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Introdução à imunologia clínica t4

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DESCRIÇÃO
Princípios da imunologia e sua aplicação na identificação de grupos sanguíneos e doenças
relacionadas.
PROPÓSITO
Compreender os principais sistemas eritrocitários e como o nosso sistema imunológico atua na defesa
do organismo. Esse conhecimento facilitará o entendimento dos testes imuno-hematológicos e das
doenças correlacionadas.
OBJETIVOS
MÓDULO 1
Descrever os componentes e as funções das respostas imunes inata e adquirida e a interação 
antígeno-anticorpo
MÓDULO 2
Identificar os principais sistemas eritrocitários humanos e as doenças associadas
MÓDULO 3
Reconhecer métodos imuno-hematológicos para classificação sanguínea e diagnóstico de doenças
relacionadas
INTRODUÇÃO
Ao longo desta jornada, vamos estudar a organização estrutural do sistema imunológico e entender
como seus componentes celulares e moleculares interagem entre si para garantir a geração de
respostas imunológicas eficazes, bem como as características da interação entre antígenos e
anticorpos.
Além disso, vamos desvendar os principais sistemas de classificação eritrocitários e relacionar os
grupos ABO e Rh às doenças geradas por incompatibilidade sanguínea, identificando os princípios dos
testes imuno-hematológicos e sua importância diagnóstica. Você sabe qual tipo sanguíneo um paciente
AB positivo pode receber? E um paciente O negativo? Vamos descobrir?
MÓDULO 1
 Descrever os componentes e as funções das respostas imunes inata e adquirida e a interação
antígeno-anticorpo
SISTEMA IMUNOLÓGICO
Nosso sistema imunológico é um conjunto de tecidos, células e moléculas que atuam de forma
coordenada para nos defender de microrganismos que podem nos causar infecções ou doenças.
Além disso, o sistema imunológico é capaz de reconhecer e eliminar do nosso organismo células
tumorais ou que sofreram algum dano que prejudique sua função normal. Em casos de transplante de
órgãos, de tecidos e nas transfusões sanguíneas, o sistema imunológico também pode reconhecer
esses elementos como não próprios e desencadear a resposta imune.
 
Fonte: Azat Valeev / Shutterstock
Os mecanismos de defesa do hospedeiro seguem uma sequência coordenada de etapas, sendo que,
em cada uma delas, as propriedades específicas dos componentes do sistema imune desempenham
papel fundamental. Dessa forma, é essencial entender a organização do sistema imunológico para
a geração de respostas eficazes.
Assim, temos o rápido direcionamento das células efetoras da imunidade inata para os locais de
infecção, permitindo que linfócitos reconheçam e respondam de forma específica a determinado
antígeno, independentemente do local em que ele é introduzido no organismo.
ÓRGÃOS LINFOIDES E CÉLULAS DO SISTEMA
IMUNE
O sistema imunológico é composto por diferentes órgãos, que são classificados como órgãos
geradores ou primários e órgãos periféricos ou secundários. A medula óssea é um órgão gerador, no
qual há produção de todos os elementos figurados do sangue a partir da célula hematopoiética
pluripotente, observados na figura a seguir.
 
Fonte: extender_01 / Shutterstock
 Hematopoiese
IMPORTANTE
No timo, outro órgão gerador, ocorre a maturação de linfócitos T.
Nos órgãos linfoides periféricos, ocorre a apresentação de antígenos aos linfócitos,
possibilitando o início da resposta imune adquirida. Nos linfonodos, os linfócitos B e T encontram
os antígenos coletados pela linfa dos tecidos periféricos e, no baço, os antígenos capturados no
sangue encontram os linfócitos.
Além de formarem aglomerados que dão origem a órgãos linfoides, as células das imunidades
inata e adquirida encontram-se como células circulantes no sangue e na linfa. As células do
sistema imunológico que circulam no sangue pertencem à série leucocitária e compreendem os
linfócitos, granulócitos e monócitos.
Os leucócitos permanecem temporariamente no sangue e migram para o tecido conjuntivo através
das paredes dos capilares e vênulas, processo conhecido como diapedese ou transmigração.
Uma vez nos tecidos, essas células desempenharão funções específicas.
Os leucócitos são agrupados em granulócitos e agranulócitos de acordo com suas características
morfológicas. Os granulócitos são os neutrófilos, eosinófilos e basófilos, e os agranulócitos são
os monócitos e linfócitos. Vamos, agora, conhecer um pouco mais sobre a série granulocítica?
SÉRIE GRANULOCÍTICA
Os basófilos contêm grânulos com enzimas hidrolíticas, fatores quimiotáticos, heparina e histamina em
seu citoplasma e receptores de imunoglobulina em sua superfície, desempenhando papel importante,
principalmente nas reações alérgicas (hipersensibilidade do tipo I) e anafiláticas.
BASOFILIA
Número de células anormalmente aumentado no sangue.
Colite ulcerativa, asma, sinusite e rinite, artrite, insuficiência renal crônica, anemia hemolítica, leucemia
mieloide crônica, quimioterapia, remoção do baço.
BASOPENIA
Número de células anormalmente diminuído no sangue.
Urticária, hipertireoidismo, síndrome de Cushing, uso de corticosteroides, ovulação ou gestação,
estresse.
Os eosinófilos apresentam grânulos que contêm enzimas hidrolíticas (peroxidase, histaminase,
arilsulfatase) e outras proteínas. Essas células migram do sangue para os tecidos periféricos, sendo
encontradas especialmente no revestimento de mucosas dos tratos respiratório, gastrointestinal e
genitourinário, podendo aumentar em número sob condições inflamatórias.
Além disso, os eosinófilos estão envolvidos no combate a infecções parasitárias causadas por
helmintos e na produção de citocinas que modulam respostas inflamatórias nas reações alérgicas.
EOSINOFILIA
Doenças parasitárias, alergias (asma e eczemas).
EOSINOPENIA
Síndrome de Cushing, uso de corticosteroides, estresse.
Os neutrófilos constituem a população mais numerosa de leucócitos no sangue e compõem a primeira
linha de defesa do hospedeiro, destacando-se sua grande capacidade fagocítica. O acúmulo de
neutrófilos mortos e bactérias degradadas no sítio de infecção forma o pus.
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javascript:void(0)
javascript:void(0)
javascript:void(0)
 
Fonte: Kateryna Kon / Shutterstock
NEUTROFILIA
Infecções bacterianas, apendicite, gestação, estresse.
NEUTROPENIA
Câncer, esplenomegalia, doenças autoimunes, quimioterapia, radioterapia, deficiência de vitamina B12
ou folato.
SÉRIE AGRANULOCÍTICA
Os monócitos são as maiores células observadas em esfregaços sanguíneos. Esses tipos celulares
podem ser recrutados rapidamente da corrente sanguínea para os sítios de inflamação, e, ao entrar nos
tecidos, os monócitos diferenciam-se em macrófagos. Desempenham funções tanto na imunidade
inata, como a fagocitose e morte de microrganismos por meio da produção de espécies reativas de
oxigênio e digestão proteolítica, como na adquirida, pois apresentam antígenos aos linfócitos.
Os linfócitos são células geralmente pequenas, classificadas em diversos tipos, os quais diferem nas
funções e em seus produtos proteicos. As principais populações são:
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Fonte: Autor
Este vídeo apresenta um aprofundamento sobre diapedese, suas causas, seu processo e seus efeitos.
RESPOSTA IMUNE INATA E ADQUIRIDA
As respostas imunes compõem um sistema integrado de defesa do hospedeiro, no qual diversas células
e moléculas atuam em cooperação. Nossa primeira linha de defesa é constituída pela imunidade inata
ou natural, composta por barreiras naturais (pele, mucosas, enzimas), células fagocíticas, em
especial neutrófilos e macrófagos, e proteínas de fase aguda, como a proteína C reativa (PCR) e os
componentes do sistema complemento.
As proteínas de fase aguda podem ser úteis como biomarcadores de condições patológicas.
Sintetizada pelos hepatócitos em resposta a citocinas inflamatórias como a IL-6, a PCR tem sido
utilizada como marcador de resposta de fase aguda, uma vez que seus níveis séricos aumentam
rapidamente após lesão e/ou necrose tecidual, infecção ou outros processos inflamatórios.
BIOMARCADORES
Biomarcadores oumarcadores biológicos são utilizados na prática clínica para diagnóstico ou
identificação de riscos de ocorrência de determinada doença.
A PCR tem especial utilidade na investigação e no acompanhamento de isquemia ou infarto agudo do
miocárdio, queimaduras, doenças renais, hematológicas e reumatológicas.
 
