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Carlos Roberto Souza Carmo Sérgio Querino Antunes Planejamento orçamentário Controladoria Catalogação elaborada pelo Setor de Referência da Biblioteca Central Uniube Carmo, Carlos Roberto Souza. C213p Planejamento orçamentário ; Controladoria / Carlos Roberto Souza Carmo, Sérgio Querino Antunes. – Uberaba : Universidade de Uberaba, 2017. 196 p. : il. Programa de Educação a Distância – Universidade de Uberaba. Inclui bibliografia. ISBN 978-85-7777-717-4 1. Administração financeira. 2. Planejamento. 3. Controladoria. 4. Orçamento. I. Antunes, Sérgio Querino. II. Universidade de Uberaba. Programa de Educação a Distância. III. Título. CDD 658.15 © 2017 by Universidade de Uberaba Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Universidade de Uberaba. Universidade de Uberaba Reitor Marcelo Palmério Pró-Reitor de Educação a Distância Fernando César Marra e Silva Coordenação de Graduação a Distância Sílvia Denise dos Santos Bisinotto Projeto da capa Agência Experimental Portfólio Edição Universidade de Uberaba Av. Nenê Sabino, 1801 – Bairro Universitário Sobre os autores Carlos Roberto Souza Carmo Mestre em Ciências Contábeis e Financeiras pela Pontifícia Universi- dade Católica de São Paulo. MBA em Controladoria e Finanças pela FUNDACE/USP-Ribeirão Preto-SP. Bacharel em Ciências Contábeis. Professor titular da Universidade de Uberaba – Uniube e das Faculdades Associadas de Uberaba – Fazu. Atualmente é parecerista e roteirista de componentes curriculares para EAD da Universidade de Uberaba. Tem experiência na área de Ciências Contábeis, com ênfase em Contabili- dade, Normas e Práticas Contábeis, Contabilidade Gerencial e de Custos. Consultor de Empresas da cidade de Uberaba-MG e região. Sérgio Querino Antunes MBA em Gestão Empresarial pelo Instituto Nacional de Pós-Graduação em São José do Rio Preto; Pós-Graduado em Administração Financeira e Controladoria pelo Instituto Nacional de Pós-Graduação em São José do Rio Preto; Bacharel em Administração de Empresas pela Universi- dade de Uberaba. Atua como professor nos cursos de Administração e Ciências Contábeis da Universidade de Uberaba. Atua também como tutor e roteirista de componentes curriculares para EAD da Universidade de Uberaba. Sumário Apresentação .....................................................................................VII Parte I Planejamento orçamentário ............................................... 1 Capítulo 1 Elaboração e análise orçamentária ................................... 3 1.1 Implantação e utilização do sistema orçamentário ....................................... 7 1.2 Preparação do orçamento anual e planejamento a longo prazo ................ 10 1.3 Orçamento de vendas .................................................................................11 1.4 Orçamento de produção ............................................................................. 18 1.5 Orçamento do custo de produção .............................................................. 24 1.5.1 Custos com matéria-prima .................................................................. 24 1.6 Mão de obra direta ...................................................................................... 35 1.7 Custos indiretos de produção ..................................................................... 41 1.8 Orçamentos de despesas administrativas e de vendas ............................. 49 1.8.1 Orçamento de despesas administrativas ............................................ 49 1.8.2 Orçamento de despesas de vendas ................................................... 50 Capítulo 2 Orçamento e planejamento de investimentos e de fluxo de caixa ................................................................... 65 2.1 Orçamento de investimento e orçamento de caixa .................................... 67 2.1.1 Orçamento de investimento ................................................................. 67 2.1.2 Elaboração do orçamento de investimentos ....................................... 70 2.2 Orçamento de caixa .................................................................................... 80 Capítulo 3 Demonstrativos financeiros e avaliação orçamentária .... 91 3.1 Projeções dos demonstrativos financeiros ................................................. 93 3.1.1 Processo de elaboração das projeções ............................................... 94 3.2 Avaliação orçamentária ............................................................................ 101 VI UNIUBE Parte II Controladoria ................................................................. 117 Capítulo 4 Introdução à controladoria ............................................. 119 4.1 Natureza da controladoria ........................................................................ 121 4.2 A controladoria nas organizações ............................................................. 126 4.3 Centros de responsabilidade .................................................................... 130 Capítulo 5 Planejamento e controle operacional ............................ 141 5.1 Planejamento orçamentário ...................................................................... 143 5.2 Controle orçamentário .............................................................................. 151 5.3 Preços de transferência ............................................................................ 154 Capítulo 6 O processo de avaliação do desempenho .................... 161 6.1 Indicadores e avaliação de desempenho ................................................. 163 6.2 Sistemas de controle e avaliação de desempenho .................................. 167 6.3 Balanced Scorecard ................................................................................. 171 Apresentação Prezado(a) aluno(a), Seja bem-vindo ao estudo do componente curricular “Elaboração e Aná- lise de Orçamento” e “Controladoria”. O primeiro componente trata da ela- boração e análise dos orçamentos de vendas, produção, matérias-primas, mão de obras, custos indiretos, despesas administrativas/financeiras e fluxo de caixa, visto que as empresas têm ao longo do tempo investido em melhorias no processo de planejamento de suas operações para atuarem com competitividade e garantirem a sobrevivência no mercado globalizado. Este componente curricular aborda o quanto o planejamento na ela- boração e análise de orçamento são de fundamental importância para qualquer empresa, independentemente de seu porte ou tipo de atividade econômica, tanto quanto o plano de voo é para os aviões e as cartas náuticas são para os navios. Uma empresa sem plano orçamentário fica à deriva no mercado, sem saber qual o momento ideal para aumentar ou reduzir investimentos, produção, contratação de mão de obra, dentre outras decisões. Planejar é estabelecer, com antecedência, as necessidades de recursos físicos, humanos e financeiros, bem como quando, como e onde serão atribuídos. VIII UNIUBE Neste componente, você também aprenderá os conceitos e técnicas na preparação do orçamento,sua importância para as organizações e as estratégias a serem adotadas. Conhecer as ferramentas de elaboração e análise de orçamento, hoje, disponíveis para tal é fundamental, pois, só assim você conseguirá atuar com uma gestão de resultados e de qualidade. No componente de “Controladoria”, você estudará sobre sua natureza enquanto metodologia administrativa responsável pela análise, proces- samento e produção de informações voltadas para o suporte da tomada de decisões nas organizações. Inicialmente, você compreenderá o conceito geral e a aplicação na Controladoria no ambiente empresarial. É importante ressaltar que, enquanto unidade administrativa responsável pela análise e geração de informações voltadas para o apoio à tomada de decisões, a controladoria surgiu e ganhou força em decorrência de uma necessidade de evolução da própria contabilidade. Você ainda verá como o planejamento orçamen- tário se encaixa no processo de controladoria e poderá compreender o significado da terminologia “preço de transferência” e, ainda, como esses preços podem ser utilizados dentro das organizações. No capítulo final você aprenderá, inicialmente, quais as principais ativi- dades operacionais a serem monitoradas pelo processo de controle de gestão conhecendo funcionamento do Balance Scorecard, enquanto ferramenta utilizada no controle de gestão. Mais uma vez, vale lembrar que, além de realizar todas as atividades de aprendizado (leituras, testes, pesquisas, reestudos etc.) descritas UNIUBE IX neste material didático, você deverá se organizar da melhor maneira possível em termos de tempo de estudo e aproveitamento dos encontros presenciais para tirar todo o proveito dos conhecimentos abordados ao longo deste livro. Bons estudos! Parte I Planejamento orçamentário Capítulo 1 Elaboração e análise orçamentária Capítulo 1 Sérgio Querino Antunes Introdução Caro estudante, Na primeira etapa do curso, você estudou em Teorias da Admi- nistração a importância de planejar, organizar, dirigir e controlar os recursos físicos, tecnológicos, financeiros e humanos. Nesta etapa, todos estes conceitos estudados serão aplicados na elaboração e análise de orçamentos. Veremos o quanto o orçamento e o planejamento são de fundamental importância para as empresas, tanto quanto o plano de voo é para os aviões e as cartas náuticas são para os navios. Segundo Sanvicente e Santos (1995, p. 16), Planejar é estabelecer com antecedência as ações a serem executadas, estimar os recursos a serem empregados e definir as correspondentes atribui- ções de responsabilidade em relação a um período futuro determinado, para que sejam alcançados satisfatoriamente os objetivos porventura fixados para uma empresa e suas diversas unidades. 4 UNIUBE Para os autores, controlar é, essencialmente, acompanhar a execução de atividades da maneira mais rápida possível, e comparar o desempenho efetivo com o planejado, isto é, o que tenha sido originalmente considerado desejável, satisfatório ou viável para a empresa e suas subunidades. Uma empresa sem plano orçamentário fica à deriva no mercado, sem saber qual o momento ideal para aumentar ou reduzir seus investimentos, produção, contratação de mão de obra, dentre outras decisões. Planejar é estabelecer, com antecedência, as necessidades de recursos físicos, humanos e financeiros, bem como quando, como e onde serão atribuídos. Segundo Sá e Moraes (2005, p. 59), “o orçamento empresarial é um instrumento de gestão necessário para qualquer empresa, in- dependentemente de seu porte ou tipo de atividade econômica”. Para a prática da utilização de orçamentos é necessário exercitar e desenvolver os seguintes tipos de planejamentos: • Planejamento Estratégico – está voltado para as decisões e problemas externos da empresa como: novos produtos e mercados, concorrentes e outros. • Planejamento Integrativo – tem a finalidade de melhor estruturação e colação dos recursos físicos, humanos e financeiros. UNIUBE 5 • Planejamento Operacional – utiliza, com mais eficiência, os recursos disponíveis da empresa, num dado momento. Os objetivos devem ser bem claros e definidos. É importante que todas as pessoas envolvidas no planejamento do orçamento saibam quais são suas atribuições e, principalmente, quando devem ser executadas. Convido você a desbravar o estudo deste capítulo, aprendendo e aprofundando seus conhecimentos a respeito dos temas abor- dados. Deste modo, é primordial e indispensável sua dedicação para que consiga compreender o que estamos desenvolvendo. Bons estudos! Objetivos Após os estudos realizados a partir deste capítulo, esperamos que você esteja apto a: • definir a importância dos conceitos e princípios da elabo- ração e análise de orçamento empresarial; • identificar, planejar e elaborar os orçamentos de vendas, produção, custos de produção e despesas; • escolher entre as opções, baseando-se em dados orçados e planejados, aquelas que melhor se adaptam à realidade empresarial. 6 UNIUBE Esquema Planejamento e controle orçamentário Implantação e utilização do sistema orçamentário Orçamento de vendas, produção e custos de produção Orçamento de despesas administrativase de vendas Atividades propostas Conhecendo um pouco a história do orçamento Para iniciar nosso capítulo, veremos um pouco da história do orçamento. A palavra orçamento é de origem italiana: “orzare”, que significa “fazer cálculos”. A prática de orçamento de deve ao desenvolvimento da Constituição inglesa em 1689, cuja lei estabelecia que o rei e o primeiro ministro po- deriam cobrar certos impostos ou gastar recursos, mas somente com a autorização do Parlamento. LUNKES (2008, p. 24) cita que [...] a necessidade de orçar é tão antiga quanto à huma- nidade. Os homens das cavernas precisavam prever a necessidade de comida pra os longos invernos; com isso desenvolveram práticas antigas de orçamento. Há vestígios de práticas orçamentárias formais até mais antigas que a origem do dinheiro. No Brasil, o orçamento passou a ser foco de estudos a partir de 1940, mas nem mesmo na década seguinte ele foi muito utilizado pelas empresas. O orçamento só teve seu apogeu no Brasil a partir de 1970, quando em- presas passaram a adotá-lo com mais frequência em suas atividades (ZDANOWICZ, 1983, apud LUNKES, 2008, p. 26). UNIUBE 7 1.1 Implantação e utilização do sistema orçamentário Muitas empresas não implantam um sistema orçamentário por não co- nhecerem a importância desta ferramenta ou por julgarem ser muito caro e despender muito tempo para sua elaboração. Quanto aos custos de sistemas, podemos minimizá-los, utilizando uma ferramenta prática e de fácil acesso: o Excel – planilha de cálculo que nos possibilita a execução e consulta de diversas funções e também a elaboração de gráficos para análises. Com relação à falsa ideia de perda de tempo na elaboração do orça- mento, é importante ressaltar que o tempo despendido no planejamento orçamentário será menor e mais barato que o tempo despendido para correções e ajustes de processos não planejados e ou mal elaborados. É indispensável que todos os indivíduos estejam envolvidos, principal- mente a diretoria administrativa da empresa, pois assim o orçamento será visto como uma valiosa ferramenta de gestão para maximização dos lucros, minimização dos custos e racionalização das tarefas. Segundo Lunkes (2008, p. 24), O processo orçamentário envolve a elaboração de planos detalhados e objetivos de lucro, previsão das despesas dentro da estrutura dos planos e políticas existentes e fixação de padrões definidos de atuação para indivíduos com responsabilidade de supervisão. O orçamento é [...] a etapa do processo do planejamento estratégico em que se estima e determina a melhor relação entre 8 UNIUBE resultados e despesas para atender às necessidades, características e objetivos daempresa no período. O orçamento abrange funções e operações que envol- vem todas as áreas da empresa com necessidade de alocação de algum tipo de recurso financeiro, para fazer face às despesas de suas ações. (TAVARES, 2000, apud LUNKES, 2008, p. 14) Muitas vezes, quando propomos inovações em uma empresa, podemos esbarrar em pessoas resistentes a mudanças, pessoas que não aceitam e acham que não há necessidade de transformações. importante! Na implantação de um sistema orçamentário, o ideal é envolver, num primeiro momento, aquelas pessoas entusiasmadas e comprometidas, pois assim elas podem “contaminar” aqueles que sempre acham que não vai dar certo. É sempre melhor começar com quem acredita na equipe, em um projeto e na empresa, do que começar com aqueles que não vão fazer nada para que as transformações aconteçam. O orçamento deve ser preparado para os diversos níveis e setores das organizações, delegando os seus respectivos responsáveis. É necessário estabelecer quem será o responsável por determinada atividade para que não ocorra o conhecido “um deixa para o outro e o outro deixa para o um” e no final ninguém faz nada. Segundo Boisvert (1999 apud LUNKES, 2008, p. 34): As condições prévias necessárias à implementação do orçamento são as seguintes: estrutura organizacional, UNIUBE 9 políticas, gestão de pessoal e sistema de informação. Assim, a implantação efetiva do processo orçamentário depende de uma estrutura organizacional adequada, com a definição clara de autoridade e responsabili- dade pra todas as fases de operações. O orçamento é baseado em pesquisa e análise que devem resultar em metas realistas que contribuirão ao crescimento e à rentabilidade da empresa. O sucesso do processo orçamentário depende diretamente da sua aceitação pro todos os níveis da empresa. O responsável pela implantação do orçamento deve elaborar o manual do sistema orçamentário, os impressos e os formulários para padronização das informações, supervisionar a equipe e propor mudanças. Para Sanvicente e Santos (1995, p. 36), As atribuições do responsável pela área de orçamento são: a) Assistir a alta administração em matérias ligadas ao uso de orçamentos; b) Fazer recomendações e auxiliar na introdução de quaisquer técnicas ou procedimentos para a elabo- ração de planos orçamentários ou preparação de relatórios ou comunicados de resultados efetivos; c) Projetar e propor os formulários e impressos a serem usados nos planos e relatórios do sistema; d) Realizar e apresentar as análises de resultados ve- rificados, com as consequentes comparações com os resultados planejados, sob a fora de relatórios de comparações com os resultados planejados, sob a forma de relatórios de atividades desenvolvidas por funcionários isolados e por grupos ou setores da empresa; e) Supervisionar e promover, com o apoio da alta administração e a participação dos setores envol- vidos, toda e qualquer mudança os procedimentos (inclusive formulários) adotados na elaboração dos planos e na confecção de relatórios, bem como na análise dos dados reais e das comparações conti- das nesses relatórios. 10 UNIUBE 1.2 Preparação do orçamento anual e planejamento a longo prazo Pode-se definir orçamento de curto e longo prazo. O planejamento or- çamentário anual (curto prazo) fornece as diretrizes para dar início ao planejamento para os doze meses seguintes. Essas diretrizes decorrem de um acompanhamento das condições ex- ternas mais relevantes às operações da empresa. É comum elaborar o orçamento anual destacando os doze meses, mês a mês ou então o acumulado por bimestre ou trimestre. O planejamento de longo prazo pode não existir formalmente, mas todo administrador tem pelo menos alguma ideia do que pretende para os períodos posteriores a um ano. De acordo com Lunkes (2008, p. 32), O período de duração do orçamento não necessaria- mente é de um ano. Um orçamento pode ser preparado para qualquer período de tempo. São vários os fatores que influenciam na duração do período orçamentário que incluem o tipo (processo), a natureza da orga- nização, a necessidade de avaliação periódica e as condições do negócio. Assim, o período de orçamento deve ser o tempo necessário para prover uma meta atingível em condições normais. Idealmente, o período de tempo deve minimizar o impacto de flutuações sazonais ou cíclicas. Por outro lado, o período de orçamento não deve ser longo demais que inviabilize estimativas realistas. O período de orçamento mais comum em empresas brasileiras é de um ano. Esse orçamento anual também pode ter ajustes mensais, trimestrais ou semestrais ou acréscimo do mesmo período acabado no futuro. UNIUBE 11 Segundo Sanvicente e Santos (1995, p. 37), O planejamento de longo prazo pode não existir for- malmente, embora a conclusão normativa lógica de nossas recomendações quanto a um ano seja no sen- tido dessa formalização. Mesmo inexistindo um plano de longo alcance, contudo, a administração não deixa jamais de ter, implícitas em suas atitudes e determi- nações, pelo menos alguma ideia quanto ao caminho desejável da empresa para um período superior ao do plano orçamentário de um ano apenas. Uma vez definidos os objetivos, as políticas, as metas e as condições para o período de doze meses, pode-se dar início à preparação do orçamento. importante! Deve-se iniciar o orçamento pelas previsões de vendas, haja vista que a produção, o investimento em estoques, os custos indiretos e das despesas terão ligação com o volume físico de vendas. Sabendo o quanto se espera vender, elabora-se o orçamento de produção e sequencialmente a previsão dos estoques de matérias-primas e de produtos acabados. A conclusão do orçamento de produção permitirá elaborar as seguintes provisões: consumo de matéria-prima e compras, mão de obra direta (custos e horas necessárias), custos indiretos de produção e de despesas administrativas e de vendas. 1.3 Orçamento de vendas O orçamento de vendas constitui a previsão de vendas futuras da em- presa. Para sua elaboração, devem ser consideradas as condições de 12 UNIUBE âmbito interno e externo da empresa, como: as limitações quanto à ca- pacidade de produção, de armazenagem, de financiamento das vendas, administrativa, tecnológica, questões política e governamental, situação dos concorrentes, fornecedores e outras. Orçamento de vendas, para Sá e Moraes (2005, p. 81), é a projeção de vendas mês a mês, medidas em unidades monetárias, ao longo do período orçado. Segundo Lunkes (2008, p. 42), O orçamento de vendas é formado pelas previsões de vendas de um período predeterminado. Ele estima as quantidades de cada produto e serviço que a em- presa planeja vender ou prestar, define o preço a ser praticado, impostos incidentes e a receita a ser gerada, como também pode imbuir a quantidade de clientes a serem atendidos, as condições básicas dessa venda, a vista ou a prazo, entre outras informações. Geralmente, ele serve de base para outras peças orçamentárias, por isso, se suas estimativas não forem precisas pode inviabilizar o controle orçamentário como um todo. As políticas de marketing são essenciais para constituir a previsão de vendas, portanto é necessário que estejam bem definidas as quatro áreas fundamentais: a política de preço, a política do produto, a política da distribuição e a política da propaganda. Os métodos comumente utilizados para projetar o orçamento de vendas futuras são: com base no crescimento histórico, que consiste em analisar o comportamento de períodos passados e projetar o futuro; e com base no crescimento esperado pelo setor ou da economia, ou seja, projeta-se o crescimento das vendas da empresa de acordo com o crescimento que se espera para o setor ou a economia. UNIUBE 13 Conforme Sanvicente e Santos (1995, p. 48-50), os métodos de estima- tiva da procura futura são: a) Método baseado no que se diz – o conceito subja-cente a este método é bastante simples e consiste basicamente em perguntar aos compradores po- tenciais o quanto eles tencionam encomendar de determinado produto, em certo período, e em que condições. b) Método baseado no que se faz – quando se cogita do lançamento de um novo produto, em que as pre- visões de vendas sejam de difícil elaboração, de- vido à ausência de produtos similares adequados, realiza-se o lançamento do produto em pequena escala, em determinada região escolhida como representativa do mercado total. As reações dos compradores nesse mercado teste devem fornecer os subsídios para previsões do mercado total. c) Método baseado no que se fez – são métodos que se utilizam de instrumental matemático e estatís- tico na determinação de formulas que expliquem o comportamento das vendas passadas da empresa, e que possam também ser aplicadas para projeções futuras. Uma vez definidos pela área de marketing os produtos, as quantidades e os valores previstos no orçamento de vendas, o departamento de orça- mentos deve comparar as vendas reais do último exercício ao orçamento do ano anterior para averiguação do grau de fidelidade das informações. O orçamento de previsão de vendas de curto prazo pode ser representado de acordo com os exemplos das tabelas 1, 2 e 3, a seguir. 14 UNIUBE Tabela 1: Orçamento de vendas para o período de 12 meses, destacando-se mês a mês. (Nome da Empresa) Orçamento de Vendas (Valores em $) (Período) Produto/ Filial Jan. Fev. Mar. Abr. Maio Jun. Jul. Ago. Set. Out. Nov. Dez. Total Q $ Q $ Q $ Q $ Q $ Q $ Q $ Q $ Q $ Q $ Q $ Q $ Q $ Produto A Produto B Total Empresa Produto A Produto B Total Matriz Produto A Produto B Total Filial 1 O orçamento de vendas representado, em seis bimestres, contém a soma respectiva de dois meses, e não a média de doze meses. Para efeito de acompanhamento e análise do realizado com o planejado, devem-se separar os valores do mês em operação para se ter uma visão exata dos valores referentes àquele período. UNIUBE 15 exemplificando! Por exemplo: 1o bimestre do ano 200X é representado pela soma das quan- tidades previstas de vendas de 100 unidades de um determinado produto em janeiro e 120 em fevereiro. Abre-se o bimestre em dois períodos com as quantidades e valores relativos a janeiro e a fevereiro. O mesmo procedimento deverá ser adotado nos demais orçamentos. Tabela 2: Orçamento de vendas para o período de 12 meses, representado em 6 bimestres. (Nome da Empresa) Orçamento de Vendas (Valores em $) (Período) Produto/ Filial 1o Bim. 2o Bim. 3o Bim. 4o Bim. 5o Bim. 6o Bim. Total Q $ Q $ Q $ Q $ Q $ Q $ Q $ Produto A Produto B Total Empresa Produto A Produto B Total Matriz Produto A Produto B Total Filial 1 O orçamento de vendas representado em quatro trimestres contém a soma respectiva de três meses e não a média de doze meses. Para efeito de acompanhamento e análise do realizado com o planejado, devem-se 16 UNIUBE separar os valores do mês em operação para se ter uma visão exata dos valores referentes aquele período. exemplificando! Por exemplo: 1o trimestre do ano 2.00X é representado pela soma das quan- tidades previstas de vendas de 100 unidades de um determinado produto em janeiro e 120 em fevereiro e 130 em março. Abre-se o trimestre em três períodos com as quantidades e valores relativos a janeiro, fevereiro e março. O mesmo procedimento deverá ser adotado nos demais orçamentos. Tabela 3: Orçamento de vendas para o período de 12 meses, representado em 4 trimestres. (Nome da Empresa) Orçamento de Vendas (Valores em $) (Período) Produto/ Filial 1o Trim. 2o Trim. 3o Trim. 4o Trim. Total Qtd. $ Qtd. $ Qtd. $ Qtd. $ Qtd. $ Produto A Produto B Total Empresa Produto A Produto B Total Matriz Produto A Produto B Total Filial 1 O relatório dos orçamentos de vendas deverá finalmente ser subme- tido para a diretoria, para aprovação. Tendo sido aprovado, poderá ser UNIUBE 17 encaminhado às outras áreas, para a elaboração dos orçamentos de produção e despesas. exemplificando! Para que você possa entender melhor a elaboração de um sistema orçamen- tário, veja o exemplo da Companhia T&R Tanques e Reservatórios S/A que atende aos mercados de Uberaba e Uberlândia (Tabela 4). A partir das informações fornecidas, elabore o orçamento de vendas para o primeiro trimestre de 2011, considerando que a empresa tem uma estimativa de vendas para os respectivos mercados, no mês de janeiro, de 20 unidades e 10 unidades de tanques e de 30 unidades e 20 unidades de reservatórios. A Companhia estima uma projeção de crescimento de 10% para o mês de fevereiro, de 9% para o mês de março e de 8% para os demais meses. A Companhia projeta também um preço de venda para o referido período, já descontado os impostos de $ 1.200,00 para o produto tanque e $ 1.800,00 para o produto reservatório. Em caso de quantidades fracionadas, o critério de arredondamento deverá ser para maior. Tabela 4: Sistema orçamentário da Companhia T&R Tanques e Reservatórios S/A. Empresa XPTO Ltda. Orçamento de Vendas (Valores em $) Primeiro trimestre/2011 Produtos Janeiro Fevereiro Março Total Trimestre Qtd. Vl. Total Qtd. Vl. Total Qtd. Vl. Total Qtd. Vl. Total Tanque 50 60.000 55 66.000 60 72.000 165 198.000 Reservatório 30 54.000 33 59.400 36 64.800 99 178.200 Total 114.000 125.400 136.800 376.200 Uberaba Tanque 20 24.000 22 26.400 24 28.800 66 79.200 Reservatório 10 18.000 11 19.800 12 21.600 33 59.400 Total 42.000 46.200 50.400 138.600 18 UNIUBE Uberlândia Tanque 30 36.000 33 39.600 36 43.200 99 118.800 Reservatório 20 36.000 22 39.600 24 43.200 66 118.800 Total 72.000 79.200 86.400 237.600 Com a previsão detalhada das quantidades de venda de cada produto, é necessário orçar os gastos necessários para se obter as respectivas recei- tas. Logo iremos elaborar o orçamento de produção, que permitira visualizar quando e quanto se deve produzir de cada produto para atender a demanda de venda. 