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SUMÁRIO
Introdução
11 Paisagismo Contemporâneo no Brasil
12 Paisagismo Contemporâneo no 
Brasil: Aquele da Virada do Século
19 A Expansão da Arquitetura 
Paisagística no Brasil
29 Os Novos Padrões de Projeto e 
as suas Influéncias
30 Formalismo geometrizante
32 Neomodernismo
34 Neoescletismo ou 
pós-modernismo — da irreverência à colagem
39 Ambientalismo
45 As Novas Estruturas de produção do 
projeto Paisagístico — Dos Pequenos Escritórios
às Grandes Empresas de Projeto
53 Paisagem Urbana Brasileira
54 Paisagem
56 Paisagem Urbana
59 Paisagem Urbana Contemporânea
63 A Dispersão Urbana e as Novas Feições da Paisagem
73 A Rua e a Calçada, Formas de Uso — Introdução
79 Sobre as Calçadas
85 O Poder Público e a Produção de Espaços Livres na Cidade
86 O Poder Público e a Produção de Espaços Livres na Cidade
89 O Sistema de Espaços Livres Públicos e sua Inter-relação com os Espaços Privados
92 Sobre os Espaços Livres
93 A formação do sistema
97 As Águas Urbanas e a Possibilidade de Criação de Espaços Públicos
104 Os Grandes Projetos
109 O caso brasileiro
111 Tipos
112 Projetos isolados
117 Programas e projetos articulados
123 Programas semiarticulados
127 Áreas Centrais
140 Espaços Simbólicos
142 O Parque Contemporâneo, uma Figura Urbana em Consolidação e Expansão
na Cidade Brasileira
145 Contexto urbano
153 Tipos e funções
165 YA Praça Pública: De Espaço Simbólico à Área de Jogos
170 A Praça como Definição e outros Assuntos Mais
176 Projetos e programas
183 Contexto
186 Tipos e funções
5
198 Calçadões, do Passeio à Nova Promenade
206 Calçadões de Praia e de Beira-rio, Espaços para Passear e de Interaçâo Social
215 A Criação de Espaços Particulares: Dos Jardins aos Espaços Condominiais
216 Introdução
217 Paisagem, Lotes e Tecidos Urbanos
225 O Jardim Residencial
229 Características
237 Loteamentos Fechados e Condomínios, Espaços de Diversidade Paisagística e Segregação
248 Condomínios Horizontais: Das Vilas aos Condomínios Suburbanos, a Geração
de Novos Tipos de Espaços Livres
254 Reflexões
257 Verticalização
263 Agentes„. e mercado
265 Distribuição
267 Produtos... espaciais...
273 Fatos
276 Usos e usos do espaço livre verticalizado
283 Os cenários criados e os projetos de paisagismo
293 Tipos de lote vertical e, portanto, de espaços livres
302 Conjuntos Habitacionais Populares: Uma Tipologia Especial de Tecido Urbano
313 " tratamento dos espaços livres, uma postura tardia
317 Espaços Corporativos e Comerciais
319 Torre isolada e ajardinada
323 Praça corporativa
330 Complexos corporativos ajardinados
337 Bibliografia
A RUA E A CALÇADA, FORMAS DE USO - INTRODUÇÃO
Durante o século XX, o edifício junto à rua deixa de ser
padrão, devendo possuir recuos, postura adotada pelos
códigos urbanos, especialmente aqueles desenvolvidos
a partir dos anos de 1940. Os primeiros edifícios re-
cuados surgem na segunda metade do século anterior,
mas somente neste século se consolidam como figura
urbana, a princípio nas áreas residenciais e depois em
áreas industriais, (em áreas suburbanas e ao longo de
rodovias) e comerciais, (shopping centers e torres de
escritórios em especial).
O padrão do prédio recuado se consolida, entretanto,
apenas em parte das cidades, nas áreas destinadas a
residências de alto padrão, pois em muitos casos o
espaço frontal é readaptado pelas classes médias como
estacionamento de veículos, devido a popularização
da posse do automóvel, desejando guardá-lo na frente
de casa, entre muros e gradis.
Os jardins pouco a pouco passam a ser cobertos, a
princípio por coberturas leves por telheiros, lajes e
finalmente a cobertura do espaço frontal coberto, total
ou parcialmente, torna-se um padrão.
Para a sociedade brasileira, o automóvel é um bem
que custa caro e, portanto, constitui-se em um inves-
timento, que deve ser protegido das intempéries, de
modo a proteger sua pintura e a mantenha impecável.
Este comportamento é praticamente o oposto daquele
observado nos Estados Unidos, cuja sociedade não se
incomoda tanto com a manutenção de seus veículos,
deixando-os comumente ao relento e ao sol.
Este fato define novas formas de estruturação das
paisagens urbanas, especialmente as de caráter resi-
dencial. O espaço da rua padrão destinado as camadas
de rendas média e baixa, que era na primeira metade
do século XX definido por jardins cercados de gradis e
muros baixos, volta gradativamente a ser cercado por
muros e cercas altos e depois pelas tais construções de
garagens, muitas contendo cómodos no andar superior.
As ruas do século XX apresentam-se com uma calha
maior em relação àquelas do século XIX, pois a elas
se agregam os espaços contidos intramuros e são
visualmente acessíveis ao pedestre, bem como estão
afastados das calçadas os planos verticais determina-
dos pelas massas de edificação durante quase todo o
século XX. Este se torna o espaço da rua padrão das
A típica rua paulistana com casas geminadas possui dois periodos, logo após a
construçáo e após alguns anos de intervenções personalizadas em cada uma.
Página anterior: Rua residencial com o morro da Urca ao funch, Rio de laneiro — RI (Foto: Silvio Macedo — 
2008).
Este padráo de ruas se torna uma realidade em contraponto às vias de casas recuadas da rua e separadas por jardins das calçadas, 
portanto,
visualmente amplas, que acaba restrito a áreas especificas das cidades.
Abaixo: Horto florestal, Sá0 Paulo — SP
elites e de segmentos de classe média com os jardins
frontais e fachadas expostos ao público.
A rua "moderna" tem, então, sua configuração estabe-
lecida sobre certos padrões rígidos, na qual a variação
se dá na forma e volume dos seus elementos compo-
nentes e não na sua disposição básica. O esquema
lote-rua-lote, típico do século XIX, decompõe-se em
edifício-jardim-calçada-leito, carroçável-calçada-
jardim e edifício e se repete com variações e adapta-
Góes pela maioria dos bairros residenciais construídos
nas cidades brasileiras nas últimas décadas do século
passado. Algumas soluções alternativas surgem em
áreas especiais, como condomínios à beira mar ou
as superquadras de Brasília, onde a rua passa a ter
um papel apenas de acesso aos edifícios e para os
pedestres é destinado um passeio ajardinado entre
as residências.
PAISAGISMO CONI EMPORÀNEO NO BRASIL 73
Este, como alguns outros padrões, são soluções pontuais
Espaço particular
não acr»csivel
física ou visualmente
ao pedestre
Quintal
Espaço particular
não acessivel
física ou visualmente
Quintal
Rua
Acesso e
Circulaçao
Quintal
Espaço Público
Espaço particular
não acessível física
ou visualmente
ao pedestre.
Quintal
caok)lAL
Espaço particular
não acessível física
ou visualmente
Espaço
particular
acessível
visualmetne
Jardim Rua Jardim
Espaço particular
física e visualmente
acessível
Quintal
Rua
Acesso e
Circulação
que caracterizam formas de arranjo de apenas alguns
tecidos urbanos particulares. O movimento moderno,
que tanto influenciou novas soluções na arquitetura e
no urbanismo nacional, somente consolida o padrão
do edifício isolado no lote, especialmente as torres
destinadas à moradia, pouco afetando a organização
das tramas urbanas, que continuam estruturando-se a
partir de modelos que se podem denominar de clássi-
cos, as malhas em xadrez ou orgânicas comuns desde
o início do século XX.
