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DOCÊNCIA EM SAÚDE INTRODUÇÃO AO SERVIÇO SOCIAL 1 Copyright © Portal Educação 2013 – Portal Educação Todos os direitos reservados R: Sete de setembro, 1686 – Centro – CEP: 79002-130 Telematrículas e Teleatendimento: 0800 707 4520 Internacional: +55 (67) 3303-4520 atendimento@portaleducacao.com.br – Campo Grande-MS Endereço Internet: http://www.portaleducacao.com.br Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - Brasil Triagem Organização LTDA ME Bibliotecário responsável: Rodrigo Pereira CRB 1/2167 Portal Educação P842i Introdução ao serviço social / Portal Educação. - Campo Grande: Portal Educação, 2013. 82p. : il. Inclui bibliografia ISBN 978-85-8241-399-9 1. Serviço social – Profissão. I. Portal Educação. II. Título. CDD 361.3 2 SUMÁRIO 1 ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO SERVIÇO SOCIAL.......................................................... 3 1.1 BREVE HISTÓRICO DO SERVIÇO SOCIAL ............................................................................. 3 1.2 CONSTRUINDO UM NOVO CAMINHO ..................................................................................... 6 1.3 PESQUISA COMO MEIO DE CONSTRUIR O SIGNIFICADO DO SERVIÇO SOCIAL............. 11 2 PRÁTICA DO SERVIÇO SOCIAL ............................................................................................. 16 2.1 PRÁTICA: PROCESSO DE TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL ....................................... 16 2.2 DEMANDAS PARA O ASSISTENTE SOCIAL........................................................................... 21 2.3 CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DA PROFISSÃO DO SERVIÇO SOCIAL ........................... 22 3 SERVIÇO SOCIAL NA ATUALIDADE ...................................................................................... 30 3.1 MUDANÇAS NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA ................................................................ 30 3.2 IMPACTO PROVOCADO PELAS MUDANÇAS NO TRABALHO .............................................. 34 3.3 PERFIL DO PROFISSIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL......... ............................................ 35 4 FORMAÇÃO PROFISSIONAL .................................................................................................. 41 4.1 O QUE É FORMAÇÃO PROFISSIONAL ................................................................................... 41 4.2 FORMAÇÃO EM SERVIÇO SOCIAL ........................................................................................ 44 4.3 DESAFIOS E POSSIBILIDADES............................................................................................... 53 5 PERSPECTIVAS E ESTRATÉGIAS ......................................................................................... 59 5.1 REDES COMO ESTRATÉGIA DE INTERVENÇÃO .................................................................. 59 5.2 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM SERVIÇO SOCIAL ........................................................ 77 REFERÊNCIAS .......... ....................................................................................................................... 80 3 1 ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO SERVIÇO SOCIAL 1.1 BREVE HISTÓRICO DO SERVIÇO SOCIAL Vamos começar nosso curso com um vídeo. Clique na imagem! FIGURA 1 – VÍDEO SOBRE SERVIÇO SOCIAL Esse vídeo mostra bem a realidade da sociedade em que vivemos e nos conscientiza sobre a importância do trabalho do Assistente Social e de outros profissionais engajados em causas sociais de apoio aos que estão em situação de vulnerabilidade social. Mas você conhece a origem do serviço social? FONTE: Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=DHbzGpJXPME>. Acesso em: 20.08.2012. 4 FIGURA 2 – ORIGEM SERVIÇO SOCIAL FONTE: Disponível em: <http://www.supertuga.com/sitebuilder/images/adai22-264x119.jpg>. Acesso em: 20.08.2012. O Serviço Social teve suas origens dentro da Igreja Católica e visava preparar a grande massa operária para a o capitalismo industrial, período este chamado de “conservador”. Dessa forma, o objetivo era preparar essa população para sistema socioeconômico e político da época. No Brasil, o Serviço Social nasceu por volta de 1930, como afirma Olema Pellizzer: O serviço social nasce no Brasil, na terceira década do século XX, em resposta à evolução do capitalismo, sob a influência europeia (em especial sob o influxo belga, francês e alemão), como fruto direto de vários setores particulares da burguesia fortemente respaldados pela Igreja Católica. Nessa década, o Brasil vivia um processo incipiente de industrialização de importações, num contexto de capitalismo dependente e agroexportador. No período de 1930 a 1935, o governo brasileiro sofre pressões da classe trabalhadora, que é então controlada através da criação de organismos normatizadores e disciplinares das relações de trabalho, em especial pelo Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. Em meio a pressões populares, reassume o governo Getúlio Vargas (1935), cuja opção pelo crescimento urbano – industrial fez emergir, na sua gênese capitalista, a Questão Social, que também decorre das pressões e dos questionamentos da sociedade da época, que passava por grandes transformações, no plano do conhecimento científico, sob a influência de Durkheim, Darwin, Marx, Freud e outros. (PELLIZZER, 2008, p. 15) 5 A primeira escola de Serviço Social no Brasil é datada de 1936 em São Paulo é foi coordenada por Albertina Ferreira Ramos e Maria Kiehl. Ambas eram sócias do Centro de Estudos de Ação Social vinculado a Igreja Católica. Neste centro eram organizados cursos de qualificação para organizações leigas no catolicismo, adequando política e ideologicamente a classe operária. Nessa perspectiva surge então o Serviço Social como um departamento da Ação Social. Resumindo, o Serviço Social, nascido por influência direta da Igreja Católica, em âmbito de formação, prática e discurso de seus agentes, tinha como suporte filosófico o neotomismo. Em sua primeira fase, intervém no aparecimento da Questão Social, produzida pela relação de trabalho em moldes capitalistas, com o surgimento do trabalho livre profundamente marcado pela escravidão, seu passado recente. Momento em que “a força do trabalho é tornada mercadoria”, e o proprietário do capital não mais é um senhor em particular, mas há uma “classe de capitalistas” que capitalizam em torno da mais valia do trabalho operário, que o troca pelo salário para sustento de si e de sua família. A exploração a que é submetido o operariado aparece para o restante da sociedade burguesa como uma ameaça a seus mais sagrados valores (...). Impõe a partir daí, a “necessidade de controle social” da exploração da força de trabalho e o surgimento de uma regulação jurídica do mercado de trabalho através do Estado. (PELLIZZER, 2008, p. 17) Dessa forma, as leis sociais marcam... (...) deslocamento da questão social de ser apenas a contradição entre abençoados e desabençoados pela fortuna, pobres e ricos, ou entre dominantes e dominados, para constituir-se, essencialmente, na contradição antagônica entre burguesia e proletariado,independentemente do pleno amadurecimento das condições necessárias à sua superação. (IAMAMOTO; CARVALHO, 1988, p. 129) Leia mais sobre a História do Serviço Social no Brasil no artigo http://www.adid.org.br/atua/social.pdf 6 Então, segundo Iamamoto e Carvalho (1988, p. 129), se “as Leis Sociais são, em última instância, resultantes da pressão do proletariado pelo reconhecimento de sua cidadania social, o Serviço Social origina-se em uma demanda diametralmente oposta.” No decorrer da história muitos fatos marcantes e significativos ocorreram e foram responsáveis por mudanças relevantes no Serviço Social. A partir dos anos 80 o Serviço Social continua enfrentando lutas para quebrar paradigmas de compreensão da sociedade, discutindo questões políticas – teóricas. Nos anos 90 essas questões perderam força com o fim da Guerra Fria (dissolução da bipolarização do mundo) e como o enfraquecimento das forças progressistas e as críticas ao modelo neoliberal. Entretanto, em contrapartida, aumenta a luta pela defesa dos direitos humanos. Começa a tomar dimensões gigantescas no mundo e no Brasil especialmente questões sociais e que ferem os direitos a cidadania, moral e ética. “O objeto do Serviço Social, de uma perspectiva histórica, passa para a discussão das relações de poder e saber, aprofundando o olhar crítico do contexto em mudança.” (PELLIZZER, 2008, p. 28) 1.2 CONSTRUINDO UM NOVO CAMINHO Você sabe o que é pesquisa? O que pesquisa tem a ver com Serviço Social? Leia mais sobre esse assunto nos links abaixo: http://repensandooservicosocial.blogspot.com.br/2009/05/trabalho-e-servico- social.html http://www.proceedings.scielo.br/scielo.php?pid=MSC0000000112010000100039&scri pt=sci_arttext http://www.ebah.com.br/content/ABAAABTOsAJ/movimento-reconceituacao Leia mais sobre o Serviço Social no Brasil nos links: http://www.fnepas.org.br/pdf/servico_social_saude/texto2-1.pdf http://www2.dbd.puc-rio.br/pergamum/tesesabertas/0510670_07_cap_03.pdf 7 Uma pesquisa é um processo de construção de um conhecimento ou de um saber com dois objetivos: - Gerar novos conhecimentos, e/ou - Confirmar ou desconstruir um conceito já existente. Como fator resultante de uma pesquisa, temos um rico processo de aprendizagem, que ocorre em uma via de mão dupla: traz benefícios tanto para quem desenvolve e aplica a pesquisa e para a sociedade/grupo/comunidade pesquisada. A pesquisa pode construir o conhecimento científico, isto porque ela favorece a ruptura do senso comum e gera um novo conhecimento com base em fundamentos teóricos relevantes construídos com base em uma metodologia adequada. Esse conhecimento científico é transmitido de forma lógica, racional, por processos formais de aprendizagem. Busca explicar o “por quê” e “como” os fenômenos ocorrem para evidenciar fatos correlacionados em uma visão mais globalizante do que a relacionada com um simples fato. Tal passagem do senso comum para o conhecimento científico caracteriza-se pela adoção de alguns elementos, tais como: definição de um referencial teórico que permita uma visão de conjunto, pois este dá sustentação ao profissional para desenvolver sua prática [...]. É necessária também, a definição de um caminho para chegar a um método e é maior que a metodologia. (LOPES, 2008, p. 16) Estamos falando em métodos e metodologia. Esses dois conceitos são iguais? Se não, qual a diferença? Vejamos! - O método é desenvolvido pela razão, pelo entendimento, pela problematização e exige de quem o desenvolve, conhecimentos relativamente profundos nas teorias correlacionadas. 8 - A metodologia está mais preocupada com o como fazer, como operacionalizar a pesquisa que será calcada na fundamentação teórica do método. Nessa etapa são definidos os instrumentos, técnicas e demais recursos que serão utilizados para que se alcance o objetivo final. Vejamos um vídeo sobre esse assunto. Clique na imagem! FIGURA 3 – VÍDEO PESQUISA SOCIAL Podemos ainda definir pesquisa como sendo o processo estruturado em função de um problema. Este, por sua vez, passa a ser o fator – chave da pesquisa e deve ser delimitado nos quesitos tempo e espaço. Em todas as profissões a pesquisa é um elemento fundamental e não é diferente no caso do assistente social. É por meio da pesquisa que novas decisões são tomadas em prol de FONTE: Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=IM2nWSdrQDk>. Acesso em: 20.08.2012. 