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BACHAREL EM PSICOLOGIA NEUROCIÊNCIAS: ANTIGUIDADES E ATUALIDADES SÃO PAULO 2021 Juliana Leite Lemos RA: 221206591 Vitória Santos Oliveira RA: 321201607 NEUROCIÊNCIAS: ANTIGUIDADES E ATUALIDADES Trabalho sobre descobertas de neurocientistas contribuintes para a história como exigência para avaliação da disciplina de Neurociências e Comportamento do curso de Bacharel em Psicologia à Universidade Nove de Julho – UNINOVE. Sob a orientação da Profª Leila Maria de Mambre Moreira Thomazette. SÃO PAULO 2021 RESUMO Este trabalho aborda o significado de neurociência e sua importância tanto no Brasil, quanto no mundo. Apresenta um importante médico/professor que contribuiu para a neurologia com a criação de uma nova cirurgia, utilizada por décadas. Além de trazer uma comparação entre um estudo do passado e um estudo atual, feito por uma neurocientista brasileira. A coleta dos dados foi obtida por meio de pesquisas em livros, artigos e sites online e os estudos trouxeram resultados significativos à ciência e à complexidade do encéfalo humano. Palavras-chave: Neurociências. Neurologia. Encéfalo. SUMÁRIO 1. Introdução ……………………………………………………………………………… 5 2. Desenvolvimento ……………………………………………………………………… 6 8. Conclusão ………………………………………………………………………………. 9 9. Bibliografia ……………………………………………………………………………. 10 1. INTRODUÇÃO Este presente trabalho aborda a definição da neurociência e sua relevância na ciência e no mundo, com descobertas que marcaram a história e são lembradas até os dias de hoje. Apresenta também um neurologista português, trazendo pontos importantes de sua carreira, inventor de uma cirurgia cerebral denominada lobotomia, significativa para sua época e que trouxe bons resultados, porém hoje não é mais utilizada. Mais adiante, é exibido o trabalho de Suzana Herculano-Houzel e sua breve biografia, uma neurocientista brasileira que buscou com exatidão o número de neurônios presentes no encéfalo humano, descartando a crença de que possuíamos cem bilhões, como acreditava-se antigamente. 5 2. DESENVOLVIMENTO A neurociência estuda o Sistema Nervoso e a fisiologia dos seres humanos, enfatizando a conexão entre o encéfalo e o comportamento. Os principais estudos dessa área são: funções autônomas, vegetativas, motoras, sensoriais, mentais e processos cognitivos. Também é estudado as doenças do SN, diagnósticos, precauções e tratamentos. No Brasil, essa área de estudos é representada pela Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC), que foi fundada pelo Prof. Dr. Elisaldo de Araújo Carlini (1930-2020) há 34 anos. De modo histórico, os neurocientistas são de diferentes disciplinas, tais como: psicologia, medicina, biologia, entre outras. Bear (1996, p. 4), afirma que “A palavra “neurociência” é jovem. A Society for Neuroscience, uma associação que congrega neurocientistas profissionais, foi fundada há pouco tempo, em 1970.” Além disso, o século XXI é considerado o século do cérebro. Em meados da década de 30, no início do século XX, o Dr. Antônio Egas Moniz criou um modo de cirurgia cerebral que prejudicava de forma proposital o córtex pré-frontal, onde eram cortados tratos de fibras entre o tálamo e o lobo frontal, com a utilização de uma faca nomeada leucótomo. Porém, essa técnica só foi utilizada pela primeira vez em 1935 pelo mesmo, que contava com a ajuda de um colega. Segundo Sabbatini (1997) “Os resultados de Moniz foram considerados tão bons, que a lobotomia começou a ser usada em vários países como uma tentativa de reduzir psicose e depressão severa ou comportamento violento em pacientes”. Entre o período de 1945 a 1956, 50.000 pessoas foram sujeitadas a esse procedimento no mundo todo. Apesar de apresentar resultados eficazes, logo começaram a surgir graves consequências. A lobotomia passou a ser utilizada com muita frequência e não em último caso, como queria Moniz. Nos anos 50, após o surgimento de medicamentos fortes contra transtornos mentais, a lobotomia foi deixada e até hoje não é mais utilizada. Egas Moniz (1874-1955), formou-se em medicina em 1899. De acordo com Cabral (2000) “A atribuição, em 1949, do Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina ao 6 professor de Neurologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Egas Moniz, tornou-o o maior nome das ciências médicas em língua portuguesa”. Moniz faleceu em Lisboa, no dia 13 de dezembro de 1955, aos 81 anos de idade. Por meio século, acreditava-se que o cérebro humano possuía 100 bilhões de neurônios. Esse número ficou conhecido como “número mágico”, pois os cientistas não conseguiam chegar à origem de