Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

CIDADE MATARAZZO: ANÁLISE 
PROJETUAL CRÍTICA DE UMA 
INTERVENÇÃO ARQUITETÔNICA EM 
UM CONJUNTO PATRIMONIAL
UNIVERSIDADE PRESBITERIANA 
MACKENZIE
MESTRADO EM ARQUITETURA E 
URBANISMO
NATÁLIA BARBOSA HETEM
São Paulo
2020
CIDADE MATARAZZO: ANÁLISE 
PROJETUAL CRÍTICA DE UMA 
INTERVENÇÃO ARQUITETÔNICA EM 
UM CONJUNTO PATRIMONIAL
UNIVERSIDADE PRESBITERIANA 
MACKENZIE
MESTRADO EM ARQUITETURA E 
URBANISMO
NATÁLIA BARBOSA HETEM
São Paulo
2020
UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE
MESTRADO EM ARQUITETURA E URBANISMO
NATÁLIA BARBOSA HETEM
CIDADE MATARAZZO: ANÁLISE PROJETUAL CRÍTICA DE 
UMA INTERVENÇÃO ARQUITETÔNICA EM UM CONJUNTO 
PATRIMONIAL
São Paulo
2020 
NATÁLIA BARBOSA HETEM
CIDADE MATARAZZO: ANÁLISE PROJETUAL CRÍTICA DE 
UMA INTERVENÇÃO ARQUITETÔNICA EM UM CONJUNTO 
PATRIMONIAL
Dissertação para obtenção de título de 
mestre em Arquitetura e Urbanismo na 
Universidade Presbiteriana Mackenzie.
ORIENTADORA: Profa. Dra. Ruth Verde Zein
São Paulo
2020
 H589c Hetem, Natália Barbosa.
 Cidade Matarazzo : análise projetual crítica de uma 
intervençăo arquitetônica em um conjunto patrimonial / Natália 
Barbosa Hetem
 157 f. : il. ; 30 cm
 Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – 
Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2020.
 Orientadora: Ruth Verde Zein
.
 Bibliografia: f. 145-153.
 1. Patrimônio. 2. Arquitetura Contemporânea. 3. Análise de 
obras. I. Zein, Ruth Verde, orientadora. II. Título.
 
 CDD 
711.4
Bibliotecária responsável: Paola Damato CRB-8/6271
Folha de Identificação da Agência de Financiamento 
 
Autor: Natália Barbosa Hetem 
Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Arquitetura e Urbanismo 
Título do Trabalho: Cidade Matarazzo: Análise projetual crítica de uma intervenção arquitetônica em 
um conjunto patrimonial 
O presente trabalho foi realizado com o apoio de 1: 
 CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior 
 CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico 
 FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo 
 Instituto Presbiteriano Mackenzie/Isenção integral de Mensalidades e Taxas 
 MACKPESQUISA - Fundo Mackenzie de Pesquisa 
 Empresa/Indústria: 
 Outro: 
1 Observação: caso tenha usufruído mais de um apoio ou benefício, selecione-os. 
 
I
Ao apoio e confiança 
total dos meus pais e 
irmão no processo deste 
trabalho e nos caminhos 
que escolhi seguir.
II
III
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente aos meus pais, pelo apoio constante e por 
sempre acreditarem em mim. Ao meu irmão por ser meu companheiro 
nessa nova fase da minha vida, na cidade de São Paulo. Agradeço 
muito à minha orientadora, Ruth Verde Zein, por ter me acolhido e 
aceitado me orientar. Sem ela essa dissertação não sairia dos meus 
pensamentos e se concretizaria, seus conselhos foram essenciais 
para me ajudar no mestrado e na minha formação profissional, com 
todas as oportunidades que me ofereceu ao longo do curso. Aos 
meus colegas de sala, por estarmos juntos e nos ajudarmos sempre 
que possível. À minha companheira de estágio docente (que se 
tornou uma amiga querida), com quem compartilho a orientadora, 
por termos unido forças para enfrentar o ateliê 7 e adquirir ainda 
mais conhecimento com essa experiência incrível. À todos os meus 
amigos da vida, que acompanharam cada etapa minha e acreditam 
no meu potencial, o carinho e presença de vocês é essencial para 
mim, para saber que posso seguir em frente e vocês me ajudarão; 
os momentos felizes, de risadas e distração que compartilhamos 
contribuiu para a minha saúde mental e para a construção desse 
trabalho. Obrigada aos professores da pós-graduação e da FAU 
da Universidade Presbiteriana Mackenzie, que compartilharam o 
conhecimento de vocês com tanto amor e brilho nos olhos, mostrando 
que realmente adoram o que fazem e puderam me inspirar. Por 
último, obrigada aos profissionais do Arquivo Histórico de São Paulo, 
da Gestão Documental de Processos, do Condephaat e Conpresp por 
fornecerem os arquivos necessários para a realização dessa pesquisa, 
assim como os profissionais da “Cidade Matarazzo”, por me permitir 
entrar e ver a obra em estudo de perto, principalmente ao Roberto 
Toffoli por contar de maneira mais detalhada sobre o processo de 
restauração do local e a Helena Ayoub pela ajuda com a questão 
histórica. Um último agradecimento a CAPES-PROEX, pela bolsa de 
estudo modalidade I fornecida, sem ela também não seria possível 
realizar essa pesquisa. Todos aqui mencionados me ajudaram, 
inspiraram e contribuíram para essa dissertação e para a minha 
formação profissional.
IV
V
“Nós somos o nosso patrimônio de 
cultura. No passado e no presente” 
Nestor Goulart Reis Filho
VI
VII
RESUMO
O presente trabalho trata da atual intervenção arquitetônica (2014-2021) 
no quarteirão do antigo Hospital Matarazzo na cidade de São Paulo, pelo 
grupo francês Allard, com a presença de arquitetos internacionais e a 
construção de novas torres junto ao complexo de edificações históricas 
e tombadas existente. A dissertação discute essa obra considerando de 
maneira crítica e referenciada as questões patrimoniais envolvidas em uma 
intervenção arquitetônica contemporânea, considerando a atualidade dos 
debates sobre o patrimônio histórico e cultural, a trajetória desses conceitos 
no mundo e no Brasil, analisando a nova proposta da “Cidade Matarazzo” 
e comparando com casos similares, em termos de porte e programa de 
necessidades, de outros projetos de intervenção no Brasil e no mundo.
Palavras chaves: Patrimônio. Arquitetura Contemporânea. Análise de 
obras.
ABSTRACT
This dissertation analyzes the current architectural intervention (2014-
2021) in the former Matarazzo Hospital block in the city of São Paulo, by the 
French group Allard, with the presence of international architects and the 
construction of new towers next to the existing historical and listed buildings 
complex. It discusses the heritage issues involved in a contemporary 
architectural intervention from a critical approach, considering the state-
of-the-art debates and ideas on the historical and cultural heritage, in the 
world and in Brazil, analyzing the new proposal of the “City Matarazzo” and 
comparing it with similar cases, in terms of size and requirements, of other 
intervention projects in Brazil and in the world.
Key words: Heritage. Contemporary Architecture. Analysis of Works.
VIII
IX
LISTA DE FIGURAS
Fig. 01: Imagem da localização do terreno do conjunto. 7
Fig. 02: Implantação de todo o complexo na área. 7
Fig. 03: Imagem da implantação da casa de saúde e capela. 9
Fig. 04: Imagem da fachada da casa de saúde. 9
Fig. 05: Planta, fachada e lateral da capela. 10
Fig. 06 e 07: Planta do térreo – acima– e do pavimento superior – em baixo. 11
Fig. 08: Fachada principal da nova edificação. 12
Fig. 09: Planta do térreo. 12
Fig. 10: Planta do primeiro andar. 12
Fig. 11: Fachada. 13
Fig. 12: Corte AB. 13
Fig. 13: Implantação do pavilhão. 13
Fig. 14: Planta de reforma do laboratório. 15
Fig. 15: Mapa do perímetro de tombamento da resolução 5/2014 pelo CONPRESP. 
 16
Fig. 16: Imagem renderizada da Torre inserida na paisagem, lado com vista para a 
cidade e o bairro da Bela Vista; 22
Fig. 17: Vista de frente do restauro da maternidade e a Torre Mata Atlântica ao 
fundo. 22
Fig. 18: Torre Mata Atlântica em construção vista de fora do terreno. 22
Fig. 19: Fundo da maternidade sendo restaurado. 23
Fig. 20: Arcos de apoio para a estrutura original da maternidade, construção do 
Lobby do Hotel. 23Fig. 21: Restauração da fachada da capela. 23
Fig. 22: Restauração do interior da capela. 23
Fig. 23 e 24: Modelo da suíte de 163m². 25
Fig. 25 e 26: Modelo da suíte de 342m². 26
Fig. 27: Recepção e bar do hotel. 27
Fig. 28: Piscina do hotel. 27
Fig. 29: Fachada de uma das edificações do hospital. 29
Fig. 30: Detalhe da esquadria. 29
Fig. 31: Outra fachada do hospital. 29
Fig. 32: Interior da edificação. 29
Fig. 33: Lay-out sugerido para as lojas de luxo. 30
Fig. 34: Lay-out sugerido para as lojas de luxo. 30
Fig. 35: Perspectiva do mercado orgânico. 33
X
Fig. 36, 37 e 38: Mobiliários propostos pelos Irmãos Campana, de bambu, madeira 
e tubos de acrílico, respectivamente. 33
Fig. 39: Corte com o programa de necessidades da “Casa Bradesco da Criatividade”, 
de Rudy Ricciotti. 33
Fig.40: Perspectiva do palco do auditório dentro da “Casa Bradesco da 
Criatividade”. 34
Fig. 41: Perspectiva da área de exposição da “Casa Bradesco da Criatividade”. 34
Fig. 42: Fachada da edificação do centro comercial, de Rudy Ricciotti. 34
Fig. 43: Maquete do showroom do “Boulevard da Diversidade. 35
Fig. 44: Corte esquemático do túnel. 35
Fig. 45: Implantação do Boulevard da Diversidade. 35
Fig. 46: Desenho com o sistema de drenagem e coleta de água da chuva. 36
Fig. 47: Mapa de Bens Tombados, com imóveis tombados pelo Conpresp e ou 
Condephaat e ou Iphan, na região da Avenida Paulista, em roxo. 66
Fig. 48: Mapa de Bem Tombados com sobreposição do Mapa de Áreas Envoltórias 
do Conpresp, em amarelo. 67
Fig. 49: Mapa de Bem Tombados com sobreposição do Mapa de Áreas Envoltórias 
do Conpresp e sobreposição do Mapa de Áreas Envoltórias do Condephaat, em 
vermelho. 67
Fig. 50: Mapa-mundi com localização de todos os estudos de caso a serem 
analisados. Desenvolvido pela autora 76
Fig. 51: Mapa de localização do One Central Park, em roxo. 77
Fig. 52: Torres do complexo “One Central Park” em Sydney, Austrália. 78
Fig. 53: Torres do One Central Park ao fundo, parque à frente. 78
Fig. 54: Entrada do “One Central Park Mall”. 78
Fig. 55: Mapa de localização do Duo Central Park, em roxo. 81
Fig. 56: Imagem retratando a proximidade do One Central Park com o Duo Central 
Park. 81
Fig. 57: Fachada de uma das torres do Duo Central Park. 81
Fig. 58: Visão do pedestre das duas torres, One Central Park e Duo Central Park. 81
Fig. 59: Mapa de localização do “City Center DC”, em verde. 82
Fig. 60: Maquete de desenvolvimento da proposta, com foco na praça central e os 
edifícios a “protegendo”. 83
Fig. 61: Uma das entradas ao complexo. 85
Fig. 62: Outra entrada do complexo. 85
Fig. 63: Lojas de grife localizadas no pátio interno. 85
Fig. 64: Um dos modelos de planta para o studio. 86
Fig. 65: Um dos modelos propostos de 1 quarto e 1 banheiro. 86
Fig. 66: Um dos modelos de planta proposto para 2 quartos e 2 banheiros. 87
Fig. 67: Modelo proposto para 3 quartos e 2 banheiros. 87
XI
Fig. 68: Mapa de localização do projeto London Peninsula Place, em azul marinho, 
situado na península de Greenwich. 88
Fig. 69: Exterior da Arena O2/Millenium Dome atualmente. 88
Fig. 70: Imagem das torres projetadas por Santiago Calatrava. 89
Fig. 71: Imagem com inserção do projeto de Calatrava na paisagem urbana, ao lado 
da Arena O2. 89
Fig. 72: Mapa de localização do Corso Itália,23, em azul claro. 91
Fig. 73: Corso Itália atualmente (2019), como sede da Allianz. 91
Fig. 74: Inserção do projeto do escritório SOM na paisagem de Milão. 92
Fig. 75: Fachada da edificação principal do projeto, com a transparência 
evidenciada. 92
Fig. 76: Mapa de localização da Casa das Rosas, em laranja. Em vermelho a localição 
da “Cidade Matarazzo”. 94
Fig. 77: Fachada da Casa das Rosas. Foto: Milena Leonel. 95
Fig. 78: Imagem do edifício comercial ao fundo do terreno. 96
Fig. 79: Mapa de localização do projeto Novo Recife, em amarelo. 98
Fig. 80: Área de construção do empreendimento com os armazéns. 98
Fig. 81: Visão de todo o projeto do Novo Recife na área do Cais. 100
Fig. 82: Implantação de todo o projeto do Novo Recife na área do Cais. 102
Fig. 83: Renderização das duas torres que compõem o complexo Mirante do Cais. 
 102
Fig. 84: Planta de pavimento tipo da torre norte do complexo Mirante do Cais. 103
Fig. 85: Renderização da torre do Parque do Cais. 103
Fig. 86: Imagem em modelo BIM do empreendimento, em corte, mostrando os 
subsolos. 110
Fig. 87: Esquema da estrutura da torre, em destaque as áreas com concreto 
pigmentado. 111
Fig. 88: Nuvem de palavras com base na tabela. Realização da autora no site 
“WordClouds”. 115
Fig. 89 e 90: Fachada do Hospital, sem o telhado (retirado para restauração). 117
Fig. 91: Capela praticamente inteira restaurada no exterior. 118
Fig. 92: Fachada da Maternidade em restauração. Fonte: Instagram da Cidade 
Matarazzo. 118
Fig. 93: Torre Mata Atlântica em processo de finalização da fachada e Maternidade 
restaurada. 118
Fig. 94: Construção da fachada de “cipós” do centro comercial do 
empreendimento. 118
XII
LISTA DE TABELA
Tabela 1 Processos vistos na Coordenação de Gestão 
Documental 17
Tabela 2 Palavras chaves citadas na revista L’Architecture 
D’aujourd’hui 115
XIII
LISTA DE ABREVIATURAS
CONDEPHAAT Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, 
Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado 
de São Paulo
CONPRESP Conselho Municipal de Preservação do 
Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da 
Cidade de São Paulo
IPHAN Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico 
 Nacional
INTRODUÇÃO 1
A CIDADE MATARAZZO - DETALHAMENTO 
TÉCNICO DA OBRA REALIZADA NO LOCAL 7
1.1 Histórico do Hospital 8
1.2 Histórico do Grupo Allard 18
1.3 A proposta de intervenção 20
 1.3.1 Etapa 1: Torre Mata Atlântica, maternidade e capela (hotelaria, 
previsão 2020) 20
 1.3.2 Etapa 2: Hospital e lojas (lojas comerciais, previsão 2021) 28
DEBATES E EXPERIÊNCIAS 
CONTEMPORÂNEAS SOBRE A 
INTERVENÇÃO EM BENS PATRIMONIAIS 37
2.1 Teorias e legislações presentes em cartas e protocolos 
internacionais, breve revisão bibliográfica 38
 2.1.1 Cartas internacionais 39
 2.1.2 Patrimônio histórico e teorias de restauração 42
 2.1.3 Historiografia e memória 55
 2.1.4 Questões urbanas relativas ao patrimônio histórico 60
2.2 Normas e legislações aplicáveis ao caso (Plano Diretor 
de São Paulo, Instrumentos urbanos, Lei de Zoneamento, 
Condephaat e Conpresp) 62
2.3 As questões relativas aos procedimentos de debate público 
da proposta 70
SUMÁRIO
1.
2.
2.4 Estudos de caso: projetos com programas similares de 
intervenções em conjuntos patrimoniais 76
 2.4.1 One Central Park, Sidney, Austrália 77
 2.4.2 Casos com outros arquitetos 79
 2.4.2.1 Duo Central Park, Sidney, Austrália 80
 2.4.2.2 City Center DC, Washington, Estados Unidos 83
 2.4.2.3 London Peninsula Place, Londres, Inglaterra 88
 2.4.2.4 Corso Itália, 23, Milão, Itália 91
 2.4.3 Casa das Rosas, São Paulo, Brasil 95
 2.4.4 Projeto Novo Recife, Recife (PE), Brasil 98
A “CIDADE MATARAZZO”: ANÁLISE CRÍTICA 
DAS ESTRATÉGIAS PROJETUAIS 105
3.1 Intervenção e patrimônio 106
3.2 Método construtivo e inovações 109
3.3 Projeto social e maneira de venda ao público 113
CONCLUSÕES 119
REFERÊNCIAS 121
NOTAS 131
ANEXOS
3.
1
Este trabalho vai considerar de maneira detalhada e crítica 
um importante empreendimento que envolve a intervenção 
arquitetônica atual sobre um conjunto edificado e de valor histórico 
e patrimonial, situado em uma região de importante centralidade 
na cidade de São Paulo, e pretende considerar não apenas o 
atendimento às diretrizesnecessárias a quaisquer intervenções sobre 
obras consideradas “de patrimônio histórico”, como os resultados 
que essa intervenção tenderá a causar em seu entorno, e portanto, 
os eventuais problemas e benefícios que dessa obra podem resultar, 
para a sociedade e para seus usuários. 
A escolha dessa temática nasceu de uma inquietação pessoal, 
uma questão de afinidade e curiosidade, que vem desde minha 
infância. Entretanto, as dúvidas que eu sempre tive não foram 
totalmente dirimidas ao me formar em arquitetura – e de certa forma, 
elas até se ampliaram. A questão patrimonial e principalmente, o 
abandono de edificações históricas, é algo que constantemente 
chateia e faz refletir. Qual a razão de se abandonar, esquecer a história 
e a memória da cidade? Por que essa memória parece ser um valor 
importante, em outras cidades, países e continentes, enquanto isso 
parece ser menos valorizado em nossas cidades? Como aumentar a 
consciência sobre essa questão, e quais atitudes podem ser adotadas 
para que essa situação de perda de valores e memórias não mais 
ocorra? Além de ser uma questão de projeto, o assunto envolve 
outras dimensões. O que é possível fazer para incentivar o interesse 
da população por essa preservação e valorização da memória urbana? 
Acredito que as respostas dessas perguntas são complexas e difíceis 
de serem respondidas. Nessa dissertação, gostaria de enfrentar 
apenas alguns aspectos desse tema. Mas pretendo continuar minhas 
pesquisas e, se possível, dedicar minha vida profissional a essa causa.
Cada edificação tem sua época e retrata uma história, que 
permanece na atualidade, nos recordando a passagem do tempo. 
Toda edificação possui em si um patrimônio de conhecimentos, e 
mesmo compreendendo a condição de efemeridade do mundo, 
parece ser importante aprender com esses ensinamentos. Se não é 
possível manter tudo, ao menos as edificações e espaços urbanos 
de maior valor deveriam ser conservados, preservados, restauradas, 
garantindo que esse legado chegue às novas gerações. Entretanto, 
INTRODUÇÃO
2
vê-se com muita frequência, nas cidades atuais, o abandono e o 
desinteresse por obras de grande valor histórico, patrimonial e até 
mesmo artístico. Isso nos causa indignação e tristeza, não apenas 
individualmente: trata-se de um patrimônio de toda a sociedade. 
As causas são complexas. Talvez uma parte da população não se 
reconheça nessa obra. A ausência de uma educação patrimonial 
impede que a maioria das pessoas, que não são especialistas no 
assunto, tenham conhecimento da história: a memória só resiste 
e subsiste se formos ensinados a reconhecê-la. Entendo que é 
possível de reverter esta situação. Mas como as mudanças também 
são necessárias, entendo que uma intervenção contemporânea, 
propondo novos usos e construções, convivendo em harmonia 
com o patrimônio existente, podem retirar o estigma de um local 
“degradado” e voltar a torná-lo significativo na cidade.
A arquitetura contemporânea tem um importante papel 
na intervenção junto a edificações históricas. Embora os usos de 
um edifício possam se tornar obsoletos, novos usos, escolhidos 
de maneira adequada, podem revitalizá-lo. Entretanto, novas 
intervenções podem produzir sejam resultados positivos, sejam 
negativos – e quase sempre, um pouco de cada coisa é o que se 
pode finalmente atingir. A atenção e cuidado de um novo projeto 
em relação às teorias gerais e às diretrizes específicas das cartas 
patrimoniais internacionais, e das normativas preservacionistas 
locais, é sempre imprescindível quando se projetam novos usos e 
novos edifícios em conjuntos que contenham edificações existentes 
de valor histórico e cultural. Mas teorias, normas e diretrizes não são 
um corpo fechado e totalmente determinante, como tampouco o 
são as normas de planejamento constantes em instrumentos legais 
e políticos, tais como o Estatuto da Cidade (PLANALTO, 2001); ou no 
caso de São Paulo, nos seus sucessivos planos diretores (Prefeitura 
de São Paulo, 2014). Um projeto de intervenção requer, além desse 
conhecimento, e do respeito a essas normas, uma maior sensibilidade 
e respeito ao valor do que é antigo, que só pode ser atingido pelo 
amplo estudo e pesquisa de sua história. E finalmente, mas não 
menos importante, para se chegar a bons resultados todo o processo 
precisa ser monitorado, questionado e apoiado pela ação conjunta 
de órgãos governamentais e com a participação ativa dos diversos 
grupos de interesse social e cultural da sociedade, para que as 
iniciativas de investidores privados possam ser balizadas e apoiadas 
de maneira correta, para o benefício de todos, e principalmente, da 
cidade.
3
Para estudar essa questão numa primeira abordagem de 
pesquisa, propusemos realizar um estudo em profundidade de um 
projeto atual, que ainda está em processo de construção, e vem 
sendo realizado na cidade de São Paulo. Para entender o quanto esse 
projeto pode ser chamado de “contemporâneo” não apenas por ser 
de hoje, mas por atender, ou não, o pensamento contemporâneo 
sobre o tema da preservação e intervenção em conjuntos históricos 
e patrimoniais, entendemos que seria necessário também estudar, 
embora com menos profundidade, outros exemplos internacionais e 
nacionais de semelhante porte e teor. 
O objeto de estudo selecionado foi o empreendimento 
batizado como “Cidade Matarazzo”. Trata-se de uma área a poucas 
centenas de metros da Avenida Paulista, uma das grandes 
centralidades da cidade, e que esteve abandonado e sem uso por 
décadas. A história dessa área, sua importância para a cidade, seus 
edifícios e usos, seu processo de decadência e abandono, e das 
tentativas de revitalizá-la é abordada no Capítulo 1.1. A situação 
do local mudou recentemente com a proposta de realização de um 
grande empreendimento, restaurando o complexo de edificações 
do antigo Hospital Matarazzo e com a introdução de novos edifícios 
para hotelaria e comércio. O novo empreendimento tem patrocínio 
majoritariamente privado com capitais internacionais e apresenta-
se como uma oportunidade de “investimento”, mas também, como 
uma oportunidade de revitalização. Um breve histórico sobre esse 
grupo de investidores e sobre suas realizações prévias, que como 
no caso paulistano, também envolveram a presença de renomados 
arquitetos internacionais, é relatada no capítulo 1.2. Para finalizar o 
primeiro capítulo, foi feito uma exposição do empreendimento, a 
mais completa possível – considerando-se que a obra ainda está em 
andamento – do projeto proposto, em suas diversas etapas. 
A questão financeira foi um grande motivador para seguir com 
a pesquisa, surgindo dúvidas como: Como o investimento privado 
pode reviver um patrimônio histórico esquecido? Qual o papel da 
influência do capital privado no patrimônio histórico comum? Nessa 
pesquisa não será aprofundado a temática financeira, por se tratar 
de um mestrado de arquitetura, então esse assunto será abordado 
superficialmente.
A escolha do tema levou à pesquisa dos debates concernentes 
às questões teóricas, projetuais e legais atinentes ao tema do 
patrimônio edificado arquitetônico de valor histórico e patrimonial, 
4
tema cada vez mais candente inclusive nas relativamente mais 
jovens cidades brasileiras, pois cada vez é mais frequente e em breve 
será quase inevitável que quaisquer projetos tenham que lidar com 
as questões postas pelas preexistências arquitetônicas e urbanas. 
A afinidade com esse tema esteve presente na minha formação e 
graduação em arquitetura, tendo sido abordado no trabalho de 
conclusão de curso, voltado para as questões de patrimônio na 
cidade de Ribeirão Preto. Esse trabalho deu início aos meus estudos 
no tema e despertou um desejo de aprofundá-lo. A possibilidade 
de morar em São Paulo abriu o interesse por conhecer melhor a 
cidade e de estudar suas edificações de valor histórico e cultural. 
O caso de São Paulo, e algumas viagens de estudos realizadas na 
Europa (curso de Civilização Francesa na Sorbonne em janeiro de2018 e curso de Cidades Inteligentes e Engenharia para Arquitetura 
Sustentável na EPF – Ecole D’Ingénieurs – e na ESTP – Ecole Spéciale 
des Travaux Publics – em julho de 2019) ampliou a compreensão de 
serem questões que, embora relevantes em cada lugar, são também 
recorrentes em quaisquer situações urbanas, e de abrangência e 
vigência internacional. A vivência de obras de alto valor patrimonial 
que foram preservadas, mas ao mesmo tempo, modificadas por 
grandes intervenções contemporâneas, abriu a compreensão e o 
interesse em estudar como realizar intervenções no patrimônio 
da cidade de forma totalmente embasada na teoria, mas também, 
de maneira inovadora e não convencional, compreendendo as 
edificações históricas abandonadas e verificando a possibilidade de 
sua revivescência com o apoio do projeto arquitetônico, valorizando 
o legado do passado da cidade e entendendo as mudanças sociais e 
suas demandas atuais.
Esses temas são tratados no Capítulo 2 deste trabalho. Nele 
foi feita uma revisão ampla, mas não exaustiva, sobre os debates e 
experiências contemporâneas tratando das intervenções projetuais 
em bens de valor histórico e patrimonial. São consideradas no 
capítulo 2.1, em breve revisão bibliográfica, as teorias e legislações 
presentes em cartas e protocolos internacionais; no capítulo 2.2 são 
abordadas as normas e legislações locais (Condephaat e Conpresp, 
etc), incluindo, no capítulo 2.3, algumas das questões relativas aos 
procedimentos de debate público da proposta arquitetônica junto à 
sociedade, com foco no caso de estudo da “Cidade Matarazzo”. Para 
terminar esse capítulo foi realizado, de maneira breve, alguns estudos 
de casos de projetos de intervenções em conjuntos patrimoniais 
5
internacionais e nacionais com programas similares ao da “Cidade 
Matarazzo”, considerando tanto as obras realizadas pelos arquitetos 
da equipe do projeto paulista, como outros exemplos relevantes, e 
mesmo, alguns casos polêmicos. 
No terceiro capítulo, é proposto uma análise do conjunto da 
“Cidade Matarazzo” à luz dos debates trazidos pelo capítulo 2, tanto 
nos aspectos teóricos, como nos aspectos projetuais. Nesse capítulo, 
algumas das inquietações iniciais voltam a ganhar relevância, pois 
são elas que embasam o enfoque pretendido por esta pesquisa.
Muitas cidades passam atualmente pela condição de relativo 
abandono e/ou degradação de seus centros históricos, a par da 
configuração de novas centralidades urbanas, acompanhando a 
expansão do tecido urbano das cidades – e eventualmente, de seu 
sucessivo abandono e/ou degradação. Muitos edifícios com valor 
histórico e cultural que conformam a memória da cidade, que fizeram 
parte de sua história e desenvolvimento, restam abandonados, 
atingindo progressivamente estados de ruína. O tombamento das 
edificações segue sendo ainda um dos únicos instrumentos legais 
que visam garantir a preservação e a conservação desses bens: mas 
como já foi apontado por várias/os autoras/es, é um instrumento 
problemático, e em alguns casos, falho e ineficaz (RETTO JÚNIOR e 
KUHL, 2019). Ademais do restauro clássico, mais cabível em obras 
de grande valor artístico, com frequência a revitalização dessas 
obras abandonadas vem se realizando por meio de intervenções, 
mais ou menos radicais, envolvendo a substituição parcial e/ou 
a justaposição de novos edifícios em diálogo com os edifícios 
patrimoniais, geralmente, com vistas a adaptá-los a novos usos, 
ampliando sua frequência, e gerando mais vida e movimento nesses 
centros urbanos. 
Entretanto, uma questão fundamental se coloca. O impacto 
dessas arquiteturas contemporâneas é sempre positivo? Até 
onde essas intervenções estão de fato respeitando as edificações 
antigas e históricas das cidades? E como é possível verificar essa 
questão e, ainda mais, promover mecanismos para que as soluções 
propostas sejam efetivamente, adequadas? O trabalho tem como 
objetivo relatar o que tem sido feito não só na “Cidade Matarazzo”, 
mas também nas obras e edificações que envolvem o patrimônio 
histórico em outras regiões do mundo, como essa questão é lidada, 
ou até mesmo apagada com a chegada da “nova” arquitetura inserida 
nas localidades.
6
A hipótese inicial desta pesquisa admite a possibilidade de 
reverter a situação de esquecimento provocada por um edifício 
abandonado pelo acréscimo e intervenção de novos edifícios, que 
garantam a realização de novos usos, e a atração de novos usuários. 
Há diversos exemplos de intervenções nas edificações antigas e 
patrimônios da cidade que parecem ter resultado em um melhor uso 
de edifício e em um certo grau de revitalização da região em que ele 
se situa (alguns desses casos serão revistos no capítulo 2.4.). No caso 
da Cidade Matarazzo, como o projeto lidou com essa questão? Haverá 
novos usos – mas esse “novo” lugar, será ele de fato retornado pela 
população, por seu uso, pela sua afetividade – e pela sua presença? 
Em especial: será que o novo empreendimento será acessível a 
todos? Ou promoverá apenas o bem-estar de uma única parcela da 
população, aquela que já dispões dos privilégios resultantes do fato 
de se posicionar como a camada social dominante? 
Essas questões são consideradas no capítulo 3, segundo 
alguns critérios de análise. No capítulo 3.1 foi abordado mais 
profundamente a questão de revitalização e restauro das edificações 
antigas do complexo, como foi feita a intervenção das novas 
edificações, e o que precisou ser modificado para tal. No capítulo 3.2 
vamos abordar as inovações construtivas presentes na obra da nova 
torre. Na terceira e última parte do capítulo foi feito uma análise do 
discurso de divulgação presente nas mídias e nas redes sociais do 
empreendimento, a maneira que está sendo vendido ao público.
Finalmente, nas conclusões do trabalho, espera-se responder 
algumas das inquietações que promoveram sua realização ou, ao 
menos, busca-se atingir uma maior clareza sobre como interpretar e 
considerar criticamente essas questões. 
 
7
Como mencionado na introdução, o trabalho trata do caso do 
projeto conhecido como “Cidade Matarazzo”. Este capítulo é dedicado 
a detalhar e expor de maneira técnica o que está sendo feito, ao 
longo de praticamente 10 anos, no local, considerando o histórico 
e desenvolvimento das obras, as propostas e os agentes envolvidos. 
Optou-se por estruturar a dissertação iniciando-se pelo objeto de 
estudo, para depois, com o reconhecimento desse projeto e suas 
características em mente, explorar a fundamentação teórica dos 
temas ligados ao patrimônio, para só então verificar como o projeto 
proposto contempla essas questões; e finalmente, comparando esse 
com outros casos assemelhados. 
 O objeto de estudo será abordado de maneira cronológica, 
começando com a história do complexo Matarazzo, abordando a 
seguir um histórico do empreendedor Alexandre Allard e do Grupo 
Allard, para depois apresentar a proposta do empreendimento.
O projeto está localizado no terreno que o Hospital Matarazzo 
se situa. Próximo a Av. Paulista, no quadrilátero formado pelas 
ruas Itapeva, Pamplona, São Carlos do Pinhal e Alameda Rio Claro 
(figura 01). O antigo complexo hospitalar se transformará em centro 
comercial, hoteleiro e cultural (figura 02). Será um local multifuncional 
e que pretende atender diversas demandas da região e da sua 
população. 