Ainda neste século, novas transformações são feitas no
espaço da rua, com o gradativo amuralhamento dos
lotes, que, por motivos de segurança, têm seus gradis
e muros baixos substituídos por muros mais altos, que
impedem inclusive o acesso visual à residência. Este
cercamento se deve ao aumento da criminalidade nas
grandes cidades, em especial a partir dos anos 1980,
fato associado ao desenvolvimento de uma indústria
de equipamentos de segurança condicionada ao fe-
chamento em questão.
O amuralhanento acontece primeiramente nos condo-
mínios de fim de semana e nas torres de apartamentos e
a partir daí se generaliza por todas as partes das cidades.
Guarita, cercas elétricas,portões automáticos e muros
altos simbolizam as novas formas de proteçáo e sãocomuns nos bairros de rendas média e alta.
Espaço público
74 PAISAGISMO BRASILEIRO NA VIRADA DO stcuto
Quintal
os esquemas mostram três formas típicas da rua brasileira: a rua
colonial, com casas geminadas a rua tip,ca atuai. com e
garagens e a rua Jardim-privativa encontrada no centro de alguns
Acima: Recife — PL
Os desenhos mostram o processo típico de ocupação dos espaços
livres frontais de uma casa paulistana de classe média.
1950 1960
1970
uau
1900 1990 2010
PAISAGISMO CONTEMPORRNEO DO BLASIL 75
Nestes tempos a rua continua a ser arborizada e nos
bairros ricos as calçadas permanecem ajardinadas, mas
se perde o "olhar para a rua", tão caro a cidade latina,
em função de uma ideia de proteçâo e isolamento
dentro do seu lote protegido por altas cercas e gradis.
Naturalmente, este não é um processo rígido e o hábito
de ficar nas calçadas, conversar entre vizinhos, do en-
contro de jovens e dos jogos infantis permanece apesar
dos muros, que ladeiam as ruas de parte significativa
das cidades, Por outro lado, muitos proprietários pre-
ferem, por motivos diversos, náo fechar, nem construir
de um modo radical em seus lotes, que permanecem
com cercas baixas e jardins.
A imagem do bairro-jardim tradicional se altera na
medida em que suas largas ruas, com calçadas ajardi-
nadas, arborizadas e ladeadas por jardins privados têm
sua estrutura morfológica definitivamente transformada
com a construção de muros altos na maioria dos seus
lotes, tornando esta nova forma um padrão nacional.
Nas áreas em que a segurança pública parece garan-
tida, como é o caso dos novos loteamentos fechados
e condomínios horizontais, populares no país a partir
dos anos 1980, a antiga figura da rua jardim permanece
como elemento de qualidade e neste caso os muros sáo
minimizados ao máximo ou totalmente eliminados.
76 PAISAGISMO BRASILEIRO NA VIRADA 00 stcuL0
Acima à esquerda: Campo Grande -
Acima à direita: condomínio em Jeney City - Estados Unldos.
Os costumes brasileiios aceitam com facilidade o fechamento das ruas por muros 
altos, em contraposição com as Classes 
médias norte.
-americanas, que inclusive ná0 se importam de deisar seus veículos ao relento
Abaixo: Riviera de Mo lourenço — SP
Mostrando a rua tradwiona/, os cercamentos e os caminhos de pedestres para a praia.
Lotes e muros: A casinha do interior nos anos 1940• 1980 e nos anos
1990-2000.
Rua murada em bairro.lard'rn, Seio Paulo — SP
Rua.'ard/rn em Alphaville, Barueri — Se
Grades e guarita de ecbfíc10 residencial, Sio Paulo — SP
78 PAISAGISMO BRASILEIRO NA VIRADA DO SÉCULO
Durante o século XX, o número de veículos cresce
continuamente, com o aumento da produção nacio-
nal e das possibilidades de financiamento, passando
de 23.241.996 10 em 2000, e chegando a 45.372.644
unidades em 2006 19. Este fato leva a uma transformação
da rua, o principal espaço de convivência da cidade
brasileira durante os séculos anteriores, em espaços
destinados predominantemente a circulação e estacio-
namento de veículos e acesso de pedestres. Esta situação
corriqueira nas grandes e médias cidades é, pouco a
pouco, parte de tais atividades são internalizadas aos
espaços habitacionais e recreativos privados, como
pátios, quintais e jardins e ainda em clubes e centros
esportivos públicos e privados, como academias e es-
colinhas de futebol, ténis etc.
O aumento da capacidade de velocidade dos veículos
durante o século XX, que passa de poucos quilómetros
por hora nos anos de 1920 a mais de uma centena de
quilómetros (no caso de boas estradas), associado ao
seu número crescente inviabiliza durante grande parte
do dia o uso irrestrito da maioria das vias urbanas, em
especial do leito carroçável, na medida em que se tor-
na inseguro para jogos e brincadeiras infantis. Ónibus,
automóveis e motos ocupam o espaço antes destinado
ao livre transito do morador comum e de uns poucos ve-
ículos, como carroças e automóveis de baixa potência,
SOBRE AS CALÇADAS
A calçada, até o século XIX um elemento não essencial
para a circulação de pedestres, torna-se o único seg-
mento de espaço da rua no qual se pode transitar com
segurança, sendo a sua existência um fato obrigatório
na cidade moderna e contemporânea. Se a delimitação
do seu tamanho mínimo ainda não é, durante todo o
século XX e o início do XXI, um consenso, a sua exis-
tência se torna indispensável, sendo uma exigência dos
diversos códigos urbanos.
No século XXI a dimensão da calçada continua sendo,
em geral, de porte modesto, isto é, insignificante para o
abrigo das atividades dos pedestres, mas adequada aos
interesses de loteadores. Para estes, em grande parte
r 8 Ck acordo com a [mpresa Brasa'eira de o de hansportes, em
mvwgopot.govbt, consultado em 'aneiro de
t 9 Segundo dados tio Ministério das Cidades, Departamento de
Sistema Nacional de Registms, Denarran Reme", Regotto
e acidentes transira, dezem'tvode 2006,
À direita: Praia de fronta Verde, Maceió — AC.
Abaixo: calçadao da praia de /atiúca, Maceió — AL
Um trecho ocupado por largas, bem tratadas e dimensionadas
calçadas está restrito a pequenos segmentos de moradia de alta
renda
PAISAGISMO CONTEMPORÂNEO DO BRASIL 79
no bairro de Copacabana, Rio de Janeiro - RI.Cenerosa» calçadas, arborizadas e de dñersos géneros
das cidades, n,io é exigida pela legislação urbanística de modo que se possibilite a existência de uma caixalocal calçadas com dimensóes que de fato atendam para o plantio de uma árvore de ao menos 0,5 metroaos quesitos de circulação mínima ede conforto para de dimensão, tamanho este factível para a vida doos pedestres, podendo aqueles, por conseguinte, ter elemento vegetal em questão,mais espaço para a construção de seus lotes.
Uma calçada para permitir com conforto a circulação calçadas 
Realmente, 
de 
esta 
todas 
náo 
as cidades 
é a realidade 
brasileiras, 
de grande 
subdimensio_
parte das
de um pedestre, sem que o Obrigue a desviar pelo leito nadas, tanto para o uso do pedestre, como para a colo_carroçável para evitar a colisão com outro pedestre caçàode postes, mobiliário urbano, bancas de jornal enecessita ter ao menos 2,5 metros, supondo-se uma quiosques e principalmente para o plantio de árvores.boa convivência com postes e portões.
Considerando-se a arborização como um fato neces- rou 
Por outro 
o hábito 
lado, 
do 
como 
plantio 
a população 
de árvores 
em 
nas 
geral 
calçadas, 
incorpo-
sãoSário em um país de clima maioritariamente tropical comuns espécies arbóreas de todos os portes ao longoe temperado como o Brasil, mesmo esta dimensão das calçadas, qualquer que seja a sua dimensão. Ter-n-não é suficiente, pois para o bom desenvolvimento de se como exemplo o plantio do fícus benjamim, árvoreuma árvore de pequeno ou médio porte é necessário de grande porte, que é comumente utilizada em todoao menos uma largura de calçada de 3 ou 4 metros, o país, e que se presta, quando ainda de dimensóes
Calçadas estreitas e arbonzaçáo geram conflitos constantes.
reduzidas, para a prática de topiárias, prática incenti-
vada por publicações especializadas em jardinagem e
pelo mercado produtor de mudas. O crescimento da 0 120
árvore acaba destruindo o calçamento, com a expansão
do raizame, que frequentemente atinge as residências
contíguas, causando danos diversos e exigindo em curto
prazo a eliminação da árvore.