9 uma comunidade, visando melhorias da condição de vida daquela população. Para tanto o espírito investigativo do pesquisador deve estar presente, ele deve ter – na sua essência – a curiosidade, a vontade de ir além, de saber mais. Mas no que consiste investigar alguma coisa, pesquisar algo? Você sabe? Investigar versa em um estudo sistemático que tem por objetivo construir conhecimentos e buscar soluções para uma dada problemática. Estuda a relação sujeito x meio x objeto. O conhecimento a ser construído pela investigação vislumbra não somente a compreensão e explicação do real, mas a instrumentalização das ações profissionais. O pesquisador, em uma mesma pesquisa, poderá ter diferentes motivos para investigar, mas sempre terá um motivo central que irá impulsioná-la. (LOPES, 2008. p. 17) No que se refere especificamente ao Serviço Social, a pesquisa deve proporcionar um aprofundamento do conhecimento na área, a fim de resultar em melhores decisões e intervenções positivas no contexto social que a pesquisa está inserida. Assim, segundo Lopes (2008), a construção de um novo saber baseado em uma pesquisa ou processo de investigação, realiza um movimento dialético que consiste em: 1) Análise e crítica do objeto base da pesquisa; 2) Construção de novos conhecimentos; 3) Síntese do plano de ação e do conhecimento. Leia mais sobre o Serviço Social no Brasil nos links: http://www.inicepg.univap.br/cd/INIC_2009/anais/arquivos/RE_0283_0108_01 .pdf 10 Dessa forma, o movimento dialético pressupõe as seguintes fases: 1) Teoria a ser defendida; 2) Crítica; 3) Síntese. É importante que o profissional de assistência social tenha claro que os conhecimentos que são utilizados para nortear o trabalho ou a pesquisa devem ser diretamente proporcionais a problemática social em questão. Portanto, diante dos problemas específicos, o profissional não tem apenas que analisar o que acontece, mas tem que formular uma crítica e tomar uma decisão por um determinado tipo de construção de alternativas como produto de investigação. O modo como o pesquisador faz isso, é o que irá determinar a relação que ele estabelece com a teoria. (LOPES, 2008. p. 18) O que irá determinar qual a linha de estudos que a pesquisa social irá seguir é a problemática principal, o objeto de estudo em si. Nesse processo é fundamental ter todas as informações necessárias de forma mais completa possível sobre o sujeito/objeto de estudos. O trabalho de pesquisa, dentro de um espaço Professional, indica expressar e trabalhar com singularidades, com experiências e histórias de vida. Para isso, é fundamental uma aproximação peculiar entre o pesquisador e o sujeito objeto da pesquisa. Nesse processo se trabalha fundamentalmente com formulação de hipóteses, instrumentos de pesquisas delimitados e dados estatísticos e matemáticos. Assim, ao se fazer uma pesquisa social deveestar ciente da necessidade de quebras de paradigmas, de romper com padrões tradicionais de pesquisas e estar apto a desenvolver novas metodologias adequadas à realidade social em questão. 11 1.3 PESQUISA COMO MEIO DE CONSTRUIR O SIGNIFICADO DO SERVIÇO SOCIAL Quando iniciamos uma carreira, independente da área de conhecimento a que se refere, temos uma série de preconceitos já concebidos e estruturados e que precisam ou ser confirmados e aprofundados ou ser desconstruídos para possibilitar uma nova construção. O trabalho do assistente social é diferente dos demais. Exige do profissional sensibilidade, dedicação, desprendimento. Aliás, é mais que um trabalho, é uma vocação, uma missão que precisa ser cumprida de forma especial e com uma entrega quase que total de quem o faz. Vamos assistir a dois vídeos. Clique na imagem para direcionar ao site: FIGURA 4 – VÍDEO PROFISSÃO ASSISTENTE SOCIAL FONTE: Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=1PavRNdlWSc>. Acesso em: 20.08.2012. 12 FIGURA 5 – VÍDEO SERVIÇO SOCIAL NO UNIVERSO DO TRABALHO A formação do assistente social, na atualidade, exige a apreensão de saberes que possibilitem a elaboração de instrumentos e técnicas que qualificam e implementam o exercício profissional. (LOPES, 2008. p. 20) Ainda, Nesse sentido, a pesquisa se apresenta como um importante instrumento para o processo metodológico de investigação, não só para o meio acadêmico quanto para a prática profissional. (LOPES, 2008. p. 20) Nós, enquanto seres humanos, estamos sempre prontos para buscar soluções, tanto para problemas simples quanto para problemáticas mais existenciais e complexas. Em função disso passamos boa parte da nossa vida tomando decisões, fazendo escolhas. FONTE: Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=Pnhaiy-7rUc&feature=related>. Acesso em: 20.08.2012. 13 Por exemplo, ao nos depararmos – cotidianamente – com um problema sobre como comprar um material se não temos dinheiro, acabamos usando uma metodologia de pesquisa: identificamos o problema, criamos hipóteses, buscamos soluções e confirmamos – ou não – as hipóteses previamente levantadas. FIGURA 6 – EXEMPLO DE CRIAÇÃO DE HIPÓTESE Após levantar essas hipóteses, deve-se verificar a viabilidade das mesmas. Esse é o processo metodológico no qual são identificadas as linhas teóricas e definidos os conceitos principais. Esses aspectos irão auxiliar na hora de compreender o problema de forma sistêmica e a refletir sobre o sujeito/objeto da pesquisa em si. Além disso, também se define nesse momento Como vou realizar a compra deste material se não tem dinheiro? Vou pedir emprestado ao meu amigo. Isso porque ele tem dinheiro sobrando. Vou efetuar a compra com cheque pré-datado. Isso porque, daqui a dois meses, já terei dinheiro para pagar. Vou comprar por meio do meu cartão de crédito. Isso porque, no final do mês recebo meu salário e posso pagar. Não vou comprar. Isso porque não terei como pagar. FONTE: LOPES, 2008. p. 22. 14 – fontes de pesquisa e procedimentos que nortearão a prática na realidade social a ser investigada. A autora Maria S. M. Lopes, nos traz um exemplo de como o processo de pesquisa pode ser operacionalizado no dia a dia do assistente social. Vejamos! FIGURA 7 – EXEMPLO DO PROCESSO DE INVESTIGAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL Entretanto, é importante ressaltar que um trabalho de pesquisa social deve ser um movimento contínuo, no qual o assistente social deve considerar as dimensões econômicas, Problema: como vem sendo construído a prática profissional do assistente social no Brasil, na atualidade? Supõe-se que: Hipóteses: - a prática profissional exige de o assistente social estar sempre se atualizando a fim de executar os seus projetos sociais, dentro de um espaço político e público, com o objetivo de ampliação do mercado de trabalho; - o assistente social deve agir como articulador, estabelecendo vínculo e um relacionamento de confiança entre os usuários, por ações que objetivam garantir direitos sociais e entender a necessidade da população; - o assistente social deve atuar em dimensões interdisciplinares, buscando a integração humanitária entre as diferentes profissões do mercado de trabalho. Categoria: competência profissional (esta categoria teórica foi identificada e evidenciada a partir da formulação das hipóteses anteriormente citadas). Conceito de categoria: capacidade de articular, de modo eficaz e criativo, diferentes saberes, novas habilidades, atitudes e comportamentos, superando o saber-fazer para a constituição do saber ser competente. Procedimentos: (para investigar a categoria teórica identificada): trabalho em grupo; leitura de textos; seminário etc... Fontes: (onde investigar a categoria indicada): livros, filmes, entrevistas, documentos, fotos, etc... FONTE: LOPES, 2008. p. 22. 15 políticas, sociais e culturais da sociedade objeto do estudo, tenho como fio norteador – e que deve estar sempre presente – a ética profissional. O projeto ético – político da profissão do Assistente Social está presente nos seguintes documentos: - Lei de Regulamentação da Profissão (Lei Nº 8662/93); - Código de Ética do Assistente Social; - Diretrizes Curriculares para o Ensino do Serviço Social. Legislação: http://www.cfess.org.br/arquivos/CEP_CFESS-SITE.pdf http://www.cfess.org.br/arquivos/L8662.pdf http://www.cfess.org.br/home.php 16 2 PRÁTICA DO SERVIÇO SOCIAL 2.1 PRÁTICA: PROCESSO DE TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL Pensar sobre a prática profissional é pensar em uma relação teoria – prática. Uma relação que ao mesmo tempo é e deve realmente ser muito próxima, entretanto, por vez torna-se equidistante e conflituosa. O trabalho do assistente social acontece em um contexto social que é caracterizado por questões sociais contraditórias e sua prática é definida a partir da questão da identificação do seu objeto que sofrerá a ação, ou seja, a questão social. A questão social é o cerne do Serviço Social. Isso porque a assistência social é o eixo gerador das desigualdades e da exclusão social, expressas nas situações sociais. Mas o que é a prática profissional? A reflexão sobre a prática profissional é o elemento central de uma formação profissional. É com a prática profissional que o assistente social exercita sua profissão e demonstra se construiu os conhecimentos necessários que farão dele um bom profissional. Assim, podemos entender como a relação teoria x prática acontece e como uma se alimenta da outra, possibilitando uma construção profissional coerente. Portanto, há, na verdade, uma relação íntima entre teoria e prática, pois na primeira define a intencionalidade da prática profissional, constituindo nisto uma unidade dialética, aberta e rica. (LOPES, 2008. p. 34) 17 Dessa forma, o espaço que o profissional irá conquistar é proporcional à qualidade de o seu fazer profissional. Assim, Guareschi (apud Faustini, 1995, p. 21) afirma que a “prática pode ser entendida como uma ação consciente e planejada, ou não consciente e intencional. Além disso, deve ser percebida como umaação que transforma que muda ou, simplesmente, reproduz a realidade”. As práticas profissionais podem ser de diferentes naturezas, a saber: Prática econômica; Prática científica; Prática ideológica; Prática política. Essas práticas se desenvolvem nas entrelinhas da sociedade, e perpassam um pelo outro sem que sejam percebidos ou possam ser identificados separadamente. São práticas sociais que identificam tempo e espaço em que acontecem, bem como as formas das relações objetivas e subjetivas entre os sujeitos, meios e objetos. Essas práticas, sejam quando vistas de forma interligadas ou independentes, tem um significado, uma intencionalidade que justifica as ações humanas. Portanto, podemos concluir que a prática social é correlacionada com o momento e contexto social em que se dá, indicando possibilidades reais de construção ou reprodução de um comportamento e/ou conhecimento. 18 FIGURA 8 - VÍDEOS SOBRE REFLEXÃO DA PRÁTICA DO ASSISTENTE SOCIAL Dessa forma, ao se refletir sobre a prática profissional, questionamento sobre o como pensar, deve vir antes do o que pensar. Isso irá garantir a apropriação de um método que permite agir sobre a realidade e as demandas sociais da comunidade em que se está inserido. O Serviço Social se desenvolve em um cenário de criação de ambientes propícios a prática profissional, rompe com paradigmas tradicionais e com o senso comum e cria suas raízes em um ambiente político, uma vez que incita a participação da sociedade. Vamos ver algumas ideias de autores sobre o exercício da prática profissional do assistente social: FONTE: Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=PRHT9PXq2bk>. Acesso em: 20.08.2012. 19 Ao ser criada a profissão, foi definida como “prática social”, concebida no âmbito da “ajuda social”. Evoluiu no processo de pensar-se a si mesma e à sociedade, gerando novas concepções e autorrepresentações como “técnica social”, “ação social modernizante” e posteriormente “processo político transformado”. Hoje põe ênfase nas problematizações da cidadania, das políticas sociais em geral e, particularmente, na assistência social. (LOPES apud GENTILLI, 2008. p. 36) A prática profissional é sinônima de exercício ou trabalho profissional. Esta prática profissional necessita de saberes que são explicativos da lógica dos fenômenos e outros que são interventivos. Toda prática tem implicações éticas e políticas. (LOPES apud GUERRA, 2008. p. 36) A prática do serviço social é construída sobre sua dimensão política, pois sinaliza uma: - direção ética: compreende um caminho a ser seguido, não podendo ser considerada pronta e acabada; - construção coletiva: construída com os sujeitos; - competência coletiva: configura-se em transformar a realidade, em que o exercício profissional cotidiano é o exercício político. (LOPES apud MARTINELLI, 1994, p. 36) No Brasil, o Serviço Social foi reconhecido como profissão por volta de 1930, momento em que acontecia um movimento social intenso e com ampla influência da igreja católica. FIGURA 9 - ORIGENS DO SERVIÇO SOCIAL O Serviço Social surgiu Da ajuda Da divisão social do trabalho FONTE: LOPES, 2008. p. 37. 20 No que se refere a “ajuda” o serviço social estava para um sentido mais humano, de caridade, solidariedade e ajuda ao próximo, coerente assim com os preceitos da Igreja Católica. Quanto a divisão social do trabalho, o serviço social situava-se na reprodução das relações sociais, sendo “uma estratégia de controle social”. (LOPES, 2008). Assim, a Igreja junto com o Estado criavam estratégias de dominação e rigidez, a fim de desmoralizar o movimento social popular que se formava. Ajudavam os menos favorecidos com ajudas materiais com o verdadeiro intuito de exercer sobre esses, controle social. Atualmente, esses valores estão sendo revistos e em função disso se fala em questão social e não mais em – apenas – ajudar materialmente os mais empobrecidos. Segundo Lopes (2008), o processo de trabalho do serviço social se constitui de: Objeto é a questão social propriamente dita. Atualmente o papel do assistente social é político, é de articulador e mobilizador das capacidades dos sujeitos. Meio são os instrumentos utilizados, sejam humanos, materiais, financeiros, capital intelectual, e outros. Também entram nesse arcabouço as entrevistas, relatórios de visitas, análises institucionais e pesquisas. Produtos é o resultado propriamente dito, sejam eles diretos ou indiretos. É o que viabiliza ações gerando efeitos sociais. Finalidade o que é desejado. Entretanto, para que a prática profissional do assistente social seja eficaz e eficiente, com base nos elementos acima brevemente descritos, há algumas dimensões essenciais que devem nortear o trabalho, vejamos: Dimensão teórico – metodológica apropriação dos conhecimentos teóricos a fim de nortear o desenvolvimento da prática. Segundo Lopes (2008), é “necessário capacitar para o exercício da prática sustentada em uma sólida base teórico- metodológica.” Esse alicerce criado é o que possibilita a construção de uma rotina profissional e estimula a criação de um ambiente voltado para inovações e processos criativos. 