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3 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
 
3 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
1º Simulado OAB 
 
Código de Ética e Estatuto da OAB 
Priscila Ferreira 
Questão 01. 
Maria é uma influenciadora digital, formada em 
Jornalismo e Direito, e exercendo ambas as 
profissões, publica, em seu espaço jornalístico, 
alegações forenses por ela apresentadas em juízo. 
Inclusive, foi procurada por outros profissionais do 
Direito para também apresentar os trabalhos dos 
colegas mediante uma boa remuneração. No 
entanto, alegou que o espaço é exclusivamente 
dedicado à divulgação dos seus próprios trabalhos 
forenses. 
À luz das normas estatutárias, é correto afirmar que a 
divulgação promovida por Maria: 
a) caracteriza uma infração disciplinar punível com 
censura. 
b) é perfeitamente justificável, por ser pertinente a outra 
profissão. 
c) caracteriza uma infração disciplinar punível com 
suspensão. 
d) caracteriza uma infração disciplinar punível com 
exclusão. 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
No caso apresentado, temos que: Maria é uma 
influenciadora digital, formada em Jornalismo e Direito. 
Exercendo ambas as profissões, publica, em seu espaço 
jornalístico, alegações forenses por ela apresentadas em 
juízo. 
Questionamento: As publicações das alegações forenses 
caracterizam infração disciplinar? 
Segundo o art. 34, inciso XIII e art. 36, inciso I do EAOAB, 
as publicações das alegações forenses caracterizam 
infração disciplinar punível com censura, como se 
observa: 
“Art. 34. Constitui infração disciplinar: XIII - fazer publicar 
na imprensa, desnecessária e habitualmente, alegações 
forenses ou relativas a causas pendentes. 
Art. 36. A censura é aplicável nos casos de: 
I - infrações definidas nos incisos I a XVI e XXIX do art. 34” 
Letra A (item árvore: 12.1) 
CORRETA 
Segundo o art. 34, inciso XIII e art. 36, inciso I do EAOAB, 
as publicações das alegações forenses caracterizam 
infração disciplinar punível com censura. 
Letra B (item árvore: 12.1) 
INCORRETA 
Na verdade, é infração disciplinar punível com censura 
(art. 34, inciso XIII e art. 36, inciso I do EAOAB). 
Letra C (item árvore: 12.1) 
INCORRETA 
É punível com censura (art. 36, inciso I do EAOAB). 
Letra D (item árvore: 12.1) 
INCORRETA 
É punível com censura (art. 36, inciso I do EAOAB). 
Comentário Curto 
Gabarito: Letra A 
Segundo o art. 34, inciso XIII e art. 36, inciso I do EAOAB, 
fazer publicar na imprensa, desnecessária e 
habitualmente, alegações forenses ou relativas a causas 
pendentes caracteriza infração disciplinar punível com 
censura. 
 
Questão 02. 
O escritório Beta e Gama Advogados Associados, 
especializado em advocacia trabalhista e criminal, foi 
alvo de medida cautelar de busca em apreensão, 
determinada por juiz criminal, no âmbito de ação penal 
em que diversos clientes do escritório figuravam como 
acusados. O caso criminal possuía grande notoriedade. 
O magistrado fundamentou a decisão de deferimento da 
medida de busca e apreensão apontando a gravidade 
dos crimes, bem como a impossibilidade de obtenção, 
por outros meios, de prova dos crimes por eles 
praticados. Com base na situação hipotética 
apresentada, assinale a alternativa correta. 
a) A inviolabilidade de escritórios de advocacia é relativa, 
podendo-se determinar medida de busca e apreensão 
em seu interior quando houver indícios de autoria e 
materialidade da prática de crime por parte de advogado 
que ali trabalhe, sendo permitida a utilização de 
documentos, das mídias e dos objetos pertencentes a 
todos os clientes do advogado. O mandato deve ser 
cumprido na presença de representante da OAB. 
b) A inviolabilidade de escritórios de advocacia é relativa, 
podendo-se determinar medida de busca e apreensão 
4 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
em seu interior quando houver indícios de autoria e 
materialidade da prática de crime por parte de advogado 
que ali trabalhe, sendo, no entanto vedada a utilização 
de documentos, das mídias e dos objetos pertencentes a 
clientes do advogado investigado, quando os mesmos 
não estejam, por sua vez, sob formal investigação. O 
mandato deve ser cumprido na presença de 
representante da OAB. 
c) A inviolabilidade de escritórios de advocacia é relativa, 
podendo-se determinar medida de busca e apreensão 
em seu interior quando houver indícios de autoria e 
materialidade da prática de crime por parte de advogado 
que ali trabalhe, sendo permitida a utilização de 
documentos, das mídias e dos objetos pertencentes a 
todos os clientes do advogado. O mandato não precisa 
ser cumprido na presença de representante da OAB. 
d) A inviolabilidade de escritórios de advocacia é relativa, 
podendo-se determinar medida de busca e apreensão 
em seu interior quando houver indícios de autoria e 
materialidade da prática de crime por parte de advogado 
que ali trabalhe, sendo, no entanto vedada a utilização 
de documentos, das mídias e dos objetos pertencentes a 
clientes do advogado investigado, quando os mesmos 
não estejam, por sua vez, sob formal investigação. O 
mandato não precisa ser cumprido na presença de 
representante da OAB. 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
A questão trata da inviolabilidade do escritório do 
advogado, a qual encontra fundamento no art. 7º, inciso 
II e § 6º e 7º do EAOAB, como se observa: 
“II - a inviolabilidade de seu escritório ou local de 
trabalho, bem como de seus instrumentos de trabalho, 
de sua correspondência escrita, eletrônica, telefônica e 
telemática, desde que relativas ao exercício da 
advocacia. 
§ 6º - Presentes indícios de autoria e materialidade da 
prática de crime por parte de advogado, a autoridade 
judiciária competente poderá decretar a quebra da 
inviolabilidade de que trata o inciso II do caput deste 
artigo, em decisão motivada, expedindo mandado de 
busca e apreensão, específico e pormenorizado, a ser 
cumprido na presença de representante da OAB, sendo, 
em qualquer hipótese, vedada a utilização dos 
documentos, das mídias e dos objetos pertencentes a 
clientes do advogado averiguado, bem como dos demais 
instrumentos de trabalho que contenham informações 
sobre clientes. 
§ 7º - A ressalva constante do § 6º deste artigo não se 
estende a clientes do advogado averiguado que estejam 
sendo formalmente investigados como seus partícipes 
ou co-autores pela prática do mesmo crime que deu 
causa à quebra da inviolabilidade.” 
Neste sentido, a inviolabilidade atinge não só a figura do 
advogado, como também a do cliente, uma vez que 
garante a liberdade de defesa e o sigilo profissional 
frente à figura do próprio cliente. 
O STJ equiparou o escritório profissional à residência 
para fins da inviolabilidade, ou seja, além de ser uma 
prerrogativa específica do exercício profissional, ainda 
possui força de garantia constitucional. 
A inviolabilidade não é absoluta, logo, em determinadas 
hipóteses poderá ter a sua “quebra”, quando observados 
os seguintes requisitos: 
- Indícios de autoria e materialidade de crime praticado 
por advogado; 
- Existência de Mandado de busca e apreensão por 
autoridade competente, em sede de decisão 
fundamentada; 
- O mandato deve ser cumprido na presença de 
representante da OAB. 
Em qualquer hipótese, torna-se vedada a utilização dos 
documentos, das mídias e dos objetos pertencentes a 
clientes do advogado averiguado, bem como dos demais 
instrumentos de trabalho que contenham informações 
sobre clientes. 
No entanto, tal vedação não se estende a clientes do 
advogado averiguado que estejam sendo formalmente 
investigados como seus partícipes ou coautores pela 
prática do mesmo crime que deu causa à quebra da 
inviolabilidade. 
Letra A (item árvore: 5.1) 
INCORRETA 
Na verdade, é vedada a utilização de documentos, das 
mídias e dos objetos pertencentes a clientes do 
advogado investigado, quando os mesmos não estejam, 
por sua vez, sob formal investigação (art. 7º, § 6º e 7º do 
EAOAB). 
Letra B (item árvore: 5.1) 
CORRETA 
É a previsãodo art. 7º, inciso II, § 6º e 7º do EAOAB, veja: 
“Art. 7º São direitos do advogado: II – a inviolabilidade 
de seu escritório ou local de trabalho, bem como de seus 
instrumentos de trabalho, de sua correspondência 
5 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
escrita, eletrônica, telefônica e telemática, desde que 
relativas ao exercício da advocacia. 
§ 6º - Presentes indícios de autoria e materialidade da 
prática de crime por parte de advogado, a autoridade 
judiciária competente poderá decretar a quebra da 
inviolabilidade de que trata o inciso II do caput deste 
artigo, em decisão motivada, expedindo mandado de 
busca e apreensão, específico e pormenorizado, a ser 
cumprido na presença de representante da OAB, sendo, 
em qualquer hipótese, vedada a utilização dos 
documentos, das mídias e dos objetos pertencentes a 
clientes do advogado averiguado, bem como dos demais 
instrumentos de trabalho que contenham informações 
sobre clientes. 
§ 7º - A ressalva constante do § 6º deste artigo não se 
estende a clientes do advogado averiguado que estejam 
sendo formalmente investigados como seus partícipes 
ou co-autores pela prática do mesmo crime que deu 
causa à quebra da inviolabilidade.”. 
Letra C (item árvore: 5.1) 
INCORRETA 
Na verdade, é vedada a utilização de documentos, das 
mídias e dos objetos pertencentes a clientes do 
advogado investigado, quando os mesmos não estejam, 
por sua vez, sob formal investigação. O mandato deve 
ser cumprido na presença de representante da OAB (art. 
7º, § 6º e 7º do EAOAB). 
Letra D (item árvore: 5.1) 
INCORRETA 
O mandato deve ser cumprido na presença de 
representante da OAB (art. 7º, § 6º do EAOAB). 
Comentário Curto 
Gabarito: Letra B. 
De acordo com o art. 7º, inciso II do EAOAB, é direito do 
advogado a inviolabilidade de seu escritório ou local de 
trabalho, bem como de seus instrumentos de trabalho, 
de sua correspondência escrita, eletrônica, telefônica e 
telemática, desde que relativas ao exercício da 
advocacia. 
 
Questão 03. 
A advogada Júlia pretende substabelecer os poderes que 
lhe foram conferidos pelo seu cliente José, sem reserva 
de poderes, pois pretende realizar uma longa viagem 
para a sua cidade natal, sem saber a data do retorno, não 
pretendendo manter compromissos profissionais por 
pelo menos 2 anos. 
À luz das normas do Código de Ética, assinale a 
alternativa correta. 
a) tal ato só pode ser realizado por tempo determinado. 
b) tal ato deve implicar na devolução dos honorários 
pagos antecipadamente pelo cliente. 
c) tal ato não necessita do conhecimento do cliente por 
ser ato privativo. 
d) tal ato ser comunicado ao cliente de modo inequívoco. 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
O enunciado dispõe que a advogada Júlia pretende 
substabelecer os poderes que lhe foram conferidos pelo 
seu cliente José, sem reserva de poderes, pois pretende 
realizar uma longa viagem para a sua cidade natal, sem 
saber a data do retorno, não pretendendo manter 
compromissos profissionais por pelo menos 2 anos. 
Questionamento: O ato pode ser realizado? 
Segundo o art. 24 do CED, o substabelecimento do 
mandato, com reserva de poderes, é ato pessoal do 
advogado da causa. Já o substabelecimento do mandato 
sem reservas de poderes exige o prévio e inequívoco 
conhecimento do cliente. 
Assim, podemos concluir que o ato pode ser realizado, 
mas exige o prévio e inequívoco conhecimento do 
cliente. 
Letra A (item árvore: 7.1) 
INCORRETA 
Em verdade, pode ser realizado por tempo 
indeterminado. 
Letra B (item árvore: 7.1) 
INCORRETA 
Não implica em devolução dos honorários pagos 
antecipadamente pelo cliente. 
Letra C (item árvore: 7.1) 
INCORRETA 
O ato deve ser comunicado ao cliente de modo 
inequívoco. 
Letra D (item árvore: 7.1) 
CORRETA 
É a previsão do art. 24, §1º do CED, como se observa: 
6 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
“Art. 24. O substabelecimento do mandato, com reserva 
de poderes, é ato pessoal do advogado da causa. 
§1º O substabelecimento do mandato sem reservas de 
poderes exige o prévio e inequívoco conhecimento do 
cliente.” 
Comentário Curto 
Gabarito: Letra D. 
A questão encontra fundamento no art. 24, §1º do CED, 
como se observa: 
“Art. 24. O substabelecimento do mandato, com reserva 
de poderes, é ato pessoal do advogado da causa. 
§1º O substabelecimento do mandato sem reservas de 
poderes exige o prévio e inequívoco conhecimento do 
cliente.” 
 
Questão 04. 
Arnaldo, ao requerer sua inscrição nos quadros da OAB, 
assinou e apresentou declaração em que afirmava não 
exercer cargo incompatível com a advocacia. No 
entanto, exercia o cargo de Policial Militar. Meses 
depois, já bem sucedido como advogado pediu 
exoneração do referido cargo. 
No entanto, um advogado do escritório concorrente, 
tendo descoberto que Arnaldo, ao ingressar nos quadros 
da OAB, ainda exercia o cargo, comunicou o fato à 
entidade, que abriu processo disciplinar para apuração 
da conduta, tendo ele sido punido por ter feito falsa 
prova de um dos requisitos para a inscrição na OAB. De 
acordo com o EAOAB, assinale a opção correta. 
a) Arnaldo deve ser punido com a pena de exclusão dos 
quadros da OAB. 
b) Arnaldo deve ser punido com a pena de suspensão. 
c) Arnaldo deve ser punido com a pena de censura. 
d) Arnaldo não deve ser punido. 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
O enunciado traz que Arnaldo, ao requerer sua inscrição 
nos quadros da OAB fez falsa prova de um dos requisitos 
para a inscrição. 
Questionamento: Arnaldo deve ser punido? 
Segundo o art. 34, inciso XXVI do EAOAB, Arnaldo 
cometeu infração disciplinar, como se verifica: 
“Art. 34. Constitui infração disciplinar: XXVI - fazer falsa 
prova de qualquer dos requisitos para inscrição na OAB. 
Segundo o art. 38, inciso II, a infração é punida com 
exclusão. 
Art. 38. A exclusão é aplicável nos casos de: 
I - aplicação, por três vezes, de suspensão; 
II - infrações definidas nos incisos XXVI a XXVIII do art. 34. 
Letra A (item árvore: 12.1) 
CORRETA 
É a previsão do art. 34, XXVI e 38, II do EAOAB: 
“Art. 34. Constitui infração disciplinar: XXVI - fazer falsa 
prova de qualquer dos requisitos para inscrição na OAB. 
Art. 38. A exclusão é aplicável nos casos de: II - infrações 
definidas nos incisos XXVI a XXVIII do art. 34.” 
Letra B (item árvore: 12.1) 
INCORRETA 
Na verdade, deve ser punido com pena de exclusão (art. 
34, inciso XXVI e art. 38, inciso II do EAOAB). 
Letra C (item árvore: 12.1) 
INCORRETA 
Deve ser punido com pena de exclusão (art. 34, inciso 
XXVI e art. 38, inciso II do EAOAB). 
Letra D (item árvore: 12.1) 
INCORRETA 
Na verdade, deve ser punido com pena de exclusão (art. 
34, inciso XXVI e art. 38, inciso II do EAOAB). 
Comentário Curto 
Gabarito: Letra A. 
O fundamento da questão está no art. 34, inciso XXVI e 
art. 38, inciso II do EAOAB. Ou seja, Arnaldo cometeu 
infração disciplinar e deve ser punido com pena de 
exclusão. 
 
Questão 05. 
Às 15:45h, a advogada Florzinha aguardava o início de 
uma audiência cível designada para as 14h. A primeira 
audiência do dia havia sido iniciada no horário correto, 
às 13h. A audiência da qual a advogada participaria era a 
segunda da pauta daquela data. Florzinha é avisada de 
que a primeira audiência havia sido interrompida por 
mais de uma hora para que uma das partes recebesse 
atendimento médico, e que, por tal motivo, todas as 
demais audiências do dia seriam iniciadas com atraso. 
Florzinha informou que não iria aguardar mais, 
afirmando que, de acordo com o EAOAB, tem direito, 
após trinta minutos do horário designado, a se retirar do 
7 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
recinto onde se encontre aguardando pregão para ato 
judicial. Com base no quadro apresentado, assinale a 
alternativa correta. 
a) Florzinha não poderia se retirar do recinto, pois a 
autoridade que presidiria o ato judicial estava presente. 
b) Florzinha não poderia se retirar do recinto, pois a 
prerrogativa por ela invocadanão é válida para 
audiências cíveis. 
c) Florzinha poderia se retirar do recinto, pois o 
advogado tem o direito de não aguardar por mais de 
trinta minutos para a realização de ato judicial. 
d) Florzinha poderia se retirar do recinto, pois não deu 
causa ao atraso da audiência. 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
De acordo com Art. 7º do EAOAB, são direitos do 
advogado: 
“XX - retirar-se do recinto onde se encontre aguardando 
pregão para ato judicial, após trinta minutos do horário 
designado e ao qual ainda não tenha comparecido a 
autoridade que deva presidir a ele, mediante 
comunicação protocolizada em juízo.” 
Destaco que este direito não se aplica quando a 
autoridade se encontra no recinto, mas sim realizando 
outros atos processuais que, por vezes, tenham gerado 
atraso nos subsequentes. 
Na Justiça do Trabalho, segundo o art. 815, da CLT, se em 
até 15 (quinze) minutos após a hora marcada o juiz ou o 
presidente não houver comparecido, os presentes 
poderão retirar-se, devendo o ocorrido constar do livro 
de registro das audiências. 
Letra A (item árvore: 5.1) 
CORRETA 
O direito previsto no art. 7º, inciso XX do EAOAB não se 
aplica quando a autoridade se encontra no recinto, mas 
sim realizando outros atos processuais que, por vezes, 
tenham gerado atraso nos subsequentes. 
Letra B (item árvore: 5.1) 
INCORRETA 
Na verdade, a prerrogativa por ela invocada é válida para 
audiências cíveis. No entanto, o direito previsto no art. 
7º, inciso XX do EAOAB não se aplica quando a 
autoridade se encontra no recinto, mas sim realizando 
outros atos processuais que, por vezes, tenham gerado 
atraso nos subsequentes. 
Letra C (item árvore: 5.1) 
INCORRETA 
O direito previsto no art. 7º, inciso XX do EAOAB não se 
aplica quando a autoridade se encontra no recinto, mas 
sim realizando outros atos processuais que, por vezes, 
tenham gerado atraso nos subsequentes. 
Letra D (item árvore: 5.1) 
INCORRETA 
O direito previsto no art. 7º, inciso XX do EAOAB não se 
aplica quando a autoridade se encontra no recinto, mas 
sim realizando outros atos processuais que, por vezes, 
tenham gerado atraso nos subsequentes. 
Comentário Curto 
Gabarito: Letra A. 
De acordo com Art. 7º do EAOAB, são direitos do 
advogado: 
“XX - retirar-se do recinto onde se encontre aguardando 
pregão para ato judicial, após trinta minutos do horário 
designado e ao qual ainda não tenha comparecido a 
autoridade que deva presidir a ele, mediante 
comunicação protocolizada em juízo.” 
Não se aplica quando a autoridade se encontra no 
recinto, mas sim realizando outros atos processuais que, 
por vezes, tenham gerado atraso nos subsequentes. 
 
Questão 06. 
Fernanda é advogada da sociedade empresária Mais 
Pneus Ltda., atuando em diversas causas do interesse da 
companhia. Ocorre que o controle da sociedade foi 
alienado para uma outra sociedade, quando o acordo 
entre o advogado e o seu cliente se rompeu. Logo, 
Fernanda renunciou ao mandato em todos os processos, 
comunicando formalmente o ato à cliente e houve novo 
contrato do cliente com outro escritório de advocacia, 
que, em todos os processos, apresentou o instrumento 
de mandato antes do término do prazo legal à retirada 
do advogado anterior. À luz do quadro apresentado, 
consoante o Estatuto da Advocacia, assinale a alternativa 
correta. 
a) Fernanda deve atuar em conjunto com o advogado 
sucessor por dez dias. 
b) Fernanda deve atuar em conjunto com o advogado 
sucessor por quinze dias. 
c) Fernanda deve afastar-se imediatamente, já que foi 
substituída antes do término do prazo legal à retirada do 
advogado anterior. 
8 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
d) Fernanda deve aguardar dez dias para verificar a 
atuação dos seus sucessores. 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
A questão trata do instrumento de mandato, sendo que 
o mandato judicial é um contrato formado por uma 
relação entre outorgante (cliente) e outorgado 
(advogado). Neste sentido, o objetivo é conceder 
poderes ao advogado para atuar em nome do cliente 
diante do Poder Judiciário, ou ainda, extrajudicialmente. 
Acerca do tema, tome nota: 
“Art. 5º do EAOAB: O advogado postula, em juízo ou fora 
dele, fazendo prova do mandato. 
§ 1º O advogado, afirmando urgência, pode atuar sem 
procuração, obrigando-se a apresentá-la no prazo de 
quinze dias, prorrogável por igual período. 
§ 2º A procuração para o foro em geral habilita o 
advogado a praticar todos os atos judiciais, em qualquer 
juízo ou instância, salvo os que exijam poderes especiais. 
§ 3º O advogado que renunciar ao mandato continuará, 
durante os dez dias seguintes à notificação da renúncia, 
a representar o mandante, salvo se for substituído antes 
do término desse prazo.” 
Letra A (item árvore: 10.2) 
INCORRETA 
Não deve atuar em conjunto com o advogado sucessor 
por dez dias. Ou seja, de acordo com o art. 5º, § 3º do 
EAOAB, o advogado que renunciar ao mandato 
continuará, durante os dez dias seguintes à notificação 
da renúncia, a representar o mandante, salvo se for 
substituído antes do término desse prazo. 
Letra B (item árvore: 10.2) 
INCORRETA 
Não deve atuar em conjunto com o advogado sucessor 
por quinze dias. De acordo com o art. 5º, § 3º do EAOAB, 
o advogado que renunciar ao mandato continuará, 
durante os dez dias seguintes à notificação da renúncia, 
a representar o mandante, salvo se for substituído antes 
do término desse prazo. 
Letra C (item árvore: 10.2) 
CORRETA 
Segundo o art. 5º, § 3º do EAOAB, o advogado que 
renunciar ao mandato continuará, durante os dez dias 
seguintes à notificação da renúncia, a representar o 
mandante, salvo se for substituído antes do término 
desse prazo. 
Letra D (item árvore: 10.2) 
INCORRETA 
Não deve aguardar dez dias para verificar a atuação dos 
seus sucessores. De acordo com o art. 5º, § 3º do EAOAB, 
o advogado que renunciar ao mandato continuará, 
durante os dez dias seguintes à notificação da renúncia, 
a representar o mandante, salvo se for substituído antes 
do término desse prazo. 
Comentário Curto 
Gabarito: Letra C. 
Nos termos do art. 5º, § 3º do EAOAB, o advogado que 
renunciar ao mandato continuará, durante os dez dias 
seguintes à notificação da renúncia, a representar o 
mandante, salvo se for substituído antes do término 
desse prazo. 
 
Questão 07. 
Na subseção W da OAB, foi constatada grave violação à 
disciplina prevista no Estatuto da Advocacia, com relação 
as prerrogativas do advogado. Alguns advogados 
questionaram a possibilidade de intervenção do 
Conselho Seccional ou Conselho Federal na subseção. À 
luz da situação narrada, assinale a afirmativa correta. 
a) Compete ao Conselho Seccional respectivo da OAB 
intervir na aludida subseção mediante voto de dois 
terços de seus membros. 
b) Compete ao Conselho Seccional respectivo da OAB 
intervir na aludida subseção apenas mediante decisão 
unânime de seus membros. 
c) Compete ao Conselho Federal da OAB intervir na 
aludida subseção mediante decisão por maioria do 
Órgão Especial do Conselho Pleno. 
d) Compete ao Conselho Federal da OAB intervir na 
aludida subseção mediante voto da maioria absoluta. 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
No caso apresentado, temos que: Na subseção W da 
OAB, foi constatada grave violação à disciplina prevista 
no Estatuto da Advocacia. 
Questionamento: O Conselho Seccional pode intervir na 
Subseção W? 
Segundo o art. 60, § 6º, do EAOAB, o Conselho Seccional 
pode intervir na Subseção W. 
9 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
No art. 60, § 6º, do EAOAB, verifica-se que: “o Conselho 
Seccional, mediante voto de dois terços dos seus 
membros, pode intervir nas Subseções, onde constatar 
grave violação, desta Lei ou Regimento Interno daquele.” 
Letra A (item árvore: 15.1) 
CORRETA 
É a previsão art. 60, § 6º, do EAOAB! O Conselho 
Seccional, mediante voto de dois terços dos seus 
membros, pode intervir nas Subseções, onde constatar 
grave violação, desta Lei ou Regimento Interno daquele. 
LetraB (item árvore: 15.1) 
INCORRETA 
O Conselho Seccional, mediante voto de dois terços dos 
seus membros, pode intervir nas Subseções, onde 
constatar grave violação, desta Lei ou Regimento Interno 
daquele (art. 60, § 6º, do EAOAB). 
Letra C (item árvore: 15.1) 
INCORRETA 
Na verdade, compete ao Conselho Seccional. 
O Conselho Seccional, mediante voto de dois terços dos 
seus membros, pode intervir nas Subseções, onde 
constatar grave violação, desta Lei ou Regimento Interno 
daquele (art. 60, § 6º, do EAOAB). 
Letra D (item árvore: 15.1) 
INCORRETA 
Na verdade, compete ao Conselho Seccional. 
O Conselho Seccional, mediante voto de dois terços dos 
seus membros, pode intervir nas Subseções, onde 
constatar grave violação, desta Lei ou Regimento Interno 
daquele (art. 60, § 6º, do EAOAB). 
Comentário Curto 
Gabarito: Letra A. 
No art. 60, § 6º, do EAOAB, verifica-se que: “o Conselho 
Seccional, mediante voto de dois terços dos seus 
membros, pode intervir nas Subseções, onde constatar 
grave violação, desta Lei ou Regimento Interno daquele.” 
 
Questão 08. 
Pedro consultou a advogada Filomena para atuar nos 
autos de processo judicial já em trâmite, patrocinado 
pelo advogado Júlio, mediante procuração, em face do 
plano de saúde “Mais Saúde”. Pedro descobriu que a 
situação da sua saúde se agravou, ele está correndo risco 
de morte e precisa realizar um procedimento de 
urgência. Como Júlio não estava respondendo as 
mensagens e ligações, Pedro decidiu diante da 
necessidade de realizar o procedimento urgente, 
procurar Filomena, para requerer a tutela de urgência 
nos referidos autos, em plantão judicial. À luz da situação 
narrada assinale a afirmativa correta. 
a) Filomena apenas deverá atuar na causa, aceitando 
procuração, se houver concordância do advogado Júlio, 
uma vez que, de acordo com o Código de Ética e 
Disciplina da OAB, o advogado não deve aceitar 
procuração de quem já tenha patrono constituído, salvo 
com a concordância deste. 
b) Filomena poderá aceitar procuração e requerer nos 
autos judiciais, em favor de Pedro, a tutela de urgência 
necessária, desde que apresente nos autos justificativa 
para cessar a responsabilidade profissional de Júlio. 
c) Filomena não poderá aceitar procuração. 
d) Filomena poderá aceitar procuração e requerer nos 
autos judiciais, em favor de Pedro, a tutela de urgência 
necessária, independentemente de prévia comunicação 
a Júlio ou de apresentação ao juízo de justificativa idônea 
para a cessação da responsabilidade profissional de Júlio. 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
O enunciado traz a seguinte situação: Pedro consultou a 
advogada Filomena para atuar nos autos de processo 
judicial já em trâmite, patrocinado pelo advogado Júlio, 
mediante procuração, em face do plano de saúde “Mais 
Saúde”. Pedro descobriu que a situação da sua saúde se 
agravou, ele está correndo risco de morte e precisa 
realizar um procedimento de urgência. Como Júlio não 
estava respondendo as mensagens e ligações, Pedro 
decidiu diante da necessidade de realizar o 
procedimento urgente, procurar Filomena, para 
requerer a tutela de urgência nos referidos autos, em 
plantão judicial. 
Segundo o art. 14 do CED, o advogado não deve aceitar 
procuração de quem já tenha patrono constituído, sem 
prévio conhecimento deste, salvo por motivo 
plenamente justificável ou para a adoção de medidas 
judiciais urgentes e inadiáveis. 
Letra A (item árvore: 7.1) 
INCORRETA 
Não há necessidade de concordância para a adoção de 
medidas judiciais urgentes e inadiáveis (art. 14 do CED). 
Letra B (item árvore: 7.1) 
INCORRETA 
10 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
Não precisa apresentar justificativa para a adoção de 
medidas judiciais urgentes e inadiáveis (art. 14 do CED). 
Letra C (item árvore: 7.1) 
INCORRETA 
Poderá aceitar procuração. Segundo o art. 14 do CED, o 
advogado não deve aceitar procuração de quem já tenha 
patrono constituído, sem prévio conhecimento deste, 
salvo por motivo plenamente justificável ou para a 
adoção de medidas judiciais urgentes e inadiáveis. 
Letra D (item árvore: 7.1) 
CORRETA 
É a previsão do art. 14 do CED. O advogado não deve 
aceitar procuração de quem já tenha patrono 
constituído, sem prévio conhecimento deste, salvo por 
motivo plenamente justificável ou para a adoção de 
medidas judiciais urgentes e inadiáveis. 
Comentário Curto 
Gabarito: Letra D. 
Segundo o art. 14 do CED, o advogado não deve aceitar 
procuração de quem já tenha patrono constituído, sem 
prévio conhecimento deste, salvo por motivo 
plenamente justificável ou para a adoção de medidas 
judiciais urgentes e inadiáveis. 
 
Filosofia do Direito 
Jean Vilbert 
Questão 09. 
O dicionário define a lei com a regra de direito ditada 
pela autoridade estatal e tornada obrigatória para 
manter, numa comunidade, a ordem e o 
desenvolvimento; a norma elaborada e votada pelo 
Poder Legislativo; a obrigação imposta pela consciência 
e pela sociedade. Jean-Jacques Rousseau, baluarte da 
democracia moderna, entende que a lei é a matéria 
decidida conforme a vontade do povo. 
A lei é o preceito jurídico escrito, estabelecido pela 
autoridade estatal competente e dotado de caráter geral 
e obrigatório. Dentro desse conceito, é CORRETO 
afirmar: 
a) A lei é um mandamento constituído por um preceito 
primário, isto é, a descrição de uma conduta típica 
proibida ou obrigatória, e um preceito secundário, a 
imposição de uma sanção, que pode ser punitiva ou 
premial. 
b) A lei deve derivar da autoridade estatal competente, 
o que se cinge à iniciativa para provocar e competência 
para aprovar a lei. 
c) A lei é feita para reger tanto casos em geral (leis 
genéricas) como casos específicos (lei de efeitos 
concretos). 
d) A lei pode buscar tanto o justo, como assentar 
preceitos morais como bom, éticos e sacros, além de 
práticos como o útil. 
Gabarito: A 
Comentário Longo: 
O que é a lei? Esse quadro nos ajuda a compreender: 
Preceito = mandamento constituído por dois preceitos: 
(a) primário: descrição de uma conduta típica proibida 
ou obrigatória; (b) secundário: imposição de uma sanção 
(punitiva ou premial). 
Jurídico = é jurídico porque busca o justo – os preceitos 
morais buscam o bom, os religiosos o sacro, os estéticos 
o belo... 
Escrito = a feitura da lei demanda um processo formal 
que finda na publicação do texto escrito. 
Estatal = o Estado, a rigor, tem o monopólio da 
elaboração de leis. 
Competente = não basta que a lei seja proveniente do 
Estado, devendo ser da autoridade estatal competente, 
o que enseja estrito respeito ao processo legislativo 
(regras de elaboração) – iniciativa para provocar e 
competência para aprovar a lei. 
Geral = a lei é feita para reger casos em geral (não 
específicos) – essa ideia de generalidade volta-se à 
impessoalidade (a lei não é feita para uns ou outros, mas 
para todos incidentes na situação descrita no preceito 
primário). 
Obs.: as leis que possuem destinatário certo, ou seja, 
atingem pessoas ou grupos determinados (normas 
individuais ou de efeito concreto), como as que tombam 
um bem ou criam um município, são, na verdade, atos 
administrativos em sentido material (apenas 
exteriorizados na forma de lei). 
Obrigatório = norma sem sanção é conselho (como diria 
Padre Quevedo: “isso non existe”). As normas são 
imperativas, obrigatórias em vista da sanção, que pode 
estar prevista na própria norma ou extraída do sistema. 
As normas seguem o padrão do imperativo hipotético: 
uma ação condiciona outra ação (se x, então y). Exemplo: 
11 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
“Se matar alguém, reclusão de 6 a 20 anos”. Se não 
quiser ser jogado no cárcere, não mate, não roube, não 
estupre... só os que defendem a despenalização dos 
crimes é que não entendem este singelo raciocínio Aqui 
há um interesse pessoal em cometer uma ação para 
obter um resultado benéfico previsto em lei (sanção 
premial) ou evitar uma conduta para não sofrer a pena 
aflitiva. 
a) ISSO!Como preceito, a lei é mandamento constituído 
por dois preceitos: (1) primário: descrição de uma 
conduta típica proibida ou obrigatória; (2) secundário: 
imposição de uma sanção (punitiva ou premial). 
b) Negativo! Não basta que a lei seja proveniente do 
Estado, devendo ser da autoridade estatal competente, 
o que enseja estrito respeito ao processo legislativo 
(regras de elaboração), do qual a iniciativa para provocar 
e competência para aprovar a lei é apenas um primeiro 
aspecto (subjetivo), faltando todo o procedimento, 
como o quórum (aspecto objetivo). 
c) Nops! A lei é feita para reger casos em geral (não 
específicos) – essa ideia de generalidade volta-se à 
impessoalidade (a lei não é feita para uns ou outros, mas 
para todos incidentes na situação descrita no preceito 
primário). As leis de efeitos concretos são apenas 
formalmente legais, sendo atos administrativos no 
aspecto material. 
d) Mentira! A lei é um mandamento jurídico porque 
busca o justo, não é um preceito moral (que busca o 
bom), nem religioso (busca o sacro), ou estéticos (busca 
o belo)... 
Comentário curto 
Lei é preceito primário (descrição típica) e preceito 
secundário (sanção punitiva ou premial). 
 
Questão 10. 
“Não há ordem democrática sem respeito a decisões 
judiciais. Não há direito que justifique o 
descumprimento de uma decisão da última instância do 
Poder Judiciário. Afinal, é o Poder Judiciário o órgão 
responsável por afastar, mesmo contra maiorias, 
medidas que suprimam os direitos constitucionais” 
(Ministro Edson Fachin - ADPF 572 MC/DF). 
Gustav Radbruch (1848-1949) dividiu sua vida entre o 
direito e a política. Como membro do Partido Social 
Democrata Alemão, teve assento no Parlamento entre 
1920-1924. Com a ascensão do nazismo, que 
desembocou na Segunda Guerra Mundial, foi relegado à 
ociosidade (exceto por um ano em que esteve na 
universidade de Oxford, Inglaterra). Com o fim do 
conflito, publicou “Cinco Minutos de Filosofia do Direito” 
(1945), uma dura crítica ao positivismo jurídico, que o 
destacaria como expoente do pós-positivismo. 
Segundo Radbruch, é CORRETO afirmar: 
a) Os cidadãos devem obediência à lei sem 
questionamentos. 
b) A segurança jurídica é um princípio absoluto. 
c) É possível que o Estado de Direito se torne um Estado 
contra o Direito. 
d) Princípios, como o acusatório no processo penal, que 
impede que o juiz se torne um acusador, cedem a 
disposições legais específicas, pois as regras são mais 
importantes. 
Comentário Longo 
Em um texto curto e direto, “Cinco minutos de Filosofia 
do Direito”, esse alemão de nome simpático fixou suas 
teses: 
PRIMEIRO minuto: crítica contundente ao positivismo 
jurídico e à obediência à lei sem questionamentos. A 
análise da lei apenas no âmbito da validade (e não pelo 
seu conteúdo – valor) deixa a sociedade indefesa. O 
direito vira pura força. 
SEGUNDO minuto: se o direito pode ser tudo aquilo que 
é útil ao povo, não há qualquer limitação para o arbítrio. 
O Estado (sem surpresa, despótico) dirá o que é melhor 
para o povo e todos terão de baixar a cabeça. O Estado 
de Direito se torna um Estado contra o Direito. 
TERCEIRO minuto: O que é o direito? O direito é a 
vontade de justiça. Ações como assassinatos de 
adversários políticos e o extermínio de pessoas de outra 
raça não são direito, mas negação do direito e da justiça. 
Leis que permitam esse tipo de conduta carecem de 
validade e as pessoas devem negar-lhes obediência, 
começando pelos juristas. 
QUARTO minuto: o direito deve se nortear pela proteção 
de três valores fundamentais: o bem comum, a 
segurança jurídica e a justiça. As leis devem ter como 
finalidade o bem comum, de modo que levem a 
sociedade à justiça. É certo que sempre haverá leis que 
são não tão boas ou mesmo aquelas que serão más. 
Ainda assim, elas devem ser respeitadas (seu caráter 
jurídico não pode ser negado) em vista da segurança 
jurídica. Más leis conservam um valor, a segurança 
jurídica. Apenas o direito extremamente injusto perde a 
qualidade de direito. 
12 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
QUINTO minuto: os princípios são fundamentos do 
direito, inclusive mais fortes do que outros preceitos 
jurídicos. Como consequência, aquilo que se opõe aos 
princípios (seja uma regra, um costume ou um dogma 
religioso) poderá deixar de ser válido e aplicável pelo 
direito. 
a) Claro que NÃO! A obediência da lei apenas por ser a 
lei (validade), deixa a sociedade indefesa. O direito vira 
pura força. 
b) No way! As leis devem ter como finalidade o bem 
comum, de modo que levem a sociedade à justiça. É 
certo que sempre haverá leis que são não tão boas ou 
mesmo aquelas que serão más. Ainda assim, elas devem 
ser respeitadas (seu caráter jurídico não pode ser 
negado) em vista da segurança jurídica. Más leis 
conservam um valor, a segurança jurídica. Assim, o 
direito extremamente injusto perde a qualidade de 
direito. 
c) EXATO! Se o direito pode ser tudo aquilo que é útil ao 
povo, não há qualquer limitação para o arbítrio. O Estado 
(sem surpresa, despótico) dirá o que é melhor para o 
povo e todos terão de baixar a cabeça. O Estado de 
Direito se torna um Estado contra o Direito. 
d) Sem chances! Os princípios são fundamentos do 
direito, inclusive mais fortes do que outros preceitos 
jurídicos. Aquilo que se opõe aos princípios (seja uma 
regra, um costume ou um dogma religioso) poderá 
deixar de ser válido e aplicável pelo direito. 
Comentário curto 
O Estado não pode fazer tudo o que quiser porque tal 
absolutismo permite abusos. Há sempre riscos de 
excesso por parte de todos os poderes do Estado: 
Executivo, Legislativo e Judiciário. Então, o Estado pode 
se tornar contra o Estado de Direito. 
Gabarito: C 
 
Direito Constitucional 
Diego Cerqueira 
Questão 11. 
A empresa “Mais Cosméticos” foi autuada pela 
fiscalização tributária do Estado Y, sob o argumento de 
não ter apresentado os livros contábeis da empresa. 
Após a ciência do auto de infração, a sociedade 
empresária tomou conhecimento de que a interposição 
de recurso administrativo estava condicionada ao prévio 
depósito do referido montante. A empresa recorreu às 
instâncias superiores contra a exigência de depósito 
prévio, porém o pedido foi indeferido. De acordo com a 
situação apresentada, assinale a alternativa correta. 
a) É compatível com a Constituição da República a 
exigência de depósito prévio do montante constante da 
autuação para a interposição do recurso administrativo. 
b) Não é compatível com a Constituição da República a 
exigência de depósito prévio do montante constante da 
autuação para a interposição do recurso administrativo. 
Considerando o exaurimento das instâncias 
administrativas, é possível o ajuizamento de reclamação 
perante o Supremo Tribunal Federal. 
c) Não é compatível com a Constituição da República a 
exigência de depósito prévio do montante constante da 
autuação para a interposição do recurso administrativo. 
Considerando o exaurimento das instâncias 
administrativas, é possível o ajuizamento de arguição de 
descumprimento de preceito fundamental. 
d) Não é compatível com a Constituição da República a 
exigência de depósito prévio do montante constante da 
autuação para a interposição do recurso administrativo. 
Considerando o exaurimento das instâncias 
administrativas, é possível o ajuizamento de mandado 
de segurança. 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
No caso apresentado, temos que: a empresa “Mais 
Cosméticos” foi autuada pela fiscalização tributária do 
Estado Y, sob o argumento de não ter apresentado os 
livros contábeis da empresa. 
Após a ciência do auto de infração, a sociedade 
empresária tomou conhecimento de que a interposição 
de recurso administrativo estava condicionada ao prévio 
depósito do referido montante. 
A questão cobra o conhecimento da Súmula Vinculante 
nº 21 e art. 5º, inciso LV, da CRFB/88. 
Súmula Vinculante nº 21: É inconstitucional a exigência 
de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro oubens 
para admissibilidade de recurso administrativo. 
Art. 5º, LV - aos litigantes, em processo judicial ou 
administrativo, e aos acusados em geral são assegurados 
o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos 
a ela inerentes. 
Como a Administração Tributária contrariou súmula 
vinculante é perfeitamente cabível o instituto da 
Reclamação Constitucional, com fundamento no art. 
103-A, § 3º da CRFB/88 + art. 7º, da Lei n 11.417/07, já 
13 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
que no enunciado restou demonstrado o esgotamento 
das vias administrativa. 
Art. 103-A, § 3º da CRFB/88: Do ato administrativo ou 
decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que 
indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo 
Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o 
ato administrativo ou cassará a decisão judicial 
reclamada, e determinará que outra seja proferida com 
ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso. 
Art. 7º Da decisão judicial ou do ato administrativo que 
contrariar enunciado de súmula vinculante, negar-lhe 
vigência ou aplicá-lo indevidamente caberá reclamação 
ao Supremo Tribunal Federal, sem prejuízo dos recursos 
ou outros meios admissíveis de impugnação. 
Letra A (item árvore: 3.1) 
INCORRETA 
Na verdade, é incompatível com a Constituição da 
República por violar a garantia da ampla defesa (Art. 5º, 
inciso LV, da CRFB/88), sendo a impossibilidade de ser 
exigido o depósito prévio reconhecida pela Súmula 
Vinculante 21 do STF. 
Letra B (item árvore: 3.1) 
CORRETA 
É incompatível com a Constituição da República por 
violar a garantia da ampla defesa (Art. 5º, inciso LV, da 
CRFB/88), sendo a impossibilidade de ser exigido o 
depósito prévio reconhecida pela Súmula Vinculante 21 
do STF. 
Como a Administração Tributária contrariou súmula 
vinculante é cabível o instituto da Reclamação 
Constitucional (art. 103-A, § 3º da CRFB/88 + art. 7º, da 
Lei n 11.417/07). 
Letra C (item árvore: 3.1) 
INCORRETA 
Como a Administração Tributária contrariou súmula 
vinculante é cabível o instituto da Reclamação 
Constitucional (art. 103-A, § 3º da CRFB/88 + art. 7º, da 
Lei n 11.417/07). 
Letra D (item árvore: 3.1) 
INCORRETA 
Como a Administração Tributária contrariou súmula 
vinculante é cabível o instituto da Reclamação 
Constitucional (art. 103-A, § 3º da CRFB/88 + art. 7º, da 
Lei n 11.417/07). 
Comentário Curto 
Gabarito: Letra B. 
Segundo a Súmula Vinculante nº 21, é inconstitucional a 
exigência de depósito ou arrolamento prévios de 
dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso 
administrativo. Como a Administração Tributária 
contrariou súmula vinculante é perfeitamente cabível o 
instituto da Reclamação Constitucional, com 
fundamento no art. 103-A, § 3º da CRFB/88. 
 
