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A VISÃO PROFÉTICA PARA O SÉCULO 21 Dedico este livro á geração de meus pais, à minha geração e à geração de meus filhos. O sacrifício e a visão da geração espiritual de meus pais lançou o fundamento para o glorioso e final triunfo da verdade. Minha geração continuou o bom combate e contribuiu para preparar o mapa para o futuro. Será a geração de meus filhos que provavelmente lutará a última batalha pela verdade. Deus é o “Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó” – o Deus de todas as gerações. Em cada uma delas seus caminhos são maravilhosamente revelados. Reconhecimentos Este livro resulta basicamente da visão de Janet Thomas e de todo o esforço por ela despendido. Reunindo minhas mensagens, apresentou minha perspectiva profética para o futuro. Creio haver ela feito um trabalho melhor do que eu mesmo teria realizado. Parte 1 Como é que então viveremos? Capítulo 1 O chamado Uma importante profecia nos e dada em Atos 2:17,18: E acontecerá nos últimos dias — diz o Senhor — que derramarei do meu Espírito sobre toda carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos; até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão. Nos últimos dias o Senhor derramará do seu Espírito sobre toda carne. Como resultado, a profecia fluirá por instrumento de todos os seus servos. Isso atingirá tanto homens como mulheres, idosos e jovens. Entretanto, esse derramar do Espírito e essa profecia não visarão apenas ao nosso próprio deleite, mas servirão também à necessidade que teremos de realizar o mandato divino do último dia para a Igreja. Eu mesmo tenho tido muitas experiências proféticas em minha vida. Após minha conversão em 1971 pude algumas vezes antever certos acontecimentos futuros com precisão, mas normalmente de uma forma bastante geral. Ocasionalmente tenho tido a revelação de, ao olhar para uma pessoa, saber de- talhes sobre ela, tais como problemas por que esteja passando, ou o chamado espiritual para a sua vida. Meu entendimento é que esta capacitação é o que a Bíblia chama de palavra de conhecimento e profecia. Embora compreenda a utilidade desses dons para ministrar às pessoas, não tive muito interesse pelas profecias bíblicas sobre os acontecimentos dos tempos do fim. Durante 18 anos, após minha conversão, não busquei ter vi sões, nem revelações, nem o conhecimento para compreender esses tempos. Permaneci quase que totalmente ignorante com respeito a todos os acontecimentos, tão populares, que sucederão no f im dos tempos, e são ensinados na igreja. Na verdade sempre fui bem mais voltado para a história da Igreja do que Para a busca de conhecimentos acerca de eventos futuros. Depois de vár ios anos num ministério de tempo integral, t ive a convicção de que eu era superf icial em meu relaciona mento pessoal com o Senhor, conseqüentemente também em meu ministér io. Sent i -me de fato como Marta, tão ocupado quanto ela, fazendo muitas coisas para o Senhor, mas sem realmente conhecê-lo. Minha falta de intimidade com ele fez com que dependesse mais de fórmulas e procedimentos do que da unção, essencial para dar vida à verdade. Em 1980 resolvi deixar o ministério até que recuperasse a simplicidade da devoção a Cristo. Eu exercia a profissão de pi loto; desse modo assumi o emprego de piloto da aeronave de uma empresa. Isso me trouxe muito tempo livre para estudo e oração. Encontre i uma igreja em que podia me sentar na últ ima f ileira e tão-somente desfrutar comunhão com as pessoas. Não me envolvi em ministério algum durante os sete anos se guintes. Também não recebi revelação profética alguma, nem exerci os dons do Espírito durante esse tempo. Em 1982 recebi um chamado específico para voltar ao minis tério. Ao mesmo tempo surgiu uma oportunidade para ter um negócio próprio. No entanto ainda me sentia sem condições e com uma vida espir itual sem profundidade para assumir um ministério. Além disso acabara de sofrer o maior ataque pessoal do inimigo em toda a minha vida. Esse ataque me levou a me sentir ainda bem mais despreparado para o ministério. Em ra zão disso resolvi aproveitar aquela oportunidade de negócios que me aparecera. Embora não houvesse caído na carnalidade ou no que pudesse ser considerado um pecado de conhecimento público, certamente me desviei do Senhor nos cinco anos subseqüentes, quando esgotei todas as minhas energias, dedicando - me a levantar meu negócio. Em 1987 o Senhor de novo me chamou para voltar ao mi nistério, dizendo-me que minha missão seria entregue a uma outra pessoa, caso eu não retomasse naquela hora. Na verdade eu nem sabia qual era a minha "missão". Estava contudo consciente de que não queria perdê-la, razão por que respondi imediatamente ao seu chamado. Tinha quase certeza de que meu chamado não era para vol tar a ser pastor, mas fosse como fosse eu não sabia o que fazer. Não lera sequer uma única revista cr istã, nem assist ira a nenhum programa evangélico por mais de sete anos. Tinha pouco conhecimento até mesmo do que estava acontecendo na Igreja como um todo. Entretanto escrevera, alguns anos antes, o livro There Were Two Trees in the Garden (Havia Duas Árvores no Jardim), e sua popularidade me proporcionou alguns convites para pregar. Fale i então com alguns pastores que conhecia, e com outros que haviam entrado em contato comigo por causa desse l ivro, informando -os de que me encontrava disponível para o ministério. Aproximadamente um mês depois voltei para casa ao concluir minha primeira viagem minister ial, ocorr ida após mais de sete anos. Sentia-me vazio e sem condições como nunca, e um tanto descompassado em relação ao que acontecia nas igrejas que vis i tara. Contudo, vi que estava bem mais perto do Senhor; meu desejo de servi - lo no ministério surpreendente- mente voltara. Na manhã seguinte ao dia em que chegara de volta a casa fui ao meu escritór io apenas com o objet ivo de pegar alguns pa péis e orar para ter uma revelação quanto ao que deveria fazer no ministério. Ao sentar -me ali senti a presença do Senhor de um modo que me tornou por completo. E foi assim que, depois de sete anos sem nenhuma revelação profética, t ive uma experiência profética que durou três dias, na qual me senti como se o Senhor tentasse me alcançar com tudo que não recebera naqueles anos! Foi então que escrevi A Colheita, que trata do presente estado da Igreja e dos acontecimentos que estão por acontecer. Desde então tenho tido outras visões e revelações que foram publicadas nos livros A Batalha Final e O Chamado. Algumas destas vieram na forma de visões abertas. Essas foram visões externas, visíveis, como se eu estivesse vendo um filme projeta- do numa tela. Outras foram visões internas, suaves, tal como a sensação de quem tem "os olhos do coração" abertos. Geralmente relaciono a palavra visão ao evento profético de ver cenas acontecendo, em meu interior ou fora de mim. Considero revelação o recebimento de conhecimento ou de entendimento de um modo que vai além da maneira natural de recebê-los. Agora tenho com freqüência visões e sonhos que são cheios de simbolismo e que requerem uma interpretação, como acontece com a maioria das visões bíblicas. Uma parte do que é compartilhado no presente livro não veio na forma de visões, mas de uma grande unção, com o dom da palavra de conhecimento. Simplesmente acontecia que de repente eu me inteirava de muitos detalhas sobre os eventos futuros como se eles houvessem sido despejados abundantemente dentro de mim. Em tudo isso tenho procurado determinar qual é o chamado de Deus para a minha vida e o propósito que ele tem para a Igreja. Pela compreensão de que a profecia é ainda algo que vemos como em espelho, obscuramente, e de que somente vemos em parte, tenho plena consciência de que o que estou compartilhando tem que ser acrescentado ao que outras pessoas estejam vendo, para que o quadrofique completo. Procurei repartir exatamente o que me foi dado ver ou compreender, mas devido ao fato de que o cânon das Escrituras está completo, creio que nenhum dom profético de hoje tem a qualidade dos dons que tinham aqueles que escreveram as Escrituras. Creio que é por isso que nos foi dada a instrução de que... tratando-se de profetas, falem apenas dois ou três, e os outros julguem.' Não creio que alguém que esteja vivendo no dia de hoje seja infalível. Temos que julgar a profecia, não importando quem a esteja proferindo. Entrego pois este livro à ponderação, e para que seja considerado debaixo de muita oração. Creio que as ovelhas do Senhor conhecerão a sua voz, e saberão como discernir o que dele provém, descartando todo o resto. Uma das visões mais significativas para mim e para a minha compreensão da Igreja ocorreu em 1998, e foi publicada no livro O Chamado. O Chamado Nessa visão eu me encontrava numa alta montanha, vendo uma grande planície lá embaixo. Diante de mim um exército marchava, com uma grande linha de frente. Havia 12 divisões na vanguarda, que se destacavam claramente de uma grande multidão de soldados que as seguia. Essas divisões eram ainda divididas no que julguei que seriam regimentos, batalhões, companhias e pelotões. As divisões podiam ser identificadas por sua bandeira, e os regimentos distinguiam-se pelas cores diferentes do uniforme. Encontrava-me suficientemente próximo para que lhes pudesse ver o rosto. Eram homens e mulheres, idosos e jovens, de todas as raças. Havia uma impetuosa determinação na face deles. Contudo não pareciam tensos. Pairava um clima de guerra, mas nas tropas eu podia ver uma profunda paz. Sabia que não havia um soldado sequer que estivesse com medo de enfrentar a batalha que se avizinhava. A at mosfera espiritual que senti quando estava perto deles era tão imponente quanto sua aparência. Olhei então para o uniforme deles. As cores eram brilhantes. Cada soldado portava também insígnias e medalhas. Os generais e outros oficiais marchavam com os soldados nas fileiras. Embora fosse óbvio que aqueles com postos mais elevados esti- vessem no comando, ninguém parecia estar demasiado suscetível a seu posto. Do nível do posto mais elevado até o nível mais baixo, todos pareciam ser amigos íntimos. Era um exército que aparentava uma disciplina incrível, sem precedentes, contudo também lembravam apenas uma grande família. Analisando-os melhor, davam a impressão de ser abnegados, não por falta de identidade, mas por estar muito seguros de quem eram e do que faziam. Não estavam preocupados consigo mesmos; tampouco com a perseguição de reconhecimento. Não pude detectar nenhuma ambição e nenhum orgulho em toda a tropa. Era impressionante observar que toda aquela multidão multiforme guardava uma total harmonia e marchava num passo perfeito. Tinha 'certeza de que jamais houve na Terra um exército como aquele. Fiquei então atrás das unidades da linha de frente, olhando para um grupo muito maior, composto de centenas de divisões. Cada uma delas era de um tamanho diferente, com as menores tendo cerca de dois mil soldados, e as maiores centenas de milhares. Embora esse grupo não fosse tão bem delineado e colorido como o primeiro, em virtude do seu tamanho era também um exército imponente. Ele tinha também bandeiras, mas elas não eram nem de perto tão grandes e impressionantes como as do primeiro grupo. Todos tinham uniforme e seu posto no exército. No entanto fiquei surpreso ao ver que muitos deles não apresentavam a armadura completa, e muitos não carregavam armas. E mesmo as armaduras e as armas que possuíam não eram tão polidas e brilhantes como as do primeiro grupo. Olhando com mais atenção os que estavam nesse grupo, pude ver que todos estavam determinados e tinham um propósito, mas faltava-lhes a objetividade que caracterizava o primeiro grupo. Esses aqui pareciam ter mais consciência do próprio posto e dos postos dos que estavam ao seu redor. Senti que isso os perturbava um pouco, afetava seu objetivo. Pude ver também ambição e ciúmes na tropa, o que sem dúvida era mais um fator de perturbação. Mesmo assim percebi que essa segunda divisão tinha um alto nível de dedicação e propósito, mais do que qualquer exército na Terra. Essa era também uma força muito poderosa. Atrás desse segundo exército havia um terceiro, que marchava tão afastado atrás dos dois primeiros, que não saberia ao certo se até mesmo ele podia divisar os dois grupos que estavam à sua frente. Esse grupo era muitas vezes maior que o primeiro e o segundo juntos, sendo aparentemente composto de milhões e milhões de pessoas. Pelo que pude observar a distância, esse exército se movia em diferentes direções como um grande bando de aves, arremetendo-se primeiro por um caminho e depois por outro, nunca se movendo numa linha reta por muito tempo. Por causa desse movimento incerto ele se afastava mais e mais dos dois primeiros grupos. Chegando mais perto desse grupo vi que os soldados vestiam uniformes de cor cinza escuro, esfarrapados e sujos. Quase todos estavam ensangüentados e feridos. Alguns tentavam marchar, mas a maioria simplesmente ia na direção geral em que todos eram dirigidos. Lutas entre eles irrompiam constantemente nas tropas, provocando ferimentos. Alguns dos soldados procuravam manter-se perto das bandeiras esfiapadas que se espalhavam pelas tropas. Mesmo assim, até os que estavam perto das bandeiras não tinham uma identidade clara, pois ficavam mudando a cada passo de uma bandeira a outra. Nesse terceiro exército notei com surpresa que havia apenas dois postos: generais e soldados rasos. Somente alguns tinham uma peça da armadura. Tampouco vi arma alguma, exceto armas de brinquedo que eram levadas pelos generais. Os generais ostentavam essas armilas falsas como se pelo simples fato de possuí-las isso tornasse Os oficiais especiais. No entanto, até mesmo os que estavam nas tropas sabiam que elas não eram reais, o que era muito triste, porque era óbvio que toda a tropa ansiava desesperadamente encontrar alguém que realmente pudesse seguir. Parece que não havia ambição alguma, exceto entre os generais. Não era por haver entre eles desprendimento de si mesmos, como no caso do primeiro exército, e sim por não se preocuparem com quase nada. Considerei que pelo menos a ambição presente no segundo grupo seria bem melhor que a confusão que prevalecia no terceiro. Os generais desse grupo pareciam dedicar-se mais a falar sobre si mesmos e a lutar entre si, o que Os pequenos grupos em volta das bandeiras também não cessavam de fazer. Pude ver que as lutas dentro das tropas eram a causa dos grandes arremessos imprevisíveis, numa e noutra direção, que aconteciam nesse grupo e faziam com que de quando em quando ele mudasse de direção. Ao olhar para os milhões que havia no último grupo senti que apesar do seu grande número eles na verdade não acrescentavam força alguma ao exército, como um todo. Pelo contrário, o enfraqueciam. Numa batalha real eles seriam muito mais um peso morto do que um trunfo. Só o fato de ter que sustentá-los com alimento e proteção significaria muito mais despender recursos do que alcançar resultados que beneficiassem o exército em sua luta. Considerei que um soldado raso do primeiro ou do segundo grupo teria um valor muito maior que o de muitos generais do terceiro. Não conseguia entender a razão de os dois primeiros grupos permitirem que este Os seguisse em sua retaguarda. Era evidente que eles não eram verdadeiros soldados. Mais tarde eu estava diante do Hall do Julgamento, em frente ao Trono do Julgamento. O Senhor apareceu como Sabedoria, mas eu jamais o vira tão feroz, e nunca suas palavras foram tão pesadas: Você já viu este exército em seu coração muitas vezes. Os líderes que estou comissionando agora vão Estou enviando-o a muitos deles. O que você vai lhes dizer? Senhor, este é um grande exército, mas eu ainda estou aflito pela condiçãodo terceiro grupo. Não compreendo por que até mesmo lhe foi permitido participar do teu exército. Gostaria de dizer que, antes de prosseguirem, o primeiro e o segundo deveriam dar meia volta e dispersar esse terceiro grupo. Eles não passam de uma enorme turba. O que você viu hoje é ainda algo do futuro. Os ministros que estou para liberar reunirão este exército e vão equipá-lo para ser tudo o que você viu. Mas no momento presente quase todo o meu exército está na condição do terceiro grupo. Como então dispersá-los? Isso me assustou bastante, muito embora soubesse que nunca vira ninguém que, sendo do Senhor, estivesse em tão boa forma como até mesmo o segundo grupo desse exército. Senhor, sei que senti a tua ira em relação a esse grupo. Se quase todo o teu exército se encontra agora nessa situação, sou muito grato por não nos haveres destruído a todos nós. Quando observava esse terceiro grupo, senti que seu estado deplorável se devia a falta de treinamento, equipamentos e visão, bem como a uma falha em tomar a cruz que circuncida o coração. Algum tempo depois já não me encontrava defronte do trono do julgamento, e sim na montanha, tendo de novo a visão daquele exército. Aquele que tinha o nome de Sabedoria estava ao meu lado, e resoluto, sem no entanto lhe sentir a dor e a ira, tal como sentira antes. Eu lhe permiti ver um pouco do futuro - começou a dizer Sabedoria. - Eu o estou enviando àqueles que foram chamados para preparar meu exército e liderá-lo. Esses são os que vêm lutando a batalha na montanha; são os que se defrontaram com o exército do acusador e permaneceram fiéis; os que têm cuidado do meu povo e os têm protegido, arriscando até mesmo a própria vida. Eles são chamados para ser líderes no meu exército; lutarão na grande batalha final, e permanecerão sem medo diante de todos os poderes das trevas. Como você pode ver, esse exército está em marcha, mas haverá ocasiões em que eles acamparão. Permanecer acampados é tão importante quanto estar em marcha. É tempo de planejar, oferecer treinamento, desenvolver habilidades e preparar as armas. É também te/mip0 em que os que pertencem ao primeiro grupo andem entre os que estão no segundo, e os líderes do segundo andem em meio aos que estão no terceiro, com o propósito de encontrar os que possam ser chamados para passar ao nível seguinte. Faça isso enquanto puder, pois o tempo está próximo, quando Apocalipse 11:1 e 2 se cumprirá, e os que quiserem ser chamados por meu nome, mas não andarem nos meus caminhos, serão pisoteados. Antes da última grande batalha meu exército será santo, assim como eu sou santo. Vou remover aqueles que não forem circuncisos de coração, e também os líderes que não preservarem minha retidão. Quando a última batalha acontecer, não haverá o terceiro grupo, que você viu aqui. A Sabedoria prosseguiu, dizendo ainda: - Até agora, quando meu exército acampou, a maior parte do tempo foi desperdiçada. Assim como eu somente levo meu povo a prosseguir tendo um claro objetivo, da mesma forma, quando chamo meu exército para acampar, há um propósito. A força do exército que marcha resultará da qualidade do que for feito nesse acampamento. Quando chegar à hora de parar e acampar por algum tempo, será para ensinar meus caminhos ao meu povo. Um exército é um exército, quer esteja em batalha ou em paz. Será necessário que aprendam como acampar, como marchar e como lutar Nenhuma dessas coisas será bem feita, a menos que todas sejam bem feitas. E ele continuou: - Vocês chegarão a um tempo no futuro em que verão meu exército exatamente como é agora. Naquele dia vocês sentirão minha ira ardente. Saibam que não mais vou tolerar os que permanecerem na condição do terceiro grupo. Então interromperei a marcha de todo o exército, até que os que estejam nesse grupo hajam sido disciplinados para se tornarem soldados, ou sejam dispersos. Vou disciplinar os do segundo grupo para minar suas ambições más, de forma a viverem por mim e por minha verdade. Então meu exército prosseguirá marchando, não para destruir, mas para dar vida. Vou estar no meio deles para que pisem nos meus inimigos, que estarão debaixo dos pés desse exército. Estarei indo para ser o Capitão da Hoste! O Exército do Século Vinte e Um Creio que todo cristão estará marchando num desses três exércitos no século vinte e um. Um dos fatores que determinará onde cada um de nós estará é quão bem haja sido treinado para servir. Agora é o tempo em que estamos acampados. Agora é o tempo de planejamento, de treinamento, de aprimoramento das nossas habilidades, e adequação das nossas armas. Este livro é o que resultou de haver escutado o Senhor durante os últimos dez anos, tanto por meio de visões como de revelações. Espero que àqueles que estão dispostos a responder ao chamado de Deus para conhecer o Senhor e servi-lo nesses perigosos dias que estão por vir, ele sirva como um verdadeiro manual. O objetivo final de Satanás é encher o inferno. Sua maior aliada para alcançar esse objetivo é a morte, e o meio mais eficaz para provocá-la é a guerra. Uma de suas principais estratégias é portanto instigar a guerra de todas as maneiras possíveis, usando quem quer que consiga fazer com que lute. Ele vê cada guerra como uma vitória, e as mais destruidoras como suas maiores realizações. Assim como Jesus é o Príncipe da Paz, Satanás é o príncipe da guerra. Algumas "guerras justas" são lutadas por causas justas. Mesmo assim a Igreja deve considerar toda guerra como uma significativa derrota, mesmo que o lado da justiça prevaleça. São derrotas porque o Senhor investiu autoridade sobre a Igreja para travar guerra espiritual, que se exercida de maneira correta pode alcançar os objetivos da justiça sem a destruição que a guerra produz. Do mesmo modo que Jesus foi enviado para destruir as obras do diabo, fomos enviados ao mundo com a mesma missão. O conflito final entre a vida e a morte está prestes a entrar na sua batalha final, que será a maior de todas. Ela assolará de um extremo a outro da Terra, em toda cidade e vilarejo, em toda frente política, filosófica e social. Está chegando um tempo em que todo debate, toda campanha política e todo movimento social será visto como uma linha da batalha entre essas duas derradeiras forças espirituais. Não haverá campo neutro, não haverá tréguas, nem haverá paz nessa guerra. Será o tempo mais perigoso, como também o de maior oportunidade para o Cristianismo, como nunca houve antes. O Campo de Batalha Cada guerreiro nessa batalha recebeu posições a defender e posições a tomar do inimigo. Temos que defender nossas famílias, nossas congregações, e nossos locais de trabalho contra as palavras de morte. Ao mesmo tempo, ternos que trabalhar a cada dia para ampliar a extensão do reino de Deus. Nossos mapas de batalha são nossas listas de oração. Temos que ter alvos específicos. Temos que "lutar de modo a não f icar desferindo golpes no ar", mas sabendo o que estamos at ingindo. Quando conseguirmos ter domínio sobre nossos compromissos menores, receberemos maior autoridade para irmos de encontro a fortalezas maiores. Por exemplo, aqueles que tiverem domínio no âmbito de sua família receberão seus vizinhos e suas famílias. Os que tomarem sua vizinhança receberão o encargo de sua cidade. Joel descreveu o exército do Senhor: Correm como valentes; como homens de guerra, sobem muros; e cada um vai no seu caminho e não se desvia da sua fileira. Não empurram uns aos outras; cada um segue seu rumo; arremetem contra lanças e não se detêm no seu caminho (Joel 2:7, 8). Os cristãos têm que ver cada encontro com uma pessoa como uma oportunidade para semear vida. Isso não quer dizer que tenhamos que declarar o plano de salvação a cada funcionário que trabalha no caixa de um supermercado, ou a cada garçonete, e sim nos posicionar do lado do reino de Deus, mantendo resolutamente nossa posição em Cristo. Esta posição é sempre demonstrada pelo frutodo Espírito. Sempre que conseguirmos suportar as constantes provações e os injustos conflitos desta vida, sem comprometermos nossa posição no amor, na alegria, na paz, na paciência, na bondade, na benignidade, na fidelidade, na mansidão e no autocontrole, estaremos estendendo os limites do reino de Deus. Uma das maiores demonstrações do Espírito que já testemunhei não foi um milagre, mas uma situação ocorrida numa fila para aquisição de passagens de uma companhia aérea. Uma Demonstração do Reino de Deus Um dia, num aeroporto, devido a problemas com vôos que estavam chegando e outros em atraso, a fila para uma certa conexão crescera numa proporção que tornou impossível atender a todos no curto espaço de tempo que havia até a partida de um determinado vôo. Discussões e demonstrações de impaciência aumentavam tanto, que realmente pensei que a situação estava para sair fora do controle. Precisamente na hora mais imprópria, logo em seguida ao anúncio de mais um atraso, duas senhoras de certo porte, um tanto agitadas, cada uma levando duas enormes malas, forçaram a passagem, furando a fila, e foram até seu início. Não me lembro de haver presenciado uma conduta tão odiosa como aquela. Mesmo na condição de mulheres, eu estava certo de que alguém iria fazer com que parassem. Mas para meu espanto elas chegaram bem na frente, na fila onde estava um amigo meu. Enquanto outros começavam a empurrar as duas senho ras, meu amigo espontaneamente se dirigiu a elas, e perguntou se poderia- ajudá-las com as malas, ao mesmo tempo que lhes oferecia seu lugar, que estava bem próximo do início da fila. Essa atitude foi tão contrária ao espírito que prevalecia entre os demais, que todos ficaram pasmos. Um grande si lêncio tomou então conta do ambiente. Todos olhavam para meu amigo, vendo-o pegar suas malas e caminhar até o fim da fila, por haver cedido seu lugar. As duas mulheres, no iní- cio da fila, ficaram totalmente desconcertadas diante daquela amável atitude, tão inesperada e imerecida. Os comissários, que também haviam testemunhado a cena, subitamente se tornaram bem mais corteses, e por alguma razão o vôo foi retardado um pouco, dando tempo para que todos embarcassem. Já vi acontecer muitos milagres na minha vida, do nível dos que são registrados na Bíblia, mas aquela cena no aeroporto ainda sobressai como sendo uma profunda demonstração do reino de Deus. Uma vez que o inferno rapidamente ganhava controle naquela instável situação, que caminhava para uma séria contenda, Satanás pôs em cena duas poderosas armas, voltando-as diretamente sobre um cristão. Este, porém, depressa desarmou o inimigo e toda a sua hoste com apenas um verdadeiro ato de amabilidade. . A nós foi dado este mesmo poder, em cada situação. Quando surge uma contenda em nossa família ou no trabalho, podemos ficar no lado do inimigo ou no lado do Príncipe da Paz. A escolha que fizermos certamente determinará o resultado. Se apenas nós formos os que se alinharem com o Senhor, o resultado ainda será o mesmo: o mal será vencido pelo bem. Uma pessoa mais o Senhor sempre é uma maioria. Este livro é uma tentativa de ajudar os cristãos a fazerem este tipo de escolha no novo milênio. A DIREÇAO Dividi este livro em três seções principais. A Parte 1, que você está lendo agora, faz a seguinte pergunta: "Como é que vamos então viver?" A Parte 2 é um guia para cada crente no século vinte e um. Contêm muitas das ferramentas de ordem prática de que necessitaremos para desempenharmos nossa missão nos dias à frente. Começo com uma visão: "Campo de Sonhos ou de Pesadelos?" que prediz distúrbios econômicos nos próximos anos. Nessa seção consideramos nossa responsabilidade pessoal em nossas finanças, nosso relacionamento com outros cristãos, e a constante batalha contra o inimigo. Não poderemos servir no exército do Deus se não estivermos vivendo na retidão do Senhor. Vamos também considerar como lidar com as tempestades que estão à nossa frente, como conhecer o chamado de Deus à nossa vida, e como ouvir sua voz em meio a todos os sons dissonantes do mundo de hoje. A Parte 3 é um guia para cada cristão, como participante da Igreja, que significa todo o exército de Deus. Qual o chamado para a Igreja nos dias à frente? E por que parece que ela deixou de cumprir seu chamado no século vinte? Vamos considerar a es- tratégia do diabo em cegar o mundo mediante o movimento da Nova Era. Veremos por que ele avançou tanto no século vinte. Depois vou compartilhar uma visão, "Guerra e Glória", que descreve uma guerra civil dentro da Igreja. Tal como a guerra civil americana, essa guerra fará finalmente com que se chegue a uma união maior. Depois veremos uma nova onda de mudanças na Igreja. Essa percepção foi também inspirada por uma visão, "A Próxima Onda Está sobre Nós". Vamos apresentar a seguinte questão, e dar-lhe uma resposta: "Por que o avivamento tem se retardado?"; e vamos considerar a visão que tive em 1997: "Uma Ponte para o Avivamento". Finalmente, veremos como a Igreja pode se valer de binóculos espirituais para ver o que irá acontecer no século vinte e um. O objetivo final da Igreja é encher o céu. Nossa ferramenta é o evangelho da salvação, as palavras de vida eterna. O conhecimento da salvação é a dádiva mais preciosa que se pode ter, e a nós, a Igreja, isso nos foi confiado. A Igreja está por receber palavras de vida com um poder muito maior. Tais palavras serão como bombas e granadas de mão com o poder de destruir até mesmo as mais eficazes fortalezas do inimigo. Palavras que individualmente serão ditas pelos cristãos aos incrédulos terão o poder de desemaranhar as complexas redes de engano que o inimigo tem levado anos para tecer. Afirmações que os cristãos farão publicamente vão desfazer a propaganda do inimigo para a sua causa, propaganda essa que foi feita mediante milhares de livros, artigos e proclamações públicas durante todo o século vinte. Esse poder por meio das palavras não será ganho de forma fácil. Aqueles a quem houver sido entregue essa autoridade terão que fielmente lutar contra sua própria linguagem e seus indóceis pensamentos, levando-os à submissão do Espírito Santo. Águas puras têm de vir de fontes puras. O grau de pureza da nossa vida será o grau em que as águas da vida estiverem fluindo em nós: Sobre tudo o que se deve guardai; guarda o coração, porque dele procedem às fontes da vida. No final da visão de O Chamado, houve um momento em que vi a glória de todas as épocas. Vi a Terra e os céus como uma unidade. Vi miríades de anjos e miríades de pessoas que tinham maior glória do que qualquer outro anjo que vira até então. Todos serviam na casa do Senhor. É isso que buscamos: ver a glória do Senhor revelada por instrumento do seu povo. Minha oração é que mediante este livro você conheça melhor o chamado que há na vida de todo crente, e que entenda como esse chamado se relaciona com nosso tempo. A profecia bíblica é clara com respeito a uma coisa: antes do fim, a Igreja se tornará a gloriosa noiva que é chamada a ser, digna do nosso grande Salvador. Uma geração vai cumprir a profecia de Isaías 60:1-5. Por que não a nossa? Dispõe-te, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do SENHOR nasce sobre ti. Porque eis que as trevas cobrem a Terra, e a escuridão, os povos; mas sobre ti aparece resplendente o SENHOR, e a sua glória se vê sobre ti. As nações se encaminham para a tua luz, e os reis, para o resplendor que te nasceu. Levanta em redor os olhos e vê; todos estes se ajuntam e vêm ter contigo; teus filhos chegam de longe, e tuas filhas são trazidas nos braços. Então o verás, e serás radiante de alegria; o teu coração estremecerá e se dilatará de júbilo, porque a abundância do mar se tornará a ti, e as riquezas das nações virão a ter contigo. PARTE 2 O Cristão e o Século 21 Uma Visão Capítulo 1 Campo de sonhos ou de pesadelos? Num dia, quando estava orando em agosto de 1995, vi numa visão um campo. Lá nof im desse campo tudo estava debaixo de uma forte cerração. Não muito distante, dentro daquela cer ração, havia um precipício rochoso, muito íngreme. Nele havia um caminho estreito, sinuoso e com forte declive, que era como uma ponte que ia de cima para baixo. Nele havia a mesma grama do campo, e essa grama estava em todo aquele caminho, de cima até a parte mais baixa. Muitos dos que entravam naquele nevoeiro não encontra vam aquele caminho e caíam no despenhadeiro. Dentre eles, alguns morriam, mas havia redes mais em baixo que pegavam muitos deles. Entretanto, aquelas redes não se achavam lá para salvar as pessoas, mas sim para capturá-las. Alguns entravam na cerração com muita caute la, dobrando Os joelhos e buscando o caminho, que intu i t ivamente sab ia m que ex is t ia . Esses, na sua maioria, chegavam a encontrar o caminho, e com todo cuidado começavam a descer de joelhos. Alguns, bem poucos, t inham pára- quedas, e saltavam naquele precipíc io em meio à cerração. No sopé daquele penhasco havia um mar com quatro t ipos de navios no porto - navios de escravos, navios de guerra, luxuosos navios de turismo e navios-hospitais. A maioria dos navios eram navios de escravos. Em seguida, em maior número, eram os navios de guerra. Apenas cinco deles eram navios-hospitais, os quais se achavam junto a docas limpas e bem conser - vadas, na parte central do porto. Os dois luxuosos navios de turismo estavam ancorados nas duas extremidades do porto, um em cada ponta. Havia suprimentos em abundância nas docas em que estavam os navios luxuosos, mas tanto os navios como as docas tinham um aspecto imundo e tinham uma manutenção péssima. Nenhum dos navios de guerra estava junto às docas; eles ficam movendo-se de uni lado para outro ali nas águas do porto. As pessoas que caíam naquelas redes eram levadas para Os navios de escravos. A maioria dos que desciam por aquele íngreme caminho ia dar nos navios-hospitais, mas muitos chegavam nos navios de luxo. Alguns dos que iam para Os navios de luxo eram capturados e forçados a entrar num navio de escravos. Os navios luxuosos eram bem protegidos e obviamente estavam sob o controle dos navios de guerra. Estes de vez em quando tiravam pessoas dos navios de escravos e dos navios de luxo, e pegavam quem eles queriam; não havia como resistir a eles. Os que estavam nos navios-hospitais também pegavam pessoas dos outros navios, mas apenas tomavam os mais fracos ou os que estavam tão enfermos ou feridos que não tinham expectativa de vida. Os tripulantes dos navios-hospitais eram alvo de grande respeito, porque portavam brilhantes armaduras que pareciam surpreender os demais. Todas as pessoas que saltavam do despenhadeiro de pára- quedas aterrizavam nos navios-hospitais ou em suas docas. Um navio de escravos, quando ficava lotado, partia, fazendo manobras de um lado para outro, como se não soubesse para onde ir. Os navios de guerra faziam também muitas manobras, de forma que era impossível dizer para onde eles iriam em seguida. Qualquer navio que acontecesse de ficar no caminho de um navio de guerra era destruído e afundado. Quando os navios de guerra ficavam um à frente de outro, ambos começavam a atirar um no outro, até que um deles afundasse. Por causa do nevoeiro, muitos navios colidiam uns com os outros, e afundavam. O mar estava cheio de tubarões que rapidamente devoravam aqueles que caíam na água. A confusão, o desespero e o medo em todo o porto cresciam quando a cerração crescia. Quando, porém, o nevoeiro diminuía, uma esperança começava a surgir nas pessoas. Quando o nevoeiro dissipava-se a ponto de ser possível ver o mar alto, os navios começam a dirigir-se para lá. Os navios-hospitais eram Os únicos que partiam como se soubessem para onde estavam indo. Eles podiam partir imediatamente por causa do caos nas docas, indo ao mar alto, quando quisessem. Um ou dois deles em todo o tempo iam ao mar alto, desaparecendo por algum tempo, e depois retornavam. Então um outro navio- hospital saía e fazia o mesmo. Quando me pus a seguir com os olhos para onde um desses navios ia, de repente era como se eu estivesse na plataforma de comando daquele navio. Quanto mais nos afastávamos, mais o céu ficava claro. Logo tornou-se um azul como eu nunca ha- via visto, era como o azul que se vê quando num avião em vôo em elevada altitude. O céu me intrigava tanto que deixei de olhar para o mar. Mas quando voltei o olhar para as águas, o que vi foi que na verdade estávamos voando. Pensei que estávamos para entrar no espaço sideral, mas logo descemos em direção ao que parecia ser um mundo totalmente novo. Era composto de ilhas, cada uma delas habitada por um povo de uma cultura diferente. Os feridos que estavam em nosso navio-hospital eram colocados em diversas ilhas diferentes, de forma que cada pessoa ferida era levada para estar com os de sua própria cultura. Essas ilhas estavam em perfeita paz, e belas pontes as ligavam entre si, com um constante fluxo de pessoas atravessando- as. Em cada ilha estavam sendo lançadas as bases para a construção de grandes cidades. Embora cada uma das ilhas tivesse características próprias, distinguindo-se das demais, e sendo todas as ilhas totalmente diferentes de qualquer lugar que eu já tenha visto, senti-me imediatamente em casa, em cada uma delas. Eram como um Paraíso e, apesar de parecerem ser de um mundo diferente, eu sabia que elas de algum modo estavam muito perto do mundo de onde eu tinha acabado de partir. INTERPRETAÇÃO Nesta visão entendi que o fim daquele campo indicava que o fim da nossa prosperidade econômica está à vista. O que eu vi no fim era muito mais catastrófico do que eu jamais poderia ter pensado. Tempos muito difíceis estão à nossa frente, mas ao mesmo tempo todo um novo mundo está sendo construído bem em nosso meio, que é mais maravilhoso do que possamos imaginar. O tempo que nos foi dado até que isso aconteça tem o propósito de nos prepararmos para o que está para acontecer. Edifiquemos a nossa esperança e confiança no reino de Deus, que é o que não pode ser abalado. Aqueles que continuaram a andar no meio da cerração da mesma forma como tinham andado no campo a céu aberto - sem discernir ou reconhecer essa mudança de situação - ou pereceram ou caíram na escravidão. Os que logo caíram de joelhos tiveram como encontrar um caminho seguro de descida, mas era ainda um caminho descendente. Eles tinham que permanecer de joelhos em todo o percurso; não dava para ninguém ficar em pé naquele caminho inclinado, porque era muito íngreme e estreito. Ficar de joelhos refere-se à oração. Assim que virmos à cerração ou a confusão, teremos que orar a cada passo que tornarmos daí para a frente. Que não havia ninguém subindo mas, pelo fato de estarem todos descendo até o sopé daquele penhasco, isso me mostrou que a economia do mundo todo estava em queda. Muitos sobreviverão ao que está por vir, mas não no seu nível atual. Uma boa parte do nosso presente padrão de vida foi construída pelo crédito, emprestando do futuro, e o futuro está presente. Rapidamente estamos nos aproximando do tempo em que as nossas contas terão que ser pagas, e isso causará uma drástica redução em nosso nível de vida atual. Percebi que os navios de escravos eram bancos. Durante a Grande Depressão, os bancos foram de tal forma afetados que a maioria deles faliu. De algum modo eles agora se posicionaram de forma a não apenas sobreviver numa outra crise econômica, mas também tomaram medidas para poderem escravizar aqueles que se acham em débito com eles. Cada um dos navios de guerra era de um tamanho diferente, e senti que eles representavam vários níveis de poder. Suas ações não eram coordenadas, mas a impressão que dava era a de que eles estavam tão confusos como todo o mundo naquele lugar, e todos pareciam estar em guerra, uns contra os outros. Eles viviam às custas de saquear os navios de outros tipos, e também os demais navios de guerra. Creioque, nos dias que virão, pequenas guerras estarão pipocando em quase toda a parte, e sem razão. Quem quer que se interponha no caminho daqueles com algum poder acabará tendo problemas. Os navios de luxo eram tão imundos que estar num deles era apenas bem pouco melhor do que estar num navio de escravos ou de guerra. Era óbvio que o luxo no futuro não será como o conhecemos no dia de hoje. Além disso, os navios de guerra constantemente saqueavam os navios de luxo, tornando-os um lugar praticamente insuportável para se viver. No futuro, até mesmo qualquer coisa que seja um sinal de luxo poderá apenas servir para colocar-nos como alvo de ataques. Eu sabia que Os navios-hospitais eram a igreja. Eles resplandeciam de branco, e tinham cruzes vermelhas sobre si. Eram tão brilhantes e limpos que se destacaram tremendamente em minha visão. O branco fala de pureza, e as cruzes vermelhas me fizeram saber que eles estavam levando a cruz. O vermelho é também a cor do sacrifício. Esses navios eram tão belos que todo o mundo teria tido o desejo de estar num deles. A igreja tornar-se-á o lugar mais desejável para se estar no mundo; a igreja haverá de ser o instrumento puro que ela é chamada a ser quando assumir a cruz, consagrando-se a si mesma a uma vida de sacrifício. Nos tempos que virão à vida de sacrifício e de serviço aos outros será a vida mais desejável deste mundo. As pessoas que estavam nos navios-hospitais portavam brilhantes armaduras de prata. Elas, também, destacavam-se de forma impressionante, a cada vez que apareciam, e isso fazia que Os demais lhe tivessem um grande respeito, até mesmo os navios de guerra. Isso most rou -me que quando os crentes aprendem a portar a armadura, eles conquistarão o respeito de todo o mundo, e terão autoridade em decorrência disso. As docas dos navios-hospitais eram também totalmente limpas e estavam sobrecarregadas de suprimentos. Havia mais bens sobre elas do que nos navios de luxo, mas todos os bens estavam sendo usados para serviço, não como luxo. Como aque les que portavam as armaduras e também os navios-hospitais impunham um grande respeito, ninguém se aventurava a tentar pilhar os enormes estoques de suprimentos que eles tinham, apesar de que isso era evidente a todos. Quando um navio-hospita l passava entre dois navios de guerra que estavam lutando entre si, eles paravam de lutar e lhe entregavam os seus feridos. Um dos propósitos principais que esses navios t inham parecia então ser s implesmente in terromper a luta sempre que pudessem. Em meio ao caos daquele lugar, a dignidade, a resolução e o propósito com que os cr istãos e seus navios se moviam era a lgo impressionante. O maior sent imento de l iberdade que eu já sent i foi quando f iquei na p lataforma de comando do navio que part ira para alto mar. Assim que entramos em alto mar e estávamos fora do nevoe i ro, ascendemos a lugares celestiais. Quando descemos de volta, aparentemente era uma nova terra, embora de algum modo eu soubesse que era bem no meio de onde eu t inha part ido. O fato de encontrar uma l iberdade extraordinária naquele navio -hospital refere-se a que somente descobrimos a nossa verdadeira paz quando tomamos a nossa cruz para servir a outros. E se assim procedermos, passaremos a viver nos lugares celest iais. Então a visão que teremos da terra será totalmente diferente; veremos o que Deus está fazendo. Realmente senti que aquelas ilhas paradisíacas já estavam em nosso meio, mas apenas ainda não as conseguíamos ver. Na linguagem profética, o mar muitas vezes representa a população humana. Que o mar ao sopé daquele penhasco encon trava-se no mais terrível caos, isso representa a que os reinos deste mundo estão se dirigindo. As ilhas representam o Senhor estar lançando o fundamento do seu reino, bem em nosso meio, neste mesmo tempo. Por saber que essas i lhas estavam próximas do mar da confusão, isso me fez ver que o que o Senhor está por construir na terra está também bem próximo de nós. No mesmo tempo em que o mudo cair num terrível caos, o que provavelmente começará com o caos econômico, Deus es tará construindo pontes entre os povos que serão o fundamento de um glorioso futuro. O f im desta era é o começo de uma outra sobre a qual Cristo reinará. Em Apocalipse 17:15 somos informados de que: "As águas que viste, onde a meretriz está assentada, são povos, multidões, nações e línguas." As pontes estão agora sendo construídas entre Os povos. Essas pontes eram para intercâmbio, e era óbvio para mim que cada uma das i lhas estava construindo algo maravi lhoso, o melhor que a sua cultura podia produzir, de modo a compart i lhar isso com as outras i lhas. O fato de que o fundamento de novas cidades estava sendo lançado representava todo um novo começo para a terra. O que agora está sendo construído para o Senhor, para a glória do seu reino, isso permanecerá e será um fundamento na era que está por vir. Capítulo 2 A marca de Deus ou a marca da besta? Muitos se perguntam como, afinal, os acontecimentos do livro do Apocalipse se apresentarão aos nossos olhos neste século vinte e uni. Virá o Anticristo e realizará grandes sinais neste mundo, enganando os que aqui viverem? Fará ele com que todas as pessoas recebam uma marca na testa e também na mão direita, para dessa maneira poderem comprar, vender e negociar? Muitos cristãos dedicam um tempo considerável procurando descobrir o que essa marca da besta será, de modo a não se enganarem quanto a ela. No entanto, muito pouca atenção tem sido dada ao fato de como receberemos a marca de Deus, mencionada em Apocalipse 7:1-3. Se realmente estamos no fim dos tempos, então Deus enviará quatro anjos que segurarão os quatro ventos da Terra até que a fronte de seus servos seja selada. ESCOLHENDO A MARCA DE DEUS OU A MARCA DA BESTA O único modo pelo qual teremos condições de resistir à marca da besta em nós é tomando a marca de Deus, que é dada a seus servos. A chave para entendermos esse selo de Deus está em compreendermos o sentido da palavra servo. Nas Escrituras, o servo, ou escravo, tinha o direito de se libertar após seis anos de serviço, mas se ele amasse muito seu senhor e preferisse permanecer como escravo pelo resto da sua vida, recebia uma marca permanente (ver Êxodo 21:3,6). Os servos, então, são aqueles que por sua autodeterminação estão a serviço do Senhor. Nem todos os que se declaram cristãos são servos como esses. Muitos afirmam haver entregue sua vida a Cristo, mas continuam vivendo para si mesmos. Os servos não têm dinheiro algum para ser gasto com eles mesmos. Portanto, não usufruem liberdade para gastar o que lhes foi entregue, posto que não lhes pertence. Seu tempo, e inclusive sua família pertencem a seu senhor. O compromisso de tornar-se um servo, assim como ensinado nas Escr i turas, não está simplesmente na aceitação inte lectual de certos princípios bíbl icos; ele signif ica o compromisso de assumir com toda a obediência um esti lo radical de vida. Tal servo já não vive para si, e sim para o Senhor. Transformar-se voluntar iamente num tal servo é o maior de todos os compromissos que pode ser feito neste mundo, e somente um tolo o assumiria sem que primeiro considerasse cuidadosamente a implicação disso. Para compreendermos a marca da besta, que é uma marca econômica, ternos de entender o que signif ica "adorar a bes ta". Mesmo que não amemos o dinheiro, muitas vezes deposi tamos nele nossa conf iança. O amor ao dinheiro, ou a conf iança depositada no dinheiro l ibera um dos maiores males no coração humano. No f im desta era uma de duas coisas vai acontecer: ou estaremos totalmente l ibertos disso, ou estare mos inteiramente escravizados a isso. Seremos ou escravos de Deus, ou do diabo. Embora tenhamos entendimento com respeito ao que é a marca de Deus, e ao que é a marca da besta, mesmo assim teremos que fazer uma escolha entre as duas alternativas. Podemos julgar que issoserá fáci l, uma vez que reconhecemos a importância dessa decisão, mas não tomaremos a at itude correta a menos que nosso coração esteja em retidão. E não há obediência sincera, a não ser que tenhamos a l i berdade de desobedecer: Deus pôs a Árvore do Conhecimento no jardim para que os homens escolhessem a quem serviriam. Não era sua intenção que caíssemos, como pensarão alguns, e sim que provássemos nossa devoção. Se tudo que o Senhor quer ia era obediência, ter ia sido bem melhor para ele haver criado computadores, programando-os para adorá-lo. Será que uma tal adoração seria aceitável a alguém? Que dizer então de nosso g lor ioso Cr iador?! Não, a verdadeira adoração, nasce do coração. Ela necessita de l iberdade. Do mesmo modo, os que estão a serviço do Senhor são aqueles que por sua vontade querem ser servos. O Jugo da Besta Provavelmente seja uma dívida financeira a razão número um por que os cristãos hoje não estão livres para responder ao chamado de Deus em sua vida. Quando há um chamado para fazer alguma coisa - desde a entrada num ministério de tempo integral, até o chamado para uma viagem missionária -, nossa primeira consideração geralmente é: "Será que vou ter condições financeiras?" Esta é uma clara indicação de que possivelmente estejamos tomando a marca da besta. As pessoas em nossa cultura se acostumaram com a idéia de que como seus pais conviveram com dívidas, têm, conseqüen temente que aceitar essa mesma realidade - o fantasma da dívida. No entanto, pensando bem, o que a Bíblia nos diz a respeito? Paulo advertiu-nos quanto a isso: E não vos conformeis com este século [com esta era, que segue e se adapta às suas práticas exteriores e superficiais mas transformai-vos [mudem a si mesmos] pela [plena] renovação da vossa mente, [com novas ideais e uma nova atitude], para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus [e até mesmo o que é bom, agradável e perfeito aos olhos de Deus para vocês]. (Romanos 12:2 - AMP) A dívida é um jugo de escravidão do qual a maioria das pessoas se tem tornado vít ima. Em quase todas as portas de esta belecimentos comerciais por onde você passa há a marca de um cartão de crédito nelas afixada. Creia você, ou não, ser verdade o que lhe digo, o fato é que um banco em Denver, Colorado, certa vez anunciou um plano para a emissão de car tões de crédito para crianças de 12 anos! Em menos de vinte anos os Estados Unidos, por exemplo, passaram da condição de nação mais credora do mundo para a situação de a nação mais devedora do planeta! (Em outras palavras: os americanos deixaram de ter as demais nações lhes devendo mais do que a qualquer outra naç ão, passando para a situação diametralmente oposta: agora eles devem às demais nações mais do que qualquer outro país.) Jamais, na história mundia l , aconteceu uma mudança tão grande e tão ráp ida na economia de um país! O que toma emprestado se torna servo de quem empresta. O país com dívidas (como acontece também com o Brasil) se encontra agora numa situação de escravidão perante seus credo res. O trágico é que os jugos estão se tornando cada vez mais pesados! Como-a Igreja é chamada a ser "a luz do mundo" e "o sal da Terra", temos a responsabilidade de nos manifestar contra essa grande transgressão. Contudo, como teremos autori dade para emitir tal opinião, se nós crentes - como todo o mundo - também estamos atolados em dívidas, tanto pessoalmente como em relação às nossas igrejas e ministérios? A expressão "o dinheiro compra tudo" é muito reveladora. Mais do que qualquer outra coisa, a forma como se gasta o dinheiro revela a quem se está servindo. Basta olhar para Os canhotos dos talões de cheques de alguém para se ter como escrever sua biograf ia. Dá para facilmente distinguir suas preferências e paixões (distinguindo-se as coisas pelas quais tem algum interesse e aquelas a que se entrega de fato). Jesus assim se expressou a esse respeito: ...onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração. A Meta A Bíblia não af irma que é errado ter dinheiro. Na verdade, o dinheiro pode ser uma das dádivas de Deus, como está em 1 Timóteo 6:17 (SBTB): Deus, que nos dá todas as coisas para as desfrutarmos. Mas a questão de sempre é: Por que estamos sempre com pouco dinheiro? Temos a resposta no seguinte texto: Ora, pois, assim diz o SENHOR dos Exércitos: Considerai o vosso passado [vede bem o que vos tem acontecido]. Tendes semeado Muito e recolhido pouco; comeis, mas não chega para fartar-vos; bebeis; mas não dá para saciar-vos; vestis-vos, mas ninguém se aquece; e o que recebe salário, recebe-o para pô-lo num saquitel furado. (Ageu 1:5, 6 - AMP) Esta escritura descreve com muita propriedade o modo pelo qual a maioria das pessoas vive, semana após semana, correndo até o banco para cobrir os cheques emitidos no dia anterior. Se habitualmente você se vê sem dinheiro suficiente, considere as seguintes questões: -Será que não empreguei bem, ou gastei demais o dinheiro que Deus me deu? - Será que tenho mesmo necessidade de mais, ou sou "excessivamente ambicioso"? - Tenho violado os princípios bíblicos de mordomia, com respeito ao dinheiro que o Senhor me confiou? - Será que, como as pessoas do livro de Ageu, tenho me preocupado mais em construir a minha casa do que a Casa de Deus? Mesmo que uma só das questões acima seja af irmativa em nosso caso, nossa resposta tem que ser arrependimento. Arre pendimento é mais do que simplesmente nos entr istecer por nossos erros; é mudar nosso comportamento. Como C. S. Lewis certa vez ressaltou, quando fazemos uma conversão e entramos numa estrada errada, esta nunca se tornará a estrada certa. O único modo pelo qual podemos pegar de novo a estrada certa é voltar ao ponto daquela conversão errada e fazer a conversão correta. A definição bíblica do que seja l iberdade f inanceira não é necessariamente ser rico. Nosso alvo deve ser o de nunca tornar uma decisão com base em considerações financeiras, e sim com base na vontade de Deus. Essa deve ser a meta financeira para cada um de nós. Normalmente pensamos que para sairmos de nossa situa ção o je i to é ganhar mais d inheiro. Entretanto, essa quase nunca é a resposta, e às vezes pode até tornar as coisas piores. O plano de Deus não requer que você ganhe mais dinheiro do que ganha agora - e isso não é porque ele vai lhe dar uma revelação, de modo que você acerte na loteria! As Escrituras nos dão claras instruções de que temos que sair das dívidas, de que precisamos urgentemente não nos endividar, tornando-nos financeiramente independentes. Não importa quão desastrosa seja sua atual situação financeira: você tem um modo bastante simples para escapar a ela - obediência! Esta é sua herança como filho (ou filha) do Rei. O Principio da Obediência O primeiro princípio para escapar de sua atual situação financeira é passar pela cura financeira. Passando Pela Cura Financeira O primeiro passo para a cura financeira é dar, e não ganhar. Se você se fechou diante desta afirmação, é então evidente que você tem uma ferida que precisa ser curada. Você tem retido seu dinheiro do Senhor? Infelizmente a Igreja tem sido financeiramente saqueada pelo engodo, pela manipulação, e às vezes pelo espírito de controle. A maneira de se ficar fora do alcance do jugo deste mundo é entrar no reino. Fazemos isso submetendo-nos, em primeiro lugar, ao Rei em tudo, e vivendo segundo a sua Palavra. Nossa primeira consideração ao tomarmos qualquer decisão importante tem de ser: descobrir qual é a vontade do Senhor. Um texto muito importante para a Igreja de hoje encontra- se no livro do profeta Malaquias: Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, vós, a nação toda. Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa; e provai-me nisto, dizo SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós bênçãos sem medida. Por vossa causa, repreenderei o devorador, para que não vos consuma o fruto da terra; a vossa vide no campo não será estéril, diz o SENHOR dos Exércitos. Todas as nações vos chamarão felizes, porque vós sereis 11177a terra deleitosa, diz o SENHOR dos Exércitos. (Malaquias 3:8-12) Você é assim tão abençoado financeiramente a ponto de sobrar dinheiro? Então traga "todo o dízimo" à casa do tesouro. Isso significa dar o dízimo pelo bruto (dizimar é dar os primeiros 10 por cento de toda a nossa renda ao Senhor). Além do que ele promete uma bênção tão grande que não dá para você imaginar! Muitos cristãos pensam que não têm condições de dar o dízimo, mas na verdade o que não podemos fazer é deixar de dá-lo! De modo geral, o que precisamos não é aumentar a nossa receita, e sim ter o devorador repreendido. O Senhor promete não apenas repreender o devorador, mas também abrir as janelas do céu. Aqui se encontra o único texto das Escrituras em que Deus nos pede que façamos prova dele. Faça prova dele a este respeito. Eu nunca soube de ninguém que haja dado fielmente o dízimo e não haja experimentado a fidelidade do Senhor em relação à sua Palavra. Contudo já vi muitos que continuaram a cair f inanceiramente pelo fato de haverem declarado: "Vou deixar de lado meus dízimos até que o Senhor me diga onde deverei entregá-los". Isso soa algo nobre, mas se o dinheiro ainda está em sua conta, você não o entregou. Às vezes pode ser sábio deixar reservado algum dinheiro numa conta especial, esperando o tempo e o lugar para dá-lo, mas isso deveria acontecer tão-somente com nossas ofertas. Ou seja: tudo que vai além do dízimo, e não o dizimo propriamente dito. A Palavra é clara quanto ao lugar onde entregar o dízimo: na casa do seu tesouro, ou seja, na sua igreja. Alguns julgam que não podem confiar nos líderes da sua igreja com respeito a um destino sábio do dinheiro. Entretanto, se não pudermos confiar nos líderes com relação ao nosso dinheiro, certamente seremos tolos em confiar nossa alma a eles. Nossa responsabilidade é obedecer, deixando o Senhor lidar com os que possam ser irresponsáveis. Entretanto, se a liderança demonstra uma séria irresponsabilidade financeira, teríamos que considerar que ela não tem capacidade tampouco para zelar por nossa alma. Já ouvi alguém dizer: "Não dou o dízimo, porque tudo que tenho é do Senhor". Este é outro engano trágico. Se tudo que tal pessoa tem é do Senhor, então ela deveria obedecer à Palavra de Deus, que manda dar o dízimo. O Senhor não é enganado por esse tipo de raciocínio viciado. Temos de compreender que Deus não precisa do nosso dinheiro. O mundo todo a ele pertence. Dizimar visa ao nosso bem, não ao dele. Nossas desculpas apenas ferem a nós mesmos. As mesmas verdades se aplicam à nossa igreja e ao nosso ministério. As Igrejas Também Deveriam Dizimar Como uma igreja é uma casa do tesouro de Deus, será que isso significa que a nossa igreja também deveria dizimar? Sim, dar é algo fundamental no Cristianismo. De igual forma Deus nos pede que assim procedamos para nosso próprio bem, e não para o bem dele. Deus procura pessoas fiéis, nas quais possa confiar para serem canais de seu suprimento. Não estamos buscando prosperidade para nós mesmos; procuramos ser servos fiéis, tal como aqueles da parábola dos talentos, que investiram bem o que lhes fora confiado, e depois disso seu patrão lhes confiou uma importância bem maior. Quando começamos nossa congregação, a Comunidade Morningstar (Estrela da Manhã) em Charlotte, Carolina do Norte, por um descuido deixamos de dar o dízimo da receita da igreja. Tivemos significativas perdas até o momento em que começamos a dizimar, quando imediatamente nossas finanças deram meia volta. Poderíamos dizer que teria sido uma coincidência. No entanto teríamos de estar mortos espiritualmente, para chegarmos a admitir isso. Quando damos o dízimo bíblico, que é tomar os "primeiros frutos" e dar ao Senhor, estamos afirmando que nele confiamos como nossa Fonte, não em nós mesmos, nem em nosso trabalho. Isso é importante para pessoas, para igrejas, e para ministérios para-eclesiásticos. Uma vez que você haja assumido o compromisso de dar o dízimo, você deve ainda se perguntar se não está sucumbindo a qualquer das três armadilhas do inimigo para mantê-lo escravizado ao sistema deste mundo. Três Armadilhas de Escravidão Financeira Em que grau estas três armadilhas o influenciam ou dominam? 1. Compulsão para Comprar Tudo que vemos nos jornais e na TV nos força a "ir atrás". Ganhe tanto quanto puder! Contudo Eclesiastes 4:8 nos lembra que os olhos nunca... se satisfazem com riqueza (SBTB). E Eclesiastes 5:10 explica ainda que: Quem ama o dinheiro jamais dele se farta; e quem ama a abundância nunca se farta da renda. A compulsão para comprar é um sintoma do que Salomão está descrevendo nesses versículos. 2. Insatisfação A insatisfação é a doença de nunca julgar que se tem o suficiente: roupas bastantes, roupas certas, móveis suficientes, ou combinando entre si, penduricalhos, jóias, enfeites, mil e uma utilidades, cada vez mais sofisticadas e modernas... É uma fome insaciável de possuir mais e mais. Eclesiastes 5:11 diz: Onde os bens se multiplicam, também se multiplicam os que deles comem; que mais proveito, pois, têm os seus donos do que os verem com seus olhos? Já ouvi quem dissesse: "Queria ser um milionário para dar esse dinheiro ao Senhor". Você não precisa ganhar milhões para dar ao Senhor. Ele não é pobre. Tenha o cuidado de não disfarçar seus desejos com afirmações desse tipo. O Senhor disse: Buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. 3. Preguiça Talvez você nunca tenha dinheiro bastante, porque você é preguiçoso. Salomão aconselhou o preguiçoso a considerar os caminhos da formiga: Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos e sê sábio. Não tendo ela chefe, nem oficial, nem comandante, no estio prepara seu pão, na sega ajunta seu mantimento. O preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu sono? Um pouco para dormir, uni pouco para tosquenejar, um pouco para encruzar os braços em repouso, assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessi- dade, como de um homem armado. (Provérbios 6:6-11) O versículo 7 deste trecho é o mais interessante: ... não tendo ela chefe, nem oficial, nem comandante. Algumas versões traduzem esta última palavra por "dominador". Contudo no hebraico a palavra é mesmo comandante. Neste sentido a formiga é uma representação do crente nascido de novo. As formigas instinti- vamente sabem o que fazer. Pois do mesmo modo deveriam saber os cristãos; tais pessoas não precisariam ter uma fonte de motivação externa, uma vez que sua motivação vem de seu interior. Às vezes o crente precisa de um conselho, mas nossa meta tem de ser a de sempre termos a Palavra e os caminhos de Deus estabelecidos firmemente em nosso coração. Observe ainda o que Salomão diz sobre o sono. Todos temos a tendência de tocar no despertador, desligando o alarme para termos apenas alguns minutos a mais de sono. Este versículo nos adverte contra a natureza viciosa desse hábito. Se é hora de nos levantar, levantemos! Deus não vai derramar prosperidade sobre você enquanto você estiver na cama. Se somos servos do Senhor, nosso tempo também é dele. A Lei da Física e a Riqueza Há uma lei da Física que af irma que a energia jamais é destruída; ela simplesmente muda de forma. O mesmo é verdade com respeito à riqueza: ela nunca é destruída, mas com freqüência muda de mãos. Mesmo durante a Grande Depressão, a riqueza na verdade não se perdeu; ela apenas foi transferida para aqueles que se achavam em condições de tirar vantagem da situação. E os que se beneficiaram foram não só os que não tinham dívidas, como tinham dinheirodisponível naquela hora. Houve empresas que foram compradas por quantias muito baixas, chegando a 10% do seu real valor. Terras foram adquiridas por quantias ínfimas, chegando a 25% de dólar para cada mil metros quadrados, compradas daqueles que se haviam endividado. Estamos caminhando em direção a um transtorno econômico muito pior que o da Grande Depressão. Os que não estiverem preparados ficarão arruinados. O Senhor deseja que seu povo esteja prevenido para tais tempos, não apenas para que possam suportar tudo, ou para enriquecerem, mas para benefício do próprio evangelho. Como prometem as Escrituras, a riqueza das nações será dada àqueles que servem ao Senhor. Agora o Senhor está preparando seu povo para o que está para acontecer. Ele vem advertindo sua Igreja por mais de vinte e cinco anos, para que todos se livrem de dívidas. Já nos foi dado um tempo mais que razoável para isso. Entretanto, devido ao fato de que esses catastróficos problemas econômicos têm demorado a acontecer, muitos têm desprezado essas advertências. Ainda há tempo para arrependimento e para pormos as coisas em ordem, mas não dá para protelar mais! Capítulo 3 Acusadores dos irmãos Na primavera de 1995 Bob Jones, um amigo meu que é profeta, disse a alguns dentre nós que o time de beisebol Os Valentes de Atlanta ganharia o campeonato da Série Mundial, naquele ano, como uma mensagem para a Igreja. Essa profecia cumpriu-se, e de fato houve nela uma mensagem. Por muitos anos Os Valentes de Atlanta vinham sendo considerados "o time dos Estados Unidos". Esta nação é chamada de "o lar dos valentes". Valentes são guerreiros corajosos, e verdadeiros guerreiros são os que lutam até obter a vitória. Após anos de insucesso, Os Valentes de Atlanta finalmente conseguiram entrar na Série Mundial de 1992 e também em 1993, mas não foram campeões. Eles não desistiram, e em 1995 venceram o campeonato da Série Mundial, tal como Bob Jones havia profetizado. De maneira semelhante, a Igreja tem lutado por vários anos. Deus tem levantado grandes movimentos e ministérios para abençoar o mundo todo. Embora tenhamos tido muitos anos maravilhosos, já faz algum tempo que a Igreja como um todo não tem alcançado um verdadeiro avanço ou vitória sobre o inimigo. Como eu esperava que o time de Atlanta vencesse em 1995, em razão da palavra de Bob, também fiquei muito ansioso por conhecer a mensagem que havia nessa vitória. Para mim foi muito interessante o fato de que a vitória dos "Valentes" aconteceu no ano da saga de O. J. Simpson, que talvez haja sido o julgamento mais controvertido da história judicial dos Estados Unidos. Foi esse também o ano em que o incêndio de igrejas e a Marcha de Um Milhão de Homens foram manchetes dos principais jornais. Quando parecia que a justiça estava sofrendo o maior assalto da história americana, foi um jogador de nome Davi ou, mais precisamente, David Justice, que fez a jogada vencedora naquele jogo que deu a vitória ao "time a m e rica no”. Creio que foi muito significativo haver sido Davi quem fez aquela jogada final. Ele é um homem negro, e realmente espero que "Davis" jovens e negros surjam e matem os "Golias" espirituais que têm intimidado e retido o avanço dos exércitos de Deus. Penso ainda que esses grandes campeões virão em nome da justiça. Eles não apenas exigirão justiça para si mesmos, mas também a conquistarão Para outras pessoas. Nenhum de nós deseja justiça em relação a nossos pecados; o que desejamos é, isto sim, misericórdia e graça. Isso é pacífico. Entretanto, a justiça de Deus é mais do que isso. O Senhor evidentemente se preocupa muito com a eqüidade e com a jus- tiça na conduta dos homens. As Escrituras deixam bem claro que ...retidão e justiça são a base do seu trono, e que ...fazer justiça e julgar com retidão é mais aceitável ao Senhor do que oferecer-lhe sacrifício. Se a justiça é algo tão importante que é um dos dois pilares sobre os quais Deus estabeleceu seu trono, deve-se dar a ela uma prioridade muito maior. Como o Senhor falou pelo profeta: Mas, se deveras emendardes os vossos caminhos e as vossas obras, se deveras praticardes a justiça, cada um com O seu próximo; se não oprimirdes o estrangeiro, e o órfão, e a viúva, nem derramardes sangue inocente neste lugar, nem andardes após outros deuses para vosso próprio mal, eu vos tirei habitar neste lugar, na terra que dei a vossos pais, desde os tempos antigos e para sempre (Jeremias 7:5-7). Tenho viajado muito por todo o mundo, e quanto mais viajo mais dou graças a Deus por viver na América. Por melhor que seja o sistema de justiça que há no mundo de hoje, esse sistema ainda não é tão bom quanto poderia ser. Não há justiça para todos. E há um crescente assalto à justiça por toda a estrutura social, indo da capacitação econômica a diferentes oportunidades educacionais. Contudo o que é mais assustador ainda é a quase completa falta de visão e de um sistema de justiça na Igreja Cristã. Como Paulo escreveu aos Coríntios: Para vergonha vo-lo digo. Não há, porventura, nem ao menos um sábio entre vós, que possa julgar no meio da irmandade? Poderemos descobrir que grande parte da vergonha que recentemente tem alcançado o corpo de Cristo é decorrente de não termos um verdadeiro sistema de justiça na igreja, de modo a nos julgar a nós mesmos, para que não sejamos julgados. Quando os israelitas perderam o senso de justiça, logo caíram na apostasia, porque a justiça é uma das bases do trono do Senhor em nosso meio. Deus teve que usar as nações pagãs que estavam em volta de Israel para disciplinar aquele povo até que ele se voltasse para o Senhor. De igual modo, Deus se viu obrigado a fazer uso da imprensa secular e de outros "pagãos" para disciplinar a Igreja. Entretanto, o Senhor não destacou jornalistas nem investigadores para julgarem a sua Igreja. Foi aos anciãos da Igreja que essa autoridade foi concedida. A falta de autoridade criada pela ausência de verdadeiros juízes continuará a ser compensada por aqueles que não são chamados, e que trarão muita confusão, até que os verdadeiros anciãos da Igreja assumam a autoridade que lhes foi concedida por Deus. Decaídos da Graça Na primavera de 1996, Bob Jones recebeu a palavra de que Os Valentes não venceriam novamente a Série Mundial naquele ano, e que isso seria uma mensagem. Quando me deram bilhetes de entrada para o quinto jogo da Série Mundial em Atlanta, eu sabia que o Senhor iria mostrar-me algo importante. E não me decepcionei. Quando Bobby Conner, Mike Dean e eu caminhávamos em direção ao estádio, Mike disse-nos que na primeira vez que Os Valentes foram participar desse campeonato, uma empolgação sem precedentes tomou conta de toda a cidade. Mais de cem mil pessoas foram até o estádio, mesmo sabendo que não teri am como entrar e que seriam obrigados a permanecer do lado de fora, dando de lá seu apoio ao time. Enquanto ele dizia isso, surpreendi-me ao ver o contraste que havia em relação àquela noite. Não havia ninguém do lado de fora para dar suporte à equipe. Os que entravam no estádio davam inclusive a impres são de estar indo desprovidos de todo entusiasmo. Aquele campeonato - a Série Mundial - era o ponto culminante do beisebol. O jogo acontecia entre uma das equipes mais populares, Os Valentes, contra um dos times de maior tradição, os Yankees de Nova York. Mesmo assim eu sentira mais ardor entre os torcedores dos t imes que haviam jogado num campeonato local sem importância do que o que estava acontecendo entre os torcedores que naquela noite se encontravam no estádio de beisebol Fulton County. O que eu sentia era, ao contrário, uma atitude de arrogância, que me dava uma sensação bastante desconfortável. Durante o jogo, quando os torcedores do At lanta começa ram a sol tar seu gr i to t íp ico para impuls ionar o t ime, que anter iormente era um gr i to de guerra que atemorizava o coração dos jogadores do t ime contrário, naquela noite ele saia bastantedesanimado: parec ia mais um gr i to de dor do que um brado de guerra. F iquei impressionado com o peso que havia no ar. Surpreendi -me ainda mais com os gr i tos de desaprovação que eram dados pelos torcedores quando Os Va lentes er ravam um lance , ou quando não consegu iam ter êxito numa jogada que, se concret izada com sucesso, ter ia sido por puro milagre. Os Valentes perderam aquele jogo, que era de extrema importância, porque um de seus jogadores perdera uma bola, o que não poder ia haver acontecido. Tudo parecia ajustar -se à s i tuação re inante. O peso que pairava sobre o t ime era tão grande que eu esperava que eles errassem em quase toda jogada. O que mudara naquela cidade, passando de uma situação em que as pessoas haviam permanecido até mesmo do lado de fora do estádio, dando apoio ao t ime, para uma situ ação em que os torcedores parec iam estar ir r i tados com os jogadores? Teria sido por causa do orgulho? Antes do início do campeonato daquele ano os jornalistas esportivos haviam feito o prog nóstico de que Os Valentes venceriam de novo. Uma tal previsão não seria necessariamente um fator negativo. Entretanto, juntando-se com a vitória que haviam alcançado no ano anterior, ela fez com que os jogadores e os torcedores ficassem ex- cessivamente arrogantes e orgulhosos. Não é o que a gente diz: "Estavam todos de salto alto..."? E quando as pessoas começam a reclamar de qualquer erro cometido, ou quando uma jogada não termina como esperam, isso traz uma grande pressão sobre os jogadores, o que mais cedo ou mais tarde acaba por fazer com que "percam a bola". Na manhã do dia seguinte mal dava para crer nas ultrajan tes palavras dos comentaristas sobre Os Valentes. Diziam que o t ime da casa provavelmente nunca jogara um jogo de beisebol a nível realmente prof issional, e muito menos sent ira a responsabil idade do que signif icava part icipar da Série Mundial. O veneno que foi lançado sobre aquele jogador q ue cometera aquele erro vi ta l foi então chocante. Até mesmo al guns que não eram da crônica esport iva f izeram comentários como se fossem especialistas que sabiam das coisas mais do que os própr ios dir igentes da equipe. Para mim não foi surpresa o fato de Os Valentes não vencerem depois uma única part ida jogada em casa no campeonato da Sér ie Mundial da quele ano. Para eles era bem mais fácil jogar fora de casa, uma vez que ganharam dois jogos em Nova York. Creio que essa mesma atitude é o que faz com que muitas igrejas, ministérios e pessoas caiam depois de apenas uma única vitória. Quando passamos por uma vitória, é bom forçar a situação, e até mesmo manter a fé de que continuaremos vencendo. Entretanto, quando as expectat ivas das pessoas são contaminadas pela arrogância, de modo que tudo o que não venha de encontro àquelas expectativas faça despertar críticas e não intercessão, uma derrota certamente sobrevirá. Salomão percebera isso centenas de anos antes, quando escreveu: A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda! É dif ícil, para quem não haja praticado esportes, imaginar quanto os torcedores inf luenciam um jogo, razão por que há uma clara vantagem no jogo em casa. Se os torcedores estão empurrando o time para a frente, os jogadores são inspirados a jogar além de suas possibilidades normais. En- tretanto, quando eles não apóiam o time, é como se os jogadores estivessem o tempo todo carregando um enorme peso. O mesmo se dá em nossas igrejas. Quando a liderança sente apoio dos membros, ela subirá e alcançará novas alturas. Quando no entanto ela é arrasada por críticas, torna-se difícil para ela até mesmo atuar. Uma das principais razões por que muitos líderes têm falta de unção de Deus é o fato de os membros da sua igreja não terem fome de Deus. Outro fator são as expectativas irrealistas que freqüentemente depositamos sobre eles. Temos a tendência de ser muito exigentes. Quando alguém tenta liderar-nos, de tal modo o atacamos que dá para se pensar como pode haver quem se disponha a ser pastor ou presidente do país. Assim como as críticas e os comentários pelo rádio em Atlanta naquela manhã foram formulados principalmente por aqueles que nunca haviam jogado uma partida de beisebol profissional (e muito menos participado da Série Mundial), as críticas feitas dentro da igreja, em sua maioria, nunca contribuíram para o bem dela, nem edificaram nada que fosse significativo. É impressionante o fato de haver quem dê ouvidos a esses comentários, e é ainda mais impressionante que até mesmo cristãos maduros estejam dando atenção àqueles que se têm posto como juízes sobre a Igreja. Todos temos liberdade para escolher a forma de nos relacionar com nossos líderes: poderemos participar de apenas um dos dois ministérios que existem diante do trono de Deus. Os Dois Ministérios Dois ministérios atuam incessantemente diante do trono de Deus: um é o ministério da intercessão; o outro é o da acusação. Jesus vive para interceder por seu povo. Conforme o grau em que habitarmos nele, Jesus nos usará para interceder pela Igreja, por outros e por nós mesmos. Sua Igreja é para ser uma Casa de Oração para todos os povos! Satanás, entretanto, é chamado de o acusador de nossos irmãos, e somos informados de que seu ministério prossegue de dia e de noite diante do trono de Deus. Como é que Satanás continua a acusar os santos diante de Deus, uma vez que foi lançado para fora do céu, e não mais tem acesso ao trono? A resposta a essa pergunta é: Satanás usa os santos, que realmente têm acesso ao trono, para fazer essa obra diabólica para ele. Ele é conhecido por muitos títulos, mas certamente o modo como atua mais eficazmente tem sido o de "acusador dos irmãos", dada a eficácia com que tem conseguido fazer com que irmãos se voltem contra irmãos. Promover a divisão é uma especialidade dele. A unidade da Igreja é a maior ameaça ao domínio satânico. O diabo sabe muito bem que Jesus deu autoridade a quaisquer dois crentes que estejam em concordância: o Pai lhes dará o que pedirem. A unidade não apenas aumenta nossa autoridade espiritual, como a multiplica. Um cristão pode pôr a correr mil demônios, mas dois em concordância põem a correr dez mil. Ironicamente, o acesso do acusador à maioria de nós acontece muitas vezes por nossa insegurança, o que nos põe em guarda sobre nosso território. Se estamos inseguros, somos ameaçados por qualquer coisa que escape ao nosso controle. Podemos citar doutrinas ou exibir uma nobre mas fingida de- terminação. São no entanto poucas as divisões na Igreja provocadas por algo diferente do desejo de manter nosso terri tório, ou seja, nosso âmbito de ação, o que finalmente resulta na perda exatamente do que queremos preservar a todo custo. Uma lei incontestável do espírito é esta: se procurarmos salvar a nossa vida, nós a perderemos; se perdermos a nossa vida por causa de Cristo, nós a acharemos. Isaías abordou esta questão de um modo bem sucinto: Então, romperá a tua luz como a alva, a tua cura brotará sem detença, a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do SENHOR será a tua retaguarda; então clamarás, e o SENHOR te responderá; gritarás por socorro, e ele dirá: Eis-me aqui. Se tirares do meio de ti o jugo, o dedo que ameaça, o falar injurioso (Isaías 58:8,9 - ênfase acrescentada) Você está precisando ter mais luz na sua vida? Você invoca o Senhor, mas ele não lhe responde? A resposta é quase sempre a mesma: você tem um jugo no meio de você que é referido como ...o dedo que ameaça, o falar injurioso. Trata-se de um espírito de crítica. Deus promete que a sua vida sofrerá uma mudança radical se você remover esse jugo. A pessoa que tudo critica é aquela que comenta depreciativa e negativamente os outros, mas nunca se refere de maneira inferior a si mesma. Como afirmou o Senhor, tal pessoa passa o tempo todo tão ocupada à procura de um argueiro no olho alheio, que não consegue enxergar a trave no próprio olho,razão de sua cegueira. Quando criticamos os filhos de alguém, quem vai se ofender? Os pais! Isso não é menos verdade em relação a Deus. Quando julgamos um de seus filhos, na realidade estamos julgando o Senhor. Sempre que julgamos um de seus líderes estamos emitindo opinião sobre sua liderança. Estamos declarando que Deus não sabe o que está fazendo com a liderança que está sustentando. Ao criticarmos um irmão ou uma irmã, na verdade estamos dizendo que a forma como Deus está trabalhando não se enquadra no que consideramos ser o certo, o correto. Contudo, quem de nós pode se transformar a si mesmo, sendo o que realmente deve ser? Se não podemos nem sequer mudar a nos mesmos, como iremos influenciar pessoas para que mudem? A crítica é uma das maiores manifestações do orgulho, visto que presume que se está numa posição superior. O orgulho traz algo a cujo respeito todo ser humano deveria sentir o maior temor: a resistência de Deus. As Escrituras dizem: "Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes." Confesso que preferiria ter todos os demônios do inferno contra mim a ter Deus como meu contrário. Veja o que aconteceu com os filhos de Israel. Deus permitiu que a primeira geração que saíra do Egito passasse toda a sua vida vagueando pelo deserto, em razão de suas contínuas murmurações e reclamações. Essa é a principal razão por que muitos cristãos não andam em harmonia com as promessas de Deus. Elas consomem a vida em lugares áridos, dando voltas e voltas nas mesmas montanhas - cultivando os mesmos velhos problemas, as desgastadas fraquezas de sempre, os decantados queixumes e gemidos... Observe a advertência de Tiago advertiu-nos o seguinte: Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Aquele que fala mal do irmão ou julga a seu irmão fala mal da lei e julga a lei; ora, se julgas a lei, não és observador da lei, mas juiz. Um só é Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e fazer perecer; tu, porém, quem és, que julgas o próximo? (Tiago 4: 1 1,1 2) Visitei certa vez um dos estados mais pobres dos Estados Unidos. Por ter notícia de que era muito rico em recursos naturais e em beleza, me sentia muito inclinado a conhecê-lo. Ao visitá-lo, imediatamente notei um traço característico básico nas pessoas da região. Elas ridicularizavam e criticavam a riqueza ou quem quer que estivesse se dando bem no lugar. Isso parecia ser uma obsessão de todo o mundo ali, desde garçons a líderes de igrejas. Eu sabia que essa era a razão principal da sua pobreza. Quando cometemos o pecado de apontar o dedo que ameaça, e o do falar injurioso, nós nos acorrentamos ao jugo dessa mesma crítica. Acontece exatamente como o Senhor nos adverte: Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois com o critério com que julgardes sereis julgados; e com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também. Alguns dos pastores naquele estado na verdade haviam posto um jugo de pobreza sobre si e sobre sua congregação, pelo fato de crit icarem a maneira como outros homens de Deus haviam levantado recursos f inanceiros. Como conseqüência eles não recebiam nem mesmo ofertas - o que é bíblico -, sem que se sentissem culpados. Outros homens de Deus poderiam haver exercido uma inf luência de âmbito nacional e internacional na igreja, em razão de sua incontestável autoridade espiritual; haviam no entanto passado toda a sua vida ministrando com poucos frutos a igrejas que não cresciam, mas pelo contrário, diminuíam. Admito que às vezes as multidões em torno de nós possam diminuir, quando estamos fazendo o que é certo, tal como aconteceu com o Senhor, quando pregou verdades duras ao povo. Mas não foi esse o caso com Os pastores de quem estou falando. Eles haviam criticado outros ministérios que estavam se tornando mais influentes. Em vista disso Deus não lhes podia dar uma assistência segundo a unção que eles tinham. Você precisa entender que as nossas críticas podem estar firmadas num discernimento real. Aqueles a quem criticamos podem muito bem estar cometendo erros. Aconteceu inclusive de alguns daqueles pastores haverem criticado outros que haviam levantado muito dinheiro mediante manipulação, en- godo, ou uma atitude totalmente enganosa. O apóstolo Paulo esperava que a igreja de Corinto tivesse discernimento. Ele disse aos coríntios que as pessoas deveriam responder por suas ações, quando lhes perguntou: Não julgais vós os de dentro [da igreja]? A questão em jogo aqui é O que vamos fazer com o que discernirmos. Vamos lazer uso disso para acusar nossos irmãos ou para interceder por eles? Em Mateus 18:6 Jesus nos adverte sobre o perigo de alguém fazer com que um de seus pequeninos viesse a pecar. "Teria sido melhor se essa pessoa houvesse atado uma grande pedra em seu pescoço e se lançado no mar". Nesse mesmo discurso Jesus nos instrui sobre como agir com um irmão que está em pecado. Antes de mais nada devemos ir até ele e lhe falar em particular. Se ele rejeitar nosso conselho, é importante que voltemos a falar com ele, mas agora levando um irmão. Somente no caso de ele rejeitar essas duas tentativas é que seu problema deve ser levado à consideração do restante da igreja. Se não seguirmos essa instrução corremos o risco de cair na condição menos desejada por nós: a de sermos responsáveis pelo tropeço de alguém por quem o Senhor morreu. Tenho ouvido numerosas desculpas por parte de certas pessoas, por não seguirem o que Mateus 18 estabelece. Uma muito comum é esta: "Sei que ele não me ouviria". Já ouvi também esta: "Como ele tem um ministério público, tenho o direito de expô-lo publicamente". Isso é um absurdo, porque todo ministério é público, pelo menos até certo ponto. Essas condições não foram apresentadas pelo Senhor. Os que não obstante a clara instrução de Jesus se arvoram o direito de tomar tal liberdade estão simplesmente declarando ter autoridade para acrescentar algo à Palavra de Deus. Se alguém tem um grande ministério, e não temos condições de entrar em contato direto com essa pessoa, o que temos a fazer é não julgar. Se o Senhor julgasse que nós é que teríamos que trazer isso a juízo, ele daria um jeito para que assim pudéssemos agir. Se tal não foi o caso, confiemos que no devido tempo o Senhor irá agir. Não acuse, e sim interceda. Seguir essa instrução de Jesus é o que nos protegerá de entrarmos num juízo bem mais severo que o do irmão em falta. Se não seguirmos o procedimento prescrito pelo Senhor para tratar de um irmão que se acha em erro, não teremos direito algum de falar sobre o caso com ninguém mais. O que chamamos de "examinar a opinião de alguém" é o que Deus chama de "mexerico". O Senhor não será enganado, e nós pagaremos o preço por essas indiscrições. A ordem que ele nos deu foi a de irmos primeiro até a pessoa, e falarmos com ela em particular. Somente depois disso é que deveremos falar com alguém mais, e com o propósito exclusivo de irmos os dois até a pessoa em pecado, para ajudá-la. Nosso alvo terá sempre que ser o de salvar o irmão de seu pecado, e jamais o de expô-lo. Também Paulo nos advertiu: Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura; e GUARDA-TE PARA QUE NÃO SEJAS TAMBÉM TENTADO. Não se torne mesquinho diante de um presumível pecado de alguém. Lembre-se de que o amor cobre multidão de pecados. A maioria de nós ainda tem centenas de coisas erradas em sua vida, e o Senhor normalmente está lidando com uma ou duas dessas coisas por vez, por ser o que dá para ser tratado ao mesmo tempo. (Muitas vezes Satanás usa a estratégia de tentar nos distrair, fazendo com que queiramos enfocar centenas de outros problemas ao mesmo tempo, o que acaba em frustração e derrota.) É claro, o Senhor Jesus, ele mesmo, é nosso modelo perfeito. Quando ele admoestou as sete igrejas do Apocalipse, primeiro elogiou cada uma delas, destacando o que estavam fazendo de forma correta. Depois foi direto a seus problemas. É incrível, mas ele inclusiveconcedeu oportunidade à perversa rainha Jezabel, para que se arrependesse! Finalmente ele deu a cada igreja uma maravilhosa promessa de recompensa por vencer seus pontos fracos. O Senhor não muda nunca. Quando ele admoesta no dia de hoje, sua admoesta- ção vem sempre embalada com encorajamento e esperança. Mateus , 18 não nos fo i dado para ser usado como um cassetete, visando demonstrar ao nosso irmão como ele nos ofendeu. Ternos que usar esta escritura, e na verdade todos os demais textos das Escrituras, em amor, não como defesa nossa ou como uma forma de retalhar. O acusador dos irmãos procura trazer admoestações à Igreja com métodos e objetivos obviamente bem diferentes dos do Senhor. Jesus nos encoraja e nos dá esperança; Satanás nos c o nden a e p r oc u r a f aze r c o m q ue nos s i n t am o s desesperançados. Jesus nos levanta a moral, de forma a podermos levar adiante a correção. Satanás nos puxa para baixo, tudo fazendo para que desistamos. Jesus nos ama e quer nos levar ao lugar mais elevado; Satanás nos odeia e deseja destruir-nos. Um fenômeno entre os movimentos pentecostais e renovados que se tem observado com muita freqüência é a inabilidade, por parte dos que têm dons e experiências espirituais, de discernir espíritos, não distinguindo especialmente o mais implacável inimigo espiritual: o acusador dos irmãos! Será que nossos juízos contra os que não têm o batismo no Espírito, ou outras experiências espirituais que tenhamos, têm posto em nós essa incapacidade de discernir espíritos? Muito do que tem sido ostentado como discernimento não é nada mais do que uma suspeita, um descuidado disfarce que pretende ser espiritual, mas que é usado para dissimular nossa intenção de manter nosso domínio. Mesmo sem o dom espir i tual do d iscernimento, T iago nos deu u ma c lara d i ret r iz para discernirmos a fonte da sabedoria que, se fosse sempre considerada, teria preservado a Igreja de alguns de seus mais humilhantes erros: Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras... Se, pelo contrário, tendes em vosso coração inveja amargurada e sentimento faccioso... Esta não é a sabedoria que desce lá do alto; antes, é terrena, animal e demoníaca... A sabedoria, porém, lã do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento (Tiago 3:13-17). Somos salvos pela graça, e precisamos de toda a graça que possamos obter para vencermos nesta vida. Se queremos receber graça, é melhor aprendermos a dar graças, porque colheremos o que plantarmos. Se a nossa pretensão é receber misericórdia, é melhor começarmos a semear misericórdia, porque a maioria de nós vai ter necessidade de toda a misericórdia que pudermos obter. Não queremos chegar diante do Senhor com o sangue de nossos irmãos em nossas mãos. O Senhor advertiu-nos: Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento. Eu, porém, vos digo que todo aquele que [sem motivo] se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: 'Mio, estará sujeito ao inferno de fogo. Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão, e, então, voltando, faze a tua oferta. Entra em acordo sem demora com teu adversário, enquanto estás com ele a caminho, para que o adversário não te entregue ao juiz, o juiz, ao oficial de justiça, e sejas recolhido à prisão. Em verdade te digo que não sairás dali, enquanto não pagares o último centavo (Mateus 5:21-26). Se cometemos o pecado de difamar um irmão ou uma irmã, o que temos a fazer é deixar de lado nossas ofertas ao Senhor até nos reconciliar com ele ou ela. Infelizmente muitas vezes pensamos que nossos sacrifícios e ofertas podem ser uma compensação por nossos pecados. Contudo isso não é verdade. O Senhor prometeu que, ao retornar, em seu juízo ele separará as ovelhas dos bodes. Os que forem julgados como "ovelhas" herdarão o reino e a vida eterna. Os que forem designados de "bodes" serão enviados ao juízo eterno. A separação será feita segundo o modo como cada um tratou o Senhor, o que, por sua vez, é decorrente de como cada um tratou o povo do Senhor. Assim João também afirmou: Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê (1 João 4:20). Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino; ora, vós sabeis que todo assassino não tem a vida eterna permanente em si. Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos (1 João 3:15,16). Se realmente tivermos o Espírito de Cristo, também teremos sua natureza. Se você ou eu soubéssemos que nossos melhores amigos, a quem havíamos amado e instruído por três anos e meio, estavam prestes a nos abandonar, será que sinceramente desejaríamos ter uma última ceia com eles? O amor de nosso Senhor para com seus discípulos não foi jamais condicional. Embora soubesse que em pouco tempo eles o negariam, ele os amou até o fim — e deu a vida por eles. E ele nos ordenou que amássemos com esse mesmo amor. Os que lideram sobre nós teriam um ministério muito maior se começássemos a orar por eles em vez de apenas criticá-los. O que causaria provavelmente o maior impacto positivo nas igrejas seria transformarmos nossas críticas em intercessões. Quando aqueles que estão envolvidos em algum ministério recebem o suporte dado pelas orações de outros, isso é de grande valia, porque a intercessão é poderosa. É claro, nem todas as igrejas têm a característica de estarem seus membros criticando a liderança. Há situações em que as pessoas dão todo o apoio, nada questionando, nem mesmo aquelas coisas que deveriam ser questionadas. Há também líderes que querem ter todo o crédito pelas vitórias alcançadas, mas se recusam a assumir Os erros cometidos, preferindo transferir a culpa a outros. De um modo geral, entretanto, a tendência predominante tem sido a de serem as pessoas muito críticas em relação àqueles que as lideram. Tive pena daquele jogador que entregou a vitória ao ad versário, naquele jogo dos Valentes, em 1996. Ele cometeu um erro, é verdade, mas ele realizara um número enorme de jogadas excepcionais durante todo aquele ano. Ninguém, exceto seus companheiros de equipe, demonstrava lembrar - se das belas jogadas que ele fizera anteriormente. Tão-somente se lembravam de que perdera aquela bola. Será que isso é justo? E não é exatamente desse modo que a Igreja tem tratado muitos de seus líderes? Isso não é justo pelos critérios de Deus, e se vamos representá-lo perante o mundo, temos é que aprender com o reto Juiz. Estamos bem próximos de passar por um grande mover de Deus, que talvez venha a superar tudo quanto temos visto até hoje. Entretanto, esse avivamento não está vindo em virtude da justiça da Igreja, e sim como um chamado final ao arrependimento, antes de recebermos um juízo devastador. O que vai dar condições ou não de nos transformar na geração que preparará o caminho para o Senhor e seus propósitos finais será o ministério que escolhermos - o de intercessão ou o de acusação. Removamos o terrível jugo do "dedo em riste", acusador do nosso meio, e passemos da crítica à intercessão. Capítulo 4 Tempestade nos Próximos anos Nos últimos anos temos ido com nosso pessoal a uma pequena ilha na costa do Estado da Carolina do Norte, uma bela ilha pela qual nos apaixonamos. Estávamos lá certo dia quando um famoso furacão tomou curso em nossa direção. Naquela noite os intercessores e muitas crianças marcharam em torno da ilha para orar, pedindo proteção contra o mau tempo. O furacão se aproximava de nós,mas de repente se moveu para o leste, desviando- se dela e voltando-se a seguir para o oeste, indo em direção ao rio Cape Fear. Ventos impetuosos varreram a ilha, mas não chegamos nem mesmo a ter interrupção na energia elétrica. Pouco ou quase nenhum dano ela sofreu. As praias mais ao norte foram devastadas, bem como as cidades e os vilarejos em todo o caminho percorrido pelo furacão, até a cidade de Raleigh, atingindo 200 quilômetros no interior, em relação à costa. Não temos dúvida alguma quanto ao fato de havermos sido poupados em virtude das nossas orações. Deus realmente ouve nossas orações, e sempre responde às que são feitas com fé. Há tempestades em nossa vida que têm causas naturais, como as provocadas por um inesperado furacão, como o que mencionei, ou por um problema qualquer, tal como o do "bug do milênio", que enfrentamos na passagem para o ano 2000. Agora que esse problema foi ultrapassado, você já está consciente do que realmente aconteceu, e se as expectativas que havia em relação ao problema foram confirmadas ou não. Este é um exemplo que nos permite tirar algumas conclusões de ordem espiritual para enfrentarmos situações ameaçadoras. Contudo, antes de mais nada temos que nos sujeitar ao que diz Paulo em Filipenses 4:6, 7: Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com i ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus. O "Bug do Milênio" e o Ano 2000 O problema do "bug do milênio" seria decorrente do desarranjo interno nos computadores causado por interpretar erradamente a passagem para o ano 2000. Nos anos da década de 1950, quando muitos dos computadores foram criados, os programadores não contavam com muito espaço na memória dos mesmos. Assim, passaram a registrar as datas com apenas dois dígitos: o ano de 1955 ficou como 55; 1970, como 70. Ninguém naquela época pensou no fato de que aqueles computadores ainda estariam operando na virada para o ano 2000. Assim, o problema seria que muitos computadores, à meia- noite do dia 31 de dezembro de 1999 passariam a entender que o ano seguinte seria "1900" e não "2000", fazendo com que muitos dados neles registrados ficassem inacessíveis. Alguns chegaram a pensar que os bancos perderiam o controle sobre as contas de cada um. Esperava-se que muitas empresas perderiam o controle sobre seus estoques, e que muitas teriam que parar. Poderia ter havido problemas nas reservas de passagens aéreas e, pior ainda, problemas no controle do tráfego aéreo pelo pane nos computadores. Os governos federal, estadual e municipal poderiam haver perdido muitos dados, afetando o INSS, a Receita Federal, e até mesmo sistemas de abastecimento de água e esgotos. Os entendidos sobre essa situação chegaram a fazer diferentes previsões em relação ao efeito que esse problema teria sobre a civili- zação; uns o viam como um simples percalço no caminho; outros o interpretavam como o fim do mundo moderno. As empresas, em sua maior ia, t i veram o cuidado de reprogramar com antecedência seus computadores, mas muitas deixaram essa providência para a última hora. Aqueles que delimitaram os problemas que poderiam enfrentar desenvolven- do novos programas não estavam certos, porém, de que não teriam problemas inesperados, por incompatibilidade com Os computadores de fornecedores, fábricas, agências. Isso poderia até mesmo criar uma verdadeira torre de Babel eletrônica que talvez nem tivesse possibilidade de ser solucionada! Há alguns anos, embora eu tivesse um razoável entendimento sobre todo o problema técnico e comercial que o "bug do milênio" poderia vir a causar, por mais de um ano orei ao Senhor sobre essa questão. Contudo ele não me respondia nada. Quando finalmente ele começou a me responder, fiquei surpreso com o que disse: Não se Abale A primeira coisa que o Senhor então me disse sobre o assunto foi que Ele não estava sentado no céu, desesperado e preocupado com o bug — e que esse era também o comportamento de todo aquele que nele estivesse confiado. Não seria o fim do mundo moderno, mas causaria apenas alguns problemas, dos quais teríamos que ter consciência. O maior deles seria o pânico gerado pela situação, e não as panes nos computadores. O Senhor me advertiu: "O meu povo não deve se deixar dominar pelo medo numa situação como essa; muito menos contribuir para que esse temor se alastre". Se nos deixarmos influenciar por temores desse tipo, teremos que examinar Os fundamentos sobre Os quais construímos a nossa vida. Se edificamos a nossa casa sobre a rocha, mediante o ouvir e o praticar a Palavra do Senhor, as tempestades poderão vir, mas nossa "casa" permanecerá.' A Palavra de Deus é maior que qualquer enchente, qualquer correnteza, até mesmo aquelas que poderiam ter vindo na forma do bug do milênio, de recessões ou depressões. Isso não quer dizer que ao nos deparar com situações desse tipo vamos nos descuidar, deixando de fazer as mudanças necessárias e não nos preparando para enfrentá-las. Entretanto, tudo quanto fizermos terá que ser debaixo de muita fé, sempre procurando ouvir o Senhor, e não o mundo. Posto que se dermos ouvidos ao mundo estaremos perdidos; ele só nos passa temor, negativismo, inércia e descrença. O mundo todo e todos os seus sistemas são extremamente fracos e vulneráveis, e o bug do milênio não foi nem de longe o pior problema que enfrentamos. O esfacelamento da economia russa, a Coréia do Norte, o terrorismo e a crescente tensão entre a índia e o Paquistão, além de outras situações mundiais deprimentes e aterrorizantes foram, são e têm sido problemas muito maiores- que o bug do milênio. O mundo está cambaleando à beira de muitos precipícios. Somente a graça de Deus nos tem livrado até agora desses perigos, e exclusivamente ela nos guardará também no futuro. Como afirmei no capítulo 2, estamos no tempo referido em Apocalipse 7:1-3: Depois disso vi quatro anjos em pé nos quatro cantos da Terra, conservando seguros os quatro ventos da Terra, para que nenhum vento soprasse sobre a Terra, nem sobre o mar, nem sobre árvore alguma. Vi outro anjo que subia do nascente do sol, tendo o selo do Deus vivo, e clamou em grande voz aos quatro anjos, aqueles aos quais fora dado fazer dano à Terra e ao mar, dizendo: Não danifiqueis nem a Terra, nem o mar, nem as árvores, até .selarmos na fronte os servos do nosso Deus. Deus tem poder - e ele usará esse poder para restringir o efeito de todo perigo ameaçador (tal como fez no bug do milênio) que queira causar dano a Terra, até que ele haja completado a obra de selar seus servos. Como vimos antes, o verdadeiro servo é um escravo. Ele não é proprietário de nada; tudo que possui pertence ao seu senhor. Até mesmo seu tempo não é seu. Muitos afirmam isso, mas bem poucos verdadeiramente vivem desse modo. Um verdadeiro servo do Senhor não pode perder nada na bolsa de valores, nem em qualquer outro negócio, posto que nada possui. Ele pode ser mordomo de muitas coisas, mas elas não são suas, e ele não trata nada como se fosse seu. Os que se tornaram servos autênticos são os que construíram sua vida no reino que não se deixa afetar por crise alguma; tampouco por uni colapso econômico, ou qualquer tipo de desastre. Os verdadeiros servos estão sendo selados nesta hora, e estão protegidos. Contudo os cristãos que afirmam ser mordomos, mas estão vivendo para si mesmos, esses cairão junto com os reinos deste mundo. Ainda temos tempo de nos colocar em ordem. Não importa o quanto estejamos emaranhados com as coisas deste mundo - o verdadeiro arrependimento nos porá debaixo dos cuidados do Senhor. Embora sejamos seus escravos, não poderíamos ter um Senhor mais maravilhoso: ele cuidará muito melhor de nós do que nós mesmos nos cuidamos. Isso não significa que nunca sofreremos perdas. Os que construíram sua vida nos moldes deste mundoperderão muito no que está por vir. Mesmo aqueles que fizeram o máximo para viver como servos do Senhor poderão perder parte do que lhes foi confiado. De fato, vivemos no mundo, apesar de não sermos do mundo. Entretanto, os que estão vivendo como servos do Senhor receberão em breve, como mordomos, muito mais para administrar do que aquilo que hajam perdido. Estamos chegando ao tempo a respeito do qual o profeta escreveu o seguinte: Então (...) as riquezas das nações virão a ter contigo. Estrangeiros edificarão os teus muros, e os seus reis te servirão; porque no meu furor te castiguei, mas na minha graça tive misericórdia de ti. As tuas portas estarão abertas de continuo; nem de dia nem de noite se fecharão, para que te sejam trazidas riquezas das nações, e, conduzidos com elas, os seus reis. Porque a nação e o reino que não te servirem perecerão; sim, essas nações serão de todo assoladas (Isaías 60:5, 10-12). Durante o tempo de trevas as nações trarão da sua riqueza para o povo de Deus. É por isso que o povo de Deus não terá nada a temer se não tomar a marca da besta (o que lhe possibilitaria comprar, vender, negociar). Uma provisão bem maior de Deus virá para aqueles que forem fiéis. Mesmo assim será necessário sermos testados quanto a permanecermos fiéis, isto é, quanto ao fato de que estaremos confiando mais na economia do reino de Deus do que nas economias deste mundo. Os que verdadeiramente houverem se submetido ao senhorio de Jesus em breve estarão na condição de dirigentes. Se seu coração foi tocado para que você se arrependa, comece lendo, estudando e obedecendo ao seguinte: É para disciplina que perseverai s (Deus vos trata como filhos); pois que filho há que o pai não corrige? Mas, se estais sem correção, de que todos se têm tornado participantes, logo sois bastardos e não filhos. Além disso, tínhamos OS nossos pais segundo a carne, que nos corrigiam, e os respeitávamos; não havemos de estar em muito maior submissão ao Pai espiritual e, então, viveremos? Pois eles nos corrigiam por pouco tempo, segundo melhor lhes parecia; Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade. Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça (Hebreus 12:7-11). Estamos nos aproximando do Dia do Juízo. Não haverá como escapar das coisas que Deus possa não haver considerado no passado. Como Ele prometeu, os que o chamarem de Senhor, Senhor, mas não fizerem o que Ele manda, pagarão um preço terríve1 Temos que nos livrar das raízes da amargura e perdoar uns aos outros, tal como ele nos perdoou. Desculpas não terão lugar quando estivermos diante do trono de julgamento do Senhor. Agora é à hora em que todos os verdadeiros servos do Senhor serão revelados. Esses são os que verdadeiramente tudo fazem em prol do evangelho. O Senhor também me mostrou paralelos espirituais do bug do milênio. Paralelos Espirituais com Problemas Naturais O Senhor me disse que observasse os problemas do mundo natural como um ref lexo dos problemas que temos no Corpo de Cristo. Por exemplo, possivelmente o problema mais grave que en frentaremos no início do novo milênio é o que decorrerá da crescente tendência de as empresas fazerem um enxugamento no seu pessoal, aplicarem o sistema de recebimento de materiais "Just in t ime" (segundo as quantidades mínimas necessárias a cada momento) e implementarem outras medidas para a redução de custos. Essas coisas chegaram a funcionar até um certo ponto, mas como me disse Suzanne de Trevi l le - uma excelente consultora empresar ial e professora de administra ção de empresas -, essas medidas têm acarretado o que agora se denomina "anorexia de empresa". O sistema está tão "sem gordura" e pobre que não há reservas. Essa situação não apenas pode agravar-se quando um problema qualquer surgir, mas pelas poucas reservas disponíveis não haverá como aproveitar-se de novas possibilidades. Como isso se relaciona com a Igreja? Muitas igrejas têm se acomodado a um s is tema de v ida em que gastam o que ga nham a cada dia, e não têm reservas. É claro que muitos têm agido dessa forma buscando obedecer à admoestação do Senhor quanto a "não andar ans ioso quanto ao amanhã" , e sim confiar que ele cuidará deles tal como cuida dos pássaros. Creio que isso seria algo bom se de fato essa haja sido de fato a razão. Entretanto, muitos têm vivido do que entra a cada dia porque acumularam muitas dívidas. Isso signif ica buscar emprestado do futuro para pagar as contas de hoje. Àqueles que se hajam comportado dessa forma faço a seguinte pergunta: "Se você confia que o Senhor está cuidando de você a cada dia, suprindo todas as suas necessidades, por que tomou dinheiro emprestado no banco?" Há base bíblica para que tenhamos reservas, e alguns se sen tem chamados para preparar os "celeiros de José". Uma coisa que não devemos fazer, entretanto, é acumular bens. Tudo quanto fizermos é para ser feito visando ao nosso próximo. Pode ser sábia a atitude de guardarmos alguma coisa que cremos vai f icar em falta por algum tempo, mas isso não é para ser feito nos moldes de uma comunidade sobrevivente, mas como uma base missionária. Como poderão os cristãos acumular bens se seus vizinhos estão passando fome? Se montarmos um armazém, nosso alvo deve ser o de ajudar tantas pessoas quanto for possível em suas dificuldades futuras, seja ou não tempo da Grande Tribulação. Devemos buscar o Senhor para que ele especif icamente nos instrua quanto aos problemas que estão por vir. Entretanto isso deve ser feito tendo por base o amor, não o medo. Todos temos que examinar nossos próprios motivos. Embora eu creia no chamado de alguns para estabelecerem "depósitos" para o futuro, tenho observado que muitos dos que assim se sentem chamados agora estão fazendo muito pouco para os que se encontram em necessidade - e possivelmente farão ainda menos quando surgirem as necessidades verdadeiramente prementes. É o medo, e não o amor, que os move. Os que confiam que o Senhor cuida deles tal como cuida dos pássaros estarão em melhor situação nos tempos à frente. Quando Ágabo profetizou que uma grande fome estava por sobrevir a todo o mundo, a Igreja do primeiro século, em resposta a essa palavra, não começou a acumular coisas; em vez disso os cristãos levantaram uma oferta para ajudar os irmãos da Judéia. Os "armazéns de José" que eles estavam construindo estavam no céu, onde há segurança, e onde há amplo suprimento para qualquer necessidade. É digno de nota que eles deram aos irmãos da Judéia. Eles compreenderam, evidentemente, que a fome seria uma maldição que estava vindo para o mundo, e que aqueles que abençoassem Israel seriam abençoados, e os que amaldiçoassem Israel seriam amaldiçoados. Leia o texto abaixo e veja o que Deus promete: Por bronze trarei ouro, por ferro trarei prata, por madeira, bronze e por pedras, ferro; farei da paz os teus inspetores e da justiça, os teus exatores. Nunca mais se ouvirá de violência na tua terra, de desolação ou ruínas, nos teus limites; mas aos teus muros chamarás Salvação, e às tuas portas, Louvor. Nunca mais te servirá o sol para luz do dia, nem com o seu resplendor a lua te alumiará; mas o SENHOR será a tua luz perpétua, e o teu Deus; a tua glória (Isaías 60:17-19). Tudo isso deve fazer com que até mesmo as trevas que estão por vir no tempo do fim sejam um grande encorajamento para aqueles que conhecem o Senhor. Como ele disse, devemos erguer a cabeça, porque a nossa redenção se aproxima. Podemos depreender também do texto acima, como de todas as Escrituras, que nosso objetivo deve ser o de buscar a glória do Senhor, e não fazer a guarda de provisões. A glória do Senhor é que atrairá a provisão de Deus nesses tempos. Nas trevas que estão por vir, a glória sobressairá como nunca antes, e até mesmoos reis da Terra e as nações se voltarão para os que a possuírem. Construindo para Enfrentar as Tempestades As tempestades podem ser de origem demoníaca, mas também podem representar movimentos do Espírito Santo. Por exemplo, o Senhor respondeu a Já de um redemoinho. O vento muitas vezes representa o Espirito Santo, e a chuva às vezes representa o ensinamento. Os furacões arrancarão as árvores que não tiverem raízes profundas, e poderão destruir qualquer coisa que não estiver bem construída. No ano passado dirigimo-nos a uma casa de verão na nossa praia preferida, sobre a qual falei no primeiro parágrafo deste capítulo. Aquela casa estava à venda por um preço fora do comum. Nós a compramos para ser um lugar junto ao mar aonde nosso pessoal pudesse ir para buscar o Senhor. O que nos animou foi também o fato de ela haver sido protegida em relação àquele furacão sobre o qual falei. Entretanto, outro furacão apareceu depois, o Bonnie. Era uma enorme e forte tempestade, que se dirigia em direção à nossa pequena ilha, tal como sucedera com o furacão anterior. A tempestade mudou de rumo naquela quarta-feira, mas o suficiente para ser o primeiro ponto de impacto daquele novo furacão. Os maiores estragos que um furacão pode causar ocorrem quando ele chega num momento de maré alta, e o furacão Bonnie não somente veio numa hora de maré alta como também praticamente parou sobre a nossa ilha e a atingiu com os ventos mais fortes. Além disso, trouxe consigo uma copiosa chuva (de cerca de trezentos milímetros). Para o dia que seria o sábado seguinte após a passagem do Bonnie, havíamos planejado um retiro para nosso pessoal naquela casa de praia. Imaginei que não deveria haver sobrado muita coisa em pé em toda aquela ilha, e que, mesmo que houvesse restado alguma coisa, seriam necessárias várias semanas para restaurar a energia elétrica, e talvez meses para reparar todo o estrago e dar condições para que pudéssemos usar de novo nossa casa de praia. Por duas vezes o Senhor me disse naquela manhã: "Veja o milagre que fiz". Disse então à minha mulher e a outros: "De algum modo vamos testemunhar um milagre do Senhor nisso tudo, mas provavelmente teremos um bom ressarcimento pelo seguro, e assim poderemos construir um lugar maior e melhor". Estava disposto a cancelar então nosso retiro naquele fim- de semana na praia, mas muitas pessoas, incluindo-se entre elas minha esposa, eram de opinião que deveríamos ir até lá, de qualquer maneira. Achei que todos estavam malucos, mas concordei em esperar até ter uma chance de ir até lá e verificar todo o estrago, ou receber informações da companhia imobiliária com respeito aos danos causados. Fiquei surpreso quando o homem da imobiliária nos informou que não apenas a ilha havia sobrevivido, como não sofrera praticamente dano algum; seus moradores não haviam tido corte da energia elétrica durante todo o tempo em que durou o mau tempo! Apenas uns poucos telhados de madeira e alguns dos anteparos de janelas haviam sido arrancados pelo vento. Em muitas ocasiões eu vira a devastação que os furacões podem fazer. Daí sentir fortemente que em nosso caso acontecera um milagre de proporções bíblicas. Tudo em volta da nossa ilha fora tremendamente atingido, tendo o furacão provocado mi lhões de dólares de prejuízo. Com relação a nós teria de haver sido bem pior. A polícia disse que o pico da tempestade, ou seja, o ponto onde ela estava mais intensa se apartou da nossa ilha e ficou em torno da mesma, mas sem atingi-la. O Senhor nos dera a direção para que comprássemos nossa casa de retiro na praia. Conseqüentemente ela estava protegida por ele. Confesso que eu não tinha fé no sentido de que ele iria protegê- la tal como fez! Entretanto, agora tenho muito mais fé em relação às tempestades que virão no futuro. Deus estendeu os céus como uma cortina de proteção, e ele têm plenas condições de cuidar de nós, não obstante seja lá o que estiver acontecendo na Terra. Durante vários meses o Senhor tem falado a muitos que têm o dom da profecia quanto a vivermos em Gósen. Gósen não é mais um lugar, e sim o estado, a circunstância de se viver dentro da vontade do Senhor. As trevas que estão vindo atingirão toda a Terra. A praga das trevas registrada no livro de Êxodo veio até mesmo sobre Gósen, mas os israelitas tinham luz em sua habitação. Assim o Senhor prometeu: Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha. E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína. Tempos difíceis estão para sobrevir ao mundo todo. De fato, a maior parte do mundo já tem estado em tempos difíceis por algum tempo. Entretanto, não precisamos temer. Como Isaías 60:1,2 nos diz: quanto mais trevas houver, maior a glória dos que estiverem vivendo no Senhor.9 Não ternos que temer as tempestades se a nossa casa estiver construída sobre a Rocha. Se você temer, não se queixe do que esteja acontecendo. Em vez disso, arrependa-se da maneira como tem vivido - voltado para si mesmo. Tome então a decisão de se tornar um servo do Senhor, que tem plena capacidade para proteger seu povo. Capítulo 5 Saiba qual é o seu chamado e seja vitorioso No inverno de 1996 sentei-me perto de Reggie White, um jogador de futebol americano, e fiquei ouvindo a conversa dele com um seu companheiro de equipe (do Green Bay Packers) sobre suas carreiras esportivas. Reggie tem sido considerado o melhor jogador de defesa americano. Durante 10 anos seguidos ele se tem destacado, e recentemente lhe foi dada a honra de ingressar na seleção "de todos os tempos", composta apenas dos melhores jogadores dos últimos 75 anos de história daquela federação. Seu companheiro de equipe que lá estava era também um jogador que em sua posição vinha se destacando nos últimos 10 anos. Na conversa entre ambos foi comentado o seguinte: "Provavelmente há muitos jovens, em cada cidade, que têm o potencial de se tornarem os mais destacados jogadores, e que sonham quanto a isso, e no entanto nunca serão". O que é verdade em relação àqueles que têm o potencial de se tornar grandes atletas provavelmente é também verdade com respeito a qualquer posição na vida. Muitos dos que são potencialmente grandes músicos passarão a vida ouvindo outros to- cando. Muitos dos que poderiam tornar-se homens de negócios bem dotados, ou artistas, cientistas, políticos, médicos, advogados, escritores ou ministros de destaque provavelmente passarão a vida fazendo um trabalho que detestam fazer, em vez de desenvolverem Os talentos que possuem. Isso é algo trágico. Entretanto, uma tragédia ainda maior é o fato de haver cristãos que não estão desempenhando seu chamado no Corpo de Cristo. Não obstante este fato, antes do fim da presente era o Corpo de Cristo se levantará para se transformar na força mais unida e poderosa que este mundo já conheceu. Para que venhamos a integrar essa força, e dela fazermos parte, temos de compreender alguns princípios básicos essenciais para que isso aconteça. Podemos estar certos de que nos frustraremos, se não desempenharmos nossos talentos naturais. E a frustração será ainda maior, caso não cumpramos nosso destino espiritual. Tal frustração pode estar na raiz de muitas das divisões ocor - ridas em igrejas, em denominações, e até mesmo em famílias. De fato, a frustração é um dos grandes problemas da Igreja, mas Os últimos graus dessa frustração - enfado e indiferença - podem ser ainda mais devastadores. Irar-se não é bom, mas realmente demonstra que alguém ainda está se preocupando. Vejo mais esperançapara uma congregação que tem tensões do que para uma que esteja dormindo. Entretanto, se os que estão no ministério estão cumprindo sua função principal, que é a de capacitar os santos a desempenhar seu serviço, uma grande parte da energia que agora se manifesta nessas tensões será usada para produzir frutos. E essa é uma das principais razões por que estamos neste mundo: Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto, e assim vos tomareis meus discípulos... Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda (João 15:8,16). De acordo com o Senhor, o principal propósito que temos é o de dar frutos que permaneçam, o que é muito mais do que apenas crescer pessoalmente no fruto do Espírito. O Senhor está querendo dizer que o que somos chamados a fazer, ou ser, deverá ter conseqüências neste mundo mediante nossa vida, mesmo depois da nossa partida para o Senhor. Todo cristão tem um ministério, um propósito que lhe foi dado. As Escrituras afirmam que o Senhor nos conhecia e nos chamou antes da fundação do mundo. Contudo as Escrituras também ensinam que muitos são chamados, mas poucos es- colhidos [ou seja, além disso, são comissionados]. As pessoas hoje, em sua maioria, são como os israelitas, que apesar de chamados para ir à terra prometida gastaram sua vida vagueando em círculos pelo deserto. Deus não deseja que vivamos em perpétua frustração ou enfado, em razão de não andarmos em consonância com nosso verdade i ro propós i to. E le quer que tenhamos o indescritível prazer de saber que realizamos tudo que ele nos designou a fazer nesta Terra. O primeiro passo para sairmos do nosso deserto é crer que ele tem algo melhor para nós - e que ele tem como nos levar a nos apropriar disso. Quantos cristãos que você conhece estão desempenhando todo o potencial que têm? Quantas igrejas, da mesma forma? Bem poucos e bem poucas. Contudo é por isso que o Senhor colocou em nosso coração o desejo de fazer alguma coisa de valor. Cinco características básicas podem ser vistas na vida daqueles que tiveram unia vida vitoriosa. Cinco Características dos Vencedores Estas cinco características podem ser encontradas por todas as Escrituras nas biografias daqueles que cumpriram o propósito de Deus em sua geração: 1. Eles têm uma clara visão do propósito da sua vida. 2. Não se desviam do seu alvo. 3. Têm a sabedoria e a resolução necessárias para reunir os recursos e o treinamento essenciais à consecução de seu propósito. 4. Não se associam com os que "enfocam os problemas", mas com os que "enfocam as soluções". Recusam-se a permitir que obstáculos ou qualquer oposição os façam parar; permanecendo resolutos no processo de cumprir seu propósito, não importando reveses e insucessos. Vejamos cada um desses fatores em maior profundidade, bem como as pedras de tropeço que nos impedem de cumprir nosso propósito na vida. Primeiro Fator: Tenha unia Clara Visão do Propósito da sua Vida Com freqüência faço a seguinte pergunta ao auditório que me ouve em palestras: "Quem sabe qual é seu chamado?" Geralmente menos de 10% das pessoas levantam a mão. Então pergunto: "Das pessoas que levantaram a mão, quais são as que estão vivendo de acordo com seu chamado?" A maioria das mãos se abaixa. Normalmente apenas 1% de todo o auditório reconhece que sabe qual é seu chamado, e que está vivendo de acordo com ele. O que cada um de nós poderia realizar, se somente 1% do nosso corpo estivesse funcionando? Esta é uma das principais razões da fraqueza e ineficácia da Igreja nos dias de hoje. Todos necessitamos ter uma clara visão quanto ao nosso propósito. As Escrituras nos dizem: Lâmpada para Os meus pés é a tua palavra, e luz para os meus caminhos. Isso significa que temos como ver por onde estamos indo. Entretanto, na maior parte do tempo nossa visão a princípio será geral; depois ela se torna mais específica, quando prosseguimos em direção ao nosso alvo. Salomão observou: Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito. Isso significa que nosso caminho deve ficar cada vez mais iluminado, à medida que prosseguimos em nossa caminhada. Se isso não está acontecendo, então alguma coisa provavelmente está errada em nosso caminhar. O propósito de todo cristão deve ser o de ser como Jesus, que reuniu em si o ministério integral do Novo Testamento numa só pessoa. Ele foi o Apóstolo, o Profeta, o Evangelista, o Pastor e o Mestre. Ao ascender ao céu Ele deu dons aos homens. Por isso temos hoje crentes que são apóstolos, profetas, evangelistas, pastores ou mestres. São necessários todos os ministér ios juntos para manifestar Cristo plenamente. Esta foi a razão por que Paulo não disse "Tenho a mente de Cristo", e sim: "Nós, porém, temos a mente de Cristo". Nas Escrituras podemos ver que o Senhor sempre revela primeiro o chamado de alguém; só depois é que ele espera vê-lo cumprindo seu chamado. Muitos de nós têm a preocupação de buscar no Senhor o entendimento quanto a isso. Ele nos orde- nou pedir, buscar e bater, antes de receber. Talvez você argumente que o Senhor mostrou ao apóstolo Paulo qual era seu chamado quando ele se tornou cristão. Entretanto, segundo a confissão do próprio Paulo, ele passou muitos anos para definir seu chamado, e um bom tempo ficou sozinho no deserto. Nosso chamado é possivelmente nosso tesouro mais precioso. E o que torna valioso um tesouro é o fato de ser tanto raro como difícil de ser encontrado. Os que recebem um tesouro com muita freqüência desconhecem seu real valor. Ao buscar o Senhor, seja específico. Os que têm alvos gerais demais dificilmente conseguem atingi-los. Os que querem "meter-se num negócio por conta própria" quase nunca o fazem. Os que almejam "ser um músico" ou "entrar no ministério" quase nunca se lançam em seu propósito, ou se o fazem, bem depressa fracassam. Entretanto, Os que entram num negócio porque gostam demais de um certo produto ou serviço, esses têm uma chance bem maior de vencer. Os que morrem de paixão por um certo instrumento musical, como o violino, e se devotam a ser o melhor violinista que poderão ser, esses têm uma probabilidade bem maior de ter sucesso. Os que entram num ministério porque têm o coração voltado para alcançar com o evangelho um segmento de pessoas em especial, ou que têm o desejo de plantar igrejas ou alcançar os jovens, tais são os que têm muito mais chance de alcançar êxito. Na verdade, a resposta ao que fomos chamados a ser normalmente se encontra em nosso próprio coração, porque a água viva pode apenas fluir a partir do nosso ser interior. Entretanto, muitos têm grande dificuldade em saber qual é o mais pro- fundo desejo do seu coração, uma vez que têm muitas vendas e mecanismos de defesa. Essas vendas são com freqüência as máscaras que usamos para atender às expectativas humanas (ou até mesmo expectativas já assumidas), e assim não sermos rejeitados. Pode ser que a coisa mais importante que temos a fazer seja arrancar a máscara, para que saibamos o que existe realmente em nosso coração. Também, para sermos mudados segundo a imagem do Senhor, temos de contemplar a sua glória com o rosto desvendado, o que resulta de um coração liberto de egoísmo e de temor - pecados decorrentes da Queda. Esses primeiros obstáculos nos impedem de ver a glória de Deus e sermos mudados conforme a sua imagem. Não somos chamados a nos tornar conforme a imagem de uma outra pessoa; nem mesmo de outro ministro. Tal engano tem se impregnado em toda igreja e em todo movimento do Senhor, especialmente nos dirigidos por um líder dinâmico. Em pouco tempo os membros começam a assumir a aparência e a natureza daquele líder, em vez de adotar as características de Cristo. Como você se sentiria na condição de alguém cujos filhos se parecessemcom seu melhor amigo? Talvez isso expresse o modo como o Senhor se sente quando seus filhos se parecem mais com o povo de Deus aqui na Terra do que com Ele. Quando procuramos imitar alguém, ainda estamos vendo o Senhor pelo espesso véu de outro vaso terreno. Temos de olhar diretamente para o Senhor, para sermos mudados por sua glória. É por isso que a jovem sulamita, que representa a noiva de Cristo no Cântico dos Cânticos, perguntou: Dize-me, ó amado de minha alma: onde apascentas teu rebanho, onde o fazes repousar pelo meio-dia, PARA QUE NÃO ANDE EU VAGANDO JUNTO AO REBANHO DOS TEUS COMPANHEIROS? Isso não quer dizer que nunca deveríamos submeter-nos aos pastores e mestres com que o Senhor proveu a sua Igreja, ou que nunca deveríamos nos deixar instruir por eles. O problema está em querer ser tal qual outra pessoa é. Para conhecermos e cumprirmos nosso ministério temos de primeiro nos apaixonar pelo Senhor. Então passaremos a ser levados para os aspectos específicos do seu ministério, para os quais fomos chamados. Se fomos chamados para pastor, veremos o coração de pastor do Senhor em quase tudo que ele faz nos evangelhos. De igual modo, se somos chamados para mestre, veremos Jesus como o Mestre por excelência em quase tudo que ele faz. Às vezes podemos buscar uma confirmação adicional. Confirmando Nosso Chamado O dom de profecia é às vezes usado para confirmar dons e ministérios, tal como vemos em 2ª Timóteo 1:6. Entretanto, ternos que ter cuidado com a maneira com que este dom é usado. Se pelo dom de profecia eu percebo qual é o chamado de uma pessoa, quase nunca o partilho com ela, até que ela comece a descobri-lo também. Quando uma visão vem de forma prematura, ou muito facilmente, ela irá desencadear - na melhor das hipóteses - um ministério superficial. Um dos propósitos principais do ministério profético do Novo Testamento é encorajar os membros do Corpo a executar seu chamado. Mesmo assim é um uso indevido desse ministério valer-se dos profetas como se fossem gurus ou adivinhos, ou como uma fonte barata de conhecimento sobrenatural. Os membros do Corpo ficarão bem mais fortes se receberem a maior parte das revelações diretamente de Deus, sendo os profetas usados para confirmá-las. Sempre ouvi primeiro do Senhor cada um dos aspectos mais frutíferos do meu ministério. No entanto não dei início a nenhum deles até haver recebido uma palavra de um profeta amigo. (Simplesmente não tive a fé ou a coragem necessária para ir adiante.) Não estou dizendo que este procedimento é o melhor, uma vez que um desses profetas a que recorri me advertiu todas às vezes por não haver tido fé suficiente para crer na palavra que o Senhor me entregara diretamente. Contudo, dou graças a Deus por me haver ajudado na minha incredulidade. Até mesmo Davi, um dos maiores profetas de todos os tempos, freqüentemente consultava outros profetas quando queria inquirir o Senhor. Há ocasiões em que temos necessidade da ajuda de profetas, mas outras há em que estaremos numa melhor situação se buscarmos a Deus por nós mesmos. Para realizarmos o plano de Deus para a nossa vida temos que primeiro pedir uma clara visão do nosso propósito. Depois disso, nos concentrar na busca desse objetivo. Segundo Fator: Fique Concentrado no seu Objetivo A falta de concentração impede que muitos sejam vistos entre Os vencedores. Alguns não conseguem ver além dos obstáculos que estão impedindo a realização de seu objetivo. Em razão disso ficam buscando objetivos mais fáceis. Outros se desviam do seu objetivo em virtude de sucessos obtidos em alvos de menor importância. Harry Truman certa vez observou: "A maioria das pessoas se perde por causa de sucessos secundários". Uma das provas mais difíceis por que temos que passar para termos como cumprir nosso chamado principal é não nos distrair com outras coisas que Deus esteja fazendo. Muitas vezes é difícil resistir a nos juntar a um outro bem sucedido movimento de Deus, especialmente quando pessoas bem intencionadas nos dizem que estamos perdendo algo de Deus, se não nos juntarmos àquele movimento. Temos de aprender a nos dedicar somente ao que Deus nos chamou a fazer. Quando chegarmos diante do seu trono de julgamento, o Senhor não vai nos per - guntar de quantos movimentos e igrejas bem sucedidos fizemos parte. Ele nos perguntará se fizemos a sua vontade. É ainda mais difícil rejeitar a participação em outros movimentos quando Deus está nos dizendo que aguardemos a sua direção, antes de nos haver ele levado ao nosso propósito mais importante. Abraão não conseguiu ficar à espera do Senhor, para que ele fizesse com que seu filho prometido se tornasse uma realidade. Pelo contrário, aceitou a sugestão de Sara para que dessem uma mãozinha a Deus. Isso levou ao nascimento de Ismael, nascido de Hagar, serva de Sara. Mesmo assim Deus abençoou Ismael e fez dele uma grande nação, fato esse que pode até nos deixar um pouco confusos. Muitas vezes o Senhor também abençoará nosso "Ismael", concebido em nossa mente e em nossa vontade. Contudo tal solução nunca se tornará o objetivo real da nossa vida. Abraão teve apenas um único Ismael; a maioria de nós tem muitos ismaéis! Mesmo assim, se é que vamos ter o nosso 'saque, chega um momento em que teremos que despedir Ismael da nossa casa. Ele não pode ser um herdeiro ao lado de [saque. Quando temos uma clara visão do nosso objetivo, e estamos decididos a permanecer concentrados nele, é bem mais provável que vejamos tudo quanto será necessário e de nós requerido para que o levemos a cabo. Terceiro Fator: Arme-se de Sabedoria e Espirito de Firmeza e Resolução, a fim de Reunir os Recursos e o Treinamento Necessário a Realização do seu Propósito Depois de haver Deus revelado nosso chamado, até que de fato sejamos comissionados em nosso ministério, sempre haverá um tempo em que precisaremos ser ensinados e treinados. Contudo a inabilidade quanto ao uso desse tempo tem sido o fator de insucesso para muitos. Albert Einstein certa vez disse: "A responsabilidade prematura gera o que é superficial". Martyn Lloyd-Jones, conhecido teólogo, considerou o sucesso prematuro um dos grandes perigos que podem acercar- se de alguém. Paulo foi chamado para ser apóstolo cerca de 11 a 13 anos antes de ser comissionado a esse ministério, em Antioquia. No entanto ele não passou esse tempo sentado, à espera, mas gastou grande parte dele no deserto, buscando a revelação do propósito de Deus para a sua vida, e também um conhecimento mais profundo do evangelho que viria a pregar. Em lugar de ficar impacientes, temos de ser agradecidos pelo tempo disponível, durante o qual iremos nos preparar para nosso chamado. Esse é um período que tem de ser utilizado com o máximo de sabedoria. Possivelmente a maior diferença que há entre atletas, músicos, artistas ou grandes profissionais que se destacam em qualquer atividade em relação aos que, tendo talento, não se destacam, seja a dedicação dada ao treinamento, à prática e ao preparo. Ficamos emocionados quando vemos um jogador fazendo uma jogada excepcional e com ela vencendo um campeonato. Tudo parece acontecer depressa demais, dando a impressão de ser muito fácil. No entanto, o que aconteceu é resultado de milhares de horas de treinamento, suportando calor, enfado e contusões, dia após dia, semana após semana, ano após ano, para afinal alcançar tamanha habilidade. Os atletas se esforçam por uma "coroa perecível". Quanto mais não teríamos de nos esforçar em relação a algo que é eterno? Há muitos anos o Senhor me disse que alguns de seus maiores líderes da Igreja dos últimos dias viriam dos esportes profissionais. "O esporte foi seu seminário" - disse-me o Senhor. É que nesse seminário eles aprendem princípios que não são ensinados em nossos seminários, e tais características serão cruciais para a Igreja nos tempos do fim. Isso chamou a minha atenção. Desde então, toda vez que me deparo com atletas profissionaisprocuro aprender tudo que posso com eles. Certa ocasião fui convidado a falar a uma equipe esportiva, a Denver Broncos, antes de um jogo de uma segunda-feira à noite. A concentração, a resolução e a determinação que havia na face daqueles jogadores, enquanto esperavam pelo início do jogo, eu jamais vira estampada até então em nenhuma de minhas audiências. Quando considerei isso, o Senhor me disse: "Quando vejo a mesma concentração e resolução em meu povo, então o início do ministério dos últimos dias está bem próximo". Onde estaria a Igreja hoje se todos nos houvéssemos dedicado a nos preparar para termos um lugar no time de Deus, tal como esses atletas se prepararam? Provavelmente não haveria toda essa desgastante devoção aos esportes, pois a Igreja seria tão emocionante que as pessoas não teriam tempo para atividades mundanas, tais como a de ser espectador de um jogo. Uma resolução sincera desse tipo fará com que desenvolvamos um bem arquitetado plano que reúna os recursos necessários para realizarmos nosso objetivo. No ano passado, quando falava a uma outra equipe, a New Orleans Saints, na capela deles, um pouco antes de um jogo, o Senhor mais uma vez usou os jogadores para me desafiar a um nível de comprometimento mais elevado. Depois me pediram que fosse jantar com a equipe. Durante o jantar perguntei a alguns dos jogadores o que haviam feito para alcançar o apogeu da sua carreira. Quase todos eles haviam começado como uma criança que tinha o sonho de se tornar um jogador de futebol profissional, dedicando então diariamente horas e horas, praticando, desenvolvendo a forma física e a velocidade, e observando os que haviam tido sucesso em sua respectiva posição. Não pude deixar de imaginar qual seria a transformação que aconteceria na Igreja se os cristãos se dedicassem daquele modo para desempenhar seu chamado em Cristo! E quão mais valioso é nosso chamado no Senhor do que ser o mais famoso dos atletas! Contudo, bem poucos cristãos chegam até mesmo a passar uma hora por dia em seu preparo para cumprir o objetivo que receberam do Senhor. Isso é algo que precisa mudar! Os que Deixam de Planejar, Planejam o fracasso Um sutil engano que afirma que planejar não é espiritual tem se infiltrado extensivamente no Corpo de Cristo. Muitos na verdade pressupõem que se você sabe antecipadamente o que vai fazer, Deus não pode estar presente. Isso é de pasmar, pois é nosso dever assumir a natureza divina em nós, e a falta de planejamento é totalmente contrária à natureza básica de Deus. A revelação dos seus planos é uma das mais gloriosas revelações da sua personalidade. Jesus foi crucificado antes da fundação do mundo, e nós fomos chamados para ele antes de o mundo existir. Isso é planejamento! Se estamos nos tornando como ele, o planejamento tem que ser uma habilidade nossa muito bem aprimorada. Pode-se até mesmo dizer que o nível da habilidade de alguém no aspecto do planejamento é que determinará qual o sentido das realizações dessa pessoa. É durante o tempo do seu preparo que você se capacitará a formular os melhores planos para a sua vida e para o seu ministério. Assim, há muita verdade neste provérbio: "Os que deixam de planejar, planejam o fracasso". Como piloto, aprendi que a segurança de cada vôo é determinada pela qualidade do plano de vôo, feita antes do mesmo. Muitas vezes tive que fazer alterações no plano de vôo durante o trajeto, mas como o plano feito incluía a possibilidade de alteração em minhas opções - como, por exemplo, aeroportos alternativos em caso de emergência -, normalmente eu fazia as alterações com muito maior facilidade. Durante a minha carreira como piloto tive algumas vezes que fazer aterrissagens de emergência, e numa delas a emergência exigiu minha atenção quase total, de modo que eu não dispunha de tempo para pegar meus mapas para encontrar um aeroporto alternativo. Eu tinha que saber qual era ele, e consultar o plano de vôo sem perda de tempo. Não há dúvida alguma que a vida das pessoas seria muito mais abundante em frutos - para não dizer mais fácil e mais segura -, se elas desenvolvessem a habilidade de planejamento. Em que se concentram os atletas antes de um jogo? No plano estabelecido para o jogo. Um bom técnico é aquele que conhece os pontos fortes e os pontos fracos do seu time. Ele sabe até mesmo quem está com dores num pé. Pois ele procurará conhecer o time contrário do mesmo modo. O técnico formula assim um plano que aproveitará os pontos fortes do seu time e minimizará seus pontos fracos, ao mesmo tempo em que procurará neutralizar Os pontos fortes do adversário e explorar seus pontos fracos. Finalmente, a equipe treina segundo esse plano até que todos hajam entendido perfeitamente qual é a sua parte, e desse modo possam executá-la com a maior eficácia e precisão. Tanto o técnico como os jogadores sabem que provavelmente terão que fazer ajustes naquele plano de jogo. Mesmo assim o plano é crucial, porque lhes fornece alguns parâmetros. Os técnicos de maior sucesso são geralmente aqueles que conseguem formular o melhor plano para o jogo antes do seu início; são também aqueles que fazem alterações decisivas em plena partida, sempre que necessárias. O mesmo é verdade com respeito aos pilotos e a qualquer outra pessoa que esteja numa posição de liderança. Embora eu estivesse na aviação naval, certa vez me destacaram para a defesa de um território, e eu tive que passar pelo treinamento de infantaria, dado pelos oficiais da marinha. Aprendemos diversos planos de batalha e de manobras. Tivemos que executá-los repetidas vezes. Então nos disseram que nenhuma batalha transcorre da maneira como foi planejada. "A única coisa com a qual você pode contar numa batalha é a confusão" - disse nosso comandante. "O lado que conseguir superar toda essa confusão - que geralmente resulta do fato de as coisas não estarem saindo como foram planejadas - é normalmente o lado vencedor. E o modo de superar a confusão é fazer novos planos eficazes, mesmo em meio à situação confusa." Em vista de meu chamado principal ser o de dar subsídios para os crentes exercerem seu ministério, tenho me esforçado o máximo por compreender as pessoas. Fazendo isso descobri que provavelmente 90% delas estão sujeitas a uni alto grau de confusão em sua vida. Tornou-se óbvio também para mim que tal confusão está diretamente relacionada tanto com o grau em que as pessoas compreendem seu chamado, como também - no caso dos não-crentes - com o modo pelo qual definem suas metas. É também óbvio que a habilidade para formular um plano eficaz e claro é uma qualidade rara, que quase sempre determina os que são realmente líderes e os que nunca terão uma posição de liderança. Devemos ter objetivos estratégicos que nos levem, passo a passo, em direção à nossa meta. Ao mesmo tempo, um planejamento exagerado ou excessivo precisa ser evitado. Em todos esses anos tenho observado que algumas das mais nobres visões levaram apenas à frustração, ao desânimo e ao fracasso, visto que os que detinham a visão eram ou fracos planejadores ou pessoas com um planejamento excessivo, cujos planos se tornaram tão complexos que ninguém conseguia executá-los. Como diz também um certo ditado: "Há um fosso em cada um dos dois lados do caminho que leva à vida". Os realmente vencedores são os que têm uma clara visão do seu objetivo, permanecem concentrados em suas metas, têm a sabedoria e a resolução de se valerem de todos Os recursos necessários para realizar esse objetivo, e se cercam de pessoas que enfocam as soluções, e não os problemas. Quarto Fator: Acerque-se de Pessoas Voltadas para as Soluções Um dos primeiros passos dados por um líder bem sucedido, quando assume uma posição de liderança, é livrar-se de todos os que passam mais tempo falando dos problemas do que das soluções. Teria sido este o motivo pelo qual o Senhor Jesus passou tanto tempo desenvolvendo a fé daqueles que viriam a ser seus futuros líderes?Talvez seja esta também a razão por que não é possível agradá-lo sem fé. As pessoas que se voltam para as soluções são pessoas de fé. O Fator Essencial A fé é um dos principais fatores que distinguem aqueles que alcançarão seus objetivos dos que não os alcançarão. Ao falar de objetivos não estou me referindo apenas à fé em Deus, mas à fé em geral. Todos têm fé; cada um crê em alguma coisa. Alguns princípios de fé funcionarão com qualquer um que os use, quer creia em Deus, quer não creia. Se tivermos fé em nossos talentos naturais, provavelmente os usaremos. Contudo, se tivermos mais fé em nossas fraquezas do que em nossos talentos, as fraquezas predominarão em nossa vida, e seremos perpétuos fracassados. De igual modo, se tivermos mais fé nos obstáculos à nossa frente do que em nossos talentos, aqueles obstáculos é que determinarão o curso da nossa vida. O que é objeto da nossa fé é que determinará a qualidade do que vamos realizar. Se verdadeiramente cremos em Deus, certamente realizaremos o que ele nos deu para fazer. O grau da nossa fé é que determinará a extensão do que iremos realizar. A Prova da Fé O apóstolo Paulo nos exortou: Examinai-vos a vós mesmos, e vede se estais na fé; provai-vos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? A menos que não selais aprovados no exame. A verdadeira fé não é a fé em nós mesmos, ou uma fé em nossa fé, mas a fé no Senhor e em quem ele é. Só há um modo pelo qual realizaremos o propósito para a nossa vida: mantendo o foco da nossa atenção permanentemente nele. Até mesmo Jesus não olhava para si mesmo quando caminhava por este mundo; sua atenção era sempre voltada para o Pai. Ele disse que nada fazia por si mesmo, mas tão-somente o que via o Pai fazendo. Temos que agir do mesmo modo. Como cristãos, não apenas conhecemos o Criador pessoalmen te , m as tam bém o t emos v i vendo den t ro de nós : Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer (João 15:4, 5). Podemos pôr à prova a nossa fé perguntando a nós mesmos: "Que frutos tenho dado?" A quantidade de frutos que daremos sempre dependerá do quanto estivermos unidos com a Videira. O Senhor sente um enorme prazer em fazer uso do que é ordinário para dele fazer o extraordinário. Ele tomou homens que provavelmente seriam considerados por muitos "os menos aptos para o sucesso", e os transformou nos que viraram o mundo de cabeça para baixo. Nosso Deus não mudou. Ele ainda se delicia em usar o tolo para confundir o sábio e o fraco para confundir o forte. Portanto, a condição de sermos fracos e tolos pode ser uma das nossas qualificações para sermos usados por Deus. Entretanto, isso não significa que permaneceremos fracos ou tolos, e sim que aprenderemos a andar pela força do Senhor e sua sabedoria. Nunca levaremos a bom termo nosso chamado se fixar mos a atenção em nossa insuficiência. Quando Moisés recebeu seu chamado junto à sarça ardente, imediatamente protestou, dizendo não ser a pessoa indicada para aquela tarefa. O Senhor não o elogiou por sua humildade. Pelo contrário: as Escrituras dizem que Então se acendeu a ira do SENHOR contra Moisés. Tal postura não é uma verdadeira humildade. E o devastador pecado do egocentrismo é realmente um profundo orgulho. Desse modo Moisés dava a entender que sua insuficiência era maior que a suficiência de Deus. O Senhor não nos chama tendo como base nossa capacidade ou nossas insuficiências: Normalmente ele nos chama em razão da nossa disponibilidade. As pessoas voltadas para as soluções têm fé no fato de que Deus as escolheu. Para que cumpramos o propósito de Deus Iara a nossa vida temos de nos cercar de pessoas que consideram as soluções, em lugar de se deixarem atolar em problemas e temores. Quando o General Grant assumiu o exército da União, durante a Guerra Civil Americana, a União já sofrera mui tas derrotas nas mãos do General Lee e de seu exército confederado. Os of iciais e os soldados de Grant estavam tão condicionados à derrota que membros da sua equipe de comando chegaram a profetizar sua ruína acontecendo em sua primeira marcha contra Lee. Grant de imediato dispensou esses homens. Então, em sua primeira batalha com Lee, na Batalha do Deserto, chegaram notícias de cada divisão do seu exército dizendo que estavam sendo derrotados. Durante todo o dia seus of iciais imploraram a Grant que se retirassem rapidamente da batalha, voltando para a segurança de Washington, antes que Lee conseguisse impedi- los de ir pelo caminho de volta. Finalmente, quando estava evidente até mesmo para Grant que eles haviam sido derrotados naquela batalha, ele provocou um deslumbramento em todo o mundo, ao ordenar que voltassem para o sul e avançassem para Richmond! Os generais de Grant imploraram a ele que reconsiderassem aquela ordem, afirmando que Lee fecharia o caminho de retirada. Grant os dispensou e retirou-se para a solidão da sua tenda. Analisando as argumentações deles, percebeu que se Lee de fato tentasse impedir seu retorno, isso o capacitaria a fazer algo que todos os demais generais da União haviam tentado realizar, mas sem conseguir. Ele poderia posicionar seu exército entre Lee e Richmond, e desse modo avançar até a capital do Sul. Quando as tropas da União começaram a marchar para o sul, uma aclamação geral irrompeu em todo o exército. Pela primeira vez eles tinham um general que lutava. A "derrota" de Grant na Batalha do Deserto foi o que abriu a porta da sua maior oportunidade, e ele não a deixou escapar. Posteriormente Grant confidenciou a um repórter que em todas as suas campanhas, sempre em algum ponto no transcurso da batalha parecia que seu exército iria perder. "Eu creio que há uma oportunidade em toda crise" - disse ele. Quando o General Lee soube que Grant não se pusera em retirada, mas fizera com que seu exército marchasse para o sul, diante de seus generais ele admitiu que o fim do Estado Confederado estava próximo. Lee venceu diversas outras batalhas, mas em nenhuma ocasião Grant cogitou sobre a hipótese de uma ret i rada. Nem uma ún ica vez e le deu atenção aos prognosticadores da derrota. Provavelmente não haja nunca