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CURSO TÉCNICO EM 
AGROPECUÁRIA 
 
 
 
APOSTILA 
MÓDULO II 
1º BIMESTRE 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
Agroindústria-----------------------------------------------------------------------02 
Avicultura---------------------------------------------------------------------------21 
Culturas Anuais II------------------------------------------------------------------30 
Fruticultura--------------------------------------------------------------------------41 
Manejo do Solo---------------------------------------------------------------------49 
Ovinocaprinocultura----------------------------------------------------------------69 
Suinocultura-------------------------------------------------------------------------75 
Referências Bibliográficas --------------------------------------------------------84 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO TÉCNICO EM 
AGROPECUÁRIA 
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3 
 
AGROINDÚSTRIA 
 
A agroindústria brasileira é um setor próspero que superou grandes desafios nos últimos anos, 
gerando divisas e empregos. O país conta com uma enorme extensão territorial, mas a ferramenta que 
propicia essa obtenção de resultados é, essencialmente, o conhecimento. Com o crescimento das 
fronteiras agrícolas e a expansão da produção agroindustrial e, especificamente, com o aumento da 
importância estratégica da produção de alimentos para o mercado internacional, o Brasil vem se 
mostrando competitivo no que se refere ao agronegócio, em que o país consegue obter mais produção 
com menos tecnologias que os países ricos. 
O termo agroindústria é definido e descrito por diferentes instituições e entidades. Entretanto, 
estas se dão em duas abordagens principais: uma ampliada e outra mais restrita. 
Num conceito ampliado, agroindústria engloba o complexo agroindustrial (CAI) como um 
todo, ou seja, todos os agentes que fazem parte do segmento de insumos e fatores de produção (antes 
da porteira), da produção propriamente dita (dentro da porteira), do processamento e da 
transformação até a distribuição e o consumo (depois da porteira). 
A agroindústria, no entanto, definida por um conceito mais restrito revela basicamente as 
indústrias que se dedicam à transformação e ao processamento de matérias-primas agropecuárias (de 
origem animal e vegetal). Tais matérias-primas que são transformadas e preservadas através de 
alterações físico-químicas, caracterizam-se por apresentar grande variabilidade (qualitativa e 
quantitativa), diferentes graus de perecibilidade e sazonalidade. 
A agroindústria é o conjunto de atividades relacionadas à transformação de matérias-primas 
provenientes da agricultura, pecuária, aqüicultura ou silvicultura. Numa linguagem mais rural pode-
se dizer que as atividades da agroindústria classificam-se em: atividades antes da porteira, atividades 
dentro da porteira e atividades depois da porteira. 
Em termos mais simplistas podemos dizer que, agroindústria é apenas um dos itens da 
chamada organização da produção, que envolve todo o processo de produção deste as atividades 
chamadas antes da porteira, como insumos, sementes, máquinas e equipamentos, mão-de-obra e 
crédito, passando pela produção dentro da porteira, onde os agricultores geram a matéria prima, 
chegando depois da porteira, que prevê a transformação industrialização e comercialização da 
produção até o consumidor final. 
Já para Araújo (2005, p. 93), agroindústria é uma unidade empresarial na qual ocorrem as 
etapas de beneficiamento, processamento e transformação de produtos agropecuários “in natura” até 
a embalagem, prontos para comercialização, envolvendo diferentes tipos de agentes econômicos, 
como comércio, agroindústrias, prestadores de serviços governo e outros. 
Agroindústria pode ser definida como todo “o segmento industrial de produtos alimentícios, 
as indústrias que transformam matéria-prima agropecuária em produtos intermediários para fins 
alimentares e não alimentares como casos especiais, as indústrias de óleos vegetais não comestíveis, 
de insumos agropecuários”. (MARION, 1996 apud DORIGHELLO, 2003, p. 37). 
Segundo Araújo (2005, p. 93) na agroindústria existem dois grupos distintos de 
agroindústrias: 
Agroindústrias não alimentares: como fibras, couros, calçados, óleos vegetais não 
comestíveis e outras; 
Agroindústrias alimentares: voltadas para a produção de alimentos (líquidos e sólidos), 
como sucos, polpas, extratos, lácteos, carnes e outros. 
Nas agroindústrias alimentares e não alimentares os procedimentos industriais são bem 
distintos uns dos outros, enquanto que os cuidados são maiores e bastantes específicos nas 
agroindústrias alimentares, nas não alimentares os procedimentos industriais gerais são bastante 
similares aos de indústrias de outros setores. Sendo assim, os cuidados adotados pelas agroindústrias 
alimentares se justificam, pois elas tratam da produção de alimentos e têm uma preocupação muito 
4 
 
maior, que é a segurança alimentar dos consumidores, com o objetivo de fornecimento de alimento 
seguro para a saúde do consumidor. 
A agroindústria ocupa destaque no Brasil, constituindo-se no segmento mais importante do 
setor industrial sendo o setor agroindustrial de alimentos o mais interiorizado, favorecendo a política 
de emprego, ficando o mais próximo possível da área rural. Na atividade agroindustrial encontram-se 
o beneficiamento dos produtos agrícolas, a transformação dos produtos zootécnicos e dos produtos 
agrícolas como a cana-de-açúcar em álcool, soja em óleo, a moagem do trigo etc. Nesse contexto, 
vários benefícios são promovidos pela agroindustrialização: 
a) Maior integração do meio rural com a economia de mercado; 
b) Especialização da agricultura com a consequente redução de custos na produção; 
c) Padronização da produção; 
d) Processamento industrial; 
e) Redução dos índices de perdas pós-colheita; 
f) Regularização do abastecimento, por meio da sazonalidade da oferta, inerente à maioria dos 
produtos agropecuários. 
A agroindustrialização do meio rural pode proporcionar a integração do setor rural com a 
economia de mercado, além de garantir uma regularização no abastecimento em períodos de 
sazonalidade da oferta. Os produtos agropecuários em sua maioria são produzidos em um único 
período do ano. Logo, a agroindustrialização destes produtos pode impulsionar a padronização da 
produção e garantir sua oferta durante todo ano. 
O processamento de produtos agropecuários pode promover a especialização da agricultura, 
reduzir os índices de perdas pós-colheita e com a consequente redução de custos na produção. A 
especialização consiste basicamente em concentrar as atividades da empresa em determinado 
segmento de mercado ou na utilização de dada tecnologia. Esta estratégia é muito utilizada por 
pequenas empresas que buscam, desta forma, ocupar os espaços de mercado não ocupados pelos 
grandes grupos empresariais. 
Contudo, apesar dos avanços tecnológicos nas regiões mais pobres do país, verifica-se, ainda, 
a movimentação inadequada dos alimentos. Uma grande parcela da produção é perdida, com 
implicações socioeconômicas diretas: redução da disponibilidade de alimentos e conseqüente 
elevação dos preços. A solução deste problema está, sem dúvida, no aprimoramento de técnicas 
direcionadas à conservação e ao armazenamento de alimentos, ou seja, no incremento da 
agroindústria e na modernização dos canais de comercialização. 
 
ATIVIDADES 
01 – Qual a definição de agroindústria, num contexto globalizado? 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
________________________________________________ 
02 - Na agroindústria existem dois grupos distintos de agroindústrias. Cite-as: 
____________________________________________________________________________________________________________________________________________ 
03 -Vários benefícios são promovidos pela agroindustrialização. Cite 4 desses benefícios: 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
5 
 
 
OBJETIVOS DA INDUSTRIALIZAÇÃO DE ALIMENTOS 
A eliminação dos desperdícios, principalmente de frutos e hortaliças, bem como um 
abastecimento equilibrado durante o ano inteiro só seria possível através de uma tecnologia 
adequada, principalmente à que se refere à industrialização do alimento, desta maneira a tecnologia 
de alimentos constitui o elo de ligação entre a produção e o consumo. O emprego de métodos e 
respectivas técnicas visando a conservação do alimento por um período de tempo mais prolongado ou 
seja, a industrialização do alimento, tem os seguintes objetivos: 
Estimular cada vez mais a produção agrícola, permitindo que grande parte do alimento seja 
aproveitado no próprio local de produção, através de indústrias que fixariam grande parte da 
população nessas regiões. 
Reduzir o desperdício dos alimentos (perda no transporte e armazenamento inadequados de 
vegetais "in natura") aumentando a sua disponibilidade. 
Manter a distribuição de alimentos uniforme o ano todo. 
Favorecer o transporte de alimentos por longas distâncias, atingindo regiões que não possuem 
condições de produzirem certos alimentos. 
Oferecer ao consumidor alimentos variados a exemplo de sucos, compotas, geleias, extratos 
etc. com a manutenção máxima possível de suas qualidades nutricionais e organolépticas. 
Facilitar a vida diária do consumidor pela utilização de alimentos prontos ou semi-prontos. 
 
CAUSAS DAS ALTERAÇÕES DE FRUTOS E HORTALIÇAS 
Os alimentos de um modo geral estão sujeitos a sofrerem alterações, estragando-se ou 
deteriorando-se quando não consumidos após a colheita, se precauções não forem tomadas, visando 
sua preservação. 
Essas alterações em princípio são de ordem FÍSICA, QUÍMICA E BIOLÓGICA. 
 
 ALTERAÇÕES DE ORDEM FÍSICA 
 Incluem-se os danos mecânicos que os alimentos podem sofrer, tais como: quebra 
amassamento, cortes e outros. 
Também o ar, luz, temperatura, e outros agentes físicos podem causar alterações em certas 
características do alimento tais como: aparência, cor, sabor e ainda no valor nutricional. As alterações 
físicas na maioria das vezes proporcionam o início de alterações de ordem química e biológica. 
 ALTERAÇÕES DE ORDEM QUÍMICA 
 A mais importante a ser considerada seria a alterações químicas enzimáticas. 
As enzimas são definidas como um complexo de moléculas orgânicas com o poder de acelerar 
uma reação química. São de natureza protéica e possuem atividade metabólica. 
Algumas vezes sua presença nos alimentos é vantajosa e pode ser aproveitada para melhorar o 
gosto, a textura ou a aparência do alimento, outras vezes as enzimas podem induzir reações 
indesejáveis sendo o controle dessas reações o que viria a determinar em grande parte a qualidade do 
produto processado. 
 Na célula vegetal intacta, a ação de enzimas pode ser controlada por vários mecanismos 
naturais, porém, quando essas células são danificadas, como durante o processamento de frutas e 
hortaliças, o controle desses mecanismos deixa de existir e as reações enzimáticas podem ocorrer 
descontroladamente causando alterações indesejáveis até mesmo em alimentos congelados. 
Entre as alterações químicas enzimáticas em frutos e hortaliças as mais importantes seriam as 
causadoras de: A) Escurecimento do produto, B) Mudança na textura (amolecimento), C) Mudança 
no valor nutritivo (perda) 
 
 
 
6 
 
 ALTERAÇÕES DE ORDEM BIOLÓGICA 
São resultantes da ação de organismos vivos (microrganismos, insetos e roedores) que 
estragam ou decompõem os alimentos num determinado período de tempo após a colheita, 
principalmente durante um armazenamento inadequado do alimento. 
 
 MICRORGANISMOS 
De um modo geral os microrganismos que atuam nos alimentos são os fungos ou bolores, 
bactérias e leveduras, que podem desempenhar muitas vezes atividade útil na obtenção de vários 
alimentos como queijos, iogurtes, vinhos, vinagres etc, outras vezes atuam deteriorando os alimentos 
e disseminando doenças. 
Os microrganismos que transmitem doenças são denominados "patogênicos" e quando estão 
presentes nos alimentos, mesmo em quantidades pequenas, os tornam condenados ao consumo 
humano, tais microrganismos são responsáveis por envenenamento ou intoxicação alimentar 
resultante da ingestão de alimentos contendo "toxinas" produzidas por microrganismos. 
 
 INSETOS E ROEDORES 
Os insetos e roedores podem alterar os alimentos, consumindo-os no todo ou em parte, e na 
maioria das vezes agem disseminando doenças (moscas, baratas, ratos etc.). 
Essas alterações são mais significativas em grãos e cereais. 
As doenças transmitidas são geralmente por contaminação fecal. ex.: coliformes fecais. 
Portanto, torna-se necessário após a colheita, proteger os alimentos de possíveis ataques 
desses animais, utilizando armazenamento apropriado. 
 
Noções de higiene, como utensílio, ambiente de trabalho e alimentos manuseados em 
aula pratica, utilizando procedimentos de higiene e limpeza pessoal de instalações e de 
equipamentos 
Os alimentos podem ser contaminados por contato com superfícies e equipamentos que não 
estão suficientemente limpos. Micro-organismos patogênicos podem se multiplicar em partículas de 
alimentos de utensílios que não estão adequadamente lavados. É necessário à limpeza adequada 
dos equipamentos, utensílios e do ambiente, pois o alimento durante a manipulação entra sempre em 
contato com a mão do homem. 
A OMS recomenda a utilização do cloro, pois possui condições adequadas: agente fungicida e 
bactericida, e quando usado nas concentrações adequadas é de baixa toxicidade. 
 Utensílios, peças de equipamentos, bancadas, pisos, paredes, câmeras e ralos (método 
químico) 
Alguns métodos são utilizados na higiene ambiental, são eles: - Lavar bem com água e sabão; 
- Enxaguar bem em água corrente (preferencialmente quente); - Imergir ou banhar por 2 minutos em 
água clorada a 250ppm. 
Depois de lavados, deve-se secar ao ar, em local adequado a fim de evitar a recontaminação. 
A higiene poderá ser feita em apenas uma operação, no caso de se utilizar detergentes que possuem 
cloro em sua composição química. Nesse caso, ao aplicar o produto, deixar agir por 10 minutos, em 
seguida enxaguar bem em água corrente. (SILVA JÚNIOR, 1995) 
 
Higiene dos alimentos 
 
Segundo Silva Júnior (1995), a higiene dos alimentos se caracteriza pelos processos, nos 
quais os alimentos tornam-se higienicamente adequado ao consumo. Para isso utilizam-se técnicas de 
calor ou frio, além das técnicas de limpeza e desinfecção. 
Higienização correta dos vegetais, legumes e frutas: 
Preparar um local próprio para higienização, fazendo desinfecção deste local; 
7 
 
Lavar os vegetais folhosos folha a folha e os legumes e frutas um a um, em água corrente 
potável (se bem feita elimina 74% doas sujidades e micro-organismos presentes), retirando as partes 
estragadas e as sujidades; 
Em seguida imergir os vegetais, frutas ou legumes em solução clorada (entre 150 e 200 ppm 
de cloro ativo) por um período de 15 minutos; 
Escorrer os resíduos, retirando as sobrenadantes; 
Para finalizar deve se enxaguar bem com água corrente potável. 
Limpeza e desinfecção 
A limpeza é operação de remoção de substâncias minerais e/ou orgânicas desejáveis, tais 
como terra, poeira, gordura e outras sujidades. 
A desinfecção é a operação de redução, por método físico e/ou agente químico, do número de 
microorganismos em nível que não comprometa a qualidade higiênico-sanitáriodos alimentos. 
De acordo com Arruda (1998), uma das maneiras para evitar os riscos de contaminação 
cruzada dos alimentos é a higienização do ambiente. A limpeza e a desinfecção são procedimentos 
necessários para a higienização ambiental e devem ser realizadas de acordo com a periodicidade e as 
normas estabelecidas anteriormente. 
Todas as bancadas, utensílios, equipamentos e área devem ser higienizadas com detergente 
neutro e enxaguadas com solução clorada a 200ppm de cloro ativo ou álcool á 70° GL, 
permanecendo no mínimo por 10 minutos. 
Para o caso de áreas e equipamentos com grande acúmulo de sujidades é aconselhado à 
utilização de produto desincrustaste com ação de no mínimo 30 minutos. Após a desincrustação deve 
ocorrer a higienização e enxágue com detergente neutro e solução clorada, respectivamente. Os 
produtos de limpeza devem atender a legislação vigente, possuindo registro atualizado no Ministério 
da Saúde. 
Procedimentos e critérios (temperatura e controle de higienização) 
A cozinha é o lugar onde os alimentos são submetidos às técnicas de cocção, sem deixar de 
lado os critérios de segurança sanitária. 
Arruda (1998), afirma ainda que a eliminação das formas vegetativas dos micro-organismos 
patogênicos é adquirida através da cocção. Para o autor quando não for possível manter o alimento 
quente o reaquecimento é recomendado, quando a temperatura do alimento alcançar temperaturas 
mais baixas que 60ºC antes da distribuição desde que não ultrapasse o critério de tempo, ou seja, o 
período de 2 (duas) horas. Além disso, os alimentos quentes em espera para distribuição e os que vão 
ser transportados internamente devem permanecer a uma temperatura maior que 60ºC ou mais baixa 
que 10ºC. 
O tempo também é muito importante no êxito da execução das preparações, pois o mesmo 
afirma que os alimentos devem ser preparados poucas horas antes do momento de servi-los e que 
deve existir o monitoramento da validade através de etiquetas datadas. 
No ambiente, nos equipamentos e utensílios a higienização deve ser realizado com o uso de 
detergente neutro e solução clorada a 200(duzentos) ppm de cloro para a desinfecção com duração 
mínima de 10 minutos. O enxágue deve ser feito com água corrente antes da reutilização 
Uma das técnicas para a proteção dos alimentos na hora da execução é o filme ou saco 
plástico igual em toda a sua superfície, durante a espera das etapas de um processo e/ ou no 
armazenamento. 
Observação: Ministério da Saúde Secretaria de Vigilância Sanitária - PORTARIA Nº 326, 
DE 30 DE JULHO DE 1997. 
Utensílios de limpeza 
Se não se efetuar a higienização dos utensílios de limpeza utilizados na higiene das 
instalações, equipamentos e utensílios, como por exemplo, esfregões, escovas, entre outros, pode 
ocorrer contaminação dos locais onde são utilizados. É também essencial que estes utensílios 
apresentem um bom estado de conservação e higiene. 
8 
 
Assim sendo, depois de utilizados, devem ser: 
 Lavados em água corrente; Mergulhados numa solução de detergente/desinfetante; Passados 
por água corrente; Secos ao ar; Guardados em armário próprio, separados dos restantes produtos, e 
nunca em conjunto com produtos alimentares. 
Procedimentos de limpeza dos equipamentos e utensílios 
A limpeza, lavagem e desinfecção dos equipamentos e utensílios devem ser efetuadas após 
cada utilização, no final de cada fase de trabalho e sempre que se justifique. 
Um procedimento de limpeza deve contemplar as seguintes etapas: 
1-Desmontagem dos equipamentos; 
2-Remoção dos resíduos dos alimentos; 
3-Lavagem com água e detergente adequado utilizando uma esponja, escova, entre outros; 
4-Enxaguamento com água corrente, de forma a remover os resíduos de sujidade e dos 
detergentes; 
5-Aplicação de um desinfetante, e deixá-lo atuar de acordo com as indicações do fabricante; 
6-Enxaguamento final com água limpa, para retirar restos de desinfetante; 
7-Realizar pôr fim a secagem e proteger os equipamentos e utensílios de sujidade, poeiras, 
insetos ou outros agentes de contaminação. 
ATIVIDADES 
01 - Os alimentos de um modo geral estão sujeitos a sofrerem alterações, estragando-se ou 
deteriorando-se quando não consumidos após a colheita, se precauções não forem tomadas, visando 
sua preservação. Cite essas alterações e explique uma delas. 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
02 – Qual a definição dos microrganismos que atuam nos alimentos? 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
03 – Com relação à higienização dos alimentos, como deve ser esse procedimento em vegetais 
folhosos e legumes? 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
 
 
ALTERAÇÕES DE ALIMENTOS 
 
São todas as modificações que ocorrem nos alimentos, destruindo parcial ou totalmente suas 
características essenciais, comprometendo: 
Essas alterações podem ser: 
1. Microbianas; 
 2. Físicas ou mecânicas; 
 3. Químicas; 
 4. Bioquímicas ou enzimáticas; 
5. Por ataque de insetos ou roedores. 
Essas modificações podem tornar o alimento indesejável ou inadequado à sua ingestão. 
Classificação segundo a resistência aos processos de alterações principalmente os de origem 
microbiana): 
9 
 
Alimentos perecíveis ou alteráveis; Alimentos semi-perecíveis ou semi-alteráveis; Alimentos não 
perecíveis, estáveis ou não alteráveis. 
 A alteração do alimento vai desde a simples mudança organoléptica até a putrefação. 
Utilização do alimento alterado -depende do grau de alteração: 
Qualidades essenciais conservadas – consumo sem perigo; 
Alterações de pouca intensidade ou superficial - podem ser utilizadas como matéria prima, na 
fabricação de seus derivados. 
Ex: produtos com alterações que são aproveitados: 
Leite acidificado (para o fabrico de produtos de panificação e de confeitaria); 
Leite “talhado” (para fazer requeijão); 
Queijos fora dos padrões exigidos (para a elaboração de queijos fundidos); 
Frutas fermentadas (para a obtenção de vinagre); 
O pão “dormido” (farinha de rosca ou pudim) etc. 
 
Alteração da totalidade do alimento:- ingestão contra indicada; 
Aproveitamento - tolerado para a indústria de adubos, de sabão etc. 
 
CAUSAS DE ALTERAÇÕES DE ALIMENTOS: 
Crescimento e atividade dos microrganismos; Ação das enzimas presentes nos alimentos; Reações 
químicas não enzimáticas; Alterações provocadas por insetos e roedores; Mudanças físicas, como 
aquelas ocasionadas por queimaduras, congelação, desidratação, pressão, etc; Ação de agentes de 
outras origens. 
 
DIMENSÕES DAS ALTERAÇÕES ALIMENTARES 
É possível considerar as alterações alimentares em tipos separados. 
Às vezes, porém, a ação combinada de diferentes causas torna a alteração de tipo misto. 
A ação destes fatores isolados ou combinados pode ser favorecida por várias circunstâncias e 
podem ser agrupadas como: 
Falhas na coleta e obtenção do produto alimentício; Omissões na elaboração do produto; 
Incorreções nos processos de preservação; Inadequações do material de envasamento; 
Impropriedades do transporte. 
 
CAUSAS DE ALTERAÇÕES DE ALIMENTOS: 
1.Crescimento e atividade dos microrganismos 
Seus efeitos podem ser benéficos ou maléficos. 
Microrganismos mais importantes na Tecnologia de alimentos: 
Fungos (mofos e leveduras); 
BactériasMofos 
São multicelulares; 
Crescimento é logo conhecido, aspecto semelhante ao algodão. 
Algumas espécies são: 
Responsáveis pela decomposição de hortaliças; Patógenos para raízes, etc; Alteração em cerejas, 
hortaliças e pão. 
Outras espécies participam da elaboração de alguns produtos: 
Maturação de queijos; Alimentos e bebidas orientais (saké – preparada a partir do arroz); Teor 
alcoólico e sabor especial de alguns vinhos. 
Leveduras 
São unicelulares. 
Benéficas: Elaboração de vinhos, Cervejas, aguardentes, Pão, maturação superficial de queijos, etc. 
10 
 
Prejudiciais: Podem alterar sucos de frutas, xaropes, carnes e outros alimentos. 
Bactérias 
Benéficas: Acéticas - fabricação de vinagres, 
lactobacillus – elaboração de produtos derivados do leite; - fermentação láctica de produtos 
vegetais (picles, chucrute, azeitona). 
Prejudiciais: 
Salmonellas – infecções alimentares. 
Clostridium – alterações em milho, ervilha -Intoxicação alimentar (C. botulinum) 
Pseudomonas – deterioração de produtos delaticínios e de pescados. 
Escherichia coli e Enterobacterformam o grupo coliforme e são utilizadas como índice de sanidade de 
um alimento, por ser uma boa indicadora de contaminação por fezes. 
 
2. Ação das enzimas presentes nos alimentos; 
 As alterações enzimáticas de alimentos, ocorrem por enzimas procedentes do próprio produto 
ou elaboradas por microrganismos. 
 Ao contrário das alterações microbianas, que podem tornar os alimentos perigosos para o 
consumo, as alterações enzimáticas raramente lhe conferem nocividade. 
Enzimas mais importantes na tecnologia de alimentos: Amilases, invertases e lactases; Pécticas; 
Proteolíticas; Oxidases. 
 Os tipos de alterações que as enzimas causam aos alimentos, mais relacionadas às 
modificações de seus caracteres organolépticos, do que à sua total decomposição- os mais atingidos 
são a cor (clorofila ou carotenóides), aroma (rancidez em gorduras) e a textura do produto. 
3. Reações químicas não enzimáticas; 
Entre as principais temos o ranço oxidativo e o escurecimento químico dos alimentos. 
Ranço Oxidativo: 
Esta reação é acelerada pelo oxigênio, luz (especialmente ultravioleta), temperatura, metais 
(especialmente cobre e ferro), enzimas (lipoxidase) e presença de oxidantes naturais. 
Escurecimento químico: 
Escurecimento ou “browning” químico é o nome que se dá a uma série de reações químicas 
que culminam com a formação de pigmentos escuros conhecidos com o nome genérico de 
melanoidinas. É uma reação desejável em alguns casos, como na fabricação de cerveja, pão, café, 
batata-frita, produção de caramelo e indesejável, como nas frutas desidratadas, ovo em pó, suco 
concentrado de frutas, especialmente de limão, etc. 
Três mecanismos ou tipos principais de escurecimento químico não enzimático: a reação de 
Maillard, o mecanismo do ácido ascórbico e a caramelização. 
Reação de Maillard: 
Envolve uma série de reações que se iniciam com a combinação entre o grupamento carbonila 
de um aldeído, cetona ou açúcar redutor, com o grupamento amino de aminoácido, peptídeo ou 
proteína, e culminando com a formação de pigmentos escuros. 
Mecanismo do ácido ascórbico: 
O ácido ascórbico tem sido considerado como o responsável pelo escurecimento de sucos 
cítricos concentrados, principalmente os de limão e tangerina. O ácido ascórbico, quando aquecido 
em meio ácido, origina compostos de coloração escura. 
Caramelização: 
A caramelização ocorre quando compostos polidroxicarbonilados (açúcares ou certos ácidos) 
são aquecidos a temperaturas relativamente altas. 
4. Alterações provocadas por insetos e roedores; 
 Os insetos são importantes, principalmente na destruição de cereais e frutas e hortaliças. O 
problema maior da presença do inseto não é o alimento que ele consome mas, sim o fato de ele deixar 
uma porta de entrada para o ataque dos microrganismos. 
11 
 
Os roedores, principalmente os ratos, são, também, consumidores de alimentos e por 
isso sérios competidores do homem. Alteram os alimentos não só pelo que consomem, mas, 
principalmente pela contaminação que provocam. 
 