Questão 12. 
Com o objetivo de controlar as diversas associações que 
estavam surgindo, o Estado Beta editou a Lei nº 
123/2022, veiculando as normas a serem observadas 
para a confecção dos estatutos dessas associações à 
prévia autorização do Secretário de Estado de Segurança 
Pública. O cidadão Pedro resolveu ingressar com uma 
Ação Direta de Inconstitucionalidade por entender que a 
Lei nº 123/2022 viola dispositivos da Constituição 
Federal. Com base no caso apresentado, assinale a 
alternativa correta. 
a) Ao dispor sobre a confecção dos estatutos das 
associações, a Lei nº 123/2022 afrontou a competência 
privativa da União para legislar sobre direito civil. O 
cidadão Pedro não possui legitimidade para ingressar 
com uma ADI. 
b) A Lei nº 123/2022 é constitucional, visto que o tema é 
de competência concorrente. O cidadão Pedro não 
possui legitimidade para ingressar com uma ADI. 
c) A Lei nº 123/2022 é constitucional, visto que o tema é 
de competência concorrente. O cidadão Pedro possui 
legitimidade para ingressar com uma ADI. 
d) Ao dispor sobre a confecção dos estatutos das 
associações, a Lei nº 123/2022 afrontou a competência 
privativa da União para legislar sobre direito civil. O 
cidadão Pedro possui legitimidade para ingressar com 
uma ADI. 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
Ao dispor sobre a confecção dos estatutos das 
associações, a Lei nº 123/2022 afrontou a competência 
privativa da União para legislar sobre direito civil (Art. 22, 
inciso I, da CRFB/88), sendo formalmente 
inconstitucional. 
O cidadão Pedro não possui legitimidade para ingressar 
com Ação Direta de Inconstitucionalidade. 
De acordo com o art. 102, I, a da CF, compete ao 
Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da 
14 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
Constituição, cabendo-lhe: I - processar e julgar, 
originariamente: a) a ação direta de 
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou 
estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de 
lei ou ato normativo federal. 
Os legitimados das ações de controle estão 
taxativamente previstos no art. 103 da Constituição, 
veja: 
Art. 103 da CRFB88: Podem propor a ação direta de 
inconstitucionalidade e a ação declaratória de 
constitucionalidade: 
I - o Presidente da República; 
II - a Mesa do Senado Federal; 
III - a Mesa da Câmara dos Deputados; 
IV - a Mesa de Assembléia Legislativa ou da Câmara 
Legislativa do Distrito Federal; 
V - o Governador de Estado ou do Distrito Federal; 
VI - o Procurador-Geral da República; 
VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do 
Brasil; 
VIII - partido político com representação no Congresso 
Nacional; 
IX - confederação sindical ou entidade de classe de 
âmbito nacional. 
Letra A (item árvore: 8.3) 
CORRETA 
Ao dispor sobre a confecção dos estatutos das 
associações, a Lei nº 123/2022 afrontou a competência 
privativa da União para legislar sobre direito civil (Art. 22, 
inciso I, da CRFB/88), sendo formalmente 
inconstitucional. 
O cidadão Pedro não possui legitimidade para ingressar 
com Ação Direta de Inconstitucionalidade. Os 
legitimados estão previstos no art. 103 da CF/88. 
Letra B (item árvore: 8.3) 
INCORRETA 
Na verdade, é competência privativa da União legislar 
sobre direito civil (Art. 22, inciso I, da CRFB/88). Logo, a 
lei é inconstitucional. 
Letra C (item árvore: 8.3) 
INCORRETA 
Na verdade, é competência privativa da União legislar 
sobre direito civil (Art. 22, inciso I, da CRFB/88). Diante 
disso, a lei é inconstitucional. 
Além disso, o cidadão Pedro não possui legitimidade 
para ingressar com Ação Direta de Inconstitucionalidade. 
Os legitimados estão previstos no art. 103 da CF/88. 
Letra D (item árvore: 8.3) 
INCORRETA 
O cidadão Pedro não possui legitimidade para ingressar 
com Ação Direta de Inconstitucionalidade. Os 
legitimados estão previstos no art. 103 da CF/88. 
Comentário Curto 
Gabarito: Letra A. 
Ao dispor sobre a confecção dos estatutos das 
associações, a Lei nº 123/2022 afrontou a competência 
privativa da União para legislar sobre direito civil (Art. 22, 
inciso I, da CRFB/88), sendo formalmente 
inconstitucional. 
O cidadão Pedro não possui legitimidade para ingressar 
com Ação Direta de Inconstitucionalidade. Os 
legitimados estão previstos no art. 103 da CF/88. 
Questão 13. 
Letícia, alemã naturalizada brasileira, foi eleita Senadora. 
Após a posse, foi condenada, por sentença judicial 
transitada em julgado, por conduta que comprometia a 
soberania nacional. Com isso, ocorreu o cancelamento 
da nacionalidade brasileira. Diante da condenação, 
Letícia ficou com dúvidas com relação aos efeitos em 
relação à sua capacidade de votar e de ser votada. À luz 
do quadro, assinale a alternativa correta. 
a) Com o cancelamento da naturalização por sentença 
judicial transitada em julgado, os direitos políticos de 
Letícia foram cassados, o que a impede de votar e de ser 
votada. 
b) O cancelamento da naturalização por sentença judicial 
transitada em julgado não gera efeitos com relação aos 
direitos políticos. 
c) Com o cancelamento da naturalização por sentença 
judicial transitada em julgado, Letícia perdeu os seus 
direitos políticos,mas isso não a impede de votar e de 
ser votada. 
d) Com o cancelamento da naturalização por sentença 
judicial transitada em julgado, Letícia perdeu os seus 
direitos políticos, o que a impede de votar e de ser 
votada. 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
O enunciado dispõe que Letícia, alemã naturalizada 
brasileira, foi eleita Senadora. Após a posse, foi 
15 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
condenada, por sentença judicial transitada em julgado, 
por conduta que comprometia a soberania nacional. 
Com isso, ocorreu o cancelamento da nacionalidade 
brasileira. 
De acordo com o art. 12, § 4º - Será declarada a perda da 
nacionalidade do brasileiro que: I - tiver cancelada sua 
naturalização, por sentença judicial, em virtude de 
atividade nociva ao interesse nacional 
Questionamento: A condenação de Letícia produz algum 
efeito em relação à sua capacidade de votar e de ser 
votada? 
Com o cancelamento da naturalização por sentença 
judicial transitada em julgado, Letícia perdeu os seus 
direitos políticos, o que a impede de votar e de ser 
votada, segundo o Art. 15, inciso I, da CRFB/88. 
Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja 
perda ou suspensão só se dará nos casos de: 
I - cancelamento da naturalização por sentença 
transitada em julgado; 
II - incapacidade civil absoluta; 
III - condenação criminal transitada em julgado, 
enquanto durarem seus efeitos; 
IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou 
prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII; 
V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 
4º. 
A maior parte da doutrina entende que a perda ocorre 
nos casos dos incisos I e IV do art. 15 da CF. Já as 
hipóteses de suspensão, ficaria com os demais incisos. 
Letra A (item árvore: 6.1) 
INCORRETA 
De acordo com o art. 15 da Constituição, é vedada a 
cassação de direitos políticos. 
Letra B (item árvore: 6.1) 
INCORRETA 
Na verdade, com o cancelamento da naturalização por 
sentença judicial transitada em julgado, Letícia perdeu os 
seus direitos políticos (art. 15, inciso I, da CRFB/88). 
Letra C (item árvore: 6.1) 
INCORRETA 
Em verdade, a impede de votar e de ser votada. 
Letra D (item árvore: 6.1) 
CORRETA 
É a previsão do art. 15 da Constituição. Art. 15. É vedada 
a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão 
só se dará nos casos de: I - cancelamento da 
naturalização por sentença transitada em julgado. 
Comentário Curto 
Gabarito: Letra D. 
Com o cancelamento da naturalização por sentença 
judicial transitada em julgado, Letícia perdeu os seus 
direitos políticos, o que a impede de votar e de ser 
votada, segundo o Art. 15, inciso I, da CRFB/88. 
 
 
Questão 14. 
A diretora-presidente da autarquia TT do Estado Gama 
celebrou contrato de compra e venda, no qual o referido 
ente, alienou a Pedro e a Marcos diversos imóveis por 
menos de vinte por cento de seu valor de mercado. Não 
houve prévia licitação. Irresignado com o ocorrido, o 
deputado estadual Marcos decidiu ajuizar a ação cabível 
com o objetivo de anular o negócio jurídico e 
responsabilizar os autores. Com base no caso 
apresentado, assinale a alternativa correta. 
a) Marcos pode ajuizar Ação Popular para anular o ato 
lesivo ao patrimônio público. 
b) Marcos pode ajuizar Mandado de Segurança 
Individual para anular o ato lesivo ao patrimônio público. 
c) Marcos pode ajuizar Ação Civil Pública para anular o 
ato lesivo ao patrimônio público. 
d) Marcos possui legitimidade para ajuizar Mandado de 
Segurança Coletivo para anular o ato lesivo ao 
patrimônio público. 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
O enunciado dispõe que a diretora-presidente da 
autarquia TT do Estado Gama alienou a Pedro e a Marcos 
diversos imóveis por menos de vinte por cento de seu 
valor de mercado. Não houve prévia licitação. 
Irresignado com o ocorrido, o deputado estadual Marcos 
decidiu ajuizar a ação cabível com o objetivo de anular o 
negócio jurídico e responsabilizar os autores. 
Questionamento: Qual é a ação cabível? 
Marcos, por ser cidadão, qualidade intrínseca à sua 
condição de deputado estadual, pode ajuizar Ação 
Popular para anular o ato lesivo ao patrimônio público, 
nos termos do art. 5º, inciso LXXIII, da CRFB/88 e art. 1º, 
caput, da Lei nº 4.717/65. 
16 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
Art. 5º, LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para 
propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao 
patrimônio público ou de entidade de que o Estado 
participe, à moralidade administrativa, ao meio 
ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o 
autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais 
e do ônus da sucumbência. 
Letra A (item árvore: 3.3) 
CORRETA 
É a previsão do art. 5º, inciso LXXIII da CF. 
Art. 5º, LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para 
propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao 
patrimônio público ou de entidade de que o Estado 
participe, à moralidade administrativa, ao meio 
ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o 
autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais 
e do ônus da sucumbência. 
Letra B (item árvore: 3.3) 
INCORRETA 
Segundo o art. 5º, inciso LXIX da CF, conceder-se-á 
mandado de segurança para proteger direito líquido e 
certo, não amparado por "habeas-corpus" ou "habeas-
data", quando o responsável pela ilegalidade ou abuso 
de poder for autoridade pública ou agente de pessoa 
jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. 
Cabe ação popular para anular ato lesivo ao patrimônio 
público (art. 5º, inciso LXXIII da CF). 
Letra C (item árvore: 3.3) 
INCORRETA 
Marcos não possui legitimidade para ajuizar Ação Civil 
Pública. Os legitimados estão dispostos no art. 5º da Lei 
7.34785, veja: 
Art. 5º: Têm legitimidade para propor a ação principal e 
a ação cautelar: 
I - o Ministério Público; 
II - a Defensoria Pública; 
III - a União, os Estados, o Distrito Federal e os 
Municípios; 
IV - a autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade 
de economia mista; 
V - a associação que, concomitantemente: 
a) esteja constituída há pelo menos 1 (um) ano nos 
termos da lei civil; 
b) inclua, entre suas finalidades institucionais, a proteção 
ao patrimônio público e social, ao meio ambiente, ao 
consumidor, à ordem econômica, à livre concorrência, 
aos direitos de grupos raciais, étnicos ou religiosos ou ao 
patrimônio artístico, estético, histórico, turístico e 
paisagístico. 
Letra D (item árvore: 3.3) 
INCORRETA 
Marcos não possui legitimidade para ajuizar um MS 
Coletivo. Art. 5º da CF/88: LXX - o mandado de segurança 
coletivo pode ser impetrado por: 
a) partido político com representação no Congresso 
Nacional; 
b) organização sindical, entidade de classe ou associação 
legalmente constituída e em funcionamento há pelo 
menos um ano, em defesa dos interesses de seus 
membros ou associados; 
Comentário Curto 
Gabarito: Letra A. 
Marcos por ser cidadão, qualidade intrínseca à sua 
condição de deputado estadual, pode ajuizar Ação 
Popular para anular o ato lesivo ao patrimônio público, 
nos termos do Art. 5º, inciso LXXIII, da CRFB/88 e Lei nº 
4.717/65. 
 
Questão 15. 
A Constituição do Estado Beta dispôs que os secretários 
municipais devem ser nomeados após aprovação da 
respectiva Câmara Municipal. Alguns juristas 
questionaram se a competência outorgada às Câmaras 
Municipais está em harmonia com a Constituição da 
República. A Constituição Estadual também indicou que 
os prefeitos municipais deveriam observar, em sua 
gestão, as diretrizes traçadas no plano anual 
estabelecido pelo Governador do Estado. Com base no 
caso apresentado, assinale a alternativa correta. 
a) A autonomia municipal fica limitada às diretrizes 
políticas estaduais. Compete ao chefe do Poder 
Executivo municipal nomear os secretários municipais, 
independentemente de prévia aprovação da Câmara 
Municipal. 
b) A autonomia municipal impede a vinculação dos 
prefeitos municipais às diretrizes políticas deautoridade 
vinculada a outro nível federativo. Compete ao chefe do 
Poder Executivo municipal nomear os secretários 
municipais, após prévia aprovação da Câmara Municipal. 
c) A autonomia municipal impede a vinculação dos 
prefeitos municipais às diretrizes políticas de autoridade 
17 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
vinculada a outro nível federativo. Compete ao chefe do 
Poder Executivo municipal nomear os secretários 
municipais, independentemente de prévia aprovação da 
Câmara Municipal. 
d) A autonomia municipal não impede a vinculação dos 
prefeitos municipais às diretrizes políticas de autoridade 
vinculada a outro nível federativo. Compete ao chefe do 
Poder Executivo municipal nomear os secretários 
municipais, após prévia aprovação da Câmara Municipal. 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
A situação apresentada é a seguinte: A Constituição do 
Estado Beta dispôs que os secretários municipais devem 
ser nomeados após aprovação da respectiva Câmara 
Municipal. Também indicou que os prefeitos municipais 
deveriam observar, em sua gestão, as diretrizes traçadas 
no plano anual estabelecido pelo Governador do Estado. 
A autonomia municipal, consagrada no Art. 18, caput, da 
CRFB/88, impede a vinculação dos prefeitos municipais 
às diretrizes políticas de autoridade vinculada a outro 
nível federativo. 
Compete ao chefe do Poder Executivo municipal nomear 
os secretários municipais, independentemente de prévia 
aprovação da Câmara Municipal, conforme dispõe o Art. 
84, inciso I e o Art. 25, caput, ambos da CRFB/88. 
Letra A (item árvore: 8.3) 
INCORRETA 
Na verdade, a autonomia municipal impede a vinculação 
dos prefeitos municipais às diretrizes políticas de 
autoridade vinculada a outro nível federativo (art. 18, 
caput, da CRFB/88). 
Letra B (item árvore: 8.3) 
INCORRETA 
Compete ao chefe do Poder Executivo municipal nomear 
os secretários municipais, independentemente de prévia 
aprovação da Câmara Municipal (art. 84, inciso I e o art. 
25, caput, ambos da CRFB/88). 
Letra C (item árvore: 8.3) 
CORRETA 
É a previsão do art. 18, caput, 84, inciso I e o art. 25, 
caput, ambos da CRFB/88. 
A autonomia municipal impede a vinculação dos 
prefeitos municipais às diretrizes políticas de autoridade 
vinculada a outro nível federativo. Compete ao chefe do 
Poder Executivo municipal nomear os secretários 
municipais, independentemente de prévia aprovação da 
Câmara Municipal. 
Letra D (item árvore: 8.3) 
INCORRETA 
A autonomia municipal impede a vinculação dos 
prefeitos municipais às diretrizes políticas de autoridade 
vinculada a outro nível federativo (art. 18, caput, da 
CRFB/88). Compete ao chefe do Poder Executivo 
municipal nomear os secretários municipais, 
independentemente de prévia aprovação da Câmara 
Municipal (art. 84, inciso I e o art. 25, caput, ambos da 
CRFB/88). 
Comentário Curto 
Gabarito: Letra C. 
A autonomia municipal, consagrada no Art. 18, caput, da 
CRFB/88, impede a vinculação dos prefeitos municipais 
às diretrizes políticas de autoridade vinculada a outro 
nível federativo. 
Compete ao chefe do Poder Executivo municipal nomear 
os secretários municipais, independentemente de prévia 
aprovação da Câmara Municipal, conforme dispõe o Art. 
84, inciso I e o Art. 25, caput, ambos da CRFB/88. 
 
Questão 16. 
O Presidente da República editou a Medida Provisória nº 
YY/21. Diante da importância da temática versada, a 
Medida Provisória nº YY/21, por deliberação do colégio 
de líderes, foi imediatamente submetida à apreciação do 
plenário de cada casa do Congresso Nacional, daí 
resultando sua aprovação e a consequente promulgação 
da Lei nº 123/21. À luz do quadro, assinale a alternativa 
correta. 
a) O processo legislativo que culminou na aprovação da 
Lei nº 123/21 é compatível com a ordem constitucional. 
b) O processo legislativo que culminou na aprovação da 
Lei nº 123/21 não é compatível com a ordem 
constitucional, visto que, a Medida Provisória nº YY/21 
deve ser previamente submetida a uma comissão mista 
de Deputados e Senadores, antes de sua apreciação pelo 
plenário de cada Casa do Congresso Nacional. 
c) O processo legislativo que culminou na aprovação da 
Lei nº 123/21 não é compatível com a ordem 
constitucional, visto que, a Medida Provisória nº YY/21 
deve ser previamente submetida a uma comissão apenas 
de Deputados, antes de sua apreciação pelo plenário de 
cada Casa do Congresso Nacional. 
18 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
d) O processo legislativo que culminou na aprovação da 
Lei nº 123/21 não é compatível com a ordem 
constitucional, visto que, a Medida Provisória nº YY/21 
deve ser previamente submetida a uma comissão mista 
de Deputados e Senadores, após sua apreciação pelo 
plenário de cada Casa do Congresso Nacional. 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
A questão trata das medidas provisórias. 
O art. 62 da Constituição Federal estabelece que “em 
caso de relevância e urgência, o Presidente da República 
poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, 
devendo submetê-las de imediato ao Congresso 
Nacional”. 
Com base no Art. 62, § 9º, da CRFB/88, a Medida 
Provisória nº YY/2021 deve ser previamente submetida 
a uma comissão mista de Deputados e Senadores, antes 
de sua apreciação pelo plenário de cada Casa do 
Congresso Nacional. 
Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente 
da República poderá adotar medidas provisórias, com 
força de lei, devendo submetê-las de imediato ao 
Congresso Nacional. 
§ 9º Caberá à comissão mista de Deputados e Senadores 
examinar as medidas provisórias e sobre elas emitir 
parecer, antes de serem apreciadas, em sessão 
separada, pelo plenário de cada uma das Casas do 
Congresso Nacional. 
Letra A (item árvore: 12.1) 
INCORRETA 
Em verdade, o processo legislativo que culminou na 
aprovação da Lei nº 123/21 não é compatível com a 
ordem constitucional, visto que, a Medida Provisória nº 
YY/21 deve ser previamente submetida a uma comissão 
mista de Deputados e Senadores, antes de sua 
apreciação pelo plenário de cada Casa do Congresso 
Nacional. 
Letra B (item árvore: 12.1) 
CORRETA 
É a previsão do art. 62, § 9º da CRFB/88. 
§ 9º Caberá à comissão mista de Deputados e Senadores 
examinar as medidas provisórias e sobre elas emitir 
parecer, antes de serem apreciadas, em sessão 
separada, pelo plenário de cada uma das Casas do 
Congresso Nacional. 
Letra C (item árvore: 12.1) 
INCORRETA 
Segundo o art. 62, § 9º da CRFB/88, “caberá à comissão 
mista de Deputados e Senadores examinar as medidas 
provisórias e sobre elas emitir parecer, antes de serem 
apreciadas, em sessão separada, pelo plenário de cada 
uma das Casas do Congresso Nacional”. 
Letra D (item árvore: 12.1) 
INCORRETA 
De acordo com o art. 62, § 9º da CRFB/88, “caberá à 
comissão mista de Deputados e Senadores examinar as 
medidas provisórias e sobre elas emitir parecer, antes de 
serem apreciadas, em sessão separada, pelo plenário de 
cada uma das Casas do Congresso Nacional”. 
Comentário Curto 
Gabarito: Letra B. 
Com base no Art. 62, § 9º, da CRFB/88, a Medida 
Provisória nº YY/2021 deve ser previamente submetida 
a uma comissão mista de Deputados e Senadores, antes 
de sua apreciação pelo plenário de cada Casa do 
Congresso Nacional. 
 
Questão 17. 
Determinado tratado internacional de proteção aos 
direitos humanos, após ser assinado pelo Presidente da 
República, foi aprovado, em cada casa do Congresso 
Nacional, em dois turnos, por quatro quintos dos votos 
dos respectivos membros, sendo promulgado na ordem 
interna. 
Após a sua promulgação na ordem jurídica interna, 
percebeu-se que ele era incompatível com regra 
constitucional. Com base na situação apresentada, 
assinale a alternativa correta. 
a) O tratado aprovado na forma indicada está sujeito ao 
controle concentrado de constitucionalidade por ser 
equivalente a emenda constitucional, por ter a natureza 
de ato normativo. 
b) O tratado aprovado na forma indicada está sujeito ao 
controleconcentrado de constitucionalidade por ser 
equivalente a lei ordinária, por ter a natureza de ato 
normativo. 
c) O tratado aprovado na forma indicada não está sujeito 
ao controle concentrado de constitucionalidade. 
d) O tratado aprovado na forma indicada está sujeito ao 
controle concentrado de constitucionalidade por ser 
equivalente a lei complementar, por ter a natureza de 
ato normativo 
19 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
A questão trata dos tratados internacionais. 
Segundo o art. 5º, § 3º da CF/88, os tratados e 
convenções internacionais sobre direitos humanos que 
forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, 
em dois turnos, por três quintos dos votos dos 
respectivos membros, serão equivalentes às emendas 
constitucionais. 
Determinados tratados e convenções internacionais 
possuem um “status” diferenciado, estabelecido pela 
Constituição Federal. Eles possuem força de emenda 
constitucional, desde que cumulativamente: a) Versem 
sobre direitos humanos; e b) Sejam aprovados por três 
quintos dos membros de cada Casa do Congresso 
Nacional, em dois turnos de votação (mesmo rito das 
emendas constitucionais). 
Segundo o STF, se o tratado versar sobre direitos 
humanos, mas não for aprovado por esse rito, terá um 
status “supralegal”, estando abaixo da Constituição e 
acima das demais normas infraconstitucionais. 
O tratado aprovado na forma indicada está sujeito ao 
controle concentrado de constitucionalidade por ser 
equivalente a emenda constitucional, por ter a natureza 
de ato normativo, consoante o disposto no Art. 102, 
inciso I, alínea a, da CRFB/88. 
Letra A (item árvore: 1.7) 
CORRETA 
De acordo com o art. 5º, § 3º da CF88, os tratados e 
convenções internacionais sobre direitos humanos que 
forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, 
em dois turnos, por três quintos dos votos dos 
respectivos membros, serão equivalentes às emendas 
constitucionais. 
O tratado aprovado na forma indicada está sujeito ao 
controle concentrado de constitucionalidade por ser 
equivalente a emenda constitucional, por ter a natureza 
de ato normativo, consoante o disposto no Art. 102, 
inciso I, alínea a, da CRFB/88. 
Letra B (item árvore: 1.7) 
INCORRETA 
Na verdade, o tratado é equivalente a emenda 
constitucional. Segundo o art. 5º, § 3º da CF88, os 
tratados e convenções internacionais sobre direitos 
humanos que forem aprovados, em cada Casa do 
Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos 
votos dos respectivos membros, serão equivalentes às 
emendas constitucionais. 
Letra C (item árvore: 1.7) 
INCORRETA 
O tratado aprovado na forma indicada está sujeito ao 
controle concentrado de constitucionalidade por ser 
equivalente a emenda constitucional, por ter a natureza 
de ato normativo, consoante o disposto no Art. 102, 
inciso I, alínea a, da CRFB/88. 
Letra D (item árvore: 1.7) 
INCORRETA 
Na verdade, o tratado é equivalente a emenda 
constitucional. Segundo o art. 5º, § 3º da CF/88, os 
tratados e convenções internacionais sobre direitos 
humanos que forem aprovados, em cada Casa do 
Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos 
votos dos respectivos membros, serão equivalentes às 
emendas constitucionais. 
Comentário Curto 
Gabarito: Letra A. 
Segundo o art. 5º, § 3º da CF88, os tratados e convenções 
internacionais sobre direitos humanos que forem 
aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em 
dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos 
membros, serão equivalentes às emendas 
constitucionais. 
O tratado aprovado na forma indicada está sujeito ao 
controle concentrado de constitucionalidade por ser 
equivalente a emenda constitucional, por ter a natureza 
de ato normativo, consoante o disposto no Art. 102, 
inciso I, alínea a, da CRFB/88. 
 
Direitos Humanos 
Ricardo Torques 
Questão 18. 
Marília, advogada especialista em direitos humanos, foi 
contratada para palestrar a agentes penitenciários a 
respeito da Convenção das Nações Unidas contra a 
Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis, 
Desumanas ou Degradantes, particularmente sobre o 
que se entende ou não como ato de tortura. 
Na ocasião, Marília afirmou corretamente que: 
a) o sofrimento decorrente do afastamento familiar que 
a pena de prisão ocasiona é considerado como tortura, 
ainda que legítima a sanção. 
20 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
b) só se considera ato de tortura o sofrimento que for 
ocasionado para a obtenção de confissão de ato 
criminoso. 
c) o ato de castigo, ainda que justificado, pode configurar 
tortura se for imoderado. 
d) para que se configure ato de tortura, exige-se que o 
sofrimento seja físico. 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
A questão exige conhecimento da definição de tortura 
constante da Convenção das Nações Unidas contra a 
Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis, 
Desumanas ou Degradantes. O art. 1º, parágrafo 1, da 
Convenção define ato de tortura. Veja: 
ARTIGO 1º 
1. Para os fins da presente Convenção, o termo "tortura" 
designa qualquer ato pelo qual dores ou sofrimentos 
agudos, físicos ou mentais, são infligidos 
intencionalmente a uma pessoa a fim de obter, dela ou 
de uma terceira pessoa, informações ou confissões; de 
castigá-la por ato que ela ou uma terceira pessoa tenha 
cometido ou seja suspeita de ter cometido; de intimidar 
ou coagir esta pessoa ou outras pessoas; ou por qualquer 
motivo baseado em discriminação de qualquer natureza; 
quando tais dores ou sofrimentos são infligidos por um 
funcionário público ou outra pessoa no exercício de 
funções públicas, ou por sua instigação, ou com o seu 
consentimento ou aquiescência. Não se considerará 
como tortura as dores ou sofrimentos que sejam 
conseqüência unicamente de sanções legítimas, ou que 
sejam inerentes a tais sanções ou delas decorram. 
Com isso, vamos às alternativas: 
Letra A 
INCORRETA. 
O afastamento familiar que a prisão ocasiona é uma 
consequência natural dessa sanção. Conforme a parte 
final do parágrafo, não se considera tortura o sofrimento 
que é consequência de sanção legítima, portanto, seria 
incorreta essa afirmação. 
Letra B 
INCORRETA. 
Na verdade, a tortura pode ter outras finalidades como 
a obtenção de informação. Além disso, outros atos que 
não têm uma finalidade propriamente podem ser 
considerados como tortura, como os atos de castigo 
imoderado e os atos de discriminação. 
Letra C 
CORRETA. 
Se o castigo ocasionar sofrimento agudo de forma 
imoderada, é possível que se configura ato de tortura, 
ainda que justificado, a princípio, o castigo. 
Letra D 
INCORRETA. 
O sofrimento pode ser físico ou mental. 
Comentário Curto 
É importante conhecer a extensão do conceito de tortura 
a fim de se avaliar adequadamente as situações 
vivenciadas pelos agentes públicos. 
A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. 
 
Questão 19. 
Edvaldo, suspeito da prática do crime de tráfico de 
drogas, foi apreendido pela Polícia Civil do Estado 
Ômega. 
A apreensão se deu de modo informal, sem qualquer tipo 
de documentação do ato. 
Edvaldo foi encarcerado em uma cela de uma Delegacia 
de Polícia onde foi mantido isolado de contato com 
qualquer outro preso e sem que lhe fosse garantida a 
possibilidade de contactar familiares ou amigos para 
informar sobre a situação. 
Essa situação perdurou por um mês, até que Edvaldo 
revelasse o local onde havia ocultado um estoque de 
drogas ilícitas. 
Sobre a atuação da Polícia nessa situação, é correto 
afirmar que: 
a) Edvaldo pode ser considerado refugiado em razão 
dessa situação. 
b) pode-se dizer que Edvaldo foi vítima de 
desaparecimento forçado. 
c) Edvaldo foi vítima de prisão por motivos políticos. 
d) a conduta dos agentes de polícia foi plenamente lícita, 
considerando-se que foi obtida informação sobre o local 
onde Edvaldo ocultava drogas ilícitas. 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
A situação narrada configura típica situaçãode 
desaparecimento forçado. 
De acordo com a Convenção interamericana sobre o 
Desaparecimento Forçado de Pessoas, desaparecimento 
21 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
forçado é a privação da liberdade de uma pessoa 
praticada por agentes de Estado ou por pessoas com 
autorização, apoio ou consentimento do Estado, seguida 
de falta de informação ou de recusa a reconhecer a 
privação de liberdade ou a informar sobre o paradeiro da 
pessoa, impedindo o exercício dos recursos legais e das 
garantias processuais pertinentes. É o que diz o Artigo II 
da Convenção: 
Artigo II 
Para os efeitos desta Convenção, entende-se por 
desaparecimento forçado a privação de liberdade de 
uma pessoa ou mais pessoas, seja de que forma for, 
praticada por agentes do Estado ou por pessoas ou 
grupos de pessoas que atuem com autorização, apoio ou 
consentimento do Estado, seguida de falta de 
informação ou da recusa a reconhecer a privação de 
liberdade ou a informar sobre o paradeiro da pessoa, 
impedindo assim o exercício dos recursos legais e das 
garantias processuais pertinentes. 
Edvaldo sofreu privação de liberdade que não foi 
documentada de qualquer forma nem teve acesso a 
qualquer tipo de comunicação que lhe permitisse fazer 
uso dos recursos legais contra o ato. 
Ainda que Edvaldo tenha efetivamente praticado o crime 
de tráfico de drogas, o desaparecimento forçado é um 
tipo de conduta formal, bastando que haja a privação da 
possibilidade de fazer uso do devido processo legal para 
que se configure esse ilícito. O fato de Edvaldo ter 
praticado crime não justifica a supressão dos seus 
direitos processuais. 
Com isso, vamos às alternativas: 
Letra A 
INCORRETA. 
Não se trata de situação de refugiado. Refugiado é a 
pessoa que se desloca do seu país de residência para o 
outro a fim de fugir de perseguição política ou de 
situação calamitosa. 
Letra B 
CORRETA. 
Como vimos, foram suprimidos os direitos processuais 
de Edvaldo, o que configura situação de 
desaparecimento forçado. 
Letra C 
INCORRETA. 
Não se pode falar em prisão por crime político. A prisão 
política é a que ocorre em razão de motivações 
ideológicas como forma de perseguição a adversários. 
Não é esse o caso narrado. 
Letra D 
INCORRETA. 
Não é lícita a conduta dos agentes de polícia, que 
praticaram ato de desaparecimento forçado. A prática 
de crime não justifica a supressão de direitos 
processuais. 
Comentário Curto 
O desaparecimento forçado é uma forma de suspender 
os direitos processuais da vítima. Nesse ato, a vítima se 
vê privada de liberdade e da possibilidade de se 
comunicar com outras pessoas, que são condições 
essenciais para o exercício de direitos. 
A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. 
 
 
 
Direito Internacional 
Vanessa Arns 
Questão 20. 
A Organização Mundial do Comércio (OMC) tem um 
mecanismo bastante famoso de solução de 
controvérsias, instituído em 1994 por meio do 
Entendimento Relativo às Normas e Procedimentos 
sobre Solução de Controvérsias, no Tratado de 
Marrakesh, e vincula todos os membros da organização. 
A respeito do funcionamento desse mecanismo, 
conhecido por “dar dentes à OMC, assinale a afirmativa 
correta. 
a) O mecanismo impede os países de optarem por bons 
ofícios, conciliação e mediação. 
b) A decisão, por consenso negativo, acerca da adoção 
de um relatório produzido pelo grupo especial, integra o 
rol de competências do Órgão de Solução de 
Controvérsias. 
c) As recomendações e decisões do Órgão de Solução de 
Controvérsias poderão implicar a diminuição ou o 
aumento dos direitos e das obrigações dos Estados. 
d) As partes em controvérsia e os terceiros interessados 
que tenham sido ouvidos pelo grupo especial poderão 
recorrer do relatório do grupo especial ao Órgão 
Permanente de Apelação. 
Comentário Longo: 
Resposta: B 
22 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
Letra A: errada. Os Estados, mesmo após acionarem o 
sistema de solução de controvérsias, poderão recorrer 
aos bons ofícios, conciliação e mediação. 
Letra B: correta. No âmbito do sistema de solução de 
controvérsias da OMC, as decisões são tomadas por 
consenso negativo. 
Letra C: errada. As recomendações e decisões do Órgão 
de Solução de Controvérsias não poderão implicar a 
diminuição ou o aumento dos direitos e das obrigações 
dos Estados. 
Letra D: errada. Os terceiros interessados não podem 
recorrer do relatório do grupo especial. 
 
 
 
Questão 21. 
O MERCOSUL é um organismo internacional que visa à 
integração econômica de países que se localizam 
geograficamente no eixo conhecido como Cone Sul, nos 
termos do Tratado de Assunção (1991) e do Protocolo de 
Ouro Preto (1994). 
Sobre o sistema de solução de controvérsias do 
MERCOSUL, assinale a afirmativa correta. 
a) O MERCOSUL não possui, ainda, um sistema próprio 
de solução de controvérsias, contando apenas com a 
jurisdição interna de cada Estado. 
b) O sistema de solução de controvérsias do MERCOSUL 
encontra-se normatizado pelo Protocolo de Ouro Preto 
(1994), que estabeleceu a estrutura orgânica definitiva 
do bloco. 
c) O sistema de solução de controvérsias do MERCOSUL, 
foi finalmente normatizado nos termos do Protocolo de 
Olivos (2002). 
d) O sistema de soluções de controvérsias do MERCOSUL 
foi criado pelo Protocolo de Las Leñas (1996), que 
estabeleceu os procedimentos de cooperação e 
assistência jurisdicional em matéria civil, comercial, 
trabalhista e administrativa. 
Comentário Longo: 
Resposta: C 
Letra A: errada. O MERCOSUL tem um sistema próprio de 
solução de controvérsias desde o início da década de 
1990, atualmente normatizado pelo Protocolo de Olivos 
(2002). 
Letra B: O MERCOSUL tem um sistema próprio de 
solução de controvérsias desde o início da década de 
1990, atualmente normatizado pelo Protocolo de Olivos 
(2002). 
Letra C: correta. O MERCOSUL tem um sistema próprio 
de solução de controvérsias desde o início da década de 
1990, atualmente normatizado pelo Protocolo de Olivos 
(2002). 
Letra D: errada. O MERCOSUL tem um sistema próprio 
de solução de controvérsias desde o início da década de 
1990, atualmente normatizado pelo Protocolo de Olivos 
(2002). 
 