21 Dimensão técnico – operativa viabilizada pelas capacidades dos assistentes sociais em utilizar os instrumentos e elementos que pautam o seu trabalho articulado com a prática profissional, formando competências essenciais ao exercício da profissão. Dimensão ético – política envolve as discussões em torno do código de ética do assistente social, legislações pertinentes e bases pedagógicas que norteiam o seu trabalho e – por sua vez – sustentam a concepção de sociedade que estamos dispostos a construir. Todos esses elementos, vistos de forma sistêmica auxiliam o profissional no processo de reflexão sobre sua prática, o que contribui para a estruturação do processo político das demandas do serviço social. Segundo Faustini: Antes de sermos técnicos que manejam técnicas e instrumentos na ponta da reprodução das relações sociais, temos que ser intelectuais, profissionais teóricos – críticos...rompendo com a subalternidade de classe, que também marca nossa história enquanto profissão e contribuindo para emergir novas formas de hegemonia na sociedade. (FAUSTINI, 1995. p. 62) 2.2 DEMANDAS PARA O ASSISTENTE SOCIAL A sociedade em que estamos é marcada pelas constantes mudanças que ocorrem. Diariamente sofremos com mudanças significativas que influenciam diretamente nas relações sociais que construímos e desconstruímos o tempo todo. Consequentemente, novos desafios vão sendo lançados constantemente para as mais diversas profissões, em maior ou menor grau. 22 Frente a tal panorama, tem sido exigido do assistente social maior atenção no desvelamento dos reais determinantes das demandas que chegam até ele, uma vez que estas são complexas e muitas vezes mascaradas. Esta postura tem possibilitado demarcar concretamente o espaço profissional. (LOPES, 2008. p. 45) Vale ressaltar que demandas são as imposições ou exigências feitas aos profissionais ora pela sociedade, ora pelo mercado de trabalho. Especificamente quanto ao serviço social, essas demandas surgem pelos contratantes do assistente social e pelos usuários, ou ainda, por ele identificada no caso de um profissional liberal. Assim, as questões sociais que nos referimosanteriormente, são insumos para novas demandas, por exemplo: desemprego, violência doméstica, drogas etc., sendo essas demandas objetos de trabalho para o assistente social. Os profissionais do serviço social precisam estar atentos a estas mudanças advinhas da tecnologia, pois definem a diferença social e por consequência marcam de forma mais forte as exclusões sociais. A busca por melhor qualidade de vida implica em uma nova organização social, com todos os acertos e erros. E é nesse ponto que o assistente social atua. 2.3 CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DA PROFISSÃO DO SERVIÇO SOCIAL Vamos conhecer agora como se configura a identidade social do assistente social. Mas o que é Identidade Profissional? FIGURA 10 - IDENTIDADE PROFISSIONAL 23 Reflita um pouco sobre isso, quais elementos que configuram a identidade profissional? Envolve apenas as competências individuais de cada profissional ou há uma identidade coletiva com elementos que devem estar presentes em todos os profissionais do serviço social? Vamos ver o vídeo abaixo para entender melhor o que é Identidade Profissional e por que ela é responsável pelo sucesso de um profissional. FIGURA 11 - VÍDEO SOBRE IDENTIDADE PROFISSIONAL FONTE: Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=5GcnopC1b2U>. Acesso em: 20.08.2012. FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/photo/1137792>. Acesso em: 20.08.2012. 24 Identidade é aquilo que identifica alguém ou alguma coisa. Pode ser características físicas, psicológicas e/ou o conjunto de crenças, valores e atitudes de uma pessoa. Segundo Gentilli: Identidade é um termo cujo sentido remete àquilo que é idêntico, semelhante ou ainda análogo. Exprime tanto conformidade de alguma coisa consigo mesmo, quanto o compartilhar com características de outros indivíduos ou grupos sociais... A categoria identidade remete à relação que uma pessoa estabelece com o “outro”, marcando dimensões de individualidade e de coletividade. (1997, p. 128) FIGURA 12 – IDENTIDADE Identidade Caracteriza o humano da forma como é Humano singular/subjetividade SER Social coletiva/realização FONTE: LOPES, 2008. p. 55 Analisando o esquema acima, podemos perceber uma dicotomia: singularidade e coletividade. Essa dicotomia está presente na construção da identidade profissional, pois esses dois fatores perpassam entre si em diversos momentos da construção da identidade, sendo que um impulsiona o outro ao crescimento. Ora, o ser humano vive em sociedade, e mesmo tendo sua individualidade e a preservando em diversos momentos, inclusive profissionais, ele está 25 situado em um todo maior, que determina regras sociais e o localiza historicamente dentro de uma comunidade. A identidade profissional é formada por elementos, por sua vez, tanto inerente a função do assistente social dentro da sociedade, mas também é marcada por traços da personalidade de cada profissional. Assim, as dimensões, pessoal e profissional devem estar conectadas por uma tênue linha que estabelece ligação entre o individual e o coletivo da profissão. À medida que o profissional exerce a sua profissão e construído relações sociais, sua identidade vai sendo construída, reconstruída, modificada, repensada. É um movimento contínuo de reflexão sobre a própria prática profissional e é formada por processos muitas vezes contraditórios e dialéticos. A identidade, enquanto elemento definidor de sua participação na divisão social do trabalho e na totalidade do processo social é uma categoria política e sócio-histórica que se constrói na trama das relações sociais, no espaço social mais amplo da luta de classes e das contradições que a engendram e são por ela engendradas. (MARTINELLI, 1989. p. 7) A construção da identidade profissional do assistente social deve ser um processo de autorreflexão, crítico e coletivo no sentido de lutar pela demarcação de uma nova identidade para o Serviço Social. Mas quais elementos norteiam a construção da identidade do assistente social? São eles: 26 FIGURA 13 - CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE FONTE: LOPES, 2008. p. 58. Alguns documentos ajudam na construção da identidade profissional do assistente social. São eles: Código de ética do Assistente Social; Diretrizes Curriculares para a Formação Profissional em Serviço Social; Lei de Regulamentação da Profissão; Demandas Atuais e Novas Estruturas Sociais e Familiares; Referencial Teórico. SERVIÇO SOCIAL Qual é o seu objeto? Quais são os seus valores? Qual é o seu corpo teórico- metodológico? Qual é a sua história? Qual sua finalidade? 27 Como vimos anteriormente o Serviço Social teve suas origens na Europa como forma de controle social imposto pelas classes dominantes e posteriormente como forma de caridade e ajuda material e financeira, aos menos favorecidos, pois se acreditava que esses eram incapazes de melhorar de vida, então a única alternativa era doar-lhes comidas e vestimentas. Em 1869 surgiu em Londres a Sociedade de Organização da Caridade. O objetivo principal desta instituição era formar profissionais competentes para ajudar os que estavam em situação de vulnerabilidade social. A partir daí começa-se a ter registro da institucionalização do Serviço Social. Em 1899 em Amsterdã formou-se a primeira escola de Serviço Social. Ali se inicia a construção do referencial teórico necessário para as demandas da profissão. A partir do século XX aumentou consideravelmente o número de pessoas na linha da miséria, em função – principalmente – do índice de natalidade, do crescimento urbano e do êxodo rural. No Brasil, em 1930, o Serviço Social surge, voltando as suas origens na Europa, como forma de dominação e controle social, a fim de responder a sociedade sobre o porquê dos problemas sociais existentes na época. Nos anos seguintes o Serviço Social adota a metodologia tripartite no desenvolvimento da prática do assistente social, que era formada por: Serviço Social de Caso; Serviço Social de Grupo; Serviço Social de Comunidade. A partir da década de 80 o Serviço Social reformulou suas bases curriculares e começou a preocupar-se com a questão social propriamente dita. Esta era o produto final de um conflito entre capitalismo e trabalho, o que resultava na exclusão social e desigualdades de classes. Iamamoto, sobre questão social, nos diz que: 28 O conjunto das expressões das desigualdades da sociedade capitalista madura tem uma raiz comum: a produção social é cada vez mais coletiva, o trabalho torna-se mais amplamente social, enquanto a apropriação dos frutos mantém-se privada, monopolizada por uma parte da sociedade. (1997, p.13) A questão social e suas diferentes formas de expressão são identificadas em ambientes de atuação do assistente social e por ele são identificadas e reconhecidas, seja por uma solicitação de quem o contrata, seja pelo mercado de trabalho, ou seja, pela própria sociedade ao buscar ajuda para resolução de seus conflitos sociais. Em 1990 a identidade do profissional de assistência social é amadurecida pelo código de ética da profissão que indica a direção e a função social desta profissão. Vamos conhecer os 11 princípiosde ética que formam a identidade do assistente social: Leia mais sobre identidade profissional do Assistente Social nos links: http://tcc.bu.ufsc.br/Ssocial284202.pdf http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/fass/article/viewFile/7281/5241 29 Reconhecimento da liberdade como valor ético central e das demandas políticas a ela inerentes – autonomia, emancipação e plena expansão dos indivíduos sociais. Defesa intransigente dos direitos humanos e recusa do arbítrio e do autoritarismo. Ampliação e consolidação da cidadania, considerada tarefa primordial de toda a sociedade, com vistas à garantia dos direitos civis, sociais e políticos das classes trabalhadoras. Defesa do aprofundamento da democracia, enquanto socialização da participação política e da riqueza socialmente produzida. Posicionamento em favor da equidade e justiça social, que assegure universalidade de acesso aos bens e serviços relativos aos programas e políticas sociais, bem como sua gestão democrática. Empenho na eliminação de todas as formas de preconceito, incentivando o respeito à diversidade, à participação de grupos socialmente discriminados e à discussão das diferenças. Garantia do pluralismo, pelo respeito às correntes profissionais democráticas existentes e suas expressões teóricas e compromisso com o constante aprimoramento intelectual. Opção por um projeto profissional vinculado ao processo de construção de uma nova ordem societária, sem dominação-exploração de classe-etnia e gênero. Articulação com os movimentos de outras categorias profissionais que partilhem dos princípios deste Código e com a luta geral dos trabalhadores. Compromisso com a qualidade dos serviços prestados à população e com o aprimoramento intelectual, na perspectiva da competência profissional. Exercício do Serviço Social sem ser discriminado, nem discriminar, por questões de inserção de classe social, gênero, etnia, religião, nacionalidade, opção sexual, idade e condição física. Figura 14 - Princípios éticos Fonte: http://www.cressrj.org.br/download/legislacoes/codigo_de_etica.pdf 30 3 SERVIÇO SOCIAL NA ATUALIDADE 3.1 MUDANÇAS NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA No módulo anterior falamos em mudanças na sociedade, em transformações socioculturais, em novas demandas para profissões antigas e o surgimento de novas profissões. Mas no que isso implica na prática? Vamos ver alguns vídeos interessantes sobre mudança e reprodução social. FIGURA 15 - MUDANÇAS SOCIAIS FONTE: Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=3Ed- UHDC700>. Acesso em: 20.08.2012. 