Fonte: Image Point Fr / Shutterstock
 A proteína C reativa, encontrada no soro, é um importante marcador precoce do infarto agudo do
miocárdio
javascript:void(0)
A imunidade adquirida ou adaptativa desenvolve-se posteriormente à ação da imunidade inata, e seus
componentes celulares são capazes de reconhecer antígenos de forma específica.

Com o antígeno reconhecido, uma resposta pode ser desencadeada por meio da produção de
anticorpos, por exemplo.

Esse tipo de resposta confere memória protetora contra o mesmo antígeno, isto é, durante uma segunda
exposição, frequentemente a resposta é mais rápida do que na infecção primária.
A IMUNIDADE ADQUIRIDA CELULAR OU MEDIADA
POR CÉLULAS TEM COMO SEUS PRINCIPAIS
COMPONENTES OS DIVERSOS SUBTIPOS DE
LINFÓCITOS T, CLASSIFICADOS DE ACORDO COM
SEU MODO DE AÇÃO. POR SUA VEZ, A IMUNIDADE
ADQUIRIDA HUMORAL É MEDIADA POR
ANTICORPOS PRODUZIDOS PELOS PLASMÓCITOS.
ANTÍGENOS E ANTICORPOS
Antígenos são definidos como moléculas ou partículas que, uma vez reconhecidas por células do nosso
sistema imunológico, podem desencadear ou não uma resposta imunológica. Um antígeno capaz de
ativar uma resposta imunológica é chamado de imunógeno. Cada antígeno possui sítios de
reconhecimento aos quais os anticorpos ou receptores de linfócitos B se ligam. Os antígenos podem ser
moléculas simples ou complexas, como:
Metabólitos intermediários de carboidratos, lipídeos e hormônios.
Macromoléculas, como carboidratos complexos, fosfolipídeos, ácidos nucleicos e proteínas.
 
Fonte: ustas7777777 / Shutterstock
As imunoglobulinas, popularmente conhecidas como anticorpos, caracterizam-se por serem moléculas
proteicas que atuam como receptores de membrana dos linfócitos B (BCR) ou podem se apresentar em
sua forma solúvel, sendo sintetizadas por plasmócitos (linfócitos B diferenciados).
Os anticorpos são produzidos em resposta a determinado antígeno, sendo capazes de se ligar a ele de
forma altamente específica, formando os chamados imunocomplexos. Os anticorpos podem atuar em
diferentes processos, tais como:
Neutralização de microrganismos ou toxinas.
Opsonização de patógenos, possibilitando o aumento da fagocitose e da toxicidade mediada por
células dependentes de anticorpos.
Ativação do sistema complemento.
Ativação de mastócitos nas infecções por helmintos.
OPSONIZAÇÃO
A opsonização consiste na fixação de moléculas como anticorpos à superfície de patógenos.
Dessa forma, os fagócitos têm a sua ação otimizada.
javascript:void(0)
NO NOSSO ORGANISMO, TEMOS CINCO TIPOS DE
IMUNOGLOBULINAS. VOCÊ SABE COMO ELAS SÃO
CLASSIFICADAS?
RESPOSTA
As imunoglobulinas podem ser classificadas em cinco diferentes isotipos: IgA, IgD, IgE, IgG e IgM.
Cada uma dessas classes está envolvida em um tipo específico de proteção. Clique nas setas e
conheça cada classificação.
 
Fonte: Martin Brändli / Wikipedia
Monômero
javascript:void(0)
IgD: receptor de membrana de linfócitos B.
IgE: defesa contra helmintos e hipersensibilidades.
IgG: opsonização, ativação do sistema complemento, único isotipo que atravessa a placenta.
 
Fonte: Martin Brändli / Wikipedia
Dímero
IgA: imunidade de mucosas.
 
Fonte: Martin Brändli / Wikipedia
Pentâmero
IgM: receptor de membrana de linfócitos B, ativação do sistema complemento.
As classes e a quantidade de anticorpos podem variar de acordo com o tipo de resposta imunológica. A
IgM é denominada “anticorpo frio”, pois sua fixação ao antígeno é máxima em baixas temperaturas e
praticamente nula a 37 °C; é sintetizada de forma mais rápida e em maior quantidade na resposta
primária. Por sua vez, a IgG é denominada “anticorpo quente”, pois sua fixação é ótima a 37 °C, sendo
produzida de forma tardia e em menor quantidade.
Na interpretação de exames imunológicos, a detecção de IgM indica infecção aguda ou recente,
enquanto a detecção de IgG indica que houve contato com o antígeno há algum tempo. De forma geral,
os anticorpos da classe IgM podem permanecer de três a seis meses no organismo, e os anticorpos IgG
resistem por tempo mais prolongado ou permanecem durante toda a vida.
No plasma sanguíneo, encontramos muitos anticorpos diferentes, sendo cada um deles derivado de um
clone de linfócito B. Quando temos ativação de diversos clones de linfócitos B e estes, diferenciados em
plasmócitos, produzem anticorpos, denominamos anticorpos policlonais, uma vez que são produtos
de clones diferentes e cada um desses clones produz anticorpos de especificidade única.
 
Fonte: oksana2010 / Shutterstock
Os anticorpos monoclonais ou mAbs são produzidos a partir de um único clone de linfócito B, que
passa a produzir sempre os mesmos anticorpos em resposta a um antígeno. Saiba mais sobre eles
clicando a seguir:
ANTICORPOS MONOCLONAIS
Podem ser produzidos em grande quantidade em laboratório a partir de linfócitos B gerados por
camundongos cujo sistema imunológico tenha sido estimulado por antígenos de interesse.
As novas gerações de mAbs quiméricos e humanizados usam camundongos geneticamente
modificados para produzir uma molécula híbrida, o que diminui a probabilidade de reação do sistema
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imunológico humano contra proteínas do camundongo.
QUIMÉRICOS
Um anticorpo quimérico é constituído por uma combinação de uma região do anticorpo de
camundongo e outra região do anticorpo humano.
 
Fonte: Adaptado de Nanocomposix
 Esquema mostrando a diferença no reconhecimento dos antígenos entre os anticorpos monoclonais
e policlonais.
Os mAbs são utilizados como ferramentas diagnósticas e terapêuticas. Como exemplos, temos:
infliximab ou entanercept para o controle da inflamação na artrite reumatoide e doença de Crohn;
trastuzumab para tratamento de câncer de mama; muromonab-CD3 para diminuição da rejeição de
transplante renal, entre outros.
INTERAÇÃO ANTÍGENO-ANTICORPO
A ligação do anticorpo ao antígeno ocorre em um sítio específico, denominado epítopo ou determinante
antigênico. Uma macromolécula que apresenta muitos epítopos iguais é chamada de antígeno
polivalente. Os epítopos podem ser classificados de acordo com sua estrutura em:
Determinantes lineares: formados com aproximadamente seis aminoácidos em sequência linear.
Determinantes conformacionais: formados por aminoácidos que não estão em sequência, sendo
encontrados na forma de proteína dobrada.
 
Fonte: Soleil Nordic / Shutterstock
 Ilustração mostrando a interação do antígeno com a IgG.
A interação antígeno-anticorpo (Ag-Ac) é semelhante à interação de enzimas com seus substratos
(modelo chave e fechadura) ou de hormônios com seus receptores, mas com algumas diferenças. Você
imagina quais?
O anticorpo não provoca alteração química irreversível na molécula do antígeno; assim, o produto
formado (Ag-Ac) pode se dissociar em dois componentes, ficando cada um deles livre em solução. Além
disso, os antígenos apresentam estruturas químicas que favorecem a complementaridade com o
anticorpo por meio de ligações não covalentes reversíveis.
NÃO COVALENTES REVERSÍVEIS
Essas ligações podem ser rompidas após o contato com altas concentrações de sal, pH extremo,
detergentes e também por competição com elevadas concentrações do próprio epítopo puro.
A associação antígeno e anticorpo apresenta diferentes peculiaridades; um anticorpo pode apresentar
distintas afinidades, avidez e especificidade a uma gama de moléculas.
Porém, o que são afinidade, avidez e especificidade? Clique nas abas para conhecer cada uma delas.
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AFINIDADE
É determinada pela força de ligação resultante entre um anticorpo e um único epítopo do antígeno e
depende da complementariedade entre as duas moléculas. Anticorpos com alta afinidadeapresentam
grande similaridade ao antígeno, interagindo por meio de ligações fortes e duradouras; anticorpos com
baixa afinidade dissociam-se rapidamente, pois estabelecem ligações mais fracas.
AVIDEZ
É determinada pela força resultante de interações múltiplas entre uma molécula de anticorpo e os
epítopos de um antígeno complexo. Assim, quanto maior a avidez, melhor o efeito biológico final do
anticorpo, porém a afinidade será menor. A baixa afinidade de um anticorpo pode ser compensada por
uma avidez elevada, como acontece em uma molécula de IgM, que, por ser pentamérica, apresenta
diferentes sítios de ligação.
 
