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2018 spAs e terApiAs ALternAtiVAs Prof.ª Carolina Ferreira Leite Sicchierolli Prof.ª Milliana Henrique Devilla Copyright © UNIASSELVI 2018 Elaboração: Prof.ª Carolina Ferreira Leite Sicchierolli Prof.ª Milliana Henrique Devilla Revisão, Diagramação e Produção: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfi ca elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. SI565s Sicchierolli, Carolina Ferreira Leite Spas e terapias alternativas. / Carolina Ferreira Leite Sicchierolli; Milliana Henrique Devilla. – Indaial: UNIASSELVI, 2018. 274 p.; il. ISBN 978-85-515-0214-3 1. Saúde. – Brasil. 2.Terapias Alternativas. – Brasil. I. Devilla, Milliana Henrique. II. Centro Universitário Leonardo Da Vinci. CDD 615.5 Impresso por: III ApresentAção Olá, prezado acadêmico! Este Livro de Estudos irá lhe mostrar as diversas técnicas e procedi- mentos utilizados nas prestações de serviços que um spa e clínicas de bem-es- tar oferecem a um público extremamente diferenciado e exigente. Vamos apresentar a você a visão do mundo oriental, o conhecimento sobre a Medicina Tradicional Chinesa e entender como podemos aplicar seus conceitos e suas abordagens para manter a saúde. Vamos, ainda, conhecer as técnicas ocidentais de massagens, suas in- dicações e contraindicações, bem como suas manobras e seus recursos com- plementares. Você irá aprender como se preparar e também como preparar o am- biente de trabalho com qualidade para um bom atendimento, personalizado e acolhedor. Aprenderá as técnicas de terapias complementares aos protocolos clássicos, como aplicação de florais, reflexologia, cromoterapia, terapias de pedras quentes e frias, e bambuterapia. Irá compreender técnicas de massagens gerais e locais, onde você per- ceberá que muitas técnicas atuais na área de spa são antigas e derivam das técnicas orientais, e passando por uma “ocidentalização” e aperfeiçoamento, como a ventosaterapia, a massagem com velas, balneoterapia, talassoterapia, algoterapia, argilaterapia e outras. E para complementar seus estudos, você irá se atualizar em técnicas clássicas de massoterapia e os conceitos, efeitos, contraindicações e execução de manobras de quick massagem, shiatsu facial e corporal e massagem ayur- védica. Bom estudo! Prof.ª Carolina Sicchierolli Prof.ª Milliana Henrique Devilla IV Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfi m, tanto para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades em nosso material. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto em questão. Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar seus estudos com um material de qualidade. Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE. Bons estudos! UNI Olá acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você e dinamizar ainda mais os seus estudos, a Uniasselvi disponibiliza materiais que possuem o código QR Code, que é um código que permite que você acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só aproveitar mais essa facilidade para aprimorar seus estudos! UNI V VI VII sumário UNIDADE 1 NOÇÕES BÁSICAS SOBRE MEDICINA TRADICIONAL CHINESA À INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS INDICAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES, MANOBRAS E MOVIMENTOS ................................ 1 TÓPICO 1 - NOÇÕES BÁSICAS SOBRE A MEDICINA TRADICIONAL CHINESA ............ 3 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 3 2 OS PRINCÍPIOS CRIADORES .......................................................................................................... 4 2.1 O TAO ............................................................................................................................................... 4 2.2 A RELAÇÃO YIN E YANG ........................................................................................................... 5 2.3 A ENERGIA VITAL E AS SUBSTÂNCIAS VITAIS .................................................................... 6 3 OS CINCO ELEMENTOS ................................................................................................................... 7 4 OS MERIDIANOS DE ENERGIA .................................................................................................... 10 4.1 A GRANDE CIRCULAÇÃO ENERGÉTICA .............................................................................. 17 4.2 A PEQUENA CIRCULAÇÃO ENERGÉTICA ............................................................................ 19 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 20 RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 21 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 22 TÓPICO 2 - VISÃO DA MEDICINA ORIENTAL SOBRE SAÚDE ............................................. 23 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 23 2 CAUSAS DAS DOENÇAS ................................................................................................................. 24 2.1 CAUSAS INTERNAS ..................................................................................................................... 24 2.2 CAUSAS EXTERNAS ..................................................................................................................... 26 3 DIAGNÓSTICO NA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA ................................................. 27 3.1 TÉCNICAS DE DIAGNÓSTICO ................................................................................................... 27 3.2 PRINCÍPIOS DE TRATAMENTO ................................................................................................. 30 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 33 RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 35 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 36 TÓPICO 3 - CONHECIMENTO BÁSICO E APRESENTAÇÃO DE TÉCNICAS ORIENTAIS .......................................................................................................................37 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 37 2 AROMATERAPIA ............................................................................................................................... 37 2.1 HISTÓRIA DA AROMATERAPIA ............................................................................................... 38 2.2 COMO FUNCIONA A AROMATERAPIA ................................................................................. 41 2.3 FICHAS DOS ÓLEOS ESSENCIAIS ............................................................................................. 41 2.4 APLICAÇÃO PRÁTICA DA AROMATERAPIA ....................................................................... 57 3 BANHOS TERAPÊUTICOS .............................................................................................................. 59 4 CROMOTERAPIA ............................................................................................................................... 61 5 SHIATSU ............................................................................................................................................... 63 5.1 SHIATSU E ESTÉTICA ................................................................................................................... 64 5.2 HISTÓRICO ..................................................................................................................................... 64 5.3 A TÉCNICA E SEUS PRINCÍPIOS ............................................................................................... 65 VIII 5.4 A PRÁTICA ...................................................................................................................................... 66 6 QUICK MASSAGE ............................................................................................................................... 67 7 REFLEXOLOGIA PODAL .................................................................................................................. 68 7.1 HISTÓRICO ..................................................................................................................................... 68 7.2 A TÉCNICA E SEUS PRINCÍPIOS ............................................................................................... 69 7.3 APLICAÇÃO PRÁTICA ................................................................................................................ 70 8 DO-IN ..................................................................................................................................................... 72 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 75 RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 78 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 79 TÓPICO 4 - INTRODUÇÃO À MASSOTERAPIA .......................................................................... 81 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 81 2 HISTÓRIA DA MASSAGEM ........................................................................................................... 81 3 MÉTODOS E MANOBRAS DA TÉCNICA DE MASSAGEM CLÁSSICA ............................. 84 3.1 MANOBRAS CLÁSSICAS E SEUS EFEITOS .............................................................................. 84 3.2 MÉTODOS DE APLICAÇÃO ........................................................................................................ 85 4 INDICAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES DA MASSAGEM CLÁSSICA .............................. 86 5 COMPONENTES DA MASSAGEM CLÁSSICA .......................................................................... 87 6 EFEITOS FISIOLÓGICOS DA MASSAGEM CLÁSSICA .......................................................... 88 RESUMO DO TÓPICO 4 ....................................................................................................................... 90 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 91 TÓPICO 5 - PROFISSIONAL DE ESTÉTICA ................................................................................... 93 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 93 2 RECONHECIMENTO E REGULAMENTAÇÃO DO PROFISSIONAL DE ESTÉTICA ....... 93 3 ÉTICA E POSTURA PROFISSIONAL ............................................................................................ 95 3.1 POSTURA PROFISSIONAL .......................................................................................................... 96 3.2 O SIGILO PROFISSIONAL ............................................................................................................ 97 4 CONDIÇÕES E AMBIENTE DE TRABALHO .............................................................................. 98 4.1 O PREPARO DO PROFISSIONAL ............................................................................................... 98 4.2 AMBIENTE DE TRABALHO ........................................................................................................ 99 4.3 A ESCOLHA DO PRODUTO ........................................................................................................ 100 4.4 DRAPEJAMENTO .......................................................................................................................... 101 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 102 RESUMO DO TÓPICO 5 ....................................................................................................................... 104 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 105 UNIDADE 2 - TIPOS DE MASSAGEM E TÉCNICAS ................................................................... 107 TÓPICO 1 - AMBIENTE PARA A MASSAGEM .............................................................................. 109 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 109 2 O LUGAR IDEAL ................................................................................................................................. 109 3 A BIOSSEGURANÇA ......................................................................................................................... 111 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 112 RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 114 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 115 TÓPICO 2 - MASSAGEM GERAL E LOCAL ................................................................................... 117 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 117 2 O QUE É MASSAGEM? ..................................................................................................................... 117 3 A DIFERENÇA ENTRE MASSAGEM GERAL E LOCAL ...........................................................118 RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 122 IX AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 123 TÓPICO 3 - TÉCNICAS DE MASSAGEM OCIDENTAL .............................................................. 125 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 125 2 A ARTE DO TOQUE ........................................................................................................................... 126 3 MASSAGEM RELAXANTE ............................................................................................................... 127 3.1 O RELAXAMENTO ........................................................................................................................ 127 3.2 AS INDICAÇÕES ............................................................................................................................ 128 3.3 A PRÁTICA ...................................................................................................................................... 128 4 MASSAGEM TERAPÊUTICA .......................................................................................................... 130 5 MASSAGEM DESPORTIVA ............................................................................................................. 131 5.1 OBJETIVOS ...................................................................................................................................... 131 5.2 INDICAÇÕES E BENEFÍCIOS ...................................................................................................... 132 5.3 SEQUÊNCIA PRÁTICA ................................................................................................................. 133 6 MASSAGEM ESTÉTICA ................................................................................................................... 134 6.1 EFEITOS FISIOLÓGICOS .............................................................................................................. 134 6.1.1 Efeito reflexo .......................................................................................................................... 134 6.1.2 Efeito mecânico ...................................................................................................................... 134 6.1.3 Efeito muscular ...................................................................................................................... 135 6.1.4 Efeito vascular ........................................................................................................................ 135 6.1.5 Efeito nervoso ........................................................................................................................ 136 6.2 COMPONENTES DA MASSAGEM MODELADORA ............................................................. 136 6.3 ORIENTAÇÕES PARA TRABALHAR COM MASSAGEM MODELADORA ...................... 136 6.4 INDICAÇÕES .................................................................................................................................. 137 6.5 SEQUÊNCIA DE MASSAGEM MODELADORA ...................................................................... 138 6.5.1 Facial ........................................................................................................................................ 138 6.5.2 Corporal ................................................................................................................................... 138 7 MASSAGEM NA GRAVIDEZ .......................................................................................................... 140 8 DRENAGEM LINFÁTICA MANUAL (DLM) ............................................................................... 141 8.1 FUNÇÕES DO SISTEMA LINFÁTICO ........................................................................................ 142 8.1.1 Retorno de proteínas à circulação ....................................................................................... 142 8.1.2 Drenagem de líquido em excesso no espaço intersticial .................................................. 142 8.1.3 Filtração da linfa pelos gânglios linfáticos ......................................................................... 143 8.2 RELAÇÃO ENTRE O SISTEMA LINFÁTICO E O SISTEMA SANGUÍNEO ........................ 143 8.3 EFEITOS DA DRENAGEM LINFÁTICA MANUAL ................................................................ 143 8.3.1 Influência direta da drenagem linfática .............................................................................. 144 8.3.2 Influência indireta da drenagem linfática .......................................................................... 144 8.4 INDICAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES .................................................................................. 145 8.5 A PRÁTICA DA DRENAGEM LINFÁTICA MANUAL .......................................................... 145 8.6 TIPOS DE EDEMA .......................................................................................................................... 147 8.7 SEQUÊNCIA DE DRENAGEM LINFÁTICA CORPORAL ...................................................... 149 8.7.1 Abdômen ................................................................................................................................. 149 8.7.2 Membros inferiores ................................................................................................................ 150 8.7.3 Glúteos ..................................................................................................................................... 152 8.7.4 Mama ....................................................................................................................................... 153 8.7.5 Membros Superiores .............................................................................................................. 154 8.7.6 Costas ....................................................................................................................................... 156 8.8 SEQUÊNCIA DE DRENAGEM LINFÁTICA FACIAL ............................................................. 157 RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 161 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 162 X TÓPICO 4 - TÉCNICAS DE MASSAGEM FACIAL ........................................................................ 163 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 163 2 LIFTING MANUAL COSMÉTICO ................................................................................................. 163 3 MANOBRAS DO LIFTING MANUAL COSMÉTICO ................................................................ 164 4 MASSAGEM RELAXANTE FACIAL ............................................................................................... 167 5 MANOBRAS DE MASSAGEM RELAXANTE .............................................................................. 167 RESUMO DO TÓPICO 4 ....................................................................................................................... 170 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................171 TÓPICO 5 - TÉCNICAS DE MASSAGEM CORPORAL ................................................................ 173 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 173 2 MANOBRAS CLÁSSICAS E SEUS EFEITOS ............................................................................... 173 2.1 MANOBRA DE EFFLEURAGE ..................................................................................................... 173 2.2 MANOBRA DE DESLIZAMENTO PROFUNDO ...................................................................... 174 2.3 MANOBRA PETRISSAGE OU AMASSAMENTO .................................................................... 175 2.4 PERCUSSÃO OU TAPOTAGEM .................................................................................................. 175 2.5 MANOBRA DE VIBRAÇÃO ......................................................................................................... 176 3 INDICAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES ..................................................................................... 176 3.1 INDICAÇÕES .................................................................................................................................. 176 3.2 CONTRAINDICAÇÕES ................................................................................................................ 177 RESUMO DO TÓPICO 5 ....................................................................................................................... 178 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 179 TÓPICO 6 - TÉCNICAS DE MASSAGEM CAPILAR ..................................................................... 181 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 181 2 CONHECENDO O COURO CABELUDO ...................................................................................... 181 3 TÉCNICAS DE MASSAGEM ............................................................................................................ 182 3.1 TÉCNICA DE MASSAGEM CAPILAR CLÁSSICA ................................................................. 182 3.2 TÉCNICA DE MASSAGEM CAPILAR PONTUAL OU PRESSOPUNTURA ....................... 183 4 CONTRAINDICAÇÕES .................................................................................................................... 184 RESUMO DO TÓPICO 6 ....................................................................................................................... 185 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 186 UNIDADE 3 - DOS TRATAMENTOS OFERECIDOS POR UM SPA, CONCEITOS, APLICAÇÃO E TERAPIAS ATUAIS NA ÁREA ................................................... 187 TÓPICO 1 - CONCEITO E APLICAÇÃO DE CROMOTERAPIA. TERAPIAS DAS PEDRAS QUENTES E FRIAS. BAMBUTERAPIA ...................................................................... 189 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 189 2 CONCEITO E APLICAÇÃO DE CROMOTERAPIA .................................................................... 189 3 COMO FUNCIONA A CROMOTERAPIA ..................................................................................... 191 4 COMO SE APLICA A CROMOTERAPIA ...................................................................................... 193 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 195 5 CONCEITO E APLICAÇÃO DE PEDRAS QUENTES E FRIAS ................................................ 202 6 TÉCNICA DE APLICAÇÃO .............................................................................................................. 203 7 CONCEITO E APLICAÇÃO DE BAMBUTERAPIA ..................................................................... 205 8 APLICACÃO DA TÉCNICA .............................................................................................................. 206 RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 208 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 209 XI TÓPICO 2 - CONCEITO, EFEITO, CONTRAINDICAÇÕES E TÉCNICAS DE APLICAÇÃO DE QUICK MASSAGEM. SHIATSU FACIAL E CORPORAL. MASSAGENS AYURVÉDICAS ................................................................................................................ 211 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 211 2 CONCEITO DE QUICK MASSAGEM ............................................................................................ 211 3 EFEITOS DA QUICK MASSAGEM ................................................................................................. 212 4 TÉCNICAS DE APLICAÇÃO DA QUICK MASSAGEM ........................................................... 212 5 SEQUÊNCIA DE MANOBRAS BÁSICAS PARA A SESSA~O DE QUICK MASSAGEM ........................................................................................................................................ 212 6 CONCEITO DE SHIATSU FACIAL E CORPORAL ..................................................................... 213 7 TÉCNICAS DE APLICAÇÃO ............................................................................................................ 214 8 EFEITOS E CONTRAINDICAÇÕES DAS TÉCNICAS DE SHIATSU ..................................... 217 8.1 EFEITOS ........................................................................................................................................... 217 8.2 CONTRAINDICAÇÕES RELATIVAS .......................................................................................... 217 8.3 CONTRAINDICAÇÕES ABSOLUTAS ........................................................................................ 217 9 CONCEITO DE MASSAGEM AYURVÉDICA .............................................................................. 217 10 EFEITOS DA MASSAGEM AYURVÉDICA ................................................................................. 218 11 TÉCNICA DE APLICAÇÃO DA MASSAGEM AYURVÉDICA .............................................. 218 12 CONTRAINDICAÇÕES DA MASSAGEM AYURVÉDICA ..................................................... 220 RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 221 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 222 TÓPICO 3 - TERAPIAS COM FLORAIS ........................................................................................... 223 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 223 2 CONCEITO ............................................................................................................................................ 223 3 APLICAÇÃO .......................................................................................................................................... 224 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 226 RESUMO DO TÓPICO 3 .......................................................................................................................228 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 229 TÓPICO 4 - REFLEXOLOGIA: ESTUDO DOS ESTÍMULOS NOS PÉS QUE PRODUZEM UMA RESPOSTA REFLEXA NUM DETERMINADO ÓRGÃO DO CORPO HUMANO .......................................................................................................................... 231 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 231 2 REFLEXOLOGIA E O MECANISMO DE AÇÃO .......................................................................... 231 3 LOCALIZAÇÃO DAS ZONAS REFLEXAS ................................................................................... 231 4 APLICAÇÃO DA TÉCNICA .............................................................................................................. 233 5 INDICAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES ..................................................................................... 234 RESUMO DO TÓPICO 4 ....................................................................................................................... 236 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 237 TÓPICO 5 - TERAPIAS ATUAIS NA ÁREA ..................................................................................... 239 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 239 2 TERAPIA ESTÉTICA NATURAL OU ESTÉTICA NATURAL ................................................... 239 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 240 3 TÉCNICA DE VENTOSATERAPIA DESLIZANTE ..................................................................... 242 4 OLIVATERAPIA OU TERAPIA DAS OLIVEIRAS ...................................................................... 243 5 TERAPIA DE MASSAGEM COM VELAS (CANDLE MASSAGE) .......................................... 243 6 TERAPIA DE MASSAGEM TIBETANA ......................................................................................... 244 RESUMO DO TÓPICO 5 ....................................................................................................................... 247 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 248 XII TÓPICO 6 - TRATAMENTOS OFERECIDOS POR UM SPA: ALGOTERAPIA, ARGILOTERAPIA, BALNEOTERAPIA, MASSOTERAPIA ................................... 249 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 249 2 ALGOTERAPIA ................................................................................................................................... 249 3 ARGILOTERAPIA ............................................................................................................................... 252 4 BALNEOTERAPIA .............................................................................................................................. 255 5 MASSOTERAPIA ................................................................................................................................ 258 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 260 RESUMO DO TÓPICO 6 ....................................................................................................................... 266 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 267 REFERÊNCIAS ........................................................................................................................................ 269 1 UNIDADE 1 NOÇÕES BÁSICAS SOBRE MEDICINA TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS INDICAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES, MANOBRAS E MOVIMENTOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir desta unidade, você será capaz de: • apresentar a Medicina Tradicional Chinesa (MTC); • conhecer os conceitos da MTC; • identificar os meridianos de energia; • apresentar as técnicas orientais; • conhecer massoterapia; • apresentar a massagem clássica e suas manobras. Esta unidade está dividida em cinco tópicos e, no final de cada um deles, você encontrará atividades que reforçarão o seu aprendizado. TÓPICO 1 – NOÇÕES BÁSICAS SOBRE A MEDICINA TRADICIONAL CHINESA TÓPICO 2 – VISÃO DA MEDICINA ORIENTAL SOBRE SAÚDE TÓPICO 3 – CONHECIMENTO BÁSICO E APRESENTAÇÃO DE TÉCNICAS ORIENTAIS TÓPICO 4 – INTRODUÇÃO À MASSOTERAPIA TÓPICO 5 – O PROFISSONAL DE ESTÉTICA 2 3 TÓPICO 1 UNIDADE 1 NOÇÕES BÁSICAS SOBRE A MEDICINA TRADICIONAL CHINESA 1 INTRODUÇÃO A Medicina Tradicional Chinesa (MTC) é tão antiga quanto a humanidade. A história da massagem faz parte da história da medicina e as raízes de ambas, encontradas há milênios, se confundem. É resultado do acúmulo de uma rica experiência milenar. Todo o conhecimento na MTC foi transmitido por meio oral até a dinastia Chou (1.122 a 256 a.C.), quando do aparecimento do Huang Di Nei Jing Su Wen. Não se sabe quem foi seu autor, mas supõe-se que tenha sido escrito por muitos médicos, porém a autoria foi atribuída ao legendário imperador Huang Di. Esse livro contém toda base filosófica, ciência do diagnóstico e tratamento por meio de agulhas e moxa (SILVA, 1997). É uma medicina tão completa e complexa que dificilmente encontraremos uma terapêutica que não esteja englobada em um de seus múltiplos aspectos. Acupuntura, moxa, massagem, do-in, shiatsu, fitoterapia, tai chi chuan, exercícios respiratórios, regras de higiene, meditação e dietas são expressões da “Arte de Curar” que os chineses conhecem desde a Pré-história. A base única, comum a todas, é o Equilíbrio Energético, que previne doenças e promove saúde. O principal objetivo do tratamento da MTC é a prevenção, a cura das doenças e a manutenção da saúde. A sua principal finalidade é elaborar uma história clínica, para conhecer os sintomas e sinais clínicos e assim definir as causas do problema, elaborar estratégias de tratamento e contribuir não só para minimizar sintomas, mas também para eliminar as causas. NOTA IMPORTANT E UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS 4 2 OS PRINCÍPIOS CRIADORES 2.1 O TAO O universo é visto pelos chineses como uma infinita rede de fluxos de energia, onde todas as áreas dessa rede são interdependentes, inter-relacionadas. No homem, tudo que acontece depende desta interdependência entre o meio ambiente e ele próprio, e dele em relação aos outros indivíduos (CHIA, 2008). O TAO é o princípio básico de todo universo. É o Poder Criador, é o Absoluto, a soma de todas as coisas, é o fundamento do ser e do não ser. Conforme escreveu Chuang Tsé: “O Tao possui realidade e clareza, mas nenhuma ação ou forma. Pode ser transmitido, mas não recebido. Pode ser atingido, mas não visto. Existe por si e através de si. Existia antes do céu e da terra, na verdade, por toda a eternidade. Ele é a razão da divindade dos deuses e da criação do mundo. Está acima do zênite, mas não lhe é inferior. Embora mais velho do que o mais idoso, não é velho” (apud SILVA, 1997). O homem, como elemento ativo dentro do universo, interage com ele influenciando na sua formação, transformação e destruição, e sendo influenciado pelas três possibilidades. Do TAO nasce a energia criadora de tudo queexiste. Esta energia essencial e única se manifesta em duas formas energéticas que constitui tudo o que existe: o YIN e o YANG. Todas as terapias e todos os aspectos terapêuticos da MTC partem do princípio de que tudo o que existe no universo é constituído por estas duas formas de energia. O símbolo que representa a alternância de YIN e YANG é chamado TAO. FIGURA 1 – SÍMBOLO DO TAO E DA RELAÇÃO YIN-YANG FONTE: Disponível em: <significados.com.br>. Acesso em: 8 fev. 2015. NOTA TÓPICO 1 | NOÇÕES BÁSICAS SOBRE A MEDICINA TRADICIONAL CHINESA 5 2.2 A RELAÇÃO YIN E YANG A relação das energias Yin e Yang considera o mundo como um todo e que esse todo é o resultado da unidade contraditória dos dois princípios. Chama-se Yin e Yang a reunião das duas partes opostas em todos os fenômenos e objetos em relação ao meio natural. A partir de uma energia única, temos uma diferenciação em duas energias: Yin e Yang são opostos e complementares. Uma só existe em relação a outra, não há manifestação isolada, nada é somente Yin ou somente Yang. Um contém o outro, um se transforma no outro, num jogo incessante de transformação. Não pode haver Yin sem Yang, nem Yang sem Yin. Neste confronto deve haver uma vitória e uma derrota, porém a superioridade de um sobre o outro vai acarretar em doença. Em um corpo saudável, os dois aspectos não coexistem de modo pacífico, mas se afrontam e se repelem mutuamente. Esta oposição cria um equilíbrio dinâmico e origina o desenvolvimento e a transformação dos objetos. A vitória de um aspecto sobre o outro é normal. A superioridade de um sobre o outro, não. Todos os fenômenos do universo encerram os dois aspectos opostos do Yin e do Yang, como o dia e a noite. A energia Yin é a que vem da Terra, num movimento ascendente, de abertura. A energia Yang é a que vem do Céu, num movimento descendente, de fechamento. O homem é um transformador de energia. Ele recebe as energias do Céu (Yang) e da Terra (Yin) e as transforma. A teoria do Yin e Yang classifica fenômenos e manifestações segundo vários critérios, entre eles: Caracteres físicos – tudo que é animado, em movimento, exterior, ascendente, quente, luminoso, funcional e que corresponde à ação é Yang. Tudo que está em repouso, tranquilo, interior, descendente, frio, sombrio, material e que corresponde a uma substância (matéria) é Yin. Natureza da manifestação – o céu está no alto, assim é Yang; a terra por baixo, então é Yin. A água é de natureza fria, escorre, é Yin. O fogo é de natureza quente, suas chamas se elevam, é Yang. Transformações – a princípio, o Yang transforma-se em Qi, e o Yin torna-se forma, matéria. UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS 6 Acesse <escoladafamilia.fde.sp.gov.br/lienchi/yineyang.doc> e leia um pouco mais sobre a relação Yin e Yang! 2.3 A ENERGIA VITAL E AS SUBSTÂNCIAS VITAIS Há milênios foi desenvolvido no Oriente um sistema filosófico, cultural, religioso e científico, relacionando uma energia com todas as coisas e, especialmente, com os seres vivos. Essa energia é conhecida como Ki no Japão, Qi na China, Prana na Índia e, atualmente, bioenergia no Ocidente. Os orientalistas que se referem aos escritos cosmológicos e filosóficos traduzem Qi como sopro, o sopro inicial que originou Yin-Yang, mas os acupuntores preferem utilizar a palavra "energia". Qi dá origem ao céu e à terra: os sopros ligeiros, mais Yang, sobem e formam o céu, enquanto os sopros pesados, mais Yin, descem e formam a terra. Entre o céu e a terra se encontra o homem, com energia própria e submetido às leis do céu e da terra (SILVA, 1997). Qi não é um conceito místico ou filosófico. Em Qi não se acredita, se sente. É preciso treino e sensibilização. A energia básica da vida é chamada de Qi (Ki). A energia vital ou Qi flui pelo corpo humano de forma regular. Esse fluxo regular de energia forma “canais” denominados meridianos, que promovem a circulação energética no corpo. Estudaremos os meridianos energéticos mais adiante. No corpo humano, o Qi é a força vital, a substância essencial da vida. Apesar de ser uma energia única, podemos classificar a energia Qi de três formas: a energia ancestral, de nascimento, que após o nascimento ainda precisa ser completada pelo Qi da nutrição; a energia da alimentação, ou Yang Qi, é a energia DICAS NOTA ESTUDOS FU TUROS TÓPICO 1 | NOÇÕES BÁSICAS SOBRE A MEDICINA TRADICIONAL CHINESA 7 essencial, proveniente do ar e dos alimentos; e a energia defensiva, ou Wei Qi, é responsável pela proteção e defesa do organismo, ou seja, pela imunidade. Quando o Wei Qi falha na proteção do corpo, tem-se o estado mórbido caracterizado por transpiração espontânea e aversão ao vento. Ocorre pela deficiência de Qi superficial e resulta em uma redução da defesa do corpo às doenças. O sangue é uma das substâncias vitais do corpo, chamado XUE. É um tipo de substância resultante da transformação da essência dos alimentos, produzida pela atividade funcional de Qi, que circula pelos vasos sanguíneos e nutre os tecidos do corpo. Onde o Qi se move, o sangue também se move. Quando comparamos, o sangue é Yin e Qi é Yang. Outra substância vital, básica e fundamental da constituição corpórea é chamada de JING. É uma substância refinada, composta da energia vital Qi, do sangue, dos líquidos orgânicos, além das substâncias nutritivas alimentares. Esta substância vital é armazenada no rim e é dividida em: pré-celestial (herdada dos pais) e pós-celestial (adquirida após o nascimento). Por fim, os alimentos e as bebidas que ingerimos, depois de absorvidos, são transformados em fluidos corporais. Estes fluidos são chamados de JIN YE. Esta substância vital representa todos os líquidos normais do organismo, incluindo o suor, a lágrima, a saliva, o muco e a urina. 3 OS CINCO ELEMENTOS A teoria dos cinco elementos considera que o universo é formado pelo movimento e pela transformação de cinco princípios básicos. Os cinco elementos não são apenas constituintes básicos da Natureza, e sim, cinco processos básicos, as qualidades, as fases de um ciclo ou a capacidade de modificação de um fenômeno. São representados por: Madeira, Fogo, Terra, Metal e Água. NOTA NOTA UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS 8 A teoria dos cinco elementos não foi aplicada à Medicina Chinesa através de todo seu desenvolvimento histórico, mas sua popularidade cresceu e diminuiu através dos séculos. A partir da Dinastia Han, a influência da teoria dos cinco elementos começou a diminuir, e foi só a partir da Dinastia Song (960-279 a. C.) que a teoria dos cinco elementos recuperou sua popularidade e foi sistematicamente aplicada no diagnóstico, na sintomatologia e no tratamento da Medicina Tradicional Chinesa (MACIOCIA, 1996). Existem relações constantes entre os cinco elementos. Eles se originam e são condicionados uns pelos outros. Seus movimentos e suas alterações realizam um ciclo ao longo do qual eles se sucedem continuamente, daí sua segunda denominação: os cinco movimentos. A interação entre os cinco elementos forma um ciclo criativo, no qual um elemento gera o outro, mas também restritivo (destrutivo), onde um elemento controla o outro. Os elementos geradores são chamados de mãe e os que são gerados são chamados de filho. Os elementos geram-se mutuamente na seguinte ordem: a madeira gera o fogo; o fogo gera a terra (sua combustão produz cinzas); a terra gera o metal (este nasce na terra); o metal gera água (quando se liquefaz); a água gera a madeira (porque a nutre); e a madeira gera o fogo (ao se queimar), fechando o ciclo. Esse constante movimento de geração levaria o universo a um desequilíbrio. Para frear esse processo, temos a lei da dominância agindosimultaneamente: a madeira domina a terra (as raízes das árvores a penetram); a terra domina a água (absorvendo-a); a água domina o fogo (apagando-o); o fogo domina o metal (fundindo-o); e o metal domina a madeira (a lâmina do machado abate a árvore). NOTA IMPORTANT E TÓPICO 1 | NOÇÕES BÁSICAS SOBRE A MEDICINA TRADICIONAL CHINESA 9 FIGURA 2 – CICLOS DOS CINCO ELEMENTOS FONTE: Disponível em: <medicinachinesapt.com>. Acesso em: 8 fev. 2015. Os cinco elementos representam cinco qualidades diferentes dos fenômenos naturais, cinco movimentos e cinco fases no ciclo das estações do ano. Representam ainda a relação entre diversos fenômenos internos e externos ao organismo, relacionados aos sentidos, órgãos, tecidos, emoções, cores, odores, sabores, sons, animais, climas, entre várias outras coisas. TABELA 1 – CARACTERÍSTICAS DOS CINCO ELEMENTOS ÁGUA BEXIGA RINS MADEIRA VESÍCULA BILIAR FÍGADO FOGO INTESTINO DELGADO CORAÇÃO TERRA ESTÔMAGO BAÇO-PÂNCREAS METAL INTESTINO GROSSO PULMÃO GERAÇÃO INIBIÇÃO CONTRAINIBIÇÃO UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS 10 FONTE: Disponível em: <graodeareia.com.br>. Acesso em: 8 fev. 2015. 