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EMPREENDEDORISMO E PLANO DE NEGÓCIOS ALEXANDRE PEREIRA AURÉLIA ADRIANA DE MELO CARLOS EDUARDO DOS SANTOS SABRITO GUSTAVO DA SILVA COSTA IZABEL CRISTINA DA ROSA DOS SANTOS IVAN BRASIL GALVÃO DOS SANTOS JONAS CARDONA VENTURINI JOSÉ FERNANDO DRESCH KRONBAUER JOSEFINA MARIA FONSECA COUTINHO JUSSANA RAMOS DOS SANTOS LUCIANA MAINES DA SILVA MAIARA BITTENCOURT LAUXEN ODAIR GONÇALVES RODRIGO ROCHA GUTTERRES VANESSA DE SOUZA BATISTI (ORG.) Editora Unisinos, 2014 SUMÁRIO Apresentação Parte I Capítulo 1 – Empreendedorismo e inovação: começando as discussões Capítulo 2 – O empreendedor: definições, tipologias e suas implicações Capítulo 3 – Identificação e análise de oportunidades para negócios Parte II Capítulo 4 – O Plano de Negócios – Uma introdução Capítulo 5 – Modelando o negócio: o uso de ferramentas inovadoras para pensar na definição do produto ou serviço Capítulo 6 – O marketing e as vendas Capítulo 7 – As operações Capítulo 8 – As finanças Capítulo 9 – As questões estratégicas Parte III Capítulo 10 – Organização e constituição de empresas Capítulo 11 – Parques tecnológicos e incubadoras: ambientes de inovação e empreendedorismo Apêndice A – Roteiro do Plano de Negócio Apêndice B – Indicações para complementação de estudos Informações técnicas APRESENTAÇÃO Este livro faz parte da coleção de obras destinada aos alunos dos cursos de graduação da modalidade a distância da UNISINOS. Tem como objetivo principal apoiar o desenvolvimento das competências previstas para a atividade de Empreendedorismo e Plano de Negócios do curso superior de Tecnologia em Gestão Comercial da universidade. Os temas propostos têm em vista colaborar para o entendimento da importância do empreendedor e de inovar na economia e na sociedade em que vivemos hoje. Mais do que abrir um novo negócio, o empreendedorismo deve ser visto como uma competência que diferencia as pessoas no mercado, a qual pode ser reconhecida nos indivíduos que fazem acontecer. O empreendedorismo também deve ser encarado como um processo social, que praticamos desde muito cedo, quando ainda na infância damos os nossos primeiros passos e realizamos nossas primeiras descobertas. Assim, acreditando nesta abordagem mais ampla de empreendedorismo e na necessidade de mostrar aos seus estudantes outra possib ilidade de carreira, a UNISINOS intensificou sua oferta de atividades curriculares sobre o tema, nos cursos de graduação a partir de 2011. A partir daí, constituiu um grupo de professores de diversas áreas de formação para trabalhar estas atividades sob uma perspectiva multidisciplinar. Alguns desses professores, participaram ativamente da produção deste livro. O livro é dividido em três partes, totalizando 11 capítulos. A Parte I introduz o leitor à temática do empreendedorismo, para depois trabalhar com o comportamento e o processo empreendedor. Ela aborda os conceitos básicos de empreendedorismo, os fatores de estímulo ao ato de empreender, o comportamento e as tipologias dos empreendedores, além do processo empreendedor — detalhando especialmente a primeira etapa do processo de identificação e análise de oportunidades. A Parte II traz as ferramentas necessárias para que o empreendedor avance no processo de empreender, ou seja, para o planejamento do seu negócio: o Business Model Generation, ou modelo Canvas, o Design Thinking e o plano de negócios. Por fim, a Parte III apresenta os aspectos relacionados à abertura e registro de empresas, além de abordar os ambientes de inovação, como parques tecnológicos e incubadoras de empresas. Pretende-se, com isso subsidiar aos que se interessarem em abrir seu próprio negócio com informações que possam guiar os próximos passos. Ao final do livro, o leitor ainda encontra dois apêndices — (A) o roteiro sugerido de plano de negócio e (B) indicação de sites e vídeos para aprofundamento do estudo. A partir da leitura deste livro, que, obviamente, não esgota o tema, espera-se que mais estudantes despertem para o empreendedorismo — lembrando que empreendedor não é somente o indivíduo que cria um novo negócio, mas, sim, aquele que quer fazer a diferença, transformando sua realidade. Boa leitura e bom proveito! Vanessa de Souza Batisti PARTE I Introdução à temática do empreendedorismo. Características do comportamento e processo empreendedor. “Ser um empreendedor é executar os sonhos, mesmo que haja riscos. É enfrentar os problemas, mesmo não tendo forças. É caminhar por lugares desconhecidos, mesmo sem bússola. É tomar atitudes que ninguém tomou. É ter consciência de que quem vence sem obstáculos triunfa sem glória. É não esperar uma herança, mas construir uma história...” Augusto Cury CAPÍTULO 1 EMPREENDEDORISMO E INOVAÇÃO: COMEÇANDO AS DISCUSSÕES Izabel Cristina da Rosa dos Santos1 Maiara Bittencourt Lauxen2 Vanessa de Souza Batisti3 Inicialmente, este capítulo contempla os conceitos básicos de empreendedorismo, o histórico do empreendedorismo no mundo e no Brasil, além de apresentar a relação do empreendedorismo com a inovação. O capítulo ainda comenta os fatores de estímulo ao empreendedorismo, como o histórico familiar, a base educacional e o perfi l psicológico. Por fim, o processo do empreendedor e suas etapas são abordados. 1.1 Empreendedorismo O termo empreendedorismo é de origem francesa (entrepreneurship), sendo utilizado para identificar os estudos voltados ao empreendedor, seu perfil, suas origens, seu sistema de atividades e seu universo de atuação. Este termo é considerado um fenômeno cultural e os empreendedores podem nascer por influência do meio em que vivem (DOLABELA, 2006). Para Drucker (2002, p. 60), empreendedorismo não é arte nem ciência, mas sim uma prática, uma disciplina, uma busca constante de mudanças e novas oportunidades de negócios. Para esse autor, a inovação sistemática é uma característica singular dos empreendedores. Para Baron e Shane (2011), o empreendedorismo, em essência, requer o ato de criar ou de reconhecer uma aplicação comercial para uma coisa nova. Quando se indica a nova aplicação comercial, entende-se que esta pode assumir diferentes formas. No entanto, simplesmente inventar uma nova tecnologia, produto ou serviço ou produzir uma nova ideia não é, por si só, suficiente. Ao contraponto de que não oferecem um benefício comercial, muitas invenções nunca resultaram em produtos reais, talvez até porque nunca tenha se imaginado comercializá-las, e, dessa forma, não serve de base para uma nova empresa lucrativa. Em quase todas as definições de empreendedorismo, temos um consenso comum de que se está discutindo um tipo de comportamento que abrange: tomar iniciativa; organizar e reorganizar mecanismos tanto sociais, quanto econômicos com o intuito de remodelar recursos e situações para proveito prático; e aceitar os riscos, de sucesso ou fracasso (SHAPERO; SKOL, 1982). Nas últimas décadas, é possível perceber que ocorreram alterações na economia, de forma significativa, apontadas como um dos fatores para a expansão do empreendedorismo, inclusive no Brasil. Além disso, o empreendedorismo pode ser considerado um dos principais elementos de um processo dinâmico de criação de riquezas que proporciona ciclos de crescimento econômico por indivíduos que assumem riscos, que buscam a inovação constante, que investem tempo e perspectivas de carreira, para que possam produzir bens e serviços com recursos que lhes são disponibilizados (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2009). Podemos caracterizar, então, o termo empreendedorismo como um processo de conceber algo novo, dinâmico e inovador, agregando valor tanto econômico quanto social, dedicando tempo e esforços necessários, assumindo os riscos calculados financeiros e sociais e inerentes a qualquer tipo de negócio e recebendo as recompensas da satisfação e independência econômica e pessoal, consequências do esforço, da dedicação e do comprometimento empregado na realização do negócio. 1.1.1 Empreendedorismo na história A história do empreendedorismo é capaz de ser entendida quando analisada com algumas ciências sociais,que dão o embasamento e contribuem para sua compreensão. Dentre essas ciências, citam-se a sociologia, a psicologia, a antropologia e a economia (CHIAVENATO, 2008). Cronologicamente, torna-se mais fácil contar esta história fazendo referência aos primeiros traços de surgimento do empreendedorismo que marcaram as épocas. De acordo com Dornelas (2014), o empreendedorismo assumiu sua primeira forma no Oriente Médio, com as rotas comerciais e seus intermediários, maneira como foram denominados os então empreendedores. Marco Polo foi o primeiro a intermediar contratos de venda de mercadorias com capitalistas. Hisrich e Peters (2004) lembram que empreendedores, na Idade Média, eram identificados como administradores de grandes projetos, que eram financiados por recursos alheios. Nesse sentido, correr risco é uma expressão que define os empreendedores desde os primórdios de sua existência. Antes mesmo de serem definidos de fato como empreendedores, utilizando-se de todo sentido que há por trás dessa denominação, o fato de correrem algum tipo de risco já os diferenciava dos demais administradores. No século XVII, ao firmarem contratos de valor fixado com o governo, esses administradores passaram a correr risco, em que ganhar ou perder ficava por conta do empreendedor (DORNELAS, 2014). Dornelas (2014) ainda traz que, no século XVIII, juntamente com a industrialização, considerou-se uma nova forma de enxergar esses administradores, ou seja, os que necessitavam de capital e os que detinham capital. Assim, diferenciou-se o empreendedor que executaria o projeto daquele fornecedor de capital, que, efetivamente, correria os riscos. Aqui, percebe-se que a forma de empreendedorismo existente nos dias de hoje é apenas um reflexo aprimorado de toda a base constituída em séculos passados. Assim, o empreendedorismo é a junção de todos os fatos dispersos nos séculos, formando um novo perfil a partir do antigo. Seguindo ainda na compreensão do empreendedorismo ao longo das ciências sociais, torna-se possível analisar a sua forma de entendimento pela ótica dos economistas, que revelam os porquês do seu acontecimento, trazendo explicações relevantes sobre o seu surgimento e interação com a economia. Segundo Cantillon (1755, apud CHIAVENATO, 2008), empreendedores eram aqueles que adquiriam matérias-primas a um determinado valor e as revendiam a um preço incerto. No seu entendimento, obter lucro além do esperado dava-se pela inovação. Ainda para este autor, empreendedores estavam intimamente ligados ao risco, à inovação e ao lucro, ou seja, buscavam oportunidades que lhes fossem lucrativas, mesmo diante dos riscos. De acordo com Drucker (2010), em meados dos anos 1970, a economia dos Estados Unidos teve uma brusca mudança de posicionamento. Antes de caráter estritamente gerencial, voltava-se, então, ao empreendedorismo, não só porque a população jovem, ingressante no mercado de trabalho, aumentava significativamente seus índices, mas também porque mulheres casadas, até então inexistentes nesse espaço, começaram a buscar também uma fatia desse mercado. O mesmo autor afirma que a economia dos Estados Unidos desenvolveu-se plenamente nessa época, à medida que o número de novos empregos também crescia ao mesmo nível em que era demandado. A dinâmica dessa economia era concentrar-se em empresas já estabelecidas e grandes, com tendência de crescer cada vez mais, como governo federal, estadual e municipal, universidades, escolas e hospitais. Essa economia empreendedora pode ser interpretada tanto como evento cultural e psicológico, como econômico ou tecnológico. Toda essa mudança de percepções sociais e econômicas deve-se às novas formas de utilização de uma tecnologia chamada de administração (DRUCKER, 2010). Como exemplo dessa nova forma de administração, pode-se citar: novos empreendimentos, diferindo sua aplicação de empresas já existentes; pequenos empreendimentos, devendo-se pensar a administração para pequenos e não grandes estabelecimentos; empreendimentos não comerciais, desligando a imagem de que administração refere-se somente ao ato de administrar empresas; inovação, novas oportunidades, satisfação dos desejos e necessidades humanas. Mas e no Brasil? O termo empreendedorismo é recente no Brasil. Segundo Dornelas (2014), ele começou a tomar consistência no início da década de 1990, com o processo de abertura econômica pelo qual o país passou, que estimulou a concorrência e a instituição das seguintes entidades: Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e Sociedade Brasileira para Exportação de Softwares (Softex). Antes disso, o empreendedor não possuía nenhum apoio na busca por informações e instruções de como iniciar seu próprio negócio, e tinha à sua frente um ambiente político e econômico muito mais instável que o atual. O Sebrae foi criado com o objetivo de oferecer suporte aos pequenos e microempresários do país na abertura de seu negócio, bem como prestar consultoria para solucionar problemas que possam ocorrer na gestão do negócio. Em relação à Softex, o intuito foi o de estimular e aumentar a participação das empresas brasileiras de softwares nas exportações. O surgimento destas instituições foi essencial para despertar o movimento empreendedor no país (DORNELAS, 2014). Dessa forma, o tema empreendedorismo começou a ser conhecido e a despertar o interesse no Brasil com o apoio do Sebrae, dos programas criados pela Softex, em conjunto com incubadoras de empresas e instituições de ensino. A pesquisa GEM4 apresenta o estudo sobre o empreendedorismo e a inovação no Brasil. Esse estudo, de 2012, conta com a participação do Brasil pelo 13º ano consecutivo, sendo considerado o maior estudo contínuo sobre a dinâmica empreendedora no mundo. Começou com uma parceria entre a London Business School e a Babson College, em 1999, com a participação de dez países. Hoje, são mais de 68 países, sendo que a primeira participação do Brasil ocorreu no ano 2000. O estudo revelou que o brasileiro empreende. Isto é um fato real, independentemente do nível de sofisticação dos empreendimentos e dos motivos que levaram ao estabelecimento de novos negócios. É considerado como extremamente positivo o fato de ter entre as suas principais bases a mentalidade e a atitude da população. Este fato pode beneficiar as sociedades com a presença de pessoas que “[...] sejam capazes de reconhecer oportunidades de negócios no ambiente, bem como por aqueles que percebem a própria capacidade e habilidades para explorar tais oportunidades” (GEM, 2014). Considerando que a alteração do cenário no mundo e no Brasil não fica restrita à economia, as pessoas também mudam. Mudam sua visão e personalidade no sentido de imaginar o mercado de trabalho, no qual em vez de estarem nele por estar, querem compor, atuar de forma efetiva, ampliando e vislumbrando novos horizontes, não mais apenas como peças executoras de um processo. O espírito contido nos empreendedores está também presente em todas aquelas pessoas que cercam esse universo descrito, em que, mesmo sem fundarem uma empresa ou possuírem seus próprios negócios, estão preocupadas e focadas em assumir os riscos e inovar continuamente (CHIAVENATO, 2008). Inovar, inovação. Todas, ou talvez a maioria das definições do empreendedorismo, correlacionam-se com esta palavra ou ato. Na seguinte seção, serão abordados alguns fatores contextuais que darão melhor embasamento e entendimento dos porquês dessa ligação. 1.1.2 Empreendedorismo e inovação Muitas são as definições de empreendedor. Para Schumpeter (1949), o empreendedor é aquele indivíduo que destrói a ordem econômica existente pela introdução de novos produtos e serviços, pela concepção de novas formas de organização ou pela exploração de novos recursos materiais, o que de fato permite sinalizar a introdução da inovação nos conceitos do empreendedorismo. A palavra novo/a é citada diversas vezes por Schumpeter talvez na tentativa de salientar ao leitor a importância, a ligação e a constante presença da inovação noempreendedorismo e vice-versa. A destruição criada por parte dos empreendedores nada mais é do que a reformulação do mundo dos negócios. Com a introdução dessa nova forma de perceber a administração e a economia por parte das empresas, até as mais clássicas voltam-se ao que é inovador, mesmo que seja de forma forçada. Se as empresas não inovarem tanto em produtos e serviços como na forma de enxergar o mercado, o mercado inova e muda a forma de enxergar as empresas. Autores como Filion (1991) caracterizam os empreendedores como pessoas criativas, capazes de estabelecer e atingir objetivos, mantendo alto nível de conhecimento sobre o ambiente em que vivem e utilizando esse conhecimento para detectar novas oportunidades de negócio. Ainda para o mesmo autor, empreendedor é aquele que imagina, desenvolve e realiza visões. Boa parte do progresso norte-americano é produto do indivíduo que teve uma ideia, foi atrás dela, modelou-a, ateve-se firmemente a ela durante todas as adversidades e então produziu essa ideia, vendendo-a e lucrando com ela. (HUMPHREY, 1966 apud BARON; SHANE, 2011, p. 4). Por isso, o empreendedor é aquele que tem uma ideia, acredita, vai atrás, ajusta, melhora até tirá-la do papel. Todos esses passos para empreender podem ser relacionados à inovação, uma vez que a ideia se mistura e se confunde com a concepção do novo, do desconhecido. A inovação é o instrumento específico dos empreendedores, o meio pelo qual eles exploram a mudança como uma oportunidade para um negócio diferente ou um serviço diferente. Ela pode bem ser apresentada como uma disciplina, ser apreendida e ser praticada. Os empreendedores precisam buscar, com propósito deliberado, as fontes de inovação, as mudanças e seus sintomas que indicam oportunidades para que uma inovação tenha êxito. E os empreendedores precisam conhecer e pôr em prática os princípios da inovação bem-sucedida. (DRUCKER, 2010, p. 25). Para Hisrich e Peters (2004), a inovação e a novidade são partes integrantes do conceito de empreendedorismo. De fato, inovar ou lançar algo novo ao mercado é uma das tarefas mais difíceis para o empreendedor. Ele deve ter mais do que a capacidade de criação e contextualização, ele deve ter a capacidade de entender todas as forças que cercam o ambiente. Como exemplo, a inovação pode ser desde um novo produto ou processo, um novo sistema e até mesmo um novo método de desenvolver uma diferente estrutura organizacional. Na literatura, é possível encontrar definições a respeito da inovação conceituando a sua aparição a partir de dois conceitos distintos, sendo que um trata da inovação como radical, e o outro a traduz de forma incremental. Autores como Luecke (2003, apud BENEDETTI; REBELLO; REYES, 2006) exemplificam que a inovação radical é algo absolutamente novo e que, consequentemente, envolve novos meios de produção e tecnologia. E, ainda, a inovação incremental é aquela mergulhada em processos, tecnologias e produtos já conhecidos a fim de desenvolver melhorias em suas performances. O mesmo autor ainda esclarece que ambas as inovações são passíveis de serem vistas lado a lado, uma vez que a inovação radical cria e a inovação incremental estuda essa primeira para que sejam aprimorados seus processos. Bessant e Tidd (2009) exemplificam de maneira clara que a inovação faz, realmente, uma grande diferença para todas as empresas, independentemente de tipos e tamanhos. E a explicação é simples: uma vez que se estagna aquilo que é oferecido ao mundo, sem mudanças nos bens ou serviços, na forma de criação ou até mesmo na oferta, corre-se o risco de ser superado por quem os faça. Conforme citado por Silva e Libermann (2010), inovar é quebrar a lógica existente, fazendo diferente na prática. As empresas procuram inovar com o intuito de melhorar seu desempenho diante do mercado, no qual a apresentação de uma nova descoberta tecnológica pode proporcionar vantagem competitiva a esse inovador. Se a inovação surgir por parte de um processo, a empresa poderá ganhar em termos de produtividade, reduzindo, assim, seus custos. Já, se surgir por parte de um produto ou serviço, a empresa pode mudar seu posicionamento por ser a pioneira no lançamento de um produto inovador no mercado. Quando inova, a empresa cria as condições necessárias para dar sustento ao seu crescimento e lucratividade (GAMBIM, 1998 apud BENEDETTI; REBELLO; REYES, 2006). A inovação e o empreendedorismo andam juntos, senão na forma de elaborar produtos novos, na forma de readaptar aquilo que já existe, dando uma cara nova ao cenário em que estão inseridos. O empreendedorismo tem sido visto como um engenho que direciona a inovação e promove o desenvolvimento econômico (REYNOLDS, 1997; SCHUMPETER, 1934 apud CHIAVENATO, 2008). Mas o que influencia um indivíduo a empreender e como ocorre tal processo? É o que veremos nas próximas seções. 1.2 Fatores estimuladores do empreendedorismo Entendendo os anseios e as características pessoais dos empreendedores (veja o Capítulo 2), torna-se necessário compreender quais os fatores ambientais que regem e estimulam tais atitudes. Se esses indivíduos já nascem dotados dessas características ou se estas surgem como meio de resposta ao cenário em que estão inseridos, sendo, portanto, uma reação e uma soma de características pessoais, com os fatores expostos e contidos no ambiente. Sabe-se que o empreendedorismo é um fenômeno cultural, ou seja, é fruto de hábitos, práticas e valores das pessoas. Existem famílias (assim como cidades, regiões, países) mais empreendedoras do que outras. Na verdade, a pessoa aprende a ser empreendedora no convívio com outros empreendedores, num clima em que ser dono do próprio nariz, ter um negócio é considerado algo muito positivo. Pesquisas indicam que as famílias de empreendedores têm maior chance de gerar novos empreendedores e que os empreendedores de sucesso quase sempre têm um modelo, alguém que admiram e imitam. (FILION, 1991 apud DORNELAS, 2008, p. 29). Dornelas (2008) considera que três tipos de relações podem explicar os fatores motivacionais e estimulantes ao empreendedorismo: (a) o nível primário de relações, que se refere ao convívio familiar e com pessoas conhecidas, em diferentes atividades; (b) o nível secundário de relações, no qual situam-se os relacionamentos gerados a partir de determinadas atividades, rede de ligações; (c) o nível terciário de relações, no qual estão os cursos, os livros, as viagens, os congressos e eventos etc. O autor ainda afirma que a principal fonte formadora de empreendedores encontra-se no nível primário das relações, ou seja, na família e nas amizades. Sarkar (2008) cita Gibb (1987) na identificação de cinco principais etapas, nas quais se torna possível estar diante dessas influências e adquiri-las: na infância, na adolescência, na idade adulta, na meia idade e, por fim, na terceira idade. O Quadro 1 apresenta as influências identificadas em cada etapa. Quadro 1 – Etapas versus influências empreendedoras Etapas Influências Infância A influência é disseminada por intermédio dos pais ou da família, ocorrendo a partir da forma e situação de trabalho destes, ou também dos valores e objetivos de vida observados. Adolescência Nessa fase, observam-se cinco fatores influenciadores, iniciando pela escolha feita pelos pais e família na educação. Seguem esses fatores a preferência vocacional, que está interligada ao terceiro fator, sendo este as escolhas disponíveis para a educação. O quarto fator é observado na forma como a educação dispõe os valores e objetivos. O último fator relaciona-se à amizade e comunidade. Idade adulta Aqui são considerados cinco fatores estimulantes ao empreendedorismo, sendo o primeiro relacionado à possibil idade de escolha para educação e formação. Seguem os fatores baseados nas escolhas da turma, na comunidade em que se insere (sociedade e círculo de amizades), influência residual da família e a natureza do trabalho que se exerce. Meia idade Durante a meia idade, fatores externos podem vir a influenciar a atitudeempreendedora, sendo visto como a mobilidade entre as classes, a natureza e as relações de trabalho, a família e os amigos, a recompensa e a satisfação no trabalho e as interações com este ambiente, tanto de maneira social, como no formato da execução. Terceira idade Nessa fase, as principais influências surgem por intermédio do rendimento obtido, a situação familiar, os objetivos relacionados à comunidade a que se pertence, as oportunidades extras e satisfação no trabalho, aposentadoria antecipada e pensões. Fonte: elaborado pelas autoras com base em Gibb (1987, apud SARKAR, 2008, p. 64). Independentemente do autor ou do formato em que se discutem os fatores motivacionais e influenciadores ao processo empreendedor, fica claro que esses fatores são resultado e também resposta às relações do meio e dos indivíduos com quem convivem estes possíveis empreendedores. Assim, suas opções e também os fatores educacionais interferem diretamente nesse processo. Bessant e Tidd (2009) avaliam que a tentativa de explicar o comportamento empreendedor deve ser um exame minucioso da junção entre suas características e traços individuais, com a influência dos fatores contextuais e externos. Ambas as perspectivas devem estar relacionadas. Os mesmos autores ainda declaram que fatores como histórico religioso e familiar, educação formal e experiência profissional prévia e o perfil psicológico são também possíveis estímulos à abertura de novos empreendimentos. O efeito do histórico familiar deve-se ao fato de que, muitas vezes, o empreendedor já possui pais empreendedores, servindo-lhe de modelo e apoio. E quanto ao efeito religioso, observa-se em algumas religiões uma predisposição para terem mais empreendedores técnicos, não sabendo se a fonte geradora, nesses casos, é a cultura a que pertencem, ou a sua situação de minoria. A base educacional interfere nesse processo empreendedor no sentido de que indivíduos com grau de escolaridade menor têm maior propensão ao empreendedorismo. A educação e o grau de escolaridade inferior estimulam ou até forçam certos indivíduos a buscarem sua realização e satisfação profissional em atividades diferentes daquelas ditas convencionais. O tipo de educação e as experiências profissionais prévias podem ter um efeito mais profundo. Apesar de muitas escolas, faculdades e universidades, atualmente, terem aulas e cursos sobre empreendedorismo, as tradições de pedagogia e aprendizado, em geral, ainda refletem a necessidade do emprego e enfatizam o conteúdo e a aquisição de conhecimento em vez de habilidades e prática. (BESSANT; TIDD, 2009, p. 290). Quanto ao perfil psicológico dos empreendedores, basta aqui mencionar que empreendedores possuem traços marcantes e específicos, que serão abordados no Capítulo 2 deste livro. Esses traços e características resultam nesse comportamento empreendedor. É relevante ressaltar que treinamento, prática, experiência e apoio podem fomentar tal comportamento. Dessa forma, Bessant e Tidd (2009) concluem que o empreendedorismo não é uma marca inerente, mas sim, de forma mais ampla, pode ser desenvolvido e requerido. A personalidade do indivíduo interage, então, com o desenvolvimento, o contexto e a oportunidade. 1.3 Processo empreendedor O processo empreendedor inicia quando existe um evento gerador de fatores que possibilitem ao empreendedor aproveitar uma oportunidade de negócio. Este processo poderá ser o somatório de fatores condicionados ao ambiente social e de aptidões pessoais, que serão direcionados à produção de resultados positivos para a empresa ou para a criação do próprio negócio (DORNELAS, 2014). É importante compreender que o processo empreendedor não é um processo pronto, que possa ser adquirido. Na verdade, ele varia de acordo com cada empreendedor e empreendimento, cada ambiente, cada mercado, cada visão e cada talento. É o start de tal processo. Tal processo inclui a prática do saber e, principalmente, reconhecer as limitações impostas, a fim de minimizar problemas e maximizar resultados. O talento empreendedor resulta da percepção, direção, dedicação e muito trabalho dessas pessoas especiais, que fazem acontecer. Onde existe este talento, há a oportunidade de crescer, diversificar e desenvolver novos negócios. Mas talento sem ideias é como uma semente sem água. Quando talento é somado à tecnologia e as pessoas têm boas ideias viáveis, o processo empreendedor está na iminência de ocorrer. Porém, existe ainda a necessidade de um combustível essencial para que finalmente o negócio saia do papel: o capital. O componente final é o know- how, ou seja, o conhecimento e a habilidade de conseguir convergir em um mesmo ambiente o talento, a tecnologia e o capital que fazem a empresa crescer. (TORNATZKY et al., 1996 apud DORNELAS, 2014, p. 41). Independentemente do tipo e do perfil do empreendedor, o processo de empreender — seja um novo negócio, seja determinado projeto — contempla a identificação e avaliação de uma oportunidade; o planejamento do projeto ou do negócio; a captação dos recursos necessários; a implementação; e o gerenciamento e acompanhamento. Para Dornelas (2014), após a decisão de tornar-se empreendedor há uma sequência proposta de quatro fases para a efetivação do processo empreendedor, sendo que estas fases não precisam ser completamente concluídas, de forma sequencial, para que se inicie a fase seguinte. São elas: identificar e avaliar a oportunidade; desenvolver o plano de negócios; determinar e captar recursos necessários; e gerenciar a empresa criada, conforme Figura 1. Figura 1 – O processo empreendedor. Fonte: Dornelas (2014, p. 32). A primeira fase, de identificação e avaliação da oportunidade, é o processo no qual o empreendedor percebe a oportunidade para um novo empreendimento. Na segunda fase — desenvolvimento do plano de negócios —, é realizada a descrição da direção futura da empresa, ou seja, seu norte. Na terceira fase, de determinação e captação dos recursos necessários, o empreendedor define o montante de recursos que será necessário para começar a operar seu negócio. Por fim, na quarta fase, de gerenciamento da empresa criada, o empreendedor administra a empresa resultante desse processo. Na concepção de Chiavenato (2008), o processo empreendedor pode ser dividido em seis passos: (1) identificação e desenvolvimento de uma oportunidade na forma de visão; (2) validação e criação de um conceito de negócio e estratégias que ajudem a alcançar essa visão, por meio de criação, aquisição, franquia etc.; (3) captação dos recursos necessários para implementar o conceito, ou seja, talentos, tecnologia, capital e crédito, equipamentos etc.; (4) implementação do conceito empresarial ou do empreendimento para fazê-lo começar a trabalhar; (5) captura da oportunidade por meio do início e crescimento do negócio; e (6) extensão do crescimento do negócio por meio da atividade empreendedora sustentada. 1.4 Ideias destacadas neste capítulo Empreendedorismo não é arte e sim prática. Muito mais transpiração que inspiração. Historicamente, o termo empreendedorismo evoluiu, iniciando com a prática dos homens que intermediavam o comércio nas rotas do Oriente Médio, aos administradores de grandes projetos da Idade Média, chegando aos indivíduos que correm riscos. No Brasil, o empreendedorismo tornou-se relevante apenas a partir da década de 1990, com a abertura comercial, a estabilização econômica e a criação de instituições de apoio como Sebrae e Softex. O empreendedorismo, visto como processo capaz de promover o desenvolvimento socioeconômico, relaciona-se com a inovação, seja para conceber novos produtos e serviços, seja para adaptar aquilo que já existe mantendo as empresas competitivas no mercado. Diversos fatores podem estimular ou não o indivíduo a empreender, dentre os quais destacam-se: o histórico familiar e religioso, a base educacional, a experiência profissional precoce e o perfil psicológico. O processo de empreender inicia a partir da identificação e análise de uma oportunidade de negócio. Emseguida, o empreendedor deve planejar seu negócio, utilizando ferramentas como o plano de negócios. Depois é necessário identificar e captar os recursos necessários para, na sequência, implantar o negócio. Por fim, após sua implantação, o empreendedor tem de gerenciar e acompanhar seu negócio em operação. REFERÊNCIAS BARON, Robert A.; SHANE, Scott A. Empreendedorismo: uma visão do processo. São Paulo: Cengage Learning, 2011. BENEDETTI, M. H.; REBELLO, K. M. R.; REYES, D. E. C. Empreendedores e inovação: contribuições para a estratégia do empreendimento. Revista Eletrônica de Ciência Administrativa (Recadm), Campo Largo, v. 5, n. 1, p. 1-15, 2006. Disponível em: <http://revistas.facecla.com.br/index.php/recadm/article/view/375/278>. Acessado em: 12 fev. 2014. BESSANT, John; TID, Joe. Inovação e empreendedorismo. Porto Alegre: Bookman, 2009. CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo: dando asas ao espírito empreendedor: empreendedorismo e viabilização de novas empresas. 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Mestre em Ciência da Comunicação e graduada em Administração – Comércio Exterior, ambas pela UNISINOS. Atualmente, assessora da gerência acadêmica da Unidade Acadêmica de Graduação (Uagrad) da UNISINOS e professora nos cursos de graduação e pós-graduação nesta mesma universidade. http://www.gemconsortium.org 2 Maiara Bittencourt Lauxen. Graduada em Administração de Empresas pela UNISINOS. 3 Vanessa de Souza Batisti. Doutoranda em Planejamento Urbano e Regional pela UFRGS, mestre em Economia pela UNISINOS e graduada em Ciências Econômicas pelo Unilasalle. Atualmente, coordenadora do Núcleo de Empreendedorismo e Inovação (NEI), coordenadora do curso de graduação tecnológica em Processos Gerenciais e professora nos cursos de graduação e pós-graduação da UNISINOS. 4 A pesquisa GEM estuda os indivíduos que criam e fazem a gestão de um negócio e entende que o empreendedorismo é um processo. As observações deste estudo são em relação às ações dos empreendedores que estão em diferentes fases do processo de criação e desenvolvimento de um negócio. CAPÍTULO 2 O EMPREENDEDOR: DEFINIÇÕES, TIPOLOGIAS E SUAS IMPLICAÇÕES Aurélia Adriana de Melo5 Izabel Cristina da Rosa dos Santos Este capítulo volta sua atenção para o empreendedor. Principal agente do empreendedorismo, a definição e funções do empreendedor foram sendo elaboradas ao longo do tempo até tomar o formato que se observa nos dias atuais. Este texto resgata essa trajetória e, apoiando-se na literatura sobre o tema, apresenta e discute características comportamentais e tipologias sobre o empreendedor. 2.1 Definindo o termo empreendedor O empreendedor é o agente do empreendedorismo. Esta definição, a priori simples, carrega consigo a mesma dificuldade encontrada para definir e investigar o fenômeno empreendedorismo: ter diversidade de definições e ausência de consensos. Boava e Macedo (2007) relacionam tal dificuldade ao estágio de amadurecimento epistemológico em que se encontra a área de conhecimento. Para os autores, este campo de estudo encontra-se em construção, configurando uma fase pré-paradigmática em que consensos ainda são difíceis e diversas áreas de conhecimento, a exemplo da economia, sociologia, antropologia, psicologia, gestão, finanças, marketing, engenharia, apropriam-se de aspectos distintos na tentativa de compreender e explicar o fenômeno. Entretanto, para Danjou (2002 apud BOAVA; MACEDO, 2007), é possível identificar três abordagens de investigação sobre empreendedorismo: (1) a do contexto: explora as condições da ação empreendedora; (2) a do ator: enfatiza o empreendedor; (3) a da ação: focaliza o processo empreendedor. Neste texto, a discussão tem como foco a segunda abordagem, ou seja, o ator. Nosso objetivo aqui é entender quem é este agente e quais são suas características comportamentais. Nesta linha, primeiramente, é importante ressaltar o desenvolvimento do termo empreendedor ao longo do tempo. Neste esforço, Hisrich et al. (2009) resgatam a origem francesa da palavra, entrepreuner, que significa intermediário. Assim, empreendedor era, inicialmente e de forma geral, aquele que intermediava a transação entre uma necessidade e uma oferta. Com base nesse significado, os autores remontam à Idade Média, quando era designado empreendedor aquele que administrava ou participava de grandes projetos de produção usando recursos fornecidos pelos governos. Nesta função, um típico empreendedor era o clérigo. Já no século XVII, empreendedor era a pessoa que firmava um acordo contratual com o governo para fornecer produtos ou serviços estipulados, assumindo os riscos da transação. Como o valor do contrato era fixo, lucros ou prejuízos eram do empreendedor (HISRICH et al., 2009). É desta época a primeira associação do termo com o aspecto riscos. Esta associação foi feita por Richard Cattilon, economista franco-irlandês, em 1755, no Essai sur la nature du commerce en général. Assim, empreendedor passou a ser aquele que se lançava em um empreendimento e corria riscos. No século XVIII, a figura do empreendedor adquiriu novos papéis, os quais se aproximam da perspectiva atual que se tem para o termo. Era empreendedor quem tinha uma ideia e a executava, porém faltavam-lhe os recursos financeiros. Estes eram providos pelo capitalista (atual investidor de risco). Logo, o empreendedor era quem também criava o empreendimento, além de desenvolver e implantar um projeto, mas não necessariamente o financiava. No final do século XIX e XX, a perspectiva econômica assume centralidade na discussão. Nela, é também considerado empreendedor aquele que dirige negócios e, nesta direção, reforma e revoluciona um padrão de produção vigente por meio da exploração de uma invenção (HISRICH et al., 2009). Nesta perspectiva, vale recuperar algumas ideias do trabalho de Schumpeter, desenvolvido no início do século XX (primeira publicação da obra em alemão ocorre em 1911, com tradução para o inglês em 1934), e no qual se discute o fenômeno do desenvolvimento econômico. No texto, Schumpeter (1985) ressalta a existência, na esfera social,de um grupo especial de indivíduos caracterizados por um comportamento econômico voltado para a concepção de novos bens ou serviços visando à obtenção de vantagem econômica. Para o autor, são estes indivíduos que, via de regra, iniciam as mudanças revolucionárias que promovem o desenvolvimento econômico. São eles que apresentam o novo e, por esta razão, também são eles que ensinam e educam os consumidores a querer o novo. Nas palavras de Schumpeter, o que move estes indivíduos é“a alegria de criar, fazer as coisas ou simplesmente exercitar a energia e a engenhosidade. [...] Eles buscam as dificuldades, mudam por mudar, deliciam-se com a aventura”(SCHUMPETER, 1985 p. 65). O autor também diferenciava os capitalistas (bancos/investidores) — cujo papel era fornecer crédito — dos empreendedores, homens de negócio voltados à criação. Outras definições para empreendedor vão ser encontradas na literatura acadêmica ao longo dos séculos XX e XXI, conforme apresenta o Quadro 2. Quadro 2 – Definições de empreendedor ao longo dos séculos XX e XXI Autor Definição Knight (1921) Empreendedor é aquele que toma decisões em condições de incerteza. McClelland (1961) Empreendedor é o indivíduo que controla os meios de produção e produz mais do que consome, correndo riscos moderados. Druker (1969) Empreendedor é aquele que maximiza oportunidades. Hayeck (1974) Empreendedor é aquele que capta e uti l iza informações para encontrar oportunidades. Liles (1974) O empreendedor é aquele que identifica, cria oportunidades e inova. Albert Shapero (1975) Empreendedor é o indivíduo que organiza meios econômicos e sociais para obtenção de resultados e aceita o risco do fracasso. Casson (1982) O empreendedor é o indivíduo que lida com recursos escassos e sabe discernir. Carland et al. (1984) Empreendedor é aquele que inova. Stevenson e Gumpert (1985) Empreendedor é aquele que persegue oportunidades sem se deixar limitar pelos recursos que controla. Bracker, Keats e Pearson (1988) Empreendedor é aquele que, por meio da gestão estratégica, inova. Dornelas (2001) Empreendedor é aquele que faz as coisas acontecerem. Ele antecipa-se aos fatos e tem uma visão de futuro. Hisrich et al. (2009) Empreendedor é o indivíduo que, movido por uma ideia, dedica tempo e esforço necessários à sua implantação, assumindo os riscos financeiros, psíquico e sociais e recebendo as consequentes recompensas da satisfação e da independência financeira e pessoal. Fonte: adaptado pelas autoras com base em Boava e Macedo (2007) e Hisrich (2009). Nas definições aqui apresentadas, é possível identificar alguns aspectos recorrentes: identificação de oportunidades, criação de valor, assunção de riscos, expectativas de recompensas. Tais aspectos, por sua vez, possibilitam entender o empreendedor como o agente principal de um processo que se inicia pela identificação de uma oportunidade e pela sua subsequente implementação. Nesta caminhada, ele é movido por uma visão de futuro, na qual se observam expectativas de recompensa financeira e de satisfação pessoal. Tal visão é o combustível que lhe permite antecipar, compreender e suportar riscos de natureza financeira, social e psíquica. Ressalta-se, porém, que essa tentativa de consolidação das diversas definições de empreendedor carrega consigo uma questão iminente que suscita admitir que, em uma sociedade, os empreendedores constituem um grupo específico e diferenciado de indivíduos. De um lado, tal concepção já é encontrada na perspectiva schumpeteriana e também aparece em autores mais atuais, a exemplo de Dornelas (2014, p. 8), para quem os empreendedores [...] são pessoas diferenciadas, que possuem motivação singular, são apaixonadas pelo que fazem, não se contentam em ser mais um na multidão, querem ser reconhecidas e admiradas, referenciadas e imitadas, querem deixar um legado. De outro lado, porém, há os que, apoiados em uma perspectiva de estudo mais contextual do fenômeno do empreendedorismo, acentuam a importância das condições ambientais na geração de empreendedores (FILION, 1991; DOLABELA, 2006; BOAVA; MACEDO, 2007, HISRICH et al., 2009). Nesta linha, e segundo Dolabela (2006, p.28), “o empreendedor é um ser social, produto do meio em que vive (época e lugar). Se uma pessoa vive em um ambiente em que ser empreendedor é visto como algo positivo, então terá motivação para criar seu próprio negócio”. O meio em que vive o empreendedor pode ser considerado a família, a escola, os amigos com os quais ele convive e que poderão contribuir para sua formação empreendedora (FILION, 1991). Assim, se um indivíduo vive em um ambiente favorável à prática do empreendedorismo, ele o perceberá como algo positivo e se sentirá estimulado a esta prática. A concepção que advoga ser o empreendedor o produto do seu contexto alimenta iniciativas deliberadas de fomento ao empreendedorismo e ao seu resultado mais esperado: a criação de valor via inovação. Assim, são encontradas ações de estabelecimento de parques tecnológicos tendo-se como exemplo icônico o Vale do Silício, na Califórnia, modelo de região concebida para fomentar o empreendedorismo e fixar empreendedores — inicialmente, estudantes da Universidade de Stanford. No Brasil, esta iniciativa também se espalha por quase todas as regiões do país. Na Região do Vale dos Sinos, encontra-se, por exemplo, o Parque Tecnológico de São Leopoldo (Tecnosinos). Somado a este esforço, o estímulo à geração de empreendedores também encontra espaço nos meios virtuais. Tal propósito é flagrante na missão de organizações voltadas à promoção da cultura empreendedora no mundo, a exemplo da Endeavor (2014), de cuja página é possível extrair frases como: “somos um agente que mobiliza a sociedade para promover mudanças e multiplicar o número de empreendedores que transformam o Brasil”. A missão de promover o empreendedorismo por meio da formação de empreendedores suscita entendê-lo como uma competência que pode ser adquirida. Como a competência consubstancia-se no conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes (CHAs) expresso pelo indivíduo quando diante de uma determinada situação (MUNCK et al., 2010), é possível concluir que a formação do empreendedor demanda sua instrumentalização teórica sobre o processo empreendedor, a possibilidade de praticá-lo visando desenvolver conhecimento tácito e, consequentemente, habilidades empreendedoras, e, por fim, a identificação e promoção de situações que provoquem respostas comportamentais na direção do que se espera do empreendedor. Em outras palavras, e conforme Dolabela (1999), além do conjunto de conhecimentos formal e tácito, demanda-se do empreendedor a introjeção de valores e atitudes manifestos nas formas de percepção do mundo e de si mesmo e dirigidos às atividades em que o risco, a capacidade de inovar, de perseverar e de conviver com a incerteza. Dessa forma, para a formação empreendedora, faz-se necessário fazer emergir um comportamento proativo do indivíduo, por meio do qual ele deve desejar “aprender a pensar e agir por conta própria” (DOLABELA, 1999, p.12). 