 
 
5. Mudanças físicas; 
São alterações causadas por choques ou pressões físicas ou mecânicas; Exemplos: 
amassamento de latas em conserva, rachadura na casca de ovo, queimadura de vegetal pelo frio ou 
desidratação, perda de umidade por evaporação da água de constituição etc. 
 
6. Ação de agentes de outras origens. 
6.1 Falhas na coleta e obtenção do produto se relacionam com a não observância e a falta de cautela 
na defesa da integridade do produto, a ausência de certas operações inevitáveis e as práticas 
condenáveis que repercutem nos caracteres organoléticos dos alimentos. 
Ex: 
A ordenha do leite (contaminação do leite); Colheita de frutas, com o arrancamento do pedúnculo 
(facilidade de apodrecimento da fruta); Utilização de explosivos ou de arpões, durante a pesca 
(danificação do pescado); Sangramento insuficiente (na matança de gado ou outros animais de grande 
porte) etc. 
6.2 Omissões na elaboração de produtos 
Condições de menor defesa diante dos agentes de alterações. 
Ex: os desequilíbrios proporcionais de substâncias indispensáveis às preparações (quantidade 
inadequada de coalho, para a coagulação do leite); 
O emprego em alimentos, de temperaturas desajustadas em tempo e grau de calor; Cocção deficiente 
de pesos de carnes de grande espessura, etc. 
6.3Incorreções nos processos de preservação 
Conferem aos alimentos maior fragilidade e, conseqüentemente, sua maior acessibilidade às 
alterações. 
Além do processo de sua preservação, eles passem por operações complementares. 
Ex: manutenção do peixe, após seu descongelamento em temperatura imprópria; O não arejamento de 
carnes submetidas à salga; A permanência em geladeiras ou câmaras frigoríficas, de produtos de 
sensibilidade à baixa temperatura e umidade; O congelamento de verduras, sem que haja prévio 
“branqueamento” etc. 
6.4 Inadequações do material de envasamento 
Ex: -latas fechadas, que apresentam fissuras, por defeitos de soldagem; Alimentos de concentração 
lipídica, contidos em embalagens transparentes; Certos alimentos envasados em embalagens 
flexíveis, sujeitos à trocas gasosas ou permeáveis aos raios ultra-violeta, etc. 
6.5 Impropriedades do transporte 
Cooperam para que determinados alimentos, atingidos principalmente em sua textura, fiquem mais 
sujeitos às alterações. 
Acondicionamento mal feito; Longos percursos sem os cuidados exigidos; Exposições ao calor; 
Choques durante os trajetos. 
 
 
 
 
 
 
 
12 
 
ATIVIDADES 
01 - Quais as modificações que ocorrem nos alimentos, destruindo parcial ou totalmente suas 
características essenciais, comprometendo-os? 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
02 – Atuam principalmente na destruição de cereais e frutas e hortaliças. O problema maior não é o 
alimento que ele consome, mas, sim o fato de ele deixar uma porta de entrada para o ataque dos 
microrganismos. O texto se refere à? 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
 
PROCESSAMENTO MÍNIMO DE ALIMENTOS 
 
1. Introdução 
Os vegetais minimamente processados, ou as saladas prontas para consumo, têm tido 
crescente aceitação dos consumidores, particularmente nos grandes centros urbanos, por atenderem 
adequadamente aos requisitos contemporâneos de saudabilidade, praticidade e segurança. O setor de 
alimentos minimamente processados, em que os produtos são higienizados e cortados antes de chegar 
ao consumidor, tem crescido como um todo e se diversificado, abrangendo novos produtos, inclusive 
frutas.Como setor agroindustrial moderno e competitivo, os processadores dependem de inovação 
tecnológica e da adoção de sistemas de garantia de qualidade para a sustentabilidade do agronegócio. 
As cadeias agroalimentares de hortaliças e frutas vem sendo beneficiadas pelo uso da tecnologia de 
processamento mínimo. O principal impacto desta tecnologia consiste na redução do desperdício e de 
perdas pós-colheita observadas, bem como permite aos diversos produtores, principalmente os 
pequenos de origem familiar organizados, agregar valor aos seus produtos agrícolas, com aumento da 
sua renda. Entre outros benefícios desta tecnologia estão a redução no volume do lixo urbano e os 
impactos positivos na comercialização de frutas e hortaliças, com melhor aproveitamento dos 
produtos e maior remuneração ao setor. Em empresas de processamento mínimo , onde foram postas 
em prática ações relativas à melhoria da sanitização das hortaliças, à reavaliação do fluxo de trabalho, 
incluindo mudanças nas instalações, e aos procedimentos de manipulação da matéria-prima e do 
produto acabado, a fim de evitar a contaminação microbiológica, garantiu-se uma padronização do 
produto final, com níveis microrganismos patogênicos e deteriorantes dentro dos limites aceitáveis 
pela legislação, o que contribuiu para aumentar a vida útil dos produtos, tornando-os mais seguros. 
 
2. Boas Práticas aplicadas ‘a produção de vegetais minimamente processados 
Este capítulo contém informações técnicas sobre o processamento de vegetais minimamente 
processados, relacionadas a cadeia produtiva seguindo o conceito de alimento seguro, dirigidas ao 
micro e pequeno produtor e empresário rural que deseja implementar uma agroindústria de base 
familiar, ou melhorar as suas condições de processamento, quando esta já estiver implementada. As 
hortaliças e frutas minimamente processadas representam uma alternativa de aproveitamento desses 
produtos no período da safra, desde que sejam processados criteriosamente, para se garantir a 
qualidade do produto final. Para que estes produtos sejam consumidos sem nenhum preparo 
adicional e possam ser conservados por mais tempo, sem causar problemas à saúde dos 
consumidores, devem-se adotar as boas práticas no seu preparo, e as recomendações de refrigeração 
no seu armazenamento e distribuição. 
13 
 
 
2.1 Os Cuidados pré e pós-colheita na matéria-prima 
 É importante ressaltar que quanto menor for o tempo entre a colheita e o processamento 
propriamente dito, melhor será a qualidade e a vida útil do produto final processado. 
 2.1.1 Recepção, seleção e acabamento da matéria-prima. 
 A matéria-prima deve ser submetida à inspeção de qualidade. Caso a mesma apresente 
características indesejáveis para o processamento, deve ser rejeitada. Os vegetais devem ser 
conduzidos rapidamente da plataforma de recepção para o processamento ou para o local de 
estocagem, evitando exposição desnecessária a fontes de contaminação e/ou deterioração. Após esta 
etapa, o produto deve ser selecionado, descartando-se folhas manchadas, produtos com defeitos e 
deteriorados. Atenção deve ser dada aos aspectos de segurança, como níveis residuais de pesticidas e 
elevada carga microbiana, que poderão ser controlados através de manejo adequado, visitas 
periódicas e treinamento aos produtores, fornecedores de matéria-prima. Nos casos em que há 
necessidade de estocar a matéria-prima antes de processá-las, deve-se estocar em ambiente 
refrigerado, em temperatura de 3°C a 5°C. Quando o tempo de estocagem é prolongado e 
principalmente quando se tratar de folhosas, é aconselhável elevar a umidade relativa do ambiente 
para aproximadamente 90%. Na recepção deve-se ter documentação de controle de recebimento de 
matéria-prima, visando garantir a rastreabilidade para cada produto e fornecedor, quando for o caso. 
A matéria-prima deverá ser selecionada e preparada de maneira a promover maior uniformização e 
padronização do produto. Desta forma, em hortaliças folhosas, as folhas externas deverão ser 
removidas visando a redução de sua contaminação natural existente, pelo contato com o solo, 
devendo aproveitar somente aquelas que permitam uniformização e padronização. Deve-se descartar 
também as raízes e tubérculos que apresentem podridões e manchas internas. 
2.2 Processamento da matéria-prima 
Procedimentos básicos para eliminar ou minimizar a contaminação da microbiota inicial em 
níveis aceitáveis pela legislação em vigor, sem oferecer riscos ao consumidor: 
 − A matéria-prima deve ser pré-lavada em água limpa potável clorada com 100 a 200ppm de cloro 
livre na temperatura na faixa de 5 a10ºC com o objetivo de reduzir a temperatura inicial do produto 
(pré-resfriamento). Nesta etapa devem-se usar caixas plásticas ou tanques em aço inoxidável, para 
que haja imersão completa do vegetal, visando remover as sujidades aderidas à superfície. A cloração 
desta água está descrita no capitulo 1. Para facilitar a retirada de sujidades aderidas na superfície do 
vegetal pode-se utilizar um sabão líquido especifico para vegetais dentre os disponíveis no mercado. 
Caso sejam utilizados esses detergentes, a pré-lavagem deve ser realizada somente com água potável 
com residual de cloro na faixa de 1 a 2 ppm, pois o detergente pode reagir com o cloro em altas doses 
diminuindo a sua eficácia. 
 − Para a operação de corte das frutas e hortaliças devem-se utilizar facas de aço inoxidável, 
cortadores manuais ou equipamentos que utilizam sistemas de lâminas de corte diferenciados, de 
acordo com a espessura, tamanho e formato do produto desejado. As facas e/ou as lâminas de corte 
do equipamento devem ser mantidas bemafiadas, limpas e sanitizadas, para reduzir o dano e possíveis 
contaminações nos tecidos dos produtos processados. 
 − Deve-se realizar nova lavagem após a etapa de corte das frutas e hortaliças, utilizando-se água fria 
(5ºC), para remoção de resíduos remanescentes e contaminações microbiológicas oriundas da 
manipulação. A única forma de reduzir significativamente a microbiota, existente nas frutas e 
hortaliças minimamente processadas é através da lavagem associada à desinfecção eficiente. 
− Para a desinfecção, o produto processado deve ficar em contato em uma solução de hipoclorito de 
sódio, em concentrações de 100 a 200 ppm de cloro (1 a 2 ml de hipoclorito de sódio a 10% para 1 L 
14 
 
de água), durante um período de 10 a 15 minutos, devendo-se monitorar a concentração do cloro 
através de papel indicador ou testes colorimétricos como os utilizados em piscinas. Para evitar que a 
matéria orgânica remanescente na solução reaja com o cloro diminuindo o seu efeito, recomenda-se 
trocar a água após duas a três lavagens. 
− É necessário que o pH da solução seja corrigido com ácido muriático, objetivando-se trabalhar com 
um pH em torno de 6,5 a 7,0. Nesta faixa de pH o cloro se torna mais eficaz como agente germicida. 
Estes ácidos encontram-se disponíveis em casas especializadas em produtos químicos ou de materiais 
de construção. 
− A qualidade da água é um dos fatores mais importantes para a garantia da qualidade dos vegetais 
minimamente processados. A fonte de água deve ser considerada na implantação de uma indústria 
deste setor, sendo sua qualidade, principalmente a química, oriunda da utilização de agrotóxicos, e a 
microbiológica devem ser periodicamente monitoradas. Os seguintes parâmetros devem ser 
controlados na etapa de lavagem de vegetais minimamente processadas: 
 - Qualidade da água usada; - Quantidade da água usada (5 a 10L/kg de produto); 
 - Temperatura da água (5oC para reduzir e manter a temperatura do vegetal); - Tempo de lavagem e 
desinfecção (15 minutos por lavagem) 
 - A etapa seguinte a lavagem e desinfecção é a centrifugação do produto processado. Como 
alternativa, pode-se adaptar e empregar centrífuga doméstica para roupas, exclusiva para este fim. 
Por ter suas peças internas que entram emcontato com o produto construídas em material plástico, de 
difícil desmontagem, é necessário ter maior rigor na higienização e sanitização das mesmas. A 
centrifugação tem por objetivo retirar excesso de água da superfície produto sem danificá-lo. Por 
conseqüência haverá menor desenvolvimento microbiano, com aumento da vida útil do produto final. 
2.3 Considerações sobre embalagem, armazenamento e transporte Embalagem (Pesagem, 
selagem e identificação). 
O produto deve ser acondicionado em sacos plásticos de polietileno de alta e baixa densidade, 
polipropileno e PVC, de acordo com o tipo de matéria-prima a ser embalada. A embalagem deve ser 
selada com seladoras elétricas reguladas e adequadas, para evitar falhas de selagem e riscos de 
contaminação e redução da vida útil do produto. Em determinadas situações, que dependem do 
mercado e do tipo de produto, o uso de atmosfera modificada ativa via injeção de uma mistura de 
gases (nitrogênio, dióxido de carbono e oxigênio) no interior da embalagem pode possibilitar uma 
maior vida útil ao produto, desde que não provoque uma condição de anaerobiose (falta de oxigênio) 
que poderá favorecer o crescimento de microrganismos anaeróbios com sérios riscos para a saúde do 
consumidor. Não se recomenda a escolha desta tecnologia sem a assistência técnica especializada. 
Nesta etapa, o produto acondicionado deve ser submetido a uma inspeção visual para assegurar a 
integridade da embalagem, evitando a entrada de ar e a possível recontaminação microbiana do 
produto. Para a identificação deve-se seguir as recomendações de rotulagem no capitulo 2. Os 
produtos embalados devem ser colocados em caixas plásticas retornáveis. Isto facilita o 
armazenamento e a distribuição do produto. Estas caixas plásticas devem ser limpas e desinfectadas 
sempre que as mesmas retornem para a empresa. Armazenamento. Após ser embalado, o produto 
deve ser armazenado sob refrigeração (0°C a 5°C). A refrigeração, juntamente com a embalagem e 
sanitização do produto são os fatores mais importantes na manutenção da qualidade e na segurança 
do alimento minimamente processado. Quando adequados, reduz o crescimento de microrganismos 
deteriorantes e/ou patogênicos. Transporte. O produto refrigerado deve ser distribuído, para sua 
comercialização, o mais rápido possível, em caixas isotérmicas (isopor) previamente higienizadas 
15 
 
com solução de hipoclorito de sódio (50 ppm). Pode-se, também, adicionar camadas de gelo em 
escama para auxiliar na manutenção da baixa temperatura. Opcionalmente, pode ser utilizado 6 
veículos refrigerados em casos de produção em maior escala e distribuição mais demorada, que 
requerem uma maior estabilidade da temperatura de armazenamento do produto. 
 
2.3.1 Influência da temperatura na qualidade e segurança do alimento 
 O processo de sanitização e a cadeia de frio (temperatura de refrigeração desde o 
processamento do produto até sua comercialização) são fatores básicos e cruciais na disponibilização 
de produtos seguros ao consumidor. Portanto, a qualidade das hortaliças minimamente processadas 
depende também da temperatura em cada etapa de seu processamento. O processo de sanitização 
apresenta limitações na redução da carga microbiana, principalmente em produtos que apresentam 
elevada carga microbiana. Deste modo os processadores de alimentos necessitam selecionar 
matérias-primas com baixo nível de contaminação microbiana, especialmente por psicotróficos que 
são microrganismos que se desenvolvem em temperaturas de refrigeração. Em geral, os produtos 
minimamente processados podem ser armazenados a temperatura próxima de 0°C, inclusive produtos 
que sofrem injúrias pelo frio (chilling). Sabe-se que a nível de supermercado, a temperatura das 
gôndolas varia muito, podendo oscilar de 5°C a 10°C, dependendo da eficácia dos equipamentos e do 
manejo dos produtos nas gôndolas. Os vegetais minimamente processados tem sua “vida de 
prateleira“ aumentadas substancialmente quando armazenadas de 0°C e 5°C. A variação de 
temperatura superior a faixa recomendada durante a estocagem, distribuição e a comercialização é 
um problema grave nos produtos minimamente processados. Isto ocorre porque aumenta a taxa de 
respiração dos vegetais, alterando a atmosfera otimizada para a conservação do produto. Nos casos 
mais críticos onde todo o oxigênio é consumido, ocorre anaerobiose (ausência de oxigênio), o que 
possibilita o desenvolvimento de microrganismos patogênicos, representando um risco a saúde do 
consumidor. As preocupações relacionadas aos alimentos minimamente processados incluem: 
Variações na qualidade e “vida de prateleira” 
Necessidade de um controle rígido de temperatura 
Sanitização eficiente 
 Manutenção da qualidade do produto, em relação ao sabor e aroma e ao valor nutricional. As 
grandes redes de comercialização têm cobrado cada vez mais de seus fornecedores a implementação 
de processos para a melhoria de qualidade, constituindo-se assim um fator decisivo na seleção destes 
fornecedores. Diante disto, cada vez mais as empresas produtoras adotarão o gerenciamento da 
cadeia alimentar, enfatizando entregas mais rápidas, maior gerenciamento da cadeia de frio e 
tecnologias de embalagens melhoradas, tendo todos estes pontos baseados em uma melhor demanda 
de informação e qualidade do produto final. 
2.4. Considerações sobre Higienização de equipamentos e utensílios 
Os equipamentos e utensílios utilizados como caixas plásticas, tanques de inox, facas e 
mesas devem ser sanitizados periodicamente, ou seja, no início, ao final de cada expediente e em 
casos de interrupções temporárias. 
 
Controle de qualidade dos alimentos 
Envolvem processos para conservar a qualidade física e nutritiva do alimento. 
Objetivos: 
Garantir segurança do alimento na embalagem;Controlar a matéria-prima quanto à 
qualidade;Controlar o produto em relação a seu tempo de vida útil;Manter ou melhorar as condições 
do produto em termos dos valores nutritivos; 
DEFINIÇÃO 
16 
 
 Invólucro destinado a proteger os produtos alimentícios durante o manuseio e a estocagem, 
preservando os para posterior consumo durante a entressafra, além de protegê-los contra danos 
mecânicos e perda de qualidade. 
CATEGORIAS OU CLASSIFICAÇÕES 
Embalagens primárias: são as que entram em contato direto com o alimento. Ex: latas, sacos plásticos 
e garrafas. Embalagens secundárias: são as que protegem as embalagens Primárias. Ex: caixas de 
papelão, "over wrapps" e rótulos. Embalagens terciárias ou de transporte: empregadas para 
acondicionar e proteger as embalagens primárias e secundárias durante o transporte, estocagem e 
distribuição dos produtos alimentícios. Ex: engradado, caixas de papelão e contentores. 
 
REQUISITOS DE USO 
 Manter condições de segurança contra agentes microbianos e enzimáticos, físicos, químicos e 
ambientais; 
a) Ser isenta de toxicidade; 
b) Não causar incompatibilidade com o produto; 
c) Ser adequada à forma, tamanho e peso do produto; 
d) Por sua aparência e poder visual, propiciar a venda do produto; 
e) Possuir qualidades funcionais: Fácil transporte e armazenamento do produto; Desembaraço em 
seus sistemas de fechamento e abertura; Dispositivos de observação de seu conteúdo; 
f) Fora dos casos excepcionais, ser de baixo custo; 
g) Educar o consumidor para a compra e uso do produto; 
h) Indicar a origem do produto, fabricante e padrão de qualidade; 
i) Contribuir o menos possível para o problema da poluição. 
 
ORIGEM DAS MATÉRIAS-PRIMAS 
 a) Animal: bexiga, cera animal, estômago, pele de porco, tripa. 
b) Vegetal: bambu, borracha, cera vegetal, cipó, fibras prensadas (eucatex), folhas verdes, madeira, 
papel e derivados, palha. 
c) Mineral: barro cozido, certos metais, folha de flandres, folha de alumínio, louça, materiais de 
revestimento, mármore, parafina, plásticos, vidro. 
d) Sintética: plásticos. 
 
REQUISITOS FUNDAMENTAIS PARA EMBALAGENSDE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS 
a) Conter o produto: 
A embalagem deve ser facilmente moldada e alimentada na máquina de enchimento; Deve permitir 
um enchimento adequado, dentro das tolerâncias legais e econômicas; Ser fechada satisfatoriamente; 
Embalagens de transporte: devem apresentar dimensões exatas depois de cheias e seladas para 
facilidade de encaixotamento; Resistência compatível com as pressões interna e externa, 
principalmente em produtos enlatados submetidos a processamento térmico. 
b) Proteger o produto: 
 Altas umidades relativas podem diminuir a resistência das caixas de papelão utilizadas para 
acondicionar frutas in natura; Pressão excessiva no empilhamento; Temperaturas elevadas causam 
alterações nas propriedades físicas dos materiais, provocando deformações, rupturas, etc. Impactos e 
quedas durante o carregamento e transporte; Falta de cuidado ou proteção adequada nos depósitos; 
Barreira contra insetos, germes e mofo, e contra a ação da luz, às vezes prejudicial para determinados 
produtos; Antocianinas enfraquecem a estrutura de embalagem pela corrosão. 
 
SELEÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA 
 Condições da matéria prima que influem na seleção da embalagem: 
 a) Estado físico do produto: sólido, líquido, cremoso ou em pó. 
17 
 
 b) Penetração de umidade, de gases e de luz: a penetração desses agentes poderá torná-lo 
impróprio para o consumo. 
c) Causas de modificações nutritivas e organoléticas: ex. alimentos ácidos causam corrosões nas 
latas. 
d) Interações entre a embalagem e o produto: por dissolução do estanho (influência da 
embalagem, do produto ou do processamento) por presença de N03 e S02, etc. 
PARA VENDA DE UM PRODUTO: 
 São vários os parâmetros utilizados para que um produto possa ser vendido: 
 Descrição concisa do produto; Valorização da marca, logotipo e nome do fabricante; 
Conteúdo líquido: peso, volume e número de unidades; Instruções de uso; Ilustração do produto; 
Espaço para o preço. 
 
PROCESSAMENTO DO LEITE 
 
1. INTRODUÇÃO 
 Com o aumento do consumo e da produção do leite, surgiu a necessidade de aprimoramento de 
técnicas e de higienização na obtenção, transporte e conservação do leite, com o objetivo de garantir 
um produto limpo e saudável e com maior tempo de conservação. Por isso existem inúmeros 
processos que podem ser feitos ao leite para melhora da qualidade e aumentar a vida de prateleira do 
produto. 
2. HIGIENIZAÇÃO 
As tetas do animal a ser ordenhado devem sofrer prévia lavagem com água corrente, seguindo-se 
secagem com toalhas descartáveis e início imediato da ordenha, com descarte dos jatos iniciais de 
leite em caneca de fundo escuro ou em outro recipiente específico para essa finalidade. Em casos 
especiais, como os de alta prevalência de mamite causada por microrganismos do ambiente, pode-se 
adotar o sistema de desinfecção das tetas antes da ordenha, mediante técnica e produtos desinfetantes 
apropriados, adotando-se cuidados para evitar a transferência de resíduos desses produtos para o leite 
(secagem criteriosa das tetas antes da ordenha). Após a ordenha, desinfetar imediatamente as tetas 
com produtos apropriados. Os animais devem ser mantidos em pé pelo tempo necessário para que o 
esfíncter da teta volte a se fechar. Para isso, recomenda-se oferecer alimentação no cocho após a 
ordenha; O leite obtido deve ser coado em recipiente apropriado de aço inoxidável, náilon, alumínio 
ou plástico sem cheiro e refrigerado até a temperatura de 7°C em até 3 h (três horas); A limpeza do 
equipamento de ordenha e do equipamento de refrigeração do leite deve ser feita de acordo com 
instruções do fabricante, usando-se material e utensílios adequados, bem como detergentes sem 
cheiro e incolores. 
Observação: A filtragem e o resfriamento do leite imediatamente após a ordenha é uma medida 
eficiente para diminuir o crescimento microbiano no leite e aumentar seu tempo de conservação, isto 
é, leite sem acidificação. Não é possível, evidentemente, produzir um leite isento de bactérias, mas é 
tanto possível como necessário produzir um leite com um mínimo de bactérias. 
3. PROCESSAMENTO 
O processamento do leite pode ser feito com duas finalidades: 
Produção de leite para consumo (Leite pasteurizado ou leite UAT); 
Produção de derivados. 
O processamento do leite e seus derivados em nível industrial requer a execução de diferentes 
operações. 
3.1 RESFRIAMENTO 
 A temperatura do leite na ocasião da ordenha (± 35°C), é bastante favorável à multiplicação dos 
germes e, consequentemente é prejudicial à fabricação de derivados. O resfriamento do leite é uma 
medida bastante eficaz no que diz respeito à contenção da acidificação causada pelas bactérias. 
18 
 
Para a fabricação de queijos, em nível de fazenda, a melhor opção é a transformação imediata do leite 
logo após a ordenha, ficando o resfriamento restrito a um acidente qualquer que por ventura impeça a 
fabricação do queijo no mesmo dia da ordenha. 
3.2 PADRONIZAÇÃO 
 Padronização é a retirada parcial da gordura do leite. Mantém constante o teor no produto final. O 
leite é padronizado tipo C e UHT é padronizado com 3% de gordura. Feita por desnatadeiras 
centrífugas, o laticínio usa para si o creme retirado para a fabricação de manteiga, requeijão, etc. Os 
leites tipo A e B não sofrem padronização, devem ser integrais. 
3.3 PASTEURIZAÇÃO 
 Pasteurizar consiste no aquecimento do leite a uma determinada temperatura, por um determinado 
tempo, visando eliminar bactérias patogênicas e reduzir as deterioradoras, seguido de resfriamento, 
aumentando a vida útil do leite, sem alteração sensível da sua composição nutricional e sensorial. 
Nunca esquecer que a Pasteurização é um recurso, usado para retardar a deterioração do leite. O 
processo, se bem executado, permite destruir a totalidade das bactérias nocivas à saúde e reduzir 
muito aquelas que não fazem mal, que apenas azedam o leite. O leite pasteurizado, portanto, dura 
mais e não oferece riscos para o consumo. A pasteurização é um tratamento indispensável e 
obrigatório. Além das vantagens mencionadas, ajuda também na uniformização do produto final e 
melhora a ação dos fermentos pela eliminação da concorrência de bactérias. 
3.3.1 Tipos principais 
Lenta: Baixa temperatura longo tempo – 650 C por 30 minutos – Artesanal. 
Rápida: Alta temperatura curto tempo – 750 C por 15 segundos – Industrial. 
Pasteurização Lenta Consiste em aquecer o leite a 65°C e mantê-lo a esta temperatura por 30 
minutos. Durante este tempo, o leite deve ser agitado para: Evitar aderência às paredes do recipiente, 
promover aquecimento uniforme de todas as suas partículas e, ao mesmo tempo, evitar formação de 
espuma. Este processo é mais usado em pequenas indústrias onde o volume de produção não justifica 
a aquisição de um pasteurizador de placas. Neste caso, é importante rapidez no resfriamento. 
Lentidão, nesta fase, pode favorecer o aumento considerável de bactérias que não fazem mal a saúde, 
porém acidificam o produto e também daquelas maléficas que porventura possam entrar em contato 
com o produto durante o resfriamento. Pasteurização Rápida Consiste em aquecer o leite a 75°C e 
mantê-lo, por 15 segundos, em um equipamento com trocadores de calor de placas. É o processo 
mais usado em indústrias de médio e grande porte. A temperatura e o tempo de pasteurização foram 
determinados em função de destruição da bactéria Coxietaburnetti (agente infecciosa da febre Q), que 
é a bactéria patogênica mais resistente à alta temperatura e que pode estar presente no leite. 
3.4 HOMOGEINIZAÇÃO 
A homogeneização é o processo que consiste em passar o leite à pressão através de um aparelho 
semelhante a um coador com buracos muito pequenos, reduzindo então o Tamanho dos glóbulos 
graxos, evitando portando a separação da gordura. A homogeneização serve para impedir a formação 
de nata no leite pasteurizado, sendo essencial para o leite Longa Vida, deixando oleite mais branco, 
melhorando o aspecto, palatabilidade e digestão e ainda melhora a qualidade do queijo e iogurte. 
 
