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COMO SE PREPARAR 
PARA O EXAME 
DE ORDEM
1ª FASE
VOLUME 1 - TEORIA RESUMIDA
XXXII EXAME DE ORDEM
Material elaborado por Ana Clara Fernandes @viciodeumaestudante
O arquivo é de uso pessoal. PROIBIDO O REPASSE
SEMANA 1 • 03/02 – 07/02
2020
Edição
revista
atualizada
ampliada
2a
edição
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VOLUME 1 - TEORIA RESUMIDA*
DIREITO CIVIL
PARTE GERAL
2. Pessoa física ou natural ou de existência visível
2.1. Personalidade jurídica ................................................................................................................................... 184
2.2. Pessoa física: conceito ................................................................................................................................... 184
2.3. Emancipação .................................................................................................................................................... 185
2.4. Estado da pessoa ............................................................................................................................................. 186
2.5. Extinção da pessoa física ou natural ........................................................................................................ 186
3. Pessoa jurídica
3.1. Conceito ............................................................................................................................................................. 188
3.2. Surgimento da pessoa jurídica ................................................................................................................... 188
3.3. Desconsideração da personalidade jurídica da pessoa jurídica (“disregard doctrine ”) ....... 188
3.4. Sociedades despersonificadas ................................................................................................................... 189
3.5. Representação da pessoa jurídica............................................................................................................. 189
3.6. Classificação das pessoas jurídicas ........................................................................................................... 189
3.7. Extinção da pessoa jurídica ......................................................................................................................... 191
4. Direitos da personalidade
4.1. Introdução e conceito ................................................................................................................................... 192
4.2. Características .................................................................................................................................................. 192
4.3. Tutela jurisdicional .......................................................................................................................................... 192
4.4. Classificação ...................................................................................................................................................... 192
4.5. Direitos da personalidade da pessoa jurídica ....................................................................................... 194
7. Teoria do ato, fato e negócio jurídico
7.1. Fato jurídico x fato material ......................................................................................................................... 201
7.2. Negócio jurídico .............................................................................................................................................. 201
7.3. Interpretação dos negócios jurídicos ...................................................................................................... 203
7.4. Defeitos ou vícios do negócio jurídico .................................................................................................... 204
8. Prescrição e decadência
8.1. Noções introdutórias ..................................................................................................................................... 207
8.2. Prescrição ........................................................................................................................................................... 207
* Observação: número da página no Livro.
Como se preparar para o Exame de Ordem • OAB | Teoria Resumida (Semana 1 • 03/02 – 07/02)
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8.3. Decadência ou caducidade ......................................................................................................................... 209
8.4. Direito intertemporal e prescrição ............................................................................................................ 210
DIREITO ADMINISTRATIVO
3. Organização da administração pública ...................................................................................................... 134
4. Poderes administrativos ............................................................................................................................... 137
ÉTICA
1. Atividades da advocacia ............................................................................................................................... 43
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DIREITO CIVIL
Luciano L. Figueiredo / Roberto L. Figueiredo
 ` PARTE GERAL
2. Pessoa Física ou Natural 
ou de Existência Visível
2.1. PERSONALIDADE JURÍDICA
A Personalidade Jurídica consiste na aptidão gené-
rica conferida a alguém para titularizar direitos e 
contrair deveres na ordem jurídica. É a qualidade de 
ser pessoa. É o pressuposto dos demais direitos.
Aquele que tem personalidade jurídica é denomi-
nado de sujeito de direito, incluindo-se, neste rol, as 
pessoas físicas e jurídicas. Nessa senda, informa o art. 
1º do CC que toda pessoa é capaz de contrair direitos e 
deveres no ordenamento jurídico.
Recorda-se, porém, que há os batizados Entes Des-
personalizados. Estes, como o nome já traduz, são 
desprovidos de personalidade jurídica, entretanto, 
possuem a nominada capacidade judiciária. Exempli-
fica-se tais entes com a massa falida, a herança jacente, 
a herança vacante...
SUJEITO 
DE DIREITO
Personalizados
Pessoa Física
Pessoa Jurídica
Entes 
despersonalizados
2.2. PESSOA FÍSICA: CONCEITO
A pessoa física é o ente dotado de complexidade 
biopsicológica, titular de direitos e deveres e que 
interage na ordem jurídica mediante a prática de atos 
civis. É chamada de pessoa física, natural ou de exis-
tência visível.
2.2.1. AQUISIÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA 
PELA PESSOA NATURAL
Para o Código Civil, a aquisição da personalidade 
“começa do nascimento com vida” (art. 2°, CC). Entende-
-se por nascimento com vida o início do funcionamento 
do aparelho cardiorrespiratório, após a expulsão do 
ventre materno.
Por conseguinte, ainda em uma análise do direito 
posto, infere-se que o Código Civil brasileiro é adepto 
à teoria natalista. Assim, o recém-nascido adquire a 
personalidade jurídica, tornando-se sujeito de direito, 
a partir do seu nascimento com vida, mesmo vindo a 
falecer minutos depois, o que pode ser muito relevante 
para análise da cadeia sucessória.
Após o nascimento a pessoa física será registrada. O 
registro da pessoa natural consiste em ato meramente 
declaratório, que retroage à data do nascimento com 
vida, tendo eficácia ex-tunc.
2.2.2. O NASCITURO
O nascituro é aquele já concebido, ainda não nas-
cido, e dotado de vida intrauterina.
A Lei Civil trata do nascituro quando, posto não o 
considere pessoa, coloca a salvo, desde a concepção, 
os seus direitos (art. 2º, CC). Diante desta concepção, 
revela-se na doutrina a percepção de que é possível 
falar-se em uma personalidade jurídica:
i) Formal, a qual é adquirida desde a concepção e re-
mete a direitos de fundo extrapatrimoniais, a exem-
plo da vida e
ii) Material, a qual fica sob condição, aguardando o 
nascimento com vida e remete a direitos de fundo 
patrimonial, a exemplo da propriedade.E O NATIMORTO? TEM PERSONALIDADE JURÍDICA?
O natimorto é aquele que já nasceu morto. Antes 
de morrer, porém, fora um nascituro. Justo por isso 
deve-se proteger o natimorto no que concerne aos 
direitos da personalidade, sendo deferido, por 
exemplo, tutela ao nome, a imagem e a memó-
ria daquele que nasceu morto (sepultura), como 
entende o 1º Enunciado do Conselho da Justiça 
Federal (CJF).
2.2.3. CAPACIDADE
Como se preparar para o Exame de Ordem • OAB | Teoria Resumida (Semana 1 • 03/02 – 07/02)
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Capacidade é a medida jurídica da personali-
dade. Juridicamente, a capacidade é um gênero que 
conta com duas espécies.
ESPÉCIES
 ` a) Capacidade de Direito, Jurídica ou de Gozo
É uma capacidade genérica, adquirida juntamente 
com a personalidade.
Assim, adquirida a personalidade jurídica, toda 
pessoa passa a ser capaz de direitos e deveres na ordem 
jurídica (art. 1º do Código Civil).
b) Capacidade de Fato, Exercício ou Ação
Consiste na capacidade de pessoalmente praticar 
atos da vida civil, agindo de forma autônoma. 
Os desprovidos de capacidade de fato são denomi-
nados de incapazes.
Quando a pessoa física cumula as duas capacida-
des, afirma-se que ela possui a chamada capacidade 
jurídica plena ou geral. 
I. Vênia Conjugal: A Outorga Uxória e Marital
Em virtude do casamento, a legislação civilista 
demanda, para a prática de certos atos da vida civil, 
uma autorização, batizada como vênia conjugal. O 
gênero vênia conjugal subdivide-se em outorga uxó-
ria – quando a autorização é conferida pela esposa – e 
outorga marital – quando a autorização é conferida 
pelo marido.
Demanda-se a aludida outorga, nas pegadas do art. 
1.647 do CC, para alienar ou gravar de ônus real bens 
imóveis; pleitear como autor ou réu acerca desses 
bens; prestar fiança ou aval e fazer doação, não 
remuneratória, de bens comuns ou dos que possam 
integrar a futura meação.
Atenção! Apesar do Código Civil informar a anulabi-
lidade do ato praticado sem a outorga, o Superior Tri-
bunal de Justiça firma, na Súmula 332, que a ausên-
cia de outorga no contrato de fiança ocasionará a 
ineficácia total da garantia. Assim, deve o futuro 
advogado ficar bastante atento para questões que 
versem sobre ausência de outorga no contrato de 
fiança, verificando se o enunciado pergunta, espe-
cificamente, sobre o posicionamento do Superior 
Tribunal de Justiça.
II. Venda de Ascendente para Descendente
Tal alienação, para ser válida, depende de autori-
zação expressa de todos os demais descendentes e 
do cônjuge, salvo se casado no regime de separação 
obrigatória, sob pena de anulabilidade.
Percebe-se, aqui, mais uma casuística de legitima-
ção, pois ainda que vendedor e comprador possuam 
capacidade jurídica geral ou plena, mister será a exigên-
cia da autorização expressa dos demais descendentes 
e do cônjuge.
2.2.4. INCAPACIDADE
Inicialmente é importante destacar que o Estatuto 
da Pessoa Com Deficiência (EPD – Lei 13.146/15), alterou 
significativamente o regime jurídico das incapacida-
des, modificando, sobremaneira, os arts. 3º e 4º do CC.
A incapacidade é a ausência ou abrandamento da 
capacidade de praticar sozinho os atos da vida civil. 
Em um passeio pelas incapacidades no Código 
Civil, percebe-se que ela pode decorrer de um critério:
a) Objetivo, Etário ou Cronológico. Trata-se de crité-
rio facilmente aferível com a simples verificação da 
certidão de nascimento ou carteira de identidade. 
b) Subjetivo ou Psíquico. Trata-se de critério com 
maior dificuldade de aferição, o que demanda um 
processo de interdição.
INCAPACIDADE ABSOLUTA
Atualmente a incapacidade absoluta envolve os 
denominados menores impúberes e se limita ao cri-
tério etário. Assim, é absolutamente incapaz o menor 
de 16 anos (CC, art. 3º).
Registra-se, porém, que o absolutamente incapaz 
será eventualmente escutado, mormente em ações 
que digam respeito à sua situação existencial, a exem-
plo de guarda e adoção (Enunciado 138 do CJF).
INCAPACIDADE RELATIVA
São incapazes relativamente a certos atos ou à 
maneira de os exercerem (CC, art. 4º):
I. Os maiores de 16 (dezesseis) e menores de 18 
(dezoito) anos.
II. Ébrios habituais e os viciados em tóxico.
III. Aqueles que, por causa transitória ou perma-
nente, não puderem exprimir sua vontade.
Trata-se de novidade decorrente do Estatuto da Pes-
soa com Deficiência (EPD). Antes da reforma, se tratava 
de situação de incapacidade absoluta, que hoje migrou 
para relativa.
Além disso, a reforma retirou a hipótese anterior, a 
qual indicava como incapaz os deficientes sem desen-
volvimento mental completo. 
IV. Pródigos.
A prodigalidade é um desvio comportamental por 
meio do qual o indivíduo, desordenadamente, dilapida 
o seu patrimônio sem um motivo razoável, podendo-o 
reduzir-se à miséria. Nestes casos, deve o pródigo ser 
interditado na defesa do seu mínimo existencial.
Assim, a curatela do pródigo somente o privará de, 
sem curador, emprestar, transigir, dar quitação, alienar, 
hipotecar, demandar ou ser demandado, e praticar, em 
geral, atos que não sejam de mera administração 
(CC, art. 1.782).
• E o Indígena?
Regem a capacidade dos índios as legislações espe-
ciais: a Lei 5.371 (Estatuto da Funai) e a 6.001 (Estatuto 
do Índio). Segundo a disciplina especial, os silvícolas 
– os oriundos da selva ou índios sem hábitos urba-
nos – são considerados absolutamente incapazes. 
Os demais, em regra, estarão sob tutela da FUNAI e, 
eventualmente, poderão ser integrados à sociedade 
como capazes.
SUPRIMENTO DA INCAPACIDADE (REPRESENTAÇÃO 
E ASSISTÊNCIA)
O suprimento da incapacidade absoluta dá-se por 
meio da representação, sob pena de nulidade abso-
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luta (CC, art. 166, I). De outro modo, na incapacidade 
relativa, dá-se tal suprimento por meio da assistência, 
sob pena de anulabilidade (CC, art. 171, I).
Relativamente Incapaz é Assistido
Absolutamente Incapaz é Representado
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2.2.5. CESSAÇÃO DA INCAPACIDADE
Cessa a incapacidade com a causa que a originou:
a) Com o final de sua causa objetiva: Maioridade.
b) Com o final de sua causa subjetiva: Revisão do Pro-
cesso de Interdição.
Todavia, há uma outra forma de cessar a incapaci-
dade: a Emancipação.
2.3. EMANCIPAÇÃO
Consiste a emancipação na antecipação da capaci-
dade plena. Trata-se de ato irretratável e irrevogável. 
Passaremos, então, ao estudo das modalidades de 
emancipação.
2.3.1. VOLUNTÁRIA
É aquela concedida por ambos os pais ou, por um deles, 
na falta do outro, mediante instrumento público, indepen-
dentemente da homologação do Juiz, desde que o menor 
tenha, no mínimo, 16 anos completos. Se houver conflito na 
decisão dos pais, cabe ao juiz decidir (art. 1.631, CC).
A emancipação voluntária não é hábil a afastar 
a responsabilidade civil dos pais. (Resp 122.573/PR, 
STJ) (E. 41 do CJF).
2.3.2. JUDICIAL
A emancipação judicial é aquela concedida pelo 
tutor ao pupilo ou tutelado que tenha, ao menos, 16 
(dezesseis) anos completo. Tal se dará por meio de 
processo judicial, com parecer do Ministério Público. 
2.3.3. LEGAL
Decorre da constatação de situação jurídica incom-
patível com a incapacidade. São as hipóteses:
 ` a) Pelo casamento
A separação ou divórcio posterior não revogam a 
emancipação.
b) Exercício de emprego público efetivo
É o exercício e não a aprovação no concurso 
público. 
c) Colação de grau em ensino superior
É a colação de grau e não a aprovação no vestibular. 
d) O estabelecimento civil ou comercial, ou a exis-
tência de relação de emprego, desde que, em fun-
ção deles, o menor com dezesseis anos completos 
tenha economia própria;
A emancipação legal é imediata e automática, não 
sendo necessária declaração judicial.
Se houver vários atos emancipatórios seguidos, 
deve-se considerar apenas o primeiro, não havendo de 
se falar em diversas emancipações.
2.4. ESTADO DA PESSOA
Diz respeito à qualificação jurídica dapessoa e suas 
projeções, sendo os estados:
a) Individual – sexo/idade/capacidade
b) Familiar – civil/parentesco
c) Político – nacional (brasileiro nato e naturalizado), 
estrangeiro
2.5. EXTINÇÃO DA PESSOA FÍSICA OU NATURAL
Termina a existência da pessoa natural com a 
morte. A morte no direito nacional pode ser:
Morte
Real
Com procedimento ou 
declaração de ausência
Sem procedimento ou 
declaração de ausência
Ficta ou 
presumida
2.5.1. MORTE REAL
Está regulada no artigo 6º do CC. Cuida-se da morte 
aferida, em regra, por profissional da medicina e, na sua 
falta, por duas testemunhas, na forma do artigo 78 da 
LRP (6.015/73).
Hodiernamente, a morte ocorre com a paralisação 
das ondas cerebrais, por conta da necessidade de 
preservação do funcionamento do corpo para eventuais 
transplantes (Lei 9.434/97).
2.5.2. MORTE PRESUMIDA OU MORTE CIVIL OU 
FICTA MORTIS
Excepcionalmente, a morte pode ser presumida (a 
regra é a morte real). São hipóteses em que há impos-
sibilidade de localização do cadáver.
COM PROCEDIMENTO DE AUSÊNCIA
Ausente é aquele que desaparece de seu domicílio 
sem deixar notícias. Para a configuração da ausência é 
necessário a verificação de um processo desdobrado 
em três fases.
1ª Fase – Curadoria de Bens do Ausente
Haverá requerimento para abertura do procedi-
mento, por qualquer interessado ou pelo Ministério 
Público, e o Juiz irá declarar a ausência, nomeando um 
curador (CC, art. 22).
O curador será o responsável por arrecadar os bens 
do ausente e protegê-los. Trata-se de uma curadoria 
patrimonial, e não pessoal. O curador não será, neces-
sariamente, quem iniciou o procedimento, havendo 
uma ordem preferencial estabelecida no artigo 25 
do CC:
a) O cônjuge, desde que não esteja separado judicial-
mente e nem de fato há mais de dois anos;
b) Os pais;
c) Os descendentes, preferindo os mais próximos em 
relação aos mais remotos;
d) Curador dativo, à escolha do Juiz.
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A Doutrina inclui o companheiro no rol de pos-
síveis curadores, ao lado do cônjuge, por questão de 
intuitiva isonomia constitucional. Tal informação 
apenas deverá ser utilizada na prova acaso o ques-
tionamento verse sobre posicionamento doutrinário 
ou jurisprudencial.
O art. 744 do CPC prescreve que, declarada a ausên-
cia, o juiz mandará arrecadar os bens do ausente e 
nomeará um curador, mandando publicar editais na 
rede mundial de computadores, no sítio do tribunal a 
que estiver vinculado e na plataforma de editais do Con-
selho Nacional de Justiça, onde permanecerá por um 
ano. Não havendo sítio, no órgão oficial e na imprensa 
da comarca, durante um ano, reproduzida de dois em 
dois meses, anunciando a arrecadação e chamando o 
ausente a entrar na posse de seus bens.
A curadoria de bens durará 1 (um) ano. Todavia, se 
o ausente, antes do desaparecimento, houver nomeado 
procurador para a gestão dos seus bens e que haja 
aceito o encargo, o prazo da curadoria de bens será 
dilatado para 3 (três) anos (CC, arts. 23 e 26).
2ª Fase – Sucessão Provisória
Vencido o prazo da curadoria de bens, um dos 
interessados poderá requisitar a sua conversão em 
sucessão provisória. São interessados neste reque-
rimento (CC, art. 27):
a) Cônjuge, não separado judicialmente;
b) Herdeiros;
c) Credores do ausente.
Renova-se, aqui, a inclusão doutrinária do compa-
nheiro, ao lado do cônjuge, por isonomia.
Acaso nenhum dos supracitados legitimados façam 
o requerimento, o Ministério Público poderá fazê-lo 
(CC, art. 28, § 1º).
A decisão que converte a curadoria de bens em 
sucessão provisória apenas terá efeito 180 (cento e 
oitenta) dias após publicada na imprensa oficial (art. 
28, CC).
Pede-se ao Juiz que transmita os bens aos her-
deiros, em caráter precário (provisório), mediante 
caução (garantia). Pode ser dispensada a caução se 
a transmissão for para herdeiros necessários – descen-
dentes, ascendentes e cônjuge – art. 30, § 2º.
Nesta fase, não se admitirá prática de ato de dispo-
sição do direito (ex. alienação, venda, doação), salvo 
com autorização do juiz (art. 31, CC) ou para fins de 
desapropriação. 
Por conta de possível retorno, deverão os herdei-
ros capitalizar o valor referente à metade dos frutos e 
rendimentos oriundos dos bens recebidos, prestando 
contas, anualmente, ao juízo competente (art. 33, CC). 
Tais frutos, porém, não serão devidos se, quando o 
ausente aparecer, restar comprovado que a ausência 
fora voluntária e injustificada.
Em arremate, destaque-se que o art. 745, § 2º 
do CPC prescreve que, findo o prazo previsto no 
edital, poderão os interessados requerer a abertura 
da sucessão provisória. O interessado, ao requerer 
a abertura da sucessão provisória, pedirá a citação 
pessoal dos herdeiros presentes e do curador e, 
por editais, a dos ausentes para requererem habili-
tação. E mais: presentes os requisitos legais, poderá 
ser requerida a conversão da sucessão provisória em 
definitiva.
3ª Fase – Sucessão Definitiva
Inicia-se 10 (dez) anos após o trânsito em julgado 
da sentença que declarou aberta a sucessão provisória, 
ou 5 (cinco) anos depois das últimas notícias do ausente, 
se maior de 80 (oitenta) anos, como pontuam os artigos 
37 e 38 do CC.
Nesta fase há transmissão dos bens, em caráter 
definitivo, sendo restituídas as cauções e frutos, bem 
como admitindo a prática do ato de disposição.
E se o ausente voltar durante o procedimento de 
ausência?
a) Se for na 1ª fase – reassume a titularidade do patri-
mônio.
b) Se for na 2ª fase – tem direito a reaver o patrimônio 
no estado em que deixou. Se houver depreciação 
além da usual, o ausente poderá levantar a caução. 
Se houver melhoramentos, o possuidor de boa-fé 
deve ser indenizado (art. 36, CC). Terá o ausente, 
ainda, direito aos frutos, salvo se a ausência for vo-
luntária e injustificada (CC, art. 33)
c) Se for na 3ª fase – tem o ausente direito aos bens no 
estado em que se encontram, sendo que se tive-
rem sido vendidos, terá direito no que se sub-rogou 
(substituiu, segundo o art. 39 do CC).
d) Se após os 10 (dez) anos da 3ª fase – não terá direi-
to algum o ausente.
Esclareça-se, ademais, que, na morte presumida 
com decretação de ausência (art. 6º), haverá dissolução 
do casamento, conforme o artigo 1.571 do CC.
E se o ausente retornar? O casamento restaura?
A resposta é negativa. 
Nos termos do § 4º do art. 745 do CPC, regres-
sando o ausente ou algum de seus descendentes ou 
ascendentes para requerer ao juiz a entrega de bens, 
serão citados para contestar o pedido os sucessores 
provisórios ou definitivos, o Ministério Público e o 
representante da Fazenda Pública, seguindo-se o 
procedimento comum.
MORTE PRESUMIDA SEM DECLARAÇÃO DE 
AUSÊNCIA
Há incidência normativa em duas hipóteses (CC, 
art. 7º):
• Quando extremamente provável a morte de 
quem estava em perigo de vida;
• Na hipótese de desaparecimento em decorrência 
de campanha ou prisão, quando o desaparecido 
não for encontrado após 2 (dois) anos do término da 
guerra.
Nesta hipótese há declaração da morte sem a 
necessidade do largo procedimento de declaração de 
ausência. Malgrado a inexistência deste procedimento, 
o pedido de declaração de morte demanda processo 
judicial específico, denominado de justificação do 
óbito.
O parágrafo único do artigo 7º determina que a 
declaração da morte presumida apenas poderá ser 
requerida depois de esgotadas buscas e averiguações. 
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Neste caso, a sentença deverá fixar a provável data 
do falecimento.
2.5.3. COMORIÊNCIA
Traduz a declaração de morte simultânea quando 
duas ou mais pessoas morreram na mesma ocasião, não 
sendo possível precisar quem morreu primeiro.
Diga-se que, para a doutrina majoritária, a expres-
são legal “mesma ocasião” significa ao mesmo tempo, 
não se exigindo que seja no mesmo evento. A como-
riênciaacarreta importantes consequências práticas, 
pois serão abertas cadeias sucessórias autônomas e 
distintas, de maneira que um comoriente não herdará 
do outro.
A comoriência, como presunção relativa que o é, 
poderá ser afastada por prova definitiva em contrário 
(prova de pré-moriência).
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3. Pessoa Jurídica
3.1. CONCEITO
Afirma-se que a pessoa jurídica é a soma de esforços 
humanos (corporação) ou a destinação de um patrimô-
nio (fundação), tendente a uma finalidade lícita, espe-
cífica, constituída na forma da lei, a partir do registro 
(art. 45, CC), e obediente a uma função social.
3.2. SURGIMENTO DA PESSOA JURÍDICA
Pela Teoria da Realidade Técnica, abraçada no 
Código Civil de 2002, denominada por alguns de Sis-
tema das Disposições Normativas, a existência da 
pessoa jurídica começa com a inscrição do seu ato 
constitutivo no registro competente (CC, art. 45).
O registro da pessoa jurídica é, portanto, ato 
constitutivo de direito, com efeitos ex-nunc, sendo 
este ato capaz de gerar a sua personalidade. Tal regis-
tro da pessoa jurídica acontecerá em diferentes locais, 
a depender de sua modalidade. O assento dos atos 
constitutivos das sociedades simples, associações e 
fundações há de ser realizado no Registro Civil das 
Pessoas Jurídicas (Cartório de Registro das Pessoas 
Jurídicas). Já o registro das sociedades empresárias 
deverá ser realizado no Registro Público das Socieda-
des Mercantis, através das Juntas Comerciais.
Destarte, há determinadas pessoas jurídicas que 
necessitam mais do que o registro para aquisição da sua 
personalidade. Em tais hipóteses, impõe a norma, como 
consignado no artigo 45 do Código Civil, uma auto-
rização ou aprovação prévia, conferida pelo Poder 
Executivo, sob pena de inexistência. Exemplifica-se 
com os bancos, os quais, antes do registro civil, devem 
ter autorização do Banco Central. 
O direito de anular a constituição das pessoas jurí-
dicas de direito privado por defeito do ato respectivo 
decairá no prazo decadencial de 3 (três) anos, contados 
da publicação de sua inscrição no registro ou, a partir 
do registro, nas hipóteses em que a publicação não for 
exigida (art. 45, p.u., CC).
3.2.1. ATO CONSTITUTIVO DAS PESSOAS JURÍDICAS
Basicamente se dá por meio de um estatuto ou um 
contrato social. O estatuto é destinado às fundações, 
partidos políticos, associações e sociedades anôni-
mas. O contrato social, por sua vez, é utilizado pelas 
demais sociedades. Antes do registro de tais estatutos 
ou contratos sociais, não passam de mera sociedade 
não personificada (irregular). 
3.2.2. PRINCÍPIO DA SEPARAÇÃO OU 
INDEPENDÊNCIA OU AUTONOMIA
No momento em que se opera o assento do con-
trato ou do estatuto no registro competente, a pessoa 
jurídica começa a existir, passando a ter aptidão para 
ser sujeito de direitos e obrigações. Forma-se, por con-
seguinte, uma unidade orgânica autônoma, dotada 
de personalidade própria, passando a titularizar 
direitos e contrair deveres de forma independente em 
relação a seus componentes e instituidores. Logo, em 
regra, responderá pelas obrigações da pessoa jurídica 
o próprio patrimônio da pessoa jurídica, como bem 
coloca o próprio art. 49-A do Código Civil.
Tal regra da autonomia, porém, sofre exceções, 
sendo a principal a Teoria da Desconsideração da Per-
sonalidade Jurídica.
3.3. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE 
JURÍDICA DA PESSOA JURÍDICA (“DISREGARD 
DOCTRINE ”)
Em linhas gerais, a doutrina da desconsideração pre-
tende superar, episodicamente e por via de exceção, a 
personalidade jurídica da pessoa jurídica, objetivando a 
satisfação do terceiro lesado junto ao patrimônio dos 
próprios integrantes ou administradores, que passam 
a ter responsabilidade pessoal pelo ilícito causado.
Assim, levanta-se o “véu protetivo” do princípio da 
separação apenas na situação concreta, mantendo-se 
o princípio da personalização para demais atos.
Nessa senda, infere-se que a desconsideração 
não levará à extinção da pessoa jurídica ou de sua 
personalidade. 
O Código Civil, colocando-se ao lado das legislações 
modernas, consagrou, em norma expressa, a teoria da 
desconsideração da personalidade jurídica (art. 50), em 
clara indicação de uma responsabilidade patrimonial 
secundária.
Ao trazer a teoria para o seu campo normativo, o 
legislador optou pelo o que denomina a doutrina de 
uma Teoria Maior, ao passo que elencou alguns requi-
sitos para desconsideração, quais sejam:
a) Pedido Expresso: Da Parte ou do Ministério Pú-
blico, quando couber intervir no Processo.
+
b) Abuso da Personalidade: Seja através do Desvio 
de Finalidade ou Confusão Patrimonial.
+
c) Administrador ou Sócio beneficiado direta ou in-
diretamente pelo abuso.
Infere-se o desvio de finalidade, quando da utiliza-
ção da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores 
e para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza. 
Registra-se que não constitui desvio de finalidade a 
mera expansão ou a alteração da finalidade original 
da atividade econômica específica da pessoa jurídica.
Já a confusão patrimonial se operará na ausência 
de separação de fato entre os patrimônios, caracteri-
zada por: I - cumprimento repetitivo pela sociedade de 
obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa; 
II - transferência de ativos ou de passivos sem efetivas 
contraprestações, exceto os de valor proporcional-
mente insignificante e III - outros atos de descumpri-
mento da autonomia patrimonial.
Como medida de exceção, o artigo 50 merece inter-
pretação restritiva (Enunciado 146 do CJF). Tanto é 
assim que o mero encerramento das atividades não 
basta para caracterização do abuso de personalidade, 
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bem como a insolvência não é exigida (Enunciados 281 
e 282 do CJF). Na mesma linha de pensamento, não se 
permite a desconsideração de ofício. Outrossim, a mera 
existência de grupo econômico, sem a presença dos 
requisitos legais, não autoriza a desconsideração da 
personalidade da pessoa jurídica
Destaca-se que há normas especiais, ainda vigen-
tes (Enunciado 51 do CJF), que adotam a Teoria Menor 
da desconsideração. São elas:
a) Código de Defesa do Consumidor – artigo 28, § 5º:
b) Lei dos Crimes Contra o Meio Ambiente (Lei 
9.605/98) – artigo 4º:
c) Lei Antitruste (Lei 8.884/94) – artigo 18
Em regra geral a desconsideração poderá atingir 
qualquer modalidade de pessoa jurídica (Enun-
ciado 284 do CJF), sendo passível de ser arguida, até 
mesmo, pela própria pessoa jurídica (Enunciado 
285 do CJF).
Justamente atento à necessidade de observância de 
contraditório para desconsideração que o CPC passou a 
disciplinar, em seus arts. 133/137, o chamado incidente 
de desconsideração da personalidade da pessoa 
jurídica. Trata-se, na visão legislada, de um novo meca-
nismo de intervenção de terceiro, a ser instaurado a 
pedido da parte ou do Ministério Público, quando lhe 
couber intervir no processo.
Além desta importante inovação legislativa, é 
importante frisar que a norma processual passou a 
admitir, textualmente, a denominada desconsideração 
inversa; ou seja, na contramão, partindo da pessoa 
física para a jurídica. 
O incidente de desconsideração é permitido em 
todas as fases do processo de conhecimento, no cum-
primento de sentença e na execução fundada em título 
executivo extrajudicial, devendo ser imediatamente 
comunicada ao distribuidor do Fórum, para as anota-
ções devidas.
Evidentemente que o referido incidente será dis-
pensado se a parte requerer a desconsideração na 
petição inicial, hipótese na qual será citado o sócio ou 
a pessoa jurídica desde o início do procedimento, já 
o integrando e lhe sendo ofertado o devido processo 
legal.
De qualquer modo, instaurado o incidente, o pro-
cesso principal será suspenso e o sócio, ou a pessoa 
jurídica, será citada para se manifestar e requerer as 
provas cabíveis no prazo de 15 dias úteis. Concluída a 
instrução,se necessário, o incidente será resolvido por 
decisão interlocutória, atacável por recurso de agravo. Se 
a decisão for proferida por ministro ou desembargados 
relator, ou seja, for uma decisão monocrática de tribunal, 
caberá contra a mesma o recurso de agravo interno.
3.4. SOCIEDADES DESPERSONIFICADAS
Também chamadas de Sociedades Irregulares, 
Sociedades de Fato, Grupos ou Entes Despersoni-
ficados, consistem em agrupamentos de pessoas ou 
destinação de patrimônio que, embora tenham finali-
dade, não estão constituídos nos termos da lei. Costuma 
a doutrina incluir no seu rol a herança vacante, a 
herança jacente, a massa falida e o espólio.
Apesar do direito não conferir a tais entes a perso-
nalidade jurídica, em razão da falta de registro, o Código 
Civil se preocupa em lhe dar tratamento, o fazendo a 
partir do artigo 986. Emoldura, a legislação civil, tais 
entes, como sociedades comuns.
Mas o que significa ser despersonalizado (não ter 
personalidade)? Qual a implicação jurídica?
Não ter personalidade é não ter aptidão genérica 
de ser titular de direitos e obrigações na esfera civil. 
Todavia, essa diretriz é mitigada, ao passo que, mesmo 
não tendo personalidade, elas podem praticar alguns 
atos, a exemplo de celebração de contratos, bem 
como lhe é concedida legitimidade processual pas-
siva (art. 75, IX, CPC/15).
Destarte, o Código Civil, com o escopo de impor 
sanção a não observância da sua normatização cogente, 
traz diretriz, no artigo 990, que impõe a responsabi-
lidade solidária e ilimitada aos seus sócios e retira 
o benefício de ordem sobre o sócio que praticou o 
ato social (Enunciado 59 do CJF).
Por fim, digna a lembrança de que, doutrinaria-
mente, há quem estabeleça diferença entre sociedade 
irregular e sociedade de fato, como modalidades da 
sociedade comum (art. 58, CJF). A IRREGULAR é aquela 
que possui o ato constitutivo, embora ainda não 
registrado; já a SOCIEDADE DE FATO é aquela que 
sequer possui o ato constitutivo.
3.5. REPRESENTAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA
A representação da pessoa jurídica será conferida 
àqueles indicados no ato constitutivo. Acaso haja 
omissão no instrumento, todos os integrantes e 
administradores serão representantes.
Seguindo a logicidade do raciocínio, a citação da 
pessoa jurídica deve ser recebida por aquele que 
tem poderes para tanto. Todavia, entendem as Casas 
Judiciais Nacionais que a citação feita na sede da pes-
soa jurídica, recebida por funcionário componente 
de seus quadros, é válida, ainda que este não esteja 
mencionado no ato constitutivo como um dos represen-
tantes da empresa, com força na Teoria da Aparência.
Outrossim, ainda que falte à pessoa jurídica, de 
maneira momentânea, quem a possa representá-la, isto 
não importará em incapacidade da mesma para a prá-
tica de atos jurídicos, cabendo ao juiz, a requerimento 
de qualquer interessado, nomear-lhe administrador 
provisório, medida adotada para dar garantia as rela-
ções jurídicas (art. 49, CC).
3.6. CLASSIFICAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS
3.6.1. QUANTO À NACIONALIDADE: NACIONAL OU 
ESTRANGEIRA
A distinção pauta-se a partir da ordem jurídica 
que lhe confira personalidade. Explica-se: sendo a 
personalidade jurídica conferida pelo ordenamento 
brasileiro, é pessoa jurídica nacional; se o é pelo orde-
namento alienígena, é estrangeira.
Há hipóteses em que as atividades são exclusivas de 
pessoas jurídicas nacionais, a exemplo da exploração de 
minério. A isto se denomina reserva de mercado, tendo 
como fundamento a Constituição Federal (art. 176). 
3.6.2. QUANTO À ATIVIDADE EXECUTADA OU 
FUNÇÕES
a) Direito Público – são aquelas previstas em Lei e nas 
quais há soberania do público sobre o privado, com 
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um regime jurídico diferenciado. Podem ser:
– Direito Público Interno: União, Estados, Distri-
to Federal, Municípios, suas autarquias, associa-
ções públicas e fundações (CC, art. 41). 
– Direito Público Externo: submetidas ao Direi-
to Internacional Público. Exemplifica-se com as 
diversas nações, inclusive a Santa Sé, e os orga-
nismos internacionais, como a ONU, a OEA, a 
FAO, a UNESCO etc... (CC, art. 42).
b) Direito Privado – todas as demais pessoas jurídicas 
não englobadas pelo direito público. O Código Civil 
enuncia um rol exemplificativo no art. 44, incluindo 
as associações, sociedades, fundações, organi-
zações religiosas e partidos políticos.
3.6.3. QUANTO À ESTRUTURA INTERNA
a) Corporações (universitas personarum) – prevale-
ce o critério da soma de pessoas (universalidade de 
pessoas), que podem, ou não, ter finalidade econô-
mica. Dividem-se em: 
a.1) Sociedades:
São pessoas jurídicas de direito privado forma-
das pela união de indivíduos, denominados de sócios, 
que se organizam por meio, em regra, de um contrato 
social, visando à partilha de lucros.
As sociedades SIMPLES são pessoas jurídicas que, 
embora persigam proveito econômico, não empreendem 
atividade empresarial, mas sim de prestação de serviços. 
Nestas, em regra, o sócio participará da atividade final, 
a exemplo de consultórios médicos, odontológicos, escri-
tórios de advocacia. Tais sociedades simples serão regis-
tradas no Cartório de Registro das Pessoas Jurídicas.
A sociedade EMPRESÁRIA é aquela que tem por 
objeto o exercício de atividade própria de empresá-
rio (art. 966, CC), ou seja: organizada economicamente 
para produção ou circulação de bens ou serviços. O seu 
registro dar-se-á no Registro Público de Empresas 
(Junta Comercial). 
a.2) Associações:
São entidades de direito privado formadas pela 
união de associados, organizadas por meio de estatu-
tos e com o propósito de realizarem atividades com 
fins não econômicos (CC, art. 53).
Cuidado: As associações podem ter renda, mas 
não podem repartir lucros, sendo desprovida de 
finalidade econômica. Assim, a eventual renda que 
esta pessoa jurídica vier a gerar deve ser revertida 
para sua finalidade ideal, com novas contratações, 
ampliação de sua sede. Não há de se falar, portanto, 
em repartição de valores entre os associados. Nessa 
linha, coloca-se o Enunciado 534 do CJF, firmando 
que as associações podem desenvolver atividade 
econômica, desde que não haja finalidade lucrativa.
Os associados têm iguais direitos, a exemplo de 
voto, participação em deliberações, frequentar a sede. 
Todavia, nada impede que o estatuto traga vantagens 
especiais a certas categorias de associados (art. 55, CC).
A associação é formada por:
I – Conselho deliberativo;
II – Um conselho fiscal;
III – Uma presidência;
IV – A assembleia geral de associados.
O ato constitutivo é o estatuto (art. 54, CC). O regis-
tro é feito no Cartório de Registro de Pessoa Jurídica. 
De acordo com o Código Civil, o estatuto das associa-
ções conterá, sob pena de nulidade (art. 54):
I – a denominação, os fins e a sede da associação;
II – os requisitos para a admissão, demissão e exclusão 
dos associados;
III – os direitos e deveres dos associados;
IV – as fontes de recursos para sua manutenção;
V – o modo de constituição e de funcionamento dos ór-
gãos deliberativos; 
VI – as condições para a alteração das disposições esta-
tutárias e para a dissolução.
VII – a forma de gestão administrativa e de aprovação 
das respectivas contas. 
No que tange a eventual exclusão de associado, 
será necessária justa causa, além de ser assegurado 
direito de defesa e recurso, nos termos previstos no 
Estatuto. Infere-se aplicação de um direito e garantia 
fundamental – devido processo legal – às relações 
privadas (CC, art. 57).
Quando da EXTINÇÃO de uma associação, qual a 
destinação de seus bens?
Deve primeiro ser deduzidas as frações ideais de 
cada associado. Mas o que seria a fração ideal?
Cada associado, para se associar, pode ser obrigado 
a dar uma contribuição – esta, se existente, é chamada 
de “fração ideal”. 
Após deduzidas as frações ideais, o patrimônio 
líquido remanescente será conferido a uma entidadede fins não econômicos indicada no estatuto. Se o 
estatuto for omisso, haverá deliberação em assembleia 
para indicar entidade municipal, estadual ou fede-
ral de fins idênticos ou semelhantes. Caso inexista, o 
patrimônio remanescente será devolvido a Fazenda 
Pública do Estado, do Distrito Federal ou da União (§ 
2º do art. 61, CC).
COORPORAÇÕES
ASSOCIAÇÕES SOCIEDADE
Ato Constitutivo: Esta-
tuto.
Ato Constitutivo: Con-
trato Social.
Possui Associados. Possui Sócios.
Associados não tem 
direitos e deveres entre si.
Sócios tem 
direitos e deveres entre 
si.
Tem finalidade ideal. Tem finalidade lucra-
tiva.
b) Fundações (universitas bonorum) – as fundações 
resultam da afetação de um patrimônio, livre, de-
sembaraçado e idôneo, para uma finalidade pre-
vista em lei.
A criação da fundação passa por algumas etapas:
1º) Afetação de Bens Livres por meio do Ato de 
Dotação Patrimonial, seja mediante Escritura Pública 
(para atos inter vivos) ou Testamento (para atos causa 
mortis).
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O ato de instituição, acaso realizado por mecanismo 
inter vivos, é irretratável (art. 64, CC).
Entretanto, se a afetação patrimonial for por meio 
do testamento, será essencialmente revogável.
Caso o patrimônio afetado seja insuficiente, 
seguir-se-á o destino indicado no ato de instituição 
(estatuto social). Caso omisso o ato de instituição, deve-
-se transferir o patrimônio para entidade de finalidade 
igual ou semelhante. Não havendo entidade alguma 
desse tipo, o juiz indicará o destino a ser dado ao alu-
dido patrimônio (CC, art. 63).
O instituidor está obrigado a indicar a finalidade 
fundacional, mas indicará se quiser o modo de admi-
nistrá-la.
A fundação somente terá finalidade de: assistência 
social, cultura, defesa e conservação do patrimô-
nio histórico e artístico, educação, saúde, segu-
rança alimentar e nutricional, defesa, preservação 
e conservação do meio ambiente, promoção do 
desenvolvimento sustentável, pesquisa científica, 
desenvolvimento de tecnologias alternativas, 
modernização de sistemas de gestão, produção e 
divulgação de informações e conhecimentos técni-
cos e científicos, promoção da ética, da cidadania, 
da democracia, dos direitos humanos e, finalmente, 
para atividades religiosas.
2º) Elaboração dos Estatutos:
a) Direta: feita pelo próprio instituidor.
b) Indireta ou Fiduciária: quando nomeia alguém pa-
ra fazê-lo. Fiduciária porque decorre da confiança. 
Neste caso deverá o instituidor conferir PRAZO para 
que o designado confeccione os estatutos. Se não 
o fizer, a lei confere o prazo de 180 (cento e oitenta) 
dias. Não respeitado o prazo, o Ministério Público 
fará os estatutos de forma compulsória.
3º) Aprovação dos Estatutos:
Quem aprova é o Ministério Público (CC, art. 65).
Para a doutrina, porém, o Ministério Público não 
aprovará quando quem elaborou foi ele mesmo. Nessa 
hipótese, a aprovação deve ser feita pelo juiz.
4º) Realização do Registro Civil (no Cartório de 
Pessoa Jurídica) – é a partir daí que a fundação terá 
personalidade.
A alteração do Estatuto já registrado apenas 
poderá ser feita se presente os seguintes REQUISITOS 
disciplinados no Código Civil (art. 67):
I – Aprovação de 2/3 dos competentes para 
gerir ou fiscalizar a fundação.
II – Não contrariar ou desvirtuar a finalidade 
fundacional.
III – Aprovação do Ministério Público no pra-
zo de 45 (quarenta e cinco) dias. Acaso não se 
manifeste ou denegue a aprovação no aludi-
do prazo, será viável ao interessado pedido 
de suprimento judicial. 
A minoria de gestores vencida – aqueles 1/3 que 
opinaram em desfavor da alteração – terá o prazo de 
10 (dez) dias para impugnar a modificação estatutária. 
Esse prazo é decadencial (art. 68. CC).
A Fiscalização das fundações deve ser feita pelo 
Ministério Público Estadual (CC, art. 66). Acaso a 
fundação desenvolva sua atividade em mais de um 
Estado, a incumbência seguirá do Ministério Público 
Estadual, sendo cada filial de cada estado fiscalizada 
pelo respectivo Ministério Público. Se a fundação 
funcionar no Distrito Federal ou em território, caberá 
o encargo ao Ministério Público do Distrito Federal 
e Territórios, o qual é ligado ao Ministério Pública 
da União.
No caso de extinção da fundação, o seu patrimô-
nio terá a destinação prevista no estatuto. Caso este 
seja omisso, o magistrado, com oitiva do MP, enviará 
para uma fundação similar, segundo o art. 69 do Código 
Civil.
3.7. EXTINÇÃO DA PESSOA JURÍDICA
A extinção da pessoa jurídica pode decorrer de 
vários motivos, sendo as suas modalidades:
a) Convencional ou Voluntária: quando os sócios re-
solvem dissolvê-la, por ato volitivo.
b) Legal: Hipóteses de extinção previstas na lei, como 
a morte dos sócios (art. 1.028 do CC).
c) Administrativa: pessoas jurídicas que precisam de 
autorização de outros órgãos do poder executivo 
para funcionamento e perdem tal autorização, por 
uma questão qualquer.
d) Judicial: quando há um processo e decisão, a 
exemplo da extinção mediante ação de anulação 
do ato constitutivo por defeito, no prazo decaden-
cial de três anos.
Para a extinção, far-se-á necessária a liquidação da 
empresa, resolvendo-se todas as pendências obrigacio-
nais e apurando-se eventual patrimônio remanescente.
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4. Direitos da Personalidade
4.1. INTRODUÇÃO E CONCEITO
A personalidade é o pressuposto de todos os 
demais direitos. Os direitos da personalidade são 
direitos subjetivos reconhecidos à pessoa, tomada 
em si mesma e em suas necessárias projeções (integri-
dade física, psíquica ou moral e intelectual). À luz do 
Princípio da Operabilidade e objetivando maximizar 
os valores constitucionais, deve-se entender que a 
relação dos direitos da personalidade é meramente 
exemplificativa.
Atenção! Enunciado 274 – IV Jornada de Direito 
Civil – CJF: Os direitos da personalidade, regulados 
de maneira não exaustiva pelo Código Civil, são 
expressões da cláusula geral de tutela da pessoa 
humana, contida no art. 1º, III, da Constituição (prin-
cípio da dignidade da pessoa humana). Em caso de 
colisão entre eles, como nenhum pode sobrelevar 
os demais, deve-se aplicar a técnica da ponderação.
4.2. CARACTERÍSTICAS
Os direitos da personalidade são intransmissíveis 
e irrenunciáveis, não admitindo, o seu exercício, limi-
tação voluntária (caráter indisponível), nos termos do 
art. 11 do CC.
4.2.1. INDISPONÍVEIS
Os direitos da personalidade são indisponíveis por 
não serem passíveis de transmissão definitiva, inter vivos 
ou causa mortis, nem de renúncia. Afinal de contas, são 
bens fora do comércio jurídico.
Essa indisponibilidade, todavia, pode ser relativi-
zada, pois é cediço que os direitos da personalidade 
podem sofrer limitação voluntária, restrita e transitória. 
Ex.: quando há cessão de direito à imagem, doação 
de órgãos humanos duplos e cessão de uso do nome 
(Enunciado nº 4 do CJF).
4.2.2. ABSOLUTOS
São absolutos por possuir eficácia (oponibilidade) 
contra todos (erga omnes). 
4.2.3. EXTRAPATRIMONIAIS
Não traz conteúdo econômico em sua essência. 
Porém, acaso violado, torna-se cabível indenização, 
bem como quantificação nas hipóteses de cessão de uso. 
4.2.4. INATOS (JUSNATURALISTAS)
Afirma a doutrina majoritária consistir os direitos da 
personalidade em figuras inatas ao ser humano, por 
preexistir à ordem jurídica.
4.2.5. IMPRESCRITÍVEIS
Os direitos da personalidade não se extinguem pelo 
não exercício. Frise-se, porém, que a pretensão de res-
ponsabilidade civil pela violação do direito (reparação 
pecuniária do eventual dano sofrido) prescreve no 
prazo de três anos, segundo artigo 206, §3º, V, do CC.
4.2.6. VITALÍCIOS
Os direitos da personalidade objetivam tutelar a 
personalidade, a qual é extinta no momento do óbito. 
Logo, são direitos vitalícios.
Todavia, malgrado esta premissa, o Código Civil regula 
a chamada lesão indireta. Esta se configura quando na 
tentativa de lesionara personalidade do morto se acaba 
por atingir a personalidade de alguém que está vivo, 
de forma indireta, oblíqua, reflexa ou ricochete. São os 
lesados indiretos, de acordo com o artigo 12, parágrafo 
único, do CC: cônjuge sobrevivente, ascendentes, des-
cendentes e os colaterais até 4º grau.
Atenção! A doutrina inclui no rol dos lesados indi-
retos o companheiro, ao lado do cônjuge, na forma 
do Enunciado 275 do CJF.
4.3. TUTELA JURISDICIONAL
O artigo 12 do CC possibilita a proteção dos direitos 
da personalidade por meio de medida preventiva 
(inibitória) ou repressiva (compensatória).
Dentro da prevenção, evita-se o dano e o seu alar-
gamento (artigo 12 do CC). Exemplifica-se com a proi-
bição de veiculação indevida da imagem de um famoso 
em uma propaganda comercial.
Uma vez, porém, concretizado o dano, a saída posta 
é a reparação (tutela repressiva), materializada pelo 
arbitramento indenizatório visando nítida tentativa de 
compensação. Aqui, o lesado poderá cumular pedidos 
de danos materiais, morais e estéticos, nos termos das 
Súmulas 37 e 387, ambas do STJ.
4.4. CLASSIFICAÇÃO
4.4.1. PILAR DA INTEGRIDADE FÍSICA
Consiste na tutela ao corpo humano, seja vivo ou 
morto, além de tecidos, órgãos e partes susceptíveis de 
separação e individualização. É o direito da proteção 
corporal, evitando o dano estético. Classifica-se o Pilar 
da Integridade Física em:
CORPO VIVO
Na forma do art. 13 do CC, salvo exigência médica, 
ninguém pode dispor do corpo de modo que haja sua 
diminuição permanente ou contrarie os bons costumes.
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São lícitas, ainda, as reduções socialmente tolera-
das, como tatuagens, cirurgias estéticas (lipoaspiração, 
redução de mama).
Com amparo no artigo 199, § 4º, CF, o transplante 
de órgãos é regulado pela Lei 9.434/97, a qual impõe 
alguns requisitos para o procedimento médico em 
vida, quais sejam: gratuidade – o contrato é neutro, pois 
é desprovido de economicidade; relacionado à órgãos 
dúplices ou regeneráveis (renováveis); o beneficiário 
seja cônjuge, parentes consanguíneos até o quarto 
grau ou qualquer outra pessoa, sendo, no último caso, 
demandada autorizações específicas.