A CIDADE MATARAZZO - 
 DETALHAMENTO TÉCNICO DA OBRA REALIZADA NO LOCAL
Fig. 02: Implantação de todo o complexo na área. Fonte: Cidade 
Matarazzo. Acesso 17 de fevereiro de 2020
Fig. 01: Imagem da localização do terreno do 
conjunto. Disponível em: Google Maps – Acesso 
09 de maio de 2019
1.
8
O antigo Hospital Matarazzo, inaugurado em 1904, foi 
construído pela “Societá Italiana de Beneficenza in San Paolo”, com 
grande investimento do imigrante italiano e industrial Francisco 
Matarazzo, e seu núcleo original de edifícios são de autoria do 
arquiteto italiano Giulio Micheli (que chegou em São Paulo em 1888). 
As outras edificaçõesdo complexo foram construídas posteriormente, 
ao longo dos anos, até 1974. Conforme os anos passaram várias 
reformas foram executadas no complexo para melhorar a qualidade 
de atendimento aos clientes. A sua fama veio devido ser o primeiro 
hospital organizado em pavilhão e por conta da maternidade. Porém, 
o conjunto passou por um processo de decadência, em paralelo 
com a desativação das indústrias do Matarazzo, sendo fechado 
oficialmente em 1993. Em 1985 aventou-se a possibilidade de 
sua demolição, considerando tratar-se de área em local de grande 
importância e dos mais disputados pelos empreendedores e pela 
especulação imobiliária da cidade.
No arquivo histórico de São Paulo1 podem ser encontradas 
as plantas originais do Hospital e o registro das mudanças feitas 
com o tempo. Em junho de 2019 a autora visitou o arquivo histórico 
para consultar os arquivos referentes ao Hospital Umberto I 
(posteriormente renomeado Hospital Matarazzo), datando de 1915 a 
1918. Foi consultado o livro de “Obras particulares – papéis avulsos de 
1905 – OPA 417”, onde constava um documento da “Societtá Italiana 
di Beneficenza per L’ospedale Umberto I”, informando que não haver 
sido ainda construído o muro e o passeio do terreno devido às obras 
internas em andamento. Foram consultadas também as caixas dos 
anos 1915, 1916, 1917, 1918. A caixa 09411 de 1915 continha o 
Processo OP1915.003.251 ou 120165/15 sobre a Alameda Rio Claro, 
com o pedido de alvará de licença para construção de uma casa de 
saúde e capela pelos engenheiro e arquiteto A. Pazzo e G. Bianchi, e 
as plantas do projeto, que seguem abaixo (figuras 03-07).
A caixa POR2 de 1916 continha os documentos 26 e 27 
referentes à Alameda Rio Claro. O documento 26 pedia aprovação 
do projeto de construção para o pavilhão do hospital e alvará de 
licença para o muro. O 27 tinha como assunto a construção do muro. 
O documento 26 contém um memorial descritivo que informa que o 
pavilhão será construído ao lado dos já existentes, com um recuo de 
1.1 Histórico do Hospital
9
Fig. 04: Imagem da 
fachada da casa de 
saúde. Fonte: SÃO PAULO. 
Arquivo Histórico
Fig. 03: Imagem da 
implantação da casa de 
saúde e capela. Fonte: SÃO 
PAULO. Arquivo Histórico
10
15m, e de forma que converse com os outros. Segundo o memorial, 
o pavilhão é composto por dois planos, o térreo (com salas para 
consultórios médicos e hall de espera) e o primeiro andar (com várias 
salas bem iluminadas). A edificação tem alicerces de concreto com 
pedregulho e cimento, paredes na fundação com 60 centímetros de 
largura que se prolongam até o térreo na altura de 1,20 formando 
o porão de terra socada e o andar ladrilhado. As paredes externas 
e do corredor do térreo são de 45 centímetros e no primeiro andar 
de 30 centímetros, as paredes divisórias dos consultórios tem 15 
centímetros. Os tijolos são assentados com argamassa de cal e areia 
e revestidos interna e externamente. O Térreo conta com a presença 
de banheiros. O forro do primeiro andar possui rede metálica e o do 
térreo é de reboque. Vigamento do telhado de peroba e cobertura de 
telhas nacionais. O revestimento externo é de reboco de cal e areia, 
portas e janelas de pinho de Riga pintadas a óleo com ferragem e 
vidros usuais. A escada é de cimento armado revestida de mármore. 
As fachadas são revestidas de cimento, cal e areia com imitações de 
tijolos e pedras (figuras 08-13).
A caixa POR3 de 1917 continha somente o documento 36, 
com uma solicitação do próprio Francisco Matarazzo para rebaixar 
a calçada em frente ao Hospital Umberto I e chanfrar as guias da 
entrada.
Fig. 05: Planta, fachada e 
lateral da capela. Fonte: SÃO 
PAULO. Arquivo Histórico.
11
Fig. 06 e 07: Planta do 
térreo – acima– e do 
pavimento superior 
– em baixo. Fonte: 
SÃO PAULO. Arquivo 
Histórico
12
Fig. 10: Planta do 
primeiro andar. 
Fonte: SÃO PAULO. 
Arquivo Histórico
Fig. 08: Fachada 
principal da nova 
edificação. Fonte: 
SÃO PAULO. Arquivo 
Histórico
Fig. 09: Planta do 
térreo. Fonte: SÃO 
PAULO. Arquivo 
Histórico
13
Fig. 13: Implantação do 
pavilhão. Fonte: SÃO 
PAULO. Arquivo Histórico
Fig. 11: Fachada. Fonte:: 
SÃOPAULO. Arquivo Histórico
Fig. 12: Corte AB. Fonte: 
SÃOPAULO. Arquivo Histórico
14
A caixa POR2 de 1918 continha o documento 9, sobre 
as modificações e ampliações a serem feitas no Hospital, e um 
memorial descritivo dos materiais a serem empregados, com o 
nome de Heribaldo Siciliano como interessado. Também constava 
um pedido de aprovação da planta de reforma e alvará de licença 
para as modificações no laboratório. O memorial informava que 
o revestimento interno e externo seria de argamassa de cal e areia 
1:3 com granulação fina; os forros seriam em estuque sobre telha 
metálica com argamassa de cal, areia e cimento; as paredes seriam 
pintadas; haveria uma barra de estuque até uma certa altura e a 
pavimentação seria feita com “lignite” com superfície lisa (figura 14).
 O arquivo histórico de São Paulo só tem documentos 
arquivados até 1937, após essa data eles estão sob a guarda da 
gestão documental de processos. Em agosto de 2019 a autora visitou 
a Coordenação de Gestão Documental de São Paulo para fazer a 
vistoria dos processos relativos ao Hospital Umberto I na avenida Rio 
Claro. Os processos vistos datam obras desde 1937 até 2017. Como 
mostra a tabela 1.
 Para salvaguardar o conjunto do Hospital, prevenindo sua 
destruição e a construção de novas edificações sem maiores critérios 
de controle da preservação do conjunto, o Hospital foi tombado pelo 
CONDEPHAAT pela Resolução SC 29/86 (1986). Na resolução consta 
que o Hospital e Maternidade Umberto I (ex Hospital Matarazzo) é 
representativo das instituições imigrantes da cidade de São Paulo, 
exerceu papel de destaque no atendimento médico, como local de 
estudo e prática profissional, sendo pioneiro no desenvolvimento de 
atividades hospitalares na cidade e pelo seu conjunto arquitetônico 
harmonioso. Esses argumentos foram apresentados para considerar 
o conjunto como importante histórica e arquitetonicamente, 
justificando assim o tombamento desse conjunto arquitetônico. 
Foram estabelecidos três diferentes graus de preservação para 
os edifícios do conjunto, sendo de grau 1 (preservação integral, 
permitindo pequenas reformas internas) a Capela e a Maternidade 
Condessa Filomena Matarazzo; de grau 2 (preservação de fachadas, 
coberturas e gabarito) o núcleo original do Hospital, as Casas da 
Saúde Francisco Matarazzo e Ermelino Matarazzo, a antiga residência 
das irmãs e o Pavilhão Vitório Emanuele III; de grau 3 (preservação 
de volumetria) as instalações da cozinha, lavanderia e refeitório, 
o novo prédio hospitalar, lanchonete e lojas e o estacionamento. 
Nessa resolução o interior da quadra é considerado como “área 
15
envoltória” (tendo como limite as calçadas do terreno). Após alguns 
anos de discussão, em que algumas partes envolvidas entendiam 
como demasiado rigorosa a resolução de tombamento, em 2014 
efetivou-se uma revisão do tombamento, a pedido do investidor, o 
qual alegava ser a mesma necessária para que fosse possível e viável 
realizar algum empreendimento no local. Anteriormente já haviam 
ocorrido outras solicitações propondo mudanças de usos, que não 
prosperaram. 
O CONPRESP (órgão municipal de preservação) também 
qualificou o conjunto como Zona Especial de Preservação Cultural, 
segundo a lei n 13.885 de 1975, tombando o conjunto arquitetônico 
edificado do antigo Hospital Umberto I por meio da Resolução N 
05 (figura 15), fornecendo diretrizes bem mais detalhadas sobre o 
que preservar, de cada edificação, considerando principalmente o 
Hospital e a Capela.
Fig. 14: Planta de reforma 
do laboratório. Fonte: SÃO 
PAULO. Arquivo Histórico
16
Com as novas resoluções foi possível postular um novo 
projeto de aproveitamento do complexo, com a preservação parcial 
das construções existentes e adição de novas obras. Dessa forma, 
o empreendimento “Cidade Matarazzo” começou a ser idealizado.Um time de arquitetos e engenheiros pensaram e levaram em 
consideração às questões patrimoniais e históricas, trazendo na obra 
de restauração de cada edificação os principais princípios das teorias, 
assim como tratam o patrimônio como a maior identidade do projeto.
Fig. 15: Mapa 
do perímetro de 
tombamento da 
resolução 5/2014 pelo 
CONPRESP; Acesso 09 de 
maio de 2019
17
Tabela 1: Processos vistos na Coordenação de Gestão Documental
Número do processo Assunto
1978 - 0.011.516-0 Edificação: alvará de construção (20/05/1969)
1986 – 0.009.895-5 Edificação: alvará de construção (13/07/1937)
1986 – 0.009.776-2 Edificação: auto de conclusão/habite-se (25/05/1938)
1986 – 0.009.771-1 Edificação: alvará de construção (07/07/1939)
1986 – 0.016.510-5 Edificação: alvará de reforma (26/02/1942)
1986 – 0.009.821-1 Edificação: transferência de responsabilidade técnica (22/04/1942)
1986 – 0.009.774-6 Edificação: reforma (06/05/1942)
1986 – 0.009.773-8 Edificação: reforma (04/08/1942)
1986 – 0.009.819-0 Edificação: auto de conclusão/habite-se (10/03/1943)
1986 – 0.009.818-1 Edificação: auto de conclusão/habite-se (16/03/1943)
1986 – 0.016.511-3 Edificação: autenticação/visto em planta (19/03/1943)
1986 – 0.009.772-0 Edificação: autenticação/visto em planta (19/03/1943)
1986 – 0.009.896-3 Edificação: auto de conclusão/habite-se (10/05/1943)
1986 – 0.016.518-0 Edificação: reforma (09/02/1949)
1997 - 0.194.650-2 Edificação: alvará de reforma (18/09/1956)
2011 – 0.297.423-0 Edificação: alvará de construção (06/10/1952)
2011 – 0.297.391-9 Edificação: auto de conclusão/habite-se (21/10/1953)
2011 – 0.297.124-0 Edificação: alvará de reforma (15/03/1957)
2011 – 0.296.361-1 Edificação: auto de conclusão parcial (22/06/1960)
2011 – 0.297.140-1 Edificação: auto de conclusão/habite-se (18/08/1960)
2017 – 0.042.559-1 Imóvel tombado/área envoltória: evento/exposição (13/03/2017) 
*o interessado deixou de ser a Sociedade Beneficente em São Pau-
lo e outros (F. Matarazzo) e passou a ser a BM Empreendimentos e 
Participações SPE LTDA
 
 
 
18
Para contextualizar a realização do empreendimento 
conhecido como “Cidade Matarazzo” é necessário conhecer melhor 
seu investidor principal. Alexandre Allard é cidadão francês, embora 
nascido nos Estados Unidos. Tornou-se muito conhecido nos anos 
1990 por ser um dos fundadores da empresa ConsoData, que 
reunia então a maior quantidade de dados do mundo. Após vender 
a empresa em 2000, ele passa a dedicar-se a projetos pontuais de 
reformas, e à medida em que seu volume de obras foi crescendo 
organizou o Grupo Allard, em 2009 (ENTREPRENDRE)2.
O grupo Allard engloba atividades em diversos ramos 
comerciais: moda (Balmain), mídia (revista L’Architecture 
D’Aujourd’hui), arte e setor imobiliário e hoteleiro. Sua atuação na 
compra e reforma de antigas edificações e hotéis em Paris, como o Le 
Royal Monceau e o Hotel Particulier de Pourtalès, os deixando com 
serviço e infraestrutura luxuosos, foi bastante divulgada. 
Segundo o site “Entreprendre” a visão de Allard sobre o próprio 
grupo é que ele seria, “antes de tudo, uma tribo, que busca colocar 
seus talentos e conhecimentos ao serviço do belo, da emoção e da 
arte”3.
O hotel 5 estrelas Royal Monceau, em Paris, foi a primeira 
experiência do grupo Allard na reabilitação de imóveis de luxo. O 
design de interiores é de autoria de Philippe Starck, que também faz 
parte da equipe do projeto da Cidade Matarazzo. O Hotel manteve 
a fachada antiga do edifício e teve o seu interior modificado, com a 
inserção de móveis e a identidade de Starck. 
A matéria de “Lifestyle” no site da Forbes diz que o 
Royal Monceau “é um hotel palácio, e que o que Starck criou é 
algo ousado, que mistura o clássico com o contemporâneo”4. 
 Segundo o site da Cidade Matarazzo5, Allard gostaria de 
vender uma experiência de conforto aliada ao luxo, com cinema, 
arte e chefs internacionais renomados frente aos restaurantes 
no Royal Monceau. “O Hotel, da rede hoteleira Raffles, oferece 
aos seus clientes espaços dedicados a arte contemporânea. 
Livraria de arte, sala de cinema privada, galeria de arte 
contemporânea, coleção privada com mais de 300 obras de arte 
e um serviço de concierge de arte: o programa artístico do hotel é 
multidisciplinar, multimídia e intergeracional”. (ROYALMONCEAU)6 
1.2 Histórico do Grupo Allard 
19
 O projeto que o grupo Allard está realizando no Brasil seguiria 
essa mesma linha de atuação. A proposta parece ser semelhante à 
dos empreendimentos na França, mas o porte e escala, no caso 
paulistano, é muito maior. Na França foi restaurada e reabilitada 
somente uma edificação, enquanto na “Cidade Matarazzo”, como será 
visto mais detalhadamente adiante, a proposta envolve um conjunto 
de edificações cuja reabilitação, para ser viabilizada, envolve ações 
construtivas complexas.
Segundo o site da Cidade Matarazzo, o interesse do grupo 
Allard pelo complexo do Hospital Matarazzo, e a aquisição do 
complexo imobiliário em 2008, teria como foco a construção de um 
hotel e de instalações para o comércio de luxo, gerando renda, mas 
também teria a ver com a possibilidade potencial de investimento 
em cultura e arte, revitalizando o legado arquitetônico e cultural 
existente. Nesse sentido, foram chamados para a equipe de projeto 
importantes figuras internacionais do mundo artístico, design e 
arquitetura. O hotel é projeto do escritório do arquiteto francês 
Jean Nouvel, os interiores do hotel são projeto do designer francês 
Philippe Starck, e outros artistas e designers irão contribuir com o 
novo complexo multifuncional.
 A seguir será tratada cada etapa do empreendimento de 
maneira detalhada, começando pela Torre Mata Atlântica, projetada 
pelo escritório de Jean Nouvel; em seguida será abordado o novo 
uso a ser atribuído ao antigo complexo hospitalar. 
20
 Será feito a seguir o detalhamento da proposta de 
empreendimento chamada “Cidade Matarazzo”, em duas etapas, 
assim como foi definido o projeto. A primeira tratará a Torre Mata 
Atlântica e o setor de hotelaria e a segunda o Hospital e o setor 
comercial.
1.3.1 Etapa 1: Torre Mata Atlântica, maternidade e capela 
(hotelaria, previsão 2020) 
Segundo o discurso presente no site do empreendimento, 
o grupo Allard pretende “realizar um sonho brasileiro, mostrando 
o melhor que há de sua cultura e raízes”. Ainda assim, de fato, os 
projetos foram idealizados por franceses, que por mais que conheçam 
e admirem a cultura brasileira, não são de fato brasileiros. Pode-se 
entender, portanto, que se trata de um empreendimento de parceria 
franco-brasileira, envolvendo profissionais de grande presença 
internacional. 
A proposta para o antigo complexo hospitalar Matarazzo é 
de restaurar e preservar os edifícios históricos, sendo que somente a 
Capela será completamente restaurada e terá o uso original mantido. 
Junto à antiga edificação da maternidade haverá uma nova torre, 
projetada pelo escritório francês Jean Nouvel, abrigando um grande 
hotel de luxo, 6 estrelas, da empresa Rosewood Hotels&Resorts.
“Encontro entre o histórico e o contemporâneo: um hotel palácio, 
administrado pelo renomado Rosewood Hotels & Resorts. O edifício 
histórico será entrelaçado com uma torre moderna projetada por 
Jean Nouvel – evidência concreta do futuro que ganha vida dentro 
do coração de São Paulo.” (CIDADEMATARAZZO)
Além do grande hotel de luxo haverá uma área para comércio, 
e será implantando um jardim, com as “árvores mais comuns e 
famosas brasileiras”, supostamente, “inspirado na Mata Atlântica”, 
buscando evidenciar uma “brasilidade” aliada ao exotismo do olhar 
estrangeiro. 
A torre Mata Atlântica teria sido proposta de maneira a se 
mesclar na paisagem, dando continuidade ao “parque” Matarazzo, 
através da presença de vegetação e árvores na sua fachada e 
1.3 A proposta de intervenção 
21
interiores, além de contar com a presença de materiais locais de 
fácil acesso como a madeira, o metal com aspecto de madeira e o 
concreto. SegundoJean Nouvel a ideia de colocar as árvores da torre 
veio após sua visita à maternidade e ao complexo histórico, onde 
percebeu que havia muita vegetação e um clima próprio, levantando 
a sugestão de integrar os dois locais com a presença da vegetação 
na torre também contrastando com as outras torres presentes na Av. 
Paulista (L’Archictecture D’Aujourd’hui, Montpellier, França, p.24-27, 
2019). 
Para a volumetria, o arquiteto propôs que o edifício tivesse 
perfil piramidal, em composição que permite criar vários terraços 
arborizados, dando soluções distintas para cada lado, com fachada 
mais aberta, com largos e profundos terraços arborizados, voltada 
para o parque. Enquanto a fachada com vista para a cidade tem 
aspecto mais íngreme (figura 16), visando criar um diálogo com os 
imóveis já existentes, pelo maior uso de concreto armado. As fachadas 
leste e oeste possuem brises de madeira para proteção solar.
 O conjunto configura uma torre de 93 metros de altura, 
englobando o hotel 6 estrelas e um complexo residencial (que 
possui os serviços hoteleiros – estilo “flats”) com 104 quartos e 126 
suítes privadas, mais um spa, área “fitness” e a cobertura privada. 
Segundo o arquiteto Jean Nouvel, essa nova arquitetura “fala do 
passado, presente e futuro. Passado devido a técnica de construção 
em madeira que está há mais de séculos na história. Do presente pois 
ela se insere de maneira harmônica entre as construções antigas. Do 
futuro na nova maneira de habitar, com a presença de vegetação e 
jardins suspensos em São Paulo, com vistas luxuosas, caracterizando 
uma arte de viver em São Paulo” (JEANNOUVEL)7. A construção da 
torre está sendo feita em uma área do terreno que não é tombada, 
porém o seu impacto na paisagem e no complexo tombado será 
enorme, aspecto que será abordado no capítulo 3.
A torre ainda está em construção; a previsão de abertura do 
Hotel e Capela é para o primeiro semestre de 2021. A visita de campo 
das obras, pela autora, ocorreu em setembro e outubro de 2019, 
tendo sido possível acompanhar uma parte das obras de perto, o que 
ajudou na compreensão do conjunto (figuras 17-22). 
22
Fig. 16: Imagem renderizada da Torre 
inserida na paisagem, lado com vista para 
a cidade e o bairro da Bela Vista; Disponível 
em: http://www.jeannouvel.com/projets/
torre-rosewood/ Acesso 14 de maio de 2019
Fig. 18: Torre Mata Atlântica em construção 
vista de fora do terreno. Foto: Natália Hetem, 
jun/2019
Fig. 17: Vista de frente do restauro da 
maternidade e a Torre Mata Atlântica ao 
fundo. Foto: Natália Hetem, set/2019
23
Fig. 19: Fundo da maternidade sendo 
restaurado. Foto: Natália Hetem, out/2019
Fig. 20: Arcos de apoio para a estrutura 
original da maternidade, construção do 
Lobby do Hotel. Foto: Natália Hetem, 
out/2019
Fig. 22: Restauração do interior da capela. 
Foto: Natália Hetem, out/2019
Fig. 21: Restauração da fachada da capela. 
Foto: Natália Hetem, out/2019
24
O projeto de interiores será realizado pelo designer Philippe 
Starck. Segundo consta no site do empreendimento, o espaço 
pensado pelo designer funcionaria como “uma ponte entre a 
criatividade brasileira e a europeia”. Starck se mostra muito poético 
na descrição do seu trabalho e no local da “Cidade Matarazzo”:
Cidade Matarazzo deu vida a São Paulo e depois dormiu.
Cidade Matarazzo está acordando e dará, novamente, vida à 
São Paulo
Não do mesmo jeito.
Na primeira vez era feita de carne.
A nova é feita de sonhos.
Sonho, visão, criatividade, rigor são os pontos da Matarazzo.
O sonho é simples; criar uma ilha, criar um
pasaíso no meio da cidade, o qual vai se tornar o centro da 
vida da cidade.
Quem quer que seja, em qualquer momento da sua vida, 
seus
sonhos terão seu próprio local na Matarazzo.
Como a vida.
Para sempre. Ph. S. (STARCK, 2016)8
 No poema acima ele faz referência à época em que o local era 
um hospital, principalmente à Maternidade, e evidencia a drástica 
mudança que o local sofrerá, se transformando em realizador de 
sonhos. Mas, sonhos de quem? Dos investidores, do Alexandre 
Allard, do próprio Starck e dos outros envolvidos. O projeto, por suas 
características, provavelmente servirá apenas a uma parcela muito 
pequena da população, amante da arte, cultura e, principalmente, do 
luxo, para desfrutar dos privilégios que o local oferecerá.
No local há um showroom para visita e divulgação, aos 
possíveis compradores, simulando os espaços das suítes da Torre. 
E no site da Cidade Matarazzo já existem imagens renderizadas 
mostrando o projeto das áreas comuns do hotel (figuras 23-28), 
permitindo ter uma noção de como ficará a obra, quando finalizada.
No “press release” da torre hoteleira Mata Atlântica, gerenciada 
pela rede Rosewood, o grupo Allard aponta esse empreendimento 
como “o melhor investimento para o mercado de luxo na cidade e 
no Brasil”. Os acabamentos da torre estão sendo projetados por uma 
empresa francesa, a Ateliers de France, usando materiais encontráveis 
no Brasil, pois eles consideram que “o luxo não precisa ser importado”, 
já que o país tem muitos recursos de alta qualidade. Essas frases 
25
anteriores me fazem pensar sobre como, em pleno século 21, ainda 
se pensa no Brasil como ótimo fornecedor de matéria prima e de mão 
de obra, mas que segue sob o comando de europeus, sem assumir 
o papel de líder do próprio destino. Os textos de apresentação 
do projeto da “Cidade Matarazzo” revelam claramente seu vezo 
eurocêntrico, embora pretendam estar vestidos de “brasilidade”.
Como é um empreendimento de grande porte, segue um 
resumo dos projetos que estão sendo feitos no complexo: arquitetura 
da torre por Jean Nouvel; direção artística e suítes (cada uma com 
130-450m², com mais de 50 lay-outs diferentes) desenhadas sob 
medida por Philippe Starck; serviços de hotel por Rosewood Hotel & 
Resorts; acabamentos por Ateliers de France no Brasil; e paisagismo 
por Louis Benech. A presença de profissionais brasileiros ocorre 
somente na administração, mão de obra e fornecimento de materiais, 
não comparecendo nos estágios dos processos criativos.
Fig. 23 e 24: Modelo da 
suíte de 163m². Fonte: 
Cidade Matarazzo. 
Disponível em: https://www.
cidadematarazzo.com.br/
suites-tipos Acesso 17 de 
fevereiro de 2020
26
 Além dos profissionais mencionados acima, o escritório 
franco-brasileiro Triptyque Arquitetura também está presente, 
sendo responsáveis pelas obras de restauro e reformas no interior 
do complexo. No subsolo de 31 metros, criado sob a capela, haverá 
estacionamentos, espaços de apoio ao hotel e espaços de eventos. O 
antigo Hospital, que será tratado a seguir, será restaurado e abrigará 
lojas de luxo, um centro cultural e um mercado de produtos orgânicos. 
Fig. 25 e 26: Modelo da suíte de 342m². 
Fonte: Cidade Matarazzo. Disponível 
em: https://www.cidadematarazzo.
com.br/suites-tipos Acesso 17 de 
fevereiro de 2020
27
Fig. 28: Piscina do hotel. Fonte: Cidade 
Matarazzo. Disponível em: https://www.
cidadematarazzo.com.br/hotel-fachada 
Acesso 17 de fevereiro de 2020
Fig. 27: Recepção e bar do hotel. Fonte: 
Cidade Matarazzo. Disponível em: https://
www.cidadematarazzo.com.br/hotel-
fachada Acesso 17 de fevereiro de 2020
28
1.3.2 Etapa 2: Hospital e lojas (lojas comerciais, previsão 2021)
A parte do conjunto que abrigava o antigo Hospital será 
transformada em uma grande área comercial, mantendo somente 
alguns elementos originais dos interiores, aqueles que estão indicados 
nas resoluções de tombamento do Conpresp e do Condephaat, e que 
também indica que todas as fachadas devem ser restauradas.
O processo de restauro e manutenção das fachadas e 
esquadrias das edificações do hospital ainda não começou, pois o 
empreendimento deu prioridade às obras da maternidade, da capela, 
e da Torre. Portanto, a situação em que ele se encontrava quando 
visitei o local (em 2019) é bastante precária, e praticamente a mesma 
(ou ainda mais degradada) de quando a área foi comprada há 12 
anos atrás (figuras 29-32).
O setorque irá abrigar um mercado de produtos de luxo (figuras 
33 e 34) adotará soluções de alta tecnologia para o desenvolvimento 
do sistema de compras, com parceria da empresa multimarcas de 
roupas Farfetch. Está previsto no projeto um “percurso sensorial” 
dos interiores, de autoria do designer francês Hubert de Malherbe 
(L’Archictecture D’Aujourd’hui, Montpellier, França, p.58-67, 2019).
 Junto do antigo complexo hospitalar também terá implantado 
a parte cultural e o comércio de produtos orgânicos, onde será 
empregado mobiliário de autoria dos Irmãos Campana. Todas essas 
diferentes atividades se complementam e quando finalizadas irão 
compor o chamado “parque” Matarazzo. Assim como o polêmico 
túnel a ser implementado, chamado “Boulevard da Diversidade”, que 
será concluído somente em 2022 (ver adiante).
O mercado orgânico que ficará aberto 6 dias na semana, com 
produtos locais expostos para venda, será uma ação conjunta do 
empreendimento “Cidade Matarazzo” com a organização “Horta Social 
Urbana”, que treina moradores de rua para o trabalho agricultural nas 
fazendas urbanas, com o propósito de promover compartilhamento, 
autonomia e desenvolver habilidades (L’Archictecture D’Aujourd’hui, 
Montpellier, França, p.19, 2019). A organização “Horta Social Urbana” 
atua principalmente nos locais ociosos da cidade de São Paulo, 
com o seguinte objetivo: “Formar pessoas em situação de rua em 
técnicas de jardinagem com práticas agroecológicas promovendo 
seu fortalecimento à reintegração social” (HORTA SOCIAL URBANA).
29
Fig. 31: Outra fachada do hospital. Foto: 
Natália Hetem, set/2019
Fig. 29: Fachada de uma das edificações do 
hospital, possível ver a ação do tempo. Foto: 
Natália Hetem, set/2019
Fig. 30: Detalhe da esquadria. 
Foto: Natália Hetem, set/2019
Fig. 32: Interior da edificação. Foto: Natália 
Hetem, set/2019
30
Fig. 34: Lay-out sugerido para as lojas de 
luxo. Fonte: Cidade Matarazzo. Disponível 
em: https://www.cidadematarazzo.com.
br/empreendimento-retail Acesso 17 de 
fevereiro de 2020
Fig. 33: Lay-out sugerido para as lojas de 
luxo. Fonte: Cidade Matarazzo. Disponível 
em: https://www.cidadematarazzo.com.
br/empreendimento-retail Acesso 17 de 
fevereiro de 2020
31
O design do mobiliário será realizado pelos Irmãos Campana. 
Os Irmãos Campana propuseram diferentes mobiliários (figuras 
35-38) a serem dispostos ao longo do mercado, a partir de ideias e 
referências ao Brasil e sua cultura, dialogando com o discurso adotado 
para o complexo.
Perto do mercado de produtos orgânicos haverá um centro 
cultural destinado à divulgação da obra de artistas brasileiros e 
internacionais, o qual será chamado de “Casa da Criatividade”. 
O espaço cultural terá patrocínio do banco Bradesco, passando, 
portanto, a ter o nome de “Casa Bradesco da Criatividade”, e conterá 
salas de exposição e um auditório no subsolo, entre o complexo 
hospitalar (figuras 39-41).
Próximo da capela haverá uma nova edificação destinada a 
um centro comercial, pensado e projetado pelo arquiteto francês 
Rudy Riccioti (figura 42). Segundo o Comercial da Cidade Matarazzo, 
essa edificação será a primeira com serviços de alto de luxo em São 
Paulo, pois aproveitará a rede do hotel 6 estrelas e a infraestrutura 
total do empreendimento, como as lojas, restaurantes e áreas de lazer. 
A arquitetura da edificação foi projeto de Rudy Riccioti e ele optou, 
assim como Nouvel, de trazer a questão do verde para a fachada, com 
a ideologia de cipós. 
O empreendimento da Cidade Matarazzo é bastante complexo, 
intervém em diversas áreas e busca ter como foco de sua proposta a 
presença da arte em todos os ambientes:
Mas a arte não estará restrita apenas à Casa da Criatividade, ela 
vai estar espalhada por todo o empreendimento: nos jardins, 
nas galerias, nos bares e nos restaurantes. Ao caminhar pelo 
Matarazzo, será possível respirar arte. Ao todo, 57 artistas brasileiros 
terão os seus trabalhos expostos aqui. (CIDADEMATARAZZO)9 
 
Além das intervenções dentro do lote, na capela, no hotel, no 
interior do hospital e com o foco na arte, o empreendimento inclui 
uma intervenção externa, de caráter urbanístico, visando conectar 
o conjunto à Avenida Paulista através de um “túnel verde” sob a rua 
São Carlos do Pinhal (fig. 43 e 44). A ideia seria de maneira a facilitar 
o acesso dos pedestres ao complexo e seu jardim, desviando a rota 
de carros para o subsolo. A proposta envolveria uma grande obra 
de engenharia, e tinha previsão de conclusão para 2022; mas a ideia 
vem sofrendo forte oposição dos comerciantes estabelecidos nas 
ruas locais, e por isso foi postergada.
32
No nível da rua seria então criado o “Boulevard da Diversidade”, 
projeto da arquiteta e urbanista Adriana Levisky. Segundo o plano 
de trabalho do acordo de cooperação do Boulevard da Diversidade, 
o projeto pretende transformar o espaço urbano e os hábitos das 
pessoas que circulam a região (o que é uma grande promessa a ser 
feita). “Trata-se de uma nova perspectiva para a cidade de São Paulo” 
(SÃOPAULO)10. É proposto, além do túnel, uma requalificação urbana 
da alameda das flores (que tem acesso à Av. Paulista, fornecendo 
então um fácil acesso ao empreendimento), com o objetivo de 
ampliar o espaço público, e torná-lo aberto ao público (figura 45).
