações (quantidade inadequada de coalho, para a coagulação do leite); O emprego em alimentos, de temperaturas desajustadas em tempo e grau de calor; Cocção deficiente de pesos de carnes de grande espessura, etc. 6.3Incorreções nos processos de preservação Conferem aos alimentos maior fragilidade e, conseqüentemente, sua maior acessibilidade às alterações. Além do processo de sua preservação, eles passem por operações complementares. Ex: manutenção do peixe, após seu descongelamento em temperatura imprópria; O não arejamento de carnes submetidas à salga; A permanência em geladeiras ou câmaras frigoríficas, de produtos de sensibilidade à baixa temperatura e umidade; O congelamento de verduras, sem que haja prévio “branqueamento” etc. 6.4 Inadequações do material de envasamento Ex: -latas fechadas, que apresentam fissuras, por defeitos de soldagem; Alimentos de concentração lipídica, contidos em embalagens transparentes; Certos alimentos envasados em embalagens flexíveis, sujeitos à trocas gasosas ou permeáveis aos raios ultra-violeta, etc. 6.5 Impropriedades do transporte Cooperam para que determinados alimentos, atingidos principalmente em sua textura, fiquem mais sujeitos às alterações. Acondicionamento mal feito; Longos percursos sem os cuidados exigidos; Exposições ao calor; Choques durante os trajetos. 12 ATIVIDADES 01 - Quais as modificações que ocorrem nos alimentos, destruindo parcial ou totalmente suas características essenciais, comprometendo-os? _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 02 – Atuam principalmente na destruição de cereais e frutas e hortaliças. O problema maior não é o alimento que ele consome, mas, sim o fato de ele deixar uma porta de entrada para o ataque dos microrganismos. O texto se refere à? _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ PROCESSAMENTO MÍNIMO DE ALIMENTOS 1. Introdução Os vegetais minimamente processados, ou as saladas prontas para consumo, têm tido crescente aceitação dos consumidores, particularmente nos grandes centros urbanos, por atenderem adequadamente aos requisitos contemporâneos de saudabilidade, praticidade e segurança. O setor de alimentos minimamente processados, em que os produtos são higienizados e cortados antes de chegar ao consumidor, tem crescido como um todo e se diversificado, abrangendo novos produtos, inclusive frutas.Como setor agroindustrial moderno e competitivo, os processadores dependem de inovação tecnológica e da adoção de sistemas de garantia de qualidade para a sustentabilidade do agronegócio. As cadeias agroalimentares de hortaliças e frutas vem sendo beneficiadas pelo uso da tecnologia de processamento mínimo. O principal impacto desta tecnologia consiste na redução do desperdício e de perdas pós-colheita observadas, bem como permite aos diversos produtores, principalmente os pequenos de origem familiar organizados, agregar valor aos seus produtos agrícolas, com aumento da sua renda. Entre outros benefícios desta tecnologia estão a redução no volume do lixo urbano e os impactos positivos na comercialização de frutas e hortaliças, com melhor aproveitamento dos produtos e maior remuneração ao setor. Em empresas de processamento mínimo , onde foram postas em prática ações relativas à melhoria da sanitização das hortaliças, à reavaliação do fluxo de trabalho, incluindo mudanças nas instalações, e aos procedimentos de manipulação da matéria-prima e do produto acabado, a fim de evitar a contaminação microbiológica, garantiu-se uma padronização do produto final, com níveis microrganismos patogênicos e deteriorantes dentro dos limites aceitáveis pela legislação, o que contribuiu para aumentar a vida útil dos produtos, tornando-os mais seguros. 2. Boas Práticas aplicadas ‘a produção de vegetais minimamente processados Este capítulo contém informações técnicas sobre o processamento de vegetais minimamente processados, relacionadas a cadeia produtiva seguindo o conceito de alimento seguro, dirigidas ao micro e pequeno produtor e empresário rural que deseja implementar uma agroindústria de base familiar, ou melhorar as suas condições de processamento, quando esta já estiver implementada. As hortaliças e frutas minimamente processadas representam uma alternativa de aproveitamento desses produtos no período da safra, desde que sejam processados criteriosamente, para se garantir a qualidade do produto final. Para que estes produtos sejam consumidos sem nenhum preparo adicional e possam ser conservados por mais tempo, sem causar problemas à saúde dos consumidores, devem-se adotar as boas práticas no seu preparo, e as recomendações de refrigeração no seu armazenamento e distribuição. 13 2.1 Os Cuidados pré e pós-colheita na matéria-prima É importante ressaltar que quanto menor for o tempo entre a colheita e o processamento propriamente dito, melhor será a qualidade e a vida útil do produto final processado. 2.1.1 Recepção, seleção e acabamento da matéria-prima. A matéria-prima deve ser submetida à inspeção de qualidade. Caso a mesma apresente características indesejáveis para o processamento, deve ser rejeitada. Os vegetais devem ser conduzidos rapidamente da plataforma de recepção para o processamento ou para o local de estocagem, evitando exposição desnecessária a fontes de contaminação e/ou deterioração. Após esta etapa, o produto deve ser selecionado, descartando-se folhas manchadas, produtos com defeitos e deteriorados. Atenção deve ser dada aos aspectos de segurança, como níveis residuais de pesticidas e elevada carga microbiana, que poderão ser controlados através de manejo adequado, visitas periódicas e treinamento aos produtores, fornecedores de matéria-prima. Nos casos em que há necessidade de estocar a matéria-prima antes de processá-las, deve-se estocar em ambiente refrigerado, em temperatura de 3°C a 5°C. Quando o tempo de estocagem é prolongado e principalmente quando se tratar de folhosas, é aconselhável elevar a umidade relativa do ambiente para aproximadamente 90%. Na recepção deve-se ter documentação de controle de recebimento de matéria-prima, visando garantir a rastreabilidade para cada produto e fornecedor, quando for o caso. A matéria-prima deverá ser selecionada e preparada de maneira a promover maior uniformização e padronização do produto. Desta forma, em hortaliças folhosas, as folhas externas deverão ser removidas visando a redução de sua contaminação natural existente, pelo contato com o solo, devendo aproveitar somente aquelas que permitam uniformização e padronização. Deve-se descartar também as raízes e tubérculos que apresentem podridões e manchas internas. 2.2 Processamento da matéria-prima Procedimentos básicos para eliminar ou minimizar a contaminação da microbiota inicial em níveis aceitáveis pela legislação em vigor, sem oferecer riscos ao consumidor: − A matéria-prima deve ser pré-lavada em água limpa potável clorada com 100 a 200ppm de cloro livre na temperatura na faixa de 5 a10ºC com o objetivo de reduzir a temperatura inicial do produto (pré-resfriamento). Nesta etapa devem-se usar caixas plásticas ou tanques em aço inoxidável, para que haja imersão completa do vegetal, visando remover as sujidades aderidas à superfície. A cloração desta água está descrita no capitulo 1. Para facilitar a retirada de sujidades aderidas na superfície do vegetal pode-se utilizar um sabão líquido especifico para vegetais dentre os disponíveis no mercado. Caso sejam utilizados esses detergentes, a pré-lavagem deve ser realizada somente com água potável com residual de cloro na faixa de 1 a 2 ppm, pois o detergente pode reagir com o cloro em altas doses diminuindo a sua eficácia. − Para a operação de corte das frutas e hortaliças devem-se utilizar facas de aço inoxidável, cortadores manuais ou equipamentos que utilizam sistemas de lâminas de corte diferenciados, de acordo com a espessura, tamanho e formato do produto desejado. As facas e/ou as lâminas de corte do equipamento devem ser mantidas bemafiadas, limpas e sanitizadas, para reduzir o dano e possíveis contaminações nos tecidos dos produtos processados. − Deve-se realizar nova lavagem após a etapa de corte das frutas e hortaliças, utilizando-se água fria (5ºC), para remoção de resíduos remanescentes e contaminações microbiológicas oriundas da manipulação. A única forma de reduzir significativamente a microbiota, existente nas frutas e hortaliças minimamente processadas é através da lavagem associada à desinfecção eficiente. − Para a desinfecção, o produto processado deve ficar em contato em uma solução de hipoclorito de sódio, em concentrações de 100 a 200 ppm de cloro (1 a 2 ml de hipoclorito de sódio a 10% para 1 L 14 de água), durante um período de 10 a 15 minutos, devendo-se monitorar a concentração do cloro através de papel indicador ou testes colorimétricos como os utilizados em piscinas. Para evitar que a matéria orgânica remanescente na solução reaja com o cloro diminuindo o seu efeito, recomenda-se trocar a água após duas a três lavagens. − É necessário que o pH da solução seja corrigido com ácido muriático, objetivando-se trabalhar com um pH em torno de 6,5 a 7,0. Nesta faixa de pH o cloro se torna mais eficaz como agente germicida. Estes ácidos encontram-se disponíveis em casas especializadas em produtos químicos ou de materiais de construção. − A qualidade da água é um dos fatores mais importantes para a garantia da qualidade dos vegetais minimamente processados. A fonte de água deve ser considerada na implantação de uma indústria deste setor, sendo sua qualidade, principalmente a química, oriunda da utilização de agrotóxicos, e a microbiológica devem ser periodicamente monitoradas. Os seguintes parâmetros devem ser controlados na etapa de lavagem de vegetais minimamente processadas: - Qualidade da água usada; - Quantidade da água usada (5 a 10L/kg de produto); - Temperatura da água (5oC para reduzir e manter a temperatura do vegetal); - Tempo de lavagem e desinfecção (15 minutos por lavagem) - A etapa seguinte a lavagem e desinfecção é a centrifugação do produto processado. Como alternativa, pode-se adaptar e empregar centrífuga doméstica para roupas, exclusiva para este fim. Por ter suas peças internas que entram emcontato com o produto construídas em material plástico, de difícil desmontagem, é necessário ter maior rigor na higienização e sanitização das mesmas. A centrifugação tem por objetivo retirar excesso de água da superfície produto sem danificá-lo. Por conseqüência haverá menor desenvolvimento microbiano, com aumento da vida útil do produto final. 2.3 Considerações sobre embalagem, armazenamento e transporte Embalagem (Pesagem, selagem e identificação). O produto deve ser acondicionado em sacos plásticos de polietileno de alta e baixa densidade, polipropileno e PVC, de acordo com o tipo de matéria-prima a ser embalada. A embalagem deve ser selada com seladoras elétricas reguladas e adequadas, para evitar falhas de selagem e riscos de contaminação e redução da vida útil do produto. Em determinadas situações, que dependem do mercado e do tipo de produto, o uso de atmosfera modificada ativa via injeção de uma mistura de gases (nitrogênio, dióxido de carbono e oxigênio) no interior da embalagem pode possibilitar uma maior vida útil ao produto, desde que não provoque uma condição de anaerobiose (falta de oxigênio) que poderá favorecer o crescimento de microrganismos anaeróbios com sérios riscos para a saúde do consumidor. Não se recomenda a escolha desta tecnologia sem a assistência técnica especializada. Nesta etapa, o produto acondicionado deve ser submetido a uma inspeção visual para assegurar a integridade da embalagem, evitando a entrada de ar e a possível recontaminação microbiana do produto. Para a identificação deve-se seguir as recomendações de rotulagem no capitulo 2. Os produtos embalados devem ser colocados em caixas plásticas retornáveis. Isto facilita o armazenamento e a distribuição do produto. Estas caixas plásticas devem ser limpas e desinfectadas sempre que as mesmas retornem para a empresa. Armazenamento. Após ser embalado, o produto deve ser armazenado sob refrigeração (0°C a 5°C). A refrigeração, juntamente com a embalagem e sanitização do produto são os fatores mais importantes na manutenção da qualidade e na segurança do alimento minimamente processado. Quando adequados, reduz o crescimento de microrganismos deteriorantes e/ou patogênicos. Transporte. O produto refrigerado deve ser distribuído, para sua comercialização, o mais rápido possível, em caixas isotérmicas (isopor) previamente higienizadas 15 com solução de hipoclorito de sódio (50 ppm). Pode-se, também, adicionar camadas de gelo em escama para auxiliar na manutenção da baixa temperatura. Opcionalmente, pode ser utilizado 6 veículos refrigerados em casos de produção em maior escala e distribuição mais demorada, que requerem uma maior estabilidade da temperatura de armazenamento do produto. 2.3.1 Influência da temperatura na qualidade e segurança do alimento O processo de sanitização e a cadeia de frio (temperatura de refrigeração desde o processamento do produto até sua comercialização) são fatores básicos e cruciais na disponibilização de produtos seguros ao consumidor. Portanto, a qualidade das hortaliças minimamente processadas depende também da temperatura em cada etapa de seu processamento. O processo de sanitização apresenta limitações na redução da carga microbiana, principalmente em produtos que apresentam elevada carga microbiana. Deste modo os processadores de alimentos necessitam selecionar matérias-primas com baixo nível de contaminação microbiana, especialmente por psicotróficos que são microrganismos que se desenvolvem em temperaturas de refrigeração. Em geral, os produtos minimamente processados podem ser armazenados a temperatura próxima de 0°C, inclusive produtos que sofrem injúrias pelo frio (chilling). Sabe-se que a nível de supermercado, a temperatura das gôndolas varia muito, podendo oscilar de 5°C a 10°C, dependendo da eficácia dos equipamentos e do manejo dos produtos nas gôndolas. Os vegetais minimamente processados tem sua “vida de prateleira“ aumentadas substancialmente quando armazenadas de 0°C e 5°C. A variação de temperatura superior a faixa recomendada durante a estocagem, distribuição e a comercialização é um problema grave nos produtos minimamente processados. Isto ocorre porque aumenta a taxa de respiração dos vegetais, alterando a atmosfera otimizada para a conservação do produto. Nos casos mais críticos onde todo o oxigênio é consumido, ocorre anaerobiose (ausência de oxigênio), o que possibilita o desenvolvimento de microrganismos patogênicos, representando um risco a saúde do consumidor. As preocupações relacionadas aos alimentos minimamente processados incluem: Variações na qualidade e “vida de prateleira” Necessidade de um controle rígido de temperatura Sanitização eficiente Manutenção da qualidade do produto, em relação ao sabor e aroma e ao valor nutricional. As grandes redes de comercialização têm cobrado cada vez mais de seus fornecedores a implementação de processos para a melhoria de qualidade, constituindo-se assim um fator decisivo na seleção destes fornecedores. Diante disto, cada vez mais as empresas produtoras adotarão o gerenciamento da cadeia alimentar, enfatizando entregas mais rápidas, maior gerenciamento da cadeia de frio e tecnologias de embalagens melhoradas, tendo todos estes pontos baseados em uma melhor demanda de informação e qualidade do produto final. 2.4. Considerações sobre Higienização de equipamentos e utensílios Os equipamentos e utensílios utilizados como caixas plásticas, tanques de inox, facas e mesas devem ser sanitizados periodicamente, ou seja, no início, ao final de cada expediente e em casos de interrupções temporárias. Controle de qualidade dos alimentos Envolvem processos para conservar a qualidade física e nutritiva do alimento. Objetivos: Garantir segurança do alimento na embalagem;Controlar a matéria-prima quanto à qualidade;Controlar o produto em relação a seu tempo de vida útil;Manter ou melhorar as condições do produto em termos dos valores nutritivos; DEFINIÇÃO 16 Invólucro destinado a proteger os produtos alimentícios durante o manuseio e a estocagem, preservando os para posterior consumo durante a entressafra, além de protegê-los contra danos mecânicos e perda de qualidade. CATEGORIAS OU CLASSIFICAÇÕES Embalagens primárias: são as que entram em contato direto com o alimento. Ex: latas, sacos plásticos e garrafas. Embalagens secundárias: são as que protegem as embalagens Primárias. Ex: caixas de papelão, "over wrapps" e rótulos. Embalagens terciárias ou de transporte: empregadas para acondicionar e proteger as embalagens primárias e secundárias durante o transporte, estocagem e distribuição dos produtos alimentícios. Ex: engradado, caixas de papelão e contentores. REQUISITOS DE USO Manter condições de segurança contra agentes microbianos e enzimáticos, físicos, químicos e ambientais; a) Ser isenta de toxicidade; b) Não causar incompatibilidade com o produto; c) Ser adequada à forma, tamanho e peso do produto; d) Por sua aparência e poder visual, propiciar a venda do produto; e) Possuir qualidades funcionais: Fácil transporte e armazenamento do produto; Desembaraço em seus sistemas de fechamento e abertura; Dispositivos de observação de seu conteúdo; f) Fora dos casos excepcionais, ser de baixo custo; g) Educar o consumidor para a compra e uso do produto; h) Indicar a origem do produto, fabricante e padrão de qualidade; i) Contribuir o menos possível para o problema da poluição. ORIGEM DAS MATÉRIAS-PRIMAS a) Animal: bexiga, cera animal, estômago, pele de porco, tripa. b) Vegetal: bambu, borracha, cera vegetal, cipó, fibras prensadas (eucatex), folhas verdes, madeira, papel e derivados, palha. c) Mineral: barro cozido, certos metais, folha de flandres, folha de alumínio, louça, materiais de revestimento, mármore, parafina, plásticos, vidro. d) Sintética: plásticos. REQUISITOS FUNDAMENTAIS PARA EMBALAGENSDE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS a) Conter o produto: A embalagem deve ser facilmente moldada e alimentada na máquina de enchimento; Deve permitir um enchimento adequado, dentro das tolerâncias legais e econômicas; Ser fechada satisfatoriamente; Embalagens de transporte: devem apresentar dimensões exatas depois de cheias e seladas para facilidade de encaixotamento; Resistência compatível com as pressões interna e externa, principalmente em produtos enlatados submetidos a processamento térmico. b) Proteger o produto: Altas umidades relativas podem diminuir a resistência das caixas de papelão utilizadas para acondicionar frutas in natura; Pressão excessiva no empilhamento; Temperaturas elevadas causam alterações nas propriedades físicas dos materiais, provocando deformações, rupturas, etc. Impactos e quedas durante o carregamento e transporte; Falta de cuidado ou proteção adequada nos depósitos; Barreira contra insetos, germes e mofo, e contra a ação da luz, às vezes prejudicial para determinados produtos; Antocianinas enfraquecem a estrutura de embalagem pela corrosão. SELEÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA Condições da matéria prima que influem na seleção da embalagem: a) Estado físico do produto: sólido, líquido, cremoso ou em pó. 17 b) Penetração de umidade, de gases e de luz: a penetração desses agentes poderá torná-lo impróprio para o consumo. c) Causas de modificações nutritivas e organoléticas: ex. alimentos ácidos causam corrosões nas latas. d) Interações entre a embalagem e o produto: por dissolução do estanho (influência da embalagem, do produto ou do processamento) por presença de N03 e S02, etc. PARA VENDA DE UM PRODUTO: São vários os parâmetros utilizados para que um produto possa ser vendido: Descrição concisa do produto; Valorização da marca, logotipo e nome do fabricante; Conteúdo líquido: peso, volume e número de unidades; Instruções de uso; Ilustração do produto; Espaço para o preço. PROCESSAMENTO DO LEITE 1. INTRODUÇÃO Com o aumento do consumo e da produção do leite, surgiu a necessidade de aprimoramento de técnicas e de higienização na obtenção, transporte e conservação do leite, com o objetivo de garantir um produto limpo e saudável e com maior tempo de conservação. Por isso existem inúmeros processos que podem ser feitos ao leite para melhora da qualidade e aumentar a vida de prateleira do produto. 2. HIGIENIZAÇÃO As tetas do animal a ser ordenhado devem sofrer prévia lavagem com água corrente, seguindo-se secagem com toalhas descartáveis e início imediato da ordenha, com descarte dos jatos iniciais de leite em caneca de fundo escuro ou em outro recipiente específico para essa finalidade. Em casos especiais, como os de alta prevalência de mamite causada por microrganismos do ambiente, pode-se adotar o sistema de desinfecção das tetas antes da ordenha, mediante técnica e produtos desinfetantes apropriados, adotando-se cuidados para evitar a transferência de resíduos desses produtos para o leite (secagem criteriosa das tetas antes da ordenha). Após a ordenha, desinfetar imediatamente as tetas com produtos apropriados. Os animais devem ser mantidos em pé pelo tempo necessário para que o esfíncter da teta volte a se fechar. Para isso, recomenda-se oferecer alimentação no cocho após a ordenha; O leite obtido deve ser coado em recipiente apropriado de aço inoxidável, náilon, alumínio ou plástico sem cheiro e refrigerado até a temperatura de 7°C em até 3 h (três horas); A limpeza do equipamento de ordenha e do equipamento de refrigeração do leite deve ser feita de acordo com instruções do fabricante, usando-se material e utensílios adequados, bem como detergentes sem cheiro e incolores. Observação: A filtragem e o resfriamento do leite imediatamente após a ordenha é uma medida eficiente para diminuir o crescimento microbiano no leite e aumentar seu tempo de conservação, isto é, leite sem acidificação. Não é possível, evidentemente, produzir um leite isento de bactérias, mas é tanto possível como necessário produzir um leite com um mínimo de bactérias. 