 
Direito Tributário 
Rodrigo Martins 
Questão 22. 
João, servidor público do Estado Alfa, constatou que a 
referida entidade federativa fez a retenção do IRPF - 
Imposto de Renda da Pessoa Física sobre verba 
indenizatória que lhe foi paga devido à impossibilidade 
de gozo da sua licença-prêmio por necessidade do 
serviço público. Sobre a hipótese, assinale a afirmativa 
correta. 
a) A retenção foi incorreta, pois o imposto não é devido, 
e João poderá propor Ação de Repetição de Indébito 
Fiscal em face da União perante a Justiça Federal. 
b) A retenção foi incorreta, pois o imposto não é devido, 
e João poderá propor Ação de Repetição de Indébito 
Fiscal em face do Estado Alfa perante a Justiça Estadual 
(Comum). 
c) A retenção foi incorreta, pois o imposto não é devido, 
e João poderá propor Ação de Repetição de Indébito 
Fiscal em face do Estado Alfa perante a Justiça Federal. 
d) A retenção foi correta, pois o imposto é devido. 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
A questão gira em torno dos seguintes aspectos: incide 
IRPF - Imposto de Renda da Pessoa Física sobre o 
pagamento de licença-prêmio não gozada por 
necessidade do serviço? Acaso negativa e resposta e 
acaso o Estado-membro (fonte pagadora) faça a 
retenção, em face de quem deve ser proposta a Ação de 
Repetição de Indébito Fiscal? Em face da União ou do 
Estado-membro (fonte pagadora)? Junto à Justiça 
Federal ou à Justiça Comum (Estadual)? 
23 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
No caso: 
> Servidor público estadual constatou que o Estado-
membro fez a retenção do IRPF - Imposto de Renda da 
Pessoa Física sobre verba indenizatória que lhe foi paga 
porque ele não pôde gozar a sua licença-prêmio por 
necessidade do serviço público. 
> Eis o cerne da questão: incide IRPFsobre tal verba 
indenizatória? Acaso negativa e resposta, em face de 
quem deve ser proposta a Ação de Repetição de Indébito 
Fiscal? Em face da União ou do Estado-membro? Junto à 
Justiça Federal ou à Justiça Estadual? 
A resposta é dada pelo art. 43, incisos I e II, do CTN, pela 
Súmula nº 136 do STJ, pelos arts. 109, inciso I, e 157, 
inciso I, da CF/88 e pela Súmula nº 447 do STJ: 
CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre 
a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato 
gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou 
jurídica: 
I - de renda, assim entendido o produto do capital, do 
trabalho ou da combinação de ambos; 
II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos 
os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso 
anterior. 
(...). 
Súmula 136 do STJ: O pagamento de licença-prêmio não 
gozada por necessidade do serviço não está sujeito ao 
imposto de renda. 
CF/88: Art. 157. Pertencem aos Estados e ao Distrito 
Federal: 
I - o produto da arrecadação do imposto da União sobre 
renda e proventos de qualquer natureza, incidente na 
fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por 
eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e 
mantiverem; 
(...). 
Súmula 447 do STJ: Os Estados e o Distrito Federal são 
partes legítimas na ação de restituição de imposto de 
renda retido na fonte proposta por seus servidores. 
De acordo com o art. 43, incisos I e II, do CTN, o IR - 
Imposto sobre a Renda tem como fato gerador a 
aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de 
renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho 
ou da combinação de ambos, ou de proventos de 
qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos 
patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. 
Logo, é imprescindível, para fins de caracterização do 
fato gerador desse imposto, que o valor recebido 
acarrete acréscimo patrimonial; acaso determinado 
valor recebido não implique em acréscimo patrimonial, 
não configurará fato gerador do IR. Por isso, todas as 
verbas indenizatórias, por serem recomposição 
patrimonial (e não acréscimo), não podem ser tributadas 
à título de IR. Nesse sentido, especificamente sobre o 
problema em questão, a Súmula nº 136 do STJ fixa o 
seguinte entendimento: "O pagamento de licença-
prêmio não gozada por necessidade do serviço não está 
sujeito ao imposto de renda." 
Pois bem: em paralelo, muito embora o IR - Imposto 
sobre a Renda seja um tributo federal, a própria CF/88 
prescreve, no art. 157, inciso I, acima transcrito, que o 
produto da arrecadação desse imposto incidente na 
fonte sobre rendimentos pagos a qualquer título pelos 
Estados, Municípios ou pelo Distrito Federal, por suas 
autarquias ou por suas fundações, pertencem aos 
próprios Estados ou Distrito Federal pagadores da renda 
(fontes pagadoras). Dessa forma, o IR retido pelos 
Estados, Municípios ou pelo Distrito Federal quando 
efetuam o pagamento de uma renda não é repassado à 
União, ficando como receita da própria entidade 
pagadora. E o STJ sedimentou o entendimento, na 
Súmula nº 447, que a eventual Ação de Repetição de 
Indébito Fiscal referente a esse Imposto de Renda retido 
- e não repassado - deve ser proposta em face do próprio 
Estado ou Distrito Federal que ficou com o valor: 
Súmula 447 do STJ: Os Estados e o Distrito Federal são 
partes legítimas na ação de restituição de imposto de 
renda retido na fonte proposta por seus servidores. 
Muito embora a súmula em questão não mencione os 
Municípios, o mesmo entendimento é a eles aplicável, 
em consonância com o art. 158, inciso I, da CF/88 e 
conforme inúmeras decisões já proferidas pelo STJ. 
Pois bem. Como a União não será parte ou interessada 
(de acordo com o acima exposto), a ação deve ser 
proposta na justiça comum, de acordo com o art. 109, 
inciso I, da CF/88: 
CF/88: Art. 109. Aos juízes federais compete processar e 
julgar: 
I - as causas em que a União, entidade autárquica ou 
empresa pública federal forem interessadas na condição 
de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de 
falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à 
Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho; 
(...). 
Por isso, é correto afirmar que a retenção foi incorreta, 
pois o imposto não é devido, e que João poderá propor 
24 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
Ação de Repetição de Indébito Fiscal em face do Estado 
Alfa perante a Justiça Estadual (Comum), estando 
correta, assim, a LETRA B, que é o gabarito da questão. 
Letra A (item árvore: 18.3 e 23.3) 
INCORRETA 
Sim, a retenção foi incorreta, pois não incide - e, 
portanto, não é devido - IR sobre verbas indenizatórias, 
e João poderá propor Ação de Repetição de Indébito 
Fiscal, porém, em face do Estado Alfa (Estado-membro 
que lhe pagou a indenização), e não em face da União, 
perante a Justiça Comum, e não perante a Justiça 
Federal. 
Letra B (item árvore: 18.3 e 23.3) 
CORRETA 
De fato, a retenção foi incorreta, pois não incide - e, 
portanto, não é devido - IR sobre verbas indenizatórias, 
e João poderá propor Ação de Repetição de Indébito 
Fiscal em face do Estado Alfa - que lhe pagou a 
indenização - perante a Justiça Estadual (Comum). 
Letra C (item árvore: 18.3 e 23.3) 
INCORRETA 
Sim, a retenção foi incorreta, pois não incide - e, 
portanto, não é devido - IR sobre verbas indenizatórias, 
e João poderá propor Ação de Repetição de Indébito 
Fiscal em face do Alfa (Estado-membro que lhe pagou a 
indenização), porém, perante a Justiça Comum, e não 
perante a Justiça Federal. 
Letra D (item árvore: 18.3) 
INCORRETA 
A retenção foi incorreta, pois não incide - e, portanto, 
não é devido - IR sobre verbas indenizatórias. 
Comentário Curto 
De acordo com o art. 43, incisos I e II, do CTN, é 
imprescindível, para fins de caracterização do fato 
gerador desse imposto, que o valor recebido acarrete 
acréscimo patrimonial. Por isso, todas as verbas 
indenizatórias, por serem recomposição patrimonial (e 
não acréscimo), não podem ser tributadas à título de IR. 
Nesse sentido, especificamente sobre o problema em 
questão, a Súmula nº 136 do STJ fixa o seguinte 
entendimento: "O pagamento de licença-prêmio não 
gozada por necessidade do serviço não está sujeito ao 
imposto de renda." Em paralelo, nos termos do art. 157, 
inciso I, da CF/88, o produto da arrecadação do IR - 
Imposto sobre a Renda incidente na fonte sobre 
rendimentos pagos a qualquer título pelos Estados ou 
pelo Distrito Federal pertence ao próprio Estados ou 
Distrito Federal pagadores da renda (fonte pagadora). É 
justamente por isso que o STJ sedimentou o 
entendimento (na Súmula nº 447) de que a eventual 
Ação de Repetição de Indébito Fiscal referente a esse 
Imposto de Renda retido deve ser proposta em face do 
próprio Estado ou Distrito Federal que ficou com o valor. 
Por fim, de acordo com o art. 109, inciso I, da CF/88, essa 
ação é da competência da Justiça Comum ou Estadual, 
pois a União não é parte ou interessada. 
Logo, a LETRA B é a correta e gabarito da questão. 
 
Questão 23. 
A sociedade empresária ABC Ltda. foi autuada pelo Fisco 
Federal por não ter atendido a uma notificação, 
regularmente expedida em procedimento de fiscalização 
devidamente instaurado, que solicitava a apresentação 
de diversos documentos fiscais. Inconformada, ela 
apresentou impugnação administrativa em face do AIIM 
- Auto de Infração e Imposição de Multa comprovando 
que não apresentou os referidos documentos porque 
eles haviam sido furtados pelo antigo administrador da 
sociedade, que, com eles, por vontade própria, praticara 
crime de sonegação fiscal tipificado na Lei de Sonegação 
Fiscal (Lei Federal nº 8.137/90), tendo sido, por isso, 
condenado na esfera penal, tanto pela sonegação fiscal 
quanto pelo furto daqueles documentos. Com base 
nessa hipótese, assinale a afirmativa correta quanto à 
responsabilidade pelo pagamento da multa tributária: 
a) O antigo administrador da pessoa jurídica não pode 
ser responsabilizado na esferatributária pelo pagamento 
da multa, pois já foi devidamente sancionado na esfera 
penal. 
b) A sociedade empresária é a única responsável pelo 
pagamento da multa tributária. 
c) A sociedade empresária e o seu antigo administrador 
devem ser solidariamente responsabilizados pelo 
pagamento da multa tributária. 
d) Devido ter cometido infração tipificada como crime, o 
antigo administrador da pessoa jurídica é pessoalmente 
responsável pelo pagamento da multa tributária. 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
A questão gira em torno dos seguintes aspectos: quem 
deve ser responsabilizado pelo pagamento de uma multa 
tributária lavrada em face de pessoa jurídica por infração 
praticada pelo seu administrador e qualificada em lei 
25 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
como crime? A pessoa jurídica, o administrador ou 
ambos? 
No caso: 
> Determinada sociedade empresária foi autuada pelo 
Fisco por não ter atendido a uma notificação que 
solicitava a apresentação de documentos fiscais. 
> A autuada apresentou impugnação administrativa em 
face do AIIM - Auto de Infração e Imposição de Multa 
comprovando que não apresentou os documentos 
porque eles haviam sido furtados pelo antigo 
administrador da sociedade. 
> Além de tê-los furtado, o antigo administrador praticou 
crime de sonegação fiscal com tais documentos, tendo 
sido, inclusive, já condenado na esfera penal, tanto pela 
sonegação fiscal quanto pelo furto dos documentos em 
questão. 
> Eis o cerne da questão: quem deve ser 
responsabilizado pelo pagamento dessa multa 
tributária? A sociedade empresária, o antigo 
administrador que praticou os crimes ou ambos? 
A resposta é dada pelo art. 137, inciso I, do CTN: 
CTN: Art. 137. A responsabilidade é pessoal ao agente: 
I – quanto às infrações conceituadas por lei como crimes 
ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício 
regular de administração, mandato, função, cargo ou 
emprego, ou no cumprimento de ordem expressa 
emitida por quem de direito; 
(...). 
De acordo com dispositivo legal em questão, a 
responsabilidade pela multa tributária é pessoal do 
agente que praticou o ato infracional conceituado por lei 
como crime ou contravenção. Como o antigo 
administrador da sociedade empresária praticou, no 
caso, crime de sonegação fiscal, a responsabilidade pelo 
pagamento do débito é pessoalmente dele, infrator, 
excluindo-se a responsabilidade da pessoa jurídica, que 
não é considerada a devedora, seja de forma “conjunta”, 
“solidária” ou “subsidiária”; ela será simplesmente 
excluída (totalmente) da cobrança. Logo, quanto à 
responsabilidade pelo pagamento da multa tributária, 
por ter cometido infração tipificada como crime, o antigo 
administrador da pessoa jurídica é pessoalmente 
responsável pelo seu pagamento, estando correta, 
assim, a LETRA D, que é o gabarito da questão. 
Letra A (item árvore: 12.3) 
INCORRETA 
A responsabilização no âmbito penal não exclui ou 
impede a responsabilização do antigo administrador da 
pessoa jurídica no âmbito tributário (tampouco no 
âmbito cível, se fosse o caso); ao contrário, justamente 
porque ele praticou ato qualificado como crime, deverá 
ser responsabilizado pela multa tributária. 
Letra B (item árvore: 12.3) 
INCORRETA 
A sociedade empresária não é a responsável pelo 
pagamento da multa tributária, já que, por decorrer a 
sanção tributária de infração qualificada em lei como 
crime, praticado pelo antigo administrador da pessoa 
jurídica, então é ele que deve ser pessoalmente 
responsabilizado pelo pagamento da multa em questão. 
Letra C (item árvore: 12.3) 
INCORRETA 
De acordo com o CTN, a responsabilidade é pessoal do 
antigo administrador, ou seja, razão pela qual a pessoa 
jurídica não pode ser solidariamente responsabilizada. 
Letra D (item árvore: 12.3) 
CORRETA 
Por ter cometido infração conceituada como crime, o 
CTN atribui a responsabilidade pelo pagamento da multa 
ao antigo administrador, que praticou o crime. 
Comentário Curto 
De acordo com dispositivo legal em questão, a 
responsabilidade pela multa tributária é pessoal do 
agente que praticou o ato infracional conceituado por lei 
como crime ou contravenção. Como o antigo 
administrador da sociedade empresária praticou, no 
caso, crime de sonegação fiscal, a responsabilidade pelo 
pagamento do débito é pessoalmente dele, infrator, 
excluindo-se a responsabilidade da pessoa jurídica, que 
não é considerada a devedora, seja de forma “conjunta”, 
“solidária” ou “subsidiária”; ela será simplesmente 
excluída (totalmente) da cobrança, estando correta, 
assim, a LETRA D, que é o gabarito da questão. 
Assim, a LETRA D é a correta e gabarito da questão. 
Questão 24. 
Antônio foi citado em Ação de Execução fiscal que tem 
por objeto a cobrança de débitos de IPTU - Imposto 
sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana e de 
Taxa de Coleta de Lixo Domiciliar referentes a fatos 
geradores ocorridos no mês de janeiro de 2015, cujo 
lançamento conjunto foi devidamente realizado de ofício 
e notificado ao contribuinte no mesmo mês e ano. A 
26 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
execução fiscal foi proposta em 15/07/2021 e a citação 
ocorreu em 28/09/2021. Com base na hipótese 
apresentada, assinale a alternativa que indica o 
argumento apto a afastar a exigência fiscal, 
considerando que Antônio não tomou qualquer 
providência em relação aos débitos após a notificação do 
lançamento e que o Município também não adotou 
qualquer medida judicial entre a notificação dos 
lançamentos e o ajuizamento da execução fiscal: 
a) A exigibilidade do crédito tributário está suspensa pela 
moratória. 
b) O crédito tributário está extinto pela decadência. 
c) O crédito tributário está extinto pela prescrição. 
d) O crédito tributário está extinto pela preclusão. 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
A questão gira em torno dos seguintes aspectos: 
considerando a situação narrada e as datas 
apresentadas, é possível concluir que o crédito tributário 
foi extinto pela prescrição, pela decadência ou pela 
preclusão? Ou está com sua exigibilidade suspensa em 
razão de moratória? 
No caso: 
> O Executado foi citado em Execução fiscal para a 
cobrança de débitos tributários cujos fatos geradores 
ocorreram em janeiro de 2015. 
> O respectivo crédito tributário foi constituído de ofício 
e notificado ao contribuinte em janeiro de 2015. 
> A Execução Fiscal em questão foi proposta em 
15/07/2021. 
> A citação do Executado ocorreu em 28/09/2021. 
> O contribuindo, ora Executado, não tomou qualquer 
providência em relação aos débitos após a notificação do 
lançamento em questão. 
> O Município também não adotou qualquer medida 
judicial entre a notificação dos lançamentos e o 
ajuizamento da execução fiscal. 
> Eis o cerne da questão: qual o argumento apto a afastar 
a exigência fiscal? Prescrição, Decadência ou Preclusão? 
Ou porque o débito está com sua exigibilidade suspensa 
em razão de moratória? 
A resposta é dada pelos arts. 151, inciso V, 173, inciso I, 
e 174, todos do CTN: 
CTN: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: 
(...) 
V - a prescrição e a decadência; 
(...). 
CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o 
crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, 
contados: 
I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o 
lançamento poderia ter sido efetuado; 
(...) 
CTN: Art. 174. A ação para a cobrança do crédito 
tributário prescreve em cinco anos, contados da data da 
sua constituição definitiva. 
Parágrafo único. A prescrição se interrompe: 
I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em 
execução fiscal; (Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005) 
II - pelo protesto judicial; 
III - por qualquer ato judicial que constitua em mora o 
devedor; 
IV - por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, 
que importe em reconhecimento do débito pelo 
devedor. 
De acordo com o inciso V do art. 156 do CTN, tanto a 
decadência quanto a prescrição extinguem o crédito 
tributário.Assim, se ocorrer decadência ou prescrição, o 
débito (a dívida) restará extinta. Pois bem: o artigo 173, 
inciso I, do CTN veicula uma das regras de decadência no 
Direito Tributário (decadência se refere ao prazo para 
constituir o crédito tributário); de acordo com esse 
dispositivo, acaso o fato gerador de um tributo ocorra 
em qualquer dia de um determinado ano, o Fisco terá o 
prazo de até 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do 
ano seguinte (1º de janeiro do ano seguinte ao ano em 
que ocorrido o fato gerador) para constituir o crédito 
tributário. Acaso ultrapassado o último dia do quinto ano 
(31 de dezembro) sem a constituição do crédito 
tributário, a obrigação tributária restará extinta pela 
decadência, nada mais sendo devido. Ao aplicarmos essa 
regra na questão em análise, chegaremos à conclusão de 
que não houve a extinção do crédito tributário pela 
decadência, pois os fatos geradores foram praticados 
em janeiro de 2015 e em janeiro de 2015 o respectivo 
crédito foi constituído de ofício pelo Fisco (no mesmo 
mês e ano em que ocorreram os fatos geradores), 
havendo, assim, um período inferior aos 5 (cinco) anos 
previstos no inciso I do art. 173 do CTN. Portanto, não 
houve a extinção do crédito tributário pela decadência. 
Diferentemente, ocorreu, in casu, a prescrição (prazo 
para cobrar um tributo por meio da propositura de uma 
27 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
Ação de Execução Fiscal). De acordo com o caput do art. 
174 do CTN, ocorre a prescrição (prazo para cobrar um 
tributo) se a Ação de Execução Fiscal não for proposta no 
prazo de até 5 (cinco) anos, contados da "constituição 
definitiva" do crédito tributário. No caso do problema 
em questão, como o lançamento foi notificado ao 
contribuinte em janeiro de 2015, tem-se que a sua 
constituição definitiva ocorreu em tal data, a partir das 
qual deve ser contado o respectivo prazo prescricional 
de 5 (cinco) anos para a propositura da Ação de Execução 
Fiscal. Portanto, contados esses 5 (cinco) anos, o termo 
final do prazo prescricional foi janeiro de 2020, mas a 
Execução Fiscal foi proposta somente em 15/07/2021, 
ou seja, após o transcurso do prazo prescricional, tendo 
ocorrido, assim, a extinção dos referidos créditos 
tributários pela prescrição. Por fim, a preclusão não é 
hipótese de extinção do crédito tributário (as hipóteses 
extintivas são previstas no art. 156 do CTN); 
corresponde, outrossim, à perda (por algum motivo) da 
possibilidade de praticar um ato processual, no bojo de 
uma ação referente a um direito alegadamente violado. 
Quanto à moratória, é hipótese suspensiva da 
exigibilidade do crédito tributário, mas não foi citada no 
enunciado do problema qualquer situação que configure 
a concessão de moratória. Logo, no caso do problema 
em questão, o único argumento apto a afastar a 
exigência fiscal é o de que o crédito tributário foi extinto 
pela prescrição, estando correta, assim, a LETRA C, que é 
o gabarito da questão. 
Letra A (item árvore: 13.1) 
INCORRETA 
As situações que configuram a concessão de moratória 
(que é hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito 
tributário) não foram sequer citadas no enunciado do 
problema, não havendo como sustentar que a 
exigibilidade do crédito tributário está suspensa pela 
moratória. 
Letra B (item árvore: 14.5) 
INCORRETA 
Não transcorreram mais do que 5 (cinco) anos entre a 
data da ocorrência dos fatos geradores e a data da 
constituição do crédito tributário, não tendo havido, 
assim, extinção do crédito tributário pela decadência. 
Letra C (item árvore: 14.5) 
CORRETA 
De fato, transcorreram mais do que 5 (cinco) anos entre 
a data da constituição do crédito tributário e a data da 
propositura da Ação de Execução Fiscal, tendo havido, 
assim, extinção do crédito tributário pela prescrição. 
Letra D (item árvore: 14.5) 
INCORRETA 
A preclusão corresponde, outrossim, à perda (por algum 
motivo) da possibilidade de praticar um ato processual, 
no bojo de uma ação referente a um direito 
alegadamente violado. 
Comentário Curto 
De acordo com o inciso V do art. 156 do CTN, tanto a 
decadência quanto a prescrição extinguem o crédito 
tributário. Assim, se ocorrer decadência ou prescrição, o 
débito (a dívida) restará extinta. Pois bem: o artigo 173, 
inciso I, do CTN veicula uma das regras de decadência no 
Direito Tributário (decadência se refere ao prazo para 
constituir o crédito tributário); de acordo com esse 
dispositivo, acaso o fato gerador de um tributo ocorra 
em qualquer dia de um determinado ano, o Fisco terá o 
prazo de até 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do 
ano seguinte (1º de janeiro do ano seguinte ao ano em 
que ocorrido o fato gerador) para constituir o crédito 
tributário. Acaso ultrapassado o último dia do quinto ano 
(31 de dezembro) sem a constituição do crédito 
tributário, a obrigação tributária restará extinta pela 
decadência, nada mais sendo devido. Ao aplicarmos essa 
regra na questão em análise, chegaremos à conclusão de 
que não houve a extinção do crédito tributário pela 
decadência, pois os fatos geradores foram praticados 
em janeiro de 2015 e em janeiro de 2015 o respectivo 
crédito foi constituído de ofício pelo Fisco (no mesmo 
mês e ano em que ocorreram os fatos geradores), 
havendo, assim, um período inferior aos 5 (cinco) anos 
previstos no inciso I do art. 173 do CTN. Portanto, não 
houve a extinção do crédito tributário pela decadência. 
Diferentemente, ocorreu, in casu, a prescrição (prazo 
para cobrar um tributo por meio da propositura de uma 
Ação de Execução Fiscal). De acordo com o caput do art. 
174 do CTN, ocorre a prescrição (prazo para cobrar um 
tributo) se a Ação de Execução Fiscal não for proposta no 
prazo de até 5 (cinco) anos, contados da "constituição 
definitiva" do crédito tributário. No caso do problema 
em questão, como o lançamento foi notificado ao 
contribuinte em janeiro de 2015, tem-se que a sua 
constituição definitiva ocorreu em tal data, a partir das 
qual deve ser contado o respectivo prazo prescricional 
de 5 (cinco) anos para a propositura da Ação de Execução 
Fiscal. Portanto, contados esses 5 (cinco) anos, o termo 
final do prazo prescricional foi janeiro de 2020, mas a 
Execução Fiscal foi proposta somente em 15/07/2021, 
28 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
ou seja, após o transcurso do prazo prescricional, tendo 
ocorrido, assim, a extinção dos referidos créditos 
tributários pela prescrição. Por fim, a preclusão não é 
hipótese de extinção do crédito tributário (as hipóteses 
extintivas são previstas no art. 156 do CTN); 
corresponde, outrossim, à perda (por algum motivo) da 
possibilidade de praticar um ato processual, no bojo de 
uma ação referente a um direito alegadamente violado. 
Quanto à moratória, é hipótese suspensiva da 
exigibilidade do crédito tributário, mas não foi citada no 
enunciado do problema qualquer situação que configure 
a concessão de moratória. Logo, no caso do problema 
em questão, o único argumento apto a afastar a 
exigência fiscal é o de que o crédito tributário foi extinto 
pela prescrição. 
Logo, a LETRA C é a correta e gabarito da questão. 
 
Questão 25. 
O Estado Alfa propôs Ação de Execução Fiscal em face da 
pessoa jurídica Beta objetivando cobrar créditos 
tributários de ICMS - Imposto sobre a Circulação de 
Mercadorias e Prestação de Serviços devidamente 
declarados e não pagos pela contribuinte. O Exequente 
requereu, em petição apresentada nos autos, que o Juiz 
determinasse a imediata indisponibilidade de bens e 
direitos da Executada após a citação acaso ela não 
quitasse o débito e nem apresentasse bens à penhora no 
prazo legal. Sobre a hipótese, é correto afirma que: 
a) O juiz deve indeferir o pedido, pois não foram 
exauridas as diligências na busca por bens penhoráveis. 
b) O juiz deve deferir o pedido, determinando a 
indisponibilidade de bens e direitos no valor mínimo 
correspondente a 2 (duas) vezes o valor do débito 
executado, de modo a garantira efetiva satisfação do 
crédito tributário. 
c) O juiz deve indeferir o pedido, pois a indisponibilidade 
de bens e direitos não pode ser determinada em Ação de 
Execução Fiscal. 
d) O juiz deve deferir o pedido, em razão do interesse 
público concernente à satisfação do crédito tributário. 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
A questão gira em torno dos seguintes aspectos: a 
Fazenda Pública poder requerer, na Execução Fiscal, que 
seja determinada a imediata indisponibilidade de bens e 
direitos do Executado após a citação acaso o Executado 
simplesmente não quite o débito e nem apresente bens 
à penhora no prazo legal? Ou há algum pressuposto para 
que essa medida possa ser deferida pelo Juiz? A 
indisponibilidade pode corresponder a 2 (duas) vezes o 
valor do débito executado? 
No caso: 
> Determinado Estado ajuizou Execução Fiscal em face 
de determinada contribuinte. 
> O Estado Exequente requereu, em petição apresentada 
nos autos, que o Juiz determinasse a imediata 
indisponibilidade de bens e direitos da Executada após a 
citação acaso ela não quitasse o débito e nem 
apresentasse bens à penhora no prazo legal. 
> Eis o cerne da questão: a indisponibilidade de bens e 
direitos do Executado pode ser requerida em Execução 
Fiscal? O Exequente poder requerer que tal medida seja 
determinada após a citação acaso o Executado 
simplesmente porque ele não quitou o débito e nem 
apresentou bens à penhora no prazo legal? Ou há algum 
pressuposto para que essa medida possa ser deferida 
pelo Juiz? A indisponibilidade pode corresponder a 2 
(duas) vezes o valor do débito executado? 
A resposta é dada pelo art. 185-A do CTN e pela Súmula 
nº 560 do STJ: 
CTN: Art. 185-A. Na hipótese de o devedor tributário, 
devidamente citado, não pagar nem apresentar bens à 
penhora no prazo legal e não forem encontrados bens 
penhoráveis, o juiz determinará a indisponibilidade de 
seus bens e direitos, comunicando a decisão, 
preferencialmente por meio eletrônico, aos órgãos e 
entidades que promovem registros de transferência de 
bens, especialmente ao registro público de imóveis e às 
autoridades supervisoras do mercado bancário e do 
mercado de capitais, a fim de que, no âmbito de suas 
atribuições, façam cumprir a ordem judicial. (Incluído 
pela Lcp nº 118, de 2005) 
§ 1º A indisponibilidade de que trata o caput deste artigo 
limitar-se-á ao valor total exigível, devendo o juiz 
determinar o imediato levantamento da 
indisponibilidade dos bens ou valores que excederem 
esse limite. (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) 
§ 2º Os órgãos e entidades aos quais se fizer a 
comunicação de que trata o caput deste artigo enviarão 
imediatamente ao juízo a relação discriminada dos bens 
e direitos cuja indisponibilidade houverem promovido. 
(Incluído pela Lcp nº 118, de 2005) 
Súmula 560 do STJ: A decretação da indisponibilidade de 
bens e direitos, na forma do art. 185-A do CTN, 
pressupõe o exaurimento das diligências na busca por 
29 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
bens penhoráveis, o qual fica caracterizado quando 
infrutíferos o pedido de constrição sobre ativos 
financeiros e a expedição de ofícios aos registros 
públicos do domicílio do executado, ao Denatran ou 
Detran. 
De acordo com o art. 185-A do CTN, o Juiz poderá 
decretar a indisponibilidade de bens e direitos do 
Executado somente após cumpridos estes 4 (quatro) 
pressupostos: 1ª) deve ocorrer a citação do devedor; 2ª) 
se o devedor, apesar de citado, não comparecer para 
pagar o débito; 3º) também não oferecer bens à penhora 
no prazo legal; e 4º) desde que não forem localizados 
bens penhoráveis. Quanto a este último pressuposto 
(4º), a Súmula nº 560 do STJ fixa o entendimento de que 
a busca por bens penhoráveis é um encargo da Fazenda 
Pública Exequente, que deve exaurir as diligências de 
busca, exaurimento este que fica caracterizado quando 
houver nos autos prova de que: (i) foi infrutífero o 
pedido de constrição sobre ativos financeiros 
(BACENJud); (ii) o Fisco expedir ofícios aos registros 
públicos do domicílio do executado (como, por exemplo, 
cartório de registro de imóveis), sem que tenham sido 
encontrados bens; e (iii) o Fisco tenha enviado ofícios ao 
Departamento Nacional ou Estadual de Trânsito - 
DENATRAN ou DETRAN com pedido de informações 
sobre veículos em nome do devedor, sem que tenham 
sido encontrados bens. Somente após fielmente 
cumpridas todas essas etapas (pressupostos) poderá o 
Juiz da Execução Fiscal (sim, a medida pode ser 
decretada em processo de Execução Fiscal), então, 
decretar a indisponibilidade de bens e direitos em nome 
do executado, cadastrando a decisão na Central Nacional 
de Indisponibilidade de Bens (que permite que a ordem 
de indisponibilidade chegue ao conhecimento de 
diversos órgãos registrais do país). E de acordo com o § 
1º do art. 185-A em questão, a indisponibilidade deve se 
limitar ao valor total exigível, isto é, ao valor total do 
débito executado, e não a 2 ou 3 vezes o seu montante. 
No caso do problema em questão, a Exequente requereu 
a decretação da indisponibilidade após a citação do 
devedor, não pagamento e não oferecimento de bens à 
penhora no prazo legal, razão pela qual o juiz deve 
indeferir o pedido, pois faltaram (não foram exauridas) 
as diligências na busca por bens penhoráveis, estando 
correta, assim, a LETRA A, que é o gabarito da questão. 
Letra A (item árvore: 16.1) 
CORRETA 
De fato, o juiz deve indeferir o pedido, pois a 
indisponibilidade de bens e direitos pode ocorrer 
somente após o exaurimento das diligências na busca 
por bens penhoráveis, que fica caracterizado quando 
infrutíferos o pedido de constrição sobre ativos 
financeiros e também a expedição de ofícios aos 
registros públicos do domicílio do executado, ao 
Denatran ou Detran. 
Letra B (item árvore: 16.1) 
INCORRETA 
Somente após o exaurimento das diligências na busca 
por bens penhoráveis poderá o Juiz determinar a 
indisponibilidade de bens e direitos do Executado, e essa 
medida deve se limitar ao valor total do débito 
executado, e não a 2 ou 3 vezes o seu montante. 
Letra C (item árvore: 16.1) 
INCORRETA 
A determinação judicial de indisponibilidade de bens e 
direitos do Executado pode ser requerida no processo de 
execução fiscal. 
Letra D (item árvore: 16.1) 
INCORRETA 
A determinação judicial de indisponibilidade de bens e 
direitos pode ocorrer somente após o exaurimento das 
diligências na busca por bens penhoráveis, que fica 
caracterizado quando infrutíferos o pedido de constrição 
sobre ativos financeiros e também a expedição de ofícios 
aos registros públicos do domicílio do executado, ao 
Denatran ou Detran. 
Comentário Curto 
A determinação judicial de indisponibilidade de bens e 
direitos do devedor de tributo pode ocorrer em processo 
de Execução Fiscal. De acordo com a conjugação do art. 
185-A do CTN com a Súmula nº 560 do STJ, tal medida 
pode ser determinada pelo Juiz somente após (i) ter 
ocorrido a citação do devedor; (ii) ele, apesar de citado, 
não comparecer para pagar o débito; (iii) também não 
oferecer bens à penhora no prazo legal; e (iv) não forem 
localizados bens penhoráveis, que, sendo um encargo da 
Fazenda Pública Exequente, fica caracterizado quando 
houver nos autos prova de que: (a) foi infrutífero o 
pedido de constrição sobre ativos financeiros 
(BACENJud); (b) o Fisco expedir ofícios aos registros 
públicos do domicílio do executado (como, por exemplo, 
cartório de registro de imóveis), sem que tenham sido 
encontrados bens; e (c) o Fisco tenha enviado ofícios ao 
Departamento Nacional ou Estadual de Trânsito - 
DENATRAN ou DETRAN com pedido de informações 
sobre veículos em nome do devedor, sem que tenham 
30 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
sido encontrados bens. Somente após fielmente 
cumpridas todas essas etapas (pressupostos) poderá o 
Juiz da Execução Fiscal, então, decretar a 
indisponibilidade de bens e direitos em nome do 
Executado. No caso do problema em questão, a 
Exequente requereua decretação da indisponibilidade 
logo após a citação do devedor, razão pela qual deve o 
Juiz indeferir o pedido, já que não foram cumpridos os 
demais requisitos, em especial o exaurimento das 
diligências na busca por bens penhoráveis. E de acordo 
com o § 1º do art. 185-A em questão, a indisponibilidade 
deve se limitar ao valor total exigível, isto é, ao valor total 
do débito executado, e não a 2 ou 3 vezes o seu 
montante. No caso do problema em questão, a 
Exequente requereu a decretação da indisponibilidade 
após a citação do devedor, não pagamento e não 
oferecimento de bens à penhora no prazo legal, razão 
pela qual o juiz deve indeferir o pedido, pois faltaram 
(não foram exauridas) as diligências na busca por bens 
penhoráveis. 
Assim, a LETRA A é a correta e gabarito da questão. 
 
Questão 26. 
A Fazenda Pública do Município Alfa indeferiu o pedido 
de reconhecimento de imunidade tributária 
apresentado pela instituição privada de assistência social 
sem fins lucrativos ABC, sob o único argumento de que 
ela auferia lucro, pois os agentes públicos municipais 
constataram, durante a análise do pedido, que a 
instituição gera superávits mensais, que são 
integralmente reinvestidos na atividade assistencial 
juntamente com as demais receitas da instituição. Sobre 
a hipótese, assinale a afirmativa correta: 
a) O indeferimento do pedido não foi correto, pois a 
imunidade tributária das instituições privadas de 
assistência social sem fins lucrativos é incondicionada. 
b) O indeferimento do pedido não foi correto, pois a 
instituição não precisa ser deficitária para que seja 
reconhecida a sua imunidade tributária, desde que o 
superávit seja revertido para suas finalidades 
assistenciais. 
c) O indeferimento do pedido foi correto, pois o 
superávit caracteriza lucro que impede o 
reconhecimento da imunidade tributária. 
d) O indeferimento do pedido foi correto, pois as 
instituições privadas de assistência social sem fins 
lucrativos não foram comtempladas pela imunidade 
tributária prevista na Constituição Federal, mas somente 
as públicas. 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
A questão gira em torno dos seguintes aspectos: uma 
instituição privada de assistência social sem fins 
lucrativos está impedida de ter superávit se quiser ter 
direito ao reconhecimento da imunidade tributária? 
Somente as instituições públicas de assistência social 
têm direito à imunidade? Ou também as privadas? A 
imunidade tributária das instituições privadas de 
assistência social sem fins lucrativos é condicionada ou 
incondicionada? 
No caso: 
> Determinado Município indeferiu o pedido de 
reconhecimento de imunidade tributária apresentado 
por uma instituição privada de assistência social sem fins 
lucrativos. 
> O indeferimento ocorreu com base no único 
argumento de que ela auferia lucro, pois os agentes 
públicos municipais constataram que a instituição gera 
superávits mensais. 
> Mas esses superávits são integralmente reinvestidos 
na atividade assistencial juntamente com as demais 
receitas da instituição. 
> Eis o cerne da questão: a conduta do Fisco está 
correta? Tal imunidade é condicionada? A instituição de 
assistência social em questão tem ou não tem direito à 
imunidade tributária? 
A resposta é dada pelo art. 150, inciso VI, alínea "c", da 
CF/88 e pelo art. 14 do CTN: 
CF/88: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias 
asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos 
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: 
(...) 
VI - instituir impostos sobre: 
(...) 
c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, 
inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos 
trabalhadores, das instituições de educação e de 
assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os 
requisitos da lei; 
(...). 
CTN: Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 
9º (obs.: leia-se, no art. 150, inciso VI, alínea "c", da 
31 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
CF/88) é subordinado à observância dos seguintes 
requisitos pelas entidades nele referidas: 
I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio 
ou de suas rendas, a qualquer título; 
II - aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na 
manutenção dos seus objetivos institucionais; 
III - manterem escrituração de suas receitas e despesas 
em livros revestidos de formalidades capazes de 
assegurar sua exatidão. 
(...). 
De acordo com o art. 150, inciso VI, alínea "c", da CF/88, 
as instituições de assistência social sem fins lucrativos (e 
também as de educação) têm direito à imunidade 
tributária relativamente a impostos. Conforme consta na 
parte final da alínea "c" em questão, tal imunidade 
depende do atendimento dos requisitos estabelecidos 
em lei, o que faz dessa uma imunidade condicionada 
(pois a imunidade será reconhecida somente a quem 
cumprir as condições estabelecidas em lei). No caso, a lei 
em questão é o CTN, que prescreve, no art. 14, todas as 
condições para o reconhecimento da imunidade em 
questão. De acordo com o inciso I do art. 14 do CTN em 
comento, o reconhecimento do direito à imunidade 
tributária às instituições de assistência social sem fins 
lucrativos (e também às de educação, também previstas 
no art. 150, inciso VI, alínea "c", da CF/88) é subordinado 
à não distribuição de qualquer parcela de seu patrimônio 
ou de suas rendas, a qualquer título (além da 
necessidade de atenderem, também, cumulativamente, 
os incisos II e III do mesmo art. 14 do CTN). Pois bem: o 
que significa "não ter fins lucrativos" para fins de 
imunidade tributária? Não ter "fins lucrativos" significa, 
juridicamente, não distribuir os seus lucros (atendendo a 
vedação do inciso I do art. 14 do CTN em questão). Não 
significa, assim, que estão impedidas de ter lucro. 
Portanto, a entidade de educação "sem fins lucrativos" 
pode ter lucro, isto é, pode ter superavit, tendo a 
garantia da imunidade tributária desde que esse lucro 
(superávit) seja reinvestido em suas finalidades 
essenciais (já que ela não pode distribuir lucros se quiser 
obter o direito à imunidade tributária). Por fim, as 
instituições de assistência social (e também de 
educação) referidas no art. 150, inciso VI, alínea "c", da 
CF/88 são entidades de natureza privada (logo, essa 
norma de imunidade é dirigida a entidades privadas), 
pois as públicas são alcançadas, em verdade, pela 
imunidade recíproca prevista na alínea "a" do mesmo 
dispositivo constitucional. Logo, no caso do problema em 
questão, o indeferimento do pedido não foi correto, pois 
a instituição não precisa ser deficitária para que seja 
reconhecida a sua imunidade tributária, desde que o 
superávit seja revertido para suas finalidades 
assistenciais, estando correta, assim, a LETRA B, que é o 
gabarito da questão. 
Letra A (item árvore: 7.4) 
INCORRETA 
De fato, o fisco não agiu corretamente, o que torna a 
primeira parte da alternativa correta, porém, a 
imunidade tributária das instituições privadas de 
assistência social sem fins lucrativos é condicionada, pois 
dependente do atendimento das condições 
estabelecidas no art. 14 do CTN. 
Letra B (item árvore: 7.4) 
CORRETA 
De fato, o indeferimento do pedido não foi correto, pois 
a instituição não precisa ser deficitária para que seja 
reconhecida a sua imunidade tributária, desde que o 
superávit seja revertido para suas finalidades 
assistenciais. 
Letra C (item árvore: 7.4) 
INCORRETA 
O indeferimento do pedido não foi correto, pois o 
superávit não caracteriza lucro e não impede o 
reconhecimento da imunidade tributária, desde que 
esse superávit seja reinvestido em suas finalidades 
essenciais; a entidade não pode, em verdade, distribuir 
o seu lucro, a qualquer título, se quiser obter o direito à 
imunidade tributária. 
Letra D (item árvore: 7.4) 
INCORRETA 
O indeferimento do pedido não foi correto, pois as 
instituições de assistência social (e também as de 
educação) referidas no art. 150, inciso VI, alínea "c", da 
CF/88 são entidades de natureza privada(logo, essa 
norma de imunidade é dirigida a entidades privadas). As 
públicas são alcançadas, em verdade, pela imunidade 
recíproca prevista na alínea "a" do mesmo dispositivo 
constitucional. 
Comentário Curto 
De acordo com o art. 150, inciso VI, alínea "c", da CF/88, 
as instituições de assistência social sem fins lucrativos (e 
também as de educação) têm direito à imunidade 
tributária relativamente a impostos. Conforme consta na 
parte final da alínea "c" em questão, tal imunidade 
depende do atendimento dos requisitos estabelecidos 
32 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
em lei, o que faz dessa uma imunidade condicionada 
(pois a imunidade será reconhecida somente a quem 
cumprir as condições estabelecidas em lei). No caso, a lei 
em questão é o CTN, que prescreve, no art. 14, todas as 
condições para o reconhecimento da imunidade em 
questão. De acordo com o inciso I do art. 14 do CTN em 
comento, o reconhecimento do direito à imunidade 
tributária às instituições de assistência social sem fins 
lucrativos (e também às de educação, também previstas 
no art. 150, inciso VI, alínea "c", da CF/88) é subordinado 
à não distribuição de qualquer parcela de seu patrimônio 
ou de suas rendas, a qualquer título (além da 
necessidade de atenderem, também, cumulativamente, 
os incisos II e III do mesmo art. 14 do CTN). Pois bem: o 
que significa "não ter fins lucrativos" para fins de 
imunidade tributária? Não ter "fins lucrativos" significa, 
juridicamente, não distribuir os seus lucros (atendendo a 
vedação do inciso I do art. 14 do CTN em questão). Não 
significa, assim, que estão impedidas de ter lucro. 
Portanto, a entidade de educação "sem fins lucrativos" 
pode ter lucro, isto é, pode ter superavit, tendo a 
garantia da imunidade tributária desde que esse lucro 
(superávit) seja reinvestido em suas finalidades 
essenciais (já que ela não pode distribuir lucros se quiser 
obter o direito à imunidade tributária). Por fim, as 
instituições de assistência social (e também de 
educação) referidas no art. 150, inciso VI, alínea "c", da 
CF/88 são entidades de natureza privada (logo, essa 
norma de imunidade é dirigida a entidades privadas), 
pois as públicas são alcançadas, em verdade, pela 
imunidade recíproca prevista na alínea "a" do mesmo 
dispositivo constitucional. Logo, no caso do problema em 
questão, o indeferimento do pedido não foi correto, pois 
a instituição não precisa ser deficitária para que seja 
reconhecida a sua imunidade tributária, desde que o 
superávit seja revertido para suas finalidades 
assistenciais. 
Assim, a LETRA B é a correta e gabarito da questão. 
 