4 OS MERIDIANOS DE ENERGIA A energia vital (Qi) flui pelo corpo humano de forma regular. Esse fluxo regular de energia forma “canais” denominados meridianos, que são a base da medicina oriental. Através dos meridianos podemos conseguir um equilíbrio energético do corpo/organismo. O livre fluxo de energia pelo nosso corpo é essencial para a saúde e o bem-estar físico e psicológico. Existem várias maneiras de atuarmos sobre a energia circulante nos meridianos, e cada maneira caracteriza uma terapia diferente (Ex.: acupuntura, shiatsu, do-in). Os meridianos são representados por uma grande “linha” de energia, que sobe e desce percorrendo o corpo humano da cabeça aos pés. Essa linha é dividida em 12 pedaços. Cada pedaço é um meridiano, portanto, existem 12 pares de meridianos de energia no corpo humano. Cada meridiano está relacionado a determinadas funções orgânicas e a certas características psicológicas e emocionais. Na sua maioria, os meridianos têm o nome do órgão que ocupa lugar de destaque dentro das funções a ele ligadas. O meridiano não é o órgão! Alguma dor ou reação ao longo de um meridiano não implica, necessariamente, um problema no órgão que o denomina. IMPORTANT E TÓPICO 1 | NOÇÕES BÁSICAS SOBRE A MEDICINA TRADICIONAL CHINESA 11 Ao longo dos meridianos encontramos pontos que condensam energia. Esses pontos são chamados de tsubos, cuja tradução é “buraco, abertura”. São pontos que nos permitem atuar sobre a energia dos meridianos de uma forma intensa. Os meridianos e seus pontos foram descobertos através da experiência prática. A localização dos meridianos e dos pontos é determinada pela natureza, o homem só os descobriu; primeiro, de forma empírica, agora com confirmação científica (PRADIPTO, 1986). Há dois tipos de sistemas internos: Yin (chamado Zang) e Yang (chamado Fu). O nome chinês para os sistemas internos é simplesmente Zangfu. A teoria Yin-Yang, quando aplicada ao corpo humano, faz uma diferenciação entre órgãos (Zang) e vísceras (Fu). Segundo George Soulié de Mourant, as vísceras (Fu), cujo ideograma chinês denota a ideia de "talher", são assim denominadas porque transformam em energia e sangue os materiais que recebem do exterior. O fato de estarem em relação com o exterior e fabricarem energia as caracterizam como sendo Yang. Já os órgãos (Zang), cujo ideograma representa "tesouro", presidem a purificação e circulação do sangue; apresentam características Yin, por controlar a vida interna e o sangue (SILVA, 1997). Os órgãos (Zang) são representados pelo pulmão, coração, fígado, baço- pâncreas, rim e circulação-sexualidade (este não é um órgão real, mas sim uma função que controla as energias Yin, além das funções circulatórias e gênito- urinárias). As vísceras (Fu) são: estômago, intestino delgado, intestino grosso, vesícula biliar, bexiga e triplo aquecedor. Os doze meridianos principais são agrupados em pares e são simétricos, pois se situam nos lados direito e esquerdo do corpo. Os meridianos que compõem cada par são chamados MERIDIANOS ACOPLADOS e formam entre si a RELAÇÃO ZANG – FU. Ambos, Zang e Fu, significam “sistema”, mas Zang indica “estocar” e Fu indica “sede de governo”. Isso indica que os sistemas Yin estão encarregados de estocar as substâncias vitais e os sistemas Yang estão encarregados da transformação dos alimentos e líquidos para produzir o Ki e o Xue (sangue) (MACIOCIA, 1996). Por isso, cada par de meridianos representa uma função inseparável, embora orgânica, e mecanicamente esteja representado por aparelhos diferentes. Nesta função total, há um órgão Yin e outro Yang que polarizam a função em dois NOTA UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS 12 sentidos opostos, porém complementares. Na prática, quando um meridiano se encontra desequilibrado, frequentemente seu acoplado o acompanha. Zang (Yin) Fu (Yang) Tec. do corpo Outros tec. Elementos Coração Intestino delgado Vasos sanguíneos Língua Fogo Pulmão Intestino grosso Pele Nariz Metal Baço Estômago Músculos Boca Terra Fígado Vesícula biliar Tendões Olhos Madeira Rim Bexiga Ossos Ouvidos Água Circulação-sexo Triplo-aquecedor Sistema circulatório Líquidos corporais Fogo QUADRO 1 - MERIDIANOS ACOPLADOS FONTE: A autora Cada meridiano desempenha uma função no nosso organismo. A seguir relacionamos a função de cada um deles. Meridiano de Pulmão (P) É o sistema intermediário entre o organismo e o meio ambiente, pois está encarregado de inalar o ar, governar a respiração e influenciar a pele. Controla os vasos sanguíneos e possui papel vital no movimento dos fluidos corpóreos. Controla a pele e os pelos corporais. Trajeto: inicia-se a uma distância abaixo da fossa subclavicular, desce ao longo da face anterolateral do braço, face radial e palmar do antebraço, passa sob a artéria radial e termina no ângulo ungueal externo do polegar. Meridiano de Intestino Grosso (IG) Recebe alimentos e líquidos do Intestino Delgado. Realiza absorção de líquidos, auxilia na função dos pulmões (a água é adicionada ao oxigênio, tornando-o líquido para ser absorvido pelo sangue), elimina resíduos sólidos (do corpo) e psicológicos (da mente – negatividade, insatisfação etc.) e elimina a estagnação da energia Qi. Trajeto: inicia-se no leito ungueal externo do dedo indicador; sobe pelo dorso radial da mão, entre os músculos extensores longo e curto do polegar; sobe até o dorso lateral do cotovelo; continua no braço pela borda lateral do músculo bíceps braquial e tríceps braquial até o ombro; segue para a região supraescapular; volta para a fossa supraclavicular; sobe pela borda lateral do músculo esternocleidomastoideo até a mandíbula; cruza o plano sagital mediano acima do lábio superior até o seu último ponto, que fica no cruzamento da linha inferior do nariz e da linha nasolabial. Meridiano de Estômago (E) É o mais importante dos sistemas Yang, é a origem de todo Qi e Xue (sangue) produzidos após o nascimento. Controla o amadurecimento e a decomposição dos TÓPICO 1 | NOÇÕES BÁSICAS SOBRE A MEDICINA TRADICIONAL CHINESA 13 alimentos, o transporte das essências dos alimentos e dos mecanismos do apetite. É a origem dos fluidos corporais e está relacionado com o funcionamento do esôfago, estômago e duodeno, e ainda com os ovários, lactação e ciclo menstrual. Trajeto: origina-se lateralmente na asa do nariz, penetra pelo arco dentário superior e sai pela pálpebra inferiordo olho, onde se localiza o primeiro ponto desse meridiano. Desce pelo ângulo da boca até a mandíbula. Um ramo sobe, passando pelo ângulo mandibular, arco zigomático na frente do ouvido, testa (osso frontal), até a implantação de cabelo. O ramo principal desce pelo lado anterolateral do pescoço ao longo do lado medial do músculo esternocleidomastoideo até a fossa supraclavicular, onde se divide em dois ramos: um superficial e outro profundo. O ramo profundo desce ao longo do esôfago, passa pelo diafragma até a região do estômago, e tem um ramo que o liga com o órgão baço-pâncreas. O ramo superficial desce pela linha do mamilo, atravessa a lateral do músculo reto abdominal até a região inguinal, na lateral do osso púbico, desce pela borda medial da artéria femoral, seguindo pela região anterolateral da coxa, desce pela borda lateral do músculo reto femoral, passa lateralmente à patela, atingindo a face anterolateral tibial, até o dorso do pé, entre os tendões do músculo extensor longo do hálux e extensor longo dos dedos, passa entre o segundo e terceiro metatarso, chegando ao segundo artelho no ângulo ungueal externo. Meridiano de Baço-pâncreas (BP) Principal função é auxiliar a digestão do estômago por meio de transporte e transformação das essências alimentares, absorvendo a nutrição dos alimentos. Faz a fermentação e digestão de alimentos (responsável por secreções digestivas, como saliva, suco pancreático etc.). Controla o sangue (Xue) e os músculos, e está relacionado à fadiga e ansiedade psicológica. Trajeto: começa no ângulo ungueal interno do hálux, sobe ao longo do lado medial dele, primeiro metatarso, até o maléolo interno; continua pela borda póstero-medial da tíbia, passa pela face medial do joelho e sobe pelo lado medial da coxa até a região da virilha, de onde percorre a região anterolateral do abdômen e pela face lateral do tórax até o nível da axila. Meridiano de Coração (C) É considerado o mais importante de todos os sistemas internos, sendo algumas vezes descrito como “soberano”. Governa o sangue (Xue), os vasos sanguíneos e abriga a mente. Desenvolve a absorção de informações (nutrição psíquica-espiritual), controla espírito e emoção, vivacidade e afetividade (expressão verbal), controla energia psíquica (consciência, inteligência) e, a partir daí, todo o corpo-mente (é o supremo controlador). Trajeto: o ramo principal sai do coração e sobe pelo pulmão até o centro da fossa axilar, onde se situa o primeiro ponto do meridiano. Desce na face medial do braço, epicôndilo medial do cotovelo e pelo lado medial do músculo flexor ulnar do carpo. Passa pelo pulso entre o quarto e quinto metacarpo da mão e chega em seu último ponto, situado no ângulo ungueal externo do quinto dedo. UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS 14 Meridiano de Intestino Delgado (ID) Recebe os alimentos e líquidos após a digestão feita pelo estômago e baço, que são transformados, posteriormente, por meio da separação das partes puras e impuras. Está relacionado à lucidez mental e ao julgamento. Trajeto: inicia-se no ângulo ungueal interno do quinto dedo, sobe pela face ulnar da mão, punho e antebraço; passa pelo lado medial do olécrano, subindo pelo lado ulnar do músculo tríceps braquial até a borda posterolateral do ombro; passa ao longo da escápula e cruza até a fossa supraclavicular, sobe o lado posterolateral do músculo esternocleidomastoideo, vai até o ângulo lateral do olho e termina na frente do ouvido, na depressão que se forma atrás da articulação temporomandibular quando a boca está aberta. Meridiano de Bexiga (B) Armazenagem e secreção da urina (complementando e auxiliando na função dos rins). Relacionado ao sistema nervoso autônomo (em especial ao sistema simpático, e assim todas as funções orgânicas). Ligado aos órgãos genitais e urinários. Trajeto: inicia-se no ângulo medial dos olhos, sobe pela região frontal, parietal e occipital do seguimento cefálico; da nuca ao nível da implantação dos cabelos se divide em dois ramos: um desce ao longo dos músculos paravertebrais até a região sacroilíaca, musculatura glútea, por trás da coxa até a fossa poplítea; o outro desce pelo lado medial da escápula, até os glúteos, passa por trás da região trocanteriana e desce pelo músculo bíceps femoral até a fossa poplítea, onde se une ao primeiro ramo. Desce a região posterior da perna pelo músculo gastrocnêmio, passa entre o tendão de aquiles e o maleolo externo, até a borda lateral do pé, terminando no ângulo ungueal externo do quinto dedo. Meridiano de Rim (R) Armazena a essência, que é parcialmente derivada dos pais, estabelecida na concepção, por isso é frequentemente referida como a “raiz da vida”. Produz medula, abastece o cérebro e controla os ossos. Governa a água, filtra o sangue, purificando-o e produzindo a urina (mantendo o equilíbrio e a proporção correta de líquidos no organismo). Está ligado à produção de hormônios sexuais e da adrenalina (instinto de sobrevivência e evolução). Trajeto: nasce na planta do pé. Seu primeiro ponto fica posterior à articulação metatarso falangeana entre o segundo e terceiro metatarso; ascende pelo lado ínfero-medial da cabeça do primeiro metatarso; seguindo pelo lado medial do osso cuboide, região posteroinferior do maléolo medial e ao longo da borda medial do músculo gastrocnêmio, na região posteromedial do joelho e medialmente à coxa, ao longo dos músculos adutores e grácil, entra pela pélvis aparecendo novamente no abdômen, correndo ao longo da face medial do músculo reto abdominal, até o tórax, na depressão entre a clavícula e a primeira costela, lateralmente ao manúbrio do esterno. Meridiano Circulação-Sexo (CS – ou Pericárdio) Está intimamente relacionado ao coração. Suas funções se assemelham, TÓPICO 1 | NOÇÕES BÁSICAS SOBRE A MEDICINA TRADICIONAL CHINESA 15 governam o sangue e abrigam a mente. Controla os líquidos do corpo (sistema sanguíneo – circulação principal), suplementa e protege a função do meridiano do coração relacionada ao sistema circulatório. Por intermédio da circulação sanguínea, controla a alimentação e proteção das células do corpo. Trajeto: inicia- se no tórax, no quarto espaço intercostal, a uma polegada para o lado do mamilo, e três polegadas abaixo da linha axilar; desce ao longo da borda medial do músculo bíceps braquial, entre o meridiano principal do pulmão e o meridiano do coração, até a face medial do cotovelo; continua entre os tendões dos músculos palmar longo e flexor radial do carpo; na mão, ele passa entre o terceiro e quarto metacarpo e termina no terceiro dedo, no ângulo ungueal externo. Meridiano Triplo Aquecedor (TA) Controle de líquidos corporais (sistema linfático e sanguíneo – circulação periférica). Controla a temperatura do corpo e suplementa a ação do meridiano de Intestino Delgado e, através da circulação de nutrientes/energia, relaciona-se com órgãos e controla funções orgânicas. Há discussões sobre a natureza do triplo aquecedor, se de fato é um sistema ou uma função. Possui três diferentes aspectos, sendo dividido em superior (do diafragma para cima), médio (entre o diafragma e o umbigo) e inferior (abaixo do umbigo). Aquecedor superior está relacionado aos órgãos do tórax (função cardiorrespiratória) e consiste na distribuição dos fluidos corporais para o organismo por meio do pulmão. Aquecedor médio está relacionado aos órgãos das áreas do plexo solar, consiste na digestão e transporte dos alimentos, líquidos e nutrientes para todas as partes do organismo. Aquecedor inferior está relacionado aos órgãos da região do baixo-ventre, consiste na separação das essências dos alimentos em partes puras e impuras, com a excreção destas (função gênito-urinária).A tripla divisão do triplo aquecedor é um resumo das funções de todos os sistemas Yang. Trajeto: esse meridiano começa no ângulo ungueal interno do quarto dedo da mão, sobe pela face dorsal da mão, entre o quarto e quinto metacarpo; passa pelo punho bem no seu centro e do antebraço (entre os ossos rádio e ulna); passa pelo olécrano, corta o tríceps posteriormente até a região posterior do ombro; sobe IMPORTANT E UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS 16 pela região supraescapular e nuca; contorna, posteriormente, a região auricular e termina lateralmente no supercílio, onde se liga ao meridiano da vesícula biliar. Meridiano de Vesícula Biliar (VB) É o único que não lida com alimentos, líquidos e produtos excretáveis, mas sim, armazena e excreta a bile, um produto refinado. Equilibra a energia total do corpo, agindo através do controle de secreções e hormônios (bile, insulina, hormônios secretados pelo duodeno) e da distribuição de nutrientes ao organismo. Está relacionado ao processo de decisões sobre situações práticas. Trajeto: tem início a 0,5 polegadas da borda lateral do ângulo externo do olho; passa na frente do ouvido pela lateral da extremidade cefálica, e desce pela lateral do músculo trapézio até a região supraescapular; segue para frente do ombro, lateralmente no tórax até o glúteo na região trocanteriana, onde se liga com o músculo da bexiga; desce pela borda lateral da coxa, perna e face anterolateral do tornozelo até a face dorsal do pé, onde passa entre o quarto e quinto metatarso até o ângulo ungueal externo do quarto dedo. Há outro ramo que se separa no lado dorsal do pé, passa entre o primeiro e segundo metatarso até o ângulo ungueal lateral do hálux, onde se liga ao meridiano do fígado. Meridiano de Fígado (F) O fígado apresenta muitas funções importantes, entre as quais a de armazenar o sangue (Xue) e assegurar o movimento suave do Qi através de todo o organismo. É o responsável pela nossa capacidade de recuperar o Qi e contribuir para a resistência do organismo contra fatores patogênicos externos. É comparado a um “general do exército”, porque é responsável pelo planejamento total das funções do organismo, realizado por meio da garantia do fluxo suave e da direção correta de Qi. Controla os tendões, manifesta-se nas unhas e controla a produção da bile. Trajeto: tem início no ângulo ungueal interno do hálux; sobe passando entre o primeiro e segundo metatarso; passa a uma polegada à frente do maléolo interno, na borda medial do tendão do músculo tibial anterior. Cruza a linha baço- pâncreas e sobe pela face anteromedial da perna; segue pelo lado medial do joelho e coxa para a região genital externa e suprapúbica; sobe pela lateral do abdômen e termina no espaço entre a sexta e sétima costela, na linha mamilar. Os meridianos de energia são representados também na Teoria dos Cinco Elementos. Assim: fígado e vesícula biliar pertencem ao elemento Madeira; coração, intestino delgado, pericárdio e triplo aquecedor pertencem ao elemento Fogo; baço-pâncreas e estômago pertencem ao elemento Terra; pulmão e intestino grosso pertencem ao elemento Metal; rim e bexiga pertencem ao elemento Água. TÓPICO 1 | NOÇÕES BÁSICAS SOBRE A MEDICINA TRADICIONAL CHINESA 17 FIGURA 3 – LINHAS DOS MERIDIANOS DE ENERGIA FONTE: Pradipto (1986) 4.1 A GRANDE CIRCULAÇÃO ENERGÉTICA Os 12 pares de meridianos formam a Grande Circulação Energética. Percorrem o tronco e as extremidades do corpo. Como vimos, são seis pares de meridianos Yin, e seis pares de meridianos Yang. A grande circulação de energia, após sua elaboração pelas três sedes (Triplo aquecedor), se inicia ao nível do meridiano de pulmão e percorre o seguinte trajeto: dos pulmões a energia passa para o intestino grosso, e deste seguindo para estômago, baço-pâncreas, coração, intestino delgado, bexiga, rim, circulação-sexo, triplo aquecedor, vesícula biliar e, finalmente, para o fígado. Percorre este trajeto em 24 horas, demorando duas horas em cada meridiano. Os horários de maior atividade são: UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS 18 Pulmões – das 3h às 5h. Intestino grosso – das 5h às 7h. Estômago – das 7h às 9h. Baço-pâncreas – das 9h às 11h. Coração – das 11h às 13h. Intestino delgado – das 13h às 15h. Bexiga – das 15h às 17h. Rim – das 17h às 19h. Circulação-sexo – das 19h às 21h. Triplo aquecedor – das 21h às 23h. Vesícula biliar – das 23h à 1h. Fígado – da 1h às 3h. FIGURA 4 – QUADRO DAS FUNÇÕES DOS MERIDIANOS FONTE: Pradipto (1986) TÓPICO 1 | NOÇÕES BÁSICAS SOBRE A MEDICINA TRADICIONAL CHINESA 19 4.2 A PEQUENA CIRCULAÇÃO ENERGÉTICA Paralelamente à grande circulação, ocorre uma segunda circulação. Para entendermos a pequena circulação, vamos conhecer o que chamamos de Meridianos Extraordinários. Esses meridianos são assim chamados porque não têm comunicações especiais com as vísceras. Além disso, não há correspondência nem reunião entre eles, é nisso que são diferentes dos meridianos regulares, são ímpares e assimétricos. São denominados de Vaso da Concepção e Vaso do Governo, e estão localizados na linha média do corpo, anterior e posteriormente. A principal função dos meridianos extraordinários é reforçar os meridianos regulares, a fim de regularizar o Qi e o sangue (Xue). Por isso, a Pequena Circulação Energética tem uma função reguladora sobre a Grande Circulação. Se existe um excesso de energia nos meridianos principais, esse excesso se escoa, ativando os meridianos extras, buscando o equilíbrio energético. Estes funcionam, também, como um reservatório, suprindo a grande circulação em caso de carência energética. Esta inicia-se às 3 horas ao nível do pulmão e continua nos dois meridianos ímpares, onde também circula durante 24 horas. Trajetos: Vaso do Governo – nasce entre a ponta do cóccix e o ânus, segue pela linha central das costas, nuca, cabeça e face, terminando na gengiva da arcada superior. Comanda os meridianos Yang. É relacionado às funções do sistema nervoso central. Vaso da Concepção – nasce entre o ânus e o órgão sexual, sobe em linha reta pela frente do tronco, terminando entre o queixo e o lábio inferior. Comanda os meridianos Yin. Age sobre as funções gênito-urinárias, a função digestiva e a função respiratória. UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS 20 DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO A mais antiga referência do Yin-Yang é provavelmente aquela contida no Book of Changes (Livro das Mutações), datado por volta de 700 a.C. Nesse livro, Yin e Yang são representados por linhas contínuas e quebradas. A combinação dessas linhas em pares forma quatro pares de diagramas, representando o Yin máximo, o Yang máximo e dois estágios intermediários. A adição de outra linha a estes quatro diagramas forma combinações variadas, oito trigramas. Finalmente, as várias combinações das trigramas dão origem a 64 hexagramas. Acredita-se que estes simbolizem todo fenômeno possível do universo e, portanto, mostram como todo fenômeno depende de dois polos do Yin e Yang. A escola filosófica que desenvolveu a Teoria do Yin e Yang ao seu mais alto nível é chamada de Escola Yin-Yang. Muitas escolas de pensamento originaram-se durante o período da guerra entre os estados (476-221 a.C.), e a escola Yin-Yang foi uma delas. Dedicava-se ao estudo do Yin-Yang e dos Cinco Elementos, e seu principal expoente foi Zou Yan (350-270 a.C.). Esta escola é também chamada, algumas vezes, de Escola Naturalista, uma vez que interpreta a natureza de modo positivo, além de utilizar leis naturais a fim de obter vantagens para o homem, não por meio da submissão e controle da natureza(como acontece na ciência ocidental moderna), mas agindo em harmonia com suas leis. Esta escola representa uma tendência, a qual podemos, atualmente, chamar de ciência naturalista, e as teorias do Yin-Yang e dos Cinco Elementos servem para interpretar o fenômeno natural, incluindo o organismo humano, tanto na saúde como nas patologias. As teorias do Yin-Yang e dos Cinco Elementos, sistematicamente elaboradas pela Escola Naturalista, tornaram-se uma herança comum às escolas de pensamentos subsequentes, particularmente as escolas neoconfucionistas das Dinastias Song, Ming e Qing. Estas escolas combinaram a maior parte dos elementos das escolas anteriores de pensamento para formar uma filosofia coerente sobre Natureza, Ética, Ordem social e Astrologia. FONTE: MACIOCIA, G. Os fundamentos da medicina chinesa – um texto abrangente para acupunturistas e fitoterapeutas. São Paulo: Editora Roca Ltda, 1996. LEITURA COMPLEMENTAR 21 Neste tópico, você viu que: • A Medicina Tradicional Chinesa se baseia em conceitos taoístas e energéticos, os quais enfocam o indivíduo como um todo e como parte integrante do universo. Para ela, o indivíduo é constituído por um conjunto de energias, provenientes do céu e da terra, que fluem por todo do corpo, e que devem estar em constante equilíbrio; quando isso não ocorre, temos então a manifestação de patologias. • Todos os fenômenos da natureza são constituídos pelo movimento e pela transformação dos dois aspectos opostos do Yin e do Yang, como dia e noite, tempo claro e sombrio, calor e frio, atividade e repouso. • A teoria do Yin e Yang classifica fenômenos e manifestações, o que inclui a teoria dos Cinco Elementos ou Cinco Movimentos, processos básicos e naturais representados por: Madeira, Fogo, Terra, Metal e Água. Existe uma constante relação entre os cinco elementos, sendo que um gera o outro e, também, domina ou controla o outro. Representam a relação entre diversos fenômenos internos e externos ao organismo, relacionados aos sentidos, órgãos, tecidos, emoções, cores, odores, sabores, sons, animais, climas, entre várias outras coisas. • A energia vital na Medicina Tradicional Chinesa é denominada Qi, e flui livremente pelo organismo humano formando verdadeiros canais energéticos chamados Meridianos. • Os meridianos formam entre si uma inter-relação segundo suas funções, e são representados por órgãos (Zang) e vísceras (Fu). Cada par de meridianos possui representação da energia Yin e Yang, o que polariza a função em dois sentidos opostos, porém complementares. O fluxo energético dos principais meridianos pares e acoplados representa a Grande Circulação energética do organismo. O excesso de energia da Grande Circulação é escoado para dois meridianos assimétricos e ímpares que auxiliam o equilíbrio energético, funcionando também como reserva enérgica em caso de carência, representando assim a pequena (ou acessória) circulação energética no organismo. RESUMO DO TÓPICO 1 22 Faça uma relação dos cinco elementos e dos meridianos de energia, citando pelo menos três de suas características. AUTOATIVIDADE 23 TÓPICO 2 VISÃO DA MEDICINA ORIENTAL SOBRE SAÚDE UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO O homem é visto pelos terapeutas orientais como um todo indissociável, sendo a doença o resultado da interação dos seus componentes físicos, psíquicos e fisiológicos, na sua relação com o meio envolvente. A Medicina Oriental considera a mente e o corpo como únicos, o que a torna uma terapia holística, ou seja, trata o homem como um todo e não somente um sintoma ou uma área específica do corpo. A Organização Mundial de Saúde define saúde como um completo bem-estar físico, mental e social, e não meramente a ausência de doença. <portal.anvisa.gov.br/acesso> Acesso em: 8 fev. 2015. Essa visão coincide com a Ótica Oriental, que busca, com o equilíbrio do fluxo de energia vital no organismo, a prevenção de doenças e a manutenção da saúde, sendo também aplicada com sucesso terapeutico na recuperação de doenças. O ser humano vive na natureza e tem a natureza como condição vital para sua vida. Ele é influenciado diretamente ou indiretamente pelos movimentos e mudanças na natureza, para quem ele é obrigado a dar respostas fisiológicas e patológicas correspondentes. NOTA NOTA 24 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS 2 CAUSAS DAS DOENÇAS Para a Medicina Tradicional Chinesa, o equilíbrio é a chave para a boa saúde: equilíbrio entre repouso e exercícios, dieta, atividades sexuais e equilíbrio climático. Qualquer desarmonia contínua pode se tornar uma causa patológica. O surgimento da doença e de seus sintomas indica desequilíbrio na nossa energia. Tal desequilíbrio pode ter causas internas, externas e outras. As causas internas estão relacionadas com os impactos emocionais; as causas externas estão relacionadas, basicamente, aos impactos climáticos sobre nosso organismo; e as outras causas estão relacionadas à qualidade da nossa alimentação e do sono, à prática de atividade física, ao ritmo de trabalho, aos traumas, às epidemias, às intoxicações e aos tratamentos inadequados. Ao identificarmos as causas dos desequilíbrios e agirmos sobre elas, podemos restabelecer um melhor estado de saúde. 2.1 CAUSAS INTERNAS As emoções estão associadas aos órgãos Yin. Em geral, emoções fortes alteram o fluxo de energia vital, bloqueando-o. O ponto central disto é o conceito de Qi como energia-matéria que dá origem a fenômenos físicos ou mentais e emocionais ao mesmo tempo. Assim, na medicina chinesa, o corpo, a mente e as emoções estão integrados como um todo sem início ou fim, no qual os sistemas internos são a maior esfera de influência. É importante observar o papel das emoções sob a perspectiva da Medicina Chinesa. Primeiro, as emoções são parte natural da existência humana e nenhum ser está livre de tristeza, fúria ou preocupação. As emoções se tornam patológicas quando intensas e, principalmente, quando prolongadas, especialmente se não são expressadas ou reconhecidas. Segundo, a Medicina Chinesa não ignora as emoções como causa patológica, nem as enfatiza demais (excluindo outras possíveis causas). Considera o corpo e a mente como um todo e as emoções podem causar um desequilíbrio, como também serem causadas por ele. Casos severos e contínuos de alterações emocionais não devem ser tratados apenas na visão oriental, nenhum recurso (nem mesmo a acupuntura) seria suficiente sem um acompanhamento de um suporte psicoterápico. IMPORTANT E TÓPICO 2 | VISÃO DA MEDICINA ORIENTAL SOBRE SAÚDE 25 Normalmente, são consideradas sete emoções na Medicina Chinesa: RAIVA/FÚRIA – emoção que ascende a energia Qi e afeta o meridiano de Fígado. Esta emoção provoca um forte fluxo ascendente de energia (olhos e faces vermelhos, cabeça quente), ativando o mecanismo de ataque (gritar, bater, morder). Quando represada, pode ter uma descarga emocional através do choro, ou através de movimentos vigorosos que canalizem a raiva, como correr. Um sintoma muito comum da fúria é a cefaleia, mas muitos sinais e sintomas podem se manifestar na região da cabeça e do pescoço, tensões crônicas acumuladas em braços, ombros, pescoço e maxilares, falta de determinação, irritação e problemas digestivos. ALEGRIA/INSTABILIDADE EMOCIONAL – emoção que faz o Qi fluir lentamente, afetando o meridiano de Coração. A emotividade exagerada mostra um fluxo de Qi desordenado. Quando rimos demais e sem razão, ou choramos com muita facilidade, estamos num quadro de oscilação emocional, mostrando inquietação e ansiedade. Provavelmente é quando procuramos no mundo externo o contentamento e o equilíbrio que são próprios do mundo interno. Tanto a fragilidade emocional quanto a superexcitação ou a histeriaafetam os meridianos do coração e do intestino delgado, tencionando o plexo solar, afetando o diafragma, bem como a região do abdômen e do tórax. Pode provocar palpitações, falta de ar, tensão e dor nos braços. PREOCUPAÇÃO E ABSTRAÇÃO – ou ansiedade mental, emoção que paralisa o Qi e afeta os meridianos de baço-pâncreas, podendo, também, afetar o pulmão. A abstração é pensar demais, os pensamentos consomem nossa energia, retardando a ação, bloqueando o espaço para as novas informações. Isso debilita o baço e pode causar cansaço, anorexia e diarreia. A preocupação afeta o baço e também freia o Qi do pulmão, provocando ansiedade, dispneia e rigidez nos ombros e pescoço. Muitas pessoas podem apresentar ombros arqueados ou aumentados e rigidez no pescoço acompanhada de respiração superficial e interrupção do Qi do pulmão. TRISTEZA/MÁGOA – emoção que dissolve o Qi e afeta o meridiano de pulmão e também o coração. As decepções, dores e perdas que sofremos e que temos dificuldade de aceitar deixam marcas emocionais. Geram frustações, amarguras, desconfiança e negatividade. Nestes estados, a energia se dissipa, perdemos o vigor, a vitalidade, nos tornamos obsessivos, perdemos o sono e o apetite. Podem se manifestar vários sintomas, como dispneia, cansaço, depressão ou choro. MEDO – emoção que descende o Qi e afeta o meridiano do rim. Quando sentimos medo, temos o impulso de fugir do que nos ameaça. A energia flui para baixo, se escoa nas vísceras e paralisa as pernas. A energia se estagna nas costas, ombros se retesam, o corpo se contrai e nos preparamos para a dor e/ou agressão (física ou emocional). Quando se perpetua esta ansiedade medrosa, os rins são afetados e isso leva a uma exaustão psicossomática. Pode haver sensação de calor na face, sudorese noturna, palpitação, boca e garganta secas. 26 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS CHOQUE – emoção que dispersa o Qi, afetando meridiano de rim e coração. O choque mental pode causar palpitação, dispneia e insônia. Pode haver ainda sintomas, como sudorese noturna, boca seca, zumbido ou tontura. 2.2 CAUSAS EXTERNAS Quando nossa energia está equilibrada, as mudanças climáticas mais ou menos bruscas não nos afetam muito porque rapidamente nos adaptamos ao novo ambiente externo. Porém, se estivermos cansados e com baixa imunidade, mesmo uma pequena variação climática vai afetar nosso metabolismo, gerando desequilíbrio na circulação de Qi e ocasionando o aparecimento de doenças. As causas externas podem ser denominadas como os “Seis Excessos”. Podem penetrar no organismo através da pele, nariz ou boca. Cada um dos fatores climáticos está associado a uma determinada estação e pode causar uma determinada manifestação clínica típica de um clima específico. VENTO (ELEMENTO MADEIRA) – Primavera. Pode causar sintomas como dores de cabeça, espasmos, torcicolo, problemas oculares, espirros, coceiras e corpo rígido e tenso (são sintomas passageiros). CALOR E FOGO (ELEMENTO FOGO) – Verão. Aumenta a temperatura do corpo, traz irritabilidade, sudorese, desmaios, rosto vermelho e congestionado. UMIDADE (ELEMENTO TERRA) – Fim do verão (canícula). Este clima vai minando aos poucos a nossa resistência, afetando mais os membros inferiores, produzindo cansaço, edemas, dormências, sensação de peso e muito muco. SECURA (ELEMENTO METAL) – Outono. Resseca a pele, os lábios, a garganta, ocasiona constipação intestinal e náuseas, com dor de cabeça, alteração do aparelho respiratório, dispneias. FRIO (ELEMENTO ÁGUA) – Inverno. O frio bloqueia o fluxo de energia, causa contrações, cólicas, espasmos, dores em facadas/pontadas, dor articular, artrite, resfriados, gripes, urina clara e abundante. De um modo geral, sabemos que as doenças que possuem características Yang são agitadas, fortes, quentes, secas, hiperfuncionantes e agudas; as que possuem características Yin são calmas, fracas, frias, úmidas, hipofuncionantes e crônicas. IMPORTANT E TÓPICO 2 | VISÃO DA MEDICINA ORIENTAL SOBRE SAÚDE 27 3 DIAGNÓSTICO NA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA Identificar a causa da desarmonia de uma pessoa é uma das partes mais importantes da prática na Medicina Chinesa, pois somente assim pode-se minimizar ou prevenir a sua ocorrência. É importante fazer uma avaliação da constituição da pessoa e de suas condições psicológicas e físicas, relacionando-as à sua dieta, ao seu estilo de vida e às condições climáticas. Se não identificarmos a causa da desarmonia, não será possível orientar quanto às mudanças específicas que devem ser feitas para restaurar o equilíbrio. O diagnóstico chinês baseia-se não apenas no interrogatório (anamnese), mas também no exame dos padrões que se formam no organismo de acordo com a patologia. Devemos observar o indivíduo desde o primeiro momento. Praticamente tudo (pele, compleição, olhos, ossos, odores, sons, estado mental, emoções, língua, pulso, meridianos, preferências, hábitos, fluidos corpóreos) reflete o estado dos sistemas internos e pode ser utilizado no diagnóstico. Outro ponto muito importante do diagnóstico chinês é que um bom terapeuta pode obter informações detalhadas sobre o estado do organismo todo a partir do exame de uma pequena parte dele (pulso, língua, face, hara). Por vários séculos, o diagnóstico chinês tem desenvolvido um sistema extremamente sofisticado entre os sinais externos e os sistemas internos. A correlação entre os sinais externos e os sistemas internos está resumida na expressão: “Inspecione o exterior para examinar o interior” (MACIOCIA, 1996). 3.1 TÉCNICAS DE DIAGNÓSTICO Quatro tipos de diagnósticos são usados para conhecer a condição geral do paciente: BO-SHIN – diagnóstico através da observação (espírito, organismo, comportamento, cabeça e face, olhos, nariz, orelhas, boca e lábios, dentes e gengivas, garganta, membros, pele, língua, meridianos). BUN-SHIN – diagnóstico pela audição e olfação (voz, respiração, tosse, odores). NOTA 28 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS MON-SHIN – diagnóstico por perguntas (anamnese). SETSU-SHIN – diagnóstico pela palpação – é importante que se faça e é o passo definitivo. Inclui a palpação do pulso, pele, membros, mãos, tórax, abdômen e dos pontos. George Soulié de Mourant cita em seu livro as seguintes observações clínicas: quando um órgão está alterado, existe uma série de pontos que se tornam sensíveis e formam uma linha; em pessoas sensíveis, as linhas dos meridianos são dolorosas. Muitos doentes dizem ter uma sensação que segue uma linha e que coincide com o trajeto do Meridiano (SILVA, 1997). Uma das técnicas mais utilizadas no Japão para se incluir o diagnóstico através da palpação é a realização da pressão de pontos na região do abdômen (hara), técnica denominada de AMPUKU. Esta técnica é considerada uma “terapia- diagnóstico”, pois, ao mesmo tempo que auxilia no diagnóstico, já consegue promover um reequilíbrio energético no hara, contribuindo de forma eficiente para o tratamento na MTC. Segue o passo a passo de como podemos realizar esta técnica: Realizar o trabalho com a mão direita; realizar uma pressão suave, mas penetrante, de 3 a 4 segundos em cada área; se o local estiver sensível ou tenso, mantenha a pressão por mais algum tempo. SEQUÊNCIA PRÁTICA: A mão “mãe” (mão do equilíbrio) no baixo ventre (tanden), mão direita faz: 1) Pressão oblíqua na área do meridiano de coração (como se quisesse penetrar embaixo do esterno). 2) Pressão perpendicular diretamente sobre a área do meridiano de estômago. 3) Pressão oblíqua na área do meridiano de triplo-aquecedor (penetrando por baixo da costela). 4) Pressão oblíquana área do meridiano de pulmão (quase na ponta da costela). A mão “mãe” no plexo solar, mão direita faz: 5) Pressão perpendicular (e com a mão em sentido vertical) na área do meridiano de rim, à direita do umbigo. 6) Pressão perpendicular na área do meridiano de intestino delgado. 7) Pressão lateral, de fora para dentro, contra o lado do cólon (intestino grosso). IMPORTANT E TÓPICO 2 | VISÃO DA MEDICINA ORIENTAL SOBRE SAÚDE 29 8) Pressão perpendicular na área do meridiano de rim, abaixo do umbigo. 9) Pressão perpendicular na área do meridiano de bexiga. 10) Pressão idêntica a 7, no sentido inverso, na área do meridiano de intestino grosso. 11) Pressão idêntica a 6, na área do meridiano de intestino delgado. 12) Pressão idêntica a 5, na área do meridiano de rim, à esquerda do umbigo. 13) Pressão perpendicular, com a mão mais deitada, sobre o umbigo, área do meridiano baço-pâncreas. A mão “mãe”, no baixo ventre (tanden), mão direita faz: 14) Pressão oblíqua, penetrando por baixo da costela, na área do meridiano de pulmão. 15) Pressão oblíqua na área do meridiano de fígado. 16) Pressão oblíqua na área do meridiano de vesícula biliar. 17) Pressão perpendicular, com a mão ligeiramente deitada, na área do meridiano de circulação-sexo. 18) Para finalizar, faça algumas pressões com as palmas das mãos em volta do hara, no sentido horário. FIGURA 5 – REPRESENTAÇÃO DOS PONTOS ENERGÉTICOS NO HARA (AMPUKU) FONTE: Pradipto (1986) ANAMNESE – tradicionalmente, é elaborada com base em dez questões. As áreas comumente utilizadas são referentes aos seguintes tópicos: • Calafrios e febre. • Sudorese. • Cabeça e corpo. • Tórax e abdômen. • Alimento e paladar. • Fezes e urina. • Sono. 30 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS • Ouvidos e olhos. • Sede e líquidos. • Dor. Além destas, duas áreas de questões são incluídas para mulheres e crianças: condições ginecológicas e problemas de infância. É conveniente e útil pensar na vida do indivíduo em três períodos: pré- natal (a saúde dos pais na época da concepção e durante a gestação ou choque emocionais durante a gestação); infância (do nascimento até a adolescência, podendo incluir dieta, amamentação, emoções vividas ou reprimidas, ambiente familiar e escolar); vida adulta (causas internas e externas). 3.2 PRINCÍPIOS DE TRATAMENTO Após elaborar um diagnóstico, o próximo passo é elaborar um princípio de tratamento. Estes seguem logicamente o estabelecimento da desarmonia de um padrão relevante. Outra questão importante a ser considerada na elaboração do tratamento é a questão de quando TONIFICAR e quando SEDAR. TONIFICAR inclui qualquer método que fortaleça a condição corpórea e aumente a resistência à patologia. Diversas técnicas da Medicina Chinesa conseguem alcançar este objetivo, por exemplo, acupuntura, fitoterapia, dieta, exercícios, meditação ou, simplesmente, repouso. O método de tonificação é aplicado quando o Qi se encontra debilitado, nos padrões de deficiência. De um modo geral, pacientes que se encontram em condições mais Yin devem ter sua energia para tonificar, aumentar e fortalecer o nível de Qi. Nos padrões de excesso, caracterizados pela presença de fatores patogênicos externos ou internos, a utilização do método de SEDAÇÃO deverá ser eleita como tratamento. Isto inclui técnicas como acupuntura, fitoterapia, massagem ou ventosas. Pacientes que se encontram em condições mais YANG devem ter sua energia sedada, desobstruindo o fluxo de Qi. O tratamento também poderá ser elaborado de acordo com a constituição de uma pessoa. De acordo com a MTC, a constituição é composta da essência (Jing), de Qi e da Mente. Saúde, força, vitalidade, felicidade, vontade, estabilidade mental e lucidez dependem de um bom suprimento dessas três substâncias vitais e da interação harmoniosa entre elas. Se a essência (Jing) herdada for forte, constituirá uma base de vida saudável do ponto de vista físico e mental; a pessoa apresentará uma forte resistência contra patologias. Existem cinco tipos de constituição (“padrões”) a serem identificados, de maneira que cada um se refere a um dos cinco elementos: TÓPICO 2 | VISÃO DA MEDICINA ORIENTAL SOBRE SAÚDE 31 Madeira – os tipos madeira apresentam face escura, corpo alto e esbelto e ombros largos. São caracterizados por seus ossos e tendões fortes e devem apresentar costas eretas e fortes. São trabalhadores e apresentam tendência para a preocupação. Algumas das características incluem: postura marcial, olhar quente e acima do horizonte, ombros largos, límpido e ágil, biótipo esportista, corpo e espírito impaciente, juventude, boa memória, risco de alteração brusca com a idade, inteligência criativa mas desordenada, emotivo, ativo, age sem refletir, por impulso ou intuição, com vigor e precipitação, entusiasta, otimista, ansioso, decidido. Fogo – os tipos fogo apresentam face avermelhada, cabeça pontuda e pequena ou queixo proeminente, cabelos ondulados ou poucos cabelos, mãos pequenas e andar rápido. São ativos e energéticos. Tendem a ser despreocupados quanto à riqueza material e gostam da beleza. Algumas características incluem: postura variável, fugaz, fica ao mesmo tempo pálido (com tendência a desmaio) e vermelho pela emoção, sorri e chora, é inconstante, seu olhar fala, boa memória, mas, às vezes, comprometida pela emoção, crise de emotividade, possessividade, nervoso, ansioso, sonhador, lunático, exibicionista, exercita o poder de sedução constantemente, dupla personalidade. Metal – os tipos metal apresentam ombros largos e quadrados, face pálida triangular, corpo de constituição forte e andar lento. São meticulosos, racionais, independentes e determinados. Algumas características incluem: postura longilínea, gestos medidos e refinados, transmite equilíbrio gentil, aspirando confiança e objetividade, é flexível e ágil, impassível, senso de observação exata, visão analítica, não emotivo, guarda sentimentos, é ativo secundário, pouco esforçado e diferenciado, cultiva hábitos com previsão e seriedade, é reservado, respeitoso, pontual, espírito coletivo, raramente se comove, mas esconde se isso acontece, autopiedade. Terra – os tipos terra apresentam uma compleição escura e corpo obeso, cabeça e barriga grandes, coxas fortes e mandíbulas largas, são calmos e generosos e não são ambiciosos. Andam sem levantar os pés e seu ponto forte são os músculos. Algumas características incluem: postura equilibrada, é centrado, terreno, ossos espessos, ombros e quadril largos, forte como um touro, mas lento para reagir, pouco flexível, aparenta inércia nas formas e gestos, tomando uma postura de força, calmo e generoso, pratica esporte por prazer, mas não possui perfil de competição, olhos risonhos e maliciosos, lábios carnudos, teme umidade e calor, boa memória, espírito prático, histórias alegres, provérbios, associações de ideias, extrovertido, às vezes, oportunista/político, criançola. Água – os tipos água apresentam face e corpo arredondados e pele branca e macia. Adoram o movimento e sua espinha é mais longa do que o normal. São simpáticos e levemente preguiçosos e nem sempre dizem a verdade. São bons comerciantes e leais ao trabalho dos colegas. São atentos, sensíveis e algumas vezes psíquicos. Algumas características incluem: pessoa retrovertida, tímida, postura introvertida, olhar para o chão, musculatura flácida, friorenta, sensível, chorosa, compreensão intelectual falha, memória curta, é muito ligada ao passado 32 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS (memória emocional boa), pessoa não ativa, desanimada, evita situações de risco, pessoa modesta,discreta, insatisfação pessoal, tendência a lombalgias, reumatismo, personalidade derrotista, pessimista. Algumas alterações energéticas possuem sintomas característicos que podemos identificar tanto na anamnese quanto na observação das características do indivíduo, como citamos acima. Podemos exemplificar alguns sintomas clínicos que se apresentam em casos de alterações energéticas mais comuns de encontrarmos em nossa prática com a MTC: Presença da dor – a dor pode se apresentar de forma espontânea em alguma região do corpo e, ao identificarmos o meridiano energético que passa pela região desta dor, percebemos que, quando palpada, ela fica parcialmente ou totalmente sensível, e todo o trajeto da linha deste meridiano pode ficar sensível à palpação. Normalmente, se há presença de dor na região posterior do corpo (costas), identificaremos quadros crônicos. Se há presença de dor na região anterior do corpo (tórax), identificaremos quadros mais agudos. Exemplo de diagnóstico de um caso patológico – uma disfunção no baço- pâncreas afeta o transporte de nutrientes; consequentemente, isso afeta a produção do sangue; este, por sua vez, causa insuficiência da nutrição no sangue no coração. Neste caso, no ciclo de geração, o filho (baço-pâncreas – terra) está afetando a mãe (coração – fogo). Abaixo, uma relação de sintomas comuns de encontrarmos na avaliação de um indivíduo, que nos irá auxiliar no diagnóstico de acordo com a Teoria dos Cinco Elementos: Elemento Metal – problemas respiratórios e eliminação: asma, dispneia, constipação, diarreia, colite, depressão, febre, aversão ao frio, dor na clavícula, ombros e braços. Elemento Água – problemas de controle de líquidos: pressão alta, doença degenerativa, impotência, cansaço constante, fobias, medos, lombalgia, dor na sola dos pés, cefaleia, rigidez no pescoço. Elemento Madeira – problemas nos nervos: tontura, insônia, pesadelos, roer unhas e tiques, dores de cabeça, dores lombares e pescoço, erupções cutâneas, raiva e violência, alergia, intoxicação e vícios, cefaleia, dor no quadril e face lateral da perna, cãibras nas pernas, dor mamária. Elemento Fogo – problemas com pressão alta e calor: doenças cardíacas, pressão alta, impotência, palpitações, derrames, câimbras intestinais, diverticulite, indigestão aguda, dor na face interna ou lateral do braço e ao longo da escápula, dor no pescoço e cotovelos. TÓPICO 2 | VISÃO DA MEDICINA ORIENTAL SOBRE SAÚDE 33 LEITURA COMPLEMENTAR OS TSUBOS Ao longo dos meridianos, encontramos pontos que condensam energia, os chamados “tsubos”, cuja tradução é “abertura”, “buraco”. São pontos no meridiano onde o Qi pode ser mais facilmente contatado e manipulado. Está comprovado que esses pontos têm resistência elétrica menor do que a região à sua volta. Eles funcionam como uma espécie de amplificador, passando Qi de um ponto para o seguinte. De acordo com as leis de Qi, os tsubos têm efeitos sutis. Alguns fazem a ligação com outro meridiano; outros influenciam o equilíbrio dos elementos; outros, ainda, podem acalmar a mente ou reduzir a febre. Quando um meridiano se encontra desequilibrado, pode haver deficiência de Qi ou excesso. Chamamos de KYO a condição de deficiência/carência de energia. Chamamos JITSU a condição de excesso de energia. As áreas ou tsubos Kyo costumam parecer vazias tanto na inspeção quanto na palpação. Há amortecimento, flacidez e afrouxamento. Em geral, cedem quando pressionadas e é agradável ao paciente, pois, ao serem tocadas, recebem energia (tonificação). As áreas ou tsubos Jitsu são mais superficiais, mais fáceis de serem apalpadas e estão cheias (sobrecarregadas, com excesso) de energia. Há tensão, rigidez e fechamento. Podem ficar doloridas espontaneamente ou doem quando são pressionadas. A dor costuma ser aguda (sedação). Estes princípios são usados para diagnósticos. É mais difícil achar e tratar pontos Kyo, pois muitas vezes estão encobertos por uma tensão superficial. Por isso é muito importante que o paciente alcance um estado de relaxamento profundo, sem o qual não conseguiremos identificar e tratar as regiões do corpo que estão mais Kyo, e que são a essência de desequilíbrio na circulação energética. A pressão sobre os pontos KYO deverá ser LENTA E PROFUNDA, tonificação, o que toma mais tempo devido ao calor ter que penetrar profundamente para normalizar a energia. TONIFICAR é diferente de excitar (pressão superficial e rápida). Elemento Terra – problemas ligados aos alimentos, ao ambiente e ao hábitat: náusea, vômito, perda de apetite, ânsia por comida, bulimia, úlceras, anorexia, indigestão crônica, ansiedade, claustrofobia, paralisia facial, pernas e pés frios, debilidade dos músculos da perna. 34 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS Um paciente que se encontra em condições mais YANG (pontos Jitsu), deverá ter sua energia SEDADA. A pressão sobre os pontos JITSU deverá ser RÁPIDA E VIGOROSA. FONTE: PRADIPTO, M. J. Zen Shiatsu - equilíbrio energético e consciência do corpo. São Paulo: Editora Summus, 1986. 35 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico você viu que: • A medicina oriental trata o homem como um todo, numa visão integral, que percebe a doença não como um fenômeno isolado e casual, mas como parte de um contexto. É chamada de medicina holística e se propõe a tratar uma pessoa na sua totalidade, e não apenas a parte doente. Vê o homem como responsável pelos seus atos, e sua saúde/doença como uma extensão do seu estilo de vida. • As patologias são consideradas uma consequência natural dos agentes internos ou externos que caracterizam uma vida. • O diagnóstico chinês baseia-se na anamnese, no exame dos padrões que se formam no organismo, na observação visual de todo o indivíduo, e ainda através da palpação. • O princípio de tratamento deve ser feito após o diagnóstico completo e deve ser elaborado de acordo com a patologia e sua causa. A definição de tonificar ou sedar a energia Qi de um indivíduo será baseada no diagnóstico correto e de acordo com as condições físicas e emocionais encontradas. 