2.2 Características do comportamento empreendedor (CCE) Como apresentado antes, o desenvolvimento da competência empreendedora impõe um tratamento do aspecto comportamental. Pode- se argumentar que este aspecto, enquanto detonador do processo de formação daquele que deseja ser empreendedor, assume importância crucial, pois a tomada de decisão nesta direção é de fórum íntimo. Porém, para decidir sobre algo, faz-se necessário conhecimento prévio, o que reforça a necessidade da introdução de conteúdos sobre empreendedorismo nos diversos níveis de qualificação formal pelos quais passa um indivíduo. Talvez seja este um dos principais pontos na criação de um contexto favorável ao empreendedor. No que tange ao aspecto comportamental, quanto mais cedo for o indivíduo despertado para o conjunto de atitudes empreendedoras, mais naturalmente poderá cultivá-las e desenvolvê-las. Para tanto, faz-se necessária a identificação destas atitudes. Com esteobjetivo, um dos trabalhos importantes foi realizado na década de 1980, sob coordenação de David McClelland. Intitulado “Projeto de Desenvolvimento do Espírito Empreendedor e da Pequena Empresa”, este estudo visou à identificação das características pessoais associadas ao espírito empreendedor e à iniciativa empresarial bem-sucedida (MARIANO, 2008). Financiado durante cinco anos pela Agência dos Estados Unidos para Desenvolvimento Internacional (Usaid), o projeto confirmou a ideia de que era possível treinar pessoas para que elas pudessem desenvolver o comportamento empreendedor, o que determinou a criação do Empretec, um importante programa de desenvolvimento de capacidades empreendedoras conduzido pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento (UNCTAD). O Empretec adota um conjunto de dez características do comportamento empreendedor (CCE) distribuídas em três indicadores comportamentais listados a seguir (MARIANO, 2008): 2.2.1 Conjunto de realização Busca de oportunidade e iniciativa: o empreendedor deve ser proativo, ou seja, agir antes de ser solicitado ou de ser forçado pelas circunstâncias e, também, deve procurar identificar oportunidades, novas áreas de atuação, produtos ou serviços relacionados ao seu negócio. Persistência: o empreendedor reage diante de um obstáculo, procurando ter a humildade necessária para mudar a estratégia, quando necessário, para que possa enfrentar o desafio ou superar obstáculo, assumindo responsabilidade de atingir as metas e os objetivos. Comprometimento: focado em objetivos, o empreendedor agrega esforços para que estes sejam atingidos. Assim, ele assume um compromisso com sua equipe de trabalho e, principalmente, com seus clientes. Exigência de qualidade e eficiência: o empreendedor deve buscar sempre a melhor relação custo-benefício para cada ação, procurando cumprir os prazos e garantir padrões de excelência, não interferindo na qualidade desta ação. Hábito de correr riscos calculados: deve ser permanente para o empreendedor o controle das ações, procurando buscar alternativas, de forma sistemática, para consequências não desejadas e de riscos. 2.2.2 Conjunto do planejamento Estabelecimento de metas: o empreendedor define metas e objetivos de curto e longo prazo, que sejam mensuráveis e que possam garantir o sucesso do negócio. Busca constante de informações: o empreendedor deverá dedicar- se, constantemente, a obter informações referentes aos seus clientes, fornecedores e concorrentes, investigando como fabricar um determinado produto ou mesmo como fornecer um serviço. Além disso, deve procurar consultar especialistas no intuito de obter assessoria técnica ou comercial e participar de eventos especializados naquilo em que esteja inserido. Planejamento e monitoramento sistemáticos: o empreendedor divide de forma clara as tarefas com sua equipe para que possa desenvolver e acompanhar permanentemente os resultados que serão obtidos e operar as mudanças circunstanciais. Outro ponto importante neste item é a preocupação em manter os registros das ações e utilizá-los para tomada de decisões. 2.2.3 Conjunto de poder Rede de contatos: a preocupação em formar rede de apoio em suas relações sociais e comerciais é outro aspecto importante no comportamento empreendedor. Estas redes facilitam a obtenção de informação e suportam o andamento de ações. Com este objetivo, o empreendedor deve agir eticamente para desenvolver, manter e fortalecer a rede de apoio. Saber com quem falar e a quem se dirigir justamente para articular e mediar é uma atividade que deve ser constante. Independência e autoconfiança (otimismo): o empreendedor precisa se engajar em propostas nas quais ele acredite, pois, desta forma, mesmo que esteja diante de oposições ou de resultados inicialmente desfavoráveis, ele irá expressar confiança ao longo de todo o desenvolvimento e execução do desafio. Para Filion (apud Dolabela, 1999), as características dos empreendedores alteram-se de acordo com as atividades executadas em uma determinada época ou etapa de desenvolvimento do empreendimento em que atua. Tais alterações são naturais e decorrentes da aquisição e consolidação de habilidades empreendedoras. Neste processo, à medida que experimenta situações diversas, o empreendedor elabora um modus operandi, uma espécie de heurística que se fortalece e se institucionaliza pela obtenção de resultados exitosos (MARTINELLI; FLEMING, 2010). 2.3 Tipos de empreendedor Embora características comportamentais e o conjunto de conhecimentos e habilidades empreendedoras sejam de natureza genérica, ou, conforme palavras de Dornelas (2001, p. 11), “tornar-se empreendedor é algo que pode acontecer a qualquer um”, a investigação da trajetória de vida de empreendedores sugere a estruturação de tipologias que permitem evidenciar grupos de empreendedores caracterizados tanto pela natureza da ação empreendedora como pelo fator mobilizante desta ação. Para Dornelas (2001), há diversas possibilidades de empreendedorismo. Apoiando-se em pesquisa realizada com 399 empreendedores, o autor propõe uma tipologia estruturada em oito tipos de empreendedores (Quadro 3). Quadro 3 – Tipologia de empreendedores, segundo José Dornelas Tipo de Empreendedor Descrição Nato (Mitológico) Em geral, tem origem pobre, começou a trabalhar muito jovem e conseguiu criar e desenvolver grandes negócios. Aprendiz (Inesperado) Tipo de indivíduo que começa a empreender por acaso. Antes disso, julgava-se incapaz de assumir riscos. Serial Indivíduo que gosta da emoção de iniciar empreendimentos, Serial Indivíduo que gosta da emoção de iniciar empreendimentos, desenvolvê-los e passá-los adiante. Corporativ o Indivíduo que desenvolve a ação empreendedora no interior de organizações das quais é funcionário. Embora não tenha total autonomia, destaca-se pelo poder de persuasão. Social Indivíduo engajado em causas humanitárias, comprometido com o sonho de construir um mundo melhor. Este tipo de empreendedor realiza-se criando oportunidades para aqueles que não tiveram acesso a elas. Herdeiro (Sucessão familiar) Empreendedor que descende de família empreendedora e tem como missão levar adiante seu legado. Há aqueles que cumprem esta missão rompendo com o status quo e os conservadores. Por necessidade Indivíduo que começa a empreender porque não tem outra alternativa para se manter, seja porque foi demitido ou mesmo porque não consegue se inserir no mercado de trabalho. Este tipo de empreendedor geralmente se envolve em negócios informais. Normal (Planejado) Empreendedor que gosta de estabelecer planos formais, com metas e indicadores definidos. Fonte: adaptado pelas autoras com base em Dornelas (2001). Miner (1998 apud SARKAR, 2008; LENZI; VENTURI; DUTRA, 2005), que aborda a personalidade do empreendedor em uma perspectiva funcional, desenvolve uma tipologia baseada em quatro tipos de empreendedores apresentados no Quadro 4: Quadro 4 – Tipologia de empreendedores, segundo John Miner (1998) Tipo de Empreendedor Descrição Gerente Gosta de operar por rotinas, respeita a autoridade e almeja obtê-la. É competitivo, decidido e aprecia promoções, apresenta elevada capacidade de supervisão e comunicação. Util iza persuasão eficaz e lógica. Destaca-se por levar empreendimentos a crescimentos significativos. Gerador de ideias Empreendedor que gosta de resolver problemas de forma inovadora. Destaca-se pela elevada tolerância ao risco e autoconfiança. É fortemente atraído para o mundo das ideias. Superv endedor Empreendedor com elevada habilidade para construir alianças. Caracteriza-se pela empatia e por valorizar o processo social e os relacionamentos. Realizador Empreendedor com elevada motivação interna. Gosta de planejar e estabelecer metas para realizações futuras. Dotado de muita estabelecer metas para realizações futuras. Dotado de muita iniciativa e forte compromisso com o empreendimento. Fonte: adaptado pelas autoras com base em Lenzi, Venturi, Dutra (2005) e Sarkar (2008). É interessante observar que as descriçõesdos tipos propostos por Miner (1998), ao enfatizar a forma como a ação empreendedora é desenvolvida, aplicam-se tanto a empreendedores que criam um empreendimento quanto a empreendedores que implementam ou dirigem um empreendimento, ou seja, empreendedores corporativos, conforme tipologia de Dornelas (2001). Miner (1998) observa ainda que é possível a um empreendedor apresentar um perfil que resulte da combinação dos tipos apresentados no Quadro 4. Segundo o autor, há empreendedores que apresentam os quatro estilos e podem se envolver em atividades diversas. Porém, ele também recomenda a empreendedores não perder tempo em atividades estranhas às suas características. Apesar de também considerar as diversas possibilidades de empreendedorismo e da ação empreendedora, Martinelli e Fleming (2010) orientaram esforços no sentido de evidenciar traços comuns na personalidade empreendedora. Os resultados de seus estudos revelaram que empreendedores que atuam em empreendimentos de risco evidenciam necessidade de controle de sua própria ação empreendedora. Apoiados no trabalho de Caird (1991) e Hisrich et al. (2009), Martinelli e Fleming (2010) enfatizam a importância de observar o locus deste controle. Este pode ser interno ou externo. Para os autores, a atitude de empreender baseada na assunção de riscos é mais intensa em indivíduos impulsionados por uma necessidade interna de vencer. Além disso, estes empreendedores também apresentam um forte sentimento de independência e consciência de que o sucesso depende, preponderantemente, de esforço e trabalho dedicados. 2.4 Diferenças entre empreendedor e empresário Se, como afirmou Dornelas (2001), qualquer um pode se tornar um empreendedor, é também possível observar que nem todos manifestam todas as características do comportamento empreendedor voltadas à abertura de novos negócios, haja vista as tipologias apresentarem um tipo de empreendedor que atua dentro de organizações. Schumpeter, em 1911, já chamava atenção para este fato ao caracterizar o trabalho do dirigente (empresário). Para o autor, o trabalho do empresárioé criativo na medida em que estabelece seus próprios fins e toma decisões. Para tanto, ele toma como referência os sinais do ambiente externo e suas tendências. Assim, segue as mudanças da melhor forma que pode, removendo discrepâncias. Seu objetivo é atender necessidades objetivas e conhecidas. Já o empreendedor schumpeteriano diferencia-se por não seguir tendências nem atender necessidades, mas criá-las. Mais recentemente, a diferença entre empresário e empreendedor ainda é um tema em pauta. Dolabela (1999, p. 120) afirma que esta diferença está na “[...] forma de abordar a empresa, no comportamento, nas atitudes e visão de mundo”. Sua caracterização do trabalho do empresário e do empreendedor aproxima-se da visão schumpeteriana, conforme pode ser visto no Quadro 5. Quadro 5 – Comparação entre empresário e empreendedor Empresário Empreendedor A disponibil idade de recursos e sua otimização é o ponto de partida para o estabelecimento de metas. Primeiramente, estabelece objetivos e metas, para depois localizar os recursos. Opera dentro de uma estrutura organizacional existente. Transforma a estrutura organizacional, por meio da definição de novos papéis e funções. Prioriza aquisição de conhecimentos gerenciais e técnicos (conhecimento formal). Investe na aquisição de conhecimento formal, mas também busca adquirir habil idades (know-how) e formas de relações (know-who), apoiando-se na autoimagem e na visão de futuro. Adapta-se a mudanças. Inicia mudanças. Opera processos existentes. Desenvolve novos processos. Seu padrão de trabalho implica análise racional. Seu padrão de trabalho envolve inovação e criatividade. Apoia-se na cultura de afil iação. Apoia-se na cultura de liderança. Centrado no trabalho em grupo e na comunicação grupal. Ênfase na realização individual. Volta-se para o desenvolvimento de habilidade(know-how) em gerenciamento de recursos e na sua especialidade. Volta-se para o desenvolvimento de habilidade(know-how) em definir contextos que levem à ocupação de mercados. Desenvolve padrões para a busca de regras gerais e abstratas. Busca princípios que possam se transformar Lida com situações concretas e específicas. Considera que uma situação é única e deve ser tratada de forma diferenciada. em comportamentos empresariais de eficácia. Fonte: adaptado pelas autoras com base em Dolabela (1999, p. 119). A observar o comportamento de pequenos empresários e de gerentes e compará-lo ao de empreendedores, Filion (1999, p. 12) conclui: Gerentes e pequenos empresários buscam atingir metas e objetivos a partir dos recursos disponíveis, dentro de uma estrutura predefinida ou copiada. Os empreendedores, por outro lado, gastam boa parte de seu tempo imaginando onde querem chegar e como farão para chegar lá. De alguma forma, os empreendedores são detectores de espaços de mercado e criadores de contextos. Para o autor, as qualidades da “consciência de si” (self-awareness) de empresários e empreendedores diferem muito. Também é diferente o conhecimento, uma vez que o empresário é voltado para a organização de recursos da empresa, enquanto o empreendedor se direciona para a definição de contextos onde a empresa está inserida (DOLABELA, 1999, p. 120). 2.5 Ideias destacadas neste capítulo Neste capítulo, recupera-se a trajetória de elaboração do significado do termo empreendedor, visando identificar convergências entre as diversas definições que apareceram desde o momento inicial de aplicação do termo. Com este objetivo, propõe-se definir o empreendedor como o agente principal de um processo que se inicia pela identificação de uma oportunidade e pela sua subsequente implementação. Nesta caminhada, ele é movido por uma visão de futuro, na qual se observam expectativas de recompensa financeira e de satisfação pessoal. Tal visão é o combustível que lhe permite antecipar, compreender e suportar riscos de natureza financeira, social e psíquica. O processo protagonizado pelo empreendedor demanda-lhe competências que se consubstanciam em um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes. Tal conjunto pode ser adquirido e fomentado em contextos específicos voltados à promoção do empreendedorismo. Nesta linha, o empreendedor competente tem conhecimento sobre o processo empreendedor no que concerne a suas etapas, bem como aos instrumentos e técnicas necessários à operacionalização das mesmas. Por meio da aplicação deste conhecimento em situações reais, ele desenvolve habilidades empreendedoras e, ao mesmo tempo, depara-se com a necessidade de manifestar atitudes comportamentais importantes para efetivar a ação de empreender. Porém, o papel do empreendedor deve ser concebido em uma abordagem mais ampla e, ao mesmo tempo, focada na realização de um empreendimento, o que não se restringe à abertura de novos negócios, mas contempla também outros formatos e outras possibilidades de empreender, como é o caso dos empreendedores corporativos. À guisa de conclusão, este texto alia-se a perspectivas que veem o homem como um ser para empreender (BOAVA; MACEDO, 2007), um arquiteto de sua própria existência, um ser que se faz, que se projeta. Assim, a natureza empreendedora é um aspecto do ser humano que, ao encontrar contextos favoráveis, revela o empreendedor. REFERÊNCIAS BOAVA, Diego Luís Henrique; MACEDO, Fernanda Maria Felício. Constituição ontoteleológica do empreendedorismo. In: XXXI Encontro nacional de pós-graduação em Administração (Anpad), 2007, Rio de Janeiro. DEGEN, Ronald Jean. O empreendedor: fundamentos da iniciativa empresarial. São Paulo: Makron, 1989. DOLABELA, Fernando. 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Doutora em Administração pela UFRGS, mestre em Política Científica e Tecnológica e graduada em Engenharia Mecânica, ambas pela Unicamp, além de especialista em Gestão da Produção pela UFRGS. Atualmente, professora nos cursos de graduação da UNISINOS. http://www.ibqp.org.br/portal/files/artigoEntrevista/20090304_SZarpellon_RevistaIberoamericana.pdf CAPÍTULO 3 IDENTIFICAÇÃO E ANÁLISE DE OPORTUNIDADES PARA NEGÓCIOS Gustavo da Silva Costa6 Luciana Maines da Silva7 Vanessa de Souza Batisti Este capítulo trata da identificação e da análise de oportunidades de negócios, uma das mais importantes etapas do processo empreendedor. Para tanto, primeiramente apresenta-se a diferença entre ideia e oportunidade. Depois, como identificar as ideias e oportunidades, incluindo os tipos de oportunidades. Por fim, os critérios para avaliação das oportunidades são expostos, a partir de três propostas distintas. 3.1 Diferença entre ideia e oportunidade O sonho de todo empreendedor é o de que a oportunidade “bata à sua porta”. Mas para que isso ocorra é imprescindível que o empreendedor perceba o que pode ser uma oportunidade, e o que não é. O poeta e escritor português Fernando Pessoa, no final da década de 1920, já falava sobre oportunidade. Uma das palavras que mais maltratadas têm sido, no entendimento que há delas, é a palavra oportunidade. Julgam muitos que por oportunidade se entende um presente ou favor do destino, análogo a oferecerem-nos o bilhete que há de ter a sorte grande. Algumas vezes assim é. Na realidade cotidiana, porém, oportunidade não quer dizer isto, nem o aproveitar-se dela significa o simplesmente aceitá-la. Oportunidade, para o homem consciente e prático, é aquele fenômeno exterior que pode ser transformado em consequências vantajosas por meio de um isolamento nele, pela inteligência, de certo elemento ou elementos, e a coordenação, pela vontade, da util ização desse ou desses. Tudo mais é herdar do tio brasileiro ou não estar onde caiu a granada. (PESSOA, 1928 apud CHÉR, 2002, p. 60). Muitas pessoas confundem ideia com oportunidade. Seriam ideia e oportunidade a mesma coisa? Seriam complementares? E como identificar uma oportunidade? Ideia e oportunidade são diferentes. A ideia é a base da oportunidade. Quando o empreendedor se depara com uma determinada situação, que lhe gera uma ideia, o passo seguinte será identificar se essa ideia é uma oportunidade, ou não, a partir da avaliação da oportunidade. 3.1.1 Como identificar uma ideia “Gênio é 1% de inspiração e 99% transpiração.” (Thomas Edison) Às vezes, algumas pessoas se perguntam “por que não pensei nisso antes?” Quando estas pessoas se dão conta disso, é porque alguém já pensou. Muitas vezes, também, os indivíduos se consideram pouco criativos e sem boas ideias. Mas para se ter boas ideias e desenvolver a criatividade (sim, é possível desenvolvê-la), é imprescindível ter a mente aberta e estar sempre questionando, criticando e duvidando (DORNELAS, 2014). O empreendedor deve ficar atento a tudo o que acontece a sua volta. Notícias de jornal, novos negócios no bairro, conversa com amigos, são algumas das fontes para vislumbrar a possibilidade de um novo negócio. Além disso, a pesquisa acerca das linhas de financiamento que estão sendo oferecidas pelos governos (no âmbito municipal, estadual e federal), assim como recursos internacionais voltados para determinadas áreas, também servem de inspiração. E a fonte de inspiração mais simples, e que pode gerar grandes ideias, é verificar que problemas do cotidiano são enfrentados. O seu problema pode trazer uma boa ideia de negócio Ideia inspirada no cotidiano de uma mãe A partir de um dilema que a carioca Carla Coelho Coutinho enfrentava no seu dia a dia como mãe (não encontrava para comprar uma bolsa que comportasse todos os seus objetos e os que precisava levar para sua fi lha como mamadeira, chupeta, fralda, papinha, lenços umedecidos, brinquedos…), durante a gravidez de sua segunda fi lha, começou a desenhar modelos de bolsas que unissem essas características. Fonte: adaptado pelos autores com base em Papo de Empreendedor (2014). Juntamente com os problemas e da vivência do dia a dia, as ideias também podem se originar das seguintes fontes: experiência pessoal do empreendedor, clientes, concorrentes, fornecedores e canais de distribuição, funcionários, associações e outras entidades empresariais, dentre outras (SARKAR, 2008). Dornelas (2014) ainda traz outros exemplos de como gerar ideias: pesquisar novas patentes e licenciamentos de produtos, em áreas nas quais o empreendedor tem intenção de atuar com um novo negócio, pode produzir conclusões interessantes que definirão a estratégia da empresa; estar atento aos acontecimentos sociais de sua região, tendências, preferências da população, mudanças no estilo e padrão de vida das pessoas e hábitos dos jovens (futuros e até atuais consumidores para determinados produtos e serviços) e também dos mais velhos (mercado promissor e em crescente ascensão em virtude do aumento da expectativa de vida da população); visitar institutos de pesquisa, universidades, feiras de negócios etc.; participar de conferências e congressos da área. O mais importante é ter em mente que, nesta etapa, tudo é válido, das ideias mais simples até as mais absurdas, pois é somente na próxima etapa (análise da oportunidade), que critérios mais racionais de negócio serão explorados. 3.1.2 Como identificaruma oportunidade “As oportunidades são criadas, ou construídas, uti l izando-se ideias e criatividade empreendedora.” (Dornelas, 2010) Ter a ideia de um novo negócio é relativamente simples, o desafio maior é transformar tal ideia em oportunidade real de negócio (AIDAR, 2007, p. 29). Ou seja, a dificuldade não está na ideia, mas sim na capacidade do empreendedor, que vislumbrou a ideia, de criar valor para o cliente, atendendo às necessidades de certo público com o produto ou serviço a ser desenvolvido e ofertado no mercado. Todo negócio deve atender às necessidades de clientes, mediante a oferta de algum produto ou serviço, pelo qual eles estão dispostos a pagar. Portanto, o caminho principal para identificar oportunidades de negócio é procurar necessidades de potenciais clientes que não estão sendo satisfeitas e desenvolver produtos ou serviços para satisfazê-las a um custo que os clientes estejam dispostos a pagar. (DEGEN, 2009, p. 32). Tais necessidades podem ser percebidas a partir de diversas fontes de ideias empreendedoras, conforme apresentado anteriormente. Porém, pesquisadores no assunto apontam três principais fontes de oportunidade: (1) mudança tecnológica; (2) mudança política ou de regulamentos; e (3) mudança social e demográfica. 3.1.2.1 Fatores tecnológicos Por vários séculos, a vida das pessoas pouco ou quase não mudava. O meio de transporte, a forma de fazer negócio, as rotinas diárias, tudo acontecia da mesma forma por gerações. Há pouco mais de um século, vive-se em constante transformação. Invenções como o motor a vapor (ou máquinas a vapor, na Inglaterra do século XVIII) deram início a uma transformação na forma de se produzir e transportar bens. De lá para cá, muito foi criado e passou a se tornar item necessário em nossas vidas. Não se vive mais sem celular ou internet. Desde produtos tecnológicos a sistemas de gestão, existe um universo de oportunidades aguardando pelo empreendedor, que reforça a importância do fator tecnológico como fonte de oportunidade. 3.1.2.2 Fatores político-regulatórios O empreendedor pode perceber duas fontes de oportunidade no que se refere aos fatores político-regulatórios. O primeiro deles é aproveitar a desregulamentação, pois, nesses casos, facilita a entrada de novos participantes em setores específicos. Pode-se utilizar como exemplo o setor de telecomunicações no Brasil, que, até 1998, era explorado com exclusividade por instituições públicas. A partir dessa data, empresas privadas puderam participar do setor. A segunda fonte é a regulamentação que protege específicos tipos de atividades, pois permite que pessoas que respondem adequadamente às mudanças obtenham ganhos. A “Lei Seca”, por exemplo, compromete o faturamento de bares e restaurantes, pois inibe o consumo. Por outro lado, gera oportunidade para aqueles que oferecem serviços de transporte aos seus clientes. 3.1.2.3 Fatores sociais e demográficos As mudanças sociais e demográficas são fortes fontes de oportunidade, pois ambas alteram a demanda por produtos e serviços ao criar oportunidade para produzir coisas diferentes. Além disso, a solução para atender necessidades dos clientes normalmente é mais produtiva do que as disponíveis atualmente. Como exemplo de oportunidade nas mudanças sociais aponta-se o crescente número de pessoas que moram sozinhas. Com isso, surgiu uma gama de produtos alimentícios em porções menores ou individuais, principalmente de congelados. Como exemplo de mudança demográfica destaca-se o aumento da expectativa de vida da população. Com isso, empresas de turismo estão oferecendo pacotes de viagem para o público da terceira idade, que tem algumas restrições de locomoção e cuidados com a saúde. O Caso Nespresso E a família, como vai? Uma bala azedinha: o cheiro de pão feito em casa; o som da feira; o nhoque da avó; um abraço. Todas estas lembranças nos remetem a bons momentos de nossas vidas, momentos estes que nos alegram e tornam a vida mais leve. Assim, a Nestlé descobriu uma nova oportunidade em um segmento em que nunca havia alcançado a liderança, o segmento de café. Com a NESPRESSO, a Nestlé não reinventou o café, mas simplesmente a forma de bebê-lo. Em casa ou no escritório, o objetivo da NESPRESSO é lembrar o consumidor que beber um bom café é uma das boas coisas da vida, assim como tantas outras que nos remetem a boas recordações. Resumindo, a estratégia comercial da NESPRESSO era bastante simples. Transformar o ato de beber um bom café em um momento confortável, alegre e descontraído. Na década de 1970, o departamento de P&D da Nestlé desenvolveu uma máquina de café expresso que util izava cápsulas de café moído em porções específicas, com um sabor que imitava os cafés de maior categoria italianos. Registrada a sua patente em 1976, a NESPRESSO só começou a ser vendida em 1986, quando foi definida a estratégia de marketing do novo produto. Nos últimos anos, a NESPRESSO optou pela estratégia de um produto cada vez mais premium, caracterizando seus consumidores como membros do clube (consumidores que compram a máquina de café expresso e/ou participam interativamente das discussões e promoções da NESPRESSO em seu site). Atualmente, a empresa é líder mundial do mercado de café premium em porções individuais, atuando em mais de cinquenta países. Pelo terceiro ano consecutivo, foi nomeada a marca de crescimento mais rápido do Grupo Nestlé. Remeter os consumidores a boas recordações, além de tornar seus consumidores uma família em torno de um produto, foi a oportunidade identificada pela Nestlé para sofisticar um produto que até vinte anos atrás era praticamente uma commodity dentro do mercado, concorrendo unicamente por distribuição e preço. Fonte: adaptado pelos autores com base em Nespresso (2011). 3.1.3 Formas de exploração da oportunidade Cada uma das fontes de oportunidade (mudança tecnológica, mudança política ou de regulamentos, ou mudança social e demográfica) pode ser explorada de cinco formas distintas: novo produto ou serviço, nova forma de organização, novo mercado, novos métodos de produção e nova matéria-prima. O Quadro 6 apresenta estas possibilidades de exploração, a partir da fonte mudança tecnológica. Quadro 6 – Formas de exploração da oportunidade a partir de mudanças tecnológicas Forma de Exploração da Oportunidade Mudança Tecnológica Exemplo de uma Ideia de Negócio em Resposta à Oportunidade Justificativ a Novo produto ou serviço Comunicação Telefone celular Permite a comunicação em diferentes lugares. Nova forma de organização Internet Sites de compra coletiva Venda de produtos para um número maior de pessoas. Novo mercado Medicina estética Botox Criado originalmente como alternativa para o tratamento não cirúrgico do estrabismo, hoje é uti l izado para eliminar ou reduzir as rugas de expressão. Novos Computador Telecirurgia Sistema em que especialistas métodos de produção movimentam os braços robóticos durante a cirurgia por meio de um joystick acoplado ao computador. Nova matéria- prima Plástico Verde Embalagem de produtos Possui propriedades idênticas às do plástico tradicional e tem aplicação em mercados como o automobilístico, indústria de brinquedos, embalagens para alimentos e produtos de higiene, entre outras. Fonte: adaptado pelos autores com base em Baron e Shane (2007). Da mesma forma que se realizou este exercício pensando-se exemplos de negócios da fonte de oportunidade e mudança tecnológica, pode-se fazê-lo para as duas outras fontes aqui não exploradas. 3.2 Critérios para avaliação de oportunidades de negócio Depois de identificar ideias e oportunidades para novos negócios, a etapa seguinte refere-se à avaliação da oportunidade identificada. Existem diversas bases para comparar ou julgar uma oportunidade de negócios; porém, como as chances de cometer um erro nunca são iguais a zero, é importante possuir um argumento racional que guie os passos do empreendedor em futuros empreendimentos. Tais bases, que na sequência serão tratadas como roteiro ou plano, “[...] nãoé um plano de negócio, porque foca a ideia e o mercado (a oportunidade) da ideia — não o empreendimento” (HIRSCH; PETERS; SHEPHERD, 2009, p. 174). Quanto à estrutura, de forma geral, esses roteiros para avaliação de oportunidades contemplam a descrição do produto ou serviço a ser desenvolvido e ofertado, além dos aspectos mercadológicos do novo negócio, como setor, concorrentes, fornecedores, clientes. Alguns ainda incluem análises preliminares de viabilidade econômico-financeiras, enquanto outros trazem um plano dos próximos passos para colocar o negócio em operação. A seguir serão abordados alguns dos principais pontos a se considerar no momento da avaliação de uma oportunidade de negócios, com base nas propostas desenvolvidas por Sarkar (2008), Dornelas, Timmons e Spinelli (2010), Hirsch, Peters e Shepherd (2009) e Maximiano (2011). É claro que cada avaliação depende de vários fatores, tanto internos quanto externos. De toda forma, é bastante importante ter um guia para orientar o empreendedor durante este processo. 3.2.1 Plano de avaliação de uma oportunidade Antes de apresentar o seu plano de avaliação de uma oportunidade, Sarkar argumenta que a avaliação da oportunidade “[...] é talvez o elemento mais crítico para o processo empreendedor” (2008, p. 220). Este plano deve ser menor que o plano de negócios, centrando-se na oportunidade, e não na empresa como um todo, fornecendo subsídios para a tomada de decisão de avançar ou não com o empreendimento. Um plano de avaliação de uma oportunidade inclui os seguintes passos: a descrição do produto ou do serviço, uma avaliação da oportunidade, uma avaliação do empreendedor e da equipe e a especificação de todas as atividades e recursos necessários (humano e financeiro) para traduzir a oportunidade em uma empresa viável (SARKAR, 2008, p. 221). No Quadro 7, é possível observar na íntegra as questões que devem ser respondidas pelo plano de avaliação de uma oportunidade. Quadro 7 – Questões de um plano de avaliação de uma oportunidade Questão Detalhamento O quê? Resumo da Ideia Geralmente chamada de elevador pitch, significa explicar a ideia de forma resumida, dizer por que ela é viável etc. Para quem? Mercado Identifica os potenciais clientes, a determinação da dimensão do mercado-alvo e do preço que seria possível cobrar nesse mesmo mercado pelo novo produto/serviço. Contra quem? Concorrência Identifica os potenciais concorrentes, diretos ou indiretos, a análise da facil idade e das barreiras à entrada no mercado etc. Baseado em quê? Mais sobre o produto ou serviço Detalha vários aspectos sobre as características do novo bem, como o seu grau de inovação, sua sofisticação tecnológica, sua sustentabil idade e a base de sua vantagem competitiva. Como será possív el? Recursos necessários Identifica os recursos necessários para preencher a necessidade identificada no mercado. Como v amos Define onde será sediada a empresa, como é o processo de produção etc. v amos fazer? etc. Por que eu (ou nós)? Identifica as garantias que você e sua equipe oferecem para uma concretização bem-sucedida do projeto. Fonte: adaptado pelos autores com base em Sarkar (2008). 3.2.2 Roteiro de análise de oportunidade a partir da estrutura e da demanda de mercado O roteiro de análise de oportunidade com base na estrutura e na demanda de mercado é uma adaptação de duas propostas: Dornelas, Timmons e Spinelli (2010) e Hirsch, Peters e Shepherd (2009). Este roteiro aborda, basicamente, a análise de mercado, a partir de seis aspectos a serem analisados: 1. Perspectivas de mercado: análise das principais expectativas do mercado quanto aos prazos relativos a clientes, benefícios para o usuário, valor agregado e tempo de vida do produto. As perspectivas relacionadas a prazos (curto, médio e longo) são importantes para avaliar a correlação entre a potencialidade do negócio e o valor de capital de giro para manutenção do mesmo por parte do empreendedor. 2. Estrutura do mercado: análises dos diferentes tipos de concorrência setorial (concorrência ou liderança de mercado), em relação ao mercado a ser atingido (fragmentado, em expansão ou consolidado). Quanto maior a pressão da concorrência sobre determinado mercado, menor a lucratividade do mesmo. Porém, em geral, esses são os mercados em que os negócios atingem maior porte e maior faturamento bruto. 3. Tamanho do mercado: análise do tamanho (pequeno, médio ou grande) do mercado a ser atingido. Possui correlação direta com o tipo de produto/serviço da empresa. 4. Capacidade do mercado: prognóstico de quanto o mercado possui de espaço (fortemente, razoavelmente ou pouco ocupados) para novos negócios. Quanto menos ocupados são os mercados, maiores as margens de lucro, porém também maiores as necessidades de inovação e disposição ao risco da empresa. 5. Taxa de crescimento do mercado: prognóstico de quanto o mercado possui de espaço de crescimento (mercados em expansão, estagnados ou em declínio), mantendo-se as variáveis econômicas estáveis. 6. Perspectivas futuras do negócio: assume o negócio como um ativo de longo prazo do empreendedor, considerando: Valor futuro de venda da empresa (valuation): definição do valor do negócio para uma venda, baseado em dados passados da empresa e projeções futuras, levando em conta, entre outros, aspectos como faturamento, lucro operacional, capacidade produtiva e medidas de mercado. Barreiras de saída do negócio: fatores do ambiente ou da própria empresa que impedem que o empreendedor se desvincule dela. Em geral, caracterizam-se como: apego emocional a empresa, restrições governamentais para a venda ou fechamento do negócio, altos custos (tipo passivos trabalhistas) para o encerramento da empresa. Potencial de valor agregado: quando a empresa possui um valor estratégico significativo para empresas concorrentes ou de outros setores. Neste caso, o faturamento ou o porte da empresa não são fundamentais para seu valor de avaliação, mas sim fatores como patentes, marca, ponto comercial, entre outros. O Quadro 8 apresenta exemplos para cinco aspectos desta análise. Quadro 8 – Detalhamento dos aspectos de análise de oportunidade, a partir da estrutura e da demanda de mercado Perspectiv as de mercado Perspectiv as Prazos Curto Médio Longo Clientes Acessíveis; possuem necessidade contínua de consumo; baixa relação custo/benefício; medida de satisfação imediata. Possuem uma concepção de compra anterior; têm necessidade de uso normal para a satisfação de sua necessidade; valorizam experiências anteriores. Possuem diversos motivos para compra; verificam o ciclo de vida temporal do produto; analisam com maior ênfase os benefícios/riscos percebidos. Benefícios para o usuário Imediatos no momento da venda; podem ser uti l izadas vendas de impacto; resolve necessidades de forma imediata. Necessita um processo de pré-venda; não há uma relação de necessidade imediata; o produto pode ser usado ou guardado por um prazo médio. Produto de necessidade contínua; produto de necessidade futura; possui apelo de compra duradoura. Valor agregado Baixo; pouca comparação de preços. Relativo; ênfase maior na disponibil idade do que no preço. Produtos de maior valor agregado; há uma pesquisa mais intensiva de preços. Tempo de v ida do produto Consumo praticamente imediato. Sujeito à moda ou atualizações constantes. Percepção do cliente de um longo ciclo de vida em relação ao custo. Exemplos de negócios Food service. Lojas de cosméticos. Indústria moveleira. Estrutura do mercado Tipo de mercado Mercado a ser atingido Fragmentado Em expansão Consolidado Concorrência Muitos concorrentes, de pequeno porte; forte aspecto do ponto comercial ou do canal de distribuição. Concorrentes de grande e médio porte; pouca colaboração entre os mesmos; ênfase no atendimento e busca por novos clientes. Concorrentes de grande e médio portes, já consolidados; fortes barreiras de entrada; forte concorrência por preço. Liderança de mercado Lideranças regionais.Lideranças por segmento. Liderança por custos de escala (P&D, produção, compras, publicidade). Exemplos de setor concorrencial Lavanderias. Livrarias. Lojas de móveis e eletrodomésticos. Tamanho do mercado Enfoque Porte do mercado Pequeno Médio Grande Porte de mercado Forte busca por nichos; necessita de um mix de produtos mais amplo para geração de escala; Presente em classes sociais específicas; bom espaço para penetração de novos produtos; foco Presente em todas as fatias da sociedade; possui grandes valores de venda e de escala; alto valor de necessita amplitude do canal de distribuição. geográfico pontual. faturamento bruto. Exemplos de porte de mercado Produtos para diabéticos. Comidas congeladas. Commodities, como arroz, feijão, sal. Capacidade do mercado Percentual Espaço de mercado ocupado Fortemente Razoav elmente Pouco Percentual de capacidade Mercados já dominados por grandes players; perspectiva de consumo limitada pelo crescimento da população. Mercados com relativa intensidade da concorrência; capacidade de expansão medida pela evolução do produto ou tendências. Mercados de grande apelo de consumo via desenvolvimento de novas necessidades; normalmente, mercados de tecnologia. Exemplos de capacidades de mercado Eletrodomésticos (linha branca). Vestuários (moda). Tablets. Taxa de crescimento do mercado Taxa Espaço de crescimento do mercado Expansão Estagnados Em declínio Taxa de expansão do mercado Novos mercados com altas expectativas de crescimento do consumo; taxa média de crescimento de 30 a 50% ou mais. Mercados com consumo estável; crescimento de acordo com a economia. Mercados que apresentam decréscimo de consumo; taxa média de diminuição acima de 10%. Exemplos de expansão de mercado E-books. Supermercados. CDs. Fonte: adaptado pelos autores com base em Dornelas, Timmons e Spinell i (2010) e Hisrich, Peters e Shepherd (2009). 3.2.3 Avaliação de ideias de negócios Independentemente da origem da ideia ou da oportunidade, nenhuma delas é garantia de sucesso, sendo necessário considerar e planejar vários aspectos entre o surgimento da ideia e a criação do negócio. Contudo, o empreendedor ou potencial empreendedor ainda “[...] acredita mais na ideia do que na necessidade de fazer qualquer espécie de avaliação” (MAXIMIANO, 2011, p. 28). Com base nessa crença, muitas ideias são fadadas ao fracasso, quando se transformam em negócio. Com vistas a auxiliar na análise de ideias, Maximiano (2011) em sua proposta de critérios para avaliar produtos e negócios (Quadro 9), aborda os seguintes aspectos: viabilidade de mercado, concorrência, viabilidade de produção, controle governamental e investimento inicial e retorno. Quadro 9 – Critérios para avaliar produtos e negócios Critério Questões Viabilidade de mercado O produto tem compradores potenciais? Com que frequência o produto seria comprado? Quem compraria? Quantos comprariam? Onde estão os compradores? Qual preço aceitariam? Há sazonalidade? Concorrência Quem são os concorrentes? Quantos são? Onde estão? Quais são suas vantagens competitivas? Qual é o alcance e a eficácia de seus canais de distribuição? Há barreiras para novos ingressantes? Quais são os fornecedores dos concorrentes? Viabilidade de produção Existem componentes e matérias-primas para fazer o produto? Existem máquinas, equipamentos e instalações? Existe a mão de obra? Qual a necessidade de desenvolvimento e experimentação? Qual o investimento necessário? Controle gov ernamental Há controles governamentais sobre o produto ou tipo de negócio? Há necessidade de licenciamento ou aprovação? Qual o investimento necessário para atender a legislação? Inv estimento inicial e retorno Qual o investimento necessário? Qual o período de retorno desse investimento? Fonte: adaptado pelos autores com base em Maximiano (2011). O critério viab ilidade de mercado preocupa-se com a existência de mercado, real ou potencial, para a ideia. Isto porque, segundo o autor, determina-se a viabilidade da ideia pelo mercado, ou seja, indivíduos com poder aquisitivo e disposição de comprar. Entretanto, entre os clientes e o empreendedor estão os concorrentes — segundo aspecto a ser analisado. Além das questões dispostas no quadro sobre a concorrência, o empreendedor também deve estudar o ramo de atividade escolhido, especificamente, em relação à estrutura deste mercado (existência de poder de mercado exercido por uma ou poucas organizações e suas implicações para o negócio). A análise mercadológica (clientes e concorrentes) deve possibilitar uma estimativa de potencial de receitas do futuro negócio. Analisado o mercado consumidor e concorrente, o empreendedor deve avaliar a viab ilidade de produção do produto ou serviço, a qual “[...] refere-se à capacidade efetiva de fornecer o produto ou serviço, no presente ou no futuro” (MAXIMIANO, 2011, p. 30). Verificada que a produção ou prestação do serviço é viável, o empreendedor tem de considerar o controle governamental a que estará sujeito (quarto critério a ser avaliado), como questões de legislação, regulamentação, licenciamento, entre outras. Por fim, o último critério a ser analisado é o investimento inicial, ou seja, o montante necessário para iniciar a operação do negócio, e o retorno esperado, com base nas estimativas de receitas e no investimento inicial, para auxiliar na decisão do empreendedor de prosseguir ou não com a implantação do novo negócio. 3.3 Ideias destacadas neste capítulo Ideias e oportunidades não são sinônimos. Tão importante quanto o comprometimento do empreendedor com o negócio, é sua atividade de pesquisa em relação ao mesmo. Excelentes oportunidades de negócios são jogadas fora por falta de um trabalho anterior de pesquisa, levantamento de dados de mercado, conhecimento do produto a ser oferecido e elaboração de uma boa pesquisa para análise de oportunidades. Uma oportunidade de negócio pode ser identificada analisando- se três fontes básicas: as mudanças tecnológicas; as mudanças políticas ou de regulamentos; e as mudanças sociais e demográficas. Depois de identificar a oportunidade para um novo negócio, a avaliação da oportunidade identificada deve ser realizada. Diversos autores apresentam roteiros distintos para a avaliação. De qualquer forma, em geral, um roteiro de avaliação de oportunidades contempla: a descrição do produto ou serviço a ser desenvolvido e ofertado, além dos aspectos mercadológicos do novo negócio, como setor, concorrentes, fornecedores, clientes. 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Atualmente, professora nos cursos de graduação e pós-graduação da UNISINOS e escriturária no Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul). http://www.papode empreendedor.com.br/inovacao/o-seu-problema-pode-trazer-uma-boa-ideia-para-um-novo-negocio/ http://www.nespresso.com http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/%20ult91u395749.shtml PARTE II Ferramentas necessárias para o empreendedor. “O planejamento não é uma tentativa de predizer o que vai acontecer. O planejamento é um instrumento para raciocinar agora, sobre que trabalhos e ações serão necessários hoje, para merecermos um futuro. O produto final do planejamento não é informação: é sempre o trabalho.” Peter Drucker CAPÍTULO 4 O PLANO DE NEGÓCIOS – UMA INTRODUÇÃO José Fernando Dresch Kronbauer8 Vanessa de Souza Batisti Este capítulo introduz o plano de negócios, uma das ferramentas mais uti l izadas para o planejamento de um novo negócio. Primeiramente, apresenta-se o conceito e como deve ser o seu formato. Depois, descreve-se melhor as seções iniciais do plano: o sumário executivo e a apresentação da empresa. 4.1 Palavras iniciais Criar, investir, arriscar e não temer talvez sejam as palavras-chave para um empreendedor. A insatisfação e o inconformismo em relação ao que está à sua volta são o que predispõem a descobertas e propostas propositivas para si mesmo e para os outros. Empreendedorismo é a criação de valor por pessoas e organizações trabalhando juntas para implementar uma ideia criativa, transformando aquilo que comumente se chamaria de risco, sendo isto um dos entendimentos sobre o que é empreendedorismo e o principal fator promotor do desenvolvimento econômico e social de um país (DOLABELA, 2008). Inovação é a ferramenta específica do empreendedor, o meio pelo qual ele explora a mudança como uma oportunidade para o seu negócio ou serviço (DRUCKER, 2008). Isso é capaz de ser apresentado como uma disciplina, capaz de ser aprendido, de ser praticado, como em um laboratório ou em uma biblioteca, ou onde se tem oportunidade para se estudar tecnologia do ponto de vista de conhecimentos científicos e empíricos aplicáveis à produção ou à melhoria de bens ou serviços, observando e acumulando os passos das inovações anteriores, promovendo com isso um ganho ou um rearranjo do estado social e econômico. Além disso, é preciso sonhar. Talvez seria melhor dizer “sonhar acordado”. Mas o que seria sonhar acordado? Como ter um futuro promissor e feliz, como obter uma posição de destaque e respeito na sociedade e a independência financeira? Uma resposta muito provável seria o sonho de ser um empresário, de abrir seu próprio negócio. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP), em pesquisa sobre condicionantes e taxa de mortalidade de empresas no Brasil realizada em 2009, aponta que este sonho é levado à prática, fazendo com que o país seja constantemente citado como um país de pessoas empreendedoras. De fato, o relatório da pesquisa GEM de 2012 refere que o Brasil se situa em uma das primeiras posições, mundialmente falando, na criação de novas empresas. Tão impressionante quanto a quantidade de empresas que abrem anualmente no Brasil é o fato de que mais da metade (55,64%) delas estará fechada menos de três anos após sua abertura (SEBRAE-SP, 2009). As causas deste percentual elevado de fechamento precoce são variadas e foram alvo de estudo. O Sebrae-SP, como já mencionado, realizou pesquisa de campo no início dos anos 2000 para investigar as empresas fechadas. Segundo esta pesquisa, encontram-se em primeiro lugar entre as causas do fracasso questões relacionadas a falhas gerenciais na condução dos negócios. Em segundo lugar, predominam as causas econômicas conjunturais, como falta de clientes, maus pagadores e recessão econômica no país, sendo que a falta de clientes pressupõe, também, falhas no planejamento inicial da empresa. A Tabela 1 ilustra as principais informações obtidas nessa pesquisa. Tabela 1 – Causas das dificuldades e razões para o fechamento de empresas Categorias Rankings Dificuldades/Razões Empresários (%) Falhas gerenciais 1º Falta de capital de giro. 42 3º Problemas financeiros. 21 8º Ponto/local inadequado. 8 9º Falta de conhecimentos gerenciais. 7 Causas econômicas conjunturais 2º Falta de clientes. 25 4º Maus pagadores. 16 6º Recessão econômica no país. 14 Logística operacional 12º Instalações inadequadas. 3 11º Falta de mão de obra qualificada. 5 Políticas públicas e arcabouço legal 5º Falta de crédito bancário. 14 10º Problemas com a fiscalização. 6 13º Carga tributária elevada. 1 17º Outra razão. 14 Fonte: Sebrae-SP (2009). Nota: A questão admitia múltiplas respostas. Constatada a dificuldade em abrir uma empresa e mantê-la, não só funcionando mas constituindo fonte satisfatória de renda para seus proprietários, parece de suma importância efetuar uma análise prévia e qualificada das oportunidades idealizadas. Essa análise deve permitir ao empreendedor deixar de se guiar apenas pela intuição e dispor de informações e ferramentas para tomar uma decisão de fato, que é a de entrar ou não no mercado, efetuar ou não o investimento. Ainda que esta análise de oportunidade não consiga, por si só, garantir o sucesso do empreendimento, pelo menos diminuirá a possibilidade de vícios de origem, ajudando a diminuir o risco da empreitada. É aqui que entra o plano de negócio, uma das ferramentas mais adequadas para que os riscos sejam cada vez menores e os objetivos sejam atingidos. O sucesso na trajetória do empreendedor não está vinculado apenas às características pessoais e ao perfil psicológico, é necessário um bom planejamento para auxiliar na implantação e na gestão do empreendimento. Bernardi (2003, p. 70), enfatiza que “uma preparação não adequada e superficial é pré-requisito a um provável insucesso”. O principal objetivo de se fazer um plano de negócios é prover uma ferramenta gerencial para o planejamento e desenvolvimento inicial da empresa, oportunizando aos empreendedores pensar e consolidar em um documento único todas as questões referentes ao empreendimento (DORNELAS, 2014). Mas o que é o plano de negócio? É o que veremos na próxima seção. 4.2 Conceituando plano de negócio Para que se faça a avaliação de uma oportunidade de negócio e para que este venha a termo, é necessário estruturar o projeto do referido negócio. Este projeto é chamado de plano de negócio, o guia para a existência de uma empresa, o mapa rodoviário para avançar pela estrada do sucesso, a planta para construir sua empresa e a chave para abrir a porta para o empréstimo bancário. O plano de negócio compreende um momento de planejamento do empreendedor. Pode ser ainda um documento escrito que descreve os objetivos de um negócio e seus respectivos passos necessários para sua realização. É também entendido como uma proposta ou um plano de ação para o referido empreendimento, a partir dealguns pontos decisivos para sua concretização, como testar a viabilidade da ideia, prover um plano de ação que indicará o que fazer e quando fazer e, finalmente, servir de documento de apresentação para busca de financiamento, sendo que a função essencial do plano de negócio é descrever em detalhes a missão e o propósito essencial do seu empreendimento, seus produtos e serviços, mercado, estratégia, metas, estrutura organizacional e planejamento financeiro (BERLE; KIRSCHNER, 1995; CHÉR, 2002). No entendimento de Aidar (2007, p. 73), o plano de negócios “é um documento que explica a oportunidade de negócios, identifica o mercado a ser atendido e fornece detalhes de como os planos serão perseguidos”. Hisrich, Peters, Shepherd (2009) definem o plano de negócios como “um documento preparado pelo empreendedor em que são descritos todos os elementos externos e internos relevantes envolvidos no início de um novo empreendimento” (ib idem , p. 219). Ainda conceituando o que é plano de negócio, Bernardi (2006) justifica sua elaboração não somente pelo fato de auxiliar na fase inicial do negócio, mas também [...] como uma boa prática de gestão no desenvolvimento da empresa, seja para revisar periodicamente o atual modelo de negócios, seja para projetos estratégicos específicos ou para estabelecer e avaliar as premissas fundamentais ao desenvolvimento do negócio. (ibidem, p. 3). Ao confeccionar o plano de negócios da ideia empresarial, poderá ser verificado, ao se transpor as diversas etapas preconcebidas, se o negócio idealizado possui consistência, sendo muito mais fácil corrigir na fase de concepção do negócio do que em uma empresa efetiva. O exercício de transformar a ideia de empreender em um projeto obriga o empreendedor a testar premissas e formatá-las conforme a realidade. Esse será o momento para avaliar e projetar em números e prazos do investimento e do retorno sobre o capital. O plano também servirá para determinar os passos do empreendedor no sentido de avaliar o desempenho do seu negócio em relação ao que planejou (CHÉR, 2002). Nesse sentido, o Quadro 10 apresenta os principais benefícios da elaboração do plano de negócios. Quadro 10 – Principais benefícios da elaboração do plano de negócios, segundo Degen Principais Benefícios da Elaboração do Plano de Negócios 1. Reunir ordenadamente todas as informações e ideias sobre o novo negócio. 2. Escrever o plano do negócio força o candidato a empreendedor a analisar, formalizar e justificar todos os aspectos críticos do novo negócio. 3. Vender o negócio para si mesmo. 4. Simular as consequências de diferentes estratégias competitivas, ofertas de valor, de planos financeiros etc. 5. Apresentar o plano de negócio a pessoas experientes e de confiança para validá- lo, ouvir sugestões, críticas etc. 6. Motivar e focalizar a atenção do candidato a empreendedor e dos possíveis sócios e colaboradores nos riscos do negócio e como superá-los, além de focar nos aspectos críticos para o sucesso deste negócio. 7. Testar a oportunidade de negócio, o conhecimento, a motivação e a dedicação do candidato a empreender e dos possíveis sócios e colaboradores do novo negócio. 8. Convencer possíveis sócios, investidores, financiadores, fornecedores e futuros clientes do sucesso do novo negócio e, assim, obter os recursos necessários para realizá-lo. 9. Orientar a montagem e a operação do novo negócio no primeiro ano. 10. Controlar o investimento da montagem e os custos de operação por meio da projeção do fluxo de caixa do novo negócio no primeiro ano. Fonte: elaborado pelos autores com base em Degen (2009). Planos de negócio, ao demonstrarem e avaliarem um objeto dinâmico, que são as empresas, apresentam esta mesma característica de dinamismo, por esse motivo não são documentos para ficarem esquecidos após sua confecção, ao contrário, devem ser constantemente revisados e atualizados, pois de tempos em tempos qualquer plano deverá receber ajustes, visto que é muito comum se perceber metas superavaliadas ou detalhes inadvertidamente ignorados, pois estão constantemente sujeito a mudanças, são muito efêmeros (CHÉR, 2002; SIEGEL et al., 1993). 4.3 Estrutura do plano de negócio Diversos autores apresentam uma sugestão de formato para a montagem do plano de negócio, com pequenas variações entre si, sendo que não há uma estrutura rígida e específica para se escrever um plano de negócio. O importante é se observar as particularidades e as peculiaridades de cada negócio, não havendo um modelo, um padrão. [...] não existe uma estrutura rígida e específica para se escrever um plano de negócios, pois cada negócio tem particularidades e semelhanças, sendo impossível definir um modelo padrão de plano de negócios que seja universal e aplicado a qualquer negócio. [...] Mas qualquer plano de negócios deve possuir um mínimo de seções as quais proporcionarão um entendimento completo do negócio. (DORNELAS, 2014, p. 97). Embora existam variações entre as propostas de plano de negócio, há uma estrutura básica que se repete em vários modelos existentes na literatura. Esta estrutura, em geral, contém ao menos seis itens: sumário ou resumo executivo; apresentação da empresa e/ou do negócio; análise estratégica; plano de marketing; plano operacional; plano financeiro; anexos. O certo é que todos os autores buscam um roteiro lógico e coerente para organizar a apresentação da empresa, de seu negócio e possibilidades visando facilitar o entendimento e a aprovação de quem for analisar o plano de negócios. Neste livro, o roteiro sugerido (que pode ser encontrado no Apêndice A) é composto por oito itens, a saber: 1. Sumário executivo. 2. Apresentação da empresa. 3. Definição dos produtos e/ou serviços. 4. Mercado, marketing e vendas. 5. Operações. 6. Finanças. 7. Estratégias. 8. Anexos. Os primeiros itens — sumário executivo e apresentação da empresa — serão detalhados na sequência. Os demais itens, por fins didáticos e para possibilitar um maior aprofundamento em cada tema, serão detalhados nos próximos capítulos deste livro: Capítulo 5: com ferramentas inovadoras originadas na área do design, este capítulo buscará auxiliar na definição do(s) produto(s) e/ou serviço(s) que será(ão) ofertado(s) pelo negócio em planejamento. Capítulo 6: detalha as questões relacionadas ao mercado, ao marketing e às vendas da empresa. Capítulo 7: aborda os aspectos referentes às operações do novo negócio, como processos operacionais, infraestrutura e layout, gestão de pessoas e estrutura organizacional. Capítulo 8: trata das finanças do empreendimento, abordando o investimento inicial, os custos, as vendas, as projeções de resultados, além de alguns indicadores. Capítulo 9: fecha o plano com as questões estratégicas do negócio, conceituando estratégia e abordando a análise ambiental e a matriz SWOT. 4.3.1 Sumário executivo A apresentação do negócio que está sendo planejado inicia-se com um sumário executivo, que resume as principais características da empresa, sendo, portanto, a principal seção do plano de negócios, pois prepara e atrai o leitor para a leitura integral do conteúdo, visto que se trata de uma versão condensada do plano inteiro, proporcionando ao leitor uma compreensão relativamente sólida daquilo que será apresentado em maiores detalhes em todo o plano. Baron e Shane (2011) relatam que o sumário executivo, chamado pelos autores de resumo executivo, “[...] deve responder às questões- chave com brevidade, porém detalhadas o suficiente para que o leitor possa ter ideia clara sobre o que é o novo empreendimento” (ib idem , p. 190). Já para Bernardi (2006), esta seção “é uma síntese introdutória do projeto, com o objetivo de fornecer uma visão geral e preliminar da natureza do negócio” (ib idem , p. 172). Quem for preparar um sumário executivo deverá fazê-lo ao final da elaboração do plano, embora ele apareça no início do documento (DORNELAS, 2014). O sumário executivo deverá responder às seguintes questões. Quadro 11 – Questões que devem ser respondidas no sumário executivoQuestão Exemplos O quê? Qual o propósito do seu plano? O que você está apresentando? O que é a sua empresa? Qual é seu produto/serviço? Onde? Onde será localizada a empresa? Onde está seu mercado e os seus clientes? Por quê? Por que se precisa do dinheiro requisitado para o negócio? Como? Como será empregado o dinheiro na empresa? Como está a saúde financeira do negócio? Como está o crescimento da empresa? Quanto? Quanto de dinheiro será necessário para investimento? Como se dará o retorno sobre o investimento? Quando? Quando o negócio foi ou será criado? Quando se precisará dispor do capital requisitado? Quando ocorrerá o pagamento do empréstimo obtido? Fonte: elaborado pelos autores com base em Dornelas (2014). Finalmente, é importante ter em mente que o sumário executivo do plano de negócios deve ser dirigido ao público-alvo, ou seja, enfatizando os assuntos que mais interessam àqueles que irão analisá-lo (DORNELAS, 2014; SIEGEL et al., 1993). 4.3.2 Apresentação da empresa Nesta seção, deve ser apresentado um breve resumo da organização da empresa, sua história e o status atual. É recomendado apresentar as razões de mercado que justificam a criação do negócio, ressaltando, também, a qualificação e a experiência dos profissionais nos níveis de comando (DORNELAS, 2014). Neste sentido, não pode faltar na apresentação da empresa uma introdução sucinta com a explicação da origem do negócio (para situar o leitor) e o que a empresa faz, ou seja, o que ela é (NAKAGAWA, 2013). Na apresentação da empresa, o empreendedor deve descrever [...] a empresa procurando mostrar o porquê de sua criação, qual o seu propósito, a natureza dos serviços ou produtos fornecidos, como ela se desenvolveu ou se desenvolverá, qual é o seu modelo de negócios e diferenciais. (DORNELAS, 2014, p. 130). Dornelas (2014) ainda enfatiza que a equipe de gestão é o principal foco dos investidores que analisam planos de negócios. Somente depois é que eles avaliam a ideia, a oportunidade e a possibilidade de ganhos. É aconselhável que, além da equipe gerencial, constem nesta seção do plano de negócios outros tópicos como: estrutura legal, localização e infraestrutura, terceiros, parceiros estratégicos, dentre outros (DORNELAS, 2014; CHÉR, 2002). 4.4 Ideias destacadas neste capítulo Ao tomar a decisão de empreender, é importante ter em mente que ser empreendedor/dono do próprio negócio não é tão “romântico” quanto parece. Abrir uma empresa e, mais do que isto, mantê-la funcionando e competitiva é um grande desafio. O ato de planejar deve ser uma prática do empreendedor, especialmente no estágio inicial de formação do novo negócio. A oportunidade identificada tem de ser qualificada e analisada, permitindo ao empreendedor não se guiar apenas pela intuição e dispor de informações e ferramentas para tomar uma decisão de entrar ou não no mercado, efetuar ou não o investimento. Mesmo que planejar não garanta, por si só, o sucesso do empreendimento, certamente diminuirá a possibilidade de vícios de origem, ajudando a diminuir o risco da empreitada. O plano de negócio compreende um momento de planejamento do empreendedor. Pode ser ainda um documento escrito que descreve os objetivos de um negócio e seus respectivos passos necessários para a sua realização. É também entendido como uma proposta ou um plano de ação para o referido empreendimento. O roteiro sugerido para o plano de negócios é composto por oito itens, a saber: (1) sumário executivo; (2) apresentação da empresa; (3) definição dos produtos e/ou serviços; (4) mercado, marketing e vendas; (5) operações; (6) finanças; (7) estratégias; e (8) anexos. REFERÊNCIAS AIDAR, Marcelo Marinho. Empreendedorismo. São Paulo: Thomson Learning, 2007. BARON, Robert A.; SHANE, Scott Andrew. Empreendedorismo: uma visão do processo. São Paulo: Cengage Learning, 2011. BERLE, Gustav; KIRSCHNER, Paul. Plano de negócios instantâneo. Rio de Janeiro: Axcel Books, 1995. BERNARDI, Luiz Antonio. Manual de empreendedorismo e gestão: fundamentos, estratégias e dinâmicas. São Paulo: Atlas, 2006. CHÉR, Rogério. O meu próprio negócio: todos os passos para avaliação, planejamento, abertura e gerenciamento de um negócio próspero. 4. ed. São Paulo: Elsevier, 2002. CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo: dando asas ao espírito empreendedor. São Paulo: Saraiva, 2005. DEGEN, Ronaldo Jean. O empreendedor: empreender como opção de carreira. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. DOLABELA, Fernando. O segredo de Luísa. São Paulo: Cultura Editores Associados, 2008. DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo: Transformando ideias em oportunidades. Rio de Janeiro: LTC, 2014. DRUCKER, Peter. Inovação e espírito empreendedor: prática e princípios. São Paulo: Cengage Learning, 2008. HISRICH, R. D.; PETERS, M. P.; SHEPHERD, D. A. Empreendedorismo. 7. ed. Porto Alegre: Bookman, 2009. NAKAGAWA, Marcelo. Empreendedorismo: elabore seu plano de negócio e faça a diferença! Rio de Janeiro: Ed. Senac Nacional, 2013. SEBRAE-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SP). Fatores condicionantes e taxas de sobrevivência e mortalidade das micro e pequenas empresas no Brasil | 2003–2005. Disponível em: <http://www.biblioteca.sebrae.com.br/bds/bds.nsf/8F5BDE79736CB99483257447006CBAD3/$File/NT00037936.pdf Acessado em: 19 set. 2011. SIEGEL, Eric S. et al. Guia da Ernst & Young para desenvolver seu plano de negócios. 2. ed. Rio de Janeiro: Record, 1993. __________ http://www.biblioteca.sebrae.com.br/bds/bds.nsf/8F5BDE79736CB99483257447006CBAD3/$File/NT00037936.pdf 8 José Fernando Dresch Kronbauer. Mestre em Saúde Coletiva e graduado em Administração – Comércio Exterior, ambos pela UNISINOS, e especialista em Administração e Planejamento Hospitalar pela Fiocruz. Atualmente, coordenador do intercâmbio do curso de Administração de Empresas e professor nos cursos de graduação da UNISINOS. CAPÍTULO 5 MODELANDO O NEGÓCIO: O USO DE FERRAMENTAS INOVADORAS PARA PENSAR NA DEFINIÇÃO DO PRODUTO OU SERVIÇO Jussana Ramos dos Santos9 Alexandre Pereira10 É possível afirmar que todos nós somos criativos? A resposta é sim. Todos nós conseguimos, de uma forma ou de outra, gerar boas ideias. O que nos falta são estímulos para acreditar e desenvolver melhor a proposta de um novo produto ou serviço que nos vem à mente. Nesse caso, os empreendedores podem colocar suas ideias em prática, arriscar e enfrentar inevitáveis frustrações que poderão surgir, uti l izando ferramentas que possibil item chegar o mais próximo possível do público o qual pretende atingir. As ferramentas do design thinking nos permitem “pensar como designers” e, como futuros líderes de novos negócios, a pensar “fora da caixa”, ou seja, refletir e modelar os novos negócios de forma criativa, entendendo melhor onde se pretende chegar. 5.1 Iniciando a discussão O objetivo deste capítulo é apresentar uma discussão sobre o tema modelagem de negócio e sua importância, partindo da ideia gerada para um produto ou um serviço. Para isso, são apresentadas ferramentas que contribuem para a reflexão do que este produto ou serviço se propõe, porém sob uma forma não convencional, mas explorando o lado criativo e inovador do futuro empreendedor. Ao final deste capítulo, será possível compreender e detalhar melhor o processo de geração de uma ideia e sua consequente integração a um modelo de plano de negócios. Antes de focar na aplicação das ferramentas, é importante apresentar o conceito que leva as pessoas a usarem a criatividade para solucionar problemas ou conduzir ideias para novos negócios de uma forma não convencional. Conforme Bessant e Tidd (2009), novas conexões surgem do processo criativo que permitem experimentar diferentes formas e pontos de vista, gerando algo valioso para todos, seja para o indivíduo, grupo ou sociedade. Dentro do contexto de permitir diferentes visões e formas de propor soluções para determinados problemas é que surge a abordagem do design thinking. 5.2 Pensando “fora da caixa” com o design thinking O design thinking,ou apenas DT, é um processo colaborativo, também chamado de processo de cocriação, o qual usa a sensibilidade e técnicas criativas e coletivas para suprir as necessidades das pessoas (BROWN, 2010). Esses processos de colaboração abrem espaços para questionamentos com o objetivo de entender melhor o problema a ser respondido, solucionado. De acordo com a Escola de Design Thinking (2014), a solução não está dentro do mesmo raciocínio em que o problema foi gerado. A partir da visão do designer, as alternativas para resolver o problema são criadas, gerando um padrão distinto do estabelecido pelos modelos mentais das organizações. Dentro desse contexto, surge a ideia de “pensar fora da caixa”, ou seja, contrapor um status quo corporativo com base em ideias inovadoras. Para alguns, tais formas de pensar e agir acabam sendo estranhas e difíceis de serem entendidas. Para outros, essas práticas de resolver problemas e situações organizacionais acabam sendo prazerosas e divertidas. Tal dualidade de percepção sobre o DTestá alinhada ao que chamamos de dominância cerebral, que pode ser dividida da seguinte maneira: o lado esquerdo do cérebro é responsável pelo nosso perfil mais analítico e controlador, enquanto o lado direito é responsável por experiências e relações. Se traçarmos esta leitura para as organizações, notaremos que a maioria delas preza pelas características dinamizadas a partir do lado esquerdo, análise e controle. Tais características são essenciais para que a empresa tenha foco e efetividade em seus negócios, porém seriam suficientes para gerar boas e novas ideias? Assim, o design thinking permite que as pessoas das organizações mobilizem, além de suas já utilizadas características analíticas e controladoras, também suas características e reflexões no que tange a experimentações e relações. A abordagem do DT trata-se de um “modelo mental”, no qual é oferecida oportunidade para geração de ideias “sem pré-julgamentos”, o que força a refletir e sair da “zona de conforto” (ESCOLA DE DESIGN THINKING, 2014). Nesse caso, é preciso permitir esses movimentos agindo de forma ousada nas atividades que exigirem contribuições para solucionar problemas organizacionais e da sociedade. Na sequência, é apresentado um roteiro sintético das etapas que compõem a execução de um processo de design thinking, ou seja, de como utilizar tal ferramenta, seja na sua organização ou até mesmo no seu cotidiano. A empresa carioca de design e inovação MJV, que compartilha sua experiência no livro Design Thinking – Inovação em Negócios, realiza projetos de DT em três etapas: (1) Imersão; (2I) Ideação; (3) Prototipação (Figura 2). Figura 2 – Esquema representativo das etapas do processo de design thinking. Fonte: Vianna et al. (2011). O Quadro 12 a seguir descreve sucintamente cada uma destas etapas. Quadro 12 – Descrição das etapas do design thinking utilizadas pela empresa MJV Etapa Descrição Imersão A primeira etapa a ser realizada é a imersão, a qual pode ser dividida em duas etapas: preliminar e em profundidade. A etapa preliminar tem como objetivo o reenquadramento e o entendimento inicial do problema a ser tratado, enquanto a segunda etapa, realizada em profundidade, destina-se à identificação de necessidades e oportunidades que irão nortear a geração de soluções na fase seguinte do projeto. Após as etapas de levantamento de dados da fase de imersão, os próximos passos são análise e síntese das informações coletadas. Para tal, os insights são organizados de maneira a obter-se padrões e a criar desafios que auxil iem na compreensão do problema. Esta etapa é crítica no sentido de permitir à organização sinalizar “tri lhas” e “problemáticas” que servirão de pano de fundo para a etapa seguinte, a ideação. Ideação A fase de ideação geralmente se inicia com a equipe de projeto realizando brainstormings (uma das técnicas de geração de ideias mais conhecidas) ao redor do tema a ser explorado e com base nas ferramentas. Nesta fase, o grupo de trabalho deve romper “padrões” e efetivamente permitir-se olhar o problema considerando diferentes perspectivas. Em seguida, monta-se uma ou mais sessões de cocriação com usuários ou equipe da empresa contratante, dependendo da necessidade do projeto. As ideias geradas ao longo desse processo são capturadas em cardápios de ideias, as quais são constantemente validadas em reuniões com o cliente, uti l izando, por exemplo, prototipações. Prototipação O protótipo é a tangibil ização de uma ideia, a passagem do abstrato para o físico de forma a representar a realidade — mesmo que simplificada — e propiciar validações. É um instrumento de aprendizado sob dois aspectos: (1) ótica da equipe de projeto: ao dar forma à ideia, é preciso elaborá-la com mais detalhes, aumentando os níveis de fidelidade da solução ao longo do processo; (2) ponto de vista do usuário: ao interagir com o modelo criado, em diferentes níveis de contextualidade, o usuário pode avaliá-lo e fornecer insumos para sua evolução e aperfeiçoamento. Fonte: elaborado pelos autores com base em Vianna et al. (2011). Vale salientar que o processo de design thinking visa permitir as organizações desvendarem tendências e/ou insights até então desconhecidos. Tal processo carece de uma abertura por parte da empresa para com seus colaboradores, especialmente no que tange à aceitação de novas ideias, evitando-se manifestações de desconforto ao longo do mesmo. Segundo Julian Jenkins (2009), consultor sênior de design: “Sem mudanças nos processos e atitudes da companhia, o investimento em design pode não vingar.” O mesmo consultor identifica nove cultos (costumes) organizacionais que podem comprometer um processo de DT, sendo eles: culto do controle e hierarquia; culto do desempenho e sucesso em curto prazo; culto da eficiência e redução de custos; culto da produtividade e do extremamente ocupado; culto da competição e construção de um império; culto da conformidade e garantia; culto da anulação de riscos; culto de jogar a culpa e esconder os erros; e o culto do rigoroso processo de salvação (LOCKWOOD, 2009). Cada um desses cultos pode comprometer o bom andamento do design thinking e, para não prejudicar o processo, Jenkins (LOCKWOOD, 2009) sugere ambientes culturais de design favoráveis ao design para contrapor cada um dos cultos aqui citados. São eles: cultura do empoderamento e autorização; cultura do aprendizado a partir dos erros e visão no longo prazo; cultura da efetividade e da criação de valor; cultura da reflexão e da ação focada; cultura da colaboração e compartilhamento de propósito; cultura do julgamento e da confiança; cultura da possibilidade e da experimentação; cultura da disseminação da verdade e da crítica honesta; e cultura da heurística e da agilidade. Assim, podemos notar que design thinking passa muito mais pela cultura organizacional do que por estratégias e táticas, e que o agente transformador desta realidade é o gestor da empresa no momento em que minimiza os cultos e potencializa novas culturas. 5.3 Desenvolvendo modelos de negócios com o modelo Canvas Como mencionado, o conceito de design thinking nos leva a pensar de uma forma mais leve, aberta e aguçada. Para agir e pensar assim, tal abordagem apresenta algumas ferramentas que nos ajudam a conduzir discussões e reflexões em um formato mais criativo. Uma das ferramentas foi pensada para ensaiar algumas inovações em modelos de negócios — o modelo Canvas. Esse modelo foi desenvolvido por Alexandre Osterwalder e Yves Pigneur e gerou o livro Inovação em modelos de negócios (Business Model Generation). De acordo com os Osterwalder e Pigneur (2011), esse modelo permite não só compreender como ocorre o processo de um modelo de negócios, bem como experimentar algumas inovações. Nesse sentido, o modelo Canvas é utilizado para praticar uma discussão da ideia do produto ou serviço, ou seja, o modelo de negócio é desenhado a partir dessa ferramenta que contribui com questionamentos para reflexões sobre uma oportunidade que está sendo desenvolvida.Segundo Osterwalder e Pigneur (2011), um modelo de negócios segue a lógica de criação, entrega e captura de valor das pessoas. O modelo Canvas é trazido por Osterwalder e Pigneur (2011) em um formato de quadro, porém, mesmo em um desenho que simule “caixas”, tem como objetivo estimular o processo criativo para discussão do que será apresentado como resultado em cada um dos espaços do modelo. Como uma inovação em modelo de negócios, esse quadro foge das propostas tradicionais trazidas pelas empresas. O objetivo é provocar o espírito criativo e reflexivo de quem já tem em mente uma ideia e que servirá para modelar este novo produto ou serviço. Como dito anteriormente, o modelo Canvas é um quadro, cujos espaços são preenchidos com base em sessões em grupo, que geram discussões sobre o negócio que será moldado, ou seja, desenhado. Osterwalder e Pigneur (2011) propõem nove componentes básicos que conseguem atender a uma estrutura organizacional que pretende gerar valor aos seus usuários, a partir de seus produtos ou serviços ofertados. Esses nove componentes envolvem quatro principais pilares de uma empresa: cliente, oferta, infraestrutura e viabilidade financeira (OSTERWALDER; PIGNEUR, 2011). Nesse caso, quatro questões-chave já podem ser exploradas como início de uma reflexão pelos responsáveis do modelo do negócio: Para quem vamos fazer? O que vamos fazer? Como vamos fazer? Quanto? Essas questões são desdobradas nos nove elementos mencionados anteriormente: (1) segmento de clientes; (2) proposta de valor; (3) canais; (4) relacionamento com clientes; (5) fontes de receita; (6) recursos principais (chaves); (7) atividades-chave; (8) parcerias principais; (9) estrutura de custos. Os elementos, que podem ser observados na Figura 3, serão detalhados a seguir, já organizados dentro das quatro áreas principais da organização propostas por Osterwalder e Pigneur (2011). Figura 3 – Quadro do modelo Canvas. Fonte: Osterwalder e Pigneur (2011). Um dos pontos que deve ser pensado envolve o cliente, ou seja, para quem iremos ofertar o produto ou o serviço? Devemos, nesta discussão, focar nas pessoas que vão utilizar esse novo negócio. O componente que envolve o segmento de clientes tem como objetivo definir os diferentes grupos que, para melhor atendê-los, a empresa deverá agrupá-los, seguindo características e comportamentos em comum (OSTERWALDER; PIGNEUR, 2011). Ao definir esses diferentes grupos, será mais fácil de a empresa desenvolver algo focado nas necessidades específicas desses indivíduos. Outro elemento que devemos nos preocupar é com o valor que será entregue ao cliente. Trata-se da proposta de valor, ou seja, este componente descreve o produto ou o serviço que gera valor à pessoa que irá consumi-lo. Nesse caso, a reflexão deverá ser em torno dos motivos pelos quais os clientes irão preferir o seu produto do que a oferta de um concorrente (OSTERWALDER; PIGNEUR, 2011). Outras questões que podem contribuir para a compreensão e definição deste elemento estão relacionadas a: Qual o problema que estamos ajudando a resolver? Que necessidades estamos satisfazendo? Quais melhorias estamos provocando com esta oferta? etc. O elemento canais está relacionado em como a empresa deverá se comunicar para se aproximar do segmento de clientes definido e em como entregar o valor proposto. Conforme Osterwalder e Pigneur (2011), “Os canais são o ponto de contato dos clientes e desempenham um importante papel na sua experiência geral” (ib idem , p. 26). Para detalhar e facilitar a discussão deste bloco, algumas questões podem ser lançadas, como: Quais os canais que os nossos clientes gostariam de ser contatados? Que canais apresentam uma melhor funcionalidade, custo e benefício? Quais são mais familiares aos clientes? etc. Os canais estão ligados também à forma como será a relação com os clientes. Nesse caso, pensar no relacionamento com clientes torna-se importante e é por isso que o modelo de negócios deve prever um espaço para esta reflexão. Segundo Osterwalder e Pigneur (2011, p. 28), “Uma empresa deve esclarecer o tipo de relação que quer estabelecer com cada segmento de cliente” e que pode ser guiada por algumas motivações, como: conquista e retenção do cliente e ampliação das vendas. Nesse caso, focar em uma experiência positiva que o cliente poderá ter nesta relação ajudará a discutir melhor este elemento. Hoje, uma das formas de transformar o contato com o cliente em uma experiência positiva é por meio da cocriação, ou seja, as empresas fogem do modelo tradicional de relacionamento “cliente-vendedor” para um modelo no qual os clientes são envolvidos no processo de construção de um produto ou um serviço. Nesses casos, os clientes entram como colaboradores e participam nas definições das ofertas, o que permite se aproximar cada vez mais do que está sendo pensado pela empresa. Também é importante prever o valor que o segmento de clientes está pensando em pagar por este produto ou serviço. Para isso, o elemento que envolve as fontes de receita deverá ser detalhado no modelo de negócios. Conforme Osterwalder e Pigneur (2011, p. 30), “se o cliente é o coração de um modelo de negócios, o componente fontes de receita é a rede de artérias”. Neste caso, explorar os valores que os clientes estão dispostos a pagar, como costumam e preferem pagar são pontos importantes que podem ajudar na definição deste elemento. Ao explorar essas questões, poderá ser mais fácil, por exemplo, definir formas de precificação dos produtos ou serviços, promoções dos mesmos etc. Partindo para uma discussão em “como” colocar em prática o modelo de negócios, torna-se essencial refletir sobre os principais recursos para que o negócio funcione. Para isso, o elemento recursos principais (recursos-chave) tem por objetivo descrever tudo o que uma empresa precisa para oferecer a sua proposta de valor, atingir seu cliente potencial, manter o contato e o relacionamento com esses clientes e obter receita (OSTERWALDER; PIGNEUR, 2011). Estes recursos, de acordo com os autores, podem ser físicos, financeiros, intelectuais ou humanos. Ainda dentro da reflexão em “como” modelar melhor o negócio, outro componente envolve as atividades-chave, ou seja, quais são as ações que devem ser tomadas para que o negócio funcione. Segundo Osterwalder e Pigneur (2011), tais ações se tornam importantes para que a empresa execute e opere com sucesso o seu negócio. Para facilitar a discussão desse elemento, questões como, por exemplo, O que a empresa precisa fazer para a entrega da proposta de valor para os canais de contato e relacionamento com os clientes? Conforme Osterwalder e Pigneur (2011, p. 37), as atividades-chave podem ser categorizadas em: “produção, resolução de problemas e plataforma/rede”. A atividade de produção envolve a atenção quanto à fabricação e entrega de produtos, tanto em quantidades como em qualidade superior. A resolução de problemas relaciona as atividades focadas na prestação de serviço e tais modelos de negócios exigem o “gerenciamento de conhecimento e treinamento contínuo”. A última categoria (plataforma/rede) envolve modelos de negócios projetados por meio de uma rede, plataforma ou sistemas (softwares). Essas atividades exigem o gerenciamento, o fornecimento de serviços e a promoção das plataformas (OSTERWALDER; PIGNEUR, 2011). Depois de pensar no que queremos entregar de valor aos clientes, qual o segmento que queremos atingir, como queremos alcançar e nos relacionar com esses clientes, o que vamos receber em troca deste produto o serviço, como vamos executar nosso negócio e o que será executado, precisaremos refletir sobre quem mais poderá contribuir com a nossa ideia? Para isso, é preciso mapear as parcerias principais (parcerias-chave), para definir a rede de parceiros e fornecedores que contribuirão com o funcionamento do modelo de negócios. Hoje, é comum as empresas estabelecerem parcerias do que investir em desenvolvimento de áreas que não de sua competência. Assim, de acordo com Osterwalder e Pigneur (2011, p. 38),“empresas criam alianças para otimizar seus modelos, reduzir riscos ou adquirir recursos.. Ainda, segundo os autores, há quatro diferentes tipos de parcerias que podem ser adotados pelos modelos de negócios: “alianças estratégicas entre não competidores; competição: parcerias estratégicas entre concorrentes; joint ventures para desenvolver novos negócios; e relação comprador- fornecedor para garantir suprimentos confiáveis” (ib idem , p. 38). Por fim, um dos principais elementos que merece atenção envolve a estrutura de custos. Tudo o que for pensado e desenhado incorre em custos que, conforme Osterwalder e Pigneur (2011), podem ser facilmente mapeados depois de identificados os recursos, atividades e parcerias- chave. De acordo com os autores, normalmente os custos são minimizados em todos os modelos de negócios. No entanto, mesmo sendo a opção da grande maioria, algumas empresas optam pela estrutura de custos focada no valor a ser entregue ao cliente e não no baixo custo. Em caso de estrutura focada no custo, o modelo de negócio é projetado para minimizar as despesas sempre que possível. Conforme Osterwalder e Pigneur (2011, p. 41), a estrutura de baixo custo utiliza “proposta de valor de baixo preço, automação máxima e terceirizações extensivas”. Já na estrutura direcionada pelo valor, os modelos de negócios são projetados sem uma preocupação com os custos, por isso o foco na entrega de valor ao cliente acaba sendo direcionado. Até aqui foi apresentado o modelo Canvas como forma inovadora de desenhar modelo de negócios. Essa ferramenta possibilita uma visão holística de um modelo de negócios desenhado seguindo alguns questionamentos e reflexões importantes para o seu desdobramento. No entanto, como mencionado anteriormente, o universo do design thinking nos permite ir além, ousar e nos manter repletos de boas ideias e construções criativas. Nesse sentido, abordaremos uma técnica que poderá ajudar ainda mais no processo de projetar o modelo de negócios, técnica de desenhar modelos de negócios por meio dos insights dos clientes. Conforme Osterwalder e Pigneur (2011, p. 125), o “trabalho de um designer é estender os limites do pensamento, apresentar novas opções e, em resumo, criar valor para os usuários.” Nesse sentido, a técnica de design de modelos de negócios por meio dos insights dos clientes conduzirá a uma experiência de construir um modelo de negócio a partir da perspectiva do consumidor. Em outras palavras, o negócio é projetado “pelos olhos do cliente” (ib idem , p. 128). Para as empresas, fica o desafio de entender e se aproximar ao máximo de quem irá consumir o produto ou serviço criado. Assim, na hora de construir o modelo de negócios, será mais fácil utilizar as informações levantadas a partir dessa compreensão. Tais informações não se referem ao que os consumidores querem, mas sim ouvi-los sem se preocupar com o modelo de negócios. A experiência torna-se rica quando o contato com os clientes ocorre de forma aberta e sem questionamentos óbvios. Lembre-se de que estamos pensando “fora da caixa”. Osterwalder e Pigneur (2011, p. 129) exemplificam a questão de não direcionar as questões de forma óbvia se referindo ao pioneiro fabricante de automóveis Henry Ford: “Se eu perguntasse aos meus clientes o que eles queriam, teriam me dito ‘um cavalo rápido’”. 5.3.1 Modelando negócios com os insights dos clientes — mapa da empatia A técnica de construir modelos de negócios através dos insights dos clientes é realizada com base em um mapa da empatia. Esse recurso permite transcender as características demográficas indo ao encontro de entender melhor o que está por trás do ambiente, dos comportamentos, atitudes e ambições dos usuários (OSTERWALDER; PIGNEUR, 2011). A seguir, para facilitar o entendimento desta ferramenta, apresenta- se um passo a passo proposto por Osterwalder e Pigneur (2011, p.131): 1. Brainstorming: antes de realizar o levantamento com os possíveis clientes, realize uma sessão de brainstorming para avaliar os possíveis segmentos de clientes, de acordo com o modelo de negócios imaginado. 2. Seleção dos clientes: escolha três potenciais clientes (segmentos) e selecione um para exercitar o mapa da empatia. 3. Caracterizando o cliente: dê a esse cliente um nome e inclua algumas caraterísticas demográficas, como renda, estado civil etc. 4. Utilizando o mapa: trata-se de um diagrama que contém algumas perguntas que deverão ser feitas ao recém-nomeado cliente. As perguntas têm por objetivo aprofundar situações e experiências do entrevistado(a), cujas respostas não conduzirão ao óbvio, mas sim a um aprofundamento para conhecer quem está ao nosso redor e o que poderá nos ajudar na construção do modelo de negócios. O mapa, demonstrado na Figura 4, apresenta as seguintes questões (OSTERWALDER; PIGNEUR, p. 131): O que ela vê? O que ela escuta? O que ela realmente pensa e sente? O que ela diz e faz?, Qual a sua dor? O que ganha a cliente?. Ao ser questionado sobre o que a pessoa vê, o objetivo é explorar o que a pessoa percebe em seu ambiente, ou seja, Como é esse ambiente? Quem está em torno dessa pessoa? Quem são seus amigos? Quais problemas encontra no seu dia a dia? etc. Com relação ao o que a pessoa escuta, o foco está na descrição de como o ambiente influencia o entrevistado, ou seja, O que os amigos, colegas, familiares e outros influenciadores dizem? Há outros canais que podem influenciá-la, como, por exemplo, mídia? Perguntas para explorar o que a pessoa sente e pensa têm como objetivo descrever o que acontece em sua mente, ou seja, é possível tentar obter informações que talvez não fossem ditas publicamente. Nesse caso, perguntar o que é importante para ela, o que a motiva, seus desejos e sonhos, podem gerar insights importantes para a construção do modelo de negócios. Explorar situações que mostrem atitudes comportamentais, ou seja, o que o cliente diz e faz, pode envolver perguntas com relação ao que ele faria em determinado momento da vida. Ao narrar uma situação vivenciada, será possível focar nos conflitos entre o que a pessoa pode dizer e o que ela realmente faz. Outros insights podem ser importantes ao explorar questões quanto à dor, ou seja, Quais as maiores frustrações? Quais os obstáculos entre o que ela quer e o que ela precisa obter? etc. Ao contrário da dor e dos riscos que a pessoa tem de enfrentar, explorar questões quanto aos ganhos contribui para entender melhor quais seus desejos e necessidades. Além disso, explorar o que a pessoa usa para atingir seu sucesso, torna-se importante para compreender seus objetivos de vida. Figura 4 – Mapa de empatia. Fonte: adaptado pelos autores com base em Osterwalder e Pigneur. (2011, p. 130). Ao explorar as questões do mapa da empatia será mais fácil de encontrar “as melhores propostas de valor, as maneiras mais convenientes de alcançar os clientes e um diálogo mais apropriado com o cliente” (OSTERWALDER; PIGNEUR, 2011, p. 131). 5.4 Ideias destacadas neste capítulo O objetivo deste capítulo foi o de apresentar uma discussão sobre a importância do tema modelagem de negócio. Inicialmente, optou-se em reforçar a ideia de que todos nós somos criativos e que devemos nos permitir para aceitar e desenvolver essa ideia. Para isto, a abordagem do design thinking entra em questão para permitir o pensamento “fora da caixa”. A discussão segue nesta linha e nos conduz a refletir sobre um novo negócio com base no modelo Canvas, uma ferramenta inovadora para a construção de modelos de negócios. Além desta instigante ferramenta, apresentamos a técnica do mapa de empatia, que contribui para gerar mais informações e conteúdos importantes para a construção do modelo de negócios. Esta técnica facilita o entendimento do negócio partindo dos insights trazidos pelos clientes. Todas as ideias geradas são trazidas para o Canvas com o objetivo de detalhar o máximo possível o que temos em mente para um plano de negócios de muito sucesso. REFERÊNCIAS BESSANT, J.; TIDD, J. Inovação e empreendedorismo. Porto Alegre: Bookman,2009. BROWN, Tim. Design thinking: Uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias. Campus, 2010. ESCOLA DE DESIGN THINKING. Abordagem. In: Site Escola de Design Thinking. Disponível em: <http://www.escoladesignthinking.com.br/abordagem/>. Acessado em: 4 mar. 2014. LOCKWOOD, Thomas. Design thinking – Integrating innovation, Customer Experience and Brand Value. New York: Allworth Press, 2009. OSTERWALDER, Alexander; PIGNEUR, Yves. Business Model Generation: Inovação em modelos de negócios: um manual para visionários, inovadores e revolucionários. Rio de Janeiro: Alta Books, 2011. VIANNA, Maurício et al. Design thinking: inovação em negócios. Rio de Janeiro: MJV Press, 2012. __________ 9 Jussana Ramos dos Santos. Mestre em Design, pós-graduada em Gestão de Pessoas e graduada em Administração de Empresas pela UNISINOS. Atualmente, coordenadora de Marketing e Relacionamento da Unidade de Pesquisa e Pós- Graduação (Uappg) da UNISINOS e professora nos cursos de graduação nesta mesma universidade. http://www.escoladesignthinking.com.br/abordagem/ 10 Alexandre Pereira. Doutorando e mestre em Administração, e graduado em Administração – Comércio Exterior pela UNISINOS. Atualmente, coordenador do curso de graduação Administração – Comércio Exterior e professor nos cursos de graduação e pós-graduação nesta mesma universidade. CAPÍTULO 6 O MARKETING E AS VENDAS Jonas Cardona Venturini11 Rodrigo Rocha Gutterres12 Josefina Maria Fonseca Coutinho13 Este capítulo objetiva apresentar os temas marketing e vendas e sua importância na concepção de um negócio. A área de marketing é responsável por elaborar a estratégia e a abordagem que a empresa irá realizar no mercado, definindo quem é o cliente-alvo e como o produto deve ser ofertado a ele. Mas somente desenvolver uma estratégia de marketing não é suficiente. É preciso pensar como será comercializado o produto e qual o processo de vendas mais adequado para o mercado-alvo. Imagine iniciar suas tarefas diárias na empresa sem saber o primeiro passo? Que resultados se quer atingir? Quem é o responsável pela empresa? Portanto, as ações de marketing devem seguir um plano escrito, o qual apresenta uma lógica referente às ações concernentes a tais atividades, tendo como proposta sua aplicação. Assim, este capítulo irá discorrer a sequência de passos que compõem um plano de marketing e, posteriormente, abordar as vendas e o processo de vendas. 