Atenção! Enunciado 276 – IV Jornada de Direito Civil 
– CJF: O art. 13 do Código Civil, ao permitir a disposição 
do próprio corpo por exigência médica, autoriza as 
cirurgias de transgenitalização, em conformidade com 
os procedimentos estabelecidos pelo Conselho Federal 
de Medicina, e a consequente alteração do prenome e 
do sexo no Registro Civil.
TUTELA AO CORPO MORTO
É possível dispor sobre o corpo morto para depois 
da vida, para fins altruísticos ou científicos, desde 
que seja de forma gratuita. Ex.: deixar o corpo para 
uma faculdade de medicina, para que se desenvolvam 
pesquisas médicas, para fins de transplante de órgãos 
(CC, art. 14). Tal ato de disposição é essencialmente 
revogável.
Atenção!
Enunciado 277 – IV Jornada de Direito Civil – CJF: 
O art. 14 do Código Civil, ao afirmar a validade da 
disposição gratuita do próprio corpo, com obje-
tivo científico ou altruístico, para depois da morte, 
determinou que a manifestação expressa do doador 
de órgãos em vida prevalece sobre a vontade dos 
familiares, portanto, a aplicação do art. 4º da Lei 
nº 9.434/97 ficou restrita à hipótese de silêncio do 
potencial doador.
Enunciado 402 – V Jornada de Direito Civil – 
CJF: O art. 14, parágrafo único, do Código Civil, fun-
dado no consentimento informado, não dispensa 
o consentimento dos adolescentes para a doação 
de medula óssea prevista no art. 9º, § 6º, da Lei nº 
9.434/1997 por aplicação analógica dos artigos 28, 
§ 2º (alterado pela Lei nº 12.010/2009), e 45, § 2º, 
do ECA.
AUTONOMIA DO PACIENTE
Ninguém pode ser constrangido (obrigado) a se 
submeter a tratamento médico ou a intervenção cirúr-
gica com risco de vida.
Nas situações emergenciais, entende-se que se a 
intervenção for necessária para a manutenção da vida, 
aliado ao fato de não ser uma mera intervenção fútil 
(que objetiva apenas adiar o inadiável falecimento), o 
médico deverá intervir. Privilegia-se a vida em detri-
mento da autonomia.
4.4.2. INTEGRIDADE PSÍQUICA OU MORAL
Sob o ponto de vista psíquico, com base no nosso 
direito positivo, há 4 (quatro) direitos da personalidade: 
imagem, privacidade, honra e nome (incolumidade 
moral). 
IMAGEM
A proteção constitucional da imagem se encontra 
no artigo 5º, incisos V e X, da CF, bem como no art. 20 
do CC. Incide proteção jurídica sobre a imagem por ela 
se inserir nas particularidades que identificam a pessoa 
no cenário social. Assim, malgrado a imagem consista 
em bem jurídico uno, é possível ser fracionada em: 
imagem-retrato: características FISIONÔMICAS de 
uma dada pessoa (elementos físicos identificadores) 
– é o pôster (retrato) da pessoa; imagem-atributo: é 
uma característica identificadora SOCIAL da pessoa. É 
quando achamos alguém legal ou chato; imagem-voz: 
É o TIMBRE SONORO identificador. Ex.: Lombardi (não 
se sabia quem era, mas só de ouvi-lo, identificava-se a 
pessoa), Silvio Santos, Cid Moreira.
A utilização da imagem, em regra, demanda auto-
rização, de forma expressa ou tácita. Todavia, ape-
sar da regra geral, há hipóteses em que não se fará 
necessária a autorização: Se a veiculação da imagem 
for necessária à administração da justiça ou à manu-
tenção da ordem pública, a exemplo da veiculação de 
fotos de um foragido; Para biografias. Nestas, segundo 
o Supremo Tribunal Federal (ADI 4815), não se fará 
necessária a autorização nem do biografado e nem 
dos coadjuvantes;Pessoas públicas em locais públicos, 
para fins de informação;
Lembre-se que a utilização da imagem para fins 
comerciais necessita de autorização, sob pena de 
dano presumido – dano moral puro ou in re ipsa – e 
tutela específica de paralisação da propaganda 
(CC, art. 20 e S. 403 do STJ). A aplicação da regra 
em comento vale tanto para a imagem das pes-
soas públicas como daquelas que não são públicas 
e pouco importará se a propaganda foi positiva ou 
negativa. 
VIDA PRIVADA OU PRIVACIDADE
Há uma proteção constitucional da privacidade 
insípida no artigo 5º, inc. XII, da CF e, também, no artigo 
21 do CC. Relaciona-se a um bem jurídico persona-
líssimo.
Consiste em cláusula pétrea dos direitos da per-
sonalidade, pois afirma a norma ser a privacidade 
inviolável, devendo o juiz, a requerimento do interes-
sado, adotar as providências necessárias para impedir 
ou fazer cessar ato contrário a esta norma.
O direito à privacidade pode relativizado, haja 
vista a possibilidade das chamadas quebras de sigilos 
fiscais e de comunicações.
HONRA
Concerne ao prestígio social. A honra se divide 
em: I) Objetiva: É o que os outros pensam de você. Seu 
prestigio perante a sociedade. II) Subjetiva: É o que 
você pensa sobre si mesmo.
NOME
O direito ao nome é o direito à identificação. É o 
elemento que designa a pessoa na sociedade. 
O nome é, em regra, composto pelo prenome 
(primeiro nome) e sobrenome – este último também 
Como se preparar para o Exame de Ordem • OAB | Teoria Resumida (Semana 1 • 03/02 – 07/02)
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chamado de apelido de família ou patronímico – art. 
16, CC. Por exemplo: Luciano Lima Figueiredo – Luciano 
(prenome) Lima Figueiredo (Patronímicos).
É possível que o nome ainda seja composto pelo 
agnome, sendo este uma partícula diferenciadora 
e acessória, revelando-se necessária para distinguir 
pessoas com prenomes e patronímicos iguais na mesma 
família. São exemplos de agnome: Júnior, Neto, Pri-
meiro, Segundo. 
A escolha do nome não é completamente livre, 
existindo limites: a) Não é possível escolher um nome 
que venha a expor o titular ao ridículo (art. 55 da Lei 
nº 6.015/73); b) O artigo 13 da CF determina que todo 
registro público deve ser feito na língua portuguesa 
e, por isso, proíbe o registro de nome estrangeiro, salvo 
os já incorporados, a exemplo de David.
A normatizaçãoveda a utilização do nome em 
publicações ou representações que exponham ao des-
prezo público, ainda que inexista intenção difamató-
ria (art. 17, CC) - responsabilidade objetiva.
Note-se, ainda, que a utilização de nome em 
propaganda comercial necessita de autorização, 
invariavelmente, (art. 18, CC), mesmo sendo nome 
de pessoa pública.
Atenção! Enunciado 278 – IV Jornada de Direito 
Civil – CJF: A publicidade que venha a divulgar, sem 
autorização, qualidades inerentes a determinada 
pessoa, ainda que sem mencionar seu nome, mas 
sendo capaz de identificá-la, constitui violação a 
direito da personalidade.
Pseudônimo, também chamado de cognome ou 
apelido, traduz designação dada a alguém, que passa 
a ser, assim, socialmente conhecido. O reconhecimento 
social e jurídico é tão forte que é possível o acréscimo 
do pseudônimo ao nome (art. 58 da LRP). É o exemplo 
de Maria das Graças Xuxa Meneghel. Quando utilizado 
para atividades lícitas será protegido (CC, art. 19).
Em relação ao nome, vige o denominado Princípio 
da Imutabilidade Relativa. Logo, em regra, o nome 
é imutável. Todavia, excepcionalmente, admite-se 
mudanças no nome. Exemplos: casamento (art. 1.565, 
§ 1º, CC); dissolução do casamento (separação e divórcio 
– art. 1.578 do CC); aquisição de nacionalidade brasileira 
– estatuto do estrangeiro; em razão de fundada coação 
ou ameaça decorrente colaboração com proteção de 
crime – art. 58 da LRP (6.015/73) e Lei 9.807/99; adoção; 
nome vexatório, que expõe o titular ao ridículo (art. 55, 
LRP); substituição por apelido público notório (art. 58, 
LRP); modificação no primeiro ano após a maioridade 
através de decisão judicial (art. 56, LRP). A jurispru-
dência criou ainda outras possibilidades: homonímia 
depreciativa; transexuais; viuvez.
Sobre o transexual, o entendimento atual possi-
bilita sua mudança de nome e gênero, em proteção 
aos direitos da personalidade (Enunciado 276 do CJF).
DIREITO DA RESPOSTA
Ao ofendido, em matéria divulgada, publicada 
ou transmitida por veículo de comunicação social, 
é assegurado o direito de resposta ou retificação, 
gratuito e proporcional ao agravo (Lei nº 13.188/15) 
Se a matéria atentar, ainda que por equívoco de 
informação, contra a honra, intimidade, reputação, 
conceito, nome, marca ou imagem de uma pessoa 
física ou jurídica, identificada ou passível de identi-
ficação, será possível exigir o direito de resposta 
ou de retificação.
A norma exclui da definição de “matéria” os comen-
tários realizados por usuários da internet nas páginas 
eletrônicas dos veículos de comunicação. A norma 
ainda afirma que a retração ou retificação espontânea 
não são capazes de impedir o exercício do direito de 
resposta, “nem prejudicam a ação de reparação por dano 
moral”.
Diante da lesão, o ofendido terá o prazo deca-
dencial de 60 (sessenta) dias para exercitar o seu 
pedido de direito de resposta, contados da data da 
divulgação, publicação ou transmissão da matéria 
ofensiva. Quem fará o pedido do direito de resposta? 
Este direito de resposta poderá ser exercido pelo 
ofendido, pelo representante legal do ofendido 
incapaz ou da pessoa jurídica, bem como pelo côn-
juge, descendente, ascendente ou irmão do ofen-
dido que esteja ausente do país ou tenha falecido 
depois do agravo, mas antes de decorrido o prazo 
decadencial de 60 (sessenta) dias.
4.4.3. DIREITO À INTEGRIDADE INTELECTUAL
Os direitos da personalidade no âmbito intelectual 
são aqueles decorrentes da criação. 
Abrangem, portanto, a propriedade intelectual, 
com os direitos autorais, e a propriedade industrial. 
Outras hipóteses de direitos da personalidade enqua-
dradas no âmbito intelectual podem ser trazidas à 
baila: a proteção da liberdade religiosa, sexual e a 
liberdade de pensamento.
4.5. DIREITOS DA PERSONALIDADE DA PESSOA 
JURÍDICA
Os direitos da personalidade consistem em cate-
goria criada para proteção da personalidade das 
pessoas físicas.
Todavia, como o ordenamento jurídico confere 
personalidade à pessoa jurídica, acaba o legislador 
civilista por estender, naquilo que couber, a proteção 
dos direitos da personalidade das pessoas físicas às pes-
soas jurídicas (CC, art. 52). Em titularizando tais direitos, 
é possível que a violação destes enseje danos morais 
ou patrimoniais (Súmula 227 do STJ).
Os clássicos exemplos de pedidos de danos morais 
pela pessoa jurídica são a inscrição indevida no CADIN 
– Cadastro de Inadimplentes – e o uso indevido da 
marca e/ou nome.
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7. Teoria do Ato, Fato 
e Negócio Jurídico
7.1. FATO JURÍDICO X FATO MATERIAL
Fato material é o fato não relevante para o 
direito, a exemplo de um raio que cai no meio do mar 
ou em uma floresta, sem causar dano à pessoa ou ao 
patrimônio de alguém. 
Fato jurídico, por sua vez, é todo acontecimento 
relevante para o direito, ainda que ilícito. 
7.1.1. CLASSIFICAÇÃO DOS FATOS JURÍDICOS
FATOS JURÍDICOS NATURAIS (OU FATO JURÍDICO 
EM SENTIDO ESTRITO OU STRICTO SENSU)
Os fatos da natureza que interessam ao direito civil 
são apenas os que interferem nas relações humanas, 
gerando efeitos para o direito. 
Nessa linha, os fatos jurídicos em sentido estrito 
podem ser divididos em: ordinários: acontecimentos 
comuns, do cotidiano (nascimento, morte); extraordi-
nários: incomuns, excepcionais e que fogem ao coti-
diano (terremoto, maremoto, tsunami).
FATOS JURÍDICOS HUMANOS (ATO JURÍDICO)
Consistem naqueles fatos que decorrem da conduta 
humana e possuem consequências para o direito. Podem 
ser divididos em: atos jurídicos ilícitos: contrários ao 
direito, por violentarem regras do ordenamento jurídico; 
atos jurídicos lícitos: consoante o direito. Tais atos jurídi-
cos lícitos, por sua vez, admitem divisão, falando-se em: 
ato jurídico em sentido estrito (stricto sensu) - é aquele 
que decorre da atividade humana volitiva, mas cujos 
efeitos estão todos vinculados na lei (ex lege); negócio 
jurídico - é aquele no qual a vontade humana não só é 
o fato gerador, mas também determina os efeitos do ato 
(ex voluntate); ato-fato jurídico - trata-se de categoria 
DOUTRINÁRIA, não regulamentada na legislação civi-
lista, na qual se admite atribuir consequências a certos 
comportamentos humanos, ainda que não intencionais 
ou mesmo se praticado por incapazes. Exemplos: caça, 
pesca, achado de tesouro, especificação, compra e venda 
de absolutamente incapaz. Veja que nestes casos há, 
incialmente, uma vontade humana – um ATO –, mas 
como tal vontade não é abraçada pelo direito, finda-se 
em um FATO, falando-se do ATO-FATO. 
Fato
Extraordinário
Lícito
Ato jurídico 
stricto sensu
Material
Jurídico
Negócio 
Jurídico
Ato – Fato
Ordinário
Ilícito
Natural 
(stricto sensu)
Humano 
(ato jurídico)
7.2. NEGÓCIO JURÍDICO
Consiste o negócio jurídico no encontro de von-
tades visando criar, modificar, conservar ou extin-
guir relações jurídicas. Tem como centro a vontade 
humana, a qual tem ampla atuação na criação do 
aludido negócio e na regulação dos seus efeitos, 
nos limites da boa-fé, da função social e do ordena-
mento posto.
A DOUTRINA aponta para a existência de três pla-
nos; quais sejam: 
7.2.1. PLANO DE EXISTÊNCIA
O plano de existência do negócio jurídico é uma 
criação DOUTRINÁRIA. Veicula os elementos estrutu-
rantes do negócio, aquilo que, minimamente, precisa o 
negócio jurídico para existir. São os elementos da exis-
tência, de forma cumulativa: agente; objeto; forma; 
vontade exteriorizada. Caso não esteja presente um 
dos elementos, o negócio jurídico será qualificado 
como inexistente.
7.2.2. PLANO DE VALIDADE
Validade é sinônimo de adequação ao sistema 
jurídico. Assim, perfeitamente possível que um negó-
cio jurídico existente seja inválido. Os elementos da 
validade do negócio jurídico encontram-se, prepon-
derantemente, elencados no art. 104 do CC. 
O negócio jurídico precisará para ser válido: 
Capacidade e legitimação do AGENTE;
OBJETO lícito é aquele que está de acordo com a 
lei, sendo JURIDICAMENTE POSSÍVEL. 
Possível será oobjeto MATERIALMENTE POSSÍVEL, 
factível. Afirma a doutrina ser impossível, por exemplo, 
a compra e venda de um cachorro que fala. 
Determinado é o objeto previamente INDIVI-
DUALIZADO segundo o GÊNERO, a QUANTIDADE e a 
QUALIDADE. 
Determinável é o objeto indicado apenas pelo 
GÊNERO e pela QUANTIDADE, carecendo de qualidade. 
Quanto à FORMA, o princípio regente é o da liber-
dade de formas (vide art. 107, CC).
Excepcionalmente, porém, a lei, ou até mesmo a 
vontade, poderá exigir uma forma vinculada, a qual 
há de ser observada, sob pena de nulidade. 
Contudo, não se terá a invalidade do ato se a 
forma for livre e o instrumento for inválido (CC, art. 
183). Tem-se hipóteses nas quais a forma é uma mera 
questão de prova (forma ad probationem), ao revés de 
ser questão de solenidade substancial (ad substancione). 
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Exemplifica-se com uma promessa de compra e venda, 
cuja forma é livre, mas na qual as partes optaram em 
realizar por escritura pública. Acaso a escritura seja invá-
lida, diante da liberdade de forma do ato, este persistirá 
válido; ou seja: a invalidade do instrumento (escritura), 
não ocasionará a do ato (promessa de compra e venda).
O CONSENTIMENTO válido remete à necessidade 
de a vontade ser livre e desembaraçada, sem nenhum 
tipo ERRO, DOLO, COAÇÃO.
A priori o consentimento poderá ser exteriorizado 
de qualquer maneira, sendo possível que o seja por 
escrito ou verbalmente. O silêncio é neutro para o 
direito, não significando nem aceitação e nem renúncia. 
Todavia, EXCEPCIONALMENTE é possível que o silêncio 
revele a aceitação do negócio, acaso presentes dois 
requisitos cumulativos (CC, art. 111). São eles: a cir-
cunstâncias ou os usos o autorizem e não seja necessária 
declaração de vontade expressa.
TEORIA DAS INVALIDADES DO NEGÓCIO JURÍDICO
A consequência jurídica do desrespeito à um dos 
pressupostos de validade do negócio jurídico será a sua 
invalidade; leia-se: NULIDADE ou a ANULABILIDADE. 
Tais nulidades devem gerar prejuízo, sob pena de 
não ocorrência.
 ` a) Nulidade Absoluta (Nulidades).
As hipóteses de nulidade absoluta estão elencadas 
nos artigos 166 e 167 do CC: simulação; negócio cele-
brado por PESSOA absolutamente incapaz; f o r 
ilícito, impossível ou indeterminável o seu OBJETO; o 
MOTIVO determinante, comum a ambas as partes, for ilí-
cito; não revestir a FORMA prescrita em lei; for preterida 
alguma SOLENIDADE que a lei considere essencial para 
a sua validade; tiver por OBJETIVO fraudar lei imperativa; 
a LEI taxativamente o declarar nulo ou proibir-lhe a 
prática, sem cominar sanção.
Uma vez verificada a nulidade do negócio, ele terá 
as seguintes características: 
A nulidade absoluta atingirá INTERESSE PÚBLICO 
SUPERIOR; pode ser ARGUIDA pelas partes, terceiro inte-
ressado, Ministério Público quando lhe couber intervir 
ou, até mesmo, pronunciada de ofício (ex officio) pelo 
Juiz; opera-se DE PLENO DIREITO (ope legis ou iures); não 
admite confirmação (ratificação, convalidação ou sanea-
mento), mas sim CONVERSÃO em um outro negócio 
jurídico válido; a ação declaratória de nulidade é decidida 
POR SENTENÇA COM EFEITOS EX TUNC (retroativos) 
e contra todos (erga omnes); pode ser reconhecida A 
QUALQUER TEMPO, não se sujeitando a prazo pres-
cricional (imprescritível) ou decadencial.
Sobre tais características, atenção para alguns 
fatos relevantes:
1) Entende o STJ que a arguição de nulidade absoluta 
EM INSTÂNCIAS EXTRAORDINÁRIAS demanda a ob-
servância do requisito do prequestionamento. 
2) Apesar de o juiz poder reconhecer ex officio a nu-
lidade, ele NÃO tem permissão para SUPRI-LA, ain-
da que a requerimento da parte (art. 168 p.u, CC).
3) Recorde-se que o art. 10 do CPC veda a decisão 
surpresa. Nessa linha, caso o juiz enxergue uma 
nulidade absoluta e deseje declará-la de ofício, an-
tes de fazê-lo, haverá de dar CONTRADITÓRIO às 
partes.
 ` b) Nulidade Relativa (Anulabilidades)
As principais hipóteses de nulidade relativa estão 
elencadas no artigo 171 do Código Civil. São elas: inca-
pacidade RELATIVA do agente; por vício resultante de 
erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude 
contra credores. 
O negócio jurídico anulável possui as seguintes 
características:
A nulidade relativa atinge apenas INTERESSES 
PARTICULARES; NÃO se opera DE PLENO DIREITO, 
sendo ope iudicis; admite CONFIRMAÇÃO expressa ou 
tácita (ratificação, convalidação ou ratificação); somente 
pode ser ARGUIDA pelos legítimos interessados; não 
tem efeito antes de julgada por sentença, a qual, sem-
pre que possível, RESTITUIRÁ as partes AO ESTADO 
EM QUE ANTES DELA SE ENCONTRAVAM. Não sendo 
viável, indenizará com o equivalente (arts. 177 e 182, CC); 
somente pode ser arguida, PELA VIA JUDICIAL, em pra-
zos decadenciais de 4 anos e 2 anos (art. 178 e 179, CC). 
PRINCÍPIO DA CONSERVAÇÃO DOS ATOS E 
NEGÓCIOS JURÍDICOS
Sempre que possível, ao revés de invalidar o negó-
cio jurídico, deve-se aproveitá-lo. Afinal, nos negócios 
jurídicos, mais vale a intenção neles consubstan-
ciada do que o sentido literal da linguagem (CC, 
art. 112).
Estão presentes na Codificação três importantes 
institutos que viabilizam a conservação: 
 ` a) Conversão Substancial
Está prevista no artigo 170 do CC e consiste na reca-
tegorização de determinado negócio jurídico nulo para 
outro diverso, aproveitando-se os elementos materiais 
e a vontade manifestada.
 ` b) Convalidação (Saneamento, Ratificação ou 
Confirmação)
Trata-se de medida apenas aplicável ao negócio 
jurídico ANULÁVEL, o qual será aproveitado de forma 
expressa ou tácita e desde que não haja prejuízo a 
terceiro (CC, art. 172).
 ` c) Redução do Negócio Jurídico.
Permite a invalidade parcial do negócio jurídico, 
que terá nulificada a sua parte acessória. Tem cabi-
mento quando for admitida a separação das partes do 
negócio, permitindo a extirpação da parte inválida do 
negócio, aproveitando-se a válida.
7.2.3. PLANO DE EFICÁCIA
Eficácia correlaciona-se aos efeitos do negócio 
jurídico. A premissa é que em sendo o negócio jurí-
dico existente e válido, em REGRA, automaticamente 
produzirá os seus efeitos. EXCEPCIONALMENTE, a 
presença de um fator de eficácia acabará por autoli-
mitar os efeitos do negócio jurídico. Refere-se, aqui, ao 
termo, condição, modo ou encargo, que são ELEMEN-
TOS ACIDENTAIS OU ACESSÓRIOS do negócio jurídico e 
que não estão relacionados aos planos da existência e 
da validade. Consistem em autolimitações da vontade, 
de natureza facultativa e que incidem sobre os efeitos 
do negócio.
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 ` a) Condição
É evento futuro e incerto que deriva da exclusiva-
mente da vontade das partes e subordina os efeitos 
do negócio jurídico (art. 121, CC). A condição admite 
classificações, falando-se em condições: 
i) Suspensivas x Resolutivas
A condição SUSPENSIVA (CC, art. 125) é o evento 
futuro e incerto que enquanto não implementado 
suspenderá tanto a aquisição como o exercício do 
direito (negócio com efeitos pendentes).
A condição RESOLUTIVA, de seu turno, é aquele 
evento futuro e incerto que quando implementado 
coloca fim ao negócio jurídico, o resolvendo.
Antes de implementadas as condições, tem-se 
como possível os atos de conservação, por haver o 
que se denomina DIREITO EVENTUAL (art. 130, CC). 
ii) Lícitas x Ilícitas
LÍCITAS são as condições que se harmonizam 
com a lei, a ordem pública e os bons costumes (art. 
122, CC). 
ILÍCITAS são aquelas contrárias à lei, ordem 
pública e bons costumes. Digno de nota que é vedada 
a condição que prive o negócio de qualquer efeito 
prático, como o empréstimo de um carro com vedação 
de dirigi-lo ou ocupá-lo por qualquer pessoa. Igual-
mente ilícita é a condição que sujeita o negócio ao 
puro arbítrio de uma das partes – condição PURA-
MENTE POTESTATIVA. 
Afirma o CC, ainda, que INVALIDAMos negócios 
jurídicos (art. 123, CC): as condições física ou juridi-
camente impossíveis, quando suspensivas; as con-
dições ilícitas, ou de fazer coisa ilícita; as condições 
incompreensíveis ou contraditórias. Outrossim, são 
tidas como INEXISTENTES as condições impossíveis, 
quando resolutivas, e as de não fazer coisa impos-
sível (CC, art. 124).
Por fim, aduz o Código Civil que não pode a parte 
obstar a condição que lhe desfavorece, sob pena 
de tê-la como implementada, e nem implementar a 
condição que lhe favorece, sob pena de tê-la como 
não implementada. Trata-se de regra que objetiva evitar 
a torpeza (CC, art. 129).
 ` b) Termo
Relaciona-se o termo a um evento futuro e certo. 
Consiste no dia ou momento em que o negócio começa 
(TERMO INICIAL ou dies a quo) ou extingue a sua eficá-
cia (TERMO FINAL ou dies ad quem). Pode ser o termo 
fixado tanto pela lei (TERMO LEGAL) como pela vontade 
(TERMO CONVENCIONAL).
O lapso de tempo entre o termo inicial e o final é 
denominado de prazo, sendo a forma de sua contagem 
disciplinada no artigo 132 do CC. 
O TERMO INICIAL suspende apenas o exercício do 
direito, mas não a sua aquisição (CC, art. 131). 
 ` c) Modo ou Encargo
É um ônus (restrição) imposto para que a parte 
usufrua de um benefício. Exemplifica-se com a doa-
ção de um automóvel para alguém, desde que essa 
pessoa leve o filho do doador ao colégio por dois anos 
consecutivos.
O encargo não suspende nem o exercício e nem 
a aquisição do direito (art. 136, CC). Acaso o encargo 
seja descumprido, a hipótese será de REVOGAÇÃO da 
doação (art. 555 e ss. do CC). Diga-se, ainda, que encargo 
ILÍCITO ou IMPOSSÍVEL se considera não escrito, salvo 
se vier a constituir motivo determinante da libe-
ralidade, caso em que invalidará a todo o negócio 
jurídico (art. 137, CC).
Seria possível, no Brasil, o autocontrato, também 
chamado de contrato consigo mesmo?
Remete a situação na qual há uma mesma pessoa 
nos dois polos da relação jurídica. Todavia, de um 
lado, tal pessoa está atuando em nome próprio e, de 
outro, está a atuar como representante de alguém. 
O autocontrato é anulável, no prazo decadencial de 
dois anos contados da conclusão do negócio (CC, arts. 
117 e 179).
Por fim, digno de nota informar que há uma situa-
ção de autocontrato eivado de nulidade absoluta. Nas 
pegadas da Súmula 60 do Superior Tribunal de Justiça, 
é nula a obrigação cambial assumida por procurador do 
mutuário vinculado ao mutuante, no exclusivo interesse 
deste. 
7.3. INTERPRETAÇÃO DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS
O vigente Código Civil, por conta de reforma legis-
lativa, passou a regular normas interpretativas dos 
negócios jurídicos, em seu art. 113. Parte-se da premissa 
de que os negócios jurídicos devem ser interpretados 
de acordo com a boa-fé (função interpretativa da boa-fé 
objetiva) e os usos (costumes) do lugar de sua celebra-
ção. A partir desta premissa, passa o legislador a veicular 
específicas normas interpretativas sobre o sentido dos 
negócios jurídicos, sendo tal sentido
i. Aquele que for confirmado pelo comporta-
mento das partes posterior à celebração do 
negócio. A isto a doutrina denomina de regra 
da confirmação posterior e reconhecimento 
da proibição do comportamento contradi-
tório (nemo potest venire contra factum pro-
prium);
ii. Aquele que corresponder aos usos, costu-
mes e práticas do mercado relativas ao tipo 
de negócio. A isto a doutrina denomina de 
regra dos costumes;
iii.  Aquele que corresponder à boa-fé. A isto 
doutrina denomina de regra da boa-fé;
iv.  Aquele que for mais benéfico à parte que 
não redigiu o dispositivo, se identificável. A 
isto a doutrina chama de interpretatio contra 
proferentem e
v.  Aquele que corresponder a qual seria a ra-
zoável negociação das partes sobre a questão 
discutida, inferida das demais disposições do 
negócio e da racionalidade econômica das 
partes, consideradas as informações disponí-
veis no momento de sua celebração. A isto a 
doutrina denomina de regra da vontade pre-
sumível.
Digno de nota que grande parte das regras do 
art. 113 apenas incidirão caso as partes não tenham 
pactuado, no próprio negócio jurídico, as suas regras 
de interpretação. Logo, o regramento do art. 113 é, em 
grande parte, supletivo ou dispositivo, aplicando-se no 
silêncio das partes. Obviamente, porém, que a possibili-
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dade de regramento das premissas interpretativas pelas 
próprias partes terá incidência nos chamados contratos 
paritários ou negociados, entendidos como aqueles em 
que as partes, efetivamente, debatem previamente as 
cláusulas contratuais.
7.4. DEFEITOS OU VÍCIOS DO NEGÓCIO JURÍDICO
Relacionam-se a hipóteses nas quais o negócio 
jurídico está inquinado de algum vício subjetivo 
(no consentimento) ou objetivo (social). Tais defeitos 
podem se apresentar sob a forma de:
a) Vícios de Consentimento (de vontade) – dizem 
respeito a um aspecto INTERNO do negócio jurídi-
co, inerente à própria manifestação de vontade. Há 
uma mácula na vontade declarada, a qual diverge 
do real desejo do agente, seja por um erro, dolo, 
coação moral, lesão ou estado de perigo.
b) Vícios Sociais – a vontade do agente é exterio-
rizada consoante a sua intenção. No entanto, há 
uma tentativa de prejudicar terceiro ou burlar a 
lei. Logo, trata-se de vício EXTERNO. São vícios so-
ciais: a fraude contra credores e a simulação. Em 
síntese:
Defeitos 
ou vícios
Fraude contra credores
Coação moral
Dolo
Erro
Consentimento
Sociais
Simulação
Lesão
Estado de Perigo
Antes de avançarmos, duas notas importantes:
i. Os defeitos do negócio jurídico geram a anula-
bilidade, com exceção da simulação (CC, arts. 
171 e 167)
ii. Há relevante debate doutrinário sobre a inser-
ção da simulação dentre os defeitos do negócio 
jurídico. Decerto, após o Código Civil de 2002, a 
simulação teve um deslocamento em seu tratamento 
legislativo e uma alteração em sua consequência 
– deixou de gerar ANULABILIDADE e passou a oca-
sionar NULIDADE ABSOLUTA. Malgrado tal altera-
ção, persistimos a entendê-la como um vício social, 
diante de sua gênese de burla à sociedade. 
7.4.1. VÍCIOS DE CONSENTIMENTO
 ` A) Erro ou Ignorância.
Trata-se da percepção inexata da realidade que 
incide sobre alguma coisa, objeto ou pessoa e influi 
substancialmente na formação da vontade. Nessa 
senda, quando há erro, celebra o agente o negócio com 
base em uma falsa percepção da realidade.
Nem todo erro enseja a invalidação do ato. O erro, 
para gerar anulabilidade do negócio jurídico, há de ser 
a causa determinante do ato, denominando a DOU-
TRINA de erro essencial, substancial ou principal 
(art. 138, CC). 
Assim, em sendo o erro acessório – secundário 
ou acidental –, como o relativo à mera indicação da 
pessoa ou coisa, mas que, pelo contexto, poderá ser 
identificada, não haverá de se falar em anulação do 
negócio (art. 142, CC).
Com efeito, o ERRO ACESSÓRIO não tem conse-
quência para o direito. Como é o ERRO PRINCIPAL 
que ocasionará a nulidade relativa do negócio jurí-
dico, o Código Civil passa a aprofundá-lo. O artigo 139 
do Código Civil elenca espécies ou modalidades de 
erro principal, falando-se em:
a) Error In Negotio – Incide sobre a NATUREZA do ne-
gócio. Por exemplo, imagina-se que está realizando 
uma compra e venda, mas em verdade se está cele-
brando um contrato de troca ou permuta;
b) Error In Corpore – Incide sobre o OBJETO do negó-
cio jurídico, seja sobre sua qualidade ou quantida-
de. Exemplo: imagina está comprando um imóvel 
na rua A, mas o está adquirindo na rua B, ou ainda 
em rua homônima; um colecionador compra cole-
ção de selos imaginando ter 200 (duzentos) selos, 
mas em verdade há 150 (cento e cinquenta) selos.
c) Erros In Persona – Incide sobre a PESSOA, em espe-
cial à sua identidade ou qualidade essencial. Exem-
plo: contrata-se Luciano Figueiredo imaginando ser 
Roberto Figueiredo.
d) Erro de Direito – Não implica negativade aplicação 
à lei, não significando seu descumprimento inten-
cional, mas sim equívoco quanto ao ALCANCE DA 
NORMA JURÍDICA. Exemplo: Cidadão compra o 
terreno para edificar em área que descobre, poste-
riormente, não ser edificante.
Atenção!
• O falso motivo, expresso no ato como sua razão 
determinante, equivale ao erro, gerando anula-
bilidade (art. 140 do CC).
• A transmissão equivocada de vontade por meios 
interpostos é anulável nos mesmos casos da 
declaração direta (art. 141, CC).
• O erro de cálculo gera mera ratificação, não 
sendo hipótese de anulabilidade do negócio 
(art. 143, CC).
Por fim, em sendo a consequência do erro a anu-
labilidade tem-se como plenamente possível a con-
servação do ato. 
 ` B) Dolo (Art. 145 a 150, CC)
Consiste no induzimento malicioso para que 
alguém pratique um ato que lhe seja prejudicial, mas 
proveitoso ao autor do dolo ou a terceiro.
Difere-se o dolo do erro no momento em que 
neste o agente incorre sozinho em lapso, sem qualquer 
“ajuda” de terceiro. Se há “ajuda” – induzimento –, a 
hipótese é de dolo.
O dolo, para ser capaz de gerar anulabilidade do 
negócio jurídico, há de ser essencial – substancial ou 
causa determinante –, assim como o erro (art. 145, CC).
Todavia, caso se verifique que a parte realizaria o 
negócio com ou sem a presença do dolo, a hipótese é 
de dolo acidental – secundário ou acessório. Tal dolo 
acidental não gerará a anulação do negócio, mas oca-
sionará indenização por perdas e danos (art. 146, CC). 
O dolo admite algumas classificações:
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1) Dolo negativo
A omissão dolosa (decorrente de silêncio intencio-
nal de uma das partes) pode ensejar o dolo, quando 
provado que, sem ela, o negócio não se teria cele-
brado (CC, art. 147).
2) Dolo decorrente de conduta de terceiro
Imagine que Hugo tenta induzir a Caio para que 
este compre o seu carro por um valor acima do mer-
cado. Para tanto, Hugo, dolosamente, informa a Caio 
uma série de “qualidades” que o carro não tem, como 
ser único dono, nunca ter sido batido...Todavia, como 
Caio está reticente, Hugo pede a Francisco, amigo em 
comum, que realize o induzimento de Caio. Tem-se um 
dolo decorrente da conduta de terceiro.
Se a parte a quem aproveita não soubesse ou não 
devesse saber do dolo –, ainda que o negócio seja con-
servado, o prejudicado (Caio) poderá pleitear perdas e 
danos em face do terceiro (Francisco) (art. 148, CC).
3) Dolo do representante
Para que se verifiquem as consequências do dolo 
praticado pelo representante, há de se perquirir se a 
representação é legal ou convencional (CC, art. 149). 
Veja-se: se o dolo for praticado pelo representante legal, o 
representado apenas responderá na medida de seu pro-
veito econômico. Por outro lado, se o dolo for praticado 
pelo representante convencional, o representado 
responderá solidariamente com o seu representante. 
4) Dolo bilateral ou recíproco
Segundo o artigo 150 do CC, ninguém poderá se 
beneficiar da própria malícia (torpeza). Portanto, se 
ambas as partes incorrerem em dolo, independente da 
modalidade, nenhuma delas poderá arguir isto como 
motivo de anulação do negócio, nem reclamar inde-
nização.
 ` C) Coação Moral
Coação é toda ameaça ou pressão, física ou moral, 
exercida sobre um indivíduo para forçá-lo, contra a sua 
vontade, a praticar um ato ou realizar um negócio, 
tornando o ato defeituoso. Assim, a coação pode ser:
a) Coação Absoluta ou Física (vis absoluta). Quan-
do a manifestação de vontade pretendida é obtida 
pela força física. Inexiste qualquer manifesta-
ção de vontade do agente. Neste caso, a coação 
absoluta gera inexistência do ato por ausência de 
vontade. 
b) Coação Relativa ou Moral (vis compulsiva). É a 
coação psicológica, vislumbrada em um terreno 
emocional. Na coação relativa o negócio pode 
ser anulável, desde que verificados os seguintes 
requisitos cumulativos: causa do ato – deve de-
monstrar que sem a coação o ato não teria sido con-
cretizado; grave: a coação deve imputar ao coagido 
um verdadeiro temor de dano sério; injusta (ilícita, 
contrária ao direito, abusiva): a ameaça ao exercício 
normal do direito e o temor reverencial não confi-
guram coação, por carecerem de ilicitude (art. 153, 
CC); iminente ou atual: o dano deve ser próximo 
e provável; deve constituir ameaça de prejuízo à 
pessoa ou bens da vítima, às pessoas ou bens da 
sua família e até mesmo terceiros, quando o juiz 
haverá de analisar as circunstâncias do caso (CC, art. 
151).
Na análise dos requisitos acima se leva em consi-
deração as circunstâncias subjetivas da vítima, como 
o sexo, a idade, a formação intelectual e profissional 
(art. 152, CC). Assim como o dolo, a coação pode ser 
exercida por terceiro, apenas viciando o negócio 
jurídico se a parte beneficiada tivesse ou devesse ter 
conhecimento dela. Acaso, porém, a parte beneficiada 
não tivesse ou devesse ter conhecimento do ato, o 
negócio subsistirá, persistindo a responsabilidade 
do terceiro por eventual pleito de perdas e danos do 
prejudicado (art. 155, CC).
 ` D) Estado de Perigo
Configura-se o estado de perigo quando alguém, 
premido da necessidade de salvar-se, a pessoa de 
sua família ou, até mesmo, a terceiro, de grave dano 
conhecido pela outra parte, assume obrigação exces-
sivamente onerosa.
Um exemplo é o do cheque caução, quando o aten-
dimento emergencial é vinculado à um cheque de 
garantia ou à honorários médicos excessivos para que 
haja o atendimento de emergência. 
Lembra-se que caso o estado de perigo diga res-
peito à terceiro, o magistrado haverá de analisar as 
circunstâncias do caso. 
 ` E) Lesão
Relaciona-se a uma concepção de justiça con-
tratual e equidade nas relações negociais, visando 
conferir ao negócio jurídico trocas úteis e justas. Na 
dicção do art. 157 do CC, a configuração da lesão 
demandará dois requisitos cumulativos: a) Requi-
sito Objetivo: manifesta desproporção entre as 
prestações estabelecidas no negócio no momento 
da celebração do negócio jurídico. b) Requisito Sub-
jetivo: inexperiência ou premente necessidade de 
uma das partes, a qual é percebida pelas condições 
pessoais do contratante. 
Atenção! Enunciado 410 – V Jornada de Direito 
Civil – CJF: A inexperiência a que se refere o art. 157 
não deve necessariamente significar imaturidade ou 
desconhecimento em relação à prática de negócios 
jurídicos em geral, podendo ocorrer também quando 
o lesado, ainda que estipule contratos costumeira-
mente, não tenha conhecimento específico sobre o 
negócio em causa.
Os requisitos devem ser analisados no momento da 
contratação, e não posteriormente. Não é necessário 
que a outra parte esteja ciente da necessidade ou 
inexperiência de outro contratante para a configuração 
do instituto (Enunciado 150 do CJF). Presente os requi-
sitos, o negócio será anulado.
Há possibilidade de revisão do negócio, com 
suplemento suficiente ou redução do proveito. 
7.4.2. VÍCIOS SOCIAIS
 ` a) Fraude Contra Credores.
A Fraude contra Credores traduz vício social consis-
tente na prática de atos de disposição patrimonial 
pelo devedor com o intuito de esvaziar o seu patri-
mônio e gerar insolvência em face dos credores. 
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Para configuração da fraude contra credores se 
faz necessária a presença de três requisitos cumula-
tivos: anterioridade do crédito: se não há nenhuma 
relação jurídica creditória pretérita ao desfazimento 
patrimonial, fraude contra credores inexistirá; requisito 
objetivo (eventus damni): consiste na diminuição do 
patrimônio capaz de gerar a insolvência ou aprofun-
dá-la; requisito subjetivo (Consilium Fraudis): con-
luio fraudulento, que ressalta a má-fé dos envolvidos. 
Existem hipóteses nas quais o CC presume a má-fé 
(vide arts. 158, 159, 162 e 163, CC). A boa-fé será presu-
mida quanto aos negócios ordinários indispensáveisà manutenção do estabelecimento mercantil, rural 
ou industrial ou à subsistência do devedor e de sua 
família (art. 164, CC).
Uma vez verificada a presença dos requisitos supra-
citados, estar-se-á configurada a fraude contra credores. 
Esta será combatida por meio da ação pauliana ou 
revocatória, de natureza desconstitutiva e cujo pedido 
central é o de anulabilidade do ato (prazo decadencial 
de 4 anos).
De mais a mais, anulado o ato, o bem retornará ao 
patrimônio do devedor, sendo excutido consoante a 
ordem de preferências e privilégios creditórios. Por fim, 
não se deve confundir fraude contra credores com 
fraude à execução, pois nesta: já há processo em curso; 
configura tipo penal (art. 179, CP); não exige o requisito 
subjetivo (consilium fraudis) para sua configuração; a 
consequência não é anulabilidade, mas sim ineficácia 
do ato; não será combatida por ação pauliana.
b) Simulação
A simulação consiste em uma declaração enga-
nosa de vontade, visando produzir efeito diverso do 
ostensivamente indicado. Ocorre quando se celebra 
um negócio aparentemente normal, mas que não pre-
tende atingir o efeito formal e naturalmente esperado. 
Objetiva-se prejudicar terceiros e/ou burlar a lei. A 
simulação, hodiernamente, é composta de duas moda-
lidades, quais sejam:
a) Absoluta: nesta é celebrado um negócio jurídico 
destinado a não produzir nenhum efeito, com 
o único intento de lesar alguém. Exemplo: João é 
casado com Maria e como estão prestes a divorciar, 
João celebra, com um grande amigo, contratos de 
compra e venda como forma de salvaguardar bens 
para que não sejam inclusos na divisão patrimonial 
do divórcio, aproveitando-se desta ilegalidade. Tais 
contratos de compra e venda não geram efetiva 
transmissão da posse dos bens de João, pois este 
continua no gozo dos bens. 
b) Relativa (ou dissimulação): as partes criam um 
negócio jurídico (simulado) destinado a enco-
brir outro negócio (dissimulado), cujos efeitos 
são proibidos por lei. Exemplo: João é casado e, 
não podendo doar bens à concubina, ele faz uma 
simulação de uma compra e venda para dissimular 
a doação realizada. 
E qual será a consequência da simulação?
No caso da absoluta, o negócio será nulo (CC, art. 
167). Sendo a simulação uma causa de nulidade abso-
luta do negócio jurídico, pode ser alegada por uma 
das partes contra outra (Enunciado 294 do CJF).
Já na casuística da relativa, também denominada de 
dissimulação, o negócio haverá de ser analisado. No 
exemplo dado acima – doação de bens à concubina – ao 
ato será anulável (CC, arts. 167 e 550). 
Importante ficar atento às hipóteses de simulação 
elencadas no próprio artigo 167, especialmente em 
seu § 1º, que dispõe como simulados os negócios que: 
I – aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas 
diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou 
transmitem; II – contiverem declaração, confissão, con-
dição ou cláusula não verdadeira; III – os instrumentos 
particulares forem antedatados, ou pós-datados.
Não se deve confundir simulação com reserva 
mental, a qual também é chamada de reticência (art. 
110, CC). Configura-se a reserva mental quando o 
agente mantém escondida a intenção de não cum-
prir a finalidade do negócio. Esta não tem consequên-
cias para o direito, produzindo o negócio jurídico seus 
efeitos regulares. Caso a reserva mental seja conhecida 
de alguém, para esta pessoa que especificamente teve 
conhecimento da reserva, o negócio não poderá ser 
exigido (CC, art. 110).
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8. Prescrição e Decadência
8.1. NOÇÕES INTRODUTÓRIAS
A prescrição e a decadência remetem ao fenô-
meno do passar do tempo gerando PERDAS, à vista da 
segurança jurídica, da estabilidade social e da pacifi-
cação dos conflitos. Afinal de contas “aos que dormem, 
o direito não socorre” (dormientibus non sucurrit jus). 
Nesta senda, a EXTINÇÃO DO DIREITO poderá ocorrer 
de duas maneiras:
(1) o direito ao exercício de pretensões (DIREITO 
SUBJETIVO), se não exercido durante certo tempo, é 
fulminado pela PRESCRIÇÃO. 
(2) o DIREITO POTESTATIVO é destruído pela DECA-
DÊNCIA. 
Os direitos SUBJETIVOS, que não são autoexecu-
táveis, acaso descumpridos, geram pretensão, que 
apenas terá sucesso se manejada em determinado 
prazo. A pretensão, acaso não utilizada no prazo, será 
extinta pela prescrição.
Os direitos POTESTATIVOS, meramente informati-
vos e autoexecutáveis, são extintos pela decadência. 
Logo, em havendo prazo para exercício do direito potes-
tativo e, não sendo o prazo observado, ter-se-á a perda 
do direito potestativo pela decadência. 
Tem-se, portanto:
• Inércia do titular + decurso do tempo + preten-
são = prescrição.
• Inércia do titular + decurso do tempo + potesta-
de = decadência.
Outra maneira de se distinguir prescrição e deca-
dência se dá por meio da correlação da prescrição e da 
decadência com as modalidades de ações. Leia-se:
• Ações Declaratórias: Imprescritíveis.
• Ações Condenatórias: Prescritíveis.
• Ações Desconstitutivas ou Constitutivas: Decaden-
ciais.
É possível, contudo, que uma ação cumule pedi-
dos de naturezas diversas.
Exemplo: um suposto herdeiro ajuíza ação para 
que se declare o estado de filiação em face do de cujus. 
Neste mesmo processo, esta pessoa também postula o 
pagamento da herança (petição da herança). Como já 
esclareceu o Supremo Tribunal Federal (Súmula 149), 
é imprescritível a ação declaratória de investigação 
de paternidade, mas não o é a de petição da herança. 
Claro. Enquanto a ação de reconhecimento de filiação 
apenas quer declarar um fato, a de petição de herança 
objetiva uma condenação.
8.2. PRESCRIÇÃO
A prescrição consiste na perda da pretensão, 
relativa a um direito subjetivo, patrimonial e dispo-
nível, no prazo previsto em lei, em virtude da inércia 
do seu titular e manejada por uma ação condenatória. 
Pretensão nada mais do que a possibilidade de se 
exigir de outrem uma determinada obrigação (de 
dar, fazer ou não fazer), sob pena de execução patrimo-
nial dos bens desta pessoa contra a qual se pretende.
Nessa toada, como posto pelo Enunciado 579 do 
CJF, nas pretensões decorrentes de doenças profissio-
nais ou de caráter progressivo, o cômputo da prescrição 
iniciar-se-á somente a partir da ciência inequívoca da 
incapacidade do indivíduo, da origem e da natureza 
dos danos causados (Súmula 573 do STJ). 
Imprescri-
tível
Pretensão 
direito subjetivo 
extrapatrimonial 
e indisponível
Ação 
declara-
tória
Nada obstante, pretensões de responsabilidade 
civil que desdobram em violências jurídicas com expres-
são econômica permitem a formulação de pleitos con-
denatórios. Estes prescrevem. 
8.2.1. PRAZOS PRESCRICIONAIS
Os prazos prescricionais estão todos contidos na 
lei e não podem ser alterados pela vontade das partes. 
Por isso se afirma que os prazos prescricionais são sem-
pre legais (CC, art. 192, 205 e 206).
O maior prazo prescricional existente é o de dez 
anos e ocorre “quando a lei não lhe haja fixado prazo 
menor”, a teor do artigo 205 do CC. 
São hipóteses de prescrição ânua: I) a dos hospedei-
ros ou fornecedores de víveres destinados a consumo no 
próprio estabelecimento, para o pagamento da hospeda-
gem ou dos alimentos; II) a pretensão do segurado contra 
o segurador ou, a deste contra aquele, contado o prazo: a) 
para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade 
civil, da data em que é citado para responder à ação de 
indenização proposta pelo terceiro prejudicado, ou da 
data que a este indeniza, com a anuência do segurador; 
b) quanto aos demais seguros, da ciência do fato gerador 
da pretensão; III) a pretensão dos tabeliães, auxiliares da 
justiça, serventuários judiciais, árbitros e peritos, pela 
percepção de emolumentos, custas e honorários; IV) 
a pretensão contra os peritos, pela avaliação dos bens 
que entraram para a formação do capital de sociedade 
anônima, contado da publicação da ata da assembleia 
que aprovar o laudo e a pretensão dos credores não 
pagos contra os sócios ou acionistas eos liquidantes, 
contado o prazo da publicação da ata de encerramento 
da liquidação da sociedade.
A única prescrição bienal (de dois anos) prevista 
no CC é para os ALIMENTOS (§ 2º).
O prazo prescricional de três anos ocorre: I) a 
pretensão relativa a aluguéis de prédios urbanos ou 
rústicos; II) a pretensão para receber prestações venci-
das de rendas temporárias ou vitalícias; III) a pretensão 
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para haver juros, dividendos ou quaisquer prestações 
acessórias, pagáveis, em períodos não maiores de um 
ano, com capitalização ou sem ela; IV) a pretensão de 
ressarcimento de enriquecimento sem causa; V) a pre-
tensão de reparação civil; VI) a pretensão de restituição 
dos lucros ou dividendos recebidos de má-fé, correndo 
o prazo da data em que foi deliberada a distribuição; VII) 
a pretensão contra as pessoas em seguida indicadas por 
violação da lei ou do estatuto, contado o prazo: a) para 
os fundadores, da publicação dos atos constitutivos 
da sociedade anônima; b) para os administradores, 
ou fiscais, da apresentação, aos sócios, do balanço 
referente ao exercício em que a violação tenha sido 
praticada, ou da reunião ou assembleia geral que dela 
deva tomar conhecimento; c) para os liquidantes, da 
primeira assembleia semestral posterior à violação; VIII) 
a pretensão para haver o pagamento de título de cré-
dito, a contar do vencimento, ressalvadas as disposições 
de lei especial; IX) a pretensão do beneficiário contra 
o segurador, e a do terceiro prejudicado, no caso de 
seguro de responsabilidade civil obrigatório.