1.4 Orçamento de produção Concluída a elaboração do orçamento de vendas e consequentemente das receitas, é preciso orçar o quanto será necessário produzir e quando produzir, bem como os respectivos gastos. Segundo Moreira (2002, p. 67), O orçamento de produção visa informar às unidades organizacionais, relacionadas diretamente com o pro- cesso produtivo, as quantidades a serem produzidas para atender às necessidades de vendas e da política de estoques de produtos acabadas, sendo base para a elaboração dos orçamentos relacionados com o custo de produção. Segundo Welsch (1996, p. 33), “o orçamento de produção é uma estima- tiva da quantidade de bens que devem ser fabricados durante o exercício orçamentário”. UNIUBE 19 A política de estoque da empresa é uma decisão que cabe à alta admi- nistração da empresa, pois imobiliza muitos investimentos de recursos e depende das características dos produtos, da empresa e da área geográfica. Podemos citar três tipos de produção, que poderão determinar o nível de estoque da empresa: • Produção constante – a produção mantém um nível constante durante todo o ano, o termômetro regulador da falta ou excesso de produção, é o estoque; • Produção ao nível de vendas – a produção mensal varia de acordo com a previsão de vendas, os estoques são mantidos no patamar mínimo, considerando sempre uma margem de segurança; • Produção por ciclos – produz em um determinado período toda a quantidade de produtos a serem comercializados durante todo o ano. Este método apresenta alto nível de estoques, pois o que se produz, por exemplo, em dois meses, será estocado para todo o período. O orçamento de previsão de produção de curto prazo pode ser repre- sentado de acordo com os exemplos das tabelas 5, 6 e 7. importante! As vendas previstas serão obtidas no orçamento de vendas. O estoque final de produtos acabados é obtido de acordo com a política de estoque definidapela empresa. 20 UNIUBE Tabela 5: Orçamento de produção para o período de 12 meses, destacando-se mês a mês. (Nome da Empresa) Orçamento de Produção (em Unidades) (Período) Produto Jan. Fev. Mar. Abr. Maio Jun. Jul. Ago. Set. Out. Nov. Dez. Total Produto A Vendas previstas + E F Produtos acabados – E I Produtos acabados = Produção necessária Produto B Vendas previstas + E F Produtos acabados – E I Produtos acabados = Produção necessária UNIUBE 21 Tabela 6: Orçamento de produção para o período de 12 meses, representado em 6 bimestres. (Nome da Empresa) Orçamento de Produção (em Unidades) (Período) Produto 1o Bim. 2o Bim. 3o Bim. 4o Bim. 5o Bim. 6o Bim. Total Produto A Vendas previstas + Estoque final Produtos acabados – Estoque inicial Produtos acabados = Produção necessária Produto B Vendas previstas + Estoque final Produtos acabados – Estoque inicial Produtos acabados = Produção necessária Tabela 7: Orçamento de produção para o período de 12 meses, representado em 4 trimestres. (Nome da Empresa) Orçamento de Produção (em Unidades) (Período) Produto 1o Trim. 2o Trim. 3o Trim. 4o Trim. Total Produto A Vendas previstas + Estoque final Produtos acabados – Estoque inicial Produtos acabados = Produção necessária 22 UNIUBE Produto B Vendas previstas + Estoque final Produtos acabados – Estoque inicial Produtos acabados = Produção necessária importante! Vale a pena ressaltar que as quantidades a serem produzidas não serão necessariamente as mesmas previstas no orçamento de vendas, pois esta dependerá também da política de estoques adotada pela empresa, pois as vendas previstas mais estoque final de produtos acabados menos estoque inicial é que fornecerá a produção necessária para o período. Segundo Wood e Sangster (1996 apud LUNKES, 2008, p. 44) descrevem que nas estimativas de produção devem-se levar em consideração fatores como: espaço de armazenamento, disponibilidade de mão de obra, prazo de entrega de materiais, capacidade dos equipamentos, entre outros. exemplificando! A partir do orçamento de vendas, vamos agora elaborar o orçamento de produção (em quantidades) para o primeiro trimestre de 2011. Sabe-se que a empresa mantém uma política de estoque de produtos acabados de 20% da previsão de vendas do período seguinte (Tabela 8). UNIUBE 23 O estoque no final do período de 2010 era de 10 unidades do produto tanque e 6 unidades do produto reservatório. Lembre-se de que o estoque final de um período é igual ao estoque inicial do período seguinte. Em caso de quantidades fracionadas, o critério de arredondamento deverá ser para maior; pois assim possibilitará uma margem de segurança. Tabela 8: Orçamento de Produção – primeiro trimestre de 2011. Empresa XPTO Ltda. Orçamento de produção (em unidades) Primeiro trimestre/2011 Jan Fev Mar Total Produto – Tanque Vendas previstas 50 55 60 165 + Estoque final produtos acabados 11 12 13 – Estoque inicial produtos acabados 10 11 12 = Produção necessária 51 56 61 168 Produto reservatório Vendas previstas 30 33 36 99 + Estoque final produtos acabados 07 07 08 – Estoque inicial produtos acabados 06 07 07 = Produção necessária 31 33 37 101 O estoque final de produtos acabados para o mês de março foi calculado em função da projeção de crescimento de vendas para o mês de abril de 8%. A previsão de vendas de tanques para o mês de março é de 60 unidades. Projetando um crescimento de 8% para o mês de abril, terá 24 UNIUBE uma estimativa de 65 unidades; portanto, o estoque final desejado para o mês de março e de 13 unidades, ou seja, 20% de 65 unidades. A previsão de vendas de reservatórios para o mês de março é de 36 uni- dades. Projetando um crescimento de 8% para o mês de abril terá uma estimativa de 39 unidades; portanto, o estoque final desejado para o mês de março é de 8 unidades, ou seja, 20% de 39 unidades. O orçamento de produção permitirá, com o detalhamento das quantidades a serem produzidas de cada produto, estimar os seus respectivos custos e me- lhor controle dos estoques de matérias-primas e de produtos acabados. 1.5 Orçamento do custo de produção Elaborado o orçamento de produção, devemos determinar o custo dessa produção. Esses custos são subdivididos em: 1.5.1 Custos com matéria-prima O orçamento de custos com matéria-prima envolve a quantidade de matéria-prima necessária, considerando dados históricos, estatísticas e perdas normais. Estabelece também as políticas de estoque de matérias-primas, que permitam atender às necessidades da produção com baixo investimento e obedecendo à capacidade de estocagem da empresa. UNIUBE 25 Segundo Welsch (1971, p. 150), As quantidades de matérias-primas necessárias para cada produto acabado devem ser estimadas em va- lores totais para o período de planejamento e espe- cificadas por subperíodos (meses e trimestres) no orçamento de matérias-primas. O detalhamento por produto e subperíodo deve obedecer ao mesmo pa- drão usado nos orçamentos de vendas e produção. As principais finalidades da preparação de exigências para cumprir os planos de produção são as seguintes: a) Fornecer informações sobre quantidades ao de- partamento de compras, para que as compras de matérias-primas possam ser adequadamente planejadas e controladas. b) Fornecer informações sobre quantidades para per- mitir a projeção dos custos de produção por item. c) Fornecer dados para permitir o estabelecimento de políticas em relação a níveis de estoques e o seu planejamento e controle em termos efetivos. d) Fornecer dados para a determinação das neces- sidades de caixa (orçamento de disponibilidades) para adquirir matérias-primas. e) Fornecer dados para o controle do consumo de matérias-primas. O orçamento de matéria-prima contempla a soma total de cada matéria-- -prima utilizada em diversos produtos, mais o estoque que a empresa deseja ter no final de cada período, menos o estoque com o qual se iniciou o referido período. Já o valor total de compras é obtido multiplicando-se as quantidades de compras pelo preço unitário de cada matéria-prima. Para Moreira (2002, p. 69): O orçamento de matérias-primas tem múltiplas fina- lidades. Por meio dessa peça orçamentária, a admi- nistração tem condições de avaliar as necessidades físicas de cada tipo de matéria-prima requerida pelos diversos produtos de sua linha; tornam-se facilitadas a análise e a tomada de decisão sobre a adequação 26 UNIUBE dos estoques, cujas quantidades devem ser fixadas com base em políticas de estocagem previamente definidas. Como consequência da necessidade de manter estoques de matérias-primas, a empresa tem de prover-se antecipadamente dos recursos financei- ros necessários. Segundo Welsch (1971, p. 152), O orçamento de compras especifica (1) as quantidades de cada tipo de matéria-prima a ser comprada, (2) as épocas em que as compras devem ser feitas e (3) o custo estimado de compra. Ao preparar o orçamento de compras, o gerente de compras é responsável por três dados básicos: a) Estabelecimento de políticas em relação ao níveis dos estoques de matérias-primas. b) Determinação do número de unidades de cada tipo de matéria-prima a ser comprada; e c) Estimação do custo unitário de cada tipo de matéria-- -prima a ser adquirida. O orçamento de previsão de custos com matéria-prima pode ser repre- sentado de acordo com os exemplos das tabelas 9, 10 e 11. Tabela 9: Orçamento de compras e custos de matérias-primas para o período de 12 meses, destacando-se mês a mês. (Nome da Empresa) Orçamento de Compras e Custos de Matérias-Primas (em unidades) (Período) Produto Jan. Fev. Mar. Abr. Maio Jun. Jul. Ago. Set. Out. Nov. Dez. Total Matéria-prima X Requerido na produção Produto A UNIUBE 27 Produto B Total + E. F. Matéria- -prima – E. I. Matéria- -prima = Compras em Qtd. Compras em $ Matéria-prima Y Requerido na produção ProdutoA Produto B Total + E. F. Matéria- -prima – E. I. Matéria- -prima = Compras em Qtd. Compras em $ 28 UNIUBE Tabela 10: Orçamento de compras e custos de matérias-primas para o período de 12 meses, representado em 6 bimestres. (Nome da Empresa) Orçamento de Compras e Custos de Matérias-Primas (em unidades) (Período) Produto 1o Bim. 2o Bim. 3o Bim. 4o Bim. 5o Bim. 6o Bim. Total Matéria-prima X Requerido na produção Produto A Produto B Total + Estoque Final Matéria- -prima – Estoque Inicial Matéria- -prima = Compras em Quantidade Compras em $ Matéria-prima Y Requerido na produção Produto A Produto B Total + Estoque Final Matéria- -prima – Estoque Inicial Matéria- -prima = Compras em Quantidade Compras em $ UNIUBE 29 Tabela 11: Orçamento de compras e custos de matérias-primas para o período de 12 meses, representado em 4 trimestres. (Nome da Empresa) Orçamento de Compras e Custos de Matérias-primas (em unidades) (Período) Produto 1o Trim. 2o Trim. 3o Trim. 4o Trim. Total Matéria-prima X Requerido na produção Produto A Produto B Total + Estoque Final Matéria- -prima – Estoque Inicial Matéria- -prima = Compras em Quantidade Compras em $ Matéria-Prima Y Requerido na produção Produto A Produto B Total + Estoque Final Matéria- -prima – Estoque Inicial Matéria- -prima = Compras em Quantidade Compras em $ É importante que o responsável pela área de compras participe do pro- cesso de elaboração do orçamento de compra de matérias-primas, pois na sua elaboração são considerados, além dos prazos de entrega, os preços unitários. 30 UNIUBE O orçamento de matéria-prima define padrões de consumo ou o quociente entre a quantidade de cada tipo de matéria-prima e o volume físico de produção, quocientes entre consumo de matéria-prima de horas MOD ou de horas máquina e estudos de padrões de engenharia (LUNKES, 2008, p. 47). Nas palavras de Moreira (2002, p. 69): Consumo de matérias-primas – demonstra as necessi- dades de cada tipo de matéria-prima, bem como seus respectivos custos, por período e para os diversos tipos de produtos acabados. Sua montagem é efetuada com base no processamento das informações oriundas do orçamento de produção, no conhecimento das quanti- dades de matérias-primas a serem aplicadas a produ- ção de cada unidade de produto acabado, ou seja, do “fator de consumo”, e nos preços das matérias-primas. Compras e estoques – Com base nas necessidade de consumo e considerando as condições operacionais, endógenas e exógenas, são definidos os níveis de estocagem necessários para atingir as metas plane- jadas de cada período. Para tanto, é fundamental o conhecimento das peculiaridades do sistema produtivo e da situação do mercado fornecedor. exemplificando! Concluído o orçamento de produção, é necessário estimar a quantidade de matérias-primas para cada produto. Tal estimativa é feita com a elaboração do orçamento de compras e consumo de matérias-primas (Tabela 12). A empresa adotou como politica de estoque de matérias-primas a manutenção da quantidade de matérias-primas, suficientes para a produção de 25% da previsão de produção do período seguinte. Sabe-se que o produto tanque utiliza, para cada unidade produzida, 2 kg de solda ($ 5,00 / kg) e 5 unidades de chapa ($ 110,00 /un.) e que o produto reservatório utiliza para cada uni- dade produzida 5 kg de solda, 8 unidades de chapa e 5 litros tinta ($ 28,00). UNIUBE 31 A partir das informações fornecidas, elabore o orçamento de compras e custos de matérias-primas. Obs.: O estoque final de matérias-primas no final do período de 2010 era respectivamente de 65 kg de solda, 126 unidades de chapa e 39 litros de tinta. Em caso de quantidades fracionadas, o critério de arredondamento deverá ser para maior. Tabela 12: Orçamento de compras e custos de matérias-primas. Empresa XPTO Ltda. Orçamento de Compras e Custos de Matérias-primas Primeiro trimestre/2011 Jan. Fev. Mar. Total Matéria-prima Solda Requerido na produção (Kg) Tanque – 2 Kg matéria-prima por produto. 102 112 122 336 Reservatório – 5 kg matéria-prima/ produto. 155 165 185 505 Total 257 277 307 841 + Estoque Final Matéria-prima 70 77 84 – Estoque Inicial Matéria-prima 65 70 77 = Compras em Quantidades 271 298 314 883 Compras em Valores 1.355 1.490 1.570 4.415 Matéria-prima Chapa Requerido na produção (Un.) Tanque – 5 unid. matéria-prima por produto. 255 280 305 840 Reservatório – 8 unid. matéria- -prima/produto. 248 264 296 808 Total 503 544 601 1.648 + Estoque Final Matéria-prima 136 151 164 – Estoque Inicial Matéria-prima 126 136 151 = Compras em Quantidades 513 559 614 1.686 Compras em Valores 56.430 61.490 67.540 185.460 32 UNIUBE Matéria-prima Tinta Requerido na produção (L.) Tanque – não utiliza esta matéria- prima 0 0 0 0 Reservatório – 5 l. matéria-prima/ produto. 155 165 185 505 Total 155 165 185 505 + Estoque Final Matéria-prima 42 47 50 – Estoque Inicial Matéria-prima 39 42 47 = Compras em Quantidades 158 170 188 516 Compras em Valores 4.424 4.760 5.264 14.448 Considerando o exemplo, ressaltamos que a previsão de vendas do pro- duto tanque para o mês de abril é de 65 unidades. Previsão de vendas do produto tanque para o mês de maio, 65 unidades a um crescimento de 8%, equivale a 71 unidades, ou seja, o estoque final da matéria-prima para o mês de abril foi calculado em função da produção necessária para o mês de maio. O estoque final para o mês de abril será de 15 unidades (71 x 20%). Portanto, conforme a Tabela 13, teremos para o produto tanque: Tabela 13: Previsão e estoque final – abril – para o produto tanque. Abril Maio Previsão de Vendas 65 71 + Estoque Final Produtos Acabados 15 – Estoque inicial Produtos Acabados 13 = Produção Necessária 67 UNIUBE 33 Previsão de vendas do produto reservatório para o mês de abril, 39 unidades. Previsão de vendas do produto reservatório para o mês de maio, 39 unidades a um crescimento de 8%, equivale a 43 unidades, ou seja, o estoque final da matéria-prima para o mês de abril foi calculado em função da produção necessária para o mês de maio. O estoque final para o mês de abril será de 9 unidades (43 x 20%) (Tabela 14). Portanto, teremos para o produto reservatório: Tabela 14: Estoque em abril – produto reservatório. Abril Maio Previsão de Vendas 39 43 + Estoque Final Produtos Acabados 09 – Estoque inicial Produtos Acabados 08 = Produção Necessária 40 Para calcular o estoque final da matéria-prima solda no mês de março, aplicamos a taxa de consumo da matéria-prima (kg/produto) na quanti- dade de produção necessária para o mês de abril. Considerando que o estoque final de um período é calculado com base na produção do pe- ríodo seguinte, extraímos os 25% estabelecidos pela política de estoque da empresa (Tabela 15). 34 UNIUBE Tabela 15: Cálculo do estoque final da matéria-prima solda para o mês de março. Produção necessária para o mês de abril MP/Un. Total MP E.F./MP Tanque – 67 unidades 2 134 34 Reservatório – 40 unidades 5 200 50 334 84 Para calcular o estoque final da matéria-prima chapa no mês de março, aplicamos a taxa de consumo da matéria-prima (un./produto) na quanti- dade de produção necessária para o mês de abril. Considerando que o estoque final de um período é calculado com base na produção do pe- ríodo seguinte, extraímos os 25% estabelecidos pela política de estoque da empresa (Tabela 16). Tabela 16: Cálculo do estoque final da matéria-prima chapa para o mês de março. Produção necessária para o mês de abril MP/Un. Total MP E.F./MP Tanque – 67 unidades 5 335 84 Reservatório – 40 unidades 8 320 80 655 164 Para calcular o estoque final da matéria-prima tinta no mês de março, aplicamos a taxa de consumo da matéria-prima (litros/produto) na quantidade de produção necessária para o mês de abril. Considerando que o estoque final de um período é calculado com base na produção UNIUBE 35 do períodoseguinte, extraímos os 25% estabelecidos pela política de estoque da empresa (Tabela 17). Tabela 17: Cálculo do estoque final da matéria-prima tinta para o mês de março. Produção necessária para o mês de abril MP/Un. Total MP E.F./MP Tanque – 67 unidades 0 0 0 Reservatório – 40 unidades 5 200 50 200 50 O orçamento de consumo e compras de matérias-primas é importante não só para manter melhor controle dos estoques e suprir a necessidade da produção, como também por ser ferramenta para negociação de preços junto ao fornecedor, haja vista que se pode ter um planejamento detalhado da intenção de compra da matéria-prima por um período de doze meses. 1.6 Mão de obra direta O orçamento de mão de obra direta será estimado pela quantidade de mão de obra direta necessária para executar o planejamento da produ- ção. Essa estimativa pode ser através do registro de tempos e movimen- tos, estimativas diretas dos supervisores ou análise de dados estatísticos. O objetivo macro do orçamento de mão de obra direta é estimar a necessidade de recursos humanos, recru- tamento, treinamento, avaliação e especificação de tarefas, avaliação de desempenhos, negociação com sindicatos e administração salarial. 36 UNIUBE O orçamento de mão de obra direta tem como proce- dimento a determinação do número de horas neces- sárias para produzir cada produto, taxas médias de remuneração por departamento, centro de custos ou operação. Além de estimar relações diretas entre o custo de MOD e alguma medida de volume, estabe- lecer critérios para a determinação do pessoal neces- sário em função das horas estimadas, transformadas em número de empregados. (LUNKES, 2008, p. 47) Uma vez projetada a taxa hora que será utilizada, devem-se projetar o custo total da mão de obra, que deve compor o custo de mão de obra direta, e todos os custos relativos ao pessoal que exercem atividades específicas na produção, como por exemplo encargos sociais correspon- dentes aos prêmios e aos valores de horas-extras. O planejamento e controle dos custos de mão de obra envolvem áreas importantes e complexas tais como (1) necessidades de recursos huma- nos, (2) recrutamento, (3) treinamento, (4) avaliação e especificação de tarefas, (5) avaliação de desempenho, (6) negociações com sindicatos, (7) administração salarial. Cada uma dessas áreas poderá assumir maior importância do que outas numa situação qualquer. Um programa amplo de planejamento e controle de resultados deve ser organizado a partir de técnicas e abordagens apropriadas e desenvolvidas especificamente para cada uma dessas áreas (WELSCH, 1996, p. 160). O orçamento de previsão de mão de obra direta pode ser representado de acordo com os exemplos das tabelas 18, 19 e 20. UNIUBE 37 Tabela 18: Orçamento de mão de obra direta para o período de 12 meses, destacando-se mês a mês. (Nome da Empresa) Orçamento de Mão de Obra Direta (Valores em $) (Período) Produto Jan. Fev. Mar. Abr. Maio Jun. Jul. Ago. Set. Out. Nov. Dez. Total Produto A Previsão Produção/ (Unidades) MOD por Unidade/ (Horas) Total MOD Necessária (Horas) Previsão Valor Hora MOD em $ Custo Total MOD – Produto A Produto B Previsão Produção/ (Unidades) MOD por Unidade/ (Horas) Total MOD Necessária (Horas) Previsão Valor Hora MOD em $ Custo Total MOD – Produto B 38 UNIUBE Tabela 19: Orçamento de mão de obra direta para o período de 12 meses, representado em 6 bimestres. (Nome da Empresa) Orçamento de Mão de Obra Direta (Valores em $) (Período) Produto 1o Bim. 2o Bim. 3o Bim. 4o Bim. 5o Bim. 6o Bim. Total Produto A Previsão de Produção/ (Unid.) MOD por Unidade/ (Horas) Total MOD Necessária (Horas) Previsão Valor Hora MOD em $ Custo Total MOD – Produto A Produto B Previsão de Produção/ (Unid.) MOD por Unidade/ (Horas) Total MOD Necessária (Horas) Previsão Valor Hora MOD em $ Custo Total MOD – Produto B UNIUBE 39 Tabela 20: Orçamento de mão de obra direta para o período de 12 meses, representado em 4 trimestres. (Nome da Empresa) Orçamento de Mão de Obra Direta (Valores em $) (Período) Produto 1o Trim. 2o Trim. 3o Trim. 4o Trim. Total Produto A Previsão de Produção/ (Unid.) MOD por Unidade/ (Horas) Total MOD Necessária (Horas) Previsão Valor Hora MOD em $ Custo Total MOD – Produto A Produto B Previsão de Produção/ (Unid.) MOD por Unidade/ (Horas) Total MOD Necessária (Horas) Previsão Valor Hora MOD em $ Custo Total MOD – Produto B Para Moreira (2002, p. 81), O orçamento de mão de obra direta (MOD) visa de- terminar, por produtos, departamentos e períodos, a quantidade de horas de mão de obra direta e os custos das horas de mão de obra direta trabalhadas, aplicadas diretamente à produção, em função das quantidades dos produtos a serem produzidas. 40 UNIUBE O orçamento de mão de obra direta, além de fornecer os custos de mão de obra direta unitária e total para cada produto, permite-nos visualizar as horas necessárias na produção de cada unidade. exemplificando! Elaborado o orçamento de consumo e compras de matérias-primas, o pró- ximo passo é a elaboração do orçamento da mão de obra direta necessária (Tabela 21). O orçamento de mão de obra direta da empresa T&R Tanques e Reservatórios S/A, deve ser elaborado, considerando o valor da hora e o tempo necessário para se produzir cada unidade de produto. Sabendo-se que o valor da hora trabalhada, incluindo os encargos sociais, é de $ 8,50 e que são necessárias 16 horas de trabalho direto para produzir cada unidade do produto tanque e 22 horas para produzir cada unidade do produto reservatório, elabore o orçamento dos custos de mão de obra direta para o primeiro trimestre 2011. Tabela 21: Orçamento de mão de obra direta. Empresa XPTO Ltda. Orçamento de Mão de obra direta (Valores em $) Primeiro trimestre/2011 Jan. Fev. Mar. Total Produto – Tanque Previsão de Produção (Unidades) 56 61 168 MOD por Unidade (Horas) 16 16 16 Total de MOD Necessária (Horas) 896 976 2.688 Previsão Valor Hora MOD – $ 8,50 8,50 8,50 Custo Total da MOD – Tanque 7.616 8.296 22.848 Produto – Reservatório Previsão de Produção (Unidades) 31 33 37 101 MOD por Unidade (Horas) 22:00 22:00 22:00 22:00 UNIUBE 41 Total de MOD Necessária (Horas) 682 726 814 2.222 Previsão Valor Hora MOD – $ 8,50 8,50 8,50 8,50 Custo Total da MOD – Reservatório 5.797 6.171 6.919 18.887 Custo Total da MOD 12.733 13.787 15.215 41.735 O orçamento de mão de obra direta é uma ferramenta importante, pois permite ao gestor de orçamento, além de controlar os custos de mão de obra de cada produto, visualizar os períodos em que a mão de obra possa estar ociosa ou sobrecarregada, tomando decisões estratégicas para maximizar a utilização da mão de obra disponível. 1.7 Custos indiretos de produção São custos indiretos de produção todos os gastos incorridos indiretamente pelos departamentos ou produtos. São alocados a cada departamento ou produto através dos critérios de rateio, do sistema de contabilidade de custos. Os custos de produção podem ser classificados em: • Custos fixos: são aqueles que existem independentemente da produ- ção; são fixos no total, porém variam por unidade, em função do nível de produção. • Custos variáveis: são aqueles que oscilam numa proporção constante com a produção; caso não se produza nada, eles não existirão. São fixos por unidade produzida. 