vencido de forma total uma batalha contra Lee, mas manteve seu curso até ganhar a guerra. Um dos princípios básicos de que todo líder de sucesso se vale é o seguinte: livre-se das pessoas da sua liderança que se voltam mais para os problemas do que para as soluções. Este foi o princípio dos dez espias em Cades-Barnéia. Seu relatório mau e negativo custou a toda aquela geração a sua herança. Se você não puder mudar essas pessoas, você tem de removê-las, ou elas lhe custarão a sua visão. Finalmente, para ser um vencedor não permita que obstáculos ou a oposição o retenham. Quinto Fator: Não Permita que Obstáculos ou a Oposição o Retenham Alguns fatores que contribuem para se alcançar um desempenho extraordinário podem ser controlados; outros não. Dar duro, definir as metas, permanecer voltado para os objetivos, e obter os recursos necessários para alcançá-los são fatores que podem ser controlados. Entretanto, está fora do nosso controle - e normalmente faremos todo o possível para evitá-lo - o fator que tem a maior possibilidade de favorecer um alto nível de realização humana: a adversidade. Nas Escrituras o Senhor se apresenta com diversas faces, uma das quais é a face da águia. Dizem que toda a natureza fica temerosa diante da perspectiva de uma tempestade, exceto a águia. Desde cedo as águias aprendem um importante princípio: se elas se colocarem em oposição a um vento contrário, num determinado ângulo, serão levantadas para o alto. Em razão disso elas usam os ventos contrários para alcançar as maiores alturas. O mesmo é verdadeem relação àqueles que aprendem a voar espiritualmente bem alto. Todo vento contrário é uma oportunidade para ir mais alto, desde que se esteja valendo do ângulo certo e tomando a atitude correta. Alguns de nós somos enganados pela crença de que quando temos circunstâncias favoráveis, aí é que nos tornamos vencedores. Essa desculpa é uma das principais razões por que muitos fracassam. Reggie White - aquele jogador que mencionei no início deste capítulo, que foi incluído na seleção “de todos os tempos” do futebol americano dos Estados Unidos - pode nos ilustrar o que quero dizer. Ele tem enfrentado obstáculos enormes e possivelmente até maiores que os demais jogadores. Ele não é poupado no seu time. Aqueles que se destacam como grandes vencedores, em qualquer campo em que atuam, raramente são poupados: pelo contrário, mais é exigido deles. De fato, quando por exemplo um grande jogador é retirado de campo para descansar um pouco, isso muitas vezes contribui para que ele perca todo o seu embalo. Alexander Solzhenitsyn, aquele famoso escritor e sobrevivente dos campos de concentração russos, disse certa vez: "A adversidade contribui mais para nosso desenvolvimento do que possivelmente qualquer outro fator. A adversidade nos ajuda a nos concentrar, a eliminar o que não é essencial, e a nos devotar ao que realmente é importante. A adversidade fará com que o que verdadeiramente se dedica ao trabalho tenha que dar mais duro, e isso o fortalecerá. Quando o sucesso vem muito depressa, a tendência é nos enfraquecer". Não se Trata de Mágica Tenho observado que muitos de meus amigos que jogam golfe ficam trocando de haste ou de bola a cada novo jogo, em busca de uma solução mágica para seu desempenho nesse esporte. Um famoso golfista disse num comercial de uma nova bola de golfe, na TV: "Esta bola realmente pode contribuir para melhorar seu desempenho, se você a arremessar umas trezentas vezes por dia!" Quando perguntaram a esse mesmo jogador de golfe o que ele teria a dizer sobre uma "jogada de sorte", ele respondeu: "Você sabe, quanto mais eu pratico, mais sorte adquiro". O mesmo é verdade com respeito a nossos dons e chamados. Com freqüência alguém me pede que ore para que ele tenha o dom de escritor. Isso me soa tal como quando um de meus alunos de pilotagem me solicita que ore para que ele tenha o "dom de pilotar um avião", e assim ele possa pegar qualquer aeronave e sair voando, sem passar por todo o treinamento necessário. Você embarcaria numa aeronave em que alguém haja recebido seu "dom de pilotar" desse modo? Acredito que não. Você exigiria que tal pessoa tivesse o melhor preparo possível, com milhares de horas de experiência. Creio de fato na transmissão do dom de profecia, mas acredito que bem poucos entendem como isso acontece. Até mesmo os dons espirituais são transmitidos como sementes que precisam ser cultivadas por nós e cuidadas com muita paciência e dedicação. Para mim, apenas orar no sentido de transmitir o "dom da profecia" a quem me haja pedido isso seria algo que só traria juízo sobre tal pessoa: se ela não estiver disposta a pagar o preço para desenvolver esse dom, poderá ser condenada por enterrá-lo. Ter dons e chamados não é o que me impressiona, e sim usar os dons com sabedoria e maturidade. Você quer saber como adquiri meu dom de escrever? Quando era ainda criança, senti que estava destinado a ser um escritor. Eu não conhecia escritor algum, ninguém a quem pudesse dirigir-me para pedir alguma orientação. Fiz então a única coisa ao meu alcance para desenvolver minha habilidade de escrever: comecei a ler e a escrever. E não foram apenas alguns poucos livros que li; na verdade li milhares de livros. Senti que para ser o melhor escritor possível eu teria que ler os melhores livros. Comecei então a ler livros clássicos. Foi a princípio uma dura disciplina, mas logo me apaixonei por eles. Em seguida voltei minha atenção para estudar tudo que se relacionasse com o escrever: da psicologia à semântica. Durante muitos anos, depois de me haver tornado cristão dediquei mais de quarenta horas por semana ao estudo da Bíblia. Então li sobre a história da Igreja e as obras das grandes vozes proféticas que moldaram essa história. Por mais de trinta e cinco anos li pelo menos um livro por semana, e às vezes mais de um. Era meu plano ir a uma escola de jornalismo, mas quando ficou patente que não daria para ir, porque eu estava prestes a ser convocado para a guerra do Vietnã, não desisti. Tomei então a decisão de aprender a mecânica do escrever, e assim estudei o assunto por minha própria conta. (Aliás, tive que aprender desse modo quase tudo que sei hoje, exceto voar.) Eu sabia que minhas habilidades como escritor não eram muito refinadas, em virtude de uma formação escolar incompleta. Contudo não permiti que isso me detivesse. Pelo contrário, tomei a resolução de fazer o melhor que podia, com tudo de que dispunha. Tem sido, e continua sendo, uma luta que não é fácil. Estou certo de que outras pessoas, com o preparo melhor que tiveram, poderiam escrever o que tenho escrito num tempo muito menor e com bem menos esforço. Entretanto, sou grato a Deus por fazer o que fui chamado a fazer. Mesmo assim é dif ícil para mim não reagir diante das pessoas que me pedem que lhes transmita o dom de escritor, como se apenas por pronunciar algumas palavras em oração essas pessoas passassem a ter o que já tenho. (Como eu gostaria também de orar para que as pessoas se tornassem de imediato "maduras" em Cristo, mas até hoje não encontrei nas Escr ituras a possibi l idade de que esse milagre ocorra!) Se você deseja ter um dom importante, você terá que atri buir a ele seu devido valor, e daí desenvolvê-lo até o nível desejado. Muitos de meus amigos são mais talentosos que eu, com mais dons, tanto naturais como espirituais. Dentre eles, alguns t iveram um chamado semelhante ao meu e estariam realizando muito mais que eu se tão-somente se houvessem disciplinado e tido o preparo necessário para o ministério. Embora não me tenha sido possível ir à escola de jornalis mo, ou até mesmo a um seminário bíbl ico, por certas razões eu não trocar ia a educação que recebi pela de ninguém. Tal como Paulo, posso dizer que o que recebi não recebi de homens. Mesmo assim faço o melhor que posso para facilitar as coisas para os outros, quando os vejo dispostos à disciplina, à concentração e à determinação que todo verdadeiro sucesso exige — e que nosso chamado em Cristo certamente merece. Para cumprirmos nosso propósito nesta vida temos que nos posicionar f irmemente, no sent ido de ir para Jerusalém, o lugar do nosso destino. Capítulo 6 Reconhecendo a voz de Deus Li a respeito de um homem que visitou o Oriente Médio. Estando ele na encosta de uma colina, olhando para baixo viu três pastores aproximando-se ao mesmo tempo de uma fonte para dar de beber a seu rebanho. Os três rebanhos misturaram- se totalmente, de modo que para aquele observador parecia ser impossível aos pastores separarem suas respectivas ovelhas. Contudo, para seu espanto estes pareciam não estar absolutamente preocupados com o que estava acontecendo. Depois de as ovelhas haverem terminado de beber, cada um deles foi caminhando numa direção diferente, e iam cantando enquan to caminhavam. Uma mov imen tação es t ranha irrompeu no meio daquela confusão de ovelhas. Então uma pequena fila começou a seguir cada um dos pastores, até que todas as ovelhas ficaram separadas de novo na fila do seu próprio rebanho. Embora os três pastores estivessem cantando, elas distinguiam perfeitamente seu pastor dos demais. Elas lhe identificavam a voz em razão de o conhecerem muito bem. Haviam crescido ouvindo-o cantar nas colinas e nas pastagens, estação após estação; passaram a seu lado tempo suficiente para poderem distinguir sua voz da de qualquer outra. As Escrituras nos apresentam esta mesma figura como um exemplo do nosso relacionamento comDeus: As ovelhas ouvem a sua voz, ele chama pelo nome as suas próprias ovelhas e as conduz para fora. Depois de fizer sair todas as que lhe pertencem, vai adiante delas, e elas o seguem, porque lhe reconhecem a voz; mas de modo nenhum seguirão o estranho; antes, fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos... As MINHAS OVELHAS OUVEM A MINHA VOZ; eu as conheço, e elas me seguem (João 10:3-5 - ênfase acrescentada) Neste texto o Senhor declarou que as suas ovelhas o seguiriam por conhecerem a sua voz. Quanto mais lhe conhecermos a voz, tanto melhores serão nossas condições de segui-lo. A recíproca também é verdadeira: se não conhecermos a sua voz, teremos dificuldade em acompanhá-lo. Conforme a nossa postura mental ocidental, o que quere mos é ter uma fórmula bem clara que nos diga como conhecer a voz do Senhor: Pensamos que as Escr i turas têm que tê- la, t ipo "tantos passos" para se alcançar isso... Muitos tentaram extrair uma fórmula dos textos bíblicos, mas na verdade ela não existe. O ún ico modo pelo qual podemos chegar a conhe - cer a voz do Senhor é exatamente aquele que faz com que as ovelhas f iquem conhecendo a voz do seu pastor: o tempo passado com ele. A única coisa que temos que fazer para desenvolver tal ca pacidade é amar o Senhor. Entretanto, para chegar a isso é necessário que lhe peçamos. A oração que Jesus fez em João 17 é considerada por muitos a oração mais importante das Escrituras. O Senhor a terminou com estas palavras: Eu lhes fiz conhecer o teu nome [aos que seguem o Senhor] e ainda o farei conhecer, A FIM DE QUE O AMOR COM QUE ME AMASTE ESTEJA NELES, E EU NELES ESTEJA. Sabemos que Jesus era "um com o Pai". Sabemos por tanto que esta é a vontade do Pai. Medite nisto por algum tempo: é da vontade do Pai que o mesmo amor que ele tem por seu Filho esteja também em nós! Uma das características básicas do verdadeiro amor é a co municação. Compart i lhar tudo faz parte da natureza dos que se amam. Quanto mais amamos o Senhor, mais seremos levados a conhecer-lhe a voz, e conseqüentemente a segui-lo mais de perto. O primeiro passo é amá-lo a tal ponto que o busquemos até que o encontremos. Peça, busque, bata, mas não tome nenhuma direção que não seja a que leve a ter uma verdadeira e santa int imidade com ele. Como disse Paul Cain, um amigo meu que tem o dom de profecia: Cada um de nós está tão perto do Senhor quanto quer estar. Ou como diz Tiago: Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros. Não será esta a maior de todas as promessas que encontramos nas Escrituras? Muitas coisas que nos são comunicadas pelo Senhor não dizem respeito a questões de grande gravidade eterna ou es tratégica, e sim à comunicação de quem ama. Talvez essa seja uma das questões mais difíceis de se entender. Apesar de todos os nossos erros, imperfeições e fracassos, o Senhor realmente nos ama e deseja estar perto de nós - isso apenas porque sente prazer em nossa companhia. Esse tipo de verdadeira intimidade é que dará frutos. E nós geraremos frutos espir ituais somente por habitar Nele. Entretanto, se a única razão pela qual um marido tem relações com a esposa fosse para gerar f ilhos, o casamento se tornaria um relacionamento muito superf icial. O mesmo é verdade em nossa união com Cristo. Na história da morte de Lázaro temos uma impressionante i lustração do poder que há na int imidade. O Poder da Int imidade A história é revelada no capítulo 11 de João. Quando Jesus se aproximava de Betânia, Marta, irmã de Lázaro, saiu correndo para encontrar-se com ele. Em seu pesar ela censurou Jesus, dizendo-lhe: Senhor, se estiveras aqui, não teria morrido meu irmão. Ele lhe respondeu dando-lhe uma boa l ição sobre si mesmo como sendo a ressurreição. Então Maria, a outra irmã de Lázaro, veio também ao encontro de Jesus e igualmente o censurou. As palavras foram às mesmas, mas o resultado foi bem diferente. As Escrituras nos dizem que ele agitou-se no espírito e comoveu-se, e também que Jesus chorou. Foi então que Jesus ressuscitou Lázaro. Maria teve a habil idade de fazer com que Deus se comovesse profundamente em espírito; ela fez com que ele chorasse! Ela recebeu bem mais do que uma lição sobre a ressurreição. Ela obteve uma ressurreição! Uma das experiências por que passei como pai, que mais me tocou, foi em seguida ao dia do terceiro aniversário da minha filha mais velha. Em dois dias ela teve duas festas de aniversário: uma realizada em nossa casa e outra na casa de meus sogros. Ela recebeu mais presentes do que consideraríamos normal, e de fato se satisfez com o que estava sendo uma constante dieta de doces e sorvetes. Seguramente estava vivendo o melhor tempo da sua infância. Quando voltávamos para casa, no carro, perguntei a ela de que presente mais havia gostado, ou o que mais a agradara naqueles dois dias. Ela pensou um pouco, e com bastante seriedade e firmeza me respondeu: "Foi sentar no seu colo". Dá para você perceber o que aquelas palavras fizeram com o pai dela? O mesmo acontece com nosso Pai celest ial, quando depo is de todas as suas dád ivas e de todas as suas bênçãos, o s imples fato de estarmos com ele é o que mais nos dá prazer! Quase tudo que hoje def inimos como sendo um ministério envolve a prestação de um certo serviço a alguém, mas o mai or ministério de todos é ministrar ao Senhor. Quase tudo que atribuímos à nossa autoridade espir itual tem a ver com nossa capacidade de motiv ar as pessoas. Entretanto, a maior autoridade espiritual está naquela pessoa que consegue tocar em Deus e levá-lo a comover-se em seu coração. A habil idade, ou a au toridade que Maria demonstrou com sua at itude foi sem comparação. Ela estava tão próxima do Senhor que conseguiu tocar no coração dele. Quando conseguimos tocar no coração de Deus de forma a fazê -lo agir, temos uma autoridade maior que qualquer posto governamental ou espiritual deste mundo. Esse poder, que é o maior poder de todos, está baseado tão- somente na int imidade que temos com o Senhor. Intimidade é algo que tem a ver diretamente com comunicação. Contudo ela não acontece num instante, nem mediante uma linguagem refinada. O Senhor não é um religioso, como temos a tendência de ser. Maria, que conseguiu comovê-lo tão profundamente, estava tão errada em sua censura a ele quanto Marta. Estar sempre teologicamente correto não é tão impor tante ao Senhor quanto parece ser para alguns cristãos. Ele olha muito mais para o coração do que para a mente. É claro que, se amamos a verdade, nosso desejo será o de estarmos corretos teologicamente também. Entretanto, temos que pensar antes de tudo no ponto mais importante. Quando a busca de frutos se torna a razão básica par a nos aproximar do Senhor, corremos o perigo de sucumbir ao "espí rito de Marta", à tendência de ficarmos com obras, e não com a int imidade. Sim, há um tempo em que temos que fazer nosso trabalho para o Senhor, e ele, é claro, amava muito a Marta. Muitas igrejas e ministérios não poderiam exist ir se não hou vesse "Martas". No entanto, quando ficamos entretidos demais com nosso trabalho para o Senhor perdemos a visão de que sentar com ele, a seus pés, tem de ser nossa maior prioridade. Na verdade estaremos perdendo a melhor parte. Podemos não entender, contudo é verdade que fomos escolhidos para sermos o lugar onde Ele habita. Não nos será possível reconhecer a voz do Senhor se não o adorarmos. Talvez o sinal que mais revele o que verdadeiramente estejamos adorando seja o que fazemos com nosso tempo livre. Quando foi a últ ima vez em que nos dispusemos a usar um dia de folga, ou momentos de intervalo para oração e jejum? A resposta a esta pergunta pode ser a expl icação de termos tanta dif iculdade para conhecer a voz do Senhor; para discernir o certo do errado. Quando desfrutamos uma verdadeira int imidade com o Se nhor, como reconhecemos a voz de Deus e sua vontade com respeito a nós? Em primeiro lugar, pelo estudo da suaPalavra; mas ainda por muitas outras coisas. Também teremos que considerar o papel desempenhado pelo Espír ito Santo, as indicações dadas por outros cristãos (diante das quais muitas vezes necessitamos ter humildade para poder recebê-las), e as mensa- gens trazidas por sonhos e visões. Quatro Maneiras para se Ouvir a Voz de Deus Comecemos por considerar a Palavra de Deus um caminho para conhecermos a presença do Senhor. 1. A PALAVRA DE DEUS O primeiro princípio que temos de compreender para termos um conhecimento adequado das Escriturais é que todo cristão pode discernir a verdade bíblica da mesma forma que o teólogo mais erudito. Tem havido uma conspiração diabólica desde o princípio para tentar impedir que a verdade seja recebida pelas pessoas comuns, confinando-a exclusivamente a alguns profissionais. Alguns dizem que se tem que adquirir um certo grau de conhecimento ou de educação, e compreender a ciência da interpretação bíblica antes de poder entender adequadamente as Escrituras. O Senhor Jesus afirmou precisamente o contrário: Por aquele tempo, exclamou Jesus: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da Terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Foi necessário que Saulo de Tarso literalmente fosse afligido por uma cegueira no mundo natural para (que viesse a enxergar no espiritual. Pois é isso que figuradamente tem que acontecer conosco. Podemos apenas discernir a verdade espiritual pelo Espírito mediante a graça, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. Ninguém pode entender corretamente as Escrituras, uma profecia, ou a vontade de Deus se não se mantiver em verdadeira humildade. O apóstolo Paulo nos advertiu sobre ai realidade de que o saber ensoberbece. Entretanto, ao lado disso as Escrituras também nos advertem: O meu povo está sendo destruído porque lhe falta o conhecimento. O cristão caminha por unia vereda de retidão que é estreita, e tem que ser percorrida com muito cuidado. Ternos que a todo o momento nos valer da graça de Deus, reconhecendo que dele dependemos inteiramente; que sem eles não somos nada, nem temos recursos para coisa alguma. Necessitamos de maneira toda especial da sua graça, a fim de nos manter humildes, ao buscarmos e recebermos conhecimento bíblico. Se assim não for, o próprio conhecimento que nos libertaria poderia apressar a nossa queda, em virtude do orgulho. Por essa razão é crucial que aprendamos a permanecer no Espírito Santo e nas Escrituras. O Espírito Santo é facilmente entristecido ou ofendido pelo pecado, o que pode ser um barômetro para nosso orgulho. As Escrituras ensinam que o Espíri to se aparta quando não andamos de forma correta, sendo que um dos principais fatores que temos que levar em conta é o de andar humildemente perante Ele. Somente quando formos sensíveis à sua presença é que Ele terá condições de nos dar conhecimento bíblico sem que o orgulho tome conta de nós. A presença do Espírito Santo em nossa vida tem de ser tão importante quanto à verdade bíblica. Precisamos ainda da direção do Espírito Santo para verdadeiramente ouvirmos a voz de Deus. 2. DIREÇÃO DADA PELO ESPIRITO SANTO Assim como o mapa de um país não são suas montanhas, seus vales, cidades e vilarejos, a Bíblia é o mapa do reino de Deus, mas não é o reino. Pode-se valer de um mapa para ir até uma praia, mas o fato de se possuir um mapa nunca substituirá a realidade de se estar na praia. Temos que nos dedicar totalmente a conhecer as Escrituras, mas conhecê-las não é algo que poderá colocar-se no lugar de conhecer o Senhor. A Bíblia nunca teve a intenção de tomar o lugar do Espírito Santo em nossa vida, nem o Espírito Santo foi enviado para assumir o papel da Bíblia. Ambos têm diferentes funções em nos guiar à verdade e em nos manter sob a vontade de Deus. As Escrituras, e tão-somente elas, é que são usadas para o estabelecimento de doutrinas, ao passo que "a voz do Senhor" é usada para nos dar uma direção diária e também a revelação da vontade estratégica do Senhor. A Bíblia não encara algumas das decisões mais importantes da nossa vida: com quem deveremos nos casar, que profissão devemos escolher, onde iremos morar, e assim por diante. Essas decisões poderão nos causar um tremendo impacto, e realmente necessitamos do conselho do Senhor, inclusive de diretrizes claras sobre cada uma delas. Que tipo de casamento viria a ser o seu se no dia da cerimônia seu cônjuge lhe desse um livro que expusesse todas as suas expectativas para o relacionamento entre vocês - e então os dois nunca mais voltassem a falar um com o outro? Seria muito difícil condenar alguém que houvesse caído em tal armadi lha, caso essa pessoa desejasse o divórcio. Da mesma forma o Senhor não nos fez cair na armadilha de um relacionamento sem vida. Na realidade Deus normalmente está bem mais interessado em comunicar-se conosco do que nós com ele. Conhecer o Senhor é muito mais do que simplesmente conhecer suas obras. Quantas pessoas você consegue reconhecer simplesmente olhando para as mãos delas? Talvez, apenas com algumas exceções, a maioria das pessoas consegue reconhecer alguém apenas pelo rosto ou pela voz. Entretanto, são muitas às vezes em que a nossa atenção é dada para procurar a "mão do Senhor" (o que podemos receber dele, em vez de procurar ver-lhe o rosto e ouvir-lhe a voz). Num contraste total com o que o próprio Senhor Jesus afirmou, quando disse As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem, muitas teologias protestantes e reformadas não apenas procuram impedir, mas na verdade chegam a proibir os cristãos de conhecer a voz de Deus. Essas teologias têm sua origem numa exagerada interpretação do grande moto da Reforma - sola scriptura (que significa "somente as Escrituras"). A Maior Arma da Reforma O grande moto da Reforma, sola scriptura, foi inicialmente escrito como uma reação à indiscriminada inst ituição de dogmas para as doutrinas de fé que o papa vinha fazendo. Muitos desses dogmas estavam até mesmo em conflito com as Escrituras. A justificação desse procedimento era a reivindicação de infalibilidade feita pelo papa; sua autoridade - disse ele - excedia a das Escrituras. Essa prática levou ao período de maiores trevas por que o mundo já passou. Também a esse moto pode- se creditar haver sido a primeira força que veio para quebrar aquelas trevas e possibilitar a liberação de todo o avanço espiritual que se seguiu. O moto sola scriptura resume o que era, sem sombra de dúvida, a doutrina mais importante da Reforma: um cristão nunca deve aceitar uma doutrina que esteja em conflito com a Palavra escrita de Deus. Entretanto, esta importante verdade nunca era formulada com a intenção de que não precisamos conhecer também a voz do Senhor para a direção da nossa vida. Se não fosse assim, ela mesma estaria em conflito com toda a integridade das Escrituras. Em João 16:7 o Senhor diz: Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei. O Senhor não disse que nos conviria a sua ida para que dessa maneira ele pudesse nos dar um livro. Tampouco afirmou que nos enviaria um Livro que nos conduziria a toda a verdade. Ele nos enviaria o Espírito, isto sim. A Bíblia é uma das maiores dádivas que o Senhor deu ao seu povo, e somente ela deve ser usada para estabelecer ou julgar uma doutrina. O próprio Senhor, vez após vez, combateu o erro de alguém com a afirmação: Está escrito. Portanto, quanto mais deveremos depender da Bíblia nesse sentido! Entretanto, por mais importante que seja termos doutrinas corretas, andar na verdade tem um significado muito mais amplo. Não importando o quão corretas sejam as nossas doutrinas, seremos enganados se não permanecermos dentro da vontade do Senhor. Ser cristão é muito mais do que simplesmente conhecer doutrinas corretas. Ser cristão é ter um relacionamento restauradoe vivo com o Senhor. Ser Cristão É Mais do que Ter uma Doutrina Mesmo sob a antiga aliança da lei, com suas centenas de pesados mandamentos, de todos era requerido conhecer e obedecer à voz do Senhor. E disse: SE OUVIRES ATENTO A VOZ DO SENHOR teu Deus, e fizeres o que é reto diante dos seus olhos, e deres ouvido aos seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, nenhuma enfermidade virá sobre ti, das que enviei sobre os egípcios; pois eu sou o SENHOR que te sara. (Êxodo 15:26, ênfase acrescentada) Agora, pois, SE DILIGENTEMENTE OUVIRDES A MINHA VOZ e guardardes a minha aliança, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a Terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel. (Êxodo 19:5, 6, ênfase acrescentada) De lá buscarás ao SENHOR teu Deus, e o acharás, quando o buscares de todo o teu coração e de toda a tua alma. Quando estiveres em angústia, e todas estas coisas te sobrevierem nos últimos dias, e te voltares para o SENHOR teu Deus, E LHE ATENDERES À VOZ (...) (Deuteronômio 4:29,30, ênfase acrescentada) Como as nações que o SENHOR destruiu de diante de vós, assim perecereis; porquanto NÃO QUISESTES OBEDECER À VOZ DO SENHOR vosso Deus. (Deuteronômio 8:20, ênfase acrescentada) Quando também o SENHOR vos enviou de Cades-Barnéia, dizendo: Subi e possuí a terra que vos dei. Rebeldes fostes ao mandado do Senhor vosso Deus, e NÃO O CRESTES, E NÃO OBEDECESTES À SUA VOZ (Deuteronômio 9:23, ênfase acrescentada) Vemos aqui que a primeira geração pereceu no deserto por não crer no Senhor e não ouvir a sua voz. A Palavra escrita, mesmo com todos os mandamentos da antiga aliança, não tinha o propósito de tomar o lugar da voz de Deus e o privilégio de ouvi-la. Muitas vezes atribuímos as muitas apostasias do Israel da Bíblia ao fato de não cumprirem os mandamentos do Senhor. Contudo essas passagens nos mostram que a sua culpa se evidenciava igualmente por não darem atenção à voz de Deus. Assim disse Jesus aos saduceus: Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus. Muitos dos que conhecem as Escrituras mas não o poder de Deus se queixam de serem tidos no reino de Deus como cidadãos de segunda classe pelos pentecostais e renovados, que afirmam conhecer o poder. Essa acusação tem base. Entretanto, é de igual modo verdade que os que conhecem as Escrituras, mas não conhecem o poder de Deus consideram os pentecostais e renovados cidadãos de segunda classe no reino de Deus porque tendem a ter um conhecimento bíblico ou intelectual inferior. O fato é que os dois lados estão com a verdade, e ambos têm que se arrepender de seu orgulho espiritual, e reconhecer que tem que aprender dos que estão no outro lado. Se os fundamentalistas chegaram a compreender as Escri turas, foi somente pela graça de Deus. Se os avivados alcançaram conhecer alguma coisa do poder de Deus, foi exclusivamente por sua graça. Em qualquer um dos casos nada temos de que nos orgulhar - tudo o que recebemos foi pela graça. Poucos atingiram uma profundidade no conhecimento bíblico sem tropeçar por se haverem orgulhado desse conhecimento. E poucos chegaram a conhecer o poder de Deus sem tropeçar em razão do orgulho. Mesmo assim, precisamos de muito mais conhecimento e de muito mais poder do que o que temos agora para que possamos seguir plenamente o Senhor. Temos todos nós que buscar essas duas coisas - a Palavra e o poder -, sem nos deixar tomar pelo orgulho, que somente nos fará decair da graça. Tenho me sentido bastante animado por haver visto, nos últimos anos, pessoas dos dois lados humilhando-se para alcançar os que estão na posição oposta. Isso não teve o propósito de converter as pessoas para o seu lado, mas para receber a lguma coisa de las . Mu i tas pontes agora es tão sendo construídas entre os que conhecem as Escrituras e os que conhecem o poder de Deus. Os dois lados necessitam um do outro, e não cumpriremos nosso mandato nesta hora se não estivermos em harmonia uns com os outros. A Reforma obteve um grande progresso na recuperação das verdades bíblicas que se haviam perdido durante a Idade Média. Contudo ela ainda não se completou. E não se completará, até que se haja dado de novo ao Espírito Santo seu lugar na Igreja. Deus chamou a Igreja para se assentar com Cristo nos lugares celestiais. Ternos que ter o adequado equilíbrio de estar firmados na sólida verdade bíblica, bem como conhecer a voz do Senhor - caso contrário seremos como aquele que quer pilotar um avião que tem uma única asa. Não apenas nos será impossível levantar vôo, mas ficaremos fazendo círculos até que tenhamos a outra asa devidamente ligada em nós. Precisamos ter o equilíbrio necessário e certo. Um Exemplo do Equilíbrio entre a Palavra de Deus e Sua Voz O livro de Atos nos diz como deve ser a vida normal da Igreja. Nada mudou - hoje - no modo como o Senhor se relaciona com seu povo, em comparação com a maneira como se relacionava naquele tempo. O conhecimento que o apóstolo Paulo tinha das Escrituras lhe proporcionou uma pro funda compreensão quanto a Cristo e a nova aliança, bem como quanto ao plano geral de Deus para estender o ministério da reconciliação; também com relação ao plano do Senhor para que ele fosse aos gentios com esse ministério. Entretanto, quando o Senhor quis que Paulo se dir ig isse à Macedônia, as Escrituras não poderiam dar-lhe aquela direção. Ele teve que conhecer a voz do Senhor. Vemos as coisas desse mesmo modo também na vida de Pedro. Ele baseou sua mensagem e seu ministério nas Escrituras, mas quando o Senhor teve que lhe dar uma direção especial, tal como a missão de ir à casa de Cornélio para ser o primeiro a pregar o evangelho aos gentios, o Senhor lhe deu uma visão especial. Primeiro Pedro obedeceu à direção dada pelo Espírito Santo, e depois foi a Jerusalém para relatar o que fizera e receber a aprovação dos anciãos. Finalmente todos se voltaram para as Escrituras. Essa ação sem precedentes, nova, de pregar aos gentios, veio por f im estabelecer uma nova doutr ina muito impor tante: também os gentios deveriam receber a graça de Deus pela fé em Cristo. O recebimento do Espírito Santo por eles veio demonstrar o poder de Deus. Entretanto, como fizeram os bereanos posteriormente, 6 Os apóstolos e os anciãos provavelmente não aceitaram o que lhes havia sido dito até se haverem certificado mediante as Escrituras. Tal procedimento estabeleceu ainda um importante precedente na Igreja, o que deveria constituir um padrão para todo ministério cristão. Se uma prática não está claramente em contradição com as Escrituras, os cristãos têm liberdade de ir adiante no que sentiram ser a direção dada pelo Espíri to Santo. Entretanto, se tal prática resultar em algo impor tante, deve-se ter a confirmação pelas Escrituras, antes de ser aceita como uma doutr ina da Igreja. Todo crente tinha l iberdade de seguir o Senhor, ao mesmo tempo em que a jovem Igreja era protegida quanto a aceitar qualquer nova prática como uma nova doutrina ou como uma prática aceita. Se Pedro não houvesse feito uso da liberdade de fazer o que fez, os crentes judeus provavelmente nunca teriam compreendido as Escrituras com respeito à vontade do Senhor quanto a ser o evangelho levado aos gentios. O que ele fez iluminou as Escrituras; as Escrituras o confirmaram. Tanto a base sobre a autoridade bíblica como a liberdade do Espírito na Igreja foram estabelecidas. Nunca permitamos que essas duas coisas não sejam levadas em conta. Temos que ter em mente que muitos dos grandes empreendedores missionários da história iniciaram seu ministério contra o conselho de outros líderes. Sem a liberdade do Espírito, muitas vezes não cumpriremos a vontade de Deus. Sem as Escrituras, seremos levados a errar. Portanto, essas duas coisas são relevantes para que permaneçamos no caminho da vida! E ouvimos a voz de Deus mediante suaPalavra, mediante o Espirito Santo, e também por aquilo que nos poderá indicar um outro cristão. 3. A INDICAÇÃO QUE NOS É DADA POR OUTRO CRISTÃO Com freqüência a voz do Senhor chegará até nós por intermédio de outra pessoa, e o Senhor requererá de nós que sejamos humildes para recebê-la. Por todas as Escrituras o Senhor gerou sua Palavra de um modo que requereu humildade por parte daqueles que a receberiam. Foi o orgulho que antes de mais nada provocou a queda do homem; e não seremos libertos das conseqüências da queda até que sejamos dele libertos. Jesus é a Palavra de Deus personificada, e Ele veio de um modo tal que apenas aqueles que não se importavam com aparências o receberam. Ele não somente nasceu em circunstâncias bastante humildes e numa nação humilde, como também foi criado numa de suas cidades mais humildes e desprezadas. O Senhor da glória veio a este mundo na condição de uma pessoa simples, conforme as gerações posteriores o chamariam. Apenas Os que amavam a verdade mais que as aparências se dispuseram a segui-lo. E esses eram os únicos discípulos que Ele queria ter. Pensamos que se homens e mulheres de prestigio, renomados, reconhecessem o Senhor, isso facilitaria a promoção do evangelho. No entanto as Escrituras nos dizem o contrário: Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos., nem muitos de nobre I1d.S.C1171e171.0; pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do inundo para envergonhar OS Sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; A FIM DE QUE NINGUÉM SE VANGLORIE NA PRESENÇA DE DEUS. (1ª Coríntios 1:26-29 - ênfase acrescentada) O apóstolo Paulo não eliminou totalmente os que são de nobre nascimento, os poderosos e os sábios deste mundo - Deus apenas não chamou muitos homens como esses. Se nenhum desses houvesse sido chamado, certamente iríamos cultuar a humildade, o que obviamente não era sua intenção. O Senhor, que nasceu num estábulo, teve também um dos mais caros edifícios já construídos como seu templo. Isso estende a verdadeira humildade à obediência. O apóstolo Paulo foi sábio; ele aprendeu a estar contente em qualquer situação em que se en- contrasse. Por vezes ele aprendeu a rebaixar-se, o que fez com que em outras ocasiões aprendesse a ter em abundância. A questão é manter uma postura que independe da situação em que o Senhor nos haja colocado. Enquanto estivermos nesta vida, estaremos num estado de humildade. Um pobre, vivendo no mundo moderno, desfruta comodidades e um estilo de vida muito superiores aos de um rico de um século atrás. Poderemos considerar os termos pobre e rico como termos relativos, se olharmos a partir da perspectiva histórica. Quando olhamos para a eternidade, até mesmo as pessoas mais abastadas e ricas deste mundo são muito pobres - sua vida não passa de uma fumaça. Comparados com a eternidade, todos os tesouros deste mundo seriam menos que um grão de areia no oceano. Todos somos ao mesmo tempo muito ricos e muito pobres. A humildade vem por simplesmente dependermos de Deus em tudo que somos ou temos, até mesmo com respeito à nossa próxima respiração. Para quem está numa situação humilde é muito fácil demonstrar humildade. Entretanto essa postura não passa muitas vezes de fachada, que esconde o orgulho e o fingimento. O dinheiro pode ser o deus de qualquer um, não apenas do rico. Já vi pessoas pobres mais tomadas pela busca ao dinheiro do que muitos ricos que conheço. Os que são desconhecidos e que mais se ofendem pelos que são renomados geralmente são os que estão impregnados pela cobiça da fama. Disse Salomão: Uns se dizem ricos sem ter nada; outros se dizem pobres, sendo mui ricos. A forma mais elevada de humildade é a que é demonstrada pela sabedoria daqueles que aparentemente têm legitimas razões para se orgulhar, ao se comparar com os demais, mas permanecem humildes porque a eternidade está em seu coração. O fruto da verdadeira humildade sempre será a obediência, o contentamento não obstante as circunstâncias, e a compaixão pelos outros, não importando a situação em que o Senhor os tenha. Não poderemos ouvir a voz de Deus por intermédio de outras pessoas se não nos dispusermos a nos humilhar. Finalmente, Deus fala conosco mediante sonhos e visões. 4. MEDIANTE SONHOS E VISÕES Desde o principio, sonhos e visões têm sido os dois principais modos pelos quais o Senhor tem falado a seu povo. De acordo com Joel, 2, que Pedro citou no dia de Pentecostes, sonhos e visões serão importantes maneiras pelas quais o Senhor falará a seu povo "nos últimos dias". Entretanto, este talvez seja um dos assuntos menos compreendidos pela Igreja. Como nos aproximamos desses dias, será cada vez mais importante saber como distinguiremos sonhos e visões vindos do Senhor cios que não provêm Dele. Temos também de saber interpretá-los. A Linguagem do Espirito O Senhor faz uso de sonhos e visões para nos introduzir em suas maneiras de agir - que não são as nossas - e em sua linguagem - que não é a nossa. Sonhos e visões são a linguagem do Espirito, e na linguagem do Espirito uma figura vale mais que mil palavras. Sonhos e visões geralmente comunicam muito mais que apenas fatos. Quando aprendermos a decodificar essas mensagens especiais, também aprenderemos muita coisa sobre os modos de agir de Deus. Paulo explicou isso aos coríntios: Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espirito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Porém o homem espiritual julga todas as coisas, mas ele mesmo não é julgado por ninguém. Uma parte fundamental da natureza humana é a curiosidade que nos compele a buscar uma compreensão mais profunda de Deus e da sua criação. O Senhor está cortejando a sua noiva, e a todo tempo procura atrair-nos para que o sigamos. Não se trata de um estratagema para nos incentivar com algo ilusório, apenas para nos manter em movimento, e sim um convite para nos conduzir a um outro nível de percepção, quando poderemos penetrar em seus mistérios. Quando Paulo foi levado ao céu ele ouviu muitas coisas que não podia proferir com palavras humanas. Ele não fez uso desse conhecimento para formar uma outra seita, tal como Os gnósticos, que tentaram fazer posteriormente, afirmando que a compreensão que tinham do conhecimento oculto Os elevara a um plano espiritual mais alto. Entretanto, muitas verdades espirituais simplesmente não podem ser limitadas por definições humanas. Não temos uma linguagem que possa expressá-las; tampouco capacidade mental para as entendermos plenamente. Seria uma heresia tentar fazer isso. Como você discerne se um sonho ou visão provém verdadeiramente do Senhor? Primeiro, tornando-se uma pessoa espiritual, que tenha o fruto do Espirito. Distinguindo a Fonte de Sonhos e Visões Um de nossos primeiros alvos deve ser sempre o de nos tornarmos espirituais. Enquanto isso não acontecer, os elementos do Espirito, tais como sonhos e visões, nos parecerão tolices. Quando nos tornamos espirituais, teremos condições de jul- gar todas as coisas, porque seremos conduzidos pelo que é o Espírito da Verdade. Este é o principal modo pelo qual conseguiremos distinguir os sonhos e visões que vêm do Senhor daqueles que são apenas resultado de nossos processos mentais, ou que hajam vindo inclusive do inimigo. Primeiro, tornar-se espiritual significa ter o fruto do Espirito. Se em lugar do amor uma ira injusta, ou o medo e a dúvida estiverem nos influenciando, estaremos abertos para receber mensagens enviadas por um espirito de ira ou de medo - conquanto possamos pensar que hajam vindo do Senhor. Quando estiver mos com raiva de alguém, ou nos sentirmos atingidos por uma determinada pessoa, poderemos ter sonhos negativos sobre ela, se tal dor nos tocar profundamentea alma. Já aprendi a nunca confiar em nenhum sonho ou visão que possa haver sido alterado por meu presente estado de espírito. Entretanto, se experimento uma ira injusta em relação a alguém, e tiver um sonho ou uma visão que altere minha postura perante essa pessoa, inclinando-me a perdoar a ela, então provavel- mente esse sonho haja vindo do Espírito Santo. O que é dado pelo Espírito Santo sempre vem com sua natureza, que é o fruto do Espírito: amor, alegria, paz... O ministério de reconciliação é básico para a obra do Espírito. Ele sempre procura reconciliar-nos com o Senhor e uns com OS outros. De modo contrário a este, o inimigo sempre procura trazer e manter divisões na Igreja. Sonhos e visões que a tuem nesse sent ido provêm do in im igo, e temos que descartá-los. O segundo modo para discernir se um sonho ou visão provém do Senhor é perceber que sonhos e visões nunca nos são dados para estabelecermos uma doutrina. Não temos nem mesmo um único caso em que o Senhor haja usado sonhos, visões ou outras revelações com o propósito de estabelecer uma nova doutrina. Esta é uma diretriz básica para o discernimento. Os sonhos e visões, em sua maioria, são da- dos para uma direção pessoal, específica, tal como no caso de Paulo e seu sonho com o homem da Macedônia. Entretanto, temos exemplos de visões que foram dadas para destacar verdades bíblicas, tais como a visão de Pedro, que o instruiu a ir ao gentio de nome Cornélio. Não foi o caso de uma nova verdade. Era uma verdade pela qual a Igreja ainda não caminhava, e que obviamente ainda não compreendia. Mediante essa visão Pedro correspondeu ao que Simeão havia profetizado; o evangelho do Senhor seria uma luz para os gentios. Essa visão não deu origem a uma nova doutrina, mas deu luz a uma verdade bíblica. Todos gostaríamos de ter uma fórmula básica para interpretar sonhos, mas simplesmente ela não existe. Um dos maiores intérpretes de sonhos da Bíblia foi obrigado a aprender uma importante lição para preparar-se para esse tão grande chamado. José do Egito teve que aprender a humildade e o perdão. Pois o mesmo tem que acontecer conosco. Este dom é uma arma poderosa e grandiosa, e somente será confiada àqueles a quem Deus der a sua graça - os humildes. Não há dúvida de que algumas diretrizes poderão ajudar-nos, mas na melhor das hipóteses não passam de diretrizes. José não tinha diretriz alguma para determinar que vacas e espigas de milho representavam anos - o Espírito Santo teve que lhe dar essa informação. Podemos aprender com os casos bíblicos, e também com a nossa própria experiência; mas com respeito a toda verdadeira revelação do Espírito Santo, ele é que terá a chave para nos dar a interpretação; e é ele quem a moverá para abrir o que estava escondido. A humildade simplesmente nos abre para a graça. Somos todos completamente dependentes da graça, não apenas para a interpretação de sonhos e visões, mas para tudo mais. A humildade e a intimidade são chaves para ouvirmos a voz de Deus. E com freqüência essa intimidade requer alguma reserva da nossa parte. Quanto mais próximas duas pessoas se encontram, mais íntimos seus segredos se tornam. Será que aquele que ama continuaria a expor seu coração, se soubesse que tudo o que compartilhasse terminaria por cair no conhecimento público? Aqui não estou me referindo a doutrina ou a uma profecia das Escri turas, e sim à comunicação pessoal que temos com o Senhor. José não apenas teve problemas com os irmãos. Ele foi repreendido por seu pai Jacó, por haver compartilhado prematuramente os sonhos que teve. Amós disse: certamente o SENHOR Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar seu SEGREDO aos seus servos, os profetas. Muitos têm dificuldade em compreender que a maioria dos segredos que o Senhor compartilha conosco são para ser mantidos dessa forma: como segredos. Uma grande parte do poder do ministério profético tem a ver com um tempo certo. Temos que aprender a manter os segredos que nos foram revelados - até o momento em que o Senhor nos instrua a revelá-los. Isso é fundamental, para que dele continuemos a receber mais revelações importantes. Desenvolver um relacionamento secreto com o Senhor é crítico para o desenvolvimento da nossa vida espiritual. Deus olha para o coração. Ele fala conosco muito mais mediante o coração do que a mente. Essa a razão de Paulo haver orado para que fossem iluminados os olhos do vosso coração [não da vossa mente]. O Senhor Jesus nos instruiu a orar e também a dar esmolas em secreto diante do Pai, prometendo que ele nos recompensaria. Quando oramos, e depois dizemos a outras pessoas o quanto estivemos intercedendo, perdemos o galardão celestial que o Pai nos daria - isso em troca de um breve e passageiro reconhecimento humano. Entretanto, se orarmos, dermos esmolas, e ministrarmos de modo que ninguém fique sabendo, senão o Pai, estaremos guardando nosso tesouro no céu. Porque onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração. Os dons espirituais e Os chamados que hajamos recebido do Senhor estão envolvidos com o ministério profético, mas na essência são simplesmente um relacionamento de amizade com Deus. Uma das razões por que o Senhor nada faz sem antes revelar aos seus servos, os profetas, é que ele não quer fazer nada sem antes compartilhar com seus amigos íntimos o que pre tende fazer. Quando nosso relacionamento com o Senhor se estreita suficientemente, e temos a sabedoria de saber guardar os segredos até a hora certa para revelá-los, então ele compartilha conosco tudo que estiver fazendo. Alguns são enganados por crerem que Deus apenas fala acerca dos assuntos de natureza grave. Contudo, neste mundo os que se amam se comunicam uns com os outros simplesmente por desejarem se conhecer. Da mesma forma, uma grande parte da comunicação pessoal do Senhor conosco tem apenas esse mesmo motivo. Em 1 Coríntios 1:9 lemos: Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor. Não podemos ter comunhão sem comunicação. Contudo, a comunicação que visa ao entrosamento é diferente da comunicação que visa ao controle. Alguns cristãos não ousam tomar as mais simples decisões, sem antes ouvir do Senhor. Isso pode ser decorrente de um genuíno zelo em obede- cer-lhe em tudo. Entretanto, isso também pode ser resultado de insegurança. A necessidade de ouvir do Senhor quanto às decisões deste mundo não é sinal de maturidade, mas de imaturidade. Meu filho de 4 anos precisa ser mais vigiado que minha filha de 14 anos. O que mais digo a meu filho menor é: "Faça isso!" ou "Não faça aquilo"... Na verdade converso muito mais com minha filha mais velha. Entretanto, nossas palavras têm muito menos a ver com tomada de decisões, uma vez que ela tem como tomar a maioria das decisões sem a minha ajuda. Quando o Espírito Santo enviou os apóstolos Paulo e Barnabé, eles receberam dele uma diretriz bastante geral: "Vão aos gentios". Entretanto, a maioria das decisões que tiveram que tomar sobre onde e a quem ir foram tomadas por eles mesmos, porque eram maduros e tinham a mente de Cristo. As Escrituras revelam que o Senhor então lhes deu sonhos, visões e profecias, sempre que necessitaram de uma alteração no seu programa de viagens. Com o amadurecimento, não devemos continuar a ser levados pela mão, recebendo uma direção específica em t cada pequena decisão; em lugar disso, temos que assumir que fomos enviados. Entretanto, nossa visão ou sonho é às vezes apenas uma parte da mensagem de Deus para nós. Vemos em Parte Cada revelação importante é como uma peça de um quebra- cabeças que tem que ser colocada entre outras peças que já foram dadas a outras pessoas. Isso é verdade tanto com respeito à doutrina como à profecia. Uma Cínica denominação ou movi- mento não está de posse de toda a verdade, e nenhum profeta tem a revelação completa. Mesmo que hajamos recebido a maior parte, ela ainda será uma pequena parte, diante da verdade comoum todo. Foi baseado nisso que o apóstolo Paulo disse: Nós, porém, temos a mente de Cristo. Observe que ele disse nós, e não eu tenho a mente de Cristo. Cada um de nós tem apenas uma parte da grande mente do Senhor, parte essa que tem que se juntar às demais do Corpo de Cristo para compor sua verdadeira mente. Em minha experiência, o Senhor