Fonte: Adaptado de Pediaa
Afinidade se refere à força da interação antígeno-anticorpo único. Na figura vemos a interação entre IgG
e o antígeno. Cada sítio de ligação do anticorpo IgG normalmente tem alta afinidade para seu sítio de
ligação.
 
Fonte: Adaptado de Pediaa
Avidez refere-se à força de todas as interações combinadas. Na figura vemos a interação de IgM com
um antígeno, que tem locais de ligação ao antígeno de baixa afinidade, mas, como é uma estrutura
pentamérica, há dez sítios de ligação, assim a avidez é alta.
ESPECIFICIDADE
Consiste na habilidade do anticorpo de distinguir seu imunógeno de outros antígenos.
A relação Ag-Ac é influenciada por diversos fatores. Assim, reações entre antígenos e anticorpos
polivalentes são mais estáveis, sendo detectadas mais facilmente. Caso o antígeno seja particulado,
geralmente é observada a aglutinação do antígeno pelo anticorpo. No entanto, se o antígeno estiver na
forma solúvel, geralmente é observada a precipitação de um antígeno após a produção de grandes
complexos Ag-Ac insolúveis. A formação dos complexos Ag-Ac é influenciada pela temperatura e pelo
tempo de reação. Já o tamanho desses complexos está relacionado à concentração do antígeno e do
anticorpo.
PARTICULADO
Antígenos particulados constituem a estrutura de bactérias, fungos, vírus e alguns tipos celulares,
como hemácias. Geralmente, são mais imunogênicos que antígenos solúveis.
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REATIVIDADE CRUZADA
Alguns anticorpos podem ter habilidade de interagir com mais de um epítopo com propriedades
químicas similares. Assim, é possível que ocorram ligações mais fracas com regiões semelhantes, mas
não idênticas, do antígeno que o induziu. Esse tipo de ligação é chamado de reação cruzada. Observe
a seguir:
 
Fonte: Anônimo
 
Fonte: Anônimo
EPÍTOPO SIMILAR
 
Fonte: Anônimo
EPÍTOPO COMPARTILHADO
Muitos vírus e diversas bactérias podem apresentar epítopos idênticos ou similares a componentes
normais da célula hospedeira. Os antígenos microbianos estimulam anticorpos que reagem de maneira
cruzada com os componentes da célula hospedeira e resultam em uma reação autoimune que lesiona o
tecido.
 EXEMPLO
Um exemplo é a bactéria Streptococcus pyogenes, que expressa proteínas na parede celular (antígenos
M). Os anticorpos produzidos contra antígenos M reagem de forma cruzada com várias proteínas do
miocárdio e do músculo esquelético, causando lesões cardíacas e renais que levam ao desenvolvimento
da febre reumática.
Além disso, sabe-se que algumas bactérias intestinais têm substâncias quimicamente semelhantes que
apresentam reatividade antigênica cruzada com antígenos A e/ou B expressos na superfície dos
eritrócitos.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. APRENDEMOS QUE AS CLASSES E QUANTIDADES DAS IMUNOGLOBULINAS
PODEM VARIAR COM O TIPO DE UMA RESPOSTA IMUNOLÓGICA. UMA MULHER
DE 29 ANOS, GESTANTE DE 16 SEMANAS, REALIZOU SOROLOGIA PARA
TOXOPLASMOSE, E O RESULTADO DO EXAME REVELOU IGM NEGATIVO E IGG
POSITIVO. ASSINALE A ALTERNATIVA QUE APRESENTA A INTERPRETAÇÃO
DIAGNÓSTICA CORRETA DO TESTE LABORATORIAL:
A) Infecção prévia.
B) Possível infecção aguda.
C) Transmissão ativa da doença.
D) Nunca entrou em contato com T. gondii.
2. (EBSERH – 2015) PACIENTE CHEGOU AO PRONTO-ATENDIMENTO DO
HOSPITAL MUNICIPAL COM QUADRO INFLAMATÓRIO AGUDO.
CONSIDERANDO-SE A RESPOSTA MEDULAR À INFECÇÃO, NA CHAMADA FASE
INICIAL, PÔDE SER OBSERVADA NO HEMOGRAMA PRESENÇA,
PRINCIPALMENTE, DE QUAL TIPO DE LEUCÓCITOS?
A) Monócitos.
B) Eosinófilos.
C) Neutrófilos.
D) Eritrócitos.
GABARITO
1. Aprendemos que as classes e quantidades das imunoglobulinas podem variar com o tipo de
uma resposta imunológica. Uma mulher de 29 anos, gestante de 16 semanas, realizou sorologia
para toxoplasmose, e o resultado do exame revelou IgM negativo e IgG positivo. Assinale a
alternativa que apresenta a interpretação diagnóstica correta do teste laboratorial:
A alternativa "A " está correta.
 
De forma geral, a presença de IgG indica que o indivíduo já esteve em contato com o antígeno.
2. (EBSERH – 2015) Paciente chegou ao pronto-atendimento do hospital municipal com quadro
inflamatório agudo. Considerando-se a resposta medular à infecção, na chamada fase inicial,
pôde ser observada no hemograma presença, principalmente, de qual tipo de leucócitos?
A alternativa "C " está correta.
 
Os neutrófilos são o primeiro tipo celular a responder às infecções, principalmente aquelas causadas por
bactérias extracelulares. Sua principal função é a fagocitose.
MÓDULO 2
 Identificar os principais sistemas eritrocitários humanos e as doenças associadas
ANTÍGENOS ERITROCITÁRIOS
Nossas hemácias têm diferentes antígenos de superfície em suas membranas. Dentre os antígenos
presentes, temos o sistema ABO e Rh, que possibilitam a determinação do tipo sanguíneo de cada
indivíduo. Você sabe qual é seu grupo sanguíneo? Sabe qual tipo sanguíneo você pode receber em uma
transfusão? Faz ideia de como são realizados os exames pré-transfusionais?
Os grupos sanguíneos têm grande importância no contexto da transfusão de sangue, pois, se indivíduos
que não apresentam determinado antígeno eritrocitário (exemplo o antígeno Rh) entrarem em contato
com esse antígeno (Rh positivo) durante uma transfusão sanguínea, produzirão anticorpos contra esse
antígeno (anticorpo anti-Rh), o que pode causar uma reação transfusional, com hemólise, podendo até
levar o paciente ao óbito.
Assim, a determinação do tipo sanguíneo de um indivíduo é uma das etapas essenciais para possibilitar
uma transfusão sanguínea segura. Apesar de serem descritos centenas de tipos de antígenos
eritrocitários, os mais importantes e complexos pertencem aos grupos ABO e Rh. Esses são os dois
sistemas com maior relevância no contexto de compatibilidade sanguínea.
 
Fonte: Schira / Shutterstock
SISTEMA ABO
O sistema ABO foi o primeiro sistema de classificação sanguínea a ser descrito em 1900. Na ocasião, o
cientista austríaco Karl Landsteiner observou aglutinação após misturar diferentes amostras de sangue.
Posteriormente, Landsteiner descobriu que a aglutinação era causada por uma reação imunológica que
ocorre quando anticorpos são produzidos contra células do sangue de um doador. Essa resposta imune
é induzida porque existe grande variação dos antígenos localizados na superfície dos eritrócitos entre as
pessoas.
Esses antígenos estão presentes nas hemácias e na maioria das células epiteliais e endoteliais,
linfócitos e plaquetas. Além disso, apresentam-se na forma solúvel em secreções como saliva, lágrima,
leite, urina e líquido amniótico. Por esse motivo, o sistema ABO é considerado um sistema de
histocompatibilidade.
Os antígenos do sistema ABO são definidos por uma proteína codificada por um gene único, para o qual
há três alelos: A, B e O. Observa-se uma relação de dominância dos alelos A e B sobre o alelo O e uma
codominância entre os alelos A e B, o que nos dá a possibilidade de quatro tipos sanguíneos: A, B, AB
ou O.
 EXEMPLO
Dessa forma, se um indivíduo com tipo sanguíneo A, por exemplo, recebe sangue de um indivíduo de
um tipo sanguíneo diferente (como tipo B), o sistema imunológico desse receptor não reconhecerá os
antígenos B nas células do sangue do doador e, portanto, considerará que eles são estranhos à sua
composição.
 