6.1 Marketing Em um mundo economicamente instável, suscetível a variações e totalmente maleável, as empresas devem se preocupar cada vez mais com o mercado atual: oscilante, inseguro e instável. Para alavancar as empresas, estudos devem ser desenvolvidos, clientes devem ser reconhecidos e melhorias devem ser estabelecidas. Neste contexto, é fundamental entender a disciplina que estuda o mercado de modo a desmistificar o significado de valor e implementá-lo nas políticas organizacionais. Neste capítulo, conceitua-se marketing realizando um comparativo entre as obras de alguns autores renomados, a partir do relato de suas ideias e proposições sobre o assunto, analisando-as e desenvolvendo o fechamento conceitual do tema. 6.1.1 O que é marketing? No contexto geral das organizações, poucos administradores conseguem compreender o verdadeiro sentido de marketing. Em geral, é mais fácil entendê-lo como o ato relacionado à venda de um determinado produto, mercadoria ou serviço, mas, à medida que se estuda o conteúdo e a completa absorção do tema, conclui-se que marketing vai muito além do simples ato de vender um produto ou serviço. Na verdade, abrange um fluxo de operações para designar o valor do produto, marca, localização e pesquisa, ou seja, infinitas variáveis que deverão ser adsorvidas pelos clientes-alvo. O marketing, portanto, é um conglomerado de informações variáveis. Marketing é uma atividade central das instituições modernas, crescendo em sua busca de atender eficazmente alguma área de necessidade humana. Para sobreviver e tornar-se bem-sucedidas, as instituições devem conhecer seus mercados, atrair recursos suficientes, converter esses recursos em programas, serviços e ideias apropriadas e distribuí-los eficazmente aos vários públicos consumidores. (KOTLER; FOX, 1994, p. 23). Na contemporaneidade, período em que vivemos, comparando-a com as percepções de Kotler e Fox (1994), pode-se associar o marketing como uma preocupação das organizações por melhor atender seus clientes, de modo a financiar o crescimento da atividade dentro da organização creditando prospecção do setor. Para isto, as empresas deverão conhecer seus mercados, de maneira a atrair os propósitos organizacionais, sejam eles financeiros, de clientes ou de outros, transformando as análises obtidas em políticas empresariais e programas. Alguns autores conseguem resumir marketing em poucas palavras, como é o exemplo de Drucker (1973), que aponta que o propósito do marketing é fazer uma venda supérflua. Para isto, o cliente deverá perceber todo o combinado de informações atribuídas ao ato de venda e valorizá-lo de modo a simplificar o próprio produto. Em outra de suas obras, Kotler (2006) descreve o objetivo de marketing como o ato de conhecer e entender o cliente de maneira que o produto ou serviço se venda sozinho. Já Las Casas (2009) conceitua o marketing como uma função organizacional composta por um conglomerado de processos de criação e comunicação de forma a entregar valor ao cliente, juntamente da administração do relacionamento com eles, objetivando beneficiar a organização e seus interessados. Fazendo uma análise de todas as métricas que embasam os conceitos do marketing atual, percebe-se a complexidade do entendimento. Muitas organizações costumam confundir o tema com setores empresariais ou ações que compunham o assunto, como: comercial, vendas, publicidade, distribuição, pós-vendas. Pertencentes ao conjunto dos processos de marketing, isto não deverá designar o seu significado final. O tema está relacionado ao ato de criar valor para o cliente, utilizando-se técnicas que deverão ser transformadas em políticas, promoções, ações, ideias dentro das organizações e aplicadas a todos os setores, de modo a criar uma identidade à marca desenvolvida, auxiliada a partir do estudo de mercado. Atualmente, os principais autores e mentores empresariais já o conceituam de maneira mais objetiva para facilitar seu entendimento de maneira que o propósito claro do marketing seja o ato de buscar satisfazer as necessidades e os desejos dos clientes-alvo, que, a partir de uma análise periódica de mercado, norteará a organização do planejado. 6.1.2 Plano de marketing O plano de marketing é um documento que organiza as ações nas empresas, pois identifica as oportunidades mais promissoras de negócios e traça formas de ingressar, conquistar e manter posições nos mercados identificados. De acordo com Westwood (1996), o plano de marketing global da empresa pode ser composto a partir de uma série de planos menores para produtos/serviços ou áreas individuais. Além disso, quando ele é conduzido de acordo com critérios técnicos auxilia os gestores a identificar em quais pontos os esforços devem estar concentrados, maximizando as oportunidades no mercado (CHURCHILL; PETER, 2000). O plano de marketing proposto neste capítulo possui um objetivo de aplicabilidade, podendo apresentar variações de acordo com alguns autores. Para instigar sua curiosidade em conhecer a estrutura de plano de mais autores, apresentamos a seguir alguns exemplos. 6.1.2.1 Churchill e Peter (2007) O modelo de plano de marketing de Churchill e Peter (2007) é composto por quatro etapas: 1. exame do plano estratégico organizacional, que inclui a missão e os objetivos da organização; 2. análise ambiental, dos ambientes interno e externo; 3. desenvolvimento de objetivos e estratégias de marketing, englobando o estabelecimento de objetivos de marketing, seleção dos mercados-alvo, desenvolvimento de compostos de marketing para servir cada mercado-alvo e avaliação doscustos e benefícios financeiros; 4. determinação dos custos necessários para executar o plano e os benefícios financeiros prováveis de serem alcançados. 6.1.2.2 Ferrell e Hartline (2005) O modelo de Ferrell e Hartline (2005) possui a seguinte estrutura: 1. sumário executivo: sinopse e principais aspectos do plano de marketing; 2. análise da situação: análises do ambiente interno, do ambiente do consumidor e do ambiente externo; 3. análise SWOT (forças, fraquezas, oportunidades e ameaças): análise da matriz SWOT e estabelecimento de um foco estratégico; 4. metas e ob jetivos de marketing: descrição das metas e objetivos do plano; estratégias de marketing: mercado-alvo primário e composto de marketing, mercado-alvo secundário e composto de marketing; 5. implementação de marketing: questões estruturais e atividades de marketing tático; 6. avaliação e controle: controles formal e informal de marketing, e avaliações financeiras. 6.1.2.3 Westwood (2007) O plano proposto por Westwood (2007) apresenta as seguintes etapas: 1. estabelecimento de objetivos corporativos; 2. realização de pesquisa interna e externa; 3. realização da análise SWOT; 4. formulação de suposições que dizem respeito a fatores econômicos externos, tecnológicos e competitivos; 5. estabelecimento de objetivos de marketing e estimação dos resultados esperados; 6. desenvolvimento das estratégias de marketing (que englobam os elementos do composto de marketing: produto, preço, promoção e praça) e preparação dos planos de ação; 7. definição de programas, determinando quem fará o que, quando, onde e como; 8. elaboração de orçamentos; 9. redação do plano e comunicação às partes envolvidas; 10. controle, implementação e avaliação do desempenho, e, se necessário, revisão e atualização do plano. Tenha em mente que opções não faltam para qualificar seu conhecimento sobre o tema plano de marketing. A seguir, será detalhado o plano de marketing proposto neste capítulo. 6.1.3 Etapas propostas para o plano de marketing O plano de marketing possui uma sequência de ações as quais são desenvolvidas de acordo com uma ordem lógica. Neste capítulo, serão consideradas oito etapas, como pode ser observado no Quadro 13. Quadro 13 – Etapas do plano de marketing Etapa Descrição Primeira Apresentação de um resumo do plano. Segunda Análise do micro e do macroambiente. Terceira Seleção de mercados-alvo. Quarta Escolha do posicionamento da oferta. Quinta Definição de objetivos e metas. Sexta Desenvolvimento das estratégias do mix de marketing. Sétima Implementação do plano de marketing. Oitava Avaliação e controle do plano. Fonte: elaborado pelos autores (2014). 6.1.3.1 Apresentação de um resumo do plano O resumo é como a “carta de apresentação” do plano, portanto, deve ser sintético, esclarecedor, instigando o leitor a conhecer os detalhes sobre o trabalho que será realizado. Inicie apresentando as características principais do negócio e, na sequência, relate a situação presente, objetivos e estratégias a alcançar, principais definições do projeto e ações necessárias. Lembre-se de iniciar com fatos positivos como, por exemplo, prospecção de ganhos (seja lucro ou novos mercados), pois estará aguçando a curiosidade do leitor e seu reconhecimento para a aprovação do plano. A ideia geral do seu negócio deve ser clara para que todos os envolvidos a compreendam. 6.1.3.2 Análise do micro e do macroambiente Para o desenvolvimento de ações de marketing, é necessário, primeiramente, analisar os pontos positivos e negativos da empresa. Para tanto, realize um diagnóstico contemplando: dados sobre vendas, pedidos e margem de lucro relacionados aos produtos/serviços e áreas abrangidas pela empresa, participações de mercado por área geográfica e tipo de indústria para produtos individuais e no total. Tais fatores são importantes para a qualificação do processo decisório da organização. Depois da análise do cenário interno, passa-se a avaliar o externo. No entanto, ao realizar tal análise, deve-se ter em mente que existem dois grupos de variáveis intervenientes no ambiente externo: as macroambientais e as microambientais. As variáveis macroambientais são incontroláveis, portanto, as empresas não possuem gestão sobre elas, restando-lhes aproveitar as oportunidades e tentar minimizar suas ameaças. As forças macroambientais compreendem aquelas variáveis que afetam todas as empresas, como: demográficas, econômicas, naturais, tecnológicas, político-legais e socioculturais. Na sequência, explica-se cada uma delas. Demográfico: busque dados sobre o tamanho e a taxa de crescimento da população de diferentes cidades, regiões e países, a distribuição das faixas etárias e sua composição étnica, os níveis de instrução, e as características e os movimentos regionais. Econômico: avalie aspectos relacionados ao poder de compra dos consumidores, identificando as principais tendências na renda e nos padrões de consumo da população. Natural: identifique a perspectiva de escassez de matérias- primas, o custo mais elevado de energia e os níveis mais altos de poluição. Tecnológico: visualize a possibilidade de mudanças mais velozes que afetem o desenvolvimento de produtos/serviços e a regulamentação crescente das patentes tecnológicas. Político-legal: considere as mudanças de governos, novas leis e regulamentos que afetam o setor em que a empresa atua. Sociocultural: avalie o cenário presente e futuro que envolva os valores básicos, as percepções, as preferências e o comportamento da sociedade. A empresa não poderá mudar os fatores aqui citados, mas é possível criar estratégias que venham a maximizar ou minimizar seus efeitos. Na sequência, serão avaliados os agentes microambientais que afetam diretamente a organização, compostos por: fornecedores, canais de distribuição, consumidores/clientes, públicos e concorrentes. Quanto aos fornecedores, identifique a quantidade existente, a qualidade dos insumos que oferta, preço praticado e o cumprimento do prazo de entrega dos produtos /serviços. Identifique quantos canais de distribuição ou intermediários potenciais existem para disponibilizar os produtos/serviços da empresa. Avalie, em cada canal, a oferta de produtos/serviços e as vantagens apresentadas por cada um dos concorrentes. Estude os clientes criteriosamente, pois esta é uma tarefa preponderante para que os profissionais de marketing possam planejar estratégias efetivas. Em geral, as empresas podem ter clientes individuais e famílias, organizacionais e governamentais. Identifique quantos concorrentes diretos e indiretos existem, quais produtos/serviços comercializam, seus diferenciais e suas principais estratégias. Já os públicos, embora não sejam necessariamente consumidores dos produtos/serviços da organização, podem ser formadores de opinião. Portanto, avalie o que pensam de sua empresa. Quando todas essas informações tiverem sido coletadas, o material precisará ser avaliado e apresentado de forma a ajudar na tomada de decisão. Nesse caso, utiliza-se a matriz SWOT — mais bem detalhada no Capítulo 9 deste livro. Após analisar o ambiente de marketing, chega o momento de definir o mercado-alvo. 6.1.3.3 Seleção de mercados-alvo O mercado é o ambiente social ou virtual propício às condições para a troca de bens e serviços. Também se pode entender como a instituição ou organização mediante a qual os ofertantes (vendedores) e os demandantes (compradores) estabelecem uma relação comercial com o fim de realizar transações, acordos ou trocas comerciais. Para a identificação de mercado, cabe o desenvolvimento de uma pesquisa que deverá captar o público-alvo do negócio. A pesquisa poderá analisar a viabilidade de um novo negócio, o reconhecimento do mercado- alvo, a identificação de necessidades locais ou das carências mercadológicas. A pesquisa de mercado pode ser flexível, conforme seus métodos de aplicação. Com frequência, são aplicadas por meio de questionários ou roteiros de entrevistas com perguntas abertas ou fechadas, podendo ser analisadaspor especialistas observadores de mercado e detentores de percepção crítica sobre ele. O Quadro 14 apresenta os elementos que devem ser considerados para se identificar, analisar e quantificar um mercado. Para o reconhecimento do mercado, alguns fatores qualitativos embasam a chamada análise dos 7 Os. Quadro 14 – Análise dos 7 O’s Qualitativ a (7 Os) Quantitativ a Quem constitui o mercado? (Occupants) Tamanho do mercado. O que o mercado compra? (Objects) Market share. Por que o mercado compra? (Objectives) Potencial de mercado. Quem participa da compra? (Organizations) Taxa de crescimento de mercado. Como o mercado compra? (Operations) Quando o mercado compra? (Occasions) Onde o mercado compra? (Outlets) Fonte: elaborado pelos autores (2014). As organizações, ao optarem pela atuação em um mercado, normalmente já possuem, a priori, as características do consumidor-alvo que querem atingir. Contudo, é necessário saber o tamanho e potencial desse mercado, para, então, estimar o volume de vendas. Para tanto, é preciso ter informações de quantos consumidores existem no nicho pretendido, crescimento, rentabilidade e risco. As empresas devem ter consciência de que os compradores diferem entre si em um ou mais aspectos. Tais diferenças podem se apresentar em termos de desejos, atitudes e práticas de compra e localização geográfica. Assim, identificadas tais características, poderá ser definida uma estratégia pontual, propiciando melhores decisões quanto ao composto de marketing e permitindo ao gestor vislumbrar a manutenção e a conquista de novos clientes. No Quadro 15 a seguir, alguns questionamentos necessários para definir o perfil do consumidor. Quadro 15 – Critério de segmentação do cliente x características do perfil do consumidor Critério de segmentação Características do consumidor final CLIENTE FINAL Geográficos Qual país, estado, município, bairro ou região está localizado o consumidor pretendido? Demográficos Qual sua faixa etária? Qual o sexo? Qual o estado civil? Qual a nacionalidade, religião e raça? Qual a renda? Qual a escolaridade? Qual a ocupação profissional? Benefícios Quais são os benefícios físicos, psicológicos, sociais e emocionais que o consumidor busca no produto/serviço? Graus de utilização Os consumidores compram muito, medianamente ou pouco o produto/serviço? Qual a frequência e a variedade de uso do produto/serviço? Psicográficos Qual o estilo de vida; fatores psicológicos; autoconceito; personalidade; valores; atividades, interesses e opiniões desses consumidores? CLIENTE ORGANIZACIONAL Geográfico Qual região, cidade ou bairro existe maior concentração de clientes? Qual é a tendência de crescimento da área? Tipos de clientes Os compradores são intermediários? Órgãos do governo? Comportamento do comprador Qual é a compra média? Qual é a frequência de uso? Qual critério o cliente usa para comprar? Fonte: adaptado pelos autores com base em Churchil l e Peter (2000). Quanto mais se detalha o mercado, maiores são chances de os produtos e serviços se adequarem ao perfil do consumidor. Ao definir o segmento de mercado, utilize o maior número de critérios possível para melhor identificar o consumidor. 6.1.3.4 Escolha do posicionamento da oferta Outra definição a ser realizada refere-se ao posicionamento do produto/serviço no mercado. Desse modo, a empresa definirá as possíveis vantagens competitivas sobre as quais irá construir sua posição, de modo a apresentar um desempenho melhor que os concorrentes na oferta de algo que o consumidor valorize. Faça algumas perguntas, como, por exemplo: Qual a imagem que se quer transmitir a seu cliente? A imagem transmitida é clara e diferenciada se comparada a dos concorrentes? A empresa possui vantagens em relação aos concorrentes? Quais vantagens ou desvantagens são apresentadas? Lembre-se de que o cliente está avaliando seu negócio. Não coloque em risco a credibilidade de sua marca. Faça a diferença, realize um diagnóstico da forma de agir de seus concorrentes. A partir de então, aperfeiçoe sua atuação, crie diferencial e evite as ameaças de seus concorrentes. Oferte benefícios adicionais, mas que a empresa possa cumprir. Saiba que o cliente percebe quando uma organização o está enganando. 6.1.3.5 Definição de objetivos e metas Ao definir os objetivos de marketing, é primordial que os executivos identifiquem o seu alinhamento com as macroações da organização. Contudo, esses objetivos, os quais prospectam os resultados de forma mais abrangente, devem ser alcançáveis e desafiadores, servindo de padrão para medir o desempenho da organização (LAMB; HAIR; MCDANIEL, 2004). A definição de metas, ou seja, a quantificação dos objetivos, deve ser pontual e avaliada em termos de valores e tempo. Os objetivos corporativos (definidos pela cúpula da empresa) e os de marketing devem estar alinhados (WESTWOOD, 1996). O Quadro 16 mostra um exemplo de definição de objetivos e suas respectivas metas. Quadro 16 – Objetivos x metas Objetiv os Metas Ampliar as exportações para o México, na linha de móveis de madeira. Exportar 1000 unidades/ano de móveis de madeira em 2014. Util izar a capacidade ociosa da linha de produção para móveis de madeira. Aumentar em 20% a capacidade ociosa da fábrica em 2014. Aumentar a produção para 1000 peças/mês em 2014. Aumentar o faturamento em R$ 150.000,00 em 2014. Contratar mão de obra especializada. Adquirir máquinas específicas para móveis de madeira. Contratar 10 empregados em 2014. Adquirir uma máquina em 2014. Fonte: elaborado pelos autores (2014). 6.1.3.6 Desenvolvimento das estratégias do mix de marketing Após a análise do ambiente, público-alvo e posicionamento de mercado, os gestores de marketing devem definir quais os métodos tornarão a empresa capaz de atingir seus objetivos e metas. Eles se relacionam com as decisões vinculadas aos elementos do mix de marketing: produto, preço, promoção e praça ou canal de distribuição. Assim, para cada objetivo, precisam ser desenvolvidas estratégias individuais e elaborados questionamentos como: O que será feito? Quando será feito? Quem fará? Quanto custará? Na sequência, serão apresentadas as principais decisões em relação ao mix de marketing. Quanto ao produto, os gestores devem definir aspectos relacionados à variedade, qualidade, design, características, nome de marca, embalagem, serviços, garantias e devoluções. É a ferramenta mais básica do composto de marketing, pois representa a parte tangível da empresa para o mercado. Deve-se lembrar que o produto é o elemento-chave no composto de marketing, pois define o negócio e as atividades da empresa, influenciando na formação de preço, comunicação, distribuição, desenvolvimento, pesquisa, clientes e fornecedores. No desenvolvimento do preço, devem ser definidas as estratégias de precificação inicial e eventuais ajustes. Lembre-se de que o preço é um dos elementos mais sensíveis do composto de marketing, mas pode ser rapidamente modificado para atender às condições do mercado e da concorrência, o que não acontece com as características de um produto ou com os compromissos assumidos com o canal de distribuição. Na estratégia de distribuição ou praça, é necessário que o executivo de marketing defina quais intermediários e o número que irá utilizar. Para alguns tipos de produtos, a estratégia de multicanais pode ser efetiva, para outras não. No processo de decisão de canal, a empresa deve levar em consideração que o tipo utilizado refletirá a própria imagem do produto. A definição assertiva do composto promocional torna-se preponderante, pois é por meio dele que se poderá comunicar as características e os benefícios de um produto ao mercado-alvo pretendido e, assim, alavancar vendas ou a imagem da empresa. Deve-se lembrar que a promoção refere-se a todas as formas de comunicação usadas pelas organizações para informar, lembrar, influenciar as atitudes e o comportamento de compra de clientes e outras pessoas. As opções que a empresa possui são a propaganda, promoção de vendas, publicidade,venda pessoal, relações públicas, marketing direto. 6.1.3.7 Implementação do plano de marketing Depois de definidas as estratégias do mix de marketing, é o momento de desenvolver o detalhamento das ações, o que significa planificar as ações, período, forma de execução, responsáveis e o custo. Para tanto, é preciso traçar um plano para implementar as ações, conforme detalhado no Quadro 17. Quadro 17 – Exemplo de estrutura de plano de ação Estrutura Detalhamento Exemplo Ações O que fazer? Liste as atividades que devem ser realizadas. Ampliar as exportações para o México. Período Quando fazer? Defina o prazo inicial e final para a execução da ação. De janeiro a dezembro de 2011. Forma de execução Como fazer? Identifique o modo de execução das ações. Identifique o potencial de mercado. Defina o público-alvo. Liste os principais canais de venda. Defina novos produtos. Escolha o composto promocional. Aumente a capacidade produtiva. Responsáv eis Quem faz? Defina responsáveis pela execução de cada uma das ações e do plano como um todo. Gerente de marketing. Custos Quanto custa? Faça levantamentos financeiros, pois cada ação demanda um custo específico. Custo de compra de novas máquinas: R$ 100.000,00. Custo de contração de funcionários/mês: R$ 20.000,00. Custo anual de divulgação no México: R$ 200.000,00. Custo de exportação do produto: R$ 10.000,00 por carga. Fonte: elaborado pelos autores (2014). Percebe-se que a implementação de um plano de ação exige dos gestores e funcionários envolvidos uma capacidade de interação entre as diversas áreas da empresa, considerando que cada parte é fundamental para completar o todo, que é a organização. 6.1.3.8 Avaliação e controle do plano A avaliação permanente e o controle devem ser elementos essenciais em um plano de marketing. Monitorar por meio de um processo contínuo é assegurar que prejuízos financeiros e de imagem sejam evitados, pois à medida que evolui é possível implementar ações corretivas quando o desempenho se desviar do padrão estipulado. Dessa forma, Westwood (1996) lembra que o sistema de controle definido pelos gestores deve ser de fácil interpretação e operacionalização. Para Kotler (1996), existem três tipos de controles: do plano anual, de rentabilidade e estratégico. O controle do plano anual refere-se à verificação se a empresa, por exemplo, está atingindo seus objetivos de vendas e lucros. Portanto, é importante que os gestores estabeleçam metas. A avaliação contínua inclui análise de desempenho, positivo ou negativo, e, a partir daí, desenvolvimento de ações corretivas, se for o caso. Já o controle de rentabilidade refere-se à medição da rentabilidade real dos produtos, grupos de consumidores, canais de distribuição e pedidos. O controle estratégico, por sua vez, está relacionado à avaliação da estratégia de marketing da empresa, identificando sua apropriação, as condições de competitividade e necessidades dos clientes, visto que as mudanças são características previsíveis no ambiente de marketing. É importante salientar que o sistema de avaliação e de controle do plano de marketing permite criar mecanismos para que a empresa trace um paralelo entre o desempenho efetivo/real e aquele prospectado. Ao agir proativamente, os gestores podem desenvolver em tempo ações preventivas e corretivas, garantindo não só a máxima eficácia do plano, mas também a satisfação do grupo de interessados na organização. Finalmente, é pertinente lembrar que as etapas elencadas no decorrer do capítulo são uma das formas de operacionalizar o plano de marketing, considerando que os autores possuem diferentes paradigmas, em função de suas experiências pessoais e acadêmicas. 6.2 Vendas Para o empreendedor, a área de vendas é uma área-chave do seu negócio, uma vez que será a responsável por comercializar o produto junto aos clientes e, ao mesmo tempo, trazer para a empresa informações importantes sobre o mercado. Na concepção de Raimar Richers (1994), venda é o processo pessoal ou impessoal de troca de um valor percebido e satisfatório, por condições ou preços possíveis e de interesse mútuo entre as partes envolvidas. Ou seja, o foco é a troca de bens ou serviços por um preço viável para a empresa e o cliente. 6.2.1 Processo de vendas Após a elaboração de um plano de marketing para o negócio, é importante compreender as principais etapas do processo de vendas, que irá efetivamente colocar o produto no mercado. O processo de vendas pode ser visto como um guia que permite analisar, mensurar compreender em qual etapa o vendedor se encontra durante o ciclo de uma venda. Já Moreira et al. (2007) enfatizam que uma venda possui três grandes fases: a pré-venda, a venda e o pós-venda. A fase da pré-venda contempla aspectos como a pré-abordagem, o planejamento da abordagem e a análise do potencial do cliente. Já a fase da venda envolve a sondagem, a apresentação do produto ou serviço, a negociação e o fechamento da venda. A fase da pós-venda tem como objetivo gerar satisfação e fidelização no cliente. Inclui o acompanhamento da instalação e utilização do produto, assistência técnica, acompanhamento da cobrança e avaliação da compra por parte do consumidor. Dentro dessas três grandes etapas de vendas, está presente um processo de vendas com técnicas a serem conhecidas, desenvolvidas e aperfeiçoadas pelo vendedor. O passo a passo deste processo está ilustrado na Figura 5. Figura 5 – Passo a passo do processo de compra do consumidor organizacional. Fonte: Kotler e Keller (2006, p. 216). Vários autores descrevem o processo de vendas, detalhando mais ou menos o mesmo, mas considera-se que essas oito etapas são as mais comumente consideradas como principais. É de suma importância na concepção de um negócio delinear não somente a estratégia de marketing, mas também a estratégia de vendas mais adequada para o mercado no qual o produto será disponibilizado. Isso ampliará significativamente as chances de sucesso do empreendimento. A seguir serão detalhados os tipos de vendas. 6.2.2 Tipos de vendas As vendas podem ser classificadas em três tipos: transacional, consultiva e empreendedora. A Figura 6 sintetiza o processo de vendas no contexto organizacional para cada um dos tipos de vendas. Figura 6 – O papel das vendas no contexto organizacional. Fonte: Almeida (2009, p.10). Vejamos a seguir cada um dos tipos de vendas. 6.2.2.1 Venda transacional A venda transacional “é o conjunto de capacitações, estratégias e processos de vendas que combina com mais eficácia com as necessidades de compradores de valor intrínseco, que tratam seus fornecedores como commodities e estão, principal ou exclusivamente, interessados em preço e conveniência” (MAGALDI, 2009, p. 96). Pela perspectiva do cliente, na venda transacional não há benefícios adicionais que o vendedor possa agregar ao produto. Os compradores já têm um entendimento de suas necessidades e também estão bem informados sobre os produtos/serviços que querem comprar. Estes consumidores buscam valor somente no produto (HOFSTATTER, 2013). 6.2.2.2 Venda consultiva A venda consultiva “[...] se baseia em vendedores que desenvolvem um estreito relacionamento com seus clientes e que têm uma profunda compreensão das questões envolvidas nos negócios do cliente. Trata-se de um [...] conjunto de capacitações, estratégias e processos que funciona com maior eficácia junto a compradores de valor extrínseco. Esses clientes demandam — e estão dispostos a pagar por isso — um esforço de vendas que crie novo valor e ofereça benefícios adicionais fora dos produtos. (RACKHAM; VICENTIS, 2007, p. 75). A força de vendas na venda consultiva tem como objetivo criar valor, principalmente de três maneiras: ajudando o cliente a entender seus problemas, questões de negócio e oportunidades de uma maneira nova ou diferente; ajudando os clientes a descobrir uma solução melhor ou nova para os seus problemas (solução à qual não conseguiram chegar por si próprios); atuando como consultores do cliente para entregar soluções customizadasou exclusivas que atendam às necessidades especiais do cliente. Na venda consultiva, os compradores não entram no processo sabendo o suficiente para tomar uma decisão confortável — ou porque têm um entendimento incompleto do produto ou porque talvez não tenham definido com clareza seus problemas, necessidades, dúvidas. O vendedor poderá criar valor mediante o aumento da consciência de alguns fatores ocultos, acrescentando algum insight ao problema do cliente e desenvolvendo soluções inovadoras e únicas (HOFSTATTER, 2013). 6.2.2.3 Venda empreendedora A venda empreendedora é o tipo de venda iniciado em um nível muito alto dentro da organização. Refere-se ao [...] conjunto de capacitações, estratégias e processos que funcionam com maior eficácia junto a clientes estrategicamente importantes que demandam um nível extraordinário de criação de valor de um fornecedor-chave. Na venda empreendedora, tanto o produto quanto a força de vendas ficam em segundo plano. A função primordial da venda empreendedora é alavancar todo e qualquer ativo corporativo do fornecedor, de forma a contribuir para o sucesso estratégico do cliente. (RACKHAM; VICENTIS,2007, p. 80). Este tipo de venda está profundamente ligado à direção estratégica do cliente e, em geral, é implementado por equipes multifuncionais de ambos os lados do relacionamento. 6.3 Ideias destacadas neste capítulo Pode-se conceituar marketing como o ato de buscar satisfazer as necessidades e os desejos dos clientes-alvo; a partir de uma análise periódica de mercado, norteará a organização do planejado. O plano de marketing é um documento que organiza as ações nas empresas, pois identifica as oportunidades mais promissoras de negócios e traça formas de ingressar, conquistar e manter posições nos mercados identificados. O processo de vendas é composto por três fases: pré-vendas, vendas e pós-vendas. Os três principais tipos de vendas são a transacional, a consultiva e a empreendedora. REFERÊNCIAS ALMEIDA, Sérgio. Princípios para encantamento do cliente. São Paulo. Casa da Qualidade, 2009. CHURCHILL JR., Gilbert A; PETER, J. Paul. Marketing: criando valor para os clientes. São Paulo: Saraiva, 2000, 2007. FERRELL, O. C.; HARTLINE, Michael D. Estratégia de marketing. 3. ed. São Paulo: Thomson Learning, 2005. HOFSTATTER, Cássia Rebelo (org.). Processo e técnicas de vendas. São Leopoldo: Ed. UNISINOS, 2013. KOTLER, Philip. Administração de marketing: análise, planejamento, implementação e controle. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1996. KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane. Administração de marketing. 12. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006. KOTLER, Philip; KARTAJAYA, Hermawan; SETIAWAN, Iwan. Marketing 3.0. Rio de Janeiro: Campus, 2010. LAMB, Charles W.; HAIR, Joseph F.; McDANIEL, Carl. Princípios de marketing. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004. MAGALDI, Sandro. Vendas 3.0: uma nova visão para crescer na era das ideias. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. MOREIRA, Júlio César Tavares (org.). Administração de vendas. São Paulo: Saraiva, 2007. RICHERS, Raimar. O que é marketing. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1994. WESTWOOD, John. O plano de marketing. 2. ed. São Paulo: Pearson Education, 1996. ______. O plano de marketing. 3. ed. São Paulo: M. Books, 2007. __________ 11 Jonas Cardona Venturini. Doutorando em Sociologia e doutor em Administração, ambas pela UFRGS. Mestre em Administração, especialista em Estatística e Modelagem Quantitativa e graduado em Administração de Empresas e em Ciências Contábeis, ambos pela UFSM. Atualmente, coordenador do curso de graduação tecnológica em Processos Gerenciais, na modalidade EAD, e professor nos cursos de graduação, também na UNISINOS. Sócio diretor da JV Inteligência Empresarial e da Bruke Investimentos. 12 Rodrigo Rocha Gutterres. Mestre em Filosofia pela UNISINOS e graduado em Administração de Empresas pela Ulbra. Atualmente, coordenador do curso e graduação tecnológica em Gestão Comercial, na modalidade EAD, e professor nos cursos de graduação e pós-graduação da UNISINOS. Diretor Regional da Smart E-commerce do Brasil Tecnologia Ltda. 13 Josefina Maria Fonseca Coutinho. Doutora em Comunicação Social pela PUCRS e mestre em Administração pela PUC-RJ. Especialista em Administração de Marketing, graduada em Administração de Empresas, ambos pela UNISINOS e, atualmente, professora nos cursos de graduação e pós-graduação nesta mesma universidade. CAPÍTULO 7 AS OPERAÇÕES Carlos Eduardo dos Santos Sabrito14 No contexto do plano de negócios, a construção do plano operacional apresenta- se como o elemento-chave que permite ao empreendedor ou investidor visualizar o empreendimento funcionando. Aqui, devem ser apresentados elementos e ações que a empresa planeja para o funcionamento de seu sistema produtivo e de operações, detalhando, por exemplo, os processos operacionais; a infraestrutura e o layout; a gestão de pessoas; e a estrutura organizacional. 7.1 Processos operacionais Qualquer que seja o segmento, é necessário que a organização defina os objetivos, os processos e os procedimentos para sua execução. Também deve descrever como serão realizadas as principais atividades de seu negócio, desde a chegada da matéria-prima necessária para o desenvolvimento de seu produto ou serviço até a entrega desse produto ou serviço a seu cliente final. Os processos operacionais devem ser construídos em harmonia a fim de permitir que o produto ou serviço seja entregue ou executado sem a ocorrência de situações indesejáveis que possam comprometer a integridade da empresa. A qualidade da entrega está condicionada à sincronização dos setores envolvidos no processo (TADEU; SALUM, 2012). Em geral, os planos operacionais remetem a aspectos relacionados à indústria. No entanto, as operações não estão ligadas somente a atividades industriais, mas também a empresas comerciais e de prestação de serviços. As áreas comercial e de serviços se diferenciam da industrial pela intermediação do produto entre as fontes de produção e o consumidor final. Respeitadas as particularidades de cada uma delas, aqui devem ser detalhados os processos voltados ao cliente (atendimento, vendas, cobrança, [...]), os processos de integração (compras, logística, distribuição, [...]) e os processos gerenciais (fixação de metas, qualidade, alocação de recursos, [...]). A formação de processos pode ser descrita a partir de etapas complementares que envolvem desde as entradas até a obtenção dos resultados (TADEU; SALUM, 2012): Entradas correspondem a recursos e informações a serem transformados; as operações em si proporcionam valor agregado às demandas dos clientes, em função da respectiva percepção de qualidade e custo; a ação gerencial especifica, a partir do planejamento, o formato da implantação e os itens de controle do processo. Saídas correspondem às informações, produtos e serviços processados. Os processos podem ser classificados como essenciais, aqueles que justificam a existência da empresa e são focados no cliente, e como apoio, os quais viabilizam o funcionamento dos processos essenciais sendo focados na organização. A correta descrição dos processos permite demonstrar os diferenciais do negócio em relação ao que é oferecido pelo mercado. Busca-se, assim, a exploração de vantagens competitivas de forma planejada e, ainda, esclarecer suficientemente os procedimentos para que clientes e investidores entendam os benefícios e as limitações envolvidas. A fim de evidenciar tais diferenças, seguem exemplos de elementos a detalhar por processo (FINCH, 2006): compras: escolha dos insumos, negociação com fornecedores; estoques: controle de estoques, devoluções, inventário; expansão: contatos com imobiliárias, negociação de aluguéis, contatos com advogados; projeto arquitetônico: dinâmica de trabalho com projetistas, arquitetos, construtores e fornecedores; gestão: procedimentos e sistemas de gestão. Ao esclarecer a operação de seu empreendimento, é importante dedicar especial atenção ao controle operacional, principalmente no caso deser necessário lidar com investidores. Nesse sentido, é imprescindível demonstrar como ocorre o controle dos elementos que impulsionam o negócio e o quanto se tem de consciência sobre o que está acontecendo, bem como o que fazer em casos de problemas. É muito bom redigir um documento contendo uma estratégia ideal, mas o investidor quer saber se você tem os conhecimentos, os sistemas e as habilidades para fazer as coisas acontecerem e lidar com as coisas quando elas derem errado. Em praticamente todos os empreendimentos, por mais bem-sucedidos que sejam, as coisas dão errado... (FINCH, 2006, p. 57). No que diz respeito ao fornecimento, quanto mais complexas as atividades, maior a ênfase necessária nesse processo. Por exemplo, em negócios de atacado, varejo ou distribuição, em que o fornecimento é muito relevante, é fundamental verificar o poder de barganha dos fornecedores, dimensionar o impacto da falta de mercadorias ou insumos, os níveis de estoque, fornecedores alternativos etc. Nas questões relativas à gestão, faz-se necessário o desenvolvimento e acompanhamento de procedimentos-padrão, os quais vão garantir a qualidade da entrega dos produtos ou serviços para os clientes. Nesta questão, o apoio de softwares, especializados ou genéricos, auxiliam a tomada de decisões em todos os níveis, permitindo, inclusive, modificações na estratégia da empresa a partir do desenho de novos fluxos de trabalho. 7.2 Infraestrutura e layout Ao dimensionar a infraestrutura, cabe estimar a capacidade operacional, isto é, a capacidade que a empresa tem de prestar um serviço ou sua capacidade de produção. Nesse cálculo, influem o número de funcionários, o maquinário, a capacidade de entrega por parte de seus fornecedores, a capacidade de distribuição e armazenamento dos produtos pela empresa, entre outros fatores. Basicamente, é o quanto a empresa pode produzir em determinado período, ou quanto serviço essa empresa pode prestar em determinado período. Bernardi (2011, p. 118) entende que a infraestrutura é a definição dos meios de apoio às operações da empresa, incluindo grau de informatização, tecnologia da informação, sistemas e softwares aplicáveis e equipamentos. Quanto ao layout, remete-se à eficiência e eficácia do arranjo físico da empresa. Se a empresa é uma indústria, é necessário demonstrar onde está localizado o maquinário responsável por cada etapa do desenvolvimento do produto, onde fica o depósito da empresa, onde está situada a área administrativa etc. Se a empresa for uma loja, onde está localizado o caixa, onde está o depósito, se a loja é dividida em setores, onde fica cada setor, se a empresa possui um escritório, onde está localizado cada item do escritório. Por fim, é necessário verificar o período em que os clientes mais compram (sazonalidade), elaborar a projeção do volume de vendas, serviços, produtos e observar se cada elemento atenderá a demanda, para que não sobre ou não haja desperdícios e para que seja possível dimensionar corretamente o fluxo de produção/operações a ser suportado pela infraestrutura e pelo layout. Fazer com que eles sejam elementos facilitadores do processo, adaptáveis às mudanças e alinhados à estratégia do negócio, torna-se determinante na busca da competitividade e viabilização do plano de negócios. 7.3 Gestão de pessoas Esse elemento, em nível de plano operacional, consiste em verificar como distribuir os empregados na sua empresa: seus cargos, atribuições e competências. Se a empresa ainda não foi montada e os empregados ainda não estão definidos e contratados, é possível descrever quais os cargos que serão futuramente ocupados e quais as qualificações que um candidato precisa para ocupá-lo. Além de sua função no plano de negócios, essa descrição pode auxiliar durante as etapas de recrutamento e seleção. Os aspectos relativos à gestão de pessoas (Quadro 18) também devem ser contemplados a fim permitir que a empresa conte com as competências necessárias para se manter competitiva por intermédio dos colaboradores, compreendendo: planejamento; recrutamento e seleção; capacitação e desenvolvimento; avaliação de desempenho; remuneração; e relações de trabalho. Quadro 18 – Descrição dos aspectos da gestão de pessoas Aspectos da Gestão de Pessoas Descrição Planejamento Dimensionamento do número de pessoas e das respectivas atividades a partir do desenho e do fluxo operacional. Recrutamento e seleção Exposição das vagas disponíveis na organização a fim de localizar candidatos, bem como avaliar e escolher aqueles mais adequados às necessidades atuais e futuras da organização. Capacitação e desenv olv imento Dimensionamento e provisão das necessidades de conhecimento e competências associadas ao negócio de forma contínua, envolvendo aspectos operacionais e gerenciais. Av aliação de desempenho Monitoramento e feedback dos resultados individuais em nível de resultados operacionais, comportamentais e de desenvolvimento de potencial. Remuneração Dimensionamento do pacote de remuneração compreendido por salários, benefícios e incentivos oferecidos aos empregados, considerando-se a competitividade e a capacidade de pagamento da empresa. Relações de trabalho Monitoramento das condições de higiene, segurança e qualidade de vida no trabalho, bem como o cumprimento da legislação trabalhista e previdenciária, relações com sindicatos etc. Fonte: elaborado pelo autor (2014). Para o melhor dimensionamento desses aspectos, faz-se necessário compreender o contexto no qual a organização está inserida e sua realidade, pois as pessoas contratadas deverão ser capazes de tomar decisões e/ou agir de forma adequada diante de ambientes de maior ou menor estabilidade. As competências pessoais necessárias devem ser aqui dimensionadas no sentido de garantir o aporte correto de conhecimentos, habilidades, atitudes e capacidade de julgamento voltados às atividades da empresa. [...] o importante é entender que ninguém é competente para tudo, mas as pessoas são sim capazes de buscar conhecimento, maneiras de colocá-lo em prática e ações que tragam resultados, de preferência positivos, caso haja estímulo para tal. Aliás, entenda que a expressão “de preferência” foi uti l izada, pois variáveis externas podem interferir no processo e fazer com que não se alcance o resultado esperado. (ARAÚJO; GARCIA; MARTINES, 2011, p. 118). Cabe aqui destacar que, observar o mercado de trabalho no que diz respeito à qualidade e quantidade dos profissionais disponíveis e quanto às posições abertas pela concorrência, confere mais segurança ao empreendedor no momento do dimensionamento de seu quadro de pessoal. Esse movimento permite dimensionar o quanto se quer investir, por exemplo, em recrutamento e seleção quando não há muitos candidatos preparados, o quanto é necessário investir em capacitação, como avaliar as pessoas de maneira adequada e alinhada às estratégias, como dimensionar o pacote de remuneração etc. No que se refere à capacidade das lideranças, é importante expor no plano operacional o quanto estas pessoas estão preparadas para lidar com os desafios do alinhamento das pessoas às estratégias do negócio e com as mudanças decorrentes do ambiente competitivo. Finch (2006, p. 57-58) destaca que, [...] você provavelmente vai precisar aludir a sua experiência na parte sobre operações para dar provas de que pode conduzir o negócio de que está tratando. Quanto menor for a experiência obviamente relevante que você e sua equipe tiverem, mais atenção irão precisar dar a explicar como controlar o empreendimento. A escolha adequada da fonte de profissionais, orientando-se pela qualidade dos candidatos a serem contratados, pelos recursos disponíveis para tal e pela escolha criteriosa das escolas, centros de formação e/ou universidades que vão prover os profissionais para a empresa, constituem elementos importantes para o sucesso do plano de negócios. 