Direito Administrativo 
Igor Maciel 
Questão 27. 
Marissa, bacharel em direito, foi aprovada em concurso 
público para o cargo de analista judiciária do Ministério 
Público Federal, cargo no qual alcançou regularmente a 
estabilidade. Enquanto ainda exercia este cargo, Marissa 
prestou novo concurso e foi aprovada para o cargo de 
advogada da Caixa Econômica Federal. Diante dessa 
situação hipotética, assinale a afirmativa correta. 
a) A estabilidade já alcançada por Marissa se estende a 
seu cargo na Caixa Econômica Federal, pois em ambos os 
casos, trata-se de serviço público. 
b) Marissa, por já ser funcionária pública estável, pode 
ser transferida para integrar os quadros da Caixa 
Econômica Federal sem necessidade de realização de 
novo concurso público. 
c) Marissa poderá acumular o cargo de analista do MPF 
com o emprego na Caixa Econômica Federal, havendo 
compatibilidade de horários. 
d) Marissa, enquanto analista do MPF, se submete a 
regime estatutário, mas se assumir o cargo na Caixa 
Econômica Federal, se submeterá ao regime celetista. 
Comentário Longo 
A questão trata de aspectos relativos ao servidor público. 
Vejamos a seguir: 
Em regra, os servidores públicos não podem acumular 
cargo público. Há algumas exceções dispostas na 
Constituição, sendo que a proibição abrange não só a 
Administração Direta, mas, também, autarquias, 
fundações, empresas públicas, sociedades de economia 
mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas, direta 
ou indiretamente, pelo poder público. É isso o que 
dispõe o artigo 37, incisos XVI e XVII da CF/88: 
Art. 37. A administração pública direta e indireta de 
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de 
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e 
eficiência e, também, ao seguinte: 
XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos 
públicos, exceto, quando houver compatibilidade de 
horários, observado em qualquer caso o disposto no 
inciso XI: 
a) a de dois cargos de professor; 
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou 
científico; 
c) a de dois cargos ou empregos privativos de 
profissionais de saúde, com profissões regulamentadas; 
XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e 
funções e abrange autarquias, fundações, empresas 
públicas, sociedades de economia mista, suas 
subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou 
indiretamente, pelo poder público. 
Desta feita, não é possível que Marissa cumule o cargo 
de analista do MPF com o emprego na Caixa Econômica 
Federal, que é empresa pública federal, ainda que haja 
33 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
compatibilidade de horários, pois a proibição se estende 
também às empresas públicas. 
No tocante ao regime de contratação, é interessante 
mencionar que a Administração Pública tem diferentes 
formas de contratar os seus servidores. Se exercentes de 
cargo público efetivo, submetem-se ao regime 
estatutário, como por exemplo, o cargo de analista 
ocupado por Marissa. Se exercentes de emprego 
público, submeter-se-ão ao regime celetista, como é o 
caso das sociedades de economia mista e empresas 
públicas. 
Portanto, Marissa, enquanto analista do MPF, submete-
se ao regime estatutário. Mas caso opte por assumir o 
cargo de advogada da Caixa Econômica Federal, por este 
ser um emprego Público, passará a se submeter ao 
regime celetista. 
Quanto a estabilidade do servidor público, esta é 
adquirida após 3 anos no exercício efetivo do cargo, na 
forma do artigo 41 da CF/88, veja: 
Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício 
os servidores nomeados para cargo de provimento 
efetivo em virtude de concurso público. 
Ocorre que, este artigo 41 não se aplica às sociedades de 
economia mista e empresas públicas, pois estas possuem 
personalidade jurídica de direito privado. Ademais, ainda 
que as empresas públicas fossem compatíveis com o 
instituto da estabilidade, é preciso lembrar que um 
servidor, mesmo que estável, ao ser investido em novo 
cargo, não fica dispensado de cumprir o estágio 
probatório nesse novo cargo. Logo, o instituto da 
estabilidade não se estenderá a Marissa no caso. 
Por fim, no tocante à necessidade de realização de 
concurso público para contratação, a Caixa Econômica 
Federal, como empresa pública, integra a Administração 
Indireta e se submete, sim, a este regime. Logo, não seria 
possível que Marissa fosse simplesmente transferida 
para integrar os quadros da Caixa Econômica sem a 
realização de novo concurso público. 
Letra A 
INCORRETA 
A estabilidade já alcançada por Marissa não se estende à 
Caixa Econômica Federal, pois o art. 41, CF/88 não se 
aplica às sociedades de economia mista e empresas 
públicas. Além disso, ainda que se aplicasse, o servidor, 
mesmo que estável, ao ser investido em novo cargo, não 
fica dispensado de cumprir o estágio probatório nesse 
novo cargo. 
Letra B 
INCORRETA 
Marissa não poderia simplesmente ser transferida para 
integrar os quadros da Caixa Econômica Federal sem a 
realização de novo concurso público, pois as empresas 
públicas integram a Administração Indireta e precisam 
realizar concurso público. 
Letra C 
INCORRETA 
Não é possível que Marissa cumule o cargo de analista 
no MPF com o emprego de advogada da Caixa 
Econômica Federal, ainda que haja compatibilidade de 
horários,pois a proibição do artigo 37, XVI, CF/88 
também se estende às empresas públicas. 
Letra D 
CORRETA 
Marissa, enquanto analista do MPF, submete-se ao 
regime estatutário, pois exerce cargo público efetivo. 
Mas caso opte por assumir o cargo de advogada da Caixa 
Econômica Federal, por este ser um emprego público, 
passará a se submeter ao regime celetista. 
Comentário Curto 
Marissa, enquanto analista do MPF, submete-se ao 
regime estatutário, pois exerce cargo público efetivo. 
Mas caso opte por assumir o cargo de advogada da Caixa 
Econômica Federal, por este ser um emprego público, 
passará a se submeter ao regime celetista. 
Gabarito: D 
 
Questão 28. 
Em determinado concurso público, Gabriela foi aprovada 
em 7º lugar e Nilda em 9º lugar. O edital do concurso 
previa 6 vagas, sem cadastro de reserva, e validade de 2 
anos, prorrogável por mais 2 anos. Decorrido 1 ano do 
concurso, os aprovados em 1º e 2º lugar desistiram 
formalmente das vagas. Por essa razão, o órgão 
responsável resolveu realizar novo certame para o 
mesmo cargo. Sobre essa situação, assinale a alternativa 
correta. 
a) O órgão não poderá realizar novo concurso para o 
mesmo cargo antes de vencido o prazo do concurso 
anterior sem que isso gere automaticamente o direito 
subjetivo de Nilda à nomeação. 
b) Nem Gabriela nem Nilda têm direito subjetivo à 
nomeação. 
c) Tanto Gabriela quanto Nilda têm direito subjetivo à 
nomeação. 
34 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
d) Apenas Gabriela tem direito subjetivo à nomeação. 
Comentário Longo 
A questão trata dos aspectos jurisprudenciais relativos 
ao direito subjetivo à nomeação em concurso público. 
No caso de Gabriela, ao ser aprovada em 7º lugar, ou 
seja, fora do número de vagas, tecnicamente não teria 
direito subjetivo à nomeação, pois conforme 
jurisprudência do STF, em regra, apenas aqueles 
aprovados dentro do número de vagas ofertadas no 
edital têm direito público subjetivo à nomeação. 
Ocorre que, em caso de eventuais desistências de 
candidatos mais bem classificados, a jurisprudência do 
STJ é no sentido de que deve haver uma reclassificação, 
e assim os candidatos originalmente excedentes passam 
a figurar dentro do rol de vagas ofertadas, ostentando 
igualmente o direito à nomeação. Veja: 
ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO 
ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. 
ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 2/STJ. CONCURSO 
PÚBLICO. CLASSIFICAÇÃO FORA DAS VAGAS 
OFERECIDAS. INAPTIDÃO DE CANDIDATOS MAIS BEM 
CLASSIFICADOS. MANIFESTAÇÃO DE DESISTÊNCIA. 
RECLASSIFICAÇÃO DO CANDIDATO APROVADO COMO 
EXCEDENTE. DIREITO À NOMEAÇÃO.PRECEDENTES. 
1. Apenas o candidato aprovado dentro do número de 
vagas ofertadas no edital do certame tem, em regra, 
direito público subjetivo à nomeação, conforme decidido 
no RE 598.099/MS, relator o Em. Ministro Gilmar 
Mendes, em julgamento com repercussão geral. 
2. No entanto, o candidato originalmente excedente 
que, em razão da inaptidão de outros concorrentes mais 
bem classificados, ou de eventuais desistências, 
reclassifica-se e passa a figura nesse rol de vagas 
ofertadas, ostenta igualmente o direito à nomeação. 
Precedentes. 
3. Recurso ordinário em mandado de segurança provido. 
(RMS 52.251/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL 
MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/09/2017, 
DJe 07/12/2017) 
Desta feita, com a desistência formal do 1º e do 2º 
colocado, ocorre reclassificação e Gabriela “sobe” para a 
5ª posição, passando a figurar dentro do número de 
vagas. Gabriela, portanto, passa a ter direito subjetivo à 
nomeação. 
Já Nilda foi aprovada em 9º lugar. Com a desistência 
formal do 1º e do 2º colocado, ela “sobe” para a 7ª 
posição, portanto, ainda fora do número de vagas, que 
eram 6, não tendo direito subjetivo à nomeação. 
No tocante à possiblidade ou não do órgão realizar novo 
certame ainda dentro do prazo de validade do anterior, 
isso é possível, e não gera automaticamente o direito à 
nomeação dos candidatos aprovados fora das vagas 
previstas no edital, ressalvadas as hipóteses de 
preterição arbitrária e imotivada por parte da 
Administração. Veja o que diz a jurisprudência do STF: 
PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. MANDADO DE 
SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO. PROCON/DF. 
CANDIDATA APROVADA FORA DO NÚMERO DE VAGAS. 
DESISTÊNCIA DE CANDIDATOS MELHOR CLASSIFICADOS, 
PASSANDO A IMPETRANTE A FIGURAR DENTRO DAS 
VAGAS PREVISTAS NO EDITAL. DIREITO À NOMEAÇÃO. 
EXISTÊNCIA. PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL 
FEDERAL. IMPEDIMENTO DECORRENTE DA LEI DE 
RESPONSABILIDADE FISCAL. AUSÊNCIA DE 
COMPROVAÇÃO. SEGURANÇA CONCEDIDA. 
I. Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na 
sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será 
determinado pela data da publicação do provimento 
jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplica-se 
o Código de Processo Civil de 2015. 
II. Caso em que a Impetrante logrou aprovação, na 13ª 
classificação, no concurso público para o cargo de 
Técnico de Atividade de Defesa do Consumidor - Técnico 
de Contabilidade do PROCON/DF, no qual havia previsão 
de 08 (oito) vagas, sendo que 5 (cinco) candidatos 
melhor classificados desistiram do certame. 
III. O Supremo Tribunal Federal, em julgamento 
submetido ao rito da repercussão geral (RE n. 
837311/PI), fixou orientação no sentido de que o 
surgimento de novas vagas ou a abertura de novo 
concurso para o mesmo cargo, durante o prazo de 
validade do certame anterior, não gera 
automaticamente o direito à nomeação dos candidatos 
aprovados fora das vagas previstas no edital, ressalvadas 
as hipóteses de preterição arbitrária e imotivada por 
parte da administração, caracterizadas por 
comportamento tácito ou expresso do Poder Público 
capaz de revelar a inequívoca necessidade de nomeação 
do aprovado durante o período de validade do certame, 
a ser demonstrada de forma cabal pelo candidato. 
IV - Por outro lado, em relação àqueles candidatos 
aprovados dentro do número de vagas, o Supremo 
Tribunal Federal, no julgamento do Recurso 
Extraordinário n. 598099/MS, também submetido à 
sistemática da Repercussão Geral, fixou orientação no 
35 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
sentido haver direito à nomeação, salvo exceções 
pontuais. A partir dessa tese, evoluiu para compreender 
que, havendo desistência de candidatos melhor 
classificados, fazendo com que os seguintes passem a 
constar dentro do número de vagas, a expectativa de 
direito se convola em direito líquido e certo, garantindo 
o direito a vaga disputada. Precedentes do Supremo 
Tribunal Federal. 
V. Afasta-se o impedimento para nomeação suscitado 
pelo ente público, decorrente de suposto atingimento do 
limite prudencial previsto na Lei de Responsabilidade 
Fiscal, tendo em vista a ausência de comprovação. 
VI. Recurso Ordinário provido, para reformar o acórdão 
recorrido e determinar a imediata nomeação da 
Impetrante para o cargo postulado. 
(RMS 53.506/DF, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, 
PRIMEIRA TURMA, julgado em 26/09/2017, DJe 
29/09/2017) 
Portanto, ainda que o órgão abra novo concurso público 
para o mesmo cargo, antes de vencido o concurso do 
qual Nilda participou, ela não possui direito subjetivo à 
nomeação. Isso porque, mesmo com a reclassificação 
ocasionada pela desistência dos classificados em 1º e em 
2º lugar, Nilda continua fora do número de vagas. 
Por fim, cite-se que os concursos podem ter validade de 
ATÉ 2 anos, prorrogáveis uma vez por igual período, na 
forma do art. 37, III, CF/88: 
Art. 37. A administração pública direta e indireta de 
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de 
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e 
eficiência e, também, ao seguinte: 
(...) 
III - o prazo de validade do concurso público será de até 
dois anos, prorrogável uma vez, por igual período; 
Letra A 
INCORRETA 
Na forma da jurisprudência dos Tribunais Superiores, é 
possível haver realização de novo concurso para o 
mesmo cargo antes de vencidoo prazo do anterior, e isso 
não gera automaticamente o direito à nomeação dos 
candidatos aprovados fora das vagas previstas no edital, 
ressalvadas as hipóteses de preterição arbitrária e 
imotivada por parte da administração. 
Letra B 
INCORRETA 
Na forma da jurisprudência dos Tribunais Superiores, 
Gabriela tem direito subjetivo à nomeação, pois com a 
desistência formal dos classificados em 1º e 2º lugar no 
concurso, ocorre reclassificação e Gabriela “sobe” para a 
5ª posição, passando a figurar dentro do número de 
vagas. Nilda não possui direito subjetivo à nomeação, 
pois com a desistência formal dos classificados em 1º e 
2º lugar no concurso, e a reclassificação, passa a figurar 
apenas na 7ª posição, portanto ainda fora do número de 
vagas. 
Letra C 
INCORRETA 
Na forma da jurisprudência dos Tribunais Superiores, 
Gabriela tem direito subjetivo à nomeação, pois com a 
desistência formal dos classificados em 1º e 2º lugar no 
concurso, ocorre reclassificação e Gabriela “sobe” para a 
5ª posição, passando a figurar dentro do número de 
vagas. Nilda não possui direito subjetivo à nomeação, 
pois com a desistência formal dos classificados em 1º e 
2º lugar no concurso, e a reclassificação, passa a figurar 
apenas na 7ª posição, portanto ainda fora do número de 
vagas. 
Letra D 
CORRETA 
Na forma da jurisprudência dos Tribunais Superiores, 
Gabriela tem direito subjetivo à nomeação, pois com a 
desistência formal dos classificados em 1º e 2º lugar no 
concurso, ocorre reclassificação e Gabriela “sobe” para a 
5ª posição, passando a figurar dentro do número de 
vagas. Nilda não possui direito subjetivo à nomeação, 
pois com a desistência formal dos classificados em 1º e 
2º lugar no concurso, e a reclassificação, passa a figurar 
apenas na 7ª posição, portanto ainda fora do número de 
vagas. 
Comentário Curto 
Na forma da jurisprudência dos Tribunais Superiores, 
Gabriela tem direito subjetivo à nomeação, pois com a 
desistência formal dos classificados em 1º e 2º lugar no 
concurso, ocorre reclassificação e Gabriela “sobe” para a 
5ª posição, passando a figurar dentro do número de 
vagas. Nilda não possui direito subjetivo à nomeação, 
pois com a desistência formal dos classificados em 1º e 
2º lugar no concurso, e a reclassificação, passa a figurar 
apenas na 7ª posição, portanto ainda fora do número de 
vagas. 
Gabarito: D 
 
36 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
Questão 29. 
O Estado do Rio de Janeiro pretende realizar licitação 
com base na Lei 14.133/2021 para a realização da obra 
de uma estrada. A obra custará R$ 182.500.000,00 e o 
contratado será responsável por elaborar e desenvolver 
os projetos básico e executivo. Levando em consideração 
o narrado, assinale a alternativa correta. 
a) Trata-se de uma obra de grande vulto. 
b) O critério de julgamento, por se tratar de obra, não 
poderá ser o do maior desconto. 
c) Trata-se de uma contratação integrada. 
d) A modalidade a ser adotada na licitação deverá ser 
tomada de preços. 
Comentário Longo 
A nova Lei de Licitações trouxe algumas mudanças 
relativamente à Lei 8.666/93. Vamos analisar as 
peculiaridades do caso narrado no enunciado. 
Primeiramente, no tocante à definição de obras de 
grande vulto, veja o que diz o artigo 6º, inciso V, da lei 
8.666/93: 
Art. 6º, V - Obras, serviços e compras de grande vulto - 
aquelas cujo valor estimado seja superior a 25 (vinte e 
cinco) vezes o limite estabelecido na alínea "c" do inciso 
I do art. 23 desta Lei; 
Art. 23. As modalidades de licitação a que se referem os 
incisos I a III do artigo anterior serão determinadas em 
função dos seguintes limites, tendo em vista o valor 
estimado da contratação: 
I - para obras e serviços de engenharia: 
c) concorrência: acima de R$ 3.300.000,00 (na forma do 
Decreto nº 9.412, de 2018) 
Pelos critérios da Lei 8.666/93, seriam de grande vulto as 
obras de valor acima de R$ 82.500.000. 
Ocorre que a Administração do Estado do Rio de Janeiro 
resolveu adotar a Nova Lei de Licitações, a qual define, 
em seu artigo 6º, XXII: 
Art. 6º, XXII - obras, serviços e fornecimentos de grande 
vulto: aqueles cujo valor estimado supera R$ 
200.000.000,00 (duzentos milhões de reais); 
Portanto, como a obra custará R$ 182.500.000,00, não 
será enquadrada como de grande vulto, visto que este 
valor está abaixo de 200 milhões de reais. 
Já em relação à modalidade a ser adotada e os critérios 
de julgamento, de acordo com o artigo 6º, XXXVIII, vê-se 
que a modalidade, para o caso, será concorrência, 
podendo ser adotados, como critérios de julgamento: 
menor preço; melhor técnica ou conteúdo artístico; 
técnica e preço; maior retorno econômico; maior 
desconto. 
Art. 6º, XXXVIII - concorrência: modalidade de licitação 
para contratação de bens e serviços especiais e de obras 
e serviços comuns e especiais de engenharia, cujo 
critério de julgamento poderá ser: 
a) menor preço; 
b) melhor técnica ou conteúdo artístico; 
c) técnica e preço; 
d) maior retorno econômico; 
e) maior desconto; 
Ressalte-se que não é caso de tomada de preços, pois 
esta modalidade foi extinta na Lei 14.133/2021. Veja: 
Art. 28. São modalidades de licitação: 
I - pregão; 
II - concorrência; 
III - concurso; 
IV - leilão; 
V - diálogo competitivo. 
Por fim, cabe diferenciar as contrações integradas das 
semi-integradas. Veja os incisos XXXII e XXXIII do artigo 
6º da Lei 14.133/2021: 
Art. 6º, XXXII - contratação integrada: regime de 
contratação de obras e serviços de engenharia em que o 
contratado é responsável por elaborar e desenvolver os 
projetos básico e executivo, executar obras e serviços de 
engenharia, fornecer bens ou prestar serviços especiais 
e realizar montagem, teste, pré-operação e as demais 
operações necessárias e suficientes para a entrega final 
do objeto; 
XXXIII - contratação semi-integrada: regime de 
contratação de obras e serviços de engenharia em que o 
contratado é responsável por elaborar e desenvolver o 
projeto executivo, executar obras e serviços de 
engenharia, fornecer bens ou prestar serviços especiais 
e realizar montagem, teste, pré-operação e as demais 
operações necessárias e suficientes para a entrega final 
do objeto; 
Observe que são bem semelhantes, porém na 
contratação integrada, o contratado fica responsável por 
elaborar e desenvolver tanto o projeto básico quanto o 
projeto executivo. Já na contratação semi-integrada, o 
contratado não se responsabiliza pela elaboração e 
37 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
desenvolvimento do projeto básico, mas apenas do 
executivo. Como no enunciado há determinação de que 
o contratado será responsável por elaborar e 
desenvolver os projetos básico e executivo, conclui-se 
que é caso de contratação integrada. 
Letra A 
INCORRETA 
A obra não se caracteriza como de grande vulto, posto 
que de valor inferior a R$ 200.000.000,00, na forma do 
artigo 6º, XXII, da Lei nº 14.133/2021. 
Letra B 
INCORRETA 
Na forma do artigo 6º, XXXVIII, alínea e, da Lei nº 
14.133/2021, é possível, na modalidade concorrência, a 
adoção do critério do maior desconto. 
Letra C 
CORRETA 
Conforme artigo 6º, XXXII, da Lei nº 14.133/2021, 
quando o contratado fica responsável por elaborar e 
desenvolver tanto o projeto básico quanto o projeto 
executivo, essa contratação é chamada de integrada. 
Letra D 
INCORRETA 
A modalidade a ser adotada deverá ser concorrência, na 
forma do artigo 6º, XXXVIII, da Lei nº 14.133/2021. 
Lembrando que a Lei 14.133/2021 extinguiu a 
modalidade tomada de preços de seu texto. 
Comentário Curto 
A licitação será realizada com base na Lei 14.133/2021, 
no valor de R$ 182.500.000,00. A modalidade a ser 
adotada deverá ser concorrência, podendo-se utilizar, 
como critério de julgamento: menor preço; melhor 
técnica ou conteúdo artístico; técnica e preço; maior 
retorno econômico; maior desconto. Não é possível 
adoção da modalidade tomada de preços, pois a Lei 
14.133/2021 a extinguiu de seu texto. Ademais, se tratade caso de contratação integrada, posto que o 
contratado ficará responsável por elaborar e 
desenvolver os projetos básico e executivo. 
Gabarito: C 
 
Questão 30. 
Lacônis é agente público do Município X, localizado no 
Estado Y. Recentemente, dispensou indevidamente 
processo seletivo para celebração de parcerias com 
entidades sem fins lucrativos. Sobre esta situação, 
assinale a alternativa correta: 
a) Se Lacônis o tiver feito de maneira culposa, será 
responsabilizado por improbidade administrativa, pois 
se trata de ato que causa lesão ao erário. 
b) Se não houver perda patrimonial efetiva, não se 
considera que Lacônis praticou ato de improbidade. 
c) Ainda que se demonstre que Lacônis agiu em mero 
exercício da função pública, sem comprovação de fins 
ilícitos, ele será responsabilizado por ato de improbidade 
administrativa. 
d) Lacônis poderá ser punido com o pagamento de multa 
civil de até duas vezes o valor do dano. 
Comentários 
Comentário Longo 
A questão trata do ato de improbidade administrativa 
previsto no artigo 10, VIII, recentemente alterado pela 
Lei 14.230/2021: 
Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que 
causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão dolosa, 
que enseje, efetiva e comprovadamente, perda 
patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou 
dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas 
no art. 1º desta Lei, e notadamente: (Redação dada pela 
Lei nº 14.230, de 2021) 
VIII - frustrar a licitude de processo licitatório ou de 
processo seletivo para celebração de parcerias com 
entidades sem fins lucrativos, ou dispensá-los 
indevidamente, acarretando perda patrimonial efetiva; 
(Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
Veja que o ato deve ser doloso, pois a Lei 8.429/92 não 
mais admite a modalidade culposa de ato de 
improbidade, após as mudanças trazidas pela Lei 
14.230/2021. 
Art. 1º. (...) 
§ 1º Consideram-se atos de improbidade administrativa 
as condutas dolosas tipificadas nos arts. 9º, 10 e 11 desta 
Lei, ressalvados tipos previstos em leis especiais. 
(Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 
(...) 
§ 3º O mero exercício da função ou desempenho de 
competências públicas, sem comprovação de ato doloso 
com fim ilícito, afasta a responsabilidade por ato de 
improbidade administrativa. (Incluído pela Lei nº 14.230, 
de 2021) 
38 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
Observe também que se se tratar de mero exercício da 
função pública, sem que fique comprovado o ato doloso 
e com fim ilícito, não há de se falar em responsabilização 
por ato de improbidade administrativa. 
Ademais, veja que o inciso VIII foi alterado para fazer 
constar expressamente, em sua parte final, a 
necessidade de haver perda patrimonial efetiva para que 
o ato se caracterize como de improbidade. Portanto, não 
havendo esta, não há de se falar em responsabilização 
pela Lei 8.429/92. 
Por fim, no tocante às penalidades, acompanhe o que 
determina artigo 12, II, Lei 8.429/92: 
Art. 12. Independentemente do ressarcimento integral 
do dano patrimonial, se efetivo, e das sanções penais 
comuns e de responsabilidade, civis e administrativas 
previstas na legislação específica, está o responsável 
pelo ato de improbidade sujeito às seguintes 
cominações, que podem ser aplicadas isolada ou 
cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato: 
(Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) 
(...) 
II - na hipótese do art. 10 desta Lei, perda dos bens ou 
valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, se 
concorrer esta circunstância, perda da função pública, 
suspensão dos direitos políticos até 12 (doze) anos, 
pagamento de multa civil equivalente ao valor do dano e 
proibição de contratar com o poder público ou de 
receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, 
direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de 
pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo 
não superior a 12 (doze) anos; (Redação dada pela Lei nº 
14.230, de 2021) 
Logo, Lacônis, quanto a pena de multa civil, só poderá ser 
punido em valor equivalente ao valor do dano, e não 
duas vezes este. 
Letra A 
INCORRETA 
O ato deve ser doloso, pois a Lei 8.429/92, conforme seu 
art. 1º, § 1º, não mais admite a modalidade culposa de 
ato de improbidade, após as mudanças trazidas pela Lei 
14.230/2021. 
Letra B 
CORRETA 
O inciso VIII do art. 10 foi alterado para fazer constar 
expressamente, em sua parte final, a necessidade de 
haver perda patrimonial efetiva para que o ato se 
caracterize como de improbidade. Portanto, não 
havendo esta perda patrimonial efetiva, não há de se 
falar em responsabilização pela Lei 8.429/92. 
Letra C 
INCORRETA 
Em se tratando de mero exercício da função pública, sem 
que fique comprovado o ato doloso e com fim ilícito, não 
há de se falar em responsabilização por ato de 
improbidade administrativa, conforme art. 1º, § 3º, Lei 
8.429/92. 
Letra D 
INCORRETA 
Lacônis, quanto a pena de multa civil, só poderá ser 
punido em valor equivalente ao valor do dano, e não 
duas vezes este, conforme nova redação do art. 12, II, Lei 
8.429/92. 
Comentário Curto 
O ato deve ser doloso, pois a Lei 8.429/92, conforme seu 
art. 1º, § 1º, não mais admite a modalidade culposa de 
ato de improbidade. O inciso VIII do art. 10 foi alterado 
para fazer constar expressamente, em sua parte final, a 
necessidade de haver perda patrimonial efetiva para que 
o ato de “frustrar a licitude de processo licitatório ou de 
processo seletivo para celebração de parcerias com 
entidades sem fins lucrativos, ou dispensá-los 
indevidamente” se caracterize como de improbidade. 
Portanto, não havendo esta perda patrimonial efetiva, 
não há de se falar em responsabilização pela Lei 
8.429/92. 
Gabarito: B 
 
Questão 31. 
O Estado A pretende celebrar parceria público-privada 
com a Empresa Homens Bons, cujo objeto será 
fornecimento de mão-de-obra e execução de obra 
pública. O contrato pretendido terá validade de 35 anos, 
no valor de R$ 10.000.000 e, não haverá contraprestação 
pecuniária do Estado A à Empresa Homens Bons, pois o 
Estado A será usuário do serviço. Acerca do caso, assinale 
a alternativa correta. 
a) É possível celebrar o contrato pretendido, firmando-
se parceria público-privada na modalidade 
administrativa. 
b) Não é possível celebrar o contrato porque o valor deve 
ser superior a 10 milhões de reais. 
c) Não é possível celebrar o contrato, pois o prazo deve 
ser inferior a 35 anos. 
39 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
d) Não é possível celebrar o contrato, pois é vedada a 
celebração de contrato de parceria público-privada que 
tenha em seu objeto o fornecimento de mão de obra. 
Comentário Longo 
As parcerias público-privadas (PPP) nada mais são do que 
contratos administrativos de concessão, que podem ser 
na modalidade patrocinada ou administrativa. 
Na concessão patrocinada há uma tarifa cobrada dos 
usuários, mas que é insuficiente para remunerar o 
concessionário; logo, também haverá uma 
contraprestação pecuniária da Administração Pública ao 
parceiro privado para fazer frente aos investimentos 
realizados por este último. 
Já na concessão administrativa, não há de se falar em 
contraprestação, mas sim na Administração como 
usuária, ainda que envolva execução de obra. Com isso, 
percebe-se que o caso narrado se trata de concessão 
administrativa, e não patrocinada. 
 Veja o que dispõe o artigo 2º da Lei 11.079/04: 
Art. 2º Parceria público-privada é o contrato 
administrativo de concessão, na modalidade 
patrocinada ou administrativa. 
§ 1º Concessão patrocinada é a concessão de serviços 
públicos ou de obras públicas de que trata a Lei nº 8.987, 
de 13 de fevereiro de 1995, quando envolver, 
adicionalmente à tarifa cobrada dos usuários 
contraprestação pecuniária do parceiro público ao 
parceiro privado. 
§ 2º Concessão administrativa é o contrato de prestação 
de serviços de que a Administração Pública seja a usuária 
direta ou indireta, ainda que envolva execução de obraou fornecimento e instalação de bens. 
§ 3º Não constitui parceria público-privada a concessão 
comum, assim entendida a concessão de serviços 
públicos ou de obras públicas de que trata a Lei nº 8.987, 
de 13 de fevereiro de 1995, quando não envolver 
contraprestação pecuniária do parceiro público ao 
parceiro privado. 
§ 4º É vedada a celebração de contrato de parceria 
público-privada: 
I - cujo valor do contrato seja inferior a R$ 10.000.000,00 
(dez milhões de reais; 
II – cujo período de prestação do serviço seja inferior a 5 
(cinco)anos; ou 
III – que tenha como objeto único o fornecimento de 
mão-de-obra, o fornecimento e instalação de 
equipamentos ou a execução de obra pública. 
Observe que, no artigo 2º, § 4º, I, da Lei 11.079/04, o 
valor mínimo para um contrato de PPP é de 10 milhões 
de reais. Ou seja, se o valor for de exatamente 10 
milhões de reais, é possível celebrar o contrato. O que 
não pode é ser INFERIOR a esse valor. Cuidado para não 
se confundir, pois até o advento da Lei nº 13.529, de 
2017, esse valor mínimo era de 20 milhões de reais. 
Logo, percebe-se que o contrato pretendido no 
enunciado respeita o valor mínimo. 
Importante citar também sobre os prazos dos contratos 
de PPP, que devem ser de no mínimo 5 anos e de no 
máximo 35 anos, incluindo as prorrogações, na forma do 
artigo 5º, I, da Lei 11.079/04: 
Art. 5º. As cláusulas dos contratos de parceria público-
privada atenderão ao disposto no art. 23 da Lei nº 8.987, 
de 13 de fevereiro de 1995, no que couber, devendo 
também prever: 
I – o prazo de vigência do contrato, compatível com a 
amortização dos investimentos realizados, não inferior a 
5 (cinco), nem superior a 35 (trinta e cinco) anos, 
incluindo eventual prorrogação. 
Veja que a lei fala apenas que “o prazo máximo não pode 
ser SUPERIOR a 35 anos”; ou seja, se o prazo for de 
exatamente 35 anos OU MENOS, é possível celebrar o 
contrato. 
No caso narrado, portanto, há respeito ao prazo máximo 
possível para uma PPP. 
Por fim, quanto às vedações, veja que o art. 2º, § 4º, III, 
veda a celebração de contratos de PPP que tenham como 
OBJETO ÚNICO o fornecimento de mão de obra. De fato, 
no caso narrado no enunciado, o contrato tem como 
objeto o fornecimento de mão de obra, mas este objeto 
não é o único, pois o contrato objetiva também a 
execução de obra pública. 
Logo, por todo o exposto, é possível a celebração do 
contrato pretendido. 
Letra A 
CORRETA 
É possível a celebração do contrato, pois este respeita o 
prazo máximo de 35 anos (conforme artigo 5º, I, da Lei 
11.079/04), bem como o valor mínimo de 10 milhões de 
reais (conforme artigo 2º, § 4º, I, da Lei 11.079/04). 
Ademais, não há contraprestação pecuniária do Estado A 
para a Empresa Homens Bons, pois a Administração 
figurará como usuária. Trata-se, pois, de concessão 
administrativa, ainda que envolva execução de obra, 
conforme art. 2º, § 2º, da Lei 11.079/04. 
40 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
Letra B 
INCORRETA 
O contrato pretendido respeita o valor mínimo, o qual 
não pode ser INFERIOR a 10 milhões de reais. Ou seja, se 
o valor for de exatamente 10 milhões de reais (caso 
narrado), é possível celebrar o contrato, conforme artigo 
2º, § 4º, I, da Lei 11.079/04. 
Letra C 
INCORRETA 
O contrato pretendido respeita o prazo máximo, o qual 
não pode ser SUPERIOR a 35 anos. Ou seja, se o prazo for 
de exatamente 35 anos (caso narrado) OU MENOS, é 
possível celebrar o contrato, conforme artigo 5º, I, da Lei 
11.079/04. 
Letra D 
INCORRETA 
O artigo 2º, § 4º, III, da Lei 11.079/04 vedada a 
celebração de contratos de PPP que tenham como 
objeto ÚNICO o fornecimento de mão de obra. No caso 
narrado no enunciado, o contrato tem como objeto o 
fornecimento de mão de obra, mas este objeto não é o 
único, pois o contrato objetiva também a execução de 
obra pública. 
Comentário Curto 
É possível a celebração do contrato, pois este respeita o 
prazo máximo de 35 anos (conforme artigo 5º, I, da Lei 
11.079/04), bem como o valor mínimo de 10 milhões de 
reais (conforme artigo 2º, § 4º, I, da Lei 11.079/04). 
Ademais, não há contraprestação pecuniária do Estado A 
para a Empresa Homens Bons, pois a Administração 
figurará como usuária. Trata-se, pois, de concessão 
administrativa, ainda que envolva execução de obra, 
conforme art. 2º, § 2º, da Lei 11.079/04. 
Gabarito: A 
 
Questão 32. 
Durante a campanha anual de vacinação contra a gripe, 
o Município Beta solicitou a utilização da quadra 
poliesportiva da Escola Inteligentes Demais, cuja 
localização era central na cidade, para a montagem de 
um centro de vacinação. A utilização se dará de modo 
temporário, e o Município Beta não pretende pagar 
nenhuma indenização à escola. Sobre essa situação, 
assinale a alternativa correta. 
a) Pode-se dizer que é caso de requisição administrativa, 
pois a vacinação é questão de necessidade pública. 
Havendo dano, deve-se indenizar a Escola Inteligentes 
Demais. 
b) Pode-se dizer que é caso de limitação administrativa, 
pois impôs-se ao particular uma obrigação de fazer 
(ceder a quadra da Escola) com o fim de garantir que a 
propriedade atenda a sua função social (proporcionar 
vacinação pública). Havendo dano, deve-se indenizar a 
Escola Inteligentes Demais. 
c) Pode-se dizer que é caso de ocupação temporária, pois 
o Município Beta ocupou a propriedade particular da 
Escola em situação de normalidade e por prazo 
determinado, para prestação de um serviço público. 
Havendo dano, deve-se indenizar a Escola Inteligentes 
Demais. 
d) Pode-se dizer que é caso de desapropriação, pois o 
Município Beta passou a exercer a posse, que é um dos 
direitos de propriedade. Portanto, não há de se falar em 
indenização. 
Comentário Longo 
A intervenção do Estado na propriedade pode se dar de 
várias formas. 
A requisição administrativa é forma de intervenção na 
qual o Estado utiliza-se de bens imóveis, móveis e de 
serviços particulares no caso de necessidade pública 
urgente. Demonstrado prejuízo, o Estado deverá 
ressarcir o particular. 
Há também a limitação administrativa, que é uma 
determinação geral, pela qual o Poder Público impõe a 
proprietários indeterminados obrigações de fazer ou de 
não fazer, com o fim de garantir que a propriedade 
atenda a sua função social. 
Já a ocupação temporária ocorre quando o Estado 
ocupa, por prazo determinado e em situação de 
normalidade, a propriedade privada para execução de 
obra pública ou a prestação de serviços públicos. 
Por sua vez, a desapropriação é quando o Estado 
transfere compulsoriamente e de maneira originária, a 
propriedade de um particular para o seu patrimônio, 
com fundamento no interesse público e após o devido 
processo legal. 
Letra A 
INCORRETA 
Não é caso de requisição administrativa, pois não há de 
se falar em iminente perigo público ou necessidade 
pública urgente. Havendo dano, deve-se indenizar a 
Escola Inteligentes Demais. 
Letra B 
41 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
INCORRETA 
Não é caso de limitação administrativa, pois não há de se 
falar em determinação geral e indistinta a todos os 
proprietários. A solicitação foi diretamente à Escola. 
Havendo dano, deve-se indenizar a Escola Inteligentes 
Demais. 
Letra C 
CORRETA 
O caso narrado se configura como ocupação temporária, 
pois o Município Beta ocupou a propriedade particular 
da Escola Inteligentes Demais em situação de 
normalidade e por prazo determinado, para prestação 
de um serviço público, qual seja, de vacinação. Havendo 
dano, deve-se indenizar a Escola Inteligentes Demais. 
Letra D 
INCORRETA 
Não é caso de desapropriação, pois não há de se falar em 
transferência de propriedade, nem em definitividade, 
mas sim em temporariedade (prazo determinado). 
Havendo dano, deve-se indenizar a Escola Inteligentes 
Demais. 
Comentário Curto 
O caso narrado se configura como ocupação temporária, 
pois o Município Beta ocupou a propriedade particular 
da Escola Inteligentes Demais em situação de 
normalidadee por prazo determinado, para prestação 
de um serviço público, qual seja, de vacinação. Não há de 
se falar em iminente perigo público ou necessidade 
pública urgente, nem em transferência de propriedade. 
Havendo dano, deve-se indenizar a Escola Inteligentes 
Demais. 
Gabarito: C 
 
Direito Ambiental 
Rosenval Júnior 
Questão 33. 
O Presidente da República encomendou estudos de 
viabilidade para instalação de uma nova usina nuclear 
em Angra dos Reis, RJ. O objetivo é ter mais 1080 
megawatts à disposição e ficar menos dependente de 
outras fontes. Diante disso, marque a opção correta: 
A - As usinas que operem com reator nuclear deverão ter 
sua localização definida em lei federal. 
B - A competência para promover o licenciamento 
ambiental da atividade será do Estado do Rio de Janeiro. 
C - Por causa da questão estratégica, esse tipo de 
empreendimento não passa pelo crivo do licenciamento 
ambiental. Sua viabilidade é avaliada diretamente pelo 
Conselho da Presidência, após parecer da Comissão 
Nacional de Energia Nuclear (Cnen). 
D - A localização da Usina será definida por lei do 
município que sediar o empreendimento. 
Comentário longo 
A - CERTO. De acordo com o art. 225, § 6º, da CF/88, as 
usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua 
localização definida em lei federal, sem o que não 
poderão ser instaladas. 
B - ERRADO. De acordo com o art. 7º, XIV, g, da CF88, são 
ações administrativas da União promover o 
licenciamento ambiental de empreendimentos e 
atividades destinados a pesquisar, lavrar, produzir, 
beneficiar, transportar, armazenar e dispor material 
radioativo, em qualquer estágio, ou que utilizem energia 
nuclear em qualquer de suas formas e aplicações, 
mediante parecer da Comissão Nacional de Energia 
Nuclear (Cnen). 
C - ERRADO. De acordo com o art. 7º, XIV, g, da CF88, são 
ações administrativas da União promover o 
licenciamento ambiental de empreendimentos e 
atividades destinados a pesquisar, lavrar, produzir, 
beneficiar, transportar, armazenar e dispor material 
radioativo, em qualquer estágio, ou que utilizem energia 
nuclear em qualquer de suas formas e aplicações, 
mediante parecer da Comissão Nacional de Energia 
Nuclear (Cnen). 
D - ERRADO. De acordo com o art. 225, § 6º, da CF/88, as 
usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua 
localização definida em lei federal, sem o que não 
poderão ser instaladas. 
Gabarito: A 
 
Questão 34. 
O Cadastro Ambiental Rural é um registro público 
eletrônico de âmbito nacional, obrigatório para todos os 
imóveis rurais, com a finalidade de integrar as 
informações ambientais das propriedades e posses 
rurais, compondo base de dados para controle, 
monitoramento, planejamento ambiental e econômico e 
combate ao desmatamento. Com relação a esse tema, 
marque a opção correta: 
A - O cadastramento será considerado título para fins de 
reconhecimento do direito de propriedade ou posse. 
42 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
B - A inscrição no CAR é obrigatória para todas as 
propriedades e posses rurais. 
C - A inscrição do imóvel rural no CAR deverá ser feita 
obrigatoriamente no órgão ambiental estadual. 
D - Propriedades localizadas na Amazônia Legal estão 
dispensadas do registro no CAR. 
Comentário longo 
A - ERRADO. De acordo com o art. 29, § 2º, da Lei 
12.651/12, o cadastramento não será considerado título 
para fins de reconhecimento do direito de propriedade 
ou posse, tampouco elimina a necessidade de 
cumprimento do disposto no art. 2º da Lei nº 10.267, de 
28 de agosto de 2001. 
B - CERTO. De acordo com o art. 29, § 3º, da Lei 
12.651/12, a inscrição no CAR é obrigatória e por prazo 
indeterminado para todas as propriedades e posses 
rurais. 
C - ERRADO. De acordo com o art. 29, § 1º, da Lei 
12.651/12, a inscrição do imóvel rural no CAR deverá ser 
feita, preferencialmente, no órgão ambiental municipal 
ou estadual. 
D - ERRADO. De acordo com o art. 29, § 3º, da Lei 
12.651/12, a inscrição no CAR é obrigatória e por prazo 
indeterminado para todas as propriedades e posses 
rurais. 
Gabarito: B 
 