31 FIGURA 16 - MUDANÇAS CULTURAIS FIGURA 17 - REPRODUÇÃO SOCIAL E MUDANÇA SOCIAL FONTE: Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=YxzP0QwVUSQ&feature=related >. Acesso em: 20.08.2012. FONTE: Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=247AqiZ1pME&feature=related>. Acesso em: 20.08.2012. 32 Essas mudanças sociais que vimos implicam em uma nova organização do trabalho, surgimentos de funções, extinção de profissões e principalmente exigem dos trabalhadores mais qualificação, construção de novas competências, estar aberto e atento ao que ocorre na sua volta, não só no que se refere especificamente ao seu cargo ou função, mas também ter a capacidade de desenvolver um olhar sistêmico sobre todas as transformações sociais – culturais – econômicas que ocorrem no mundo. Tal processo de mudança ocorreu também com o Serviço Social. Na década de 70 a mudança no campo das profissões foi muito significativa e foi sentida pelas classes trabalhadoras e pelo proletariado vigente na época. Essas transformações são provocadas por uma mudança estrutural no conjunto de valores, crenças, e ideais de uma sociedade em todas as áreas destacando o setor da economia. Em todos os países observou-se uma diversificação, fragmentação e complexificação do trabalho. Esses fatores são os responsáveis pela criação de um abismo cada vez maior entre profissionais qualificados e não qualificados, mulheres e homens, jovens e velhos e outras diferenciações possíveis e imagináveis. Surge desde então, novos padrões, novas formas de ver e pensar o mundo, novas formas de consumo, novas estruturas familiares, novas formas de relações humanas. No trabalho, surge o conceito de “just in time”, ou seja, um melhor aproveitamento do tempo no processo produtivo. As formas de gestão nas organizações também mudaram. Foram mudanças drásticas, significativas e que implicaram diretamente na vida das pessoas, nas relações interpessoais e na forma de organização e estruturação destas relações. Uma das grandes mudanças se refere ao avanço da tecnologia e da inserção desta no processo industrial produtivo. Diminuiu o número de operários nas fábricas, e aumentou o número de processos automatizados baseados em princípios da robótica e computação. Esse foi um dos elementos que passou a exigir do trabalhador uma maior qualificação, o capacitando para manusear as máquinas computadorizadas e também a sair do “chão de fábrica" e passar a trabalhar dentro dos escritórios, em funções administrativas. Além da qualificação, passou-se a exigir dos trabalhadores novas atitudes, sendo capacidade de visão sistêmica e multifuncionalidade. 33 Dessa forma, surgiu uma nova classe de trabalhadores, os terceirizados, subcontratados, autônomos, profissionais sem direitos assegurados contratados por pequenas e médias empresas que não podem comportar os salários e seus encargos, mas necessitam de mão de obra qualificada para exercer a função. Esse cenário favoreceu o chamado trabalhador descartável, ou seja, utiliza sua mão de obra enquanto é interessante e não há nenhuma preocupação com retenção de talentos ou desenvolvimentos de pessoas. Além disso, podemos observar nesse período um aumento de mulheres ocupando cargos em empresas o que reforçou de certa forma o incentivo a condições precárias de trabalho e desregulamentação da mesma. Assim, criou-se um estereótipo de trabalhador. Jovens não conseguiam entrar no mercado de trabalho, velhos não “serviam mais”, mulheres só em condições de trabalho precário e quem não fosse qualificado o suficiente só como autônomo sendo descartável em seguida que o trabalho acabasse, e a inserção de crianças em trabalhos braçais e insalubres. FIGURA 18 - TRABALHO PRECÁRIO FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/photo/1157702>. Acesso em: 20.08.2012. 34 Isso influenciou diretamente e significativamente na vida pessoal destes trabalhos, na estruturação de suas famílias, nos valores e crenças, nas necessidades e prioridades e nas relações pessoais. A classe trabalhadora passa a ser uma classe frágil, insegura, instável, complexificando as condições humanas e de trabalho. Também houve uma acentuação quanto à diferenciação de trabalhos intelectuais e trabalhos precários e desprezados. Assim, poucos foram os que conseguiram se qualificar e integrar a classe de trabalhadores capacitados, aumentando o contingente de trabalhadores em situação irregular e desempregados. É importante esse resgate histórico para que possamos entender as mudanças no trabalho do assistentesocial, principalmente a partir dos anos 80, em que houve uma conjuntura na sociedade, trazendo mudanças socioculturais-políticas-econômicas na sociedade. É nesse abismo de desigualdades sociais que o Serviço Social ganha espaço e passa a ter uma importância social. 3.2 IMPACTO PROVOCADO PELAS MUDANÇAS NO TRABALHO Essa exigência por profissionais mais competentes e preparados para o mercado de trabalho e para exercer funções mais “intelectualizadas” foi sentida em todas as áreas. Mas especificamente no Serviço Social, houve uma demanda de profissionais que atendesse às exigências quanto às questões sobre os Direitos Humanos, e isso impactou diretamente na formação e qualificação dos profissionais do Serviço Social. É fundamental que os profissionais sejam propositivos, sem, contudo, perderem o rumo ético-político dado no projeto profissional balizado por princípios éticos universais. Consequentemente, a era global repercute de forma drástica e seifadora no mundo do trabalho, evidenciando a necessidade imperiosa de reavaliar o trabalho vivo, as necessidades humanas e a lógica de produção a partir de uma lógica social. (LOPES, 2008. p. 80) 35 A partir da análise deste cenário, há uma necessidade de produzir novos valores, de se ter tempo livre para lazer, família e estudo dando sentido e significado a existência e atividade humana, resgatando e construindo valores essenciais da humanidade a partir de um novo projeto socialista global. Especificamente no contexto do serviço social, esse processo de globalização da economia provocou mudanças no espaço de trabalho do assistente social e no significado desta profissão para a sociedade contemporânea. ...repercutindo tais mudanças no que se refere ao seu papel social, no ser trabalhador/profissional, as condições de trabalho, as competências profissionais, as implicações e definições teórico-metodológicas, éticas, políticas e técnicas, (re) definindo ações, respostas, enfrentamentos e desafios das profissões frente às demandas da sociedade e do mercado de trabalho. (LOPES, 2008. p.81) 3.3 PERFIL DO PROFISSIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL Leia mais sobre esse assunto nos links abaixo: http://repensandooservicosocial.blogspot.com.br/2009/05/trabalho-e-servico- social.html http://www.proceedings.scielo.br/scielo.php?pid=MSC0000000112010000100039&s cript=sci_arttext http://www.ebah.com.br/content/ABAAABTOsAJ/movimento-reconceituacao Leia mais sobre o Serviço Social no Brasil nos links: http://www.fnepas.org.br/pdf/servico_social_saude/texto2-1.pdf http://www2.dbd.puc- rio.br/pergamum/tesesabertas/0510670_07_cap_03.pdf 36 Todas essas transformações nas relações de trabalho, as novas exigências do mercado tiveram seu saldo positivo. Passou-se a ter profissionais mais competitivos, agressivos, com vontade de fazer o melhor, com capacidade de comunicação. E isso não foi diferente com o assistente social. As novas relações de trabalho exigem competências que norteiam as práticas desenvolvidas no serviço social. O assistente social deve ser um profissional intelectualizado, com um forte referencial teórico-metodológico construído a partir de leituras, estudos, pesquisas e formação continuada. O conhecimento, a consistência teórica, a capacidade argumentativa e o domínio da tecnologia são elementos essenciais na formação do assistente social e são esses elementos que diferenciarão o bom do mal profissional. Além dos fatores técnicos que envolvem a profissão de assistente social, este profissional deve investir em desenvolvimento de capacidades pessoais, valorização humana, crescimento pessoal. FIGURA 19 - PERFIL DO ASSISTENTE SOCIAL Assistente Social Crescimento intelectual, conhecimento teórico Crescimento emocional, afetivo, pessoal e psíquico Formação operacional. Conhecimento técnico. Aplicação da teoria na prática FONTE: a autora 37 Podem-se apontar como indicadores do perfil dos profissionais de uma forma geral, na atualidade, uma formação em que implique permanente continuidade, domínio de duas ou mais línguas, uma carreira com planejamento e projeções, de desenvolvimento de habilidades no trabalho em equipe, na administração do tempo de trabalho e livre, na compreensão do todo de forma integrada e complexa, habilidade no trato das negociações e no ser generalista, que implica dominar a área de competência/formação e o que perpassa por ela. (LOPES, 2008. p. 83) FIGURA 19 - CARACTERÍSTICAS DO ASSISTENTE SOCIAL O assistente social deve ser/ter: flexível; ético; criativo; intuitivo; capacidade de analisar e resolver problemas; capacidade de síntese; inovador; estabilidade emocional e afetiva; capacidade de gerenciar informações; investir na profissão; produzir conhecimento e material teórico; ser crítico e reflexivo. FONTE: a autora 38 FIGURA 20 - COMPETÊNCIAS DO ASSISTENTE SOCIAL Define-se um perfil para o assistente social na atualidade, na perspectiva de que este profissional responda positiva e criticamente às demandas / requisições da sociedade e do mercado de trabalho, bem como ao projeto ético-político profissional. Para tanto, este profissional [...] deverá ser dotado de competência teórico – metodológica, técnico – operativa e ético – política, definidas no projeto de formação profissional. (LOPES, 2008. p. 84) Assim: Competências Cognitivas Organizacional Relacional Social Comportamental Desempenho das atividades de assistente social com excelência FONTE: adaptado de Farias, 2004. 39 Competência teórico-metodológica auxilia no reconhecimento e distinção de saberes que irão nortear a proposição de ações específicas e a produzir conhecimentos para a área de atuação; Competência técnico-operativa auxilia o assistente social a criar e desenvolver estratégias de atuação, utilizar instrumentos adequados e técnicas de trabalho adequados para responder a determinadas necessidades; Competência ético – política possibilita ao assistente social construir princípios e valores que irão subsidiar a prática profissional, orientando, direcionando e fundamentando o exercício da profissão no Serviço Social. Podemos ver que o profissional de assistência social deve ser multifacetado, deve ser completo, observador, peculiar. Deve ser um agente político, com princípios e valores éticos e que queira construir uma sociedade justa, democrática e igualitária. Ainda, deve entender o contexto histórico, as mudanças sociais, as razões das transformações, as novas exigências do mercado, estar atento, atualizado a tudo que possa demandar sua atuação profissional. Para finalizar, vamos ver uns vídeos interessantes sobre esse assunto: FIGURA 21 - VÍDEO ÉTICA EM SERVIÇO SOCIAL FONTE: Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=t0t_MWtdh7o&feature=related>. Acesso em: 20.08.2012. 40 FIGURA 22 - PSICOLOGIA E SERVIÇO SOCIAL FONTE: Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=XHxb4c0G5Hw&feature=related>. Acesso em: 20.08.2012. 41 4 FORMAÇÃO PROFISSIONAL4.1 O QUE É FORMAÇÃO PROFISSIONAL Vamos começar assistindo um vídeo sobre a profissão de assistente social. FIGURA 23 – PROFISSÃO: ASSISTENTE SOCIAL FONTE: Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=Sa5kpScbTSI&feature=related>. Acesso em: 20.08.2012. 42 Todas as mudanças que analisamos anteriormente influenciam diretamente na formação dos assistentes sociais, exigindo que esta formação: Possibilite aos assistentes sociais compreender criticamente as tendências do atual estágio da expansão capitalista e suas repercussões na alteração das funções tradicionalmente atribuídas à profissão e no tipo de capacitação requerida pela “modernização” da produção e pelas novas formas de gestão da força de trabalho; que dê conta dos processos que estão produzindo alterações nas condições de vida e de trabalho da população que é alvo dos serviços profissionais, assim como das novas demandas dos empregadores na esfera empresarial. (IAMAMOTO, 1998. p. 180) FIGURA 24 - ASSISTENTE SOCIAL FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/photo/680529>. Acesso em: 20.08.2012. 