Observa-se que para as calçadas não existe pratica-
mente nenhuma açáo ou diretriz de projeto paisagís-
tico, a exceçáo daquelas efetuadas em algumas áreas
centrais e em bairros ricos. Por outro lado, somente
recebem tratamento paisagístico especial por parte
do Poder Público aquelas calçadas situadas em áreas
de grande significado social e de ampla visibilidade,
como as de avenidas e ruas principais, de boulevards e
terraços a beira mar e algumas vias de bairros elegantes.
Nestas se tem a colocação de pisos com desenhos
padronizados, muitas vezes altamente sofisticados,
implementa-se uma arborização significativae são
dispostos elementos de mobiliário urbano, muitas vezes
com um bom design e vez por outra as fiaçóes elétricas
são subterrâneas.
O exemplo mais emblemático que se pode citar é o da
calçada que bordeja a praia de Copacabana, no Rio de
Janeiro, que durante todo o século passado teve seu
aspecto constantemente renovado, da característica
calçada de desenhos antes pavimentada com mosaico ses
português, até a configuração generosa, em termos
dimensionais e o tratamento paisagístico sofisticado
dado por Roberto Burle Marx.
ao 30
O projeto data de 1970, com certeza um dos melhores
feito pelo paisagista, tem como característica a priori-
zaçáo do pedestre e possibilidade do entendimento do
desenho de piso de dois pontos de vista, do pedestre e
aérea, do alto das janelas dos prédios de apartamentos
circundantes.
Rua Dias da Cruz
De cima para baixo: Largo da Lapa, Praça Agripino Grieco e praça Carlo
del Prete, Rio de Janeiro - RI.
PAISAGISMO CONTEMPORÂNEO DO 81
Outros tantos projetos podem ser citados, entre eles o
tratamento da avenida Paulista em .Sào Paulo, de autoria
de Rosa C. Kliass e Cauduro *0, o tratamento cuidadoso
feito para as calçadas de diversos centros de bairros da
cidade do Rio de Janeiro, pelo programa Rio Cidade,
no período 19.93 a 200421 , o projeto para o entorno
da lagoa do Iansen em São Luis do Maranhão de 200022, e muitos outros.
No geral. a responsabilidade da manutenção e consti-
tuição das calçadas é delegada ao proprietário do lote
lindeiro, que tem como obrigação apenas manter o
calçamento em ordem e isto pode significar apenas o
revestimento com uma simples camada de cimento.
Com o hábito do tratamento paisagístico dos lotes
verticalizados, o dos espaços internos é estendido até
as calçadas, a princípio como uma idealização dos ar-
II
PAISAGISMO BRASILEIRO NA VIRADA DO 
sec.UL0
62
quitetos paisagistas e depois como um princípio que é
incorporado aos princípios de projeto da maioria dos
empreendimentos verticais.
Na cidade de São Paulo, este tipo de tratamento é
introduzido durante os anos de 1950 e 1960, pelos
paisagistas Roberto Coelho Cardozo, Miranda Magnoli,
Rosa G. Kliass, Ayako Nishikawa, Luciano Fiaschi e
alguns outros, tornando-se um hábito comum nos
bairros mais ricos e até em áreas mais populares.
NO cotidiano da cidade brasileira, a calçada recebe
um tratamento modesto, totalmente dependente da
vontade do seu mantenedor e apesar de ser um espaço
de circulação de pedestres, paradoxalmente, pode ser
considerada um espaço que cria uma série de empe-
cilhos a sua circulação, tal a quantidade de entraves
existentes a sua movimentação.
Estes variam da reduzida 
largura dos passeios, ao mal
estado da pavimentação, 
a disposição e dimensão ina-
dequadas de mobiliário 
urbano, como telefones públi-
cos, caixas de correio, 
vasos de plantas e especialmente
de bancas de jornal, que 
estreitam e confinam o espaço
e ainda ao raizame 
invasivo de árvores, que destroem
os pisos e provocam 
acidentes diversos, Os próprios
moradores, ao instalarem 
rampas e rebaixamentos para
o acesso de automóveis 
e ao prolongarem os gradis dos
veio esteia de um 
processo de a largamento da avenida executado20 0 
no início dos anos 970 
e se torna um padrao de qualidade em função
cuidadosa 
especial e do 
acesso de 
2' maiores 
de P'SOS, da insertao de mobiliário 
urbano de des@
tratamento dispensado a ci rculaçâo de pedestres ,
aos pré-dtos e ao estacionamento 
de Onibus e
Francine G Sakata, O Projeto Paisagístico
0
Instrumento de Requalñrcaçáo 
Rua' 
I..'rbana, 
para 
pp, '67.187 
Pedestres 
e 
• 
Ptefe'tura 
l inhas 
da Cidade,
e
Rio Janetra no Cidade: 
pp. '67.187.
informacôes Francine C Sakata. O 
froieto Pa isagís tico corno
22 Vide maiores pp. 98•99
Instrumento de RequalficaCJ0 Urbana. 
20 40 60
4.
coar 'cio
Os (rés espaços mostram bem o cuidado proietual dos pisos internos
e externos, no caso de lotes residenciais que se fundem como
desenho da calçada:
Acima à esquerda: projeto de Martha Gavião Manaus — AM,
Acima à direita: Pça Alm Júlio de Noronha, de Roberto Burle Marx.
Rio de Janeiro — R].
À esquerda: Edifício Sandra, São Paulo — SP
Projeto paisagismo de Miranda Magnoli
portões para o de suas garagens, colaboram na deterio-
ração da qualidade do espaço do pedestre.
Estes espaços cumprem, na maioria dos casos, a sua
função básica de circulação e acesso dos passantes, sem
possuir qualquer atributo estético especial e tornam
esta atividade muito difícil pela extrema má qualidade e
tortuosidade dos pisos, que por vezes se convertem em
armadilhas para os usuários, com desníveis acentuados,
degraus e rampas mal dimensionadasv em mal estado
de conservação.
Naturalmente, existem calçadas bem dimensionadas e
tratadas, muitas até resultado de projetos cuidadosos,
mas estas não sáo a regra, nem a maioria. Por sua vez,
a população acostumada a esta situação, há décadas,
tem baixa consciência crítica sobre o assunto e prati-
camente não existem reinvidicaçóes para a melhoria
deste estado de coisas, que náo é de fato percebido
de uma forma clara como negativo por ela.
Antigos hábitos como sentar em cadeiras nas calçadas,
jogar bola, "taco" e «amarelinha" na rua ou o simples
bate-papo na porta de casa permanecem, apesar da
mudança de comportamento nas ruas derivado do
advento do uso massivo de veículos automotores. Tais
hábitos são ainda encontrados durante as principais
horas do dia com certa frequência nas ruas de bair-
ros estritamente residenciais, sempre em áreas mais
afastadas ou a margem de linhas de trafego rápido ou
intenso, em setores urbanos em que basicamente só
existe transito local e de pequeno porte. Mesmo em
áreas mais centrais, em fins de semana ou em horários
noturnos, o conversar na rua, o jogar bola e o caminhar
são atividades comuns. Concomitantemente e apesar
das restrições espaciais, o hábito de comer ao ar livre
À esquerda: Calçadas obstruídas, Manaus — 
AM
Abaixo: Vila Romana, São Paulo — SP
Uso da calçada pela populaçao.
em mesas dispostas em frente a restaurantes e 
bares,
antes restrito a setores específicos da cidade, como
orlas urbanas e alguns poucos boulevards, torna-se
corriqueiro.