Fonte: VectorMine / Shutterstock
Se os eritrócitosapresentam o antígeno A, seu tipo sanguíneo é A. Seu plasma tem anticorpos que
destroem hemácias de um indivíduo do tipo B.
Se os eritrócitos apresentam o antígeno B, seu tipo sanguíneo é B. Seu plasma tem anticorpos que
destroem hemácias de um indivíduo do tipo A.
Se os eritrócitos não apresentam o antígeno A nem o antígeno B, seu tipo sanguíneo é O. Seu plasma
tem anticorpos que destroem hemácias de indivíduos dos tipos A e B.
Se os eritrócitos apresentam o antígeno A e o antígeno B, seu tipo sanguíneo é AB. Seu plasma
sanguíneo não tem anticorpos que atacam o sangue do tipo A nem o tipo B.
DURANTE NOSSA VIDA, JÁ ESCUTAMOS MUITO OS
TERMOS DOADOR E RECEPTOR UNIVERSAL.
VAMOS ENTENDER O QUE É ISSO?
A identificação dos antígenos eritrocitários do sistema ABO e dos anticorpos produzidos possibilita
entender a compatibilidade entre os grupos sanguíneos (Figura 9). A ausência de antígenos nas
hemácias do grupo O possibilita que os grupo A, B e AB recebam sangue do tipo O, por isso esse tipo
sanguíneo é definido como doador universal. O grupo AB é considerado o receptor universal, uma
vez que não produz anticorpos anti-A e anti-B, podendo, assim, receber sangue de qualquer grupo
sanguíneo.
 
Fonte: Jrexjaaaa / Shutterstock
 Compatibilidade de tipos sanguíneos
A expressão dos genes ABO depende da ação do gene H, que se apresenta em 99% da população sob
a forma homozigota HH ou heterozigota Hh. A forma hh é rara e caracteriza o fenótipo Bombaim, que
compreende indivíduos que não apresentam antígenos ABO e H nem nos eritrócitos nem em
substâncias solúveis: são os chamados “falsos O”.
Os anticorpos contra antígenos A e/ou B são encontrados no plasma de indivíduos com eritrócitos que
não apresentam o antígeno correspondente. Portanto, diferem dos demais por terem ocorrência natural,
mesmo em indivíduos que não receberam transfusão ou tiveram gestação prévia.
Os anticorpos mais importantes são anti-A e anti-B. Em geral, são anticorpos da classe IgM, e a reação
com os antígenos correspondentes é ótima em temperaturas baixas (4 °C), sendo chamados de
anticorpos frios, apesar de também serem reativos à temperatura corporal, em torno de 37 °C.
Aglutinógenos e Aglutininas contidos no sangue - Sistema ABO
Tipos Aglutinógenos Aglutininas
O Bombay* Não contém Anti-A1, Anti-A2, Anti-B e Anti-H
O H Anti-A1, Anti-A2 e Anti-B
A1 A1 Anti-B (Anti-A2*)
A2 A2 Anti-B (Anti-A1*)
B B Anti-A1, Anti-A2
A1B A1, B, H (Anti-A2*)
A2B A2, B, H (Anti-A1*)
Onde se encontram Hemácias Plasma
 * Podem ou não estar presentes
Aglutinógeno: Aglutinógeno ou aglutinogênio é a substância antigênica que estimula a formação de
uma aglutinina específica.
Aglutinina: Substância que pode provocar a aglutinação de células quando identificadas como
antígeno.
 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal
 SAIBA MAIS
Os anticorpos naturais ABO estão ausentes no nascimento; entre 3 e 6 meses de vida, começam a
aparecer e atingem títulos máximo entre 5 e 10 anos, permanecendo elevados até a fase adulta. Esses
anticorpos apresentam grande relevância do ponto de vista transfusional, estando relacionados à reação
transfusional grave e em casos de DHRN de forma clínica moderada, causando icterícia leve.
SISTEMA RH
Com mais de 50 diferentes antígenos caracterizados, o sistema Rh é o maior de todos os sistemas
sanguíneos.
O antígeno RhD foi descoberto em 1939 pelos cientistas Philip Levine e Rufus Stetson, quando
estudaram o caso de uma mãe que necessitou de transfusão após o nascimento de seu bebê natimorto.
Apesar de ambos serem do tipo O, a mulher apresentou reação hemolítica transfusional ao receber
sangue do marido.

Os cientistas levantaram a hipótese de que o pai do bebê (o doador das hemácias que a mãe recebeu)
tinha um "fator" (antígeno) que faltava à mãe e que o bebê havia herdado do pai. Em gestações
anteriores, a mãe havia sido imunizada por exposição às hemácias de seus outros bebês, que também
tinham esse fator.

O fator ou anticorpo que causou a morte do bebê foi atribuído ao sistema Rh (remetendo ao modelo
experimental utilizado – macaco do gênero Rhesus) e nomeado de anti-D.
Os antígenos do sistema RH são encontrados apenas nas hemácias. Esse antígeno é codificado por um
par de genes homólogos RHD e RHCE, que codifica a produção do antígeno RhD, e de dois pares de
antígenos antitéticos (Antígenos antitéticos são antagônicos, opostos.) : C, c, E, e, respectivamente.
Quando falamos em pacientes RH positivo ou negativo, isso corresponde à presença ou à ausência na
hemácia do antígeno D, mas ambos apresentam os antígenos Cc e Ee .
 