muitas vezes tem dado partes das revelações de que necessito a pessoas pelas quais não sinto simpatia, ou que são totalmente diferentes de mim. Tenho aprendido que se alguém por alguma razão provoca em mim o desejo de dele me afastar, então essa pessoa é justamente aquela de quem devo me aproximar. Eu me conscientizo nesse momento de que provavelmente ela tem algo de muito valor para que eu ouça. Inevitavelmente descubro que aquela distância entre nós era devida a falsos juízos de minha parte, decorrentes de haver procurado conhecê-la segundo a carne, ou pelas aparências, em lugar de pelo Espírito. Se duas congregações numa localidade têm normalmente muitos conflitos entre si, dá para se dizer que ambas têm grande necessidade uma da outra. Nunca vi isso falhar. Isso é verdade até mesmo entre nações. Há um extraordinário destino espiritual entre a Inglaterra e a Alemanha, razão pela qual o inimigo tem incitado tantos conflitos entre essas duas nações. Agora que sabemos como ouvir a voz de Deus, vejamos com mais precisão como discernir a voz do Espírito da voz do inimigo. Reconhecendo a Voz do Inimigo Em certas ocasiões o inimigo procura imitar a voz do Senhor para enganar os santos. Ele não faria isso se o Senhor não estivesse falando com seu povo. E evidente que a única razão por que um dinheiro falso pode ser feito é o fato de exist ir dinheiro verdadeiro. Caminhemos mais um passo nessa analogia. Você afirmaria que nunca mais vai querer receber dinheiro, simplesmente porque existe dinheiro falso por aí? Sem dúvida sua resposta seria "não". Pelo fato de o inimigo procurar às vezes imitar a voz do Senhor, isso não é razão para não buscarmos conhecer a voz do Espíri to; na verdade essa é mais uma razão fortíssima para que a conheçam os! Entretanto, como aprender a distinguir a voz do Senhor da voz do inimigo? A resposta será óbvia se nos lembrarmos daquela história dos três pastores e suas ovelhas do Oriente Médio, com a qual comecei este capítulo: familiarizando-nos mais com a voz de Deus. Familiarizando-nos mais com a Voz de Deus Depois de mais de vinte anos de casamento, posso agora reconhecer a voz da minha mulher, esteja ela cochichando ou gritando. Ela pode estar no meio de uma multidão de pessoas falando ao mesmo tempo; ainda assim poderei reconhecer-lhe a voz instantaneamente. Consigo isso porque temos estado juntos por um longo tempo. Pois é também assim que temos que conhecer a voz do Senhor. Não há fórmulas mágicas nem atalhos: precisamos estar com ele. Soube de um cego que tinha um emprego no Departamento de Tesouro do governo americano, em Washington, D.C. Por ele passava todo o dinheiro recebido. Ele se tornara tão sensível ao dinheiro, que se alguém lhe passasse uma nota falsa ele a reconheceria instantaneamente. O discernimento que desenvolveu veio por conhecer muito bem as notas verdadeiras, não as falsas. Provavelmente ele não teria tido condições de reconhecer o dinheiro verdadeiro se houvesse passado todo o tempo procurando conhecer todo tipo de notas falsas que existem por aí. Semelhantemente, o melhor modo de diferenciar a voz do inimigo em relação à voz do Senhor é conhecer a voz de Deus tão bem que instantaneamente a reconhecemos em meio a qualquer outra voz. Os que passam a maior parte do tempo apenas procurando estudar quem é o inimigo - como ele trabalha, fala e engana - poderão vir a ter condições de reconhecer o inimigo muito bem, mas poderão não reconhecer a voz de Deus. Tenho aprendido a não confiar no discernimento de quem somente se haja aprofundado em conhecer os enganos do inimigo. Não podemos igualmente julgar que vamos distinguir com precisão a voz de Deus em relação à voz do inimigo, simplesmente porque conhecemos pessoas que fazem isso muito bem. Não há Cidadãos de Segunda Classe no Reino Ninguém é salvo por conhecer alguém que conhece o Senhor. Também não seremos usados em milagres pelo fato de conhecermos alguém que tem fé para operar milagres. Do mesmo modo, ninguém terá condições de reconhecer a voz do Senhor pela simples razão de fazer parte de uma congregação na qual alguém conhece a voz de Deus; ou ainda por ler livros ou assistir a programas de pessoas com esse discernimento. O Senhor não tem netos. Cada um de nós é chamado a ser seu filho Entretanto, temos que ter o cuidado de não esperar que novos crentes confiem em seu próprio discernimento. Já observei muitos crentes novos se esforçando por ouvir a voz do Senhor. Eles estão agindo de forma prematura, apenas para serem enganados pelo inimigo ou pelos próprios pensamentos. Isso já tem provocado tamanha devastação que muitos se tornaram espiritualmente mutilados. O Senhor disse: As minhas OVELHAS ouvem a minha voz; ele não disse "os meus cordeiros". Os cordeirinhos não seguem o pastor tanto quanto seguem as ovelhas. Crentes novos precisam seguir outros crentes até amadurecerem o suficiente para finalmente conhecerem a voz de Deus. Neste sentido é sábio permanecer perto daqueles que co- nhecem melhor o Senhor. Contudo essa não deve ser nossa posição permanente; temos que conhecer o Senhor por nós mesmos. Embora Josué haja sido um dos homens mais próximos daquele que foi um dos maiores homens de Deus, Moisés, ele não se satisfez com isso. Certamente era muito bom ser servo de Moisés, e evidentemente Josué aprendeu muito com ele. No entanto Josué teve que conhecer o Senhor por si mesmo. Quando Moisés saía do tabernáculo, Josué lá permanecia, desenvolvendo um relacionamento pessoal com o Senhor. O alvo de todo cristão deve ser o de conhecer tão bem o Senhor e sua voz, que possa distingui-la de todas as demais vozes deste mundo. Alguém disse certa vez: "Um alvo é um sonho que tem uma data para a sua realização". Não sei se poderemos determinar que conheceremos a voz do Senhor num certo tempo específico, mas se não estabelecermos um alvo, a probabilidade de realizarmos qualquer coisa irá diminuir sensivelmente. Deus promete ir adiante de nós, se conhecermos a sua voz - condu- zindo-nos pelo vale da sombra da morte até a vida eterna. Capítulo 7 As muitas faces do racismo espiritual Uma das histórias mais notáveis do Novo Testamento é a que apresenta os dois homens no caminho de Emaús. O Jesus ressurrecto juntou-se a eles e lhes expôs as Escrituras que falavam dele mesmo. Aqui vemos Cristo pregando sobre Cristo! A unção não poderia ter sido maior. Mesmo assim eles não o reconheceram! Por quê? Marcos 16:12 nos revela a razão: Depois disso manifestou-se EM OUTRA FORMA a dois deles que estavam de caminho para o campo (ênfase acrescentada). Parece que as aparições do Senhor após sua ressurreição aconteceram na maioria das vezes numa forma diferente em relação àquelas com as quais eles estavam acostumados. Isso tinha um propósito que precisamos compreender, a fim de que reconheçamos o Senhor quando ele se aproximar de nós. Para conhecermos o Cristo vivo, temos de conhecê-lo pelo Espírito e não pela aparência. Quantas vezes falhamos em reconhecer o Senhor porque ele vem a nós numa forma com a qual não estamos acostumados? Se nos habituarmos à maneira pentecostal, não reconheceremos o Senhor se ele vier até nós na forma batista. Se nos acostumarmos com a forma dos renovados, não o reconhece- remos, caso venha na forma pentecostal tradicional. A razão para isso é um racismo espiritual. Racismo não tem a ver tão- somente com diferentes raças humanas, mas com grupos que são diversos de nós, quer essas diferenças sejam de raça, religião, cultura, lugar geográfico ou qualquer outra natureza que os torne diferentes de nós. Se você for a LosAngeles, recomendo-lhe que visite o Museu da Tolerância. É um lugar fascinante, dirigido por rabinos, que exibe crimes que demonstram haverem sido cometidos debaixo de muito ódio, desde o início da história até o dia de hoje. Quando você entra no museu encontra duas portas. Uma delas tem a seguinte placa: "COM PRECONCEITOS"; a outra assinala: "SEM PRECONCEITOS". Se você ficar por ali observando, você verá que quase todos os que entram no museu tentam passar pela porta "Sem preconceitos". Mas, que surpresa! Essa porta está trancada. Não dá para passar por ela, porque todo o mundo tem algum tipo de preconceito. Eu tenho os meus, e você tem os seus. Deus quer que nos reconheçamos como somos. Ele deseja que entremos pela porta mareada com a condição "Com preconceitos". Somente quando reconhecermos a verdade com respeito a nós mesmos é que seremos libertos. I s s o é m u i t o m a i s do q u e q u a lq u e r q u es t ã o e n t r e pentecostais e batistas, ou entre os de raça negra e os de raça branca, ou ainda entre judeus e gentios. Trata-se de uma das formas de orgulho mais primárias: orgulho da carne ou de exterioridades. O racismo promove uma escravidão ao que nos é familiar, e que pode roubar-nos dos encontros mais íntimos com nosso Senhor. Quando o Senhor lamentou por Jerusalém, por haver morto os profetas e os que haviam sido enviados para lá, ele declarou que a casa daquela cidade ficaria deserta, e eles não o veriam até o dia em que estariam dizendo: Bendito o que vem em nome do Senhor! O que é verdade para Jerusalém é também verdade para a Igreja. Não veremos o Senhor até que aprendamos a abençoar os que vierem em seu nome. O Deus que estendeu os céus como a cortina de uma tenda é grande demais para habitar exclusivamente em nossa insignificante denominação, não importando quão grande ela possa ser. Ele é grande demais para ser encontrado em nossa forma de adoração, seja ela decorrente de um processo progressivo, seja seguindo rapidamente a forma mais nova de culto. O que verdadeiramente é de Cristo ainda está nascendo nos lugares em que menos esperaríamos. O Senhor prometeu que ao retornar separará os que tiverem a natureza do cabrito daqueles que tiverem a natureza da ovelha. Uma das características das ovelhas era: "Eu era forasteiro e me hospedastes" (tradução do autor). Um forasteiro é alguém diferente de nós, alguém proveniente de outro lugar, que talvez fale uma língua diferente, ou alguém que até mesmo seja de outra denominação. Em outras palavras, um dos principais fatores que nos distinguirão quanto a se somos ovelhas ou cabritos será nossa abertura em relação àqueles que são diferentes de nós. Os israelitas receberam esta ordem: Amai, pois; o estrangeiro, porque fostes estrangeiros na terra do Egito. Isso implica que o Senhor consentiu que os israelitas ficassem cativos numa terra estranha, de forma que viessem a ter compaixão pelos estrangeiros. Uma importante razão para que Israel tivesse compaixão pelo estrangeiro se encontra em Deuteronômio, 31:12: Ajuntai o povo, os homens, as mulheres, os meninos e o estrangeiro que está dentro da vossa cidade, PARA QUE OUÇAM, E APRENDAM, E TEMAM O SENHOR, VOSSO DEUS, e cuidem de cumprir todas as palavras desta lei (ênfase acrescentada). A verdadeira autoridade espiritual está em nossa compaixão. Pelo fato de Jesus haver sentido compaixão pelas ovelhas que estavam sem pastor, ele se tornou nosso Pastor. Não podemos ter compaixão daqueles de quem zombamos, depreciamos ou rejeitamos por serem diferentes de nós. Nunca teremos a verdadeira autoridade para corrigir as doutrinas de outro movimento ou denominação se não tivermos o amor de Deus para com eles. Até certo ponto parece que, apesar de doutrinas erradas, ou de quão antiquada seja a forma de culto de uma igreja, se os crentes dessa igreja amam os pobres, os órfãos, as viúvas e os forasteiros, Deus os abençoará e cuidará deles, porque amam e cuidam daqueles que ele deseja que sejam cuidados. Esta é a principal razão por que Deus abençoou os Estados Unidos: as portas americanas possivelmente hajam estado abertas para estrangeiros e para oprimidos mais do que as de qualquer outra nação. (Nem sempre os americanos Os trataram bem depois que vieram, mas seja como for eles foram recebidos pela nação.) Desse modo os países que receberam muitos imigrantes têm um potencial sem igual para demonstrar simpatia e tolerância para com os que vêm de diferentes culturas e grupos étnicos. Uma Casa de todas as Nações O Senhor chamou Sua Igreja para ser uma casa de oração para todas as nações. A palavra nações é traduzida do grego ethnos, ou etnias. Semelhantemente, os Estados Unidos se tornaram uma casa para todas as nações. Conquanto seja a intenção do Senhor usar os Estados Unidos em razão disso, a intenção do inimigo é conturbar a questão racial neste país de forma a semear ainda muito mais discórdia e desconfiança entre grupos étnicos por todo o mundo. O inimigo planejou usar a África do Sul dessa mesma forma, durante a eleição que ocorreu há algum tempo. Sua estratégia foi frustrada pela oração em escala mundial feita em favor daquele país. Contudo, quando Satanás é frustrado desse modo, ele procura em algum outro lugar uma forma de descarregar a sua ira. Quando ele viu que não tinha jeito na África do Sul, foi vingar-se na primeira nação mais próxima em que encontrou uma abertura; no caso, a Ruanda. O que aconteceu na Ruanda foi um ataque espiritual da magnitude que Satanás pretendia soltar sobre a África do Sul. Os missionários diziam que o povo de Ruanda era o povo "mais pacífico da África". Entretanto, numa certa manhã eles acordaram numa total e cruel insanidade. Aqueles que haviam naturalmente dado "boa-noite" a seus vizinhos, de repente estavam arrombando as portas de suas casas para matar famílias inteiras. Quando toda aquela carnificina amenizou, alguns dos que se haviam envolvido naquela impiedosa matança confessaram que haviam estado como que num transe, mal conseguindo lembrar-se do que haviam feito. Outros pareciam com sinceridade não acreditar haverem sido os autores daquelas atrocidades. Contudo foram! Tudo isso não pode ser explicado na esfera natural, visto haver sido resultado de uma investida espiritual. Ruanda foi considerada a nação mais "cristã" da África. Quase 90 por cento da população declarava ser participante da fé. Entretanto, a definição popular naquele país do que significa ser cristão está bem longe da definição bíblica. Os que afirmam ser cristãos, mas que não têm o Espírito de Deus, poderão ser os mais vulneráveis às poderosas investidas das trevas. Os cristãos nominais têm demonstrado ser as pessoas mais perigosas sobre a Terra; eles ainda se acham sob o domínio de Satanás, e o inimigo vê neles uma oportunidade (mica para empanar o brilho do nome de Jesus Cristo. Antes de cada uma das duas guerras mundiais, a Alemanha se declarou nação cristã. Hitler afirmou que estava ressuscitando o Santo Império Romano para estabelecer seu milésimo ano de reinado sobre a Terra. A maioria dos "cristãos" da Alemanha foi atingida por esse engano, apesar de todos os assassínios sem dó que ocorreram e de toda a opressão que se estabeleceu no Terceiro Reid. 'De igual modo, os Estados Unidos declaram ser uma nação cristã. Quase 85% da população americana faz tal afirmação, e mais da metade afirma haver nascido de novo. Entretanto, onde está o fruto dessa situação? É bem provável que os registros celestiais contenhan na verdade apenas uma pequena percentagem da população total dos Estados Unidos (do mesmo modo que os maiores evangelistas reconhecem que menos de 10% das decisões por Cristo em campanhas evangelísticas chegam a se tornar membros de uma igreja evangélica). Quando perguntaram a Jesus que sinais ele daria para o fim dos tempos, um dos sinais que ele mencionou foi: Levantar-se-á nação contra nação, e reino contra reino. A palavra grega traduzidacomo "nação" aqui é ethnos, a mesma que vimos antes em Marcos 11:17. Jesus não se referia propriamente a países lutando contra outros países, e sim ao aumento de conflitos étnicos. Quase todo conflito de maior importância que tem ocorrido no mundo de hoje é fundamentalmente um conflito étnico, muito mais que político. Em meio a toda a destruição motivada por questões raciais que acontecerá no fim dos tempos, a Igreja é chamada a ser uma casa de oração por todos os ethnos, OU seja, por todas as etnias. Creio que as igrejas que não confrontarem e vencerem a fortaleza do racismo serão vencidas nos tempos à nossa frente. As "portas do inferno"5 são as portas do inimigo que se abrem para o mundo, e o racismo talvez seja a maior das portas que o inimigo venha a usar no- fim desta era. Satanás liberará alguns de seus maiores poderes para frustrar nosso chamado como casa de oração por todas as nações. Se lhe for possível, ele usará Os Estados Unidos como um instrumento para enviar a morte e a destruição numa escala sem precedentes. As Culturas Dentro do Próprio País As nações que receberam imigrantes de muitas etnias d iferentes, tal como os Estados Unidos e o Brasil, não precisam ir até outros países para alcançar as diversas nações. Um dos grandes missionários do nosso tempo, Bob Weiner, tem passado a maior parte da sua vida adulta procurando demonstrar à Igreja que praticamente toda nação importante do mundo está re presentada no corpo estudantil das universidades americanas. Num levantamento feito, sessenta líderes políticos do mundo receberam uma formação universitária em escolas americanas. Muitos dos estudantes estrangeiros se encontram solitários, distantes da família, dos amigos, da cultura, e estão bastante abertos ao evangelho. Num levantamento feito entre eles, constatou-se que um de seus maiores desejos (em segundo lugar, perdendo apenas para o desejo de ter uma educação) era ter uni amigo. Tanto o homem que planejou o ataque japonês a Pearl Harbor como o que nele comandou as forças japonesas haviam estudado numa escola americana. Os dois se haviam ofendido pelo tratamento discriminatório recebido dos americanos. O que na história teria sido diferente, se houvessem recebido outro tipo de tratamento? Um significativo número de líderes islamitas que agora chamam os Estados Unidos de "o grande Satã" também foi educado em universidades americanas. Quão diferente seria o mundo hoje se Os americanos houvessem amado e tra tado bem essas pessoas quando se encontravam em seu país! O futuro da humanidade poderá ser totalmente mudado se os homens se arrependerem de seu racismo e começarem a amar os estrangeiros que estejam em seu meio, tal como somos comandados a fazer. Muitos dos estudantes estrangeiros, nos Estados Unidos, não têm para onde ir nos períodos de férias. Como em muitas universidades seus alojamentos se fecham, eles são obrigados a ir para hotéis caros, ou têm que procurar abrigo em alguma insti - tuição de caridade. As igrejas e as famílias que têm ido às universidades oferecendo hospitalidade a esses estudantes têm sido recebidas muito bem. Muitos desses estudantes vêm a Cristo dessa maneira. E isso não acontece pelo fato de haverem sido pressionados, sendo colocados frente a um auditório, e sim em razão do amor com que foram recebidos nesses lares. 'O carinho demonstrado a um estudante estrangeiro, levando-o a um passeio de fim-de-semana para conhecer uma região de interesse turístico nas imediações, pode causar um impacto maior nas relações com outros países do que qualquer programa governamental. Os que são enviados aos Estados Unidos e a outras nações ocidentais para lá receberem sua formação escolar são normalmente os mais bem dotados, possivelmente futuros líderes das diversas esferas da sociedade de seu país de origem. Do mesmo modo, os que dentre eles forem levados a Cristo poderão causar um grande impacto para o Senhor em seu país. Uma das doutrinas básicas do islamismo é submeter o mundo todo a Alá, seja pela conversão, seja pela força das armas (Jihad para eles é "guerra santa"). Atualmente o islamismo é uma religião que está tendo um grande crescimento. Os muçulmanos estão conquistando nações inteiras, que nós cristãos estamos perdendo. A menos que acabemos com as restrições humanistas que nos impedem de compartilhar a nossa fé com estrangeiros para não infringir seus "direitos", continuaremos a perder muitas vidas para o islamismo. Uma das questões sociológicas mais intrigantes que enfrentamos é a questão de por que filhos nascidos de pais alcoólatras, que viveram em meio a uma situação perturbada pelo medo e pela violência, têm a tendência de se casar com alcoólatras. Por alguma razão, a dor e o medo que inevitavelmente são causados pelo cônjuge alcoólatra são mais fáceis de tolerar do que uma mudança. Isso tem sido referido como sendo "a tirania do que é familiar". De modo semelhante, o medo que ternos de etnias diferentes da nossa gera impedimentos a uma verdadeira liberdade espiritual. Em vez de temê-las, po- deríamos aprender muito com elas. Essa mesma tirania do familiar é uma das principais razões por que o mundo permanece em pecado e os que estão presos às mais cruéis formas de religião permanecem totalmente dedicados a tudo que os prende. Para os seres humanos decaídos, um inevitável tormento mental e físico é mais aceitável que uma mudança. Apenas o amor pode eliminar aquele terrível temor e trazer uma verdadeira conversão do coração. Foi por essa razão que Paulo afirmou que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento. Em qualquer época há de duzentos a trezentos mil estudantes estrangeiros nos Estados Unidos, que se encontram sós e isolados. Há ainda milhares de estudantes estrangeiros vivendo em outras nações ocidentais, inclusive no Brasil. Embora acreditemos fortemente em missões estrangeiras, é evidente que há um grande campo missionário dentro do próprio país em que vivemos. Entretanto, o que parece é que os crentes não estão levando isso em conta. Os estrangeiros que se encontram em nosso meio são bem mais abertos ao evangelho do que os que estão no próprio país. Essas vidas preciosas necessitam do nosso amor. Elas precisam aceitar-nos, e depois aceitar a mensagem que temos para elas. Israel recebeu o encargo de amar os estrangeiros antes de receberem a ordem de lhes ensinar os caminhos de Deus. Em Deuteronômio 14:28,29 e 26:12 os dízimos eram para ser entregues aos levitas e aos estrangeiros, aos órfãos e às viúvas.' Com toda a ênfase que se tem dado ao dízimo, será que ele tem sido posto no lugar correto? Essa questão de se cuidar dos estrangeiros é tão importante que quando Paulo apresentou as qualificações que os líderes da Igreja deveriam ter, uma delas foi a de que o candidato a um posto de liderança tinha que ser dedicado à hospitalidade a estrangeiros. (E observe que a palavra grega que foi traduzida por "hospitaleiro" é philoxenos, que literalmente denota hospitalidade a estrangeiros e forasteiros.) Geralmente nós, os que acreditamos que estamos libertos do espírito de racismo, toleramos e aceitamos apenas aqueles cuja "raça" é igual à nossa. Os batistas têm todo o prazer em aceitar os presbiterianos, tão logo eles passem pelo batismo de imersão. Os pentecostais terão muito prazer em aceitar os metodistas, a partir do momento em que passem a falar em línguas. A igreja de ricos diz amar os pobres, e chega até mesmo a desejar ter pobres em sua igreja, mas bem poucos ricos têm o desejo de se filiar a uma igreja de pobres. A maioria das paredes que nos separam estão firmadas na arrogância de terem nosso ponto-de-vista aceito, e que todos se tornem como nós. Isso não significa, absolutamente, que devemos de forma alguma ceder em qualquer verdade que consideremos importante. Entretanto, se conseguirmos construir pontes de confiança até aqueles que não vêem as coisas como nós vemos, nossa amizade e nossa abertura para comeles ganhará muitos dentre eles para nossa posição - bem mais do que conseguimos com nossa hostilidade. A Igreja tem grande prazer em ver judeus convertendo-se ao Cristianismo, contanto que venham a fazer parte dela. Contudo o "movimento messiânico" é considerado uma afronta. Nem a igreja nem o movimento messiânico refletem verdadeiramente a nova criação. O modo pelo qual serei uma unidade com minha esposa não é transformando-a num homem! Nossa unidade acontece quando vemos as nossas diferenças complementando- se, em vez de entrarmos em conflito. Paulo escreveu que o próprio Senhor Jesus Cristo "criou, dos dois, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliou ambos num só corpo com Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade." Os luteranos, Os batistas, os pentecostais, os renovados e todos os demais acrescentaram verdades e luz à Igreja, o que é necessário para que ela cumpra seu propósito. Entretanto, apesar de todo o progresso da Reforma, o fundamento da Igreja ainda está mais em Roma do que em Jerusalém. Assim Paulo afirmou aos gentios: ...não te glories contra os ramos; porém, se te gloriares, sabe que não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz, a ti. Quando Israel for enxertada de volta, ela ajudará a Igreja a retornar às suas verdadeiras raízes, o que não lhe foi possível fazer até agora. Isso não é para ser mal compreendido. Não estou falando de a Igreja voltar para a lei ou para meros rituais. É algo muito mais profundo que isso, ainda não compreendido até mesmo pelo movimento messiânico. Entretanto, há esperança. O Senhor está para enviar outro grande avivamento! Esse avivamento terá o potencial de tornar a Igreja uma fortaleza contra as densas trevas que estão por vir no fim desta era. E por termos em nosso meio representantes de todas as nações, há um potencial de ação sem similares. A Luz entre as Trevas Preparando-nos para o grande mover de Deus que está por vir, um crescente número de avivamentos e de movimentos de renovação espiritual surgirão em diferentes lugares. Alguns deles virão com um impacto tal que terão manchetes em jornais seculares e se tornarão destaque nos noticiários de televisão. Outros vão crepitar como uma enorme queimada campestre, espalhando-se por quase todas as maiores cidades. Missionários em grande número serão enviados para outros países; será uma grande força missionária atuando nos últimos dias. Tudo isso contribuirá para derreter todo o gelo do Cristianismo europeu e americano que ainda se encontra congelado, dando condições para a explosão do que se tornará o maior avivamento jamais visto. Haverá uma unidade que virá de diferentes grupos étnicos, produzindo cura e reconciliação em nosso meio. Então toda a Igreja dará atenção às antigas feridas causadas nos judeus pelo Cristianismo histórico e institucional. Quando nós na Igreja houvermos finalmente alcançado a graça e a humildade necessárias para abraçar aqueles que são diferentes de nós, a verdade do evangelho se l ibertará da corrupção e do engano que a têm assolado desde o primeiro século. Então haverá um irromper do poder de Deus tal como o mundo nunca testemunhou até hoje. Tais serão os dias das "obras maiores". Enquanto esses dias não chegam, muita coisa pode ser feita para tratar desse racismo ainda existente na Igreja. Já se tem notícia de que uma crescente comunidade de crentes está construindo pontes de compreensão, de cooperação e de investimento comunitário entre cristãos de diferentes situações. Nos Estados Unidos temos um exemplo de uma ponte dessas, feita em Charlotte, Carolina do Norte, que passo a relatar. Uma Ponte de Amor entre duas Igrejas Irmãs Tudo teve início há alguns anos, quando uma senhora de cor, de nome Bárbara Brewton, perdeu o marido atingido por um tiro. Isso aconteceu no bairro de alta criminalidade de Charlotte, conhecido como Double Oaks. Esse local foi referido pelo jornal New York Times como sendo um dos pontos de maior violência dos Estados Unidos. Arrasada e amargurada pela perda, ela se mudou do local com sua família, mas depois de alguns anos Deus começou a trabalhar no coração dela. Aproximando-se de Jesus Cristo, sentiu da parte de Deus a direção de voltar para Double Oaks. Bárbara Brewton retornou então a Double Oaks e deu início a um trabalho com as crianças da localidade às sextas-feiras à noite, fazendo isso por sua própria conta. Ela não apenas ensinou a meninada com respeito a Jesus, como também a ajudou na alfabetização. Ela teve que os arrastar para fora dos pátios e das esquinas, nas muitas vezes em que um tiroteio irrompeu - o que acontecia com freqüência. Em pouco tempo ela estava ministrando não apenas a crianças, mas aos pais delas também. Do seu trabalho surgiu então uma igreja, a Igreja da Comunidade, tendo Bárbara Brewton como pastora. Reuniam-se numa casa, colocando alto-falantes nas janelas, de modo que na rua se podia ouvir a música e a pregação. A partir de então traficantes de drogas, membros , de gangues e viciados começaram a aparecer e foram sendo salvos. Não demorou muito e a igreja de Bárbara se mudou para um prédio de alvenaria que tivera anteriormente diversas funções, inclusive a de uni centro comunitário e uma casa de má reputação. O prédio tinha salas para a Escola Dominical, uma área de escritórios e um santuário. A igreja cresceu tão depressa que as pessoas nos cultos se apinhavam pelas escadarias e até fora, na calçada da entrada. A razão por que a igreja estava atraindo tanta gente era o fato de elas observarem que realmente aquela era uma igreja que se preocupava com as pessoas. Ela estava sem dúvida melhorando a vida das crianças e dos adultos em Double Oaks. Além disso haviam conseguido aumentar a segurança em toda a localidade, em vista de haverem obtido das autoridades locais a colocação de muretas de proteção do trânsito em certas ruas (o que contribuiu para diminuir o tráfico de drogas), bem como o aumento do policiamento. Nesse mesmo tempo, do outro lado da cidade, na rica zona sul de Charlotte, uma outra mulher, Mary Lance Sisk, sentiu que Deus a chamava para envolver-se com a dor existente na parte central da cidade. Mary tinha um ministério internacional que ensina as pessoas a orar. Seu ministério já a levou a todas as partes do mundo. Ela também estava bastante envolvida com a Igreja Evangélica Presbiteriana de Forest Hill, uma igreja importante e constituída em sua maioria por pessoas da raça branca. Ela então teve um contato com a pastora Bárbara, e a convidou para um almoço. Naquele encontro foi dado início a uma parceria que cresceu a ponto de se constituir num belo exemplo do que Deus pode fazer para juntar ethnos com ethnos. Mary e Bárbara eram duas mulheres de dois mundos diferentes - do branco e do negro. Contudo elas se juntaram. Em decorrência da amizade entre Mary e Bárbara, as duas igrejas se uniram num incrível relacionamento de "igrejas irmãs". Um de seus primeiros projetos foi o de limpar áreas públicas de Double Oaks. Uma parceria foi formada entre as duas igrejas, a prefeitura e grupos civis. Essa parceria em Double Oaks comprou casas em estado precário e em ruínas de seus donos favelados, reformou-as e as vendeu a interessados de baixa renda, cuidadosamente selecionados, e com planos de financiamento de juros baixos. A parte renovada passou a chamar-se Parque Gênesis. Gênesis significa "início", e aquele lugar realmente representou um novo início para aquele velho bairro. Até mesmo muitas daquelas ruas, que se haviam tornado sinônimas de assassinato, drogas e prostituição, receberam novos nomes, tais como Avenida do Vento Impetuoso e Avenida do Caminho da Paz. As ruas que anteriormente eram tão perigosas, a ponto de até mesmo os carros da polícia e as ambulâncias se recusarem a passar por elas, de repente se transformaram em zonas de esperança e de orgulho. Vendo que as instalações da Igreja da Comunidade estavam rapidamente ficando pequenas para as necessidadesexistentes, Mary Lance Sisk, da Igreja de Forest Hill, deu início à uma campanha para ajudar aquela ousada igreja, da pior parte da cidade, a começar a construir um centro de adoração bem maior. Formou- se então uma comissão que levou uma proposta à diretoria da Igreja de Forest Hill, e a diretoria fez algo impressionante. Embora a liderança da igreja fazia já algum tempo tivesse o propósito de construir uma nova área, mais ampla, para o ministério da própria igreja, atendendo à voz de Deus tomaram a decisão de assumir uma campanha para levantar 150.000 dólares, a serem entregues àquela igreja-irmã, composta em sua maioria de negros. Em maio de 1996 um banquete foi realizado. Era seu propósito dar o pontapé inicial naquela campanha de levantamento de fundos. Mas eles estavam atrasados! O alvo de 150.000 dólares já havia sido atingido! Pela palavra que foi de boca em boca, os membros da igreja já haviam respondido à campanha, e o alvo fora alcançado. Desse modo o banquete, que seria o marco inicial da campanha, na realidade acabou sendo um banquete de celebração. No final dele o total de compromissos feitos para aquela campanha já ultrapassara o dobro: eles já podiam contar com $320.000! Entretanto, mais importante que o dinhei ro foi o fato de que Membros de ambas as igrejas estavam se visitando uns aos outros, envolvendo-se com os ministérios e com os cultos da outra igreja, tomando juntos a santa ceia, orando juntos, pedindo perdão por todo preconceito do passado, e construindo a unidade e o entendimento. Assim, uma poderosa parceria estava surgindo, ao mesmo tempo em que os membros de Forest Hill aprendiam mais e mais sobre o ministério na parte central da cidade. Mediante essa experiência, uma esperança sobreveio à cidade de Charlotte, da Carolina do Norte. O espirito de racismo foi amarrado; impedido de se manifestar, fugiu da cidade. Isso poderá acontecer de maneira igual na sua igreja e na sua comunidade. Tudo que é necessário é haver uma pessoa - alguém como você - que esteja disposta a se deixar usar por Deus. Temos que lembrar que todos Os relacionamentos verdadeiros são construídos em pontes de confiança. E quanto mais resistente for a ponte, maior há de ser o peso que ela permitirá ser transportado por ela. Todos temos que nos perguntar a nós mesmos o que podemos fazer para ajudar a construir pontes para que haja uma reconciliação racial espiritual, verdadeira e duradoura. A alternativa é, como advertiu o Senhor, haver "nação (ethnos) levantando-se contra nação (ethnos)". Capítulo 8 Que a batalha se inicie! Em 16 de fevereiro de 1995 tive um sonho em que vi um exército demoníaco tão grande que se estendia até onde a minha visão alcançava. Ele era composto de diversas divisões, cada uma delas levando uma bandeira diferente. As principais divisões, as mais poderosas, eram as divisões do Orgulho, da Retidão Própria, da Reputação, da Ambição Pessoal e do Julgamento Injusto. No entanto, a maior de todas elas era a divisão da Inveja. O líder desse enorme exército era o próprio acusador dos irmãos. Eu sabia que havia ainda muitas outras divisões malignas além do alcance da minha visão, mas estas mais próximas estavam à frente dessa terrível horda do inferno que agora estava sendo liberada para marchar contra a Igreja. As armas que essa horda carregava tinham nomes marcados nas mesmas. As espadas tinham o nome de Intimidação; as lanças o de Traição; e as flechas tinham os nomes de Acusação, Mexerico, Calúnia e Crítica. Batedores e companhias menores de demônios com os nomes de Rejeição, Amargura, Impaciência, falta de Perdão e Cobiça eram enviados à frente desse exército para preparar o ataque principal. Eu sabia em meu coração que a Igreja jamais enfrentara nada igual a isso. A principal tarefa desse exército era a de provocar divisão. Ele foi enviado para atacar todos os níveis de relacionamento: igrejas umas em relação a outras; congregações e seus pastores; maridos e esposas; filhos e pais; e inclusive causar divisões em crianças. Os batedores eram enviados para localizar nas igrejas, nas famílias e nas pessoas as aberturas de rejeição, de amargura e de cobiça que o inimigo poderia explorar, ampliando as brechas para as divisões que estavam vindo em seguida. A parte mais chocante nessa visão era que essa horda não estava montada em cavalos, mas em cristãos! A maioria deles era bem vestida, respeitável, com a aparência de pessoas refinadas e de um bom nível de educação. Eram crentes que haviam se aberto aos poderes das trevas num grau tal que o inimigo os podia usar, e eles acreditavam que era Deus que os estava usando. O acusador sabe que uma casa dividida não pode permanecer de pé, e esse exército representava a última tentativa de provocar um tamanho esfacelamento na Igreja que ela terminasse por decair totalmente da Graça. Essa visão juntou-se com muitas outras durante um período de um ano, e foi apresentada no meu livro A Batalha Final. Essa profecia é uma advertência à Igreja quanto às batalhas espirituais que se acham à nossa frente, no século vinte e um. Contudo, essa não foi à primeira advertência que o Senhor me deu. Em 31 de dezembro de 1990 eu vira em espírito nuvens carregadas, das quais não haveria como escapar. Quando a tempestade estava a ponto de irromper, uma voz falou: "O Salmo 91 é para 1991". Percebi que embora não possamos escapar da i nvestida do maligno, temos de fato uma proteção em meio às nossas lutas. As nuvens de tempestade que estão se formando na esfera natural não passam de uma imagem do que está acontecendo na espiritual. O "príncipe da Pérsia", um dos mais fortes principados atuando na Terra, está determinado a afirmar sua autoridade, e finalmente exercer seu controle sobre toda ela. Embora esse conflito se reflita em batalhas terrestres, a verdadeira batalha acontece no céu. Não teremos um avanço até que o Corpo de Cristo ore e jejue com o zelo de Daniel, e com uma visão concentrada na restauração do Templo de Deus (que não é feito de alvenaria, e sim de seres humanos) e da Jerusalém celestial, cuja restauração se refletirá pela incorporação da Jerusalém terrena. O Corpo de Cristo tem de se preparar espiritualmente para essa guerra, tal como um exército terreno se prepararia para uma batalha. Precisamos jogar fora com a maior urgência todo o excesso que temos em nossa bagagem. Paulo disse a seu discípulo Timóteo: Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou. Ternos, portanto, que fazer o seguinte: -Livrar-nos do pecado e da poluição espiritual na nossa vida. -Livrar-nos daquelas coisas "boas" que desviam nossa atenção do nosso chamado espiritual. -Livrar-nos de dívidas e não fazer compras de maior valor sem uma clara direção do Senhor, tal como foi dito no Capítulo 2. (Leia 1ª Timóteo 6:3-19 e medite sobre esse texto.) Então estaremos prontos para lutar numa guerra espiritual. Nos últimos dez anos muito se escreveu sobre o assunto de batalha espiritual. Contudo, apesar de todas as teorias e de todos os gritos de guerra, muitos crentes ainda estão perguntando a si mesmos: O que é necessário para empreender uma guerra com sucesso diante do inimigo da nossa alma? Em minha vida descobri que oito princípios bíblicos são essenciais para combatermos as forças das trevas. Oito Pontos Chaves para uma Guerra Espiritual Vitoriosa 1. AMAR É MAIS IMPORTANTE QUE GUERREAR Este é o primeiro ponto chave. Uma das repreensões mais sérias que o Senhor fez às sete Igrejas do Apocalipse foi a que fez à Igreja de Éfeso: "Se vocês não voltarem para seu primeiro amor, removerei o candeeiro de vocês". Com isso ele de fato estava dizendo que eles deixariam de ser uma Igreja. É necessário antes de mais nada amar. O maior de todos Os mandamentos é amar o Senhor. São em muito maior número os textos das Escrituras que nos ordenam a amar o Senhor do que OS que nos mandam lutarcontra o inimigo. Não há a menor dúvida: ternos que dedicar mais tempo a nos aproximar do Senhor do que a lutar contra as trevas. O fundamento de tudo que somos chamados a ser e a fazer se encontra em Cristo. Ele já conquistou a vitória. Permanecer em intimidade com o Senhor é o primeiro princípio da batalha espiritual. Uma vez que atendamos a ele - amando e adorando o Senhor - teremos então de nos lembrar de que estamos numa guerra com um inimigo que procura por todos os meios destruir-nos. Sendo assim, e essa é a grande realidade, temos que nos dedicar a lutar. 2. TEMOS QUE NOS DEDICAR À LUTA Estamos numa guerra todos os dias, quer queiramos, quer não. De fato, se a nossa decisão for a de não lutar - desobedecendo às exortações bíblicas de combater o bom combate e nos revestir de toda a armadura de Deus - acabaremos sendo atingidos. Imediatamente depois da ressurreição o Senhor recebeu o direito legal de amarrar ou destruir Satanás e reivindicar a Terra para si. Por que ainda não o fez? Por nossa causa! A presente era é uma prova. Toda a Igreja está na condição da noiva que tem que provar sua devoção e fidelidade, tendo vitória sobre um mundo maligno, e devendo apren der a assumir a responsabilidade que a capacitará a reinar juntamente com Cristo. Deus não nos põe à prova para que caiamos, mas para que ele possa ver em que ponto de autoridade poderá colocar cada um de nós no seu reino eterno. Há um momento numa batalha em que pontos realmente importantes, até mesmo a vida e a morte, são decididos, e a essência de quem somos vem à luz. Vamos egoisticamente esconder a nossa salvação, ou lutaremos pelo que é reto e justo? Conduziremos outras pessoas à vida do Filho de Deus, ou daremos lugar ao pecado e à rebelião sempre que nos encontrarmos debaixo de pressão, levando conosco outros de roldão? Agora, quando estamos diante de um novo milênio, quando as trevas mais densas estão vindo sobre a Terra, os maiores conflitos entre o bem e o mal acontecerão. Talvez morramos durante nossa luta pelo reino, ou quem sabe venhamos a ser arrebatados. Entretanto, quer morramos quer sejamos arre - batados, que isso aconteça enquanto estivermos atacando as trevas do nosso tempo com uma firme resolução e fazendo uso do nosso escudo da fé, para nos proteger diante de toda fraqueza e imaturidade. Nada de Paradas para Descanso na Batalha A exortação de Paulo aos efésios, quando eles se preparavam para batalhar contra o mal do seu tempo, foi no sentido de que se revestissem de toda a armadura de Deus. Se deixarmos de lado parte da proteção, o inimigo muito provavelmente encontrará nosso ponto fraco e nos atingirá bem ali. Não há tréguas nesse conflito. Não podemos dizer: "Sinto-me cansado; por ISSO durante algum tempo não quero lutar". Não podemos dizer ao inimigo: "Não me atinja em tal lugar". Ele logicamente não vai agir segundo as nossas regras e nossos interesses. Nem espere dele - jamais - um jogo limpo! Ele fará uso de tudo que puder para nos atingir. As Escrituras estão cheias de exemplos de pessoas que deram lugar a uma pequena brecha em sua vida, o que permitiu ao inimigo entrar por ela de maneira a alagar tudo com o mal. E não passou de uma pequena brecha! O grande pecado do rei Davi é um exemplo bem claro disso. Na primavera no tempo em que os reis costumam ir para a guerra, ele ficou em casa. O que aconteceu então? Ele caiu em adultério e cometeu um assassinato para acobertar o que fizera, tendo sido isso uma das mais trágicas quedas da graça descritas nas Escritu- ras. O Senhor lhe perdoou, mas a espada não deixou a sua casa até que a tragédia atingisse alguns da própria família. O Senhor perdoará nossos pecados, mas sempre haverá conseqüências - colheremos o que plantamos, e os que estiverem sob o nosso cuidado sofrerão. Como Davi aprendeu, quando é hora de lutar, um dos lugares mais perigosos onde se permanecer é na retaguarda. Quando o inimigo nos vê em retirada, ou arrefecendo, ele nos combate com ímpeto ainda maior. Nunca se esqueça de que o inimigo não tem misericórdia nem compaixão, e que está determinado a nos destruir. Entretanto, ele não terá poder algum contra nós enquanto estivermos submissos ao Senhor, debaixo de seu senhorio, e resistindo a ele com toda a nossa vontade e persistência. É isso que temos que fazer. Precisamos ter sempre em mente que para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo. Nós também fomos enviados ao mundo para destruir as obras do diabo. Jesus orou na noite anterior à sua crucificação: Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu 05 enviei ao mundo! O mundo agora jaz sob o poder do maligno, mas ele nos prometeu: Ao SENHOR pertence a Terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam. Nós estamos aqui para tomarmos a Terra e quebrarmos o poder do inimigo sobre ela. Em Lucas 10:17-19 o Senhor fez uma afirmação impressionante a respeito da nossa guerra: Então regressaram os setenta, possuídos de alegria, dizendo: Senhor, os próprios demônios se 1705 submetem pelo teu nome! Mas ele lhes disse: Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago. Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo, e nada, absolutamente, vos causará dano. Se o Senhor nos deu autoridade sobre todo o poder do inimigo, como as Escrituras dizem, por que simplesmente não o podemos amarrar, expulsá-lo, e assim acabar de uma vez com essa guerra? Os setenta não saíram naquela missão por iniciativa própria. Foi o Senhor que os enviou, e eles foram somente às cidades e aos lugares aonde o Senhor iria depois. O Nosso Mandato Em muitos aspectos os princípios para a batalha espiritual podem ser encontrados observando as guerras modernas, tais como a Guerra do Golfo Pérsico. Nesse conflito os aliados não iniciaram a batalha contra o Iraque sem um mandato das Nações Unidas. Também a Iugoslávia não foi atacada pelos aliados em razão do genocídio dos albaneses, sem que antes houvesse um mandato da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). É claro que a Igreja não recebe seu mandato das Nações Unidas nem da OTAN. Nosso mandato é recebido do Senhor. A Igreja tem a missão geral de "ir e fazer discípulos de todas as nações". Contudo essa comissão, dada a todos, não nos confere a liberdade de irmos a qualquer lugar e a qualquer hora. O Senhor nos dá ordens específicas. Tudo que Ele não tratou de forma específica em sua Palavra temos que receber diretamente do seu Espírito. Esse é o procedimento bíblico (como foi o caso de quando Paulo e Barnabé foram enviados, e quando Paulo foi instruído a ir à Macedônia). Temos autoridade somente até o grau em que estivermos sob a autoridade do Senhor. É tolice atacar as fortalezas do inimigo sem um mandato Dele. Entretanto, quando recebemos sua ordem para agir, não podemos intimidar-nos. Se chegar o tempo de lutar, e não lutarmos, a "paralisia decorrente da análise" rapi- damente se instalará. Então seremos vencidos por nossa própria indecisão. Como os aliados na Guerra do Golfo Pérsico demonst ra ram, quando temos um manda to a cumpr i r , ou um comissionamento, é preciso enfrentar as fortalezas do inimigo com tudo que temos, com determinação e a disposição de não cedermos em ponto algum. Ternos a informação de que as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja. As portas do inferno constituem os pontos de acesso do inimigo à vida de cada um de nós, nas igrejas locais, nas cidades e nas nações do povo de Deus. A Igreja tem autoridade para fechar essas portas — elas não podem p reva lece r con t ra nós . A Igreja é const i tu ída atualmente de muitas "nações", deno minações e movimentos. Se os dirigentes dos Estados Unidos têm como conseguir das Nações Unidas à aprovação unânime de uma resolução, e então estabelecer uma coalizão das mais diversas nações para lutarem numa guerra, por que não poderemos unir nossas forças para vencer os esquemas doinimigo? Lembremo-nos de que as portas do inferno não prevalecerão contra nós [a Igreja], conforme acabo de citar. Observe que o Senhor não disse "igrejas" no plural, e sim "Igreja", no singular. É a Igreja que tem autoridade para fechar essas portas. O inferno não pode prevalecer contra a Igreja (no singular), mas continuará prevalecendo contra igrejas enquanto estiverem divididas. Se os sírios, os egípcios, os da Arábia Saudita, Os americanos, os franceses, os britânicos, os brasileiros e outros puderam unir-se sob um único comando e lutar contra o Iraque, da mesma maneira os batistas, os metodistas, os presbiterianos, Os pentecostais, os renovados e outros têm sem dúvida alguma plenas condições de se unir para enfrentar as forças de Satanás. Durante a Guerra do Golfo Pérsico a Coalizão Aliada não requereu que os sírios se tornassem americanos nem britânicos, nem que perdessem sua soberania. Certamente não estou advogando que a Igreja venha a estar sob uma única organização, em caráter permanente. A história tem testificado, e com muita clareza, sobre a terrível falácia de estar a Igreja sob qualquer outra cabeça que não a de Jesus Cristo, sua única Cabeça. Entretanto temos certamente propósitos comuns que devemos tentar levar adiante juntos. Os diversos campos dentro da Igreja têm experimentado - e cultivado - tamanho pavor de perder seu domínio e seu maior status, que acabaram cedendo território ao inimigo, a fim de impedir que irmãos recebessem bastante e viessem a suplantá-los ou obscurecer-lhes o brilho e a fama! Para evitar uma autoridade excessiva temos muitas vezes optado pela anarquia, que é um inimigo ainda pior, um dos grandes males dos últimos dias. Uma congregação ou igreja local não prevalecerá contra as portas do inferno se não existir unidade e harmonia entre seus membros. Semelhantemente, a igreja numa cidade não poderá prevalecer contra as portas do inferno dessa cidade se não houver unidade entre as diversas igrejas locais. Ainda: serão necessários apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres trabalhando juntos em harmonia para que a Igreja esteja bem preparada, adestrada para enfrentar os ataques que possam sobrevir. Nenhuma denominação e nenhum movimento são completos, e nenhum deles poderá ser realmente eficaz em seu comissionamento pelo Senhor enquanto não aprender a ter um intercâmbio com os demais, e não souber funcionar em conjunto com eles; inclusive na própria igreja como uma unidade, pastor ou pastores, presbíteros e membros em união e um bom entendimento, todos se conhecendo, se respeitando e se entendendo. Cada um tem um propósito específico, mas se não estiver coordenado com os demais, na melhor das hipóteses estará sendo deficiente no cumprimento de seus planos. E na pior, estará ainda atacando e bombardeando os demais. Atualmente estamos tendo mais "baixas" em nosso exército causadas pelo "fogo amigo" do que pelo fogo inimigo. Para que a Igreja alcance vitória sobre o que atualmente nos tem afligido, precisamos aprender a fazer coalizões com a determinação de confrontar determinadas questões, com objetivos específicos, até que os mesmos hajam sido totalmente atingidos. Temos que pôr de lado os temores que fazem com que, as reuniões de pastores e líderes sejam tão ambíguas que não cheguem a nada. Assumindo o risco de ofender outros líderes e potências deste mundo, os Estados Unidos tomaram a inic iat iva, a autoridade e a l iderança quanto ao que era para ser feito no Iraque. Em vez de trazer divisões, aquela inic iat i - va e resolução fez daquela que era uma coal izão das mais im prováveis uma unidade que conseguiu a lcançar uma ext raor d i n á r i a v i t ó r i a . O mandato da Ig re ja vem apenas de Deus. Adqu ir imos uma verdadeira autor idade espir i tual de acordo com o quanto haja mos permanecido no Reino. Jesus já venceu Satanás e o viu cair do céu. Como temos tudo a nosso favor, dever íamos ter o máximo de ousadia, ao confrontarmos as fortalezas do inimigo. Numa cena do filme O Urso, um enorme punia estava caçando um pequeno filhote de urso. Finalmente o ursinho ficou sem escape, não tendo outra alternativa a não ser voltar-se e enfrentar o inimigo. Para espanto do ursinho, entretanto, o puma começou a recuar, aterrorizado. Impressionado e vibrando com sua autoridade recém descoberta, o ursinho não percebeu que não era por causa dele que o puma retrocedia. Sem que o ursinho soubesse, um enorme urso seu amigo viera por trás dele para protegê-lo. O puma retrocedeu, ao ver aquele que estava por trás do ursinho. O mesmo acontece conosco. Quando o inimigo começa a fugir de nós, ele foge não pelo que somos, e sim em razão daquele que está conosco. Se formos sábios, permaneceremos perto de Jesus, nosso Irmão maior. É por isso que, depois de o Senhor haver comunicado aos setenta sobre a autoridade que lhes fora dada, continuou dizendo: Não obstante, alegrai-vos não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus: Só temos autoridade porque nosso nome está escrito no Livro da Vida do Senhor. Temos de conhecer a autoridade que temos em Cristo, mas também compreender que ela está em Cristo, e não em nós. 3. TEMOS QUE TER A SABEDORIA DE RECONHECER NOSSA PRÓPRIA IGNORÂNCIA Lutamos contra um adversário que é bem mais sábio e mais poderoso que nós. Nosso inimigo tem milhares de anos de experiência fazendo o que faz. Embora o homem haja sido feito "menor do que os anjos", Satanás de inicio era um anjo de alta hierarquia, com muito mais inteligência e perspicácia que qualquer um de nós poderia almejar. Nunca venceremos com base em nossa própria inteligência, nossa força, nossa bondade ou determinação. É por isso que Os versículos a respeito da nossa vitória sobre o inimigo normalmente são cercados de exortações para que nos mantenhamos em humildade. Antes, ele dá maior graça; pelo que diz: DEUS RESISTE AOS. SOBERBOS, MAS DÁ GRAÇA AOS HUMILDES. Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros. Vemos aqui que a exortação para resistir ao diabo está entre duas exortações: nos sujeitarmos a Deus e nos chegarmos a ele. Para sermos bem sucedidos em nossa resistência ao diabo temos então que nos sujeitar ao Senhor, nos aproximar dele. Neste texto vemos também que a humildade nos capacita a receber a graça de Deus. E a graça de Deus é um poder muito maior que o de qualquer inimigo. Os que andarem em humildade, ou submissão a Deus, verão os demônios fugindo. Nós nos tornamos uma presa fácil deles quando nos afastamos da graça de Deus, por andarmos em orgulho, o que significa basicamente nos valer da nossa própria força e nossa sabedoria. O próprio inimigo caiu quando se tornou orgulhoso. Ele sabe muito bem que o primeiro passo para conseguir que caiamos é nos tornar orgulhosos. Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia. Quando pensamos que estamos em pé, é ai que estamos correndo perigo de uma queda. Entretanto, quando nos valemos da graça de Deus e da vitória de Jesus Cristo, todas as hordas do inferno não conseguirão abalar- nos. A verdadeira humildade está em nos valer apenas da obra consumada de Cristo! Para vencermos batalhas espirituais temos primeiro que estar cheios de amor, depois nos dedicar à luta e ter a sabedoria de reconhecer nossa ignorância. Contudo precisamos saber quando não é hora de lutar. Isso é extremamente importante! 4. SAIBAMOS QUANDO NÃO LUTAR Na maioria das guerras, os jovens é que lutam. Crianças e velhos geralmente são dispensados de atuar em combate, exceto em casos extremos. Parece que isso se dá muitas vezes na batalha espiritual também. No que João afirmou às crianças, aos jovens e aos pais, os jovens são aqueles a quem ele disse: ...tendes vencido o Maligno. Pedro exortou também os jovens: Rogo igualmente aos jovens: sede submissos aos que são mais velhos; outrossim, no trato deuns com os outros, cing i -vos todos de humi ldade, porque Deus res iste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça... Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando a lguém para devorar ; resist i- lhe f irmes na fé, certos de que sofr imentos iguais aos vossos estão se cumpr indo na vossa i rmandade espa lhada pelo mundo (1 Pedro 5:5, 8,9) Novos crentes não devem ser lançados à f rente da batalha espir itual. Geralmente eles têm o que podem receber apenas aprendendo a permanecer em pé e a marchar por si mesmos. E os "pais" também deveriam poupar-se de um envolvimento pesado. Sua habi l idade em discipular e formar as pessoas é conseqüência do bom uso do seu tempo. Isso produz muito mais f rutos do que quando estão servindo nas t r incheiras. 5. TEMOS QUE CONHECER MUITO BEM AS NOSSAS ARMAS As fortalezas espir i tuais do in imigo basicamente são pa drões de pensamento que estão em conf l i to com o Senhor e seus caminhos. Se compreendermos isso não seremos surpreendidos pelo fato de que o evangelho do reino foi a primeira arma que o Senhor deu aos se tenta quando os env iou ao mundo. Paulo descreveu em Efésios, 6:10-20 as armas com as quais se deve entrar num bom combate. Ele preveniu os efésios sobre a necessidade fundamental de se revestirem de toda a armadura de Deus. E não fez isso uma única vez, mas duas vezes (nos versículos 10 e 13). Quando Deus repete alguma coisa ele está enfatizando a seriedade da questão. E o que ele disse visava ao fato de eles oferecerem resistência no dia mau. Ternos que considerar essas armas com extremo cuidado, em nosso arsenal. Primeiro, temos que colocar o Cinturão da verdade. Paulo disse aos efésios: Estai, pois, firmes, Cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça. A verdade não é apenas uma arma ofensiva - quando usada como espada do Espír ito - mas é também uma arma de proteção. Ela pode aparecer com aparentes retrocessos, mas no fim sempre irá prevalecer. Como Mahesh Chavda (pastor titular da Igreja All Nations, em Charlotte, Carolina do Norte) disse: "Durante setenta anos Os comunistas af irmaram que Deus estava morto. Então um dia o Senhor declarou que o comunismo es tava morto! Agora, em todos os lugares em que os comunistas declararam como verídica sua doutrina do inferno, o que exis te é a maior fome da Palavra de Deus". Ao nos chamar para representá-lo como seus embaixadores, o Senhor não apenas quer que tenhamos condições de falar sobre ele, mas deseja que sejamos como ele é. Uma de suas características básicas é que Ele é fiel à sua Palavra. Para sermos iguais a Ele temos portanto que aprender a sermos fiéis à nossa palavra. Ela tem de ser algo que nos comprometa mais do que um contrato. Não apenas temos que conhecer e cumprir a Pa lavra do Senhor, mas cumprir a nossa própria palavra. Junto com a maior l iberação das trevas neste mundo, que tem ocorrido nos anos recentes, tem havido uma erosão bem maior na honra e na integridade. Isso não é verdade apenas em relação ao mundo, mas também com respeito à Igreja. Uma razão importante de muitas das derrotas no Corpo de Cristo é nossa tendência a quebrar nossos compromissos, tanto com o Senhor como entre nós. Segundo, temos que tomar o evangelho da paz. Paulo diz também: Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz. É com nossos pés que andamos, e se nos revestirmos de toda a armadura de Deus, andaremos em paz. Essa paz de Deus não é apenas uma completa proteção contra o inimigo, mas é também uma arma ofensiva, uma vez que podemos usar nos sos pés para esmagar a cabeça da serpente. Paulo lembrou aos cristãos de Roma que não é o "Senhor das Hostes" nem o "Senhor dos Exércitos" que esmaga o inimigo, e sim o Deus da paz. Temos que ter o cuidado de não permit ir que nada rou - be a nossa paz, para não sermos roubados de uma tão grande e importante proteção. Em terceiro lugar, temos que embraçar o escudo da fé. Diz o texto também: embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno. Todos os que estão em meio à luta receberão dardos inflamados lançados contra si. A questão é: será que vamos ser atingidos por esses dardos, ou teremos como evitá-los ou acabar com eles? A fé não impede o inimigo de nos atacar, mas atua no sentido de extinguir o que o inimigo lança sobre nós. Se ficarmos feridos, podemos ter a certeza de que perdemos a nossa fé. Tomemos o escudo! Quarto: coloquemos o capacete da salvação. Paulo diz: Tomai também o capacete da salvação. O capacete da salvação protege a nossa mente. Infelizmente é fácil sentir o impulso de nos colocar à vontade e retirar o capacete, dei xando que a poluição deste mundo nos ataque a mente mediante televisão, revistas, pessoas, e mais a confusão da vida diária. Temos que sempre estar guardando a mente, ou então nos abriremos à possibilidade de sermos nela atingidos com ferimentos fatais, que poderão nos roubar a salvação. O capacete é a nossa salvação, e temos que usá-lo o tempo todo. Finalmente, temos que usar a espada do espírito. Paulo finaliza dizendo: Tomai a espada do Espírito, que é a palavra de Deus. Observe que a maioria das peças que Paulo mencionou são de natureza defensiva, tal como o escudo da fé, por exemplo. Contudo, a principal arma ofensiva por ele mencionada é a espada do Espírito. No entanto a espada pode ser também uma arma defensiva. Quando o diabo atacou _Jesus, o Mestre usou a Palavra de Deus para rechaçar o inimigo. Pois esta é a mais poderosa das armas, e os cristãos devem aprender a usá-la sempre. Quanto maior for nosso conhecimento da Palavra de Deus, mais habilidosos seremos na guerra espiritual, e mais eficazes em nosso ataque às fortalezas do inimigo. Infelizmente, esta mais poderosa arma que o mundo pode conhecer tem ficado sem uso por parte de muitos cristãos. Charles Spurgeon disse certa vez que podemos encontrar dez pessoas que se disporiam a morrer pela Bíblia, para cada uma que a lê. Possivelmente esta seja uma das principais razões da ineficiência da Igreja no confronto com as trevas, em plena expansão em nossos dias. Um estudo apresentado pela revista Leadership (Liderança), uma das mais respeitadas e populares revistas americanas destinadas à liderança cristã, descobriu que menos de um por cento dos seus artigos continham pelo menos uma referência às Escrituras! Ironicamente, esse pobre conteúdo bíblico foi encontrado numa revista que procura alcançar os evangélicos tradicionais conservadores, o segmento que mais se orgulha de sua devoção às Escrituras! Talvez também devamos examinar a nossa mensagem, para assegurar seu con- teúdo bíblico e sadio. Há ocasiões, é claro, em que citar apenas um versículo bíblico não é suficiente. Em tais circunstâncias, precisamos valer-nos da nossa autoridade sobre os poderes demoníacos e expulsá-los, como é demonstrado em muitos casos narrados nas Escrituras. Uma vez que saibamos usar as nossas armas, devemos ter nosso plano de combate. 6. TENHAMOS NOSSO PLANO DE COMBATE Os setenta discípulos — que descobriram a autoridade que tinham sobre os espíritos malignos — não haviam sido enviados especificamente para expulsar demônios. Jesus simplesmente os instruíra a curar os enfermos e proclamar a mensagem do reino. Entretanto, alguns estudiosos da Palavra estimaram que cerca de um terço do ministério do Senhor na Terra foi dedicado a expulsar demônios. Apesar disso, foi pequena a sua menção desse ministério como sendo algo que nos compete realizar. A expulsão de demônios é, de fato, tão-somente uma pe- quena parte da batalha espiritual. Se expulsarmos os demônios sem primeiro eliminarmos as fortalezas em que eles hajam estado nas pessoas, eles simplesmente retornarão, e ainda trarão sete outros, piores que eles. Entretanto, Os demônios que saírem porque a sua fortaleza foi demolida não terão para onde voltar. Umdos erros estratégicos mais comuns nas guerras da história tem sido a tendência de os dirigentes dispersarem suas linhas de combate, procurando atacar múltiplas frentes ao mesmo tempo. Reconheço que há muitas verdades pelas quais vale a pena lutar, mas o Senhor me advertiu: "Não o chamei para lutar por essas verdades". Tenho que me apegar ao plano de batalha que o Senhor especificou para mim, uma vez que ele chamou outros guerreiros para lutar por aquelas verdades. Quando outros tentam levar-nos para o campo de batalha deles, precisamos resistir. Uma das principais palavras que os cristãos têm que aprender - para que se mantenham dentro da vontade de Deus para a sua vida - é a palavra "Não". Para vencermos as forças das trevas, temos que ter nosso plano de combate. Mas não apenas isso; ternos ainda que conhecer nosso inimigo. Isso é importantíssimo. Sem estarmos a par das situações, condições físicas e psicológicas do inimigo, seus pontos fortes e fracos, não teremos muita chance de vencê-lo. 7. TEMOS QUE CONHECER O NOSSO INIMIGO Como Francis Frangipane, um amigo meu, gosta de dizer: "A cada novo nível, novos demônios". Quanto maior autoridade espiritual tivermos, quanto maior ameaça representarmos para o inimigo, mais visados por ele, mais objeto do seu ataque seremos. O inimigo não enviou nem mesmo um principado para tentar Jesus, ou para peneirar Pedro; essa tarefa ele não confiou a ninguém, senão a si mesmo, Satanás. Quanto maior autoridade tivermos, maior será a nossa oposição. Por outro lado, quanto maior nossa oposição, maior será o mal que fugirá de nós, se efetivamente resistirmos. Se o nosso ministério for predominantemente com pessoas, freqüentemente teremos que enfrentar demônios que precisarão ser expulsos. Entretanto, se nos foi dada autoridade espiritual sobre cidades ou regiões, vamos ter que enfrentar po- deres das trevas de nível mais alto. Esses são referidos nas Escrituras como principados, porque tais demônios não habitam em pessoas mas em regiões. Você expulsa demônios de pessoas, mas contra principados o que você pode fazer é combater. Combater, que implica lutar por uma posição e pelo domínio sobre ela, é a forma de combate mais exaustiva e mais no corpo-a-corpo. Enfrentar demônios sobre os quais não temos autoridade pode nos deixar feridos e nus. Contudo, confrontar principados sobre os quais não ternos autoridade pode ser ainda mais perigoso. Os maiores avivamentos em toda a história da Igreja têm sido no entanto decorrentes do fato de ela se engajar nesse nível de guerra espiritual. Antes de enfrentarmos um principado, temos que saber que é isso mesmo que o Senhor quer que façamos. Infelizmente o diabo nos lisonjeia, tentando nos seduzir a ir além do nosso chamado, ou a fazer o que Deus nos chamou a fazer, só que de forma prematura, ou na nossa própria força. Se o inimigo conseguir que ultrapassemos a esfera de autoridade que nos foi concedida naquele momento, ele sabe que nos faltará a graça necessária para derrotá-lo. Como podemos ver em 2ª Coríntios, 10:4, 5, estamos destruindo sofismas e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo. O principal campo de batalha na guerra espiritual é a mente das pessoas. Uma das fortalezas mais poderosas que se exalta contra o conhecimento de Deus hoje é a teoria da evolução. Temos que confrontar especulações como esta, porque geralmente elas estão por trás de grandes enganos que mantêm as pessoas presas aos poderes das trevas. Sem nenhuma evidência aceitável que lhe dê suporte, essa teoria é cheia de especulações e de raciocínios à beira da insanidade. Por exemplo, a teoria da evolução d i z b a s i c a m e n t e q u e t o d a a c o m p l e x a h a r m o n i a e interdependência da natureza se deu apenas pelo acaso. Assim se expressou um professor universitário diante da evidência dos fatos: "Há uma chance maior num tufão atingir um ferro- velho e deixar atrás de si um Boeing 747 em perfeito estado do que a ocorrência de todos os fatores que foram necessários para dar condições a que a vida acontecesse sem a direção de um Ser supremo". Se a Terra se desviasse de sua órbita o equivalente a cerca de 3 milímetros numa distância superior a 200 metros, ficaríamos ou congelados ou fritos. Para manter a Terra nessa apertada faixa de espaço, que é.a distância exata em relação ao Sol, e que dá condições à existência da vida, é necessár ia a força gravitacional de todos os planetas - todos! - e alinhados tal como estão, e também a oscilação, e a inclinação que causam as diferentes estações do ano. Como pode alguém, com uma mente sã, acreditar que tudo isso aconteceu por puro acaso? Acrescente a isso o perfeito equilíbrio dos gases encontrados em nossa atmosfera, o equilíbrio dos minerais sobre a Terra, e ainda a contribuição de todas as plantas e animais, sem o que nada disso teria sido possível! Até hoje não temos um computador capaz de computar qual foi à chance de tudo isso haver acontecido por acaso. Dá até para se pensar que alguns desses "cientistas", que acreditam nessa baboseira, talvez eles mesmos é que hajam descendido de macacos, e possivelmente de um ancestral não muito distante! Entretanto, milhões de pessoas aceitam essa teoria como se fosse um fato irrecusável e definitivo, rejeitando a evidência da Criação e imaginando que toda essa imensa diversidade e harmonia que há na natureza simplesmente aconteceu por acaso! A larga aceitação da evolução é uma grande prova de que o engano não tem necessariamente que fazer sentido para que as pessoas nele creiam. Milhões de pessoas estão, de fato, baseando até mesmo seu destino eterno nessa inconsistente teoria. A lógica, então, não é uma ferramenta adequada para se combater tais enganos. É a confiável verdade bíblica, e não a lógica humana, que liberta as pessoas. Quando Satanás tentou Jesus, o Senhor lhe respondeu com as Escrituras? Se o Filho de Deus, que é a Palavra e a Verdade, usou as Escrituras como arma contra o inimigo, com quanto mais razão não devemos fazer o mesmo? Se construirmos a nossa casa sobre a fortaleza da Palavra de Deus, nenhuma tempestade, nenhum ataque prevalecerá contra ela - ou contra nós! Conhecer a Palavra do Senhor e guardá-la é fundamental para permanecermos Nele. Jesus disse: Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito. Finalmente, para vencermos as forças do mal, temos que ter permanentemente nossa atenção concentrada - até o fim. 8. TEMOS QUE NOS CONCENTRAR ATÉ O FIM Muitos caem em pecado porque não mantêm a vigilância necessária quando sua autoridade espiritual aumenta. Esta é uma das razões por que muitos caem de forma trágica no final da vida. Não importa quantas almas hajamos levado à salvação, ou quantos demônios expulsamos; se não persistimos em nos submeter a Deus, em nos aproximar dele, e em resistir ao diabo, estaremos correndo seríssimo perigo. Satanás em pessoa acusa os santos diante do trono de Deus. Portanto, quanto mais próximos estivermos do trono, mais elevado será o nível da acusação. O Senhor poderia a qualquer momento fazer com que Satanás parasse de nos acusar. Só que ele permite isso para que possamos chegar à maturidade, e também para que os principados malignos de maior nível sejam combatidos. Lembre-se de como o espírito maligno respondeu aos exorcistas judeus: conheço a Jesus e sei quem é Paulo; mas vós' quem sois? Todo o inferno conhecia Paulo em virtude do seu altíssimo nível de autoridade, razão pela qual ele sofreu contínua oposição ao seu ministério. Entretanto, a cada nível de oposição, em cada oportunidade em que era açoitado, apedrejado ou perseguido, ele tinha a oportunidade de expulsar níveis cada vez mais altos do poder das trevas. Foi por isso que Paulo disse: ...em nada estais intimidados pelos adversários. Pois o que é para eles prova evidente deperdição, é para vós outros de salvação, e isto da parte de Deus. Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo, e não somente de crerdes nele... A oposição é um sinal de que a salvação está atingindo aque la esfera ou circunstância. É também um sinal da destruição do inimigo nessa região. O Senhor tem permit ido que soframos por Ele como uma forma de guerrearmos na batalha espiritual. O maior ato de guerra espir itual, que venceu por completo o inimigo e que o saqueou foi a cruz. O sofr imento em ret idão desarma Satanás. No mesmo lugar em que o Senhor foi fer ido Ele recebeu autor idade para curar. O mesmo é verdade para nós. No lu gar em que o inimigo nos ferir , é ali que receberemos autoridade para curar. Por exemplo, aquele que sof reu um abuso será sensível a quem haja s of r ido abuso, e terá autor idade para trazer-lhe a cura. A luta espir itual é um fato inevitável na vida de todo cris tão. Alguns de nós têm mais consciência d isso que outros, mas nenhum de nós pode escapar à sua real idade. Deus não apenas nos chamou para ent rarmos em combate, mas tam bém para sermos v i tor iosos, recuperando o ter reno do in imigo. Jesus já assegurou nossa vitória final na cruz, e ele nos chama cada vez mais, para que façamos com que essa vitória seja hoje uma realidade em nossa vida. Dei in íc io a este capítu lo contando uma parte de um sonho que tive, e uma série de visões que recebi, e que constam no meu livro A Batalha Final. Naquela visão eu vi uma montanha que t inha plataformas em diferentes níveis, umas sobre as outras. Em cada nível havia f lechas da Verdade espalhadas por todo lado, que eu sabia que haviam sido deixadas por aqueles que haviam caído daquela posição. Todas as f le chas t inham o nome da Verdade do nível em que estavam. Alguns dos que lá se encontravam relutaram um pouco cru pegá- las, mas eu sabia que necessitávamos de todas que pudéssemos encontrar para destruir a grande horda inimiga que se achava lá em baixo. Peguei então uma f lecha, lancei - a, e com muita fac i l idade at ing i um demônio; isso fez com que os que estavam comigo também começassem a pegar f lechas e as lançassem. Começamos a dizimar várias das divisões inimigas. Por causa disso, todo o exército maligno concentrou sua atenção em nós. Por algum tempo nos pareceu que quanto mais êxito t ínhamos, mais o in imigo no s atacava. Embora nossa missão nos desse a impressão de ser interminável, ela se tornara est imulante. Nossa espada aumentava quando alcançávamos um nível mais elevado. Por pouco não deixei a minha em algum nível infer ior , porque me parecia que não ir ia necessitar dela nos níveis mais altos. Contudo decidi mantê - la comigo, por julgar que, pelo fato de me haver sido dada, deveria ter um propósito. Enterrei então minha espada no chão e me amarrei a e la, enquanto cont inuava a at i rar no in imigo. A voz então do Senhor veio até mim e disse: - Você teve a sabedoria que vai capacitá-lo a continuar subindo. Muitos caíram porque não usaram a espada adequadamente para se firmar. Ninguém mais parecia ouvir essa voz, mas muitos viram o que fiz, e fizeram também. Considerei comigo mesmo: Por que antes que houvesse to rnado tal decisão, o Senhor não me advertira sobre isso? Então percebi que de alguma forma Ele já me dissera isso antes. Então vi que toda a minha vida fora t reinada para àquela hora. Eu estava preparado no grau em que ouvira o Senhor e obedecera à sua voz durante toda a minha vida. Também sabia que por alguma razão minha sabedoria e meu entendimento não podi am ser aumentados nem tomados de mim enquanto est ivesse nessa batalha. Sentia-me muito grato por todas as provações que enfrentara, e lamentava o fato de não as haver apreciado melhor, quando por elas estava passando. Capítulo 9 Contrações de parto e terremotos O barômetro que mede a espiritualidade da Igreja está indicando um aumento em sua intensidade por todo o mundo. Estamos bem nos primeiros estágios de um grande avanço espiritual. Deus está derramando uma maravilhosa unção, mobilizando os santos a espalhar o evangelho e a derrubar as fortalezas. Com a queda que está havendo das barreiras e divisórias entre as igrejas locais, estas estão sendo ativadas com um novo zelo pelo Senhor. Isso não é uma visão nem uma profecia, e sim um fato que está sendo constatado. Por toda parte em todo o mundo estamos tendo genuínos indícios de avivamento. Junto com essas dores de parto espirituais vêm os terremotos, que ocorrem quando camadas geológicas, que são fundamentos da crosta terrestre, começam a deslocar-se e a mover-se em direções opostas. As empresas de seguro definem os terremotos como "atos de Deus", e elas estão certas. Entretanto, Deus não age arbitrariamente. O terremoto de Los Angeles, ocorrido em janeiro de 1994, e os contínuos abalos posteriores são sinais do juízo. Num certo sentido eles foram decorrentes do fato de as igrejas de Los Angeles haverem alcançado certo grau de unidade, e haverem orado pela cidade. A revista Newsweek fez uma reportagem sobre a destruição que aconteceu com aquele tremor e apresentou os que haviam sofrido uma maior devastação. Uma das citações foi: "Os estúdios de quase todo grande produtor e distribuidor de vídeos de pornografia dos Estados Unidos, uma indústria que aconteceu estar localizada bem em cima da zona atingida... Não foi por acaso que o tremor se deu às 4h31 da manhã. Embora o livro de Atos seja com freqüência citado como "Atos dos Apóstolos", ele é, na realidade, um registro dos Atos de Deus. Em Atos 4:31 lemos: Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus. O tremor de Los Angeles, que aconteceu às 4h31 da manhã, tinha o propósito de dar uma maior intrepidez aos santos na pregação da Palavra, especialmente aos santos do sul da Califórnia. A Questão é o Poder Espiritual, e não a Classificação O sul da Califórnia tem sido o lugar onde se encontra o trono de um dos espíritos de sedução mais poderosos, liberados nos dias de hoje. Um filme liberado para maiores de -13 anos, produzido em Hollywood, tem normalmente mais poder para seduzir do que alguns filmes impróprios e até mesmo pornográficos realizados em outras cidades. Por isso temos que depender do discernimento, e não da classificação da censura, para determinar que filmes vamos ver, ou que filmes vamos permitir que nossos filhos vejam. Não se trata do quanto de pele nua seja exibido; o problema reside no poder espiritual que está por trás do filme. O Senhor poderá acabar com toda a pornografia em todo o mundo no momento que quiser, mas não fará isso antes de a Igreja cumprir sua missão de ser luz do mundo e sal da Terra. Ele está apenas esperando que nos conservemos em harmonia com a sua vontade, para então agir. Quando ele determinar que é tempo de juizo, ele vai querer ver a sua Igreja orando nesse sentido, tal como Elias fez para reviver a sua nação. Uma oração eficaz foi o que tocou o coração de Deus com respeito ao sul da Califórnia, e ele respondeu com aquele terremoto como um sinal, e também como um juízo. Embora o Senhor haja demonstrado grande misericórdia por essa região durante todo o século vinte (começando com o Avivamento da Rua Azuza, e prosseguindo com grandes movimentos e ministérios nela baseados, sua estratégia está indo no sentido de juízos cada vez mais sérios. No novo milênio haverá terremotos que produzirão uma grande devastação em todo o sul da Califórnia, pois enquanto a Igreja estiver orando o Senhor não vai condescender, até que arrependimento e mudanças ocorram. Sem arrependimento, a maior parte da Califórnia será totalmente destruída. Seja como for, o coração de Deus foi tocado no que se refere ao espírito de sedução reinante no sul da Califórnia, e ele não vai afrouxar até que o mesmo seja removido. Oremos para que o modo mais fácil,o arrependimento, aconteça. Agora não é à hora de a Igreja abandonar a Califórnia, e sim de operar com maior ousadia ainda, conforme a mensagem de Atos 4:31; O mover do Espírito Santo no novo milênio será maior que qualquer outro mover já visto naquele Estado, que tanto já tem presenciado da glória de Deus. Los Angeles realmente poderá tornar-se "a cidade dos anjos". San Francisco e San Diego, duas outras cidades importantes da região, poderão tornar-se grandes faróis que iluminarão todo o caminho até a Ásia: Onde o pecado é abundante, muito mais graça haverá para aqueles que levam a luz. Terremotos Espirituais por todo o Mundo Paralelamente ao que está acontecendo na esfera natural, grandes terremotos espirituais estão para acontecer na Igreja por todo o mundo. A pressão tem aumentado em certos pontos dos fundamentos que foram lançados, e eles estão a ponto de deslizar, criando grandes ondas de choque. Tais alterações vão desarrumar o status quo e dar margem a sérios "danos estruturais" na Igreja visível. No entanto, apenas o que puder ser abalado será abalado; os ministérios e as pessoas que estiverem alinhados com os verdadeiros fundamentos da fé não serão danificados. Quando esses grandes terremotos espirituais terminarem, a maior parte da Igreja estará numa harmonia muito mais próxima do Senhor, e a Igreja como um todo ficará bem mais estável. Uma grande mudança, entretanto, é iminente, na aplicação prática do nosso ministério como embaixadores do reino. Somos Embaixadores Quando Paulo disse: Somos embaixadores em nome de Cristo, essa foi uma afirmação tão impressionante que deve haver provocado um forte impacto naqueles que a ouviram. Nos dias do Império Romano, a posição de embaixador era tida em alta conta. A comunicação entre Roma e seus embaixadores, e vice- versa, poderia levar meses. Assim, somente aqueles que eram considerados mais leais e sinceros eram escolhidos para tal posição, que às vezes requeria tornar decisões de importância em nome do governo de Roma. Mesmo com os homens da maior confiança nessas posições, os embaixadores somente eram destacados para um país por um período de dois ou três anos. Depois eram trazidos de volta. Os governos sabiam que um embaixador, após algum tempo no país que o hospedava, teria a tendência de absorver alguns dos traços culturais daquele país, o que o tornaria mais simpático. Isso ocorrendo, o embaixador se inclinaria a servir aos interesses da nação hospedeira mais do que aos do seu próprio país. Há um sentido em que temos que nos adaptar àqueles a quem fomos enviados, de modo a não nos tornarmos desnecessariamente ofensivos. O apóstolo Paulo disse: Procedi, para com os judeus, como judeu. Entretanto, quase que universal- mente, cristãos, igrejas e até mesmo missionários comprometeram sua eficácia perante o reino de Deus pelo fato de se haverem tornado simpáticos demais em relação ao espírito da cultura em que estavam vivendo. Fomos enviados a representar o reino e a testemunhar realmente. Isso muitas vezes exige que nos movamos num espírito oposto ao espírito que prevalece normalmente no país. O Poder da Diferença Um conceito errado que tem sido extremamente devastador, e muito tem enfraquecido o testemunho da Igreja é a crença de que podemos alcançar melhor os que têm origem semelhante à nossa. Se viemos dos negócios, sentimo-nos chamados a alcançar homens de negócios. Isso parece fazer sentido, mas é contra a estratégia do Senhor, razão por que ele enviou Pedro aos judeus e Paulo aos gentios. De acordo com nossa filosofia quanto a missões, o Senhor deveria haver enviado Paulo aos judeus. Certamente eles poderiam identificar-se melhor com o "fariseu de fariseus" do que com Pedro. E Pedro, sendo um pescador comum, se entrosaria melhor com Os gentios. No entanto não era intenção do Senhor que seus discípulos se enquadrassem na cultura dos povos. Ele queria que eles chamassem a atenção! Tanto Pedro como Paulo foram lançados em tarefas que os tornavam ofensivos àqueles que desejavam alcançar. Havia somente um modo pelo qual poderiam dar conta da sua missão: teriam que ter unção! Esses dois homens foram impelidos a ter uma total dependência do Espírito Santo. Pois é exatamente nessas condições que ele melhor pode desempenhar a sua obra. Quando Pedro deixou o lugar em que tinha unção, e foi para os gentios, visitando Antioquia, teve tantos problemas que Paulo foi obrigado a repreendê-lo publicamente, porque "se tornara repreensível". De igual forma Paulo, quando foi aos judeus, ao visitar Jerusalém, teve problemas. O que estou querendo dizer é que havia um modo mais fácil para Paulo ir a Roma. Muitos de nossos ministérios atraem problemas pelo simples fato de não permanecerem no lugar da sua unção, que é o único em que sempre irão contar com uma verdadeira autoridade espiritual. Assim como um policial de Charlotte, da Carolina do Norte, não tem autoridade em Toronto, no Canadá, da mesma forma temos que aprender a permanecer no lugar para o qual fomos designados, onde então seremos eficientes. Este princípio é válido tanto espiritualmente como geograficamente. Muitos profetas decaíram da graça porque tentaram tornar-se mestres, assim como muitos mestres decaíram da graça por haverem tentado se tornar profetas. Muitos evangelistas decaíram porque tentaram se transformar em pastores, e vice- versa. Isso não nega o fato de que alguns têm dois, ou até mais chamados. Entretanto, nunca devemos nos atrever a ir além da esfera para a qual certamente fomos chamados. Quando nos esforçamos por ser como aqueles a quem fomos enviados, comprometemos nossa posição de autoridade espiritual. Isso não significa que devamos ter o propósito de em tudo ser diferentes. Nossa autoridade não reside no fato de sermos diferentes, e sim de permanecermos no Espírito Santo. Seremos diferentes se permanecermos no Senhor e formos fiéis à obra que ele estiver fazendo em nós. Assim afirmou o Senhor Jesus: Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece o vosso coração; pois aquilo que é elevado entre homens é ABOMINAÇÃO DIANTE DE DEUS. Se formos compelidos a agir de um modo que nos torne aceitáveis pelos homens, estaremos fazendo o que é detestável perante Deus. A recíproca é também verdadeira; as coisas que são altamente apreciadas por Deus são detestáveis à vista dos homens. Alguém vai detestar o que estivermos fazendo. Quem afinal, desejamos que nos aprecie? O Temor de Deus Para representarmos o reino de Deus de maneira adequada, temos que temer a Deus mais do que aos homens. O profeta Elias fez uma das grandes afirmações bíblicas que resume o que é requerido de um verdadeiro embaixador. Na que parece ter sido a sua primeira profecia em público, feita diante do rei da nação, ele declarou: Tão certo como vive o SENHOR, Deus de Israel, PERANTE CUJA FACE ESTOU, nem orvalho nem chuva haverá nestes anos, segundo a minha palavra. Elias disse a Acabe, rei de Israel, que não estava diante de Acabe - este era apenas um rei, um simples ser humano. Elias não vivia a vida diante de homens, mesmo dos que tinham maior prestígio, e sim diante de Deus. Para que a Igreja cumpra seu mandato para o século vinte e um, ela necessitará do tipo de autoridade que Elias teve, e muito mais. Para levar as pessoas a uma verdadeira conversão, não queremos que se sintam confortáveis, nem com a nossa mensagem, nem conosco. Queremos, isto sim, que se sintam bastante desconfortáveis! Para que uma verdadeira conversão ocorra, as pessoas precisam sentir-se culpadas de seus atos, que contrastam com os atos que são de Deus. O apóstolo Paulo sabia disso. Ele disse: "Se agradasse ainda a homens„ VÃO SERIA SERVO DE CRISTO". Paulo reconhecia que seu corpo, tal como era, t inha sido uma tentação para os gálatas. Diante disso ou eles seriam repelidos por ele ou o receberiam como "um anjo de Deus", como fizeram! Quando as pessoas são atra- ídas peloevangelho por haverem sido atraídas por nós, devemos considerar com seriedade tanto como está a nossa vida como o evangelho que pregamos. O Senhor, ao estabelecer seus fundamentos na Igreja, estes poderão muitas vezes mover-se em direção oposta aos movimentos da sociedade, resultando em grandes confrontações entre a Igreja e a ordem social, como nunca antes acontecera. O poder por trás da Igreja é o poder irresistível de Deus, e a Igreja prevalecerá. Os "terremotos" resultantes devastarão apenas os que estiverem firmados em falsos fundamentos. Levantemo-nos O recuo da Igreja alcançou seu limite. Agora tem início seu avanço, que ficará cada vez mais forte até ser notado pelo mundo todo. A Igreja marchará resolutamente ao campo de batalha. Até mesmo a natureza terá tremores e estremecimentos em testemunho de que os fundamentos do céu e da Terra estão se movendo em direções opostas. Contudo nosso Deus prevalecerá, e nossa vitória é certa. Está na hora de termos ousadia, como nunca antes. Não há retorno. De fato, chegou à hora de concentrar nossas forças nas importantes questões do nosso tempo. CONCENTRAÇÃO DE FORÇAS As Escrituras com freqüência fazem uso de metáforas militares para descrever nosso conflito espiritual - porque os princípios são semelhantes. Uma das mais antigas e mais eficazes estratégias militares é a chamada concentração de forças. Essa estratégia foi empregada nas vitórias militares mais importantes da história, inclusive na Guerra do Golfo Pérsico. A maioria das batalhas se desenvolve segundo certas linhas de confronto. Nessas linhas cada um dos lados procura manter posições defensivas, ao- mesmo tempo que procura encontrar, nas linhas inimigas, um ponto em que um avanço possa ser alcançado. Uma vez conseguida uma ruptura numa das linhas inimigas, tal linha entrará em colapso, pondo-se em retirada para evitar ser cercada pelas forças contrárias. As batalhas para que o coração das pessoas seja alcançado se desenvolve de modo semelhante, segundo linhas espirituais de confronto. Assim como nas guerras há diferentes batalhas em diferentes linhas de frente, o mesmo se dá no conflito espiritual que enfrentamos. Algumas das linhas de frente do nosso conflito se encontram em campos tais como: dos nossos filhos, da música, da mídia e das cidades. Embora todos estejamos no mesmo exército de Deus, o certo é que muitos cristãos estão alinhados com uma força específica, lutando uma determinada batalha. A Batalha pelos nossos Filhos Uma das batalhas espirituais mais desesperadoras do século vinte e um será para a conquista do coração de nossos filhos. Essa batalha tem se desenvolvido com muita violência por todo o século vinte, e na verdade se intensificará no novo milênio. Se não nos prepararmos para esse confronto, cada vez mais intenso, cujo alvo é o coração e a mente de nossos filhos, acabaremos por perdê-los para o inimigo, numa escala sem precedentes. Não nos contentemos em conservar tão- somente nosso território; procuremos agressivamente conseguir uma ruptura nas linhas inimigas. O inimigo está seduzindo nossos filhos com uma falsificação daquilo que é o verdadeiro desejo do coração deles: ter um genuíno relacionamento com o Deus poderoso e sábio que os ama. Criados para Ter Comunhão A batalha ficando cada vez mais acirrada, nossos filhos não se manterão na linha por terem apenas um bom programa para jovens. Tampouco se satisfarão com bons sermões ou boas aulas na Escola Dominical. Deus, que é Espírito, criou os seres humanos com a vontade de terem um relacionamento com o que é sobrenatural, e essa vontade é maior durante a adolescência. Se os adolescentes não tiverem um relacionamento com o poder sobrenatural de Deus, estarão muito vulneráveis a buscar experiências com os poderes sobrenaturais malignos. Embora a feit içaria e a macumbaria hajam crescido a uma taxa surpreendente durante o século vinte, no novo milênio elas crescerão ainda mais rapidamente, se a Igreja não aumentar sua inf luência sobrenatural. O verdadeiro Cristianismo é um caminhar com o sobrenatural, como a Bíblia deixa muito claro. Ternos que ter um discernimento ainda maior, para proteger nossos filhos. A Necessidade de Discernimento Na batalha pela conquista do coração dos nossos filhos, o inimigo não fará jamais, evidentemente, um jogo limpo. Muito pelo contrário, ele empregará os meios mais horríveis e cruéis de que possa valer-se. Ele já fez com que circulassem de forma aloucada livros, filmes, programas de televisão e músicas com um poder demoníaco tal que aqueles que estiverem espiritualmente desprotegidos poderão ser atingidos por uma terrível Opressão espiritual, ou até mesmo possessão. Infelizmente muitos cristãos não reconhecem a presença do inimigo até que ele se haja alojado muito bem em sua vida, levantando em torno uma poderosa fortaleza. Se a Igreja não acordar nessa área, haverá um surpreendente aumento na violência dos filhos para com os pais ou para com outros jovens. Um acidente desse tipo aconteceu em abril de 1999, na pequena cidade de Kittrell, ao sul da Carolina do Norte. A mãe, Debbie Bawcum, entrou no quarto de seus dois filhos gêmeos por volta das 21h30, e viu uma espingarda de caça apoiada numa das camas. Ela havia anteriormente pedido a seu marido, um ávido caçador, que não guardasse armas em casa. O mais rápido possível, foi em direção a um dos meninos, que estava com a arma, a fim de_ pegá-la. Foi então que os tiros começaram. Um dos meninos atingiu Debbie em seu braço, e depois derrubou o pai quando este veio correndo, subindo a escada aos saltos para ajudá-la. Um tiro atingiu a filha do casal, Robin. Os dois meninos que mataram o pai t inham 11 anos de idade. "Eles estavam com outra cara" - disse Debbie Bawcum. - "Não eram os meus filhos. Eles tinham uma cara estranha. Por alguns minutos não eram os meus filhos. O caso que narrei não tem por intenção provocar medo em ninguém; é meu intuito permitir que você tenha sabedoria. Não podemos entregar a mente dos nossos f i lhos ao mundo e esperar que eles cresçam como crentes. Realmente, vivemos num território inimigo, mas não importando qual seja a nossa teologia ou a nossa escatologia, nosso propósito aqui não é esconder o inimigo, e sim enfrentá-lo em toda oportunidade. Os pais que deixam de disciplinar seus filhos, conforme o mandamento bíblico, acabarão sendo disciplinados por eles - ou lhes acontecerá algo pior. Os que não controlam os livros que seus filhos lêem, as músicas que ouvem, os filmes e os pro- gramas de televisão a que assistem, não demorará muito e verão o mal surgindo neles, até mesmo sob a mais perversa e hedionda forma demoníaca. E isso pode suceder num abrir e fechar de olhos! Agora é hora de orar como nunca pelos pais cristãos, e também pelos que trabalham com os jovens, e pelos autores de livros destinados aos adolescentes. (Temos que orar também por todos os mestres, diretores e conselhos das escolas.) A Igreja tem que reconhecer que os ministérios que trabalham com jovens e crianças são tão importantes como os demais ministérios da Igreja. Esses ministérios não têm a função de apenas trazer recreação, mas preparar esses que constituem uma geração que foi destinada desde a fundação do mundo a permanecer de pé e confrontar o inimigo na hora mais negra de todos Os tempos. O Senhor sem dúvida abençoará enormemente, prosperará e dará unção às igrejas que derem recursos aos ministérios de jovens e de crianças. A razão por que muitos de nossos filhos rejeitaram a Igreja é o fato de não haverem tido contato - infelizmente! - com a Igreja real. Quando eles de fato virem o verdadeiro Cristianismo, eles o desejarão, porque um andar iluminado e certo na fé é o que reflete o modo de ser para o qual fomos criados. A Igreja vive vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Temos de nos libertar do que nos prende a prédios e a programas, para que participemos da poderosa força que o Senhoragora está reunindo. Finalmente, a coisa mais importante que podemos fazer por nossos f i lhos é nós mesmos nos aproximarmos do Senhor. Por mais convidativo que seja o ambiente da igreja, nada no universo é tão atraente como o Filho de Deus. Quando Ele é exaltado, todos são atraídos a Ele. A B a t a l ha da M ús i ca A música constituirá outro grande campo de batalha no século vinte e um. De diversos modos o novo milênio será uma repetição dos anos da década de 1960, apenas com uma intensidade bem maior. Assim como a música dos Beatles e de outros grupos direcionaram aos grandes movimentos de contestação daquele período, a música terá um papel maior no estabelecimento do clima espiritual neste milênio. A L i n g u a g e m U n i v e r s a l A música é chamada de "a linguagem universal", por cruzar quase que toda a barreira social e política. A música é também uma linguagem espiritual que vai além do intelecto e alcança as fronteiras ilimitadas do coração. Os que criam essa lingua- gem, que é universal e espiritual, têm uma poderosa arma na batalha pela conquista do nosso coração. O Senhor está convocando um exército de guerreiros da música, que serão usados como uma artilharia para bombardear algumas das fortalezas mais fortes do inimigo, entre as quais o racismo, as drogas, a pornografia e o espiritismo. Artistas de contato. Alguns dos artistas do Senhor se tornarão artistas de contato, que alcançarão audiências seculares. Deus vai dar à juventude novos modelos para serem por ela influenciados e seguidos, como uma alternativa aos astros tão populares da Música popular, extremamente degenerada, que corre tresloucada por aí. É importante que esses músicos do Senhor não tenham uma aparência religiosa nem falem com o "jargão evangélico". Entretanto, não devem copiar o estilo mundano. Tais cantores e músicos são verdadeiros evangelistas, chamados para lançar sementes que outros colherão. Música sertaneja. A recente popularidade da música sertaneja não acontece por acaso. Essa música nasceu na igreja, e o Senhor a está reivindicando para seus propósitos. Ele está chamando muitos destacados artistas da música sertaneja, e se eles responderem ao seu chamado, o Senhor os usará com grande Poder. Assim acontecendo, a música sertaneja, que sempre foi considerada uma música das classes mais baixas, terá um aumento de status e de apreço, mais que qualquer outro tipo de música. Se eles não responderem ao Senhor, a música sertaneja cairá de novo a uma relativa obscuridade. Música de louvor. Uma nova música de louvor surgirá com uma nova forma musical. Essa música atingirá as diversas gerações e se tornará popular tanto entre os idosos como entre os jovens. Muitos dos intérpretes musicais do Senhor terão a experiência de serem levados aos céus e ouvirem a música celestial. Outros receberão músicas e cânticos espirituais em sonhos e visões. O poder dessa música celestial causará um impacto sem medida na vida diária dos cristãos, por comunicar um verdadeiro espírito de louvor e adoração ao Senhor. Essa música atrairá também à fé multidões de incrédulos. Evangelização pela música. A Igreja tem que reconhecer seus músicos como soldados da linha de frente na batalha po r nossa ge ração . Surg i rá uma nova v isão quanto à evangelização mediante a música, de forma que muitos ministérios de música serão reconhecidos como sendo de verdadeiros missionários, e não de simples portadores de um espetáculo. Esses ministérios e missionários precisarão ser devidamente preparados e estimulados, da mesma forma que qualquer outro ministério. A música será um dos principais campos de batalha do novo milênio, uma vez que ela tem o potencial de provocar