36 Elabore uma ficha de avaliação da MTC. AUTOATIVIDADE 37 TÓPICO 3 CONHECIMENTO BÁSICO E APRESENTAÇÃO DE TÉCNICAS ORIENTAIS UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO O conhecimento de técnicas naturais, baseadas na relação harmônica Homem-Universo, torna-se, atualmente, uma questão de sobrevivência para a humanidade. Nos últimos anos, a necessidade de relaxar corpo e mente tem levado um número crescente de pessoas à redescoberta de prática antigas, visando à restauração da ordem natural interna e externamente. Normalmente, são práticas desenvolvidas no Oriente há milhares de anos, com objetivos terapêuticos ou estéticos extremamente eficazes. Podemos considerar que estas técnicas existem desde que o primeiro homem pressionou ou massageou seu corpo instintivamente ao sentir uma dor, um ato reflexo de levar a mão a um ponto doloroso. Em todas elas, o objetivo sempre inclui a melhora da qualidade de vida de todos os seres humanos. 2 AROMATERAPIA A aromaterapia é uma terapia que utiliza óleos essenciais puros e de origem controlada para o tratamento de distúrbios de saúde, assim como prevenção de doenças e manutenção de saúde. De determinadas plantas aromáticas é extraído o óleo essencial a ser aplicado isoladamente ou em combinação com outros aromas, dependendo das enfermidades e do indivíduo. “Aromaterapia é uma parte da fitoterapia na qual se realiza a aplicação terapêutica de plantas aromáticas (que são plantas ricas em óleos essenciais) ou óleos essenciais naturais extraídos de diversas partes dessas plantas, por diversas vias de aplicação que podem passar ou não pelo sistemaolfativo, de forma que os óleos essenciais desenvolvem efeitos terapêuticos fisiológicos e psicológicos de forma farmacológica, sendo que, são adicionados aos efeitos farmacológicos os efeitos olfativos dos óleos essenciais quando utilizadas as vias que passam pelo sistema olfativo” (LYRA, 2010, p. 3). NOTA 38 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS Óleos essenciais são substâncias voláteis extremamente concentradas, que possuem princípios ativos de acordo com suas composições químicas. Dependendo da planta, o óleo essencial terá características diferenciadas de aroma, cor e densidade. Os óleos essenciais podem ser usados diluídos em veículos carregadores sobre a pele, através de massagens, cremes, loções, gel ou puro, ou ainda através da inalação. Dependendo da forma de uso, provocará efeitos físicos, mentais e emocionais, alterando respiração, batimentos cardíacos, pressão arterial, estados de ânimo, concentração etc. Esses óleos devem ser 100% puros e de origem rigorosamente controlada, a fim de que sua composição química e energética não se altere, mantendo-se adequada para fins terapêuticos. Eles podem ser extraídos de diversas regiões da planta: flor, folha, raiz, madeira, fruto, semente e resina. Aromaterapia de qualidade se faz com óleo essencial de qualidade. Temos que lembrar que a aromaterapia não é uma técnica diagnóstica. Para diagnóstico, utilizamos outras técnicas, como medicina chinesa, iridologia, simples anamnese, entre outras. Um bom diagnóstico é pelo menos 50% de um bom tratamento, portanto, é muito importante se aperfeiçoar em bons métodos diagnósticos para desenvolver uma terapia eficiente (LYRA, 2010). Na aromaterapia se utilizam os óleos essenciais puros para os efeitos terapêuticos. Porém, estes podem ter os óleos vegetais como emoliente e base, principalmente quando for utilizado em terapias como a massagem, por exemplo. A principal diferença entre os dois tipos de óleo está no tamanho de suas moléculas, sendo o óleo essencial com moléculas pequenas (terpenos) e o óleo vegetal com moléculas grandes (ácidos grados). Além disso, o óleo essencial, quando evapora, deixa resíduos, é leve ao tato, é aromático e terapêutico. Enquanto o óleo vegetal, quando evapora, deixa nódoas, é untuoso ao tato, tem cheiro típico de óleo e é emoliente. Acesse:<http://pt.slideshare.net/emprendeperu/apostilaaromaterapialt>e consulte a tabela das diferenças dos óleo utilizados nesta técnica, além de se aprofundar no assunto com uma literatura clara e objetiva. Boa leitura! 2.1 HISTÓRIA DA AROMATERAPIA Desde o início do desenvolvimento da química e da farmácia os óleos essenciais já vinham sendo pesquisados, principalmente suas propriedades terapêuticas, mas teria sido por volta dos anos de 1920 que o químico francês René Maurice Gattefossé teria começado seus estudos com óleos essenciais e DICAS TÓPICO 3 | CONHECIMENTO BÁSICO E APRESENTAÇÃO DE TÉCNICAS ORIENTAIS 39 sua utilização terapêutica, levando-o ao lançamento do 1º livro sobre o assunto Aromathérapie: Les huiles essentielles hormones végétales. Gattefossé foi quem, em 1928, inventou a palavra “aromaterapia”. Logo com seu lançamento, Aromathérapie, de Gattefossé, atraiu grande atenção de pesquisadores, estudiosos e profissionais da área da saúde, dentre estes um médico, Dr. Jean Valnet, que já atuava com a utilização prática da fitoterapia. O Dr. Jean Valnet teria sido quem estruturou a terapia com o uso de óleos essenciais, dando-lhe uma abordagem mais clínica com a utilização oral de óleos essenciais e seu uso como medicamento. Uma das maiores observações feitas pelo Dr. Jean Valnet foi a respeito das propriedades antibióticas dos óleos essenciais, o que ele teria notado inicialmente durante a Segunda Guerra Mundial, quando esteve atuando como médico das forças armadas francesas. Então, em conjunto com outros pesquisadores franceses, como o Dr. Jean-Claude Lapraz e Christian Duraffourd, demonstraram que óleos essenciais são os antibióticos naturais mais eficazes contra infecções. Posteriormente, depois da Segunda Guerra Mundial, a bioquímica australiana Marguerite Maury publicou, em 1961, o livro Le Capital Jeunesse, traduzido em 1964, na Inglaterra, por Danièle Ryman, tendo sido o gancho forte para a inserção da técnica neste país. Quando a aromaterapia foi importada para a Inglaterra, em meados do século XIX, ela foi introduzida através da estética. O código de práticas da estética na Inglaterra não permite a administração de nada oralmente e isto ficou registrado nos códigos das primeiras associações de aromaterapia e as últimas têm feito o mesmo. Assim, a prática clínica com estudo aprofundado de química e utilização oral na França deixou lugar, na Inglaterra, para uma forma mais simples de uso dos óleos através do emprego de cremes, massagem e inalação. Esta forma de prática passou a ser conhecida pelos franceses como o “Estilo Inglês de Aromaterapia”, o que fez a técnica se dividir em dois grandes sistemas: aquele que podemos denominar, hoje, de aromaterapia francesa (ou aromatologia – que é mais profunda), e a aromaterapia inglesa (ou simplesmente aromaterapia – que é mais simples). Não podemos datar com exatidão a primeira extração por destilação do que chamamos de óleos essenciais. Há alguns milhares de anos, ervas aromáticas, bálsamos e resinas eram empregados para embalsamar cadáveres, em cerimônias religiosas ou sacrifícios, e nenhum documento que permaneceu daquela época fala com exatidão do uso de óleos essenciais isolados. A história da aromaterapia pode ser resumida em quatro grandes épocas: Na primeira, plantas aromáticas eram utilizadas tais como elas são: na alimentação, inicialmente, sob a forma de macerações e, em seguida, em infusões ou decantações. 40 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS A segunda é aquela na qual as plantas aromáticas eram queimadas ou postas para infundir ou macerar em um óleo vegetal. Nesta época surgiu a noção de atividade ligada à substância odorificante. Durante a terceira época interveio a pesquisa de extração da substância odorificante. É o nascimento do conceito de óleo essencial, que resultou na criação e no desenvolvimento da destilação. Por fim, no período moderno, quarta época, o conhecimento dos componentes dos óleos essenciais é levado em conta para explicar as atividades físicas, químicas, bioquímicas e, recentemente, eletrônicas dos aromas vegetais. Na China, 3.500 anos antes de nossa era, ao longo do rio Jovem, as madeiras aromáticas eram utilizadas como incenso. É provável que nesta mesma época, no mesmo lugar, foi descoberto o processo de extração de óleos essenciais a partir da infusão de plantas. Há 4.500 anos aproximadamente, Shen Nung redigiu o mais importante tratado de fitoterapia, no qual cita numerosas plantas aromáticas. Nesta mesma época, o Houang-Ti Nei-Jing Su-Wen fazia referências à utilização de preparações óleo-aromáticas para a massagem. O livro de medicina interna do antigo Imperador Amarelo da China fala sobre o uso de remédios aromáticos, como o opium e o gengibre, muitos destes empregados não só terapeuticamente, mas, inclusive, em cerimônias religiosas, como o Li-ki e Tcheou-Li. Os antigos egípcios isolaram vários perfumes e conheciam os óleos essenciais de terebintina e de mastique, sem dúvida o primeiro óleo essencial obtido a partir da destilação a seco. Vasos de alabastro encontrados em antigas tumbas dos faraós continham óleos essenciais e datavam de mais de 6.000 anos.Os egípcios empregaram gomas e óleos no processo de embalsamento de cadáveres, eram peritos na área de cosmetologia e reconhecidos por seus preparados de ervas. Os vinhos aromáticos eram utilizados por suas virtudes anestésicas. No entanto, é na mumificação, constituída na impregnação completa dos tecidos do defunto com uma mistura de extratos aromáticos, e de maneira particular de óleos de cedro e de manjericão, que seu uso nos deixou traços mais precisos. Enfim, as fumigações aromáticas eram largamente utilizadas a partir da mistura de sessenta plantas: o Kyphi. Este era igualmente empregado como remédio e queimado nas habitações para desinfetá-las. Esta mistura fitoaromática continuou a ser amplamente utilizada na Grécia e em Roma. TÓPICO 3 | CONHECIMENTO BÁSICO E APRESENTAÇÃO DE TÉCNICAS ORIENTAIS 41 Dadas todas essas passagens culturais e mudanças, o panorama da aromaterapia não é bem definido mesmo na atualidade. Hoje em dia, ela é uma terapia essencialmente europeia (onde foi mais desenvolvida) e dividida entre a visão científica e os conhecimentos empíricos históricos não comprovados. 2.2 COMO FUNCIONA A AROMATERAPIA A aromaterapia tem dois principais mecanismos de ação: o mecanismo de ação farmacológico e o mecanismo de ação olfativo. Conhecer bem os mecanismos de ação dos óleos essenciais é importante para se decidir como serão aplicados para cada caso. A atuação do óleo essencial não é definida pelo seu modo de aplicação, mas cada modo de aplicação poderá facilitar certa atuação desejada. O mecanismo de ação farmacológico se baseia na absorção dos componentes químicos do óleo essencial, ou seja, os componentes chegam à corrente sanguínea. A partir de lá, cada componente irá migrar para determinados tecidos por afinidade e atração química. O mecanismo de ação olfativo se baseia na captação das moléculas dos compostos químicos dos óleos essenciais na mucosa nasal. Quando captados pela mucosa nasal, os óleos essenciais se ligam a receptores para moléculas aromáticas no epitélio olfativo. Esses receptores são projeções nervosas do bulbo olfativo, que se comunica com o sistema nervoso central em diversos níveis (corticais e subcorticais). A partir dessa comunicação, os aromas podem influenciar o funcionamento do sistema nervoso, influenciando, portanto, as funções de centros mentais, emocionais e de controle físico. 2.3 FICHAS DOS ÓLEOS ESSENCIAIS Alecrim Nome científico: Rosmarinus officinalis. Nota: baixa. Yin/Yang: Yang. Cinco elementos: atua, principalmente, em madeira (VB e F), fogo (ID e C), terra (E) e metal (IG). Região de extração: folha. Arquétipo: criatividade. Par de oposição: Tea-tree (estafa). Composição química: cetonas, hidrocarbonetos monoterpênicos e óxidos. Família botânica e grupo de afinidade: lamiaceae. NOTA 42 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS Propriedades: analgésico, antimicrobiano, antioxidante, antirreumático, antisséptico, antiespasmódico, afrodisíaco, adstringente, carminativo, cefálico, colagogo, colerético, cicatrizante, cordial, citofilático, diaforético, digestivo, emenagogo, fungicida, hepático, hipertensivo, nervino, parasiticida, restaurativo, rubefaciente, estimulante (circulatório, córtex adrenal, hepatobiliar), estomáquico, sudorífico, tônico (nervoso, geral), vulnerário. Usos tradicionais: Pele: acne, caspa, dermatite, eczema, cabelo oleoso, repelente de insetos, crescimento capilar, regula seborreia, estimulante do couro cabeludo, lêndea, veias varicosas. Circulação, músculo e articulações: arteriosclerose, retenção de líquidos, gota, dores musculares, palpitação, má circulação, reumatismo. Sistema respiratório: asma, bronquite, tosse. Sistema digestivo: colite, dispepsia, flatulência, distúrbios hepáticos, hipercolesterolemia. Sistema gênito-urinário: dismenorreia, leucorreia. Sistema imune: resfriado, gripe, infecção. Sistema nervoso: fraqueza, dor de cabeça, hipotensão, nevralgia, fadiga nervosa, exaustão nervosa, estresse. Precauções: queima se colocado na região genital; excesso causa envenenamento; induz à epilepsia; induz medo e timidez em animais; não usar durante a gravidez; não usar com hipertensos, epiléticos, lactantes; irritante; pode causar insônia se usado à noite; antídoto homeopático. Bergamota Nome científico: Citrus aurantium v. bergamia Nota: alta. Yin/Yang: Yang. Cinco elementos: atua, principalmente, em madeira (VB), fogo (ID e C), terra (BP) e água (B). Região de extração: fruto. Arquétipo: Relaxamento ideal. Composição química: ésteres e hidrocarbonetos monoterpênicos. Família botânica e grupo de afinidade: rutaceae (organizadores). Propriedades: analgésico, anti-helmíntico, antidepressivo, antisséptico (pulmonar, gênito-urinário), antiespasmódico, antitóxico, carminativo, digestivo, diurético, desodorante, febrífugo, laxante, parasiticida, rubefaciente, estimulante, estomáquico, tônico, vermífugo, vulnerário. Usos tradicionais: Pele: acne, bolhas, esfolados, eczema, repelente de insetos, picadas de insetos, pele oleosa, psoríase, manchas, úlceras varicosas, feridas. Sistema respiratório: halitose, infecções orais, dor de garganta, amigdalite. Sistema digestivo: flatulência, perda de apetite. Sistema gênito-urinário: cistite, leucorreia, prurido. Sistema imune: resfriado, febre, gripe, doenças infecciosas. Sistema nervoso: ansiedade, depressão, estresse, refrescante e animador. Precauções: fotossensível, não tomar sol; cuidado com a pele sensível; TÓPICO 3 | CONHECIMENTO BÁSICO E APRESENTAÇÃO DE TÉCNICAS ORIENTAIS 43 máximo de 1% em massagens; não usar com hipotensos porque abaixa a pressão arterial. Camomila Nome científico: Anthemis nobilis. Nota: média. Yin/Yang: Yin. Cinco elementos: atua, principalmente, em madeira (VB), fogo (ID), terra (E, BP) e metal (IG). Região de extração: flor. Arquétipo: agitação. Par de oposição: Junípero (exaustão). Composição química: ésteres. Família botânica e grupo de afinidade: asteraceae. Propriedades: analgésico, antianêmico, antinevrálgico, antiflogístico, antisséptico, antiespasmódico, bactericida, carminativo, colagogo, cicatrizante, digestivo, emenagogo, febrífugo, hepático, hipnótico, sedativo nervoso, estomáquico, sudorífico, tônico, vermífugo, vulnerário. Usos tradicionais: Pele: acne, alergia, bolhas, queimaduras, cortes, esfolados, dermatite, dor de ouvido, eczema, cuidados com os cabelos, inflamação, picada de insetos, pele sensível, dor de dente, feridas. Sistema circulatório, músculos e articulações: artrite, juntas inflamadas, dores musculares, nevralgia, reumatismo, entorses. Sistema digestivo: dispepsia, cólica, indigestão, náusea. Sistema gênito-urinário: dismenorreia, menopausa, menorragia. Sistema nervoso: dor de cabeça, insônia, tensão nervosa, enxaqueca, estresse. Precauções: crise da cura (piora antes de melhorar); aflora emoção na parte do corpo que precisa ser trabalhada; há muita falsificação de camomila azul como artemísia; nunca usar na gravidez. Canela Nome científico: Cinnamomum zeylanicum. Nota: baixa Yin/Yang: Yang. Cinco elementos: atua, principalmente, em madeira (VB, F), fogo (TA, CS), terra (E, BP) metal (IG, P) e água (B, R). Região de extração: árvore. Arquétipo: homem. Par de oposição: Cravo (mulher). Composição química: fenilpropanos (1). Família botânica e grupo de afinidade: lauraceae. Propriedades: anti-helmíntico, antidiarreico, antídoto (para veneno), antimicrobiano, antisséptico, antiespasmódico, antiputrescente, afrodisíaco, adstringente, carminativo, digestivo, emenagogo, hemostático, orexigênico, parasiticida, refrigerante, espasmolítico, estimulante (cardíaco, circulatório, respiratório), estomáquico, vermífugo. 44 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONALCHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS Usos tradicionais: Pele: lêndea, esfolados, cuidados com dentes e gengiva, verrugas, picada de vespa. Sistema circulatório, muscular e articular: má circulação, reumatismo. Sistema digestivo: anorexia, colite, diarreia, dispepsia, infecção intestinal, má digestão, espasmo. Sistema gênito-urinário: parto (estimula contrações), frigilidade, leucorreia, metrorragia, períodos irregulares. Sistema imune: resfriado, arrepio, gripe, doenças infecciosas. Sistema nervoso: fraqueza, exaustão nervosa, estresse. Precauções: máximo de 1%; não aplicar diretamente na pele; alta dosagem é irritante e abortivo; melhor usar em compressa, spray ambiental e aromatizador; não usar durante a gravidez; não usar com quem tem miomas nem na menopausa; cuidado, pois aumenta o fluxo sanguíneo e antecipa a menstruação; limpa o sangue e deixa o sangue mais fino. Cedro Nome científico: Cedrus altlantica. Nota: baixa. Yin/Yang: Yin. Cinco elementos: atua, principalmente, em terra (E). Região de extração: árvore. Arquétipo: Aconchego. Composição química: aldeídos. Família botânica e grupo de afinidade: cupressaceae (direcionadores). Propriedades: antisséptico, antiputrescente, antisseborreico, afrodisíaco, adstringente, diurético, expectorante, fungicida, mucolítico, sedativo (nervoso), estimulante (circulatório), tônico. Usos tradicionais: Pele: acne, caspa, dermatite, eczema, infecções fúngicas, pele oleosa, queda de cabelo, erupções cutâneas, úlceras. Sistema circulatório, muscular e articular: artrite, reumatismo. Sistema respiratório: bronquite, catarro, congestão, tosse. Sistema genito-urinário: cistite, leucorreia, prurido. Sistema nervoso: tensão nervosa, estresse. Precauções: não usar durante a gravidez; não usar com hipertensos; pode irritar a pele. Cipreste Nome científico: Cupressus sempervirens. Nota: baixa. Yin/Yang: Yin. Cinco elementos: atua, principalmente, em fogo (TA) e água (B). Região de extração: folha. Arquétipo: descanso espiritual. Composição química: hidrocarbonetos monoterpênicos. Família botânica e grupo de afinidade: cupressaceae (direcionadores). TÓPICO 3 | CONHECIMENTO BÁSICO E APRESENTAÇÃO DE TÉCNICAS ORIENTAIS 45 Propriedades: antirreumático, antisséptico, antiespasmódico, adstringente, desodorante, diurético, hepático, sudorífico, tônico, vasoconstritor. Usos tradicionais: Pele: hemorroidas, pele oleosa, transpiração excessiva, repelente de insetos, sangramento de gengiva, veias varicosas, feridas. Sistema circulatório, muscular e articular: celulite, cãibra muscular, edema, má circulação, reumatismo. Sistema respiratório: asma, bronquite, tosse espasmódica. Sistema gênito-urinário: dismenorreia, menopausa, menorragia. Sistema nervoso: tensão nervosa, estresse. Precauções: excesso pode causar entorpecimento cerebral. Citronela Nome científico: Cymbopogon nardus. Nota: alta. Yin/Yang: Yin. Cinco elementos: atua, principalmente, em terra (E). Região de extração: folha. Arquétipo: limpeza. Par de oposição: Erva-doce (desintoxicação). Composição química: aldeídos, ésteres e óxidos. Família botânica e grupo de afinidade: poaceae. Propriedades: antisséptico, antiespasmódico, bactericida, desodorante, diaforético, diurético, emenagogo, febrífugo, fungicida, inseticida, estomáquico, tônico, vermífugo. Usos tradicionais: Pele: transpiração excessiva, pele oleosa, repelente de insetos. Sistema imune: resfriado, gripe, infecções leves. Sistema nervoso: fadiga, dor de cabeça, enxaqueca, nevralgia. Precauções: não usar em casos de problemas cardíacos; pode causar taquicardia ou simples aceleramento dos batimentos cardíacos; pode causar alergia. Cravo Nome científico: Syzygyum aromaticum. Nota: baixa. Yin/Yang: Yang. Cinco elementos: atua, principalmente, em madeira (VB, F) e fogo (C). Região de extração: flor. Arquétipo: mulher. Par de oposição: Canela (homem adulto). Composição química: fenilpropanos (1). Família e grupo de afinidade: myrtaceae. Propriedades: anti-helmíntico, antibiótico, antiemético, anti-histamínico, antirreumático, antinevrálgico, antioxidante, antisséptico, antiviral, afrodisíaco, carminativo, contrairritante, expectorante, larvicida, espasmolítico, estimulante, estomáquico, vermífugo. 46 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS Usos tradicionais: Pele: acne, pé de atleta, esfolado, queimaduras, cortes, repelente de mosquito, dor de dente, úlcera, feridas. Sistema circulatório, muscular e articular: artrite, reumatismo, entorses. Sistema respiratório: asma, bronquite. Sistema digestivo: cólica, dispepsia, náusea. Sistema imune: resfriado, gripe, infecções leves. Precauções: não usar internamente; pode aquecer muito a pele; não aplicar em feridas expostas; máximo de 1%. Erva-doce Nome científico: Foeniculum vulgare. Nota: média. Yin/Yang: Yin. Cinco elementos: atua, principalmente, em madeira (VB), fogo (CS, C), terra (E, BP), metal (IG, P), água (B, R). Região de extração: semente. Arquétipo: desintoxicação. Par de oposição: Citronela (limpeza). Composição química: fenóis e hidrocarbonetos sesquiterpênicos. Família botânica e grupo de afinidade: asteraceae. Propriedades: aperitivo, anti-inflamatório, antimicrobiano, antisséptico, antiespasmódico, carminativo, depurativo, diurético, emenagogo, expectorante, galactagogo, laxante, orexigênico, estimulante (circulatório), esplênico, estomáquico, tônico, vermífugo. Usos tradicionais: Pele: esfolados, pele sem vida, envelhecida e oleosa, piorreia. Sistema circulatório, muscular e articular: celulite, obesidade, edema, reumatismo. Sistema respiratório: asma, bronquite. Sistema digestivo: anorexia, cólica, constipação, dispepsia, flatulência, soluço, náusea. Sistema gênito-urinário: amenorreia, leite insuficiente (mãe em fase de amamentação), menopausa. Precauções: pode irritar a pele; pode causar excitação, alucinação e até convulsão. Eucalipto Nome científico: Eucalyptus globulus, staigeriana ou citriodora. Nota: alta. Yin/Yang: Yin. Cinco elementos: atua, principalmente, em fogo (TA), metal (P) e água (R). Região de extração: folha. Arquétipo: respiração plena. Composição química: álcoois sesquiterpênicos, hidrocarbonetos monoterpênicos e óxidos. Família botânica e grupo de afinidade: myrtaceae (direcionadores). Propriedades: analgésico, antinevrálgico, antirreumático, antisséptico, TÓPICO 3 | CONHECIMENTO BÁSICO E APRESENTAÇÃO DE TÉCNICAS ORIENTAIS 47 antiespasmódico, antiviral, balsâmico, cicatrizante, descongestionante, desodorante, depurativo, diurético, expectorante, febrífugo, hipoglicêmico, parasiticida, profilático, rubefaciente, estimulante, vermífugo, vulnerário. Usos tradicionais: Pele: queimaduras, farpas, cortes, herpes, picada de insetos, repelente de insetos, lêndea, infecções de pele, feridas. Sistema circulatório, muscular e articular: dores musculares, má circulação, artrite reumatoide, entorses e outros. Sistema respiratório: asma, bronquite, catarro, tosse, sinusite, infecções de garganta. Sistema gênito-urinário: cistite, leucorreia. Sistema imune: varicela, resfriado, gripe, epidemia, sarampo. Sistema nervoso: fraqueza, dor de cabeça, nevralgia. Precauções: pode irritar a pele; pode sufocar crianças de até 6 anos; quando usado para acalmar, usar em baixa concentração; antídoto homeopático; cuidado com verbalização. Gerânio Nome científico: Pelargonium odorantissimo. Nota: média. Yin/Yang: Yin. Cinco elementos: atua, principalmente, em fogo (C), terra (E) e água (B). Região de extração: flor. Arquétipo: guerreiro. Par de oposição: Ilang-ilang (donzela). Composição química: álcoois monoterpênicos e ésteres. Família botânica e grupo de afinidade: geraniaceae. Propriedades: antidepressivo, anti-hemorrágico, anti-inflamatório, antisséptico, adstringente,cicatrizante, desodorante, diurético, fungicida, hemostático, estimulante (córtex adrenal), tônico, vermífugo, vulnerário. Usos tradicionais: Pele: acne, esfolados, capilares rompidos, queimaduras, pele congestionada, cortes, dermatite, eczema, hemorroidas, lêndea, pele oleosa e envelhecida, repelente de mosquito, úlcera, feridas, tínea. Sistema circulatório, muscular e articular: celulite, mamas engorgitadas, edema, má circulação. Sistema respiratório: dor de garganta, amigdalite. Sistema gênito-urinário e endócrino: glândulas adrenocorticais, distúrbios menstruais, TPM. Sistema nervoso: tensão nervosa, nevralgia, estresse. Precauções: diluir para peles sensíveis; não usar durante a gravidez. Ilangue-ilangue Nome científico: Cananga odorata. Nota: média. Yin/Yang: Yin. 48 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS Cinco elementos: atua, principalmente, em madeira (F), fogo (TA, CS, C), metal (P) e água (B, R). Região de extração: flor e folha. Arquétipo: donzela. Par de oposição: Gerânio (guerreiro). Composição química: álcoois sesquiterpênicos e ésteres. Família botânica e grupo de afinidade: anonaceae. Propriedades: afrodisíaco, antidepressivo, anti-infeccioso, antisseborreico, antisséptico, eufórico, hipotensor, nervino, regulador, sedativo (nervoso), estimulante (circulatório), tônico. Usos tradicionais: Pele: acne, crescimento capilar, condicionador capilar, picadas de insetos, pele irritada e oleosa, cuidados gerais com a pele. Sistema circulatório, muscular e articular: pressão arterial alta, hiperpneia, taquicardia, palpitação. Sistema nervoso: depressão, frigilidade, impotência, insônia, tensão nervosa, estresse. Precauções: não usar com hipotensos; em alta dosagens, dá dor de cabeça e náusea. Jasmim Nome científico: Jasminum officinalis. Nota: média. Yin/Yang: Yin. Cinco elementos: atua, principalmente, em terra (E, BP), metal (IG, P) e água (B, R). Região de extração: flor. Arquétipo: rei. Par de oposição: Rosa (rainha). Composição química: álcoois monoterpênicos e ésteres. Família botânica e grupo de afinidade: oleaceae. Propriedades: analgésico leve, antidepressivo, anti-inflamatório, antisséptico, antiespasmódico, afrodisíaco, carminativo, cicatrizante, expectorante, galactagogo, sedativo, tônico (uterino). Usos tradicionais: Pele: pele seca, irritada e sensível. Sistema circulatório, muscular e articular: espasmos musculares, entorses. Sistema respiratório: dismenorreia, frigilidade, dores de parto, distúrbios uterinos. Sistema nervoso: depressão, exaustão nervosa, estresse. Precauções: contraindicado no primeiro trimestre de gravidez; cuidado com o excesso. Junípero Nome científico: Juniperus communis. TÓPICO 3 | CONHECIMENTO BÁSICO E APRESENTAÇÃO DE TÉCNICAS ORIENTAIS 49 Nota: baixa. Yin/Yang: Yin. Cinco elementos: atua, principalmente, em fogo (C), terra (E, BP), metal (P) e água (R). Região de extração: fruto. Arquétipo: exaustão. Par de oposição: Camomila (agitação). Composição química: álcoois monoterpênicos e hidrocarbonetos monoterpênicos. Família botânica e grupo de afinidade: cupressaceae. Propriedades: antirreumático, antisséptico, antiespasmódico, antitóxico, afrodisíaco, adstringente, carminativo, cicatrizante, depurativo, diurético, emenagogo, nervino, parasiticida, rubefaciente, sedativo, estomáquico, sudorífico, tônico, vulnerário. Usos tradicionais: Pele: acne, dermatite, eczema, queda de cabelo, hemorroidas, pele oleosa, tônico da pele, feridas. Sistema circulatório, muscular e articular: acúmulo de toxinas, arteriosclerose, celulite, gota, obesidade, reumatismo. Sistema imune: resfriado, gripe, infecções. Sistema gênito-urinário: amenorreia, cistite, dismenorreia, leucorreia. Sistema nervoso: ansiedade, tensão nervosa, estresse. Precauções: muito diurético; não usar em caso de cálculo renal; evitar em caso de hemodiálise; não usar durante a gravidez. Laranja Nome científico: Citrus cinensis v. dulce ou Citrus aurantium v. Amara. Nota: alta. Yin/Yang: Yang. Cinco elementos: atua, principalmente, em madeira (VB), fogo (ID), terra (BP) e água (B, R). Região de extração: fruto. Arquétipo: noivo. Par de oposição: Néroli (noiva). Composição química: álcoois monoterpênicos e ésteres. Família botânica e grupo de afinidade: rutaceae (organizadores). Propriedades: antidepressivo, anti-inflamatório, antisséptico, bactericida, carminativo, colerético, digestivo, fungicida, hipotensor, sedativo (nervoso), estimulante (digestivo, linfático), estomáquico, tônico. Usos tradicionais: Pele: pele sem vida e oleosa, úlceras orais. Sistema circulatório, muscular e articular: obesidade, palpitação, retenção de líquidos. Sistema respiratório: bronquite, arrepios. Sistema digestivo: constipação, dispepsia, espasmos. Sistema imune: resfriado, gripe. Sistema nervoso: tensão nervosa, estresse. Precauções: não usar durante a gravidez; não usar com crianças pequenas 50 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS (só diluído); usar com muito cuidado com pessoas que têm mioma; não tomar sol; máximo de 1%. Lavanda Nome científico: Lavandula officinalis. Nota: média. Yin/Yang: Yin e Yang. Cinco elementos: atua, principalmente, em fogo (C) e terra (E), mas a lavanda, em especial, atua equilibrando todos. Região de extração: flor. Arquétipo: equilíbrio perfeito. Composição química: álcoois monoterpênicos e ésteres. Família botânica e grupo de afinidade: lamiaceae (equilibrantes). Propriedades: analgésico, anticonvulsivo, antidepressivo, antimicrobiano, antirreumático, antisséptico, antiespasmódico, antitóxico, carminativo, colagogo, colerético, cicatrizante, cordial, citofilático, desodorante, diurético, emenagogo, hipotensivo, inseticida, nervino, parasiticida, rubefaciente, sedativo, estimulante, sudorífico, tônico, vermífugo, vulnerário. Usos tradicionais: Pele: abcessos, acne, alergia, pé de atleta, bolhas, esfolados, queimaduras, caspa, dermatite, dor de ouvido, eczema, inflamação, picada de insetos, repelente de insetos, lêndea, psoríase, tínea, escabiose, dores, manchas, todos os tipos de pele, queimadura solar, feridas. Sistema circulatório, muscular e articular: lumbago, dor muscular, reumatismo, entorses. Sistema respiratório: asma, bronquite, catarro, halitose, laringite, infecção de garganta, tosse. Sistema digestivo: cólicas abdominais, dispepsia, flatulência, náusea. Sistema gênito-urinário: cistite, dismenorreia, leucorreia. Sistema imune: resfriado. Sistema nervoso: depressão, dor de cabeça, hipertensão, insônia, enxaqueca, tensão nervosa, estresse, TPM, dor ciática, choque, vertigem. Precauções: nenhuma. Limão Nome científico: Citrus limonum. Nota: alta. Yin/Yang: Yang. Cinco elementos: atua, principalmente, em madeira (F). Região de extração: fruto. Arquétipo: militar. Par de oposição: Patchouli (hippie). Composição química: aldeídos e hidrocarbonetos monoterpênicos. Família botânica e grupo de afinidade: rutaceae (organizadores). Propriedades: antianêmico, antimicrobiano, antirreumático, antiesclerótico, antiescorbútico, antisséptico, antiespasmódico, antitóxico, adstringente, bactericida, carminativo, cicatrizante, depurativo, diaforético, diurético, febrífugo, hemostático, hipotensor, inseticida, rubefaciente, estimulante dos glóbulos TÓPICO 3 | CONHECIMENTO BÁSICO E APRESENTAÇÃO DE TÉCNICAS ORIENTAIS 51 brancos, tônico, vermífugo. Usos tradicionais: Pele: acne, anemia, unhas quebradiças, bolhas, esfolados, cortes, pele oleosa, herpes, picada de insetos, úlceras orais, manchas, veias varicosas, verrugas. Sistema circulatório, muscular e articular: artrite, celulite, pressão arterial alta, sangramento nasal, obesidade, congestão, má circulação, reumatismo. Sistema respiratório asma, infecções de garganta,bronquite, catarro. Sistema digestivo: dispepsia. Sistema imune: resfriado, gripe, febre, infecção. Precauções: Não usar à noite porque pode causar insônia; usar com moderação; pode irritar a pele; não expor a pele ao sol; banhos de, no máximo, 5 minutos. Manjerona Nome científico: Origanum marjorana. Nota: média. Yin/Yang: Yang. Cinco elementos: atua, principalmente, em madeira (VB), fogo (TA, CS) e terra (BP). Região de extração: folha. Arquétipo: mãe. Par de oposição: Olíbano (pai). Composição química: álcoois monoterpênicos e ésteres. Família botânica e grupo de afinidade: lamiaceae. Propriedades: analgésico, anafrodisíaco, antioxidante, antisséptico, antiespasmódico, antiviral, bactericida, carminativo, cefálico, cordial, diaforético, digestivo, diurético, emenagogo, expectorante, fungicida, hipotensor, laxante, nervino, sedativo, estomáquico, tônico, vasodilatador, vulnerário. Usos tradicionais: Pele: esfolados, carrapatos. Sistema circulatório, muscular e articular: artrite, lumbago, dor e rigidez muscular, reumatismo, entorses, distensões. Sistema respiratório: asma, bronquite, tosse. Sistema digestivo: cólica, constipação, dispepsia, flatulência. Sistema gênito-urinário: amenorreia, dismenorreia, leucorreia, TPM. Sistema imune: resfriado. Sistema nervoso: dor de cabeça, hipertensão, insônia, enxaqueca, tensão nervosa, estresse. Precauções: pode dar dor de cabeça; anafrodisíaco; desaconselhável durante a gravidez; não usar durante a menopausa; não usar com hipotensos; narcótico em dose elevada. Menta Nome científico: Mentha piperita. Nota: alta. Yin/Yang: Yang. Cinco elementos: atua, principalmente, em fogo (ID, TA), terra (E) e metal (IG). 52 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS Região de extração: folha. Arquétipo: criança hiperativa. Par de oposição: Tangerina (criança tímida). Composição química: álcoois monoterpênicos. Família botânica e grupo de afinidade: lamiaceae. Propriedades: analgésico, anti-inflamatório, antimicrobiano, antiflogístico, antiprurítico, antisséptico, antiespasmódico, antiviral, adstringente, carminativo, cefálico, colagogo, cordial, emenagogo, expectorante, febrífugo, hepático, nervino, estomáquico, sudorífico, vasoconstritor, vermífugo. Usos tradicionais: Pele: acne, dermatite, tínea, escabiose, dor de dente. Sistema circulatório, muscular e articular: nevralgia, dor muscular, palpitação. Sistema respiratório: asma, bronquite, halitose, sinusite, tosse espasmódica. Sistema digestivo: cólica, cólicas menstruais, dispepsia, flatulência, náusea. Sistema imune: resfriado, gripe, febre. Sistema nervoso: desmaio, dor de cabeça, fadiga mental, enxaqueca, estresse nervoso, vertigem. Precauções: pode dar insônia se usado à noite; máximo de 1%; não usar em crianças recém-nascidas; não usar em pessoas com cálculo biliar; cuidado com pele sensível; antídoto homeopatia; não usar em hipertensos; em cardíacos; durante a gravidez, somente usar por inalação; pode ser abortivo; neurotóxico em doses elevadas. Néroli Nome científico: Citrus vulgaris. Nota: média. Yin/Yang: Yang. Cinco elementos: atua, principalmente, em fogo (TA, C) e água (B, R). Região de extração: flor. Arquétipo: noiva. Par de oposição: Laranja (noivo). Composição química: álcoois monoterpênicos, ésteres e hidrocarbonetos sesquiterpênicos. Família botânica e grupo de afinidade: rutaceae. Propriedades: antidepressivo, antisséptico, antiespasmódico, afrodisíaco, bactericida, carminativo, cicatrizante, cordial, desodorante, digestivo, fungicida, hipnótico leve, estimulante (nervoso), tônico (cardíaco, circulatório). Usos tradicionais: Pele: cicatrizes, estrias, veias rompidas, pele sensível e envelhecida, tônico da pele, rugas. Sistema circulatório, muscular e articular: palpitação, má circulação. Sistema digestivo: diarreia crônica, cólica, flatulência, espasmo, dispepsia nervosa. Sistema nervoso: ansiedade, depressão, tensão nervosa, TPM, choque, estresse, emocional. Precauções: máximo de 1%; bom para pele sensível, crianças e gestantes. TÓPICO 3 | CONHECIMENTO BÁSICO E APRESENTAÇÃO DE TÉCNICAS ORIENTAIS 53 Olíbano Nome científico: Boswellia carterii. Nota: baixa. Yin/Yang: Yang. Cinco elementos: atua, principalmente, em fogo (ID, TA), terra (BP), metal (IG, P) e água (B, R). Região de extração: resina. Arquétipo: pai. Par de oposição: Manjerona (mãe). Composição química: hidrocarbonetos monoterpênicos e hidrocarbonetos sesquiterpênicos. Família botânica e grupo de afinidade: burceraceae (espirituais). Propriedades: anti-inflamatório, antisséptico, adstringente, carminativo, cicatrizante, citofilático, digestivo, diurético, emenagogo, expectorante, sedativo, tônico, uterino, vulnerário. Usos tradicionais: Pele: pele seca e envelhecida, cicatrizes, feridas, rugas. Sistema respiratório: asma, bronquite, catarro, tosse, laringite. Sistema gênito-urinário: cistite, dismenorreia, leucorreia, metrorragia. Sistema imune: resfriado, gripe. Sistema nervoso: ansiedade, tensão nervosa, estresse, meditação. Precauções: não usar de estômago vazio; não usar com hipotensos; pode irritar a pele; mexe profundamente com a energia. Patchouli Nome científico: Pogostemon cablin. Nota: baixa. Yin/Yang: Yang. Cinco elementos: atua, principalmente, em fogo (C). Região de extração: folha. Arquétipo: hippie. Par de oposição: Limão (militar). Composição química: álcoois sesquiterpênicos e hidrocarbonetos sesquiterpênicos. Família botânica e grupo de afinidade: lamiaceae. Propriedades: antidepressivo, anti-inflamatório, antiemético, antimicrobiano, antiflogístico, antisséptico, antitóxico, antiviral, afrodisíaco, adstringente, bactericida, carminativo, cicatrizante, desodorante, digestivo, diurético, febrífugo, fungicida, nervino, profilático, estimulante (nervoso), estomáquico, tônico. Usos tradicionais: Pele: acne, pé de atleta, pele rachada, caspa, dermatite, eczema, infecções fúngicas, cuidados com os cabelos, impetigo, repelente de insetos, esfolados, dores, pele oleosa, cabelo oleoso, poros abertos, feridas, rugas. Sistema nervoso: frigilidade, exaustão nervosa, estresse. Precauções: pode causar dor de cabeça; em excesso, o efeito estimulante é revertido em sedativo. 54 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS Pau-rosa Nome científico: Aniba roseadora. Nota: média. Yin/Yang: Yin. Cinco elementos: atua, principalmente, em fogo (C) e terra (E), mas, como a lavanda, o pau-rosa também trabalha equilibrando todos os elementos. Região de extração: árvore. Arquétipo: jogo de cintura. Composição química: álcoois monoterpênicos e óxidos. Família botânica e grupo de afinidade: lauraceae (equilibrantes). Propriedades: analgésico leve, anticonvulsivo, antidepressivo, antimicrobiano, antisséptico, afrodisíaco, bactericida, estimulante celular, cefálico, desodorante, estimulante (imune), regenerador tecidual, tônico. Usos tradicionais: Pele: acne, dermatite, cicatrizes, feridas, rugas, cuidados gerais com a pele, para todos os tipos de pele. Sistema imune: resfriado, gripe, febre. Sistema nervoso: frigilidade, dor de cabeça, náusea, tensão nervosa, estresse. Precauções: tem que ser de boa procedência, pois é muito adulterado. Petitgrain Nome científico: Citrus aurantium. Nota: alta. Yin/Yang: Yang. Cinco elementos: atua, principalmente, em madeira (F), fogo (ID, C), terra (E) e metal (IG). Região de extração: folhas e frutos novos. Arquétipo: detalhista. Par de oposição: Vetiver (generalista). Composição química: ésteres. Família botânica e grupo de afinidade: rutaceae (organizadores). Propriedades: antisséptico, antiespasmódico, desodorante, digestivo, nervino, estimulante (digestivo, nervoso), estomáquico, tônico. Usos tradicionais: Pele: acne, transpiração excessiva, pele oleosa,cabelos oleosos, tônico da pele. Sistema digestivo: dispepsia, flatulência. Sistema nervoso: convalescença, insônia, exaustão nervosa, estresse. Precauções: se a extração incluir o fruto verde, não tomar sol, pois se torna fotossensível. Rosa Nome científico: Rosa damascena. Nota: média. Yin/Yang: Yin. Cinco elementos: atua, principalmente, em fogo (C) e metal (P). TÓPICO 3 | CONHECIMENTO BÁSICO E APRESENTAÇÃO DE TÉCNICAS ORIENTAIS 55 Região de extração: flor. Arquétipo: rainha. Par de oposição: Jasmim (rei). Composição química: álcoois monoterpênicos. Família botânica e grupo de afinidade: rosaceae. Propriedades: antidepressivo, antiflogístico, antisséptico, antiespasmódico, antitubercular, antiviral, afrodisíaco, adstringente, bactericida, colérico, cicatrizante, depurativo, emenagogo, hemostático, hepático, laxante, regulador do apetite, sedativo (nervoso), estomáquico, tônico (coração, fígado, estômago, útero). Usos tradicionais: Pele: capilares rompidos, conjuntivite (água de rosas), pele seca, eczema, herpes, pele envelhecida e sensível, rugas. Sistema circulatório, muscular e articular: palpitação, má circulação. Sistema respiratório: asma, bronquite, febre do feno. Sistema digestivo: colecistite, congestão hepática, náusea. Sistema gênito-urinário: menstruação irregular, leucorreia, menorragia, distúrbios uterinos. Sistema nervoso: depressão, impotência, insônia, frigilidade, dor de cabeça, tensão nervosa, estresse. Precauções: não usar em pele oleosa e em acne porque tem substâncias nutritivas que nutrem os microrganismos; o verdadeiro é atóxico. Sálvia Nome científico: Salvia sclarea. Nota: média. Yin/Yang: Yang. Cinco elementos: atua, principalmente, em terra (E). Região de extração: folha. Arquétipo: menopausa. Par de oposição: Sândalo (crise de meia idade). Composição química: cetonas. Família botânica e grupo de afinidade: lamiaceae. Propriedades: anticonvulsivo, antidepressivo, antiflogístico, antisséptico, antiespasmódico, afrodisíaco, adstringente, bactericida, carminativo, cicatrizante, desodorante, digestivo, emenagogo, hipotensor, nervino, regulador (de seborreia), sedativo, estomáquico, tônico, uterino. Usos tradicionais: Pele: acne, bolhas, caspa, queda de cabelo, condições inflamadas, pele oleosa, cabelo oleoso, oftalmia, úlceras, rugas. Sistema circulatório, muscular e articular: pressão arterial alta, dor muscular. Sistema respiratório: asma, infecções de garganta, tosse. Sistema digestivo: cólica, cólica menstrual, dispepsia, flatulência. Sistema genito-urinário: amenorreia, dores de parto, dismenorreia, leucorreia. Sistema nervoso: depressão, frigilidade, impotência, enxaqueca, tensão nervosa, estresse. Precauções: não usar durante amamentação; na inalação, usar, no máximo, 56 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS 10 minutos a cada 6 horas; pode causar hemorragia; evitar tomar álcool; neurotóxico acima de 10 gotas; não usar durante a gravidez; não usar em epiléticos; em hipertensos; não usar com frequência e nem por tempo prolongado; pode causar bradicardia (60bpm). Sândalo Nome científico: Sandalum album. Nota: baixa. Yin/Yang: Yang. Cinco elementos: atua, principalmente, em metal (P). Região de extração: árvore. Arquétipo: crise de meia-idade. Par de oposição: Sálvia (mulher de meia-idade). Composição química: álcoois monoterpênicos e aldeídos. Família botânica e grupo de afinidade: santalaceae. Propriedades: antidepressivo, antiflogístico, antisséptico (urinário e pulmonar), antiespasmódico, afrodisíaco, adstringente, bactericida, carminativo, cicatrizante, diurético, expectorante, fungicida, inseticida, sedativo, tônico. Usos tradicionais: Pele: acne, pele seca, pele rachada, loção pós-barba, pele oleosa, hidratante. Sistema respiratório: bronquite, catarro. Sistema digestivo: diarreia, náusea. Sistema gênito-urinário: cistite. Sistema nervoso: depressão, insônia, tensão nervosa, estresse. Precauções: causa calor no estômago e enjoo se ingerido (5 gotas); em alta dosagem, irrita o trato gástrico, os rins e a derme. Tangerina Nome científico: Citrus nobilis v. tangerine. Nota: alta. Yin/Yang: Yang. Cinco elementos: atua, principalmente, em madeira (F). Região de extração: fruto. Arquétipo: criança tímida. Par de oposição: Menta (criança hiperativa). Composição química: hidrocarbonetos monoterpênicos. Família botânica e grupo de afinidade: rutaceae (organizadores). Propriedades: antisséptico, antiespasmódico, carminativo, digestivo, diurético leve, laxante leve, sedativo, estimulante (digestivo e linfático), tônico. Usos tradicionais: Pele: acne, pele congestionada e oleosa, cicatrizes, manchas, estrias, tônico. Sistema circulatório, muscular e articular: retenção de líquidos, obesidade. Sistema digestivo: problemas digestivos, dispepsia, soluço, problemas intestinais. Sistema nervoso: insônia, tensão nervosa, inquietação. Precauções: máximo de 2%; pode ser usado à noite; não tomar sol de jeito nenhum; pode usar durante a gravidez e em crianças e idosos. TÓPICO 3 | CONHECIMENTO BÁSICO E APRESENTAÇÃO DE TÉCNICAS ORIENTAIS 57 Tea tree Nome científico: Melaleuca alternifolia. Nota: baixa. Yin/Yang: Yin. Cinco elementos: atua, principalmente, em madeira (F), fogo (CS) e água (B). Região de extração: folhas. Arquétipo: estafa. Par de oposição: Alecrim (criatividade). Composição química: álcoois monoterpênicos. Família botânica e grupo de afinidade: myrtaceae. Propriedades: anti-infeccioso, anti-inflamatório, antisséptico, antiviral, bactericida, balsâmico, cicatrizante, diaforético, expectorante, fungicida, imunoestimulante, parasiticida, vulnerário. Usos tradicionais: Pele: abcessos, acne, pé de atleta, vesículas, bolhas, queimaduras, esfolados, caspa, herpes, picada de insetos, pele oleosa, manchas, verrugas, feridas infeccionadas, urticária. Sistema respiratório: asma, bronquite, catarro, tosse, sinusite, tuberculose. Sistema gênito-urinário: candidíase, vaginite, cistite, prurido. Sistema imune: resfriado, gripe, febre, doenças infecciosas. Precauções: nenhuma. Vetiver Nome científico: Vetiveria zizanioide. Nota: baixa. Yin/Yang: Yang. Cinco elementos: atua, principalmente, em terra (E). Região de extração: raízes. Arquétipo: generalista. Par de oposição: Petitgrain (detalhista). Composição química: álcoois sesquiterpênicos, cetonas, ésteres e hidrocarbonetos sesquiterpênicos. Família botânica e grupo de afinidade: poaceae. Propriedades: antisséptico, antiespasmódico, depurativo, rubefaciente, sedativo (nervoso), estimulante (circulatório, produção de glóbulos vermelhos), tônico, vermífugo. Usos tradicionais: Pele: acne, cortes, pele oleosa, feridas. Sistema circulatório, muscular e articular: artrite, dor muscular, reumatismo, entorses, rigidez. Sistema nervoso: fraqueza, depressão, insônia, tensão nervosa. Precauções: nenhuma. 