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Aula 06
Direito Tributário p/ Carreira Jurídica
2021 (Curso Regular) - Prof. Mateus
Pontalti
Autor:
Mateus Pontalti, Equipe Materiais
Carreiras Jurídicas
Aula 06
15 de Março de 2021
 
 
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Sumário 
1. Obrigação Tributária ......................................................................................................................... 1	
1.1 Conceito .................................................................................................................................................. 1	
1.2 Obrigação tributária principal e obrigação tributária acessória ............................................................ 2	
1.2.1 Obrigação Principal ................................................................................................................................................. 2	
1.2.2 Obrigação Acessória ................................................................................................................................................ 4	
1.3 Fato Gerador ........................................................................................................................................... 6	
1.3.1 Conceito e classificação ........................................................................................................................................... 6	
1.3.2 Regras inseridas no Código Tributário Nacional ...................................................................................................... 9	
1.4. Sujeito Ativo ......................................................................................................................................... 17	
1.5 Sujeito Passivo ...................................................................................................................................... 18	
1.5.1 Disposições Gerais ................................................................................................................................................. 18	
1.5.2 Solidariedade ......................................................................................................................................................... 20	
1.5.3 Capacidade Tributária ........................................................................................................................................... 22	
1.5.4 Domicílio Tributário ............................................................................................................................................... 23	
1.6 Responsabilidade Tributária ................................................................................................................. 25	
1.6.1 Classificação e disposições gerais. ......................................................................................................................... 25	
1.6.2. Responsabilidade por Substituição ...................................................................................................................... 27	
1.6.3. Responsabilidade por transferência ..................................................................................................................... 33	
Resumo ............................................................................................................................................. 54	
Questões Comentadas ........................................................................................................................ 57	
Lista de Questões ............................................................................................................................... 90	
Gabarito .......................................................................................................................................... 102	
 
Mateus Pontalti, Equipe Materiais Carreiras Jurídicas
Aula 06
Direito Tributário p/ Carreira Jurídica 2021 (Curso Regular) - Prof. Mateus Pontalti
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1. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA 
1.1 CONCEITO 
A obrigação tributária é a relação jurídica existente entre um credor e um devedor, que tem por 
objeto uma prestação e que nasce quando a situação prevista pela hipótese de incidência da 
norma tributária ocorre no mundo real. Assim, por exemplo, a regra-matriz do IPTU indica que 
quem for proprietário de bem imóvel urbano no dia 1º de janeiro, deve pagar esse imposto. A 
obrigação surge exatamente nesse dia, vinculando o proprietário e o município, em uma relação 
em que este é o credor e aquele o devedor. 
A obrigação não se confunde com o crédito tributário, que é a obrigação tornada líquida e certa. 
O crédito tributário existe a partir da sua constituição, o que normalmente se dá através do 
lançamento tributário. O gráfico abaixo ajuda-nos a visualizar a diferença: 
 
Assim, retomando o nosso exemplo, enquanto o Município não lançar o IPTU - o que se dá 
normalmente pela entrega do carnê - o que existe é apenas um dever pessoal do devedor de arcar 
com a obrigação, que ainda não se encontra dotada de liquidez e certeza. Apenas com o 
lançamento pelo município é que a obrigação adquire tais atributos. 
Seguindo a linha traçada pelo Código Tributário Nacional, estudaremos neste capítulo a obrigação 
tributária, deixando a análise do crédito tributário para um momento posterior. 
Não compartilhamos dessa descrição do direito positivo que acabamos de fazer. Aderimos à linha 
defendida por Paulo de Barros Carvalho, para quem a incidência de uma norma jurídica não ocorre 
de maneira infalível e automática, mas depende de um ato humano. Para esse jurista, a obrigação 
tributária e o crédito tributário surgem no mesmo instante, quando o evento previsto pela hipótese 
de incidência da norma tributária é vertido em linguagem competente por meio de uma norma 
individual e concreta. No exemplo que mencionamos acima, tanto a obrigação quanto o crédito 
nasceriam quando do lançamento do IPTU pelo município. 
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Nessa perspectiva, a obrigação é o vínculo jurídico entre o credor e o devedor, por meio do qual 
aquele tem o direito de exigir deste a prestação. E o crédito tributário é direito subjetivo de que 
dispõe o credor de exigir a prestação. Portanto, é um dos elementos que compõem a obrigação. 
Apesar de estarmos convencidos de que esse sistema de referência descreve melhor o direito 
positivo, adotaremos a abordagem tradicional, por uma razão pragmática: Por ser majoritária e 
por partir de premissas com as quais o aluno já está acostumado, ela é mais útil para o estudo da 
matéria se o objetivo for a preparação para concursos públicos. 
1.2 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL E OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA 
ACESSÓRIA 
1.2.1 Obrigação Principal 
O Código Tributário Nacional diferencia a obrigação tributária principal da obrigação tributária 
acessória, conforme indica o artigo 113 do diploma legislativo: 
Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. 
§ 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o 
pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito 
dela decorrente. [...] 
Como se observa do §1º, a obrigação tributária principal surge quando aqueles fatos previstos 
pela hipótese de incidência da norma tributária ou da norma sancionatória ocorrerem no mundo 
real. 
A leitura do dispositivo também evidencia que o termo obrigação tributária principal foi 
empregado de maneira mais ampla do que se poderia intuir da sua nomenclatura. A expressão 
abarca não apenas a obrigação de pagar tributo, mas também a obrigação de pagar multa, o que 
permite enquadrá-la na categoria das obrigações de dar. O gráfico abaixo ajuda-nos a visualizar 
esse quadro: 
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CESPE/2011/Professor de Direito 
A pessoa jurídica Alfa Ltda. deve cumprir várias obrigações tributárias, como efetuar o 
pagamento do ICMS, de multas de mora e emitir notas fiscais, entre outras. 
Considerando a situação hipotética acima apresentada e as normas 
relativas à obrigação tributária, julgue os itens seguintes. 
A obrigação dessa pessoa quanto ao pagamento do ICMS constitui obrigação tributária 
principal, mas o pagamento de multas de mora é uma obrigação tributária acessória. 
( ) Certo ( ) Errado 
Comentários: 
A afirmativa está incorreta. O dever de pagar uma sanção pecuniária (multa) se enquadra no 
conceito de obrigação tributária principal. 
Assim, se o Contribuinte X, que auferiu renda de R$ 100.000,00 em 2017, não efetuou a declaração 
do imposto de renda, deve o fisco, ao tomar conhecimento dessa circunstância, lavrar Auto de 
Infração, cobrando o valor do imposto e da multa pecuniária -- esta última no percentual 75% 
sobre o imposto devido -- em razão da incidência do disposto no artigo 44, inciso I, da Lei 
9.430/961. Nessa hipótese, tanto o tributo devido quanto a multa são obrigações de dar, 
 
 
1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: 
I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos 
de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata 
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enquadrando-se no conceito de obrigação tributária principal trazida pelo Código Tributário 
Nacional. 
1.2.2 Obrigação Acessória 
O conceito de obrigação acessória se encontra inserido no §2º do artigo 113 do Código Tributário 
Nacional: 
Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. 
§ 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as 
prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da 
fiscalização dos tributos. 
Como se pode observar, a obrigação acessória tem como objeto um fazer, como é caso do dever 
de realizar a declaração de ajuste do IRPF; ou um não fazer, do que é exemplo a obrigação de não 
embaraçar a fiscalização tributária. Essa é a principal diferença entre a obrigação acessória e a 
obrigação tributária principal, que se caracteriza por ser uma prestação de dar. 
Quanto à nomenclatura, a doutrina critica o termo obrigação acessória, porque poderia conduzir 
o intérprete à conclusão equivocada de que, não existindo obrigação principal, também inexistiria 
obrigação acessória. De fato, essa acessoriedade inexiste, porque a obrigação acessória 
permanece mesmo nos casos em que não há o dever de pagar o tributo. É o caso daqueles que 
se beneficiam de uma regra de isenção ou de imunidade. Essa circunstância não os desobriga de 
realizar as prestações positivas ou negativas previstas pela legislação. Por isso, parte da doutrina 
prefere utilizar o termo deveres instrumentais para se referir às obrigações acessórias. 
Uma segunda característica distintiva entre a obrigação tributária principal e a obrigação tributária 
acessória concerne à fonte da qual emanam. A obrigação tributária principal só pode ser 
estabelecida por meio de lei, conforme se extrai do princípio da legalidade tributária - no caso 
dos tributos – e do artigo 97, inciso V, do Código Tributário Nacional, no caso das sanções 
pecuniárias2. O mesmo não ocorre com relação às obrigações acessórias, porque elas decorrem 
da legislação tributária, nos termos do §2ºdo artigo 113. Por legislação tributária se entende não 
 
 
2 Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: 
V - a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras 
infrações nela definidas; 
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apenas as fontes formais primárias, como as leis ordinárias e as leis complementares, mas também 
as fontes formais secundárias, como decretos e portarias. 
Ademais, embora haja quem vislumbre inconstitucionalidade nesse dispositivo, a posição 
majoritária é a de que as obrigações acessórias podem ser instituídas por um ato infralegal3. 
Questão importante diz respeito à exigência, prevista expressamente no parágrafo segundo do 
artigo 113, de que haja pertinência entre a obrigação acessória e o interesse da arrecadação ou 
da fiscalização dos tributos. Isso significa que a obrigação acessória deve ser efetivamente 
necessária à consecução desses objetivos, tornando ilegal a imposição de providências inúteis, 
como a prestação de informações que já são do conhecimento da administração pública. 
Além da necessidade da obrigação acessória, a exigência do fisco deve ser proporcional, não 
podendo onerar demasiadamente os contribuintes.4 Trata-se de uma exigência que decorre do 
princípio da proporcionalidade ou do princípio da capacidade colaborativa. 
Portanto, obrigações acessórias que sejam desnecessárias ou que onerem de maneira 
desproporcional as pessoas responsáveis pelo seu cumprimento padecem de ilegalidade5. 
Por fim, dispõe o parágrafo terceiro do artigo 113: 
Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. 
§ 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em 
obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. 
Quando há o descumprimento de uma obrigação acessória, o fisco não ingressa no Poder 
Judiciário com pedido para que o sujeito passivo seja compelido a realizá-la. Na verdade, a sanção 
pelo descumprimento da obrigação acessória é a imposição de uma multa pecuniária, que por ser 
uma obrigação de dar, enquadra-se no conceito de obrigação tributária principal. 
Atenção! 
 
 
3 STJ, 1ª T., REsp 724.779/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, set. 2006 
4 PAULSEN, Leandro. Constituição e Código Tributário Comentados à Luz da Doutrina e da 
Jurisprudência. 18. ed. São Paulo: Saraiva, 2017. 
5 STJ - REsp: 1096712 MG 2008/0234943-3, Relator: Ministra DENISE ARRUDA, Data de Julgamento: 
02/04/2009, T1 - PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: 20090506 --> DJe 06/05/2009 
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A obrigação acessória pode ser instituída por um ato infralegal. No entanto, a multa pelo 
descumprimento de uma obrigação acessória deve ser prevista em lei, conforme dispõe o artigo 
97, inciso V, do CTN. 
1.3 FATO GERADOR 
1.3.1 Conceito e classificação 
O capítulo II do Título III do Código Tributário Nacional, que versa sobre obrigação tributária, traz 
regras acerca do fato gerador, nos artigos 114 a 118. Antes de procedermos a análise dos 
dispositivos, é preciso esclarecer que o termo fato gerador tem sido empregado para aludir a duas 
realidades distintas. 
Numa primeira acepção, fato gerador é a descrição, por uma norma geral e abstrata, de um 
determinado comportamento ou estado, cuja realização concreta faz nascer a relação jurídica de 
direito tributário. Nessa perspectiva, fato gerador é o antecedente da regra-matriz de incidência; 
é, por exemplo, a previsão de que quem auferir renda deve pagar imposto de renda. 
Na segunda acepção, o termo fato gerador é a própria realização concreta daquele 
comportamento previsto pela norma tributária. Ocorre, por exemplo, quando alguém recebe seu 
salário, auferindo renda. 
Por tratar-se de palavra ambígua, alguns autores têm abandonado o uso do termo “fato gerador”. 
Geraldo Ataliba6 denomina de “hipótese de incidência” a descrição abstrata prevista na lei e de 
“fato imponível”a sua realização concreta. Já Paulo de Barros Carvalho7 chama a prescrição geral 
e abstrata de “hipótese tributária” e a sua projeção factual de “fato jurídico tributário”. 
No entanto, como a legislação utiliza o termo fato gerador, o seu significado depende do contexto 
em que ele for utilizado. Daí a importância de conhecer cada uma das suas acepções e de redobrar 
o cuidado interpretativo quando nos depararmos com essa expressão. 
Quanto à classificação, a doutrina majoritária costuma categorizá-los em instantâneos, periódicos 
(complexivos) e continuados. 
 
 
6 ATALIBA, Geraldo. Hipótese de incidência Tributária. Revista dos Tribunais, 1973, p. 51 
7 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 22ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. p.311 
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O fato gerador é instantâneo quando a sua realização se dá em um átimo de tempo. É o caso do 
imposto de importação, que a cada nova operação realizada, faz surgir uma obrigação tributária. 
O fato gerador periódico ou complexivo é aquele cuja formação ocorre ao longo de um espaço 
de tempo. Ao final do período previsto em lei, valoriza-se todos os fatos isolados que, somados, 
tem a aptidão para fazer nascer a relação jurídica de direito tributário. É o caso do IRPF, cuja base 
imponível é composta por toda a renda auferida ao longo do ano, até o dia 31 de dezembro, 
quando ocorre o encerramento do ano-calendário. Luciano Amaro8 traz uma metáfora que ajuda 
a visualizar as características do fato gerador periódico ou complexivo: 
Em imagem de que já nos socorremos noutra ocasião, o fato gerador periódico é um 
acontecimento que se desenrola ao longo de um lapso de tempo, tal qual uma peça de 
teatro, em relação à qual não se pode afirmar que ocorra no fim do último ato; ela se 
completa nesse instante, mas ocorre ao longo do tempo, sendo inegável o relevo das 
várias situações desenvolvidas durante o espetáculo para a contextura da peça. Assim 
também uma partida de futebol só termina com o apito final do árbitro, mas ela ocorre 
ao longo do tempo, sendo indispensável, para definição do resultado, verificar o que 
aconteceu durante todo o jogo”. 
Por fim, fato gerador continuado é aquele que descreve uma conduta que revela um estado de 
permanência, como ser proprietário de imóvel urbano, no caso do IPTU, ou ser proprietário de 
veículo automotor, no caso do IPVA. Nesses casos, é necessário que a legislação diga de modo 
expresso quando a conduta descrita pela norma é relevante para fins tributários. No caso do IPTU, 
isso ocorre no dia 01 de janeiro de cada ano, quando se identificam quem são os proprietários 
dos imóveis que devem arcar com o pagamento da exação. 
Essa classificação doutrinária não é isenta de críticas. Para parte da doutrina, todo fato gerador é 
instantâneo, porque ocorre num determinado momento específico. Assim, no caso do IPTU, 
comumente referido como continuado, o fato gerador ocorre no dia 01 de janeiro de cada ano. 
No caso do IRPF, qualificado como fato gerador periódico ou complexivo, no dia 31 de dezembro.9 
Apesar das críticas, as Bancas Examinadoras têm exigido o conhecimento sobre a classificação dos 
fatos geradores. 
 
 
8 AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 20. ed. São Paulo: Saraiva, 2014. 
 
9 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2012. 
 
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CESPE/Procurador do Estado/2008 
Julgue o item a seguir: 
A doutrina designa fato gerador continuado aquele cuja realização ocorre ao longo de um 
espaço de tempo, como no caso do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. 
( ) Certo ( ) Errado 
Comentários: 
A afirmativa está incorreta. O imposto sobre a renda é qualificado como imposto periódico 
ou complexivo. 
 
CONSULPLAN/Titular de Serviços de Notas e Registros/2017/Adaptada 
Julgue o item a seguir: 
Fato gerador complexivo consiste num estado de direito ou situação de fato que tende a 
permanecer no tempo; esse tipo de fato gerador não se constitui por um evento instantâneo 
ou por um conjunto de eventos, mas por um estado de coisas com potencialidade de 
permanência; utilizado, em geral, nos impostos sobre a propriedade. 
( ) Certo ( ) Errado 
Comentários: 
A afirmativa corresponde àquilo que a doutrina denomina de fato gerador continuado. 
PUC-PR/Juiz Substituto/2014/Adaptada 
Julgue o item a seguir: 
O fato gerador do tributo chama-se periódico ou complexivo quando é ele representando 
por situação que se mantem no tempo e que é mensurada em cortes temporais, como ocorre 
nos tributos sobre a propriedade (IPTU e IPVA). 
( ) Certo ( ) Errado 
Comentários: 
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Mais uma vez a afirmativa está incorreta. Ao contrário do que consta no enunciado, a 
descrição corresponde àquilo que a doutrina chama de fato gerador continuado. 
1.3.2 Regras inseridas no Código Tributário Nacional 
Voltemos nossa atenção para o que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do tema, 
começando pelo artigo 114: 
Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como 
necessária e suficiente à sua ocorrência. 
A hipótese de incidência de uma obrigação tributária principal é a situação definida em lei como 
necessária e suficiente à sua ocorrência. Esses fatos, descritos no antecedente da norma, referem-
se a um determinado comportamento ou estado, condicionados por coordenadas de tempo e de 
espaço. 
A hipótese de uma norma tributária contém a descrição de uma conduta lícita, como “ser 
proprietário de imóvel urbano”. 
A hipótese de uma norma sancionatória descreve uma conduta ilícita, como “não realizar a 
declaração do imposto de renda pessoa física até o último dia do mês de abril”. 
Uma vez ocorrida a situação prevista pela norma tributária ou pela norma sancionatória, o fato 
jurídico ocorre, deflagrando uma relação jurídica a que se denomina de obrigação tributária 
principal. 
O artigo 115, por sua vez, trata da hipótese da obrigação acessória: 
Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da 
legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação 
principal. 
O raciocínio é o mesmo. 
A hipótese descreve uma determina conduta ou estado do sujeito passivo. 
O que muda é o consequente da regra, que prevê uma relação jurídica que tem como objeto uma 
prestação de fazer ou uma prestação de não fazer, a que se denomina de obrigação tributária 
acessória. 
O artigo 116 do CTN, por sua vez, possui a seguinte redação: 
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Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considera-se ocorrido o fato gerador e 
existentes os seus efeitos: 
I - tratando-se de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as 
circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são 
próprios; 
II - tratando-se de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente 
constituída, nos termos de direito aplicável. 
O inciso I trata daquelas situações em que a hipótese de incidência da norma tributária é composta 
por uma situação de fato, e não por uma situação jurídica. É o caso do ICMS, que já não se vincula 
ao negócio jurídico que lhe deu causa, mas a uma operação de circulação de mercadorias10. Nessas 
hipóteses,considera-se como ocorrido o fato gerador no momento em que as circunstâncias 
fáticas descritas pela norma ocorrerem concretamente. No caso do ICMS, quando acontecer a 
circulação da mercadoria. 
O inciso II, por sua vez, contempla aqueles casos em que a norma tributária elegeu uma situação 
jurídica para compor o seu antecedente, como a prática de um ato ou negócio jurídico. É o caso 
do ITCMD, no que tange à doação de quaisquer bens ou direitos. Nessas hipóteses, o fato gerador 
ocorre com a constituição do ato ou do negócio jurídico referido pela lei tributária. 
Tratando-se de negócio jurídico em que pende condição suspensiva, considera-se que é com o 
seu implemento que o negócio jurídico se torna perfeito. Se, por outro lado, a condição for 
resolutória, o negócio reputa-se acabado desde a prática do ato. É o que dispõe o artigo 117 do 
CTN: 
Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior e salvo disposição de lei em 
contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputam-se perfeitos e acabados: 
I - sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento; 
II - sendo resolutória a condição, desde o momento da prática do ato ou da celebração 
do negócio. 
 
 
10 SCHOEURI, Luís Eduardo. Direito Tributário. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2017, p. 541 
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Todas essas regras, no entanto, aplicam-se salvo disposição de lei em contrário, como diz 
textualmente o caput do artigo 116 do Código Tributário Nacional. Sobre essa ressalva, existem 
duas correntes interpretativas. 
A primeira delas entende que a lei pode postergar o momento da ocorrência do fato gerador, 
mas não pode antecipá-lo. Nesse sentido, disserta Hugo de Brito Machado11, para quem “o 
legislador há de se manter nos limites do que em cada situação de fato se possa razoavelmente 
admitir. Não pode estabelecer, por exemplo, que o fato gerador de determinado tributo se 
considere consumado antes de que esteja de fato presente a situação prevista na hipótese de 
incidência correspondente”. 
A segunda entende que o legislador pode antecipar-lhe a ocorrência, desde que o critério 
temporal mantenha conexão com os demais critérios12. 
Questão tormentosa diz respeito à interpretação do parágrafo único do artigo 116, abaixo 
colacionado: 
Art. 116. [...] 
Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios 
jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do 
tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados 
os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 
104, de 2001) 
Por força dessa regra, inserida pela Lei Complementar 104/2001, a autoridade administrativa pode 
desconsiderar atos ou negócios jurídicos que dissimulem a ocorrência do fato gerador ou seus 
elementos constitutivos, desde que se observe os procedimentos previstos em lei ordinária. 
Até o presente momento, a lei ordinária referida pelo dispositivo não foi editada, o que leva a 
doutrina majoritária a entender que essa regra carece de aplicabilidade. 
 
 
11 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 36. ed. São Paulo: Malheiros, 2015, p. 132) 
12 Segundo Schoueri (2017, p. 550): “[...] se o legislador fixa uma data dentro do período em que se dão os 
fatos que compõe o fato jurídico tributário, não precisa coincidir com o último dos eventos, já que a 
hipótese – vale insistir – compõe-se de uma série de circunstâncias. É aceitável, daí, que o legislador escolha 
aquela mais conveniente. Uma antecipação que se afaste por demais, entretanto, dificilmente refletirá a 
hipótese tributária, sendo, nesse caso, condenável” 
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Contudo, mesmo que admitida a inaplicabilidade do parágrafo único do artigo 116, isso não 
significa afirmar que a administração pública nada possa fazer quando constate que o ato ou 
negócio jurídico praticado pelo contribuinte incorreu no vício da simulação. Isso porque, o artigo 
149, inciso VIII, do CTN, já autorizava o lançamento de ofício nas hipóteses em que comprovado 
que “o sujeito passivo ou o terceiro em benefício daquele agiu com dolo, fraude ou simulação”. 
Nessa perspectiva, há vozes que entendem que o parágrafo único do artigo 116 não inovou no 
ordenamento, sendo regra desnecessária13. 
A simulação ocorre, nos termos do artigo 167, §1º, do Código Civil, quando os negócios jurídicos: 
i) aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se 
conferem, ou transmitem; ii) contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não 
verdadeira; iii) os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados. 
Trata-se de vício em que existe uma discrepância entre a vontade real e a vontade declarada pelas 
partes. Pode-se classifica-la em simulação absoluta e simulação relativa. A simulação absoluta 
ocorre quando os contratantes não têm intenção de realizar nenhum negócio jurídico, mas criam 
um simulacro, normalmente para prejudicar terceiros. É o caso, por exemplo, da pessoa que assina 
a Carteira de Trabalho de outrem, simulando um vínculo empregatício, tão somente para que este, 
que se encontra incapaz, possa obter um benefício previdenciário. A simulação relativa ocorre 
quando o negócio jurídico praticado encobre um outro negócio jurídico, que realmente 
corresponde à intenção dos agentes. É o caso do pai que, querendo doar um imóvel ao filho, 
verifica que a alíquota do ITCMD é mais elevada do que a alíquota do ITBI, e resolve então simular 
um contrato de compra e venda, para mascarar a doação que efetivamente ocorreu. 
Em quaisquer das duas hipóteses – de simulação absoluta ou relativa – pode o fisco, com base no 
artigo 149, inciso VIII, do CTN, proceder ao lançamento de ofício, cobrando o tributo devido. 
Por fim, dispõe o artigo 118 do Código Tributário Nacional: 
Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se: 
I - da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, 
responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; 
II - dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. 
 