42 UNIUBE • Custos semivariáveis: são aqueles que variam, mas não na mesma proporção que a produção; são compostos por uma parcela fixa e outra parcela variável. Sanvicente e Santos (1995, p. 91) definem que: Os custos indiretos de produção abrangem todos os custos fabris que não podem ser classificados como mão de obra direta ou matéria-prima, e são incorridos a nível de departamento ou ao nível da fabrica como um todo. Segundo Welsch (1996, p. 178), os custos indiretos de produção representam aquela parte do custo total de produção que nãoé diretamente inidentificável (associável) com produtos ou trabalhos específicos. As despesas consistem em (1) materiais indiretos, (2) mão de obra indireta e (3) despesas diversas de fabricação, tais como impostos, seguros, depreciação, materiais de consumo, luz, agua, gás e manutenção. Os orçamentos de previsão de custos indiretos de produção podem ser representados de acordo com os exemplos das tabelas 22, 23 e 24. Tabela 22: Orçamento de custos indiretos de produção para o período de 12 meses, destacando-se mês a mês. (Nome da Empresa) Orçamento de Custos Indiretos de Produção (Valores em $) (Período) Produto Jan. Fev. Mar. Abr. Maio Jun. Jul. Ago. Set. Out. Nov. Dez. Total Produto A Salários supervisão Depreciação Manutenção UNIUBE 43 Energia elétrica Total dos CIP – Produto A Produto B Salários supervisão Depreciação Manutenção Energia elétrica Total dos CIP – Produto B Total Geral dos CIP Tabela 23: Orçamento de custos indiretos de produção para o período de 12 meses, representado em 6 bimestres. (Nome da Empresa) Orçamento de Custos Indiretos de Produção (Valores em $) (Período) Produto 1o Bim. 2o Bim. 3o Bim. 4o Bim. 5o Bim. 6o Bim. Total Produto A Salários supervisão Depreciação Manutenção Energia elétrica Total dos CIP – Produto A Produto B Salários supervisão Depreciação Manutenção 44 UNIUBE Energia elétrica Total dos CIP – Produto B Total Geral dos CIP Tabela 24: Orçamento de custos indiretos de produção para o período de 12 meses, representado em 4 trimestres. (Nome da Empresa) Orçamento de Custos Indiretos de Produção (Valores em $) (Período) Produto 1o Trim. 2o Trim. 3o Trim. 4o Trim. Total Produto A Salários supervisão Depreciação Manutenção Energia elétrica Total dos CIP – Produto A Produto B Salários supervisão Depreciação Manutenção Energia elétrica Total dos CIP – Produto B Total Geral dos CIP Segundo Moreira (2002, p. 90), Os custos indiretos de fabricação (CIF) abrangem os custos decorrentes do processo produtivo que não podem ser identificados diretamente com os respecti- vos produtos e devem ser agregados ao custo dos produtos segundo critério de rateio. UNIUBE 45 O orçamento de custos indiretos de produção deve ser elaborado pelos diversos setores ou departamentos e, após sua aprovação, os seus custos devem ser apropriados aos diversos produtos. exemplificando! O orçamento de custos indiretos de produção consiste em relacionar os custos que não são apropriados aos produtos diretamente, portanto, necessitam de alguma forma de rateio. Para a elaboração do orçamento de custos indiretos de produção, a compa- nhia solicitou à contabilidade de custos estudo para saber qual o melhor critério de apropriação e a empresa concluiu que a melhor maneira de se ratear os custos indiretos de produção seria com base nas quantidades produzidas. Considerando que os custos indiretos de produção para o ano de 2011 estão estimados conforme apresentado, a seguir, elabore o orçamento de custos indiretos de produção para o primeiro trimestre de 2011 (tabelas 25 e 26). Tabela 25: Custos indiretos de produção. Descrição Previsões para 2011 Salários supervisão $ 72.000 Depreciação $ 36.000 Manutenção $ 13.560 Energia elétrica $ 61.440 Taxas e Seguros $ 20.880 Total $ 203.880 46 UNIUBE Tabela 26: Orçamento de custos indiretos de produção. Empresa XPTO Ltda. Orçamento de Custos Indiretos de Produção (Valores em $) Primeiro trimestre/2011 Janeiro Fevereiro Março Total Produto – Tanque Salários supervisão 3.732 3.776 3.734 11.242 Depreciação 1.866 1.887 1.867 5.620 Manutenção 703 711 703 2.117 Energia elétrica 3.184 3.222 3.187 9.593 Taxas e Seguros 1.082 1.095 1.083 3.260 Total dos CIP – Tanque 10.567 10.691 10.574 31.832 Produto – Reservatório Salários supervisão 2.268 2.224 2.266 6.758 Depreciação 1.134 1.113 1.133 3.380 Manutenção 427 419 427 1.273 Energia elétrica 1.936 1.898 1.933 5.767 Taxas e Seguros 658 645 657 1.960 Total dos CIP – Reservatório 6.423 6.299 6.416 19.138 Total dos CIP 8.030 8.030 8.030 50.970 Para ratear custos indiretos dos salários da supervisão, com base na quantidade produzida, devemos realizar os seguintes cálculos (Tabela 27): a) Primeiro passo: valor estimado a ser gasto no período $ 72.000 ÷ 12 meses; equivale a um gasto médio mensal de $ 6.000. b) Segundo passo: ratear o gasto médio mensal pela quantidade produzida. UNIUBE 47 Tabela 27: Custos indiretos dos salários da supervisão. Apropriação dos custos indiretos com salário da supervisão Mês Gasto/ mês Quant. Produzida Custo/ Produto Quant. Tanque Valor Rateado Quant. Reservatório Valor Rateado Jan. 6.000 82 73,17 51 3.732 31 2.268 Fev. 6.000 89 67,42 56 3.776 33 2.224 Mar. 6.000 98 61,22 61 3.734 37 2.266 Para ratear os custos indiretos de depreciação com base na quantidade produzida, devemos realizar os seguintes cálculos (Tabela 28): a) Primeiro passo: valor estimado a ser gasto no período $ 36.000 ÷ 12 meses; equivale a um gasto médio mensal de $ 3.000. b) Segundo passo: ratear o gasto médio mensal pela quantidade pro- duzida. Tabela 28: Custos indiretos com depreciação. Apropriação dos custos indiretos com depreciação Mês Gasto/ mês Quant. Produzida Custo/ Produto Quant. Tanque Valor Rateado Quant. Reservatório Valor Rateado Jan. 3.000 82 36,59 51 1.866 31 1.134 Fev. 3.000 89 33,71 56 1.887 33 1.113 Mar. 3.000 98 30,61 61 1.867 37 1.133 Para ratear os custos indiretos de manutenção com base na quantidade produzida, devemos realizar os seguintes cálculos (Tabela 29): 48 UNIUBE a) Primeiro passo: valor estimado a ser gasto no período $ 13.560 ÷ 12 meses; equivale a um gasto médio mensal de $ 1.130. b) Segundo passo: ratear o gasto médio mensal pela quantidade pro- duzida. Tabela 29: Custos indiretos com manutenção. Apropriação dos custos indiretos com manutenção Mês Gasto/ mês Quant. Produzida Custo/ Produto Quant. Tanque Valor Rateado Quant. Reservatório Valor Rateado Jan. 1.130 82 13,78 51 703 31 427 Fev. 1.130 89 12,70 56 711 33 419 Mar. 1.130 98 11,53 61 703 37 427 Para ratear os custos indiretos de energia elétrica com base na quan- tidade produzida, devemos realizar os seguintes cálculos (Tabela 30): a) Primeiro passo: valor estimado a ser gasto no período $ 61.440 ÷ 12 meses; equivale a um gasto médio mensal de $ 5.120. b) Segundo passo: ratear o gasto médio mensal pela quantidade pro- duzida. Tabela 30: Apropriação dos custos indiretos com energia elétrica. Apropriação dos custos indiretos com energia elétrica Mês Gasto/ mês Quant. Produzida Custo/ Produto Quant. Tanque Valor Rateado Quant. Reservatório Valor Rateado Jan. 5.120 82 62,44 51 3.184 31 1.936 Fev. 5.120 89 57,53 56 3.222 33 1.898 Mar. 5.120 98 52,24 61 3.187 37 1.933 UNIUBE 49 Para ratear custos indiretos de taxas e seguros com base na quantidade produzida, devemos realizar os seguintes cálculos (Tabela 31): a) Primeiro passo: valor estimado a ser gasto no período $ 20.880 ÷ 12 meses; equivale a um gasto médio mensal de $ 1.740. b) Segundo passo: ratear o gasto médio mensal pela quantidade pro- duzida. Tabela 31: Apropriação dos custos indiretos com taxas de seguros. Apropriação dos custos indiretos com taxas de seguros Mês Gasto/ Mês Quant. Produzida Custo/ Produto Quant. Tanque Valor Rateado Quant. Reservatório Valor Rateado Jan. 1.740 82 21,22 51 1.082 31 658 Fev. 1.740 89 19,55 56 1.095 33 645 Mar. 1.740 98 17,76 61 1.083 37 657 É Importante lembrar que, para a apropriação dos custos indiretos de produção, deve-se estudar cuidadosamente qual o melhor critério de rateio, pois a utilização de um critério errado pode viabilizar um produto inviável ou inviabilizar um produto viável, em função da carga de custos atribuída aos produtos. 1.8 Orçamentos de despesas administrativas e de vendas 1.8.1 Orçamento de despesas administrativas As despesas administrativas e de vendas estãodiretamente associadas à previsão de vendas, pois elas determinarão os recursos e os esforços necessários para possibilitá-la. 50 UNIUBE As despesas administrativas, de vendas e financeiras e de pessoal incluem todos os gastos necessários para a gestão das operações da empresa e também os itens relativos a pessoal, viagens, telefones, correio, fax, material de escritório, depreciação dos bens de escritório, seguros, taxas, energia elétrica, entre outros (LUNKES, 2008, p. 47). O orçamento de despesas administrativas contempla todas as despesas necessárias para a gestão das operações de uma empresa, ou seja, pessoal, telefones, material de escritório, depreciação de máquinas e equipamentos de escritório, dentre outros. Segundo Santos et al. (2008, p. 112): O orçamento de despesas administrativas é a peça do orçamento empresarial que apresenta todos os gastos com a direção ou gestão da empresa. Objetiva prever os gastos, pagos ou incorridos, para direção ou gerenciamento da empresa, e se constituem de várias atividades gerais que beneficiam todas as fases do negócio ou objeto social. Constam dessa categoria itens como os honorários da administração, salários e encargos do pessoal administrativo, despesas legais e judiciais, materiais de expediente e de limpeza da área administrativa, energia elétrica da área admi- nistrativa, depreciação dos bens localizados na área administrativa etc. 1.8.2 Orçamento de despesas de vendas O orçamento de despesas de vendas compreende todos os gastos efetua dos com a venda e a distribuição dos produtos. Exemplo: despesas com salários e comissões de vendedores, amostras, viagens, propagan- das, fretes e carretos, manutenção de veículos e outras. UNIUBE 51 Segundo Santos et al. (2008, p. 112): O orçamento de despesas com vendas é a peça do orçamento empresarial que apresenta todos os gas- tos necessários para vender os produtos da empresa. Assim, objetiva prever os gastos com promoção, co- locação e distribuição dos produtos da empresa, bem como os riscos assumidos pela venda, constando dessa categoria despesas como a de pessoal da área de vendas, marketing, distribuição, distribuição, pessoal administrativo interno de vendas, comissões sobre vendas, propaganda e publicidade, brindes, perdas com devedores duvidosos, aluguel da área de vendas, ma- terial de expediente e limpeza da área de vendas etc. Os orçamentos de previsão de despesas administrativas e de vendas podem ser representados de acordo com os exemplos das tabelas 32, 33 e 34. Tabela 32: Orçamento de despesas de vendas e administrativas para o período de 12 meses, destacando-se mês a mês. Empresa XPTO Ltda. Orçamento de Despesas de Vendas e Administrativas (Valores em $) (Período) Produto Jan. Fev. Mar. Abr. Maio Jun. Jul. Ago. Set. Out. Nov. Dez. Total Despesas Variáveis Produto A Comissões Vendas Frete Subtotal Variável Produto B Comissões Vendas Frete 52 UNIUBE Subtotal Variável Total Variável Despesas Fixas Propaganda Salários de Vendas Salários Administração Energia elétrica Taxas e Seguros Depreciação Total Fixo Total das Despesas Tabela 33: Orçamento de despesas de vendas e administrativas para o período de 12 meses, representado em 6 bimestres. Empresa XPTO Ltda. Orçamento de Despesas de Vendas e Administrativas (Valores em $) (Período) 1o Bim. 2o Bim. 3o Bim. 4o Bim. 5o Bim. 6o Bim. Total Despesas Variáveis Produto A Comissões Vendas Frete Subtotal Variável Produto B Comissões Vendas Frete Subtotal Variável Total Variável UNIUBE 53 Despesas Fixas Propaganda Salários de Vendas Salários Administração Energia elétrica Taxas e Seguros Depreciação Total Fixo Total das Despesas Tabela 34: Orçamento de despesas de vendas e administrativas para o período de 12 meses, representado em 4 trimestres. Empresa XPTO Ltda. Orçamento de Despesas de Vendas e Administrativas (Valores em $) (Período) 1o Trim. 2o Trim. 3o Trim. 4o Trim. Total Despesas Variáveis Produto A Comissões Vendas Frete Subtotal Variável Produto B Comissões Vendas Frete Subtotal Variável Total Variável Despesas Fixas Propaganda Salários de Vendas Salários Administração Energia elétrica 54 UNIUBE Taxas e Seguros Depreciação Total Fixo Total das Despesas Para Moreira (2002, p. 113), o orçamento de despesas comerciais e ad- ministrativas envolve o planejamento dos valores a serem despendidos na comercialização e nas funções de apoio às atividades operacionais. A elaboração dos orçamentos de despesas administrativas e de vendas deve ficar a cargo dos responsáveis de cada departamento. A contabi- lidade da empresa é parceira fundamental para fornecimento de dados históricos das despesas de cada departamento. exemplificando! A partir das informações fornecidas pela Companhia T&R Tanques e Reser- vatórios, vamos agora elaborar a projeção do orçamento de despesas de vendas e despesas administrativas para o 1o trimestre de 2011 (Tabela 35). A empresa estabelece como política de comissões de vendas 1,5% e 2,0% do preço de venda livre dos impostos para os respectivos produtos tanque e reservatório. O serviço de entrega é terceirizado e a empresa possui um contrato de pagamento de frete de R$ 120,00 paro o produto tanque e R$ 180,00 pra o produto reservatório. As previsões de despesas fixas para o ano de 2011 estão relacionadas nas tabelas 35 e 36, a seguir: UNIUBE 55 Tabela 35: Projeção do orçamento para 2011. Descrição Previsões despesas para 2011 em $ Propaganda 27.360 Salários de Vendas 21.600 Salários Administração 43.200 Energia elétrica 39.792 Taxas e Seguros 8.640 Depreciação 6.024 Total 146.616 Tabela 36: Orçamento de despesas de vendas. Empresa XPTO Ltda. Orçamento de Despesas de Vendas e Administrativas (Valores em $) Primeiro trimestre/2011 Janeiro Fevereiro Março Total Despesas Variáveis Produto Tanque Comissões Vendas 900 990 1.080 2.970 Frete 6.000 6.600 7.200 19.800 Subtotal Variável 6.900 7.590 8.280 22.770 Produto Reservatório Comissões Vendas 1.080 1.188 1.296 3.564 Frete 5.400 5.940 6.480 17.820 Subtotal Variável 6.480 7.128 7.776 21.384 Total Variável 13.380 14.718 16.056 44.154 Despesas Fixas Propaganda 2.280 2.280 2.280 6.840 Salários de Vendas 1.800 1.800 1.800 5.400 Salários Administração 3.600 3.600 3.600 10.800 Energia elétrica 3.316 3.316 3.316 9.948 Taxas e Seguros 720 720 720 2.160 Depreciação 502 502 502 1.506 Total Fixos 12.218 12.218 12.218 36.654 Total das Despesas 25.598 26.936 28.274 80.808 56 UNIUBE O orçamento de despesas administrativas e de vendas permite ao gestor visualizar as respectivas despesas diretas a cada produto, bem como as despesas fixas necessárias para operacionalizar as atividades administrativas e vendas da empresa. Resumo Neste capítulo, compreendemos a importância do sistema orçamentário para o contexto empresarial e, principalmente, a utilização do mesmo para a competitividade das organizações. É importante ressaltar que, para obter sucesso na implantação do sistema orçamentário, o mesmo deve ser preparado para os diversos níveis e setores da organização, bem como é necessário que haja o envolvimento de todos, principalmente da diretoria administrativa da empresa. Ressaltamos, ainda, que o planejamento orçamentário anual (curto prazo) fornece as diretrizes para dar início ao planejamento para os doze meses seguintes e que o planejamento de longo prazo pode não existir formalmente, mas todo administrador tem pelo menos alguma ideia do que pretende para os períodos posteriores a um ano. Você estudou que, uma vez definidos os objetivos, as políticas, as metas e as condições para o período de doze meses, podemos dar início à preparação do orçamento, que deve sempre iniciar pelas previsões de vendas, haja vista que a produção, o investimento em estoques, os custos indiretos e das despesas terão ligação com o volume físico de vendas. UNIUBE 57 Atividades As atividades que indicamos visama sua assimilação da teoria versus prática aplicada nas organizações. Portanto, é interessante que você faça a leitura de todo o material que preparamos para você, antes de iniciar suas atividades. A construção do saber se fundamenta no estudo da teoria e em sua aplicabilidade. Caso encontre dificuldades na resolução das atividades, retorne ao material e faça a releitura; tudo isso completará sua formação profissional. Atividade 1 A empresa XPTO atende os mercados de Uberaba e Araxá. Elabore o orçamento de vendas para o primeiro trimestre de 2010, considerando que a empresa tem uma estimativa de vendas para os respectivos mer- cados, no mês de janeiro, de 600 unidades e 400 unidades do produto A e de 380 unidades e 300 unidades do produto B, com uma projeção de crescimento de 5% a cada mês. A empresa projeta um preço de venda descontados os impostos de $ 60,00 para o produto A e $ 80,00 para o produto B no referido período. Em caso de quantidades decimais, o critério de arredondamento deverá ser para maior. Empresa XPTO Ltda. Orçamento de Vendas (Valores em $) Primeiro trimestre/2010 Produtos Janeiro Fevereiro Março Total Trimestre Qtd. Vl. Total Qtd. Vl. Total Qtd. Vl. Total Qtd. Vl. Total A B Total 58 UNIUBE Uberaba A B Total Araxá A B Total Atividade 2 A partir do orçamento de vendas, elabore o orçamento de produção (em quantidades) para o primeiro trimestre de 2010, sabendo-se que a empresa mantém uma política de estoque de produtos acabados de 20% da previsão de vendas do período seguinte. O estoque no final do período de 2009 era de 200 unidades do produto A e 136 unidades do produto B. Lembre-se de que o estoque final de um período é igual ao estoque inicial do período seguinte. Empresa XPTO Ltda. Orçamento de Produção (em Unidades) Primeiro trimestre/2010 Jan. Fev. Mar. Total Produto A Vendas Previstas + Estoque Final Produtos Acabados – Estoque Inicial Produtos Acabados ( = ) Produção Necessária UNIUBE 59 Produto B Vendas Previstas + Estoque Final Produtos Acabados – Estoque Inicial Produtos Acabados = Produção Necessária Atividade 3 A empresa mantém em estoque a quantidade de matérias-primas sufi- cientes para produzir 10% da previsão de produção. Sabendo-se que o produto A utiliza para cada unidade produzida 2 kg matéria-prima XY ($ 5,00/kg) e 1 kg matéria-prima BZ ($ 8,00/kg) e que o produto B utiliza para cada unidade produzia 5 kg matéria-prima XY, elabore o orçamento de compras e custos de matérias-primas. Observação: O estoque final da matéria-prima XY no final do período de 2009 era de 545 kg e o da matéria-prima BZ era de 101 kg. Empresa XPTO Ltda. Orçamento de Compras e Custos de Matérias-primas Primeiro trimestre/2010 Janeiro Fevereiro Março Total Matéria-prima XY Requerido na produção (Kg) Produto A – 2 kg matéria- prima por un. Produto B – 5 kg matéria- prima por un. Total 60 UNIUBE + Estoque Final Matéria-prima – Estoque Inicial Matéria-prima = Compras em Quantidades Compras em $ Matéria-prima BZ Requerido na produção (Kg) Produto A – 1 kg matéria- prima por un. Produto B – não utiliza esta MP Total + Estoque Final Matéria-prima – Estoque Inicial Matéria-prima = Compras em Quantidades Compras em $ Atividade 4 Sabendo-se que o valor da hora trabalhada, incluindo os encargos so- ciais, é de $ 6,00 e que são necessárias duas horas de trabalho direto para produzir o produto A e três horas para produzir o produto B, elabore o orçamento dos custos de mão de obra direta. Empresa XPTO Ltda. Orçamento de Mão de obra direta (Valores em $) Primeiro trimestre/2010 Janeiro Fevereiro Março Total Produto A Previsão de Produção/ (Unidades) MOD por Unidade/ (Horas) Total de MOD Necessária/ Horas UNIUBE 61 Previsão Valor Hora MOD em $ Custo Total da MOD – Produto A Produto B Previsão de Produção/ (Unidades) MOD por Unidade/ (Horas) Total de MOD Necessária (Horas) Previsão Valor Hora MOD em $ Custo Total da MOD – Produto B Custo Total da MOD Atividade 5 Através de estudos, a empresa concluiu que a melhor maneira de se ratearem os custos indiretos de produção seria com base nas quanti- dades produzidas. Considerando que os custos indiretos de produção para o ano de 2010 estão estimados conforme quadro abaixo, elabore o orçamento de CIP para o primeiro trimestre de 2010. Descrição Previsões para 2010 Salários supervisão $ 36.000 Depreciação $ 18.000 Manutenção $ 16.800 Energia elétrica $ 15.360 Taxas e Seguros $ 10.200 Total $ 96.360 62 UNIUBE Empresa XPTO Ltda. Orçamento de Custos Indiretos de Produção (Valores em $) Primeiro trimestre/2010 Janeiro Fevereiro Março Total Produto A Salários supervisão Depreciação Manutenção Energia elétrica Taxas e Seguros Total dos CIP – Produto A Produto B Salários supervisão Depreciação Manutenção Energia elétrica Taxas e Seguros Total dos CIP – Produto B Total dos CIP Atividade 6 A empresa estabelece sua política de comissões de vendas de 2% do preço de venda livre dos impostos. O serviço de entrega é terceirizado e a empresa possui um contrato de pagamento de frete de $ 0,80 por produto. As previsões de despesas fixas para o ano de 2010 estão rela- cionadas no quadro abaixo: Descrição Previsões para 2010 Propaganda $ 27.360 Salários de Vendas $ 21.600 Salários Administração $ 43.200 Energia elétrica $ 3.792 UNIUBE 63 Taxas e Seguros $ 2.640 Depreciação $ 3.996 Total $ 102.588 Empresa XPTO Ltda. Orçamento de Despesas de Vendas e Administrativas (Valores em $) Primeiro trimestre/2010 Janeiro Fevereiro Março Total Despesas Variáveis Produto A Comissões Vendas Frete Subtotal Variável Produto B Comissões Vendas Frete Subtotal Variável Total Variável Despesas Fixas Propaganda Salários de Vendas Salários Administração Energia elétrica Taxas e Seguros Depreciação Total Fixos Total das Despesas Referências BROOKSON, Stephen. Como elaborar orçamentos. São Paulo: Publifolha, 2000. FREZATTI, Fábio. Orçamento empresarial, planejamento e controle gerencial. São Paulo: Atlas, 2007. 64 UNIUBE LUNKES, Rogério João. Manual de orçamento. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2008. MOREIRA, José Carlos (Coord.). Orçamento empresarial: manual de elaboração. São Paulo: Atlas, 2002. PARSLOE, Eric; WRIGHT, Raymond. O orçamento. São Paulo: Nobel, 2001. SÁ, Carlos Alexandre; MORAES, José Rabelho. O orçamento estratégico: uma visão empresarial. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2005. SANTOS, José Luiz et al. Fundamentos de orçamento empresarial. São Paulo: Atlas, 2008. SANVICENTE, Antonio Zorato; SANTOS, Celso da Costa. Orçamento na administração de empresas: planejamento e controle. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1995. SOBANSKI, J. J. Prática de orçamento empresarial: um exercício programado. São Paulo: Atlas,1996. WELSCH, Glenn Albert. Orçamento empresarial. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1996. ______. Orçamento empresarial: planejamento e controle do lucro. São Paulo: Atlas, 1971. Orçamento e planejamento de investimentos e de fluxo de caixa Capítulo 2 Sérgio Querino Antunes Introdução Caro estudante, No Capítulo 1 deste componente, você estudou os conceitos e aplicabilidade do orçamento empresarial. Neste capítulo, vamos aprofundar um pouco mais no uso desta ferramenta. Estudaremos outros dois orçamentos ligados diretamente ao que a empresa pretende projetar para o futuro: os orçamentos de investimento e o fluxo de caixa. O orçamento de investimento também é conhecido como orça- mento de projetos ou orçamento de capital. O orçamento de projetos des- taca o quanto foi ou será gasto no investimento de um deter- minado projeto. Por exemplo, dentre outros, podemos citar a construção de um navio, um avião, uma caldeira. O orçamento de capital é utilizado principalmente pe- los órgãos públicos que, por força da Lei 4.320/64, são obrigados a apresentá-los anualmente. 