A única prescrição de quatro anos prevista no § 
4º, do artigo 206, do CC/02, é para “a pretensão relativa 
à TUTELA, a contar da data da aprovação das contas”.
Finalmente, a prescrição quinquenal (§ 5º, do art. 
206) nos seguintes casos: I) a pretensão de COBRANÇA 
DE DÍVIDAS LÍQUIDAS constantes de instrumento 
público ou particular; II) a pretensão dos profissionais 
liberais em geral, procuradores judiciais, curadores e 
professores pelos seus HONORÁRIOS, contado o prazo 
da conclusão dos serviços, da cessação dos respectivos 
contratos ou mandato; III) a pretensão DO VENCEDOR 
para haver do vencido O QUE DESPENDEU EM JUÍZO.
8.2.2. CAUSAS IMPEDITIVAS, SUSPENSIVAS E 
INTERRUPTIVAS DA PRESCRIÇÃO
A regra geral é que o prazo prescricional fluirá em 
uma só toada. Todavia, malgrado a regra geral, é viável 
que se perceba, excepcionalmente, a presença de uma 
causa impeditiva, suspensiva e até mesmo interruptiva 
do prazo prescricional.
Por causas impeditivas tem-se hipóteses nas quais 
o prazo sequer começa a ser contado. Já as causas 
suspensivas paralisam o curso do prazo, o qual, acaso 
cessada a causa suspensiva, retomará o seu curso de 
onde parou. Em arremate, as causas interruptivas são 
aquelas que destroem a contagem inicialmente rea-
lizada, recomeçando-se a contagem do prazo “do zero”.
 ` a) Causas Impeditivas e Suspensivas
A causa será PRÉ-EXISTENTE ao nascimento da pre-
tensão e a contagem do prazo, impedindo a sua conta-
gem. Entretanto, será suspensiva a causa que atingir o 
prazo EM CURSO, suspendendo a sua contagem. 
Para o CC, não corre a prescrição “entre os côn-
juges, na constância da sociedade conjugal” (art. 197, I, 
CC). E entre companheiros na união estável? Corre o 
prazo? Como o artigo não versa sobre o tema, a priori, 
a resposta é que corre normalmente. Entrementes, caso 
a questão verse sobre um posicionamento JURISPRU-
DENCIAL ou DOUTRINÁRIO, é possível aplicar a causa 
suspensiva ou impeditiva, com força no Enunciado 
296 do CJF. 
Não correrá prazo de prescrição “entre ascenden-
tes e descendentes, durante o poder familiar” (art. 197, 
II, CC). Esta ideia também impede o fluxo da prescrição 
“entre os tutelados ou curatelados e seus tutores ou 
curadores, durante a tutela ou curatela” (art. 197, III, CC). 
Um cuidado, entretanto, deve ser levado em considera-
ção no tocante aos absolutamente incapazes, em face 
dos relativamente. É que “não corre a prescrição con-
tra os incapazes de que trata o art. 3º” do CC. Contudo, 
quanto aos relativamente incapazes a prescrição corre 
normalmente, a teor do artigo 195 do CC.
Seria justo correr prazo prescricional contra servi-
dor público que se ausenta do nosso país para defen-
der a pátria ou trabalhar em favor do interesse público? 
A resposta é intuitivamente NEGATIVA e está bem colo-
cada no artigo 198, incisos II e III.
Ainda a respeito das hipóteses nas quais o PRAZO 
PRESCRICIONAL NÃO CORRE, deve-se destacar questões 
alusivas à evicção, à pendência de condição sus-
pensiva e à inexistência de prazo vencido, a teor do 
artigo 199 do CC. Pela Teoria da Actio Nata, recorde-se, 
enquanto não for violado o direito material, não nasce 
à pretensão (art. 189, CC).
Demais disto, por conta da independência de ins-
tâncias na seara cível e penal, consigna o art. 200 do CC 
que, quando a ação se originar de fato que deva ser 
apurado no juízo criminal, não correrá a pretensão 
cível antes da respectiva decisão penal definitiva.
Por fim, a SUSPENSÃO da prescrição em favor de 
um dos devedores solidários apenas aproveitará aos 
outros se a obrigação for indivisível (art. 201, CC).
No que tange às hipóteses de impedimento e sus-
pensão do prazo, indica-se, ainda, a importante Súmula 
229 do STJ, segundo a qual o pedido do pagamento 
de indenização à seguradora SUSPENDE o prazo de 
prescrição até que o segurado tenha ciência da decisão.
b) Causas Interruptivas.
As causas interruptivas irão atingir o prazo pres-
cricional EM CURSO, o interrompendo e consequente-
mente impondo a sua recontagem de forma integral. 
A interrupção do prazo prescricional apenas poderá 
acontecer uma única oportunidade (CC, art. 200).
A interrupção do prazo poderá ser promovida por 
qualquer interessado (CC, art. 203), sendo suas hipóteses: 
I) por DESPACHO DO JUIZ, mesmo incompetente, que 
ordenar a citação, se o interessado a promover no prazo e 
na forma da lei processual; II) por PROTESTO, nas condições 
do inciso antecedente; III) por PROTESTO CAMBIAL; IV) 
pela APRESENTAÇÃO DO TÍTULO DE CRÉDITO EM JUÍZO 
de inventário ou em concurso de credores; V) por qualquer 
ATO JUDICIAL que constitua em mora o devedor e VI) por 
qualquer ATO INEQUÍVOCO, ainda que extrajudicial, que 
importe reconhecimento do direito pelo devedor.
A interrupção da prescrição por um credor não 
aproveita aos outros; semelhantemente, a interrupção 
operada contra o codevedor, ou seu herdeiro, não 
prejudica aos demais coobrigados. Já a interrupção 
por um dos credores solidários aproveita aos outros; 
assim como a interrupção efetuada contra o devedor 
solidário envolve os demais e seus herdeiros. Outros-
sim, a interrupção operada contra um dos herdeiros 
do devedor solidário não prejudica os outros herdei-
ros ou devedores, senão quando se trate de obrigações 
e direitos indivisíveis. Por fim, a interrupção produzida 
contra o principal devedor prejudica o fiador.
8.2.3. LEMBRETES FINAIS SOBRE PRESCRIÇÃO
A exceção prescreve no mesmo prazo em que a 
pretensão. Entende-se por exceção a arguição de um 
direito em defesa, a exemplo do DIREITO DE COMPEN-
SAÇÃO (CC, art. 190).
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Também se há de lembrar que “Prescreve a execução 
no mesmo prazo da prescrição da ação”, ou melhor, da 
pretensão de conhecimento, a teor da súmula 150 do STF.
Ademais, a súmula 237 do STF possibilita a arguição 
de usucapião (prescrição aquisitiva) em sede de defesa. 
A doutrina vem entendendo que isso é possível ainda 
que em sede de ações possessórias, pois a usucapião não 
é uma exceção de propriedade, mais sim de domínio, não 
havendo, portanto, vedação em seu manejo.
Lembre-se que a prescrição pode ser alegada 
em qualquer grau de jurisdição pela parte a quem 
aproveita. Tal fato, porém, não retira a necessidade de 
respeitoao requisito do PREQUESTIONAMENTO para 
o tema ser ventilado nas instâncias extraordinárias. 
Outrossim, a prescrição iniciada contra uma pessoa 
continua a correr contra seus sucessores, na forma do 
artigo 196 do CC. 
8.3. DECADÊNCIA OU CADUCIDADE
Entende-se por decadência ou caducidade, a perda 
do prazo predeterminado para o exercício de um 
determinado direito potestativo, manejado por uma 
ação constitutiva. A inobservância do prazo gerará a 
extinção do direito, por decadência. 
Decadência (tempo)
Perda de 
direito 
potestativo
Ação consti-
tutiva
ou desconsti-
tutiva
Isso leva a conclusão de que todo direito potesta-
tivo possui prazo de exercício? A resposta é negativa. 
Há direitos potestativos que não possuem prazo de 
exercício, não decaindo. Exemplifica-se com o divór-
cio, o qual poderá ser requisitado, pelo interessado, a 
qualquer tempo. 
Diferentemente da prescrição, o prazo decaden-
cial poderá decorrer da lei ou da vontade. Assim, 
fala-se em decadência: i) Legal, na qual o prazo está 
NA NORMA (CC, art. 178); ii) Convencional, quando o 
prazo será estabelecido POR ATO DE VONTADE (prazo 
de arrependimento em um contrato). 
8.3.1. OBSERVAÇÕES CORRELATAS: PRESCRIÇÃO E 
DECADÊNCIA
PRESCRIÇÃO DECADÊNCIA
Funcionamento
Direito Subjetivo ® descumprimento pela outra 
parte ® pretensão em dado prazo ® prazo não 
observado = perda do direito pela prescrição
Direito Potestativo com prazo ® não exercício em 
dado prazo = perda do direito pela decadência
Diferenças
Relacionada à um direito SUBJETIVO (não auto 
executável)
Relacionada à um Direito POTESTATIVO (autoe-
xecutável)
Decurso do tempo do PRAZO PARA A PRETEN-
SÃO, que surge com o descumprimento pela 
outra parte
Obs: Pretensão = possibilidade de exigir de 
outrem uma determinada obrigação (de dar, 
fazer ou não fazer)
Decurso do tempo do PRAZO PARA EXERCER O 
DIREITO POTESTATIVO
Perda do DIREITO À PRETENSÃO (que emana de 
um direito subjetivo)
Obs1: pretensão ≠direito material
Obs2: não é perda do DIREITO DE AÇÃO (ina-
fastabilidade do poder judiciário: Princípio da 
Ubiquidade)
Perda do prazo predeterminado para o exercício 
de um determinado direito potestativo
Em Ações Condenatórias (pretensões de dar – 
coisa certa ou incerta-, de fazer ou de não fazer)
Obs.: ações declaratórias são imprescritíveis
Em Ações Constitutivas ou desconstitutivas
Requer atuação JUDICIAL NÃO requer atuação JUDICIAL
PRAZOS prescricionais todos contidos na lei 
(sempre LEGAIS) e não podem ser alterados 
pela vontade das partes
PRAZO decadencial poderá decorrer da lei 
(LEGAL) ou da vontade (CONVENCIONAL).
PRAZO prescricional poderá ser impedido, sus-
pendido ou interrompido
PRAZO decadencial em regra, não se impede, 
nem se suspende e nem se interrompe, salvo 
previsão legal em sentido contrário
Pode ser renunciada em qualquer hipótese Apenas se admite a renúncia da decadência CON-
VENCIONAL
Pode ser conhecida DE OFÍCIO pelo juiz. APENAS decadência LEGAL pode ser conhecida 
DE OFÍCIO pelo juiz.
Semelhanças Perda do direito pelo decurso do tempo
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8.4. DIREITO INTERTEMPORAL E PRESCRIÇÃO
O que fazer com os prazos prescricionais que 
foram reduzidos e ainda estavam em curso quando 
da vigência do atual CC?
Solucionando o tema, o Código Civil, em seu artigo 
2.028, trouxe uma REGRA DE TRANSIÇÃO, verberando 
que: “Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos 
por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já 
houver transcorrido mais da metade do tempo estabe-
lecido na lei revogada”.
Exemplo: imagine uma lesão hábil a ocasionar 
reparação civil perpetrada em 1990. Como o prazo 
de reparação civil era de 20 (vinte) anos, iria até 2010. 
Como o CC trouxe prazo menor – de 3 (três) anos – e 
ganhou vigência em 2003 – quando já havia transcor-
rido mais da metade do prazo da lei velha: 13 (treze) 
anos –, seguiremos a contagem pela norma anterior, 
findando o prazo em 2010. Se, nesta mesma casuística, 
a lesão houvesse se dado em 2001, na data da vigência 
do CC/02 – em 2003 – teríamos apenas dois anos de 
contagem do prazo da lei velha, o que é menos da 
metade do prazo. Nessa toada, aplicar-se-á o prazo 
da lei nova – de 3 (três) anos – iniciando a contagem 
em 2003 – início da vigência do CC/02 – e findando 
em 2006.
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DIREITO ADMINISTRATIVO
Leandro Bortoleto
3. ORGANIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
• Administração Pública: conjunto de pessoas ju-
rídicas, órgãos públicos e agentes públicos que 
realizam a atividade administrativa, consistente em 
serviços públicos, fomento, polícia administrativa e 
intervenção.
• Administração Pública em sentido amplo: englo-
ba a atividade política e a atividade administrativa, 
incluindo tanto os órgãos governamentais quanto 
os órgãos administrativos. Administração Pública 
em sentido estrito: corresponde, exclusivamente, à 
função administrativa exercida pelos órgãos admi-
nistrativos. Subdivide-se em: a) sentido subjetivo, 
formal ou orgânico (conjunto de pessoas jurídicas, 
órgãos públicos e agentes públicos que realizam 
a atividade administrativa; quem faz a atividade 
administrativa); b) sentido objetivo, material ou 
funcional (é a atividade administrativa, que com-
preende o serviço público, a polícia administrativa, 
o fomento e a intervenção; o que é realizado).
• Há várias formas de desempenho da atividade ad-
ministrativa1:
FORMAS DE DESEMPENHO DA ATIVIDADE 
ADMINISTRATIVA
Concentrada 
(concentração)
• atividade é realizada por um 
único órgão
• pessoa jurídica sem divisão 
interna
Desconcentrada 
(desconcentração)
• atividade é realizada por vários 
órgãos
• pessoa jurídica com divisão 
interna
• distribuição interna de compe-
tência
Centralizada 
(centralização)
• atividade é realizada direta-
mente pela pessoa política, 
por meio de seus órgãos
Descentralizada 
(descentralização)
• atividade é realizada por outra 
pessoa jurídica
• distribuição externa de compe-
tência
• Administração direta: conjunto de órgãos que 
compõem a pessoa política.
• Classificação dos órgãos públicos:
a) Quanto à posição estatal ou hierarquia: inde-
pendentes (representam as funções principais 
1. BORTOLETO, Leandro. Direito administrativo. Salvador: Juspo-
divm, 2012. p. 69.
do Estado; não estão subordinados a nenhum 
outro); autônomos (estão situados abaixo dos 
órgãos independentes; possuem autonomia 
administrativa, financeira e técnica.); superio-
res (subordinados aos autônomos e indepen-
dentes; possuem poder de direção, mas não 
têm autonomia administrativa nem financeira); 
subalternos (possuem pequeno poder de deci-
são; atividades de execução).
b) Quanto à estrutura: simples (não se subdivi-
dem em outros); compostos: (subdividem-se 
em outros órgãos)
c) Quanto à atuação funcional ou composição: 
singulares ou unipessoais (a atuação do órgão 
é realizada de acordo com a decisão de um úni-
co agente); coletivos ou pluripessoais (a atua-
ção do órgão é decidida por vários agentes).
d) Quanto à esfera de atuação: centrais (atuam 
em toda a área territorial da pessoa); locais 
(atuam apenas em parte do território da pessoa 
que integram)
• São características dos órgãos públicos: a) criação 
e extinção por lei; b) resultado da desconcentração; 
c) despersonalizados; d) não possuem patrimônio 
próprio; e) não possuem capacidade processual; f ) 
alguns órgãos podem ser parte em processo para 
defesa de prerrogativa; g) podem celebrar contrato 
de gestão (denominado contrato de desempenho 
pela Lei nº 13.934/2019, que entrará em vigor em 
09/06/2020); h) órgãos gestores de orçamento de-
vem ser inscritos no CNPJ.
 Quanto ao contrato de desempenho, a Lei nº 
13.934/2019 o conceitua como: “o acordo celebra-
do entre o órgão ou entidade supervisora e o órgão 
ou entidade supervisionada, pormeio de seus ad-
ministradores, para o estabelecimento de metas de 
desempenho do supervisionado, com os respecti-
vos prazos de execução e indicadores de qualidade, 
tendo como contrapartida a concessão de flexi-
bilidades ou autonomias especiais.” Seu objetivo 
fundamental consiste em promover a melhoria do 
desempenho do supervisionado, visando, especial-
mente (art. 5º da Lei nº 13.934/2019):
I - aperfeiçoar o acompanhamento e o con-
trole de resultados da gestão pública, me-
diante instrumento caracterizado por con-
sensualidade, objetividade, responsabilidade 
e transparência;
II - compatibilizar as atividades do supervisio-
nado com as políticas públicas e os progra-
mas governamentais;
III - facilitar o controle social sobre a atividade 
administrativa;
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IV - estabelecer indicadores objetivos para o 
controle de resultados e o aperfeiçoamento 
das relações de cooperação e supervisão;
V - fixar a responsabilidade de dirigentes 
quanto aos resultados;
VI - promover o desenvolvimento e a implanta-
ção de modelos de gestão flexíveis, vinculados 
ao desempenho e propiciadores de envolvi-
mento efetivo dos agentes e dos dirigentes na 
obtenção de melhorias contínuas da qualida-
de dos serviços prestados à comunidade.
• Administração indireta: conjunto das pessoas ad-
ministrativas, com personalidade de direito público 
ou de direito privado, patrimônio próprio e auto-
nomia administrativa, vinculadas à administração 
direta, criadas para o desempenho de determinada 
atividade administrativa. De acordo com o art. 4º, 
II do Decreto nº 200/1967, a Administração indireta 
compreende:
a) Autarquias;
b) Empresas Públicas;
c) Sociedades de Economia Mista.
d) fundações públicas.
Além dessas, podemos citar os consórcios públicos, 
que são regidos pela Lei nº 11.107/2005. 
Autarquia
• lei cria;
• p er s onal idade de dire i to 
público;
• atividade típica do Estado;
• responsabilidade civil objetiva 
(art. 37, §6º da CF/88)
Fundação 
Pública
• lei cria (personalidade de direito 
público) e lei autoriza (persona-
lidade de direito privado);
• atividade não exclusiva do 
Estado (interesse público).
• responsabilidade civil objetiva 
(art. 37, §6º da CF/88)
Sociedade de 
economia mista 
e Empresa 
Pública
• lei autoriza;
• personalidade de direito pri-
vado;
• prestação de serviço público ou 
exploração de atividade econô-
mica;
• se executoras de atividade eco-
nômica, a responsabilidade é 
subjetiva; mas se prestadoras 
de serviço público, a responsa-
bilidade é objetiva (art. 37, §6º 
da CF/88)
• FUNDAÇÃO PÚBLICA: é a pessoa jurídica de direi-
to público ou de direito privado, com autonomia 
administrativa e que tem como substrato o patri-
mônio – próprio –, que é criada por lei específica 
ou cuja criação é por ela autorizada, com área de 
atuação de interesse público, não exclusiva da Ad-
ministração Pública, definida em lei complementar.
• Agência reguladora: criadas como autarquia em 
regime especial; maior autonomia; deve ter per-
sonalidade de direito público. No ano de 2019 foi 
publicada a Lei nº 13.848/2019 que dispõe “sobre 
a gestão, a organização, o processo decisório e o 
controle social das agências reguladoras” e, entre 
outras, modificou a Lei nº 9.986/00, que regula a 
gestão de recursos humanos dessas pessoas jurídi-
cas, configurando-se, assim, o marco regulatório 
das agências reguladoras federais. Referida lei 
entrou em vigor no dia 24/09/2019.
• A Lei nº 13.848/2019 estabelece que são caracterís-
ticas das agências reguladoras (art. 3º): 
 Autonomia funcional;
 Autonomia decisória;
 Autonomia administrativa;
 Autonomia financeira;
 Investidura a termo de seus dirigentes e estabili-
dade durante os mandatos.
• Possuem grande autonomia em relação à admi-
nistração direta. Na esfera federal, seus dirigentes 
são nomeados pelo Presidente da República, após 
aprovação do nome pelo Senado, têm mandato fixo 
de 5 anos, sendo vedada a recondução dos direto-
res após o final do mandato e somente perderão o 
cargo no caso de renúncia, de decisão judicial tran-
sitada em julgado ou de processo administrativo 
disciplinar. Não ocorre a exoneração ad nutum. Com 
isso, o controle político exercido sobre a agência é 
bem diminuto porque o Presidente da República, 
mesmo se estiver descontente com o presidente de 
determinada agência, não poderá simplesmente 
exonerá-lo e substituí-lo. Não há hierarquia ou su-
bordinação em relação à administração direta. Está 
submetida ao controle administrativo de finalidade, 
de tutela administrativa.
O controle externo das agências federais será exe-
cutado pelo Congresso Nacional, com auxílio do TCU, 
devendo a agência elaborar relatório anual circunstan-
ciado de suas atividades, nos termos do art. 15 da Lei 
nº 13.848/2019.
• Agência executiva: é uma qualificação, um título, 
que é dado a uma autarquia ou a uma fundação 
pública. São requisitos (art. 51 da Lei nº 9.649/98) a 
existência de plano estratégico de reestruturação e 
de desenvolvimento institucional em andamento e 
a celebração de contrato de gestão com o ministé-
rio supervisor. A qualificação se dá por ato do Presi-
dente da República.
 ` Estatais:
As estatais passaram a ser regidas pela Lei nº 
13.303/2016, que se trata do “estatuto jurídico da 
empresa pública, da sociedade de economia mista 
e de suas subsidiárias, abrangendo toda e qualquer 
empresa pública e sociedade de economia mista da 
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municí-
pios que explore atividade econômica de produção 
ou comercialização de bens ou de prestação de servi-
ços, ainda que a atividade econômica esteja sujeita ao 
regime de monopólio da União ou seja de prestação de 
serviços públicos” (art. 1º, caput).
Nos termos do art. 173 da CF/88, a exploração direta 
de atividade econômica pelo Estado só será permi-
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tida quando necessária aos imperativos da segurança 
nacional ou a relevante interesse coletivo. Havendo 
tais fundamentos, a criação da estatal dependerá de 
autorização legal (art. 37, XIX da CF/88).
Vejamos as principais características das sociedades 
de economia mista e das empresas públicas:
Empresa pública (art. 3º): entidade dotada de 
personalidade jurídica de direito privado, com criação 
autorizada por lei e com patrimônio próprio, cujo capital 
social é integralmente detido pela União, pelos Estados, 
pelo Distrito Federal ou pelos Municípios. Podem parti-
cipar no capital social outras pessoas jurídicas de direito 
público interno, bem como as entidades da administra-
ção indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e 
dos Municípios, desde que pessoas jurídicas de direito 
público interno, bem como de entidades da administra-
ção indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal 
e dos Municípios.
Sociedade de economia mista (art. 4º): entidade 
dotada de personalidade jurídica de direito privado, 
com criação autorizada por lei, sob a forma de socie-
dade anônima, cujas ações com direito a voto perten-
çam em sua maioria à União, aos Estados, ao Distrito 
Federal, aos Municípios ou a entidade da administração 
indireta. Importante destacar que, caso a sociedade 
de economia mista preste serviço público de atuação 
própria do Estado e de natureza não concorrencial, 
estará submetida ao regime de precatório (RE 852302).
 ` Consórcio Público:
• Consórcio público: está regulado pela Lei nº 
11.107/05. Trata-se de uma nova pessoa adminis-
trativa que surge da união entre pessoas políticas 
(União, Estados, Distrito Federal e Municípios). Em 
um primeiro momento, há o protocolo de inten-
ções, que é uma espécie de ajuste preliminar entre 
as pessoas políticas, no qual há a definição do obje-
to do consórcio, quais são seus participantes, qual 
sua duração, quala forma de eleição do represen-
tante legal. Depois, o protocolo de intenções deve 
ser publicado na imprensa oficial e, na sequência, 
ele deve ser ratificado por lei em cada um dos entes 
consorciados.
 O consórcio público poderá ter personalidade jurí-
dica de direito público (associação pública; conhe-
cido como autarquia interfederativa ou autarquia 
multifederada) ou privado, devendo observar as 
normas de direito público no que concerne à reali-
zação de licitação, à celebração de contratos, à pres-
tação de contas e à admissão de pessoal, que será 
regido pela CLT (art. 6º, §2º da Lei nº 11.107/2005). 
• Em 2019, foi editada a lei nº 13.821, que inseriu um 
parágrafo único ao art. 14 da Lei nº 11.107/2005: 
“Para a celebração dos convênios de que trata 
o  caput  deste artigo, as exigências legais de re-
gularidade aplicar-se-ão ao próprio consórcio pú-
blico envolvido, e não aos entes federativos nele 
consorciados”.
• Contrato de consórcio: formaliza a constituição do 
consórcio.
• Contrato de rateio: formaliza a entrega de recur-
sos dos entes consorciados para o consórcio.
• Contrato de programa: instrumento usado quando 
um dos consorciados assumir a obrigação de pres-
tar serviço por meio de seus órgãos ou entidades.
 ` TERCEIRO SETOR
• Marco regulatório: Lei 13.019/14. Disposições da 
nova lei não se aplicam às organizações sociais, re-
guladas pela Lei nº 9.637/98, nos termos do art. 3º, 
III. Quanto às organizações da sociedade civil, obje-
to da Lei nº 9.790/99, as disposições aplicam-se, no 
que couber.
 ` Parcerias são formalizadas:
a) quando houver transferência de recursos: termo 
de colaboração (para a realização de atividades 
de interesse público propostas pela Administração 
Pública, nos termos do art. 16) e por termo de fo-
mento (para a realização de atividades de interesse 
público propostas pela organização da sociedade 
civil, conforme o art. 17); em ambos os casos: exi-
gência de escolha da entidade do Terceiro Setor por 
meio de um processo seletivo denominado Chama-
mento Público, salvo as exceções previstas em lei;
b) quando não houver transferência de recursos: 
acordo de cooperação.
• Organização social (OS) e Organização da Socie-
dade Civil de Interesse Público (Oscip): são entida-
des civis sem fins lucrativos, integrantes do setor 
privado, que recebem a qualificação do Poder Pú-
blico. Oscip: deve estar em funcionamento regular 
há, no mínimo, 3 anos.
• Não podem ser qualificadas como Oscip (art. 2º):
a) sociedades comerciais;
b) sindicatos, associações de classe ou de repre-
sentação de categoria profissional;
c) instituições religiosas ou voltadas para a dis-
seminação de credos, cultos, práticas e visões 
devocionais e confessionais;
d) organizações partidárias e assemelhadas, inclu-
sive suas fundações;
e) entidades de benefício mútuo destinadas a 
proporcionar bens ou serviços a um círculo res-
trito de associados ou sócios;
f ) entidades e empresas que comercializam pla-
nos de saúde e assemelhados;
g) instituições hospitalares privadas não gratuitas 
e suas mantenedoras;
h) escolas privadas dedicadas ao ensino formal 
não gratuito e suas mantenedoras;
i) organizações sociais;
j) cooperativas;
k) fundações públicas;
l) fundações, sociedades civis ou associações de 
direito privado criadas por órgão público ou 
por fundações públicas;
m) organizações creditícias que tenham qualquer 
tipo de vinculação com o sistema financeiro na-
cional a que se refere o art. 192 da Constituição 
Federal.
• Diferenças entre OS e Oscip: a) a OS opera a absor-
ção de determinada atividade que o Estado esteja 
fazendo e, com frequência, leva à extinção do ór-
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gão público que realizava a mesma atividade e, por 
outro lado, a Oscip representa verdadeira parceria 
e não há extinção de órgãos; b) a outorga da qua-
lificação é ato discricionário na OS e ato vinculado 
na Oscip; c) o vínculo na OS é contrato de gestão e 
na Oscip é termo de parceria; d) na OS, há exigência 
de que tenha a presença de representantes do po-
der público no órgão de administração, o que não 
ocorre com a Oscip; e) no caso de desqualificação, 
os bens adquiridos com recursos públicos serão re-
vertidos ao Poder Público, no caso da OS e, se for 
Oscip, será transferida à outra Oscip, de preferência, 
na mesma área de atuação.
• Sistematização da Administração Pública e do Ter-
ceiro Setor2:
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
ADMINISTRAÇÃO 
INDIRETA
ADMINISTRAÇÃO 
DIRETA
Conjunto das pessoas 
a d m i n i s t r at i v a s , co m 
personalidade de direito 
público ou de direito pri-
vado, patrimônio próprio e 
autonomia administrativa, 
vinculadas à administra-
ção direta, criadas para o 
desempenho de determi-
nada atividade adminis-
trativa
Conjunto dos órgãos públi-
cos que integram as pes-
soas jurídicas políticas
Pessoas jurídicas de direito 
público
União, Estados, Distrito 
Federal e Municípios
Autarquia: direito público
Agência reguladora: autar-
quia em regime especial
Agência Executiva: autar-
quia que recebeu a qualifi-
cação (contrato de gestão)
–
Fundação Pública: direito 
público ou direito privado
Agência Executiva: funda-
ção pública que recebeu a 
qualificação (contrato de 
gestão)
–
Empresa Pública: direito 
privado; prestadora de 
serviço público ou explo-
radora de atividade eco-
nômica
Sociedade de Economia 
Mista : direito privado; 
prestadora de ser viço 
público ou exploradora de 
atividade econômica
Consórcio Público: direito 
p ú b l i c o ( a s s o c i a ç ã o 
pública) ou direito privado
2. BORTOLETO, Leandro. Direito administrativo. Salvador: Juspo-
divm, 2012. p. 106.
TERCEIRO SETOR
Pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, 
pertencentes ao setor privado, que desenvolvem ativi-
dade de interesse público.
Marco regulatório (Lei nº 13.019/14): parcerias firmadas 
por: a) termo de fomento ou por termo de colaboração, 
quando envolverem transferência de recursos financei-
ros; entidades são escolhidas por meio de chamamento 
público, exceto os casos de dispensa e inexigibilidade; 
b) acordo de cooperação, quando não envolver trans-
ferência de recursos financeiros.
Serviço social autônomo
Entidade de apoio
Organização Social (OS)
Vínculo jurídico com a administração direta: contrato 
de gestão
Organização da Sociedade Civil de Interesse Público 
(Oscip)
Vínculo jurídico com a administração direta: termo de 
parceria
4. PODERES ADMINISTRATIVOS
• Poderes administrativos são as prerrogativas à 
disposição da Administração destinadas à viabiliza-
ção do interesse público. São eles:
a) Poder discricionário: limitado pelo princípio da ra-
zoabilidade
b) Poder hierárquico: o de que dispõe o Executivo 
para distribuir e escalonar as funções de seus ór-
gãos, ordenar e rever a atuação de seus agentes, 
estabelecendo a relação de subordinação entre 
os servidores do seu quadro de pessoal”3. É típico 
da função administrativa, mas não é exclusivo do 
Executivo e faz parte dos Poderes Legislativo e Judi-
ciário, na função atípica de administrar. É com base 
na hierarquia que se pode avocar, delegar, ordenar, 
controlar, corrigir e aplicar sanções.
c) Poder disciplinar: é a prerrogativa pela qual a Ad-
ministração apura as infrações e aplica as penalida-
des ao infrator, que pode ser um servidor público 
ou particular sujeito à disciplina administrativa, co-
mo um estudante de escola pública4.
d) Poder regulamentar: Para Maria Sylvia Zanella 
Di Pietro, é espécie do poder normativo da Admi-
nistração Pública, ou seja, é um tipo, uma das for-
mas pela qual se expressa a função normativa da 
Administração Pública, e o poder regulamentar, 
assim entendido, é privativo do Chefe do Execu-
tivo e se materializa por meio de decreto, mas há 
outras formas de expressão do poder normativo 
como as resoluções, as portarias, as instruções, os 
regimentos, mas esses atos possuem alcance res-
tritoaos limites de atuação do órgão e não têm 
a mesma natureza dos regulamentos expedidos 
3. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 36. 
ed.São Paulo: Malheiros, 2010. p. 124.
4. DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 23. ed. 
São Paulo: Atlas, 2010. p. 94.
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pelo Chefes do Executivo5.
• Regulamento autônomo: é ato normativo, 
infralegal, que pode inovar na ordem jurídica; 
tem seu fundamento diretamente estabelecido 
no texto constitucional; trata de matéria não 
constante em lei. Art. 84, VI, da Constituição Fe-
deral.
• Regulamentação técnica ou regulamento 
autorizado: manifesta-se, por exemplo, na fun-
ção normativa exercida pelas agências regula-
doras, as quais recebem a função de regular por 
meio da deslegalização de parte da matéria.
• Deslegalização ou delegificação: a lei delega 
a função de criar norma a respeito de assuntos 
técnicos a órgãos administrativos. Fala-se, tam-
bém, em discricionariedade técnica, porque a 
lei estabelece parâmetros, diretrizes para que, 
em nível administrativo, seja feita a comple-
mentação da lei, com conteúdo técnico.
e) Poder de polícia: “faculdade de que dispõe a admi-
nistração pública para condicionar e restringir o uso 
e gozo de bens, atividades e direitos individuais, em 
benefício da coletividade ou do próprio Estado”6.
• Poder de polícia em sentido amplo e em sentido 
estrito: sentido amplo: engloba tanto os atos le-
gislativos quanto os atos administrativos; sentido 
estrito: é uma atividade administrativa e, assim, só 
pode ser exercida na função administrativa e não na 
função legislativa.
• Atributos do poder de polícia: discricionariedade, 
autoexecutoriedade e coercibilidade.
• Ciclo de polícia: ordem de polícia, consentimen-
to de polícia, fiscalização de polícia, sanção de 
polícia. Segundo o STJ (REsp. nº 817.534), apenas 
podem ser delegados os atos de consentimento e 
fiscalização.
• STJ (REsp 817.534): Código de Trânsito Brasileiro 
estabelece normas gerais e abstratas para que seja 
obtida a Carteira Nacional de Habilitação (legisla-
ção); “a emissão da carteira corporifica a vontade 
o Poder Público (consentimento); a Administração 
instala equipamentos eletrônicos para verificar se 
há respeito à velocidade estabelecida em lei (fiscali-
zação); e também a Administração sanciona aquele 
que não guarda observância ao CTB (sanção) ”. Em-
bargos de declaração: somente os atos referentes 
ao consentimento e à fiscalização são passíveis de 
delegação, sendo vedado delegar os atos atinentes 
à legislação e à sanção.
• A atividade de polícia administrativa, como qual-
quer outra atividade administrativa, deve estar em 
consonância com os princípios da Administração 
Pública e, portanto, possui limites. A razão de existir 
o poder de polícia é a preservação do interesse pú-
blico em face de atividade particular nociva e, desse 
modo, sua atuação deve ser na medida necessária 
para tanto e, obviamente, deve haver o respeito aos 
direitos fundamentais.
5. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo. 25. ed. São 
Paulo: Atlas, 2012. p. 91 e 94.
6. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 36. 
ed.São Paulo: Malheiros, 2010. p. 134.
 ` Abuso do poder:
Os poderes devem atender ao interesse público, 
sob pena de abuso do poder, que se subdivide em:
a) excesso de poder
b) desvio de poder.
• Sistematização do abuso de poder7:
ABUSO DE PODER
• Uso dos poderes administrativos contrariando o 
regime jurídico administrativo
• Forma comissiva ou omissiva
Espécies
Excesso de poder Desvio de poder
Atua fora dos limites da 
competência
Atua dentro dos limites 
da competência, mas com 
finalidade diversa daquela 
com que deveria atuar
7. BORTOLETO, Leandro. Direito administrativo. Salvador: Juspo-
divm, 2012. p. 300.
Como se preparar para o Exame de Ordem • OAB | Teoria Resumida (Semana 1 • 03/02 – 07/02)
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ÉTICA
Paulo Machado
1. ATIVIDADES DA ADVOCACIA
1.1 ATOS PRIVATIVOS DE ADVOGADO
O art. 1º do Estatuto da Advocacia trata dos atos 
privativos de advogado, ou seja, aqueles que somente 
podem ser praticados por pessoas devidamente ins-
critas no quadro de advogados da OAB, após terem 
preenchido as exigências do art. 8º.
Podemos dizer que, no inciso I, estão os atos judi-
ciais (“a postulação a qualquer órgão do Poder Judiciário 
e aos juizados especiais”) e, no inciso II, os atos extra-
judiciais (“consultoria, assessoria e direção jurídicas”). 
Vejamos alguns comentários acerca desses dispositivos:
“Art. 1º São atividades privativas de advocacia”:
I – A POSTULAÇÃO A QUALQUER ÓRGÃO DO PODER 
JUDICIÁRIO E AOS JUIZADOS ESPECIAIS
A capacidade postulatória, via de regra, está ligada 
ao advogado. O art. 1º do Estatuto da Advocacia e da 
OAB regulamenta o disposto no art. 133 da Constitui-
ção: “O advogado é indispensável à administração da 
justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações 
no exercício profissional, nos limites da lei”.
Em relação ao inciso I, do art. 1º do Estatuto, foi 
proposta, pela Associação dos Magistrados Brasileiros 
(AMB), a ADI nº 1.127-8, tendo o STF declarado a incons-
titucionalidade da expressão “qualquer”. Com razão, 
pois há hipóteses previstas em lei em que a pessoa pode 
agir junto ao Poder Judiciário sem estar representada 
por um advogado.
II – AS ATIVIDADES DE ASSESSORIA, CONSULTORIA 
E DIREÇÃO JURÍDICAS
Embora sejam atividades extrajudiciais, apenas 
podem ser exercidas por advogado regularmente ins-
crito na OAB.
Assessoria e consultoria são atividades distintas. 
Paulo Lôbo explica: “assessoria jurídica é espécie do 
gênero advocacia extrajudicial, pública ou privada, que 
se perfaz auxiliando quem deva tomar decisões, realizar 
atos ou participar de situações com efeitos jurídicos, 
reunindo dados e informações de natureza jurídica, 
sem exercício formal de consultoria. Se o assessor pro-
ferir pareceres, conjuga a atividade de assessoria sem 
sentido estrito com a atividade de consultoria jurídica”.
A atividade de direção jurídica também é privativa 
de advogado. Os departamentos jurídicos de empresas 
só podem ter como diretores-jurídicos profissionais 
regularmente inscritos no quadro de advogados. O 
art. 7º do Regulamento Geral enfatiza: “A função de 
diretoria e gerência jurídicas em qualquer empresa 
pública, privada ou paraestatal, inclusive em institui-
ções financeiras, é privativa de advogado, não podendo 
ser exercida por quem não se encontre inscrito regular-
mente na OAB.”
1.2 ATOS E CONTRATOS
O parágrafo 2º do art. 1º do Estatuto da Advocacia 
prevê mais um ato privativo de advogado: os atos e 
contratos constitutivos de pessoas jurídicas somente 
podem ser admitidos a registro nos órgãos compe-
tentes (juntas comerciais, cartórios de registro ci-vil 
de pessoas jurídicas) após visados por advogados. Na 
ausência do “visto”, o Estatuto considera nulos tais atos.
Advirta se que este visto não se resume à simples 
rubrica do advogado. O profissional deve, cuidadosa-
mente, e com total responsabilidade, analisar de forma 
integral o seu conteúdo. Quis assim o legislador evitar 
(ou pelo menos diminuir o risco) que, com essa tarefa, 
futuros problemas ou conflitos decorrentes do contrato 
venham surgir. A razão não é para reserva de mercado 
da advocacia. A questão é de absoluta ordem pública. 
No final, ganha a sociedade.
A Lei Complementar nº 123/06, no art. 9º, § 2º, 
trouxe uma exceção a essa exigência, determinando 
que “não se aplica às microempresas e às empresas de 
pequeno porte o disposto no § 2º do art. 1º da Lei nº 
8.906/94”. Isso ocorre porque, nesses casos, o registro 
é mais simples, muitas das vezes se realizando com o 
mero preenchimento de formulários padronizados.
1.3 ADVOGADO EMPREGADO
O advogado empregado é aquele que mantém um 
vínculo empregatício com uma empresa ou com uma 
sociedade de advogados, para a qual presta os seus 
serviços de advocacia. Ele preenche todos os requisitos 
caracterizadores do mencionadovínculo.
Pela primeira vez, essa forma de advocacia recebeu 
sua tutela legal com o advento do atual Estatuto da 
Advocacia e da OAB (Lei nº 8.906/94) nos arts. 18 ao 21. 
O Regulamento Geral também tratou do assunto nos 
arts. 11 ao 14.
A relação de emprego não retira do advogado a 
isenção técnica, nem tampouco reduz a independência 
profissional inerentes à advocacia. Advirta se que advo-
gado empregado não está obrigado a prestar serviços 
profissionais de interesse pessoal dos empregadores, 
fora da relação empregatícia.
Vejamos alguns aspectos importantes relacionados 
ao advogado empregado:
A) PISO SALARIAL
Como se preparar para o Exame de Ordem • OAB | Teoria Resumida (Semana 1 • 03/02 – 07/02)
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O salário mínimo do advogado empregado será 
fixado por sentença normativa, salvo quando ajustado 
em acordo ou convenção coletiva de trabalho.
B) JORNADA DE TRABALHO E HORA EXTRA
A jornada de trabalho do advogado empregado 
não poderá ultrapassar a duração diária de 4 (quatro) 
horas contínuas e a de 20 (vinte) horas semanais, exceto 
se houver acordo ou convenção coletiva de trabalho 
ou, ainda, em caso de dedicação exclusiva. O Regula-
mento Geral do Estatuto considera dedicação exclusiva 
o regime de trabalho que for previsto expressamente 
em contrato individual de trabalho.
As horas trabalhadas que excederem a jornada 
normal são remuneradas com um adicional não inferior 
a 100 % (cem por cento) sobre o valor da hora normal, 
mesmo havendo contrato escrito. Naqueles casos de 
dedicação exclusiva, serão remuneradas como extras 
as horas trabalhadas que passarem da jornada de 8 
(oito) horas diárias.
Considera se como período de trabalho todo o 
tempo em que o advogado estiver à disposição do 
empregador, aguardando ou executando ordens, no 
seu escritório ou em atividades externas, sendo lhe 
reembolsados os gastos efetuados com transporte, 
hospedagem e alimentação.
C) OS HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA E O ADVO-
GADO EMPREGADO
O art. 21 do Estatuto e seu parágrafo único deter-
minam que, nas causas em que o empregador (ou pes-
soa por este representada) for parte, os honorários de 
sucumbência são devidos aos advogados empregados. 
Já, se o advogado for empregado de sociedade de 
advogados, os sucumbenciais são partilhados entre 
ele e a sociedade, como for estabelecido em acordo. 
Esses dispositivos, embora tenham sido objetos de 
Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI nº 1.194-4), 
foram declarados constitucionais pelo STF, que deu 
interpretação conforme, sem redução do texto.
Os referidos honorários, por decorrerem precipua-
mente do exercício da advocacia e só acidentalmente 
da relação empregatícia, não integram o salário ou a 
remuneração do advogado empregado, não podendo, 
assim, ser considerados para efeitos trabalhistas. Os 
honorários sucumbenciais desses advogados consti-
tuem fundo comum, cuja destinação é decidida pelos 
profissionais integrantes do serviço jurídico da empresa 
ou por seus representantes.
1.4 ESTÁGIO PROFISSIONAL
Nos termos do art. 9º do Estatuto da Advocacia e 
da OAB, para inscrição como estagiário é necessário 
preencher os requisitos mencionados nos incisos I, III, V, 
VI e VII do art. 8º (capacidade civil; título de eleitor e qui-
tação do serviço militar, se brasileiro; não exercer ativi-
dade incompatível com a advocacia; idoneidade moral; 
prestar compromisso perante o conselho), além de já 
ter sido admitido em estágio profissional de advocacia.
O estágio, com duração de dois anos, realizado 
nos últimos anos do curso jurídico, pode ser mantido 
pelas respectivas instituições de ensino superior pelos 
Conselhos da OAB, ou por setores, órgãos jurídicos e 
escritórios de advocacia credenciados pela OAB, sendo 
obrigatório o estudo do nosso Estatuto e do Código de 
Ética e Disciplina.
A inscrição do estagiário é feita no Conselho Sec-
cional em cujo território se localize seu curso jurídico, 
podendo o estagiário fazer o estágio em qualquer 
estado do país.
O aluno de curso jurídico que exerça atividade 
incompatível com a advocacia pode frequentar o está-
gio ministrado pela respectiva instituição de ensino 
superior, para fins de aprendizagem, vedada a inscrição 
na OAB.
Por fim, para a Lei 8906/94, o estágio profissio-
nal poderá ser cumprido por bacharel em Direito que 
queira se inscrever na Ordem.
1.5 MANDATO JUDICIAL
A procuração é o instrumento do mandato, na qual 
ficam consignados os poderes outorgados pelo consti-
tuinte (outorgante) ao advogado (outorgado).
Nos casos das sociedades de advogados, o mandato 
judicial ou extrajudicial deve ser outorgado individual-
mente aos advogados e indicar a sociedade de que 
façam parte, não podendo ser fornecidos poderes para 
a própria sociedade (pessoa jurídica), muito menos 
coletivamente (como, por exemplo: “outorga poderes 
para todos os advogados do Escritório de Advocacia 
Pedro Meira”, sem menção ao nome de um ou mais 
advogados).
1.6 PODERES GERAIS E ESPECIAIS
Na procuração, pode constar a outorga de poderes 
gerais e poderes especiais. Poderes gerais (ou poderes 
para o foro em geral, em substituição à antiga expressão 
“poderes da cláusula ad judicia et extra”) são os poderes 
básicos que o advogado precisa para poder atuar desde 
a distribuição de uma ação até os recursos nos tribunais. 
Já os poderes especiais são aqueles que devem constar 
quando exigidos por lei, a exemplo do art. 105 do CPC 
(para receber citação inicial, confessar, reconhecer a 
procedência do pedido, transigir, desistir, renunciar ao 
direito sobre que se funda a ação, receber, dar quitação 
e firmar compromisso), do art. 39 do CPP (o direito de 
representação poderá ser exercido, pessoalmente ou 
por procurador com poderes especiais), do art. 44 do 
CPP (a queixa poderá ser dada por procurador com 
poderes especiais) e do art. 55 do CPP (o perdão poderá 
ser aceito por procurador com poderes especiais).
1.7 SUBSTABELECIMENTO
O substabelecimento é o instrumento pelo qual 
aquele advogado que recebeu poderes do cliente os 
transfere para outro advogado. O substabelecimento 
pode ser feito com reservas de poderes, isto é, quando 
o primeiro advogado constituído estende os poderes 
ao novo advogado (substabelecido). Neste, o advogado 
que substabeleceu (substabelecente) permanece na 
causa. Permite se também ao advogado substabelecer 
seus poderes sem reserva, caso em que o novo advo-
gado sucede o antigo, assumindo o patrocínio da causa 
sem que o antigo conserve nenhum dos poderes.
Por questões éticas, o substabelecimento do man-
dato com reserva de poderes é ato pessoal do advogado 
da causa, mas o substabelecimento sem poderes exige 
o prévio e inequívoco conhecimento do cliente.
O Código de Ética e Disciplina impõe que o advo-
gado substabelecido com reserva de poderes deve 
Como se preparar para o Exame de Ordem • OAB | Teoria Resumida (Semana 1 • 03/02 – 07/02)
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ajustar, antecipadamente, seus honorários com o subs-
tabelecente.
1.8 RENÚNCIA E REVOGAÇÃO
Renúncia e revogação são formas através das quais 
o advogado e o cliente desistem dos poderes recebidos 
ou outorgados no mandato.
O advogado que renunciar não precisa justificar 
o motivo, mas deve permanecer pelos 10 (dez) dias 
seguintes à notificação a representar o mandante, salvo 
se for substituído antes do término desse prazo (art. 10, 
§ 3º, do EAOAB).
A ciência pode ser provada por aviso de recebi-
mento, por notificação do Cartório de Títulos e Docu-
mentos ou pela própria ciência do cliente, quando este 
assina o documento que comunica a renúncia.
A revogação do mandato judicial por vontade do 
cliente não o desobriga do pagamento das verbas hono-
rárias contratadas e não retira do advogado o direito 
de receber o quanto lhe seja devida em eventual verba 
honorária de sucumbência, calculada, proporcional-
mente, em razão do serviço efetivamente prestado.
COMO SE PREPARAR 
PARA O EXAME 
DE ORDEM
1ª FASE
VOLUME 2 – CADERNO DE QUESTÕES
XXXI EXAME DE ORDEM
Material elaborado por Ana ClaraFernandes @viciodeumaestudante
O arquivo é de uso pessoal. PROIBIDO O REPASSE
SEMANA 1 • 03/02 – 07/02
2020
Edição
revista
atualizada
ampliada
2a
edição
VOLUME 2 – CADERNO DE QUESTOES *
CIVIL 
Das Pessoas ................................................................................409 
2.1. Das Pessoas Naturais ............................................419-424
2.2. Das Pessoas Jurídicas ...........................................424-427
2.3 Do domicílio .......................................................................427 
4. Dos Fatos Jurídicos .................................................428-435
4.3. Da Prescrição e da Decadência .........................435-438
ADMINISTRATIVO
Organização da Administração Pública.................307-316
Poderes da Administração ..........................................316-322
ÉTICA
1. Atividades da Advocacia ...........................................13-28
* Observação: número da página no Livro.
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DIREITO CIVIL
Wagner Inácio Dias 
Luciano L. Figueiredo 
Roberto L. Figueiredo
Algumas das questões aqui dispostas foram comentadas pela 
equipe Juspodivm.
2. DAS PESSOAS
2.1. DAS PESSOAS NATURAIS
01. (FGV/OAB/XXX_Exame – 2019) Alberto, adolescente, obteve 
autorização de seus pais para casar-se aos dezesseis anos de idade 
com sua namorada Gabriela. O casal viveu feliz nos primeiros meses 
de casamento, mas, após certo tempo de convivência, começaram a 
ter constantes desavenças. Assim, a despeito dos esforços de ambos 
para que o relacionamento progredisse, os dois se divorciaram pouco 
mais de um ano após o casamento. Muito frustrado, Alberto decidiu 
reunir algumas economias e adquiriu um pacote turístico para viajar 
pelo mundo e tentar esquecer o ocorrido.