 
13 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2012. 
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Trata-se de dispositivo que tem sido interpretado de três formas pela doutrina. 
A primeira corrente doutrinária censura a regra, por enxergar contradição entre as suas 
disposições e o artigo 116 do Código Tributário Nacional. 
Assim, segundo Paulo de Barros Carvalho14 
Na construção do art. 116, ficara estabelecido que, para a situação de fato (inc. I), o 
critério de reconhecimento era o instante em que se verificassem as circunstâncias 
materiais necessárias à produção dos seus efeitos específicos. Em flagrante contradição, 
declara o art. 118, no inc. II, que a definição legal do fato gerador deve ser interpretada, 
abstraindo-se dos efeitos dos “fatos” efetivamente ocorridos. Como conciliá-los? Seria 
admissível, pela abstração dos efeitos que o fato concreto propagou, identificar o 
preciso tempo de seu acontecimento? As circunstâncias materiais necessárias à 
configuração fáctica estão irremediavelmente atreladas aos efeitos típicos. Não 
podemos abstrair umas sem também abstrair outros.[...] 
Muito mais difícil, porém, é compatibilizar o art. 118, I, com o art. 116, II. Nesse ponto a 
tarefa parece até impossível. Para o reconhecimento da situação jurídicatemos de 
analisar sua constituição, nos termos do direito aplicável (art. 116, II), e, ao mesmo 
tempo, para compreender a definição legal do fato, sempre que se tratar de ato ou 
negócio jurídico, somos obrigados a fazer abstração da validade dos atos praticados. As 
ordens prescritas não se coadunam. Uma exclui a outra, em dimensões de 
contraditoriedade absoluta. 
Esse também é o pensamento de Sacha Calmon Navarro Coelho15. 
A segunda corrente interpretativa defende que é possível a compatibilização dos dispositivos, 
desde que se entenda que o inciso I do artigo 118 se aplica tão somente à hipótese do inciso I do 
artigo 116, e que o inciso II do artigo 118 se aplica apenas à situação descrita pelo inciso II do 
artigo 116. 
Nessa perspectiva, quando a hipótese de incidência da norma tributária se refere a uma situação 
de fato (artigo 116, inciso I) é aplicável o inciso I do artigo 118, para tornar irrelevante a “validade 
 
 
14 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2012. 
15 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Curso de Direito Tributário Brasileiro. 12. ed. Rio de Janeiro: Forense, 
2012. 
 
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jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem 
como a natureza do seu objeto ou dos seus efeitos”. Isso porque, nesses casos, a norma tributária 
despreza o negócio jurídico subjacente, para tornar significativo apenas a concretização da 
circunstância fática por ela prevista. É o que ocorre com o ICMS, cujo fato gerador não é a 
realização de um contrato de compra e venda (situação jurídica), mas a circulação de mercadoria 
(situação fática). Assim, para efeitos tributários, é irrelevante que o negócio jurídico (contrato de 
compra e venda) firmado entre o comerciante e o consumidor tenha sido anulado pelo Judiciário. 
A obrigação tributária permanece exigível. 
De outro modo, quando a hipótese de incidência da norma tributária é uma situação jurídica 
(artigo 116, inciso II), incide o artigo 118, inciso II, do CTN, que determina que se abstraia os 
efeitos efetivamente ocorridos. Assim, por exemplo, em sendo realizada a transmissão da 
propriedade imobiliária, é possível a cobrança do ITBI, sendo irrelevante a circunstância de o 
antigo proprietário permanecer habitando o imóvel. 
Essa é a posição de Luís Eduardo Schoueri16. 
A terceira corrente doutrinária defende que o artigo 118 é plenamente aplicável, devendo-se 
abstrair a validade jurídica dos atos praticados, ainda que a hipótese de incidência da norma 
tributária preveja uma situação jurídica. O argumento central é o de que um ato nulo pode produzir 
efeitos, a despeito do vício em que incorre. É o que acontece com uma compra e venda que, 
mesmo nula, seja respeitada pelas partes com a entrega do imóvel ao comprador e do preço pelo 
vendedor17. 
No entanto, se o negócio jurídico for anulado e as partes retornarem ao status quo ante, a 
obrigação tributária não deve subsistir. Esse é o pensamento de Hugo de Brito Machado18. 
Essa linha de pensamento já foi adotada pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento de um 
caso em que o negócio jurídico que deu origem à cobrança do ITBI foi anulado. A corte entendeu 
que o contribuinte teria direito à repetição do indébito.19 
Para efeitos de concurso público, deve-se considerar correta a afirmativa que apenas reproduza a 
literalidade do artigo 118 do Código Tributário Nacional, e incorreta a que lhe contrarie. 
 
 
16 SCHOEURI, Luís Eduardo. Direito Tributário. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2017, p. 541 
17 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 36. ed. São Paulo: Malheiros, 2015, p. 132 
18 Ibid. 
19 REsp 1493162/DF, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 25/11/2014, DJe 
19/12/2014 
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CONSULPLAN/Titular de Serviços de Notas e de Registros/2017 
O fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e 
suficiente à sua ocorrência. Sobre o fato gerador disciplinado no Código Tributário Nacional, 
analise as afirmações que seguem: 
I. Inclui-se na interpretação da definição legal do fato gerador a validade jurídica dos atos 
efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como a 
natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. 
II. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação 
aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. 
III. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados 
com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos 
elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem 
estabelecidos em lei ordinária. 
IV. Tratando-se de situação de fato, salvo disposição de lei em contrário, considera-se 
ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos desde o momento em que o se 
verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente 
lhe são próprios. 
Está correto o que se afirma em: 
 a) I e II, apenas. 
 b) II e III, apenas. 
 c) II, III e IV, apenas. 
 d) I, II, III e IV. 
Comentários: 
A afirmativa I está incorreta. Conforme dispõe o artigo 118 do CTN, a definição legal do fato 
gerador é interpretada abstraindo-se, e não incluindo-se, a validade jurídica dos atos 
efetivamente práticos ou dos efeitos efetivamente ocorridos. 
Por outro lado, se a Banca Examinadora trouxer um caso prático, recomendamos a adoção da 
última corrente doutrinária, que está em consonância com o julgado do Superior Tribunal de 
Justiça. 
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FCC/Procurador Municipal/2010 
Contra um menor absolutamente incapaz foi lavrado um auto de infração e imposição de 
multa constituindo crédito tributário relativo a negócio que o menor praticou sem estar 
devidamente representado. Esta exigência tributária, em tese, está 
 a) correta, pois a autoridade administrativa pode desconsiderar atos ou negócios jurídicos 
praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a 
natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. 
 b) errada, já que se trata de negócio juridicamente nulo. 
 c) correta, pois a validade jurídica dos atos efetivamente praticados e os efeitos dos fatos 
efetivamente ocorridos são irrelevantes para a definição do fato gerador, não havendo 
impedimento, portanto, para que o negócio celebrado seja fato gerador de tributo. 
 d) correta, desde que o negócio jurídico venha a ser ratificado pelo representante legal do 
menor, no âmbito civil, hipótese em que será válido juridicamente. 
 e) errada, pois a lei tributária não pode alterar a definição e formas de direito privado, 
utilizados, expressa ou implicitamente para definir ou limitar competências tributárias. 
Comentários: 
A alternativa correta é a Letra C. 
Segundo a terceira corrente doutrinária, que deve ser adotada em provas objetivas de 
concurso público, o negócio nulo pode ser tributado, por ser possível que ele produza seus 
efeitos. A tributação somente deve ser afastada se as partes retornarem ao status quo ante. 
 
Cespe/Juiz Federal Substituto/2015 
A União celebrou negócio jurídico com uma sociedade empresarial. Tal operação configurou-
se como um fato gerador, uma vez que era uma situação descrita, na norma tributária, como 
hipótese de incidência de um tributo. Noentanto, identificou-se, posteriormente, a 
irregularidade da constituição da sociedade empresarial, de modo que o negócio jurídico 
celebrado com a União foi declarado nulo, não tendo sido, portanto, adimplida a obrigação 
tributária, cujo termo ainda não havia transcorrido. 
Nessa situação hipotética, 
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 a) o negócio jurídico configurou fato gerador do tributo, dado o princípio da interpretação 
objetiva do fato gerador. 
 b) a celebração do negócio jurídico não configurou fato gerador do tributo, por ser esse 
negócio inepto à produção de efeitos tributários. 
 c) o negócio jurídico constituiu fato gerador do tributo. No entanto, admite-se aos 
contratantes o pedido de repetição do indébito após a declaração de nulidade. 
 d) a obrigação tributária foi extinta porque a declaração de nulidade do negócio jurídico 
ocorreu antes do fim do prazo para o pagamento. 
 e) a sociedade empresária não tem capacidade tributária passiva, haja vista ter sido 
constituída de forma irregular. 
Comentários: 
Essa questão foi anulada. 
A justificativa da Banca Examinadora foi a seguinte: 
“O negócio jurídico mencionado na situação hipotética da questão não configura fato 
gerador, pois foi anulado e houve restituição do suporte fático anterior à celebração do 
contrato, razão pela qual o fisco fica impedido de gerar uma obrigação tributária. Por esse 
motivo, anulou-se a questão”. 
Portanto, a banca examinadora adotou a terceira corrente doutrinária. 
Por fim, é importante pontuar que o artigo 118 do Código Tributário Nacional também tem sido 
interpretado como uma concretização do princípio da interpretação objetiva do fato gerador, 
segundo o qual se deve desconsiderar o caráter ilícito da conduta praticada pelo contribuinte 
(pecúnia non olet). 
Assim, o fato jurídico incide quando ocorrida a situação prevista pela hipótese de incidência da 
norma tributária, sendo irrelevante que a conduta que originou a obrigação seja contrária ao 
direito. É o caso do traficante que foi notificado pela Receita Federal a pagar imposto de renda, 
incidente sobre rendimentos apurados no valor de R$ 50.000,00. O fato desse rendimento ter 
origem ilícita não afasta a sua obrigação de recolher a tributação. 
1.4. SUJEITO ATIVO 
Dispõe o artigo 119 do Código Tributário Nacional: 
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Art. 119. Sujeito ativo da obrigação é a pessoa jurídica de direito público, titular da 
competência para exigir o seu cumprimento. 
A leitura isolada do artigo 119 poderia conduzir à conclusão de que apenas a pessoa jurídica, 
detentora da competência tributária, é que poderia figurar como sujeito ativo de uma relação 
obrigacional. Não é, no entanto, o que ocorre. Esse dispositivo deve ser interpretado em conjunto 
com o disposto no artigo 7º do Código Tributário Nacional, que dispõe da seguinte forma: 
Art. 7º A competência tributária é indelegável, salvo atribuição das funções de arrecadar 
ou fiscalizar tributos, ou de executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas em 
matéria tributária, conferida por uma pessoa jurídica de direito público a outra, nos 
termos do § 3º do artigo 18 da Constituição. 
Portanto, é possível que haja a delegação da capacidade tributária ativa, e que o sujeito ativo de 
uma relação jurídica não seja a pessoa jurídica detentora da competência tributária. 
É o que ocorre, por exemplo, com os seguintes tributos: a) Taxa de Controle e Fiscalização 
ambiental, instituída pela Lei n. 10.165/2000, que tem o IBAMA como sujeito ativo; b) anuidades 
pagas aos conselhos de fiscalização de profissões, que tem estes como sujeitos ativos do tributo; 
c) ITR, imposto instituído pela União Federal, que pode ser fiscalizado e cobrados pelos municípios 
que assim optarem, nos termos do §4º, inciso III, do artigo 153 da Constituição Federal. 
O artigo 120, por sua vez, dispõe da seguinte forma: 
Art. 120. Salvo disposição de lei em contrário, a pessoa jurídica de direito público, que 
se constituir pelo desmembramento territorial de outra, subroga-se nos direitos desta, 
cuja legislação tributária aplicará até que entre em vigor a sua própria. 
Portanto, a nova pessoa jurídica direito público que for constituída sub-roga-se nos direitos desta, 
e pode aplicar a legislação da pessoa jurídica desmembrada até que entre em vigor a sua própria. 
1.5 SUJEITO PASSIVO 
1.5.1 Disposições Gerais 
Dispõe o artigo 121 do Código Tributário Nacional: 
Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de 
tributo ou penalidade pecuniária. 
Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se: 
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I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o 
respectivo fato gerador; 
II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra 
de disposição expressa de lei. 
Como se observa do dispositivo, a legislação arrolou, como sujeitos passivos da relação 
obrigacional, o contribuinte e o responsável. A teoria dualista da obrigação tributária ajuda-nos a 
enxergar a distinção entre essas duas figuras. Essa teoria, que surgiu entre os civilistas, propõe a 
separação entre dois elementos: o dever e a responsabilidade. O primeiro implica no dever que 
tem o devedor de adimplir com a dívida que mantem com o credor. O segundo, a 
responsabilidade, diz respeito à faculdade de que dispõe o credor de vindicar o cumprimento da 
obrigação, no caso em que ela não for saldada espontaneamente. 
Nem sempre esses dois elementos estão presentes. Nas dívidas de jogo, embora exista a dívida, 
não há a responsabilidade, porque o credor não pode exigir o seu cumprimento, conforme dispõe 
o artigo 814 do Código Civil. Por outro lado, existem situações em que alguém é responsável 
patrimonialmente por algo que não deve, como é o caso da fiança20. 
Essa explicação é útil para explicar a sujeição passiva tributária, conforme ensina Ricardo Lobo 
Torres: 
O contribuinte tem o débito (debitum, Schuld), que é o dever de prestação e a 
responsabilidade (Haftung), isto é, a sujeição do seu patrimônio ao credor (obligatio), 
enquanto que o responsável tem a responsabilidade (Haftung) sem ter o débito (Schuld), 
pois ele paga o tributo por conta do contribuinte. 
De fato, quem realiza o fato gerador e detém a capacidade contributiva é o contribuinte, que tem 
o dever de prestação e está sujeito a expropriação do seu patrimônio no caso de inadimplemento. 
É por isso que o CTN o qualifica como aquele que tem relação pessoal e direita com a situação 
que constitua o respectivo fato gerador. 
O responsável tributário não realizou o comportamento previsto pela hipótese de incidência da 
norma tributária, tendo sido chamado a arcar com a obrigação em virtude de disposição expressa 
de lei. Trata-se de alguém que, embora não tenha o dever, tem a responsabilidade pelo 
pagamento da exação. 
 
 
20 SCHOEURI, Luís Eduardo. Direito Tributário. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2017, p. 578 
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A doutrina também utiliza a expressão sujeição passiva direta para se referir ao contribuinte e 
sujeição passiva indireta para se referir ao responsável. 
O artigo 122 do Código Tributário Nacional, por sua vez, dispõe no seguinte sentido: 
Art.122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que 
constituam o seu objeto. 
Assim, é sujeito passivo da obrigação acessória aquele que for obrigado a fazer ou não fazer 
alguma coisa no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. 
Não há a exigência legal de que o sujeito passivo de uma obrigação acessória também figure 
como sujeito passivo de uma obrigação principal. Exemplo disso são as imobiliárias, que devem 
informar à Receita Federal os valores dos aluguéis pagos pelos locatários aos proprietários. 
O artigo 123 do Código Tributário Nacional, por seu turno, determina que “salvo disposições de 
lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de 
tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito 
passivo das obrigações tributárias correspondentes”. 
De fato, a regra nem precisaria ser expressa, porque o contrato só gera efeito entre as partes. 
Assim, o contrato entre o locatário e o locador, que impõe àquele o dever de pagar o IPTU, não 
é oponível ao fisco, que pode efetuar o lançamento do imposto contra o proprietário do imóvel. 
1.5.2 Solidariedade 
O artigo 124 do CTN tem a seguinte redação: 
Art. 124. São solidariamente obrigadas: 
I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da 
obrigação principal; 
II - as pessoas expressamente designadas por lei. 
Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de 
ordem. 
O inciso I determina que são solidariamente responsáveis aquelas pessoas que tenham interesse 
comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Notem que, nesse caso, 
a solidariedade é automática, porque decorre do próprio texto do Código Tributário Nacional, 
sendo desnecessária a edição de lei específica. 
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A construção da mensagem legislativa depende do significado atribuído à expressão interesse 
comum. A doutrina tem entendido que esse fenômeno ocorre quando as pessoas ocupam o 
mesmo polo na situação que constitui o fato gerador tributário. Assim, sob esse viés, em existindo 
um imóvel urbano com três proprietários, serão todos eles solidariamente responsáveis pelo 
pagamento do imposto. 
Por outro lado, se as pessoas ocuparem polos antagônicos em um contrato, inexiste interesse 
comum. Assim, por exemplo, se no caso de transferência de um imóvel, a legislação municipal 
estabelecer que apenas o comprador é o contribuinte do imposto, não pode o vendedor, que 
ocupa o polo oposto no contrato, ser chamado a pagar a exação, sob o fundamento da incidência 
do disposto no inciso I do artigo 124 do CTN. 
O inciso II, por sua vez, dispõe que são solidariamente obrigadas as pessoas expressamente 
designadas em lei. Assim, mesmo na hipótese em que não haja interesse comum, é possível a 
existência de solidariedade, desde que exista lei específica que assim o determine. 
No entanto, a lei não é totalmente livre para estabelecer hipóteses de solidariedade, que não 
pode ser atribuída para pessoas que o próprio CTN considera responsáveis pessoais ou 
subsidiários, ou para quem não guarde qualquer relação com o fato gerador. Aplica-se, também 
aqui, a condicionante prevista no artigo 128 do Código Tributário Nacional, que exige que o 
terceiro mantenha vinculação com o fato gerador da respectiva obrigação. Esse assunto será 
detalhado quanto tratarmos da responsabilidade tributária. 
O parágrafo único, por seu turno, determina que, tratando-se de solidariedade, é inaplicável o 
benefício de ordem. Assim, o devedor solidário pode ser chamado a responder pela integralidade 
da exação, independentemente de os demais devedores solidários possuírem ou não patrimônio. 
O artigo 125 do Código Tributário Nacional traz os efeitos da solidariedade, ao dispor da seguinte 
forma: 
Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da 
solidariedade: 
I - o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; 
II - a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada 
pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais 
pelo saldo; 
III - a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou 
prejudica aos demais 
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O inciso I determina que, uma vez satisfeita a dívida por qualquer um dos devedores solidários, o 
crédito tributário é extinto com relação a todos os interessados. 
O inciso II, por sua vez, estabelece que as isenções e remissões objetivas aproveitam a todos os 
devedores solidários, enquanto que as isenções e remissões subjetivas apenas favorecem aqueles 
devedores cuja situação pessoal se enquadre na regra tributária benéfica. 
É qualificada como objetiva a isenção ou a remissão que independe das circunstâncias pessoais 
dos sujeitos passivos. É o caso de uma norma que estabeleça isenção do IPTU para imóveis cujos 
valores venais sejam inferiores a R$ 50.000,00. Nesse caso, a regra isentiva beneficia a todos os 
devedores solidários. 
Por outro lado, é qualificada como subjetiva a remissão ou a isenção que considere na sua hipótese 
de incidência as condições pessoais do sujeito passivo da obrigação tributária. É o que ocorre com 
uma norma que estabeleça a isenção do IPTU para quem seja deficiente físico. Nessa hipótese, 
apenas o devedor deficiente é quem faz jus à isenção, devendo os demais devedores solidários 
pagarem o saldo. 
O inciso III determina que a interrupção da prescrição favorece ou prejudica a todos os devedores 
solidários. Assim, em uma ação de execução fiscal movida pela Fazenda Pública, o despacho 
citatório com relação a um dos devedores solidários interrompe a prescrição com relação a todos 
eles. 
1.5.3 Capacidade Tributária 
O artigo 126 do Código Tributário Nacional traz regras sobre a capacidade para incorrer em fatos 
jurídicos tributários, ao dispor no seguinte sentido: 
Art. 126. A capacidade tributária passiva independe: 
I - da capacidade civil das pessoas naturais; 
II - de achar-se a pessoa natural sujeita a medidas que importem privação ou limitação 
do exercício de atividades civis, comerciais ou profissionais, ou da administração direta 
de seus bens ou negócios; 
III - de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando que configure uma 
unidade econômica ou profissional. 
A interpretação do inciso I do artigo 126 depende da interpretação dada aos artigos 116 e 118 
do Código Tributário Nacional. Ao analisarmos esses dois dispositivos anteriormente, 
mencionamos que há corrente doutrinaria que entende que, quando a hipótese de incidência da 
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norma descreve uma situação jurídica, a validade do ato ou negócio subjacente é circunstância 
necessária ao nascimento da obrigação tributária, sendo inaplicável o disposto no artigo 118, 
inciso I, do CTN. Assim, para essa perspectiva, a capacidade civil só seria irrelevante nos casos em 
que a norma tributária elegesse uma situação fática no seu antecedente, como ocorre com o ICMS, 
que tem como critério material a circulação de mercadorias. Por outro lado, se a norma tributária 
elegesse uma situação jurídica, a ausência de capacidade civil das pessoas naturais impediria o 
nascimento da própria obrigação tributária, em razão da nulidade do negócio jurídico. 
Já para a corrente majoritária, que entendeque o artigo 118 do Código Tributário Nacional se 
aplica tanto às situações fáticas quanto às situações jurídicas, a ausência da capacidade civil das 
pessoas naturais é sempre circunstância irrelevante, seja para o nascimento da obrigação tributária 
ou para a configuração da capacidade tributária passiva. 
Para efeitos de concurso público, deve-se adotar essa última interpretação mencionada. 
O inciso II torna expressa a regra segundo a qual é irrelevante, para efeitos de sujeição tributária 
passiva, que a pessoa natural se encontre sujeita a medidas que importem em privação ou 
limitação do exercício de atividades civis, comerciais ou profissionais, ou da administração direta 
de seus bens e negócios. 
Como exemplo desse dispositivo, podemos citar o médico que, embora tenha sido suspenso pelo 
Conselho de Medicina, continuou ilegalmente a exercer suas atividades. Essa circunstância não 
impede a cobrança de ISSQN sobre os serviços prestados ou de IRPF sobre a renda auferida. 
O inciso III, por sua vez, esclarece que as pessoas jurídicas irregularmente constituídas, mas que 
se configurem como uma unidade econômica ou profissional, também possuem capacidade 
tributária passiva. É o que ocorre com a sociedade irregular ou com a sociedade de fato, que se 
caracterizam por não terem sido constituídas de acordo com a legislação societária. Essa 
circunstância não impede a cobrança da tributação sobre as suas atividades, conforme deixa 
expresso o texto legal. 
1.5.4 Domicílio Tributário 
O domicílio tributário é o local onde o sujeito passivo deve cumprir com as obrigações tributárias. 
A definição desse local é regulamentada pelo artigo 127 do Código Tributário Nacional, que 
dispõe no seguinte sentido: 
Art. 127. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, 
na forma da legislação aplicável, considera-se como tal: 
I - quanto às pessoas naturais, a sua residência habitual, ou, sendo esta incerta ou 
desconhecida, o centro habitual de sua atividade; 
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a
 
 
 
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II - quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua 
sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada 
estabelecimento; 
III - quanto às pessoas jurídicas de direito público, qualquer de suas repartições no 
território da entidade tributante. 
§ 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos deste 
artigo, considerar-se-á como domicílio tributário do contribuinte ou responsável o lugar 
da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. 
§ 2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite 
ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicando-se então a regra do 
parágrafo anterior. 
É possível extrair da interpretação desse dispositivo seis regras distintas sobre domicílio tributário: 
1ª: Como regra geral, o domicílio tributário do sujeito passivo é aquele local que ele próprio 
escolheu (caput do artigo 127). 
2º: Se o domicílio eleito impossibilitar ou dificultar a arrecadação dos tributos, pode a autoridade 
administrativa recusá-lo, caso em que será considerado como domicílio o lugar da situação dos 
bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. (§2º do artigo 127). 
É que ocorre, por exemplo, com o contribuinte, proprietário de bem imóvel urbano localizado em 
um determinado município, que elegeu como domicílio tributário uma fazenda localizada no 
interior, de difícil acesso e sem estrada. Nesse caso, o fisco municipal pode recusar o domicílio 
eleito, fixando-o no endereço do imóvel urbano de propriedade do contribuinte. 
3ª: Se pessoa natural não escolher seu domicílio tributário, será considerado como tanto a sua 
residência habitual, ou, sendo esta incerta ou desconhecida, o centro habitual de sua atividade 
(inciso I do artigo 127). 
4ª: Se a pessoa jurídica não escolher seu domicílio tributário, será considerado como domicílio o 
lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada 
estabelecimento (inciso II do artigo 127). 
5º: Se as pessoas jurídicas de direito público não escolherem seu domicílio tributário, o domicílio 
é o de qualquer de suas repartições no território da entidade tributante (inciso III do artigo 127). 
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6: Se as regras anteriores não forem cabíveis, será considerado como domicílio tributário do sujeito 
passivo o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à 
obrigação. (§1º do artigo 127). 
O gráfico abaixo ajuda-nos a visualizar como essas regras operam em conjunto: 
 
 
1.6 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA 
1.6.1 Classificação e disposições gerais. 
Quando analisamos o artigo 121 do Código Tributário Nacional, mencionamos que são sujeitos 
passivos da relação jurídica obrigacional o contribuinte e o responsável, tendo sido consignado 
que aquele dispositivo os diferencia segundo o seguinte critério: o contribuinte mantém relação 
pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador (inciso I do artigo 121), 
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enquanto que o responsável é aquele que, sem revestir a condição de contribuinte, possui a 
obrigação em razão de disposição expressa de lei (inciso II do artigo 121). 
A partir de agora, nos dedicaremos a estudar essa última espécie de sujeição passiva, que tem 
sido classificada pela doutrina em dois grandes grupos: i) responsabilidade por substituição, 
também chamada de responsabilidade originária; ii) responsabilidade por transferência, também 
chamada de responsabilidade derivada. 
Cada um desses grupos tem subdivisões, conforme demonstra o gráfico abaixo: 
 