43 A formação profissional deve produzir um profissional competente ética – política – metodológica – operacional – teoricamente comprometido, responsável e que tenha capacidade de indignação e argumentação frente a problemática social. Para tanto, é necessário pensar em uma proposta política pedagógica consistente, realista com bases teóricas consolidadas e que possibilite a construção de matrizes curriculares que aprendam a lógica da constituição da vida social, o acompanhamento do movimento histórico a fim de entender as demandas e a problemática social que pulsa por solução e que influencia no cotidiano na prática do assistente social. Ressalta-se a importância da realização do estágio para que o estudante possa conhecer os diversos cenários e confirmar sua vocação frente aos cenários. Além disso, a universidade deve proporcionar ao futuro assistente social a produção escrita de referencial teórico e metodológico e o ensino da prática profissional. Estamos falando tanto em formação, mas qual o conceito de formação? Qual a concepção de formação? Vamos entender um pouquinho sobre concepção de formação. O que se entende por formação? Como definir o perfil de profissional que se deseja formar? Quando falamos em formação profissional estamos falando em processo. Mas o que é processo? FIGURA 25 - PROCESSO ENTRADA SAÍDA PROCESSO FONTE: a autora 44 Processo é algo que tem um insumo (entrada), um desenvolvimento, e tem uma saída ou um produto final. Com a formação profissional não é diferente: o aluno entra com uma bagagem, com conhecimentos prévios, com experiências, desejos e curiosidades, passa por um processo de construção de conhecimento, estuda o referencial teórico, conhece as áreas de atuação daquela profissão e sai um profissional competente e apto a exercer a profissão. Ou seja, formação profissional é o processo que uma pessoa passa na qual construirá – articuladamente - um arcabouço teórico, práticas cotidianas e vivências profissionais. Isso lhe permitirá ter apreensão de forma crítica da realidade social tanto nas suas particularidades sócio-históricas, quanto na totalidade dessa realidade, na contemporaneidade. Compreender o significado social de sua profissão é reconhecer e incorporar princípios e valores éticos que fundamentam o agir profissional, o ethos profissional e, ainda, reconhecer seu espaço profissional. (LOPES, 2008. p. 94) Formação profissional em serviço social é um processo pedagógico que permite a construção de conhecimentos teóricos, identificar possíveis ações e intervenções para cada contexto e necessidade e a partir desta articulação exercer as funções inerentes à profissão de assistente social. Ressalto que todos os movimentos históricos que estudamos anteriormente são importantes também para entendermos as mudanças na educação e consequentemente na formação profissional do assistente social. 4.2 FORMAÇÃO EM SERVIÇO SOCIAL Especificamente no serviço social, o processo de formação passou por mudanças curriculares devido às transformações que a sociedade passou ao longo dos anos nas políticas da educação, especialmente para o ensino superior. Também com as mudanças na sociedade, 45 mudou o perfil de assistente social que se buscava, novas ações foram demandadas e que precisavam compor – de alguma forma – a matriz curricular dos cursos de ensino superior. Vamos conhecer as principais mudanças curriculares para os cursos de serviço social: FIGURA 26 - REFORMA CURRICULAR FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/photo/1067843>. Acesso em: 20.08.2012. 1982 proposta pela Associação Brasileira de Ensino em Serviço Social. Necessidade de quebras paradigmas para formar assistentes sociais críticos e comprometidos com transformações sociais. Oferta de cursos de pós-graduação na área de Serviço Social. Investimento em estudos e pesquisas que resultaram em um novo olhar para a profissão. 1998 nova reforma curricular “centrada na análise da questão social e nos fundamentos teóricos e históricos da profissão enquanto processo de trabalho.” (FALEIROS, 2000. p. 166). Esta reforma curricular visou atender o disposto na LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional que orientava para a realização de diretrizes curriculares a fim de articular valores, conhecimentos, competências, habilidades e atitudes necessárias ao exercício da profissão de assistente social. 46 FIGURA 27 - LEGISLAÇÃO FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/photo/875413>. Acesso em: 20.08.2012. O Parecer CNE/CES 492/2001 dispõe que: DIRETRIZES CURRICULARES PARA OS CURSOS DE SERVIÇO SOCIAL 1. Perfil dos Formandos Profissional que atua nas expressões da questão social, formulando e implementando propostas de intervenção para seu enfrentamento, com capacidade de promover o exercício pleno da cidadania e a inserção criativa e propositiva dos usuários do Serviço Social no conjunto das relações sociais e no mercado de trabalho. 2. Competências e Habilidades A) Gerais A formação profissional deve viabilizar uma capacitação teórico- metodológica e ético - política, como requisito fundamental para o exercício de atividades técnico-operativas, com vistas à compreensão do significado social da profissão e de seu desenvolvimento sócio-histórico, nos cenários internacional e nacional, desvelando as possibilidades de ação contidas na realidade; 47 identificação das demandas presentes na sociedade, visando a formular respostas profissionais para o enfrentamento da questão social; utilização dos recursos da informática. B) Específicas A formação profissional deverá desenvolver a capacidade de elaborar, executar e avaliar planos, programas e projetos na área social; contribuir para viabilizar a participação dos usuários nas decisões institucionais; planejar, organizar e administrar benefícios e serviços sociais; realizar pesquisas que subsidiem formulação de políticas e ações profissionais; prestar assessoria e consultoria a órgãos da administração pública, empresas privadas e movimentos sociais em matéria relacionada às políticas sociais e à garantia dos direitos civis,políticos e sociais da coletividade; orientar a população na identificação de recursos para atendimento e defesa de seus direitos; realizar visitas, perícias técnicas, laudos, informações e pareceres sobre matéria de Serviço Social. 3. Organização do Curso Flexibilidade dos currículos plenos, integrando o ensino das disciplinas com outros componentes curriculares, tais como: oficinas, seminários temáticos, estágio, atividades complementares; rigoroso trato teórico, histórico e metodológico da realidade social e do Serviço Social, que possibilite a compreensão dos problemas e desafios com os quais o profissional se defronta; estabelecimento das dimensões investigativa e interpretativa como princípios formativos e condição central da formação profissional, e da relação teoria e realidade; presença da interdisciplinaridade no projeto de formação profissional; exercício do pluralismo teórico-metodológico como elemento próprio da vida acadêmica e profissional; respeito à ética profissional; indissociabilidade entre a supervisão acadêmica e profissional na atividade de estágio. 4. Conteúdos Curriculares A organização curricular deve superar as fragmentações do processo de ensino e aprendizagem, abrindo novos caminhos para a construção de conhecimentos como experiência concreta no decorrer da formação profissional. Sustenta-se no tripé dos conhecimentos constituídos 48 pelos núcleos de fundamentação da formação profissional, quais sejam: núcleo de fundamentos teórico-metodológicos da vida social, que compreende um conjunto de fundamentos teórico-metodológicos e ético-políticos para conhecer o ser social; núcleo de fundamentos da formação sócio-histórica da sociedade brasileira, que remete à compreensão das características históricas particulares que presidem a sua formação e desenvolvimento urbano e rural, em suas diversidades regionais e locais; núcleo de fundamentos do trabalho profissional, que compreende os elementos constitutivos do Serviço Social como uma especialização do trabalho: sua trajetória histórica, teórica, metodológica e técnica, os componentes éticos que envolvem o exercício profissional, a pesquisa, o planejamento e a administração em Serviço Social e o estágio supervisionado. Os núcleos englobam um conjunto de conhecimentos e habilidades que se especifica em atividades acadêmicas, enquanto conhecimentos necessários à formação profissional. Essas atividades, a serem definidas pelos colegiados, se desdobram em disciplinas, seminários temáticos, oficinas/laboratórios, atividades complementares e outros componentes curriculares. 5. Estágio Supervisionado e Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) O Estágio Supervisionado e o Trabalho de Conclusão de Curso devem ser desenvolvidos durante o processo de formação a partir do desdobramento dos componentes curriculares, concomitante ao período letivo escolar. O Estágio Supervisionado é uma atividade curricular obrigatória que se configura a partir da inserção do aluno no espaço socioinstitucional, objetivando capacitá-lo para o exercício profissional, o que pressupõe supervisão sistemática. Esta supervisão será feita conjuntamente por professor supervisor e por profissional do campo, com base em planos de estágio elaborados em conjunto pelas unidades de ensino e organizações que oferecem estágio. 6. Atividades Complementares As atividades complementares, dentre as quais podem ser destacadas a monitoria, visitas monitoradas, iniciação científica, projeto de extensão, participação em seminários, publicação de produção científica e outras atividades definidas no plano acadêmico do curso. (PARECER CNE/CES 492/2001. Disponível em: 49 <http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CES0492.pdf>. Acesso em: 20.08.2012. Analisando as diretrizes acima percebemos que ela orienta para uma formação crítica – reflexiva preocupada em formar profissionais comprometidos com princípios éticos e com transformações sociais em consonância com o Código de Ética do Assistente Social. As novas diretrizes curriculares para a formação do assistente social apresentam uma estrutura inovadora abrangendo um conjunto de conhecimentos indissociáveis e organicamente vinculados aos três núcleos citados anteriormente, o que garante a não fragmentação do ensino – aprendizagem e a articulação dos saberes do campo teórico, prático e ético. (LOPES, 2008. p. 105 apud CARDOSO, 2000. p. 15) FIGURA 28 - REFORMA CURRICULAR FONTE: Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=grdcTek29eM>. Acesso em: 20.08.2012. 50 No curso de serviço social deve haver uma articulação consistente entre teoria e prática. Todas as disciplinas devem abordar questões relacionadas ao referencial teórico específico e – posteriormente – sua aplicação prática, seja por estudos de casos, simulações de situações, estágios, observações participativas e não participativas, enfim, toda e qualquer situação passível de intervenção na qual o aluno possa fazer uma relação teoria e prática de forma crítica. Além de conhecimentos particulares do Serviço Social, até em função da amplitude e importância social deste curso, outras áreas de conhecimento devem igualmente compor a grade curricular do curso de graduação em serviço social, sendo: Sociologia; Filosofia; Psicologia; Antropologia; Ciências Políticas; Administração; Gestão Pública; Direito, entre outras. Assim, precisamos ter a compreensão de que teoria e prática devem – obrigatoriamente – andar de mãos dadas, mantendo uma relação de simbiose concebida de forma lógica e articulada. 51 FIGURA 29 - ARTICULAÇÃO TEORIA E PRÁTICA FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/photo/1383864>. Acesso em: 20.08.2012. Para finalizarmos vamos conhecer o símbolo do Serviço Social e seu significado: FIGURA 29 - SÍMBOLO SERVIÇO SOCIAL FONTE: Disponível em: <http://alunosdeservicosocial.blogspot.com.br/2011/07/qual-o- significado-dos-simbolos-do.html>. Acesso em: 20.08.2012. 52 FIGURA 30 - SIGNIFICADO SÍMBOLOS Turmalina Verde: Pedra Brasileira singela por excelência, ninguém procura falsificá-la. Simboliza a esperança e a sinceridade. Estrela dos Reis Magos: Lembra num mesmo facho, a suprema caridade do redentar e o elevado ideal dos Reis Magos que, segundo e na renúncia dos próprios bens e comodidade encontrou a LUZ. Simboliza o espírito de fraternidade universal e de sacrifício pelo bem dos homens. Balança com a Tocha: Exprime o caráter da justiça social; mais moral que jurídica, à punição do que erro, preferindo a redenção. Simboliza que pelo amor e pela verdade tudo pode ser removido. FIGURA 31 - DIA DO ASSISTENTE SOCIAL Outras curiosidades: 15 de maio O dia é comemorado em virtude do Decreto 994/62 que regulamenta a profissão do assistente social e cria os Conselhos Federal e Regionais ter sido editado em 15 de maio de 1962. Assim, embora a profissão tenha sido legalmente reconhecida por meio da Lei no. 3252 de 27 de agosto de 1957, somente em 15 de maio foram regulamentados e instituídos os instrumentos normativos e de fiscalização, na época Conselho Federal e Regional de Assistentes Sociais. Hoje com a edição da Lei 8662 de 08 de junho de 1993 - Conselho Federal e Regionais de Serviço Social. FONTE: Disponível em: <http://www.cressrj.org.br/servico_social.php>.Acesso em: 20.08.2012. 