Este hábito está se tornando uma atividade comum,
na maioria das cidades brasileiras de algum porte,
tanto em bairros de alta densidade como em algumas
ruas principais ou em vias fronteiriças à algum atrativo
paisagístico, como um rio, um parque, uma praça ou
praia e em locais vizinhos a casas de show, teatros, es-
tádios, clubes esportivos, centros culturais, faculdades
e colégios.
Neste caso, as mesas ocupam calçadas geralmente
inadequadas, em termos de tamanho, para comportar
tais atividades, que muitas vezes extravasam para o leito
carroçável. Nas cidades situadas em zonas de clima
quente, este é um costume bastante difundido, mas
pode ser encontrado por todas as cidades do país, em
especial aquelas de algum porte.
Paralelamente, atividades diversas são frequentemente
efetuadas, em especial nas grandes avenidas e praças
centrais ou ao longo da orla marítima, como paradas,
passeatas, shows especiais comemorativos de datas fes-
tivas. como fim de ano, entrada do verão e IV de Maio
e, naturalmente, os festejos de Carnaval.
A via publica como espaço urbano chega ao século XXI
como 0 principal espaço de uso social e coletivo, mesmo
que passando por intensas adaptações, derivadas das
novas atividades urbanas, que se foram constituindo
ao longo do século anterior. Situações impensáveis de
serem encontradas até as duas últimas décadas do século
XX tornam-se populares, Como o simples caminhar e a
corrida, ambas derivadas de novas práticas esportivas
e medicinais. Observa-se ainda 0 hábito crescente do
andar de bicicleta, estando, pois os usos do espaço livre
em um constante e evidente estágio de popularização
e revalorização,
Estas novas atividades em desenvolvimento se confron-
tam Com a atitude oposta de fechamento das frentes
das casas e prédios por altosmuros e o cercamento de
condomínios e loteamentos.
PAISAGISMO BRASILEIRO NA 
DO SÉCULO
Paradoxalmente, de trechos inteiros de estradas e vias
urbanas estão cercados por muros e pequenas mura.
lhas, que tem como função proteger seus moradores
de Supostos perigos da exposição e acesso livre entre
0 espaço privado e 0 espaço público, Estes espaços
permanecem desertos por longos períodos, têm pouca
visibilidade e, portanto, permitem um controle social
relativo e de fato, poucos se atrevem a andar a pé ou
de bicicleta por eles a não ser em caso de necessidade.
Calçadas totalmente gramadas em:
À direita: A/phaville, Barueri — SP.
Abaixo à esquerda e à direita: Alphaville.
Belo Horizonte — MC,
Sc
an
ne
d 
by
 C
am
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ne
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Sc
an
ne
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A PRAÇA PÚBLICA: DE ESPAÇO SIMBÓLICO À ÁREA DE JOGOS
Rio - AC, Praça é espaço livre público destinado a ativiclades
sociais, que compreendem do simples passear até ativida-
des esportivas diversas, de manifestações políticas a feiras
e quermesses ou ainda de simples passagem de pedestres
c namoricos de adolescentes' l .
alividades independem da forma de tratamento do
logradouro, que tanto pode ser totalmente ajardinado
ou ser revestido apenas por pavimentos, sendo por
vezes adaptado para este OCI aquele uso urbano. Muitas
praças têm seus espaços tratados especialmente para
uma alivi(lade definida o passeio ou a recreaçào
O PODER 
praça além um espaço urbano livre de é um espaço
e /N•rtence os habitantes i.' por Ser
criado e mantido hiblico na grande maioria dos casos. Coletivo,
proporciona c' necessariamente
algo que a Vida urbana. " Em Robba, op. cit., p, 22
urna e praça C' apenas
t.unbém um centro social inlegrado lendo
urbano import,inoa refere-se valor histórico, hem como sua
na vida cidade" Ales Sun. Proielo Praça -
e no Público, p, 23,
"A pr.wa é um espaço pública. e de reuni.ic& constru\do para peja
sociedade, de símbolos e significados, centrais
do ir Vir, 110,010 de e partida.
pedestres — palco representativo da
histórica da Mauro FO'", op. cit. p.5.
"A (signo) do lugar, sintese do espaço intraurbano em que
inserida, um bairro rico pobre, uma área central dinâmica
estagnar/,l." [oge•nio fernandes A Megalópole e a Praga: O
entre Dominaçaoe p. 1860
A PRODUÇk.O NA CIDADE 165
centros urbanos
de soo 
PAISAGISMO BRASILEIRO 
NA VIRADA 00 S(CLJVO
166
infantil, outras têm projetosque permitem ao seu usuário
em atividadesdiversas, ou têm
espaços estruturados de tal forma que possibilitam o seu
uso múltiplo pela população
'2
Não se pode dizer que existe, no Brasil do inicio do século
XXI, uma funçáo e uma forma definida para a entidade
praça, cada um clos logradouros deste tipo se prestando
para essa ou aquela atividacle ou tendo esta ou aquela
estrutura formal, de acordo com o contexto urbano em
formal como funcional, na maioria dos 
de médio e grande porte.
O passeio de toda familia no jardim da praça e o footing,
formas de uso típicas deste tipo de espaço durante 
todo
o século XX, deixa de ser uma atividade corriqueira com
o advento de uma gama extremamente diversificada 
de
formas de lazer urbano, como a televisão, o rádio, os 
s}w-
ao ar livre, as academias etc. que, aliadas a alteraqáo
dos hábitos familiares e a extrema mobilidade das familias,
que se insere e variando de bairro a bairro, de região minimizaram em muito a demanda portal tipodepraça•
a região do país, apesar da figura mais popularmente 72 -Compreendendo base fisica como elemento urbano ter-nos 
que 
2 
a
-umassociada a este espaço seja a da praça jardim, típica da um espago urbano.referenoaJ 
primeira década do século XX.
Esta categoria de praça foi produzida as centenas, a
partir do final do século XIX até os anos 1960, por todas
as cidades do Brasil, contínua a servir de referência para
novos projetos apesar de sua relativa obsolescência, tanto
espaço público: 3 — um de 4 — m.vco 
5 — espaço que confere carate' de centra/'dade e
um f»nto
lugar. 6 - um lxv"oou nó de articulasào e desl«xamentoss 
- 
— unt
de convergência e dispersao de pessoas, atividades e funçOes: 
8 
espaç'0 l ivre envolvido um entorno construido,• 9 — 
resultado
urbanas endógeno e e•Ogeno, IO — lugar
encontro estar iogos• em Mauro font. op cit. p. 60
O andar até a praça para o habitante da grande cidade
se toma uma atividade mais objetiva que o simples flanar
ou o encontro com os amigos. De fato, a estruturação
formal da maioria das praças, muito simples, não pode
competir com as belezas cénicas de uma praia, de um
parque ou até mesmo de um shopping center ou jardim
privado. A atividade ao ar livre nos quintais particulares,
com piscina e com churrasqueira, espaços que permitem
encontros familiares e com amigos, nos centros públicos
e privados de recreação e em muitos outros espaços
destinados ao lazer, como academias, ginásios e centros
esportivos pertencentes a clubes públicos e privados todas
ao alcance de milhões de famflias limita o uso cotidiano
de tal tipo de espaços.
Nas cidades brasileiras, no início do século XX, a introdu-
çáo da praça como equipamento urbano destinado ao
passeio das famílias, na sua forma ajardinada de jardim
público, foi um sucesso, pois naquele novo espaço as
pessoas podiam encontrar amigos, ouvir uma seresta
ou uma banda, os jovens podiam namorar e as crianças
alimentar peixes e patos ou correr entre canteiros floridos
e gazebos. Eram tempos em que as cidades eram mal
iluminadas, as ruas muito tranquilas, os quintais eram
grandes e ocupados por pomares e galinheiros, se dormia
cedo, os saraus e tertúlias eram comuns entre as familias
de classe média, as rodas de musica ocorriam em terreiros
e quintais da população mais pobre e que conversar em
cadeiras fora de casa e em varandas era um fato comum.
o
o
o
0 10 20 30
Acima: Equipamento esportivo da Marques de fbmba/ e da Área de lazer de Grande Morada da ambas em — Ml:
Abaixo esquerda • Croqui de praça padrao.
