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A VISÃO PROFÉTICA PARA O SÉCULO 21 
Dedico este livro á geração de meus pais, à minha geração e à geração de meus filhos. O 
sacrifício e a visão da geração espiritual de meus pais lançou o fundamento para o 
glorioso e final triunfo da verdade. Minha geração continuou o bom combate e contribuiu 
para preparar o mapa para o futuro. Será a geração de meus filhos que provavelmente 
lutará a última batalha pela verdade. Deus é o “Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó” – o 
Deus de todas as gerações. Em cada uma delas seus caminhos são maravilhosamente 
revelados. 
Reconhecimentos 
Este livro resulta basicamente da visão de Janet Thomas e de todo o esforço por ela 
despendido. Reunindo minhas mensagens, apresentou minha perspectiva profética para o 
futuro. Creio haver ela feito um trabalho melhor do que eu mesmo teria realizado. 
Parte 1 
Como é que então viveremos? 
Capítulo 1 O chamado 
Uma importante profecia nos e dada em Atos 2:17,18: E acontecerá nos 
últimos dias — diz o Senhor — que derramarei do meu Espírito sobre toda 
carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e 
sonharão vossos velhos; até sobre os meus servos e sobre as minhas servas 
derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão. 
Nos últimos dias o Senhor derramará do seu Espírito sobre toda carne. Como 
resultado, a profecia fluirá por instrumento de todos os seus servos. Isso atingirá 
tanto homens como mulheres, idosos e jovens. Entretanto, esse derramar do 
Espírito e essa profecia não visarão apenas ao nosso próprio deleite, mas servirão 
também à necessidade que teremos de realizar o mandato divino do último dia para a 
Igreja. 
Eu mesmo tenho tido muitas experiências proféticas em minha vida. Após 
minha conversão em 1971 pude algumas vezes antever certos acontecimentos 
futuros com precisão, mas normalmente de uma forma bastante geral. 
Ocasionalmente tenho tido a revelação de, ao olhar para uma pessoa, saber de-
talhes sobre ela, tais como problemas por que esteja passando, ou o chamado 
espiritual para a sua vida. Meu entendimento é que esta capacitação é o que a Bíblia 
chama de palavra de conhecimento e profecia. Embora compreenda a utilidade desses 
dons para ministrar às pessoas, não tive muito interesse pelas profecias 
bíblicas sobre os acontecimentos dos tempos do fim. Durante 18 anos, após 
minha conversão, não busquei ter vi sões, nem revelações, nem o 
conhecimento para compreender esses tempos. Permaneci quase que 
totalmente ignorante com respeito a todos os acontecimentos, tão populares, 
que sucederão no f im dos tempos, e são ensinados na igreja. Na verdade 
sempre fui bem mais voltado para a história da Igreja do que Para a busca de 
conhecimentos acerca de eventos futuros. 
Depois de vár ios anos num ministério de tempo integral, t ive a 
convicção de que eu era superf icial em meu relaciona mento pessoal com o 
Senhor, conseqüentemente também em meu ministér io. Sent i -me de fato 
como Marta, tão ocupado quanto ela, fazendo muitas coisas para o Senhor, 
mas sem realmente conhecê-lo. Minha falta de intimidade com ele fez com 
que dependesse mais de fórmulas e procedimentos do que da unção, 
essencial para dar vida à verdade. 
Em 1980 resolvi deixar o ministério até que recuperasse a simplicidade da 
devoção a Cristo. Eu exercia a profissão de pi loto; desse modo assumi o 
emprego de piloto da aeronave de uma empresa. Isso me trouxe muito 
tempo livre para estudo e oração. Encontre i uma igreja em que podia me 
sentar na últ ima f ileira e tão-somente desfrutar comunhão com as pessoas. 
Não me envolvi em ministério algum durante os sete anos se guintes. 
Também não recebi revelação profética alguma, nem exerci os dons do Espírito 
durante esse tempo. 
Em 1982 recebi um chamado específico para voltar ao minis tério. Ao 
mesmo tempo surgiu uma oportunidade para ter um negócio próprio. No 
entanto ainda me sentia sem condições e com uma vida espir itual sem 
profundidade para assumir um ministério. Além disso acabara de sofrer o 
maior ataque pessoal do inimigo em toda a minha vida. Esse ataque me 
levou a me sentir ainda bem mais despreparado para o ministério. Em ra zão 
disso resolvi aproveitar aquela oportunidade de negócios que me aparecera. 
Embora não houvesse caído na carnalidade ou no que pudesse ser considerado 
um pecado de conhecimento público, certamente me desviei do Senhor nos cinco 
anos subseqüentes, quando esgotei todas as minhas energias, dedicando -
me a levantar meu negócio. 
Em 1987 o Senhor de novo me chamou para voltar ao mi nistério, 
dizendo-me que minha missão seria entregue a uma outra pessoa, caso eu 
não retomasse naquela hora. Na verdade eu nem sabia qual era a minha 
"missão". Estava contudo consciente de que não queria perdê-la, razão por 
que respondi imediatamente ao seu chamado. 
Tinha quase certeza de que meu chamado não era para vol tar a ser pastor, 
mas fosse como fosse eu não sabia o que fazer. Não lera sequer uma única 
revista cr istã, nem assist ira a nenhum programa evangélico por mais de 
sete anos. Tinha pouco conhecimento até mesmo do que estava 
acontecendo na Igreja como um todo. Entretanto escrevera, alguns anos 
antes, o livro There Were Two Trees in the Garden (Havia Duas Árvores no 
Jardim), e sua popularidade me proporcionou alguns convites para pregar. 
Fale i então com alguns pastores que conhecia, e com outros que haviam 
entrado em contato comigo por causa desse l ivro, informando -os de que 
me encontrava disponível para o ministério. 
Aproximadamente um mês depois voltei para casa ao concluir minha 
primeira viagem minister ial, ocorr ida após mais de sete anos. Sentia-me 
vazio e sem condições como nunca, e um tanto descompassado em relação 
ao que acontecia nas igrejas que vis i tara. Contudo, vi que estava bem 
mais perto do Senhor; meu desejo de servi - lo no ministério surpreendente-
mente voltara. 
Na manhã seguinte ao dia em que chegara de volta a casa fui ao meu 
escritór io apenas com o objet ivo de pegar alguns pa péis e orar para ter 
uma revelação quanto ao que deveria fazer no ministério. Ao sentar -me ali 
senti a presença do Senhor de um modo que me tornou por completo. E foi 
assim que, depois de sete anos sem nenhuma revelação profética, t ive uma 
experiência profética que durou três dias, na qual me senti como se o 
Senhor tentasse me alcançar com tudo que não recebera naqueles anos! 
Foi então que escrevi A Colheita, que trata do presente estado da Igreja e dos 
acontecimentos que estão por acontecer. 
Desde então tenho tido outras visões e revelações que foram publicadas nos livros A 
Batalha Final e O Chamado. Algumas destas vieram na forma de visões abertas. 
Essas foram visões externas, visíveis, como se eu estivesse vendo um filme projeta-
do numa tela. Outras foram visões internas, suaves, tal como a sensação de quem tem 
"os olhos do coração" abertos. Geralmente relaciono a palavra visão ao evento 
profético de ver cenas acontecendo, em meu interior ou fora de mim. Considero 
revelação o recebimento de conhecimento ou de entendimento de um modo que 
vai além da maneira natural de recebê-los. 
Agora tenho com freqüência visões e sonhos que são cheios de simbolismo e 
que requerem uma interpretação, como acontece com a maioria das visões 
bíblicas. Uma parte do que é compartilhado no presente livro não veio na forma 
de visões, mas de uma grande unção, com o dom da palavra de conhecimento. 
Simplesmente acontecia que de repente eu me inteirava de muitos detalhas 
sobre os eventos futuros como se eles houvessem sido despejados 
abundantemente dentro de mim. Em tudo isso tenho procurado determinar 
qual é o chamado de Deus para a minha vida e o propósito que ele tem para a 
Igreja. 
Pela compreensão de que a profecia é ainda algo que vemos como em espelho, 
obscuramente, e de que somente vemos em parte, tenho plena consciência de 
que o que estou compartilhando tem que ser acrescentado ao que outras pessoas 
estejam vendo, para que o quadrofique completo. Procurei repartir exatamente o que 
me foi dado ver ou compreender, mas devido ao fato de que o cânon das Escrituras 
está completo, creio que nenhum dom profético de hoje tem a qualidade dos 
dons que tinham aqueles que escreveram as Escrituras. Creio que é por isso que 
nos foi dada a instrução de que... tratando-se de profetas, falem apenas dois ou 
três, e os outros julguem.' Não creio que alguém que esteja vivendo no dia de hoje seja 
infalível. 
Temos que julgar a profecia, não importando quem a esteja proferindo. Entrego 
pois este livro à ponderação, e para que seja considerado debaixo de muita 
oração. Creio que as ovelhas do Senhor conhecerão a sua voz, e saberão como 
discernir o que dele provém, descartando todo o resto. 
Uma das visões mais significativas para mim e para a minha compreensão da Igreja 
ocorreu em 1998, e foi publicada no livro O Chamado. 
O Chamado 
Nessa visão eu me encontrava numa alta montanha, vendo uma grande 
planície lá embaixo. Diante de mim um exército marchava, com uma grande linha 
de frente. Havia 12 divisões na vanguarda, que se destacavam claramente de 
uma grande multidão de soldados que as seguia. Essas divisões eram ainda divididas 
no que julguei que seriam regimentos, batalhões, companhias e pelotões. As divisões 
podiam ser identificadas por sua bandeira, e os regimentos distinguiam-se pelas 
cores diferentes do uniforme. 
Encontrava-me suficientemente próximo para que lhes pudesse ver o 
rosto. Eram homens e mulheres, idosos e jovens, de todas as raças. Havia 
uma impetuosa determinação na face deles. Contudo não pareciam tensos. 
Pairava um clima de guerra, mas nas tropas eu podia ver uma profunda paz. 
Sabia que não havia um soldado sequer que estivesse com medo de 
enfrentar a batalha que se avizinhava. A at mosfera espiritual que senti 
quando estava perto deles era tão imponente quanto sua aparência. 
Olhei então para o uniforme deles. As cores eram brilhantes. Cada soldado portava 
também insígnias e medalhas. Os generais e outros oficiais marchavam com os 
soldados nas fileiras. Embora fosse óbvio que aqueles com postos mais elevados esti-
vessem no comando, ninguém parecia estar demasiado suscetível a seu posto. Do 
nível do posto mais elevado até o nível mais baixo, todos pareciam ser amigos íntimos. 
Era um exército que aparentava uma disciplina incrível, sem precedentes, contudo 
também lembravam apenas uma grande família. 
Analisando-os melhor, davam a impressão de ser abnegados, não por falta de 
identidade, mas por estar muito seguros de quem eram e do que faziam. Não 
estavam preocupados consigo mesmos; tampouco com a perseguição de 
reconhecimento. Não pude detectar nenhuma ambição e nenhum orgulho em toda 
a tropa. Era impressionante observar que toda aquela multidão multiforme guardava 
uma total harmonia e marchava num passo perfeito. Tinha 'certeza de que jamais 
houve na Terra um exército como aquele. 
Fiquei então atrás das unidades da linha de frente, olhando para um grupo 
muito maior, composto de centenas de divisões. Cada uma delas era de um 
tamanho diferente, com as menores tendo cerca de dois mil soldados, e as 
maiores centenas de milhares. Embora esse grupo não fosse tão bem delineado e 
colorido como o primeiro, em virtude do seu tamanho era também um exército 
imponente. Ele tinha também bandeiras, mas elas não eram nem de perto tão 
grandes e impressionantes como as do primeiro grupo. Todos tinham uniforme 
e seu posto no exército. No entanto fiquei surpreso ao ver que muitos deles não 
apresentavam a armadura completa, e muitos não carregavam armas. E 
mesmo as armaduras e as armas que possuíam não eram tão polidas e 
brilhantes como as do primeiro grupo. 
Olhando com mais atenção os que estavam nesse grupo, pude ver que todos 
estavam determinados e tinham um propósito, mas faltava-lhes a objetividade que 
caracterizava o primeiro grupo. Esses aqui pareciam ter mais consciência do próprio 
posto e dos postos dos que estavam ao seu redor. Senti que isso os perturbava um 
pouco, afetava seu objetivo. Pude ver também ambição e ciúmes na tropa, o que sem 
dúvida era mais um fator de perturbação. Mesmo assim percebi que essa segunda 
divisão tinha um alto nível de dedicação e propósito, mais do que qualquer exército 
na Terra. Essa era também uma força muito poderosa. 
Atrás desse segundo exército havia um terceiro, que marchava tão afastado 
atrás dos dois primeiros, que não saberia ao certo se até mesmo ele podia 
divisar os dois grupos que estavam à sua frente. Esse grupo era muitas vezes 
maior que o primeiro e o segundo juntos, sendo aparentemente composto de 
milhões e milhões de pessoas. Pelo que pude observar a distância, esse exército se 
movia em diferentes direções como um grande bando de aves, arremetendo-se 
primeiro por um caminho e depois por outro, nunca se movendo numa linha reta 
por muito tempo. Por causa desse movimento incerto ele se afastava mais e mais 
dos dois primeiros grupos. 
Chegando mais perto desse grupo vi que os soldados vestiam uniformes de cor 
cinza escuro, esfarrapados e sujos. Quase todos estavam ensangüentados e 
feridos. Alguns tentavam marchar, mas a maioria simplesmente ia na direção 
geral em que todos eram dirigidos. Lutas entre eles irrompiam constantemente nas 
tropas, provocando ferimentos. Alguns dos soldados procuravam manter-se perto 
das bandeiras esfiapadas que se espalhavam pelas tropas. Mesmo assim, até os 
que estavam perto das bandeiras não tinham uma identidade clara, pois ficavam 
mudando a cada passo de uma bandeira a outra. 
Nesse terceiro exército notei com surpresa que havia apenas dois postos: 
generais e soldados rasos. Somente alguns tinham uma peça da armadura. 
Tampouco vi arma alguma, exceto armas de brinquedo que eram levadas pelos 
generais. Os generais ostentavam essas armilas falsas como se pelo simples fato de 
possuí-las isso tornasse Os oficiais especiais. No entanto, até mesmo os que estavam 
nas tropas sabiam que elas não eram reais, o que era muito triste, porque era óbvio que 
toda a tropa ansiava desesperadamente encontrar alguém que realmente pudesse seguir. 
Parece que não havia ambição alguma, exceto entre os generais. Não era por 
haver entre eles desprendimento de si mesmos, como no caso do primeiro exército, 
e sim por não se preocuparem com quase nada. Considerei que pelo menos a 
ambição presente no segundo grupo seria bem melhor que a confusão que 
prevalecia no terceiro. Os generais desse grupo pareciam dedicar-se mais a falar sobre 
si mesmos e a lutar entre si, o que Os pequenos grupos em volta das bandeiras 
também não cessavam de fazer. Pude ver que as lutas dentro das tropas eram a 
causa dos grandes arremessos imprevisíveis, numa e noutra direção, que 
aconteciam nesse grupo e faziam com que de quando em quando ele mudasse de 
direção. 
Ao olhar para os milhões que havia no último grupo senti que apesar do seu 
grande número eles na verdade não acrescentavam força alguma ao exército, 
como um todo. Pelo contrário, o enfraqueciam. Numa batalha real eles seriam 
muito mais um peso morto do que um trunfo. Só o fato de ter que sustentá-los com 
alimento e proteção significaria muito mais despender recursos do que alcançar 
resultados que beneficiassem o exército em sua luta. Considerei que um soldado 
raso do primeiro ou do segundo grupo teria um valor muito maior que o de muitos 
generais do terceiro. Não conseguia entender a razão de os dois primeiros grupos 
permitirem que este Os seguisse em sua retaguarda. Era evidente que eles não eram 
verdadeiros soldados. 
Mais tarde eu estava diante do Hall do Julgamento, em frente ao Trono do 
Julgamento. O Senhor apareceu como Sabedoria, mas eu jamais o vira tão feroz, e 
nunca suas palavras foram tão pesadas: 
 Você já viu este exército em seu coração muitas vezes. Os líderes que estou 
comissionando agora vão Estou enviando-o a muitos deles. O que você vai lhes 
dizer? 
 Senhor, este é um grande exército, mas eu ainda estou aflito pela condiçãodo 
terceiro grupo. Não compreendo por que até mesmo lhe foi permitido participar do 
teu exército. Gostaria de dizer que, antes de prosseguirem, o primeiro e o segundo 
deveriam dar meia volta e dispersar esse terceiro grupo. Eles não passam de uma 
enorme turba. 
 O que você viu hoje é ainda algo do futuro. Os ministros que estou para liberar 
reunirão este exército e vão equipá-lo para ser tudo o que você viu. Mas no momento 
presente quase todo o meu exército está na condição do terceiro grupo. Como então 
dispersá-los? 
Isso me assustou bastante, muito embora soubesse que nunca vira ninguém 
que, sendo do Senhor, estivesse em tão boa forma como até mesmo o segundo 
grupo desse exército. 
 Senhor, sei que senti a tua ira em relação a esse grupo. Se quase todo o teu 
exército se encontra agora nessa situação, sou muito grato por não nos haveres 
destruído a todos nós. Quando observava esse terceiro grupo, senti que seu 
estado deplorável se devia a falta de treinamento, equipamentos e visão, bem como 
a uma falha em tomar a cruz que circuncida o coração. 
Algum tempo depois já não me encontrava defronte do trono do julgamento, e 
sim na montanha, tendo de novo a visão daquele exército. Aquele que tinha o 
nome de Sabedoria estava ao meu lado, e resoluto, sem no entanto lhe sentir a dor 
e a ira, tal como sentira antes. 
Eu lhe permiti ver um pouco do futuro - começou a dizer Sabedoria. - Eu o estou enviando 
àqueles que foram chamados para preparar meu exército e liderá-lo. Esses são os que 
vêm lutando a batalha na montanha; são os que se defrontaram com o exército do 
acusador e permaneceram fiéis; os que têm cuidado do meu povo e os têm protegido, 
arriscando até mesmo a própria vida. Eles são chamados para ser líderes no meu exército; 
lutarão na grande batalha final, e permanecerão sem medo diante de todos os poderes das 
trevas. Como você pode ver, esse exército está em marcha, mas haverá ocasiões em que 
eles acamparão. Permanecer acampados é tão importante quanto estar em marcha. É 
tempo de planejar, oferecer treinamento, desenvolver habilidades e preparar as armas. É 
também te/mip0 em que os que pertencem ao primeiro grupo andem entre os que estão no 
segundo, e os líderes do segundo andem em meio aos que estão no terceiro, com o 
propósito de encontrar os que possam ser chamados para passar ao nível seguinte. Faça 
isso enquanto puder, pois o tempo está próximo, quando Apocalipse 11:1 e 2 se cumprirá, e 
os que quiserem ser chamados por meu nome, mas não andarem nos meus caminhos, 
serão pisoteados. Antes da última grande batalha meu exército será santo, assim como eu 
sou santo. Vou remover aqueles que não forem circuncisos de coração, e também os 
líderes que não preservarem minha retidão. Quando a última batalha acontecer, não haverá 
o terceiro grupo, que você viu aqui. 
A Sabedoria prosseguiu, dizendo ainda: 
- Até agora, quando meu exército acampou, a maior parte do tempo foi desperdiçada. 
Assim como eu somente levo meu povo a prosseguir tendo um claro objetivo, da mesma 
forma, quando chamo meu exército para acampar, há um propósito. A força do exército 
que marcha resultará da qualidade do que for feito nesse acampamento. Quando chegar à 
hora de parar e acampar por algum tempo, será para ensinar meus caminhos ao meu 
povo. Um exército é um exército, quer esteja em batalha ou em paz. Será necessário que 
aprendam como acampar, como marchar e como lutar Nenhuma dessas coisas será bem 
feita, a menos que todas sejam bem feitas. 
E ele continuou: 
- Vocês chegarão a um tempo no futuro em que verão meu exército exatamente como é 
agora. Naquele dia vocês sentirão minha ira ardente. Saibam que não mais vou tolerar os 
que permanecerem na condição do terceiro grupo. Então interromperei a marcha de todo o 
exército, até que os que estejam nesse grupo hajam sido disciplinados para se tornarem 
soldados, ou sejam dispersos. Vou disciplinar os do segundo grupo para minar suas 
ambições más, de forma a viverem por mim e por minha verdade. Então meu exército 
prosseguirá marchando, não para destruir, mas para dar vida. Vou estar no meio deles 
para que pisem nos meus inimigos, que estarão debaixo dos pés desse exército. Estarei 
indo para ser o Capitão da Hoste! 
O Exército do Século Vinte e Um 
Creio que todo cristão estará marchando num desses três exércitos no século 
vinte e um. Um dos fatores que determinará onde cada um de nós estará é quão 
bem haja sido treinado para servir. Agora é o tempo em que estamos acampados. 
Agora é o tempo de planejamento, de treinamento, de aprimoramento das nossas 
habilidades, e adequação das nossas armas. 
Este livro é o que resultou de haver escutado o Senhor durante os últimos dez 
anos, tanto por meio de visões como de revelações. Espero que àqueles que 
estão dispostos a responder ao chamado de Deus para conhecer o Senhor e 
servi-lo nesses perigosos dias que estão por vir, ele sirva como um verdadeiro 
manual. 
O objetivo final de Satanás é encher o inferno. Sua maior aliada para alcançar 
esse objetivo é a morte, e o meio mais eficaz para provocá-la é a guerra. Uma de 
suas principais estratégias é portanto instigar a guerra de todas as maneiras possíveis, 
usando quem quer que consiga fazer com que lute. Ele vê cada guerra como uma 
vitória, e as mais destruidoras como suas maiores realizações. Assim como Jesus 
é o Príncipe da Paz, Satanás é o príncipe da guerra. 
Algumas "guerras justas" são lutadas por causas justas. Mesmo assim a Igreja 
deve considerar toda guerra como uma significativa derrota, mesmo que o lado da 
justiça prevaleça. São derrotas porque o Senhor investiu autoridade sobre a 
Igreja para travar guerra espiritual, que se exercida de maneira correta pode 
alcançar os objetivos da justiça sem a destruição que a guerra produz. Do 
mesmo modo que Jesus foi enviado para destruir as obras do diabo, fomos 
enviados ao mundo com a mesma missão. 
 O conflito final entre a vida e a morte está prestes a entrar na sua batalha 
final, que será a maior de todas. Ela assolará de um extremo a outro da Terra, em 
toda cidade e vilarejo, em toda frente política, filosófica e social. Está chegando 
um tempo em que todo debate, toda campanha política e todo movimento social 
será visto como uma linha da batalha entre essas duas derradeiras forças 
espirituais. Não haverá campo neutro, não haverá tréguas, nem haverá paz nessa 
guerra. Será o tempo mais perigoso, como também o de maior oportunidade para o 
Cristianismo, como nunca houve antes. 
 