O critério distintivo entre a responsabilidade por substituição (originária) e a responsabilidade por 
transferência (derivada) é o momento da incidência da norma atributiva de responsabilidade. 
Nos casos de responsabilidade por substituição, o substituto tributário já é designado desde logo 
como sendo o sujeito passivo da relação jurídica obrigacional, o que significa afirmar que a 
responsabilidade surge no mesmo momento da ocorrência do fato gerador. 
É o caso, por exemplo, da legislação que estabelece ser de responsabilidade do comerciante o 
pagamento do ICMS referente a operação realizada pelo agricultor. A responsabilidade daquele 
surge no momento em que realizada a circulação da mercadoria por este último (fato gerador do 
ICMS). 
Na responsabilidade por transferência o fenômeno ocorre de maneira diferente. Num primeiro 
momento, quando da ocorrência do fato gerador, o sujeito passivo da relação é o contribuinte. 
Apenas posteriormente, em razão de algum acontecimento previsto pela norma atributiva de 
responsabilidade, é que alguém passa a ser responsável pelo pagamento da exação. 
É o caso, por exemplo, do contribuinte que, encontrando-se inadimplente com o IPTU dos anos 
de 2017 e 2018, promove a venda do imóvel a um terceiro. Esse terceiro não era responsável pelo 
pagamento do imposto no momento do fato gerador, posto que não tinha qualquer relação com 
aquele bem. No entanto, essa responsabilidade nasce no momento em que o bem foi por ele 
adquirido. 
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Tanto na hipótese de responsabilidade por substituição quanto na de responsabilidade por 
transferência, incide o disposto no artigo 128 do Código Tributário Nacional, que dispõe no 
seguinte sentido: 
Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso 
a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador 
da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a 
a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. 
Esse dispositivo contém quatro comandos importantes sobre o instituto da responsabilidade 
tributária: 
O primeiro é o de que a responsabilidade tributária pressupõe lei em sentido estrito. Isso significa 
afirmar que ninguém pode ser colocado no polo passivo de uma obrigação, ainda que na 
qualidade de responsável, por um ato infralegal. 
O segundo é o de que o terceiro eleito pela lei como responsável tributário deve ser vinculado ao 
fato gerador, não sendo lícito ao legislador escolher alguém de forma aleatória ou que não tenha 
qualquer relação com o acontecimento que gerou o nascimento da obrigação tributária. Essa 
vinculação existe se presente uma das seguintes circunstâncias: i) prática de uma conduta ilícita 
por parte deste terceiro; ii) possibilidade jurídica deste terceiro se ressarcir da quantia despendida 
a título de tributo. 
O terceiro é o de que a lei pode excluir a responsabilidade do contribuinte ou atribui-la em caráter 
supletivo do cumprimento da obrigação pelo responsável. Além desses dois regimes, de ausência 
de responsabilidade do contribuinte e de responsabilidade subsidiária, a lei também pode 
estabelecer a responsabilidade solidária do contribuinte, conforme interpretação conjunta desse 
dispositivo com o artigo 124 do Código Tributário Nacional. 
O quarto é o de que a responsabilidade pode englobar não apenas o valor devido a título de 
tributo, mas também as penas pecuniárias. 
Feitas essas considerações introdutórias, passamos agora a analisar cada uma das espécies de 
responsabilidade tributária. 
1.6.2. Responsabilidade por Substituição 
1.6.2.1 Substituição Tributária para trás (regressiva) 
A distinção entre a substituição tributária para frente e a substituição tributária para trás decorre 
da posição do responsável tributário na cadeia econômica. Se a sua posição for posterior a posição 
do contribuinte, estaremos diante de uma responsabilidade tributária para trás (regressiva): 
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Isso porque, o responsável “retrocede” uma posição na cadeia econômica para “substituir” o 
contribuinte. 
Isso ocorre, por exemplo, quando a legislação estabelece o regime de substituição tributária nas 
operações entre os sucateiros (contribuintes) e as indústrias que adquirem a sucata (responsáveis). 
O fato gerador do tributo ocorre quando os sucateiros vendem a sucata para as indústrias. São os 
sucateiros os contribuintes da exação. No entanto, a legislação estabelece a responsabilidade pelo 
pagamento do tributo às indústrias, que ficam obrigadas a pagar o tributo atinente àquela primeira 
operação quando da realização da operação seguinte. 
Assim, quando as indústrias destinarem o produto para um intermediário ou para o consumidor 
final, elas devem recolher a exação das duas operações: como responsáveis tributários, com 
relação à primeira; como contribuintes, quanto à segunda operação: 
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A responsabilidade tributária para trás é utilizada para facilitar a fiscalização e arrecadação do 
fisco, nas hipóteses em que a realização dessas atividades se torne mais simples e mais eficaz 
quando realizada unicamente nos agentes econômicos adquirentes dos produtos ou das 
mercadorias. No exemplo mencionado, isso ficou evidenciado. Ao invés de se fiscalizar os 
sucateiros, que muitas vezes atuam na informalidade, o fisco concentra sua autuação nas 
indústrias, que além de serem em menor número, atuam no mercado formal. 
1.6.2.2 Substituição Tributária para frente (progressiva) 
Caso o responsável esteja numa posição anterior à do contribuinte na cadeia econômica, 
estaremos diante da chamada substituição tributária para frente. 
 
O nome dado pelo instituto repousa na circunstância de o responsável “avançar” uma posição na 
cadeia econômica para “substituir” o contribuinte. É o que ocorre com as empresas fabricantes 
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de veículos com relação às concessionárias. Quando o automóvel deixa o estabelecimento da 
fabricante, esta última deve arcar, como responsável tributário, com o tributo que se supõe que 
irá existir quando da venda do automóvel pela concessionária ao consumidor final. 
O gráfico abaixo ajuda-nos a visualizar o fenômeno: 
 
Portanto, na substituição tributária para frente ocorre o inverso do que acontece na substituição 
tributária para trás. Nesta última, ocorre o diferimento no pagamento do tributo, que é postergado 
para a operação seguinte; naquela, o tributo é antecipado para um momento anterior na cadeia 
econômica, pela presunção de que o fato gerador atinente à operação seguinte deve ocorrer. 
Essa presunção da ocorrência do fato gerador gerou controvérsias na doutrina sobre a 
constitucionalidade do instituto, tendo o Supremo Tribunal Federal, no entanto, firmado 
jurisprudência no sentido da sua constitucionalidade. Posteriormente, inseriu-se dispositivo 
expresso no texto constitucional sobre o tema: 
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à 
União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: 
§ 7º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de 
responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva 
ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia 
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paga, caso não se realize o fato gerador presumido. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 3, de 1993) 
Como se observa, o dispositivo assegura a imediata e preferencial restituição da quantia paga 
caso não se realize o fato gerador presumido. Retomando nosso exemplo, caso o veículo não seja 
vendido pela concessionária para o consumidor final, faz-se possível a restituição da quantia paga 
antecipadamente. 
Discussão importante dizia respeito à possibilidade de restituição no caso de fato gerador ocorrido 
a menor. De fato, como o fato gerador é presumido, não se sabe num primeiro momento qual é 
a base tributável, o que impõe que a legislação estabeleça os critérios que devam ser utilizados 
para apuração da quantia. Tais critérios, aliás, devem ser razoáveis, mantendo coerência com a 
realidade. No nosso exemplo, de venda de veículos, o valor normalmente é estabelecido por uma 
tabela de algum órgão público ou pela tabela do próprio fabricante. 
De toda forma, ainda que o valor estabelecido pela legislação não padeça de ilegalidade, é 
possível que o valor tributável não seja exatamente aquele que foi inicialmente pressuposto. Nesse 
caso, o Supremo Tribunal Federal firmou inicialmente jurisprudência no sentido da impossibilidade 
da restituição da quantia paga a maior. Dois argumentos principais eram utilizados pela Corte: 
primeiro, que o artigo 150, §7º, daCF, apenas assegurava a restituição quando o fato gerador não 
se realizasse; segundo, que uma interpretação extensiva, que também autorizasse a restituição no 
caso de pagamento a maior, contrariaria a própria funcionalidade do instituto, de facilitar a 
fiscalização e a arrecadação dos tributos. 
No entanto, o Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 593849, reviu seu 
posicionamento, tendo aprovado o a Tese de Repercussão Geral nº 201, segundo a qual “É devida 
a restituição da diferença do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) pago a 
mais no regime de substituição tributária para a frente se a base de cálculo efetiva da operação 
for inferior à presumida”. 
1.6.2.3 Substituição Tributária simultânea (comum) ou Retenção na Fonte 
A substituição tributária simultânea ou comum ocorre quando alguém retém o tributo devido na 
fonte, repassando-o para o fisco. 
Podemos citar como exemplo dessa modalidade de substituição o dever do empregador de reter 
o valor devido pelo empregado a título de IRPF. Outro exemplo que pode ser mencionado é o 
dos pagamentos realizados pelos órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal 
a pessoas jurídicas, que devem ser realizados após a dedução, na fonte, do imposto sobre a renda, 
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da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social - COFINS e da 
contribuição para o PIS/PASEP21. 
Embora a maior parte da doutrina se refira a esse fenômeno como uma variante da substituição 
tributária, há autores que entendem que a retenção na fonte não é uma modalidade de 
substituição tributária, mas uma obrigação acessória22. 
De fato, essa posição parece descrever melhor o fenômeno normativo, sobretudo nos casos em 
que a fonte pagadora é o próprio o fisco, como ocorre com os pagamentos realizados pela União 
aos seus servidores. Admitir, nessa hipótese, a existência da substituição tributária, seria afirmar 
que a União ocupa tanto o polo ativo quanto o polo passivo da obrigação. 
O Superior Tribunal de Justiça tem julgado nesse sentido, considerando que a retenção na fonte 
é uma obrigação acessória23: 
TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. COTEJO 
REALIZADO. SIMILITUDE FÁTICA COMPROVADA. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA 
FONTE. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ART. 45, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 
ILEGITIMIDADE ATIVA DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA 
ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE DO ART. 166 DO CTN. [...] 
5. Registre-se que a hipótese dos autos - que trata de obrigação tributária acessória, nos 
termos do art. 113, § 2º, do CTN - em nada se confunde com aquela disciplinada no art. 
128, também do CTN. 
Existe diferença entre a sujeição passiva de uma obrigação tributária acessória - cujo 
objeto corresponde a um fazer ou não fazer no interesse da arrecadação - e a sujeição 
passiva de uma obrigação tributária principal - cujo objeto corresponde ao pagamento 
de tributo ou penalidade pecuniária. 
 
 
21 Lei 9.430/96 
Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a 
pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, 
do imposto sobre a renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade 
social - COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. 
22 É o caso de Luíz Eduardo Schoueri. 
23 EREsp 1318163/PR, Rel. Ministro OG FERNANDES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/06/2017, DJe 
15/12/2017 
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6. É certo que, em atenção ao art. 128 do CTN, a responsabilidade pelo pagamento do 
tributo pode ser atribuída a um sujeito que deixa de cumprir com sua obrigação 
tributária acessória, no caso, o encargo de reter e recolher ao fisco a importância devida 
por alguém que se encontra no polo passivo de uma obrigação principal. E realmente é 
o que se tem no comando constante do art. 45, parágrafo único, do CTN. 
7. A leitura que se faz desse parágrafo único é a seguinte: (i) Com suporte no art. 133, § 
2º, do CTN, determinado sujeito pode ser incumbido, pela legislação tributária, de reter 
e recolher um tributo, mesmo não fazendo parte da relação jurídico-tributária principal 
na qualidade de contribuinte ou responsável; (ii) Com suporte no art. 128 do CTN, 
determinado sujeito de obrigação tributária acessória (fonte pagadora da renda ou 
proventos tributáveis) pode ser incluído numa relação jurídico-tributária principal como 
responsável pelo pagamento do tributo, caso o recolhimento e a retenção que lhe 
cabiam não tenham sido efetivados. 
8. Registre-se que a hipótese dos autos amolda-se apenas à primeira situação, ou seja, 
o sujeito passivo da obrigação tributária acessória cujo objeto consistiu na retenção e 
recolhimento do imposto de renda não faz parte da obrigação tributária principal 
consistente no dever de pagar referido imposto, já que esse foi devidamente recolhido, 
inclusive a maior. 
[...] 
(EREsp 1318163/PR, Rel. Ministro OG FERNANDES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 
14/06/2017, DJe 15/12/2017) 
De toda forma, como assentado no item 7 do voto, caso a fonte não realize a obrigação acessória, 
não fazendo a retenção ou o recolhimento aos cofres públicos, ela aí sim se torna responsável – 
mas não substituta – pelo pagamento do tributo devido. 
1.6.3. Responsabilidade por transferência 
Na responsabilidade por transferência a norma atributiva de responsabilidade incide em momento 
posterior à ocorrência do fato gerador. Quando este ocorre, o sujeito passivo da obrigação 
tributária é o contribuinte. Apenas em um momento posterior, em virtude do acontecimento 
previsto pela norma de reponsabilidade, é que um terceiro passa a ocupar o polo passivo da 
obrigação. 
O Código Tributário Nacional dividiu as hipóteses de responsabilidade por transferência em três 
modalidades: a) responsabilidade dos sucessores (artigo 129 a 133); b) responsabilidade de 
terceiros (artigo 134 a 135); c) responsabilidade por infrações (artigo 136 a 138). 
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Os detalhes de cada uma dessas modalidades serão analisados a partir de agora. 
1.6.3.1 Responsabilidade dos sucessores 
1.6.3.1.1 Sucessão na aquisição de bens 
O artigo 129, que inaugura a seção sobre o tema, dispõe no seguinte sentido: 
Art. 129. O disposto nesta Seção aplica-se por igual aos créditos tributários 
definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, 
e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações 
tributárias surgidas até a referida data. 
Esse dispositivo traz duas informações relevantes: 
Primeira, de que a responsabilidade por sucessão se aplica aos créditos tributários, conceito que 
engloba tanto os tributos quanto as penalidades pecuniárias. 
Segunda, de que a sucessão engloba as obrigações tributárias surgidas até a data da sucessão, 
ainda que elas não tenham sido constituídas. Assim, imaginemos que um contribuinte realize a 
venda do seu imóvel a um terceiro no dia 02 de janeiro. Nessa data, a obrigação tributária já 
ocorreu, porque o fato gerador do IPTU ocorre no dia 01 de janeiro de cada ano. Por outro lado, 
o crédito não foi ainda constituído, porque o contribuinte não recebeu o carnê do IPTU na sua 
residência. Como o marco utilizado pela legislação é a ocorrência da obrigação e não do crédito 
tributário, nessa hipótese o terceiro adquirente será responsável pelopagamento desse IPTU, 
sendo irrelevante a circunstância de o crédito ainda não ter sido constituído. 
O artigo 130 do Código Tributário Nacional traz a primeira hipótese de responsabilidade por 
sucessão: 
Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a 
propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas 
pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, 
subrogam-se na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a 
prova de sua quitação. 
Parágrafo único. No caso de arrematação em hasta pública, a sub-rogação ocorre sobre 
o respectivo preço. 
É importante observar que o dispositivo seguiu a linha do artigo 129, ao tornar os sucessores 
responsáveis não apenas pelo tributo devido, mas por todo o crédito tributário. Quanto ao seu 
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âmbito de abrangência, a norma trouxe os seguintes requisitos para caracterização dessa 
modalidade de responsabilidade: 
1º: Alguém tenha se tornado proprietário de um imóvel; 
2º: O imóvel tenha provocado a ocorrência de fato gerador cuja obrigação não tenha ainda sido 
extinta, com relação aos seguintes tributos: a) impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o 
domínio útil ou a posse. É o caso do ITR e do IPTU; b) taxas pela prestação de serviços, do que é 
exemplo a taxa de lixo; c) contribuições de melhoria. 
3º: A prova da quitação desses tributos não conste do título de aquisição, conforme ressalva 
expressa prevista pelo artigo 130 do CTN. Assim, se na transação restar comprovado, por meio 
de certidões emitidas pelas fazendas públicas, a inexistência de débitos com relação ao imóvel 
transacionado, eventual equívoco na informação certificada não justifica a cobrança do valor 
apurado do adquirente. 
4º: O bem não tenha sido adquirido em hasta pública, caso em que incide o parágrafo único do 
artigo 130. 
Presentes os pressupostos acima mencionados, deve ocorrer a consequência prevista pelo 
dispositivo, segundo a qual os créditos tributários relativos a esse imóvel “subrogam-se na pessoa 
dos respectivos adquirentes”. 
O termo sub-rogação é normalmente utilizado no sentido de substituição, razão pela qual a 
doutrina majoritária adere ao posicionamento de que, ocorrida a hipótese prevista no artigo 130 
do Código Tributário Nacional, o contribuinte originário é excluído do polo passivo, que passa a 
ser ocupado exclusivamente pelo responsável tributário. Nessa perspectiva, a Fazenda Pública não 
poderia mais cobrar o crédito tributário do antigo proprietário, mas tão somente do novo 
adquirente. 
No entanto, não foi essa a interpretação adotada recentemente pelo Superior Tribunal de Justiça 
quando do julgamento do AREsp 94294024. 
A Corte assentou que a sub-rogação referida nesse dispositivo não deve ser interpretada da 
mesma forma que a sub-rogação do Direito Civil. Isso porque, segundo o relator, a sub-rogação 
do Direito Civil é sempre no crédito e decorre do pagamento de um débito. Ou seja, quem paga 
 
 
24 STJ - AgInt no AREsp: 942940 RJ 2016/0168848-2, Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN, Data de 
Julgamento: 15/08/2017, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 12/09/2017) 
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determinada dívida sub-roga-se em todos os direitos, ações, privilégios e garantias do credor 
primitivo em relação ao devedor principal e fiadores (art. 349, do CC/2002). No Direito Tributário, 
todavia, a sub-rogação é na posição de devedor, assemelhando-se a uma cessão de dívida, com 
todas as consequências pertinentes. Ademais, segundo a Corte, não seria razoável que a garantia 
do credor pudesse ser desfalcada em razão de um negócio jurídico do qual não participou. 
Assim, para o Superior Tribunal de Justiça, a responsabilidade do artigo 130 do Código Tributário 
Nacional “tem caráter solidário, aditivo, cumulativo, reforçativo e não excludente da 
responsabilidade do alienante, cabendo ao credor escolher o acervo patrimonial que melhor 
satisfaça o débito cobrado a partir dos vínculos distintos”. 
Portanto, há uma contradição entre a doutrina majoritária e esse último julgado do Superior 
Tribunal de Justiça, o que exige do candidato bastante cuidado na resolução de uma questão 
objetiva de concurso público. Em princípio, deve-se adotar a orientação firmada pelo STJ. 
Por fim, antes de encerrarmos a análise do artigo 130 do Código Tributário Nacional, convém 
analisarmos o seu parágrafo único, que dispõe no seguinte sentido: 
Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a 
propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas 
pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, 
subrogam-se na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a 
prova de sua quitação. 
Parágrafo único. No caso de arrematação em hasta pública, a sub-rogação ocorre sobre 
o respectivo preço. 
Isso significa que, tratando-se de arrematação de um bem em hasta pública, o caput do artigo 130 
não se aplica, porque a sub-rogação ocorre sobre o preço pago pelo adquirente. Em outros 
termos, o crédito tributário deve ser abatido do preço arrecadado na execução, não sendo lícita 
a exigência posterior de eventual crédito em aberto. 
Encerrada a análise do artigo 130 do CTN, voltemos nossa atenção para o conteúdo do artigo 
131, inciso I, do CTN, que tem a seguinte redação: 
Art. 131. São pessoalmente responsáveis: 
I - o adquirente ou remitente, pelos tributos relativos aos bens adquiridos ou remidos; 
Como se observa, esse dispositivo trata da responsabilidade por sucessão de outros bens que não 
os bens imóveis, regulada pelo artigo 130, anteriormente analisado. 
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A diferença mais significativa entre os dois dispositivos repousa no fato de que, no artigo 131, 
inciso I, a legislação utilizou a expressão tributo, e não crédito tributário. Assim, para maior parte 
da doutrina, a sucessão se operaria tão somente quanto ao valor dos tributos, não abarcando as 
penalidades pecuniárias. Há, no entanto, também entendimento em sentido contrário, que 
defende que também aqui a sucessão abrange as penalidades pecuniárias. O argumento é o de 
que esse dispositivo deveria ser interpretado em conjunto com o artigo 129, que faz menção a 
crédito tributário. 
Como exemplo de incidência dessa norma, pode-se citar o caso daquele que adquire um veículo 
automotor, cujo IPVA não se encontra pago. Nessa hipótese, o novo adquirente passa a ser 
responsável pelo pagamento do imposto. 
Por fim, há julgados do Superior Tribunal de Justiça no sentido da possibilidade de se aplicar 
analogicamente o parágrafo único do artigo 130 também ao artigo 131, para excluir a 
responsabilidade do adquirente no caso de arrematação ocorrida em hasta pública.25 
1.6.3.1.2 Sucessão tributária da pessoa física 
Os dispositivos até aqui analisados atribuem ao sucessor a responsabilidade por obrigações 
tributárias cujo fato gerador tenha se referido ao bem transacionado. Agora, analisaremos a 
responsabilidade tributária dos sucessores causa mortis, inserida no artigo 131, inciso II e III, do 
Código Tributário Nacional: 
Art. 131. São pessoalmente responsáveis: 
II - o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus 
até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante doquinhão do legado ou da meação; 
III - o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. 
De início, cumpre mencionar que tanto inciso II quanto o inciso III fazem menção ao termo tributos, 
e não ao termo créditos tributários. Assim, para parte da doutrina, a responsabilidade tributária 
 
 
25 STJ, 2a T., REsp 807.455/RS, DJe de 21/11/2008, REsp 954.176/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, 
SEGUNDA TURMA, julgado em 04/06/2009, DJe 23/06/2009 e REsp 905.208/SP, Rel. Ministro HUMBERTO 
GOMES DE BARROS, TERCEIRA TURMA, julgado em 18/10/2007, DJ 31/10/2007, p. 332) 
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prevista nesse dispositivo abrangeria apenas os tributos, mas não as penalidades pecuniárias. Esse 
é o entendimento, dentre outros, de Leandro Paulsen.26 
No entanto, esse posicionamento não é pacífico, existindo quem o interprete de maneira 
diferente, no sentido da possibilidade de cobrança das penalidades pecuniárias. É o caso de Luís 
Eduardo Schoueri. 
E há, ainda, uma terceira corrente interpretativa, no sentido de diferenciar as multas moratórias –
decorrentes do inadimplemento do tributo no prazo fixado – das multas punitivas – decorrentes 
do descumprimento de uma obrigação acessória -, para reconhecer a responsabilidade do espólio 
tão somente com relação àquelas primeiras. Há julgados do Superior Tribunal de Justiça nesse 
sentido27 
Portanto, há três posicionamentos sobre o alcance do artigo 131, incisos II e III, do CTN: pelo 
primeiro, a responsabilidade se limitaria aos tributos; pelo segundo, abarcaria a totalidade do 
crédito tributário, incluindo-se as multas moratórias e punitivas; pelo terceiro, abrangeria os 
tributos e as multas moratórias. 
Em provas discursivas, o ideal é que o candidato exponha essa divergência. Em provas objetivas, 
é preciso ter cuidado redobrado ao responder à questão. Caso haja alguma afirmativa que 
reproduza a literalidade do dispositivo – fazendo menção ao termo tributos – deve-se, em 
princípio, considerá-la como correta, por ser esse muito provavelmente o posicionamento a ser 
adotado pela Banca Examinadora. 
Encerrada essa primeira aproximação com o dispositivo legal, concentremo-nos agora no inciso 
III, que determina a responsabilidade do espólio pelos tributos devidos pelo de cujus até a data 
da abertura da sucessão. Essa regra decorre do fato de que a herança se transmite aos herdeiros 
tão logo ocorra o falecimento, mas até que se promova a partilha, o direito à propriedade e à 
posse da herança é indivisível, regulando-se pelas normas relativas ao condomínio. Nesse sentido, 
até que a divisão de bens seja realizada, cabe ao espólio, que é composto pelo conjunto de bens, 
direitos e obrigações do falecido, reivindicar os direitos ainda não satisfeitos ou pagar as dívidas 
pendentes. 
 
