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Ana Carolina Santana – Função e disfunção I ALTERAÇÕES CADAVÉRICAS Alterações físico-químicas que ocorrem no corpo do cadáver imediatamente após a morte; São inevitáveis, irreversíveis e progressivas; Algumas ocorrem rapidamente e outras lentamente com o passar das horas; Após a morte, as células começam a entrar em autólise, que é a autodigestão de um tecido por enzimas proteolíticas produzidas pelo próprio tecido; As enzimas proteolíticas iniciam o processo de putrefação, junto de microrganismos saprófitos, geralmente oriundos do próprio trato intestinal do animal; As alterações pós-morte podem ser influenciadas pelo tamanho do animal, a causa da morte, o estado de nutrição, a cobertura corporal (lã ou penas) e a temperatura ambiente. ALTERAÇÕES ABIÓTICAS Não modificam o estado geral do cadáver; Alterações abióticas imediatas: perda da consciência, insensibilidade, ausência de reflexos e parada das funções cardiorrespiratórias; LIVOR MORTIS: também chamada de hipóstase cadavérica, é caracterizada pela acomodação gradativa do sangue dentro dos vasos para os lados de decúbito do animal; ALGOR MORTIS: também chamada de frialdade cadavérica, é caracterizada pelo resfriamento gradual do cadáver; a morte cessa a função termorreguladora e a temperatura corporal tende ao equilíbrio com a do ambiente (+- queda de 1°C por hora); RIGOR MORTIS: também chamada de rigidez cadavérica, o enrijecimento da musculatura do cadáver acontece devido ao consumo gradativo de ATP pela fibra muscular. Tem início em 2 a 6h após a morte e se desfaz em até 36h após seu início; Fase de pré-rigor: período após a morte clínica em que o tecido muscular ainda está vivo. A reserva de glicogênio muscular mantém o músculo relaxado; Fase de rigor: caracterizado por período de contração muscular intensa, no qual esgotam-se as reservas de glicogênio. A ausência de ATP leva a uma forte união entre actina e miosina; Fase pós-rigor: período onde predominam os fenômenos líticos, promovendo a destruição do complexo actina/miosina e assim promovendo o relaxamento muscular. COAGULAÇÃO SANGUÍNEA PÓS-MORTE: acontece devido a parada da circulação, o que faz com que células endoteliais e plaquetas liberem tromboquinase que promove a formação dos coágulos no interior dos vasos; Coágulos são diferentes de trombos que foram formados em vida, que podem ter provocado a morte do animal! Coágulos têm aspecto gelatinoso, brilhante e não são aderidos, enquanto trombos têm aspecto seco, opaco e com aderidos; Coágulos cruóricos (vermelhos): mais hemácias e menos plaquetas; Coágulos lardáceos (amarelos): mais plaquetas e menos hemácias, frequente em animais anêmicos; Coágulos mistos: comum em equinos, empilhamento de hemácias (rouleaux). EMBEBIÇÃO POR HEMOGLOBINA: ocorre a hemólise dos coágulos e autólise da parede dos vasos; manifesta-se por manchas avermelhadas em superfícies serosas (omento, mesentério, endocárdio, vasos). Acontece após 8 horas; Ana Carolina Santana – Função e disfunção I EMBEBIÇÃO BILIAR : difusão dos pigmentos biliares através da parede da vesícula biliar em autólise; caracterizada por manchas amarelo- esverdeadas em órgãos adjacentes a vesícula biliar, como fígado e estômago. Acontece após 8 horas; TIMPANISMO PÓS-MORTE: produção de gás no rúmen ou intestino com distensão abdominal. Ocorre em 24 horas; Timpanismo pós-morte: ausência de alterações circulatórias nas paredes do esôfago; Timpanismo ante-morte: hiperemia e hemorragia na parede do esôfago; TORÇÃO DE VÍSCERAS : modificação na posição das vísceras, resultando em torção ou ruptura das mesmas; ocorre por conta da fermentação e putrefação do conteúdo do TGI, resultando em um aumento da produção de gás e subsequente distensão, torção ou ruptura; ALTERAÇÕES BIÓTICAS Modificam significativamente o cadáver e seu estado geral, o que dificulta a análise e interpretação da necrópsia; PSEUDO-MELANOSE: manchas amarronzadas ou negras em superfícies serosas e cápsulas dos órgãos; são resultado da reação química entre os produtos da putrefação (sulfeto de hidrogênio) e catabolização da hemoglobina (ferro), que resulta no sulfeto de ferro; Ana Carolina Santana – Função e disfunção I ENFISEMA TECIDUAL : bolhas de gás em órgãos e tecidos, resultantes da proliferação de bactérias putrefativas decompondo os tecidos; MACERAÇÃO: fragmentação tecidual e desprendimento das mucosas. Acontece pela ação das enzimas proteolíticas geradas pela proliferação bacteriana; LIQUEFAÇÃO: caracterizada pela perda progressiva do aspecto estrutural dos órgãos. Acontece pela ação de enzimas proteolíticas geradas pela proliferação bacteriana, que decompõem e liquefazem o parênquima das vísceras; ESQUELETIZAÇÃO: caracterizada pela desintegração e desaparecimento dos tecidos moles; alterações cadavéricas alterações abióticas alterações bióticas