7.4 Estrutura organizacional A estrutura organizacional representa a definição das áreas, funções e atividades da empresa de modo gráficoou descritivo, permitindo aos que acessarem o plano de negócios ter uma visão da administração e dos níveis hierárquicos dimensionados para o empreendimento. As atividades são decorrentes da natureza do negócio e não implicam diretamente a existência de uma pessoa responsável por cada área específica. Isso varia de acordo com o estágio evolutivo da empresa, sua complexidade e os recursos disponíveis. A estrutura organizacional pode ser desenhada de forma adaptada para cada caso específico (BERNARDI, 2012). Ao abordar a questão da estrutura organizacional, vale lembrar que não existe apenas um modelo. O mais comum é a departamentalização por funções, em que os empregados são divididos em departamentos de acordo com seu cargo ou função. Essa hierarquia tem como vantagem a especialização dos funcionários e pode servir muito bem para uma empresa mais conservadora. Além desse, existe também os modelos de departamentalização por clientes, por produtos e serviços, por processos, além dos modelos mistos. Ao desenvolver o modelo de departamentalização da empresa, é preciso levar em conta as particularidades do negócio. Alguns modelos funcionam melhor em empresas de um determinado setor em relação a outro. Chiavenato (2004) apresenta quatro modelos: por funções; por clientes; por produtos e serviços; e por processos. Veja no Quadro 19 as características, vantagens e desvantagens. Quadro 19 – Características, vantagens e desvantagens dos modelos de departamentalização Por funções Características Agrupamento das atividades de acordo com as funções principais da empresa. Vantagens Desv antagens Agrupa especialistas comuns. Garante plena util ização das habilidades técnicas das pessoas. Permite economia de escala pela uti l ização integrada de pessoas e produção. Orienta as pessoas para uma atividade única e específica. Indicada para condições de maior estabil idade. Reduz a cooperação interdepartamental. Inadequada quando a tecnologia e o ambiente são rapidamente mutáveis. Dificulta adaptação e flexibil idade a mudanças externas. Por clientes Características Agrupamento das atividades de acordo com os tipos de clientes atendidos. Vantagens Desv antagens Quando a satisfação do cliente é o aspecto mais crítico da organização. Quando o negócio depende de diferentes tipos de clientes. Predispõe os executivos a pensar em satisfazer as necessidades dos clientes. Permite concentrar competências sobre distintas necessidades dos clientes. Risco das demais atividades da organização se tornarem secundárias ou acessórias em face da preocupação exclusiva com o cliente. Risco de os demais objetivos da organização, como lucratividade, produtividade, eficiência, serem sacrificados em função da satisfação do cliente. Por produtos e serv iços Características Agrupamento das atividades de acordo com o resultado da organização, ou seja, de acordo com o produto ou serviço realizado. Vantagens Desv antagens Fixa a responsabilidade dos departamentos para um produto ou serviço. Facil ita a coordenação interdepartamental. Dispersa os especialistas em subgrupos orientados para diferentes produtos. Pode provocar temores e ansiedades dos colaboradores em função da instabil idade. Enfatiza a coordenação em detrimento da Facilita a inovação, que requer cooperação e comunicação de vários grupos. Indicada para circunstâncias externas mutáveis, permite mais flexibil idade. especialização. Por processos Características Agrupamento das atividades de acordo com o fluxo do processo produtivo. Vantagens Desv antagens Garante plena util ização e vantagens econômicas do equipamento ou tecnologia. A tecnologia passa a ser o foco e o ponto de referência. Enfatiza o processo. Permite ações de reengenharia e de otimização dos processos. Risco de pouca flexibil idade a mudanças internas ou externas. Risco de centralização demasiada no processo produtivo. Fonte: elaborado pelo autor com base em Chiavenato (2004). Um modelo baseado em projetos pode servir muito bem para uma empresa de construção civil, na qual cada novo empreendimento é um projeto, mas pode não funcionar muito bem para uma empresa comercial, em que a compra e venda de produtos é o foco da empresa, já que não trabalha com projetos. Portanto, torna-se imprescindível avaliar com cuidado e estudar cada alternativa para determinar qual modelo a empresa irá seguir. 7.5 Ideias destacadas neste capítulo Sucintamente, estes foram os principais aspectos do plano operacional ou de operações em nível de negócio. O detalhamento dos aspectos operacionais — processos, infraestrutura e layout, pessoas e estrutural organizacional — correlacionados e alinhados aos demais elementos, como o plano de marketing e o plano financeiro, fazem com que o plano de negócios se torne ainda mais eficaz e atraente para todos os interessados, sejam eles investidores, parceiros e/ou o próprio empreendedor. REFERÊNCIAS ARAÚJO, Luis C. G.; GARCIA, Adriana A.; MARTINES, Simone. Gestão de processos: melhores resultados e excelência organizacional. São Paulo: Atlas, 2011. BERNARDI, Luiz A. Manual de empreendedorismo e gestão: fundamentos estratégias e dinâmicas. São Paulo: Atlas, 2. ed., 2012. ______ . Manual de plano de negócios: fundamentos, processos e estruturação. São Paulo: Atlas, 2011. CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração. Rio de Janeiro: Campus, 2004. DORNELAS, J. C. A. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios. Rio de Janeiro: LTC, 2014. FINCH, Brian. Como redigir um plano de negócios. São Paulo: Clio Editora, 2006. TADEU, Hugo F. B.; SALUM, Fabian A. Estratégia, operações e inovação: paradoxo do crescimento. São Paulo: Cengage Learning, 2012. __________ 14 Carlos Eduardo dos Santos Sabrito. Doutorando em Informática na Educação e graduado em Administração de Empresas, ambas pela UFRGS, e mestre em Administração e Negócios pela PUCRS. Atualmente, professor nos cursos de graduação da UNISINOS. CAPÍTULO 8 AS FINANÇAS Gustavo da Silva Costa Este capítulo mostra a importância do planejamento e da análise financeira dentro de plano de negócios. O presente texto está dimensionado de forma a acompanhar o desenvolvimento da planilha financeira em Excel, de forma processual e, de certo modo, autoexplicativa. Inicialmente, apresenta-se uma caraterização do demonstrativo de investimentos a serem efetuados em um plano de negócios, seguido das definições da taxa interna de retorno (TIR), do valor presente líquido (VPL), do retorno sobre o investimento (ROI) e do payback. 8.1 Entendendo as finanças no contexto do negócio O estudo das finanças é tão antigo quanto à própria história dos negócios. Desde os primeiros cálculos das caravanas comerciais, até os modernos softwares de gestão, nunca se deixou de estudar nem aperfeiçoar a literatura sobre os sistemas financeiros. Poucas coisas existem sem recursos financeiros. Por isto, os planos financeiros são fundamentais não só para negócios empreendedores, mas para todo tipo de empresas, organizações e até para as pessoas individualmente. Seguir com rigidez um plano financeiro permite traduzir todos os objetivos para uma unidade única de medida — o resultado financeiro — o que possibilita compará-los e identificar com mais clareza as prioridades. O plano financeiro é importante também para o empreendedor à medida que ele pode simular situações de risco, investimentos com recursos de terceiros e perspectivas futuras para o negócio. Posterior ao plano de negócios, a administração dos recursos financeiros de uma empresa constitui o grande foco das finanças da organização. Orçamentos, análises de risco e crédito, capital de giro, tudo isto faz parte do dia a dia das finanças empresariais de estabelecimentos de qualquer porte. Além disso, os indicadores financeiros devem ser acompanhados diariamente, refletindo o nível geral da empresa. O acompanhamento desses indicadores, juntamente com os de clientes, fornecedores, custos e operações, mostra, além do bom desempenho da empresa, que a organização tem competitividadesuficiente para a atração de novos investimentos e para um crescimento sustentável de curto e médio prazo. Dentre os indicadores do negócio, o financeiro apresenta as métricas mais palpáveis (quantitativos) para se definir qual o risco envolvido no negócio. Quando reconhecemos e avaliamos o risco de um negócio, fazemos a avaliação das probabilidades mais ou menos previsíveis de lucro ou prejuízo. Normalmente, o risco em um novo negócio está baseado em três fatores: falta de controle, falta de informação e falta de tempo. A melhor tomada de decisão fundamenta-se em ter o maior controle, as melhores informações e o maior tempo possível para avaliação das duas primeiras. De posse desses três fatores, cabe ao empreendedor reconhecer e avaliar os riscos dessas situações; ajustar e escolher as melhores decisões a serem tomadas; e, por fim, monitorar as prováveis situações de risco. O plano financeiro encaixa-se nessas avaliações, dando um caráter mais numérico, mais preciso da viabilidade ou não do negócio ou de alguma decisão mais pontual de investimento. O risco do negócio cresce quanto menor for a capacidade do empreendedor de prevê-lo. Bons planos financeiros estabelecem perspectivas futuras mais sólidas ao negócio, tanto para tranquilidade do empreendedor quanto para torná-los mais atraente a um possível investidor. Instinto, sorte, intuição não são aspectos sólidos para se confiar na montagem de um negócio. Por esta razão, nas próximas páginas veremos as características mais utilizadas para uma montagem efetiva e precisa de um plano financeiro. 8.2 Características de um plano financeiro O plano financeiro, dentro do escopo do plano de negócios, tem por objetivo agrupar e organizar dados que foram conhecidos durante a montagem das demais etapas do plano. A finalidade desse agrupamento é verificar se o empreendimento tem viabilidade financeira tanto para a abertura do negócio, quanto para o médio e longo prazo. Os fatores principais a serem analisados em um plano financeiro estão descritos a seguir. O primeiro é o fluxo de caixa, que retrata a movimentação do dinheiro de curto e médio e prazo dentro da empresa. Segundo estudo realizado recentemente pelo Sebrae (2011), uma das principais causas de fracasso em novos negócios é a falta de capital de giro, que, em geral, é demonstrada pelo descontrole no fluxo de caixa. Outro fator é a avaliação dos investimentos em negócios, ou indicadores de retorno do investimento. Existem vários e bons indicadores para isto, e, neste livro, trabalharemos com alguns deles, como a TIR, o VPL, o ROI e o payback. Se colocarmos em perspectiva que quanto maior o horizonte de tempo a ser previsto, maiores são as incertezas, torna-se natural que as empresas procurem diminuir seus riscos optando por projetos que tenham um retorno do capital dentro de um período de tempo razoável. O terceiro fator é ponto de equilíbrio, ou seja, quando a soma das entradas se iguala à soma das saídas de capital. Neste momento, tanto o lucro quanto o prejuízo são iguais a zero. Quanto mais rápido se atinge o ponto de equilíbrio, maior é a motivação do empresário para continuar investindo e trabalhando em seu empreendimento. Em resumo, o ponto de equilíbrio é quando a empresa ajusta linearmente as receitas com as despesas do empreendimento. O quarto fator é a formação do preço de venda. De forma quantitativa, e alinhada ao plano de marketing, o preço de um produto ou serviço é formado com base nos custos diretos e indiretos, tendo como fator de lucratividade o valor que ele representa para o cliente. Assim, a primeira coisa a fazer é verificar o valor que os clientes atribuem ao seu produto, para não correr o risco de perder dinheiro, ou ter que diminuir o valor para se tornar rentável. Equilibrando tais fatores, podemos ter uma perspectiva estratégica do negócio como um todo, mostrando seu equilíbrio financeiro, bem como os ganhos e riscos do empreendimento. Na próxima seção, serão expostos, passo a passo, os principais itens para a montagem de uma planilha financeira para o plano de negócios.15 8.3 Principais itens de um plano financeiro Diversos itens devem ser contemplados em um plano financeiro, quando se planeja um novo negócio. Primeiramente, deve-se estimar o investimento necessário para se colocar o empreendimento em funcionamento. Depois, é importante calcular adequadamente os custos — fixos e variáveis — e as vendas (receitas), para se chegar a uma projeção de resultados. Para fechar as análises no que se refere às finanças, calculamos alguns indicadores. 8.3.1 Investimento Todo negócio, para iniciar, crescer ou se reinventar, necessita de um aporte de investimento inicial. Este investimento deverá ser retornado ao investidor no curto, médio ou longo prazo, dependendo do desempenho obtido. O investimento inicial compreende aquilo que chamamos de ativos imobilizados do negócio. Em geral, estes ativos imobilizados são as construções (prédios); máquinas e equipamentos; móveis e utensílios; computadores e periféricos; softwares; taxas de franquia e licenciamento; outros ativos que possam ser necessários pontualmente para a montagem do negócio. No investimento, calculam-se as despesas pré-operacionais e o capital de giro, necessários para a manutenção do caixa inicial da empresa. Este capital inicial investido serve para a manutenção da empresa enquanto a mesma não atinge o seu ponto de equilíbrio, ou seja, ainda não possui receitas para custear essas mesmas despesas. As despesas pré-operacionais são aquelas necessárias à organização e implantação da empresa, inclusive as de cunho administrativo, pagas ou que incidem no início de suas operações. A despesa pré-operacional pode ocorrer em duas fases da vida da empresa: antes do início das atividades da empresa e/ou posteriormente, para a execução de novos projetos, sendo a despesa pré-operacional o custo antecipado de cada etapa. É importante observar, contabilmente, o que caracteriza uma despesa pré-operacional, pois elas, contabilmente, enquadram-se em um ponto específico do balanço patrimonial, diferentemente das “despesas pagas antecipadamente”, lançadas no ativo realizável ou circulante. Segundo o inciso II do art. 325 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), podem ser consideradas despesas pré-operacionais: despesas com pesquisas científicas ou tecnológicas, inclusive com experimentação para a criação ou aperfeiçoamento de produtos, processos, fórmulas e técnicas de produção, administração ou venda; juros eventualmente pagos ou creditados a acionistas durante o período que anteceder o início das operações sociais ou de implantação do empreendimento inicial; despesas com prospecção e cubagem de jazidas ou depósitos, realizadas por concessionárias de pesquisa ou lavra de minérios, sob a orientação técnica de engenheiro de minas; custos e despesas de desenvolvimento de jazidas e minas ou de expansão de atividades industriais, classificadas como ativo diferido até o término da construção ou da preparação para exploração; despesas, custos e outros encargos com a constituição, instalação e organização da empresa; encargos financeiros; despesas administrativas: ordenados, salários, honorários, encargos trabalhistas, viagens; parte dos custos, encargos e despesas operacionais registrados como ativo diferido durante o período em que a empresa, na fase inicial da operação, utilizou apenas parcialmente o seu equipamento ou suas instalações; gastos com estudos de viabilidade econômica, elaboração de projetos técnicos; juros durante o período de construção e pré-operação; custos, despesas e outros encargos com a reestruturação, reorganização ou modernização da empresa. Já o capital de giro é o montante em dinheiro disponível para o funcionamento diário da empresa, como: pagamento de funcionários, fornecedores e impostos; estoques; despesas fixas; financiamentos a prazo. Normalmente, quando o prazo de recebimento dos clientes é maior que o prazo de pagamento aos fornecedores, maior é a necessidade de capital degiro. Ou seja, o capital de giro tem relação direta com o ciclo operacional da empresa. A correta avaliação da necessidade de capital de giro constitui um dos maiores desafios do empreendedor. Um alto volume de capital de giro irá desviar recursos financeiros que poderiam ser aplicados nos ativos permanentes da empresa. Todavia, um capital de giro muito reduzido encurtará a capacidade de operação e de vendas da empresa (como oferecer prazos mais longos de pagamento aos clientes). Uma das formas mais utilizadas para calcular a necessidade de capital de giro (NCG) é verificar o somatório do prazo médio do giro de estoque (PMGE) com prazo médio das contas a receber (PMCR) e prazo médio das contas a pagar (PMCP), em dias. Depois, multiplica-se pelas vendas diárias, conforme pode ser observado na fórmula no Boxe 1. Boxe 1 – Fórmula para o cálculo da necessidade de capital de giro NCG = (PMGE + PMCR – PMCP) x Vendas diárias Os valores demonstrados na planilha de investimentos serão mais tarde avaliados no retorno sobre o investimento (que se encontra na última planilha — Indicadores). Após avaliar o investimento, obtém-se o capital inicial para constituir a empresa, que corresponde à soma do total de investimento realizado com o imobilizado (móveis, equipamentos, imóvel etc.), capital de giro próprio ou de terceiros, despesas pré-operacionais, custos fixos e custos variáveis para iniciar o negócio. 8.3.2 Custos fixos Os custos fixos incorrem sobre as despesas necessárias para a manutenção do negócio todos os meses, independentemente de haver ou não receita. São despesas pagas regularmente, como aluguel, contador, funcionários, água, luz, entre outros. Não importa o quanto você fature em um mês, essas despesas praticamente não sofrem alteração. Os custos fixos são fatores simples, sem maiores dificuldades de interpretação, como aluguéis, contador, internet e salários. A grande dificuldade em tratar com o custo fixo é planejar sua organização, e, como tudo na empresa, tentar fazer mais com menos. Alguns conceitos mais específicos a serem tratados dentro dos custos fixos são a depreciação mensal e o pró-labore dos sócios que trabalham efetivamente no negócio. Como exemplo de depreciação mensal, pode observar as máquinas, equipamentos e ferramentas de uma empresa, que, como as obras civis dos prédios, desgastam-se ou tornam-se ultrapassados com o passar do tempo. Para calcular a depreciação, pode-se usar um cálculo simples, como no exemplo mostrado a seguir. Primeiro, verifica-se qual a vida útil de determinado bem da empresa, como uma ferramenta. Depois, divide- se o valor desta ferramenta pela sua vida útil (tem-se a depreciação anual). Por fim, divide-se o custo anual desta depreciação por 12 (12 meses do ano), para estimar a depreciação mensal. Veja no Boxe 2 um exemplo. Boxe 2 – Exemplo de cálculo de depreciação mensal Preço da ferramenta = R$ 1.000,00 Vida útil = 5 anos Depreciação anual: R$ 1000/5 = R$ 200 por ano Depreciação mensal: R$ 200/12 = R$ 16,67 por mês É importante observar que a depreciação não é aleatória. Os prazos considerados pela Receita Federal para efeito de vida útil de um bem são: obras civis como imóveis têm vida útil de 25 anos; instalações e maquinário têm vida útil de 10 anos; móveis e utensílios possuem vida útil também de 10 anos; equipamentos e veículos têm vida útil estimada em cinco anos; computadores têm vida útil aproximada de três anos. Já o pró-labore (em latim, pelo trabalho) significa o “salário” dos sócios que participam efetivamente da gestão do negócio. Todos os sócios recebem a distribuição dos lucros (se houver), habitualmente ao término do ano fiscal. Os sócios que operam o negócio no dia a dia têm direito a um salário mensal (pró-labore), enquanto os sócios investidores recebem somente a distribuição dos lucros. Não existe uma fórmula padrão para calcular o pró-labore. Na maioria dos casos, ele é acordado entre os sócios. Conforme visto antes, os custos fixos fazem parte da despesa da empresa, quer ela esteja faturando pouco, muito, ou até mesmo não esteja faturando. Já os custos variáveis são previstos em virtude do aumento das vendas e são proporcionais a elas, conforme será visto a seguir. 8.3.3 Custos variáveis São caracterizados como custos variáveis aqueles que variam de acordo com o faturamento mensal da empresa, ou seja, o valor deste custo depende do volume de negócios da empresa. São exemplos de custos variáveis as matérias-primas, insumos em geral, comissões de vendas, entre outros. Os custos variáveis são previstos a partir da projeção de vendas da empresa (que será visto nas seções seguintes), que, em grande parte das vezes, é oriunda da pesquisa de mercado. A importância do custo variável é que a partir dele é apresentado o resultado operacional16 da empresa em relação a suas vendas. Podemos também caracterizar os custos variáveis como os relacionados à produção. Os custos variáveis são compostos por dois grupos de despesas: os custos variáveis regulares, como água, luz, fretes, serviços de terceiros, comissões e outros, e os custos variáveis oriundos da formação dos produtos, como o custo discriminado das matérias primas e insumos. Podemos ainda ter uma divisão entre custos variáveis e custos semivariáveis. Os custos semivariáveis variam a partir de uma faixa de volume de produção, como, por exemplo, o custo com a premiação por vendas. As comissões são valores proporcionais fixos, independentemente do volume de venda, porém podem crescer a partir de uma faixa predefinida, acima de determinado volume. Tanto os custos variáveis como os custos fixos avaliados sozinhos podem gerar erros interpretativos em qualquer análise financeira. Na próxima seção, serão expostas as projeções de custos, em que é efetuado o alinhamento entre os dois custos, e sua projeção geral sobre a análise financeira do plano de negócios. 8.3.4 Projeção de custos A projeção de custos é a parte do plano financeiro que estima quanto o empreendedor está disposto a gastar e, consequentemente, ganhar, em um período de tempo futuro. Na maior parte dos planos de negócios, estima-se esta projeção anualmente. Um dado importante é que a projeção de custos é diferente da previsão de custos. Ao prever custos, o empreendedor supõe que os fatores que contribuem para os custos (número de empregados, custos de matéria-prima, entre outros) permanecem os mesmos. Já quando os custos são projetados, as modificações previstas podem ser consideradas nos cálculos. O “instinto empresarial” que muitas vezes observamos é de que sempre se deve estar trabalhando com vistas ao corte de custos, muitas vezes de maneira irracional, produzindo resultados sustentáveis apenas no curto prazo e colocando em risco o objetivo principal do empreendimento. A projeção de custos, porém, deve ter como foco o impulso à eficiência do negócio, como o capital de giro, a qualidade dos produtos, a precisão de fabricação, a maximização do uso dos equipamentos e, evidentemente, as pessoas. Em planos de negócios, as projeções de custos são realizadas para até cinco anos, dado como período inicial a fundação do negócio. As projeções de custos podem levar em conta aspectos do ambiente externo para suas estimativas, como câmbio, inflação, perspectivas políticas e sociais, e não somente aspectos de projeção de mercado. Porém, os determinantes pontuais, que mais interferem nas projeções futuras de qualquer empresa, são as projeções financeiras de vendas. 8.3.5 Projeção financeira de vendas As projeções financeiras de vendas nada mais são que as estimativas elaboradas pelo empreendedor de quanto espera vender, pagar de impostos e, consequentemente, ganhar nos próximos meses ou anos. As projeções financeiras de vendas devem ter por base o potencial de mercado, a capacidade de produção e venda da empresa, a sazonalidade dos produtos, ou seja, levar em consideração tanto as previsões de ambiente interno quanto externo da empresa. Todo aumento de vendas leva a um proporcional aumento de custos, sejameles prévios ao aumento das vendas (como os custos de marketing), paralelos (pagamento de impostos e necessidade de capital de giro) ou futuros (aumento das instalações e produção). Esta análise sistêmica, tanto de custos quanto de faturamento, caracteriza a importância de se projetar financeiramente as vendas da empresa. O objetivo mais pontual desta projeção é permitir que o empresário consiga planejar quanto irá precisar levantar de empréstimos, ou investir do próprio bolso, para a expandir sua empresa no período proposto. As projeções financeiras de vendas levam em conta, em termos de cálculo matemático, as quantidades previstas multiplicadas pelo preço unitário. Depois, calcula-se o percentual de impostos sobre as previsões. Somente a partir das projeções financeiras de custos e de vendas o empreendedor chegará à conclusão de que o negócio é viável no médio e longo prazo, e, ainda, se possui recursos suficientes ou se é necessário recorrer a recursos de terceiros (empréstimos bancários, sócios) para levar adiante a expansão. Uma forma bastante clara de se verificar o alinhamento entre ambas é o demonstrativo de resultados da empresa, que contempla os diversos pontos financeiros vistos até agora de uma forma unificada e sistêmica. 8.3.6 Demonstrativo de resultados O demonstrativo de resultados (DRE) é a parte do plano, ou de qualquer análise financeira, que detalha e quantifica as receitas e despesas de uma empresa. Em termos de dinheiro, o DRE mostra o que a empresa recebe, o quanto gasta e o resultado final da operação do negócio. O DRE apresenta essas informações em um intervalo de tempo determinado, que pode ser mensal, trimestral, semestral, anual ou até cinco anos. A sua importância se caracteriza por conhecer com precisão a realidade econômico-financeira da empresa, especialmente porque ele responde a algumas das perguntas mais comuns no meio empresarial: Houve lucro ou prejuízo? Qual a previsão de ganhos? Qual foi o balanço financeiro? Medindo o resultado do período, pode-se ter maior segurança para estimar a vida futura da empresa, projetando com maior segurança vendas, custos, investimentos, margens brutas e líquidas, entre outros indicadores que o empreendedor achar necessário. O DRE deve prever todas as receitas e custos da empresa, e, assim, chegar na sua margem de contribuição (Boxe 3). A margem de contribuição (MC) é o resultado do preço de venda, ou receita bruta total (PV), menos o custo da mercadoria vendida (CMV) somado os custos variáveis totais (DV). Boxe 3 – Fórmula para o cálculo da margem de contribuição MC = PV – (CMV + DV) A importância da margem de contribuição é que a mesma indica ao empreendedor o quanto sobra das vendas para que a empresa possa pagar suas despesas fixas e gerar lucro. Boa parte do gerenciamento de custos de empresas de qualquer porte encontra-se fundamentado no resultado da margem de contribuição. Após o resultado da margem de contribuição, estimam-se os custos fixos totais, conforme visto anteriormente. O resultado da diferença entre custos fixos e margem de contribuição é o resultado antes do Imposto de Renda e da contribuição social (Lair – Lucro Antes do Imposto de Renda ou Ebitda – Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization). A importância do Ebitda é analisar o quanto a empresa é eficiente em geração de recursos apenas em suas atividades operacionais, sem considerar os efeitos financeiros externos e impostos. Avaliar o Ebitda ganha relevância em um plano de negócios, ou em qualquer análise financeira, pelo fato de que avaliar somente o resultado final tem sido insuficiente para avaliar seu desempenho real em determinado período, já que, muitas vezes, este resultado é influenciado por fatores difíceis de serem mensurados. A forma mais simples de calcular o Ebitda é diminuir da margem de contribuição os custos fixos totais, conforme a planilha do plano de negócios deste livro. O cálculo contábil para obtenção do Ebitda chega ao mesmo resultado, sendo a subtração do lucro operacional, a partir da receita líquida, do CMV, das despesas operacionais e das despesas financeiras líquidas (despesas menos receitas com juros e outros itens financeiros). Subtraindo-se do Ebitda a soma do Imposto de Renda da pessoa jurídica e a contribuição social, chega-se ao resultado líquido financeiro, que, em geral, é visto como aquilo que a empresa produz anualmente para remunerar seus sócios. A demonstração do resultado do exercício oferece uma síntese financeira dos resultados operacionais e não operacionais de uma empresa em certo período, tanto para fins práticos (de análise da empresa), quanto para fins contábeis. A análise do DRE combina-se com a do fluxo de caixa, pois a empresa pode apresentar uma boa projeção futura (visto no DRE), mas dificuldades de liquidez no curto prazo (visto no fluxo de caixa). 8.3.7 Fluxo de caixa Uma das principais dificuldades dos novos empreendedores é confundir lucro com fluxo de caixa. Enquanto o lucro é resultado da subtração das despesas do volume de vendas, o fluxo de caixa é resultado da diferença entre a efetiva quantia recebida e os pagamentos de caixa, ou seja, o dinheiro que sobra ou falta no caixa diariamente. Um bom fluxo de caixa é aquele em que os recebimentos são antecipados aos débitos, contanto, é claro, que a empresa tenha lucro nessas operações. Um setor que funciona como bom gerador de caixa é, por exemplo, um supermercado. Desde que ele tenha um estoque sempre no nível médio, ele normalmente compra a prazo e recebe à vista, desconsiderando os pagamentos efetuados com cartão de crédito. Se ele tem lucro com esta operação, o caixa pode se manter sempre em um nível alto. Há vários casos de empresas lucrativas que fracassam devido à falta de caixa (que as levam a se endividar para cumprir obrigações de curto prazo). Assim, usar somente o lucro como medida de sucesso de um novo empreendimento pode ser ilusório, se houver um fluxo de caixa negativo constante. É importante que o empreendedor faça projeções mensais de caixa, como as efetuadas mensalmente para os lucros e para as vendas. O problema mais difícil ao projetar fluxos de caixa é o cálculo dos recebimentos e desembolsos mensais exatos. Existem alguns fatores mais comuns que podem sinalizar problemas com o fluxo de caixa de uma empresa: prazos de pagamentos aos clientes são maiores que os dos fornecedores para com a empresa; acúmulo de compras ou estoque em datas sazonais como Natal e Dia dos Namorados é maior que a disponibilidade de dinheiro no caixa; giro do estoque é muito baixo (estoque muito alto e já pago); retiradas de pró-labore além do previsto pela empresa; juros bancários crescentes, em virtude da indisponibilidade de dinheiro para pagamentos de curto prazo. O saldo final de um fluxo de caixa representa a diferença entre as entradas e saídas daquele período. Já o saldo acumulado é a diferença entre o saldo final do mês vigente menos o saldo acumulado do mês anterior. É por meio dos saldos que se pode projetar os períodos seguintes do fluxo de caixa. Novos negócios podem apresentar perdas ou fluxo de caixa negativo até o primeiro ano (ou até a disponibilidade de capital inicial para o negócio). Em geral, leva tempo para uma nova empresa se estabelecer no mercado e gerar receitas suficientes para cobrir os custos. Essas perdas não significam, necessariamente, fluxo de caixa negativo, assim como lucro nem sempre significa fluxo de caixa positivo. Por outro lado, o fluxo de caixa será responsável por manter a empresa com as contas em dia, já que o dinheiro que vai sobrando durante o mês e o ano poderá ser usado tanto para pagamento dos débitos, quanto para o crescimento a partir de investimentos na própria empresa. A manutenção de um fluxo de caixa positivo também confere ao empreendedor mais serenidade para projetar o longo prazo e trabalhar os aspectos operacionais de curto prazo com maior tranquilidade. Se há disponibilidade de tempo, é conveniente criar vários cenários futuros tanto para o DREquanto para o fluxo de caixa, cada um baseado em diferentes níveis de sucesso da empresa. Pode-se também criar cenários para indicadores pontuais de desempenho financeiro, como o ponto de equilíbrio, a taxa de retorno do investimento e outros de igual importância. 8.3.8 Indicadores financeiros Os indicadores financeiros são elementos que, tradicionalmente, representam o conceito de análise econômica de um plano de negócios. Esses indicadores devem estar de acordo com a visão do empreendedor em termos de acompanhamento das atividades, rentabilidade e projeção de futuro propostas no início do plano. A importância desses indicadores é a de evidenciar a posição atual do negócio para o empreendedor, ao mesmo tempo em que tentam entender o que pode acontecer no futuro com a empresa, caso aquela situação detectada pelos indicadores tenha sequência. Os recursos de investimento, capital de giro e despesas pré- operacionais são os primeiros a serem vistos para o início de negócio, sendo já abordados neste capítulo. É importante destacar quanto destes recursos virá de capital do próprio investidor e quanto procederá de capital de terceiros (empréstimos bancários ou capital de investidores). Outro indicador já citado é o recurso financeiro mensal, composto pelo faturamento, custo fixo, custo variável e resultado operacional. Serve como indicador para uma análise mais rápida e estratégica da parte financeira do negócio. A seguir, vem a análise do ponto de equilíbrio. Diretamente ligado ao fluxo de caixa, o ponto de equilíbrio determina quantas unidades devem ser vendidas ou qual o volume de vendas para que a receita seja igual à despesa do negócio. Resumindo, é o volume de vendas em que o empreendimento não tem lucros nem perdas. O ponto de equilíbrio (Q) pode ser calculado pela divisão dos custos fixos (CF) sobre o preço de venda (PV) menos o custo variável (CV) sobre o custo da produção de uma unidade, conforme o Boxe 4. Boxe 4 – Fórmula para o cálculo do ponto de equilíbrio Pode-se calcular tanto a receita mensal quanto diária para atingir o ponto de equilíbrio, bastando dividir por trinta (dias) o resultado da receita mensal. O mais importante é projetar o período em que irá se atingir o ponto de equilíbrio, mantendo os custos em uma projeção constante, para que não desequilibrem o caixa. Outros indicadores já vistos neste capítulo são a margem de contribuição (percentual sobre as vendas, que sobra depois de serem descontadas todas as despesas variáveis) e a lucratividade, tanto operacional quanto líquida (resultado final). O lucro operacional é o lucro obtido pela empresa depois de se diminuir da receita líquida de vendas o custo da mercadoria vendida. Já o resultado final, ou receita líquida, é o que deve ser distribuído aos sócios do empreendimento, trabalhem eles ou não no negócio. Os três indicadores finais são o valor presente líquido (VPL), o retorno sobre o investimento (ROI) e a taxa interna de retorno (TIR). A ferramenta mais utilizada para a avaliação de negócios (baseada no tamanho e duração de um fluxo de caixa) consiste em reduzir a projeção futura dos saldos operacionais a um único valor presente. Esta ferramenta é o valor presente líquido (VPL), calculado como a diferença entre o valor inicial investido no projeto e o valor presente dos fluxos de caixa projetados. Um projeto cujo VPL é negativo normalmente é rejeitado. Em um VPL, considera-se uma data presente de determinado investimento e os recebimentos futuros deste investimento, com uma taxa de desconto17 que reflete tanto o valor do dinheiro no tempo quanto o risco desses recebimentos futuros. O risco de não receber este dinheiro investido mais os juros do período são descontados do valor presente da quantia de dinheiro. Concluindo, quanto mais longo é o prazo para receber uma quantia de dinheiro, e quanto maior é seu risco, menor o seu valor presente. Há três maneiras de visualizar o VPL como indicador de um novo negócio. Nas três maneiras, consideramos a mesma taxa de desconto requerida pelo risco do novo negócio: VPL = Ø significa que o investimento no novo negócio atinge a remuneração do investimento esperada pelo empreendedor. VPL > Ø significa que o investimento no novo negócio atinge uma remuneração maior no investimento que a esperada pelo empreendedor. VPL < Ø significa que o investimento no novo negócio atinge uma remuneração menor do investimento que a esperada pelo empreendedor. Nessas condições, o aconselhável é não realizar o novo negócio. O cálculo do VPL está descrito no Boxe 5, sendo n o tempo do negócio para retorno do investimento, t a quantidade de tempo em que foi investido dinheiro no negócio, i o custo do capital e FC o fluxo de caixa naquele período. Boxe 5 – Fórmula para cálculo do valor presente líquido (VPL) O retorno sobre o investimento (ROI ‒ return on investment) também é utilizado como um indicador para a avaliação de negócio. É calculado dividindo-se o ganho obtido com o negócio pelo montante aplicado nele. A importância do cálculo do ROI se dá na determinação do retorno de um investimento realizado e contabilizado em meses, nos quais ele será amortizado para, então, começar a gerar lucros. Há várias formas contábeis, econômicas e financeiras de se calcular o ROI. A fórmula de cálculo utilizada neste livro pode ser observada no Boxe 6. Boxe 6 – Fórmula para o cálculo do retorno sobre o investimento (ROI) Outro indicador para determinar o retorno do capital investido no negócio é a taxa interna de retorno sobre o investimento (TIR ou IRR ‒ internal rate of return). A TIR é considerada um complemento do VPL, ou seja, é a taxa de desconto de um investimento que torna seu VPL nulo. Em suma, é o que faz com que o projeto pague o investimento inicial quando considerado o valor do dinheiro no tempo. O cálculo da TIR considera o momento zero do VPL, somado ao investimento inicial (Boxe 7). Boxe 7 – Fórmula para o cálculo da taxa interna de retorno (TIR) Outro indicador comumente usado é o payback, que calcula o tempo de retorno do investimento. Bastante próximo ao ROI, é calculado como a diferença entre o valor do investimento e a receita prevista. O resultado é expresso normalmente em anos. Se o cálculo do payback origina um valor abaixo do prazo previsto, dizemos que este investimento é viável. Um exemplo de payback viável é quando o investimento possui retorno antes dos custos de reforma por depreciação. Existem diversos outros indicadores, tanto na forma econômica quanto contábil, sendo que este livro procurou trazer os mais utilizados em metodologias de plano de negócios. 8.4 Ideias destacadas neste capítulo Os principais conceitos vistos neste capítulo foram a taxa interna de retorno (TIR), o valor presente líquido (VPL), o retorno sobre o investimento (ROI) e o payback. Todos estes são indicadores de retorno que podem, de forma matemática, servir de modelo de acompanhamento da rentabilidade do negócio; verificar se rentabilidade e retorno são factíveis com a ideia e perspectiva do empreendedor; e demonstrar atratividade financeira para possíveis investidores no negócio. Para tanto, foram descritos os conhecimentos básicos que o empreendedor deve possuir para uma análise financeira da compra ou montagem de um novo negócio. O capítulo também seguiu a ordem disposta na planilha financeira a ser utilizada na comunidade do Moodle, para simplificar o acompanhamento e entendimento do assunto. A própria planilha é autoexplicativa, e os cálculos aqui descritos lá se encontram prontos. Agora, é só deixar a imaginação voar e começar a empreender. REFERÊNCIAS ASSAF NETO, Alexandre; SILVA, César Augusto Tibúrcio. Administração do capital de giro. São Paulo: Atlas, 2002. BARON, Robert A.; SHANE, Scott A. Empreendedorismo: uma visão do processo. São Paulo: Thomson Learning, 2007. BESSANT, John; TIDD, Joe. Inovação e empreendedorismo. Porto Alegre: Bookman, 2009. DORNELAS, J. C. A. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios. Rio de Janeiro: LTC, 2014. DEGEN, Ronald. Empreendercomo opção de carreira. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011. FARAH, Osvaldo Elias (org.). Empreendedorismo estratégico: criação e gestão de pequenas empresas. São Paulo: Cengage Learning, 2008. GANEN, Carlos; SANTOS, Eliane Menezes dos (coord.). Brasil inovador: o desafio empreendedor ‒ 40 histórias de sucesso de empresas que investem em inovação. Brasília: IEL-NC, 2006. GHEMAWAT, P. A estratégia e o cenário dos negócios. Porto Alegre: Bookman, 2000. GITMAN, L. J. Princípios de administração financeira. 7. ed. São Paulo: Harbra, 2002. HISRICH, R. D.; PETERS, M. P. Empreendedorismo. Porto Alegre: Bookman, 2004. ROSS, S. A.; WESTERFIELD, R. W.; JAFFE, J.F. Administração financeira. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2002. SALIM, Cesar Simões et al. Construindo planos de negócios. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. __________ 15 A planilha financeira que compõe o plano de negócios para util ização nas aulas está disponível na comunidade do Moodle. 16 O resultado operacional é o lucro da empresa depois de se deduzir da receita l íquida de vendas o custo de mercadoria vendida, as despesas de pessoal, as despesas administrativas, as despesas financeiras e outras despesas operacionais. 17 Taxa de desconto: soma da taxa de juros sem risco mais o prêmio por risco do negócio. CAPÍTULO 9 AS QUESTÕES ESTRATÉGICAS Luciana Maines da Silva José Fernando Dresch Kronbauer Este capítulo aborda as questões estratégicas do negócio. Quando o empreendedor age no presente, mas pensando e planejando os seus próximos passos, ou seja, o futuro do seu negócio, chega-se ao nível estratégico. Inicialmente, o conceito e o histórico do termo estratégia é apresentado. Depois, aborda-se a análise ambiental, com a análise externa (setorial e do macro ambiente) e a interna (recursos e capacidades). Por fim, apresenta-se a matriz SWOT como a principal ferramenta que o empreendedor tem em mãos para modelar seu plano estratégico. 9.1 Introduzindo a questão da estratégia para planejamento do negócio Nos capítulos anteriores, foram detalhados todos os assuntos necessários para se empreender um negócio: conceitos e práticas de empreendedorismo, quem é o empreendedor, as questões que identificam oportunidades, modelagem de negócios e definição de produtos e serviços, mercado, vendas e finanças para, agora, abordarmos as estratégias Pode-se fazer uma analogia do ato de empreender com o cinema. As imagens são tomadas nos diversos ambientes da organização e no cenário em que se encontra esta organização e as imagens estão dispostas em um plano, originando o filme em si: para se ter o resultado do trabalho do diretor e dos atores, além da percepção da trama e do enredo do autor, faz-se necessário assistir ao filme integralmente, sem deixar partes de fora. Assim é a modelagem de um plano de negócio: todas as partes que o compõem (e que estão em alguns capítulos antecedentes a este) devem estar dispostas em um mesmo plano, de fácil acesso ao leitor ou ao diretor da empresa, bem como aos investidores, trabalhadores e a quem mais interessar. No entanto, antes de abordar plano de negócio é preciso falar de empreendimento, de negócio em si e, então, nos deparamos com uma pergunta: O que é um bom negócio? Será que se pode traduzir um bom negócio por $u$$e$$o? Assim mesmo, com muitos cifrões? Sim, também, talvez, mas não bastam só os cifrões, não é somente com lucratividade que se mede um resultado; somos atolados todos os dias com listas e rankings apontando os dez maiores empreendimentos ou os dez mais ricos, mas que impacto estes empreendimentos ou empreendedores criaram para o país ou para a sua região? Ou para os seus colaboradores tão somente? O que o empreendedor está pensando ou agindo em termos de risco e criatividade? Será que ele sonha, ou melhor, será que ele sonha acordado? Sonhar acordado é trazer o futuro para dentro de sua empresa, é ter hoje muito presente e bem delineado o que vai acontecer mais adiante, no próximo ano ou daqui a bastante tempo, como cinco ou sete anos, e aí estamos falando de estratégia ou, ainda, de plano estratégico. Para se falar de estratégia e de objetivos estratégicos, é necessário abordar e discutir questões como a missão da organização, seu desempenho perante os objetivos traçados, as questões relacionadas a clientes e mercados, os produtos e serviços, sua participação efetiva no mercado, quais os seus indicadores de desempenho e suas vantagens competitivas, ou seja, o que a diferencia das demais empresas presentes no seu ambiente de negócio. Para tanto, podemos contar com a matriz SWOT, a principal ferramenta que o empreendedor tem em mãos para modelar seu plano estratégico, para desenvolver a análise não só dos fenômenos e influências presentes no ambiente externo à empresa mas de sua capacidade em reagir e se posicionar no mercado. Ainda neste capítulo são abordados a origem e o conceito de estratégia, ou seja, os caminhos que a organização escolhe para competir e quais as políticas que utilizará em sua empreitada. Encerrando esta introdução, deixamos aqui alguns exemplos de estratégias para reflexão, como a exploração de produtos tradicionais em mercados tradicionais, ou de produtos tradicionais em novos mercados ou, ainda, de produtos novos em mercados tradicionais, segundo Ansoff e McDonnel (1993). Já Porter (1996) sugere identidade forte do produto, liderança de preço e atuação em nichos de mercado. Enquanto isso, Miles e Snow referem a permanência no mesmo mercado ou a busca de novas oportunidades. Para finalizar, Certo aponta a busca de novas oportunidades e a eliminação de desperdícios (MAXIMIANO, 2011). 