66 UNIUBE As empresas que querem permanecer ou tornarem-se compe- titivasdevem investir sempre no seu ativo. Assim estarão ino- vando e criando um diferencial para seus clientes. Uma dúvida crucial que faz muitos empresários perderem o sono é quando e quanto investir. O fluxo de caixa poderá responder boa parte desta dúvida. Portanto, convidamos você para estudar os conceitos e aplica- bilidade destes dois orçamentos, aprendendo e aprofundando seus conhecimentos neste mundo tão estimulante chamado orçamento empresarial. Deste modo é primordial e indispensá- vel sua dedicação para que consiga aprender e entender o que estamos desenvolvendo. Bons estudos! Objetivos Após os estudos realizados a partir deste capítulo, esperamos que você esteja apto a: • definir os conceitos, princípios e importância da elabo- ração e análise dos orçamentos de investimentos e de caixa; • planejar e elaborar os orçamentos de investimentos e de caixa; • tomar decisões, baseando-se em dados orçados. UNIUBE 67 Esquema Orçamento e planejamento de caixa Investimentos e de fluxo de caixa Orçamento de investimento Orçamento de caixa Atividades propostas 2.1 Orçamento de investimento e orçamento de caixa 2.1.1 Orçamento de investimento Na elaboração do orçamento de investimento, devemos considerar todos os gastos necessários para modificações e melhorias da capacidade pro- dutiva e de prestação de serviços, bem como a ampliação da empresa. Gastos destinados à pesquisa e ao desenvolvimento de produtos, aqui- sição de máquinas e equipamentos, computadores, mobiliários e até mesmo aquisição de outras empresas, devem ser contemplados no orçamento de investimento. Segundo Lunkes (2008, p. 56), [...] o gerenciamento dos investimentos é fundamental para o desenvolvimento e a concretização das metas orçamentárias. As empresas que querem permanecer competitivas necessariamente terão que investir mon- tantes cada vez maiores de recursos em seus ativos. Para piorar a situação, as necessidades e os cenários 68 UNIUBE mudam a qualquer momento, portanto, fica evidente que não há margem para erros quando definir, elaborar e implementar investimentos de longo prazo. importante! O orçamento de investimento está diretamente relacionado aos planos de longo prazo, pois através dos objetivos planejados para longo prazo pode-se viabilizar e perceber a natureza dos investimentos. Os projetos de investimentos, normalmente, envolvem altas aplicações de recursos e seu impacto sobre o fluxo de caixa da empresa e estende-- -se por vários períodos futuros. Isso acontece por causa do envolvimento das estimativas de gastos que não são desembolsáveis em um único período ou não geram receitas no período de implantação ou aquisição. importante! Projetos são os investimentos que ultrapassam o plano orçamentário anual, ou seja, envolvem exercícios futuros. Para Frezatti (2007, p. 67): O orçamento de capital contempla os projetos identifi- cados, analisados e escolhidos dentre várias opções de propostas de investimentos do ativo permanente da entidade. Em outras palavras, toda análise de ade- quação financeira deve ter sido feita no planejamento estratégico para que o momento do orçamento sirva apenas para a implantação de uma decisão já tomada. Essas propostas de projetos, além de um racional para defender sua necessidade, análise financeira demonstrando o seu retorno, devem ser estruturadas UNIUBE 69 e agrupadas sendo demandadas, dentre outros, pelos seguintes motivos: • projetos requeridos pelas operações, essenciais às mesmas para que os objetivos sejam atingidos. São os projetos realmente significativos para a entidade do ponto de vista de atingir seus objetivos estratégicos, e isso deve ser evidenciado, tanto do ponto de vista quantitativo como qualitativo; • projetos requeridos por questões legais, para segu- rança, meio ambiente ou outros. O fato de serem compulsórios não significa que não devam ser tratados como outros projetos, expressando seus gastos e o impacto sobre criação ou destruição de valor. Na verdade, em muitos casos, dispor de um projeto para limitar e controlar gastos é o que se pode fazer para minimizar as consequências de um investimento feito em decorrência de uma imposição externa; • projetos não essências, mas geradores de resulta- dos financeiros. Trata-se de oportunidades em que a aderência estratégica não parece ser grande, mas, por deliberação e com consciência disso, os gestores decidem investir em decorrência da sua visão de oportunidade e de evolução de negócios; • melhorias opcionais das condições da empresa. São os projetos entendidos como dotação para renovar ativos existentes que, em decorrência de evolução tecnologia ou mesmo degradação física, necessitam ser repostos, sendo relevantes seus montantes. A sua característica principal pode ser postergado ou antecipado em decorrência de melhores condições financeiras ou de mercado; • outros projetos de portes não destacados. Conforme Van Home (1974, p. 36), sistematicamente, a elaboração do orçamento de capital envolve: a) a geração de propostas de investimento; b) a estimação dos fluxos de caixa das diversas pro- postas; c) a avaliação dos fluxos de caixa; 70 UNIUBE d) a escolha de projetos com base em um critério de aceitação; e) a reavaliação permanente dos projetos de investi- mento já aceitos e em execução. Portanto, é importante que os planos de investimentos sejam compatíveis com a capacidade financeira da empresa. Podemos citar como exemplos, dentre outros, a aquisição de máquinas e equipamentos para ampliação ou modernização da empresa, que são instaladas em um determinado período e gerarão receitas no fluxo de caixa. 2.1.2 Elaboração do orçamento de investimentos O orçamento de investimento pode ser feito em dois estágios: o primeiro consiste na preparação de orçamentos preliminares pelos setores e departamentos, e o segundo, na junção e preparação de um orçamento final para a organização, como um todo. De acordo com Moreira (2002, p. 48), O Plano de Investimento tem por função detalhar os investimentos planejados, especialmente os de am- pliação do Ativo Permanente da empresa, que visam atingir as metas de produção e vendas fixadas para o futuro, as quais dependem da existência de capaci- dade de produção. São previstas tanto aquisições de itens do Ativo Imobilizado, tais como novas máquinas, equipamentos ou móveis, como também aquisição de participação acionária em outras empresas. Além do valor de custo, no caso de itens do Ativo imobilizado e Diferido, inclui o custo corrigido, a depreciação, a exaustão e amortização acumuladas. UNIUBE 71 importante! É importante destacar que esta separação em dois estágios distintos permite criar níveis hierárquicos para a elaboração e, no caso de empresas descen- tralizadas, a aprovação do orçamento de investimentos. As políticas e procedimentos devem ser estabelecidos com o objetivo de não sobrecarregar a alta administração, ela deve ficar responsável pela aprovação final do orçamento de investimento, delegando aos diversos níveis hierárquicos, autoridade de aprovação, relacionada a valores. Veja no exemplo a seguir, na Tabela 1, como podemos estabelecer critérios para aprovação de investimento: Tabela 1: Níveis de autoridade. Autoridade Aprovação x valores Montante do Projeto Aprovação Exigida Até $ 1.000,00 Chefe de departamento De $ 1.000,01 a $ 5.000,00 Gerente de unidade De $ 5.000,01 a $ 50.000,00 Diretor Acima $ 50.000,00 Presidente Frezatti (2007, p. 67) diz que: O plano de investimentos no ativo permanente con- siste na etapa em que são consolidadas as decisões de investimentos da organização através do seu or- çamento de capital, também conhecido como plano de investimentos no ativo permanente. Decorre da etapa de montagem do plano estratégico, pois, caso o plano estratégico tenha sido desenvolvido de maneira estruturada, frequentemente, além das definições de 72 UNIUBE missão, objetivose estratégias, os planos de longo prazo, também deveriam ser definidos os investimen- tos em ativos permanentes decorrentes de projetos de longo prazo. A seguir são citadas as responsabilidades que ficam a cargo do responsá- vel pelo orçamento ou dos encarregados pelos setores e departamentos: 1) Avaliar se a proposta de um projeto é vantajosa ou não. Para isso existem métodos de avaliação, conforme descritos a seguir: a) Valor Presente Líquido – VPL o VPL é a comparação do va- lor presente do fluxo de caixa relacionado ao investimento. Se o valor presente das entradas de caixa for maior ou igual ao valor pre- sente das saídas de caixa, o investimento é aceitável; caso contrário, o investimento não é aceitável, pois apresenta um retorno menor que a taxa mínima exigida pela empresa. A taxa de desconto é o retorno que deve ser obtido pelo investimento para que não haja perda do valor de mercado da empresa. A análise do VPL tem como parâmetro o valor presente positivo ou negativo. Segundo Lunkes (2008, p. 56): [...] a determinação do VPL requer a comparação do valor presente de todas as entradas de caixa relacio- nadas ao investimento com o valor presente de todas saídas de caixa. Se o valor presente das entradas de caixa é maior ou igual ao valor presente das saídas de caixa (o VPL é maior ou igual a zero), neste caso, o investimento prevê um retorno pelo menos igual à taxa de desconto (a taxa mínima de retorno exi- gida) e o investimento é aceitável. Se o valor presente das saídas de caixa for maior que o valor presente das entradas de caixa, o VPL é negativo e o investimento não é aceitável, porque provê um retorno menor que a taxa mínima exigida. UNIUBE 73 exemplificando! A empresa Delta deseja adquirir um equipamento novo que custará $ 43.000,00, à vista. Esta aquisição permitirá à empresa aumentar seu fluxo de caixa em $ 12.000,00, durante cinco anos. Sabendo-se que o bem ao final de cinco anos não terá nenhum valor de venda e que a taxa mínima de retorno exigida pela empresa é de 14,5% ao ano, vamos analisar a viabilidade deste investimento. PMT = 12.000 n = 5 i = 14,5 PV = 40.706,70 VPL = 40.706,70 – 43.000 – 2.293,30 Neste caso, o investimento apresentou um retorno menor que o custo do ca- pital. Portanto, o investimento não pode ser aceito, porque diminuirá o valor de mercado da empresa. Considere o exemplo anterior: Vamos agora calcular a viabilidade do projeto com uma taxa de retorno exigida pela empresa de 12,0% ao ano. PMT = 12.000 n = 5 i = 12,0 74 UNIUBE PV = 43.257,31 VPL = 43.257,31 – 43.000 257,41 Neste caso, o investimento apresentou um retorno maior que o custo do ca- pital. Portanto, o investimento pode ser aceito, porque aumentará o valor do Ativo Permanente da empresa. a) Taxa Interna de Retorno (TIR) → A TIR é o rendimento atual ou retorno obtido por um investimento, ou seja, ela determina o rendi- mento potencial do investimento. Para Gitman (1997), a TIR pode ser definida como a taxa de desconto que iguala o valor presente das entradas de caixa ao investimento inicial referente ao projeto. A TIR pode ser calculada por meio da calculadora financeira ou Excel. Segundo Lunkes (2008, p. 56): b) o método da taxa interna de retorno difere do mé- todo do valor presente líquido, porque determina o rendimento potencial do investimento. A taxa interna de retorno é a que deixará o valor presente do dispêndio proposto igual ao valor presente das entradas de caixa anual esperadas (VPL igual a zero). Note que o método reconhece o valor do dinheiro no tempo; a taxa interna de retorno é como o método de VPL, uma técnica de fluxo de caixa descontado. exemplificando! Utilizando os exemplos da empresa Delta para cálculo do VPL, vamos de- monstrar o cálculo da TIR. UNIUBE 75 43.000 [chs] [g] [CFo] 12.000 [g] [CFj] 5 [g] [Nj] [f] [IRR] TIR = 12,24 No 1o caso, a TIR é menor que a taxa mínima de retorno exigida pela empresa (12,24 < 14,50) Portanto, o investimento não pode ser aceito. Já no 2o caso, a TIR é maior que a taxa mínima de retorno exigida pela em- presa (12,24 > 12,00). Portanto, o investimento pode ser aceito. b) Método payback O período de payback é o tempo necessário para que a empresa recupere o capital investido; ou seja, o tempo que leva para que o projeto se pague. Com este método de análise de investimento, o projeto escolhido deverá ser aquele que apresentar em termos de tempo uma recuperação mais rápida dos recursos desembolsados para sua implementação. Segundo Lunkes (2008, p. 58), “a técnica de payback identifica o período de tempo necessá- rio para recuperar o custo o capital por meio das entradas de caixa produzidas pelo investimento”. A fórmula para cálculo do período de payback é: Período de payback = Investimento Inicial Fluxo de Caixa (Positivo) 76 UNIUBE exemplificando! Na Tabela 2, ao utilizar os exemplos da empresa Delta para cálculo do pay- back teremos: Período de payback = 43.000 3,58 anos ou 3 anos e 7 meses 12.000 Tabela 2: Cálculos de payback. Cálculos dos períodos de payback Investimento inicial $ 43.000 Ano Entradas de caixa Valor acumulado 1 $ 12.000 $ 12.000 2 $ 12.000 $ 24.000 3 $ 12.000 $ 36.000 4 $ 7.000 $ 5.000 $ 43.000 5 $ 12.000 Período de payback 3 anos e 7 meses Neste caso, o período de retorno é inferior a cinco anos e, portanto, o inves- timento pode ser aceito. 2) Apresentar à alta administração, relatórios da situação dos pro- jetos de investimentos autorizados e em execução indicando os seguintes itens: • Quanto aos custos: • valor previsto do investimento; • valor gasto até o momento; • excesso ou insuficiência de gastos até o momento; UNIUBE 77 • compromissos pendentes (valores ainda não pagos); • valor ainda não gasto em relação ao total orçado; • valor estimado para concluir o projeto. • Quanto ao andamento do projeto: • data em que o projeto foi iniciado; • data de conclusão originalmente prevista; • dias ou meses estimados para a conclusão do projeto; • data de conclusão estimada; • porcentagem concluída até o momento em termos de tempo e custos. • Comentários à alta administração: • qualidade do trabalho; • acontecimentos imprevistos. Fonte: Adaptação de Welsch (1983). Ainda com relação aos relatórios que devem ser apresentados, segundo Welsch (1996, p. 384), [...] um sistema de controle de todas as empresas, exceto as muito pequenas, deve necessariamente basear-se em um sistema de relatórios de desempe- nho que indique continuamente se as operações reais estão sendo desenvolvidas em termos satisfatórios ou 78 UNIUBE não. A avaliação as operações reais à medida que a empresa passa pelo período planejado é feita através de uma comparação com os objetivos orçamentá- rios. Os relatórios de desempenho devem (1) cobrir todos os aspectos significativos das operações, (2) ser compatível com a estrutura de responsabilidades administrativas e (3) usar o princípio de administração por exceção. É importante que os relatórios de controle contemplem todas as fontes de receitas e gastos, bem como seus respectivos responsáveis e os períodos que foram ou serão gerados. exemplificando! Veja um exemplo do relatório da situação de um projeto: Suponhamos que a diretoria da Empresa Móveis Tem Tudo tenha aprovado, para dar início em 02/01/x8, um projeto de construção de um galpão orçado em $ 320.000,00, com tempo previsto de 32 meses para conclusão do projeto. O responsável pelo orçamento apresentou o seguinte relatório em 01/03/x9, conforme Tabela 3, a seguir. Tabela 3: Informativo de status de investimento. Empresa Móveis Tem Tudo Plano a Longo Prazo; Orçamento de Investimento Resumo do Projeto Construção do galpão para o período de 02/01/x8 até 30/08/x10. Data de início Meses estimados para conclusão Data de conclusão estimada % Tempo concluída até o momento Data conclusão 02/01/x8 18 meses30/08/x10 43,75 % 30/08/x10 UNIUBE 79 Valor Previsto Investimento Valor gasto até o momento Excesso ou insuficiência de gastos Compromissos pendentes Valor ainda disponível dentro orçado Valor estimado para concluir o projeto $ 320.000 $ 122.000 Não houve Não tem $ 198.000 $ 198.000 Comentários: O trabalho tem sido executado dentro dos padrões de qualidade previstos e desejados para a implantação do projeto.O alto nível de chuvas durante os meses de dezembro/x8 e janeiro/x9 não prejudicaram o andamento das obras que já se encontravam em um estágio adiantado. Segundo Sanvicente e Santos (1995, p. 144): [...] tendo-se completado e instalado o projeto, é in- dispensável que se faça um acompanhamento atento dos resultados estimados. Caso esse controle não seja feito, as taxas de retorno consideradas na aprovação de dado projeto poderão não se efetivar, comprome- tendo assim a lucratividade da empresa. Os relatórios devem ser apresentados sem excesso de informações técnicas, pois geralmente se destinam a atender as necessidades de diversos usuários que nem sempre conhecem os conceitos contábeis. importante! É importante que os dados apresentados sejam descritos de forma clara, evitando informações desnecessárias e tabelas extensas e complexas. 80 UNIUBE 2.2 Orçamento de caixa Resguardando as proporções e complexidade de uma pequena ou de uma grande empresa, a elaboração e planejamento do fluxo de caixa é uma atividade indispensável para uma boa gestão financeira de qual- quer empresa. O objetivo do orçamento de caixa é assegurar recursos monetários suficientes para atender às operações da empresa estabelecidas nas outras peças orçamentá- rias. O orçamento de caixa está sujeito a incertezas e falhas, sendo necessário ter uma margem de segu- rança que permita, assim, atender a um eventual erro da previsão. (LUNKES, 2008, p. 53) A elaboração e projeção de fluxo de caixa consistem em estimar as en- tradas de caixa decorrentes de vendas e outras receitas, bem como as saídas de caixa resultantes das despesas administrativas, operacionais, comerciais, investimentos e outras. Esta estimativa possibilita calcular os excessos de recursos, permitindo projetar investimentos com certa antecedência. E por outro lado, pode ajudar a empresa a identificar deficiências de recursos financeiros, com antecedência, o que pode possibilitar à empresa buscar recursos finan- ceiros a juros e condições de pagamentos melhores. Segundo Santos et al. (2008, p. 151): A demonstração do fluxo de caixa projetado objetiva prever se a empresa terá excesso ou insuficiência de caixa por meio da comparação dos ingressos de recursos com os desembolsos. Assim através dessa demonstração é possível determinar o momento e a forma de aquisição dos investimentos, a necessidade de recorrer a instituições financeiras, a possibilidade UNIUBE 81 de aplicar excedentes de capital de giro a curto, médio ou longo prazo, a política de prazos das vendas, a política de estocagem e a política de pagamentos das compras e de dividendos. Para Welsch (1996), as principais finalidades do orçamento de caixa podem ser assim esquematizadas: a) indicar a posição financeira provável em resultado das operações planejadas; b) indicar o excesso ou insuficiência de disponibili- dades; c) indicar a necessidade de empréstimos ou a disponi- bilidade de fundos para investimentos temporários; d) permitir a coordenação dos recursos financeiros em relação a: (1) capital de giro total, (2) vendas, (3) investimentos e (4) capital de terceiros; e) estabelecer bases sólidas para a política de crédito; f ) estabelecer bases sólidas para o controle corrente da posição financeira. exemplificando! Retornando ao exemplo da empresa Delta prepara o orçamento de caixa mensalmente. O orçamento de caixa da empresa está baseado nas seguintes suposições para o primeiro trimestre de 2x10 (tabelas 4 e 5). a) O saldo inicial do caixa em janeiro é de $ 38.680; b) A estimativa de vendas para os meses de janeiro, fevereiro e março são, respectivamente, $ 290.000, $ 320.000 e $ 300.000; sabe-se que 60% é vendido à vista e os outros 40% para o mês seguinte. O valor das contas a receber de dezembro é de $ 112.000. A empresa não calcula nenhum percentual para deve- dores duvidosos; c) O saldo da conta fornecedores a pagar no final de dezembro/2x09 é de $ 77.000; d) As compras de matérias-primas representam 55% do montante das vendas de cada mês, sendo que do total comprado 50% são pagos à vista e 50% a prazo. 82 UNIUBE e) Os salários (MOD) são pagos dentro do mês corrente e estão estimados para os três primeiros meses em $ 31.000, $ 29.000 e $ 30.000, respectivamente; f) As despesas administrativas somam $ 22.000 por mês; g) As despesas de vendas são calculadas com base nas estimativas de vendas, e o percentual aplicado é de 3%; h) A empresa fez um investimento no valor de $ 53.000 no mês de fevereiro; dos quais $ 10.000 foram capitados através de um empréstimo junto ao banco para paga- mento em 30 dias com taxa contratada de 2% mais $ 200 de taxa de aprovação de cadastro. As despesas serão pagas no ato da assinatura do contrato; i) A provisão para os impostos sobre vendas é de 22%; j) A política adotada pela empresa é de manter um saldo mínimo de caixa de $ 8.000. Tabela 4: Orçamento de Receitas de Vendas. Janeiro Fevereiro Março Abril Contas a receber – dezembro 112.000 Vendas – janeiro 174.000 116.000 Vendas – fevereiro 192.000 128.000 Vendas – março 180.000 120.000 Total de Entradas 286.000 308.000 308.000 120.000 Tabela 5: Orçamento de Pagamento de Fornecedores. Janeiro Fevereiro Março Abril Fornecedores – dezembro 77.000 Compras – janeiro 79.750 79.750 Compras – fevereiro 88.000 88.000 Compras – março 82.500 82.500 Total das Saídas 156.750 167.750 170.500 82.500 UNIUBE 83 Após a elaboração dos quadros de orçamento de receitas de vendas e or- çamento de pagamentos de fornecedores, podemos elaborar o orçamento de caixa que ira contemplar além das projeções de receitas as projeções de custos e despesas conforme a Tabela 6, a seguir: Tabela 6: Orçamento de Caixa. Janeiro Fevereiro Março Saldo Inicial 38.680 42.480 8.330 Entradas Vendas 286.000 308.000 308.000 Outras Entradas Total das Entradas 286.000 308.000 308.000 Total em Caixa 324.680 350.480 316.330 Saídas Fornecedores 156.750 167.750 170.500 Salários 31.000 29.000 30.000 Despesas Administrativas 22.000 22.000 22.000 Despesas de Vendas 8.700 9.600 9.000 Despesas Financeiras 400 Impostos 63.800 70.400 66.000 Investimentos 53.000 Total das Saídas 282.200 352.150 297.500 Excessos ou Deficiências 42.480 (1.670,00) 18.830 Financiamentos Empréstimos 10.000 (10.000) Aplicações Financeiras Saldo Final 42.480 8.330 8.830 Segundo Moreira (2002, p. 132), O orçamento de caixa é a peça orçamentária que con- solida todas as movimentações de caixa, relacionadas aos diversos tipos de receitas e despesas, incluindo os aportes de capital e as aplicações de fundos que 84 UNIUBE visam a execução dos projetos de expansão das ativi- dades da empresa. Possibilita antever a necessidade de disponibilidade para suprimento e aplicações de recursos, a fim de evitar altos custos com a tomada de recursos em situação de emergência, como também a maximizar as receitas que fundos disponíveis geram se forem bem aplicados. Portanto, podemos perceber que para se ter uma gestão financeira eficiente, é indispensável para o processo de decisão, a elaboração e acompanhamento das projeções de fluxo de caixa; pois sem sombra de duvidas elas nos auxiliarão quanto aos prazos e valores dos recursos a disposição da entidade. Resumo Neste capítulo abordamos o tema – orçamento e planejamento de investimentos e de fluxo de caixa –, outros dois orçamentos ligados di- retamente ao que a empresa pretende projetar para o futuro. Sabemos que para uma empresa crescersólida e garantir sua sobrevivência em um mercado cada dia mais competitivo é necessário haver o planejar e o controle dos seus recursos. Estudamos que o orçamento de investimento consiste em todos os gastos necessários para modificações e melhorias da capacidade produtiva e de prestação de serviços, bem como a ampliação da empresa. Estudamos também que o fluxo de caixa permite projetar a estimativa de quanto e quando ocorrerão os gastos e as receitas da empresa pos- sibilitam calcular os excessos ou deficiências de recursos financeiros. UNIUBE 85 As ferramentas apresentadas neste capítulo contribuem para as fun- ções planejamento e controle de investimentos e fluxo de caixa que são essenciais para a construção de um modelo adequado de gestão organizacional. Nossos estudos de elaboração e análise orçamentária não terminam aqui. Encontramo-nos no próximo capítulo – Demonstrativos financeiros e avaliação orçamentária. Até lá! Atividades As atividades propostas neste capítulo têm o intuito de fixar o conteúdo estudado até o presente momento. Convidamos você a praticar, colocar e/ou transcrever para o papel todos os seus conhecimentos adquiridos. É importante, caso tenha dúvidas, reler o material. Só assim construirá em bases sólidas o seu conhecimento e qualificação profissional. Caso tenha dúvidas nossa equipe encontra-se a sua disposição. Vamos praticar! Atividade 1 A Escola de Informática HD pretende adquirir novas máquinas e equi- pamentos, e para isso solicitou junto a seus fornecedores propostas para aquisição de computadores e impressoras. Considerando que a empresa exige uma taxa mínima de retorno de 10% ao ano, determine qual a melhor proposta calculando o VPL das duas propostas recebidas. Sabe-se que a aquisição destes novos equipamentos irá gerar aumento nas entradas de caixa, no valor de $ 8.200, durante três anos, e que estes equipamentos após este período não terão nenhum valor. 86 UNIUBE • Empresa A – Valor dos equipamentos $ 19.400 à vista. • Empresa B – Valor dos equipamentos $ 21.000 à vista e a empresa se compromete a adquirir novamente estes equipamentos ao término de três anos pelo valor de $ 2.000. Atividade 2 Com os dados da atividade 1, calcule a TIR – Taxa Interna de Retorno. Atividade 3 Com os dados da atividade 1, calcule o período de payback das duas propostas. Atividade 4 A Escola de Informática HD, com a aquisição dos novos equipamentos, estima aumentar o número de alunos em 10% a cada mês durante os três primeiros meses do ano. Sabe-se que em dezembro a escola possuía 120 alunos matriculados e que cada aluno paga mensalidade de $ 168.00. Elabore o orçamento de receitas de vendas para o primeiro trimestre de 20x1 considerando que o saldo de contas a receber em 31/12/x0 era de $ 3.024 e que um estudo mostrou que 15% dos alunos pagam as men- salidades com 30 dias de atraso. UNIUBE 87 Tabela 7: Orçamento de Receitas de Vendas. Janeiro Fevereiro Março Abril Contas a receber/dezembro Mensalidades/janeiro Mensalidades/fevereiro Mensalidades/março Total de Entradas Atividade 5 Elabore o orçamento de caixa da Escola de Informática HD para o pri- meiro trimestre de 20x1, considerando os seguintes dados: • Receitas de vendas projetadas na atividade 4; • A Escola adotou política de saldo mínimo em caixa de $ 6.000,00; • A Escola é associada a uma cooperativa que fornece crédito a uma taxa de 1,0% ao mês mais taxa de aprovação de crédito de $ 100,00 que deve ser paga na primeira parcela; • Salários dos professores $ 6.800,00 em janeiro, $ 7.900 em fevereiro e $ 9.000,00 em março; • Despesas operacionais $ 3.200,00 por mês; • Despesas Administrativas $ 1.860,00 por mês; • Despesas de Vendas na ordem de 1,5% da receita total; • Impostos 5% da receita total; 88 UNIUBE • Saldo do caixa em 31/12/x0 de $ 8.960,00; • Investimento em equipamentos no mês de janeiro no valor de $ 19.400. • Atingido o saldo mínimo de caixa, os excedentes são destinados, em primeiro lugar, ao pagamento dos eventuais empréstimos e, em segundo, à aplicação financeira. Tabela 8: Orçamento de Caixa. Janeiro Fevereiro Março Saldo Inicial Entradas Mensalidades Outras Entradas Total das Entradas Total em Caixa Saídas Despesas Operacionais Salários Despesas Administrativas Despesas de vendas Despesas Financeiras Impostos Investimentos Total das Saídas Excesso ou Deficiências Financiamentos Empréstimo Aplicações Financeiras Saldo Final UNIUBE 89 Referências FREZATTI, Fábio. Orçamento empresarial, planejamento e controle gerencial. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2007. GITMAN, Lawrence J. Princípios de administração financeira. 7. ed. São Paulo: Harbra, 1997. LUNKES, Rogério João. Manual de orçamento. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2008. MOREIRA, José Carlos (Coord.). Orçamento empresarial: manual de elaboração. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2002. SANTOS, José Luiz et al. Fundamentos de orçamento empresarial. São Paulo: Atlas, 1996. SANVICENTE, Antonio Zorato; SANTOS, Celso da Costa. Orçamento na administração de empresas: planejamento e controle. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1995. VAN HOME, J. C. Políticas e administração financeira. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1974. WELSCH, Glenn Albert. Orçamento empresarial. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1996. Demonstrativos financeiros e avaliação orçamentária Capítulo 3 Sérgio Querino Antunes Introdução Caro estudante, No primeiro capítulo desta etapa do curso, você estudou os conceitos e a aplicabilidade do orçamento empresarial. No segundo capítulo desta etapa, aprofundamos um pouco mais e estudamos outros dois tipos de orçamentos que também estão ligados diretamente ao que a empresa pretende projetar para o futuro: os orçamentos de investimento e de fluxo de caixa. Agora, a partir de todas essas informações preliminares, po- demos elaborar o orçamento final que irá permitir a reunião de todas estas informações na projeção da Demonstração do Resultado do Exercício e do Balanço Patrimonial. Logo estudaremos as ferramentas aplicadas às projeções dos demonstrativos financeiros e avaliação orçamentária exempli- ficando cada uma delas e principalmente a utilizar o somatório das ferramentas apresentadas para efetivar a avaliação do desempenho organizacional. 92 UNIUBE Portanto, convidamos você a desbravar com obstinação o estudo deste capítulo, aprendendo e aprofundando seus conhecimen- tos sobre demonstrativos financeiros e avaliação orçamentária. Desse modo é primordial e indispensável sua dedicação para que consiga aprender e entender o que estamos desenvolvendo. Bons estudos! Objetivos Após os estudos realizados a partir deste capítulo, esperamos que você esteja apto a: • definir a importância dos demonstrativos financeiros e conhecer os processos de elaboração das projeções; • identificar as variações e aplicação de controle das ava- liações orçamentária; • apresentar as técnicas de controle, para comparação, entre o desempenho efetivamente atingido e o que foi planejado; • elaborar o orçamento geral a partir dos orçamentos pre- liminares. UNIUBE 93 Esquema Demonstrativos financeiros e avaliação orçamentária Projeções dos demonstrativos financeiros Avaliação orçamentária Atividades propostas 3.1 Projeções dos demonstrativos financeiros Após a preparação de todos os orçamentos estudados anteriormente, podemos elaborar o orçamento geral. A Demonstração de Resultado do Exercício e o Balanço Patrimonial reúnem os orçamentos preliminares, permitindo, assim, avaliar todo o planejamento realizado. Segundo Garrison e Noreen (2001 apud SANTOS et al., 2008, p. 136): [...] a demonstração do resultado do exercício proje- tada é aquela demonstração financeira que será estru- turada com base nos orçamentos auxiliares (vendas, produção e despesas operacionais), constituindo-se em instrumentos de suma importância para a tomada de decisões, em termos econômicos ede seus reflexos nos aspectos financeiros e patrimoniais na empresa, o período projetado. De acordo com Garrison e Noreen (2001 apud SANTOS et al., 2008, p. 143), “o balanço patrimonial projetado é a peça contábil, que permitirá 94 UNIUBE avaliar a capacidade financeira da empresa em honrar compromissos com terceiros, no período estimado”. Reunindo todas as projeções de receitas, custos e despesas, podemos elaborar uma análise e a avaliar os resultados projetados mediante o planejamento. 3.1.1 Processo de elaboração das projeções Os resultados obtidos nas projeções do planejamento irão permitir ava- liar se os objetivos de investimentos, de rentabilidade e capacidade de pagamento de dívida serão alcançados, caso contrário, a administração solicitará que os planos orçamentários sejam refeitos para que os resul- tados desejados nos objetivos sejam atingidos dentro das condições e prazo esperados. Segundo Welsch (1971, p. 314), os principais setores em que se apre- sentam diversas alternativas de reavaliação são: a) estimativas de preços de vendas; b) política de propaganda; c) zonas de venda e expansão ou contração da orga- nização de vendas; d) composição das vendas; e) equilíbrio entre níveis estáveis de produção e es- toque; f) despesas com atividades de pesquisa; g) acréscimos de capital. Esta é uma das grandes vantagens de se fazer o planejamento orça- mentário, pois ele permite visualizar vários cenários e optar por aquele que apresente melhores resultados. UNIUBE 95 Cabe ao responsável pelo orçamento elaborar as projeções de Demons- tração do Resultado e do Balanço Patrimonial, portanto, deve comparar os valores orçados para o período com os valores realizados no último período, identificando, assim, quaisquer omissões e distorções anormais nas projeções de cada orçamento. Os principais objetivos da demonstração do resultado do exercício pro- jetado são: a) avaliar a situação econômica projetada da em- presa com base nas premissas orçamentárias de resultado; b) analisar as principais variações entre a situação realizada em termos de receitas, custos e despesas operacionais da empresa e a situação prevista; c) utilização como instrumento de planejamento da situação econômica da empresa, bem como do seu controle; d) possibilitar a verificação da margem bruta da em- presa, seu resultado operacional e lucro líquido do exercício antecipadamente. (GARRISON; NOREEN, 2001, apud SANTOS et al., 2008, p. 136). Os principais objetivos do Balanço Patrimonial projetado é apresentar a uma “fotografia” dos bens, direitos e obrigações da empresa previstas com base nas projeções dos orçamentos de vendas, de produção e na demonstração do resultado projetada. De acordo com Garrison e Noreen (2001 apud SANTOS et al., 2008, p. 144), “o balanço patrimonial projetado permite verificar antecipada- mente: a capacidade financeira da empresa a curto e longo prazo; as origens e aplicações de recursos da empresa; a estrutura de ativos e passivos da empresa”. 96 UNIUBE Depois de concluídas as projeções, o responsável pelo orçamento deverá fazer uma análise comparando as projeções desejadas com os resultados obtidos no último exercício, utilizando alguns índices de análise financeira e destacando as variações mais significativas. relembrando Na etapa 2, Capítulo I, você estudou na disciplina Análise das Demonstrações Contábeis os índices capazes de indicar a evolução econômica e financeira das entidades ao longo do tempo. Agora, vamos relembrar os índices comumente utilizados para análise das projeções econômica e financeira do Balanço Patrimonial e da De- monstração do Resultado do Exercício. • Análise horizontal e análise vertical; • A análise horizontal tem a finalidade de evidenciar a evolução das contas das demonstrações contábeis, por períodos. Calculam-se os números-índices estabelecendo o exercício mais antigo como índice-base 100. IH (%) = Valor Conta do Exercício + Recente – 1 x 100 Valor da Conta do Exercício + Antigo O percentual achado representa a variação, positiva ou negativa, da conta em questão. UNIUBE 97 • A análise vertical tem o objetivo de facilitam a avaliação da es- trutura do Ativo e do Passivo, bem como a participação de cada conta da Demonstração do Resultado do Exercício na formação do lucro ou prejuízo. O cálculo do percentual de participação relativa das contas do Ativo e do Passivo é feito dividindo-se o valor de cada conta pelo valor total do Ativo ou do Passivo mais o Patrimônio Líquido. O cálculo do percentual de participação relativa das contas da Demonstração do Resultado do Exercício é feito dividindo-se cada conta pelo valor da Receita Líquida, que é considerada como base. IV (%) = Valor da Conta do Exercício x 100 Base (Ativo ou Passivo + PL ou Receita Op. Líquida) O percentual achado representa a participação da conta, em questão, em relação à base estabelecida. • Índices de liquidez, de rentabilidade; Os índices de liquidez demonstram a situação financeira da empresa; ou seja, a sua capacidade de pagamento dos compromissos assumidos, no curto e longo prazo. • O índice de liquidez geral indica a capacidade de pagamento das dívidas no curto e longo prazo. O índice calculado significa que 98 UNIUBE para cada $ 1,00 de dívida, a empresa possui $ (índice achado) de bens e direitos para pagá-los. LG – Liquidez Geral = Ativo Circulante + Realizável a Longo Prazo Passivo Circulante + Exigível a longo Prazo • O índice de liquidez corrente na maioria dos casos é considerado como o melhor indicador da capacidade de pagamento da em- presa. O resultado do cálculo indica que a empresa tem $ (índice achado) de ativos conversíveis em dinheiro no curto prazo para liquidar cada $ 1,00 de dívida de curto prazo. LC – Liquidez Corrente = Ativo Circulante Passivo Circulante • O índice de liquidez seca mostra o que a empresa tem (índice achado) para liquidar cada $ 1,00, no curto prazo, desprezando-- -se as contas estoques, que é mais difícil de transformar em dinheiro imediatamente. LS – Liquidez Seca = Ativo Circulante – Estoques Passivo Circulante • O índice liquidez imediata indica quanto a empresa possui de recursos imediatamente disponíveis para liquidar compromissos de curto prazo. As disponibilidades são recursos imediatamente disponíveis, mas as obrigações de curto prazo podem estar com- postas por dívidas que vencem até o final do próximo exercício UNIUBE 99 contábil. A empresa possui $ (índice achado) de disponibilidade imediata para cada $ 1,00 de dívidas no curto prazo. São consi- deradas contas de disponibilidade: Caixa, Bancos, Investimentos de curto Prazo. LI – Liquidez Imediata = Disponibilidade Passivo Circulante Os índices de rentabilidade medem quanto estão rendendo os capitais investidos. São indicadores importantes, pois evidenciam o sucesso ou insucesso da empresa. • O índice da margem bruta indica quanto a empresa obtém de Lucro Bruto para cada $ 1,00 de Receita Líquida. MB – Margem Bruta = Lucro Bruto Receita Operacional Líquida • O índice da margem operacional indica o percentual de lucro que a empresa conseguiu obter em sua operação depois de descontadas todas as despesas, exceto o imposto de renda e as despesas não operacionais. MO – Margem Operacional = Lucro Operacional Receita Operacional Líquida • O índice da margem líquida indica qual foi o lucro líquido em relação à receita operacionallíquida. O índice calculado mostra que, após descontados todos os gastos, sobraram % (índice achado) das vendas líquidas da empresa. 100 UNIUBE ML – Margem Líquida = Lucro Líquido do Exercício Receita Operacional Líquida • Mark-up é o percentual que é aplicado sobre o custo da merca- doria para se chegar ao preço de venda. Mark-up = Lucro Bruto Custo das Vendas • Relações custo, volume e resultado; O ponto de equilíbrio econômico tem a finalidade de apresentar o volume necessário para que a empresa atinja o lucro (LAIR) desejado após de- duzir todos os custos mais despesas fixas totais. É importante salientar que o lucro representa o LAIR, portanto, antes do Imposto de Renda e da Contribuição Social é necessário levá-los em consideração para que se obtenha o Lucro Líquido desejado. LAIR = Lucro Líquido (1 – % IR e da CS) PEE = Custos Fixos Totais + Despesas Fixas Totais + LAIR Margem de Contribuição Unitária • Participação percentual das despesas por natureza. A participação percentual das despesas por natureza corresponde à participação de cada conta em relação ao grupo que ela pertence. Ela pode ser calculada por meio da análise vertical. UNIUBE 101 importante! É importante destacar que a elaboração do planejamento orçamentário, realizada até então, conforme demonstrado no item acima e nos capítulos anteriores, é tão importante quanto o controle – orçado x realizado, visto que planejar e elaborar não fazem nenhum sentido, se não controlarmos o cumprimento das metas orçamentárias. Sendo assim, vamos estudar agora os padrões que podemos estabele- cer para aferir se os objetivos e as metas da empresa e de seus setores estão sendo ou não alcançados. 3.2 Avaliação orçamentária A responsabilidade pelo planejamento, a execução e o controle devem ser atribuídos ao responsável por área ou departamento, somente no que se refere ao planejado por ele, pois torna-se incoerente atribuir res- ponsabilidade a quem não tem autoridade para planejar. Gray e Johnston (1973, p. 377) afirmam que: Incluir no orçamento do seu segmento itens que ele não pode controlar é assoberbar o seu pensamento com coisas sobre as quais ele não exerce influência alguma. Excluir do orçamento do seu segmento itens que ele pode controlar é permitir que escapem ao controle do nível em que medidas apropriadas podem ser tomadas. Para o planejamento e controle, é importante estabelecer a fixação de padrões de consumo. Os padrões de consumo são estimativas de valores 102 UNIUBE e percentuais que representam as metas e objetivos desejados quanto à utilização de recursos humanos, físicos e financeiros, há dois tipos básicos de padrões de consumo: • Custos físicos São os itens que têm uma relação direta com o volume de atividade. O padrão de um custo físico tem a relação entre recursos necessários e volumes de produção, ou seja, os custos físicos tendem ser variáveis. Os padrões podem ser estabelecidos por média, norma, quantidade ou pa- drões. O principal objetivo é identificar variações, explicá-las e corrigi-las. • Custos administrativos São os itens que não têm uma relação direta com o volume de atividade, por exemplo, treinamento de pessoal, construção de área de lazer para os funcionários etc. O importante é avaliar o impacto destas despesas sobre o volume de atividade da empresa. Portanto, deve-se estabelecer um padrão de gastos para não gerar um valor desproporcional de de- sembolso em um dado período. Os diversos setores das empresas são fontes de dados para fixação de padrões de receitas e padrões de consumo. O Quadro 1, a seguir, mostra que a contabilidade está presente em todas elas e ilustra algumas fontes de dados adicionais para a determinação de alguns padrões de custos mais importantes numa empresa. UNIUBE 103 Quadro 1: Quadro de fontes de dados para fixação de padrões. Itens de custo Fontes de dados Preço de matéria-prima Contabilidade Compras Consumo de matéria-prima Contabilidade Engenharia Industrial Supervisores de produção Preço de mão de obra direta Contabilidade Pessoal Engenharia Industrial Uso de mão de obra direta Contabilidade Engenharia Industrial Custos indiretos de produção Supervisores de produção Todas as fontes acima citadas Fonte: Adaptado de Sanvicente e Santos (1995, p. 210). Os padrões utilizados no processo de controle orçamentário represen- tam os níveis desejáveis de eficiência e podem contribuir positiva ou negativamente. Eles só irão contribuir positivamente, quando forem estabelecidos níveis que possam ser atingidos com esforços apropriados pela maioria dos funcionários. Portanto, é importante estabelecer níveis possíveis de se- rem atingidos, a fim de se manterem a motivação e o incentivo do corpo funcional. O controle orçamentário, a partir da análise de variações, consiste em possuir um sistema que possibilite uma comparação entre os valores planejados e os valores atingidos. Essa comparação nos fornece uma diferença que denominamos variação. Alguns autores afirmam que as variações precisam ser avaliadas para que: 104 UNIUBE a) se possa dizer se uma dada variação é importante; b) em caso afirmativo, identificar suas causas; c) caso as causas sejam controláveis em dado setor da empresa, deve se tomar as providências cabí- veis para que a variação, se desfavorável, não se repita novamente, ou, se favorável, propicie o rea- proveitamento futuro da eficiência nela refletida (ou então leve a um ajuste de padrões eventualmente “frouxos” demais). (SANVICENTE; SANTOS, 1995, p. 211) Segundo Welsch (1983, p. 328), ao se avaliar e investigar uma dada variação para determinar as suas causas, devem ser consideradas as seguintes possibilidades: a) A variação não é significativa – tanto variações favo- ráveis quanto desfavoráveis devem ser analisadas e avaliadas em termos de sua importância. b) A variação deve-se a erros de informação – tanto o objetivo orçamentário quanto os dados reais for- necidos pelo departamento de contabilidade devem ser examinados, para ter-se a certeza de que não há erros de informação. c) A variação deve-se a uma decisão administrativa específica – de vez em quando a administração tomará decisões causadoras de varrições, objeti- vando aumentar a eficiência ou atender a certas exigências. d) Muitas variações são explicáveis em termos do efeito de fatores não controláveis e identificáveis. e) As variações cujas causas precisas não são co- nhecidas devem constituir motivo central de preo- cupação e devem ser cuidadosamente analisadas. Conforme citado anteriormente, a variação orçamentária surge da dife- rença entre os valores planejados e os valores realizados, podendo ocor- rer tanto nas receitas (quantidades vendidas e valores vendidos) quanto nos gastos (recursos utilizados na produção, relacionados ao processo UNIUBE 105 de venda, comercialização e administrativo). É importante avaliar onde está ocorrendo a variação e o quanto ela é significativa. A avaliação será desfavorável quando o gasto real for superior ao gasto previsto, e favorável quando o gasto real for inferior ao gasto previsto. importante! É importante lembrar que, no caso da receita, a análise das variações assume um comportamento inverso: A avaliação será desfavorável quando a receita real for inferior à receita prevista. A avaliação será favorável quando a receita real for superior à receita prevista. Portanto, podemos ter uma variação favorável no preço e desfavorável na quantidade, ou vice-versa. Para avaliar os resultados da receita de vendas, mão de obra direta e matéria-prima, podemos comparar os re- sultados das expressões: Variação de preço = (QR) x (PR – PP) exemplificando! A Fábrica de móveis São Vicente estimou que o custo de matéria-prima a ser incorrido por umdeterminado período fosse de $ 126.720,00; mas ao final do período constatou-se que o valor realmente atingido foi de $ 157.530,00. 106 UNIUBE Os preços unitários reais e estimados foram, respectivamente, de $ 880,00 e $ 885,00. A empresa estimou consumir 144 unidades de matérias-primas, porém, consu- miu 178 unidades. Sabe-se que os custos indiretos fixos realizados totalizaram $ 106.800,00, sendo que houve uma previsão para os custos indiretos fixos de $ 92.000,00 e uma previsão para os custos indiretos variáveis de $ 180,00. O tempo de processamento de cada unidade de matéria-prima corresponde a 6h30 (seis horas e trinta minutos) de produção, porém o tempo real disponível é de 8h (oito horas). Com base nas informações do estudo de caso acima, vamos calcular a va- riação de preço, interpretar se ela foi favorável ou desfavorável e identificar a possível causa. Variação de preço = (QR) x ( PR – PP) = 178 x (880,00 – 885,00) = 178 x (– 5,00) = ($ 890,00) Podemos observar que a variação de preço foi negativa, portanto, foi favo- rável em função da redução do preço unitário da matéria-prima que pode ter ocorrido pelo fato do departamento de compras ter conseguido melhor preço ou ter adquirido uma matéria-prima mais barata. Variação de quantidade = (PP) x (QR – QP) Vamos agora calcular a variação da quantidade e indicar se ela foi favorável ou desfavorável e interpretar qual a possível causa. Variação da quantidade = (PP) x (QR – QP) UNIUBE 107 = 885,00 x (178 – 144) = 885,00 x (34) = $ 30.090,00 O valor calculado positivo indica que houve um gasto a mais, neste caso, a variação de quantidade foi desfavorável, em função da ineficiência dos ope- rários da produção e/ou matéria-prima de qualidade inferior. Com os dados obtidos na variação de preço e na variação da quantidade, iremos calcular a variação final da produção deste produto. Variação de preço Favorável (890,00) Variação da quantidade Desfavorável (30.090,00) Variação da produção do produto Desfavorável (29.200) O ganho obtido na variação do preço foi inferior à perda obtida na variação da quantidade, o que gerou uma variação desfavorável da produção do produto. Para calcular a variação do CIP (Custo Indireto de Produção), usaremos a seguinte expressão: Variação de CIP = CIR – [CIFO + (CIVO x NHR)] Vamos calcular a variação dos Custos indiretos de Produção com os dados fornecidos no estudo de caso da Fábrica de Móveis São Vicente. Variação de CIP = CIR – [ CIFO + ( CIVO x NHR)] = 106.800,00 – [ 92.000,00 + ( 180,00 x 178 )] = 106.800,00 – [ 92.000,00 + ( 32.040,00 )] = 106.800,00 – [ 124.040,00 ] = ($ 17.240,00) 108 UNIUBE A variação dos Custos Indiretos de Produção foi favorável, pois houve uma redução nos custos que podem ter ocorrido em função da melhor utilização da capacidade produtiva. Para calcular a variação de eficiência da mão de obra nos Custos Indiretos de Produção, substitui-se o NHR por NHP. Desta forma, o impacto da eficiência da mão de obra no período estará sendo extraído. Veja a expressão a ser utilizada: Variação de CIP = CIR – [CIFO + (CIVO x NHP)] Calcularemos agora a variação da mão de obra nos custos indiretos de pro- dução. Variação de CIP = CIR – [ CIFO + ( CIVO x NHR)] = 106.800,00 – [ 92.000,00 + ( 180,00 x 6,5 )] = 106.800,00 – [ 92.000,00 + ( 1.170,00 )] = 106.800,00 – [ 93.170,00 ] = $ 13.630,00 A variação de eficiência da mão de obra nos custos indiretos de produção foi desfavorável, pois, houve um gasto superior, o que pode ter ocorrido devido à ociosidade da mão de obra. Para calcular a variação do volume, usaremos a expressão a seguir: Variação de volume = TCIF x (Capacidade normal – NHP) Apresentando-se um resultado positivo, a variação de volume será desfavo- rável, uma vez que foi produzido um nível inferior à capacidade instalada, o que gera menor possibilidade de diluir os custos fixos. Com o exemplo do estudo de caso acima, vamos calcular a variação de volume. UNIUBE 109 TCIF = [( $ 106.800,00 / 178 unidades ) + $ 180,00 Custos Indiretos Variáveis] TCIF = [( $ 600,00 ) + $ 180,00 ] TCIF = $ 780,00 Variação de volume = TCIF x (Capacidade normal – NHP) = $ 780,00 x (8:00 – 6:30) = $ 780,00 x (1:30) ou seja 1,5 horas = $ 1.170,00 A variação do volume foi desfavorável pois subutilizou a capacidade instalada. LEGENDA QR = quantidade de matéria-prima consumida; QP = quantidade-padrão de matéria-prima, aquela que deveria ser consumida para o nível de produção obtido; PR = preço unitário real; PP = preço-padrão ou previsto; CIR = custos indiretos realizados; CIFO = custos indiretos fixos orçados (independentemente do volume de atividades); CIVO = custos indiretos variáveis orçados; NHR = número de horas reais de trabalho ou atividade (ou qualquer outro índice de atividade física, tal como o número de unidades produzidas ou vendidas, quilômetros percorridos, passageiros transportados etc.); 110 UNIUBE NHP = número-padrão de horas correspondentes à produção real (a diferença reside no uso relativo da capacidade disponível); TCIF = taxa de custos indiretos por unidade de atividade, à capacidade normal, que por sua vez representa o número de horas de trabalho que em condições normais seriam gastas ou permitidas pelas instalações disponíveis. Fonte: Adaptado de Sanvicente e Santos (1995, p. 212-214). Ressaltamos que as diferenças sempre existirão entre o planejado e o realizado. Devemos analisar se essas variações são ou não significati- vas e merecedoras de maiores cuidados. Devemos considerá-las sig- nificativas quando ultrapassarem os limites de variações considerados aceitáveis. Sanvicente e Santos (1995, p. 214): Consideram importante uma variação que cai fora de um intervalo pré-determinado e se constitua, por- tanto, em uma exceção. Para que esse intervalo seja estabelecido, porém, é preciso levar em conta três as- pectos: a magnitude absoluta da variação, em termos monetários; a magnitude da variação, relativamente ao valor total do item e o padrão de comportamento das variações relativas no tempo. Segundo Dearden (1971, p. 236), a avaliação de um sistema de controle orçamentário exige: a) verificar as condições em que atua a empresa, principalmente nas áreas de marketing, produção e organização; b) diagnosticar os problemas mais significativos da empresa, tal como revelados por um desempenho geral ou parcial insatisfatório; UNIUBE 111 c) avaliar as condições em que a contabilidade de custos fornece informações à administração da empresa para a tomada de decisões: se a fixação de preços para a participação em concorrências for um aspecto fundamental das operações, o uso de um sistema de custeio por absorção será totalmente inadequado; o controle de custos pela margem de contribuição dos produtos (custeio direto) deverá ser introduzido, numa empresa com esse tipo de ati- vidade. Outro aspecto importante envolve a análise da maneira pela qual são fixos os padrões de custo e despesa (se existirem). São demasiadamente elevados (ideal técnico), levando a problemas de motivação e aparente ineficiência generalizada? d) verificar até que ponto as classificações de custos atendem às peculiaridades, em termos de variabili- dade, com o volume de atividade, controlabilidade, e responsabilidade; e) examinar o sistema de relatórios usados para a fase de comunicação no controle orçamentário. Em especial, é preciso determinar em que medida as informações proporcionadas por um relatório (e este como um todo, portanto) são utilizadas para a tomada de decisões e contêm os dados suficientes para isso. Como salienta Dearden, um erro muito comum é transmitir à administração todas as infor- mações acumuladas pela contabilidade, quando uma filtragem de dados, tendo em vista as neces- sidades para a tomada de decisões, é algo que evidentemente precisa ser feito pra que o controle seja adequado. O processo de avaliação de um sistema de controleé importante tanto para uma empresa que esteja implantando o sistema orçamentário, quanto para uma empresa que já o tem em execução; pois ele fornecerá indicações para auxiliar na tomada de decisões que poderão melhorar o desempenho dos setores e consequentemente da empresa. Bons estudos! 