Para a requalificação desse ambiente urbano é proposta uma 
nova paginação de piso, nova iluminação pública, e mobiliário 
urbano também com desenho dos irmãos Campana. O local terá a 
implantação de sistema gratuito de acesso à internet via wi-fi, e um 
projeto paisagístico condizente com o restante do empreendimento. 
Também será feito um sistema de drenagem e captação da água da 
chuva (figura 46).
O conjunto “Cidade Matarazzo” é um projeto inovador em sua 
dimensão e com grande complexidade de programa, o que torna difícil 
de achar casos de comparação aqui no Brasil, principalmente pelo 
fato de envolver o reuso, em caráter comercial, de edifícios tombados 
pelos órgãos de patrimônio histórico – um assunto que, por sua 
novidade e escala, irá afetar de maneira bastante relevante a questão 
da memória da cidade e dos cidadãos. Por isso o próximo capítulo irá 
debater a questão patrimonial de edifícios e sítios históricos e como 
ela vem sendo tratada no campo da teoria e da prática, no Brasil e no 
mundo, como essas questões vem sendo tratadas também através de 
debates públicos e abertos, que notificam e informam a população 
sobre as propostas, permitindo críticas e confrontos; e verificando o 
exemplo de outros projetos similares, principalmente internacionais, 
e dois nacionais.
33
Fig. 36, 37 e 38: Mobiliários 
propostos pelos Irmãos 
Campana, de bambu, 
madeira e tubos de 
acrílico, respectivamente. 
Fonte: L’Archictecture 
D ’ A u j o u r d ’ h u i , 
Montpellier, França, p.18, 
2019
Fig. 35: Perspectiva 
do mercado orgânico. 
Fonte: Cidade 
Matarazzo. Disponível 
em: https://www.
cidadematarazzo.com.
br/empreendimento -
mercado-orgnico Acesso 
19 de fevereiro de 2020
Fig. 39: Corte com 
o programa de 
necessidades da “Casa 
Bradesco da Criatividade”, 
de Rudy Ricciotti. 
Fonte: L’Archictecture 
D ’ A u j o u r d ’ h u i , 
Montpellier, França, p.34, 
2019)
34
Fig.41: Perspectiva da área de 
exposição da “Casa Bradesco 
da Criatividade”. Fonte: Cidade 
Matarazzo. Acesso 19 de fevereiro 
de 2020
Fig.40: Perspectiva do palco 
do auditório dentro da “Casa 
Bradesco da Criatividade”. Fonte: 
Cidade Matarazzo. Acesso 19 de 
fevereiro de 2020
Fig. 42: Fachada da edificação 
do centro comercial, de Rudy 
Ricciotti. Fonte: L’Archictecture 
D’Aujourd’hui, Montpellier, 
França, p.33, 2019
35
Fig. 43: Maquete do showroom do “Boulevard da 
Diversidade. Fonte: Showroom Cidade Matarazzo, foto de 
Natália Hetem, outubro de 2019
Fig. 44: Corte esquemático do túnel. Fonte: Estadão. 
Disponível em: https://sao-paulo.estadao.com.
br/noticias/geral,sp-megacomplexo-de-luxo-em-
antigo-hospital-sera-aberto-em-maio-na-bela-
ista,70003024352 Acesso: setembro de 2019
Fig. 45: Implantaçãodo Boulevard da Diversidade. Fonte: 
Plano de Trabalho de Acordo de Cooperação – Anexo V 
do Edital n1-2019, pag.3. 
36
Fig. 46: Desenho com o sistema 
de drenagem e coleta de água da 
chuva. Fonte: Plano de Trabalho 
de Acordo de Cooperação – Anexo 
V do Edital n1-2019, 
37
O segundo capítulo abordará a questão patrimonial, trazendo 
as cartas, teorias e a legislação de São Paulo e da região em que o 
projeto se situa, além dos documentos do CONPRESP e CONDEPHAAT. 
Também é dividido em partes, a primeira sobre teorias de patrimônio, 
as cartas internacionais, memória e historiografia. A segunda com 
legislações aplicadas ao caso, a terceira com as questões relativas 
ao debate público da proposta e a quarta com os exemplos e 
breves estudos de casos dos projetos similares em programas e/ou 
intervenção em pré-existência. 
Para a realização do trabalho foi feita a leitura sobre os atuais 
teóricos de restauração, documentos do IPHAN, teses e livros 
sobre patrimônio e políticas públicas, sobre como agir em uma 
pré-existência (problema que maioria das cidades têm ao ver 
necessidade de expandir seu espaço urbano e melhorar sua 
infraestrutura), pesquisa nos arquivos da cidade de São Paulo e 
nos órgãos responsáveis (Departamento de Patrimônio Histórico, 
CONPRESP, IPHAN, CONDEPHAAT) no arquivo histórico da cidade de 
São Paulo e levantamento e registro de fotos do objeto escolhido. 
Traz como referências Cesare Brandi, Gustavo Giovannoni e Giovani 
Carbonara na área de restauro, Jan Gehl e Jane Jacobs para o 
urbanismo, Castriota para a questão de políticas públicas, Lemos 
sobre patrimônio no Brasil. Trata da Carta de Atenas de 1931, Carta 
de Veneza de 1964 e Declaração de Amsterdã de 1975, Halbwach 
sobre a questão da memória e Waisman sobre historiografia. Fará a 
leitura e compreensão do plano diretor de São Paulo e do Estatuto 
da Cidade de 2001 para compreender os instrumentos urbanos que 
podem ser utilizados, e ver se a obra está de acordo com eles.
Foi realizado um levantamento dos conceitos mais importantes 
para a pesquisa. Começando com as diretrizes das cartas patrimoniais 
e dos teóricos de restauração e de autores sobre patrimônio, 
historiografia, memória e sobre a temática urbana para finalizar. Em 
seguida trata as políticas e instrumentos necessários para a realização 
de intervenção. Após visto os instrumentos, foi abordado a questão 
da discussão e divulgação do que vem sendo feito na obra para o 
público. Por último, será apresentado os outros estudos de caso, que 
servirão como base para a análise aprofundada do caso da Cidade 
Matarazzo. 
DEBATES E EXPERIÊNCIAS CONTEMPORÂNEAS 
 SOBRE A INTERVENÇÃO EM BENS PATRIMONIAIS
2.
38
Para dar início a coletânea bibliográfica trataremos as cartas 
internacionais na ordem cronológica de lançamento. A Carta de 
Atenas de 1931 e a Carta de Veneza de 1964 - que foi criada pelo 
segundo Congresso de Arquitetos e Especialistas em Edifícios 
Históricos, criadores também do ICOMOS (Conselho Internacional 
aos Monumentos Históricos e sítios) - são fundamentais para a 
discussão de patrimônio, já que são uns dos primeiros documentos a 
serem feitos do assunto na Europa. Cada uma foi feita em um tempo 
e leva em consideração o seu contexto, de cidades destruídas após 
as guerras mundiais.
O ICOMOS foi criado após a Carta de Veneza de 1964, em 
1965, devido a sugestão da UNESCO (Organização das Nações Unidas 
para a Educação, a Ciência e a Cultura) para o segundo Congresso de 
Arquitetos e Especialistas em Edifícios Históricos. É uma organização 
internacional governamental sem fins lucrativos que se dedica “à 
promoção da aplicação da teoria, metodologia e técnicas científicas 
para a conservação do patrimônio arquitetônico e arqueológico. 
“(ICOMOS).
O ICOMOS é uma rede de especialistas que se beneficia 
do intercâmbio interdisciplinar entre os seus membros, entre 
os quais estão arquitetos, historiadores, arqueólogos, historiadores 
de arte, geógrafos, antropólogos, engenheiros e urbanistas. Os 
membros do ICOMOS contribuem para o aperfeiçoamento da 
preservação do patrimônio, das normas, e das técnicas 
para cada tipo de bem do patrimônio cultural: edifícios, cidades 
históricas, paisagens culturais e sítios arqueológicos. (ICOMOS)
2.1 Teorias e legislações presentes em cartas e protocolos internacionais, 
	 	breve	revisão	bibliográfica
39
2.1.1 Cartas internacionais
A Carta de Atenas de 1931 é mais voltada para a proteção 
dos monumentos, pensando em conservá-los e somente restaurar 
quando for indispensável.
A conferência recomenda que se mantenha uma utilização 
dos monumentos, que assegure a continuidade de sua vida, 
destinando-os sempre a finalidades que o seu caráter histórico ou 
artístico. (Carta de Atenas, 1931) 
A conferência recomenda respeitar, na construção dos edifícios, 
o caráter e a fisionomia das cidades, sobretudo na vizinhança 
dos monumentos antigos, cuja proximidade deve ser objeto de 
cuidados especiais. (Carta de Atenas, 1931)
O documento preza pelo emprego adequado de técnicas 
modernas, sem alterar o caráter da edificação a ser restaurada. 
Apresenta que deve haver interesse mundial público de salvaguardar 
os monumentos. Enfatiza a necessidade de uma boa educação para 
a população adquirir interesse pela obra. Impõe fazer registros e 
arquivos dos monumentos históricos, com informações e fotos.
Segundo Kuhl (s.d.), os anos de 1930 viveu uma grande 
contradição entre os grupos de arquitetos conservadores e o de 
arquitetos engajados com o modernismo, pois havia a vontade e 
necessidade de se modernizar e urbanizar as cidades, assim como 
a de manter a paisagem urbana. Portanto, começa o pensamento 
urbanístico que valoriza o modernismo, enquanto a Carta de Atenas 
de 1931 não leva tanto esse assunto em consideração, sendo o 
primeiro documento internacional redigido por especialistas de 
restauração que visa elaborar diretrizes gerais e prioriza a história. A 
Carta de 1931 se preocupa em fornecer diretrizes para organização 
de princípios de salvaguarda patrimonial em diversos países, sugere 
respeito às transformações que a obra sofreu com o tempo, e 
condena a reconstrução. Atualmente estamos vivendo novamente 
essa contradição, já que cada vez mais se quer demolir construções 
antigas para construir novos empreendimentos e valorizar áreas 
subutilizadas. Porém, pode haver um meio termo nessas relações, 
como escolher edificações que realmente já estão muito degradadas 
e não tem valor para a cidade e as demolir, o que acarreta na melhor 
manutenção e conservação dos edifícios emblemáticos e importantes 
para a memória de um povo. O local da “Cidade Matarazzo” é um 
exemplo dessa contradição, pois foi visado ao longo dos anos como 
um local de grande potencial construtivo, mas não levando em 
consideração o patrimônio edificado já existente por lá. A proposta 
de empreendimento atual transformou a visão sob o local, mostrando 
40
que há a possibilidade de se construir o novo junto do antigo. Isso 
será tratado mais detalhadamente nos próximos capítulos. 
A Carta de Veneza de 1964 é a carta internacional sobre 
conservação e restauração de monumentos e sítios. É utilizada até 
hoje como referência nos projetos de preservação e restauração pois 
se tornou o documento base do ICOMOS, não existe outra carta ou 
documento que a substitua. Segundo ela, as obras monumentais dos 
povos são testemunhos das tradições, são consideradas patrimônio 
comum pela humanidade, e esta deve preservá-las para as gerações 
futuras. Define monumento histórico como: 
a criação arquitetônica isolada, bem como o sítio urbano ou rural 
que dá testemunho de uma civilização particular, de uma evolução 
significativa ou de um acontecimento histórico. Estende-se não só 
as grandes criações, mas também às obras modestas, que tenham 
adquirido, com o tempo, uma significação cultural. (Carta de 
Veneza, 1964)
A Carta trata a restauração e a conservação como disciplinas 
que utilizam colaboração dediferentes áreas e técnicas, com a 
finalidade de salvaguardar o patrimônio e o testemunho histórico. 
Em seu texto fica evidente que a conservação exige manutenção 
constante, é favorecida com uma destinação útil para a cidade, 
não se deve alterar as características do edifício, e o monumento é 
inseparável da sua história e testemunho do tempo no local inserido, 
é intolerável o seu deslocamento. Já a restauração é vista com caráter 
excepcional, tem como objetivo “conservar e revelar os valores 
estéticos e históricos do monumento e fundamenta-se no respeito 
ao material original e aos documentos autênticos” (Carta de Veneza, 
1964). Essa ação é precedida de um estudo arqueológico do sítio, 
respeita as contribuições de épocas que o monumento sofreu, os 
elementos adicionais que substituem o que falta devem se integrar 
harmonicamente mas distinguindo-se do original e respeitando a 
edificação. 
Para Kuhl (2010), as cartas patrimoniais têm caráter indicativo, 
prescritivo e são bases para as profissões que atuam em restauração 
e preservação. No Brasil, o uso da Carta de Veneza não é aprofundado 
nas questões que a carta aborda, o que seria necessário, já que ela 
não tem um princípio normativo e sim de diretriz. Kuhl relaciona 
o contexto de criação da Carta de Veneza e relata que algumas 
recomendações da Carta de Atenas de 1931 serviram de base à 
ela. Além da Carta de 1931, ela se baseia em propostas do “restauro 
crítico” de Brandi, sugere a análise da obra pensando no estético e no 
histórico, tendo cada caso sua particularidade. 
41
Em resumo, as cartas não são leis ou regras que devem sempre 
ser seguidas, elas complementam as teorias já existentes sobre 
restauração e conservação, fornecendo recomendações e apoio ao 
profissional que atua na área.
Em 1975 temos a Declaração de Amsterdã como um 
importante documento sobre patrimônio e que traz conceitos novos 
de gestão, como o de conservação integrada. Muito voltada para as 
questões europeias, relata que o patrimônio europeu é integrante do 
patrimônio cultural do mundo. Traz um sentido amplo de patrimônio, 
composto por conjuntos, bairros que tenham valor histórico e 
cultural, além dos bens isolados, e que é dever da população evitar 
a deterioração e proteger os bens. Aponta o patrimônio como 
objetivo maior dos planejamentos da área urbana, que devem o 
considerar e o proteger. É preciso encorajar organizações privadas 
(no caso principal de estudo deste trabalho o interesse partiu da 
iniciativa privada) para contribuir no interesse público, é necessária a 
reprodução de relatórios periódicos do estado de conservação e do 
desenvolvimento do trabalho em cada país para que seja possível os 
conservar.
Segundo a declaração, sem política de ação e proteção, e sem 
a conservação integrada não é possível se manter um patrimônio. 
A conservação do patrimônio deve ser incluída em programas de 
educação e desenvolvimento cultural para conhecimento do próprio 
à população. A participação popular deve, então, sempre estar 
presente.
A declaração de 1975 introduz e aborda o conceito de 
conservação integrada para salvaguarda de patrimônio. A conservação 
integrada exige adaptações de medidas legislativas e administrativas 
para ter medidas financeiras apropriadas e convincentes, sendo cada 
estado responsável por seu próprio método e instrumento. Portanto 
ela é a base do funcionamento das políticas de salvaguarda, é um 
plano detalhado de como agir com as políticas públicas que deve 
ser elaborado pelo governo e instituições privadas, investidores. 
É então necessárias leis para novas construções, que respeitem o 
patrimônio. O planejamento deve desencorajar a densificação e 
promover a reabilitação, estimular o financiamento privado e dar 
apoio ao proprietário para ele realizar a restauração. A conservação 
integrada é um passo essencial para dar mais valor ao patrimônio, 
seja ele edificado ou não, para a preservação do mesmo.
42
2.1.2 Patrimônio histórico e teorias de restauração
Um dos pensadores de restauração mais atual e que tem sua 
teoria recorrente é Cesare Brandi, com a “Teoria da Restauração”. O 
autor traz a restauração como qualquer intervenção feita para dar 
novamente eficiência a um produto da atividade humana. Relata o 
restauro na obra de arte, que vai restabelecer a sua funcionalidade, 
dando prioridade à estética e depois a história. Segundo ele: 
“A restauração constitui o monumento metodológico do 
reconhecimento da obra de arte, na sua consistência física e na sua 
dúplice polaridade estética e histórica, com vistas à sua transmissão 
para o futuro” (BRANDI, 2004. p.30) e “A restauração deve visar ao 
restabelecimento da unidade potencial da obra de arte, desde que 
isso seja possível sem cometer um falso artístico ou falso histórico, e 
sem cancelar nenhum traço da passagem da obra de arte no tempo.” 
(BRANDI, 2004. p.33)
Discute a relação do tempo na obra de arte, que está presente 
no aspecto fenomenológico, em 3 momentos: quando a obra é 
formulada, quando se acaba o processo criativo e ela se torna obra e 
quando ela fica marcada na consciência e então se torna atemporal. 
Esses tempos são diferentes do tempo histórico do observador, que 
pode observar uma obra do século passado no século atual. Isso pode 
se relacionar com a arquitetura e sua questão de passado, presente e 
futuro, que diferentes épocas e estilos podem conviver juntos e em 
harmonia nas cidades. Algo que está acontecendo atualmente e de 
maneira mais recorrente devido ao crescimento da cidade na malha 
urbana existente. Algo que será altamente evidenciado na “Cidade 
Matarazzo” quando o empreendimento estiver completo e tiver a 
nova torre dialogando – e contrastando – com as edificações antigas.
O autor aborda diferentes tipos de restauração e como agir 
frente a elas. Em restauração de ruínas indica que se deve a consolidar 
e conservar o status atual no qual se encontra, sem realização 
da intervenção direta, tendo então uma intervenção indireta no 
ambiente para pensar na melhor preservação do local. O que pode 
se tornar um problema urbanístico. Em questão estética a ruína deve 
ser tratada como qual e ser conservada e conectada com o restante 
do ambiente. “Esteticamente ruína é qualquer remanescente de obra 
de arte que não pode ser reconduzido à unidade potencial sem se 
tornar cópia.” (BRANDI, 2004, p.78)
Brandi nos alerta que ao se fazer a conservação existem alguns 
problemas que é preciso tomar cuidado em relação a legitimidade 
43
no valor histórico. Existe a remoção de elementos e o refazimento de 
elementos de uma obra ou edificação. Na remoção, segundo Brandi, 
se destrói os documentos e a passagem histórica do local, o que 
pode ser uma falsificação de dados. Acredita que a adição é legítima 
para a conservação, mas pode ser pior se refazer os elementos, o 
que seria condenável. Portanto, é preciso pensar isoladamente em 
cada caso qual a melhor solução, manter as camadas adicionadas ao 
longo do tempo ou as retirar, pois é um impasse na teoria brandiana 
que deve ser solucionada com projeto com base na experiência do 
profissional e na opinião popular. Vai abordar a questão da restauração 
preventiva, que é relacionada com os materiais constituintes da obra. 
Esses podem sofrer alterações devido suas composições químicas, 
o que pode afetar a obra com o tempo, e podem ser prevenidas. A 
restauração preventiva se vincula então com a restauração, e nada 
mais é do que a cautela e remoção de perigos, assegurar condições 
favoráveis a obra, ela exige mais despesa.
A maioria da teoria de Brandi do restauro crítico é sobre obras 
de arte, no apêndice ele trata da restauração de monumentos. São os 
mesmos princípios, mas pensando também na questão estrutural e 
na forma da arquitetura, assim como na espacialidade do monumento 
com seu ambiente, diz para pensar no sítio histórico.
Na apresentação de Carbonara do livro traduzido por Beatriz 
Kuhl, ele explica amplamente a teoria de Brandi. Diz que ele buscouuma configuração ampla e sistemática sobre a questão da restauração 
com princípios gerais e válidos, como o de se levar em consideração 
o juízo de valor e que a obra de arte que condiciona a restauração. 
É uma teoria completa e muito experimentada na arte, escultura e 
até mesmo na arquitetura, mas para essa última é preciso ampliar 
métodos e aplicações para se elevar a qualidade das restaurações, 
portando, é juntar a teoria brandiana com o restauro crítico.
Kuhl (2006) traduz o trabalho de Carbonara que relaciona 
a teoria de Brandi, que é voltada para as artes, com a arquitetura. 
Afirma que primeiro deve-se reconhecer o objeto como obra, seja 
este na arquitetura ou na arte. É pensado na restauração sem infringir, 
tornando o restauro crítico de Brandi a base para novas perspectivas 
de restauração, como a que Carbonara é vinculado, a restauração 
“crítico conservativa”, utilizada na arquitetura. Traz que o restauro na 
obra de arte não se encaixa para o arquitetônico pois ele é tratado de 
maneira isolada ao seu sítio. Na arquitetura é preciso pensar no todo, 
fazer o restauro estrutural sem prejudicar o valor histórico, e cada caso 
44
apresenta suas próprias características. O caso de estudo principal 
do trabalho aborda essa questão de uma maneira extremamente 
inovadora e ousada, que veremos no terceiro capítulo.
A autora Nahas (2015) analisa as intervenções de caráter 
monumental no Brasil. Segundo ela, a prática da restauração e 
preservação é mais frequente na contemporaneidade, na relação de 
edifícios do passado com novos usos e com uma destinação útil a um 
monumento que estava obsoleto. 
Na visão de Nahas (2015), é preciso adotar a teoria da 
restauração de Cesare Brandi como referência na produção de 
arquitetura mundial, fazendo com que o monumento se torne 
o protagonista da intervenção, já que nele estão os valores e a 
memória. A arquitetura é passiva em relação ao tempo, sofre com 
ele e juntos entram em um ciclo, pois as edificações do passado se 
tornam memória, e as do presente, viram passado no futuro. 
Segundo a autora, a preocupação com os bens culturais 
é devida à memória que eles carregam, à toda a história de uma 
comunidade. Essa questão reflete no modo em que são preservados. 
Por exemplo, quando um edifício é bem cuidado, significa que sua 
população quer manter sua memória, mas quando ele se encontra 
degradado, evidencia a perda da memória e história que lá havia. É 
preciso encontrar o ponto de equilíbrio entre o que preservar e o que 
esquecer, conservar os valores dos monumentos, mesmo dando um 
novo uso a eles. 
Nahas (2017) analisa a teoria de Giovani Carbonara, restaurador 
italiano que procura definir o papel da arquitetura contemporânea 
nos monumentos do passado. Ele traz a questão de refletir sobre 
o cenário atual da arquitetura, que é a falta de unidade entre a 
intervenção nova e a edificação passada, sendo a preexistência 
manipulada para dar as diretrizes que se quer ao projeto (o que 
podemos notar na “Cidade Matarazzo” de maneira bastante clara). 
Para Carbonara (NAHAS, 2017), a arquitetura passada acaba servindo 
de suporte para o novo. 
O problema principal que o restauro aborda é o fato da 
conservação e da intervenção alterarem a matéria original, por 
isso é preciso pensar em como fazer tal trabalho sem modificar sua 
essência. É preciso ter um limite entre intervenção e o antigo. Para 
isso, Carbonara desenvolve 5 categorias, “Autonomia/Dissonância”, 
“Assimilação/Consonância”, “Relação dialética/Reintegração da 
imagem”, “Intervenção não direta”, “Caso Particular”. O caso da Cidade 
45
Matarazzo leva em consideração os 5 pontos, alguns mais do que 
outros, na obra de restauração das antigas edificações. Foi pensado 
muito nos primeiros 3 pontos para a restauração das edificações 
do hospital, mas os últimos dois pontos foram levados menos em 
consideração, com a inserção da proposta de intervenção da nova 
torre de arquitetura contemporânea.
A 1ª é a “Autonomia/Dissonância” que é a discordância 
linguística do antigo e do novo, autonomia entre a arquitetura 
passada e a nova, intervenção feita com mudança de uso do original 
e respeito ao estético e histórico; 
A 2ª é a “Assimiliação/Consonância” que são as intervenções 
baseadas no repertório existente do passado, recuperação dos 
princípios compositivos do monumento e manutenção do seu uso 
original.
A 3ª é a “Relação dialética/Reintegração da imagem” traz a 
abordagem crítico-conservativa e de reinterpretação do local, tem 
maior rigor na aproximação do novo e do antigo, compreensão da 
história do monumento e de seus valores estéticos para fornecer 
uma diretriz da arquitetura contemporânea a ele que interaja com 
seu passado.
A 4ª é a “Intervenção não direta” que é constituída de ações 
minimalistas, intervenções quase inexistentes.
A 5ª e última é “Caso Particular” quando se tem intervenções 
especiais não comentadas nas categorias acima.
O trabalho do arquiteto restaurador é sensível e precisa 
destacar o respeito à edificação, como dito por Carbonara:
Quando nos colocamos resilientes diante do passado, 
compreendemos seus valores intrínsecos, sua vocação funcional, 
enxergamos a sua beleza artística, histórica e simbólica. 
Desenvolvemos capacidade de escutar e estabelecer juízo crítico 
com a obra, alcançando rigor metodológico e limite criativo para 
um bom projeto de restauro. (NAHAS, 2017)
Gustavo Giovannoni é um pensador do urbanismo e aborda 
questões de patrimônio relacionadas ao traçado urbano já existente 
nas cidades e áreas centrais. No seu texto “Velhas cidades e a nova 
construção urbana” ele traz que a construção urbana é um novo 
ramo de conhecimento que tem contribuição de diversas disciplinas. 
Para o autor o centro histórico/antigo que se tornou centro 
comercial deve ser desadensado. Não deve possuir novas construções 
no velho núcleo para não ter a descaracterização, para isso, sugere 
se fazer novos bairros se relacionando com o centro antigo e sua 
46
sistematização local, que possua infraestrutura para os novos meios 
de transporte (que são o que permitem o crescimento da cidade).
No texto “Verbete: restauro dos monumentos”, elaborado 
por Giovannoni, discute-se a restauração dos monumentos pela sua 
visão. 
Segundo o autor restaurar monumentos é conceito de todo 
moderno, e diz restauração como reparar ou dar um novo uso. É um 
tema que merece respeito e demanda cuidados. 
Aponta que existem já diversas teorias, como a dos 
historiadores, que valorizam o original, excluindo acréscimos e 
reduções do documento histórico; a de completar o que falta, 
muito realizada pelo teórico e artesão Viollet le Duc no século 19; 
e a intermediária, defendida por Camilo Boito e Giovannoni, que 
dá importância maior às obras de manutenção e consolidação 
para salvar o organismo, se preocupam com a salvaguarda de 
monumentos de todos os tempos e épocas que tenham caráter 
artístico, com intervenções simples e coerentes. Vai caracterizar os 
monumentos como mortos e vivos. Sendo o primeiro aquele que 
remete a Antiguidade e deve se evitar tornar ruína, e o segundo são 
os palácios e igrejas que devem adquirir uma nova função quando 
em desuso. 
Classifica também os tipos de restauro: o de consolidação, 
o de recomposição (é o acréscimo de partes faltantes), o de 
liberação (retirada de massas excedentes) e o de complementação/
recomposição (acréscimos reintegram a obra). Se trouxermos a visão 
de Giovannoni para a contemporaneidade e para a discussão do caso 
da “Cidade Matarazzo” diria que o seu caso é o de complementação, 
pois temos a adição de diversos elementos no terreno para o valorizar 
ainda mais. Diria, inclusive, que o antigo complexo hospitalar 
Matarazzo pode ser considerado um monumento vivo na nossa 
atualidade, pois sempre se pensou na mudança de uso do local após 
a sua decadência.
Portanto existem muitas teorias sobre restauração e 
conservação, uma complementando a outra e fornecendo diretrizes, 
mas e como agir? É necessárioinstrumentos e políticas, e isso que 
Castriota trata no seu livro “Patrimônio cultural: conceitos, políticas e 
instrumentos”.
Castriota vai dizer que patrimônio cultural é um conceito que 
está em rápida expansão e mudança, se renovando cada vez mais 
com o passar dos anos. A partir do século 21 tem sido uma reflexão 
47
central, se tornou mais complexo e passou a interessar mais pessoas. 
O conceito se expandiu, envolvendo mais disciplinas e perspectivas, 
surgiu novas categorias. O patrimônio existe devido a tradição e a 
modernidade, a cultura e sua mudança de valores ao longo do tempo.
Na primeira parte do livro se traz os conceitos de patrimônio 
e preservação. Um assunto relatado é a tradição, que é imóvel da 
cultura e o presente que a considera e seleciona, ela está em contínuo 
processo de transformação com o desenvolvimento e aproximação 
das culturas. A tradição é então a ligação entre o passado e o presente 
que predomina na modernidade. O tempo se relaciona com a tradição 
dependendo de cada civilização e o que desejam preservar e manter 
vivo de sua cultura. 
Conta a partir da história da arquitetura, enfatizando o fato de 
que os modernos não se reconhecem no patrimônio e querem apagar 
os traços do passado, porém o conceito de patrimônio cultural surge 
nessa época como uma reflexão entre passado e tradição. 
No Brasil, o movimento preservacionista nasce de intelectuais 
que buscam a identidade nacional. Em 1920 a preservação do 
patrimônio é pensada e envolve o Estado, sendo que quem elabora 
e implementa as políticas de preservação são os modernistas, que 
não querem romper com a tradição devido a busca da identidade 
brasileira, fazem então uma leitura do passado, e preservam a 
arquitetura colonial. Graças a essa atitude dos modernistas brasileiros 
é que ainda temos alguns exemplares de arquitetura colonial, e de 
outras épocas pelas cidades do país.
Castriota explica de maneira extensa as políticas que 
envolvem preservação. Trata das alternativas contemporâneas para 
as políticas de preservação, pois as cidades estão se transformando 
rapidamente e então destruindo memórias individuais e coletivas, e 
também porque o conceito de patrimônio se ampliou. O patrimônio 
arquitetônico passou a envolver também a gestão do espaço ao 
redor do monumento/edifício isolado. O patrimônio cultural envolve 
não só a cultura erudita mas como as manifestações populares e o 
saber fazer. Patrimônio de uma sociedade é então as suas edificações, 
os espaços, documentos, imagens e palavras, deixa de ser uma área 
de atuação exclusiva a alguns profissionais e envolve muitos outros 
e a participação popular. “Qualquer intervenção sobre o patrimônio 
como uma ação sobre o presente é uma proposta para o futuro” 
(CASTRIOTA, 2009, p.87). Seguindo os conceitos apresentados por 
Castriota a proposta de envolver o patrimônio cultural no patrimônio 
48
edificado, que vemos na “Cidade Matarazzo”, se mostra altamente 
positiva para a sua população, porém o que causa incomodo é o fato 
da cultura brasileira ser abordada pelos estrangeiros, e de ser somente 
uma parte de nossa cultura (não levando tanto em consideração as 
manifestações populares), que é tão diversa e rica.
Traz a questão do patrimônio ambiental urbano, que 
é a renovação e transformação da cidade, acompanhando o 
desenvolvimento da sociedade e o governo orientando para que 
a paisagem urbana evolua de maneira equilibrada. Se pensa no 
todo, e como as coisas se relacionam, não só no objeto isolado. A 
intenção é preservar o equilíbrio da paisagem. Tem como estratégias 
gerais: priorizar o contexto urbanístico; pensar conjuntamente no 
espaço histórico e nos novos espaços; priorizar planos mais simples 
de recuperação de edifícios e conjuntos do que a restauração, que 
é mais cara; reavaliar a gestão do meio ambiente urbano (como é 
utilizada em cada região); garantir a permanência da população de 
baixa renda nas áreas a serem preservadas, priorizar o bem estar dos 
moradores.
Discute a atribuição de valores para o patrimônio. Na 
conservação os valores são centrais, como pensar em quais bens 
representam o passado e como intervir para os transmitir às novas 
gerações. Para edificações se leva em consideração os valores 
artísticos, estéticos, históricos e valores contemporâneos (como os 
econômicos e políticos). A ampliação do conceito de patrimônio 
fez com que toda atribuição de valor fosse explicitada, assim como 
passou a envolver novos grupos e agentes para políticas públicas, 
além de envolver o estado e coletividades locais.
Em 1985, no Brasil, se teve limitações das políticas de 
preservação, os técnicos da área que definiam o que preservar, e se 
focava nos objetos e produtos da elite. 
A preservação urbana e a preservação arquitetônica são diferentes, 
porém devem se apoiar, pois a memória que está presente no lugar 
é interessante para as duas, é necessário promover o espaço público 
que contém essa história para atrair a memória social. Na questão do 
patrimônio arquitetônico é preciso pensar na cronologia, tipologia e 
geografia do objeto. Para a preservação não tornar as edificações em 
museus e centros culturais é preciso valorizar a memória do espaço e 
dos diversos grupos sociais, promover encontros e usufruir da ajuda 
da população para identificar potenciais locais.
49
Castriota relata que no Brasil não se aceita o conceito 
contemporâneo e ampliado de patrimônio, logo não se tem um tipo 
definido de intervenção. Se há três modelos teóricos a partir dos 
termos: preservação, conservação e reabilitação, cada um parte de 
uma concepção de patrimônio e estabelece um objeto, pressupõe 
um marco legal e atores diferentes. 