53 FONTE: Disponível em: <http://www.cressrj.org.br/servico_social.php>. Acesso em: 20.08.2012. 4.3 DESAFIOS E POSSIBILIDADES FIGURA 32 - QUESTIONAMENTO Já estudamos a história do serviço social, o perfil de assistente social, as demandas da nova sociedade, a formação continuada e formal do profissional. Mas agora precisamos fazer um grande questionamento: FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/photo/1389645>. Acesso em: 20.08.2012. Quais os desafios e as possibilidades desta profissão? 54 FIGURA 33 - DESAFIOS FONTE: Disponível em: <http://programavisaoespirita.blogspot.com.br/2012/01/desafios- existenciais.html#!/2012/01/desafios-existenciais.html>. Acesso em: 20.08.2012. FIGURA 34 - VÍDEO DESAFIOS DA PROFISSÃO 55 FONTE: Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=TgZ0yqXJ3ik>. Acesso em: 20.08.2012. Para Cassab (2000) um dos maiores desafios da formação em serviço social é desenvolver a capacidade crítica – reflexiva no aluno, articulando de forma lógica as competências, conforme figura abaixo: FIGURA 35 - DIMENSÕES DAS COMPETÊNCIAS FONTE: a autora Trata-se, dessa forma, de uma abordagem pedagógica com os seguintes eixos: Teórico – metodológicos fundamentação teórica que norteará a ação do profissional. Técnico – operativo questões de ordem prática referente à função fundamentada na teoria. Ético – política identificação das questões políticas referentes ao exercício da profissão, da intervenção na sociedade e dos movimentos sociais de acordo com o Código de Ética. Competências Teórico - metodológica Técnico - operativa Ético - política 56 É o assistente social que, pela sua formação e atuação profissional, está mais próximo dos usuários, que consegue fazer a identificação e leitura da questão social e, portanto, desenvolver ações propositivas para contribuir na garantia da qualidade de vida para a ampliação da cidadania e por processos de mudança que visam a igualdade e justiça social (LOPES, 2008, p. 108) Outro importante desafio das formações em serviço social é formar profissionais capazes de escrever sua própria história, de serem autores de uma trajetória de sucesso e que caminhe em direção à construção de uma sociedade justa e igualitária. Apesar do cunho social da profissão, esses profissionais devem estar inseridos em um mercado de trabalho, devem buscar um salário e benefícios compatíveis com a profissão e a educação formal deve desenvolver competências pessoais que favoreçam tal inserção e manutenção no mercado, diferenciando um bom assistente social. As necessidades apresentadas à profissão são provenientes das relações sociais estabelecidas, muitas vezes, incoerentes ou desencontradas, oriundas de uma sociedade consumista, materialista e provedora de desigualdades sociais. Por sua vez, a proposta pedagógica dos cursos de graduação e pós-graduação deve estar atenta a tais demandas, a fim de formar profissionais capazes de atender as essas solicitações sociais, sendo agentes ativos no processo de transformação social. Mas o que a instituição de ensino tem que pensar ao oferecer um curso de Serviço Social que atenda todas essas demandas? FIGURA 36 - PENSAR 57 FONTE: Disponível em: <http://inemegf.blogspot.com.br/2010/01/la-nota-cortacomo-piensan- algunas.html>. Acesso em: 20.08.2012. Fazer o projeto pedagógico do curso Desenhar o perfil profissional do egresso Identificar os objetivos gerais e específicos do curso Pensar e estruturar a matriz curricular Construir um referencial teórico consistente e coerente com a proposta pedagógica Formar um corpo docente rico e com currículos diferenciados Nessa ótica, considera-se a educação como uma prática permanente, pela própria característica humana que coloca a pessoa como um ser em permanente busca, um permanente investigador em si, sobre as pessoas e sobre o mundo em que vive. (LOPES, 2008. p. 109) FIGURA 37 - LIVROS FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/photo/1279612>. Acesso em: 20.08.2012. 58 Além disso, o profissional deve estar aberto a novas aprendizagens não só dentro do espaço escolar e acadêmico, mas o próprio espaço de intervenção e de exercício da sua prática profissional deve ser usado como laboratório de aprendizagem, como ambiente capaz de gerar e gerir conhecimentos. É importante, nesse sentido, a troca com outros profissionais e com a comunidade que sofre a intervenção em sim, para que se criem ambientes coletivos de discussões, de aprendizagens de aquisição de conhecimentos, habilidades e atitudes. Isso auxiliará o profissional a desenvolver determinadas competências essenciais, tais como o trabalho em equipe, o respeito a diferenças, a capacidade de ouvir e observar, liderança, gestão, administração de tempo, humildade, proatividade, iniciativa, entre outros. Assim, o assistente social deve embutir na sua essência a constante ânsia por pesquisar, diagnosticar, construir projetos e propor ações de melhoria. 59 5 PERSPECTIVAS E ESTRATÉGIAS 5.1 REDES COMO ESTRATÉGIA DE INTERVENÇÃO Neste módulo vamos compreender a prática do assistente social, bem como conhecer os espaços de intervenção deste profissional na sociedade. Estamos falando tanto no perfil do assistente social e nas intervenções deste profissional. Mas você sabe quais espaços ele pode atuar? Vamos conhecer alguns: Conheça alguns dos campos de atuação do Serviço Social FONTE: Disponível em: <http://sscontemporaneo.wordpress.com/campos-de-atuacao/>. Acesso em: 16 jul. 2012. MEIO AMBIENTE Os fatores que justificam a intervenção do Profissional nesta área são justamente as novas situações que são geradas não só pelo confronto que passa a existir entre a população, na condição de expropriados e a concessionária, mas também pelos efeitos causados pelos empreendimentos. No caso das construções de Usinas Hidrelétricas, o objetivo do Serviço Social é o de incrementar as ações que vão possibilitar o desenvolvimento da política energética por meio de 60 maior geração de eletricidade justificada pela necessidade de atender a demanda causada pelo desenvolvimento econômico regional. Diante dessa justificativa as empresas estatais desapropriam terras, desalojam populações e criam situações de conflito em diferentes momentos: antes da construção, durante e após o término do empreendimento. O Assistente Social enquanto pesquisador do meio ambiente O Serviço Social poderá, como qualquer outra área do conhecimento estudar os impactos ambientais causados pela construção de Usinas Hidrelétricas ou vir a compor uma equipe de pesquisadores que tem como objetivo o estudo dos impactos causados no meio ambiente por essas Usinas. SAÚDE Os assistentes sociais se inserem no processo de trabalho em saúde, como agente de interação entre os níveis do Sistema Único de Saúde – SUS com as demais políticas sociais, sendo que o principal objetivo de seu trabalho no setor é assegurar a integralidade e intersetorialidade dasações. O profissional desenvolve, ainda, atividades de natureza educativa e de incentivo à participação da comunidade para atender as necessidades de coparticipação dos usuários no desenvolvimento de ações voltadas para a prevenção, recuperação e controle do processo saúde/doença. O que vale ainda ressaltar na inserção atual do assistente social na área de saúde é o fato de que essa “prática” não é mais mediada pela ideologia da ajuda e sim pela perspectiva da garantia de direitos sociais. EDUCAÇÃO A presença dos assistentes sociais nas escolas expressa uma tendência de compreensão da própria educação em uma dimensão mais Integral, envolvendo os processos socioinstitucionais e as relações sociais, familiares e comunitárias que fundam uma educação 61 cidadã, articuladora de diferentes dimensões da vida social como constitutivas de novas formas humana, nas quais o acesso aos direitos sociais é crucial. ASSISTÊNCIA SOCIAL O Assistente social como trabalhador da Assistência Social tem como finalidade básica o fortalecimento dos usuários como sujeito de direitos e o fortalecimento das políticas públicas. Tendo em vista que o Assistente Social é um profissional comprometido com a autonomia dos sujeitos, com a crença no potencial dos moradores e das famílias das populações referenciadas pelo CRAS, para que rompam com o processo de exclusão /marginalização, assistencialismo e tutela. O profissional de Serviço Social trabalha na emancipação de famílias e comunidades, sendo que, uma das mais importantes dimensões do papel do assistente social, sempre na perspectiva de cumprir com o desafio de integrar as políticas sociais. Uma integração que, respeitadas as especificidades de cada área, se dá pelo ponto que têm em comum: a defesa da vida, da dignidade e do desenvolvimento social que possibilite a mais justa distribuição de bens e riquezas no país. EMPRESA No processo de inserção do Serviço Social no mundo privado do trabalho pode se afirmar que sua atuação nessa direção gira em torno tanto do funcionário quanto da empresa, na resolução ou na contenção de situação conflituosa e/ou de dificuldades na produção ou nas relações sociais cuja atuação em alguns casos é estendida à família dos funcionários. ASSESSORIA E CONSULTORIA Área de atuação profissional que necessita de preparo técnico, embasamento teórico e comprometimento ético político. Um profissional capaz de formular, gerir, implementar e avaliar políticas, projetos sociais, elaborar estudos e pesquisas. 62 ONGs Atividades predominantes são: o esclarecimento de direitos sociais, benefícios e serviços institucionais; o planejamento de programas e projetos sociais; a assessoria/acompanhamento a grupos sociais; orientação/encaminhamento de serviços e benefícios sociais. Atuação do Assistente Social no Judiciário O Serviço Social tem seu espaço de trabalho dentro do judiciário, atuando como “peritos” e com isso poderão assumir responsabilidade sobre a vida de pessoas que estão em situações de vulnerabilidade social, que necessitam de proteção judicial. Os Assistentes Sociais utilizam o estudo social como instrumento para análise da realidade encontrada pelos autores das ações judiciais podendo ser chamados a dar opiniões, fazer laudos e pareceres sociais. Sendo que esses constituem subsídios para instrumentos às decisões e análise da situação e posicionamento diante dos fatos apresentados. O Assistente Social na área de consultoria O Assistente Social como consultor por meio da atuação junto à empresa e seus gestores e colaboradores pode oferecer alternativas que repercutem positivamente na empresa principalmente nas áreas de: Elevação da produtividade; Melhoria do clima organizacional; Redução de acidentes do trabalho; Redução do absenteísmo; Melhor imagem positiva da Empresa; Melhor utilização dos Benefícios oferecidos pela Empresa; Mapeamento Social, Diagnóstico Social e Clima Organizacional; 63 Administração de Benefícios/Convênios /Autogestão; Sinistralidade de Convênios; Terceirização: controles administrativos, implantação de rotinas, suporte à área de RH, de acordo com o perfil e necessidade do cliente. O Assistente Social exerce suas funções por meio de palestras, atendimentos individuais, grupais, dinâmicos e pesquisas, atua também promovendo reflexos sobre a origem dos fatores levando o cliente/colaborador a ser capaz de decidir sua própria vida e carreira. O Assistente Social na área da Habitação A atuação do Assistente Social na habitação está norteada pelo Caderno de Orientação Técnico Social (COTS) que tem a finalidade de orientar as equipes técnicas sociais dos Estados, Distrito Federal, Municípios, responsáveis pela implantação dos programas habitacionais. Esta intervenção técnico-social é norteada pelos seguintes eixos básicos: Apoio à mobilização e organização comunitária; Condominial, capacitação profissional, geração de trabalho renda; Educação, sanitária/patrimonial; Trabalho socioambiental e ações informativas; Características sociais e econômicas da população a ser beneficiada. Como vimos, o campo de atuação do assistente social é bem amplo e diversificado. São inúmeras as possibilidades e isso faz com que a formação, a qualificação e a capacitação desses sejam aprimoradas. Exige-se um maior conhecimento e uma maior capacidade de lhe dar com situações difíceis e de compreender as relações humanas nas diferentes instâncias. O assistente social tem que estar preparado para enfrentar pessoas viciadas em drogas psicoativas, doentes com AIDS ou outras doenças terminais, desemprego, violência doméstica, trabalho infantil, balanço social, responsabilidade social entre tantos outros. 