2.4 APLICAÇÃO PRÁTICA DA AROMATERAPIA A aromaterapia é considerada uma terapia alternativa ou complementar, embora seja um tratamento bastante antigo, que surgiu da fitoterapia e que 58 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS é comumente usada em conjunto com esta. É utilizada no tratamento das mais variadas enfermidades e desequilíbrios, sendo considerada uma terapia holística. A aromaterapia deve, mesmo assim, ser empregada com cautela e, de preferência, guiada por um profissional especializado, que saberá verificar as contraindicações, além de dosagens e melhores formas de uso. São necessários três itens principais para a prática clínica eficaz da aromaterapia profissional: - Obter um bom diagnóstico e conhecer bem a patologia a ser tratada. Para isso, é necessário saber avaliar adequadamente e estudar o caso de cada paciente detalhadamente. Além disso,o trabalho multidisciplinar sempre enriquece o tratamento. - Conhecimentos para a produção correta de um produto aromaterapêutico adequado para cada caso, assim como a aplicação correta do produto. Os elementos para isso são: limites de segurança, bases, sinergia, modos de aplicação. - Material de qualidade (principalmente o óleo essencial). A aplicação prática dos óleos essenciais inicia com seu uso oral, mas, como já estudamos em seu histórico, esta forma de aplicação não é aceita e legalizada em qualquer região do mundo. No uso interno, os óleos essenciais geralmente são diluídos em mel, tahini ou em algum óleo carregador. Porém, advertimos que esta forma de uso é restrita somente a profissionais treinados e capacitados ao seu uso através de algum curso de aromatologia. Não recomendamos o uso interno de óleos essenciais por leigos, por poder ocasionar efeitos colaterais e intoxicações. A utilização dos óleos essenciais ainda pode ser feita através de massagem, diluídos em óleos carregadores (vegetais), géis ou cremes, melhorando o efeito fisiológico da técnica e associando ao efeito terapêutico do óleo essencial (massagem aromática). Podemos, ainda, utilizar os óleos essenciais como inalação. Geralmente, é feita de duas formas: o que denominamos de inalação direta, indicada para tratamento de problemas específicos do aparelho respiratório, como asma, bronquite, sinusite etc; ou com inalação indireta, para trabalhar o emocional pelo cheiro. Outra forma muito eficaz da utilização dos óleos essenciais é através de banhos ou compressas. Para banho de imersão, podemos diluir gotas de óleo essencial em água com xampu, álcool, leite ou água com mel. Para compressas, diluir as gotas com água e umedecer a compressa, aplicando diretamente sobre uma área. IMPORTANT E TÓPICO 3 | CONHECIMENTO BÁSICO E APRESENTAÇÃO DE TÉCNICAS ORIENTAIS 59 3 BANHOS TERAPÊUTICOS Há milhares de anos, diversas civilizações se utilizavam de banhos para purificar e relaxar o corpo, além de combater variados tipos de doenças. Em 3.550 a.C., as civilizações mesopotâmicas e sumérias se utilizavam das margens dos rios Tigres e Eufrates para a realização de rituais aquáticos de purificação espiritual. Em 3.200 a.C. os faraós egípcios também desenvolviam rituais espirituais de purificação da alma e preparação para a próxima vida às margens do rio Nilo. O povo hebreu (1.250 a.C.) também praticava rituais e banhos de imersão em águas, buscando atingir a purificação moral. E ano após ano, a água demonstrava ser mais importante para os povos antigos, que buscavam em sua essência elementos naturais capazes de trazer benefícios que nenhuma medicina havia até então descoberto. O desenvolvimento das infraestruturas de banhos da antiguidade teve um importante marco em 25 a.C., quando foi inaugurada uma enorme estância termal pela civilização romana. Até mesmo médicos da época passaram a orientar seus pacientes no tratamento nesses spas de doenças crônicas e outras enfermidades. Combatentes de guerras procuravam as termas para a cura acelerada de seus ferimentos de luta. Vários tipos de terapias corporais foram sendo adicionadas ao menu de serviços dos spas, mas a água sempre foi seu elemento fundamental na Europa. Ainda não havia estudos científicos que comprovassem os benefícios da água no tratamento de doenças, de forma que as atividades de spas também sofreram muita resistência na época em função de interesses políticos. Apenas, posteriormente, foram sendo concluídos estudos relacionados, inclusive comprovando os benefícios da água sulfúrica no tratamento de doenças de pele e da água rica em bromo e iodo para combate à infertilidade feminina. Em 1669, Thomas Guiddott publica o livro “Banhos Naturais”, listando os diferentes minerais contidos na água e as potencialidades de cada um. Para economizar água e evitar incêndios, boa parte dos habitantes do Japão antigo era adepta dos banhos públicos que, no início, eram uma espécie de sauna. O misogi, ato de purificar o corpo, era indispensável em cerimônias religiosas. Ainda nos dias de hoje as pessoas têm o costume de enxaguarem a boca e lavarem as mãos antes de fazerem visitas aos santuários xintoístas. A história do efeito benéfico de águas termais e o conceito spa remontam à Grécia Antiga e à cultura romana. Quando os romanos conquistaram a Europa, trouxeram com eles os conhecimentos dos efeitos positivos das águas termais e procuraram-nas em todo o lado. Cidades com fontes quentes tornaram-se destinos populares. Os designados Dia Spa foram construídos nestas fontes quentes. Os banhos com pétalas de flores são muito procurados para fins terapêuticos e qualquer pessoa se sente leve de corpo e alma depois de um banho destes. Boa parte desses banhos são ministrados em ofurôs. Inicialmente chamados de ishiburo ou iwaburo, os ofurôs eram um tipo rudimentar de sauna. Utilizava-se uma concavidade natural, ou buracos escavados nas montanhas de pedras, onde 60 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS eram queimadas folhas secas de shida, mais conhecida como samambaia, ou de pinheiro para aquecer o lugar. Depois, as cinzas eram retiradas e colocava-se no local uma esteira sobre a qual jogavam a água do mar para criar vapor. Esse processo é peculiar no Japão, praticado em regiões litorâneas somente no verão. Os homens tinham o costume de se banharem usando fundoshi, faixa utilizada como roupa íntima, e as mulheres, koshimaki, roupas íntimas, compartilhando o mesmo espaço. Mais tarde surgiu o chamado kamaburô, um grande caldeirão onde se queimavam folhas frescas, seguindo o mesmo processo do iwaburo. Foi a partir da Era Edo que passou a ser utilizada a atual forma de banho de imersão com água quente em abundância. O Grande Edo, atual Tóquio, do século XVII, era uma grande metrópole com um milhão de habitantes. Lá, o banho público era muito utilizado por várias razões: à exceção da classe dos nobres e dos daimiôs (senhores feudais), as demais famílias eram proibidas de ter o banho em suas próprias casas, por medida de controle de água e prevenção de incêndios. O banho público era uma espécie de sauna, mas não conseguia atender a um grande número de pessoas simultaneamente. Assim, passou-se a utilizar o nível de 30 cm de água quente para o aquecimento a partir dos pés e, depois, banheiras cheias de água quente. Supõe- se que essa adaptação foi, em parte, influenciada pelo costume de banhar-se nas termas de todas as regiões japonesas. Hoje, os banhos terapêuticos e de relaxamento já são parte dos serviços oferecidos aos clientes nos melhores spas e clínicas de estética do Brasil e do mundo. Abaixo, alguns exemplos de banhos terapêuticos que podem ser oferecidos nos serviços de spas: - Banhos de Imersão Material necessário: banheira, óleos essenciais, sais de banho, flores ou chás. Água fria – permanência de 2 minutos. Água quente – permanência de 20 minutos. Indicação – relaxamento e equilíbrio energético. - Ofurô Material necessário: banheira própria para ofurô. Água quente – temperatura da água varia de 34 a 44°C – permanência de 20 minutos. Indicação – relaxamento, a posição confortável e a flutuação remete à sensação de aconchego do útero materno, aumenta o fluxo sanguíneo, auxilia na eliminação de toxinas e beneficia o sistema imunológico. - Escalda-pés Material necessário: bacia (de preferência de madeira), óleos essenciais e chás. Água quente – indicada para relaxamento, alívio de cólicas e dores de TÓPICO 3 | CONHECIMENTO BÁSICO E APRESENTAÇÃO DE TÉCNICAS ORIENTAIS 61 cabeça. O tempo de permanência pode variar de acordo com cada situação eresistência da pessoa. Indicação – relaxamento, calmante, analgésica, micoses, ressecamentos, rachaduras, dores crônicas e alergias. 4 CROMOTERAPIA Ao longo dos séculos, várias pesquisas foram realizadas com a luz visível em insetos, peixes, répteis, aves e mamíferos, com resultados notáveis. No trabalho com plantas, verificou-se que a luz visível é essencial para seu bom desenvolvimento e crescimento. Considerando que a luz colorida, isto é, os raios visíveis afetam plantas e animais, certamente há razão para afirmar que ela também afeta os seres humanos. Desde a antiguidade, a luz colorida é utilizada como terapia para o homem, trabalhando não apenas com o aspecto físico, mas também mental e espiritual. Cromoterapia é a ciência que utiliza as cores do espectro solar para restaurar o equilíbrio físico e energético em áreas do corpo atingidas por uma disfunção. Está fundamentada em três ciências: Medicina (arte de curar), Física (transformações de energia) e Bioenergética (existência do corpo bioenergético, energia vital) (BALZANO, 2008). A ciência reconhece que as ondas eletromagnéticas que ocupam as extremidades superior e inferior do espectro solar podem afetar os seres humanos e, portanto, serem utilizadas terapeuticamente para tratar enfermidades. A cromoterapia utiliza as sete cores do espectro solar e suas vibrações magnéticas (vermelho, amarelo, laranja, verde, azul, anil e violeta), sendo que cada cor tem um determinado comprimento de onda e frequência, o que caracteriza uma atuação diferenciada sobre o organismo humano. Antigos egípcios já conheciam a energia da vida, que denominavam de “heka”. Os hindus consideravam que a energia vital, o “prana”, é indispensável à vida. É provável que todos os pesquisadores se refiram, embora de maneira distinta, a uma mesma força ou energia vital. O ser humano vive, consciente ou inconscientemente, envolto por um complexo campo de radiações, formando um verdadeiro oceano de energias (BALZANO, 2001). NOTA NOTA 62 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS Devido a atuar de forma energética sobre o organismo, a cromoterapia é considerada uma terapia alternativa, complementar e holística, relacionada, principalmente, à atuação das cores nos chakras energéticos. Chakra é uma palavra em sânscrito, da Medicina Indiana, que significa “centro”, “roda”. Os sete principais chakras são: Básico, Esplênico, Solar, Cardíaco, Laríngeo, Frontal e Coronário. Cada cor tem uma ou mais atuações específicas no organismo, a semelhança das diversas substâncias químicas. AZUL – funciona como regenerador, calmante, lubrificante e analgésico. O azul contribui para a regeneração dos ossos, tecido conjuntivo, artéria, veias e medulas, exercendo dupla função, pois estende sua ação também como atividade analgésica. No aparelho digestivo, desempenha função importante de eliminar gases. Acalma o sistema nervoso central e periférico, auxiliando nos processos de angústia, depressão e estresse. Também é indicado para insônia. VERDE – exerce a função de antisséptico, anti-inflamatório e anti-infeccioso, calmante, isolante de área, regenerador e dilatador. O verde isola as áreas atingidas por uma infecção, evitando a contaminação de outros órgãos. Propicia a energia dilatadora em veias, artérias e vasos, quando há obstruções que não permitam o fluxo normal de sangue. Também age na musculatura como nos casos de parto, facilitando a dilatação do colo do útero. AMARELO – essa cor tem sua principal função como revitalizadora, fortificante e estimulante dos campos celulares de nervos, músculos e ossos. Ativa o funcionamento das diversas glândulas, estimula as funções peristálticas do intestino, suaviza manchas e cicatrizes na pele, e funciona ainda como energia desintegradora de cálculos renais e biliares. ROSA – da radiação vermelha, costuma ser mais utilizada na cromoterapia a tonalidade rosa. É a cor específica para o equilíbrio da corrente sanguínea. Tem função de acelerador, ativador, alimentador e eliminador de impurezas do sangue, bem como cauterizador e desobstruidor da circulação. Funciona ainda como queimador de gorduras. VIOLETA – cauterizador e bactericida nos processos inflamatórios e infecciosos. Só exerce sua função se o azul é aplicado para sua fixação. O conjunto de cores verde, violeta e azul exerce função de antibiótico no organismo, com a vantagem de não provocar efeitos colaterais. NOTA TÓPICO 3 | CONHECIMENTO BÁSICO E APRESENTAÇÃO DE TÉCNICAS ORIENTAIS 63 LARANJA – energizador e regenerador dos mais diferentes tecidos, e ainda atua como eliminador de gorduras. Os traumatismos musculares, as fraturas e fraquezas ósseas encontram na cor laranja o seu grande regenerador. ANIL – sua aplicação é indicada para hemorragia, é um eficiente coagulante. Na unidade III veremos as formas de aplicação prática e mais detalhes sobre a cromoterapia. 5 SHIATSU O shiatsu é uma técnica de manipulação dos pontos de acupuntura, utilizando-se da chamada “dígito pressão”, que pode ser administrada pelos dedos, além de outras áreas do corpo do terapeuta como ferramenta, como palmas das mãos, joelhos e cotovelos. Shiatsu é uma palavra japonesa: SHI significa dedo; ATSU significa pressão. Logo, shiatsu significa “PRESSÃO COM OS DEDOS”. O Ministério da Saúde Japonês nos dá a seguinte definição: “A terapia conhecida como shiatsu é uma forma de manipulação administrada pelos polegares, dedos e palmas, sem o uso de qualquer instrumento, mecânico ou de outro tipo, para aplicar a pressão à pele humana, corrigir disfunções internas, promover e manter saúde e tratar doenças específicas” (PRADIPTO, 1986, p. 15). O shiatsu é utilizado por muitos profissionais da saúde para tratar doenças, normalmente em combinação com outras terapias orientais (como a acupuntura, por exemplo). Para curar uma doença, porém, o shiatsu sozinho é uma técnica limitada. É muito útil para elevar o nível de energia do paciente, regular e fortalecer o funcionamento dos órgãos e estimular a resistência natural do corpo às doenças. ESTUDOS FU TUROS NOTA 64 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS É considerada uma técnica preventiva mais do que curativa! 5.1 SHIATSU E ESTÉTICA Atualmente, a medicina estética é considerada a medicina do bem-estar. O profissional da estética precisa ter como objetivo, além de dar ao paciente uma aparência em conformidade com sua vontade, melhorar sua qualidade de vida, fazendo com que ele se sinta bem consigo mesmo. Um indivíduo que busca um profissional da estética visa à harmonia com sua imagem, também buscando algo para melhorar sua autoestima e, consequentemente, sua qualidade de vida. Talvez esta seja a principal justificativa para entender por que o shiatsu é uma das técnicas orientais mais utilizadas na estética, apresentando resultados extremamente positivos. O shiatsu é uma terapia holística, equilibra o organismo energeticamente, promove bem-estar e relaxamento, melhora a qualidade de vida e corrige disfunções fisiológicas e, consequentemente, as imperfeições estéticas. Os principais objetivos do shiatsu aplicado na estética são: equilibrar a atividade dos hormônios da suprarrenal (hormônios femininos); eliminar a constipação intestinal (uma das principais causas de disfunções na pele); melhorar a qualidade do sono (renovação celular) (KAGOTANI, 2004). 5.2 HISTÓRICO As práticas da Medicina Chinesa foram introduzidas no Japão por volta do século VI. Depois de muitos anos, a medicina ocidental dominou a saúde por todo o período MEIJI (1868-1912). No início do século XX, as limitações das técnicas ocidentais se tornaram evidentes e as antigas terapias foram reavaliadas.O shiatsu foi desenvolvido a partir do Anma, massagem chinesa de pressão nos pontos energéticos. A técnica chinesa Anma era regulamentada pelo governo e seus praticantes eram obrigados a se licenciar. Para evitar a regulamentação, muitos terapeutas mudaram o nome do tratamento que faziam para shiatsu, que, posteriormente, foi reconhecido e legitimado devido à sua eficácia e popularidade. IMPORTANT E IMPORTANT E TÓPICO 3 | CONHECIMENTO BÁSICO E APRESENTAÇÃO DE TÉCNICAS ORIENTAIS 65 Em 1925, foi criada a Associação de Terapeutas de Shiatsu, mas a técnica só foi oficialmente reconhecida no Japão em 1955, pelo Ministério da Saúde e Bem- estar. Foi difundida para o Ocidente a partir de sua entrada nos Estados Unidos por volta de 1950. 5.3 A TÉCNICA E SEUS PRINCÍPIOS Para se tornar um bom shiatsuterapeuta é necessário o conhecimento da Medicina Tradicional Chinesa e da Medicina Ocidental (anatomia, fisiologia e patologia). O terapeuta deve desenvolver/adquirir alguns requisitos fundamentais: bom conhecimento teórico, prática extensa, cuidadosa e variada e sensibilidade. Para desenvolver a sensibilidade, podemos nos utilizar de técnicas de desenvolvimento pessoal e de aumento de energia vital (Qi), podendo ser conseguido também através de exercícios físicos, respiratórios e alongamentos. Um tratamento com shiatsu abre a possibilidade para o paciente ir tomando consciência do seu estado físico, emocional e mental, fazendo com que ele participe do processo de “cura” de forma ativa, melhorando sua qualidade de vida. A função do terapeuta é também a de mostrar sua própria visão, procurando elucidar e orientar o paciente. Porém, não somos donos da verdade e não devemos pretender passar verdades absolutas. Tentaremos compreender e aceitar as dúvidas e fraquezas do outro, fornecendo o apoio necessário. Esta postura revelará nossa maturidade, a qual, aliada ao conhecimento, à prática e à sensibilidade desenvolvida, nos capacitará a bem atender aos pacientes. Quando nos dispomos a ajudar outro ser, isso nos ajuda a avançar no nosso próprio processo de cura. No shiatsu, nosso maior mestre é o nosso paciente! Diferente das técnicas ocidentais, o shiatsu não realiza toques suaves, amassamentos ou deslizamentos. É uma técnica dinâmica que permite ao terapeuta utilizar muitas áreas do seu corpo como ferramentas (dedos, mãos, joelhos, cotovelos e pés). O terapeuta utilizará o peso do seu próprio corpo para realizar as pressões, sendo que ela deve vir do abdômen (hara). IMPORTANT E IMPORTANT E 66 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS As principais indicações da técnica incluem: restaurar o equilíbrio/ funcionamento orgânico, e não tratar sintomas isolados; diminuição da tensão física e emocional; aliviar dores de cabeça, esgotamento físico e mental, dores musculares e posturais, problemas digestivos, estados emotivos, insônia, mal- estar físico ou psicológico sem causa definida, e uma série de outros pequenos distúrbios. As contraindicações podem ser relativas ou absolutas, ou seja, todo caso deve ser analisado com bom senso. Qualquer pessoa pode receber shiatsu, somente precisamos adaptá-lo nos casos de idosos, crianças e gestantes (adequar profundidade do toque, sequência e ritmo). Evita-se aplicar shiatsu em casos de câncer, pelo risco de disseminação da doença, em casos de doenças contagiosas e graves, quadro de infecções graves, febre alta e extrema debilidade física. Nunca pressionar sobre cortes, machucados, queimaduras, fraturas, edemas, escoriações, varizes, hematomas, úlceras e hérnias. Cuidados especiais em casos de epilepsia, hipertensão arterial, artrites, artroses, reumatismo e osteoporose. 5.4 A PRÁTICA O shiatsu é realizado no chão, por isso, temos que ter um espaço apropriado, suficiente para permitir livre movimentação para trabalhar em todas as posições exigidas. O paciente deverá deitar em um colchonete (não muito mole) ou tatame, coberto por lençol. O terapeuta poderá ter almofadas (não muito moles e nem muito altas) para apoiar tanto seu corpo (se necessário) como o do próprio paciente. Tanto terapeuta quanto paciente devem vestir roupas leves e confortáveis, de preferência de material natural. A frequência de tratamento depende dos objetivos, mas normalmente é indicada uma vez por semana, com duração máxima de 90 minutos de atendimento. Sempre retirar lentes de contato e óculos. Evitar trabalhar logo após as refeições (estômago cheio) ou muito faminto (estômago roncando). A pressão será exercida sobre os pontos (tsubos) principais dos meridianos de energia, que podem estar sensíveis, variando de pessoa para pessoa, ou ainda de um lado do corpo ao outro. Localizamos o ponto, palpando-o, pressionamos, respiramos, procurando relaxar e sentir o fluxo de energia. É importante para o relaxamento manter a respiração sempre fluindo em ambas as partes. Não existe regra em relação à duração das pressões nos pontos, mas em TÓPICO 3 | CONHECIMENTO BÁSICO E APRESENTAÇÃO DE TÉCNICAS ORIENTAIS 67 geral variam entre 5 a 10 segundos, podendo ou não realizar movimentos circulares junto à pressão. Sempre devemos nos manter atentos às reações dos pacientes, que guiarão o tempo todo nosso atendimento. Existem inúmeras técnicas (linhas) de shiatsu: shiatsu puro, zen shiatsu, shiatsu ocidental, tantra shiatsu, watsu (shiatsu na água), shiatsu macrobiótico. A sequência prática que veremos é baseada na técnica do zen shiatsu. Pode-se trabalhar em quatro posições diferentes: paciente sentado, em decúbito lateral, decúbito ventral ou decúbito dorsal. Na Unidade III aprenderemos alguns pontos e sequências de aplicação prática do shiatsu facial e corporal. 6 QUICK MASSAGE Esta técnica também é conhecida como massagem sentada, massagem rápida, ou shiatsu expresso. Surgiu com David Palmer no início da década de 80 com a adaptação de técnicas e criação de rotinas de massagem sentada. Palmer desenvolveu uma cadeira portátil que permitisse fácil acesso do terapeuta e conforto na acomodação do paciente. A técnica é realizada em uma cadeira portátil, onde o paciente fica numa posição confortável, inspirada na posição fetal. O advento da cadeira portátil fez com que houvesse maior popularização e disseminação deste tipo de massagem. De acordo com o tamanho do paciente, alguns ajustes podem ser feitos na cadeira, para permitir que o terapeuta tenha acesso às áreas a serem trabalhadas. Devido à posição, as principais áreas de acesso são a região cervical, torácica, lombar, ombros, membros superiores e cabeça. Desta forma, oferece ótimos resultados terapêuticos no alívio de dores e desconfortos. NOTA ESTUDOS FU TUROS 68 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS O tempo de aplicação varia entre quinze e vinte minutos. Os principais benefícios da quick massage são alívio da dor, desconfortos e tensão muscular; ativação da circulação sanguínea e linfática; melhora do movimento articular; redução da ansiedade e irritação; proporciona estado de bem-estar e conforto; melhora o humor; aumento da concentração e motivação; e promove relaxamento. Na Unidade III aprenderemos a sequência básica da quick massage. 7 REFLEXOLOGIA PODAL A reflexologia é uma técnica que se baseia no princípio que existem áreas reflexas nos pés e nas mãos correspondentes a todos os órgãos, glândulas e estruturas do corpo. É considerada uma técnica terapêutica, alternativa e complementar ao tratamento de diversas doenças, incluindo câncer e estresse. Neste tópico, estudaremos especificamente a reflexologia podal, ou seja, a aplicação de pressão sobre pontos reflexos nospés com a indicação de aliviar tensões e equilibrar a energia vital do paciente. 7.1 HISTÓRICO Não se conhece a origem exata da reflexologia. Acredita-se que se originou na China há cerca de quatro mil anos a.C. Porém, através de documentos (pictogramas) encontrados no Egito, sabe-se que os egípcios antigos utilizavam técnicas de massagem nos pés para recuperar a saúde das pessoas, assim como os índios americanos e outros povos utilizavam essa técnica com fins terapêuticos. De qualquer modo, em um ponto há unanimidade, o fato de que as origens da reflexologia remontam à Antiguidade. Dentre as suas origens modernas, existem várias evidências no Ocidente que mostram a aplicação terapêutica de pressão específica em zonas do corpo. Por volta de 1893, se descobriu que condições físicas de determinadas áreas do corpo melhoravam quando pontos específicos dos pés eram massageados, com isso iniciaram-se os estudos da Terapia das Zonas (zonas de energia que dividem o corpo da cabeça aos pés). Definiu-se que os pés respondiam melhor à pressão do que as mãos, não só porque neles passam os principais canais ou meridianos que conduzem a energia vital, mas também porque nos pés os reflexos são estimulados naturalmente porque ESTUDOS FU TUROS TÓPICO 3 | CONHECIMENTO BÁSICO E APRESENTAÇÃO DE TÉCNICAS ORIENTAIS 69 permanecem muito tempo sob a pressão do peso corpóreo estático ou dinâmico, o que gera um efeito positivo no que diz respeito ao sistema energético do corpo e nos sistemas fisiológicos relacionados. Por isso, os pés foram considerados, em 1017, pelo Dr. Wang Wei, um acupuntor respeitado, como áreas especialmente importantes a tratar, em termos de cura. No início do século passado, o Dr. William Fitzgerald, reunindo e estudando todas as informações até então conhecidas, descobriu a possibilidade do corpo ser dividido em dez zonas verticais, as quais, por sua vez, correspondem aos dez dedos dos pés e das mãos – Teoria da Zonoterapia. A Terapia das Zonas (Zonoterapia) foi ensinada ao Dr. Riley e sua esposa pelo Dr. Fitzgerald que, por muitos anos, a utilizaram em suas práticas médicas, possibilitando ao Dr. Riley tanto desenhar os primeiros diagramas detalhados dos pontos de reflexologia localizados nos pés quanto acrescentar mais oito zonas horizontais que viabilizaram a localização dos pontos reflexos com mais precisão. Entretanto, após o empenho desses médicos, a Dra. Eunice Ingham, considerada a mãe da Reflexologia Moderna, dedicou muitos anos da sua vida à pesquisa e à transformação do método de aplicação de pressão nas zonas em uma técnica detalhada e completa, por volta de 1930. Tal técnica, no século XXI, é conhecida como Reflexologia Podal. 7.2 A TÉCNICA E SEUS PRINCÍPIOS O termo reflexologia é o estudo dos reflexos. A reflexologia é considerada a ciência e a arte que lida com o princípio de que nos pés e nas mãos existem áreas de reflexos que correspondem a todos os órgãos, glândulas e partes do corpo, como se nos pés estivesse desenhado todo o corpo humano. Não se sabe exatamente como a reflexologia funciona, embora existam várias teorias. Acredita-se que a aplicação de pressão em pontos específicos possibilita que o paciente relaxe e faz com que seu corpo reaja às necessidades ou disfunções, pelo reequilíbrio energético. Desta forma, a Reflexologia Podal é aplicada como uma técnica de massagem em pontos existentes sobre a planta e o dorso dos pés, que representam todos os órgãos e os membros do corpo humano, possibilitando um relaxamento e um equilíbrio corporal. Ao estimular os pés, a energia corpórea produzida é liberada e utilizada pelo organismo do paciente. Quando o fluxo de energia é desimpedido, mantemo-nos saudáveis. Quando há bloqueio ou congestão, a doença aparece. Tratando os reflexos, os bloqueios são desfeitos e a harmonia de todos os sistemas é restaurada. 70 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS O principal benefício da técnica é o relaxamento. Ao reduzir a tensão, melhora o suprimento sanguíneo, promovendo o funcionamento desimpedido dos nervos e restabelecendo a harmonia ou homeostase entre as funções corporais (LIDELL, 2000). Para um terapeuta aplicar uma boa técnica de reflexologia podal, é necessário estudar os princípios dessa ciência, principalmente a teoria das zonas e os mapas reflexos dos pés. A teoria das zonas explica a ligação entre os reflexos dos pés e as partes do corpo às quais correspondem. Segundo esta teoria, existem dez zonas ou canais de energia que percorrem o corpo longitudinalmente, da cabeça aos pés. Cinco de cada lado, um para cada artelho ou dedo. Todo órgão, glândula ou parte do corpo situado dentro de uma zona tem seu reflexo na zona correspondente do pé. Quando há uma zona sensível no pé, muitas vezes isso significa tensão ou congestão na parte do corpo situada na mesma zona. Existem três pontos de referência que cruzam os pés lateralmente: a linha do diafragma, a linha da cintura e a linha do calcanhar. Estas linhas nos orientam para localizar precisamente os pontos reflexos. 7.3 APLICAÇÃO PRÁTICA O trabalho com a reflexologia deve ser feito de acordo com o mapeamento dos pontos reflexos nos pés. Os mapas dos dois pés são semelhantes, mas alguns pontos só aparecem em um dos pés devido a corresponder aos órgãos que se situam em um dos lados do corpo (por exemplo, o fígado fica na planta do pé direito). É tratado um pé de cada vez. Para ser um bom reflexologista, precisa-se adquirir o conhecimento da anatomia e fisiologia das estruturas do pé. IMPORTANT E IMPORTANT E TÓPICO 3 | CONHECIMENTO BÁSICO E APRESENTAÇÃO DE TÉCNICAS ORIENTAIS 71 FIGURA 6 – MAPA DOS PONTOS REFLEXOS FONTE: Disponível em: <https://expressodasilhas.cv/lifestyle/2016/02/15/reflexologia-dos- pes/47616>. Acesso em: 12 Set. 2019. Um tratamento típico de reflexologia podal dura em média de trinta a quarenta minutos. Devemos utilizar sempre as duas mãos para massagear os pontos, principalmente utilizando os polegares e também o indicador. Você deve ficar numa posição confortável, e o paciente também, com os pés na altura do seu colo. Normalmente, não se utilizam cremes ou óleos para aplicar a massagem nos pontos reflexos; se houver necessidade, pode ser utilizado talco. Mas é comum alguns profissionais da massoterapia e da estética “adaptarem” a aplicação com a utilização de um produto deslizante. As manobras basicamente consistem em trabalhar deslizando o polegar para frente e para trás na área do ponto reflexo, deslizando o indicador para frente, dobrando ligeiramente a articulação (junção) onde está o ponto, fazendo a técnica do “anzol”, fazendo um “gancho” com o polegar no ponto reflexo, ou ainda as rotações reflexas, onde mantemos o polegar posicionado e giramos o pé em torno dele. Na Unidade III veremos a atuação prática e maiores detalhes sobre a reflexologia podal. ESTUDOS FU TUROS https://expressodasilhas.cv/lifestyle/2016/02/15/reflexologia-dos-pes/47616 https://expressodasilhas.cv/lifestyle/2016/02/15/reflexologia-dos-pes/47616 72 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS São poucos os trabalhos científicos existentes sobre a reflexologia, no entanto, a maioria desses trabalhos mostra que essa técnica tem algum efeito benéfico sobre o organismo, o que a torna uma terapia viável e que merece investimento. 8 DO-IN DO-IN é uma técnica oriental de AUTOMASSAGEM, na qual pressionamos nosso próprio corpo em busca de equilíbrio e conforto. Embora faltem registros, presume-se que o DO-IN tenha se desenvolvido na China há cerca de cinco mil anos, durante o reinado de Huang-Ti, o lendário Imperador Amarelo, considerado o pai da acupuntura e o formulador dos fundamentosde toda medicina chinesa. Acredita-se que desde a Pré-história os primeiros raios de sol acordaram o homem e este desenvolveu instintivamente um ritual de aquecimento e preparação para a vida (para enfrentar as lutas e as atividades diárias), esfregando as mãos, o rosto, os pés e o corpo. A finalidade era abreviar a fase intermediária entre o “estado de inércia” e a “atividade consciente”. O homem primitivo passou a perceber a existência de uma relação direta em determinados pontos do seu corpo e uma espécie de energia fluindo por eles. O conhecimento destes pontos, aliado à compreensão gradativa de seus movimentos instintivos (espreguiçar-se, coçar-se etc.), proporcionou aos povos antigos a habilidade de curar a si mesmo e harmonizar o movimento interior ao cosmos (CANÇADO, 2005). A técnica é baseada em todos os conceitos da medicina chinesa, é transmitida de geração em geração e seu nome tem o significado de “caminho de casa”, morada do espírito e de Qi, a energia vital. Sua aplicação prática é simples, preventiva e tem como principal objetivo regular, equilibrar o fluxo de energia vital, Qi, no organismo. Para os profissionais que trabalham com o toque e ajudam outras pessoas a se equilibrarem, a técnica tem uma indicação muito precisa, que é a autodescoberta, a consciência do próprio corpo. É uma das melhores formas que há de aprender a ser um bom profissional, descobrindo como é bom e prazeroso o papel duplo de fazer e receber um tratamento. IMPORTANT E NOTA TÓPICO 3 | CONHECIMENTO BÁSICO E APRESENTAÇÃO DE TÉCNICAS ORIENTAIS 73 Uma pequena desvantagem da técnica seria não alcançar todas as áreas do corpo, mas esta é compensada pelos benefícios que usufruímos. Uma grande vantagem é que podemos nos automassagear sempre que nos sentirmos cansados ou tensos, seja no trabalho, em casa ou nos momentos de lazer. Para realizar a prática do DO-IN temos que nos colocar em posições confortáveis e que favoreçam o acesso das mãos às partes que serão massageadas. Um conhecimento básico dos conceitos da MTC e dos pontos dos meridianos de energia se faz necessário. Portanto, a técnica não apresenta contraindicações formais, mas alguns cuidados devem ser tomados em relação ao mapeamento dos pontos, especialmente em gestantes. 74 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS Sente-se sobre as pernas. Com os polegares ou punhos descanse o peso do corpo sobre a sola dos pés. Pressione pontos ao sacro e nádegas com os polegares Pressione toda a sola do pé com os polegares. Repita no outro pé. Deite-se de barriga para cima com os dedos de uma das mãos sobre os da outra pressione e massageie o abdômen. Faça pressões ao longo de um largo círculo imaginário, percorendo-o no sentido horário. FIGURA 7 – PRÁTICA DO-IN TÓPICO 3 | CONHECIMENTO BÁSICO E APRESENTAÇÃO DE TÉCNICAS ORIENTAIS 75 LEITURA COMPLEMENTAR TERAPIAS COMPLEMENTARES Terapia complementar é considerada a prática terapêutica utilizada concomitantemente ao tratamento convencional e que pode colaborar para o alcance dos efeitos esperados com o tratamento oficial (ELIAS, 2006). Estas práticas utilizam-se de recursos terapêuticos com eficácia comprovada e que complementam as terapias convencionais, respeitando a individualidade de cada um e empregando técnicas seguras, pautadas na responsabilidade profissional, com o pleno conhecimento e consentimento do cliente. As terapias complementares têm se difundido pelo mundo inteiro, com grande intensidade, ultimamente, apesar da sua remota utilização, pois historicamente pertencem ao patrimônio cultural e ao inconsciente coletivo da humanidade (LIMA, 2007). O interesse da população pelas práticas complementares e integrativas vem crescendo, estimulando os órgãos gestores e setores da saúde mundial para a implementação e desenvolvimento de medidas que visem corresponder aos anseios da sociedade nessa área (TEIXEIRA, 2005). As terapias integrativas e complementares são hoje praticadas em todo o mundo, sendo crescente o número de pessoas que se identificam com seus princípios evidenciados por pesquisa e publicações sob a forma de artigos, dissertações e teses, enfatizando assim a importância e utilização dessas práticas por profissionais da área de saúde (LAVERY, 2007). Muitos ainda acreditam que estas terapias não são ensinadas em universidades, o que é uma distorção, pois, atualmente, cursos da área de saúde, como enfermagem, medicina, fisioterapia, educação física e outros, na graduação ou pós-graduação, já incluem em seus currículos estas abordagens. As terapias alternativas ou complementares trazem uma visão holística do ser humano fugindo da abordagem fragmentada e mecanicista do modelo médico dominante que visa à tecnologia, especialidade e ao mercantilismo (SILVA, 2012). O holismo vem da palavra grega holos (significa “Todo”) e traz uma visão geral da realidade, na qual a emoção, sensação, sentimento, razão e intuição se compensam e se vigoram buscando equilibrar o indivíduo no seu aspecto físico, social, mental, espiritual e ambiental (TSUCHIYA; NASCIMENTO, 2002). Ao prestar assistência ao indivíduo, o profissional de saúde deve ter uma visão holística, atuando tanto no corpo físico quanto nas energias mais sutis que o constituem, pois o “Todo” determina o comportamento das partes. Como resultado, o ser humano se torna protagonista do cuidado de sua própria saúde (PARAGUANARÁ, 2009). Além de seu corpo físico, o homem possui uma mente e um espírito que não devem ser separados. As pessoas necessitam ser tratadas como um todo, sem conotação religiosa. Waldow (2001), em seu livro Cuidado Humano: o resgate necessário, nos lembra de que existem alguns pré-requisitos para cuidar das pessoas, ou seja, intencionalidade em ajudar, desejo genuíno de favorecer o bem, habilidade de centrar-se (harmonizar-se), boas condições físicas/ mentais/morais/espirituais e principalmente sentimento de amor e/ou compaixão, 76 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS respeito e dedicação. As terapias complementares possuem várias vantagens que se caracterizam por intervenções não invasivas, sem relatos de efeitos colaterais prejudiciais. Elas têm uma importante ação preventiva de desequilíbrio nos níveis físico, mental e emocional, além de poderem ser usadas concomitantemente a outros tratamentos (TSUCHIYA, NASCIMENTO, 2002). Entendendo saúde como um “complexo” aglomerado de aspectos físicos, sociais, espirituais, emocionais e ambientais, observa-se que vários são os profissionais que atuam nesta condição ou qualidade de saúde/doença da população, cada um dentro de suas especificidades. Portanto, quando se fala em Terapias não Convencionais, fala-se de terapias de áreas da medicina, da enfermagem, da psicologia, da fisioterapia, da odontologia, da educação e de todas as modalidades que auxiliam o indivíduo na busca de melhor qualidade de vida. As práticas complementares não convencionais podem ajudar no controle do estresse e melhorar a qualidade de vida, estimulando a relação do indivíduo com o ambiente, com seus pares e consigo mesmo, utilizando técnicas e métodos que auxiliam o profissional na orientação ao indivíduo em adoções de hábitos e costumes saudáveis (LIMA, 2009; LIMA, 2010). A humanidade dispõe de várias opções terapêuticas complementares que poderiam ser mais exploradas para alcançar uma vida mais saudável, com um mínimo de qualidade de vida (SILVA, 2012). A inserção destas terapias ao cotidiano das pessoas visa à harmonização do ser humano, com vistas a uma assistência integral que vai desde o acolhimento humanizado à promoção do autoconhecimento, harmonia eequilíbrio. Um grande avanço no Brasil que reforça a importância das Terapias Complementares foi a aprovação, em 3 de maio de 2006, pelo Ministério da Saúde, da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), Portaria nº 971, que “recomenda a adoção pelas Secretarias de Saúde dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, da implantação e implementação das ações e serviços relativos às Práticas Integrativas e Complementares” (BRASIL, 2006). O campo das Práticas Integrativas e Complementares contempla sistemas complexos e recursos terapêuticos, denominados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de medicina tradicional e complementar/alternativa (MT/MCA). No final da década de 70, a OMS criou o Programa de Medicina Tradicional, objetivando a formulação de políticas na área que culminaram no documento “Estratégia da OMS sobre Medicina Tradicional 2002-2005”. No Brasil, estas abordagens ganharam ênfase a partir da década de 80, principalmente após a criação do SUS (BRASIL, 2006). Apesar de citar apenas quatro das diversas terapias existentes, a Portaria nº 971/2006 do Ministério da Saúde é o um marco inicial para utilização de tantas outras terapias no SUS, contemplando assim um número maior de beneficiados junto à população mais carente do país (BRASIL, 2006). As terapias referenciadas são: 1) Medicina Tradicional Chinesa, que se caracteriza por um sistema médico integral milenar, originado na China, que utiliza linguagem que retrata simbolicamente as leis da natureza e que valoriza a inter-relação harmônica entre as partes visando à integridade, com ênfase na acupuntura; 2) Homeopatia, enquanto sistema médico complexo; 3) Plantas Medicinais e Fitoterapia, caracterizada pelo uso de plantas medicinais em suas diferentes formas farmacêuticas, sem a utilização de substâncias ativas isoladas, ainda que de TÓPICO 3 | CONHECIMENTO BÁSICO E APRESENTAÇÃO DE TÉCNICAS ORIENTAIS 77 origem vegetal; 4) Termalismo Social, que compreende as diferentes maneiras de utilização da água mineral e sua aplicação em tratamentos de saúde com finalidade terapêutica, atuando de maneira complementar aos demais tratamentos de saúde. FONTE: LIMA, Indiara Campos et al. Terapias complementares: um projeto de extensão. Revista Conexão UEPG, vol. 8, n. 1, 2012, p. 76-85. 78 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você viu que: • É importante compreender que existem os limites das técnicas orientais e os limites do profissional. Nenhuma técnica e nenhum profissional conseguirá resolver todos os problemas. Mas, no geral, dentro da visão holística, as terapias alternativas podem tratar todos os aspectos do ser humano: físico, energético, mental, emocional e espiritual, além do ambiental. • Todas as técnicas orientais se enquadram como terapia holística. As terapias holísticas podem abordar todos os aspectos do ser humano e o terapeuta deve sempre procurar uma abordagem integral do paciente. • Apresentamos a aromaterapia, cromoterapia, banhos terapêuticos, reflexologia, shiatsu, quick massage e do-in. Cada técnica possui sua indicação e forma de aplicação prática. • O importante é o profissional estar habilitado para a técnica escolhida e ter critério e fundamentação na sua escolha. 79 Como vimos, o shiatsu é a técnica mais utilizada na estética. Relacione as principais indicações e contraindicações da técnica de shiatsu. AUTOATIVIDADE 80 81 TÓPICO 4 INTRODUÇÃO À MASSOTERAPIA UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Massoterapia é o termo dado à utilização da massagem como terapia. É difícil definir massagem de forma precisa e completa. Há muitas formas de massagem e trabalhos corporais sendo utilizados com diversas finalidades. Uma definição geral é a de que massagem vem a ser o conjunto de técnicas aplicadas com as mãos, sobre a pele, com finalidades estéticas ou terapêuticas. Podemos afirmar que massagem NÃO é uma habilidade única, e sim, uma coleção de habilidades. A massagem pode ser um meio de compensarmos o volume de pressões da vida profissional e doméstica. Para muitos de nós, a rigidez e a dor são um modo de vida ao qual nos habituamos. Muitas vezes, somente quando fazemos ou recebemos massagem é que percebemos como nossos músculos estão retesados ou o quanto nossa energia é consumida pela tensão. A massagem, por mais técnica que seja, manipula os pontos energéticos do corpo humano. Massagem não é somente física. É preciso concentração e dedicação. É uma troca de energia: a massagem é uma via de mão dupla. 2 HISTÓRIA DA MASSAGEM A massagem talvez seja a forma mais antiga e mais simples de atendimento médico. É uma das mais antigas práticas curativas gravadas. A maioria das culturas tinha parteiras que utilizaram a massagem para ajudar a mulher durante as fases da gravidez e do trabalho de parto. Mulheres sempre foram curandeiras. Elas banhavam os doentes e cuidavam deles, bem como dos jovens e dos idosos; cuidavam das mulheres grávidas e entregavam os bebês. ATENCAO 82 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS Historicamente, as mulheres curandeiras foram perseguidas, excluídas da profissão médica e até mesmo impedidas de praticar medicina até por volta do Século XX. Nos tempos antigos, a massagem era uma daquelas artes da cura que normalmente foi passada de geração para geração. As culturas indígenas transmitem sua tradição de forma oral e raramente tem alguma documentação escrita sobre as suas práticas culturais. A comprovação da origem exata da massagem não existe, porém, há grande incidência de utilização no Antigo Egito devido às pinturas nas paredes do túmulo de um médico em Saqqara (datada de 2.330 a.C.). Oriente – culturalmente, as pessoas se beneficiam com as técnicas de massagem. Utilização das técnicas de forma ininterrupta desde os tempos mais remotos até os dias atuais. Acupuntura – existe há 4.000 anos e é uma medicina popular na China. “Médico Descalço” – pessoas que trabalham com a saúde na China e que recebem treinamento suficiente para atender às necessidades básicas dos habitantes. Ocidente – não tem cultura de toque para cura, a massagem é relacionada somente com o esporte. Conceitos mais antigos que ligavam o corpo, a mente e o espírito foram considerados como “anticientíficos” durante anos (Revolução Científica há 250 anos). O corpo humano passou a ser visto como uma máquina sofisticada. Na antiguidade, eram justamente os médicos que faziam massagem, uma arte que, na época, era considerada um dos mais finos tratamentos. A palavra grega masséin significa justamente apertar, friccionar e amassar. Médicos gregos e romanos – massagem é uma forma de aliviar a dor. No antigo Império Romano, a massagem, chamada tripsis, manteve uma posição elevada e foi praticada pelos profissionais com formação médica. A técnica foi desenvolvida, chegando a um alto grau de aperfeiçoamento, e começou a abranger tratamentos dos mais variados tipos. Plínio – naturista romano que recebia massagem regularmente para controlar as crises de asma brônquica. Júlio Cesar – era epilético, recebia massagem para aliviar nevralgias e dores de cabeça. TÓPICO 4 | INTRODUÇÃO À MASSOTERAPIA 83 Queda de Roma (séc. V a.C.) – a Europa pouco progrediu no campo da medicina. Árabes começaram a estudar e desenvolver os ensinamentos no mundo clássico. Na antiga ginástica e no atletismo a massagem era considerada necessária para um bom desempenho corporal e a forma mais importante de tratamento de dores e lesões relacionadas à musculatura. Durante a Idade Média pouco se desenvolveu sobre a massagem na Europa/ no Ocidente devido ao desprezo dos prazeres da carne. Séc. XVI –Ressurgimento da massagem – médico francês Ambroise Paré. Séc. XIX – Massagem sueca – desenvolvida por Per Henrik Linge e seus discípulos Branting, Georgii e De Ron. Henrik Ling estudava, com interesse, a filosofia e a literatura das antigas culturas, tanto do Oriente como do Ocidente. Ele criou um sistema de massagem aperfeiçoando os movimentos, o qual é usado até hoje. Acreditou e provou que a massagem não só tratava músculos tensos e melhorava o desempenho atlético, como também tratava problemas internos, como estômago, intestinos, pulmões, coração e ainda problemas psicológicos. Hoje em dia, a técnica de Ling, chamada de massagem sueca, é um conceito de qualidade mundialmente conhecido e é a forma de tratamento alternativa mais usada no Ocidente, também chamada massagem clássica ou massagem ocidental. Em 1813, foi fundada a primeira faculdade (Suécia - Estocolmo) a oferecer massagem em seu currículo. Clínicas e spas incluíram atendimentos com massagem. A massoterapia está passando por um renascimento, na medida em que mais pessoas vêm descobrindo sua eficácia como método de relaxamento, de combate ao estresse, de alívio da dor e da disfunção. Os recursos manuais são resultados da fusão de várias correntes históricas, incluindo o estudo de pioneiros, como Wilhelm Reich, Ida Rolf, Janet Travell, David Simons, Leon Chaitow e muitos outros. NOTA 84 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS O conhecimento da anatomia e da fisiologia dos músculos, e sua relação com o sistema nervoso, ajuda o massoterapeuta a compreender as questões relacionadas à dor e disfunção, possibilitando o tratamento e a solução de tais problemas no ambiente clínico. 