O Campo de Batalha 
Cada guerreiro nessa batalha recebeu posições a defender e posições a tomar do 
inimigo. Temos que defender nossas famílias, nossas congregações, e nossos locais 
de trabalho contra as palavras de morte. Ao mesmo tempo, ternos que trabalhar a 
cada dia para ampliar a extensão do reino de Deus. 
Nossos mapas de batalha são nossas listas de oração. Temos que ter alvos 
específicos. Temos que "lutar de modo a não f icar desferindo golpes no ar", 
mas sabendo o que estamos at ingindo. Quando conseguirmos ter domínio 
sobre nossos compromissos menores, receberemos maior autoridade para irmos 
de encontro a fortalezas maiores. Por exemplo, aqueles que tiverem domínio no 
âmbito de sua família receberão seus vizinhos e suas famílias. Os que tomarem sua 
vizinhança receberão o encargo de sua cidade. Joel descreveu o exército do 
Senhor: 
Correm como valentes; como homens de guerra, sobem muros; e cada um vai no 
seu caminho e não se desvia da sua fileira. 
Não empurram uns aos outras; cada um segue seu rumo; arremetem contra lanças e 
não se detêm no seu caminho (Joel 2:7, 8). 
Os cristãos têm que ver cada encontro com uma pessoa como uma oportunidade 
para semear vida. Isso não quer dizer que tenhamos que declarar o plano de 
salvação a cada funcionário que trabalha no caixa de um supermercado, ou a 
cada garçonete, e sim nos posicionar do lado do reino de Deus, mantendo resolutamente 
nossa posição em Cristo. Esta posição é sempre demonstrada pelo frutodo Espírito. 
Sempre que conseguirmos suportar as constantes provações e os injustos conflitos desta 
vida, sem comprometermos nossa posição no amor, na alegria, na paz, na 
paciência, na bondade, na benignidade, na fidelidade, na mansidão e no 
autocontrole, estaremos estendendo os limites do reino de Deus. 
Uma das maiores demonstrações do Espírito que já testemunhei não foi um 
milagre, mas uma situação ocorrida numa fila para aquisição de passagens de uma 
companhia aérea. 
Uma Demonstração do Reino de Deus 
Um dia, num aeroporto, devido a problemas com vôos que estavam chegando e 
outros em atraso, a fila para uma certa conexão crescera numa proporção que 
tornou impossível atender a todos no curto espaço de tempo que havia até a 
partida de um determinado vôo. Discussões e demonstrações de impaciência 
aumentavam tanto, que realmente pensei que a situação estava para sair fora do 
controle. 
Precisamente na hora mais imprópria, logo em seguida ao anúncio de mais 
um atraso, duas senhoras de certo porte, um tanto agitadas, cada uma 
levando duas enormes malas, forçaram a passagem, furando a fila, e foram até 
seu início. Não me lembro de haver presenciado uma conduta tão odiosa como 
aquela. Mesmo na condição de mulheres, eu estava certo de que alguém iria 
fazer com que parassem. Mas para meu espanto elas chegaram bem na frente, 
na fila onde estava um amigo meu. 
Enquanto outros começavam a empurrar as duas senho ras, meu amigo 
espontaneamente se dirigiu a elas, e perguntou se poderia- ajudá-las com as 
malas, ao mesmo tempo que lhes oferecia seu lugar, que estava bem próximo do 
início da fila. Essa atitude foi tão contrária ao espírito que prevalecia entre os 
demais, que todos ficaram pasmos. Um grande si lêncio tomou então conta do 
ambiente. Todos olhavam para meu amigo, vendo-o pegar suas malas e 
caminhar até o fim da fila, por haver cedido seu lugar. As duas mulheres, no iní-
cio da fila, ficaram totalmente desconcertadas diante daquela amável atitude, tão 
inesperada e imerecida. 
Os comissários, que também haviam testemunhado a cena, subitamente se tornaram 
bem mais corteses, e por alguma razão o vôo foi retardado um pouco, dando tempo 
para que todos embarcassem. Já vi acontecer muitos milagres na minha vida, do nível 
dos que são registrados na Bíblia, mas aquela cena no aeroporto ainda sobressai 
como sendo uma profunda demonstração do reino de Deus. Uma vez que o 
inferno rapidamente ganhava controle naquela instável situação, que caminhava para 
uma séria contenda, Satanás pôs em cena duas poderosas armas, voltando-as 
diretamente sobre um cristão. Este, porém, depressa desarmou o inimigo e toda a sua 
hoste com apenas um verdadeiro ato de amabilidade. . 
A nós foi dado este mesmo poder, em cada situação. Quando surge uma contenda 
em nossa família ou no trabalho, podemos ficar no lado do inimigo ou no lado do 
Príncipe da Paz. A escolha que fizermos certamente determinará o resultado. Se 
apenas nós formos os que se alinharem com o Senhor, o resultado ainda será o 
mesmo: o mal será vencido pelo bem. Uma pessoa mais o Senhor sempre é uma 
maioria. Este livro é uma tentativa de ajudar os cristãos a fazerem este tipo de escolha 
no novo milênio. 
A DIREÇAO 
Dividi este livro em três seções principais. A Parte 1, que você está lendo agora, faz a 
seguinte pergunta: "Como é que vamos então viver?" A Parte 2 é um guia para 
cada crente no século vinte e um. Contêm muitas das ferramentas de ordem prática 
de que necessitaremos para desempenharmos nossa missão nos dias à frente. 
Começo com uma visão: "Campo de Sonhos ou de Pesadelos?" que prediz distúrbios 
econômicos nos próximos anos. Nessa seção consideramos nossa 
responsabilidade pessoal em nossas finanças, nosso relacionamento com outros 
cristãos, e a constante batalha contra o inimigo. Não poderemos servir no exército 
do Deus se não estivermos vivendo na retidão do Senhor. Vamos também 
considerar como lidar com as tempestades que estão à nossa frente, como conhecer 
o chamado de Deus à nossa vida, e como ouvir sua voz em meio a todos os sons 
dissonantes do mundo de hoje. 
A Parte 3 é um guia para cada cristão, como participante da Igreja, que significa todo 
o exército de Deus. Qual o chamado para a Igreja nos dias à frente? E por que parece 
que ela deixou de cumprir seu chamado no século vinte? Vamos considerar a es-
tratégia do diabo em cegar o mundo mediante o movimento da Nova Era. Veremos 
por que ele avançou tanto no século vinte. Depois vou compartilhar uma visão, 
"Guerra e Glória", que descreve uma guerra civil dentro da Igreja. Tal como a guerra civil 
americana, essa guerra fará finalmente com que se chegue a uma união maior. Depois 
veremos uma nova onda de mudanças na Igreja. Essa percepção foi também inspirada 
por uma visão, "A Próxima Onda Está sobre Nós". Vamos apresentar a seguinte 
questão, e dar-lhe uma resposta: "Por que o avivamento tem se retardado?"; e vamos 
considerar a visão que tive em 1997: "Uma Ponte para o Avivamento". Finalmente, 
veremos como a Igreja pode se valer de binóculos espirituais para ver o que irá 
acontecer no século vinte e um. 
O objetivo final da Igreja é encher o céu. Nossa ferramenta é o evangelho da 
salvação, as palavras de vida eterna. O conhecimento da salvação é a dádiva mais 
preciosa que se pode ter, e a nós, a Igreja, isso nos foi confiado. A Igreja está por 
receber palavras de vida com um poder muito maior. Tais palavras serão como bombas e 
granadas de mão com o poder de destruir até mesmo as mais eficazes fortalezas do 
inimigo. Palavras que individualmente serão ditas pelos cristãos aos incrédulos terão o 
poder de desemaranhar as complexas redes de engano que o inimigo tem levado anos 
para tecer. Afirmações que os cristãos farão publicamente vão desfazer a propaganda do 
inimigo para a sua causa, propaganda essa que foi feita mediante milhares de livros, 
artigos e proclamações públicas durante todo o século vinte. 
Esse poder por meio das palavras não será ganho de forma fácil. Aqueles a quem 
houver sido entregue essa autoridade terão que fielmente lutar contra sua própria 
linguagem e seus indóceis pensamentos, levando-os à submissão do Espírito 
Santo. Águas puras têm de vir de fontes puras. O grau de pureza da nossa vida será o 
grau em que as águas da vida estiverem fluindo em nós: Sobre tudo o que se deve 
guardai; guarda o coração, porque dele procedem às fontes da vida. 
No final da visão de O Chamado, houve um momento em que vi a glória de 
todas as épocas. Vi a Terra e os céus como uma unidade. Vi miríades de anjos e miríades 
de pessoas que tinham maior glória do que qualquer outro anjo que vira até então. 
Todos serviam na casa do Senhor. É isso que buscamos: ver a glória do Senhor 
revelada por instrumento do seu povo. 
Minha oração é que mediante este livro você conheça melhor o chamado que há 
na vida de todo crente, e que entenda como esse chamado se relaciona com nosso 
tempo. A profecia bíblica é clara com respeito a uma coisa: antes do fim, a Igreja se 
tornará a gloriosa noiva que é chamada a ser, digna do nosso grande Salvador. 
Uma geração vai cumprir a profecia de Isaías 60:1-5. Por que não a nossa? 
Dispõe-te, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do SENHOR 
nasce sobre ti. 
Porque eis que as trevas cobrem a Terra, e a escuridão, os povos; mas sobre ti aparece 
resplendente o SENHOR, e a sua glória se vê sobre ti. 
As nações se encaminham para a tua luz, e os reis, para o resplendor que te nasceu. 
Levanta em redor os olhos e vê; todos estes se ajuntam e vêm ter contigo; teus filhos 
chegam de longe, e tuas filhas são trazidas nos braços. 
Então o verás, e serás radiante de alegria; o teu coração estremecerá e se dilatará de 
júbilo, porque a abundância do mar se tornará a ti, e as riquezas das nações virão a ter 
contigo. 
 
PARTE 2 O Cristão e o Século 21 
Uma Visão 
Capítulo 1 Campo de sonhos ou de pesadelos? 
Num dia, quando estava orando em agosto de 1995, vi numa visão um 
campo. Lá nof im desse campo tudo estava debaixo de uma forte cerração. 
Não muito distante, dentro daquela cer ração, havia um precipício rochoso, 
muito íngreme. Nele havia um caminho estreito, sinuoso e com forte declive, 
que era como uma ponte que ia de cima para baixo. Nele havia a mesma 
grama do campo, e essa grama estava em todo aquele caminho, de cima até a 
parte mais baixa. 
Muitos dos que entravam naquele nevoeiro não encontra vam aquele 
caminho e caíam no despenhadeiro. Dentre eles, alguns morriam, mas 
havia redes mais em baixo que pegavam muitos deles. Entretanto, aquelas 
redes não se achavam lá para salvar as pessoas, mas sim para capturá-las. 
Alguns entravam na cerração com muita caute la, dobrando Os joelhos e 
buscando o caminho, que intu i t ivamente sab ia m que ex is t ia . Esses, na 
sua maioria, chegavam a encontrar o caminho, e com todo cuidado 
começavam a descer de joelhos. Alguns, bem poucos, t inham pára-
quedas, e saltavam naquele precipíc io em meio à cerração. 
No sopé daquele penhasco havia um mar com quatro t ipos de navios no 
porto - navios de escravos, navios de guerra, luxuosos navios de turismo e 
navios-hospitais. A maioria dos navios eram navios de escravos. Em seguida, 
em maior número, eram os navios de guerra. Apenas cinco deles eram 
navios-hospitais, os quais se achavam junto a docas limpas e bem conser -
vadas, na parte central do porto. Os dois luxuosos navios de turismo 
estavam ancorados nas duas extremidades do porto, um em cada ponta. Havia 
suprimentos em abundância nas docas em que estavam os navios luxuosos, mas 
tanto os navios como as docas tinham um aspecto imundo e tinham uma 
manutenção péssima. Nenhum dos navios de guerra estava junto às docas; eles ficam 
movendo-se de uni lado para outro ali nas águas do porto. 
As pessoas que caíam naquelas redes eram levadas para Os navios de 
escravos. A maioria dos que desciam por aquele íngreme caminho ia dar nos 
navios-hospitais, mas muitos chegavam nos navios de luxo. Alguns dos que iam 
para Os navios de luxo eram capturados e forçados a entrar num navio de 
escravos. Os navios luxuosos eram bem protegidos e obviamente estavam sob 
o controle dos navios de guerra. Estes de vez em quando tiravam pessoas dos 
navios de escravos e dos navios de luxo, e pegavam quem eles queriam; não havia 
como resistir a eles. 
Os que estavam nos navios-hospitais também pegavam pessoas dos outros 
navios, mas apenas tomavam os mais fracos ou os que estavam tão enfermos ou 
feridos que não tinham expectativa de vida. Os tripulantes dos navios-hospitais 
eram alvo de grande respeito, porque portavam brilhantes armaduras que pareciam 
surpreender os demais. Todas as pessoas que saltavam do despenhadeiro de pára-
quedas aterrizavam nos navios-hospitais ou em suas docas. 
Um navio de escravos, quando ficava lotado, partia, fazendo manobras de um 
lado para outro, como se não soubesse para onde ir. Os navios de guerra faziam 
também muitas manobras, de forma que era impossível dizer para onde eles iriam 
em seguida. Qualquer navio que acontecesse de ficar no caminho de um navio de 
guerra era destruído e afundado. Quando os navios de guerra ficavam um à frente 
de outro, ambos começavam a atirar um no outro, até que um deles afundasse. 
Por causa do nevoeiro, muitos navios colidiam uns com os outros, e afundavam. 
O mar estava cheio de tubarões que rapidamente devoravam aqueles que caíam na 
água. A confusão, o desespero e o medo em todo o porto cresciam quando a cerração 
crescia. Quando, porém, o nevoeiro diminuía, uma esperança começava a surgir nas 
pessoas. Quando o nevoeiro dissipava-se a ponto de ser possível ver o mar alto, 
os navios começam a dirigir-se para lá. 
Os navios-hospitais eram Os únicos que partiam como se soubessem para onde 
estavam indo. Eles podiam partir imediatamente por causa do caos nas docas, 
indo ao mar alto, quando quisessem. Um ou dois deles em todo o tempo iam ao mar 
alto, desaparecendo por algum tempo, e depois retornavam. Então um outro navio-
hospital saía e fazia o mesmo. 
Quando me pus a seguir com os olhos para onde um desses navios ia, de repente 
era como se eu estivesse na plataforma de comando daquele navio. Quanto mais nos 
afastávamos, mais o céu ficava claro. Logo tornou-se um azul como eu nunca ha-
via visto, era como o azul que se vê quando num avião em vôo em elevada 
altitude. O céu me intrigava tanto que deixei de olhar para o mar. Mas quando 
voltei o olhar para as águas, o que vi foi que na verdade estávamos voando. 
Pensei que estávamos para entrar no espaço sideral, mas logo descemos em direção 
ao que parecia ser um mundo totalmente novo. Era composto de ilhas, cada uma 
delas habitada por um povo de uma cultura diferente. Os feridos que estavam em 
nosso navio-hospital eram colocados em diversas ilhas diferentes, de forma que 
cada pessoa ferida era levada para estar com os de sua própria cultura. 
Essas ilhas estavam em perfeita paz, e belas pontes as ligavam entre si, com 
um constante fluxo de pessoas atravessando- as. Em cada ilha estavam sendo 
lançadas as bases para a construção de grandes cidades. 
Embora cada uma das ilhas tivesse características próprias, distinguindo-se das 
demais, e sendo todas as ilhas totalmente diferentes de qualquer lugar que eu já 
tenha visto, senti-me imediatamente em casa, em cada uma delas. Eram como 
um Paraíso e, apesar de parecerem ser de um mundo diferente, eu sabia que elas 
de algum modo estavam muito perto do mundo de onde eu tinha acabado de partir. 
INTERPRETAÇÃO 
Nesta visão entendi que o fim daquele campo indicava que o fim da nossa 
prosperidade econômica está à vista. O que eu vi no fim era muito mais 
catastrófico do que eu jamais poderia ter pensado. Tempos muito difíceis estão à 
nossa frente, mas ao mesmo tempo todo um novo mundo está sendo construído bem 
em nosso meio, que é mais maravilhoso do que possamos imaginar. O tempo que 
nos foi dado até que isso aconteça tem o propósito de nos prepararmos para o que 
está para acontecer. Edifiquemos a nossa esperança e confiança no reino de Deus, 
que é o que não pode ser abalado. 
Aqueles que continuaram a andar no meio da cerração da mesma forma como 
tinham andado no campo a céu aberto - sem discernir ou reconhecer essa mudança 
de situação - ou pereceram ou caíram na escravidão. Os que logo caíram de joelhos 
tiveram como encontrar um caminho seguro de descida, mas era ainda um caminho 
descendente. Eles tinham que permanecer de joelhos em todo o percurso; não dava 
para ninguém ficar em pé naquele caminho inclinado, porque era muito íngreme e 
estreito. Ficar de joelhos refere-se à oração. Assim que virmos à cerração ou a confusão, 
teremos que orar a cada passo que tornarmos daí para a frente. 
Que não havia ninguém subindo mas, pelo fato de estarem todos descendo até 
o sopé daquele penhasco, isso me mostrou que a economia do mundo todo 
estava em queda. Muitos sobreviverão ao que está por vir, mas não no seu nível 
atual. Uma boa parte do nosso presente padrão de vida foi construída pelo crédito, 
emprestando do futuro, e o futuro está presente. Rapidamente estamos nos 
aproximando do tempo em que as nossas contas terão que ser pagas, e isso 
causará uma drástica redução em nosso nível de vida atual. 
Percebi que os navios de escravos eram bancos. Durante a Grande Depressão, os 
bancos foram de tal forma afetados que a maioria deles faliu. De algum modo eles 
agora se posicionaram de forma a não apenas sobreviver numa outra crise econômica, 
mas também tomaram medidas para poderem escravizar aqueles que se acham em 
débito com eles. 
Cada um dos navios de guerra era de um tamanho diferente, e senti que eles 
representavam vários níveis de poder. Suas ações não eram coordenadas, mas a 
impressão que dava era a de que eles estavam tão confusos como todo o mundo 
naquele lugar, e todos pareciam estar em guerra, uns contra os outros. Eles viviam 
às custas de saquear os navios de outros tipos, e também os demais navios de 
guerra. Creioque, nos dias que virão, pequenas guerras estarão pipocando em 
quase toda a parte, e sem razão. Quem quer que se interponha no caminho 
daqueles com algum poder acabará tendo problemas. 
Os navios de luxo eram tão imundos que estar num deles era apenas bem pouco 
melhor do que estar num navio de escravos ou de guerra. Era óbvio que o luxo no 
futuro não será como o conhecemos no dia de hoje. Além disso, os navios de guerra 
constantemente saqueavam os navios de luxo, tornando-os um lugar praticamente 
insuportável para se viver. No futuro, até mesmo qualquer coisa que seja um sinal 
de luxo poderá apenas servir para colocar-nos como alvo de ataques. 
Eu sabia que Os navios-hospitais eram a igreja. Eles resplandeciam de branco, e 
tinham cruzes vermelhas sobre si. Eram tão brilhantes e limpos que se destacaram 
tremendamente em minha visão. O branco fala de pureza, e as cruzes vermelhas me 
fizeram saber que eles estavam levando a cruz. O vermelho é também a cor do sacrifício. 
Esses navios eram tão belos que todo o mundo teria tido o desejo de estar num deles. A 
igreja tornar-se-á o lugar mais desejável para se estar no mundo; a igreja haverá de ser o 
instrumento puro que ela é chamada a ser quando assumir a cruz, consagrando-se a si 
mesma a uma vida de sacrifício. Nos tempos que virão à vida de sacrifício e de serviço 
aos outros será a vida mais desejável deste mundo. 
As pessoas que estavam nos navios-hospitais portavam brilhantes armaduras de 
prata. Elas, também, destacavam-se de forma impressionante, a cada vez que 
apareciam, e isso fazia que Os demais lhe tivessem um grande respeito, até 
mesmo os navios de guerra. Isso most rou -me que quando os crentes 
aprendem a portar a armadura, eles conquistarão o respeito de todo o 
mundo, e terão autoridade em decorrência disso. 
As docas dos navios-hospitais eram também totalmente limpas e estavam 
sobrecarregadas de suprimentos. Havia mais bens sobre elas do que nos 
navios de luxo, mas todos os bens estavam sendo usados para serviço, 
não como luxo. Como aque les que portavam as armaduras e também os 
navios-hospitais impunham um grande respeito, ninguém se aventurava a 
tentar pilhar os enormes estoques de suprimentos que eles tinham, apesar de 
que isso era evidente a todos. 
Quando um navio-hospita l passava entre dois navios de guerra que 
estavam lutando entre si, eles paravam de lutar e lhe entregavam os seus 
feridos. Um dos propósitos principais que esses navios t inham parecia 
então ser s implesmente in terromper a luta sempre que pudessem. 
Em meio ao caos daquele lugar, a dignidade, a resolução e o propósito com 
que os cr istãos e seus navios se moviam era a lgo impressionante. O 
maior sent imento de l iberdade que eu já sent i foi quando f iquei na 
p lataforma de comando do navio que part ira para alto mar. Assim que 
entramos em alto mar e estávamos fora do nevoe i ro, ascendemos a 
lugares celestiais. Quando descemos de volta, aparentemente era uma nova 
terra, embora de algum modo eu soubesse que era bem no meio de onde 
eu t inha part ido. 
O fato de encontrar uma l iberdade extraordinária naquele navio -hospital 
refere-se a que somente descobrimos a nossa verdadeira paz quando 
tomamos a nossa cruz para servir a outros. E se assim procedermos, 
passaremos a viver nos lugares celest iais. Então a visão que teremos da 
terra será totalmente diferente; veremos o que Deus está fazendo. 
Realmente senti que aquelas ilhas paradisíacas já estavam em nosso meio, 
mas apenas ainda não as conseguíamos ver. 
Na linguagem profética, o mar muitas vezes representa a população 
humana. Que o mar ao sopé daquele penhasco encon trava-se no mais 
terrível caos, isso representa a que os reinos deste mundo estão se dirigindo. 
As ilhas representam o Senhor estar lançando o fundamento do seu reino, bem 
em nosso meio, neste mesmo tempo. Por saber que essas i lhas estavam 
próximas do mar da confusão, isso me fez ver que o que o Senhor está por 
construir na terra está também bem próximo de nós. 
No mesmo tempo em que o mudo cair num terrível caos, o que 
provavelmente começará com o caos econômico, Deus es tará construindo 
pontes entre os povos que serão o fundamento de um glorioso futuro. O f im 
desta era é o começo de uma outra sobre a qual Cristo reinará. Em Apocalipse 17:15 
somos informados de que: "As águas que viste, onde a meretriz está assentada, são 
povos, multidões, nações e línguas." 
As pontes estão agora sendo construídas entre Os povos. Essas pontes 
eram para intercâmbio, e era óbvio para mim que cada uma das i lhas 
estava construindo algo maravi lhoso, o melhor que a sua cultura podia 
produzir, de modo a compart i lhar isso com as outras i lhas. O fato de que o 
fundamento de novas cidades estava sendo lançado representava todo um 
novo começo para a terra. O que agora está sendo construído para o Senhor, 
para a glória do seu reino, isso permanecerá e será um fundamento na era que 
está por vir. 
 