64 Além disso, o assistente social deve estar atento aos índices de controle social, tais como: índice de natalidade e mortalidade, tempo de vida, número de pessoas por famílias, renda, escolaridade, etc., isso ajudará o profissional a criar um cenário e propor ações condizentes a fim de atuar na causa – raiz da problemática social. Uma das formas de intervenção são as redes sociais. Você sabe o que são redes sociais? Será que redes sociais são apenas os facebook, Orkut, linkedin, etc.? Reflita um pouco.... Leia o artigo abaixo. FONTE: Disponível em: <http://tudosobreservicosocial.blogspot.com.br/2009/12/o-trabalho-social-em-rede.html>. Acesso em: 16 jul. 2012: O Trabalho Social em Rede A Aplicação das Redes Sociais no Trabalho Social Ao longo das últimas décadas, temos assistido a várias transformações nas sociedades europeias, as quais se têm tornado progressivamente mais industrializadas e nas quais o grau de proximidade entre as pessoas, tem diminuído (consequência das migrações para as zonas urbanas, onde as pessoas se conhecem menos). Assim, de forma a acompanhar estas mudanças, foi necessária uma reformulação e melhoria do trabalho social, na qual se teve em conta a rede social. A socialização como um processo sócio-histórico. Atualmente as sociedades são mais modernas e complexas, sendo constituídas por inúmeras redes sociais (família, empresa, clube desportivo, instituição, escola etc.), nas quais os cidadãos estão incluídos. 65 Existem vários fatores que permitiram que as sociedades se tornassem mais complexas, tais como, a urbanização, a industrialização, o desenvolvimento do Estado fundamentado na regra da lei e no Estado Providência, a Europeização e globalização. No que diz respeito à urbanização e industrialização, podemosreferir que, hoje, a maioria das pessoas trabalha em zonas urbanas, no setor industrial e terciário. Assim, as sociedades de hoje, são consideradas pós-industriais de serviços, sendo o computador, os telefones móveis e a internet, algumas das ferramentas mais utilizadas. O processo de industrialização tem vindo a ser acompanhado pelo de urbanização, de tal forma que, por exemplo, na sociedade Portuguesa, a maioria das pessoas vive em áreas urbanas, como Lisboa e Vale do Tejo. O segundo fator enunciado teve origem com industrialização, a qual foi responsável pelo desenvolvimento de uma luta entre classes sociais e pelo progresso da indústria. Consequentemente, formou-se a sociedade capitalista burguesa, que por um sistema de segurança social, impulsionou a criação do Estado Providência e do Estado Fundamentado na regra da lei, onde a eleição democrática foi estendida a todos os cidadãos, criaram-se sistemas pluralistas multipartidários, promoveu-se uma justiça independente e liberdade de empresa. Quanto ao terceiro fator, podemos referir que a Europeização, surgiu como resultado da Segunda Guerra Mundial e da ameaçada da União soviética nos países europeus ocidentais. Tais marcos levaram a que estes países se unissem formando-se, a Comunidade Econômica Europeia, em 1956. Já a globalização, que tem acelerado o processo de Europeização, pode ser de vários tipos: globalização econômica (dos mercados de produtos, de cooperação na produção e da divisão no trabalho); informática (utilização do telefone móvel, fax, televisão por satélite e internet); financeira ecológica e cultural (o domínio da música pop, de filmes e programas televisivos americanos, do fast-food). Todos esses processos de globalização são interdependentes, pois se influenciam entre si. O mundo não tem só uma base política, mas também é constituído por várias redes de instituições, tais como, organizações não governamentais, governos nacionais, empresas multinacionais e organizações supra e internacionais. 66 A individualização como processo social O Estado fundamentado na regra da lei e no Estado Providência, possibilitaram o surgimento de inúmeras instituições sociais, que apoiam os indivíduos a vários níveis (financeiro, econômico, psicológico, etc.), apoio esse que deixa de ser da inteira responsabilidade da família e amigos. Por exemplo, se uma pessoa ficar sem emprego, ela já pode recorrer ao subsídio de desemprego, não precisando tanto da ajuda financeira de outros, ou se uma mulher tiver um filho, ela já não precisa casar para ter mais apoio econômico, pois esse pode ser dado pelo estado. Pelo segundo exemplo, percebe-se que a família já não tem a importância que tinha há décadas, pois os divórcios e as famílias monoparentais têm aumentado, ao passo que o número de pessoas por lar tem diminuído. Assim, o que se verifica atualmente, é que muitas pessoas optam por viver juntos e não casar, enquanto que outras preferem viver sozinhas, com ou sem filhos, sendo mais frequente encontrar pais solteiros no norte da Europa, que no sul. A socialização de rede como uma figuração Cada indivíduo estabelece uma relação recíproca e mútua com a sociedade envolvente, estando inserido em várias redes sociais. No entanto, a extensão dessas redes depende da constituição das famílias. Se a família for constituída por pai, mãe e filhos, a rede social da mesma vai ser real e intensa, englobando muitos contatos, com a família, amigos, vizinhos, pessoas na escola, no trabalho, entre outros. No caso de a família ser monoparental, esta rede é menos alargada, limitando-se às pessoas conhecidas pela mãe/pai e pelos filhos. Nesse caso, existem poucos contatos no domínio das redes primárias (com família, amigos, vizinhos, etc.), mas mais contatos com instituições e pessoas no setor das redes secundárias (por exemplo, com um assistente social.) Se uma pessoa viver sozinha, a sua rede social será menos extensa e, por consequente, mais pobre e frágil que as duas anteriores, pois esse interage com menos pessoas. 67 A importância das redes sociais na sociedade e no apoio social As redes sociais têm um importante relevo, tanto na sociedade como no apoio à vida diária de todas as pessoas, sendo este termo utilizado em diferentes ciências sociais, como a sociologia, a ciência política, a psicologia e a economia. Para a investigação de redes sociais na sociedade, foram desenvolvidos nove critérios por Clyde Mitchel, embora, por vezes, só uma seleção dos mesmos seja utilizada na realização desta. Existem três tipos de redes sociais: • Redes sociais primárias ou microssociais - Este tipo de rede é muito importante na vida diária de todas as pessoas e referem-se à família, amigos, vizinhos, etc. • Redes sociais secundárias ou macrossociais - Este tipo de rede corresponde a todos os contatos que uma pessoa tem com instituições (local de trabalho, escola, jardim de infância, serviços econômicos, serviços sociais, etc.) Hoje, há cada vez mais pessoas a precisar e a depender de instituições, de modo a conseguir, por exemplo, arranjar empréstimos ou emprego. • Redes sociais terciárias ou intermédias Estas redes podem ser de três tipos: - Grupos de autoajuda (Alcoólicos Anônimos ou Toxicodependentes Anônimos) - Serviços profissionais – funcionam como mediadores entre o estado e o indivíduo, podendo ser representados por advogados, contabilistas, assistentes sociais, entre outros. - Organizações não governamentais (ONG) - Englobam organizações, como a Greenpeace, a Anistia, o movimento feminista para criar um abrigo de mulheres contra a violência ou o movimento para a proteção de fauna vegetariana. Apoio social e trabalho social 68 O apoio social, bem como o assistente é indispensável na vida de qualquer pessoa e quem beneficia deste apoio terá maior capacidade, para lidar com crises pessoais e situações de stress. Existem várias formas de apoio social: • Apoio emocional diz respeito, à aceitação e reconhecimento dos nossos problemas, por outras pessoas, estabelecendo-se uma relação de confiança, na qual uma pessoa ouve a outra, sem criticar e julgar; • Apoio para encontrar soluções para problemas. Corresponde aos conselhos e recomendações que outros nos podem dar, no sentido de conseguirmos resolver os nossos problemas; • Apoio prático e material, apoio que pode ser dado, com o objetivo de resolver problemas econômicos, psicológicos, entre outros (apoio concedido pelo estado, pelo subsídio de desemprego, por um psicólogo, por um assistente social, etc.) • Integração Social - acordo sobre valores e princípios de vida; • Nas Relações Confiança e segurança nas relações importantes. Efeitos do apoio das redes sociais primárias: • Família - É muito importante para a vida diária de uma pessoa, sendo a primeira instituição onde se recorre para pedir ajuda e apoio; • Redes de apoio social de casais - Os membros dos casais apoiam-se entre si numa rede particular; • Redes de apoio social de jovens pais - Estas redes demonstram ser bastante alargadas em situações sociais difíceis; • Redes de apoio social de mulheres - São maiores e mais eficientes que as dos homens; 69 • Redes de apoio social de pai/mãe solitários; • Redes de apoio social de grupo de pares - Têm uma grande importância nos jovens, dado que contribuem para o desenvolvimento dos seus sistemas de valores, bem como da sua personalidade; • Redes de apoio social dos homens - São estabelecidas majoritariamente no domínio profissional. Efeitos do apoio das redes sociais secundárias: • Escola- Trata-se de uma rede macrossocial, revelando-se em um local de extrema importância para os jovens, quando o meio familiar se encontra desequilibrado, sendo este um espaço diferente, onde os alunos se encontram afastados por algum tempo, dos problemas e distúrbios familiares; • Serviços Sociais - Estão incluídos também em uma rede macrossocial, sendo para muitas pessoas, o único contato com o exterior; • Apoio social no trabalho por colegas – Esta rede tem um importante relevo na vida dos trabalhadores, pois dificulta o surgimento de problemas sociopsicológicos, que poderiam ocorrer em uma situação de desemprego prolongado, na qual as pessoas deixam de ter contato direto com antigos colegas de trabalho. Efeitos do apoio das redes sociais intermédias terciárias: • Grupos de autoajuda – Demonstram ser um importante meio, através do qual as pessoas com determinadas dependências podem encontrar alguma estabilidade física e psicológica. • Assistentes informais – Podem ser massagistas, cabeleireiros, condutores de táxi, entre outros, que funcionam, por vezes, como conselheiros, ouvindo os seus clientes falar/desabafar sobre os seus problemas, sem pedir nada em troca. 70 As redes sociais que foram enumeradas devem ser tidas em conta pelo assistente social, de modo a que este possa realizar o diagnóstico social e encontrar soluções para o problema do assistido. O Trabalho nas Redes Sociais como Modelo e Método de Ação As Concepções de Rede Social podem ser utilizadas em diversos conceitos e modelos de ação no vasto campo do trabalho social. A Rede Social é considerada como um método suplementar ao trabalho social tradicional. Abordagens e Desígnios do Trabalho nas Redes Sociais O conceito de rede social é aplicado em diferentes campos tradicionais do trabalho social. Esse visa amplificar, alargar e aprofundar na prática o conhecimento do trabalhador social. Neste trabalho com as redes sociais, o trabalhador social recebe diversas informações pessoais, sobre as redes particulares do Cliente. Assim, o método do trabalho social, como uma tecnologia social, não é muito eficaz. Pode-se verificar que a informação de rede sobre o cliente seja utilizada contra ele, em vez de ser ao seu favor. Surgem então alguns princípios indispensáveis do trabalho com as Redes Sociais: - A análise das Redes Sociais tem que respeitar a personalidade do cliente, ou seja, o cliente deve ser informado sobre os procedimentos e as consequências. - Os Clientes têm que estar de acordo, quando as informações sobre as suas redes pessoais e sociais são documentadas. - O Trabalhador Social, tem que explicar a função de controlo ao cliente. 