Abano direita haça Marques de Pombal, Cuiab" - MI.
Estevao
O PODER E A PRODUÇÃO DE ESPAÇOS LIVRES NA CIDADE 167
AV, Colombo
0 15 30 45
11
168 N", VIRADA DO
Este mundo acabou antes ainda do final do século XX, a
vida social é mais complexa, os tempos disponíveis para
o ócio são outros como o são as demandas sociais e a
televisóo reúne em frente das telas uma grande maioria
da população em seus momentos livres.
A praça jardim não desaparece, mas com certeza não
é a forma de praça que atende melhor as demandas da
sociedade contemporânea, que possui tempos e modos
de vida diversos. A atividade do passeio, do 
footing se
transfere para praias, parques, Shopping centers, calçadóes
de praia ou beira rio ou ainda para passeios estrategica-
mente colocados em meio a canteiros centrais ajardinados
de avenidas residenciais e muitos outros locais. Devido
a este fato, a praça jardim se torna praticamente obso-
leta em termos programáticos na maioria das cidades,
a exceçào de algumas localidades de pequeno porte,
espalhadas pelo país.
Naturalmente, muitas das praças antigas sobrevivem a
mudança dos tempos tanto morfologicamente quanto
funcionalmente, como foi o caso da praça Batista Cam-
POS, em Belém do Pará, a praça da Liberdade, em Belo
Horizonte, e a praça Buenos Aires, em Sáo Paulo, esta
considerada pela prefeitura local como um parque desde
1987. Por definição estabelecida ao final do século pas-
sado pela municipalidade paulistana, todo logradouro
público cercado por grades e com administraçáo própria é
considerado um parque, e, esta última praça, situada em
esquerda e abano esquerda: planta e fotos da da liberdade,
Belo Horizonte — MGmineira caminhando correndo e descançando frente ao coreto
Praça Qande, - KA.
Rua 8arao do
IO 15
Acima e esquerda: botos e planta
da praça do 'rnggrante.
Campo Grande - MS.
Ruo oaquim
Murtinho
Abaixo: Praça Mário Verç0%L
Manaus AM
O PODER 
um dos bairros mais ricos da cidade, muda de categoria,
na medida em que naquele ano é cercada de modo a se
garantir uma melhor manutenção do seu espaço.
Estas e muitas outras continuam prioritariamente sendo
utilizadas para o passeio das familias, mas são pratica-
mente exceçóes em suas cidades. Seus espaços têm
um tratamento paisagístico, advindo do passado, que as
destaca das demais, estão situadas em bairros de elite ou
em processo de contínua revitalização e tem introduzidos
em seu interior alguns equipamentos recreativos, caso
das praças Baptista Campos em Belém, Campo Grande
em Salvador e a praça Carlos Gomes em Campinas (esta
mantem seus espaços praticamente dedicados a contem-
plaçáo e ao passeio).
O programa da praça contemporânea brasileira padrão
é focado estritamente no atendimento de demandas
como a recreação infantil e esportiva, servindo ainda
como espaço para o encontro de pessoas de idade mais
avançada, desocupados e alimentação. Esta última ati-
vidade, apoiada por quiosques e pequenas barracas se
torna extremamente popular, sendo criadas praças para
receber exclusivamente tais atividades, como as praças
Mário Verçosa em Manaus, e as praças Imigrantes e
Oshiro Takemori em Campo Grande.
A PROOUC.ÀO DE ESPAÇOS LIVRES NA CIDADE 169
A PRAÇA COMO DEFINIÇÃO E OUTROS ASSUNTOS MAIS
Morfologicamente a praça é definida pelo casario
entorno imediato", que as envolve, sendo contida em
uma porçáo do território urbano que nunca extrapola
a dir-ncnsáo de dois quartearóes padráo, ou seja, 20
mil rn2, e está sempre delimitada em pelo menos dois
lados por vias publicas. A maioria das praças brasileiras
está contida em apenas um quarteirão, mas náo é raro
serem encontradas praças recortadas por uma ou duas
vias, tendo seus pisos fragmentados em partes distintas.
Durante todo o século XX, consolida-se um proce,so
padráo de criação das praças brasileiras, que se dá,
predominantemente, pelo loteamento de novas áreas
residenciais. no qual tanto ruas. como quadras e praças
73 -A na na
[OIO —
Vias, lotes c o
surgem sempre concomitantemente, em uma etapa
anterior a construção das primeiras edificações. A
qualificação paisagística de tais logradouros por vezes
precede a ocupação dos lotes lindeiros por prédios,
sejam eles residenciais comerciais ou institucionais,
não se podendo ter uma ideia clara nem das deman-
das futuras de seus moradores, nem das características
formais de seu entorno.
Dentro de seu perímetro, arvoredos, pequenas cons-
truçóes como pórticos, painéis e quiosques, maciços de
arbustos, desníveis e pequenos movimentos de terra e,
por vezes, lagos de pequeno porte e fontes colaboram
na definição de subespaços e na estruraçáo formal de
cada logradouro, dando de fato o caráter paisagístico
e morfológico da praça.
Na cidade formal, aquela formada por loteamentos
regulares, a produção de áreas para novos logradouros
públicos é grande, em especial para jardins e praças,
devido exclusivamente a legislação urbanística em vigor,
que condiciona a aprovação de novos loteamentos à
reserva prévia pelo empreendedor de áreas para a cons-
truqáo de espaços livres e de equipamentos públicos
como escolas, creches e postos de saúde,
A geração da praça contemporânea brasileira se dá, a
partir então, do surgimento de um gigantesco estoque
de áreas destinadas a espaços livres, derivados do
05 10 15
Nava
Planta e foto do 
0 PODER PÚBLICO A PROOUCÁO DE ESPAÇOS LIVRES NA
Baças em Palmas — TO
Amuehe, Sio Paulo — SP
cumprimento da legisiaçáo federal e municipal sobre
loteamentos. Nestas, a exigência de porcenlagens de
áreas a serem doadas para espaços públicos, (ao menos
em 5%, por loteamento)?', tem a capacidade cle possi-
bilitar a geraçào de um sem número de áreas, que ao
menos em parte aproveitadas pelo Poder Público
para a construção cie tal lipo de logradouro,
O programa da praça contemporânea totalmente
diversificado variando de cidade a cidade e de bairro
a bairro. Náo de pode dizer que existe padrào,
mas sim que existem alguns programas de uso, que
aplicados corriqueiramente as novas praças de acordo
com as demandas e cultura de cada localidade.
A maioria das novas praças brasileiras, construídas a
partir da década de '1 990, e podendo, pois, ser consi-
deradas como contemporâneas, se encontram situadas
em bairros populares e de classe média, tendo um
caráter tipicamente recreativo, servindo especialmente
a populaçào do seu entorno imediato,
As novas praças centrais, isto é, construídas após os
anos de 1 990, sáo raras e decorrenl(S de algum tipo de
intervenção especial, como um novo terminal urbano,
abertura de avenida Ou construçáo de uma estaçáo de
metro, sendo raras aquelas que surgem dentro de um
Bato do Guaiará
0 15 30 '5
172 PAISAGISMO NA VIRADA
programa especial de construção de novas praças em
alguma área central.
A praça do Papa em Vitória (2008), é uma dessas poucas
exceçóes, assim como as iá citadas praças do Complexo
Feliz Lusitânia (2000) e Ver-o-Rio (2001 ambas em Be-
lém do Pará. Na maioria dos casos, o que se observa é
o restauro ou a reforma das praças centrais de modo a
adequá-las a novas demandas ou aos desígnios políticos
de um prefeito, desejoso de se mostrar competente,
inovador ou ao menos trabalhador.