 
26 PAULSEN, Leandro. Constituição e Código Tributário Comentados à Luz da Doutrina e da 
Jurisprudência. 18. ed. São Paulo: Saraiva, 2017. 
27 ADRESP 155177, 1ª Turma, Relator Ministro Francisco Falcão e RESO 499.147, 1ª Turma, Relator Ministro 
Luiz Fux 
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Portanto, o inciso III do artigo 131 do CTN nada mais faz do que estabelecer a responsabilidade 
do espólio com relação aos tributos devidos (ou crédito tributário, para alguns) pelo falecido. 
Assim, imaginemos que o contribuinte A, que estava devendo R$ 15.000,00 a título de IRPF, 
faleceu no dia 10/01/2018. Nesse caso, a União Federal poderá cobrar a quantia inadimplida a 
título de IRPF do espólio, podendo requerer inclusive o redirecionamento da execução fiscal 
anteriormente ajuizada. 
O inciso II, por sua vez, determina a responsabilidade do “sucessor a qualquer título e do cônjuge 
meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta 
responsabilidade ao montante do quinhão, do legado ou da meação”. 
Assim, se permanecer em aberto alguma dívida do falecido após a partilha, passam a ser 
responsáveis por ela os sucessores a qualquer título, assim como o cônjuge meeiro. O mesmo 
acontece se ocorrerem fatos geradores após o falecimento do contribuinte, que não tenham sido 
adimplidos pelo espólio. 
Retomando nosso exemplo, imaginemos que aquela dívida de R$ 15.000,00 a título de IRPF não 
tenha sido paga pelo espólio. Além disso, consideremos que durante a tramitação do inventário 
incidiu IPTU sobre imóveis que eram de propriedade do falecido, totalizando a quantia de R$ 
2.000,00. Nessa hipótese, os sucessores e o cônjuge meeiro passam a ser responsáveis tributários 
pelo pagamento desses valores, até o limite do quinhão, do legado ou da meação. Desse modo, 
nenhum dos sucessores poderá ser obrigado a despender mais do que herdou. 
Portanto, a interpretação conjunta dos incisos II e III do artigo 131 do CTN conduz às seguintes 
conclusões: 
1ª: Antes da partilha, o espólio é o responsável pelos tributos devidos pelo de cujus até o 
falecimento; 
2ª: Após a partilha, passam a ser responsáveis o cônjuge meeiro e os sucessores, tanto com relação 
aos tributos existentes antes do falecimento como também com relação aos tributos que incidiram 
após o óbito do contribuinte originário. 
 1.6.3.1.3 Sucessão Tributária das pessoas jurídicas e do estabelecimento 
O artigo 132 do Código Tributário Nacional dispõe no seguinte sentido: 
Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou 
incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do 
ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou 
incorporadas. 
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Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se aos casos de extinção de pessoas 
jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja 
continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra 
razão social, ou sob firma individual. 
A fusão ocorre quando duas pessoas jurídicas se unem e formam uma nova sociedade. A 
incorporação se dá quando uma sociedade absorve o patrimônio de uma outra sociedade 
preexistente, sucedendo-a em direitos e obrigações. A transformação28 ocorre quando a 
sociedade altera o seu tipo societário – de sociedade limitada para anônima, por exemplo. 
Embora o dispositivo silencie acerca da cisão – que é caracterizada pela transferência de parcela 
do patrimônio da pessoa jurídica para uma ou mais sociedades – a doutrina majoritária e a 
jurisprudência entendem que essa modalidade de operação também está sujeita à disciplina do 
artigo 132 do CTN. 
Em quaisquer dessas hipóteses, a sociedade que resultar dessas operações é responsável pelos 
“tributos devidos até à data do ato” pelas pessoas jurídicas que foram sucedidas. 
Mais uma vez, o dispositivo utilizou o termo tributos ao invés de crédito tributário, o que trouxe 
também para cá a discussão acerca do alcance dessa modalidade de responsabilidade tributária. 
No entanto, diferentemente do que sucede nas hipóteses anteriormente analisadas, aqui já há um 
posicionamento pacífico da jurisprudência sobre a melhor interpretação do dispositivo. Isso 
porque, após reiterados julgados sobre o tema, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula 
554, segundo a qual “Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora 
abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou 
punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão". 
Ofundamento principal utilizado foi o de que as multas moratórias ou punitivas acompanham o 
passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. 
Portanto, a responsabilidade tributária por sucessão empresarial, prevista nos artigos 132 e 133 
do CTN, abrange todo o crédito tributário, ou seja, os tributos, multas moratórias e multas 
punitivas existentes até a data da sucessão. 
Retomando a análise do artigo 132, observamos que o seu paragrafo único dispõe que a 
responsabilidade tributária também se aplica “aos casos de extinção de pessoas jurídicas de 
 
 
28 A rigor, a transformação não é uma hipótese de sucessão, porque a pessoa jurídica continua existindo. 
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direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio 
remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual”. 
Assim, se um dos dois sócios de uma sociedade limitada falecer, e o sócio remanescente optar 
por continuar exercendo as mesmas atividades, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma 
individual, será ele responsável pelas obrigações tributárias da antiga sociedade limitada. O 
mesmo acontece se o espólio continuar exercendo a mesma atividade do empresário individual 
falecido. 
O artigo 133 do Código Tributário Nacional, por sua vez, dispõe no seguinte sentido: 
Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por 
qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou 
profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou 
sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou 
estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: 
I - integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; 
II - subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro 
de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro 
ramo de comércio, indústria ou profissão.[...] 
Como se pode observar, enquanto o artigo 132 institui hipótese de responsabilidade tributária 
por sucessão de uma pessoa jurídica, o artigo 133 regulamenta hipótese de responsabilidade 
tributária por sucessão de “fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou 
profissional”. 
O conceito de fundo de comércio ou estabelecimento comercial se encontra inserido no artigo 
1.142 do Código Civil: 
Art. 1.142, Código Civil 
Considera-se estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da 
empresa, por empresário, ou por sociedade empresária. 
Assim, o estabelecimento é o conjunto de bens que o empresário reúne para o exercício da 
atividade econômica. Compreende tudo aquilo que é indispensável à exploração do negócio, 
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como as mercadorias em estoque, as marcas, os veículos, etc.29 É algo que vai além do mero ponto 
comercial, que é o local onde o estabelecimento se encontra instalado. De fato, como expõe Fábio 
Ulhoa Coelho30: 
Ao organizar o estabelecimento, o empresário agrega aos bens reunidos um sobrevalor. 
Isto é, enquanto esses bens permanecem articulados em função da empresa, o conjunto 
alcança, no mercado, um valor superior à simples soma de cada um deles em separado. 
Aquele empresário interessado em se estabelecer no ramo farmacêutico tem, na 
verdade, duas opções: adquirir uma farmácia já pronta, ou todos os bens que devem 
existir numa farmácia. No primeiro caso, irá despender valor maior que no segundo. Isto 
porque, ao comprar o estabelecimento já organizado, o empresário paga não apenas 
os bens nele integrados, mas também a organização, um “serviço” que o mercado 
valoriza. As perspectivas de lucratividade da empresa abrigada no estabelecimento 
compõem, por outro lado, importante elemento de sua avaliação, ou seja, é algo por 
que também se paga.” 
Portanto, o artigo 133 do CTN se refere ao estabelecimento comercial, e não ao mero local físico 
utilizado pela pessoa jurídica para a exploração das suas atividades. 
Para facilitar a compreensão dessa regra, pensemos no seguinte exemplo: 
A pessoa jurídica X, que possui 6 pizzarias na cidade de Porto Alegre/RS, resolveu vender um dos 
seus restaurantes, localizado na zona norte da cidade, a pessoa jurídica Y, recém constituída. A 
pessoa jurídica Y passou a explorá-lo com outra razão social, mas manteve a mesma forma de 
atuação, os mesmos funcionários e as mesmas receitas de pizzas. Os clientes continuaram 
frequentando a pizzaria, e se não fosse pela mudança de nome, sequer teriam notada a alteração 
na propriedade do estabelecimento. 
Esse é um caso de aquisição de estabelecimento empresarial, que atrai a incidência do artigo 133 
do Código Tributário Nacional, tornando o novo adquirente – no caso a pessoa jurídica Y – 
responsável pelos créditos tributários relativos ao estabelecimento adquirido. 
Agora, imaginemos uma outra hipótese, na qual a pessoa jurídica Y, embora tenha se mantido no 
mesmo ramo de negócio da pessoa jurídica X – alimentício - passou a atuar não mais com pizzas, 
mas com hambúrgueres gourmet. A cozinha teve que ser remodelada, o cardápio não mais é o 
 
 
29 COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Comercial. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. 
30 Ibid. 
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mesmo, os funcionários tiveram que ser treinados novamente – alguns deles foram demitidos e 
outros contratados – e os clientes também são distintos. 
Nesse caso, não houve a aquisição de um estabelecimento, mas tão somente do ponto comercial. 
Não incide, assim, o disposto no artigo 133 do Código Tributário Nacional. 
Na prática, surgem situações intermediárias entre esses dois extremos, a dificultar a análise sobre 
a existência ou não de transferência do estabelecimento. 
Quanto à amplitude da responsabilidade do adquirente, o inciso I dispõe que o novo adquirente 
responde “integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade”. 
Parte da doutrina interpreta a expressão integralmente no sentido de exclusivamente, o que 
conduziria à liberação do antigo proprietário, que não mais poderia ser chamado a responder 
pelos créditos tributários. No entanto, não é esse o entendimento majoritário, que defende que a 
expressão integralmente deve ser compreendida como solidariamente. É o que propõe, dentre 
outros, Hugo de Brito Machado.31 
Assim, pela perspectiva da doutrina majoritária, em ocorrendo a cessação da exploração do 
comércio pelo alienante, ambos, alienante e adquirente, respondem solidariamente pelas 
obrigações existentes até a data da sucessão. 
Por outro lado, o inciso II dispõe que a responsabilidade do adquirente é subsidiária à do alienante, 
“se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, 
nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão”. Nessa hipótese, 
em que o alienante continua exercendo alguma atividade empresarial ou, dentro de seis meses 
contados da alienação, passe a exercê-la, o adquirente do estabelecimento apenas pode ser 
responsabilizado subsidiariamente, ou seja, caso o fisco não consiga excutir o patrimônio do 
contribuinte. 
O §1º do artigo 133 dispõe que a responsabilidade por sucessão não ocorre quando o 
estabelecimento for alienado em processo de falência ou no bojo de um processo de recuperação 
judicial. Trata-sede dispositivo que tem como intuito incentivar a aquisição dos estabelecimentos 
empresariais nessas circunstâncias, seja para que os credores tenham seu crédito satisfeito – no 
caso de falência – ou para que a pessoa jurídica em recuperação possa angariar recursos para 
continuar suas atividades – no caso de recuperação judicial. 
 
 
31 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 36. ed. São Paulo: Malheiros, 2015, p. 160­-161 
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O §2º do artigo 133 traz as hipóteses em que a benesse do §1º não se aplica: 
§ 2o Não se aplica o disposto no § 1o deste artigo quando o adquirente for: 
(Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) 
I – sócio da sociedade falida ou em recuperação judicial, ou sociedade controlada pelo 
devedor falido ou em recuperação judicial; (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) 
II – parente, em linha reta ou colateral até o 4o (quarto) grau, consangüíneo ou afim, do 
devedor falido ou em recuperação judicial ou de qualquer de seus sócios; ou 
(Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) 
III – identificado como agente do falido ou do devedor em recuperação judicial com o 
objetivo de fraudar a sucessão tributária. (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) 
Como se pode observar, trata-se de regra que tem como objetivo evitar a realização de fraudes 
no processo falimentar, ao impedir que os sócios da pessoa jurídica falida possam, por meio de 
interpostas pessoas, adquirir o estabelecimento em alienação, aproveitando-se do benefício 
tributário previsto no dispositivo anterior. 
Por fim, o §3º do artigo 133 determina que, em processo da falência, o produto da alienação 
judicial de empresa, filial ou unidade produtiva isolada deve permanecer em conta de depósito à 
disposição do juízo de falência pelo prazo de 1 (um) ano, contado da data de alienação do 
estabelecimento, somente podendo ser utilizado para o pagamento de créditos extraconcursais 
ou de créditos que preferem ao tributário. 
O objetivo da regra é estabelecer um prazo razoável para que os créditos tributários sejam 
apurados e cobrados da pessoa jurídica falida, evitando-se, assim, que o valor arrecadado seja 
destinado indevidamente ao pagamento de créditos que não preferem aos de natureza tributária. 
1.6.3.2 Responsabilidade de terceiros 
Dispõe o artigo 134 do Código Tributário Nacional: 
Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação 
principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que 
intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis:[...] 
O caput do dispositivo revela uma incongruência lógica, ao afirmar que a responsabilidade prevista 
pelo dispositivo é solidária nos casos de impossibilidade do cumprimento da obrigação principal 
pelo contribuinte. De fato, não há como conciliar a regra da solidariedade e a existência de 
benefício de ordem, porque aquela se caracteriza justamente pela possibilidade de o credor 
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escolher quem deve satisfazer a dívida. Se a lei determina uma ordem preferencial, essa escolha 
inexiste, não havendo que se falar em solidariedade. Por esse motivo é que a doutrina majoritária 
entende que, embora o dispositivo mencione a expressão solidariamente, trata-se na verdade de 
uma responsabilidade subsidiária, que só existe se o contribuinte não conseguir cumprir a 
obrigação. Esse também é o entendimento da jurisprudência32. 
CESPE/Advogado da União/2012 
Em relação à responsabilidade tributária, julgue os itens. 
A responsabilidade tributária de terceiros é solidária. 
( ) Certo ( ) Errado 
Comentários: 
Por entender que o dispositivo não pode ser interpretado na sua literalidade foi que a Banca 
Examinadora considerou incorreta essa afirmativa. De fato, a responsabilidade de terceiros 
é subsidiária. 
Como se pode observar do caput, essa espécie de responsabilidade não decorre de sucessão, 
mas da prática de um ato culposo ou de uma omissão culposa de alguém que tinha o dever legal 
de se comportar de outra forma que não aquela que foi empregada. Por não ter adotado o 
comportamento esperado, esse terceiro passa a ser responsável pelo pagamento de uma 
obrigação sobre a qual até então não tinha qualquer responsabilidade patrimonial. 
Quanto ao rol de responsáveis, observemos o que dispõe os incisos do artigo 134: 
Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação 
principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que 
intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: 
I - os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; 
II - os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; 
III - os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; 
 
 
32 STJ, 1ª Seção, EREsp 446.955/SC, Rel. Min. Luiz Fux, abr. 2008 
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IV - o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; 
V - o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo 
concordatário; 
VI - os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre 
os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; 
VII - os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. 
Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de 
caráter moratório. 
Os incisos I a V se referem às situações em que alguém administra bens de terceiros, a justificar a 
exigência de que o administrador atue com zelo no cumprimento dos deveres tributários do 
contribuinte. Assim, por exemplo, se os pais não pagarem o IPTU devido pelo filho menor no 
prazo fixado pela legislação, é certo que, como administradores dos bens do menor, agiram com 
culpa no exercício das suas funções. Nessa hipótese, caso o filho menor não tenha patrimônio para 
arcar com a obrigação tributária, o fisco poderá exigir dos pais o pagamento do débito 
inadimplido. 
O inciso VI refere-se aos atos praticados de maneira culposa pelos tabeliões, escrivães e demais 
serventuários de ofício. Esse dispositivo incidiria, por exemplo, se determinado tributo deixasse 
de ser arrecadado em razão da dispensa indevida de uma certidão negativa de débitos por parte 
do agente delegatário. 
O inciso VII, por sua vez, atribui responsabilidade aos sócios no caso de liquidação de sociedade 
de pessoas. O dispositivo deve ser interpretado em conjunto com o caput, para limitar a 
responsabilidade “aos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis”. 
Assim, os sócios das sociedades de pessoas – como é o caso das sociedades em nome coletivo, 
em comandita simples e em conta de participação – respondem, com fulcro nesse dispositivo, 
apenas pelos atos culposos que praticarem durante a liquidação da sociedade. 
Por fim, o parágrafo único desse dispositivo limita a extensão da responsabilidade tributária, ao 
afirmar que o dispositivo apenas se aplica, em matéria de penalidades, às multas de caráter 
moratório. 
Encerrada a análise do artigo 134 do Código Tributário Nacional, concentremo-nos no artigo 135, 
que dispõe no seguinte sentido: 
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Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentesa obrigações 
tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, 
contrato social ou estatutos: 
I - as pessoas referidas no artigo anterior; 
II - os mandatários, prepostos e empregados; 
III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 
Observem que esse dispositivo arrola como responsáveis, no inciso I, as mesmas pessoas que já 
se encontravam no rol do artigo anterior, além de incluir os mandatários, prepostos e empregados, 
no inciso II, e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, no 
inciso III. 
Diante desse quadro, de coincidência parcial entre os responsáveis arrolados pelo artigo 134 e 
aqueles nominados pelo artigo 135, torna-se importante distinguir qual a diferença entre esses 
dois dispositivos. 
A primeira diferença é que o artigo 134 incide quando os terceiros agirem com culpa, enquanto 
que o artigo 135 tem o seu âmbito normativo restrito às hipóteses em que os terceiros agirem 
com dolo, inclusive em prejuízo das pessoas a quem representam. A essa conclusão se chega pela 
expressão utilizada pelo dispositivo, que imputa a responsabilidade aos terceiros pelas obrigações 
tributárias “resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato 
social ou estatutos”. 
A segunda distinção diz respeito à extensão da responsabilidade: o artigo 134 traz hipótese de 
responsabilidade subsidiária; o artigo 135, por seu turno, afirma que a responsabilidade prevista 
no dispositivo é pessoal. 
O caráter pessoal da responsabilidade tributária do artigo 135 tem provocado divergências acerca 
da interpretação do dispositivo. Parte da doutrina entende que o CTN, ao utilizar a expressão 
pessoalmente responsáveis, quis afirmar que a responsabilidade é exclusiva do terceiro que 
cometeu o ato ilícito, o que excluiria a possibilidade de cobrança da obrigação tributária do 
contribuinte.33 
 
 
33 COSTA, Regina Helena. Curso de direito tributário. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2015, p. 229 
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Por outro lado, há quem entenda que, ao utilizar o termo pessoalmente responsáveis, quis o 
Código Tributário Nacional apenas afastar a subsidiariedade do artigo 134, colocando o 
responsável como solidariamente responsável pelo pagamento da obrigação, junto com o 
contribuinte. 
Do ponto de vista da jurisprudência, não há uma posição firme do Superior Tribunal de Justiça 
sobre o assunto. Há casos em que a corte entende que a responsabilidade é exclusiva do terceiro 
(Resp 670.174), casos em que decide que a responsabilidade é solidária (Agrg no AG 748.254-RS 
e Resp 86-459-ES) e casos em que atribui ao terceiro responsabilidade subsidiária, da mesma 
forma como acontece com as hipóteses do artigo 134 (REsp 833.621-RS, REsp 545.080-MG)34 
Esse último entendimento, de se considerar a responsabilidade do artigo 135 também subsidiária, 
parece ser a majoritária na Corte. 
Em provas objetivas de concurso público, é provável que a Banca Examinadora apenas mencione 
a existência da responsabilidade pessoal, sem adentrar no tema sobre o significado atribuído à 
expressão. Em provas discursivas, é importante que o candidato aponte cada um dos 
entendimentos acima mencionados. 
A terceira diferença entre o artigo 134 e o artigo 135 diz respeito ao grau de responsabilidade 
atribuído ao terceiro. A responsabilidade do artigo 134 engloba, em matéria de penalidades, tão 
somente as multas moratórias. A responsabilidade do artigo 135, por seu turno, é mais ampla, 
porque abrange as multas moratórias e punitivas. 
O gráfico abaixo sintetiza as diferenças até aqui enunciadas: 
 
 
34 SCHOEURI, Luís Eduardo. Direito Tributário. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2017, p. 621 
 
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Retomando a análise do artigo 135, observa-se do caput que a sua incidência pressupõe que o 
terceiro a quem se atribua a responsabilidade pratique um ato com “excesso de poderes ou 
infração de lei, contrato social ou estatutos”. O contrato social é o documento que regula o 
funcionamento das sociedades contratuais, enquanto que os estatutos existem nas sociedades 
estatutárias. 
O mais comum, no entanto, é a incidência do artigo 135 do Código Tributário Nacional por 
infração de lei. Quanto ao tema, já é pacífico que não configura infração de lei, para efeitos do 
artigo 135 do CTN, o mero inadimplemento da obrigação tributária. Do contrário, o princípio da 
autonomia patrimonial das pessoas jurídicas cairia por terra, pela atração da responsabilidade dos 
sócios-gerentes sempre que não houvesse o adimplemento do tributo. Sobre o tema, o Superior 
Tribunal de Justiça editou inclusive súmula: 
Súmula 430 do STJ: O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, 
por si só, a responsabilidade solidária do sócio-gerente. 
Se, por um lado, não é infração à lei o mero inadimplemento do tributo, por outro lado o rol de 
comportamentos que podem caracterizar esse quadro é bastante amplo. Isso porque, a infração 
de lei não se limita às infrações à legislação tributária, podendo também abarcar aquelas condutas 
que ofendem a legislação societária, a legislação penal, etc. 
Alguns casos de incidência do artigo 135 do Código Tributário Nacional são bastante recorrentes. 
A hipótese corriqueira é a de responsabilização dos sócios-gerentes e administradores de uma 
sociedade pela dissolução irregular da pessoa jurídica. De fato, quando uma pessoa jurídica quer 
encerrar suas atividades, não basta fechar as portas. É necessário que seja adotado o rito previsto 
pela legislação societária, procedendo-se a liquidação e a dissolução da pessoa jurídica. Caso a 
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sociedade não consiga pagar todos os seus devedores, pode inclusive requerer a autofalência, 
que é uma forma legítima de encerramento das atividades. 
No entanto, é bastante usual que pessoas jurídicas que tenham se tornado inviáveis do ponto de 
vista econômico simplesmente encerrem suas atividades, sem o cumprimento das formalidades 
exigidas em lei. Nesse caso, há uma infração à lei societária, a justificar a responsabilização 
daqueles que tinham o dever de promover a liquidação da pessoa jurídica. Esse dever não é 
atribuível a todos os sócios da sociedade, mas somente àqueles que exerciam o poder de gerência 
ou aos administradores que, embora não sócios, representavam a pessoa jurídica. 
Portanto, ocorrida a dissolução irregular, pode o fisco cobrar o crédito tributário integralmente 
dos sócios-gerentes ou administradores da pessoa jurídica, conforme enuncia a Súmula 435 do 
Quanto a esse tema, é importante conhecer o conteúdo da Súmula 435 do Superior Tribunal de 
Justiça: 
Súmula 435 - Presume-se dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar 
no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o 
redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente. 
Como se observa do enunciado, se a pessoa jurídica não for encontrada no endereço que informou 
ao fisco como sendo o do local em que exerce suas atividades, há uma presunção de que ocorreu 
a sua dissolução irregular. Isso ocorre com frequência em execuções fiscais movidas pelas fazendas 
públicas. O Oficial de Justiça dirige-se até a sede do estabelecimento e não encontra a pessoa 
jurídica. Nesse caso, o fisco pode pedir o redirecionamento da execução fiscal contra os sócios-
gerentes ou administradores, utilizando-secomo fundamento o artigo 135, inciso III, do CTN, e a 
Súmula 435 do STJ. 
Essa presunção, no entanto, não é absoluta. Os sócios-gerentes ou administradores podem 
demonstrar que a pessoa jurídica continua em funcionamento, porém em outro endereço. Caso 
isso ocorra, o redirecionamento efetuado não pode subsistir. 
Por fim, é importante frisar: Embora a dissolução irregular seja o exemplo mais corriqueiro de 
responsabilização de terceiro pelo artigo 135, não se trata de uma hipótese exclusiva. A infração 
à lei pode ocorrer de variadas formas, como acontece quando um sócio-gerente comete crime 
falimentar ou crime tributário, por exemplo. 
1.6.3.3 Responsabilidade por infrações 
Na seção “responsabilidade por infrações” o Código Tributário Nacional regulamenta a 
reponsabilidade dos sujeitos passivos pelas infrações à legislação tributária. 
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Dispõe o artigo 136 do Código Tributário Nacional: 
Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da 
legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da 
efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. 
Esse dispositivo permite três conclusões: 
A primeira é a de que a responsabilidade por infrações independe da existência de culpa ou dolo35. 
A segunda é a de que a responsabilidade por infrações não depende da efetividade, extensão ou 
natureza dos atos. Assim, mesmo que o agente não tenha conseguido alcançar o seu objetivo de 
fraudar o fisco, essa circunstância não impede a aplicação da penalidade. 
A terceira é de que se a lei dispuser em sentido contrário, as duas conclusões acima não se aplicam. 
O artigo 137, por seu turno, possui a seguinte redação: 
Art. 137. A responsabilidade é pessoal ao agente: 
I - quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando 
praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, 
ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito; 
II - quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; 
III - quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo específico: 
a) das pessoas referidas no artigo 134, contra aquelas por quem respondem; 
b) dos mandatários, prepostos ou empregados, contra seus mandantes, preponentes ou 
empregadores; 
c) dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, 
contra estas. 
 