uma das maiores rupturas nas linhas inimigas, na guerra contra as trevas. A Batalha pela Mídia A mídia não deve ser tida como um inimigo nosso. Há inimigos da fé que trabalham na mídia, e ocupam posição de grande poder. Temos contudo que considerar a liberdade de expressão e a imprensa como uma das maiores bênçãos que temos. É contra produtivo gastar o tempo nos queixando da mídia noticiosa liberal, dos governos, ou de outros problemas, quando essa mesma energ ia e esse tempo ass im despendido poderiam ser usados para orar por tais situações. Uma verdade realmente revolucionária demais para alguns dentre nós, e que precisa ser de fato compreendida, é que o Senhor de fato ouve as nossas orações. Ele nos delegou uma impressionante autoridade: o que ligarmos na Terra terá sido ligado no céu, e o que desligarmos na Terra terá sido desligado no céu. Os crentes devem orar por todas as estações de rádio, de televisão, por todos os jornais e demais meios de informação em sua região, até que se tornem padrões da cobertura noticiosa dedicados à verdade, à integridade e à justiça. Nos últimos quarenta anos o inglês tem sido a segunda língua mais ensinada nas escolas de quase todas as nações, inclusive nos países da antiga União Soviética. Agora as notícias que são transmitidas pela televisão no mundo todo pela CNN e por outras estações internacionais são compreendidas nesta língua que tem se difundido por toda parte. Noticiários de estações seculares, apresentados por repórteres não crentes, contribuirão mais para a propagação do evangelho do que contribuíram as redes evangélicas de televisão até o dia de hoje. Não é para se inferir daí que as redes evangélicas não estejam realizando nada. Entretanto, quando os noticiários seculares, espiritualmente neutros, promulgarem notícias de avivamentos e de grandes atos de Deus, isso causará um impacto sem precedentes nos espectadores. A Batalha pelas nossas Cidades Cada batalha por uma verdade específica está sendo também lutada num cenário um tanto diferente e com outras estratégias. A chave para a vitória em cada uma delas é conseguir avançar sobre as linhas do inimigo. Nos últimos anos tem havido uma certa mudança na atmosfera espiritual em certas cidades, como por exemplo em Los Angeles. Entretanto, conseguimos no máximo fazer com que o inimigo recuasse um pouquinho em algumas áreas. Ainda não tivemos um verdadeiro avanço nessa linha de frente. Quando virmos uma cidade verdadeiramente conquistada para o Senhor, os cris tãos de toda a Terra se levantarão com um zelo, um ímpeto e uma coragem e decisão sem precedentes para tomarem a sua cidade, e muitas outras se firmarão como fortalezas espiritu - ais da verdade e da justiça. Os avanços que têm sido conseguidos na batalha pelas cidades fizeram com que muitos cristãos viessem a se alinhar com a estratégia de batalha espiritual pela conquista de cidades. Isso criou uma importante mobilização de forças. A chave para a ruptura das linhas inimigas será uma força esmagadora num único ponto das linhas adversárias. Tais linhas nessa batalha incluirão todas as cidades e vilarejos, mas os maiores pontos de conflito incluirão apenas algumas das cidades onde is igrejas estiverem unidas, e de forma a verem acontecer um avivamento na localidade, mudando assim a atmosfera espiritual. Se apenas uma cidade importante for tomada, o inimigo se retrairá nas demais de maior importância do inundo. Essas linhas precisam ser urgentemente reforçadas e avançadas tanto quanto possível. Construindo o Mesmo Muro Como aconteceu no tempo de Neemias, cada família receberá uma parte específica do muro a ser concluído. Entretanto, todos estaremos trabalhando no mesmo muro, para permanecermos juntos e unidos como um só povo, num único propósito. Os que estiverem se dedicando a conhecer o poder de Deus para a cura não apenas serão tolerantes com Os que estiverem se dedicando ao estudo das Escrituras, mas também neles confiarão com respeito ao ensino, à edificação e à correção. Quando os que têm se dedicado ao estudo das Escrituras e ao ensino tiverem necessidade de cura, estes também saberão a quem recorrer. Como todos temos condições de nos especializar em chamados específicos, a luz quereceberemos ficará mais forte e concentrada. E quando a luz se concentra suficientemente, ela se torna um raio laser! À medida que amadurecermos na compreensão de todo o escopo da batalha e de nosso papel nela, e reconhecermos quem são os que estão do nosso lado, mesmo tendo uma função diferente da nossa, o Senhor terá condições de nos dar armas espirituais à base de raios laser, com poder suficiente para penetrar até mesmo nas mais fortes fortalezas do inimigo. Capítulo 10 O espírito de religiosidade No sonho que tive em 16 de fevereiro de 1995, que foi publicado em A Batalha Final, vi o Senhor Jesus no Jardim de Deus sob a Árvore da Vida. Parecia que todo o exército de Deus estava lá, ajoelhado diante do Senhor Jesus. Ele acabara de nos ordenar que voltássemos à batalha em atenção aos nossos irmãos que ainda estavam feridos. O Senhor não tinha uma aparência que me levasse a considerar que chamava muito a atenção por sua beleza. Pelo contrár io, sua aparência em meu sonho era um tanto comum. Mesmo assim, a graça com que se movia e com que falou fez dele aos meus olhos a pessoa mais atraente que vira em toda a minha vida. Ele ultrapassava todo conceito humano do que pudesse signif icar dignidade e nobreza. Nenhuma pintura que tentasse reproduzi - lo conseguir ia tal fei to. Contudo de certa forma a maioria das pinturas que eu vira tinham alguma semelhança com ele. Ao olhar para ele, compreendi por que é tudo que o Pai ama e de que se apraz. O Senhor prosseguiu com sua exortação: —Eu lhes dei dons espirituais e poder, e uma crescente compreensão da minha Palavra e do meu reino, mas a maior arma que foi dada a vocês é o amor do Pai. Enquanto vocês andarem no amor do meu Pai vocês nunca falharão. O fruto dessa árvore é o amor do Pai, que se manifesta em mim. Este amor que está em mim tem de ser o seu pão de cada dia. Depois de estar no Jardim de Deus por um certo tempo, um anjo veio levar-me de volta ao portão. Protestei, dizendo que não queria sair. Parecendo surpreso, o anjo me tomou pelos ombros e me olhou nos olhos. Foi então que o reconheci. Ele era o anjo da Sabedoria. - Você nunca terá que sair deste jardim - disse ele. - Este jardim está no seu coração, porque o Criador, ele mesmo, está dentro de você. Você desejou a melhor parte, a de adorar e sentar na presença dele para sempre, e isso nunca lhe será tirado. Amar a Deus é o maior dos mandamentos e o maior dom que alguém possa ter. Jack Deere, que foi professor no Instituto Teológico de Dallas e autor do livro "Surprised by the Power of God" (Surpreendido pelo Poder de Deus), disse certa vez: "Ter paixão pelo Filho de Deus é o que vencerá mil males em nosso coração, e é a arma mais poderosa contra o mal em nossa vida". É por isso que um dos ataques mais mortais e enganosos que o inimigo tem feito sobre a Igreja é o que procura desviar-nos da busca e a paixão por viver esse amor. Sua estratégia é fazer com que nos ocupemos com o mal em nossa vida, pois ele sabe que nos tornaremos o que estamos contemplando. Essa tática vem sob a forma de um espírito de religiosidade, que é o engano do verdadeiro amor por Deus e da verdadeira adoração. Vou dar uma simples definição desse inimigo mortal da verdadeira vida espiritual: O espírito de religiosidade é o espírito maligno que procura substituir, na vida do crente, o poder do Espírito Santo por atividades religiosas. Seu objetivo principal é fazer com que os cristãos se apeguem a uma forma de piedade, embora hajam negado seu poder. Esse espírito de religiosidade é o "fermento dos fariseus e saduceus", contra o qual o Senhor advertiu seus discípulos. Jesus chamou esses ensinamentos errados de "fermento", porque o espírito de religiosidade atua tal como o fermento no pão. Em vez de acrescentar alguma substância ou algum valor nutritivo, apenas aumenta o volume do pão. O espírito de religiosidade também nada soma à vida e ao poder da Igreja; pelo contrário, alimenta o orgulho, esse sentimento pecaminoso que causou a primeira Queda e a queda de quase todos os homens. Satanás sabe que Deus não permanece em obra nenhuma que seja alimentada por orgulho. Deus inclusive se oporá a essa obra. Assim, uma das principais estratégias do maligno contra nós é fazer com que caiamos no orgulho, e o orgulho espiritual é o ponto máximo dessa forma de malignidade mortal. Satanás sabe também que uma vez na massa, é muito difícil remover o fermento. O orgulho, por sua própria natureza, é a fortaleza do inimigo mais difícil de ser removida ou corrigida. O espírito de religiosidade nos impede de ouvir a voz de Deus, por nos levar a acreditar que já sabemos o que Deus está dizendo e o que lhe agrada. Esse engano é decorrente de crermos que Deus é tal como nós, e que nossas posições são suas mesmas posições. Somos enganados, levados a crer que as repreensões, exortações e palavras existentes nas Escrituras visam corrigir outras pessoas, não a nós. A principal característica dos fariseus era a tendência de ver o errado nos outros, sem enxergar os próprios erros. Este é um problema na sua vida, leitor, caso você haja acabado de pensar que alguém que você conhece precisaria ler isto aqui. É até bem possível que não lhe ocorra o pensamento de que Deus colocou esta página em suas mãos porque é você que necessita desta mensagem. De fato, todos precisamos desta advertência. É urgente que nos libertemos deste engano devastador e permaneçamos livres. Não teremos condições de adorar plenamente o Senhor, em Espírito e em verdade, se assim não for feito conosco. O confronto da Igreja com o espírito de religiosidade será uma das batalhas heróicas que enfrentaremos nos últimos dias. Todo o mundo estará lutando nessa batalha. A única questão pendente é: de que lado você estará lutando? O Grande Engano Uma das características mais enganosas do espírito de religiosidade é que ele tem seu fundamento no zelo pelas coisas de Deus. Temos a tendência de pensar que esse zelo não pode ser um mal. No entanto, tudo depende da razão por que o cultivamos. Ninguém na Terra orava mais, jejuava mais, lia mais a Bíblia, ou tinha uma esperança maior na vinda do Messias do que os fariseus. Contudo eles foram os maiores opositores de Deus e do Messias. O jovem Saulo de Tarso foi motivado pelo zelo por Deus quando aprisionava e matava os cristãos, antes de se haver convertido. Talvez seja por isso que ele veio a ter um entendimento tão profundo acerca dessa fortaleza maligna. Assim escreveu ele sobre seus irmãos judeus: Porque lhes dou testemunho de que eles têm ZELO por Deus, porém não COM entendi- mento. O Senhor não teve praticamente problema algum com os demônios enquanto caminhava sobre a Terra. Eles rapidamente se curvavam diante dele e clamavam por misericórdia. Por outro lado, a comunidade religiosa, conservadora e zelosa, crucificou o Verbo de Deus quando ele andou em seu meio. O mesmo acontece ainda hoje. Todas as seitas e todas as falsas religiões juntas não têm ocasionado um estrago tão grande nos verdadeiros movimentos de Deus como tem causado a infiltração do espírito de religiosidade, uma vez que os genuínos cristãos facilmente discernem as seitas e as falsas religiões. Entretanto, o espírito de religiosidade tem frustrado ou desviado quase todo movimento de avivamento até hoje, e está ainda num lugar de honra numa grande parte da Igreja visível. No final dos tempos, uma manifestação desse espírito de religiosidade tomará assento no próprio templo de Deus (que é a Igreja), declarando-se ser Deus e fazendo com que quase todo o mundo o siga. Os Dois Fundamentos Tal como a maior parte das poderosas fortalezas do inimigo, o espírito de religiosidade constrói sua obra sobre dois fundamentos: o medo e o orgulho. O espírito de religiosidade procura fazer com que sirvamos a Deus para ganharmos a aprovação do Senhor, em vez de reconhecermos que a nossa aprovação vem mediante a cruz de Jesus. Portanto, o espírito de religiosidadebaseia o relacionamento com Deus numa d isc ip l ina pessoa l , em vez d e baseá - lo no sac r i f íc io propiciatório de Cristo. Medo e orgulho são duas conseqüências básicas da Queda, e nossa libertação delas geralmente se dá mediante um longo processo. É por isso que o Senhor deu até mesmo a Jezabel um "tempo para que se arrependesse". Entretanto, embora o Senhor lhe haja dado esse tempo, ele admoestou a igreja de Tiatira por tolerá-la. 5 Podemos ter paciência com os que têm o espírito de religiosidade, dando-lhes tempo para que se arrependam, mas não podemos tolerar seu ministério em nosso meio enquanto permanecemos nessa espera! Se esse espírito não for confrontado de imediato, ele fará mais danos à Igreja, aos ministérios, às famílias e à nossa vida do que qualquer outra investida que o inimigo possa fazer contra nós. Vejamos agora como o medo, que oferece motivação para que o espírito de religiosidade atue, muitas vezes se baseia no sentimento de culpa. O Medo e seu Fundamento na Culpa Eli, o sacerdote que criou Samuel, é um bom exemplo bíblico de alguém que ministrava com um espirito de religiosidade fundamentado na culpa. Ele tinha tanto zelo pelo Senhor, que quando ouviu dizer que os filisteus haviam roubado a arca, caiu e morreu. Ele passara a vida procurando servir o Senhor como sumo sacerdote, mas a primeira palavra dada a Samuel foi uma das mais pavorosas reprimendas feitas nas Escrituras - e foi para Eli! Porque já lhe disse que julgarei a sua casa para sempre, pela iniqüidade que ele bem conhecia, porque seus filhos se fizeram execráveis, e ele os não repreendeu. Portanto, jurei à casa de Eli que nunca lhe será expiada a iniqüidade, nem com sacrifício, nem com oferta de manjares. (1ª Samuel 3:13,14) O zelo de Eli pelo Senhor baseava-se nos sacrifícios e nas ofertas de manjares que supostamente seriam a compensação por sua irresponsabilidade como pai. A culpa pode também despertar em nós um grande zelo pelo Senhor, o que nos leva normalmente a fazer uso de sacrifícios e oferendas como expiação por nossos erros. Isso é uma afronta à cruz, pois somente ela faz expiação por nossa culpa. Esse tipo de zelo nunca será aceito pelo Senhor, mesmo que façamos sacrifícios eternos. Devemos observar aqui que o Senhor não afirmou que o pecado de Eli não poderia ser perdoado. Ele apenas disse que o que ele fizera como expiação por seu pecado, mediante sacrifício e oferendas, jamais funcionaria. Isso não significa que devemos deixar de fazer coisas para agradar o Senhor. Contudo nossa motivação deve ser sempre a de fazer tudo visando ao seu contentamento, e não à nossa aceitação. Uma atitude é centrada em Deus; a outra na p r óp r i a p e s s o a , o q ue r e p r e s e n t a u m a t e n t a t i v a d e desconsiderar a cruz. É ainda digno de nota que um dos pecados dos filhos de Eli foi o fato de que eles desprezavam a oferta do Senhor. Eles se apropriavam dos sacrifícios e das ofertas trazidas ao Senhor para seu próprio uso egoísta. Os que são tomados por essa for- ma de espírito de religiosidade muitas vezes são os mais zelosos a pregar a cruz. Trata-se no entanto de uma perversão, porque eles enfatizam mais a cruz deles do que a cruz de Cristo. Eles se deliciam com uma humilhação auto-imposta, em vez de na cruz de Cristo - único meio de nos tornarmos justos e aceitáveis diante de Deus. O fundamento do medo é a culpa. E o fundamento do orgulho é o idealismo. O Orgulho e seu Fundamento no Idealismo O idealismo, uma forma de humanismo, é um dos disfarces mais enganosos e destruidores do espírito de religiosidade. O idealismo procura impor padrões nos outros que vão além do que Deus requereu, ou para o que nos concedeu graça. Os que são controlados por esse tipo de espírito de religiosidade podem por exemplo condenar, afirmando não ser espiritual quem não esteja orando durante duas horas por dia. É possível que Deus queira que oremos duas horas por dia, mas ele primeiramente vai nos chamar para orarmos durante dez minutos diários. Depois, com a bênção que vem sobre nós com sua presença, vamos querer passar com ele mais tempo, e mais tempo, até não nos contentarmos com apenas dez minutos, depois com uma hora, depois com duas. Desse modo nossa graça cresce no amor por Ele e por Sua presença, mas não devido a uma pressão ou a um sentimento de culpa. Em virtude do idealismo que cultivam, as pessoas com espirito de religiosidade procurarão normalmente a igreja perfeita, e se recusarão a participar de qualquer coisa menos que isso. Constantemente criticam sua própria igreja. Os que são dirigidos pelo Espírito Santo, que é chamado de "o Ajudador", podem cultivar também elevadas esperanças em relação à sua igreja, possivelmente se doando às obras mais humildes, a fim de ajudá-la em seu crescimento no que diz respeito à visão e à maturidade. Quando o espírito de religiosidade tem fundamento no orgulho, isso se evidencia pelo perfeccionismo, onde tudo ou é preto ou é branco. Isso faz com que se chegue a extremos, requerendo que cada pessoa e cada ensinamento seja julgado como sendo ou 100 por cento certo ou 100 por cento errado. Somente Jesus poderia satisfazer uma condição como essa. Quando impomos aos outros - ou a nós mesmos - tais padrões, o resultado é um engano muito sério. A verdadeira graça nos transmite uma verdade que nos liberta, mostrando-nos o caminho que nos leva a nos libertar do nosso pecado ou o caminho para níveis mais elevados de maturidade espiritual. As pessoas dotadas de espírito de religiosidade podem destacar os problemas com bastante precisão, mas geralmente não oferecem soluções, a não ser deitar por terra o que já foi construído. Essa é a estratégia do inimigo: acabar com todo o progresso e produzir um desencorajamento que limitará um possível futuro crescimento. A graça de Deus nos faz subir a montanha passo a passo. O Senhor não nos condena por tropeçarmos algumas vezes, em nosso esforço de ascensão. Ele graciosamente nos levanta e nos incentiva a prosseguir em direção ao topo da montanha. Nunca devemos nos condenar por ainda não havermos chegado lá. O mais importante é estarmos no processo de subida. Se tivéssemos que esperar até que atingíssemos a perfeição, para então ministrar, ninguém estaria qualificado para isso. Considere por exemplo como estavam Os apóstolos quando foram deixados com o encargo de construir a Igreja. No momento da cruz, na hora em que Jesus tinha a maior necessidade, todos, exceto João, se dispersaram para longe, negaram-no e traíram-no. Quantos pastores deixariam sua igreja, num único fim de semana, entregue às mãos de um grupo de pessoas, tal como o grupo dos discípulos do Senhor? Contudo Jesus pôde deixar sua Igreja entregue a tais homens, não por confiar neles, mas por confiar na ação do Espírito Santo. Obediência e compreensão perfeitas devem ser sempre a nossa meta. Entretanto, jamais as encontraremos em nós mesmos. Isso só acontecerá quando estivermos permanecendo de forma perfeita naquele que é Perfeito. Um dos maiores enganos de todos é crer que já temos uma compreensão completa, ou que a nossa percepção e nossos atos são 100 por cento certos. Isso impede que tenhamos uma compreensão maior, e que ainda possamos ser corrigidos. No entanto Paulo afirmou: Agora vemos como em espelho, obscuramente. Em razão do que ele diz é que somos compelidos a sempre estar receptivos a uma perfeição maior em nossas crenças e em nossos ensinos. Jesus abençoou Pedro e lhe deu as chaves do reino um pouco antes de ter que repreendê-lo e chamá-lo de "Satanás". Logo depois da extraordinária bênção do recebimento das chaves do reino, o inimigo enganou Pedro. Contudo o Senhor não tomou de volta as chaves que lhe dera. Quando ele as entregou já sabia que em breve Pedro o negaria. Esses dois incidentes não constituem seus únicos tropeços. Muitos anos depois, quando ele usou as chaves para abrir a porta da fé para os judeus e os gentios,o último dos apóstolos, Paulo, teve que repreendê-lo publicamente, em razão de hipocrisia. Mesmo assim Pedro recebeu a promessa de sentar-se num dos doze tronos que julgarão as doze tribos de Israel.9 O estilo de liderança adotado por Jesus foi o de dar condições a seus seguidores de poder cometer erros, e então aprender com os mesmos. Se exigíssemos que nossos filhos fossem perfeitamente maduros em tudo, isso seria contraprodutivo; aliás, contribuiria inclusive para reprimir-lhes o crescimento e o amadurecimento. O mesmo acontece na Igreja. Temos que corrigir os erros cometidos, porque é assim que aprendemos. Entretanto, essa correção tem que nos encorajar e nos edificar, e não nos condenar, nem dar um fim às nossas iniciativas, o que seria verdadeiramente lamentável. Finalmente, uma das formas mais poderosas em que o espírito de religiosidade age é a de construir sobre o medo e o orgulho ao mesmo tempo. O Fundamento do Medo e do Orgulho Os que são simultaneamente dominados pelo medo e pelo orgulho passarão por períodos de profunda angústia e remorso diante de seus erros. O resultado é um arrependimento que é simplesmente mais uma humilhação própria do que qualquer outra coisa, e que produz ainda mais sacrifícios na tentativa de satisfazer o Senhor. Passam então ao outro extremo, ficando tão convencidos de que são superiores aos demais cristãos e a outros movimentos que se tornam não ensináveis, incapazes de receber qualquer repreensão. Esse espírito de religiosidade é tão escorregadio que consegue safar-se de quase toda tentativa de confronta-1o. Se você se dirigir ao orgulho, os temores e as inseguranças surgirão para despertar simpatia. Se você confrontar o medo, ele se transformará num orgulho religioso, disfarçado de fé. Esse espírito acaba levando pessoas e igrejas a extremos tais que farão fatalmente que se desintegrem. Examinemos agora nosso próprio coração, observando alguns sinais que indicam a presença de um espírito de religiosidade. Sinais de Advertência Indicativos do Espírito de Religiosidade A maioria de nós é sujeita ao espírito de religiosidade, ao menos até um certo ponto. Paulo exortou-nos a que nos examinássemos a nós mesmos para vermos se realmente estamos na fé. Passe pelos sinais de advertência citados abaixo e verifique em que pontos você pode ter um espírito de religiosidade. 1. Tendência a considerar, como sua principal missão, acabar com o que você crê ser errado. O ministério de uma pessoa como essa produzirá mais divisão do que obras permanentes. 2. Não sabe receber uma repreensão, especialmente daqueles que você julga serem menos espirituais que você. Pense sobre a forma em que você reagiu nas últimas poucas vezes em que alguém tentou corrigi-lo em alguma coisa. 3. Uma filosofia de não considerar o que os outros dizem: ...mas somente o que Deus diz. Como Deus normalmente fala por meio de pessoas, isto é obviamente um engano, e revela sério orgulho espiritual. 4. A inclinação para ver mais o que está errado nos outros e nas outras igrejas do que o que neles está certo. João viu a Babilônia de um vale, mas quando foi levado a uma "alta montanha", ele viu a Nova Jerusalém. Se apenas estamos vendo a Babilônia, nossa perspectiva está errada. Os que estão tendo uma visão correta são os que estão procurando ver o que Deus está fazendo, e não o que Os homens estão fa- zendo. 5. Um sentimento de culpa opressivo, por não se sentir nunca à altura dos padrões de Deus. Esta é uma raiz do espirito de religiosidade, porque faz com que você baseie seu relacionamento com o Senhor no seu próprio desempenho, e não na cruz. 6. A crença de que você foi destacado para corrigir todo o mundo! Os vigias e xerifes do reino de Deus que assumiram por sua própria conta essa posição geralmente não constroem nada; pelo contrário, eles normalmente mantêm a igreja numa situação incômoda e de agitação, podendo provocar sérias divisões. 7. Um estilo de liderança dominador, arrogante e intolerante quanto aos erros dos outros. Como disse Tiago: A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento. Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz. 8. O sentimento de que você está mais perto de Deus do que outras pessoas, ou de que a sua vida ou o seu ministério estão agradando o Senhor mais do que a vida e o ministério dos outros. Este é um sintoma do grande engano de pensar que chegamos mais perto de Deus pelo que somos, e não unicamente por instrumento de Jesus. 9. Orgulho de sua maturidade espiritual e de sua disciplina, especialmente quando você se compara com os demais. A verdadeira maturidade espiritual envolve crescimento até a posição de Cristo. Quando começamos a nos comparar com os outros, é óbvio que perdemos de vista nosso verdadeiro alvo: Jesus. 10. A crença de que você está na crista da onda do que Deus está fazenda Isso inclui pensar que você está envolvido no que Deus está fazendo de maior importância. Ainda que isso fosse verdade, estaríamos novamente aqui diante de profundo orgulho espiritual, bem como de uma posição egocêntrica. Os que recebem verdadeiras missões importantes têm a graça de executá-las simplesmente porque Deus "dá graça aos humildes". 11. Uma vida mecânica de oração. Quando você se sente aliviado ao terminar seu período de oração, ou quando termina de orar por todos os itens da sua lista de pedidos, você deve avaliar como está. Você nunca poderia se sentir aliviado por terminar de conversar com Aquele que você ama. 12. Fazer o que as pessoas vão notar Este é um sintoma da idolatria, que significa temer as pessoas mais do que a Deus, e resulta numa religião que serve às pessoas em lugar de a Deus. 13. Ter forte aversão pelas situações emocionais. Quando alguém sujeito a um espírito de religiosidade se encontra com a verdadeira vida de Deus, ela lhe parecerá excessiva, emocional e carnal. A verdadeira paixão por Deus é emotiva e visível. Você se lembra de que Davi dançou quando trouxe a arca de Deus até Jerusalém? E lembra também como isso causou uma aversão em sua esposa Mical que ficou estéril daquele dia em diante? Esse espírito crítico conduz à esteri lidade espiritual. 14. Uso de emoções em substituição à obra do Espirito Santo. Você acha que choro e gemidos têm que estar presentes num arrependimento? Ou que a pessoa "tem que cair sob o poder de Deus" para ser por ele verdadeiramente tocada? Embora ambas as situações possam constituir evidências da verdadeira obra do Espírito Santo, você já está se deixando contaminar pela influência de Outro espirito, caso julgue que elas têm forçosamente que acontecer. Nas reuniões de Jonathan Edwards, no Primeiro Grande Avivamento, alguns dos que eram mais obstinados e rebeldes caíram no chão e assim permaneceram por vinte e quatro horas. Essas aparentemente estranhas manifestações estimularam o Grande Avivamento, uma vez que aqueles homens se transfor- maram de verdade. Entretanto, Edwards afirmou que houve outros que falsearam essas manifestações, contribuindo assim para o fim do Grande Avivamento, mais do que os próprios inimigos dele. 15. Mantendo estatísticas de sua vida espiritual. Você se sente melhor quanto a si mesmo porque está indo a mais reuniões, ou porque lê a Bíblia mais do que antes, ou porque faz mais coisas para o Senhor do que os outros? Todas essas atividades são nobres, mas a verdadeira medida da maturidade espiritual é estar mais perto do Senhor. 16. Ficar motivado quando seu ministério parece estar melhor que outros ministérios. Isso inclui ficar desmotivado quando os outros ministérios parecem estar melhor, ou crescendo mais que o seu. 17. Gloriar-se mais pelo que Deus fez no passado do que pelo que faz no presente. Deus não mudou; Ele é o mesmo ontem, hoje e para sempre. O véu foi removido; podemos ficartão perto de Deus quanto qualquer um do passado. O espírito de religiosidade procura fazer com que concentremos nossa atenção em comparações, em vez de simplesmente nos aproximarmos do Senhor. 18. A tendência de suspeitar de novos movimentos ou igrejas, ou se lhes opor. Este é obviamente um sintoma de inveja, um dos principais frutos do espírito de religiosidade — e do espirito de orgulho — que perseveram em dizer que Deus nada faz de novo a não ser por nosso intermédio. É claro, é muito raro o Senhor usar alguém com tal mentalidade. 19. A tendência de rejeitar manifestações espirituais que não compreendemos. Este é um sintoma de orgulho e arrogância que presume que as nossas posições quanto a um assunto são as mesmas que as de Deus. A verdadeira humildade nos mantém ensináveis e abertos, esperando com paciência pelos frutos, antes de fazer qualquer julgamento. É por isso que somos exortados a julgar todas as coisas, e reter o que é bom (e não o que é mau). 20. Uma reação desmedida à carnalidade 17a Igreja. Muito mais carnalidade existe na Igreja, e muito menos é o que provém do Espírito Santo, do que até mesmo a pessoa mais crítica possa supor. Temos de aprender a nos libertar da nossa carnalidade e crescer em nossa submissão ao Espírito Santo. Entretanto, a pessoa crítica vai querer aniquilar os que ainda possam estar fazendo coisas na carne em 60 por cento do tempo (embora estejam tendo um enorme progresso, porque no ano passado estavam com 95 por cento), em vez de ajudá-las nesse seu progresso. 21. Uma desmedida reação à imaturidade na Igreja. O Senhor tolera uma certa dose de imaturidade. O meu filho de 4 anos é imaturo comparado com o outro de 14 anos, mas tudo bem. De fato, ele pode até mesmo estar bem maduro para uma criança de 4 anos. O espírito de religiosidade, cheio de idealismo, enxerga tão-somente a imaturidade, não levando em conta outros fatores muito importantes. 22. Não conseguir participar de nada que você não considera perfeito ou próximo da perfeição. O Senhor esteve com os homens aqui na Terra, e inclusive entregou a sua vida a uma humanidade totalmente decaída. Os apóstolos que ele chamou e enviou para construir a sua Igreja provavelmente fariam parte da lista considerada por todos como a "dos menos prováveis de terem sucesso". Tal como Jesus, assim será a nossa natureza, se permanecermos nele. Não apenas veremos as pessoas como são, mas também como poderão vir a ser. 23. Se durante a leitura desses sinais lhe ocorreu o pensamento de "como eles se aplicam a fulano e a sicrano", então você tem um sério problema envolvendo um espírito de religiosidade! Vendo a sua Nota neste Teste Veja agora que nota você tirou neste teste. Apenas lembre: Paulo não nos disse que examinássemos Os outros, ou o nosso pastor, mas a nós mesmos, conforme vimos em 2ª Coríntios, 13:5. Confesso que cada um desses tópicos se aplicou a mim no passado, e creio que alguns deles ainda hoje se aplicam. Tudo isso constitui o fruto de havermos comido da árvore espiritual do Conhecimento do Bem e do Mal. Para que tenhamos a mente renovada, de forma a libertar-nos de tal influência, é necessário que passemos por um processo. Agora que sabemos como cada um de nós foi afetado pelo espírito de religiosidade, olhemos para as formas desse espírito, não apenas para não sermos contaminados por ele, mas também para nos proteger de alguém que o possua. As Formas do Espírito de Religiosidade Já vi cinco formas em que se manifesta o espírito de religiosidade: na contrafação do dom de discernimento; na forma do espírito de Jezabel; na forma da retidão própria; na síndrome do martírio; e em alguma psicologia de auto-ajuda. Comecemos com a falsificação do dom de discernimento. 1. O FALSO DOM DE DISCERNIMENTO O espír i to de rel ig iosidade dá à luz um falso dom de discernimento de espíritos. Esse dom, que é uma contrafação ou falsificação do verdadeiro dom, é o que procura ver o que está errado nos outros, antes de procurar ver o que Deus está fazendo para ajudá-los. (Se você assinalou os números 4 ou 6 do teste, pode ser que você tenha um falso dom de discernimento). Sua sabedoria tem raízes na Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, e embora a verdade possa vir a ser transmitida com precisão, ela é ministrada num espírito que mata. A suspeita, que é motivada pela rejeição, pela preservação de nosso território (nosso âmbito de ação), ou por uma insegurança de ordem geral, é o que causa este falso dom. Entretanto, o verdadeiro dom de discernimento somente pode funcionar com amor. Sempre que alguém profere uma palavra de julgamento ou de crítica a uma pessoa ou a um grupo, eu desconsidero essa palavra, a menos que saiba que tal pessoa realmente ama a pessoa ou o grupo que foi criticado, tendo ela um "investimento" de serviços prestados àquela pessoa ou àquele grupo. Quando Paulo advertiu os coríntios sobre os que ministraram com uni espírito de religiosidade que procurou colocar um jugo de legalismo na jovem igreja, ele declarou o seguinte: Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, trans-- formando-se em apóstolos de Cristo. E não é de admirar porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça; e O fim deles será conforme as suas obras. Foi por isso que Saldo de Tarso, o fariseu, filho de fariseus se enraiveceu tanto contra a Igreja. As religiões que se baseiam em obras tenderão facilmente a se tornar violentas, especialmente quando confrontadas com os que vivem pela fé. Isso inclui religiões "cristãs" em que uma doutrina de obras suplantou a cruz de Cristo. Os que forem controlados por espíritos de religiosidade poderão tentar destruir por diversos meios - mas não o de lhes tirar a vida física - aqueles que se lhes opõem. Muitas das investidas de calúnias instigadas contra algumas igrejas e alguns ministérios são atos intempestivos desse espírito. O espírito de Jezabel é outra forma do espírito de religiosidade. 2. O ESPÍRITO DE JEZABEL Jezabel foi à esposa ambiciosa e manipuladora do rei Acabe, o fraco dirigente de Israel que permitiu que ela ditasse a polít ica no seu reino. Basicamente, o espírito de Jezabel é uma combinação do espírito de religiosidade com o espírito de feitiçaria - que por sua vez é o espírito de manipulação e controle. Esse espírito é muitas vezes - mas não sempre - encontrado em mulheres profundamente feridas. O modo pelo qual as mulheres eram tratadas nos tempos bíblicos, e o modo como Jezabel foi tratada por haver sido dada a um rei estrangeiro como um ato polít ico, nos levam a entender a razão pe la qual e la "deu no que deu" . Mas isso não é inescusável. Toda provação na nossa vida nos trará amargura ou nos tornará melhores do que antes, e a cruz curará toda ferida espiritual, se nos voltarmos para ela. Os que estiverem profundamente feridos, e que não se voltarem para a cruz, poderão abrir-se para a entrada desse espirito maligno. Jezabel foi à grande inimiga daquele que foi um dos profetas mais poderosos do Antigo Testamento, Elias, cujo ministério representava o preparo do caminho para o Senhor. Uma das formas mais poderosas do espírito de religiosidade é o espírito de Jezabel, que procura manter a Igreja e o mundo despreparados para a vinda do Senhor. Esse espírito ataca o ministério profético porque o mesmo tem sido sempre um dos principais modos pelos quais o Senhor dá uma direção oportuna e estratégica ao seu povo. Jezabel sabe que afastando os verdadeiros profetas, as pessoas ficarão vulneráveis a seus falsos profetas, os quais sempre conduzem à idolatria e ao adultério espiritual. Quando as pessoas deixam de ouvir por algum tempo a verdadeira voz do Senhor, estarão muito mais propensas ao engano do inimigo. É por isso que o inimigo sempre procura semear nelas o orgulho. A fim de que não recebam nada do Senhor, o espírito de religiosidadeproduz nelas uni orgulho religioso, uma vez que Deus não se comunica com os que estão cheios de orgulho. Foi por isso que Jesus identificou os líderes religiosos de seus dias com as palavras "guias cegos". Eles conheciam melhor que ninguém as profecias messiânicas. Contudo, ao olharem para o rosto daquele que era o cumprimento daquelas profecias, imaginaram que ele havia sido enviado por Belzebu! Os profetas de Jezabel eram ainda dados ao sacrifício, a ponto de se açoitarem e cortarem o próprio corpo, para que seu deus aparecesse. Uma estratégia importante do espírito de religiosidade é fazer com que a Igreja se entregue a sacrifícios, de modo a perverter o mandamento que nos manda levar a cruz a cada dia. Essa perversão fará com que tenhamos mais fé em nossos sacrifícios do que no sacrifício do Senhor. Ela também fará uso de sacrifícios e oferendas para que Deus se manifeste. É uma forma do terrível engano de que podemos de algum modo comprar com nossas boas obras a graça e a presença de Deus. A terceira forma do espírito de religiosidade é a retidão própria. 3. RETIDÃO PRÓPRIA Não nos crucificamos visando alcançar a retidão, a purificação, a maturidade espiritual, ou para que o Senhor se manifeste; isso nada mais seria do que uma magia. Cada um de nós está crucificado com Cristo. Se nos crucificarmos a nós mesmos, o único resultado será a "retidão própria". Isso é orgulho em sua forma mais básica, porque tem a aparência de sabedoria e retidão. O apóstolo Paulo nos advertiu com as seguintes palavras: Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões, enfatuado, sem motivo algum, na sua mente carnal, e não retendo a cabeça, da qual todo o corpo, suprido e bem vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus. Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, porque, como Se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem. Taís coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade. (Colossenses 2:18-23) O espírito de religiosidade nos fará sentir bem quanto à nossa condição espiritual na medida em que estejamos centrados em nós mesmos e buscando a nós mesmos. Quem tem orgulho se sente bem; pode ser até mesmo um tanto divertido. Contudo, toda a nossa atenção recai então sobre como estamos nos saindo, quão melhor estamos em relação aos outros. Ela na realidade não está posta na glória de Deus. (Se você assinalou os itens 8, 9, 10, 15 ou 16 no teste acima, pelo menos um certo grau de retidão própria você tem.) Isso resulta em confiarmos em nossa disciplina e no nosso sacrifício pessoal, em vez de no Senhor e no sacrifício dele. É certo que a disciplina e a disposição para o sacrifício próprio são qualidades essenciais em todo crente, mas a motivação por trás dessas virtudes é que determina se estamos sendo levados por um espírito de religiosidade ou pelo Espírito Santo. O espírito de religiosidade usa o medo, o sentimento de culpa, o orgulho e a ambição para motivar as pessoas. Já a motivação feita pelo Espírito Santo é o amor pelo Filho de Deus. Ter prazer em se auto-humilhar é um forte sintoma do espírito de religiosidade. Isso não quer dizer que não devamos nos disciplinar, que não devamos jejuar, ou esbofetear o nosso corpo, como Paulo fez. É o pervertido prazer nessas coisas que revela o problema, quando deveríamos ter prazer no Filho de Deus. Revelação Enganosa Em Colossenses 2:18,19 Paulo explicou que os que têm prazer em se humilhar acabarão freqüentemente adorando anjos e fazendo colocações impróprias de visões que tiveram. É desejo do espírito de religiosidade que adoremos qualquer coisa ou qualquer outro ser, exceto Jesus. O mesmo espírito inclinado a adorar anjos estará propenso a exaltar excessivamente seres humanos. Temos que ter muito cuidado com quem esteja indevidamente exaltando anjos, ou homens e mulheres de Deus, ou que esteja usando as visões que teve para obter uma indevida influência na igreja. Deus não nos dá revelações para assim comprovarmos nosso ministério, ou para que as pessoas nos respeitem mais. O fruto da verdadeira revelação será a humildade, não o orgulho. As Escrituras ensinam que os cristãos realmente podem ter tais exper iências, sendo elas úteis e necessár ias quando adequadamente usadas. A palavra chave no texto citado é que devemos ter cuidado com os que estejam tendo tais revelações e se orgulhem por causa delas. O espírito de religiosidade sempre alimentará nosso orgulho, enquanto a verdadeira maturidade espiritual sempre nos conduzirá a uma humildade cada vez maior. Um tal progresso da humildade é maravilhosamente demonstrado na vida de Paulo. Em sua carta aos Gálatas, que se considera haver sido escrita por volta do ano 56, Paulo declarou, na oportunidade em que visitou os primeiros apóstolos em Jerusalém: Eles nada me acrescentaram. Num certo sentido ele declarou ter tanto quanto eles tinham. Quando escreveu aos coríntios, referiu-se a si mesmo como o menor dos apóstolos. E por volta do ano 61 declarou ser o menor de todos os santos? Finalmente, ao escrever a Timóteo no ano 65, aproximadamente, ele se descreveu como sendo o principal dos pecadores, acrescentando em seguida que Deus teve misericórdia dele. Uma verdadeira revelação da misericórdia de Deus é o maior dos antídotos para o espírito de religiosidade. Esse espírito não permanecerá por muito tempo quando crescermos na verdadeira humildade. Lembre-se de que as manifestações do espírito de religiosidade são: uma contrafação do dom de discernimento, o espírito de Jezabel (que é o espírito de manipulação), a retidão própria e a síndrome de mártir, que passaremos a examinar. 4. A SÍNDROME DE MÁRTIR Ser um mártir da fé é uma das maiores honras que alguém pode receber nesta vida. Quando isso é pervertido, o que estará acontecendo será uma trágica forma de engano. Sempre que um espírito de religiosidade está com a síndrome de mártir, é quase impossível a pessoa ser liberta desse engano. Quando a coisa chega a esse ponto, toda rejeição e toda correção é interpretada pela pessoa como o preço que ela tem que pagar para "permanecer com a verdade", o que a faz afastar-se ainda mais da verdade e de uma possível correção. A síndrome de mártir pode ainda ser uma forma do espirito de suicídio. Às vezes é muito mais fácil "morrer pelo Senhor" do que viver por ele. Os que têm um entendimento pervertido com respeito à cruz muitas vezes se gloriam mais com a morte do que com a vida. O alvo da cruz é a ressurreição, e não o túmulo. Finalmente, temos que considerar como algumas formas da psicologia de auto-ajuda podem nos levar ao espírito de religiosidade. 5. PSICOLOGIA DE AUTO-AJUDA O movimento de psicologia de auto-ajuda é uma tentativa sutil de substituir o poder da cruz na Igreja. Essa psicologia humanista é "um outro evangelho" e uma outra forma do espírito de religiosidade. De fato, Paulo assim nos advertiu: Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, nele radicados, e edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças. Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo. (Colossenses 2:6-8) Todos temos necessidade de alguma "cura interior". Entretanto, muito do que se está chamando de cura interior não passa de um processo de desenterrar o velho homem e procurar fazer com que ele seja curado. O que no entanto temos que fazer é matar o velho homem e abandoná-lo. O modo de curar nossas feridas da alma não é um procedimento determinado; tampouco uma fórmula, esim simplesmente o perdão. Quando vamos até a cruz e somos aceitos com base no sangue de Jesus, encontramos um perfeito amor que acabará completamente com toda amargura e ressentimento. Isso parece ser muito simples, mas foi o que Paulo disse: Mas receio que, assim como a serpente enganou Eva com sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo. A salvação é algo simples. A libertação é algo simples. A maior estratégia do inimigo é enfraquecer o poder do evangelho fazendo com que nele coloquemos acréscimos. Foi assim que ele enganou Eva. O Senhor ordenara ao homem e à mulher que não comessem da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, porque no dia em que comessem morreriam. Quando interrogada quanto a esse mandamento do Senhor, Eva respondeu que eles não poderiam comer da árvore, nem mesmo tocá-la. O Senhor não dissera coisa alguma com respeito a tocar naquela árvore. Acrescentar algo aos mandamentos de Deus é tão destrutivo quanto lhes suprimir uma parte. Os que com petulância pensam que podem acrescentar algo à Palavra de Deus não a respeitam o suficiente para guardá-la quando chega à provação. Se Satanás conseguir que acrescentemos algo às Escrituras, ou que dela subtraiamos algo, ele saberá que nos pegou, tal como conseguiu com Eva. Muitas filosofias e terapias "cristãs" parecem ter sabedoria. No entanto elas procuram substituir o Espírito Santo em nossa vida. Algumas pessoas realmente necessitam de uni aconselhamento, e muitos conselheiros cristãos de fato as levam à cruz. Contudo, outros simplesmente as estão empur rando para o buraco negro do egocentrismo, que as consumirá, além de procurar tragar junto com elas todos os que estiverem ao seu redor. Apesar da terminologia cristã, essa filosofia é inimiga da cruz de Cristo. Finalmente, como saber se estamos livres da contaminação de um espírito de religiosidade? Veja o teste que indica um mensageiro verídico. O Teste de um Mensagei ro Ver íd ico Em Ezequiel 37, o profeta foi levado para um vale cheio de ossos secos, e lhe foi perguntado se eles poderiam reviver. O Senhor então ordenou que ele profetizasse àqueles ossos. Enquanto ele profetizava, os ossos se juntaram, veio à vida e eles se transformaram num grande exército. Esse é um teste pelo qual todo verdadeiro ministro tem que passar. O verdadeiro profeta pode ver um grande exército até mesmo nos ossos mais secos. Ele profetizará vida para eles, até que venham à vida, e depois se tornem um exército. Um falso profeta com espírito de religiosidade apenas dirá o quão secos os ossos estão, enchendo- os de desencorajamento e de condenação, e não lhes transmitindo vida nem poder para que vençam as circunstâncias negativas. Os apóstolos e os profetas recebem autoridade para construir e para demolir. Contudo não temos o direito de demolir se primeiro não construímos. Eu não dou autoridade a ninguém para corr igir os que estão sob meus cuidados, a menos que veja naquela pessoa um histórico em que demonstre haver encorajado outros. Talvez você diga que isso elimina o ministério dos profetas. No entanto eu afirmo que esses "profetas" é que necessi tam ser eliminados do ministério. Como Judas disse a respeito deles: "Os tais são murmuradores", vivem procurando erros nos outros, e são como rochas submersos em vossas festas de fraternidade. Como diz um velho provérbio: "Basta um burro qualquer para pôr abaixo um celeiro, mas é necessário um bom carpinteiro para o construir". O estilo de liderança do Senhor foi o de permitir que seus seguidores cometessem erros e depois aprendessem com os mesmos. Se exigíssemos de nossos filhos a perfeição, isso seria contraprodutivo. Na verdade estaria lhes reprimindo o crescimento e a maturidade. O mesmo é verdade com respei to à Igreja. Temos que corrigir os erros, porque é assim que aprendemos. No entanto a correção tem que encorajar e libertar, e não condenar e acabar com toda iniciativa. Mesmo assim, como Eli nos serviu de exemplo, ai dos pastores que alimentam as ovelhas e delas cuidam, mas se esquecem de corrigi-las, ou se recusam a isso. A verdadeira graça de Deus é encontrada no meio de dois extremos: o do espirito crítico de procurar erro em tudo e o de uma misericórdia não santif icada (demonstrando misericórdia a coisas que Deus desaprova). Cada um desses extremos pode ser o resultado da ação do espírito de religiosidade. A verdadeira religião não é um jugo pesado, mas se traduz pela maior liberdade e a maior alegria que a alma humana pode experimentar. Isso só é possível acontecer quando se conhece o Senhor e se tem comunhão com ele. Quando vemos a sua glória, não mais ficamos cativos de nossas qualidades, sejam elas positivas ou negativas; a beleza do Senhor é que tomará a nossa alma. Até mesmo os vinte e quatro anciãos depositam suas coroas diante dele. Este é o alvo que a verdadeira fé cultiva: ver o Senhor, permanecer nele, e revelá-lo a outras pessoas. Isso parece ser muito fácil, mas é a única resposta ao nosso grande dilema. O mundo está se tornando cada vez mais avesso à reli gião. Entretanto, quando Jesus for exaltado, todos serão atraídos a Ele. Porque toda a Criação surgiu unicamente mediante Ele, e foi feita para Ele. Todos temos na alma um enorme buraco, do tamanho de Jesus. Nada nos satisfará nem nos proporcionará paz, a não ser um genuíno relacionamento com o Senhor. Capítulo 11 A nova era e o reino de Deus O movimento da Nova Era tornou-se uma poderosa força na estratégia do diabo para cegar o mundo em relação ao evangelho de Jesus Cristo. Uma razão por que esse movimento tem tido bastante sucesso é que muitos dos seus ensinamentos re - fletem bem de perto grandes verdades do evangelho, mas a partir delas levam a conclusões que estão em total conflito com a verdade mais central de todo o Cristianismo: a cruz. Devido à seriedade desse engano, é compreensível que a Igreja haja desenvolvido uma reação imediata até mesmo às palavras nova era. Entretanto, a forma de combatermos as trevas não é fugindo delas, e sim firmando nossa posição na verdade e rejeitando drasticamente essas trevas. A luz é mais poderosa que as trevas. Quando abrimos as cortinas da nossa sala à noite às trevas de fora não entram nela. Pelo contrário, a luz interna é que brilha nas trevas do lado de fora. Não temos que temer as trevas, se conhecemos a Luz, Jesus. O Que é o Movimento da Nova Era? O movimento da Nova Era é basicamente uma combinação disfarçada de feitiçaria com hinduísmo, de forma a torná-la aceitável pelos profissionais de colarinho branco. Essa forma de espiritualismo tem como alvo esse grupo de pessoas devido a uma razão importante. Por cerca de 5.800 anos, dos 6.000 anos da história da humanidade da qual se tem registro, cerca de 95 por cento dos trabalhadores eram agricultores. Em apenas um pouco mais de um século, essa estatística reverteu com- pletamente, de modo que agora, no Ocidente, menos de 5 por cento dos trabalhadores trabalham na zona rural. Tal mudança é decorrente de avanços tecnológicos, o que possibilitou que esses 5 por cento produzam mais que os 95 por cento do século dezenove. Quando o Senhor previu que o saber se multiplicará, foram poucos os que compreenderam o grau em que isso se daria. Em meados da década de 50, no Ocidente, os trabalhadores de colarinho branco já excediam em número Os operários da indústria. Desde então essa maioria tem crescido até o ponto em que agora se estima que, em futuro próximo, os operários da indústria terão o mesmo destino dos trabalhadores rurais, compondo apenas uma pequena fração da população. A informação é o bem de consumo mais valioso neste mundo, e o negócio que acumula, interpreta, embala e transfere informações é hoje a maior indústria sobre a Terra. Os que se encontram envolvidos com essa indústria não são apenas os que estão em maior número, mas são os mais ricos e os mais poderosos. Eles constituemtambém o grupo que a Igreja tem tido cada vez menos sucesso em alcançar. Isso contribuiu para a proliferação do movimento da Nova Era e de outras seitas. Deus nos criou para que tivéssemos comunhão com ele. Ele é Espírito, e até que essa comunhão com ele seja restaurada haverá sempre um vazio espiritual no homem. Uma verdadeira comunhão com Deus é uma experiência sobrenatural, porque Deus é sobrenatural. O vazio que existe quando o homem não tem essa comunhão é uma fome pelo sobrenatural. Se ela não for satisfeita mediante um relacionamento com Deus, o diabo rapidamente a alimentará com seus substitutivos. O P o d e r d e D e u s O dia em que se podia ter uma neutralidade sobrenatural já era. Os que não conhecem o verdadeiro poder de Deus mediante o Espírito Santo se tornarão cada vez mais sujeitos aos poderes sobrenaturais malignos e fraudulentos de Satanás. Aqueles cujas doutrinas e cujos temores os tenham levado a esquivar-se do poder sobrenatural de Deus, e principalmente seus filhos, tornam-se presa fácil do maligno. Paulo deixou bem claro que o reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder. Satanás sabe disso, e é seu prazer batalhar no nível das palavras (doutrinas, e por aí afora). Não importa o quão bem argumentemos em favor de nossas doutri- nas, que são verdadeiras. Satanás não tem problema algum para conquistar os que não conhecem o poder de Deus. Uma vida de retidão é o resultado de crermos em nosso coração, e não em nossa mente; os que não conhecem o poder de Deus crêem no Senhor apenas em sua mente. À luz da loucura dos movimentos pentecostais, renovados, do evangelho pleno, da terceira onda e assim por diante, é fácil compreender por que muitos se esquivam dos dons do Espírito. Contudo isso é também uma das provas que separam os verdadeiros crentes daqueles que apenas conhecem suas crenças e doutrinas. Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar Os sábios. Somente os humildes é que alcançarão o que o Senhor está fazendo, e ele dará sua graça tão-somente a eles. Quanto mais secularizada for à sociedade, mais as pessoas terão fome do sobrenatural. É por isso que os ateístas de uma maneira geral são atraídos para as formas mais baixas de feitiçaria e de magia negra. Eles crêem tratar-se de poderes humanos naturais que há dentro do homem. As igrejas que rejeitaram o poder sobrenatural de Deus já se deixaram influenciar pelo movimento da Nova Era. Outros, sob diversas formas, não têm resistido ao espírito desta era. Não apenas aceitam como membros da igreja pessoas pervertidas e incrédulas, mas ainda os ordenam como pastores e líderes! Muitas dessas igrejas e denominações foram aos poucos se tornando totalmente inexpressivas, com bem pouco ou quase nenhum poder para atrair pessoas à conversão. E quase todas essas denominações e movimentos estão se encolhendo, por se haverem tornado inexpressivos e enfadonhos, até mesmo para seus próprios membros. Numa situação totalmente oposta a essa, as denominações e movimentos que pregam e caminham no poder sobrenatural de Deus não apenas estão crescendo, mas são sem dúvida Os movimentos religiosos que mais cres- cem no mundo, quando considerados como um só grupo. O apóstolo Paulo declarou: A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de podei; para que a vossa fé NÃO SE APOIASSE EM SABEDORIA HUMANA, e sim no PODER DE DEUS. O conflito entre o reino de Deus e o reino do mal não é apenas um conflito entre a verdade e o erro (embora seja isso), mas é também o confronto de dois poderes sobrenaturais. Ambos os lados procuram preencher o vazio criado pela Queda. Quem declara que é bíblico, mas não anda no poder sobrenatural de Deus, está em contradição. Toda a história do que Deus fez para a raça humana tem se realizado mediante seu Poder sobrenatural. Jesus não apenas afirmou que Deus tem poder para curar, para salvar, para libertar; ele curou enfermos e expulsou demônios. Jesus afirmou que assim como o Pai o enviou ao mundo, ele nos enviou. Era sua expectativa que seus discípulos, paralelamente a curar enfermos e expulsar demônios, pregassem o reino de Deus. Jesus não muda. Se vamos pregar o evangelho, temos que pregar tal como ele pregou, demonstrando o amor e o poder de Deus. As igrejas que não andam no poder de Deus se tornarão cada vez mais desqualificadas para enfrentar o crescente poder do mal que se manifestará nos últimos dias, conforme as profecias do Apocalipse. A primeira defesa que temos contra o poder sobrenatural enganoso do inimigo é conhecer o verdadeiro poder de Deus. Temos assim que buscar com dedicação os dons espirituais, principalmente o dom de profecia. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade! A maioria dos crentes de hoje desejam dons espirituais, mas para que os recebam essa busca tem que ser feita com dedicação. Jesus determinou que para receber temos de pedir, buscar e bater. Quando alguém diz: "Estou aberto para receber os dons do Espírito", geralmente isso é uma forma de não querer de fato recebê-los. Tal pessoa se sente com freqüência bastante temerosa, ou então tem muito orgulho, não querendo arriscar-se a um fracasso. Os que apenas estão "abertos" para que o Senhor Os use quase nunca são por ele usados. Há também os que resistem ao Espírito, dizendo: "Temos que buscar Aquele que dá os dons, e não os dons". Isso soa espiritual, mas não é bíblico. Com certeza temos que buscar o Senhor, que nos dá os dons, muito mais do que buscar os dons em si. Contudo o mandamento é que busquemos inclusive os dons; as duas buscas não são mutuamente exclusivas. A busca por andar nos dons do Espírito é uma das formas de se buscar a Deus; e o que é mais importante: é estarmos sendo obedientes à Palavra. O amor é o dom maior, e somos informados de ser ele o caminho sobremodo excelente. 9 Entretanto, os dois textos que cercam este capítulo nos encorajam a buscar dons espirituais. Em 1 Coríntios 12:31 somos exortados a buscar com dedicação os melhores dons. Em 1ª Coríntios 14:1 a palavra a nós dirigida nos diz que sigamos o caminho do amor e busquemos com dedicação os dons espirituais, principalmente o dom de profecia. Os dons não cancelam nosso amor; pelo contrário: eles devem ser usados com amor - e são destinados a isso! Há ainda os que tiveram o coração endurecido pela falsa doutrina que diz que Deus já não atua em nosso tempo de forma sobrenatural, como atuava antes. Entretanto, nos últimos anos alguns dos teólogos e apologistas da fé mais brilhantes, que antes acreditavam que Deus não mais atuava sobrenaturalmente, mudaram de opinião após testemunharem um único milagre genuíno. Observe que eu disse "genuíno"; esta é a chave. Os que amam a Deus e procuram andar em seu verdadeiro poder muitas vezes acabam se fechando, em virtude de falsas manifestações c do engodo que ocorrem com freqüência em alguns ministérios destituídos do verdadeiro poder. Entretanto, muitos dos que crêem que o Senhor não mais atua de maneira sobrenatural estão em busca da verdade, e quando testemunham a manifestação autêntica, então mudam sua teologia. O verdadeiro Cristianismo é a verdadeira Palavra de Deus confirmada pelo verdadeiro poder de Deus. Jesus se dedicou a fazer e a ensinar. Freqüentemente ele realizava milagres antes de ensinar, porque sabia que as pessoas que houvessem tido um inegável encontro com Deus estariam bem mais abertas a ouvir o que ele tinha para lhes dizer. O mesmo é verdade hoje; as demonstrações do poder de Deus fazem com que os conceitos intelectuais se transformem numa verdadeira fé nos ensinos do Senhor. É necessário tanto a Palavra como o poder de Deus para mudar o homem interior. O vazio espiritual do coração tem de ser preenchido por uma verdadeira comunhão com Deus para que seja liberto da influência espiritual e do poder do inimigo. Tendo em vista que a filosofiada Nova Era é basicamente a falsificação da autoridade espiritual, só estaremos totalmente libertos do seu poder quando estivermos completamente submissos ao poder e à autoridade de Deus. Se não estivermos dessa maneira submissos, vamos nos tornar cada vez mais sujeitos a alguma forma de feitiçaria, à medida que nos aproximarmos do fim dos tempos. A Batalha de Armagedom será travada no "Vale da Decisão". Nesse dia, todos sobre a Terra, sem exceção, terão que tomar uma decisão: escolher entre o poder e a autori- dade de Deus e o poder e a autoridade do maligno. Para vencermos o movimento da Nova Era temos que impedir que seus partidários estejam roubando nossas palavras e pervertendo e falsificando nossos ensinamentos. Não Permitamos que o Inimigo Roube Nossas Palavras nem Nossos Ensinamentos Não podemos permitir que o inimigo nos roube as palavras, nossas práticas e nossos ensinamentos. As palavras nova era não pertencem ao diabo, mas ao Senhor. Temos urgentemente de resgatá-las. Muito do sucesso do movimento da Nova Era tem vindo do roubo da elevada base de esperança quanto ao futuro que há no evangelho. Isso é domínio da Igreja, e temos de nos recusar a conceder um mínimo que seja do nosso território aos inimigos da cruz. Uma verdade fundamental do evangelho é que uma nova era está por vir. Uma era de paz, de retidão e de justiça prevalecerá sobre toda a Terra. Essa é a era em que Jesus Cristo reinará como o Príncipe da Paz, o Rei dos reis e o Justo Juiz. Esta é a verdadeira mensagem quanto à era que está por vir, a respeito da qual a Igreja é chamada a pregar, e cuja autenticidade cristã o inimigo está tentando subverter pelo movimento da Nova Era. Quase todo aspecto do ensino da Nova Era é uma fraudulência da verdadeira esperança do evangelho. Entretanto, do mesmo modo que não deixamos de usar o dinheiro verdadeiro em razão de alguém haver criado dinheiro falso, não abandonemos uma única verdade de Deus com referência ao reino que está vindo. Se existe dinheiro falso circulando por aí, temos que conhecer bem mais o que é verdadeiro, para que possamos reconhecer o falso. O mesmo temos que fazer com respeito às verdades essenciais do reino. O inimigo não estaria indo atrás des- sas verdades, se não fossem tão importantes. Nosso Enfoque Mal Orientado quanto ao Fim desta Era Um dos modos pelos quais o movimento da Nova Era tem conseguido roubar a importante e elevada base de esperança quanto ao futuro tem sido pelo fato de a Igreja haver cultivado a tendência de enfocar demais o fim da presente era. Não é apenas o fim de uma era; é o inicio de uma nova era na qual Cristo reinará sobre a Terra! Para que a Igreja reivindique a elevada base de esperança para o futuro temos de proclamar seu início, a vinda do reino. A esperança no futuro é fundamental para o poder do evangelho. A era que está vindo pertence ao Senhor, e a mensagem da nova era a Ele pertence. Quando o Senhor veio a Terra pela primeira vez, Ele veio para comprar nossa redenção com o próprio sangue. O Salmo 24 declara: Ao SENHOR pertence a Terra e tudo que nela se contém, o mundo e Os que nele habitam. O preço da Terra toda, e de todos os seus habitantes, foi integralmente pago na cruz. Depois da ressurreição Jesus poderia imediatamente haver destruído o diabo, assumindo todo o domínio que por direito veio a ter então sobre a Terra. Em lugar disso, o plano de Deus era que um povo fosse primeiro remido da Terra, para então se tornar co-herdeiro com o Filho de Deus. Esse povo então reinaria com o Senhor na era que está por vir. As Escrituras testificam que o Senhor retornará para redimir a Terra de todas as conseqüências da Queda. Pedro se referiu a isso como sendo a restauração de todas as coisas. Esta é a razão por que até . agora toda a criação está gemendo e suportando angústias. As Escrituras são claras quando dizem que o fim desta era terá um tempo de tribulação tal como o mundo nunca experimentou. Essas profecias bíblicas não podem ser alteradas, e temos que ensiná-las, se é que pretendemos ensinar toda a verdade. Entretanto, as Escrituras são claras também ao dizer que o tempo das trevas mais densas será um tempo de glória para o povo de Deus. Essa glória não apenas está vindo sobre nós para que tenhamos uma boa aparência! Sua glória aparecerá em nós porque estaremos vivendo na realidade da era que virá, e estaremos experimentando sua glória agora mesmo. A Nova Era Agora Mesmo A maior esperança que o Senhor nos deu quanto ao seu reino é que o reino de Deus está PROXIMO. Os que ouvem o Senhor e Nele crêem podem viver no seu reino agora! Embora estejamos sobre a Terra, estamos também sentados com ele nas regiões celestes. Os milagres que ele realizou foram uma evidência de que o reino estava disponível para quem pudesse vê-lo pela fé. Quando Jesus expulsou demônios, Ele disse: Se, porém, eu expulso demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós. A mensagem da última trombeta no livro do Apocalipse é esta: O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos. Os que vivem agora na realidade do poder do seu reino estarão pregando a mensagem do reino. Não esperamos pelo milênio para que Jesus reine sobre nós. Seu reino já está "próximo" de nós; já está ao nosso alcance. Os que têm o Espírito Santo de Deus estão com um poder habitando em si que é maior do que o poder de todos os demônios juntos. Não devemos ser ignorantes quanto ao diabo e seus esquemas. Contudo não temos que temê-lo em nada que ele pretenda fazer contra nós. Quando andamos na luz, os demônios é que nos temem. João escreveu: Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo inundo afora. Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo. Filinhos, vós sois de Deus e tendes vencido os falsos profetas, porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo. (1 João 4:1-4) Se conhecemos Jesus já vencemos o anticristo. Nosso evangelho deixará de ser verdadeiro na medida em que Jesus não seja o centro da nossa vida. Até mesmo o céu não seria céu se Cristo não estivesse lá. Nossa esperança está no Rei, não apenas no reino. Satanás procurará oferecer todos os elementos do reino, mas sem Jesus; essa é a essência no movimento da Nova Era. A nossa mensagem do reino é que Jesus é Rei! Exatamente na hora em que as trevas estiverem cobrindo a Terra, a glória do Senhor surgirá. Isso fará com que as nações se voltem para o povo de Deus. Por fim, a Igreja se tornará tudo o que foi destinada a ser: a noiva de Cristo, pura e sem manchas. Então a luz da Igreja será ainda mais brilhante diante de um cenário todo em trevas. O Evangelho da Esperança Numa recente experiência profética eu me encontrei na sala do radar de um navio de guerra, e o Senhor estava ao meu lado. Ao olhar para a tela do radar, um pequeno sinal apareceu, bem à frente, aproximando-se. Instintivamente ordenei ao navio que se virasse para a di reita, mas o sinal continuava à nossa frente, e cada vez chegando mais perto. Então mandei que o navio se voltasse para a esquerda. O sinal continuava diretamente à nossa frente, mais próximo ainda. Finalmente me posicionei para receber o impacto. Contudo, nada aconteceu - nem mesmo um solavanco. Então o sinal desapareceu. Perguntei ao Senhor: O que era aquele pequeno sinal? Era um tempo de grande tribulação - respondeu ele. - Esse tempo está vindo, e não há nada que possamos lazer para evitá-lo. Entretanto, é apenas um sinalzinho na tela do radar que indica tudo o que Deus está por fazer Enquanto os crentes estiverem com ele,nada sentirão. Eu estava deslumbrado, mas sei que é verdade. Comparado com a eternidade, toda a Grande Tribulação não passa de um sinalzinho na tela do radar. Colocado numa balança, num de cujos braços se acha o temível poder de nosso Deus, o grande tempo de tribulação não consegue nem ao menos ser sentido por ela. Por que os pensamentos sobre o fim dos tempos absorvem tanto a nossa atenção? Realmente, temos que ter entendimento sobre as tribulações que estão por vir, e precisamos preparar-nos para elas. Entretanto, de forma alguma essas tribulações deveriam dominar a nossa atenção ou nossa mensagem. O nosso preparo para as tribulações que virão é simples: é só permanecermos com Jesus. Para ficarmos com Ele, temos de nos preparar com fé, e não com medo, para qualquer tribulação futura. Nenhuma outra religião ou filosofia neste mundo tem uma esperança que se compare com a que nos foi dada, em relação à era vindoura. Quando orei para que tivesse sabedoria para construir nossa comunidade de Moravian Falls, o Senhor me deu três instruções básicas. Ele disse que havia designado aquele terreno para nós; teríamos assim que construir estruturas adequadas ao panorama local, e que "não ofendessem a terra". Ele disse também que teríamos que levar em conta nossos vizinhos, porque o amor não causa dano algum ao próximo. O Senhor então disse: - O que vocês construírem terá que permanecer por mil anos! Construam, pois, tendo em mente futuras gerações, porque eu voltarei para reinar sobre a Terra. Vocês têm que construir para a era que virá, não para a que está chegando ao fim. Sabemos que o Senhor está prestes a julgar a Terra. Como Paulo escreveu: Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus. Deus é tanto severo como misericordioso, e seu julgamento será tanto severo como misericordioso: severo para com aqueles que lhe opuserem resistência, e misericordioso para com os que o procurarem. Todos os seus caminhos são perfeitos, e até mesmo seus juízos têm propósitos redentivos: Alegrem-se os céus, e a Terra exulte; ruja o mar e sua plenitude. Folgue o campo e tudo o que nele há; regozijem-se todas as árvores do bosque, na presença do SENHOR, porque vem, vem julgar a Terra; julgará o mundo com justiça e os povos; consoante a sua fidelidade. (Salmos 96:11-13) Os juízos de Deus são para ser buscados, e não para se resistir a eles. Se estamos vivendo em obediência, não necessitamos temer até mesmo os tempos de maior tribulação. A GLORIOSA ESPERANÇA A mensagem que Jesus confiou à Igreja contém uma esperança bem mais gloriosa do que qualquer utopia da era de Aquário prev is ta pe los humanistas ou esp ir i tua l is tas. A nossa mensagem é o reino de Deus. A mensagem que Jesus pregou não foi o evangelho da salvação, embora isso estivesse nela incluído. Sua mensagem também não foi sobre a Igreja. Em todas as suas mensagens ele apenas fez breves referências à Igreja. A mensagem do Senhor era o Reino, e esta é a mensagem que nos foi dada a pregar. Isso não diminui a importância da nossa salvação, nem nega o elevado posto que a Igreja tem em seu plano. Entretanto, a mensagem do Reino é maior que tudo isso. Grandes verdades estão incluídas nessa mensagem, mas elas não têm o propósito de desprestigiá-la. A mensagem do Reino é em essência uma única verdade básica, mas que abrange tudo: Jesus é o Rei! Ele reina, e seu reino será um reino eterno. Quando ele voltar para estabelecer seu Reino sobre a Terra ele não apenas acabará com toda guerra, mas inclusive trará harmonia a toda a Criação. O leão deitar-se-á ao lado do cordeiro. As crianças brincarão com cobras em plena segurança. Não apenas doenças e enfermidades serão removidas da Terra, mas até mesmo a morte terá sido abolida. As nações beberão do Rio da Vida, e comerão do fruto da Árvore da Vida: Então me mostrou o rio da água da vida, brilhante com cristal, que sai do trono de Deus e do cordeiro. No meio da sua praça, de uma e outra margem do rio, está à árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês, e as folhas da árvore são para a anã dos povos. Nunca mais haverá nenhuma maldição. Nela estará o trono de Deus e do cordeiro. Seus servos o servirão, contemplarão a sua face, e na sua fronte está o nome dele. Então já não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do Sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos. (Apocalipse 22:1-5) A verdadeira mensagem do reino tem de conter tanto a bondade como a severidade de Deus. Ele está vindo para trazer a paz, mas também está vindo com pulso de ferro para afligir as nações. Tanto o leão como o cordeiro têm de ser incluídos na mensagem cio reino. A hora mais escura e mais fria da noite acontece um pouco antes do amanhecer. Por algum tempo ela pode ficar ainda mais fria e escura, mas em seguida o dia do Senhor vem: não mais prantos, não mais dores, não mais fome, não mais enfermidades. Nunca mais um pai sobre a Terra abusará de uma criança inocente, e ninguém procurará causar qualquer tipo de mal ao próximo, nem humilhá-lo ou defraudá-lo. A verdade prevalecerá sobre toda mentira, e o amor prevalecerá em toda a Terra. Uma nova era está chegando, e ela será muito mais gloriosa do que qualquer utopia, do que qualquer filosofia ou religião que haja sido em algum tempo concebida pelo coração humano. Uma visão Guerra e Glória Em agosto de 1993 tive uma visão da Igreja que era representada como uma ilha no meio de um mar. Havia muitos edifícios diferentes por toda a ilha, cada um dos quais entendi que representava uma denominação ou movimento dife - rente. Os edifícios contrastavam arquitetonicamente entre si, uma vez que alguns bem antigos estavam ao lado de outros bem modernos. Uma guerra estava sendo travada entre muitos dos edifícios, que em sua maioria estavam reduzidos a simples estruturas, pelo efeito das bombas. Havia gente ainda morando nos prédios, mas quase todos os moradores estavam enfrentando fome, e feridos. Dois espíritos das trevas sobre a ilha comandavam essa guerra. Um deles chamava-se inveja, e o outro, Medo. "roda vez que um dos edifícios sofria um dano, ou pessoas eram feridas, esses espíritos se congratulavam entre si. Vi então dois espíritos poderosos e aterrorizantes surgindo sobre o mar. Eles se transformaram em tempestades. Um se chamava Raiva, e o outro, Anarquia. Agitavam fortemente o mar, formando grandes ondas que iam se quebrar na ilha. Logo a tempestade se tornou tão forte que parecia ser mais ameaçadora para a ilha do que propriamente uma guerra. Senti que o povo na cidade tinha que ser advertido quanto à tempestade. Diversos homens, que aparentemente eram guardas, estavam tentando fazer isso, mas ninguém lhes dava a menor atenção. As pessoas ficavam discutindo e argumentando entre si quanto à sua dúvida de serem ou não os guardas dignos de confiança. Isso era estranho, porque quem olhasse para cima veria a tempestade com Os próprios olhos. No entanto ninguém olhava para cima. As guerras ali haviam deixado tantos feridos que os hospitais — movimentos ou denominações que estavam proporcionando a cura das pessoas — estavam se tornando rapidamente os maiores edifícios da ilha. Com o crescimento dos hospitais, as outras facções guerreiras não Os respeitavam como um lugar em que até mesmo seus próprios feridos estavam sendo tratados; em vez disso eles estavam determinados a destruí-los, Voltando-se contra eles mais do que contra os demais edifícios. Como a guerra prosseguia, até mesmo os que não estavam seriamente feridos tinham a aparência de fantasmas, ou se haviam grotescamente deformado pela fome e pelas enfermidades. As pessoas eram atraídas a qualquer dos edifícios que estivesse recebendo suprimento de alimentos. Os demais então alvejavam esse edifício. Eu não podia compreender como até mesmo uma guerra poderia ser tão cruel - contudo tratava-se da Igreja! Em meio à batalha,alguns ainda estavam tentando ampliar suas construções, ou começando a edificar novos prédios, mas era em vão. Quando um edifício começava a subir um pouco acima dos demais, ou quando uma nova construção tinha início, eles se tornavam o alvo principal de todos os outros, e rapidamente eram reduzidos a entulho. Foram-me Mostrados então muitos líderes poderosos, que estavam à frente dessa guerra. Todos eles tinham a mesma palavra na testa: Traição. Eu me surpreendi, pensando como alguém poderia seguir as ordens de quem tivesse isso escrito sobre si. No entanto as pessoas lhes obedeciam. Lembrei-me então de 2ª Coríntios, 11:20: Tolerais quem vos escravize, quem vos devore, quem vos detenha, quem se exalte, quem vos esbofeteie no rosto. Um Remanescente Entretanto, havia alguns que pareciam como luzes em quase todos Os edifícios. Essas luzes se recusavam a participar da luta, mas passavam todo o tempo esforçando-se por reparar os edifícios ou cuidar dos feridos. Embora não se dessem conta, não paravam de esforçar-se no que faziam. Cada uma dessas luzes tinha o poder de curar ferimentos, e esse poder aumentava à medida que trabalhavam. Os que saravam tornavam-se luzes, tais como os que Os haviam curado. Essas pessoas agora tinham condições de fazer mais do que os hospitais, porque estes estavam sendo alvo de ataques demasiado cruéis. Tendo conhecimento dessa situação, os hospitais dispersavam seu pessoal em equipes de atendimento médico que iam por toda a i lha, entrando nos mais diversos edifícios. Havia vários pequenos acampamentos distribuídos ao longo do perímetro da ilha. Alguns deles estavam envolvidos na guerra entre os edifícios, e pareciam pretender destruir todos eles, de modo a trazer as pessoas dos mesmos para as áreas que ocupavam. Os líderes desses acampamentos tinham a mesma palavra — Traição — escrita na testa. Alguns desses acampamentos não estavam envolvidos com a guerra, e eles também eram como luzes. Estavam crescendo em autoridade, mas era uma autoridade de tipo diferente. Eles tinham autoridade sobre acontecimentos. Oravam para que não houvesse mais pequenas batalhas e para que pequenas tempestades se mantivessem bem longe da ilha. E estava acontecendo tal como eles oravam. Os dois espíritos sobre a cidade que estavam produzindo as duas grandes tempestades tornaram-se bastante intimidados por aqueles pequenos acampamentos. Senti que aqueles grupos de intercessão se encontravam de fato bem perto de conseguir autoridade suficiente para interromperem as maiores batalhas e as grandes tempestades, que obviamente eram a fonte de agitação comandada por esses grandes espíritos. A Tragédia Uma enorme quantidade de barcos e navios se posicionavam ao redor de toda a ilha, esperando poder entrar na cidade assim que a guerra terminasse. Muitas dessas embarcações estavam cheias de refugiados de outras guerras, e muitos deles feridos. Havia ainda navios que levavam reis, presidentes e pessoas que tinham a aparência de ser prósperas e ricas. Todos tinham medo das tempestades, mas não tinham como entrar na cidade por causa da guerra. Gemiam e gritavam bem alto, num óbvio desespero, de modo que fiquei surpreso por ver que ninguém na cidade Os ouvia; ninguém parecia ter nem mesmo consciência de que eles se achavam ali. Então vi o Senhor em pé, observando tudo. Sua glória era tão grande que me fez pensar e me perguntar por que não o vira antes, ou por que todos na cidade não haviam parado para adorá-lo. Para meu espanto, ninguém tinha condições de vê-lo. Olhei para os olhos de algumas pessoas e vi que estavam tão vermelhos que me admirei pelo fato de ainda conseguirem ver alguma coisa. Considerei comigo mesmo por que motivos o Senhor não interrompia aquela guerra. Pelo contrário, Ele parecia sentir prazer em simplesmente observar o que acontecia. Como se houvesse compreendido meus pensamentos, Ele se voltou para mim e me disse: Essa é a minha Igreja. Essas eram as casas que as pessoas tentavam construir para mim. Bati na porta de cada uma delas, mas nenhuma me foi aberta. Eu teria trazido a paz, porque Só habito numa cidade em que haja paz. Em seguida Ele se virou, e apontando para as pessoas dos navios, disse: Se eu permitisse que todos eles fossem agora para a cidade, eles seriam arrebatados para a guerra. Quando os clamores deles se tornarem mais altos que o barulho da guerra, então construirei um lugar para eles. Então ele olhou para mim com um ar muito sério e disse: - Permiti que isso acontecesse para que nunca mais venha a ocorrer de novo! É difícil comunicar o poder dessa declaração, mas ela me transmitiu um profundo entendimento de que o Senhor havia permitido que esse conflito continuasse, tendo como base uma profunda sabedoria. Então ele disse: - Enquanto você não compreender isso, você não poderá entender o que estou prestes a fazer. Quando os clamores dos que estavam nas embarcações se tornaram mais altos que o barulho do conflito na cidade, o Senhor deu uma ordem, e o mar foi posto em liberdade. Então grandes ondas se levantaram e passaram impetuosamente por toda a ilha, até cobrirem os edifícios. Os espíritos que eram as tempestades ajuntaram-se com Os espíritos que atuavam na ilha, e quase dobraram de tamanho. Então a ilha desapareceu completamente nas trevas dos espíritos e no mar agitado. O Senhor não se moveu enquanto tudo isso acontecia. Eu sabia que a minha única proteção era permanecer tão perto Dele quanto possível. Eu não podia olhar para nada, a não ser para Ele, durante aquela grande tempestade. Olhando para a face do Senhor, pude ver tanto um sentimento de dor como de determinação. Aos poucos a tempestade foi diminuindo e aquelas ondas tempestivas cessaram. Aqueles que eram luz nos edifícios emergiram e permaneceram onde anteriormente havia os edifícios. Então o Senhor saiu da extremidade da ilha, onde estava, e diri- giu-se para o centro da mesma, e disse: - Agora vou construir a minha casa. Todos os que eram luz foram então voltando-se em direção ao Senhor. Ao se voltarem para Ele, à luz deles se tornou ainda mais forte, e cada grupo se transformou numa coluna viva no local em que estava. Logo ficou patente que aquelas colunas eram a estrutura de um edifício, que cobria quase toda a ilha. As colunas eram de cores, formas e tamanhos diferentes. Era difícil compreender como, sendo tão diferentes, aquelas colunas faziam parte de unia mesma estrutura. Entretanto, o Senhor parecia estar muito satisfeito com cada uma delas. Finalmente elas se ajustaram umas com as outras. Então os navios e embarcações começaram a desembarcar na ilha. Cada um deles era de uni país e de uma raça diferente. Logo me veio o pensamento de que, por maior que fosse aquele edifício, havia gente demais para ele. O Senhor olhou para mim e disse, com muita ternura: - Vamos construir tantos quartos quantos forem necessários; ninguém será rejeitado. Isso foi dito com tanta meiguice que tirei da cabeça a al ternativa de considerar a rejeição de alguns como uma possível solução. Considerei também que o problema antes era como fazer com que as pessoas viessem para os edifícios. Agora o maior problema era o que fazer com toda aquela gente. Quando cada um dos navios chegava, as pessoas que nele estavam eram levadas diretamente ao Senhor. Ele olhava para os olhos de cada uma delas e dizia: - Se você confia em mim, você morrerá por mim. Quando a resposta era: "Sim, morrerei por ti", imediatamente o Senhor passava a sua espada bem no coração da pessoa. Isso causava uma dor muito forte. Aqueles, porém, que se recusavam a morrer por ele, sofriam uma dor muito maior ainda. Os que não ficavam tensos pareciam não sentir muita dor. Todos eles eram levados então a um cemitério que tinha em seu portão de entrada a palavra Obscuridade. Vi-me compelido a segui-los. Antes de serem enterrados, os que haviam sido trespassados eram examinados quanto a estarem de fato mortos.Alguns apegavam-se à vida por muito tempo, e eram deixados de lado. Os que foram enterrados começaram a ressuscitar rapidamente como uma grande luz, e eram tal como aqueles que haviam sobrevivido na tempestade. Observei que o tempo em que permaneciam no túmulo era diferente para cada um. Alguns ressuscitaram mesmo antes de haverem sido enterrados Os que se apegavam à vida. Quando olhei para esse cemitério pela primeira vez, ele parecia ser um local horrível, e realmente pensei que não combinava com tudo o mais nessa agora gloriosa ilha. Assim que deixei o cemitério, voltei-me para trás para olhar de novo para ele, e sua aparência agora era bela. Não dava para entender o que estava diferente nele. Então um dos trabalhadores me disse, com muita convicção: Não foi o cemitério que mudou; quem mudou foi você. Olhei para o edifício, e ele estava ainda mais glorioso que antes. Olhei para a ilha, e ela parecia estar muito mais bela ainda. Lembrei-me da Escritura: Preciosa é aos olhos do SENHOR a morte dos seus santos. Aquele trabalhador, que ainda estava olhando para mim, disse: Você ainda não morreu, mas foi mudado apenas por haver estado perto dos que morreram. Quando você morrer, você verá muito mais glória ainda. Os que estavam emergindo do cemitério como luz eram levados para o edif ício, para o lugar que tinha seu nome. Alguns foram para as paredes; outros, para as colunas. Houve os que se tornaram janelas e portas. Contudo eles continuavam sendo pessoas, mesmo depois de se haverem tornado uma parte do edifício. A Prova Voltei para o lado do Senhor. Permanecer na sua presença era tão maravilhoso que eu não podia imaginar como poderia haver quem não desejasse morrer por ele. Entretanto, muitos dos que vinham dos navios se recusavam. Pediam que fossem afastados dele. Muitos dentre eles voltaram para os navios, alguns dos quais partiram, mas os demais permaneceram no porto. Alguns dos que se recusaram a morrer permaneceram na ilha e tinham permissão para andar por ela com liberdade, podendo até mesmo entrar na casa do Senhor. Pareciam sentir muito prazer na glória que havia por toda parte. Vários deles começaram a brilhar com glória também, mas não tinham a glória dentro de si mesmos; apenas refletiam a que provinha dos outros. Enquanto eu pensava que não era certo que tais pessoas tivessem permissão para ficar na ilha, o Senhor me disse: — A minha paciência vai ganhar muitas dessas pessoas, mas até mesmo aquelas que nunca chegarem a dar a sua vida, eu as amo, e me alegro por permitir que vejam a minha glória. Nunca mande embora os que amam a minha glória. Essas pessoas realmente apreciavam a presença do Senhor que se irradiava da casa, mas elas davam a impressão de ser tímidas e retraídas, quando o Senhor em pessoa chegou mais perto delas. Observei que os que haviam se recusado a morrer pelo Senhor começaram a conduzir-se como se a casa dele houvesse sido construída para eles. Senti desejos de ficar muito irado diante de sua grande presunção, mas não conseguia. Compreendi que não podia irar-me porque estava perto do Senhor. Isso me forçou a tomar uma decisão: ficar perto dele, ou então afastar-me, de modo a poder irar-me. Fiquei surpreso diante da dificuldade de tomar essa decisão, pois, honestamente, não estava fácil. Movido pelo medo do que estava acontecendo comigo, avancei alguns passos em direção ao Senhor. Ele imediatamente estendeu os braços e me agarrou, como se eu estivesse para cair num despenhadeiro. Olhei então para trás e me espantei, por ver que estivera à beira de um precipício. Se eu houvesse dado aquele passo, afastando-me do Senhor para poder irar-me, teria caído no precipício. Então o Senhor me disse: Nesta casa posso tolerar a presunção mais do que a ira. Uma ira assim daria novamente início à guerra. Fiquei então arrasado com a percepção de que eu mesmo ainda não tomara a decisão de morrer pelo Senhor, e que também tivera presunção em relação ao edifício e em relação a ele. Quando percebi esse grande mal em meu próprio coração, fiquei hor- rorizado, e imediatamente supliquei ao Senhor que destruísse meu vil coração com sua espada. A Vida da Ressur re ição Quando o Senhor me trespassou o coração, surpreendi-me por não sentir quase nenhuma dor; é que ela parecia haver sido muito forte nos outros. Então ele me disse: - Aqueles que pedem a morte, morrem de maneira mais fácil. Lembrei-me do que ele disse em Mateus 21:44: Todo o que cair sobre esta pedra ficará em pedaços, e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó. Não me lembrava de haver sido levado para o cemitério, mas como se não houvesse passado tempo algum, saí dele de novo. Agora a glória de tudo que eu via não dava para ser descrita. Olhei para uma rocha, e como senti prazer com ela! Olhei para as árvores, para o céu, para as nuvens, e não podia acreditar na maravilha que estava vendo. Um pardal era mais glorioso que qualquer pássaro que eu vira. Pensei comigo no fato de ser ele um tesouro tão valioso, e me perguntei à razão de não o haver apreciado antes dessa maneira. Olhei então para aquelas pessoas presunçosas. Não apenas não senti tentação alguma de me irar, como as amei tanto que deixaria meu coração ser ferido por todas elas, se isso contribuísse de algum modo para seu bem. Pensei então no quanto abençoado eu era por poder encontrar-me e estar com elas. Agora eu queria de fato que elas permanecessem, e já não compreendia por que fora tentado a irar-me com elas - elas eram tesouros ainda maiores que o pardal! Então o Senhor se postou ao meu lado. Embora eu achasse que isso não seria possível, o fato é que ele estava ainda mais glorioso que antes, e eu podia suportar essa visão. Ele me disse: — É por isso que a morte dos que são meus é tão preciosa para mim. Os que procuram salvar a sua vida quase sempre a perdem, mas aqueles que perdem a sua vida por amor a mim encontram a verdadeira vida. Agora você conhece a verdadeira vida porque você conhece o amor. Voltei então o olhar para a casa e todos os que a compunham. Tudo e todos pareciam estar alimentando um grande sentimento de amor, algo mais maravilhoso que qualquer coisa que houvesse visto antes. Era meu desejo conversar com cada um deles, mas eu também não queria deixar de estar com o Senhor, uma vez que a sua presença tinha uma força ainda mais forte, que não me permitia afastar-me. Conhecendo meus pensamentos, ele disse: - Você não precisa ter receio algum de afastar-se de mim, porque fiz a minha morada em você, e estarei com você aonde quer que vá. Observando aquela gente presunçosa - todos Os que desfrutavam todas aquelas bênçãos e que até mesmo pensavam que eram a razão delas - vi que eles nem mesmo faziam parte do que estava sendo construído. Tendo sido uni deles fazia pouco, eu também sabia como o prazer que eles sentiam era pequeno, comparado com o que poderia ser. Assim, uma grande compaixão tomou conta de mim. Continuando a observá-los, vi que a consistência do corpo deles ia aos poucos diminuindo, até que ficaram tal como os fantasmas que vira na cidade anterior. De novo me lembrei das palavras do Senhor: Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á. Em seguida vi como o edifício continuava se tornando cada vez mais alto. Quanto mais alto ele ficava, mais glória transpirava dele, e de maior distância podia ser visto. Isso fez com que ainda outros navios e pessoas viessem das tempestades que ainda os assolavam, as quais não tinham como afetar a ilha. Ao considerar a altura que o edifício poderia atingir, o Senhor se voltou novamente para mim e disse, como se estivesse respondendo aos meus pensamentos: - Não existe um limite para a altura que esse edifício pode alcançai; porque eu sou o fundamento, e o amor é o cimento que está sendo usado. Diante disso, olhei para o cimento. Era transparente, mas radiava um grande poder. Perguntei a mim mesmo porque não havia notado isso antes, mas agora me parecia bastante óbvio e cativante. Fiquei pensando no fato de como me tornara enceguecido, até mesmo diante das maiores maravilhas daquele edif ício, até que o Senhor chamou a minha atenção para elas. Isso fez com que me virasse para ele, observando tudo a que Ele voltava seu olhar. Então o Senhor ficou olhando para as pessoas que agora compunham o edifício. Ao tornar a olhar para elas, surpreendi-me de imediato pelo fato de que eram mais do que simples pessoas - eu sabia que eram "uma nova criatura" que transcendia a velha criatura. Elas haviam feito uma ponte entre o espaço existente e o mundo espiritual, e visivelmente faziam parte de ambos. Eram sem sombra de dúvida sobrenaturais, o que não significava que não fossem naturais. Pelo contrário: eram muito mais naturais do que qualquer coisa "natural" que eu houvesse visto. Faziam com que tudo o mais parecesse como uma sombra, e essa impressão aumentava, enquanto elas continuavam mudando. Logo a glória que provinha daquelas pessoas podia tanto ser vista como sentida, e sentida não como um toque, mas como uma emoção. Ao chegar mais perto dessa glória, ela me fez experimentar uma sensação muito boa. Era como uma maravi - lhosa intoxicação, não como uma que toldasse a mente, mas que a iluminasse. Senti-me de algum modo enobrecido, não com orgulho, mas com um poderoso sentido de destino. Senti também uma profunda segurança, como se estivesse em plena harmonia com o solo, com a atmosfera, e especialmente com o Senhor e sua casa. Tal sentimento era tão bom que não desejava sair dali. Com o acréscimo das pessoas que vinham em cada navio que chegava, a transformação dos que já faziam parte do edifício continuava, e a glória de toda a construção aumentava e se expandia. Todos os que estavam no edifício se regozijavam muito, quando chegava um novo grupo de pessoas. Compartilhando a Glória Quando aqueles que vieram do cemitério tornaram lugar no edifício, os que dele já faziam parte lhes davam a glória que tinham. E ao fazerem isso, a glória que irradiava do Senhor aumentava, e Ele dava ainda mais glória àqueles que haviam renunciado à glória que tinham. Aqueles que mais se dedicavam a compartilhar o que tinham eram usados para dar início à construção de mais um andar no edifício, que ia ficando cada vez mais alto. Fiquei pensando: Como isso era o oposto de toda a inveja que antes prevalecera em toda a cidade. Então quis meditar um pouco sobre aquela inveja, para tentar compreendê- la um pouco mais. Contudo não conseguia. Ela era por demais irreal, como se somente houvesse acontecido num pesadelo. A alegria dos que compartilhavam era tão grande que seria incompreensível se assim não acontecesse. Quanto mais a glória era compartilhada, mais cada um a recebia de volta para poder dividi-la com os outros. Eu sabia que todos passaríamos a eternidade apenas buscando aqueles com quem compartilharíamos a glória. Tive uma forte impressão de que o Senhor estaria criando muitos mundos novos, apenas para que viéssemos a ter novos lugares para compartilhá- la. Então compreendi que foi por isso que ele criou o universo com tamanha diversidade, e o criou de forma a expandir-se continuamente, em alta velocidade. Ele pusera em movimento uma gloriosa reação em cadeia que nunca cessaria! Não havia limites de tempo ou de espaço, e iríamos necessitar de todo esse universo! As Tempestades Retornam De repente a minha atenção se voltou para a tempestade, que continuava a ficar mais intensa no mar. Para meu espanto ela crescera muito em intensidade, e mais rapidamente que a casa do Senhor — e agora vinha em direção à ilha. Enormes ondas cobriram a ilha, e o edifício desapareceu da minha vista, embora eu ainda estivesse bem perto dele. A fúria dessa tempestade ultrapassava toda possibilidade de compreensão, mas eu absolutamente não senti medo. Eu já morrera para este mundo, e tinha uma vida que nunca poderia me ser tirada. Da mesma forma tão maravilhosa como a ilha havia sido, eu me sentia agora muito feliz de morrer fisicamente, de modo a ficar livre para poder levar a glória do Senhor ao restante do universo. Teria sido muito difícil escolher entre ficar ou partir. Então me aquietei e esperei. Aos poucos a tempestade foi diminuindo, e o edifício emergiu. Tanto o edifício como a ilha eram agora bem menores, mas eram mais gloriosos ainda. Observei então que a tempestade havia apenas se desviado a uma certa distância da praia, e estava retornando. Tudo isso aconteceu diversas vezes, e a cada vez o edifício emergia um pouco menor, mas bem mais glorioso. Sempre que isso acontecia à tempestade era também menor; elas estavam se consumindo na ilha. Em pouco tempo o máximo que a tempestade fazia era gerar pequenas ondas, em nada ameaçadoras. A glória da casa agora ultrapassava toda possibilidade de descrição por palavras humanas. Então as nuvens se dissiparam completamente no mais belo céu azul que eu já vira. Ao contemplá-lo, vi que se enchia da glória que emanava da casa. Não havia dano algum provocado pela tempestade, embora a casa fosse bem menor. Mesmo assim, a glória que agora dela emanava era muito maior que antes, e se refletia por todas as coisas. Senti que ela era tão grande que deveria já estar se expandindo a uma distância enorme da Terra. Então a visão mudou, e fiquei sozinho com o Senhor. Eu não sentia mais nenhum dos grandes sentimentos que experimentara, nem mesmo o amor. O Senhor olhou para mim muito sério e disse: — A guerra está quase no fim. É hora de se preparar para as tempestades. Diga ao meu povo que ninguém que tenha o sangue de seu irmão nas mãos construirá a minha Casa. Fiz o que pude para prestar atenção a essas palavras, e assim guardá-las. Ao mesmo tempo pensava no grande amor que sentira. Então o Senhor me disse de novo: — Isso foi um sonho, mas é real. Você recebeu no seu coração tudo que lhe mostrei neste sonho. Agora creia de coração, e meu amor voltará a ser real para você. É isso que você tem que buscar: conhecer o meu amor. Capítulo 12 Guerra civil na igreja Provavelmente foram muito poucas, em toda a história da Igreja, as vezes em que houve mais razões para se esperar um avanço da causa do Cristianismo do que agora no século vinte e um. Uma renovação da Igreja está acontecendo por todo o mundo. Movimentos de reconciliação estão confrontando importantes fortalezas, tais como as do racismo espiritual e de outras raízes de divisão e de injustiça. Novos e poderosos movimentos estão atingindo homens, mulheres e crianças, despertando-os para assumir seu lugar e seu destino na Igreja. No mundo todo, quase 200.000 novos crentes estão vindo para o Senhor a cada dia. Apesar de todos os seus problemas, a televisão evangélica tem contribuído bastante para a quebra das barreiras entre denominações e movimentos. Os que pertencem a uma denominação estão vendo os programas feitos por outras denominações, cada um enxergando méritos na forma de crer dos outros. Muitos eventos evangélicos chegam a reunir crentes provenientes de todo o espectro do corpo de Cristo, e um genuíno intercâmbio tem acontecido. Provavelmente haja mais unidade na Igreja hoje do que em qualquer outro tempo dos últimos mil anos. Isso é motivo para regozijo e esperança. Mesmo assim, alguns dos eventos que foram grandes divisores de época vieram de uma maneira inesperada e numa hora que parecia ser a mais improvável. É por isso que somos advertidos de que quando as pessoas disserem "paz e segurança", haverá repentina destruição. Creio que isso pode aplicar-se à presente unidade da Igreja. A maior prova da nossa unidade possivelmente esteja por cair sobre nós. Tudo que está acontecendo hoje se constituirá em fundamento para uma unidade bem maior que haverá no futuro. A grande prova que está por vir está na mira do inimigo, que deseja usá-la para se transformar em nossa maior derrota. Entretanto, se estivermos