Capítulo 2 A marca de Deus ou a marca da besta? 
 
Muitos se perguntam como, afinal, os acontecimentos do livro do Apocalipse se 
apresentarão aos nossos olhos neste século vinte e uni. Virá o Anticristo e realizará 
grandes sinais neste mundo, enganando os que aqui viverem? Fará ele com que 
todas as pessoas recebam uma marca na testa e também na mão direita, para dessa 
maneira poderem comprar, vender e negociar? 
Muitos cristãos dedicam um tempo considerável procurando descobrir o que essa 
marca da besta será, de modo a não se enganarem quanto a ela. No entanto, muito 
pouca atenção tem sido dada ao fato de como receberemos a marca de Deus, 
mencionada em Apocalipse 7:1-3. Se realmente estamos no fim dos tempos, então 
Deus enviará quatro anjos que segurarão os quatro ventos da Terra até que a fronte 
de seus servos seja selada. 
ESCOLHENDO A MARCA DE DEUS OU A MARCA DA BESTA 
O único modo pelo qual teremos condições de resistir à marca da besta em nós é 
tomando a marca de Deus, que é dada a seus servos. A chave para entendermos esse selo 
de Deus está em compreendermos o sentido da palavra servo. 
Nas Escrituras, o servo, ou escravo, tinha o direito de se libertar após seis anos de serviço, 
mas se ele amasse muito seu senhor e preferisse permanecer como escravo pelo resto da 
sua vida, recebia uma marca permanente (ver Êxodo 21:3,6). Os servos, então, são aqueles 
que por sua autodeterminação estão a serviço do Senhor. Nem todos os que se declaram 
cristãos são servos como esses. Muitos afirmam haver entregue sua vida a Cristo, mas 
continuam vivendo para si mesmos. 
Os servos não têm dinheiro algum para ser gasto com eles mesmos. 
Portanto, não usufruem liberdade para gastar o que lhes foi entregue, 
posto que não lhes pertence. Seu tempo, e inclusive sua família pertencem a seu 
senhor. 
O compromisso de tornar-se um servo, assim como ensinado nas 
Escr i turas, não está simplesmente na aceitação inte lectual de certos 
princípios bíbl icos; ele signif ica o compromisso de assumir com toda a 
obediência um esti lo radical de vida. Tal servo já não vive para si, e sim 
para o Senhor. Transformar-se voluntar iamente num tal servo é o maior de 
todos os compromissos que pode ser feito neste mundo, e somente um tolo 
o assumiria sem que primeiro considerasse cuidadosamente a implicação disso. 
Para compreendermos a marca da besta, que é uma marca econômica, 
ternos de entender o que signif ica "adorar a bes ta". Mesmo que não 
amemos o dinheiro, muitas vezes deposi tamos nele nossa conf iança. O 
amor ao dinheiro, ou a conf iança depositada no dinheiro l ibera um dos 
maiores males no coração humano. No f im desta era uma de duas coisas 
vai acontecer: ou estaremos totalmente l ibertos disso, ou estare mos 
inteiramente escravizados a isso. Seremos ou escravos de Deus, ou do diabo. 
Embora tenhamos entendimento com respeito ao que é a marca de Deus, 
e ao que é a marca da besta, mesmo assim teremos que fazer uma escolha 
entre as duas alternativas. Podemos julgar que issoserá fáci l, uma vez 
que reconhecemos a importância dessa decisão, mas não tomaremos a 
at itude correta a menos que nosso coração esteja em retidão. 
E não há obediência sincera, a não ser que tenhamos a l i berdade de 
desobedecer: Deus pôs a Árvore do Conhecimento no jardim para que os 
homens escolhessem a quem serviriam. Não era sua intenção que 
caíssemos, como pensarão alguns, e sim que provássemos nossa devoção. 
Se tudo que o Senhor quer ia era obediência, ter ia sido bem melhor para 
ele haver criado computadores, programando-os para adorá-lo. Será que uma 
tal adoração seria aceitável a alguém? Que dizer então de nosso g lor ioso Cr iador?! 
Não, a verdadeira adoração, nasce do coração. Ela necessita de 
l iberdade. Do mesmo modo, os que estão a serviço do Senhor são aqueles 
que por sua vontade querem ser servos. 
O Jugo da Besta 
Provavelmente seja uma dívida financeira a razão número um por que os 
cristãos hoje não estão livres para responder ao chamado de Deus em sua 
vida. Quando há um chamado para fazer alguma coisa - desde a entrada 
num ministério de tempo integral, até o chamado para uma viagem 
missionária -, nossa primeira consideração geralmente é: "Será que vou ter 
condições financeiras?" Esta é uma clara indicação de que possivelmente 
estejamos tomando a marca da besta. 
As pessoas em nossa cultura se acostumaram com a idéia de que como 
seus pais conviveram com dívidas, têm, conseqüen temente que aceitar essa 
mesma realidade - o fantasma da dívida. No entanto, pensando bem, o que a 
Bíblia nos diz a respeito? Paulo advertiu-nos quanto a isso: 
E não vos conformeis com este século [com esta era, que segue e se adapta às suas 
práticas exteriores e superficiais mas transformai-vos [mudem a si mesmos] pela [plena] 
renovação da vossa mente, [com novas ideais e uma nova atitude], para que 
experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus [e até mesmo o que é 
bom, agradável e perfeito aos olhos de Deus para vocês]. (Romanos 12:2 - AMP) 
A dívida é um jugo de escravidão do qual a maioria das pessoas se tem 
tornado vít ima. Em quase todas as portas de esta belecimentos comerciais 
por onde você passa há a marca de um cartão de crédito nelas afixada. 
Creia você, ou não, ser verdade o que lhe digo, o fato é que um banco em 
Denver, 
Colorado, certa vez anunciou um plano para a emissão de car tões de crédito 
para crianças de 12 anos! 
Em menos de vinte anos os Estados Unidos, por exemplo, passaram da 
condição de nação mais credora do mundo para a situação de a nação mais 
devedora do planeta! (Em outras palavras: os americanos deixaram de ter as 
demais nações lhes devendo mais do que a qualquer outra naç ão, passando 
para a situação diametralmente oposta: agora eles devem às demais nações 
mais do que qualquer outro país.) Jamais, na história mundia l , aconteceu 
uma mudança tão grande e tão ráp ida na economia de um país! 
O que toma emprestado se torna servo de quem empresta. O país com 
dívidas (como acontece também com o Brasil) se encontra agora numa 
situação de escravidão perante seus credo res. O trágico é que os jugos 
estão se tornando cada vez mais pesados! Como-a Igreja é chamada a ser "a 
luz do mundo" e "o sal da Terra", temos a responsabilidade de nos manifestar 
contra essa grande transgressão. Contudo, como teremos autori dade para 
emitir tal opinião, se nós crentes - como todo o mundo - também estamos 
atolados em dívidas, tanto pessoalmente como em relação às nossas igrejas e 
ministérios? 
A expressão "o dinheiro compra tudo" é muito reveladora. Mais do que 
qualquer outra coisa, a forma como se gasta o dinheiro revela a quem se 
está servindo. Basta olhar para Os canhotos dos talões de cheques de 
alguém para se ter como escrever sua biograf ia. Dá para facilmente distinguir 
suas preferências e paixões (distinguindo-se as coisas pelas quais tem algum 
interesse e aquelas a que se entrega de fato). Jesus assim se expressou a esse respeito: 
...onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração. 
A Meta 
A Bíblia não af irma que é errado ter dinheiro. Na verdade, o dinheiro pode 
ser uma das dádivas de Deus, como está em 1 Timóteo 6:17 (SBTB): Deus, que 
nos dá todas as coisas para as desfrutarmos. Mas a questão de sempre é: Por que 
estamos sempre com pouco dinheiro? Temos a resposta no seguinte texto: 
Ora, pois, assim diz o SENHOR dos Exércitos: Considerai o vosso passado [vede bem o 
que vos tem acontecido]. Tendes semeado Muito e recolhido pouco; comeis, mas não 
chega para fartar-vos; bebeis; mas não dá para saciar-vos; vestis-vos, mas ninguém se 
aquece; e o que recebe salário, recebe-o para pô-lo num saquitel furado. (Ageu 1:5, 6 - 
AMP) 
Esta escritura descreve com muita propriedade o modo pelo qual a maioria 
das pessoas vive, semana após semana, correndo até o banco para cobrir os 
cheques emitidos no dia anterior. Se habitualmente você se vê sem dinheiro 
suficiente, considere as seguintes questões: 
-Será que não empreguei bem, ou gastei demais o dinheiro que Deus me deu? 
- Será que tenho mesmo necessidade de mais, ou sou "excessivamente 
ambicioso"? 
- Tenho violado os princípios bíblicos de mordomia, com respeito ao dinheiro 
que o Senhor me confiou? 
- Será que, como as pessoas do livro de Ageu, tenho me preocupado mais em 
construir a minha casa do que a Casa de Deus? 
Mesmo que uma só das questões acima seja af irmativa em nosso caso, 
nossa resposta tem que ser arrependimento. Arre pendimento é mais do que 
simplesmente nos entr istecer por nossos erros; é mudar nosso comportamento. 
Como C. S. Lewis certa vez ressaltou, quando fazemos uma conversão e 
entramos numa estrada errada, esta nunca se tornará a estrada certa. O 
único modo pelo qual podemos pegar de novo a estrada certa é voltar ao 
ponto daquela conversão errada e fazer a conversão correta. 
A definição bíblica do que seja l iberdade f inanceira não é necessariamente 
ser rico. Nosso alvo deve ser o de nunca tornar uma decisão com base em 
considerações financeiras, e sim com base na vontade de Deus. Essa deve ser 
a meta financeira para cada um de nós. 
Normalmente pensamos que para sairmos de nossa situa ção o je i to é 
ganhar mais d inheiro. Entretanto, essa quase nunca é a resposta, e às vezes 
pode até tornar as coisas piores. 
O plano de Deus não requer que você ganhe mais dinheiro do que ganha agora - 
e isso não é porque ele vai lhe dar uma revelação, de modo que você acerte na 
loteria! 
As Escrituras nos dão claras instruções de que temos que sair das dívidas, 
de que precisamos urgentemente não nos endividar, tornando-nos 
financeiramente independentes. Não importa quão desastrosa seja sua atual 
situação financeira: você tem um modo bastante simples para escapar a ela - 
obediência! Esta é sua herança como filho (ou filha) do Rei. 
O Principio da Obediência 
O primeiro princípio para escapar de sua atual situação financeira é passar pela 
cura financeira. 
Passando Pela Cura Financeira 
O primeiro passo para a cura financeira é dar, e não ganhar. Se você se 
fechou diante desta afirmação, é então evidente que você tem uma ferida que 
precisa ser curada. Você tem retido seu dinheiro do Senhor? Infelizmente a Igreja 
tem sido financeiramente saqueada pelo engodo, pela manipulação, e às vezes 
pelo espírito de controle. 
A maneira de se ficar fora do alcance do jugo deste mundo é entrar no reino. 
Fazemos isso submetendo-nos, em primeiro lugar, ao Rei em tudo, e vivendo 
segundo a sua Palavra. Nossa primeira consideração ao tomarmos qualquer 
decisão importante tem de ser: descobrir qual é a vontade do Senhor. 
Um texto muito importante para a Igreja de hoje encontra- se no livro do profeta 
Malaquias: 
Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos? Nos 
dízimos e nas ofertas. Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, vós, a 
nação toda. Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na 
minha casa; e provai-me nisto, dizo SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas 
do céu e não derramar sobre vós bênçãos sem medida. Por vossa causa, repreenderei o 
devorador, para que não vos consuma o fruto da terra; a vossa vide no campo não será 
estéril, diz o SENHOR dos Exércitos. Todas as nações vos chamarão felizes, porque vós sereis 
11177a terra deleitosa, diz o SENHOR dos Exércitos. (Malaquias 3:8-12) 
Você é assim tão abençoado financeiramente a ponto de sobrar dinheiro? Então 
traga "todo o dízimo" à casa do tesouro. Isso significa dar o dízimo pelo bruto 
(dizimar é dar os primeiros 10 por cento de toda a nossa renda ao Senhor). Além 
do que ele promete uma bênção tão grande que não dá para você imaginar! 
Muitos cristãos pensam que não têm condições de dar o dízimo, mas na verdade o 
que não podemos fazer é deixar de dá-lo! De modo geral, o que precisamos não é 
aumentar a nossa receita, e sim ter o devorador repreendido. O Senhor promete não 
apenas repreender o devorador, mas também abrir as janelas do céu. Aqui se encontra o 
único texto das Escrituras em que Deus nos pede que façamos prova dele. Faça prova 
dele a este respeito. Eu nunca soube de ninguém que haja dado fielmente o dízimo e não 
haja experimentado a fidelidade do Senhor em relação à sua Palavra. 
Contudo já vi muitos que continuaram a cair f inanceiramente pelo fato de 
haverem declarado: "Vou deixar de lado meus dízimos até que o Senhor me diga 
onde deverei entregá-los". Isso soa algo nobre, mas se o dinheiro ainda está em 
sua conta, você não o entregou. Às vezes pode ser sábio deixar reservado algum 
dinheiro numa conta especial, esperando o tempo e o lugar para dá-lo, mas isso 
deveria acontecer tão-somente com nossas ofertas. Ou seja: tudo que vai além do 
dízimo, e não o dizimo propriamente dito. 
A Palavra é clara quanto ao lugar onde entregar o dízimo: na casa do seu 
tesouro, ou seja, na sua igreja. 
Alguns julgam que não podem confiar nos líderes da sua igreja com respeito a um 
destino sábio do dinheiro. Entretanto, se não pudermos confiar nos líderes com 
relação ao nosso dinheiro, certamente seremos tolos em confiar nossa alma a eles. 
Nossa responsabilidade é obedecer, deixando o Senhor lidar com os que possam ser 
irresponsáveis. Entretanto, se a liderança demonstra uma séria 
irresponsabilidade financeira, teríamos que considerar que ela não tem 
capacidade tampouco para zelar por nossa alma. 
Já ouvi alguém dizer: "Não dou o dízimo, porque tudo que tenho é do Senhor". 
Este é outro engano trágico. Se tudo que tal pessoa tem é do Senhor, então ela 
deveria obedecer à Palavra de Deus, que manda dar o dízimo. O Senhor não é 
enganado por esse tipo de raciocínio viciado. Temos de compreender que Deus 
não precisa do nosso dinheiro. O mundo todo a ele pertence. Dizimar visa ao 
nosso bem, não ao dele. Nossas desculpas apenas ferem a nós mesmos. 
As mesmas verdades se aplicam à nossa igreja e ao nosso ministério. 
As Igrejas Também Deveriam Dizimar 
Como uma igreja é uma casa do tesouro de Deus, será que isso significa que a 
nossa igreja também deveria dizimar? Sim, dar é algo fundamental no Cristianismo. 
De igual forma Deus nos pede que assim procedamos para nosso próprio bem, e 
não para o bem dele. Deus procura pessoas fiéis, nas quais possa confiar para 
serem canais de seu suprimento. Não estamos buscando prosperidade para nós 
mesmos; procuramos ser servos fiéis, tal como aqueles da parábola dos 
talentos, que investiram bem o que lhes fora confiado, e depois disso seu patrão 
lhes confiou uma importância bem maior. 
Quando começamos nossa congregação, a Comunidade Morningstar 
(Estrela da Manhã) em Charlotte, Carolina do Norte, por um descuido deixamos 
de dar o dízimo da receita da igreja. Tivemos significativas perdas até o momento em 
que começamos a dizimar, quando imediatamente nossas finanças deram meia 
volta. Poderíamos dizer que teria sido uma coincidência. No entanto teríamos de 
estar mortos espiritualmente, para chegarmos a admitir isso. 
Quando damos o dízimo bíblico, que é tomar os "primeiros frutos" e dar ao 
Senhor, estamos afirmando que nele confiamos como nossa Fonte, não em nós 
mesmos, nem em nosso trabalho. Isso é importante para pessoas, para igrejas, 
e para ministérios para-eclesiásticos. 
Uma vez que você haja assumido o compromisso de dar o dízimo, você deve 
ainda se perguntar se não está sucumbindo a qualquer das três armadilhas do inimigo 
para mantê-lo escravizado ao sistema deste mundo. 
 