 
35 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. Rio de Janeiro: Forense, 2001, 
p. 55­56 
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Ao afirmar, no seu caput, que a responsabilidade é pessoal ao agente, o dispositivo determina 
que deve ser imposta a sanção, nos casos arrolados pelos incisos, unicamente ao agente que 
praticou a infração. Chega-se a essa conclusão não só pelo emprego do termo pessoal, mas 
também pelas situações que se encontram enunciadas pelo artigo 137. 
De fato, o inciso I se refere àqueles ilícitos tributários que também configuram crimes ou 
contravenções. Portanto, afigura-se lógico a responsabilização exclusiva daquele que os tenha 
praticado. É importante observar, no entanto, a ressalva prevista pelo mesmo dispositivo, segundo 
a qual a responsabilidade não é pessoal ao agente quando o ilícito for praticado no exercício 
regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem 
expressa emitida por quem de direito. Nesse caso, a pessoa jurídica incorreu, no mínimo, em culpa 
in vigilando ou in elegendo, a justificar também a sua responsabilização pela infração cometida. 
O inciso II, por seu turno, determina a responsabilidade pessoal quanto às infrações em cuja 
definição o dolo específico do agente seja elementar. Trata-se daquelas hipóteses em que a 
legislação tributária exige a comprovação de que o agente tenha atuado de maneira deliberada. 
O inciso III, por sua vez, determina que a infração é pessoal quando decorre direta e 
exclusivamente de dolo específico: a) das pessoas referidas no artigo 134, contra aquelas por 
quem respondem; b) dos mandatários, prepostos ou empregados, contra seus mandantes, 
preponentes ou empregadores; c) dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas 
de direito privado, contra estas. 
Esse dispositivo se aplica quando as pessoas enunciadas agem não apenas contra o fisco, mas 
contra a próprio representado. É o caso do administrador de uma pessoa jurídica que efetua 
transações fraudulentas e se apropria dos recursos angariados. 36 
Por fim, dispõe o artigo 138 do Código Tributário Nacional: 
Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, 
acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou 
do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o 
montante do tributo dependa de apuração. [...] 
Trata-se de dispositivo que regulamenta a denúncia espontânea, por meio da qual o agente 
reconhece a prática da infração e efetua o pagamento do tributo devido, com juros e correção 
 
 
36 SCHOEURI, Luís Eduardo. Direito Tributário. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2017, p. 631 
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monetária. Nesses casos, conforme a dicção legal, a responsabilidade é excluída, livrando o 
contribuinte da imposição de multas moratórias e punitivas37. 
Dois são os fundamentos que justificam a existência desse instituto: o primeiro é de ordem ética, 
por valorizar o comportamento de quem espontaneamente regulariza sua situação junto ao fisco; 
o segundo fundamento é econômico, pela redução dos custos incorridos pela administração 
tributária na fiscalização das atividades dos contribuintes. 
O parágrafo único do artigo 138, no entanto, traz um marco temporal, que se ultrapassado, 
impede os benefícios da denúncia espontânea: 
Art. 138.[...] 
Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de 
qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a 
infração. 
Portanto, iniciado qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, não se faz 
mais possível os benefícios da denúncia espontânea com relação àqueles tributos que estão sendo 
apurados pelo fisco. 
Por fim, antes de encerrarmos, chamamos atenção para três entendimentos consolidados da 
jurisprudência sobre o alcance desse instituto. 
O primeiro é o de que o “benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a 
lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”, conforme 
anuncia a Súmula 360 do STJ. O fundamento é o de que a declaração do contribuinte constitui o 
crédito tributário, o que dispensa a autoridade administrativa de realizar qualquer outra 
providência para sua apuração. 
No entanto, se o tributo foi não foi regularmente declarado, é possível aplicação do instituto da 
denúncia espontânea. Isso porque, nessa hipótese, o crédito não foi constituído, o que exigira do 
fisco a instauração de um processo administrativo para sua apuração. 
O mesmo ocorre quando o contribuinte efetua uma declaração a menor, e depois retifica o seu 
valor. Nessa hipótese, é possível a incidência do instituto da denúncia espontânea com relação ao 
 
 
37 STJ, 1ª T., REsp 774.058/PR, Teori Albino Zavascki, out. 2009) 
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montante que não havia sido declarado originalmente, conforme decidiu o STJ no REsp 1149022 
/ SP. 
O segundo é o de que a denúncia espontânea não se aplica na hipótese em que os sujeito passivo, 
ao invés de realizar o pagamento, opta por parcelá-lo38. 
O terceiro é o de que o depósito judicial não é capaz de atrair os benefícios da denúncia 
espontânea39.. O fundamento utilizado é o de que não haveria redução dos custos da 
administração, pela necessidade de atuação dos advogados públicos na defesa do crédito 
tributário. 
RESUMO 
Obrigação Tributária 
1. A obrigação tributária é a relação jurídica existente entre um credor e um devedor, que tem por 
objeto uma prestação e que nasce quando a situação prevista pela hipótese de incidência da 
norma tributária ocorre no mundo real. 
2. O Código Tributário Nacional diferencia a obrigação tributária principal da obrigação tributária 
acessória. A obrigação tributária principal se refere às obrigações de dar, e abarca tanto o 
pagamento do tributo quanto o pagamento da multa. A obrigação tributária acessória tem por 
objeto as obrigações de fazer ou não fazer. 
3. A expressão fato gerador é ambígua. Numa primeira acepção, fato gerador é a descrição, por 
uma norma geral e abstrata, de um determinado comportamento ou estado, cuja realização 
concreta faz nascer a relação jurídica de direito tributário. Nessa perspectiva, fato gerador é o 
antecedente da regra-matriz de incidência; é, por exemplo, a previsão de que quem auferir renda 
deve pagar imposto de renda. Na segunda acepção, o termo fato gerador é a própria realização 
concreta daquele comportamento previsto pela norma tributária. Ocorre, por exemplo, quando 
alguém recebe seu salário, auferindo renda. 
 
 
38 REsp 1102577 / DF 
39 REsp 1310461/DF, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 28/11/2017, DJe 
05/12/2017) 
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4. Quanto à classificação dos fatos geradores, a doutrina majoritária costuma categorizá-los em 
instantâneos, periódicos (complexivos) e continuados. 
5. Salvo disposição de lei em contrário, considera-se ocorrido o fato gerador e existentes os seus 
efeitos: I - tratando-se de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as 
circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; 
II - tratando-se de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, 
nos termos de direito aplicável. 
6. Segundo o artigo 118 do CTN, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se: i) 
da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou 
terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II - dos efeitos dos fatos 
efetivamente ocorridos. Trata-se de dispositivo que tem sido interpretado de três formas pela 
doutrina. A primeira corrente doutrinária censura a regra, por enxergar contradição entre as suas 
disposições e o artigo 116 do Código Tributário Nacional. A segunda corrente interpretativa 
defende que é possível a compatibilização dos dispositivos, desde que se entenda que o inciso I 
do artigo 118 se aplica tão somente à hipótese do inciso I do artigo 116, e que o inciso II do artigo 
118 se aplica apenas à situação descrita pelo inciso II do artigo 116. A terceira corrente doutrinária 
defende que o artigo 118 é plenamente aplicável, devendo-se abstrair a validade jurídica dos atos 
praticados, ainda que a hipótese de incidência da norma tributária preveja uma situação jurídica. 
No entanto, se o negócio jurídico for anulado e as partes retornarem ao status quo ante, a 
obrigação tributária não deve subsistir. Essa última linha de pensamento já foi adotada pelo 
Superior Tribunal de Justiça no julgamento de um caso em que o negócio jurídico que deu origem 
à cobrança do ITBI foi anulado. A corte entendeu que o contribuinte teria direito à repetição do 
indébito. 
7. Sujeito ativo da obrigação é a pessoa jurídica de direito público, titular da competência para 
exigir o seu cumprimento. 
8. O sujeito passivo da relação tributária pode ser tanto o contribuinte quanto o responsável. O 
primeiro tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. O 
segundo tem ligação indireta, e sua condição decorre de disposição expressa de lei. 
Responsabilidade Tributária 
1. O critério distintivo entre a responsabilidade por substituição (originária) e a responsabilidade 
por transferência (derivada) é o momento da incidência da norma atributiva de responsabilidade. 
Nos casos de responsabilidade por substituição, o substituto tributário já é designado desde logo 
como sendo o sujeito passivo da relação jurídica obrigacional, o que significa afirmar que a 
responsabilidade surge no mesmo momento da ocorrência do fato gerador. Na responsabilidade 
por transferência o fenômeno ocorre de maneira diferente. Num primeiro momento, quando da 
ocorrência do fato gerador, o sujeito passivo da relação é o contribuinte. Apenas posteriormente, 
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em razão de algum acontecimento previsto pela norma atributiva de responsabilidade, é que 
alguém passa a ser responsável pelo pagamento da exação 
2. A distinção entre a substituição tributária para frente e a substituição tributária para trás decorre 
da posição do responsável tributário na cadeia econômica. Se a sua posição for posterior a posição 
do contribuinte, estaremos diante de uma responsabilidade tributária para trás (regressiva). Caso 
o responsável esteja numa posição anterior à do contribuinte na cadeia econômica, estaremos 
diante da chamada substituição tributária para frente. 
3. Quanto à substituição tributária para frente, o Supremo Tribunal Federal aprovou a Tese de 
Repercussão Geral nº 201, segundo a qual “É devida a restituição da diferença do Imposto sobre 
Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) pago a mais no regime de substituição tributária para 
a frente se a base de cálculo efetiva da operação for inferior à presumida”. 
4. As hipóteses de responsabilidade por sucessão se encontram regradas pelos artigos 129 a 133 
do CTN. 
5. As hipóteses de responsabilidade de terceiros se encontram nos artigos 134 e 135 do CTN. A 
diferença entre ambos é a seguinte: i) quanto ao ilícito, o artigo 134 pressupõe culpa e o artigo 
135 pressupõe dolo; ii) quanto ao grau de responsabilização, o artigo 134 prevê responsabilidade 
subsidiária e o artigo 135 responsabilidade pessoal; iii) quanto à extensão da responsabilidade, o 
artigo 134 impõe ao responsável o dever de pagar o valor principal, correção monetária, juros e 
multa moratória. O artigo 135 impõe ao responsável o dever de pagar o valor principal, correção 
monetária, juros, multa moratória e multa punitiva. 
6. Os artigos 136 a 138 do CTN disciplinam a responsabilidade por infrações. De acordo com o 
artigo 136, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações independe da 
intenção do agente ou do responsável, assim como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos 
do ato. 
7. Nos casos elencados pelo artigo 137, a responsabilidade é pessoal ao agente. 
8. Nos termos do artigo 138, a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, 
acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito 
da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa 
de apuração. 
9. A denúncia espontânea não se aplica na hipótese em que os sujeito passivo, ao invés de realizaro pagamento, opta por parcelá-lo. 
10. O depósito judicial não é capaz de atrair os benefícios da denúncia espontânea 
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QUESTÕES COMENTADAS 
1. (NUCEPE/Delegado de Polícia Civil/2018) Assinale a alternativa correta: 
a) A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas 
ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Ademais, 
pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à 
penalidade pecuniária. 
 b) O sujeito passivo da obrigação tributária principal é denominado responsável, quando tenha 
relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. 
 c) A capacidade tributária passiva coincide com a capacidade civil. Assim, os considerados 
civilmente incapazes são desprovidos de capacidade tributária passiva. 
 d) Em regra, a responsabilidade por infrações da legislação tributária depende da intenção do 
agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. 
 e) Considerando que a escolha do domicílio tributário é ato de natureza personalíssima, é vedado 
à autoridade administrativa recusar o domicílio eleito. 
Comentários: 
a) Alternativa correta. A obrigação acessória tem por objeto prestações de fazer e de não fazer. 
Ocorrida a sua inobservância, há a conversão em obrigação principal relativamente à penalidade 
pecuniária. 
b) Alternativa incorreta. É o contribuinte quem mantém relação pessoal e direta com a situação 
que constitua o respectivo fato gerador. 
c) Alternativa incorreta. A capacidade tributária passiva independe da capacidade civil das pessoas 
naturais, conforme dispõe o artigo 126, inciso I, do Código Tributário Nacional. 
d) Alternativa incorreta. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da 
legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, 
natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme dispõe o artigo 136 do CTN. 
e) Alternativa incorreta. Nos termos do §2º do artigo 127 do CTN, “A autoridade administrativa 
pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização 
do tributo, aplicando-se então a regra do parágrafo anterior”. 
2. (INAZ do Pará/Advogado CRF-PE/2018) O Município de Recife criou lei ordinária para 
instituir o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) e, na mesma lei ordinária, 
criou outras várias obrigações acessórias no interesse de promover a melhor arrecadação, 
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bem como adequada fiscalização desse imposto. É possível afirmar, com relação à referida 
lei ordinária, que: 
a) Usurpou a atribuição de lei complementar, pois cabe a esta a edição tanto das obrigações 
principais, como das acessórias. 
b) Usurpou atribuição de decreto ao criar obrigações acessórias. 
c) Não houve qualquer tipo de irregularidade na criação de obrigações acessórias. 
d) Não poderia ter estabelecido obrigações acessórias, pois trata-se de atribuição de normas 
regulamentares. 
e) Não poderia ter estabelecido obrigação principal. 
Comentários: 
Nos termos do que dispõe o artigo 113, §2º, do Código Tributário Nacional, “A obrigação 
acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, 
nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos”. Como vimos no 
capítulo atinente às fontes do direito tributário, o conceito de legislação tributária é bastante 
amplo, porque engloba a lei em sentido estrito e atos infralegais. 
Assim, não há ilegalidade na criação de obrigação acessória por meio de lei, razão pela qual está 
correta a alternativa c. 
 
3. (VUNESP/TJ-RS/Juiz de Direito Substituto/ 2018) Sobre a disciplina do fato gerador trazida 
pelo Código Tributário Nacional, é correto afirmar que 
a) a autoridade administrativa não poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados 
com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos 
elementos constitutivos da obrigação tributária, salvo nos casos expressos em lei. 
b) se tratando de situação de fato, salvo disposição de lei em contrário, considera-se ocorrido o 
fato gerador e existentes os seus efeitos desde o momento em que se verifiquem as circunstâncias 
materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios. 
c) fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação definida em lei como necessária e 
suficiente à sua ocorrência. 
d) a definição legal do fato gerador é interpretada considerando-se a validade jurídica dos atos 
efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis ou terceiros, bem como da natureza do 
seu objeto ou dos seus efeitos. 
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e) se tratando de atos ou negócios jurídicos sujeitos a condição suspensiva, considera-se ocorrido 
o fato gerador e existentes os seus efeitos desde o momento da prática do ato ou da celebração 
do negócio. 
Comentários: 
a) Alternativa incorreta. 
O parágrafo único do artigo 116 dispõe no seguinte sentido: 
Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considera-se ocorrido o fato gerador e 
existentes os seus efeitos: 
Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios 
jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do 
tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados 
os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 
104, de 2001) 
Por força dessa regra, inserida pela Lei Complementar 104/2001, a autoridade administrativa pode 
desconsiderar atos ou negócios jurídicos que dissimulem a ocorrência do fato gerador ou seus 
elementos constitutivos, desde que se observe os procedimentos previstos em lei ordinária. 
Até o presente momento, a lei ordinária referida pelo dispositivo não foi editada, o que leva a 
doutrina majoritária a entender que essa regra carece de aplicabilidade. 
Contudo, mesmo que admitida a inaplicabilidade do parágrafo único do artigo 116, isso não 
significa afirmar que a administração pública nada possa fazer quando constate que o ato ou 
negocio jurídico praticado pelo contribuinte incorreu no vício da simulação. Isso porque, o artigo 
149, inciso VIII, do CTN, já autorizava o lançamento de ofício nas hipóteses em que comprovado 
que “o sujeito passivo ou o terceiro em benefício daquele agiu com dolo, fraude ou simulação”. 
Nessa perspectiva, há vozes que entendem que o parágrafo único do artigo 116 não inovou no 
ordenamento, sendo regra desnecessária. Nesse sentido, ensina Paulo de Barros Carvalho40 
O ordenamento brasileiro, a meu ver, já autorizava a desconsideração de negócios 
jurídicos dissimulados, a exemplo do disposto no art. 149, VII, do Código Tributário 
 
 
40 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2012. 
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Nacional. O dispositivo comentado veio apenas ratificar regra existente no sistema em 
vigor. Por isso mesmo, assiste razão a Heleno Torres, ao asseverar que a referida 
alteração tão só aperfeiçoa o que já se encontrava previsto, de modo genérico, 
afastandoquaisquer dúvidas concernentes à possibilidade da Administração em 
desconsiderar os negócios fictícios ou dissimulados. Há que se cuidar, todavia, para não 
estender demasiadamente a aplicação do novo preceito chegando a ponto de julgar 
dissimulado o negócio jurídico realizado em decorrência de planejamento fiscal. Neste 
último caso, as partes celebram um negócio que, não obstante importe redução ou 
eliminação da carga tributária, é legal e portanto, válido, diferentemente dos atos 
dissimulados, consistentes na ilegal ocultação da ocorrência do fato jurídico tributário. 
O parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional não veio para impedir o 
planejamento fiscal; nem poderia fazê­-lo, já que o contribuinte é livre para escolher o 
ato que pretende praticar, acarretando, conforme sua escolha, o nascimento ou não de 
determinada obrigação tributária 
A simulação ocorre, nos termos do artigo 167, §1º, do Código Civil, quando os negócios jurídicos: 
i) aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se 
conferem, ou transmitem; ii) contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não 
verdadeira; iii) os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados. 
Trata-se de vício em que existe uma discrepância entre a vontade real e a vontade declarada pelas 
partes. Pode-se dividi-la em simulação absoluta e relativa. A simulação absoluta ocorre quando os 
contratantes não têm intenção de realizar nenhum negocio jurídico, mas criam um simulacro, 
normalmente para prejudicar terceiros. É o caso, por exemplo, da pessoa que assina a Carteira de 
Trabalho de outrem, simulando um vínculo empregatício, tão somente para que este, que se 
encontra incapaz, possa obter um benefício previdenciário. A simulação relativa ocorre quando o 
negócio jurídico praticado encobre um outro negócio jurídico, que realmente corresponde à 
intenção dos agentes. É o caso do pai que, querendo doar um imóvel ao filho, verifica que a 
alíquota do ITCMD é mais elevada do que a alíquota do ITBI, e resolve então simular um contrato 
de compra e venda, para mascarar a doação que efetivamente ocorreu. 
Em quaisquer das duas hipóteses – de simulação absoluta ou relativa – pode o fisco, com base no 
artigo 149, inciso VIII, do CTN, proceder ao lançamento de ofício, cobrando o tributo devido. 
b) Alternativa correta. Trata-se do que dispõe expressamente o artigo 116, inciso I, do CTN. 
c) A alternativa foi considerada incorreta, porque o artigo 114 do CTN dispõe que “fato gerador 
da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência”. 
Com relação à obrigação acessória, o artigo 115 diz que: “Fato gerador da obrigação acessória é 
qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato 
que não configure obrigação principal”. 
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d) Alternativa incorreta. O artigo 118, inciso I, do CTN, dispõe que a definição legal do fato 
gerador deve ser interpretada abstraindo-se a validade jurídica dos atos efetivamente praticados 
pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus 
efeitos. 
e) Alternativa incorreta. Nos termos do artigo 117, inciso I, reputam-se perfeitos e acabados os 
negócios jurídicos quando, sendo suspensiva a condição, seja ela implementada. 
4. (VUNESP/PC-BA/ Delegado de Polícia Civil/ /2018) Havendo a incorporação de uma pessoa 
jurídica de direito privado por outra, os tributos e as multas devidos pela pessoa jurídica 
incorporada até o ato de incorporação são de responsabilidade 
a) da pessoa jurídica que resultar da incorporação, por sucessão. 
b) do alienante, por direito próprio. 
c) dos sócios da sociedade incorporada, por transferência. 
d) da pessoa jurídica incorporada, por direito próprio. 
e) dos sócios da pessoa jurídica que resultar da incorporação, por transferência. 
Comentários 
A questão pode ser resolvida pelo artigo 132 do Código Tributário Nacional, segundo o qual “A 
pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra 
ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de 
direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas”. 
Portanto, a alternativa correta é a letra A. 
 
5. (CESPE/STJ/ Analista Judiciário/2018) À luz da jurisprudência majoritária e atual dos 
tribunais superiores e da doutrina acerca dos princípios constitucionais tributários, do 
indébito tributário, do crédito tributário e do poder de tributar, julgue o item seguinte. 
O instituto denominado substituição para frente se refere à antecipação do pagamento de uma 
obrigação tributária por um substituto localizado na cadeia econômica em posição anterior à do 
contribuinte. 
a) Certo 
b) Errado 
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Comentários: 
A afirmativa está correta. 
Caso o responsável esteja numa posição anterior à do contribuinte na cadeia econômica, 
estaremos diante da chamada substituição tributária para frente. 
 
O nome dado pelo instituto repousa na circunstância de o responsável “ avançar” uma posição na 
cadeia econômica para “substituir” o contribuinte. É o que ocorre com as empresas fabricantes 
de veículos com relação às concessionárias. Quando o automóvel deixa o estabelecimento da 
fabricante, esta última deve arcar, como responsável tributário, com o tributo que se supõe que 
irá existir quando da venda do automóvel pela concessionária ao consumidor final. 
O gráfico abaixo ajuda-nos a visualizar o fenômeno: 
 
Portanto, na substituição tributária para frente ocorre o inverso do que acontece na substituição 
tributária para trás. Nesta última, ocorre o diferimento no pagamento do tributo, que é postergado 
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para a operação seguinte; naquela, o tributo é antecipado para um momento anterior na cadeia 
econômica, pela presunção de que o fato gerador atinente à operação seguinte deve ocorrer 
 
6. (CESPE/PGE-PE/ Procurador do Estado/2018) Considerando o que dispõe o CTN, assinale 
a opção correta a respeito das obrigações tributárias. 
a) Parte superior do formulário 
A obrigação tributária surge apenas com a ocorrência da hipótese de incidência do tributo. 
b) A obrigação acessória é convertida em obrigação principal na hipótese de sua inobservância. 
c) O fato gerador deve ser o mesmo tanto para a obrigação principal quanto para a obrigação 
acessória. 
d) O sujeito ativo da obrigação acessória é denominado responsável tributário. 
e) Uma vez modificado o crédito tributário, deve ser igualmente alterada a obrigação tributária 
dele originada. 
Comentários: 
a) Alternativa incorreta. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência da hipótese de 
incidência do tributo. No entanto, o dispositivo excluiu a obrigação acessória, que surge quando 
configurada a situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de 
ato que não configure obrigação principal. 
b) Alternativa correta, conforme dispõe expressamente o §3º do artigo 113 do CTN. 
c) Alternativa incorreta. Os fatos geradores são distintos, conforme se evidencia dos artigos 114 e 
115 do CTN: 
Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como 
necessária e suficiente à sua ocorrência. 
Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da 
legislação aplicável,impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação 
principal. 
d) Alternativa incorreta. O responsável é um dos sujeitos passivos. 
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e) Alternativa incorreta. O crédito é que deve corresponder à obrigação, e não o inverso. 
7. (VUNESP/TJ-SP/ Titular de Registros de Notas e de Registros/2018/Adaptado) De acordo 
com o Código Tributário Nacional, julgue o item a seguir: 
a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, converte-se em obrigação principal 
relativamente à penalidade pecuniária. 
( ) Certo ( ) Errado 
Comentário 
A afirmativa está correta, conforme dispõe expressamente o o §3º do artigo 113 do CTN. 
8. (FCC/TRF – 5 Região/ Analista Judiciário/2017) Mário e Maria decidiram abrir um bazar em 
sociedade. Embora a legislação do ICMS de seu Estado determinasse que, antes de dar 
início a suas operações de circulação de mercadorias, a empresa devesse estar inscrita, 
como contribuinte, na repartição fiscal competente, Mário e Maria não atenderam a essa 
exigência legal. Simplesmente abriram a empresa e começaram a funcionar, sem cumprir 
as exigências da legislação tributária pertinente. Nem mesmo contrato social escrito a 
empresa tinha.Compravam de seus fornecedores e vendiam a seus clientes, como o fazem 
todas as empresas regulares, e atuavam, perante seus fornecedores e clientes, tal como 
atuam as empresas em situação regular perante o fisco. Ninguém tinha dúvida de que a 
empresa de Mário e Maria configurava efetivamente uma unidade econômica. Até nome 
fantasia a sociedade tinha: "Bazar MM”. 
Considerando os dados acima e a normas do Código Tributário Nacional, 
a) a empresa em questão, desde que comprove, efetivamente, sua capacidade econômico-
financeira, possuirá, automática e necessariamente, capacidade ativa. 
b) o fato de essa empresa configurar uma unidade econômica, mesmo sem estar regularmente 
constituída, é o bastante para nela se identificar capacidade tributária passiva. 
c) a empresa em questão, em razão de sua constituição irregular e da falta de comprovação da 
capacidade civil de seus dois sócios, não possui capacidade tributária passiva, nem ativa. 
d) a falta capacidade tributária ativa da pessoa jurídica irregularmente constituída pode ser suprida 
com a comprovação de que todos os seus sócios são, de fato, pessoas civilmente capazes. 
e) a capacidade passiva da pessoa jurídica depende, necessária e diretamente, da comprovação 
da capacidade tributária ativa de cada um de seus sócios, tratando-se de pessoa jurídica 
constituída sob responsabilidade limitada. 
Comentários: 
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A questão em análise é resolvida com base no artigo 126, inciso III, do CTN, que dispõe no 
seguinte sentido: 
Art. 126. A capacidade tributária passiva independe: 
III - de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando que configure uma 
unidade econômica ou profissional. 
Portanto, é irrelevante, para fins de tributação, que a pessoa jurídica não tenha sido regularmente 
constituída, bastando que ela configure uma unidade econômica. 
Em razão disso, está correta a alternativa b. 
9. (VUNESP/Prefeitura de São José dos Campos/Procurador/ 2017) Nos casos de 
impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, 
respondem solidariamente com este nos atos que intervierem ou pelas omissões de que 
forem responsáveis, determinadas pessoas que a lei especifica, dentre as quais 
a) o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio. 
b) o adquirente, pelos tributos relativos aos bens adquiridos. 
c) o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. 
d) o sucessor a qualquer título, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da 
sucessão. 
e) a pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, incorporação ou transformação de 
outra ou em outra. 
Comentários: 
A alternativa correta é a letra A, conforme dispõe expressamente o artigo 134, inciso IV, do Código 
Tributário Nacional. 
As demais hipóteses arroladas pelo enunciado são de responsabilidade por sucessão, que ocorrem 
independentemente de um ato ilícito ou de uma omissão do terceiro. 
 