Direito Civil 
Paulo Sousa 
Questão 35. 
Luiza, atualmente com dezessete anos mora com o 
namorado, Renan. Mara, pessoa com deficiência, mora 
sozinha em Campinas/SP. Pedro, atualmente com treze 
anos, ingressou no curso de ensino superior. Sobre a 
capacidade, é correto afirmar que: 
a) Luiza é emancipada. Mara é relativamente incapaz. 
Pedro é relativamente incapaz. 
b) Luiza é relativamente incapaz. Mara é capaz. Pedro é 
absolutamente incapaz. 
c) Luiza é relativamente incapaz. Mara é absolutamente 
incapaz. Pedro é emancipado. 
d) Luiz é emancipada. Mara é capaz. Pedro é 
emancipado. 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
Gabarito: B 
A questão versa sobre a capacidade de Luiza, Mara e 
Pedro. 
A partir da Lei 13.146/2015, a Lei Brasileira de Inclusão 
da Pessoa com Deficiência, ou Estatuto da Pessoa com 
Deficiência – EPD, a incapacitação absoluta tem como 
único critério a idade. Segundo o art. 3º somente são 
absolutamente incapazes os menores de 16 anos. No 
caso de incapacidade absoluta, há a representação do 
incapaz pelos pais, tutores ou curadores, que exercem os 
atos em nome da pessoa. Em geral, os pais serão os 
representantes do menor, por facilidade. 
Eventualmente, porém, na ausência dos pais, o 
absolutamente incapaz será representado pelo tutor. 
Na incapacidade relativa, por outro lado, a limitação é 
parcial, pois se entende que o discernimento é maior. 
Aqui, a limitação da capacidade não tem como único 
critério a idade, mas também a “saúde”. O art. 4º, 
igualmente modificado pelo EPD, estabelece quais são os 
casos de incapacidade relativa: 
I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; 
II - os ébrios habituais e os viciados em tóxicos; 
III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, 
não puderem exprimir sua vontade; 
IV - os pródigos. 
Os relativamente incapazes não são representados, seja 
por tutor, seja por curador, como os absolutamente 
incapazes. Eles são assistidos, o que consiste na 
intervenção conjunta do assistente e do assistido para a 
prática do ato. Os relativamente incapazes por idade são 
assistidos pelos pais ou tutores; os relativamente 
incapazes por outras causas são assistidos por curador. 
A lei civil permite que o incapaz, em determinas 
situações, atinja a plena capacidade ainda que se inclua 
no caso de incapacidade por idade, por se entender que, 
apesar de lhe faltar a idade necessária, atingiu 
maturidade suficiente. A emancipação, assim, é a 
aquisição da plena capacidade antes da idade legal 
prevista, sem que isso altere a menoridade do 
emancipado, evidentemente. 
Quando isso ocorre? Segundo o art. 5º, parágrafo único, 
nas seguintes hipóteses: 
I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do 
outro, mediante instrumento público, 
independentemente de homologação judicial, ou por 
sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver 
dezesseis anos completos; 
43 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
II - pelo casamento; 
III - pelo exercício de emprego público efetivo; 
IV - pela colação de grau em curso de ensino superior; 
V - pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela 
existência de relação de emprego, desde que, em função 
deles, o menor com dezesseis anos completos tenha 
economia própria. 
Há na doutrina quem classifique as causas de 
emancipação pela forma: voluntária (inc. I, primeira 
parte), legal (incs. II, III, IV e V) ou judicial (inc. I, segunda 
parte, e, eventualmente, no caso do inc. II). 
Gabarito: B 
Letra A (item árvore: 1) 
A alternativa está incorreta. Luiza é relativamente 
incapaz, pois o fato de morar com o namorado não a 
torna emancipada, pois só ocorreria caso ela se casasse, 
conforme art. 5º, parágrafo único, inc. II: "A menoridade 
cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica 
habilitada à prática de todos os atos da vida civil. 
Parágrafo único. Cessará, para os menores, a 
incapacidade:II - pelo casamento". Assim, Luiza é 
relativamente incapaz, de acordo com o art. 4º, inc. I: 
"São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira 
de os exercer: I - os maiores de dezesseis e menores de 
dezoito anos". Mara, por sua vez, é capaz, já que a 
deficiência em si não afeta a plena capacidade, conforme 
dispõe a Lei 13.146/2015. Por fim, Pedro é 
absolutamente incapaz, já que apenas a colação de grau 
em nível superior emancipa, conforme art. 5º, parágrafo 
único, inc. IV: "A menoridade cessa aos dezoito anos 
completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de 
todos os atos da vida civil. Parágrafo único. Cessará, para 
os menores, a incapacidade: IV - pela colação de grau em 
curso de ensino superior". Assim, Pedro é absolutamente 
incapaz, nos termos do art. 3º: "São absolutamente 
incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil 
os menores de 16 (dezesseis) anos". 
Letra B (item árvore: 1) 
A alternativa está correta, pois Luiza é relativamente 
incapaz, Mara é capaz e Pedro é absolutamente incapaz. 
Letra C (item árvore: 1) 
A alternativa está incorreta, conforme alternativas 
anteriores. 
Letra D (item árvore: 1) 
A alternativa está incorreta, conforme visto nas 
alternativas anteriores. 
Comentário Curto 
Luiza é relativamente incapaz, pois o fato de morar com 
o namorado não a torna emancipada, pois só ocorreria 
caso ela se casasse, conforme art. 5º, parágrafo único, 
inc. II: "A menoridade cessa aos dezoito anos completos, 
quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos 
da vida civil. Parágrafo único. Cessará, para os menores, 
a incapacidade: II - pelo casamento". Assim, Luiza é 
relativamente incapaz, de acordo com o art. 4º, inc. I: 
"São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira 
de os exercer: I - os maiores de dezesseis e menores de 
dezoito anos". Mara, por sua vez, é capaz, já que a 
deficiência em si não afeta a plena capacidade, conforme 
dispõe a Lei 13.146/2015. Por fim, Pedro é 
absolutamente incapaz, já que apenas a colação de grau 
em nível superior emancipa, conforme art. 5º, parágrafo 
único, inc. IV: "A menoridade cessa aos dezoito anos 
completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de 
todos os atos da vida civil. Parágrafo único. Cessará, para 
os menores, a incapacidade: IV - pela colação de grau em 
curso de ensino superior". Assim, Pedro é absolutamente 
incapaz, nos termos do art. 3º: "São absolutamente 
incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil 
os menores de 16 (dezesseis) anos". 
 Gabarito: B 
 
Questão 36. 
Mateus trabalha com vendas de roupas há muitos anos. 
Ele fica em sua casa em Goiânia de segunda-feira a 
quinta-feira e em sua casa em Brasília de sexta-feira a 
domingo. Sobre o domicílio de Mateus, é correto afirmar 
que: 
a) O domicílio de Mateus é em Goiânia, local onde fica 
mais dias da semana. 
b) O domicílio de Mateus é qualquer lugar onde ele for 
encontrado. 
c) O domicílio de Mateus é em ambos os lugares, tanto 
Goiânia quanto Brasília. 
d) O domicílio de Mateus é em Brasília, por ser a capital 
do país. 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
Gabarito: C 
A questão versa sobre o domicílio de Mateus. 
O domicílio é a localização espacial da pessoa, ou seja, 
local onde ela estabelece residência, com ânimo 
44 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
definitivo, como se extrai do art. 70. Daí extraem-se os 
requisitos objetivo (residência) e subjetivo (animus 
manendi) do domicílio. A residência é onde a pessoa se 
fixa, ainda que temporariamente e mesmo que de 
maneira quase fugaz. 
Como um atributo da personalidade, o domicílio é 
considerado a sede jurídica da pessoa, seja ela pessoa 
física/natural ou pessoa jurídica. Portanto, muda-se o 
domicílio, transferindo a residência, com a intenção 
manifesta de o mudar. A prova do animus resulta da 
declaração da pessoa às municipalidades dos lugares que 
deixa e para onde vai, ou, se não fizer declaração alguma, 
da própria mudança, com as circunstâncias que a 
acompanharem. 
O domicílio segue três regras trazidas de maneira 
dispersa pelo CC/2002: 
A. Necessidade 
Todos têm domicílio, ainda que residência não tenham 
(art. 73 do CC/2002). Ou seja, o domicílio é necessário, 
sempre. O domicílio é obrigatório e mesmo os que não 
têm residência têm domicílio, como os sem-teto ou os 
errantes, que se deslocam constantemente. Em geral, 
como se fixa o domicílio dos que não têm residência? 
Utiliza-se o local onde for encontrada a pessoa como seu 
domicílio, segundo o art. 73 do CC/2002. 
B. Fixidez 
O domicílio é fixo, apesar de se permitir mutabilidade 
(art. 74 do CC/2002). Por isso, é possível ter domicílio e 
residência diferentes. Como? Imagine que, terminada a 
faculdade, você resolva seguir a carreira policial e é 
aprovado num Concurso de Delegado da Polícia Federal. 
Durante um semestre, você passará um período em 
Brasília/DF, fazendo um curso de treinamento. Se você 
não é de Brasília, no período em que você estiver lá, seu 
domicílio continua sendo a sua cidade de origem, mas a 
sua residência será, nesse caso, Brasília. 
C. Unidade 
Toda pessoa tem apenas um domicílio. O Direito 
brasileiro admite pluralidade de domicílios, 
excepcionalmente (art. 71 do CC/2002). Assim, o ator 
que tem uma casa em São Paulo/SP, uma casa no Rio de 
Janeiro/RJ e outra casa em sua cidade de origem, pode 
ter considerado quaisquer dessas residências como 
domicílio seu. 
Assim, se a pessoa tiver diversas residências, onde, 
alternadamente, viva, considera-se seu domicílio 
quaisquer das residências. A fixidez também é quebrada 
quanto às relações profissionais, pois também se 
considera domicílio da pessoa natural, quanto às 
relações concernentes à profissão, o lugar onde esta é 
exercida. O parágrafo único do art. 72 ainda estabelece 
que se a pessoa exercitar profissão em lugares diversos, 
cada um deles constituirá domicílio para as relações que 
lhe corresponderem. 
Gabarito: C 
Letra A (item árvore: 1) 
A alternativa está incorreta, pois ambos os locais são 
considerados domicílio de Mateus. 
Letra B (item árvore: 1) 
A alternativa está incorreta, pois somente se aplica essa 
regra a quem não possua residência fixa, conforme art. 
73: "Ter-se-á por domicílio da pessoa natural, que não 
tenha residência habitual, o lugar onde for encontrada". 
Letra C (item árvore: 1) 
A alternativa está correta, conforme dispõe o art. 71: 
"Se, porém, a pessoa natural tiver diversas residências, 
onde, alternadamente, viva, considerar-se-á domicílio 
seu qualquer delas". 
Letra D (item árvore: 1) 
A alternativa está incorreta, não havendo nenhuma 
regra nesse sentido. 
Comentário Curto 
Conforme dispõe o art. 71: "Se, porém, a pessoa natural 
tiver diversas residências, onde, alternadamente, viva, 
considerar-se-á domicílio seu qualquer delas". Assim, 
tanto Brasília quanto Goiânia são domicílios de Mateus. 
 
Questão 37. 
Andreia e sua esposa Maria decidiram reformar a casa 
onde residem, uma vez que sua filha está prestes a 
nascer. Como parte da reforma, retiraram todas as 
portas e janelas para pintar e depois colocarem de volta 
no lugar. Ainda, compraram um milheiro de tijolos, para 
construir mais um quarto, que está protegido sob uma 
lona para utilização na obra. Sobre as portas, as janelas 
e os tijolos, é correto afirmar que: 
a) As portas e janelas são bens móveis, assim como os 
tijolos. 
b) As portas e janelas são bens imóveis, ao passo que os 
tijolos são bens móveis. 
c) As portas e janelas são bens móveis, ao passo que os 
tijolos são bens móveis. 
45 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
d) As portas e janelas são bens imóveis, assim como os 
tijolos, que é bem imóvel, pois todos farão parte da casa. 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
Gabarito: B 
A questão versa sobre bens móveis e imóveis. 
A noção de bens imóveis está no art. 79 do CC/2002: o 
solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou 
artificialmente. Já no conceito do art. 82 do CC/2002, sãomóveis os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de 
remoção por força alheia, sem alteração da substância 
ou da destinação econômico-social. 
•Bens Móveis 
•Os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de 
remoção por força alheia, sem alteração da substância 
ou da destinação econômico-social 
•As energias que tenham valor econômico 
•Os direitos reais sobre objetos móveis e as ações 
correspondentes 
•Os direitos pessoais de caráter patrimonial e 
respectivas ações 
•Os materiais destinados a alguma construção, 
enquanto não forem empregados, conservam sua 
qualidade de móveis 
•Os materiais provenientes da demolição de algum 
prédio 
•Bens Imóveis 
•O solo e tudo o que nele se incorporar 
•Os direitos reais sobre imóveis e as ações que os 
asseguram 
• O direito à sucessão aberta 
•As edificações que, separadas do solo, mas 
conservando a sua unidade, forem removidas para outro 
local 
• Os materiais provisoriamente separados de um prédio, 
para nele se reempregarem 
Dessa forma, as janelas e portas são bens imóveis, pois 
retirados para a reforma. Os tijolos, por sua vez, 
enquanto não forem empregados, são bens móveis. 
Gabarito: B 
Letra A (item árvore: 2) 
A alternativa está incorreta, porque as janelas e portas 
são bens imóveis, pois retirados para a reforma. Os 
tijolos, por sua vez, enquanto não forem empregados, 
são bens móveis. 
Letra B (item árvore: 2) 
A alternativa está correta, as janelas e portas são bens 
imóveis, conforme o art. 81, inc. II: "Não perdem o 
caráter de imóveis: II - os materiais provisoriamente 
separados de um prédio, para nele se reempregarem". 
Os tijolos, por sua vez, são bens móveis, conforme art. 
84: "Os materiais destinados a alguma construção, 
enquanto não forem empregados, conservam sua 
qualidade de móveis; readquirem essa qualidade os 
provenientes da demolição de algum prédio". 
Letra C (item árvore: 2) 
A alternativa está incorreta, conforme alternativas 
anteriores. 
Letra D (item árvore: 2) 
A alternativa está incorreta, conforme dito 
anteriormente. 
Comentário Curto 
As janelas e portas são bens imóveis, conforme o art. 81, 
inc. II: "Não perdem o caráter de imóveis: II - os materiais 
provisoriamente separados de um prédio, para nele se 
reempregarem". Os tijolos, por sua vez, são bens móveis, 
conforme art. 84: "Os materiais destinados a alguma 
construção, enquanto não forem empregados, 
conservam sua qualidade de móveis; readquirem essa 
qualidade os provenientes da demolição de algum 
prédio". 
Gabarito: B 
 
Questão 38. 
José, ao ver seu amigo, Pedro, passando por muita 
dificuldade financeira, devido à pandemia, decidiu ceder 
uma de suas casas para ele morar com a família, por 
tempo indeterminado, a partir de abril de 2021. Desde 
então, Pedro mora no imóvel de forma gratuita. O 
referido contrato firmado entre José e Pedro é o de: 
a) Mútuo, caracterizado pelo empréstimo de coisa não 
fungível, pelo qual a pessoa tem de devolver a coisa ao 
final do contrato. Deve ser gratuito. 
b) Comodato, caracterizado pelo empréstimo de coisa 
não fungível, pelo qual a pessoa tem de devolver a coisa 
ao final do contrato. Pode ser gratuito ou oneroso. 
c) Comodato, caracterizado pelo empréstimo de coisa 
não fungível, pelo qual a pessoa tem de devolver a coisa 
ao final do contrato. Deve ser gratuito. 
46 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
d) Mútuo, caracterizado pelo empréstimo de coisa 
fungível, pelo qual a pessoa tem de devolver um bem 
que tenha as mesmas características do que o recebido. 
Pode ser gratuito ou oneroso. 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
Gabarito: C 
A questão versa sobre o contrato de empréstimo, que se 
divide em mútuo e comodato. 
O empréstimo é um gênero do qual se extraem duas 
espécies, o comodato e o mútuo. Comodato e mútuo se 
distinguem pela coisa. Ao passo que o comodato é o 
empréstimo de coisa fungíveis, o mútuo é o empréstimo 
de coisas fungíveis. 
O art. 579 estabelece que o comodato é o empréstimo 
gratuito de coisas não fungíveis (empréstimo de uso). 
Por isso, possível comodato tanto de bens móveis 
quanto de bens imóveis. A doutrina ainda aponta a 
possiblidade de comodato de bens fungíveis, quando se 
destinam eles à mera ornamentação. 
Esse é um contrato real, pois se exige que o bem seja 
transferido ao comodatário, não bastando apenas o 
consentimento. Também é um contrato não solene, já 
que inexigida formalidade específica. 
Portanto, são três os elementos fundamentais do 
comodato: gratuidade, infungibilidade do objeto e a 
necessidade de tradição. Por conta da gratuidade, o 
comodatário não poderá jamais recobrar do comodante 
as despesas feitas com o uso e gozo da coisa emprestada, 
por força do art. 584. 
Em relação ao mútuo, embora ambos sejam espécies do 
gênero empréstimo, o comodato e o mútuo apresentam 
algumas diferenças: 
A) Fungibilidade 
Comodato é o empréstimo de coisas não fungíveis e 
mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis (art. 586). 
B) Restituição 
No comodato, a pessoa tem de devolver a coisa ao 
comodante ao final do comodato; no mútuo, como o 
bem emprestado é fungível, o mutuário tem que 
entregar um bem que tenha as mesmas características 
do que o recebido (gênero, qualidade e quantidade), mas 
não necessariamente o mesmo recebido; 
Assim, no mútuo, o domínio do bem é transferido ao 
mutuário (art. 587). 
C) Gratuidade 
O mútuo tanto pode ser gratuito (livro emprestado a um 
amigo), como também oneroso (como no empréstimo 
bancário, caso no qual presumem-se devidos juros, 
segundo o art. 591). 
Gabarito: C 
Letra A (item árvore: 12) 
A alternativa está incorreta, pois o referido contrato é de 
comodato, não mútuo. 
Letra B (item árvore: 12) 
A alternativa está incorreta, uma vez que o comodato 
deve ser gratuito. 
Letra C (item árvore: 12) 
A alternativa está correta, nos termos do art. 579: "O 
comodato é o empréstimo gratuito de coisas não 
fungíveis. Perfaz-se com a tradição do objeto". 
Letra D (item árvore: 12) 
A alternativa está incorreta, conforme alternativas 
anteriores. 
Comentário Curto 
O art. 579 estabelece que o comodato é o empréstimo 
gratuito de coisas não fungíveis (empréstimo de uso). 
Assim, o referido contrato é de comodato. 
Gabarito: C 
 
Questão 39. 
Marcos, dirigindo de forma atenciosa e obedecendo aos 
limites da via, ao desviar do cachorro pertencente a João, 
atingiu o muro da casa de Marta, derrubando uma parte 
do muro e da parede da sala. Sobre o caso, é correto 
afirmar que 
a) João deverá arcar com o prejuízo na casa de Marta, 
pois o acidente ocorreu por causa de seu cachorro. 
b) Marcos deverá arcar com o prejuízo na casa de Marta, 
tendo apenas ação regressiva contra João. 
c) Marcos não tem nenhum dever de indenizar Marta, 
pois agiu em estado de necessidade, com destruição de 
coisa para remoção de perigo iminente. 
d) João e Marcos deverão arcar com o prejuízo de Marta 
de forma solidária. 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
Gabarito: B 
A questão versa sobre a responsabilidade civil. 
47 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
Há situações em que a ação humana, embora cause 
dano, com nexo causal, não é considerada ato ilícito, não 
gerando, muitas vezes, dever de indenizar. São as 
hipóteses de isenção de responsabilidade civil inscritas 
no art. 188. 
Trata-se de atos legitimados pelo direito, pois exercidos 
com apoio em algumas das seguintes hipóteses: a) 
legítima defesa; b) exercício regular de direito 
reconhecido e c) estado de necessidade, com destruição 
de coisa ou lesão a pessoa para remoção de perigo 
iminente. Apesar de serem excludentes de 
responsabilidade, nem sempre excluirão o dever de 
indenizar (art. 929). 
O estado de necessidade é uma excludente do dever de 
indenizar. Para que se configure o estado de necessidade 
vero e próprio, deve haver deterioração/destruição de 
coisa alheia para remover perigo iminente, restringindo-
se aos casos absolutamente necessários, e desde que 
não haja excesso. 
Nemsempre o estado de necessidade exclui a ilicitude, 
pois ele está bem delimitado pelas hipóteses do art. 188, 
em seu caput e parágrafo único. Segundo o art. 929 do 
CC/2002, se o dono da coisa ou a pessoa lesada não 
forem culpados por causar o perigo, fica-lhes garantido 
o direito à indenização pelos danos a ser paga por quem 
os causou. 
Porém, há direito de regresso do autor do dano contra 
quem causou o perigo a ser evitado, nos termos do art. 
930. Consequentemente, se o perigo foi causado pelo 
próprio dono da coisa ou pessoa lesada, está afastado o 
dever de indenizar. 
O estado de necessidade enseja dever de indenizar, 
mesmo que não seja ato ilícito e mesmo que o ato tenha 
salvado os interesses de outrem. É caso de 
responsabilidade objetiva, pois não é justo que a vítima 
suporte os prejuízos sob a escusa de que o autor tinha 
direito de praticar o dano. 
Gabarito: B 
Letra A (item árvore: 14) 
A alternativa está incorreta, pois quem causou os 
prejuízos a Marta foi Marcos, devendo ele arcar com 
prejuízos e ingressar com ação regressiva contra João. 
Letra B (item árvore: 14) 
A alternativa está correta, pois apesar de Marcos não ter 
cometido ato ilícito, nem sempre o estado de 
necessidade exclui o dever de indenizar. Segundo o art. 
929 do CC/2002, se o dono da coisa ou a pessoa lesada 
não forem culpados por causar o perigo, fica-lhes 
garantido o direito à indenização pelos danos a ser paga 
por quem os causou. Porém, há direito de regresso do 
autor do dano contra quem causou o perigo a ser 
evitado, nos termos do art. 930. Assim, Marcos deverá 
arcar com os prejuízos causados a Marta e terá ação de 
regresso contra João. 
Letra C (item árvore: 14) 
A alternativa está incorreta, pois Marcos tem o dever de 
indenizar, já que o perigo não foi causado por Marta. 
Letra D (item árvore: 14) 
A alternativa está incorreta, conforme alternativas 
anteriores. 
Comentário Curto 
Apesar de Marcos não ter cometido ato ilícito, nem 
sempre o estado de necessidade exclui o dever de 
indenizar. Segundo o art. 929 do CC/2002, se o dono da 
coisa ou a pessoa lesada não forem culpados por causar 
o perigo, fica-lhes garantido o direito à indenização pelos 
danos a ser paga por quem os causou. Porém, há direito 
de regresso do autor do dano contra quem causou o 
perigo a ser evitado, nos termos do art. 930. Assim, 
Marcos deverá arcar com os prejuízos causados a Marta 
e terá ação de regresso contra João. 
Gabarito: B 
 
Questão 40. 
Ana, andando pela calçada, foi atingida por uma tábua 
que caiu de um andaime, de um prédio em construção. 
Ana sofreu diversos danos e pretende ajuizar ação 
reparatória. Sobre o caso, é correto afirmar que: 
A) Há responsabilidade objetiva do dono do prédio pela 
ruína, incidindo os encargos moratórios após o 
ajuizamento da demanda. 
B) Não há que se falar em responsabilidade pela ruína de 
edifício, uma vez que a tábua caiu do andaime, não do 
prédio. 
c) Há responsabilidade subjetiva do dono do prédio pela 
ruína, incidindo os encargos moratórios desde que Ana 
foi atingida pela tábua. 
d) Há responsabilidade objetiva do dono do prédio pela 
ruína, incidindo os encargos moratórios desde que Ana 
foi atingida pela tábua. 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
Gabarito: D 
48 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
A questão versa sobre a ruína de edifício. 
Caso especial de responsabilidade for fato de coisa está 
presente no art. 937 do CC/2002, que estipula que: 
O dono do edifício ou construção responde pelos danos 
que resultarem de sua ruína, se esta provier de falta de 
reparos, cuja necessidade fosse manifesta. 
A responsabilidade do dono do imóvel ou da construção 
é objetiva, pois se entende que não agiu com o devido 
cuidado, seja por falta de reparos, seja por falha 
construtiva. Não há mais que se falar em presunção de 
culpa, como no regime do CC/1916, pois o dispositivo 
aplica a “Teoria do risco-criado” ou do risco-proveito, 
mas o dispositivo é controverso. 
Isso porque, em tese, o art. 937 abre amplas 
possibilidades de defesa do dono da obra, pois lhe 
permite provar que agiu com o devido cuidado, 
inexistindo falta de reparos, o que evidenciaria a 
existência de caso de presunção de culpa. Além disso, o 
artigo menciona a manifesta necessidade dos reparos 
para configurar a responsabilidade. 
Nada obstante, aqui, surge um caso curioso, pois, em 
regra, um edifício não desaba se estiver em perfeitas 
condições, cai apenas quando há necessidade de algum 
reparo ou há uma falha na construção. Assim, presume-
se a necessidade de reparos se o edifício desaba. 
A responsabilidade pela ruína estende-se a todo tipo de 
imóvel, não apenas às construções ou imóveis novos, 
incluindo-se aí a responsabilidade do proprietário que 
adquire imóvel já com muitos anos de uso, pois se 
entende que deveria tê-lo vistoriado adequadamente. 
Abrange, em verdade, todo tipo de edificação: pontes, 
canalizações (gás canalizado), andaimes (de prédios em 
obras), arquibancadas (de estádios), marquises (eventos 
em geral), escadas rolantes (de shopping center). 
O único modo de afastar a responsabilização é 
comprovar a ocorrência de um caso fortuito ou de culpa 
exclusiva da vítima. 
Em relação a mora, segundo o art. 398: “Nas obrigações 
provenientes de ato ilícito, considera-se o devedor em 
mora, desde que o praticou”. 
Gabarito: D 
Letra A (item árvore: 9) 
A alternativa está incorreta, pois segundo o art. 398: 
“Nas obrigações provenientes de ato ilícito, considera-se 
o devedor em mora, desde que o praticou”. 
Letra B (item árvore: 15) 
A alternativa está incorreta, pois a responsabilidade pela 
ruína estende-se a todo tipo de imóvel, não apenas às 
construções ou imóveis novos, incluindo-se aí a 
responsabilidade do proprietário que adquire imóvel já 
com muitos anos de uso, pois se entende que deveria tê-
lo vistoriado adequadamente. Abrange, em verdade, 
todo tipo de edificação: pontes, canalizações (gás 
canalizado), andaimes (de prédios em obras), 
arquibancadas (de estádios), marquises (eventos em 
geral), escadas rolantes (de shopping center). 
Letra C (item árvore: 15) 
A alternativa está incorreta, pois a responsabilidade é 
objetiva, conforme o art. 937: “O dono de edifício ou 
construção responde pelos danos que resultarem de sua 
ruína, se esta provier de falta de reparos, cuja 
necessidade fosse manifesta”. 
Letra D (item árvore: 15) 
A alternativa está correta, pois a responsabilidade do 
dono do imóvel ou da construção é objetiva, pois se 
entende que não agiu com o devido cuidado, seja por 
falta de reparos, seja por falha construtiva conforme o 
art. 937: “O dono de edifício ou construção responde 
pelos danos que resultarem de sua ruína, se esta provier 
de falta de reparos, cuja necessidade fosse manifesta”. 
Quanto aos encargos moratórios, estes se iniciam na 
data do acontecimento, segundo o art. 398: “Nas 
obrigações provenientes de ato ilícito, considera-se o 
devedor em mora, desde que o praticou”. 
Comentário Curto 
A responsabilidade do dono do imóvel ou da construção 
é objetiva, pois se entende que não agiu com o devido 
cuidado, seja por falta de reparos, seja por falha 
construtiva conforme o art. 937: “O dono de edifício ou 
construção responde pelos danos que resultarem de sua 
ruína, se esta provier de falta de reparos, cuja 
necessidade fosse manifesta”. Quanto aos encargos 
moratórios, estes se iniciam na data do acontecimento, 
segundo o art. 398: “Nas obrigações provenientes de ato 
ilícito, considera-se o devedor em mora, desde que o 
praticou”. 
Gabarito: D 
 
Questão 41. 
Maria, com 67 anos e Adolfo, com 69 anos pretendem 
contrair matrimônio. Querem adotar o regime de 
separação de bens. Sobre o caso, é correto afirmar que: 
49 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
a) Deverá ser adotado o regime de separação obrigatória 
de bens, por serem maiores de 65 anos. 
b) As partes deverão realizar pacto antenupcial, que é 
obrigatório sempre que o regimede bens adotado não 
for o regime de comunhão parcial de bens. 
c) Caso as partes não se casem, o pacto antenupcial se 
torna inválido. 
d) O pacto antenupcial pode ser feito por escritura 
pública ou documento particular. 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
Gabarito: B 
A questão versa sobre o casamento e o regime da 
separação de bens. 
Inicialmente, o casal poderá adotar qualquer regime de 
bens, pois a separação obrigatória de bens é apenas para 
os maiores de 70 anos, vejamos: 
Art. 1.641. É obrigatório o regime da separação de bens 
no casamento: 
II – da pessoa maior de 70 (setenta) anos. 
O CC/2002 prefixa quatro regimes de bens: comunhão 
parcial de bens, comunhão total ou universal de bens, 
separação – convencional ou legal – de bens e 
participação final de aquestos. O pacto é obrigatório 
sempre que o regime de bens escolhido pelos nubentes 
seja qualquer outro que não o regime de comunhão 
parcial de bens, por força do art. 1.640. 
Assim, somente se exige pacto antenupcial quando o 
regime adotado não é o regime legal, geral e supletivo 
estabelecido em lei. Por meio de pacto antenupcial, 
podem os nubentes escolher uma combinação de 
regimes ou mesmo estatuir algumas “normas” de 
exceção ao regime escolhido. Ou seja, se adotado o 
regime da comunhão parcial de bens, mas o casal resolve 
prever alguma especificidade, necessário é o recurso ao 
pacto antenupcial. 
O pacto antenupcial deve ser feito por escritura pública, 
sob pena de nulidade (nulidade absoluta). Será ineficaz 
se não lhe seguir o casamento (art. 1.653). O pacto 
antenupcial é, assim, um negócio jurídico bilateral sob 
condição suspensiva, o casamento. Existente e válido, 
torna-se ineficaz se não preenchido o requisito de 
eficacização exigido por lei. 
Gabarito: B 
Letra A (item árvore: 23) 
A alternativa está incorreta, conforme o art. 1.641, inc. 
II:" É obrigatório o regime da separação de bens no 
casamento: II – da pessoa maior de 70 (setenta) anos". 
Letra B (item árvore: 23) 
A alternativa está correta, pois o pacto é obrigatório 
sempre que o regime de bens escolhido pelos nubentes 
seja qualquer outro que não o regime de comunhão 
parcial de bens, por força do art. 1.640. 
Letra C (item árvore: 23) 
A alternativa está incorreta, pois se não houve o 
casamento, o pacto antenupcial se torna ineficaz, não 
inválido, conforme art. 1.653: "É nulo o pacto 
antenupcial se não for feito por escritura pública, e 
ineficaz se não lhe seguir o casamento". 
Letra D (item árvore: 23) 
A alternativa está incorreta, pois o pacto antenupcial 
deverá ser feito por escritura pública, conforme dispõe o 
art. 1.653. 
Comentário Curto 
O pacto antenupcial é obrigatório sempre que o regime 
de bens escolhido pelos nubentes seja qualquer outro 
que não o regime de comunhão parcial de bens, por 
força do art. 1.640. Assim, o casal poderá escolher 
qualquer regime de bens, pois a idade não é o 
impedimento, mas se escolherem um regime que não a 
comunhão parcial de bens, deverão realizar pacto 
antenupcial. O pacto antenupcial, por sua vez, deverá ser 
feito por escritura pública e seguido do casamento, sob 
pena de ineficácia. 
Gabarito: B 
 
Estatuto da Criança e do Adolescente 
Ricardo Torques 
Questão 42. 
Carolina é filha de Marcos. A mãe de Carolina morreu em 
razão de intercorrência no parto. 
Alguns anos após a morte de sua esposa, Marcos iniciou 
relação homoafetiva com José, sendo que se formou 
situação fática de união estável. Ambos criaram Carolina 
normalmente, mas sem reconhecimento formal dessa 
situação. 
Já com 10 anos, Carolina reconhece tanto a Marcos 
quanto a José como pais. Por isso, a família resolveu 
promover ação judicial a fim de que José seja registrado 
como pai de Carolina. 
Sobre essa situação, podemos afirmar que: 
50 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
a) a pretensão é inviável, pois só podem constar do 
registro público os pais biológicos. 
b) não é viável a pretensão pois apenas uma pessoa pode 
constar como pai registral. 
c) o pedido só é viável se Marcos e José se casarem. 
d) é viável o pedido, cabendo o reconhecimento de 
filiação socioafetiva e da situação de multiparentalidade. 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
O conceito de família tem passado por profunda 
reformulação em sede de jurisprudência. 
A visão que prevalece hoje é a de que o Estado não pode 
impor às pessoas um determinado modelo familiar. Pelo 
contrário, devem ser reconhecidas como família as 
relações decorrentes do afeto permanente. 
Sob esse entendimento, admite-se situação de 
multiparentalidade, em que uma criança tem mais de um 
pai, por exemplo. 
Além disso, já é firme o reconhecimento da possibilidade 
de formação de uniões estáveis homoafetivas. 
Por fim, hoje existe uma grande equiparação entre a 
união estável e o casamento, não se exigindo prévio 
casamento para a formação de uma família. 
Cumpre mencionar o precedente do STF, em sede de 
repercussão geral, Tema 622, RE 898.060, relator 
ministro Luiz Fux, DJe de 24/08/2017, firmou a seguinte 
tese: “A paternidade socioafetiva, declarada ou não em 
registro público, não impede o reconhecimento do 
vínculo de filiação concomitante baseado na origem 
biológica, com os efeitos jurídicos próprios”. Consta da 
ementa do acórdão o seguinte trecho: 
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL 
RECONHECIDA. DIREITO CIVIL E CONSTITUCIONAL. 
CONFLITO ENTRE PATERNIDADES SOCIOAFETIVA E 
BIOLÓGICA. PARADIGMA DO CASAMENTO . SUPERAÇÃO 
PELA CONSTITUIÇÃO DE 1988. EIXO CENTRAL DO 
DIREITO DE FAMÍLIA: DESLOCAMENTO PARA O PLANO 
CONSTITUCIONAL. SOBREPRINCÍPIO DA DIGNIDADE 
HUMANA (ART. 1º, III, DA CRFB). SUPERAÇÃO DE ÓBICES 
LEGAIS AO PLENO DESENVOLVIMENTO DAS FAMÍLIAS. 
DIREITO À BUSCA DA FELICIDADE. PRINCÍPIO 
CONSTITUCIONAL IMPLÍCITO. INDIVÍDUO COMO 
CENTRO DO ORDENAMENTO JURÍDICO - POLÍTICO. 
IMPOSSIBILIDADE DE REDUÇÃO DAS REALIDADES 
FAMILIARES A MODELOS PRÉ -CONCEBIDOS. 
ATIPICIDADE CONSTITUCIONAL DO CONCEITO DE 
ENTIDADES FAMILIARES. UNIÃO ESTÁVEL (ART. 226, § 3 
º, CRFB) E FAMÍLIA MONOPARENTAL (ART. 226, § 4 º, 
CRFB).VEDAÇÃO À DISCRIMINAÇÃO E HIERARQUIZAÇÃO 
ENTRE ESPÉCIES DE FILIAÇÃO (ART. 227, § 6 º, CRFB). 
PARENTALIDADE PRESUNTIVA, BIOLÓGICA OU AFETIVA . 
NECESSIDADE DE TUTELA JURÍDICA AMPLA. 
MULTIPLICIDADE DE VÍNCULOS PARENTAIS. 
RECONHECIMENTO CONCOMITANTE. POSSIBILIDADE . 
PLURIPARENTALIDADE. PRINCÍPIO DA PATERNIDADE 
RESPONSÁVEL (ART. 226, § 7 º, CRFB). RECURSO A QUE 
SE NEGA PROVIMENTO. FIXAÇÃO DE TESE PARA 
APLICAÇÃO A CASOS SEMELHANTES . 
[...] 
2. A família, à luz dos preceitos constitucionais 
introduzidos pela Carta de 1988, apartou-se 
definitivamente da vetusta distinção entre filhos 
legítimos, legitimados e ilegítimos que informava o 
sistema do Código Civil de 1916, cujo paradigma em 
matéria de filiação, por adotar presunção baseada na 
centralidade do casamento, desconsiderava tanto o 
critério biológico quanto o afetivo. 
3. A família, objeto do deslocamento do eixo central de 
seu regramento normativo para o plano constitucional, 
reclama a reformulação do tratamento jurídico dos 
vínculos parentais à luz do sobreprincípio da dignidade 
humana (art. 1º, III, da CRFB) e da busca da felicidade. 
[...] 
9. As uniões estáveis homoafetivas, consideradas pela 
jurisprudência desta Corte como entidade familiar, 
conduziram à imperiosidade da interpretação não-
reducionista do conceito de família como instituição que 
também se forma por vias distintas do casamento civil 
(ADI nº. 4277, Relator(a): Min. AYRES BRITTO, Tribunal 
Pleno, julgado em 05/05/2011). 
10. A compreensão jurídica cosmopolita das famílias 
exige a ampliação da tutela normativa a todas as formas 
pelas quais a parentalidade pode se manifestar, a saber: 
(i) pela presunção decorrente do casamento ou outras 
hipóteses legais, (ii) pela descendência biológica ou (iii) 
pela afetividade. 
[...] 
15. Os arranjos familiares alheios à regulação estatal, por 
omissão, não podem restar ao desabrigo da proteção a 
situaçõesde pluriparentalidade, por isso que merecem 
tutela jurídica concomitante, para todos os fins de 
direito, os vínculos parentais de origem afetiva e 
biológica, a fim de prover a mais completa e adequada 
tutela aos sujeitos envolvidos, ante os princípios 
51 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
constitucionais da dignidade da pessoa humana (art. 1º, 
III) e da paternidade responsável (art. 226, § 7º). 
16. Recurso Extraordinário a que se nega provimento, 
fixando-se a seguinte tese jurídica para aplicação a casos 
semelhantes: “A paternidade socioafetiva, declarada ou 
não em registro público, não impede o reconhecimento 
do vínculo de filiação concomitante baseado na origem 
biológica, com os efeitos jurídicos próprios”. 
Portanto, na situação narrada, é possível o registro de 
José como pai de Carolina, considerada a situação de 
paternidade socioafetiva. 
Comentário Curto 
O modelo de família reconhecido pelo direito brasileiro 
não é estático, cabendo o reconhecimento de relações 
afetivas ainda que não haja um reconhecimento formal 
típico pelo direito objetivo. 
A alternativa D está correta e é o gabarito da questão. 
 
Questão 43. 
Marcela e Valdemir são casados. Marcela está grávida, 
no entanto, o casal não se sente preparado para cuida do 
bebê, por isso, entraram em contato com a Justiça da 
Infância e da Juventude local a fim de dar início a 
procedimento de entrega da criança à adoção. 
Ouvido por equipe interprofissional, o casal confirmou a 
intenção de entrega à adoção. 
No entanto, após o nascimento, os dois se arrependeram 
e resolveram criar o filho, Jonatas. 
Ouvidos novamente por equipe interprofissional, 
Marcela e Valdemir manifestaram seu desejo de desistir 
do procedimento de entrega. 
Submetida a questão ao juiz, este determinou que a 
criança permanecesse com os pais, no entanto, 
determinou que a família permanecesse sob 
acompanhamento familiar. De acordo com a legislação, 
o prazo de acompanhamento familiar deve ser fixado 
em: 
a) 60 dias. 
b) 100 dias. 
c) 180 dias. 
d) 1 ano. 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
A questão exige conhecimento do procedimento de 
entrega de filho à adoção. 
Admite-se a desistência do procedimento, no entanto, 
nesse caso, o ECA determina que a família deve ser 
mantida em acompanhamento familiar pelo prazo de 
180 dias, de acordo com o art. 19-A, § 8º: 
19-A. § 8º Na hipótese de desistência pelos genitores - 
manifestada em audiência ou perante a equipe 
interprofissional - da entrega da criança após o 
nascimento, a criança será mantida com os genitores, e 
será determinado pela Justiça da Infância e da Juventude 
o acompanhamento familiar pelo prazo de 180 (cento e 
oitenta) dias. (Incluído pela Lei nº 13.509, de 2017) 
Assim, a família deve permanecer sob acompanhamento 
pelo prazo de 180 dias. 
Comentário Curto 
O procedimento de entrega à adoção é uma 
possibilidade à disposição dos pais que não se sentem 
preparados para cuidar de suas crianças, no entanto, a 
legislação admite a retratação da concordância com o 
procedimento. Em todo caso, é adequado que a família 
permaneça sob acompanhamento a fim de garantir que 
o casal tem efetivas condições de cuidar da criança. 
A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. 
 