3. PROCESSAMENTO O processamento do leite pode ser feito com duas finalidades: Produção de leite para consumo (Leite pasteurizado ou leite UAT); Produção de derivados. O processamento do leite e seus derivados em nível industrial requer a execução de diferentes operações. 3.1 RESFRIAMENTO A temperatura do leite na ocasião da ordenha (± 35°C), é bastante favorável à multiplicação dos germes e, consequentemente é prejudicial à fabricação de derivados. O resfriamento do leite é uma medida bastante eficaz no que diz respeito à contenção da acidificação causada pelas bactérias. 18 Para a fabricação de queijos, em nível de fazenda, a melhor opção é a transformação imediata do leite logo após a ordenha, ficando o resfriamento restrito a um acidente qualquer que por ventura impeça a fabricação do queijo no mesmo dia da ordenha. 3.2 PADRONIZAÇÃO Padronização é a retirada parcial da gordura do leite. Mantém constante o teor no produto final. O leite é padronizado tipo C e UHT é padronizado com 3% de gordura. Feita por desnatadeiras centrífugas, o laticínio usa para si o creme retirado para a fabricação de manteiga, requeijão, etc. Os leites tipo A e B não sofrem padronização, devem ser integrais. 3.3 PASTEURIZAÇÃO Pasteurizar consiste no aquecimento do leite a uma determinada temperatura, por um determinado tempo, visando eliminar bactérias patogênicas e reduzir as deterioradoras, seguido de resfriamento, aumentando a vida útil do leite, sem alteração sensível da sua composição nutricional e sensorial. Nunca esquecer que a Pasteurização é um recurso, usado para retardar a deterioração do leite. O processo, se bem executado, permite destruir a totalidade das bactérias nocivas à saúde e reduzir muito aquelas que não fazem mal, que apenas azedam o leite. O leite pasteurizado, portanto, dura mais e não oferece riscos para o consumo. A pasteurização é um tratamento indispensável e obrigatório. Além das vantagens mencionadas, ajuda também na uniformização do produto final e melhora a ação dos fermentos pela eliminação da concorrência de bactérias. 3.3.1 Tipos principais Lenta: Baixa temperatura longo tempo – 650 C por 30 minutos – Artesanal. Rápida: Alta temperatura curto tempo – 750 C por 15 segundos – Industrial. Pasteurização Lenta Consiste em aquecer o leite a 65°C e mantê-lo a esta temperatura por 30 minutos. Durante este tempo, o leite deve ser agitado para: Evitar aderência às paredes do recipiente, promover aquecimento uniforme de todas as suas partículas e, ao mesmo tempo, evitar formação de espuma. Este processo é mais usado em pequenas indústrias onde o volume de produção não justifica a aquisição de um pasteurizador de placas. Neste caso, é importante rapidez no resfriamento. Lentidão, nesta fase, pode favorecer o aumento considerável de bactérias que não fazem mal a saúde, porém acidificam o produto e também daquelas maléficas que porventura possam entrar em contato com o produto durante o resfriamento. Pasteurização Rápida Consiste em aquecer o leite a 75°C e mantê-lo, por 15 segundos, em um equipamento com trocadores de calor de placas. É o processo mais usado em indústrias de médio e grande porte. A temperatura e o tempo de pasteurização foram determinados em função de destruição da bactéria Coxietaburnetti (agente infecciosa da febre Q), que é a bactéria patogênica mais resistente à alta temperatura e que pode estar presente no leite. 3.4 HOMOGEINIZAÇÃO A homogeneização é o processo que consiste em passar o leite à pressão através de um aparelho semelhante a um coador com buracos muito pequenos, reduzindo então o Tamanho dos glóbulos graxos, evitando portando a separação da gordura. A homogeneização serve para impedir a formação de nata no leite pasteurizado, sendo essencial para o leite Longa Vida, deixando oleite mais branco, melhorando o aspecto, palatabilidade e digestão e ainda melhora a qualidade do queijo e iogurte. 4. DERIVADOS A partir do leite é possível a elaboração de diversos derivados, agregando valor ao produto. Os processos tecnológicos pelo qual o leite passa permite a elaboração de queijos, doces, iogurtes e muitos outros produtos. 4.1 LEITE RE CONSTITUÍDO É o produto resultante da dissolução em água, do adicionado ou não, de gordura láctea, até atingir o teor gorduroso fixado para tipo, seguido de homogeneização e pasteurização (Artigo 504 do RIISPOA). 19 4.2 CREME Entende-se por creme de leite o produto lácteo relativamente rico em gordura retirada do leite por procedimento tecnologicamente adequado, que apresenta a forma de uma emulsão de gordura em água (RIISPOA, Artigo 546). O creme obtido poderá ser submetido a pasteurização, a apertização ou ao tratamento UAT (UHT), sendo nestes casos denominados e a ele não é permitida a adição de nenhum aditivo ou coadjuvante para o creme pasteurizado, no entanto para os cremes esterilizado e UAT podem conter os agentes espeçastes e/ou estabilizantes, tais como: ácido algínico e seus sais de cálcio, sódio, potássio e amônio; carboximetilcelulose e seu sal de sódio, goma guar e pectina. Para informações complementar vide a Portaria N° 146 de 07.03.96 do Ministério da Agricultura. 4.3 MANTEIGA Entende-se por manteiga o produto gorduroso obtido exclusivamente pela bate ção e malaxagem, com ou sem modificação biológica do creme pasteurizado, derivado exclusivamente do leite de vaca, por processos tecnologicamente adequados. A matéria gorda da manteiga deverá estar composta exclusivamente de gordura Láctea (RIISPOA, Artigo 568). 4.4 QUEIJOS “Entende-se por queijo o produto fresco ou maturado que se obtém por separação parcial do soro do leite ou leite reconstituído (integral, parcial ou totalmente desnatado) ou de soros lácteos, coagulados pela ação física do coalho, enzimas especificas de bactérias específicas, de ácidos orgânicos, isolados ou combinados, todos de qualidade apta para uso alimentar, com ou sem agregação de substâncias alimentícias e/ou especiarias e/ou condimentos, aditivos especificamente indicados, substâncias aromatizantes e matérias corantes” (Art. 598 do RIISPOA). Devido à diversidade de processos tecnológicos empregados existe uma variedade de tipos de queijos tais como: Queijo Minas Frescal, Queijo Mussarela, Queijo Tipo Parmesão, Queijo Provolone, Queijo Prato e Ricota. 4.5 LEITES DESIDRATADOS Entende-se por “Leite desidratado” o produto resultante da desidratação (remoção de água) parcial ou total, em condições adequadas. Os produtos resultantes podem ser: o leite concentrado, evaporado, condensado e o doce de leite. a) Leite concentrado: produto resultante da desidratação de leite fluido, seguindo de refrigeração ou tratamento térmico condizente ao fim que se destina. b) Leite evaporado: ou “leite condensado sem açúcar” produto resultante da desidratação parcial do leite fluido, seguindo de homogeneização, enlatamento e esterilização (apertização) (RIISPOA—Art. 654). c) Leite condensado: ou “leite condensado com açúcar” produto resultante da desidratação parcial do leite fluido ao qual é adicionado xarope (glicose ou sacarose) seguindo de envasamento. São fases de fabricação de leite condensado: seleção do leite, padronização dos teores de gordura e de sólidos totais, pré-aquecimento, adição de xarope (solução de sacarose ou glicose), condensação, refrigeração, cristalização e enlatamento (RIISPOA— Art. 657). d) Doce de leite: produto, com ou sem adição de outras substâncias alimentícias, obtido por concentração e ação do calor a pressão normal ou reduzida do leite ou leite reconstituído, com ou sem adição de sólidos de origem láctea e/ou creme e adicionado de sacarose (parcialmente substituída ou não por monossacarídeos e/ou outros dissacarídeos). É proibido adicionar gorduras estranhas, gelificantes ou substâncias impróprias de qualquer natureza, embora inócuas, exceto o Bicarbonato de Sódio em quantidades suficientes à redução da acidez do leite e estabilizadores de caseína (RIISPOA — Art. 659). 4.6 LEITE EM PÓ (RIISPOA—Artigos de 669 a 679; e Portaria N°146 de 07/03/1996) Entende-se por leite em pó o produto obtido por desidratação do leite de vaca integral, desnatado ou parcialmente desnatado e apto para a alimentação humana, mediante processos tecnologicamente adequados. Considera-se fase de fabricação do leite em pó para consumo humano direto: seleção do leite, padronização dos teores de gordura e de sólidos. 20 4.7 OUTROS DERIVADOS Existem outros diversos derivados e todos eles tem a necessidade de ser processado seguindo as normas do RIISPOA. 5. PONDERAÇÕES FINAIS O processamento do leite e seus derivados exigem correta higienização evitando assim a contaminação do produto garantindo a qualidade do produto final ao consumidor. 21 CURSO TÉCNICO EM AGROPECUÁRIA A V IC U L T U R A 22 AVICULTURA INTRODUÇÃO Galinhas poedeiras ou de postura são aquelas destinadas à produção de ovos Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Resp.: Galinha (existe uma proteína na casca do ovo (OC-17) que é produzida apenas nos ovários dessas aves) Índice de desempenho produtivo médio Maturidade sexual (50%) 145 dias Pico de produção 92 a 95 % Peso do ovo 62 a 64 g Quantidade de ovos/ciclo de produção 302 a 312 ovos Consumo de Ração/dia 105 a 115 g ESCOLHA DAS POEDEIRAS até aqui Poedeiras leves: (Leghorn), ovos brancos Poedeiras Semipesadas (2.500 gr. Peso): (RhodeIslandRed e New Hampshire), ovo marrom escuro e claro, respectivamente. A criação de aves pode ser dividida em três fases: 1ª Fase - Cria ou Inicial: de 1 dia até 6 semanas de idade; 2ª Fase - Recria: de 7 a 17 semanas de idade; 3ª Fase - Produção: de 18 a 80 semanas de idade, podendo ainda se estender de 90 até 120 semanas se for realizada uma ou duas mudas forçadas. Geralmente esta prática está diretamente ligada ao preço do ovo no mercado. 1ª Fase - Cria ou Inicial - 1 dia até 6 semanas de idade Cuidados Iniciais: Comprar pintinhos de granjas conhecidas; Montar círculos, campânulas ou aquecedores; 23 Distribuir comedouros e bebedouros, forrar o piso dos círculos com papel; Momentos antes da chegada dos pintinhos, completar os bebedouros com água e os comedouros com ração; Vacinados contra marek, gumboro, bronquite e bouba aviária; Temperatura do ambiente Idade (dias) Temperatura (ºC) 1º e 2º 34ºC 3º a 6º 32ºC A partir do 7º dia 28º a 30ºC Círculo de confinamento utilizado para evitar que as aves se afastem muito da campânula ou aquecedor. O círculo pode ser feito de papelão, metal, duratex ou tela de arame resistente O círculo de confinamento deve ter aproximadamente de 50 a 60 cm de altura e, estar a uma distância de 0,6 a 1 m da extremidade da campânula. O círculo geralmente pode ser removido após uma semana. Manejo: Regular a altura das cortinas para manter o ambiente em condições ideais de conforto térmico, ventilação e umidade relativa; Após quinze a vinte dias devem-se manter as cortinas abaixadas, a não ser em momento de frio e ou chuvas de vento; Manter os bebedouros iniciais, ou pendulares sempre limpos e com água fresca no mínimo duas vezes ao dia; Disposição típica dos equipamentos dentro do círculo Inicialmente os círculos de proteção devem ser individualmente aumentados à partir do segundo dia Comcinco a seis dias, juntar dois círculos; Com doze a quinze dias, toda a metade do galpão deve estar ocupada; O galpão deve estar totalmente ocupado (até no máximo 20 dias). Deve-se retirar diariamente do galpão as aves mortas, lançando-as em fossa ou incinerando-as; Nunca deixar aves mortas sobre o solo nem lançá-las em cursos d`água; 24 Para controle da granja, realizar diariamente registros em fichas próprias, anotando-se peso da ração consumida, número de aves mortas e ou descartadas. Debicagem Objetivo: Manter a uniformidade do lote; Prevenir o canibalismo; Evitar o desperdício de ração Realizar entre 7 e 10 dias de idade (as pintinhas estão no círculo de proteção o que facilita apanhá- las). Uma segunda debicagem deve ser feita entre 10 e 12 semanas, em condições normais de criação. 25 2ª Fase - Recria – 7 semanas a 17 semanas de idade O desenvolvimento corporal é medido pelo peso médio do lote a pesagens feitas semanalmente durante toda a fase de recria; Pesar uma amostra entre 1 a 3 % do lote; Realizar as pesagens individuais para a análise de uniformidade. Água Constitui cerca de 75% do peso corporal de uma ave adulta e cerca de 65% do peso de um ovo Consumida duas vezes mais do que a ração pelas aves, podendo aumentar com a elevação da temperatura Em regiões quentes a temperatura da água de bebida deve estar abaixo da temperatura ambiente. ATIVIDADES 01 - A criação de aves pode ser dividida em três fases. Cite-as e explique uma delas. _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 02 – Como deve ser o manejo das cortinas na criação de aves? _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 03 – Quais são os objetivos da debicagem em aves? _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ Alimento A ração deve ser balanceada e conter os nutrientes necessários para o perfeito desenvolvimento das aves; Grande parte destes nutrientes como as vitaminas, pode perder seu valor nutricional quando exposto à umidade, luz solar ou calor; 26 O peso do lote, segundo a idade, poderá determinar alteração na quantidade de ração a ser consumida diariamente. Densidade de aves por metro quadrado em função da idade Idades (semanas) Densidade ( n° de aves por m² ) 1 a 2 30 a 40 3 a 6 18 a 22 7 a 18 19 a 15 Equipamentos indispensáveis na fase de cria/recria Comedouro tipo bandeja (60x40x4cm) = 1 bandeja/50 aves (1ª semana) Bebedouro copo pressão = 1 bebedouro/50 aves (1ª semana) Bebedouro automático = 1 bebedouro/80 a 100 aves (até 16 semanas) 3ª Fase – Produção - 18 semanas de idade até o abate Cuidados iniciais: Transferir as frangas de 15 e 16 semanas para o galpão de postura; Durante a transferência realizar a seleção e padronização das aves; Agrupar as frangas pela conformação (peso corporal) e maturidade sexual (desenvolvimento da crista); Alojar 3 ou 4 aves por gaiolas. Essa variação dependerá do tipo de gaiola e da característica da ave (pesada/leve). Formas ou Sistemas de Criação Três formas: Diretamente sobre o piso em todas suas fases; Dentro da gaiola; Piso na fase inicial e gaiola nas outras duas fases. Este último sistema de criação pode ser considerado o mais adequado: Facilidade da coleta dos ovos; Redução dos números de ovos sujos; Melhor alojamento de aves por m²; Uniformização de lotes; O número e disposição das gaiolas interferem na definição do comprimento e largura do galpão; Podem ser totalmente abertos, apenas com uma cerca viva ao sul, para impedir que o vento incida diretamente sobre a criação, facilitando ainda a retirada dos esterco; Os beirais do telhado devem ser longos para fora do galpão, evitando a entrada de chuvas; 27 Construção do galpão acima do solo e o piso sob as gaiolas precisam ser de terra para que haja maior absorção da umidade dos estercos; Sob as gaiolas que se encontram nas laterais, o piso inclinado voltado para fora é o mais adequado, pois evita o acúmulo de água das chuvas. Iluminação A quantidade de luz influencia na maturação sexual das aves e a taxa de produção de ovos Aumento semanal de 15 minutos no fotoperíodo diário, a partir de 18ª semanas de idade, até atingir um máximo de 16 horas de luz (natural + artificial) Manter-se sempre constante o fotoperíodo diário (16 horas de luz), durante todo o ciclo de produção. A diminuição da postura das aves durante a Quaresma tem uma explicação climática e biológica: Na época em que começa o outono, a luminosidade diminui. Com os dias mais curtos e com menos luminosidade, a galinha bota menos” (até 40%) Outro fator que influencia na postura é a troca de penas das aves, que ocorre durante todo o verão. “Ocorre um estresse do organismo das aves. O animal fica irritado porque coça e diminui a postura” Essas alterações atingem todos os tipos de galinhas, mas como as aves criadas em larga escala são confinadas em galpões onde as luzes artificias ficam acesas todo o tempo, são menos afetados pelas mudanças na duração do dia. Manejo Ambiente tranqüilo e evitar movimentação no local onde elas estiverem alojadas; Pesagem semanal até a 30º semana (controlar o desenvolvimento corporal); Controle das moscas; Quanto à presença do esterco, este só deverá ser retirado do galpão junto com todo o lote ou quando for realizar a muda forçada. Exigências Nutricionais e Manejo Alimentar Linhagens leves (100 gr./ave/dia); Linhagens pesadas/matrizes (150 gr./dia/ave;) Representa 70% do custo de produção; 28 Principal responsável pelo bom aproveitamento produtivo dos animais; A poedeira, quando já atinge seu auge de crescimento, consome ainda 41g de ração por cada ovo que produzi; Acima de 27ºC as aves começam a utilizar a energia para dissipar o calor, com dilatação de vasos sanguíneos e perda de calor através da crista; Com o aumento da temperatura ambiente as aves ofegam muito e ficam com as asas abertas na tentativa de perder calor, também é observada a queda na produção de ovos. Fase final da produção Retirar restos de ração nos comedouros e água dos bebedouros; Retirar equipamentos removíveis, promovendo completa lavagem e desinfecção destes; Retirar a cama ou esterco, ensacar e isolar da área da granja; Varrer pisos, gaiolas, telas e estrutura do telhado; Passar vassoura de fogo, e posteriormente lavar com jato de água, inclusive as cortinas; Repor os equipamentos após a secagem do galpão, levantar as cortinas e proceder a sua total desinfecção; Lavar os reservatórios de água, passar uma solução com desinfetante pela tubulação, seguida de água limpa; Promover uma limpeza dos arredores do galpão eliminando penas, entulhos e matos; Programar um vazio sanitário por um período mínimo de 15 dias; Para a criação em gaiolas, lavar todo o equipamento e fazer os reparos necessários. Muda Forçada É a renovação de penas, mais conhecida como muda forçada, poderá ocorrer diversas vezes na vida normal de uma ave. Em sua fase de crescimento ocorre duas mudas sucessivas antes de a ave ter o empenamento definitivo, chamado de empenamento de base.Nas poedeiras comerciais esta muda ocorre apenas depois de um longo período de produção Técnica para muda forçada Jejum por 10 dias (perder 25% do peso); 1º quatro dias de jejum (pedriscos de calcário para que as aves não utilizem o cálcio dos ossos para produzir os ovos); Ração baixo valor nutricional (dia sim dia não, do 11º ao 18º dia); Do 19º ao 28º dia (ração de postura a cada dois dias); A partir do 29º dia de muda (100 g de ração de postura por dia); Suspenda o fornecimento de luz artificial durante a muda (apenas a luz natural); Após o 28º dia (30 minutos de luz artificial por semana até chegar a 16 horas de iluminação); Permaneça até o final da produção com essa quantidade de luz; As aves submetidas ao programa de muda forçada devem atingir 50% da postura oito semanas após o inicio do processo. Os ovos O manejo com os ovos deve ser realizado de forma muito cuidadosa e criteriosa, com a finalidade de evitar ovos sujos, marcados ou quebrados. A maneira mais indicada é manter as gaiolas e ninhos limpos e fazer coleta de ovos, ao menos, quatro vezes ao dia (o ideal é que se faça o maior número de coletas ao dia). 