10. (FMP Concursos/PGE-AC/ Procurador do Estado /2017) O art. 134, VII, do CTN menciona 
que são solidariamente responsáveis com o contribuinte em caso de impossibilidade de 
exigência os sócios, no caso de liquidação de sociedades de pessoas. Sobre isso, assinale 
a alternativa CORRETA. 
a) As sociedades limitadas são sociedades de pessoas e, portanto, os sócios deste tipo societário 
são solidariamente responsáveis em caso de liquidação. 
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b) Os sócios serão responsáveis apenas em caso de falência e, mesmo assim, apenas os sócios-
gerentes. 
c) Esta responsabilidade de todos os sócios somente ocorre em caso de falência fraudulenta e de 
forma automática. 
d) O CTN está a referir apenas os sócios de sociedades de pessoas cujo tipo societário não seja o 
de responsabilidade limitada. 
e) A responsabilidade limitada é instituto de direito comercial que não se aplica ao Fisco. 
Comentários: 
O inciso VII do artigo 134 atribui responsabilidade aos sócios no caso de liquidação de sociedade 
de pessoas. O dispositivo deve ser interpretado em conjunto com o caput, para limitar a 
responsabilidade “aos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis”. 
Assim, os sócios das sociedades de pessoas – como é o caso das sociedades em nome coletivo, 
em comandita simples e em conta de participação – respondem, com fulcro nesse dispositivo, 
apenas pelos atos culposos que praticarem durante a liquidação da sociedade. 
Assentados esses pressupostos, podemos chegar às seguintes conclusões: 
a) Alternativa incorreta, porque as sociedades limitadas não são sociedade de pessoas. 
b) Alternativa incorreta. Os sócios podem ser responsabilizados não apenas no caso de falência. 
c) Alternativa incorreta. Não se exige que a falência tenha sido fraudulenta, bastando que tenha 
havido algum ato ilícito ou omissão durante a liquidação da sociedade de pessoas. Ademais, a 
responsabilidade não é automática, recaindo apenas sobre quem praticou o ato ilícito. 
d) Alternativa correta. A responsabilidade dos sócios-gerentes e administradores de uma 
sociedade limitada é regulada pelo artigo 135 do CTN. 
e) Alternativa incorreta. Aplica-se o princípio da autonomia patrimonial também ao Direito 
Tributário. 
11. (CESPE/Prefeitura de Fortaleza/ Procurador do Município/2017) Considerando os 
dispositivos do CTN e a jurisprudência do STJ em relação ao ato administrativo do 
lançamento e à atividade desenvolvida para a constituição do crédito tributário, julgue o 
próximo item. 
Admite-se a concessão do benefício da denúncia espontânea na hipótese de o contribuinte, 
depois de apresentar declaração parcial do crédito tributário e realizar o respectivo pagamento, 
retificar a própria declaração e efetuar o pagamento complementar, antes de qualquer iniciativa 
da administração tributária. 
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a) Certo 
b) Errado 
Comentários: 
O Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula 360, segundo a qual o “benefício da denúncia 
espontânea não se aplica aos tributos sujeitosa lançamento por homologação regularmente 
declarados, mas pagos a destempo”. O fundamento é o de que a declaração do contribuinte 
constitui o crédito tributário, o que dispensa a autoridade administrativa de realizar qualquer outra 
providência para sua apuração. 
Por outro lado, se o tributo não foi regularmente declarado, é possível aplicação do instituto da 
denúncia espontânea também aos tributos sujeitos à lançamento por homologação. Isso porque, 
nessa hipótese, o crédito não foi constituído, o que exigira do fisco a instauração de um processo 
administrativo para sua apuração. 
O mesmo ocorre quando o contribuinte efetua uma declaração a menor, e depois retifica o seu 
valor. Nessa hipótese, é possível a incidência do instituto da denúncia espontânea com relação ao 
montante que não havia sido declarado originalmente, conforme decidiu o STJ no REsp 1149022 
/ SP, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos: 
PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. 
ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A 
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO 
TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR 
RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA 
ESPONTÂNEA. 
EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 
1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após 
efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) 
acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a (antes de qualquer 
procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a 
maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 
2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão 
da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação 
declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou 
parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 
360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543-C, do CPC: 
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REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 
28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. 
Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 
3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do 
crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornando-se exigível, 
independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao 
contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 
28.11.2007, DJ 07.02.2008). 
4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor 
(integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário 
atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual 
aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 
5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 
127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento 
do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, ano-base 
1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver 
reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, 
antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. 
Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira 
confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia 
espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. 
Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração 
da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 
7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia 
espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter 
eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da 
impontualidade do contribuinte. 
8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e 
da Resolução STJ 08/2008. 
(REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, 
DJe 24/06/2010) 
Portanto, é verdadeira a afirmativa do enunciado. 
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12. (TRF 2 Região/Juiz Federal Substituto/2017) Em 2014, empresa do setor de alimentos 
adquire estabelecimento comercial de outra e passa, ali, a exercer a mesma atividade da 
alienante. A pessoa jurídica alienante deixa de existir e seus antigos sócios passam a atuar 
em outros ramos. Dois anos depois, é lavrado auto de infração em razão do não 
recolhimento de Imposto de Renda (IRPJ), acrescido de penalidade, tudo relativo ao ano 
base 2012. Assinale a opção correta: 
a) Apenas a alienante, cuja operação concretizou o fato gerador do tributo devido, responde 
diretamente pelo tributo e pela penalidade. Seus sócios gerentes podem responder, comprovado 
o encerramento irregular da pessoa jurídica. 
b) A adquirente do estabelecimento responde diretamente pelo tributo e pela penalidade. 
c) Alienante e adquirente respondem, na proporção de suas culpas, pelos tributos e penalidades 
devidos. 
d) O tributo pode ser exigido diretamente da adquirente, e a penalidade é integralmente devida 
apenas pela alienante e seus antigos sócios, estes independentemente da dissolução irregular. 
e) apenas a alienante é devedora do tributo e da penalidade. A adquirente é responsável 
subsidiária, e bem assim os sócios da alienante, independentemente da dissolução irregular. 
Comentários: 
No caso, incide à hipótese o disposto no artigo 133, inciso I, do CTN, que dispõe no seguinte 
sentido: 
Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por 
qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou 
profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou 
sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou 
estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: 
I - integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; 
Ademais, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, materializado na Súmula 554, 
“Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os 
tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos 
geradores ocorridos até a data da sucessão”. 
Portanto, a alternativa correta é a letra B. 
 
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13. (TRF 2 Região/Juiz Federal Substituto/2017) Entidade autárquica federal adquire imóvel. 
Mais tarde, não se comprovando o recolhimento da taxa de coleta de lixo, de período 
anterior à alienação, surge dúvida sobre a eventual responsabilidade da autarquia em 
honrar tal débito. Sobre essa eventual responsabilidade, pode-se afirmar que: 
Ela não existe, tendo em conta se tratar de autarquia. 
a) A responsabilidade é subsidiária. 
b) A responsabilidade é solidária. 
c) A responsabilidade é regressiva. 
d) A responsabilidade é autônoma, e apenas existe se o lixo foi recolhido. 
De início, é importante consignar que não existe imunidade da autarquia, uma vez que o tributo 
exigido não se trata de imposto.Quanto à responsabilidade do ente público, aplica-se o disposto no artigo 130 do CTN, que 
dispõe no seguinte sentido: 
Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a 
propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas 
pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, 
subrogam-se na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a 
prova de sua quitação. 
É importante observar que o dispositivo seguiu a linha do artigo 129, ao tornar os sucessores 
responsáveis não apenas pelo tributo devido, mas por todo o crédito tributário. Quanto ao seu 
âmbito de abrangência, a norma trouxe os seguintes requisitos para caracterização dessa 
modalidade de responsabilidade: 
1º: Alguém tenha se tornado proprietário de um imóvel; 
2º: O imóvel tenha provocado a ocorrência de fato gerador cuja obrigação não tenha ainda sido 
extinta, com relação aos seguintes tributos: a) impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o 
domínio útil ou a posse. É o caso do ITR e do IPTU; b) taxas pela prestação de serviços, do que é 
exemplo a taxa de lixo; c) contribuições de melhoria. 
3º: A prova da quitação desses tributos não conste do título de aquisição, conforme ressalva 
expressa prevista pelo artigo 130 do CTN. Assim, se na transação restar comprovado, por meio 
de certidões emitidas pelas fazendas públicas, a inexistência de débitos com relação ao imóvel 
transacionado, eventual equívoco na informação certificada não justifica a cobrança do valor 
apurado do adquirente. 
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4º: O bem não tenha sido adquirido em hasta pública, caso em que incide o parágrafo único do 
artigo 130. 
Presentes os pressupostos acima mencionados, deve ocorrer a consequência prevista pelo 
dispositivo, segundo a qual os créditos tributários relativos a esse imóvel “subrogam-se na pessoa 
dos respectivos adquirentes”. 
O termo sub-rogação é normalmente utilizado no sentido de substituição, razão pela qual a 
doutrina majoritária adere ao posicionamento de que, ocorrida a hipótese prevista no artigo 130 
do Código Tributário Nacional, o contribuinte originário é excluído do polo passivo, que passa a 
ser ocupado exclusivamente pelo responsável tributário. Nessa perspectiva, a Fazenda Pública não 
poderia mais cobrar o crédito tributário do antigo proprietário, mas tão somente do novo 
adquirente. 
No entanto, não foi essa a interpretação adotada recentemente pelo Superior Tribunal de Justiça 
quando do julgamento do AREsp 942940, conforme se observa da ementa abaixo colacionada: 
PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. IPTU. ALIENAÇÃO DE 
IMÓVEL APÓS O LANÇAMENTO. SUJEITO PASSIVO. CONTRIBUINTE. ALIENANTE. 
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 130 DO CTN. SUB-ROGAÇÃO TRIBUTÁRIA. 
DISTINÇÃO DO REGIME CIVIL. EFEITO REFORÇATIVO E NÃO EXCLUDENTE. 
PROTEÇÃO DO CRÉDITO. INTERPRETAÇÃO SISTEMÁTICA DO CAPUT COM O 
PARÁGRAFO ÚNICO E DEMAIS DISPOSITIVOS DO CTN. COERÊNCIA SISTÊMICA DA 
DISCIPLINA DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. IRRELEVÂNCIA DA DATA DO 
AJUIZAMENTO DA EXECUÇÃO FISCAL PARA LIBERAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO 
ORIGINÁRIO. ART. 123 DO CTN. INOPONIBILIDADE À FAZENDA PÚBLICA DAS 
CONVENÇÕES PARTICULARES RELATIVAS À RESPONSABILIDADE PELO 
PAGAMENTO DE TRIBUTOS. ATO NEGOCIAL PRIVADO. RES INTER ALIOS ACTA. 
PRINCÍPIO DA RELATIVIDADE DAS CONVENÇÕES. SÚMULA 392/STJ. NÃO 
INCIDÊNCIA. AUSÊNCIA DE INTERESSE DA ALIENANTE NA DISCUSSÃO DE 
SITUAÇÃO PROCESSUAL DO TERCEIRO ADQUIRENTE. PEDIDO DE ANULAÇÃO DO 
ACÓRDÃO. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA 
INSTÂNCIA ESPECIAL. [...] 4. O caput do art. 130 do CTN deve ser interpretado 
conjuntamente com o seu parágrafo único. Nenhuma dúvida de que a sub-rogação do 
parágrafo único não exclui a responsabilidade do proprietário anterior à transferência 
imobiliária. Tal raciocínio há de ser aplicado na sub-rogação do caput, devendo a 
interpretação sistemática prevalecer sobre a isolada. 5. O parágrafo único do art. 130 
do CTN ajuda não só a compreender o alcance e sentido da sub-rogação do caput, cujo 
efeito tem caráter meramente aditivo e integrador do terceiro adquirente sem liberação 
do devedor primitivo, como reforça o regime jurídico específico do instituto tributário 
em relação à disciplina estabelecida no Direito Civil. A sub-rogação do Direito Civil é no 
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crédito e advém do pagamento de um débito. A do Direito Tributário é no débito e 
decorrente do inadimplemento de obrigações anteriores, assemelhando-se a uma 
cessão de dívida, com todas as consequências decorrentes. Não há confundir a sub-
rogação tributária com a sub-rogação civil ante a diversidade de condições e, por 
conseguinte, de efeitos. 6. Importa assegurar que a sucessão no débito tributário seja 
neutra em relação ao credor fiscal, cuja mudança pura e simples de devedor pode se 
dar em detrimento da garantia geral do pagamento do tributo. O imóvel transferido não 
é o único bem a responder pela dívida fiscal dele advinda. Consoante prescreve o art. 
184 do CTN, responde pelo pagamento do crédito tributário a totalidade dos bens e 
das rendas, de qualquer origem ou natureza, do sujeito passivo, excetuados unicamente 
os bens e rendas que a lei declare absolutamente impenhoráveis. [...] (STJ - AgInt no 
AREsp: 942940 RJ 2016/0168848-2, Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN, Data de 
Julgamento: 15/08/2017, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 12/09/2017) 
Como se observa, o Superior Tribunal de Justiça assentou que a sub-rogação referida nesse 
dispositivo não deve ser interpretada da mesma forma que a sub-rogação do Direito Civil. Isso 
porque, segundo o relator, a sub-rogação do Direito Civil é sempre no crédito e decorre do 
pagamento de um débito. Ou seja, quem paga determinada dívida sub-roga-se em todos os 
direitos, ações, privilégios e garantias do credor primitivo em relação ao devedor principal e 
fiadores (art. 349, do CC/2002). No Direito Tributário, todavia, a sub-rogação é na posição de 
devedor, assemelhando-se a uma cessão de dívida, com todas as consequências pertinentes. 
Ademais, segundo a Corte, não seria razoável que a garantia do credor pudesse ser desfalcada 
em razão de um negócio jurídico do qual não participou. 
Assim, para o Superior Tribunal de Justiça, a responsabilidade do artigo 130 do Código Tributário 
Nacional “tem caráter solidário, aditivo, cumulativo, reforçativo e não excludente da 
responsabilidade do alienante, cabendo ao credor escolher o acervo patrimonial que melhor 
satisfaça o débito cobrado a partir dos vínculos distintos”. Com outras palavras, a Corte entendeu 
que o credor poderia cobrar o crédito tributário tanto do alienante (contribuinte) quanto do 
adquirente do imóvel (responsável tributário). 
Portanto, a alternativa correta é a letra b. 
14. (MPE-RS/Promotor de Justiça/2017) Em relação ao fato gerador da obrigação tributária, 
assinale a alternativa correta. 
a) A definição legal do fato gerador é interpretada levando-se em consideração a validade dos 
atos jurídicos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis ou terceiros. 
b) Os atos e negócios jurídicos praticados sob condição suspensiva ou resolutória não configurarão 
fato gerador. 
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c) Somente autoridade judicial poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a 
finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo. 
d)A obrigação acessória jamais se converterá em obrigação principal no âmbito tributário. 
e) Salvo disposição de lei em contrário, considera-se ocorrido o fato gerador, em se tratando de 
situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de 
direito aplicável. 
Comentários: 
a) Alternativa incorreta. O artigo 118, inciso I, determina o oposto. 
b) Alternativa incorreta, conforme se observa do artigo 117 do CTN: 
Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior e salvo disposição de lei em 
contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputam-se perfeitos e acabados: 
I - sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento; 
II - sendo resolutória a condição, desde o momento da prática do ato ou da celebração 
do negócio. 
c) Alternativa incorreta. A autoridade administrativa pode fazê-lo, conforme enuncia o artigo 116, 
parágrafo único, do CTN, e o artigo 149, inciso VII, também do CTN. 
d) Alternativa incorreta. Nos termos do §3º do artigo 113, “A obrigação acessória, pelo simples 
fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade 
pecuniária”. 
e) Alternativa correta. É o que dispõe expressamente o artigo 116, inciso II, do CTN. 
15. (CESPE/PC-GO/ Delegado de Polícia Substituto/2017) Ricardo, com quinze anos de idade, 
traficou entorpecentes por três meses, obtendo uma renda de R$ 20.000. Informado pela 
autoridade competente, um auditor da Receita Federal do Brasil efetuou lançamento 
contra o menor. 
Tendo como referência essa situação hipotética, assinale a opção correta. 
a) O tráfico de entorpecente é ato ilícito, sendo responsáveis pelos prejuízos dele decorrentes, 
nos termos da lei civil, os pais de Ricardo, que deverão recolher o tributo a título de sanção cível. 
b) A capacidade tributária independe da capacidade civil, de modo que é correto o lançamento 
contra o menor que, no caso, percebeu remuneração que pode ser considerada renda. 
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c) O tráfico de entorpecente é atividade que gera proveito econômico, o que justifica torná-lo fato 
gerador de tributo, não podendo, no entanto, Ricardo, por ser incapaz, sofrer lançamento, 
devendo a renda percebida ser imputada aos seus pais. 
d) O tráfico de entorpecente, por ser crime, não pode ser objeto de tributação, pois o pagamento 
de imposto em tal hipótese significaria que o Estado estaria chancelando uma atividade ilícita, 
sendo, portanto, insubsistente o lançamento. 
e) Ricardo, por ser incapaz, não pode sofrer lançamento, não constituindo renda eventuais ganhos 
econômicos que ele venha a ter. 
Comentários: 
Como mencionamos na parte teórica, o artigo 118 do Código Tributário Nacional também tem 
sido interpretado como uma concretização do princípio da interpretação objetiva do fato gerador, 
segundo o qual se deve desconsiderar o caráter ilícito da conduta praticada pelo contribuinte 
(pecúnia non olet). Assim, o fato jurídico incide quando ocorrida a situação prevista pela hipótese 
de incidência da norma tributária, sendo irrelevante que a conduta que originou a obrigação seja 
contrária ao direito. É o caso do traficante que foi notificado pela Receita Federal a pagar imposto 
de renda, incidente sobre rendimentos apurados no valor de R$ 50.000,00. O fato desse 
rendimento ter origem ilícita não afasta a sua obrigação de recolher a tributação. 
Essa circunstância torna falsa a afirmativa constante da letra D. 
Quanto à sujeição passiva, o artigo 126 do Código Tributário Nacional traz regras sobre a 
capacidade para incorrer em fatos jurídicos tributários, ao dispor no seguinte sentido: 
Art. 126. A capacidade tributária passiva independe: 
I - da capacidade civil das pessoas naturais; 
II - de achar-se a pessoa natural sujeita a medidas que importem privação ou limitação 
do exercício de atividades civis, comerciais ou profissionais, ou da administração direta 
de seus bens ou negócios; 
III - de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando que configure uma 
unidade econômica ou profissional. 
A interpretação do inciso I do artigo 126 depende da interpretação dada aos artigos 116 e 118 
do Código Tributário Nacional. Ao analisarmos esses dois dispositivos anteriormente, 
mencionamos que há corrente doutrinaria que entende que, quando a hipótese de incidência da 
norma descreve uma situação jurídica, a validade do ato ou negócio subjacente é circunstância 
necessária ao nascimento da obrigação tributária, sendo inaplicável o disposto no artigo 118, 
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inciso I, do CTN. Assim, para essa perspectiva, a capacidade civil só seria irrelevante nos casos em 
que a norma tributária elegesse uma situação fática no seu antecedente, como ocorre com o ICMS, 
que tem como critério material a circulação de mercadorias. Por outro lado, se a norma tributária 
elegesse uma situação jurídica, a ausência de capacidade civil das pessoas naturais impediria o 
nascimento da própria obrigação tributária, em razão da nulidade do negócio jurídico. 
Transcrevemos trecho da obra de Luís Eduardo Schoueri41, que adota esse posicionamento: 
 Assim, não deve causar espécie o fato de um menor incapaz poder ser contribuinte de 
qualquer imposto. Basta, por exemplo, que seja ele proprietário de um imóvel, para ser 
contribuinte do IPTU, auferindo algum rendimento, incorrerá no fato jurídico tributário 
próprio do Imposto de Renda e assim sucessivamente. [...] na hipótese de a legislação 
tributária vincular o surgimento da obrigação à celebração de um negócio jurídico, a 
incapacidade civil da parte será suficiente para a nulidade do negócio, não havendo, 
daí, que falar em obrigação tributária. Mas vale notar que o que afasta a exigência não 
é a incapacidade tributária, mas a inexistência do próprio negócio jurídico. Vale retomar, 
a este respeito, o que se viu no capítulo precedente acerca do artigo 116 do Código 
Tributário Nacional, que cogita, ao lado de uma mera ‘situação de fato’, o caso de 
‘situação jurídica’. Se a hipótese tributária é uma situação jurídica, não há fato jurídico 
tributário enquanto aquela não se perfizer” 
Já para a corrente majoritária, que entende que o artigo 118 do Código Tributário Nacional se 
aplica tanto às situações fáticas quanto às situações jurídicas, a ausência da capacidade civil das 
pessoas naturais é sempre circunstância irrelevante, seja para o nascimento da obrigação tributária 
ou para a configuração da capacidade tributária passiva. 
Como mencionado na parte teórica, para efeitos de concurso público, deve-se adotar essa última 
interpretação mencionada. 
Assim, estão alternativas A, C e E, estando correta a letra B. 
 