No modelo de preservação o patrimônio considerado é a 
coleção de objetos, aqueles que tem excepcionalidade, valor histórico 
ou estético e que vem da cultura erudita. Os tipos de objetos são 
então as edificações, estruturas e artefatos individuais. O marco legal 
é o tombamento, ações do Estado e com arquitetos e historiadores 
envolvidos. 
No modelo de conservação o conceito de patrimônio é 
ampliado, temos o patrimônio ambiental urbano, tem valor cultural 
e ambiental e valoriza a cultura em um sentido amplo. Os tipos de 
objetos são os grupos de edificações históricas, paisagens urbanas e 
espaço público. O marco legal é a área de conservação, com ação do 
Estado e parte integral do planejamento urbano, envolve, portanto, 
planejadores urbanos além dos arquitetos e historiadores. A 
conservação integrada é um dos objetivos centrais do planejamento 
urbano e regional e envolve gestão e planejamento, é a integração 
entre preservação do patrimônio e planejamento urbano, resultado 
da ação técnica de restauro e das funções apropriadas para integrar 
o patrimônio no ambiente de vida dos cidadãos. 
O modelo de reabilitação tem a mesma concepção de 
patrimônio e tipos de objetos que o modelo de conservação. O marco 
legal é os novos instrumentos urbanísticos, os atores são a sociedade, 
iniciativa privada/parcerias, e envolve a mais os gestores. O que mais 
se encaixa para o objeto de estudo.
A partir da constituição de 1988 que se pensa mais em 
políticas urbanas, já que ela tem um capítulo dedicado a esse 
assunto. Para a preservação, intervenção e conservação acontecer é 
preciso de normas e leis, que geralmente estão presentes nos planos 
diretores das cidades e estão no Estatuto da Cidade, que impõem 
a participação popular como obrigatória na elaboração do plano 
diretor. A preservação de bens deve ser tratada no plano diretor, 
com mecanismos mais flexíveis e adequados do que o tombamento 
para a gestão da mudança das áreas conservadas (páreas especiais, 
zonas especiais de interesse cultural) e estímulo a preservação (como 
incentivos e benefícios fiscais).
50
Por fim, Castriota fala sobre instrumentos. Trata do instrumento 
tradicional da preservação, que é o inventário do patrimônio, utilizado 
desde 1930. Inventaria-se obras arquitetônicas, acervos de museu, 
saberes,documentos, é uma maneira de registrar o patrimônio 
imaterial (práticas, representações, expressões, conhecimentos, 
técnicas e instrumentos, objetos, artefatos que a comunidade 
reconhece como formadores de sua cultura).
Carlos Lemos (1981) conceitua os tipos de patrimônio, fazendo 
um histórico internacional e nacional sobre o tema.
Ele trata principalmente do patrimônio cultural, que engloba 
praticamente todas as áreas, como os objetos, artefatos, construções, 
meio ambiente, o saber fazer, e os usos e costumes, pois o patrimônio 
de um povo é diversificado e não deve focar somente em uma classe 
social (a dominante geralmente). Fonseca (2009) também explica 
o conceito de patrimônio material e imaterial e seu surgimento no 
Brasil. O patrimônio material é mais conhecido, sendo o bem edificado 
com alto valor histórico e cultural. O patrimônio imaterial é aquele 
que tem valor cultural e que não é físico, dando maior abertura as 
tradições populares.
Lemos explica que deve se preservar para se ter a memória 
das evoluções durante o tempo e que deve haver preservação e 
aplicá-la em tudo o que for possível, pois com ela é possível manter a 
identidade cultural do país. “Preservar é guardar objetos, construção 
e também gravar sons, músicas, depoimentos [...] é manter vivos 
mesmo que alterados, usos e costumes populares” (LEMOS, 1981, 
p.29).
Segundo Lemos (1981), a questão da preservação no Brasil 
demorou para ter importância ao governo, ela surgiu anos depois 
de ser iniciada na Europa. Começou com os proprietários, donos de 
objetos que gostavam de colecionar e cuidar de seus patrimônios, 
por volta de 1920. Em 1936, o escritor Mário de Andrade lança um 
projeto que se torna lei em novembro e define o que é o Patrimônio 
Artístico Nacional: “todas as obras de arte pura ou de arte aplicada, 
popular ou erudita, nacional ou estrangeira, pertencente ao poder 
público, organismos sociais e particulares, nacionais e estrangeiros 
residentes no Brasil” (LEMOS, 1981, p.38). 
Em 1937, o ministro da cultura criou o SPHAN (Serviço do 
Patrimônio Histórico Artístico Nacional), que no seu início teve 
problemas para abrir o departamento só para conservação e ações 
preservadoras, além de ter problemas jurídicos, de documentação 
51
e de classificação. Em 1970 começa-se a pensar em preservação de 
centros urbanos e dos conjuntos de bens naturais, como a cidade de 
Ouro Preto em Minas Gerais. Atualmente, esse tipo de intervenção 
é pensado juntamente com a questão social, histórica, política e 
econômica. 
Em palestra para a Universidade Estadual Paulista (UNESP) 
em Bauru (2019), Beatriz Kuhl evidencia o fato de que os bens 
culturais e os bens arquitetônicos devem e são integrantes do nosso 
cotidiano, fazem parte da nossa vida e estão ligados ao espaço que 
vivemos. Deveriam também estar presentes nas políticas e práticas 
socioculturais. A noção de bem cultural evoluiu com o tempo e se 
ampliou, considerando tudo aquilo que é testemunho da operosidade 
humana, de uma sociedade, tornando os bens não só representativos 
de uma nação mas sim de grupos e comunidades. Essa mudança na 
concepção de bens culturais fez com que a preservação se tornasse 
ampla também, começando a querer se preservar obras modestas 
com significação cultural. 
Porém essa noção ampla e inclusiva levanta, na prática, muitas 
dificuldades. Com os bens culturais ampliados, amplia-se também 
as maneiras de os preservar, tutelar e cuidar, além do instrumento 
de tombamento (que é mais útil para grandes obras isoladas). Seria 
positivo para a preservação agir em conjunto com os planos diretores, 
escolhe-se o tombamento sem ter a interdisciplinaridade. 
Kuhl menciona que os processos de preservação, 
muitas vezes, são acusados de serem insuficientes e distantes da 
realidade, que não levam em conta as necessidades da sociedade 
contemporânea e de serem economicamente inviáveis. Segundo ela, 
o patrimônio deve fazer parte dos planos diretores das cidades, deve 
ser trabalhado de maneira articulada para se elaborar os conflitos 
de maneira mais adequada, se levar em consideração desde o início 
as questões culturais. A restauração deve ser trabalhada de maneira 
conjunta com outros fatores. 
Nunca devemos perder de vista aquilo que motivou a preservação; 
nunca perder de vista os fatores mais propriamente culturais, 
memoriais e simbólicos que estão envolvidos e que fazem parte da 
preservação. (RETTO JÚNIOR e KUHL, 2019, p.42)
O Patrimônio Arquitetônico não está apartado da nossa vida 
cotidiana, que é uma dimensão muito relevante das nossas 
relações com a cidade, que é parte intrínseca do projeto de cidade, 
é importante levar em conta essa lógica cultural, e não apenas a 
lógica de mercado, na hora de refletir sobre esses temas. (RETTO 
JÚNIOR e KUHL, 2019, p.42)
52
Não se deve limitar o restauro e preservação somente a bens 
isolados. Segundo a professora, o restauro parte do bem isolado e 
depois se volta para a área envoltória, para se preocupar em proteger 
de maneira mais efetiva os conjuntos urbanos. Kuhl conta que o 
sentido da palavra restauro se afastou do sentido comum, mesmo 
com muitos achando que significa retornar os bens excepcionais ao 
seu estado original. Atualmente, o restauro é pautado no respeito, 
pela obra e suas estratificações, e não retoma o estado original, 
ele conduz a outro estado. “O restauro conduz a um outro estado, 
levando em conta e respeitando os vários extratos.” (RETTO JÚNIOR e 
KUHL, 2019, p.45)
É preciso dar a uma obra de restauro uso constante, e ela precisa 
também atender as questões de segurança e acessibilidade, coisas 
que só podem ser resolvidas a partir de um projeto contemporâneo 
que respeita a história e o contexto que a obra está inserida. 
Para Kuhl, a multidisciplinaridade do restauro é necessária, 
mas na prática ela raramente acontece. “Nos dias de hoje eu vejo, 
por um lado, um discurso que incita a interdisciplinaridade, mas, por 
outro, uma pulverização disciplinar, um isolamento cada vez maior 
das várias disciplinas, não só na restauração.” (RETTO JÚNIOR e KUHL, 
2019, p.48).
A professora diz que preserva-se atualmente os bens por 
razões culturais, históricas e também cientificas, pois os bens culturais 
atingem conhecimentos em vários campos do saber, como biologia, 
física, química, geografia e sociologia, para citar alguns. “Os princípios 
de restauração derivam dessa noção de campo disciplinar que atua e 
constrói seus instrumentos a partir de motivações culturais, éticas e 
cientificas.” (RETTO JÚNIOR e KUHL, 2019, p.50). Esses princípios que 
guiam as decisões projetuais e ajudam a escolher o que pertence a 
reflexão do restauro. 
Demolir indistintamente não é restauração; transformar 
aleatoriamente, deformando o documento histórico e a obra como 
conformada ao longo dos séculos tampouco o é. Mas isso não 
significa que, num restauro arquitetônico ou numa intervenção 
urbana ou territorial, coisas não possam ser destruídas de modo 
algum. Na verdade, a destruição é parte intrínseca dos processos 
de conservação. Determinadas escolhas têm de ser feitas. É inviável 
e mesmo indesejável preservar tudo do jeito que está, pois as coisas 
se transformam de qualquer modo. (RETTO JÚNIOR e KUHL, 2019, 
p.50)
O restauro implica, por vezes, uma série de limitações. E muitos 
arquitetos consideram as premissas do restauro como mero 
empecilho. Não fazem o paralelo com o projeto do novo. (RETTO 
JÚNIOR e KUHL, 2019, p.53)
53
As “limitações” do projeto devem ser encaradas como 
impulso, que gerará as soluções. Segundo Kuhl, uma restauração 
conscienciosa e multidisciplinar contém um maior tempo de estudo 
e projeto, mas um menor tempo de obra e a intervenção gera menos 
problemas de execução (o que acontece na “Cidade Matarazzo”, que 
está em andamento, de resoluções de projeto e legais desde 2010). O 
viés negativo, para o mercado, é o lucro ser menor. 
Se a restauração é motivada por questões culturais, éticas e 
científicas e não visa unicamenteao lucro, tudo é feito de maneira 
ponderada em função daquilo que motiva a restauração, em função 
do resultado que se quer atingir para preservar, e não para ter por 
objetivo o lucro máximo. A margem de lucro, é menor, mas os custos 
são menores. Existe lucro, ou seja, a operação é viável, bastante 
viável do ponto de vista econômico, mas é menos lucrativa do 
que uma intervenção mais invasiva. Falar que o restauro é inviável 
do ponto de vista econômico, a partir dos dados que nós temos, 
não procede. É viável e dá lucro, mas é importante não confundir 
viabilidade com lucro máximo. (RETTO JÚNIOR e KUHL, 2019, p.61)
Para ela, quando se quer desqualificar o restauro dizem que 
ele é inviável e que não dá conta das questões contemporâneas. 
Não é inviável; e dá conta, tem de dar conta. Porque se não desse 
conta é porque não serve mais, não serve mais falar de restauração. 
Uma restauração que não dá conta de reinserir o bem de maneira útil 
e eficiente na sociedade dos dias de hoje, não serve para nada. Mas 
a restauração serve! E a restauração faz! E faz com que essas coisas 
funcionem. O campo disciplinar do restauro oferece instrumentos 
para fazer com que as coisas funcionem. (RETTO JÚNIOR e KUHL, 
2019, p. 62)
Kuhl acredita que é possível projetar a cidade pensando em 
termos de preservação de bairros e obras, atendendo às necessidades 
e exigências contemporâneas. É necessário pensar projetualmente 
na preservação. “Pensar a preservação, a arquitetura e a cidade, 
muitas vezes, os projetos de arquitetura se resolvem na ligação 
com a cidade, na articulação com a cidade.” (RETTO JÚNIOR e KUHL, 
2019, p. 67). Kuhl defende que restauro é projeto, e que o campo 
da restauração sofre diversos preconceitos e precisa enfrentá-los e 
construir cidades. Para ela, os instrumentos teórico-metodológicos 
direcionam, indicam diversos caminhos que precisam ser explorados 
nos projetos até chegar no que acreditar ser mais adequado para o 
caso. 
O restauro não é um instrumento que só serve para limitar; o 
restauro é necessariamente transformação. Necessariamente 
transformação para que o bem possa ser apropriado de modo 
adequado e útil na atualidade. Se o restauro não dá conta disso é 
porque os instrumentos metodológicos do restauro estão sendo 
pensados de maneira limitada e inadequada. Pois a limitação 
54
não está nos instrumentos, está no uso que nós fazemos desses 
instrumentos. (RETTO JÚNIOR e KUHL, 2019, p.71)
 Não existe no restauro uma única solução para um dado 
problema; existem várias. Sempre existiram e existirão 
várias soluções, mas várias soluções que nós esperamos 
que sejam pertinentes ao campo do restauro. (RETTO 
JÚNIOR e KUHL, 2019, p. 71)
Após esse breve panorama dos teóricos e estudiosos de 
patrimônio, material e imaterial, será abordado a questão da história 
e da memória. Uma está muito ligada na outra, a história depende da 
força da memória individual para se criar o coletivo e como resultado 
criar um elo forte para a valorização do patrimônio histórico.
55
2.1.3 Historiografia e memória
Neste tópico abordaremos dois autores muito importantes, 
a historiadora Marina Waisman e Maurice Halbwach estudioso da 
memória. Waisman diz como a história não é só uma narração e sim 
uma sucessão de juízos. Explica o conceito de juízo histórico, que é 
quando se decide um objeto de estudo e depois outros juízos como 
análises e instrumentos. 
Segundo Waisman (2013), a história é constantemente 
reescrita, já a historiografia permite a dupla leitura do assunto. Na 
arquitetura a história é vista como a realidade dos acontecimentos, 
sucessão de fatos, a historiografia são os textos que estudam seu 
desenvolvimento no tempo. Em ambas temos problemas. Os 
problemas historiográficos são erros de interpretação da história, 
relação causal com outros fatos, razões da escolha do objeto de 
estudo, estão comprometidos com a ideologia do historiador. Já os 
problemas históricos são resolvidos com a pesquisa e são de ordem 
técnica.
A autora aborda os conceitos de história geral, história da 
arquitetura e história da arte. Diz que é preciso ter uma distinção 
para o objeto de estudo de cada uma, e a distinção fundamental é 
a temporalidade. Na história da arquitetura e da arte o objeto existe, 
é testemunho histórico, na história geral ele já não existe mais no 
tempo. Na arte e na arquitetura a obra é protagonista, aquela que 
reúne os dados mais importantes em si, tem a presença do fato a 
ser examinado. O fato artístico tem permanência no tempo, além do 
valor artístico e/ou arquitetônico, o que o torna monumento: “não é 
o que dura, mas o que permanece” (WAISMAN, 2013, p.13).
O monumento é então a lembrança do que permaneceu 
e a pista do que estudar pelo historiador. O historiador da arte e 
arquitetura reflete também sobre as demais histórias. Estuda o objeto 
como fato acontecido, é preciso buscar documentos (como escritos, 
planos, inventários) referentes ao monumento para o datar, descobrir 
sua autoria. O documento é tudo aquilo que pode contribuir para 
esclarecer as características históricas do objeto de estudo (p.14). 
Uma obra de arte ou de arquitetura pode ser documento para 
uns e monumento para outros, depende da visão do historiador ou 
usuário. Obra é o significado, documento são os dados cronológicos. 
Portanto, a história geral recebe auxílio da história da arte e arquitetura 
como um documento de cultura.
56
Waisman relata que o tratamento historiográfico é o mesmo 
para arte e arquitetura devido suas semelhanças, com um enfoque 
crítico inicialmente na estética. Na arquitetura tem se a questão 
de que ela obedece às necessidades funcionais interpretadas 
ideologicamente, elabora códigos de comunicação, pois faz questão 
de se desvincular da arte e do caminho que percorreram juntos, 
que exija uma reflexão específica sobre ela. Por exemplo, o esboço, 
projeto e sua execução são específicos da historiografia arquitetônica. 
Portanto, a autora conclui que a historiografia da arquitetura progride 
e se distancia da historiografia da arte. 
História, teoria e crítica, são os 3 modos de refletir na 
arquitetura, segundo Waisman. A presença de pautas críticas nos 
resumos históricos para se aproximarem ao científico. A crítica 
necessita do apoio de princípios para gerar uma teoria (que tem sua 
fundamentação na história).
A teoria é o sistema de pensamentos que organiza proposições 
lógicas e dirige a investigação histórica. A história é a descrição dos 
fatos arquitetônicos. Na arquitetura a teoria pode ser norma, poética 
(conceitual da época) e filosofia (geral em busca de princípios 
universais).
A autora traz a diferença entre atitude histórica e crítica. A 
atitude histórica é a valoração e interpretação do fato, com base no 
significado histórico, já a crítica é a interpretação do fato com base 
em critérios de valor, como os aspectos da produção da arquitetura 
(estéticos, tecnológicos e funcionais). Ambas necessitam de métodos 
históricos e críticos. 
Os sistemas de valores na arquitetura são dados pela 
elaboração teórica e histórica, ou comentário crítico. A reflexão que 
descobre ou revela os problemas e a práxis os resolve ou responde, 
portanto temos: a teoria, práxis, crítica e nova teoria como um ciclo 
de pesquisa. A existência dos valores universais na arquitetura é 
adaptada por e para cada cultura, portanto a problemática de cada 
cultura que servirá de base para determinar a valoração da proposta 
arquitetônica. 
Waisman Aborda a noção de continuidade e descontinuidade. 
A sucessão de tempo não é linear na história da arquitetura, pois 
pode se ter avanços, novidades e retrocessos na mesma obra. 
Porém, é possível construir uma continuidade na arquitetura pois 
o pensamento interno arquitetônico tem papel de mudança. A 
autora diz que a arquitetura latino-americana é constituída pela 
57
descontinuidade, por rupturas, falta o desenvolvimento de um estilo 
próprio. O passado é desprezado na América Latina para se pensarno 
progresso. Para Waisman, a descontinuidade é característica de parte 
da arquitetura e propostas urbanas que tendem a se fragmentar em 
intervenções.
Segundo Waisman, é “impossível compreender um fato 
arquitetônico separado de seu contexto urbano” (WAISMAN, 2013, 
p. 107). O contexto, história e região do fato arquitetônico são 
extremamente importantes para sua compreensão. “O significado da 
arquitetura é a própria substância da história e seu conhecimento no 
objeto último do estudo histórico” (WAISMAN, 2013, p.151)
Diz que toda intervenção no espaço construído põe em ação 
uma ideologia arquitetônica. Sendo que o significado ideológico 
da arquitetura mistura as intenções do arquiteto com o resultado 
da obra e o que ela transmite. O significado perdura quando é 
percebido, não é só na criação, e permite diferentes leituras que 
derivam de diferentes épocas. O transcorrer da história transforma 
o sentido inicial, o que é o significado cultural. O tipo é o primeiro 
elemento para compreender o significado de uma obra. Temos a 
relação de significado e processo de projeto (que é analisar o coração 
da criação arquitetônica), significado e processo de produção, e 
trama urbana (onde o tecido urbano tem mais significado). Ele pode 
ter caráter ideológico e cultural. “Falar de significado implica falar de 
um complexo conjunto de problemas” (WAISMAN, 2013, p.182). O 
complexo Matarazzo possui diversos significados, e portanto, possui 
também diversos problemas, ele mistura o caráter ideológico e o 
cultural, dado que se mostra um ambiente extremamente idealizado 
e conceitual na parte dita de luxo, hoteleira e se mostra com alto 
caráter cultural na parte histórica e comercial. 
Ao falar de patrimônio arquitetônico urbano, a autora começa 
relatando que não se pode definir o que é patrimônio sem antes 
determinar a partir de qual projeto cultural se valorará o conjunto, 
assim como não se pode atribuir valor a um objeto sem o relacionar 
a um grupo humano. Traz o patrimônio como apoio da memória 
social, e como valor fundamental a presença dos habitantes. Diz que 
é preciso encontrar um equilíbrio entre preservação da identidade 
e mudança para cada caso, já que o congelamento de edificações 
não pode ser a meta de preservação. É preciso identificar o objeto, 
estudar o que ocorreu nele/quais mudanças sofreu para determinar 
como intervir. Segundo a autora o patrimônio precisa ser tratado 
58
levando em consideração as mudanças que sofreu com o tempo, 
as mudanças na cidade, e na malha urbana. A arquitetura é então 
testemunha das etapas históricas. E a “Cidade Matarazzo” se tornará 
um grande testemunho das mudanças da cidade de São Paulo, 
mostrando o decorrer das épocas na região da Avenida Paulista e o 
que ela poderá se tornar no futuro.
Olha-se mais em direção ao futuro do que para o passado, 
portanto a autora traz a ideia que destruir o passado é a ideologia de 
falso progresso. As intervenções no centro histórico tendem a orientar 
o desenvolvimento do tecido para respeitar o patrimônio existente. 
A finalidade da intervenção é então construir o patrimônio do futuro 
em continuidade com o passado. A “receita para uma intervenção 
adequada é adotar uma clara posição frente ao significado e ao 
papel que esses testemunhos históricos desempenham em comum” 
(WAISMAN, 2013, p.206)
Junto do assunto de historiografia e patrimônio é muito 
importante e recorrente aparecer a questão da memória, que 
preservar edificações e conjuntos envolve retomar a memória, 
mas qual memória? Geralmente é sobre a memória coletiva que se 
discute, mas a individual também tem sua força.
Halbwach (1990) vai discutir a memória coletiva e a individual. 
A memória coletiva tem a presença de testemunhas, uma ou mais 
pessoas que descrevem os mesmos fatos vistos ao mesmo tempo, não 
se confunde com a individual. A lembrança (série de pensamentos 
coletivos emaranhados) é então relativa para quem a viveu, um 
acontecimento pode ter sido mais marcante para um do que para 
outro. As lembranças de um grupo estão ligadas e apoiadas a uma 
outra, para a memória se auxiliar na dos outros é preciso que ela se 
assemelhe a deles para reconstruir uma em comum. 
A memória estritamente individual vem da base de toda 
lembrança, a sua intuição sensível pessoal, ela se constitui de algo 
que se viveu estritamente sozinha e que não foi compartilhado. Os 
fatos lembrados por poucos, ou individualmente, geralmente estão 
em último plano. Ela é limitada no espaço e tempo, pois são pessoais. 
Cada grupo social tenta manter uma memória semelhante. 
As memórias são lembradas mais rapidamente quando vinculadas 
a um grupo de fácil acesso e são mais difíceis quando vinculadas a 
um grupo já distante. Cada memória individual é um ponto de vista 
pessoal da coletiva.
O autor também discute a memória coletiva e a memória 
59
histórica. A memória histórica é mais ampla, acontece quando não se 
é testemunha do acontecimento, mas sabe que ele existiu pois se leu 
ou ouviu. É uma memória reflexo de lembranças de outras épocas que 
se lê e vê, e alguém relatou na época. “Não é na história aprendida, 
é na história vivida que se apoia nossa memória” (HALBWACH, 1990, 
p.60). Quando se sabe a história da nação, ela é considerada memória 
para a pessoa, mas não tem contato com a sua memória individual 
pois são histórias de épocas diferentes. Se sabe pois é preciso, mas 
pode não ser importante ou relevante para a individual.
A memória coletiva não se confunde com a história (que é a 
compilação dos fatos que ocuparam maior espaço na memória das 
pessoas). A história começa onde acaba a tradição, onde apaga a 
memória social. É preciso escrever a história quando já se está distante 
da mesma para salvar as lembranças, ela é ponte entre passado e 
presente. A memória coletiva é contínua, sem separação e limites 
incertos, o presente não se opõe ao passado, já a história separa 
os acontecimentos em períodos. A memória de uma sociedade se 
estende até onde atinge a memória dos grupos que a compôs, ela se 
esgota quando seus membros individuais desaparecem. 
Existem mais memórias coletivas do que histórias, elas têm 
um grupo limitado no espaço e tempo. A história se interessa pelas 
diferenças, reduz os acontecimentos a termos para apresentar uma 
imagem única e total, os historiadores buscam ser imparciais e 
objetivos ao relatá-la.
Portanto para o patrimônio e a questão de preservação o que 
mais é envolvido é a memória coletiva e individual que surgem a 
partir da histórica. Muitas vezes a sociedade atual não presenciou a 
construção de uma certa edificação, como as da época colonial, ou as 
primeiras constituintes do centro, somente temos conhecimento pois 
foi relatado e se estudou, e foi dito que são importantes de conhecer. 
Hoje são históricas e fazem parte da memória coletiva da cidade, isso 
valida o patrimônio, a memória é incentivadora para a preservação, a 
partir dela, do pouco que permanece de gerações passadas, é que se 
torna importante a salvaguarda de um conjunto de edificações.
60
2.1.4 Questões urbanas relativas ao patrimônio histórico
Para concluir o estudo bibliográfico será abordado as questões 
urbanas que se conciliam ao assunto de patrimônio, história, 
memória e cidades. Começando com o trabalho de Jacobs (2000), ela 
enfatiza as questões de segurança nas calçadas, que são vitais para 
a cidade. Segundo a autora, quando as calçadas não são seguras e 
sim temidas, as ruas são menos utilizadas e se tornam cada vez mais 
inseguras para a sua população, afinal pessoas atraem pessoas e é 
preciso fazer com que os centros e as cidades sejam atrativos para 
terem vida, além da importância do contato social. 
Jacobs (2000) acredita que, para uma cidade ser bem sucedida 
nos seus bairros é preciso ter diversidade, com mistura de usos, pois 
uma grande variedade deixa a paisagem urbana viva. Na sua visão, 
para se gerar diversidade, é preciso ter um distrito que atenda mais de 
uma função principal, quadrascurtas, distrito com boa porcentagem 
de edifícios antigos e em estados de conservação variados para gerar 
renda e densidade alta. A presença de edifícios antigos é importante 
pois eles têm valor menor do que se construir um novo. O que torna 
dinâmico um centro é a mistura de edifícios novos e antigos. 
Para concluir os estudos urbanos trazemos Jan Gehl, que 
descende da atuação reformadora de Jane Jacobs. Gehl (2010) 
propõe a retomada da dimensão e da escala humana nas cidades 
para fornecer maior qualidade de vida a sua população, como ter 
distâncias curtas para se andar mais a pé, criar espaços públicos mais 
atrativos e variedade de funções e usos ao longo da cidade. Enfatiza 
o retorno do pedestre para a cidade, que perdeu o seu espaço com a 
chegada da indústria automobilística. 
Para Gehl (2010), é preciso reforçar a questão do pedestre 
para se ter uma cidade viva, segura, sustentável e saudável. Cidade 
viva, pois com os pedestres haveria maior uso dos espaços públicos, 
retomada das zonas de transição (espaços que se tornam agradáveis 
de transitar e caminhar) e mais vitalidade e tranquilidade. Retoma-se 
a questão de caminhar para chegar ao destino, utilizando a cidade 
de uma forma mais dinâmica e concentrada. Cidade segura também 
conta com a ajuda do pedestre, pois quanto mais pessoas na rua, 
mais vigiada ela fica, e portanto quanto mais segura e agradável de 
passear, mais viva ela se torna. A cidade sustentável com relação ao 
pedestre é que ele contribui para reduzir a emissão de carbono e 
reduz a poluição gerada por automóveis, indústrias e edifícios, tendo 
mais pessoas caminhando ou pedalando pela cidade, o que a torna 
61
melhor para viver. 
O empreendimento da “Cidade Matarazzo” segue vários desses 
conceitos apresentados por Gehl e Jacobs, pretendem valorizar 
o pedestre, acumular funções em um só local e criar um ambiente 
diversificado. Gehl e Jacobs pensaram nisso para uma cidade de 
uma maneira geral, onde se cada bairro atendesse a esses conceitos, 
a cidade se tornaria mais agradável para habitar. Não é à toa que o 
empreendimento se chama “Cidade Matarazzo”, pois de fato o que 
será construído no local se tornará uma espécie de pequena cidade, 
com vários serviços diferentes a disposição dos usuários que a 
frequentarem. O que reforça a dúvida anteriormente já apresentada, 
quem usará e disfrutará de tudo que essa cidade tem a oferecer?
Feito este breve panorama bibliográfico de patrimônio, 
história, memória e urbanismo com os autores que consideramos 
mais relevante, seguimos adiante. O próximo capítulo é sobre as 
leis e possíveis normas que envolvem e regulamentam a região do 
estudo de caso.
  
62
Essa parte do segundo capítulo trata das normas e leis que 
afetam direta ou indiretamente o local da obra. O que foi levado 
em consideração aqui é a legislação da cidade de São Paulo, 
principalmente o plano diretor e seus instrumentos urbanísticos, a 
lei de zoneamento, e as resoluções do Condephaat e do Conpresp 
para a região.
O terreno está localizado na Macrozona de Estruturação 
e Qualificação Urbana, Zona urbana e Macroárea de urbanização 
consolidada. Segundo a lei 16.402/16 de zoneamento a área está 
na Zona Eixo de Estruturação da Transformação Urbana (ZEU), o 
que permite densidade e potencial construtivo alto. É também uma 
Zona Especial de Preservação Cultural (ZEPEC), o que significa que 
é um território de preservação de bairros e/ou “conjuntos urbanos 
específicos e territórios destinados à promoção de atividades 
econômicas sustentáveis conjugada com a preservação ambiental, 
além da preservação cultural” (lei 16.402/16, p.4).
Art. 21. As Zonas Especiais de Preservação Cultural (ZEPEC) são 
porções do território destinadas à preservação, valorização e 
salvaguarda dos bens de valor histórico, artístico, arquitetônico, 
arqueológico e paisagístico, constituintes do patrimônio cultural 
do Município, podendo se configurar como elementos construídos, 
edificações e suas respectivas áreas ou lotes, conjuntos 
arquitetônicos, sítios urbanos ou rurais, sítios arqueológicos, 
áreas indígenas, espaços públicos, templos religiosos, elementos 
paisagísticos, conjuntos urbanos, espaços e estruturas que dão 
suporte ao patrimônio imaterial ou a usos de valor socialmente 
atribuído. Parágrafo único. Os imóveis ou áreas que são ou que 
vierem a ser tombados por legislação municipal, estadual ou federal 
enquadram-se como ZEPEC. (lei 16.402/16, p.8).
No art. 24 da lei 16.402/16 temos: “§ 1º A transferência do 
direito de construir originada de qualquer imóvel enquadrado como 
ZEPEC fica condicionada à recuperação e manutenção dos atributos 
que geraram o seu enquadramento como ZEPEC.” O que quer dizer 
que é possível construir uma torre alta próxima de uma edificação 
considerada de valor artístico, histórico e cultural, podendo então 
todo o potencial construtivo do complexo hospitalar Matarazzo ser 
transferido para construção da Torre Mata Atlântica no lote, assim 
como é preciso cuidar deste bem de valor.
O tipo de ZEPEC da área é o BIR (Bens Imóveis Representativos), 
o que significa que são bens de valor histórico e arquitetônico 
2.2 Normas e legislações aplicáveis ao caso (Plano Diretor de São Paulo, 
 Instrumentos urbanos, Lei de Zoneamento, Condephaat e Conpresp)
63
(como igrejas e edifícios históricos). Nessa categoria é possível que 
o proprietário possa usufruir da Transmissão do Direito de Construir 
(TDC) relativa ao imóvel a ser conservado, o que faz possível vender 
para construtoras o potencial construtivo da área, para verticalização. 
A transmissão do direito de construir está regulamentada no Estatuto 
da Cidade, 2001 e no Plano Diretor, 2014:
Art. 122. A transferência do direito de construir correspondente 
ao potencial construtivo passível de ser utilizado em outro local, 
prevista nos termos do art. 35 da Lei Federal nº 10.257, de 2001 - 
Estatuto da Cidade e disciplinada em lei municipal, observará as 
disposições, condições e parâmetros estabelecidos neste Plano 
Diretor Estratégico.