Três Armadilhas de Escravidão Financeira 
 
Em que grau estas três armadilhas o influenciam ou dominam? 
1. Compulsão para Comprar 
Tudo que vemos nos jornais e na TV nos força a "ir atrás". Ganhe tanto quanto 
puder! Contudo Eclesiastes 4:8 nos lembra que os olhos nunca... se satisfazem com 
riqueza (SBTB). E Eclesiastes 5:10 explica ainda que: Quem ama o dinheiro jamais 
dele se farta; e quem ama a abundância nunca se farta da renda. A compulsão para 
comprar é um sintoma do que Salomão está descrevendo nesses versículos. 
2. Insatisfação 
A insatisfação é a doença de nunca julgar que se tem o suficiente: roupas bastantes, 
roupas certas, móveis suficientes, ou combinando entre si, penduricalhos, jóias, enfeites, 
mil e uma utilidades, cada vez mais sofisticadas e modernas... É uma fome insaciável de 
possuir mais e mais. Eclesiastes 5:11 diz: Onde os bens se multiplicam, também se 
multiplicam os que deles comem; que mais proveito, pois, têm os seus donos do que os 
verem com seus olhos? 
Já ouvi quem dissesse: "Queria ser um milionário para dar esse dinheiro ao 
Senhor". Você não precisa ganhar milhões para dar ao Senhor. Ele não é pobre. 
Tenha o cuidado de não disfarçar seus desejos com afirmações desse tipo. O Senhor 
disse: Buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão 
acrescentadas. 
3. Preguiça 
Talvez você nunca tenha dinheiro bastante, porque você é preguiçoso. 
Salomão aconselhou o preguiçoso a considerar os caminhos da formiga: 
Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos e sê sábio. Não tendo 
ela chefe, nem oficial, nem comandante, no estio prepara seu pão, na sega ajunta seu 
mantimento. O preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu 
sono? Um pouco para dormir, uni pouco para tosquenejar, um pouco para encruzar os 
braços em repouso, assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessi-
dade, como de um homem armado. (Provérbios 6:6-11) 
O versículo 7 deste trecho é o mais interessante: ... não tendo ela chefe, nem 
oficial, nem comandante. Algumas versões traduzem esta última palavra por 
"dominador". Contudo no hebraico a palavra é mesmo comandante. Neste sentido a 
formiga é uma representação do crente nascido de novo. As formigas instinti-
vamente sabem o que fazer. Pois do mesmo modo deveriam saber os cristãos; tais 
pessoas não precisariam ter uma fonte de motivação externa, uma vez que sua 
motivação vem de seu interior. Às vezes o crente precisa de um conselho, mas 
nossa meta tem de ser a de sempre termos a Palavra e os caminhos de Deus 
estabelecidos firmemente em nosso coração. 
Observe ainda o que Salomão diz sobre o sono. Todos temos a tendência de tocar no 
despertador, desligando o alarme para termos apenas alguns minutos a mais de 
sono. Este versículo nos adverte contra a natureza viciosa desse hábito. Se é hora de 
nos levantar, levantemos! Deus não vai derramar prosperidade sobre você enquanto 
você estiver na cama. Se somos servos do Senhor, nosso tempo também é dele. 
A Lei da Física e a Riqueza 
Há uma lei da Física que af irma que a energia jamais é destruída; ela 
simplesmente muda de forma. O mesmo é verdade com respeito à riqueza: ela 
nunca é destruída, mas com freqüência muda de mãos. Mesmo durante a 
Grande Depressão, a riqueza na verdade não se perdeu; ela apenas foi 
transferida para aqueles que se achavam em condições de tirar vantagem da 
situação. E os que se beneficiaram foram não só os que não tinham dívidas, 
como tinham dinheirodisponível naquela hora. Houve empresas que foram 
compradas por quantias muito baixas, chegando a 10% do seu real valor. Terras 
foram adquiridas por quantias ínfimas, chegando a 25% de dólar para cada mil 
metros quadrados, compradas daqueles que se haviam endividado. 
Estamos caminhando em direção a um transtorno econômico muito pior que 
o da Grande Depressão. Os que não estiverem preparados ficarão arruinados. O 
Senhor deseja que seu povo esteja prevenido para tais tempos, não apenas para 
que possam suportar tudo, ou para enriquecerem, mas para benefício do próprio 
evangelho. Como prometem as Escrituras, a riqueza das nações será dada àqueles 
que servem ao Senhor. 
Agora o Senhor está preparando seu povo para o que está para acontecer. Ele 
vem advertindo sua Igreja por mais de vinte e cinco anos, para que todos se livrem 
de dívidas. Já nos foi dado um tempo mais que razoável para isso. Entretanto, 
devido ao fato de que esses catastróficos problemas econômicos têm demorado a 
acontecer, muitos têm desprezado essas advertências. Ainda há tempo para 
arrependimento e para pormos as coisas em ordem, mas não dá para protelar mais! 
 
Capítulo 3 Acusadores dos irmãos 
 
Na primavera de 1995 Bob Jones, um amigo meu que é profeta, disse a alguns 
dentre nós que o time de beisebol Os Valentes de Atlanta ganharia o campeonato da 
Série Mundial, naquele ano, como uma mensagem para a Igreja. Essa profecia 
cumpriu-se, e de fato houve nela uma mensagem. 
Por muitos anos Os Valentes de Atlanta vinham sendo considerados "o time dos 
Estados Unidos". Esta nação é chamada de "o lar dos valentes". Valentes são guerreiros 
corajosos, e verdadeiros guerreiros são os que lutam até obter a vitória. Após anos 
de insucesso, Os Valentes de Atlanta finalmente conseguiram entrar na Série Mundial 
de 1992 e também em 1993, mas não foram campeões. Eles não desistiram, e em 1995 
venceram o campeonato da Série Mundial, tal como Bob Jones havia profetizado. 
De maneira semelhante, a Igreja tem lutado por vários anos. Deus tem 
levantado grandes movimentos e ministérios para abençoar o mundo todo. 
Embora tenhamos tido muitos anos maravilhosos, já faz algum tempo que a Igreja 
como um todo não tem alcançado um verdadeiro avanço ou vitória sobre o 
inimigo. 
Como eu esperava que o time de Atlanta vencesse em 1995, em razão da palavra de 
Bob, também fiquei muito ansioso por conhecer a mensagem que havia nessa 
vitória. Para mim foi muito interessante o fato de que a vitória dos "Valentes" 
aconteceu no ano da saga de O. J. Simpson, que talvez haja sido o julgamento 
mais controvertido da história judicial dos Estados Unidos. Foi esse também o 
ano em que o incêndio de igrejas e a Marcha de Um Milhão de Homens foram 
manchetes dos principais jornais. Quando parecia que a justiça estava sofrendo o maior 
assalto da história americana, foi um jogador de nome Davi ou, mais 
precisamente, David Justice, que fez a jogada vencedora naquele jogo que 
deu a vitória ao "time a m e rica no”. 
Creio que foi muito significativo haver sido Davi quem fez aquela jogada final. Ele 
é um homem negro, e realmente espero que "Davis" jovens e negros surjam e matem 
os "Golias" espirituais que têm intimidado e retido o avanço dos exércitos de Deus. 
Penso ainda que esses grandes campeões virão em nome da justiça. Eles não 
apenas exigirão justiça para si mesmos, mas também a conquistarão Para outras 
pessoas. 
Nenhum de nós deseja justiça em relação a nossos pecados; o que desejamos é, 
isto sim, misericórdia e graça. Isso é pacífico. Entretanto, a justiça de Deus é mais do 
que isso. O Senhor evidentemente se preocupa muito com a eqüidade e com a jus-
tiça na conduta dos homens. As Escrituras deixam bem claro que ...retidão e justiça 
são a base do seu trono, e que ...fazer justiça e julgar com retidão é mais aceitável ao 
Senhor do que oferecer-lhe sacrifício. 
Se a justiça é algo tão importante que é um dos dois pilares sobre os quais Deus 
estabeleceu seu trono, deve-se dar a ela uma prioridade muito maior. Como o Senhor 
falou pelo profeta: 
Mas, se deveras emendardes os vossos caminhos e as vossas obras, se deveras 
praticardes a justiça, cada um com O seu próximo; se não oprimirdes o estrangeiro, e o 
órfão, e a viúva, nem derramardes sangue inocente neste lugar, nem andardes após 
outros deuses para vosso próprio mal, eu vos tirei habitar neste lugar, na terra que dei a 
vossos pais, desde os tempos antigos e para sempre (Jeremias 7:5-7). 
Tenho viajado muito por todo o mundo, e quanto mais viajo mais dou graças a 
Deus por viver na América. Por melhor que seja o sistema de justiça que há no 
mundo de hoje, esse sistema ainda não é tão bom quanto poderia ser. Não há 
justiça para todos. E há um crescente assalto à justiça por toda a estrutura social, 
indo da capacitação econômica a diferentes oportunidades educacionais. Contudo o 
que é mais assustador ainda é a quase completa falta de visão e de um sistema de 
justiça na Igreja Cristã. 
Como Paulo escreveu aos Coríntios: Para vergonha vo-lo digo. Não há, porventura, nem 
ao menos um sábio entre vós, que possa julgar no meio da irmandade? 
Poderemos descobrir que grande parte da vergonha que recentemente tem 
alcançado o corpo de Cristo é decorrente de não termos um verdadeiro sistema de 
justiça na igreja, de modo a nos julgar a nós mesmos, para que não sejamos 
julgados. Quando os israelitas perderam o senso de justiça, logo caíram na 
apostasia, porque a justiça é uma das bases do trono do Senhor em nosso meio. 
Deus teve que usar as nações pagãs que estavam em volta de Israel para 
disciplinar aquele povo até que ele se voltasse para o Senhor. De igual modo, Deus 
se viu obrigado a fazer uso da imprensa secular e de outros "pagãos" para disciplinar a 
Igreja. Entretanto, o Senhor não destacou jornalistas nem investigadores para 
julgarem a sua Igreja. Foi aos anciãos da Igreja que essa autoridade foi concedida. A 
falta de autoridade criada pela ausência de verdadeiros juízes continuará a ser 
compensada por aqueles que não são chamados, e que trarão muita confusão, até 
que os verdadeiros anciãos da Igreja assumam a autoridade que lhes foi concedida por 
Deus. 
Decaídos da Graça 
Na primavera de 1996, Bob Jones recebeu a palavra de que Os Valentes não 
venceriam novamente a Série Mundial naquele ano, e que isso seria uma 
mensagem. Quando me deram bilhetes de entrada para o quinto jogo da Série 
Mundial em Atlanta, eu sabia que o Senhor iria mostrar-me algo importante. E não 
me decepcionei. 
Quando Bobby Conner, Mike Dean e eu caminhávamos em direção ao estádio, Mike 
disse-nos que na primeira vez que Os Valentes foram participar desse campeonato, uma 
empolgação sem precedentes tomou conta de toda a cidade. Mais de cem mil 
pessoas foram até o estádio, mesmo sabendo que não teri am como entrar e 
que seriam obrigados a permanecer do lado de fora, dando de lá seu apoio 
ao time. Enquanto ele dizia isso, surpreendi-me ao ver o contraste que havia 
em relação àquela noite. Não havia ninguém do lado de fora para dar 
suporte à equipe. Os que entravam no estádio davam inclusive a impres são 
de estar indo desprovidos de todo entusiasmo. 
Aquele campeonato - a Série Mundial - era o ponto culminante do 
beisebol. O jogo acontecia entre uma das equipes mais populares, Os 
Valentes, contra um dos times de maior tradição, os Yankees de Nova York. 
Mesmo assim eu sentira mais ardor entre os torcedores dos t imes que 
haviam jogado num campeonato local sem importância do que o que estava 
acontecendo entre os torcedores que naquela noite se encontravam no 
estádio de beisebol Fulton County. O que eu sentia era, ao contrário, uma 
atitude de arrogância, que me dava uma sensação bastante desconfortável. 
Durante o jogo, quando os torcedores do At lanta começa ram a sol tar 
seu gr i to t íp ico para impuls ionar o t ime, que anter iormente era um gr i to 
de guerra que atemorizava o coração dos jogadores do t ime contrário, 
naquela noite ele saia bastantedesanimado: parec ia mais um gr i to de dor 
do que um brado de guerra. F iquei impressionado com o peso que havia 
no ar. Surpreendi -me ainda mais com os gr i tos de desaprovação que eram 
dados pelos torcedores quando Os Va lentes er ravam um lance , ou 
quando não consegu iam ter êxito numa jogada que, se concret izada 
com sucesso, ter ia sido por puro milagre. 
Os Valentes perderam aquele jogo, que era de extrema importância, porque 
um de seus jogadores perdera uma bola, o que não poder ia haver 
acontecido. Tudo parecia ajustar -se à s i tuação re inante. O peso que 
pairava sobre o t ime era tão grande que eu esperava que eles errassem 
em quase toda jogada. O que mudara naquela cidade, passando de uma 
situação em que as pessoas haviam permanecido até mesmo do lado de 
fora do estádio, dando apoio ao t ime, para uma situ ação em que os 
torcedores parec iam estar ir r i tados com os jogadores? 
Teria sido por causa do orgulho? Antes do início do campeonato daquele 
ano os jornalistas esportivos haviam feito o prog nóstico de que Os Valentes 
venceriam de novo. Uma tal previsão não seria necessariamente um fator 
negativo. Entretanto, juntando-se com a vitória que haviam alcançado no 
ano anterior, ela fez com que os jogadores e os torcedores ficassem ex-
cessivamente arrogantes e orgulhosos. Não é o que a gente diz: "Estavam 
todos de salto alto..."? E quando as pessoas começam a reclamar de qualquer 
erro cometido, ou quando uma jogada não termina como esperam, isso traz 
uma grande pressão sobre os jogadores, o que mais cedo ou mais tarde 
acaba por fazer com que "percam a bola". 
Na manhã do dia seguinte mal dava para crer nas ultrajan tes palavras dos 
comentaristas sobre Os Valentes. Diziam que o t ime da casa provavelmente 
nunca jogara um jogo de beisebol a nível realmente prof issional, e muito 
menos sent ira a responsabil idade do que signif icava part icipar da Série 
Mundial. O veneno que foi lançado sobre aquele jogador q ue cometera 
aquele erro vi ta l foi então chocante. Até mesmo al guns que não eram da 
crônica esport iva f izeram comentários como se fossem especialistas que 
sabiam das coisas mais do que os própr ios dir igentes da equipe. Para mim 
não foi surpresa o fato de Os Valentes não vencerem depois uma única 
part ida jogada em casa no campeonato da Sér ie Mundial da quele ano. Para 
eles era bem mais fácil jogar fora de casa, uma vez que ganharam dois jogos em 
Nova York. 
Creio que essa mesma atitude é o que faz com que muitas igrejas, 
ministérios e pessoas caiam depois de apenas uma única vitória. Quando 
passamos por uma vitória, é bom forçar a situação, e até mesmo manter a 
fé de que continuaremos vencendo. Entretanto, quando as expectat ivas 
das pessoas são contaminadas pela arrogância, de modo que tudo o que não venha 
de encontro àquelas expectativas faça despertar críticas e não intercessão, uma derrota 
certamente sobrevirá. Salomão percebera isso centenas de anos antes, quando 
escreveu: A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda! 
É dif ícil, para quem não haja praticado esportes, imaginar quanto os 
torcedores inf luenciam um jogo, razão por que há uma clara vantagem no 
jogo em casa. Se os torcedores estão empurrando o time para a frente, os 
jogadores são inspirados a jogar além de suas possibilidades normais. En-
tretanto, quando eles não apóiam o time, é como se os jogadores estivessem o 
tempo todo carregando um enorme peso. O mesmo se dá em nossas igrejas. 
Quando a liderança sente apoio dos membros, ela subirá e alcançará novas 
alturas. Quando no entanto ela é arrasada por críticas, torna-se difícil para ela 
até mesmo atuar. 
Uma das principais razões por que muitos líderes têm falta de unção de Deus é 
o fato de os membros da sua igreja não terem fome de Deus. Outro fator são as 
expectativas irrealistas que freqüentemente depositamos sobre eles. Temos a 
tendência de ser muito exigentes. Quando alguém tenta liderar-nos, de tal modo 
o atacamos que dá para se pensar como pode haver quem se disponha a ser pastor 
ou presidente do país. 
Assim como as críticas e os comentários pelo rádio em Atlanta naquela manhã foram 
formulados principalmente por aqueles que nunca haviam jogado uma partida de 
beisebol profissional (e muito menos participado da Série Mundial), as críticas 
feitas dentro da igreja, em sua maioria, nunca contribuíram para o bem dela, nem 
edificaram nada que fosse significativo. 
É impressionante o fato de haver quem dê ouvidos a esses comentários, e é ainda 
mais impressionante que até mesmo cristãos maduros estejam dando atenção 
àqueles que se têm posto como juízes sobre a Igreja. 
Todos temos liberdade para escolher a forma de nos relacionar com nossos 
líderes: poderemos participar de apenas um dos dois ministérios que existem diante do 
trono de Deus. 
 