4. DERIVADOS 
 A partir do leite é possível a elaboração de diversos derivados, agregando valor ao produto. Os 
processos tecnológicos pelo qual o leite passa permite a elaboração de queijos, doces, iogurtes e 
muitos outros produtos. 
4.1 LEITE RE CONSTITUÍDO 
 É o produto resultante da dissolução em água, do adicionado ou não, de gordura láctea, até atingir o 
teor gorduroso fixado para tipo, seguido de homogeneização e pasteurização (Artigo 504 do 
RIISPOA). 
 
19 
 
4.2 CREME 
Entende-se por creme de leite o produto lácteo relativamente rico em gordura retirada do leite por 
procedimento tecnologicamente adequado, que apresenta a forma de uma emulsão de gordura em 
água (RIISPOA, Artigo 546). O creme obtido poderá ser submetido a pasteurização, a apertização ou 
ao tratamento UAT (UHT), sendo nestes casos denominados e a ele não é permitida a adição de 
nenhum aditivo ou coadjuvante para o creme pasteurizado, no entanto para os cremes esterilizado e 
UAT podem conter os agentes espeçastes e/ou estabilizantes, tais como: ácido algínico e seus sais de 
cálcio, sódio, potássio e amônio; carboximetilcelulose e seu sal de sódio, goma guar e pectina. Para 
informações complementar vide a Portaria N° 146 de 07.03.96 do Ministério da Agricultura. 
4.3 MANTEIGA 
 Entende-se por manteiga o produto gorduroso obtido exclusivamente pela bate ção e malaxagem, com 
ou sem modificação biológica do creme pasteurizado, derivado exclusivamente do leite de vaca, por 
processos tecnologicamente adequados. A matéria gorda da manteiga deverá estar composta 
exclusivamente de gordura Láctea (RIISPOA, Artigo 568). 
4.4 QUEIJOS 
“Entende-se por queijo o produto fresco ou maturado que se obtém por separação parcial do soro do 
leite ou leite reconstituído (integral, parcial ou totalmente desnatado) ou de soros lácteos, coagulados 
pela ação física do coalho, enzimas especificas de bactérias específicas, de ácidos orgânicos, isolados 
ou combinados, todos de qualidade apta para uso alimentar, com ou sem agregação de substâncias 
alimentícias e/ou especiarias e/ou condimentos, aditivos especificamente indicados, substâncias 
aromatizantes e matérias corantes” (Art. 598 do RIISPOA). Devido à diversidade de processos 
tecnológicos empregados existe uma variedade de tipos de queijos tais como: Queijo Minas Frescal, 
Queijo Mussarela, Queijo Tipo Parmesão, Queijo Provolone, Queijo Prato e Ricota. 
4.5 LEITES DESIDRATADOS 
Entende-se por “Leite desidratado” o produto resultante da desidratação (remoção de água) parcial ou 
total, em condições adequadas. Os produtos resultantes podem ser: o leite concentrado, evaporado, 
condensado e o doce de leite. 
a) Leite concentrado: produto resultante da desidratação de leite fluido, seguindo de refrigeração ou 
tratamento térmico condizente ao fim que se destina. 
b) Leite evaporado: ou “leite condensado sem açúcar” produto resultante da desidratação parcial do 
leite fluido, seguindo de homogeneização, enlatamento e esterilização (apertização) (RIISPOA—Art. 
654). 
c) Leite condensado: ou “leite condensado com açúcar” produto resultante da desidratação parcial do 
leite fluido ao qual é adicionado xarope (glicose ou sacarose) seguindo de envasamento. São fases de 
fabricação de leite condensado: seleção do leite, padronização dos teores de gordura e de sólidos 
totais, pré-aquecimento, adição de xarope (solução de sacarose ou glicose), condensação, 
refrigeração, cristalização e enlatamento (RIISPOA— Art. 657). 
 d) Doce de leite: produto, com ou sem adição de outras substâncias alimentícias, obtido por 
concentração e ação do calor a pressão normal ou reduzida do leite ou leite reconstituído, com ou sem 
adição de sólidos de origem láctea e/ou creme e adicionado de sacarose (parcialmente substituída ou 
não por monossacarídeos e/ou outros dissacarídeos). É proibido adicionar gorduras estranhas, 
gelificantes ou substâncias impróprias de qualquer natureza, embora inócuas, exceto o Bicarbonato 
de Sódio em quantidades suficientes à redução da acidez do leite e estabilizadores de caseína 
(RIISPOA — Art. 659). 
4.6 LEITE EM PÓ (RIISPOA—Artigos de 669 a 679; e Portaria N°146 de 07/03/1996) Entende-se por 
leite em pó o produto obtido por desidratação do leite de vaca integral, desnatado ou parcialmente 
desnatado e apto para a alimentação humana, mediante processos tecnologicamente adequados. 
Considera-se fase de fabricação do leite em pó para consumo humano direto: seleção do leite, 
padronização dos teores de gordura e de sólidos. 
20 
 
4.7 OUTROS DERIVADOS Existem outros diversos derivados e todos eles tem a necessidade de ser 
processado seguindo as normas do RIISPOA. 
 
5. PONDERAÇÕES FINAIS 
 O processamento do leite e seus derivados exigem correta higienização evitando assim a 
contaminação do produto garantindo a qualidade do produto final ao consumidor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
21 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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AVICULTURA 
 
INTRODUÇÃO 
Galinhas poedeiras ou de postura são aquelas destinadas à produção de ovos 
Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? 
Resp.: Galinha (existe uma proteína na casca do ovo (OC-17) que é produzida apenas nos ovários 
dessas aves) 
Índice de desempenho produtivo médio 
Maturidade sexual (50%) 145 dias 
Pico de produção 92 a 95 % 
Peso do ovo 62 a 64 g 
Quantidade de ovos/ciclo de produção 302 a 312 ovos 
Consumo de Ração/dia 105 a 115 g 
 
ESCOLHA DAS POEDEIRAS até aqui 
Poedeiras leves: (Leghorn), ovos brancos 
Poedeiras Semipesadas (2.500 gr. Peso): (RhodeIslandRed e New Hampshire), ovo marrom escuro e 
claro, respectivamente. 
A criação de aves pode ser dividida em três fases: 
 1ª Fase - Cria ou Inicial: de 1 dia até 6 semanas de idade; 2ª Fase - Recria: de 7 a 17 semanas de 
idade; 3ª Fase - Produção: de 18 a 80 semanas de idade, podendo ainda se estender de 90 até 120 
semanas se for realizada uma ou duas mudas forçadas. 
Geralmente esta prática está diretamente ligada ao preço do ovo no mercado. 
 
1ª Fase - Cria ou Inicial - 1 dia até 6 semanas de idade 
Cuidados Iniciais: 
Comprar pintinhos de granjas conhecidas; 
Montar círculos, campânulas ou aquecedores; 
23 
 
Distribuir comedouros e bebedouros, forrar o piso dos círculos com papel; 
Momentos antes da chegada dos pintinhos, completar os bebedouros com água e os comedouros com 
ração; 
 Vacinados contra marek, gumboro, bronquite e bouba aviária; 
Temperatura do ambiente 
Idade (dias) Temperatura (ºC) 
1º e 2º 34ºC 
 3º a 6º 32ºC 
A partir do 7º dia 28º a 30ºC 
Círculo de confinamento utilizado para evitar que as aves se afastem muito da campânula ou 
aquecedor. 
O círculo pode ser feito de papelão, metal, duratex ou tela de arame resistente 
O círculo de confinamento deve ter aproximadamente de 50 a 60 cm de altura e, estar a uma 
distância de 0,6 a 1 m da extremidade da campânula. 
O círculo geralmente pode ser removido após uma semana. 
Manejo: 
Regular a altura das cortinas para manter o ambiente em condições ideais de conforto térmico, 
ventilação e umidade relativa; 
Após quinze a vinte dias devem-se manter as cortinas abaixadas, a não ser em momento de frio e ou 
chuvas de vento; 
Manter os bebedouros iniciais, ou pendulares sempre limpos e com água fresca no mínimo duas 
vezes ao dia; 
 
Disposição típica dos equipamentos dentro do círculo 
Inicialmente os círculos de proteção devem ser individualmente aumentados à partir do segundo dia 
Comcinco a seis dias, juntar dois círculos; 
Com doze a quinze dias, toda a metade do galpão deve estar ocupada; 
O galpão deve estar totalmente ocupado (até no máximo 20 dias). 
Deve-se retirar diariamente do galpão as aves mortas, lançando-as em fossa ou incinerando-as; 
Nunca deixar aves mortas sobre o solo nem lançá-las em cursos d`água; 
24 
 
Para controle da granja, realizar diariamente registros em fichas próprias, anotando-se peso da ração 
consumida, número de aves mortas e ou descartadas. 
Debicagem 
Objetivo: 
Manter a uniformidade do lote; Prevenir o canibalismo; Evitar o desperdício de ração 
Realizar entre 7 e 10 dias de idade (as pintinhas estão no círculo de proteção o que facilita apanhá-
las). 
Uma segunda debicagem deve ser feita entre 10 e 12 semanas, em condições normais de criação. 
 
 
 
25 
 
2ª Fase - Recria – 7 semanas a 17 semanas de idade 
O desenvolvimento corporal é medido pelo peso médio do lote a pesagens feitas semanalmente 
durante toda a fase de recria; 
Pesar uma amostra entre 1 a 3 % do lote; 
Realizar as pesagens individuais para a análise de uniformidade. 
Água 
Constitui cerca de 75% do peso corporal de uma ave adulta e cerca de 65% do peso de um ovo 
Consumida duas vezes mais do que a ração pelas aves, podendo aumentar com a elevação da 
temperatura 
Em regiões quentes a temperatura da água de bebida deve estar abaixo da temperatura ambiente. 
 
 
ATIVIDADES 
01 - A criação de aves pode ser dividida em três fases. Cite-as e explique uma delas. 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
02 – Como deve ser o manejo das cortinas na criação de aves? 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
03 – Quais são os objetivos da debicagem em aves? 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
 
 
Alimento 
A ração deve ser balanceada e conter os nutrientes necessários para o perfeito desenvolvimento das 
aves; 
Grande parte destes nutrientes como as vitaminas, pode perder seu valor nutricional quando exposto 
à umidade, luz solar ou calor; 
26 
 
O peso do lote, segundo a idade, poderá determinar alteração na quantidade de ração a ser consumida 
diariamente. 
Densidade de aves por metro quadrado em função da 
idade 
Idades (semanas) Densidade ( n° de aves por m² ) 
1 a 2 30 a 40 
3 a 6 18 a 22 
7 a 18 19 a 15 
Equipamentos indispensáveis na fase de cria/recria 
Comedouro tipo bandeja (60x40x4cm) = 1 bandeja/50 aves (1ª semana) 
Bebedouro copo pressão = 1 bebedouro/50 aves (1ª semana) 
Bebedouro automático = 1 bebedouro/80 a 100 aves (até 16 semanas) 
3ª Fase – Produção - 18 semanas de idade até o abate 
Cuidados iniciais: 
Transferir as frangas de 15 e 16 semanas para o galpão de postura; 
Durante a transferência realizar a seleção e padronização das aves; 
Agrupar as frangas pela conformação (peso corporal) e maturidade sexual (desenvolvimento da 
crista); 
Alojar 3 ou 4 aves por gaiolas. Essa variação dependerá do tipo de gaiola e da característica da ave 
(pesada/leve). 
Formas ou Sistemas de Criação 
Três formas: 
Diretamente sobre o piso em todas suas fases; Dentro da gaiola; Piso na fase inicial e gaiola nas 
outras duas fases. 
Este último sistema de criação pode ser considerado o mais adequado: 
Facilidade da coleta dos ovos; 
Redução dos números de ovos sujos; 
Melhor alojamento de aves por m²; 
Uniformização de lotes; 
O número e disposição das gaiolas interferem na definição do comprimento e largura do galpão; 
Podem ser totalmente abertos, apenas com uma cerca viva ao sul, para impedir que o vento incida 
diretamente sobre a criação, facilitando ainda a retirada dos esterco; 
Os beirais do telhado devem ser longos para fora do galpão, evitando a entrada de chuvas; 
27 
 
 
Construção do galpão acima do solo e o piso sob as gaiolas precisam ser de terra para que haja maior 
absorção da umidade dos estercos; 
Sob as gaiolas que se encontram nas laterais, o piso inclinado voltado para fora é o mais adequado, 
pois evita o acúmulo de água das chuvas. 
Iluminação 
A quantidade de luz influencia na maturação sexual das aves e a taxa de produção de ovos 
Aumento semanal de 15 minutos no fotoperíodo diário, a partir de 18ª semanas de idade, até atingir 
um máximo de 16 horas de luz (natural + artificial) 
Manter-se sempre constante o fotoperíodo diário (16 horas de luz), durante todo o ciclo de produção. 
 
 A diminuição da postura das aves durante a Quaresma tem uma explicação climática e 
biológica: 
Na época em que começa o outono, a luminosidade diminui. Com os dias mais curtos e com 
menos luminosidade, a galinha bota menos” (até 40%) 
Outro fator que influencia na postura é a troca de penas das aves, que ocorre durante todo o verão. 
“Ocorre um estresse do organismo das aves. O animal fica irritado porque coça e diminui a postura” 
 Essas alterações atingem todos os tipos de galinhas, mas como as aves criadas em larga escala 
são confinadas em galpões onde as luzes artificias ficam acesas todo o tempo, são menos afetados 
pelas mudanças na duração do dia. 
Manejo 
Ambiente tranqüilo e evitar movimentação no local onde elas estiverem alojadas; 
Pesagem semanal até a 30º semana (controlar o desenvolvimento corporal); 
Controle das moscas; 
Quanto à presença do esterco, este só deverá ser retirado do galpão junto com todo o lote ou quando 
for realizar a muda forçada. 
Exigências Nutricionais e Manejo Alimentar 
Linhagens leves (100 gr./ave/dia); 
Linhagens pesadas/matrizes (150 gr./dia/ave;) 
Representa 70% do custo de produção; 
28 
 
Principal responsável pelo bom aproveitamento produtivo dos animais; 
A poedeira, quando já atinge seu auge de crescimento, consome ainda 41g de ração por cada ovo que 
produzi; 
Acima de 27ºC as aves começam a utilizar a energia para dissipar o calor, com dilatação de vasos 
sanguíneos e perda de calor através da crista; 
Com o aumento da temperatura ambiente as aves ofegam muito e ficam com as asas abertas na 
tentativa de perder calor, também é observada a queda na produção de ovos. 
Fase final da produção 
Retirar restos de ração nos comedouros e água dos bebedouros; 
Retirar equipamentos removíveis, promovendo completa lavagem e desinfecção destes; 
Retirar a cama ou esterco, ensacar e isolar da área da granja; 
Varrer pisos, gaiolas, telas e estrutura do telhado; 
Passar vassoura de fogo, e posteriormente lavar com jato de água, inclusive as cortinas; 
Repor os equipamentos após a secagem do galpão, levantar as cortinas e proceder a sua total 
desinfecção; 
Lavar os reservatórios de água, passar uma solução com desinfetante pela tubulação, seguida de água 
limpa; 
Promover uma limpeza dos arredores do galpão eliminando penas, entulhos e matos; 
Programar um vazio sanitário por um período mínimo de 15 dias; 
Para a criação em gaiolas, lavar todo o equipamento e fazer os reparos necessários. 
Muda Forçada 
É a renovação de penas, mais conhecida como muda forçada, poderá ocorrer diversas vezes na vida 
normal de uma ave. Em sua fase de crescimento ocorre duas mudas sucessivas antes de a ave ter o 
empenamento definitivo, chamado de empenamento de base.Nas poedeiras comerciais esta muda ocorre apenas depois de um longo período de produção 
Técnica para muda forçada 
Jejum por 10 dias (perder 25% do peso); 
1º quatro dias de jejum (pedriscos de calcário para que as aves não utilizem o cálcio dos ossos para 
produzir os ovos); 
Ração baixo valor nutricional (dia sim dia não, do 11º ao 18º dia); 
Do 19º ao 28º dia (ração de postura a cada dois dias); 
A partir do 29º dia de muda (100 g de ração de postura por dia); 
Suspenda o fornecimento de luz artificial durante a muda (apenas a luz natural); 
Após o 28º dia (30 minutos de luz artificial por semana até chegar a 16 horas de iluminação); 
Permaneça até o final da produção com essa quantidade de luz; 
As aves submetidas ao programa de muda forçada devem atingir 50% da postura oito semanas após o 
inicio do processo. 
Os ovos 
O manejo com os ovos deve ser realizado de forma muito cuidadosa e criteriosa, com a 
finalidade de evitar ovos sujos, marcados ou quebrados. 
A maneira mais indicada é manter as gaiolas e ninhos limpos e fazer coleta de ovos, ao 
menos, quatro vezes ao dia (o ideal é que se faça o maior número de coletas ao dia). 
29 
 
Fatores que Influenciam a Produção dos Ovos 
Padrão Genético das Aves; Idade das Aves; Resistência a Doenças; Controle de Iluminação; 
Condições Ambientais; Troca das Penas; Alimentação; Beneficiamento, Processamento e 
Distribuição de Ovos. 
ATIVIDADES 
01 - De que maneira a quantidade de luz influencia na maturação sexual das aves e a taxa de 
produção de ovos? 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
 
02 – Como deve ser o manejo na fase final de criação? 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
30 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CULTURAS ANUAIS 
CULTURA DA SOJA 
Importância e Aspectos Econômicos 
A soja é a mais importante oleaginosa cultivada no mundo. Seu alto teor de proteínas 
proporcionou múltiplas utilizações e a formação de um complexo industrial destinado ao seu 
processamento, visando a produção de óleo e farelo 
Dentre os fatores responsáveis pelo grande aumento da produção de soja brasileira podem-se 
citar: 
• condições favoráveis do mercado externo à comercialização da soja brasileira, que acontece 
justamente na entressafra norte-americana; 
• adaptação das cultivares oriundas do sul dos EUA na região Sul do Brasil; 
• disponibilidade de uma estrutura cooperativista, montada no sul do país; 
• aumento progressivo da capacidade de esmagamento da soja 
• apoio da pesquisa e da assistência técnica; 
Como a soja pode produzir mais 
A expressão do potencial produtivo da soja depende do meio ambiente (incidência de luz 
solar, temperatura, etc.), de técnicas adequadas de cultivo (preparo do solo, controle de pragas e 
doenças, sistema de plantio, cultivares, etc.), dos fatores físicos do solo (matéria orgânica, umidade, 
temperatura, textura, etc.), dos fatores químicos do solo (excesso de acidez, Al e Mn ou deficiência 
de P, K, Ca, Mg, S, micronutrientes, etc.) e, principalmente, do suprimento do nitrogênio (N) para a 
planta, que é o nutriente mais exigido pela cultura. Para cada 1000 kg de soja produzidos são 
necessários, aproximadamente, 80 kg de N. Ou seja, para uma produtividade de 5000 kg, seriam 
necessários 400 kg de N. 
O N que a soja necessita pode vir do solo, do fertilizante, ou do processo da fixação biológica 
do N2 atmosférico. As quantidades de N mineral provenientes do solo são baixas. O N dos 
fertilizantes nitrogenados é indesejável, pois ele possui custo elevado. 
 Assim, a adição de N na forma de fertilizante deve ser evitada, pois ele é poluente, caro, não 
é eficiente para a cultura da soja e, principalmente, reduz a nodulação e a eficiência do processo de 
fixação simbiótica do N2. 
 A atmosfera do solo possui 80% de N na forma gasosa (N2). Isoladamente, a soja, ou 
qualquer outra cultura, não consegue quebrar a tripla ligação entre os átomos de N do N2 
atmosférico, nem absorvê-lo nessa forma. Isso só é possível através da fixação simbiótica. O 
processo de fixação simbiótica do N2 consiste de uma associação entre as bactérias do gênero 
Bradyrhizobium e a soja. A bactéria penetra no sistema radicular da soja, através dos pelos 
radiculares, e forma os nódulos. 
Portanto, para obter lavouras de soja com produtividade de 5000 kg/ha, é preciso plantar variedades 
de alto potencial produtivo, adaptadas, com técnicas adequadas de cultivo, em solos com boas 
condições físicas e químicas e, especialmente, em relação à inoculação das sementes de soja deve-se: 
(a) aplicar no mínimo 400 g de inoculante de boa qualidade por 50 kg de semente, (b) não aplicar os 
micronutrientes (molibdênio e cobalto) nas sementes, mas sim em pulverização foliar antes da 
floração e (c) efetuar o plantio com boa umidade evitando a aplicação de fungicidas nas sementes ou 
aplicar os fungicidas menos tóxicos para a bactéria que fixa o N simbioticamente. 
 