71 - Este deve também ser confidencial e cuidadoso, no que diz respeito à avaliação das ações do cliente, que tem “direito a sentimentos e estados de espíritos próprios”. - Todo o trabalhador social, deve estar consciente de que “uma rede social é um recurso pessoal para um cliente,” este não deve ser destruído por uma intervenção inconveniente e inapropriada. Como forma de utilizar o método da Rede Social, o trabalhador social deve seguir algumas competências, tais como: - Competência Social, que tem como objetivo a capacidade de comunicação, o trabalho de equipe, a gestão de conflitos e uma sensibilidade refletiva. - Competência própria, que visa à capacidade de autogestão, como por exemplo: a gestão do tempo e a forma de lidar com o Stress. - Competência do método, que engloba a capacidade científica, analítica, ética e de avaliação. Aconselhamento no Trabalho com Redes Sociais No que diz respeito ao aconselhamento no trabalho com Redes Sociais, esse procura eliminar os obstáculos existentes no comportamento do cliente, de forma a encontrar um novo apoio social, na sua rede social existente. Este aconselhamento do trabalhador social desenvolve uma “reflexão/pensamento acerca do trabalho com Redes”, com o objetivo de encontrar novas possibilidades de ajuda. A autoajuda Um trabalhador que esteja integrado no Ramo da autoajuda pode dar muito apoio por meio do trabalho com Redes Sociais. Nomeadamente no que se refere à: - Mediação de e para um cliente, de forma a encontrar um grupo de autoajuda; 72 - Publicação de um documento em que estejam registrados todos os grupos de autoajuda existentes na cidade/região (objetivos, moradas, horários de funcionamento); - Criação de uma infraestrutura, como por exemplo, pontos de encontro e equipamento técnico (telefone, fax, correio eletrônico, internet.); - Organização de redes intermédias, criando uma ligação entre instituições profissionais e grupos de autoajuda; - Colocação de grupos de autoajuda em rede, pela troca de informações e experiências; - Instalação dos diferentes centros de ajuda em rede a um nível nacional. A Capacitação O conceito de capacitação emerge de uma discussão dentro do trabalho social americano. Esse pressupõe um processo pelo qual, os clientes, são encorajados a procurar e mobilizar as suas próprias competências e recursos. Os Clientes devem aprender a reconhecer o seu próprio trabalho de forma a atuarem por si. Na prática, esta capacitação tem um plano fundamental: - Ao nível individual, “uma gestão de apoio familiar de forma a mobilizar os recursos dos clientes”. - Ao nível do grupo, “uma gestão de apoio para facilitar as possibilidades a auto- organização.” - Ao nível institucional, “uma gestão de apoio para encorajar a participação do cliente e a intervenção em discussões públicas acerca das políticas sociais.” Colocar os Serviços Sociais em Rede O Cliente tem imensas dificuldades, em conhecer e procurar o serviço certo para o seu problema, devido à especialização e burocratização dos serviços sociais. 73 É necessária uma coordenação, devido ao fato de esses serviços, ao mesmo tempo trabalharem, separadamente e em paralelo. A colocação dos Serviços em rede pressupõe três abordagens distintas: - Recolha de informações disponíveis de todos os serviços sociais em uma vila, cidade ou região, de forma a difundir ofertas disponíveis, sem esquecer a discriminação dos objetivos, tarefas, moradas, números de telefone, moradas eletrônicas, páginas na Internet e horários de funcionamento. - “Coordenação das atividades”, com o objetivo de evitar trabalho redobrado. - “Cooperação entre os serviços sociais” de forma a que trabalhem juntos em benefício do cliente. A vantagem de trabalhar em rede é dupla, verificando-se uma maior competência e responsabilidade pelo cliente devido à troca de informações e de cooperação. Existe também uma democratização e um aumento na produtividade do trabalho social, pois no trabalho em rede existe menos hierarquia e consequentemente menos passos e procedimentos burocráticos. Trabalho Comunitário No trabalho comunitário, a utilização de redes sociais significa que o trabalhador social é um mediador diário entre o “mundo/esfera de vida” e “mundo/esfera de sistemas”. O mundo da vida rege-se pelos contatos pessoais, ou seja, a orientação de valores e a linguagem de dentro das redes sociais primárias do indivíduo (família, amigos e colegas). No que diz respeito ao mundo de Sistemas, este é constituído pelas instituições políticas, econômicas e sociais, que alguém com educação (alta), nem sempre consegue compreender. O trabalhador comunitário age como um intérprete entre estes dois mundos e traduz a linguagem entre as pessoas que trabalham e vivem nos dois sistemas. Gestão de Apoio 74 Um gestor que trabalha com redes sociais, nãosó coordena os casos dos seus clientes, como também atua e funciona em diferentes papéis no âmbito da sua atividade profissional. Esse deve não só, ser conselheiro de trabalho em redes sociais, mas também, coordenador de serviços sociais em uma cidade ou região. Deve trabalhar de forma multifuncional, com o objetivo de integrar estas diferentes dimensões. Técnicas do Trabalho Social com Redes Mapa de Rede O Mapa de rede é uma técnica muito importante na abordagem do trabalho social, em redes. Esta pressupõe uma análise em três pontos da rede social de um cliente: - A Rede Social Atual; - A Rede Social Desejada pelo Cliente; - A Génese de Rede Social no Passado para descobrir contatos “antigos”. Usualmente o mapa de rede é constituído por quatro campos para a Família (I), Parentes (II), Trabalho ou Escola (III), e outras pessoas em contato (IV). Existe também um mapa com seis campos, sendo o quarto campo dividido em amigos, vizinhos e assistentes profissionais. Quadro de Rede Social O quadro de rede social é um quadro composto por pequenas figuras de madeira de diferentes tamanhos e de cores diferentes, todas elas com uma cara simplificada. Por meio deste quadro de rede social, o trabalhador pede ao cliente para colocar as figuras (as pessoas da sua rede social) no quadro, ilustrando a forma como as relações do cliente são na realidade. Após o cliente dar uma explicação sobre a configuração da sua rede pessoal, o trabalhador social pode questionar, por exemplo, o que acontecerá se uma pessoa da rede 75 dele/dela faltasse, ou tivesse outra posição no quadro. Por esse método o trabalhador social pode criar cenários alternativos de forma a clarificar as oportunidades na rede, para analisar as estratégias e procurar encontrar novas estruturas de apoio em uma rede remodelada. Conferência de assistente e de Rede Uma conferência de assistente consiste em uma reunião de todos os trabalhadores sociais de diferentes serviços sociais, que estão em contato com o cliente. Esta abordagem também inclui outros profissionais que estão a ajudar o cliente, tais como psiquiatras, terapeutas, psicólogos, etc. Todos eles discutem e procuram encontrar soluções. O cliente também participa nesta conferência, mas só apenas ele/ela e não outros membros da sua rede social. Esta conferência é mais do que uma conferência de assistente, isto devido a todos os outros membros da rede social serem convidados a participar, para discutir os problemas e juntamente com os profissionais, encontrar soluções para o cliente. O trabalho com Redes Sociais é uma ferramenta fundamental, para analisar com mais eficácia as relações sociais dos clientes e para encontrar também possibilidades de mobilização de recursos nas Redes a favor e de acordo com as necessidades do cliente. Como visto o trabalho com redes sociais é bem amplo, complexo e exige do profissional do serviço social, diversas competências, conhecimentos, habilidades e atitudes. Vivemos em sociedade. Somos seres sociais. Desde o nascimento aprendemos a conviver, a compartilhar, a dividir emoções, criamos laços afetivos com outras pessoas, aprendemos que dependemos do outro para viver. Dadas às transformações culturais, econômicas, políticas e sociais em âmbito global que estamos vivenciando, tem se demarcado cotidianamente a necessidade de socialização de informações, mas, principalmente, de compartilhamento de espaços e de conhecimento, bem como de construções coletivas na perspectiva do fortalecimento das relações sociais constituídas pelo humano na vida em sociedade. (LOPES, 2008. p. 120) 76 Durante nossa vida, nos inserimos em diversos grupos sociais, seja família, seja no trabalho, na escola, com os amigos, etc., ora temos participações mais ativas ora agimos como observantes não participativos. Mas sempre em grupo, em rede. Entretanto, ao exercemos alguma função num grupo social, estamos exercendo relações de poder. Segundo Lopes (2008, p.120), “... o que está implicado aí é muito mais o quê e o quanto o poder ou a perda dele na vida dos sujeitos repercute nas relações sociais constituídas por ele”. FIGURA 39 - REDE SOCIAL O termo rede social é utilizado em alguns ambientes de atuação do assistente social e é conceituado – nesse cenário – como um processo de troca de informações ou serviços, seja entre organizações, seja entre profissionais liberais e autônomos, para designar um processo de construção coletiva. O centro de uma rede social é o próprio ser humano. É ele quem dá vazão e sentido a uma rede e, em contrapartida esse mesmo ser humano passar a ter importância social ao ser FONTE: Disponível em: <http://universidicas.blogspot.com.br/2011/10/conheca-todas-as-redes- sociais-do-mundo.html>. Acesso em: 20.08.2012. 77 pertencente a um grupo, enaltecendo, dessa forma, o conceito de inclusão social e ainda dá ao indivíduo acesso aos direitos sociais. Redes sociais podem ser entendidas como algo entrelaçado. Onde sujeito e meio estão interagindo constantemente, construindo novas relações e produzindo novos conhecimentos. FIGURA 38 - REDES SOCIAIS Rede é uma articulação de atores em torno....de uma questão disputada, de uma questão ao mesmo tempo política, social, profundamente complexa e processualmente dialética. Trabalhar em rede é muito mais difícil que empreender a mudança de comportamento, bastando para isto um bom marketing, ou realizar, a intervenção no meio, ou estimular o eu, e mesmo reivindicar serviços. É a superação do voluntarismo e do determinismo, da impotência diante da estrutura e da onipotência da crença de tudo poder mudar. Na intervenção de redes, o profissional não se vê nem impotente nem onipotente, mas como um sujeito inserido nas relações sociais para fortalecer, a partir das questões históricas do sujeito e das suas relações particulares, as relações destes mesmos sujeitos para ampliação de seu poder, de uma teoria relacional de construção da trajetória. (FALEIROS, 1999. p. 25) FONTE: Disponível em: <http://lucianagferreira.wordpress.com/2011/10/20/alguns- pontos-sobre-redes-sociais-relembrando/>. Acesso em20.08.2012 78 Assim, ao se trabalhar em redes, supera-se o individual para dar-se espaço ao coletivo. Para que se cumpra o objetivo maior do serviço social que é a solidariedade, emancipação dos sujeitos, preservação da cidadania e dos direitos sociais. 6.2 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM SERVIÇO SOCIAL Estamos chegando à última parte do nosso curso. Estudamos até agora a história do serviço social, as possibilidades de atuação e intervenção, o perfil do profissional, a formação educacional necessária, entre outros aspectos. Entretanto, este é um profissional que pode atuar também de forma autônoma, por meio de prestação de serviços de assessoria e consultoria. Você sabe o que significa assessoria? FIGURA 39 - REFLEXÃO FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/photo/1389645>. Acesso em: 20.08.2012. 79 Assessoria é a ação de assessorar algo ou alguém na realização de uma atividade. Paralelamente, é o momento em que dados são coletados e analisados. Já a consultoria é o momento que alguma orientação, conselho ou direcionamento é dado a aquele que contrata o serviço de consultoria. O consultor emite uma opinião a partir de sua experiência no assunto. É uma pessoa com notório saber em alguma área. Portanto, assessoriae consultoria referem-se a “ação desenvolvida por um profissional com conhecimentos na área, que toma a realidade como objeto de estudo e detém uma intenção de alteração da realidade”. (LOPES, 2008.p. 124 apud MATOS, 2006.p. 31-32). É indispensável falar que para tal prestação de serviço, a graduação em serviço social, em curso devidamente reconhecido pelo MEC – Ministério da Educação e Cultura, bem como o registro do profissional junto ao Conselho Regional de região. Outra consideração antes de prestar esses serviços é o entendimento de que aquele que busca um assessoramento é leigo no assunto. Se não fosse, não precisaria de um profissional capacitado e competente. Assim, o profissional deve ser humilde, agir com destreza e parcimônia. Ainda, uma prestação de serviço só é eficaz quando ela agrega valor para ambos os lados. É uma relação de parceria, no qual a construção é coletiva e o ganho e os benefícios devem ser agregados para todas as partes envolvidas. Evidentemente que para exercer tais funções, o assistente social deve ter certa caminhada, experiência, visão sistêmica e conhecimento teórico e prático, pois são esses fatores que permitirão a ele desenvolver um bom trabalho. Para finalizar: 80 O trabalho de assessoria no serviço social deve ser compreendido como uma atribuição e competência que supere a própria ação. Deve estar fundamentada sobre princípios emancipatórios que possibilitem a formulação de um trabalho que envolva os sujeitos sociais, privilegiando a participação social, a tomada de decisões e, por sua vez, a organização política dos usuários. (LOPES, 2008. p. 125) 81 REFERÊNCIAS CAMPOS DE ATUAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL. Disponível em: <http://sscontemporaneo.wordpress.com/campos-de-atuacao>. Acesso em: 16 jul. 2012 FALEIROS, Vicente de P. Desafios do Serviço Social na era da globalização. Revista de Serviço Social & Sociedade nº 61. São Paulo: Cortez, novembro, 1999. FAUSTINI, Márcia S. A. 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