Art. 123. Fica autorizada a transferência do potencial construtivo de 
imóveis urbanos privados ou públicos, para fins de viabilizar:
I - a preservação de bem de interesse histórico, paisagístico, 
ambiental, social ou cultural; (PDE 16.050/14)
No art. 92 da lei 16.402/16, relativo ao uso do solo temos: 
“§ 2º Nas ZEPEC-BIR, adicionalmente aos usos permitidos na zona 
onde o imóvel se localiza, são permitidos ainda usos relacionados 
à visitação do imóvel e usos acessórios, bem como local de 
exposições.” Esse parágrafo do art. 92 viabiliza o empreendimento 
“Cidade Matarazzo” na parte cultural. 
Agora vamos analisar o plano diretor estratégico de São 
Paulo, segundo ele a ZEPEC apresenta diversos objetivos, os quais 
são mais importantes para o estudo deste trabalho os I, III, IV, V, VI, 
VII: 
Art. 62. A ZEPEC tem como objetivos:
I - promover e incentivar a preservação, conservação, restauro e 
valorização do patrimônio cultural no âmbito do Município;
II - preservar a identidade dos bairros e das áreas de interesse 
histórico, paisagístico e cultural, valorizando as características 
históricas, sociais e culturais;
III - identificar e preservar imóveis e lugares dotados de identidade 
cultural, religiosa e de interesse público, cujos usos, apropriações 
e/ou características apresentam um valor que lhe são socialmente 
atribuídos pela população;
IV - estimular a fruição e o uso público do patrimônio cultural;
V - possibilitar o desenvolvimento ordenado e sustentável das áreas 
de interesse histórico e cultural, tendo como premissa a preservação 
do patrimônio cultural;
VI - propiciar a realização de ações articuladas para melhoria de 
infraestrutura, turismo, da economia criativa e de desenvolvimento 
sustentável;
VII - integrar as comunidades locais à cultura da preservação e 
 identidade cultural;
64
VIII - propiciar espaços e catalisar manifestações culturais e artísticas;
IX - proteger as áreas indígenasdemarcadas pelo governo federal;
X - propiciar a preservação e a pesquisa dos sítios arqueológicos;
XI - proteger e documentar o patrimônio imaterial, definido nos 
termos do registro do patrimônio imaterial. (PDE 16.050/14)
Além dos objetivos principais acima, o empreendimento 
será voltado para uma classe dominante e apresentará lugares 
privados também. Logo, fica a observar se irá conseguir atender 
todas as demandas culturais e históricas também, e que elas sejam 
acessíveis a todos. O art. 64 discorre sobre como devem ser criadas as 
áreas de ZEPEC, no caso do hospital e complexo Matarazzo eles são 
regulamentados pelo CONPRESP e pelo CONDEPHAAT. Já o art. 65 
discorrem sobre os instrumentos urbanísticos aplicáveis em ZEPEC, 
que são similares aos da lei de zoneamento. 
Art. 64. As ZEPEC deverão ser identificadas e instituídas por meio 
dos seguintes instrumentos existentes e os a serem criados:
I - tombamento;
II - inventário do patrimônio cultural;
III - registro das Áreas de Proteção Cultural e Territórios de 
Interesse da Cultura e da Paisagem;
IV - registro do patrimônio imaterial;
V - chancela da paisagem cultural;
VI - Levantamento e Cadastro Arqueológico do Município - LECAM.
§ 1º A identificação de bens, imóveis, espaços ou áreas a serem 
enquadrados na categoria de ZEPEC deve ser feita pelo órgão a partir 
de indicações apresentadas pelo próprio órgão competente, assim 
como por munícipes ou entidades representativas da sociedade, a 
qualquer tempo, ou, preferencialmente, nos Planos Regionais das 
Subprefeituras e nos Planos de Bairro. 
§ 2º Para os casos de enquadramento em ZEPEC-BIR, AUE, APPa, 
as propostas deverão ser analisadas por órgão competente, que 
poderá, caso julgue a proposta pertinente, abrir processo de 
enquadramento e emitir parecer a ser submetido à aprovação do 
CONPRESP. (PDE 16.050/14)
Art. 65. Aplicam-se nas ZEPEC os seguintes instrumentos de política 
urbana e patrimonial:
I - transferência do potencial construtivo nas ZEPEC-BIR e ZEPEC-
APC;
II - outorga onerosa do potencial construtivo adicional;
III - incentivos fiscais de IPTU e ISS nas ZEPEC-BIR e ZEPEC-APC, 
regulamentados por lei específica; (PDE 16.050/14)
O plano diretor estratégico também recomenda ter uma 
diretriz para o ordenamento da paisagem, com ação da prefeitura 
para criar um plano de ordenamento e proteção da paisagem. O 
empreendimento leva isso em consideração ao pensar no túnel e no 
65
“Boulevard da Diversidade”, que tem como proposta geral qualificar 
o bairro, mas se tornou um assunto polêmico para os usuários da 
região. O empreendimento também tem como objetivo preservar a 
paisagem original, mas que será afetada pela intervenção das novas 
torres a serem implantadas. Segundo o artigo 87:
As ações públicas e privadas com interferência na paisagem deverão
atender ao interesse público, conforme os seguintes objetivos: 
I - garantir o direito do cidadão à fruição da paisagem;
II - propiciar a identificação, leitura e apreensão da paisagem e de 
seus elementos constitutivos, públicos e privados, pelo cidadão;
III - incentivar a preservação da memória e do patrimônio histórico, 
cultural, religioso e ambiental e a valorização do ambiente natural 
e construído;
IV - garantir a segurança, a fluidez e o conforto nos deslocamentos 
de veículos e pedestres, adequando os passeios às necessidades 
das pessoas com deficiência e mobilidade reduzida;
V - proporcionar a preservação e a visualização das características 
peculiares dos logradouros e das fachadas dos edifícios;
VI - contribuir para a preservação e a visualização dos elementos 
naturais tomados em seu conjunto e em suas peculiaridades 
ambientais;
VII - facilitar o acesso e utilização das funções e serviços de interesse 
coletivo nas vias e logradouros e o fácil e rápido acesso aos serviços 
de emergência, tais como bombeiros, ambulâncias e polícia;
VIII - condicionar a regulação do uso e ocupação do solo e a 
implantação de infraestrutura à preservação da paisagem urbana 
em seu conjunto e à melhorada qualidade de vida da população;
IX - condicionar a instalação de galerias compartilhadas para os 
serviços públicos, principalmente energia elétrica, gás canalizado, 
saneamento e telecomunicações, desde que compatíveis. (PDE 
16.050/14)
 O artigo 172 do plano diretor de São Paulo é sobre os 
instrumentos de proteção ao patrimônio cultural. O tombamento é 
regido pela lei municipal 10.032 de 1985.
Art. 172. Os instrumentos de identificação, proteção e valorização 
do patrimônio cultural paulistano visam à integração de áreas, 
imóveis, edificações e lugares de valor cultural e social aos objetivos 
e diretrizes do Plano Diretor Estratégico, e correspondem aos 
seguintes instrumentos legais:
I - tombamento; 
II - inventário do patrimônio cultural; 
III - registro das áreas de proteção cultural e Territórios de Interesse 
da Cultura e da Paisagem; 
IV - registro do patrimônio imaterial; 
V - chancela da paisagem cultural; 
VI - Levantamento e Cadastro Arqueológico do Município – LECAM. 
(PDE 16.050/14)
O plano diretor está bastante baseado no Estatuto da Cidade, 
mas de maneira mais voltada para a cidade de São Paulo, considerando 
que o Estatuto fornece diretrizes amplas, e não de maneira regional 
ou municipal.
Na região da Avenida Paulista, próxima do estudo de caso, não 
se tem muitos objetos considerados patrimônio histórico, ambiental 
ou cultural, logo a legislação do Conpresp e Condephaat não é tão 
66
dominante. Temos algumas marcações de bens tombados e áreas 
envoltórias, que são do próprio Hospital Matarazzo, do Conjunto 
Nacional, do casarão da Av. Paulista, do edifício do antigo Banco Sul 
Americano do Brasil, do MASP (Museu de Arte de São Paulo) e do 
Parque Trianon e da Casa das Rosas, como evidenciado nos mapas a 
seguir (figuras 47-49).
A “Cidade Matarazzo”, como dito no primeiro capítulo, sofreu 
uma revisão de tombamento. O local foi tombado pelo órgão 
municipal, CONPRESP e pelo órgão regional, CONDEPHAAT. 
 No CONDEPHAAT temos a resolução SC 29/86, o “primeiro”, 
por assim dizer, tombamento do local. A revisão foi feita pelo 
CONDEPHAAT e pelo CONPRESP, em 2014, e o CONPRESP solta a 
resolução número 5/2014. Levando em consideração os mapas 
acima e as resoluções de ambos os órgãos, é possível notar que a área 
envoltória de preservação do antigo complexo hospitalar é somente 
as calçadas, não se tem um raio mínimo de preservação da paisagem, 
o que permite tamanha intervenção que vemos atualmente.
Fig. 47: Mapa de Bens Tombados, com imóveis tombados pelo Conpresp 
e ou Condephaat e ou Iphan, na região da Avenida Paulista, em roxo. Ponto 
Vermelho indica o lote em que está inserido a “Cidade Matarazzo”. Disponível 
em: Geosampa. Acesso: 23 de março de 2020
67
Fig. 48: Mapa de Bem Tombados com sobreposição 
do Mapa de Áreas Envoltórias do Conpresp, em 
amarelo. Ponto Vermelho indica o lote em que 
está inserido a “Cidade Matarazzo”. Disponível em: 
Geosampa. Acesso: 23 de março de 2020
Fig. 49: Mapa de Bem Tombados com sobreposição do Mapa de 
Áreas Envoltórias do Conpresp e sobreposição do Mapa de Áreas 
Envoltórias do Condephaat, em vermelho. Ponto Vermelho indica 
o lote em que está inserido a “Cidade Matarazzo”. Disponível em: 
Geosampa. Acesso: 23 de março de 2020
68
Artigo 2º- A área ora tombada é delimitada pelo perímetro de 
proteção conforme descrição / identificação abaixo e, Anexo I que 
acompanha esta Resolução: 
I – Perímetro de Proteção: Polígono irregular, que se inicia na 
intersecção da Rua São Carlos do Pinhal com a Alameda Rio Claro, 
segue pela Rua São Carlos do Pinhal, Rua Itapeva, deflete à direita 
seguindo pela linha de divisa laterais dos lotes 009.015.0032-1, 
deflete à direita na Alameda Rio Claro, segue por esta até o ponto 
inicial, conformando assim o perímetro. 
II - Edifício Francisco Matarazzo; 
III - Edifício Ermelino Matarazzo; 
IV - Antigo Pavilhão Administrativo; 
V - Pavilhão Vittório Emanuelle III; 
VI - Pavilhão de Ambulatórios/ Residênciadas Irmãs; 
VII - Capela; 
VIII - Maternidade Condessa Filomena Matarazzo;
IX - O Eixo articulador do esquema de circulação horizontal, 
localizado paralelo à Alameda Rio Claro, elemento de conexão 
entre os edifícios Francisco Matarazzo, Ermelino Matarazzo, Antigo 
Pavilhão Administrativo, Pavilhão Vittório Emanuelle III, Pavilhão de 
Ambulatórios/ Residência das Irmãs.
Artigo 5º- Para efeito deste tombamento, estabelece-se como área 
envoltória do Hospital Umberto I as calçadas adjacentes ao lote 
tombado na Rua São Carlos do Pinhal, Rua Itapeva, Rua Pamplona e 
Alameda Rio Claro. (Resolução N 5/2014)
Com a análise das resoluções de tombamento dos órgãos 
municipais é possível perceber que ela não é muito restritiva quanto 
ao interior do complexo hospitalar, salvo na Capela. A resolução do 
CONPRESP explica o que deve ser preservado de cada edificação do 
complexo, e o que pode ser deixado de lado, digamos assim. Como 
estabelecido no artigo 3º:
Fica estabelecida a seguinte proteção dos elementos listados: 
I - Para os edifícios descritos no Art. 2º, incisos II, IV, V, VI a proteção 
recai sobre fachadas, volumetria e a estátua do Conde Matarazzo 
defronte ao Edifício Francisco Matarazzo; 
II - Para o edifício descrito no Art. 2º, inciso III (Ermelino Matarazzo) 
a proteção recai sobre fachadas, volumetria, escada com piso de 
mármore de Carrara, com guarda-corpos de ferro ornamentados 
e corrimãos de madeira e remanescentes da claraboia original e o 
busto de Ermelino Matarazzo com a respectiva placa comemorativa 
em travertino; 
III - Para o edifício descrito no Art. 2º, inciso VII (Capela), a proteção 
recai sobre fachadas, volumetria e áreas internas; 
IV - Para o edifício descrito no Art. 2º, inciso VIII (Maternidade) a 
proteção recai sobre fachadas e volumetria do corpo principal 
simétrico, o espaço do saguão do térreo, o esquema de circulação 
em “U” de ambos os pavimentos e o busto de mármore de D. 
Filomena Matarazzo; 
V - Para o elemento descrito no Art. 2º, inciso IX (Eixo articulador), 
a proteção recai sobre a manutenção da conexão visual de uma 
ponta à outra do eixo; (Resolução N 5/2014)
Na resolução N 5/2014 também consta que qualquer 
intervenção e proposta de intervenção a ser realizada no local deve 
ser relatada e previamente analisada e aprovada pelo Departamento 
de Patrimônio Histórico e pelo CONPRESP. As intervenções 
devem também seguir as linhagens de preservação patrimonial e 
69
principalmente os princípios de distinguibilidade e reversibilidade. 
Como descrito no artigo 4:
III - As novas intervenções deverão valorizar a qualidade dos espaços
criados; 
IV - As novas intervenções deverão buscar conciliar-se e não apagar 
totalmente as marcas de intervenções pretéritas que buscaram 
linguagens que unificassem o conjunto, especialmente quando da 
construção da maternidade nos anos 1940;
IX - Fica contemplada a possibilidade das intervenções a seguir 
exemplificadas, porém não limitadas a elas apenas, desde que 
criteriosamente justificadas para a valorização do bem tombado e 
que estejam graficamente expressas com clareza: 
a) Compatibilizações no interior dos edifícios para 
atualização de espaços e/ou materiais; 
b) Demolições de elementos não listados, construções 
de novos edifícios dentro do perímetro de proteção e 
intervenções paisagísticas, cujas relações resultantes 
deverão ser valorizadoras dos elementos listados e da 
qualidade ambiental do sítio; 
c) Os projetos para os espaços não edificados do conjunto 
deverão pautar-se pela percepção das relações visuais, 
funcionais e perceptivas estabelecidas entres os elementos 
listados.
X - Fica sujeita à aprovação a instalação elementos de paisagismo, 
identificação e elementos publicitários no interior do perímetro de 
proteção; 
XI - Fica sujeita à aprovação a instalação de elementos de mobiliário 
urbano e publicidade em seus passeios e vias de comunicação 
limítrofes; (Resolução N 5/2014)
É possível perceber o quanto a resolução é favorável ao grande 
empreendimento que está sendo construído atualmente no local, 
dado que ela não restringe as novas obras e somente alerta sobre 
o que deve ser feito quanto a preservação e manutenção do que já 
existe. Como descrito acima no subitem b do item IX do artigo 4.
Logo, em relações legais, a obra está correta. Porém ainda 
temos dúvidas sobre sua repercussão e se as medidas tomadas para 
o empreendimento são de fato as melhores. No capítulo seguinte 
trataremos como a situação foi e está sendo lidada com o público.
 
70
 A obra da “Cidade Matarazzo” é fechada e restrita ao investidor, 
empresas, construtoras e trabalhadores envolvidos. Por experiência 
própria, percebe-se que o acesso público é seletivo, e precisa-se de 
um grande motivo para visitá-la. O local foi poucas vezes aberto 
ao público para visitar os antigos hospitais, e muito menos para 
ver a obra. Para a autora ter acesso e poder escrever este trabalho 
foi preciso de uma enorme quantidade de e-mails, telefonemas, 
persistência e paciência. Enfim conseguiu entrar no local e mesmo 
assim havia muitas informações restritas e que não poderiam ser 
compartilhadas, como alguns processos e documentos presentes no 
CONDEPHAAT11. 
 O que se tem de registro público sobre a “Cidade Matarazzo” 
são as audiências públicas feitas na Câmara Municipal de São Paulo, 
referentes a tópicos e debates sobre as obras na cidade que podem 
gerar interesse ou impactar a população. Segundo a prefeitura de 
São Paulo, as audiências públicas são instrumentos de participação 
popular garantidos pela Constituição Federal de 1988, regulados 
pela lei Orgânica do Município (SÃOPAULO).
 A revisão de tombamento do Hospital Umberto I foi assunto 
na prefeitura e CONDEPHAAT por anos, desde 1986-2013 (WATANABE, 
2016). Antes da revisão ser concluída e autorizada, houve diversas 
outras propostas de arquitetos para mudanças de usos na área 
e recuperação do local, cada uma registrada em um processo 
diferente, e as propostas não foram aprovadas. Todas as propostas 
apresentadas antes da revisão de tombamento foram negadas, pois 
não atendiam aos termos da resolução de tombamento de 1986. 
Somente em 2014 que a revisão é concluída, após a compra do 
imóvel pelo Boulevard Matarazzo empreendimentos e participações 
Ltda., em 2011 (processo 64865/2011 no CONDEPHAAT). 
O artigo de Watanabe (2016) explica muito bem os trâmites 
internos relativos ao caso do Hospital Umberto I, trazendo toda a 
cronologia de processos, desde 1986 até 2013, processos estes que 
não tive acesso (devido ser considerado particular).
 Os registros encontrados das audiências relativas ao projeto 
da “Cidade Matarazzo” foram poucos. São eles sobre: a proposta 
inicial do projeto (2013) e o embate com o Condephaat e sobre a 
proposta do “Boulevard da Diversidade” (2019). As audiências sobre 
2.3 As questões relativas aos procedimentos de debate público da proposta
71
o projeto costumam ser propostas pela Comissão de Política Urbana, 
Metropolitana e Meio Ambiente, que é composta por 7 vereadores. 
 Em outubro de 2013 a audiência pública teve como tema 
a nova utilização que se daria ao antigo Hospital Umberto Primo 
(Hospital Matarazzo). Trouxe a discussão da resolução de tombamento 
de 1986 que estava sendo debatida, já que ela impedia o processo 
de instalação dos novos equipamentos, o hotel de luxo e o centro 
cultural. Estava presente um representante dos moradores da Bela 
Vista, o vereador Marco Aurélio e a vice-presidente do Condephaat. 
Segundo o representante dos moradores eles estavam de acordo 
com a proposta, pois possivelmente seria a última opção de 
preservação do imóvel, o vereador também estava de acordo. Mas a 
vice-presidente do Condephaat, Valéria Rossi, acredita que o projeto 
estava em desacordo com algumas determinações da resolução, que 
posteriormente foi revista, possibilitando o empreendimento.
 Em outubro de 2019 foi realizada uma audiência pública para 
discutir um acordo de cooperação para a construção do “Boulevardda Diversidade”, da Associação São Paulo Capital da Diversidade junto 
ao empreendimento da “Cidade Matarazzo”. A arquiteta e urbanista 
autora do projeto, Adriana Levisky, o defendeu dizendo que o projeto 
valorizará o pedestre, os moradores do bairro também se mostraram 
a favor. Os comerciantes e moradores da Av. Paulista apresentaram 
dúvidas em relação aos impactos que o projeto teria na região. Foi 
constatado pelo vereador propositor da audiência, José Police Neto, 
que é necessário mais debates entre a associação e os moradores: 
A Câmara se colocou como mediadora desta discussão, 
trazendo o Executivo, os empreendedores e a sociedade. 
Não me parece haver divergência na vontade de fazer uma 
cidade melhor, para os pedestres, com espaços de encontro. 
A questão é como fazer e como encontrar a solução para o 
problema que a cidade já tem. (POLICE em SÃO PAULO)12 
 
Na audiência de outubro de 2019, a arquiteta e urbanista 
Adriana Levisky explica e defende o projeto para a Câmara e para as 
associações de moradores. 
 
Em 2016, começa o primeiro protocolamento na Secretaria de 
Transporte para justamente saber se, do ponto de vista técnico 
da operação do trânsito, era viável se propor um projeto como 
esse. Então, só após o avanço dessa análise é que se deu, então, 
a perspectiva viável de haver o avanço dos projetos para que ele 
pudesse ser desenvolvido.” (LEVISKY, audiência 11/10/2019, fl.9)
“A associação tem como objetivo final uma doação à Prefeitura 
desse projeto. Dos 130 milhões desse investimento, 46,4 milhões 
correspondem à execução das obras e 83 milhões à manutenção 
ao longo de 30 anos. Esse é o formato que foi apresentado para 
apreciação da Municipalidade.” (LEVISKY, audiência 11/10/2019, fl.5)
72
“No Condephaat e no Conpresp, o fato de haver essa sinergia 
proposta de fruição entre o público e o privado, e pelo fato de o 
empreendimento do Cidade Matarazzo ser um bem tombado e o 
desejo de remoção de muros para poder promover essa integração, 
houve a necessidade de fazer o protocolamento nos dois órgãos 
de patrimônio – estadual e municipal – solicitando interferências 
nesses muros. Então, essas intervenções também foram, cada uma 
em seu processo, aprovadas – uma em março, outra em julho de 19. 
(LEVISKY, audiência 11/10/2019, fl.11)
O presidente da Associação São Paulo Capital da Diversidade, 
Jaques Brault – empreendedor francês e CEO do Grupo Allard – 
explica o empreendimento e o surgimento da associação:
Associação São Paulo Capital da Diversidade, foi criada em 2015, pela 
cidade Matarazzo, no âmbito de promover valores de cidadania, de 
educação, de inclusão social, de proteção do meio ambiente e de 
sustentabilidade. É uma associação sem fins lucrativos e que está 
fazendo um projeto extraordinário, que nunca foi feito na história 
de São Paulo e no Brasil mesmo, não temos outro exemplo no 
mundo. (BRAULT, audiência 11/10/2019, fl.12)
O representante da população paulistana, Rodrigo Pereira, 
questiona a participação pública do diálogo: 
O que está faltando é diálogo. Não tem nenhuma crítica do 
empreendimento. É positivo para a sociedade, é positivo para a 
circunscrição que tem a sua obra. Mas como é que fica a conversa 
com a população local? É isso que está faltando. E essa audiência 
pública vem inaugurar esse momento. (PEREIRA, audiência 
11/10/2019, fl.15)
Fernando Cohen, representante de dois edifícios comerciais 
na área da instalação do túnel se mostra contra e aponta falta de 
discussão, divulgação e aviso aos comerciantes da região antes da 
aprovação do projeto, pois foram apresentados ao projeto somente 
quando este já estava aprovado e pronto. 
Os Edifícios Miami Center e Luma são altamente impactos pelo 
projeto. Nós estamos encravados no túnel. Não nos foi informado 
em qualquer momento, ou discutido, qual é o impacto desse túnel 
para o nosso dia a dia. E somos dois edifícios comerciais. (COHEN, 
audiência 11/10/2019, fl.16)
A advogada Rafaela Galletti e representante dos moradores 
da paulista se posiciona contra a construção do túnel, pois não houve 
discussão com os moradores e frequentadores da região, foi imposto 
pelo empreendimento, e por enquanto só se mostrou benéfico a ele. 
O meu grande questionamento é por que os locais não foram 
chamados. Essa integração, tão propalada, não houve com quem 
já está na reunião. Eu contesto essa integração, porque, se uma 
pessoa não é capaz de fazer integração com seu vizinho imediato, 
como o Edifício Eluma, como o Edifício Miami Center, como os 
edifícios residenciais, é difícil entender que isto vai funcionar – a 
não ser que seja, na parte da obra pública, uma extensão do próprio 
empreendimento, para ficar mais bacana, entre aspas.
O que eu quero dizer é o seguinte: eu preciso, ainda, em nome dos 
73
moradores da região da Paulista e de todo o entorno, me convencer 
e que sejamos convencidos de que o boulevard e o túnel são bons 
para nós, também, que são bons para a região e não funcionam 
apenas como um calçadão para tornar o empreendimento, que já é 
lindo, que já é de primeiro mundo (GALETTI, audiência 11/10/2019, 
fl.21)
Os moradores da região foram notificados pelo 
empreendimento, e estão, em sua maioria, de acordo com o túnel e 
obras a serem realizadas. Porém o representante da associação dos 
moradores da Bela Vista pede um diálogo maior sobre as questões 
do impacto anteriormente mencionadas, considerando que a av. 
paulista é a conexão entre a área central e esta será afetada. Francisco 
Gomes do Conseg. Higienópolis e Vila Buarque diz que “não está 
havendo transparência com os moradores, que são os grandes 
concernidos.” (GOMES, audiência 11/10/2019, fl.31) Além do relato 
de Gomes, houve o relato, controverso, de dois moradores da região, 
Beto Lago e Marcus Vinícius: 
O que eu sei é que vai ter uma feira com os móveis mais caros que 
existem em São Paulo, a moda vai ser a moda mais elitista, o próprio 
local é de luxo, isso é o que está sendo falado pela Cidade inteira. 
Então, só me preocupa além de todas essas questões é ser usado 
o nome da diversidade no projeto que de diversidade não vai ter 
nada. É um projeto para a elite paulistana em minha opinião. (LAGO, 
Audiência 11/10/2019, fl. 33)
Eu fico feliz aqui, porque todo mundo falou que o projeto da 
Cidade Matarazzo é importante para a Cidade e para todos nós. 
Eu posso assegurar que não é um projeto elitista. Eu sou de classe 
média e espero inclusive frequentar o local. (VINÍCIUS, audiência 
11/10/2019, fl.34)
 Houve diversas opiniões controversas, mas a crítica mais 
apontada pelos comerciantes e moradores era sobre a construção 
do túnel, e não de todo o empreendimento. Para finalizar, o poder 
público respondeu as dúvidas e deu seu parecer. Os empreendedores 
e a prefeitura ficaram responsáveis pela divulgação e disponibilização 
de informações para os civis. 
 No término da audiência de outubro foi relatado que seria 
necessária uma outra audiência. Esta ocorreu em novembro de 2019, 
exatamente um mês depois da primeira, para responder as dúvidas 
e questionamentos da população pelo poder público e pelos 
responsáveis do projeto.
 No começo da audiência o advogado que representa os 
edifícios comerciais já expõe seu argumento sobre como o túnel não 
é necessário para a população no momento e que ele pode alterar 
massivamente o trânsito e a maneira de habitar no local. O túnel é 
polêmico e desnecessário, levando em consideração a distância de 
74
um quarteirão que ele ocuparia, além de apresentar problemas de 
execução, segundo Fernando Koin Krounse Dentes. Em resposta 
a Fernando o presidente da Associação São Paulo Capital da 
Diversidade, Jacques Brault, começa a mostrar seu ponto de vista. 
Brault defende o projeto dizendo que ele é exclusivo e beneficiário 
ao público, um investimento privado que prevê o bem e qualidade de 
vida geral, global. Após o presidente da associação, Adriana Levisky 
assume a fala com uma apresentação com as respostas e explicações 
técnicas dos questionamentosdas outras audiências. 
Buscando-se checar a viabilidade técnica dessa proposta para, a 
partir de então, de um processo amadurecido, atendendo a uma 
série de comunique-se e uma série de correções para poder chegar 
a um grau de maturidade que pudesse ser apresentado como uma 
manifestação de interesse social. (LEVISKY, audiência 11/11/2019, 
fl.17)
 A audiência de novembro tem se mostrado mais esclarecedora 
em relação ao projeto do túnel, e menos venda e propaganda do 
mesmo aos usuários e habitantes da região. Os representantes de 
moradores ainda se posicionam contra a construção do túnel e contra 
a falta de transparência pública relativa ao projeto, e não a proposta 
urbanística em si, apontam que talvez, o investimento poderia ser 
para manter e requalificar outros ambientes públicos em vez de 
construir um novo, apontam também que o túnel irá afetar muito 
o trânsito da região de uma maneira negativa. Os moradores que se 
posicionam a favor saem como beneficiários do projeto proposto 
pois aumentará, indiretamente, o valor do imóvel em que habitam. 
O arquiteto e urbanista Roberto Toffoli, responsável pela parte 
patrimonial do empreendimento argumenta sobre a questão.
Construímos uma forma ou uma ideia do que é qualidade de cidade,
de como produzir cidade com qualidade. Isso nasceu no
empreendimento Cidade Matarazzo, que é um empreendimento
privado dentro de um terreno privado e onde esses conceitos foram
maturados e avançam numa proposta de interesse público.
(TOFFOLI, audiência 11/11/2019, fl.29)
E depois disso houve outras reuniões com a CET e o projeto foi 
sendo muito adaptado de acordo com o que a CET pediu. Quero 
fazer outra introdução pequena para vocês. São Paulo tem 22 ou 
23 passagens em desnível, túneis ou passagens subterrâneas. Só 
três ou quatro foram feitas para favorecer pedestres. Em todas as 
outras só se pensou em automóvel. Esse é um detalhe importante 
para lembrarmos que esse projeto não é para carro. Esse projeto é 
para pedestre. Só que temos de dar uma solução para o fluxo da 
São Carlos do Pinhal - que como muito bem foi dito - que é uma 
via muito importante principalmente em casos de interrupção da 
Paulista. (SOLA, Michel, audiência 11/11/2019, fl.31)
Estamos questionando uma obra declarada de interesse público, 
mas que é claramente particular, como ficou claro para a defesa dos 
seus interesses. (DENTES, Fernando, audiência 11/11/2019, fl.50)
75
 O vereador José Police Neto propõe, ao final da audiência, 
uma reunião técnica para fazer a revisão do projeto feita pelos 
técnicos que haviam se apresentado, em um período de 15 dias após 
a audiência. Essa revisão levaria em conta os conflitos mencionados 
pelos moradores, para fazer uma nova proposta e depois a apresentar 
a eles. Reunião marcada para o dia 21 de novembro de 2019 na 
secretaria das subprefeituras. 
 Com base no relato dos registros das audiências mencionadas 
percebe-se que a divulgação da obra do Boulevard foi tardia, quando 
o projeto já estava aprovado e prestes a ser executado. Parte da 
população da região tinha conhecimento e aprovava a obra, a outra 
parte não foi devidamente noticiada e consultada e por essas e outras 
razões não estavam de acordo com as obras. Temos os relatos do 
Boulevard da Diversidade, de suas audiências, discussões e polêmicas 
geradas, o que é extremamente positivo. Porém, não temos muitas 
informações (pelo menos não as encontrei), das audiências públicas 
referentes ao projeto da “Cidade Matarazzo”, da recuperação dos 
edifícios antigos e da construção da Torre Rosewood, o que de fato é 
curioso. Porque não discutir esse projeto (já que ele servirá a todos, 
supostamente) abertamente ao público? Porque não se encontra os 
processos no Conpresp? Existe isso de processo privado ao dono, que 
no caso é o investidor? O público, pesquisadores e a população toda 
de uma maneira geral deveria ter acesso a esses processos, desde a 
compra do terreno pelo Grupo Allard. Essas questões públicas me 
inquietam profundamente, considerando que deveriam ser de fácil 
acesso, principalmente quando é um patrimônio histórico que está 
em questão, e não são13.
76
Como a pesquisa apresentada tem um caráter crítico, será 
feita a comparação da obra da “Cidade Matarazzo” com outros casos 
que apresentam similaridades em programa de necessidades e 
questões arquitetônicas. O primeiro tópico é um caso do mesmo 
arquiteto que projetou a Torre Mata Atlântica, Jean Nouvel, com 
uma torre com identidade visual parecida com a que vem sendo 
construída na “Cidade Matarazzo”. No segundo tópico são abordados 
quatro diferentes projetos internacionais que possuem um programa 
de necessidades e dimensão similares ao da “Cidade Matarazzo”, 
tornando a pesquisa mais ampla internacionalmente e trazendo 
novos projetos e arquitetos para a discussão (figura 50). O terceiro 
tópico é um caso nacional e está situado na cidade de São Paulo, 
próximo da obra Matarazzo, na Av. Paulista, e é a Casa das Rosas, 
evidenciando um projeto relativamente bem executado na área e 
que também possui uma torre no terreno. O quarto e último tópico 
também é um caso nacional, mas evidenciará uma intervenção que 
não foi bem executada. 
2.4 Estudos de caso: projetos com programas similares de intervenções em 
 conjuntos patrimoniais
Fig. 50: Mapa-mundi com 
localização de todos os estudos 
de caso a serem analisados. 