3 MÉTODOS E MANOBRAS DA TÉCNICA DE MASSAGEM CLÁSSICA A massagem clássica possui manobras básicas que servem de introdução a todas as outras técnicas de massagem e que podem ser utilizadas individualmente ou associadas para provocar os efeitos fisiológicos objetivados no tratamento. 3.1 MANOBRAS CLÁSSICAS E SEUS EFEITOS Podemos dizer que os movimentos clássicos guiam toda a aplicação técnica de uma massagem. Pense neles como o “ABC” da massagem, com o qual você pode criar sua própria linguagem tátil (LIDELL, 2000). Deslizamento (effleurage) – passar a mão sobre a pele, superficialmente ou profundamente (deslizamento superficial e deslizamento profundo). É utilizado em todas as áreas do corpo, pode iniciar ou terminar uma sequência de massagem, ou ainda pode ser utilizado como procedimento de transição para facilitar a passagem de um tipo de movimento para o outro. O movimento é longo, amplo, fluente e calmante. É utilizado para aplicação do produto, para aquecer uma área e relaxar. É importante que toda a superfície das mãos fique em contato com a pele. Principal efeito fisiológico, aumenta a circulação sanguínea no local e alonga os músculos. Amassamento (petrissage) – amassar, puxar, franzir. Pode ser feito mais profundamente em grandes porções de massas musculares. Relaxa os músculos, drenando resíduos metabólicos e estimulando a circulação sanguínea e linfática. É um movimento de apertar e soltar alternadamente, num movimento circular amplo. Aplicado em áreas amplas, puxar é um movimento firme de levantar o tecido. IMPORTANT E DICAS TÓPICO 4 | INTRODUÇÃO À MASSOTERAPIA 85 Fricção (pressões profundas) – profundo e concentrado, utiliza os polegares ou as pontas dos dedos, ou ainda a base das mãos para penetrar profundamente numa tensão de um ponto ou área. É importante aumentar gradativamente a profundidade. Sempre utilizar o peso do corpo para auxiliar na aplicação da pressão. É muito utilizado ao redor de articulações ou nas camadas superficiais dos músculos. Percussão (cuteladas, socamento, tamborilamento, vibração, tapotagem) – ao contrário dos outros movimentos, é mais estimulante do que relaxante. Compreende uma série de movimentos rítmicos vigorosos, feitos repetidamente com alternância das mãos. Podem fazer barulhos, apertos, puxadas, beliscões. O maior benefício fisiológico é o estímulo de áreas moles, tonificando a pele e melhorando a circulação. Por sua abordagem vigorosa, deve se fazer necessária no atendimento. 3.2 MÉTODOS DE APLICAÇÃO Dependendo da manobra, da área e do objetivo, diferentes partes do corpo do terapeuta podem ser usadas para manipular o tecido. As principais “ferramentas do corpo” que podemos utilizar são: Eminência Tenar e Hipotenar: Podem ser usadas para aplicar uma compressão bastante ampla. São especialmente proveitosas nos músculos maiores, como os do membro inferior, os glúteos, os do ombro e os paraespinais. Também são ótimas para trabalhar sobre áreas ósseas amplas, como a crista ilíaca. Colocadas em movimento, as eminências comprimem uma faixa relativamente larga de tecido. Ao usá-las, evite a hiperextensão do punho. Sinta o tecido enquanto o comprime e preste atenção nas áreas rígidas e endurecidas. Use essas informações para determinar se outro movimento, mais localizado, deve ser aplicado em áreas determinadas. A Mão Fechada: É outra maneira de realizar a compressão ampla. Uma vantagem é a habilidade de alterná-la, aplicada com todo o comprimento das falanges próximas (os ossos dos dedos) ou com uma compressão mais concentrada com as articulações dos dedos (as articulações interfalângicas proximais). Nesse caso, também se deve evitar a hiperextensão do punho. As Articulações dos Dedos: As articulações interfalângicas proximais, ou nós dos dedos indicador e médio, também podem ser usadas na compressão. Elas são ótimas alternativas às pontas dos dedos para evitar o esforço constante. Uma vez que essas articulações são superfícies mais rígidas e menos sensíveis que as pontas, o tecido deve ser apalpado primeiro com as pontas dos dedos antes de usar os nós para a compressão. Nas áreas sensíveis, como a face, o pescoço e as costelas, é preferível usar as pontas dos dedos. 86 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS As Pontas dos Dedos: A compressão fixa ou deslizante com as pontas dos dedos é ideal para o tratamento de áreas delimitadas e pequenas, como pontos-gatilho ou outros pontos de dor à palpação. É importante lembrar-se da biomecânica corporal durante a aplicação da pressão com os dedos, uma vez que ela pode exercer uma força considerável sobre os músculos da mão e do antebraço, especialmente em pontos profundos do corpo. Portanto, é aconselhável apoiar os dedos ou o polegar na outra mão para impedir a hiperextensão das articulações e para exercer uma pressão adicional. Em cada caso, o terapeuta deve decidir se usará ou não o apoio, de acordo com a necessidade. Lembre-se de colocar as articulações em uma linha reta e de usar o peso do corpo em vez da força muscular sempre que praticável. Quando não for possível usar o peso do corpo, como na abordagem dos músculos posteriores do pescoço em um paciente em decúbito dorsal, deve-se procurar alinhar as articulações, pausando e alternando as mãos frequentemente. Embora possam ser usadas em qualquer lugar do corpo, as pontas dos dedos são empregadas exclusivamente em algumas áreas, como a face, o pescoço, a axila, o abdômen, a virilha e em todo o trabalho em regiões internas, onde o toque deve ser controlado e sensível. O cotovelo: Principalmente, o olécrano da ulna (a ponta óssea do cotovelo) é uma ferramenta extremamente útil para a compressão. Sua utilização tem diversas restrições: 1. Uma quantidade extraordinária de força pode ser exercida com o cotovelo, portanto, a compressão deve iniciar lenta e aumentar gradualmente, com muita atenção às respostas do paciente. 2. O cotovelo é muito menos sensível que as pontas dos dedos.Os tecidos devem ser explorados primeiro com os dedos e somente depois o cotovelo é usado para a compressão, uma vez que a necessidade e a localização já tenham sido estabelecidas. 3. O uso do cotovelo deve ser evitado em áreas altamente sensíveis, como a face, o pescoço e a virilha. O Antebraço: A região ulnar do antebraço é uma superfície ampla, adequada para a compressão deslizante profunda dos músculos longos e retos, como o eretor da espinha e alguns do membro inferior. Como o cotovelo, ela é insensível, por isso faça a palpação da área antes de tratar com o antebraço. 4 INDICAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES DA MASSAGEM CLÁSSICA A massagem será indicada toda vez que os efeitos resultantes de sua execução forem benéficos ao paciente, e será contraindicada toda vez que tais efeitos forem prejudiciais ao paciente. Pode acontecer que um dos efeitos seja benéfico, TÓPICO 4 | INTRODUÇÃO À MASSOTERAPIA 87 mas o outro prejudicial. Neste caso, ela estará contraindicada. Ex.: Gravidez. O aumento da circulação não seria, necessariamente, prejudicial se a massagem fosse feita na região do útero, pois limparia e nutriria aquela região. Contudo, junto ao incremento circulatório, haveria o aumento dos movimentos involuntários na área e estes estariam contraindicados. Se estes dois fundamentos forem cumpridos, não haverá necessidade de uma lista de indicações e contraindicações. Contraindicações: • Alterações circulatórias graves (trombose, varizes, úlceras varicosas). • Câncer. • Pacientes cardíacos, diabéticos ou hipertensos descompensados. • Problemas ósseos ou articulares (artrite, artrose, osteoporose). • Processos infecciosos (febre, secreção). • Inflamações agudas ou crônicas. • Problemas respiratórios. • Áreas de sepse, feridas abertas, cortes, ferimentos, machucados, hematomas, edemas. • Cirurgias recentes. 5 COMPONENTES DA MASSAGEM CLÁSSICA Massagem clássica possui alguns componentes que devem ser obedecidos para atingir os seus efeitos fisiológicos e seus objetivos. Cada ser humano é um ser único, portanto, devemos adaptar os componentes da massagem de acordo com cada pessoa que iremos atender. Dentre os componentes da massagem podemos citar: Direção: A direção deverá ser sempre no sentido do coração, favorecendo o retorno da circulação. Pressão: A pressão não deve ser muito leve, sendo interpretada como um carinho pelo paciente, e não muito forte a ponto de causar desconforto ao paciente. A força de intensidade dos movimentos deve variar segundo as condições do paciente e suas características estruturais. ATENCAO 88 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS Velocidade e ritmo: A velocidade deve ser uniforme durante todo o momento. O ritmo será alternado, de acordo com a região e com o estímulo a ser dado. As manobras em baixa velocidade produzem efeito calmante e analgésico; as manobras rápidas produzem efeito estimulante e desintoxicante. Meio: os principais meios utilizados são os óleos e os cremes. Posicionamento do paciente: tanto o paciente quanto o terapeuta deverão estar em posições cômodas, confortáveis e práticas. Falaremos mais adiante da importância do posicionamento e também da escolha do produto. Duração: dependerá das regiões a serem tratadas. Podemos atuar localizadamente, com tempo médio de 40 minutos, ou globalmente, com tempo médio de 60 minutos. Não se recomenda ultrapassar 90 minutos de atendimento. 6 EFEITOS FISIOLÓGICOS DA MASSAGEM CLÁSSICA A massagem clássica produz efeitos fisiológicos em muitos sistemas do nosso organismo. Seguem os efeitos relacionados a cada um dos sistemas beneficiados pela técnica. SISTEMA ÓSSEO: A produção do líquido sinovial, que lubrifica as articulações, é estimulada com a massagem. SISTEMA MUSCULAR: A massagem ajuda a dissolver os nódulos de tensão muscular, produzidos por tensão crônica (má postura, por exemplo), ou por um trauma físico ou emocional. SISTEMA VASCULAR: A massagem promove a circulação porque ajuda o fluxo venoso a ir para o coração, reduzindo assim a pressão do sangue e aumentando a porcentagem de oxigênio nos tecidos. SISTEMA NERVOSO: Com a massagem, ativamos o sistema nervoso parassimpático, devido à presença de milhões de receptores sensoriais (ex.: receptores de tato, dor, temperatura etc.) existentes na pele, relaxando e tonificando os nervos, melhorando assim o estado geral de todos os órgãos do corpo. ESTUDOS FU TUROS TÓPICO 4 | INTRODUÇÃO À MASSOTERAPIA 89 SISTEMA TEGUMENTAR: A pele tem a propriedade de conduzir estímulos que vêm do meio ambiente ao sistema nervoso central. Através do TOQUE durante a massagem ocorre uma ação contínua sobre as terminações nervosas na pele, de forma ritmada, fazendo com que a propriedade fisiológica de conduzir estes estímulos seja esgotada temporariamente, obtendo então estado de relaxamento geral. 90 RESUMO DO TÓPICO 4 Neste tópico, você viu que: • A massoterapia é a utilização da massagem como terapia/tratamento. • Massagem é um conjunto de habilidades que provocam efeitos fisiológicos no organismo, é uma prática muito antiga, mas que vem crescendo até os dias atuais. • Quanto à massagem, suas indicações e contraindicações estão relacionadas ao conhecimento que o terapeuta precisa ter em relação à fisiologia e patologia. • Os efeitos fisiológicos causados pela massagem atingem diversos sistemas do organismo, e também envolvem os efeitos energéticos e emocionais para a pessoa que recebe a massagem. • Os componentes utilizados durante a massagem variam de acordo com cada indicação e também com cada cliente. • As manobras clássicas da massagem e os efeitos que elas proporcionam ao serem aplicadas. • Várias partes do corpo do terapeuta, tais como mão fechada, polegar, pontas dos dedos, articulação dos dedos, antebraço e cotovelo, são usadas como ferramentas no tratamento dos tecidos moles. 91 AUTOATIVIDADE 1 Relacione as indicações e contraindicações da massagem clássica. 2 Descreva os efeitos fisiológicos da manobra de deslizamento na massagem clássica. 92 93 TÓPICO 5 O PROFISSIONAL DE ESTÉTICA UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO A Estética é uma ciência que evolui ao longo das épocas, e que teve, desde sempre, um papel muito importante em relação ao bem-estar. Atualmente, a formação na área da estética envolve uma longa trajetória de estudos e experiências práticas que fazem com que o profissional e, consequentemente, a profissão se torne cada vez mais valorizada e reconhecida. Para se tornar um bom profissional, algumas regras éticas se fazem necessárias. É importante que o profissional tenha conhecimento do código de ética da sua profissão, sabendo o que a lei permite e proíbe em relação à sua atuação. Além disso, o bom profissional deve estar qualificado e atualizado em relação aos conhecimentos técnicos e científicos, deve possuir agilidade, coordenação motora, percepção, paciência, hábitos de higiene de si mesmo e do ambiente de trabalho. 2 RECONHECIMENTO E REGULAMENTAÇÃO DO PROFISSIONAL DE ESTÉTICA Quando procuramos um profissional como clientes já depositamos confiança nos serviços que nos será prestado. Portanto, profissão é uma atividade que deve ser executada com dedicação e dignidade. É importante saber que o profissional de Estética requer competências e habilidades que devem ser respeitadas para atuação na área: - Ter conhecimento especializado. - Formação (nível exigido). - Ter autonomia. - Ter prestígio social. - Ter controle de qualidade. - Conhecer o código de ética. - Garantir condições de trabalho. - Saber se valorizar (remuneração). - Interessar-se pelo modo como o conhecimento é produzido e avaliado nasinstituições educativas. 94 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS Para que uma ocupação, um ofício se torne uma profi ssão, há a necessidade de seu reconhecimento por meios legais. A Constituição Federal estabelece, entre os direitos e garantias fundamentais: “é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profi ssão, atendidas as qualifi cações profi ssionais que a lei estabelecer” (art. 5º, inciso XIII). A profi ssão de Esteticista é reconhecida e foi regulamenta. Lei nº 13.643/2018 - Regulamenta as profi ssões de Esteticista, que compreende o Esteticista e Cosmetólogo, e de Técnico em Estética. Foi sancionada no 3 de abril de 2018 pelo então Presidente da República, Michel Temer, e publicada no Diário Ofi cial da União - Seção 1, no dia 4 de abril de 2018. Regulamentação profi ssional é o ato de regulamentar, normatizar uma profi ssão. Trata-se da redação e da publicação de regras e normas para o exercício profi ssional. Consequentemente, acontece a formação de um Conselho Profi ssional e a elaboração de um Código de Ética. NOTA NOTA Em 2016 surge a Associação Nacional de Esteticistas e Cosmetólogos – ANESCO. Uma instituição que nasceu com o objetivo de representar a força da categoria. A ANESCO é uma associação totalmente comprometida de profi ssionais da Estética, que defende a profi ssão e auxilia no crescimento do profi ssional no Brasil. IMPORTANT E <http://www.anesco.com.br/> TÓPICO 5 | O PROFISSONAL DE ESTÉTICA 95 A regulamentação e, consequentemente, a existência de um conselho e do registro nele possibilitaria que: - os profissionais como classe passassem a ter maior reconhecimento; - os cargos e salários poderiam ser estudados de forma mais adequada; - os profissionais teriam a quem recorrer quando se sentissem lesados; - os profissionais teriam uma fonte de orientação e de informação; - os profissionais poderiam ainda ter um canal para sugestões e reclamações; - os profissionais poderiam ter um órgão para fiscalizá-los e protegê-los; - a sociedade seria beneficiada, pois ao contratar os serviços de um profissional esteticista teria a quem recorrer em busca de orientação, reclamação, sugestão ou consulta. 3 ÉTICA E POSTURA PROFISSIONAL Ética é a ciência que estuda o comportamento humano em sociedade, considerando sua totalidade, diversidade e variedade. Caracteriza-se por um conjunto de normas e regras que orientam a conduta humana. É a parte da filosofia que se ocupa com o valor do comportamento humano. A reflexão sobre os valores da vida, a virtude e o vício, o direito e o dever, o bem e o mal, também pertencem ao vasto campo da ética. Baseia-se no julgamento que fazemos sobre questões como o que é certo ou errado, bom ou mau, permitido ou proibido, de acordo com um conjunto de normas ou valores adotados historicamente por uma sociedade. Ética tem a ver com fins fundamentais (morar bem), com valores imprescindíveis (defender a vida, em especial dos indefesos), com princípios fundadores de ações (dar de comer a quem tem fome etc). Sentimo-nos bem “em casa” quando criamos mediações adequadas, como hábitos, certas normas e maneiras constantes de agir. Por elas habituamos humanamente o mundo, que pode ser a casa concreta, ou o nosso nicho ecológico local, regional, nacional ou nossa casa maior, o planeta Terra. A ética é um dos mecanismos de regulação das relações sociais do homem que visa garantir a coesão social e harmonizar os interesses individuais e coletivos. Está dividida em três tipos: - ÉTICA NORMATIVA – estuda a determinação da ação ou regra correta. Pode ser dividida em: Ética Teleológica e Ética Deontológica. - METAÉTICA – estuda a natureza, a função e a justificação dos princípios morais. - ÉTICA APLICADA = BIOÉTICA – aplicação de princípios extraídos da ética normativa para a resolução de problemas éticos cotidianos. Não se detém apenas nos princípios da teoria, mas apresenta a avaliação das consequências de uma ação, bem como a consideração da dignidade da pessoa e do respeito pela liberdade de decisão. Desenvolveu-se em função da necessidade de se resolverem os problemas relacionados à vida. 96 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS A Ética Deontológica, ou Ética Profissional, está relacionada com a conduta de pessoa engajada na prática de uma profissão particular. Determina o que é correto, não segundo uma finalidade a ser atingida, mas segundo as regras e as normas em que se fundamentam uma ação. Segue normas previstas nos códigos de ética (CHRISTOFOLETTI; BECK, 2006). 3.1 POSTURA PROFISSIONAL Postura profissional é importante para assegurarmos uma boa imagem do profissional e também do seu trabalho, além de evitar situações que venham constranger o paciente ou leve o profissional a ser constrangido. Para se garantir uma boa postura profissional, algumas regras éticas devem ser seguidas: - Estar disponível para o atendimento na hora marcada. - Evitar interromper o atendimento, independentemente do motivo. - Encontrar-se em bom estado físico e psicológico para atender (preparo profissional). - Evitar assuntos pessoais durante o atendimento. - Oferecer ao paciente condições ideais quanto à limpeza e assepsia do local de atendimento, bem como tranquilidade e conforto (ambiente de trabalho). - Garantir discrição quanto ao tratamento que será realizado. - Garantir sigilo das informações colhidas (sigilo profissional). - Ter postura de compreensão e jamais de julgamento ou crítica. - Ter um bom diálogo com o paciente. - Ter boa apresentação pessoal. A boa apresentação pessoal ao atender um paciente é necessária, pois limpeza e boa aparência são primordiais. Na área da saúde, recomenda-se que o profissional tenha cuidados especiais com suas mãos, mantendo sempre unhas bem aparadas e limpas, com esmaltes de tons claros, cuidando com a hidratação, presença de cortes, ferimentos ou lesões em geral, evitando contato com alimentos ou produtos que deixem seu odor. Os cabelos cumpridos deverão estar presos, retirar pertences pessoais que possam levar a ferimentos e desconforto ao paciente. Roupas limpas, discretas e confortáveis são necessárias para uma boa impressão. O profissional que optar pelo uso do branco deve saber usá-lo (existem roupas brancas para trabalho e para passeio). Saber falar com o paciente e saber ouvi-lo é obrigação do profissional, tendo algumas regras básicas: - Cumprimentar o paciente usando seu nome. - Saber interpretar o paciente e se ajustar ao seu estilo. IMPORTANT E TÓPICO 5 | O PROFISSONAL DE ESTÉTICA 97 - Saber ouvir o paciente. - Ficar atento para a possibilidade de que um aspecto especial da história do paciente esteja nas “entrelinhas”, e mais tarde aparecerá. - Evitar o paternalismo. A melhor forma é propor para solucionarem juntas as queixas. - O contato físico é muito importante. - Explicar sempre o que está fazendo, descrevendo também o problema. - Estar consciente de que os pacientes se agarrarão a cada palavra, a cada expressão facial e a cada mudança de comportamento do profissional (espelho/exemplo). 3.2 O SIGILO PROFISSIONAL A garantia da privacidade e da confidencialidade das informações dos pacientes é que gera nos profissionais e na administração de serviços de saúde o dever ético e legal de manter o sigilo das informações. O segredo compreende as informações que os profissionais têm acesso no exercício das suas atividades quando transmitidas pelo paciente ou responsáveis. O segredo profissional se estende a todos os profissionais da área da saúde, não sendo exclusivo daqueles que executam “atividades fim”, como médicos, psicólogos, fisioterapeutas etc. Além de garantir o sigilodas informações, o profissional deve garantir a discrição quanto aos tratamentos que serão realizados, evitando também a troca de informações entre os pacientes, principalmente entre familiares. Manter a própria privacidade, bem como a do paciente, evitando qualquer relação desagradável, além da profissional. Juramento Hipocrático – 430 a.C.: “Qualquer coisa que eu veja ou ouça, profissional ou privadamente, que não deva ser divulgada, eu conservarei em segredo e a ninguém contarei” Disponível em: <http://www.imesc.sp.gov.br/imesc/rev1f.htm> Acesso em: 8 fev. 2015. A confidencialidade de informações profissionais somente poderá ser quebrada diante de algumas situações específicas, sendo justificadas moralmente e legalmente. São os casos de doenças de informação compulsória (por exemplo, HIV); de abuso em crianças, adolescentes e idosos; quando houver alta probabilidade de que um sério dano físico a uma pessoa identificável e específica venha a ocorrer; um benefício real resultará da quebra de confidencialidade; último recurso após ter IMPORTANT E 98 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS sido utilizada persuasão ou outras abordagens; é um procedimento generalizável, que pode ser novamente utilizado em situações com as mesmas características. 4 CONDIÇÕES E AMBIENTE DE TRABALHO Vamos agora elucidar algumas orientações fundamentais para que um profissional da área da saúde se prepare e consiga oferecer um bom atendimento ao seu cliente, garantindo que o objetivo do tratamento seja alcançado. 4.1 O PREPARO DO PROFISSIONAL Para realizar um bom atendimento em massoterapia, é necessário ter sensibilidade, cuidado, tempo e energia. Primeiramente, corpo e mente precisam estar sincronizados. Através das mãos, o terapeuta irá perceber a singularidade do seu cliente. Este, por sua vez, irá receber através da pele a dádiva do seu toque. Estar centrado faz parte de sua postura profissional. Quando se está centrado, você é guiado por sua intuição, sentindo mais rapidamente onde estão os desequilíbrios e as necessidades do seu cliente. Centrar-se é uma forma de focar, de reunir sua energia num ponto para poder canalizá-la mais facilmente para qualquer atividade que você escolher. É um estado de equilíbrio, tranquilidade, força e presença no momento (LIDELL, 2000). O seu conforto para os movimentos que serão realizados no atendimento está intimamente ligado à sua postura e à sua respiração. RESPIRE. Seus movimentos devem estar livres, suas roupas confortáveis, suas mãos limpas e sua mente relaxada para que a energia curativa flua livremente. O relaxamento é crucial para qualquer tipo de massagem. Para isso, ambos precisam estar confortáveis. A meditação é uma excelente forma de relaxar sua mente, levando ao alívio de tensões e, principalmente, aumentando sua sensibilidade e poder de concentração. O preparo físico é fundamental para suportar a jornada do seu dia a dia de trabalho. Exercícios respiratórios irão auxiliar na calma, concentração e no DICAS TÓPICO 5 | O PROFISSONAL DE ESTÉTICA 99 desempenho das atividades. Os exercícios físicos irão trazer força, resistência e flexibilidade. Seja qual for a técnica ou o método escolhido, pratique-o diariamente, pois eles previnem lesões e mantem a saúde. Um dos segredos do sucesso do trabalho corporal é a consciência e o cuidado com o corpo do terapeuta. Portanto, é importante que ele aprenda uma mecânica corporal adequada, para que realize um tratamento eficaz, que não comprometa sua própria segurança. 4.2 AMBIENTE DE TRABALHO Cada técnica de massagem poderá exigir um tipo de ambiente, materiais e produtos diferentes. De qualquer maneira, criar um ambiente calmo e acolhedor será sempre mais eficaz para o tratamento. Para garantir que um atendimento seja de qualidade, vale a pena escolher e preparar o ambiente e seu material com antecedência. O local deverá garantir tranquilidade, conforto térmico e acústico, iluminação adequada e agradável, higiene e arejamento. Cuidado com a escolha do endereço (muita movimentação, outras áreas de atuação, trânsito, comércio, vizinhança), garantindo o isolamento acústico para harmonizar atendimento. A temperatura é adequada para conforto do cliente, e o terapeuta deverá se adaptar. Podemos utilizar o aquecimento apenas da maca ou de todo o ambiente. O conforto físico implica o espaço físico necessário para que o cliente fique confortável no equipamento que será utilizado e também para que o terapeuta consiga bom desempenho nos procedimentos. A iluminação poderá ser suave e indireta, pois luzes brilhantes impedem o relaxamento. Em relação à higiene, o ambiente deve estar sempre limpo, garantindo também a limpeza dos equipamentos, dos materiais utilizados, e realizando assepsia a cada atendimento. Em relação à estrutura física, o local deverá conter uma maca, mesa auxiliar, escada auxiliar, aparelho de som, relógio, biombo, cabides, pia, banheiro (próximo), lixeiras. Os materiais, equipamentos e produtos variam de acordo com cada atendimento, porém, devemos garantir a manutenção e o bom estado dos DICAS 100 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS equipamentos, além do controle de qualidade (escolha dos materiais) e exigências da vigilância sanitária em relação aos produtos. A altura da maca é variável de acordo com a técnica, com a manobra ou ainda com o paciente. Embora uma maca convencional geralmente seja suficiente para a prática da massagem, as demandas fazem com que a maca elétrica ajustável seja preferível. Dentre os utensílios básicos a serem utilizados estão: lençóis, toalhas, travesseiros, rolos de apoio, toalhas higiênicas (papel descartável, lenços umedecidos), amarradores de cabelos, calcinhas descartáveis, espátulas, cubetas e pincéis. Dentre os produtos, óleos e cremes de massagem são os mais utilizados, além de álcool para higienização e assepsia. Para complementar o ambiente, podemos utilizar músicas calmas e suaves, em volume baixo, e ainda recursos aromáticos de acordo com cada caso. 4.3 A ESCOLHA DO PRODUTO Diversos produtos podem ser utilizados para se aplicar os movimentos da massagem. A escolha do produto deverá obedecer ao objetivo a ser atingido, à eficácia da manobra e ainda respeitar a afinidade do cliente. A maioria dos produtos para massagem está sob a forma de óleo ou creme, sendo mais difícil a utilização de géis ou pomadas (apenas em situações específicas). Os cremes são mais facilmente absorvidos pela pele, o que faz com que o gasto com este produto seja maior de acordo com as condições da pele do paciente. O deslizamento das mãos é um pouco menos eficaz com a utilização do creme, e ainda existe a desvantagem deste produto não auxiliar na condução do calor das mãos do terapeuta. É provável que por estas características citadas acima o óleo seja o produto de preferência para realizar uma massagem. É mais agradável ao toque, conduz melhor o calor das mãos, rende mais na sua aplicação sobre a pele e favorece muito os deslizamentos, sem atrito com a pele e desconfortos ao toque. O ideal é que sejam utilizados óleos vegetais, podendo ou não estar associados ao uso dos óleos essências (aromaterapia). Se for possível, aquecer o óleo previamente garante o efeito de relaxamento. IMPORTANT E TÓPICO 5 | O PROFISSONAL DE ESTÉTICA 101 4.4 DRAPEJAMENTO A maior parte do exame e do tratamento da massoterapia requer a exposição do corpo. Portanto, devemos considerar formas de respeitar a privacidade e o pudor do paciente sem deixar de lado o objetivo terapêutico. Drapejamento é o termo comumente usado para a cobertura de partes do corpo que não estão sendoexaminadas ou tratadas. O termo originou-se no mundo artístico e se refere ao drapejamento do sujeito retratado em uma pintura ou escultura. No século XX, começou a ser usado também na fotografia e, a partir de então, foi adotado pela medicina. Os códigos de ética e as normas da prática das diferentes organizações variam muito, porém todos exigem o respeito à privacidade e ao pudor do paciente. Portanto, os terapeutas têm a responsabilidade de determinar as melhores maneiras de cumprir tais exigências em suas clínicas no que diz respeito a cada paciente. 102 UNIDADE 1 | N. B. SOBRE M. TRADICIONAL CHINESA, INTRODUÇÃO À MASSAGEM, BEM COMO SUAS I. E ., MANOBRAS E MOVIMENTOS LEITURA COMPLEMENTAR LEI Nº 13.643, DE 3 DE ABRIL DE 2018. Regulamenta as profissões de Esteticista, que compreende o Esteticista e Cosmetólogo, e de Técnico em Estética. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1o Esta Lei regulamenta o exercício das profissões de Esteticista, que compreende o Esteticista e Cosmetólogo, e de Técnico em Estética. Parágrafo único. Esta Lei não compreende atividades em estética médica, nos termos definidos no art. 4o da Lei no 12.842, de 10 de julho de 2013. Art. 2o O exercício da profissão de Esteticista é livre em todo o território nacional, observadas as disposições desta Lei. Art. 3o Considera-se Técnico em Estética o profissional habilitado em: I- curso técnico com concentração em Estética oferecido por instituição regular de ensino no Brasil; II- curso técnico com concentração em Estética oferecido por escola estrangeira, com revalidação de certificado ou diploma pelo Brasil, em instituição devidamente reconhecida pelo Ministério da Educação. Parágrafo único. O profissional que possua prévia formação técnica em estética, ou que comprove o exercício da profissão há pelo menos três anos, contados da data de entrada em vigor desta lei, terá assegurado o direito ao exercício da profissão, na forma estabelecida em regulamento. Art. 4o Considera-se Esteticista e Cosmetólogo o profissional: I- graduado em curso de nível superior com concentração em Estética e Cosmética, ou equivalente, oferecido por instituição regular de ensino no Brasil, devidamente reconhecida pelo Ministério da Educação; II- graduado em curso de nível superior com concentração em Estética e Cosmética, ou equivalente, oferecido por escola estrangeira, com diploma revalidado no Brasil, por instituição de ensino devidamente reconhecida pelo Ministério da Educação. Art. 5o Compete ao Técnico em Estética: I- executar procedimentos estéticos faciais, corporais e capilares, utilizando como recursos de trabalho produtos cosméticos, técnicas e equipamentos com registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei 13.643-2018?OpenDocument http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12842.htm#art4 TÓPICO 5 | O PROFISSONAL DE ESTÉTICA 103 II- solicitar, quando julgar necessário, parecer de outro profissional que complemente a avaliação estética; III- observar a prescrição médica ou fisioterápica apresentada pelo cliente, ou solicitar, após exame da situação, avaliação médica ou fisioterápica. Art. 6o Compete ao Esteticista e Cosmetólogo, além das atividades descritas no art. 5o desta lei: I- a responsabilidade técnica pelos centros de estética que executam e aplicam recursos estéticos, observado o disposto nesta Lei; II- a direção, a coordenação, a supervisão e o ensino de disciplinas relativas a cursos que compreendam estudos com concentração em Estética ou Cosmetologia, desde que observadas as leis e as normas regulamentadoras da atividade docente; III- a auditoria, a consultoria e a assessoria sobre cosméticos e equipamentos específicos de estética com registro na Anvisa; IV- a elaboração de informes, pareceres técnico-científicos, estudos, trabalhos e pesquisas mercadológicas ou experimentais relativos à Estética e à Cosmetologia, em sua área de atuação; V- a elaboração do programa de atendimento, com base no quadro do cliente, estabelecendo as técnicas a serem empregadas e a quantidade de aplicações necessárias; VI- observar a prescrição médica apresentada pelo cliente, ou solicitar, após avaliação da situação, prévia prescrição médica ou fisioterápica. Art. 7o O Esteticista, no exercício das suas atividades e atribuições, deve zelar: I- pela observância a princípios éticos; II- pela relação de transparência com o cliente, prestando-lhe o atendimento adequado e informando-o sobre técnicas, produtos utilizados e orçamento dos serviços; III- pela segurança dos clientes e das demais pessoas envolvidas no atendimento, evitando exposição a riscos e potenciais danos. Art. 8o O Esteticista deve cumprir e fazer cumprir as normas relativas à biossegurança e à legislação sanitária. Art. 9o Regulamento disporá sobre a fiscalização do exercício da profissão de Esteticista e sobre as adequações necessárias à observância do disposto nesta lei. Art. 10. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 3 de abril de 2018; 197o da Independência e 130o da República. MICHEL TEMER Torquato Jardim Helton Yomura Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13643.htm>. Acesso em: 20 set. 2018 104 RESUMO DO TÓPICO 5 Neste tópico, você viu que: • A importância do conhecimento sobre ética e suas aplicações na prática dos profissionais, bem como algumas regras que nos conduzem a ser um bom profissional e oferecer um atendimento de qualidade. • A preparação do profissional envolve o conhecimento teórico e científico, que pode ser garantido com uma boa formação, o conhecimento do seu código de ética, o preparo físico, emocional e mental para bem atender, o cuidado na escolha de seus materiais e produtos. • O terapeuta deve levar em consideração a privacidade e o conforto do paciente quando ele está despido. As regulamentações locais, as exigências das organizações profissionais, o ambiente profissional específico no qual o terapeuta trabalha e o conforto pessoal do paciente e do terapeuta precisam ser avaliados quando se toma decisões sobre o drapejamento do paciente. • A massoterapia e a estética são áreas que estão em crescimento constante e rápido, e o mercado de trabalho cobrará estas exigências para que os profissionais garantam a qualidade e a eficácia dos serviços prestados. 105 Relacione as principais caraterísticas para a garantia de uma boa postura profissional. AUTOATIVIDADE 106 107 UNIDADE 2 TIPOS DE MASSAGEM E TÉCNICAS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade você será capaz de: • criar e elaborar as condições e elementos ideais para a massagem; • aprimorar técnicas de diferentes artifícios para o ambiente de massagem; • explorar as técnicas de massagens faciais e corporais; • caracterizar as temáticas para cada tipo de massagem; • compreender a técnica de massagem capilar. Esta unidade está dividida em seis tópicos e em cada um deles você encontra- rá atividades visando a compreensão dos conteúdos apresentados. TÓPICO 1 – AMBIENTE PARA A MASSAGEM TÓPICO 2 – MASSAGEM GERAL E LOCAL TÓPICO 3 – TÉCNICAS DE MASSAGEM OCIDENTAL TÓPICO 4 – TÉCNICAS DE MASSAGEM FACIAL TÓPICO 5 – TÉCNICAS DE MASSAGEM CORPORAL TÓPICO 6 – TÉCNICAS DE MASSAGEM CAPILAR 108 109 TÓPICO 1 AMBIENTE PARA A MASSAGEM UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO A massagem está intimamente ligada aos seres humanos desde a Antiguidade, das mais variadas formas. Mesmo com o avanço de tecnologias eletroterápicas, as mãos continuam ocupando papel principal em todos os tipos demassagem, seja para a aplicação das técnicas de massagens, seja para o preparo do ambiente para a execução delas. 2 O LUGAR IDEAL Quando nos referimos ao lugar ideal para prestarmos um serviço de massagem, seja ela estética, terapêutica ou de outros segmentos, devemos levar em consideração algumas características fundamentais, como: • Ser silencioso ou dar preferência para os sons que mais agradam o cliente que receberá a massagem; se você oferece uma massagem relaxante, é aconselhável um som calmo, que passe serenidade, tranquilidade e paz. • Possuir uma temperatura agradável, ou seja, nem muito quente nem muito frio. Todo o ambiente deve oferecer uma sensação que seja favorável para o bem- estar do cliente. • Ter espaço onde o profissional possa se locomover ao redor da maca, sem dificuldades para a execução das manobras. • A iluminação e as cores das luzes têm papel fundamental no ambiente de massagem, pois além de iluminar, trabalham com as diferentes cores, um tratamento terapêutico chamado cromoterapia, onde cada cor corresponde a um problema do cliente. Por exemplo: para um cliente ansioso você poderá utilizar a luz verde ou azul. Também não podemos deixar de mencionar as velas coloridas e aromáticas, que são novidades e fazem o diferencial em qualquer ambiente. UNIDADE 2 | TIPOS DE MASSAGEM E TÉCNICAS 110 O conceito de cromoterapia você verá adiante, no Tópico 1 da Unidade 3! • O aroma no ambiente consiste no uso de essências e de aromaterapia, porém ambas são opcionais. A aromaterapia exige conhecimento mais aprofundado do profissional, pois reage nas reações fisiológicas sentidas diretamente no cliente, como também intimidade com todos os óleos essenciais e suas indicações terapêuticas. As noções básicas de aromaterapia foram estudadas na Unidade 1, no Tópico 3! • A superfície adequada é aquela relacionada à superfície onde o cliente se acomoda. Estamos falando da maca, que será o local onde o cliente permanecerá acomodado até o fim da massagem. A maca tem que ser adequada para o tamanho e peso padrão, ou seja, material resistente que suporte de 50 a 300 kg, tamanho aproximado de 1,80m a 1,90m. Existe uma gama de macas variadas no mercado. Você poderá escolher a que se encaixa no seu segmento de serviço prestado, ou seja, se optou por tratamentos para Spa, deverá dar prioridade para macas de madeira de lei, com suporte para braços e cabeça; se você optou por estética corporal, poderá usar uma maca portátil, que feche e seja de uso em domicílio também, e assim por diante. FIGURA 8 – MACA LINHA SPA FONTE: Disponível em: <http://www.maxibel.com.br/estetica. html>. Acesso em: 9 jan. 2015. ESTUDOS FU TUROS UNI TÓPICO 1 | AMBIENTE PARA A MASSAGEM 111 Entre nesse site e saiba mais sobre os variados tipos de macas: <http://www. lojaestetica.com.br/artigo.aspx?id=43>. Nunca podemos fazer a escolha de terapias alternativas, como a cromoterapia e a aromaterapia, sem antes fazer uma anamnese, ou seja, um questionário de todo o histórico do cliente; você deve saber do estado mental, emocional, físico e energético do seu cliente, para que possa escolher a terapia que mais se adequar a cada caso. 3 A BIOSSEGURANÇA Todos os ambientes para massagem devem seguir os padrões e normas estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) vigentes no município onde você irá montar sua cabine de massagem. A maioria dos acidentes envolvendo profissionais da área do bem-estar e imagem pessoal ocorre devido à negligência dessas normas. Biossegurança não é uma ciência e, sim, uma integração entre os temas e conhecimentos variados sobre prevenção e aplicação correta das normas (COSTA; COSTA, 2003). Todos os profissionais que trabalham em contato com outras pessoas num ambiente fechado ficam sujeitos à contaminação de microrganismos, como também à transmissão deles. A atmosfera do interior de uma cabine ou sala de massagem possui uma carga microbiana considerável, expondo a todos, você e seu cliente, como também os artigos utilizados para os procedimentos, como cubetas para colocar cremes e óleos, espátulas, pincéis, entre outros. Os meios de transmissão podem ser por contato direto ou indireto, como o toque com as mãos contaminadas ou mesmo um espirro, vetor biológico ou mecânico e pelo ar, com a inalação e penetração através da pele e mucosas (MASTROENI, 2005). Para evitar o risco, devemos procurar implantar, no dia a dia dos atendimentos, uma rotina de limpeza. Padronização é a base para a rotina (CAMPOS, 1992). Por isso devemos conhecer os procedimentos de limpeza, desinfecção e higienização, para podermos tornar o ambiente da massagem agradável e dentro das normas estabelecidas pela ANVISA. DICAS IMPORTANT E UNIDADE 2 | TIPOS DE MASSAGEM E TÉCNICAS 112 Para maiores informações sobre Biossegurança, acesse o site da ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no endereço: <http://portal.anvisa.gov.br/wps/ wcm/connect/527126804745890192e5d63fbc4c6735/Servicos+de+Estetica+e+Congeneres. pdf?MOD=AJPERES>. LEITURA COMPLEMENTAR EFEITOS DO AMBIENTE NA QUALIDADE DA MASSAGEM Existem trabalhos que relatam que o ambiente é responsável por grande parte do sucesso em massoterapia. Música ambiente que propicie o paciente relaxar, pensar em coisas boas, influencia diretamente na área psicológica, proporcionando um alívio de tensões e estresse. E para que nós consigamos um resultado além do esperado, não custa manter um ambiente acolhedor, onde a pessoa se sinta à vontade, feliz, trazendo mudança na vida para melhor. O design também se mostra benéfico quando o assunto é acolher, receber pacientes. Ao pensar em massagem, geralmente pensamos em beleza, saúde e bem-estar. Pensamos em ficarmos mais belos ou belas, mais alegres, com autoestima excelente. Pois bem, a massagem tem indicações que variam desde cura de doenças a efeitos estéticos. Seja qual for a intenção do paciente, nós temos sempre que pensar no bem-estar dele. Para isso, além das nossas técnicas, higiene, educação, sigilo profissional e profissionalismo, nós temos que pensar no ambiente para o paciente. Precisamos nos atentar em promover um ambiente saudável e agradável, para que o mesmo se sinta à vontade, com disposição de voltar à sessão, pois você alcançou o resultado que ele esperava. Muitas pessoas vão à massagem para relaxar, pois, muitas vezes, não é apenas o músculo dolorido que incomoda, é esta tensão que o paciente está sofrendo que está fazendo com que ele sinta dor. Nesta situação, a conversa com o cliente, a troca de sinais, a comunicação não verbal que você realiza com a mão, tudo isso deixará o paciente à vontade e ele irá se sentir relaxado. Caso o paciente esteja tratando de alguma doença, esteja com dor, é necessário que nós o acalmemos, fazer com que ele consiga relaxar, para que possa nos ajudar no resultado esperado. Além do diálogo, da conversa, é necessário que o ambiente esteja adequado. DICAS http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagemhttp://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem TÓPICO 1 | AMBIENTE PARA A MASSAGEM 113 É importante se atentar a alguns fatores, como: • Temperatura: a temperatura deverá estar agradável, não sendo quente e nem frio, mas em temperatura agradável que permita o relaxamento, até mesmo uma “sonequinha” na hora da massagem. • Luz: as luzes não podem estar tão claras, pois atrapalham no relaxamento, também não podem estar totalmente apagadas, pois você não conseguirá realizar as manobras adequadamente. Ela deverá ser boa tanto para o profissional como para o cliente, pois aqui um depende do outro e todos com um objetivo em comum. • Ruídos/barulhos: é importante que não tenha barulho em demasia, permitindo o relaxamento do paciente, neste caso é importante até uma música ambiente e som agradável, para que o cliente relaxe a mente enquanto o profissional o ajuda a relaxar o músculo. • Odores/cheiros: os cheiros, tanto os agradáveis e os desagradáveis, não devem ser tão intensos, pois muitas pessoas são alérgicas a cheiros e isso desencadeará reação alérgica, o que dificulta o relaxamento muscular. Lembrem-se de que tudo que é demais sobra; então, se gostoso demais, ruim e enjoativo ficará depois. • Funcionários e outros clientes influenciam, pois podem tornar o ambiente agradável ou não ao paciente; caso for desagradável, tente marcar em horários diferentes, e caso forem os funcionários que não agradam, tente mudar de setor enquanto realiza o atendimento. • Higiene: a aparência do local é indispensável para que propicie a confiança do cliente. Mas o mais importante é que não propague microrganismo de uma pessoa a outra. Por isso que a higienização é muito importante. Dentro da higienização poderemos realçar que é necessário: - Higiene da roupa do profissional; Higiene da cama em que o paciente está; caso seja de lençol de pano, trocar a cada paciente, se for de papel, realizar o mesmo procedimento e, para ambos, limpar a cama com álcool gel; Utilização de touca; Utilização de máscara; A utilização de luvas depende da área em que for realizada a massagem, e caso o paciente tenha alguma dermatite de contato; Cortar a unha; Escovar os dentes; Pentear o cabelo. FONTE: Disponível em: <http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/ efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem#ixzz3QXB1Nj26>. Acesso em: 12 jan. 2015. http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagemhttp://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem http://www.portaleducacao.com.br/medicina-alternativa/artigos/38022/efeitos-do-ambiente-na-qualidade-da-massagem 114 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você viu que: • O ambiente de massagem deve oferecer um local ideal, que tenha características agradáveis para todo o procedimento oferecido, como: - escolha de som ambiente; - possuir uma temperatura agradável para o cliente; - possuir espaço adequado para você executar de forma correta todas as manobras; - ter conhecimento de cromoterapia e oferecer a iluminação ideal ao cliente; - compreender a aromaterapia para associar ao ambiente os aromas correspondentes aos sintomas físicos e emocionais do cliente, proporcionando a ele bem-estar e cura. • Aplicar corretamente as normas de Biossegurança correspondentes para cada município, prevenindo e contribuindo para a sua saúde e do seu cliente. 