Direito do Consumidor 
Igor Maciel 
Questão 44. 
Lúcia adquiriu um refrigerante da marca PAPSI no 
supermercado PREÇO BOM e, depois de tomar o 
primeiro gole, percebeu que o produto estava 
contaminado com um corpo estranho. A consumidora 
ajuizou ação de indenização por danos morais contra a 
fabricante do refrigerante e o supermercado. 
O supermercado resolveu fazer um acordo com a 
consumidora e pagou R$ 2 mil de indenização à autora. 
A fabricante, por sua vez, não participou da transação. 
Acerca dessa situação, é correto afirmar: 
a) A aquisição de produto de gênero alimentício 
contendo em seu interior corpo estranho, por si só, não 
expõe o consumidor a risco concreto de lesão à sua 
saúde e segurança, o que somente ocorre se houver a 
ingestão, ainda que parcial, do produto. 
b) A ingestão parcial de produto contaminado configura 
hipótese de vício do produto, situação na qual o 
comerciante possui responsabilidade solidária. 
c) A responsabilidade do supermercado é subsidiária, de 
modo que o acordo por ele firmado não se estende 
necessariamente à fabricante. 
52 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
d) O fabricante e o comerciante respondem, 
independentemente da existência de culpa, pela 
reparação dos danos causados aos consumidores por 
defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, 
montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou 
acondicionamento de seus produtos, bem como por 
informações insuficientes ou inadequadas sobre sua 
utilização e riscos. 
Comentário Longo 
Análise do Caso 
A questão aborda a responsabilidade do fornecedor e do 
comerciante diante de fato do produto. 
Na situação, uma consumidora adquiriu um refrigerante 
em determinado supermercado e, depois de tomar o 
primeiro gole, percebeu que o produto estava 
contaminado com um corpo estranho. Ajuizada ação 
indenizatória, somente o supermercado fez acordo com 
a consumidora, não participando da transação o 
supermercado. 
Segundo a jurisprudência do STJ, a aquisição de produto 
de gênero alimentício contendo em seu interior corpo 
estranho expõe o consumidor a risco concreto de lesão 
à sua saúde e segurança, ainda que não ocorra a ingestão 
de seu conteúdo. Logo, isso enseja o direito de o 
consumidor ser indenizado por danos morais, 
considerando que há ofensa ao direito fundamental à 
alimentação adequada, corolário do princípio da 
dignidade da pessoa humana. 
A simples comercialização de produto contendo corpo 
estranho possui as mesmas consequências negativas à 
saúde e à integridade física do consumidor que sua 
ingestão propriamente dita. Existe, no caso, dano moral 
in re ipsa porque a presença de corpo estranho em 
alimento industrializado excede aos riscos comumente 
esperados pelo consumidor em relação a esse tipo de 
produto, caracterizando-se a situação como um defeito 
do produto, a permitir a responsabilização do 
fornecedor. (STJ. 2ª Seção. REsp 1.899.304/SP, Rel. Min. 
Nancy Andrighi, julgado em 25/08/2021) 
Sobre o fato do produto, a responsabilização dos 
fornecedores é definida pelos arts. 12 e 13 do CDC da 
seguinte forma: 
Art. 12. O fabricante, o produtor, o construtor, nacional 
ou estrangeiro, e o importador respondem, 
independentemente da existência de culpa, pela 
reparação dos danos causados aos consumidores por 
defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, 
montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou 
acondicionamento de seus produtos, bem como por 
informações insuficientes ou inadequadas sobre sua 
utilização e riscos. 
§ 1° O produto é defeituoso quando não oferece a 
segurança que dele legitimamente se espera, levando-se 
em consideração as circunstâncias relevantes, entre as 
quais: 
I - sua apresentação; 
II - o uso e os riscos que razoavelmente dele se esperam; 
III - a época em que foi colocado em circulação. 
§ 2º O produto não é considerado defeituoso pelo fato 
de outro de melhor qualidade ter sido colocado no 
mercado. 
§ 3° O fabricante, o construtor, o produtor ou 
importador só não será responsabilizado quando provar: 
I - que não colocou o produto no mercado; 
II - que, embora haja colocado o produto no mercado, o 
defeito inexiste; 
III - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. 
Art. 13. O comerciante é igualmente responsável, nos 
termos do artigo anterior, quando: 
I - o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador 
não puderem ser identificados; 
II - o produto for fornecido sem identificação clara do seu 
fabricante, produtor, construtor ou importador; 
III - não conservar adequadamente os produtos 
perecíveis. 
Para o STJ, a ingestão parcial de produto contaminado 
configura hipótese de fato do produto, situação na qual 
o comerciantenão possui responsabilidade solidária, 
mas sim subsidiária (art. 13 do CDC). Sendo a 
responsabilidade do supermercado subsidiária, o acordo 
por ele firmado não se estende necessariamente à 
fabricante porque não se aplica o § 3º do art. 844 do CC, 
que afirma que se a transação foi feita entre um dos 
devedores solidários e seu credor, ela extingue a dívida 
em relação aos codevedores. 
Nesse sentido: 
RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS 
MORAIS E MATERIAIS. INGESTÃO DE PRODUTO (SUCO) 
CONTENDO CORPO ESTRANHO (FUNGOS). FATO DO 
PRODUTO. ACORDO CELEBRADO ENTRE A AUTORA E A 
COMERCIANTE. EXTENSÃO ÀS FABRICANTES. 
IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DA REGRA DO 
ART. 844, § 3º, DO CÓDIGO CIVIL. AUSÊNCIA DE 
SOLIDARIEDADE ENTRE A COMERCIANTE E AS 
53 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
FABRICANTES PELO DEFEITO DO PRODUTO. 
INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 12 E 13 DO CÓDIGO DE DEFESA 
DO CONSUMIDOR. ACÓRDÃO RECORRIDO MANTIDO NA 
ÍNTEGRA. RECURSO DESPROVIDO. 1. Cinge-se a 
controvérsia a definir se o acordo firmado por um dos 
réus, em ação indenizatória ajuizada com base no Código 
de Defesa do Consumidor, deve aproveitar aos demais 
corréus, a teor do que dispõe o § 3º do art. 844 do Código 
Civil. 2. A Segunda Seção desta Corte Superior decidiu 
que a existência de corpo estranho em produtos 
alimentícios, como no caso dos autos, configura hipótese 
de fato do produto (defeito), previsto nos arts. 12 e 13 
do Código de Defesa do Consumidor, não se tratando, 
como alegado pelas recorrentes, de vício do produto 
(CDC, art. 18 e seguintes). 3. A regra geral da 
responsabilidade pelo defeito do produto é objetiva e 
solidária entre o fabricante, o produtor, o construtor e o 
importador, a teor do que dispõe o art. 12 do CDC. Ou 
seja, todos os fornecedores acima elencados, que 
integram a cadeia de consumo, irão responder 
conjuntamente independentemente de culpa. 4. 
Entretanto, ao tratar da responsabilidade do 
comerciante pelo fato do produto, o Código 
Consumerista disciplinou de forma diversa, 
estabelecendo que ele somente será responsabilizado (i) 
quando o fabricante, o construtor, o produtor ou o 
importador não puderem ser identificados; (ii) quando o 
produto for fornecido sem identificação clara do seu 
fabricante, produtor, construtor ou importador; ou (iii) 
quando o comerciante não conservar adequadamente 
os produtos perecíveis (CDC, art. 13, incisos I a III). Assim, 
ao contrário dos demais fornecedores, a 
responsabilidade do comerciante pelo fato do produto é 
subsidiária. 5. Na hipótese, é possível concluir que a ré 
Sendas Distribuidora, na condição de comerciante, por 
ser a responsável pelo estabelecimento comercial em 
que a autora adquiriu o produto contaminado (Assaí 
Atacadista), não poderia, em tese, ser responsabilizada 
no caso, tendo em vista a inobservância das hipóteses 
previstas nos incisos I a III do art. 13 do CDC, 
considerando a identificação clara dos fabricantes do 
produto (Coca Cola Indústrias Ltda. e Leão Alimentos e 
Bebidas Ltda. - atual denominação Del Valle), além de ter 
sido constatado que não houve má conservação, visto 
que, segundo a perícia, o defeito ocorreu anteriormente 
à embalagem. 6. Logo, se a ré Sendas Distribuidora, ao 
invés de alegar sua ilegitimidade passiva ou, 
considerando a teoria da asserção, tentar defender a 
improcedência do pedido em relação a si, preferiu firmar 
um acordo com a parte autora, tal fato não tem o condão 
de caracterizar a solidariedade defendida pelas 
recorrentes, não podendo ser estendido o efeito da 
transação, considerando a inaplicabilidade da regra do 
art. 844, § 3º, do Código Civil ao caso. 7. Recurso especial 
desprovido. 
(REsp 1968143/RJ, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO 
BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 08/02/2022, 
DJe 17/02/2022) 
Portanto, correta a letra C, pois a responsabilidade do 
supermercado no caso é subsidiária, e o acordo por ele 
firmado não se estende necessariamente à fabricante 
porque não se aplica o § 3º do art. 844 do CC, que afirma 
que se a transação foi feita entre um dos devedores 
solidários e seu credor, ela extingue a dívida em relação 
aos codevedores. 
Letra A 
INCORRETA. 
Segundo entendimento do STJ: “A aquisição de produto 
de gênero alimentício contendo em seu interior corpo 
estranho expõe o consumidor à risco concreto de lesão 
à sua saúde e segurança, ainda que não ocorra a ingestão 
de seu conteúdo. Logo, isso enseja o direito de o 
consumidor ser indenizado por danos morais, 
considerando que há ofensa ao direito fundamental à 
alimentação adequada, corolário do princípio da 
dignidade da pessoa humana. A simples comercialização 
de produto contendo corpo estranho possui as mesmas 
consequências negativas à saúde e à integridade física do 
consumidor que sua ingestão propriamente dita. Existe, 
no caso, dano moral in re ipsa porque a presença de 
corpo estranho em alimento industrializado excede aos 
riscos comumente esperados pelo consumidor em 
relação a esse tipo de produto, caracterizando-se a 
situação como um defeito do produto, a permitir a 
responsabilização do fornecedor. (STJ. 2ª Seção. REsp 
1.899.304/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 
25/08/2021) 
Letra B 
INCORRETA. 
Segundo entendimento do STJ: “(...) 2. A Segunda Seção 
desta Corte Superior decidiu que a existência de corpo 
estranho em produtos alimentícios, como no caso dos 
autos, configura hipótese de fato do produto (defeito), 
previsto nos arts. 
12 e 13 do Código de Defesa do Consumidor, não se 
tratando, como alegado pelas recorrentes, de vício do 
produto (CDC, art. 18 e seguintes). (...) (REsp 
1968143/RJ, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, 
54 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
TERCEIRA TURMA, julgado em 08/02/2022, DJe 
17/02/2022) 
Letra C 
CORRETA. 
Segundo a jurisprudência do STJ: “(...)3. A regra geral da 
responsabilidade pelo defeito do produto é objetiva e 
solidária entre o fabricante, o produtor, o construtor e o 
importador, a teor do que dispõe o art. 12 do CDC. Ou 
seja, todos os fornecedores acima elencados, que 
integram a cadeia de consumo, irão responder 
conjuntamente independentemente de culpa. 4. 
Entretanto, ao tratar da responsabilidade do 
comerciante pelo fato do produto, o Código 
Consumerista disciplinou de forma diversa, 
estabelecendo que ele somente será responsabilizado (i) 
quando o fabricante, o construtor, o produtor ou o 
importador não puderem ser identificados; (ii) quando o 
produto for fornecido sem identificação clara do seu 
fabricante, produtor, construtor ou importador; ou (iii) 
quando o comerciante não conservar adequadamente 
os produtos perecíveis (CDC, art. 13, incisos I a III). Assim, 
ao contrário dos demais fornecedores, a 
responsabilidade do comerciante pelo fato do produto é 
subsidiária. 5. Na hipótese, é possível concluir que a ré 
Sendas Distribuidora, na condição de comerciante, por 
ser a responsável pelo estabelecimento comercial em 
que a autora adquiriu o produto contaminado (Assaí 
Atacadista), não poderia, em tese, ser responsabilizada 
no caso, tendo em vista a inobservância das hipóteses 
previstas nos incisos I a III do art. 13 do CDC, 
considerando a identificação clara dos fabricantes do 
produto (Coca Cola Indústrias Ltda. e Leão Alimentos e 
Bebidas Ltda. - atual denominação Del Valle), além de ter 
sido constatado que não houve má conservação, visto 
que, segundo a perícia, o defeito ocorreu anteriormente 
à embalagem. 6. Logo, se a ré Sendas Distribuidora, ao 
invés de alegar sua ilegitimidade passiva ou, 
considerando a teoria da asserção, tentar defender a 
improcedência do pedido em relação a si, preferiu firmar 
um acordo com a parte autora, tal fato não tem o condão 
de caracterizar a solidariedade defendida pelas 
recorrentes, não podendo ser estendido o efeito da 
transação, considerando a inaplicabilidade da regra do 
art. 844, § 3º, do Código Civil ao caso. 7. Recurso especial 
desprovido. (REsp 1968143/RJ, Rel. Ministro MARCO 
AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRATURMA, julgado em 
08/02/2022, DJe 17/02/2022) 
Letra D 
INCORRETA. 
No caso de fato do produto, o comerciante não responde 
solidariamente, mas sim de forma subsidiária, segundo 
art. 13 do CDC: “O comerciante é igualmente 
responsável, nos termos do artigo anterior, quando: I - o 
fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não 
puderem ser identificados; II - o produto for fornecido 
sem identificação clara do seu fabricante, produtor, 
construtor ou importador; III - não conservar 
adequadamente os produtos perecíveis.” 
Comentário Curto 
Correta a letra C, pois, segundo o STJ, a ingestão parcial 
de produto contaminado configura hipótese de fato do 
produto, situação na qual o comerciante não possui 
responsabilidade solidária, mas sim subsidiária (art. 13 
do CDC). Sendo a responsabilidade do supermercado 
subsidiária, o acordo por ele firmado não se estende 
necessariamente à fabricante porque não se aplica o § 3º 
do art. 844 do CC, que afirma que se a transação foi feita 
entre um dos devedores solidários e seu credor, ela 
extingue a dívida em relação aos codevedores. 
Gabarito: C 
 
Questão 45. 
Judite abriu seu aplicativo do banco pelo telefone celular 
e, verificando o extrato de sua conta bancária, foi 
surpreendida com a informação de que foi realizado 
saque de grande quantia diretamente no caixa. Ela, 
então, dirigiu-se até o estabelecimento bancário, onde 
foi informada que o banco somente libera saques 
mediante apresentação de documento oficial de 
identidade. Em seguida, foi constatada a utilização de 
documento falso por terceiro para a realização do saque. 
Judite procurou você, na qualidade de advogado, que 
deverá informá-la corretamente que: 
a) É caso fortuito interno, devendo a instituição bancária 
responder objetivamente pelos danos causados por 
fraudes ou delitos, ainda que praticados por terceiros. 
b) A situação deve ser resolvida à luz do Código Civil e 
Direito Empresarial, uma vez que não há relação 
consumerista entre o banco e Judite. 
c) É caso fortuito externo, não podendo a instituição 
bancária responder, ainda que subjetivamente, pelos 
danos causados por fraudes ou delitos praticados por 
terceiros. 
d) A atividade bancária não está incluída como produto 
ou serviço pela redação expressa do CDC. 
Comentário Longo 
55 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
Análise do Caso 
A questão aborda o tema da responsabilidade das 
instituições financeiras por danos causados ao 
consumidor. 
Inicialmente, o CDC conceitua serviço no art. 3º, §2º do 
seguinte modo: 
Art. 3º. (...) 
§2º. Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado 
de consumo, mediante remuneração, inclusive as de 
natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, 
salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista. 
Portanto, o os serviços de natureza bancária estão 
abrangidos expressamente pelo CDC, representando a 
situação narrada uma relação consumerista. 
Nesse sentido, dispõe a Súmula 297 do STJ: 
O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às 
instituições financeiras. 
Por sua vez, a Súmula 479 do STJ: 
As instituições financeiras respondem objetivamente 
pelos danos gerados por fortuito interno relativo a 
fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de 
operações bancárias. 
Portanto, correta a alternativa A, ao dispor que o caso 
representa um fortuito interno, devendo a instituição 
bancária responder objetivamente pelos danos causados 
por fraudes ou delitos, ainda que praticados por 
terceiros. 
Letra A 
CORRETA. 
Segundo a Súmula 479 do STJ: “As instituições 
financeiras respondem objetivamente pelos danos 
gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos 
praticados por terceiros no âmbito de operações 
bancárias.” 
Letra B 
INCORRETA. 
Segundo a Súmula 297 do STJ: “O Código de Defesa do 
Consumidor é aplicável às instituições financeiras.” 
Letra C 
INCORRETA. 
Segundo a Súmula 479 do STJ: “As instituições 
financeiras respondem objetivamente pelos danos 
gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos 
praticados por terceiros no âmbito de operações 
bancárias.” 
Letra D 
INCORRETA. 
Segundo art. 3º, §2º, do CDC: “Serviço é qualquer 
atividade fornecida no mercado de consumo, mediante 
remuneração, inclusive as de natureza bancária, 
financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes 
das relações de caráter trabalhista.” 
Comentário Curto 
Dispõe a Súmula 297 do STJ: “O Código de Defesa do 
Consumidor é aplicável às instituições financeiras.” Por 
sua vez, a Súmula 479 do STJ: “As instituições financeiras 
respondem objetivamente pelos danos gerados por 
fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados 
por terceiros no âmbito de operações bancárias.” 
Portanto, correta a alternativa A, ao dispor que o caso 
representa um fortuito interno, devendo a instituição 
bancária responder objetivamente pelos danos causados 
por fraudes ou delitos, ainda que praticados por 
terceiros 
Gabarito: A 
Direito Empresarial 
Alessandro Sanchez 
Questão 46. 
Responda a questão a seguir de acordo com o Capítulo II 
(Do Nome Empresarial) do Código Civil Brasileiro, 
assinalando a assertiva INCORRETA: 
a) A sociedade cooperativa funciona sob firma integrada 
pelo vocábulo "cooperativa". 
b) A omissão da palavra "limitada" determina a 
responsabilidade solidária e ilimitada dos 
administradores que assim empregarem a firma ou a 
denominação da sociedade. 
c) A sociedade em que houver sócios de 
responsabilidade ilimitada operará sob denominação, na 
qual somente os nomes daqueles poderão figurar, 
bastando para formá-la aditar ao nome de um deles a 
expressão "e companhia" ou sua abreviatura. 
d) Cabe ao prejudicado, no prazo de dois anos, ação para 
anular a inscrição do nome empresarial feita com 
violação da lei ou do contrato. 
Comentário Longo: 
Gabarito: B 
A hipótese estampada na alternativa “B” está de acordo 
com a letra do código civil no artigo 1158, §3o “A 
omissão da palavra "limitada" determina a 
responsabilidade solidária e ilimitada dos 
56 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
administradores que assim empregarem a firma ou a 
denominação da sociedade.” A alternativa “A” está 
errada, já que a cooperativa funciona sob denominação, 
segundo artigo 1159 do Código Civil. A alternativa “C” 
está errada, pois as sociedades em haja sócios de 
responsabilidade pessoal operam sob firma. Por fim, a 
alternativa “D” está errada, já que a ação pode ser 
intentada a qualquer tempo. 
 
Questão 47. 
Em relação ao trespasse e os credores do alienante, as 
obrigações contratuais e a responsabilidade das partes 
envolvidas no negócio, é correto afirmar que: 
a) O alienante não poderá restabelecer-se no mesmo 
ramo, em hipótese alguma, pelo prazo máximo de 5 anos 
subsequentes à transferência, sob pena de responder 
por concorrência desleal. 
b) O contrato de locação do imóvel é transferido 
automaticamente para o adquirente do 
estabelecimento, permitindo a continuidade na 
exploração do estabelecimento. 
c) O alienante responderá solidariamente com o 
adquirente pelo prazo de 1 ano, pelas dívidas vencidas e 
vincendas, variando o termo inicial de contagem do 
prazo de acordo com a data de vencimento. 
d) As marcas de titularidade do alienante não poderiam 
ser cedidas isoladamente, razão pela qual se mostrava 
imprescindível sua transferência simultânea à do 
estabelecimento. 
Comentário Curto: 
Gabarito: C 
A assertiva está de acordo com a regra temporal de 
responsabilidade esboçada no artigo 1145 e 1146 do 
Código Civil. 
 
Questão 48. 
O endosso é o ato típico de transmissão dos títulos de 
crédito, dentre eles a Letra de Câmbio. A respeito do 
endosso, prevê o Anexo I do Decreto 57.663/66: 
a) É admitido o endosso parcial. 
b) O endossante poderá inserir cláusula que subordine o 
endosso ao cumprimento de uma condição. 
c) A partir do endosso, o endossante sempre responderá 
pelo aceite e pelo pagamento do título, inevitavelmente. 
d)O endosso posterior ao vencimento produz os 
mesmos efeitos que o anterior. 
Comentário Curto: 
Gabarito: D 
A regra compõe o arcabouço legal sobre títulos de 
crédito, tendo previsão também no código civil. O 
decreto 57.663/66 trata a questão e responde a hipótese 
"ipsis litteris" em seu artigo 20. 
 
Questão 49. 
Com base nas normas aplicáveis às sociedades 
contratuais, é CORRETO afirmar que: 
a) A incapacidade superveniente não é causa de exclusão 
de sócio, impondo-se a propositura de ação judicial caso 
a maioria dos demais sócios assim delibere. 
b) Não haverá mudança de nacionalidade de sociedade 
brasileira sem o consentimento unânime dos sócios. 
c) Admite-se aos cônjuges contratar sociedade, desde 
que casados pelo regime de separação absoluta de bens, 
comunhão parcial e participação final nos aquestos. 
d) O menor, absoluta ou relativamente incapaz, não 
pode ser sócio, desde que não tenha poder de 
administração. 
Comentário Curto: 
Gabarito: B 
A alternativa "B" está de acordo com o Art. 1.127. Não 
haverá mudança de nacionalidade de sociedade 
brasileira sem o consentimento unânime dos sócios ou 
acionistas. 
 
Questão 50. 
A duplicata escritural: 
a) não carece de protesto para o ajuizamento de ação 
executiva; 
b) pode ser cobrada, exclusivamente, por ação 
monitória. 
c) não permite aceite ordinário. 
d) se vale do aceite presumido e protesto para a 
cobrança judicial para a execução. 
Comentário Curto: 
Gabarito: D 
A lei 5474/68 traz uma dinâmica de aceite presumido 
para questões em que a mercadoria é entregue, mas a 
57 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
duplicata não é aceita ou não é devolvida. A duplicata 
escritural se utiliza dessa mesma dinâmica. 
 
Direito Processual Civil 
Ricardo Torques 
Questão 51. 
Samuel é casado sob o regime de comunhão parcial de 
bens com Cícera. 
Samuel é promitente comprador de um imóvel, sendo 
que o contrato foi integralmente quitado. O promitente 
vendedor, no entanto, se recusa, sem qualquer motivo, 
a lavrar escritura pública para que ocorra a transmissão 
definitiva do imóvel. 
Considerada essa situação, Samuel pretende propor 
ação judicial para compelir o promitente comprador a 
outorgar a escritura pública. 
O advogado de Samuel, verificando que este é casado, 
lhe informou corretamente que sua esposa, Cícera: 
a) não precisa participar do processo judicial, pois o 
direito discutido não é imobiliário. 
b) deverá integrar o processo como litisconsorte ativa 
necessária. 
c) deverá consentir com o ajuizamento da ação para que 
seja viável a instauração do processo. 
d) deverá integrar o processo como assistente 
litisconsorcial. 
Comentário Longo 
Análise do Caso (item árvore: 9. Sujeitos do processo) 
Em primeiro lugar, é importante saber que o direito do 
promitente comprador de imóvel é direito real. 
Portanto, trata-se, efetivamente, de direito imobiliário. É 
o que prevê o art. 1.225, VII, do Código Civil: 
Art. 1.225. São direitos reais: 
VII - o direito do promitente comprador do imóvel; 
Assim, a demanda pela consecução desse direito é 
demanda sobre direito imobiliário. 
Portanto, incide o art. 73, segundo o qual é necessário o 
consentimento do cônjuge para que seja possível a 
propositura de ação que verse sobre direito real 
imobiliário: 
Art. 73. O cônjuge necessitará do consentimento do 
outro para propor ação que verse sobre direito real 
imobiliário, salvo quando casados sob o regime de 
separação absoluta de bens. 
Cumpre anotar também que, conforme informado, 
Samuel é casado sob o regime de comunhão parcial de 
bens, não se aplicando a ressalva da parte final. 
Assim, será necessário o consentimento de Cícera para 
que Samuel possa propor a pretendida ação judicial. 
Comentário Curto 
É importante conhecer todos os elementos da 
capacidade processual para evitar a prolação de decisões 
nulas, o que prejudica sobremaneira as partes. 
A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. 
 
Questão 52. 
Walquíria é autora de ação revisional de contrato de 
locação. 
O juiz proferiu sentença julgando procedente o pedido e 
determinou a majoração do valor do aluguel. A decisão 
transitou em julgado. 
Walquíria consultou seu advogado quanto à 
possibilidade, ou não, de cobrança da diferença dos 
alugueres retroativamente. Seu advogado lhe informou 
corretamente que: 
a) não é possível a cobrança retroativa, aplicando-se o 
valor majorado do aluguel para as prestações que se 
vencerem após a publicação da sentença de 
procedência. 
b) é possível a cobrança retroativa, sendo que o valor 
majorado é devido desde a data da propositura da ação 
revisional. 
c) é possível a cobrança retroativa, sendo que o valor 
majorado é devido desde a data da citação do locatário. 
d) é possível a cobrança retroativa, sendo que o valor 
majorado é devido desde a data do contrato de locação. 
Comentário Longo 
Análise do Caso (item árvore: 31.6. Locações e seus 
procedimentos especiais) 
Nas ações revisionais de locação, há previsão específica 
quanto ao momento a partir do qual é devido o valor do 
aluguel revisado. 
De acordo com o art. 69 da Lei de locação, Lei n. 
8.245/1991, o aluguel fixado na sentença retroage à data 
da citação. Veja: 
Art. 69. O aluguel fixado na sentença retroage à citação, 
e as diferenças devidas durante a ação de revisão, 
descontados os alugueres provisórios satisfeitos, serão 
58 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
pagas corrigidas, exigíveis a partir do trânsito em julgado 
da decisão que fixar o novo aluguel. 
Dessa forma, é possível a cobrança retroativa desde a 
data da citação. 
 
Comentário Curto 
A ação de revisão de locação tem peculiaridades 
importantes. Como o contrato de locação é bastante 
comum, o advogado deve conhecer os efeitos dessa 
importante ação. 
A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. 
 
Questão 53. 
A empresa Alfa se sagrou vencedora de certame 
licitatório, no entanto, a sua habilitação foi rejeitada pela 
Administração Pública em virtude de exigência que o 
advogado da empresa, Lúcio, entende inconstitucional. 
Lúcio ingressou com mandado de segurança com a 
intenção de anular o ato de indeferimento da 
habilitação. 
O pedido foi julgado procedente em primeiro grau de 
jurisdição, no entanto, o Ente Público correspondente 
interpôs apelação. 
No Tribunal de Justiça, a apelação foi julgada 
improcedente por maioria de votos. 
A procuradoria do Ente Público postulou o 
prosseguimento do julgamento de forma ampliada, 
pugnando pela aplicação do art. 942 do CPC/2015. 
Sobre essa situação, é correto afirmar, à luz da 
jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que: 
a) não se aplica a técnica de julgamento ampliado ao 
mandado de segurança, que tem rito processual próprio, 
por isso, é imprópria a extensão pretendida pela 
procuradoria. 
b) aplica-se a técnica de julgamento ampliado ao 
mandado de segurança, no entanto, esse instituto só se 
aplica no caso de provimento da apelação, por isso, é 
imprópria a extensão pretendida pela procuradoria. 
c) aplica-se a técnica de julgamento ampliado ao 
mandado de segurança, no entanto, esse instituto não se 
aplica ao recurso de apelação, por isso, é imprópria a 
extensão pretendida pela procuradoria. 
d) aplica-se a técnica de julgamento ampliado ao 
mandado de segurança e esse instituto se aplica quando 
o julgamento da apelação for não unânime, portanto, é 
adequada a extensão pretendida pela procuradoria. 
Comentário Longo 
Análise do Caso (item árvore: 31.2. Mandado de 
segurança, Habeas corpus, Habeas data, Mandado de 
injunção, Ação popular e Ação civil pública; 28.2. Teoria 
geral dos recursos e recursos em espécie) 
O STJ firmou jurisprudência no sentido de que se aplica 
ao mandado de segurança a técnica de julgamento 
ampliado prevista no art. 942 do CPC/2015. Observe-se, 
nesse sentido, o precedente do REsp 1.817.633, relator 
ministro Gurgel de Faria, acórdão publicado no DJe de 
11/10/2019:PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA, 
APELAÇÃO. ACÓRDÃO NÃO UNÂNIME. ART. 942 DO 
CPC/2015. INCIDÊNCIA. 
1. O Plenário do STJ decidiu que "aos recursos 
interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a 
decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) 
serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal 
na forma do novo CPC" (Enunciado Administrativo n. 3). 
2. A técnica de ampliação do colegiado prevista no art. 
942 do CPC/2015 também tem aplicação para 
julgamento não unânime de apelação interposta em 
sede de mandado de segurança. 
3. Hipótese em que o julgamento da apelação foi iniciado 
na sessão de 11/04/2018, com a apresentação de voto 
divergente pela manutenção da sentença, o que impõe a 
sua continuidade, com a extensão do colegiado. 
4. Recurso especial provido. 
O STJ entendeu que a lei de mandado de segurança não 
prevê rito próprio para a apelação. 
Além disso, o Tribunal afastou a incidência do art. 25 da 
Lei n. 12.016/2009, que veda a interposição de embargos 
infringentes no procedimento de MS. Os embargos 
infringentes eram espécie recursal prevista no CPC/1973 
cujo objetivo principal era ampliar o colegiado para o 
julgamento do recurso. No entanto, o STJ entendeu que 
não se pode confundir a técnica de julgamento ampliado 
com os embargos infringentes: o julgamento ampliado 
não é espécie recursal, e sim técnica de julgamento nova 
instituída originalmente pelo CPC/2015. 
Dessa forma, aplica-se ao mandado de segurança a 
técnica de julgamento ampliado. 
No mais, o art. 942 do CPC/2015 prevê o seguinte: 
 Art. 942. Quando o resultado da apelação for não 
unânime, o julgamento terá prosseguimento em sessão 
59 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
a ser designada com a presença de outros julgadores, 
que serão convocados nos termos previamente 
definidos no regimento interno, em número suficiente 
para garantir a possibilidade de inversão do resultado 
inicial, assegurado às partes e a eventuais terceiros o 
direito de sustentar oralmente suas razões perante os 
novos julgadores. 
A técnica de julgamento ampliado se aplica à apelação 
quando o resultado for não unânime. Não se exige que o 
resultado seja de procedência, bastando que seja não 
unânime. 
Portanto, na situação narrada, aplica-se a técnica de 
julgamento ampliado, pois o resultado da apelação foi 
não unânime. 
Comentário Curto 
Aplica-se o procedimento comum de forma subsidiária 
ao mandado de segurança, tendo se firmado 
jurisprudência no sentido de que a técnica de julgamento 
ampliado tem aplicabilidade nesse procedimento 
especial. É importante conhecer os requisitos para o 
julgamento ampliado, que são condição essencial para a 
conclusão do julgamento. 
A alternativa D está correta e é o gabarito da questão. 
 
Questão 54. 
Lourival é executado em ação executiva de título 
extrajudicial. 
Lourival, agindo de boa-fé, juntou aos autos extrato 
bancário, sendo que do documento consta informação 
de que Lourival tem saldo suficiente para o pagamento 
do débito, motivou pelo qual o juiz determinou a 
penhora do valor suficiente para a satisfação da dívida. 
No entanto, Lourival apresentou aos autos pedido de 
substituição da penhora. 
Em primeiro lugar, Lourival pede que a penhora seja 
substituída por cotas de sua propriedade em fundo de 
investimento. Conforme alega, as cotas se equiparam a 
dinheiro. Lourival juntou aos autos documento emitido 
por corretora dando conta de que o valor das cotas era 
mais que suficiente para o pagamento do débito. 
Subsidiariamente, Lourival pretende a substituição da 
penhora em dinheiro por fiança bancária. Lourival juntou 
aos autos cópia de contrato de fiança firmado com 
instituição financeira, sendo que, conforme o 
instrumento, o banco garante o pagamento de valor 
equivalente ao do valor pretendido na inicial acrescido 
de 20%. 
Sobre o pedido de Lourival, podemos afirmar que: 
a) deve ser deferido o pedido de substituição da penhora 
do saldo bancário por cotas de fundo de investimento, 
que são ativo que se equipara a dinheiro. 
b) não deve ser deferido o pedido de substituição da 
penhora do saldo bancário por cotas de fundo de 
investimento, que não se equiparam a dinheiro. O 
pedido de substituição por fiança bancária, no entanto, 
deve ser deferido. 
c) não deve ser deferido o pedido de substituição da 
penhora do saldo bancário por cotas de fundo de 
investimento, que não se equiparam a dinheiro. 
Tampouco deve ser deferido o pedido de substituição 
por fiança bancária, que não tem previsão legal. 
d) não deve ser deferido o pedido de substituição da 
penhora do saldo bancário por cotas de fundo de 
investimento, que não se equiparam a dinheiro. 
Tampouco deve ser deferido o pedido de substituição 
por fiança bancária, pois exige-se que o valor garantido 
seja equivalente ao valor requerido na inicial acrescido 
de 30%. 
Comentário Longo 
Análise do Caso (item árvore: 29.10. Penhora, depósito e 
avaliação) 
A penhora tem ordem de preferência e o ativo 
preferencial é o dinheiro, seja em espécie, em depósito 
ou em aplicação financeira, de acordo com o art. 835, I e 
§ 1º, do CPC/2015: 
Art. 835. A penhora observará, preferencialmente, a 
seguinte ordem: 
I - dinheiro, em espécie ou em depósito ou aplicação em 
instituição financeira; 
[...] 
§ 1º É prioritária a penhora em dinheiro, podendo o juiz, 
nas demais hipóteses, alterar a ordem prevista no caput 
de acordo com as circunstâncias do caso concreto. 
A substituição da penhora em dinheiro, em regra, não é 
admissível, a não ser que seja feita em outro bem 
equivalente a dinheiro. 
Sobre a possibilidade de substituição da penhora em 
dinheiro pela penhora de cotas de fundo de 
investimento, essa questão foi julgada pelo STJ em sede 
de recursos repetitivos, tendo sido firmada a Tese 913. O 
processo é o REsp 1.388.642, relator ministro Marco 
Aurélio Bellizze, acórdão publicado no DJe de 
06/09/2016. A tese que prevaleceu é a de que as cotas 
de fundo de investimento não se equiparam a dinheiro 
60 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
para fins de substituição da penhora em depósito 
bancário, principalmente porque o valor das cotas está 
sujeito a flutuação. A tese é a seguinte: 
A cota de fundo de investimento não se subsume à 
ordem de preferência legal disposta no inciso I do art. 
655 do CPC/73 (ou no inciso I do art. 835 do NCPC). 
Por outro lado, o CPC/2015 admite a substituição da 
penhora em dinheiro por fiança bancária, mas desde que 
o valor garantido não seja inferior ao do débito 
constante na inicial acrescido de 30%. É o que prevê o 
art. 835, § 2º: 
Art. 835. [...] § 2º Para fins de substituição da penhora, 
equiparam-se a dinheiro a fiança bancária e o seguro 
garantia judicial, desde que em valor não inferior ao do 
débito constante da inicial, acrescido de trinta por cento. 
Como na hipótese narrada o banco garante apenas o 
valor da inicial acrescido de 20%, também não é possível 
a substituição da penhora pela fiança bancária. 
Portanto, nenhum dos pedidos de Lourival comporta 
deferimento. 
Comentário Curto 
A penhora ocorre preferencialmente em dinheiro ou 
outros ativos equivalentes. É essencial conhecer a ordem 
de penhora a fim de preservar a integridade patrimonial 
do executado, no entanto, não é qualquer pretensão de 
substituição que pode ser deferida, exigindo-se que o 
bem substituto seja equivalente a dinheiro, nos termos 
da legislação processual. 
A alternativa D está correta e é o gabarito da questão. 
 
Questão 55. 
Ricardo propôs, no Juizado Especial Federal da Justiça 
Federal da 3ª Região, ação de revisão de benefício 
previdenciário a fim de acrescer ao seu tempo de 
contribuição determinado contrato de trabalho. 
O pedido foi julgado improcedente em primeiro grau e, 
interposto recurso inominado, a Turma Recursal negou 
provimento, confirmando a decisão de indeferimento. 
O advogado de Ricardo verificou que há precedentes de 
Turmas Recursais da Justiça Federal da4ª Região e da 
Justiça Federal da 5ª Região que reconhecem a 
possibilidade de revisão em situações idênticas, motivo 
pelo qual apresentou pedido de uniformização de 
jurisprudência, apontando a existência da divergência 
jurisprudencial aludida. 
O órgão competente para o julgamento desse pedido de 
uniformização será: 
a) o Tribunal Regional Federal da 3ª Região. 
b) colegiado composto pela reunião das turmas em 
conflito. 
c) a Turma Nacional de Uniformização. 
d) o Superior Tribunal de Justiça. 
Comentário Longo 
Análise do Caso (item árvore: 31.1. Juizados Especiais, 
Cíveis, Federais e da Fazenda Pública) 
A questão exige conhecimento da competência para o 
julgamento de pedido de uniformização no âmbito dos 
Juizados Especiais Federais. 
O tema é regulado pelo art. 14 da Lei n. 10.259/2001, 
que afirma o cabimento de pedido de uniformização 
quando houver divergência quanto à aplicação de direito 
material (nunca processual): 
Art. 14. Caberá pedido de uniformização de 
interpretação de lei federal quando houver divergência 
entre decisões sobre questões de direito material 
proferidas por Turmas Recursais na interpretação da lei. 
§ 1o O pedido fundado em divergência entre Turmas da 
mesma Região será julgado em reunião conjunta das 
Turmas em conflito, sob a presidência do Juiz 
Coordenador. 
§ 2o O pedido fundado em divergência entre decisões de 
turmas de diferentes regiões ou da proferida em 
contrariedade a súmula ou jurisprudência dominante do 
STJ será julgado por Turma de Uniformização, integrada 
por juízes de Turmas Recursais, sob a presidência do 
Coordenador da Justiça Federal. 
Quando a divergência jurisprudencial for entre Turmas 
Recursais da mesma Região, será competente para o 
julgamento do pedido de uniformização colegiado 
composto pelas Turmas em conflito, de acordo com o § 
1º. 
Por outro lado, quando a divergência jurisprudencial for 
entre Turmas Recursais de Regiões diferentes ou quando 
o conflito for com súmula ou jurisprudência dominante 
do STJ, a competência será de Turma Nacional de 
Uniformização, que é integrada por juízes de Turmas 
Recursais, conforme o § 2º. 
No caso narrado, a divergência jurisprudencial se dá 
entre turmas de Regiões diferentes, portanto, a 
competência é da Turma Nacional de Uniformização. 
Comentário Curto 
61 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
Os Juizados Especiais têm procedimentos próprios para 
a uniformização de jurisprudência. Como os Juizados 
Federais têm competência absoluta, quando instituídos, 
é essencial o conhecimento dos procedimentos próprios 
dos Juizados. 
A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. 
 
Questão 56. 
Felipe é autor de uma ação de anulação de crédito 
tributário que está em grau de apelação no Tribunal de 
Justiça do Estado da Paraíba. 
O advogado de Felipe verificou que há inúmeras 
demandas em curso na Justiça do Estado, tanto em 
primeiro quanto em segundo grau, discutindo 
exatamente a mesma questão. Tomando isso em 
consideração, Felipe apresentou ao presidente do 
Tribunal pedido de instauração de Incidente de 
Resolução de Demandas Repetitivas. 
Recebendo o pedido, podemos afirmar que o Presidente 
do Tribunal deve: 
a) fazer o julgamento de admissibilidade do incidente. 
b) determinar a remessa da petição ao relator do 
processo de Felipe, que é responsável pela decisão de 
admissibilidade do incidente. 
c) determinar a distribuição da petição a um dos 
membros do colegiado responsável pelo julgamento da 
apelação de Felipe, órgão que fará o exame de 
admissibilidade. 
d) determinar a distribuição da petição a um dos 
membros do órgão colegiado indicado pelo Regimento 
Interno como competente para o julgamento do 
incidente, sendo que o próprio órgão faz o exame de 
admissibilidade do incidente. 
Comentário Longo 
Análise do Caso (item árvore: 28.9. Incidente de 
resolução de demandas repetitivas) 
A questão exige conhecimento do órgão responsável 
pela decisão de admissibilidade do incidente de 
resolução de demandas repetitivas. 
Em primeiro lugar, observe-se que o advogado agiu 
corretamente ao endereçar o pedido de instauração do 
incidente ao Presidente do Tribunal, e não ao Relator, 
pois é o que determina o caput do art. 977: 
 Art. 977. O pedido de instauração do incidente será 
dirigido ao presidente de tribunal: 
Quanto à competência para realizar o exame de 
admissibilidade, a matéria é regulada expressamente 
pelo CPC/2015 no art. 981, que determina que será 
competente para o juízo de admissibilidade o próprio 
órgão competente para julgar o incidente: 
 Art. 981. Após a distribuição, o órgão colegiado 
competente para julgar o incidente procederá ao seu 
juízo de admissibilidade, considerando a presença dos 
pressupostos do art. 976. 
Dessa forma, o pedido de instauração do incidente deve 
ser distribuído a um dos membros do órgão competente 
para o julgamento do incidente, de acordo com o 
regimento interno do Tribunal, sendo que esse órgão 
fara o juízo de admissibilidade. 
Comentário Curto 
O incidente de resolução de demandas repetitivas 
permite a formação de precedentes vinculantes em sede 
de Tribunal e tem elevada importância, motivo pelo qual 
deve ser conhecido o seu procedimento. 
A alternativa D está correta e é o gabarito da questão. 
 