tal valor estimado. Por décadas, acreditou-se em um consenso errôneo referente a quantidade de neurônios presentes no encéfalo, quando na verdade, era uma porcentagem menor. Após a publicação do livro escrito por Roberto Lent, “Cem bilhões de neurônios", os cientistas começaram a duvidar da exatidão desse número. Até que, Suzana Herculano passou a questionar Lent sobre o surgimento de tal quantia, fazendo com que se aprofundasse em suas pesquisas e acabou descobrindo que não havia fonte original. Para Suzana (2012) “nenhuma referência é fornecida para apoiar essas declarações; até onde sei, elas não são nada além de uma estimativa aproximada”. A neurocientista foi quem desenvolveu um novo estudo eficiente, sendo o primeiro a mostrar com veracidade, que o encéfalo humano possui na realidade, 86 bilhões de neurônios, desconstruindo a crença que perdurou por meio século. Para chegar a tal conclusão, os neurocientistas criaram um mecanismo que possibilitou a contagem desta cifra. Conforme Bartheld, Bahney e Herculano-Houzel (2016), “Um novo método de contagem, o fracionador isotrópico, desafiou a noção de que a glia supera o número de neurônios e reavivou uma questão que se acreditava ter sido resolvida”. O trabalho de Suzana é conhecido como “sopa de células”, onde foi ampliado um método onde constasse o número de núcleos e não de células. Suzana Carvalho Herculano Houzel é uma neurocientista brasileira. Além da sua formação em neurociência, é professora associada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com pós-doutorado no Instituto Max-Planck de Pesquisa do Cérebro (Alemanha), doutorado na Universidade Paris VI (França), mestrado na Case Western Reserve University (EUA), bióloga formada pela UFRJ. É Cientista do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Pesquisadora 1D do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e Scholar da James S. McDonnell 7 Foundation. Suas linhas de pesquisa consistem na história da neurociência; história da divulgação da neurociência; educação em ciência; avaliação do analfabetismo neurocientífico da população; interesses do público sobre a ciência; composição celular do encéfalo humano e animal e o uso e impacto de material de divulgação científica. Dentre suas contribuições, as principais foram: pesquisa sobre o número de neurônios que o cérebro possui, que ganhou destaque internacional. Além de ter sido a primeira brasileira a falar na conferência internacional TED Global. Atualmente, Herculano-Houzel está sediada na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no Instituto de Ciências Biomédicas, Rio de Janeiro, RJ - Brasil. 8 3. CONCLUSÃO Mediante o exposto,a neurociência tem como principal objetivo estudar o sistema nervoso, patenteando suas funções, organizações e possíveis alterações que possam vir a ocorrer, além de explicar acontecimentos no cérebro humano. Pesquisas e estudos apresentados por neurocientistas, como o Dr. Egas Moniz e Suzana Herculano, citados nesse trabalho, desde a antiguidade até o presente, continuam contribuindo para a ciência e deixando marcas na história, com resultados extraordinários. Por fim, levando em consideração esses conhecimentos sobre a mente humana, vemos como é possível desenvolver técnicas e procedimentos que auxiliam no aprimoramento do sistema nervoso. 9 4. BIBLIOGRAFIA ➢ Bear, M. F. Neurociências. Porto Alegre: Grupo A, 2017. 9788582714331. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582714331/. Acesso em: 08 de novembro de 2021. ➢ Bartheld von S; Bahney J; Herculano-Houzel S. A busca por números verdadeiros de neurônios e células gliais no cérebro humano: uma revisão de 150 anos de contagem de células. Wiley Online Library. Disponível em: <https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1002/cne.24040>. Acesso em: 08 de novembro de 2021. ➢ Herculano-Houzel S. O notável, mas não extraordinário cérebro humano como um cérebro de primata em escala ampliada e seu custo associado. PNAS. Disponível em: <https://www.pnas.org/content/109/Supplement_1/10661.short>. Acesso em: 08 de novembro de 2021. ➢ Currículo Lattes. Suzana Carvalho Herculano Houzel. Disponível em: <http://lattes.cnpq.br/4706332670277273>. Acesso em: 08 de novembro de 2021. ➢ Cabral F G; Gusmão S; Silveira L S. Egas Moniz e a neurocirurgia brasileira. Disponível em: <https://www.thieme-connect.com/products/ejournals/pdf/10.1055/s-0038-162 3299.pdf>. Acesso em: 10 de novembro de 2021. ➢ Sabbatini M.E. R. A história da Psicocirurgia. Disponível em: <https://cerebromente.org.br/n02/historia/psicocirg_p.htm> Acesso em: 10 de novembro de 2021. 10