 
 
32 
 
ATIVIDADES 
01 - Quais os fatores responsáveis pelo grande aumento da produção de soja brasileira? 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
02 – O potencial produtivo da soja depende de vários fatores. Cite 3 desses fatores. 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
03 – Explique como se dá a assimilação do Nitrogênio pela soja. 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
 
Introdução: 
A soja é supostamente originária de Glycineussuriensis, forma silvestre encontrada no leste 
da Ásia. Nome botânico: GlycineMax(L.) 
A soja tem uma grande diversidade morfológica e genética devido ao grande número de 
cultivar existente, oriundo dos esforços científicos que buscam melhorar a capacidade produtiva e a 
resistência da soja de pragas e doenças. 
Devem ser respeitadas as exigências da planta, tais como luz, temperatura, umidade, manejo, 
calagem e entre outros, para que ela possa ter um eficiente crescimento e o desenvolvimento, 
atingindo seu ponto máximo de potencial genético. 
MORFOLOGIA 
Raiz: A soja constitui no seu sistema Radicular a raiz axial principal e as raízes secundárias, 
distribuída em quatro ordens. Seu desenvolvimento é iniciado na germinação, desenvolvendo até a 
maturação fisiológica da planta. 
Caule: O caule da soja é do tipo Herbáceo ereto, pubescente e ramificado, desenvolve-se a partir do 
eixo embrionário, logo depois do início da germinação. 
Folhas:Ao longo do seu desenvolvimento, a planta da soja possui três tipos de folhas: as 
cotiledonares ou embrionárias, as simples ou unifolioladas e as trifolioladas ou compostas, cujo 
tamanho, formato e posicionamentos diferentes. 
Nagerminação e emergência surgem duas folhas cotiledonares que se diferem pela forma oval 
elíptica. Os cotilédones são essenciais para o desenvolvimento inicial da plântula, pois fornecem 
reservas de nutrientes e, quando esgotados, amarelecem murcham e caem. 
Flor: As flores da soja são formadas pelo cálice, corola, androceu e gineceu, ou seja, são flores 
completas. 
Fruto:É do tipo de vagem, achatado, reto a pouco curvado, pubescente e deiscente. A vagem tem de 
uma a cinco sementes, contudo, a maioria das cultivares apresenta as vagens com duas ou três 
sementes. A cor da vagem madura pode ser amarelo-palha muito claro, cinza-claro a quase preto. 
33 
 
Semente:A semente da soja é composta por um envoltório chamado tegumento. Há variações quanto 
à forma, tamanho, cor do tegumento, cor do hilo e cor dos cotilédones, 
Estádio de desenvolvimento: 
Para obter um sistema de produção eficiente, é fundamental caracterizar os estádios de 
desenvolvimento. Através de manejo adequado lavoura, levando a maximização dos recursos 
utilizados e obtenção de produtividade de grãos satisfatórios. 
O sistema de determinação dos estádios de desenvolvimento da soja foi proposto pelos 
cientistas Ferh e Caviness (1977) aceitos internacionalmente no qual consiste em dividir os estádios 
em dois: vegetativos e reprodutivos. No qual V é denominado para o estádio Vegetativo e R para os 
reprodutivos. 
Estádios Vegetativos. 
A subdivisão da fase Vegetativa é designada por números: V1, V2, V3 ...e Vn. Os dois 
primeiros estádios são designados por letra, VE e VC, cujo significado é estádio vegetativo 
Emergência e Cotilédone respectivamente. O último estádio é o Vn , onde “n” corresponde ao 
número de nós vegetativo formado por uma cultivar específico. 
Estádio Reprodutivo. 
Os estádios Reprodutivos são designados pela letra R seguido dos números de fases que vai 
de 1 a 8. As quatro primeiras fases do desenvolvimento: florescimento (R1 e R2), desenvolvimento 
da vagem (R7 e R8) avaliadas na haste principal. O crescimento vegetativo e surgimento de novos 
nós ocorrem durante alguns estádios reprodutivos, até início da formação da semente. 
É no estádio R1 que inicia o florescimento, as plantas estão em média entre 38 e 46 cm de 
altura e apresentam-se nos estádios vegetativos V7 a V10. O florescimento começa a partir do 
terceiro nó da haste principal, evoluindo para cima ou para baixo. Também ocorre intenso 
crescimento vertical das raízes e aumento das raízes secundárias nos primeiros 23 cm do solo, 
prolongando-se até nos estádios R4. (final desenvolvimento das vagens) e R5 (desenvolvimento da 
semente). 
 
 
34 
 
 
 
 
 
 
 
Soja em números (safra 2016/2017) 
Atualizado em Junho de 2017 
 
 
35 
 
Soja no mundo 
Produção: 351,311 milhões de toneladas 
Área plantada: 120,958 milhões de hectares 
Fonte: USDA 
Soja nos EUA (maior produtor mundial do grão) 
Produção: 117,208 milhões de toneladas 
Área plantada: 33,482 milhões de hectares 
Produtividade: 3.501 kg/ha 
Fonte: USDA 
Soja no Brasil (segundo maior produtor mundial do grão) 
Produção: 113,923 milhões de toneladas 
Área plantada: 33,890 milhões de hectares 
Produtividade: 3.362 kg/ha 
Fonte: CONAB 
Mato Grosso (maior produtor brasileiro de soja) 
Produção: 30,514 milhões de toneladas 
Área plantada: 9,323 milhões de hectares 
Produtividade: 3.273 kg/ha 
Paraná (segundo produtor brasileiro de soja) 
Produção: 19,534 milhões de toneladas 
Área plantada: 5,250 milhões de hectares 
Produtividade: 3.721 kg/ha 
Fonte: CONAB 
Rio Grande do Sul (terceiro produtor brasileiro de soja) 
Produção: 18,714 milhões de toneladas 
Área plantada: 5,570 milhões de hectares 
Produtividade: 3.360 kg/ha 
Fonte: CONAB 
Consumo interno de soja em grão (CONAB): 47,281 milhões de toneladas 
Exportação de soja em grão (Agrostat): 51,6 milhões de toneladas - U$ 19,3 bilhões 
Exportação de farelo (Agrostat): 14,4 milhões de toneladas - U$ 5,2 bilhões 
Exportação de óleo (Agrostat): 1,2 milhões de toneladas - U$ 0,9 bilhões 
Total exportado (Agrostat): U$ 25,4 bilhões 
ATIVIDADES 
01 – Com relação à morfologia da soja, explique detalhadamente: 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
02 – O que diferencia o estádio vegetativo do estádio reprodutivo? 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
36 
 
 
A importância de um estande adequado para a soja 
O estabelecimento de um estande adequado de plantas é fundamental para obter bons 
rendimentos. 
A semeadura eficiente e emergência rápida e uniforme das plântulas são essenciais ao 
estabelecimento da lavoura e consequentemente ao alcance de bons rendimentos. 
A cultura de soja, da germinação à colheita, é submetida a contínuos estresses de natureza 
biótica e abiótica, de diferentes magnitudes. 
A germinação pode ser afetada, entre outros fatores, por deficiência ou por excesso de 
umidade do solo, por baixa temperatura de solo pelo contato com fertilizantes, por insetos ou por 
patógenos. 
A emergência pode ser afetada também, pela dificuldade de romper a camada de solo devido 
à excessiva profundidade em que foi colocada a semente ou devido à formação de encostamento da 
camada superficial do solo. O desenvolvimento do sistema radicular pode ser inibido pelo efeito de 
sais componentes dos fertilizantes, pela compactação do solo e pela falta de aeração, por danos 
causados por insetos- pragas, por nematoides e por agentes causadores de doenças. 
A má emergência pode ser consequência de uma série de fatores agindo isoladamente ou 
conjuntamente e caracteriza-se pela ausência ou baixa densidade de plântulas (falhas) na linha de 
semeadura e atrasos de emergência. 
As causas mais comuns desta má emergência, são: a baixa qualidade fisiológica ou sanitária 
das sementes, o tratamento de sementes ou a inoculação com excesso de água, a semeadura em solo 
com temperatura e umidade inadequadas e semeadura mal feita. 
Para garantir uma boa emergência, recomenda-se efetuar a semeadura sempre com sementes 
de boa procedência e de qualidades fisiológica (alto vigor) e sanitária, comprovadas (ausência de 
doenças) e atentar para praticas e cuidados recomendados para semeadura. 
Semeadura em solo com baixa umidade, ou “no pó” prejudica o processo de germinação, podendo, 
torná-lo mais lento, expondo as sementes às pragas e aos micro-organismos do solo, reduzindo a 
chance de obtenção de população desejada. 
A soja é uma espécie que apresenta grande plasticidade quanto à resposta ao arranjo espacial 
de plantas, variando o numero o número de ramificações e de vagens e grãos por planta e o diâmetro 
do caule, de forma inversamente proporcional à variação na população de plantas. Não apresentando 
por isso diferenças significativas em rendimento em uma considerável faixa de população de plantas 
e de espaçamento entre fileiras. 
Nos casos em que o aumento de população causa efeito acentuado no acamamento das 
plantas, populações mais altas, podem levar à redução no rendimento de grãos. Variações entre 200 a 
500 mil plantas/ha normalmente, não influenciam o rendimento de grãos ou faz muito pouco, 
aumentando ou reduzindo, dependendo de diversos fatores. 
A população de ideal de plantas de soja é, normalmente informada para os produtores, nos 
boletins descritivos de cada cultivar, em função de: habito de crescimento, grupo de maturidade, 
altitude e época de semeadura. 
TRATAMENTO DE SEMENTES 
O tratamento de sementes é a primeira etapa para o controle e prevenção efetivos das doenças 
vegetais. 
Atualmente,o uso cada vez mais intenso das áreas e a instabilidade das condições climáticas 
durante a estação de cultivo das culturas têm provocado um aumento significativo na ocorrência de 
pragas, principalmente, durante as fases iniciais de desenvolvimento, comprometendo o estande da 
lavoura por meio do maior número de falhas e plantas dominadas e, futuramente, podendo reduzir a 
produtividade. 
Para estas situações, o Tratamento de Sementes surge como uma alternativa auxiliando no controle 
37 
 
de pragas, assegurando o principal componente do rendimento da lavoura, o número de plantas por 
área, por meio do menor número de falhas e maior uniformidade das plantas. 
Cruiser® 350 FS (Tiametoxan) 
O controle de insetos sugadores como percevejos, cigarrinhas e pulgões vem se tornando cada 
vez mais importante para a cultura do milho, devido ao alto potencial de dano dos insetos. Os 
percevejos, ao se alimentarem, introduzem seus estiletes na base das plântulas, causando lesões nas 
folhas, deformações nas plantas, perfilhamentos improdutivos ou, até mesmo, a morte das plântulas. 
Além disso, as cigarrinhas atuam como vetores de doenças causadas por vírus e molicutes. 
DuPont™ Dermacor® 
Dosagem: 0,4 a 0,6 lt-ha 
Standak Top 
Os insetos de solo, como corós e brocas, possuem um alto potencial de dano, principalmente 
durante o estabelecimento da lavoura, uma vez que podem se alimentar das sementes, reduzindo o 
estande da lavoura, além de atacar o sistema radicular da cultura, interferindo na absorção de 
nutrientes e água e tornando as plantas mais susceptíveis ao estresse. O ataque dessas pragas também 
reduz a sustentação das plantas, o que pode causar o acamamento em situações de ventos fortes ou 
chuvas intensas. 
 
 
CLOTIANIDINA 
Poncho® é um inseticida sistêmico do grupo dos neonicotinóides indicado para uso no 
tratamento de sementes oferecendo proteção contra os insetos sugadores que atacam a cultura do 
milho durante as fases inicias, entre eles, o percevejo. 
Dosagem: 0,35 a 0,40 lt-ha 
 
ATIVIDADES 
01 - A germinação da soja pode ser afetada por alguns fatores. Cite-os: 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
02 – Quais são os principais objetivos do tratamento de sementes na soja? 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
 
38 
 
DOENÇAS: 
Crestamento bacteriano 
 O crestamento bacteriano comum é incitado pela 
bactéria Xanthomonasaxonopodis pv. phaseoli (Smith) Vaut. Apresenta ampla distribuição, 
ocasionando graves perdas na produção, especialmente em regiões com temperaturas de moderadas a 
altas. 
Afeta principalmente as partes aéreas das plantas. Nas folhas, inicia-se por pequenas manchas 
úmidas na face inferior, as quais aumentam de tamanho e coalescem, formando extensas áreas 
pardas, necrosadas. Geralmente, na confluência das áreas necrosadas com os tecidos sadios 
apresentam um estreito halo amarelado, ao longo das mesmas. 
Sob condições de alta umidade, o patógeno pode produzir, nas lesões, um 
exsudato de cor amarelada. Nas vagens formam-se manchas encharcadas, 
posteriormente avermelhadas que frequentemente se estendem ao longo do 
sistema vascular, indicando a progressão da bactéria para as sementes. As sementes 
infectadas podem apresentar-se descoloridas, enrugadas, ou simplesmente não apresentar sintomas 
visíveis. 
A disseminação do agente causal, à longa distância, é realizada por meio de sementes 
contaminadas e, a curtas distâncias, de planta a planta ou de cultura a cultura, pelas sementes, pelo 
vento, pela chuva, pelos animais e pelo homem. 
As condições que favorecem o desenvolvimento da doença são temperaturas altas, com um 
ótimo de 28 °C, alta umidade e chuvas frequentes. 
O controle da doença inclui o emprego de semente de boa qualidade, o uso de cultivares 
resistente e práticas culturais, tais como a rotação de culturas, a eliminação de restos culturais e 
evitar transitar na lavoura quando a folhagem estiver úmida. Tem sido indicado o tratamento foliar 
preventivo com produtos à base de cobre, mas os resultados nem sempre são satisfatórios. 
Ferrugem asiática 
Ferrugem da soja (Phakopsorapachyrhizi) 
A doença é causada pelo fungo Phakopsorapachyrhizi, sendo, hoje, uma das doenças que 
mais têm preocupado os produtores de soja. O seu principal dano é a desfolha precoce, impedindo a 
completa formação dos grãos, com conseqüente redução da produtividade. O nível de dano que a 
doença pode ocasionar depende do momento em que ela incide na cultura, das condições climáticas 
favoráveis à sua multiplicação. 
Os danos podem chegar a cerca de 70%. A doença foi diagnosticada pela primeira vez no 
Brasil em 2001. Devido à facilidade de disseminação do fungo pelo vento, a doença ocorre em 
praticamente todas as regiões produtoras de soja do país. 
Danos: A doença apresenta-se inicialmente por pequenas pontuações de coloração mais escuras que 
o tecido foliar superior. Na parte inferior da folha, observam-se pequenas verrugas, chamadas de 
urédias, que é o local onde o fungo produz os seus esporos (uredósporos). Posteriormente, a 
coloração dessas urédias passa de castanho-claro para castanho-escuro e o tecido foliar nessa região 
vai ficando castanho-claro. 
Controle: A obtenção de cultivares resistentes para a ferrugem da soja é um processo muito difícil, 
devido à alta variabilidade do fungo. Existem inúmeras raças de P. pachyrhizi, estudos realizados no 
Japão identificaram 18 raças do patógeno, para as condições daquele país. Assim um 
cultivar descrito como resistente pode ter essa resistência quebrada facilmente. O controle químico 
tem-se mostrado a medida mais eficiente de controle da doença. No auxílio dessa prática de controle 
devem-se evitar o plantio em épocas favoráveis a doença, o uso de cultivares precoces, para que o 
 
 
 
39 
 
fungo não ataque plantas muito jovens, aumentando assim a severidade, e fazendo o diagnóstico 
mais precoce possível da ocorrência da doença na lavoura. O controle de plantas invasoras também é 
importante, pois P. pachyrhizi, além da soja, parasita outras espécies de plantas inclusive daninhas. 
MANCHA ALVO 
A mancha-alvo, causada pelo fungo Corynesporacassiicola, foi relatada pela primeira vez na 
cultura da soja no Brasil, no Estado do Paraná e posteriormente no Estado de São Paulo, em 1976 
(ALMEIDA et al., 1976). Em 1989, a doença foi relatada nos Estados do Mato Grosso, do Mato 
Grosso do Sul e do Rio Grande do Sul (YORINORI, 1989). A incidência dessa doença tem 
aumentado nas últimas safras em razão da menor sensibilidade/ resistência do fungo aos fungicidas 
mais comumente utilizados na cultura da soja e do aumento da semeadura de cultivares suscetíveis, 
sendo encontrada em praticamente todas as regiões de cultivo do Brasil. Perdas de 18% a 32% foram 
relatadas em cultivares suscetíveis. (GODOY, 2015). 
Nas folhas, os sintomas da doença se iniciam por pontuações pardas, com halo amarelado, evoluindo 
para manchas circulares, de coloração castanho-clara a castanho-escura. Normalmente, as manchas 
apresentam pontuação no centro e anéis concêntricos de coloração mais escura. Cultivares 
suscetíveis podem sofrerem desfolha, com manchas na haste e nas vagens. O fungo sobrevive em 
sementes infectadas e em restos de cultura, podendo colonizar uma ampla gama de resíduos no solo. 
A infecção na folha é favorecida por alta umidade relativa. 
As estratégias de manejo recomendadas para essa doença são: a utilização de cultivares resistentes, o 
tratamento de sementes, a rotação/sucessão de culturascom milho e outras espécies de gramíneas e o 
controle químico com fungicidas. 
MOFO BRANCO 
O mofo-branco, causado por Sclerotinia sclerotiorum (Lib.) de Bary, é uma das mais antigas 
doenças da soja. Sua ocorrência e níveis de dano aumentaram significativamente no Brasil, tanto nas 
áreas mais altas do Cerrado, como nas mais tradicionais de cultivo do Sul e do Sudeste, podendo 
reduzir a produtividade em até 70%. Estima-se que aproximadamente 23% da área de produção de 
soja brasileira esteja infestada pelo patógeno, compondo 6,8 milhões de hectares que necessitam da 
adoção de medidas de controle da doença. 
O fungo causador do mofo-branco afeta mais de 400 espécies de plantas e os danos 
manifestam-se com maior severidade em regiões com clima chuvoso, temperatura amena e alta 
umidade relativa do ar. A manutenção da umidade do solo é fundamental para o desenvolvimento da 
doença, pois a germinação dos escleródios (estruturas de sobrevivência do fungo) depende da 
umidade do solo, de temperaturas entre 15°C e 25°C, e de pouca incidência de luz solar. 
O fungo é capaz de infectar qualquer parte da planta de soja, porém, as infecções iniciam-se com 
mais frequência a partir das inflorescências, das axilas dos pecíolos e dos ramos laterais. O patógeno 
pode atacar toda a parte aérea da planta, afetando folhas, hastes e vagens. A planta da soja infectada 
apresenta, inicialmente, lesões aquosas, de onde crescem hifas, formando abundante micélio branco, 
o que caracteriza o nome da doença. Os tecidos atacados apodrecem em consequência da ação das 
diversas toxinas produzidas por S. sclerotiorum. Nessa fase, pode ser observado o apodrecimento de 
hastes laterais, vagens e folhas, ou mesmo a haste principal com morte de toda a planta. Os 
escleródios são formados tanto na superfície como no interior da haste e das vagens infectadas, 
podendo se desprender sozinhos ou serem lançados ao solo durante a colheita, aumentado o inóculo 
na área. 
40 
 
O manejo da doença tem como objetivos estratégicos a redução do inóculo (escleródios no 
solo) e a redução da incidência e de sua taxa de progresso. A redução de inóculo no solo é 
conseguida pela inviabilização dos escleródios no solo e pela diminuição da produção de escleródios 
nas plantas doentes, através de medidas como: formação de palhada para cobertura uniforme do solo, 
preferencialmente oriunda de gramíneas; rotação e/ou sucessão com culturas não hospedeiras; 
emprego de controle biológico através da infestação do solo com agentes antagonistas; utilização de 
sementes de boa qualidade e tratadas com fungicidas adequados; emprego de controle químico, 
através de pulverizações foliares de fungicidas principalmente no período de maior vulnerabilidade 
da planta (R1 a R4). Para a redução da incidência do mofo-branco e de sua taxa de progresso, as 
seguintes medidas são importantes: escolha de cultivares com arquitetura de plantas que favoreça 
uma boa aeração entre plantas (pouco ramificadas e com folhas pequenas) e com período mais curto 
de florescimento, e a utilização de população de plantas e espaçamento entre linhas adequados às 
cultivares. Outra medida que contribui significativamente na redução da dispersão do fungo S. 
sclerotiorum é a limpeza de máquinas e equipamentos após utilização em área infestada para evitar a 
disseminação de escleródios para novas áreas. 
Os fungicidas que apresentaram os melhores níveis de controle foram fluazinam e 
procimidona, pulverizados isoladamente ou em associação com tiofanato metílico ou carbendazim, 
variando de duas a quatro pulverizações em intervalos de dez dias, iniciando no estádio R1 de 
desenvolvimento das plantas (início do florescimento). 
A eficiência do controle químico do mofo-branco em soja depende de vários fatores, tais 
como dose, momento da aplicação, número e intervalo entre aplicações, além da tecnologia de 
aplicação utilizada. Como a principal forma de infecção da planta de soja por S. sclerotiorum ocorre 
através da colonização de flores e vagens em início de desenvolvimento do fungo, onde as plantas 
precisam ser protegidas pelos fungicidas entre os estádios R1 (início de florescimento) e final de R4 
(formação das vagens). 
 
ATIVIDADES 
01 – Qual a principal doença na cultura da soja? Quais são as causas, seus sintomas e métodos de 
controle? 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
 
 
 
 
 
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CURSO TÉCNICO EM 
AGROPECUÁRIA 
F
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A
 
42 
 
FRUTICULTURA 
VIVEIROS 
Localização e Caracterização, Tipos de Viveiro, Topografia, Drenagem, Quebra vento, 
Administração e controle. 
 
Localização e Caracterização 
Entende-se por viveiro um determinado local onde são concentradas todas as atividades de produção 
de mudas. 
Para a escolha do local onde será instalado o viveiro, devem-se levar em consideração os seguintes 
aspectos: 
 
Facilidade de acesso 
É necessário que o acesso possibilite o fácil trânsito de caminhões, sendo que todas as estradas 
deverão ser transitáveis mesmo em época de chuva. Os custos de transporte, principalmente de 
mudas produzidas em recipientes, são minimizados quando os viveiros situam-se a uma pequena 
distância da área de plantio. Longos trechos de estrada podem trazer danos à qualidade fisiológica 
das mudas e ocasionar perda de umidade do substrato. 
 
Suprimento de água 
Durante todo o período, após a semeadura, há necessidade de abundância de água para irrigação. 
Poderão ser utilizadas águas de rios, lagos e de origem subterrânea, devendo ser evitada a introdução 
de algas ou sementes de ervas. A água deve ter menos de 200 partes por milhão (ppm) de silte e 
cálcio e menos de 10 ppm de sódio e 0,5 ppm de boro. 
 
Área livre de Ervas Daninhas 
Deverá existir contínua vigilância e erradicação das ervas daninhas efetuada imediatamente após o 
seu aparecimento, quer sejam perenes ou anuais. 
 
Facilidade de obtenção da Mão de Obra 
É indispensável que alguns funcionários morem nas imediações ou na própria área. A vigilância 
quanto ao aparecimento de doenças precisa ser permanente. Existem doenças cuja virulência pode 
ser tão intensa que provocam enormes danos em pouco tempo, principalmente em mudas recém-
formadas. 
 
Declividade da área 
A declividade deve ser de 2%, no máximo, para não correr danos por erosão. É importante salientar 
que os canteiros devem ser instalados em nível, perpendiculares à movimentação da água. Áreas 
planas contribuem para o acúmulo de água da chuva, principalmente quando o percentual de argila 
for maior que o indicado. 
 
 
 
43 
 
Área do Viveiro 
O viveiro possui dois tipos de áreas: 
 
Áreas produtivas: é a soma das áreas de canteiros e sementeiras, em que se desenvolvem as 
atividades de produção Áreas não produtivas: constitui-se dos caminhos, estradas e áreas construídas. 
A extensão do viveiro será determinada em função de alguns fatores: 
1. Quantidade de mudas para o plantio e replantio 
2. Densidade de mudas/m2 (em função da espécie) 
3. Espécie e seu período de rotação 
4. Dimensões dos canteiros, dos passeios (caminhos) e das estradas 
5. Dimensões dos passeios (ou caminhos) 
6. Dimensão das estradas (ou ruas) 
7. Dimensão das instalações 
8. Adoção, ou não, de área para adubação verde (no caso de viveiros em raiz nua) 
A distribuição dos canteiros, caminhos, construções e principalmente o acesso devem visar a melhor 
circulação e utilização da estruturado viveiro. 
 
Luz 
Deve-se levar em consideração a necessidade de luz solar, evitando na locação do viveiro uma área 
inconveniente. O viveiro deve ser instalado em local totalmente ensolarado. Se houver necessidade 
de sombra, pode-se lançar mão de abrigos, como o sombrite. Em alguns casos, o sombreamento é 
necessário em certos períodos. As espécies umbrófilas exigem proteção contra a luz solar. Os raios 
solares concorrem para a rustificação dos tecidos, tornando as mudas mais robustas e resistentes. 
Em relação à exposição solar, deve-se colocar o comprimento dos canteiros voltado para a face norte, 
acompanhando-os ao longo de sua extensão. Contudo, tal medida para locação dos canteiros deve ser 
tomada, apenas se for possível, pois existem outros critérios prioritários. 
 
ATIVIDADES 
01 - Para a escolha do local onde será instalado o viveiro, devem-se levar em consideração alguns 
aspectos: Cite-os: 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
02 – Explique como deve ser as áreas produtivas de um viveiro: 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
 
 
44 
 
Tipos de Viveiros 
Considerando a duração, os viveiros podem ser classificados em: 
1. Viveiros Provisórios: temporários ou volantes são aqueles que visam uma produção restrita; 
localizam-se próximos às áreas de plantio e possuem instalações de baixo custo. 
 
2. Viveiros Permanentes: centrais ou fixos, são aqueles que geralmente ocupam uma maior 
superfície, fornecem mudas para uma ampla região, possuem instalações definitivas com excelente 
localização. Requerem planejamento mais acurado; as instalações são também permanentes e de 
maiores dimensões. 
Com referência à proteção do sistema radicial, os viveiros são classificados em: 
 
3. Viveiros com mudas em raiz nua: as mudas em raiz nua são as que não possuem proteção do 
sistema radicial no momento de plantio. A semeadura é feita diretamente nos canteiros e as mudas 
são retiradas para o plantio, tendo-se apenas o cuidado de se evitar insolação direta ou, até mesmo, 
vento no sistema radicial. O solo onde se desenvolvem as raízes permanece no viveiro. Após a 
retirada, são ordenadas em grupos, com material úmido envolvendo as raízes, antes da expedição 
para o plantio. Este tipo de viveiro é muito difundido no sul do Brasil para Pinus spp. 
Contudo, algumas espécies promissoras na Amazônia, como o freijó – Cordiagoeldiana, tatajuba - 
Bagassaguianensis, e marupá - Simaruba amara – têm demonstrado aptidão para plantio com muda 
em raiz nua em forma de “stripling”. 
 