9.2 O que é estratégia? O termo estratégia é amplamente utilizado em todas as empresas. Sejam pequenas ou grandes, start-ups ou centenárias, a estratégia está presente no lançamento de um produto, no desenvolvimento de um projeto ou na busca por um objetivo maior. O conceito nasceu da necessidade de realizar objetivos em situações de concorrência, ou seja, anular ou frustrar o objetivo do concorrente. Para Mintzberg (2001), a estratégia representa a adaptação contínua da empresa ao ambiente em que a empresa está inserida. Já Bethlem (1981) entende que a estratégia tradicional, clássica, enfatiza a força, enquanto atualmente a preocupação é com a mobilidade e a surpresa. Em seu artigo What is strategy? (O que é estratégia?), Michael Porter (1996, p. 1), uma das maiores autoridades no assunto, diz que “a estratégia competitiva consiste em ser diferente. Significa escolher deliberadamente um conjunto diferente de atividades para fornecer uma combinação única de valor”. Quando se fala em estratégia para a empresa, aquilo que a guiará para o futuro, algumas palavras-chave são norteadoras: longo prazo: a estratégia deve ser traçada para um período de longo prazo (em geral, de três a cinco anos — em alguns casos, até em décadas), já que o esforço para sua definição e implantação não compensa em períodos curtos; ambiente: deve contemplar o ambiente em que a empresa está inserida (características do setor, concorrência, influências sociais, entre outras); planejamento: definir e, principalmente, implantar a estratégia, requer planejamento, organização e disciplina; concorrência: conhecer profundamente a concorrência é essencial para que a empresa possa perseguir sua vantagem competitiva (presença de desempenho consistentemente acima da norma (BARNEY, 2002). Ao longo dos anos, diversos gestores tomaram decisões que fizeram com que suas organizações se destacassem das demais. O Quadro 20 apresenta alguns casos de destaque. Quadro 20 – Casos de destaque Quem Onde O quê Henry Ford Ford Motors “Você pode ter um carro da cor que quiser desde que seja preto”. Alfred Sloan General Motors “Um carro para cada bolso”. Taiichi Ohno Toyota Criação dos sistemas flexíveis de produção. Bill Gates Microsoft Criação de sistemas operacionais para PCs. Michael Dell Dell Computers Customização em massa. Fonte: elaborado pelos autores (2014). Mas a origem da estratégia não se deu pormeio de grandes empresas, e sim pelo estudo de técnicas militares. 9.2.1 Origem da estratégia A palavra estratégia tem origem grega (strátegos) e referia-se a uma posição, a do general no comando do exército. Mais tarde, passou a designar “a arte do general”. Segundo o dicionário Aurélio (on-line), estratégia é conceituada como: Militar arte de planejar operações de guerra. / Arte de combinar a ação das forças militares, políticas, morais, econômicas, implicadas na condução de uma guerra ou na preparação da defesa de um Estado. / Arte de dirigir um conjunto de disposições: estratégia política. / Fig. Habilidade, astúcia, esperteza: contornou a dificuldade com estratégia. / Fig. Ardil, manha, estratagema. Quem inicialmente escreveu sobre a utilização de estratégias no ambiente militar foi Sun Tzu, em 500 a.C. Ele era um general chinês que, em seu livro A arte da guerra, trata da preparação do plano, da luta, das armas, das manobras, da variação de táticas, do exército em marcha, tendo como pano de fundo princípios como método, disciplina e moral. Sun Tzu aponta alguns fatores que fazem a diferença nas batalhas e, ao adaptarmos para o ambiente corporativo, identificamos que: deve-se usar a inteligência em utilizar a informação; o mercado é um campo de batalha; quem ocupa primeiro o campo de batalha está à vontade; quem chega depois está mais cansado; não se deve repetir táticas vitoriosas, pois o que vale é a novidade. Outros personagens, com suas táticas vitoriosas, influenciaram a história de povos e países. Destacamos aqui: Alexandre, o grande (330 a.C.): emprego da força para vencer o inimigo — início do marketing político. Gengis Khan: emprego do cavalo em campo de batalha (ACVA). A competição militar, em geral, as guerras, foi o cenário no qual nasceu a necessidade do pensamento estratégico, ou seja, PENSAR ANTES DE AGIR. Essa é a máxima no que se refere à estratégia. O ato de “pensar” significa um árduo esforço de conhecimento de si mesmo (a empresa) e do oponente (concorrentes e mercado). 9.3 Análise ambiental Quando se fala em análise ambiental significa dizer análise do “ambiente” em que a empresa está inserida. Essa análise estratégica se dá em três níveis: o macroambiente e o setor no qual a empresa opera (ambiente externo) e a empresa em si (ambiente interno). A importância dessa análise é ratificada por Chaffe (1985, apud MINTZBERG, 2000, p. 21), quando comenta: “a organização usa a estratégia para lidar com as mudanças nos ambientes”. A relação entre os contextos interno e externo é determinante para a definição de para onde, como e quando a empresa vai. Desta forma, é possível realizar um prognóstico da evolução do ambiente externo, antecipando as oportunidades e as ameaças, de modo a que se possa cumprir o objetivo traçado. Já não é mais possível realizar planos que se sustentam simplesmente em dados passados, como se o futuro fosse uma sequência predeterminada. 9.3.1 Ambiente externo O ambiente externo deve ser analisado sob duas óticas: a análise do macroambiente e a análise do setor. 9.3.1.1 Análise do macroambiente No que tange à análise do macroambiente, deve-se estar atento para as mudanças tecnológicas, ações e controle do governo, mudanças nas condições da economia, mudanças nas normas sociais, aspectos ambientais e demográficos (DOLABELLA, 2008). Mudanças tecnológicas: são determinadas pelas mudanças que podem afetar setores inteiros da economia. Deve ser avaliado se o negócio é mais ou menos suscetível a influências tecnológicas. Pode-se observar melhorias e avanços em potencial, recursos disponíveis, inovações, regulamentação, informatização, automatização, biotecnologia etc. Ações e controle do governo: refere-se à avaliação de políticas setoriais, incentivos específicos sobre MPME (micro, pequenas e médias empresas) e as leis que regem o setor. Deve-se dar atenção especial a negócios sob controle governamental (concessões, por exemplo), pois podem ter suas regras alteradas a qualquer momento. Pode-se observar as leis antitruste, leis ambientais, impostos, código do consumidor, legislação presente e futura sobre força de trabalho, ambiente, distribuição, preço, marketing, incentivos fiscais, partidos políticos, decisões governamentais, grupos de interesse, eleições/governos etc. Mudança nas condições da economia: é muito relevante, pois o atual estágio da economia influencia decisivamente a permanência ou abertura de novos negócios. Deve-se avaliar a sensibilidade do produto às variações econômicas. Jornais e revistas são importantes fontes de informação. Pode-se observar a inflação, taxas de juros, Produto Interno Bruto (PIB), distribuição de renda etc. Mudança nas normas sociais: engloba fatores sociológicos, antropológicos, psicológicos, princípios éticos, morais e tradições, que podem afetar novos negócios. Pode-se observar mudanças, tendências, estilos, influências (religiosas, crenças, valores e normas sociais), tradições, comportamentos, tamanho e crescimento da população, concentração, composição etária e étnica, grau de escolaridade, sexo, ocupação, profissão, estado civil, composição familiar, distribuição geográfica etc. Aspectos ambientais: diz respeito às influências do meio ambiente no negócio. A disponibilidade, ou não, de recursos naturais e a influência do clima (frio, calor, chuva, seca) devem ser analisados, dependendo do tipo de negócio. Pode-se observar o clima e os recursos naturais. Aspectos demográficos: referem-se às características gerais da população. A maioria das informações é fornecida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pode-se observar tamanho, concentração, composição etária, grau de escolaridade, sexo, profissão, estado civil, composição familiar etc. Além da análise macroambiental, a análise do setor também é decisiva para a eficiente elaboração da estratégia. 9.3.1.2 Análise setorial A unidade fundamental da análise estratégica é o setor de atividade da empresa, pois o desempenho financeiro da empresa se dá em virtude de duas causas distintas: a estrutura do setor, que define as regras de competição, e a posição relativa no setor, que constitui a fonte de vantagem competitiva. Portanto, a estratégia da empresa deve contemplar as duas. Segundo Porter (1996), o potencial de lucro de um setor (retorno a longo prazo sobre o capital investido) depende de cinco forças competitivas básicas, apresentadas a seguir na Figura 7. Figura 7 – As cinco forças competitivas de Porter. Fonte: Porter (1996). a. Rivalidade entre empresas existentes (concorrentes): a intensidade da concorrência reflete a participação da empresa no mercado. Porter (1996) aponta que as principais ameaças para a empresa são: concorrentes numerosos ou bem equilibrados; crescimento lento; custos fixos ou de armazenagem altos; ausência de diferenciação ou de custos de mudança; capacidade aumentada em grandes volumes; concorrentes divergentes; grandes interesses estratégicos; barreiras de saída elevadas. b. Poder de barganha dos compradores: neste caso, o comprador detém maior poder de negociação. Segundo Porter (1996), os principais aspectos são: concentração ou grandes volumes; produtos significativos no volume ou custo; produtos padronizados ou não diferenciados; poucos custos de mudança; lucros baixos; ameaça de integração para trás; produto não importante para qualidade ou serviço; total informação. c. Pressão de produtos substitutos: neste caso, deve-se estar atento a produtos que têm possibilidade de execução de uma ou mais funções do produto original, pois os produtos podem se tornar substitutos se apresentarem uma relação preço- desempenho atrativa para o fornecedor. d. Poder de barganha dos fornecedores: a preocupação deve-se dar quando: poucas empresas controlam o setor, sendo mais concentrado que o setor que compra; não existem substitutos fáceis; setor que compra não é um cliente importante; existem produtos diferenciados ou custos de mudança; há ameaça de integração para frente. e. Ameaça de novos entrantes:neste caso, a empresa precisa ficar atenta à entrada de novos concorrentes em seu mercado, pois isso faz com que haja redução da lucratividade das empresas já instaladas. Altas barreiras de entrada também podem impedir novos entrantes. O Quadro 21 exemplifica estas barreiras. Quadro 21 – Barreiras de entrada Barreira Descrição Exemplo Economia de escala Diminuição dos custos por unidade de um produto ou serviço à medida que aumenta o volume total da produção por período. Xerox e General Electric não conseguiram entrar no setor de computadores de grande porte alguns anos atrás, devido às economias de escala de produção, pesquisa, marketing e serviços. Diferenciação de produtos Forte identificação da marca e da lealdade dos consumidores, com base em diferenças reais ou percebidas nos produtos, no atendimento aos clientes e na publicidade. Cia. Zaffari e Wall Mart (Big) têm estratégias diferentes, para públicos diferentes. Exigências de capital Necessidade de grandes aportes financeiros para entrar na concorrência. Setor automotivo norte- americano. Custos de mudança Mudar de um fornecedor já estabelecido para um novo fornecedor pode exigir treinamento dos empregados, aquisição de novos equipamentos auxil iares e/ou contratação de assistência técnica. Mudança do fornecedor de fotocópias, quando os equipamentos são arrendados — caso Xerox. Acesso a canais de distribuição Uma nova empresa precisa seduzir os distribuidores por meio de reduções de preços, permissões para publicidade cooperativa ou promoções de vendas quando os canais de distribuição já estão sendo util izados pelas empresas existentes. A Timex criou seu próprio canal de distribuição, décadas atrás, quando os canais eram dominados pelos fabricantes suíços de relógios. Desv antagem de custos desv inculadas da escala Empresas já estabelecidas podem possuir vantagens de custos que não podem ser obtidas pelos novos entrantes, independentemente de seu Polaroid — fotografias instantâneas (tecnologia exclusiva de produto). Lanchonetes McDonald´s localizadas em saídas para porte ou economias de escala. estradas interestaduais (localização favorável); acesso favorável à matéria-prima; tendência ao declínio do custo por unidade com a experiência na produção ou prestação de serviço. Políticas gov ernamentais Controle por parte do governo ao acesso a determinados setores, com exigências de licenciamento. A prestação de um serviço público de transporte, por exemplo, depende de aprovação governamental. Fonte: adaptado pelos autores com base em Porter (1996). Após a conclusão da análise externa, é imprescindível a avaliação interna da empresa, buscando identificar seus pontos fortes e fracos. 9.3.2 Ambiente interno Os recursos internos da empresa, em um contexto de excelência, resultam na vantagem competitiva da empresa, em que as estratégias não podem ser plenamente copiadas pelos concorrentes. A resource based view (RBV, ou visão baseada em recurso ‒ VBR) é um modelo de desempenho com foco nos recursos e capacidades controlados por uma empresa, que são a fonte de vantagem competitiva (BARNEY; HESTERLY, 2007). Recursos: definidos como os ativos tangíveis e intangíveis que a empresa controla e que podem ser utilizados para a criação e implementação de estratégias. Exemplos: recursos tangíveis: instalações e produtos; recursos intangíveis: a reputação entre os clientes e a relação entre setores de criação, produção e comercial. Capacidades: são também ativos tangíveis e intangíveis, que possibilitam que a empresa aproveite integralmente outros recursos que controla. O fator de diferenciação se dá por meio da administração dos recursos intangíveis e deve ser desenvolvido dentro da empresa, o que requer desenvolvimento interno contínuo. O processo torna os recursos específicos e, portanto, difíceis de imitar e raros, com grande potencial para a obtenção e manutenção de desempenho sustentável. Os recursos e capacidades podem ser classificados em quatro categorias: Recursos financeiros: todo o dinheiro, de qualquer origem, ou fonte, que a empresa utiliza para criar e implementar a estratégia. São considerados recursos financeiros os aportes de sócios, acionistas, empreendedores, credores e bancos. Recursos individuais (ou humanos): são considerados a força motriz que pode determinar o sucesso ou fracasso de uma organização. Sem uma talentosa força de trabalho, os demais recursos tornam-se inúteis. O conhecimento profundo das capacidades e deficiências da equipe é fundamental para o sucesso da estratégia da empresa. Podem ser analisadas questões como programas de treinamento e desenvolvimento de pessoal, taxa de rotatividade e avaliação de desempenho. Recursos organizacionais: relacionam-se diretamente ao alinhamento com as estratégias da empresa, sendo necessário identificar se são suficientes para a implementação dessas estratégias. Neste contexto, é preciso analisar se as estratégias em nível empresarial, de unidade de negócios ou funcional são consistentes com a missão e os objetivos da empresa; se a estrutura formal é adequada à implementação de suas estratégias; se os processos de decisão são eficazes; e se a cultura da organização é consistente com a estratégia. Recursos físicos: devem também ser analisados com base na estratégia da empresa. Devem ser avaliados se a tecnologia é atualizada, se a empresa possui capacidade produtiva adequada, se a rede de distribuição atende aos clientes, se as fontes de suprimentos são confiáveis e eficazes e se é boa a localização geográfica da empresa. Figura 8 – Níveis de análise ambiental. Fonte: Wright, Kroll e Parnell (2000). A Figura 8 sintetiza os níveis da análise ambiental — dos ambientes externo (macroambiente e o ambiente setorial) e interno. Com as análises externa e interna concluídas, deve-se avaliar de que forma a empresa pode aproveitar as oportunidades e defender-se das ameaças, com base em suas forças e fraquezas. Para fazer isso, sugere-se a utilização da matriz SWOT. 9.4 Matriz SWOT Desenvolver com frequência a relação entre as forças e fraquezas (internas) e as oportunidades e ameaças (externas) da empresa pode se tornar um dos pontos fortes do processo de planejamento, que auxilia os administradores a realizarem a missão da organização. Este é um enfoque complementar para as análises de impacto e impacto cruzado que se tornou popular nos Estados Unidos. “O enfoque SWOT identifica as ameaças e oportunidades decorrentes de cada questão e as confronta com os pontos fortes e fracos tradicionais da empresa” (ANSOFF; McDONNELL, 1993, p. 435). A matriz SWOT faz o cruzamento entre as forças e fraquezas com as oportunidades e ameaças (Quadro 22). Quadro 22 – Matriz SWOT Ambiente Externo Oportunidades Opportunities Ameaças Threats Ambiente Interno Forças Strenghts I Potencialidades de atuação ofensiva II Capacidade defensiva Fraquezas Weaknesses III Debilidades de atuação Ofensiva IV Vulnerabil idades Fonte: adaptado pelos autores com base em Lobato (2009) e Assen (2010). Cada quadrante identifica a situação daquele cruzamento, conforme detalhado a seguir: Relação entre força e oportunidade: as potencialidades de atuação ofensiva de uma realidade são a capacidade de suas forças aproveitarem positivamente as oportunidades do cenário em referência. Relação entre força e ameaça: a capacidade defensiva é o poder de o conjunto de forças neutralizar ou minimizar as ameaças do ambiente externo. Relação entre fraqueza e oportunidade: as debilidades de atuação ofensiva referem-se ao quanto as fraquezas dificultam ou impedem a realidade de aproveitar as oportunidades. Relação entre fraqueza e ameaça: as vulnerabilidades representam o quanto as fraquezas acentuam os riscos de as ameaças influenciarem negativamente a realidade. A partir da estruturação da matriz SWOT, devem ser identificados os pontos que mais geram oportunidade para a empresa e buscar intensificá- los, assim como traçar estratégias para minimizar o impacto das ameaças que podemprejudicar a empresa. Com isso, a empresa estará se fortalecendo para atingir seu objetivo e garantir sua vantagem competitiva. 9.5 Ideias destacadas neste capítulo O entendimento do que é estratégia, o seu conceito e origem. A importância das questões estratégicas no planejamento do negócio. A missão da empresa e alguns exemplos de estratégias. A análise dos diversos ambientes (externo e interno) relacionados à organização, de modo a identificar as oportunidades e ameaças (ambiente externo) e as forças e fraquezas (ambiente interno), a partir da matriz SWOT. REFERÊNCIAS ANSOFF, H. I.; McDONNELL, E. J. Implantando a administração estratégica. São Paulo: Atlas, 1993. ASSEN, Marcel van; BERG, Gerben van den; PIETERSMA, Paul. Modelos de gestão: os 60 modelos que todo gestor deve conhecer. 2. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010. BARNEY, Jay; HESTERLY, William S. Administração estratégica e vantagem competitiva. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. BETHLEM. A. S. Política e estratégia de empresas. Rio de Janeiro: Guanabara Dois, 1981. DELL COMPUTERS. Disponível em: <http://www.dell.com/learn/us/en/uscorp1/birth-of-company? c=us&l=en&s=corp&cs=uscorp1>. Acessado em: 22 mar. 2014. DICIONÁRIO AURÉLIO ON-LINE. Disponível em: <http://www.dicionariodoaurelio.com/Estrategia.html>. Acessado em: 19 mar. 2014. DOLABELA, Fernando. O segredo de Luísa. Rio de Janeiro: Sextante, 2008. FORD MOTORS. Disponível em: <http://www.ford.com.br/sobre-a- ford/historia>. Acessado em: 22 mar. 2014. GENERAL MOTORS. Disponível em: <http://epocanegocios.globo.com/Revista/ Common/0,,GF71553-16290,00- A+HISTORIA+DA+GM.html#fotogaleria=1>. Acessado em: 22 mar. 2014. LOBATO, David Menezes; MOYSÉS FILHO, Jamil; TORRES, Maria Cândida Sotelino; RODRIGUES, Murilo Ramos Alambert. Estratégia de empresas. 9. ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2009. MAXIMIANO, Antonio Cesar Amaru. Introdução à administração. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2011. MICROSOFT. Disponível em: <http://windows.microsoft.com/pt- br/windows/history#T1=era0>. Acessado em: 22 mar. 2014. MINTZBERG, H.; AHLSTRAND, Bruce; LAMPEL, Joseph. Safári de estratégia: um roteiro pela selva do planejamento estratégico. Porto Alegre: Bookman, 2000. MINTZBERG, H.; QUINN, J. B. O processo da estratégia. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2001. PORTER, M. What is Strategy? Harvard Business Review, nov.-dec. 1996, p. 61-78. ______. Estratégia competitiva: técnicas para análise de indústrias e da concorrência. Rio de Janeiro: Campus, 1986. TOYOTA. Disponível em: <http://www.toyotageorgetown.com/history.asp>. Acessado em: 22 mar. 2014. http://www.dell.com/learn/us/en/uscorp1/birth-of-company?c=us&l=en&s=corp&cs=uscorp1 http://www.dicionariodoaurelio.com/Estrategia.html http://www.ford.com.br/sobre-a-ford/historia http://epocanegocios.globo.com/Revista/Common/0,,GF71553-16290,00-A+HISTORIA+DA+GM.html#fotogaleria=1 http://windows.microsoft.com/pt-br/windows/history#T1=era0 http://www.toyotageorgetown.com/history.asp WRIGHT, P.; KROLL, M.; PARNELL, L. Administração estratégica: conceitos. São Paulo: Atlas, 2000. PARTE III Subsídios aos que pretendem empreender um negócio próprio. Próximos passos... “O caminho para começar é parar de falar e começar a fazer.” Walt Disney “Cada sonho que você deixa para trás é um pedaço do seu futuro que deixa de existir.” Steve Jobs CAPÍTULO 10 ORGANIZAÇÃO E CONSTITUIÇÃO DE EMPRESAS Odair Gonçalves18 Este capítulo aborda a pessoa jurídica, bem como os aspectos relacionados a seu nascimento, alteração e ao seu fim. Inclui também a divisão das pessoas jurídicas entre pessoa jurídica de direito público e de direito privado. Apresenta os tipos de sociedades existentes em nosso Código Civil e os aspectos relacionadas ao registro de empresas. Por fim, apresenta questões referentes ao enquadramento no Simples Nacional. 10.1 Pessoa jurídica e divisão das sociedades 10.1.1 Pessoa jurídica A legislação civil de nosso país divide as pessoas em duas categorias: pessoa física e pessoa jurídica. A pessoa física é a pessoa natural, ou seja, o ser humano. Já pessoa jurídica é o agrupamento de pessoas (físicas e/ou jurídicas), com vida própria (autônoma), independentemente de seus membros. A pessoa jurídica será representada pelo administrador designado segundo o ato constitutivo (contrato ou estatuto social), obrigando-se, de acordo com o art. 47 do Código Civil, pelos atos por ele praticados, desde que exercidos nos limites de seus poderes definidos no ato constitutivo. 10.1.1.1 Existência da pessoa jurídica De acordo com o art. 45 do Código Civil, começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado a partir do registro do seu ato constitutivo no órgão competente: se empresária, na junta comercial; se não empresária, no cartório de registro das pessoas jurídicas. Ou seja, a existência da pessoa jurídica depende da vontade e decisão de outras pessoas físicas e/ou jurídicas, que por si ou por seus representantes a constituem. Da mesma forma, todas as alterações contratuais ou estatutárias, como atas de reuniões ou assembleias de sócios ou acionistas, devem ser levadas a arquivamento no órgão de registro da pessoa jurídica. Uma vez inscrita a pessoa jurídica no órgão competente, ou averbada as alterações no respectivo órgão, os documentos de constituição ou alteração com a comprovação do registro ou arquivamento deverão ser levados a cadastro nos demais órgãos públicos como Secretaria da Receita Federal do Brasil, Secretaria da Fazenda Estadual, entre outros. De acordo com o parágrafo único do art. 45 do Código Civil, “decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro.” Ao longo de sua existência, a pessoa jurídica poderá passar por várias alterações, como também, um dia, ter suas atividades encerradas. Nos tópicos que seguem, abordaremos as alterações e o fim da pessoa jurídica que se processa, basicamente, em três etapas: a dissolução, a liquidação e a extinção. a) Alterações As pessoas jurídicas poderão passar, ao longo de sua existência, por várias alterações em sua forma constitutiva. Estas alterações poderão ser de vários tipos: de cláusulas contratuais, como denominação, objeto, capital social etc.; por transformação de tipo jurídico, transformando de uma sociedade limitada em uma sociedade anônima ou vice e versa, por exemplo, como define o art. 1.113 do Código Civil;19 por incorporação, como define o art. 1.116 do Código Civil;20 por fusão, como define o art. 1.119 do Código Civil;21 por cisão, como define o art. 229 da Lei nº 6.404/1976.22 10.1 Pessoa jurídica e divisão das sociedades 10.1.1 Pessoa jurídica A legislação civil de nosso país divide as pessoas em duas categorias: pessoa física e pessoa jurídica. A pessoa física é a pessoa natural, ou seja, o ser humano. Já pessoa jurídica é o agrupamento de pessoas (físicas e/ou jurídicas), com vida própria (autônoma), independentemente de seus membros. A pessoa jurídica será representada pelo administrador designado segundo o ato constitutivo (contrato ou estatuto social), obrigando-se, de acordo com o art. 47 do Código Civil, pelos atos por ele praticados, desde que exercidos nos limites de seus poderes definidos no ato constitutivo. 10.1.1.1 Existência da pessoa jurídica De acordo com o art. 45 do Código Civil, começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado a partir do registro do seu ato constitutivo no órgão competente: se empresária, na junta comercial; se não empresária, no cartório de registro das pessoas jurídicas. Ou seja, a existência da pessoa jurídica depende da vontade e decisão de outras pessoas físicas e/ou jurídicas, que por si ou por seus representantes a constituem. Da mesma forma, todas as alterações contratuais ou estatutárias, como atas de reuniões ou assembleias de sócios ou acionistas, devem ser levadas a arquivamento no órgão de registro da pessoa jurídica. Uma vez inscritaa pessoa jurídica no órgão competente, ou averbada as alterações no respectivo órgão, os documentos de constituição ou alteração com a comprovação do registro ou arquivamento deverão ser levados a cadastro nos demais órgãos públicos como Secretaria da Receita Federal do Brasil, Secretaria da Fazenda Estadual, entre outros. De acordo com o parágrafo único do art. 45 do Código Civil, “decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro.” Ao longo de sua existência, a pessoa jurídica poderá passar por várias alterações, como também, um dia, ter suas atividades encerradas. Nos tópicos que seguem, abordaremos as alterações e o fim da pessoa jurídica que se processa, basicamente, em três etapas: a dissolução, a liquidação e a extinção. a) Alterações As pessoas jurídicas poderão passar, ao longo de sua existência, por várias alterações em sua forma constitutiva. Estas alterações poderão ser de vários tipos: de cláusulas contratuais, como denominação, objeto, capital social etc.; por transformação de tipo jurídico, transformando de uma sociedade limitada em uma sociedade anônima ou vice e versa, por exemplo, como define o art. 1.113 do Código Civil;19 por incorporação, como define o art. 1.116 do Código Civil;20 por fusão, como define o art. 1.119 do Código Civil;21 por cisão, como define o art. 229 da Lei nº 6.404/1976.22 Com a edição da Lei Complementar nº 128, em 19 de dezembro de 2008, o empresário poderá admitir sócios, ocasião em que deverá solicitar ao Registro Público de Empresas Mercantis a transformação de seu registro de empresário para registro de sociedade empresária. De acordo com o art. 1.113 do Código Civil, a transformação de tipo jurídico sempre obedecerá aos preceitos que regulam a constituição e o registro do tipo a ser adotado pela sociedade. b) Dissolução A dissolução é a primeira etapa do fim da pessoa jurídica e compreende a decisão de encerrar as atividades. A dissolução pode ocorrer por vários motivos: dissolução deliberada entre seus membros; quando a lei determina; por ato do governo, que lhe casse a autorização, quando ocorrer em atos opostos aos seus fins ou nocivos ao bem público; pelo implemento da condição ou pelo vencimento do prazo contratual; pela extinção do capital social ou por desfalque que impeça a continuidade; pela consecução do fim social ou pela verificação de sua inexequibilidade; pela falência, incapacidade, ou morte de um dos sócios (podendo, no caso de morte, os herdeiros ou os sócios sobrevivos continuarem). c) Liquidação As leis que regulam as sociedades (Código Civil art. 1.103 §, Lei das Cooperativas — Lei nº 5.764/1971 art. 66 e Lei das Sociedades Anônimas — Lei nº 6.404/1976 art. 212) determinam que as sociedades em liquidação devam acrescentar a sua denominação (nome empresarial) o termo “em liquidação”. A liquidação é a fase do fim da pessoa jurídica em que, tendo sido decidida a dissolução, se processa a realização dos ativos e o pagamento dos passivos e, após terem sido pagos todos os passivos, restando algum valor, o mesmo será dividido ou distribuído conforme determina as condições contratuais ou estatutárias ou, ainda, a legislação específica. Neste caso, deve se verificar como se dará a destinação do patrimônio. Nas sociedades com fins lucrativos, distribui-se entre os sócios conforme estipulado no contrato ou estatuto social, já nas sociedades ou associações sem fins lucrativos, como as cooperativas, por exemplo, o patrimônio resultante da liquidação deve ser destinado à entidade que estiver indicada no estatuto ou conforme a lei determina. d) Extinção A última fase do fim da pessoa jurídica é a extinção, ou seja, o processo de arquivamento e baixa dos atos de dissolução. Nesta etapa, será averbada e publicada a ata, sentença ou instrumento de dissolução da sociedade. Ou seja, o distrato social, em caso de dissolução deliberada entre os sócios, ou outro documento que comprove a dissolução e a liquidação da sociedade, nos demais casos, deverá ser levado a arquivamento na junta comercial, quando se tratar de sociedade empresária, ou ao cartório de registro de pessoas jurídicas, quando se tratar de sociedade simples ou associação sem fins lucrativos. Após o arquivamento dos documentos que comprovem a dissolução e liquidação da sociedade no órgão competente, deverá ser procedida a baixa do cadastro nos demais órgãos obrigatórios, como Secretaria da Receita Federal do Brasil, Secretaria da Fazenda Estadual, entre outros. 10.1.1.2 Divisão da pessoa jurídica De acordo com o Código Civil brasileiro, a pessoa jurídica pode ser de direito público interno ou externo, ou de direito privado. Para o art. 41, são pessoas jurídicas de direito público interno: “a União; os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; os Municípios; as autarquias e as associações públicas; as demais entidades de caráter público criadas por lei”, enquanto, de acordo com o art. 42, são pessoas jurídicas de direito público externo “os Estados estrangeiros e todas as pessoas que forem regidas pelo direito internacional público”. No art. 44, o Código Civil define que são pessoas jurídicas de direito privado “as associações, as sociedades, as fundações, as organizações religiosas e os partidos políticos”. Como o foco principal deste capítulo concentra-se na empresa, destacamos entre as pessoas jurídicas as sociedades, pois nesta subdivisão encontram-se as sociedades empresárias. 10.1.2 Sociedades De acordo com o art. 981 do Código Civil, “celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados.” Pelos artigos 986 e seguintes, o Código Civil classifica as sociedades em sociedades não personificadas e personificadas. Como sociedade personificada entende-se aquela que adquire personalidade jurídica pelo registro de seu ato constitutivo no órgão competente e não personificada aquela que não é registrada e, portanto, não é pessoa jurídica. Desta forma, temos como sociedades não personificadas a sociedade em comum23 e a sociedade em conta de participação, e como sociedades personificadas a sociedade simples e as sociedades empresárias. Segundo o art. 982 do CPC, “salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais.” Pelo parágrafo único do art. 982 do CPC, “considera-se empresária a sociedade por ações; e simples, a cooperativa.” A sociedade simples e a empresária são constituídas por meio de contrato, previsão que já existia no Código Civil de 1916 e no Código Comercial de 1850 para as sociedades civis e comerciais. Consoante o Diploma Civil de 2002, na redação dada pelo art. 981, caput, “Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados”. A constituição das sociedades empresárias pressupõe um contrato, podendo este ser particular ou público que deve seguir os critérios elencados no art. 997, caput, I a VIII do Código Civil.24 O novo Código Civil, nos artigos 1.039 a 1.092, regula a constituição da sociedade empresária nos seguintes tipos: sociedade em nome coletivo, sociedade em comandita simples, sociedade limitada, sociedade anônima e sociedade em comandita por ações. Cabe aos sócios (criadores) escolher dentre elas a que melhor expresse suas necessidades, o que normalmente vai depender do volume de capital na sua constituição, bem como a sua forma de captação, a quantidade de sócios e a responsabilidade destes diante das dívidas que a sociedade irá assumir. Em virtude do interesse público e, levando em conta principalmente a atividade e objeto, há sociedades que necessitam de autorização do Poder Executivo Federal, comono caso de instituições financeiras, companhias de seguro e de transporte aéreo. A sociedade pode ser nacional ou estrangeira. A primeira é assim denominada por ser uma “sociedade organizada em conformidade com a lei brasileira e que tenha no país a sede de sua administração”, conforme rege o art. 1.126, caput, do Código Civil. Tais sociedades exercem atividades privativas de brasileiros, bem como de sociedades constituídas aqui no país e com sede no mesmo. Este é o caso das empresas jornalísticas e de radiodifusão, de acordo com a Constituição Federal de 1988, art. 222.25 As sociedades empresariais estrangeiras são, por sua vez, constituídas em conformidade com as leis de seus países e nestes possuem sua sede. Essas empresas dependem de autorização do Poder Executivo Federal para exercer suas atividades no Brasil, independentemente de seu objeto, nos moldes do art. 1.134, caput, do Código Civil.26 Estas sociedades, uma vez autorizadas para seu funcionamento, sujeitar-se-ão às leis brasileiras e aos tribunais do Brasil, em relação aos atos e operações realizados no país. Não obstante, as empresas estrangeiras poderão se nacionalizar, o que ocorrerá por meio de transferência de sua sede para o Brasil. 10.2 Contrato social e estatuto social O contrato social, ou estatuto social, é o instrumento que estabelece as normas fundamentais reguladoras da sociedade empresária ou de uma sociedade simples ou associação. Nele, podemos distinguir elementos gerais, encontrados em todos os contratos, e os elementos específicos que o caracterizam de modo exclusivo e singular. 10.2.1 Contrato social No contrato social, os sócios expressam seus desejos e os compromissos em relação aos demais sócios e a terceiros. Embora nas sociedades empresárias normalmente haja um interesse comum, motivo de constituição da mesma, os interesses dos sócios são opostos em algumas questões. Estas questões devem ser discutidas entre os sócios de maneira tal que sua vontade possa estar expressa nas cláusulas do contrato social. O contrato social poderá ser por escritura pública (documento elaborado em cartório) ou particular. Se o contrato for feito por escritura pública, suas alterações também deverão ser. O contrato de sociedade empresária deve, também, apresentar os seguintes elementos específicos: Pluralidade de sócios: o contrato deve envolver o acordo de vontade de duas ou mais pessoas, isto é, dois ou mais sócios. O direito brasileiro não admite a constituição de sociedades com apenas uma pessoa (sociedade unipessoal), exceto quando for subsidiária integral prevista na Lei 6.404/1976, Lei das Sociedades Anônimas. Formação de capital social: entende-se por capital social a soma total das contribuições em bens de cada sócio. O capital social pode ser constituído por contribuição em dinheiro ou em outros bens (móveis ou imóveis). O capital social constitui o patrimônio inicial da sociedade. Vontade dos sócios de união e colaboração: os sócios que integram a sociedade devem ter uma vontade comum de cooperação econômica em torno dos objetivos estabelecidos no contrato. Em outras palavras, a sociedade deve estruturar-se com base na atitude de colaboração entre os sócios que unem bens ou serviços para obter resultados comuns. Participação de todos os sócios nos lucros e nas perdas: o contrato social de sociedade deve assegurar a todos os sócios certa participação nos lucros e nas perdas decorrentes do exercício dos atos de empresa. O direito brasileiro proíbe a constituição da sociedade leonina, em que é atribuída somente a um dos sócios a totalidade dos lucros ou perdas. Devemos ressaltar, entretanto, que a distribuição dos lucros e perdas não precisa, necessariamente, ser feita nas mesmas proporções para todos os sócios. É permitido que haja sócios com maior ou menor participação dos resultados. Em regra, cada sócio participará dos lucros e das perdas de acordo com sua contribuição para o capital da sociedade. 10.2.1.1 Estrutura de um contrato social A estrutura de um contrato social é a ordenação dos elementos que deverá conter um contrato. Assim, de acordo com o art. 997 do Código Civil e a Instrução Normativa DNRC nº 98/2003, o contrato social deverá conter a seguinte estrutura: título, qualificação dos sócios, objeto da sociedade, nome empresarial, sede social, capital social, prazo de duração da sociedade, abertura de filial, administração, impedimentos de uso do nome empresarial, pró-labore, cessão de quotas, falecimento de sócio, exercício social e distribuição dos resultados, normas contratuais omissas, foro e declarações. A seguir cada um dos itens que compõem o contrato social será detalhado. a) Título Contendo a designação do que trata o contrato, ou seja, a indicação de que se trata de um contrato social de uma determinada sociedade. Exemplo: contrato social da Sociedade Empresária Limitada Pérola Comércio de Calçados Ltda. b) Qualificação dos sócios Se o sócio for pessoa física, deverá conter seu nome completo, sua nacionalidade, sua naturalidade e seu estado civil se casado, indicar o regime de bens do casamento, se solteiro a data de seu nascimento, sua profissão, o número do CPF, o número da identidade27 indicando o órgão expedidor e Unidade Federativa na qual a identidade foi emitida, o domicílio e residência. No caso de sócio solteiro, menor de 18 anos e maior de 16 anos, deverá constar a expressão “ASSISTIDO POR” e a qualificação completa do(s) assistente(s), e, se o sócio for menor de 16 anos, deverá constar a expressão “REPRESENTADO POR” e a qualificação completa do(s) representante(s). Quando o sócio for emancipado (maior de 16 anos), deve constar na qualificação a expressão “EMANCIPADO”. A sociedade poderá ter sócio analfabeto que, além de sua qualificação completa no contrato deverá constar, também, o nome e a qualificação completa do procurador constituído por instrumento público, com poderes específicos para o ato. Quando o sócio da empresa for domiciliado no exterior, deve nomear um procurador no Brasil, com poderes para receber citação. Neste caso, o contrato social, além da qualificação completa do sócio, deverá apresentar a expressão “REPRESENTADO POR SEU PROCURADOR”, e indicar o nome e qualificação completa do procurador. Nas sociedades em que fizer parte pessoa jurídica domiciliada no Brasil, esta será qualificada no contrato com seu nome empresarial, endereço completo e sede social, o número de inscrição no registro de empresa (NIRE) ou número atribuído no cartório de registro civil das pessoas jurídicas, o número de inscrição no cadastro nacional de pessoas jurídicas (CNPJ) e qualificação completa do administrador ou procurador que assinará o contrato representando a pessoa jurídica. Quando o sócio for pessoa jurídica domiciliada no exterior, na sua qualificação deverá conter o nome empresarial, endereço completo e sede social e qualificação completa do procurador. Sempre que o sócio for representado por procurador, deverá ser anexado o respectivo instrumento de mandato ao processo de registro na junta comercial. c) Objeto da sociedade A(s) atividade(s) que a empresa exercerá denomina(m)-se objeto social. O objeto social deverá ser claro e preciso, indicando o gênero e espécie da atividade exercida. Exemplo: comércio de calçados, indústria de calçados, indústria e comércio de calçados. d) Nome empresarial (firma social ou denominação social) O nome empresarial, que será dado à sociedade, deverá constar nesta cláusula do contrato. Como visto no Capítulo 3 deste livro, a sociedade limitada poderá adotar como nome empresarial a firma social ou a denominação social. e) Sede social Na cláusula relativa à sede social, deverá ser transcrito o endereço completo da sede da sociedade. f) Capital social A cláusula do capital social deve conter o valor em moeda e por extenso, o número e valor de cada quota, o prazo e forma de integralização e como o mesmo está distribuído entre os sócios. Como não há na lei prazo definido para integralização do capital social, o contratodeverá definir o prazo. O capital poderá ser integralizado em dinheiro ou bens suscetíveis de avaliação e, neste caso, devem ser observadas as regras específicas de cada sociedade quanto à forma e responsabilidade dos sócios na avaliação dos bens que integrarem o capital social. Importante observar que, no contrato social da sociedade limitada, deve conter a afirmação da responsabilidade limitada dos sócios de acordo com o Código Civil. Assim, o contrato deverá ou incluir uma cláusula ou um parágrafo à cláusula do capital social com a seguinte expressão: A responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. g) Prazo de duração da sociedade Na quase totalidade das empresas constituídas, o prazo de duração da sociedade é indeterminado. O contrato deverá indicar se trata-se de uma sociedade com prazo determinado ou indeterminado. h) Abertura de filiais A autorização e condições para abertura de filiais deverão estar expressas no contrato social. i) Administração O contrato social deverá indicar como será a administração. Sendo sociedade limitada, poderá haver administradores não sócios e escolhidos em ato separado em uma ata de reunião ou de assembleia, por exemplo. j) Impedimentos de uso do nome empresarial O uso do nome empresarial deve restringir-se ao atendimento do objeto social ou a fins autorizados no contrato. Os administradores poderão ser responsabilizados pelo excesso de mandato, ou seja, por praticarem atos não autorizados pelo contrato social. k) Pró-labore As quantias que serão retiradas pelos sócios administradores a título de pró-labore deverão estar especificadas no contrato social. l) Cessão de quotas O contrato deverá especificar as condições de transferência de quotas; se de acordo com as regras do Código Civil ou maior restrição de acordo com a vontade dos sócios. m) Falecimento de sócio O que acontece em caso de falecimento de sócio; ou se dissolve a sociedade ou se continua com os herdeiros. Esta regra deverá estar clara no contrato social, observando sempre as regras específicas de cada tipo societário. n) Exercício social e distribuição dos resultados O exercício social da empresa deve estar especificado no contrato social, assim como a forma de distribuição dos resultados. A grande maioria das sociedades tem seu exercício findando em 31 de dezembro de cada ano. Nesta data, deverão ser levantados o inventário do patrimônio, o balanço patrimonial e a demonstração do resultado do exercício, e distribuídos os resultados seguindo o estipulado no contrato social. o) Normas contratuais omissas De acordo com o Código Civil, as omissões do contrato da sociedade limitada serão regidas pelas normas da sociedade simples e o contrato poderá prever a regência supletiva pela Lei nº 6.404/1976, Lei das Sociedades Anônimas. p) O foro Deve ser definido o foro em que serão dirimidas quaisquer dúvidas que possam emergir em relação ao contrato social. q) Declaração dos administradores de que não estão impedidos de exercer a administração Esta declaração está prevista no inciso II do art. 37 da Lei nº 8.934/1994, que prega o seguinte: “II — declaração do titular ou administrador, firmada sob as penas da lei, de não estar impedido de exercer o comércio ou a administração de sociedade mercantil, em virtude de condenação criminal”. r) Declaração de acordo entre os sócios Os sócios assinam o contrato que deverá ser confeccionado pelo menos em três vias. As juntas comerciais, normalmente, cobram um valor de serviço pelo arquivamento dos contratos sociais emitidos em três vias e um valor adicional por cada número de vias além das três. Os sócios devem assinar o contrato na presença de duas testemunhas e com visto do advogado. Os absolutamente incapazes não assinam, quem assina no lugar deles são os seus representantes legais. Os relativamente incapazes assinam juntos com os seus assistentes. Ressalte-se que a Lei Complementar nº 123/2006, pelo § 2º do art. 9º, reza que não se aplica a exigência do visto do advogado para as microempresas e para as empresas de pequeno porte. 