Considerando que Alberto tinha dezessete anos quando celebrou o 
contrato com a agência de turismo e que o fez sem qualquer participa-
ção de seus pais, o contrato é
a) válido, pois Alberto é plenamente capaz.
b) nulo, pois Alberto é absolutamente incapaz.
c) anulável, pois Alberto é relativamente incapaz.
d) ineficaz, pois Alberto não pediu a anuência de Gabriela.
 Z Anotações/Comentários
Com o casamento houve a emancipação legal, na forma do art. 5o, 
parágrafo único, II do Código Civil. Outrossim, por ser a emancipação 
irretratável e irrevogável, o divórcio posterior não descaracterizará a 
emancipação. Logo Alberto é capaz e o contrato em comento é válido, 
sendo acertada a alínea “a”.
Gabarito: A
02. (FGV/OAB/XXIX_Exame – 2019) Gumercindo, 77 anos de idade, 
vinha sofrendo os efeitos do Mal de Alzheimer, que, embora não atingis-
sem sua saúde física, perturbavam sua memória. Durante uma distração 
de seu enfermeiro, conseguiu evadir-se da casa em que residia. A despeito 
dos esforços de seus familiares, ele nunca foi encontrado, e já se passaram 
nove anos do seu desaparecimento. Agora, seus parentes lidam com as 
dificuldades relativas à administração e disposição do seu patrimônio.
Assinale a opção que indica o que os parentes devem fazer para rece-
berem a propriedade dos bens de Gumercindo.
a) Somente com a localização do corpo de Gumercindo será possível 
a decretação de sua morte e a transferência da propriedade dos 
bens para os herdeiros.
b) Eles devem requerer a declaração de ausência, com nomeação de 
curador dos bens, e, após um ano, a sucessão provisória; a sucessão 
definitiva, com transferência da propriedade dos bens, só poderá 
ocorrer depois de dez anos de passada em julgado a sentença que 
concede a abertura da sucessão provisória.
c) Eles devem requerer a sucessão definitiva do ausente, pois ele já 
teria mais de oitenta anos de idade, e as últimas notícias dele datam 
de mais de cinco anos.
d) Eles devem requerer que seja declarada a morte presumida, sem 
decretação de ausência, por ele se encontrar desaparecido há mais 
de dois anos, abrindo- se, assim, a sucessão.
 Z Anotações/Comentários
A questão trata do procedimento de ausência, que se inicia 
mediante um requerimento para abertura do procedimento, diante 
do juiz competente. Tal notícia, na forma do art. 22 do Código Civil, 
poderá ser conferida por qualquer pessoa, ou até mesmo pelo Ministério 
Público. A legitimação ampla liga-se ao fato de tratar-se o desapareci-
mento de uma questão de ordem pública.
Diante do pedido de abertura do procedimento, bem como das 
provas juntadas, o magistrado deverá declarar a ausência e nomear 
curador. O curador não será necessariamente quem iniciou o proce-
dimento, havendo uma ordem preferencial estabelecida no art. 25 
do Código Civil, a qual engloba: a) o cônjuge, desde que não esteja 
separado judicialmente nem de fato há mais de dois anos; b) os pais; 
c) os descendentes, preferindo os mais próximos em relação aos mais 
remotos e d) o curador dativo.
A curadoria de bens, em regra, tem duração de 1 (um) ano. Todavia, 
em tendo o ausente deixado procurador, o prazo em comento é dilatado 
para 3 (três) anos (art. 26 do Código Civil).
Na segunda fase, da sucessão provisória, a decisão que converte 
a curadoria de bens em sucessão provisória autoriza a abertura do 
testamento, caso exista, e o inventário e partilha de bens como se o 
ausente fosse morto. Esta fase terá durabilidade, em regra, de 10 (dez) 
anos, contados da data em que a decisão que concede a abertura da 
sucessão provisória tenha passado em julgado (CC, art. art. 37).
Caso, porém, o ausente conte com mais de 80 (oitenta) anos de 
idade e há mais de 5 (cinco) datem suas últimas notícias, é possível o 
encurtamento do procedimento, indo, de logo, para a sucessão defi-
nitiva (art. 38 do CC).
Nesta última fase (sucessão definitiva) há transmissão dos bens, 
em caráter definitivo, sendo restituídas as cauções e os frutos, bem 
como se admitindo a prática de atos de disposição. Isso, porque, é nesse 
momento em que, efetivamente, haverá a declaração da morte, com as 
consequentes transferências patrimoniais.
Por fim, recorda-se que a ausência é uma hipótese de morte ficta, 
na qual o corpo não é encontrado. Outrossim, há mortes fictas que dis-
pensam o procedimento de ausência; são elas: i. se for extremamente 
provável a morte de quem estava em perigo de vida e ii. o desaparecido 
em campanha ou feito prisioneiro que não for encontrado até dois anos 
após o término da guerra (CC, art. 7o).
Gabarito: C
03. (FGV/Câmara de Salvador – BA/Analista Legislativo – 2018) 
Ricardo, com 10 anos de idade, aluno da rede municipal de ensino, repre-
sentado por seus pais, autoriza, de forma gratuita, o uso de sua imagem, 
captada em fotografia, na capa de cadernos escolares distribuídos pelo 
Município no ano letivo de 2008. Em 2018, o Município volta a utilizar a 
imagem de Ricardo em folheto com instruções para matrícula de alunos 
na rede municipal de ensino.
Diante desses fatos, Ricardo, insatisfeito com a divulgação:
a) nada poderá fazer, uma vez que a utilização daquela imagem já 
havia sido consentida;
b) poderá pleitear a retirada de circulação do folheto, mas não fará 
jus à eventual indenização, pois a pretensão se encontra prescrita;
c) terá direito à indenização pelos danos sofridos, visto que não 
consentiu com a nova divulgação e por veículo diverso;
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Como se preparar para o Exame de Ordem • OAB | Caderno de Questões (Semana 1 • 03/02 – 07/02)
d) receberá reparação pelos danos morais, mas não materiais, eis que 
a divulgação é pela administração pública;
e) nada poderá fazer, pois decaído o direito de revogar a autorização 
para divulgação.
 Z Anotações/Comentários
A cessão de uso de imagem é restrita ao veículo, objetivo e tempo 
para o qual foi realizada, em razão da interpretação restritiva que deve 
ser aplicada a todas as cessões de cunho patrimonial do uso dos direitos 
da personalidade.
Gabarito: C
04. (FGV/TJ-SC/Técnico Judiciário – 2018) Quando de uma viagem a 
Fortaleza, ocorrida em maio de 2011, o casal Carolina e Rodrigo foram 
fotografados pelo gerente do Quiosque do Vento Ltda., de modo aregistrar a presença em uma parede de fotos. No entanto, sem consen-
timento do casal, o gerente, no mês seguinte à visita deles, imprimiu a 
foto em tamanho superior ao das demais da parede de exposição e a 
inseriu em um grande cartaz publicitário afixado na parte externa do 
estabelecimento. Em maio do corrente ano, Carolina e Rodrigo retornam 
a Fortaleza e, para rememorar a viagem de 2011, visitam o Quiosque do 
Vento. Lá chegando, deparam-se com o enorme cartaz e exigem, de 
imediato, a sua retirada.
Essa exigência de Carolina e Rodrigo é:
a) abusiva, visto que permitiram se fotografar pelo estabelecimento;
b) inadequada, pois nada mais podem pleitear após o decurso de 
tanto tempo;
c) correta, pois não há desonra ao casal;
d) ilícita, já que o local em que foram fotografados é público;
e) adequada, pois o direito de personalidade é imprescritível.
 Z Anotações/Comentários
Primeiramente, cabe analisar se a autorização dada pelo casal para 
a fotografia e a consequente aposição em parede (interna, para apontar 
pessoas que lá estiveram) poderia ser estendida à colocação externa 
e chamativa que fora realizada pelo gerente do estabelecimento. Pela 
natureza dos direitos da personalidade, toda disposição feita em relação 
a qualquer deles deve ser objeto de interpretação restritiva, limitando-
-se, sempre, ao que especificamente se dispôs. Isso deixa patente que 
a utilização já se realizou fora dos limites firmados pelas partes. Assim 
sendo, inexistindo autorização, cabe aplicação do Enunciado 403 da 
Súmula do STJ (Independe de prova do prejuízo a indenização pela 
publicação não autorizada de imagem de pessoa com fins econômicos 
ou comerciais.). Por fim, como são imprescritíveis, as lesões perpetradas 
aos direitos da personalidade ainda podem ser objeto de indenização.
Gabarito: E
05. (FGV/TJ-AL/Analista Judiciário – Oficial de Justiça Avaliador – 
2018) Lucas, polêmico radialista da Rádio ABC Ltda., foi acometido de 
mal súbito que ceifou sua vida. Além de Carla, sua viúva, Lucas deixou 
Rodrigo, filho do casal, que contava com 15 anos. Após o falecimento 
e a abertura de seu testamento, viu-se a propagação em redes sociais 
de inúmeras inverdades sobre Lucas, de autoria de desafeto conhecido.
Nessa situação, tem legitimidade para tutelar o direito de personalidade 
de Lucas:
a) o espólio de Lucas;
b) a Rádio ABC Ltda.;
c) o inventariante do espólio de Lucas;
d) Carla e/ou Rodrigo;
e) o testamenteiro indicado por Lucas.
 Z Anotações/Comentários
(a) O Espólio não possui legitimidade para demandar questões de 
ordem pessoal, visto se restringe seu alcance às questões unicamente 
de natureza patrimonial.
(b) No contexto da questão apresentada, não há indicativo de que 
a Rádio ABC Ltda tenha sido atingida em sua honra. Vale recordar que as 
pessoas jurídicas não possuem honra subjetiva a ser maculada (já que 
a honra subjetiva é a autoconsideração que se tem, a sua autoestima). 
Contudo, elas possuem honra objetiva, que é o reconhecimento social 
e a boa-fama.
(c, e) O inventariante (e o testamenteiro) é o representante do espó-
lio e, assim, está atrelado às legitimidades afeitas a tal figura processual.
(d) Conforme o parágrafo único do art. 12, CC, são legitimados, em 
caso de ofendido já morto, cônjuge (ou companheiro) sobrevivente, ou 
qualquer parente em linha reta, ou colateral até o quarto grau.
Gabarito: D
06. (FGV/TJ-AL/Técnico Judiciário – Área Judiciária – 2018) Carla 
faleceu casada com Jorge, mas sem filhos ou ascendentes. Legou, por 
testamento, determinados bens para sobrinhos. Após seu falecimento, 
certa pessoa criou um perfil falso com fotos de Carla em uma rede social.
Nessa hipótese, a proteção da imagem de Carla pode ser exercida por:
a) seus herdeiros;
b)  seu Espólio;
c) Jorge;
d) seus amigos próximos;
e) herdeiro da maior porção de seus bens.
 Z Anotações/Comentários
A tutela dos direitos da personalidade está estampada, de forma 
geral, no art. 12, parágrafo único, quando se trata de ofendido morto. 
De acordo com a previsão legal, são legitimados o cônjuge sobrevivente 
(e, por extensão necessária de base constitucional, o companheiro), ou 
qualquer parente em linha reta, ou colateral até o quarto grau. Diante 
disto, haveria inclinação para a questão apontada pela resposta que 
contemplasse todos os herdeiros. Mas quando se trata de tutela da 
imagem, a legitimidade está ancorada no art. 20, parágrafo único, que 
a limita ao cônjuge (e companheiro), ascendente e descendente. Assim, 
a legitimidade para o requerimento de indenização frente à agressão 
da imagem de pessoa já falecida é mais restrita.
Gabarito: C
07. (FGV/AL-RO/Analista Legislativo – Processo Legislativo – 2018) 
Marcos, 46 anos, usuário de entorpecentes que lesionaram irreversi-
velmente seu sistema cognitivo, contraiu diversas dívidas e vive em 
situação de mendicância. Sua mãe e sua ex-mulher, mãe de sua filha de 
15 anos, procuram assistência jurídica para gerir a situação.
Nesse caso, Marcos
a) deverá ser interditado em razão da condição de toxicômano por 
absoluta incapacidade.
b) será considerado relativamente incapaz por vício em tóxicos e 
deverá ser assistido na prática de determinados atos.
c) não apresentava vontade hígida para a contração de dívidas, pelo 
que, todas são tidas como inexistentes.
d) deverá ser observado por um período de seis meses, sob assistência, 
para que seja declarado absolutamente incapaz.
e) perderá automaticamente, caso seja considerado incapaz, o poder 
familiar em relação à sua filha.
 Z Anotações/Comentários
As alternativas apresentadas, todas, não esposam a melhor visão 
sobre o caso. Na realidade, a situação de Marcos é que ele deve ser inter-
ditado em razão da condição de toxicômano, e, após o estabelecimento 
da curatela em sentença, será considerado relativamente incapaz, con-
forme redação nova do art. 4º, CC, a partir da lei 13.146/15. Mas a Banca 
manteve como gabarito a letra B, cuja redação, entendemos, poderia 
levar o concursando ao erro.
Gabarito: B
08. (FGV/TJ-PI/Analista Judiciário – Escrivão Judicial – 2016) Maria 
tomou um voo comercial no Brasil com destino a Portugal. Após a deco-
lagem, a aeronave sofreu uma pane e o avião caiu no Oceano Atlântico. 
As equipes de busca encontraram alguns destroços. Não encontraram 
corpos, mas não há qualquer indício de sobrevivente. Pedro, marido 
de Maria, para receber o seguro de vida do qual é beneficiário, poderá 
solicitar:
a) que seja declarada a morte presumida de Maria, pelas equipes de 
busca, em documento escrito;
b) à seguradora o pagamento da indenização, independentemente 
da declaração de morte de sua esposa;
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Como se preparar para o Exame de Ordem • OAB | Caderno de Questões (Semana 1 • 03/02 – 07/02)
c) a decretação de ausência e a nomeação de curador para administrar 
os interesses da esposa desaparecida;
d) ao Judiciário a declaração, por sentença, da morte presumida, com 
a fixação da data provável da morte de Maria;
e) à companhia aérea uma declaração oficial sobre o acidente para 
apresentar à seguradora e requerer a indenização.
 Z Anotações/Comentários
A declaração de morte presumida, sem decretação de ausência, 
está prevista no art. 7º do Código Civil. Segundo dicção deste artigo, 
pode ser declarada a morte presumida, sem decretação de ausência: 
I – se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo 
de vida; II – se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, 
não for encontrado até dois anos após o término da guerra. A declaração 
da morte presumida, nesses casos, somente poderá ser requerida depois 
de esgotadas as buscas e averiguações, devendo a sentença fixar a data 
provável do falecimento.
Como se pode notar, também a declaração de morte presumida 
sem decretação de ausência é proveniente de declaração judicial em 
sentença. Uma vez obtida a sentença e com seu trânsito em julgado, 
o de Maria terá documentação hábil para o recebimento do seguro.
Gabarito: D
09.(FGV/DPE-RO/Analista da Defensoria Pública – Analista Jurí-
dico – 2016) Vivian, dezesseis anos de idade, contraiu matrimônio com 
Eduardo, mediante autorização expressa de seus pais. É correto afirmar 
que, em decorrência exclusiva do casamento, Vivian:
a) passa a ser civilmente responsável pelos danos que vier a causar a 
terceiro;
b) permanece relativamente incapaz, adquirindo a plena capacidade 
tão somente quando completar dezoito anos de idade;
c) torna-se plenamente capaz para a prática dos atos civis, em decor-
rência da emancipação;
d) equipara-se a uma pessoa de dezoito anos de idade, passando a 
exercer todos os direitos e a arcar com todos os deveres de uma 
pessoa dessa idade;
e) permanece relativamente incapaz, adquirindo a plena capacidade 
tão somente quando completar vinte e um anos de idade.
 Z Anotações/Comentários
(a) O incapaz é responsável pelos prejuízos que causar, sendo claro 
o art. 928, caput, CC. Trata-se de caso de responsabilidade subsidiária, 
primeiro devendo ser chamado o seu responsável legal e, se este não 
tiver o dever legal de responder pelo ato ou não tiver condições financei-
ras para tanto, deverá ser imputada a responsabilidade sobre o incapaz.
(b, c , e) A emancipação, prevista no art. 5º, parágrafo único, CC, 
tem dentre suas causas o matrimônio. E, vale destacar, ela irá criar a 
condição de menor capaz, ou seja, a pessoa continua menor mas passa 
a ter a plena capacidade civil.
(d) A emancipação não modifica a idade da pessoa. A maioridade 
somente será atingida aos 18 anos, com seus consectários legais para 
todos os ramos do Direito (como a imputabilidade penal, a obrigatorie-
dade de voto etc.). A emancipação, a seu turno, somente tem efeitos no 
espectro civil da vida da pessoa, dando a esta a plena capacidade civil.
Gabarito: C
10. (FGV/TJ-PI/Analista Judiciário – Judiciária – Oficial de Justiça 
Avaliador – 2016) Rosa, famosa atriz, faleceu deixando três filhas. 
Após sua morte, a mídia realizou diversos programas sobre a sua vida e, 
sobretudo, sobre seus enlaces amorosos. Todos os atos foram praticados 
sem autorização das filhas. Rosa, enquanto viva, sempre foi enfática em 
resguardar sua vida privada das investidas da mídia, inclusive deman-
dando por reparações em razão da violação da sua intimidade. Diante 
do caso narrado, verifica-se:
a) a possibilidade de as filhas demandarem por reparação a fim de 
resguardar a memória de sua mãe;
b) a impossibilidade de as filhas demandarem por reparação, pois os 
direitos da personalidade são extintos com a morte;
c) a possibilidade de as filhas demandarem, por representação, 
embora a mãe haja morrido, para tutela da intimidade da genitora;
d) a impossibilidade de as filhas demandarem por reparação, pois os 
direitos da personalidade são intransferíveis;
e) a impossibilidade de as filhas demandarem por reparação pela 
ofensa à memória da vida íntima de sua mãe.
 Z Anotações/Comentários
A questão trata da reparação de danos provocados por divulgação 
de relações amorosas e outros detalhes íntimos da vida de pessoas 
públicas. Sobre este tema, vale destacar que o STF entendeu, na ADI 
4815, que os arts. 20 e 21 do CC não autorizam impedimento à veiculação 
das chamadas “biografias não autorizadas”, vez que o relato em si da 
vida de uma pessoa não está ligado à autorização prévia. Se em tal relato 
ocorrer divulgação de informação ofensiva ou que a pessoa entendia 
que deveria permanecer oculta, dada a ausência de interesse público, 
caberá a ação de reparação para a devida indenização.
O art. 12, parágrafo único, CC, dá legitimidade, em caso de pessoa 
morta, ao o cônjuge sobrevivente (e, obviamente, ao companheiro), ou 
qualquer parente em linha reta, ou colateral até o quarto grau. Desta 
forma, as filhas poderão demandar a devida reparação civil.
Gabarito: A
11. (FGV/OAB/XXI_Exame – 2016) André possui um transtorno psi-
quiátrico grave, que demanda uso contínuo de medicamentos, graças 
aos quais ele leva vida normal. No entanto, em razão do consumo de 
remédios que se revelaram ineficazes, por causa de um defeito de 
fabricação naquele lote, André foi acometido de um surto que, ao 
privá-lo de discernimento, o levou a comprar diversos produtos caros 
de que não precisava.
Para desfazer os efeitos desses negócios, André deve pleitear
a) a nulidade dos negócios, por incapacidade absoluta decorrente de 
enfermidade ou deficiência mental.
b) a nulidade dos negócios, por causa transitória impeditiva de 
expressão da vontade.
c) a anulação do negócio, por causa transitória impeditiva de expres-
são da vontade.
d) a anulação do negócio, por incapacidade relativa decorrente de 
enfermidade ou deficiência mental.
 Z Anotações/Comentários
A questão aborda o tema da (in)capacidade civil, que sofreu alte-
rações recentes com o advento do Estatuto da Pessoa com Deficiência 
(Lei 13.146/15). Conforme se extrai do enunciado, André foi acometido 
de um surto temporário, em virtude do consumo de medicamentos com 
defeito de fabricação. De acordo com a redação atual do art. 4º, III, do 
CC, são relativamente incapazes “aqueles que, por causa transitória ou 
permanente, não puderem exprimir sua vontade”. Tendo em vista que 
André, ao ser acometido de um surto psiquiátrico, estava transitoria-
mente impedido de exprimir sua vontade, é certo que efetuou a compra 
de “diversos produtos caros” na condição de relativamente incapaz (e 
sem a devida assistência). Desse modo, os negócios jurídicos praticados 
por André são anuláveis, nos termos do que prevê o art. 171, I, do CC.
Gabarito: C
12. (FGV/OAB/XX_Exame – 2016) Cristiano, piloto comercial, está 
casado com Rebeca. Em um dia de forte neblina, ele não consegue 
controlar o avião que pilotava e a aeronave, com 200 pessoas a bordo, 
desaparece dos radares da torre de controle pouco antes do tempo 
previsto para a sua aterrissagem. Depois de vários dias de busca, apenas 
10 passageiros foram resgatados, todos em estado crítico. Findas as 
buscas, como Cristiano não estava no rol de sobreviventes e seu corpo 
não fora encontrado, Rebeca decide procurar um advogado para saber 
como deverá proceder a partir de agora.
Com base no relato apresentado, assinale a afirmativa correta.
a) A esposa deverá ingressar com uma demanda judicial pedindo 
a decretação de ausência de Cristiano, a fim de que o juiz, em 
um momento posterior do processo, possa declarar a sua morte 
presumida.
b) A esposa não poderá requerer a declaração de morte presumida 
de Cristiano, uma vez que apenas o Ministério Público detém legi-
timidade para tal pedido.
c) A declaração da morte presumida de Cristiano poderá ser requerida 
independentemente de prévia decretação de ausência, uma vez 
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que esgotadas as buscas e averiguações por parte das autoridades 
competentes.
d) A sentença que declarar a morte presumida de Cristiano não deverá 
fixar a data provável de seu falecimento, contando-se, como data 
da morte, a data da publicação da sentença no meio oficial.
 Z Anotações/Comentários
A questão aborda o tema da morte presumida, mais especifica-
mente daquela sem decretação de ausência. As 2 (duas) hipóteses de 
morte presumida sem decretação de ausência encontram previsão no 
art. 7º do CC, estando relacionadas a situações em que há enorme pro-
babilidade de que uma pessoa tenha morrido (mesmo sem a localização 
do cadáver), até porque o parágrafo único do dispositivo supracitado 
só autoriza a decretação da morte presumida depois de esgotadas as 
buscas e averiguações pelo corpo. O enunciado aborda justamente 
a primeira (e mais comum) das hipóteses de morte presumida sem 
decretação de ausência: “se for extremamente provável a morte de 
quem estava em perigo de vida” (inciso I). Ora, Cristiano desapareceu 
em acidente de avião no qual, de 200 (duzentos) passageiros, apenas 10 
(dez) foram resgatados (e todos os 10 em estado crítico de saúde).Nesse 
caso, é patente a extrema probabilidade de sua morte, até porque se 
informa no enunciado que foram findadas as buscas por sobreviventes. 
Desse modo, a esposa de Cristiano poderá requerer a decretação de 
sua morte presumida, devendo a sentença fixar a data provável do 
falecimento (como também exige o parágrafo único do art. 7º do CC).
Gabarito: C
13. (FGV/OAB/XX_Exame/Prova reaplicada Salvador-BA – 2016) 
Joana e Alcindo, casados sob o regime da comunhão universal de bens, 
estavam a caminho de uma festa no litoral da Bahia, quando tiveram o 
carro atingido por um caminhão em alta velocidade. Quando a equipe 
de socorro chegou ao local, ambos os cônjuges estavam sem vida. 
Conforme laudo pericial realizado, não foi possível determinar se Joana 
morreu antes de Alcindo.
Joana, que tinha vinte e cinco anos, deixou apenas um parente vivo, 
seu irmão Alfredo, enquanto Alcindo, que já tinha cinquenta e nove 
anos, deixou três familiares vivos, seus primos Guilherme e Jorge, e 
seu sobrinho, Anderson.
Considerando que nenhum dos cônjuges elaborou testamento, assinale 
a afirmativa correta.
a) Tendo em vista a morte simultânea dos cônjuges, Alfredo rece-
berá integralmente os bens de Joana, e a herança de Alcindo será 
dividida, em partes iguais, entre os seus herdeiros necessários, 
Guilherme, Jorge e Anderson.
b) Entre comorientes não há transmissão de patrimônio mas como 
Joana e Alcindo eram casados em regime de comunhão universal 
de bens o patrimônio total do casal será dividido em partes iguais 
e distribuído entre os herdeiros necessários de ambos, ou seja, 
Alfredo, Guilherme, Jorge e Anderson.
c) Entre comorientes não há transmissão de patrimônio e a herança 
de cada um dos falecidos será dividida entre os seus respectivos 
herdeiros, razão pela qual Alfredo herdará integralmente os bens 
de Joana, enquanto Anderson herdará os bens de Alcindo.
d) Diante da impossibilidade pericial de determinar qual dos cônjuges 
morreu primeiro, aplica-se o regime jurídico da comoriência, pelo 
que se presume, em razão da idade, que a morte de Alcindo tenha 
ocorrido primeiro.
 Z Anotações/Comentários
Quando duas pessoas falecem na mesma ocasião, não se podendo 
averiguar se a morte de uma precedeu a da outra, presumir-se-ão tais 
pessoas simultaneamente mortas (essa presunção é chamada, doutri-
nariamente, de “comoriência”, encontrando previsão no art. 8º do CC). 
Ressalte-se que, como efeito prático da presunção de morte simultânea, 
não há transmissão de herança entre os comorientes. Assim, a herança 
de cada um dos falecidos será dividida entre os seus respectivos her-
deiros, de modo que Alfredo herdará integralmente os bens de Joana, 
enquanto Anderson herdará os bens de Alcindo.
Gabarito: C
14. (FGV/OAB/XX_Exame/Prova reaplicada Salvador-BA – 2016) 
Pedro, em dezembro de 2011, aos 16 anos, se formou no ensino médio. 
Em agosto de 2012, ainda com 16 anos, começou estágio voluntário em 
uma companhia local. Em janeiro de 2013, já com 17 anos, foi morar com 
sua namorada. Em julho de 2013, ainda com 17 anos, após ter sido apro-
vado e nomeado em um concurso público, Pedro entrou em exercício 
no respectivo emprego público.
Tendo por base o disposto no Código Civil, assinale a opção que indica 
a data em que cessou a incapacidade de Pedro.
a) Dezembro de 2011.
b) Agosto de 2012.
c) Janeiro de 2013.
d) Julho de 2013.
 Z Anotações/Comentários
Em regra, a menoridade cessa aos 18 (dezoito) anos completos, 
quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. 
Entretanto, “há uma forma de antecipação da capacidade plena, a qual 
ocorre de forma irrevogável e irretratável. É o que se denomina de 
emancipação. Tal antecipação sempre deve ser analisada sob a ótica do 
menor, consoante a proteção integral.” (Luciano Figueiredo e Roberto 
Figueiredo, Direito Civil Parte Geral, Coleção Sinopses para concursos, 
vol. 10, Editora JusPodivm). A emancipação legal poderá ocorrer em 
quatro hipóteses: (i) pelo casamento; (ii) pelo exercício de emprego 
público efetivo; (iii) pela colação de grau em curso de ensino superior; 
(iv) pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de rela-
ção de emprego, desde que, em função deles, o menor com dezesseis 
anos completos tenha economia própria. Importante destacar que o 
rol do art. 5º, parágrafo único, é taxativo, ou seja, a união estável não é 
hipótese que autoriza a emancipação legal. Dessa forma, a incapacidade 
de Pedro cessou em julho de 2013, em razão do exercício de emprego 
público efetivo.
Gabarito: D
15. (FGV/OAB/XVI_Exame – 2015) Os tutores de José consideram que 
o rapaz, aos 16 anos, tem maturidade e discernimento necessários para 
praticar os atos da vida civil. Por isso, decidem conferir ao rapaz a sua 
emancipação. Consultam, para tanto, um advogado, que lhes aconselha 
corretamente no seguinte sentido:
a) José poderá ser emancipado em procedimento judicial, com a oitiva 
do tutor sobre as condições do tutelado.
b) José poderá ser emancipado via instrumento público, sendo des-
necessária a homologação judicial.
c) José poderá ser emancipado via instrumento público ou particular, 
sendo necessário procedimento judicial.
d) José poderá ser emancipado por instrumento público, com aver-
bação no registro de pessoas naturais.
 Z Anotações/Comentários
Em se tratando de menor tutelado, não é cabível a emancipação 
voluntária ou convencional (feita por escritura pública, independen-
temente de homologação judicial), pois esta é concedida pelos pais 
(ou por um deles, na falta do outro). Ao menor sob tutela, só cabe a 
emancipação judicial, conferida por sentença judicial após a oitiva do(s) 
tutor(es), desde que o menor já conte com 16 (dezesseis) anos de idade 
(cf. art. 5º, parágrafo único, I, 2ª parte, CC). Portanto, no caso descrito no 
enunciado, José poderá ser emancipado tão somente em procedimento 
judicial, depois de ouvido o tutor acerca das condições do tutelado.
Gabarito: A
16. (FGV/OAB/XIV_Exame – 2014) Raul, cidadão brasileiro, no meio 
de uma semana comum, desaparece sem deixar qualquer notícia para 
sua ex-esposa e filhos, sem deixar cartas ou qualquer indicação sobre 
seu paradeiro.
Raul, que sempre fora um trabalhador exemplar, acumulara em seus 
anos de labor um patrimônio relevante. Como Raul morava sozinho, já 
que seus filhos tinham suas próprias famílias e ele havia se separado 
de sua esposa 4 (quatro) anos antes, somente após uma semana seus 
parentes e amigos deram por sua falta e passaram a se preocupar com 
o seu desaparecimento.
Sobre a situação apresentada, assinale a opção correta.
a) Para ser decretada a ausência, é necessário que a pessoa tenha 
desaparecido há mais de 10 (dez) dias. Como faz apenas uma 
semana que Raul desapareceu, não pode ser declarada sua ausên-
cia, com a consequente nomeação de curador.
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b) Em sendo declarada a ausência, o curador a ser nomeado será a 
ex-esposa de Raul.
c) A abertura da sucessão provisória somente se dará ultrapassados 
três anos da arrecadação dos bens de Raul.
d) Se Raul contasse com 85 (oitenta e cinco) anos e os parentes e 
amigos já não soubessem dele há 8 (oito) anos, poderia ser feita 
de forma direta a abertura da sucessão definitiva.
 Z Anotações/Comentários
A questão trata do procedimento de ausência, que se inicia 
mediante um requerimento para abertura do procedimento, diante 
do juiz competente. Tal notícia, na forma do art. 22 do Código Civil, 
poderá ser conferida por qualquer pessoa, ou até mesmo pelo Ministério 
Público. A legitimação ampla liga-se ao fato de tratar-se o desapareci-
mento de uma questão de ordem pública.
Diante do pedido de abertura do procedimento, bem como das 
provas juntas, o magistrado deverá declarar a ausência e nomear 
curador. O curador não será necessariamente quem iniciou o proce-
dimento, havendo uma ordem preferencial estabelecida no art. 25do Código Civil, a qual engloba: a) o cônjuge, desde que não esteja 
separado judicialmente nem de fato há mais de dois anos; b) os pais; 
c) os descendentes, preferindo os mais próximos em relação aos mais 
remotos e d) o curador dativo.
A curadoria de bens, em regra, tem duração de 1 (um) ano. Todavia, 
em tendo o ausente deixado procurador, o prazo em comento é dilatado 
para 3 (três) anos (art. 26 do Código Civil).
Na segunda fase, da sucessão provisória, a decisão que converte 
a curadoria de bens em sucessão provisória autoriza a abertura do 
testamento, caso exista, e o inventário e partilha de bens como se o 
ausente fosse morto. Esta fase terá durabilidade, em regra, de 10 (dez) 
anos, contados da data em que a decisão que concede a abertura da 
sucessão provisória tenha passado em julgado (CC, art. art. 37).
Caso, porém, o ausente conte com mais de 80 (oitenta) anos de 
idade e há mais de 5 (cinco) datem suas últimas notícias, é possível o 
encurtamento do procedimento, indo, de logo, para a sucessão defi-
nitiva (art. 38 do CC).
Nesta última fase (sucessão definitiva) há transmissão dos bens, 
em caráter definitivo, sendo restituídas as cauções e os frutos, bem 
como se admitindo a prática de atos de disposição. Isso, porque, é nesse 
momento em que, efetivamente, haverá a declaração da morte, com as 
consequentes transferências patrimoniais.
Gabarito: D
17. (FGV/OAB/XII_Exame – 2013) João Marcos, renomado escritor, 
adota, em suas publicações literárias, o pseudônimo Hilton Carrillo, 
pelo qual é nacionalmente conhecido. Vítor, editor da Revista “Z”, 
empregou o pseudônimo Hilton Carrillo em vários artigos publicados 
nesse periódico, de sorte a expô-lo ao ridículo e ao desprezo público. 
Em face dessas considerações, assinale a afirmativa correta.
a) A legislação civil, com o intuito de evitar o anonimato, não protege 
o pseudônimo e, em razão disso, não há de se cogitar em ofensa a 
direito da personalidade, no caso em exame.
b) A Revista “Z” pode utilizar o referido pseudônimo em uma pro-
paganda comercial, associado a um pequeno trecho da obra do 
referido escritor sem expô-lo ao ridículo ou ao desprezo público, 
independente da sua autorização.
c) O uso indevido do pseudônimo sujeita quem comete o abuso às 
sanções legais pertinentes, como interrupção de sua utilização e 
perdas e danos.
d) O pseudônimo da pessoa pode ser empregado por outrem em 
publicações ou representações que a exponham ao desprezo 
público, quando não há intenção difamatória.
 Z Anotações/Comentários
A questão aborda o tema do nome (um dos direitos da persona-
lidade protegidos expressamente pelo CC), notadamente o chamado 
“pseudônimo” (nome fictício utilizado pelo autor de obra literária, 
artística ou científica). O pseudônimo goza da mesma proteção que se 
dá ao nome, desde que utilizado no âmago de atividades lícitas. Esse é 
o claro teor do art. 19 do CC. Partindo dessa premissa, tem-se que o uso 
indevido do pseudônimo sujeita o infrator às sanções legais pertinentes 
(como interrupção da utilização e perdas e danos), até porque o art. 17 
do CC informa que o nome não pode ser empregado por outrem em 
publicações ou representações que exponha a pessoa ao desprezo 
público, mesmo que ausente intenção difamatória.
Gabarito: C
18. (FGV/OAB/X_Exame – 2013) Gustavo completou 17 anos de idade 
em janeiro de 2010. Em março de 2010 colou grau em curso de ensino 
médio. Em julho de 2010 contraiu matrimônio com Beatriz. Em setem-
bro de 2010, foi aprovado em concurso público e iniciou o exercício de 
emprego público efetivo. Por fim, em novembro de 2010, estabeleceu-se 
no comércio, abrindo um restaurante. Assinale a alternativa que indica 
o momento em que se deu a cessação da incapacidade civil de Gustavo.
a) No momento em que iniciou o exercício de emprego público 
efetivo.
b) No momento em que colou grau em curso de ensino médio.
c) No momento em que contraiu matrimônio.
d) No momento em que se estabeleceu no comércio, abrindo um 
restaurante.
 Z Anotações/Comentários
Em regra, a menoridade cessa aos 18 (dezoito) anos completos, 
quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. 
Entretanto, “há uma forma de antecipação da capacidade plena, a qual 
ocorre de forma irrevogável e irretratável. É o que se denomina de 
emancipação. Tal antecipação sempre deve ser analisada sob a ótica do 
menor, consoante a proteção integral.” (Luciano Figueiredo e Roberto 
Figueiredo, Direito Civil Parte Geral, Coleção Sinopses para concursos, 
vol. 10, Editora JusPodivm). Excepcionalmente, poderá cessar a incapa-
cidade para os menores pela emancipação legal, que poderá ocorrer 
em quatro hipóteses: (i) pelo casamento; (ii) pelo exercício de emprego 
público efetivo; (iii) pela colação de grau em curso de ensino superior; 
(iv) pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de rela-
ção de emprego, desde que, em função deles, o menor com dezesseis 
anos completos tenha economia própria (art. 5º do CC). Portanto, a 
cessação da incapacidade de Gustavo ocorreu quando este contraiu 
o matrimônio com Beatriz, pois esse fato aconteceu antes do início do 
exercício de emprego público efetivo e antes de Gustavo exercer ativi-
dade empresarial. Por fim, ressalta-se que a cessação da incapacidade 
não ocorre com a colação de grau em curso de ensino médio, mas em 
curso de ensino superior
Gabarito: C
19. (FGV/OAB/IX_Exame/Ipatinga – 2013) Alexandre e Berenice, casa-
dos pelo regime da separação convencional de bens, foram passar a lua 
de mel em Petrópolis, no Estado do Rio de Janeiro. Ao descerem a serra, 
Alexandre perdeu o controle do veículo vindo a cair em uma ribanceira. 
Com a colisão, houve a explosão do veículo e a morte de ambos não se 
sabendo precisar qual deles teria morrido primeiro. Ambos possuíam 
vasto patrimônio e faleceram sem deixar descendentes ou ascendentes. 
Alexandre deixou um irmão, Daniel, e Berenice deixou uma irmã, Eleo-
nora. A respeito da situação apresentada, assinale a afirmativa correta.
a) Não há comoriência, visto que tal instituto somente se aplica às 
hipóteses de morte simultânea entre parentes.
b) Não há comoriência, uma vez que se exige prova cabal para sua 
ocorrência, devendo a simultaneidade das mortes ser declarada 
por decisão judicial.
c) Há comoriência, transmitindo-se a Daniel a herança de Alexandre 
e à Eleonora a herança de Berenice.
d) Há comoriência, transmitindo-se a Daniel a metade dos bens dei-
xados pelo casal, ficando igual cota-parte para Eleonora.
 Z Anotações/Comentários
A comoriência ocorre quando dois ou mais indivíduos falecem na 
mesma ocasião, não se podendo averiguar se algum dos comorientes 
precedeu aos outros, hipótese em que presumir-se-ão simultaneamente 
mortos, de acordo com o art. 8º do CC. Em razão da morte simultâ-
nea de Alexandre e Berenice, não haverá transmissão de patrimônio 
entre eles, de forma que Eleonora receberá integralmente os bens de 
Berenice e a herança de Alexandre irá para Daniel. Destaca-se que o 
pressuposto para a incidência dos efeitos do instituto da comoriência 
é a existência dos direitos sucessórios entre os comorientes, não a 
relação de parentesco.
Gabarito: C
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20. (FGV/OAB/VII_Exame – 2012) A proteção da pessoa é uma ten-
dência marcante do atual direito privado, o que leva alguns autores a 
conceberem a existência de uma verdadeira cláusula geral de tutela 
da personalidade. Nesse sentido, uma das mudanças mais celebradas 
do novo Código Civil foi a introdução de um capítulo próprio sobre os 
chamados direitos da personalidade. Em relação à disciplina legal dos 
direitos da personalidade no Código Civil, é correto afirmar que
a) havendo lesão a direito da personalidade, em se tratando de 
morto, não é mais possível que se reclamem perdas e danos, visto 
que a morte põe fim à existência da pessoa natural, e os direitos 
personalíssimos sãointransmissíveis.
b) como regra geral, os direitos da personalidade são intransmissíveis 
e irrenunciáveis, mas o seu exercício poderá sofrer irrestrita limita-
ção voluntária.
c) é permitida a disposição gratuita do próprio corpo, no todo ou em 
parte, com objetivo altruístico ou científico, para depois da morte, 
sendo que tal ato de disposição poderá ser revogado a qualquer 
tempo.
d) em razão de sua maior visibilidade social, a proteção dos direitos da 
personalidade das celebridades e das chamadas pessoas públicas é 
mais flexível, sendo permitido utilizar o seu nome para finalidade 
comercial, ainda que sem prévia autorização.
 Z Anotações/Comentários
(a) Ocorrendo ameaça ou lesão a direito da personalidade, pode-se 
reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em 
lei. Em se tratando de morto, terá legitimação para requerer a medida 
supramencionada o cônjuge sobrevivente, ou qualquer parente em 
linha reta, ou colateral até o quarto grau, de acordo com art. 12, pará-
grafo único, do CC.
(b) De acordo com o art. 11 do CC, em regra, os direitos da personali-
dade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício 
sofrer limitação voluntária.
(c) A alternativa está correta, uma vez que o art. 14 do CC determina 
que é válida, com objetivo científico, ou altruístico, a disposição gratuita 
do próprio corpo, no todo ou em parte, para depois da morte.
(d) A assertiva vai de encontro com o que preceitua o art. 18 do CC, 
que determina que, sem autorização, não se pode usar o nome alheio 
em propaganda comercial.
Gabarito: C
21. (FGV/OAB/VI_Exame – 2012) Francis, brasileira, empresária, ao 
se deslocar do Rio de Janeiro para São Paulo em seu helicóptero parti-
cular, sofreu terrível acidente que culminou com a queda do aparelho 
em alto-mar. Após sucessivas e exaustivas buscas, feitas pelas auto-
ridades e por empresas privadas contratadas pela família da vítima, 
infelizmente não foram encontrados os corpos de Francis e de Adilson, 
piloto da aeronave. Tendo sido esgotados os procedimentos de buscas 
e averiguações, de acordo com os artigos do Código Civil que regulam 
a situação supramencionada, é correto afirmar que o assento de óbito 
em registro público
a) independe de qualquer medida administrativa ou judicial, desde 
que seja constatada a notória probabilidade de morte de pessoa 
que estava em perigo de vida.
b) depende exclusivamente de procedimento administrativo quanto 
à morte presumida junto ao Registro Civil das Pessoas Naturais.
c) depende de prévia ação declaratória judicial quanto à morte pre-
sumida, sem necessidade de decretação judicial de ausência.
d) depende de prévia declaração judicial de ausência, por se tratar de 
desaparecimento de uma pessoa sem dela haver notícia.
 Z Anotações/Comentários
O enunciado trata de hipótese de declaração de morte presumida 
sem a necessidade da decretação de ausência, uma vez que é extrema-
mente provável a morte de Francis e Adilson, que estavam em perigo 
de vida. Ressalta-se que somente se autoriza a declaração de morte 
presumida nesses casos depois de esgotadas as buscas e averiguações, 
devendo a sentença fixar a data provável do falecimento (art. 7º do CC). 
Nesse sentido, o art. 88 da Lei n. 6.015/73 prevê que poderão os juízes 
togados admitir justificação para o assento de óbito de pessoas desapa-
recidas em naufrágio, inundação, incêndio, terremoto ou qualquer outra 
catástrofe, quando estiver provada a sua presença no local do desastre 
e não for possível encontrar-se o cadáver para exame.
Gabarito: C
22. (FGV/OAB/IV_Exame – 2011) Rodolfo, brasileiro, engenheiro, sol-
teiro, sem ascendentes ou descendentes, desapareceu de seu domicílio 
há 11 (onze) meses e até então não houve qualquer notícia sobre seu 
paradeiro. Embora tenha desaparecido, deixou Lisa, uma amiga, como 
mandatária para a finalidade de administrar-lhe os bens. Todavia, por 
motivos de ordem pessoal, Lisa não quis exercer os poderes outorgados 
por Rodolfo em seu favor, renunciando expressamente ao mandato. De 
acordo com os dispositivos que regem o instituto da ausência, assinale 
a alternativa correta.
a) O juiz não poderá declarar a ausência e nomear curador para 
Rodolfo, pois Lisa não poderia ter renunciado o mandato outor-
gado em seu favor, já que só estaria autorizada a fazê-lo em caso 
de justificada impossibilidade ou de constatada insuficiência de 
poderes.
b) A renúncia ao mandato, por parte de Lisa, era possível e, neste caso, 
o juiz determinará ao Ministério Público que nomeie um curador 
encarregado de gerir os bens do ausente, observando, no que for 
aplicável, o disposto a respeito dos tutores e curadores.
c) Os credores de obrigações vencidas e não pagas de Rodolfo, 
decorrido 1 (um) ano da arrecadação dos bens do ausente, poderão 
requerer que se determine a abertura de sua sucessão provisória.
d) Poderá ser declarada a sucessão definitiva de Rodolfo 10 (dez) anos 
depois de passada em julgado a sentença que concedeu a suces-
são provisória, mas, se nenhum interessado promover a sucessão 
definitiva, nesse prazo, os bens porventura arrecadados deverão 
ser doados a entidades filantrópicas localizadas no município do 
último domicílio de Rodolfo.
 Z Anotações/Comentários
(a) Lisa pode renunciar ao mandato outorgado se não quiser ou não 
puder exercer tal mandato, de acordo com o art. 23 do CC, hipótese em 
que se declarará a ausência de Rodolfo, e se nomeará curador.
(b) Cabe ao juiz nomear curador para Rodolfo, não ao Ministé-
rio Público. Nesse sentido, o art. 24 do CC estabelece que o juiz que 
nomear o curador fixar-lhe-á os poderes e obrigações, conforme as 
circunstâncias.
(c) Decorrido um ano da arrecadação dos bens do ausente, poderão 
os interessados requerer que se declare a ausência e se abra provisoria-
mente a sucessão. Dentre os interessados, estão os credores de obriga-
ções vencidas e não pagas pelo ausente. Portanto, a alternativa está de 
acordo com o disposto nos arts. 26 e 27, IV, ambos do CC.
(d) Será possível requerer a sucessão definitiva após 10 (dez) anos 
de passada em julgado a sentença que concede a abertura da suces-
são provisória (art. 37 do CC), mas, se nenhum interessado promover 
a sucessão definitiva, nesse prazo, os bens porventura arrecadados 
passarão ao domínio do Município ou do Distrito Federal, se locali-
zados nas respectivas circunscrições, incorporando-se ao domínio da 
União, quando situados em território federal, de acordo com o art. 39, 
parágrafo único, do CC.
Gabarito: C
2.2. DAS PESSOAS JURÍDICAS
23. (FGV/DPE-RJ/Técnico Superior Jurídico – 2019) Pedro, morador 
de uma área carente, recebeu uma carta informando-o que estava em 
débito com a anuidade da associação de moradores do seu bairro. 
Ressalte-se que Pedro, no fim do ano anterior, tinha solicitado o seu 
desligamento da associação, o que foi indeferido sob o argumento de 
que a associação atuava em benefício dos moradores.
À luz do ocorrido, Pedro procurou a Defensoria Pública e solicitou orien-
tação, sendo-lhe informado, corretamente, que o seu requerimento foi 
indeferido de:
a) modo correto, pois todos os moradores devem permanecer vincu-
lados à referida associação;
b) forma equivocada, pois ninguém pode ser obrigado a permanecer 
associado;
c) modo correto, pois, como Pedro se associou de modo voluntário, 
não poderia desligar-se da associação;
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d)   forma equivocada, pois a associação de moradores deveria 
demonstrar que atuou em benefício de Pedro durante o ano
e) modo correto, pois o pedido de desligamento só teria eficácia 2 
(dois) anos depois.
 Z Anotações/Comentários
A liberdade de associação, prevista na Constituição Federal em 
seu art. 5º, XX, envolvendo tanto a liberdade de criação, associação e 
desvinculação de qualquer entidade. Desta forma, no caso apresentado, 
o indeferimento do pedido de desvinculação se deu de formaequivo-
cada, não podendo o requerente ser obrigado a manter-se associado.
Gabarito: B
24. (FGV/TJ-SC/Oficial de Justiça – 2018) Jorge, Felipe e Marcela 
pretendem exercer, conjuntamente, atividade econômica voltada para 
prestação de serviços de barbearia, por meio da qual buscarão distribuir 
lucros para o sustento de suas famílias.
Para tanto, pretendem constituir uma pessoa jurídica, sendo-lhes 
adequado o tipo:
a) fundação;
b) associação;
c) sociedade;
d) organização religiosa;
e) empresa individual de responsabilidade limitada.
 Z Anotações/Comentários
(a) A Fundação é uma universalidade de bens, ou seja, um conjunto 
de bens que recebe, da técnica jurídica, personalidade. Os fins que se 
almejam com uma fundação são sociais, sejam eles educacionais, cul-
turais, artísticos, dentre outros previstos no parágrafo único do art. 62.
(b) Uma Associação, apesar de ser de natureza corporativa (ou seja, 
de base pessoal) não pode ter como objetivo a distribuição de lucros 
para os associados.
(c) As Sociedades são a forma jurídica pretendida pelos perso-
nagens da história, visto se tratar de uma pessoa jurídica corporativa 
(logo, de base pessoal) e têm por objetivo a distribuição de lucros para 
seus sócios.
(d) Em que pese haver liberdade de expressão religiosa em nosso 
país, resta patente não se tratar do caso em análise.
(e) A EIRELI, em que pese ter base pessoal, somente pode ter um titu-
lar. Logo, não é possível a pretensa distribuição de lucros para 3 pessoas.
Gabarito: C
25. (FGV/TJ-AL/Analista Judiciário – Oficial de Justiça Avaliador 
– 2018) Um grupo de biólogos decide organizar uma pessoa jurídica 
para apoiar a pesquisa científica. Não pretendem acometer finalidade 
econômica à atividade do novo ente, mas desejam, de toda forma, 
participar ativamente da administração da entidade.
Diante desse quadro, deve-se indicar ao grupo de biólogos a consti-
tuição de:
a) partido político;
b) associação;
c) grupo de amigos;
d) sociedade;
e) organização religiosa.
 Z Anotações/Comentários
(a) Os partidos políticos, apesar de não terem uma finalidade 
lucrativa, estão atrelados à estrutura política do país, como mecanismo 
viabilizador, até este momento, de candidaturas tanto para disputas 
proporcionais quanto majoritárias. São regulados por legislação própria, 
a Lei 9.096/95.
(b) A associação é espécie de corporação em que seus associados 
objetivam fins não econômicos, como os culturais, históricos, científicos 
etc. Não há distribuição de lucro e todo o excedente do exercício será 
revertido à própria associação, seja na forma de reserva, seja na forma 
de ampliação e melhorias.
(c) O grupo de amigos, apesar de se consubstanciar em importante 
mecanismo de interação social, mormente quanto acompanhado de 
boa música e amizades verdadeiras, não envolve a formação de uma 
entidade que se possa definir como sujeito de direitos, muito menos 
uma pessoa jurídica.