115 AUTOATIVIDADE Agora que você já tem conhecimento de como preparar corretamente um ambiente para massagem, descreva quatro atitudes que você NÃO poderá adotar no ambiente de massagem. 116 117 TÓPICO 2 MASSAGEM GERAL E LOCAL UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO A massagem é uma terapia que abrange vários tipos de movimentos e também outras técnicas onde manipulamos tecidos moles do corpo. Ela é indicada para várias finalidades, como relaxamento, alívio de dores, diminuição do estresse e tratamentos de distúrbios físicos, estéticos, energéticos e emocionais. 2 O QUE É MASSAGEM? Massagem é toda técnica que manipula tecidos moles do corpo com o objetivo de promover a restauração da saúde. Essas técnicas são variadas, poderão ser gerais ou locais, dependendo da técnica utilizada, onde você usará, na maioria das vezes, as próprias mãos, tratando e modelando vários problemas de saúde e distúrbios estéticos relatados por seu cliente na anamnese realizada na avaliação. Nesse site você encontrará o Livro Aberto da Massagem, o qual reforçará seus estudos e seus conhecimentos! Boa leitura! <http://pt.wikibooks.org/wiki/Livro_aberto_da_massagem/Bases_teóricas> Os tecidos moles do corpo reagem ao toque. Existem muitas teorias que explicam esse fato. Uma das mais persuasivas é que a dor miofascial é causada por um circuito de retroalimentação (feedback) neuromuscular autoperpetuadora, no qual a estimulação por meio do toque interfere, restaurando assim a função normal. Dependendo da escolha da técnica, a intervenção manual nos tecidos disfuncionais interrompe esse processo de feedback, forçando uma certa mudança na resposta neural e, portanto, no tecido afetado propriamente dito (GORDON, 1998, p. 5). DICAS UNIDADE 2 | TIPOS DE MASSAGEM E TÉCNICAS 118 No link abaixo você tem acesso ao livro digitalizado Massoterapia Clínica: integrando anatomia e tratamento (São Paulo: Manole, 2003). Você pode encontrá-lo também na biblioteca! <https://docs.google.com/file/d/0B78qHOKZD117OERhM0JETS1 vY3c/edit?pli=1> Existem diferentes tipos de massagens. Todos exercem o papel de aliviar dores, restaurar a homeostasia, ou seja, o equilíbrio do corpo e da mente, através de técnicas diferenciadas, como shiatsu (pressão com os polegares), reflexologia, massagem oriental baseada na Medicina Tradicional Chinesa (você pôde conhecer e ter noções na Unidade 1), massagem terapêutica, massagem desportiva, massagem relaxante, massagem estética, massagem na gravidez e drenagem linfática. A reflexologia será estudada no Tópico 4 da Unidade 3, e todas as técnicas de massagens, como terapêutica, massagem desportiva, massagem relaxante, massagem estética, massagem na gravidez e drenagem linfática, serão apresentadas do Tópico 3, a seguir! 3 A DIFERENÇA ENTRE MASSAGEM GERAL E LOCAL Quando falamos em massagem geral, estamos nos referindo às massagens em todo o corpo, ou seja, todas as técnicas que envolvem o relaxamento, o equilíbrio energético do indivíduo como um todo. Esse termo, “geral” é usado para diferenciar de outras técnicas que utilizam pontos específicos no corpo, chamada de massagem local, onde tratamos de pontos-gatilho (trigger point, em inglês), esses pontos, ilustrados nas figuras 10 e 11, são trabalhados de várias formas para aliviar dores e tensões. DICAS ESTUDOS FU TUROS TÓPICO 2 | MASSAGEM GERAL E LOCAL 119 FIGURA 9 – PONTOS-GATILHO ANTERIORES FONTE: Disponível em: <http://belezain.inf.br/estetica/tratestetico2.asp>. Acesso em: 20 jan. 2015 Por volta do final da década de 20, um alemão chamado Max Lange descobriu que nos músculos podiam aparecer pontos sensíveis e que o tecido nesses pontos se apresentava mais rígido que os circundantes. Esses pontos foram batizados em 1948 pela doutora Janet Travell, médica da Casa Branca na gestão Kennedy. Ela os chamou de pontos-gatilho miofasciais e desenvolveu um método de tratamento usando injeções de solução salina nestes pontos. Mais tarde descobriu-se que era possível desativar os pontos-gatilho usando apenas a pressão direta sobre eles. Então, por definição, um ponto-gatilho é um local no músculo altamente irritável que se apresenta rígido à palpação e que produz dor, limitação na amplitude de alongamento, fraqueza sem atrofia e sem déficit neurológico. FONTE: Disponível em: <http://www.massagem.net/Artigos_publicados/Trigger_points/trigger_ points.htm>. Acesso em: 20 de jan. 2015. Peroneal longo Tibial anterior Reto femoral Vastos Adutor longo Braquial Braquiorradial Deltóide anterior Grande peitoral Bíceps ANTERIOR Estemocleidomastoideo Pequeno peitoral Deltóide anterior Extensor longo dos dedos Extensores curtos UNIDADE 2 | TIPOS DE MASSAGEM E TÉCNICAS 120 FIGURA 10 – PONTOS-GATILHO POSTERIORES As figuras 9 e 10 ilustram os principais pontos-gatilho dos respectivos músculos do nosso corpo, onde utilizamos as técnicas de massagens locais! FONTE: Disponível em: <http://belezain.inf.br/estetica/tratestetico2.asp>. Acesso em: 20 jan. 2015 Esse artigo trará para você, aluno, um aprofundamento sobre os pontos-gatilho! Boa leitura! <http://sanamaan.com.br/site/images/stories/PDF/Sindromes%20Dolorosas%20Miof_.pdf> DICAS TÓPICO 2 | MASSAGEM GERAL E LOCAL 121 Todas as massagens, sejam elas gerais ou locais, devem ser realizadas após uma anamnese (entrevista) detalhada sobre a queixa principal do seu cliente, estabelecendo qual o problema, bem como o procedimento e tratamento correto e o profundo conhecimento e domínio da técnica de massagem geral e/ou local para cada caso. IMPORTANT E 122 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você viu que: • A massagem é uma terapia que abrange vários tipos de movimentos e também outras técnicas onde manipulamos tecidos moles do corpo ou pontos específicos. • Vimos também que nosso corpo reage de diferentes formas ao toque e que existem muitas teorias que explicam esse fato. • Vimos que existem diversas técnicas de massagens, como: shiatsu (pressão com os polegares), reflexologia, massagem terapêutica, massagem desportiva, massagem relaxante, massagem estética, massagem na gravidez e drenagem linfática. • Vimos a diferença entre massagem geral e massagem local. • O corpo humano possui uma rede de pontos-gatilho que apontam as contraturas e dores musculares. 123 AUTOATIVIDADE Agora que você possui conhecimento sobre as diferenças entre as massagens, cite duas massagens gerais e duas locais. 124 125 TÓPICO 3 TÉCNICAS DE MASSAGEM OCIDENTAL UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Estudaremos neste tópico as principais técnicas de massagem ocidental. Com exceção da técnica de drenagem linfática, que possui manobras diferenciadas, todas as técnicasque serão estudadas se baseiam nas manobras clássicas, sendo a aplicação muito parecida. Conforme vimos na unidade anterior, a massagem clássica ou massagem ocidental possui manobras e componentes específicos que podem ser adaptados de acordo com cada indicação. Às vezes, a resistência exige uma pressão firme, em outros casos a técnica deve ser mais delicada. O toque pode ser extremamente suave ou firme, móvel ou fixo, mas sempre evoca uma resposta dos tecidos moles. ATENCAO O segredo da arte da manipulação do tecido é a palpação sensível. [...] É sempre necessário palpar o ponto de resistência do tecido e depois tratá-lo com a pressão. FONTE: Disponível em: <http://www.revistapersonalite.com.br/MassoterapiaClinica40.php>. Acesso em: 12 fev. 2015 O terapeuta deve avaliar apropriadamente a disposição do tecido em responder e ajustar-se à pressão. Essa sensibilidade atenta pode ser chamada de “diálogo com o tecido”, porque o terapeuta, pela palpação, negocia com o tecido a pressão necessária para obter a liberação. Esse “diálogo” é a essência da arte de manipular. FONTE: Disponível em: <http://www.revistapersonalite.com.br/MassoterapiaClinica40.php>. Acesso em: 12 fev. 2015. 126 UNIDADE 2 | TIPOS DE MASSAGEM E TÉCNICAS As contraindicações da massagem clássica se aplicam a todas as técnicas. 2 A ARTE DO TOQUE O toque é uma linguagem universal - para os seres humanos e todos os animais o toque é de importância vital. Dos nossos sentidos, o tato é o primeiro a desenvolvermos. Os carinhos da infância, dados pelos pais, influenciam no nosso desenvolvimento e amor próprio. S. M. Jourard - a percepção do toque que recebemos dos outros está claramente relacionada com o desenvolvimento da autoestima, do valor que damos a nós mesmos, a construir a imagem que temos de nós mesmos. Quando somos privados do contato com nossos semelhantes (ex.: separação física, prisão), desenvolvemos sentimentos de solidão, ansiedade ou punição. Podemos usar para transmitir calor, prazer, conforto, calma, cura, alívio de dor, desfazer tensões e, sobretudo, para nos comunicar com o outro ser. As mãos, que tanto dão quanto recebem, e a pele são instrumentos dessa comunicação. Através das mãos você percebe e descobre a singularidade da pessoa que está tocando; através da pele, a pessoa recebe a dádiva de seu toque. IMPORTANT E Através do toque, o terapeuta “invade” a intimidade energética do outro, e por isso deve ter sensibilidade em perceber um estado emocional impróprio, o que dificultaria a harmonização das partes. FONTE: Adaptado de: <http://clinicadeestetica.tripod.com/id1.html>. Acesso em: 12 fev. 2015. Durante um atendimento ocorre uma ação contínua sobre as terminações nervosas na pele, de forma ritmada, fazendo com que a propriedade fisiológica de conduzir estes estímulos promova um relaxamento geral. FONTE: Adaptado de: <http://massoterapiaquantica.blogspot.com.br/p/conheca-os-beneficios- da-massagem.html>. Acesso em: 12 fev. 2015. TÓPICO 3 | TÉCNICAS DE MASSAGEM OCIDENTAL 127 Dentro do aspecto energético-vibracional, o toque pode atuar de forma que o sistema energético se reequilibre, regulando a fisiologia celular. 3 MASSAGEM RELAXANTE Todo mundo tem necessidade de relaxar, de escapar da correria do dia a dia, ouvir música, observar as nuvens, andar pela areia da praia... todas essas são formas que usamos para tranquilizar a mente. Quando crianças, subimos e descemos árvores e corremos descalços pela rua. Mas à medida que vamos envelhecendo, passamos um tempo cada vez maior exclusivamente na cabeça. 3.1 O RELAXAMENTO Relaxamento é o ato de desfazer tensões, descontrair. O estado natural do ser humano é de ausência de tensão. A tensão é originada através dos pensamentos, os quais são capazes de desencadear fenômenos físicos. Por quê? Existe uma relação muito íntima entre a pele e o sistema nervoso, feita através de receptores sensoriais e de neurotransmissores. Neurotransmissor é uma substância química liberada pelos neurônios. Nas células serão reconhecidos e farão com que desempenhe a função que está sendo levada por ele. Cada neurotransmissor “carrega” uma função diferente, por isso, estados mentais e suas correspondentes emoções têm influência sobre o estado da pele e o surgimento de algumas doenças dermatológicas, como a acne, dermatites, psoríase, vitiligo, câncer. Um relaxamento profundo pode trazer alguns benefícios preciosos para o ser humano, tanto emocional quanto fisiologicamente: - melhora o estado geral da pele; - elimina fatores desencadeantes de doenças; - desperta pensamentos positivos e de bem-estar; - ativa as funções circulatória, cerebral e imunológica; A massagem relaxante pode ser um meio de compensarmos o volume de pressões da vida profissional e doméstica. Para muitos de nós, a rigidez e a dor são um modo de vida ao qual nos habituamos. Muitas vezes, somente quando fazemos ou recebemos massagem é que percebemos como nossos músculos estão retesados ou quanto de nossa energia é consumida pela tensão. A massagem pode ser encarada como uma viagem de autodescoberta, revelando o prazer de estar mais relaxado e em sintonia corpo/mente. FONTE: Adaptado de: <https://pt-br.facebook.com/MagnificaBelezaEEstetica/ photos/a.219712464820157.1073741828.219550228169714/220402744751129/>. Acesso em: 12 fev. 2015. 128 UNIDADE 2 | TIPOS DE MASSAGEM E TÉCNICAS - reduz insônia; - retarda o envelhecimento; - equilibra corpo/mente/espírito. Corpo, mente e espírito compartilham uma íntima relação. As funções físicas e biológicas do corpo envolvem anatomia e fisiologia, e também respostas químicas. O processo cognitivo (mente) interpreta as sensações físicas e põe em movimento as respostas físicas. As emoções são resultado de uma combinação física, emocional e cognitiva. 3.2 AS INDICAÇÕES A massagem relaxante está indicada toda vez que os efeitos resultantes de sua execução forem benéficos ao paciente. Praticamente todas as pessoas estão indicadas para esta técnica, visto que seu principal objetivo é o relaxamento, seja ele físico, mental ou emocional. Podemos relacionar as principais indicações: • Relaxamento físico ou emocional. • Aliviar dor muscular ou vascular. • Estimular a circulação sanguínea e linfática. • Aliviar nódulos de tensão muscular. • Melhorar lubrificação articular. 3.3 A PRÁTICA SEQUÊNCIA BÁSICA (60 minutos): • Preparação do ambiente. • Anamnese. • Posicionamento do paciente e do terapeuta. • Assepsia de extremidades. • Concentração. Início: Decúbito Ventral COSTAS (15 a 18 minutos): • Toque inicial (centrar-se). • Terapeuta se posiciona atrás da cabeça do paciente e inicia a aplicação do óleo (movimento longo). • Deslizamento superficial ao longo da coluna. • Amassamento dos ombros (com as mãos, com os polegares). • Fricção com os polegares ao longo da coluna (cervical-sacro). TÓPICO 3 | TÉCNICAS DE MASSAGEM OCIDENTAL 129 • Terapeuta se posiciona ao lado do paciente. • Trabalho das escápulas (deslizamento ao redor das bordas, pressão em toda a região, deslizar na espinha). • Círculos ao longo da coluna (sacro-cervical). • Amassamento (nádegas-cervical). • Pinçamento cervical. • Trocar o lado e repetir a sequência. • Finalização: fricção com os polegares (lombar-cervical); deslizamento ao longo da coluna com os polegares (lombar-cervical); deslizamento superficial ao longo da coluna (lombar-cervical); manobra de percussão. MEMBROS INFERIORES (POSTERIOR – cinco minutos cada membro): • Aplicação do óleo. • Deslizamento superficial tornozelos-nádegas. • Deslizamento profundo. • Amassamento ao longo da perna. • Deslizamento com a base das mãos. • Bombeamento: Movimento de pato. • Finalização: deslizamento profundo; deslizamento superficial; vibração. Solicitar que o paciente mude para decúbito dorsal. PÉS (dois minutos): • Aplicação do óleo. • Fricção com polegaresna planta do pé. • Deslizamento profundo com polegares na planta do pé. • Rolinho com mão fechada na planta do pé. • Alongamento dos dedos. • Deslizamento profundo entre tendões no dorso do pé. • Deslizamento com polegares no dorso do pé (movimento de “abrir” os tendões). • Deslizamento superficial ao redor dos maléolos. MEMBROS INFERIORES (ANTERIOR – quatro minutos cada membro): • Aplicação do óleo em toda a perna = deslizamento superficial. • Deslizamento profundo alternando as mãos (perna e coxa). • Círculos ao redor do joelho com polegares. • Amassamento (coxa). • Bombeamento (perna e coxa). • Finalização: deslizamento superficial; vibração muscular; vibração com tração do membro. MEMBROS SUPERIORES (quatro minutos cada membro): • Mãos: aplicação do óleo; “abrir” a palma da mão (pegada com dedos mínimos); fricção com polegares na palma da mão; alongar os dedos; desobstruir os espaços 130 UNIDADE 2 | TIPOS DE MASSAGEM E TÉCNICAS entre os tendões no dorso da mão; amassamento do punho. • Aplicação do óleo (deslizamento superficial ao longo do braço). • Deslizamento profundo do antebraço. • Deslizamento profundo do braço com contorno do ombro. • Amassamento de todo o braço. • Finalização: deslizamento superficial; vibração de todo o membro. TÓRAX (dois minutos): • Tração cervical. • Alongamento do trapézio (ambos os lados). • Aplicação do óleo (movimento longo = tórax, ombros, pescoço). • Amassamento do músculo peitoral (somente em homens). PESCOÇO, ROSTO E CABEÇA (10 minutos): • Amassamento do trapézio. • Posicionar a cabeça para o lado: amassamento do ombro e trapézio, deslizamento profundo no pescoço (musculatura paravertebral), fricção no couro cabeludo. • Trocar o lado e repetir a sequência. • Alinhar a cabeça e realizar deslizamento na cervical (dedos rente às vértebras), da sétima para a primeira vértebra. • Fricção na base do occipital. • Posicionar as mãos na região central do queixo para iniciar o relaxamento facial. • Queixo e mandíbula: deslizamento superficial com polegar e indicador (pinça). • Bochechas: Fricção com indicadores e dedos médios em toda a região. • Nariz: deslizamento superficial com polegares ao lado do nariz + deslizamento contornando a maçã do rosto. • Olhos: deslizamento profundo em pálpebras inferiores e deslizamento superficial em pálpebras superiores. • Sobrancelhas: pinçamento com deslizamento ao longo das sobrancelhas. • Testa: deslizamento superficial com polegares do centro para a lateral + fricção em toda a testa. • Deslizamento com as palmas das mãos da bochecha para a orelha. • Massagear as orelhas. • Fricções no couro cabeludo. • “Puxadelas” no cabelo. • Finalização (energização) = opcional. 4 MASSAGEM TERAPÊUTICA É denominada massagem terapêutica a técnica de recurso manual que utiliza, além das manobras clássicas da massagem, técnicas de manipulação articular e alongamentos musculares, tais como liberações miofasciais, pompages, quiropraxia, entre outras. TÓPICO 3 | TÉCNICAS DE MASSAGEM OCIDENTAL 131 Para se aplicar esta técnica, o terapeuta deve dominar as manobras clássicas e se aprofundar no estudo de terapias manuais, além de muito treinamento prático para execução de suas manobras. As principais indicações são: • Dor muscular. • Limitação da amplitude de movimento. • Retração/encurtamento muscular (falta de alongamento). As contraindicações são as mesmas da massoterapia em geral. Os efeitos fisiológicos são os mesmos da massagem clássica, incluindo efeitos nas articulações, como reposicionamento, e também aumento da flexibilidade e alívio de dor muscular. 5 MASSAGEM DESPORTIVA A massagem desportiva implica a utilização de um conjunto de técnicas específicas com o objetivo de melhorar o desempenho muscular, prevenindo e tratando a musculatura tensa. Esta técnica é, frequentemente, baseada na massagem sueca. Porém, outras técnicas estão associadas: • Massagem sueca (massagem clássica) - manobras de deslizamentos (effleurage), amassamento (petrissage), fricções e percussões. • Massagem Miofascial (massagem de compressão/massagem nos trigger points). • Drenagem linfática. • Mobilizações articulares. • Alongamentos musculares. A aplicação desta massagem segue um princípio geral de treinamento denominado “princípio da variedade”, onde o nosso organismo não progride quando está submetido sempre a estímulos iguais. Por esta razão, deve-se alternar ou introduzir outras técnicas ou métodos que mantenham ativas as capacidades de recuperação, tais como a eletroestimulação, crioterapia, hidroterapia, entre outras. 5.1 OBJETIVOS A grande diferença entre a massagem desportiva e a massagem relaxante está na questão do vigor e da velocidade. A massagem desportiva usa movimentos e manobras mais rápidos e mais fortes para aumentar a circulação sanguínea, o que traz uma recuperação mais eficaz depois de um esforço físico. 132 UNIDADE 2 | TIPOS DE MASSAGEM E TÉCNICAS A técnica pode ser aplicada com dois objetivos principais: o primeiro, após um esforço físico para recuperar a musculatura. O segundo, antes do esforço físico para preparar a musculatura para a tarefa. Cada esporte usa grupos musculares diferentes e o terapeuta desportivo deve estar familiarizado com a especialidade em que o atleta faz seu treinamento, entendendo como os músculos agem e como eles podem ser afetados. 5.2 INDICAÇÕES E BENEFÍCIOS A massagem desportiva é indicada para pessoas que fazem esforços físicos intensos e regulares, incluindo os atletas de alta competição, e também todas as pessoas que pratiquem exercício físico regular e exigente em termos musculares, e desde que não apresentem qualquer contraindicação para a massagem. Enquanto a massagem relaxante libera hormônios que acalmam o corpo, como ocitocina e endorfinas, a massagem desportiva, devido aos movimentos mais vigorosos, pode liberar adrenalina, que agita o atleta antes do esforço físico. Não costuma ser aplicada como uma massagem completa, que visa mais um relaxamento geral. A massagem desportiva pode concentrar a atuação em áreas isoladas para resolver problemas na musculatura, nos tendões ou nas articulações. FONTE: Adaptado de: <http://www.clinicademassagem.net.br/massagem-desportiva>. Acesso em: 12 fev. 2015. Antes de se proceder à massagem, devemos ter o cuidado de fazer um exame minucioso do estado do atleta. Desde um interrogatório a um exame visual, palpação, a mobilizações musculares e articulares, que podem nos indicar o grau de fadiga do desportista e a possível presença de alguma lesão. Devemos observar: a temperatura do corpo, os movimentos respiratórios, frequência do pulso, a excitação nervosa etc. São sinais que podem auxiliar bastante o massagista desportivo. O massagista desportivo, conhecendo os efeitos fisiológicos dos desportos, pode estabelecer uma ordem de prioridades em relação à zona a tratar, a duração do tratamento, a intensidade e a mobilização por regiões. FONTE: Adaptado de: <http://williamsportmassagem.blogspot.com.br/2011_07_01_archive.html>. Acesso em: 12 fev. 2014. TÓPICO 3 | TÉCNICAS DE MASSAGEM OCIDENTAL 133 Benefícios: • Aumento da rentabilidade física. • Reduz as chances de contusões por meio dos alongamentos e manobras profundas. • Melhora a amplitude dos movimentos e a flexibilidade dos músculos, resultando numa melhora da força muscular e performance do atleta. • Reduz o tempo de recuperação muscular entre os exercícios de treinamento, fazendo com que o atleta se sinta mais disposto. • Acelera a eliminação de resíduos metabólicos produzidos durante os exercícios. • Previne eventuais lesões musculares. • Melhora o estado muscular. • Reduz a tensão muscular. 5.3 SEQUÊNCIA PRÁTICA DECÚBITO VENTRAL • Costas (deslizamento superficial, deslizamento profundo, pinçamento com rolamento, fricções com os polegares(compressão), contorno e mobilização das escápulas, deslizamento com antebraço, deslizamento em parafuso nos braços, alongamento do braço, massagem no trapézio, amassamento, pinçamento cervical, deslizamento e pressão no sacro, percussões, tração com antebraços). • Membros inferiores (deslizamento superficial, deslizamento profundo, deslizamento com antebraço, deslizamento com polegar, deslizamento com base das mãos, rolamento com a mão fechada, amassamento, fricção com polegares (compressão), percussões, tração e alongamento). DECÚBITO DORSAL • Membros inferiores (deslizamento superficial, deslizamento profundo, deslizamento com antebraço, deslizamento com polegar, deslizamento com base das mãos, rolamento com a mão fechada, amassamento, fricção com polegares (compressão), percussões, tração). • Membros superiores (deslizamento superficial, deslizamento profundo, deslizamento com antebraço, deslizamento com polegar, deslizamento com base das mãos, amassamento, pinçamento, tração). • Abdômen (deslizamento intercostal superficial, deslizamento intercostal profundo, massagem intestinal, deslizamento em parafuso, deslizamento em “coração”). • Tórax (deslizamento superficial e profundo em peitoral e trapézio, amassamento em peitoral e trapézio, fricções na cervical). 134 UNIDADE 2 | TIPOS DE MASSAGEM E TÉCNICAS 6 MASSAGEM ESTÉTICA Podemos definir a massagem estética (ou massagem modeladora) como um conjunto de manobras e manipulações exercido sobre pele e músculos, com fins estéticos. São utilizadas manobras da massagem clássica, porém, com outra intensidade, para outros objetivos. A massagem modeladora visa à modelagem do corpo através da estimulação da pele e dos músculos, reduzindo medidas, distribuindo gorduras localizadas e facilitando a penetração de princípios ativos, dando assim maior equilíbrio à estética do corpo. 6.1 EFEITOS FISIOLÓGICOS 6.1.1 Efeito reflexo A pele e o sistema nervoso são extremamente interligados devido à presença de milhões de receptores sensoriais (ex.: receptores de tato, dor, temperatura etc.) existentes na pele e à mesma origem embriológica de ambos, o ectoderma. Uma porção do corpo embrionário se volta para dentro durante o seu desenvolvimento e formará o sistema nervoso. A porção exposta do sistema nervoso formará a pele. Uma das principais funções das células e dos receptores sensoriais existentes na pele é captar estímulos externos. Durante a massagem são dados estímulos diversos que irão ativar tais células e receptores para desempenhar determinada função. Como o sistema nervoso é considerado o mais nobre e importante dos sistemas do corpo, e se a pele é o nosso sistema nervoso externo, sua relação reflexológica com a massagem é de extrema importância. Na massagem modeladora, tais estímulos provocam aumento de tônus muscular e ativação da circulação local, entre outros efeitos. 6.1.2 Efeito mecânico A ação mecânica da massagem é dada, principalmente, pela pressão exercida sobre pele e músculos que irá produzir efeitos sobre a circulação local, sobre a própria musculatura e sobre as vísceras, podendo aumentar o peristaltismo intestinal, melhorar a circulação do fígado e estimular a ação do pâncreas e vesícula biliar. Além disso, a pressão exercida promove uma “certa” deformação da fibra muscular, criando espaços entre elas, o que pode fazer com que a gordura superficial que está localizada na área manipulada “se espalhe”. TÓPICO 3 | TÉCNICAS DE MASSAGEM OCIDENTAL 135 6.1.3 Efeito muscular Os músculos serão estimulados através da movimentação rápida das manobras da massagem. Ocorre uma deformação da fibra muscular com consequente resposta reflexa de contração muscular, aumentando assim o tônus muscular. Portanto, a massagem modeladora tornará a musculatura mobilizada mais firme e elástica, melhorando também sua nutrição, facilitando assim o seu desenvolvimento. A principal manobra que produz estímulo de contração muscular é chamada de tapping, que será explicada mais adiante. O principal objetivo da massagem modeladora é aumentar o tônus muscular e a circulação local. O aumento de tônus é conseguido através de estímulos reflexos musculares e da manobra denominada tapping. Existem diversos tipos de tapping, mas na massagem modeladora utilizamos o tapping de deslizamento. TAPPING – é uma técnica de estimulação que produz aumento do tônus e da contratibilidade dos músculos devido ao recrutamento de impulsos nervosos para os músculos. É feito sobre um músculo específico com um deslizamento moderado (mais ou menos forte), que ativa não apenas aquele músculo, mas todo o grupo muscular. 6.1.4 Efeito vascular As manobras da massagem irão provocar uma vasodilatação local e um aumento da temperatura local da pele de 1 a 3 graus centígrados, devido à sua ação mecânica sobre a pele. Além disso, o volume de sangue venoso que retorna ao coração poderá se elevar, aumentando o trabalho cardíaco e, desta forma, o volume de sangue arterial que chega na periferia impulsionado pelas contrações cardíacas também será maior. Assim, há uma melhora da nutrição dos tecidos e as trocas fisiológicas são favorecidas, facilitando a eliminação de toxinas do sangue. Por isso é que ocorre uma distribuição de gordura localizada, as toxinas (resíduos metabólicos) não ficam estagnadas no local, melhorando o fluxo sanguíneo local e, consequentemente, a nutrição das células. O paciente não irá emagrecer (perda de percentual de gordura), por isso as pessoas que estão com sobrepeso têm restrições. Devido ao efeito de vasodilatação, as manobras devem ser realizadas cuidadosamente e com pressão adequada, evitando a formação de hematomas no local. Os hematomas aparecerão se a pressão exercida for inadequada, levando ao rompimento do vaso sanguíneo. O hematoma ainda poderá aparecer devido ao atrito de estruturas ósseas. ATENCAO 136 UNIDADE 2 | TIPOS DE MASSAGEM E TÉCNICAS 6.1.5 Efeito nervoso A pele tem a propriedade de conduzir estímulos que vêm do meio ambiente ao sistema nervoso central. Por isso, é ricamente provida de terminações nervosas que irão receber estas excitações. Se houver ação contínua sobre as terminações nervosas na pele, de forma ritmada, a propriedade fisiológica de conduzir estes estímulos é esgotada temporariamente, obtendo então uma hipoestesia regional temporária e um relaxamento geral (será um efeito secundário que ocorrerá após um certo tempo da realização da massagem). 6.2 COMPONENTES DA MASSAGEM MODELADORA Direção: é importantíssima no trabalho de modelagem do corpo. A direção deverá ser sempre no sentido das fibras musculares da região mobilizada. Pressão: a força de intensidade dos movimentos deve variar segundo as condições do paciente e suas características estruturais. Inicialmente, a pressão deve ser moderada, e gradativamente deverá ser acentuada. Velocidade e ritmo: As manobras em baixa velocidade produzirão efeito calmante e analgésico; as manobras rápidas produzirão efeito estimulante e desintoxicante. Na massagem modeladora a velocidade deve ser rápida, porém o ritmo não será uniforme. Meio: são utilizados cosméticos apropriados para cada caso específico. Posicionamento do paciente: tanto o paciente quanto o terapeuta deverão estar em posições cômodas e práticas. Duração: dependerá das regiões a serem tratadas, em média, de 12 a 15 minutos por região. 6.3 ORIENTAÇÕES PARA TRABALHAR COM MASSAGEM MODELADORA • Assim como qualquer tratamento, o tratamento estético com massagem modeladora deve ser PERSONALIZADO, ou seja, uma avaliação completa de cada paciente deve ser feita antes de iniciarmos o tratamento, e os objetivos serão traçados de acordo com cada situação. “Todo ser humano é um serúnico”. • Uma lista deverá ser prescrita para cada paciente com orientações a serem seguidas durante o tratamento, tais como: aumentar a ingestão de água (um a dois litros por dia); praticar atividade física; alimentação balanceada (de preferência, TÓPICO 3 | TÉCNICAS DE MASSAGEM OCIDENTAL 137 acompanhamento com nutricionista); utilização de bom creme hidratante diariamente; utilização de bloqueador solar diariamente (em tratamento facial, principalmente). • Iniciar o tratamento com uma esfoliação corporal ou facial, e repetir a cada semana ou a cada 15 dias, finalizando a sessão com hidratação da pele. • Utilizar bom princípio ativo. • O tratamento pode ser complementado com aplicação de máscaras desintoxicantes ou de efeito redutor (argila, fango, gesso lipolítico), acompanhadas de calor. • Elaborar programas de, no mínimo, 10 sessões. Após atingido o objetivo, um programa de manutenção deve ser elaborado, podendo ser semanal, quinzenal ou mensal. • Realizar duas a três sessões por semana. • Esclarecer todas as dúvidas do paciente antes de dar início ao tratamento, deixando-o ciente dos possíveis efeitos que poderão ocorrer. • Estar disponível para o tratamento na hora marcada. • Oferecer ao paciente as condições ideais quanto a limpeza e assepsia do local de atendimento, bem como segurança e conforto. 6.4 INDICAÇÕES A principal indicação da massagem modeladora é, como o próprio nome diz, a modelagem do corpo. Atua efetivamente na gordura localizada, principalmente se associada ao princípio ativo correto, distribuindo a adiposidade e estimulando a eliminação de toxinas. É extremamente eficaz nos tratamentos para redução de medidas, auxiliando no tratamento de emagrecimento (sempre deixar claro que não se trata de um tratamento de emagrecimento, e sim, modelador). Possui atuação importante no tratamento de Lipodistrofia ginoide (celulite) ou flacidez, porém, como recurso auxiliar, e não principal. 138 UNIDADE 2 | TIPOS DE MASSAGEM E TÉCNICAS 6.5.1 Facial Região do pescoço até as bochechas (manobras de estimulação) – 12 minutos: • Deslizamento superficial em todo o rosto para aplicação do produto. • Tapping no pescoço (platisma). • Tapping no queixo (mentoniano). • Tapping em “Y” (queixo + lábio inferior). • Tapping no lábio superior e inferior (orbicular da boca). • Tapping na mandíbula (risório e masseter). • Tapping na fenda nasogeniana (levantador do lábio superior e da asa do nariz). • Tapping nas bochechas (masseter e zigomático). • Pinçamento nas bochechas (masseter e zigomático). • Deslizamento em “leque” com tapping na maçã do rosto (zigomático maior e menor). Região dos olhos, têmporas e testa (manobras de relaxamento) – 5 a 8 minutos: • Movimento longo (finalização): deslizamento profundo em queixo e lábio inferior; deslizamento superficial em lábio superior e lateral da asa do nariz; deslizamento profundo em pálpebra inferior e superficial em pálpebra superior; deslizamento profundo na testa. • Deslizamento profundo em pálpebra inferior e deslizamento superficial em pálpebra superior (orbicular dos olhos). • Deslizamento profundo entre as sobrancelhas (corrugador do supercílio e prócero). • Deslizamento profundo na testa (frontal). • Fricção com a ponta dos dedos ou polegares em toda a testa (frontal). • Fricção em “8” (espiral) nas têmporas (temporal e orbicular dos olhos). • Repetir manobra de finalização. 6.5.2 Corporal Coxas (anterior, posterior, interno e culotes) – 6 a 8 minutos de cada lado: • Deslizamento superficial para aplicar o produto. • Tapping no sentido das fibras musculares. • Deslizamento em “leque” no sentido das fibras musculares. • Modelagem no sentido das fibras musculares. • Pinçamento no sentido distal-proximal. 6.5 SEQUÊNCIA DE MASSAGEM MODELADORA TÓPICO 3 | TÉCNICAS DE MASSAGEM OCIDENTAL 139 • Rolamento com a mão fechada no sentido das fibras musculares. • Amassamento no sentido distal-proximal. • Passo de ganso (amassamento com polegares) no sentido distal-proximal. • Deslizamento superficial para finalização. Glúteos – 6 a 8 minutos de cada lado: • Deslizamento superficial para aplicar o produto. • Tapping com as mãos alternadas (glúteo máximo). • Tapping com ambas as mãos (glúteo máximo). • Deslizamento com tapping “ao contrário”. • Tapping na prega glútea. • Pinçamento no sentido das fibras. • Deslizamento superficial na direção do fluxo linfático (virilha). Abdômen Manobra de preparação – 20 repetições • Deslizamento superficial para aplicar o produto. • Deslizamento superficial = onda abdominal. Manobras de estimulação - 12 minutos • Tapping na cintura (oblíquo do abdômen). • Tapping sobre o músculo reto abdominal. • Modelagem em todo abdômen (oblíquo e reto abdominal). • Rolamento com a mão fechada em todo abdômen (oblíquo e reto abdominal). • Rolamento “em pinça” na cintura. • Amassamento com os polegares em abdômen inferior (passo de ganso). • Amassamento na cintura. • Pinçamento em músculo reto abdominal. Manobras de finalização – 7 a 10 repetições • Deslizamento profundo (fluxo intestinal). • Deslizamento em Espiral (fluxo intestinal). • Deslizamento de drenagem (manobra em “coração”). Flancos (faz parte da sequência de abdômen) ou região subaxilar – 6 a 8 minutos de cada lado. • Deslizamento superficial para aplicar o produto. • Tapping. • Modelagem. • Rolamento com a mão fechada. • Passo de ganso (amassamento com polegares). • Amassamento na cintura. 140 UNIDADE 2 | TIPOS DE MASSAGEM E TÉCNICAS Braços • Posicionamento adequado. • Deslizamento superficial para aplicar o produto. • Tapping no sentido das fibras musculares. • Deslizamento em “leque” no sentido das fibras musculares. • Modelagem no sentido das fibras musculares. • Pinçamento no sentido distal-proximal. • Rolamento com a mão fechada no sentido das fibras musculares. • Passo de ganso no sentido distal-proximal. • Amassamento no sentido distal-proximal. • Deslizamento superficial para finalização. 7 MASSAGEM NA GRAVIDEZ Para trabalharmos com gestantes temos que, em primeiro lugar, respeitar este momento único e especial na vida de uma mulher. Além disso, devemos nos preparar para atender, entendendo cada uma das alterações físicas e emocionais que as gestantes sofrem durante este processo. Vários ajustes fisiológicos e endócrinos ocorrem direcionados à adaptação de um ambiente ideal para o desenvolvimento de outra vida. As grandes modificações no corpo podem trazer inúmeros desconfortos para a futura mamãe. Por isso, além do acompanhamento médico pré-natal, é importante que a gestante se alimente bem, pratique exercícios físicos e respiratórios, cuide de sua pele e, principalmente, faça relaxamento. A massagem é muito indicada para gestantes, sendo importante considerar que os três primeiros meses de gestação são de risco. Por isso, normalmente, o obstetra responsável somente irá autorizar a massoterapia a partir do quarto mês de gestação. Outro ponto importante no atendimento é a adaptação do posicionamento da gestante na maca, que muitas vezes deverá ser feito em decúbito lateral, posição mais confortável e benéfica para a gestante. As contraindicações são as mesmas da massoterapia em geral, sendo importante ressaltar que a região abdominal não deve ser massageada em hipótese alguma. IMPORTANT E TÓPICO 3 | TÉCNICAS DE MASSAGEM OCIDENTAL 141 As técnicas mais indicadas para a gestante são massagem relaxante, massagem facial, shiatsu e drenagem linfática, sendo esta última a mais utilizada, devido ao aumento do volume de líquidos na gravidez. A drenagem linfática pode ser um importante coadjuvante no tratamento pré-natal. Além de todas as características fisiológicas, o momento da massagem pode funcionar para a gestante como um relaxamento completo, aliviando as tensões eeventuais desconfortos, proporcionando um contato com sua nova identidade corporal neste momento de transformação. Vamos conhecer agora algumas alterações fisiológicas da gestação: • Retenção de água devido ao estrogênio. Do ganho de peso, 70% é água. • Volume sanguíneo aumenta em 40%. • Multiplicação e hipertrofia dos vasos linfáticos. • Aumento da temperatura corporal. • Aumento de peso. • Anemia fisiológica (cansaço e mal-estar). • Deslocamento do centro de gravidade. • Aumento da lordose lombar (compensações). • Câimbras. • Prisão de ventre. Quando colocada em decúbito dorsal, a gestante pode sofrer a “Síndrome da hipotensão supina”, pois o útero comprime a veia cava inferior e aorta, diminuindo o retorno venoso ao coração, causando diminuição da pressão arterial (mal-estar, tontura). 8 DRENAGEM LINFÁTICA MANUAL (DLM) ATENCAO Também conhecida como Linfodrenagem, este método de tratamento acelera a circulação linfática, através de movimentos suaves e lentos em pontos estratégicos do sistema linfático. A técnica é complexa, representada por um conjunto de manobras muito específicas. A DLM possui inúmeras indicações, entre elas: edemas, linfoedemas, insuficiência venosa, acne, T.P.M., pós- traumatismos, lipodistrofia ginoide, pós-operatório. FONTE: Disponível em: <http://belezain.inf.br/estetica/linfodrenagem.asp>. Acesso em: 12 fev. 2015. 142 UNIDADE 2 | TIPOS DE MASSAGEM E TÉCNICAS 8.1.1 Retorno de proteínas à circulação A mais simples e importante função dos vasos linfáticos é permitir o retorno das proteínas à circulação quando extravasam dos capilares sanguíneos. Alguns poros dos capilares são tão grandes que uma pequena quantidade de proteína extravasa do plasma. Se estas proteínas não retornassem à circulação, a pressão coloidosmótica (= pressão que as proteínas exercem na membrana capilar para equilibrar com a pressão do líquido plasmático) do indivíduo cairia a níveis muito baixos e haveria perda de volume sanguíneo, levando à morte dentro do espaço de 12 a 24 horas. Além disso, não há nenhuma outra maneira pela qual as proteínas possam retornar à circulação sem ser por meio dos vasos linfáticos. 8.1.2 Drenagem de líquido em excesso no espaço intersticial A drenagem de líquido em excesso no espaço intersticial é realizada devido a dois mecanismos principais: A pressão do líquido intersticial – se a pressão do líquido intersticial se eleva muito, o que ocorre quando o volume de líquido se torna muito grande, o líquido escoa para dentro dos capilares linfáticos. Assim sendo, quanto maior for a pressão tecidual, maior também será a quantidade de linfa formada a cada minuto. O escoamento da linfa - “Bombeamento Linfático” – é um mecanismo do vaso linfático que bombeia a linfa ao longo de seu trajeto. Todos os vasos linfáticos possuem válvulas linfáticas que estão orientadas em direção central, de modo que a linfa só possa fluir em direção ao ponto em que os vasos linfáticos drenam para a circulação, e nunca de volta aos tecidos. A maior causa do Bombeamento Linfático é a contração periódica dos vasos, cerca de uma vez a cada 6 a 10 segundos. A contração impulsiona a linfa para a próxima válvula linfática (= fase ativa da drenagem), distendendo um novo segmento do vaso linfático (= fase passiva), fazendo com que ele também se contraia, impulsionando a linfa para uma próxima válvula. Este efeito ocorre em cada segmento sucessivo do vaso linfático até que a linfa seja totalmente bombeada (drenada) de volta à circulação. Além da contração intrínseca dos vasos linfáticos, o Bombeamento Linfático também pode ser produzido pelo movimento dos tecidos que cercam estes vasos. Por exemplo, a contração de um músculo adjacente a um vaso linfático pode espremer o vaso e impulsionar a linfa para frente. Da mesma forma, as pulsações arteriais ou a movimentação ativa de um membro podem espremer o vaso e mover a linfa para frente ao longo dos canais linfáticos. Estes mecanismos são tão importantes quanto as próprias contrações intrínsecas dos vasos linfáticos, 8.1 FUNÇÕES DO SISTEMA LINFÁTICO TÓPICO 3 | TÉCNICAS DE MASSAGEM OCIDENTAL 143 especialmente durante o exercício físico. O fluxo da linfa varia de tempos em tempos, mas, em média, em um indivíduo adulto em condições normais, o fluxo em todos os vasos é de aproximadamente 100 ml por hora. 8.1.3 Filtração da linfa pelos gânglios linfáticos Outra função do sistema linfático é de filtrar a linfa que retorna dos tecidos antes de esvaziá-la na circulação. À medida que a linfa passa pelos gânglios linfáticos, células especializadas fagocitam, digerem e liberam as proteínas, moléculas ou corpos estranhos que passam pela “peneira” (seios) do gânglio. Liberam os produtos na linfa em forma de aminoácidos ou outros produtos metabólicos de pequeno peso molecular. Outras células do gânglio produzem anticorpos, os quais exercem função importante na proteção do organismo. 8.2 RELAÇÃO ENTRE O SISTEMA LINFÁTICO E O SISTEMA SANGUÍNEO O sistema vascular sanguíneo é um anel vascular fechado provido de uma bomba, o coração. A função deste sistema é assegurar que o sangue atinja todas as partes do organismo, a fim de que cada célula possa receber nutrição conforme suas necessidades funcionais, e retorne ao coração. Assim, no sistema vascular, o sangue flui em dois sentidos: do coração para o organismo e do organismo para o coração. O sistema linfático não é um sistema fechado, mas comunica-se diretamente com o sistema sanguíneo na raiz do pescoço. Consiste em um sistema de capilares pequenos que começam de um modo cego, captam o líquido tecidual não absorvido pelos capilares sanguíneos, e uma série de vasos coletores de tamanho cada vez maior, drenam o líquido contido, a linfa, para dentro das veias subclávias (no pescoço). O fluxo da linfa é sempre em um sentido, isto é, para o coração. Uma das principais características do sistema linfático é a presença dos gânglios ao longo de seus vasos, através dos quais a linfa tem que passar para ser filtrada antes de ser transferida para as veias. 8.3 EFEITOS DA DRENAGEM LINFÁTICA MANUAL O principal objetivo das manobras realizadas na drenagem linfática manual é o aumento do volume de linfa admitido pelos capilares linfáticos, e o aumento da velocidade do transporte da linfa através dos vasos linfáticos. 144 UNIDADE 2 | TIPOS DE MASSAGEM E TÉCNICAS 8.3.1 Influência direta da drenagem linfática • Aumento do volume e velocidade da linfa. • Filtração e reabsorção dos capilares sanguíneos. • Aumento da quantidade de linfa processada dentro dos gânglios linfáticos. 