4. Viveiro com mudas em recipientes: apresentam o sistema radicial envolto por uma proteção que 
é um substrato que o recipiente contém. Evidentemente, o substrato vai para o campo e é colocado 
nas covas, com as mudas, protegendo as raízes. 
 Topografia 
O terreno deverá apresentar-se aplainado, recomendando-se um leve declive, favorecendo o 
escoamento da água, mas sem que provoque danos por erosão. 
Para áreas com elevada declividade, a alternativa mais plausível é a confecção de patamares para a 
locação de canteiros. Os patamares devem ser levemente inclinados e devem ter dispostas ao longo 
de sua extremidade manilhas em forma de “U” , a fim de impedir o escoamento de água de chuvas 
fortes pelo talude, provocando erosão. Além disto, é aconselhável seu revestimento com gramíneas 
rasteiras. 
A camada superficial removida deve ser reservada para aproveitamento na produção de mudas. Este 
substrato é mais fértil, mas pode apresentar o inconveniente de conter sementes de ervas. Neste caso, 
a fumigação deste material pode ser recomendável ou uso o de herbicida em aplicação pré-
emergente. 
 
ATIVIDADES 
01 - Considerando a duração, os viveiros são classificados como? Cite-os. 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
45 
 
 
TÉCNICAS DE ENXERTIA 
Propagação Vegetativa - Tipos de enxertia 
As técnicas da enxertia podem ser: 
Borbulhia ou enxerto de gema 
 
A borbulhia é o processo que consiste na justaposição de uma única gema sobre um porta- 
enxerto enraizado, ( SIMÃO, 1998). A época de enxertia para esse tipo de multiplicação,é de 
primavera- verão, quando os vegetais se encontram em plena atividade vegetativa. 
Os principais tipos de enxerto em bobulhia podem ser: T normal; T invertido; Janela aberta; d) Janela 
fechada e em anel. 
a) T normal 
Fende-se o cavalo com o canivete, no sentido transversal e, depois, no sentido perpendicular, 
de modo a formar um T. O escudo ou gema é retirado, segurando-se o ramo em posição invertida. 
Prende-se o escudo lateralmente ou pelo pecíolo, levanta-se a casca com o dorso da lâmina e 
introduz-se a borbulha. Corta-se o excesso e amarra-se de cima para baixo. 
b) T invertido 
Procede-se de modo semelhante ao anterior. Difere apenas na posição normal do ramo para a 
retirada da borbulha e do modo de introduzir e amarrar. A colocação da borbulha, bem como a 
amarração é feita de baixo para cima. 
Esse tipo apresenta a vantagem sobre o anterior, por evitar a penetração da água e também por ser 
mais fácil de manejar. 
c) Janela aberta 
São realizadas no porta- enxerto duas incisões transversais e duas longitudinais, de modo a 
liberar a região a ser ocupada pela borbulha. A borbulha é retirada do garfo praticando-se duas 
incisões transversais e duas longitudinais no ramo, de modo a obter um escudo idêntica à parte 
retirada do cavalo. A borbulha é a seguir embutida no retângulo vazio e deve ficar inteiramente em 
contato com os tecidos do cavalo. A seguir o enxerto é amarrado. 
d) Janela fechada 
O porta- enxerto recebe duas incisões transversais e uma vertical no centro. A borbulha é 
obtida e maneira semelhante ao tipo anterior. Para assentá-la, levanta-se a casca com canivete, 
introduz-se o escudo e a seguir recobre-se com a casca do cavalo. O enxerto é completado fixando-se 
com amarrilho. 
e) Em anel 
Para esse tipo de enxertia faz-se uma incisão circular quando o enxerto é no topo, ou duas 
incisões circulares e uma vertical quando é no meio da haste, de modo a retirar um anel. 
No garfo procede-se do mesmo modo, e a superfície deve ser idêntica à do cavalo, para que haja 
contato entre as camadas cambiais. A seguir amarra-se. 
FORÇAMENTO DO ENXERTO 
Para adiantar o desenvolvimento do enxerto, uma vez constatado seu pegamento, faz-se a 
torção da haste um pouco acima do local da enxertia e curva-se o ramo para o solo. A seiva, devido à 
curvatura, tende a reduzir sua velocidade e acumular-se na região do enxerto, comunicando-lhe 
grande vigor. Por esse meio consegue-se em algumas espécies adiantar o desenvolvimento de dois a 
46 
 
três meses. Pode-se também forçar o desenvolvimento do enxerto com incisões ou anelamento 
praticados na região abaixo dele. 
GARFAGEM 
A garfagem é o processo que consiste em soldar um pedaço de ramo destacado (garfo) sobre 
outro vegetal (cavalo), de maneira a permitir seu desenvolvimento. A garfagem difere da borbulhia, 
por possuir normalmente mais de uma gema, ( SIMÃO, 1998). 
ATIVIDADES 
01 – Quais são os principais tipos de enxerto por borbulhia? 
__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
02 - Para adiantar o desenvolvimento do enxerto, faz se um forçamento. Explique esse forçamento e 
qual é o objetivo? 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
 
A época normal para garfagem, para plantas de folhas caducas, se dá no período de repouso 
vegetativo (inverno), e nas folhas persistentes, dependendo da espécie, na primavera, no verão ou no 
outon. 
Os principais tipos de garfagem são os seguintes: meia-fenda cheia; meia- fenda esvaziada; 
fenda incrustada; fenda completa; dupla garfagem; inglês simples e inglês complicado. 
Em todos os tipos citados, o porta- enxerto tem a sua parte superior decapitada. O enxerto de 
garfagem é feito 20 cm, aproximadamente, acima do nível do solo ou abaixo dele, na raiz, na região 
do coleto. A região do ramo podada com a tesoura é a seguir alisada com o canivete. Para o sucesso 
da enxertia, é essencial que a região cambial do garfo seja colocada em contato íntimo com a do 
cavalo. 
a) Meia-fenda cheia 
Faz-se o cavalo numa fenda, no sentido do raio, até atingir a medula. A fenda estende-se por 
2 a 3 cm, no sentido do comprimento do cavalo. O garfo é preparado na forma de bisel e introduzido 
na incisão. O bisel deve ter aproximadamente o mesmo comprimento da incisão lateral. 
b) Meia-fenda esvaziada 
A incisão do cavalo é semelhante ao anterior, dele diferindo por praticar duas incisões 
convergentes, de modo a retirar uma cunha de madeira, esvaziando a incisão. O garfo é preparado do 
mesmo modo que o anterior. É um tipo mais aconselhável para espécie de lenho duro. 
c) Fenda inscrustada 
Difere da anterior por não atingir a medula. É utilizada quando os garfos são de pequeno 
diâmetro. O cavalo e o garfo são preparados à semelhança da meia-fenda esvaziada. 
Podado o cavalo, alisado o corte, faz-se com o canivete uma fenda perpendicular, no sentido do 
diâmetro, até aprofundar-se 2 a 3 cm. A fenda completa pode ser cheia ou esvaziada. O garfo, que 
deve ter o mesmo diâmetro do cavalo, é preparado na forma de cunha e introduzido na fenda. 
47 
 
É utilizado quando o garfo é de diâmetro inferior ao raio do cavalo. Usam-se dois garfos, cada um 
introduzido em uma das extremidades. O método é igual ao da fenda completa. 
Para a prática desse tipo de enxerto, é necessário que o cavalo e o cavaleiro apresentem o 
mesmo diâmetro. A operação é bastante fácil e consiste tão-somente no corte em bisel do cavalo e no 
cavaleiro. Unem-se as partes e em seguir amarram-se. 
A operação é semelhante ao inglês simples, mas, neste tipo, faz-se uma incisão longitudinal 
em ambas as partes a unir. A incisão será feita no terço inferior do garfo, se a do cavalo for feita no 
terço superior, para que haja perfeito encaixe entre as fendas. 
O inglês complicado dá ao enxerto maior penetração de uma parte sobre a outra, e, portanto, 
maior fixação. 
 
ENCOSTIA 
Também chamada de enxertia de aproximação, consiste na união lateral de duas plantas com 
sistemas radiculares independentes, de modo que o enxerto e o porta- enxerto sejam mantidos por 
seus sistemas radiculares até que a união esteja completamente formada. 
É método mais simples de enxertia, porém é muito pouco utilizado comercialmente, (TELLES, et ai, 
2004). 
Os principais tipos de encostia podem ser resumidos em lateral e no topo. Tanto lateralmente 
e no topo. Tanto lateralmente como no topo, a encostia pode ser simples ou inglesa e inarching, 
(SIMÃO, 1998). 
a) Lateral simples e inglesa 
Pratica-se no cavalo e no ramo-enxerto um entalhe, retirando-se parte do alburno. 
Aproximam-se as duas partes, ajustando as superfícies. Fixam-se as partes com amarrilhos, no caso 
da lateral simples. 
Na lateral inglesa, procede-se da mesma maneira, porém, sobre o entalhe do cavalo e do cavaleiro, 
faz-se uma incisão oblíqua. Abre-se o entalhe, unindo-se as partes. A seguir, amarra-se. 
Na encostia simples no topo, poda-se o cavalo a determinada altura e, com o canivete, faz-se um 
corte em bisel em ambos os lados. O ramo- enxerto sofre uma incisão oblíqua até o lenho. Encaixa-se 
sobre o bisel do cavalo e amarra-se. 
A inglesa é preparada do mesmo modo. Apenas recebe uma incisão a mais tanto no cavalo como no 
cavaleiro, para que haja maior fixação. 
O processo consiste em plantar, ao lado do tronco da árvore, uma muda que será ligada a ela. No 
tronco, faz-se uma incisão e, no ápice da muda, um bisel. Ajusta-se a região e fixa-se com um prego 
ou cravo de madeira. 
SOBREENXERTIA 
É a operação que tem por finalidade o aproveitamento de plantas já formadas, com alteração 
da variedade copa. Seu emprego é indicado nos pomares de idade média e sadios. 
Fazendo-se a sobre enxertia, ganha-se tempo, pois o porta- enxerto se encontra perfeitamente 
estabelecido, e as produções se tornam mais precoces. 
Para proceder à sobreenxertia, poda-se a copa e deixam-se de quatro a cinco pernadas, sobre as quais 
se fará a enxertia da variedade. (SIMÃO,1998). 
 
 
48 
 
ATIVIDADES 
01 - Também chamada de enxertia de aproximação consiste na união lateral de duas plantas com 
sistemas radiculares independentes, de modo que o enxerto e o porta- enxerto sejam mantidos por 
seus sistemas radiculares até que a união esteja completamente formada. O texto se refere a qual tipo 
de enxertia? 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CURSO TÉCNICO EM 
AGROPECUÁRIA 
M
A
N
E
JO
 D
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 S
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O
 
 
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MANEJO DE SOLO 
Qualidade do solo: conceito, importância e indicadores da qualidade. 
Os solos, quando submetidos a determinados sistemas de cultivo, tendem a um novo estado 
de equilíbrio, refletido em diferentes manifestações de seus atributos, as quais podem ser 
desfavoráveis à conservação da capacidade produtiva destes solos. Os efeitos diferenciados sobre os 
atributos do solo, devido ao tipo de preparo, característico de cada sistema de cultivo, são 
dependentes da intensidade de revolvimento, do trânsito de máquinas, do tipo de equipamento 
utilizado, do manejo dos resíduos vegetais e das condições de umidade do solo no momento do 
preparo. A relação entre o manejo e a qualidade do solo pode ser avaliada pelo comportamento de 
indicadores físicos, químicos e biológicos. 
O enfoque sobre qualidade do solo vem despertando um crescente interesse, principalmente a 
partir do lançamento, em 1993, do livro "Soiland wate rquality: an agenda for agriculture", pelo 
"Boardon Agricultureofthe National Research Council" dos Estados Unidos da América, onde é 
enfatizado que a qualidade do solo é tão importante quanto à qualidade do ar e da água na 
determinação da qualidade global do ambiente em que vivemos. A qualidade do solo tem efeitos 
profundos na saúde e na produtividade de um determinado ecossistema e nos ambientes a ele 
relacionados. Todavia, diferentemente do ar e da água, para os quais existem padrões de qualidade, a 
definição e quantificação da qualidade do solo não é simples em decorrência da complexidade dos 
fatores envolvidos e de não ser o solo consumido diretamente pelo homem e animais. A qualidade do 
solo é aceita, freqüentemente, como uma característica abstrata que depende, além de seus atributos 
intrínsecos, de fatoresexternos, como as práticas de uso e manejo, de interações com o ecossistema e 
das prioridades socioeconômicas e políticas. 
O conceito do que seja um solo com qualidade depende das prioridades previamente 
estabelecidas. Contudo, deve levar em consideração a sua funcionalidade múltipla para não 
comprometer, no futuro, o desempenho de algumas de suas funções. Assim, um determinado tipo de 
solo pode ser considerado com boa qualidade quando apresentar a capacidade, dentro dos limites de 
um ecossistema natural ou manejado, de manter a produtividade e a biodiversidade vegetal e animal, 
melhorar a qualidade do ar e da água e contribuir para a habitação e a saúde humana. 
A avaliação quantitativa da qualidade do solo é fundamental na determinação da sustentabilidade dos 
sistemas de manejo utilizados. A determinação de indicadores de qualidade de solo se faz necessária 
para possibilitar a identificação de áreas problemas utilizada na produção, fazer estimativas realistas 
de produtividade, monitorar mudanças na qualidade ambiental e auxiliar agências governamentais a 
formular e avaliar políticas agrícolas de uso da terra. 
A identificação eficiente de indicadores apropriados para avaliar a qualidade do solo depende 
da habilidade em considerar os componentes múltiplos que determinam a sua capacidade em 
desempenhar suas funções, como a produtividade e o bem-estar ambiental. Esta identificação é 
dificultada pela multiplicidade dos atributos físicos, químicos e biológicos, que controlam a 
intensidade dos processos biogeoquímicos e suas variações temporais e espaciais. 
A escolha de indicadores de qualidade dos ecossistemas está baseada no modelo da prática da 
medicina humana e animal, que segue uma sucessão de passos, como a identificação dos sintomas, 
medida dos sinais vitais, realização de um diagnóstico provisório, aplicação de testes para 
comprovação do diagnóstico, prognóstico e prescrição do tratamento. Esta analogia possibilitou que 
um conjunto de atributos do solo fosse relacionado e adotado para avaliar a sua qualidade, unificando 
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metodologias e procedimentos estabelecidos anteriormente para avaliar mudanças na capacidade 
produtiva deste recurso natural. 
Embora em países como os Estados Unidos da América, já exista testes elaborados com 
vistas à análise da qualidade do solo, é consenso que existe uma carência de conhecimento sobre 
quais sejam os melhores ou mais práticos indicadores para atender este objetivo. Esta falta de 
conhecimento, normalmente, está refletida na pergunta comumente realizada por produtores, 
pesquisadores e extensionistas daquele país, onde é questionado: que medidas deveriam ser tomadas 
para avaliar os efeitos do manejo do solo sobre sua qualidade atual e futura? De outro modo, na 
maioria das vezes, os pesquisadores direcionam seus interesses e esforços para as disciplinas em que 
estão inseridos. Sempre que possível, as avaliações de qualidade não devem ser reducionistas e sim 
holísticas e úteis na identificação de sistemas que preservem o recurso solo e satisfaçam às 
necessidades do produtor ao longo do tempo. 
Indicadores da qualidade do solo podem ser classificados, de um modo geral, em quatro grupos; 
visuais, físicos, químicos e biológicos. Embora esta divisão em grupos seja usual, é importante 
salientar que estes atributos e processos, em sua maioria, são inter-relacionados. Os melhores 
indicadores da qualidade do solo são aqueles que integram os efeitos combinados de diversos 
atributos ou processo do solo, os quais devem ser precisos, simples para o uso e terem sentido, ou 
seja, devem estar associados à função para a qual se pretende usar o solo. Necessitam, para que 
possam ser usados com eficiência, de padrões ou valores críticos. Portanto, um bom indicador deve 
ser de fácil medida, respondendo às mudanças propostas, estar relacionado com os requerimentos de 
qualidade do solo, e ter um limite claro entre o que é sustentável e não sustentável. 
Os indicadores visuais podem ser obtidos a partir da interpretação de fotografias aéreas. Ou 
através de observações diretas, como a exposição do subsolo, mudança de cor do solo, escorrimento 
superficial, resposta da planta, espécies de plantas daninhas predominantes, entre outras. Evidências 
visuais podem ser indicadores claros de que a qualidade do solo está ameaçada ou passando por 
alterações. 
Os indicadores físicos estão relacionados ao arranjamento das partículas e do espaço poroso 
do solo, incluindo densidade, porosidade, estabilidade de agregados, textura, encostamentos 
superficial, compactação, condutividade hidráulica e capacidade de armazenagem de água 
disponível. Refletem, primariamente, limitações ao crescimento radicular, à emergência das 
plântulas, à infiltração e ou movimento da água no interior do perfil do solo e à disponibilidade de 
água às plantas. 
O pH, salinidade, capacidade de troca de cátions, capacidade de suprimento de nutrientes às 
plantas, concentrações de elementos que podem ser potencialmente contaminantes (metais pesados, 
compostos radioativos, etc.) ou necessários para o crescimento e desenvolvimento das plantas são 
considerados indicadores químicos. As condições químicas do solo afetam as relações solo-planta, a 
qualidade da água, o poder tampão, a disponibilidade de nutrientes e de água para as plantas e outros 
organismos, mobilidade de contaminantes e algumas condições físicas, como a tendência de 
formação de crostas superficiais. 
Entre os indicadores biológicos estão incluídos: a matéria orgânica, a diversidade de espécies, 
a massa microbiológica, o nível de respiração do solo, o que possibilita avaliar a atividade 
microbiológica. O ergosterol, por exemplo, um bioproduto de origem fúngica, tem papel importante 
na formação e estabilidade de agregados do solo. Populações de minhocas e nematóides têm sido 
utilizadas como indicadores biológicos. Medidas da velocidade de decomposição de resíduos de 
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plantas em embalagens especiais ou o número de plantas daninhas, também são indicadores da 
qualidade do solo. 
Estabelecendo-se uma relação entre os indicadores de qualidade e os solos de várzea 
desenvolvidos no RS, pode-se inferir que, embora, de modo geral, estes apresentem originalmente 
condições favoráveis (qualidade inerente) para o desenvolvimento da cultura do arroz irrigado, como 
baixa condutividade hidráulica na camada subsuperficial, superfície plana a suave ondulada, baixa 
profundidade efetiva, atualmente, uma expressiva área onde estes solos ocorrem encontra-se 
comprometida, principalmente pelo alto nível de infestação com plantas daninhas, o que vem 
concorrendo para reduções significativas de produtividade do arroz irrigado. 
Além disso, as condições manifestadas pelos solos de várzea do RS, notadamente as físicas, se 
mostram desfavoráveis ao desenvolvimento de culturas de sequeiro. Estes solos apresentam baixa 
porosidade total, com predomínio de micropóros, camadas compactadas próximas à superfície, baixa 
estabilidade de agregados e tendência à formação de encrostamento superficial. Estas características 
fazem com que estes solos sejam mal drenados e apresentem baixa velocidade de infiltração. Em 
decorrência pode-se afirmar que eles não manifestam qualidade adequada para o cultivo de espécies 
de sequeiro, como o milho, a soja, o sorgo e o trigo, entre outras. Todavia, o uso de um conjunto de 
práticas de manejo mais apropriado tem melhorado a qualidade destes solos (qualidade dinâmica), 
que associado a genótipos mais adaptados ao excesso de água, vem viabilizado, tecnicamente, o 
cultivo de espécies mesófitas. 
ATIVIDADES 
01 - Os efeitos diferenciados sobre os atributos do solo, devido ao tipo de preparo, característico de 
cada sistema de cultivo, são dependentes de alguns fatores. Quais são eles? 
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02 - Indicadores da qualidade do solo podem ser classificados, de um modo geral, em quatro grupos. 
Cite-os: 
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Degradação do Solo 
Pode-se dizer que os solos degradam de duas maneiras principais: de forma natural, como 
consequência da ação da natureza, e por interferência humana. 
No primeiro caso, o conhecimento técnico pode ajudar a evitar as consequências de desastres 
naturais, através de atitudes preventivas, além de alterar constituintes minerais dos solos por meio de 
corretivos agrícolas. No segundo, o conhecimento estabelece a importância da continuidade do uso 
dos solos como prioridade vital, de maneira saudável e sustentável, abandonando-se a idéia de uso 
predatório, típico do lucro imediato e inconsequente. 
A degradação mais importante dos solos por ocorrência natural se dá por lavagem excessiva 
das camadas superficiais pela água de chuva, fenômeno denominado lixiviação, típico das regiões 
http://www.coladaweb.com/geografia/o-solo
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tropicais do planeta. O transporte dos nutrientes dos solos por infiltração da água ou por erosão, 
diminui sua fertilidade, além de ocasionar outro fenômeno: a laterização. 
A laterização é a oxidação dos solos pelo acúmulo de metais como o ferro e o alumínio, 
formando carapaças endurecidas, típicas de regiões tropicais do planeta, como a África e a América 
Latina. Importante ressaltar que esse fenômeno ocorre por associação entre água e calor, portanto, 
solos expostos à ação da água de chuva e raios solares são mais agredidos. Solos protegidos por 
cobertura vegetal sofrem menos a ação da natureza. 
Causas da degradação 
As características do relevo também podem associar algumas formas de degradação. A 
topografia do relevo, quando inclinada, pode ser agente facilitador de processos erosivos, 
proporcionando maior velocidade das águas de enxurradas, fazendo surgir voçorocas e deslizamentos 
de terra nas encostas. 
Porém, inegavelmente, as maiores agressões aos solos são provocadas por ação humana. 
Tanto nas zonas urbanas como rurais verifica-se grande falta de cuidado em relação aos impactos 
ambientais provocados pelo crescimento populacional e pelo desenvolvimento econômico. As 
necessidades conjunturais, a falta de políticas preventivas e de fiscalização eficiente, potencializam o 
problema principalmente nos países subdesenvolvidos. 
Nos centros urbanos, por exemplo, os solos são constantemente agredidos pelo despejo 
de lixo a céu aberto, sem qualquer cuidado técnico para a sua separação. Grandes quantidades de lixo 
orgânico, que poderiam ser importante fonte de recurso (como produção de adubo e gás metano), 
fermentam e deterioram produzindo o chorume, que penetra nos solos e se infiltra nos lençóis 
freáticos, sendo transportado por gravidade para os mananciais. 
Os loteamentos periféricos, realizados sem planejamento nos grandes centros urbanos, 
também se somam às agressões aos solos. O desmatamento de vastas áreas sem qualquer estudo de 
impacto ambiental causa a curto, prazo, problemas de assoreamento de rios e represas. Ou seja, com 
as chuvas, solos antes protegidos por vegetação ficam expostos à ação erosiva, despejando grandes 
cargas de sedimentos nessas águas. Os desmatamentos, a urbanização caótica e o mau uso do solo 
agrícola, com monoculturas e pastagens extensas, provocam a perda do solo por erosão e diminuição 
da diversidade biológica. 
Nas zonas rurais, a falta de conhecimento apropriado e a falta de fiscalização podem 
transformar o agricultor num agressor. A queimada, por exemplo, prática histórica no Brasil, ainda 
continua a ser executada tanto por lavradores que praticam a agricultura de subsistência, como por 
empresários que realizam a agricultura comercial. 
O fogo, apesar de limpar o terreno rapidamente, destrói os microrganismos do horizonte 
superficial dos solos, desgastando-o. Além disso, a carga de CO
2
 jogada na atmosfera através da 
fumaça é fator determinante na aceleração do efeito estufa. 
A destruição das Matas Ciliares que acompanham os leitos de muitos rios brasileiros é 
também fator de agressão aos solos. Essas matas são verdadeiros nichos de vida, além de proteger as 
regiões marginais da erosão. Quando devastadas, os solos perdem a proteção natural por ocasião das 
enchentes, assoreando os rios com os sedimentos transportados pelas chuvas. 
O uso indiscriminado de defensivos agrícolas, alguns deles proibidos nos países 
desenvolvidos, também agridem os solos. Os agrotóxicos penetram nos lençóis freáticos, são 
transportados para os rios e lagos e, muitas vezes, demoram muitos anos para deteriorar-se. 
http://www.coladaweb.com/biologia/ecologia/erosao
http://www.coladaweb.com/geografia/relevo
http://www.coladaweb.com/quimica/quimica-ambiental/lixo
http://www.coladaweb.com/biologia/ecologia/desmatamento
http://www.coladaweb.com/biologia/alimentos/agrotoxicos-o-veneno-nosso-de-cada-dia
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Por essa razão é que está avançando muito nos países desenvolvidos a chamada “agricultura 
orgânica”, onde se desenvolve a produção agrícola com uso de adubos e defensivos totalmente 
naturais. No Brasil, os produtos da agricultura orgânica já começam a ser desenvolvidos e ensaiam 
sua entrada no mercado através do selo “produtos orgânicos”, largamente defendidos pela área de 
saúde como mais apropriados para o consumo humano. Além disso, essa produção não agride o meio 
ambiente, sendo uma atividade ecologicamente correta. 
O problema é que, regra geral, pelo menos por enquanto, esses alimentos são mais caros que 
os convencionais. Em se tratando de país com uma população de baixo poder aquisitivo como a do 
Brasil, parece que tal virada está um pouco distante de acontecer. A verdade é que o conceito de que 
o mais caro pode, em médio prazo, sair mais barato, atrai consumidores. É simples: muitas vezes 
consomem-se produtos mais baratos e produzidos de forma inadequada, causando problemas à 
saúde, gastando-se posteriormente com remédios. 
O conceito de produção agropastoril, com atitude técnica de respeito ao ambiente, tratando-o como 
um organismo vivo que precisa ser preservado, está se difundindo no mundo globalizado. Hoje, os 
países estão preocupados com a forma como os alimentos importados são produzidos em seus países 
de origem. 
A questão ambiental assumiu um papel de suma importância nos critérios de negociação de compra e 
venda dos produtos agropastoris e seus derivados. A preservação dos solos, a maneira de tratar o 
ambiente e a forma de produzir alimentos parece, no conjunto, apontar para uma meta importante: o 
melhor remédio é o alimento saudável e a vida saudável depende do ambiente que se constrói. 
Importância Econômica, Ambiental e Social. 
A adoção da tecnologia de manejo florestal de baixo impacto em áreas de reserva legal pelos 
pequenos produtores apresenta impactos econômicos, ambientais e sociais positivos. No aspecto 
econômico, o produtor consegue no mercado um maior valor pela madeira manejada e certificada. 
Os impactos ambientais, levando em consideração as tecnologias utilizadas, apresentaram impactos 
positivos devido à melhoria dos indicadores, qualidade do solo, qualidade da água e da 
biodiversidade. 
Na avaliação dos componentes, a área de preservação permanente, reserva legal, solos e 
ecossistemas degradados apresentaram impactos ambientais positivos. Na avaliação dos impactos 
sociais observou-se que a inovação tecnológica proporcionou maiores oportunidades de emprego 
para as pessoas residentes na propriedade e moradores da localidade, com e sem qualificação (braçal 
e braçal especializado), principalmenteno período seco. 
No aspecto da geração da renda observou-se uma maior garantia na sua segurança, um 
moderado aumento na estabilidade e distribuição, além de um aumento significativo na renda na 
propriedade (atividade não agropecuária). A propriedade ficou mais valorizada devido aos 
investimentos em benfeitorias (casas, cerca, etc.) como também da conservação dos recursos naturais 
devido à preservação da reserva legal, fato que garante a produção da madeira certificada. Referindo-
se ao indicador “relacionamento institucional” observou-se o acesso à assistência técnica e o 
desenvolvimento do sistema associativismo/cooperativismo. 
 