Fonte: LeoRed2KD / Shutterstock
 Esquema ilustrando hemácias com Rh (antígeno D) positiva e negativa.
DIFERENTEMENTE DOS ANTICORPOS ABO, OS
ANTICORPOS RH RARAMENTE OCORREM DE
FORMA NATURAL, SENDO CONSIDERADOS
ANTICORPOS IMUNES. ISSO SIGNIFICA DIZER QUE
ANTICORPOS RH RESULTAM DE SENSIBILIZAÇÃO
QUE OCORRE POR TRANSFUSÃO SANGUÍNEA
PRÉVIA OU GESTAÇÃO ANTERIOR. O ANTICORPO
ANTI-D É RESPONSÁVEL PELA MAIOR PARTE DAS
IMPLICAÇÕES CLÍNICAS ASSOCIADAS AO SISTEMA
RH.
A classificação simples dos indivíduos em Rh D+ e Rh D –, usando soro anti-D, geralmente se mostra
suficiente para fins clínicos. Anti-C, anti-c, anti-E e anti-e são vistos ocasionalmente e podem causar
tanto reações transfusionais como doença hemolítica do recém-nascido (DHRN).
SISTEMAS LEWIS, KELL, DUFFY E OUTROS
SISTEMAS ERITROCITÁRIOS
Além dos sistemas ABO e Rh, outras classificações de antígenos eritrocitários são propostas, entre elas
os sistemas Lewis, MNS, P, I, Kell e Duffy. Embora a ocorrência natural de anticorpos dos sistemas
Lewis, P e MNS não seja incomum, eles geralmente reagem apenas a baixas temperaturas e, por isso,
não acarretam consequências clínicas.
A frequência de detecção de anticorpos imunes contra antígenos desses sistemas é pequena. Muitos
antígenos apresentam baixa antigenicidade, e outros, embora imunogênicos, apresentam frequência
relativamente baixa.
SISTEMA LEWIS
O sistema Lewis fundamenta-se na classificação do sangue humano com base na expressão de
glicoproteínas chamadas antígenos de Lewis (Le), na superfície dos eritrócitos ou nos fluidos corporais,
ou em ambos. Esse sistema está bioquimicamente associado ao sistema de grupo sanguíneo ABO,
embora os loci genéticos não estejam ligados entre si.
O sistema consiste em dois alelos, chamados de Le (dominante) e le (recessivo). A presença de Le
especifica a formação do antígeno Lea, um antígeno solúvel em água identificado em 1946. Um segundo
antígeno, Leb, identificado em 1948, ocorre apenas quando os alelos Le e H (do sistema de grupo
sanguíneo ABO) interagem e é encontrado em indivíduos secretores que expressam fenótipo
eritrocitário Le (a-b+).
SISTEMA KELL
O sistema Kell foi descrito em 1946 e é composto por mais de 20 antígenos, sendo alguns deles mais
importantes que outros.
Esses antígenos são produtos do gene KEL e expressos na glicoproteína transmembrana N-glicosilada
Kell e começam a ser expressos logo no início da vida; a partir da décima semana, podem ser
detectados nas células do feto. Ao nascimento, estão bem desenvolvidos e são encontrados
principalmente na linhagem eritroide, nos testículos e, em menor nível, no cérebro, nos tecidos linfoides
e no tecido muscular, estando ausentes em plaquetas, linfócitos, granulócitos ou monócitos.
Geralmente, os anticorpos anti-Kell pertencem à classe IgG e apresentam maior imunogenicidade do
que os dos sistemas ABO e Rh. Sendo assim, podem causar reações transfusionais e estão implicados
na DHRN.
SISTEMA DUFFY
O sistema Duffy é composto por seis antígenos, sendo Fya e Fyb os mais importantes. Esses dois
antígenos são produtos de alelos codominantes expressos na glicoproteína gpD, que é um receptor de
citocinas na superfície das hemácias. Os antígenos do sistema Duffy são expressos nas hemácias e em
tecidos como rim, coração, cérebro, pulmão, pâncreas, placenta, tireoide, entre outros.Eles não são
expressos em linfócitos, monócitos e plaquetas.
Os quatro fenótipos no sistema Duffy são:
Fy (a+b+)
Fy (a+b-)
Fy (a-b+)
Fy (a-b-)
O fenótipo Fy (a-b-), raro em caucasianos e mais comum na população africana, é resultante de uma
mutação que leva à ausência da expressão proteica nas hemácias. Esse fenótipo tem relevância clínica,
pois confere resistência à malária.
Sabe-se que anticorpos anti-Fy são moderadamente imunogênicos. Assim, anti-Fya podem causar
DHRN moderada e reações transfusionais. Por sua vez, anticorpos anti-Fyb são incomuns.
SISTEMA MNSS
O sistema MN foi o segundo sistema de grupos sanguíneos a ser descrito, em 1927, por Landsteiner e
Levine, quando encontraram anticorpos anti-M e anti-N no soro dos coelhos imunizados.
Posteriormente, o antígeno S foi relatado por Walsh e Montgomery e, em 1951, foi descrito o alelo s.
Assim, o sistema MN transformou-se em MNSs e, atualmente, sabe-se que esse sistema é formado por
43 antígenos associados a sialoglicoproteínas de membrana e restritos à linhagem eritroide. São
antígenos bem desenvolvidos ao nascimento.
A produção de anticorpos anti-M ou anti-N ocorre somente após sensibilização; assim, não haverá
reação de incompatibilidade se um indivíduo que não tenha o antígeno M (M-) receber um sangue de um
doador com antígeno M (M+), a não ser que ele esteja sensibilizado por transfusões anteriores e
apresente o anticorpo anti-M.
O anticorpo anti-N é mais raro que o anti-M, estando raramente associado a DHRN e reações
transfusionais. O anticorpo anti-S é mais comum do que o anti-s, mas ambos podem desencadear
reações transfusionais hemolíticas moderadas a graves, assim como DHRN.
Além dos sistemas que já estudamos, existem ainda outros antígenos eritrocitários, como o sistema P,
cuja expressão dos antígenos é influenciada por genes do sistema ABO, e o sistema I, presente em
quase todos os adultos e o único expresso no sangue do cordão umbilical.
Esses antígenos não estão comumente envolvidos em reações transfusionais, mas podem causar
hemólise se pacientes sensibilizados (que têm anticorpo contra o sistema P ou I) forem transfundidos
com hemácias que apresentem esse antígeno.
 SAIBA MAIS
Nem todos os bancos de sangues têm os materiais necessários para conhecer os antígenos
eritrocitários. Assim, no momento da seleção de bolsas de sangue para a transfusão, é feita a
classificação sanguínea (sistema ABO e Rh) e Kell dos doadores e receptores para os pacientes
imunodeprimidos (como os pacientes que recebem tratamento para câncer). Nos pacientes
imunocompetentes (como pacientes com anemia falciforme), também é verificado o sistema Duffy, para
garantir que os receptores tenham antígenos eritrocitários compatíveis.
DOENÇA HEMOLÍTICA DO RN (DHRN/DHPN) POR RH
OU ABO
A doença hemolítica perinatal (DHPN), ou doença hemolítica do recém-nascido (DHRN), compreende
patologias que resultam da destruição ou diminuição da sobrevida dos eritrócitos do feto e/ou
recém-nascido. Essa condição pode ser classificada em três categorias: DHRN por incompatibilidade
sanguínea materno-fetal aos antígenos do sistema Rh, do sistema ABO e contra antígenos de outros
sistemas eritrocitários.
A DHRN por anticorpo anti-D é grave na maioria dos casos, caracterizando-se por destruição acentuada
das hemácias do feto. Essa condição é evidenciada por hiperbilirrubinemia, anemia profunda e
hidropsia fetal, que muitas vezes evolui para o óbito.
HIPERBILIRRUBINEMIA
A hiperbilirrubinemia do recém-nascido é uma condição causada pelo acúmulo de bilirrubina no
sangue, deixando a pele do bebê amarelada.
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Fonte: Strela Studio / Shutterstock
 ATENÇÃO
É importante ressaltar que a incidência de DHRN por anticorpo anti-D tem diminuído graças ao
acompanhamento pré-natal e à utilização da imunoglobulina humana anti-D nas mães não
sensibilizadas.
Quando a gestante é Rh negativa e o feto é Rh positivo, eritrócitos fetais entram na circulação materna
geralmente durante o parto e podem sensibilizar a mãe, que passa a produzir anticorpos anti-D. A mãe
também pode ser sensibilizada anteriormente por transfusão de sangue, aborto prévio ou amniocentese,
produzindo anticorpos anti-D. Uma vez sensibilizada, em uma nova gestação de filho Rh positivo, seus
anticorpos anti-D poderão destruir as hemácias do bebê.
COMO PREVENIR
A principal forma de manejo é prevenir a formação de anticorpo anti-D em mulheres Rh negativas por
meio da administração de anticorpos anti-D, que levam à remoção rápida dos eritrócitos fetais Rh
positivos da circulação, antes que eles possam sensibilizar o sistema imunológico da mãe e ela comece
a produzir anti-D. Quando realizada até 72 horas após o nascimento, a imunoprofilaxia com IgRh
promove proteção de 98% a 99% contra a formação de anticorpos anti-D.
A classificação da DHRN como grave está relacionada à morte intrauterina por hidropsia fetal. Já na
doença moderada, o bebê nasce com anemia e icterícia, podendo apresentar palidez, edema e
hepatoesplenomegalia. Se o nível de bilirrubina não conjugada não for controlado, a deposição de
pigmento biliar nos gânglios da base cerebral pode causar dano ao sistema nervoso central, com
possibilidade de levar à deficiência intelectual, surdez e epilepsia. Na DHRN leve, o bebê apresenta
anemia leve com ou sem icterícia.
A investigação laboratorial pode mostrar:
Anemia variável com alta contagem de reticulócitos.
A classificação sanguínea revela que o bebê é Rh positivo e a mãe negativa, o teste direto de
antiglobulina (chamado de Coombs direto) é positivo e a bilirrubina está elevada.
Em casos moderados e graves, são vistos eritoblastos abundantes no hemograma.
COOMBS
Teste que detecta a presença de anticorpos ligados a antígenos eritrocitários.
Embora o anticorpo anti-D seja responsável pela maioria dos casos graves de DHRN, anticorpos anti-c,
anti-E e anti-K também podem estar envolvidos. Além disso, sabe-se que anticorpos relacionados ao
sistema ABO são a causa mais frequente de DHRN, mas a doença costuma ser leve.
A doença hemolítica por incompatibilidade do sistema ABO pode ocorrer em qualquer gestação
(incluindo a primeira), podendo não afetar as gestações subsequentes, e se restringe aos recém-
nascidos com tipo sanguíneo A ou B de mães do tipo O. Geralmente, a doença se apresenta com
intensidade mais branda, com anemia leve e de fácil manejo.
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Fonte: Blue Planet Studio / Shutterstock
O diagnóstico laboratorial da DHRN por incompatibilidade do sistema ABO compreende anemia,
reticulócitos e hiperbirrubinemia indireta precoce. O diagnóstico sorológico pode ser confirmado por meio
do teste de Coombs direto positivo nos eritrócitos do recém-nascido e incompatibilidade sanguínea
materno-fetal.
A baixa gravidade da DHRN do sistema ABO pode ser explicada pela falta de desenvolvimento total dos
antígenos A e B ao nascimento e pela neutralização parcial dos anticorpos IgG maternos pelos
antígenos A e B em outras células, no plasma e nos fluidos dos tecidos.
 RECOMENDAÇÃO
Cabe ressaltar que todas as gestantes devem fazer tipagem dos sistemas ABO e Rh. A pesquisa de
anticorpos irregulares deve ser feita ao menos duas vezes durante todas as gestações por meio do teste
de Coombs.
Este vídeo apresenta as características dos sistemas Kidd e Diego, respectivos tipos de antígenos e
anticorpos.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. (IBFC – 2019 ADAPTADA) ESTUDAMOS QUE O SISTEMA RH É O MAIS
COMPLEXO DOS SISTEMAS ERITROCITÁRIOS, SENDO O SEGUNDO MAIS
IMPORTANTE, DEPOIS DO SISTEMA ABO, NA MEDICINA TRANSFUSIONAL. EM
RELAÇÃO À SUA CLASSIFICAÇÃO, É CORRETO AFIRMAR QUE:
A) Anticorpos Rh são naturalmente encontrados no organismo humano.
B) O antígeno Rh D é o único envolvido em reações transfusionais.
C) Os anticorpos do sistema Rh são gerados após sensibilização prévia.
D) Os antígenos do sistema Rh são encontrados em hemácias e fluidos corporais.
2. (PUC-RP – 2016 ADAPTADA) VIMOS A IMPORTÂNCIA DO SISTEMAABO E RH
COMO UM DOS PILARES PARA A SEGURANÇA TRANSFUSIONAL. IMAGINE
QUE DETERMINADO BANCO DE SANGUE VEICULE A SEGUINTE SOLICITAÇÃO:
“O BANCO DE SANGUE NECESSITA, COM A MÁXIMA URGÊNCIA, DE SANGUE
TIPO A”. CONSIDERANDO SEUS CONHECIMENTOS SOBRE O GRUPO
SANGUÍNEO ABO, PACIENTES QUE PODEM RECEBER TRANSFUSÃO DESSE
SANGUE POSSUEM TIPO SANGUÍNEO:
A) A ou O.
B) A ou AB.
C) B ou O.
D) B ou AB.
GABARITO
1. (IBFC – 2019 adaptada) Estudamos que o sistema Rh é o mais complexo dos sistemas
eritrocitários, sendo o segundo mais importante, depois do sistema ABO, na medicina
transfusional. Em relação à sua classificação, é correto afirmar que:
A alternativa "C " está correta.
 