29 Fatores que Influenciam a Produção dos Ovos Padrão Genético das Aves; Idade das Aves; Resistência a Doenças; Controle de Iluminação; Condições Ambientais; Troca das Penas; Alimentação; Beneficiamento, Processamento e Distribuição de Ovos. ATIVIDADES 01 - De que maneira a quantidade de luz influencia na maturação sexual das aves e a taxa de produção de ovos? _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 02 – Como deve ser o manejo na fase final de criação? _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 30 CURSO TÉCNICO EM AGROPECUÁRIA C U L T U R A S A N U A IS 31 CULTURAS ANUAIS CULTURA DA SOJA Importância e Aspectos Econômicos A soja é a mais importante oleaginosa cultivada no mundo. Seu alto teor de proteínas proporcionou múltiplas utilizações e a formação de um complexo industrial destinado ao seu processamento, visando a produção de óleo e farelo Dentre os fatores responsáveis pelo grande aumento da produção de soja brasileira podem-se citar: • condições favoráveis do mercado externo à comercialização da soja brasileira, que acontece justamente na entressafra norte-americana; • adaptação das cultivares oriundas do sul dos EUA na região Sul do Brasil; • disponibilidade de uma estrutura cooperativista, montada no sul do país; • aumento progressivo da capacidade de esmagamento da soja • apoio da pesquisa e da assistência técnica; Como a soja pode produzir mais A expressão do potencial produtivo da soja depende do meio ambiente (incidência de luz solar, temperatura, etc.), de técnicas adequadas de cultivo (preparo do solo, controle de pragas e doenças, sistema de plantio, cultivares, etc.), dos fatores físicos do solo (matéria orgânica, umidade, temperatura, textura, etc.), dos fatores químicos do solo (excesso de acidez, Al e Mn ou deficiência de P, K, Ca, Mg, S, micronutrientes, etc.) e, principalmente, do suprimento do nitrogênio (N) para a planta, que é o nutriente mais exigido pela cultura. Para cada 1000 kg de soja produzidos são necessários, aproximadamente, 80 kg de N. Ou seja, para uma produtividade de 5000 kg, seriam necessários 400 kg de N. O N que a soja necessita pode vir do solo, do fertilizante, ou do processo da fixação biológica do N2 atmosférico. As quantidades de N mineral provenientes do solo são baixas. O N dos fertilizantes nitrogenados é indesejável, pois ele possui custo elevado. Assim, a adição de N na forma de fertilizante deve ser evitada, pois ele é poluente, caro, não é eficiente para a cultura da soja e, principalmente, reduz a nodulação e a eficiência do processo de fixação simbiótica do N2. A atmosfera do solo possui 80% de N na forma gasosa (N2). Isoladamente, a soja, ou qualquer outra cultura, não consegue quebrar a tripla ligação entre os átomos de N do N2 atmosférico, nem absorvê-lo nessa forma. Isso só é possível através da fixação simbiótica. O processo de fixação simbiótica do N2 consiste de uma associação entre as bactérias do gênero Bradyrhizobium e a soja. A bactéria penetra no sistema radicular da soja, através dos pelos radiculares, e forma os nódulos. Portanto, para obter lavouras de soja com produtividade de 5000 kg/ha, é preciso plantar variedades de alto potencial produtivo, adaptadas, com técnicas adequadas de cultivo, em solos com boas condições físicas e químicas e, especialmente, em relação à inoculação das sementes de soja deve-se: (a) aplicar no mínimo 400 g de inoculante de boa qualidade por 50 kg de semente, (b) não aplicar os micronutrientes (molibdênio e cobalto) nas sementes, mas sim em pulverização foliar antes da floração e (c) efetuar o plantio com boa umidade evitando a aplicação de fungicidas nas sementes ou aplicar os fungicidas menos tóxicos para a bactéria que fixa o N simbioticamente. 32 ATIVIDADES 01 - Quais os fatores responsáveis pelo grande aumento da produção de soja brasileira? _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 02 – O potencial produtivo da soja depende de vários fatores. Cite 3 desses fatores. _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 03 – Explique como se dá a assimilação do Nitrogênio pela soja. _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ Introdução: A soja é supostamente originária de Glycineussuriensis, forma silvestre encontrada no leste da Ásia. Nome botânico: GlycineMax(L.) A soja tem uma grande diversidade morfológica e genética devido ao grande número de cultivar existente, oriundo dos esforços científicos que buscam melhorar a capacidade produtiva e a resistência da soja de pragas e doenças. Devem ser respeitadas as exigências da planta, tais como luz, temperatura, umidade, manejo, calagem e entre outros, para que ela possa ter um eficiente crescimento e o desenvolvimento, atingindo seu ponto máximo de potencial genético. MORFOLOGIA Raiz: A soja constitui no seu sistema Radicular a raiz axial principal e as raízes secundárias, distribuída em quatro ordens. Seu desenvolvimento é iniciado na germinação, desenvolvendo até a maturação fisiológica da planta. Caule: O caule da soja é do tipo Herbáceo ereto, pubescente e ramificado, desenvolve-se a partir do eixo embrionário, logo depois do início da germinação. Folhas:Ao longo do seu desenvolvimento, a planta da soja possui três tipos de folhas: as cotiledonares ou embrionárias, as simples ou unifolioladas e as trifolioladas ou compostas, cujo tamanho, formato e posicionamentos diferentes. Nagerminação e emergência surgem duas folhas cotiledonares que se diferem pela forma oval elíptica. Os cotilédones são essenciais para o desenvolvimento inicial da plântula, pois fornecem reservas de nutrientes e, quando esgotados, amarelecem murcham e caem. Flor: As flores da soja são formadas pelo cálice, corola, androceu e gineceu, ou seja, são flores completas. Fruto:É do tipo de vagem, achatado, reto a pouco curvado, pubescente e deiscente. A vagem tem de uma a cinco sementes, contudo, a maioria das cultivares apresenta as vagens com duas ou três sementes. A cor da vagem madura pode ser amarelo-palha muito claro, cinza-claro a quase preto. 33 Semente:A semente da soja é composta por um envoltório chamado tegumento. Há variações quanto à forma, tamanho, cor do tegumento, cor do hilo e cor dos cotilédones, Estádio de desenvolvimento: Para obter um sistema de produção eficiente, é fundamental caracterizar os estádios de desenvolvimento. Através de manejo adequado lavoura, levando a maximização dos recursos utilizados e obtenção de produtividade de grãos satisfatórios. O sistema de determinação dos estádios de desenvolvimento da soja foi proposto pelos cientistas Ferh e Caviness (1977) aceitos internacionalmente no qual consiste em dividir os estádios em dois: vegetativos e reprodutivos. No qual V é denominado para o estádio Vegetativo e R para os reprodutivos. Estádios Vegetativos. A subdivisão da fase Vegetativa é designada por números: V1, V2, V3 ...e Vn. Os dois primeiros estádios são designados por letra, VE e VC, cujo significado é estádio vegetativo Emergência e Cotilédone respectivamente. O último estádio é o Vn , onde “n” corresponde ao número de nós vegetativo formado por uma cultivar específico. Estádio Reprodutivo. Os estádios Reprodutivos são designados pela letra R seguido dos números de fases que vai de 1 a 8. As quatro primeiras fases do desenvolvimento: florescimento (R1 e R2), desenvolvimento da vagem (R7 e R8) avaliadas na haste principal. O crescimento vegetativo e surgimento de novos nós ocorrem durante alguns estádios reprodutivos, até início da formação da semente. É no estádio R1 que inicia o florescimento, as plantas estão em média entre 38 e 46 cm de altura e apresentam-se nos estádios vegetativos V7 a V10. O florescimento começa a partir do terceiro nó da haste principal, evoluindo para cima ou para baixo. Também ocorre intenso crescimento vertical das raízes e aumento das raízes secundárias nos primeiros 23 cm do solo, prolongando-se até nos estádios R4. (final desenvolvimento das vagens) e R5 (desenvolvimento da semente). 34 Soja em números (safra 2016/2017) Atualizado em Junho de 2017 35 Soja no mundo Produção: 351,311 milhões de toneladas Área plantada: 120,958 milhões de hectares Fonte: USDA Soja nos EUA (maior produtor mundial do grão) Produção: 117,208 milhões de toneladas Área plantada: 33,482 milhões de hectares Produtividade: 3.501 kg/ha Fonte: USDA Soja no Brasil (segundo maior produtor mundial do grão) Produção: 113,923 milhões de toneladas Área plantada: 33,890 milhões de hectares Produtividade: 3.362 kg/ha Fonte: CONAB Mato Grosso (maior produtor brasileiro de soja) Produção: 30,514 milhões de toneladas Área plantada: 9,323 milhões de hectares Produtividade: 3.273 kg/ha Paraná (segundo produtor brasileiro de soja) Produção: 19,534 milhões de toneladas Área plantada: 5,250 milhões de hectares Produtividade: 3.721 kg/ha Fonte: CONAB Rio Grande do Sul (terceiro produtor brasileiro de soja) Produção: 18,714 milhões de toneladas Área plantada: 5,570 milhões de hectares Produtividade: 3.360 kg/ha Fonte: CONAB Consumo interno de soja em grão (CONAB): 47,281 milhões de toneladas Exportação de soja em grão (Agrostat): 51,6 milhões de toneladas - U$ 19,3 bilhões Exportação de farelo (Agrostat): 14,4 milhões de toneladas - U$ 5,2 bilhões Exportação de óleo (Agrostat): 1,2 milhões de toneladas - U$ 0,9 bilhões Total exportado (Agrostat): U$ 25,4 bilhões ATIVIDADES 01 – Com relação à morfologia da soja, explique detalhadamente: _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 02 – O que diferencia o estádio vegetativo do estádio reprodutivo? _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 36 A importância de um estande adequado para a soja O estabelecimento de um estande adequado de plantas é fundamental para obter bons rendimentos. A semeadura eficiente e emergência rápida e uniforme das plântulas são essenciais ao estabelecimento da lavoura e consequentemente ao alcance de bons rendimentos. A cultura de soja, da germinação à colheita, é submetida a contínuos estresses de natureza biótica e abiótica, de diferentes magnitudes. A germinação pode ser afetada, entre outros fatores, por deficiência ou por excesso de umidade do solo, por baixa temperatura de solo pelo contato com fertilizantes, por insetos ou por patógenos. A emergência pode ser afetada também, pela dificuldade de romper a camada de solo devido à excessiva profundidade em que foi colocada a semente ou devido à formação de encostamento da camada superficial do solo. O desenvolvimento do sistema radicular pode ser inibido pelo efeito de sais componentes dos fertilizantes, pela compactação do solo e pela falta de aeração, por danos causados por insetos- pragas, por nematoides e por agentes causadores de doenças. A má emergência pode ser consequência de uma série de fatores agindo isoladamente ou conjuntamente e caracteriza-se pela ausência ou baixa densidade de plântulas (falhas) na linha de semeadura e atrasos de emergência. As causas mais comuns desta má emergência, são: a baixa qualidade fisiológica ou sanitária das sementes, o tratamento de sementes ou a inoculação com excesso de água, a semeadura em solo com temperatura e umidade inadequadas e semeadura mal feita. Para garantir uma boa emergência, recomenda-se efetuar a semeadura sempre com sementes de boa procedência e de qualidades fisiológica (alto vigor) e sanitária, comprovadas (ausência de doenças) e atentar para praticas e cuidados recomendados para semeadura. Semeadura em solo com baixa umidade, ou “no pó” prejudica o processo de germinação, podendo, torná-lo mais lento, expondo as sementes às pragas e aos micro-organismos do solo, reduzindo a chance de obtenção de população desejada. A soja é uma espécie que apresenta grande plasticidade quanto à resposta ao arranjo espacial de plantas, variando o numero o número de ramificações e de vagens e grãos por planta e o diâmetro do caule, de forma inversamente proporcional à variação na população de plantas. Não apresentando por isso diferenças significativas em rendimento em uma considerável faixa de população de plantas e de espaçamento entre fileiras. Nos casos em que o aumento de população causa efeito acentuado no acamamento das plantas, populações mais altas, podem levar à redução no rendimento de grãos. Variações entre 200 a 500 mil plantas/ha normalmente, não influenciam o rendimento de grãos ou faz muito pouco, aumentando ou reduzindo, dependendo de diversos fatores. A população de ideal de plantas de soja é, normalmente informada para os produtores, nos boletins descritivos de cada cultivar, em função de: habito de crescimento, grupo de maturidade, altitude e época de semeadura. TRATAMENTO DE SEMENTES O tratamento de sementes é a primeira etapa para o controle e prevenção efetivos das doenças vegetais. Atualmente,o uso cada vez mais intenso das áreas e a instabilidade das condições climáticas durante a estação de cultivo das culturas têm provocado um aumento significativo na ocorrência de pragas, principalmente, durante as fases iniciais de desenvolvimento, comprometendo o estande da lavoura por meio do maior número de falhas e plantas dominadas e, futuramente, podendo reduzir a produtividade. Para estas situações, o Tratamento de Sementes surge como uma alternativa auxiliando no controle 37 de pragas, assegurando o principal componente do rendimento da lavoura, o número de plantas por área, por meio do menor número de falhas e maior uniformidade das plantas. Cruiser® 350 FS (Tiametoxan) O controle de insetos sugadores como percevejos, cigarrinhas e pulgões vem se tornando cada vez mais importante para a cultura do milho, devido ao alto potencial de dano dos insetos. Os percevejos, ao se alimentarem, introduzem seus estiletes na base das plântulas, causando lesões nas folhas, deformações nas plantas, perfilhamentos improdutivos ou, até mesmo, a morte das plântulas. Além disso, as cigarrinhas atuam como vetores de doenças causadas por vírus e molicutes. DuPont™ Dermacor® Dosagem: 0,4 a 0,6 lt-ha Standak Top Os insetos de solo, como corós e brocas, possuem um alto potencial de dano, principalmente durante o estabelecimento da lavoura, uma vez que podem se alimentar das sementes, reduzindo o estande da lavoura, além de atacar o sistema radicular da cultura, interferindo na absorção de nutrientes e água e tornando as plantas mais susceptíveis ao estresse. O ataque dessas pragas também reduz a sustentação das plantas, o que pode causar o acamamento em situações de ventos fortes ou chuvas intensas. CLOTIANIDINA Poncho® é um inseticida sistêmico do grupo dos neonicotinóides indicado para uso no tratamento de sementes oferecendo proteção contra os insetos sugadores que atacam a cultura do milho durante as fases inicias, entre eles, o percevejo. Dosagem: 0,35 a 0,40 lt-ha ATIVIDADES 01 - A germinação da soja pode ser afetada por alguns fatores. Cite-os: _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 02 – Quais são os principais objetivos do tratamento de sementes na soja? _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 38 DOENÇAS: Crestamento bacteriano O crestamento bacteriano comum é incitado pela bactéria Xanthomonasaxonopodis pv. phaseoli (Smith) Vaut. Apresenta ampla distribuição, ocasionando graves perdas na produção, especialmente em regiões com temperaturas de moderadas a altas. Afeta principalmente as partes aéreas das plantas. Nas folhas, inicia-se por pequenas manchas úmidas na face inferior, as quais aumentam de tamanho e coalescem, formando extensas áreas pardas, necrosadas. Geralmente, na confluência das áreas necrosadas com os tecidos sadios apresentam um estreito halo amarelado, ao longo das mesmas. Sob condições de alta umidade, o patógeno pode produzir, nas lesões, um exsudato de cor amarelada. Nas vagens formam-se manchas encharcadas, posteriormente avermelhadas que frequentemente se estendem ao longo do sistema vascular, indicando a progressão da bactéria para as sementes. As sementes infectadas podem apresentar-se descoloridas, enrugadas, ou simplesmente não apresentar sintomas visíveis. A disseminação do agente causal, à longa distância, é realizada por meio de sementes contaminadas e, a curtas distâncias, de planta a planta ou de cultura a cultura, pelas sementes, pelo vento, pela chuva, pelos animais e pelo homem. As condições que favorecem o desenvolvimento da doença são temperaturas altas, com um ótimo de 28 °C, alta umidade e chuvas frequentes. O controle da doença inclui o emprego de semente de boa qualidade, o uso de cultivares resistente e práticas culturais, tais como a rotação de culturas, a eliminação de restos culturais e evitar transitar na lavoura quando a folhagem estiver úmida. Tem sido indicado o tratamento foliar preventivo com produtos à base de cobre, mas os resultados nem sempre são satisfatórios. Ferrugem asiática Ferrugem da soja (Phakopsorapachyrhizi) A doença é causada pelo fungo Phakopsorapachyrhizi, sendo, hoje, uma das doenças que mais têm preocupado os produtores de soja. O seu principal dano é a desfolha precoce, impedindo a completa formação dos grãos, com conseqüente redução da produtividade. O nível de dano que a doença pode ocasionar depende do momento em que ela incide na cultura, das condições climáticas favoráveis à sua multiplicação. Os danos podem chegar a cerca de 70%. A doença foi diagnosticada pela primeira vez no Brasil em 2001. Devido à facilidade de disseminação do fungo pelo vento, a doença ocorre em praticamente todas as regiões produtoras de soja do país. Danos: A doença apresenta-se inicialmente por pequenas pontuações de coloração mais escuras que o tecido foliar superior. Na parte inferior da folha, observam-se pequenas verrugas, chamadas de urédias, que é o local onde o fungo produz os seus esporos (uredósporos). Posteriormente, a coloração dessas urédias passa de castanho-claro para castanho-escuro e o tecido foliar nessa região vai ficando castanho-claro. Controle: A obtenção de cultivares resistentes para a ferrugem da soja é um processo muito difícil, devido à alta variabilidade do fungo. Existem inúmeras raças de P. pachyrhizi, estudos realizados no Japão identificaram 18 raças do patógeno, para as condições daquele país. Assim um cultivar descrito como resistente pode ter essa resistência quebrada facilmente. O controle químico tem-se mostrado a medida mais eficiente de controle da doença. No auxílio dessa prática de controle devem-se evitar o plantio em épocas favoráveis a doença, o uso de cultivares precoces, para que o 39 fungo não ataque plantas muito jovens, aumentando assim a severidade, e fazendo o diagnóstico mais precoce possível da ocorrência da doença na lavoura. O controle de plantas invasoras também é importante, pois P. pachyrhizi, além da soja, parasita outras espécies de plantas inclusive daninhas. MANCHA ALVO A mancha-alvo, causada pelo fungo Corynesporacassiicola, foi relatada pela primeira vez na cultura da soja no Brasil, no Estado do Paraná e posteriormente no Estado de São Paulo, em 1976 (ALMEIDA et al., 1976). Em 1989, a doença foi relatada nos Estados do Mato Grosso, do Mato Grosso do Sul e do Rio Grande do Sul (YORINORI, 1989). A incidência dessa doença tem aumentado nas últimas safras em razão da menor sensibilidade/ resistência do fungo aos fungicidas mais comumente utilizados na cultura da soja e do aumento da semeadura de cultivares suscetíveis, sendo encontrada em praticamente todas as regiões de cultivo do Brasil. Perdas de 18% a 32% foram relatadas em cultivares suscetíveis. (GODOY, 2015). Nas folhas, os sintomas da doença se iniciam por pontuações pardas, com halo amarelado, evoluindo para manchas circulares, de coloração castanho-clara a castanho-escura. Normalmente, as manchas apresentam pontuação no centro e anéis concêntricos de coloração mais escura. Cultivares suscetíveis podem sofrerem desfolha, com manchas na haste e nas vagens. O fungo sobrevive em sementes infectadas e em restos de cultura, podendo colonizar uma ampla gama de resíduos no solo. A infecção na folha é favorecida por alta umidade relativa. As estratégias de manejo recomendadas para essa doença são: a utilização de cultivares resistentes, o tratamento de sementes, a rotação/sucessão de culturascom milho e outras espécies de gramíneas e o controle químico com fungicidas. MOFO BRANCO O mofo-branco, causado por Sclerotinia sclerotiorum (Lib.) de Bary, é uma das mais antigas doenças da soja. Sua ocorrência e níveis de dano aumentaram significativamente no Brasil, tanto nas áreas mais altas do Cerrado, como nas mais tradicionais de cultivo do Sul e do Sudeste, podendo reduzir a produtividade em até 70%. Estima-se que aproximadamente 23% da área de produção de soja brasileira esteja infestada pelo patógeno, compondo 6,8 milhões de hectares que necessitam da adoção de medidas de controle da doença. O fungo causador do mofo-branco afeta mais de 400 espécies de plantas e os danos manifestam-se com maior severidade em regiões com clima chuvoso, temperatura amena e alta umidade relativa do ar. A manutenção da umidade do solo é fundamental para o desenvolvimento da doença, pois a germinação dos escleródios (estruturas de sobrevivência do fungo) depende da umidade do solo, de temperaturas entre 15°C e 25°C, e de pouca incidência de luz solar. O fungo é capaz de infectar qualquer parte da planta de soja, porém, as infecções iniciam-se com mais frequência a partir das inflorescências, das axilas dos pecíolos e dos ramos laterais. O patógeno pode atacar toda a parte aérea da planta, afetando folhas, hastes e vagens. A planta da soja infectada apresenta, inicialmente, lesões aquosas, de onde crescem hifas, formando abundante micélio branco, o que caracteriza o nome da doença. Os tecidos atacados apodrecem em consequência da ação das diversas toxinas produzidas por S. sclerotiorum. Nessa fase, pode ser observado o apodrecimento de hastes laterais, vagens e folhas, ou mesmo a haste principal com morte de toda a planta. Os escleródios são formados tanto na superfície como no interior da haste e das vagens infectadas, podendo se desprender sozinhos ou serem lançados ao solo durante a colheita, aumentado o inóculo na área. 40 O manejo da doença tem como objetivos estratégicos a redução do inóculo (escleródios no solo) e a redução da incidência e de sua taxa de progresso. A redução de inóculo no solo é conseguida pela inviabilização dos escleródios no solo e pela diminuição da produção de escleródios nas plantas doentes, através de medidas como: formação de palhada para cobertura uniforme do solo, preferencialmente oriunda de gramíneas; rotação e/ou sucessão com culturas não hospedeiras; emprego de controle biológico através da infestação do solo com agentes antagonistas; utilização de sementes de boa qualidade e tratadas com fungicidas