A praça, no Brasil do século XXI é, com certeza, dos lo-
gradouros públicos destinados ao lazer, o mais popular,
e estes foram e sáo construídos as centenas por todas
as cidades, de todos os tipos, tamanhos e formatos. Pa-
radoxalmente, a praça náo é entre os espaços públicos
aquele sobre o qual recaem os maiores cuidados das
diversas administrações municipais, para as quais náo
existem na maioria das cidades estruturas adequadas
de manutenção. Marechal Hermes
Este fato se dá, principalmente, pela sua extrema dis-
persáo pelo tecido urbano; e pelo elevado número de
praças criadas e as dificuldades reais de se manter tantos
espaços. Na maioria das cidades, pelo menos a metade
dos logradouros produzida pelos novos loteamentos ja-
mais é qualificada paisagisticamente para o uso público
como resultado de um processo de escassez crónica de
planta e fotos da praça froo.Rio Belém — PA.
0 20 30
iii*'
sz_i
recursos para sua manutenção e construção, na medida
em que o poder municipal não vé um interesse político
imediato que justifique uma açáo consistente e dura-
doura sobre tais logradouros.
Geralmente, é priorizada a manutenção de praças situa-
das em áreas centrais, em bairros de elite, em centros
de bairro e junto a vias de alta visibilidade pública,
em detrimento das praças de vizinhança, em especial
aquelas situadas em subúrbios e bairros pobres.
Paralelamente, praças são relativamente fáceis de serem
criadas e seu custo não é relevante para boa parte das
municipalidades, que deixam, em geral, a responsabi-
lidade de sua implementação paisagística a técnicos de
suas secretarias de obras ou de meio ambiente.
O fato é que parte de tais áreas destinadas a praças
nunca sáo urbanizadas com tal destinação. São ocupa-
Acima esquerda• — i S
Acima: C.v/os Chagas. Belo Horizonte —
À esquerda • Praça Helo Horizonte —
174 PAISAC.r,M0 
BRASIttiR0 NA VIRADA DO stcu10
das ora pelo próprio Poder Público, que as utiliza para
a construção de escolas, centros esportivos, postos de
saúde etc.7%, ora pela população mais pobre que as
invade construindo moradias, sendo ainda cedidas
pelas administrações municipais à enticlades privadas
para diversos fins, como a construção de associações
esportivas e comunitárias.
Estes são fatos comuns observados em todas as cida-
des do país de todos os portes e características, sendo
observado mesmo em cidades cuias municipalidades
tem como hábito a valorização do espaço público. A
cidade de Curitiba, por exemplo, tem 120 em um total
de 441 praças ocupadas tambémpor algum tipo de
edifício público e, na cidade de Sáo Paulo, são centenas
os espaços destinados a logradouros públicos ocupados
por favelas.
dc Campo Grande.
1983 e 191/5 dc foram
ou SI,'" outra Com
os espaços livres nos de j 9,83
19811, o
e o governo C) de
- Cautenb-erg
A 'Sistema - Livre, Públicos de
Conserva%.io em Campo Grande. p.
Saldanha Marinho San"' • R_S.
PROJETOS E PROGRAMAS
O ato de projetar uma praça, apesar sua aparente
simplicidade, envolve o entendimento de demandas
e aspirações de um público altamente fluido e gené-
rico, sempre influenciado por modismos e formas cie
comportamento, bem como exige a compreensão dos
espaços realmente necesc4rios para o correto desem-
penho das atividades esperadas e propostas. Por outro
lado, existe um conceito genérico por parte de admi-
nistradores e projetistas do que viria a ser ruma praça,
baseado em ícones formais e funcionais de um passado
recente ou distante, ou mesmo inspirados em imagens
de publicações internacionais.
Praça tem sido sempre representada e criada como
um espaço a ser exclusivamente ajardinado, dividido
em parcelas ou canteiros, que receberiam gramados,
árvores e arbustos ou ainda quadras, playgrounds e
eventuais fontes ou pórticos.
Paralelamente, existe uma crença entre os jovens proje-
tistas e alunos de arquitetura (futuros projetista) de que
a concepçáo de um projeto paisagístico de praça pode
resolver todas as demandas e mazelas de seus usuários,
ideia equivocada, pois por melhor que seja 0 projeto,
sendo este até resultado de consultas a população, só
gestão correta, contínua e eficiente de seus espaços
pode de fato garantir a sua eficiência e existência como
logradouro público, adequado aos usos da população.
Sáo espaços que, devido a exposição constante as in-
tempéries e ao uso de um público incerto e diversifica-
do, devem ser necessariamente adaptáveis a novos usos,
de fácil manutenção e alta durabilidade, permitindo um
uso múltiplo e diversificado, de modo a atender públicos
diversos e de todas as faixas etárias.
30
176 PAISAGISMO NA VILADA 00 SÉCULO
A não manutenção de um logradouro muito utilizado
pela população tem levado ao desaparecimento de
praças de grande sucesso de público, pois seus equi-
pamentos, jardins e pisos tendem a ser destruídos pelo
excesso de uso, fato aliado a não reposição de tais ele-
mentos pode causar o desaparecimento de mobiliário
e equipamentos urbanos. Este é o caso de inúmeros
equipamentos utilizados no programa Centro de Bair-
ro na cidade de São Paulo (2001-2004), deteriorados
pelo uso e pela absoluta falta de reposição, nos anos
subsequentes a sua implantação.
O seu projeto, como os dos parques e calçadões, exige
um corpo técnico capacitado que tenha a adequada
compreensão de seu papel no contexto urbano em que
se insere ou estará inserida e entenda que as demandas
de uso variam de acordo com a época e a geração.
Tem-se, por exemplo, que até a década de 1980 a
prática da caminhada ou do skatisrno não eram comuns
entre a sociedade brasileira e que apenas uma década
depois tais atividades seio excepcionalmente populares
nas áreas urbanas, assim como o ciclismo, a corrida e a
procura por locais para a pesca.
Por outro lado, uma visão estereotipada do que seria
uma praça e seu programa, continua existindo no
imaginário de projetistas e técnicos, que continuam
sonhando com a praça do ecletismo, a praça-jardim
dos passeios, coretos e footings ou então acreditando
que a colocação de quadras, playgrounds e laguinhos
e cibam): e da W•ra Arruda. Maceió — AL
Acima: praça Wilson Motora da Grajaú, SáO - SP
Á de do p,eque da Paulo - S"'
O PODER PÚBLICO t A PRODUÇÃO CSPAÇOS LIVRES NA CIOAOL 177
em forma de amendoim, ou "ameba", acompanhados
de anfiteatros para possíveis, desejáveis e de fato nunca
efetivas atividades culturais se levem a efeito, são as
soluções para tal tipo de espaço.
Naturalmente, nenhuma dessas amenidades pode ser
a princípio descartada de um projeto de praça, mas
deve ser levada em consideração, antes da adoçáo de
qualquer forma ou programa, as reais necessidades de
seus usuários em potencial, os habitantes de suas vizi-
nhanças e daqueles que eventualmente ali aportarão.
Para tanto, se entende que o projeto para este tipo de
logradouro público deve prever, a princípio, uma alta
capacidade de flexibilização de usos de seus espaços
de modo que estes possam abrigar múltiplos usos, por
grupos diversos em diferentes tempos.
Este é um fato que, não acontece normalmente, e não
só os hábitos e demandas da população do entorno não
são entendidos, como os projetos resultantes e, portanto
os espaços construídos estão vinculados a modismos e
estereótipos formais e funcionais.
fotos e planta da Praça da Baleia,
0 20 30Ruo das - RI
Praia da Tocolàndia
R. Ney Castro
178
PAISAGISMO NA VIRADA DO 
SÉCULO
Esta situação se deve ao relativo despreparo dos corpos
técnicos municipais e de muitos dos paisagistas no en-
frentamento desse problema, na medida em que não
existe uma prática de discussão e crítica do projeto de
praça, e principalmente da praça para a cidade brasileira
contemporânea.
A maioria destes compostos de arquitetos que pouco
se dedicam ao paisagismo, de engenheiros, agróno-
mos ou simples curiosos apenas produzem traçados
simples, inspirados em formas do passado longínquo
ou ainda arriscam paginaqóes de piso e formatação de
canteiros que podem ser ora geométricas, ora curvi-
líneas; sendo geralmente gramados, frequentemente
colocados equipamentos de recreação infantil con-
vencionais, cujo espaço é denominado de playground,
quadras esportivas e, em muitos casos, simulacros de
anfiteatros.