Naturalmente, não temos anticorpos anti-Rh em nosso organismo. Assim, quando há sensibilização por
uma gestação ou transfusão sanguínea anterior, os anticorpos são produzidos.
2. (PUC-RP – 2016 adaptada) Vimos a importância do sistema ABO e RH como um dos pilares
para a segurança transfusional. Imagine que determinado banco de sangue veicule a seguinte
solicitação: “O banco de sangue necessita, com a máxima urgência, de sangue tipo A”.
Considerando seus conhecimentos sobre o grupo sanguíneo ABO, pacientes que podem receber
transfusão desse sangue possuem tipo sanguíneo:
A alternativa "B " está correta.
 
Indivíduos do grupo A podem doar sangue somente para indivíduos do grupo A e AB.
MÓDULO 3
 Reconhecer métodos imuno-hematológicos para classificação sanguínea e diagnóstico de
doenças relacionadas
TÉCNICAS IMUNOLÓGICAS
Diversas técnicas imunológicas são utilizadas no diagnóstico clínico de doenças infectocontagiosas e no
monitoramento de tratamento por quimioterapia e radioterapia. São úteis, ainda, para a determinação do
grupo sanguíneo de um indivíduo.
Essas técnicas possibilitam a detecção ou quantificação de anticorpos, antígenos e outras moléculas
provenientes da interação Ag-Ac em amostras biológicas. Os testes utilizados para a detecção de
anticorpos ou antígenos podem ser primários ou secundários.
 
Fonte: Roman Zaiets / Shutterstock
Vamos conhecer um pouco mais sobre cada teste.
PRIMÁRIOS
Verificam a interação direta entre Ag-Ac.
Exemplos: radioimunoensaio, imunofluorescência, ELISA.
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SECUNDÁRIOS
Detectam as consequências da interação entre Ag-Ac ou mudanças no estado físico do antígeno.
Exemplos: imunodifusão, aglutinação, precipitação, fixação de complemento.
Além de possuir diversas aplicações, de forma geral, o imunodiagnóstico apresenta vantagens como:
Rapidez
Possibilidade de automação
Kits comerciais padronizados
Custo operacional relativamente baixo
A imuno-hematologia é uma das áreas que utiliza técnicas de imunodiagnóstico para estudar e
classificar os grupos sanguíneos por meio de reações imunológicas entre aglutinógenos e anticorpos.
Os testes imuno-hematológicos pré-transfusionais realizados no sangue do doador e receptor são
fundamentais e críticos para a realização de uma transfusão segura. Além disso, os testes imuno-
hematológicos são rotineiramente empregados para verificar a compatibilidade sanguínea entre mãe e
filho.
As metodologias mais utilizadas na imuno-hematologia são as técnicas em tubo, microplacas e gel
teste.
 
Fonte: Jenjira pimtep / Shutterstock
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TÉCNICA EM TUBO
Na técnica em tubo, são utilizados tubos de vidro ou plástico, onde são colocados os reagentes e as
amostras e, após centrifugação, é verificada a presença de aglutinação.
 
Fonte: cawee / Shutterstock
MICROPLACAS
As técnicas que utilizam as microplacas apresentam o mesmo fundamento que a técnica em tubo, mas
as reações são realizadas em microplacas de acrílico com fundo em “U” ou fundo em “V”.
 
Fonte: Sunisa Butphet / Shutterstock
GEL TESTE
No gel teste, a reação é feita em um cartão contendo microtubos com gel (Sephadex 6100 ou
poliacrilamida), que possibilitam que os complexos formados após a interação Ag-AC fiquem retidos na
coluna do gel quando submetidos à centrifugação. A presença de aglutinação (botão de hemácias)
retida no gel indica que o teste é positivo. O gel teste apresenta uma vantagem em relação aos outros
dois, pois a reação é estável e permite que o cartão fique guardado por até 48 horas, possibilitando
revisão do resultado.
A condução dos testes imuno-hematológicos no laboratório deve ser criteriosa e seguir as normas de
biossegurança, o procedimento operacional padrão e todas as indicações das bulas dos fabricantes dos
reagentes. Diversos fatores podem influenciar a qualidade dos ensaios imuno-hematológicos.
 SAIBA MAIS
O sangue deve ser coletado de forma adequada em tubo apropriado.
Devem ser utilizadas vidrarias limpas e sem resíduos de detergente, pois a presença de
interferentes pode favorecer a formação de aglutinatos (Agregados formados por aglutinação.) ,
levando a resultados falso-positivos.
Deve ser utilizada a técnica adequada para separação do soro.
As suspensões de hemácias com Salina (NaCl 0,9%) devem ser preparadas corretamente, uma
vez que concentrações muito abaixo ou acima da ideal podem levar a resultados falsos negativos.
É essencial verificar a qualidade dos reagentes e equipamentos empregados.
Devem ser utilizados ensaios técnicos padronizados.
PRÁTICAS IMUNO-HEMATOLÓGICAS:
CLASSIFICAÇÃO DO SISTEMA ABO
Para conhecermos a classificação sanguínea em relação ao sistema ABO, é obrigatória a realização de
duas provas, chamadas de prova direta e reversa. Para conhecê-las, clique a seguir.
PROVA DIRETA
Na prova direta, ou teste de Beth-Vincent, faz-se a pesquisa de antígenos fixados nas hemácias do
indivíduo. Para isso, são utilizados soros (anticorpos anti-A, anti-B e anti-A, B) que apresentam a
capacidade de reconhecer e ligar-se aos antígenos eritrocitários, permitindo a definição dos grupos
sanguíneos: A, B, AB, O.
PROVA REVERSA
Na prova reversa, ou teste de Simonin, faz-se a pesquisa do anticorpo presente no soro (ou plasma)
do indivíduo. Esse teste deve ser feito com hemácias com o tipo sanguíneo A e B conhecido. Essa prova
é uma contraprova essencial para a conclusão da tipagem sanguínea, devendo ser sempre realizada,
exceto em bebês com idade inferior a quatro meses de idade, isto porque os anticorpos do sistema ABO
estão ausentes ao nascimento, sendo detectados após os primeiros meses de vida.
Soro Anti-
A
Soro Anti-
B
Soro Anti-
A+B
Hemácia
A
Hemácia
B
Grupo A     
javascript:void(0)
javascript:void(0)
Grupo B     
Grupo
AB
    