(d) As sociedades são as outras formas de corporações conhecidas 
no Código Civil. Contudo, diferentemente das associações, são criadas 
com objetivo de lucro.
(e) Fé e razão podem caminhar lado a lado, como nos lembrou 
o Sumo Pontífice João Paulo II, em sua encíclica Fides et Ratio (1998), 
contudo, as organizações religiosas são estruturadas para o desenvol-
vimento e disseminação de uma fé, ao passo que o desejo dos cientistas 
era de desenvolver pesquisas científicas.
Gabarito: B
26. (FGV/TJ-AL/Técnico Judiciário – Área Judiciária – 2018) A Asso-
ciação Amigos de Ponta Verde, constituída por moradores do bairro, 
decide, em assembleia regular, explorar cantina em sua sede, com o 
propósito de melhorar seu caixa com o lucro da atividade.
Essa deliberação é considerada:
a) válida, pois o lucro será destinado à associação;
b) nula, pois a associação não pode ter fins econômicos;
c) ineficaz quanto aos associados, uma vez que não receberão os 
lucros;
d) ilícita, já que não faz parte do objeto social;
e) legal, pois o lucro deverá ser partilhado entre os associados.
 Z Anotações/Comentários
Primeiramente, deve-se observar que as associações não possuem 
fim econômico, o que significa que não podem reverter em favor de 
seus associados qualquer espécie de sobra ou lucro. Isso não significa 
que não possa a associação desenvolver atividades atreladas à sua fina-
lidade, como mecanismo para obter lucro e manter seu objetivo social. 
Em nenhuma hipótese, vale frisar, poderá o valor residual do exercício 
ser distribuído para os associados. A única possibilidade de devolução 
aos associados ocorre quando do encerramento das atividades da 
associação, quando esta poderá, se previsto em seu estatuto, reverter 
em favor dos associados os valores por eles vertidos à pessoa jurídica.
Gabarito: A
27. (FGV/TJ-AL/Técnico Judiciário – Área Judiciária – 2018) Vinte 
pescadores de São Miguel dos Milagres decidem adquirir pequeno 
imóvel para beneficiar sua pesca. De modo que o imóvel fosse destinado 
apenas para esse fim, resolvem constituir uma fundação, o que fazem 
mediante escritura pública e destacando o bem adquirido para o patri-
mônio da nova entidade. Consignaram no ato, ainda, que, na hipótese de 
extinção, o imóvel deveria ser incorporado ao patrimônio do Município. 
Contudo, após lavratura do ato subscrito por todos, dois pescadores 
resolvem não mais participar do projeto e solicitam sua parte do bem.
A pretensão deles é:
a) devida, visto que ninguém é obrigado a ficar associado com outrem;
b) incabível, pois o ato constitutivo da fundação encontra-se perfeito 
e sua extinção se dará na forma do estatuto;
c) viável, sendo necessária a apuração de haveres;
d) possível, desde que a quota parte dos dissidentes seja entregue ao 
Município;
e) impossível, pois o retorno do bem ao patrimônio de todos depende 
de distrato consensual dos fundadores.
 Z Anotações/Comentários
(a, e) Uma fundação não possui natureza corporativa, assim sendo, 
há um desligamento da figura do instituidor em relação à pessoa jurídica 
criada. Trata-se, no caso, de um conjunto de bens que é destinado para 
uma finalidade especial, como educação, cultura etc.
(b) Como já se aperfeiçoou o ato de instituição, a autonomia da pes-
soa jurídica já se perfez, de forma que não é mais possível desfazer o ato.
(d) A reversão ao fundo municipal somente se dará se houver a 
extinção da pessoa jurídica, por exemplo, em razão da impossibilidade 
de continuação dos préstimos ou insuficiência patrimonial (que não 
é o caso).
Gabarito: B
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28. (FGV/AL-RO/Advogado – 2018) Sobre a teoria geral do Direito 
Civil, analise as afirmativas a seguir.
I. Em uma interpretação do Direito Civil conforme a Constituição 
Federal é inexigível o consentimento da pessoa biografada em 
relação a obras biográficas literárias ou audiovisuais.
II. Para fins de desconsideração da personalidade jurídica, o Código 
Civil adotou a denominada teoria maior.
III. O protesto cambial é causa suficiente para a interrupção da pres-
crição da pretensão creditícia.
Está correto o que se afirma em
a) II, somente.
b) I e II, somente.
c) I e III, somente.
d) II e III, somente.
e) I, II e III.
 Z Anotações/Comentários
(I) O STF, na ADI 4815 entendeu que não se pode impedir a publi-
cação de biografia em razão de sua não autorização, cabendo ao bio-
grafado, após a publicação da obra, requerer a medida indenizatória 
cabível, caso haja elemento de agressão aos direitos da personalidade 
nos escritos. A assertiva, portanto, está correta;
(II) O Código Civil, mesmo com a reforma estabelecida pela Lei 
13.874/19, adotou a necessidade de prova do abuso da personalidade 
jurídica, consubstanciado no desvio de finalidade ou na confusão 
patrimonial (teoria maior);
Por fim, a afirmativa (III) também está correta, vez que o protesto 
cambial é uma das causas de interrupção da prescrição (recorde-se que a 
interrupção somente pode ocorrer umavez), previsto no art. 202, III, CC.
GABARITO: E
29. (FGV/SMF Cuiabá/Auditor Fiscal Tributário da Receita Munici-
pal – 2016) Rodrigo e Manuela decidem desenvolver conjuntamente a 
atividade empresarial de fornecimento de materiais médico-hospitala-
res. Para tanto, realizam contrato válido com a finalidade de constituir 
a sociedade empresarial. Ocorre que o contrato social não foi levado 
à inscrição no respectivo registro. Considerando a situação descrita, 
assinale a afirmativa correta.
a) A pessoa jurídica já possui existência legal, sendo certo que com a 
assinatura do contrato social haverá a separação patrimonial.
b) A pessoa jurídica já possui existência legal, sendo certo que a assina-
tura do contrato social é a única etapa necessária para a existência 
legal da pessoa jurídica.
c) A pessoa jurídica não possui existência legal, pois para tanto há a 
necessidade de levar o contrato social ao respectivo registro.
d) A pessoa jurídica não possui existência legal, porém já há uma 
sociedade de fato com patrimônio separado da dos seus membros.
e) A pessoa jurídica não possui existência legal, sendo que a falta de 
registro torna o contrato social firmado absolutamente nulo.
 Z Anotações/Comentários
A ausência de inscrição não determina nulidade do contrato, mas 
enquanto o registro não se der, não haverá pessoa jurídica (art. 985, CC). 
Nesta situação, tem-se uma sociedade em comum, ente despersonali-
zado, regulador pelos arts. 986 a 990, CC. Isto implica a inexistência de 
personalidade jurídica e a responsabilidade direta, pessoal e integral 
de Rodrigo e Manuela, já que não haverá um patrimônio primário (de 
uma pessoa jurídica) a ser atingido em caso de inadimplemento de 
obrigações.
Gabarito: C
30. (FGV/SMF Cuiabá /Auditor Fiscal Tributário da Receita Munici-
pal – 2016) A Associação de Amigos das Aves (AAA), por meio de Maria 
Helena, sua representante e presidente, celebra contrato de locação 
com Orlando, tendo como objeto imóvel de propriedade deste.
O imóvel servirá de sede da associação, conforme consta do contrato 
de locação. Após assinado o contrato e de posse das chaves do imóvel, 
Maria Helena passa a nele residir com sua filha. Após seis meses de 
locação, a AAA deixa de pagar os valores referentes ao aluguel, num 
total de R$ 12.000,00. Depois de uma tentativa frustrada de cobrança 
amigável dos aluguéis atrasados, Orlando ingressa com uma ação de 
cobrança contra a AAA e Maria Helena. Ao fim do processo, somente 
Maria Helena é condenada a pagar o valor dos aluguéis atrasados, tendo 
em vista que a AAA dispunha somente de R$ 100,00 em seu patrimônio.
Tendo a situação descrita como referência, assinale a afirmativa correta.
a) A ação de cobrança deveria ter sido intentada contra a associação, 
sendo certo que Maria Helena jamais poderá ser obrigada a pagar 
os valores devidos, com fundamento no princípio da separação 
patrimonial.
b) A ação de cobrança deveria ter sido intentada contra a associação, 
sendo certo que Maria Helena somente poderá ser obrigada a pagar 
os valores devidos se houver a desconsideração da personalidade 
da sociedade.
c) A ação de cobrança deveria ter sido intentada contra a associação 
e contra Maria Helena, na medida em que esta passa a residir no 
imóvel locado pela associação, tornando-se sua comodatária.
d) A ação de cobrança deveria ter sido intentada somente contra Maria 
Helena, na medida em que ela é a representante da pessoa jurídica.
e) A ação de cobrança deveria ter sido intentada somente contra 
Maria Helena, na medida em que a associação não possui meios 
de pagamento da dívida.
 Z Anotações/Comentários
A dívida foi contraída pela AAA e não por Maria Helena. A confusão 
patrimonial (imóvel passou a servir de residência para Maria Helena e 
filha) apontada na questão servirá de base para a desconsideração da 
personalidade jurídica e devido alcance de seu quadro diretivo. Desta 
forma, a propositura da ação se deu de forma equivocada, devendo ser 
primeiro manejada em face da Associação, para só depois, detectada 
a ausência de fundos, iniciar-se o incidente de desconsideração da 
personalidade jurídica (arts. 133 e ss do CPC)
Gabarito: B
31. (FGV/OAB/XIX_Exame – 2016) Júlia, casada com José sob o regime 
da comunhão universal de bens e mãe de dois filhos, Ana e João, fez 
testamento no qual destinava metade da parte disponível de seus 
bens à constituição de uma fundação de amparo a mulheres vítimas 
de violência obstétrica. Aberta a sucessão, verificou-se que os bens 
destinados à constituição da fundação eram insuficientes para cumprir a 
finalidade pretendida por Júlia, que, por sua vez, nada estipulou em seu 
testamento caso se apresentasse a hipótese de insuficiência de bens.
Diante da situação narrada, assinale a afirmativa correta.
a) A disposição testamentária será nula e os bens serão distribuídos 
integralmente entre Ana e João.
b) O testamento será nulo e os bens serão integralmente divididos 
entre José, Ana e João.
c) Os bens de Júlia serão incorporados à outra fundação que tenha 
propósito igual ou semelhante ao amparo de mulheres vítimas de 
violência obstétrica.
d) Os bens destinados serão incorporados à outra fundação deter-
minada pelos herdeiros necessários de Júlia, após a aprovação do 
Ministério Público.
 Z Anotações/Comentários
Quando insuficientes para constituir a fundação, os bens a ela 
destinados serão, se de outro modo não dispuser o instituidor, incorpo-
rados em outra fundação que se proponha a fim igual ou semelhante, 
de acordo com o art. 63 do CC.
Gabarito: C
32. (FGV/OAB/XV_Exame – 2014) Paulo foi casado, por muitos anos, 
no regime da comunhão parcial com Luana, até que um desentendi-
mento deu início a um divórcio litigioso. Temendo que Luana exigisse 
judicialmente metade do seu vasto patrimônio, Paulo começou a com-
prar bens com capital próprio em nome de sociedade da qual é sócio 
e passou os demais também para o nome da sociedade, restando, em 
seu nome, apenas a casa em que morava com ela.
Acerca do assunto, marque a opção correta
a) A atitude de Paulo encontra respaldo na legislação, pois a lei faculta 
a todo cidadão defender sua propriedade, em especial de terceiros 
de má-fé
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b) É permitido ao juiz afastar os efeitos da personificação da sociedade 
nos casos de desvio de finalidade ou confusão patrimonial, mas não 
o contrário, de modo que não há nada que Luana possa fazer para 
retomar os bens comunicáveis.
c) Sabendo-se que a “teoria da desconsideração da personalidade 
jurídica” encontra aplicação em outros ramos do direito e da legis-
lação, é correto afirmar que os parâmetros adotados pelo Código 
Civil constituem a Teoria Menor, que exige menos requisitos
d) No caso de confusão patrimonial, gerado pela compra de bens com 
patrimônio particular em nome da sociedade, é possível atingir o 
patrimônio da sociedade, ao que se dá o nome de “desconsideração 
inversa ou invertida’’, de modo como matrimoniais e comunicáveis
 Z Anotações/Comentários
Como posto pelo art. 133, § 2º do CPC, é possível a aplicação da 
desconsideração inversa da personalidade jurídica, atingindo o patri-
mônio da pessoa jurídica por dívida dos sócios, nos limites da eventual 
confusão patrimonial (CC, art. 50).
Nessa linha, aplica o Superior Tribunal de Justiça a desconsideração 
inversa da personalidade jurídica para proteger o direito do cônjuge à 
meação. A desconsideração inversa poderá ocorrer quando o cônjuge 
ou companheiro empresário se utilizar de pessoa jurídica por ele con-
trolada, ou de interposta pessoa física, para subtrair do outro cônjuge 
direito advindo da sociedade afetiva.
Gabarito: D
33. (FGV/OAB/VI_Exame/Duque de Caxias – 2011) Roberto, por meio 
de testamento, realiza dotação especial de bens livres para a finalidade 
de constituir uma fundação com a finalidade de promover assistência 
a idosos no Município do Rio de Janeiro.Todavia, os bens destinados 
foram insuficientes para constituir a fundação pretendida pelo insti-
tuidor. Em razão de Roberto nada ter disposto sobre o que fazer nessa 
hipótese, é correto afirmar que
a) os bens dotados deverão ser convertidos em títulos da dívida 
pública até que, aumentados com os rendimentos, consigam 
perfazer a finalidade pretendida.
b) os bens destinados à fundação serão, nesse caso, incorporados em 
outra fundação que se proponha a fim igual ou semelhante.
c) a Defensoria Pública do estado respectivo, responsável por velar 
pelas fundações, destinará os bens dotados para o fundo assisten-
cial mantido pelo Estado para defesa dos hipossuficientes.
d) os bens serão arrecadados e passarão ao domínio do Município, se 
localizados na respectiva circunscrição.
 Z Anotações/Comentários
Quando insuficientes para constituir a fundação, os bens a ela 
destinados serão, se de outro modo não dispuser o instituidor, incorpo-
rados em outra fundação que se proponha a fim igual ou semelhante, 
de acordo com o art. 63 do CC. Ressalta-se que velará pela fundação o 
Ministério Público do Estado onde situada, não a Defensoria Pública, 
nos termos do art. 66 do CC.
Gabarito: B
2.3. DO DOMICÍLIO
34. (FGV/TJ-SC/Técnico Judiciário – 2018) Ricardo, empresário bem 
sucedido, reside em Florianópolis, onde mantém o escritório da socie-
dade empresária de que é sócio e administrador. É proprietário de casa 
de praia em Garopaba e de uma chácara em Urubici, para o lazer de 
inverno da família.
A situação descrita indica como domicílio(s) de Ricardo:
a) Florianópolis;
b) Urubici;
c) Florianópolis, Garopaba e Urubici;
d) Garopaba;
e) Garopaba e Urubici.
 Z Anotações/Comentários
(a) O domicílio é o local jurídico da pessoa. O centro de relações 
sociais e jurídicas estabelecidas por ela, de forma a demonstrar o local 
(ou locais) em que se faz presente. Florianópolis denota tais caracte-
rísticas, restando claro a presença da residência e do animus manendi 
(ânimo de permanecer).
(b, c, d, e) Urubici se alinha ao conceito de habitação, ou seja, local 
em que se está de forma transitória. Da mesma forma, em relação à casa 
de praia em Garopaba, não há ânimo de permanecer, retirando deles 
a possibilidade de serem reconhecidos como domicílios. Vale recordar 
que nosso país possibilita a coexistência de diversos domicílios, à luz 
do que prevê o art. 71, CC.
Gabarito: A
35. (FGV/TJ-AL/Técnico Judiciário – Área Judiciária – 2018) Carlos, 
serventuário do Poder Judiciário, reside em Marechal Deodoro, leciona 
em centro universitário localizado em Maceió e está lotado na Comarca 
de São Miguel dos Campos, onde exerce suas funções.
Diante desse quadro, Carlos possui domicílio necessário em:
a) Maceió e São Miguel dos Campos;
b) Marechal Deodoro;
c) Maceió;
d) Marechal Deodoro e Maceió;
e) São Miguel dos Campos.
 Z Anotações/Comentários
O domicílio legal, obrigatório ou necessário está previsto no art. 76, 
CC. Para o legislador, toca a certas pessoas, a par de terem (em algumas 
situações) domicílios voluntários, a necessidade de terem também um 
domicílio estabelecido pela lei. Assim é que têm domicílio legal ou 
necessário o incapaz, o servidor público, o militar, o marítimo e o preso, 
sendo que o domicílio do incapaz é o do seu representante ou assistente; 
o do servidor público, o lugar em que exercer permanentemente 
suas funções; o do militar, onde servir, e, sendo da Marinha ou da 
Aeronáutica, a sede do comando a que se encontrar imediatamente 
subordinado; o do marítimo, onde o navio estiver matriculado; e o do 
preso, o lugar em que cumprir a sentença.
Gabarito: E
36. (FGV/TJ-PI/Analista Judiciário – Judiciária – Oficial de Justiça 
Avaliador – 2016) Juliana, servidora pública do TJPI, lotada em Teresina, 
mora com seu cônjuge e filhas na cidade de Cabrobó (PE), e loca, durante 
a semana, um imóvel na cidade de Picos (PI), apenas para facilitar seu 
deslocamento. Sobre a situação narrada, considera-se:
a) que o domicílio legal de Juliana estabeleceu-se em Picos;
b) Teresina o domicílio voluntário de Juliana;
c) que Cabrobó seja o domicílio legal de Juliana;
d) que o domicílio legal de Juliana estabeleceu-se em Teresina;
e) que o domicílio voluntário de Juliana estabeleceu-se em Picos.
 Z Anotações/Comentários
(a, c, d) O domicílio legal (ou necessário) é o que deriva de uma 
determinação legal, não dependendo da vontade da pessoa para sua 
fixação. No caso, Juliana tem seu domicílio determinado pelo Código 
Civil em seu artigo 76 caput e parágrafo único, visto que tem domicílio 
necessário o servidor público no lugar em que exercer permanen-
temente suas funções.
(b, e) O domicílio voluntário de Juliana é Cabrobó (PE), visto que 
se trata do lugar em que a pessoa estabeleceu sua residência com 
ânimo de permanência. O sistema civil brasileiro admite a pluralidade 
de domicílios (art. 71, CC), mas a cidade de Picos deve ser considerada 
unicamente habitação de Juliana, utilizada como meio para simplificar 
a viagem. 
Gabarito: D
4. DOS FATOS JURÍDICOS
4.1. DO NEGÓCIO JURÍDICO
37. (FGV/OAB/XXVII_Exame – 2018) Arnaldo foi procurado por sua 
irmã Zulmira, que lhe ofereceu R$ 1 milhão para adquirir o aparta-
mento que ele possui na orla da praia. Receoso, no entanto, que João, 
o locatário que atualmente ocupa o imóvel e por quem Arnaldo nutre 
profunda antipatia, viesse a cobrir a oferta, exercendo seu direito de 
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Como se preparar para o Exame de Ordem • OAB | Caderno de Questões (Semana 1 • 03/02 – 07/02)
preferência, propôs a Zulmira que constasse da escritura o valor de R$ 
2 milhões, ainda que a totalidade do preço não fosse totalmente paga.
Realizado nesses termos, o negócio
a) pode ser anulado no prazo decadencial de dois anos, em virtude 
de dolo.
b) é viciado por erro, que somente pode ser alegado por João.
c) é nulo em virtude de simulação, o que pode ser suscitado por 
qualquer interessado.
d) é ineficaz, em razão de fraude contra credores, indisponíveis seus 
efeitos perante João.
 Z Anotações/Comentários
Narra a questão clara situação de simulação, pois há um acordo 
enganoso de vontade. O valor do imóvel é de dois milhões, mas as 
partes convencionam um milhão com o escopo de lesionar terceiro.
A simulação remete à situação de nulidade absoluta, a qual poderá 
ser arguida a qualquer tempo, por qualquer interessado (CC, arts. 167 
e 168).
Gabarito: C
38. (FGV/OAB/XXVI_Exame – 2018) A cidade de Asa Branca foi atin-
gida por uma tempestade de grandes proporções. As ruas ficaram 
alagadas e a população sofreu com a inundação de suas casas e seus 
locais de trabalho. Antônio, que tinha uma pequena barcaça, aproveitou 
a ocasião para realizar o transporte dos moradores pelo triplo do preço 
que normalmente seria cobrado, tendo em vista a premente necessi-
dade dos moradores de recorrer a esse tipo de transporte.
Nesse caso, em relação ao citado negócio jurídico, ocorreu
a) estado de perigo.
b) dolo.
c) lesão.
d) erro.
 Z Anotações/Comentários
A teor do art. 157 do Código Civil, ocorre a lesão quando uma 
pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga 
a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação 
oposta”. Trata-se da tentativa de manter o ideário de justiça contratual e 
da equivalência (equidade) nas relações negociais, coibindo o abuso do 
poder econômico e o posicionamento privilegiado de um contratante 
em detrimento de outro.
Da verificação do art. 157 supramencionado, infere-se que a con-
figuração da lesão exige dois requisitos:
a) Objetivo: caracterizado pela manifesta desproporção entre a 
prestação e a contraprestação fixadas no negócio jurídico.
b) Subjetivo: Inexperiência ou premente necessidade a ser 
percebida de acordo com o caso concreto.
A lesão é identificada com risco patrimonial.
É possível verificar a moldura posta no caso em comento.
Registra-se que não há estado de perigo, posto que este demanda 
risco pessoal. Veja-se que a questão,em nenhum momento, informa 
eventual risco de vida dos transportados (CC, art. 156).
Gabarito: C
39. (FGV/AL-RO/Advogado – 2018) Sobre o negócio jurídico, assinale 
a afirmativa correta.
a) O Código Civil apresenta os requisitos do negócio jurídico, dentre 
os quais é incluída a causa.
b) O falso motivo em um contrato será, em regra, irrelevante para a 
perfeição do negócio jurídico.
c) O direito brasileiro não admite a ocorrência de dolo por omissão, 
pois não há possibilidade de indução em erro quando a pessoa não 
manifesta a vontade de modo explícito.
d) O silêncio não pode significar anuência, pois juridicamente quem 
cala não consente.
e) Se a lesão ficar caracterizada em um negócio jurídico, não poderá 
o juiz reconhecer a sanatória do ato.
 Z Anotações/Comentários
(a) A causa não está prevista nem nos requisitos gerais do art. 
104, CC, assim também como não se apresentou dentre as razões de 
nulidade do art. 166, CC. Vale destacar que neste último artigo, o inciso 
III menciona o motivo, que é a razão de contratação das partes e não se 
confunde com a causa que pode ser conceituada como a função extraída 
do negócio jurídico, que serve de base para a manifestação patrimonial 
que lastreia o negócio. Na compra e venda, por exemplo, podemos 
mencionar a transmissão patrimonial, deixando o bem o patrimônio 
do vendedor e ingressando no patrimônio do comprador, enquanto o 
dinheiro faz o caminho inverso.
(b) O motivo, como previsto no art. 140, CC, sendo expresso como 
razão determinante e sendo ele falso, viciará a vontade, invalidando o 
negócio celebrado.
(c) O sistema brasileiro contempla o dolo por omissão no art. 147, 
CC.
(d) Conforme o art. 111, do CC, “o silêncio importa anuência, quando 
as circunstâncias ou os usos o autorizarem, e não for necessária a decla-
ração de vontade expressa.
(e) Na esteira da conservação do negócio jurídico, o Código Civil 
possibilita a sanatória do negócio encetado sob lesão caso a parte favo-
recida concorde com a redução do proveito (art. 157, §2º, CC).
Gabarito: B
40. (FGV/Câmara de Salvador – BA/Analista Legislativo – 2018) 
A Construtora Imóveis Novos Ltda. (CIN) contrata com Loteamentos 
Urbanos Ltda. (LU) a permuta de determinado lote de propriedade da 
LU com o direito de quatro unidades no prédio de dez andares que CIN 
incorporará no local. Antes de iniciar a obra, CIN solicita autorização 
para construção junto à municipalidade, que, no entanto, nega, sob o 
fundamento de que naquela área apenas é possível realizar a constru-
ção de edificação de até três andares com três unidades imobiliárias, 
conforme legislação vigente antes mesmo da permuta.
Diante da negativa administrativa, o negócio jurídico é:
a) eficaz, mas poderá ser anulado por erro de direito;
b) inválido, pois viciada a vontade das partes;
c) eficaz, não sendo possível o desfazimento, tendo em vista que a 
ninguém é dado desconhecer a lei;
d) inexistente, por ausente o motivo;
e) válido, porém ineficaz, ante o vício sobre o motivo.
 Z Anotações/Comentários
Observe que o examinador não pretende avaliar o conhecimento 
do concursando acerca da legislação regente das incorporações, mas 
sim analisar o conhecimento do mesmo acerca da parte geral do Código 
Civil, especificamente da escada ponteana, ou seja, da variação entre os 
planos da existência, validade e eficácia.
(a, e) O vício do erro, previsto entre os arts. 138 a 144, CC, não gera 
nulidade, mas sim anulabilidade do ato, contando com prazo de anula-
ção de 4 anos, a contar da realização do negócio (art. 178, CC). Contudo, 
enquanto não anulado, o negócio realizado sob erro (no caso específico, 
erro de direito, pois recai sobre características jurídicas do negócio, art. 
139, III, CC), será válido – e, portanto, eficaz – enquanto não for promo-
vida a ação de anulação e não houver sentença que a tanto defina. Isto 
se dá porque a eficácia é presumida a partir da validade, ou seja, uma 
vez válido o negócio, eficaz será até que se faça presente alguma das 
modalidades do negócio jurídico (termo, encargo ou condição) ou que 
lhe seja retirada a validade.
(b) A invalidade é conceito amplo, abarcando tanto a nulidade 
quanto a anulabilidade. Desta forma, a afirmativa não esclarece a 
questão, não se apresentando como resposta viável para a mesma.
(c) O caso em questão, aparentemente, não envolvia a proibição de 
aplicação do erro de direito, já que não importava em recusa à aplicação 
da lei e era o motivo único ou principal do negócio jurídico.
(d) A existência é o plano mais básico do negócio jurídico. Encon-
tra-se pautado sobre o mundo do ser e reúne as condições mínimas 
para que exista um negócio ou ato jurídico. O caso apresentado possui 
motivo, contudo este veio a se mostrar frustrado, posteriormente, em 
razão de vedação legal.
Gabarito: A
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41. (FGV/TJ-AL/Analista Judiciário – Área Judiciária – 2018) Por 
meio de instrumento particular, Maria e Carlos pactuaram a venda de 
um imóvel pelo preço de R$ 200.000,00. Na ocasião da assinatura do 
contrato, Carlos, comprador, imitiu-se na posse do bem. Ao levar o 
pacto para registro no ofício de imóveis, o tabelionato comunicou a 
Carlos que se recusaria a praticar o ato, visto que o negócio jurídico 
padecia de invalidade.
Diante dessa situação, é correto afirmar que:
a) a recusa do tabelionato é indevida, visto que a eventual irregulari-
dade pode ser sanada e o negócio confirmado pelas partes;
b) o negócio jurídico é inexistente e, portanto, Carlos deverá devolver 
o imóvel a Maria, contra o reembolso das benfeitorias úteis;
c) a recusa do cartório é devida e as disposições do instrumento 
subscrito pelas partes são inválidas;
d) a compra e venda desejada pelas partes é válida, apesar da nulidade 
do instrumento que a previu;
e) o negócio jurídico produz efeitos de promessa de compra e venda e 
deve ser assim registrado, ainda que as partes não tenham previsto 
eventual irregularidade no pacto.
 Z Anotações/Comentários
Apesar de o sistema brasileiro pautar-se na liberdade de formas, o 
art. 108 estabelece que os negócios jurídicos que envolvem bens imó-
veis cujo valor seja superior a 30 vezes o salário mínimo vigente, devem 
se revestir da forma pública. A desobediência a este regramento, gera 
nulidade de falta da forma prescrita.
Gabarito: C
42. (FGV/OAB/XXIV_Exame – 2017) Eduardo comprometeu-se a 
transferir para Daniela um imóvel que possui no litoral, mas uma cláusula 
especial no contrato previa que a transferência somente ocorreria caso 
a cidade em que o imóvel se localiza viesse a sediar, nos próximos dez 
anos, um campeonato mundial de surfe. Depois de realizado o negócio, 
todavia, o advento de nova legislação ambiental impôs regras impedi-
tivas para a realização do campeonato naquele local.
Sobre a incidência de tais regras, assinale a afirmativa correta.
a) Daniela tem direito adquirido à aquisição do imóvel, pois a cláusula 
especial configura um termo.
b) Prevista uma condição na cláusula especial, Daniela tem direito 
adquirido à aquisição do imóvel.
c) Há mera expectativa de direito à aquisição do imóvel por parte de 
Daniela, pois a cláusula especial tem natureza jurídica de termo.
d) Daniela tem somente expectativa de direito à aquisição do imóvel, 
uma vez que há uma condição na cláusula especial.
 Z Anotações/Comentários
A condição “é evento futuro e incerto que condiciona o negócio 
jurídico e deriva exclusivamente da vontade humana (art. 121 do Código 
Civil). Trata-se de um elemento acessório do negócio jurídico, o qual é 
inserido por ato volitivo dos envolvidos. A incerteza há de ser objetiva, 
de toda a sociedade, e não subjetiva, ou seja, relativa apenas ao autor. 
Quando não há incerteza objetiva, a doutrina denomina essa condi-
ção de imprópria.” (Luciano Figueiredo e Roberto Figueiredo, Direito 
Civil Parte Geral, Coleção Sinopses para concursos, vol. 10, EditoraJusPodivm). Assim, considera-se condição a cláusula que, derivando 
exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio 
jurídico a evento futuro e incerto. Subordinando-se a eficácia do negó-
cio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta não se verificar, não 
se terá adquirido o direito, a que ele visa (CC. arts. 121 e 125). Portanto, 
Daniela tem somente expectativa de direito à aquisição do imóvel, não 
direito adquirido,
Gabarito: D
43. (FGV/OAB/XXIII_Exame – 2017) Em um bazar beneficente, pro-
movido por Júlia, Marta adquiriu um antigo faqueiro, praticamente sem 
uso. Acreditando que o faqueiro era feito de prata, Marta ofereceu um 
preço elevado sem nada perguntar sobre o produto. Júlia, acreditando 
no espírito benevolente de sua vizinha, prontamente aceitou o preço 
oferecido.
Após dois anos de uso constante, Marta percebeu que os talheres 
começaram a ficar manchados e a se dobrarem com facilidade. Con-
sultando um especialista, ela descobre que o faqueiro era feito de uma 
liga metálica barata, de vida útil curta, e que, com o uso reiterado, ele 
se deterioraria.
De acordo com o caso narrado, assinale a afirmativa correta.
a) A compra e venda firmada entre Marta e Júlia é nula, por conter vício 
em seu objeto, um dos elementos essenciais do negócio jurídico.
b) O negócio foi plenamente válido, considerando ter restado com-
provado que Júlia não tinha qualquer motivo para suspeitar do 
engano de Marta.
c) O prazo decadencial a ser observado para que Marta pretenda 
judicialmente o desfazimento do negócio deve ser contado da 
data de descoberta do vício.
d) De acordo com a disciplina do Código Civil, Júlia poderá evitar que 
o negócio seja desfeito se oferecer um abatimento no preço de 
venda proporcional à baixa qualidade do faqueiro.
 Z Anotações/Comentários
A validade do negócio jurídico requer agente capaz, objeto lícito, 
possível, determinado ou determinável e forma prescrita ou não defesa 
em lei, nos termos do art. 104 do CC. O caso em questão trata de hipó-
tese de anulabilidade, pois caracterizado o vício em razão do erro. O 
art. 138 estabelece que são anuláveis os negócios jurídicos, quando as 
declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser 
percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias 
do negócio. Por essa razão, o negócio jurídico firmado entre Marta e Júlia 
é válido, tendo em vista que estão presentes todos os seus requisitos 
constitutivos. No entanto, ele é anulável, haja vista a existência de erro 
quanto à qualidade do antigo faqueiro adquirido por Marta. No que 
tange ao prazo decadencial para a anulação do negócio jurídico, o art. 
178 determina que será de 04 (quatro) anos, contados, no caso de erro, 
dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que 
se realizou o negócio jurídico. Por fim, deve-se atentar para o fato de que 
a previsão da possibilidade de abatimento no preço, em razão da baixa 
qualidade do faqueiro adquirido por Marta, consiste em uma faculdade 
prevista para os casos de lesão (vício do negócio jurídico caracterizado 
pela premente necessidade ou inexperiência mais onerosidade exces-
siva), não do erro, conforme o art. 157, §2º, do CC.
Gabarito: B
44. (FGV/OAB/XXI_Exame – 2016) Durante uma viagem aérea, Eliseu 
foi acometido de um mal súbito, que demandava atendimento imediato. 
O piloto dirigiu o avião para o aeroporto mais próximo, mas a aterris-
sagem não ocorreria a tempo de salvar Eliseu. Um passageiro ofereceu 
seus conhecimentos médicos para atender Eliseu, mas demandou 
pagamento bastante superior ao valor de mercado, sob a alegação de 
que se encontrava de férias. Os termos do passageiro foram pronta-
mente aceitos por Eliseu. Recuperado do mal que o atingiu, para evitar 
a cobrança dos valores avençados, Eliseu pode pretender a anulação 
do acordo firmado com o outro passageiro, alegando
a) erro.
b) dolo.
c) coação.
d) estado de perigo.
 Z Anotações/Comentários
(a) Não se trata de erro, pois não há um engano fático em relação a 
uma pessoa, objeto de um negócio ou direito, que se refere à vontade de 
uma das partes que celebrou o negócio jurídico. Com base no exposto 
anteriormente, a assertiva está incorreta.
(b) No dolo, há um emprego de um artifício ardiloso para enganar 
alguém em benefício próprio, não sendo este o caso da questão (art. 
145 do CC).
(c) Não se trata de coação, pois o médico-passageiro tinha conhe-
cimento da situação de risco que estava sendo vivida por Eliseu e, 
mesmo assim, exigiu um valor exorbitante, bem superior ao valor de 
mercado, – onerosidade excessiva – para salvá-lo. Na coação, há uma 
pressão física ou moral para que a parte coagida assuma uma obrigação 
que não lhe interessa, nos termos do art. 151 do CC.
(d) A alternativa está correta, uma vez que o estado de perigo se 
configura quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a 
pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume 
obrigação excessivamente onerosa, de acordo com o art. 156 do CC.
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Como se preparar para o Exame de Ordem • OAB | Caderno de Questões (Semana 1 • 03/02 – 07/02)
Gabarito: D
45. (FGV/OAB/XX_Exame/Prova reaplicada Salvador-BA – 2016) 
Bernardo, nascido e criado no interior da Bahia, decide mudar- se para 
o Rio de Janeiro. Ao chegar ao Rio, procurou um local para morar. José, 
percebendo o desconhecimento de Bernardo sobre o valor dos aluguéis 
no Rio de Janeiro, lhe oferece um quarto por R$ 500,00 (quinhentos 
reais). Pagando com dificuldade o aluguel do quarto, ao conversar com 
vizinhos, Bernardo descobre que ninguém paga mais do que R$ 200,00 
(duzentos reais) por um quarto naquela região. Sentindo-se injustiçado, 
procura um advogado.
Sobre o caso narrado, com base no Código Civil, assinale a afirmativa 
correta.
a) O negócio jurídico poderá ser anulado por lesão, se José não con-
cordar com a redução do proveito ou com a oferta de suplemento 
suficiente.
b) O negócio jurídico será nulo em virtude da ilicitude do objeto.
c) O negócio jurídico poderá ser anulado por coação em razão da 
indução de Bernardo a erro.
d) O negócio jurídico poderá ser anulado por erro, eis que este foi 
causa determinante do negócio.
 Z Anotações/Comentários
Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, 
ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente despro-
porcional ao valor da prestação oposta. Aprecia-se a desproporção das 
prestações segundo os valores vigentes ao tempo em que foi celebrado 
o negócio jurídico (CC, art. 157). Pelo quadro fático apresentado na 
questão, Bernardo, por inexperiência se obrigou a prestação (valor do 
aluguel) manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta 
(local do quarto), ou seja, ocorreu lesão. Sendo assim, o negócio jurídico 
poderá ser anulado, se José não concordar com a redução do proveito 
ou com a oferta de suplemento suficiente.
Gabarito: A
46. (FGV/OAB/XIX_Exame – 2016) Juliana foi avisada que seu filho 
Marcos sofreu um terrível acidente de carro em uma cidade com poucos 
recursos no interior do Ceará e que ele está correndo risco de morte 
devido a um grave traumatismo craniano. Diante dessa notícia, Juliana 
celebra um contrato de prestação de serviços médicos em valores 
exorbitantes, muito superiores aos praticados habitualmente, para 
que a única equipe de médicos especializados da cidade assuma o 
tratamento de seu filho.
Tendo em vista a hipótese apresentada, assinale a afirmativa correta.
a) O negócio jurídico pode ser anulado por vício de consentimento 
denominado estado de perigo, no prazo prescricional de quatro 
anos, a contar da data da celebração do contrato.
b) O negócio jurídico celebrado por Juliana é nulo, por vício resul-
tante de dolo, tendo em vista o fato de que a equipe médica tinha 
ciência da situação de Marcos e se valeu de tal condição para fixar 
honorários em valores excessivos.
c) O contrato de prestação de serviços médicos é anulável por vícioresultante de estado de perigo, no prazo decadencial de quatro 
anos, contados da data da celebração do contrato.
d) O contrato celebrado por Juliana é nulo, por vício resultante de 
lesão, e por tal razão não será suscetível de confirmação e nem 
convalescerá pelo decurso do tempo.
 Z Anotações/Comentários
Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da 
necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano 
conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa 
(art. 156 do CC). Ocorrendo o estado de perigo, o negócio jurídico será 
anulável, não nulo, conforme o disposto no art. 171, II, do CC. É de 04 
(quatro) anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do 
negócio jurídico, contado, no caso de estado de perigo, do dia em que 
se realizou o negócio jurídico.
Gabarito: C
47. (FGV/SMF Cuiabá/Auditor Fiscal Tributário da Receita Muni-
cipal – 2016) Em 2002, José, empresário do ramo imobiliário, se torna 
proprietário de dois apartamentos, cada um no valor de mercado de 
R$ 2.000.000,00. Em 2003, José celebra um contrato de empréstimo 
com Miguel, pelo qual José receberá R$ 2.000.000,00 com obrigação 
de restituição do valor a Miguel em um ano.
Em 2005, José, já insolvente e temeroso com a possibilidade de perder 
um de seus bens imóveis, vende os dois imóveis e adquire uma casa no 
valor de R$ 4.000.000,00 milhões, para onde se muda com sua família.
Em 2006, José é notificado por Miguel, seu credor, para pagamento da 
dívida de R$ 2.000.000,00 milhões, referente ao empréstimo contraído 
em 2003. José, contudo, não realiza o pagamento.
Considerando os fatos narrados, assinale a afirmativa correta.
a) O imóvel de José não poderá ser executado para pagamento de sua 
dívida com Miguel por constituir bem de família, impenhorável.
b) O imóvel de José não poderá ser executado para pagamento de 
sua dívida com Miguel, pois a execução viola o direito à moradia 
de José, constitucionalmente garantido.
c) O imóvel de José não poderá ser executado para pagamento de sua 
dívida com Miguel, pois o valor de sua dívida com Miguel é inferior 
ao valor do imóvel residencial.
d) O imóvel de José poderá ser executado para pagamento de sua 
dívida com Miguel, pois sabendo que estava insolvente, adquiriu 
imóvel mais valioso para transferir a residência familiar.
e) O imóvel de José poderá ser executado para pagamento de sua 
dívida com Miguel, desde que este comprove que houve fraude à 
execução.
 Z Anotações/Comentários
(a, b) Como a aquisição do imóvel, que efetivamente seria bem de 
família legal, caracteriza fraude clara, não há que se falar em proteção 
patrimonial.
(c) A simples diferença de valor não justifica, por si só, a não rea-
lização da penhora. Efetivamente, fosse a dívida de valor pequeno, 
não haveria fundamento para a excussão do bem, o que não é o caso.
(d) O caso em tela traz uma interessante situação em que a aqui-
sição de um imóvel acaba por caracterizar fraude contra credores (e 
não fraude à execução), vez que pretende afastar a possibilidade de 
penhora por parte do credor.
(e) A fraude à execução está conceituada no art. 792, CPC e pres-
supõe a pendência de ação (seja de execução, seja de conhecimento 
ou de qualquer natureza).
Gabarito: D
48. (FGV/SMF Cuiabá/Auditor Fiscal Tributário da Receita Munici-
pal – 2016) Francisco deseja doar seu apartamento para Joaquim, seu 
sobrinho mais novo. Ao realizar a transferência, exige que o sobrinho 
pinte o apartamento, a cada 6 meses, na cor que ele determinar. Joa-
quim aceita a oferta.
Assinale a opção que indica o elemento acidental presente no negócio 
jurídico.
a) Condição suspensiva.
b) Condição resolutiva.
c) Encargo.
d) Termo inicial.
e) Termo final.
 Z Anotações/Comentários
(a, b) As condições são eventos futuros e incertos, que impedem 
a produção imediata de efeitos (condição suspensiva) enquanto não 
se realizarem; ou colocam fim ao negócio, em caso de sua ocorrência 
(condição resolutiva).
(c) A restrição que se impõe a uma liberalidade, seja em favor de 
terceiro ou em favor da sociedade, caracteriza encargo.
(d, e) O termo é evento futuro e certo e determina a suspensão 
do exercício de um negócio jurídico (mas não impede a aquisição do 
direito), sendo termo inicial; pode, também, por fim ao negócio jurídico, 
sendo um termo final.
Gabarito: C
49. (FGV/SMF Cuiabá/Auditor Fiscal Tributário da Receita Munici-
pal – 2016) Fábio comprometeu-se a doar uma casa aos noivos Roberto 
e Carla, desde que viessem a contrair matrimônio. Um mês antes do 
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casamento, Carla descobriu que o vizinho do imóvel vem danificando 
o bem de Fábio, podendo a continuação destruir o imóvel.
Diante do ocorrido, assinale a afirmativa correta.
a) Roberto e Carla nada poderão fazer, visto que só possuem uma 
mera expectativa de direito, sendo de Fábio a legitimidade para a 
propositura de qualquer ação.
b) Roberto e Carla poderão promover ação judicial que impeça o ato 
do vizinho, visto que o termo inicial gera a aquisição do direito.
c) Fábio, Roberto e Carla não poderão promover ação judicial, pois 
será preciso aguardar a realização do casamento para a propositura 
da ação.
d) Roberto e Carla poderão agir, inclusive judicialmente, pois ao titular 
do direito eventual, nos casos de condição suspensiva, é permitido 
praticar os atos destinados a conservá-lo.
e) A doação celebrada por Fábio está sujeita a uma condição suspen-
siva, o que gera a suspensão da aquisição do direito, inibindo a ação 
dos noivos.
 Z Anotações/Comentários
O caso em tela envolve uma doação sob condição, o que, com base 
no art. 130, CC, não impede atos de proteção e tutela do direito. Poderão 
os beneficiários efetivar pedidos antecipatórios de urgência para fazer 
parar atos que possam danificar ou prejudicar o seu direito. Contudo, 
destaque-se para a limitação do enunciado, que não deixa claro se a 
doação se revestiu dos requisitos legais (forma pública) ou uma mera 
promessa de doação, o que não daria qualquer direito ao casal.
Gabarito: D
50. (FGV/PGE-RO/Analista da Procuradoria – Processual – 2016) 
Celina é credora quirografária de Márcia de um montante de R$ 
50.000,00. Celina ingressou com Ação Revocatória para ver anulado 
ato praticado por Márcia que a levou à insolvência, qual seja, a trans-
missão gratuita por meio de contrato de doação para sua filha Elisa de 
uma propriedade imóvel avaliada em R$ 100.000,00. Sobre os fatos 
narrados, é correto afirmar que:
a) o caso traz hipótese de fraude à execução, que constitui defeito 
do negócio jurídico, por vício de consentimento, gerando a sua 
anulação;
b) o caso traz hipótese de fraude contra credores, que constitui defeito 
do negócio jurídico, por vício social, gerando a sua nulidade;
c) a procedência da ação revocatória implica a anulação da doação, 
sendo que esta aproveitará a Celina e aos demais credores de 
Márcia;
d) a procedência da ação revocatória implica a anulação da doação, 
sendo que esta aproveitará somente a Celina e não aos demais 
credores de Márcia;
e) Celina tem o prazo prescricional de dois anos para pleitear a anula-
ção do negócio jurídico de doação, contado do dia em que tomar 
conhecimento da realização do negócio.
 Z Anotações/Comentários
(a) A fraude à execução não se confunde com a fraude contra 
credores. Nas palavras de Fredie Didier, estas categorias, são, por vezes, 
tratadas como interligadas, “ambas decorrem do mesmo princípio: 
a limitação da disponibilidade dos bens do devedor, com rejeição a 
diminuições fraudulentas. A fraude à execução seria uma faceta da 
fraude contra credores. A fraude à execução desenvolveu-se como um 
instituto autônomo, com características próprias (...). A fraude à execu-
ção é manobra do devedor que causa dano não apenas ao credor (como 
na fraude pauliana), mas também à atividade jurisdicional executiva”.
(b) Os vícios do negócio jurídico,todos, geram a anulabilidade do 
ato. Importante destacar que a simulação deixou de ser vício do negócio 
jurídico e tornou-se causa de nulidade.
(c, d) O caso apresentado caracteriza fraude contra credores, na 
forma do art. 158, CC, não importando conhecimento, por parte de Elisa 
da condição de insolvência de Márcia, por se tratar de ato de disposição 
gratuita de bens. O bem será devolvido ao patrimônio de Márcia, bene-
ficiando não apenas Celina, como também todos os demais credores.
(e) O prazo, de natureza decadencial, é de 4 anos, a contar da 
realização do negócio jurídico (art. 178, II, CC).
Gabarito: C
51. (FGV/DPE-RO/Analista da Defensoria Pública – Analista Jurídico 
– 2016) Flávia, trinta e dois anos de idade, foi interditada como relativa-
mente incapaz em virtude de problemas intermitentes de coordenação 
de suas faculdades psíquicas. Não obstante a interdição, Flávia, sem a 
participação de seu curador, vendeu seu automóvel por um preço sete 
por cento acima do valor de mercado.
Pode-se afirmar que a venda em questão é:
a) nula de pleno direito;
b) inexistente;
c) anulável;
d) perfeitamente válida;
e) condicional.
 Z Anotações/Comentários
(a) A nulidade absoluta, em tema de incapacidade, somente irá 
ocorrer se se tratar de sujeito absolutamente incapaz que venha a 
praticar o ato sem a devida representação.
(b) A inexistência decorre da ausência de pelo menos um dos 
elementos que viabilizam a manifestação do negócio jurídico ainda no 
mundo do ser. No plano da existência não há que se falar em requisitos 
de validade ou fatores de eficácia, que se encontram do lado de lá da 
corrente, já no mundo do “dever ser”. A existência, de forma geral, será 
detectada com a presença da vontade (ou exteriorização desta), do 
objeto e do agente. No caso apresentado tais elementos estão presen-
tes, não se podendo falar em inexistência.
(c, d) A incapacidade relativa do agente provoca, em situação como 
a apresentada (realização de negócio jurídico sem a assistência devida) 
a anulabilidade do ato, já que prejudicada a validade do mesmo. A ine-
xistência de prejuízo para o incapaz (que, no caso, obteve até vantagem) 
não retira do ato a sua invalidade.
(e) Primeiramente, necessário recordar que as condições são fatores 
que modulam a eficácia de um negócio jurídico (seja suspendendo-o, 
seja resolvendo-o), em razão da subordinação dos efeitos deste a um 
evento futuro e incerto. Vale frisar, ainda, que a incerteza recai sobre a 
ocorrência do evento, e não quanto ao seu momento (por isso, a morte, 
sem uma data prefixada, não é condição). No caso apresentado no 
enunciado não há qualquer evento a condicionar o negócio.
Gabarito: C
52. (FGV/OAB/XIV_Exame – 2014) Maria Clara, então com dezoito 
anos, animada com a conquista da carteira de habilitação, decide retirar 
suas economias da poupança para adquirir um automóvel. Por saber que 
estava no início da sua carreira de motorista, resolveu comprar um carro 
usado e pesquisou nos jornais até encontrar um modelo adequado. 
Durante a visita de Maria Clara para verificar o estado de conservação 
do carro, o proprietário, ao perceber que Maria Clara não era conhece-
dora de automóveis, informou que o preço que constava no jornal não 
era o que ele estava pedindo, pois o carro havia sofrido manutenção 
recentemente, além de melhorias que faziam com que o preço fosse 
aumentado em setenta por cento. Com esse aumento, o valor do carro 
passou a ser maior do que um modelo novo, zero quilômetro. Contudo, 
após as explicações do proprietário, Maria Clara fechou o negócio.
Sobre a situação apresentada no enunciado, assinale a opção correta.
a) Maria Clara sofreu coação para fechar o negócio, diante da insistên-
cia do antigo proprietário e, por isso, pode ser proposta a anulação 
do negócio jurídico no prazo máximo de três anos.
b) O negócio efetuado por Maria Clara não poderá ser anulado porque 
decorreu de manifestação de vontade por parte da adquirente. 
Dessa forma, como não se trata de relação de consumo, Maria Clara 
não possui essa garantia.
c) O pai de Maria Clara, inconformado com a situação, pretende anular 
o negócio efetuado pela filha, porém, como já se passaram três 
anos, isso não será mais possível, pois já decaiu seu direito.
d) O negócio jurídico efetuado por Maria Clara pode ser anulado; 
porém, se o antigo proprietário concordar com a diminuição no 
preço, o vício no contrato estará sanado
 Z Anotações/Comentários
A teor do art. 157 do Código Civil, ocorre a lesão quando uma 
pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga 
a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação 
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oposta”. Trata-se da tentativa de manter o ideário de justiça contratual e 
da equivalência (equidade) nas relações negociais, coibindo o abuso do 
poder econômico e o posicionamento privilegiado de um contratante 
em detrimento de outro.