 
 
 
 
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CONSERVAÇÃO DO SOLO NO BRASIL 
Histórico e situação atual 
 Até a década de 1960, aproximadamente, predominou no Brasil o regime colonial de 
exploração das terras, em pequenas áreas, em que o preparo mecânico do solo era pouco agressivo. O 
manejo do solo iniciava com a eliminação da vegetação nativa (mata ou campo), seguida de preparo 
mecânico com tração animal, semeadura manual ou com tração animal e terminava com a queima 
dos resíduos após a colheita. 
Nas poucas áreas em que o regime era empresarial, o manejo do solo já envolvia algum 
preparo com tração motorizada em que a queima dos resíduos culturais também era praticada após a 
colheita. Nessa época, o principal fator de degradação do solo era o fogo que deixava o solo 
descoberto e diminuía o teor de matéria orgânica. A compactação do solo era pouco evidente, a 
infiltração de água era relativamente alta e a erosão hídrica era menos intensa do que atualmente. A 
exploração florestal era pouco intensa nessa época, limitando-se a extração de madeiras para atender 
a demanda de energia e edificações e os restos vegetais eram deixados na superfície do solo para que 
fossem decompostos ou eram queimados. Essa forma de exploração das terras teve baixa influência 
no aumento da degradação do solo e da própria erosão. 
 Nessa época, os terraços agrícolas eram estudados com interesse nas Faculdades de 
Agronomia e o terraceamento era adotado nas lavouras. O cultivo em contorno fazia parte do sistema 
de manejo do solo, já que as operações de manejo acompanhavam as curvas dos terraços. 
Reconhecia-se a eficácia da cobertura do solo por resíduos culturais na infiltração de água no solo e 
na redução da erosão hídrica, segundo os trabalhos de Duley (1939) e de Ellison (1947). Apesar 
disso, a prática da cobertura do solo não era comum devido ao preparo mecânico que incorporava os 
resíduos ao solo e à queima que os eliminava. Nas pastagens naturais, a pressão de pastejo era baixa, 
a superfície do solo era mantida coberta com a sobra de forragem e o solo ficava protegido da 
pressão mecânica dos animais e das gotas de chuva. Assim, a degradação do solo era menos intensa 
do que é atualmente. 
 O reflorestamento era pouco expressivo nessa época, pois havia grande oferta de mata 
natural que atendia a demanda, além do pouco controle do poder público com relação ao 
desmatamento. O desmatamento era até estimulado para atender a chamada “abertura de fronteira 
agrícola”. Portanto, essa época se caracterizou, em termos gerais, pela forte dilapidação dos recursos 
naturais relativos à cobertura florestal no Brasil, mas ainda com baixo impacto negativo sobre a 
conservação do solo. 
 A partir da década de 1960 até a década de 1970, aproximadamente, nas lavouras do Brasil 
o solo passou a ser manejado com mais intensidade, as matas eram derrubadas e feita a destoca, 
mecanicamente e, posteriormente, a biomassa era amontoada em leiras e geralmente queimada. O 
preparo do solo em geral era feito com arados e grades (aradora, destorroadora e niveladora), e a 
semeadura com tração mecânica, com cujos preparos o calcário e os adubos fosfatados eram 
incorporados ao solo. Após a colheita, os resíduos culturais eram queimados. Os fatores de 
degradação do solo eram a desagregação mecânica pelo preparo e energia da chuva, a compactação 
do solo, a eliminação da biomassa pela queima e a degradação química ocasionada pelo calcário 
(precipitação do alumínio trocável). Como resultado, tinha-se elevadíssima erosão hídrica com 
profundo sulcamento do solo, resultando em assoreamento de rios e lagos, pelos sedimentos. 
 Nessa época, em geral era adotado o terraceamento agrícola, muito bem estudado nas 
Faculdades de Agronomia e, inclusive, em cursos de pós-graduação em Conservação do Solo 
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(mestrados) que já existiam. Adotava-se também o cultivo em contorno, por necessidade, pois, as 
operações de manejo do solo acompanhavam as curvas dos terraços. Estimulava-se a cobertura do 
solo por resíduos culturais para a redução da erosão hídrica, mas, apesar do conhecimento da eficácia 
da cobertura ela era ainda pouco comum devido ao preparo mecânico que incorporava os resíduos ao 
solo e à queima. Nas áreas de exploração pecuária, a pressão de pastejo já era mais intensa nessa 
época, resultando em baixa oferta de forragem. Com isso, a pressão sobre o solo era alta, 
compactando-o, a cobertura do solo era baixa e, o que diminuía a infiltração de água e aumentava a 
erosão. Assim, a degradação do solo pelo pastejo era mais intensa do que antes, especialmente em 
solos frágeis. 
 A partir da década de 1970, aproximadamente, o sistema tradicional de manejo de solo que 
utilizava arados e grades (preparo convencional – PC) foi substituído por um sistema que envolvia 
cobertura do solo por resíduos culturais e redução/eliminação do preparo mecânico (semeadura direta 
– SD). Com a adoção da SD diminuiu a erosão hídrica e os custos das lavouras em relação ao PC. O 
grande problema é a SD foi instalada em solo já degradado devido ao PC anterior, o que resultou 
numa série de vantagens e também de problemas. As vantagens foram redução da erosão e custos de 
produção, enquanto, os problemas eram principalmente devidos ao efeito residual no solo deixado 
pelo PC adotado anteriormente. Em parte dessas lavouras, parte ou toda a camada superficial do solo 
havia já sido perdida pela erosão durante o período de exploração com o PC. A área de cultivo em 
SD começou com cerca de 100 ha em 1969 em algumas lavouras em caráter experimental, 
inicialmente no Rio Grande do Sul e em seguida no Paraná e atualmente atinge aproximadamente 30 
milhões de há. 
 A redução da erosão hídrica foi uma das grandes vantagens da adoção da SD, comparada ao 
tradicional PC, do ponto de vista da conservação do solo. As perdas de solo eram diminuídas, 
inicialmente, em até mais de 90%, enquanto, as perdas de água o eram em menor magnitude. A 
cobertura do solo pelos resíduos culturais dissipava a energia cinética da chuva, mas, não a da 
enxurrada, o que concorria para a continuidade da erosão hídrica. No entanto, a continuidade da 
exploração do solo, cada vez mais intensa, com maquinaria cada vez pesada e com número cada vez 
maior de operações de manejo durante os cultivos, concorreu para o aumento da degradação do solo, 
principalmente por compactação. Isso resultou em infiltração e água cada vez menor e erosão hídrica 
cada vez maior, mesmo na SD. 
 A presença de resíduos culturais na superfície do solo mascarava a erosão que continuava a 
ocorrer, e aumentava, na SD, embora, ainda, em menor quantidade do que no PC, tornando-se um 
sério problema para a sobrevivência da SD. As perdas de água que eram altas na SD nunca foram 
consideradas como um problema, já que, aparentemente, a água “saía limpa” das lavouras. Isto era 
motivo para afirmações como “a erosão hídrica estava finalmente controlada nas lavouras do Brasil 
com o advento da SD”. Tais afirmações eram feitas por agricultores que não mais enxergavam 
erosão, por técnicos, inclusive agrônomos representantes de empresas de insumos variados e de 
cooperativas que, por desconhecimento do assunto, e/ou,para agradar os agricultores, afirmavam não 
mais existir erosão. Com isso, era mais fácil comercializar os insumos. Vendedores de máquinas 
agrícolas também afirmavam que os terraços eram um problema para o bom desempenho das 
mesmas na lavoura e, por isso, podiam ser eliminados, até porque, segundo eles, a erosão não mais 
existia. Com isso, era mais fácil comercializar as máquinas. A extensão rural oficial não mais atuava 
no Brasil em defesa do solo, e com isso, as afirmações feitas aos agricultores, de que a erosão já não 
era problema devido à eficácia da SD, passavam a ser a única verdade. 
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 A redução da erosão hídrica nas lavouras conduzidas em SD fez com que os agricultores 
aceitassem a idéia de que a cobertura do solo era suficiente para controlar a erosão, criando um clima 
favorável à eliminação dos terraços agrícolas e cultivo morro-a-baixo. Tal fato constitui-se 
atualmente no mais grave problema da SD no Brasil, do ponto de vista de conservação do solo. 
Acreditam os agricultores que os resíduos culturais têm, por si só, condições de controlar a erosão 
hídrica na SD. Segundo eles, isto ocorre independentemente do relevo, tipo e condições físicas do 
solo, tipo da SD, forma da semeadura em relação ao declive, características das chuvas, tipo, 
quantidade e forma de manejo de resíduo cultural, dentre outros aspectos. Devido à eliminação dos 
terraços, os agricultores passaram a efetuar a semeadura na direção de maior comprimento na 
lavoura, muitas vezes morro abaixo, quase nunca em contorno. Como consequência, as perdas de 
água e as perdas de solo são altas, às vezes tanto quanto as que ocorriam no PC. 
 A elevada erosão que ocorre em boa parte das lavouras em condição de SD no Brasil é 
relacionada, ainda, com as más condições físicas dos solos resultantes do manejo adotado 
anteriormente no PC. Em especial a compactação do solo denominada de “pé de arado” e “pé de 
grade” e, principalmente, a perda da camada superficial pela erosão anterior, limita a infiltração de 
água no solo e potencializa o escoamento superficial e a erosão. Esses problemas, em especial a 
perda da camada superficial do solo herdada do PC, não são resolvidos pela SD e, por isso, a erosão 
continua. 
 A aparente eficácia de controle da erosão hídrica do solo pela SD gera outro sério problema. Os 
estudantes não se interessam em estudar erosão hídrica, tanto na graduação (Agronomia) quanto, na 
pós-graduação (PG - Ciência do Solo). Nos cursos de PG, especialmente, esse problema é 
amplificado também pelo desinteresse de muitos professores orientadores. Ao programar planos de 
estudo de seus orientados, não contemplam a disciplina de Uso e Conservação do Solo. Em muitos 
casos, tal desinteresse pelos orientadores advém de sua própria formação, os quais, apesar de serem 
Drs. em Ciência do Solo, nunca estudaram conservação do solo e, por isso, não estão preparados para 
orientar adequadamente seus orientados. 
 Como conseqüência, a partir da década de 1980, aproximadamente, em muito se reduziu o 
contingente de profissionais habilitados e interessados no problema da conservação do solo e, em 
especial, na erosão hídrica do solo no Brasil. Com isso, criou-se uma cadeia negativa sobre o 
assunto, em que cada vez menos se estuda o tema e, com isso, cada vez menos se sabe sobre ele. O 
pouco conhecimento sobre erosão gera inabilidade para o entendimento do fenômeno e, com isso, a 
incapacidade para reconhecer a ocorrência de tal fenômeno na prática. 
 A desmotivação para o estudo de conservação do solo, em especial de erosão hídrica, nessa 
época, criou problema também para a pesquisa. A maior parte dos pesquisadores que pesquisava 
erosão do solo migrou para pesquisar outros temas. Muitos passaram a estudar e pesquisar a SD, 
simplesmente relacionando o sistema a vários aspectos do solo e da planta, menos à erosão. 
Pouquíssimos cientistas de Ciência do Solo dedicam-se atualmente a estudar o comportamento da SD 
com a erosão. Como conseqüência, praticamente inexiste informação sobre quantificação de 
infiltração de água no solo e de perdas de água, solo, nutrientes e carbono orgânico pela erosão 
hídrica gerada na SD no Brasil. 
 Ao analisar a eficácia da SD em controlar a erosão e em conservar o solo, esquecem-se, a 
maioria, de que o sistema foi implantado sobre condições de solo já degradado pela erosão anterior e, 
acima de tudo, é conduzido inadequadamente em diversos aspectos. As principais deficiências na 
condução da SD são as seguintes: ausência de uma rotação de culturas adequada; deficiência de 
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resíduos culturais para cobrir o solo; falta de terraceamento e ausência de cultivo em contorno por 
falta dos terraços; tráfego excessivo de máquinas com elevada umidade e ausência de preparo 
mecânico com conseqüente compactação; dentre outras. 
 A elevada perda de água por erosão atualmente na SD na maior parte das lavouras do Brasil é 
responsável também por expressiva perda dos nutrientes de plantas; carbono orgânico; e pesticidas. 
Neste sistema de manejo, os produtos químicos tendem a se concentrar mais na superfície do solo do 
que no PC. Os adubos são depositados em superfície, os resíduos culturais permanecem na superfície 
e o solo não é revolvido. Em especial, o fósforo, o potássio e o carbono orgânico, tanto adsorvidos 
aos sedimentos quanto solúveis na água, são perdidos em altas quantidades pela erosão (Bertol et al., 
2007; Barbosa et al., 2009). Especialmente o fósforo é causador de eutrofização das águas em 
mananciais, principalmente em ambientes lênticos. 
 Nas áreas de pastagens cultivadas, a situação é dramática na maioria dos casos. Os solos, parte 
deles marginais do ponto de vista de aptidão para esse tipo de exploração intensiva, estão 
verdadeiramente sucumbindo aos efeitos da degradação. Tal degradação tem origem na excessiva 
carga animal que consome demasiadamente a biomassa aérea deixa o solo descoberto. A elevada 
pressão mecânica pelos animais pulveriza o solo na superfície e o compacta, tornando a infiltração de 
água no solo muito inferior à chuva (Bertolet al., 2008). Assim, criou-se um vicioso ciclo, em que o 
solo é degradado pela compactação e erosão, levando à degradação da pastagem o que, por sua vez, 
acelera a degradação do solo. 
 Com o aumento expressivo da área cultivada com florestas, os solos apresentam elevada 
erosão hídrica principalmente nas fases de plantio e colheita e nas estradas internas, principalmente 
quando o plantio é feito morro abaixo, com sulcamento do solo. Acrescente-se a isso, o fato desse 
sistema de uso do solo ser implantado e conduzido geralmente em áreas com maior declive do que as 
de lavouras e pastagens, em muitos casos inclusive em áreas íngremes. 
 Essa é a situação em que se encontra atualmente a conservação do solo no Brasil, na maioria 
das áreas de lavoura, pastagem e reflorestamento. No caso das lavouras, a conservação do solo é 
dependente quase que exclusivamente do sistema SD, na maioria das vezes inadequadamente 
implantada e conduzida e, portanto, sem condições de efetivamente controlar eficazmente a erosão 
do solo. A ocorrência de eventos de chuva, cada vez com maior intensidade e volume, devido, em 
parte, às mudanças climáticas, concorre para potencializar a erosão, mesmo na SD. Isto torna difícil a 
sustentabilidade desse sistema de manejo do solo, na forma como comumente é adotado e conduzido 
pelos agricultores, pecuaristas e reflorestadores, sem a adoção de práticas complementares de 
controle do escoamento superficial e da própria erosão. 
ATIVIDADES 
01 – Explique quais são as causas da degradação do solo. 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________02 – Como o fogo pode atuar na degradação do solo? 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
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03 – Quais são as principais vantagens do plantio direto em relação ao plantio convencional? 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
O que esperar para o futuro 
 A conservação do solo no Brasil não é satisfatória, embora seja muito melhor do que há 
algumas décadas, em especial, a situação é melhor quanto às perdas de solo por erosão hídrica nas 
áreas de lavouras submetidas à SD. Constata-se que vários problemas estão envolvidos e concorrem 
para a situação ainda indesejável, os quais necessitam ser resolvidos para avançar na conservação do 
solo e da água. Seguramente, o caminho é continuar avançando nos sistemas de manejo 
conservacionista, tanto em áreas de lavoura, quanto de pastagens e reflorestamento. Em especial, é 
necessário haver maior preocupação com o ambiente como um todo, minimizando os impactos de 
qualquer forma de erosão fora do seu local de origem. De qualquer modo, não é tarefa fácil fazer 
uma projeção para o futuro. Para isso, é necessário saber-se, com certo grau de certeza, o que se deve 
e o que se pretende fazer, efetivamente, em termos de manejo e conservação do solo em médio e 
longo prazo. Um sistema de manejo que envolva cobertura plena do solo combinada com a prática de 
terracemaneto agrícola em semeadura direta (Figura 3), é desejável e recomendável para controlar 
adequadamente a erosão, conservar o solo e potencializar a produção. 
 Um dos problemas que tem que ser solucionado com urgência se refere à formação de 
recursos humanos na área de conservação do solo. Há uma clara deficiência relacionada ao estudo 
desse tema, tanto em nível de graduação nas Faculdades de Agronomia, quanto em nível de pós-
graduação nos cursos de mestrado e doutorado em Ciência do Solo. O assunto é tratado de maneira 
muito diversa, além de pouco e, às vezes nem mesmo é estudado na graduação, enquanto, na pós-
graduação há um notório desinteresse em estudá-lo. Para solucionar tal problema, é necessária uma 
consciência dos programadores de grade curricular nos cursos de graduação e uma efetiva orientação 
dos alunos por parte dos orientadores nos cursos de pós-graduação. Só assim se poderá suprir a 
deficiência de profissionais habilitados e comprometidos com a conservação do solo e da água, em 
médio e longo prazo. É inaceitável que se conceda o título de Dr. em Ciência do Solo a alguém que 
não tenha cursado uma única disciplina relacionada à conservação do solo e da água. Deve-se ser 
lembrado aqui, mais uma vez, que, o assunto erosão do solo faz parte intrínseca da conservação do 
solo e, por isso, o aluno de pós-graduação não pode deixar de estudá-lo, de maneira completa. A 
deficiência de quantidade e de qualidade de cientistas conservação do solo no Brasil gera outro 
problema sério, qual seja a falta de disponibilidade e de competência desses profissionais para avaliar 
projetos e propostas de pesquisa encaminhadas às agências financiadoras e para avaliar artigos 
científicos submetidos aos periódicos para publicação. Isto prejudica a geração e a difusão do 
conhecimento acerca do assunto. Portanto, atrasa e prejudica o avanço científico nesse campo do 
conhecimento. 
 Outro problema no qual se tem que investir é na quantidade e qualidade das pesquisas na área 
de uso e conservação do solo e da água. É necessário implantar e desenvolver programas de pesquisa 
de longa duração, envolvendo também a erosão do solo. Infiltração de água no solo; perdas de água, 
sedimentos minerais e orgânicos; e de produtos químicos solúveis na água e adsorvidos aos 
sedimentos (nutrientes e pesticidas) provenientes da erosão hídrica, devem ser quantificadas. É 
60 
 
importante centrar essas pesquisas em sistemas SD, no caso das lavouras; em sistemas de manejo 
intensos, no caso de cultivos de espécies hortícolas; em sistemas de uso e manejo com pastagens; e 
em sistemas de exploração florestal. Também, é necessário quantificar a real capacidade das 
diferentes culturas em produzir biomassa vegetal, tanto de resíduos na sua parte aérea quanto de 
raízes; e quantificar a persistência temporal de tais resíduos quando mantidos na superfície do solo, 
na SD. 
 Um terceiro problema diz respeito ao repasse de conhecimentos gerados pela pesquisa aos 
usuários finais, os trabalhadores da terra. Essa tarefa deve ser desempenhada pela extensão rural, que 
deve ser e estar totalmente desvinculada de interesses outros que não sejam os de orientar, 
recomendar e fazer-se cumprir as práticas e modelos conservacionistas comprovadamente eficazes 
para a efetiva conservação do solo e da água. Mais uma vez aqui vale lembrar que a conservação do 
solo e da água implica em não somente reduzir a erosão, mas, criar também ambiente e condições 
favoráveis para que as culturas e, ou, as explorações pecuárias e florestais maximizem seu potencial 
produtivo. Isso deve ser feito com um mínimo de degradação do ambiente como um todo. 
 Um quarto problema, adicional aos demais, também deverá ser atacado pelos cientistas de 
solo e pela extensão rural deste país, qual seja, o de interferir em decisões políticas que possam 
nortear as questões de conservação do solo e da água. Inquestionavelmente, o uso dos meios de 
comunicação é fundamental para isso, para poder realizar-se a divulgação de acontecimentos ligados 
à conservação do solo, sejam congressos, simpósios ou simplesmente reuniões técnicas. É 
fundamental que a população em geral tome conhecimento das consequências da aplicação, e 
também da não aplicação, dos conhecimentos de Ciência do Solo, na situação ambiental atual que se 
presencia. A Sociedade Brasileira de Ciência do Solo deverá ser a principal difusora disso no país e, 
por isso, deverá conquistar e ocupar espaço na mídia brasileira. Dessa forma, aos poucos se poderá 
criar uma consciência conservacionista na população em geral e, por extensão, no meio político. 
Contudo, sabe-se que isso tudo só poderá ser conseguido lentamente e com muito esforço, o que 
deverá demandar médio ou longo prazo. 
 Erosão do solo 
 1. Conceito - Essencialmente é um processo de desgaste da superfície e/ou arrastamento das 
partículas do solo por agentes, tais como a água das chuvas (hídrica), ventos (eólica), gelo (mudanças 
de temperatura), ou outro agente geológico, incluindo processos como o arraste gravitacional. 
2. Importância Degradação de solos agrícolas; Assoreamento de cursos e reservatórios de água; 
Perda de produtividade dos solos agrícolas. 
 