adequados; emprego de controle químico, através de pulverizações foliares de fungicidas principalmente no período de maior vulnerabilidade da planta (R1 a R4). Para a redução da incidência do mofo-branco e de sua taxa de progresso, as seguintes medidas são importantes: escolha de cultivares com arquitetura de plantas que favoreça uma boa aeração entre plantas (pouco ramificadas e com folhas pequenas) e com período mais curto de florescimento, e a utilização de população de plantas e espaçamento entre linhas adequados às cultivares. Outra medida que contribui significativamente na redução da dispersão do fungo S. sclerotiorum é a limpeza de máquinas e equipamentos após utilização em área infestada para evitar a disseminação de escleródios para novas áreas. Os fungicidas que apresentaram os melhores níveis de controle foram fluazinam e procimidona, pulverizados isoladamente ou em associação com tiofanato metílico ou carbendazim, variando de duas a quatro pulverizações em intervalos de dez dias, iniciando no estádio R1 de desenvolvimento das plantas (início do florescimento). A eficiência do controle químico do mofo-branco em soja depende de vários fatores, tais como dose, momento da aplicação, número e intervalo entre aplicações, além da tecnologia de aplicação utilizada. Como a principal forma de infecção da planta de soja por S. sclerotiorum ocorre através da colonização de flores e vagens em início de desenvolvimento do fungo, onde as plantas precisam ser protegidas pelos fungicidas entre os estádios R1 (início de florescimento) e final de R4 (formação das vagens). ATIVIDADES 01 – Qual a principal doença na cultura da soja? Quais são as causas, seus sintomas e métodos de controle? _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 41 CURSO TÉCNICO EM AGROPECUÁRIA F R U T IC U L T U R A 42 FRUTICULTURA VIVEIROS Localização e Caracterização, Tipos de Viveiro, Topografia, Drenagem, Quebra vento, Administração e controle. Localização e Caracterização Entende-se por viveiro um determinado local onde são concentradas todas as atividades de produção de mudas. Para a escolha do local onde será instalado o viveiro, devem-se levar em consideração os seguintes aspectos: Facilidade de acesso É necessário que o acesso possibilite o fácil trânsito de caminhões, sendo que todas as estradas deverão ser transitáveis mesmo em época de chuva. Os custos de transporte, principalmente de mudas produzidas em recipientes, são minimizados quando os viveiros situam-se a uma pequena distância da área de plantio. Longos trechos de estrada podem trazer danos à qualidade fisiológica das mudas e ocasionar perda de umidade do substrato. Suprimento de água Durante todo o período, após a semeadura, há necessidade de abundância de água para irrigação. Poderão ser utilizadas águas de rios, lagos e de origem subterrânea, devendo ser evitada a introdução de algas ou sementes de ervas. A água deve ter menos de 200 partes por milhão (ppm) de silte e cálcio e menos de 10 ppm de sódio e 0,5 ppm de boro. Área livre de Ervas Daninhas Deverá existir contínua vigilância e erradicação das ervas daninhas efetuada imediatamente após o seu aparecimento, quer sejam perenes ou anuais. Facilidade de obtenção da Mão de Obra É indispensável que alguns funcionários morem nas imediações ou na própria área. A vigilância quanto ao aparecimento de doenças precisa ser permanente. Existem doenças cuja virulência pode ser tão intensa que provocam enormes danos em pouco tempo, principalmente em mudas recém- formadas. Declividade da área A declividade deve ser de 2%, no máximo, para não correr danos por erosão. É importante salientar que os canteiros devem ser instalados em nível, perpendiculares à movimentação da água. Áreas planas contribuem para o acúmulo de água da chuva, principalmente quando o percentual de argila for maior que o indicado. 43 Área do Viveiro O viveiro possui dois tipos de áreas: Áreas produtivas: é a soma das áreas de canteiros e sementeiras, em que se desenvolvem as atividades de produção Áreas não produtivas: constitui-se dos caminhos, estradas e áreas construídas. A extensão do viveiro será determinada em função de alguns fatores: 1. Quantidade de mudas para o plantio e replantio 2. Densidade de mudas/m2 (em função da espécie) 3. Espécie e seu período de rotação 4. Dimensões dos canteiros, dos passeios (caminhos) e das estradas 5. Dimensões dos passeios (ou caminhos) 6. Dimensão das estradas (ou ruas) 7. Dimensão das instalações 8. Adoção, ou não, de área para adubação verde (no caso de viveiros em raiz nua) A distribuição dos canteiros, caminhos, construções e principalmente o acesso devem visar a melhor circulação e utilização da estruturado viveiro. Luz Deve-se levar em consideração a necessidade de luz solar, evitando na locação do viveiro uma área inconveniente. O viveiro deve ser instalado em local totalmente ensolarado. Se houver necessidade de sombra, pode-se lançar mão de abrigos, como o sombrite. Em alguns casos, o sombreamento é necessário em certos períodos. As espécies umbrófilas exigem proteção contra a luz solar. Os raios solares concorrem para a rustificação dos tecidos, tornando as mudas mais robustas e resistentes. Em relação à exposição solar, deve-se colocar o comprimento dos canteiros voltado para a face norte, acompanhando-os ao longo de sua extensão. Contudo, tal medida para locação dos canteiros deve ser tomada, apenas se for possível, pois existem outros critérios prioritários. ATIVIDADES 01 - Para a escolha do local onde será instalado o viveiro, devem-se levar em consideração alguns aspectos: Cite-os: _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 02 – Explique como deve ser as áreas produtivas de um viveiro: _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 44 Tipos de Viveiros Considerando a duração, os viveiros podem ser classificados em: 1. Viveiros Provisórios: temporários ou volantes são aqueles que visam uma produção restrita; localizam-se próximos às áreas de plantio e possuem instalações de baixo custo. 2. Viveiros Permanentes: centrais ou fixos, são aqueles que geralmente ocupam uma maior superfície, fornecem mudas para uma ampla região, possuem instalações definitivas com excelente localização. Requerem planejamento mais acurado; as instalações são também permanentes e de maiores dimensões. Com referência à proteção do sistema radicial, os viveiros são classificados em: 3. Viveiros com mudas em raiz nua: as mudas em raiz nua são as que não possuem proteção do sistema radicial no momento de plantio. A semeadura é feita diretamente nos canteiros e as mudas são retiradas para o plantio, tendo-se apenas o cuidado de se evitar insolação direta ou, até mesmo, vento no sistema radicial. O solo onde se desenvolvem as raízes permanece no viveiro. Após a retirada, são ordenadas em grupos, com material úmido envolvendo as raízes, antes da expedição para o plantio. Este tipo de viveiro é muito difundido no sul do Brasil para Pinus spp. Contudo, algumas espécies promissoras na Amazônia, como o freijó – Cordiagoeldiana, tatajuba - Bagassaguianensis, e marupá - Simaruba amara – têm demonstrado aptidão para plantio com muda em raiz nua em forma de “stripling”. 4. Viveiro com mudas em recipientes: apresentam o sistema radicial envolto por uma proteção que é um substrato que o recipiente contém. Evidentemente, o substrato vai para o campo e é colocado nas covas, com as mudas, protegendo as raízes. Topografia O terreno deverá apresentar-se aplainado, recomendando-se um leve declive, favorecendo o escoamento da água, mas sem que provoque danos por erosão. Para áreas com elevada declividade, a alternativa mais plausível é a confecção de patamares para a locação de canteiros. Os patamares devem ser levemente inclinados e devem ter dispostas ao longo de sua extremidade manilhas em forma de “U” , a fim de impedir o escoamento de água de chuvas fortes pelo talude, provocando erosão. Além disto, é aconselhável seu revestimento com gramíneas rasteiras. A camada superficial removida deve ser reservada para aproveitamento na produção de mudas. Este substrato é mais fértil, mas pode apresentar o inconveniente de conter sementes de ervas. Neste caso, a fumigação deste material pode ser recomendável ou uso o de herbicida em aplicação pré- emergente. ATIVIDADES 01 - Considerando a duração, os viveiros são classificados como? Cite-os. _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 45 TÉCNICAS DE ENXERTIA Propagação Vegetativa - Tipos de enxertia As técnicas da enxertia podem ser: Borbulhia ou enxerto de gema A borbulhia é o processo que consiste na justaposição de uma única gema sobre um porta- enxerto enraizado, ( SIMÃO, 1998). A época de enxertia para esse tipo de multiplicação,é de primavera- verão, quando os vegetais se encontram em plena atividade vegetativa. Os principais tipos de enxerto em bobulhia podem ser: T normal; T invertido; Janela aberta; d) Janela fechada e em anel. a) T normal Fende-se o cavalo com o canivete, no sentido transversal e, depois, no sentido perpendicular, de modo a formar um T. O escudo ou gema é retirado, segurando-se o ramo em posição invertida. Prende-se o escudo lateralmente ou pelo pecíolo, levanta-se a casca com o dorso da lâmina e introduz-se a borbulha. Corta-se o excesso e amarra-se de cima para baixo. b) T invertido Procede-se de modo semelhante ao anterior. Difere apenas na posição normal do ramo para a retirada da borbulha e do modo de introduzir e amarrar. A colocação da borbulha, bem como a amarração é feita de baixo para cima. Esse tipo apresenta a vantagem sobre o anterior, por evitar a penetração da água e também por ser mais fácil de manejar. c) Janela aberta São realizadas no porta- enxerto duas incisões transversais e duas longitudinais, de modo a liberar a região a ser ocupada pela borbulha. A borbulha é retirada do garfo praticando-se duas incisões transversais e duas longitudinais no ramo, de modo a obter um escudo idêntica à parte retirada do cavalo. A borbulha é a seguir embutida no retângulo vazio e deve ficar inteiramente em contato com os tecidos do cavalo. A seguir o enxerto é amarrado. d) Janela fechada O porta- enxerto recebe duas incisões transversais e uma vertical no centro. A borbulha é obtida e maneira semelhante ao tipo anterior. Para assentá-la, levanta-se a casca com canivete, introduz-se o escudo e a seguir recobre-se com a casca do cavalo. O enxerto é completado fixando-se com amarrilho. e) Em anel Para esse tipo de enxertia faz-se uma incisão circular quando o enxerto é no topo, ou duas incisões circulares e uma vertical quando é no meio da haste, de modo a retirar um anel. No garfo procede-se do mesmo modo, e a superfície deve ser idêntica à do cavalo, para que haja contato entre as camadas cambiais. A seguir amarra-se. FORÇAMENTO DO ENXERTO Para adiantar o desenvolvimento do enxerto, uma vez constatado seu pegamento, faz-se a torção da haste um pouco acima do local da enxertia e curva-se o ramo para o solo. A seiva, devido à curvatura, tende a reduzir sua velocidade e acumular-se na região do enxerto, comunicando-lhe grande vigor. Por esse meio consegue-se em algumas espécies adiantar o desenvolvimento de dois a 46 três meses. Pode-se também forçar o desenvolvimento do enxerto com incisões ou anelamento praticados na região abaixo dele. GARFAGEM A garfagem é o processo que consiste em soldar um pedaço de ramo destacado (garfo) sobre outro vegetal (cavalo), de maneira a permitir seu desenvolvimento. A garfagem difere da borbulhia, por possuir normalmente mais de uma gema, ( SIMÃO, 1998). ATIVIDADES 01 – Quais são os principais tipos de enxerto por borbulhia? __________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 02 - Para adiantar o desenvolvimento do enxerto, faz se um forçamento. Explique esse forçamento e qual é o objetivo? _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ A época normal para garfagem, para plantas de folhas caducas, se dá no período de repouso vegetativo (inverno), e nas folhas persistentes, dependendo da espécie, na primavera, no verão ou no outon. Os principais tipos de garfagem são os seguintes: meia-fenda cheia; meia- fenda esvaziada; fenda incrustada; fenda completa; dupla garfagem; inglês simples e inglês complicado. Em todos os tipos citados, o porta- enxerto tem a sua parte superior decapitada. O enxerto de garfagem é feito 20 cm, aproximadamente, acima do nível do solo ou abaixo dele, na raiz, na região do coleto. A região do ramo podada com a tesoura é a seguir alisada com o canivete. Para o sucesso da enxertia, é essencial que a região cambial do garfo seja colocada em contato íntimo com a do cavalo. a) Meia-fenda cheia Faz-se o cavalo numa fenda, no sentido do raio, até atingir a medula. A fenda estende-se por 2 a 3 cm, no sentido do comprimento do cavalo. O garfo é preparado na forma de bisel e introduzido na incisão. O bisel deve ter aproximadamente o mesmo comprimento da incisão lateral. b) Meia-fenda esvaziada A incisão do cavalo é semelhante ao anterior, dele diferindo por praticar duas incisões convergentes, de modo a retirar uma cunha de madeira, esvaziando a incisão. O garfo é preparado do mesmo modo que o anterior. É um tipo mais aconselhável para espécie de lenho duro. c) Fenda inscrustada Difere da anterior por não atingir a medula. É utilizada quando os garfos são de pequeno diâmetro. O cavalo e o garfo são preparados à semelhança da meia-fenda esvaziada. Podado o cavalo, alisado o corte, faz-se com o canivete uma fenda perpendicular, no sentido do diâmetro, até aprofundar-se 2 a 3 cm. A fenda completa pode ser cheia ou esvaziada. O garfo, que deve ter o mesmo diâmetro do cavalo, é preparado na forma de cunha e introduzido na fenda. 47 É utilizado quando o garfo é de diâmetro inferior ao raio do cavalo. Usam-se dois garfos, cada um introduzido em uma das extremidades. O método é igual ao da fenda completa. Para a prática desse tipo de enxerto, é necessário que o cavalo e o cavaleiro apresentem o mesmo diâmetro. A operação é bastante fácil e consiste tão-somente no corte em bisel do cavalo e no cavaleiro. Unem-se as partes e em seguir amarram-se. A operação é semelhante ao inglês simples, mas, neste tipo, faz-se uma incisão longitudinal em ambas as partes a unir. A incisão será feita no terço inferior do garfo, se a do cavalo for feita no terço superior, para que haja perfeito encaixe entre as fendas. O inglês complicado dá ao enxerto maior penetração de uma parte sobre a outra, e, portanto, maior fixação. ENCOSTIA Também chamada de enxertia de aproximação, consiste na união lateral de duas plantas com sistemas radiculares independentes, de modo que o enxerto e o porta- enxerto sejam mantidos por seus sistemas radiculares até que a união esteja completamente formada. É método mais simples de enxertia, porém é muito pouco utilizado comercialmente, (TELLES, et ai, 2004). Os principais tipos de encostia podem ser resumidos em lateral e no topo. Tanto lateralmente e no topo. Tanto lateralmente como no topo, a encostia pode ser simples ou inglesa e inarching, (SIMÃO, 1998). a) Lateral simples e inglesa Pratica-se no cavalo e no ramo-enxerto um entalhe, retirando-se parte do alburno. Aproximam-se as duas partes, ajustando as superfícies. Fixam-se as partes com amarrilhos, no caso da lateral simples. Na lateral inglesa, procede-se da mesma maneira, porém, sobre o entalhe do cavalo e do cavaleiro, faz-se uma incisão oblíqua. Abre-se o entalhe, unindo-se as partes. A seguir, amarra-se. Na encostia simples no topo, poda-se o cavalo a determinada altura e, com o canivete, faz-se um corte em bisel em ambos os lados. O ramo- enxerto sofre uma incisão oblíqua até o lenho. Encaixa-se sobre o bisel do cavalo e amarra-se. A inglesa é preparada do mesmo modo. Apenas recebe uma incisão a mais tanto no cavalo como no cavaleiro, para que haja maior fixação. O processo consiste em plantar, ao lado do tronco da árvore, uma muda que será ligada a ela. No tronco, faz-se uma incisão e, no ápice da muda, um bisel. Ajusta-se a região e fixa-se com um prego ou cravo de madeira. SOBREENXERTIA É a operação que tem por finalidade o aproveitamento de plantas já formadas, com alteração da variedade copa. Seu emprego é indicado nos pomares de idade média e sadios. Fazendo-se a sobre enxertia, ganha-se tempo, pois o porta- enxerto se encontra perfeitamente estabelecido, e as produções se tornam mais precoces. Para proceder à sobreenxertia, poda-se a copa e deixam-se de quatro a cinco pernadas, sobre as quais se fará a enxertia da variedade. (SIMÃO,1998). 48 ATIVIDADES 01 - Também chamada de enxertia de aproximação consiste na união lateral de duas plantas com sistemas radiculares independentes, de modo que o enxerto e o porta- enxerto sejam mantidos por seus sistemas radiculares até que a união esteja completamente formada. O texto se refere a qual tipo de enxertia? _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 49 CURSO TÉCNICO EM AGROPECUÁRIA M A N E JO D O S O L O 50 MANEJO DE SOLO Qualidade do solo: conceito, importância e indicadores da qualidade. Os solos, quando submetidos a determinados sistemas de cultivo, tendem a um novo estado de equilíbrio, refletido em diferentes manifestações de seus atributos, as quais podem ser desfavoráveis à conservação da capacidade produtiva destes solos. Os efeitos diferenciados sobre os atributos do solo, devido ao tipo de preparo, característico de cada sistema de cultivo, são dependentes da intensidade de revolvimento, do trânsito de máquinas, do tipo de equipamento utilizado, do manejo dos resíduos vegetais e das condições de umidade do solo no momento do preparo. A relação entre o manejo e a qualidade do solo pode ser avaliada pelo comportamento de indicadores físicos, químicos e biológicos. O enfoque sobre qualidade do solo vem despertando um crescente interesse, principalmente a partir do lançamento, em 1993, do livro "Soiland wate rquality: an agenda for agriculture", pelo "Boardon Agricultureofthe National Research Council" dos Estados Unidos da América, onde é enfatizado que a qualidade do solo é tão importante quanto à qualidade do ar e da água na determinação da qualidade global do ambiente em que vivemos. A qualidade do solo tem efeitos profundos na saúde e na produtividade de um determinado ecossistema e nos ambientes a ele relacionados. Todavia, diferentemente do ar e da água, para os quais existem padrões de qualidade, a definição e quantificação da qualidade do solo não é simples em decorrência da complexidade dos fatores envolvidos e de não ser o solo consumido diretamente pelo homem e animais. A qualidade do solo é aceita, freqüentemente, como uma característica abstrata que depende, além de seus atributos intrínsecos, de fatoresexternos, como as práticas de uso e manejo, de interações com o ecossistema e das prioridades socioeconômicas e políticas. O conceito do que seja um solo com qualidade depende das prioridades previamente estabelecidas. Contudo, deve levar em consideração a sua funcionalidade múltipla para não comprometer, no futuro, o desempenho de algumas de suas funções. Assim, um determinado tipo de solo pode ser considerado com boa qualidade quando apresentar a capacidade, dentro dos limites de um ecossistema natural ou manejado, de manter a produtividade e a biodiversidade vegetal e animal, melhorar a qualidade do ar e da água e contribuir para a habitação e a saúde humana. A avaliação quantitativa da qualidade do solo é fundamental na determinação da sustentabilidade dos sistemas de manejo utilizados. A determinação de indicadores de qualidade de solo se faz necessária para possibilitar a identificação de áreas problemas utilizada na produção, fazer estimativas realistas de produtividade, monitorar mudanças na qualidade ambiental e auxiliar agências governamentais a formular e avaliar políticas agrícolas de uso da terra. A identificação eficiente de indicadores apropriados para avaliar a qualidade do solo depende da habilidade em considerar os componentes múltiplos que determinam a sua capacidade em desempenhar suas funções, como a produtividade e o bem-estar ambiental. Esta identificação é dificultada pela multiplicidade dos atributos físicos, químicos e biológicos, que controlam a intensidade dos processos biogeoquímicos e suas variações temporais e espaciais. A escolha de indicadores de qualidade dos ecossistemas está baseada no modelo da prática da medicina humana e animal, que segue uma sucessão de passos, como a identificação dos sintomas, medida dos sinais vitais, realização de um diagnóstico provisório, aplicação de testes para comprovação do diagnóstico, prognóstico e prescrição do tratamento. Esta analogia possibilitou que um conjunto de atributos do solo fosse relacionado e adotado para avaliar a sua qualidade, unificando 51 metodologias e procedimentos estabelecidos anteriormente para avaliar mudanças na capacidade produtiva deste recurso natural. Embora em países como os Estados Unidos da América, já exista testes elaborados com vistas à análise da qualidade do solo, é consenso que existe uma carência de conhecimento sobre quais sejam os melhores ou mais práticos indicadores para atender este objetivo. Esta falta de conhecimento, normalmente, está refletida na pergunta comumente realizada por produtores, pesquisadores e extensionistas daquele país, onde é questionado: que medidas deveriam ser tomadas para avaliar os efeitos do manejo do solo sobre sua qualidade atual e futura? De outro modo, na maioria das vezes, os pesquisadores direcionam seus interesses e esforços para as disciplinas em que estão inseridos. Sempre que possível, as avaliações de qualidade não devem ser reducionistas e sim holísticas e úteis na identificação de sistemas que preservem o recurso solo e satisfaçam às necessidades do produtor ao longo do tempo. Indicadores da qualidade do solo podem ser classificados, de um modo geral, em quatro grupos; visuais, físicos, químicos e biológicos. Embora esta divisão em grupos seja usual, é importante salientar que estes atributos e processos, em sua maioria, são inter-relacionados. Os melhores indicadores da qualidade do solo são aqueles que integram os efeitos combinados de diversos atributos ou processo do solo, os quais devem ser precisos, simples para o uso e terem sentido, ou seja, devem estar associados à função para a qual se pretende usar o solo. Necessitam, para que possam ser usados com eficiência, de padrões ou valores críticos. Portanto, um bom indicador deve ser de fácil medida, respondendo às mudanças propostas, estar relacionado com os requerimentos de qualidade do solo, e ter um limite claro entre o que é sustentável e não sustentável. Os indicadores visuais podem ser obtidos a partir da interpretação de fotografias aéreas. Ou através de observações diretas, como a exposição do subsolo, mudança de cor do solo, escorrimento superficial, resposta da planta, espécies de plantas daninhas predominantes, entre outras. Evidências visuais podem ser indicadores claros de que a qualidade do solo está ameaçada ou passando por alterações. Os indicadores físicos estão relacionados ao arranjamento das partículas e do espaço poroso do solo, incluindo densidade, porosidade, estabilidade de agregados, textura, encostamentos superficial, compactação, condutividade hidráulica e capacidade de armazenagem de água disponível. Refletem, primariamente, limitações ao crescimento radicular, à emergência das plântulas, à infiltração e ou movimento da água no interior do perfil do solo e à disponibilidade de água às plantas. O pH, salinidade, capacidade de troca de cátions, capacidade de suprimento de nutrientes às plantas, concentrações de elementos que podem ser potencialmente contaminantes (metais pesados, compostos radioativos, etc.) ou necessários para o crescimento e desenvolvimento das plantas são considerados indicadores químicos. As condições químicas do solo afetam as relações solo-planta, a qualidade da água, o poder tampão, a disponibilidade de nutrientes e de água para as plantas e outros organismos, mobilidade de contaminantes e algumas condições físicas, como a tendência de formação de crostas superficiais. Entre os indicadores biológicos estão incluídos: a matéria orgânica, a diversidade de espécies, a massa microbiológica, o nível de respiração do solo, o que possibilita avaliar a atividade microbiológica. O ergosterol, por exemplo, um bioproduto de origem fúngica, tem papel importante na formação e estabilidade de agregados do solo. Populações de minhocas e nematóides têm sido utilizadas como indicadores biológicos. Medidas da velocidade de decomposição de resíduos de 52 plantas em embalagens especiais ou o número de plantas daninhas, também são indicadores da qualidade do solo. Estabelecendo-se uma relação entre os indicadores de qualidade e os solos de várzea desenvolvidos no RS, pode-se inferir que, embora, de modo geral, estes apresentem originalmente condições favoráveis (qualidade inerente) para o desenvolvimento da cultura do arroz irrigado, como baixa condutividade hidráulica na camada subsuperficial, superfície plana a suave ondulada, baixa profundidade efetiva, atualmente, uma expressiva área onde estes solos ocorrem encontra-se comprometida, principalmente pelo alto nível de infestação com plantas daninhas, o que vem concorrendo para reduções significativas de produtividade do arroz irrigado. Além disso, as condições manifestadas pelos solos de várzea do RS, notadamente as físicas, se mostram desfavoráveis ao desenvolvimento de culturas de sequeiro. Estes solos apresentam baixa porosidade total, com predomínio de micropóros, camadas compactadas próximas à superfície, baixa estabilidade de agregados e tendência à formação de encrostamento superficial. Estas características fazem com que estes solos sejam mal drenados e apresentem baixa velocidade de infiltração. Em decorrência pode-se afirmar que eles não manifestam qualidade adequada para o cultivo de espécies de sequeiro, como o milho, a soja, o sorgo e o trigo, entre outras. Todavia, o uso de um conjunto de práticas de manejo mais apropriado tem melhorado a qualidade destes solos (qualidade dinâmica), que associado a genótipos mais adaptados ao excesso de água, vem viabilizado, tecnicamente, o cultivo de espécies mesófitas. ATIVIDADES 01 - Os efeitos diferenciados sobre os atributos do solo, devido ao tipo de preparo, característico de cada sistema de cultivo, são dependentes de alguns fatores. Quais são eles? _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________ 02 - Indicadores da qualidade do solo podem ser classificados, de um modo geral, em quatro grupos. Cite-os: _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ Degradação do Solo Pode-se dizer que os solos degradam de duas maneiras principais: de forma natural, como consequência da ação da natureza, e por interferência humana. No primeiro caso, o conhecimento técnico pode ajudar a evitar as consequências de desastres naturais, através de atitudes preventivas, além de alterar constituintes minerais dos solos por meio de corretivos agrícolas. No segundo, o conhecimento estabelece a importância da continuidade do uso dos solos como prioridade vital, de maneira saudável e sustentável, abandonando-se a idéia de uso predatório, típico do lucro imediato e inconsequente. A degradação mais importante dos solos por ocorrência natural se dá por lavagem excessiva das camadas superficiais pela água de chuva, fenômeno denominado lixiviação, típico das regiões http://www.coladaweb.com/geografia/o-solo 53 tropicais do planeta. O transporte dos nutrientes dos solos por infiltração da água ou por erosão, diminui sua fertilidade, além de ocasionar outro fenômeno: a laterização. A laterização é a oxidação dos solos pelo acúmulo de metais como o ferro e o alumínio, formando carapaças endurecidas, típicas de regiões tropicais do planeta, como a África e a América Latina. Importante ressaltar que esse fenômeno ocorre por associação entre água e calor, portanto, solos expostos à ação da água de chuva e raios solares são mais agredidos. Solos protegidos por cobertura vegetal sofrem menos a ação da natureza. Causas da degradação As características do relevo também podem associar algumas formas de degradação. A topografia do relevo, quando inclinada, pode ser agente facilitador de processos erosivos, proporcionando maior velocidade das águas de enxurradas, fazendo surgir voçorocas e deslizamentos de terra nas encostas. Porém, inegavelmente, as maiores agressões aos solos são provocadas por ação humana. Tanto nas zonas urbanas como rurais verifica-se grande falta de cuidado em relação aos impactos ambientais provocados pelo crescimento populacional e pelo desenvolvimento econômico. As necessidades conjunturais, a falta de políticas preventivas e de fiscalização eficiente, potencializam o problema principalmente nos países subdesenvolvidos. Nos centros urbanos, por exemplo, os solos são constantemente agredidos pelo despejo de lixo a céu aberto, sem qualquer cuidado técnico para a sua separação. Grandes quantidades de lixo orgânico, que poderiam ser importante fonte de recurso (como produção de adubo e gás metano), fermentam e deterioram produzindo o chorume, que penetra nos solos e se infiltra nos lençóis freáticos, sendo transportado por gravidade para os mananciais. Os loteamentos periféricos, realizados sem planejamento nos grandes centros urbanos, também se somam às agressões aos solos. O desmatamento de vastas áreas sem qualquer estudo de impacto ambiental causa a curto, prazo, problemas de assoreamento de rios e represas. Ou seja, com as chuvas, solos antes protegidos por vegetação ficam expostos à ação erosiva, despejando grandes cargas de sedimentos nessas águas. Os desmatamentos, a urbanização caótica e o mau uso do solo agrícola, com monoculturas e pastagens extensas, provocam a perda do solo por erosão e diminuição da diversidade biológica. Nas zonas rurais, a falta de conhecimento apropriado e a falta de fiscalização podem transformar o agricultor num agressor. A queimada, por exemplo, prática histórica no Brasil, ainda continua a ser executada tanto por lavradores que praticam a agricultura de subsistência, como por empresários que realizam a agricultura comercial. O fogo, apesar de limpar o terreno rapidamente, destrói os microrganismos do horizonte superficial dos solos, desgastando-o. Além disso, a carga de CO 2 jogada na atmosfera através da fumaça é fator determinante na aceleração do efeito estufa. A destruição das Matas Ciliares que acompanham os leitos de muitos rios brasileiros é também fator de agressão aos solos. Essas matas são verdadeiros nichos de vida, além de proteger as regiões marginais da erosão. Quando devastadas, os solos perdem a proteção natural por ocasião das enchentes, assoreando os rios com os sedimentos transportados pelas chuvas. O uso indiscriminado de defensivos agrícolas, alguns deles proibidos nos países desenvolvidos, também agridem os solos. Os agrotóxicos penetram nos lençóis freáticos, são transportados para os rios e lagos e, muitas vezes, demoram muitos anos para deteriorar-se. http://www.coladaweb.com/biologia/ecologia/erosao http://www.coladaweb.com/geografia/relevo http://www.coladaweb.com/quimica/quimica-ambiental/lixo http://www.coladaweb.com/biologia/ecologia/desmatamento http://www.coladaweb.com/biologia/alimentos/agrotoxicos-o-veneno-nosso-de-cada-dia 54 Por essa razão é que está avançando muito nos países desenvolvidos a chamada “agricultura orgânica”, onde se desenvolve a produção agrícola com uso de adubos e defensivos totalmente naturais. No Brasil, os produtos da agricultura orgânica já começam a ser desenvolvidos e ensaiam sua entrada no mercado através do selo “produtos orgânicos”, largamente defendidos pela área de saúde como mais apropriados para o consumo humano. Além disso, essa produção não agride o meio ambiente, sendo uma atividade ecologicamente correta. O problema é que, regra geral, pelo menos por enquanto, esses alimentos são mais caros que os convencionais. Em se tratando de país com uma população de baixo poder aquisitivo como a do Brasil, parece que tal virada está um pouco distante de acontecer. A verdade é que o conceito de que o mais caro pode, em médio prazo, sair mais barato, atrai consumidores. É simples: muitas vezes consomem-se produtos mais baratos e produzidos de forma inadequada, causando problemas à saúde, gastando-se posteriormente com remédios. O conceito de produção agropastoril, com atitude técnica de respeito ao ambiente, tratando-o como um organismo vivo que precisa ser preservado, está se difundindo no mundo globalizado. Hoje, os países estão preocupados com a forma como os alimentos importados são produzidos em seus países de origem. A questão ambiental assumiu um papel de suma importância nos critérios de negociação de compra e venda dos produtos agropastoris e seus derivados. A preservação dos solos, a maneira de tratar o ambiente e a forma de produzir alimentos parece, no conjunto, apontar para uma meta importante: o melhor remédio é o alimento saudável e a vida saudável depende do ambiente que se constrói. Importância Econômica, Ambiental e Social. A adoção da tecnologia de manejo florestal de baixo impacto em áreas de reserva legal pelos pequenos produtores apresenta impactos econômicos, ambientais e sociais positivos. No aspecto econômico, o produtor consegue no mercado um maior valor pela madeira manejada e certificada. Os impactos ambientais, levando em consideração as tecnologias utilizadas, apresentaram impactos positivos devido à melhoria dos indicadores, qualidade do solo, qualidade da água e da biodiversidade. Na avaliação dos componentes, a área de preservação permanente, reserva legal, solos e ecossistemas degradados apresentaram impactos ambientais positivos. Na avaliação dos impactos sociais observou-se que a inovação tecnológica proporcionou maiores oportunidades de emprego para as pessoas residentes na propriedade e moradores da localidade, com e sem qualificação (braçal e braçal especializado), principalmenteno período seco. No aspecto da geração da renda observou-se uma maior garantia na sua segurança, um moderado aumento na estabilidade e distribuição, além de um aumento significativo na renda na propriedade (atividade não agropecuária). A propriedade ficou mais valorizada devido aos investimentos em benfeitorias (casas, cerca, etc.) como também da conservação dos recursos naturais devido à preservação da reserva legal, fato que garante a produção da madeira certificada. Referindo- se ao indicador “relacionamento institucional” observou-se o acesso à assistência técnica e o desenvolvimento do sistema associativismo/cooperativismo. 55 CONSERVAÇÃO DO SOLO NO BRASIL Histórico e situação atual Até a década de 1960, aproximadamente, predominou no Brasil o regime colonial de exploração das terras, em pequenas áreas, em que o preparo mecânico do solo era pouco agressivo. O manejo do solo iniciava com a eliminação da vegetação nativa (mata ou campo), seguida de preparo mecânico com tração animal, semeadura manual ou com tração animal e terminava com a queima dos resíduos após a colheita. Nas poucas áreas em que o regime era empresarial, o manejo do solo já envolvia algum preparo com tração motorizada em que a queima dos resíduos culturais também era praticada após a colheita. Nessa época, o principal fator de degradação do solo era o fogo que deixava o solo descoberto e diminuía o teor de matéria orgânica. A compactação do solo era pouco evidente, a infiltração de água era relativamente alta e a erosão hídrica era menos intensa do que atualmente. A exploração florestal era pouco intensa nessa época, limitando-se a extração de madeiras para atender a demanda de energia e edificações e os restos vegetais eram deixados na superfície do solo para que fossem decompostos ou eram queimados. Essa forma de exploração das terras teve baixa influência no aumento da degradação do solo e da própria erosão. Nessa época, os terraços agrícolas eram estudados com interesse nas Faculdades de Agronomia e o terraceamento era adotado nas lavouras. O cultivo em contorno fazia parte do sistema de manejo do solo, já que as operações de manejo acompanhavam as curvas dos terraços. Reconhecia-se a eficácia da cobertura do solo por resíduos culturais na infiltração de água no solo e na redução da erosão hídrica, segundo os trabalhos de Duley (1939) e de Ellison (1947). Apesar disso, a prática da cobertura do solo não era comum devido ao preparo mecânico que incorporava os resíduos ao solo e à queima que os eliminava. Nas pastagens naturais, a pressão de pastejo era baixa, a superfície do solo era mantida coberta com a sobra de forragem e o solo ficava protegido da pressão mecânica dos animais e das gotas de chuva. Assim, a degradação do solo era menos intensa do que é atualmente. O reflorestamento era pouco expressivo nessa época, pois havia grande oferta de mata natural que atendia a demanda, além do pouco controle do poder público com relação ao desmatamento. O desmatamento era até estimulado para atender a chamada “abertura de fronteira agrícola”. Portanto, essa época se caracterizou, em termos gerais, pela forte dilapidação dos recursos naturais relativos à cobertura florestal no Brasil, mas ainda com baixo impacto negativo sobre a conservação do solo. A partir da década de 1960 até a década de 1970, aproximadamente, nas lavouras do Brasil o solo passou a ser manejado com mais intensidade, as matas eram derrubadas e feita a destoca, mecanicamente e, posteriormente, a biomassa era amontoada em leiras e geralmente queimada. O preparo do solo em geral era feito com arados e grades (aradora, destorroadora e niveladora), e a semeadura com tração mecânica, com cujos preparos o calcário e os adubos fosfatados eram incorporados ao solo. Após a colheita, os resíduos culturais eram queimados. Os fatores de degradação do solo eram a desagregação mecânica pelo preparo e energia da chuva, a compactação do solo, a eliminação da biomassa pela queima e a degradação química ocasionada pelo calcário (precipitação do alumínio trocável). Como resultado, tinha-se elevadíssima erosão hídrica com profundo sulcamento do solo, resultando em assoreamento de rios e lagos, pelos sedimentos. Nessa época, em geral era adotado o terraceamento agrícola, muito bem estudado nas Faculdades de Agronomia e, inclusive, em cursos de pós-graduação em Conservação do Solo 56 (mestrados) que já existiam. Adotava-se também o cultivo em contorno, por necessidade, pois, as operações de manejo do solo acompanhavam as curvas dos terraços. Estimulava-se a cobertura do solo por resíduos culturais para a redução da erosão hídrica, mas, apesar do conhecimento da eficácia da cobertura ela era ainda pouco comum devido ao preparo mecânico que incorporava os resíduos ao solo e à queima. Nas áreas de exploração pecuária, a pressão de pastejo já era mais intensa nessa época, resultando em baixa oferta de forragem. Com isso, a pressão sobre o solo era alta, compactando-o, a cobertura do solo era baixa e, o que diminuía a infiltração de água e aumentava a erosão. Assim, a degradação do solo pelo pastejo era mais intensa do que antes, especialmente em solos frágeis. A partir da década de 1970, aproximadamente, o sistema tradicional de manejo de solo que utilizava arados e grades (preparo convencional – PC) foi substituído por um sistema que envolvia cobertura do solo por resíduos culturais e redução/eliminação do preparo mecânico (semeadura direta – SD). Com a adoção da SD diminuiu a erosão hídrica e os custos das lavouras em relação ao PC. O grande problema é a SD foi instalada em solo já degradado devido ao PC anterior, o que resultou numa série de vantagens e também de problemas. As vantagens foram redução da erosão e custos de produção, enquanto, os problemas eram principalmente devidos ao efeito residual no solo deixado pelo PC adotado anteriormente. Em parte dessas lavouras, parte ou toda a camada superficial do solo havia já sido perdida pela erosão durante o período de exploração com o PC. A área de cultivo em SD começou com cerca de 100 ha em 1969 em algumas lavouras em caráter experimental, inicialmente no Rio Grande do Sul e em seguida no Paraná e atualmente atinge aproximadamente 30 milhões de há. A redução da erosão hídrica foi uma das grandes vantagens da adoção da SD, comparada ao tradicional PC, do ponto de vista da conservação do solo. As perdas de solo eram diminuídas, inicialmente, em até mais de 90%, enquanto, as perdas de água o eram em menor magnitude. A cobertura do solo pelos resíduos culturais dissipava a energia cinética da chuva, mas, não a da enxurrada, o que concorria para a continuidade da erosão hídrica. No entanto, a continuidade da exploração do solo, cada vez mais intensa, com maquinaria cada vez pesada e com número cada vez maior de operações de manejo durante os cultivos, concorreu para o aumento da degradação do solo, principalmente por compactação. Isso resultou em infiltração e água cada vez menor e erosão hídrica cada vez maior, mesmo na SD. A presença de resíduos culturais na superfície do solo mascarava a erosão que continuava a ocorrer, e aumentava, na SD, embora, ainda, em menor quantidade do que no PC, tornando-se um sério problema para a sobrevivência da SD. As perdas de água que eram altas na SD nunca foram consideradas como um problema, já que, aparentemente, a água “saía limpa” das lavouras. Isto era motivo para afirmações como “a erosão hídrica estava finalmente controlada nas lavouras do Brasil com o advento da SD”. Tais afirmações eram feitas por agricultores que não mais enxergavam erosão, por técnicos, inclusive agrônomos representantes de empresas de insumos variados e de cooperativas que, por desconhecimento do assunto, e/ou,para agradar os agricultores, afirmavam não mais existir erosão. Com isso, era mais fácil comercializar os insumos. Vendedores de máquinas agrícolas também afirmavam que os terraços eram um problema para o bom desempenho das mesmas na lavoura e, por isso, podiam ser eliminados, até porque, segundo eles, a erosão não mais existia. Com isso, era mais fácil comercializar as máquinas. A extensão rural oficial não mais atuava no Brasil em defesa do solo, e com isso, as afirmações feitas aos agricultores, de que a erosão já não era problema devido à eficácia da SD, passavam a ser a única verdade. 