Tanto o plantio como a implantação dos equipamentos Praça em Belém do Pará — PA.
é geralmente modesto, com a arborização disposta de
modo singelo, árvores colocadas geometricamente e ar.
bustos, quando existem, formando bordaduras e arranjos
em meio aos canteiros.
Somente em ocasiões excepcionais, uma praça será pro-
jetada por um especialista, por um paisagista, contratado
para fazer uma ou mais praças situadas em locais de alta
visibilidade. Neste caso, o projeto do logradouro tende a
ser altamente elaborado, com uma grande valorização de
desenhos dc pisos e um cuidado especial com o plantio.
As praças dos programas Rio Cidade, em qualquer uma
de suas etapas, ou do programa Centro de Bairro— 2001-
2004, são excelentes exemplos, pois para sua efetivação
foram contratadas, pelo Poder Público local, equipes
técnicas especializadas.
parque Itambé em Santa Matia — RS
O PODER PÚBLICO A PRODUÇÃO DE ESPAÇOS NA CIDADE 179
Outro bom exemplo é a já citada praça Dom José
Gaspar, em Sio Paulo, projetada por Sérgio Marin e
sua equipe. Esta possui desenhos de piso elaborados e
plantio esmerado, situando-se em uma área central de
alta vtsibilldade. Seu projeto contém o que de mais van-
guarda ou -marca" possa ser encontrado ou produzido e
seus autores foram convidados pelo Poder Público para
fazer o projeto, que em geral é implantado na íntegra.
['anta e Rua Agostinho RR» de
Abono w Banta Raul RIO de 'aneiro —
Abano 'Oto da da• t.On•en - SP
05
"ASAC,'SMO NA VIKAOA 00
fraca
Rua da Consolação 0 10 ao 45
O PODER A PRODUÇÃO ESPAÇOS LIVRES NA CIDADE 181
Como este, sio muitos os exemplos de logradouros,
em localizados em áreas de alta visibilidade, que
40 transformados total ou parcialmente por projetos
imaginados por paisagistas de renome, não só praças,
como parques e calçadóes.
Este é um processo que remonta ao início do processo
da formasáo da praça na cidade do século XIX e perdura
até o início do século XXI, desde as praças cariocas do
ecletismo desenhadas por Paul Villon e Glaziou, aos
projetos de Burle Marx para diversas praças públicas,
até as praças e parques desenhadas por Luciano Fiaschi,
Rosa Kliass ou Fernando Chacei, nas ultimas décadas
do século e inicio do XXI.
Praça No'sa Senhora dos Remédios.
Osasco - se
praça Júlio frestes, Sio Paulo - SP
Salgado Recife - PE,
erop•to pai saglistwo de Rotx•rto
CONTEXTO
No Brasildo início do século XXI, a praça continua
a ser um importante equipamento urbano, não mais
estrutural, corno foi no passado, mas complementar às
atividades diárias da população. Estas estão imersas no
tecido urbano, somam milhares e milhares de unidades,
que estão distribuídas por todas as partes das cidades,
dos bairros ricos aos mais pobres. A praça não é mais
a figura mais expressiva da centralidade urbana, como
foram durante séculos as praças do mercado, das feiras
e procissões e dos comícios.
, auunnnuu
A praça contemporânea tem um caráter predominan-
temente de vizinhança, se constitui em um espaço
dedicado a algumas formas do lazer de pequenas e
grandes comunidades e está localizada por todas as
partes da cidade.
Esta localização, em geral, não está submetida a qual-
quer forma de planejamento, sendo as áreas das praças
determinadas em grande parte pelos desígnios dos
loteadores e seus projetistas, que necessariamente não
são compatíveis com as necessidades da população local
atual ou futura. Como resultado, são inúmeras as áreas
destinadas a praças que jamais foram implementadas
como tal por falta de demanda dos moradores do entor-
no ou interesse político em sua qualificação paisagística.
{taça da Sé. —
Praça Heliodoro Balbi da Policiai, Manaus —AM,
O PODER PÚBLICO A egooocÂo OE ESPAÇOS LIVRES NA CIOAOt 183
Abana- So - SP,
Este é o caso de alguns espaços localizados em áreas
centrais e de bairro que por vezes recebem comícios,
shows e manifestações de protesto.
Muitas experiências inovadoras tem sido feitas em
tais espaços e, com certeza, uma das mais expoentes
foi a introduçáo de equipamentos completos de uma
academia de ginástica na praça Dom João Batista em
Vitória. Nela foram instalados aparelhos de musculaOo,
separados dos demais espaços por uma simples grade
baixa, e nos quais todos os fins de tarde sáo feitas
atividades orientadas. Tal tipo de experiência, propor-
cionada pelo Poder Público local, atende com sucesso
a uma demanda específica em uma área carente da
cidade. Igualmente em Brás de Pina, na cidade do Rio
de laneiro. uma pequena academia de ginástica ao ar
• livre é mantida pelo Programa Vida Corrida em uma
Y, Paralelamente. saio inúmeras as praças que apesar de
tratadas paisagisticamente são muito pouco Ou nada
utilizadas pelos moradores do bairro em que estáo situ-
adas, com o tempo sendo desativadas ou tendo muitos
de seus equipamentos retirados"'. Este é um caso corri-
queiro nos bairros de classe média e alta, datados dos 
anos 1970, 1980 etc, áreas inseridas dentro da cidade 
formal, cujos moradores possuem em suas casas e nos 
seus locais de vida coticliana as mais diversas formas e 
instalaçóes para a prática do lazer, quer seja em seus
próprios quintais e pátios, Seia em clubes e academias. 
Já nos bairros populares, densamente ocupados e,
portanto, com urna grande populaçào nos quais as
condi%óes de vida sio difíceis e faltam recursos para
despesas extras, as praças quando equipadas para ati- ;
vidades esportivas ou recreativas estáo sempre lotadas
de usuários.
As praças contemporâneas brasileiras, mais que repre-
senlaçóes espaciais e formais de uma modernidade
paisagística nacional, alinhada ou as grandes
correnles formais internacionais, são espaços públicos
destinados aos mais diversos usos cotidianos, como a
recreaçáo infantil, o passar do tempo de desocupados
e aposentados, loca de praticas esportivas de adoles-
centes e adultos e, até em casos especiais, utilizadas
como cenário de representaçóes políticas e culturais.
pequena praça junto a avenida Oliveira Belo.
Outra inovação marcante foi impressa na praça Victor
Civita cm Sáo Paulo. Inaugurada em 2008, é o resultado
de uma parceria entre o Poder Público e uma grande
editora e traz, além de um traçado de piso sofisticado,
um conceito de projeto pouco adotado no país até
entáo, mas popular no hemisfério norte.
A ideia da praça, de autoria das arquitetas Adriana
Levisky e Anna lulia Dietzch e com o plantio de Be-
nedito Abbud, baseia-se em princípios de educaçáO
ambiental, sendo utilizados como elementos de compo•
siqào vegetal muitas 
Além 
espécies 
disso, como 
vinculadas 
o subsolo 
a produção 
do terreno
de
biocombustíveis. 
estava comprometido por resíduos de uma antigo inci•
nerador de lixo antes existente no local, todos os pisos
foram construídos elevados do solo, separados da terra,
evitando-se o contato do usuário com contaminação.
No loca ainda existe um pequeno museu e um centro
de educação ambiental.
76
que
pühJicch
TIPOS E FUNÇÕES
A praça, ao contrário do parque contemporâneo, Se
caracteriza pela extrema diversidade morfológica, fato
devido exclusivamente à variedade funcional existente
em cada logradouro e as formas distintas de Sua produ-
fi çáo. São produzidas por agências especiais, por equipes
técnicas de secretarias de obras ou de verde e meio
ambiente e por empreendedores privados.