10.2.2 Estatuto social O estatuto social deve conter as mesmas cláusulas do contrato social. No entanto, o estatuto não conterá a qualificação dos sócios, pois estas informações constarão do boletim de subscrição. O estatuto social se aplica às sociedades anônimas, as sociedades em comandita por ações, as cooperativas, as associações e outras associações sem fins lucrativos. O Departamento Nacional do Registro do Comércio (DNRC), por meio da Instrução Normativa nº 100/2006, aprovou o manual de instruções para a elaboração do estatuto da sociedade anônima e demais procedimentos para registro deste tipo de sociedade. 10.2.2.1 Ata de constituição de uma sociedade anônima As sociedades regidas por estatuto têm sua constituição comprovada por uma ata de assembleia geral de constituição. De acordo com a Instrução Normativa nº 100, de 19 de abril de 2006 do DNRC, a ata de assembleia geral de constituição de uma sociedade anônima deverá indicar o seguinte: local, hora, dia, mês e ano de sua realização; composição da mesa, com nome completo do presidente e do secretário; quorum de instalação; publicação do edital de convocação, salvo no caso de comparecimento de todos os subscritores, que torna desnecessária a publicação (a indicação dos jornais — Diário Oficial e jornal de grande circulação — que publicaram o edital por três vezes, mencionando, ainda, as datas e os números das folhas/páginas torna desnecessária a apresentação à junta comercial dos originais dos jornais para arquivamento/anotação); ordem do dia: registrar; as deliberações, entre elas, pelo menos: avaliação dos bens, se for o caso, com a nomeação dos peritos ou de empresa especializada e a deliberação a respeito, desde que essas formalidades sejam tomadas na própria assembleia de constituição; aprovação do estatuto; declaração da constituição da sociedade; eleição dos membros do Conselho de Administração, se existente, ou dos diretores, indicando a respectiva qualificação completa e o prazo de gestão. se existente o Conselho de Administração,28 depois de eleitos e empossados os membros, os mesmos elegerão os diretores em uma reunião da qual será lavrada ata própria, que será levada a arquivamento, em separado, concomitantemente ao arquivamento da ata de constituição: eleição dos membros do Conselho Fiscal, se permanente ou se pedida a sua instalação, indicando a respectiva qualificação completa; fixação dos honorários dos administradores e dos conselheiros fiscais, estes, se eleitos, respeitada, neste caso, para cada membro em exercício, a remuneração mínima de 10% da que, em média, for atribuída a cada diretor, não computada a participação nos lucros. fecho da ata, assinatura dos subscritores e o visto de advogado. A ata deverá ser assinada por todos os subscritores ou por quantos bastem à validade das deliberações, devendo, as demais folhas, serem rubricadas. Se da ata não constar a transcrição do estatuto, este deverá ser assinado por todos os subscritores, devendo, as demais folhas, serem rubricadas. A ata não poderá conter emendas, rasuras e entrelinhas, admitida, porém, nestes casos, ressalva expressa no próprio instrumento, com as assinaturas das partes. Nos instrumentos particulares, não deverá ser utilizado o verso das folhas da ata, cujo texto será grafado na cor preta, obedecidos os padrões técnicos de indelebilidade e nitidez para permitir sua reprografia, microfilmagem e/ou digitalização. O verso só poderá ser utilizado para efeito de autenticação. 10.2.2.2 Lista ou boletim de subscrição Diferentemente do contrato social, no estatuto social não consta a distribuição do capital entre os sócios, assim como as entradas e saídas de sócios na sociedade não provocam alteração no estatuto. Desta forma, de acordo com o art. 85 da Lei nº.6.404/1976, a subscrição do capital na sociedade anônima se dá pela assinatura da lista ouboletim de subscrição do capital. De acordo com o parágrafo único do art. 85, a subscrição também poderá ser feita por carta à instituição. De acordo com a Instrução Normativa nº 100/2006 do DNRC, a relação completa, na lista, boletim ou carta de subscrição do capital de uma sociedade anônima, deverá conter: qualificação dos subscritores do capital, compreendendo: pessoa física: nome civil, por extenso; nacionalidade; estado civil; profissão; número de identidade e órgão expedidor; CPF; endereço residencial completo; pessoa jurídica com sede no país: nome empresarial; número de inscrição no registro próprio; número de inscrição no CNPJ; endereço da sede; nome civil do representante, por extenso, e a que título assina; pessoa jurídica com sede no exterior: nome empresarial; nacionalidade; endereço da sede; número de inscrição no CNPJ; nome civil do representante, por extenso, e a que título assina. número de ações subscritas, a sua espécie e classe, se houver mais de uma, e o total da respectiva entrada (art. 95, Lei nº 6.404/1976); autenticação pela instituição financeira arrecadadora, pelo presidente da assembleia de constituição ou diretor, no caso da relação de subscrição, ou assinatura dos subscritores, no caso de lista, boletim ou carta de subscrição. 10.2.3 Alterações contratuais Tanto o contrato social como o estatuto social poderão sofrer alterações. As alterações promovidas nestes documentos correspondem às alterações pelas quais uma pessoa jurídica pode passar, como especificado no Capítulo 2 deste livro. Uma alteração contratual deverá respeitar as mesmas regras do contrato social e a legislação aplicada a cada tipo societário. Portanto, o documento de alteração do contrato social conterá a seguinte estrutura: título com a indicação de alteração contratual com a referência ao número da alteração; preâmbulo: nome completo dos sócios; nome empresarial (firma ou denominação social); número de inscrição no (NIRE) e número de inscrição no CNPJ; e a resolução de promover a alteração contratual; corpo da alteração: nova redação das cláusulas alteradas, expressando as modificações introduzidas; redação das cláusulas incluídas; indicação das cláusulas suprimidas; fecho: a alteração contratual deverá conter as mesmas indicações que o contrato social com as respectivas assinaturas. Já as alterações estatutárias são promovidas pela lavratura de uma ata de assembleia que o alterou. 10.2 4 Distrato social O encerramento de uma sociedade por deliberação dos sócios se comprova pelo distrato social. A exemplo da alteração contratual, o distrato social deve respeitar as mesmas regras do contrato social e da sociedade a qual se aplica. O distrato social deverá conter os seguintes elementos: título; preâmbulo: nome completo dos sócios; nome empresarial (firma ou denominação social), NIRE e número de inscrição no CNPJ; e a resolução de promover a alteração contratual; corpo do distrato: a importância repartida entre os sócios; referência à pessoa ou pessoas que assumirem o ativo e passivo da empresa; a indicação de pessoa que guardará os documentos da sociedade até a decadência de suas obrigações; e a indicação dos motivos da dissolução; fecho. 10.3 Registro da empresa 10.3.1 Registro Trata-se de uma atividade que está sujeita a constantes mudanças, pois muitos processos de registro sofrem alterações acompanhando a evolução tecnológica dos sistemas de informação. Neste sentido, em 28 de outubro de 2008, o DNRC baixou a Instrução Normativa nº 109, disciplinando os procedimentos de registro e arquivamento digital dos atos do registro de empresas que possam ser implantados pelos órgãos de registro. Da mesma forma, os demais órgãos públicos, com o passar do tempo, vão atualizando seus processos para o cadastramento de empresas e demais pessoas jurídicas. Uma tendência cada vez mais próxima é a utilização da internet, de assinaturas e de certificação digital, bem como a integração de bancos de dados entre os órgãos públicos. 10.3.1.1 Junta Comercial Para orientar o processo de registro de empresas, o DNRC emitiu a Instrução Normativa nº 97, em 23 de dezembro de 2003, aprovando o manual de atos de registro de empresário. Na mesma data aprovou, pela Instrução Normativa nº 98, o manual de atos de registro de sociedade limitada e, em 19 de abril de 2006, pela Instrução Normativa nº 100, aprovou o manual de atos e registro mercantil das sociedades anônimas. Estes manuais especificam os procedimentos, requisitos, documentos e demais quesitos que devem ser observados para registro, alteração e baixa de empresas nas juntas comerciais. O primeiro órgão para registro da empresa é a junta comercial. É pelo registro da empresa na junta comercial que nasce a pessoa jurídica do tipo sociedade empresária. Já a sociedade simples será registrada no cartório de registro das pessoas jurídicas da cidade sede da sociedade. Nesta seção, serão apresentados os procedimentos básicos para o registro da sociedade limitada. Inicialmente, será visto o passo a passo para registro na junta comercial. Para registro na junta comercial, os seguintes procedimentos deverão ser adotados: preenchimento da capa, conforme a natureza jurídica, contendo os seguintes dados: nome empresarial; número de vias; código do ato; e descrição do ato/evento; preenchimento da ficha de cadastro nacional de empresas – FCN n° 1, contendo: identificação; código do ato; código do evento; código da natureza jurídica; nome empresarial; endereço do estabelecimento; capital (capital social – R$, capital social por extenso; e capital integralizado – R$); atividades econômicas (segundo a ordem de importância), sendo código CNAE-Fiscal e descrição da atividade; informações complementares (data de início das atividades e data da assinatura do documento); preenchimento da ficha de cadastro nacional de empresas – FCN n° 2, contendo: identificação; e identificação dos sócios, administradores ou representante legal (nome, nacionalidade, CPF e CI ou CNPJ e NIRE, endereço, valor da participação no capital, data de ingresso na sociedade e cargo – informar se é sócio, administrador ou representante legal); preenchimento do protocolo, com nome e ato; pagamento de taxa, por meio de Guia e Darf, no valor informado pela junta comercial. Ao encaminhar o registro na junta comercial, os seguintes documentos deverão ser entregues: contrato social em, no mínimo, três vias; capa da junta; ficha de cadastro nacional de empresas n° 1; ficha de cadastro nacional de empresas n° 2; protocolo; Guia e Darf, comprovando o pagamento dos serviços; cópia autenticada da carteira de identidade e CPF (dos sócios). 10.3.1.2 Receita federal Após registrar a empresa na junta comercial ou a sociedade simples no Registro de Pessoas Jurídicas, devemos proceder a inscrição da mesma no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). Para cadastrar a pessoa jurídica no CNPJ, deve-se baixar, da página da internet da Receita Federal, o programa gerador de documentos do CNPJ (PGD CNPJ) e o aplicativo ReceitaNet. As instruções de cadastro estão regulamentadas pela Instrução Normativa RFB nº. 1.005, de 8 de fevereiro de 2010. Uma vez de posse do PGD CNPJ, deve-se preencher a ficha cadastral da pessoa jurídica, com os seguintes dados: evento (motivo do preenchimento); data; identificação (nome empresarial e título do estabelecimento); qualificação (código da natureza jurídica, porte da empresa, tributos referentes à opção pelo Simples e código CNAE-Fiscal); endereço; contador/empresa de contabilidade; identificação da pessoa física responsável perante o CNPJ. Após ter sido preenchido a ficha cadastral da pessoa jurídica, deve ser preenchido o quadro de sócios e administradores, com os seguintes dados: nome (pessoa física)/nome empresarial (pessoa jurídica); CPF/CNPJ do sócio; qualificação do sócio; natureza do evento; data; participação no capital social, em percentual (%). Uma vez gerado o arquivo pela PGD CNPJ, os dados deverão ser transmitidos pela internet à Receita Federalpelo aplicativo ReceitaNet, que resultará na gravação do recibo de entrega. O recibo de entrega deverá ser impresso, em uma via, pelo PGD CNPJ. O número constante do recibo de entrega servirá como código de acesso que permitirá ao contribuinte consultar o andamento do seu pedido na página da RFB na internet. Em um primeiro momento, o sistema realizará automaticamente pesquisa prévia que resultará em pendências ou não. Havendo pendências, estas serão disponibilizadas ao contribuinte na internet para consulta, impressão e resolução. Não havendo pendências, disponibilizará para impressão o documento básico de entrada no CNPJ (DBE) ou protocolo de transmissão, o qual conterá o número do recibo/número de identificação, e informará o endereço da unidade cadastradora para onde o contribuinte deverá encaminhar a documentação necessária. Uma vez gerado o arquivo pelo PGD CNPJ e transmitidos os dados pela internet, o documento básico de entrada do CNPJ (DBE), assinado pelo sócio administrador/administrador com firma reconhecida, deverá ser entregue na junta comercial. 10.3.1.3 Receita do estado do Rio Grande do Sul Deverão se inscrever no Cadastro Geral de Contribuintes do Tesouro do estado do Rio Grande do Sul junto à Secretaria da Fazenda Estadual (Sefaz), para obter o número do CGC (TE), conhecido também como inscrição estadual, os contribuintes do imposto sobre as operações relativas a circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS). Para registro na Sefaz do Rio Grande do Sul, os seguintes procedimentos deverão ser observados: utilizar a página da Internet (http://www.sefaz.rs.gov.br) para preencher as fichas de cadastro. A primeira ficha a ser preenchida é a ficha de cadastramento – Anexo B-2, contendo: indicação de cadastramento em razão de “inclusão”; no espaço para identificação do estabelecimento: data de início da atividade, data de registro na junta comercial, número de registro na junta comercial, CNPJ, nome empresarial, nome fantasia e forma jurídica; localização do estabelecimento; endereço para correspondência; ramo da atividade; responsável legal; titular, sócios, acionistas ou diretores (mais de quatro sócios, utilizar a ficha Anexo B-3); responsável pela escrita fiscal. Caso a sociedade tenha mais de quatro sócios, deverá ser preenchida a ficha Anexo B-3, nos seguintes campos: do estabelecimento: CNPJ e nome empresarial; dos sócios, acionistas ou diretores: data de início, nome e endereço. Após ter preenchido a ficha de cadastramento Anexo B-2 e a ficha de sócios e administradores Anexo b-3, deverá ser preenchida a ficha de cadastramento Anexo B-12 CNAE-Fiscal, nos seguintes campos: estabelecimento; classificação nacional de atividades econômicas: as três principais atividades em ordem decrescente de faturamento; número do CNAE-Fiscal; http://www.sefaz.rs.gov.br descrição da atividade. Os documentos que deverão ser entregues a Sefaz-RS são: ficha de cadastramento – Anexo B-12 em duas vias; ficha Anexo B-3 em duas vias, quando a quantidade de sócios for superior a quatro; anexo B-12 CNAE-Fiscal em três vias; original ou fotocópia autenticada do ato constitutivo registrado na junta comercial do estado ou no cartório de registro especial de títulos e documentos; original ou fotocópia autenticada do CNPJ; comprovante de localização do estabelecimento, desde que constem, com exatidão, nome e endereço do estabelecimento ou de um dos sócios (escritura do imóvel, contrato de locação, carnê do imposto predial, alvará, conta de luz, conta de telefone). Dos sócios deverão ser apresentados ou entregues os seguintes documentos (original ou fotocópia autenticada): Se pessoa física: cédula de identidade; CPF; comprovante de residência; se casado, certidão de casamento, cédula de identidade e CPF do cônjuge; se divorciado, certidão de casamento com o divórcio no verso; se viúvo, certidão de óbito do cônjuge. Se pessoa jurídica: contrato social ou última consolidação do contrato social; cartão do CNPJ; documentos do administrador. 10.3.1.4 Prefeitura Municipal de Novo Hamburgo no RS Não só as empresas, mas também as demais atividades, tanto das pessoas jurídicas como exercidas por autônomos, necessitam de alvará de localização e funcionamento emitido pela prefeitura municipal da sede do estabelecimento. Os prestadores de serviços sujeito ao Imposto sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISS), instituído pela Lei Complementar nº 116/2003, deverão também fazer seu cadastramento junto à Secretaria Municipal da Fazenda e cumprir as obrigações acessórias exigidas pela fiscalização municipal do ISS. Para emissão do alvará de localização e funcionamento no município de Novo Hamburgo no estado do Rio Grande do Sul, a empresa deverá adotar os seguintes procedimentos: pedido de viabilidade; requerimento de vistoria. Estes procedimentos permitem ao município analisar e fiscalizar: se a localização é própria para o desempenho da atividade; vistoria dos bombeiros; habite-se; licenciamento ambiental; alvará de saúde; tributos – pagamentos atualizados. O estudo de viabilidade e vistoria deve anteceder ao registro na junta comercial, pois o endereço do estabelecimento e as atividades que serão exercidas pela empresa deverão estar de acordo com o plano diretor do município e as questões ambientais e de saúde. Se este cuidado não for tomado, poderá ocasionar atraso no registro da empresa e até a necessidade de troca de endereço do estabelecimento. Se aprovado o pedido de viabilidade e o requerimento de vistoria, é necessário encaminhar os seguintes documentos junto à prefeitura: ficha de cadastro em duas vias; contrato social (original e cópia ou cópia autenticada); cartão do CNPJ (original e cópia ou cópia autenticada); documento comprobatório de utilização regular do imóvel (original e cópia ou cópia autenticada); pagamento do alvará; se prestadora de serviços encaminhar também livro de ISS e autorização para impressão de documentos fiscais AIDOF. 10.3.2 Alteração e baixa Os procedimentos de alteração e baixa de empresas são basicamente os mesmos que os de registro, diferenciando-se apenas em alguns aspectos. No caso da alteração, no lugar do contrato social, deverá ser encaminhado a alteração contratual, com as respectivas atas de reuniões ou assembleias, quando for o caso, e na baixa da empresa o distrato social ou outro documento que comprove o encerramento das atividades. No caso de baixa da empresa, a junta comercial exigirá também as certidões negativas de débitos junto à Fazenda Pública Federal e Estadual, Previdência Social e certificado de regularidade do FGTS. A Secretaria da Fazenda Estadual exigirá, juntamente com a ficha de exclusão – Anexo B-5, o seguinte: carimbo do CGC/TE; protocolo de entrega de documentos – Anexo B-8, em 2 duas vias e último talão de notas fiscais utilizado, relacionando as notas fiscais emitidas pela empresa e as notas fiscais em branco, que deverão ser entregues à repartição fiscal; Guia Informativa (GI) anual – modelo. B, referente aos cinco exercícios anteriores e ao período em que a empresa operou no exercício atual; documento de identificação do contribuinte (DIC/TE) e cartaz de ME ou EPP; livros; (exercício anterior e atual): termo de ocorrência; entradas; saídas; apuração do ICMS; inventário; livro registro simplificado de EPP. comprovante do cancelamento das portarias de autorização para máquina registradora, se houver; comprovante da capacidade de representação. Já na Receita Federal, o deferimento da baixa está condicionado à inexistência das seguintes pendências da matriz e/ou filial, conforme for o caso: omissão na entrega de declarações a que estiver obrigado; débitos nos sistemas da Receita Federal, inclusive com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN; débitos em processos administrativos (parcelamento em andamento, impugnação ou recurso não julgados definitivamente, retificação de lançamento ou declaração retificadora pendente de decisãopor parte da autoridade administrativa); ação fiscal em andamento, registrada no CNPJ; débitos ou processos enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN). 10.4 Microempresa e empresa de pequeno porte 10.4.1 Simples Nacional O simples nacional é um regime tributário diferenciado, simplificado e favorecido previsto na Lei Complementar nº 123/2006 aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte, a partir de 1º de julho de 2007, e regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN), instituído pelo Decreto nº 6.038/2007. A Lei Complementar nº 123/2006 estabelece normas gerais relativas às microempresas e às empresas de pequeno porte no âmbito dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, abrangendo não só o regime tributário diferenciado (simples nacional), como também aspectos relativos às licitações públicas, às relações de trabalho, ao estímulo ao crédito, à capitalização e à inovação, ao acesso à justiça, entre outros. 10.4.1.1 Microempresa (ME) e empresa de pequeno porte (EPP) De acordo com a Lei Complementar citada, o empresário, a pessoa jurídica, ou a ela equiparada, que aufira, em cada ano-calendário, receita bruta igual ou inferior a R$ 360.000,00 é considerado ME, e superior a R$ 360.000,00 e igual ou inferior a R$ 3.600.000,00 é considerado EPP. O microempreendedor individual (MEI) tem seu limite estabelecido em R$ 60.000,00. 10.4.1.2 Tributos abrangidos pelo simples nacional O simples nacional implica o recolhimento mensal, mediante documento único de arrecadação, dos seguintes tributos: imposto sobre a renda da pessoa jurídica (IRPJ); imposto sobre produtos industrializados (IPI); contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL); contribuição para o financiamento da seguridade social (Cofins); contribuição para o PIS/Pasep; contribuição patronal previdenciária (CPP); imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS); imposto sobre serviços de qualquer natureza (ISS). O recolhimento, na forma do simples nacional, não exclui a incidência de outros tributos não incluídos na lista citada. Todos os estados e municípios participam obrigatoriamente do simples nacional, entretanto, os estados poderão, para efeitos de recolhimento do ICMS ou do ISS, adotar limites diferenciados, dependendo de sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Estados com até 1% do PIB nacional: R$ 1,26 milhão, ou R$ 1,8 milhão ou R$ 2,52 milhões, e estados entre 1% e 5% do PIB nacional: R$ 1,8 milhão ou R$ 2,52 milhões. 10.4.1.3 Opção pelo simples nacional As microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) poderão optar pelo simples nacional, desde que não incorram nas vedações previstas na Lei Complementar nº 123/2006. De acordo com a referida lei, estão impedidos de optar pelo simples nacional as microempresas (ME) ou as empresas de pequeno porte (EPP): que tenham auferido, no ano-calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 3.600.000,00; de cujo capital participe outra pessoa jurídica; que sejam filial, sucursal, agência ou representação, no país, de pessoa jurídica com sede no exterior; de cujo capital participe pessoa física que seja inscrita como empresário ou seja sócia de outra empresa que receba tratamento jurídico diferenciado nos termos da Lei Complementar nº 123/2006, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de R$ 3.600.000,00; cujo titular ou sócio participe com mais de 10% do capital de outra empresa não beneficiada pela Lei Complementar nº 123/2006, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de R$ 3.600.000,00; cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de R$ 3.600.000,00; constituídas sob a forma de cooperativas, salvo as de consumo; que participem do capital de outra pessoa jurídica; que exerçam atividade de banco comercial, de investimentos e de desenvolvimento, de caixa econômica, de sociedade de crédito, de financiamento e investimento ou de crédito imobiliário, de corretora ou de distribuidora de títulos, valores mobiliários e câmbio, de empresa de arrendamento mercantil, de seguros privados e de capitalização ou de previdência complementar; resultantes ou remanescentes de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento de pessoa jurídica que tenha ocorrido em um dos cinco anos-calendário anteriores; constituídas sob a forma de sociedade por ações; que explorem atividade de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, gerenciamento de ativos, compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring); que tenham sócio domiciliado no exterior; de cujo capital participe entidade da administração pública, direta ou indireta, federal, estadual ou municipal; que possuam débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; que prestem serviço de transporte intermunicipal e interestadual de passageiros; que sejam geradoras, transmissoras, distribuidoras ou comercializadoras de energia elétrica; que exerçam atividade de importação ou fabricação de automóveis e motocicletas; que exerçam atividade de importação de combustíveis; que exerçam atividade de produção ou venda no atacado de: cigarros, cigarrilhas, charutos, filtros para cigarros, armas de fogo, munições e pólvoras, explosivos e detonantes; bebidas: alcoólicas; refrigerantes, inclusive águas saborizadas gaseificadas; preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida refrigerante, com capacidade de diluição de até dez partes da bebida para cada parte do concentrado; cervejas sem álcool. que tenham por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como as que prestem serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios; que realizem cessão ou locação de mão de obra; que realizem atividade de consultoria; que se dediquem ao loteamento e à incorporação de imóveis; que realizem atividade de locação de imóveis próprios, exceto quando se referir à prestação de serviços tributados pelo ISS. Não impedem a opção pelo simples nacional as seguintes atividades: creche, pré-escola e estabelecimento de Ensino Fundamental, escolas técnicas, profissionais e de Ensino Médio, de línguas estrangeiras, de artes, cursos técnicos de pilotagem, preparatórios para concursos, gerenciais e escolas livres; agência terceirizada de correios; agência de viagem e turismo; centro de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga; agência lotérica; serviços de instalação, de reparos e de manutenção em geral, bem como de usinagem, solda, tratamento e revestimento em metais; construção de imóveis e obras de engenharia em geral, inclusive sob a forma de subempreitada, execução de projetos e serviços de paisagismo, bem como decoração de interiores; transporte municipal de passageiros; empresas montadoras de estandes para feiras; escolas livres, de línguas estrangeiras, artes, cursos técnicos e gerenciais; produção cultural e artística; produção cinematográfica e de artes cênicas; cumulativamente administração e locação de imóveis de terceiros; academias de dança, de capoeira, de ioga e de artes marciais; academias de atividades físicas, desportivas, de natação e escolas de esportes; elaboração de programas de computadores, inclusive jogos eletrônicos, desde que desenvolvidos em estabelecimento do optante; licenciamento ou cessão de direito de uso de programasde computação; planejamento, confecção, manutenção e atualização de páginas eletrônicas, desde que realizados em estabelecimento do optante; escritórios de serviços contábeis; serviço de vigilância, limpeza ou conservação; laboratórios de análises clínicas ou de patologia clínica; serviços de tomografia, diagnósticos médicos por imagem, registros gráficos e métodos óticos, bem como ressonância magnética; serviços de prótese em geral. Não poderão optar pelo simples nacional as ME e as EPP que, embora exerçam diversas atividades permitidas, também exerçam pelo menos uma atividade vedada, independentemente da relevância da atividade impeditiva. Se a atividade impeditiva constante do contrato estiver relacionada no Anexo I da Resolução CGSN nº 6/2007, alterado pela Resolução CGSN nº 24/2011, seu ingresso no simples nacional será vedado, ainda que não exerça tal atividade. Se a atividade impeditiva constante do contrato estiver relacionada no Anexo II da Resolução CGSN nº 6/2007, seu ingresso no simples nacional será permitido, desde que não exerça tal atividade e declare, no momento da opção, esta condição. De outra parte, também estará impedida de optar pelo simples nacional a pessoa jurídica que obtiver receita de atividade impeditiva, em qualquer montante, ainda que não prevista no contrato social. A Lei Complementar nº 123/2006 prevê que o exercício de algumas atividades impede a opção pelo simples nacional. Essas atividades impeditivas estão listadas no Anexo I da Resolução CGSN nº 6/2007. O exercício de qualquer dessas atividades pela ME ou EPP impede a opção pelo simples nacional, bem como sua permanência no regime, independentemente de essa atividade econômica ser considerada principal ou secundária. 10.4.1.4 Forma de opção pelo simples nacional A opção pelo simples nacional dar-se-á por meio do portal do simples nacional, na internet, sendo irretratável para todo o ano- calendário. O acesso aos serviços do simples nacional se dá mediante duas formas: certificado digital ou código de acesso. Ela somente poderá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano-calendário da opção. Conforme dispõe a Resolução CGSN nº 4/2007, após efetuar a inscrição no CNPJ, bem como obter as suas inscrições estadual e municipal, caso exigíveis a partir de 1º de janeiro de 2009, a ME ou a EPP terá o prazo de até 30 dias, contado do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo simples nacional, desde que não tenham decorridos cento e oitenta dias da inscrição no CNPJ. Após esse prazo, a opção somente será possível no mês de janeiro do ano-calendário seguinte. A pessoa jurídica de cujo capital participe pessoa física que seja inscrita como empresário, ou seja, sócia de outra empresa optante pelo simples nacional, não poderá optar pelo simples nacional se a receita bruta global ultrapassar R$ 3.600.000,00. Ou seja, a soma das receitas das empresas não poderá ser superior ao limite da EPP. O mesmo acontece com a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% do capital de outra empresa não optante pelo simples nacional. Neste caso, não poderá optar pelo simples nacional se a receita bruta global ultrapassar o limite de R$ 3.600.000,00. A legislação não permite que seja considerada ME ou EPP, e consequentemente participe do simples nacional, a pessoa jurídica cujo titular ou um de seus sócios participe de outra pessoa jurídica com fins lucrativos na condição de administrador ou equiparado, quando a receita bruta global ultrapassa o limite R$ 3.600.000,00. O contribuinte pode manifestar o interesse pela opção pelo simples nacional para o ano subsequente, antecipando as verificações de pendências impeditivas ao ingresso no regime, mediante agendamento no portal do simples nacional na internet, entre o primeiro dia útil de novembro e o penúltimo dia útil de dezembro. Quando o agendamento não for aceito, o contribuinte deverá regularizar as pendências porventura identificadas e proceder a um novo agendamento. Caso as pendências não sejam regularizadas até o fim do prazo do agendamento, a empresa ainda poderá solicitar a opção no mês de janeiro e regularizá-las até o término deste mês. 10.4.1.5 Receita bruta Considera-se receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Para fins de determinação da alíquota, deve-se considerar a receita bruta total acumulada nos 12 meses anteriores ao do período de apuração. Para a pessoa jurídica que iniciar atividade no próprio ano- calendário da opção, os limites para a ME e para a EPP serão proporcionais ao número de meses compreendido entre o início da atividade e o final do respectivo ano-calendário, consideradas as frações de meses como um mês inteiro. Ou seja, os limites de ME e de EPP serão, respectivamente, de R$ 30.000,00 e de R$ 300.000,00 multiplicados pelo número de meses compreendidos entre o início da atividade e o final do respectivo ano-calendário, consideradas as frações de meses como um mês inteiro. Se o valor acumulado da receita bruta no ano-calendário de início de atividade for superior a R$ 300.000,00 multiplicados pelo número de meses do período compreendido entre o início da atividade e o final do respectivo ano-calendário, a pessoa jurídica estará obrigada ao pagamento da totalidade ou diferença dos impostos e contribuições devidos em conformidade com as normas gerais de incidência, desde o primeiro mês de início de atividade acrescidos, tão somente, de juros de mora, quando efetuado antes do início de procedimento de ofício. Na hipótese de a receita bruta no ano-calendário de início de atividade não exceder em mais de 20% o limite de que se trata o parágrafo anterior, a pessoa jurídica não estará obrigada ao pagamento da totalidade ou diferença dos impostos e contribuições devidos em conformidade com as normas gerais de incidência, porém estará excluída do simples nacional a partir do ano-calendário subsequente. Para fins de enquadramento no simples nacional, deve-se utilizar a receita bruta do ano-calendário anterior ao da opção. As ME e as EPP optantes pelo simples nacional não poderão apropriar ou transferir créditos relativos a impostos ou contribuições abrangidos por esse regime, nem tampouco utilizar ou destinar qualquer valor a título de incentivo fiscal. Ressalte-se que os estados, o distrito federal e os municípios podem conceder isenção ou redução do ICMS ou do ISS específicos para ME ou EPP ou, ainda, determinar recolhimento de valor fixo para esses tributos. 10.4.1.6 Benefícios não tributários da Lei Complementar nº 123/2006 A Lei Complementar nº 123/2006 estabelece normas gerais, tributárias e não tributárias, relativas ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às ME e às EPP. Entretanto, para que as ME e EPP se beneficiem do simples nacional, é indispensável que sejam optantes pelo referido regime. 10.4.1.7 Cálculo simplificado do valor mensal do simples nacional Há, no portal do simples nacional, um aplicativo específico (PGDAS) para o cálculo do valor devido e geração do documento de arrecadação do simples nacional (DAS). Sugere-se a consulta do manual contido no aplicativo, que contém informações úteis, inclusive exemplos práticos, que visam facilitar o preenchimento das informações necessárias para o cálculo. Resumidamente, o valor devido mensalmente pelas ME e EPP optantes pelo simples nacional é determinado mediante aplicação das tabelas dos anexos da Lei Complementar nº 123/2006. Para efeito de determinação da alíquota, o sujeito passivo utilizará a receita bruta acumulada nos 12 meses anteriores ao do período de apuração. Já o valor devido mensalmente, a ser recolhido pela ME ou EPP, será o resultante da aplicação da alíquota correspondente sobre a receita bruta mensal auferida. No caso de empresa em início de atividadeno próprio ano- calendário da opção pelo simples nacional, para efeito de determinação da alíquota no primeiro mês de atividade, o sujeito passivo utilizará, como receita bruta total acumulada, a receita do próprio mês de apuração multiplicada por 12. Nos 11 meses posteriores ao do início de atividade, o sujeito passivo utilizará a média aritmética da receita bruta total dos meses anteriores ao do período de apuração, multiplicada por 12. De acordo com a Resolução CGSN nº 38/2008, poderá ser utilizado o regime de caixa para definir a receita bruta total como base de cálculo mensal, sendo essa opção irretratável para todo o ano-calendário. A receita mensal apurada pelo regime de competência continuará a ser utilizada para determinação dos limites e sublimites, bem como para o enquadramento nas faixas de alíquota. As empresas que obtiverem receitas sujeitas ao Anexo V da Lei Complementar nº 123/2006 devem calcular a relação entre a folha de salários com encargos nos 12 meses anteriores ao período de apuração e a receita bruta total acumulada nos 12 meses anteriores ao período de apuração (fator r). 10.4.1.8 Exclusão A exclusão deverá ser feita por comunicação da empresa quando a ME ou a EPP tiver ultrapassado o limite proporcional de EPP no ano de início de atividade ou ainda tiver incorrido em alguma situação de vedação prevista no art. 12 da Resolução CGSN nº 4/2007 (casos de exclusão obrigatória). A exclusão do simples será efetuada de ofício pelo fisco quando verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória ou quando verificada a ocorrência de alguma das situações previstas nos incisos II a XV do art. 5º da Resolução CGSN nº 15/2007. O art. 5º da Resolução CGSN nº 15/2007 prescreve os casos de exclusão por algum tipo de ilegalidade como: contrabando ou descaminho; embaraço à fiscalização; falta de escrituração do livro caixa etc. A exclusão do simples nacional deverá ser efetuada pela ME ou EPP, obrigatoriamente, quando incorrer as seguintes situações: quando tiver auferido, no ano-calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 3.600.000,00; quando tiver ultrapassado o limite proporcional de EPP no ano de início de atividade (R$ 300.000,00 multiplicados pelo número de meses compreendido entre o início da atividade e o final do respectivo ano-calendário, consideradas as frações de meses como um mês inteiro); nas demais hipóteses de vedação previstas na Lei ou em Resolução do CGSN. A exclusão obrigatória do simples nacional deverá ser comunicada à RFB por meio do portal do simples nacional na internet: a qualquer tempo, na hipótese de exclusão por opção da ME ou da EPP; até o último dia útil do mês de janeiro do ano-calendário subsequente àquele em que se deu o excesso de receita bruta; até o último dia útil do mês subsequente ao da ocorrência das demais situações de vedação. 10.5 Ideias destacadas neste capítulo O que é a pessoa jurídica, como ela nasce, se altera e encerra. O que é, para que serve e qual a estrutura básica de um contrato social. Como é o processo para registrar uma empresa, contemplando todas as esferas — federal, estadual e municipal. Diferenças entre microempreendedor individual, microempresa e empresa de pequeno porte. Enquadramento no simples nacional. REFERÊNCIAS BRASIL. Decreto nº 6.038 de 7 de fevereiro de 2007. Institui o comitê gestor de tributação das microempresas e empresas de pequeno porte, e dá outras providências. In:PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. Legislação Republicana Brasileira. Brasília, 2007. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007- 2010/2007/Decreto/D6038.htm>. Acessado em: 10 dez. 2010. ______. Lei Complementar nº 116 de 31 de julho de 2003. Dispõe sobre o imposto sobre serviços de qualquer natureza, de competência dos municípios e do distrito federal, e dá outras providências. In:SENADO FEDERAL. Legislação Republicana Brasileira. Brasília, 2003. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LCP/Lcp116.htm>. Acessado em: 10 dez. 2010. ______. Lei Complementar nº 123 de 14 de dezembro de 2006. Institui o estatuto nacional da microempresa e da empresa de pequeno porte; altera dispositivos das Leis nº 8.212 e 8.213, ambas de 24 de julho de 1991, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, da Lei nº 10.189, de 14 de fevereiro de 2001, da Lei Complementar nº 63, de 11 de janeiro de 1990; e revoga as Leis nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e 9.841, de 5 de outubro de 1999. In:SENADO FEDERAL. Legislação Republicana Brasileira. Brasília, 2006. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LCP/Lcp123.htm>. Acessado em: 10 dez. 2010. ______. Lei Complementar nº 128 de 19 de dezembro de 2008. Altera a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, altera as Leis nº 8.212, de 24 de julho de 1991, 8.213, de 24 de julho de 1991, 10.406, de 10 de janeiro de 2002 — Código Civil, 8.029, de 12 de abril de 1990, e dá outras providências. In:SENADO FEDERAL. Legislação Republicana Brasileira. Brasília, 2008. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LCP/Lcp123.htm>. Acessado em: 10 dez. 2010. ______. Lei nº 10.406 de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. In:SENADO FEDERAL. Legislação Republicana Brasileira. Brasília, 2002. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/2002/L10406.htm>. Acessado em: 9 dez. 2010. CONSELHO GESTOR DO SIMPLES NACIONAL (CGSN). Resolução CGSN no 6 de 18 de junho de 2007. Dispõe sobre os códigos de atividades econômicas previstos na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) a serem utilizados para fins da opção pelo regime especial unificado de arrecadação de tributos e contribuições devidos pelas microempresas e empresas de pequeno porte (simples nacional). Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Decreto/D6038.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LCP/Lcp116.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LCP/Lcp123.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LCP/Lcp123.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/2002/L10406.htm <http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/Resolucao/2007/CGSN/Resol06.htm Acessado em: 11 dez. 2010. ______. Resolução CGSN no 4 de 30 de maio de 2007. Dispõe sobre a opção pelo regime especial unificado de arrecadação de tributos e contribuições devidos pelas microempresas e empresas de pequeno porte (simples nacional). Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/Resolucao/2007/CGSN/Resol04.htm Acessado em: 11 dez. 2010. ______. Resolução CGSN no 38 de 1º de setembro de 2008. Dispõe sobre a forma opcional de determinação da base de cálculo para apuração dos impostos e contribuições devidos utilizando a receita recebida pelas microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo simples nacional. Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/Resolucao/2008/CGSN/Resol38.htm Acessado em: 11 dez. 2010. ______. Resolução CGSN no 28 de 21 de janeiro de 2008. Altera a Resolução CGSN nº 10, de 28 de junho de 2007, que dispõe sobre as obrigações acessórias relativas às microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo regime especial unificado de arrecadação de tributos e contribuições (simples nacional). Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/Resolucao/2008/CGSN/Resol28.htm Acessado em: 11 dez. 2010. ______. Resolução CGSN no 15 de 23 de julho de 2007. Dispõe sobre a exclusão do regime especial unificado de arrecadação de tributos e contribuições devidos pelas microempresas e empresas de pequeno porte (simples nacional). Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/Resolucao/2007/CGSN/Resol15.htm Acessado em: 11 dez. 2010. ______. Resolução CGSN no 24 de 29 de novembro de 2011. Dispõe sobre o simples nacional e dá outras providências. Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/Resolucao/2011/CGSN/Resol94.htm Acessado em: 2 abr. 2014. DEPARTAMENTO NACIONAL DO REGISTRO DO COMÉRCIO (DNRC).Instrução Normativa nº 76, de 28 de dezembro de 1988. Brasília, 1988. Dispõe sobre o arquivamento de atos de empresas mercantis ou de cooperativas em que participem estrangeiros residentes e domiciliados no http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/Resolucao/2007/CGSN/Resol06.htm http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/Resolucao/2007/CGSN/Resol04.htm http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/Resolucao/2008/CGSN/Resol38.htm http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/Resolucao/2008/CGSN/Resol28.htm http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/Resolucao/2007/CGSN/Resol15.htm http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/Resolucao/2011/CGSN/Resol94.htm Brasil, pessoas físicas, brasileiras ou estrangeiras, residentes e domiciliadas no exterior e pessoas jurídicas com sede no exterior. Disponível em: <http://www.dnrc.gov.br/>. Acessado em: 10 dez. 2010. ______. Instrução Normativa nº 104, de 30 de abril de 2007. Dispõe sobre a formação de nome empresarial, sua proteção e dá outras providências. Poder Executivo, Legislação. Brasília, 2007. Disponível em: <http://www.dnrc.gov.br/>. Acessado em: 10 dez. 2010. ______. Instrução Normativa nº 100, de 19 de abril de 2006. Aprova o Manual de Atos e Registro Mercantil das sociedades anônimas. Poder Executivo, Legislação. Brasília, 2006. Disponível em: <http://www.dnrc.gov.br/>. Acessado em: 10 dez. 2010. ______. Instrução Normativa nº 98, de 23 de dezembro de 2003. Aprova o Manual de Atos de Registro de sociedade limitada. Poder Executivo, Legislação. Brasília, 2003. Disponível em: <http://www.dnrc.gov.br/>. Acessado em: 10 dez. 2010. ______. Instrução Normativa nº 109, de 28 de outubro de 2008. Dispõe sobre os procedimentos de registro e arquivamento digital dos atos que competem, nos termos da legislação pertinente, ao registro público de empresas mercantis e atividades afins, e dá outras providências. Poder Executivo, Legislação. Brasília, 2008. Disponível em: <http://www.dnrc.gov.br/>. Acessado em: 10 dez. 2010. ______. Instrução normativa nº 97, de 23 de dezembro de 2003. Aprova o Manual de Atos de Registro de empresário. Poder Executivo, Legislação. Brasília, 2003. Disponível em: <http://www.dnrc.gov.br/>. Acessado em: 10 dez. 2010. SECRETARIA DA FAZENDA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL (SEFAZ- RS). Instrução Normativa DRP no 45. Documento atualizado até a Instrução Normativa RE n° 079/2010, publicada no DOE de 9/12/10. Expede instruções relativas às receitas públicas estaduais. Disponível em: <http://www.legislacao.sefaz.rs.gov.br/Site/Document.aspx? inpKey=109367&inpCodDispositive=3589029&inpDsKeywords=Cadastro AND Contribuintes>. Acessado em: 10 dez. 2010. SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL (RFB). Instrução Normativa RFB no 1.005 de 8 de fevereiro de 2010. Dispõe sobre o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). Disponível em: http://www.dnrc.gov.br/ http://www.dnrc.gov.br/ http://www.dnrc.gov.br/ http://www.dnrc.gov.br/ http://www.dnrc.gov.br/ http://www.dnrc.gov.br/ http://www.legislacao.sefaz.rs.gov.br/Site/Document.aspx?inpKey=109367&inpCodDispositive=3589029&inpDsKeywords=Cadastro%20AND%20Contribuintes <http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/Ins/2010/in10052010.htm>. Acessado em: 9 dez. 2010. __________ 18 Odair Gonçalv es. Mestre em Ciências Contábeis, graduado em Ciências Contábeis pela UNISINOS e professor dos cursos de graduação da UNISINOS. Técnico superior (contador) da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos Delegados (Agergs). 