112 UNIUBE Resumo No transcorrer deste capítulo, você estudou que os resultados obtidos nas projeções do planejamento irão permitir avaliar se os objetivos de investimentos, de rentabilidade e capacidade de pagamento de dívida serão alcançados. Estudou também que a avaliação orçamentária consiste em verificar a diferença entre os valores planejados e os valores realizados, podendo ocorrer tanto nas receitas quanto nos gastos. E que é importante avaliar onde está ocorrendo a variação e o quanto ela é significativa. Podemos perceber que no desenvolvimento deste capítulo muito se refletiu sobre a importância de se estabelecer o controle, uma vez que o controle permitirá acompanhar os recursos que estão sendo efetiva- mente utilizados para a execução do planejamento e compará-los aos programas, cronogramas e orçamentos. Lembrando que essa é a maneira de verificar se tais recursos estão sendo utilizados dentro dos tópicos aprovados no planejamento. O sucesso empresarial depende da união de diversos recursos, combi- nados de forma eficiente e eficaz para atingir objetivos. Para controlar com eficácia uma organização, os gestores devem planejar e estabele- cer padrões de desempenho, implantar um sistema de informação que possibilitará conhecer o desempenho real e adotar ações para corrigir os desvios ocorridos. UNIUBE 113 Nossos estudos de elaboração e análise orçamentária terminam aqui. Agora é necessário aprofundar seus conhecimentos para a construção do aprendizado. Bons estudos! Atividades As atividades propostas neste capítulo visam precisar seus conhecimen- tos com relação ao estudo concretizado até o presente momento. Por isso é importante que se dedique com afinco na realização dos mesmos. Caso tenha dúvidas na realização das atividades releia os temas discuti- dos acima e refaça os exercícios. Só assim construirá em bases sólidas o seu conhecimento. Atividade 1 Escreva em que condições a administração poderá solicitar aos respon- sáveis correspondentes que refaçam seus planos, de forma a permitir que os resultados esperados sejam atingidos. Atividade 2 A responsabilidade pela elaboração das projeções de resultados e do balanço pertence ao: a) diretor ou responsável pelo orçamento; b) administração da empresa; c) contador; 114 UNIUBE d) diretor financeiro; e) todos envolvidos no planejamento orçamentário. Atividade 3 Depois de concluídas as projeções, o diretor de orçamentos prepara uma análise, utilizando os instrumentos de análise financeira. Das quatro categorias de índices mais utilizadas, cite três. Atividade 4 Se os planos orçamentários não forem aceitáveis e a diretoria não os aprovar, surgirá a seguinte questão: O que pode ser feito para melhorar o resultado? Welsch cita sete principais setores em que se apresentam diversas alternativas. Cite cinco, pelo menos, destas alternativas. Atividade 5 Antes da elaboração das projeções propriamente ditas, o diretor de or- çamentos deve completar alguns orçamentos que haviam sido deixados incompletos quando de sua elaboração, por falta de certas informações. Assinale a alternativa que correta: a) receita de vendas, custo de produção, custo de produtos vendidos; b) receita de vendas, custo de produção, custo dos estoques; c) custo de produção, custo dos estoques, custos dos produtos vendidos; d) custo dos estoques, custos dos produtos vendidos, custo indireto de produção; e) custos de produção, custos dos produtos vendidos, custo indireto de produção. UNIUBE 115 Referências DEARDEN, J. Análise de custos e orçamentos nas empresas. Rio de Janeiro: Zahar, 1971. FREZATTI, Fábio. Orçamento empresarial, planejamento e controle gerencial. São Paulo: Atlas, 2007. GRAY, J.; JOHNSTON, K. Accounting and management action. New York: McGraw-Hill, 1973. SANTOS, José Luiz et al. Fundamentos de orçamento empresarial. São Paulo: Atlas, 2008. SANVICENTE, Antonio Zorato; SANTOS, Celso da Costa. Orçamento na administração de empresas: planejamento e controle. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1995. WELSCH, Glenn Albert. Orçamento empresarial: planejamento e controle do lucro. São Paulo: Atlas, 1971 [1983]. Parte II Controladoria Introdução à controladoria Capítulo 4 Carlos Roberto Souza Carmo Introdução Este capítulo abordará alguns conceitos que, apesar do seu as- pecto introdutório, têm por objetivo permitir a compreensão de, em um futuro muito próximo, algumas ferramentas e processos de planejamento e controle adotados pelo processo de contro- laria de gestão dentro das organizações. Para tanto, inicialmente, realizaremos o estudo da controladoria e sua natureza, enquanto metodologia administrativa responsável pela análise, processamento e produção de informações volta- das para o suporte da tomada de decisões nas organizações. Em um segundo momento, estudaremos a controladoria contex- tualizada no ambiente empresarial. Nesta parte, será constatado que, enquanto unidade administrativa responsável pela análise e geração de informações voltadas para o apoio à tomada de decisões, a controladoria surgiu e ganhou força em decorrência de uma necessidade de evolução da própria contabilidade. 120 UNIUBE Para finalizar, em uma terceira e última parte do capítulo, analisa- remos os centros de responsabilidade enquanto parte integrante do processo de controladoria. Bom estudo! Objetivos Após os estudos realizados a partir deste capítulo, esperamos que você esteja apto a: • compreender as terminologias básicas em controladoria; • identificar a função da controladoria nas organizações; • associar a contabilidade ao processo formal de controle e gestão; • compreender o conceito de centros de responsabilidade e a sua aplicação dentre os órgãos ligados à gestão empresarial. Esquema Organização Análise Planejamento Processamento Informação Tomada de decisões ResultadoGestão UNIUBE 121 4.1 Natureza da controladoria A controladoria pode ser entendida como uma metodologia administrativa responsável pela análise, processamento e produção de informações voltadas para o suporte da tomada de decisões nas organizações. Ela tem como objetivos principais permitir a manutenção da organização no curso desejado e garantir o cumprimento de resultados previamente planejados. Esses objetivos são atingidos mediante a utiliza- ção de alguns instrumentos denominados ferra- mentas de controle de gestão. Perceba que, na definição apresentada inicialmente, duas ações são destacadas: a manutenção da organização no curso desejado e o cumprimento de resultados previamente planejados. Essas duas ações estão diretamente relacionadas com os conceitos de eficácia e eficiência. Ou seja, o cumprimento dos resultados são previamente planejados mediante a maximização e otimização de tais resultados e, também, do bom aprovei- tamento de todos os meios empregados para o cumprimento deste objetivo, respectivamente. Nesse contexto, e em um sentido amplo, a con- tabilidade é responsável pela coleta de dados e a produção de informações que possibilitem o planejamento de ações, com base em dados Eficácia É a ação de se produzir o efeito desejado. Eficiência Diz respeito à forma como se produz o efeito desejado. Isto é, produz- se o efeito desejado da melhor forma possível. Dados Elemento ou quantidade conhecida, que serve de base para a geração de informação. Informações É um dado, ou um conjunto de dados, previamente trabalhados, de maneira que produza algum tipo de ação no seu usuário. 122 UNIUBE históricos, e o controle de resultados, com base em dados reais. Porém, acontabilidade societária por si só é incapaz de produzir todas as infor- mações necessárias ao processo de suporte à tomada de decisões, pois ela tem como objetivo principal informar o público externo à empresa, sujeitando- se a normas e práticas legais e, ainda, aos princípios contá- beis geralmente aceitos. Uma vez que a controladoria está voltada para aspectos gerenciais da entidade, ela é responsável pelo tratamento dos dados acumulados pela contabilidade societária, de forma a produzir informações voltadas para o suporte do processo decisório. Cabe destacar que o tratamento da informação contábil para produzir informações de apoio à tomada de decisões não é a única finalidade do processo de controladoria. Ela também é responsável pela captura de dados das mais variadas naturezas (físicas e financeiras), pelo seu processamento e, ainda, pela implementação e adoção dos instrumentos de apoio e controle da gestão empresarial. Ao analisar os usuários da informação gerencial, mais especificamente os órgãos de gestão empresarial, pode -se constatar que a empresa é constituída por diversas partes que desempenham, normalmente, alguns conjuntos de atividades homogêneas que interagem dinamicamente. parada para reflexão Você seria capaz de inferir quais os principais grupos de atividades internas de uma entidade e, ainda, como esses grupos de atividades interagem dentro das organizações? UNIUBE 123 Observe a seguir, na Figura 1, como Atkinson et al. (2000, p. 78) ilustram a interatividade interna dos componentes das entidades. Figura 1: Exemplificação da interatividade interna dos componentes das entidades. Fonte: Atkinson et al. (2000, p. 78). Assim, a clareza e objetividade no processo de divulgação das metas traçadas e dos meios adotados para a captura, processamento e di- vulgação da informação voltada para o controle gerencial são fatores cruciais para o sucesso da controladoria nas organizações. Além disso, a atribuição de responsabilidades aos órgãos de gestão aliada à efetiva cobrança desta responsabilidade são igualmente importantes e impres- cindíveis à implantação e ao desenvolvimento do processo de controle da gestão empresarial. É importante ressaltar que, sem perder de vista a interatividade interna entre os vários órgãos que compõem as organizações, é importante que haja também a interatividade com o ambiente no qual as organizações 124 UNIUBE estão inseridas, pois, além das variáveis internas, é preciso considerar as externas que, por sua vez, exercem uma significante influência sobre as empresas de uma forma geral, conforme ilustrado na Figura 2, a seguir. Ambiente interno das entidades (4) Atividades administrativas Pessoal, finanças, legal, contábil, pesquisa. (1) Atividades de entrada desenho do produto, desenho do processo, compras, recebimento, contratação, treinamento. (2) Atividades de processamento Fazendo, movimentando, estocando, inspecionando. (3) Atividades de saída Vendendo, remetendo, serviços. Figura 2: Exemplificação da interatividade externa das entidades. Fonte: Atkinson et al. (2000, p. 78). Devido à constante interatividade entre as organizações e os seus am- bientes (interno e externo) e, ainda, devido à necessidade de se mante- rem competitivas mediante o cumprimento das suas metas, é que surge a necessidade de um planejamento prévio das ações que permitirão às entidades atingirem tais objetivos. Neste sentido, o planejamento pode ser caracterizado como estratégico e operacional. O planejamento estratégico é aquele voltado para o am- UNIUBE 125 biente externo e os efeitos das decisões gerenciais no futuro da entidade. Já o planejamento operacional caracteriza-se pelas ações, políticas e pelos objetivos relacionados às operações da empresa. Por sua vez, o conjunto de ferramentas voltadas para a divulgação, execução e controle do cumprimento destes planejamentos pode ser chamado de sistema de informações e controle gerencial. Visualize, na Figura 3, a seguir, essa interação entre ambientes, planejamento e algumas ferramentas de informação e controle. Figura 3: Esquematização da interação entre ambiente, planejamento e ferramentas de informação e controle. Fonte: Padoveze (2005, p. 202). De forma geral, podemos afirmar que o planejamento é o fim, e o pro- cesso de controladoria é um dos meios para se atingir essa finalidade, pois ao considerarmos as variáveis que podem influenciar a empresa, externa e internamente, traça- se o planejamento estratégico e operacio- nal e, com base nestes, desenvolvem -se os mecanismos de controle que visam garantir a consecução daqueles planejamentos. 126 UNIUBE 4.2 A controladoria nas organizações Em função do crescimento das organizações e do aumento na complexi- dade dos negócios, tornou- se imprescindível o conhecimento das parti- cularidades de cada tipo de empresa e do seu ambiente de atuação. Por isso, além de deter informações relevantes sobre o negócio em si, sobre o seu mercado, é igualmente necessário que as entidades implementem ferramentas de controle econômico -financeiro capazes de direcionar a empresa para a otimização dos seus resultados. Nesse contexto, por registrar essencialmente eventos passados, a con- tabilidade societária perdeu força. Assim, enquanto unidade administra- tiva responsável pela análise e geração de informações voltadas para o apoio à tomada de decisões, afirmamos que a controladoria surgiu e ganhou força em decorrência de uma necessidade de evolução da própria contabilidade. Durante todas as fases do processo de planejamento e gestão, são planejadas e tomadas decisões administrativas, operacionais e estraté- gicas. Em ambos os processos (planejamento e gestão), são requeridas informações oriundas de diversas naturezas. Diante disso, a controladoria caracteriza -se como unidade responsável pela mensuração e geração de informações de origem econômica e financeira. Estas ações voltadas para a manutenção e para o controle das ações gerenciais garantem o cumprimento dos objetivos traçados pelo processo de planejamento estratégico. UNIUBE 127 parada para reflexão Para o processo de planejamento das decisões de um organização fazem-se necessárias informações das mais variadas naturezas. Nesse sentido, reflita: como a controladoria direciona sua atuação para obtenção, acúmulo, trata- mento e fornecimento dessas informações aos vários tomadores de decisões dentro das entidades? Para suprir a necessidade de informação dos gestores e, consequente- mente, dar o devido suporte ao processo decisório, a controladoria faz uso de modelos materializados por meio de sistemas de informações integrados ao processo de gestão. A respeito da atuação da controladoria e da sua estruturação voltada para a produção de informações, Padoveze (2005, p. 37) apresenta uma proposta de estruturação do sistema de informações gerenciais, como responsabilidade direta do controller extremamente pertinente e atual, conforme explicitado na Figura 4, a seguir. CONTROLADORIA Auditoria interna Sistema de Informação gerencial • Orçamento, projeções e análise de investimentos • Contabilidade de custos • Contabilidade por responsabilidades • Acompanhamento do negócio e estudos especiais • Contabilidade societária • Controle patrimonial • Contabilidade tributária Relações com investidores EscrituraçãoPlanejamento e controle Figura 4: Estrutura da controladoria. Fonte: Padoveze (2005, p. 37). 128 UNIUBE Perceba que, no modelo proposto por Padoveze, tanto o processo de planejamento e controle, quanto a contabilidade societária, são a base do sistema de informações gerenciais. Além disso, no modelo proposto, percebe -se que o processo de auditoria interna funciona como apoio à consolidação do sistema de informações gerenciais. Tudo isso, sem perder de vista o relacionamento e as informações voltadas para aquelegrupo de pessoas, que consideramos um dos principais interesses nos resultados das organizações em geral, ou seja, os seus investidores. Assim, enquanto responsável por toda aquela estrutura proposta por Padoveze, o profissional da controladoria deve estar apto a desenvolver, entre outras, as seguintes ações: • compreender as atividades operacionais da entidade; • medir e analisar os dados para a produção de informações quantitativas e de natureza economica e financeira; • realizar projeções e estimativas; • comunicar-se, atribuir e cobrar responsabilidades; • analisar problemas de naturezas diversas. Para tanto, conforme pesquisa descritiva com abordagem quantitativa, realizada por Oro et al. (2007), durante agosto e setembro de 2006, mediante análise de 373 anúncios de oferta de trabalho buscando profissionais vinculados à área de controladoria nos níveis operacional, gerencial e estratégico, constatou-se que o profissional demandado para UNIUBE 129 área de controladoria deve apresentar a seguintes características como principais atribuições ligadas à área gerencial: • análise empresarial; • contabilidade gerencial; • custos empresariais; • orçamento empresarial; • planejamento empresarial; • controle de gestão; • auditoria; • controles internos, entre outras. A pesquisa de Oro et al. (2007) também detectou as principais atribuições ligadas à área contábil e financeira que um profissional de controladoria deve desenvolver. Dentre elas, destacam-se: • contabilidade societária; • conciliações; • fechamento de contas; • rotinas contábeis diversas; 130 UNIUBE • consolidações; • legislação societária e tributária; • análise de documentos; • departamento pessoal, entre outras. Diante do que já estudamos neste tópico, e con- siderando os dados levantados pela pesquisa comentada anteriormente (ORO et al., 2007), percebemos facilmente a imensa responsabilidade atribuída ao controller dentro das organizações que adotam um processo formal de controle de gestão. 4.3 Centros de responsabilidade No início deste texto afirmamos que as entidades são formadas por diversas partes que desempenham, internamente, um conjunto de ativi- dades homogêneas. Essas partes, ou melhor, esses órgãos de gestão empresarial são representados pelos usuários da informação gerencial e, naturalmente, interagem dinamicamente, conforme já ilustrado, ante- riormente, na Figura 1. Atkinson et al. (2000, p. 78), na sua modelagem do conjunto de atividades desempenhado pelas entidades, dividiram essas atividades em quatro grandes grupos: Controller É o profissional responsável pelo desenvolvimento, implementação e gerenciamento do sistema de informações gerenciais voltadas para o controle e suporte à tomada de decisões nas organizações que possuem um processo formal de controladoria. UNIUBE 131 • administrativas; • de entrada; • de processamento; • de saída. Mas, se observarmos um pouco mais detalhadamente cada um daque- les grandes conjuntos de atividades propostos por Atkinson et al. (2000, p. 78), perceberemos que “todas as atividades de uma empresa têm por finalidade a satisfação dos seus clientes e, por consequência, a geração de receitas”. É evidente que, no caminho percorrido para se obter re- ceitas, as entidades realizam gastos que podem ser resumidos em três grandes categorias: • para a obtenção da receita propriamente dita (despesas); • para a produção de itens que serão vendidos ou para a prestação de serviços (custos); • necessários à estruturação produtiva e comercial da entidade (inves- timentos). Independentemente da finalidade pela qual se realizam os gastos, ao relacionar receitas, gastos e as diversas partes em que as entidades estão divididas operacionalmente, podemos deduzir o conceito de de- partamentos ou, ainda, de centros de responsabilidade. 132 UNIUBE importante! Departamentos ou centros de responsabilidades são unidades administrativas que desempenham um conjunto de atividades homogêneas voltadas para a obtenção de resultados para a entidade e que, obrigatoriamente, devem estar sob a responsabilidade de um gestor. Cabe destacar, com relação à terminologia “centro”, que, apesar de ligei- ramente passível de relacionamento com o conceito de “centro de custos” utilizado pela Contabilidade de Custos, esse termo, sob a ótica da Controla- doria, está relacionado a um conceito bem mais amplo, ou seja, o conceito de departamento. Porém, sob a ótica da Controladoria, os departamentos podem não ser apenas centros geradores de gastos (custos, despesas, desembolsos, investimento), mas, podem caracterizar-se também pela geração de receitas. Os centros de responsabilidade, ou departamentos, além de mobilizarem recursos e desempenharem atividades homogêneas voltadas para a obtenção de resultados, têm que possuir um responsável pela condução das atividades, pois, se assim não for, como a controladoria exercerá o seu papel enquanto fornecedor de informações voltadas para a tomada de decisões? Como o controle poderá ser exercido se alguém não responder pelas ações deflagradas para a obtenção de resultados previamente planejados? UNIUBE 133 Assim, uma vez que o conceito de centro está diretamente relacionado à ideia de responsabilidade, ao abordarmos departamentos enquanto unidades administrativas organizadas para a gestão e o controle, adota- remos somente a terminologia “centro de responsabilidade”. Ao analisar a atribuição destes centros bem como as atividades por eles desem- penhadas no contexto empresarial, podemos agrupá-los em quatro grandes grupos distintos – custo, receita, despesa, investimento – todos convergindo para um quinto centro de responsabilidade comum – re- sultados – conforme esquematizado pela Figura 5, a seguir. Podemos afirmar então que esta classificação em cinco grupos é proveniente das atividades operacionais que cada grupo possui. Figura 5: Centros de responsabilidade. No seu dia a dia, todo centro de responsabilidade desenvolve uma série de ações que, direta ou indiretamente, estão voltadas para a obtenção 134 UNIUBE dos resultados benéficos para a entidade como um todo. Além disso, quase a totalidade das atividades desenvolvidas pelas entidades con- somem algum tipo de recurso e, portanto, geram gastos. Vejamos no Quadro 1, a seguir, sobre cada um desses centros: Quadro 1: Atividades desenvolvidas pelas entidades. CENTROS DE RECEITA Este tem como atividades predominantes aquelas voltadas para a obtenção de benefícios para a própria entidade. Estes benefícios resultam em fluxos de caixa positivos para entidade. Note que foi empregada a expressão “atividades predominantes”, ou seja, quase que a totalidade, senão a totalidade, das ações deste tipo de centro de responsabilidade está voltada para a geração de receitas. Parece óbvio que tais centros de responsabilidade incorrerão também em gastos, mas, conforme já dito, a predominância das atividades e dos gastos consequentes está voltada para a obtenção de receitas. CENTROS DE CUSTOS Estão diretamente relacionados com a geração de produtos e/ou serviços destinados à satisfação do cliente. Note que, apesar da aparente semelhança, a finalidade dos centros de responsabilidades geradores de custos é distinta da razão de existir dos centros de despesas, pois estes centros cuidam da geração de produtos e/ou serviços; já os centros de despesas tratam da geração das receitas provenientes da utilização daqueles produtos e/ou serviços. CENTROS DE DESPESAS Estes têm como atividades predominantes aquelas voltadas para o suporte e a realização da atividade-fim da entidade, ou seja, as sua ações estão voltadas para a satisfação dos seus clientes e, por consequência, a geração de receitas. UNIUBE 135 CENTROS DE INVESTIMENTO São aqueles cujos gastos decorrem de atividades voltadas para a estruturação produtiva e comercial.Ou seja, as entidades, em geral, necessitam de uma estrutura capaz de suportar a operacionalização das suas atividades e, para tanto, elas se veem obrigadas a envidar esforços que consomem um alto volume de recursos financeiros que têm por objetivo proporcionar benefícios para entidade por longos períodos de tempo. Assim, o conjunto de gastos voltados para a estruturação do negócio, e que proporcionará a obtenção de benefícios a médio e longo prazo, denomina -se investimentos. CENTROS DE LUCROS São todos aqueles que concorrem para a obtenção de resultados favoráveis para a entidade, mediante o cumprimento da sua atividade operacional. Assim, apesar da predominância de atividades consumidoras de recursos em alguns centros de responsabilidade, torna- se quase impossível desvincular a figura do lucro dos demais centros, pois, se cada um deles desenvolve um grupo de atividades específicas, o objetivo final de todas essas ações é a geração do lucro e fluxos de caixa e, por consequência, a continuidade da entidade. Como você pôde notar, nesta rápida exposição, foram abordados alguns conceitos básicos sobre o processo de controladoria de gestão, enquanto metodologia administrativa de controle e suporte à tomada de decisões. Além disso, sob a ótica da controladoria, foram descritas e classificadas as diversas atividades desenvolvidas pelas entidades, em geral. Por último, procurou- se demonstrar como aquelas atividades operacionais desenvolvidas pelas organizações podem ser agrupadas em centros de responsabilidade. 136 UNIUBE Resumo Sob a ótica da controladoria, foram descritas e classificadas as diversas atividades desenvolvidas pelas entidades, em geral. Conforme foi visto, essas atividades podem ser separadas e concentradas em quatro gran- des grupos: atividades administrativas; atividades de entrada; atividades de processamento e atividades de saída. Por último, foi demonstrado que aquelas atividades operacionais de- senvolvidas pelas organizações são realizadas, basicamente, em cinco centros de responsabilidade, ou seja: • de receitas: tem como atividades predominantes aquelas voltadas para a obtenção de benefícios para entidade; • de custos: estão diretamente relacionados com a geração de produtos e/ou serviços destinados à satisfação do cliente; • de despesas: têm como atividades predominantes aquelas voltadas para o suporte e a realização da atividade-fim da entidade; • de investimentos: são aqueles cujos gastos decorrem de atividades voltadas para a estruturação produtiva e comercial; • de lucros: são todos aqueles que concorrem para a obtenção de re- sultados favoráveis para a entidade, mediante o cumprimento da sua atividade operacional. Assim, na última parte do capítulo foi visto que, apesar da predominância de atividades consumidoras de recursos em alguns centros de respon- UNIUBE 137 sabilidade, torna-se quase impossível desvincular a figura do lucro dos demais centros, pois, se cada um deles desenvolve um grupo de ativi- dades específicas, o objetivo final de todas essas ações é a geração do lucro e fluxos de caixa e, por consequência, a continuidade da entidade. Destacamos que o cumprimento de todas as atividades de aprendizagem indicadas neste capítulo são de fundamental importância para o sucesso do seu aprendizado. Assim, cumpra-as de forma integral e com a máxima dedicação possível. Bom estudo! Atividades Atividade 1 Segundo Nakagawa (1993), a adequação do sistema de informações ao processo de planejamento e controle requer o preenchimento de três requisitos fundamentais. A seguir, escreva cada um deles e apresente as respectivas definições. Atividade 2 Com base no conteúdo estudado, apresente a sua definição para o termo accountability. Atividade 3 Com base no estudo realizado, pôde-se perceber que as empresas são consideradas sistemas e estes, por sua vez, podem ser classificados em algumas formas distintas. Analise cada uma das alternativas a seguir e 138 UNIUBE assinale aquela que melhor traduz o tipo de sistema em que as empresas se enquadram. a. ( ) Sistema fechado e estático. b. ( ) Sistema aberto e estático. c. ( ) Sistema fechado e dinâmico. d. ( ) Sistema aberto e dinâmico. e. ( ) Sistema fechado e oculto. Atividade 4 De acordo com o estudo realizado, apresente a definição do autor para o termo eficácia. Atividade 5 Enquanto um processo administrativo, a controladoria deve ser condu- zida por um profissional competente para tal finalidade. Com base nos conceitos e definições apresentados ao longo dos estudos que você de- senvolveu, analise cada uma das alternativas a seguir e assinale aquele que contém a correta definição para o profissional de controladoria, portanto, o controller. a. ( )Controller é o profissional responsável pela administração da política comercial, responsável pelas ações de vendas. b. ( )Controller é o profissional responsável pelo desenvolvimento, implementação e gerenciamento do sistema de informações gerenciais UNIUBE 139 voltadas para o controle e suporte à tomada de decisões nas organiza- ções que possuem um processo formal de controladoria. c. ( ) Controller é o profissional responsável pela coleta de informações contábeis e pelo seu respectivo registro. d. ( ) Controller é o profissional responsável pelo sistema de informa- ções fiscais e pela contabilidade societária propriamente dita. e. ( ) Controller é o profissional responsável pela elaboração e comu- nicação das metas estratégicas da organização, independentemente do seu controle e operacionalização. Referências ATKINSON, Anthony A. et al. Contabilidade gerencial. Tradução de André Olímpio Mosselman Du Chenoy Castro. São Paulo: Atlas, 2000. ORO, Ieda Margarete et al. O perfil do profissional de controladoria sob a ótica do mercado de trabalho brasileiro. Anais... 