Muitos pai'úlgistas projetam praças influenciados por
mestres do ramo e pelo seu cotrdiano profissional, im-
primindo em suas praças modos de pensar e projetar de
alta erudição derivados de sua formação e experiência.
Como resultado, foi criado um conjunto marcante de
logradouros de alta qualidade dispersos pelas mais di.
ferentes cidades. Paradoxalmente, algumas das praças
contemporâneas mais emblemáticas não foram cons-
fruídas por paisagistas, mas por arquitetos que ousaram
com Sucesso experiências formais diversificadas, como a
emblemática praça Itália, em Porto Alegre, e a praça Sotto
Maior (1998), em Curitiba, cie autoria de Fernando Luis
Popp, Mauro losé Magnobosco e Aurélio Sant'Anna, na
entrada do Cemitério do Redentor ea praça Victor Civita.
z Estes e outros projetistas, arquitetos em sua maioria,
premidos por uma demanda de novidades, acabaram
por romper, de um modo quase involuntário, os ícones
modernistas do passado e criaram uma alternativa aos
resquícios do ecletismo ainda vigentes. Não seguem
nenhum movimento predeterminado, mas sim agem de
um modo independente, quase isolado, influenciados
pelas novas publicaçóes que chegam ao Brasil, vindas
da Europa e dos Estados Unidos.
As praças do Programa Rio Cidade, em todas as suas
fases, explicitam bem estas tendências, com projetos
que abandonam em grande parte as tendências ainda
recentes naquele tempo do paisagismo moderno e
criam novas imagens para aquelas praças. São espaços
.'CfWC,
Nossa Senhora da — BA
da S i\vo
AV, Otávio Mangabeira
20 30
Acima foto e planta da praça Nossa Senhora da —
Á direita: Praça da Sé Salvador — BA
extremamente elaborados, que foram dotados de cui-
dadosos desenhos de piso, equipamentos sofisticados e
um plantio simples e de caráter, por vezes, escultórico.
Outros exemplos podem ser encontrados por todo
o país, como as praças da Sé (2002), de autoria dos
arquitetos Francisco de Assis C. dos Reis e Márcia Silva
dos Reis, e Nossa Senhora da Luz (2000), de autoria
da arquiteta Lucinei C, Neiva em Salvador; as praças
Bandeira (2000) e Godoi Betónico (2001) em Belo
Horizonte; as praças-terreiro de São Luís do Maranhão,
derivadas do Programa Viva e ainda a praças Carlos Zara
e da Concórdia em Campinas.
Estas praças, como outras poucas centenas são exceçóes
dentro de um conjunto de milhares de obras e projetos
de feição bastante conservadora, oscilam entre a figura
da praça jardim e da praça recreativa, apresentando,
pois um caráter misto, entre a contemplação e a re-
creação.
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Rua Conde de Linhares
Ruo Bernardo Marcarenhas
30
Formalmente a praça típica, aquela que é encontrada
pelo país afora, ainda guarda muita similaridade com a
praça do século XIX, da qual se origina, sendo seu espa-
co parcelado em canteiros, que entremeam caminhos
e equipamentos diversos.
De fato, a estrutura da praça eclética influencia gran-
demente os projetistas, em especial aquelas de traçado
clássico, cuja estrutura é repetida e copiada principal-
mente por profissionais sem experiência em projetoou
depouco repertório formal. São comuns os logradouros
com caminhos ortogonais que direcionam a um ponto
focal, que pode ser uma fonte, escultura, grande árvore
ou simples canteiro e delimitadas em seu perímetro por
uma calçada ou passeio arborizado.
A praça erudita contemporânea, pelo contrário, é
estruturada a partir de um processo de criação mais
elaborado, baseando-se em uma determinação prévia
tipos de espaço a serem constituídos, pelo papel
Planta e fotos da praça prof Godoy Betónica Belo Horizonte — MC.
O PODER E A PRODUÇÃO ESPAÇOS INRES COAOE 189
da Sen k" Ross.
e da Baça San Leandra Ri&ÑiráO • se 
e praça York, Beb
'-kyim"te — BH
fotos da fortaleza — CE,
estruturador da vegetação, considerada como um
elemento arquiletónico e determinante da forma do
espaço, pela experiência formal, que busca a utilizaçáo
de formas inéditas, pelo cuidadoso desenho de pisos
e pela associação de todos estes elementos com os
Uipamentos a serem colocados.
projeto erudito é fortemente influenciado pelos ele-0 10 20 30
i
101
20 30
190
PAISAGISMO NA VIRADA
0 20 30
20 30
O 
mentos e imagens de proretos executados no exterior,
tanto na disposição de elementos arquitetónicos como
fontes e pórticos, como na disposição de mobiliário
Âjrbano e no plantio da vegetaçáo, que, ao contrário dos
padrões tropicais do modernismo, busca uma disposiçáo
comportada e geométrica das árvores e arbustos.
As praças General Pershing, no centro de tos An$es
(Estados Unidos), de autoria de Ricardo Legorreta e Lau-
rie Olin, com suas paredes e pórtico em cores fortes, e a
praça Pioneer Courthouse em Portland, no Oreg)n (ES-
lados Unidos), de autoria de Willian Martin, densamente
pavimentada e em forma de arena, são dois exemplos
marcantes das influências estrangeiras que chegam ao
Brasil. Os dois projetos se caracterizam pelo predomínio
de elementos construídos, pela presença da água e
minimizaqáo da vegetação. Este uso reduzido do verde,
bastante adequado para países de clima frio, acaba
servindo de padrão a diversos projetos paisagístico no
Brasil, em especial aqueles desenhados por arquitetos
; . LII
extremamente influenciados por esse tipo de projeto, e
que muitas vezes não dominam em absoluto o uso da
vegetação,
A produção de praças acontece de duas formas, uma
dentro de programas especiais, que obietivam dentro
de um processo político qualquer valorizar determinada
região ou bairro da cidade, e a outra, mais comum,
dentro do cotidiano administrativo, no qual são aten-
didas solicitações da comunidade ou simplesmente são
tratadas áreas vazias e destinadas para tal, dentro de
uma determinada vizinhança.
No primeiro caso, estão enquadradas todas as praças
do Programa Centro de Bairro e de parte das unidades
do conjunto de quatorze logradouros instalados nos
subdistritos de Anhanguera e Perus", todas situadas na
metrópole paulista, da praça do Ferreira em Fortaleza,
da praça Pimentinha, na Barra da Tijuca no Rio de
Janeiro etc.
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"' Funcionalmente as praças se dividem em:
• Esportivas — cujo principal mote é a pratica de
esportes, coma predominância de quadras poliespor-
tivas, equipamentos de ginástica e instalações para a
prática de skatismo. Nos logradouros de maior porte é
possível por vezes se encontrar um campo de futebol,
nem sempre seguindo as medidas oficiais, que ocupa
praticamente toda a praça. Este é um dos tipos de praça
de maior demanda pela comunidade, sendo bastante
utilizadas, em especial pelo público masculino.
• Recreativas — áreas arborizadas e ajardinadas, em que
o objelo central do logradouro é um playground ou
brinquedos infantis esparsos. Como as praças esportivas,
têm grande demanda pela comunidade, Muitas tiveram
parte do seu traçado alterado de modo a receberem tal
tipo de equipamento, perdendo canteiros e gramados.
• Contemplativas — a praça jardim tradicional, nem
sempre tendo um tratamento paisagístico elaborado,
muitas vezes contendo apenas gramados e caminhos
modestos e uma arborização pouco expressiva,
• Comercial - tipo raro de praça, que começa a ser
constituído em algumas cidades em especial no início
do século XXI. Nestas o uso é estritamente comercial,
em geral quiosques e pequenas instalações para lojas de
artesanato, comida ou ainda restaurantes de pequeno
Zilda Paulo — SP
fite pequeno parque inaugurado em 2009, na realidade pequenapraça. 'em programa totalmente esportivo com urnaequipamentos de e potas de skate.
Praça da Rua Ang,'cu São Paulo — SP
Nova Belo Horizonte — MG,

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