57 A redução da erosão hídrica nas lavouras conduzidas em SD fez com que os agricultores aceitassem a idéia de que a cobertura do solo era suficiente para controlar a erosão, criando um clima favorável à eliminação dos terraços agrícolas e cultivo morro-a-baixo. Tal fato constitui-se atualmente no mais grave problema da SD no Brasil, do ponto de vista de conservação do solo. Acreditam os agricultores que os resíduos culturais têm, por si só, condições de controlar a erosão hídrica na SD. Segundo eles, isto ocorre independentemente do relevo, tipo e condições físicas do solo, tipo da SD, forma da semeadura em relação ao declive, características das chuvas, tipo, quantidade e forma de manejo de resíduo cultural, dentre outros aspectos. Devido à eliminação dos terraços, os agricultores passaram a efetuar a semeadura na direção de maior comprimento na lavoura, muitas vezes morro abaixo, quase nunca em contorno. Como consequência, as perdas de água e as perdas de solo são altas, às vezes tanto quanto as que ocorriam no PC. A elevada erosão que ocorre em boa parte das lavouras em condição de SD no Brasil é relacionada, ainda, com as más condições físicas dos solos resultantes do manejo adotado anteriormente no PC. Em especial a compactação do solo denominada de “pé de arado” e “pé de grade” e, principalmente, a perda da camada superficial pela erosão anterior, limita a infiltração de água no solo e potencializa o escoamento superficial e a erosão. Esses problemas, em especial a perda da camada superficial do solo herdada do PC, não são resolvidos pela SD e, por isso, a erosão continua. A aparente eficácia de controle da erosão hídrica do solo pela SD gera outro sério problema. Os estudantes não se interessam em estudar erosão hídrica, tanto na graduação (Agronomia) quanto, na pós-graduação (PG - Ciência do Solo). Nos cursos de PG, especialmente, esse problema é amplificado também pelo desinteresse de muitos professores orientadores. Ao programar planos de estudo de seus orientados, não contemplam a disciplina de Uso e Conservação do Solo. Em muitos casos, tal desinteresse pelos orientadores advém de sua própria formação, os quais, apesar de serem Drs. em Ciência do Solo, nunca estudaram conservação do solo e, por isso, não estão preparados para orientar adequadamente seus orientados. Como conseqüência, a partir da década de 1980, aproximadamente, em muito se reduziu o contingente de profissionais habilitados e interessados no problema da conservação do solo e, em especial, na erosão hídrica do solo no Brasil. Com isso, criou-se uma cadeia negativa sobre o assunto, em que cada vez menos se estuda o tema e, com isso, cada vez menos se sabe sobre ele. O pouco conhecimento sobre erosão gera inabilidade para o entendimento do fenômeno e, com isso, a incapacidade para reconhecer a ocorrência de tal fenômeno na prática. A desmotivação para o estudo de conservação do solo, em especial de erosão hídrica, nessa época, criou problema também para a pesquisa. A maior parte dos pesquisadores que pesquisava erosão do solo migrou para pesquisar outros temas. Muitos passaram a estudar e pesquisar a SD, simplesmente relacionando o sistema a vários aspectos do solo e da planta, menos à erosão. Pouquíssimos cientistas de Ciência do Solo dedicam-se atualmente a estudar o comportamento da SD com a erosão. Como conseqüência, praticamente inexiste informação sobre quantificação de infiltração de água no solo e de perdas de água, solo, nutrientes e carbono orgânico pela erosão hídrica gerada na SD no Brasil. Ao analisar a eficácia da SD em controlar a erosão e em conservar o solo, esquecem-se, a maioria, de que o sistema foi implantado sobre condições de solo já degradado pela erosão anterior e, acima de tudo, é conduzido inadequadamente em diversos aspectos. As principais deficiências na condução da SD são as seguintes: ausência de uma rotação de culturas adequada; deficiência de 58 resíduos culturais para cobrir o solo; falta de terraceamento e ausência de cultivo em contorno por falta dos terraços; tráfego excessivo de máquinas com elevada umidade e ausência de preparo mecânico com conseqüente compactação; dentre outras. A elevada perda de água por erosão atualmente na SD na maior parte das lavouras do Brasil é responsável também por expressiva perda dos nutrientes de plantas; carbono orgânico; e pesticidas. Neste sistema de manejo, os produtos químicos tendem a se concentrar mais na superfície do solo do que no PC. Os adubos são depositados em superfície, os resíduos culturais permanecem na superfície e o solo não é revolvido. Em especial, o fósforo, o potássio e o carbono orgânico, tanto adsorvidos aos sedimentos quanto solúveis na água, são perdidos em altas quantidades pela erosão (Bertol et al., 2007; Barbosa et al., 2009). Especialmente o fósforo é causador de eutrofização das águas em mananciais, principalmente em ambientes lênticos. Nas áreas de pastagens cultivadas, a situação é dramática na maioria dos casos. Os solos, parte deles marginais do ponto de vista de aptidão para esse tipo de exploração intensiva, estão verdadeiramente sucumbindo aos efeitos da degradação. Tal degradação tem origem na excessiva carga animal que consome demasiadamente a biomassa aérea deixa o solo descoberto. A elevada pressão mecânica pelos animais pulveriza o solo na superfície e o compacta, tornando a infiltração de água no solo muito inferior à chuva (Bertolet al., 2008). Assim, criou-se um vicioso ciclo, em que o solo é degradado pela compactação e erosão, levando à degradação da pastagem o que, por sua vez, acelera a degradação do solo. Com o aumento expressivo da área cultivada com florestas, os solos apresentam elevada erosão hídrica principalmente nas fases de plantio e colheita e nas estradas internas, principalmente quando o plantio é feito morro abaixo, com sulcamento do solo. Acrescente-se a isso, o fato desse sistema de uso do solo ser implantado e conduzido geralmente em áreas com maior declive do que as de lavouras e pastagens, em muitos casos inclusive em áreas íngremes. Essa é a situação em que se encontra atualmente a conservação do solo no Brasil, na maioria das áreas de lavoura, pastagem e reflorestamento. No caso das lavouras, a conservação do solo é dependente quase que exclusivamente do sistema SD, na maioria das vezes inadequadamente implantada e conduzida e, portanto, sem condições de efetivamente controlar eficazmente a erosão do solo. A ocorrência de eventos de chuva, cada vez com maior intensidade e volume, devido, em parte, às mudanças climáticas, concorre para potencializar a erosão, mesmo na SD. Isto torna difícil a sustentabilidade desse sistema de manejo do solo, na forma como comumente é adotado e conduzido pelos agricultores, pecuaristas e reflorestadores, sem a adoção de práticas complementares de controle do escoamento superficial e da própria erosão. ATIVIDADES 01 – Explique quais são as causas da degradação do solo. _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________02 – Como o fogo pode atuar na degradação do solo? _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 59 03 – Quais são as principais vantagens do plantio direto em relação ao plantio convencional? _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ O que esperar para o futuro A conservação do solo no Brasil não é satisfatória, embora seja muito melhor do que há algumas décadas, em especial, a situação é melhor quanto às perdas de solo por erosão hídrica nas áreas de lavouras submetidas à SD. Constata-se que vários problemas estão envolvidos e concorrem para a situação ainda indesejável, os quais necessitam ser resolvidos para avançar na conservação do solo e da água. Seguramente, o caminho é continuar avançando nos sistemas de manejo conservacionista, tanto em áreas de lavoura, quanto de pastagens e reflorestamento. Em especial, é necessário haver maior preocupação com o ambiente como um todo, minimizando os impactos de qualquer forma de erosão fora do seu local de origem. De qualquer modo, não é tarefa fácil fazer uma projeção para o futuro. Para isso, é necessário saber-se, com certo grau de certeza, o que se deve e o que se pretende fazer, efetivamente, em termos de manejo e conservação do solo em médio e longo prazo. Um sistema de manejo que envolva cobertura plena do solo combinada com a prática de terracemaneto agrícola em semeadura direta (Figura 3), é desejável e recomendável para controlar adequadamente a erosão, conservar o solo e potencializar a produção. Um dos problemas que tem que ser solucionado com urgência se refere à formação de recursos humanos na área de conservação do solo. Há uma clara deficiência relacionada ao estudo desse tema, tanto em nível de graduação nas Faculdades de Agronomia, quanto em nível de pós- graduação nos cursos de mestrado e doutorado em Ciência do Solo. O assunto é tratado de maneira muito diversa, além de pouco e, às vezes nem mesmo é estudado na graduação, enquanto, na pós- graduação há um notório desinteresse em estudá-lo. Para solucionar tal problema, é necessária uma consciência dos programadores de grade curricular nos cursos de graduação e uma efetiva orientação dos alunos por parte dos orientadores nos cursos de pós-graduação. Só assim se poderá suprir a deficiência de profissionais habilitados e comprometidos com a conservação do solo e da água, em médio e longo prazo. É inaceitável que se conceda o título de Dr. em Ciência do Solo a alguém que não tenha cursado uma única disciplina relacionada à conservação do solo e da água. Deve-se ser lembrado aqui, mais uma vez, que, o assunto erosão do solo faz parte intrínseca da conservação do solo e, por isso, o aluno de pós-graduação não pode deixar de estudá-lo, de maneira completa. A deficiência de quantidade e de qualidade de cientistas conservação do solo no Brasil gera outro problema sério, qual seja a falta de disponibilidade e de competência desses profissionais para avaliar projetos e propostas de pesquisa encaminhadas às agências financiadoras e para avaliar artigos científicos submetidos aos periódicos para publicação. Isto prejudica a geração e a difusão do conhecimento acerca do assunto. Portanto, atrasa e prejudica o avanço científico nesse campo do conhecimento. Outro problema no qual se tem que investir é na quantidade e qualidade das pesquisas na área de uso e conservação do solo e da água. É necessário implantar e desenvolver programas de pesquisa de longa duração, envolvendo também a erosão do solo. Infiltração de água no solo; perdas de água, sedimentos minerais e orgânicos; e de produtos químicos solúveis na água e adsorvidos aos sedimentos (nutrientes e pesticidas) provenientes da erosão hídrica, devem ser quantificadas. É 60 importante centrar essas pesquisas em sistemas SD, no caso das lavouras; em sistemas de manejo intensos, no caso de cultivos de espécies hortícolas; em sistemas de uso e manejo com pastagens; e em sistemas de exploração florestal. Também, é necessário quantificar a real capacidade das diferentes culturas em produzir biomassa vegetal, tanto de resíduos na sua parte aérea quanto de raízes; e quantificar a persistência temporal de tais resíduos quando mantidos na superfície do solo, na SD. Um terceiro problema diz respeito ao repasse de conhecimentos gerados pela pesquisa aos usuários finais, os trabalhadores da terra. Essa tarefa deve ser desempenhada pela extensão rural, que deve ser e estar totalmente desvinculada de interesses outros que não sejam os de orientar, recomendar e fazer-se cumprir as práticas e modelos conservacionistas comprovadamente eficazes para a efetiva conservação do solo e da água. Mais uma vez aqui vale lembrar que a conservação do solo e da água implica em não somente reduzir a erosão, mas, criar também ambiente e condições favoráveis para que as culturas e, ou, as explorações pecuárias e florestais maximizem seu potencial produtivo. Isso deve ser feito com um mínimo de degradação do ambiente como um todo. Um quarto problema, adicional aos demais, também deverá ser atacado pelos cientistas de solo e pela extensão rural deste país, qual seja, o de interferir em decisões políticas que possam nortear as questões de conservação do solo e da água. Inquestionavelmente, o uso dos meios de comunicação é fundamental para isso, para poder realizar-se a divulgação de acontecimentos ligados à conservação do solo, sejam congressos, simpósios ou simplesmente reuniões técnicas. É fundamental que a população em geral tome conhecimento das consequências da aplicação, e também da não aplicação, dos conhecimentos de Ciência do Solo, na situação ambiental atual que se presencia. A Sociedade Brasileira de Ciência do Solo deverá ser a principal difusora disso no país e, por isso, deverá conquistar e ocupar espaço na mídia brasileira. Dessa forma, aos poucos se poderá criar uma consciência conservacionista na população em geral e, por extensão, no meio político. Contudo, sabe-se que isso tudo só poderá ser conseguido lentamente e com muito esforço, o que deverá demandar médio ou longo prazo. Erosão do solo 1. Conceito - Essencialmente é um processo de desgaste da superfície e/ou arrastamento das partículas do solo por agentes, tais como a água das chuvas (hídrica), ventos (eólica), gelo (mudanças de temperatura), ou outro agente geológico, incluindo processos como o arraste gravitacional. 2. Importância Degradação de solos agrícolas; Assoreamento de cursos e reservatórios de água; Perda de produtividade dos solos agrícolas. Erosão geológica X Erosão acelerada Erosão geológica: processo lento, responsável pela modelagem do relevo da crosta terrestre com seus vales, rios, montanhas, planícies, planaltos e deltas. É um processo construtivo, não influenciado pelo homem, onde as taxas de formação superam as taxas de remoção do solo. Erosão acelerada: processo rápido e destrutivo e iniciado pelo próprio homem, onde as taxas de remoção superam as taxas de formação ou gênese dos solos. Em escala mundial, a erosão promovida por atividades não agrícolas, tais como a construção civil, mineração, etc... é insignificante, interferindo em uma pequena parte da superfície terrestre. Por outro, a agricultura, por ser tão amplamente distribuída e potencialmente alterar a velocidade dos processos erosivos, torna-se muito mais importante.Quase todas as operações agrícolas são intensificadoras do processo erosivo. A retirada da cobertura vegetal expõe a superfície do solo e propicia condições para que os ventos e 61 água atuem de forma mais direta pela não absorção dos impactos das gotas de chuva, eliminação de obstáculos à movimentação dos ventos e favorecimento do escoamento superficial formando enxurradas, acentuando ainda mais o processo erosivo. O cultivo do solo contribui ainda mais por desagregá-lo, favorecendo a individualização das partículas ou a diminuição do tamanho dos agregados, facilitando, a movimentação destes pelos ventos e água. Agentes de erosão Os principais agentes de erosão são a água e os ventos, contudo outros podem atuar: Ventos: A ação dos ventos ocorre pela abrasão de partículas de rochas e solo em suspensão. Água: É o mais importante agente de erosão atuando através das chuvas, riachos e rios pelo impacto ou carreamento do solo. As ondas também atuam erodindo as margens de da costa litorânea, de lagos e rios. Mudanças de temperatura: Quando considerado como agente de erosão geológica é perceptível somente quando se considera longo período de tempo, como por exemplo, as fraturas geradas nas rochas. Estas fraturas tendem a ser superficiais nas variações de temperatura entre o dia e noite, enquanto são mais profundas quando originadas das alternâncias entre o verão e inverno. Biológico: Alguma destruição pode ser causada por organismos tais como liquens e musgos sobre as rochas. Contudo os efeitos principais das alterações promovidas por organismos estão relacionados à aceleração da atuação de outros agentes como a água e os ventos. Limites aceitáveis de erosão A erosão geológica é um processo natural sendo qualitativa e quantitativamente aceitável. Porém, o que pode ser normal quando se considera o homem intervindo nos agros ecossistemas, visando à produção sustentável de alimentos? O limite a ser considerado deve ser a não existência de processos erosivos, pois se entende que os sistemas agrícolas sejam tecnicamente conduzidos, permitindo a estabilidade física, química e biológica do solo, viabilizando a produção agrícola perpétua de alimentos. TIPOS DE EROSÃO A água que não consegue infiltrar na terra arrasta as partículas superficiais do solo, fazendo sulcos, enxurradas, voçorocas, arrastando grandes quantidades de terra juntamente, as sementes, plantas, defensivos agrícolas, adubo, calcário, etc., depositando posteriormente em pequenas depressões no solo, assoreando rios e mananciais. O processo erosivo pode ocorrer pela ação das águas das chuvas (erosão pluvial), pelos ventos (erosão eólica), água do mar (erosão marinha), água dos rios (erosão fluvial) e palas geleiras (erosão glacial). A primeira ação da chuva nos solos sem cobertura vegetal se dá pelo impacto das gotas de chuva, que desagregam os torrões do solo e levam o material mais fino para longe. A força do impacto das gotas de chuva também diminui a porosidade do solo, o que é chamado de selagem. A selagem aumenta o fluxo superficial da água e a erosão. As condições físicas e químicas do solo, ao conferir maior ou menor resistência à ação das águas, tipificam o comportamento de cada solo exposto a condições semelhantes de topografia, chuva e cobertura vegetal (BERTONI e LOMBARDI NETO, 1995, p. 61). A erosão pode ocorrer com o transporte uniforme das partículas pelas águas pluviais ou com a formação de canais definidos, que podem se tornar voçorocas. Mas as voçorocas também podem ser formadas devido à ação das águas subterrâneas. É necessário considerar as características 62 físicas dos terrenos (tipo de solo, declive, hidrografia); o e modo a preservar os solos da erosão hídrica. A erosão hídrica é a mais comum nas áreas agricultáveis, pois com a ação da água das chuvas em contato com um solo desprotegido, ou seja, sem cobertura vegetal, causará danos chegando ao estágio irreversível. Nos casos brasileiros e paranaenses, a erosão hídrica é a mais importante. Naturalmente ocorre erosão, mas a erosão causada pelas atividades humanas pelo uso do solo é muitas vezes maior. Onde o volume de enxurrada é mais concentrado, o fluxo de água corta mais profundamente dentro do solo, aprofundando e coalescendo os sulcos em canais maiores chamados de voçorocas. Voçorocas em terrenos cultivados são obstáculos para tratores e não podem ser removidos por práticas normais de cultivo. De acordo com Guerra, 2009: O processo se inicia, quase sempre, através do escoamento superficial difuso (erosão em lençol), passando pela concentração dos fluxos (erosão em ravinas), que pode evoluir para um escoamento mais concentrado, chegando a formar voçorocas, que são incisões mais profundas no solo, chegando à maioria das vezes a atingir o lençol freático (GUERRA, 2009, p. 20). Os três tipos de erosão são importantes, mas a erosão laminar e em sulcos, apesar de menos aparente que as voçorocas, são responsáveis pela maior parte do solo movimentado. Com base no grau de erosão, pode ser classificada em: Erosão laminar ou linear; Erosão em sulcos e Erosão em voçorocas. A erosão laminar é aquela que ocorre em toda a área, caracterizada pelo arraste de uma camada muito fina e uniforme do solo, - a forma mais perigosa de erosão. Uma vez não percebida logo no início, é notada somente quando atinge um grau elevado, ou seja, após descobrir as raízes das plantas. "É a remoção de solo de uma área inclinada em camadas finas […] o ressecamento e a lavagem da encosta são formas de erosão laminar" (ARAUJO, 2010, p. 88). A erosão em sulcos é formada pela canalização do escoamento das águas na superfície do solo. Erosão que forma valas ou sulcos no terreno, sendo facilmente percebida. Na erosão entre sulcos, a desagregação das partículas de solo é ocasionada pelo impacto das gotas de chuva, sendo que o transporte, o qual poderá ser para dentro dos sulcos, se deve ao salpica mento provocado pelo impacto das gotas combinado ao fluxo laminar turbulento do escoamento superficial. Esta forma de erosão é originada em pequenos sulcos que se formam em decorrência do escoamento superficial, marcas das operações de preparo e nas depressões naturais do terreno. Quando a água se concentra em determinados sulcos do terreno, atinge grande volume de fluxo e pode transportar maior quantidade de partículas formando ravinas na superfície. Estas ravinas podem rapidamente atingir a alguns metros de profundidade. O Ravinamento É a remoção de solo pela água por canais visíveis ou canaletas muito pequenas, mas bem definidas, onde há concentração do fluxo sobre o solo. As ravinas, geralmente, são mais sérias do que a erosão laminar porque as velocidades do escoamento superficial (Runoff) são mais altas nas ravinas ou canais. (ARAUJO, 2010, p. 88) Em estágios mais avançados, favorece o aparecimento de voçorocas. Erosão em voçorocas é a que ocorre em valetas profundas, podendo atingir metros de profundidade e comprimento. Aparecem geralmente nos terrenos arenosos e porosos. Em estágios avançados, são de difícil recuperação. 