Da verificação do art. 157 supramencionado, infere-se que a con-
figuração da lesão exige dois requisitos:
a) Objetivo: caracterizado pela manifesta desproporção entre a 
prestação e a contraprestação fixadas no negócio jurídico.
b) Subjetivo: Inexperiência ou premente necessidade a ser perce-
bida de acordo com o caso concreto.
A lesão é identificada com risco patrimonial.
É possível verificar a moldura posta no caso em comento.
Registra-se que não há estado de perigo, posto que este demanda 
risco pessoal. Veja-se que a questão, em nenhum momento, informa 
eventual risco de vida dos transportados (CC, art. 156).
Uma vez verificada a lesão, dois caminhos são possíveis:
i. Revisão do negócio jurídico, conferindo-se suplemento suficiente a 
uma das partes ou redução do proveito da outra (CC, art. 157, p. 2o), ou
ii. Anulação do negócio jurídico no prazo decadencial de 4 (quatro) 
anos (CC, arts. 171 e 178).
Gabarito: D
53. (FGV/OAB/XIII_Exame – 2014) Lúcia, pessoa doente, idosa, com 
baixo grau de escolaridade, foi obrigada a celebrar contrato particular de 
assunção de dívida com o Banco FDC S.A., reconhecendo e confessando 
dívidas firmadas pelo seu marido, esse já falecido, e que não deixara 
bens ou patrimônio a inventariar. O gerente do banco ameaçou Lúcia de 
não efetuar o pagamento da pensão deixada pelo seu falecido marido, 
caso não fosse assinado o contrato de assunção de dívida.
Considerando a hipótese acima e as regras de Direito Civil, assinale a 
afirmativa correta.
a) O contrato particular de assunção de dívida assinado por Lúcia é 
anulável por erro substancial, pois Lúcia manifestou sua vontade 
de forma distorcida da realidade, por entendimento equivocado 
do negócio praticado
b) O ato negocial celebrado entre Lúcia e o Banco FDC S.A. é anulável 
por vício de consentimento, em razão de conduta dolosa praticada 
pelo banco, que ardilosamente falseou a realidade e forjou uma 
situação inexistente, induzindo Lúcia à prática do ato.
c) O instrumento particular firmado entre Lúcia e o Banco FDC S.A. 
pode ser anulado sob fundamento de lesão, uma vez que Lúcia 
assumiu obrigação excessiva sobre premente necessidade.
d) O negócio jurídico celebrado entre Lúcia e o Banco FDC S.A. é 
anulável pelo vício da coação, uma vez que a ameaça praticada 
pelo banco foi iminente e atual, grave, séria e determinante para a 
celebração da avença.
 Z Anotações/Comentários
Percebe-se o enquadramento do caso narrado no vício de con-
sentimento denominado de coação. Afinal, Lúcia foi ameaçada, lhe 
tendo sido imputado fundado temor de dano iminente pela perda da 
pensão (CC, art. 151).
Ademais, infere-se que Lúcia é idosa, recém viúva, doente e com 
baixo grau de escolaridade, sendo uma pessoa vulnerável e facilmente 
coagida (CC, art. 152).
Diante da coação a consequência será anulação do ato, no prazo 
decadencial de até 4 (quatro) anos (CC, arts. 171 e 178).
Gabarito: D
54. (FGV/OAB/VI_Exame – 2012) Considerando o instituto dalesão, 
é correto afirmar que
a) a desproporção entre as prestações deve se configurar somente 
no curso de contrato.
b) os efeitos da lesão podem se manifestar no curso do contrato, 
desde que sejam provenientes de desproporção entre as prestações 
existente no momento da celebração do contrato.
c) a desproporção entre as prestações surge em razão de fato super-
veniente à celebração do contrato.
d) os efeitos da lesão decorrem de um fato imprevisto.
 Z Anotações/Comentários
A teor do art. 157 do Código Civil, ocorre a lesão quando uma 
pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga 
a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação 
oposta”. Trata-se da tentativa de manter o ideário de justiça contratual e 
da equivalência (equidade) nas relações negociais, coibindo o abuso do 
poder econômico e o posicionamento privilegiado de um contratante 
em detrimento de outro.
Da verificação do art. 157 supramencionado, infere-se que a con-
figuração da lesão exige dois requisitos:
a) Objetivo: caracterizado pela manifesta desproporção entre a 
prestação e a contraprestação fixadas no negócio jurídico. Tal despro-
porção é verificada no momento da celebração do negócio jurídico – é 
congênita -, sendo viável que seus efeitos se manifestem no curso do 
contrato.
b) Subjetivo: Inexperiência ou premente necessidade a ser perce-
bida de acordo com o caso concreto.
A lesão é identificada com risco patrimonial.
Uma vez verificada a lesão, dois caminhos são possíveis:
i. Revisão do negócio jurídico, conferindo-se suplemento suficiente a 
uma das partes ou redução do proveito da outra (CC, art. 157, p. 2o), ou
ii. Anulação do negócio jurídico no prazo decadencial de 4 (quatro) 
anos (CC, arts. 171 e 178).
Gabarito: B
55. (FGV/OAB/X_Exame – 2013) João, credor quirografário de Marcos 
em R$ 150.000, 00, ingressou com Ação Pauliana, com a finalidade de 
anular ato praticado por Marcos, que o reduziu à insolvência. João alega 
que Marcos transmitiu gratuitamente para seu filho, por contrato de 
doação, propriedade rural avaliada em R$ 200.000, 00. Considerando a 
hipótese acima, assinale a afirmativa correta.
a) Caso o pedido da Ação Pauliana seja julgado procedente e seja 
anulado o contrato de doação, o benefício da anulação aprovei-
tará somente a João, cabendo aos demais credores, caso existam, 
ingressarem com ação individual própria.
b) O caso narrado traz hipótese de fraude de execução, que constitui 
defeito no negócio jurídico por vício de consentimento.
c) Na hipótese de João receber de Marcos, já insolvente, o pagamento 
da dívida ainda não vencida, ficará João obrigado a repor, em 
proveito do acervo sobre que se tenha de efetuar o concurso de 
credores, aquilo que recebeu.
d) João tem o prazo prescricional de dois anos para pleitear a anulação 
do negócio jurídico fraudulento, contado do dia em que tomar 
conhecimento da doação feita por Marcos.
 Z Anotações/Comentários
(a) Anulados os negócios fraudulentos, a vantagem resultante 
reverterá em proveito do acervo sobre que se tenha de efetuar o con-
curso de credores, de acordo com o art. 165 do CC. Ou seja, vindo a ser 
anulado o negócio fraudulento, a vantagem resultante beneficiará todos 
os credores e não somente aquele que tiver ingressado com a ação.
(b) O caso da questão trata de fraude contra credores e não fraude 
à execução. Nesse sentido, o art. 158 do CC dispõe que os negócios de 
transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar o 
devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando 
o ignore, poderão ser anulados pelos credores quirografários, como 
lesivos dos seus direitos.
(c) A alternativa está correta, uma vez que o art. 162 do CC esta-
belece que o credor quirografário, que receber do devedor insolvente 
o pagamento da dívida ainda não vencida, ficará obrigado a repor, 
em proveito do acervo sobre que se tenha de efetuar o concurso de 
credores, aquilo que recebeu.
(d) De acordo com o art. 178, II, do CC, é de quatro anos o prazo deca-
dencial para pleitear-se a anulação do negócio jurídico, contado, no caso 
de fraude contra credores, do dia em que se realizou o negócio jurídico.
Gabarito: C
56. (FGV/OAB/IX_Exame/Ipatinga – 2013) João prometeu doar seu 
imóvel em Búzios a José se o seu time de futebol do coração, o América/
RJ, for campeão carioca em 2013. Assim sendo, sobre a condição imposta 
para a doação, assinale a afirmativa correta.
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a) Trata-se de condição puramente potestativa, sendo lícita por 
depender de manifestação da vontade de uma das partes.
b) Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspen-
siva, enquanto esta não se verificar, não terá Roberto adquirido o 
direito nele previsto.
c) É defeso a Roberto, titular do direito eventual, praticar atos desti-
nados à sua conservação.
d) Trata-se de condição meramente potestativa, sendo, pois, ilícita, 
uma vez que sujeita ao puro arbítrio de uma das partes.
 Z Anotações/Comentários
A condição “é evento futuro e incerto que condiciona o negócio 
jurídico e deriva exclusivamente da vontade humana (art. 121 do Código 
Civil). Trata-se de um elemento acessório do negócio jurídico, o qual é 
inserido por ato volitivo dos envolvidos. A incerteza há de ser objetiva, 
de toda a sociedade, e não subjetiva, ou seja, relativa apenas ao autor. 
Quando não há incerteza objetiva, a doutrina denomina essa condição 
de imprópria.” (Luciano Figueiredo e Roberto Figueiredo, Direito Civil 
Parte Geral, Coleção Sinopses para concursos, vol. 10, Editora JusPo-
divm). Trata-se de uma condição causal e não puramente potestativa, 
pois depende do acaso, do fortuito, do fato alheio à vontade das partes. 
As condições puramente potestativas são consideradas ilícitas pelo art. 
122 do CC e consistem no puro arbítrio de uma das partes, sem que haja 
a influência de qualquer outro fator externo. Além disso, a condição 
pode ser suspensiva (art. 125 do CC), que é aquela que, enquanto não 
se verificar, impede que o negócio jurídico gere efeitos (como no caso 
do enunciado) ou resolutiva, a qual extingue os efeitos do negócio 
jurídico quando implementada (art. 128 do CC). Por fim, destaca-se 
que ao titular do direito eventual, nos casos de condição suspensiva, é 
permitido praticar os atos destinados a conservá-lo, de acordo com o 
art. 130 do CC. Portanto, João subordinou a eficácia do negócio jurídico 
(doação À José) à condição suspensiva (se o seu time de futebol for cam-
peão carioca em 2013), razão pela qual José não terá direito adquirido.
Gabarito: Anulada
57. (FGV/OAB/VIII_Exame – 2012) Em relação aos defeitos dos negó-
cios jurídicos, assinale a afirmativa incorreta.
a) A emissão de vontade livre e consciente, que corresponda efetiva-
mente ao que almeja o agente, é requisito de validade dos negócios 
jurídicos.
b) O erro acidental é o que recai sobre características secundárias do 
objeto, não sendo passível de levar à anulação do negócio.
c) A simulação é causa de anulação do negócio, e só poderá ocorrer 
se a parte prejudicada demonstrar cabalmente ter sido prejudicada 
por essa prática.
d) O objetivo da ação pauliana é anular o negócio praticado em fraude 
contra credores.
 Z Anotações/Comentários
(a) Para que possam ser considerados válidos, os negócios jurídicos 
devem conter alguns requisitos, sendo essenciais os que dizem respeito 
à sua própria formação, quais sejam: (i) agente capaz; (ii) objeto licito, 
possível e determinável ou determinado e (iii) forma prescrita ou não 
defesa em lei (art. 104 do CC). A tais requisitos, a doutrina acrescenta a 
vontade livre e consciente, pois caso contrário o negócio estaria eivado 
de algum vício de consentimento, tornando-o passível de anulação.
(b) O erro acidental contempla as qualidades secundárias ou aces-
sórias da pessoa ou do objeto e, vindo a ocorrer esta espécie de erro, o 
negóciojurídico não será anulado, continuando válido, tendo em vista 
que o defeito não incide sobre a declaração de vontade.
(c) Nos termos do art. 167 do CC, é nulo o negócio jurídico simulado, 
mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na 
forma. Anteriormente, a simulação somente viciava o negócio jurídico 
quando houvesse clara intenção de prejudicar terceiros, pretenden-
do-se o enriquecimento ilícito, entendimento ultrapassado, como 
demonstra o teor do Enunciado n. 152/CJF: “Toda simulação, inclusive 
a inocente, é invalidante.”. Portanto, não se trata de anulabilidade do 
negócio jurídico, mas de nulidade.
(d) Os atos eivados de fraude contra credores são anuláveis por 
meio da ação pauliana cujo principal efeito da ação é “revogar” o negó-
cio lesivo aos interesses dos credores (daí também ser conhecida como 
ação revocatória), repondo o bem no acervo sobre o qual se efetuará 
o concurso de credores.
Gabarito: C
58. (FGV/OAB/VII_Exame – 2012) Mauro, entristecido com a fuga 
das cadelinhas Lila e Gopi de sua residência, às quais dedicava grande 
carinho e afeição, promete uma vultosa recompensa para quem even-
tualmente viesse a encontrá-las. Ocorre que, no mesmo dia em que 
coloca os avisos públicos da recompensa, ao conversar privadamente 
com seu vizinho João, afirma que não irá, na realidade, dar a recompensa 
anunciada, embora assim o tenha prometido. Por coincidência, no dia 
seguinte, João encontra as cadelinhas passeando tranquilamente em 
seu quintal e as devolve imediatamente a Mauro. Neste caso, é correto 
afirmar que
a) a manifestação de vontade no sentido da recompensa subsiste em 
relação a João ainda que Mauro tenha feito a reserva mental de não 
querer o que manifestou originariamente.
b) a manifestação de vontade no sentido da recompensa não subsiste 
em relação a João, pois este tomou conhecimento da alteração da 
vontade original de Mauro.
c) a manifestação de vontade no sentido da recompensa não mais 
terá validade em relação a qualquer pessoa, pois ela foi alterada a 
partir do momento em que foi feita a reserva mental por parte de 
Mauro.
d) a manifestação de vontade no sentido da recompensa subsiste em 
relação a toda e qualquer pessoa, pois a reserva mental não tem o 
condão de modificar a vontade originalmente tornada pública.
 Z Anotações/Comentários
A promessa de recompensa é ato de declaração de vontade unila-
teral, ou seja, independe de aceitação do receptor para vincular o que 
foi manifestado. Nesse sentido, o art. 854 do CC determina que aquele 
que, por anúncios públicos, se comprometer a recompensar, ou grati-
ficar, a quem preencha certa condição, ou desempenhe certo serviço, 
contrai obrigação de cumprir o prometido. Além disso, a manifestação 
de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de 
não querer o que manifestou, salvo se dela o destinatário tinha conhe-
cimento, nos termos do art. 110 do CC. Por essa razão, a manifestação 
de vontade de Mauro, no sentido de pagar a recompensa, não subsiste 
em relação a João, porque este tinha conhecimento dela, nos termos 
do art. 110 do CC.
Gabarito: B
59. (FGV/OAB/VI_Exame – 2012) A condição, o termo e o encargo 
são considerados elementos acidentais, facultativos ou acessórios do 
negócio jurídico, e têm o condão de modificar as consequências naturais 
deles esperadas. A esse respeito, é correto afirmar que
a) se considera condição a cláusula que, derivando da vontade das 
partes ou de terceiros, subordina o efeito do negócio jurídico a 
evento futuro e incerto.
b) se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, não vigo-
rará o negócio jurídico, não se podendo exercer desde a conclusão 
deste o direito por ele estabelecido.
c) o termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do 
direito e, salvo disposição legal ou convencional em contrário, 
computam-se os prazos, incluindo o dia do começo e excluindo o 
do vencimento.
d) se considera não escrito o encargo ilícito ou impossível, salvo se 
constituir o motivo determinante da liberalidade, caso em que se 
invalida o negócio jurídico.
 Z Anotações/Comentários
(a) Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente 
da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento 
futuro e incerto, nos termos do art. 121 do CC. Assim, a condição não 
pode decorrer da manifestação de vontade de terceiros.
(b) Se for resolutiva a condição, enquanto esta não se realizar, vigo-
rará o negócio jurídico, podendo exercer-se desde a conclusão deste o 
direito por ele estabelecido (art. 127 do CC). A alternativa está incorreta, 
uma vez que incluiu a expressão “não”, alterando completamente o 
sentido contido na norma.
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Como se preparar para o Exame de Ordem • OAB | Caderno de Questões (Semana 1 • 03/02 – 07/02)
(c) O termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do 
direito, conforme afirma a redação da alternativa (art. 131 do CC) e, salvo 
disposição legal ou convencional em contrário, computam-se os prazos, 
excluído o dia do começo, e incluído o do vencimento (art. 132 do CC).
(d) A alternativa está correta, tendo em vista que o art. 137 do CC 
determina que se considera não escrito o encargo ilícito ou impossível, 
salvo se constituir o motivo determinante da liberalidade, caso em que 
se invalida o negócio jurídico.
Gabarito: D
60. (FGV/OAB/IV_Exame – 2011) O negócio jurídico depende da 
regular manifestação de vontade do agente envolvido. Nesse sentido, o 
art. 138 do Código Civil dispõe que “são anuláveis os negócios jurídicos 
quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial que 
poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das 
circunstâncias do negócio”. Relativamente aos defeitos dos negócios 
jurídicos, assinale a alternativa correta.
a) O falso motivo, por sua gravidade, viciará a declaração de vontade 
em todas as situações e, por consequência, gerará a anulação do 
negócio jurídico.
b) O erro não prejudica a validade do negócio jurídico quando a pes-
soa, a quem a manifestação de vontade se dirige, se oferecer para 
executá-la na conformidade da vontade real do manifestante.
c) O erro é substancial quando concerne à identidade ou à qualidade 
essencial da pessoa a quem se refira a declaração de vontade, ainda 
que tenha influído nesta de modo superficial.
d) O erro de cálculo gera a anulação do negócio jurídico, uma vez que 
restou viciada a declaração de vontade nele baseada.
 Z Anotações/Comentários
(a) O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso 
como razão determinante, ou seja, nem sempre viciará a declaração de 
vontade, conforme o disposto no art. 140 do CC.
(b) A alternativa está correta, uma vez que o art. 144 do CC dispõe 
que o erro não prejudica a validade do negócio jurídico quando a 
pessoa, a quem a manifestação de vontade se dirige, se oferecer para 
executá-la na conformidade da vontade real do manifestante.
(c) De acordo com o art. 139, II, do CC, o erro é substancial quando 
concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se 
refira a declaração de vontade, desde que tenha influído nesta de modo 
relevante, não superficial.
(d) O erro de cálculo apenas autoriza a retificação da declaração 
de vontade, não a anulação do negócio jurídico, nos termos do art. 
143 do CC.
Gabarito: B
4.2. DOS ATOS JURÍDICOS
61. (FGV/OAB/XI_Exame – 2013) Pedro, engenheiro elétrico, mora 
na cidade do Rio de Janeiro e trabalha na Concessionária Iluminação 
S.A. Ele é viúvo e pai de Bruno, de sete anos de idade, que estuda no 
colégio particular Amarelinho. Há três meses, Pedro celebrou contrato 
de financiamento para aquisição de um veículo importado, o que com-
prometeu bastante seu orçamento e, a partir de então, deixou de arcar 
com o pagamento das mensalidades escolares de Bruno. Por razões de 
trabalho, Pedro será transferido para uma cidade serrana, no interior 
do Estado e solicitou ao estabelecimento de ensino o históricoescolar 
de seu filho, a fim de transferi-lo para outra escola. Contudo, teve seu 
pedido negado pelo Colégio Amarelinho, sendo a negativa justificada 
pelo colégio como consequência da sua inadimplência com o paga-
mento das mensalidades escolares. Para surpresa de Pedro, na mesma 
semana da negativa, é informado pela diretora do Colégio Amarelinho 
que seu filho não mais participaria das atividades recreativas diuturnas 
do colégio, enquanto Pedro não quitar o débito das mensalidades venci-
das e não pagas. Com base no caso narrado, assinale a afirmativa correta.
a) O Colégio Amarelinho atua no exercício regular do seu direito de 
cobrança e, portanto, não age com abuso de direito ao reter o 
histórico escolar de Bruno, haja vista a comprovada e imotivada 
inadimplência de Pedro.
b) As condutas adotadas pelo Colégio Amarelinho configuram abuso 
de direito, pois são eticamente reprováveis, mas não configuram 
atos ilícitos indenizáveis.
c) Tanto a retenção do histórico escolar de Bruno, quanto a negativa 
de participação do aluno nas atividades recreativas do colégio, 
configuram atos ilícitos objetivos e abusivos, independente da 
necessidade de provar a intenção dolosa ou culposa na conduta 
adotada pela diretora do Colégio Amarelinho.
d) Para existir obrigação de indenizar do Colégio Amarelinho, com 
fundamento no abuso de direito, é imprescindível a presença de 
dolo ou culpa, requisito necessário para caracterizar o comporta-
mento abusivo e o ilícito indenizável.
 Z Anotações/Comentários
Comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede 
manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, 
pela boa-fé ou pelos bons costumes (art. 187 do CC). Nesse sentido, o art. 
42 do CDC determina que na cobrança de débitos, o consumidor inadim-
plente não será exposto a ridículo, nem será submetido a qualquer tipo 
de constrangimento ou ameaça. Cumpre esclarecer também que, sob a 
esfera consumerista, a conduta do Colégio Amarelinho é um modo de 
constrangimento, com o intuito de cobrar as dívidas pendentes. O abuso 
de direito, na qualidade de ato ilícito, enseja pleito indenizatório, com 
base no art. 927 do CC. Por fim, destaca-se que o ato ilícito praticado 
pelo Colégio independe da comprovação de dolo ou culpa, pois se trata 
de relação de consumo (art. 14 do CDC).
Gabarito: C
62. (FGV/OAB/VIII_Exame – 2012) João dirigia seu veículo respeitando 
todas as normas de trânsito, com velocidade inferior à permitida para o 
local, quando um bêbado atravessou a rua, sem observar as condições 
de tráfego. João não teve condições de frear o veículo ou desviar-se 
dele, atingindo-o e causando-lhe graves ferimentos. A partir do caso 
apresentado, assinale a afirmativa correta.
a) Houve responsabilidade civil, devendo João ser considerado cul-
pado por sua conduta.
b) Faltou um dos elementos da responsabilidade civil, qual seja, a 
conduta humana, não ficando configurada a responsabilidade civil.
c) Inexistiu um dos requisitos essenciais para caracterizar a res-
ponsabilidade civil: o dano indenizável e, por isso, não deve ser 
responsabilizado.
d) Houve rompimento do nexo de causalidade, em razão da conduta 
da vítima, não restando configurada a responsabilidade civil.
 Z Anotações/Comentários
Para a configuração da responsabilidade subjetiva, regra em nossa 
legislação, há a necessidade dos seguintes requisitos: a) conduta; b) 
dano; c) nexo causal; e d) culpa em sentido amplo (abrangendo o dolo 
e a culpa em sentido estrito). No caso em tela, estão ausentes alguns 
dos pressupostos caracterizadores da responsabilidade civil subjetiva. 
Isso porque, apesar de ter havido dano (graves ferimentos), resultante 
da conduta de João (dirigir o veículo), não houve culpa, uma vez que 
João foi prudente, pois dirigia respeitando todas as normas de trânsito, 
com velocidade inferior à permitida para o local. Além disso, o nexo de 
causalidade entre a conduta e o dano não existe, pois foi excluído pela 
culpa exclusiva da vítima, que, bêbada, atravessou a rua sem observar 
as condições de tráfego, provocando, por si só, o dano sofrido (arts. 
186 e 945 do CC).
Gabarito: D
4.3. DA PRESCRIÇÃO E DA DECADÊNCIA
63. (FGV/AL-RO/Analista Legislativo – Processo Legislativo – 2018) 
No dia 04/04/05, Everaldo, casado com Maria Helena pelo regime da 
separação de bens, colidiu com o veículo de sua esposa no trânsito. Ela 
dispendeu, segundo orçamento da oficina, R$ 4.000,00 para o conserto 
de seu bem. Em 15/07/18, o casal se divorciou e Maria Helena pretende 
intentar ação judicial em face de Everaldo.
Sobre prescrição, neste caso, assinale a afirmativa correta.
a) Flui o prazo prescricional a partir do dia 15/07/18, pois durante o 
casamento estava suspenso.
b) A prescrição da pretensão ocorreu em 04/04/08.
c) A prescrição estava impedida de correr durante o casamento, pelo 
que o prazo passa a ser contado a partir de 15/07/18.
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d) Por se tratar de uma dívida líquida, o prazo para sua cobrança se 
encerrou em 04/04/2010.
e) Maria Helena pode intentar ação judicial para a reparação dos danos 
até 15/07/2023.
 Z Anotações/Comentários
Entre cônjuges não corre a prescrição na constância da sociedade 
conjugal (art. 197, I, CC). Desta forma, deu-se impedimento de transcurso 
do prazo prescricional, não se falando, no caso, de suspensão, visto que 
esta, apesar de mesma origem da causa impeditiva, ocorre quando já se 
iniciou a contagem do prazo e deu-se a suspensão, retomando o prazo 
a marcha (de onde parou) quando cessar a causa suspensiva.
Gabarito: C
64. (FGV/TJ-SC/Oficial de Justiça – 2018) Ao celebrar um contrato 
de locação, Camila, locadora, convenciona com Marcos, locatário, que 
em até 30 (trinta) dias o inquilino deve exercer a opção de permanecer, 
ou não, com o mobiliário do imóvel locado, valendo o silêncio como a 
rejeição da manutenção dos bens.
A respeito dessa cláusula, é correto afirmar que se trata de prazo:
a) prescricional e, portanto, regular a convenção;
b) decadencial e, dessa forma, válido o lapso temporal;
c)  prescricional, pelo que irregular a convenção do período;
d) decadencial, mas inválida a disposição acerca da duração;
e) prescricional, mas deve observar o prazo de 5 anos.
 Z Anotações/Comentários
O caso em tela apresenta para o concursando dúvida acerca da 
possibilidade de criação de prazos decadenciais pelas partes. Na rea-
lidade, a decadência, ao contrário da prescrição, tanto pode existir 
por determinação legal quanto por vontade das partes. Estas duas 
possibilidades de existências encontram-se implícitas no art. 209, que 
estabelece a nulidade da renúncia à decadência fixada em lei (o que nos 
leva a concluir pela possibilidade de decadência firmada pela vontade 
das partes). Como se trata de espaço de autonomia, o prazo, além de 
razoável, por ser livremente estabelecido pelas partes.
Gabarito: B
65. (FGV/TJ-SC/Técnico Judiciário – 2018) Ana alugou o apartamento 
de Luiza, por meio de contrato em que as partes optaram, mediante 
cláusula expressa, por dispor que a proprietária somente poderia cobrar 
aluguéis vencidos e não pagos dos últimos seis meses.
A respeito dessa cláusula, é correto afirmar que:
a) resulta da liberdade das partes, pelo que deve ser observada;
b) é regular, pois altera prazo decadencial;
c) é irregular, visto que altera prazo prescricional;
d) é condicionada ao não pagamento dos aluguéis no aludido período;
e) deve ser a cada seis meses renovada para se manter regular.
 Z Anotações/Comentários
Os alugueres são um direito de crédito que toca ao locador. Prescre-
vem, na forma do art. 206, §3º, I, em três anos. Conforme art. 192, CC, não 
podem os prazos de prescrição ser alterados pela vontade das partes.
Gabarito: C
66. (FGV/Câmara de Salvador – BA/Analista Legislativo – 2018) 
Mineração S/A contratou seguro de responsabilidade civil com Segu-
radora S/A,que tinha como objeto a garantia de indenização por even-
tuais danos ambientais que a contratante viesse a ocasionar. Dentre as 
cláusulas contratuais, as partes estabeleceram, sob pena de perda da 
garantia, que na hipótese de ocorrência de qualquer dano passível de 
indenização, Mineração S/A deveria comunicar o ocorrido em até 30 
(trinta) dias. Também ajustaram reduzir os prazos prescricionais pela 
metade, tudo com o intento de adequar o valor do prêmio.
A respeito de ambas as cláusulas, é correto afirmar que:
a) são nulas, visto que não se faculta às partes alterar prazos deca-
denciais e prescricionais;
b) é válida a disposição acerca do prazo decadencial;
c) são válidas, pois tratam de condições do negócio jurídico;
d) é válido o ajuste quanto ao prazo prescricional;
e) são nulas, pois encerram condições meramente potestativas para 
o segurado.
 Z Anotações/Comentários
As partes não podem reduzir prazos prescricionais (art. 192, CC), 
mas podem dispor, desde que não importe em renúncia à determinação 
legal, da duração dos prazos decadenciais. As condições meramente 
potestativas, por sua vez, são aceitas no sistema brasileiro, já que envol-
vem a vontade da parte, mas subordinada a uma situação eventual.
Gabarito: B
67. (FGV/DPE-RO/Técnico da Defensoria Pública – Técnico Admi-
nistrativo – 2016) É correto afirmar que o prazo decadencial previsto 
em lei:
a) pode ser renunciado;
b) está sujeito às causas que impedem o seu decurso;
c) está sujeito às causas que suspendem o seu decurso;
d) é sempre idêntico ao prazo prescricional;
e) uma vez transcorrido, deve ser conhecido de ofício pelo juiz.
 Z Anotações/Comentários
(a) É nula a renúncia à decadência fixada em lei (art. 209, CC).
(b, c) Salvo disposição legal em contrário, não se aplicam à deca-
dência as normas que impedem, suspendem ou interrompem a pres-
crição.
(d) A decadência cria um obstáculo específico contra o próprio 
direito da parte, impedindo que esta a invoque. A sua estrutura não se 
confunde com a prescrição e os prazos não podem ter dupla natureza: 
ou são prescricionais ou, decadenciais.
(e) Esta possibilidade está prevista no art. 487, II, do CPC. Contudo, 
deve o Magistrado, excetuado se se tratar de improcedência liminar 
(art. 332, CPC), ouvir as partes acerca de tal ocorrência. Além disso, se a 
decadência for convencional, a parte a quem aproveita pode alegá-la 
em qualquer grau de jurisdição, mas o juiz não pode suprir a alegação.
Gabarito: E
68. (FGV/PGE-RO/Técnico da Procuradoria – 2016) Sobre os institu-
tos da prescrição e decadência, é correto afirmar que:
a) os prazos decadenciais se interrompem e suspendem;
b) é vedado o estabelecimento de prazos decadenciais em contrato;
c) o prazo prescricional interrompido faz com que a contagem retome 
de onde parou;
d) a prescrição extingue o direito subjetivo;
e) é inválida a renúncia ao prazo decadencial previsto em lei.
 Z Anotações/Comentários
(a) Não se aplicam, salvo disposição expressa em lei, a regras de 
suspensão e interrupção inerentes à prescrição à decadência.
(b) A decadência pode ser legal ou convencional (como as garantias 
dadas pelos fabricantes).
(c) Enquanto a suspensão determina que o prazo prescricional 
retome sua marcha de onde parou, a interrupção devolve à parte a 
integralidade do prazo, que reiniciará do zero.
(d) A prescrição cria para a parte a quem beneficia um contradireito, 
obstando a pretensão da parte por ela atingida.
(e) O art. 209, CC determina que “É nula a renúncia à decadência 
fixada em lei”.
Gabarito: E
69. (FGV/DPE-RO/Técnico da Defensoria Pública – Técnico Adminis-
trativo – 2016) É correto afirmar que o prazo prescricional:
a) pode ser alterado por acordo das partes;
b) iniciado contra uma pessoa, não continua a correr contra o seu 
sucessor;
c) corre contra os absolutamente incapazes;
d) não pode ser renunciado;
e) uma vez transcorrido, pode ser conhecido de ofício pelo juiz.
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 Z Anotações/Comentários
(a) Os prazos de prescrição não podem ser alterados por acordo 
das partes (art. 192, CC).
(b) A prescrição iniciada contra uma pessoa continua a correr contra 
o seu sucessor (art. 196, CC).
(c) a prescrição não corre contra os absolutamente incapazes (art. 
198, I, CC).
(d) A renúncia da prescrição pode ser expressa ou tácita, e só valerá, 
sendo feita, sem prejuízo de terceiro, depois que a prescrição se con-
sumar; tácita é a renúncia quando se presume de fatos do interessado, 
incompatíveis com a prescrição (art. 191, CC).
(e) Esta possibilidade está prevista no art. 487, II, do CPC. Contudo, 
deve o Magistrado, excetuado se se tratar de improcedência liminar 
(art. 332, CPC), ouvir as partes acerca de tal ocorrência, viabilizando a 
renúncia à prescrição.
Gabarito: E
70. (FGV/DPE-RO/Analista da Defensoria Pública – Analista Jurí-
dico – 2016) Virgílio emprestou a quantia de R$ 50.000,00 (cinquenta 
mil reais) a Eduardo. Sete meses após o vencimento da dívida, Eduardo 
ainda não havia efetuado o pagamento, ocasião na qual Virgílio veio a 
falecer por força de um infarto, deixando dois filhos maiores de idade.
É correto afirmar que o prazo prescricional:
a) sequer começou a correr;
b) foi suspenso em decorrência do falecimento de Virgílio;
c) foi interrompido em decorrência do falecimento de Virgílio;
d) continuou correndo contra os dois filhos de Virgílio;
e) converteu-se em prazo decadencial em virtude da morte de Virgílio.
 Z Anotações/Comentários
(a) Como já mencionado, o prazo teve seu regular início, visto que 
o termo de vencimento já havia sido atingido e o adimplemento não 
se deu.
(b, c) A suspensão e a interrupção não se aplicam ao caso, visto que 
não há causa legal para a presença das mesmas. Vale, contudo, recordar 
que enquanto a suspensão está vinculada ao estado (com maior ou 
menor duração) a interrupção ocorre a partir de um ato ou fato. Por 
outro lado, a suspensão não provoca a perda do prazo já transcorrido, 
vez que a contagem será retomada ao final do período de aguardo. Já a 
interrupção devolverá todo o prazo à situação em análise, retomando-se 
a contagem do zero.
(d) O prazo iniciou-se no momento do inadimplemento, ou seja, 
no dia posterior à data do vencimento (quando deveria ter-se dado 
o pagamento). A morte, por si só, não tem o condão de interromper, 
suspender ou obstar a prescrição.
(e) A morte, por si só, não tem o condão de fazer nascer qualquer 
fator que impeça a ocorrência de prescrição, muito menos de converter 
a prescrição em decadência.
Gabarito: D
71. (FGV/OAB/XIX_Exame – 2016) Joaquim celebrou, por instrumento 
particular, contrato de mútuo com Ronaldo, pelo qual lhe emprestou 
R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), a serem pagos 30 dias depois. No 
dia do vencimento do empréstimo, Ronaldo não adimpliu a prestação. 
O tempo passou, Joaquim se manteve inerte, e a dívida prescreveu. 
Inconformado, Joaquim pretende ajuizar ação de enriquecimento sem 
causa contra Ronaldo.
Sobre os fatos narrados, assinale a afirmativa correta.
a) A ação de enriquecimento sem causa é cabível, uma vez que 
Ronaldo se enriqueceu indevidamente à custa de Joaquim.
b) Como a ação de enriquecimento sem causa é subsidiária, é cabível 
seu ajuizamento por não haver, na hipótese, outro meio de recu-
perar o empréstimo concedido.
c) Não cabe o ajuizamento da ação de enriquecimento sem causa, 
pois há título jurídico a justificar o enriquecimento de Ronaldo.
d) A pretensão de ressarcimento do enriquecimento sem causa pres-
creve simultaneamente à pretensão relativa à cobrança do valor 
mutuado.
 Z Anotações/Comentários
Para que se possa ajuizar ação de enriquecimento sem causa, é 
necessária a ausência de motivo jurídico que o fundamente. No caso 
em tela, Joaquim e Ronaldo celebraram contrato de mútuo, entretanto, 
Joaquim permaneceu inerte e não cobrou o adimplemento de Ronaldo 
dentro do prazo prescricional. Dessaforma, há motivo que justifique 
o enriquecimento de Ronaldo, não sendo possível ajuizar a ação de 
enriquecimento sem causa. Nesse sentido, o art. 885 do CC determina 
que a restituição é devida, não só quando não tenha havido causa que 
justifique o enriquecimento, mas também se esta deixou de existir. Além 
disso, o prazo prescricional de uma ação de cobrança de dívida líquida 
de um instrumento particular é de 05 (cinco) anos, já a prescrição de 
uma ação de enriquecimento sem causa é de 3 (três) anos. Sendo assim, 
não seria possível ajuizar ação de enriquecimento sem causa depois 
que a dívida líquida compreendida pelo inadimplemento do contrato 
de mútuo prescreveu (art. 206, §3º, IV e §5º, I, do CC).
Gabarito: C
72. (FGV/OAB/V_Exame – 2010) O decurso do tempo exerce efeitos 
sobre as relações jurídicas. Com o propósito de suprir uma deficiência 
apontada pela doutrina em relação ao Código velho, o novo Código 
Civil, a exemplo do Código Civil italiano e português, define o que é 
prescrição e institui disciplina específica para a decadência.
Tendo em vista os preceitos do Código Civil a respeito da matéria, 
assinale a alternativa correta.
a) Se a decadência resultar de convenção entre as partes, o interes-
sado poderá alegá-la, em qualquer grau de jurisdição, mas o juiz 
não poderá suprir a alegação de quem a aproveite.
b) Se um dos credores solidários constituir judicialmente o devedor 
em mora, tal iniciativa não aproveitará aos demais quanto à inter-
rupção da prescrição, nem a interrupção produzida em face do 
principal devedor prejudica o fiador dele.
c) O novo Código Civil optou por conceituar o instituto da prescrição 
como a extinção da pretensão e estabelece que a prescrição, em 
razão da sua relevância, pode ser arguida, mesmo entre os cônjuges 
enquanto casados pelo regime de separação obrigatória de bens.
d) Quando uma ação se originar de fato que deva ser apurado no juízo 
criminal, não correrá a prescrição até o despacho do juiz que tenha 
recebido ou rejeitado a denúncia ou a queixa-crime.
 Z Anotações/Comentários
A decadência convencional necessita ser alegada pela parte a 
quem aproveita, em qualquer grau de jurisdição, não sendo viável ao 
juiz suprir a alegação (art. 211, CC).
Na ótica do art. 203 do CC, a interrupção da prescrição pode ser 
feita por qualquer interessado, dando ares públicos ao fato. Destarte, 
o instituto da prescrição é intuito personae, logo os efeitos são pessoais. 
Eis a regra geral. Daí por que o art. 204, caput do Código Civil esclarece: 
“a interrupção da prescrição por um credor não aproveita aos outros”, 
como também “não prejudica aos demais coobrigados”. O § 1º continua: 
“A interrupção por um dos credores solidários aproveita aos outros; 
assim como a interrupção efetuada contra o devedor solidário envolve 
os demais e seus herdeiros”.
Para o CC/02 não corre a prescrição “entre os cônjuges, na constân-
cia da sociedade conjugal” (art. 197, I, CC). E não poderia ser diferente. A 
família detém especial proteção do Estado por imposição constitucional 
(CF/88, art. 226, caput).
O Art. 200. Do CC afirma: “Quando a ação se originar de fato que 
deva ser apurado no juízo criminal, não correrá a prescrição antes da 
respectiva sentença definitiva”. Afinal, se a decisão penal versar sobre 
autoria e materialidade poderá tocar a esfera cível, sendo salutar o 
impedimento do prazo em questão (CC, art. 935).
Gabarito: A
73. (FGV/OAB/II_Exame – 2010) A respeito das diferenças e semelhan-
ças entre prescrição e decadência, no Código Civil, é correto afirmar que:
a) a prescrição acarreta a extinção do direito potestativo, enquanto 
a decadência gera a extinção do direito subjetivo.
b) os prazos prescricionais podem ser suspensos e interrompidos, 
enquanto os prazos decadenciais legais não se suspendem ou 
interrompem, com exceção da hipótese de titular de direito abso-
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Como se preparar para o Exame de Ordem • OAB | Caderno de Questões (Semana 1 • 03/02 – 07/02)
lutamente incapaz, contra o qual não corre nem prazo prescricional 
nem prazo decadencial.
c) não se pode renunciar à decadência legal nem à prescrição, mesmo 
após consumadas.
d) a prescrição é exceção que deve ser alegada pela parte a quem 
beneficia, enquanto a decadência pode ser declarada de ofício 
pelo juiz.
 Z Anotações/Comentários
(a) “Prescrição: o instituto que ataca o direito ao exercício de pre-
tensões relativas a direitos subjetivos patrimoniais e disponíveis, se 
não exercidas durante certo lapso de tempo e que atingem uma ação 
condenatória.” (Luciano Figueiredo e Roberto Figueiredo, Direito Civil 
Parte Geral, Coleção Sinopses para concursos, vol. 10, Editora JusPo-
divm). Por outro lado, o direito potestativo é fulminado pela decadência.
(b) A alternativa está correta, pois a prescrição pode ser impedida, 
suspensa ou interrompida. As hipóteses de impedimento ou suspensão 
estão previstas nos arts. 197 a 201 do CC. No que se refere aos casos 
de interrupção, que somente podem ocorrer uma vez, estão previstos 
no art. 202 do CC. Com base no Art. 207 do CC, salvo disposição legal 
em contrário, não se aplicam à decadência as normas que impedem, 
suspendem ou interrompem a prescrição. No entanto, pelo art. 198, I e 
208 do CC, não corre a prescrição contra os absolutamente incapazes.
(c) É possível a renúncia à prescrição consumada, nesse sentido, o 
art. 191 do CC estabelece que a renúncia da prescrição pode ser expressa 
ou tácita, e só valerá, sendo feita, sem prejuízo de terceiro, depois que a 
prescrição se consumar; tácita é a renúncia quando se presume de fatos 
do interessado, incompatíveis com a prescrição. Por outro lado, é nula 
a renúncia à decadência fixada em lei (art. 209 do CC).
(d) A prescrição pode ser alegada em qualquer grau de jurisdição, 
pela parte a quem aproveita, bem como pelo juiz de ofício. No que tange 
à decadência, deve o juiz conhecê-la de ofício, quando estabelecida por 
lei. Caso a seja convencional, a parte a quem aproveita pode alegá-la 
em qualquer grau de jurisdição, mas o juiz não pode suprir a alegação 
(arts. 193, 210 e 211, todos do CC).
Gabarito: B
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Como se preparar para o Exame de Ordem • OAB | Caderno de Questões (Semana 1 • 03/02 – 07/02)
DIREITO ADMINISTRATIVO
Leandro Bortoleto 
Luís Felipe Cirino
Algumas das questões aqui dispostas foram comentadas pela 
equipe Juspodivm.
2. ORGANIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
74. (FGV/OAB/XXX_Exame – 2019) Determinada empresa pública 
estadual, com vistas a realizar a aquisição de bens necessários para o 
adequado funcionamento de seus serviços de informática, divulgou, 
após a devida fase de preparação, o respectivo instrumento convoca-
tório, no qual indicou certa marca, que é comercializada por diversos 
fornecedores, por considerá-la a única capaz de atender ao objeto do 
contrato, e adotou a sequência de fases previstas na lei de regência.
No curso da licitação, a proposta apresentada pela sociedade empresá-
ria Beta foi considerada a melhor, mas a sociedade empresária Alfa con-
siderou que houve um equívoco no julgamento e apresentou recurso 
administrativo para impugnar tal fato, antes da habilitação, que não 
foi aceito. Foi dado prosseguimento ao certame, com a inabilitação da 
sociedade Beta, de modo que a vencedora foi a sociedade empresária 
Sigma, consoante resultado homologado.
Considerando o regime licitatório aplicável às empresas estatais e as 
circunstâncias do caso concreto, assinale a afirmativa correta.
A) Existe vício insanável no instrumento convocatório, pois é vedada 
a indicação de marca, mesmo nas circunstâncias apontadas.
B) A homologação foi equivocada, na medida em que a empresa 
pública não observou a sequência das fases previstas em lei ao 
efetuar o julgamento das propostas antes da habilitação.
C) O recurso da sociedade Alfa foi apresentado em momento opor-
tuno e a ele deveria ter sido conferido efeito suspensivo com a 
postergação da fase da habilitação.D) A homologação do resultado implica a constituição de direito 
relativo à celebração do contrato em favor da sociedade empresária 
Sigma.
 Z Anotações/Comentários
(a) No caso apresentado, houve indicação de marca no instrumento 
convocatório, pois seria a única capaz de atender ao objeto do contrato, 
o que se amolda ao exposto no art. 47, I, “b” da Lei nº 13.303/2016. Nesse 
sentido: “Art. 47. A empresa pública e a sociedade de economia mista, na 
licitação para aquisição de bens, poderão: I – indicar marca ou modelo, 
nas seguintes hipóteses: (...) b) quando determinada marca ou modelo 
comercializado por mais de um fornecedor constituir o único capaz de 
atender o objeto do contrato;”.
(b) De acordo com o exposto no art. 51 da Lei nº 13.303/2016, a fase 
de habilitação poderá anteceder as fases de: apresentação de lances ou 
propostas, conforme o modo de disputa adotado; julgamento; verifi-
cação de efetividade dos lances ou propostas; negociação.
(c) Nos termos do art. 59, §1º da Lei nº 13.303/2016, os recursos serão 
apresentados no prazo de 5 dias úteis após a habilitação, quando se 
seguir o procedimento elencado no art. 51 da Lei, ou seja, quando não 
houver inversão de fases.
(d) “A homologação do resultado implica a constituição de direito 
relativo à celebração do contrato em favor do licitante vencedor” (art. 
60 da Lei nº 13.303/2016).
Gabarito: D
75. (FGV/OAB/XXX_Exame – 2019) O mandato de João como dirigente 
de determinada agência reguladora federal terminou pelo decurso do 
prazo, em junho de 2019, sem sua recondução ao cargo.
No mês seguinte, João recebeu vultosa e tentadora proposta de certa 
sociedade empresária para prestar serviço de consultoria na área do 
setor regulado pela citada agência.
Levando em conta que a lei específica da agência em tela seguiu as 
normas gerais de gestão de recursos humanos das agências reguladoras 
previstas na Lei nº 9.986/00, João
A) está impedido de aceitar a proposta, pois precisa cumprir quatro 
meses de quarentena, contados do término do seu mandato, 
período durante o qual ficará vinculado à agência, fazendo jus à 
remuneração compensatória equivalente à do cargo de direção 
que exerceu e aos benefícios a ele inerentes, sob pena de incorrer 
na prática de crime de advocacia administrativa.
B) está impedido de aceitar a proposta, pois precisa cumprir noventa 
dias de quarentena, contados do término do seu mandato, período 
durante o qual não ficará vinculado à agência, nem fará jus a qual-
quer remuneração compensatória, sob pena de incorrer na prática 
de ato de improbidade administrativa.
C) pode aceitar a proposta, desde que abra mão da remuneração 
compensatória equivalente à do cargo de direção que exerceu e 
aos benefícios a ele inerentes, que receberia durante noventa dias 
após o término de seu mandato, sob pena de incorrer na prática 
de enriquecimento ilícito.
D) pode aceitar a proposta, inclusive acumulando sua nova remu-
neração da iniciativa privada com a remuneração compensatória 
equivalente à do cargo de direção que exerceu e aos benefícios a 
ele inerentes, a que faz jus durante noventa dias após o término 
de seu mandato.
 Z Anotações/Comentários
A questão foi anulada pela banca examinadora do concurso. 
Após 24 de setembro de 2019, com a entrada em vigor da Lei nº 
13.848/2019, que alterou a Lei nº 9.986/2000, o período de quarentena 
dos membros do Conselho Diretor ou da Diretoria Colegiada passou 
a ser de seis meses, e não mais quatro, como apontado na questão. 
Veja, nesse sentido:
Art. 8º da Lei nº 9.986/2000 (com redação dada pela Lei nº 
13.848/2019): Os membros do Conselho Diretor ou da Diretoria 
Colegiada ficam impedidos de exercer atividade ou de prestar 
qualquer serviço no setor regulado pela respectiva agência, por 
período de 6 (seis) meses, contados da exoneração ou do término 
de seu mandato, assegurada a remuneração compensatória.
Gabarito: ANULADA
76. (FGV/OAB/XXVII_Exame – 2018) No ano corrente, a União decidiu 
criar uma nova empresa pública, para a realização de atividades de 
relevante interesse econômico. Para tanto, fez editar a respectiva lei 
autorizativa e promoveu a inscrição dos respectivos atos constitutivos 
no registro competente. Após a devida estruturação, tal entidade 
administrativa está em vias de iniciar suas atividades.
Acerca dessa situação hipotética, na qualidade de advogado(a), assinale 
a afirmativa correta.
a) A participação de outras pessoas de direito público interno, na cons-
tituição do capital social da entidade administrativa, é permitida, 
desde que a maioria do capital votante permaneça em propriedade 
da União.
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b) A União não poderia ter promovido a inscrição dos atos constitu-
tivos no registro competente, na medida em que a criação de tal 
entidade administrativa decorre diretamente da lei.
c) A entidade administrativa em análise constitui uma pessoa jurídica 
de direito público, que não poderá contar com privilégios fiscais e 
trabalhistas.
d) Os contratos com terceiros destinados à prestação de serviços para 
a entidade administrativa, em regra, não precisam ser precedidos 
de licitação.
 Z Anotações/Comentários
Alternativa “a”. O capital da empresa pública deve ser exclusi-
vamente público. Isso não significa, contudo, que todas as quotas 
ou ações da empresa devem ser de titularidade de uma única pessoa 
jurídica, sendo perfeitamente possível que haja participação de 
outras pessoas de direito público interno na constituição do capital 
social de referida pessoa administrativa, desde que a maioria do 
capital votante permaneça em propriedade da união, em se tratando 
de empresa pública federal.
Alternativa “b”. As empresas públicas somente poderão ser 
criadas mediante autorização de lei, conforme previsão do art. 37, 
inc. XIX, da CF. Contudo, diferentemente das autarquias, as empresas 
públicas somente passaram a existir, isto é, adquirem personalidade 
jurídica, após o registro dos atos constitutivos no órgão competente, 
seja no Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas quando de natureza 
civil, seja na Junta Comercial quando de natureza empresarial.
Alternativa “c”. As empresas públicas são, necessariamente, 
pessoas jurídicas de direito privado. Quando exploradoras de ativi-
dade econômica, a empresa pública e a sociedade de economia mista 
submetem-se ao regime estabelecido no art. 173 da Constituição 
Federal, cujo § 1º prevê que a edição de estatuto jurídico das empresas 
“que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de 
bens ou de prestação de serviços”, o que ocorreu com a Lei nº 13.303/16. 