8.3.2 Influência indireta da drenagem linfática • Nutrição celular. • Oxigenação dos tecidos. • Desintoxicação dos tecidos intersticiais. • Desintoxicação da musculatura esquelética, promovendo relaxamento muscular. • Absorção de nutrientes pelo trato digestivo. • Aumento da motricidade do intestino - a musculatura do intestino aumenta de amplitude e frequência de contrações, facilitando o deslocamento do bolo intestinal em direção ao reto. • Distribuição de hormônios. • Aumento na quantidade de líquidos excretados. • Estímulo do Sistema Nervoso Parassimpático - devido aos movimentos lentos, leves e monótonos, ocorre estimulação do sistema parassimpático, que age de forma relaxante e calmante. • Estímulo das imunorreações - aceleração da circulação de linfócitos (células de defesa) e da distribuição de anticorpos. Para que se consigam tais efeitos com a drenagem linfática manual, as manobras devem ser realizadas com exatidão. A pressão adequada com a qual as manobras são praticadas varia conforme as condições individuais de cada caso. Podemos definir como pressão adequada aquela que é suficientemente forte para propulsionar o líquido intersticial para dentro dos capilares linfáticose aumentar a reabsorção através dos capilares, porém, pressão que se mantenha abaixo dos valores da pressão interna dos capilares linfáticos e sanguíneos, a fim de evitar a obstrução dos mesmos. Uma pressão demasiadamente forte pode obstruir os capilares, chegando até a danificá-los, principalmente os linfáticos, pela sua estrutura frágil. A pressão manual varia de leve (casos de edema e tônus muscular rígido) a moderada (casos de turgor e musculatura normal). ATENCAO TÓPICO 3 | TÉCNICAS DE MASSAGEM OCIDENTAL 145 8.4 INDICAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES Indicações • Edemas e linfedemas. • Circulação de retorno comprometida (telangiectasias, varizes, sintomas). • Relaxamento. • Gestação (a partir do 4º mês). • Retenção de líquidos. • Mau funcionamento intestinal. As indicações para o emprego da drenagem linfática manual em tratamentos estéticos são: • Tratamento de rosácea; tratamento para rejuvenescimento. • Tratamento pré e pós-cirurgia plástica. • Edema palpebral. • Tratamento para Lipodistrofia ginoide. Contraindicações • Câncer. • Trombose Venosa Profunda (TVP), Tromboflebite, Úlceras varicosas. • Hipertireoidismo. • Pacientes cardíacos, hipertensos ou diabéticos descompensados. • Insuficiência renal. • Processos infecciosos (febre, secreção). • Certos tipos de afecções na pele. 8.5 A PRÁTICA DA DRENAGEM LINFÁTICA MANUAL A drenagem manual é feita por manobras superficiais que devem pressionar o tecido superficial (camadas da pele e tecido adiposo) sem atingir a musculatura. Toda vez que um tecido intersticial recebe um aumento de pressão (pode ser interna ou externa), forma-se linfa. Não é necessária uma condução, visto que a linfa procurará os vasos profundos, abaixo do local onde ocorre a "leve pressão". A linfa superficial é conduzida para “DENTRO”, para o interior da região “drenada”, e não para o CORAÇÃO. ATENCAO 146 UNIDADE 2 | TIPOS DE MASSAGEM E TÉCNICAS A drenagem linfática é basicamente composta de dois processos que visam transportar e remover esse líquido de edema de volta à circulação sanguínea. São eles: • Evacuação - processo que é realizado em gânglios (ou linfonodos) e em outras vias linfáticas com o objetivo de descongestioná-los. As manobras são executadas de proximal para distal, criando possibilidade de aspiração da linfa centripetamente, tendo a função de atrair a linfa distal e evacuar os vasos pré- coletores e coletores. • Captação - é a drenagem propriamente dita. As manobras são executadas da região distal para a proximal, drenando a região afetada, tendo a função de drenar, absorver o líquido acumulado no interstício. Para desenvolvermos uma drenagem eficiente, devemos seguir alguns itens importantes, como: Pressão: a pressão varia de leve a moderada, pressão em torno de 30 a 40 mmhg, dependendo de cada caso. Nas manobras, a pressão deve aumentar e diminuir gradativamente. Os movimentos devem ser suaves, contínuos e harmônicos. Ritmo: o ritmo deve ser lento (pois a linfa desloca-se em torno de 2,5 cm/ segundo). Os movimentos possuem uma fase ativa (dirigida aos nódulos) e uma fase passiva (os tecidos fazem um retorno e sua mão volta à posição inicial). Sempre devemos respeitar o ritmo natural do fluxo linfático (de 6 a 10 segundos para cada manobra). Repetição: movimentos devem ser repetidos de cinco a sete vezes. Os movimentos com deslizamento (caminhos) devem ser repetidos três vezes. Direção: Devemos carrear a linfa para o grupo ganglionar mais próximo. Sentido: o ponto de partida das manobras sempre será a região mais próxima do gânglio linfático (sentido proximal) para a região mais distante (sentido distal). Duração: o tempo de sessão deve ter o mínimo de 30 minutos. A drenagem deve começar sobre o ângulo venoso, independente das localizações das incisões, para garantir o livre escoamento da linfa. DICAS TÓPICO 3 | TÉCNICAS DE MASSAGEM OCIDENTAL 147 Tipos de movimento: Leduc (1998) preconiza a utilização de cinco movimentos que combinados entre si formam um sistema de massagem: • Drenagem dos linfonodos (cadeias ganglionares) e vias linfáticas (ductos) • Círculos com os dedos ou com as mãos. • Círculos com o polegar. • Movimentos combinados. • Pressão em bracelete. Na técnica apresentada abaixo utilizaremos sete movimentos: • Rotação no lugar: rotação com os dedos ou com a mão espalmada, não há deslizamento sobre a superfície da pele. • Bombeamento punho - dedos: realiza-se com a mão aberta, variando a pressão, não há deslizamento sobre a pele. • Movimento em Concha ou Bracelete: realiza-se com ambas as mãos. • Rotação em fuso ou espiral: rotação com os dedos acompanhada de deslizamento sobre a superfície da pele. • Passo de ganso: realizado com os polegares, alternando-os com movimentos de rolar. • Movimento em Onda ou Bombeamento lateral. • Movimento de mergulho: realizado com as pontas dos dedos, afundando-os na região. A Drenagem Linfática Manual se dá pelo esvaziamento dos interstícios celulares superficiais que têm seu conteúdo capturado pelos capilares linfáticos, conduzindo, já como linfa, para os vasos mais profundos que empurrarão a linfa que ali se encontra (as válvulas impedem o refluxo). Nesta etapa (mais profunda) não atuamos, pois nossa pressão é superficial. 8.6 TIPOS DE EDEMA Definição - O edema é resultado da expansão do líquido extracelular do organismo. É um sinal comum em uma variedade de moléstias, e todos se originam do sangue circulante, sendo que sua composição é semelhante à do plasma. Os principais tipos de edema em que podemos indicar a técnica de drenagem linfática são: • Edema causado por Deficiência Linfática = Linfedema - a obstrução linfática pode originar edema, e ocorre em diversas situações: após cirurgias radicais para carcinoma de tórax ou de mama, onde há grande remoção de gânglios IMPORTANT E 148 UNIDADE 2 | TIPOS DE MASSAGEM E TÉCNICAS linfáticos; o carcinoma de gânglios linfáticos pode produzir o mesmo resultado; osteomielite crônica; lipodistrofia ginoide (celulite). • Fibroedema Geloide/Mucoide, Lipodistrofia Ginoide ou Celulite – desordem metabólica regional, cuja incidência é exclusivamente feminina, agregada ou não à gordura, com topografia localizada em quadris, nádegas, membros inferiores e, em menor escala, em abdômen e membros superiores. Possui três estágios, mas nem sempre evolui até o último estágio. Pode acontecer de uma pessoa ter o problema em diferentes níveis e em diversas partes do corpo. Nos dois primeiros estágios as alterações estruturais não envolvem tanto os vasos linfáticos. Mas no terceiro estágio as células estão muito inchadas, comprimindo todas as estruturas adjacentes, como vasos sanguíneos e linfáticos e terminações nervosas (dor). • Edema da Síndrome Pré-Menstrual – no período que antecede a menstruação há retenção de água nos diversos tecidos do organismo, com aumento do líquido extracelular, que se manifesta de forma suave. Na forma mais intensa, há maior retenção de líquido, com formação de edema localizado ou generalizado, incluindo edema cerebral, intestinal, mamário, causando outros diversos sintomas da síndrome (dores de cabeça, cólicas, mastalgia etc.). • Edema Gestacional – a gravidez está associada com edema de tornozelo e membros inferiores, frequentemente durante os estágios finais, decorrente do aumento de substâncias hormonais retentoras de sódio (sal e água). Em adição com o aumento do volume sanguíneo circulante, e com o aumento da pressão intra-abdominal decorrente do crescimento do útero, ocorre hipertensão da veia cava inferior e consequente estase venosa de membros inferiores. • Edema Traumático – decorrente de lesão traumática com ruptura de vasos sanguíneos e linfáticos. • Edema Cardíaco - O edema sistêmico,que é aliviado quando o paciente se deita com frequência, é um sinal de insuficiência cardíaca. Essa condição é invariavelmente acompanhada de obstrução das veias. Ambas as disfunções provocam aumento na pressão arterial dos capilares, o que leva a uma maior taxa de filtragem de proteínas plasmáticas dos capilares para os espaços intersticiais, forma-se assim o edema. A congestão nas veias é uma complicação adicional e deve-se à fragilidade do coração, que é incapaz de receber e processar o sangue venoso. Assim, a pressão hidrostática nas veias é elevada, o que evita reingresso do fluído dos tecidos intersticiais na extremidade venosa. A massagem linfática é aplicada para auxiliar na drenagem do fluído para os vasos linfáticos e melhorar o retorno venoso; ela é particularmente útil nos membros inferiores. O tratamento é realizado por curtos períodos, apenas em virtude da fraqueza do coração, entretanto, pode ser repetido com frequência (CASSAR, 2001). • Edema Renal - Pode ocorrer caso o rim perca sua capacidade de eliminar as quantidades normais de urina, ocorre assim o aumento da pressão capilar. O edema se situa em locais com grande quantidade de tecido conjuntivo frouxo: TÓPICO 3 | TÉCNICAS DE MASSAGEM OCIDENTAL 149 na face em volta dos olhos e pode afetar as extremidades. É mais intenso pela manhã e a posição do corpo quase nada afeta no edema. Pode ser tratado com drenagem, mas é imprescindível indicação e acompanhamento médico (HERPERTZ, 2006) • Edema Nutricional – a desnutrição leva à diminuição dos níveis de proteína no organismo (hipoproteinúria), causando edema abdominal devido à diminuição da pressão coloidosmótica dentro dos vasos. 8.7 SEQUÊNCIA DE DRENAGEM LINFÁTICA CORPORAL 8.7.1 Abdômen Paciente em decúbito dorsal, com semiflexão de joelho: • Respiração diafragmática. • Liberação de ducto torácico, ângulo venoso – linfático direito e esquerdo, região inguinal. • Deslizamento de drenagem em todo o abdômen = deslizamento com as mãos unidas no centro do abdômen, subindo em direção ao esterno (solicitar inspiração ao paciente enquanto realiza este deslizamento). Assim que o paciente começa a expiração, contornar as costelas com os polegares, descendo até a cintura. Contorna a cintura com ambas as mãos, descendo em direção à região inguinal, com movimento vibratório das mãos. Repetir quatro vezes. • Movimento em espiral (rotação em fuso) sobre o cólon descendente do intestino. Repetir três vezes. • Deslizamento da cintura, com as duas mãos trabalhando alternadamente, em duas linhas, da cintura em direção ao umbigo. Realizar primeiro de um lado, e depois do outro, sete vezes em cada linha. Finalizar com movimento de mergulho (sete vezes) sobre a Cisterna do Quilo. • Movimento de espiral nos três cólons do intestino (ascendente, transverso e descendente), repetindo três vezes. • Movimento de roda gigante ao redor do intestino, repetindo sete vezes. • Rotação no lugar em 12 pontos do intestino. Iniciar em três pontos no cólon descendente, três pontos no cólon ascendente, três pontos no cólon transverso, e repetir três pontos no cólon descendente em ordem invertida. Repetir o movimento de rotação no lugar sete vezes em cada ponto. • Passo de ganso (amassamento) em duas linhas da cintura em direção ao umbigo, três vezes em cada linha. Finalizar com movimento de mergulho (sete vezes) sobre a Cisterna do Quilo. • Passo de ganso em quatro linhas do abdômen inferior (duas linhas de cada lado), três vezes em cada linha, partindo do umbigo em direção à região inguinal (“raio de sol”). • Bombeamento lateral sobre a crista ilíaca, sete vezes de cada lado. • Repetir o deslizamento de drenagem em todo o abdômen. 150 UNIDADE 2 | TIPOS DE MASSAGEM E TÉCNICAS FONTE: A autora FIGURA 11 – DRENAGEM DE ABDÔMEN 8.7.2 Membros inferiores Paciente em decúbito dorsal, com elevação dos membros inferiores: • Respiração diafragmática • Liberação de ducto torácico, ângulo venoso – linfático direito e esquerdo, região inguinal. Terapeuta se posiciona do mesmo lado do membro a ser trabalhado: • Bracelete “parado” em três porções da coxa (início na porção proximal, média e distal), sete vezes em cada porção. • Bracelete “andando” em três porções da coxa (início na porção proximal, média e distal), duas vezes em cada porção, levando em direção à virilha, fi nalizando com bombeamento inguinal. 1. LIBERAÇÃO DE DUCTO TORÁCICO, DIREITO, ESQUERDO E CADEIA INGUINAL 4. DESLIZAMENTO NA CINTURA 7. ROTAÇÃO NO LUGAR EM 12 PONTOS 10. BOMBEAMENTO LATERAL NA CRISTA ILÍACA ESQUERDA 2. DESLIZAMENTO DE DRENAGEM EM TODO O ABDÔMEN 8. PASSO DE GANSO NA CINTURA 11. BOMBEAMENTO LATERAL NA CRISTA ILÍACA DIREITA 3. ESPIRAL EM CÓLON DESCENDENTE DO INTESTINO 9. PASSO DE GANSO EM "RAIO DE SOL" 12. DESLIZAMENTO DE DRENAGEM EM TODO O ABDÔMEN 6. ESPIRAL EM TODO O INTESTINO 5. RODA GIGANTE TÓPICO 3 | TÉCNICAS DE MASSAGEM OCIDENTAL 151 • Liberação dos gânglios da região poplítea (sete vezes). • Drenagem dos joelhos: duas porções (medial e lateral), três linhas cada porção, passo de ganso três vezes em cada linha. • Bracelete “parado” em três porções da perna (início na porção proximal, média e distal), sete vezes em cada porção. • Bracelete “andando” em três porções da perna (início na porção proximal, média e distal), duas vezes em cada porção, passando nas três porções da coxa, levando em direção à virilha, finalizando com bombeamento inguinal. • Passo de ganso em três linhas no dorso do pé, três vezes cada linha. • Deslizamento dos dedos, três vezes cada dedo. • Para finalizar, solicitar o movimento de dorsiflexão e flexão plantar do tornozelo ao paciente, realizando contração da musculatura da panturrilha (Bombeamento muscular). Terapeuta muda sua posição para o outro lado, e repete os movimentos no outro membro. FIGURA 12 - DRENAGEM DE MEMBROS INFERIORES FONTE: A autora 1. LIBERAÇÃO DE DUCTO TORÁCICO, DIREITO, ESQUERDO E CADEIA INGUINAL 4. BRACELETE ANDANDO ATÉ A VIRILHA, ANTERIOR E POSTERIOR COM ARRMEATE 7. LIBERAÇÃO DA CADEIA POPLÍTEA PASSO DE GANSO EM 4 LINHAS NO JOELHO 10. BRACELETE ANDANDO ATÉ A VIRILHA, ANTERIOR E POSTERIOR COM ARREMATE 2. BRACELETE NO LUGAR 7X EM 3 PORÇÕES ANTERIORES 5. BRACELETE ANDANDO ATÉ A VIRILHA, ANTERIOR E POSTERIOR COM ARREMATE 8. BRACELETE NO LUGAR 7X EM 3 PORÇÕES NA PERNA 11. BRACELETE ANDANDO ATÉ A VIRILHA, ANTERIOR E POSTERIOR COM ARREMATE 3. BRACELETE NO LUGAR 7X EM 3 PORÇÕES POSTERIORES 6. BRACELETE ANDANDO ATÉ A VIRILHA, ANTERIOR E POSTERIOR COM ARREMATE 9. BRACELETE ANDANDO ATÉ A VIRILHA, ANTERIOR E POSTERIOR COM ARREMATE 12. PASSO DE GANSO EM 3 LINHAS NO PÉ. DESLIZAMENTO NOS DEDOS 152 UNIDADE 2 | TIPOS DE MASSAGEM E TÉCNICAS 8.7.3 Glúteos A drenagem linfática na região glútea só será realizada em casos específicos, como pós-operatório ou lipodistrofia ginoide (celulite). Paciente em decúbito dorsal: • Respiração diafragmática. • Liberação de ducto torácico, ângulo venoso – linfático direito e esquerdo, região inguinal. Paciente em decúbito ventral ou decúbito lateral (preferencialmente). OBS.: com o paciente em decúbito ventral, colocar um apoio sob o abdômen para liberar a região inguinal. • Deslizamento superficial em todo o glúteo, iniciando com os dedos e finalizando com a região tenar e hipotenar das mãos, em três linhas, sete vezes cada linha. • Movimento de espiral (rotação em fuso) nas três linhas, três vezes cada linha. • Rotação no lugar, em quatro pontos do glúteo, sendo o primeiro ponto próximo ao cóccix, segundo e terceiro pontos no centro do glúteo, e quarto ponto na face lateral do glúteo (em direção à virilha). • Passo de ganso em cinco linhas, desde o cóccix até a face lateral do glúteo, levando em direção à virilha, trêsvezes cada linha. • Bombeamento punho – dedos em duas linhas, dois pontos em cada linha, sete vezes cada ponto. • Bombeamento lateral da porção inferior do glúteo, levando para cadeia ganglionar vertical da coxa, sete vezes. • Finalizar a drenagem de glúteos, repetindo o primeiro movimento (deslizamento superficial iniciando com os dedos e finalizando com a região tenar e hipotenar das mãos). Terapeuta muda sua posição para o outro lado, e repete os movimentos no outro glúteo. FIGURA 13 – DRENAGEM DE GLÚTEOS 10. DESLIZAMENTO CONTÍNUO 7. ROTAÇÃO NO LUGAR EM 4 PONTOS 4. ROTAÇÃO NO LIGAR EM 4 PONTOS 1. LIBERAÇÃO DO DUCTO TORÁCICO, DIREITO E ESQUERDO E CADEIA INGUINAL TÓPICO 3 | TÉCNICAS DE MASSAGEM OCIDENTAL 153 8.7.4 Mama Paciente em decúbito dorsal: • Respiração diafragmática. • Liberação do ducto torácico, ângulo venoso – linfático direito e esquerdo, raglan, axilas (sete vezes cada ponto). • Deslizamento com ambas as mãos partindo do esterno, contornando as mamas em direção às axilas. Repetir sete vezes. • Deslizamento partindo do esterno, contornando as mamas, realizando um movimento em leque com os dedos, em direção às axilas. Repetir sete vezes. Terapeuta se posiciona do lado oposto à mama que será trabalhada: • Rotação no lugar em quatro pontos das mamas, sete vezes em cada ponto. Primeiro ponto no esterno, segundo ponto no limite superior da mama, terceiro e quarto pontos na região de raglan. • Bombeamento punho – dedos das mamas. Acomodar a mama entre as duas mãos, levemente encurvadas e bombear do esterno em direção às axilas. • Passo de ganso nos espaços intercostais, em três linhas (abaixo da mama, no centro e na cintura), repetindo o movimento três vezes em cada linha. • Bombeamento lateral da cintura até a axila, repetindo o movimento três vezes. Terapeuta muda sua posição para o outro lado, e repete os movimentos na outra mama. FONTE: A autora 12. BOMBEAMENTO LATERAL DO OUTRO LADO 9. PASSO DE GANOS EM 5 LINHAS 6. PASSO DE GANSO EM 5 LINHAS 3. ROTAÇÃO EM FUSO/ESPIRAL EM 3 LINHAS 2. DESLIZAMENTO CONTÍNUO EM 3 LINHAS 5. BOMBEAMENTO PUNHO - DEDOS EM 4 PONTOS 8. BOMBEAMENTO PUNHO-DEDOS EM 4 PONTOS 11. BOMBEAMENTO LATERAL DE UM LADO 154 UNIDADE 2 | TIPOS DE MASSAGEM E TÉCNICAS • Para finalizar, repetir sete vezes o deslizamento com ambas as mãos partindo do esterno, contornando as mamas em direção às axilas. FIGURA 14 – DRENAGEM DE MAMA FONTE: A autora 8.7.5 Membros Superiores Paciente em decúbito dorsal: • Respiração diafragmática. • Liberação do ducto torácico, ângulo venoso – linfático direito e esquerdo, raglan, axilas (sete vezes cada ponto). 1. LIBERAÇÃO DE DUCTOS, CADEIA RAGLAN E CADEIXA AXILAR 4. ROTAÇÃO NO LUGAR EM 4 PONTOS NA MAMA DIREITA 7. BOMBEAMENTO LATERAL A PARTIR DA CINTURA 10. PASSO DE GANSO EM 3 LINHAS ABAIXO DA MAMA ESQUERDA 2. DESLIZAMENTO CONTÍNUO 5. BOMBEAMENTO PUNHO-DEDOS NA MAMA DIREITA 3. DESLIZAMENTO "EM LEQUE" 6. PASSO DE GANSO EM 3 LINHAS ABAIXO DA MAMA DIREITA 9. BOMBEAMENTO PUNHO-DEDOS NA MAMA ESQUERDA 12. DESLIZAMENTO CONTÍNUO 8. ROTAÇÃO NO LUGAR EM 4 PONTOS NA MAMA ESQUERDA 11. BOMBEAMENTO LATERAL A PARTIR DA CINTURA TÓPICO 3 | TÉCNICAS DE MASSAGEM OCIDENTAL 155 Terapeuta se posiciona do mesmo lado do membro a ser trabalhado: • Drenagem do ombro, com movimentos de passo de ganso em três porções do músculo deltoide, três vezes em cada porção. • Bracelete “parado” em três porções do braço (início na porção proximal, média e distal), sete vezes em cada porção. • Bracelete “andando” em três porções do braço (início na porção proximal, média e distal), duas vezes em cada porção, levando em direção às axilas. • Liberação dos gânglios do cotovelo (sete vezes). • Bracelete “parado” em três porções do antebraço (início na porção proximal, média e distal), sete vezes em cada porção. • Bracelete “andando” em três porções do antebraço (início na porção proximal, média e distal), duas vezes em cada porção, passando nas três porções do braço, levando em direção às axilas. • Passo de ganso em três linhas no dorso das mãos, três vezes cada linha. • Deslizamento dos dedos, três vezes cada dedo. • Bracelete em toda a mão (sete vezes). • Para finalizar, solicitar o movimento de flexão e extensão dos dedos ao paciente, com o braço posicionado para cima, realizando contração da musculatura do antebraço (Bombeamento muscular). Terapeuta muda sua posição para o outro lado, e repete os movimentos no outro membro. FIGURA 15 – DRENAGEM DE MEMBROS SUERIORES 1. LIBERAÇÃO DE DUCTOS RAGLAN E CADEIA AXILAR 4. BRACELETE ANDANDO DA SEGUNDA PORÇÃO ATÉ A AXILA, 2 VEZES 7. BRACELETE NO LUGAR 7 VEZES EM 3 PORÇÕES NO ANTEBRAÇO 10. BRACELETE ANDANDO DA 3ª PORÇÃO DO ANTEBRAÇO ATÉ AXILA, 2 VEZES 2. PASSO DE GANSO EM 3 LINHAS NO OMBRO E BRACELETE NO LUGAR 7 VEZES EM TRÊS PORÇÕES NO BRAÇO 5. BRACELETE ANDANDO DA TERCEIRA PORÇÃO ATÉ A AXILA, 2 VEZES 8. BRACELETE ANDANDO DA 1ª PORÇÃO DO ANTEBRAÇO ATÉ AXILA, 2 VEZES 11. PASSO DE GANSO EM 3 LINHAS NO DORSO DA MÃO DESLIZAMENTO 3 VEZES EM CADA DEDO 156 UNIDADE 2 | TIPOS DE MASSAGEM E TÉCNICAS FONTE: A autora 8.7.6 Costas Paciente em decúbito dorsal: • Respiração diafragmática. • Liberação do ducto torácico, ângulo venoso – linfático direito e esquerdo, cadeia supraclavicular, raglan, axilas. Paciente em decúbito lateral: Porção cervical: • Passo de ganso, em três linhas, três vezes em cada linha. OBS.: se não for um caso específico, a drenagem da região cervical pode ser substituída por massagem relaxante. Porção torácica: • Bombeamento lateral parado em três posições desde a axila até a coluna, em quatro linhas, sete vezes em cada posição. • Passo de ganso da coluna em direção à axila, nas quatro linhas, três vezes cada linha. • Bombeamento punho – dedos, nas quatro linhas, sete vezes cada linha. Porção Lombar: • Bombeamento lateral em três posições desde a cintura até a coluna, em três linhas, sete vezes cada linha. • Passo de ganso da coluna em direção à cisterna do quilo, nas três linhas, três vezes cada linha. • Bombeamento punho – dedos, nas três linhas, sete vezes cada linha. Terapeuta muda sua posição para o outro lado, e repete os movimentos no outro lado. 3. BRACELETE ANDANDO DA 1ª PORÇÃO ATÉ AXILA - 2 VEZES 9. BRACELETE ANDANDO DA 2ª PORÇÃO ATÉ AXILA - 2x 12. BOMBEAMENTO EM BRACELETE EM TODA A MÃO6. MERGULHO 7X TÓPICO 3 | TÉCNICAS DE MASSAGEM OCIDENTAL 157 FIGURA 16 – DRENAGEM DAS COSTAS FONTE: A autora 8.8 SEQUÊNCIA DE DRENAGEM LINFÁTICA FACIAL Podemos iniciar a sequência com massagem relaxante na região de ombros e pescoço como preparação, sendo opcional para o terapeuta, não ultrapassando cinco minutos. 1. LIBERAÇÃO DE DUCTOS. RAGLAN E CADEIA AXILAR 4. BOMBEAMENTO PUNHP - DEDOS EM QUATRO LINHAS NA COLUNA TORÁCIA 7. BOMBEAMENTO PUNHO-DEDOS EM 3 LINHAS NA COLUNA LOMBAR 2. POSICIONAR PACIENTE EM PECÚBITO LATERAL PASSO DE GANSO EM TRÊS LINHAS NA COLUNA CERVICAL 3. BOMBEAMENTO LATERAL EM 3 PONTOS DE 3 LINHAS NA COLUNA TORÁCICA 7x CADA PONTO 6. BOMBEAMENTO LATERAL EM 3 PONTOS DE 3 LINHAS NA COLUNA LOMBAR - 7x CADA 9. MUDAR PACIENTE DE LADO E REPETIR TODA A SEQUÊNCIA 5. PASSO DE GANSO EM QUATRO LINHAS NA COLUNA TORÁCICA 3x CADA LINHA 8. PASSO DE GANSO EM 3 LINHAS NA COLUNA LOMBAR 3x CADA LINHA 3 7 8 9 5 4 2 1 158 UNIDADE 2 | TIPOS DE MASSAGEM E TÉCNICAS Paciente em decúbito dorsal: • Respiração diafragmática. • Liberação de ducto torácico, ângulo venoso – linfático direito e esquerdo, raglan, axilas, cadeia supraclavicular. • Drenagem do pescoço: Porção anterior: Bombeamento em bracelete em três posições. Primeira posição é proximal, segunda posição é média, e terceira posição é distal, sete vezes cada posição. Porção lateral: Bombeamento em bracelete em duas posições.Primeira posição é proximal e segunda posição é distal, sete vezes cada posição. Porção posterior: Bombeamento em bracelete em duas posições. Primeira posição é proximal e segunda posição é distal, sete vezes cada posição. Repetir três vezes toda a drenagem do pescoço. • Movimento de mergulho em três porções da região inframandibular, sete vezes cada porção. • Movimento de mergulho em três porções da região supramandibular, sete vezes cada porção. • Drenagem do queixo: bombeamento com a ponta dos dedos (iniciar com o indicador), em quatro linhas (duas linhas mediais e duas linhas laterais), sete vezes cada linha. • Drenagem dos lábios: movimento de espiral (rotação em fuso) com o dedo médio em duas porções do lábio inferior e duas porções do lábio superior, três vezes cada porção. • Drenagem da fenda nasogeniana: bombeamento com a ponta dos dedos em duas posições da fenda, sete vezes cada posição. Primeira posição iniciando no canto do nariz e levando para baixo, e segunda posição do canto da boca levando para baixo. • Drenagem do nariz: deslizamento com o dedo médio em três porções do nariz, três vezes cada porção. Primeira porção é proximal, segunda porção é média e terceira porção é distal. • “A Grande Viagem” = drenagem de todo o rosto. Bombeamento com a ponta dos dedos em três porções, sete vezes cada porção. Primeira porção iniciando no canto interno dos olhos levando para baixo, segunda porção iniciando no canto do nariz e levando para baixo, e terceira porção do canto da boca levando para baixo. ARREMATE 01 • Movimento de mergulho em três porções da região inframandibular. • Bombeamento em bracelete nas três posições da porção anterior do pescoço, com ordem invertida (iniciar na posição distal, média e proximal). • Movimento de mergulho na região supraclavicular. • Movimento de mergulho nos ângulos venoso-linfático direito e esquerdo. • Liberação do gânglio amigdaliano: movimento de mergulho, sete vezes. • Liberação das cadeias pré e pós-auriculares: posição de garfo (dedos indicador e TÓPICO 3 | TÉCNICAS DE MASSAGEM OCIDENTAL 159 médio na cadeia pré-auricular, e dedos anelar e mínimo na cadeia pós-auricular). Realizar movimento de mergulho com a ponta dos dedos, sete vezes. • Liberação dos gânglios temporais: movimento de mergulho com o dedo médio, sete vezes. • Liberação dos gânglios glabelares: movimento de mergulho com o dedo médio, sete vezes. • Drenagem da bochecha: bombeamento lateral em duas linhas (inferior e superior), duas porções em cada linha, sete vezes cada porção. • Drenagem dos olhos: bombeamento lateral com o dedo médio em três porções (proximal, média e distal) da pálpebra inferior e três porções (proximal, média e distal) da pálpebra superior, sete vezes cada porção, levando para cadeias auriculares. • Drenagem da região temporal (“pés-de-galinha”): bombeamento com a ponta dos dedos em duas linhas (superior e inferior), partindo do canto dos olhos levando em direção às cadeias auriculares, sete vezes cada linha. • Drenagem das sobrancelhas: deslizamento em pinçamento (indicador e polegar), iniciando medialmente levando em direção aos gânglios temporais, três vezes. • Drenagem da testa: bombeamento lateral em duas linhas (inferior e superior), duas porções em cada linha, sete vezes cada porção. ARREMATE 02 • Movimento de mergulho nas cadeias auriculares. • Movimento de mergulho em três porções da região inframandibular. • Bombeamento em bracelete nas três posições da porção anterior do pescoço, com ordem invertida (iniciar na posição distal, média e proximal). • Movimento de mergulho na região supraclavicular. • Movimento de mergulho nos ângulos venoso-linfático direito e esquerdo. • FINALIZAÇÃO - “O ANJO ABRE SUAS ASAS” = Movimento de despertar o paciente. Posicionar os polegares “em pé” sobre a glabela. Iniciar movimento deitando os polegares sobre a testa, contorna o rosto com a borda lateral das mãos e finaliza com leves batidas na bochecha e queixo. Repetir três vezes. FIGURA 17 – DRENAGEM FACIAL 1. LIBERAÇÃO DE DUCTOS, RAGLAN, CADEIA AXILAR, CADEIA SUPRA-CLAVICULAR 4. DRENAGEM DA FENDA NASOGENIANA E NARIZ 7. LIBERAÇÃO DAS CADEIAS PRÉ E PÓS AURICULARES 10. DRENAGEM DA TESTA 160 UNIDADE 2 | TIPOS DE MASSAGEM E TÉCNICAS FONTE: A autora Para conhecer um pouco da história da técnica de drenagem linfática manual, você pode acessar os links abaixo! <http://fisiovitae.com.br/wp-content/uploads/2011/08/NAYARA.pdf> <http://portalbiocursos.com.br/ohs/data/docs/19/37_-_A_importYncia_da_Terapia_FYsica_ Complexa_no_tratamento_do_linfedema.pdf> DICAS 12. "O ANJO ABRE SUAS ASAS" 9. DRENAGEM DOS OLHOS, PÉS DE GALINHA E SOBRANCELHAS 8. DRENAGEM DAS BOCHECHAS 5. LIBERAÇÃO DA CADEIA GLABELAR "A GRANDE VIAGEM" ARREMATE Nº 012. DRENAGEM DO PESCOÇO POSTERIOR ANTERIOR/LATERAL 6. LIBERAÇÃO DAS CADEIAS AMIGDALIANA E TEMPORAL 3. LIBERAÇÃO DE CAD. INFRA E SUPRA- MAND. DRENAGEM DO QUEIXO, LÁBIOS INFERIORES E SUPERIORES 11. ARREMATE Nº 02 161 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico vimos que: • As técnicas de massagem ocidental são parecidas em seus componentes, mas devemos adaptá-las de acordo com cada indicação. • Apresentamos a massagem relaxante, considerada o “carro-chefe” das técnicas ocidentais. • Vimos a massagem terapêutica e a massagem desportiva, que são aplicadas especificamente para casos de dor. • Vimos a massagem modeladora, que tem como principal objetivo estimular o tônus muscular e modelar o tecido adiposo superficial. • Falamos sobre as indicações da massagem em gestantes e a importância de uma indicação correta para tornar o atendimento benéfico na gestação. • Conhecemos a drenagem linfática manual, uma técnica muito específica que compreende um conjunto de manobras que visam a melhor circulação de líquidos no nosso organismo. 162 Dentre as técnicas que apresentamos neste tópico, uma das mais complexas e estudadas é a drenagem linfática. Faça uma comparação entre a massagem modeladora e a drenagem linfática e explique os principais efeitos fisiológicos da técnica de drenagem linfática. AUTOATIVIDADE 163 TÓPICO 4 TÉCNICAS DE MASSAGEM FACIAL UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Para realizarmos uma massagem facial, como outras massagens também, você deve ter conhecimento do significado da palavra massofilaxia, que significa todas as diversificadas manobras específicas clássicas da massagem, que em geral são realizadas com as mãos e pontas dos dedos e com produtos cosméticos deslizantes sobre os músculos e tecidos, e que têm como objetivo resultados tanto terapêuticos como estéticos. Nesse tópico você conhecerá as duas técnicas essenciais, onde todas as manobras clássicas serão encontradas e estudadas de maneiras diferentes, proporcionando para você, aluno, o poder de criar sua própria massagem dentro dos princípios corretos da massofilaxia. A massagem facial aumenta o metabolismo celular e a permeabilidade cutânea, desintoxica, promove o relaxamento e bem-estar (DIAS, 2005). A técnica de massagem local conhecida como shiatsu facial será vista na Unidade 3. 2 LIFTING MANUAL COSMÉTICO O Lifting Manual Cosmético é uma técnica de massagem geral facial, onde toda a face é manipulada com manobras que utilizam os dedos e as palmas das mãos. São manobras rítmicas, sincronizadas, com o objetivo de manipular os principais grupos musculares (ilustrados na figura a seguir), proporcionando um efeito de tonicidade muscular, melhorando instantaneamente os contornos faciais. A palavra lifting significa “levantamento” em inglês. Indicado para pessoas acima dos 40 anos que apresentam sinais de flacidez do tecido e dos músculos. ESTUDOS FU TUROS 164 UNIDADE 2 | TIPOS DE MASSAGEM E TÉCNICAS Para que você, futuro profissional,possa realizar as técnicas com excelência, precisa saber todos os grupos musculares faciais, uma vez que todas as manobras agem especificamente sobre eles! FIGURA 18 – MÚSCULOS FACIAIS FONTE: Disponível em: <http://marilluzginasticafacialisometrica.blogspot.com. br/>. Acesso em: 20 jan. 2015. 3 MANOBRAS DO LIFTING MANUAL COSMÉTICO As manobras iniciam depois que já tenha sido realizada a anamnese (entrevista). Confirmado que nem as mãos do profissional e nem a face do cliente possuem lesões, devemos realizar o protocolo a seguir: • Higienizar as mãos do cliente e do profissional; A primeira coisa que o cliente fará ao término da massagem será levar as mãos ao rosto. ATENCAO Frontal Prócero Orbicular do olho Estenoclimastóideo Trapézio Masseter Temporal Elevador do lábio superior Zigomático menor Orbicular da boca Zigomático maior Depressor do lábio inferior Platisma Elevador da asa do nariz e do lábio superior Depressor do ângulo da boca Nasal TÓPICO 4 | TÉCNICAS DE MASSAGEM FACIAL 165 • Com o cliente devidamente acomodado na maca e o cosmético separado num recipiente apropriado ao alcance do massagista, o profissional deverá se posicionar atrás da maca, onde dará início ao Lifting Manual Cosmético. FIGURA 19 - MANOBRAS FONTE: Marisa S. Remor Conforme a figura, podemos compreender as manobras da seguinte forma: Ilustração 1 e 2: Espalhe o creme de massagem facial nas mãos devidamente higienizadas, deslizando no centro do colo do cliente em direção ao início do estômago, local chamado na anatomia de processo xifoide; realize três círculos com o cliente expirando o ar, e suba as mãos em direção aos ombros, contornando- os com movimentos circulares passando por cima do músculo deltoide (músculo em que recebemos vacina!) e continue com movimentos circulares pelo músculo trapézio até chegar no pescoço. Quando você terminar os dois lados, procure na nuca o encaixe da C1 (cervical) com o osso occipital e dê uma balançada para descontrair a tensão do pescoço. Você pode repetir a manobra duas vezes, pois é muito relaxante para o cliente. Ilustração 3: como as mãos pararam no pescoço, uma mão segura o pescoço e a outra desliza em direção ao ombro, onde você deverá fazer uma pressão conforme a ilustração, alongando o músculo esternocleidomastoideo. Ilustração 4: deslize as mãos ao redor da boca (músculo orbicular dos 166 UNIDADE 2 | TIPOS DE MASSAGEM E TÉCNICAS lábios), subindo pela lateral do nariz (músculo nasal) e finalizando em cima da sobrancelha em direção às laterais (músculo temporal). Ilustração 5: deslize as mãos espalmadas de um lado do lóbulo da orelha ao outro. Uma mão vai e a outra em seguida vem. Ilustração 6: com os dedos, deslize com as mãos alternadas, ou seja, primeiro uma logo em seguida a outra, por todo o pescoço, de um lado ao outro (músculo platisma), finalizando na parte de baixo do queixo (músculo mentoniano) com os mesmos movimentos alternados. Ilustração 7: com os polegares e ao mesmo tempo, faça movimentos circulares (molinhas) em cima do maxilar, do meio do queixo (medial) até o lóbulo da orelha (lateral). Ilustração 8: Com os polegares, faça o contorno dos lábios (músculo orbicular dos lábios) até a parte superior. Ilustração 9: você irá fazer a mesma coisa da ilustração 8, porém a única diferença é que, ao invés de finalizar na parte superior do lábio, finaliza subindo pela aba do nariz até na ponta (músculo nasal). Ilustração 10: dando sequência na ilustração 9, com a ponta dos indicadores, alternadamente de leve toque puxando para cima a ponta do nariz (músculo nasal). Ilustração 11: com os dois indicadores alternados, primeiro um depois o outro, deslize na testa (músculo frontal) de um lado para o outro. Ilustração 12: com os indicadores, faça movimentos juntos de dentro para fora ao redor dos olhos (músculo orbicular dos olhos). Essa manobra é realizada de dentro para fora porque devemos sempre massagear no sentido contrário da ruga. Ilustração 13: com o indicador e o dedo médio da mesma mão juntos, deslize ao lado do olho, primeiro um lado e depois o outro, puxe em direção às têmporas (músculo temporal) imitando olho de gato, ao puxar passe a outra mão logo em seguida na mesma direção. Ilustração 14: Cruze as mãos e descruze deslizando do meio (medial) para o lado (lateral) desde a testa (músculo frontal) até o queixo. Ilustração 15: com as mãos, puxe as bochechas (músculo zigomático maior) para cima, em direção à ponta superior da orelha (pavilhão auricular). Ilustração 16: dedilhe (na sequência rápida: indicador, médio, anelar e mínimo), o bigode chinês (sulco nasogeniano), (músculo risório), sempre para cima em direção ao músculo do assobio (bussinador), cinco vezes. TÓPICO 4 | TÉCNICAS DE MASSAGEM FACIAL 167 Ilustração 17: deslize os indicadores ao mesmo tempo, da parte inferior dos lábios (músculo orbicular da boca) até o início da bochecha (músculo zigomático maior). Quando o indicador travar e você não conseguir deslizar, faça a digitopuntura, ou seja, uma manobra de massagem local onde apertamos três segundos e soltamos um ponto-gatilho da face, para relaxar a mandíbula. Ilustração 18: com o polegar e o indicador, dê beliscões alternados em toda a face, pequenos pinçamentos. Ilustração 19: repita a ilustração 4, finalizando com as mãos em forma de concha na orelha (pavilhão auricular). 4 MASSAGEM RELAXANTE FACIAL A técnica de massagem relaxante facial consiste na realização de manobras clássicas, como deslizamento superficial, deslizamento profundo, pinçamento nas sobrancelhas e movimentos circulares. O objetivo dessa técnica é promover, como o próprio nome já diz, relaxamento. Para que isso aconteça, as manobras devem ser lentas e graduais. Como você já aprendeu no Tópico 1 da Unidade 2, o ambiente para a massagem relaxante deve ser o mais tranquilo e aconchegante possível, proporcionando bem-estar e fidelização de seu cliente. 5 MANOBRAS DE MASSAGEM RELAXANTE FIGURA 20 – MASSAGEM RELAXANTE FONTE: Disponível em: <http://shivacare.blogspot.com. br/2011/07/massofilaxia-facial.html>. Acesso em: 20 jan. 2015 168 UNIDADE 2 | TIPOS DE MASSAGEM E TÉCNICAS Assim como na Técnica do Lifting Manual Cosmético, você deve seguir o protocolo e iniciar a massagem relaxante facial só depois que já tenha sido realizada a anamnese (entrevista). Com o cliente devidamente acomodado na maca e o cosmético separado num recipiente apropriado ao alcance da sua mão, você deverá se posicionar atrás da maca, onde iniciará a manobra da figura anterior, e irá deslizar os dedos e polegares lentamente ao mesmo tempo, do meio (medial) para as laterais (lateral), do queixo até à linha do cabelo na testa (músculo frontal). FIGURA 21 – MANOBRAS FONTE: Disponível em: <http://shivacare.blogspot.com.br/2011/07/ massofilaxia-facial.html>. Acesso em: 20 jan. 2015. A Figura 21 mostra quatro manobras, onde, após você realizar o deslizamento superficial por toda a face, irá dar “beliscões” do meio (medial) para os lados (lateral) em toda a sobrancelha (primeira foto), com o indicador e o polegar ao mesmo tempo, tanto na hemiface direita quanto na esquerda. A segunda foto, na Figura 21, mostra a mesma manobra da primeira foto, porém primeiro na bochecha (músculo zigomático maior) direita para somente depois na esquerda. A terceira foto abaixo da primeira à sua esquerda, mostra um deslizamento mais profundo, com as mãos de um lado ao outro da orelha passando por cima da linha da mandíbula, com mãos alternadas, lentamente. A quarta foto mostra o deslizamento com a ponta dos dedos de baixo para cima no músculo frontal, ou seja, da sobrancelhaem direção à linha do cabelo. Para finalizar, você deve massagear toda a orelha (pavilhão auricular) com o polegar e o indicador fazendo movimentos circulares desde o lóbulo da orelha até a parte mais alta. http://shivacare.blogspot.com.br/2011/07/massofilaxia-facial.html http://shivacare.blogspot.com.br/2011/07/massofilaxia-facial.html TÓPICO 4 | TÉCNICAS DE MASSAGEM FACIAL 169 Você deve manter as unhas curtas e bem lixadas, pois poderá arranhar o cliente, causando desconforto e até mesmo lesões, favorecendo a contaminação da sua mão e da face do seu cliente. Você deverá dar atenção às contraindicações absolutas, aquelas que em hipótese alguma você poderá realizar a massagem, como inflamações agudas, infecções na pele da face, casos febris e câncer. IMPORTANT E 170 RESUMO DO TÓPICO 4 Neste tópico, você viu que: • As técnicas de massagem facial podem ser gerais ou locais. • Vimos duas técnicas gerais: o Lifting Manual Cosmético e a massagem relaxante. • Pudemos observar que o Lifting Manual Cosmético tem o objetivo de “levantar” a face, com o estímulo rítmico e sincronizado das manobras. • Que a massagem relaxante utiliza manobras clássicas, como deslizamento superficial, profundo e pinçamentos em locais tensionados, promovendo relaxamento e bem-estar. • Vimos as indicações e contraindicações relativas e absolutas. • E compreendemos o que é massofilaxia, que existem manobras clássicas que, se utilizadas de maneira correta, você poderá criar sua própria massagem, respeitando os aspectos fisiológicos e anatômicos da face. 171 Agora que você tem conhecimento das técnicas essenciais de massagem facial e das manobras clássicas, seria capaz de citar três manobras? AUTOATIVIDADE 172 173 TÓPICO 5 TÉCNICAS DE MASSAGEM CORPORAL UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Assim como você aprendeu no tópico anterior, a massofilaxia compreende todas as manobras clássicas de massagens, sendo que, com o passar dos anos e com um mercado cada vez mais em ascensão, novas técnicas foram criadas e adaptadas. Porém, o que você deve observar é que as manobras sempre serão as mesmas, o que muda, diferenciando uma técnica da outra, é o ritmo, a sequência e o veículo cosmético utilizado. Portanto, você poderá trabalhar tanto com massagens para estética como com massagens terapêuticas e relaxantes, mas sempre respeitando as manobras clássicas de massagem, essas já comprovadas pela ciência como funcionais sobre o sistema imunológico e sistêmico do corpo humano. Acesse esse endereço <http://www.faema.edu.br/revistas/index.php/Revista- FAEMA/article/view/119/94> e leia o artigo: Os efeitos da Massoterapia sobre o Estresse Físico e Psicológico. Ótima leitura! 2 MANOBRAS CLÁSSICAS E SEUS EFEITOS 2.1 MANOBRA DE EFFLEURAGE O nome Effleurer significa tocar levemente. Essa manobra consiste no deslizamento superficial, onde você terá o primeiro contato com seu cliente. Os movimentos serão sempre ascendentes, de baixo para cima, na região que você irá trabalhar. Na figura a seguir, a manobra realizada é na parte das costas (grande dorsal), com o cliente em decúbito ventral (barriga para baixo), onde você pode observar que se trata de uma massagem relaxante. O movimento parte da região lombar em direção aos ombros lentamente. DICAS 174 UNIDADE 2 | TIPOS DE MASSAGEM E TÉCNICAS Seus efeitos consistem em espalhar o cosmético e estimular o sistema linfático ajudando a eliminar toxinas; também promove relaxamento e alívio nos músculos mais tensionados, baixa a pressão arterial e, consequentemente, promove um efeito sedativo. FIGURA 22 – MANOBRA DE EFFLEURAGE FONTE: Disponível em: <https://fisionat.files.wordpress. com/2011/01/back-effleurage1.jpg>. Acesso em: 20 jan. 2015. 2.2 MANOBRA DE DESLIZAMENTO PROFUNDO Diferente da manobra de effleurage que promove deslizamento superficial, a manobra de deslizamento profundo exerce uma pressão constante nos tecidos e músculos, provocando efeitos reflexos e mecânicos. Efeitos reflexos são aqueles que causam reações involuntárias em uma parte do nosso corpo enquanto outra é estimulada, por exemplo: uma massagem bem executada nas pernas pode promover alívio da dor nas costas, e vice-versa. Já os efeitos mecânicos são as sensações de relaxamento (massagem relaxante) ou mesmo estimulante (massagem estética) que a manobra proporciona. Essa manobra, conforme a figura a seguir, consiste em movimentos ascendentes (de baixo para cima), com as mãos alternadas (uma depois da outra), que poderá ser rítmica ou gradual; as mãos ficam abertas e o polegar conduz a manobra. Os efeitos dessa manobra são o aumento da circulação sanguínea, desintoxicação muscular e tensionamento do tecido. FIGURA 23 – MANOBRA DE DESLIZAMENTO PROFUNDO FONTE: Disponível em: <http://massagempro.blogspot.com. br/>. Acesso em: 20 jan. 2015. http://massagempro.blogspot.com.br/ http://massagempro.blogspot.com.br/ TÓPICO 5 | TÉCNICAS DE MASSAGEM CORPORAL 175 2.3 MANOBRA PETRISSAGE OU AMASSAMENTO Essa manobra só deverá ser executada após a effleurage, pois os músculos já estarão aquecidos. Consiste em literalmente “amassar” o tecido, são técnicas utilizadas para uma massagem mais profunda ou também leve, como você já aprendeu, depende de qual modalidade de massagem você irá realizar. As duas mãos são colocadas lado a lado, na área a ser realizada a manobra. Pressione a palma da mão e pegue o tecido, “a carne” entre o polegar e os dedos e pressione em direção à mão que está parada, em repouso, solte e faça o mesmo com a outra mão, exatamente como mostra a figura a seguir. Seus efeitos consistem em liberar a tensão dos músculos mais tensionados, causar hiperemia, ou seja, deixar a região mais avermelhada devido ao aumento do fluxo sanguíneo, estimular a diminuição de gordura na região (modelando). FIGURA 24 – MANOBRA PETRISSAGE OU AMASSAMENTO FONTE: Disponível em: <http://corpoeestetica.com/massagem- modeladora-como-funciona/>. Acesso em: 20 jan. 2015. 2.4 PERCUSSÃO OU TAPOTAGEM Nessa técnica, conforme a figura acima, são utilizados vários “golpes” bem rápidos com as mãos alternadas, uma de cada vez; com as palmas viradas uma para a outra, “golpeie” com a borda exterior das mãos. Levante a mão assim que tocar na pele, e logo em seguida, “golpeie” com a outra mão. Dependendo de qual modalidade de massagem você estará executando, certifique-se de que você não está usando de força extrema, o objetivo é apenas estimular áreas musculares. Essa manobra sobre ossos é contraindicada, pois o cliente sentirá dor e desconforto. O efeito dessa técnica é estimular tecidos e músculos, aumentando a circulação e ativando o tônus muscular. Ela é muito utilizada para massagens estéticas, pois estimula a síntese de colágeno e a circulação, melhorando em longo prazo alguns distúrbios estéticos corporais, como a popular “celulite”. 176 UNIDADE 2 | TIPOS DE MASSAGEM E TÉCNICAS FIGURA 25 – PERCUSSÃO OU TAPOTAGEM FONTE: Disponível em: <https://fisionat.files.wordpress. com/2011/01/back-effleurage1.jpg>. Acesso em: 20 jan. 2015. 2.5 MANOBRA DE VIBRAÇÃO Essa manobra consiste em vibrar as mãos abertas sobre a região massageada com o objetivo de acalmar e finalizar a massagem. Você deve colocar as mãos uma ao lado da outra e “tremer” as mãos juntas subindo ou descendo o local. Seu efeito é relaxante, acalma o tecido. FIGURA 26 – MANOBRA DE VIBRAÇÃO FONTE: Disponível em: <http://terapeuticamassagem.blogspot.com. br/2011/09/massagem-geral-sueca.html>. Acesso em: 20 jan. 2015. 