 
 
 
41 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 502 
 
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16. (CESPE/PC-GO/ Delegado de Polícia Substituto/2017) São responsáveis pelos créditos 
tributários relativos a obrigação de terceiros, quando não for possível exigir-lhes o 
cumprimento da obrigação principal, independentemente de terem agido com excesso de 
poderes ou em desacordo com a lei, estatuto ou contrato social, 
a) os empregados. 
b) os diretores de pessoa jurídica. 
c) os representantes legais de pessoas jurídicas de direito privado. 
d) os administradores de bens de terceiros. 
e) os mandatários. 
Comentários: 
Como se pode observar do enunciado, a questão se refere a responsabilidade de terceiros do 
artigo 134,que possui natureza subsidiária. Logo, a alternativa que a banca entendeu como 
correta é a letra D, conforme dispõe o inciso III do artigo 134. 
No entanto, parece-nos que essa questão deveria ter sido anulada, por ter sido omitida a 
informação de que os administradores de bens de terceiros só respondem “nos atos em que 
intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis”. Da forma que foi elaborada, a questão 
poderia levar o candidato a crer que a responsabilidade nesse caso seria automática, o que não 
encontra respaldo legal. 
17. (CESPE/PGE-AM/ Procurador do Estado/ 2016) Considerando os limites ao exercício do 
poder de tributar, julgue o item seguinte. 
A capacidade tributária ativa difere da competência tributária, podendo ser delegada a outras 
pessoas jurídicas de direito público. Nesse caso, a delegação envolverá a transferência legal dos 
poderes de cobrança, arrecadação e fiscalização. 
a) Certo 
b) Errado 
Comentários: 
Dispõe o artigo 119 do Código Tributário Nacional: 
Art. 119. Sujeito ativo da obrigação é a pessoa jurídica de direito público, titular da 
competência para exigir o seu cumprimento. 
A leitura isolada do artigo 119 poderia conduzir à conclusão de que apenas a pessoa jurídica, 
detentora da competência tributária, é que poderia figurar como sujeito ativo de uma relação 
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obrigacional. Não é, no entanto, o que ocorre. Esse dispositivo deve ser interpretado em conjunto 
com o disposto no artigo 7º do Código Tributário Nacional, que dispõe da seguinte forma: 
Art. 7º A competência tributária é indelegável, salvo atribuição das funções de arrecadar 
ou fiscalizar tributos, ou de executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas em 
matéria tributária, conferida por uma pessoa jurídica de direito público a outra, nos 
termos do § 3º do artigo 18 da Constituição. 
Portanto, é possível que haja a delegação da capacidade tributária ativa, e que o sujeito ativo de 
uma relação jurídica não seja a pessoa jurídica detentora da competência tributária. 
É o que ocorre, por exemplo, com os seguintes tributos: a) Taxa de Controle e Fiscalização 
ambiental, instituída pela Lei n. 10.165/2000, que tem o IBAMA como sujeito ativo; b) anuidades 
pagas aos conselhos de fiscalização de profissões, que tem estes como sujeitos ativos do tributo; 
c) ITR, imposto instituído pela União Federal, que pode ser fiscalizado e cobrados pelos municípios 
que assim optarem, nos termos do §4º, inciso III, do artigo 153 da Constituição Federal. 
Portanto, a afirmativa está correta. 
18. (CESPE/PGE-AM/ Procurador do Estado/ 2016)Considerando os limites ao exercício do 
poder de tributar, julgue o item seguinte. 
Para fins de cobrança, as penalidades pecuniárias impostas ao contribuinte em virtude do 
descumprimento de obrigações acessórias são equiparadas à obrigação tributária principal, visto 
que ambas constituem obrigação de dar. 
a) Certo 
b) Errado 
Comentários: 
O Código Tributário Nacional diferencia a obrigação tributária principal da obrigação tributária 
acessória, conforme indica o artigo 113 do diploma legislativo: 
Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. 
§ 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o 
pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito 
dela decorrente. [...] 
Como se observa do §1º, a obrigação tributária principal surge quando aqueles fatos previstos 
pela hipótese de incidência da norma tributária ou da norma sancionatória ocorrerem no mundo 
real. 
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A leitura do dispositivo também evidencia que o termo obrigação tributária principal foi 
empregado de maneira mais ampla do que se poderia intuir da sua nomenclatura. A expressão 
abarca não apenas a obrigação de pagar tributo, mas também a obrigação de pagar multa, o que 
permite enquadrá-la na categoria das obrigações de dar. O gráfico abaixo ajuda-nos a visualizar 
esse quadro: 
 
Ademais, nos termos do §3º do artigo 113, a “obrigação acessória, pelo simples fato da sua 
inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”. 
Portanto, está correta a afirmativa. 
19. (FCC/SEGEP-MA/2016) Sobre obrigação tributária, é correto afirmar que 
a) a obrigação tributária principal sempre pressupõe o prévio ou posterior cumprimento de 
obrigação tributária acessória. 
b) todo sujeito passivo de obrigação tributária principal sempre também será de obrigação 
tributária acessória. 
c) a obrigação tributária acessória independe da obrigação tributária principal e existe no interesse 
da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. 
d) somente pode ser objeto de obrigação tributária acessória aquele previsto em lei ou ato 
normativo para ser sujeito passivo de obrigação tributária principal. 
e) a obrigação tributária principal se converte em obrigação tributária acessória quando se trata 
de pagamento de multa por infração à legislação tributária. 
Comentários: 
a) Alternativa incorreta. A obrigação principal é independente da obrigação acessória. Pode-se 
pagar um tributo sem que se tenha cumprido todos os deveres instrumentais exigidos pela 
legislação. 
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b) Alternativa incorreta. A obrigação principal é independente da obrigação acessória, podendo 
ter sujeitos passivos diversos. É o caso, por exemplo, do dever das instituições financeiras de 
informar a ocorrência de certas transações realizadas pelos seus clientes ao fisco. 
c) Alternativa correta. É o que dispõe o §2º do artigo 113 do CTN. 
d) Alternativa incorreta. A obrigação acessória pode ser criada por um ato infralegal. Além disso, 
podem ser sujeitos passivos de uma obrigação acessória pessoas que não sejam sujeitos passivos 
de uma obrigação principal. (Entidades imunes, por exemplo). 
e) Alternativa incorreta. É a obrigação acessória que pode se converter em obrigação principal. 
20. (FCC/SEGEP-MA/2016) Quando a lei atribui a qualidade de responsável tributário sobre 
fato gerador que ainda não ocorreu, mas que deva ocorrer posteriormente, estar-se-á 
diante de 
a) retroatividade da lei tributária, permitida expressamente por lei. 
b) sucessão tributária, vedada expressamente pela CF/88. 
c) ultratividade da lei tributária, permitida expressamente por lei. 
d) substituição tributária para frente, permitida expressamente pela CF/88. 
e) substituição tributária para trás, vedada expressamente pela CF/88. 
Comentários: 
Como vimos na parte teórica, trata-se de situação denominada de substituição tributária para 
frente. 
O fundamento é o artigo 150, §7º, do texto constitucional, que dispõe no seguinte sentido: 
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à 
União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: 
§ 7º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de 
responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva 
ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia 
paga, caso não se realize o fato gerador presumido. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 3, de 1993) 
21. (CESPE/Analista Judiciário/2018) Julgue o item que se segue, a respeito das disposições 
do Código Tributário Nacional (CTN). 
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O contribuinte é o sujeito passivo da obrigação principal, enquanto o responsável é o sujeito 
passivo da obrigação acessória. 
( ) Certo ( ) Errado 
Comentários: 
Afirmativa incorreta. 
A diferença entre contribuinte e responsável é que aquele mantém relação pessoal e direta com 
a situação que constitua o respectivo fato gerador (artigo 121, I), enquanto este tem a sua 
obrigação estabelecida em virtude de disposição expressa de lei (artigo 121, II). 
22. (IESES/Titular de Serviços e Notas/2017) Sobre o sujeito passivo da obrigação tributária, 
assinale a alternativa INCORRETA: 
a) A capacidade tributária passiva possui como condição a existência de capacidade civil do 
sujeito, nos termos da legislação civil. 
b) A capacidade tributária passiva independe de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, 
bastando que configure uma unidade econômica ou profissional. 
c) Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou 
penalidade pecuniária. 
d) Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu 
objeto. 
Comentários: 
Dentre todas as afirmações, a única incorreta é aquela constante da letra a. 
De fato, nos termos do artigo 126, inciso I, a capacidade tributária independe da capacidade civil 
das pessoas naturais. 
23. (IESES/Titular de Serviços e Notas/2017)No que tange a obrigação tributária é correto 
afirmar: 
I. A obrigação tributária é principal ou acessória. 
II. A obrigação principal decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas 
ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. 
III. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação 
principal relativamente à penalidade pecuniária. 
IV. A obrigação acessória surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento 
de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. 
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A sequência correta é: 
a) As assertivas I, II, III e IV estão corretas. 
b) Apenas a assertiva IV está correta. 
c) Apenas as assertivas I, III, IV estão corretas. 
d) Apenas as assertivas I e III estão corretas. 
Comentários: 
i) Afirmativa correta, conforme dispõe o artigo 113. 
ii) Afirmativa incorreta. O conceito trazido pelo enunciado corresponde à definição de obrigação 
acessória. 
iii) Afirmativa correta, conforme dispõe o §3º do artigo 113. 
iv) Afirmativa incorreta. O conceito trazido pelo enunciado corresponde à definição de obrigação 
principal. 
Portanto, a alternativa correta é a letra D. 
24. (IESES/Titular de Serviços e Notas/2016)Nos casos de impossibilidade de exigência do 
cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com 
este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: 
I. Os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos 
praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício. 
II. Os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; os tutores e curadores, pelos tributos 
devidos por seus tutelados ou curatelados. 
III. O inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; o síndico e o comissário, pelos tributos 
devidos pela massa falida ou pelo concordatário. 
IV. Os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; os sócios, no caso 
de liquidação de sociedade de pessoas. 
A sequência correta é: 
a) Apenas a assertiva II está correta. 
b) Apenas as assertivas I e IV estão corretas. 
c) Apenas as assertivas I, III e IV estão corretas. 
d) As assertivas I, II, III e IV estão corretas. 
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Comentários: 
Todas as afirmativas estão corretas, conforme se observa do artigo 134 do CTN; 
Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação 
principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que 
intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: 
I - os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; 
II - os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados’ 
III - os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; 
 
IV - o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; 
V - o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo 
concordatário; 
VI - os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre 
os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; 
VII - os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. 
25. (CESPE/Procurador do Município/2017) Julgue o seguinte item, a respeito de obrigação 
tributária e crédito tributário. 
O sujeito passivo da obrigação principal denomina-se contribuinte quando, dada sua vinculação 
ao fato gerador, sua sujeição decorre expressamente de determinação legal, ainda que não tenha 
relação pessoal e direta com a ocorrência de tal fato. 
( ) Certo ( ) Errado 
Comentários: 
A afirmativa está incorreta. 
O contribuinte mantém sempre relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo 
fato gerador (artigo 121, I). 
 
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26. (CESPE/Promotor de Justiça/2017) A respeito da obrigação tributária, assinale a opção 
correta conforme o que dispõe o CTN. 
 a) A obrigação principal e sua obrigação acessória devem decorrer de um mesmo fato gerador. 
 b) Obrigação principal pode ter por objeto o pagamento de penalidade tributária. 
 c)A obrigação principal é considerada obrigação tributária, ao passo que as obrigações acessórias 
são consideradas obrigações de natureza não tributária. 
 d) Obrigação acessória não se converte em obrigação principal. 
Comentários: 
a) Alternativa incorreta. A obrigação principal e a obrigação acessória decorrem de fatos 
geradores distintos. 
b) Alternativa correta, conforme dispõe expressamente o artigo 113, §1º, do CTN. 
c) Alternativa incorreta. A obrigação acessória também possui natureza tributária, conforme dispõe 
o artigo 113. 
d) Alternativa incorreta. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-
se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária (artigo 113, §3º). 
27. (CESPE/Procurador do Município/2017) Julgue o seguinte item, a respeito de obrigação 
tributária e crédito tributário. 
O CTN qualifica como obrigação tributária principal aquela que tem por objeto uma prestação 
pecuniária, distinguindo-a da obrigação tributária acessória, cujo objeto abrange as condutas 
positivas e negativas exigidas do sujeito passivo em prol dos interesses da administração tributária 
e as penalidades decorrentes do descumprimento desses deveres instrumentais. 
( ) Certo ( ) Errado 
Comentários: 
A afirmativa está incorreta. 
As penalidades decorrentes do descumprimento de deveres instrumentais são prestações de dar, 
qualificando-se como obrigações principais. 
28. (CONSULPLAN/Titular de Serviços e Notas/2017) À luz das previsões do Código Tributário 
Nacional, assinale a alternativa correta: 
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 a) A capacidade tributária passiva independe de achar-se a pessoa natural sujeita a medidas que 
importem privação ou limitação do exercício de atividades civis, comerciais ou profissionais, ou da 
administração direta de seus bens ou negócios. 
 b) A solidariedade comporta o benefício de ordem. 
 c) A interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, não favorece ou prejudica 
aos demais. 
 d) A autoridade administrativa não pode recusar o domicílio tributário eleito pelo contribuinte. 
Comentários: 
a) Afirmativa correta. É o que dispõe o artigo 126, inciso II, do CTN: 
Art. 126. A capacidade tributária passiva independe: 
II - de achar-se a pessoa natural sujeita a medidas que importem privação ou limitação 
do exercício de atividades civis, comerciais ou profissionais, ou da administração direta 
de seus bens ou negócios; 
b) Afirmativa incorreta. A solidariedade não comporta benefício de ordem, conforme determina 
de modo expresso o parágrafo único do artigo 124. 
c) Afirmativa incorreta. A interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, 
favorece ou prejudica os demais (inciso III do artigo 125). 
d) Afirmativa incorreta. Nos termos do §2º do artigo 127, “A autoridade administrativa pode 
recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do 
tributo, aplicando-se então a regra do parágrafo anterior”. 
29. (CESPE/Procurador do Município/2017) Julgue o seguinte item, a respeito de obrigação 
tributária e crédito tributário. 
A substituição tributária progressiva, modalidade de responsabilidade tributária por transferência, 
ocorre quando a obrigação de pagar é adiada para momento posterior ao fato jurídico tributário. 
 
( ) Certo ( ) Errado 
Comentários: 
Afirmativa incorreta. 
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A substituição tributária progressiva é modalidade de responsabilidade originária. Além disso, 
nessa modalidade, a obrigação de pagar é antecipada. 
30. (CESPE/Juiz Substituto/2017) Uma sociedade limitada, tendo declarado regularmente seus 
tributos, deixou de pagá-los, sem que houvesse qualquer fraude ou comportamento 
análogo. No momento da inscrição em dívida ativa, apenas com base no inadimplemento, 
o sócio-gerente foi incluído como responsável pelo crédito tributário. 
A respeito dessa situação hipotética e de aspectos diversos a ela pertinentes, assinale a opção 
correta. 
a)O sócio-gerente não responde por simples inadimplemento, devendo-lhe ser imputado, para 
que haja a sua responsabilização, excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou 
estatutos, sendo incabível a sua responsabilização no caso em questão. 
b)Os sócios, administradores ou não, só respondem solidariamente no caso de liquidação irregular 
de pessoa jurídica, sendo incabível a sua responsabilização na situação em apreço. 
c)O sócio-gerente será responsável pelo crédito tributário apenas nos casos em que praticar ilícitos 
penais ou agir com dolo específico. 
d)No caso de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo 
contribuinte, os sócios, apenas com base nessa condição, respondem solidariamente pelo crédito 
tributário da pessoa jurídica, estando correta a responsabilização do sócio-gerente no caso em 
questão. 
Comentários: 
a) Alternativa correta. O artigo 135 só incide se o terceiro, como é o caso do sócio-gerente, agir 
com “excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos”. O contrato social é o 
documento que regula o funcionamento das sociedades contratuais, enquanto que os estatutos 
existem nas sociedades estatutárias. 
O mais comum, no entanto, é a incidência do artigo 135 do Código Tributário Nacional por 
infração de lei. Quanto ao tema, já é pacífico que não configura infração de lei, para efeitos do 
artigo 135 do CTN, o mero inadimplemento da obrigação tributária. Do contrário, o princípio da 
autonomia patrimonial das pessoas jurídicas cairia por terra, pela atração da responsabilidade dos 
sócios-gerentes sempre que não houvesse o adimplemento do tributo. Sobre o tema, o Superior 
Tribunal de Justiça editou inclusive súmula: 
Súmula 430 do STJ: O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, 
por si só, a responsabilidade solidária do sócio-gerente. 
b) Alternativa incorreta. Embora a dissolução irregular seja o exemplo mais corriqueiro de 
responsabilização de terceiro pelo artigo 135, não se trata de uma hipótese exclusiva. A infração 
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à lei pode ocorrer de variadas formas, como acontece quando um sócio-gerente comete crime 
falimentar ou crime tributário, por exemplo. 
c) Alternativa incorreta. A responsabilização do sócio-gerente ocorre quando ocorrer uma infração 
de lei, sendo desnecessário que a lei seja de natureza penal. 
d) Alternativa incorreta. Os sócios não respondem automaticamente pelos débitos da pessoa 
jurídica, quando a responsabilidade da sociedade for limitada. 
31. (CESPE/Procurador do Estado/2017) Segundo o CTN, no que tange à responsabilidade 
tributária, é CORRETO afirmar que 
a)o adquirente, em leilão judicial, de estabelecimento comercial ou fundo de comércio em 
processo de falência, é pessoalmente responsável por tributos devidos até a data da aquisição. 
b)o cônjuge e o sucessor a qualquer título ficam responsáveis pelos tributos devidos pelo de 
cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada a responsabilidade ao montante da herança. 
c)o alienante de bem imóvel é responsável pelo IPTU, no caso de ter assumido em escritura pública 
a obrigação por tributo relativo a fato gerador acontecido antes da transmissão, quando não 
houver prova de quitação de tributos. 
d)o arrematante de bem imóvel, no caso de arrematação em hasta pública, é responsável pelos 
tributos devidos por fatos geradores anteriores à arrematação. 
e)Nenhuma das alternativas acima está correta. 
Comentários: 
a) Afirmativa incorreta. A sucessão tributária pelo trespasse não ocorre quando ocorrida em 
processo de falência: 
Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por 
qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou 
profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou 
sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou 
estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: [...] 
I – em processo de falência; (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) 
b) Alternativa correta. É o que dispõe o artigo 131, inciso II, do CTN. 
c) Alternativa incorreta. Nesse caso, aplica-se o artigo 130 do CTN, segundo o qual o adquirente 
se sub-roga no dever de adimplir com os créditos tributários devidos até a data da alienação. 
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d) Alternativa incorreta. Nesse caso, a sub-rogação se dá sobre o preço, conforme dispõe o 
parágrafo único do artigo 130 do CTN. 
32. (CESPE/Juiz Federal Substituto/2017) A respeito de responsabilidade tributária, assinale a 
opção correta. 
a) A responsabilidade tributária derivada é aquela que é transferida a terceiro que tenha ligação 
direta e pessoal com o fato gerador da obrigação, sem que decorra de expressa previsão legal. 
b) A responsabilidade tributária originária é aquela que ocorre com o inadimplemento da 
obrigação tributária por parte do contribuinte. 
c) A responsabilidade tributária por infração a lei tributária praticadapor pessoa na gestão de 
sociedade limitada ficará adstrita ao capital social. devidamente integralizado. 
d) A responsabilidade tributária por infração implica solidariedade da sociedade com o gestor que 
cometer infração no pagamento dos tributos. 
e) A sujeição passiva indireta pode ser fruto de uma responsabilidade por sucessão, o que 
caracteriza uma das modalidades de responsabilidade por transferência 
Comentários: 
a) Alternativa incorreta. Quem tem ligação direta e pessoal com o fato gerador é o contribuinte e 
não o responsável. 
b) Alternativa incorreta. O critério distintivo entre a responsabilidade por substituição (originária) 
e a responsabilidade por transferência (derivada) é o momento da incidência da norma atributiva 
de responsabilidade. 
Nos casos de responsabilidade por substituição, o substituto tributário já é designado desde logo 
como sendo o sujeito passivo da relação jurídica obrigacional, o que significa afirmar que a 
responsabilidade surge no mesmo momento da ocorrência do fato gerador. 
Portanto, está incorreta a alternativa. 
c) Alternativa incorreta. Não há essa limitação na legislação. O terceiro, nesse caso, responde pela 
integralidade do crédito tributário, nos termos do que dispõe o artigo 135 do CTN. 
d) Afirmativa incorreta. A responsabilidade por infração é pessoal, salvo quando praticadas no 
exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de 
ordem expressa emitida por quem de direito (artigo 137, inciso I, do CTN). 
e) Afirmativa correta. Sujeição passiva indireta é expressão designada para se referir ao 
responsável tributário. E, de fato, a responsabilidade por sucessão é modalidade de 
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responsabilidade por transferência, porque surge em momento posterior ao fato jurídico 
tributário. 
33. (CESPE/Procurador do Estado/2017) Se uma determinada Sociedade Limitada retira-se de 
seu domicílio fiscal sem comunicar ao Fisco, e sendo caso de cobrança de débitos fiscais, é 
correto afirmar: 
a)O fato é considerado dissolução irregular da empresa, expondo todos os bens de todos os sócios 
à eventual execução fiscal. 
b)Como entende o STJ, o mero fato de se ausentar do domicílio fiscal não é suficiente para 
caracterizar dissolução irregular e a execução fiscal fica restrita à pessoa jurídica. 
c)Considera-se dissolução irregular, mas somente os bens dos sócios-gerentes estarão expostos a 
eventual execução fiscal. 
d)Se o não pagamento se deu por interpretação da lei tributária, considera-se sonegação e todos 
os sócios responderão. 
e)Só o fato do não pagamento, aliado à retirada da empresa de seu domicílio fiscal implica 
sonegação, expondo todos os bens de todos os sócios à execução fiscal. 
Comentários: 
Alguns casos de incidência do artigo 135 do Código Tributário Nacional são bastante recorrentes. 
A hipótese mais vista na prática é a de responsabilização dos sócios-gerentes e administradores 
de uma sociedade pela dissolução irregular da pessoa jurídica. De fato, quando uma pessoa 
jurídica quer encerrar suas atividades, não basta fechar as portas e colocar o cadeado no portão. 
É necessário que seja adotado o rito previsto pela legislação societária, procedendo-se a 
liquidação e a dissolução da pessoa jurídica. Caso a sociedade não consiga pagar todos os seus 
devedores, pode inclusive requerer a autofalência, que é uma forma legítima de encerramento 
das atividades. 
No entanto, é bastante usual que pessoas jurídicas que tenham se tornado inviáveis do ponto de 
vista econômico simplesmente encerrem suas atividades, sem o cumprimento das formalidades 
exigidas em lei. Nesse caso, há uma infração à lei societária, a justificar a responsabilização 
daqueles que tinham o dever de promover a liquidação da pessoa jurídica. Esse dever não é 
atribuível a todos os sócios da sociedade, mas somente àqueles que exerciam o poder de gerência 
ou aos administradores que, embora não sócios, representavam a pessoa jurídica. 
Portanto, ocorrida a dissolução irregular, pode o fisco cobrar o crédito tributário integralmente 
dos sócios-gerentes ou administradores da pessoa jurídica. 
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Quanto a esse tema, é importante colacionarmos o conteúdo da Súmula 435 do Superior Tribunal 
de Justiça: 
Súmula 435 - Presume-se dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar 
no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o 
redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente. 
Como se pode observar do enunciado, se a pessoa jurídica não for encontrada no endereço que 
informou ao fisco como sendo o do local em que exerce suas atividades, há uma presunção de 
que ocorreu a sua dissolução irregular. Isso ocorre com frequência em execuções fiscais movidas 
pelas fazendas públicas. O Oficial de Justiça dirige-se até a sede do estabelecimento e não 
encontra a pessoa jurídica. Nesse caso, o fisco pode pedir o redirecionamento da execução fiscal 
contra os sócios-gerentes ou administradores, utilizando-se como fundamento o artigo 135, inciso 
III, do CTN, e a Súmula 435 do STJ. 
Portanto, a alternativa correta é a letra C. 
34. (CESPE/Juiz Substituto/2017) A empresa ABC declarou regularmente débito de ICMS no 
valor de R$ 6.000, referente ao mês de junho de 2012, e não o pagou. Posteriormente, a 
empresa ABC recebeu notícia de que haveria fiscalização em seu setor e, por isso, realizou 
denúncia espontânea de seu débito ao fisco para eximir-se do pagamento da multa 
moratória. Acerca dessa situação hipotética e de aspectos legais a ela pertinentes, assinale 
a opção correta. 
a) O contribuinte pode, por declaração, constituir o crédito tributário, confessando-o, mas isso 
não o impede de realizar denúncia espontânea. 
b) No caso de tributo por homologação e com declaração regular, não cabe a denúncia 
espontânea, não sendo, portanto, válido o ato praticado pelo contribuinte. 
c) Apenas o lançamento constitui o crédito tributário, podendo sempre o contribuinte, antes do 
início de ação de cobrança, realizar a denúncia espontânea, o que, no caso, leva à exclusão da 
multa de mora. 
d) Na hipótese considerada, a mera notícia de fiscalização não é início de ação fiscal, de modo 
que a empresa ABC poderia proceder à denúncia espontânea, que, no entanto, não excluiria a 
multa moratória. 
Comentários: 
a) Afirmativa incorreta. Nesses casos, não cabe a denúncia espontânea, conforme 
jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça, materializada pela Súmula 360: 
“O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento 
por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”. O fundamento é 
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o de que a declaração do contribuinte constitui o crédito tributário, o que dispensa a 
autoridade administrativa de realizar qualquer outra providência para sua apuração. 
b) Alternativa correta. É o que dispõe a Súmula 360 do STJ, segundo a qual “ o benefício da 
denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação 
regularmente declarados, mas pagos a destempo”. 
c) Alternativa incorreta. Nos termos do parágrafo único do artigo 138 do CTN, “Não se considera 
espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou 
medida de fiscalização, relacionados com a infração”. 
d) Alternativa incorreta. A denúncia espontânea exclui a multa moratória e a multapunitiva. 
 