19 Art. 1.113. O ato de transformação independe de dissolução ou liquidação da sociedade [...]. 20 Art. 1.116. Na incorporação, uma ou várias sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações, devendo todas aprová-la, na forma estabelecida para os respectivos tipos. 21 Art. 1.119. A fusão determina a extinção das sociedades que se unem, para formar sociedade nova, que a elas sucederá nos direitos e obrigações. 22 Art. 229. A cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindo-se a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindo-se o seu capital, se parcial a versão. 23 A sociedade enquanto não inscrita é denominada sociedade em comum. De acordo com o art. 986 do CPC, enquanto não inscritos os atos constitutivos, reger-se-á a sociedade, exceto por ações em organização, pelo disposto neste Capítulo, observadas, subsidiariamente e no que com ele forem compatíveis, as normas da sociedade simples. 24 Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará: (I) nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residência dos sócios, se pessoas naturais, e a firma ou a denominação, nacionalidade e sede dos sócios, se jurídicas; (II) denominação, objeto, sede e prazo da sociedade; (III) capital da sociedade, expresso em moeda corrente, podendo compreender qualquer espécie de bens, suscetíveis de avaliação pecuniária; (IV) a quota de cada sócio no capital social, e o modo de realizá-la; (V) as prestações a que se obriga o sócio, cuja contribuição consista em serviços; (VI) as pessoas naturais incumbidas da administração da sociedade, e seus poderes e atribuições; (VII) a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas; (VIII) se os sócios respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais. 25 Art. 222. A propriedade de empresa jornalística e de radiodifusão sonora e de sons e imagens é privativa de brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, ou de pessoas jurídicas constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sede no país. http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/Ins/2010/in10052010.htm 26 Art. 1.134. A sociedade estrangeira, qualquer que seja o seu objeto, não pode, sem autorização do Poder Executivo, funcionar no país, ainda que por estabelecimentos subordinados, podendo, todavia, ressalvados os casos expressos em lei, ser acionista de sociedade anônima brasileira. 27 De acordo com a Instrução Normativa DNRC nº 98, de 23/12/2003, são aceitos como documento de identidade: cédula de identidade, certificado de reservista, carteira de identidade profissional, carteira de trabalho e previdência social ou carteira nacional de habilitação. 28 De acordo com o § 2º do art. 138 da Lei nº 6.404/1976, na companhia aberta e nas com capital autorizado o Conselho de Administração é obrigatório. CAPÍTULO 11 PARQUES TECNOLÓGICOS E INCUBADORAS: AMBIENTES DE INOVAÇÃO E EMPREENDEDORISMO Ivan Brasil Galvão dos Santos29 Vanessa de Souza Batisti No mundo competitivo de hoje, os grandes vencedores estão fugindo dos produtos e serviços com características de commodities e partindo para soluções inovadoras. Este capítulo discute a necessidade de empreender, as dificuldades de ingresso em mercados tradicionais e a criação de mercado para produtos ou serviços inovadores. Para tal, aborda especificamente a constituição de ambientes para inovação, como os parques tecnológicos e as incubadoras e o papel dos mesmos perante a sociedade. 11.1 Contexto para a inovação A palavra inovação está presente nos objetivos de muitas empresas. Na verdade, o que está por trás disso é a busca da liderança ou da sobrevivência em um mercado cada vez mais competitivo. Um exemplo disso encontra-se na Apple, que, no primeiro trimestre de 2012, teve um aumento de 21% no seu lucro líquido, puxado pelas vendas do Iphone,que tiveram um incremento de 28% no período. Este resultado, veiculado no site Valor On-line (www.valoronline.com.br), em julho de 2012, apresenta uma realidade na qual um produto inovador alavancou resultados econômicos e financeiros de uma das companhias mais inovadoras do mundo. Este exemplo ilustra bem a situação, pois inovação, de acordo com o Manual de Oslo (OCDE, 2005), compreende o projeto, o desenvolvimento e/ou a implementação de produtos, serviços, sistemas ou modelos de negócios novos ou modificados,com a finalidade de criar um novo valor para os clientes e, também, retorno financeiro para a empresa. Tal conceito é amplamente utilizado internacionalmente para mensuração de indicadores sobre a atividade inovativa das empresas de diversos países, possibilitando comparabilidade dos dados. Aqui é importante ressaltar que a inovação abrange, inclusive, aquilo que é novo sob o ponto de vista da própria empresa, não representando, necessariamente, uma novidade para o mercado. Este aspecto da inovação como novidade para empresa também pode ser observado no conceito de inovação trabalhado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e http://www.valoronline.com.br Estatística (IBGE) na Pesquisa de Inovação Tecnológica (PINTEC, 2005), de que [...] a inovação tecnológica é definida pela implementação de produtos (bens ou serviços) ou processos tecnologicamente novos ou substancialmente aprimorados. A implementação da inovação ocorre quando o produto é introduzido no mercado ou quando o processo passa a ser operado pela empresa. (IBGE, 2007, p. 19). Contudo, inovar traz consigo um conjunto de incertezas, uma vez que um produto ou serviço só vai se caracterizar como inovador, a partir de sua aceitação no mercado. Desta forma, inovar não representa apenas ter entusiasmo em criar algo diferente e sim desenvolver produtos e serviços baseados em conhecimento científico. Nesse sentido, é bom que fique bem diferenciado o conceito de inovação do conceito de invenção, uma vez que a inovação se preocupa com o sucesso comercial da invenção. Esta diferença básica, conforme Barbieri (2003) e Nobrega (2011), deixa claro que, na verdade, na maioria das vezes, pessoas inventam e somente empresas inovam. O processo de inovação, originalmente desenvolvido por Nelson (1993), somente é passível de análise quando se considera o seu caráter interativo; uma vez que as firmas não inovam sozinhas, pois se encontram inseridas em um ambiente composto por outras firmas, agências governamentais, universidades, institutos de pesquisa, instituições financeiras, entre outros. Neste contexto de interação, surge o conceito de sistemas de inovação (SI), que podem ser definidos como um conjunto de instituições públicas e privadas, as quais contribuem para desenvolver e difundir novas tecnologias. “O Sistema Nacional de Inovação é uma construção institucional, produto de uma ação planejada e consciente que impulsiona o progresso tecnológico em economias capitalistas complexas” (ALBUQUERQUE, 1996, p. 57). Essa abordagem, proposta por Christopher Freeman (1987), enfatizou que a ação coordenada de vários atores impacta o desempenho tecnológico dos países, possibilitando associar a relação entre as taxas de crescimento de uma economia e o seu grau de inovação tecnológica. Esses arranjos institucionais envolvem firmas, redes de interação entre empresas, agências governamentais, universidades, institutos de pesquisa, laboratórios de empresas e atividades de cientistas e engenheiros. Arranjos institucionais que se articulam com o sistema educacional, com o setor industrial e empresarial e também com as instituições financeiras, completando o circuito dos agentes que são responsáveis pela geração, implementação e difusão das inovações. (ALBUQUERQUE 1996, p. 57). Este sistema, em economias emergentes, procura incluir a transferência de novas tecnologias, importação de novos equipamentos e investimentos estrangeiros diretos e, ainda, investimentos públicos e privados em pesquisa, desenvolvimento e difusão das inovações tecnológicas. Desta forma, conforme Ghostal e Barlett (2000), empresas ditas inovadoras devem possuir liderança instalada para a inovação, que se manifesta nas competências dos empreendedores em ver e criar oportunidades, estabelecer padrões de desempenho, identificar e desenvolver pessoas e fixar horizontes de crescimento. Ou seja, na capacidade dos empreendedores de modificar, com sua forma de agir, qualquer área do conhecimento humano. Embora estas características denotem um empreendedor, faz-se necessário que este ator encontre um ambiente promissor e desafiador que favoreça o desenvolvimento de suas ideias. 11.2 Habitats ou ambientes de inovação Mattos et al. (2008, p. 9) definem os habitats ou ambientes propícios à inovação como os “espaços físicos e institucionais, tanto internos quanto externos à empresa, onde existem condições favoráveis para que a criatividade e a inovação possam ser desenvolvidas”. Pode-se destacar, enquanto espaços internos às firmas, tanto os departamentos de pesquisa e desenvolvimento (P&D), quanto os espaços/fóruns de discussão, os quais facilitam a geração de novas ideias. Já externamente à empresa, “os ambientes propícios à inovação são os espaços de pré- incubação e incubação de empresas, os parques científico-tecnológicos, os polos tecnológicos, as tecnópolis e os sistemas locais e regionais de inovação” (MATTOS et al., 2008, p. 9). A ideia de se criar ambiente propício não é nova, uma vez que os primeiros estudos remontam ao início do século XIX, atrelados a Stanford University, que desde então incentiva o empreendedorismo, com resultados marcantes, como o surgimento da HP na década de 1930 e a primeira empresa criada em um laboratório de universidade (ETZKOWITZ, 2009). Na década de 1950, a StanfordUniversity criou o Parque Industrial de Stanford; e empreendimentos como o Vale do Silício, nos Estados Unidos, e as iniciativas brasileiras, desde a década de 1980, vêm se sucedendo. Figura 9 – Modelo da tríplice hélice. Fonte: Etzkowitz (2009, p. 26). De acordo com Etzkowitz (2009), este modelo, chamado de tríplice hélice (Figura 9), que une universidades, empresas e poder público, vem se fortalecendo desde então. A partir dele, tem-se a universidade no compromisso de gerar pesquisas, a empresa, para aplicar estas pesquisas e o poder público, para apoiar a infraestrutura necessária, uma vez que empresas inovadoras geram riquezas e postos de trabalho. 11.2.1 Parques tecnológicos O modelo da tríplice hélice, segundo a Anprotec (2011), fundamenta o desenvolvimento de parques tecnológicos, com condomínios de empresas maduras e de empresas incubadas no entorno de instituições de ensino. Os objetivos principais destes empreendimentos compreendem a disponibilização de um ambiente favorável ao desenvolvimento de conhecimento e de empresas, se caracterizando como um complexo produtivo industrial, de serviços, de base científico- tecnológica, planejado, de caráter formal, concentrado e cooperativo, que agrega empresas cuja produção se baseia em pesquisa tecnológica desenvolvida nos centros de P&D vinculados a cada parque. Estes parques tecnológicos, de acordo com a International Association of Science Parks (IASP, 2011), se caracterizam por serem gerenciados por profissionais especializados, cujo principal objetivo é incrementar a geração de renda e riqueza na comunidade, a partir da promoção da cultura de inovação e competitividade de suas empresas associadas e instituições baseadas no conhecimento. Atualmente, os parques tecnológicos encontram-se na sua terceira geração (ANPROTEC, 2011). Após uma geração inicial (de 1950 a 1980) baseada no pioneirismo, vieram os parques seguidores (de 1980 a 1990), já planejados e formalizados e, desde 1990, vive-se o momento de criação de parques com ações estruturantes a partir de políticas públicas. Os parques pioneiros (1ª geração) nasceram de forma espontânea, permitindo que nações e regiões pudessem assumir uma posição competitiva privilegiada no desenvolvimento tecnológico mundial. Como exemplo, pode-se citar o Vale do Silício nos Estados Unidos, que abriga um dos maiores clusters tecnológicos do mundo. A segunda geração de parques, que já nasceu de forma planejada, formal e estruturada, caracteriza-se pelo apoio e suporte sistemático de estatais com o objetivo de promover a integração universidade-empresa. Um exemplo de parque de segunda geração é o The Surrey Research Park, localizado em Guilford, Surrey, no Reino Unido. A terceira geração deparques contempla a criação de estruturas, orientadas pelo desenvolvimento econômico e tecnológico de países emergentes, promovendo um processo de desenvolvimento socioeconômico extremamente impactante, uma vez que contam com forte investimento estatal e são orientados para o mercado globalizado. O Parque Tecnológico Sucupira de Biotecnologia e Agronegócios, no Distrito Federal, constitui exemplo desses parques de terceira geração. A Figura 10 ilustra as três gerações de parques Tecnológicos. Figura 10 – Gerações de parques tecnológicos. Fonte: Anprotec (2011). Os parques tecnológicos no Brasil só começaram efetivamente na década de 1980, com a criação do Programa Brasileiro de Parques Tecnológicos, com cinco fundações privadas, sem fins lucrativos. A ideia inicial foi a de transferir tecnologia das universidades para o setor produtivo, a partir de parques distribuídos nacionalmente em: Manaus (AM), Campina Grande (PB), São Carlos (SP), Joinville (SC) e Santa Maria (RS). O número de projetos de desenvolvimento de parques tecnológicos no Brasil vem aumentando de forma significativa, devido a: (a) demanda por empresas geradas/formadas em parques tecnológicos; (b) capacidade instalada de pesquisa nas universidades brasileiras; (c) experiências bem-sucedidas de países como a Espanha, Finlândia, França, Estados Unidos, Coreia e Taiwan; e ainda (d) o crescimento e fortalecimento de determinados setores da economia com potencial de atuação em mercados internacionais (ANPROTEC, 2011). Conforme a Anprotec (2011), o Brasil, no final de 2011, apresenta 11 parques tecnológicos em operação, 13 em processo de implantação e outros 11 em fase de planejamento. Estes parques agregam mais de 250 empresas de tecnologia instaladas, gerando cerca de cinco mil postos de trabalho, além de receberem investimentos públicos da ordem de cinquenta milhões de reais, sendo que 50metade deste valor foi originado a partir de órgãos do governo federal ligados à energia, biotecnologia, eletrônica e instrumentação, serviços, meio ambiente e agronegócios. O governo federal, em busca da consolidação dos parques brasileiros, criou um conjunto de ações estruturantes, qualificadoras, articuladoras e operacionais, ou seja, um conjunto de ações a serem implementadas para estabelecer as bases e fundamentos para medidas de caráter mais prático e operacional. Estas ações estão sendo lideradas e executadas pelos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). De acordo com o MCTI (2011) e o MDIC (2011), as ações estruturantes desenvolvidas foram: criação e implantação do Sistema Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas (Sinapti), estabelecendo os objetivos do sistema, forma de operação e modelo de governança; implantação do comitê diretivo e do comitê gestor do Sinapti; constituição do grupo técnico de avaliação e acompanhamento, responsável pelo estabelecimento de diretrizes conceituais e técnicas para o Sinapti. O governo federal, na busca de qualificar o trabalho a ser desenvolvido, estabeleceu também um conjunto de ações de qualificação, cujo objetivo é organizar e preparar o ambiente para a implantação das medidas de caráter operacional como (MCTI; MDIC, 2011): Lançamento de um edital para apresentação de projetos de parques visando a aplicação da taxonomia de parques. Este edital objetivou gerar um “mapeamento” dos projetos e iniciativas de parques no país, a fim de permitir a definição de metas e estratégias de investimento para o Brasil. Realização de um trabalho minucioso de avaliação dos parques existentes. Este trabalho visa assegurar a credibilidade do portfólio de projetos a ser gerado, o qual deverá indicar quais os parques tecnológicos deverão ser considerados de relevância nacional, regional e local. Programa de capacitação, disseminação e esclarecimento acerca das prioridades e desafios do país, que devem orientar os projetos de parques tecnológicos. Com o intuito de engajar e comprometer os diversos atores importantes para o cumprimento dos objetivos de uma política pública de apoio à implantação de parques, o MCTI e o MDIC desenvolveram um conjunto de ações articuladoras, com ministérios, agências de governo, congresso nacional, governos estaduais e municipais. articulação de ministérios e agências de governo: atuação conjunta de diversos ministérios (MCTI, MDIC, Casa Civil, Educação, Cidades, Saúde, Integração Regional etc.) e agentes de governo (BNDES, FINEP, ABDI, CNPq, Banco do Brasil, Caixa etc.); articulação junto ao Congresso Nacional: obtenção de recursos de investimento para projetos de parques tecnológicos via emendas parlamentares, ou seja, por meio de apoio e participação de deputados e senadores, tanto na formulação quanto na execução da política pública; articulação dos governos estaduais e municipais: forte envolvimento dos governos estaduais e municipais, tanto no processo de definição e formulação dos projetos de parques, quanto na etapa de investimentos e sustentabilidade do empreendimento. Também foi implementado, conforme o MCTI (2011) e o MDIC (2011), no sentido de consolidar processos de apoio, estímulo e fomento ao movimento de parques brasileiro, um conjunto de ações operacionais, resultado da articulação da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), como: estruturação e lançamento de programas de apoio a parques tecnológicos: programas diferenciados e complementares para apoio ao desenvolvimento e à inovação de parques tecnológicos; implantação e infraestrutura de parques tecnológicos; e projetos mobilizadores de centros de tecnologia e inovação (C&T&I) dos parques tecnológicos; apoio e financiamento a empresas inovadoras: lançamento de programas de apoio especiais para as empresas instaladas em parques tecnológicos, contemplando apoio à P&D&I e apoio à infraestrutura predial e laboratorial; incentivos ao investimento privado em parques tecnológicos: estruturação e lançamento de instrumentos e mecanismos de estímulo à participação privada, seja pela criação de instrumentos de incentivos ao investimento no próprio “empreendimento parques tecnológicos”, seja pela estruturação de linhas de financiamento que estimulem a participação do setor imobiliário na construção de edificações a serem utilizadas pelas empresas do parque; articulação das empresas estatais com prática de investimento em tecnologia: empresas como Petrobras, sistema Eletrobras, entre outras estatais brasileiras podem e devem assumir um papel de protagonismo no processo de desenvolvimento da experiência nacional de parques tecnológicos, já que são grandes demandadoras e investidoras em P&D&I. Mundialmente, as redes de inovação se integram através da World Alliancefor Innovation (WAI, 2011), entidade responsável pela coordenação de 27 associações de ciência e tecnologia, parques tecnológicos e incubadoras no mundo. A missão deste organismo consiste em contribuir para o desenvolvimento social e econômico, por meio da inovação, empresas inovadoras e transferência de tecnologia. Orientada pela WAI surge a Associação Nacional das Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), com o papel de representar os interesses das incubadoras de empresas, parques tecnológicos e empreendimentos inovadores no Brasil. De acordo com a Anprotec (2011), a WAI atua por meio da promoção de atividades de capacitação, articulação de políticas públicas e geração e disseminação de conhecimentos. Como resultado de 2011, a WAI atingiu o número de 272 entidades associadas, que representaram cerca de quatrocentas incubadoras de empresas e 6300 empreendimentos inovadores, que, juntos, geraram aproximadamente 33.000 postos de trabalho no país. 11.2.2 Incubadoras de empresas Em se tratando de ambiente físico para desenvolvimento de novas empresas inovadoras, os parques tecnológicos abrigam incubadoras de empresas, estruturas destinadas a amparar o estágio inicial de empresas nascentesque se enquadram em determinadas áreas de negócios. Elas se caracterizam por representarem ambientes flexíveis e encorajadores, nos quais são oferecidas facilidades para o surgimento e o crescimento de novos empreendimentos. De acordo com a Anprotec (2011), as incubadoras se classificam em: incubadoras de base tecnológica: abrigam empresas cujos produtos, processos ou serviços são gerados a partir de resultados de pesquisas aplicadas, na qual a tecnologia representa alto valor agregado; incubadoras de empresas dos setores tradicionais: abrigam empresas ligadas aos setores tradicionais da economia que queiram agregar valor aos seus produtos, processos ou serviços por meio de um incremento em seu nível tecnológico; incubadoras mistas de empresas: abrigam empresas dos dois tipos aqui descritos. Em pesquisa com as incubadoras brasileiras mais recente (ANPROTEC, 2012), apareceu uma nova classe — as incubadoras de economia solidária, as quais promovem empreendimentos de economia solidária, como associações, cooperativas, entre outros. Historicamente, no Brasil, a primeira incubadora de empresas foi instalada em 1985, em São Carlos (SP), seguida rapidamente pelas incubadoras de Florianópolis (SC), Curitiba (PR), Campina Grande (PB) e Distrito Federal (DF). Desde a década de 1990, as incubadoras vêm crescendo sensivelmente em números, como ilustra o Gráfico 1 (ANPROTEC, 2011; 2012). Gráfico 1 – Evolução do movimento brasileiro de incubadoras. Fonte: Anprotec (2011; 2012). Em 2011, o Brasil contava com 384 incubadoras de empresas em operação (ANPROTEC, 2012). Estas incubadoras compreendiam 2640 empresas incubadas e 2509 empresas já graduadas, ou seja, que já passaram pelo processo de incubação. Estas empresas responderam pela geração de mais de 45.000 postos de trabalho — mais de 16.000 nas incubadas e mais de 29.000 nas graduadas. Em termos de faturamento, R$ 4,6 bilhões foram gerados pelas referidas empresas (R$ 533 milhões nas incubadas e R$ 4,1 bilhões nas já graduadas). De acordo com a WAI (2011) e a Anprotec (2011), pode-se citar como objetivos comuns das incubadoras o desenvolvimento regional, oferecendo para tal: (a) infraestrutura física; (b) apoio técnico e gerencial às empresas nascentes, de forma a acelerar a consolidação das empresas; (c) fortalecimento da capacitação empreendedora; (d) desenvolvimento de ações associativistas e compartilhadas; (e) redução de custos iniciais de instalação e operação, buscando novos apoios e parceiros para as empresas. Adicionalmente, dado o elevado percentual de mortalidade das empresas nos seus anos iniciais, conforme se observa na Tabela 2, a Anprotec apresenta como principal objetivo das incubadoras o aumento da taxa de sobrevivência das microempresas. Tabela 2 – Taxa de mortalidade das empresas com até dois anos (em %), em 2000 e 2005 Região 2000 2005 Ativ as Extintas Ativ as Extintas Norte 46,6% 53,4% 70,1% 29,9% Nordeste 37,3% 62,7% 81,1% 18,9% Centro-Oeste 46,1% 53,9% 78,4% 21,6% Sudeste 38,9% 61,1% 83,9% 16,1% Sul 41,1% 58,9% 76,1% 23,9% Fonte: elaborada pelos autores com base em Sebrae-RS (2011). Para esta redução de mortalidade, as incubadoras devem operar reduzindo o volume de capital necessário para montar uma empresa, auxiliando na geração de produtos, processos e serviços com novas tecnologias, além de propiciar às incubadas a adoção de novas posturas gerenciais e técnicas. A implantação de redes de negócios, o fortalecimento do associativismo, o aperfeiçoamento de recursos humanos e o aumento da interação entre empresas e instituições de ensino também são objetivos a serem perseguidos pelas incubadoras. As incubadoras dos parques brasileiros vêm apoiando as empresas em processo de desenvolvimento com espaços individualizados com serviços de limpeza e segurança, internet, salas para reuniões e capacitações, além de acesso às bibliotecas das universidades (ANPROTEC, 2011). No que concerne ao apoio nas operações, as incubadoras normalmente oferecem cursos e consultorias em plano de negócios, consultorias em gestão administrativa, contábil e financeira, assessorias em RH e jurídicas e auxílio na busca de financiamentos e projetos. O processo de incubação compreende uma fase de seleção, normalmente exigindo dos candidatos um plano de negócios, que, em geral, passa por várias rodadas de ajustes. Segundo a Anprotec (2011), as empresas incubadas, normalmente ficam de três a quatro anos em processo de desenvolvimento/crescimento até sua graduação, ou seja, até o momento em que a empresa for considerada madura e pronta para o mercado. Neste período, acontecerão inúmeras reuniões entre incubados e incubadoras para ajustes estratégicos e operacionais. A graduação das empresas dar-se-á a partir da adoção e sistematização paulatina de processos e práticas operacionais e gerenciais sugeridas pelas consultorias e avaliações realizadas pela gestão da incubadora. 11.3 Ideias destacadas neste capítulo Inovação compreende o projeto, o desenvolvimento e/ou a implementação de produtos, serviços, sistemas ou modelos de negócios novos ou modificados, com a finalidade de criar um novo valor para os clientes e, também, retorno financeiro para a empresa (OCDE, 2005). O processo de inovação somente é passível de análise quando se considera o seu caráter interativo; uma vez que as firmas não inovam sozinhas. Considerando tal caráter, surgem os denominados sistemas de inovação, que podem ser definidos como um conjunto de instituições públicas e privadas, as quais contribuem para desenvolver e difundir novas tecnologias. Os habitats ou ambientes de inovação são espaços físicos e institucionais (internos ou externos às empresas), nos quais há condições favoráveis para o desenvolvimento da criatividade e da inovação. Estes ambientes podem funcionar muito bem ao se unir a universidades (que geram pesquisa e formam mão de obra especializada), a empresas (que aplicam a pesquisa, contratam a mão de obra formada pelas universidades e geram empregos e arrecadação) e ao poder público (para apoiar com a infraestrutura necessária) — modelo denominado tríplice hélice. Podem-se destacar como ambientes que propiciam a inovação os parques tecnológicos e as incubadoras de empresas. Os parques tecnológicos têm por objetivo incrementar a geração de renda e riqueza na comunidade, por meio da promoção da cultura de inovação e competitividade de suas empresas associadas e instituições baseadas no conhecimento. Já as incubadoras de empresas constituem estruturas destinadas a amparar o estágio inicial de empresas nascentes que se enquadram em determinadas áreas de negócios, sendo uma possibilidade a ser estudada por empreendedores que estejam iniciando os seus negócios. REFERÊNCIAS ALBUQUERQUE, E. M. Sistema nacional de inovação no Brasil: uma análise introdutória a partir de dados disponíveis sobre a ciência e a tecnologia. São Paulo: Revista de Economia Política, v. 16, n. 3, p. 56-72, 1996. ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE ENTIDADES PROMOTORAS DE EMPREENDIMENTOS INOVADORES (ANPROTEC). Estudo, análise e proposições sobre as incubadoras de empresas no Brasil – relatório técnico. Brasília: Anprotec, 2012. ______. Disponível em: <http://www.anprotec.org.br>. Acessado em: 18 set. 2011. BARBIERI, José Carlos; ÁLVARES, Antônio Carlos Teixeira. Inovações nas organizações empresariais. In: BARBIERI, José Carlos. Organizações inovadoras: estudos de casos brasileiros. São Paulo: Ed. FGV, 2003. BANCO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL (BNDES). Disponível em: <http://www.bndes.gov.br>. Acessado em: 18 set. 2011. DOLABELA, Fernando. O segredo de Luísa. São Paulo: Cultura Editores http://www.anprotec.org.br http://www.bndes.gov.br Associados, 1999. DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios. Rio de Janeiro: Elsevier, 2001. ETZKOWITZ, Henry. Hélice tríplice: universidade – indústria – governo inovação em movimento. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2009. FINANCIADORA NACIONAL DE PROJETOS (FINEP). Disponível em: <http://www.finep.gov.br>. Acessadoem: 18 set. 2011. GHOSTAL, S.; BARLETT, C. A organização individualizada: talento e atitude como vantagem competitiva. Rio de Janeiro: Campus, 2000. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa de inovação tecnológica 2005. Rio de Janeiro: IBGE, 2007. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br>. Acessado em: 20 dez. 2011. INTERNATIONAL ASSOCIATION OF SCIENCE PARKS (IASP). Disponível em: <http://www.iasp.ws/publico/intro.jsp>. Acessado em: 18 set. 2011. MATTOS, Fernando et. al. (org.). Kit metodológico para a inovação empresarial. Brasília: Movimento Brasil Competitivo, 2008. MINISTÉRIO DA CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO (MCTI). Disponível em: <http://www.mct.gov.br/index.php/content/view/77678.html>. Acessado em: 28 out. 2011. MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR (MDIC). Disponível em: <http://www.mdic.gov.br>. Acessado em: out. 2011. NOBREGA, Clemente. Mercado, processos e pessoas. A criatividade que conta para a inovação. Disponível em: <http://www.caxiasdigital.com.br/blog/clemente-nobrega-diz-que-inovar-e- dinheiro-novo/>. Acessado em: 18 set. 2011. OCDE, EUROSTAT. Manual de Oslo: diretrizes para coleta e interpretação de dados sobre inovação. 3. ed. Traduzido pela Finep, 2005. Disponível em: <www.finep.gov.br/ imprensa/sala_imprensa/manual_de_oslo.pdf>. Acessado em: 18 set. 2011. SBICCA, Adriana; PELAEZ, Victor. Sistemas de inovação. In: PELAEZ, Victor; http://www.finep.gov.br http://www.ibge.gov.br http://www.iasp.ws/publico/intro.jsp http://www.mct.gov.br/index.php/ http://www.mdic.gov.br http://www.caxiasdigital.com.br/blog/clemente-nobrega-diz-que-inovar-e-dinheiro-novo/ http://www.finep.gov.br/%20imprensa/sala_imprensa/manual_de_oslo.pdf SZMRECSÁNYI, Tamás (org.). Economia da inovação. São Paulo: Editora Hucitec/OEB, 2006. SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICROS E PEQUENAS EMPRESAS DO RIO GRANDE DO SUL (SEBRAE-RS). Disponível em: <http://www.sebrae-rs.com.br>. Acessado em: 18 set. 2011. WORLD ALLIANCE FOR INNOVATION (WAI). Disponível em <http://www.wainova.org>. Acessado em: 18 set. 2011. __________ 29 Iv an Brasil Galv ão dos Santos. Mestre em Administração pela PUC-RJ e graduado em Administração de Empresas pela UNISINOS. Atualmente, coordenador do MBA de Gestão de Projetos da UNISINOS e professor nos cursos de graduação e pós-graduação nesta mesma universidade. http://www.sebrae-rs.com.br http://www.wainova.org APÊNDICE A ROTEIRO DO PLANO DE NEGÓCIO CAPA Dados de identificação Segmento de atuação Denominação do negócio/da empresa Autor(es) Local e data SUMÁRIO Sumário executivo Apresentação da empresa Produto(s) e/ou serviço(s) Mercado, marketing e vendas – Plano de marketing Operações – Plano operacional Finanças – Plano financeiro Estratégias – Plano estratégico Anexos SUMÁRIO EXECUTIVO Nesta seção, deve ser elaborado o resumo ou sumário executivo, considerado uma das mais importantes partes do plano de negócios (PN), pois é com base na sua leitura que o leitor continuará ou não a ler o PN.No sumário, descreve-se o projeto do plano que se pretende desenvolver e implantar. Texto do sumário ou resumo executivo Como a empresa está estruturada para iniciar suas atividades? Quem são os responsáveis pela execução e quais suas competências? Quais produtos e serviços serão oferecidos e quais os elementos de diferenciação? Qual o mercado potencial e a previsão de vendas? Quais as projeções financeiras e os principais indicadores? Quais as necessidades de financiamento? APRESENTAÇÃO DA EMPRESA Nesta seção, deve ser apresentado um breve resumo da organização da empresa e do negócio. É recomendado relacionar as razões de mercado que justificam a criação do negócio, ressaltando, também, a qualificação e a experiência dos empreendedores, bem como dos profissionais nos níveis de comando. Apresentação da empresa Qual a denominação da empresa? Qual o setor de atuação da empresa? Como a empresa está estruturada do ponto de vista legal (de registro)? Onde a empresa se localiza? Qual o negócio da empresa? Como é composta a equipe de gestão da empresa? Quem é responsável pelo quê? PRODUTO(S) E/OU SERVIÇO(S) Nesta seção, deve ser feita a descrição detalhada dos principais produtos que serão fabricados ou comercializados e serviços que serão prestados, contemplando desde as características até o estágio de desenvolvimento, os testes e as avaliações que foram realizados. Apresentação dos produto(s) e/ou serviço(s) Qual a denominação do produto e/ou serviço? Quais são suas características e funcionalidades? Qual é sua aparência? Quais as vantagens que o diferenciam no mercado? Estágio de desenvolvimento do(s) produto(s) e/ou serviço(s) Quais as etapas que já foram realizadas para o desenvolvimento e o lançamento do produto e/ou serviço? Quais as etapas que ainda precisam ser realizadas? Testes e avaliações do(s) produto(s) e/ou serviço(s) Quais os testes e avaliações que foram realizados com o produto e/ou serviço, desde os mais técnicos para atestar a viab ilidade, por exemplo, aos mais iniciais como o de conceito? Outros aspectos sobre produto(s) e/ou serviço(s) Existem outros aspectos sobre o produto e/ou serviço a serem destacados? MERCADO, MARKETING E VENDAS – PLANO DE MARKETING Esta seção deve abordar os aspectos referentes ao mercado, como o setor e o segmento de atuação, quais os clientes potenciais, entre outros aspectos. Também devem ser apresentadas algumas questões de marketing e vendas, incluindo a análise de clientes, concorrentes e fornecedores, o composto de marketing, além das estratégias e políticas para comercialização dos produtos e serviços. Contexto, macroambiente e tendências relacionadas ao negócio Qual o contexto em que o produto e/ou serviço será introduzido? Qual a situação do macroambiente (pensando nos fatores econômicos, sociais, culturais, políticos, tecnológicos, ambientais)? Quais as tendências que embasaram o desenvolvimento do produto? Setor, segmento de atuação e dimensão do mercado Quais são o setor e o segmento de atuação do negócio? (Exemplo: setor indústria, segmento metalmecânico; setor comércio varejista, segmento confecções). Qual a dimensão de mercado? (Faturamento do setor/segmento que se pretende ingressar, quantidade de produtos já adquiridos no mercado etc.). Clientes potenciais e segmentos de clientes Quem são os clientes potenciais? Pessoas físicas ou jurídicas? Se pessoa física: qual o sexo, a faixa etária, grau de escolaridade, faixa de renda, onde moram, onde trabalham, têm filhos, hábitos de consumo, preferências etc.). A partir da definição dos clientes potenciais, quais são os segmentos de clientes que serão trabalhados? (Exemplo: mulheres de 30 a 40 anos, com filhos e que trabalham; jovens universitários, de 18 a 24 anos, que possuam smartphones e pratiquem exercícios físicos etc.). Relacionamento com os clientes Como será o relacionamento com cada segmento de cliente? Concorrentes diretos e indiretos Quem são seus concorrentes diretos (que ofertam o mesmo produto/serviço ou produto/serviço semelhante) e indiretos (atendem a mesma necessidade)? Quantos são? Onde estão localizados? Qual a proposta de valor deles? Fornecedores Quem são ou serão seus fornecedores? O que ele lhe fornece ou fornecerá? Onde estão localizados? Quais as condições do fornecimento? Parceiros A empresa tem algum parceiro? Qual a relação de parceria estabelecida? Composto de Marketing (4 Ps) Qual o seu produto e/ou serviço (retomando a seção produto e/ou serviço)? Qual o preço do seu produto e/ou serviço? Quais as condições de pagamento? Quais os meios de pagamento que serão aceitos? Serão praticados preços diferentes para os distintos segmentos de clientes? Qual a sua praça, ou seja, onde seu produto será comercializado/distribuído? Em quais canais? Qual suas estratégias e propostas em relação à promoção dos seus produtos e/ou serviços? Como será o seu processo de divulgação? Outros aspectos sobre mercado, marketing e vendas Existem outros aspectos sobre o mercado, o marketing e as vendasa serem destacados? OPERAÇÕES – PLANO OPERACIONAL Esta seção deve mostrar como serão produzidos os produtos ou prestados os serviços, contemplando questões relacionadas à produção/prestação do serviço, tecnologia utilizada e pessoal. Principais processos produtivos Qual o fluxo produtivo do negócio (desde a entrada da matéria-prima e dos insumos, até a saída do produto final para venda; ou desde a etapa inicial do serviço até a conclusão da prestação do serviço)? Quais os principais processos produtivos? Tecnologia utilizada Qual a tecnologia utilizada na produção e/ou prestação do serviço? Alguma previsão da tecnologia utilizada tornar-se obsoleta? Infraestrutura necessária Quais as necessidades de instalações físicas? Quais as máquinas, equipamentos e ferramentas são necessários à produção e/ou à prestação do serviço? Como será o layout produtivo de sua empresa? E o do ponto de vendas? Estrutura organizacional e necessidades de pessoal Como será a estrutura organizacional da empresa? Qual a equipe diretiva da empresa (quem são os profissionais, quais as suas formações e experiências anteriores etc.)? Quais as necessidades de pessoal (para a gestão, produção/prestação do serviço, vendas)? Quais as atribuições e as competências? Capacidade produtiva ou de prestação de serviços Com base nos itens anteriores (processos produtivos, tecnologia utilizada, infraestrutura e estrutura organizacional), qual será a capacidade produtiva da empresa (por hora, dia, semana ou mês)? Quanto tempo leva para se produzir uma unidade de produto ou para se prestar um serviço? Questões legais Qual será a forma jurídica da empresa (empresário individual, sociedade limitada etc.)? Por qual enquadramento tributário a empresa optará (simples, lucro presumido, lucro real)? A empresa irá registrar marca própria? Qual? Por quê? Será necessário registrar a propriedade intelectual (patente)? De qual produto ou produtos? Outros aspectos sobre operações Existem outros aspectos sobre o mercado, o marketing e as vendas a serem destacados? FINANÇAS – PLANO FINANCEIRO Todos os dados e informações apresentados até aqui são transformados em números nesta seção: desde o cálculo dos custos (fixos e variáveis), até as projeções de receitas e demonstrativos de resultados. Também são apresentadas as necessidades de investimento e alguns indicadores. Por questões de visualização, optou-se por não disponibilizar neste espaço as planilhas, que podem ser observadas diretamente no Moodle. Fazem parte do plano financeiro as seguintes planilhas: Investimento Custos fixos Custos variáveis Projeção de custos Projeção de vendas Demonstrativo dos resultados (DRE) Fluxo de caixa Indicadores Resumo de indicadores Comente os principais indicadores calculados a partir da planilha “M6_Planilha_Financas” ESTRATÉGIAS – PLANO ESTRATÉGICO Nesta seção, após ter desenvolvido todas as demais seções do plano, a ideia é pensar as questões mais estratégicas do negócio, retomando desde a proposta de valor até conseguir chegar em um planejamento estratégico inicial, esboçando a missão, a visão, os objetivos estratégicos, entre outros. Proposta de valor Como sua empresa irá capturar e entregar valor aos distintos segmentos de clientes? Por que os clientes comprarão de você e não da concorrência? Missão Qual a missão da empresa? Qual a razão de existência da empresa? Visão Qual a visão da empresa? Onde a empresa quer chegar em cinco, dez anos? Objetivos estratégicos Quais os ob jetivos estratégicos da empresa para chegar à visão e cumprir sua missão? Estratégias competitivas Quais as estratégias competitivas que empresa irá adotar? Análise de forças, oportunidades, fraquezas e ameaças (SWOT) Considerando tudo o que foi pensado e planejado até aqui, olhando internamente, quais são as forças que podem ser exploradas e as fraquezas que têm de ser minimizadas? E, externamente, quais são as oportunidades que podem ser exploradas e as ameaças que devem ser neutralizadas? Interno Externo Forças Oportunidades Fraquezas Ameaças APÊNDICE B INDICAÇÕES PARA COMPLEMENTAÇÃO DE ESTUDOS A seguir são indicados alguns sites e vídeos sobre empreendedorismo, inovação etc. para os interessados em complementar seus estudos. Endereço Descrição http://www.anprotec.org.br Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec). http://www.iasp.ws/publico/intro.jsp International Association of Science Parks (IASP) – instituição internacional que promove parques e incubadoras. http://www.finep.gov.br Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). http://www.endeavor.org.br Endeavor (Brasil) ‒ organização promotora da cultura empreendedora no Brasil. http://www.endeavor.org Endeavor (internacional) ‒ organização promotora da cultura empreendedora no mundo http://entrepreneurs.about.com/ Diversas informações e exemplos de empreendedorismo e de empreendedores. http://www.josedornelas.com.br Prof. José Dornelas ‒ informações sobre livros, artigos e discussões sobre empreendedorismo e empreendedores. http://sebrae.com.br Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) ‒ traz diversas informações sobre http://www.anprotec.org.br http://www.iasp.ws/publico/intro.jsp http://www.finep.gov.br http://www.endeavor.org.br http://www.endeavor.org http://entrepreneurs.about.com/ http://www.josedornelas.com.br http://sebrae.com.br novos negócios e feiras de empreendedores on-line. http://www.unctadxi.org/templates/Page____7362.aspx United Nations Conference on Trade and Development ‒ informações sobre o programa Empretec. http://www.unctadxi.org/templates/Page____7362.aspx UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS – UNISINOS Reitor: Pe. Marcelo Fernandes de Aquino, SJ Vice-reitor: Pe. José Ivo Follmann, SJ Diretor da Editora Unisinos: Pe. Pedro Gilberto Gomes Editora Unisinos Avenida Unisinos, 950, 93022-000, São Leopoldo, Rio Grande do Sul, Brasil editora@unisinos.br www.edunisinos.com.br © dos autores, 2014 2014 Direitos de publicação da versão eletrônica (em e-book) deste livro exclusivos da Editora Unisinos. E55 Empreendedorismo e planos de negócios [recurso eletrônico] / Alexandre Pereira ... [et al.] ; Vanessa de Souza Batisti (org.). – São Leopoldo : Ed. UNISINOS, 2014. 1 recurso online – (EaD) ISBN 978-85-7431-650-5 1. Empreendedorismo. 2. Negócios. 3. Livros eletrônicos. I. Pereira, Alexandre. II. Batisti, Vanessa de Souza. III. Título. IV. Série. CDD 658.42 mailto:editora@unisinos.br http://www.edunisinos.com.br/ CDU 658.012.4 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Bibliotecária: Carla Maria Goulart de Moraes – CRB 10/1252) Coleção EAD Editor: Carlos Alberto Gianotti Acompanhamento editorial: Mateus Colombo Mendes Revisora: Márcia C. H. Santos Editoração: Guilherme Hockmüller A reprodução, ainda que parcial, por qualquer meio, das páginas que compõem este livro, para uso não individual, mesmo para fins didáticos, sem autorização escrita do editor, é ilícita e constitui uma contrafação danosa à cultura. Foi feito depósito legal. Empreendedorismo e plano de negócios Folha de rosto Sumário Apresentação Parte I Capítulo 1 – Empreendedorismo e inovação: começando as discussões Capítulo 2 – O empreendedor: definições, tipologias e suas implicações Capítulo 3 – Identificação e análise de oportunidades para negócios Parte II Capítulo 4 – O Plano de Negócios – Uma introdução Capítulo 5 – Modelando o negócio: o uso de ferramentas inovadoras para pensar na definição do produto ou serviço Capítulo 6 – O marketing e as vendas Capítulo 7 – As operações Capítulo 8 – As finanças Capítulo 9 – As questões estratégicas Parte III Capítulo 10 – Organização e constituição de empresas Capítulo 11 – Parques tecnológicos e incubadoras: ambientes de inovação e empreendedorismo Apêndice A – Roteiro do Plano de Negócio Apêndice B – Indicações para complementação de estudos Informações técnicas