63 A erosão por voçorocas é causada por fatores ligados ao solo, as propriedades do solo que condicionam a formação de voçorocas são em relevos abruptos entre os horizontes superficiais e sub superficiais, fluxo sub superficial, argila altamente dispersível, e uma fraca estrutura do solo. Por exemplo, atividades agrícolas, desmatamento, queimadas, pastoreio, construção de estradas, trilhas, drenos mal dimensionados,e outras estruturas de engenharia que provocam a concentração da enxurrada. Na maioria dos casos, voçorocas são formadas pelo aprofundamento de sulcos e desmoronamento das paredes. Quando chove, parte da água da chuva infiltra e parte dela escoa, dependendo da umidade do solo, da declividade e do volume de chuva. As voçorocas podem não ser tão significativas como as ravinas, em termos de quantidade total de solo erodido, mas podem ser bastante destrutivas em termos de danos a rodovias, aterros, e bacias hidrográficas. Elas são difíceis de ser controladas e retiradas […] o desgaste contínuo da base da voçoroca leva ao seu aprofundamento e alargamento, enquanto o desgaste das cabeceiras prolonga o canal para áreas ainda não atingidas pela voçoroca (ARAUJO, 2010, p. 89-90). A declividade do terreno é um fator fundamental no processo erosivo, quanto maior for a elevação do terreno maior será a velocidade de escoamento da água provocando a erosão pela enxurrada. “Portanto, mais graves serão os danos causados pela erosão, podendo inclusive ocasionar sulcos ou voçorocas” (EMBRAPA, 2003, p.16). As atividades praticadas no meio rural (tanto agricultura como pecuária) podem ser as responsáveis diretas por transformações no relevo de uma determinada área, causando não só danos às encostas e planícies, mas também, a partir dos transportes dos sedimentos, mudança na qualidade e quantidade de água dos rios, lagos, e reservatórios, tornando-os mais rasos, podendo chegar, inclusive, ao assoreamento total desses corpos líquidos (GUERRA, 2009, p. 34). DEGRADAÇÃO DOS SOLOS AGRICOLAS A degradação do solo pode ser definida como uma perda ou redução desta energia do solo. O conceito de degradação de terras “se refere à deterioração ou perda total da capacidade dos solos para uso presente e futuro” (FAO, 1980). Tais perdas ocorrem principalmente por causa das principais formas de erosão (pelo vento e pela água) e das deteriorações química e física (ARAUJO, 2010, p. 23-24). A degradação do solo afeta em primeiro lugar a capacidade produtiva de um ecossistema, em segundo, afeta o clima do planeta através de alterações no equilíbrio da água e da energia e modificações nos ciclos de carbono, nitrogênio, enxofre e outros elementos. O impacto na produtividade agrícola, no meio ambiente e a degradação do solo provocam instabilidade econômica, afetam a sociedade aumentando a taxa de desmatamento, intensificando o uso de terras frágeis, acelerando a enxurrada e a erosão do solo, aumentando a poluição de cursos de água e a emissão de gases que provocam o efeito estufa. A modificação dos sistemas naturais pela atividade humana origina as “áreas alteradas”, que podem ter sua capacidade de produção melhorada, conservada ou diminuída em relação ao sistema. Assim sendo, a alteração de uma área não significa necessariamente sua degradação. Contudo, se essa alteração ocorre acompanhada de processos que levam à perda da capacidade produtiva do sistema, diz-se que as áreas estão degradadas. Normalmente, o processo de degradação 64 das terras está relacionado à própria degradação dos solos, embora, outros fatores, como a prática de manejo inadequada, também possam ocasioná-la (EMBRAPA, 2003, p. 11). A superfície dos solos usados na agricultura era naturalmente coberta pela vegetação típica do local. Em regiões onde existia vegetação e de forma densa e diversificada, o impacto da chuva era amenizado, porque a velocidade da água diminuía com os obstáculos, as próprias espécies vegetais formam as barreiras. Além disto, os variados tipos de raízes davam sustentação ao terreno. Até as raízes mortas participavam do processo, pois formavam canais por onde água escorria para as camadas mais profundas do solo. A atividade agrícola sem as técnicas adequadas traz prejuízos ao meio natural, o desflorestamento de áreas extensas para ser ocupadas por plantações alteram as características da vegetação natural e podem interferir nos fatores de absorção de água pelo solo. A agricultura extensiva sem os devidos cuidados e técnicas adequadas, é, portanto, mais um fator que colabora para a formação de erosão hídrica.“O uso inadequado e intensivo de áreas exploradas pelas atividades antrópicas, tem proporcionado um declínio importante da fertilidade natural dos solos” (CORDEIRO, 2004). O solo está sujeito a diversos processos de degradação, em sua maioria estreitamente ligada à agricultura: trata-se da erosão pela água, os ventos e a mobilização dos solos; da compactação; da perda de carbono orgânico e de biodiversidade dos solos; da salinização; da contaminação dos solos por metais pesados, pesticidas, nitratos e fosfatos. O principal efeito da degradação do solo agrícola de acordo com Araujo (2010, p. 29): É o declínio na produtividade ou uma necessidade crescente do aporte de nutrientes para manter as produtividades, uma vez que “os subsolos geralmente contem menos nutrientes do que as camadas superiores, sendo necessários mais fertilizantes para manter a produtividade das culturas. Isso, por sua vez, aumenta os custos de produção. Além do mais, a adição somente de fertilizantes não pode compensar todos os nutrientes que se perdem quando a camada superior erode”. Entre os fatores causadores degradação está o declínio da estrutura do solo, compactação, redução da capacidade de infiltração, redução de matéria orgânica e da biomassa e patogênese do solo. A degradação do solo por diferentes processos resume-se pela má utilização da terra e pelos métodos de manejo inviáveis do solo. Em qualquer cultivo sempre ocorre uma degradação do solo. Existem solos que são mais propícios ao adensamento, à formação de grumos no solo, como exemplo, os solos de Terra Roxa, já terrenos arenosos o adensamento dificilmente se determina, porém são solos mais porosos onde reage bem a adubação, a conservação da água e um enraizamento abundante. Um solo argiloso, composto por mais micro poros, o que lhe proporcionaria uma infiltração mais lenta, portanto, com um escorrimento maior da água das chuvas, porém com mais resistência ao desprendimento de suas partículas. (BERTONI e LOMBARDI NETO, 1999). Um solo adensado a penetração de água é dificultada a adubação não reage satisfatoriamente, e os riscos climáticos facilitam a perda da bioestrutura desse solo. Durante as precipitações surgem o efeito de compactação, dependendo das propriedades dos solos, da frequência e intensidade das chuvas. No estado do Paraná são perdidos 15 a 20 t ha-1 de solo, por ano, em áreas intensivamente mecanizadas. Cerca de 1,5 bilhão de hectares (aproximadamente 10% da superfície terrestre), já foram irreversivelmente degradados pelo processo de erosão, o qual é geralmente ativado e acelerado pelo inadequado uso e manejo do solo. A produtividade agrícola em aproximadamente 20 milhões de 65 há/ano é reduzida a zero ou pelo menos se torna economicamente inviável devido à erosão do solo e degradação induzida pela erosão. ATIVIDADES 01 – O que é erosão do solo? _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 02 – Quais são os principais agentes de erosão? _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 03 – Quais são os tipos de erosão? _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________EFEITO DA COMPACTAÇÃO NO CRESCIMENTO DE PLANTAS Efeito da pressão externa no crescimento radicular Quando uma raiz encontra um poro no solo cujo diâmetro é menor que o seu, só prosseguirá se expandindo se for capaz de exercer pressão suficiente para dilatar o poro ou então, terá que diminuir seu diâmetro o suficiente para passar através dele. Parece que, na realidade, o diâmetro da raiz, quando ela encontra tais obstáculos, aumenta ao invés diminuir. A penetração diminui com a diminuição do diâmetro do tubo; este fato pode ser interpretado como uma resposta ao aumento da resistência do meio. A resposta das raízes ao impedimento mecânico se resume, essencialmente, à pressão que a raiz precisa exercer para aumentar sua dimensão ou criar novos poros. A) Pressão mínima à elongação radicular O balanço de forças externas e internas são responsáveis pelo crescimento radicular, e a raiz pode exercer pressões de até 0,9 a 11,3 MPa contra as paredes dos poros do solo. O que interessa, entretanto, não é a pressão máxima que a raiz pode exercer, e sim qual a pressão imposta pelo meio que reduz consideravelmente a elongação radicular. B) Efeito da pressão na ramificação e distribuição das raízes O tamanho ótimo de um agregado após o preparo do solo varia com a cultura anterior, com o preparo e com a quantidade de água (via chuva ou irrigação) durante seu período de crescimento. O papel que os agregados do solo têm no crescimento das raízes está relacionado, em parte, com o grau de penetração das raízes no seu interior. Como a compactação provoca diminuição no tamanho dos poros, a ponto de impedir a passagem da raiz principal, a planta lança mão de mecanismo de defesa via expansão de raízes laterais com diâmetros adequados para passar pelos poros. Essas raízes laterais parecem responder à imposição de obstáculos mecânicos de maneira muito semelhante à principal. Assim, se o obstáculo 66 é imposto a ambas, todo o sistema se tornará definhado e, nessas condições ficará inteiramente coberto por pêlos radiculares. Se houver obstáculo apenas à raiz principal, proliferam-se as laterais, formando uma configuração de sistema radicular muito denso e raso que, em condições de campo, dificilmente sobrevive a um período de seca. Em condições de laboratório, a planta pode sobreviver, absorver nutrientes, crescer e produzir como a que vive sem problemas de obstáculos físicos. Pode-se concluir que uma planta vivendo em solo com alta resistência sofrerá séria restrição ao crescimento quando o suprimento de água e nutrientes for escasso. Efeitos mecânicos em condições de campo Em condições de campo, a raiz da planta pode se desenvolver em solos cujo arranjamento espacial de partículas sólidas e vazios seja uniforme ou naqueles cuja estrutura sofra descontinuidade. A porcentagem de espaços vazios no volume do solo e, especialmente, seus aspectos geométricos, como número, tamanho, forma, distribuição, direção, continuidade e conexão são bastante relevantes para o desenvolvimento radicular (Magalhães, 1990). A) Solos com estrutura uniforme A presença dos macropóros permite às raízes atravessarem camadas de solos que seriam normalmente impenetráveis e terem acesso a um reservatório maior de água e nutrientes móveis. Os macropóros não são apenas fisicamente diferentes dos demais poros, pois podem ser ricos em microrganismos, sendo as raízes que neles crescem beneficiadas de várias maneiras, através de simbioses com liberação de nutrientes (Passioura, 1991). Muitas raízes laterais podem se proliferar numa planta se desenvolvendo em solo com poros menores que o diâmetro da raiz principal. Sendo assim, os dois tipos de raízes, num mesmo tempo, poderão estar explorando volumes de solos que apresentem condições diferentes de umidade, nutrientes ou mesmo toxicidade. Prevalecendo condições adversas para o pleno desenvolvimento das raízes, poderá haver absorção deficiente de água e nutrientes, com prejuízos para o crescimento da planta. Quando um solo é compactado, o diâmetro dos poros grandes é reduzido, a resistência mecânica aumenta e a aeração pode-se tornar deficiente. Estes três fatores podem agir de maneiras diferentes para cada situação (Booneet al., 1985) Há que se ressaltar que o impedimento mecânico não é a única maneira pela qual a umidade influi no crescimento radicular em solos compactados. A concentração de oxigênio também tem efeito no crescimento radicular em níveis baixos de compactação (Hopkins & Patrick, 1970). Entretanto, a níveis altos, a concentração do oxigênio tem pouca influência, visto ser a resistência mecânica que praticamente controla o crescimento das raízes. B) Solos com descontinuidades estruturais Os solos não apresentam normalmente, vazios de tamanho e formas uniformes, mas sim descontinuidades estruturais dentro do seu perfil, as quais constituem ambientes bem diferentes à expansão radicular. Assim, podem apresentar rachaduras verticais, unidades estruturais muito desenvolvidas e camadas horizontais altamente endurecidas (pans). Rachaduras verticais são planos verticais de fraqueza na massa do solo que, apresentando resistência zero ao crescimento, causam uma concentração radicular nessa região. Unidades estruturais altamente desenvolvidas podem apresentar um padrão de densidade e aeração diferente da massa do solo, podendo motivar um crescimento radicular distinto entre as unidades e dentro das unidades. 67 Resposta das plantas a compactação do solo A resposta à compactação das principais plantas cultivadas ainda é um campo que permanece cheio de dúvidas. Uma revisão razoável para milho, tomate, batata, beterraba e algodão foi feita por Rosenberg (1964). Notou-se que uma leve compactação foi benéfica às culturas, quando comparada ao solo extremamente solto e desagregado. Entretanto, em níveis mais elevados, a compactação promoveu efeitos prejudiciais às plantas, tais como germinação e brotação mais lentas, redução no estande, menor peso e altura por planta e menor produção por área. Outros efeitos Além dos efeitos nos atributos físicos do solo, observa-se que a compactação pode predispor o ambiente a algumas injúrias normalmente não esperadas e devidas a herbicidas, fungicidas ou inseticidas. O efeito da compactação nas injúrias causadas por herbicidas de longo efeito residual, como a trifluralina, pode ajudar a explicar os sintomas que aparecem em plantas cultivadas em rotação, quando o herbicida foi utilizado na cultura anterior para controle de gramíneas. Se o preparo do solo para o plantio de cultura em sucessão for realizado em condições de solo úmido, o que pode ocorrer num ano em que as chuvas atrasem, e o cronograma de execução das operações agrícolas não podendo ser seguido à risca, o solo pode ficar compactado e os sintomas de fitotoxicidade pelo herbicida podem aparecer. Se, por outro lado, o solo tivesse sido preparado em condições favoráveis de umidade, uma mesma dose residual do produto não teria causado injúrias ao sistema radicular da cultura. A compactação pode aumentar também a severidade de sintomas de algumas doenças. Quando as condições ambientes previnem a expressão total das doenças, a compactação pode ajudar a diferenciar cultivares resistentes de suscetíveis. Um exemplo clássico é a podridão das raízes de soja, causada por Phytophtora megasmperma f.sp. glycinea, cuja incidência aumenta enormemente em solos compactados (Fulton et al., 1961). Moots et al. (1988) notaram que o aparecimento da podridão e o número de plantas mortas aumentou com a compactação de um molissolo, enquanto a massa das sementes e o número de plantas emergentes diminuiu. Em um dos anos avaliados, 1983, os autores notaram que no solonão compactado, apenas uma cultivar, considerada suscetível, teve uma incidência da doença significativamente superior às outras cultivares. Por outro lado, no solo compactado, a doença se manifestou também em outra cultivar suscetível. Persistência da compactação Uma camada compactada é mais persistente quanto maior for a profundidade em que ela se encontra. Dependendo de fatores pedogenéticos do solo (expansão e contração de argilas do grupo 2:1), fatores climáticos (congelamento e degelo), atividade biológica de microrganismos e sistema de manejo adotado, há variação na persistência da compactação nos solos (Hakansson & Reeder, 1994). Sintomas de solos compactados No solo Presença de crostas: Aparecimento de trincas nos sulcos de rodagem do trator; Zonas endurecidas abaixo da superfície do solo; Empoçamento de água; Erosão pluvial excessiva; Presença de resíduos vegetais parcialmente decompostos muitos meses após sua incorporação; Necessidade de maior potência das máquinas de cultivo. Na planta Baixa emergência das plantas; Variação no tamanho das plantas; Folhas amarelecidas. 68 Considerações finais: Podemos afirmar que o solo agrícola é o ativo mais precioso que um agricultor tem na sua propriedade, sendo este o fator de produção que suporta toda riqueza produzida na empresa agrícola. Preservar e trabalhar para melhorar a sua fertilidade é uma questão fundamental e pode definir a sustentabilidade do negócio e a manutenção do agricultor na atividade. Em anos de restrições climáticas esses efeitos se acentuam e é comum observarmos diferenças enormes de produtividade entre vizinhos de cerca, muitas vezes com mesmo tipo de solo, mas com manejos contrastantes do ponto de vista de boas práticas de rotação de culturas, cobertura de solo e manejo de lavoura. Planejar as operações agrícolas e o sistema de produção com vistas a melhorar a fertilidade do solo, certamente, é um investimento de alto retorno e deve ser feito considerando o longo prazo. Nesse sentido, é importante o agricultor considerar a qualidade física do solo no planejamento e fazer o monitoramento de sua condição sempre que notar algum fator limitante ao bom desenvolvimento das raízes. 69 O V IN O C A P R IN O C U L T U R A CURSO TÉCNICO EM AGROPECUÁRIA 70 OVINOCAPRINOCULTURA INTRODUÇÃO Caprinocultura é parte da zootecnia especial que trata do estudo e da criação de caprinos. A abra foi o primeiro animal a produzir alimentos (leite e carne) domesticado pelo homem, há cerca de 7.000 anos, servindo também para produzir couro, pêlo e esterco. O bode (Capra aegagrus hircus), macho adulto dos caprinos, é um mamífero herbívoro Ruminante cavicórneo que pertence à família dos bovídeos, subfamília dos caprinos. O feminino de bode é cabra e os animais jovens são conhecidos como cabritos. Assim como os carneiros, emitem um som chamado de balido (o conhecido "bééé"). O caprino é um dos menores ruminantes domesticados. Os caprinos domesticados são descendentes da espécie Bezoar, encontrada no Mediterrâneo e Oriente Médio, principalmente na ilha de Creta. Na maioria das raças de caprinos, os dois sexos têm chifres e barba. Os chifres podem ser curvos ou em forma de espiral, mas muitos têm um lado interno afiado. O pêlo pode ser comprido ou curto, macio ou áspero, de acordo com o habitat e o controle da criação. A criação fornece lã (em algumas variedades, como na cabra-caxemira e angorá), couro, carne, leite e, às vezes, estrume. Muitas pessoas consomem diariamente mais produtos da cabra do que de outros animais. As cabras são excelentes exploradores e conseguem encontrar sua própria comida. O esgotamento de pastos pelas cabras se tornou, onde não há um manejo adequado dos animais, um problema ambiental em muitas partes do mundo. INFRA-ESTRUTURA BÁSICA PARA CRIAÇÃO DE CAPRINOS A infra-estrutura de um sistema de criação de caprinos envolve instalações e também a infra- estrutura de suporte alimentar para uso dos rebanhos principalmente na época seca. A importância das instalações dentro de um processo de produção está na facilidade e redução da mão-de-obra para as tarefas diárias, facilidade de manejo do rebanho e o controle de doenças, proteção e segurança aos animais, divisão de pastagens, armazenamento de alimentos, favorecendo, assim, maior eficiência produtiva (EMBRAPA; [2005]). A localização de uma instalação está relacionada com as características de cada propriedade, no que diz respeito à sua forma geométrica, a disposição das pastagens existentes e a disponibilidade de água, entre outras. No entanto algumas orientações devem ser seguidas, tais como: O local deve ser uma área convergente das pastagens ou permitir fácil acesso a todas elas a fim de favorecer a otimização da mão-de-obra no manejo do rebanho; O terreno deve ser de textura bem consistente (duro, pedregoso ou de afloramento calcário) e com boa drenagem; construída próximo à casa do manejador; em instalações com área coberta, esta deve ser construída no sentido norte-sul, no maior comprimento e com declividade de 2 a 5%. Os fatores mencionados são de fundamental importância para a segurança e saúde dos animais nas instalações, bem como, para facilitar os trabalhos de manejo na propriedade. (EMBRAPA; [2005]). 