LISTA DE QUESTÕES 
1. (NUCEPE/Delegado de Polícia Civil/2018) Assinale a alternativa correta: 
a) A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas 
ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Ademais, 
pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à 
penalidade pecuniária. 
 b) O sujeito passivo da obrigação tributária principal é denominado responsável, quando tenha 
relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. 
 c) A capacidade tributária passiva coincide com a capacidade civil. Assim, os considerados 
civilmente incapazes são desprovidos de capacidade tributária passiva. 
 d) Em regra, a responsabilidade por infrações da legislação tributária depende da intenção do 
agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. 
 e) Considerando que a escolha do domicílio tributário é ato de natureza personalíssima, é vedado 
à autoridade administrativa recusar o domicílio eleito. 
 
2. (INAZ do Pará/Advogado CRF-PE/2018) O Município de Recife criou lei ordinária para 
instituir o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) e, na mesma lei ordinária, 
criou outras várias obrigações acessórias no interesse de promover a melhor arrecadação, 
bem como adequada fiscalização desse imposto. É possível afirmar, com relação à referida 
lei ordinária, que: 
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a) Usurpou a atribuição de lei complementar, pois cabe a esta a edição tanto das obrigações 
principais, como das acessórias. 
b) Usurpou atribuição de decreto ao criar obrigações acessórias. 
c) Não houve qualquer tipo de irregularidade na criação de obrigações acessórias. 
d) Não poderia ter estabelecido obrigações acessórias, pois trata-se de atribuição de normas 
regulamentares. 
e) Não poderia ter estabelecido obrigação principal. 
 
3. (VUNESP/TJ-RS/Juiz de Direito Substituto/ 2018) Sobre a disciplina do fato gerador trazida 
pelo Código Tributário Nacional, é correto afirmar que 
a) a autoridade administrativa não poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados 
com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos 
elementos constitutivos da obrigação tributária, salvo nos casos expressos em lei. 
b) se tratando de situação de fato, salvo disposição de lei em contrário, considera-se ocorrido o 
fato gerador e existentes os seus efeitos desde o momento em que se verifiquem as circunstâncias 
materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios. 
c) fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação definida em lei como necessária e 
suficiente à sua ocorrência. 
d) a definição legal do fato gerador é interpretada considerando-se a validade jurídica dos atos 
efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis ou terceiros, bem como da natureza do 
seu objeto ou dos seus efeitos. 
e) se tratando de atos ou negócios jurídicos sujeitos a condição suspensiva, considera-se ocorrido 
o fato gerador e existentes os seus efeitos desde o momento da prática do ato ou da celebração 
do negócio. 
4. (VUNESP/PC-BA/ Delegado de Polícia Civil/ /2018) Havendo a incorporação de uma 
pessoa jurídica de direito privado por outra, os tributos e as multas devidos pela pessoa 
jurídica incorporada até o ato de incorporação são de responsabilidade 
a) da pessoa jurídica que resultar da incorporação, por sucessão. 
b) do alienante, por direito próprio. 
c) dos sócios da sociedade incorporada, por transferência. 
d) da pessoa jurídica incorporada, por direito próprio. 
e) dos sócios da pessoa jurídica que resultar da incorporação, por transferência. 
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5. (CESPE/STJ/ Analista Judiciário/2018) À luz da jurisprudência majoritária e atual dos 
tribunais superiores e da doutrina acerca dos princípios constitucionais tributários, do 
indébito tributário, do crédito tributário e do poder de tributar, julgue o item seguinte. 
O instituto denominado substituição para frente se refere à antecipação do pagamento de uma 
obrigação tributária por um substituto localizado na cadeia econômica em posição anterior à do 
contribuinte. 
a) Certo 
b) Errado 
 
6. (CESPE/PGE-PE/ Procurador do Estado/2018) Considerando o que dispõe o CTN, assinale 
a opção correta a respeito das obrigações tributárias. 
a) Parte superior do formulário 
A obrigação tributária surge apenas com a ocorrência da hipótese de incidência do tributo. 
b) A obrigação acessória é convertida em obrigação principal na hipótese de sua inobservância. 
c) O fato gerador deve ser o mesmo tanto para a obrigação principal quanto para a obrigação 
acessória. 
d) O sujeito ativo da obrigação acessória é denominado responsável tributário. 
e) Uma vez modificado o crédito tributário, deve ser igualmente alterada a obrigação tributária 
dele originada. 
7. (VUNESP/TJ-SP/ Titular de Registros de Notas e de Registros/2018/Adaptado) De acordo 
com o Código Tributário Nacional, julgue o item a seguir: 
a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, converte-se em obrigação principal 
relativamente à penalidade pecuniária. 
( ) Certo ( ) Errado 
 
8. (FCC/TRF – 5 Região/ Analista Judiciário/2017) Mário e Maria decidiram abrir um bazar em 
sociedade. Embora a legislação do ICMS de seu Estado determinasse que, antes de dar 
início a suas operações de circulação de mercadorias, a empresa devesse estar inscrita, 
como contribuinte, na repartição fiscal competente, Mário e Maria não atenderam a essa 
exigência legal. Simplesmente abriram a empresa e começaram a funcionar, sem cumprir 
as exigências da legislação tributária pertinente. Nem mesmo contrato social escrito a 
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empresa tinha.Compravam de seus fornecedores e vendiam a seus clientes, como o fazem 
todas as empresas regulares, e atuavam, perante seus fornecedores e clientes, tal como 
atuam as empresas em situação regular perante o fisco. Ninguém tinha dúvida de que a 
empresa de Mário e Maria configurava efetivamente uma unidade econômica. Até nome 
fantasia a sociedade tinha: "Bazar MM”. 
Considerando os dados acima e a normas do Código Tributário Nacional, 
a) a empresa em questão, desde que comprove, efetivamente, sua capacidade econômico-
financeira, possuirá, automática e necessariamente, capacidade ativa. 
b) o fato de essa empresa configurar uma unidade econômica, mesmo sem estar regularmente 
constituída, é o bastante para nela se identificar capacidade tributária passiva. 
c) a empresa em questão, em razão de sua constituição irregular e da falta de comprovação da 
capacidade civil de seus dois sócios, não possui capacidade tributária passiva, nem ativa. 
d) a falta capacidade tributária ativa da pessoa jurídica irregularmente constituída pode ser suprida 
com a comprovação de que todos os seus sócios são, de fato, pessoas civilmente capazes. 
e) a capacidade passiva da pessoa jurídica depende, necessária e diretamente, da comprovação 
da capacidade tributária ativa de cada um de seus sócios, tratando-se de pessoa jurídica 
constituída sob responsabilidade limitada. 
 
9. (VUNESP/Prefeitura de São José dos Campos/Procurador/ 2017) Nos casos de 
impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, 
respondem solidariamente com este nos atosque intervierem ou pelas omissões de que 
forem responsáveis, determinadas pessoas que a lei especifica, dentre as quais 
a) o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio. 
b) o adquirente, pelos tributos relativos aos bens adquiridos. 
c) o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. 
d) o sucessor a qualquer título, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da 
sucessão. 
e) a pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, incorporação ou transformação de 
outra ou em outra. 
 
10. (FMP Concursos/PGE-AC/ Procurador do Estado /2017) O art. 134, VII, do CTN menciona 
que são solidariamente responsáveis com o contribuinte em caso de impossibilidade de 
exigência os sócios, no caso de liquidação de sociedades de pessoas. Sobre isso, assinale 
a alternativa CORRETA. 
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a) As sociedades limitadas são sociedades de pessoas e, portanto, os sócios deste tipo societário 
são solidariamente responsáveis em caso de liquidação. 
b) Os sócios serão responsáveis apenas em caso de falência e, mesmo assim, apenas os sócios-
gerentes. 
c) Esta responsabilidade de todos os sócios somente ocorre em caso de falência fraudulenta e de 
forma automática. 
d) O CTN está a referir apenas os sócios de sociedades de pessoas cujo tipo societário não seja o 
de responsabilidade limitada. 
e) A responsabilidade limitada é instituto de direito comercial que não se aplica ao Fisco. 
 
11. (CESPE/Prefeitura de Fortaleza/ Procurador do Município/2017) Considerando os 
dispositivos do CTN e a jurisprudência do STJ em relação ao ato administrativo do 
lançamento e à atividade desenvolvida para a constituição do crédito tributário, julgue o 
próximo item. 
Admite-se a concessão do benefício da denúncia espontânea na hipótese de o contribuinte, 
depois de apresentar declaração parcial do crédito tributário e realizar o respectivo pagamento, 
retificar a própria declaração e efetuar o pagamento complementar, antes de qualquer iniciativa 
da administração tributária. 
c) Certo 
d) Errado 
 
12. (TRF 2 Região/Juiz Federal Substituto/2017) Em 2014, empresa do setor de alimentos 
adquire estabelecimento comercial de outra e passa, ali, a exercer a mesma atividade da 
alienante. A pessoa jurídica alienante deixa de existir e seus antigos sócios passam a atuar 
em outros ramos. Dois anos depois, é lavrado auto de infração em razão do não 
recolhimento de Imposto de Renda (IRPJ), acrescido de penalidade, tudo relativo ao ano 
base 2012. Assinale a opção correta: 
a) Apenas a alienante, cuja operação concretizou o fato gerador do tributo devido, responde 
diretamente pelo tributo e pela penalidade. Seus sócios gerentes podem responder, comprovado 
o encerramento irregular da pessoa jurídica. 
b) A adquirente do estabelecimento responde diretamente pelo tributo e pela penalidade. 
c) Alienante e adquirente respondem, na proporção de suas culpas, pelos tributos e penalidades 
devidos. 
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d) O tributo pode ser exigido diretamente da adquirente, e a penalidade é integralmente devida 
apenas pela alienante e seus antigos sócios, estes independentemente da dissolução irregular. 
e) apenas a alienante é devedora do tributo e da penalidade. A adquirente é responsável 
subsidiária, e bem assim os sócios da alienante, independentemente da dissolução irregular. 
 
13. (TRF 2 Região/Juiz Federal Substituto/2017) Entidade autárquica federal adquire imóvel. 
Mais tarde, não se comprovando o recolhimento da taxa de coleta de lixo, de período 
anterior à alienação, surge dúvida sobre a eventual responsabilidade da autarquia em 
honrar tal débito. Sobre essa eventual responsabilidade, pode-se afirmar que: 
Ela não existe, tendo em conta se tratar de autarquia. 
a) A responsabilidade é subsidiária. 
b) A responsabilidade é solidária. 
c) A responsabilidade é regressiva. 
d) A responsabilidade é autônoma, e apenas existe se o lixo foi recolhido. 
 
14. (MPE-RS/Promotor de Justiça/2017) Em relação ao fato gerador da obrigação tributária, 
assinale a alternativa correta. 
a) A definição legal do fato gerador é interpretada levando-se em consideração a validade dos 
atos jurídicos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis ou terceiros. 
b) Os atos e negócios jurídicos praticados sob condição suspensiva ou resolutória não configurarão 
fato gerador. 
c) Somente autoridade judicial poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a 
finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo. 
d) A obrigação acessória jamais se converterá em obrigação principal no âmbito tributário. 
e) Salvo disposição de lei em contrário, considera-se ocorrido o fato gerador, em se tratando de 
situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de 
direito aplicável. 
 
15. (CESPE/PC-GO/ Delegado de Polícia Substituto/2017) Ricardo, com quinze anos de idade, 
traficou entorpecentes por três meses, obtendo uma renda de R$ 20.000. Informado pela 
autoridade competente, um auditor da Receita Federal do Brasil efetuou lançamento 
contra o menor. 
Tendo como referência essa situação hipotética, assinale a opção correta. 
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a) O tráfico de entorpecente é ato ilícito, sendo responsáveis pelos prejuízos dele decorrentes, 
nos termos da lei civil, os pais de Ricardo, que deverão recolher o tributo a título de sanção cível. 
b) A capacidade tributária independe da capacidade civil, de modo que é correto o lançamento 
contra o menor que, no caso, percebeu remuneração que pode ser considerada renda. 
c) O tráfico de entorpecente é atividade que gera proveito econômico, o que justifica torná-lo fato 
gerador de tributo, não podendo, no entanto, Ricardo, por ser incapaz, sofrer lançamento, 
devendo a renda percebida ser imputada aos seus pais. 
d) O tráfico de entorpecente, por ser crime, não pode ser objeto de tributação, pois o pagamento 
de imposto em tal hipótese significaria que o Estado estaria chancelando uma atividade ilícita, 
sendo, portanto, insubsistente o lançamento. 
e) Ricardo, por ser incapaz, não pode sofrer lançamento, não constituindo renda eventuais ganhos 
econômicos que ele venha a ter. 
 
16. (CESPE/PC-GO/ Delegado de Polícia Substituto/2017) São responsáveis pelos créditos 
tributários relativos a obrigação de terceiros, quando não for possível exigir-lhes o 
cumprimento da obrigação principal, independentemente de terem agido com excesso de 
poderes ou em desacordo com a lei, estatuto ou contrato social, 
a) os empregados. 
b) os diretores de pessoa jurídica. 
c) os representantes legais de pessoas jurídicas de direito privado. 
d) os administradores de bens de terceiros. 
e) os mandatários. 
 
17. (CESPE/PGE-AM/ Procurador do Estado/ 2016) Considerando os limites ao exercício do 
poder de tributar, julgue o item seguinte. 
A capacidade tributária ativa difere da competência tributária, podendo ser delegada a outras 
pessoas jurídicas de direito público. Nesse caso, a delegação envolverá a transferência legal dos 
poderes de cobrança, arrecadação e fiscalização. 
a) Certo 
b) Errado 
 
18. (CESPE/PGE-AM/ Procurador do Estado/ 2016)Considerando os limites ao exercício do 
poder de tributar, julgue o item seguinte. 
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Para fins de cobrança, as penalidades pecuniárias impostas ao contribuinte em virtude do 
descumprimento de obrigações acessórias são equiparadas à obrigação tributária principal, visto 
que ambas constituem obrigação de dar. 
c) Certo 
d) Errado 
 
19. (FCC/SEGEP-MA/2016) Sobre obrigação tributária, é correto afirmar que 
a) a obrigação tributária principal sempre pressupõe o prévio ou posterior cumprimento de 
obrigação tributária acessória. 
b) todo sujeito passivo de obrigação tributária principal sempre também será de obrigação 
tributária acessória. 
c) a obrigação tributária acessória independe da obrigação tributária principal e existe no interesse 
da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. 
d) somente pode ser objeto de obrigação tributária acessória aquele previsto em lei ou ato 
normativo para ser sujeito passivo de obrigação tributária principal. 
e) a obrigação tributária principal se converte em obrigação tributária acessória quando se trata 
de pagamento de multa por infração à legislação tributária. 
 
20. (FCC/SEGEP-MA/2016) Quando a lei atribui a qualidade de responsável tributário sobre 
fato gerador que ainda não ocorreu, mas que deva ocorrer posteriormente, estar-se-á 
diante de 
a) retroatividade da lei tributária, permitida expressamente por lei. 
b) sucessão tributária, vedada expressamente pela CF/88. 
c) ultratividade da lei tributária, permitida expressamente por lei. 
d) substituição tributária para frente, permitida expressamente pela CF/88. 
e) substituição tributária para trás, vedada expressamente pela CF/88. 
 
21. (CESPE/Analista Judiciário/2018) Julgue o item que se segue, a respeito das disposições 
do Código Tributário Nacional (CTN). 
O contribuinte é o sujeito passivo da obrigação principal, enquanto o responsável é o sujeito 
passivo da obrigação acessória. 
( ) Certo ( ) Errado 
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22. (IESES/Titular de Serviços e Notas/2017) Sobre o sujeito passivo da obrigação tributária, 
assinale a alternativa INCORRETA: 
a) A capacidade tributária passiva possui como condição a existência de capacidade civil do 
sujeito, nos termos da legislação civil. 
b) A capacidade tributária passiva independe de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, 
bastando que configure uma unidade econômica ou profissional. 
c) Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou 
penalidade pecuniária. 
d) Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu 
objeto. 
 
23. (IESES/Titular de Serviços e Notas/2017)No que tange a obrigação tributária é correto 
afirmar: 
I. A obrigação tributária é principal ou acessória. 
II. A obrigação principal decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas 
ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. 
III. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação 
principal relativamente à penalidade pecuniária. 
IV. A obrigação acessória surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento 
de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. 
A sequência correta é: 
a) As assertivas I, II, III e IV estão corretas. 
b) Apenas a assertiva IV está correta. 
c) Apenas as assertivas I, III, IV estão corretas. 
d) Apenas as assertivas I e III estão corretas. 
 
24. (IESES/Titular de Serviços e Notas/2016)Nos casos de impossibilidade de exigência do 
cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com 
este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: 
I. Os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos 
praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício. 
II. Os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; os tutores e curadores, pelos tributos 
devidos por seus tutelados ou curatelados. 
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III. O inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; o síndico e o comissário, pelos tributos 
devidos pela massa falida ou pelo concordatário. 
IV. Os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; os sócios, no caso 
de liquidação de sociedade de pessoas. 
A sequência correta é: 
a) Apenas a assertiva II está correta. 
b) Apenas as assertivas I e IV estão corretas. 
c) Apenas as assertivas I, III e IV estão corretas. 
d) As assertivas I, II, III e IV estão corretas. 
 
25. (CESPE/Procurador do Município/2017) Julgue o seguinte item, a respeito de obrigação 
tributária e crédito tributário. 
O sujeito passivo da obrigação principal denomina-se contribuinte quando, dada sua vinculação 
ao fato gerador, sua sujeição decorre expressamente de determinação legal, ainda que não tenha 
relação pessoal e direta com a ocorrência de tal fato. 
( ) Certo ( ) Errado 
26. (CESPE/Promotor de Justiça/2017) A respeito da obrigação tributária, assinale a opção 
correta conforme o que dispõe o CTN. 
 a) A obrigação principal e sua obrigação acessória devem decorrer de um mesmo fato gerador. 
 b) Obrigação principal pode ter por objeto o pagamento de penalidade tributária. 
 c)A obrigação principal é considerada obrigação tributária, ao passo que as obrigações acessórias 
são consideradas obrigações de natureza não tributária. 
 d) Obrigação acessória não se converte em obrigação principal. 
 
27. (CESPE/Procurador do Município/2017) Julgue o seguinte item, a respeito de obrigação 
tributária e crédito tributário. 
O CTN qualifica como obrigação tributária principal aquela que tem por objeto uma prestação 
pecuniária, distinguindo-a da obrigação tributária acessória, cujo objeto abrange as condutas 
positivas e negativas exigidas do sujeito passivo em prol dos interesses da administração tributária 
e as penalidades decorrentes do descumprimento desses deveres instrumentais. 
( ) Certo ( ) Errado 
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28. (CONSULPLAN/Titular de Serviços e Notas/2017) À luz das previsões do Código Tributário 
Nacional, assinale a alternativa correta: 
 a) A capacidade tributária passiva independe de achar-se a pessoa natural sujeita a medidas que 
importem privação ou limitação do exercício de atividades civis, comerciais ou profissionais, ou da 
administração direta de seus bens ou negócios. 
 b) A solidariedade comporta o benefício de ordem. 
 c) A interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, não favorece ou prejudica 
aos demais. 
 d) A autoridade administrativa não pode recusar o domicílio tributário eleito pelo contribuinte. 
 
29. (CESPE/Procurador do Município/2017) Julgue o seguinte item, a respeito de obrigação 
tributária e crédito tributário. 
A substituição tributária progressiva, modalidade de responsabilidade tributária por transferência, 
ocorre quando a obrigação de pagar é adiada para momento posterior ao fato jurídico tributário. 
 
( ) Certo ( ) Errado 
 
30. (CESPE/Juiz Substituto/2017) Uma sociedade limitada, tendo declarado regularmente 
seus tributos, deixou de pagá-los, sem que houvesse qualquer fraude ou comportamento 
análogo. No momento da inscrição em dívida ativa, apenas com base no inadimplemento, 
o sócio-gerente foi incluído como responsável pelo crédito tributário.A respeito dessa situação hipotética e de aspectos diversos a ela pertinentes, assinale a opção 
correta. 
a)O sócio-gerente não responde por simples inadimplemento, devendo-lhe ser imputado, para 
que haja a sua responsabilização, excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou 
estatutos, sendo incabível a sua responsabilização no caso em questão. 
b)Os sócios, administradores ou não, só respondem solidariamente no caso de liquidação irregular 
de pessoa jurídica, sendo incabível a sua responsabilização na situação em apreço. 
c)O sócio-gerente será responsável pelo crédito tributário apenas nos casos em que praticar ilícitos 
penais ou agir com dolo específico. 
d)No caso de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo 
contribuinte, os sócios, apenas com base nessa condição, respondem solidariamente pelo crédito 
tributário da pessoa jurídica, estando correta a responsabilização do sócio-gerente no caso em 
questão. 
 
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31. (CESPE/Procurador do Estado/2017) Segundo o CTN, no que tange à responsabilidade 
tributária, é CORRETO afirmar que 
a)o adquirente, em leilão judicial, de estabelecimento comercial ou fundo de comércio em 
processo de falência, é pessoalmente responsável por tributos devidos até a data da aquisição. 
b)o cônjuge e o sucessor a qualquer título ficam responsáveis pelos tributos devidos pelo de 
cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada a responsabilidade ao montante da herança. 
c)o alienante de bem imóvel é responsável pelo IPTU, no caso de ter assumido em escritura pública 
a obrigação por tributo relativo a fato gerador acontecido antes da transmissão, quando não 
houver prova de quitação de tributos. 
d)o arrematante de bem imóvel, no caso de arrematação em hasta pública, é responsável pelos 
tributos devidos por fatos geradores anteriores à arrematação. 
e)Nenhuma das alternativas acima está correta. 
 
32. (CESPE/Juiz Federal Substituto/2017) A respeito de responsabilidade tributária, assinale 
a opção correta. 
a) A responsabilidade tributária derivada é aquela que é transferida a terceiro que tenha ligação 
direta e pessoal com o fato gerador da obrigação, sem que decorra de expressa previsão legal. 
b) A responsabilidade tributária originária é aquela que ocorre com o inadimplemento da 
obrigação tributária por parte do contribuinte. 
c) A responsabilidade tributária por infração a lei tributária praticada por pessoa na gestão de 
sociedade limitada ficará adstrita ao capital social. devidamente integralizado. 
d) A responsabilidade tributária por infração implica solidariedade da sociedade com o gestor que 
cometer infração no pagamento dos tributos. 
e) A sujeição passiva indireta pode ser fruto de uma responsabilidade por sucessão, o que 
caracteriza uma das modalidades de responsabilidade por transferência 
 
33. (CESPE/Procurador do Estado/2017) Se uma determinada Sociedade Limitada retira-se de 
seu domicílio fiscal sem comunicar ao Fisco, e sendo caso de cobrança de débitos fiscais, é 
correto afirmar: 
a)O fato é considerado dissolução irregular da empresa, expondo todos os bens de todos os sócios 
à eventual execução fiscal. 
b)Como entende o STJ, o mero fato de se ausentar do domicílio fiscal não é suficiente para 
caracterizar dissolução irregular e a execução fiscal fica restrita à pessoa jurídica. 
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c)Considera-se dissolução irregular, mas somente os bens dos sócios-gerentes estarão expostos a 
eventual execução fiscal. 
d)Se o não pagamento se deu por interpretação da lei tributária, considera-se sonegação e todos 
os sócios responderão. 
e)Só o fato do não pagamento, aliado à retirada da empresa de seu domicílio fiscal implica 
 
34. (CESPE/Juiz Substituto/2017) A empresa ABC declarou regularmente débito de ICMS no 
valor de R$ 6.000, referente ao mês de junho de 2012, e não o pagou. Posteriormente, a 
empresa ABC recebeu notícia de que haveria fiscalização em seu setor e, por isso, realizou 
denúncia espontânea de seu débito ao fisco para eximir-se do pagamento da multa 
moratória. Acerca dessa situação hipotética e de aspectos legais a ela pertinentes, assinale 
a opção correta. 
a) O contribuinte pode, por declaração, constituir o crédito tributário, confessando-o, mas isso 
não o impede de realizar denúncia espontânea. 
b) No caso de tributo por homologação e com declaração regular, não cabe a denúncia 
espontânea, não sendo, portanto, válido o ato praticado pelo contribuinte. 
c) Apenas o lançamento constitui o crédito tributário, podendo sempre o contribuinte, antes do 
início de ação de cobrança, realizar a denúncia espontânea, o que, no caso, leva à exclusão da 
multa de mora. 
d) Na hipótese considerada, a mera notícia de fiscalização não é início de ação fiscal, de modo 
que a empresa ABC poderia proceder à denúncia espontânea, que, no entanto, não excluiria a 
multa moratória. 
GABARITO
1. A 
2. C 
3. B 
4. A 
5. A 
6. B 
7. Certo 
8. B 
9. A 
10. D 
11. A 
12. B 
13. B 
14. E 
15. B 
16. D 
17. A 
18. A 
19. C 
20. D 
21. Errado 
22. A 
23. D 
24. D 
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25. Errado 
26. B 
27. Errado 
28. A 
29. Errado 
30. A 
31. B 
32. E 
33. C 
34. B 
 
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