Grupo O     
 Ausência de aglutinação  Presença de aglutinação
 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal
 Classificação sanguínea pela prova direta e reversa. Fonte: Ministério da Saúde (2014).
É importante ressaltar que o anticorpo B geralmente apresenta título mais fraco que os demais
anticorpos. As provas direta e reversa são complementares entre si. É possível ocorrerem discrepâncias
por alterações nos antígenos, no soro/plasma ou devido a erros laboratoriais. Antes de o laudo
laboratorial ser liberado, os resultados discrepantes devem ser esclarecidos.
 SAIBA MAIS
Em bebês com menos de quatro meses de idade, podemos observar a presença de anticorpos maternos
durante a classificação sanguínea. Em pacientes imunodeprimidos, durante a prova reversa, podemos
não observar os anticorpos devido à sua baixa produção nesses pacientes.
 ATENÇÃO
Além dos quatro tipos sanguíneos conhecidos (A, B, AB, O), existem alguns subgrupos dos grupos A, B
e AB. Os subgrupos do antígeno A e B apresentam algumas mutações no gene que codifica essas
moléculas, o que leva a uma menor expressão e presença desses antígenos na membrana dos
eritrócitos. Durante a classificação direta em pacientes com esses subgrupos, a baixa expressão desses
antígenos gera uma reação fraca nos testes imunológicos, gerando discrepâncias entre a prova direta e
a reversa.
Em bancos de sangue, a distinção entre os subgrupos A e B não apresenta relevância, pois
normalmente a transfusãodesses sorogrupos não leva a uma reação transfusional.
PRÁTICAS IMUNO-HEMATOLÓGICAS:
CLASSIFICAÇÃO DO SISTEMA RHD E PESQUISA DE
D FRACO
Diferentemente da tipagem do sistema ABO, a classificação do RhD refere‑se somente à presença ou
ausência do antígeno RhD, não existindo prova reversa, pois os indivíduos não apresentam anticorpos
naturais contra o antígeno Rh.
A classificação do Rh é feita pela tipagem direta, com a utilização de soros comerciais contendo
anticorpos anti-D monoclonais ou policlonais, que identificam a presença de antígenos na superfície dos
eritrócitos, classificando os indivíduos como RhD positivo (aglutinação direta) e RhD negativo
(ausência de aglutinação).
 
Fonte: Maky_orel / Pixabay
 
Fonte: Ministério da Saúde (2014).
 Tipagem direta para a pesquisa de RH. Tubo D (pesquisa antígenos D e tubo CTR é o tubo controle)
Como o reagente anti-D apresenta natureza proteica, faz-se necessária a utilização de um controle
negativo, que consiste na mesma base proteica do reagente anti-D, mas não contém o anticorpo. Se o
controle for positivo, a reação não pode ser considerada válida, uma vez que houve aglutinação sem a
presença do anticorpo. A tipagem Rh pode ser realizada pelo método em tubo, lâmina, microplaca ou
em gel.
O antígeno RhD exibe um extenso polimorfismo, podendo se apresentar como D normal, com fraca
expressão (D fraco) devido a substituições de aminoácidos na proteína D ou como um antígeno
modificado (D parcial) pela ausência de um ou mais epítopos. Em testes sorológicos de rotina para
tipagem Rh, é difícil distinguir entre o D fraco e o D parcial, sendo necessários estudos moleculares.
A pesquisa de D fraco deve ser feita sempre que a classificação do RhD for negativa, isto é, quando não
houver aglutinação. A classificação correta do sistema RhD e de suas variantes tem grande relevância,
uma vez que esse antígeno é o mais imunogênico quando comparado aos demais antígenos
eritrocitários conhecidos até o momento.
 
Fonte: Shirley Lopes de Castilho / Ministério da Saúde (2004).
 Fluxograma de interpretação de RhD fraco.
Assista ao vídeo a seguir, em que o especialista apresenta os testes Beth-Vincent (prova direta) e
Simonin (prova reversa), demonstrando como se complementam.
PRÁTICAS IMUNO-HEMATOLÓGICAS: TESTE DE
COOMBS
O teste da antiglobulina humana ou teste de Coombs foi descoberto em 1945 e destina-se à pesquisa de
anticorpos e proteínas do sistema complemento. O sistema imunológico pode produzir anticorpos contra
eritrócitos nos seguintes casos:
Anemia hemolítica
Leucemia linfocítica crônica
DHRN
Mononucleose infecciosa
Sífilis
Lúpus eritematoso sistêmico
Reação transfusional
Vamos conhecer um pouco mais sobre os testes.
TESTE DE COOMBS DIRETO OU TESTE DA
ANTIGLOBULINA DIRETO (TAD)
O teste de Coombs direto ou teste da antiglobulina direto (TAD) é um teste que detecta anticorpos
(gamaglobulinas) do tipo IgG ou fração do sistema complemento que estão ligados às hemácias. Esses
anticorpos podem ser produzidos pelo próprio organismo ou recebidos durante uma transfusão de
sangue.
O TAD é realizado com suspensão a 5% de eritrócitos do paciente em soro fisiológico e adição do soro
de Coombs (anticorpo anti-Ig humano, que reconhece uma região do IgG). Posteriormente, a mistura é
centrifugada para a verificação da aglutinação. A presença de aglutinação (TAD positivo) indica
sensibilização (anticorpos ligados a hemácias).
 
Fonte: Maria de Lourdes Rios Barjas de Castro / Ministério da Saúde (2004)
 Hemácias sensibilizadas aglutinadas pelo soro antiglobulina humana.
Uma das maiores aplicações do teste de Coombs direto é na pesquisa da DHRN. Nas mães com o fator
Rh negativo com o recém-nascido com fator Rh positivo, a realização do TAD permite verificar se a mãe
produziu anticorpos anti-Rh e se estes atingiram o bebê, podendo levar ao desenvolvimento da doença.
Além de casos de DHRN, a realização do TAD é indicada em casos de anemia hemolítica autoimune,
anemia induzida por medicamentos e na reação transfusional. O TAD positivo não significa que o
paciente necessariamente apresenta anemia hemolítica autoimune e o teste negativo não exclui
hemólise imune. Assim, todo paciente com TAD positivo deve ser submetido a uma avaliação clínica
criteriosa e a testes adicionais.
TESTE DE COOMBS INDIRETO OU TESTE DA
ANTIGLOBULINA INDIRETO (TAI)
O teste de Coombs indireto ou teste da antiglobulina indireto (TAI) é frequentemente utilizado na
identificação e detecção de anticorpos presentes no soro. Esses anticorpos podem atacar os eritrócitos,
mas não estão ligados a eles, sendo chamados de anticorpos irregulares, incompletos ou não
aglutinantes.
Normalmente, realiza-se este teste para detectar a presença de anticorpos no sangue de um receptor ou
doador antes de uma transfusão. Além disso, tem utilidade no acompanhamento pré-natal, sendo
possível proteger os bebês no início da gestação, caso a mãe tenha sangue Rh negativo.
O teste é realizado incubando-se o soro ou plasma do paciente com hemácias reagentes de
triagem (Hemácias em que os antígenos eritrocitários são conhecidos.) e, após incubação a 37 °C com
potencializadores, como albumina, o soro de Coombs é adicionado, misturado e centrifugado para a
verificação da aglutinação.
Esse teste é utilizado como uma triagem para pesquisa de anticorpos irregulares; caso o TAI apresente
resultado negativo, isso indica que a amostra testada não tem anticorpos livres (irregulares), que
reagiriam, assim, com eritrócitos. De forma diferente, TAI positivo indica a presença desses anticorpos,
sendo necessários testes adicionais para identificar qual anticorpo foi formado, pesquisando-se, assim,
os diferentes tipos de antígenos eritrocitários (sistemas Rh, Duffy, Lewis, Kell, MNS, dentre outros).
Na gestante ou na mulher Rh negativa que esteja planejando engravidar, o teste de triagem positivo
pode ser indicativo da presença de um anticorpo anti-Rh, ou seja, sugere que a mãe foi sensibilizada, e
deve ser realizada a testagem sanguínea no feto e o acompanhamento médico para evitar riscos ao
bebê. Caso o teste seja negativo, isso indica que a mãe não foi sensibilizada. Durante o pré-natal, esse
teste é sempre solicitado.
AGORA, COMO FAZEMOS A COMPATIBILIDADE
ENTRE DOADORES E RECEPTORES DE SANGUE?
Durante os exames transfusionais para transfusões de concentrados de hemácias (CH), devemos fazer
a classificação sanguínea (ABO e Rh) e a pesquisa de anticorpos irregulares (TAI) no receptor e no
doador.
Além disso, deve-se fazer a prova cruzada, que consiste em verificar se o receptor tem anticorpos contra
algum antígeno eritrocitário do doador, o que pode levar a uma reação transfusional.
 