Nos termos do art. 173, caput, o Estado somente poderá explorar, dire-
tamente, atividade econômica quando necessária à segurança nacional 
ou a relevante interesse coletivo. As empresas estatais, quando atuarem 
nesse tipo de atividade, deverão obedecer às regras previstas para as 
empresas do setor privado. Assim, não é possível que a elas sejam 
estendidos privilégios fiscais não extensivos às pessoas da inicia-
tiva privada, devendo se submeter ao regime privado quanto às 
obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributárias, consoante 
art. 173, §2º, da Constituição Federal. Entretanto, salienta-se que, 
na verdade, há o chamado regime híbrido, pelo qual há uma mistura 
das normas de direito público com as normas de direito privado. De 
forma diferente ocorre com as prestadoras de serviço público. Nesse 
sentido, no RE 407.099/RS e no RE 601392/PR, o Supremo Tribunal 
Federal reconheceu que a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) é 
prestadora de serviço público (serviço postal) e, ainda, que tal serviço 
é de prestação obrigatória e exclusiva do Estado, devendo, pois, ser 
equiparada à Fazenda Pública para fins tributários e, dessa maneira, 
restou decidido que é merecedora da imunidade tributária recíproca, 
bem como que se submete ao regime de precatório, jáque seus bens 
não podem ser penhorados
Alternativa “d”. O regime jurídico de direito privado, para a Admi-
nistração Pública, é híbrido, com normas de direito público que se 
aplicam às empresas estatais. Dentre estas, destacam-se a necessidade 
de realização de concurso público para contratação de pessoal e, 
ainda, à sujeição às normas referentes ao procedimento licitatório.
Gabarito: A.
77. (FGV/OAB/XXV_Exame – 2018) A organização religiosa Tenhafé, 
além dos fins exclusivamente religiosos, também se dedica a ativida-
des de interesse público, notadamente à educação e à socialização de 
crianças em situação de risco. Ela não está qualificada como Organização 
Social (OS), nem como Organização da Sociedade Civil de Interesse 
Público (OSCIP), mas pretende obter verbas da União para a promoção 
de projetos incluídos no plano de Governo Federal, propostos pela 
própria Administração Pública.
Sobre a pretensão da organização religiosa Tenhafé, assinale a afirma-
tiva correta.
a) Por ser uma organização religiosa, Tenha fé não poderá receber 
verbas da União.
b) A transferência de verbas da União para a organização religiosa 
Tenhafé somente poderá ser formalizada por meio de contrato 
administrativo, mediante a realização de licitação na modalidade 
concorrência.
c) Para receber verbas da União para a finalidade em apreço, a orga-
nização religiosa Tenhafé deverá qualificar-se como OS ou OSCIP.
d) Uma vez selecionada por meio de chamamento público, a organi-
zação religiosa Tenhafé poderá obter a transferência de recursos 
da União por meio de termo de colaboração.
 Z Anotações/Comentários
Alternativa “a”. As organizações religiosas que se dediquem a 
atividades ou a projetos de interesse público e de cunho social distintas 
das destinadas a fins exclusivamente religiosos enquadram-se no con-
ceito de organização da sociedade civil, nos termos do Art. 2º, I, c, da Lei.
A Lei nº 13.019/2014, conhecida como Marco Regulatório do Terceiro 
Setor, estabelece o regime jurídico das parcerias entre a administração 
pública e as organizações da sociedade civil, em regime de mútua 
cooperação, para a consecução de finalidades de interesse público 
e recíproco, mediante a execução de atividades ou de projetos pre-
viamente estabelecidos em planos de trabalho inseridos em termos 
de colaboração, em termos de fomento ou em acordos de coopera-
ção; define diretrizes para a política de fomento, de colaboração e de 
cooperação com organizações da sociedade civil. Na forma do Marco 
Regulatório, as organizações da sociedade civil podem buscar verbas 
da Administração Pública para a consecução dos fins a que se destina. 
Neste sentido, precisam participar do chamamento público – proce-
dimento destinado a selecionar organização da sociedade civil para 
firmar parceria por meio de termo de colaboração ou de fomento, no 
qual se garanta a observância dos princípios da isonomia, da legalidade, 
da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da 
probidade administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, 
do julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos (art. 2º, XII, da 
Lei) -, sendo que a transferência de recursos deverá ser formalizada 
por meio de termo de fomento ou de termo de colaboração. Este 
último instrumento é definido como “instrumento por meio do qual 
são formalizadas as parcerias estabelecidas pela administração pública 
com organizações da sociedade civil para a consecução de finalidades 
de interesse público e recíproco propostas pelas organizações da 
sociedade civil, que envolvam a transferência de recursos financeiros”, 
na forma do art. 2º, VIII, da Lei.
Gabarito: D.
78. (FGV/TJ-AL/Analista Judiciário – Área Judiciária – 2018) Os 
órgãos públicos são centros de competência especializada criados por 
lei, sem personalidade jurídica, com escopo de garantir maior eficiência 
no exercício de suas funções.
Nesse sentido, de acordo com a doutrina de Direito Administrativo e a 
jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, uma Câmara Municipal:
a) apesar de não ter personalidade jurídica própria, goza de capaci-
dade processual para demandar em juízo, defendendo seus direitos 
institucionais;
b) apesar de não ter personalidade jurídica autônoma, goza de capa-
cidade processual para demandar em juízo sobre qualquer assunto 
que seu Presidente decidir discricionariamente;
c) ostenta personalidade jurídica de direito público, como integrante 
da Administração Direta, e possui capacidade processual para 
demandar em juízo na defesa de seus interesses;
d) ostenta personalidade jurídica de direito público, como integrante 
da Administração Indireta, e possui capacidade processual para 
demandar em juízo na defesa de seus interesses;
e) ostenta personalidade jurídica de direito público, como integrante 
da Administração Direta, e possui capacidade processual para 
demandar em juízo sobre qualquer assunto que seu Presidente 
decidir discricionariamente.
 Z Anotações/Comentários
Órgãos públicos são centros especializados de atribuições que 
existem no interior de uma pessoa jurídica política ou administrativa. 
De acordo com o art. 1º, §2º, I da Lei 9784/99 define órgão como a uni-
dade de atuação integrante da estrutura da Administração direta ou da 
Administração indireta e a principal característica dos órgãos públicos 
é que eles não têm personalidade jurídica. A principal característica 
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do órgão público é o fato dele ser despersonalizado, ou seja, não 
possuir personalidade jurídica. De igual modo, não possui patrimô-
nio próprio, já que os bens pertencem à pessoa jurídica de que ele faz 
parte e não tem capacidade processual, ou seja, não pode ser autor 
ou réu em eventual ação judicial. Algumas situações, contudo, devem 
ser ressaltadas, pois, de maneira excepcional, o órgão público não se 
mantém fiel às características apontadas. Isso porque há: a) possibili-
dade de celebração de contrato de gestão, como previsto no art. 37, 
§8º, da Constituição Federal (denominado contrato de desempenho 
pela Lei nº 13.934/2019)a ; b) possibilidade de defesa judicial de suas 
prerrogativas ou atribuições, nas situações em que o órgão é parte no 
processo; c) possibilidade de inscrição de alguns órgãos junto ao CNPJ.
Gabarito: A.
79. (FGV/Câmara de Salvador-BA/Analista Legislativo – 2018) 
Determinado ente criado por lei tem personalidade jurídica de direito 
público, desempenha atividade típica de Estado e não fiscaliza o exer-
cício profissional de nenhuma categoria. Após amplos debates, sua 
diretoria deliberou que não mais realizaria concursos públicos, o que 
“burocratizava” muito a contratação de pessoal, mas realizaria licitações.
À luz da sistemática constitucional, esse ente tem a natureza jurídica de:
a) fundação, não integrando a Administração Pública indireta, sendo 
parcialmente incorreta a deliberação da diretoria, pois deve realizar 
concurso público;
b) sociedade de economia mista, integrando a Administração Pública 
indireta, sendo incorreta a deliberação da diretoria, pois deveria 
realizar concurso, mas não licitação;
c) autarquia, integrando a Administração Pública indireta, sendo 
parcialmente incorreta a deliberação da diretoria, pois deve realizar 
concurso público;
d) empresa pública, integrando a Administração Pública indireta, 
sendo incorreta a deliberação da diretoria, pois deveria realizar 
concurso, mas não licitação;
e) serviço social autônomo, integrando a Administração Pública 
indireta, sendo correta a deliberação da diretoria em não realizar 
concurso público.
 Z Anotações/Comentários
Alternativa “a”. As fundações públicas são pessoas jurídicas de 
direito público ou de direito privado, com autonomia administrativa e 
que têm como substrato o patrimônio – próprio –, que são criadas por 
lei específica ou cuja criação é por ela autorizada, com área de atuação 
de interesse público,não exclusiva da Administração Pública, definida 
em lei complementar. Integram a Administração Pública indireta.
Alternativa “b” (responde a alternativa “d”). A empresa pública 
e a sociedade de economia mista são espécies de empresas estatais. 
Há várias semelhanças entre elas, tais como o fato de integrar a Admi-
nistração Indireta, possuírem personalidade jurídica de direito 
privado, patrimônio próprio e autonomia administrativa e, ainda, 
terem como ramo de atuação a exploração de atividade econômica 
ou a prestação de serviço público. Além disso, a despeito de serem 
pessoas jurídicas de direito privado, ambas devem realizar, a priori, 
licitação. Frisa-se que a Constituição determina que haverá estatuto 
específico para elas e nele o modelo de licitação adotado no Brasil 
poderá ser flexibilizado, mas não poderão ser desobrigadas em qual-
quer caso de fazerem licitação, pois estão sujeitas ao dever de licitar.
Alternativa “c”. As autarquias são pessoas jurídicas de direito 
público, criadas por lei específica, com patrimônio próprio e autonomia 
administrativa, para a execução de atividade típica da Administração 
Pública. A autarquia integra a administração indireta da pessoa política 
na qual foi elaborada a lei que a criou. É uma pessoa jurídica que adota 
o regime jurídico de direito público e, assim, celebra concurso público, 
licitação, contrato administrativo, seus bens são públicos e possuem 
prerrogativas processuais. Da mesma forma que todas as entidades 
da administração indireta, as autarquias submetem-se a controle pelo 
Tribunal de Contas, nos termos do art. 71, da Constituição Federal.
Alternativa “e”. Os serviços sociais autônomos são pessoas 
jurídicas de direito privado, sem finalidade de lucro, que atuam 
na realização de atividade de interesse público, de atividade 
não exclusiva do Estado. Não fazem parte da Administração Pública 
indireta.
Gabarito: C.
80. (FGV/Câmara de Salvador-BA/Analista Legislativo – 2018) 
Observe os conceitos trazidos pela doutrina de Direito Administrativo 
para as seguintes entidades que integram a Administração indireta:
(A) Pessoa jurídica de direito público que desenvolve atividade típica 
de Estado, com liberdade para agir nos limites da lei específica que 
a criou;
(B) Pessoa jurídica de direito privado, criada por autorização legal, sob 
a forma de sociedade anônima, cujo controle acionário pertença 
ao Poder Público, tendo por objetivo, como regra, a exploração de 
atividades gerais de caráter econômico e, em algumas ocasiões, a 
prestação de serviços públicos.
As definições expostas tratam, respectivamente, de:
a) fundação pública e empresa pública;
b) sociedade de economia mista e empresa pública;
c) concessionária e empresa pública;
d) autarquia e sociedade de economia mista;
e) fundação pública e autarquia.
 Z Anotações/Comentários
As autarquias são pessoas jurídicas de direito público, criadas por 
lei específica, com patrimônio próprio e autonomia administrativa, para 
a execução de atividade típica da Administração Pública. A autarquia 
integra a administração indireta da pessoa política na qual foi elaborada 
a lei que a criou. É uma pessoa jurídica que adota o regime jurídico de 
direito público e, assim, celebra concurso público, licitação, contrato 
administrativo, seus bens são públicos e possuem prerrogativas pro-
cessuais. Da mesma forma que todas as entidades da administração 
indireta, as autarquias submetem-se a controle pelo Tribunal de Con-
tas, nos termos do art. 71, da Constituição Federal. As sociedades de 
economia mista são integrantes da administração indireta, com 
personalidade jurídica de direito privado, possuindo patrimônio 
próprio e autonomia administrativa; além disso, a criação delas é 
autorizada por lei específica, organizam-se na forma de sociedade 
anônima e possuem capital misto, sendo que a maioria do capital deve 
pertencer ao poder público. A atuação das sociedades de economia 
mista é a exploração de atividade econômica ou a prestação de 
serviço público. Quando exploradoras de atividade econômica, sub-
metem-se ao regime estabelecido no art. 173 da Constituição Federal. 
Assim, quando atuarem nesse tipo de atividade, deverão obedecer às 
regras previstas para as empresas do setor privado, não sendo possível 
que a elas sejam estendidos privilégios fiscais não extensivos às pessoas 
da iniciativa privada.
Gabarito: D.
81. (FGV/Câmara de Salvador-BA/Assistente Legislativo – 2018) A 
Administração Pública Indireta decorre da descentralização de serviços 
e consiste na instituição, pelo Estado, por meio de lei, de uma pessoa 
jurídica a quem se atribui a titularidade e execução de determinado 
serviço público, como é o caso de uma:
a) concessionária que presta serviço público essencial para um muni-
cípio;
b) fundação privada que tem por objeto a capacitação e a atualização 
de profissionais na área da educação;
c) empresa pública que tem personalidade jurídica de direito público;
d) Câmara Municipal que tem função precípua de produzir legislação 
em nível municipal;
e) sociedade de economia mista que tem personalidade jurídica de 
direito privado.
 Z Anotações/Comentários
Alternativa “a”. As concessionárias de serviço público são pessoas 
jurídicas de direito privado, mas que não integram a Administração 
Pública indireta.
Alternativa “b”. As fundações privadas não fazem parte da Admi-
nistração Pública indireta, mas apenas as fundações públicas, que 
podem ter personalidade jurídica de direito público ou de direito 
privado.
Alternativa “c”. As empresas públicas têm personalidade jurídica 
de direito privado.
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Alternativa “d”. A Câmara Municipal é órgão público e, desse 
modo, integra a Administração Pública direta.
Alternativa “e”. A Administração Pública indireta é o conjunto 
de pessoas administrativas com personalidade jurídica de direito 
público ou de direito privado, patrimônio próprio e autonomia 
administrativa, vinculadas à administração direta, criadas para o 
desempenho de determinada atividade administrativa. São enti-
dades da Administração Pública indireta as autarquias, as fundações 
públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista 
e os consórcios públicos. As empresas públicas e as sociedades de 
economia mista, integrantes da Administração Pública indireta, são 
pessoas jurídicas de direito privado.
Gabarito: E.
82. (FGV/Pref. de Niterói-RJ/Auditor de Controle Interno – 2018) 
O Município Ômega, com menos de 200.000 habitantes, editou lei 
ordinária autorizando a criação de uma sociedade de economia mista 
para a elaboração de projetos e realização de obras de engenharia. A 
intenção do Município é a de que a empresa participe da reurbanização 
da área portuária.
Sobre essa sociedade, assinale a afirmativa correta.
a) A criação da sociedade de economia mista deveria ter sido autori-
zada por meio de lei complementar, não sendo válida a autorização 
veiculada em lei ordinária.
b) A sociedade de economia mista municipal deve sujeitar-se ao 
regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto 
aos direitos e obrigações civis, comerciais e trabalhistas.
c) Não é possível a criação de uma sociedade de economia mista, no 
caso, tendo em vista o tamanho da população municipal.
d) A sociedade de economia mista municipal, se contratada pelo 
Poder Público, de qualquer esfera, é imune à incidência de tributos.
e) A criação de sociedade de economia mista que explore diretamente 
o exercício de atividade econômica está vedada desde a edição da 
Emenda Constitucional nº 19.
 Z Anotações/Comentários
Alternativa “a”. A criação das empresas públicas e das sociedades 
de economia mista é, necessariamente, autorizada por lei ordinária, 
não sendo necessária a autorização por meio de lei complementar.
Alternativa “b”. As empresas estatais – nestas inclusas as empresas 
públicas e associedades de economia mista – têm natureza jurídica de 
pessoas jurídicas de direito privado. Entretanto, mesmo inerente ao 
caráter privatista, não há a submissão integral ao direito privado, pois os 
princípios da Administração Pública são de obediência obrigatória para 
a administração direta e indireta, nos termos do art. 37, caput, da Cons-
tituição Federal. Neste sentido, a sociedade de economia mista deve 
sujeitar-se ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive 
quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais e trabalhistas. Todavia, 
é importante mencionar que as regras previstas para o setor privado 
não podem ser aplicadas na totalidade, pois a empresa pública e a 
sociedade de economia mista são entidades da administração indireta. 
É aplicável o regime híbrido, pelo qual há uma mistura das normas de 
direito público com as normas de direito privado.
Alternativa “c”. Inexiste qualquer restrição neste sentido, de tal 
modo que sociedades de economia mista podem ser criadas indepen-
dentemente da população do município.
Alternativa “d”. A sociedade de economia mista municipal, se con-
tratada pelo Poder Público, de qualquer esfera, não é imune à incidência 
de tributos. Neste sentido, inclusive, é o entendimento do Supremo 
Tribunal Federal, que ainda na década de 1960, editou a súmula nº 76, 
pela qual “as sociedades de economia mista não estão protegidas pela 
imunidade fiscal do art. 31, V, a, da Constituição Federal.
Alternativa “e”. As empresas públicas e as sociedades de economia 
mista podem ser exploradoras de atividade econômica ou prestadoras 
de serviço público. Em ambos os casos, trata-se de pessoa jurídica de 
direito privado, isto é, o regime jurídico é o previsto no direito privado, 
todavia, com as derrogações feitas pelo direito público.
Gabarito: B.
83. (FGV/TJ-SC/Oficial de Justiça – 2018) Determinado Município 
no interior do Estado de Santa Catarina, com o escopo de fomentar as 
ações de fiscalização e tutela dos direitos das crianças e adolescentes 
de sua competência, dividiu a então Secretaria Municipal de Educação 
em duas novas Secretarias:
i. a da Criança, do Adolescente e da Juventude;
ii. a de Educação.
Essa distribuição interna de competências no âmbito de uma mesma 
pessoa jurídica (no caso, o Município), mediante especialização interna, 
é chamada de:
a) descentralização, e decorre do poder regulamentar;
b) delegação, e decorre do poder normativo;
c) fragmentação, e decorre do poder disciplinar;
d) desconcentração, e decorre do poder hierárquico;
e) outorga, e decorre do poder discricionário.
 Z Anotações/Comentários
O próprio enunciado da questão já demonstra que a criação de 
Secretarias é distribuição interna de competências, no âmbito de 
uma mesma pessoa jurídica, no caso, o Município. Trata-se, assim, do 
instituto da desconcentração, em que a pessoa jurídica política se 
divide em vários órgãos, havendo a distribuição interna de com-
petência e, ainda, há uma relação de hierarquia/subordinação entre o 
órgão criado e a pessoa política criadora. Daí se falar, precisamente, que 
a desconcentração é decorrência do poder hierárquico.
Gabarito: D.
84. (FGV/TJ-AL/Técnico Judiciário – Área Judiciária – 2018) O Gover-
nador do Estado Alfa convocou reunião com os presidentes das autar-
quias, das sociedades de economia mista e das empresas públicas, bem 
como com representantes das Secretarias de Estado e as estruturas da 
Chefia de Gabinete da Casa Civil, e determinou, dentre outras coisas, 
que, a partir daquela data, os entes da Administração Pública indireta 
com personalidade jurídica de direito público deveriam apresentar 
dados quinzenais a respeito da atuação do respectivo ente.
À luz da sistemática constitucional, dentre os participantes da reunião, 
somente são alcançadas pela determinação do Governador do Estado:
a) as autarquias;
b) as sociedades de economia mista e as empresas públicas;
c) as Secretarias de Estado;
d) as estruturas da Chefia de Gabinete da Casa Civil;
e) as empresas públicas.
 Z Anotações/Comentários
Dentre os participantes da reunião, somente as autarquias são 
pessoas jurídicas de direito público, integralmente submetidas ao 
regime jurídico de direito público. As sociedades de economia mista e 
as empresas públicas – empresas estatais – têm sempre personalidade 
jurídica de direito privado, e submetem-se a um regime jurídico híbrido, 
com a incidência de normas de direito público e de direito privado. Os 
órgãos públicos (Secretarias de Estado e Chefia de Gabinete da 
Casa Civil), por seu turno, são despersonalizados. Assim, são parte 
de um todo, qual seja, a pessoa jurídica que integram e, assim, não têm 
capacidade para representar em juízo a pessoa jurídica de que fazem 
parte. É a pessoa jurídica que responde pelos atos do órgão.
Gabarito: A.
85. (FGV/OAB/XXIII_Exame – 2017) O Estado Alfa, com o objetivo 
de articular a prestação dos serviços de saneamento básico entre 
municípios limítrofes, instituiu uma região metropolitana, de modo a 
promover a organização, o planejamento e a execução de tais atividades 
de interesse comum.
Acerca da criação de regiões metropolitanas para a realização de ser-
viços públicos, assinale a afirmativa correta.
a) A instituição de região metropolitana para a organização, o plane-
jamento e a execução dos serviços públicos é de competência do 
Estado Alfa, por meio de lei complementar.
b) A organização, o planejamento e a execução dos serviços de sanea-
mento básico entre municípios limítrofes deveria, necessariamente, 
ser promovida por meio de consórcio público.
c) A competência para a criação de regiões metropolitanas é exclu-
siva da União, sob pena de violar a autonomia dos municípios que 
seriam por elas alcançados.
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d) A criação da região metropolitana pretendida pelo Estado Alfa 
não é possível, diante da ausência de previsão para tanto no nosso 
ordenamento jurídico.
 Z Anotações/Comentários
Na forma do art. 25, §3º, da Constituição Federal, “os Estados 
poderão, mediante lei complementar, instituir regiões metropolitanas, 
aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamentos 
de municípios limítrofes, para integrar a organização, o planejamento e 
a execução de funções públicas de interesse comum”.
Nos termos do art. 18, caput, da Constituição Federal, “a organização 
político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a 
União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, 
nos termos desta Constituição”. Assim, cada um dos entes tem auto-
nomia para implementação das competências que lhe são atribuídas 
pela Carta Magna, não havendo que se falar na obrigatoriedade de 
instituição de consórcio público.
Gabarito: A.
86. (FGV/OAB/XXII_Exame – 2017) A Associação Delta se dedica 
à promoção do voluntariado e foi qualificada como Organização da 
Sociedade Civil sem fins lucrativos – OSCIP, após o que formalizou termo 
de parceria com a União, por meio do qual recebeu recursos que aplicou 
integralmente na realização de suas atividades, inclusive na aquisição 
de um imóvel, que passou a ser a sede da entidade. Com base nessa 
situação hipotética, assinale a afirmativa correta.
a) A Associação não poderia ter sido qualificada como OSCIP, consi-
derando que o seu objeto é a promoção do voluntariado.
b) A qualificação como OSCIP é ato discricionário da Administração 
Pública, que poderia indeferi-lo, mesmo que preenchidos os requi-
sitos legais.
c) A qualificação como OSCIP não autoriza o recebimento de recursos 
financeiros por meio de termo de parceria, mas somente mediante 
contrato de gestão.
d) A Associação não tem liberdade para alienar livremente os bens 
adquiridos com recursos públicos provenientes de termo de par-
ceria.
 Z Anotações/Comentários
Alternativa “a”. Dentre as qualificações permitidas pela Lei para 
a OSCIP,consta, no art. 3º, VII, da Lei, a “promoção do voluntariado”.
Alternativa “b”. Na forma do art. 1º, §2º, da Lei, “a outorga da 
qualificação prevista neste artigo é ato vinculado ao cumprimento dos 
requisitos instituídos por esta Lei”. Assim, não há discricionariedade 
da qualificação como OSCIP, não podendo a Administração Pública 
indeferir o pedido caso preenchidos os requisitos legais.
Alternativa “c”. As organizações da sociedade civil de interesse 
público (Oscip’s), regulamentadas pela Lei nº 9.790/99, são qualificadas 
como pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, instituí-
das por iniciativa de particulares, que desempenham serviços sociais 
não exclusivos ao Poder Público com incentivo e fiscalização deste, 
mediante termo de parceria. O contrato de gestão é exclusivo das 
OS (organizações sociais).
Alternativa “d”. Na forma do art. 15, da Lei nº 9.790/99, “caso 
a organização adquira bem imóvel com recursos provenientes da 
celebração do Termo de Parceria, este será gravado com cláusula de 
inalienabilidade”. Assim, a Associação, de fato, não tem liberdade para 
alienar livremente os bens adquiridos com recursos provenientes 
do termo de parceria.
Gabarito: D.
87. (FGV/OAB/XXII_Exame – 2017) O Município Beta procedeu ao 
recadastramento de seus servidores efetivos e constatou que 6 (seis) 
bacharéis em contabilidade exerciam variados cargos na estrutura 
administrativa, todos providos mediante concurso público. Verificou 
também que existiam 10 (dez) cargos vagos de auditores fiscais de 
tributos, decorrentes de aposentadorias havidas nos últimos anos. O 
Município, considerando a necessidade de incrementar receitas, edi-
tou lei reorganizando sua estrutura funcional de modo a reenquadrar 
aqueles servidores como auditores fiscais de tributos. Com base na 
hipótese apresentada, acerca do provimento de cargo público, assinale 
a afirmativa correta.
a) A medida é inválida, porque o provimento originário de cargo 
efetivo em uma determinada carreira exige concurso público 
específico.
b) A medida é válida, porque os servidores reenquadrados são concur-
sados, configurando-se na espécie mera transformação de cargos, 
expressamente prevista na CRFB/88.
c) A medida é inválida, porque o provimento de todo e qualquer cargo 
faz-se exclusivamente mediante concurso público.
d) A medida é válida, porque os servidores reenquadrados são con-
cursados e não há aumento de despesa, uma vez que os cargos 
preenchidos já existiam.
 Z Anotações/Comentários
De acordo com o art. 37, II, da Constituição Federal, a investidura nos 
cargos públicos depende, em regra, da prévia aprovação em concurso, 
ressalvas as nomeações para cargo em comissão, declarado em lei de 
livre nomeação e exoneração. Assim, se for cargo efetivo é indispen-
sável a aprovação em concurso público para que ocorra a nomeação. 
Por meio do concurso público busca-se a profissionalização do 
serviço público, a valorização do mérito e, também, efetivam-se, 
especialmente, os princípios da impessoalidade e da moralidade. 
Ainda, nos termos da Súmula Vinculante 43, “é inconstitucional toda 
modalidade de provimento que propicie ao servidor investir-se, sem 
prévia aprovação em concurso público destinado ao seu provimento, 
em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido”. 
Inclusive, o STF já julgou, na ADI 2.939, que viola “o art. 37, II, da CF o 
disposto no art. 23 do ADTC do Estado de Minas Gerais, com a redação 
que lhe foi dada pela EC 45/2000, que determina a incorporação, sem 
concurso público, de policiais civis em situações específicas à carreira 
de delegado de polícia”.
Gabarito: A.
88. (FGV/OAB/XXII_Exame – 2017) A Agência Nacional do Petró-
leo – ANP, no exercício do poder de polícia, promoveu diligência, no 
dia 05/01/2010, junto à sociedade Petrolineous S/A, que culminou na 
autuação desta por fatos ocorridos naquela mesma data. Encerrado o 
processo administrativo, foi aplicada multa nos limites estabelecidos na 
lei de regência. O respectivo crédito não tributário resultou definitiva-
mente constituído em 19/01/2011, e, em 15/10/2015, foi ajuizada a perti-
nente execução fiscal. Com base na situação hipotética descrita, acerca 
da prescrição no Direito Administrativo, assinale a afirmativa correta.
a) Operou-se a prescrição para a execução do crédito, considerando 
o lapso de cinco anos transcorrido entre a data da autuação e a do 
ajuizamento da ação.
b) Não se operou a prescrição para a execução do crédito, que pode 
ser cobrado pela administração federal a qualquer tempo.
c) Operou-se a prescrição para a execução do crédito, considerando 
o lapso de três anos decorrido entre a data de sua constituição 
definitiva e a do ajuizamento da ação.
d) Não se operou a prescrição para a execução do crédito, consi-
derando o lapso de cinco anos entre a data de sua constituição 
definitiva e a do ajuizamento da ação.
 Z Anotações/Comentários
Na forma do art. 1º-A, da Lei nº 9.873/1999, “constituído definiti-
vamente o crédito não tributário, após o término regular do processo 
administrativo, prescreve em 5 (cinco) anos a ação de execução da admi-
nistração pública federal relativa a crédito decorrente da aplicação de 
multa por infração à legislação em vigor”. Dessa forma, não se operou a 
prescrição para a execução do crédito, no caso narrado no enunciado.
Gabarito: D.
89. (FGV/OAB/XXIII_Exame – 2017) O Estado Alfa, mediante a res-
pectiva autorização legislativa, constituiu uma sociedade de economia 
mista para o desenvolvimento de certa atividade econômica de rele-
vante interesse coletivo.
Acerca do Regime de Pessoal de tal entidade, integrante da Adminis-
tração Indireta, assinale a afirmativa correta.
a) Por se tratar de entidade administrativa que realiza atividade eco-
nômica, não será necessária a realização de concurso público para 
a admissão de pessoal, bastando processo seletivo simplificado, 
mediante análise de currículo.
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Como se preparar para o Exame de Ordem • OAB | Caderno de Questões (Semana 1 • 03/02 – 07/02)
b) É imprescindível a realização de concurso público para o pro-
vimento de cargos e empregos em tal entidade administrativa, 
certo que os servidores ou empregados regularmente nomeados 
poderão alcançar a estabilidade mediante o preenchimento dos 
requisitos estabelecidos na Constituição da República.
c) Deve ser realizado concurso público para a contratação de pessoal 
por tal entidade administrativa, e a remuneração a ser paga aos 
respectivos empregados não pode ultrapassar o teto remuneratório 
estabelecido na Constituição da República, caso sejam recebidos 
recursos do Estado Alfa para pagamento de despesas de pessoal 
ou de custeio em geral.
d) A entidade administrativa poderá optar entre o regime estatutário 
e o regime de emprego público para a admissão de pessoal, mas, 
em qualquer dos casos, deverá realizar concurso público para a 
seleção de pessoal.
 Z Anotações/Comentários
No que se refere às empresas estatais, seus funcionários são sem-
pre celetistas (empregados públicos) por serem pessoas jurídicas 
de direito privado, o que as incompatibiliza para adoção do regime 
estatutário, próprio das pessoas jurídicas de direito público. Assim, 
não são alcançados pela garantia da estabilidade prevista no art. 41 da 
Constituição Federal, destinada, exclusivamente, nos termos da redação 
dada pela EC 19/98, aos ocupantes de cargos efetivos, após três anos 
de efetivo exercício e mediante avaliação especial de desempenho por 
comissão instituída para essa finalidade.
As empresas públicas e as sociedades de economia mista podem 
ser exploradoras de atividade econômica ou prestadoras de serviço 
público. Em ambos os casos, trata-se de pessoa jurídica de direito pri-
vado, isto é, o regime jurídico é o previsto no direito privado, todavia, 
com as derrogações feitas pelo direito público. Ou seja, na verdade, há 
um regime híbrido, com normas de direito privado e normas de direitopúblico e a harmonização entre essas normas é diferente conforme 
se trate de exploradora de atividade econômica ou de prestadora de 
serviço público, pois naquela a maior incidência é de normas de direito 
privado e nesta predominam as normas de direito público. Por exemplo, 
não é possível estender às exploradoras de atividade econômica privi-
légios fiscais não extensivos às pessoas da iniciativa privada, conforme 
o art. 173, § 2º. De forma diferente ocorre com as prestadoras de serviço 
público. Nesse sentido, no RE 407.099/RS e no RE 601392/PR, o Supremo 
Tribunal Federal reconheceu que a Empresa de Correios e Telégrafos 
(ECT) é prestadora de serviço público (serviço postal) e, ainda, que tal 
serviço é de prestação obrigatória e exclusiva do Estado, devendo, pois, 
ser equiparada à Fazenda Pública para fins tributários e, dessa maneira, 
restou decidido que é merecedora da imunidade tributária recíproca, 
bem como que se submete ao regime de precatório, já que seus bens 
não podem ser penhorados. Especificamente no que se refere ao regime 
do pessoal, deve ser realizado concurso público para a contratação de 
pessoal por tal entidade administrativa, e a remuneração a ser paga 
aos respectivos empregados não pode ultrapassar o teto remunera-
tório estabelecido na Constituição da República, caso sejam recebidos 
recursos públicos para pagamento de despesas de pessoal ou de custeio 
em geral (art. 37, §9º, CF).
Gabarito: C.
90. (FGV/OAB/XVIII_Exame – 2015) O Estado XYZ pretende criar uma 
nova universidade estadual sob a forma de fundação pública. Conside-
rando que é intenção do Estado atribuir personalidade jurídica de direito 
público a tal fundação, assinale a afirmativa correta.
a) Tal fundação há de ser criada com o registro de seus atos constitu-
tivos, após a edição de lei ordinária autorizando sua instituição.
b) Tal fundação há de ser criada por lei ordinária específica.
c) Não é possível a criação de uma fundação pública com personali-
dade jurídica de direito público.
d) Tal fundação há de ser criada por lei complementar específica.
 Z Anotações/Comentários
(a) A autorização para a instituição de fundação pública dependerá 
de lei ordinária (art. 37, XIX, CF), mas não há necessidade de registro de 
seus atos constitutivos, uma vez que tal procedimento se aplica somente 
às entidades com personalidade jurídica de direito privado.
(b) O art. 37, XIX da Constituição Federal prevê que somente por lei 
específica poderá ser autorizada a instituição de fundação, cabendo à 
lei complementar definir as áreas de sua atuação.
(c) O Poder Público, ao instituir a fundação pública, pode determinar 
que ela seja uma fundação de direito público ou de direito privado, a 
depender do regime escolhido. A diferença é da origem dos recursos 
e o tipo da atividade a ser realizada, exclusiva ou não. As fundações de 
direito privado não interessam ao Direito Administrativo, mas sim ao 
Direito Civil.
(d) A criação da fundação dependerá de lei ordinária. A definição 
das suas áreas de atuação é que obedecerá a lei complementar (art. 
37, XIX, CF).
Gabarito: B
91. (FGV/OAB/XVII_Exame – 2015) Após autorização em lei, o Estado 
X constituiu empresa pública para atuação no setor bancário e credi-
tício. Por não possuir, ainda, quadro de pessoal, foi iniciado concurso 
público com vistas à seleção de 150 empregados, entre economistas, 
administradores e advogados.
A respeito da situação descrita, assinale a afirmativa correta.
a) Não é possível a constituição de empresa pública para exploração 
direta de atividade econômica pelo Estado.
b) A lei que autorizou a instituição da empresa pública é, obrigatoria-
mente, uma lei complementar, por exigência do texto constitucio-
nal.
c) Após a Constituição de 1988, cabe às empresas públicas a prestação 
de serviços públicos e às sociedades de economia mista cabe a 
exploração de atividade econômica.
d) A empresa pública que explora atividade econômica sujeita-se ao 
regime trabalhista próprio das empresas privadas, o que não afasta 
a exigência de concurso público.
 Z Anotações/Comentários
(a) O art. 37, XIX, da Constituição Federal prevê que somente por lei 
específica poderá ser autorizada a instituição de empresa pública. Se 
exploradoras de atividade econômica de produção ou comercialização 
de bens, poderão ter estatuto jurídico próprio, criado por lei específica, 
conforme art. 173, §1º, da CF.
(b) Conforme o art. 37, XIX, da CF, a lei autorizadora da instituição da 
empresa pública é ordinária, e não complementar, exigível apenas para 
a definição das áreas de atuação das fundações públicas.
(c) Ambas poderão prestar serviços públicos ou explorar atividade 
econômica. Art173 da CF: “Ressalvados os casos previstos nesta Consti-
tuição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será 
permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou 
a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei.”
(d) As empresas públicas e as sociedades de economia mista se 
submetem ao regime híbrido de direito privado, havendo a incidência 
de normas de direito público. A questão foi aplicada na prova de 2015, 
de modo que a Lei nº 13.303/2016 (Lei das Estatais) ainda não estava 
vigente no ordenamento. Entretanto, os incisos do art. 176, §1º, da CF 
já previam a sujeição das empresas públicas exploradoras de atividade 
econômica ao regime jurídico próprio das empresas privadas e a exigên-
cia de licitação e contratação de obras, serviços, compras e alienações, 
observados os princípios da administração pública.
Gabarito: D
92. (FGV/OAB/XVII_Exame – 2015) O Governador do Estado Y criticou, 
por meio da imprensa, o Diretor-Presidente da Agência Reguladora 
de Serviços Delegados de Transportes do Estado, autarquia estadual 
criada pela Lei nº 1.234, alegando que aquela entidade, ao aplicar 
multas às empresas concessionárias por supostas falhas na prestação 
do serviço, “não estimula o empresário a investir no Estado”. Ainda, por 
essa razão, o Governador ameaçou, também pela imprensa, substituir o 
Diretor- Presidente da agência antes de expirado o prazo do mandato 
daquele dirigente.
Considerando o exposto, assinale a afirmativa correta.
a) A adoção do mandato fixo para os dirigentes de agências regulado-
ras contribui para a necessária autonomia da entidade, impedindo 
a livre exoneração pelo chefe do Poder Executivo.
b) A agência reguladora, como órgão da Administração Direta, sub-
mete-se ao poder disciplinar do chefe do Poder Executivo estadual.
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Como se preparar para o Exame de Ordem • OAB | Caderno de Questões (Semana 1 • 03/02 – 07/02)
c) A agência reguladora possui personalidade jurídica própria, mas 
está sujeita, obrigatoriamente, ao poder hierárquico do chefe do 
Poder Executivo.
d) Ainda que os dirigentes da agência reguladora exerçam mandato 
fixo, pode o chefe do Poder Executivo exonerá-los, por razões polí-
ticas não ligadas ao interesse público, caso discorde das decisões 
tomadas pela entidade.
 Z Anotações/Comentários
(a) As agências reguladoras são autarquias em regime especial, este 
definido pela função de regulamentação, normatização, fiscalização e 
controle finalístico, dispostas na Lei nº 9.986/2000. No art. 6º da referida 
norma consta que o mandato dos Conselheiros e dos Diretores será 
de 5 (cinco) anos, vedada a recondução (alteração efetuada pela Lei 
nº 13.848/2019).
(b) As agências reguladoras são pessoas jurídicas que integram 
a Administração Pública Indireta. Ademais, submete-se ao controle 
finalístico pela pessoa política criadora, e não ao poder hierárquico.
(c) Por ser integrante da Administração Pública Indireta, não há que 
se falar em controle hierárquico, mas em controle finalístico exercido 
pela pessoa política criadora, a fim de que haja a verificação de cumpri-
mento dos fins para que foi criada. Existe vinculação e não subordinação.
(d) Os dirigentes somente perderão os seus respectivos cargos em 
razão de renúncia,de condenação judicial transitada em julgado, por 
infringência de quaisquer vedações previstas no art. 8º-B da Lei (art. 9º 
da Lei nº 9.986/2000). Desta forma, o chefe do Poder Executivo não pode 
exonerá-los quando e como quiser, ainda mais por razões políticas não 
ligadas ao interesse público.
Gabarito: A
93. (FGV/OAB/XV_Exame – 2014) No Estado X, foi constituída autar-
quia para a gestão do regime próprio de previdência dos servidores 
estaduais. A lei de constituição da entidade prevê a possibilidade de 
apresentação de recurso em face das decisões da autarquia, a ser 
dirigido à Secretaria de Administração do Estado (órgão ao qual a 
autarquia está vinculada).
Sobre a situação descrita, assinale a opção correta.
a) Não é possível a criação de autarquia para a gestão da previdência 
dos servidores, uma vez que se trata de atividade típica da Admi-
nistração Pública.
b) Não cabe recurso hierárquico impróprio em face das decisões da 
autarquia, uma vez que ela goza de autonomia técnica, adminis-
trativa e financeira.
c) A previsão de recurso dirigido à Secretaria de Administração do 
Estado (órgão ao qual a autarquia está vinculada) configura exem-
plo de recurso hierárquico próprio.
d) São válidas tanto a constituição da autarquia para a gestão do 
regime previdenciário quanto a previsão de cabimento do recurso 
ao órgão ao qual a autarquia está vinculada.
 Z Anotações/Comentários
(a) As autarquias são pessoas jurídicas de direito público que desen-
volvem atividades típicas, próprias da Administração Pública. Assim, é 
possível a criação de autarquia para gestão do regime previdenciário 
dos servidores (art. 5º, inciso I, Decreto-Lei nº 200/1967).
(b) A previsão de recurso dirigido à Secretaria de Administração do 
Estado (órgão ao qual a autarquia está vinculada) configura exemplo 
de recurso hierárquico impróprio, já que a Secretaria de Administração 
do Estado não está localizada hierarquicamente acima da autarquia. Há 
controle finalístico somente.
(c) O exemplo é de recurso hierárquico impróprio, dirigido a auto-
ridade ou órgão estranho à repartição que expediu o ato recorrido. É 
um recurso que não se dirige a autoridade hierarquicamente superior, 
mas sim a autoridade de outro órgão, sem que haja qualquer relação 
hierárquica.
(d) A partir das explicações das assertivas anteriores, tem-se que 
a afirmação está correta.
Gabarito: D
94. (FGV/OAB/XV_Exame – 2014) A ONG “Festivus”, uma associação 
de caráter assistencial, qualificada como Organização da Sociedade Civil 
de Interesse Público (OSCIP), celebrou Termo de Parceria com a União e 
dela recebeu R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais) para execução 
de atividades de interesse público. Uma revista de circulação nacional, 
entretanto, divulgou denúncias de desvio de recursos e de utilização 
da associação como forma de fraude.
Com base na hipótese apresentada, considerando a disciplina consti-
tucional e legal, assinale a afirmativa correta.
a) O Tribunal de Contas da União não tem competência para apurar 
eventual irregularidade, uma vez que se trata de pessoa jurídica de 
direito privado, não integrante da Administração Pública.
b) O Tribunal de Contas da União tem competência para apurar even-
tual irregularidade praticada pela OSCIP, por se tratar de pessoa 
jurídica integrante da administração indireta federal.
c) O Tribunal de Contas da União tem competência para apurar even-
tual irregularidade praticada pela OSCIP, por se tratar de recursos 
públicos federais.
d) O controle exercido sobre a utilização dos recursos repassados 
à OSCIP é realizado apenas pela própria Administração e pelo 
Ministério Público Federal.
 Z Anotações/Comentários
A OSCIP é uma pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos, 
não integrante da Administração Pública (é um ente de cooperação), 
que presta serviços sociais não exclusivos do Estado, mediante termo 
de parceria.
(a, c, d) O TCU, nos termos do art. 71, II, da CF, auxilia o controle 
externo do Congresso Nacional e julga as contas dos administradores e 
demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da adminis-
tração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas 
e mantidas pelo Poder Público federal, e as contas daqueles que derem 
causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo 
ao erário público. Desta feita, o Tribunal de Contas da União tem com-
petência para apurar eventual irregularidade praticada pela OSCIP, por 
se tratar de recursos públicos federais.
(b) A OSCIP não faz parte da Administração Pública. Integra o ter-
ceiro setor e é chamada de ente paraestatal ou de cooperação.
Gabarito: C
95. (FGV/OAB/XIV_Exame – 2014) Numerosos professores, em recente 
reunião da categoria, queixaram-se da falta de interesse dos alunos pela 
cultura nacional. O Sindicato dos Professores de Colégios Particulares 
do Município X apresentou, então, um plano para ampliar o acesso à 
cultura dos alunos com idade entre 10 e 18 anos, obter a qualificação de 
“Organização da Sociedade Civil de Interesse Público” (OSCIP) e celebrar 
um termo de parceria com a União, a fim de unir esforços no sentido de 
promover a cultura nacional.
Considerando a proposta apresentada e a disciplina existente sobre o 
tema, assinale a afirmativa correta.
a) O sindicato não pode se qualificar como Organização da Sociedade 
Civil de Interesse Público, uma vez que tal qualificação, de origem 
doutrinária, não tem amparo legal.
b) O sindicato não pode se qualificar como OSCIP, em virtude de 
vedação expressa da lei federal sobre o tema.
c) O sindicato pode se qualificar como OSCIP, uma vez que é uma 
entidade sem fins lucrativos e o objetivo pretendido é a promoção 
da cultura nacional.
d) O sindicato pode se qualificar como OSCIP, mas deve celebrar 
um contrato de gestão e não um termo de parceria com o poder 
público.
 Z Anotações/Comentários
(a) A Lei nº 9.790/1999 trata sobre a qualificação de pessoas jurídicas 
de direito privado, sem fins lucrativos, tal como a OSCIP.
(b, c, d) O art. 2º, inciso II, da Lei nº 9.790/99 prevê não serem passí-
veis de qualificação como Organização da Sociedade Civil de Interesse 
Público os sindicatos. Portanto, a afirmação da assertiva “b” é a única 
que está correta.
Ademais, a OSCIP firma com o Poder Público termo de parceria e 
não contrato de gestão (art. 9º da Lei nº 9.790/1999).
Gabarito: B
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96. (FGV/OAB/XII_Exame – 2013) O Estado ABCD, com vistas à interio-
rização e ao incremento das atividades econômicas, constituiu empresa 
pública para implantar distritos industriais, elaborar planos de ocupação 
e auxiliar empresas interessadas na aquisição dessas áreas. Conside-
rando que esse objeto significa a exploração de atividade econômica 
pelo Estado, assinale a afirmativa correta.
a) Não é possível a exploração de atividade econômica por pessoa 
jurídica integrante da Administração direta ou indireta.
b) As pessoas jurídicas integrantes da Administração indireta não 
podem explorar atividade econômica.
c) Dentre as figuras da Administração Pública indireta, apenas a 
autarquia pode desempenhar atividade econômica, na qualidade 
de agência reguladora.
d) A constituição de empresa pública para exercer atividade econô-
mica é permitida quando necessária ao atendimento de relevante 
interesse coletivo.
 Z Anotações/Comentários
(a, d) Ao contrário do afirmado na assertiva, o art. 173, caput, da CF 
cuida da hipótese em que o Estado esteja na condição de agente empre-
sarial, explorando diretamente atividade econômica em concorrência 
com a iniciativa privada. Isso só será permitido quando necessária aos 
imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo.
(b, c) As empresas públicas e as sociedades de economia mista 
são pessoas jurídicas de direito privado integrantes da Administração 
Pública Indireta e podemter, como finalidade, a exploração de atividade 
econômica ou a prestação de serviço público.
Gabarito: D
97. (FGV/OAB/XI_Exame – 2013) Determinada entidade de formação 
profissional, integrante dos chamados Serviços Sociais Autônomos 
(também conhecidos como “Sistema S”), foi, recentemente, questio-
nada sobre a realização de uma compra sem prévia licitação. Assinale 
a alternativa que indica a razão do questionamento.
a) Tais entidades, vinculadas aos chamados serviços sociais autôno-
mos, integram a Administração Pública.
b) Tais entidades, apesar de não integrarem a Administração Pública, 
são dotadas de personalidade jurídica de direito público.
c) Tais entidades desempenham, por concessão, serviço público de 
interesse coletivo.
d) Tais entidades são custeadas, em parte, com contribuições com-
pulsórias cobradas sobre a folha de salários.
 Z Anotações/Comentários
(a, b) Os serviços sociais autônomos, também chamados de 
“Sistema S”, são pessoas jurídicas de direito privado, sem finalidade 
lucrativa, que estão fora da Administração Pública porque integram 
a iniciativa privada. São espécie dos entes de cooperação, de terceiro 
setor ou entes paraestatais.
(c) As entidades do sistema S prestam atividades privadas de 
interesse público, não sendo caso de delegação de serviços, pois não 
prestam serviços públicos propriamente ditos.
(d) Tais entidades são mantidas por dotações orçamentárias e 
por contribuições parafiscais (destinadas a entidades paralelas do 
Estado, tais como contribuições compulsórias cobradas sobre a folha 
de salários).
Gabarito: D
98. (FGV/OAB/IX_Exame – 2012) Atento à crescente especulação 
imobiliária, e ciente do sucesso econômico obtido pelas construtoras do 
País com a construção de imóveis destinados ao público de alta renda, 
o Estado “X” decide ingressar nesse lucrativo mercado. Assim, edita 
uma lei autorizando a criação de uma empresa pública e, no mesmo 
ano, promove a inscrição dos seus atos constitutivos no registro das 
pessoas jurídicas. Assinale a alternativa que apresenta a alegação que as 
construtoras privadas, incomodadas pela concorrência de uma empresa 
pública, poderiam apresentar.
a) A nulidade da constituição daquela pessoa jurídica, uma vez que as 
pessoas jurídicas estatais só podem ser criadas por lei específica.
b) O objeto social daquela empresa só poderia ser atribuído a uma 
sociedade de economia mista e não a uma empresa pública.
c) Os pressupostos de segurança nacional ou de relevante interesse 
coletivo na exploração daquela atividade econômica não estão 
presentes.
d) A criação da empresa pública não poderia ter ocorrido no mesmo 
ano em que foi editada a lei autorizativa.
 Z Anotações/Comentários
(a) O art. 37, inciso XIX da CF prevê que a criação das empresas públi-
cas e das sociedades de economia mista é autorizada por lei específica.
(b) O objeto social da sociedade de economia mista e a empresa 
pública não se diferencia, pois a ambas incumbe a exploração de ativi-
dade econômica ou a prestação de serviço público.
(c) O art. 173 da Constituição Federal prevê que as empresas públi-
cas podem ser exploradoras de atividade econômica, mas que tal 
exploração deve se mostrar necessária à segurança nacional ou a 
relevante interesse público. No caso concreto do enunciado, o único 
objetivo do Estado “X” é o lucro, inexistindo qualquer interesse público 
na instalação da construtora.
(d) Não há nenhum empecilho nesse sentido previsto na legislação.
Gabarito: C
99. (FGV/OAB/VIII_Exame – 2012) Quanto às pessoas jurídicas que 
compõem a Administração Indireta, assinale a afirmativa correta.
a) As autarquias são pessoas jurídicas de direito público, criadas por 
lei.
b) As autarquias são pessoas jurídicas de direito privado, autorizadas 
por lei.
c) As empresas públicas são pessoas jurídicas de direito público, 
criadas por lei.
d) As empresas públicas são pessoas jurídicas de direito privado, 
criadas para o exercício de atividades típicas do Estado.