Erosão geológica X Erosão acelerada 
 Erosão geológica: processo lento, responsável pela modelagem do relevo da crosta 
terrestre com seus vales, rios, montanhas, planícies, planaltos e deltas. É um processo construtivo, 
não influenciado pelo homem, onde as taxas de formação superam as taxas de remoção do solo. 
 Erosão acelerada: processo rápido e destrutivo e iniciado pelo próprio homem, onde as 
taxas de remoção superam as taxas de formação ou gênese dos solos. Em escala mundial, a erosão 
promovida por atividades não agrícolas, tais como a construção civil, mineração, etc... é 
insignificante, interferindo em uma pequena parte da superfície terrestre. Por outro, a agricultura, por 
ser tão amplamente distribuída e potencialmente alterar a velocidade dos processos erosivos, torna-se 
muito mais importante.Quase todas as operações agrícolas são intensificadoras do processo erosivo. 
A retirada da cobertura vegetal expõe a superfície do solo e propicia condições para que os ventos e 
61 
 
água atuem de forma mais direta pela não absorção dos impactos das gotas de chuva, eliminação de 
obstáculos à movimentação dos ventos e favorecimento do escoamento superficial formando 
enxurradas, acentuando ainda mais o processo erosivo. O cultivo do solo contribui ainda mais por 
desagregá-lo, favorecendo a individualização das partículas ou a diminuição do tamanho dos 
agregados, facilitando, a movimentação destes pelos ventos e água. 
 Agentes de erosão 
 Os principais agentes de erosão são a água e os ventos, contudo outros podem atuar: 
 Ventos: A ação dos ventos ocorre pela abrasão de partículas de rochas e solo em 
suspensão. 
 Água: É o mais importante agente de erosão atuando através das chuvas, riachos e rios 
pelo impacto ou carreamento do solo. As ondas também atuam erodindo as margens de da costa 
litorânea, de lagos e rios. 
 Mudanças de temperatura: Quando considerado como agente de erosão geológica é 
perceptível somente quando se considera longo período de tempo, como por exemplo, as fraturas 
geradas nas rochas. Estas fraturas tendem a ser superficiais nas variações de temperatura entre o dia e 
noite, enquanto são mais profundas quando originadas das alternâncias entre o verão e inverno. 
 Biológico: Alguma destruição pode ser causada por organismos tais como liquens e 
musgos sobre as rochas. Contudo os efeitos principais das alterações promovidas por organismos 
estão relacionados à aceleração da atuação de outros agentes como a água e os ventos. 
Limites aceitáveis de erosão 
 A erosão geológica é um processo natural sendo qualitativa e quantitativamente 
aceitável. Porém, o que pode ser normal quando se considera o homem intervindo nos agros 
ecossistemas, visando à produção sustentável de alimentos? O limite a ser considerado deve ser a não 
existência de processos erosivos, pois se entende que os sistemas agrícolas sejam tecnicamente 
conduzidos, permitindo a estabilidade física, química e biológica do solo, viabilizando a produção 
agrícola perpétua de alimentos. 
TIPOS DE EROSÃO 
 A água que não consegue infiltrar na terra arrasta as partículas superficiais do solo, 
fazendo sulcos, enxurradas, voçorocas, arrastando grandes quantidades de terra juntamente, as 
sementes, plantas, defensivos agrícolas, adubo, calcário, etc., depositando posteriormente em 
pequenas depressões no solo, assoreando rios e mananciais. 
 O processo erosivo pode ocorrer pela ação das águas das chuvas (erosão pluvial), pelos 
ventos (erosão eólica), água do mar (erosão marinha), água dos rios (erosão fluvial) e palas geleiras 
(erosão glacial). 
 A primeira ação da chuva nos solos sem cobertura vegetal se dá pelo impacto das 
gotas de chuva, que desagregam os torrões do solo e levam o material mais fino para longe. A força 
do impacto das gotas de chuva também diminui a porosidade do solo, o que é chamado de selagem. 
A selagem aumenta o fluxo superficial da água e a erosão. 
 As condições físicas e químicas do solo, ao conferir maior ou menor resistência à ação 
das águas, tipificam o comportamento de cada solo exposto a condições semelhantes de topografia, 
chuva e cobertura vegetal (BERTONI e LOMBARDI NETO, 1995, p. 61). 
 A erosão pode ocorrer com o transporte uniforme das partículas pelas águas pluviais ou 
com a formação de canais definidos, que podem se tornar voçorocas. Mas as voçorocas também 
podem ser formadas devido à ação das águas subterrâneas. É necessário considerar as características 
62 
 
físicas dos terrenos (tipo de solo, declive, hidrografia); o e modo a preservar os solos da erosão 
hídrica. 
 A erosão hídrica é a mais comum nas áreas agricultáveis, pois com a ação da água das 
chuvas em contato com um solo desprotegido, ou seja, sem cobertura vegetal, causará danos 
chegando ao estágio irreversível. 
 Nos casos brasileiros e paranaenses, a erosão hídrica é a mais importante. Naturalmente 
ocorre erosão, mas a erosão causada pelas atividades humanas pelo uso do solo é muitas vezes maior. 
 Onde o volume de enxurrada é mais concentrado, o fluxo de água corta mais profundamente 
dentro do solo, aprofundando e coalescendo os sulcos em canais maiores chamados de voçorocas. 
Voçorocas em terrenos cultivados são obstáculos para tratores e não podem ser removidos por 
práticas normais de cultivo. 
De acordo com Guerra, 2009: 
 O processo se inicia, quase sempre, através do escoamento superficial difuso (erosão em 
lençol), passando pela concentração dos fluxos (erosão em ravinas), que pode evoluir para um 
escoamento mais concentrado, chegando a formar voçorocas, que são incisões mais profundas no 
solo, chegando à maioria das vezes a atingir o lençol freático (GUERRA, 2009, p. 20). 
 Os três tipos de erosão são importantes, mas a erosão laminar e em sulcos, apesar de menos 
aparente que as voçorocas, são responsáveis pela maior parte do solo movimentado. 
Com base no grau de erosão, pode ser classificada em: Erosão laminar ou linear; Erosão em sulcos e 
Erosão em voçorocas. 
 A erosão laminar é aquela que ocorre em toda a área, caracterizada pelo arraste de uma 
camada muito fina e uniforme do solo, - a forma mais perigosa de erosão. Uma vez não percebida 
logo no início, é notada somente quando atinge um grau elevado, ou seja, após descobrir as raízes 
das plantas. "É a remoção de solo de uma área inclinada em camadas finas […] o ressecamento e a 
lavagem da encosta são formas de erosão laminar" (ARAUJO, 2010, p. 88). 
 A erosão em sulcos é formada pela canalização do escoamento das águas na superfície do 
solo. Erosão que forma valas ou sulcos no terreno, sendo facilmente percebida. 
Na erosão entre sulcos, a desagregação das partículas de solo é ocasionada pelo impacto das gotas de 
chuva, sendo que o transporte, o qual poderá ser para dentro dos sulcos, se deve ao salpica mento 
provocado pelo impacto das gotas combinado ao fluxo laminar turbulento do escoamento superficial. 
 Esta forma de erosão é originada em pequenos sulcos que se formam em decorrência do 
escoamento superficial, marcas das operações de preparo e nas depressões naturais do terreno. 
Quando a água se concentra em determinados sulcos do terreno, atinge grande volume de fluxo e 
pode transportar maior quantidade de partículas formando ravinas na superfície. Estas ravinas podem 
rapidamente atingir a alguns metros de profundidade. 
 O Ravinamento 
 É a remoção de solo pela água por canais visíveis ou canaletas muito pequenas, mas bem 
definidas, onde há concentração do fluxo sobre o solo. As ravinas, geralmente, são mais sérias do 
que a erosão laminar porque as velocidades do escoamento superficial (Runoff) são mais altas nas 
ravinas ou canais. (ARAUJO, 2010, p. 88) 
Em estágios mais avançados, favorece o aparecimento de voçorocas. Erosão em voçorocas é a que 
ocorre em valetas profundas, podendo atingir metros de profundidade e comprimento. Aparecem 
geralmente nos terrenos arenosos e porosos. Em estágios avançados, são de difícil recuperação. 
63 
 
 A erosão por voçorocas é causada por fatores ligados ao solo, as propriedades do solo que 
condicionam a formação de voçorocas são em relevos abruptos entre os horizontes superficiais e sub 
superficiais, fluxo sub superficial, argila altamente dispersível, e uma fraca estrutura do solo. Por 
exemplo, atividades agrícolas, desmatamento, queimadas, pastoreio, construção de estradas, trilhas, 
drenos mal dimensionados,e outras estruturas de engenharia que provocam a concentração da 
enxurrada. 
 Na maioria dos casos, voçorocas são formadas pelo aprofundamento de sulcos e 
desmoronamento das paredes. Quando chove, parte da água da chuva infiltra e parte dela escoa, 
dependendo da umidade do solo, da declividade e do volume de chuva. 
 As voçorocas podem não ser tão significativas como as ravinas, em termos de quantidade 
total de solo erodido, mas podem ser bastante destrutivas em termos de danos a rodovias, aterros, e 
bacias hidrográficas. Elas são difíceis de ser controladas e retiradas […] o desgaste contínuo da base 
da voçoroca leva ao seu aprofundamento e alargamento, enquanto o desgaste das cabeceiras prolonga 
o canal para áreas ainda não atingidas pela voçoroca (ARAUJO, 2010, p. 89-90). 
 A declividade do terreno é um fator fundamental no processo erosivo, quanto maior for a 
elevação do terreno maior será a velocidade de escoamento da água provocando a erosão pela 
enxurrada. “Portanto, mais graves serão os danos causados pela erosão, podendo inclusive ocasionar 
sulcos ou voçorocas” (EMBRAPA, 2003, p.16). 
 As atividades praticadas no meio rural (tanto agricultura como pecuária) podem ser as 
responsáveis diretas por transformações no relevo de uma determinada área, causando não só danos 
às encostas e planícies, mas também, a partir dos transportes dos sedimentos, mudança na qualidade 
e quantidade de água dos rios, lagos, e reservatórios, tornando-os mais rasos, podendo chegar, 
inclusive, ao assoreamento total desses corpos líquidos (GUERRA, 2009, p. 34). 
 
DEGRADAÇÃO DOS SOLOS AGRICOLAS 
 
 A degradação do solo pode ser definida como uma perda ou redução desta energia do 
solo. O conceito de degradação de terras “se refere à deterioração ou perda total da capacidade dos 
solos para uso presente e futuro” (FAO, 1980). Tais perdas ocorrem principalmente por causa das 
principais formas de erosão (pelo vento e pela água) e das deteriorações química e física (ARAUJO, 
2010, p. 23-24). 
 A degradação do solo afeta em primeiro lugar a capacidade produtiva de um ecossistema, 
em segundo, afeta o clima do planeta através de alterações no equilíbrio da água e da energia e 
modificações nos ciclos de carbono, nitrogênio, enxofre e outros elementos. O impacto na 
produtividade agrícola, no meio ambiente e a degradação do solo provocam instabilidade econômica, 
afetam a sociedade aumentando a taxa de desmatamento, intensificando o uso de terras frágeis, 
acelerando a enxurrada e a erosão do solo, aumentando a poluição de cursos de água e a emissão de 
gases que provocam o efeito estufa. 
 A modificação dos sistemas naturais pela atividade humana origina as “áreas alteradas”, 
que podem ter sua capacidade de produção melhorada, conservada ou diminuída em relação ao 
sistema. Assim sendo, a alteração de uma área não significa necessariamente sua degradação. 
Contudo, se essa alteração ocorre acompanhada de processos que levam à perda da capacidade 
produtiva do sistema, diz-se que as áreas estão degradadas. Normalmente, o processo de degradação 
64 
 
das terras está relacionado à própria degradação dos solos, embora, outros fatores, como a prática de 
manejo inadequada, também possam ocasioná-la (EMBRAPA, 2003, p. 11). 
 A superfície dos solos usados na agricultura era naturalmente coberta pela vegetação 
típica do local. Em regiões onde existia vegetação e de forma densa e diversificada, o impacto da 
chuva era amenizado, porque a velocidade da água diminuía com os obstáculos, as próprias espécies 
vegetais formam as barreiras. Além disto, os variados tipos de raízes davam sustentação ao terreno. 
Até as raízes mortas participavam do processo, pois formavam canais por onde água escorria para as 
camadas mais profundas do solo. 
A atividade agrícola sem as técnicas adequadas traz prejuízos ao meio natural, o desflorestamento de 
áreas extensas para ser ocupadas por plantações alteram as características da vegetação natural e 
podem interferir nos fatores de absorção de água pelo solo. A agricultura extensiva sem os devidos 
cuidados e técnicas adequadas, é, portanto, mais um fator que colabora para a formação de erosão 
hídrica.“O uso inadequado e intensivo de áreas exploradas pelas atividades antrópicas, tem 
proporcionado um declínio importante da fertilidade natural dos solos” (CORDEIRO, 2004). 
 O solo está sujeito a diversos processos de degradação, em sua maioria estreitamente 
ligada à agricultura: trata-se da erosão pela água, os ventos e a mobilização dos solos; da 
compactação; da perda de carbono orgânico e de biodiversidade dos solos; da salinização; da 
contaminação dos solos por metais pesados, pesticidas, nitratos e fosfatos. 
 O principal efeito da degradação do solo agrícola de acordo com Araujo (2010, p. 29): 
 É o declínio na produtividade ou uma necessidade crescente do aporte de nutrientes para 
manter as produtividades, uma vez que “os subsolos geralmente contem menos nutrientes do que as 
camadas superiores, sendo necessários mais fertilizantes para manter a produtividade das culturas. 
Isso, por sua vez, aumenta os custos de produção. Além do mais, a adição somente de fertilizantes 
não pode compensar todos os nutrientes que se perdem quando a camada superior erode”. 
 Entre os fatores causadores degradação está o declínio da estrutura do solo, compactação, 
redução da capacidade de infiltração, redução de matéria orgânica e da biomassa e patogênese do 
solo. A degradação do solo por diferentes processos resume-se pela má utilização da terra e pelos 
métodos de manejo inviáveis do solo. 
 Em qualquer cultivo sempre ocorre uma degradação do solo. Existem solos que são mais 
propícios ao adensamento, à formação de grumos no solo, como exemplo, os solos de Terra Roxa, já 
terrenos arenosos o adensamento dificilmente se determina, porém são solos mais porosos onde 
reage bem a adubação, a conservação da água e um enraizamento abundante. 
 
Um solo argiloso, composto por mais micro poros, o que lhe proporcionaria uma infiltração 
mais lenta, portanto, com um escorrimento maior da água das chuvas, porém com mais resistência ao 
desprendimento de suas partículas. (BERTONI e LOMBARDI NETO, 1999). 
 Um solo adensado a penetração de água é dificultada a adubação não reage 
satisfatoriamente, e os riscos climáticos facilitam a perda da bioestrutura desse solo. Durante as 
precipitações surgem o efeito de compactação, dependendo das propriedades dos solos, da frequência 
e intensidade das chuvas. No estado do Paraná são perdidos 15 a 20 t ha-1 de solo, por ano, em áreas 
intensivamente mecanizadas. 
 Cerca de 1,5 bilhão de hectares (aproximadamente 10% da superfície terrestre), já foram 
irreversivelmente degradados pelo processo de erosão, o qual é geralmente ativado e acelerado pelo 
inadequado uso e manejo do solo. A produtividade agrícola em aproximadamente 20 milhões de 
65 
 
há/ano é reduzida a zero ou pelo menos se torna economicamente inviável devido à erosão do solo e 
degradação induzida pela erosão. 
 
ATIVIDADES 
01 – O que é erosão do solo? 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
02 – Quais são os principais agentes de erosão? 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
03 – Quais são os tipos de erosão? 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________EFEITO DA COMPACTAÇÃO NO CRESCIMENTO DE PLANTAS 
Efeito da pressão externa no crescimento radicular 
 Quando uma raiz encontra um poro no solo cujo diâmetro é menor que o seu, só prosseguirá se 
expandindo se for capaz de exercer pressão suficiente para dilatar o poro ou então, terá que diminuir 
seu diâmetro o suficiente para passar através dele. Parece que, na realidade, o diâmetro da raiz, 
quando ela encontra tais obstáculos, aumenta ao invés diminuir. 
 A penetração diminui com a diminuição do diâmetro do tubo; este fato pode ser interpretado 
como uma resposta ao aumento da resistência do meio. A resposta das raízes ao impedimento 
mecânico se resume, essencialmente, à pressão que a raiz precisa exercer para aumentar sua 
dimensão ou criar novos poros. 
A) Pressão mínima à elongação radicular 
 O balanço de forças externas e internas são responsáveis pelo crescimento radicular, e a raiz 
pode exercer pressões de até 0,9 a 11,3 MPa contra as paredes dos poros do solo. O que interessa, 
entretanto, não é a pressão máxima que a raiz pode exercer, e sim qual a pressão imposta pelo meio 
que reduz consideravelmente a elongação radicular. 
B) Efeito da pressão na ramificação e distribuição das raízes 
 O tamanho ótimo de um agregado após o preparo do solo varia com a cultura anterior, com o 
preparo e com a quantidade de água (via chuva ou irrigação) durante seu período de crescimento. O 
papel que os agregados do solo têm no crescimento das raízes está relacionado, em parte, com o grau 
de penetração das raízes no seu interior. 
 Como a compactação provoca diminuição no tamanho dos poros, a ponto de impedir a 
passagem da raiz principal, a planta lança mão de mecanismo de defesa via expansão de raízes 
laterais com diâmetros adequados para passar pelos poros. Essas raízes laterais parecem responder à 
imposição de obstáculos mecânicos de maneira muito semelhante à principal. Assim, se o obstáculo 
66 
 
é imposto a ambas, todo o sistema se tornará definhado e, nessas condições ficará inteiramente 
coberto por pêlos radiculares. 
 Se houver obstáculo apenas à raiz principal, proliferam-se as laterais, formando uma 
configuração de sistema radicular muito denso e raso que, em condições de campo, dificilmente 
sobrevive a um período de seca. Em condições de laboratório, a planta pode sobreviver, absorver 
nutrientes, crescer e produzir como a que vive sem problemas de obstáculos físicos. Pode-se concluir 
que uma planta vivendo em solo com alta resistência sofrerá séria restrição ao crescimento quando o 
suprimento de água e nutrientes for escasso. 
Efeitos mecânicos em condições de campo 
Em condições de campo, a raiz da planta pode se desenvolver em solos cujo arranjamento 
espacial de partículas sólidas e vazios seja uniforme ou naqueles cuja estrutura sofra 
descontinuidade. A porcentagem de espaços vazios no volume do solo e, especialmente, seus 
aspectos geométricos, como número, tamanho, forma, distribuição, direção, continuidade e conexão 
são bastante relevantes para o desenvolvimento radicular (Magalhães, 1990). 
 A) Solos com estrutura uniforme 
A presença dos macropóros permite às raízes atravessarem camadas de solos que seriam 
normalmente impenetráveis e terem acesso a um reservatório maior de água e nutrientes móveis. Os 
macropóros não são apenas fisicamente diferentes dos demais poros, pois podem ser ricos em 
microrganismos, sendo as raízes que neles crescem beneficiadas de várias maneiras, através de 
simbioses com liberação de nutrientes (Passioura, 1991). 
 Muitas raízes laterais podem se proliferar numa planta se desenvolvendo em solo com poros 
menores que o diâmetro da raiz principal. Sendo assim, os dois tipos de raízes, num mesmo tempo, 
poderão estar explorando volumes de solos que apresentem condições diferentes de umidade, 
nutrientes ou mesmo toxicidade. Prevalecendo condições adversas para o pleno desenvolvimento das 
raízes, poderá haver absorção deficiente de água e nutrientes, com prejuízos para o crescimento da 
planta. 
 Quando um solo é compactado, o diâmetro dos poros grandes é reduzido, a resistência 
mecânica aumenta e a aeração pode-se tornar deficiente. Estes três fatores podem agir de maneiras 
diferentes para cada situação (Booneet al., 1985) 
 Há que se ressaltar que o impedimento mecânico não é a única maneira pela qual a umidade 
influi no crescimento radicular em solos compactados. A concentração de oxigênio também tem 
efeito no crescimento radicular em níveis baixos de compactação (Hopkins & Patrick, 1970). 
Entretanto, a níveis altos, a concentração do oxigênio tem pouca influência, visto ser a resistência 
mecânica que praticamente controla o crescimento das raízes. 
B) Solos com descontinuidades estruturais 
 Os solos não apresentam normalmente, vazios de tamanho e formas uniformes, mas sim 
descontinuidades estruturais dentro do seu perfil, as quais constituem ambientes bem diferentes à 
expansão radicular. Assim, podem apresentar rachaduras verticais, unidades estruturais muito 
desenvolvidas e camadas horizontais altamente endurecidas (pans). Rachaduras verticais são planos 
verticais de fraqueza na massa do solo que, apresentando resistência zero ao crescimento, causam 
uma concentração radicular nessa região. Unidades estruturais altamente desenvolvidas podem 
apresentar um padrão de densidade e aeração diferente da massa do solo, podendo motivar um 
crescimento radicular distinto entre as unidades e dentro das unidades. 
 
67 
 
Resposta das plantas a compactação do solo 
 A resposta à compactação das principais plantas cultivadas ainda é um campo que permanece 
cheio de dúvidas. Uma revisão razoável para milho, tomate, batata, beterraba e algodão foi feita por 
Rosenberg (1964). Notou-se que uma leve compactação foi benéfica às culturas, quando comparada 
ao solo extremamente solto e desagregado. Entretanto, em níveis mais elevados, a compactação 
promoveu efeitos prejudiciais às plantas, tais como germinação e brotação mais lentas, redução no 
estande, menor peso e altura por planta e menor produção por área. 
Outros efeitos 
 Além dos efeitos nos atributos físicos do solo, observa-se que a compactação pode predispor o 
ambiente a algumas injúrias normalmente não esperadas e devidas a herbicidas, fungicidas ou 
inseticidas. O efeito da compactação nas injúrias causadas por herbicidas de longo efeito residual, 
como a trifluralina, pode ajudar a explicar os sintomas que aparecem em plantas cultivadas em 
rotação, quando o herbicida foi utilizado na cultura anterior para controle de gramíneas. Se o preparo 
do solo para o plantio de cultura em sucessão for realizado em condições de solo úmido, o que pode 
ocorrer num ano em que as chuvas atrasem, e o cronograma de execução das operações agrícolas não 
podendo ser seguido à risca, o solo pode ficar compactado e os sintomas de fitotoxicidade pelo 
herbicida podem aparecer. Se, por outro lado, o solo tivesse sido preparado em condições 
favoráveis de umidade, uma mesma dose residual do produto não teria causado injúrias ao sistema 
radicular da cultura. 
 A compactação pode aumentar também a severidade de sintomas de algumas doenças. Quando 
as condições ambientes previnem a expressão total das doenças, a compactação pode ajudar a 
diferenciar cultivares resistentes de suscetíveis. Um exemplo clássico é a podridão das raízes de 
soja, causada por Phytophtora megasmperma f.sp. glycinea, cuja incidência aumenta enormemente 
em solos compactados (Fulton et al., 1961). Moots et al. (1988) notaram que o aparecimento da 
podridão e o número de plantas mortas aumentou com a compactação de um molissolo, enquanto a 
massa das sementes e o número de plantas emergentes diminuiu. Em um dos anos avaliados, 1983, 
os autores notaram que no solonão compactado, apenas uma cultivar, considerada suscetível, teve 
uma incidência da doença significativamente superior às outras cultivares. Por outro lado, no solo 
compactado, a doença se manifestou também em outra cultivar suscetível. 
Persistência da compactação 
 Uma camada compactada é mais persistente quanto maior for a profundidade em que ela se 
encontra. Dependendo de fatores pedogenéticos do solo (expansão e contração de argilas do grupo 
2:1), fatores climáticos (congelamento e degelo), atividade biológica de microrganismos e sistema 
de manejo adotado, há variação na persistência da compactação nos solos (Hakansson & Reeder, 
1994). 
Sintomas de solos compactados 
No solo 
Presença de crostas: Aparecimento de trincas nos sulcos de rodagem do trator; Zonas endurecidas 
abaixo da superfície do solo; Empoçamento de água; Erosão pluvial excessiva; Presença de resíduos 
vegetais parcialmente decompostos muitos meses após sua incorporação; Necessidade de maior 
potência das máquinas de cultivo. 
Na planta 
Baixa emergência das plantas; Variação no tamanho das plantas; Folhas amarelecidas. 
 
68 
 
Considerações finais: 
Podemos afirmar que o solo agrícola é o ativo mais precioso que um agricultor tem na sua 
propriedade, sendo este o fator de produção que suporta toda riqueza produzida na empresa agrícola. 
Preservar e trabalhar para melhorar a sua fertilidade é uma questão fundamental e pode definir a 
sustentabilidade do negócio e a manutenção do agricultor na atividade. Em anos de restrições 
climáticas esses efeitos se acentuam e é comum observarmos diferenças enormes de produtividade 
entre vizinhos de cerca, muitas vezes com mesmo tipo de solo, mas com manejos contrastantes do 
ponto de vista de boas práticas de rotação de culturas, cobertura de solo e manejo de lavoura. 
Planejar as operações agrícolas e o sistema de produção com vistas a melhorar a fertilidade do solo, 
certamente, é um investimento de alto retorno e deve ser feito considerando o longo prazo. Nesse 
sentido, é importante o agricultor considerar a qualidade física do solo no planejamento e fazer o 
monitoramento de sua condição sempre que notar algum fator limitante ao bom desenvolvimento das 
raízes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
69 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CURSO TÉCNICO EM 
AGROPECUÁRIA 
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OVINOCAPRINOCULTURA 
 
INTRODUÇÃO 
Caprinocultura é parte da zootecnia especial que trata do estudo e da criação de caprinos. A 
abra foi o primeiro animal a produzir alimentos (leite e carne) domesticado pelo homem, há cerca de 
7.000 anos, servindo também para produzir couro, pêlo e esterco. 
O bode (Capra aegagrus hircus), macho adulto dos caprinos, é um mamífero herbívoro 
Ruminante cavicórneo que pertence à família dos bovídeos, subfamília dos caprinos. O feminino de 
bode é cabra e os animais jovens são conhecidos como cabritos. Assim como os carneiros, emitem 
um som chamado de balido (o conhecido "bééé"). 
O caprino é um dos menores ruminantes domesticados. Os caprinos domesticados são 
descendentes da espécie Bezoar, encontrada no Mediterrâneo e Oriente Médio, principalmente na 
ilha de Creta. Na maioria das raças de caprinos, os dois sexos têm chifres e barba. Os chifres podem 
ser curvos ou em forma de espiral, mas muitos têm um lado interno afiado. O pêlo pode ser comprido 
ou curto, macio ou áspero, de acordo com o habitat e o controle da criação. 
A criação fornece lã (em algumas variedades, como na cabra-caxemira e angorá), couro, 
carne, leite e, às vezes, estrume. Muitas pessoas consomem diariamente mais produtos da cabra do 
que de outros animais. 
As cabras são excelentes exploradores e conseguem encontrar sua própria comida. O 
esgotamento de pastos pelas cabras se tornou, onde não há um manejo adequado dos animais, um 
problema ambiental em muitas partes do mundo. 
 
INFRA-ESTRUTURA BÁSICA PARA CRIAÇÃO DE CAPRINOS 
A infra-estrutura de um sistema de criação de caprinos envolve instalações e também a infra-
estrutura de suporte alimentar para uso dos rebanhos principalmente na época seca. 
A importância das instalações dentro de um processo de produção está na facilidade e 
redução da mão-de-obra para as tarefas diárias, facilidade de manejo do rebanho e o controle de 
doenças, proteção e segurança aos animais, divisão de pastagens, armazenamento de alimentos, 
favorecendo, assim, maior eficiência produtiva (EMBRAPA; [2005]). 
A localização de uma instalação está relacionada com as características de cada propriedade, 
no que diz respeito à sua forma geométrica, a disposição das pastagens existentes e a disponibilidade 
de água, entre outras. No entanto algumas orientações devem ser seguidas, tais como: 
O local deve ser uma área convergente das pastagens ou permitir fácil acesso a todas elas a 
fim de favorecer a otimização da mão-de-obra no manejo do rebanho; 
O terreno deve ser de textura bem consistente (duro, pedregoso ou de afloramento calcário) e 
com boa drenagem; construída próximo à casa do manejador; em instalações com área coberta, esta 
deve ser construída no sentido norte-sul, no maior comprimento e com declividade de 2 a 5%. 
Os fatores mencionados são de fundamental importância para a segurança e saúde dos 
animais nas instalações, bem como, para facilitar os trabalhos de manejo na propriedade. 
(EMBRAPA; [2005]). 
 