71 Os alojamentos para caprinos leiteiros devem ser dimensionados para não haver desperdício de capital e a atividade consiga ser bem remunerada. As instalações para serem eficientes devem obedecer aos seguintes princípios: Proporcionar segurança e conforto aos animais; Oferecer um ambiente arejado, porém protegido de ventos e umidade; Facilitar o manejo dos animais e os trabalhos a serem desenvolvidos, (alimentação , limpeza, desinfecção entre outros); Não ser de construção muito cara para garantir a rentabilidade do empreendimento. É importante que o chiqueiro apresente, internamente, pelo menos quatro divisões destinadas para lotes de animais nas seguintes fases de desenvolvimento. Cabras em estado avançado de gestação (próximas à parição) e cabras recém paridas; Animais em fase de reprodução (matrizes e reprodutores); Cabriteiro (animais em lactação); Cabritos desmamados A primeira divisão deve dar acesso a um piquete com pastagem nativa ou cultivada. Esta área permite manejar adequadamente as cabras próximas à parição e as cabras recém paridas, evitando a ação de predadores e a ocorrência de miíases (bicheiras) nos animais recém-nascidos. Em cada uma das divisões reservadas tanto aos lotes de cabras próximas à parição e as recém- paridas, quanto para os animais em reprodução e desmamados, devem ser colocados cochos para sal mineral para a suplementação dos animais. Os cochos podem ser feitos de pneus, de tábuas ou de troncos ocos encontrados na propriedade e devem ficar posicionados a uma altura de 0,50m do solo, podendo, sobre eles, ser colocado um protetor, constituído por ripa ou arame, a uma altura de cerca de 0,30 cm acima da altura do cocho, para evitar a entrada de animais. ATIVIDADES 1) Definir Ovinocaprinocultura. _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 2) Explicar a infra-estrutura básica para a criação de ovinos e caprinos. _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ MANEJO PRODUTIVO Deve-se levar em consideração alguns aspectos básicos relevantes para que a atividade tenhaêxito, mesmo em criações com emprego de tecnologias mais simples. Um aspecto que deve ser considerado diz respeito às condições climáticas predominantes no local onde se deseja implantar ou aprimorar a criação. Quando da formação do rebanho, devem ser adquiridos animais com características adaptadas à região que satisfaçam aos interesses do criador. A região Meio-Norte do Brasil, sobretudo o Estado do Piauí, caracteriza-se pelas elevadas temperaturas e regime de chuvas irregular. Dessa forma, para as criações cujo objetivo é a produção 72 de leite e de carne, recomenda-se o uso de reprodutores com aptidão mista, como os Anglo- Nubianos, que apresentam grande rusticidade e adaptabilidade a essas condições climáticas. Para um bom desempenho reprodutivo, deve-se estabelecer a relação de um macho para 30 fêmeas. A ocorrência de partos duplos é relativamente comum nos caprinos, sendo que um plantel de 30 matrizes é capaz de apresentar uma natalidade de 40 crias por ano. Todas as matrizes do plantel devem ser identificadas com brincos numerados, permitindo o seu monitoramento com relação ao desempenho produtivo, idade, número de partos e aspectos sanitários. A reposição do plantel deve ser realizada adotando-se uma taxa de substituição de 20% das matrizes a cada ano. Deste modo, como as novas matrizes advirão do próprio rebanho e com idade de aproximadamente 10 meses, recomenda-se, também, a substituição do reprodutor a cada 2 anos, para evitar o seu acasalamento com filhas ou netas, causando problemas de consangüinidade no rebanho. ATIVIDADES 1) Explicar o manejo produtivo dos ovinos e caprinos. _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ ___________________________ MANEJO ALIMENTAR Os caprinos são animais capazes de sobreviver em condições de alimentação escassa e de baixa qualidade, entretanto, nessas condições, o seu desempenho é pouco satisfatório, ficando comprometido. É necessário, portanto, que os caprinos disponham de alimento de boa qualidade e em quantidades que satisfaçam suas necessidades durante o ano, resultando em aumento da produção e gerando mais lucros à atividade. Na fase de pré-parto, a suplementação supre as necessidades da matriz para a formação final do feto. Na fase de pós-parto, a suplementação supre às necessidades para a manutenção e para a produção de leite da matriz, além de prepará-la para o próximo período de gestação. Na fase de lactação, recomenda-se a suplementação alimentar com alimento de boa qualidade para o lactente, a fim de suprir possíveis deficiências maternas, principalmente no caso de partos duplos, e estimular o desmame precoce, disponibilizando a matriz para um novo ciclo reprodutivo. A suplementação alimentar pode ser obtida a partir de subprodutos ou restos das culturas agrícolas, capineiras previamente instaladas na propriedade ou ainda bancos de proteína. O banco de proteína pode ser implantado com leguminosas como leucena e feijão-guandu, que são ricos em proteína. A fenação é um processo utilizado para conservar a sobra de forragem existente em períodos de fartura, para ser utilizada nos períodos de escassez. Os restos de culturas agrícolas também podem representar uma importante fonte de alimentos aos caprinos, visto que todo ano, perde-se grande quantidade de palhas, cascas e grãos resultantes da 73 colheita, além de cascas, grãos quebrados, sabugos etc., resultantes do beneficiamento da produção das culturas. Esses restos de cultura podem ser utilizados na alimentação dos caprinos, podendo ser usados em pastejo direto no campo ou armazenados para serem fornecidos aos animais em épocas de escassez de alimentos. Mineralização Tal prática aumenta a saúde do rebanho e o seu desempenho produtivo. Já nos rebanhos em que essa prática não é adotada ou que não é feita de modo adequado, as taxas de natalidade e de crescimento são menores e a incidência de doenças é maior. O sal mineral é uma mistura composta por sal comum, uma fonte de fósforo e cálcio (farinha de ossos ou fosfato bicálcico) e micronutrientes, nas seguintes proporções: 50% de sal comum; 49% de farinha de ossos calcinada ou fosfato bicálcico; 1% de micronutrientes Mistura múltipla Consiste em uma mistura de alimentos e produtos químicos que serve para suplementar o rebanho, devendo ser fornecida à vontade aos animais. No caso de optar pelo uso da mistura múltipla, o uso de sal mineral pode ser dispensado. Para a elaboração de 100 kg dessa mistura, são necessários os seguintes componentes: 27 kg de milho triturado; 16 kg de farinha de ossos calcinada ou fosfato bicálcico; 10 kg de uréia pecuária; 15 kg de farelo de algodão ou de soja; 30 kg de sal grosso iodado; 1,3 kg de flor de enxofre; 0,6 kg de sulfato de zinco; 0,08 kg de sulfato de cobre; 0,02 kg de sulfato de cobalto. Fornecimento de água Os caprinos precisam constantemente de água limpa e de boa qualidade. Quando a água disponível for de açude, lagoa ou tanque cavado, o criador deverá protegê-la, evitando que os animais entrem para que não haja contaminação. É preferível que os caprinos tenham acesso à água corrente, entretanto, caso isso não seja possível, pode ser utilizado um bebedouro rústico feito de cimento, sendo necessário lavar duas vezes por semana. O consumo diário de água varia com o tipo de alimento, sistema de criação, temperatura ambiente e produção individual. 74 ATIVIDADES 1) Explicar o manejo alimentar dos ovinos e caprinos. _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 75 S U IN O C U L T U R A CURSO TÉCNICO EM AGROPECUÁRIA 76 SUINOCULTURA INTRODUÇÃO DOS SUÍNOS NO BRASIL América (1493): Por Cristóvão Colombo durante sua 2ª viagem a América. Introduzidos 0 8 cabeças na Ilha de São Domingos. Expandiram-se para Colômbia, Venezuela, Peru e Equador. Brasil (1532): Por Martim Afonso de Souza para a capitania de São Vicente (Litoral Paulista). Pertenciam às raças da Península Ibérica existentes em Portugal. Alguns fugiram para as matas e formaram grupos independentes. VANTAGENS DA SUINOCULTURA Produção de carne e gordura. Matéria prima para frigoríficos: Vísceras patês Pêlos pincel Pele bolsas Sangue chouriço. Fornecimento de órgãos e substâncias vitais à vida humana: Pâncreas, glândula da pituitária, tireóide, mucosa intestinal, coração e sangue; Onívoros: Aproveitamento de subprodutos (caseiros, industriais e agrícolas); Aproveitamento do esterco: culturas, pastagens e piscicultura.Animal cosmopolita; Idade de abate precoce; Elevado rendimento ao abate;Mercado fácil e seguro; Reprodução precoce; Animal rústico, poliéstrico e prolífero; Retorno rápido do capital investido; Rápido melhoramento genético; Animais descartados alcançam preços compensatórios. METAS PARA A MODERNA SUINOCULTURA Implantação e aplicação de tecnologias modernas na área de genética, nutrição, manejo, ambiência e sanidade; Ampliação do setor. Formação de cooperativas ou núcleos de integração. Facilitar e melhorar o sistema de armazenamento de grãos. Divulgar suíno de hoje. Melhoria das condições criatórias. Qualidade da carne (nutrição e genética). Higiene do produto. Buscar aumento daexportação. Promover melhora na sanidade de nossos rebanhos. Intensificar e apoiar a fiscalização dos abates clandestinos. Incentivar o aumento do consumo de carne suína in natura. Trabalhar na cadeia da industrialização e comercialização. Sobrevivência das maiores granjas. COMPORTAMENTO DOS SUÍNOS: 77 Animal sociável (contato com os outros através de sinais sonoros e do olfato); Olfato mais desenvolvido que a visão (contrário de aves); Água (umidade) provoca nos animais as dejeções dejetos acumulam nas proximidades de bebedouros; Procuram água (lama) para se refrescarem (perda de calor e amenizar danos provocados por ectoparasitas); Apresentam postura característica em função da temperatura: Frio: Agrupados próximos às paredes, com os membros encolhidos e o dorso voltado para o lado do vento. Calor: Ficam separados mais ao centro das baias, com os membros distendidos e o tórax voltado para corrente de ar. FATORES QUE AFETAM O CONSUMO VOLUNTÁRIO PELOS SUÍNOS: Fatores fisiológicos: Genética, mecanismos hormonais e neurais, sensitivos, estágio fisiológico, doenças; Fatores ambientais: Edificações (construções e localização), temperatura, umidade relativa, movimentação do ar; Fatores de manejo: Densidade de criação, relação suínos/ equipamento, localização dos equipamentos; Fatores dietéticos: Deficiência ou excesso de nutrientes, densidade energética, antibióticos, flavorizantes, processamento da ração, qualidade da dieta e água, disponibilidade da ração e água; Fatores múltiplos ou associados. ATIVIDADES 1) Quais as vantagens de uma suinocultura moderna? _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 2) Explicar o comportamento dos suínos. _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 3) Explicar as principais características das raças nacionais e estrangeiras. _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ RAÇAS DE INTERESSE PARA O BRASIL RAÇAS NACIONAIS Características: Tipos primitivos; Péssima carcaça (tipo banha); Pouco prolíferas; Rústicas; Difícil estado de pureza (alto grau de mestiçagem); Não possuem livro de inscrições; Não são aconselhadas para cruzamento industrial; Destacam-se: Piau, Caruncho, Canastra, Canastrão, Nilo, Tatu ou Macau, Pereira, Piratinga, Moura, Sorocaba, Tatuí. 78 RAÇAS ESTRANGEIRAS: LANDRACE; LARGE WHITE / YORKSHIRE; DUROC; PIETRAIN; HAMPSHIRE; WESSEX. MELHORAMENTO GENÉTICO EM SUÍNOS IMPORTÂNCIA: Utilização de reprodutores de elevado potencial genético visando a maximização do desempenho: Produtividade; Eficiência de transformação do alimento consumido em carne; Rendimento e qualidade da carne industrializada. FENÓTIPO, GENÓTIPO E AMBIENTE: Fenótipo: Desempenho produtivo; Depende do genótipo, do ambiente e da interação entre genótipo e ambiente. Ambiente: As condições do meio em que são criados. Ex: Ventilação, temperatura, umidade, nutrição, higiene, sanidade e manejo geral nas diferentes fases de criação. Genótipo: Herança genética que os animais recebem de seus pais no momento da concepção. Interação genética: Refere-se ao desempenho diferenciado de dois ou mais genótipos (raças) submetidos a diferentes condições de criação (ambiente) FENÓTIPO = GENÓTIPO + AMBIENTE + (GENÓTIPO X AMBIENTE) MELHORIA GENÉTICA: Seleção: Objetiva aumentar a freqüência dos genes desejáveis de determinada(s) característica(s) Será tanto mais precisa quanto mais uniforme forem as condições do ambiente em que se desenvolve o teste. Ganhos genéticos dependem: variabilidade genética disponível e intensidade de seleção aplicada. GRANJAS-NÚCLEO Raças e linhas puras Tamanho adequado de plantéis Seleção e transferência de reprodutores GRANJAS MULTIPLICADORAS Cruzamento entre raças diferentes Produção de machos e fêmeas híbridos (F-1) Multiplicação e transferência de reprodutores GRANJAS DE PRODUÇÃO DE SUÍNOS PARA O ABATE Granjas de produção de leitões e de ciclo completo Utilização de machos e fêmeas híbridos nos plantéis Exploram vantagens da heterose e complementariedade Comercializam a produção para frigoríficos e abatedouros UNIDADES DE ABATE E INDUSTRIALIZAÇÃO DA CARNE SUÍNA AMBIENTE) 79 AÇOUGUES, FEIRAS, SUPERMERCADOS E PONTOS DE VENDA DE CARNE E PRODUTOS SUINÍCOLAS. CONSUMIDORES RAÇAS, CRUZAMENTOS E SUAS VANTAGENS: Principais raças de suínos disponíveis em granjas de produção de reprodutores no Brasil: Em maior número: Large White, Landrace e Duroc. Em menor número: Hampshire, Pietrain e Wessex. A variabilidade existente entre raças deve ser explorada aproveitando-se os efeitos aditivos e não aditivos dos genes. Cruzamento entre raças ou linhas permite explorar as vantagens da heterose ou vigor híbrido. Híbrido= resultante do cruzamento de espécies (e não de raças). Outros termos importantes utilizados em cruzamentos interraciais são: F-1: Suíno resultante do cruzamento simples de machos de uma raça com fêmeas de outra raça. Utilizado para produzir fêmeas e machos híbridos para o plantel de reprodutores, rodução de suínos F-1: F-2: Suíno resultante do cruzamento de machos e fêmeas F-1. Neste caso persiste o percentual de genes das raças dos pais nos animais F-2. Produção de suínos F-2: Retrocruzamento ou back-cross: Animais resultantes do acasalamento de fêmeas F-1 e de machos de uma das raças que compõem a fêmeas F-1. Permite explorar 100% da heterose materna. Produção de suínos retrocruzados: Macho x Fêmea Raça A Raça B Machos e Fêmeas F-1 Macho x Fêmea F-1 F-1 Machos e Fêmeas F-2 Macho x Fêmea Raça A F-1AB Machos e Fêmeas com 75% de genes da raça A e 25% da raça B 80 Three-cross: Animais resultantes do cruzamento de três raças. Permite explorar 100% da heterose materna, em relação às duas raças que deram origem às fêmeas F-1 e 100% da heterose direta nos animais de abate, em relação às três raças envolvidas, sendo a terceira uma raça terminal de machos. Produção de suínos three-cross: Quatro raças: Animais resultantes do cruzamento de fêmeas F-1 de uma combinação racial, com machos F-1, denominada de híbridos, de outra combinação racial. Ex: machos Pietrain-Duroc x fêmeas Landrace-Large White. Este tipo de cruzamento só se justifica em programas de melhoramento genético. Permite explorar 100% da heterose nas fêmeas e machos do plantel e nos suínos de abate. Produção de suínos com quatro raças: Outros sistemas de cruzamentos: a). Cruzamento rotacional de duas raças: Inicia-se com o cruzamento simples de duas raças, alternando-se a raça do macho a cada nova geração. As melhores fêmeas de cada geração são selecionadas para reposição do plantel. Os machos e demais fêmeas são vendidas para o abate. Permite explorar as vantagens da heterose individual e materna (67% a partir da 5ª geração). b). Cruzamento rotacional de três raças: Nas duas primeiras gerações idem ao three-cross. 3ª geração: fêmeas three-cross x machos que deram origem as fêmeas F-1. Requer controles rigorosos de cruzamentos. Pequena desvantagem de produtividade de leitões e leitegadas. HETEROSE OU VIGOR HÍBRIDO: É definida como a superioridadedos animais mestiços em relação à media dos pais de raça pura. Heterose (%) = Média dos mestiços – Média das raças puras x 100 Média das raças puras Quanto maior for a diferença genética entre duas raças ou linhas, maior será a expectativa da heterose expressa pela progênie. Macho x Fêmea Raça C F-1AB Machos e Fêmeas com 50% de genes da raça C e 25% das raças AB Macho xFêmea F-1CD F-1AB Machos e Fêmeas com 25% de genes de cada uma das raças A, B, C e D 81 A heterose se expressa com maior vantagem em características relacionadas com o tamanho e o peso das leitegadas, e apresenta menor importância em características de desempenho ponderal e de carcaça. SISTEMA DE PRODUÇÃO DE SUÍNOS DEFINIÇÃO: É o conjunto inter-relacionado de componentes ou variáveis organizadas que tem como objetivo básico a produção de suínos. COMPONENTES QUE FAZEM PARTE DE UM SPS: a). Produtor: Gostar da atividade suinícola. Seguir as recomendações técnicas sobre a criação. Ser dedicado para atingir metas preestabelecidas. b). Animais: Provenientes de granjas idôneas. Livres de problemas sanitários. Material genético de elevada qualidade. c). Instalações: Respeitar a zona homeotérmica do animal. Adaptar as construções às condições de conforto térmico. Alimento e água: Qualidade. Livres de contaminantes. e). Manejo: Seguir e aplicar devidamente as técnicas de manejo. Proporcionar conforto aos animais para o máximo desempenho. f). Contaminantes: Cuidar da procedência dos animais e alimentos. Evitar entrada de pessoas e veículos. Uso de pedilúvios, rodolúvios, banhos e uniformes. Criar, restringir e cumprir mediadas de biossegurança estabelecidas. TIPOS DE SISTEMA DE CRIAÇÃO DE SUÍNOS: Sistema de Criação Extensiva Animais com baixo potencial genético; Animais do tipo banha; Sem instalações e benfeitorias; Atividade de subsistência; Todas as fases no campo; Vivem exclusivamente na dependência da natureza; Sem emprego de tecnologia adequada; Os criadores não recebem orientação técnica; Apresentam baixos índices de produtividade; Responsável pela baixa taxa de desfrute; Objetivo: Carne e gordura para consumo próprio; Excedente: comercializado próximo da propriedade. Sistema de Criação Intensiva Confinada Animais totalmente confinados em instalações. Sem acesso a pastagens (exceto varrões). 82 Tipos: Sistema Confinado Tradicional: Suinocultura nem sempre é a atividade principal; Plantel é ou não reduzido em função do mercado; Instalações simples e de custo mais baixo; Reposição: Fêmeas: compram ou usam animais próprios. Machos: comprados de granjas em MG. Modernas técnicas de manejo e nutrição: parcialmente aceitas e adotadas. Sistema Confinado Moderno: Uso de instalações especializadas; Controle ambiental adequado; Animais de elevado potencial genético; Reposição constante de animais; Alto investimento com profilaxia. Sistema de Criação Intensiva ao Ar Livre: Animais criados em piquetes: fases de reprodução, maternidade e creche. Animais criados em confinamento: Crescimento e terminação (25 a 100 kg) Objetivo: Reduzir custos de implantação. Área dividida em vários piquetes. Localização: Terrenos que apresentam solos com boa capacidade de drenagem. TIPOS DE PRODUÇÃO: A produção é definida: Pelo produto a ser comercializado; Pelas fases de criações existentes. A. Produção de Ciclo Completo: Abrange todas as fases de produção; Produto: suíno terminado; Mais utilizado. B. Produção de Leitões: Criações especializadas; Fase de reprodução: produto final (leitões). 1-Produção de Leitões Desmamados: Produto: 6 kg aos 21 dias 10 kg aos 42 dias Fases: reprodutores. Valor: 50 a 100% a mais do valor do kg do suíno terminado. 2. Produção de Leitões para Terminação: Produto: leitão com 18 a 25 kg de PV (50 a 70 dias). Fases: reprodutores e creche. Valor: 30 a 60% a mais do valor do kg do suíno terminado. B. Produção de Terminados: Criação especializada; Objetivo é o suíno terminado. Criador adquire leitões desmamados . Necessidade de creche ou pré- terminação. C. Produção de Reprodutores: Produto principal: futuros reprodutores (M e F). Teste de progênie (avaliar suínos). Teste de desempenho (avaliar reprodutores). Hoje: 200 criações (puros) - 62% no sul. 62 criações (cruzados) - 70% no sul. Tendência: Granjas núcleos e multiplicadores. 1. Granja Tradicional de Produção de Reprodutores: Molde do produtor de ciclo completo. Produto principal: futuros reprodutores. 83 Comercialização: Após inspeção zootécnica com3 meses de idade. Exposições; Feiras; Estações teste. ESTRUTURA DA PRODUÇÃO: A. Estrutura Especializada: Médio e grande porte. Livres compradores de insumos. Contratam assistência técnica: permanente ou eventual. Comercialização: intermediários ou abatedouros. Tem melhores condições de preço para insumos. B. Estrutura Verticalizada: Empresa única. Desempenha maioria das funções produtivas: Melhoramento genético; Produção de reprodutores; Industrialização e comercialização dos produtos cárnicos. C. Estrutura de Integração Vertical: Composta: integrador e integrados. Integrador: Produz e fornece reprodutores; Fornece alimento e medicamentos; Assistência técnica; Compra de suínos (leitões e/ou terminados). Integrados: Terreno; Mão de obra; Edificações; Equipamentos; Produção de leitões e terminados. D. Estrutura de Integração Horizontal: Associativa é semelhante à integração vertical. Diferenças são exercidas por: Cooperativas; Associações de produtores; Condomínios. Comercialização: Suínos até industrialização; Comercialização dos produtos. 84 ATIVIDADES 1) Quais as vantagens de fazer cruzamentos nos animais? _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 2) Definir Heterose. _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 3) Definir Three-cross. _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ 4) Definir Retrocruzamento. _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ Referências Bibliográficas Enxertia em fruteiras RIBEIRO,G.D.; COSTA,J.N.M; VIEIRA, A. H www.cpatc.embrapa.br/publicacoes_2007/aspectoscitros/menu.html www.fundecitrus.com.br/busca/livro https://www.estantevirtual.com.br/livros/ed.../manual-de-citricultura.../1028125640 PORTAL DA EMBRAPA Disponível em https://www.embrapa.br/. Acesso em 10/08/2018. http://www.fundecitrus.com.br/busca/livro https://www.estantevirtual.com.br/livros/ed.../manual-de-citricultura.../1028125640 https://www.embrapa.br/