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Resumos do livro: "Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais" Autor: Paulo Dalgalarrondo Pensamento e suas alterações (Capítulo 20) Pensamento e linguagem relacionam-se intimamente, mas ambos possuem aspectos específicos autônomos. O pensamento costuma ser definido a partir da categorização em conceito, juízo e raciocínio. Conceito: forma- se a partir das percepções e representações, mas difere desta, pois consiste em processo cognitivo sem aspectos sensoriais. Nos conceitos existem as características abstratas e gerais dos fenômenos. Passos fundamentais para a formação dos conceitos: Eliminação da sensorialidade Generalização O conceito pode ser tido como elemento estrutural básico do pensamento, é a partir dele que pensamos e conhecemos. O juízo consiste na articulação entre dois ou mais conceitos. O raciocínio ocorre quando há a relação entre conceitos e juízos. O pensamento normal é constituído pelo raciocínio lógico. Orienta-se pela realidade e pelos princípios da racionalidade da cultura vigente. Tipos de pensamento: intuitivo, indutivo, dedutivo, crítico O pensamento crítico é relevante no que diz respeito a saúde mental, pois permite que o sujeito pense sobre possíveis equívocos nos seus próprios pensamentos advindos de tendências prefixadas, vieses sistemáticos e conclusões prematuras. “O pensamento crítico busca um estado de maturidade no qual se admita que há questões e problemas multifacetados, complexos, que aceite que há questões que comportam mais de duas respostas (mais que sim e não) e que exigem diferentes níveis e formas de análise e solução.” Processo do pensar: Curso: fluxo de pensamentos, velocidade, tempo e ritmo. Forma: estrutura básica preenchida por conteúdos e interesses. Conteúdo: temas e assuntos predominantes. Psicopatologia do pensamento Desintegração e transformação dos conceitos: perda ou transformação radical dos significados originais dos conceitos. Condensação: diferentes conceitos são fundidos, expressando isso em uma nova palavra. Juízo deficiente ou prejudicado: juízo falso estabelecido devido a elaboração precária causada por deficiência intelectual ou pobreza cognitiva. Pode ser difícil distinguir de delírio. Alteração de juízo de realidade ou de existência: delírio PM, PD, WT, são muito próximos e utilizados em psicopatologia. Pensamento inibido: ocorre em demências e depressões graves, o raciocínio é lento, difícil e pouco produtivo. Pensamento vago: imprecisão de formações e relações conceituais e de juízo. Falta de precisão, pode ocorrer em indivíduos sem transtornos mentais, mas também pode ser sinal inicial de esquizofrenia. Pensamento prolixo: dificuldade em ter clareza e síntese do tema tratado. Seus tipos são tangencialidade e circunstancialidade. Pode ocorrer em TP, início de esquizofrenia, deficiência intelectual, lesões cerebrais. Pensamento concreto: ausência de distinção entre a dimensão simbólica e abstrata da concreta. Dificuldade de entender metáforas e ironias. Pensamento confusional: dificuldade em processar com clareza estímulos ambientais. Comum em delirium. Pensamento desagregado: falta de lógica na articulação de conceitos e juízos que se manifesta em como mistura aleatórias de palavra. Ocorre em formas graves de esquizofrenia. Pensamento obsessivo: ideias ou representações que, mesmo com conteúdo absurdo ou repulsivo, se impõe à consciência de modo persistente e incontrolável. Ruminações: próximas aos pensamentos obsessivos, consistem em repetições que implicação preocupações. Alterações do processo do pensar Aceleração: pensamento acelerado que ocorre na mania, ansiedade intensa, psicoses tóxicas e esquizofrenia. Lentificação: lentidão, latência entre as perguntas formuladas e as respostas. Ocorre em pacientes deprimidos, casos de rebaixamento do nível da consciência. Bloqueio ou intercepção: no meio de uma conversa o indivíduo relata ter parado o pensamento sem motivo aparente. Alteração quase exclusiva da esquizofrenia. Roubo: associado ao bloqueio onde o sujeito sente que seu pensamento foi roubado de sua mente por uma força ou ente estranho. Alteração característica da esquizofrenia. Fuga de ideias: alteração de fluxo e forma do pensamento secundária à aceleração, onde as ideias do pensamento não se associam pela lógica, mas por estímulos externos contingentes. Alterações formais dos pensamentos Indicam psicopatologia grave. Podem ser organizadas em positivas( pressão para falar, verbosidade) , negativas( pobreza do discurso e do conteúdo do pensamento, assim como bloqueio deste) e desorganizadas( perda do pensamento objetivo, descarrilhamento, pensamento idiossincrático, incoerência e ilogicidade. Afrouxamento de associações: manifesta- se nas fases iniciais da esquizofrenia e em TPs. Ainda há lógica nas ideias, mas as associações vão ficando mais livres. Descarrilhamento do pensamento: o pensamento desvia- se do seu curso normal para pensamentos supérfluos, retornando as vezes para o curso normal. Relacionado à distrabilidade. Encontra-se na esquizofrenia e em casos de mania. Dissociação e incoerência do pensamento: não há sequência lógica de ideias, nem organização coerente do discurso. O pensamento pode se tornar incompreensível. De importância central na esquizofrenia. Desagregação do pensamento: perda radical de associações e coerência do pensamento em formas avançadas de esquizofrenia e quadros demenciais. “Na esquizofrenia, de modo geral, o progredir da desestruturação do pensamento segue esta sequência( em ordem de gravidade): afrouxamento das associações, descarrilhamento do pensamento, dissociação e incoerência do pensamento e, por fim, desagregação do pensamento”. Os principais conteúdos que preenchem alterações psicopatológicas são: persecutórios, depreciativos, de poder e grandeza, religioso e místico, eróticos, culpa, hipocondria. Referências: DALGALARRONDO, P. Pensamento e suas alterações. In: Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre: Artmed, 3 ed., 2019.