Fonte: cawee / Shutterstock
Para isso, é realizada a testagem do soro ou plasma do paciente (receptor) com as hemácias do
possível doador e é verificada a presença de aglutinação. Caso haja aglutinação, o receptor não pode
receber aquela bolsa de CH e o sangue de outros doadores deve ser compatibilizados.
 ATENÇÃO
Caso a pesquisa de anticorpos irregulares (TAI) no paciente (receptor) seja positiva, mostrando a
presença de anticorpos irregulares, e a prova cruzada, negativa, o paciente pode receber o sangue,
pois, como não ocorreu aglutinação na prova cruzada, o doador não apresenta antígenos eritrocitários
que interajam com o anticorpo irregular produzido pelo paciente. No entanto, devemos realizar testes
adicionais para descobrir qual anticorpo irregular o paciente desenvolveu.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. (EBSERH-2017 ADAPTADA) A TÃO FAMOSA DOENÇA HEMOLÍTICA DO
RECÉM-NASCIDO (DHRN), APESAR DE FÁCIL DETECÇÃO E TRATAMENTO,
AINDA MANTÉM OS ALTOS ÍNDICES DE INTERNAÇÃO PÓS-PARTO NOS
HOSPITAIS PÚBLICOS. ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA:
A) O teste de Coombs indireto detecta antígenos ou componentes do sistema complemento fixados às
hemácias maternas, portanto o sangue materno é coletado.
B) Se uma mulher Rh negativo gera um bebê Rh positivo, ela pode vir a produziranticorpos contra as
células do sangue do segundo filho Rh positivo.
C) O teste de Coombs direto é realizado quando o recém-nascido é Rh positivo, independentemente do
fator Rh da mãe.
D) A DHRN é investigada apenas quando a gestantes são Rh positivo e o primeiro filho tem Rh negativo,
independentemente da tipagem ABO.
2. (ENADE – 2007 ADAPTADA) O SISTEMA DE GRUPO SANGUÍNEO RH É UM
DOS MAIS IMPORTANTES, SENDO DETERMINADO PELA PRESENÇA (RH
POSITIVO) OU AUSÊNCIA (RH NEGATIVO) DO ANTÍGENO D. ENTRETANTO,
FORAM DESCRITOS ERITRÓCITOS QUE EXPRESSAM POUCOS ANTÍGENOS D E
SÃO DESIGNADOS COMO D FRACO. UM INDIVÍDUO PORTADOR DO D FRACO
PODE APARECER COMO RH NEGATIVO EM TESTES QUANDO AS AMOSTRAS
SÃO TIPADAS APENAS COM ANTISSOROS CONTRA O ANTÍGENO D. É
CORRETO AFIRMAR QUE:
A) O D fraco é expresso em outras células do sistema sanguíneo, como linfócitos e macrófagos.
B) Um indivíduo D fraco somente poderá doar sangue para outro indivíduo D fraco.
C) Um indivíduo D fraco, por expressar menos sítios antigênicos, poderá doar sangue para indivíduos
Rh negativo.
D) O D fraco pode ser detectado com o teste da antiglobulina indireta, indicando tratar-se de um
indivíduo Rh positivo.
GABARITO
1. (EBSERH-2017 adaptada) A tão famosa doença hemolítica do recém-nascido (DHRN), apesar
de fácil detecção e tratamento, ainda mantém os altos índices de internação pós-parto nos
hospitais públicos. Assinale a alternativa correta:
A alternativa "B " está correta.
 
A condição necessária para que ocorra a DHRN é a mãe apresentar tipo sanguíneo Rh negativo e ter
um primeiro filho Rh positivo, que a sensibilizará. Sendo a segunda gestação de um feto Rh positivo, os
anticorpos da mãe previamente sensibilizada destruirão as hemácias desse segundo filho. O teste de
Coombs indireto é realizado para verificar a presença de anticorpos do tipo irregular, e o teste de
Coombs direto é um teste que detecta anticorpos (gamaglobulinas) do tipo IgG ou fração do sistema
complemento que estão ligados às hemácias.
2. (ENADE – 2007 adaptada) O sistema de grupo sanguíneo Rh é um dos mais importantes, sendo
determinado pela presença (Rh positivo) ou ausência (Rh negativo) do antígeno D. Entretanto,
foram descritos eritrócitos que expressam poucos antígenos D e são designados como D fraco.
Um indivíduo portador do D fraco pode aparecer como Rh negativo em testes quando as
amostras são tipadas apenas com antissoros contra o antígeno D. É correto afirmar que:
A alternativa "D " está correta.
 
A pesquisa do antígeno D fraco é realizada em amostras de sangue que apresentam reações fracas ou
nulas em testes de aglutinação direta com soro anti-D. O teste de Coombs indireto ou teste da
antiglobulina indireta (TAI) pode esclarecer esses casos, pois o teste positivo indica indivíduo Rh
positivo.
CONCLUSÃO
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao longo desta jornada, apreendemos como o sistema imunológico está ordenado para defender o
organismo contra patógenos invasores por meio da imunidade inata e adquirida. Entendemos a
importância dos anticorpos e como se dá a interação específica com os diversos antígenos a que
estamos expostos diariamente.
Visitamos os antígenos eritrocitários e vimos como podem ser classificados esses antígenos em
diferentes sistemas, sendo que os sistemas ABO e Rh apresentam maior relevância clínica, uma vez
que estão envolvidos em reações transfusionais e na doença hemolítica do recém-nascido. Entretanto, o
sistema Rh é capaz de causar as formas mais graves dessa doença.
Além disso, entendemos os princípios dos métodos imuno-hematológicos utilizados na rotina laboratorial
para a determinação dos tipos sanguíneos e detecção de anticorpos produzidos contra eritrócitos,
identificando sua importância na prática clínica.
AVALIAÇÃO DO TEMA:
REFERÊNCIAS
ABBAS, A. K.; LICHTMAN, A. H.; PILLAI, S. Imunologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro:
Elsevier HS – Education, 2015.
BRASIL. Ministério da Saúde. Imuno-hematologia laboratorial. Brasília, 2014. Consultado em meio
eletrônico em: 8 set. 2020.
HOFFBRAND, A. V.; MOSS, P. A. H. Fundamentos em hematologia de Hoffbrand. 7. ed. Porto
Alegre: Artmed, 2018.
MURPHY, K. Imunobiologia de Janeway. Porto Alegre: Artmed, 2014.
ROITT, I. M.; DELVES, P. J.; BURTON, D. R. Fundamentos de imunologia. 13. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2018.
SILVA, P. H. et al. Hematologia laboratorial: teoria e procedimentos. Porto Alegre: Artmed, 2016.
EXPLORE+
Descubra como o funcionamento do sistema imunológico pode sofrer influência hormonal lendo o
artigo Pós-menopausa e o sistema imune, de Marco Antonio Faria et al.
Aprenda mais sobre o teste de Coombs assistindo ao vídeo intitulado Coombs direto/avaliando
hemólise em recém-nascido.
Aprenda mais sobre as técnicas imuno-hematológicas visitando o guia do Ministério da Saúde
Imuno-hematologia laboratorial.
CONTEUDISTA
Angelica Martins Batista
 CURRÍCULO LATTES
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