Desenvolvido pela autora
77
2.4.1 One Central Park, Sidney, Austrália
 A escolha do projeto na Austrália foi devida similaridade 
no programa de necessidades e para o estudo ter um projeto do 
mesmo arquiteto presente na “Cidade Matarazzo” como referência. O 
projeto é prioritariamente residencial, mas possui também uma ideia 
de parque, faz parte de um projeto de desenvolvimento chamado 
Fraser’s Broadway, fundado pela multinacional Fraser’s Property, em 
um terreno industrial, visando valorizar a área (figura 51). 
O projeto, concluído em 2014, é composto por duas grandes 
torres, com plantas e árvores na fachada compondo o paisagismo 
e criando um parque no térreo. Uma torre é de apartamentos 
residenciais e com 34 andares, a outra tem 12 andares (figura 52), 
entre elas, temos um andar comercial em comum. Juntas, formam 
uma paisagem vertical construída em colaboração com o artista e 
botânico Patrick Blanc, contando que 50% da fachada é composta 
por plantas.
Essa paisagem prolonga verticalmente o parque urbano que 
se tem ao lado (figura 53), o que cria para os habitantes do local uma 
grande qualidade de vida. As plantas ajudam na climatização dos 
apartamentos, pois controlam a insolação direta, de acordo com as 
estações (bloqueiam a insolação intensa no verão e permitem sua 
entrada no inverno). 
Este projeto é similar com a “Cidade Matarazzo” pois além de 
ser projeto do mesmo escritório francês, possui um conceito parecido, 
de trazer o parque para a fachada. A torre e o parque são ligados por 
um terraço, e no piso inferior tem uma praça com um shopping que 
tem a presença de diversas marcas de lojas e restaurantes, o “One 
Central Park Mall”, que oferece acesso direto ao centro comercial e ao 
parque (figura 54). 
Fig. 51: Mapa de localização do One 
Central Park, em roxo Fonte: Google 
Maps
78
Fig. 54: Entrada do “One Central Park Mall”. Fonte: 
Google Maps Street View. Acesso abril de 2020
Fig. 52: Torres do complexo “One Central Park” em 
Sydney, Austrália. Disponível em: JEAN NOUVEL.
Acesso: 27 de março de 2020
Fig. 53: Torres do One Central Park ao fundo, parque 
à frente. Disponível em: JEAN NOUVEL. Acesso: 27 de 
março de 2020.
79
O programa e partido é parecido nos dois projetos, tem-
se a parte comercial e a parte residencial. A comercial na “Cidade 
Matarazzo” promete ser mais elitizada, o que acaba os diferenciando 
um pouco, mas o princípio é o mesmo, de se ter várias funções no 
mesmo ambiente.
Segundo a descrição no site de Jean Nouvel, o projeto integra 
de maneira inédita a arquitetura de paisagem e a das torres, e oferece 
à Sydney umaarquitetura nova e icônica que simboliza o futuro da 
vila (JEAN NOUVEL)14.
Essa última frase do parágrafo anterior chama atenção pois 
a “promessa” da “Cidade Matarazzo” é muito parecida, de ser algo 
inédito na cidade de São Paulo, de ser o futuro e inovar a paisagem 
com uma arquitetura diferente da que vem sendo feita na região e no 
Brasil. Mas será que vai cumprir essa promessa de vendas?
2.4.2 Casos com outros arquitetos
Neste tópico do segundo capítulo será abordado projetos 
de grande escala e que misturam o uso residencial com o comercial, 
igual temos na “Cidade Matarazzo”, porém sem tanto foco na questão 
cultural e de restauro. Não há em si uma edificação a ser restaurada, 
mantida ou revitalizada nesses projetos, porém todos estão situados 
em importantes localidades das suas cidades, e próximos de pontos 
turísticos importantes e históricos. 
O primeiro projeto a ser analisado aqui faz parte do complexo 
mencionado anteriormente, é o Duo Central Park, em Sidney. Fica 
ao lado do One Central Park, porém foi projetado pelo escritório 
americano Foster + Partners. O segundo projeto também é dos 
escritórios Fosters + Partners, na cidade de Washington, Estados 
Unidos, se chama “City Center DC”. O terceiro projeto não está 
concluído e se apresenta em construção, é do arquiteto espanhol 
Santiago Calatrava, situado em Londres, Inglaterra. O último projeto 
a ser abordado aqui é em Milão, Itália, do escritório americano 
Skidmore, Owings and Merril (SOM) e tem previsão de conclusão 
para 2022.
80
2.4.2.1 Duo Central Park, Sidney, Austrália
 O Duo Central Park, concluído em 2018, está ao lado do One 
Central Park, no distrito de Chippendale em Sidney (figura 55 e 56). 
É uma proposta majoritariamente residencial, conectada com uma 
maneira de habitar luxuosa, segundo o catálogo de vendas do site 
do empreendimento (CENTRALPARKSIDNEY)15.
 O escritório americano Fosters + Partners foi convidado 
para fazer o projeto por conta da seu histórico de projetos bem 
sucedidos. Segundo o site do escritório, o Duo Central Park é uma 
parte crucial para todo o desenvolvimento do empreendimento 
Central Park em Sidney. Explicam o plano do empreendimento, que 
envolve um bairro histórico e edificações antigas:
The masterplan extends the historic area of Chippendale by 
reinstating the original grid to unite the formerly closed-off land to 
the north with its surroundings. The new piece of city is anchored 
by the retention of a number of existing heritage buildings and 
historic features. (FOSTERS+PARTNERS)16
O Duo Central Park é composto por duas torres adjacentes e 
oferece novos espaços públicos e áreas comerciais. As torres definem 
os usos e possuem uma materialidade similar a das edificações do 
seu entorno para não se distoarem tanto. Possui uma rua interna para 
valorizar o caminhar do pedestre na região. São 313 apartamentos de 
luxo e o edifício oferece espaços de lazer, como academia e piscina, 
além de um espaço infantil e do hotel 5 estrelas. A arquitetetura da 
torre projetada por Fosters + Partners é extremamente diferente da 
de Jean Nouvel. As propostas de uso são semelhantes, mas a torre 
do complexo Duo veio para trazer inovação e luxo para o local, logo 
a sua estética e materialidade é mais limpa, não possui as plantas na 
fachada e tem bastante uso do vidro e possui brises para proteção 
(figura 57). 
É possível comparar a dimensão da torre com as edificações 
mais antigas ao lado, o que causa um grande impacto visual. A nova 
torre chama maior parte da atenção, deixando as edificações mais 
antigas em segundo plano. Com vista da rua, é possível notar também 
a diferença entre as fachadas dos dois complexos, One e Duo Central 
Park (figura 58).
Apesar de fazerem parte do mesmo “parque”, o One Central 
Park e o Duo Central Park não tem similaridades estéticas entre 
si, afinal, são de épocas e arquitetos diferentes e representam o 
estilo desses. Sidney possuía esse distrito industrial, que estava 
abandonado e queriam o revitalizar, trazer as pessoas para lá de 
81
Fig. 55: Mapa de localização do Duo Central Park, em 
roxo. Fonte: Google Maps
Fig. 58: Visão do pedestre das duas 
torres, One Central Park e Duo 
Central Park. Fonte: Google Maps 
Street View. Acesso abril de 2020
Fig. 57: Fachada de uma das torres do Duo Central 
Park. Fonte: Fosters + Partners. Disponível em: https://
www.fosterandpartners.com/projects/duo-central-
park/#gallery Acesso 01 de abril de 2020
Fig. 56: Imagem retratando a proximidade 
do One Central Park com o Duo Central 
Park. Fonte: Central Park Sidney. Disponível 
em: https://www.centralparksydney.
com/explore/building-central-park/duo-
brochure Acesso 01 de abril de 2020
82
maneira agradável, por isso a ideia da parceria comercial/residencial 
e público/privada. Algo semelhante acontece na “Cidade Matarazzo”, 
tínhamos um espaço grande e disputado na região central e mais 
visitada da cidade de São Paulo em estado de abandono. Porém, a 
escala dos dois projetos em Sidney, comparada com a da “Cidade 
Matarazzo”, é diferente. Em Sidney se tinha espaço para construir as 
quatro torres e para adequar todo o programa no local. A “Cidade 
Matarazzo” se apresenta em um terreno com edificações já existentes, 
antigas e tombadas, o que faz com que apresente “complicações” e 
“problemas” de projeto a serem resolvidos não só na prancheta mas 
como, principalmente, nas questões legais e nos órgãos municipais, 
como visto anteriormente.
Fig. 59: Mapa de localização 
do “City Center DC”, em verde. 
Fonte: Google Maps
83
Fig. 60: Maquete de 
desenvolvimento 
da proposta, com 
foco na praça 
central e os edifícios 
a “protegendo”. 
F o n t e : 
Fosters+Partners. 
Acesso 02 de abril 
de 2020
2.4.2.2 City Center DC, Washington, Estados Unidos
 Ainda no mesmo conceito de complexos e empreendimentos 
multiusos, com residências e lojas temos o “City Center DC” em 
Washington, nos Estados Unidos, (figura 59). 
O projeto, que se iniciou em 2006 e foi concluído em 2014, 
é do escritório americano Fosters + Partners, tem sua localização 
privilegiada por estar no final do centro da cidade e em certos 
pontos oferecer vista para a Casa Branca. O partido do escritório 
foi “transformar o terreno em pequenas quadras para pedestres, 
valorizando o caminhar e trazendo uma conexão com o centro e com 
os bairros históricos e residenciais” (FOSTER+PARTNERS)17. 
O escritório pensou em 4 edifícios de uso misto, composto 
por escritórios, condomínios, restaurantes e lojas. Segundo o site, foi 
projetado pensando na escala humana, em contraste com a área de 
entorno. São edifícios com no máximo 10 andares que protegem a 
praça e o espaço público central (figura 60).
Segundo o site do escritório: “a alta densidade e uso misto 
é desenhada para aproximar todos os setores, criando uma área 
amigável para os pedestres” (FOSTERS+PARTNERS)18.
As entradas ao complexo são chamativas e atraentes, entre 
duas edificações e em baixo de passarelas, com a presença de 
intervenções artísticas como balões e luzes para incentivar o pedestre 
a utilizar este espaço (figuras 61 e 62). Existem lojas de diversos tipos, 
mas assim como os projetos anteriormente mencionados e o projeto 
da “Cidade Matarazzo”, visa bastante o mercado de luxo, com lojas 
de grife e alta costura, presentes no espaço aberto, proporcionando 
qualidade e chamando a atenção dos usuários (figura 63).
84
A parte residencial do complexo propõem o maior 
aproveitamento de luz e qualidade de vida possível. Os apartamentos 
possuem planta aberta, alguns possuem até mesmo terraços e 
varandas para extender à área de lazer para o exterior. O condomínio 
residencial oferece luz, espaço, ventilação e amenidades em espaços 
em comum:
The building design maximizes natural light through the use of open 
plan layouts while terraces and balconies offer an extension of the 
living area to the outdoors. The Residences at CityCenterDC include: 
Light -- Each unit has floor to ceiling glass designed 
toallow light to diffuse deep into the residence. Solar 
shades also help to control the amount of light in the 
residence without obstructing views from the windows. 
Space -- The circulation was designed to consider how a resident 
lives and moves through the home, with multiple paths between 
rooms leading to an overall connectedness within the open layout. 
Air -- Every home has at least one 6 feet wide sliding door, that 
opens to invite fresh air inside. All residences feature a balcony, 
Juliet balcony, or terrace to provide access to outdoor space. 
Amenities -- Residents of CityCenter enjoy a vast array of amenities 
designed by Foster + Partners including a fitness center, spa treatment 
room, wine cellar & tasting room, conference room, lounges with 
catering kitchens, private parking, and an extensive roof park with 
a water feature, outdoor kitchens, an outdoor dining room, picnic 
sections, a fire-pit, and sundeck (RESIDENCESATCITYCENTER)19
O design do espaço das residências do City Center DC foi 
elaborado para uma determinada classe social e usuários, assim como 
os demais projetos já mencionados nesse trabalho. Os apartamentos, 
que variam de tamanho e lay-out, vão de studios a 1-3 quartos (figuras 
64-67), possuem mobiliários e ambientes pensados pelo escritório 
Fosters + Partners, com materialidades caras e designs rebuscados, 
voltados para o luxo no habitar.
O complexo City Center DC é um bom exemplo de 
empreendimento multiuso próximo de uma área histórica, pois 
traz sim um bom ambiente de passeio. Temos diversos pontos em 
comum, como a grande presença do verde e a venda desse espaço 
como qualidade de vida, luxo e segurança. Tem-se um escalonamento 
entre as torres com a presença da vegetação, trazendo movimento, 
algo semelhante com a “Cidade Matarazzo”, com sua fachada não 
uniforme na Torre Mata Atlântica. 
Os interiores das edificações foram todos desenhados e 
projetados pelos arquitetos, o que agrega um alto valor, já que 
utilizaram os melhores materiais e design inovador, assim como 
Starck pretende fazer na “Cidade Matarazzo”. Logo, com ele é possível 
imaginar como será o empreendimento em São Paulo, considerando 
que eles apresentam diversos pontos em comum na questão de uso 
e propósito.
85
Fig. 63: Lojas de 
grife localizadas no 
pátio interno. Fonte: 
Forsters+Partners. Acesso 
02 de abril de 2020
Fig. 61: Uma das entradas 
ao complexo. Fonte: 
Google Maps Street View. 
Acesso abril de 2020
Fig. 62: Outra entrada 
do complexo. Fonte: 
Forsters+Partners. Acesso 
02 de abril de 2020
86
Fig. 64: Um dos modelos de planta 
para o studio. Fonte: Apartaments 
at City Center DC. Acesso 02 de 
abril de 2020
Fig. 65: Um dos modelos propostos 
de 1 quarto e 1 banheiro. Fonte: 
Apartaments at City Center DC. 
Acesso 02 de abril de 2020
87
Fig. 66: Um dos modelos 
de planta proposto para 
2 quartos e 2 banheiros. 
Fonte: Apartaments at 
City Center DC. Acesso 02 
de abril de 2020
Fig. 67: Modelo proposto 
para 3 quartos e 2 
banheiros. Fonte: 
Apartaments at City 
Center DC. Acesso 02 de 
abril de 2020
88
2.4.2.3 London Peninsula Place, Londres, Inglaterra 
 Outro exemplo a ser estudado é o London Peninsula Place, 
em Londres na Inglaterra (figura 68). Projeto iniciado em 2016, pelo 
arquiteto e engenheiro espanhol Santiago Calatrava, e ainda está 
em construção, sem previsão de término até o momento.
 O projeto de Calatrava possui um programa de necessidades 
similar aos demais já apresentados. Será um novo marco na cidade 
e, segundo o site do arquiteto, irá transformar a península de 
Greenwich, que já é um local emergente em cultura na cidade de 
Londres.
 Envolve uma intervenção urbana, além da arquitetural, “terá 
novas estações de ônibus e metrô, assim como um novo centro de 
entretenimento e encontro com cinema, teatro, bares, restaurantes 
e lojas. Junto do complexo, que será composto por 3 torres de 
trabalho, apartamentos e hotéis” (CALATRAVA)20.
Fig. 69: Exterior da Arena O2/
Millenium Dome atualmente. 
Fonte: Google Maps Street View
Fig. 68: Mapa de localização do 
projeto London Peninsula Place, 
em azul marinho, situado na 
península de Greenwich. Fonte: 
Google Maps
89
 O projeto na área da península de Greenwich é o maior 
projeto de regeneração de uma área na cidade de Londres. Um 
investimento de 8.4 bilhões de libras, da empresa Knight Dragon 
(focada em regenerar bairros e em desenvolvimento urbano), para 
transformar a área e criar mais de 15.000 habitações em 7 novos 
bairros com ajuda de outros profissionais e arquitetos. Segundo 
o site21, o projeto de Calatrava será “o portal para a península e 
evidenciará a ambição para todo o distrito”.
 As 3 torres propostas pelo arquiteto se localizam ao lado da 
“Arena O2”, antigo espaço chamado Millenium Dome (figura 69-71), 
que foi projetado e construído pelo escritório do arquiteto Richard 
Rogers (Roger Stirk Harbour + Partners) em 1999 para comemorar 
a virada do milênio, voltado para exposições de arte. Atualmente a 
arena funciona com lojas e restaurantes no seu interior. O projeto 
para a península de Greenwich trará e incentivará as pessoas a 
visitar e habitar esse local.
Fig. 71: Imagem 
com inserção 
do projeto de 
Calatrava na 
paisagem urbana, 
ao lado da 
Arena O2. Fonte: 
C A L A T R A V A . 
Acesso 02 de abril 
de 2020
Fig. 70: Imagem 
das torres 
projetadas por 
Santiago Calatrava. 
Fonte: CALATRAVA. 
Acesso 02 de abril 
de 2020
90
 É possível observar na imagem anterior que a península de 
Greenwich já é bastante densa, com presença de altas edificações, 
o que faz com que a proposta de Calatrava não seja tão invasiva na 
paisagem. O tipo de arquitetura é diferente da já existente no local, 
mas se insere de maneira harmônica. É um projeto de grande escala 
que vai interferir bastante na dinâmica da região e da cidade de 
Londres, assim como os outros apresentados em suas respectivas 
localidades. Quanto a sua relação com a “Cidade Matarazzo”, ela vem 
com o partido inovador, da maneira que se pensa esse novo espaço 
frente uma cidade já densa, mas o que é positivo para Londres é a 
falta de conjuntos históricos na área desse empreendimento, pois 
torna mais fácil de executar o projeto. 
91
2.4.2.4 Corso Itália, 23, Milão, Itália
O último exemplo e estudo de caso internacional a ser 
abordado é um em Milão, na Itália (figura 72), que ainda está na fase 
de concepção. Tem previsão para conclusão no ano de 2022. É o 
Corso Itália, 23 do escritório americano Skidmore, Owings and Merrill 
(SOM), que venceu o concurso internacional para o projeto.
O exemplo italiano é diferente dos anteriores pois é uma 
renovação da antiga sede da Allianz em Milão (figura 73). A sede 
da Allianz era voltada para o uso comercial e foi projetada nos anos 
1960 por três arquitetos italianos, Gio Ponti, Piero Portalupppi e 
Antonio Fornaroli. O projeto vai transformar a área de 45.000m² em 
um complexo de escritórios, portanto, diferente dos projetos vistos 
anteriormente, não terá residências nem lojas na área e manterá o 
uso original da edificação.
Fig. 73: Corso Itália atualmente 
(2019), como sede da Allianz. 
Fonte: Google Maps Street View. 
Acesso abril de 2020
Fig. 72: Mapa de localização do 
Corso Itália,23, em azul claro. 
Fonte: Google Maps
92
Fig. 75: Fachada da edificação principal do projeto, 
com a transparência evidenciada. Fonte: SOM. Acesso 
02 de abril de 2020
Fig. 74: Inserção do projeto do escritório SOM na 
paisagem de Milão. Fonte: SOM. Acesso 02 de abril 
de 2020
93
Segundo o site da Allianz: “o objetivo é criar um campus na 
cidade, sendo um melhor lugar para trabalhar, com novas tecnologias 
inseridas, em uma edificação inteligente, onde os usuários poderão 
escolher quais gostariam de integrar dependendo das suas 
necessidades” (ALLIANZ)22. 
O projeto do escritório SOM se baseia em princípios do 
arquiteto Gio Ponti e conceitos já existentes na edificação, como 
a conexão entre a cidade e o seu interior, mas criando uma novaidentidade. O foco do projeto é nas pessoas e na relação interior/
exterior, com espaços flexíveis e adaptáveis às necessidades e 
demandas de cada escritório. O pátio central será redesenhado 
e formará o “coração do campus”, pois nele que acontecerão as 
atividades de lazer e descanso dos funcionários e será aberto para 
o público. O campus conterá uma academia, centro de negócios e 
praça de alimentação (CORSOITALIA23).
As medidas de intervenção nas edificações históricas 
pensaram no custo, inovação e sustentabilidade. O grau de 
intervenção a ser feito em cada edificação depende do valor de cada 
uma para ao campus. O edifício principal, que será a entrada, será 
inteiro reformado para se tornar um objeto translúcido (figura 74 e 
75).
Segundo o site do SOM: “o design pensado por eles traz uma 
oportunidade histórica de reinserir a área do Corso Itália como um 
novo lugar de trabalho no bairro para a cidade, concretizando Milão 
como uma das metrópoles mais vibrantes da Europa e catalisando o 
desenvolvimento” (SOM)23.
O escritório pensou bastante na questão patrimonial e de 
como intervir de maneira respeitosa, como já dito antes, pensando 
no valor de cada edifício. Segundo eles a maneira que lidam com 
o patrimônio é “compreendendo os valores e elementos chaves da 
arquitetura e design original da edificação”. Para eles “preservação 
é administrar as mudanças, reconhecendo que alguma adaptação 
é necessária para as edificações continuarem em uso ao longo do 
tempo e isso deve ser levado em consideração, garantindo que o 
espírito original seja mantido”, dizem que “é preciso achar o equilíbrio 
entre patrimônio, inovação, sustentabilidade, custo e identidade” 
(CORSOITALIA23)24.
Os novos edifícios serão “Smart” (inteligentes), atendendo 
aos quesitos tecnológicos e sustentáveis. Milão é conhecida pela sua 
arquitetura, arte e, principalmente, moda e o projeto elaborado por 
94
SOM se destaca na paisagem histórica da cidade, dado que é do século 
21. Um projeto dessa escala a transformará também em uma cidade 
de trabalho. A proposta de SOM, que será construída, é bastante 
inovadora, porém apresenta muitos conceitos clássicos, justamente 
para tratar da questão histórica e patrimonial. O escritório se norteia 
bastante no valor patrimonial das edificações, mas acredito que na 
realidade o edifício proposto não atende muito essas questões. Será 
uma estrutura e edificação completamente nova a ser inserida no local 
da antiga de 1960, a linguagem é contemporânea, com uso de muito 
vidro e transparência, garantindo a relação do interior com a cidade, 
ela é mais alta que o entorno, se destaca na paisagem da cidade. Este 
projeto evidencia uma maneira de intervir em edificações e bairros 
existentes, mesmo com uma intervenção completamente nova, trará 
uma outra vida ao bairro.
Cada projeto mencionado aqui tem sua contribuição para o 
estudo e análise de caso da “Cidade Matarazzo”. Todos apresentam 
boas e diferentes abordagens de como intervir em um meio urbano 
já denso e existente, assim como criar diferentes arquiteturas em 
programas similares. Eles foram escolhidos por mostrarem maneiras 
de intervenção no patrimônio das cidades, sendo alguns mais 
respeitosos do que outros, que são mais invasisos e desconsideram 
a história.
Fig. 76: Mapa de localização 
da Casa das Rosas, em 
laranja. Em vermelho 
a localição da “Cidade 
Matarazzo”. Fonte: Google 
Maps. Acesso abril de 2020
95
2.4.3 Casa das Rosas, São Paulo, Brasil 
A Casa das Rosas foi escolhida como estudo de caso pois 
apresenta uma história semelhante a do Hospital Matarazzo, assim 
como a proposta que foi desenvolvida para salvar o patrimônio 
edificado da demolição, após este ser abandonado. Além da 
semelhança em relação à maneira de lidar com o patrimônio edificado 
ela é situada na mesma cidade e muito próxima do estudo de caso, 
na Av. Paulista (figura 76). 
Situada na Av. Paulista, do lado oposto a “Cidade Matarazzo”, 
também sofreu com o tempo e evolução da cidade. Foi construída 
em 1935, pelo famoso escritório do arquiteto Ramos de Azevedo, 
para sua própria família habitar. 
Funcionou como residência até meados dos anos 1980, mesma 
data de decadência do Hospital Matarazzo. Foi então tombada pelo 
Condephaat em 1985 com a Resolução SC 57/85. Na resolução consta 
que a edificação é remanescente do primeiro período de ocupação 
da avenida paulista, como dito no artigo 1:
Fica tombado como bem cultural de interesse histórico-arquitetônico 
o imóvel situado na Av. Paulista, no 37, nesta Capital, exemplar 
tardio remanescente do período cafezista, construído na década 
de trinta, através de projeto e construção sob a responsabilidade 
do Escritório Severo Villares, e cujas características correspondem à 
tipologia predominante na primeira fase de ocupação da Avenida 
no início do presente século, no que se refere à concepção espacial 
do edifício e ocupação do lote. (Resolução SC 57/85)25
Atualmente a Casa das Rosas (figura 77) é um museu voltado 
para a literatura brasileira, desde 2004 quando foi inaugurada, leva 
o nome do poeta Haroldo de Campos. Tem como missão “Promover 
o conhecimento, a difusão e a democratização da poesia e da 
literatura, incentivando a leitura e a criação artística, preservando e 
Fig. 77: Fachada da Casa das 
Rosas. Foto: Milena Leonel. 
Disponível em: https://
re f u gi o s u r b a n o s. co m . b r /
casas-predios/casa-das-rosas/ 
Acesso 03 de abril de 2020
96
problematizando o patrimônio histórico-cultural que abriga, tanto o 
arquitetônico quanto o acervo Haroldo de Campos” (CASADASROSAS).
O que se assemelha ao caso da Cidade Matarazzo é o fato da 
intervenção realizada no local ter sido inédita na época, e fizeram no 
fundo do terreno um prédio comercial, o Condomínio Edifício Parque 
Cultural Paulista (figura 78), para interagir com o restante da avenida, 
que havia se transformado majoritariamente em comércio e serviço.
 
A Casa das Rosas já dividia espaço com prédios comerciais, bancos, 
edifícios modernos e o característico trânsito de pessoas e veículos. 
Ameaçado de demolição, o casarão foi preservado em ação inédita 
no Brasil. Na parte do terreno que dá para a Alameda Santos, foi 
liberada a construção de um moderno edifício comercial enquanto 
a casa foi restaurada e transformada pelo Estado de São Paulo em 
espaço cultural, inaugurado no ano do centenário da Avenida 
Paulista, 1991. (CASADASROSAS)26 
O prédio comercial no lote da Casa das Rosas tem um gabarito 
alto devido o instrumento urbano de transferência do direito de 
construir, podendo usar o potencial construtivo do lote, já que a Casa 
das Rosas pertence a ZEPEC.
A edificação no fundo do lote da Casa das Rosas não é 
polêmica, ao meu ver, pois funciona perfeitamente bem neste local. 
A sua interferência na paisagem acontece de maneira harmônica, 
Fig. 78: Imagem do edifício 
comercial ao fundo do 
terreno. Fonte: Google 
Maps Street View. Acesso 
abril de 2020
97
ela passa despercebida ao pedestre que caminha na avenida e 
visita a Casa. É positiva também para quem trabalha no local, que 
para adentrar no edifício caminha pelos jardins da Casa e tem um 
grande contato com a edificação histórica. Possui uma harmonia na 
paisagem, que se dá pela neutralidade dos materiais que compõem 
a sua fachada, inteira de vidro azul, refletindo o céu e seu entorno, a 
disfarçando. A fachada possui sim suas complicações em questões 
térmicas e ambientais, mas foi uma boa solução de projeto, na época, 
como intervenção no patrimônio.
A Casa das Rosas é um grande exemplo de parceria público 
privada na cidade, pois a edificação antiga pertence ao Estado, 
fornece um programa cultural a toda a sua população e junto 
temos o edifício comercial funcionando e aproveitando o espaço e 
potencial construtivo. Mas será que esse instrumento urbanístico é 
viável para todas as edificações históricas, já que torna possível criar 
grandes torres ao lado delas? Se não for bem pensado e elaborado 
pode afetar muitoa edificação em questão e seu entorno. A “Cidade 
Matarazzo” utiliza o mesmo instrumento para a construção das novas 
torres, e não posso falar aqui que o projeto não foi bem pensado, 
considerando que ficou anos em elaboração e em análise pelos órgãos 
municipais, mas de fato a intervenção a ser feita no local impactará 
muito a região, e ainda é cedo dizer que será só de maneira positiva. 
Veremos mais sobre o caso da “Cidade Matarazzo” no capítulo 3.
98
2.4.4 Projeto Novo Recife, Recife (PE), Brasil
Neste capítulo vamos tratar o novo empreendimento 
imobiliário que se quer construir na cidade de Recife, capital de 
Pernambuco. O Projeto Novo Recife está localizado no centro da 
cidade, uma área que totaliza 101.000m² (figura 79), a proposta 
é de criar grandes torres para habitação, comércios e serviços, 
voltados para uma elite. É um consórcio entre as empresas Moura 
Dubeux Engenharia, Ara Empreendimentos Imobiliários, GL 
Empreendimentos e Queiroz Galvão Construção, no terreno Cais 
José Estelita, que constava com galpões e armazéns (figura 80) 
pertencentes à Rede Ferroviária Federal S.A..
Fig. 80: Área de construção 
do empreendimento com 
os armazéns. Fonte: Google 
Maps Street View. Acesso 
abril de 2020
Fig. 79: Mapa de localização 
do projeto Novo Recife, 
em amarelo. Fonte: Google 
Maps Street View. Acesso 
abril de 2020
99
O projeto é uma parceria público-privada que vem sendo alvo de 
críticas e polêmicas desde a compra do terreno pelas 4 empresas. 
Por todos os seus impactos – sociais, ambientais, na paisagem 
e no patrimônio histórico e cultural –, o projeto tem sido alvo de 
críticas de grupos e organizações da sociedade civil contrários à sua 
implementação. (ROLNIK, 2014)
O terreno foi leiloado em 2008 e em 2012 houve a primeira 
proposta de empreendimento. A área é significativa, historicamente, 
socialmente e culturalmente para a cidade, esta que é considerada 
patrimônio mundial pela UNESCO. A construção deste 
empreendimento luxuoso modificará a região e possivelmente 
excluirá parte da população. 
Desde 2014, quando as construtoras começaram a demolição dos 
antigos galpões, a obra ganhou repercussão e protestos no local, o 
que fez com que a demolição parasse por um tempo. A obra ficou 
parada, por motivos legais, até 2017, nesses anos o Movimento Ocupe 
Estelita fazia manifestações e a ocupava. Em 2018 os assuntos legais 
estavam sendo resolvidos pelas autoridades e em 2019 foi emitido 
um novo alvará de demolição dos galpões, a obra continuaria com a 
ajuda do Iphan. 
(Em março de 2019) o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico 
Nacional (Iphan) concluiu o levantamento histórico do Cais José 
Estelita, dentro do processo de licenciamento ambiental do projeto, 
finalizando, assim, o embargo imposto desde 2014 ao projeto. De 
acordo com o Iphan, desde o início do embargo, foi feita uma série 
de exigências ao consórcio, que foram atendidas. 
O órgão informou, ainda, que a área em questão não é valorada 
como Patrimônio Ferroviária e nem tombada pela União e, por isso, 
compete ao instituto avaliar o impacto do empreendimento ao 
patrimônio arqueológico no escopo do licenciamento ambiental. 
(G1 – PE)27
A demolição de dois galpões foi concluída e começaram as obras 
do Mirante do Cais e do Parque do Cais em 2019. O empreendimento 
propõe, além das torres com uso misto, um parque com variados 
espaços de convivência, ciclovias e espaços de caminhada “65% de 
todo o terreno será da população, que vai ganhar parques novinhos 
em folha, com muito verde, ciclovias e espaços de convivência.” 
(MOURADUBEUX). 
Após a polêmica envolvendo os galpões da antiga ferrovia 
eles incluíram no discurso de vendas a preservação de alguns deles, 
para fornecer espaços públicos a população e incluíram a questão 
patrimonial.
O projeto Novo Recife prevê a preservação de um conjunto de
galpões próximo ao Viaduto das Cinco Pontas além das antigas
casas dos funcionários e a oficina de eletrotécnica. Esses espaços
100
Fig. 81: Visão de todo o projeto 
do Novo Recife na área do Cais. 
Fonte: Ara Empreendimentos. 
Acesso abril de 2020
 serão administrados pelo poder público e pela iniciativa privada, 
ou seja, vão ser transformados em museus, cafés, comércio.
Os 13 edifícios que irão compor o projeto Novo Recife respeitam a
paisagem urbana. As edificações que ficam mais próximas do bairro
de São José terão uma altura bem menor, de 12 pavimentos, além
de um recuo de 50 metros em comparação com os primeiros
edifícios que ficam próximos ao Cabanga Iate Clube. Tudo para não
perdermos a total vista do centro histórico. (MOURADUBEUX)
O projeto consta com 13 torres e uma nova implantação na 
área, mais arborizada e voltada ao pedestre. Ao contrário do discurso 
das construtoras, o local irá sim afetar a paisagem urbana de uma 
maneira drástica. Por mais que tenham diminuído a altura de algumas 
torres, como conjunto, elas formarão uma barreira na margem da 
cidade (figura 81). 