Os Dois Ministérios 
 
Dois ministérios atuam incessantemente diante do trono de Deus: um é o 
ministério da intercessão; o outro é o da acusação. Jesus vive para interceder por 
seu povo. Conforme o grau em que habitarmos nele, Jesus nos usará para 
interceder pela Igreja, por outros e por nós mesmos. Sua Igreja é para ser uma 
Casa de Oração para todos os povos! 
Satanás, entretanto, é chamado de o acusador de nossos irmãos, e somos 
informados de que seu ministério prossegue de dia e de noite diante do trono de 
Deus. 
Como é que Satanás continua a acusar os santos diante de Deus, uma vez que 
foi lançado para fora do céu, e não mais tem acesso ao trono? A resposta a essa 
pergunta é: Satanás usa os santos, que realmente têm acesso ao trono, para fazer 
essa obra diabólica para ele. Ele é conhecido por muitos títulos, mas certamente o 
modo como atua mais eficazmente tem sido o de "acusador dos irmãos", dada a 
eficácia com que tem conseguido fazer com que irmãos se voltem contra irmãos. 
Promover a divisão é uma especialidade dele. 
A unidade da Igreja é a maior ameaça ao domínio satânico. O diabo sabe 
muito bem que Jesus deu autoridade a quaisquer dois crentes que estejam em 
concordância: o Pai lhes dará o que pedirem. A unidade não apenas aumenta 
nossa autoridade espiritual, como a multiplica. Um cristão pode pôr a correr 
mil demônios, mas dois em concordância põem a correr dez mil. 
Ironicamente, o acesso do acusador à maioria de nós acontece muitas vezes por 
nossa insegurança, o que nos põe em guarda sobre nosso território. Se 
estamos inseguros, somos ameaçados por qualquer coisa que escape ao nosso 
controle. Podemos citar doutrinas ou exibir uma nobre mas fingida de-
terminação. São no entanto poucas as divisões na Igreja provocadas por 
algo diferente do desejo de manter nosso terri tório, ou seja, nosso âmbito de ação, o 
que finalmente resulta na perda exatamente do que queremos preservar a todo 
custo. Uma lei incontestável do espírito é esta: se procurarmos salvar a nossa vida, 
nós a perderemos; se perdermos a nossa vida por causa de Cristo, nós a acharemos. 
Isaías abordou esta questão de um modo bem sucinto: 
Então, romperá a tua luz como a alva, a tua cura brotará sem detença, a tua justiça irá 
adiante de ti, e a glória do SENHOR será a tua retaguarda; então clamarás, e o SENHOR 
te responderá; gritarás por socorro, e ele dirá: Eis-me aqui. Se tirares do meio de ti o jugo, o 
dedo que ameaça, o falar injurioso (Isaías 58:8,9 - ênfase acrescentada) 
Você está precisando ter mais luz na sua vida? Você invoca o Senhor, mas ele não lhe 
responde? A resposta é quase sempre a mesma: você tem um jugo no meio de você 
que é referido como ...o dedo que ameaça, o falar injurioso. Trata-se de um espírito de 
crítica. Deus promete que a sua vida sofrerá uma mudança radical se você remover 
esse jugo. 
A pessoa que tudo critica é aquela que comenta depreciativa e negativamente os 
outros, mas nunca se refere de maneira inferior a si mesma. Como afirmou o 
Senhor, tal pessoa passa o tempo todo tão ocupada à procura de um argueiro 
no olho alheio, que não consegue enxergar a trave no próprio olho,razão de sua 
cegueira. 
Quando criticamos os filhos de alguém, quem vai se ofender? Os pais! Isso não é 
menos verdade em relação a Deus. Quando julgamos um de seus filhos, na realidade 
estamos julgando o Senhor. Sempre que julgamos um de seus líderes estamos 
emitindo opinião sobre sua liderança. Estamos declarando que Deus não sabe o que 
está fazendo com a liderança que está sustentando. Ao criticarmos um irmão ou uma 
irmã, na verdade estamos dizendo que a forma como Deus está trabalhando não se 
enquadra no que consideramos ser o certo, o correto. Contudo, quem de nós pode 
se transformar a si mesmo, sendo o que realmente deve ser? Se não podemos nem 
sequer mudar a nos mesmos, como iremos influenciar pessoas para que mudem? 
A crítica é uma das maiores manifestações do orgulho, visto que presume que se 
está numa posição superior. O orgulho traz algo a cujo respeito todo ser humano 
deveria sentir o maior temor: a resistência de Deus. As Escrituras dizem: "Deus resiste 
aos soberbos, mas dá graça aos humildes." Confesso que preferiria ter todos os 
demônios do inferno contra mim a ter Deus como meu contrário. 
Veja o que aconteceu com os filhos de Israel. Deus permitiu que a primeira geração que 
saíra do Egito passasse toda a sua vida vagueando pelo deserto, em razão de suas 
contínuas murmurações e reclamações. Essa é a principal razão por que muitos cristãos 
não andam em harmonia com as promessas de Deus. Elas consomem a vida em lugares 
áridos, dando voltas e voltas nas mesmas montanhas - cultivando os mesmos velhos 
problemas, as desgastadas fraquezas de sempre, os decantados queixumes e gemidos... 
Observe a advertência de Tiago advertiu-nos o seguinte: 
Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Aquele que fala mal do irmão ou julga a seu irmão 
fala mal da lei e julga a lei; ora, se julgas a lei, não és observador da lei, mas juiz. Um só é 
Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e fazer perecer; tu, porém, quem és, que julgas 
o próximo? (Tiago 4: 1 1,1 2) 
Visitei certa vez um dos estados mais pobres dos Estados Unidos. Por ter 
notícia de que era muito rico em recursos naturais e em beleza, me sentia muito 
inclinado a conhecê-lo. Ao visitá-lo, imediatamente notei um traço característico 
básico nas pessoas da região. Elas ridicularizavam e criticavam a riqueza ou 
quem quer que estivesse se dando bem no lugar. Isso parecia ser uma obsessão de 
todo o mundo ali, desde garçons a líderes de igrejas. Eu sabia que essa era a razão 
principal da sua pobreza. Quando cometemos o pecado de apontar o dedo que 
ameaça, e o do falar injurioso, nós nos acorrentamos ao jugo dessa mesma crítica. 
Acontece exatamente como o Senhor nos adverte: Não julgueis, para que não sejais 
julgados. Pois com o critério com que julgardes sereis julgados; e com a medida com que 
tiverdes medido, vos medirão também. 
 
Alguns dos pastores naquele estado na verdade haviam posto um jugo de 
pobreza sobre si e sobre sua congregação, pelo fato de crit icarem a maneira 
como outros homens de Deus haviam levantado recursos f inanceiros. Como 
conseqüência eles não recebiam nem mesmo ofertas - o que é bíblico -, sem 
que se sentissem culpados. Outros homens de Deus poderiam haver exercido 
uma inf luência de âmbito nacional e internacional na igreja, em razão de sua 
incontestável autoridade espiritual; haviam no entanto passado toda a sua 
vida ministrando com poucos frutos a igrejas que não cresciam, mas pelo 
contrário, diminuíam. Admito que às vezes as multidões em torno de nós 
possam diminuir, quando estamos fazendo o que é certo, tal como aconteceu 
com o Senhor, quando pregou verdades duras ao povo. Mas não foi esse o caso 
com Os pastores de quem estou falando. Eles haviam criticado outros 
ministérios que estavam se tornando mais influentes. Em vista disso Deus não 
lhes podia dar uma assistência segundo a unção que eles tinham. 
Você precisa entender que as nossas críticas podem estar firmadas num 
discernimento real. Aqueles a quem criticamos podem muito bem estar 
cometendo erros. Aconteceu inclusive de alguns daqueles pastores haverem 
criticado outros que haviam levantado muito dinheiro mediante manipulação, en-
godo, ou uma atitude totalmente enganosa. O apóstolo Paulo esperava que a 
igreja de Corinto tivesse discernimento. Ele disse aos coríntios que as pessoas 
deveriam responder por suas ações, quando lhes perguntou: Não julgais vós os de 
dentro [da igreja]? 
A questão em jogo aqui é O que vamos fazer com o que discernirmos. Vamos lazer uso 
disso para acusar nossos irmãos ou para interceder por eles? 
Em Mateus 18:6 Jesus nos adverte sobre o perigo de alguém fazer com que um de 
seus pequeninos viesse a pecar. "Teria sido melhor se essa pessoa houvesse atado uma 
grande pedra em seu pescoço e se lançado no mar". Nesse mesmo discurso Jesus nos 
instrui sobre como agir com um irmão que está em pecado. Antes de mais nada 
devemos ir até ele e lhe falar em particular. Se ele rejeitar nosso conselho, é 
importante que voltemos a falar com ele, mas agora levando um irmão. Somente no 
caso de ele rejeitar essas duas tentativas é que seu problema deve ser levado à 
consideração do restante da igreja. Se não seguirmos essa instrução corremos o 
risco de cair na condição menos desejada por nós: a de sermos responsáveis 
pelo tropeço de alguém por quem o Senhor morreu. 
Tenho ouvido numerosas desculpas por parte de certas pessoas, por não 
seguirem o que Mateus 18 estabelece. Uma muito comum é esta: "Sei que ele não me 
ouviria". Já ouvi também esta: "Como ele tem um ministério público, tenho o direito 
de expô-lo publicamente". Isso é um absurdo, porque todo ministério é público, 
pelo menos até certo ponto. Essas condições não foram apresentadas pelo 
Senhor. Os que não obstante a clara instrução de Jesus se arvoram o direito de 
tomar tal liberdade estão simplesmente declarando ter autoridade para acrescentar 
algo à Palavra de Deus. 
Se alguém tem um grande ministério, e não temos condições de entrar em 
contato direto com essa pessoa, o que temos a fazer é não julgar. Se o Senhor 
julgasse que nós é que teríamos que trazer isso a juízo, ele daria um jeito para que 
assim pudéssemos agir. Se tal não foi o caso, confiemos que no devido tempo o 
Senhor irá agir. Não acuse, e sim interceda. Seguir essa instrução de Jesus é o que 
nos protegerá de entrarmos num juízo bem mais severo que o do irmão em falta. 
Se não seguirmos o procedimento prescrito pelo Senhor para tratar de um irmão 
que se acha em erro, não teremos direito algum de falar sobre o caso com 
ninguém mais. O que chamamos de "examinar a opinião de alguém" é o que 
Deus chama de "mexerico". O Senhor não será enganado, e nós pagaremos o 
preço por essas indiscrições. A ordem que ele nos deu foi a de irmos primeiro até a 
pessoa, e falarmos com ela em particular. Somente depois disso é que deveremos falar 
com alguém mais, e com o propósito exclusivo de irmos os dois até a pessoa em 
pecado, para ajudá-la. Nosso alvo terá sempre que ser o de salvar o irmão de 
seu pecado, e jamais o de expô-lo. Também Paulo nos advertiu: Irmãos, se alguém 
for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de 
brandura; e GUARDA-TE PARA QUE NÃO SEJAS TAMBÉM TENTADO. 
Não se torne mesquinho diante de um presumível pecado de alguém. Lembre-se 
de que o amor cobre multidão de pecados. A maioria de nós ainda tem centenas de 
coisas erradas em sua vida, e o Senhor normalmente está lidando com uma ou 
duas dessas coisas por vez, por ser o que dá para ser tratado ao mesmo tempo. 
(Muitas vezes Satanás usa a estratégia de tentar nos distrair, fazendo com 
que queiramos enfocar centenas de outros problemas ao mesmo tempo, o 
que acaba em frustração e derrota.) 
É claro, o Senhor Jesus, ele mesmo, é nosso modelo perfeito. Quando ele 
admoestou as sete igrejas do Apocalipse, primeiro elogiou cada uma delas, 
destacando o que estavam fazendo de forma correta. Depois foi direto a seus 
problemas. É incrível, mas ele inclusiveconcedeu oportunidade à perversa 
rainha Jezabel, para que se arrependesse! Finalmente ele deu a cada igreja 
uma maravilhosa promessa de recompensa por vencer seus pontos fracos. O 
Senhor não muda nunca. Quando ele admoesta no dia de hoje, sua admoesta-
ção vem sempre embalada com encorajamento e esperança. Mateus , 18 não 
nos fo i dado para ser usado como um cassetete, visando demonstrar ao 
nosso irmão como ele nos ofendeu. Ternos que usar esta escritura, e na verdade 
todos os demais textos das Escrituras, em amor, não como defesa nossa ou como 
uma forma de retalhar. 
O acusador dos irmãos procura trazer admoestações à Igreja com métodos e 
objetivos obviamente bem diferentes dos do Senhor. Jesus nos encoraja e nos 
dá esperança; Satanás nos c o nden a e p r oc u r a f aze r c o m q ue nos 
s i n t am o s desesperançados. Jesus nos levanta a moral, de forma a 
podermos levar adiante a correção. Satanás nos puxa para baixo, tudo 
fazendo para que desistamos. Jesus nos ama e quer nos levar ao lugar mais 
elevado; Satanás nos odeia e deseja destruir-nos. 
Um fenômeno entre os movimentos pentecostais e renovados que se tem 
observado com muita freqüência é a inabilidade, por parte dos que têm dons e 
experiências espirituais, de discernir espíritos, não distinguindo especialmente o 
mais implacável inimigo espiritual: o acusador dos irmãos! Será que nossos juízos 
contra os que não têm o batismo no Espírito, ou outras experiências espirituais 
que tenhamos, têm posto em nós essa incapacidade de discernir espíritos? Muito 
do que tem sido ostentado como discernimento não é nada mais do que uma 
suspeita, um descuidado disfarce que pretende ser espiritual, mas que é usado 
para dissimular nossa intenção de manter nosso domínio. Mesmo sem o dom 
espir i tual do d iscernimento, T iago nos deu u ma c lara d i ret r iz para 
discernirmos a fonte da sabedoria que, se fosse sempre considerada, teria 
preservado a Igreja de alguns de seus mais humilhantes erros: 
Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante 
condigno proceder, as suas obras... Se, pelo contrário, tendes em vosso coração inveja 
amargurada e sentimento faccioso... Esta não é a sabedoria que desce lá do alto; antes, é 
terrena, animal e demoníaca... A sabedoria, porém, lã do alto é, primeiramente, pura; 
depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem 
fingimento (Tiago 3:13-17). 
Somos salvos pela graça, e precisamos de toda a graça que possamos obter para 
vencermos nesta vida. Se queremos receber graça, é melhor aprendermos a dar 
graças, porque colheremos o que plantarmos. Se a nossa pretensão é receber 
misericórdia, é melhor começarmos a semear misericórdia, porque a maioria de 
nós vai ter necessidade de toda a misericórdia que pudermos obter. Não queremos 
chegar diante do Senhor com o sangue de nossos irmãos em nossas mãos. O 
Senhor advertiu-nos: 
Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a 
julgamento. Eu, porém, vos digo que todo aquele que [sem motivo] se irar contra seu 
irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a 
julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: 'Mio, estará sujeito ao inferno de fogo. Se, pois, 
ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra 
ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão, e, então, 
voltando, faze a tua oferta. Entra em acordo sem demora com teu adversário, enquanto 
estás com ele a caminho, para que o adversário não te entregue ao juiz, o juiz, ao oficial 
de justiça, e sejas recolhido à prisão. Em verdade te digo que não sairás dali, enquanto 
não pagares o último centavo (Mateus 5:21-26). 
Se cometemos o pecado de difamar um irmão ou uma irmã, o que temos a fazer 
é deixar de lado nossas ofertas ao Senhor até nos reconciliar com ele ou ela. 
Infelizmente muitas vezes pensamos que nossos sacrifícios e ofertas podem ser uma 
compensação por nossos pecados. Contudo isso não é verdade. 
O Senhor prometeu que, ao retornar, em seu juízo ele separará as ovelhas dos 
bodes. Os que forem julgados como "ovelhas" herdarão o reino e a vida eterna. Os 
que forem designados de "bodes" serão enviados ao juízo eterno. A separação será 
feita segundo o modo como cada um tratou o Senhor, o que, por sua vez, é 
decorrente de como cada um tratou o povo do Senhor. 
Assim João também afirmou: 
Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não 
ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê (1 João 4:20). 
Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino; ora, vós sabeis que todo assassino não 
tem a vida eterna permanente em si. Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida 
por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos (1 João 3:15,16). 
Se realmente tivermos o Espírito de Cristo, também teremos sua natureza. Se 
você ou eu soubéssemos que nossos melhores amigos, a quem havíamos amado 
e instruído por três anos e meio, estavam prestes a nos abandonar, será que 
sinceramente desejaríamos ter uma última ceia com eles? O amor de nosso 
Senhor para com seus discípulos não foi jamais condicional. Embora soubesse 
que em pouco tempo eles o negariam, ele os amou até o fim — e deu a vida por eles. 
E ele nos ordenou que amássemos com esse mesmo amor. 
Os que lideram sobre nós teriam um ministério muito maior se começássemos a 
orar por eles em vez de apenas criticá-los. O que causaria provavelmente o maior 
impacto positivo nas igrejas seria transformarmos nossas críticas em 
intercessões. Quando aqueles que estão envolvidos em algum ministério recebem 
o suporte dado pelas orações de outros, isso é de grande valia, porque a intercessão 
é poderosa. 
É claro, nem todas as igrejas têm a característica de estarem seus membros 
criticando a liderança. Há situações em que as pessoas dão todo o apoio, nada 
questionando, nem mesmo aquelas coisas que deveriam ser questionadas. Há 
também líderes que querem ter todo o crédito pelas vitórias alcançadas, mas se 
recusam a assumir Os erros cometidos, preferindo transferir a culpa a outros. De um 
modo geral, entretanto, a tendência predominante tem sido a de serem as pessoas 
muito críticas em relação àqueles que as lideram. 
Tive pena daquele jogador que entregou a vitória ao ad versário, naquele 
jogo dos Valentes, em 1996. Ele cometeu um erro, é verdade, mas ele realizara 
um número enorme de jogadas excepcionais durante todo aquele ano. 
Ninguém, exceto seus companheiros de equipe, demonstrava lembrar - se das 
belas jogadas que ele fizera anteriormente. Tão-somente se lembravam de que 
perdera aquela bola. Será que isso é justo? E não é exatamente desse modo 
que a Igreja tem tratado muitos de seus líderes? Isso não é justo pelos critérios 
de Deus, e se vamos representá-lo perante o mundo, temos é que aprender com o 
reto Juiz. 
 
Estamos bem próximos de passar por um grande mover de Deus, que talvez 
venha a superar tudo quanto temos visto até hoje. Entretanto, esse avivamento 
não está vindo em virtude da justiça da Igreja, e sim como um chamado final ao 
arrependimento, antes de recebermos um juízo devastador. 
O que vai dar condições ou não de nos transformar na geração que preparará o 
caminho para o Senhor e seus propósitos finais será o ministério que escolhermos 
- o de intercessão ou o de acusação. Removamos o terrível jugo do "dedo em riste", 
acusador do nosso meio, e passemos da crítica à intercessão. 
 