7o Congresso USP de Controladoria e Contabilidade. São Paulo -SP. Brasil. 26-27 jul. 2007. Disponível em: <http://www. congressousp.fipecafi.org/artigos72007/320.pdf>. Acesso em: 12 abr. 2009. PADOVEZE, Clóvis Luis. Controladoria estratégica e operacional: conceitos, estrutura, aplicação. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005. Capítulo 1 Carlos Roberto Souza Carmo Introdução No capítulo anterior, você estudou sobre a metodologia ad- ministrativa responsável pela análise e geração de informa- ções voltadas para o apoio e suporte à tomada de decisões, a controladoria. Mediante a realização das atividades propostas anteriormente, você deve ter sido capaz de enumerar as terminologias básicas em controladoria, identificar sua função nas organizações; asso- ciar a contabilidade ao processo formal de controle e gestão; e, ainda, compreender o conceito de centros de responsabilidade e a sua aplicação dentre os órgãos ligados à gestão empresarial. A partir do estudo proposto neste capítulo, você verá como o pla- nejamento orçamentário se encaixa no processo de controlado- ria. Também vamos estudar o significado da terminologia “preço de transferência” e como ele é utilizado dentro das organizações. Bons estudos! Planejamento e controle operacional Capítulo 5 142 UNIUBE Objetivos Após os estudos realizados a partir deste capítulo, esperamos que você esteja apto a: • identificar como o processo orçamentário se integra ao sistema de informações utilizado pela controladoria nas organizações; • explicar a utilização dos preços de transferências na avaliação do desempenho de unidades administrativas ou centros de responsabilidades; • identificar as metodologias utilizadas para determinação e adoção dos preços de transferências enquanto uma das ferramentas utilizadas pela controladoria. Esquema Planejamento Processamento Informação Organização Análise Gestão Planejamento orçamentário Tomada de decisões Resultado Preços de transferência UNIUBE 143 5.1 Planejamento orçamentário Conforme Padoveze (2005, p.189), “a base da controladoria operacional é o processo de planejamento orçamentário [...]”. Ou seja, não existe controle sem o planejamento prévio das ações e dos respectivos resul- tados. Devido à constante interatividade entre as organizações e os seus ambientes (interno e externo) e, também, à necessidade de se garantir o cumprimento das suas metas, surge a necessidade de se implementar o planejamento estratégico e operacional. Destacando -se como “planejamento estratégico” aquele voltado para o ambiente externo e os efeitos das decisões gerenciais no futuro da entidade. Já aquele planejamento voltado para as ações, as políticas e os objetivos relacionados às operações da empresa é chamado de “planejamento operacional”. O planejamento orçamentário está localizado na esfera do planejamento operacional. Ele compõe uma parte importante do sistema de informa- ções gerenciais que é a base do processo de controladoria, conforme esquema proposto pela Figura 1, a seguir. 144 UNIUBE Figura 1: O planejamento orçamentário como ferramenta de informação e controle. Fonte: Padoveze (2005, p. 202). Apesar de todo processo orçamentário ser desencadeado a partir dos planejamentos estratégico e operacional, não existe uma maneira única de se estruturar um orçamento, pois são muitas as metodologias de estimativa e composição orçamentária. Entretanto, essas metodologias podem ser resumidas em dois grandes grupos: o grupo dos orçamentos baseados em tendências e o dos orçamentos base zero. Você se lembra como é desenvolvido um processo orçamentário, conforme já estudado em etapas anteriores deste curso? Um orçamento baseado em tendências é aquele que utiliza dados passa- dos para projeções de situações futuras. Já a metodologia de orçamento UNIUBE 145 base zero surgiu em contraposição ao “orçamento de tendências”. Essa técnica consiste em romper com o passado e repensar todos os gastos da empresa, questionando gasto por gasto tanto financeiramente quanto quantitativa e estrategicamente. Nesse contexto, pode -se afirmar que planejamento orçamentário tem grande importância no processo de controle e gestão, devido às suas utilidades, ou seja, enquanto um conjunto de estimativas proveniente do planejamento prévio de gastos, o orçamento pode funcionar como um “sistema de autorização”, pois proporciona o controle do consumo de recursos antes da sua realização propriamente dita. Nessa linha de raciocínio, ele permite certo grau de liberdade de atuação por parte dos gestores, ou seja, dentro daqueles montantes aprovados ao final do processo orçamentário, o gestor passa a ter maior autonomia para gerir seus gastos. Isso, por sua vez, pode constituir -se em um “fator motivacional” muito importante. Por advir do planejamento operacional, e este por ter origem no plane- jamento estratégico, o orçamento pode, também, caracterizar -se como uma boa alternativa para a divulgação e comunicação das metas da entidade e, ainda, permitir a coordenação dessas metas com as metas individuais de cada departamento. Por último, enquanto parte integrante do sistema de informações utilizado pela controladoria, o orçamento funciona como uma ferramenta de pla- nejamento econômico -financeiro, projeções e, principalmente, controle das ações implementadas pelos gestores operacionais. 146 UNIUBE Mas, para que se obtenha o máximo de proveito do processo de pla- nejamento e do controle orçamentário, este deve ser concebido com o máximo de flexibilidade possível. Se conduzido de forma rígida, além de cair no descrédito, o orçamento pode desmotivar o corpo funcional e, por isso, não atingir sua finalidade enquanto ferramenta de planejamento e controle utilizada pela controladoria. Além de flexibilidade, o planejamento orçamentário deve seguir uma sequência lógica que permita a coordenação entre o suporte à tomada de decisões e o processo de controle gerencial. Para tanto, faz -se necessá- rio tomar o “orçamento de receitas” como ponto de partida do processo orçamentário e, a partir dele, organizar todas as demais peças orçamen- tárias (orçamento de produção; orçamento de compras; orçamento de despesas; orçamento de investimentos; orçamento de disponibilidades). Dentre as variáveis a serem consideradas no processo de planejamento das vendas, destacam -se: mercado consumidor; recursos produtivos; mercado fornecedor; recursos financeiros. Feita a estimativa das vendas, quantidades e valores, inicia -se o processo de planejamento da produção. Nesse caso, para cada tipo de atividade econômica leva -se em conta um tipo de necessidade diferente, ou seja, é preciso considerar: • prestação de serviços: capacidade de prestação de serviços; • atacadistas e varejistas: necessidades de compras; • indústria: necessidades de produção. UNIUBE 147 Além disso, no orçamento de produção, devemos levar em conta os tipos de custos de forma individualizada: • os custos projetados com mão de obra direta – dão origem ao orça- mento de mão de obra direta; • os custos projetados com material direto – dão origem ao orçamento de materiais diretos; • os custos indiretos projetados dão origem ao orçamento de CIPs (cus- tos indiretos de produção). importante! Estes três orçamentos combinados (mão de obra direta, material direto e CIPs) dão origem ao orçamento de produção propriamente dito. Do ponto de vista quantitativo, no processo de planejamento da produção, devemos considerar as seguintes variáveis que podem impactar, positiva ou negativamente, o processo de planejamento: • determinação das necessidades totais de pro- dução (por produto); • definição das políticas de estoques da entidade (estoques mínimos e máximos); • capacidade máxima de produção e sua adequação (expansão ou redução); Ponto de vista quantitativo Relativo às quantidades relacionadas ao processo produtivo. 148 UNIUBE • análise da capacidade de fornecimento de materiais e mão de obra; • duração do ciclo produtivo; • determinação dos lotes econômicos de produção; • distribuição da produção ao longo do período planejado. Levando -se em conta as necessidades de materiais diretos para a composição do orçamento de produção, inicia -se o processo de plane- jamento das compras. Nesse processo orçamentário, o conhecimento e a compreensão do “ciclo produtivo” da empresa são imprescindíveis. parada obrigatória Você consegue vislumbrar como seria o processo básico de dimensionamento do ciclo produtivo das entidades em geral? O ciclo produtivo inicia -se no momento da aquisição da matéria -prima para produção – caso de uma empresa industrial – e finaliza -se na estocagem do produto final, conforme esquema proposto pela Figura 2, a seguir. Pedido Entrega Início da fabricação Término da fabricação Venda Prazo médio de entrega Prazo médio de estocagem (MP) Prazo médio de fabricação Prazo médio de estocagem (prod. acab.) Figura 2: O planejamento orçamentário como ferramenta de informação e controle. UNIUBE 149 A soma dos prazos operacionais demandados em cada uma das etapas demonstradas no esquema proposto pela Figura 2 indica o tempo médio decorrido desde a compra de matéria -prima até o momento da venda do produto acabado. Diante disso, pode -se planejar melhor o momento das compras e as quantidades a serem compradas e, assim, minimizar o custo total da aquisição de materiais. O orçamento de compras tem como principais variáveis a serem consi- deradas (i) as necessidades de matérias -primas da fábrica, (ii) os níveis dos estoques de matérias -primas e (iii) o custo do processo de compras de matérias -primas. A etapa seguinte à da elaboração do orçamento das compras é a do planejamento das despesas. Ao iniciar o planejamento orçamentário dos gastos voltados para a obtenção de receitas, ou seja, o orçamento de despesas, devemos contemplar as seguintes variáveis: a) planejamento porunidade administrativa (centro de responsabili- dade); b) relacionamento direto com os orçamentos anteriores (volume de atividade -receitas; compras; produção; MP, MOD e CIPs); c) a separação do planejamento dos gastos em orçamento de despesas de vendas e orçamento de despesas administrativas. Devido à participação substancial das despesas de vendas e das despe- sas administrativas nos gastos totais e levando -se em conta que esses itens são grandes determinantes das saídas de caixa, o planejamento orçamentário das despesas deve ser baseado nos conceitos de respon- 150 UNIUBE sabilidade funcional e objetivos dos gastos. Além disso, sua finalidade maior é permitir o equilíbrio entre receitas e os gastos necessários para se produzir o resultado esperado. Na penúltima fase do planejamento orçamentário, encontra -se o orça- mento de investimentos. Nessa etapa, consideram-se todos os gastos relacionados à capacidade produtiva e de prestação de serviços, bem como as possíveis necessidades de ampliação da empresa. Normal- mente, os gastos com investimentos são destinados à implementação de pesquisas e desenvolvimento de produtos, à aquisição de máquinas e equipamentos de longa duração e, finalmente, a investimentos voltados para a aquisição estratégica de outras empresas. O orçamento de investimentos tem como principais variáveis a serem consideradas: (i) os montantes e o número de projetos necessários à manutenção do atual nível de operação da entidade, (ii) a necessidade de novos investimentos para a ampliação do nível das atividades da entidade, (iii) a necessidade de investimentos estratégicos em outras empresas e, ainda, (iv) eventuais opções de investimentos que possam maximizar os resultados relacionados à aplicação de eventuais exceden- tes de caixa. Uma vez que todos os gastos demandam, mais cedo ou mais tarde, algum tipo de desembolso, chegamos à última etapa do planejamento opera- cional, ou seja, o orçamento de disponibilidades. Nessa peça orçamentária, devemos levar em conta as seguintes variáveis: Desembolso Ato ou efeito de desembolsar. Aquilo que se gastou ou pagou. É o consumo de ativos financeiros. UNIUBE 151 a) prazos médios de pagamentos de fornecedores; b) prazos médios de pagamentos de despesas; c) prazos médios de recebimento das vendas; d) orçamento de vendas propriamente dito; e) orçamento de compras propriamente dito; f) orçamento de investimentos propriamente dito; g) linhas de créditos disponíveis para suprir “faltas de caixa”; h) possíveis aplicações para os “excessos de caixa”. importante! Na elaboração desse tipo de orçamento, a preocupação concentra -se na demanda por recursos financeiros. O planejamento do fluxo de caixa é tão ou mais importante quanto o restante de todo o planejamento orçamentário. Pois, de que adianta a lucratividade bem planejada, e até alcançada, se a empresa não é capaz de converter o seu resultado econômico em resultado financeiro para si e para seus fornecedores de financiamento. 5.2 Controle orçamentário Uma vez que o processo orçamentário consiste em um conjunto de estimativas, sempre existirão diferenças entre os valores orçados e os valores efetivamente realizados. 152 UNIUBE No caso do orçamento de vendas, as variações orçamentárias serão consideradas favoráveis se os montantes e quantidades reais forem su- periores às quantidades e aos montantes e quantidades orçados. Caso ocorra o inverso, montantes e quantidades vendidas reais inferiores aos orçados, a variação será considerada desfavorável. No caso dos orçamentos relacionados a gastos, por exemplo, orçamento de custos, despesas ou investimentos, a análise deve ser inversa. Ou seja, se os montantes e quantidades gastos reais forem superiores às quantidades e aos montantes e quantidades orçados, as variações or- çamentárias serão consideradas desfavoráveis. Caso ocorra o inverso, montantes e quantidades reais inferiores aos orçados, a variação será considerada favorável. O controle orçamentário será exercido exatamente sobre tais variações. Do ponto de vista prático, essas variações podem ser classificadas de três formas: • variação de quantidade; • variação de preço; • variação mista. Além das variações de quantidades e montantes (valores) propriamente ditas, podem ocorrer variações combinadas, ou seja, variações simultâ- neas de quantidades e valores ou preços. Esse tipo de variação é cha- mado de variação mista. Observe, na Figura 3, a seguir, como podem se comportar as variações orçamentárias. UNIUBE 153 Análise das Variações (preço, quantidade e mista) Figura 3: Análise das variações orçamentárias. Assim, é por meio do processo de identificação e análise de variações que a controladoria exerce seu papel. Ou seja, somente após a identificação do tipo e do montante das variações orçamentárias é que podem ser cobradas as respectivas responsabilidades, a nível de departamentos administrativos e implementadas ações corretivas, de tal forma que a empresa possa se manter no rumo necessário à conclusão do seu pla- nejamento operacional e, por sua vez, contribuir para a consecução do seu planejamento estratégico. De forma geral, a análise das variações pode ser resumida pela formu- lação proposta, a seguir: Variação de Quantidade = (Qtd. Padrão – Qtd. Reais) x Preço Padrão/un. Variação de Preços = (Custo Padrão/un. – Custo Real/un.) x Qtd. Padrões Variação de Mista = (Custo Padrão/un. – Custo Real/un.) x (Qtd. Padrão – Qtd. Reais) 154 UNIUBE Enfim, partindo do pressuposto de que os orçamentos são exercícios de estimativas que têm por objetivo permitir o acompanhamento e o controle quantitativo e financeiro sobre as ações dos gestores e, assim, permitir que a empresa se aproxime o máximo possível das metas estabelecidas pelo seu planejamento estratégico, o orçamento se constitui em uma das ferramentas básicas do sistema de informações utilizado pelo processo de controladoria nas organizações. 5.3 Preços de transferência No capítulo anterior a este, foi dito que as entidades são formadas por diversas partes que desempenham, internamente, um conjunto de ativi- dades homogêneas. Além disso, afirmou -se também que esses órgãos de gestão empresarial são os usuários da informação gerencial, que interagem dinâmica e naturalmente. Naquele mesmo capítulo afirmou -se que, independentemente da finalidade pela qual se realizam os gastos, ao se relacionar receitas, gastos e as diversas partes em que as entida- des encontram -se divididas operacionalmente, poderia se deduzir o conceito de centros de res- ponsabilidade. Assim, eles foram definidos como unidades administrativas que desempenham um conjunto de atividades homogêneas voltadas para a obtenção de resultados para a entidade e que, obrigatoriamente, devem estar sob a responsabilidade de um gestor. Atividades homogêneas Atividades de uma mesma natureza ou, ainda, são ou estão solidamente e/ou estreitamente ligadas. UNIUBE 155 Parece lógico afirmar que, para a correta avaliação de desempenho das áreas de responsabilidade em que as entidades encontram -se divididas, é necessário identificar um preço pelo qual se possa avaliar a contribuição de cada um desses centros para resultado global da entidade. Nesse contexto, o preço de transferência pode ser definido como aquele valor pelo qual são transferidos produtos e serviços de um centro de res- ponsabilidade para outro, dentro de uma mesma entidade e, assim, se consiga avaliar o desempenho individual de cada uma dessas unidades administrativas. Catelli (1999, p. 419) apresenta algumas premissas básicas que, além de corroborar boa parte dos conceitos tratados até aqui, fundamentam a adoção de preços de transferências nas transações interdepartamentais: a) toda empresa é um processo de transformação de recursos em produtos/serviços, composto de diversas atividadesque interagem entre si; b) as atividades possuem um caráter econômico, que se materializa pelo consumo de recursos e geração de produtos/serviços; c) os recursos consumidos, por serem escassos, possuem valor econômico (custos), e os produtos/ serviços gerados, por satisfazerem necessidades ambientais, também o possuem (receitas); d) as atividades contribuem para os resultados eco- nômicos da empresa. Ainda segundo Catelli (1999, p. 419), enquanto ferramenta empregada no processo formal de controladoria, a utilização de preços de transfe- rência deve: e) permitir uma constante avaliação dos níveis de eficiência e eficácia da empresa, a partir das rela- ções econômicas entre suas atividades; 156 UNIUBE f) permitir avaliações de desempenhos justas, a partir da correta mensuração da contribuição das ati- vidades e das áreas para o resultado global da empresa; g) suportar e permitir simulações e avaliação das decisões tomadas na empresa; h) induzir comportamentos adequados dos gestores; i) não permitir o repasse de ineficiências entre áreas; j) promover a capacidade competitiva da empresa. A determinação do preço de transferência pode ser baseada em custos, baseada nos preços de mercado, baseada no custo de oportunidade ou, ainda, simplesmente baseada em negociações entre gestores. O preço de transferência baseado em custos é determinado com base nos custos de produção. Valendo destacar que ele tende a ser diferente de acordo com a metodologia de custeamento adotada para essa finalidade. O preço de transferência baseado no mercado leva em conta o preço vigente no mercado. Por isso, ele ignora totalmente o custo de fabricação do produto. O preço de mercado adotado pode ser o preço corrente de mercado ou o preço de mercado ajustado. O preço de transferência negociado é aquele cuja base para mensura- ção da contribuição de cada centro de responsabilidade para o resultado global da entidade é um valor negociado e aceito pelos gestores, inde- pendentemente do parâmetro adotado para sua definição (por exemplo, custo ou mercado). O preço de transferência baseado no custo de oportunidade assume como valor dos produtos ou serviços transferidos entre as unidades UNIUBE 157 administrativas aquele preço capaz de mensurar um ganho que pode- ria ser obtido caso se optasse pela melhor alternativa de investimento necessário à obtenção dos produtos ou serviços negociados entre os centros de responsabilidades. Independentemente da metodologia adotada para determinação do preço de transferência, a sua adoção como ferramenta de avaliação de desempenho entre centros de responsabilidade de uma mesma entidade implicará o reconhecimento de uma receita para a unidade cedente do produto ou prestadora do serviço e, ainda, um custo para a unidade consumidora do produto ou serviço. Ao final de mais essa etapa de estudos, você já deve ter adquirido maio- res conhecimentos sobre como o planejamento orçamentário integra o processo de controladoria e gestão das entidades, em geral. Além disso, você passou a conhecer os conceitos e aplicações dos “preços de transferência” na avaliação do desempenho interdepartamental nas organizações. Bom estudo! Resumo Neste capítulo foram abordados alguns conceitos básicos sobre como o planejamento orçamentário integra o sistema de informações utilizado no processo de controladoria. 158 UNIUBE A seguir, foram abordados os conceitos relativos ao controle orçamen- tário e a formulação básica para análise das variações entre valores e quantidades orçados e valores e quantidades realizados. Por último, foram abordados os conceitos e as formas de aplicação da sistemática de formação dos preços de transferência. Novamente, cabe destacar que o cumprimento de todas as atividades de aprendizagem indicadas nesse capítulo são essenciais para o sucesso do seu aprendizado. Bom estudo! Atividades Leia o enunciado a seguir e responda às atividades 1 e 2. O processo de planejamento das compras para atendimento das necessi- dades de materiais diretos para a composição do orçamento de produção constitui a base do orçamento de compras. Sabendo que o ciclo produ- tivo inicia -se no momento da aquisição da matéria -prima para produção e finaliza -se no acabamento e estocagem do produto final, observe o esquema proposto, a seguir, e, depois, faça as atividades 1 e 2. UNIUBE 159 Pedido Entrega Início da fabricação Término da fabricação Venda Prazo médio de entrega 10 dias 3 dias 7 dias 5 dias Prazo médio de _____________ Prazo médio de _____________ Prazo médio de estocagem (prod. acab.) Atividade 1 Com relação específica às duas lacunas deixadas no esquema proposto no enunciado anterior, assinale a alternativa que completa correta e se- quencialmente o esquema. a. ( ) Estocagem da produção acabada e gastos primários b. ( ) Distribuição e entrega c. ( ) Acabamento e venda d. ( ) Estocagem da matéria -prima e fabricação e. ( ) Estocagem de custos indiretos e entrega Atividade 2 Com base no esquema proposto, calcule e escreva a seguir qual é o ciclo operacional da empresa a ele relacionada. 160 UNIUBE Atividade 3 Com base no conteúdo estudado nesse capítulo, discorra sobre o “preço de transferência baseado em custos”. Atividade 4 Com base no conteúdo estudado nesse capítulo, discorra sobre o “preço de transferência negociado”. Atividade 5 Com base no conteúdo estudado nesse capítulo, discorra sobre o “preço de transferência baseado no custo de oportunidade”. Referências ATKINSON, Anthony A. et al. Contabilidade gerencial. Tradução de André Olímpio Mosselman Du Chenoy Castro. São Paulo: Atlas, 2000. CATELLI, Armando (Coord.). Controladoria: uma abordagem da gestão econômica. São Paulo: Atlas, 1999. PADOVEZE, Clóvis Luis. Controladoria estratégica e operacional: conceitos, estrutura, aplicação. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005. Fonética: a sonoridade da língua inglesa Capítulo 1 Carlos Roberto Souza Carmo Introdução Mediante os estudos realizados com base nos dois capítulos anteriores referentes a esse componente curricular, você teve um contato inicial com a controladoria. Em seguida, aprofundou seus conhecimentos acerca desse processo de controle de gestão. Neste último capítulo, você aprenderá, inicialmente, quais as principais atividades operacionais a serem monitoradas pelo processo de controle de gestão. Você também estudará algumas técnicas de avaliação do de- sempenho operacional dentro das organizações. Por último, você conhecerá o funcionamento do Balanced Sco- recard, enquanto ferramenta utilizada no controle de gestão. Bom estudo! O processo de avaliação do desempenho Capítulo 6 162 UNIUBE Objetivos Após os estudos realizados a partir deste capítulo, esperamos que você esteja apto a: • identificar as principais atividades de um processo de controle; • conhecer algumas das principais metodologias de con- trole e avaliação do desempenho; • compreender o importante papel da avaliação do desem- penho no processo de controle da gestão operacional; • entender a função do Balanced Scorecard no processo de controladoria. Esquema AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO CONTROLE FINANCEIRO CONTROLES INTERNOS RESULTADOS FOCO NO CLIENTE UNIUBE 163 6.1 Indicadores e avaliação de desempenho Nos dias atuais, em que a concorrência é crescente e a disponibilidade de recursos é cada vez menor, o planejamento e, consequentemente, a sua execução são vitais para a sobrevivência das organizações. Enquanto responsável pelo controle das atividades que garantirão o cum- primento das metas das empresas, o controller se vê obrigado a lançar mão de métricas capazes de proporcionar o devido suporte e, ainda, o controle efetivo dos resultados alcançados pelo processo de gestão. importante! Aqui, vale destacar que a elaboração e utilização incorreta de um indicador de desempenho, financeiroou não, pode ser tão danosa ao processo de controle quanto a sua ausência. Sob essa ótica, a utilização de indicadores que reflitam o real desempe- nho das várias equipes que compõem as organizações não pode prender- -se a índices puramente financeiros. Assim, observa -se a necessidade de se adotarem indicadores compostos por dados financeiros aliados a informações de caráter qualitativo. Segundo Nakagawa (1993, p. 13), é função do controller “[...] organizar e reportar dados relevantes [...]”, de maneira que este “[...] exerce uma força ou influência que induz os gerentes a tomarem decisões lógicas e 164 UNIUBE consistentes com a missão e objetivos da empresa”. Assim, o controle de gestão inicia -se na formulação da proposta de controle, passa pela execução dessa proposta, pelo monitoramento das decisões que coor- denam as atividades operacionais da empresa e, finalmente, chega à demonstração e avaliação dos resultados alcançados. Nesse contexto, além de não permitir um maior nível de detalhamento da informação, a utilização de indicadores de desempenho exclusivamente financeiros tem como característica principal reportar dados passados. Isso interfere negativamente na tomada de decisão rápida e acertada. O controle de gestão baseado em indicadores de desempenho inicia -se com a coleta e a interpretação de dados, nem sempre homogêneos, e termina com a divulgação ordenada destes. Tal qual na indústria, onde a boa matéria-prima só dá origem a bons produtos finais se processada corretamente, a coleta e a interpretação de dados têm que ser realizadas de forma que se produza uma informação capaz de atingir seu objetivo. Assim, na concepção de um indicador de desempenho, é imprescindível que sejam utilizados dados corretos de forma acertada para que exista uma simetria entre o controle e o objeto desse controle. Kaplan e Norton (1997, p. 156), ao abordarem as medidas utilizadas na implementação do Balanced Scorecard, destacam duas modalidades de indicadores: “indicadores de ocorrências” ou “de resultado”, e os “vetores de desempenho” ou “indicadores de tendência“. Para os autores, adotar medidas de avaliação do resultado sem levar em conta os vetores de desempenho é inútil, pois os primeiros indicam se o resultado foi alcan- çado, entretanto, não comunicam a maneira como tais resultados foram alcançados. Além disso, indicadores de desempenho voltados exclusi- UNIUBE 165 vamente para o resultado não permitem vislumbrar antecipadamente se a implementação de determinada estratégia está sendo bem- sucedida ou não. Na visão de Kaplan e Norton (1997), está implícita a ideia de que os in- dicadores de tendência servem para comunicar os meios pelos quais se chegará aos resultados planejados. Aliás, se nos pautássemos apenas pelo significado literal das suas duas palavras (indicador de tendência), concluiríamos, também, que este tipo de indicador tem o objetivo de demonstrar a tendência de se atingir, ou não, um determinado resultado e, ainda, em qual nível essa meta, objeto do controle por meio de deter- minado indicador de desempenho, será atingida. Se os indicadores de tendência têm a função de permitir a visualização prévia dos resultados da implementação de determinada estratégia, os indicadores de resultado poderiam ser entendidos como as variâncias (diferenças) entre indicadores de desempenho planejados e indicadores efetivamente realizados, ou ainda, atingidos ao final de cada período de controle. parada para reflexão Qual a verdadeira utilidade dos indicadores de resultado? Ou, ainda, qual a sua necessidade, uma vez que os indicadores de tendência controlam e demonstram, durante a execução do planejamento operacional, um mesmo resultado almejado? 166 UNIUBE A diferença básica é que os indicadores de tendência estão voltados para o controle das ações que garantiriam o resultado controlado pelos indicadores de resultado. Por exemplo, caso uma das metas de uma grande rede de postos de combustíveis fosse diminuir o percentual de inadimplência proveniente da devolução de cheques recebidos dos seus clientes, poderiam ser adotados dois indicadores de tendência, por exemplo, “o volume (quanti- dade) de clientes cujos cheques foram devolvidos por falta de fundos” e, desse total, extrair -se -ia o segundo indicador de tendência, por exemplo, “o percentual de recuperação de créditos”. Como indicador de resultado teríamos, por exemplo, “um percentual mínimo de queda na inadim- plência” da dita carteira. Assim, pode- se perceber que os dois primeiros indicadores estão voltados para as ações que seriam executadas durante determinado período de controle, enquanto o último está diretamente relacionado com o objetivo traçado. Outro ponto a destacar sobre a utilização combinada de indicadores de tendência e indicadores de resultados seria com relação ao momento do controle. Ou seja, a adoção de indicadores de tendência é justificada, principalmente, por dois dos “três requisitos fundamentais” apontados por Nakagawa (1993, p. 15) e já estudados através de uma das atividades de autoavaliação indicadas no primeiro primeiro capítulo desse componente curricular, ou seja: idade e frequência. Assim, ao invés de se avaliar a efetiva realização dos resultados planejados somente no final de cada período, exerce -se o seu controle durante o próprio período. Por conse- quência, a administração tem condições de implementar ações corretivas a cada processo realizado, de forma mais tempestiva. UNIUBE 167 Por fim, realizando uma última análise sobre a adoção combinada de indicadores de tendência e de resultado e, ainda, o objeto de controle comum a ambos, ressaltamos que os indicadores de resultado podem estar mais alinhados com conceitos abordados no planejamento em nível estratégico. Dessa forma, podem não traduzir a verdadeira importância de certas ações do corpo funcional, em nível operacional, para o cum- primento do planejamento da empresa como um todo. Por outro lado, uma vez que os indicadores de tendência estão voltados para ações, eles funcionam como uma espécie de tradutor do planejamento para os níveis funcionais mais inferiores. 6.2 Sistemas de controle e avaliação de desempenho É fato que as entidades com finalidades lucrativas (empresas) têm suas atividades voltadas para dois objetivos considerados primordiais para esse tipo de entidade: lucro e liquidez. Na busca para se atingir esses objetivos, econômicos e financeiros, as empresas percorrem caminhos variados. Nesse contexto, cabe resgatar dois conceitos importantíssimos estudados logo no primeiro capítulo deste livro: eficácia e eficiência. Ou seja, o cumprimento dos resultados previamente planejados diz res- peito à eficácia, enquanto a maximização e otimização de tais resultados estão relacionadas à eficiência nas ações desenvolvidas pela entidade. A controladoria é responsável pelo estabelecimento e pela implementação de medidas capazes de mensurar a eficácia e a eficiência das entida- 168 UNIUBE des. Nesse processo, cabe ao controller identificar os critérios técnicos que permitam a avaliação do desempenho dos gestores à frente das organizações, de acordo com as metas traçadas pelo seu processo de planejamento, e, ainda, ajustar tais critérios à realidade da empresa e ao contexto em que ela encontra -se inserida. Entre outros, vale destacar dois importantes sistemas de controle e ava- liação de desempenho: controle e avaliação do desempenho por tarefas e controle e avaliação do desempenho por resultados. O sistema de controle e avaliação de desempenho por tarefas tem como foco central a execução das atividades que podem levar a empresa a atingir suas metas. No sistema de controle e avaliação de desempenho por resultados, o foco central é o resultado alcançado comparativamente com metas pre- viamente estabelecidas. De uma forma geral, podemos afirmarque nos modelos de avaliação de desempenho baseados em tarefas o processo de controle está vol- tado para a eficiência das ações dos gestores, enquanto nos modelos de avaliação de desempenho baseados em resultados, o processo de controle está pautado no conceito de eficácia. Enquanto ferramenta de gestão, quando bem planejado e aplicado cor- retamente, o processo de avaliação de desempenho pode ser um ótimo meio para identificar e permitir a solução de problemas de gerência, de integração entre colaboradores e as metas da organização, entre outros. Entretanto, para que qualquer tipo de sistema de avaliação de UNIUBE 169 desempenho proporcione os resultados esperados, faz- se necessário o desenvolvimento do conceito de accountability. parada para reflexão Você saberia dizer qual o significado do termo “accountability”? Este signifi- cado assume um sentido próprio no contexto da controladoria? Para compreensão da “accountability”, recordaremos o conceito de “cen- tro de responsabilidade”. Conforme já dito no primeiro capítulo deste livro, os centros de responsabilidade, ou departamentos, além de mobilizarem recursos e desempenharem atividades homogêneas voltadas para a obtenção de resultados, têm que possuir um responsável pela condu- ção daquelas atividades. É justamente desse processo de delegação e apuração de responsabilidade que surge o conceito de accountability. Conforme observa Nakagawa (1993, p. 17), a accountability é “[...] a obrigação de se prestar contas dos resultados obtidos em função das responsabilidades que decorrem de uma delegação de poder”. Assim, conforme afirmado também no primeiro capítulo deste livro, a controla- doria não pode exercer o seu papel enquanto fornecedor de informações voltadas para a tomada de decisões, se não existir um responsável pelas ações emanadas do processo de gestão. A interação entre o sistema integrado de informações, o processo de tomada de decisões gerenciais e o processo de controle e avaliação de desempenho pode ser resumida e visualizada na Figura 1, a seguir. 170 UNIUBE PR O CE SS O D E TO M A D A D E D EC IS Õ ES PLANEJAMENTO EXECUÇÃO CONTROLE SI ST EM A D E IN FO RM A ÇÕ ES SISTEMA DE CUSTOS-PADRÃO SISTEMA DE ORÇAMENTOS FICHAS- PADRÃO ORÇ. APROV. SISTEMA CONTÁBIL (REAL) RELATÓRIO DE DESEMP. AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO POR INDICADORES Figura 1: Sistema integrado de informações, tomada de decisões e controle. Fonte: Nakagawa (1993, p. 14). Conforme afirmamos anteriormente, um sistema de controle e avaliação de desempenho pode tornar- se um ótimo meio para integração entre colaboradores e as metas da organização. Nesse contexto, a implemen- tação de ferramentas capazes de promover a divulgação da estratégia das organizações e, ainda, a avaliação do grau de acerto do seu cumpri- mento, podem tornar -se um desafio muito complexo para qualquer tipo de entidade. Mas, como veremos adiante, o Balanced Scorecard pode ser parte da solução desse complexo problema. UNIUBE 171 6.3 Balanced Scorecard O Balanced Scorecard, doravante denominado apenas de BSC, pode ser entendido como um sistema de gestão estratégica voltado para o suporte à tomada de decisões, comunicação da estratégia das organizações e, ainda, para a avaliação do processo de gestão. Sendo que o principal diferencial do BSC em relação à grande parte dos sistemas de gestão é o fato de ele permitir a gestão, a comunicação e a avaliação de uma forma totalmente interligada com o planejamento estratégico e sob quatro perspectivas ou ciclos, conforme demonstrado pela Figura 2, a seguir. Figura 2: A dinâmica do BSC e seus ciclos. 172 UNIUBE No ciclo do cliente, a empresa procura identificar os segmentos de clien- tes e mercados nos quais deseja competir. A partir daí, identificam-se as fontes e formas de obter suas receitas. Para tanto, buscam formas de medir, por exemplo, o grau de satisfação do seus clientes, sua fidelidade e retenção, e, ainda, formas de captação e lucratividade. De uma maneira geral, no ciclo do cliente procura-se identificar as formas pelas quais a entidade gerará valor para os seus clientes e, consequentemente, agre- gará valor ao seu negócio. No ciclo da aprendizagem, existem três categorias principais de pers- pectiva de aprendizagem que podem levar a empresa ao crescimento: • funcionários: nessa categoria, procura-se identificar o grau de satis- fação, retenção e produtividade dos funcionários de acordo com as estratégias da entidade; • sistema de informação: para que os funcionários desempenhem suas obrigações com eficácia, procura-se verificar se as informações à sua disposição lhe permitem compreender as necessidades dos clientes, o funcionamento dos processos internos e, ainda, as consequências de suas decisões e ações; • motivação: do ponto de vista motivacional, procura-se verificar, entre outros fatores, a consciência estratégica do corpo funcional, o seu ali- nhamento profissional individual com o espírito da equipe como um todo. No ciclo dos processos internos, procuram- se identificar os processos críticos da atividade operacional que são essenciais para a materializa- ção do planejamento estratégico na forma de valor para o cliente e de UNIUBE 173 vantagem competitiva para a organização. A partir dessa identificação, procura- se planejar e agir de forma a se extinguirem fatores que possam impactar negativamente nas atividades operacionais da entidade. Por último, já no ciclo financeiro, todas as informações e ações identificadas, analisadas e planejadas sob a perspectiva dos três ciclos anteriores são traduzidas para algum tipo de métrica financeira. Isso procurando sempre identificar formas de se promover o crescimento da receita, a redução de custos e a melhoria da produtividade. Além disso, por consequência, buscam se desenvolver as estratégias de investimen- tos do negócio como um todo. Uma vez que o BSC promove um alto grau de relacionamento entre aque- las quatro perspectivas, ou ciclos, e a estratégia empresarial, ele alinha as ações operacionais desenvolvidas pelos gestores e o planejamento estratégico traçado pela alta administração. Além de promover um estreito relacionamento entre os ciclos do cliente, da aprendizagem, dos processos internos e da perspectiva financeira, o BSC tem como ponto forte o fato de estabelecer uma relação de causa e efeito para cada meta estabelecida no planejamento estratégico da organização. Para isso, para cada um daqueles ciclos são determinados os seguintes itens: objetivos estratégicos, indicadores, as metas e ações. Os objetivos tratam basicamente da identificação, ou melhor, do “elo” entre o planejamento estratégico e cada um dos ciclos contemplados no BSC. Os indicadores caracterizam- se pela identificação das medidas que avaliarão o cumprimento, ou não, da estratégia. 174 UNIUBE As metas dizem respeito às informações qualitativas de cada indicador escolhido para avaliar o cumprimento das metas dentro de cada um daqueles quatro ciclos. Por último, são identificadas as ações que garantirão o cumprimento da meta quantificada em cada indicador de desempenho. Assim, a dinâmica de funcionamento do BSC e a interação dos seus ciclos com a estratégia empresarial são detalhadas na forma de objeti- vos, indicadores, metas e ações, tudo isso identificado individualmente, conforme mostra a Figura 3, mais adiante. Figura 3: A dinâmica do BSC e seus ciclos detalhados em objetivos estratégicos, indicadores, metas e ações. UNIUBE 175 Assim, esse conjunto de perspectivas, ou ciclos, devidamente interliga- dos e detalhados, garantem ao BSC uma considerável funcionalidade no processo de comunicação funcional do planejamento estratégico da organização, monitoramento dos resultados pretendidos e, ainda, ava- liação do grau de cumprimento das metas consideradas estratégicas. Finalmente,chegamos ao término de mais um capítulo e, ainda, ao final da sua etapa de estudos sobre controladoria. Sucesso! Resumo No início deste capítulo, você estudou o processo de controle de gestão baseado em indicadores de desempenho, desde a coleta e a interpre- tação de dados até a tomada de decisões baseada nestes indicadores. A seguir, foi abordado o conteúdo relativo aos modelos de avaliação de desempenho baseados em tarefas e os modelos baseados em resulta- dos. Foi evidenciado que o modelo baseado em tarefas está voltado para a eficiência das ações dos gestores, enquanto nos modelos de avaliação de desempenho baseados em resultados o processo de controle está pautado no conceito de eficácia. Por último, foram abordados os conceitos relativos a aplicabilidade e utilização do BSC, enquanto um sistema de gestão estratégica voltado para o suporte à tomada de decisões, comunicação da estratégia das organizações e, ainda, para a avaliação do processo de gestão. 176 UNIUBE Assim, ao final deste livro, espera -se que você tenha assimilado conhe- cimentos suficientes para ser capaz de compreender um sistema de contabilidade decisorial (controladoria) completo. Bom estudo! Atividades Estudo de caso único Certa cervejaria nacional dedica -se exclusivamente ao processo de fabricação e envasilhamento dos seus produtos. Ela delega a outras empresas, denominadas “revendedores”, os demais processos relativos à comercialização desses produtos. Para tanto, essa cervejaria divide, através de critérios próprios, a área geográfica nacional em várias regiões varejistas consumidoras, dentro das quais somente um único revendedor atuará, garantindo- lhe, sobre as vendas realizadas, um percentual a título de margem de contribuição. O revendedor detentor da concessão de determinada área para comer- cializar os produtos dessa cervejaria e, portanto, fazer jus à margem de contribuição acordada com a fábrica fica obrigado a cumprir uma série de condições pre determinadas, no que diz respeito à formatação do seu negócio. Ao revendedor são impostas condições que vão desde a padro- nização dos uniformes do seu pessoal, qualquer que seja a sua área de atuação, até a adoção de algumas sistemáticas de trabalho. UNIUBE 177 Dentre tais condições, existe uma que determina que a empresa reven- dedora seja dividida em cinco áreas distintas de atividades, conforme a seguir: • Puxada: é a área responsável pela retirada do produto, nas várias fábricas da cervejaria, e o seu transporte até os armazéns da revenda; • Armazenagem: é o setor da revenda responsável pelo armazenamento dos produtos, bem como pela garantia das condições necessárias à sua comercialização, por exemplo, registro de inventário, acompanhamento de prazos de vencimento, acondicionamento etc.; • Vendas: representa o elo entre a revenda e comércio varejista da área de concessão. Ou seja, é o setor responsável pelas vendas dos produtos da cervejaria aos vários pontos de venda que farão com que estes cheguem até o consumidor final; • Distribuição: é a área da empresa revendedora que realiza transporte, do seu armazém ao ponto de venda, dos produtos comercializados pela equipe de vendas da revenda; • Administração: é o backoffice das demais atividades. Ainda com relação à divisão do negócio em cinco áreas de atividades, a dita cervejaria, para garantir a qualidade de tais processos, avalia o desempenho dessas áreas da revenda e das respectivas equipes através de alguns indicadores de produtividade, sendo que, especificamente, a área de vendas tem três indicadores básicos para o monitoramento do seu desempenho, dos quais dois são indicadores de tendência e um de resultado. 178 UNIUBE Os dois indicadores de tendência empregados para monitorar a equipe de vendas das revendas desta cervejaria são: • Índice de cobertura: uma vez que os clientes de determinada área de concessão estão cadastrados no sistema informatizado de vendas e faturamento da revenda, devidamente separados em rotas com uma quantidade diária de clientes a serem visitados por cada vendedor da equipe, este indicador é obtido através da divisão do número de pon- tos de vendas (doravante chamados apenas de PDVs) efetivamente visitados (cobertos) em um dia, pelo número de PDVs previamente estabelecido com base no cadastro de clientes registrados, para este dia, no sistema de vendas e faturamento da revenda. Ou seja: Número de PDV’s visitados (por rota diária) Índice de Cobertura = ________________________________________________________ Número de PDV’s cadastrados (por rota diária) Índice de cobertura = Número de PDVs visitados (por rota diária) Número de PDVs cadastrados (por rota diária) • Índice de positivação: este indicador é apurado através da divisão do número de PDVs visitados em que se realizou a venda de, pelo menos, um dos produtos da cervejaria, e o número de PDVs visitados (cobertos) nesse mesmo dia. Ou seja: Número de PDV’s em que se realizou venda (por rota diária) Índice de Positivação = _________________________________________________________________________ Número de PDV’s Visitados (por rota diária) Índice de positivação = Número de PDVs em que se realizou venda (por rota diária) Número de PDVs visitados (por rota diária) O indicador de resultado empregado para medir o desempenho men- sal da equipe de vendas das revendas desta cervejaria é chamado de “IPV”, ou ainda “Índice de Produtividade em Vendas”. Durante o ano de 2001, a cervejaria calculava o IPV mensal das suas revendas através da seguinte fórmula: UNIUBE 179 IPV = Índice de Produtividade em Vendas (2001) Número de Entregas (Mês) Número de Vendedores (Mês) = Para o ano seguinte, portanto 2002, a dita cervejaria modificou a forma de cálculo do IPV. Ou seja, ele passou a ser calculado da seguinte maneira: IPV = Índice de Produtividade em Vendas (2002) = Número de Entregas (Mês) Número de Vendedores (Mês) Percebe -se que o denominador da fórmula deixou de ser a “quantidade de vendedores da revenda” para dar lugar à “quantidade de visitas rea- lizadas mensalmente”. O seu numerador permaneceu inalterado de um ano para outro. Assim, pode- se notar que o objeto de controle do indicador de resultado não deixou de ser o volume de vendas. Pois, uma vez que a quantidade de entregas é limitada à capacidade da frota e da equipe de distribuição, o volume vendido determina a quantidade de entregas a serem realizadas mensalmente. Levando -se em consideração que os indicadores de tendência não so- freram qualquer alteração na sua metodologia de cálculo, considere, a título de amostra, os IPVs relativos aos primeiros semestres dos anos de 2001 e 2002, e, também, o volume vendido e entregue neste mesmo período para identificar a causa da mudança na forma de cálculo do indicador e, assim, avalie a simetria existente, ou não, entre o indicador de desempenho (IPV) e o seu objeto de controle. Para tanto, observe atentamente as tabelas 1 e 2, e, a seguir, responda às atividades 1, 2, 3, 4 e 5, apresentadas mais adiante. 180 UNIUBE Tabela 1: Resumo dos dados relativos ao primeiro semestre de 2001. Fórmula de cálculo do IPV = No de entregas efetivas No de vendedores da revenda Meses Jan. Fev. Mar. Abr. Maio Jun. No entregas/mês 18.903 17.324 17.751 17.760 17.203 16.717 No vendedores/mês 24 24 24 24 23 21 Volume total entregue* 19.443 18.668 15.837 19.381 16.937 16.909 (*) (Esse volume encontra-se convertido e expresso em hectolitros, onde, uma unidade equivale a cem litros de bebida) Tabela 2: Resumo dos dados relativos ao primeiro semestre de 2002. Fórmula de cálculo do IPV = No de entregas efetivas No de visitas previstas Meses Jan. Fev. Mar. Abr. Maio Jun. No entregas/mês 15.598 13.660 14.881 16.754 16.263 14.913 No visitas/mês 29.731 26.133 28.182 29.179 28.542 28.182 Volume total entregue* 18.257 15.324 16.014 21.515 18.69617.397 (*) (Esse volume encontra-se convertido e expresso em hectolitros, onde, uma unidade equivale a cem litros de bebida) Atividade 1 Levando em conta os dados do enunciado do estudo de caso proposto, calcule e escreva, a seguir, o IPV da revenda em questão para todos os meses do primeiro semestre de 2001. Meses jan./01 fev./01 mar./01 abr./01 maio/01 jun./01 IPV UNIUBE 181 Atividade 2 Levando em conta os dados do enunciado do estudo de caso proposto, calcule e escreva, a seguir, o IPV da revenda em questão (em termos percentuais) para todos os meses do primeiro semestre de 2002. Meses jan./02 fev./02 mar./02 abr./02 maio/02 jun./02 IPV ______% ______% ______% ______% ______% ______% Atividade 3 Levando em conta os dados do enunciado do estudo de caso proposto, calcule e escreva, a seguir, qual foi o coeficiente de correlação entre o IPV da revenda em questão e o respectivo volume de vendas (em hec- tolitros entregues) para o primeiro semestre de 2001. Meses jan./01 fev./01 mar./01 abr./01 maio/01 jun./01 No Entregas/mês 18.903 17.324 17.751 17.760 17.203 16.717 No visitas/mês 24 24 24 24 23 21 IPV Volume total entregue* 19.443 18.668 15.837 19.381 16.937 16.909 (*) Esse volume encontra-se convertido e expresso em hectolitros, onde uma unidade equivale a cem litros de bebida Coeficiente de correlação (IPV × Vol entregue em hectolitros = (r) = Atividade 4 Levando em conta os dados do enunciado do estudo de caso proposto, calcule e escreva, a seguir, qual foi o coeficiente de correlação entre o IPV da revenda em questão e o respectivo volume de vendas (em hec- tolitros entregues) para o primeiro semestre de 2002. 182 UNIUBE Meses jan./02 fev./02 mar./02 abr./02 maio/02 jun./02 No Entregas/mês 15.598 13.660 14.881 16.754 16.263 14.913 No visitas/mês 29.731 26.133 28.182 29.179 28.542 28.182 IPV Volume total entregue* 18.257 15.324 16.014 21.515 18.696 17.397 (*) (Esse volume encontra-se convertido e expresso em hectolitros, onde uma unidade equivale a cem litros de bebida) Coeficiente de correlação (IPV × Vol entregue em hectolitros = (r) = Atividade 5 Levando em conta os dados do enunciado do estudo de caso proposto, os cálculos e as respostas fornecidas para as Atividades 1, 2, 3 e 4, elabore um pequeno texto dissertativo, analisando quais os motivos que levaram a cervejaria em questão a mudar a forma de cálculo do seu indicador de desempenho que avalia a produtividade da equipe de venda dos seus revendedores regionais. Referências KAPLAN, Robert S.; NORTON, David P. A estratégia em ação: Balanced Scorecard. 11. ed. Rio de Janeiro : Campus, 1997. NAKAGAWA, Masayuki. Introdução à controladoria: conceitos, sistemas, implementação. São Paulo: Atlas, 1993. Anotações ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ Anotações ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ Anotações ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________ ______________________________________________________________