Bloqueiam a visão do mar, da cidade e do pedestre, trazem 
complicações climáticas, como o bloqueio do sol e corredores de 
vento.
A implantação do projeto (figura 82) tem suas qualidades, 
beneficia o pedestre, o caminhar e reúne os serviços em um só local. 
Porém, a grande crítica relacionada ao projeto é quem irá usufruir de 
toda essa infraestrutura considerada pública. 
A parte residencial do projeto já está em comercialização 
e construção, as edificações Mirante do Cais e Parque do Cais. O 
complexo Mirante do Cais é um projeto composto por duas torres 
(figura 83) com uma extensa área de lazer e infraestrutura de alta 
qualidade, com apartamentos de 262m² e de 268m² (figura 84).
101
O Parque do Cais é uma torre mais baixa e localizada ao 
lado das anteriores (figura 85). A torre do Parque do Cais tem uma 
infraestrutura mais simples, com menos áreas comuns que a do 
Mirante do Cais e possui apartamentos menores, de 32 m² e de 61m², 
voltado para um público mais jovem.
O empreendimento do Novo Recife se vende como o futuro e 
a nova maneira de habitar e usar o espaço do Cais José Estelita, mas a 
população que mudar para esse local será pequena, será a classe alta 
e média alta. O espaço não vai atender as pessoas de vulnerabilidade, 
que tanto lutaram para que a obra não fosse realizada. 
O empreendimento feito em Recife e o que está sendo feito 
em São Paulo, a “Cidade Matarazzo”, tem proporções diferentes, 
apesar de um programa de necessidades similar. O projeto de Recife, 
inicialmente, desconsiderou a questão local da história e patrimônio, 
e é muito mais invasivo visualmente, já que propõe várias torres no 
terreno, além disso, não apresenta uma proposta cultural concreta 
para os armazéns que desejam manter, apresentam somente 
um parque/praça integrado às edificações. O projeto da “Cidade 
Matarazzo” fez o contrário, iniciou-se baseado na questão cultural e 
histórica do antigo Hospital Matarazzo, isso esteve e está presente 
desde sempre no discurso do empreendimento, assim como as 
iniciativas para a promoção da arte. Outra grande diferença entre 
os dois projetos é o envolvimento da população, em Recife parte 
da população vulnerável da cidade se mobilizou contra a obra, 
o que inclusive fez ela parar por um tempo, houve uma discussão 
sobre o que seria melhor fazer na área, mesmo que as demandas 
da população não fossem atendidas posteriormente. Na “Cidade 
Matarazzo” não houve esse envolvimento da população na discussão 
do empreendimento, os investidores apresentaram a proposta aos 
moradores, à prefeitura e aos órgãos patrimoniais, ela foi aceita 
após revisões e começaram as obras, sem protestos e contradições. 
Porém, como já se sabia em Recife, as novas construções e novos 
usos propostos no local irão mudar e afetar a maneira de habitar e 
visitar a região, que será, provavelmente, mais elitizada, mesmo com 
os equipamentos destinados a cultura.
O capítulo a seguir tratará de maneira crítica o empreendimento 
da “Cidade Matarazzo”, levando em consideração tudojá visto até o 
momento. 
102
Fig. 83: Renderização das duas 
torres que compõem o complexo 
Mirante do Cais. Fonte: Moura 
Dubeux. Acesso 07 de abril de 
2020
Fig. 82: Implantação de todo o 
projeto do Novo Recife na área 
do Cais. Fonte: Ara Empred. 
Acesso abril de 2020
103
Fig. 85: Renderização da torre do Parque 
do Cais. Fonte: Moura Dubeux. Acesso 
07 de abril de 2020
Fig. 84: Planta de pavimento tipo da 
torre norte do complexo Mirante do 
Cais. Fonte: Moura Dubeux. Acesso 07 
de abril de 2020
104
105
No último e terceiro capítulo é abordado o projeto da Cidade 
Matarazzo de maneira crítica, a partir de alguns critérios de análise. 
Os critérios têm como base a obra, o projeto e o patrimônio, levando 
em consideração tudo o que foi apresentado anteriormente. 
O primeiro critério a ser analisado aqui foi a maneira que a 
obra lidou com a questão patrimonial das edificações já existentes 
e o seu impacto na paisagem. O segundo critério trata do método 
construtivo adotado para a obra. O último critério a ser visto tem 
como base o projeto como instrumento social e como foi mostrado 
e vendido para o público, com uma análise da edição sobre o 
empreendimento na revista L’Architecture D’Aujourdhui, além da 
maneira em que ele é apresentado nas redes sociais. 
A “CIDADE MATARAZZO”: 
 ANÁLISE CRÍTICA DAS ESTRATÉGIAS PROJETUAIS
3.
106
Aqui será visto como foi realizado na prática, após as 
diretrizes dos órgãos patrimoniais municipais, a restauração do 
complexo de edifícios hospitalar e da capela. Foi analisado o caso 
com representações gráficas e mapas de demolição e restauração 
da capela, maternidade e hospital (Anexo I), com as informações 
coletadas pela autora. Vale lembrar que a autora não teve acesso 
ao processo principal do empreendimento, por ser considerado 
particular e de acesso privado (ver nota 11).
Segundo os níveis de preservação dados pelo CONPRESP e 
pelo CONDEPHAAT a capela presente no complexo é a única que 
deve ser preservada de maneira integral. Logo, está sendo feita toda 
a restauração dela, da fachada, interiores e elementos decorativos, 
como as estátuas e anjos. A restauração da capela chamou muita 
atenção quando se optou por criar uma nova fundação e estrutura 
abaixo dela, a suspendendo. Essa suspensão da edificação original 
foi uma escolha adotada na obra para preservar sua estrutura, 
travando-a. 
A solução encontrada foi do professor Mário Franco. Usou-
se a seguinte metodologia: travou-se toda a estrutura com viga 
sanduíche, mais 4 tubulões de cada lado, a cada 50 metros. Depois 
foi feito um processo de hidrojateamento para descolar a capela da 
terra. A fundação da capela, originalmente, era rasa, e para mantê-la 
intacta e ao mesmo tempo instalar o subsolo foi feita uma fundação 
profunda. Colocaram um novo piso, que é a laje de transição, pois, 
segundo Roberto Toffoli (consultor de patrimônio da obra), nenhum 
elemento do piso antigo valia preservar, além do altar. 
A grande obra de aumentar a fundação foi realizada com o 
sistema “top&down” (começa de cima para baixo, conforme se escava 
coloca-se a estrutura de travamento) de escavação. Houve uma 
monitoração das trincas no interior da capela, assim como das fissuras 
novas que poderiam surgir com a adaptação da nova estrutura. Esse 
sistema foi extremamente ousado e custoso para a obra da “Cidade 
Matarazzo”, foi uma realização de engenharia de fato única, fora do 
comum, principalmente ao se lidar com um patrimônio. 
A capela, como dito anteriormente, é a única edificação do 
complexo que precisava ter sua preservação total, e poderia somente 
sofrer pequenas alterações no interior, o que aconteceu com a troca 
3.1 Intervenção e patrimônio
107
do piso. Foi uma solução muito bem pensada, porém não diria que 
foi cautelosa. A grande ambição do projeto previa o subsolo para 
cinema e estacionamento, e por isso a decisão de descer tantos 
metros abaixo da capela. Por mais que a realização tenha sido feita 
aos poucos, com muita tecnologia envolvida e com bons profissionais 
e acompanhamento técnico, foi uma intervenção na construção de 
quase 100 anos que poderia sim ter feito muitos danos.
Na minha visão, as obras de restauração da “Cidade Matarazzo” 
foram todas baseadas no quesito de ousadia e grandiosidade. As 
edificações que mais “sofreram” com o empreendimento, em questão 
estrutural, foram a capela e a maternidade devido a inserção da Torre 
Mata Atlântica e da Casa Bradesco da Criatividade estar mais próximas 
a elas do que ao pavilhão do hospital. De uma maneira geral houve 
um respeito das obras ao patrimônio, pois essa questão foi pensada 
por diversos arquitetos da área antes de ser executada. Optou-se 
por focar em duas áreas, a superfície com o conjunto histórico e a 
sua restauração levando em consideração os princípios e diretrizes 
de restauração e o subsolo, que foi pensado para ser aproveitado ao 
máximo com espaços contemporâneos. (AYOUB, Helena, julho 2014)
Seguindo a teoria de Brandi, vista no capítulo 2, o restauro 
da capela, da maternidade e do hospital na “Cidade Matarazzo” 
optou por retirar alguns elementos e restaurar outros na medida do 
possível. A retirada do piso original da capela, por exemplo, quando 
aberta ao público vai evidenciar uma realidade diferente da que era 
antigamente, podendo criar uma ilusão e um falso histórico.
Na visita feita ao local de obras com o consultor de 
patrimônio, Roberto Toffoli, foi dito que a linha de restauro seguida 
no empreendimento é a restauro-conservativa, onde se mantém 
as fissuras e a história que a edificação passou. Para isso, foi preciso 
fazer a inspeção em todos os edifícios tombados, que foram então 
registrados e formalizou-se as intervenções e a restauração de cada 
um.
A área do lobby do hotel ficará no subsolo da maternidade e 
para manter a fachada foi necessária uma solução similar à da capela. 
Fizeram uma estrutura de sustentação, estilo mão-francesa, para 
a marquise e pórtico. Houve o escoramento da laje, anastilose dos 
pisos internos e de algumas peças de mármore. O estacionamento 
será em volta da maternidade em todo o subsolo. A restauração 
das fachadas da maternidade já começou, quase 50% da edificação 
já está restaurada (final de 2019, atualmente – 2020 – já está com 
108
a restauração quase completa), assim como a escada de mármore, 
que marca sua circulação vertical. A maternidade teve parte de 
sua edificação demolida, para ser possível implementar a Torre 
Mata Atlântica. Essa edificação demolida era um anexo, o qual 
foi considerado de grau 3 de preservação na nova resolução de 
tombamento, permitindo a demolição.
O restauro do pavilhão de hospitais será o último da obra, 
e consta em restaurar a fachada, janelas, esquadrias e cobertura. 
O interior do hospital, como mencionado no primeiro capítulo do 
trabalho, será inteiramente modificado, restando somente o corredor 
original como eixo articulador de conexão entre os edifícios que o 
compõem, mantendo o senso de conexão entre as edificações. O 
pavilhão hospitalar se tornará um centro comercial, com a presença 
de lojas muito famosas e algumas de luxo, próximo a ele terá também 
o mercado orgânico.
Com a análise do Anexo I foi possível notar que o restauro foi 
feito com base no tombamento e respeitou ao máximo, nos limites 
do empreendimento, a história e edificações originais. Claramente 
houve mudanças e adaptações, mas acredito que a memória 
principal do complexo hospitalar e maternidade Matarazzo vai ser 
mantida, dado que foi com base na história do local que se começou 
o empreendimento.
No próximo tópico abordamos a Torre Mata Atlântica com 
mais profundidade e o seu método construtivo.
109
Neste tópico do capítulo 3 foi analisado principalmente o 
método construtivo da Torre Mata Atlântica e foi feita uma análise 
de partido da Casa Bradesco da Criatividade, assim como o mercado 
orgânico. Para a realização deste tópico foi feita uma análise da planta 
e cortes disponíveisda Torre Mata Atlântica (Anexo II).
Na visita de campo realizada em setembro de 2019 foi possível 
obter dados sobre o sistema construtivo da Torre. A gerenciadora das 
obras no local é a empresa Tessler Engenharia. A Torre possuirá uma 
ligação com a edificação da antiga maternidade, a qual se tornará 
a entrada e lobby do hotel, abaixo das duas e da capela terá um 
estacionamento de 8 subsolos (figura 86). 
A questão construtiva da obra chama bastante atenção 
devido a inovações de engenharia, já que está lidando com uma pré-
existência que não se pretende demolir. Para a realização do lobby do 
hotel e dos subsolos foi preciso suspender a maternidade e a capela, 
travando a estrutura do existente e as descolando da terra com 
hidrojateamento. Para o estacionamento foi feita uma escavação de 
132.462m³, uma fundação de 5.148m³, a estrutura de concreto possui 
12.176m³ e as paredes de retenção são de 5.148m³. Para a realização 
da Torre foi preciso de uma escavação de 62.000m³, estrutura de 
concreto de 14.423m³ e paredes de retenção de 3.000m³28.
A Torre Mata Atlântica não possui pavimento tipo, a planta 
que foi analisada no Anexo II mostra a quantidade de apartamentos 
em um determinado pavimento, que totalizam 7. Sendo os dois 
nomeados como “G” os que são duplex, possuem terraço e telhado 
jardim. Os dois nomeados como “M”, são os com duas suítes (as suítes 
são compostas de quarto, banheiro e closet, uma delas também 
tem cofre), e os três restantes foram nomeados como “P”, uma suíte 
(quarto, banheiro, closet e cofre). São um total de 647 terraços 
diferentes em toda a torre.
A Torre foi realizada com concreto armado autoadensável 
(figura 87), o qual possui um custo mais elevado, mas o acabamento 
é superior ao convencional. Foram feitas as escadas e o sistema de 
circulação vertical antes da concretização das lajes, sendo assim, 
houve uma máxima vedação das fôrmas, para isso foi preciso de 
mais logística e de uma mão de obra adequada, o que também 
elevou o custo da obra. Nas áreas aparentes da torre a materialidade 
3.2 Método construtivo e inovações
110
será o concreto pigmentado, que possui maior duração e menos 
manutenção.
A obra foi dividida em duas partes, a chamada “shell&core”, 
relativa à estrutura e ao concreto, e a “fitout”, relativa ao acabamento 
e aos espaços interiores. A primeira etapa foi a “shell&core”, e foi 
realizada pelas empresas de engenharia e construtoras, está para 
ser finalizada. Ao finalizar a primeira etapa entra a de “fitout”, que 
é realizada pela Triptyque, Philippe Starck e Ateliers de France, nos 
interiores, móveis e acabamentos.
Junto da construção da torre está sendo feita a elaboração da 
Casa da Criatividade e do mercado orgânico, que foram analisados no 
anexo III. A Casa da Criatividade atualmente se tornou a Casa Bradesco 
da Criatividade, tendo o banco brasileiro como patrocinador. O 
mercado orgânico acontecerá no corredor lateral do terreno, ao lado 
do complexo de edificações, em frente a capela.
A Casa Bradesco da Criatividade será um local para fazer 
exposições de arte de artistas brasileiros e internacionais, terá em seu 
subsolo um auditório para peças de teatro e musicais. O espaço faz 
parte de uma das edificações do complexo hospitalar, com o interior 
modificado e pensado de uma maneira contemporânea para abrigar 
o programa de necessidades artístico. Será criado o auditório em 
dois níveis abaixo do térreo, como mostra o corte do anexo III e a 
estrutura já existente será adaptada para se tornar uma grande área 
de exposições. O local apresentará também uma área infantil, para 
as crianças exercerem sua criatividade e uma área para o “clube da 
criatividade”, o qual o propósito não ficou muito claro, mas será onde 
os artistas e o curador poderão se reunir para definir as exposições. 
A intervenção da Casa Bradesco da Criatividade se mostra menos 
invasiva do que a da maternidade e a da capela, está de acordo com 
Fig. 86: Imagem em modelo 
BIM do empreendimento, 
em corte, mostrando 
os subsolos. Fonte: 
INFRAFM. Disponível em: 
https://infrafm.com.br/
Textos/1/19579/Conhea-
o-megacomplexo-Cidade-
Matarazzo Acesso 29 de 
abril de 2020
111
a nova resolução de tombamento, mantendo a fachada da edificação 
original e alterando somente o seu interior, de maneira bastante 
inovadora por Rudy Ricciotti.
Além da Casa Bradesco da Criatividade, o centro comercial do 
empreendimento também é projeto de Rudy Riccioti e possui uma 
inovação na sua construção. A fachada do edifício será envidraçada, 
mas coberta por “cipós” de concreto e por um paisagismo, a integrando 
com o restante do empreendimento. O centro se integra com a Torre 
Mata Atlântica e com a capela, tendo também um uso no subsolo, 
com o auditório, salão de festas e locais de “bem estar” (anexo III). 
Será uma edificação de 5 andares, com um lobby amplo e podendo 
ter até 30 inquilinos por laje29, podendo ter lay-outs variados. Ao 
vender o centro comercial eles já traçam um perfil de inquilino que 
poderia utilizar o local, o que evidencia a questão do uso restrito e 
com uma classe social em foco.
O mercado orgânico é onde acontecerá as trocas e a 
convivência no empreendimento ao ar livre, promete trazer artesãos 
brasileiros para vender seus produtos, além da participação do 
projeto Horta Social Urbana. Assim como toda a proposta de 
empreendimento o mercado orgânico também trouxe um nome 
importante na sua concepção, a dupla de designers dos irmãos 
Campana, famosos internacionalmente com seus designs de móveis 
diferenciados. 
Os irmãos Campana pensaram o local como um diálogo entre 
o urbano e a natureza, propondo uma intervenção com elementos 
lúdicos e sensoriais (na materialidade dos mobiliários), se basearam 
em memórias de suas próprias infâncias para o design dos carrinhos 
e mobiliários a serem inseridos (L’Archictecture D’Aujourd’hui, 
Montpellier, França, p.16-19, 2019). 
Fig. 87: Esquema da 
estrutura da torre, 
em destaque as 
áreas com concreto 
pigmentado. Fonte: 
Apresentação da 
Cidade Matarazzo. 
25 de setembro de 
2019
112
Acredito que a importância do mercado orgânico vai além 
da questão da natureza presente no meio urbano e denso da cidade 
de São Paulo e da “Cidade Matarazzo” que se está construindo. Ele 
representa o pensamento e o povo brasileiro, pois é praticamente 
o único elemento do empreendimento pensado por brasileiros. Os 
irmãos Campana se ativeram ao fato da diversidade e pensaram em 
integrar elementos nacionais. Ao meu ver, o mercado orgânico poderá 
ser um dos locais mais ricos de troca presente no empreendimento, 
pois a presença de diversos artesãos brasileiros e da Horta fará com 
que ele se torne acessível a – praticamente – todos os usuários da 
cidade de São Paulo, enquanto os demais espaços pensados podem 
se tornar mais restritos. 
113
Neste tópico temos uma análise do marketing da “Cidade 
Matarazzo”, como foi a divulgação do empreendimento na mídia 
e nas redes sociais, analisando, principalmente, a edição da revista 
L’Architecture D’Aujourdhui sobre o empreendimento. A revista é 
uma produção francesa e foi adquirida pela autora em uma viagem 
de estudos e lazer para Paris. O fato da revista ser de fácil acesso no 
exterior e ser escrita em francês e em inglês limita o público que tem 
acesso a esse conteúdo. Não só é preciso ter conhecimento de uma das 
duas línguas como é preciso ter os meios (financeiros) para a adquirir, 
além da venda no mercado brasileiro, que se houve, deve ter sido com 
poucos exemplares e em livrarias e bancas selecionadas, dado que 
não a encontrei em território nacional. Isso mostra que a divulgação 
do produto, vulgo empreendimento da “Cidade Matarazzo”, é muito 
mais voltada para o exterior, para grandes investidores internacionais 
e pessoas “poderosas” de todo o mundo do que realmente para o 
povo brasileiro, a quem se diz ser esse empreendimento. Veremos 
mais sobre essa questão a seguir. Porém, após o lançamento impresso 
da revista no exterior, o sitedo empreendimento foi atualizado e 
colocaram, na parte dos “transformadores”, as entrevistas com os 
agentes diretos do empreendimento, em português, mas não temos 
a versão completa da revista.
Alexandre Allard é investidor na L’Architecture D’Aujourdhui, 
o que torna bem claro que o discurso sobre o empreendimento seria 
positivo e uma maneira de divulgar o projeto. A revista apresenta 
uma série de entrevistas e citações, com os arquitetos, urbanistas, 
paisagistas, designers, e outros personagens envolvidos no projeto, 
que estão listados abaixo:
•	 Alexandre Allard – empresário e visionário do 
empreendimento, presidente do Grupo Allard
•	 Adriana Levisky – arquiteta e urbanista
•	 João Doria – governador de São Paulo
•	 Bruno Covas – prefeito de São Paulo
•	 Fernando e Humberto Campana (irmãos Campana) – 
designers, pensadores do mercado orgânico
•	 Antoine Courtois – presidente Ateliers de France
•	 Marcelo Rosembaum – designer
•	 Louis Benech – paisagista 
•	 Benedito Abbud – paisagista 
•	 Jean Nouvel – arquiteto da Torre Mata Atlântica
3.3 Projeto social e maneira de venda ao público
114
•	 Rudy Ricciotti – arquiteto do Centro Comercial e da Casa 
Bradesco da Criatividade
•	 Maurício Linn Bianchi – diretor de construção da “Cidade 
Matarazzo”
•	 Philippe Starck – arquiteto e designer dos interiores da Torre 
Mata Atlântica
•	 Radha Arora – presidente da rede Rosewood Hotels & 
Resorts
•	 Marcello Dantas – diretor de arte
•	 Marc Pottier – diretor de arte
•	 Swiss Beatz – artista musical americano
•	 Sandra Cinto – artista
•	 Vik Muniz – artista
•	 Arne Quinze – artista/escultor, torre/totem Tupi
•	 Oskar Metsavah – fundador da Osklen e “goodwill 
ambassador” da UNESCO 
•	 Morena Leite – chef
•	 Pierre Hermé – chef/confeiteiro
•	 José Neves – CEO Farfetch
•	 Susanne Tide-Frater – diretora de estratégia Farfetch
•	 Anthony Koi – investidor e operador de shoppings 
•	 Hubert de Malherbe – designer dos interiores da parte 
comercial do empreendimento
•	 Chafik Gasmi – designer/arquiteto
•	 Jacques Brault – CEO Cidade Matarazzo
Foi feita a leitura da edição da “Cidade Matarazzo” na revista 
diversas vezes. A cada vez percebia-se uma certa repetição no 
discurso de palavras com conotações positivas. Por conta disso, 
algumas palavras foram selecionadas para se realizar a contagem 
de quantas vezes apareciam ao longo de toda a revista. São essas 
palavras: experiência, cultura, criatividade, único, diversidade, 
design, beleza, luxo, arte, histórico, ambição, brasilidade, magia 
e identidade. Foi possível perceber que as palavras “criatividade”, 
“identidade”, “diversidade”, “cultura” e “identidade” vieram muitas 
vezes acompanhadas com a palavra brasileira depois, adjetivando. 
A palavra “experiência” aparece mais quando se descreve o novo 
sistema de compras a ser implantado no local, na área do complexo 
de hospitais. A palavra “único” vem como descrição do projeto, do 
local. “Design” e “beleza” estão presentes praticamente no mesmo 
discurso, são associados, assim como o “luxo”. “Luxo” aparece mais 
quando se fala sobre o hotel e as lojas a serem instaladas. Já a palavra 
“magia” é mais utilizada por Philippe Starck, que se mostra muito 
poético ao explicar sua colaboração no projeto. A tabela a seguir 
mostra a contabilização das palavras.
115
Tabela 2: Palavras chave citadas na revista L’Architecture 
D’Aujourdhui
Fig. 88: Nuvem 
de palavras com 
base na tabela. 
Realização da 
autora no site 
“ W o r d C l o u d s ”. 
Disponível em: 
h t t p s : / / w w w .
wordclouds.com/ 
Acesso 20 de 
outubro de 2020
Palavras Quantidade
Experiência 36
Cultura 23
Criatividade 23
Único 21
Diversidade 18
Design 16
Beleza/”beauty” 16
Luxo 13
Arte 13 
História/histórico 11
Ambição 11
Brasilidade 5
Magia/”magic” 4
Identidade 3
116
Com base na tabela e na nuvem de palavras (figura 88) 
apresentadas anteriormente é possível perceber que o discurso 
da revista se vende pela experiência cultural proposta no 
empreendimento. É com base nela, na cultura e na criatividade que o 
projeto se norteia. O que garantirá o espaço como “único”, o primeiro 
hotel 6 estrelas da américa latina, a maior revitalização já feita no 
Brasil, e assim vai. A próxima categoria de palavras mais mencionadas 
é ligada a beleza, qualidade, arte, luxo e design, o que de fato é algo 
que podemos notar desde o lançamento do projeto. “Diversidade” 
tem um número alto de aparições, o que faz sentido, pois não só o 
programa de necessidades do complexo é bastante diversificado 
como os agentes envolvidos neles são muitos. Têm-se os agentes 
franceses, brasileiros, arquitetos, urbanistas, designers, paisagistas, 
artistas, curadores e vendedores, é com certeza um projeto que 
envolve muitas pessoas, mas mesmo assim parte da população 
paulistana não se vê representada nele, o que é algo a se pensar. 
A questão da história é mencionada várias vezes, mas não se 
mostra como a mais importante para o projeto, porém, acredito que 
deveria, considerando que é a razão de investimento, é a norteadora 
para todo o projeto se concretizar. Parece que a história foi usada 
como desculpa para a realização desse enorme empreendimento, e 
não foi tão considerada como gostariam, pois tudo que será feito, 
instalado e exposto será novo ao complexo. 
A palavra “brasilidade”, curiosamente, aparece muito pouco, 
assim como a palavra “identidade”, mas não é esse projeto que visa 
evidenciar o que há de mais belo no Brasil? Porque aparece somente 5 
vezes no discurso? Há, portanto, contradições no próprio discurso de 
divulgação, se o fato da brasilidade é o que se julga mais importante 
para a obra, porque não aparece tanto? Acredito que a possível 
resposta seja porque não temos ainda mais profissionais brasileiros 
envolvidos no processo criativo, da proposta, e sim pois boa parte 
deles só estão envolvidos como mão de obra, e na área de execução.
Ao analisar as redes sociais do empreendimento, 
principalmente o Instagram (@cidadematarazzo), é nítido perceber 
que eles postam a história, contando sempre que é um local 
importante para o Brasil e mostrando, as vezes, o passo a passo da 
obra. O marketing feito em torno do empreendimento é altíssimo, e 
pelas redes sociais é onde eles têm a oportunidade de interagir com 
um certo público e vender o projeto de maneira mais humanizada, 
usando a estratégia de “story-telling”. 
117
Acompanho a rede social do empreendimento há dois anos, 
desde quando comecei a realizar essa pesquisa, e por ela é onde 
consigo me aproximar da obra e compreender em que etapa está, 
mesmo que de longe (e considerando que não tive acesso a alguns 
documentos que deveriam ser públicos e com a pandemia de 2020 
não foi mais possível visitar o local). Acompanho com um olhar 
crítico e como pesquisadora, coletando as informações necessárias 
e importantes para a pesquisa, como a restauração do Hospital, 
que eles mostraram que retiraram os telhados (figuras 89 e 90) para 
restaurar e depois será instalado novamente (algo comum no ramo 
da restauração), a restauração da Capela e Maternidade (figura 91 
e 92), que estão praticamente concluídas e avançaram muito no 
projeto depois que visitei o local no ano de 2019 e o avanço da obra 
da Torre Mata Atlântica (figura 93) e do centro comercial (figura 94). 
O empreendimento da “Cidade Matarazzo” é altamente 
complexo e aborda diversas questões diferentes. Neste trabalho foi 
abordado as questões mais técnicas, de execução da proposta e a 
parte patrimonial e histórica mais em evidência, existem muitas 
outras que poderiam ser abordadas, mas não caberiam na discussão 
desta dissertação. A obra consegue ser admirável e polêmica ao 
mesmo tempo, tornando difícil criar uma opinião firme e concreta 
sobre ela, mesmo após tanto estudo.
Fig. 89 e 90: Fachada 
do Hospital, sem o 
telhado (retirado 
para restauração). 
Fonte: Instagram da 
Cidade Matarazzo.
118
Fig. 94: Construção da fachada de “cipós” 
do centro comercial do empreendimento. 
Fonte:Instagram da Cidade Matarazzo.
Fig. 91: Capela praticamente inteira 
restaurada no exterior. Fonte: Instagram 
da Cidade Matarazzo.
Fig. 92: Fachada da Maternidade em 
restauração. Fonte: Instagram da Cidade 
Matarazzo.
Fig. 93: Torre Mata Atlântica em processo 
de finalização da fachada e Maternidade 
restaurada. Fonte: Instagram da Cidade 
Matarazzo.
119
Espero que ao longo dessa dissertação tenha sido possível 
identificar e conhecer melhor o que vem sendo feito, há praticamente 
10 anos, no local do antigo Hospital Matarazzo. Após traçarmos todo o 
histórico da obra e das edificações, de trazer as questões patrimoniais 
e legislações mais pertinentes sobre o empreendimento foi possível 
sanar as dúvidas inicialmente geradas.
A primeira questão levantada na introdução deste trabalho 
foi a financeira, e o papel do investimento privado na restauração 
de edificações históricas. Após o vasto estudo conclui-se que o 
investimento privado neste empreendimento foi essencial para 
manter as edificações antigas ainda presentes na cidade de São Paulo, 
mesmo que partes dela fossem demolidas. Infelizmente, a questão 
do dinheiro é fundamental para se realizar obras e – usando os 
termos de Allard e do marketing da “Cidade Matarazo” – sonhos.Sem 
ele muito pouco pode ser feito, tanto no âmbito público quanto no 
privado, o que explica o porquê de muitas outras obras patrimoniais 
estarem esquecidas.
Outra questão colocada foi o impacto das novas arquiteturas 
contemporâneas a serem inseridas no ambiente histórico, seriam elas 
positivas, respeitosas ou destrutivas da paisagem? Como podemos 
ver no segundo e terceiro capítulo a obra estava completamente de 
acordo com as leis do bairro e da nova resolução de tombamento, 
mas isso não é o suficiente para analisar esta intervenção. Claro 
que é preciso seguir as leis, mas elas não levam em consideração o 
sensível, a memória do local, são muito mais técnicas e práticas. As 
novas arquiteturas presentes no empreendimento são invasivas na 
paisagem, por mais que se integrem no verde da quadra e lote em 
que se situam, elas vão ser facilmente notadas de longe na paisagem 
que a cidade de São Paulo forma. Além disso, contrastam e conflitam 
com a arquitetura original pertencente no terreno. Não acredito 
que tenha sido um empreendimento tão pensado no sensível, foi 
completamente pensado no mercado – imobiliário e comercial – 
trazendo, como partido, a questão histórica e da memória. De uma certa 
maneira foi até mesmo desrespeitoso, se seguirmos completamente 
os ideais teóricos e as cartas patrimoniais apresentadas no segundo 
capítulo. O valor histórico e a memória dos imigrantes italianos se 
perdeu ao longo das obras e desenvolvimento do empreendimento, 
CONCLUSÕES
120
criando um espaço para os novos representantes, que são os maiores 
agentes presentes na obra, os franceses.
Por último, vamos trazer uma possível resposta a hipótese 
gerada, que é a de reverter a situação de esquecimento provocada 
por um edifício abandonado pelo acréscimo e intervenção de novos 
edifícios, que garantam a realização de novos usos, e a atração de novos 
usuários. Será que a “Cidade Matarazzo” conseguirá atrair e fornecer 
o local para a população? E a pergunta que se mostrou presente no 
decorrer de todo o trabalho: será que o novo empreendimento será 
acessível a todos? Ou promoverá apenas o bem estar de uma única 
parcela da população? Essas questões são as mais difíceis de serem 
respondidas devido ao fato de o empreendimento ainda não estar 
concluído, porém é possível ter uma noção da resposta levando em 
consideração tudo que já foi apresentado neste trabalho. 
A “Cidade Matarazzo” foi pensada pelos mais renomados 
profissionais, executada com os melhores materiais e mão de obra, 
está há anos sendo pensada e elaborada de maneira fechada ao 
público, tudo isso já nos mostra que o local será restrito. O hotel 6 
estrelas e a parte comercial, que na verdade se tornará uma espécie 
de shopping de luxo ao ar livre, tem um público alvo, de muitos 
privilégios, em foco para o manter funcionando, portanto, acredito 
que esta parte do empreendimento seja sim, infelizmente, limitada. 
Espera-se que a parte cultural seja acessível a todos, afinal, cultura é 
algo que precisa ser cada vez mais divulgado e acessível, a cultura 
é o verdadeiro luxo de uma sociedade. Também espera-se que o 
mercado orgânico seja acessível a todos, e principalmente, atrativo 
para os pedestres e usuários do bairro entrarem e conhecerem o 
empreendimento a partir dele. Segundo Allard a ideia é de que o uso 
local mude ao longo do dia, indo de exposições culturais mais baratas 
de dia aos shows e eventos mais caros durante a noite, permitindo 
essa diversidade de público (L’Architecture D’Aujourd’hui), o que 
considero ser extremamente positivo.