Capítulo 4 Tempestade nos Próximos anos 
 
Nos últimos anos temos ido com nosso pessoal a uma pequena ilha na costa do 
Estado da Carolina do Norte, uma bela ilha pela qual nos apaixonamos. Estávamos lá 
certo dia quando um famoso furacão tomou curso em nossa direção. Naquela noite os 
intercessores e muitas crianças marcharam em torno da ilha para orar, pedindo 
proteção contra o mau tempo. O furacão se aproximava de nós,mas de repente se 
moveu para o leste, desviando- se dela e voltando-se a seguir para o oeste, indo em 
direção ao rio Cape Fear. Ventos impetuosos varreram a ilha, mas não chegamos 
nem mesmo a ter interrupção na energia elétrica. Pouco ou quase nenhum dano ela 
sofreu. As praias mais ao norte foram devastadas, bem como as cidades e os vilarejos 
em todo o caminho percorrido pelo furacão, até a cidade de Raleigh, atingindo 200 
quilômetros no interior, em relação à costa. Não temos dúvida alguma quanto ao 
fato de havermos sido poupados em virtude das nossas orações. Deus realmente ouve 
nossas orações, e sempre responde às que são feitas com fé. 
Há tempestades em nossa vida que têm causas naturais, como as provocadas por um 
inesperado furacão, como o que mencionei, ou por um problema qualquer, tal 
como o do "bug do milênio", que enfrentamos na passagem para o ano 2000. 
Agora que esse problema foi ultrapassado, você já está consciente do que 
realmente aconteceu, e se as expectativas que havia em relação ao problema 
foram confirmadas ou não. Este é um exemplo que nos permite tirar algumas 
conclusões de ordem espiritual para enfrentarmos situações ameaçadoras. 
Contudo, antes de mais nada temos que nos sujeitar ao que diz Paulo em 
Filipenses 4:6, 7: Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam 
conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com i ações de 
graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a 
vossa mente em Cristo Jesus. 
O "Bug do Milênio" e o Ano 2000 
O problema do "bug do milênio" seria decorrente do desarranjo interno nos 
computadores causado por interpretar erradamente a passagem para o ano 2000. 
Nos anos da década de 1950, quando muitos dos computadores foram 
criados, os programadores não contavam com muito espaço na memória dos 
mesmos. Assim, passaram a registrar as datas com apenas dois dígitos: o ano de 
1955 ficou como 55; 1970, como 70. Ninguém naquela época pensou no fato de 
que aqueles computadores ainda estariam operando na virada para o ano 2000. 
Assim, o problema seria que muitos computadores, à meia- noite do dia 31 de 
dezembro de 1999 passariam a entender que o ano seguinte seria "1900" e não 
"2000", fazendo com que muitos dados neles registrados ficassem inacessíveis. 
Alguns chegaram a pensar que os bancos perderiam o controle sobre as contas de 
cada um. Esperava-se que muitas empresas perderiam o controle sobre seus 
estoques, e que muitas teriam que parar. Poderia ter havido problemas nas reservas 
de passagens aéreas e, pior ainda, problemas no controle do tráfego aéreo pelo pane 
nos computadores. Os governos federal, estadual e municipal poderiam haver perdido 
muitos dados, afetando o INSS, a Receita Federal, e até mesmo sistemas de 
abastecimento de água e esgotos. Os entendidos sobre essa situação chegaram a 
fazer diferentes previsões em relação ao efeito que esse problema teria sobre a civili-
zação; uns o viam como um simples percalço no caminho; outros o interpretavam 
como o fim do mundo moderno. 
As empresas, em sua maior ia, t i veram o cuidado de reprogramar com 
antecedência seus computadores, mas muitas deixaram essa providência para a última 
hora. Aqueles que delimitaram os problemas que poderiam enfrentar desenvolven-
do novos programas não estavam certos, porém, de que não teriam problemas 
inesperados, por incompatibilidade com Os computadores de fornecedores, fábricas, 
agências. Isso poderia até mesmo criar uma verdadeira torre de Babel eletrônica 
que talvez nem tivesse possibilidade de ser solucionada! 
Há alguns anos, embora eu tivesse um razoável entendimento sobre todo o 
problema técnico e comercial que o "bug do milênio" poderia vir a causar, por 
mais de um ano orei ao Senhor sobre essa questão. Contudo ele não me 
respondia nada. Quando finalmente ele começou a me responder, fiquei surpreso 
com o que disse: 
Não se Abale 
A primeira coisa que o Senhor então me disse sobre o assunto foi que Ele não 
estava sentado no céu, desesperado e preocupado com o bug — e que esse era 
também o comportamento de todo aquele que nele estivesse confiado. Não seria 
o fim do mundo moderno, mas causaria apenas alguns problemas, dos quais 
teríamos que ter consciência. O maior deles seria o pânico gerado pela situação, e 
não as panes nos computadores. O Senhor me advertiu: "O meu povo não deve se 
deixar dominar pelo medo numa situação como essa; muito menos contribuir para 
que esse temor se alastre". 
Se nos deixarmos influenciar por temores desse tipo, teremos que examinar Os 
fundamentos sobre Os quais construímos a nossa vida. Se edificamos a nossa casa 
sobre a rocha, mediante o ouvir e o praticar a Palavra do Senhor, as tempestades 
poderão vir, mas nossa "casa" permanecerá.' A Palavra de Deus é maior que 
qualquer enchente, qualquer correnteza, até mesmo aquelas que poderiam ter 
vindo na forma do bug do milênio, de recessões ou depressões. 
Isso não quer dizer que ao nos deparar com situações desse tipo vamos nos 
descuidar, deixando de fazer as mudanças necessárias e não nos preparando para 
enfrentá-las. Entretanto, tudo quanto fizermos terá que ser debaixo de muita fé, 
sempre procurando ouvir o Senhor, e não o mundo. Posto que se dermos ouvidos 
ao mundo estaremos perdidos; ele só nos passa temor, negativismo, inércia e descrença. 
O mundo todo e todos os seus sistemas são extremamente fracos e vulneráveis, 
e o bug do milênio não foi nem de longe o pior problema que enfrentamos. O 
esfacelamento da economia russa, a Coréia do Norte, o terrorismo e a crescente 
tensão entre a índia e o Paquistão, além de outras situações mundiais 
deprimentes e aterrorizantes foram, são e têm sido problemas muito maiores- que o 
bug do milênio. O mundo está cambaleando à beira de muitos precipícios. Somente 
a graça de Deus nos tem livrado até agora desses perigos, e exclusivamente ela 
nos guardará também no futuro. Como afirmei no capítulo 2, estamos no tempo 
referido em Apocalipse 7:1-3: 
Depois disso vi quatro anjos em pé nos quatro cantos da Terra, conservando seguros os 
quatro ventos da Terra, para que nenhum vento soprasse sobre a Terra, nem sobre o mar, nem 
sobre árvore alguma. Vi outro anjo que subia do nascente do sol, tendo o selo do Deus vivo, e 
clamou em grande voz aos quatro anjos, aqueles aos quais fora dado fazer dano à Terra e ao 
mar, dizendo: Não danifiqueis nem a Terra, nem o mar, nem as árvores, até .selarmos na fronte os 
servos do nosso Deus. 
Deus tem poder - e ele usará esse poder para restringir o efeito de todo perigo 
ameaçador (tal como fez no bug do milênio) que queira causar dano a Terra, até que ele 
haja completado a obra de selar seus servos. 
Como vimos antes, o verdadeiro servo é um escravo. Ele não é proprietário de 
nada; tudo que possui pertence ao seu senhor. Até mesmo seu tempo não é seu. 
Muitos afirmam isso, mas bem poucos verdadeiramente vivem desse modo. Um 
verdadeiro servo do Senhor não pode perder nada na bolsa de valores, nem em 
qualquer outro negócio, posto que nada possui. Ele pode ser mordomo de muitas 
coisas, mas elas não são suas, e ele não trata nada como se fosse seu. Os que se 
tornaram servos autênticos são os que construíram sua vida no reino que não se 
deixa afetar por crise alguma; tampouco por uni colapso econômico, ou qualquer tipo 
de desastre. Os verdadeiros servos estão sendo selados nesta hora, e estão protegidos. 
Contudo os cristãos que afirmam ser mordomos, mas estão vivendo para si mesmos, 
esses cairão junto com os reinos deste mundo. 
Ainda temos tempo de nos colocar em ordem. Não importa o quanto estejamos 
emaranhados com as coisas deste mundo - o verdadeiro arrependimento nos porá 
debaixo dos cuidados do Senhor. Embora sejamos seus escravos, não poderíamos 
ter um Senhor mais maravilhoso: ele cuidará muito melhor de nós do que nós 
mesmos nos cuidamos. Isso não significa que nunca sofreremos perdas. Os que 
construíram sua vida nos moldes deste mundoperderão muito no que está por vir. 
Mesmo aqueles que fizeram o máximo para viver como servos do Senhor 
poderão perder parte do que lhes foi confiado. De fato, vivemos no mundo, 
apesar de não sermos do mundo. Entretanto, os que estão vivendo como servos 
do Senhor receberão em breve, como mordomos, muito mais para administrar do que 
aquilo que hajam perdido. Estamos chegando ao tempo a respeito do qual o profeta 
escreveu o seguinte: 
Então (...) as riquezas das nações virão a ter contigo. Estrangeiros edificarão os teus muros, e os 
seus reis te servirão; porque no meu furor te castiguei, mas na minha graça tive misericórdia de ti. As 
tuas portas estarão abertas de continuo; nem de dia nem de noite se fecharão, para que te sejam 
trazidas riquezas das nações, e, conduzidos com elas, os seus reis. Porque a nação e o reino que 
não te servirem perecerão; sim, essas nações serão de todo assoladas (Isaías 60:5, 10-12). 
Durante o tempo de trevas as nações trarão da sua riqueza para o povo de Deus. 
É por isso que o povo de Deus não terá nada a temer se não tomar a marca da 
besta (o que lhe possibilitaria comprar, vender, negociar). Uma provisão bem maior 
de Deus virá para aqueles que forem fiéis. Mesmo assim será necessário sermos 
testados quanto a permanecermos fiéis, isto é, quanto ao fato de que estaremos 
confiando mais na economia do reino de Deus do que nas economias deste mundo. 
Os que verdadeiramente houverem se submetido ao senhorio de Jesus em 
breve estarão na condição de dirigentes. Se seu coração foi tocado para que 
você se arrependa, comece lendo, estudando e obedecendo ao seguinte: 
É para disciplina que perseverai s (Deus vos trata como filhos); pois que filho há que o pai não 
corrige? Mas, se estais sem correção, de que todos se têm tornado participantes, logo sois 
bastardos e não filhos. Além disso, tínhamos OS nossos pais segundo a carne, que nos 
corrigiam, e os respeitávamos; não havemos de estar em muito maior submissão ao Pai 
espiritual e, então, viveremos? Pois eles nos corrigiam por pouco tempo, segundo melhor 
lhes parecia; Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da 
sua santidade. Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de 
tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto 
de justiça (Hebreus 12:7-11). 
Estamos nos aproximando do Dia do Juízo. Não haverá como escapar das 
coisas que Deus possa não haver considerado no passado. Como Ele 
prometeu, os que o chamarem de Senhor, Senhor, mas não fizerem o que Ele 
manda, pagarão um preço terríve1 Temos que nos livrar das raízes da 
amargura e perdoar uns aos outros, tal como ele nos perdoou. Desculpas não 
terão lugar quando estivermos diante do trono de julgamento do Senhor. 
Agora é à hora em que todos os verdadeiros servos do Senhor serão 
revelados. Esses são os que verdadeiramente tudo fazem em prol do 
evangelho. O Senhor também me mostrou paralelos espirituais do bug do milênio. 
Paralelos Espirituais com Problemas Naturais 
O Senhor me disse que observasse os problemas do mundo natural como 
um ref lexo dos problemas que temos no Corpo de Cristo. 
Por exemplo, possivelmente o problema mais grave que en frentaremos no 
início do novo milênio é o que decorrerá da crescente tendência de as 
empresas fazerem um enxugamento no seu pessoal, aplicarem o sistema de 
recebimento de materiais "Just in t ime" (segundo as quantidades mínimas 
necessárias a cada momento) e implementarem outras medidas para a 
redução de custos. Essas coisas chegaram a funcionar até um certo ponto, 
mas como me disse Suzanne de Trevi l le - uma excelente consultora 
empresar ial e professora de administra ção de empresas -, essas medidas 
têm acarretado o que agora se denomina "anorexia de empresa". O sistema 
está tão "sem gordura" e pobre que não há reservas. Essa situação não 
apenas pode agravar-se quando um problema qualquer surgir, mas pelas 
poucas reservas disponíveis não haverá como aproveitar-se de novas 
possibilidades. 
Como isso se relaciona com a Igreja? Muitas igrejas têm se acomodado a 
um s is tema de v ida em que gastam o que ga nham a cada dia, e não têm 
reservas. É claro que muitos têm agido dessa forma buscando obedecer à 
admoestação do Senhor quanto a "não andar ans ioso quanto ao 
amanhã" , e sim confiar que ele cuidará deles tal como cuida dos pássaros. 
Creio que isso seria algo bom se de fato essa haja sido de fato a razão. 
Entretanto, muitos têm vivido do que entra a cada dia porque acumularam 
muitas dívidas. Isso signif ica buscar emprestado do futuro para pagar as 
contas de hoje. Àqueles que se hajam comportado dessa forma faço a 
seguinte pergunta: "Se você confia que o Senhor está cuidando de você a 
cada dia, suprindo todas as suas necessidades, por que tomou dinheiro 
emprestado no banco?" 
Há base bíblica para que tenhamos reservas, e alguns se sen tem chamados 
para preparar os "celeiros de José". Uma coisa que não devemos fazer, 
entretanto, é acumular bens. Tudo quanto fizermos é para ser feito visando ao 
nosso próximo. Pode ser sábia a atitude de guardarmos alguma coisa que 
cremos vai f icar em falta por algum tempo, mas isso não é para ser feito nos 
moldes de uma comunidade sobrevivente, mas como uma base missionária. Como 
poderão os cristãos acumular bens se seus vizinhos estão passando fome? Se 
montarmos um armazém, nosso alvo deve ser o de ajudar tantas pessoas 
quanto for possível em suas dificuldades futuras, seja ou não tempo da Grande 
Tribulação. Devemos buscar o Senhor para que ele especif icamente nos instrua 
quanto aos problemas que estão por vir. Entretanto isso deve ser feito tendo 
por base o amor, não o medo. 
Todos temos que examinar nossos próprios motivos. Embora eu creia no 
chamado de alguns para estabelecerem "depósitos" para o futuro, tenho 
observado que muitos dos que assim se sentem chamados agora estão fazendo 
muito pouco para os que se encontram em necessidade - e possivelmente farão 
ainda menos quando surgirem as necessidades verdadeiramente prementes. É 
o medo, e não o amor, que os move. Os que confiam que o Senhor cuida deles tal 
como cuida dos pássaros estarão em melhor situação nos tempos à frente. 
Quando Ágabo profetizou que uma grande fome estava por sobrevir a todo 
o mundo, a Igreja do primeiro século, em resposta a essa palavra, não 
começou a acumular coisas; em vez disso os cristãos levantaram uma oferta 
para ajudar os irmãos da Judéia. Os "armazéns de José" que eles estavam 
construindo estavam no céu, onde há segurança, e onde há amplo suprimento 
para qualquer necessidade. É digno de nota que eles deram aos irmãos da 
Judéia. Eles compreenderam, evidentemente, que a fome seria uma 
maldição que estava vindo para o mundo, e que aqueles que abençoassem 
Israel seriam abençoados, e os que amaldiçoassem Israel seriam 
amaldiçoados. Leia o texto abaixo e veja o que Deus promete: 
Por bronze trarei ouro, por ferro trarei prata, por madeira, bronze e por pedras, ferro; 
farei da paz os teus inspetores e da justiça, os teus exatores. Nunca mais se ouvirá de 
violência na tua terra, de desolação ou ruínas, nos teus limites; mas aos teus muros 
chamarás Salvação, e às tuas portas, Louvor. Nunca mais te servirá o sol para luz do dia, 
nem com o seu resplendor a lua te alumiará; mas o SENHOR será a tua luz perpétua, e o 
teu Deus; a tua glória (Isaías 60:17-19). 
Tudo isso deve fazer com que até mesmo as trevas que estão por vir no tempo do 
fim sejam um grande encorajamento para aqueles que conhecem o Senhor. Como 
ele disse, devemos erguer a cabeça, porque a nossa redenção se aproxima. 
Podemos depreender também do texto acima, como de todas as Escrituras, 
que nosso objetivo deve ser o de buscar a glória do Senhor, e não fazer a 
guarda de provisões. A glória do Senhor é que atrairá a provisão de Deus nesses 
tempos. Nas trevas que estão por vir, a glória sobressairá como nunca antes, e 
até mesmoos reis da Terra e as nações se voltarão para os que a possuírem. 
Construindo para Enfrentar as Tempestades 
As tempestades podem ser de origem demoníaca, mas também podem 
representar movimentos do Espírito Santo. Por exemplo, o Senhor respondeu a 
Já de um redemoinho. O vento muitas vezes representa o Espirito Santo, e a chuva às 
vezes representa o ensinamento. Os furacões arrancarão as árvores que não 
tiverem raízes profundas, e poderão destruir qualquer coisa que não estiver bem 
construída. 
No ano passado dirigimo-nos a uma casa de verão na nossa praia preferida, 
sobre a qual falei no primeiro parágrafo deste capítulo. Aquela casa estava à 
venda por um preço fora do comum. Nós a compramos para ser um lugar junto ao 
mar aonde nosso pessoal pudesse ir para buscar o Senhor. O que nos animou foi 
também o fato de ela haver sido protegida em relação àquele furacão sobre o qual 
falei. 
Entretanto, outro furacão apareceu depois, o Bonnie. Era uma enorme e forte 
tempestade, que se dirigia em direção à nossa pequena ilha, tal como sucedera 
com o furacão anterior. A tempestade mudou de rumo naquela quarta-feira, mas o 
suficiente para ser o primeiro ponto de impacto daquele novo furacão. Os maiores 
estragos que um furacão pode causar ocorrem quando ele chega num momento de 
maré alta, e o furacão Bonnie não somente veio numa hora de maré alta como 
também praticamente parou sobre a nossa ilha e a atingiu com os ventos mais 
fortes. Além disso, trouxe consigo uma copiosa chuva (de cerca de trezentos 
milímetros). 
Para o dia que seria o sábado seguinte após a passagem do Bonnie, havíamos 
planejado um retiro para nosso pessoal naquela casa de praia. Imaginei que não 
deveria haver sobrado muita coisa em pé em toda aquela ilha, e que, mesmo que 
houvesse restado alguma coisa, seriam necessárias várias semanas para restaurar a 
energia elétrica, e talvez meses para reparar todo o estrago e dar condições para 
que pudéssemos usar de novo nossa casa de praia. Por duas vezes o Senhor me 
disse naquela manhã: "Veja o milagre que fiz". Disse então à minha mulher e a 
outros: "De algum modo vamos testemunhar um milagre do Senhor nisso tudo, 
mas provavelmente teremos um bom ressarcimento pelo seguro, e assim 
poderemos construir um lugar maior e melhor". 
Estava disposto a cancelar então nosso retiro naquele fim- de semana na praia, mas 
muitas pessoas, incluindo-se entre elas minha esposa, eram de opinião que 
deveríamos ir até lá, de qualquer maneira. Achei que todos estavam malucos, 
mas concordei em esperar até ter uma chance de ir até lá e verificar todo o estrago, 
ou receber informações da companhia imobiliária com respeito aos danos 
causados. 
Fiquei surpreso quando o homem da imobiliária nos informou que não apenas a 
ilha havia sobrevivido, como não sofrera praticamente dano algum; seus 
moradores não haviam tido corte da energia elétrica durante todo o tempo em que 
durou o mau tempo! Apenas uns poucos telhados de madeira e alguns dos 
anteparos de janelas haviam sido arrancados pelo vento. Em muitas ocasiões eu 
vira a devastação que os furacões podem fazer. Daí sentir fortemente que em nosso 
caso acontecera um milagre de proporções bíblicas. Tudo em volta da nossa ilha 
fora tremendamente atingido, tendo o furacão provocado mi lhões de dólares de 
prejuízo. Com relação a nós teria de haver sido bem pior. A polícia disse que o pico da 
tempestade, ou seja, o ponto onde ela estava mais intensa se apartou da nossa ilha e 
ficou em torno da mesma, mas sem atingi-la. O Senhor nos dera a direção para 
que comprássemos nossa casa de retiro na praia. Conseqüentemente ela estava 
protegida por ele. Confesso que eu não tinha fé no sentido de que ele iria protegê-
la tal como fez! Entretanto, agora tenho muito mais fé em relação às tempestades que 
virão no futuro. Deus estendeu os céus como uma cortina de proteção, e ele têm 
plenas condições de cuidar de nós, não obstante seja lá o que estiver acontecendo na 
Terra. 
Durante vários meses o Senhor tem falado a muitos que têm o dom da profecia 
quanto a vivermos em Gósen. Gósen não é mais um lugar, e sim o estado, a 
circunstância de se viver dentro da vontade do Senhor. As trevas que estão 
vindo atingirão toda a Terra. A praga das trevas registrada no livro de Êxodo 
veio até mesmo sobre Gósen, mas os israelitas tinham luz em sua habitação. 
Assim o Senhor prometeu: 
Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um 
homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha; e caiu a chuva, transbordaram os 
rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora 
edificada sobre a rocha. E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será 
comparado a um homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia; e caiu a chuva, 
transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela 
desabou, sendo grande a sua ruína. 
Tempos difíceis estão para sobrevir ao mundo todo. De fato, a maior parte do 
mundo já tem estado em tempos difíceis por algum tempo. Entretanto, não 
precisamos temer. Como Isaías 60:1,2 nos diz: quanto mais trevas houver, maior a 
glória dos que estiverem vivendo no Senhor.9 Não ternos que temer as tempestades se 
a nossa casa estiver construída sobre a Rocha. Se você temer, não se queixe do 
que esteja acontecendo. Em vez disso, arrependa-se da maneira como tem vivido - 
voltado para si mesmo. Tome então a decisão de se tornar um servo do Senhor, 
que tem plena capacidade para proteger seu povo. 
 