Questão 57. 
Alfredo é beneficiário de sentença que condenou Mirian 
ao pagamento de R$ 35.000,00 (trinta e cinco mil reais) 
acrescidos dos consectários legais. 
Mirian, antes mesmo de ser intimada do início do 
cumprimento de sentença, compareceu 
espontaneamente ao processo demonstrando que havia 
feito o depósito em conta judicial do valor de R$ 
40.000,00 (quarenta mil reais) para o pagamento do 
débito. Mirian anexou à sua manifestação planilha de 
cálculos do valor atual do débito. 
Dada essa situação, é correto afirmar que: 
a) o juiz deve determinar a intimação de Alfredo para se 
manifestar sobre o depósito no prazo de 5 dias. Caso 
Alfredo não impugne a pretensão de Mirian, o juiz 
deverá declarar o débito satisfeito e extinguir o 
processo. 
b) o juiz deve determinar a intimação de Alfredo para se 
manifestar sobre o depósito no prazo de 5 dias. Se 
Alfredo impugnar a pretensão de Mirian e o juiz concluir 
pela insuficiência do depósito, deverá determinar a 
execução do saldo restante, sem a incidência de multa 
ou de honorários, considerando-se a boa-fé de Mirian. 
c) o juiz deve determinar a intimação de Alfredo para se 
manifestar sobre o depósito no prazo de 15 dias. Caso 
Alfredo não impugne a pretensão de Mirian, o juiz 
62 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
deverá declarar o débito satisfeito e extinguir o 
processo. 
d) o juiz deve determinar a intimação de Alfredo para se 
manifestar sobre o depósito no prazo de 15 dias. Se 
Alfredo impugnar a pretensão de Mirian e o juiz concluir 
pela insuficiência do depósito, deverá determinar a 
execução do saldo restante, sem a incidência de multa 
ou de honorários, considerando-se a boa-fé de Mirian. 
Comentário Longo 
Análise do Caso (item árvore: 29. Execução) 
O art. 526 autoriza o réu, antes de intimado do 
cumprimento de sentença, a comparecer aos autos 
espontaneamente oferecendo o pagamento do valor 
que entender devido. 
Art. 526. É lícito ao réu, antes de ser intimado para o 
cumprimento da sentença, comparecer em juízo e 
oferecer em pagamento o valor que entender devido, 
apresentando memória discriminada do cálculo. 
§ 1º O autor será ouvido no prazo de 5 (cinco) dias, 
podendo impugnar o valor depositado, sem prejuízo do 
levantamento do depósito a título de parcela 
incontroversa. 
§ 2º Concluindo o juiz pela insuficiência do depósito, 
sobre a diferença incidirão multa de dez por cento e 
honorários advocatícios, também fixados em dez por 
cento, seguindo-se a execução com penhora e atos 
subsequentes. 
§ 3º Se o autor não se opuser, o juiz declarará satisfeita 
a obrigação e extinguirá o processo. 
Nesse caso, o autor será intimado para se manifestarsobre o depósito no prazo de 5 dias. 
A depender da resposta do autor, surgem três 
possibilidades: 
1 – se o autor não impugnar o depósito, conforme o § 3º, 
o juiz deve declarar a obrigação satisfeita e extinguir o 
processo; 
2 – se o autor impugnar o depósito mas o juiz julgar 
improcedente a impugnação, da mesma forma, o juiz 
deve declarar a obrigação satisfeita e extinguir o 
processo; 
3 – se o autor impugnar o depósito e o juiz julgar que, de 
fato, o depósito é insuficiente, o juiz deve determinar, na 
forma do § 2º, a execução do saldo, com incidência de 
multa e de honorários advocatícios sobre a parcela 
faltante. 
Sabendo disso, vejamos as alternativas: 
Letra A 
CORRETA. 
O prazo para resposta do autor é de 5 dias e, se não 
houver impugnação, o juiz deve declarar a dívida 
satisfeita e extinguir o processo. 
Letra B 
INCORRETA. 
O erro está na segunda parte: se o juiz declarar o 
depósito insuficiente, haverá a incidência de multas e 
honorário sobre a parcela faltante. 
Letra C 
INCORRETA. 
O prazo de resposta é de 5 dias. 
Letra D 
INCORRETA. 
O prazo de resposta é de 5 dias e há incidência de multa 
e honorários quando o depósito for declarado 
insuficiente. 
Comentário Curto 
O devedor pode se resguardar dos potenciais efeitos 
deletérios do processo judicial cumprindo sua obrigação 
espontaneamente. Se for cumprida de forma satisfatória 
a obrigação, a dívida é satisfeita e o processo é extinto. 
No entanto, se o cumprimento for insatisfatório, há a 
incidência de consectários legais. 
A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. 
 
Direito Penal 
Cristiano Rodrigues 
Questão 58. 
João Vitor foi preso em flagrante delito porque portava 
consigo com o fim de comercializar, 20g. de cocaína, 
substância ilícita, o que caracterizou o crime tráfico de 
drogas. Chegando na delegacia de polícia, João Vitor 
conheceu Marcela, que estava detida porque havia 
praticado automutilação. Com base nos entendimentos 
dos Tribunais Superiores e nos estudos dos princípios 
penais, assinale a alternativa correta. 
a) O princípio da insignificância poderá ser aplicável ao 
caso de João Vitor para reconhecer a atipicidade material 
de sua conduta, e não deverá responder pelo crime de 
tráfico de drogas. Com relação à Marcela, incide o 
princípio da lesividade e sua conduta não será punida por 
causar mal apenas a si própria. 
63 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
b) O princípio da insignificância será inaplicável ao caso 
de João Vitor, pois a apreensão de qualquer quantidade 
de droga com fim de venda não permite reconhecer a 
atipicidade da conduta. Com relação à Marcela, incide o 
princípio da lesividade, e sua conduta não será punida 
por causar mal apenas a si própria. 
c) O princípio da insignificância poderá ser aplicável ao 
caso de João Vitor para reconhecer a atipicidade material 
de sua conduta de tráfico de drogas. Com relação à 
Marcela, incide o princípio da lesividade, e sua conduta 
não será punida por causar mal apenas a si própria. 
d) O princípio da insignificância será inaplicável ao caso 
de João Vitor, pois a referida apreensão de pequena 
quantidade de droga não afasta tipicidade da conduta. 
Com relação à Marcela, não incide as vedações do 
princípio da lesividade, e sua conduta será punida 
criminalmente. 
Comentário Longo: 
Gabarito – B 
A questão abrange o estudo dos princípios da 
insignificância, da lesividade e insignificância. 
Com relação aos princípios da lesividade, o aluno precisa 
saber que este proíbe a incriminação de atitude interna 
do agente e de condutas incapazes de invadir o 
patrimônio jurídico alheio, impedindo o reconhecimento 
de infração penal que não tenha oferecido ao menos 
perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. 
A – a alternativa está incorreta porque o princípio da 
insignificância não é inaplicável quando o agente carrega 
drogas com o fim de praticar crime de tráfico de drogas. 
B – a alternativa está correta, pois o fato de João Vitor 
carregar drogas com o dim de cometer o crime de tráfico 
de drogas impede o reconhecimento do princípio da 
insignificância. Com relação à Maria, o princípio que 
incidirá será o da lesividade, pois a autolesão é atípica à 
luz do Direito Penal brasileiro. 
C – a alternativa está incorreta, conforme comentários 
acima exposto, porque não se aplica o princípio da 
insignificância ao caso narrado . 
D – a alternativa está incorreta, pois em face da ausência 
de lesividade a um bem alheio não há crime na conduta 
da Marcela. 
 
Questão 59. 
Wilson, com a intenção de matar seu desafeto Frederico, 
efetuou disparos de arma de fogo contra ele, que veio a 
falecer. Considere que no laudo tenha constatado as 
seguintes hipóteses: 
I - Apesar dos disparos sofridos por Frederico, constata-
se que a causa determinante da sua morte foi 
intoxicação devido ao fato de ter ingerido veneno 
minutos antes. 
II - A morte decorreu de ferimentos causados por 
disparos de arma de fogo efetuados por um terceiro 
concomitantemente à conduta de Wilson, mas sem o 
conhecimento dele. 
III - Frederico foi atingido no braço, mas faleceu porque 
havia como condição preexistente a condição de 
hemofílica conhecida por Wilson. 
IV – Frederico foi socorrido e levado ao hospital, mas 
faleceu em decorrência de uma infecção hospitalar. 
De acordo com a teoria dos antecedentes causais 
adotada pelo Código Penal, Wilson apenas responderá 
pelo homicídio consumado caso se enquadre: 
a) nos itens I e II. 
b) nos itens I e III. 
c) nos itens III e IV. 
d) nos itens II, III e IV. 
 
Comentário longo 
Gabarito: C 
A questão aborda o estudo da relação de causalidade. O 
Código Penal acolheu, como regra, a teoria da 
equivalência dos antecedentes no caput do art. 13 e a 
teoria da causalidade adequada no § 1º do mencionado 
artigo. 
- Item “I”: pela teoria dos antecedentes causais, Wilson 
responderia por homicídio tentado em razão da causa 
absolutamente independente preexistente. Por serem 
independentes, produzem por si sós o resultado 
material, e, consequentemente, ao agente deve ser 
imputado somente o ato praticado e não o resultado 
naturalístico. Em suma, mesmo que o agente não tivesse 
atirado, a vítima morreria. 
- Item “II”: pela teoria dos antecedentes causais, Wilson 
responderia por homicídio tentado, pois o resultado 
naturalístico ocorreu independentemente da conduta do 
agente, em razão da existência de causa absolutamente 
independente concomitante. 
- Item “IIII”: O crime praticado por Wilson seria 
consumado, pois neste caso há uma causa relativamente 
independente preexistente. Em suma, se Wilson não 
64 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
tivesse disparado, Frederico não teria morrido em 
decorrência da condição de hemofílica conhecida por 
Wilson. 
- Item “IV”: O crime praticado por Wilson seria 
consumado, pois aqui incide uma causa relativamente 
independente, que é a que emana da conduta do agente, 
dela se originando, que se insere no curso normal do 
desenvolvimento causal. Uma dica: quando a causa 
dependente for previsível de ocorrer, se for um risco 
natural, o sujeito responderá pelo delito consumado 
(exemplos: broncopneumonia; infecção hospitalar; 
parada cardiorrespiratória). Se a causa dependente for 
imprevisível e de quase impossível ocorrência, o agente 
responderá apenas por tentativa do delito (exemplos: 
incêndio no hospital; desabamento e acidente com a 
ambulância). 
Questão 60. 
Analise as alternativas abaixo e assinale a que estiver em 
desconformidade com o ordenamento jurídico: 
a) Pedro, desejando produzir lesões corporais em Carlos, 
ao avistá-lo na garupa da motocicleta de Rafael, 
direciona e acelera seu veículo para bater na traseira da 
moto derrubá-la, sabendo quer também lesionaria 
Rafael. Nesse caso, o resultado de lesão corporal em 
Carlos será atribuído a título de dolo direto de 1º grau e 
o resultado de lesão corporal em Rafael, ainda que não 
desejado por Pedro, será atribuídoa título de dolo 
eventual. 
b) Com consciência e vontade dirigidas especificamente 
a produzir lesões corporais em Simprônio, Tício mira sua 
arma em direção ao braço de Simprônio, mas por erro na 
execução, também atinge Silvia, produzindo lesão 
corporal leve em ambos. Tício responderá por lesão 
corporal dolosa em concurso formal com lesão corporal 
culposa. 
c) Mário e João decidem matar Pedro, e para isso, 
decidem efetuar disparo de arma de fogo depois que ele 
saísse de seu local de trabalho. Mário e João, no entanto, 
desconheciam a conduta um do outro. A perícia indicou 
que dois projéteis atingiram Pedro, mas que a letalidade 
foi ocasionada apenas por causa do projétil da arma de 
João que atingira o coração de Pedro, pois o projétil de 
Mário atingiu apenas o braço de Pedro. Nesse caso, está 
configurada autoria colateral e João responderá por 
homicídio consumado e Mário por tentativa de 
homicídio. 
d) Mário e João decidem matar Pedro, e para isso, 
decidem efetuar disparos de arma de fogo depois que 
ele saísse de seu local de trabalho. Mário e João, no 
entanto, desconheciam a conduta um do outro, tendo 
cada um efetuado 2 disparos em direção à vítima. A 
perícia indicou que apenas um projétil atingiu o coração 
de Pedro, mas que era impossível indicar se a arma era 
de Mário ou de João. Nesse caso, ambos respondem por 
tentativa de homicídio. 
Comentário Longo: 
Gabarito: A 
A questão prevê diversos institutos da parte geral do 
Código Penal. Requer o conhecimento acerca do dolo de 
primeiro grau, de segundo grau e dolo eventual, exige 
também o conhecimento acerca do erro na execução 
com resultado duplo, e, por fim, o conhecimento acerca 
da autoria colateral e da autoria incerta. 
A – A alternativa está em desconformidade com o 
ordenamento jurídico, pois neste caso o dolo narrado é 
de segundo grau em relação a Rafael, e não dolo 
eventual. O dolo de segundo grau (dolo de 
consequências necessárias) configura quando o agente 
quer um resultado mas sabe que a sua produção 
necessariamente dará causa a outros resultados. O dolo 
eventual, por outro lado, ocorre quando o agente quer 
um resultado, as consequências não são necessárias, 
mas são assumidas pelo agente. 
B – a alternativa está correta. Trata-se do erro de tipo 
acidental, na modalidade prevista no artigo 73 do Código 
Penal (erro na execução) com resultado duplo. 
C – a alternativa está correta. A autoria colateral, 
também denominada de coautoria imprópria, ocorre 
quanto duas ou mais pessoas intervêm na execução de 
um delito objetivando o mesmo resultado, embora 
ignorando uma a conduta e intenção da outra. Diante da 
ausência do vínculo subjetivo, não há que se falar em 
concurso de pessoas. Por essa razão, cada um 
responderá pela conduta praticada. 
D – a alternativa está correta. Trata-se do estudo da 
autoria incerta, que nos casos em que for impossível 
identificar qual dos sujeitos apontados como autores do 
delito ocasionou o resultado, soluciona o caso aplicando 
a tentativa do crime praticado para ambos os autores. 
 
Questão 61. 
Patrícia, dependente química severa devidamente 
comprovado por laudo pericial, decide praticar um crime 
de furto contra um estabelecimento comercial para 
poder comprar substância entorpecente a fim de 
65 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
satisfazer seu vício. Como advogado de Patrícia, será 
possível arguir em sua defesa: 
a) excludente de culpabilidade pela inexigibilidade de 
conduta diversa. 
b) excludente de culpabilidade pela inimputabilidade, 
devendo o juiz reduzir a pena de patrícia. 
c) excludente de culpabilidade pelo erro de proibição. 
d) excludente de culpabilidade pela inimputabilidade, 
devendo o juiz aplicar medida de tratamento 
psiquiátrico adequado à Patrícia. 
Comentário Longo: 
Gabarito: D 
O enunciado narra que Patrícia é dependente química 
severa devidamente comprovado por laudo pericial. 
Conforme artigo 45 da Lei 11.343/06, será isento de pena 
o agente que, em razão da dependência, ou sob o efeito, 
proveniente de caso fortuito ou força maior, de droga, 
era, ao tempo da ação ou da omissão, qualquer que 
tenha sido a infração penal praticada, inteiramente 
incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de 
determinar-se de acordo com esse entendimento. Trata-
se, portanto, de causa excludente da culpabilidade em 
razão da inimputabilidade ocasionada por dependência 
ou intoxicação involuntária decorrente do consumo de 
drogas ilícitas. 
Se houver consumo involuntário, ter-se-á a absolvição 
própria e não se aplicará qualquer sanção penal. 
Se houver consumo por dependência, haverá absolvição 
imprópria com aplicação de medida de segurança 
prevista no parágrafo único do artigo 45 da Lei 11.343/06 
consistente em “tratamento médico adequado”. 
Lembremos que no Direito Penal, são causas excludentes 
de culpabilidade: 
i) pela ausência da potencial consciência de ilicitude: erro 
de proibição; 
ii) pela ausência da exigibilidade de conduta diversa: a 
coação moral irresistível e obediência hierárquica; 
iii) pela ausência de imputabilidade penal: a menoridade, 
doença mental ou retardo mental, embriaguez completa 
por caso furtuito ou força maior. 
A – está incorreta porquanto se trata de causa 
excludente de culpabilidade pela inimputabilidade. 
B – está incorreta porque, em que pese se tratar de 
excludente de culpabilidade pela inimputabilidade, não 
há imposição de causa de diminuição de pena, mas sim 
indicação de tratamento médico adequado. 
C – está incorreta, pelos mesmos comentários dispostos 
na alternativa “A”. 
D – está correta, pelos fundamentos expostos na 
alternativa “C”. 
 
 
Questão 62. 
Petrúcio foi condenado pelo crime de abandono material 
à reprimenda de 04 anos de detenção. Na sentença o juiz 
considerou as circunstâncias judiciais desfavoráveis e 
que Petrúcio era reincidente em crime doloso. Diante do 
caso hipotético, é correto afirmar que o condenado 
deverá cumprir sua pena em: 
a) regime inicial fechado, a ser cumprido em 
estabelecimento prisional de segurança máxima ou 
média, pois além de ser reincidente, a pena base foi 
fixada acima do mínimo legal em razão da existência de 
circunstâncias judiciais desfavoráveis. Se inexistir vaga, 
deverá ser colocado em regime menos gravoso. 
b) regime inicial semiaberto, a ser cumprido em colônia 
agrícola, industrial ou estabelecimento similar, pois é 
reincidente e sua pena é de detenção. 
c) regime inicial aberto, a ser executado em casa de 
albergado ou estabelecimento adequado, pois a pena foi 
fixada em 04 anos. 
d) regime inicial semiaberto, a ser cumprido em colônia 
agrícola, industrial ou estabelecimento similar, pois é 
reincidente, porem, se inexistir vaga, deverá aguardar o 
surgimento em regime fechado. 
Comentário Longo: 
Gabarito: B 
A questão pressupõe conhecimento acerca das 
diferenças entre detenção e reclusão e dos regimes 
prisionais. 
Para fixar o regime inicial, o juiz deverá analisar as 
seguintes etapas: 
i) análise do tipo de pena de prisão: se é reclusão ou 
detenção. 
Se a pena aplicada na sentença for de reclusão, poderá 
ser cumprida em fechado, semiaberto e aberto. 
Se a pena aplicada for detenção, poderá ser cumprida 
apenas no semiaberto e aberto. 
ii) quantidade da pena: quanto maior a pena imposta, 
mais severo deve ser o regime. 
iii) análise se há ou não a reincidência. 
66 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
Nesses dois (II e III), o juiz fixará o regime de acordo com 
a quantidade da pena imposta, analisando, 
concomitantemente, se o agente é ou não reincidente. 
Se o sujeito for condenado a pena superior a 8 (oito) 
anos, deverá começar a cumpri-la em regime fechado. 
Se o condenado não for reincidente e fixar a pena em 
patamar superior a 4 (quatro) anos e que não exceda a 8 
(oito), poderá, desde o princípio, cumpri-la em regime 
semiaberto. 
Se o condenado não for reincidente e a pena for fixada 
em patamar igual ou inferior a 4 (quatro)anos, poderá, 
desde o início, cumpri-la em regime aberto. 
iv) constatação de existência de circunstância judicial 
desfavorável 
O juiz ainda poderá considerar a fixação da pena-base 
acima do mínimo legal e considerar as mesmas 
circunstâncias judiciais desfavoráveis para fixar o regime 
prisional. Nesse sentido é a Súmula 269 do STJ: “É 
admissível a adoção do regime prisional semi-aberto aos 
reincidentes condenados a pena igual ou inferior a 
quatro anos se favoráveis as circunstâncias judiciais”. 
 RECLUSÃO RECLUSÃO DETENÇÃO DETENÇÃO 
 Reincidente Não 
reincidente 
Reincidente Não 
reincidente 
PPL > 8 
Anos 
 Fechado Fechado Semiaberto Semiaberto 
PPL 
maior 
que 4 e 
menor 
ou igual 
a 8 
 Fechado Semiaberto* Semiaberto Semiaberto 
Pela 
menor 
ou 
igual a 4 
anos 
 Semiaberto* Aberto* Semiaberto Aberto* 
A – está incorreta porque Patrício foi condenado ao 
crime de abandono material que prevê detenção em seu 
preceito secundário. Como explicado acima, quando 
imposta pena de detenção, não poderá o sujeito iniciar o 
cumprimento de pena no regime fechado. 
B – a alternativa está correta, pois embora a pena seja de 
4 anos, considera a reincidência para fixar o regime mais 
gravoso. 
C – a alternativa está incorreta porque o sujeito é 
reincidente e possui circunstâncias judiciais 
desfavoráveis, devendo cumprir pena em regime mais 
gravoso que o aberto. 
D – a alternativa está incorreta porque não pode o 
condenado aguardar o surgimento de vaga em regime 
mais gravoso do que fora fixado. 
 
Questão 63. 
Ao caminhar em um local ermo, Maurílio se depara com 
Armando, seu rival mais temido. Observando 
atentamente os movimentos de Armando, Maurílio 
observa que ele coloca a mão no bolso da calça para 
retirar um objeto. Ao mesmo tempo, Maurílio abre a 
sacola que carregava também para sacar um objeto que 
lá estava. 
Diante desse caso hipotético, assinale a alternativa 
correta. 
a) caso a situação narrasse uma hipótese de legítima 
defesa contra legítima defesa , seria incabível a 
absolvição de Armando, que agiu primeiro, por legitima 
defesa pois o ordenamento jurídico não admite legítima 
defesa recíproca. 
b) Caso Armando se enganasse quanto ao movimento de 
Maurílio, acreditando erroneamente que ele retiraria 
uma arma de fogo de sua sacola e, com isso, para se 
defender, efetuasse disparo contra Maurílio para matá-
lo primeiro, pode-se afirmar que nessa hipótese 
configuraria legítima defesa real. 
c) Se na hipótese Maurílio partisse para a agressão física 
em Armando imaginando que seu rival fosse sacar uma 
arma fogo de seu bolso para matá-lo, mas ao final 
descobrisse que, na verdade, Armando retirou de sua 
sacola um chocolate para lhe entregar como pedido de 
desculpas, estaria acobertado pelo erro de tipo 
incriminador. 
d) se a hipótese narrasse uma situação de legítima 
defesa recíproca, seria incabível a alegação de causa 
excludente de ilicitude para um dos envolvidos, pois o 
ordenamento pressupõe que um dos sujeitos realize 
uma injusta agressão, e somente quem a repele tem sua 
ilicitude afastada. 
Comentário Longo: 
Gabarito : D 
A questão exige conhecimento acerca da excludente de 
ilicitude. 
A – a alternativa está incorreta, pois é admissível legítima 
defesa contra legítima defesa (legitima defesa 
recíproca). 
B – a alternativa está incorreta.. Trata-se da hipótese de 
legitima defesa putativa e não real. 
67 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
C – a alternativa está incorreta. A situação narra hipótese 
de erro de tipo permissivo (Art. 20 par. 1o CP), legitima 
defesa putativa. 
D – a alternativa está correta, pois não é possível legítima 
defesa de legítima defesa. Se uma das pessoas se 
encontra em legítima defesa, sua conduta contra a outra 
será justa (lícita), e, por consequência, o agressor 
originário nunca poderá agir sob o amparo da 
excludente. 
 
Direito Processual Penal 
Ivan Luís Marques 
 
Questão 64. 
Luísa, após descobrir que estava grávida de 03 meses, 
decidiu contar ao seu namorado Caio. Ao descobrir que 
seria pai, Caio exigiu que ela realizasse um aborto, e que 
se ela não realizasse, ele a mataria. No dia seguinte, Luísa 
conta a Caio que não abortaria, pois ela queria cuidar da 
criança mesmo sozinha. Caio, inconformado, ao tentar 
matar Luísa, é morto por ela mesma. Caso Luísa vier a ser 
denunciada pelo crime de homicídio, é correto afirmar 
que: 
a) a defesa poderá alegar na resposta à acusação que 
Luísa agiu em excludente da ilicitude do fato e, por isso, 
deve ser absolvida sumariamente antes da instrução 
processual. 
b) a defesa poderá alegar na resposta à acusação que 
Luísa agiu em excludente da culpabilidade e, por isso, 
deve ser absolvida sumariamente antes da instrução 
processual. 
c) a defesa deverá poderá demonstrar que se trata de 
hipótese de isenção de pena para requerer a absolvição 
sumária a ser deferida no final da instrução processual. 
d) a defesa deverá poderá demonstrar que se trata de 
hipótese de exclusão do crime para requerer a 
absolvição sumária a ser deferida no final da instrução 
processual. 
Comentário Longo: 
Gabarito: D 
Inicialmente é preciso se atentar que o fato narrado 
constitui crime contra à vida, cujo julgamento é de 
competência do Tribunal do Júri. Além disso, para 
responder essa questão, também é necessário conhecer 
as seguintes diferenças quanto às absolvições sumárias 
do rito comum e do rito do Júri: 
A absolvição sumária do procedimento comum tem 
previsão no artigo 397 do CPP e ocorre logo após a 
resposta à acusação, ou seja, antes da audiência de 
instrução e julgamento. 
A absolvição sumária do Tribunal do Júri tem previsão no 
art. 415 do CPP e ocorre ao final da 1ª fase do júri, ou 
seja, depois da audiência de instrução. Trata-se de uma 
das decisões que são proferidas ao final da 1ª fase do 
procedimento bifásico do júri. 
A – incorreta. Por se tratar de rito do tribunal do júri, a 
absolvição sumária deve ocorrer após a audiência de 
instrução, encerrando a primeira fase do procedimento 
bifásico do júri. 
B – incorreta. Nos mesmos fundamentos do item “A”. 
C – incorreta apenas pelo fato de que o enunciado narra 
hipótese de legítima defesa e a alternativa expõe que se 
trata de isenção de pena. Referidas hipóteses estão 
relacionadas com as excludentes de culpabilidade. 
D – correta, pois as causas de exclusão de crime (termo 
prevista na redação do artigo 415, IV, do CPP) referem-
se às causas de excludente de ilicitude. 
 
Questão 65. 
Durante as investigações de um crime de furto 
qualificado pelo emprego de explosivo ou de artefato 
análogo que cause perigo comum, a autoridade policial 
representa pela decretação da prisão temporária do 
indiciado Mévio por entender se imprescindível para a 
continuidade das investigações. Após vistas ao 
Ministério Público, o Promotor de Justiça deixou de 
reiterar o requerimento ao juízo competente e se ateve 
à cota simples de não oposição à prisão. Após a 
conclusão dos autos, o magistrado decretou a prisão 
temporária por 30 dias, constando a possibilidade de 
prorrogar mais uma única vez por mais 30 dias. Findo o 
prazo e com o recebimento da denúncia, o magistrado 
converteu de ofício a prisão temporária em prisão 
preventiva. foi preso em flagrante delito porque teria 
subtraído o celular de Janaína mediante ameaça pelo 
emprego de arma de fogo. Considerando apenas as 
informações narradas, analise as assertivas a seguir e 
indique quais estão corretas. 
I – A prisão temporária no caso narrado é ilegal porque 
somente poderá ser decretada pelo prazo de 5 (cinco) 
dias, prorrogável por igual período em caso de extrema 
e comprovada necessidade. 
II – A prisão temporária é ilegal, não tendo cabimento 
para o crime narrado. 
68 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
III – Há ilegalidade da prisão temporária porque o 
magistrado não poderia decretá-la sem requerimento 
expresso do Ministério Público, sob pena de ofensa ao 
sistema acusatório.IV – A prisão preventiva é ilegal porque não poderia o 
magistrado ter convertido a prisão temporária em 
preventiva de ofício. 
Estão corretos apenas os itens: 
a) I, II e IV. 
b) I e IV. 
c) III e IV. 
d) IV. 
Comentário Longo: 
Gabarito: D 
A questão aborda aspectos da prisão temporária e da 
preventiva. 
O item “I” está incorreto, pois o crime de furto 
qualificado pelo emprego de explosivo ou de artefato 
análogo que cause perigo comum tem natureza 
hedionda, e, por isso, poderá ser decretado pelo prazo 
de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período em caso 
de extrema e comprovada necessidade (Lei dos Crimes 
Hediondos, artigo 1º, inciso IX, e artigo 2º, § 4º). 
O item “II” está incorreto, pois trata-se de crime 
hediondo e, portanto, cabível prisão temporária, 
conforme comentários do item “I”. 
O item III está incorreto. A prisão temporária poderá ser 
decretada pelo Juiz, em face da representação da 
autoridade policial OU de requerimento do Ministério 
Público, e terá o prazo de 5 (cinco) dias, prorrogável por 
igual período em caso de extrema e comprovada 
necessidade. 
O item IV está correto. Com o advento da Lei anticrime 
(13.964/19) e a reafirmação do sistema acusatório, veda-
se a decretação de ofício da prisão preventiva em 
qualquer hipótese prevista no CPP. 
 
Questão 66. 
Maria foi vítima de um estelionato que lhe causou um 
prejuízo econômico no valor de 200 mil reais. Após 
exaustivas investigações feitas pela Polícia Civil, 
descobriu-se que Pedro era o autor dos diversos 
estelionatos praticados contra inúmeras vítimas. No fato 
praticado contra Maria, de 65 anos de idade, o Ministério 
Público ofereceu a denúncia em desfavor de Pedro 
requerendo apenas a condenação pelo crime de 
estelionato. Após as partes apresentarem suas alegações 
finais e enquanto se aguardava a sentença, Maria 
procurou seu advogado para questionar a possibilidade 
de se habilitar como assistente de acusação, pois 
desejava buscar a condenação de Pedro, e também para 
verificar a viabilidade de requerer a fixação de valor 
mínimo a título de indenização. Diante do caso prático 
narrado, o advogado de Maria deverá informá-la que: 
a) será possível a habilitação como assistente de 
acusação desde que seja requerida antes do juiz proferir 
a sentença e também será possível requerer a fixação de 
valor mínimo a título de indenização, pois trata-se de 
efeito automático que independe de pedido na 
denúncia. 
b) será possível requerer a habilitação como assistente 
de acusação até o trânsito em julgado da sentença, 
porém, o pedido de valor mínimo a título de indenização 
não poderá mais ser pleiteado na ação penal, pois 
inviabilizaria o exercício do contraditório de Pedro. Nada 
impedirá, no entanto, que seja executada a sentença 
penal condenatória por meio de ação civil ex delicto. 
c) será possível requerer a habilitação como assistente 
de acusação até o trânsito em julgado da sentença, no 
entanto, o valor a título de indenização só pode ser 
buscado na seara civil, pois no processo penal a sentença 
de mérito se destina apenas a condenar ou absolver o 
acusado pelo crime praticado, sendo inviável qualquer 
pedido de reparação do dano na seara penal, mesmo se 
requerido na inicial acusatória. 
d) será possível a habilitação como assistente de 
acusação desde que seja requerida antes do juiz proferir 
a sentença, e em sendo absolvido Pedro por inexistir 
prova suficiente, o valor a ser reparado à Maria ficará 
prejudicado no juízo civil. 
Comentário Longo: 
Gabarito: B 
A questão abrange dois aspectos: prazo para o assistente 
de acusação se habilitar e indenização pelos danos 
causados pelo autor do delito. 
Inicialmente precisa apontar o limite temporal para 
requerer a habilitação como assistente de acusação é o 
trânsito em julgado da sentença, conforme dispõe o 
artigo 269 do CPP. 
A segunda parte da questão requer conhecimento 
acerca da possibilidade de Maria pleitear fixação de valor 
mínimo como indenização ou de haver para si a 
reparação dos danos na esfera civil. 
69 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
O art. 387, inciso IV, do CPP, dispõe que o juiz fixará valor 
mínimo para reparação dos danos causados pela 
infração, considerando os prejuízos sofridos pelo 
ofendido. Para que seja viável essa fixação, será preciso 
que a acusação ou ofendido tenham requerido 
expressamente na inicial acusatória, pois viabiliza a 
ampla defesa e o contraditório do acusado. 
A – Incorreta. A habilitação do assistente de acusação 
poderá ser feita até o trânsito em julgado da decisão, e 
não até o momento anterior do juiz proferir a sentença. 
Na segunda parte, é preciso requerer a fixação de valor 
mínimo como danos pelo crime praticado na inicial 
acusatória para viabilizar o exercício da defesa. 
B – Correta. Para que haja a fixação na sentença do valor 
mínimo devido a título de indenização civil pelos danos 
causados à vítima, é necessário pedido expresso, sob 
pena de afronta à ampla defesa. No enunciado, narra-se 
um contexto de que o Ministério Público não requereu a 
fixação do valor mínimo na acusação e que a vítima 
pretende pleitear apenas em sede de alegações finais. 
C – Incorreta. O art. 387, IV, do CPP, permite ao juiz fixar 
valor mínimo de indenização pelos danos causados. 
D – Incorreta. O art. 269 do CPP permite ao ofendido se 
habilitar como assistente de acusação até o trânsito em 
julgado. Ademais, não é qualquer hipótese de absolvição 
que fulmina o pleito de reparação de danos na esfera 
civil. No caso de absolvição por falta de provas: não 
haverá a produção de qualquer efeito na esfera cível ou 
administrativa. Desta forma, se foi absolvido pelo art. 
386, II, V, VI segunda parte ou VII não haverá a produção 
de nenhum efeito e poderá pleitear em ação de 
conhecimento no juízo civil a reparação de danos. 
 
Questão 67. 
Durante a sessão plenária do Tribunal do Júri, Jorge, que 
havia sido pronunciado por crime de homicídio 
qualificado, foi mantido algemado para garantir a 
segurança dos jurados, tendo o juiz-presidente do 
Tribunal do Júri devidamente fundamentado essa 
questão. Ao iniciar os debates orais, o Promotor de 
Justiça, para convencer os jurados, alegou que Jorge era 
tão perigoso que foi preciso mantê-lo algemado e que 
era tão culpado pelo delito praticado que em seu 
interrogatório preferiu se manter em silêncio, já que 
sequer teria argumentos para se defender. Nos debates 
da defesa, o advogado sustentou que Jorge teria 
praticado o feminicídio porque defendeu a sua honra, já 
que teria descoberto as infidelidades de sua esposa. Com 
base nesse contexto, é correto afirmar que a defesa: 
a) não poderia utilizar a tese de legítima defesa da honra 
em seus debates e caso Jorge vier a ser condenado, 
deverá interpor recurso de apelação para submeter 
Jorge a novo julgamento, sob o fundamento de que o uso 
das algemas e do silêncio do acusado constituem 
referências proibidas nos debates, sob pena de nulidade. 
b) não poderia utilizar a tese de legítima defesa da honra 
em seus debates e caso Jorge vier a ser condenado, 
apenas será possível a interposição do recurso de 
apelação caso as nulidades com relação ao uso das 
referências às algemas e ao silêncio do acusado forem 
arguidas até o momento da votação dos quesitos. 
c) é plenamente possível a alegação da tese de legítima 
defesa da honra em seus debates, em atenção ao 
princípio da plenitude de defesa, e caso Jorge vier a ser 
condenado, deverá interpor recurso de apelação para 
submeter Jorge a novo julgamento, sob o fundamento de 
que o uso das algemas e do silêncio do acusado 
constituem referências proibidas nos debates, sob pena 
de nulidade. 
d) é plenamente possível a alegação da tese de legítima 
defesa da honra em seus debates, em atenção ao 
princípio da plenitude de defesa, e caso Jorge vier a ser 
condenado, apenas será possível a interposição do 
recurso de apelação caso as nulidades com relação ao 
uso das referências às algemase ao silêncio do acusado 
forem arguidas até o momento da votação dos quesitos. 
Comentário Longo: 
Gabarito: A 
A questão aborda dois aspectos. O primeiro relacionado 
à possibilidade de arguir a legítima defesa da honra nos 
debates orais para justificar a prática do homicídio e o 
segundo relacionado às referências proibidas. 
Com relação à alegação de legítima defesa da honra, 
precisa ter atenção que em março de 2021, o Plenário do 
Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional a 
alegação dessa tese durante os debates do Tribunal do 
Júri, em especial quando o contexto se refere ao 
feminicídio. Com isso, o STF prestigiou o princípio 
constitucional da dignidade da pessoa humana e vedou 
a sua utilização no Tribunal do Júri, sob pena de anulação 
do julgamento. 
Partindo do pressuposto que os jurados são pessoas 
leigas que podem ser influenciados por um argumento 
de autoridade, o art. 478 do CPP dispôs expressamente 
70 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
que, durante os debates, as partes não poderão, sob 
pena de nulidade, fazer referências: 
I - à decisão de pronúncia, às decisões posteriores que 
julgaram admissível a acusação ou à determinação do 
uso de algemas como argumento de autoridade que 
beneficiem ou prejudiquem o acusado; e 
II - ao silêncio do acusado ou à ausência de interrogatório 
por falta de requerimento, em seu prejuízo. 
A – correta, pois o uso da legítima defesa da honra é 
inconstitucional, não podendo ser arguida, sob pena de 
nulidade, e o uso das referências proibidas causam 
nulidade, podendo ser objeto de impugnação no recurso 
de apelação para pleitear novo júri. 
B – incorreta. Na segunda fase de rito do Tribunal do Júri, 
o momento para arguir nulidades relativas no plenário 
do Júri será da seguinte forma: as nulidades relativas 
ocorridas após a pronúncia devem ser arguidas até o 
pregão. Depois disso, as nulidades relativas devem ser 
arguidas imediatamente (art. 571 do CPP). 
C – incorreta, conforme comentários do item “A”. 
D – incorreta, conforme comentários do item “B”. 
 
Questão 68. 
Durante uma investigação policial, constatou-se que um 
Deputado Federal teria praticado durante o exercício do 
seu mandato e após a sua diplomação o crime de 
corrupção passiva. Após seu indiciamento, o Deputado 
foi intimado a comparecer à Delegacia de Polícia para 
prestar esclarecimentos acerca dos fatos apontados. De 
acordo com os fatos narrados, é correto afirmar que: 
a) em razão da imunidade processual dos parlamentares, 
o Ministério Público não poderá oferecer denúncia sem 
autorização das Câmaras dos Deputados. 
b) O Ministério Público poderá oferecer denúncia 
independentemente de autorização da Câmara dos 
Deputados e não haverá possibilidade de suspender a 
ação penal, pois se trata de crime comum e não de 
responsabilidade. 
c) O Ministério Público poderá oferecer denúncia contra 
o Deputado Federal sem qualquer exigência de 
autorização da Casa assemblear, no entanto, para que o 
Supremo Tribunal Federal possa receber a denúncia, a 
Casa Legislativa deverá ser cientificada previamente para 
decidir acerca da procedibilidade. 
d) O Ministério Público poderá oferecer denúncia contra 
o Deputado Federal sem qualquer exigência de 
autorização parlamentar, assim como será essa 
dispensável para que o Supremo Tribunal Federal possa 
recebê-la, no entanto, após o recebimento, será dará 
ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido 
político nela representado e pelo voto da maioria de seus 
membros, poderá, até a decisão final, sustar o 
andamento da ação. 
Comentário Longo: 
Gabarito: D 
A questão retrata o foro por prerrogativa de função e 
requer do aluno conhecimento acerca das imunidades 
constitucionais dos parlamentares federais. 
A – Incorreta. A CF/88 não exige autorização prévia da 
Casa Legislativa respectiva para iniciar a ação penal 
envolvendo deputado federal ou senador em virtude de 
crime praticado após a diplomação. 
B – Incorreta. O art. 53, § 3º, da CF, possibilita 
expressamente a hipótese de sustação da ação penal, 
conforme comentários disponíveis no item “D”. 
C – Incorreta. Não há exigência imposta na CF tanto para 
oferecer denúncia quanto para receber nos crimes 
comuns praticados por parlamentares federais após a 
diplomação, conforme comentários disponíveis no item 
“D”. 
D – Correta. Em razão de crimes praticados após a 
diplomação, o STF, ao receber ação penal envolvendo 
deputados federais ou senadores, deverá notificar a Casa 
Legislativa respectiva para que seja deliberado acerca do 
procedimento da ação penal em curso, assim como 
dispõe expressamente o art. 53, § 3º da CF (“Recebida a 
denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime 
ocorrido após a diplomação, o Supremo Tribunal Federal 
dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de 
partido político nela representado e pelo voto da maioria 
de seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o 
andamento da ação”). Observe que a CF/88 não exige 
autorização prévia da Casa Legislativa respectiva para 
iniciar a ação penal envolvendo deputado federal ou 
senador em virtude de crime praticado após a 
diplomação. O que a CF/88 estabelece é a possibilidade 
de ação penal sobre o referido crime ser suspensa, após 
iniciada no STF, por decisão de maioria absoluta da Casa 
Legislativa respectiva. 
 
Questão 69. 
Após a conclusão do Inquérito Policial instaurado para 
investigar a atuação de uma organização criminosa, 
diante de todas as provas robustas que continham na 
investigação, o Ministério Público estadual ofereceu 
71 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
denúncia em desfavor de Orlando, porém, fazendo-a de 
forma obscura e sem especificar qual teria sido a 
conduta do acusado. Após a narrativa dos fatos, o 
Promotor de Justiça postulou a condenação de Orlando 
pelo crime previsto na 12.850/13 de integrar 
organização criminosa ou, alternativamente, pelo crime 
de associação criminosa. Em seguida, Orlando foi 
devidamente citado e contratou seu advogado para 
apresentar resposta à acusação. Em defesa, o advogado 
poderá requerer: 
a) a absolvição por insuficiência de provas contra 
Orlando. 
b) a nulidade da denúncia, pois o crime de organização 
criminosa compete à Justiça Federal. 
c) a rejeição da denúncia sob alegação de inépcia, pois a 
denúncia oferecida nestes termos e de forma alternativa 
obstaculiza o exercício do contraditório e da ampla 
defesa. 
d) a rejeição da denúncia com fundamento na ausência 
de justa causa para a ação penal, 
Comentário Longo: 
Gabarito: C 
A – Incorreta. O enunciado deixa evidente que a 
investigação colheu provas robustas mas que a denúncia 
foi oferecida com narrativa deficiente. Logo, não há que 
se falar em falta de prova antes da instrução processual 
a ser realizada durante o trâmite da ação penal. 
B – Incorreta. O crime de organização criminosa poderá 
ser julgado perante à Justiça Comum e também perante 
na Justiça Federal. 
C – Correta. Configura denúncia inepta aquela que 
contém obscuridade, contradição, ou aquela que não 
apresentar todos os requisitos essenciais de exposição 
dos fatos e qualificação do acusado. A denúncia 
alternativa constitui uma acusação incerta, que 
prejudica o direito de defesa ou até mesmo inviabiliza 
seu exercício, em razão disso, também haverá inépcia 
que ensejará a sua rejeição. 
D – Incorreta. Ocorre a rejeição por ausência de justa 
causa para a ação penal quando não há prova da 
materialidade ou quando não há indícios suficientes de 
autoria ou quando o fato narrado não constitui crime ou 
caso esteja extinta a punibilidade. O enunciado não 
aborda nenhum destes aspectos, mas sim em falha na 
narrativa da denúncia. 
 