3 INDICAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES 3.1 INDICAÇÕES • Distúrbios estéticos como celulite, gordura localizada, flacidez e retenção hídrica. • Musculatura contraturada, ou seja, com nódulos. • Insônia. • Estresse. • Ansiedade. https://fisionat.files.wordpress.com/2011/01/back-effleurage1.jpg https://fisionat.files.wordpress.com/2011/01/back-effleurage1.jpghttp://terapeuticamassagem.blogspot.com.br/2011/09/massagem-geral-sueca.html http://terapeuticamassagem.blogspot.com.br/2011/09/massagem-geral-sueca.html TÓPICO 5 | TÉCNICAS DE MASSAGEM CORPORAL 177 3.2 CONTRAINDICAÇÕES • Tumor e câncer (somente com autorização por escrito do médico responsável). • Gestação (somente com autorização do obstetra). • Infecções agudas. • Estados febris. • Fragilidade capilar (para evitar hematomas). • Problemas vasculares. • Hipertensos não medicados. Nesse endereço <http://pt.slideshare.net/inteligente19/manual-de-massagem> você encontrará o livro completo Manual de Massagem Terapêutica, de Mario Pol Cassar, e poderá aprofundar mais seus conhecimentos. Boa leitura! DICAS http://pt.slideshare.net/inteligente19/manual-de-massagem 178 RESUMO DO TÓPICO 5 Nesse tópico você viu que: • Independente da escolha da massagem, seja ela massagem relaxante, massagem estética ou massagem terapêutica, todas devem seguir as manobras clássicas de massagem, que são universais. • O que difere uma massagem da outra não são as técnicas, e sim a sequência utilizada e a sua intensidade e ritmo. • As manobras são effleurage, deslizamento profundo, amassamento, tapotagem e vibração. • Os efeitos da massagem diferem em mecânicos e reflexos. • Existem indicações e contraindicações na aplicação de massagens. 179 Agora que você possui conhecimentos sobre as técnicas de massagem corporal, poderia explicar o que são efeitos reflexos e efeitos mecânicos que a massagem promove? AUTOATIVIDADE 180 181 TÓPICO 6 TÉCNICAS DE MASSAGEM CAPILAR UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO A massagem capilar ou massagem do couro cabeludo, como é comumente chamada, tem como principal objetivo estimular o crescimento dos cabelos; mesmo que não exista nenhuma prova científica de que somente a massagem consegue combater a calvície e a queda de cabelo, por problemas endógenos, de dentro para fora, como alopécia aerata, por exemplo, sua ação não se delimita apenas a esse objetivo, pois promove também o relaxamento e uma melhor estética dos fios, efeitos terapêuticos e energéticos. 2 CONHECENDO O COURO CABELUDO O pelo é uma estrutura de queratina morta, secretada por uma bolsa alongada derivada da epiderme, denominada folículo piloso (PRUNIERAS, 1995). Para você poder compreender os efeitos fisiológicos de bem-estar, relaxamento, e prazerosos da técnica de massagem capilar, precisa compreender a anatomia do couro cabeludo. A pele está dividida em camadas, onde a epiderme é a mais externa e possui uma pseudocamada (falsa camada) revestida de células mortas que se acumulam quando outras células mais internas começam a se renovar migrando para a superfície da epiderme. Essa camada não possui irrigação sanguínea e é alimentada pela camada abaixo dela. A derme fica logo abaixo da epiderme e é vascularizada, ou seja, possui vasos sanguíneos, ela corresponde por 90% da espessura da pele, onde encontramos muitos constituintes celulares, como células que fabricam colágeno, queratina, entre outras; nela também encontramos os receptores nervosos, sensíveis às condições do toque; nessa camada encontramos, entre outras glândulas, a glândula sebácea, que produz o sebo, óleo que protege nossa pele e que lubrifica os pelos e cabelos, ilustrado na figura a seguir. Por fim, e terceira camada, temos a hipoderme ou tela subcutânea, que tem a função de reserva energética; por possuir gordura em seu interior, nos protege contra impactos e ajuda na regulação térmica. 182 UNIDADE 2 | TIPOS DE MASSAGEM E TÉCNICAS FIGURA 27 – ESTRUTURA PEL FONTE: Disponível em: <http://www.tratamentocalvicie.com.br/ artigo_08.php>. Acesso em: 20 jan. 2015. 3 TÉCNICAS DE MASSAGEM Existem diferentes técnicas gerais e locais de massagem capilar, como a clássica e a pressopuntura; em geral, mistura-se as técnicas para unificar um protocolo completo, ficando a critério de cada profissional. 3.1 TÉCNICA DE MASSAGEM CAPILAR CLÁSSICA Essa técnica utiliza os movimentos clássicos da massagem, como você pôde conhecer nos Tópicos 4 e 5 dessa unidade. Após a limpeza dos cabelos e do couro cabeludo - deixando claro que “usar as unhas em vez de esfregar o couro cabeludo com as pontas dos dedos pode causar lesões no couro cabeludo, a unha arranha, machuca e, ao contrário do que parece, não garante uma limpeza adequada” (CINTRA, 2008). Acomode seu cliente confortavelmente na maca em decúbito dorsal (de barriga para cima), se posicionando atrás do cliente e, com as mãos devidamente higienizadas e limpas, você irá iniciar um deslizamento com as pontas dos dedos, com as mãos abertas sobre a cabeça do cliente, iniciando da linha do cabelo na testa (frontal), passando em direção às têmporas (músculo temporal), descendo para a nuca com movimentos lentos e circulares, finalizando no topo da cabeça, conforme as figuras a seguir. Repita as manobras em todo o couro cabeludo, alternando com movimentos de vaivém com as mãos alternadas, uma depois da outra, de frente para trás, sincronizando os movimentos. TÓPICO 6 | TÉCNICAS DE MASSAGEM CAPILAR 183 FIGURA 28 – MASSAGEM CAPILAR 1 FONTE: Disponível em: <https://adrianeboneck.com.br/cuidar-do-couro- cabeludo-faz-o-cabelo-crescer-mais-rapido/>. Acesso em: 20 jan. 2015. FIGURA 29 – MASSAGEM CAPILAR 2 FONTE: Disponível em: <http://www.namoradeira.com.br/beleza/ conheca-produtos-turbinar-hidratacao-dos-cabelos>. Acesso em: 20 jan. 2015 Essa técnica de massagem alivia o estresse, é muito relaxante e uma grande aliada para pessoas que possuem dificuldades em manter um sono saudável. 3.2 TÉCNICA DE MASSAGEM CAPILAR PONTUAL OU PRESSOPUNTURA A técnica de massagem capilar pontual ou pressopuntura (pressão em pontos) consiste em utilizar a ponta dos dedos com pressões leves e intensas em pontos específicos da cabeça, pontos reflexos de energia e pontos referentes às regiões do corpo, que promovem aumento de fluxo sanguíneo local e de liberação de tensão, conforme a figura abaixo. É necessário que você realize a entrevista (anamnese) correta do seu cliente, para poder prestar um serviço de qualidade conforme as necessidades dele. 184 UNIDADE 2 | TIPOS DE MASSAGEM E TÉCNICAS FIGURA 30 – MASSAGEM CAPILAR PONTUAL FONTE: Disponível em: <http://www.revistapersonalite.com.br/ shiatsu_55.php>. Acesso em: 20 jan. 2015 4 CONTRAINDICAÇÕES • Fragilidade capilar. • Infeções do couro cabeludo. • Cabelos oleosos em excesso, exige moderação na quantidade de sessões. Nesse endereço <http://fio.edu.br/cic/anais/2010_ix_cic/pdf/03BIO/04BIO.pdf> você encontra o artigo Doenças Fúngicas que acometem o couro cabeludo, é importante que você conheça e esclareça dúvidas de seus clientes! DICAS http://www.revistapersonalite.com.br/shiatsu_55.php http://www.revistapersonalite.com.br/shiatsu_55.php 185 RESUMO DO TÓPICO 6 Nesse tópico você viu que: • As massagens capilares têm como principal objetivo estimular a circulação sanguínea do couro cabeludo, promovendo relaxamento, melhorando a estética dos fios, fortalecendo-os e deixando-os mais saudáveis. • Viu também que existem diferentes técnicas de massagens capilares, sendo que as duas principais são a massagem clássica geral e a local de pressopuntura. • A massagem clássica executa manobras de deslizamentos e movimentos circulares e que a massagem de pressopuntura estimula pontos específicos na cabeça referentes às regiões do corpo e pontos energéticos. • As contraindicações são poucas, e você deve ter conhecimento das doenças do couro cabeludo para ser um profissional com excelência. 186 AUTOATIVIDADE Agora que você conheceu as técnicas de massagem capilar, poderia explicar quais os benefícios dessa massagem? 187 UNIDADE 3 TRATAMENTOS OFERECIDOS POR SPA, CONCEITOS, APLICAÇÃO E TERAPIASATUAIS NA ÁREA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir desta unidade você será capaz de: • incorporar os princípios da cromoterapia, pedras quentes e frias, bambu- terapia, técnicas de Quick Massagem, Shiatsu Facial e Corporal, Massa- gens Ayurvédicas, Terapias com Florais e reflexologia nas sessões de mas- sagens; • oferecer novas opções de tratamento e ampliar os protocolos terapêuticos e estéticos para seus clientes; • conhecer os tratamentos oferecidos por um spa e as atualizações na área; • diferenciar as técnicas adequando de maneira correta para cada caso. Esta unidade está dividida em seis tópicos. Em cada um deles você encontra- rá atividades que o(a) ajudarão a fixar os conhecimentos abordados. TÓPICO 1 – CONCEITO E APLICAÇÃO DE CROMOTERAPIA. TERAPIAS DAS PEDRAS QUENTES E FRIAS. BAMBUTERAPIA TÓPICO 2 – CONCEITO, EFEITO, CONTRAINDICAÇÕES E TÉCNICAS DE APLICAÇÃO DE QUICK MASSAGEM. SHIATSU FACIAL E CORPORAL. MASSAGENS AYURVÉDICAS TÓPICO 3 – TERAPIA COM FLORAIS TÓPICO 4 – REFLEXOLOGIA: ESTUDO DOS ESTÍMULOS NOS PÉS QUE PRODUZEM UMA RESPOSTA REFLEXA NUM DETERMINA- DO ÓRGÃO DO CORPO HUMANO TÓPICO 5 – TERAPIAS ATUAIS DA ÁREA TÓPICO 6 – TRATAMENTOS OFERECIDOS POR UM SPA: ALGOTERA- PIA, ARGILOTERAPIA, BALNEOTERAPIA, MASSOTERAPIA 188 189 TÓPICO 1 CONCEITO E APLICAÇÃO DE CROMOTERAPIA. TERAPIAS DAS PEDRAS QUENTES E FRIAS. BAMBUTERAPIA UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO A cromoterapia, terapias com pedras quentes e frias e a bambuterapia são técnicas distintas, porém com objetivos similares. Essas terapias se encontram no sentido de equilibrar, tratar e melhorar de um modo alternativo e terapêutico a saúde e a beleza dos seres humanos. São técnicas que em suas particularidades trazem inovações aos protocolos convencionais de massoterapia e estética. 2 CONCEITO E APLICAÇÃO DE CROMOTERAPIA A natureza se manifesta através de muitas cores. Todos nós vivemos rodeados de cores, que vibram em tonalidades e matizes. Por isso, para algumas pessoas é uma surpresa descobrir que elas podem exercer um papel de cura. A palavra cromoterapia - cromo “cor” e terapia “tratamento curativo” - significa tratamento pela aplicação das cores, é a terapia que utiliza as cores do espectro solar para tratar e harmonizar o equilíbrio físico e energético em pontos específicos do corpo. A cromoterapia teve sua origem na Antiguidade; no Egito, por exemplo, a luz era utilizada como artifício terapêutico pelo Sol, onde os egípcios usavam o termo “luz ativadora de energia”, e a luz da Lua como “luz ativadora calmante”. Boa parte dos conhecimentos do Antigo Egito chegou à Grécia através dos filósofos helênicos que estudaram lá. Hipócrates, Galeno, entre outros filósofos gregos, também utilizavam a exposição dos raios solares para fins curativos, chamavam de Helioterapia, de Helios, “sol”. Alguns séculos adiante, no período chamado de Renascença, Leonardo da Vinci, pintor e inventor famoso pelo quadro “Monalisa”, empregou a luz do sol filtrada através de vidros coloridos para fins medicinais (BALZANO, 2002). Mas foi na Índia que a aplicação da cromoterapia teve as maiores contribuições para os dias de hoje, lá, foi o berço da cromoterapia como medicina holística, curando através dos pontos energéticos chamados de chakras. UNIDADE 3 | TRATAMENTOS OFERECIDOS POR SPA, CONCEITOS, APLICAÇÃO E TERAPIAS ATUAIS NA ÁREA 190 Os chakras são canais energéticos no corpo, sendo que cada ponto corresponde a uma área de cura, como você pode ver na ilustração a seguir, onde poderá observar que existe uma cor correspondente para cada chakra. Existem sete chakras, classificados em três superiores, três inferiores e um central. Olhando para a figura a seguir, de cima para baixo, vemos o chakra coronário, na região da cabeça; o frontal localizado no “terceiro olho” é o visual; o laríngeo é o da voz; o chakra central é o cardíaco, das emoções; dos inferiores, o primeiro é o chakra do plexo solar ou umbilical, o da força, o próximo é o sacro, da espiritualidade, e o último, o básico, do genital. FIGURA 31 - CHAKRAS FONTE: Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/colunas/energiaebonsfluidos/ ult602u92.shtml>. Acesso em: 20 jan. 2015. Se nos aprofundarmos na história da cromoterapia, voltaremos à Idade da Pedra, onde encontraremos registros de alquimia e cromoterapia, onde eles usavam flores de diferentes cores maceradas com pedras para tratar enfermidades. Mas foi somente depois da metade do século XX que o meio científico começou a estudar e a pesquisar as aplicações das cores no processo de cura, incluindo pesquisas na área de Física, Biologia e Química. Atualmente, continua sendo utilizada como terapia complementar às tradicionais, pois a comunidade científica ainda não a reconheceu como ciência (GERBER, 2002). Nesse site <http://pt.slideshare.net/projetacursosba/cromoterapia-8629513> você encontrará o livro digitalizado Cores para a vida e para a saúde, que vai te ajudar a compreender mais profundamente a cromoterapia. Boa leitura! DICAS TÓPICO 1 | CONCEITO E APLICAÇÃO DE CROMOTERAPIA. TERAPIAS DAS PEDRAS QUENTES E FRIAS. BAMBUTERAPIA 191 3 COMO FUNCIONA A CROMOTERAPIA A cromoterapia utiliza a cor para tratar diversos problemas, como mentais, emocionais, físicos e energéticos, restaurando a saúde e harmonizando as pessoas. A cor pode ser usada de formas muito diferentes. Você já deve ter estudado em citologia, ciência que estuda as células, que todas as células do corpo humano vibram em uma determinada frequência. Quando estamos saudáveis e em equilíbrio, a sequência e a vibração das nossas células permanecem constantes, mas uma deficiência na saúde a perturba, provocando desarmonia. Acredita-se que a escolha de uma cor que vibre na mesma frequência correta, restaurando assim o equilíbrio das células, inicie o processo de cura (LAVERY; SULLIVAN, 1998). A luz é uma energia eletromagnética e cada cor tem uma vibração e um comprimento de onda. Na cromoterapia, o cromoterapeuta trabalha com as cores que possuem espectros visíveis, como mostra a figura a seguir, as cores primárias e secundárias, que variam de violeta (menor comprimento) ao vermelho (maior comprimento). FIGURA 32 – ESPECTROS VISÍVEIS FONTE: Disponível em: <http://meioambiente.culturamix.com/natureza/por-que-o-ceu-parece- ser-azul>. Acesso em: 20 jan. 2015. Para você entender como se aplica a cromoterapia, precisa compreender o que cada cor representa, ou seja, para qual enfermidade, qual desequilíbrio e em qual chakra deve ser aplicada a cor. Vermelho: a cor vermelha remete aos glóbulos vermelhos, ao aumento da circulação sanguínea causando hiperemia, deixando a região avermelhada; está intimamente relacionada ao aumento de oxigênio no local de aplicação, logo, levando mais células de defesa para combater as infecções em tecidos não íntegros, UNIDADE 3 | TRATAMENTOS OFERECIDOS POR SPA, CONCEITOS, APLICAÇÃO E TERAPIAS ATUAIS NA ÁREA 192 ou seja, com alguma lesão. Energeticamente, a cor vermelha está relacionada ao chakra básico, ponto principal da sexualidade e base dos músculos e ossos, tem papel importante na medula óssea, onde ocorre a produção de novas células sanguíneas. Verde: a cor verde é a cor complementar do vermelho. O verde também é usado para regeneração de tecidos, mas não na intensidade de sua complementar vermelha. Ele trabalha a absorção de nutrientes pela célula, ajuda no surgimento e “renascimento” de novos tecidos. A cor verde acalma, remete ao estado de relaxamento, diferente do vermelho, que causa agitação. O verde penetra mais que o vermelho, por isso a sensação é menos excitante e estimulante. Energeticamente, o verde está diretamente conectado ao chakra cardíaco, do coração. Assim como a cor verde está no meio entre as cores frias e as cores quentes, o coração tambémestá parcialmente no meio do nosso membro superior e rege o funcionamento do nosso corpo. É a cor da cura. Devido a essa afinidade, os efeitos físico-químicos da luz violeta são semelhantes aos da radiação ultravioleta, com diferença somente na intensidade da ação (GASPAR, 2011). O chakra correspondente à cor violeta é o coronário, a região do cérebro que controla o medo, a ansiedade, as emoções e tudo relacionado aos pensamentos. Amarelo: é a cor do Sol, por isso está representando o chakra do plexo solar, engloba todos os órgãos e vísceras, tudo que corresponde ao movimento, como movimento peristáltico do intestino, produção de bílis na vesícula biliar e em outros sistemas. É o chakra e a cor da limpeza e purificação na bioenergética. Alguns autores e estudiosos relacionam o amarelo às gorduras, ao açúcar, correlacionando a cromoterapia para obesidade junto à cor violeta para ansiedade. Diferente do vermelho, o amarelo estimula, mas não causa irritação, por isso é muito utilizado para estimular o sistema nervoso e as funções mentais. Azul: a cor azul é uma cor que na verdade não existe, ela não é uma cor concreta. A física explica de maneira fácil: Violeta: É a luz visível de menor comprimento de onda e, portanto, a mais penetrante, podendo atingir as estruturas orgânicas em maior profundidade do que as outras cores. A luz violeta visível pelo olho humano tem uma quantidade variável de radiação ultravioleta misturada. Quanto maior o comprimento de onda (quanto mais próxima do azul estiver a luz), menor será a proporção de ultravioleta; quanto menor o comprimento de onda, maior a proporção de ultravioleta, até atingir o ponto em que esta radiação ocorre sem luz visível. FONTE: Adaptado de: <http://templopenaverde.com.br/wp-content/uploads/Cromoterapia.pdf>. Acesso em: 20 fev. 2015. TÓPICO 1 | CONCEITO E APLICAÇÃO DE CROMOTERAPIA. TERAPIAS DAS PEDRAS QUENTES E FRIAS. BAMBUTERAPIA 193 O ar e a água são incolores; entretanto, uma grande porção deles toma a cor azulada porque os raios de luz dessa cor são os que menos se desviam em relação ao observador ao atravessarem a extensão da atmosfera ou do leito do mar. É essa luz, selecionada desta forma, que nos dá a impressão de que a água e o ar são azuis; é ela que se reflete na neve branca, dando-lhe sombras azuladas (GASPAR, 2011, p. 94). O chakra da cor azul é o laríngeo, situado na garganta, onde passam o ar e o líquido. O azul é a cor da vontade, da clareza. Local onde encontramos a glândula tireoide, que regula todos os hormônios do nosso corpo. O azul é a cor da intuição. Laranja: essa cor é estimulante como o vermelho, mas com um toque de amarelo, trabalha a revitalização do corpo e da mente. O chakra correspondente é o sacro ou umbilical, situado bem no centro da bexiga, um pouquinho abaixo do umbigo. Com a cor laranja você poderá trabalhar problemas de baixo ventre, como fertilidade, intestino, aparelho urinário. É a cor do conforto corporal, da descontração e do prazer. Anil (violeta+azul): é o chakra central, o “terceiro olho”; corresponde à nossa atividade mental, excesso de energia, exagero nas atitudes e em atividades. A cromoterapia estabelece a ordem, desacelerando as atitudes tomadas sem pensar. Reorganiza pensamentos. 4 COMO SE APLICA A CROMOTERAPIA Você encontrará diferentes formas de aplicação da cromoterapia. Em geral, os cromoterapeutas utilizam uma fonte de luz proporcional a cada chakra e/ou desordem emocional, mental, física e energética, encontradas na anamnese, entrevista realizada previamente. Geralmente, está associada a outros procedimentos como terapia complementar. Não existe protocolo unificado, como você pode ver. Conhecendo cada cor e sua aplicação, você poderá personalizar seus atendimentos. A cromoterapia poderá ser feita com caneta própria para esse fim, onde você encontra um cristal na ponta e troca as lâminas de cores, conforme a Figura 33, ou esferas de vidro já coloridas, como na Figura 34. UNIDADE 3 | TRATAMENTOS OFERECIDOS POR SPA, CONCEITOS, APLICAÇÃO E TERAPIAS ATUAIS NA ÁREA 194 FIGURA 34 – ESFERAS DE VIDRO PARA CROMOTERAPIA Geralmente, aplica-se a cor cinco centímetros de distância do local durante cinco minutos em cada região, como na Figura 35. FIGURA 35 – APLICAÇÃO DA CROMOTERAPIA FIGURA 33 – CANETA PARA CROMOTERAPIA FONTE: Disponível em: <http://belezaloja.com/caneta-para- cromoterapia/bastao-cromatico-para-cromoterapia.html#>. Acesso em: 20 jan. 2015. FONTE: Disponível em: <http://www.estetikaecia.com/ produtos/0014/0004/Cromoterapia>. Acesso em 30 jan. 2015. FONTE: Disponível em: <http://holisticocromocaio.blogspot.com. br/2014/06/equilibrio-e-harmonia-aplicando.html>. Acesso em: 20 jan. 2015. Atualmente, existem artifícios modernos para aplicação de cromoterapia em spas e no domicílio do próprio cliente, como duchas e chuveiros com incidência de cores alternadas, como mostra a figura abaixo. TÓPICO 1 | CONCEITO E APLICAÇÃO DE CROMOTERAPIA. TERAPIAS DAS PEDRAS QUENTES E FRIAS. BAMBUTERAPIA 195 FIGURA 36 – CHUVEIRO COM INCIDÊNCIA DE CORES FONTE: Disponível em: <http://holisticocromocaio.blogspot. com.br/2014/06/equilibrio-e-harmonia-aplicando.html>. Acesso em: 20 jan. 2015. A cromoterapia, muitas vezes, é utilizada com outras terapias, como reflexologia, shiatsu, limpeza de pele, massagem relaxante, como complemento de protocolo. LEITURA COMPLEMENTAR As cores no ambiente de terapia intensiva: percepções de pacientes e profissionais Nélio Barbosa Boccanera Sulvia Fernandes Borges Boccanera Maria Alves Barbosa RESUMO A utilização das cores no ambiente da Unidade de Terapia Intensiva – UTI pode interferir no bem-estar dos profissionais e clientes. Este estudo teve como objetivo analisar percepções de profissionais e pacientes quanto às cores utilizadas no ambiente de terapia intensiva, identificando aquelas consideradas agradáveis e desagradáveis. Trata-se de pesquisa descritivo-exploratória, com enfoque quanti-qualitativo. A amostra foi constituída de clientes internados e profissionais que trabalham em três UTIs de hospitais públicos localizados em Goiânia. As cores consideradas mais agradáveis para serem utilizadas em UTI foram o azul-claro e o verde-claro. Além dessas, apontaram o amarelo-claro, palha, cinza, rosa e goiaba. O vermelho e o preto foram considerados as cores mais desagradáveis para um ambiente de UTI. Os profissionais e clientes têm preferência por cores variadas, as quais podem ser utilizadas no sentido de melhorar o clima da UTI. DICAS UNIDADE 3 | TRATAMENTOS OFERECIDOS POR SPA, CONCEITOS, APLICAÇÃO E TERAPIAS ATUAIS NA ÁREA 196 INTRODUÇÃO As cores exercem grande influência no ambiente, modificando-o, animando-o ou transformando-o, e assim, podem alterar a comunicação, as atitudes e a aparência das pessoas presentes, pois todos nós temos reações às cores. A utilização das cores para fins de cura é um processo não agressivo sobre o organismo, não é maléfica, não causa efeitos colaterais e não atua como agente de pressão sobre o corpo. A cromoterapia atua diretamente na base da doença, procurando restaurar o equilíbrio entre as energias vibratórias do corpo. A todo instante estamos em contato com as cores, elas fazem parte da vida e, sem elas, o mundo seria diferente. A cromoterapia é uma ciência que usa a cor para estabelecer o equilíbrio e a harmonia do corpo, da mente e das emoções, sendo utilizada pelo homem desde as antigas civilizações. Os egípcios adotaram o poder de cura do Sol e construíram templos adornados de cores e luz para os doentes. Os incas também adoravam o Sol. A mitologia considera a luz do espectro solar como fonte de longevidade, saúde e cura. Utilizado de forma adequada, hoje o Sol se constitui em um elemento que complementa a prevenção e cura das doenças, sendo então reconhecido como meio terapêutico. As pessoas sentem grande prazer coma cor e o olho necessita da cor tanto quanto da luz. Os métodos mais conhecidos de tratamento com a cromoterapia são os banhos de luz; entretanto, existem outros também eficazes. Existem cores de pigmento ou cores de luzes, estas originadas de corpos de luz própria, como o sol ou lâmpadas coloridas. Já as cores de superfície não possuem energia radiante, tornam-se visíveis graças à iluminação. O cuidado no processo de expressão estética das cores pode ser através da mente, das lâmpadas coloridas, da dieta, da água solarizada, da luz solar, nas vestimentas e no ambiente através da decoração. De acordo com os pressupostos teóricos, o ser humano é um todo unificado, o qual possui uma integridade individual e manifesta características que são mais e diferentes que a soma de suas partes. Também, o indivíduo e o ambiente estão continuamente trocando matéria e energia entre si, sendo o ambiente um campo de energia irredutível, pandimensional, identificados por padrões que integram o campo humano. Para ela, o processo de vida dos seres humanos evolui, irreversivelmente e em uma única direção, ao longo do espaço-tempo. Em relação aos padrões de vida, expõe que são a identificação dos indivíduos e o reflexo de sua totalidade. Colocando ainda que o ser humano caracteriza-se pela capacidade de abstração e visualização, linguagem e pensamento, sensibilidade e emoção. A natureza está sempre em busca de equilíbrio, a nossa existência é caracterizada por dualidades, havendo o masculino e o feminino, o positivo e o negativo, o claro e escuro, dentre outros contrastes. Nas cores também existem as polaridades, como cores frias e cores quentes. O vermelho é considerado cor quente e o azul, cor fria. Quanto mais quente for considerada a cor, mais vermelho ela contém. Quanto mais fria, mais azul ela possui, sendo esta consideração simbólica, mas real, quando aplicada à cura. TÓPICO 1 | CONCEITO E APLICAÇÃO DE CROMOTERAPIA. TERAPIAS DAS PEDRAS QUENTES E FRIAS. BAMBUTERAPIA 197 Na área de saúde a aplicação de cores precisa ser adequada para transmitir a sensação de maior bem-estar para o paciente, família e profissionais. Trabalhos científicos já verificaram a influência da estética do ambiente, no bem-estar geral dos pacientes e da equipe médica, apontando para a importância de cores dentro do ambiente da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), que se não utilizadas adequadamente, podem contribuir como fator de estresse. A questão da estética é um caminho a considerar e que preconiza o cuidado atribuído às condições do ambiente. Os profissionais de saúde devem procurar implantar medidas que favoreçam a promoção do bem-estar físico e emocional deles mesmos, assim como da sua equipe, dos pacientes e familiares, incluindo a melhoria no ambiente de trabalho, onde é fundamental a preocupação com as cores neste local. Entretanto, percebe-se que a escolha da cor a ser utilizada no ambiente hospitalar, e especialmente nas Unidades de Terapia Intensiva, não se baseia na preferência daqueles que se inter-relacionam neste meio. Deste modo, considera-se oportuno investigar quais são as cores consideradas agradáveis e desagradáveis por parte de profissionais e clientes, verificando, inclusive, se estas coincidem ou não com aquelas presentes nos ambientes de UTI. A preocupação com a utilização adequada das cores para os ambientes, inclusive na Unidade de Terapia Intensiva, deveria existir já no processo de construção dos hospitais. Para os pacientes internados e profissionais que ali trabalham, a UTI é um espaço restrito, único, pequeno e tenso, o que interfere no estado emocional do indivíduo, levando ao desgaste geral do organismo e, consequentemente, provocando estresse. Isto, vendo o fato de permanecer durante horas em uma área de muito sofrimento e pouco atrativa em termos de decoração. O contato apenas com cores monótonas ou que lembram doenças, morte, pode interferir nas questões físicas e nos aspectos emocionais e psicológicos, tanto de forma consciente quanto inconsciente. Desta forma, a harmonia das cores nos mobiliários, roupas, paredes, piso, teto e na decoração dos serviços de saúde é relevante, especialmente se considerarmos o período de internação da maioria dos pacientes e de trabalho dos profissionais. Apesar de ser reconhecida a importância das cores na vida das pessoas, poucos trabalhos referentes à aplicação de cores no ambiente hospitalar foram encontrados na literatura, onde quase sempre o indivíduo sofre de várias privações sensoriais, entre elas a agradabilidade visual. Artifícios simples, como a aplicação de cor adequada ao ambiente, podem amenizar o estado de estresse das pessoas internadas ou que trabalham em Unidades de Terapia Intensiva, justificando a realização de estudos que se preocupem com essa temática. RESULTADOS E DISCUSSÃO As cores exercem influência sobre as emoções e sentimentos. Podemos experimentar sensações de tristeza, alegria ou apreensão. As mudanças emocionais podem desencadear-se de acordo com a associação que fazemos com as cores, UNIDADE 3 | TRATAMENTOS OFERECIDOS POR SPA, CONCEITOS, APLICAÇÃO E TERAPIAS ATUAIS NA ÁREA 198 provocando também reações espontâneas, não pensadas. Por isso, quando se usam cores certas, o equilíbrio e a harmonia são gradativamente restaurados. O objetivo do cuidado utilizando as cores no indivíduo e no meio ambiente é a busca da harmonia das energias das cores nestes. A participação de técnicos de enfermagem no estudo foi de 44%, seguida de um percentual de 28% de pacientes, 19% de enfermeiros, 11% de médicos e 6% de outros profissionais. É importante que o ambiente apresente-se agradável a quem nele permanece. As cores consideradas mais agradáveis pelos pacientes e pelos profissionais que atuam em UTI foram o azul claro, o verde claro e o branco, conforme relatos a seguir: Branco e azul, bem claro, transmitem harmonia; é menos pesado. Cores claras, o azul do relógio. O branco do teto. O azul claro é agradável, não há azul claro. A cor branca está associada, entre outros aspectos, à simplicidade, limpeza, paz, pureza, harmonia, estabilidade. O verde é uma cor fria, aliviando e acalmando tanto física quanto mentalmente. Pode, primeiramente, exercer um efeito benéfico, mas depois de algum tempo torna- se fatigante. É a cor do nitrogênio, um dos componentes mais presentes na atmosfera, ajuda a formar os músculos, os ossos e as células de outros tecidos. O verde atua sobre o sistema nervoso simpático, além de aliviar a tensão dos vasos sanguíneos e diminuir a pressão arterial. Ele é considerado como uma cor tranquilizante, no ambiente de trabalho poderá ajudar na redução do estresse, porém deve ser utilizado com cautela, porque com o tempo pode tornar-se cansativo. É conveniente pintar as paredes de azul em locais sujeitos a muita tensão, atritos e desavenças, pois esta cor proporciona um ambiente calmo e organizado em residências ou locais de trabalho. O azul é indicado para hospitais e clínicas, entretanto, pode tornar o ambiente frio, por isto deve ser usado com cuidado e discernimento. Além disso, a cor azul reduz o estresse e a tensão, podendo, também, induzir ao sono e à depressão. A cor azul é, de todas as cores, a mais tranquilizadora. Faz com que o cérebro secrete 11 hormônios neurotransmissores que possuem ação tranquilizante. Esses hormônios são sinais químicos que podem atuar acalmando todo o corpo. A cor azul claro foi referida por 26% dos profissionais e 29% dos pacientes, o branco por 23% e 29%, o verde claro 20% e 14%, o amarelo claro 8% e 7% e palha 5% e 7%, respectivamente. Outras cores também foram citadas pelos profissionais, como: bege (12%) e pêssego, cinza claro, rosa, vinho e goiaba, totalizando 2% das opiniões. Os pacientes referiram ainda as cores: cinza (7%) e laranja (7%). O discurso dos sujeitos demonstra sua preferência de cores: TÓPICO 1 | CONCEITO E APLICAÇÃO DE CROMOTERAPIA. TERAPIAS DASPEDRAS QUENTES E FRIAS. BAMBUTERAPIA 199 O laranja e amarelo como contraste. A cor palha dá ideia de profundidade. Amarelo para chamar a atenção. O bege da parede é melhor que branco. O branco é muito neutro. São agradáveis o bege da parede, o azul do respirador e o verde do bird. Um espaço com amarelo torna-se quente e expansivo, ativando a mente e abrindo-a para novas ideias. A cor amarela torna a pessoa mais sensível à consciência e deixando-a mais alerta. Além disso, auxilia também aqueles que possuem dificuldade para aprendizagem. Aplicado em passagens, corredores e lugares onde existe pouca luz, o amarelo pode proporcionar uma sensação de maior espaço. A cor amarela influencia o sistema nervoso simpático e parassimpático, aumenta a pressão arterial, pulsação e respiração, tal como o vermelho, embora de forma menos estável. Veículos (principalmente avião) com o interior pintado de amarelo produzem enjoo nos passageiros. É também considerado como um restaurador dos nervos. A vivacidade, a alegria, o desprendimento e a leveza estão relacionados à cor amarela. Produzindo relaxamento, desinibição, brilho, reflexibilidade, alegria espirituosa e espiritualidade. Age como antidistônica, levando a um grau de equilíbrio entre o sistema nervoso simpático e parassimpático. Aumenta a pressão arterial, reduzindo a produção de ácidos graxos. O laranja é uma cor que também aumenta o apetite, mas induz o relaxamento e aumenta o potencial para o sono, ao diminuir a frequência do fluxo sanguíneo. Atualmente, nos hospitais percebe-se a necessidade de mudanças e preocupação em alegrar os ambientes. Os tons pálidos de cinza, assim como o branco e o creme, juntos com uma cor vibrante, realçam as cores, podendo ser eficazes no ambiente hospitalar. Dependendo das características do ambiente, seus cheiros, suas cores e a decoração, podem tornar o local desagradável. Quanto a isto, foram encontradas opiniões diversas, as quais são apresentadas a seguir: Preto, vermelho e branco cansam. Desde que haja outras cores compondo, o branco pode ser usado fazendo parte do contraste. Jamais pintar uma parede de branco. São desagradáveis o roxo, o preto e todas as cores escuras, com exceção do vermelho para algumas coisinhas. Cores fortes, escuras e pesadas como verde e marrom. Cores com tons fortes, preto, vermelho e amarelo ouro. Branco sozinho. O preto do rodapé não agrada. O piso chumbo com preto que está na copa e no vestuário. A cor preta possui o espectro de cor completa e está associada à sujeira, sombra, enterro, morte e fim, podendo despertar sentimentos de maldade, miséria, UNIDADE 3 | TRATAMENTOS OFERECIDOS POR SPA, CONCEITOS, APLICAÇÃO E TERAPIAS ATUAIS NA ÁREA 200 pessimismo, dor, temor, negação, melancolia e angústia. Se utilizado com outra cor torna-se imponente. Porém, pode induzir à indiferença, inacessibilidade e prepotência ao extremo. Em relação à utilização do vermelho no ambiente, os tons escuros podem ativar a violência contida nas pessoas, excita as tendências básicas, estimulando o indivíduo a agir antes de pensar. Por estimular o apetite e fazer a pessoa perder a noção de tempo, são utilizados em restaurantes, bares, teatros e cassinos. O excesso de amarelo pode levar à indigestão, gastrites e úlceras gástricas. As cores bege, branca, cinza e rosa, que aparecem como agradáveis no gráfico 2, também foram consideradas desagradáveis por algumas pessoas, como mostra o gráfico 3 e os relatos a seguir: O bege escuro da parede é uma cor mais forte, se ficar olhando direto cansa. É a cor do corredor, não seria ideal para o quarto dos pacientes, mas é bom para os funcionários. As cores na UTI sempre têm cinza e branco, cores mortas, horrível. Bege na parede é melhor que branco. O branco é muito neutro. Outras cores são melhores, comparadas ao branco. A literatura refere que um ambiente totalmente branco é tão atemorizador quanto um preto. Quando se trabalha com ansiedade e preocupação, qualquer cor no ambiente com os tons quentes e fortes potencializa esses sentimentos, e devem ser evitadas. Uma parede vermelha pode deixar as pessoas mais ansiosas e irritadas. Sendo assim, um estímulo pode se tornar estressor em função da interpretação e do significado que o indivíduo atribui. As cores azul claro, verde claro, amarelo claro e palha foram consideradas por profissionais e pacientes como as mais agradáveis e, além disso, destacadas como aquelas que gostariam de estar em contato dentro do ambiente da UTI. Cinza bem claro, pois é uma cor agradável. Que tivesse algumas cores que puxassem para o verde. Nos quartos poderia ter alguma cor verde. Detalhes coloridos, principalmente tendo o verde no ambiente. Verde água nos lençóis. Dentro dos tons claros alternar azul e verde claro. O verde atua no sistema nervoso como sedativo e colabora com pessoas com insônia, esgotamento e irritação. Age como harmonizador emocional e estimulante da pituitária. Além de reduzir a pressão sanguínea, a cor azul inibe a descarga de adrenalina e age como hipnótico sobre o sistema nervoso central, estimula atividades intelectuais e a meditação. É uma cor passiva, concêntrica, perceptiva, sensível, incorporativa e TÓPICO 1 | CONCEITO E APLICAÇÃO DE CROMOTERAPIA. TERAPIAS DAS PEDRAS QUENTES E FRIAS. BAMBUTERAPIA 201 unificadora, representa suavidade, tranquilidade e ternura, trazendo segurança e paz. Os pacientes referiram preferência também pela cor laranja (8%). A utilização desta cor no ambiente estimula as pessoas a despertar para os seus potenciais, se tornando mais confiantes. Estimula a comunicação, a criatividade, a afetividade e a vitalidade. Quando uma pessoa é exposta ao vermelho há um sinal químico que vai da glândula pituitária até a glândula adrenal, havendo a liberação de epinefrina e causando alterações fisiológicas com efeitos metabólicos, isto acarreta aumento da pressão sanguínea, do pulso, da frequência respiratória, do apetite e do olfato, há uma predominância do sistema nervoso autônomo e as reações tornam-se automáticas. A cor branca, considerada uma das mais agradáveis e que deveria existir na UTI, não aparece com um percentual significativo, talvez por estar presente com maior frequência nos ambientes hospitalares. CONSIDERAÇÕES FINAIS As cores possuem significados próprios de acordo com cada indivíduo, grupo, país e cultura, fazendo com que sejam relacionadas a sentimentos, comportamentos, ações, experiências, ambientes ou acontecimentos específicos de seu passado. Em decorrência disto, o cuidado através das cores é um processo individualizado, observando a necessidade de cada pessoa e as diferentes formas de reação às cores. Cada cor produz um efeito no ser humano, interferindo no físico e, dependendo do espectro, influenciando na mente e na emoção. Na área da saúde, a influência das cores no ambiente terapêutico já vem se configurando como uma preocupação. Os profissionais que se encontravam trabalhando e os pacientes internados nas Unidades de Terapia Intensiva referiram que as cores mais agradáveis e presentes neste ambiente eram o azul claro, o branco e o verde claro. Além das cores existentes, apontaram as cores amarelo claro, palha, cinza, rosa e goiaba como aquelas que também gostariam de estar em contato no ambiente da UTI. Cores como o preto e o vermelho foram consideradas, tanto por pacientes quanto por profissionais, como desagradáveis e impróprias para a UTI. Além disso, alguns clientes referiram que a cor branca, usualmente utilizada nos serviços de saúde, torna-se desagradável dentro do ambiente de terapia intensiva. A cor é um evento que pode estar sendo ou não interpretado e significado pelo indivíduo. Tanto em um como em outro momento a cor pode ser um fator estressor. Pois ela pode estar agindo como um estímulo insistente sobre a pessoa causando estresse pela sua constância. Se considerarmos que as pessoas passam grande parte de suas vidasno ambiente de trabalho, os serviços de saúde também deveriam se preocupar com as questões relativas às cores e à estética deste local. Além disso, um ambiente agradável pode UNIDADE 3 | TRATAMENTOS OFERECIDOS POR SPA, CONCEITOS, APLICAÇÃO E TERAPIAS ATUAIS NA ÁREA 202 5 CONCEITO E APLICAÇÃO DE PEDRAS QUENTES E FRIAS Quando nos referimos à técnica terapêutica de pedras quentes e frias, estamos falando objetivamente do sistema de termoterapia, o tratamento pelo quente e pelo frio. Quando usamos temperaturas alternadas em diferentes regiões do corpo, conseguimos produzir reações fisiológicas e orgânicas, pois nosso corpo trabalha para manter a homeostasia, ou seja, o equilíbrio perfeito de suas funções. A terapia de pedras quentes e frias é pura e simplesmente uma técnica que usa as pedras como meio de propagar temperaturas que podem ser quentes e frias, com objetivos terapêuticos e de relaxamento. Antes de aplicar essa terapia, você precisa ter profundo conhecimento de geologia, principalmente em relação às pedras; cada pedra tem uma característica particular, e seu uso é bem antigo. A terapia de utilizar pedras em temperaturas diferentes nasceu no Oriente há aproximadamente dois mil anos; os monges tibetanos aplicavam a técnica da terapia com pedras quentes sob o abdome nos períodos de jejum para acalmar o sistema digestório e diminuir a sensação de vazio provocada pela fome. As pedras utilizadas para a técnica de pedras quentes são diferentes das pedras utilizadas para a aplicação da terapia com pedras frias. As pedras quentes são de origem vulcânica (figura a seguir), localizadas na parte mais baixa dos vulcões, a geologia chama essas pedras de pedras plutônicas. Por se localizarem na parte mais baixa, elas resfriaram lentamente ao longo dos anos, permitindo uma constituição ideal de armazenamento de calor, emitindo a temperatura até 4 cm abaixo da pele, explicando assim seus efeitos térmicos sobre o sistema do nosso corpo. amenizar sensações de dor, sofrimento, tristeza e preocupação, as quais acompanham a maioria dos clientes que necessitam permanecer internados nas unidades de assistência à saúde. Por fim, na Unidade de Terapia Intensiva as pessoas não são insensíveis às cores, profissionais e pacientes descrevem, segundo suas próprias percepções, as sensações transmitidas pelas cores neste ambiente. Os ambientes animados e inanimados estão unificados pelos campos de energias, estes são abertos, fazendo com que haja troca entre eles. Sendo assim, especial atenção necessita ser voltada à aplicação de cores e suas diferentes tonalidades no setor da UTI, considerando, inclusive, que as cores com seus campos de onda não somente decoram, mas também podem contribuir para o bem-estar das pessoas que estão em contato com este ambiente. FONTE: Adaptado de: <http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v40n3/v40n3a04>. Acesso em: 2 fev. 2015. http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v40n3/v40n3a04 TÓPICO 1 | CONCEITO E APLICAÇÃO DE CROMOTERAPIA. TERAPIAS DAS PEDRAS QUENTES E FRIAS. BAMBUTERAPIA 203 FIGURA 37 – PEDRAS QUENTES FONTE: Disponível em: <http://harmoniearomaterapia.com.br/ loja/kit-de-pedras-quentes-vulcanicas/>. Acesso em: 20 jan. 2015. Para a terapia de pedras frias, o terapeuta utiliza pedras derivadas do mármore. O mármore é uma rocha metamórfica, devido às mudanças químicas do calcário. O mármore não é um bom condutor de calor, por isso ele passa a sensação térmica de que está sempre frio, pois a taxa de transferência de calor é muito rápida e ele mantém o calor longe da pele. Devido à reação química com o calcário, as pedras frias podem ter cores e tonalidades diferentes (figura a seguir). A higienização das pedras é muito simples: você pode lavá-las com água e sabão e friccionar álcool 70% e esperar secar, e depois é só guardar numa embalagem longe de umidade. FIGURA 38 – PEDRAS FRIAS FONTE: Disponível em: <http://loja.relogiomagico.com.br/ produtos.asp?produto=215>. Acesso em: 20 jan. 2015. 6 TÉCNICA DE APLICAÇÃO A técnica de pedras quentes e frias envolve uma massagem para aliviar a tensão muscular e utiliza como veículo cosmético óleo vegetal para melhor deslizamento das pedras. DICAS UNIDADE 3 | TRATAMENTOS OFERECIDOS POR SPA, CONCEITOS, APLICAÇÃO E TERAPIAS ATUAIS NA ÁREA 204 FIGURA 39 – AQUECIMENTO DAS PEDRAS FONTE: Disponível em: <http://sp.quebarato.com.br/santo-andre/ massagem-co-pedras-quentes__1FE48B.html>. Acesso em: 20 jan. 2015. As pedras têm que estar numa temperatura agradável à sua mão e à pele do cliente. Você irá executar manobras de massagem clássica corporal de deslizamento superficial sobre as costas do cliente (grande dorsal), com movimentos lentos e sincronizados. Quando você identificar pontos de tensão, retire uma nova pedra da água ou da bolsa térmica e coloque sobre o ponto, como mostra a figura a seguir. FIGURA 40 – APLICAÇÃO DAS PEDRAS QUENTES FONTE: Disponível em: <http://www.projetoalimente.com.br/wp- content/uploads/2014/02/pedras-quentes.jpg>. Acesso em: 20 jan. 2015. Antes de qualquer procedimento, você deverá realizar a anamnese, uma entrevista para identificar as verdadeiras necessidades do seu cliente. Primeiramente, depois de todo o ambiente preparado, você terá que aquecer as pedras em recipiente próprio, que poderá ser uma panela específica ou uma embalagem térmica, encontrada em casas especializadas em produtos e equipamentos para massagens, como mostra a figura abaixo. TÓPICO 1 | CONCEITO E APLICAÇÃO DE CROMOTERAPIA. TERAPIAS DAS PEDRAS QUENTES E FRIAS. BAMBUTERAPIA 205 Depois que o calor das pedras relaxar os músculos, alterne pedras quentes e frias para estimular o organismo a regular a temperatura do local, melhorando assim a circulação e devolvendo a tonicidade e revitalização. Verifique sempre a temperatura das pedras, você deve pedir para seu cliente segurá-las, tocá-las, pois cada pessoa reage de uma forma ao calor, o que pode estar adequado para você pode estar extremamente quente para o cliente. Verifique também se as pedras estão lisas e livres de ranhuras, para não causar lesões e desconforto ao seu cliente. 7 CONCEITO E APLICAÇÃO DE BAMBUTERAPIA Para os chineses, o bambu tem um significado de flexibilidade e força. O bambu foi utilizado na massagem primeiramente com efeito relaxante, pois o veículo cosmético utilizado era óleo quente, ou seja, o mesmo efeito descongestionante dos músculos através da termoterapia, o uso do calor e do frio. Atualmente, os profissionais vêm empregando a bambuterapia como uma “ajuda”, substituindo as mãos em manobras rápidas e rítmicas na massagem estética, em manobras clássicas, como deslizamento profundo, por exemplo. A bambuterapia foi criada por um fisioterapeuta francês chamado Gill Amsallem. No 14º Congresso Internacional de Estética, em agosto de 2006, no Rio de Janeiro, ele apresentou essa técnica, e teve grande sucesso nas clínicas de estética e spas do Brasil. Também conhecida como Bamboo Massage, consiste num jogo de bambus, de diferentes tamanhos, como mostra a figura abaixo, onde você poderá criar diferentes protocolos dentro da massagem clássica. FIGURA 41 – BAMBUS DE DIFERENTES TAMANHOS FONTE: Disponível em: <http://www.fisiofernandes.com.br/kit- bambu-com-12-pecas-lixado.html#.VNlK5CjM7N4>. Acesso em: 20 jan. 2014. IMPORTANT E UNIDADE 3 | TRATAMENTOS OFERECIDOS POR SPA, CONCEITOS, APLICAÇÃO E TERAPIAS ATUAIS NA ÁREA 206 8 APLICAÇÃO DA TÉCNICA Os bambus possuem diferentes tamanhos e diâmetros, eles podem ser vistos como mais uma alternativa de complementar uma massagem; podem ser usados tanto na massagem facial (Figura 42) como também na corporal. Cabe a você se identificar e escolher qual técnica manual irá substituir pelo bambu. Normalmente, se utiliza o bambu para técnicas de relaxamento alternando com a massagem manual. A sensação é prazerosa e diferente