Capítulo 5 Saiba qual é o seu chamado e seja vitorioso 
 
No inverno de 1996 sentei-me perto de Reggie White, um jogador de futebol 
americano, e fiquei ouvindo a conversa dele com um seu companheiro de equipe 
(do Green Bay Packers) sobre suas carreiras esportivas. Reggie tem sido 
considerado o melhor jogador de defesa americano. Durante 10 anos seguidos 
ele se tem destacado, e recentemente lhe foi dada a honra de ingressar na seleção 
"de todos os tempos", composta apenas dos melhores jogadores dos últimos 75 
anos de história daquela federação. Seu companheiro de equipe que lá estava era 
também um jogador que em sua posição vinha se destacando nos últimos 10 
anos. Na conversa entre ambos foi comentado o seguinte: "Provavelmente há 
muitos jovens, em cada cidade, que têm o potencial de se tornarem os mais 
destacados jogadores, e que sonham quanto a isso, e no entanto nunca serão". 
O que é verdade em relação àqueles que têm o potencial de se tornar grandes atletas 
provavelmente é também verdade com respeito a qualquer posição na vida. Muitos 
dos que são potencialmente grandes músicos passarão a vida ouvindo outros to-
cando. Muitos dos que poderiam tornar-se homens de negócios bem dotados, ou 
artistas, cientistas, políticos, médicos, advogados, escritores ou ministros de 
destaque provavelmente passarão a vida fazendo um trabalho que detestam 
fazer, em vez de desenvolverem Os talentos que possuem. Isso é algo trágico. 
Entretanto, uma tragédia ainda maior é o fato de haver cristãos que não estão 
desempenhando seu chamado no Corpo de Cristo. Não obstante este fato, antes 
do fim da presente era o Corpo de Cristo se levantará para se transformar na 
força mais unida e poderosa que este mundo já conheceu. Para que venhamos a 
integrar essa força, e dela fazermos parte, temos de compreender alguns 
princípios básicos essenciais para que isso aconteça. 
Podemos estar certos de que nos frustraremos, se não desempenharmos nossos 
talentos naturais. E a frustração será ainda maior, caso não cumpramos nosso 
destino espiritual. Tal frustração pode estar na raiz de muitas das divisões ocor -
ridas em igrejas, em denominações, e até mesmo em famílias. De fato, a 
frustração é um dos grandes problemas da Igreja, mas Os últimos graus dessa 
frustração - enfado e indiferença - podem ser ainda mais devastadores. 
Irar-se não é bom, mas realmente demonstra que alguém ainda está se 
preocupando. Vejo mais esperançapara uma congregação que tem tensões do 
que para uma que esteja dormindo. Entretanto, se os que estão no ministério 
estão cumprindo sua função principal, que é a de capacitar os santos a 
desempenhar seu serviço, uma grande parte da energia que agora se manifesta 
nessas tensões será usada para produzir frutos. E essa é uma das principais 
razões por que estamos neste mundo: 
Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto, e assim vos tomareis meus 
discípulos... Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a 
vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim 
de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda (João 15:8,16). 
De acordo com o Senhor, o principal propósito que temos é o de dar frutos que 
permaneçam, o que é muito mais do que apenas crescer pessoalmente no fruto 
do Espírito. O Senhor está querendo dizer que o que somos chamados a fazer, ou ser, 
deverá ter conseqüências neste mundo mediante nossa vida, mesmo depois da 
nossa partida para o Senhor. 
Todo cristão tem um ministério, um propósito que lhe foi dado. As Escrituras 
afirmam que o Senhor nos conhecia e nos chamou antes da fundação do mundo. 
Contudo as Escrituras também ensinam que muitos são chamados, mas poucos es-
colhidos [ou seja, além disso, são comissionados]. As pessoas hoje, em sua 
maioria, são como os israelitas, que apesar de chamados para ir à terra 
prometida gastaram sua vida vagueando em círculos pelo deserto. 
Deus não deseja que vivamos em perpétua frustração ou enfado, em razão 
de não andarmos em consonância com nosso verdade i ro propós i to. E le 
quer que tenhamos o indescritível prazer de saber que realizamos tudo que ele 
nos designou a fazer nesta Terra. O primeiro passo para sairmos do nosso 
deserto é crer que ele tem algo melhor para nós - e que ele tem como nos levar a 
nos apropriar disso. 
Quantos cristãos que você conhece estão desempenhando todo o potencial 
que têm? Quantas igrejas, da mesma forma? Bem poucos e bem poucas. 
Contudo é por isso que o Senhor colocou em nosso coração o desejo de fazer 
alguma coisa de valor. 
Cinco características básicas podem ser vistas na vida daqueles que tiveram 
unia vida vitoriosa. 
Cinco Características dos Vencedores 
Estas cinco características podem ser encontradas por todas as Escrituras nas 
biografias daqueles que cumpriram o propósito de Deus em sua geração: 
1. Eles têm uma clara visão do propósito da sua vida. 
2. Não se desviam do seu alvo. 
3. Têm a sabedoria e a resolução necessárias para reunir os recursos e o treinamento 
essenciais à consecução de seu propósito. 
4. Não se associam com os que "enfocam os problemas", mas com os que "enfocam 
as soluções". 
Recusam-se a permitir que obstáculos ou qualquer oposição os façam parar; 
permanecendo resolutos no processo de cumprir seu propósito, não importando 
reveses e insucessos. 
Vejamos cada um desses fatores em maior profundidade, bem como as 
pedras de tropeço que nos impedem de cumprir nosso propósito na vida. 
Primeiro Fator: Tenha unia Clara Visão do Propósito da sua Vida 
Com freqüência faço a seguinte pergunta ao auditório que me ouve em palestras: 
"Quem sabe qual é seu chamado?" Geralmente menos de 10% das pessoas levantam 
a mão. Então pergunto: "Das pessoas que levantaram a mão, quais são as que 
estão vivendo de acordo com seu chamado?" A maioria das mãos se abaixa. 
Normalmente apenas 1% de todo o auditório reconhece que sabe qual é seu 
chamado, e que está vivendo de acordo com ele. 
O que cada um de nós poderia realizar, se somente 1% do nosso corpo 
estivesse funcionando? Esta é uma das principais razões da fraqueza e ineficácia da 
Igreja nos dias de hoje. Todos necessitamos ter uma clara visão quanto ao nosso 
propósito. 
As Escrituras nos dizem: Lâmpada para Os meus pés é a tua palavra, e luz para os 
meus caminhos. Isso significa que temos como ver por onde estamos indo. 
Entretanto, na maior parte do tempo nossa visão a princípio será geral; depois ela 
se torna mais específica, quando prosseguimos em direção ao nosso alvo. Salomão 
observou: Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais 
até ser dia perfeito. Isso significa que nosso caminho deve ficar cada vez mais 
iluminado, à medida que prosseguimos em nossa caminhada. Se isso não está 
acontecendo, então alguma coisa provavelmente está errada em nosso caminhar. 
O propósito de todo cristão deve ser o de ser como Jesus, que reuniu em si o 
ministério integral do Novo Testamento numa só pessoa. Ele foi o Apóstolo, o 
Profeta, o Evangelista, o Pastor e o Mestre. Ao ascender ao céu Ele deu dons aos 
homens. Por isso temos hoje crentes que são apóstolos, profetas, evangelistas, 
pastores ou mestres. São necessários todos os ministér ios juntos para manifestar 
Cristo plenamente. Esta foi a razão por que 
Paulo não disse "Tenho a mente de Cristo", e sim: "Nós, porém, temos a mente de 
Cristo". 
Nas Escrituras podemos ver que o Senhor sempre revela primeiro o chamado de 
alguém; só depois é que ele espera vê-lo cumprindo seu chamado. Muitos de nós têm 
a preocupação de buscar no Senhor o entendimento quanto a isso. Ele nos orde-
nou pedir, buscar e bater, antes de receber. Talvez você argumente que o Senhor 
mostrou ao apóstolo Paulo qual era seu chamado quando ele se tornou cristão. 
Entretanto, segundo a confissão do próprio Paulo, ele passou muitos anos para definir 
seu chamado, e um bom tempo ficou sozinho no deserto. Nosso chamado é 
possivelmente nosso tesouro mais precioso. E o que torna valioso um tesouro é o 
fato de ser tanto raro como difícil de ser encontrado. Os que recebem um tesouro 
com muita freqüência desconhecem seu real valor. 
Ao buscar o Senhor, seja específico. Os que têm alvos gerais demais dificilmente 
conseguem atingi-los. Os que querem "meter-se num negócio por conta própria" 
quase nunca o fazem. Os que almejam "ser um músico" ou "entrar no 
ministério" quase nunca se lançam em seu propósito, ou se o fazem, bem 
depressa fracassam. Entretanto, Os que entram num negócio porque gostam 
demais de um certo produto ou serviço, esses têm uma chance bem maior de 
vencer. Os que morrem de paixão por um certo instrumento musical, como o 
violino, e se devotam a ser o melhor violinista que poderão ser, esses têm uma 
probabilidade bem maior de ter sucesso. Os que entram num ministério porque 
têm o coração voltado para alcançar com o evangelho um segmento de pessoas 
em especial, ou que têm o desejo de plantar igrejas ou alcançar os jovens, tais são 
os que têm muito mais chance de alcançar êxito. 
Na verdade, a resposta ao que fomos chamados a ser normalmente se encontra 
em nosso próprio coração, porque a água viva pode apenas fluir a partir do nosso 
ser interior. Entretanto, muitos têm grande dificuldade em saber qual é o mais pro-
fundo desejo do seu coração, uma vez que têm muitas vendas e mecanismos de defesa. 
Essas vendas são com freqüência as máscaras que usamos para atender às 
expectativas humanas (ou até mesmo expectativas já assumidas), e assim não sermos 
rejeitados. Pode ser que a coisa mais importante que temos a fazer seja arrancar 
a máscara, para que saibamos o que existe realmente em nosso coração. 
Também, para sermos mudados segundo a imagem do Senhor, temos de 
contemplar a sua glória com o rosto desvendado, o que resulta de um coração 
liberto de egoísmo e de temor - pecados decorrentes da Queda. Esses primeiros 
obstáculos nos impedem de ver a glória de Deus e sermos mudados conforme a sua 
imagem. 
Não somos chamados a nos tornar conforme a imagem de uma outra pessoa; 
nem mesmo de outro ministro. Tal engano tem se impregnado em toda igreja e 
 
em todo movimento do Senhor, especialmente nos dirigidos por um líder dinâmico. Em 
pouco tempo os membros começam a assumir a aparência e a natureza daquele 
líder, em vez de adotar as características de Cristo. Como você se sentiria na 
condição de alguém cujos filhos se parecessemcom seu melhor amigo? Talvez isso 
expresse o modo como o Senhor se sente quando seus filhos se parecem mais com 
o povo de Deus aqui na Terra do que com Ele. 
Quando procuramos imitar alguém, ainda estamos vendo o Senhor pelo espesso 
véu de outro vaso terreno. Temos de olhar diretamente para o Senhor, para sermos 
mudados por sua glória. É por isso que a jovem sulamita, que representa a noiva 
de Cristo no Cântico dos Cânticos, perguntou: Dize-me, ó amado de minha alma: 
onde apascentas teu rebanho, onde o fazes repousar pelo meio-dia, PARA QUE NÃO 
ANDE EU VAGANDO JUNTO AO REBANHO DOS TEUS COMPANHEIROS? 
Isso não quer dizer que nunca deveríamos submeter-nos aos pastores e mestres 
com que o Senhor proveu a sua Igreja, ou que nunca deveríamos nos deixar 
instruir por eles. O problema está em querer ser tal qual outra pessoa é. 
Para conhecermos e cumprirmos nosso ministério temos de primeiro nos 
apaixonar pelo Senhor. Então passaremos a ser levados para os aspectos específicos do 
seu ministério, para os quais fomos chamados. Se fomos chamados para pastor, 
veremos o coração de pastor do Senhor em quase tudo que ele faz nos evangelhos. De 
igual modo, se somos chamados para mestre, veremos Jesus como o Mestre por 
excelência em quase tudo que ele faz. Às vezes podemos buscar uma confirmação 
adicional. 
Confirmando Nosso Chamado 
O dom de profecia é às vezes usado para confirmar dons e ministérios, tal como 
vemos em 2ª Timóteo 1:6. Entretanto, ternos que ter cuidado com a maneira 
com que este dom é usado. Se pelo dom de profecia eu percebo qual é o 
chamado de uma pessoa, quase nunca o partilho com ela, até que ela comece 
a descobri-lo também. Quando uma visão vem de forma prematura, ou muito 
facilmente, ela irá desencadear - na melhor das hipóteses - um ministério superficial. 
Um dos propósitos principais do ministério profético do Novo Testamento é 
encorajar os membros do Corpo a executar seu chamado. Mesmo assim é um 
uso indevido desse ministério valer-se dos profetas como se fossem gurus ou 
adivinhos, ou como uma fonte barata de conhecimento sobrenatural. Os 
membros do Corpo ficarão bem mais fortes se receberem a maior parte das 
revelações diretamente de Deus, sendo os profetas usados para confirmá-las. 
Sempre ouvi primeiro do Senhor cada um dos aspectos mais frutíferos do 
meu ministério. No entanto não dei início a nenhum deles até haver recebido 
uma palavra de um profeta amigo. (Simplesmente não tive a fé ou a coragem 
necessária para ir adiante.) Não estou dizendo que este procedimento é o 
melhor, uma vez que um desses profetas a que recorri me advertiu todas às 
vezes por não haver tido fé suficiente para crer na palavra que o Senhor me 
entregara diretamente. Contudo, dou graças a Deus por me haver ajudado na 
minha incredulidade. 
Até mesmo Davi, um dos maiores profetas de todos os tempos, freqüentemente 
consultava outros profetas quando queria inquirir o Senhor. Há ocasiões em 
que temos necessidade da ajuda de profetas, mas outras há em que estaremos 
numa melhor situação se buscarmos a Deus por nós mesmos. 
Para realizarmos o plano de Deus para a nossa vida temos que primeiro pedir 
uma clara visão do nosso propósito. Depois disso, nos concentrar na busca desse 
objetivo. 
 
Segundo Fator: Fique Concentrado no seu Objetivo 
 
A falta de concentração impede que muitos sejam vistos entre Os vencedores. 
Alguns não conseguem ver além dos obstáculos que estão impedindo a realização 
de seu objetivo. Em razão disso ficam buscando objetivos mais fáceis. Outros se 
desviam do seu objetivo em virtude de sucessos obtidos em alvos de menor importância. 
Harry Truman certa vez observou: "A maioria das pessoas se perde por causa de 
sucessos secundários". 
Uma das provas mais difíceis por que temos que passar para termos como cumprir 
nosso chamado principal é não nos distrair com outras coisas que Deus esteja 
fazendo. Muitas vezes é difícil resistir a nos juntar a um outro bem sucedido 
movimento de Deus, especialmente quando pessoas bem intencionadas nos dizem 
que estamos perdendo algo de Deus, se não nos juntarmos àquele movimento. 
Temos de aprender a nos dedicar somente ao que Deus nos chamou a fazer. 
Quando chegarmos diante do seu trono de julgamento, o Senhor não vai nos per -
guntar de quantos movimentos e igrejas bem sucedidos fizemos parte. Ele nos 
perguntará se fizemos a sua vontade. 
É ainda mais difícil rejeitar a participação em outros movimentos quando Deus 
está nos dizendo que aguardemos a sua direção, antes de nos haver ele levado ao 
nosso propósito mais importante. Abraão não conseguiu ficar à espera do Senhor, 
para que ele fizesse com que seu filho prometido se tornasse uma realidade. Pelo 
contrário, aceitou a sugestão de Sara para que dessem uma mãozinha a Deus. 
Isso levou ao nascimento de Ismael, nascido de Hagar, serva de Sara. Mesmo assim 
Deus abençoou Ismael e fez dele uma grande nação, fato esse que pode até nos 
deixar um pouco confusos. Muitas vezes o Senhor também abençoará nosso "Ismael", 
concebido em nossa mente e em nossa vontade. Contudo tal solução nunca se 
tornará o objetivo real da nossa vida. Abraão teve apenas um único Ismael; a maioria 
de nós tem muitos ismaéis! Mesmo assim, se é que vamos ter o nosso 'saque, 
chega um momento em que teremos que despedir Ismael da nossa casa. Ele não 
pode ser um herdeiro ao lado de [saque. 
Quando temos uma clara visão do nosso objetivo, e estamos decididos a permanecer 
concentrados nele, é bem mais provável que vejamos tudo quanto será necessário e de 
nós requerido para que o levemos a cabo. 
 
Terceiro Fator: Arme-se de Sabedoria e Espirito de Firmeza e Resolução, a fim de 
Reunir os Recursos e o Treinamento Necessário a Realização do seu Propósito 
 
Depois de haver Deus revelado nosso chamado, até que de fato sejamos 
comissionados em nosso ministério, sempre haverá um tempo em que precisaremos 
ser ensinados e treinados. Contudo a inabilidade quanto ao uso desse tempo tem 
sido o fator de insucesso para muitos. Albert Einstein certa vez disse: "A 
responsabilidade prematura gera o que é superficial". Martyn Lloyd-Jones, conhecido 
teólogo, considerou o sucesso prematuro um dos grandes perigos que podem acercar-
se de alguém. 
Paulo foi chamado para ser apóstolo cerca de 11 a 13 anos antes de ser 
comissionado a esse ministério, em Antioquia. No entanto ele não passou esse 
tempo sentado, à espera, mas gastou grande parte dele no deserto, buscando a 
revelação do propósito de Deus para a sua vida, e também um conhecimento mais 
profundo do evangelho que viria a pregar. Em lugar de ficar impacientes, temos de 
ser agradecidos pelo tempo disponível, durante o qual iremos nos preparar para 
nosso chamado. Esse é um período que tem de ser utilizado com o máximo de 
sabedoria. 
Possivelmente a maior diferença que há entre atletas, músicos, artistas ou grandes 
profissionais que se destacam em qualquer atividade em relação aos que, tendo 
talento, não se destacam, seja a dedicação dada ao treinamento, à prática e ao 
preparo. Ficamos emocionados quando vemos um jogador fazendo uma jogada 
excepcional e com ela vencendo um campeonato. Tudo parece acontecer depressa 
demais, dando a impressão de ser muito fácil. No entanto, o que aconteceu é 
resultado de milhares de horas de treinamento, suportando calor, enfado e contusões, 
dia após dia, semana após semana, ano após ano, para afinal alcançar tamanha 
habilidade. Os atletas se esforçam por uma "coroa perecível". Quanto mais não 
teríamos de nos esforçar em relação a algo que é eterno? 
Há muitos anos o Senhor me disse que alguns de seus maiores líderes da Igreja 
dos últimos dias viriam dos esportes profissionais. "O esporte foi seu seminário" - 
disse-me o Senhor. É que nesse seminário eles aprendem princípios que não são 
ensinados em nossos seminários, e tais características serão cruciais para a 
Igreja nos tempos do fim. Isso chamou a minha atenção. Desde então, toda vez que me 
deparo com atletas profissionaisprocuro aprender tudo que posso com eles. 
Certa ocasião fui convidado a falar a uma equipe esportiva, a Denver Broncos, 
antes de um jogo de uma segunda-feira à noite. A concentração, a resolução e a 
determinação que havia na face daqueles jogadores, enquanto esperavam pelo 
início do jogo, eu jamais vira estampada até então em nenhuma de minhas 
audiências. Quando considerei isso, o Senhor me disse: "Quando vejo a mesma 
concentração e resolução em meu povo, então o início do ministério dos últimos dias 
está bem próximo". Onde estaria a Igreja hoje se todos nos houvéssemos dedicado 
a nos preparar para termos um lugar no time de Deus, tal como esses atletas se 
prepararam? Provavelmente não haveria toda essa desgastante devoção aos 
esportes, pois a Igreja seria tão emocionante que as pessoas não teriam tempo 
para atividades mundanas, tais como a de ser espectador de um jogo. 
Uma resolução sincera desse tipo fará com que desenvolvamos um bem arquitetado 
plano que reúna os recursos necessários para realizarmos nosso objetivo. 
No ano passado, quando falava a uma outra equipe, a New Orleans Saints, na 
capela deles, um pouco antes de um jogo, o Senhor mais uma vez usou os 
jogadores para me desafiar a um nível de comprometimento mais elevado. Depois 
me pediram que fosse jantar com a equipe. Durante o jantar perguntei a alguns 
dos jogadores o que haviam feito para alcançar o apogeu da sua carreira. Quase 
todos eles haviam começado como uma criança que tinha o sonho de se tornar 
um jogador de futebol profissional, dedicando então diariamente horas e horas, 
praticando, desenvolvendo a forma física e a velocidade, e observando os que haviam 
tido sucesso em sua respectiva posição. Não pude deixar de imaginar qual seria a 
transformação que aconteceria na Igreja se os cristãos se dedicassem daquele 
modo para desempenhar seu chamado em Cristo! E quão mais valioso é nosso 
chamado no Senhor do que ser o mais famoso dos atletas! Contudo, bem poucos 
cristãos chegam até mesmo a passar uma hora por dia em seu preparo para 
cumprir o objetivo que receberam do Senhor. Isso é algo que precisa mudar! 
Os que Deixam de Planejar, Planejam o fracasso 
Um sutil engano que afirma que planejar não é espiritual tem se infiltrado 
extensivamente no Corpo de Cristo. Muitos na verdade pressupõem que se você 
sabe antecipadamente o que vai fazer, Deus não pode estar presente. Isso é de 
pasmar, pois é nosso dever assumir a natureza divina em nós, e a falta de 
planejamento é totalmente contrária à natureza básica de Deus. A revelação dos 
seus planos é uma das mais gloriosas revelações da sua personalidade. Jesus foi 
crucificado antes da fundação do mundo, e nós fomos chamados para ele antes de o 
mundo existir. Isso é planejamento! 
Se estamos nos tornando como ele, o planejamento tem que ser uma habilidade 
nossa muito bem aprimorada. Pode-se até mesmo dizer que o nível da habilidade 
de alguém no aspecto do planejamento é que determinará qual o sentido das 
realizações dessa pessoa. É durante o tempo do seu preparo que você se capacitará a 
formular os melhores planos para a sua vida e para o seu ministério. Assim, há 
muita verdade neste provérbio: "Os que deixam de planejar, planejam o fracasso". 
Como piloto, aprendi que a segurança de cada vôo é determinada pela 
qualidade do plano de vôo, feita antes do mesmo. Muitas vezes tive que fazer 
alterações no plano de vôo durante o trajeto, mas como o plano feito incluía a 
possibilidade de alteração em minhas opções - como, por exemplo, aeroportos 
alternativos em caso de emergência -, normalmente eu fazia as alterações com 
muito maior facilidade. Durante a minha carreira como piloto tive algumas vezes que 
fazer aterrissagens de emergência, e numa delas a emergência exigiu minha 
atenção quase total, de modo que eu não dispunha de tempo para pegar meus 
mapas para encontrar um aeroporto alternativo. Eu tinha que saber qual era 
ele, e consultar o plano de vôo sem perda de tempo. Não há dúvida alguma que 
a vida das pessoas seria muito mais abundante em frutos - para não dizer mais 
fácil e mais segura -, se elas desenvolvessem a habilidade de planejamento. 
Em que se concentram os atletas antes de um jogo? No plano estabelecido para o jogo. 
Um bom técnico é aquele que conhece os pontos fortes e os pontos fracos do seu 
time. Ele sabe até mesmo quem está com dores num pé. Pois ele procurará conhecer 
o time contrário do mesmo modo. O técnico formula assim um plano que 
aproveitará os pontos fortes do seu time e minimizará seus pontos fracos, ao mesmo 
tempo em que procurará neutralizar Os pontos fortes do adversário e explorar seus 
pontos fracos. Finalmente, a equipe treina segundo esse plano até que todos hajam 
entendido perfeitamente qual é a sua parte, e desse modo possam executá-la com a 
maior eficácia e precisão. 
Tanto o técnico como os jogadores sabem que provavelmente terão que fazer 
ajustes naquele plano de jogo. Mesmo assim o plano é crucial, porque lhes 
fornece alguns parâmetros. Os técnicos de maior sucesso são geralmente 
aqueles que conseguem formular o melhor plano para o jogo antes do seu início; 
são também aqueles que fazem alterações decisivas em plena partida, sempre que 
necessárias. O mesmo é verdade com respeito aos pilotos e a qualquer outra 
pessoa que esteja numa posição de liderança. 
Embora eu estivesse na aviação naval, certa vez me destacaram para a defesa de 
um território, e eu tive que passar pelo treinamento de infantaria, dado pelos oficiais 
da marinha. Aprendemos diversos planos de batalha e de manobras. Tivemos que 
executá-los repetidas vezes. Então nos disseram que nenhuma batalha transcorre 
da maneira como foi planejada. "A única coisa com a qual você pode contar numa 
batalha é a confusão" - disse nosso comandante. "O lado que conseguir superar toda 
essa confusão - que geralmente resulta do fato de as coisas não estarem saindo 
como foram planejadas - é normalmente o lado vencedor. E o modo de superar a 
confusão é fazer novos planos eficazes, mesmo em meio à situação confusa." 
Em vista de meu chamado principal ser o de dar subsídios para os crentes 
exercerem seu ministério, tenho me esforçado o máximo por compreender as 
pessoas. Fazendo isso descobri que provavelmente 90% delas estão sujeitas a uni alto 
grau de confusão em sua vida. Tornou-se óbvio também para mim que tal 
confusão está diretamente relacionada tanto com o grau em que as pessoas 
compreendem seu chamado, como também - no caso dos não-crentes - com o 
modo pelo qual definem suas metas. É também óbvio que a habilidade para 
formular um plano eficaz e claro é uma qualidade rara, que quase sempre 
determina os que são realmente líderes e os que nunca terão uma posição de 
liderança. 
Devemos ter objetivos estratégicos que nos levem, passo a passo, em direção à 
nossa meta. Ao mesmo tempo, um planejamento exagerado ou excessivo precisa 
ser evitado. Em todos esses anos tenho observado que algumas das mais 
nobres visões levaram apenas à frustração, ao desânimo e ao fracasso, visto que 
os que detinham a visão eram ou fracos planejadores ou pessoas com um 
planejamento excessivo, cujos planos se tornaram tão complexos que ninguém 
conseguia executá-los. Como diz também um certo ditado: "Há um fosso em cada um 
dos dois lados do caminho que leva à vida". 
Os realmente vencedores são os que têm uma clara visão do seu objetivo, 
permanecem concentrados em suas metas, têm a sabedoria e a resolução de se valerem 
de todos Os recursos necessários para realizar esse objetivo, e se cercam de 
pessoas que enfocam as soluções, e não os problemas. 
 