Direito do Trabalho 
Priscila Ferreira 
Questão 70. 
Josué pretende movimentar a sua conta do FGTS, mas 
não conhece as regras de saque. Desta forma, lhe 
procura na condição de advogado para fins de uma 
consulta jurídica acerca dos regramentos contidos na Lei 
nº 8.036/1990.Com base nessa lei, assinale a alternativa que apresenta 
a situação em que a conta vinculada do trabalhador no 
FGTS poderá ser movimentada. 
a) Quando o trabalhador permanecer dois anos 
ininterruptos fora do regime do FGTS. 
b) Na despedida sem justa causa, exceto a indireta, de 
culpa recíproca e de força maior. 
c) Quando o trabalhador tiver idade igual ou superior a 
sessenta anos. 
d) Quando o trabalhador ou qualquer de seus 
dependentes for acometido de neoplasia maligna. 
Comentário Longo: 
Gabarito: D 
A: Errada: Quando o trabalhador permanecer três anos 
ininterruptos fora do regime do FGTS, nesta hipótese, 
poderá se realizar o saque (Art. 20, VIII, da Lei do FGTS). 
B: Errada – O saque do FGTS torna-se autorizado na 
despedida sem justa causa, inclusive a indireta, de culpa 
recíproca e de força maior (Art. 20, I, da Lei do FGTS). 
C: Errada – O saque do FGTS torna-se autorizado quando 
o trabalhador tiver idade igual ou superior a setenta anos 
(art. 20, XV, da Lei do FGTS). 
D: Certa - O saque do FGTS torna-se autorizado, quando 
o trabalhador ou qualquer de seus dependentes for 
acometido de neoplasia maligna (Art. 20, XI, da Lei do 
FGTS). 
A questão aborda diversas hipóteses em que o 
empregado estaria apto a realizar o saque do Fundo de 
Garantia do Tempo de Serviço, mas, dentre as 
apontadas, a única que, de fato, autoriza o saque refere-
se à quando o trabalhador ou qualquer de seus 
dependentes estiver acometido de neoplasia maligna 
(Art. 20, XI, da Lei n. 8.036/1990). 
Comentário Curto: 
Nos termos do Art. 20, XI, da Lei n. 8.036/1990, o saque 
do FGTS torna-se autorizado, quando o trabalhador ou 
qualquer de seus dependentes for acometido de 
neoplasia maligna. 
Assim, a assertiva "D" é a correta e gabarito da questão. 
72 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
 
Questão 71. 
Determinado empregado, durante quatro anos 
consecutivos, percebeu pagamento de adicional de 
insalubridade em grau máximo, já que desenvolvia seu 
mister exposto a agentes nocivos à saúde. A 
empregadora, após saber que houve reclassificação do 
referido adicional percebido por seu empregado, por 
determinação do Ministério do Trabalho, reduziu o 
pagamento do adicional para o grau mínimo, conforme 
disposto em sua atual classificação. Em dezembro de 
2020, após o empregado ser dispensado, ele ingressa 
com Reclamação Trabalhista para reverter o pagamento 
do adicional ao grau máximo, justamente por entender 
ter direito adquirido quanto a verba recebida. 
De acordo com a situação hipotética e da legislação 
vigente, é correto afirmar que: 
a) A reclassificação do adicional de insalubridade pelo 
órgão competente poderá impactar no adicional 
percebido pelo empregado, quando tratar-se de 
hipersuficiente. 
b) A reclassificação do adicional de insalubridade poderá 
ser realizada pelo Ministério do Trabalho, mas o referido 
adicional quando pago, gera direito adquirido. 
c) Ainda que seja reclassificado o grau do adicional de 
insalubridade, tal reclassificação somente poderá ser 
legalmente realizada por meio de convenção coletiva de 
trabalho. 
d) A reclassificação do adicional de insalubridade poderá 
ser realizada pelo Ministério do Trabalho, hipótese em 
que o referido adicional não gerará direito adquirido. 
Comentário Longo: 
Gabarito: D 
A - Errada: A reclassificação do adicional de insalubridade 
poderá sempre impactar sobre a percepção do adicional, 
e independente de ser hipersuficiente, conforme art. 
190 da CLT e Súmula n. 248, do TST. 
B - Errada: A reclassificação do adicional de insalubridade 
poderá ser pelo Ministério do Trabalho, sendo que o 
referido adicional não gera direito adquirido, nos termos 
do art. 190 da CLT e Súmula n. 248, do TST. 
C - Errada: A reclassificação do adicional de insalubridade 
poderá ser realizada pelo Ministério do Trabalho, nos 
termos do art. 190 da CLT e Súmula n. 248, do TST. 
D - Correta: A reclassificação do adicional de 
insalubridade poderá ser realizada por meio Ministério 
do Trabalho, sendo que o adicional não gera direito 
adquirido, por tratar-se de salário condição, nos termos 
do art. 190 da CLT e Súmula n. 248, do TST. 
A reclassificação do adicional de insalubridade poderá 
ser pelo Ministério do Trabalho, alegando ainda, que o 
referido adicional não gera direito adquirido, nos termos 
dos arts. 190 e 191, da CLT. 
Ainda, como contraprestação pelas condições 
prejudiciais em que o trabalho é prestado, o adicional 
não pode ser considerado típico benefício para o 
trabalhador. A este interessa mais a saúde do que a 
recompensa puramente monetária, jamais equivalente 
ao bem maior da vida. Logo, a supressão do pagamento 
do adicional quando há supressão do agente insalubre, 
não é somente justificável como legal, inexistindo, pois, 
campo jurídico para a pretensão de integração da verba 
e tampouco, para invocação de direito adquirido 
(Súmula n. 248, do TST). 
Ainda, nos termos da Súmula nº 80 do TST, a eliminação 
da insalubridade mediante fornecimento de aparelhos 
protetores aprovados pelo órgão competente do Poder 
Executivo exclui a percepção do respectivo adicional. 
Assim, vejamos os seguintes dispositivos legais: 
‘’Art. 190 - O Ministério do Trabalho aprovará o quadro 
das atividades e operações insalubres e adotará normas 
sobre os critérios de caracterização da insalubridade, os 
limites de tolerância aos agentes agressivos, meios de 
proteção e o tempo máximo de exposição do empregado 
a esses agentes. 
Parágrafo único - As normas referidas neste artigo 
incluirão medidas de proteção do organismo do 
trabalhador nas operações que produzem 
aerodispersóides tóxicos, irritantes, alérgicos ou 
incômodos. 
 Art. 191 - A eliminação ou a neutralização da 
insalubridade ocorrerá: 
(...) 
II - com a utilização de equipamentos de proteção 
individual ao trabalhador, que diminuam a intensidade 
do agente agressivo a limites de tolerância. 
SÚMULA Nº 248 - ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. 
DIREITO ADQUIRIDO 
A reclassificação ou a descaracterização da 
insalubridade, por ato da autoridade competente, 
repercute na satisfação do respectivo adicional, sem 
ofensa a direito adquirido ou ao princípio da 
irredutibilidade salarial.’’ 
73 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
Assim, a reclassificação do adicional de insalubridade 
poderá ser realizada pelo Ministério do Trabalho e 
Emprego, onde o referido adicional não gera direito 
adquirido. 
Comentário Curto: 
A reclassificação do adicional de insalubridade poderá 
ser pelo Ministério do Trabalho e Emprego, alegando 
ainda, que o referido adicional não gera direito 
adquirido, nos termos do art. 190 da CLT e Súmula n. 
248, do TST. Onde cessada a condição insalubre através 
do fornecimento de equipamento de proteção, 
aprovado pelo órgão competente do Poder Executivo, 
encerra o direito a percepção do respectivo adicional, 
nos termos do art. 191, inciso II, da CLT e da Súmula n. 
80 do TST. 
Assim, a assertiva "D" é a correta e gabarito da questão. 
 
Questão 72. 
A empresa Academia Quality LTDA. celebrou acordo 
individual de Trabalho com Elzinha, a qual tem grande 
afeto e carinho por ser sua melhor funcionária. Em sede 
do acordo, ficou acertado que a jornada seria marcada 
pela empregada por meio de um aplicativo desenvolvido 
pela empresa; instituiu-se o banco de horas anual; o 
intervalo para refeição e descanso seria de 20 minutos 
nas jornadas de 8h diárias; e que a empregada seria 
obrigada a realizar 4 horas extras as terças-feiras e 
quintas-feiras. Atualmente, Elzinha é educadora física e 
percebe o salário de R$ 15.000,00 mensais. 
Diante do exposto, a assinale a alternativa correta. 
a) A cláusula constante em acordo individual de 
trabalho quanto ao intervalo é válida, pois é autorizada 
a fixação de pausa alimentar inferior a 30 minutos para 
jornadas superiores a 6 horas, quando tratar-se de 
hipersuficiente. 
b) A cláusula previstano acordo individual, quanto as 
horas extras, é válida, de forma que o empregado fica 
obrigado a realizar jornada extraordinária, sendo esta 
legalmente limitada a 4 horas extras diárias. 
c) A cláusula constante no acordo individual de 
trabalho, quanto ao intervalo, é nula, pois é proibido a 
fixação de pausa alimentar inferior a 30 minutos para 
jornadas superiores a 6 horas, independente norma 
coletiva, ou por tratar-se de empregada hipersuficiente. 
d) A pactuação do banco de horas anual para empregada 
hipersuficiente torna-se possível e apto a produzir 
efeitos por meio de acordo individual. 
Comentário Longo: 
Gabarito: C 
A - Errada: A cláusula constante em acordo individual de 
trabalho quanto ao intervalo é nula, pois é proibido a 
fixação de pausa alimentar inferior a 30 minutos para 
jornadas superiores a 6 horas, independente de se tratar 
de empregado hipersuficiente ou não, nos termos do art. 
611-A, inciso III, e do art. 71, § 4º, ambos da CLT. 
B - Errada: A cláusula do referido acordo individual, 
quanto a jornada extraordinária, viola os preceitos do 
art. 59, da CLT, já que o labor extraordinário fica limitado 
a duas horas. 
C - Correta: A cláusula constante em acordo individual de 
trabalho, quanto ao intervalo, é nula, uma vez que se 
torna proibido a fixação de pausa alimentar inferior a 30 
minutos para jornadas superiores a 6 horas, 
independente de negociação coletiva, nos termos do art. 
611-A, inciso III, e 71, § 4º, ambos da CLT. 
D - Errada: O banco de horas anual tão somente pode ser 
pactuado por negociação coletiva, não havendo exceção 
para o hipersuficiente neste sentido. 
Quando a flexibilização estipulada por negociação 
coletiva, observa-se os seguintes aspectos: 
- É vedada a fixação de pausa alimentar inferior a 30 
minutos para jornadas superiores a 06 horas, 
independentemente de negociação coletiva ou de tratar-
se ou não de empregado hipersuficiente, nos termos do 
art. 611-A, inciso III, e do art. 71, § 4º, ambos da CLT. 
- Quanto a cláusula de jornada extraordinária, observa-
se uma clara violação ao art. 59, da CLT, já que jornada 
extraordinária legalmente fica limitada a 2 horas extras 
por dia. 
- Por fim, o banco de horas anual apenas poderá ser 
pactuado em sede de negociação coletiva, 
independentemente de tratar-se de hipersuficiente ou 
não (art. 59, parágrafo segundo, da CLT). 
Comentário Curto: 
A cláusula constante em acordo individual de trabalho, 
quanto ao intervalo, é nula, uma vez que se torna 
proibido a fixação de pausa alimentar inferior a 30 
minutos para jornadas superiores a 6 horas, 
independente de negociação coletiva, nos termos do art. 
611-A, inciso III, e 71, § 4º, ambos da CLT. 
Assim, a assertiva "C" é a correta e gabarito da questão. 
 
Questão 73. 
74 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
Joana, após um longo contrato de trabalho, foi 
dispensada sem justa causa, tendo o empregado 
apontado a atual crise financeira como motivador. 
Considerando que o aviso prévio concedido foi 
indenizado, assinale a alternativa que reporta o prazo 
que a empresa terá para adimplir as verbas rescisórias: 
a) até o quinto dia útil, a contar da comunicação de 
desligamento ao empregado. 
b) 10 dias, a contar do término do contrato de trabalho, 
incluindo o aviso prévio para todos os fins. 
c) até o décimo dia útil, a contar da comunicação de 
desligamento ao empregado. 
d) Até dois dias úteis, a contar do término do contrato de 
trabalho, incluindo o aviso prévio para todos os fins. 
Comentário Longo: 
Gabarito: B 
A - Errada: Nos termos do art. 477, parágrafo sexto, da 
CLT, a entrega ao empregado de documentos que 
comprovem a comunicação da extinção contratual aos 
órgãos competentes bem como o pagamento dos 
valores constantes do instrumento de rescisão ou recibo 
de quitação deverão ser efetuados até dez dias contados 
a partir do término do contrato. 
B – Certa: Nos termos do art. 477, parágrafo sexto, da 
CLT, o pagamento dos valores constantes do 
instrumento de rescisão ou recibo de quitação deverão 
ser efetuados até dez dias contados a partir do término 
do contrato. 
C – Errada: O pagamento dos valores constantes do 
instrumento de rescisão ou recibo de quitação deverão 
ser efetuados até dez dias contados a partir do término 
do contrato. 
D - Errada: O pagamento dos valores constantes do 
instrumento de rescisão ou recibo de quitação deverão 
ser efetuados até dez dias contados a partir do término 
do contrato (art. 477, parágrafo sexto, da CLT). 
O tema é disciplinado na CLT, mais precisamente no art. 
477, parágrafo sexto, da CLT, como se observa: 
Art. 477. Na extinção do contrato de trabalho, o 
empregador deverá proceder à anotação na Carteira de 
Trabalho e Previdência Social, comunicar a dispensa aos 
órgãos competentes e realizar o pagamento das verbas 
rescisórias no prazo e na forma estabelecidos neste 
artigo. 
§6o A entrega ao empregado de documentos que 
comprovem a comunicação da extinção contratual aos 
órgãos competentes bem como o pagamento dos 
valores constantes do instrumento de rescisão ou recibo 
de quitação deverão ser efetuados até dez dias contados 
a partir do término do contrato. 
Logo, tem-se que o fato gerador da multa do art. 477, § 
8º, da CLT é o atraso na quitação das verbas rescisórias, 
as quais devem ser arcadas pelo empregador no prazo 
de 10 dias do término do contrato de trabalho, incluído 
o período do aviso prévio, seja trabalhado ou indenizado. 
Comentário Curto: 
Nos termos do art. 477, parágrafo sexto, da CLT, o 
pagamento dos valores constantes do instrumento de 
rescisão ou recibo de quitação deverão ser efetuados até 
dez dias contados a partir do término do contrato. 
Assim, a assertiva "B" é a correta e gabarito da questão. 
 
Questão 74. 
André, motorista da empresa “X”, realiza viagens 
semanais de sua cidade até São Paulo, sendo que a cada 
viagem realizada, o empregador lhe remunera com uma 
ajuda de custo de R$ 150,00. Após dois anos, André foi 
dispensado imotivadamente, e ingressou na Justiça do 
Trabalho pleiteando que a verba fosse integrada em sua 
base salarial. 
Diante da situação narrada e da legislação vigente, 
assinale a alternativa correta: 
a) O valor pago a título de ajuda de custo, ainda que 
habitual, não se incorpora ao contrato de trabalho, não 
integra na remuneração e nem constitui base salarial. 
b) O valor pago a título de ajuda de custo, ainda que 
habitual, não se incorpora ao contrato de trabalho, mas 
integra na remuneração e constitui base salarial, sendo 
vedado seu pagamento em dinheiro. 
c) O valor pago a título de ajuda de custo, desde que 
habitual, se incorpora ao contrato de trabalho, integra 
na remuneração e constitui base salarial, sendo 
permitido seu pagamento em dinheiro. 
d) O valor pago a título de ajuda de custo, desde que 
habitual, se incorpora ao contrato de trabalho, mas não 
integra na remuneração e nem constitui base salarial, 
sendo permitido seu pagamento em dinheiro. 
Comentário Longo: 
Gabarito: A 
A - Correta: Conforme preconiza o art. 457, § 2º da CLT, 
as importâncias, ainda que habituais, pagas a título de 
ajuda de custo, auxílio-alimentação, vedado seu 
pagamento em dinheiro, diárias para viagem, prêmios e 
75 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
abonos não integram a remuneração do empregado, não 
se incorporam ao contrato de trabalho e não constituem 
base de incidência de qualquer encargo trabalhista e 
previdenciário. 
B - Errada: As importâncias, ainda que habituais, pagas a 
título de ajuda de custo, auxílio-alimentação, vedado seu 
pagamento em dinheiro, diárias para viagem, prêmios e 
abonos não integram a remuneração do empregado, não 
se incorporam ao contrato de trabalho e não constituem 
base de incidência de qualquer encargo trabalhista e 
previdenciário. 
C - Errada: As importâncias, ainda que habituais, pagas a 
título de ajuda de custo, auxílio-alimentação, vedado seu 
pagamento emdinheiro, diárias para viagem, prêmios e 
abonos não integram a remuneração do empregado, não 
se incorporam ao contrato de trabalho e não constituem 
base de incidência de qualquer encargo trabalhista e 
previdenciário. 
D - Errada: As importâncias, ainda que habituais, pagas a 
título de ajuda de custo, auxílio-alimentação, vedado seu 
pagamento em dinheiro, diárias para viagem, prêmios e 
abonos não integram a remuneração do empregado, não 
se incorporam ao contrato de trabalho e não constituem 
base de incidência de qualquer encargo trabalhista e 
previdenciário. 
Conforme preconiza o art. 457, § 2º da CLT, os abonos 
não integram a remuneração do empregado, não se 
incorporam ao contrato de trabalho e não constituem 
base de incidência de qualquer encargo trabalhista e 
previdenciário, como se observa: 
‘’Art. 457 - Compreendem-se na remuneração do 
empregado, para todos os efeitos legais, além do salário 
devido e pago diretamente pelo empregador, como 
contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. 
(...) 
§ 2o As importâncias, ainda que habituais, pagas a título 
de ajuda de custo, auxílio-alimentação, vedado seu 
pagamento em dinheiro, diárias para viagem, prêmios e 
abonos não integram a remuneração do empregado, não 
se incorporam ao contrato de trabalho e não constituem 
base de incidência de qualquer encargo trabalhista e 
previdenciário.’’ 
Assim, o valor pago a título de ajuda de custo, ainda que 
habitual, não se incorpora ao contrato de trabalho, não 
integra remuneração e nem constitui base salarial, sendo 
vedado seu pagamento em dinheiro. 
Comentário Curto: 
Nos termos do art. 457, § 2º, da CLT, as importâncias, 
ainda que habituais, pagas a título de ajuda de custo, 
auxílio-alimentação, vedado seu pagamento em 
dinheiro, diárias para viagem, prêmios e abonos não 
integram a remuneração do empregado, não se 
incorporam ao contrato de trabalho e não constituem 
base de incidência de qualquer encargo trabalhista e 
previdenciário. 
Assim, a assertiva "A" é a correta e gabarito da questão. 
 
Questão 75. 
Roseli trabalha na casa de Vanderlei como cuidadora de 
seu pai, pessoa de idade avançada e enferma, 
comparecendo de segunda a sexta-feira, das 8:00 às 
17:00h, com intervalo de uma hora para refeição. Roseli 
por algumas vezes realiza trabalho extraordinário, 
entretanto, não há um controle de sua jornada. 
De acordo com o caso narrado e a legislação de regência, 
assinale a afirmativa correta. 
a) O controle escrito não é necessário, porque menos de 
20 empregados trabalham na residência de Vanderlei. 
b) A lei vigente prevê que as partes podem acordar, por 
escrito, a isenção de marcação da jornada normal, 
marcando apenas a eventual hora extra. 
c) Vanderlei deve, por força de Lei, manter controle 
escrito dos horários de entrada e saída da empregada, 
por se tratar de uma empregada doméstica. 
d) A Lei é omissa a respeito, daí por que a existência de 
controle torna-se facultativa. 
Comentário Longo: 
Gabarito: C 
A - Errada: Nos termos do art. 12 da LC/150/2015, 
quando se tratar de empregado doméstico, o controle de 
jornada escrito deverá ser obrigatório. 
B - Errada: Nos termos do art. 12 da LC/150/2015, 
quando se tratar de empregado doméstico, o controle de 
jornada escrito deverá ser obrigatório. 
C - Correta: Exatamente como prevê o art. 12 da 
LC/150/2015, pois quando se tratar de empregado 
doméstico, o controle de jornada escrito deverá ser 
obrigatório. 
D - Errada: Não há omissão legal, o art. 12 da 
LC/150/2015 assegura que, quando se tratar de 
empregado doméstico, o controle de jornada escrito 
deverá ser obrigatório. 
76 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
Nos termos do art. 12 da LC/150/2015, quando se tratar 
de empregado doméstico, o controle de jornada escrito 
deverá ser obrigatório. Veja: 
‘’LEI COMPLEMENTAR Nº 150, DE 1º DE JUNHO DE 2015 
Art. 1º Ao empregado doméstico, assim considerado 
aquele que presta serviços de forma contínua, 
subordinada, onerosa e pessoal e de finalidade não 
lucrativa à pessoa ou à família, no âmbito residencial 
destas, por mais de 2 (dois) dias por semana, aplica-se o 
disposto nesta Lei. 
(...) 
Art. 12. É obrigatório o registro do horário de trabalho do 
empregado doméstico por qualquer meio manual, 
mecânico ou eletrônico, desde que idôneo.’’ 
Assim, Vanderlei deve, por força de Lei, manter controle 
escrito dos horários de entrada e saída da empregada, 
por se tratar de uma empregada doméstica. 
Comentário Curto: 
Nos termos do art. 12, da LC 150/2015, é obrigatório o 
registro do horário de trabalho do empregado doméstico 
por qualquer meio manual, mecânico ou eletrônico, 
desde que idôneo. Sendo assim, Vanderlei deve, por 
força de Lei, manter controle escrito dos horários de 
entrada e saída da empregada, por se tratar de uma 
empregada doméstica. 
Assim, a assertiva "C" é a correta e gabarito da questão. 
 
Direito Processual do Trabalho 
Priscila Ferreira 
Questão 76. 
Eliéser propôs Reclamação Trabalhista em face do 
Município de Osasco, pleiteando o pagamento de verbas 
trabalhistas decorrentes de trabalho realizado em 
regime de terceirização ilícita. Na sentença, os pedidos 
formulados pelo reclamante foram julgados totalmente 
procedentes. 
Entretanto, o juiz indeferiu o pedido de condenação do 
Município de Osasco ao pagamento de honorários de 
sucumbência, vez que reclamada se trata de órgão 
integrante da Administração Pública Direta. 
Considerando as regras constantes na Consolidação das 
Leis do Trabalho, é correto afirmar: 
a) Na Justiça do Trabalho, são devidos honorários 
advocatícios de sucumbência no importe de 10% a 20%, 
exceto nas causas contra a Fazenda Pública. 
b) Na Justiça do Trabalho, são devidos honorários 
advocatícios de sucumbência no importe de 5% a 15%, 
inclusive nas causas contra a Fazenda Pública. 
c) Na Justiça do Trabalho, são devidos honorários 
advocatícios de sucumbência no importe de 5% a 15%, 
exceto nas causas contra a Fazenda Pública. 
d) Na Justiça do Trabalho, são devidos honorários 
advocatícios de sucumbência no importe de 10% a 20%, 
inclusive nas causas contra a Fazenda Pública. 
Comentário Longo: 
Gabarito: B 
A - Errada: Nos termos do art. 791-A, ‘’caput’’ e parágrafo 
primeiro da CLT, ao advogado, ainda que atue em causa 
própria, serão devidos honorários de sucumbência, 
fixados entre o mínimo de 5% (cinco por cento) e o 
máximo de 15% (quinze por cento) sobre o valor que 
resultar da liquidação da sentença, do proveito 
econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, 
sobre o valor atualizado da causa. Ainda, os honorários 
são devidos também nas ações contra a Fazenda Pública 
e nas ações em que a parte estiver assistida ou 
substituída pelo sindicato de sua categoria. 
B - Correta: Nos termos do art. 791-A, ‘’caput’’ e 
parágrafo primeiro da CLT, ao advogado, ainda que atue 
em causa própria, serão devidos honorários de 
sucumbência, fixados entre o mínimo de 5% (cinco por 
cento) e o máximo de 15% (quinze por cento) sobre o 
valor que resultar da liquidação da sentença, do proveito 
econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, 
sobre o valor atualizado da causa. Ainda, os honorários 
são devidos também nas ações contra a Fazenda Pública 
e nas ações em que a parte estiver assistida ou 
substituída pelo sindicato de sua categoria. 
C - Errada: Nos termos do art. 791-A, ‘’caput’’ e parágrafo 
primeiro da CLT, ao advogado, ainda que atue em causa 
própria, serão devidos honorários de sucumbência, 
fixados entre o mínimo de 5% (cinco por cento) e o 
máximo de 15% (quinze por cento) sobre o valor que 
resultar da liquidação da sentença, do proveito 
econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, 
sobre o valor atualizado da causa. Ainda, os honorários 
são devidos também nas ações contra a Fazenda Pública 
e nas ações em que a parte estiver assistida ou 
substituída pelo sindicato de sua categoria. 
D - Errada: Nos termos do art. 791-A, ‘’caput’’ e 
parágrafoprimeiro da CLT, ao advogado, ainda que atue 
em causa própria, serão devidos honorários de 
sucumbência, fixados entre o mínimo de 5% (cinco por 
77 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
cento) e o máximo de 15% (quinze por cento) sobre o 
valor que resultar da liquidação da sentença, do proveito 
econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, 
sobre o valor atualizado da causa. Ainda, os honorários 
são devidos também nas ações contra a Fazenda Pública 
e nas ações em que a parte estiver assistida ou 
substituída pelo sindicato de sua categoria. 
O art. 791-A, da CLT, com a redação dada pela Lei 
13.467/17, preceitua que: 
“Ao advogado, ainda que atue em causa própria, serão 
devidos honorários de sucumbência, fixados entre o 
mínimo de 5% (cinco por cento) e o máximo de 15% 
(quinze por cento) sobre o valor que resultar da 
liquidação da sentença, do proveito econômico obtido 
ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor 
atualizado da causa. 
§ 1o Os honorários são devidos também nas ações 
contra a Fazenda Pública e nas ações em que a parte 
estiver assistida ou substituída pelo sindicato de sua 
categoria. 
§ 2o Ao fixar os honorários, o juízo observará: 
I - o grau de zelo do profissional; 
II - o lugar de prestação do 
serviço; 
III - a natureza e a importância da causa; 
IV - o trabalho realizado pelo advogado 
e o tempo exigido para o seu serviço. 
§ 3o Na hipótese de procedência parcial, o juízo arbitrará 
honorários de sucumbência recíproca, vedada a 
compensação entre os honorários. 
4o Vencido o beneficiário da justiça gratuita, desde que 
não tenha obtido em juízo, ainda que em outro processo, 
créditos capazes de suportar a despesa, as obrigações 
decorrentes de sua sucumbência ficarão sob condição 
suspensiva de exigibilidade e somente poderão ser 
executadas se, nos dois anos subsequentes ao trânsito 
em julgado da decisão que as certificou, o credor 
demonstrar que deixou de existir a situação de 
insuficiência de recursos que justificou a concessão de 
gratuidade, extinguindo-se, passado esse prazo, tais 
obrigações do beneficiário. 
§ 5o São devidos honorários de sucumbência na 
reconvenção.” 
Assim, em sede da Justiça do Trabalho, são devidos 
honorários advocatícios de sucumbência no importe de 
5% a 15%, inclusive nas causas contra a Fazenda Pública. 
Comentário Curto: 
Nos termos do art. 791-A, ‘’caput’’ e parágrafo primeiro 
da CLT, ao advogado, ainda que atue em causa própria, 
serão devidos honorários de sucumbência, fixados entre 
o mínimo de 5% (cinco por cento) e o máximo de 15% 
(quinze por cento) sobre o valor que resultar da 
liquidação da sentença, do proveito econômico obtido 
ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor 
atualizado da causa. Ainda, os honorários são devidos 
também nas ações contra a Fazenda Pública e nas ações 
em que a parte estiver assistida ou substituída pelo 
sindicato de sua categoria. 
Assim, a assertiva "B" é a correta e gabarito da questão. 
 
 
 
 
Questão 77. 
Jade Picon propôs Reclamação Trabalhista em face de 
seu ex-empregador, pleiteando o pagamento de verbas 
rescisórias não quitadas no momento da extinção 
contratual. Na data da audiência una, no dia 07/02/2022, 
Jade Picon compareceu acompanhada de seu advogado. 
Já a reclamada enviou para audiência seu advogado, 
munido de procuração e da contestação, e um preposto 
não empregado da empresa. O patrono da reclamante 
requereu ao magistrado a aplicação da revelia e 
confissão quanto à matéria de fato, em razão da 
irregularidade de representação da reclamada em 
audiência, já que o preposto não mantinha vínculo 
empregatício com a empresa. 
Diante do caso apresentado, assinale a afirmativa 
correta de acordo com a Consolidação das Leis do 
Trabalho. 
a) Não é necessário que o preposto tenha conhecimento 
dos fatos, pois tal requisito é imposto apenas às 
testemunhas. 
b) Não se verifica no presente caso a irregularidade de 
representação da reclamada, vez que não é necessário 
que o preposto seja empregado da reclamada. 
c) O magistrado deverá aplicar a revelia e confissão 
quanto à matéria de fato, pois é necessário que o 
preposto seja empregado da reclamada. 
d) O empregador não poderá ser representado em 
audiência em nenhuma hipótese. 
Comentário Longo: 
78 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
Gabarito: B 
A - Errada: A condição para representar a empresa nas 
audiências é que o preposto tenha conhecimento dos 
fatos, independente de ter presenciado ou não. 
B - Correta: Nos termos do art. 843, ‘’caput’’ e § 1º da 
CLT, nas audiências na justiça do trabalho é necessária a 
presença do reclamante e do reclamado, sendo 
facultado ao empregador fazer-se substituir por gerente, 
ou qualquer outro preposto que tenha conhecimento do 
fato. 
C - Errada: Com a reforma trabalhista, e os ditames do § 
3º do artigo 843 da CLT, o preposto do empregador não 
precisa ser empregado, mas tão somente ter 
conhecimento dos fatos. 
D - Errada: Nas audiências na justiça do trabalho é 
necessária a presença do reclamante e do reclamado, 
sendo facultado ao empregador fazer-se substituir por 
gerente, ou qualquer outro preposto que tenha 
conhecimento do fato. 
Conforme o art. 843, ‘’caput’’ e §1º, da CLT, o preposto 
deve ter "conhecimento dos fatos e cujas declarações 
obrigarão o proponente", o que significa que o 
desconhecimento, por parte do preposto, em relação 
aos fatos controvertidos, implicará em confissão 
presumida. 
Assim, o legislador pátrio, ao facultar a substituição do 
empregador por um seu gerente, ou qualquer outro 
preposto, impõe, como única condição, que este tenha 
inteiro conhecimento acerca dos fatos ensejadores da 
lide deduzida em juízo, sendo esta a inteligência do 
parágrafo 1º do art. 843 da CLT. 
Comentário Curto 
Nos termos do art. 843, ‘’caput’’ e §§ 1º e 3º, da CLT, nas 
audiências na justiça do trabalho é necessária a presença 
do reclamante e do reclamado, sendo facultado ao 
empregador fazer-se substituir por gerente, ou qualquer 
outro preposto que tenha conhecimento do fato. Assim, 
não se verifica no presente caso a irregularidade de 
representação da reclamada, vez que não é necessário 
que o preposto seja empregado da reclamada. 
Assim, a assertiva "B" é a correta e gabarito da questão. 
 
Questão 78. 
A 2ª Vara do Trabalho proferiu sentença de total 
procedência a Reclamação Trabalhista proposta por 
Maria Josefina em face da empresa “Y”, em tramite no 
procedimento sumaríssimo. Inconformada, a empresa 
interpôs Recurso Ordinário, o qual não foi provido pelo 
Tribunal Regional do Trabalho. 
Considerando a situação acima, e sabendo que a 
empresa “Y” pretende recorrer ao TST, assinale quando 
o Recurso de Revista NÃO será cabível: 
a) Quando o acórdão do Tribunal Regional do Trabalho 
contrariar a Constituição Federal. 
b) Quando o acórdão do Tribunal Regional do Trabalho 
contrariar súmula do TST. 
c) Quando o acórdão do Tribunal Regional do Trabalho 
contrariar súmula vinculante do STF. 
d) Quando o acórdão do Tribunal Regional do Trabalho 
contrariar orientação jurisprudencial. 
Comentário Longo: 
Gabarito: D 
A – Errada: Na hipótese de contrariar a Constituição 
Federal, torna-se cabível o Recurso de Revista. 
B - Errada: Na hipótese de contrariar a Constituição 
Federal, torna-se cabível o Recurso de Revista. 
C - Errada: Na hipótese de contrariar Súmula Vinculante 
do STF, torna-se cabível o Recurso de Revista. 
D - Certa: Nos termos da Súmula n. 442, do TST, nas 
causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, a 
admissibilidade de recurso de revista está limitada à 
demonstração de violação direta a dispositivo da 
Constituição Federal ou contrariedade a Súmula do 
Tribunal Superior do Trabalho, não se admitindo o 
recurso por contrariedade a Orientação Jurisprudencial 
deste Tribunal. 
Comentário longo: Nos termos da Súmula n. 442, do TST, 
nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, a 
admissibilidade de recurso de revista está limitadaà 
demonstração de violação direta a dispositivo da 
Constituição Federal ou contrariedade a Súmula do 
Tribunal Superior do Trabalho, não se admitindo o 
recurso por contrariedade a Orientação Jurisprudencial 
deste Tribunal. 
Comentário Curto: 
Nos termos da Súmula n. 442, do TST, nas causas sujeitas 
ao procedimento sumaríssimo, a admissibilidade de 
recurso de revista está limitada à demonstração de 
violação direta a dispositivo da Constituição Federal ou 
contrariedade a Súmula do Tribunal Superior do 
Trabalho, não se admitindo o recurso por contrariedade 
a Orientação Jurisprudencial deste Tribunal. 
Assim, a assertiva "D" é a correta e gabarito da questão. 
79 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
 
Questão 79. 
O empregado “X” propôs Reclamação Trabalhista em 
face da empresa Marvel LTDA., postulando o pagamento 
de indenização por danos morais e horas extras, 
atribuindo à causa o valor de 20 salários-mínimos. Com 
relação aos processos trabalhistas submetidos ao 
procedimento sumaríssimo, é correto afirmar que: 
a) Nas reclamações enquadradas no procedimento 
sumaríssimo, será permitida a citação por edital. 
b) No procedimento sumaríssimo, apenas será deferida 
intimação de testemunha que, comprovadamente 
convidada, deixar de comparecer. 
c) Todas as provas serão produzidas na audiência de 
instrução e julgamento, ainda que não requeridas 
previamente, sendo vedada a prova técnica. 
d) A apreciação da reclamação deverá ocorrer no prazo 
máximo de 30 dias do seu ajuizamento, podendo constar 
de pauta especial, se necessário. 
Comentário Longo: 
Gabarito: B 
A - Errada: Nos termos do art. 852-B, inciso II, da CLT, nas 
reclamações enquadradas no procedimento 
sumaríssimo não se fará citação por edital, incumbindo 
ao autor a correta indicação do nome e endereço do 
reclamado. 
B - Correta: Nos termos do art. 852-H, § 2º, da CLT, as 
testemunhas, até o máximo de duas para cada parte, 
comparecerão à audiência de instrução e julgamento 
independentemente de intimação. Ademais, nos termos 
do parágrafo terceiro do supracitado artigo, só será 
deferida intimação de testemunha que, 
comprovadamente convidada, deixar de comparecer. 
Não comparecendo a testemunha intimada, o juiz 
poderá determinar sua imediata condução coercitiva. 
C - Errada: Nos termos do art. 852-H, § 4º, da CLT, 
somente quando a prova do fato o exigir, ou for 
legalmente imposta, será deferida prova técnica, 
incumbindo ao juiz, desde logo, fixar o prazo, o objeto da 
perícia e nomear perito. Logo, a prova técnica não é 
vedada. 
D - Errada: Nos termos do art. 852-B, III, da CLT, a 
apreciação da reclamação deverá ocorrer no prazo 
máximo de quinze dias do seu ajuizamento, podendo 
constar de pauta especial, se necessário, de acordo com 
o movimento judiciário da Junta de Conciliação e 
Julgamento. 
Dentre a regulamentação do rito sumaríssimo, destaca-
se os seguintes dispositivos legais: 
“Art. 852-C. As demandas sujeitas a rito sumaríssimo 
serão instruídas e julgadas em audiência única, sob a 
direção de juiz presidente ou substituto, que poderá ser 
convocado para atuar simultaneamente com o titular.” 
(...) 
Art. 852-H. Todas as provas serão produzidas na 
audiência de instrução e julgamento, ainda que não 
requeridas previamente. 
§ 1º Sobre os documentos apresentados por uma das 
partes manifestar-se-á imediatamente a parte contrária, 
sem interrupção da audiência, salvo absoluta 
impossibilidade, a critério do juiz. 
§ 2º As testemunhas, até o máximo de duas para cada 
parte, comparecerão à audiência de instrução e 
julgamento independentemente de intimação. 
§ 3º Só será deferida intimação de testemunha que, 
comprovadamente convidada, deixar de comparecer. 
Não comparecendo a testemunha intimada, o juiz 
poderá determinar sua imediata condução coercitiva. 
§ 4º Somente quando a prova do fato o exigir, ou for 
legalmente imposta, será deferida prova técnica, 
incumbindo ao juiz, desde logo, fixar o prazo, o objeto da 
perícia e nomear perito. 
(...) ‘’ 
Assim, pode-se concluir os seguintes aspectos: 
- Nas reclamações enquadradas no procedimento 
sumaríssimo não se fará citação por edital; 
- As testemunhas, até o máximo de duas para cada parte, 
comparecerão à audiência de instrução e julgamento 
independentemente de intimação. Neste sentido, só 
será deferida intimação de testemunha que, 
comprovadamente convidada, deixar de comparecer; 
- Somente quando a prova do fato o exigir, ou for 
legalmente imposta, será deferida prova técnica, 
incumbindo ao juiz, desde logo, fixar o prazo, o objeto da 
perícia e nomear perito; e 
- A apreciação da reclamação deverá ocorrer no prazo 
máximo de quinze dias do seu ajuizamento, podendo 
constar de pauta especial, se necessário, de acordo com 
o movimento judiciário da Junta de Conciliação e 
Julgamento. 
Comentário Curto: 
Nos termos do art. 852-H, § 2º, da CLT, as testemunhas, 
até o máximo de duas para cada parte, comparecerão à 
80 
 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
audiência de instrução e julgamento 
independentemente de intimação. Ademais, nos termos 
do parágrafo terceiro do supracitado artigo, só será 
deferida intimação de testemunha que, 
comprovadamente convidada, deixar de comparecer. 
Não comparecendo a testemunha intimada, o juiz 
poderá determinar sua imediata condução coercitiva. 
Assim, a assertiva "B" é a correta e gabarito da questão. 
 
Questão 80. 
A empresa ‘‘Foco e Sucesso LTDA.’’, atuante no ramo de 
cursos de empreendedorismo, foi acionada em 
reclamação trabalhista julgada totalmente procedente e 
recebeu a notificação da sentença por oficial de justiça 
no dia 07/08/2021, em um sábado. Considerando que o 
dia 09/08/2021 foi dia útil (segunda-feira) e em 
conformidade com a jurisprudência consolidada do 
Tribunal Superior do Trabalho, é possível afirmar que o 
início do prazo e a sua contagem para recurso serão, 
respectivamente: 
a) Na segunda-feira e na terça-feira. 
b) Ambos na segunda-feira. 
c) Ambos no sábado. 
d) No sábado e na segunda-feira. 
Comentário Longo: 
Gabarito: A 
A - Correta: Nos termos da Súmula 262, I, do TST é 
possível afirmar que o início do prazo e a sua contagem 
para recurso serão, respectivamente na segunda-feira e 
na terça-feira. 
B - Errada: Nos termos da Súmula 262, I, do TST é possível 
afirmar que o início do prazo e a sua contagem para 
recurso serão, respectivamente na segunda-feira e na 
terça-feira. 
C - Errada: Nos termos da Súmula 262, I, do TST é possível 
afirmar que o início do prazo e a sua contagem para 
recurso serão, respectivamente na segunda-feira e na 
terça-feira. 
D - Errada: Nos termos da Súmula 262, I, do TST é 
possível afirmar que o início do prazo e a sua contagem 
para recurso serão, respectivamente na segunda-feira e 
na terça-feira. 
A contagem dos prazos está regulamentada em 
entendimento Sumulado do TST, como se observa: 
Súmula nº 1 do TST - Quando a intimação tiver lugar na 
sexta-feira, ou a publicação com efeito de intimação for 
feita nesse dia, o prazo judicial será contado da segunda-
feira imediata, inclusive, salvo se não houver expediente, 
caso em que fluirá no dia útil que se seguir. 
Súmula nº 262, I, do TST – Intimada ou notificada a parte 
no sábado, o início do prazo se dará no primeiro dia útil 
imediato e a contagem, no subsequente. 
Súmula nº 310 do STF - Quando a intimação tiver lugar 
na sexta-feira, ou a publicação com efeito de intimação 
for feita nesse dia, o prazo judicial terá início na segunda-
feira imediata, salvo se não houver expediente, caso em 
que começará no primeiro dia útil que se seguir. 
Nos termos da Súmula 262, inciso I, do TST, intimada ou 
notificada a parte no sábado, o início do prazo se dará no 
primeiro dia útil imediato e a contagem, no subsequente. 
Assim, é possível afirmar que o início do prazo e a sua 
contagem para recurso serão, respectivamente na 
segunda-feira e na terça-feira. 
Comentário Curto: 
Nos termosda Súmula 262, inciso I, do TST, intimada ou 
notificada a parte no sábado, o início do prazo se dará no 
primeiro dia útil imediato e a contagem, no subsequente. 
Ou seja, o início do prazo e a sua contagem para recurso 
serão, respectivamente na segunda-feira e na terça-
feira. 
Assim, a assertiva "A" é a correta e gabarito da questão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 1º Simulado OAB 1ª Fase – 19/03/2022 
 
 
 
 
 
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