 
 
71 
 
Os alojamentos para caprinos leiteiros devem ser dimensionados para não haver desperdício 
de capital e a atividade consiga ser bem remunerada. 
As instalações para serem eficientes devem obedecer aos seguintes princípios: 
Proporcionar segurança e conforto aos animais; Oferecer um ambiente arejado, porém 
protegido de ventos e umidade; Facilitar o manejo dos animais e os trabalhos a serem desenvolvidos, 
(alimentação , limpeza, desinfecção entre outros); Não ser de construção muito cara para garantir a 
rentabilidade do empreendimento. 
É importante que o chiqueiro apresente, internamente, pelo menos quatro divisões destinadas 
para lotes de animais nas seguintes fases de desenvolvimento. 
Cabras em estado avançado de gestação (próximas à parição) e cabras recém paridas; 
Animais em fase de reprodução (matrizes e reprodutores); 
Cabriteiro (animais em lactação); 
Cabritos desmamados 
A primeira divisão deve dar acesso a um piquete com pastagem nativa ou cultivada. Esta área 
permite manejar adequadamente as cabras próximas à parição e as cabras recém paridas, evitando a 
ação de predadores e a ocorrência de miíases (bicheiras) nos animais recém-nascidos. 
Em cada uma das divisões reservadas tanto aos lotes de cabras próximas à parição e as recém-
paridas, quanto para os animais em reprodução e desmamados, devem ser colocados cochos para sal 
mineral para a suplementação dos animais. 
Os cochos podem ser feitos de pneus, de tábuas ou de troncos ocos encontrados na 
propriedade e devem ficar posicionados a uma altura de 0,50m do solo, podendo, sobre eles, ser 
colocado um protetor, constituído por ripa ou arame, a uma altura de cerca de 0,30 cm acima da 
altura do cocho, para evitar a entrada de animais. 
 
ATIVIDADES 
1) Definir Ovinocaprinocultura. 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
 
2) Explicar a infra-estrutura básica para a criação de ovinos e caprinos. 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
 
MANEJO PRODUTIVO 
Deve-se levar em consideração alguns aspectos básicos relevantes para que a atividade tenhaêxito, mesmo em criações com emprego de tecnologias mais simples. 
Um aspecto que deve ser considerado diz respeito às condições climáticas predominantes no 
local onde se deseja implantar ou aprimorar a criação. Quando da formação do rebanho, devem ser 
adquiridos animais com características adaptadas à região que satisfaçam aos interesses do criador. 
A região Meio-Norte do Brasil, sobretudo o Estado do Piauí, caracteriza-se pelas elevadas 
temperaturas e regime de chuvas irregular. Dessa forma, para as criações cujo objetivo é a produção 
72 
 
de leite e de carne, recomenda-se o uso de reprodutores com aptidão mista, como os Anglo-
Nubianos, que apresentam grande rusticidade e adaptabilidade a essas condições climáticas. 
 Para um bom desempenho reprodutivo, deve-se estabelecer a relação de um macho 
para 30 fêmeas. A ocorrência de partos duplos é relativamente comum nos caprinos, sendo que um 
plantel de 30 matrizes é capaz de apresentar uma natalidade de 40 crias por ano. 
Todas as matrizes do plantel devem ser identificadas com brincos numerados, permitindo o 
seu monitoramento com relação ao desempenho produtivo, idade, número de partos e aspectos 
sanitários. A reposição do plantel deve ser realizada adotando-se uma taxa de substituição de 20% 
das matrizes a cada ano. 
Deste modo, como as novas matrizes advirão do próprio rebanho e com idade de 
aproximadamente 10 meses, recomenda-se, também, a substituição do reprodutor a cada 2 anos, para 
evitar o seu acasalamento com filhas ou netas, causando problemas de consangüinidade no rebanho. 
 
ATIVIDADES 
1) Explicar o manejo produtivo dos ovinos e caprinos. 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
___________________________ 
MANEJO ALIMENTAR 
Os caprinos são animais capazes de sobreviver em condições de alimentação escassa e de 
baixa qualidade, entretanto, nessas condições, o seu desempenho é pouco satisfatório, ficando 
comprometido. 
É necessário, portanto, que os caprinos disponham de alimento de boa qualidade e em 
quantidades que satisfaçam suas necessidades durante o ano, resultando em aumento da produção e 
gerando mais lucros à atividade. 
Na fase de pré-parto, a suplementação supre as necessidades da matriz para a formação final 
do feto. 
Na fase de pós-parto, a suplementação supre às necessidades para a manutenção e para a 
produção de leite da matriz, além de prepará-la para o próximo período de gestação. 
Na fase de lactação, recomenda-se a suplementação alimentar com alimento de boa qualidade 
para o lactente, a fim de suprir possíveis deficiências maternas, principalmente no caso de partos 
duplos, e estimular o desmame precoce, disponibilizando a matriz para um novo ciclo reprodutivo. 
A suplementação alimentar pode ser obtida a partir de subprodutos ou restos das culturas 
agrícolas, capineiras previamente instaladas na propriedade ou ainda bancos de proteína. O banco de 
proteína pode ser implantado com leguminosas como leucena e feijão-guandu, que são ricos em 
proteína. 
A fenação é um processo utilizado para conservar a sobra de forragem existente em períodos 
de fartura, para ser utilizada nos períodos de escassez. 
Os restos de culturas agrícolas também podem representar uma importante fonte de alimentos 
aos caprinos, visto que todo ano, perde-se grande quantidade de palhas, cascas e grãos resultantes da 
73 
 
colheita, além de cascas, grãos quebrados, sabugos etc., resultantes do beneficiamento da produção 
das culturas. 
Esses restos de cultura podem ser utilizados na alimentação dos caprinos, podendo ser usados 
em pastejo direto no campo ou armazenados para serem fornecidos aos animais em épocas de 
escassez de alimentos. 
Mineralização 
Tal prática aumenta a saúde do rebanho e o seu desempenho produtivo. Já nos rebanhos em 
que essa prática não é adotada ou que não é feita de modo adequado, as taxas de natalidade e de 
crescimento são menores e a incidência de doenças é maior. 
O sal mineral é uma mistura composta por sal comum, uma fonte de fósforo e cálcio (farinha 
de ossos ou fosfato bicálcico) e micronutrientes, nas seguintes proporções: 
50% de sal comum; 
49% de farinha de ossos calcinada ou fosfato bicálcico; 
1% de micronutrientes 
Mistura múltipla 
Consiste em uma mistura de alimentos e produtos químicos que serve para suplementar o 
rebanho, devendo ser fornecida à vontade aos animais. No caso de optar pelo uso da mistura 
múltipla, o uso de sal mineral pode ser dispensado. 
Para a elaboração de 100 kg dessa mistura, são necessários os seguintes componentes: 
27 kg de milho triturado; 
16 kg de farinha de ossos calcinada ou fosfato bicálcico; 
10 kg de uréia pecuária; 
15 kg de farelo de algodão ou de soja; 
30 kg de sal grosso iodado; 
1,3 kg de flor de enxofre; 
0,6 kg de sulfato de zinco; 
0,08 kg de sulfato de cobre; 
0,02 kg de sulfato de cobalto. 
Fornecimento de água 
Os caprinos precisam constantemente de água limpa e de boa qualidade. Quando a água 
disponível for de açude, lagoa ou tanque cavado, o criador deverá protegê-la, evitando que os 
animais entrem para que não haja contaminação. 
É preferível que os caprinos tenham acesso à água corrente, entretanto, caso isso não seja 
possível, pode ser utilizado um bebedouro rústico feito de cimento, sendo necessário lavar duas 
vezes por semana. 
O consumo diário de água varia com o tipo de alimento, sistema de criação, temperatura 
ambiente e produção individual. 
 
 
 
 
 
74 
 
ATIVIDADES 
1) Explicar o manejo alimentar dos ovinos e caprinos. 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CURSO TÉCNICO EM 
AGROPECUÁRIA 
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SUINOCULTURA 
 
INTRODUÇÃO DOS SUÍNOS NO BRASIL 
América (1493): 
Por Cristóvão Colombo durante sua 2ª viagem a América. 
Introduzidos 0 8 cabeças na Ilha de São Domingos. 
Expandiram-se para Colômbia, Venezuela, Peru e Equador. 
Brasil (1532): 
Por Martim Afonso de Souza para a capitania de São Vicente (Litoral Paulista). Pertenciam às 
raças da Península Ibérica existentes em Portugal. Alguns fugiram para as matas e formaram grupos 
independentes. 
 
VANTAGENS DA SUINOCULTURA 
Produção de carne e gordura. 
Matéria prima para frigoríficos: 
 Vísceras  patês 
 Pêlos pincel 
 Pele  bolsas 
 Sangue  chouriço. 
Fornecimento de órgãos e substâncias vitais à vida humana: Pâncreas, glândula da pituitária, tireóide, 
mucosa intestinal, coração e sangue; Onívoros: Aproveitamento de subprodutos (caseiros, industriais 
e agrícolas); Aproveitamento do esterco: culturas, pastagens e piscicultura.Animal cosmopolita; 
Idade de abate precoce; Elevado rendimento ao abate;Mercado fácil e seguro; Reprodução precoce; 
Animal rústico, poliéstrico e prolífero; Retorno rápido do capital investido; Rápido melhoramento 
genético; Animais descartados alcançam preços compensatórios. 
METAS PARA A MODERNA SUINOCULTURA 
Implantação e aplicação de tecnologias modernas na área de genética, nutrição, manejo, ambiência e 
sanidade; 
Ampliação do setor. 
Formação de cooperativas ou núcleos de integração. 
Facilitar e melhorar o sistema de armazenamento de grãos. 
Divulgar suíno de hoje. 
Melhoria das condições criatórias. 
Qualidade da carne (nutrição e genética). 
Higiene do produto. 
Buscar aumento daexportação. 
Promover melhora na sanidade de nossos rebanhos. 
Intensificar e apoiar a fiscalização dos abates clandestinos. 
Incentivar o aumento do consumo de carne suína in natura. 
Trabalhar na cadeia da industrialização e comercialização. 
Sobrevivência das maiores granjas. 
 COMPORTAMENTO DOS SUÍNOS: 
77 
 
Animal sociável (contato com os outros através de sinais sonoros e do olfato); 
Olfato mais desenvolvido que a visão (contrário de aves); 
Água (umidade) provoca nos animais as dejeções dejetos acumulam nas proximidades de 
bebedouros; 
Procuram água (lama) para se refrescarem (perda de calor e amenizar danos provocados por 
ectoparasitas); 
 Apresentam postura característica em função da temperatura: 
Frio: Agrupados próximos às paredes, com os membros encolhidos e o dorso voltado para o lado do 
vento. 
Calor: Ficam separados mais ao centro das baias, com os membros distendidos e o tórax voltado 
para corrente de ar. 
 FATORES QUE AFETAM O CONSUMO VOLUNTÁRIO PELOS SUÍNOS: 
Fatores fisiológicos: Genética, mecanismos hormonais e neurais, sensitivos, estágio fisiológico, 
doenças; 
Fatores ambientais: Edificações (construções e localização), temperatura, umidade relativa, 
movimentação do ar; 
Fatores de manejo: Densidade de criação, relação suínos/ equipamento, localização dos 
equipamentos; 
Fatores dietéticos: Deficiência ou excesso de nutrientes, densidade energética, antibióticos, 
flavorizantes, processamento da ração, qualidade da dieta e água, disponibilidade da ração e água; 
Fatores múltiplos ou associados. 
ATIVIDADES 
1) Quais as vantagens de uma suinocultura moderna? 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
2) Explicar o comportamento dos suínos. 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
3) Explicar as principais características das raças nacionais e estrangeiras. 
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________ 
 
RAÇAS DE INTERESSE PARA O BRASIL 
 
RAÇAS NACIONAIS 
Características: Tipos primitivos; Péssima carcaça (tipo banha); Pouco prolíferas; Rústicas; 
Difícil estado de pureza (alto grau de mestiçagem); Não possuem livro de inscrições; Não são 
aconselhadas para cruzamento industrial; Destacam-se: Piau, Caruncho, Canastra, Canastrão, Nilo, 
Tatu ou Macau, Pereira, Piratinga, Moura, Sorocaba, Tatuí. 
78 
 
RAÇAS ESTRANGEIRAS: 
LANDRACE; LARGE WHITE / YORKSHIRE; DUROC; PIETRAIN; HAMPSHIRE; WESSEX. 
 
MELHORAMENTO GENÉTICO EM SUÍNOS 
IMPORTÂNCIA: 
Utilização de reprodutores de elevado potencial genético visando a maximização do 
desempenho: Produtividade; Eficiência de transformação do alimento consumido em carne; 
Rendimento e qualidade da carne industrializada. 
FENÓTIPO, GENÓTIPO E AMBIENTE: Fenótipo: Desempenho produtivo; 
 Depende do genótipo, do ambiente e da interação entre genótipo e ambiente. 
Ambiente: As condições do meio em que são criados. Ex: Ventilação, temperatura, 
umidade, nutrição, higiene, sanidade e manejo geral nas diferentes fases de criação. 
Genótipo: Herança genética que os animais recebem de seus pais no momento da 
concepção. 
Interação genética: Refere-se ao desempenho diferenciado de dois ou mais genótipos 
(raças) submetidos a diferentes condições de criação (ambiente) 
 
FENÓTIPO = GENÓTIPO + AMBIENTE + (GENÓTIPO X AMBIENTE) 
MELHORIA GENÉTICA: 
Seleção: 
 Objetiva aumentar a freqüência dos genes desejáveis de determinada(s) característica(s) 
Será tanto mais precisa quanto mais uniforme forem as condições do ambiente em que se desenvolve 
o teste. 
Ganhos genéticos dependem: variabilidade genética disponível e intensidade de seleção aplicada. 
GRANJAS-NÚCLEO 
Raças e linhas puras 
Tamanho adequado de plantéis 
Seleção e transferência de reprodutores 
 
GRANJAS MULTIPLICADORAS 
Cruzamento entre raças diferentes 
Produção de machos e fêmeas híbridos (F-1) 
Multiplicação e transferência de reprodutores 
 
GRANJAS DE PRODUÇÃO DE SUÍNOS PARA O ABATE 
Granjas de produção de leitões e de ciclo completo 
Utilização de machos e fêmeas híbridos nos plantéis 
Exploram vantagens da heterose e complementariedade 
Comercializam a produção para frigoríficos e abatedouros 
 
UNIDADES DE ABATE E INDUSTRIALIZAÇÃO DA CARNE SUÍNA 
 
AMBIENTE) 
79 
 
AÇOUGUES, FEIRAS, SUPERMERCADOS E PONTOS DE VENDA DE CARNE E 
PRODUTOS SUINÍCOLAS. 
 
CONSUMIDORES 
RAÇAS, CRUZAMENTOS E SUAS VANTAGENS: 
Principais raças de suínos disponíveis em granjas de produção de reprodutores no Brasil: 
Em maior número: Large White, Landrace e Duroc. 
Em menor número: Hampshire, Pietrain e Wessex. 
A variabilidade existente entre raças deve ser explorada aproveitando-se os efeitos aditivos e não 
aditivos dos genes. 
Cruzamento entre raças ou linhas permite explorar as vantagens da heterose ou vigor híbrido. 
Híbrido= resultante do cruzamento de espécies (e não de raças). 
Outros termos importantes utilizados em cruzamentos interraciais são: F-1: 
Suíno resultante do cruzamento simples de machos de uma raça com fêmeas de outra raça. 
 
Utilizado para produzir fêmeas e machos híbridos para o plantel de reprodutores, rodução de suínos 
F-1: 
 
 
 
 
 F-2: 
Suíno resultante do cruzamento de machos e fêmeas F-1. 
Neste caso persiste o percentual de genes das raças dos pais nos animais F-2. 
Produção de suínos F-2: 
 
 
 
 
 
Retrocruzamento ou back-cross: 
Animais resultantes do acasalamento de fêmeas F-1 e de machos de uma das raças que compõem a 
fêmeas F-1. 
Permite explorar 100% da heterose materna. 
Produção de suínos retrocruzados: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Macho x Fêmea 
Raça A Raça B 
 
Machos e Fêmeas F-1 
Macho x Fêmea 
F-1 F-1 
 
Machos e Fêmeas F-2 
Macho x Fêmea 
Raça A F-1AB 
 
Machos e Fêmeas com 75% de genes da 
raça A e 25% da raça B 
80 
 
Three-cross: 
Animais resultantes do cruzamento de três raças. 
Permite explorar 100% da heterose materna, em relação às duas raças que deram origem às fêmeas 
F-1 e 100% da heterose direta nos animais de abate, em relação às três raças envolvidas, sendo a 
terceira uma raça terminal de machos. 
Produção de suínos three-cross: 
 
 
 
 
 
Quatro raças: 
Animais resultantes do cruzamento de fêmeas F-1 de uma combinação racial, com machos F-1, 
denominada de híbridos, de outra combinação racial. 
Ex: machos Pietrain-Duroc x fêmeas Landrace-Large White. 
Este tipo de cruzamento só se justifica em programas de melhoramento genético. 
Permite explorar 100% da heterose nas fêmeas e machos do plantel e nos suínos de abate. 
Produção de suínos com quatro raças: 
 
 
 
 
 
 
Outros sistemas de cruzamentos: 
a). Cruzamento rotacional de duas raças: 
Inicia-se com o cruzamento simples de duas raças, alternando-se a raça do macho a cada nova 
geração. 
As melhores fêmeas de cada geração são selecionadas para reposição do plantel. 
Os machos e demais fêmeas são vendidas para o abate. 
Permite explorar as vantagens da heterose individual e materna (67% a partir da 5ª geração). 
b). Cruzamento rotacional de três raças: 
Nas duas primeiras gerações idem ao three-cross. 
3ª geração: fêmeas three-cross x machos que deram origem as fêmeas F-1. 
Requer controles rigorosos de cruzamentos. 
Pequena desvantagem de produtividade de leitões e leitegadas. 
 
HETEROSE OU VIGOR HÍBRIDO: 
É definida como a superioridadedos animais mestiços em relação à media dos pais de raça pura. 
Heterose (%) = Média dos mestiços – Média das raças puras x 100 
Média das raças puras 
Quanto maior for a diferença genética entre duas raças ou linhas, maior será a expectativa da 
heterose expressa pela progênie. 
Macho x Fêmea 
Raça C F-1AB 
 
Machos e Fêmeas com 50% de genes da 
raça C e 25% das raças AB 
Macho xFêmea 
F-1CD F-1AB 
 
Machos e Fêmeas com 25% de genes de 
cada uma das raças A, B, C e D 
81 
 
A heterose se expressa com maior vantagem em características relacionadas com o tamanho e 
o peso das leitegadas, e apresenta menor importância em características de desempenho ponderal e 
de carcaça. 
 
SISTEMA DE PRODUÇÃO DE SUÍNOS 
DEFINIÇÃO: 
É o conjunto inter-relacionado de componentes ou variáveis organizadas que tem como 
objetivo básico a produção de suínos. 
COMPONENTES QUE FAZEM PARTE DE UM SPS: 
a). Produtor: 
Gostar da atividade suinícola. 
Seguir as recomendações técnicas sobre a criação. 
Ser dedicado para atingir metas preestabelecidas. 
b). Animais: 
Provenientes de granjas idôneas. 
Livres de problemas sanitários. 
Material genético de elevada qualidade. 
c). Instalações: 
Respeitar a zona homeotérmica do animal. 
Adaptar as construções às condições de conforto térmico. 
Alimento e água: 
Qualidade. 
Livres de contaminantes. 
e). Manejo: 
Seguir e aplicar devidamente as técnicas de manejo. 
Proporcionar conforto aos animais para o máximo desempenho. 
f). Contaminantes: 
Cuidar da procedência dos animais e alimentos. 
Evitar entrada de pessoas e veículos. 
Uso de pedilúvios, rodolúvios, banhos e uniformes. 
Criar, restringir e cumprir mediadas de biossegurança estabelecidas. 
 
TIPOS DE SISTEMA DE CRIAÇÃO DE SUÍNOS: 
Sistema de Criação Extensiva 
Animais com baixo potencial genético; Animais do tipo banha; Sem instalações e 
benfeitorias; Atividade de subsistência; Todas as fases no campo; 
Vivem exclusivamente na dependência da natureza; Sem emprego de tecnologia adequada; 
Os criadores não recebem orientação técnica; Apresentam baixos índices de produtividade; 
Responsável pela baixa taxa de desfrute; Objetivo: Carne e gordura para consumo próprio; 
Excedente: comercializado próximo da propriedade. 
 
Sistema de Criação Intensiva Confinada 
Animais totalmente confinados em instalações. 
Sem acesso a pastagens (exceto varrões). 
82 
 
Tipos: 
Sistema Confinado Tradicional: 
Suinocultura nem sempre é a atividade principal; Plantel é ou não reduzido em função do mercado; 
Instalações simples e de custo mais baixo; Reposição: Fêmeas: compram ou usam animais próprios. 
 Machos: comprados de granjas em MG. 
Modernas técnicas de manejo e nutrição: parcialmente aceitas e adotadas. 
Sistema Confinado Moderno: 
Uso de instalações especializadas; Controle ambiental adequado; Animais de elevado potencial 
genético; Reposição constante de animais; Alto investimento com profilaxia. 
Sistema de Criação Intensiva ao Ar Livre: 
Animais criados em piquetes: fases de reprodução, maternidade e creche. 
Animais criados em confinamento: Crescimento e terminação (25 a 100 kg) 
Objetivo: Reduzir custos de implantação. 
Área dividida em vários piquetes. 
Localização: Terrenos que apresentam solos com boa capacidade de drenagem. 
 
TIPOS DE PRODUÇÃO: 
A produção é definida: Pelo produto a ser comercializado; Pelas fases de criações existentes. 
A. Produção de Ciclo Completo: 
Abrange todas as fases de produção; Produto: suíno terminado; Mais utilizado. 
B. Produção de Leitões: Criações especializadas; Fase de reprodução: produto final (leitões). 
1-Produção de Leitões Desmamados: 
Produto: 6 kg aos 21 dias 10 kg aos 42 dias 
Fases: reprodutores. 
Valor: 50 a 100% a mais do valor do kg do suíno terminado. 
2. Produção de Leitões para Terminação: 
Produto: leitão com 18 a 25 kg de PV (50 a 70 dias). 
Fases: reprodutores e creche. 
Valor: 30 a 60% a mais do valor do kg do suíno terminado. 
B. Produção de Terminados: 
Criação especializada; 
Objetivo é o suíno terminado. 
Criador adquire leitões desmamados . 
Necessidade de creche ou pré- terminação. 
C. Produção de Reprodutores: 
 Produto principal: futuros reprodutores (M e F). 
Teste de progênie (avaliar suínos). 
Teste de desempenho (avaliar reprodutores). 
Hoje: 200 criações (puros) - 62% no sul. 
 62 criações (cruzados) - 70% no sul. 
Tendência: Granjas núcleos e multiplicadores. 
1. Granja Tradicional de Produção de Reprodutores: 
 Molde do produtor de ciclo completo. 
 Produto principal: futuros reprodutores. 
83 
 
 Comercialização: 
 Após inspeção zootécnica com3 meses de idade. 
Exposições; Feiras; Estações teste. 
 
ESTRUTURA DA PRODUÇÃO: 
A. Estrutura Especializada: 
Médio e grande porte. 
Livres compradores de insumos. 
Contratam assistência técnica: permanente ou eventual. 
Comercialização: intermediários ou abatedouros. 
Tem melhores condições de preço para insumos. 
B. Estrutura Verticalizada: 
Empresa única. 
Desempenha maioria das funções produtivas: 
Melhoramento genético; Produção de reprodutores; Industrialização e comercialização dos produtos 
cárnicos. 
C. Estrutura de Integração Vertical: 
Composta: integrador e integrados. 
Integrador: Produz e fornece reprodutores; Fornece alimento e medicamentos; 
Assistência técnica; Compra de suínos (leitões e/ou terminados). 
Integrados: 
Terreno; Mão de obra; Edificações; Equipamentos; Produção de leitões e terminados. 
D. Estrutura de Integração Horizontal: 
Associativa é semelhante à integração vertical. 
Diferenças são exercidas por: Cooperativas; Associações de produtores; Condomínios. 
Comercialização: Suínos até industrialização; Comercialização dos produtos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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ATIVIDADES 
1) Quais as vantagens de fazer cruzamentos nos animais? 
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_________________________________________________________________________________ 
2) Definir Heterose. 
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3) Definir Three-cross. 
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4) Definir Retrocruzamento. 
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Referências Bibliográficas 
Enxertia em fruteiras RIBEIRO,G.D.; COSTA,J.N.M; VIEIRA, A. H 
www.cpatc.embrapa.br/publicacoes_2007/aspectoscitros/menu.html 
www.fundecitrus.com.br/busca/livro 
https://www.estantevirtual.com.br/livros/ed.../manual-de-citricultura.../1028125640 
PORTAL DA EMBRAPA 
Disponível em https://www.embrapa.br/. Acesso em 10/08/2018. 
 
 
 
http://www.fundecitrus.com.br/busca/livro
https://www.estantevirtual.com.br/livros/ed.../manual-de-citricultura.../1028125640
https://www.embrapa.br/

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