Portanto, é muito difícil prever o que de fato acontecerá neste 
local, e como ele será utilizado, por enquanto só foi possível trazer 
suposições baseadas em fatos. A curiosidade e ansiedade para verem 
o projeto inteiro concluído é grande, para assim, quem sabe, poder 
trazer uma nova conclusão para este trabalho, e possivelmente uma 
conclusão diferente da que trago aqui.
121
ALLARD, Alexandre. Alexandre Allard. Disponível em: https://medium.
com/@alexandreallard/alexandre-allard-722d796858cb Acesso: 16 
de março de 2020
ALLIANZ. Corso Italia, 23. Disponível em: https://www.allianz-
realestate.com/en/newsroom/press-releases/19-10-02-allianz-
real-estate-launches-the-redevelopment-of-the-historic-allianz-
milanese-headquarters-at-corso-italia-23 Acesso: 02 de abril de 2020
APPARTMENTSATCITYCENTER. Disponível em: https://
apartmentsatcitycenter.securecafe.com/onlineleasing/the-
apartments-at-citycenter/floorplans.aspx Acesso: 02 de abril de 
2020
ARSENAULT, Bridget. Inside Le Royal Monceau Raffles Paris: A 
Contemporary Take On A Parisian Grand Dame. Disponível em: 
https://www.forbes.com/sites/bridgetarsenault/2019/09/08/inside-
le-royal-monceau-raffles-paris-a-contemporary-take-on-a-parisian-
grand-dame/#511d9f2931e7 Acesso: 16 de março de 2020
AYOUB, Helena; TOFFOLI, Roberto e Grupo Allard. Memorial de 
Conservação e Restauro. Boulevard Matarazzo. Julho de 2014
BRANDI, Cesare. Teoria da restauração. Tradução Beatriz Mugayar 
Kuhl. Apresentação Giovanni Carbonara. São Paulo: Ateliê, 2004
CALATRAVA. London Peninsula Place. Disponível em: https://
calatrava.com/projects/london-peninsula-london-118.html Acesso: 
02 de abril de 2020
CARBONARA, Giovanni. Brandi e a restauração arquitetônica hoje. 
Designio, 2006, n.6,p.35-47, tradução de Beatriz Mugayar Kuhl
CARTA DE ATENAS - 1931. INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E 
ARTÍSTICO NACIONAL (IPHAN). Disponível em: <http://portal.iphan.
gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Carta%20de%20Atenas%201931.
pdf> Acesso: 20 de março de 2018
CARTA DE VENEZA - 1964. INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E 
ARTÍSTICO NACIONAL (IPHAN). Disponível em: <http://portal.iphan.
gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Carta%20de%20Veneza%201964.
pdf> Acesso: 14 de março de 2018
CASADASROSAS. Institucional. Disponível em: https://www.
casadasrosas.org.br/institucional/ Acesso: 03 de março de 2020
CASTRIOTA, Leonardo B. Patrimônio Cultural. Conceitos, políticas e 
instrumentos. São Paulo: Annablume; Belo Horizonte: IEDS, 2009
REFERÊNCIAS
122
CENTRALPARKSIDNEY. Duo Brochure. Disponível em: https://
www.centralparksydney.com/explore/building-central-park/duo-
brochure Acesso: 01 de abril de 2020
CIDADEMATARAZZO. Disponível em: http://www.cidadematarazzo.
com.br/site/pt Acesso: 08 de maio de 2019
CIDADEMATARAZZO. Disponível em: https://www.cidadematarazzo.
com.br/transformadores Acesso: 28 de Agosto de 2019
CIDADEMATARAZZO. Urban Recycling. L’Archictecture D’Aujoud’hui. 
Montpellier, France, Hors-Série/Projets, 2019
CIDADEMATARAZZO. L’Archictecture D’Aujoud’hui. Entrevista com 
Alexandre Allard. Disponível em: https://static1.squarespace.com/
static/5c74516692441bcbb2172f5b/t/5d03e6cc1932f50001ef9
6e4/1560536781686/aa_entrevista_01.pdfAcesso: 06 de maio de 
2020
CIDADEMATARAZZO. L’Archictecture D’Aujoud’hui. Entrevista com 
os irmãos Campana. Disponível em: https://static1.squarespace.
com/static/5c74516692441bcbb2172f5b/t/5d03e6ed76f45e0001e
9c15c/1560536814217/aa_entrevista_02.pdf Acesso: 06 de maio de 
2020
CIDADEMATARAZZO. L’Archictecture D’Aujoud’hui. Entrevista com 
Jean Nouvel. Disponível em: https://static1.squarespace.com/
static/5c74516692441bcbb2172f5b/t/5d03e73623d8090001fd3
fb9/1560536886750/aa_entrevista_03.pdf Acesso: 06 de maio de 
2020
CIDADEMATARAZZO. L’Archictecture D’Aujoud’hui. Entrevista com 
Rudy Rucciotti. Disponível em: https://static1.squarespace.com/
static/5c74516692441bcbb2172f5b/t/5d03e74d54115700019d6
02a/1560536909995/aa_entrevista_04.pdf Acesso: 06 de maio de 
2020
CIDADEMATARAZZO. L’Archictecture D’Aujoud’hui. Entrevista 
com Philippe Starck. Disponível em: https://static1.squarespace.
com/static/5c74516692441bcbb2172f5b/t/5d03e76
2b721470001121175/1560536930867/aa_entrevista_05.pdf Acesso: 
06 de maio de 2020
CIDADEMATARAZZO. L’Archictecture D’Aujoud’hui. Entrevista com 
Radha Arora. Disponível em: https://static1.squarespace.com/
static/5c74516692441bcbb2172f5b/t/5d03e779242d7e000160d
bf6/1560536953168/aa_entrevista_06.pdf Acesso: 06 de maio de 
2020
CIDADEMATARAZZO. L’Archictecture D’Aujoud’hui. Entrevista com 
123
Hubert de Malherbe. Disponível em: https://static1.squarespace.
com/static/5c74516692441bcbb2172f5b/t/5d03e78db0a3e60001a
e49e2/1560536973227/aa_entrevista_07.pdf Acesso: 06 de maio de 
2020
CIDADEMATARAZZO. L’Archictecture D’Aujoud’hui. Entrevista com 
Adriana Levisky. Disponível em: https://static1.squarespace.com/
static/5c74516692441bcbb2172f5b/t/5d30bc8852a6cb000104c
6ca/1563475081394/aa_entrevista_09.pdf Acesso: 06 de maio de 
2020
CITYCENTERDC. Disponível em: https://www.citycenterdc.com/ 
Acesso: 02 de abril de 2020
CORSOITALIA23. Archiscene: Corso Italia 23 by SOM. Disponível em: 
https://www.archiscene.net/mixed-use/corso-italia-23-som/ Acesso: 
02 de abril de 2020
DECLARAÇÃO DE AMSTERDÃ – 1975. INSTITUTO DO PATRIMÔNIO 
HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL (IPHAN). Disponível em: <http://
portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Declaracao%20
de%20Amsterda%CC%83%201975.pdf> Acesso: 20 de março de 
2019
DOUCET, Thibault. La Biographie d’Alexandre Allard. Disponível em: 
http://la-biographie-d-alexandre-allard.over-blog.com/2017/12/la-
biographie-d-alexandre-allard.html Acesso: 16 de março de 2020
ENTREPRENDRE. Alexandre Allard, l’homme pressé du luxe parisien. 
Disponível em: https://www.entreprendre.fr/alexandre-allard-
lhomme-presse-du-luxe-parisien/ Acesso: 16 de março de 2020
FOSTERS+PARTNERS. Duo Central Park. Disponível em: https://www.
fosterandpartners.com/projects/duo-central-park/ Acesso: 31 de 
março de 2020
FOSTERS+PARTNERS. City Center DC. Disponível em: https://www.
fosterandpartners.com/projects/citycenterdc/ Acesso: 02 de abril de 
2020
FRASERSPROPERTY. Disponível em: https://www.frasersproperty.
com/ Acesso: 27 de março de 2020
GEHL, Jan. Cidades para pessoas. São Paulo: Perspectiva, 2010 (2ª 
edição)
G1(PE). Cais José Estelita: Confira linha do tempo das polêmicas 
envolvendo o Projeto Novo Recife. Disponível em: https://g1.globo.
com/pe/pernambuco/noticia/2019/03/26/cais-jose-estelita-confira-
linha-do-tempo-das-polemicas-envolvendo-o-projeto-novo-recife.
ghtml Acesso: 07 de abril de 2020
124
HALBWACH, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Editora revista 
dos tribunais, 1990. Traduzido do original francês: “La mémoire 
collective” (2ª edição)
HORTASOCIALURBANA. O Projeto. Disponível em: https://www.
hortasocialurbana.org/#o-projeto Acesso: 08 de junho de 2020
ICOMOS. Disponível em: https://www.icomosbr.org/o-icomos 
Acesso: 07 de maio de 2018
INFRAFM. Conheça o megacomplexo da Cidade Matarazzo. 
Disponível em: https://infrafm.com.br/Textos/1/19579/Conhea-o-
megacomplexo-Cidade-Matarazzo Acesso: 29 de abril de 2020
JACOBS, Jane. Morte e vida de grandes cidades. São Paulo: Editora 
WMFmartinsfontes, 2011 (coleção cidades 3ª edição)
JEANNOUVEL. Projeto da Torre Rosewood. Disponível em: http://
www.jeannouvel.com/projets/torre-rosewood/ Acesso: 14 de maio 
de 2019
JEANNOUVEL. One Central Park. Disponível em: http://www.
jeannouvel.com/projets/one-central-park/ Acesso: 30 de outubro de 
2019
JEANNOUVEL. Centre Educatif Culturel et de Loisirs. Disponível em: 
http://www.jeannouvel.com/projets/centre-educatif-culturel-et-de-
loisirs/ Acesso: 30 de outubro de 2019
KNIGHTDRAGON. Disponível em: https://knightdragon.com/what-
we-do Acesso: 02 de abril de 2020
KUHL, Beatriz M. História e ética na conservação e na restauração de 
monumentos históricos. São Paulo: R.CPC, v.1, n1, p.16-40, novembro 
2005/abril 2006. Disponível em:http://www.usp.br/cpc/v1/imagem/
conteudo_revista_arti_arquivo_pdf/kuhl_pdf.pdf Acesso: 10 de abril 
de 2019
KUHL, Beatriz M. Notas sobre a Carta de Veneza. São Paulo: Anais do 
Museu Paulista, N.Sér. v.18, n.2, p.287-320, jul-dez 2010
KUHL, Beatriz M. (org). Gustavo Giovannoni. Textos escolhidos. São 
Paulo: Ateliê, 2013
KUHL, Beatriz M. Os anos de 1930: as cartas de Atenas e a contraposição 
entre conservação e inovação. s.d. 
L’ARCHITECTURE D’AUJOUR’HUI. Actualités: Jean Nouvel: “j’ai imagine 
l’antithèse des tours de São Paulo. Disponível em: http://www.
larchitecturedaujourdhui.fr/58131/ Acesso: 27 de maio de 2019
LEMOS, Carlos Alberto. O que é patrimônio histórico. São Paulo: 
Editora Brasiliense, 1981
LIPOVETSKY, Gilles. Os tempos hipermodernos. São Paulo: Editora 
125
Barcelona, 2004
MASSON, Elvira. Le Royal Monceau réinventé par Starck. Disponível 
em: https://www.lexpress.fr/styles/designers/le-royal-monceau-
reinvente-par-starck_919634.html Acesso: 16 de março de 2020
MOLE, Bart Bryan. Clássicos da Arquitetura: Millenium Dome/Richard 
Rogers (RHSP). Traduzido por: Eduardo Souza. Disponível em: 
https://www.archdaily.com.br/br/805368/classicos-da-arquitetura-
millennium-dome-richard-rogers-rshp Acesso: 02 de abril de 2020
MOURADUBEUX. Novo recife. Disponível em: http://ofertas.
mouradubeux.com.br/novo-recife Acesso: 07 de abril de 2020
MOURADUBEUX. Parque do Cais. Disponível em: https://www.
mouradubeux.com.br/pernambuco/recife/cais-jose-estelita/
residenciais-condominio/2-quartos/parque-do-cais Acesso: 07 de 
abril de 2020
MOURADUBEUX. Mirante do Cais. Disponível em: https://www.
mouradubeux.com.br/pernambuco/recife/cais-jose-estelita/
residenciais-condominio/4-quartos/mirante-do-cais Acesso: 07 de 
abril de 2020
NAHAS, Patricia Viceconti. Antigo e novo nas intervenções de caráter 
monumental: a experiência brasileira (1980-2010). Revista CPC, São 
Paulo, n.20, p78-111, dez 2015
NAHAS, Patricia Viceconti. A capacidade de “escutar” o monumento: 
o limite entre a criatividade projetual do novo e a conservação do 
antigo na obra de Giovani Carbonara. Vitruvius, Resenhas Online, 
184.06 livro, ano 17, abr. 2017. Disponível em: <http://www.vitruvius.
com.br/revistas/read/resenhasonline/17.184/6510.> Acesso: 21 de 
março de 2018.
NASCIMENTO, Luís Domingues. Intervenções urbanas na cidade do 
Recife: Uma igreja no meio do caminho de uma avenida. Revista 
Brasileira de História e Ciências Sociais – RBHCS. Vol. 7 No 13, Julho 
de 2015. Disponível em: https://periodicos.furg.br/rbhcs/article/
view/10593 Acesso: 07 de abril de 2020
ONE CENTRAL PARK. Arch2o. Disponível em: https://www.arch2o.
com/one-central-park-ateliers-jean-nouvel/ Acesso: 03 de março de 
2020
ONE CENTRAL PARK. Archdaily. Disponível em: https://www.archdaily.
com.br/br/758761/one-central-park-ateliers-jean-nouvel Acesso: 03 
de março de 2020
ONE CENTRAL PARK. Architizer. Disponível em: https://architizer.com/
projects/frasers-broadway-sydney1/ Acesso: 27 de março de 2020
126
PLANALTO. Estatuto da Cidade. Lei 10.257 de 2001. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LEIS_2001/L10257.htm 
Acesso: 17 de março de 2020
RETTO JÚNIOR, Adalberto da Silva; KUHL, Beatriz Mugayar. O papel 
do patrimônio arquitetônico no projeto da cidade contemporânea.[recurso eletrônico] / Coordenador Adalberto da Silva Retto Júnior. 1 
ed. – Tupã:ANAP, 2019.
RESIDENCESATCITYCENTERDC. The residences at city center DC. 
Disponível em: http://www.residencesatcitycenterdc.com/ Acesso: 
02 de abril de 2020
ROLNIK, Raquel. Uma outra cidade é possível? Disponível em: https://
raquelrolnik.wordpress.com/2014/06/06/uma-outra-cidade-e-
possivel/ Acesso: 07 de abril de 2020
ROLNIK, Raquel. Recife pra quem? Disponível em: https://raquelrolnik.
wordpress.com/2014/05/22/recife-pra-quem/ Acesso: 07 de abril de 
2020
ROYALMONCEAU. Disponível em: https://www.leroyalmonceau.com/ 
Acesso: 17 de março de 2020
SÃO PAULO. Acervo Histórico. Visita dia 04 de junho de 2019. Caixas 
consultadas: 1915,1916, 1917, 1918.
SÃO PAULO. Câmara Municipal. Comissão de política urbana, 
metropolitana e meio ambiente. Disponível em: http://www.
saopaulo.sp.leg.br/comissao/comissoes-do-processo-legislativo/
comissao-de-politica-urbana-metropolitana-e-meio-ambiente/ 
Acesso: 14 de abril de 2020
SÃO PAULO. Câmara Municipal. Registro das audiências públicas. 
Disponível em: http://www.saopaulo.sp.leg.br/atividade-legislativa/
audiencias-publicas/registro-escrito/ Acesso: 14 de abril de 2020
SÃO PAULO. Câmara Municipal. Utilização do antigo Hospital 
Humberto Primo ainda aguarda decisão do Condephaat. Disponível 
em: http://www.saopaulo.sp.leg.br/blog/galeria-de-audios/
utilizacao-do-antigo-hospital-humberto-primo-ainda-aguarda-
decisao-do-condephat/ Acesso: 14 de abril de 2020
SÃO PAULO. Câmara Municipal. Boulevard da Diversidade, na região 
da paulista, é debatido em audiência na Câmara. Disponível em: 
http://www.saopaulo.sp.leg.br/blog/boulevard-da-diversidade-na-
regiao-da-paulista-e-debatido-em-audiencia-na-camara/ Acesso: 14 
de abril de 2020
SÃO PAULO. Câmara Municipal. Audiência 11/10/2019. Disponível 
em: http://www.saopaulo.sp.leg.br/wp-content/uploads/2019/10/
127
AP17685-2019Urb.pdf Acesso: 14 de abril de 2020
SÃO PAULO. Câmara Municipal. Audiência 11/11/2019. Disponível 
em: http://www.saopaulo.sp.leg.br/wp-content/uploads/2019/11/
AP17741-2019Urb.pdf Acesso: 14 de abril de 2020
SÃO PAULO. CONDEPHAAT. Casa das Rosas. Disponível em: http://
condephaat.sp.gov.br/benstombados/casa-das-rosas/ Acesso: 03 de 
março de 2020
SÃO PAULO. CONDEPHAAT. Hospital e Maternidade Umberto 
Primo. Disponível em: http://condephaat.sp.gov.br/benstombados/
hospital-e-maternidade-humberto-primo/# Acesso: 05 de junho de 
2019
SÃO PAULO. CONDEPHAAT. Resolução de tombamento da Casa das 
Rosas. Disponível em: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/
upload/5e659_RES.%20SC%20N%2057%20-%20Casa%20das%20
Rosas%20Avenida%20Paulista%2037.pdf Acesso: 03 de março de 
2020
SÃO PAULO. Coordenação de Gestão Documental. Visita dia 06 de 
agosto de 2019. Vista de processos referentes ao lote do Hospital 
Matarazzo.
SÃO PAULO. Prefeitura do Estado de São Paulo. Audiências 
públicas. Disponível em: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/
secretarias/obras/participacao_social/audiencias_publicas/index.
php?p=181429 Acesso: 14 de abril de 2020
SÃOPAULO. Prefeitura do Estado de São Paulo. Lei de Zoneamento 
16.402/16. Disponível em: http://documentacao.camara.sp.gov.br/
iah/fulltext/leis/L16402.pdf Acesso: 04 de setembro de 2019
SÃOPAULO. Prefeitura do Estado de São Paulo. Plano Diretor 
Estratégico 16.050/14. Disponível em: https://gestaourbana.
prefeitura.sp.gov.br/arquivos/PDE_lei_final_aprovada/
TEXTO/2014-07-31%20-%20LEI%2016050%20-%20PLANO%20
DIRETOR%20ESTRAT%C3%89GICO.pdf Acesso: 4 de setembro de 
2019
SÃOPAULO. Prefeitura do Estado de São Paulo. Decreto 56.725/15. 
Disponível em: https://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/marco-
regulatorio/conferencias/legislacao/decreto-no-56-725-de-16-de-
dezembro-de-2015/ Acesso: 4 de setembro de 2019
SÃOPAULO. Prefeitura do Estado de São Paulo. Decreto 57.536/16. 
Disponível em: https://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/marco-
regulatorio/conferencias/legislacao/decreto-no-57-536-de-15-de-
dezembro-de-2016/ Acesso: 4 de setembro de 2019
128
SÃOPAULO. Prefeitura do Estado de São Paulo. Decreto 57.667/17. 
Disponível em: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/
urbanismo/participacao_social/conselhos_e_orgaos_colegiados/
cppu/index.php?p=233800 Acesso: 4 de setembro de 2019
SÃOPAULO. Prefeitura do Estado de São Paulo. Plano de trabalho. 
Acordo de cooperação Boulevard da Diversidade. Disponível em: 
https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/
Anexo%20V%20do%20Edital%20n%C2%BA%201-2019.pdf Acesso: 
14 de abril de 2020
SÃOPAULO. Prefeitura do Estado de São Paulo. Setor de Patrimônio 
Histórico. Disponível em: http://patrimoniohistorico.prefeitura.
sp.gov.br/index.php/378/ Acesso: 4 de setembro de 2019 
SÃOPAULO. Prefeitura do Estado de São Paulo. RESOLUÇÃO SC29/86 
DE 1986. Disponível em: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/
upload/fe856_RES.%20SC%20N%2029%20-%20Hospital%20e%20
Maternidade%20Umberto%20I.pdf Acesso: 09 de maio de 2019
SÃOPAULO. Prefeitura do Estado de São Paulo. RESOLUÇÃO N 05 
DE 2014. Disponível em: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/
upload/
0514TexofficioConEdAntigoHospitalUmbertoIPDF_1401124022.
pdf Acesso: 09 de maio de 2019
SÃOPAULO. Prefeitura do Estado de São Paulo. RESOLUÇÃO 
N 05 DE 2014 - MAPA. Disponível em: https://www.prefeitura.
sp.gov.br/cidade/upload/Mapa0514PDF_1432740866.pdf 
Acesso: 09 de maio de 2019
SCOTT, Rory. Santiago Calatrava divulga projeto de £1 bilhão 
em Londres. Traduzido por Romullo Baratto. Disponível em: 
https://www.archdaily.com.br/br/804638/santiago-calatrava-
divulga-projeto-de-1-pounds-bilhao-em-londres Acesso: 02 de 
abril de 2020
SOM. Corso Italia 23. Disponível em: https://www.som.com/
projects/corso_italia_23 Acesso: 02 de abril de 2020
STARCK. Starck reinvents Cidade Matarazzo. Disponível em: 
https://www.starck.com/starck-reinvente-cidade-matara-p2696 
Acesso: 27 de maio de 2019
STARCK. Press Release Cidade Matarazzo. Disponível em: 
https://www.starck.com/00DATA/cms/news/attachments/
vpw4dqozqiorigzkysbl.pdf Acesso: 27 de maio de 2019
TOLEDO, Benedito L. de. São Paulo. Três cidades em um 
século. São Paulo: Livraria duas cidades, 1981
129
TRIPTYQUE. Cidade Matarazzo. Disponível em: https://triptyque.
com/fr/a-linterieur-du-complexe-de-la-ville-de-matarazzo/ 
Acesso: 21 de maio de 2019
WAISMAN, Marina. O interior da história: Historiografia 
arquitetônica para uso de latinos-americanos. São Paulo: 
Editora Perspectiva, 2013
WATANABE, Elisabete M. CONDEPHAAT: Revisão do 
tombamento do Hospital Umberto I – São Paulo. VIII Seminário 
Nacional do Centro de Memória – Unicamp, Campinas, SP, 26-
28 de julho de 2016. Disponível em: https://www.cmu.unicamp.
br/viiiseminario/wp-content/uploads/2017/05/CONDEPHAAT-
Revis%C3%A3o-do-tombamento-do-Hospital-Umberto-I-
S%C3%A3o-Paulo-ELISABETE-MITIKO-WATANABE.pdf 
Acesso: 16 de abril de 2020
YASSUDA, Saulo. Cidade Matarazzo, complexo com hotel e 
shopping, terá centro cultural. VEJASP. Disponível em: https://
vejasp.abril.com.br/cidades/anish-kapoor-casa-bradesco-da-
criatividade-cidade-matarazzo/ Acesso: 09 de abril 2020
NOTAS
1 Arquivo Histórico Municipal SMC/PMSP – Praça Cel. Fernando 
Prestes, 152 – Bom Retiro, São Paulo, SP
2 Disponível em: https://www.entreprendre.fr/alexandre-
allard-lhomme-presse-du-luxe-parisien/ Acesso: 16 de março de 
2020
3 Tradução da autora: “Le groupe Allard, c’est d’abord une tribu, 
celle de ceux qui souhaitent mettre leurs talents et leurs savoir-faire 
au service du Beau, de l’Émotion et de l’Art”. Fonte: ENTREPRENDRE. 
Disponível em: https://www.entreprendre.fr/alexandre-allard-
lhomme-presse-du-luxe-parisien/ Acesso: 16 de março de 2020
4 Tradução da autora: “A palace-grade hotel, what Starck 
created in the newly unveiled Royal Monceau was bold - an interplay 
light and angles, melding classic with contemporary.” Fonte: 
ARSENAULT. Forbes. Disponível em: https://www.forbes.com/sites/
bridgetarsenault/2019/09/08/inside-le-royal-monceau-raffles-paris-
a-contemporary-take-on-a-parisian-grand-dame/#6ddfc56f31e7Acesso: 17 de março de 2020
5 Disponível em: https://www.cidadematarazzo.com.br/ 
Acesso: 16 de março de 2020
6 Tradução da autora: “Nous offrons à nos clients des espaces 
dédiés à l’art contemporain. Librairie des arts, salle de cinéma privée, 
galerie d’art contemporain, collection privée de plus de 300 oeuvres 
artistiques et service d’Art Concierge : le programme artistique de 
l’hôtel est multidisciplinaire, multimédia et intergénérationnel.” Fonte: 
ROYALMONCEAU. Disponível em: https://www.leroyalmonceau.com/ 
Acesso: 17 de março de 2020
7 Tradução da autora: “Cette architecture parle du passé, 
d’aujourd’hui et du futur. Du passé puisque l’échelle et les techniques 
des constructions en bois ont traversé les siècles. D’aujourd’hui par 
son choix et sa volonté d’appartenance dans un rapport d’échelle et 
d’amitié aux constructions datées ... Enfin de demain pour annoncer 
que la fatalité d’habiter en hauteur n’est pas d’oublier les matériaux ... 
mais, bien au contraire, d’inventer les jardins suspendus de São Paulo 
avec une végétation luxuriante et des vues insolentes.” Fonte: http://
www.jeannouvel.com/projets/torre-rosewood/ Acesso: 16 de março 
de 2020
8 Tradução da autora: “Cidade Matarazzo gave life to São Paulo 
and then fell asleep. Cidade Matarazzo is waking up and will again 
give life for São Paulo. Not the same way. The first time it was made of 
flesh. The new one is made of dreams. Dream, vision, creativity, rigor 
are the assets of Matarazzo. The dream is simple; to create an island, 
to create a paradise in the middle of the city, which will become the 
centre of life of the city. Whoever you are, at any moment of your 
life, your dreams will have their own place at the Matarazzo. Like life. 
Forever”. Ph.S Fonte: STARCK. Disponível em: https://www.starck.
com/starck-reinvente-cidade-matara-p2696 Acesso: 27 de maio de 
2019
9 Disponível em: https://www.cidadematarazzo.com.br/
empreendimento-nano-shops-2 Acesso: 19 de fevereiro de 2020
10 Anexo V do Edital n1-2019, pag.2. Disponível em: https://
www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/Anexo%20
V%20do%20Edital%20n%C2%BA%201-2019.pdf Acesso 14 de abril 
de 2020
11 O CONDEPHAAT e o CONPRESP foram contactados pela 
autora diversas vezes, presencialmente, via e-mail e por telefone, 
todas as vezes foi notificado verbalmente que o processo número 
2014 - 0.187.500 - 5 era restrito e somente poderia ser acessado se 
houvesse autorização do proprietário.
12 Câmara Municipal. Disponível em: http://www.saopaulo.
sp.leg.br/blog/boulevard-da-diversidade-na-regiao-da-paulista-e-
debatido-em-audiencia-na-camara/ acesso 14 de abril de 2020
13 A questão da pandemia de 2020 também afetou a busca de 
processos nos órgãos responsáveis.
14 Tradução da autora: “One Central Park intègre de manière 
inédite l’architecture du paysage et celle des tours et offre à Sydney 
une nouvelle icône architecturale qui symbolise l’avenir durable de 
la ville.” Disponível em: http://www.jeannouvel.com/projets/one-
central-park/ Acesso: 27 de março de 2020
15 Disponível em: https://www.centralparksydney.com/explore/
building-central-park/duo-brochure Acesso 01 de abril de 2020
16 Duo Central Park. Disponível em: https://www.
fosterandpartners.com/projects/duo-central-park/ Acesso 01 de 
abril de 2020
17 Tradução da autora: “Foster + Partners masterplan breaks 
the site down into smaller, pedestrian blocks that bridge new 
connections between diverse downtown communities: the historic 
and predominantly residential neighbourhoods to the north, and 
the mainly commercial office developments to the south seamlessly 
with the historic context.” Fonte: FOSTER+PARTNERS. City Center 
DC. Disponível em: https://www.fosterandpartners.com/projects/
citycenterdc/ Acesso 02 de abril de 2020
18 Tradução da autora: “The high-density, mixed-use scheme 
is designed to bring everything together, creating a low-carbon, 
pedestrian friendly quarter” Fonte: FOSTERS+PARTNERS City Center 
DC. Disponível em: https://www.fosterandpartners.com/projects/
citycenterdc/ Acesso 02 de abril de 2020
19 Disponível em: http://www.residencesatcitycenterdc.com/
design Acesso 02 de abril de 2020
20 Tradução da autora: “The scheme will total 1.4 million 
sq ft including a new tube and bus station, theatre, cinema and 
performance venue, bars, shops and a wellbeing hub. Above this will 
rise three towers of workspaces, apartments and hotels, all connected 
to the Thames by a stunning new land bridge.” Fonte: CALATRAVA. 
London Peninsula Place. Disponível em: https://calatrava.com/
projects/london-peninsula-london-118.html Acesso 02 de abril de 
2020
21 Tradução da autora: “As the gateway to Greenwich Peninsula, 
Calatrava’s Peninsula Place signals the intent and ambition for this 
whole new district.” Fonte: CALATRAVA. London Peninsula Place. 
Disponível em: https://calatrava.com/projects/london-peninsula-
london-118.html Acesso 02 de abril de 2020
22 Tradução da autora: “The goal is to build a campus in the city, 
a ‘best place to work’ and an asset which is ‘Smart-ready’ – where 
future occupants will be able to choose which technologies they 
want to integrate according to their operating requirements” Fonte: 
ALLIANZ. Disponível em: https://www.allianz-realestate.com/en/
newsroom/press-releases/19-10-02-allianz-real-estate-launches-the-
redevelopment-of-the-historic-allianz-milanese-headquarters-at-
corso-italia-23 Acesso 02 de abril de 2020
23 Tradução da autora: “SOM’s design realizes a historic 
opportunity to reinvigorate the Corso Italia area as a new workplace 
district for the city, cementing Milan as one of the most vibrant 
metropolises in Europe and catalyzing future development.” Fonte: 
SOM. Disponível em: https://www.som.com/projects/corso_italia_23 
Acesso 02 de abril de 2020
24 Tradução da autora: “Our approach to heritage is rooted in 
our understanding of the values and key elements of the original 
architecture and design intent. Preservation is about managing 
change, acknowledging that some adaptation is necessary for 
buildings to remain in use over time, and that this must be undertaken 
whilst ensuring that the spirit of the original design is always 
maintained. The right balance needs to be found between heritage, 
innovation, sustainability, cost and identity.” Fonte: CORSOITALIA23. 
Disponível em: https://www.archiscene.net/mixed-use/corso-italia-
23-som/ Acesso: 02 de abril de 2020
25 Disponível em:
https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/upload/5e659_RES.%20
SC%20N%2057%20-%20Casa%20das%20Rosas%20Avenida%20
Paulista%2037.pdf Acesso: 03 de março de 2020
26 Disponível em: https://www.casadasrosas.org.br/
institucional/ Acesso: 03 de março de 2020
27 Disponível em: https://g1.globo.com/pe/pernambuco/
noticia/2019/03/26/cais-jose-estelita-confira-linha-do-tempo-das-
polemicas-envolvendo-o-projeto-novo-recife.ghtml Acesso: 07 de 
abril de 2020
28 Dados retirados do vídeo de apresentação do empreendimento 
na data da visita (25/09/2019), fornecidos pela arquiteta Luiza Khouri 
Estefan, da Cidade Matarazzo
29 Segundo o documento de apresentação do comercial da 
Cidade Matarazzo
	CAPA 2
	DISSERTAÇÃO VERSÃO FINAL.pdf
	ANEXO I.pdf
	ANALISE RESTAURO 01
	ANALISE RESTAURO 02
	ANALISE RESTAURO 03
	ANALISE RESTAURO 04jpg
	ANEXO II.pdf
	ANALISE TORRE 1
	ANALISE TORRE 2
	ANALISE TORRE 3
	ANALISE TORRE 4
	ANALISE TORRE 5
	ANEXO III.pdf
	ANALISE 01
	ANALISE 02
	ANALISE 03

Mais conteúdos dessa disciplina