 Z Anotações/Comentários
As autarquias são pessoas jurídicas de direito público que desen-
volvem atividades típicas, próprias do Estado. Conforme o art. 37, 
inciso XIX da Constituição Federal, somente por lei específica poderá 
ser criada autarquia.
Quanto às empresas públicas, pessoas jurídicas de direito privado, 
o mesmo dispositivo legal prevê que somente por lei específica poderá 
ser autorizada a sua instituição.
Gabarito: A
100. (FGV/OAB/VIII_Exame/2012) O Presidente da República, con-
siderando necessária a realização de diversas obras de infraestrutura, 
decide pela criação de uma nova Sociedade de Economia Federal e envia 
projeto de lei para o Congresso Nacional. Após a sua regular tramita-
ção, o Congresso aprova a criação da Companhia “X”. Considerando a 
situação apresentada, assinale a afirmativa correta.
a) A Companhia “X” poderá editar os decretos de utilidade pública 
das áreas que necessitam ser desapropriadas para consecução do 
objeto que justificou sua criação.
b) A Companhia “X” está sujeita à licitação e à contratação de obras, 
serviços, compras e alienações, observados os princípios da admi-
nistração.
c) A Companhia “X” será necessariamente uma sociedade de propó-
sito específico (SPE) e a maioria do capital social deverá sempre 
pertencer à União.
d) A Companhia “X” possui foro privilegiado e eventuais demandas 
judiciais correrão perante a Justiça Federal.
 Z Anotações/Comentários
Pela análise dos dados fornecidos no enunciado da questão, a 
Companhia “X” é uma sociedade de economia mista federal.
(a) A declaração de utilidade pública é feita mediante decreto do 
chefe do Poder Executivo ou por lei pelo Poder Legislativo. Assim, a 
sociedade de economia mista Companhia “X” não pode declarar um 
imóvel como de utilidade pública para fins de desapropriação.
(b) A assertiva refere-se à disposição constitucional expressa do 
art. 173, §1º, inciso III.
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Como se preparar para o Exame de Ordem • OAB | Caderno de Questões (Semana 1 • 03/02 – 07/02)
(c) Conforme o art. 5º da Lei nº 13.303/2016, a sociedade de eco-
nomia mista adotará a forma de sociedade anônima. Registra-se que 
referida lei não estava vigente quando da aplicação da prova em 2012.
(d) Aos juízes federais compete processar e julgar as causas em que 
a União, autarquia ou empresa pública federal forem interessadas na 
condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, o que não ocorre 
com a sociedade de economia mista federal. Ademais, estabelece a 
Súmula 556 do STF que: “É competente a justiça comum para julgar as 
causas em que é parte sociedade de economia mista”.
Gabarito: B
101. (FGV/OAB/VIII_Exame – 2012) Em relação às entidades que com-
põem a administração indireta, assinale a alternativa correta.
a) Para a criação de autarquias, é necessária a edição de uma lei auto-
rizativa e posterior registro de seus atos constitutivos no respectivo 
registro como condição de sua existência.
b) Para criação de uma empresa pública, é necessária a edição de uma 
lei específica sem a exigência de registro de seus atos constitutivos 
no respectivo registro por se tratar de uma pessoa jurídica de direito 
público.
c) Para criação de uma sociedade de economia mista, é necessária a 
edição de uma lei autorizativa e registro de seus atos constitutivos 
no respectivo registro por se tratar de uma pessoa jurídica de direito 
privado.
d) Por serem pessoas jurídicas, todas necessitam ter seus respectivos 
atos constitutivos registrados no respectivo registro como condição 
de sua existência.
 Z Anotações/Comentários
Conforme o art. 37, XIX, da Constituição Federal, somente por lei 
específica poderá ser:
• Criada autarquia
• 
Autorizada a instituição de empresa pública ou de sociedade de eco-
nomia mista
O registro dos atos constitutivos é exigido apenas quando se tratar 
de pessoa jurídica de direito privado, uma vez que a pessoa jurídica 
de direito público surge diretamente da lei. Portanto, é necessário oregistro dos atos constitutivos de empresa pública e sociedade de 
economia mista.
Gabarito: C
102. (FGV/OAB/V_Exame – 2011) A estruturação da Administração 
traz a presença, necessária, de centros de competências denominados 
Órgãos Públicos ou, simplesmente, Órgãos. Quanto a estes, é correto 
afirmar que
a) possuem personalidade jurídica própria, respondendo diretamente 
por seus atos.
b) suas atuações são imputadas às pessoas jurídicas a que pertencem.
c) não possuem cargos, apenas funções, e estas são criadas por atos 
normativos do ocupante do respectivo órgão.
d) não possuem cargos nem funções.
 Z Anotações/Comentários
Nos termos do art. 1º, § 2º, I da Lei nº 9.784/1999, considera-se órgão 
a unidade de atuação integrante da estrutura da Administração direta 
e da estrutura da Administração indireta.
(a) Os órgãos públicos não possuem personalidade jurídica própria, 
por isso as pessoas jurídicas a que pertencem respondem pelos atos 
praticados.
(b) Os órgãos públicos não são capazes de adquirir direitos e 
obrigações por não possuírem personalidade jurídica (entes desper-
sonalizados), assim, suas atuações são imputadas às pessoas jurídicas 
a que pertencem.
(c, d) No órgão, há cargos, funções e agentes públicos.
Gabarito: B
103. (FGV/OAB/IV_Exame – 2011) A qualificação como Organizações 
da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs), de pessoas jurídicas 
de direito privado, sem fins lucrativos, cujos objetivos sociais e normas 
estatutárias atendam aos requisitos previstos na respectiva lei é ato
a) vinculado ao cumprimento dos requisitos estabelecidos em lei.
b) complexo, uma vez que somente se aperfeiçoa com a instituição 
do Termo de Parceria.
c) discricionário, uma vez que depende de avaliação administrativa 
quanto à sua conveniência e oportunidade.
d) composto, subordinando-se à homologação da Chefia do Poder 
Executivo.
 Z Anotações/Comentários
O ato de qualificação como OSCIP compete ao Ministério 
da Justiça dentre as pessoas jurídicas de direito privado sem 
fins lucrativos que tenham sido constituídas e se encontrem em 
funcionamento regular há, no mínimo, 3 (três) anos, desde que os 
respectivos objetivos sociais e normas estatutárias atendam aos 
requisitos instituídos pela Lei nº 9.790/1999. Segundo o §2º do art. 
1º da Lei das OSCIPs, a outorga dessa qualificação é ato vinculado 
ao cumprimento dos requisitos.
Gabarito: A
104. (FGV/OAB/III_Exame – 2011) É correto afirmar que a desconcen-
tração administrativa ocorre quando um ente político
a) cria, mediante lei, órgãos internos em sua própria estrutura para 
organizar a gestão administrativa.
b) cria, por lei específica, uma nova pessoa jurídica de direito público 
para auxiliar a administração pública direta.
c) autoriza a criação, por lei e por prazo indeterminado, de uma nova 
pessoa jurídica de direito privado para auxiliar a administração 
pública.
d) contrata, mediante concessão de serviço público, por prazo deter-
minado, uma pessoa jurídica de direito público ou privado para 
desempenhar uma atividade típica da administração pública.
 Z Anotações/Comentários
A desconcentração administrativa é a diluição de competência 
no âmbito de uma mesma pessoa jurídica que decorre da criação de 
órgãos públicos. Já a descentralização ocorre com uma transferência de 
competências a uma pessoa jurídica diferente daquela originalmente 
competente (por serviços ou outorga / por colaboração ou delegação).
DICA: desconcentração = criação de ORGÃOS
Descentralização = criação de ENTIDADES
Nesse sentido, por exemplo, na esfera federal, com a criação de 
um Ministério (que é um órgão) ocorre a desconcentração, pois se deu 
a distribuição interna de competência a um novo órgão e, por outro 
lado, com a criação de uma autarquia (pessoa jurídica de direito público) 
tem-se a descentralização, porque a competência foi distribuída exter-
namente, de uma pessoa jurídica (União) para outra (autarquia).
Aliás, quanto à descentralização administrativa, o exemplo apon-
tado da criação de uma autarquia, ilustrando a hipótese prevista na 
alternativa “b”, representa a espécie conhecida como descentralização 
por serviços, funcional ou técnica (a distribuição de competência vai 
da pessoa política para outra pessoa jurídica criada por ela mesma).
Ainda, a descentralização administrativa pode ocorrer na moda-
lidade conhecida como descentralização por colaboração, em que a 
distribuição externa de competência é realizada da pessoa política 
para uma pessoa jurídica do setor privado para a execução de serviço 
público (ex.: concessionárias de serviço público).
Gabarito: A
105. (FGV/OAB/II_Exame – 2010) No Direito Público brasileiro, o 
grau de autonomia das Agências Reguladoras é definido por uma 
independência
a) administrativa total e absoluta, uma vez que a Constituição da 
República de 1988 não lhes exige qualquer liame, submissão ou 
controle administrativo dos órgãos de cúpula do Poder Executivo.
b) administrativa mitigada, uma vez que a própria lei que cria cada 
uma das Agências Reguladoras define e regulamenta as relações de 
submissão e controle, fundado no poder de supervisão dos Ministé-
rios a que cada uma se encontra vinculada, em razão da matéria, e 
na superintendência atribuída ao chefe do Poder Executivo, como 
chefe superior da Administração Pública.
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c) legislativa total e absoluta, visto que gozam de poder normativo 
regulamentar, não se sujeitando assim às leis emanadas pelos res-
pectivos Poderes legislativos de cada ente da federação brasileira.
d) política decisória, pois não estão obrigadas a seguir as decisões de 
políticas públicas adotadas pelos Poderes do Estado (executivo e 
legislativo).
 Z Anotações/Comentários
As agências reguladoras são autarquias em regime especial, este 
definido por funções de regulamentação, normatização, fiscalização 
e controle. São criadas por lei específica e possuem certa indepen-
dência e autonomia em comparação às demais pessoas jurídicas da 
Administração Indireta. Possuem o poder técnico-normativo, ou seja, 
com fundamento em delegação prevista na própria lei, podem editar 
normas técnicas de caráter geral (autonomia legislativa – chamada de 
“deslegalização”). Ainda assim, não são independentes e não possuem 
autonomia política, apenas autonomia administrativa um pouco mais 
ampla que a regra geral.
Ressalta-se que, no ano de 2019, foi publicada a Lei nº 13.848, que 
trata do tema no âmbito federal.
Gabarito: B
3. PODERES ADMINISTRATIVOS
106. (FGV/OAB/XXX_Exame – 2019) Após comprar um terreno, 
Roberto iniciou a construção de sua casa, sem prévia licença, avançando 
para além dos limites de sua propriedade e ocupando parcialmente a 
via pública, inclusive com possibilidade de desabamento de parte da 
obra e risco à integridade dos pedestres.
No regular exercício da fiscalização da ocupação do solo urbano, o 
poder público municipal, observadas as formalidades legais, valendo-
-se da prerrogativa de direito público que, calcada na lei, autoriza-o 
a restringir o uso e o gozo da liberdade e da propriedade privada em 
favor do interesse da coletividade, determinou que Roberto demolisse 
a parte irregular da obra.
O poder administrativo que fundamentou a determinação do Município 
é o poder
A) de hierarquia, e, pelo seu atributo da coercibilidade, o particular é 
obrigado a obedecer às ordens emanadas pelos agentes públicos, 
que estão em nível de superioridade hierárquica e podem usar 
meios indiretos de coerção para fazer valer a supremacia do inte-
resse público sobre o privado.
B) disciplinar, e o particular está sujeito às sanções impostas pela 
Administração Pública, em razão do atributo da imperatividade, 
desde que haja a prévia e imprescindível chancela por parte do 
Poder Judiciário.
C) regulamentar, e os agentes públicos estão autorizados a realizar 
atos concretos para aplicar a lei,ainda que tenham que se valer do 
atributo da autoexecutoriedade, a fim de concretizar suas deter-
minações, independentemente de prévia ordem judicial.
D) de polícia, e a fiscalização apresenta duplo aspecto: um preventivo, 
por meio do qual os agentes públicos procuram impedir um dano 
social, e um repressivo, que, face à transgressão da norma de polícia, 
redunda na aplicação de uma sanção.
 Z Anotações/Comentários
(a) O poder hierárquico é “o de que dispõe o Executivo para 
distribuir e escalonar as funções de seus órgãos, ordenar e rever a 
atuação de seus agentes, estabelecendo a relação de subordinação 
entre os servidores do seu quadro de pessoal”1. Não se relaciona com 
os fatos narrados na questão, já que se vincula à organização interna 
da Administração.
(b) O poder disciplinar é a prerrogativa pela qual a Administra-
ção apura as infrações e aplica as penalidades ao infrator, que pode 
ser um servidor público ou particular sujeito à disciplina administrativa, 
como um estudante de escola pública2. Está relacionado com o poder 
hierárquico, mas aquele é instrumento diferente deste. Desconcentra 
1 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 36. ed.São Paulo: Malheiros, 
2010. p. 124.
2 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 23. ed. São Paulo: Atlas, 2010. 
p. 94.
competências, isto é, distribui internamente competência entre seus 
diversos órgãos, escalonando-os, hierarquizando-os. Pelo poder disci-
plinar, há a fiscalização no desempenho dessas atribuições e a eventual 
responsabilização do agente.
(c) De maneira geral, a definição sobre poder regulamentar mais 
encontrada nas provas de concurso é a que consiste na “faculdade 
de que dispõem os Chefes de Executivo (Presidente da Repú-
blica, Governadores e Prefeitos) de explicar a lei para sua correta 
execução, ou de expedir decretos autônomos sobre matéria de 
sua competência ainda não disciplinada em lei”3. Também não se 
relaciona ao exposto na questão.
(d) Poder de polícia é a “faculdade de que dispõe a Adminis-
tração Pública para condicionar e restringir o uso e gozo de bens, 
atividades e direitos individuais, em benefício da coletividade 
ou do próprio Estado”4. Assim, ao determinar a demolição da parte 
irregular da obra, a Administração se valeu de seu poder de polícia.
Gabarito: D
107. (FGV/TJ-AL/Analista Judiciário – Área Judiciária – 2018) As 
atividades que envolvem a consecução do poder de polícia são suma-
riamente divididas em quatro grupos, a saber:
(i) legislação;
(ii) consentimento;
(iii) fiscalização; e
(iv) sanção.
Sobre a delegação do poder de polícia a uma sociedade de economia 
mista, a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça é 
no sentido de sua:
a) possibilidade em relação aos atos de fiscalização e sanção, porque 
decorrem do poder discricionário da Administração Pública, mas 
não pode ocorrer delegação dos atos de legislação e consenti-
mento, pois derivam do poder vinculado;
b) possibilidade em relação aos atos de legislação, consentimento, 
fiscalização e sanção, diante da autonomia dos entes federativos, 
que ostentam o poder discricionário para decidir a forma como 
prestam os serviços públicos;
c) possibilidade em relação aos atos de consentimento e fiscalização, 
pois estão ligados ao poder de gestão do Estado, mas não pode 
ocorrer delegação dos atos de legislação e sanção, pois derivam 
do poder de coerção;
d) impossibilidade, em qualquer das fases de legislação, consenti-
mento, fiscalização e sanção, pois apenas os órgãos da adminis-
tração direta e os que ostentem personalidade jurídica de direito 
público da administração indireta exercem legitimamente a autoe-
xecutoriedade de seus atos;
e) impossibilidade, em qualquer das fases de legislação, consenti-
mento, fiscalização e sanção, pois qualquer forma de exercício de 
poder de polícia traz implícito o atributo da imperatividade do 
ato administrativo, que só pode ser legitimamente exercido pela 
administração direta.
 Z Anotações/Comentários
O poder de polícia, de maneira geral, não é passível de delegação 
a particulares, sendo exceção a situação dos capitães de navios, 
conforme aponta a doutrina. Muitos costumam apontar, de igual modo, 
os radares instalados em rodovias pelas concessionárias de serviço 
público como expressão do poder de polícia. Na verdade, não são atos 
de polícia, mas meros atos preparatórios do ato jurídico do poder 
de polícia. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de 
Justiça, considerando-se os grupos do poder de polícia, são passíveis 
de delegação os atos de consentimento e fiscalização, pois estão ligados 
ao poder de gestão do Estado, mas não pode ocorrer delegação dos 
atos de legislação e sanção, pois derivam do poder de coerção. Neste 
sentido, é o REsp nº 817.354-MG, no qual o STF fixou entendimento de 
que “somente os atos relativos ao consentimento e à fiscalização são dele-
gáveis, pois aqueles referentes à legislação e à sanção derivam do poder de 
coerção do Poder Público. [Em verdade,] no que tange aos atos de sanção, 
3 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 36. ed.São Paulo: Malheiros, 
2010. p. 130. Original sem destaque.
4 Direito administrativo brasileiro. 36. ed.São Paulo: Malheiros, 2010. p. 134. Original 
sem destaque.
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Como se preparar para o Exame de Ordem • OAB | Caderno de Questões (Semana 1 • 03/02 – 07/02)
o bom desenvolvimento por particulares estaria, inclusive, comprometido 
pela busca do lucro – aplicação de multas para aumentar a arrecadação”. 
No caso concreto, o STJ entendeu que uma sociedade de economia 
mista municipal não poderia aplicar diretamente multas aos infratores 
de trânsito, uma vez que, em se tratando de pessoas jurídica de direito 
privado, não poderia exercer a função sancionadora de polícia.
Gabarito: C.
108. (FGV/TJ-AL/Analista Judiciário – Oficial de Justiça Avaliador 
– 2018) Poder de polícia pode ser conceituado como uma atividade da 
Administração Pública que se expressa por meio de seus atos norma-
tivos ou concretos, com fundamento na supremacia geral do interesse 
público para, na forma da lei, condicionar a liberdade e a propriedade 
individual, mediante ações fiscalizadoras preventivas e repressivas.
De acordo com ensinamentos da doutrina de Direito Administrativo, 
são características ou atributos do poder de polícia:
a) a hierarquia, a disciplina e a legalidade;
b) a imperatividade, a delegabilidade e a imprescritibilidade;
c) a discricionariedade, a autoexecutoriedade e a coercibilidade;
d) a indelegabilidade, a hierarquia e o respeito às forças de segurança 
pública;
e) a imposição da força policial, a voluntariedade e a disciplina.
 Z Anotações/Comentários
cSão atributos do poder de polícia a discricionariedade, a autoe-
xecutoriedade e a coercibilidade. Em regra, a atividade de polícia 
administrativa é discricionária, havendo liberdade de escolha do 
administrador em relação ao momento de atuação, à forma de atuação 
e, às vezes, até no que se refere a qual sanção aplicar. Desse modo, por 
exemplo, a atividade de fiscalização, normalmente, não possui um 
momento exato para ser desempenhada e, por vezes, a lei deixa para 
o fiscal a análise de qual medida adotar no caso concreto. Todavia, nem 
sempre há discricionariedade e o poder de polícia pode ser manifes-
tação administrativa vinculada. A autoexecutoriedade, por sua vez, 
aponta para o fato de que a Administração Pública, para satisfazer o 
interesse público, pode praticar diretamente os atos afetos à polícia 
administrativa, não necessitando recorrer ao Poder Judiciário. Por 
fim, a coercibilidade é o atributo pelo qual a Administração Pública 
tema prerrogativa de impor ao administrado o cumprimento da medida 
de polícia administrativa. Desse modo, tal atributo traduz-se, em essên-
cia, nas atividades repressivas da Administração Pública, uma vez que o 
ato de polícia é impositivo, coercitivo para o destinatário.
Gabarito:C
109. (FGV/Câmara de Salvador-BA/Analista Legislativo – 2018) 
Poderes administrativos são o conjunto de prerrogativas de direito 
público que a ordem jurídica confere aos agentes administrativos com 
a finalidade de permitir que o Estado alcance seus fins.
Nesse contexto, de acordo com a doutrina de Direito Administrativo, 
destaca-se o poder:
a) hierárquico, que possui estruturação interna, mediante o escalo-
namento no plano vertical dos órgãos e agentes da Administração, 
que tem por objetivo a organização da função administrativa;
b) discricionário, que consiste na atuação vinculada do agente público 
refletida numa imposição legal ao administrador, obrigando-o a 
conduzir-se rigorosamente em conformidade com os parâmetros 
legais;
c) regulamentar, que decorre da prerrogativa de direito público que, 
calcada na lei, autoriza a Administração Pública a restringir o uso 
e o gozo da liberdade e da propriedade em favor do interesse da 
coletividade;
d) disciplinar, que está ligado à ideia de hierarquia entre os agentes 
públicos, viabilizando fenômenos administrativos como a avocação 
e a delegação, que decorrem de permissivo legal;
e) vinculado, que é a prerrogativa concedida aos agentes adminis-
trativos de elegerem, entre várias condutas possíveis, a que traduz 
maior conveniência e oportunidade para o interesse público.
 Z Anotações/Comentários
Alternativa “a”. O poder hierárquico é uma ferramenta de grande 
valia para a Administração porque possibilita a concatenação de suas 
ações em busca da satisfação do interesse público. Por ele, tem-se a 
organização, a estruturação, criando-se uma relação de coordena-
ção e subordinação entre os diversos órgãos criados. É com base na 
hierarquia que se pode avocar, delegar, ordenar, controlar, corrigir 
e aplicar sanções. Pode ser definido como a prerrogativa que a Admi-
nistração Pública tem de se organizar para buscar o interesse público 
e, para isso, desconcentra competências, isto é, distribui internamente 
competência entre seus diversos órgãos, escalonando-os, hierarqui-
zando-os.
Alternativa “b”. O poder discricionário é a prerrogativa conferida 
à Administração Pública de fazer opções, de escolher, de analisar se é 
oportuno, se é conveniente, segundo o interesse público, a prática de 
determinado ato. Na discricionariedade, ao contrário da vinculação – em 
que a opção já foi feita na lei – o legislador deixou para o administrador 
escolher, diante da situação fática, se determinado ato é conveniente 
ou oportuno em face do interesse público. Portanto, são elementos 
nucleares a conveniência e oportunidade.
Alternativa “c”. O poder regulamentar é espécie do poder nor-
mativo, conferindo ao Chefe do Executivo a prerrogativa de editar atos 
gerais e abstratos, complementares à lei, sem inovar, de forma original, a 
ordem jurídica. Normalmente, se manifesta pela expedição de decretos 
executivos destinados a explicitar, aclarar, explicar a lei para que possa 
ser posta em prática, e essa possibilidade de regulamentação não é 
privativa do Chefe do Poder Executivo, pois o Judiciário (provimentos, 
resoluções) e o Legislativo (regimento) também podem regulamentar 
as leis, mas a regulamentação não é tão extensa quanto à feita pelo 
Poder Executivo.
Alternativa “d”. O poder disciplinar é a prerrogativa pela qual a 
Administração apura as infrações e aplica as penalidades ao infrator, 
que pode ser um servidor público ou particular sujeito à disciplina admi-
nistrativa. No item em questão, há a descrição do poder hierárquico, 
motivo pelo qual errada.
Alternativa “e”. O poder vinculado é aquele que a lei confere 
à Administração Pública para a prática de ato de sua competência, 
determinando os elementos e requisitos necessários a sua formalização, 
conforme Hely Lopes Meirelles. Todo e qualquer ato administrativo deve 
estar em conformidade com o direito e, em muitos casos, a conveniência 
e a oportunidade de se praticar determinado ato já foram valoradas 
pelo legislador, não havendo margem de escolha ao administrador; 
em tais situações, em que o comportamento já foi previamente deli-
mitado pela lei, há aplicação do poder vinculado – que, em verdade, 
por se tratar mais de uma restrição à Administração Pública que a 
uma prerrogativa, não é considerado, por muitos autores, poder da 
Administração Pública.
Gabarito: A.
110. (FGV/Câmara de Salvador-BA/Analista Legislativo – 2018) 
João construiu prédio de sua mercearia, sem requerer ou obter alvará 
de localização e funcionamento junto ao Município de Salvador, inva-
dindo inclusive parte da calçada. Após regular processo administrativo, 
diante da omissão de João, o Município procedeu à demolição da parte 
construída ilegalmente em área pública.
A conduta do poder público municipal está:
a) correta, e calcada em seu poder regulamentar, pelo atributo da 
coercitibilidade;
b) correta, e calcada em seu poder de polícia, pelo atributo da autoe-
xecutoriedade;
c) correta, e calcada em seu poder disciplinar, pelo atributo da impe-
ratividade;
d) errada, pois a medida extrema restringiu direito e uso da proprie-
dade, razão pela qual deveria ter sido aplicada apenas a multa;
e) errada, pois a medida extrema restringiu direito e uso da proprie-
dade, razão pela qual deveria ter sido precedida de provimento 
judicial.
 Z Anotações/Comentários
A autoexecutoriedade é um dos atributos do poder de polícia, 
assim entendido como a “faculdade de que dispões a Administra-
ção Pública para condicionar e restringir o uso e gozo de bens, 
atividades e direitos individuais, em benefício da coletividade ou 
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do próprio Estado”5. Pela autoexecutoriedade, para a satisfação do 
interesse público, a Administração pode praticar diretamente os atos 
afetos à polícia administrativa, não necessitando recorrer para o 
Poder Judiciário para tanto. Assim, não precisa a Administração de 
ordem judicial para multar, interditar, apreender e realizar as demais 
medidas de polícia. Todavia, a autoexecutoriedade só existe quando 
prevista em lei ou quando se tratar de situação de urgência, não 
se fazendo, pois, presente em todas as medidas de polícia. No caso 
narrado no enunciado, portanto, há típica manifestação do poder de 
polícia, sendo que a demolição do prédio em questão é decorrência 
da autoexecutoriedade, atributo do poder de polícia.
Gabarito: B.
111. (FGV/TJ-SC/Técnico Judiciário – 2018) Os poderes administrati-
vos são instrumentais, pois consistem em mecanismos de trabalho por 
meio dos quais os órgãos e as entidades administrativas executam suas 
tarefas e cumprem suas missões.
São hipóteses, respectivamente, de emprego do poder regulamentar e 
do poder de polícia, quando o agente público municipal competente:
a) indefere a implantação de determinado loteamento urbano reque-
rido por particular, por não atender aos requisitos legais; e atua 
como segurança patrimonial para preservar certo bem público 
municipal;
b) emite ato administrativo de demissão de servidor público munici-
pal, após regular processo administrativo disciplinar; determina a 
servidor hierarquicamente inferior que desempenhe certa função 
na repartição onde está lotado;
c) edita decreto contendo normas gerais que complementam lei ordi-
nária municipal em determinada matéria; e procede à apreensão 
de produtos impróprios para consumo em mercado privado;
d) delega para autoridade municipal hierarquicamente inferior a prá-
tica de certo ato administrativo; e aplica pena disciplinar a servidor 
público municipal, observado o devido processo legal;
e) edita emenda à lei orgânica municipal com regras específicas sobre 
serviços de interesse local; e expede ordem de serviço disciplinando 
a divisão de atribuições de servidores lotados na Secretaria Muni-
cipal de Segurança Pública.
 Z Anotações/Comentários
Alternativa “a”. Indeferir a implantação de determinado lotea-
mentourbano requerido por particular, por não atender aos requisitos 
legais é, por exemplo, manifestação do poder vinculado, que é aquele 
que a lei confere à Administração Pública para a prática de ato de sua 
competência, determinando os elementos e requisitos necessários a 
sua formalização.
Alternativa “b”. Emitir ato administrativo de demissão de servidor 
público municipal, após regular processo administrativo disciplinar é 
manifestação do poder disciplinar, que é a prerrogativa pela qual 
a Administração apura as infrações e aplica as penalidades ao 
infrator, que deve ser um servidor público ou particular sujeito à 
disciplina administrativa. Determinar a servidor hierarquicamente 
inferior que desempenhe certa função na repartição onde está lotado é 
manifestação do poder hierárquico, que é a prerrogativa que a Admi-
nistração Pública tem de se organizar para buscar o interesse público 
e, para isso, desconcentra competências, isto é, distribui internamente 
competência entre seus diversos órgãos, escalonando-os, hierarqui-
zando-os. Com isso, cria-se uma relação de hierarquia entre os órgãos, 
pelo que os subordinados têm o dever de obediência aos superiores.
Alternativa “c”. Editar decreto contendo normas gerais que com-
plementam lei ordinária municipal em determinada matéria é mani-
festação do poder regulamentar, que confere ao Chefe do Executivo 
a prerrogativa de editar atos gerais e abstratos, complementares à lei, 
sem inovar, de forma original, a ordem jurídica. Proceder à apreensão 
de produtos impróprios para consumo em mercado privado é típica 
manifestação do poder de polícia, atividade do Estado consistente 
em limitar o exercício dos direitos individuais em benefício do inte-
resse público6.
5 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 36 ed. São Paulo: Malheiros, 
2010. p. 134.
6 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 24 ed. São Paulo: Atlas, 
2011.p. 118.
Alternativa “d”. Delegar para autoridade municipal hierarquica-
mente inferior a prática de certo ato administrativo é manifestação 
do poder hierárquico. Aplicar pena disciplinar a servidor público 
municipal, observado o devido processo legal é manifestação do 
poder disciplinar.
Alternativa “e”. Editar emenda à lei orgânica municipal com regras 
específicas sobre serviços de interesse local não é manifestação dos 
poderes administrativos, mas de atividade legislativa. Expedir ordem 
de serviço disciplinando a divisão de atribuições de servidores lotados 
na Secretaria Municipal de Segurança Pública é manifestação do poder 
hierárquico.
Gabarito: C.
112. (FGV/TJ-AL/Técnico Judiciário – Área Judiciária – 2018) Em 
tema de poderes administrativos, a doutrina de Direito Administrativo 
ensina que os atos administrativos da delegação e da avocação são fun-
damentados na prerrogativa do agente público decorrente do poder:
a) disciplinar, segundo o qual o agente público com competência 
pode expedir normas gerais e abstratas para viabilizar a aplicabi-
lidade de lei preexistente;
b) hierárquico, segundo o qual o agente público de hierarquia supe-
rior pode, na forma da lei, estender ou chamar para si, de forma 
temporária, competência para determinado ato;
c) normativo, segundo o qual o agente público pode restringir liberda-
des individuais e propriedade privada em prol do interesse público 
coletivo;
d) regulamentar, segundo o qual a autoridade pública competente 
deve expedir decretos autônomos para disciplinar o funcionamento 
orgânico da administração;
e) de polícia, segundo o qual a autoridade pública tem a faculdade de 
estabelecer a competência dos servidores que lhe são vinculados, 
sob pena de uso das forças de segurança.
 Z Anotações/Comentários
Alternativa “a”. O poder disciplinar é a prerrogativa pela qual a 
Administração apura as infrações e aplica as penalidades ao infrator, 
que pode ser um servidor público ou particular sujeito à disciplina 
administrativa. A penalidade administrativa tem como objeto as 
infrações relacionadas aos serviços, aplicando-se, portanto, apenas a 
um agente público ou a um particular juridicamente relacionado com 
a Administração.
Alternativa “b”. O poder hierárquico é o poder “de que dispõe o 
Executivo para distribuir e escalonar as funções de seus órgãos, ordenar 
e rever a atuação de seus agentes, estabelecendo a relação de subor-
dinação entre os servidores do seu quadro de pessoal”7. Por meio dele, 
ocorre a organização, a estruturação e cria-se uma relação de coordena-
ção e subordinação entre os diversos órgãos criados, dentro da mesma 
pessoa jurídica. Cria-se uma relação de hierarquia e, com isso, o superior, 
por exemplo, pode dar ordens ao subordinado e este, por sua vez, tem o 
dever de obediência (salvo se for ordem manifestamente ilegal). Assim, 
dessa organização administrativa decorrem vários poderes, dentre os 
quais: o de editar atos normativos, o de dar ordens aos subordinados, 
o de controlar, coordenar e corrigir a atividade dos órgãos inferiores, 
o de avocar atribuições (desde que não sejam de competência 
exclusiva do órgão subordinado), o de delegar atribuições (que 
não lhes sejam privativas), dentre outras.
Alternativa “c” (responde a alternativa “d”). O Poder norma-
tivo é a prerrogativa conferida à Administração Pública de editar 
atos gerais para complementar as leis e possibilitar sua efetiva 
aplicação. O poder regulamentar, neste sentido, é espécie do poder 
normativo, conferindo ao Chefe do Executivo a prerrogativa de editar 
atos gerais e abstratos, complementares à lei, sem inovar, de forma 
original, a ordem jurídica. Normalmente, manifesta-se pela expedição 
de decretos executivos destinados a explicitar, aclarar, explicar a lei 
para que possa ser posta em prática, e essa possibilidade de regula-
mentação não é privativa do Chefe do Poder Executivo, pois o Judiciário 
(provimentos, resoluções) e o Legislativo (regimento) também podem 
regulamentar as leis, mas a regulamentação não é tão extensa quanto 
à feita pelo Poder Executivo.
7 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 36. ed. São Paulo: Malheiros, 
2010. p. 124.
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Como se preparar para o Exame de Ordem • OAB | Caderno de Questões (Semana 1 • 03/02 – 07/02)
Alternativa “e”. Conforme Hely Lopes Meirelles, o poder de polícia 
é definido como a “faculdade de que dispõe a Administração Pública 
para condicionar e restringir o uso e gozo de bens, atividades e 
direitos individuais, em benefício da coletividade ou do próprio 
Estado”8. Pode-se, assim, afirmar que o poder de polícia é uma ativi-
dade administrativa consistente em intervir no exercício de direitos 
e liberdades individuais, impondo restrições e condições para 
que o interesse particular não cause prejuízo ao interesse público.
Gabarito: B.
113. (FGV/OAB/XXIV_Exame – 2017) João foi aprovado em concurso 
público promovido pelo Estado Alfa para o cargo de analista de políticas 
públicas, tendo tomado posse no cargo, na classe inicial da respectiva 
carreira. Ocorre que João é uma pessoa proativa e teve, como gestor, 
excelentes experiências na iniciativa privada.
Em razão disso, ele decidiu que não deveria cumprir os comandos 
determinados por agentes superiores na estrutura administrativa, 
porque ele as considerava contrárias ao princípio da eficiência, apesar 
de serem ordens legais.
A partir do caso apresentado, assinale a afirmativa correta.
a) João possui total liberdade de atuação, não se submetendo a 
comandos superiores, em decorrência do princípio da eficiência.
b) A liberdade de atuação de João é pautada somente pelo princípio 
da legalidade, considerando que não existe escalonamento de 
competência no âmbito da Administração Pública.
c) João tem dever de obediência às ordens legais de seus superiores, 
em razão da relação de subordinação decorrente do poder hierár-
quico.
d) As autoridades superiores somente podem realizar o controle fina-
lístico das atividades de João, em razão da relação de vinculaçãoestabelecida com os superiores hierárquicos.
 Z Anotações/Comentários
Alternativa “b”. A despeito de, de fato, estar referido servidor 
limitado pelo princípio da legalidade, é importante destacar que há 
escalonamento no âmbito da Administração Pública.
Alternativa “c” (responde a alternativa “a”). O poder hierár-
quico é a prerrogativa que a Administração Pública tem de se organizar 
para buscar o interesse público e, para isso, desconcentra competências, 
isto é, distribui internamente competência entre seus diversos órgãos, 
escalonando-os, hierarquizando-os. Com isso, cria-se uma relação de 
hierarquia entre os órgãos, pelo que os subordinados têm o dever de 
obediência aos superiores, salvo quanto às ordens manifestamente ile-
gais. Assim, dessa organização administrativa decorrem vários poderes, 
dentre os quais: o de dar ordens aos subordinados, o de controlar, coor-
denar e corrigir a atividade dos órgãos inferiores, o de avocar atribuições 
(desde que não sejam de competência exclusiva do órgão subordinado), 
o de delegar atribuições (que não lhes sejam privativas), dentre outras.
Alternativa “d”. O controle finalístico é aquele exercido sobre 
a Administração Pública Indireta. Entre esta e a Administração Pública 
Direta não há que se falar em hierarquia, mas, tão somente, em con-
trole finalístico. No caso, as autoridades superiores exercem o controle 
hierárquico sobre os atos de João.
Gabarito: C.
114. (FGV/OAB/XXIV_Exame – 2017) Um fiscal de posturas públicas 
municipais verifica que um restaurante continua colocando, de forma 
irregular, mesas para os seus clientes na calçada. Depois de lavrar autos 
de infração com aplicação de multa por duas vezes, sem que a sociedade 
empresária tenha interposto recurso administrativo, o fiscal, ao verificar 
a situação, interdita o estabelecimento e apreende as mesas e cadeiras 
colocadas de forma irregular, com base na lei que regula o exercício do 
poder de polícia correspondente.
A partir da situação acima, assinale a afirmativa correta.
a) O fiscal atuou com desvio de poder, uma vez que o direito da socie-
dade empresária de continuar funcionando é emanação do direito 
de liberdade constitucional, que só pode ser contrastado a partir 
de um provimento jurisdicional.
8 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 36 ed. São Paulo: Malheiros, 
2010. p. 134.
b) A prática irregular de ato autoexecutório pelo fiscal é clara, porque 
não homenageou o princípio do contraditório e da ampla defesa 
ao não permitir à sociedade empresária, antes da apreensão, a 
possibilidade de produzir, em processo administrativo específico, 
fatos e provas em seu favor.
c) O ato praticado pelo fiscal está dentro da visão tradicional do exer-
cício da polícia administrativa pelo Estado, que pode, em situações 
extremas, dentro dos limites da razoabilidade e da proporcionali-
dade, atuar de forma autoexecutória.
d) A atuação do fiscal é ilícita, porque os atos administrativos autoe-
xecutórios, como mencionado acima, exigem, necessariamente, 
autorização judicial prévia.
 Z Anotações/Comentários
Alternativa “a”. Quanto ao tema, o abuso de poder existe 
quando o poder é usado contrariando o regime jurídico adminis-
trativo. Tem como espécies o desvio de poder e o excesso de poder, 
ocorrendo o primeiro quando a autoridade extrapola sua competência 
(atua fora dos limites de sua competência) e, por sua vez, o desvio de 
poder ou de finalidade se dá quando a autoridade, agindo dentro dos 
limites da sua competência (não extrapola), pratica o ato visando fim 
diverso do estabelecido na lei, diferentemente do que ocorre na situa-
ção narrada no enunciado. Na hipótese narrada, não houve nenhuma 
forma de abuso de poder e o exercício do direito individual pode ser 
objeto de restrição por força do poder de polícia, com fundamento no 
princípio da supremacia do interesse público sobre o privado e, assim, 
não há necessidade de provimento jurisdicional em face da presença 
da autoexecutoriedade.
Alternativa “b”. De fato, o art. 2º da Lei nº 9.784/99 – que regula o 
processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal 
– estabelece a obrigatoriedade de observância de vários princípios, 
dentre os quais se destaca os do contraditório e da ampla defesa, inti-
mamente relacionados com o devido processo legal. Todavia, dentro 
do exercício do poder de polícia, é plenamente possível a interdição do 
estabelecimento, postergando-se o exercício do contraditório para o 
curso do processo administrativo a ser instaurado.
Alternativa “c” (responde a alternativa “d”). A autoexecuto-
riedade é um dos atributos do poder de polícia, assim entendido 
como a “faculdade de que dispões a Administração Pública para 
condicionar e restringir o uso e gozo de bens, atividades e direitos 
individuais, em benefício da coletividade ou do próprio Estado”9. 
Pela autoexecutoriedade, para a satisfação do interesse público, a Admi-
nistração pode praticar diretamente os atos afetos à polícia admi-
nistrativa, não necessitando recorrer para o Poder Judiciário para 
tanto. Assim, não precisa a Administração de ordem judicial para multar, 
interditar, apreender e realizar as demais medidas de polícia. Todavia, a 
autoexecutoriedade só existe quando prevista em lei ou quando 
se tratar de situação de urgência, não se fazendo, pois, presente em 
todas as medidas de polícia. No caso, o fiscal interditou atuou com 
base na lei que regula o exercício do poder de polícia correspondente.
Gabarito: C.
115. (FGV/OAB/XVI_Exame – 2015) Determinado município resolve 
aumentar a eficiência na aplicação das multas de trânsito. Após proce-
dimento licitatório, contrata a sociedade empresária Cobra Tudo para 
instalar câmeras do tipo “radar”, que fotografam infrações de trânsito, 
bem como disponibilizar agentes de trânsito para orientar os cidadãos 
e aplicar multas. A mesma sociedade empresária ainda ficará encarre-
gada de criar um Conselho de Apreciação das multas, com o objetivo de 
analisar todas as infrações e julgar os recursos administrativos.
Sobre o caso apresentado, assinale a afirmativa correta.
a) É possível a contratação de equipamentos eletrônicos de fiscaliza-
ção, mas o poder decisório não pode ser transferido à empresa.
b) Não é cabível a terceirização de qualquer dessas atividades, por se 
tratar de atividade-fim da Administração.
c) A contratação é, a princípio, legal, mas somente permanecerá válida 
se o município comprovar que a terceirização aumentou a eficiência 
da atividade.
9 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 36 ed. São Paulo: Malheiros, 
2010. p. 134.
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Como se preparar para o Exame de Ordem • OAB | Caderno de Questões (Semana 1 • 03/02 – 07/02)
d) Não é possível delegar a instalação e gestão de câmeras do tipo 
“radar” à empresa contratada, mas é possível delegar a criação e 
gestão do Conselho de Apreciação de multas.
 Z Anotações/Comentários
A doutrina majoritária e a jurisprudência dos Tribunais Superiores 
entendem que o poder de polícia não pode ser delegado a pessoas 
privadas, sob pena de comprometimento da segurança jurídica. No 
entanto, é possível a delegação dos atos materiais, instrumentais e 
preparatórios.
O STJ preconiza que o poder de polícia poderia ser subdividido em 
quatro grupos: I – ordem de polícia ou legislação; II – consentimento de 
polícia; III – fiscalização de polícia; e IV – sanção de polícia. No âmbito da 
limitação da liberdade no trânsito, o Código de Trânsito Brasileiro esta-
belece CTB estabelece normas genéricas e abstratas para a obtenção 
da Carteira Nacional de Habilitação (legislação); a emissão da carteira 
corporifica a vontade o Poder Público (consentimento); a Adminis-
tração instala equipamentos eletrônicos para verificar se há respeito 
à velocidade estabelecida em lei (fiscalização); e também a Adminis-
tração sanciona aquele que não guarda observância ao CTB (sanção). 
Assim, somente os atos relativos ao consentimentoe à fiscalização são 
delegáveis, pois aqueles referentes à legislação e à sanção derivam do 
poder de coerção do Poder Público. Quanto aos atos de sanção, o bom 
desenvolvimento por particulares estaria, inclusive, comprometido 
pela busca do lucro – aplicação de multas para aumentar a arrecadação.
Assim, as fases consideradas delegáveis ao particular o são sob 
a justificativa de que não envolveriam o poder de império do Estado.
Gabarito: A
116. (FGV/OAB/XIV_Exame – 2014) A Secretaria de Defesa do Meio 
Ambiente do Estado X lavrou auto de infração, cominando multa no 
valor de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) à empresa Explora, em razão da 
instalação de uma saída de esgoto clandestina em uma lagoa naquele 
Estado.
A empresa não impugnou o auto de infração lavrado e não pagou a 
multa aplicada.
Considerando o exposto, assinale a afirmativa correta.
a) A aplicação de penalidade representa exercício do poder disciplinar 
e autoriza a apreensão de bens para a quitação da dívida, em razão 
da executoriedade do ato.
b) A aplicação de penalidade representa exercício do poder de polícia 
e autoriza a apreensão de bens para a quitação da dívida, em razão 
da executoriedade do ato.
c) A aplicação de penalidade representa exercício do poder disciplinar, 
mas não autoriza a apreensão de bens para a quitação da dívida.
d) A aplicação de penalidade representa exercício do poder de polícia, 
mas não autoriza a apreensão de bens para a quitação da dívida.
 Z Anotações/Comentários
O conceito legal de poder de polícia está previsto no art. 78, caput 
do CTN, a saber: “Considera-se poder de polícia atividade da adminis-
tração pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou 
liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de 
interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos 
costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de 
atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do 
Poder Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e 
aos direitos individuais ou coletivos.”
(a, c) O poder disciplinar é a prerrogativa conferida ao Estado de 
apurar as infrações e aplicar as penalidades ao infrator, servidor público 
ou particular sujeito à disciplina administrativa. Portanto, o caso con-
creto narrado no enunciado não se relaciona com o poder disciplinar.
(b, d) A autoexecutoriedade, um dos atributos do poder de polícia 
ao lado da discricionariedade e da coercibilidade, só existe quando 
prevista em lei ou quando se tratar de situações de urgência, o que 
não se verifica no caso em comento. Nele, é absolutamente possível 
a aplicação da multa, mas não pode o Estado apreender os bens da 
empresa Explora, a pretexto de satisfazer a dívida. Portanto, deverá 
se valer de execução fiscal para a cobrança devida, recorrendo ao 
Judiciário para tanto.
Gabarito: D
117. (FGV/OAB/XIII_Exame – 2014) José da Silva é o chefe do Departa-
mento de Pessoal de uma Secretaria de Estado. Recentemente, José da 
Silva avocou a análise de determinada matéria, constante de processo 
administrativo inicialmente distribuído a João de Souza, seu subordi-
nado, ao perceber que a questão era por demais complexa e não vinha 
sendo tratada com prioridade por aquele servidor.
Ao assim agir, José da Silva fez uso
a) do poder hierárquico.
b) do poder disciplinar.
c) do poder discricionário.
d) da teoria dos motivos determinantes.
 Z Anotações/Comentários
a) Poder hierárquico é a prerrogativa conferida ao administrador 
de estruturar, escalonar e hierarquizar os seus quadros, estabelecendo 
uma relação hierárquica de subordinação. Em outras palavras, é o poder 
de rever os atos, distribuir e avocar funções (exatamente o caso de João 
e José), estabelecer uma relação de coordenação e subordinação entre 
órgãos e agentes, etc.
b) O poder disciplinar é a prerrogativa reconhecida à Administração 
para investigar, analisar e punir, após o contraditório e ampla defesa, os 
agentes públicos e os demais administrados. José da Silva não puniu 
João de Souza ao avocar a análise de determinada matéria. Aliás, João 
de Souza não praticou qualquer infração funcional.
c) No poder discricionário há a conveniência e a oportunidade 
do administrador, que deve se atentar aos limites legais, sob pena de 
configuração de conduta arbitrária. É o poder de atuar com liberdade 
dentro de parâmetros legais estabelecidos a fim de definir a medida 
mais oportuna e conveniente ao interesse público.
d) A teoria dos motivos determinantes não se relaciona ao tema 
da questão. Essa teoria define que o ato administrativo está vinculado 
aos motivos que ensejaram a sua edição, de modo que o ato poderá ser 
anulado caso o motivo apresentado divirja do motivo real.
Gabarito: A
118. (FGV/OAB/XI_Exame – 2013) Atendendo a uma série de denún-
cias feitas por particulares, a Delegacia de Defesa do Consumidor 
(Decon) deflagra uma operação, visando a apurar as condições dos 
alimentos fornecidos em restaurantes da região central da capital. 
Logo na primeira inspeção, os fiscais constataram que o estoque de 
um restaurante tinha produtos com a validade vencida. Na inspeção 
das instalações da cozinha, apuraram que o espaço não tinha condições 
sanitárias mínimas para o manejo de alimentos e o preparo de refeições. 
Os produtos vencidos foram apreendidos e o estabelecimento foi 
interditado, sem qualquer decisão prévia do Poder Judiciário. Assinale 
a alternativa que indica o atributo do poder de polícia que justifica as 
medidas tomadas pela Decon.
a) coercibilidade.
b) inexigibilidade.
c) autoexecutoriedade.
d) discricionariedade.
 Z Anotações/Comentários
O poder de polícia é uma prerrogativa do Estado de restringir, fre-
nar, condicionar, limitar a atuação do particular em razão do interesse 
público. Seus atributos são: discricionariedade, autoexecutoriedade e 
coercibilidade.
A coercibilidade/imperatividade torna o ato obrigatório, indepen-
dentemente da vontade ou concordância do particular.
A autoexecutoriedade consiste no poder da Administração de 
decidir (exigibilidade) e executar (executoriedade) seus atos sem inter-
ferência do Poder Judiciário. Todos os atos têm exigibilidade, mas nem 
todos têm executoriedade, a exemplo das multas, cuja cobrança precisa 
ser feita no Judiciário caso o cidadão não pague voluntariamente.
A discricionariedade é compreendida como a liberdade de a Admi-
nistração fazer juízo de valor quando da tomada de uma decisão, 
utilizando-se de critérios como conveniência e oportunidade, nos 
limites da lei.
Gabarito: C
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Como se preparar para o Exame de Ordem • OAB | Caderno de Questões (Semana 1 • 03/02 – 07/02)
119. (FGV/OAB/IX_Exame/Ipatinga – 2013) Autarquia competente 
para a fiscalização de estabelecimentos comerciais que vendam gêneros 
alimentícios verifica que o maior supermercado do município estava 
com o funcionamento irregular, bem como vendia produtos com o 
prazo de validade vencido. Além de todas as outras sanções cabíveis 
na espécie, a Autarquia aplicou multa ao estabelecimento. Com o 
objetivo de assegurar que a multa fosse paga, a Autarquia apreendeu 
produtos (dentro do prazo de validade) cujo valor somasse exatamente 
o valor da multa, e que tivessem proveito para a autarquia, como 
água mineral, café e açúcar. Com base na situação descrita, assinale a 
afirmativa correta.
a) A apreensão de bens com o objetivo de quitação de multa regu-
larmente aplicada pela fiscalização é manifestação da autoexecu-
toriedade do poder de polícia, sendo legitimamente exercida pela 
Autarquia.
b) Não é cabível a apreensão de bens, neste caso, pois ela somente 
seria viável se a Administração tivesse feito pesquisa e constatado 
que os preços correspondem à média de mercado.
c) A Administração goza da prerrogativa da autoexecutoriedade, 
mas a cobrança das multas aplicadas não pode se dar de maneira 
forçada, “manu militari”, devendo ser feita por meio de processo 
judicial,

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