Quarto Fator: Acerque-se de Pessoas Voltadas para as Soluções 
 
Um dos primeiros passos dados por um líder bem sucedido, quando assume uma 
posição de liderança, é livrar-se de todos os que passam mais tempo falando dos 
problemas do que das soluções. Teria sido este o motivo pelo qual o Senhor Jesus 
passou tanto tempo desenvolvendo a fé daqueles que viriam a ser seus futuros 
líderes?Talvez seja esta também a razão por que não é possível agradá-lo sem fé. 
As pessoas que se voltam para as soluções são pessoas de fé. 
 
O Fator Essencial 
 
A fé é um dos principais fatores que distinguem aqueles que alcançarão seus 
objetivos dos que não os alcançarão. Ao falar de objetivos não estou me referindo 
apenas à fé em Deus, mas à fé em geral. Todos têm fé; cada um crê em alguma coisa. 
Alguns princípios de fé funcionarão com qualquer um que os use, quer creia em 
Deus, quer não creia. 
Se tivermos fé em nossos talentos naturais, provavelmente os usaremos. 
Contudo, se tivermos mais fé em nossas fraquezas do que em nossos talentos, as 
fraquezas predominarão em nossa vida, e seremos perpétuos fracassados. De igual 
modo, se tivermos mais fé nos obstáculos à nossa frente do que em nossos talentos, 
aqueles obstáculos é que determinarão o curso da nossa vida. O que é objeto da nossa 
fé é que determinará a qualidade do que vamos realizar. Se verdadeiramente cremos 
em Deus, certamente realizaremos o que ele nos deu para fazer. O grau da nossa fé é 
que determinará a extensão do que iremos realizar. 
 
A Prova da Fé 
 
O apóstolo Paulo nos exortou: Examinai-vos a vós mesmos, e vede se estais 
na fé; provai-vos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? A menos que não 
selais aprovados no exame. 
A verdadeira fé não é a fé em nós mesmos, ou uma fé em nossa fé, mas a fé 
no Senhor e em quem ele é. Só há um modo pelo qual realizaremos o propósito 
para a nossa vida: mantendo o foco da nossa atenção permanentemente nele. Até 
mesmo Jesus não olhava para si mesmo quando caminhava por este mundo; 
sua atenção era sempre voltada para o Pai. Ele disse que nada fazia por si mesmo, 
mas tão-somente o que via o Pai fazendo. Temos que agir do mesmo modo. 
Como cristãos, não apenas conhecemos o Criador pessoalmen te , m as 
tam bém o t emos v i vendo den t ro de nós : Permanecei em mim, e eu 
permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não 
permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim. Eu 
sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; 
porque sem mim nada podeis fazer (João 15:4, 5). 
Podemos pôr à prova a nossa fé perguntando a nós mesmos: "Que frutos tenho 
dado?" A quantidade de frutos que daremos sempre dependerá do quanto 
estivermos unidos com a Videira. O Senhor sente um enorme prazer em fazer uso 
do que é ordinário para dele fazer o extraordinário. Ele tomou homens que 
provavelmente seriam considerados por muitos "os menos aptos para o sucesso", 
e os transformou nos que viraram o mundo de cabeça para baixo. Nosso Deus não 
mudou. Ele ainda se delicia em usar o tolo para confundir o sábio e o fraco para 
confundir o forte. Portanto, a condição de sermos fracos e tolos pode ser uma 
das nossas qualificações para sermos usados por Deus. Entretanto, isso não 
significa que permaneceremos fracos ou tolos, e sim que aprenderemos a andar 
pela força do Senhor e sua sabedoria. 
Nunca levaremos a bom termo nosso chamado se fixar mos a atenção em nossa 
insuficiência. Quando Moisés recebeu seu chamado junto à sarça ardente, 
imediatamente protestou, dizendo não ser a pessoa indicada para aquela tarefa. 
O Senhor não o elogiou por sua humildade. Pelo contrário: as Escrituras dizem 
que Então se acendeu a ira do SENHOR contra Moisés. Tal postura não é uma 
verdadeira humildade. E o devastador pecado do egocentrismo é realmente um 
profundo orgulho. Desse modo Moisés dava a entender que sua insuficiência 
era maior que a suficiência de Deus. O Senhor não nos chama tendo como 
base nossa capacidade ou nossas insuficiências: Normalmente ele nos chama 
em razão da nossa disponibilidade. 
As pessoas voltadas para as soluções têm fé no fato de que Deus as escolheu. 
Para que cumpramos o propósito de Deus Iara a nossa vida temos de nos 
cercar de pessoas que consideram as soluções, em lugar de se deixarem 
atolar em problemas e temores. 
Quando o General Grant assumiu o exército da União, durante a Guerra 
Civil Americana, a União já sofrera mui tas derrotas nas mãos do General Lee 
e de seu exército confederado. Os of iciais e os soldados de Grant estavam 
tão condicionados à derrota que membros da sua equipe de comando 
chegaram a profetizar sua ruína acontecendo em sua primeira marcha contra 
Lee. Grant de imediato dispensou esses homens. Então, em sua primeira 
batalha com Lee, na Batalha do Deserto, chegaram notícias de cada divisão 
do seu exército dizendo que estavam sendo derrotados. Durante todo o dia seus 
of iciais imploraram a Grant que se retirassem rapidamente da batalha, 
voltando para a segurança de Washington, antes que Lee conseguisse impedi-
los de ir pelo caminho de volta. Finalmente, quando estava evidente até 
mesmo para Grant que eles haviam sido derrotados naquela batalha, ele 
provocou um deslumbramento em todo o mundo, ao ordenar que voltassem 
para o sul e avançassem para Richmond! 
 
Os generais de Grant imploraram a ele que reconsiderassem aquela ordem, 
afirmando que Lee fecharia o caminho de retirada. Grant os dispensou e 
retirou-se para a solidão da sua tenda. Analisando as argumentações deles, 
percebeu que se Lee de fato tentasse impedir seu retorno, isso o capacitaria a 
fazer algo que todos os demais generais da União haviam tentado realizar, mas 
sem conseguir. Ele poderia posicionar seu exército entre Lee e Richmond, e 
desse modo avançar até a capital do Sul. Quando as tropas da União começaram a 
marchar para o sul, uma aclamação geral irrompeu em todo o exército. Pela 
primeira vez eles tinham um general que lutava. A "derrota" de Grant na Batalha 
do Deserto foi o que abriu a porta da sua maior oportunidade, e ele não a deixou 
escapar. Posteriormente Grant confidenciou a um repórter que em todas as suas 
campanhas, sempre em algum ponto no transcurso da batalha parecia que seu 
exército iria perder. "Eu creio que há uma oportunidade em toda crise" - disse ele. 
Quando o General Lee soube que Grant não se pusera em retirada, mas fizera 
com que seu exército marchasse para o sul, diante de seus generais ele admitiu 
que o fim do Estado Confederado estava próximo. Lee venceu diversas outras 
batalhas, mas em nenhuma ocasião Grant cogitou sobre a hipótese de uma 
ret i rada. Nem uma ún ica vez e le deu atenção aos prognosticadores da 
derrota. Provavelmente não haja nunca vencido de forma total uma batalha 
contra Lee, mas manteve seu curso até ganhar a guerra. 
Um dos princípios básicos de que todo líder de sucesso se vale é o seguinte: 
livre-se das pessoas da sua liderança que se voltam mais para os problemas do 
que para as soluções. Este foi o princípio dos dez espias em Cades-Barnéia. Seu 
relatório mau e negativo custou a toda aquela geração a sua herança. Se você 
não puder mudar essas pessoas, você tem de removê-las, ou elas lhe custarão a 
sua visão. 
Finalmente, para ser um vencedor não permita que obstáculos ou a oposição o 
retenham. 
 
Quinto Fator: Não Permita que Obstáculos ou a Oposição o Retenham 
 
Alguns fatores que contribuem para se alcançar um desempenho extraordinário 
podem ser controlados; outros não. Dar duro, definir as metas, permanecer 
voltado para os objetivos, e obter os recursos necessários para alcançá-los são 
fatores que podem ser controlados. Entretanto, está fora do nosso controle - e 
normalmente faremos todo o possível para evitá-lo - o fator que tem a maior 
possibilidade de favorecer um alto nível de realização humana: a adversidade. 
Nas Escrituras o Senhor se apresenta com diversas faces, uma das quais é a face 
da águia. Dizem que toda a natureza fica temerosa diante da perspectiva de uma 
tempestade, exceto a águia. Desde cedo as águias aprendem um importante 
princípio: se elas se colocarem em oposição a um vento contrário, num determinado 
ângulo, serão levantadas para o alto. Em razão disso elas usam os ventos 
contrários para alcançar as maiores alturas. O mesmo é verdadeem relação 
àqueles que aprendem a voar espiritualmente bem alto. Todo vento contrário é 
uma oportunidade para ir mais alto, desde que se esteja valendo do ângulo certo e 
tomando a atitude correta. 
Alguns de nós somos enganados pela crença de que quando temos 
circunstâncias favoráveis, aí é que nos tornamos vencedores. Essa desculpa é 
uma das principais razões por que muitos fracassam. Reggie White - aquele 
jogador que mencionei no início deste capítulo, que foi incluído na seleção “de 
todos os tempos” do futebol americano dos Estados Unidos - pode nos ilustrar o 
que quero dizer. Ele tem enfrentado obstáculos enormes e possivelmente até 
maiores que os demais jogadores. Ele não é poupado no seu time. Aqueles que se 
destacam como grandes vencedores, em qualquer campo em que atuam, 
raramente são poupados: pelo contrário, mais é exigido deles. De fato, quando por 
exemplo um grande jogador é retirado de campo para descansar um pouco, isso 
muitas vezes contribui para que ele perca todo o seu embalo. 
Alexander Solzhenitsyn, aquele famoso escritor e sobrevivente dos campos de 
concentração russos, disse certa vez: "A adversidade contribui mais para nosso 
desenvolvimento do que possivelmente qualquer outro fator. A adversidade nos ajuda a 
nos concentrar, a eliminar o que não é essencial, e a nos devotar ao que realmente é 
importante. A adversidade fará com que o que verdadeiramente se dedica ao trabalho 
tenha que dar mais duro, e isso o fortalecerá. Quando o sucesso vem muito 
depressa, a tendência é nos enfraquecer". 
 
Não se Trata de Mágica 
 
Tenho observado que muitos de meus amigos que jogam golfe ficam trocando de haste 
ou de bola a cada novo jogo, em busca de uma solução mágica para seu desempenho 
nesse esporte. Um famoso golfista disse num comercial de uma nova bola de golfe, 
na TV: "Esta bola realmente pode contribuir para melhorar seu desempenho, se 
você a arremessar umas trezentas vezes por dia!" Quando perguntaram a esse 
mesmo jogador de golfe o que ele teria a dizer sobre uma "jogada de sorte", ele 
respondeu: "Você sabe, quanto mais eu pratico, mais sorte adquiro". 
O mesmo é verdade com respeito a nossos dons e chamados. Com freqüência 
alguém me pede que ore para que ele tenha o dom de escritor. Isso me soa tal 
como quando um de meus alunos de pilotagem me solicita que ore para que ele 
tenha o "dom de pilotar um avião", e assim ele possa pegar qualquer aeronave e 
sair voando, sem passar por todo o treinamento necessário. Você embarcaria 
numa aeronave em que alguém haja recebido seu "dom de pilotar" desse modo? 
Acredito que não. Você exigiria que tal pessoa tivesse o melhor preparo possível, 
com milhares de horas de experiência. 
Creio de fato na transmissão do dom de profecia, mas acredito que bem 
poucos entendem como isso acontece. Até mesmo os dons espirituais são 
transmitidos como sementes que precisam ser cultivadas por nós e cuidadas com 
muita paciência e dedicação. Para mim, apenas orar no sentido de transmitir o 
"dom da profecia" a quem me haja pedido isso seria algo que só traria juízo sobre tal 
pessoa: se ela não estiver disposta a pagar o preço para desenvolver esse dom, poderá 
ser condenada por enterrá-lo. Ter dons e chamados não é o que me impressiona, e sim 
usar os dons com sabedoria e maturidade. 
Você quer saber como adquiri meu dom de escrever? Quando era ainda criança, senti 
que estava destinado a ser um escritor. Eu não conhecia escritor algum, ninguém a quem 
pudesse dirigir-me para pedir alguma orientação. Fiz então a única coisa ao meu alcance 
para desenvolver minha habilidade de escrever: comecei a ler e a escrever. E não foram 
apenas alguns poucos livros que li; na verdade li milhares de livros. 
Senti que para ser o melhor escritor possível eu teria que ler os melhores livros. 
Comecei então a ler livros clássicos. Foi a princípio uma dura disciplina, mas logo me 
apaixonei por eles. Em seguida voltei minha atenção para estudar tudo que se 
relacionasse com o escrever: da psicologia à semântica. Durante muitos anos, depois de 
me haver tornado cristão dediquei mais de quarenta horas por semana ao estudo da 
Bíblia. Então li sobre a história da Igreja e as obras das grandes vozes proféticas que 
moldaram essa história. Por mais de trinta e cinco anos li pelo menos um livro por 
semana, e às vezes mais de um. 
Era meu plano ir a uma escola de jornalismo, mas quando ficou patente que não daria 
para ir, porque eu estava prestes a ser convocado para a guerra do Vietnã, não desisti. 
Tomei então a decisão de aprender a mecânica do escrever, e assim estudei o assunto 
por minha própria conta. (Aliás, tive que aprender desse modo quase tudo que sei hoje, 
exceto voar.) Eu sabia que minhas habilidades como escritor não eram muito refinadas, 
em virtude de uma formação escolar incompleta. Contudo não permiti que isso me 
detivesse. Pelo contrário, tomei a resolução de fazer o melhor que podia, com tudo de que 
dispunha. 
Tem sido, e continua sendo, uma luta que não é fácil. Estou certo de que outras 
pessoas, com o preparo melhor que tiveram, poderiam escrever o que tenho escrito num 
tempo muito menor e com bem menos esforço. Entretanto, sou grato a Deus por fazer 
o que fui chamado a fazer. Mesmo assim é dif ícil para mim não reagir diante 
das pessoas que me pedem que lhes transmita o dom de escritor, como se 
apenas por pronunciar algumas palavras em oração essas pessoas passassem 
a ter o que já tenho. (Como eu gostaria também de orar para que as 
pessoas se tornassem de imediato "maduras" em Cristo, mas até hoje não 
encontrei nas Escr ituras a possibi l idade de que esse milagre ocorra!) 
Se você deseja ter um dom importante, você terá que atri buir a ele 
seu devido valor, e daí desenvolvê-lo até o nível desejado. Muitos de 
meus amigos são mais talentosos que eu, com mais dons, tanto naturais 
como espirituais. Dentre eles, alguns t iveram um chamado semelhante 
ao meu e estariam realizando muito mais que eu se tão-somente se 
houvessem disciplinado e tido o preparo necessário para o ministério. 
Embora não me tenha sido possível ir à escola de jornalis mo, ou até 
mesmo a um seminário bíbl ico, por certas razões eu não trocar ia a 
educação que recebi pela de ninguém. Tal como Paulo, posso dizer que o 
que recebi não recebi de homens. Mesmo assim faço o melhor que posso 
para facilitar as coisas para os outros, quando os vejo dispostos à disciplina, 
à concentração e à determinação que todo verdadeiro sucesso exige — e 
que nosso chamado em Cristo certamente merece. Para cumprirmos nosso 
propósito nesta vida temos que nos posicionar f irmemente, no sent ido de 
ir para Jerusalém, o lugar do nosso destino. 
 
Capítulo 6 Reconhecendo a voz de Deus 
 
Li a respeito de um homem que visitou o Oriente Médio. Estando ele na 
encosta de uma colina, olhando para baixo viu três pastores aproximando-se ao 
mesmo tempo de uma fonte para dar de beber a seu rebanho. Os três rebanhos 
misturaram- se totalmente, de modo que para aquele observador parecia ser impossível 
aos pastores separarem suas respectivas ovelhas. Contudo, para seu espanto 
estes pareciam não estar absolutamente preocupados com o que estava 
acontecendo. 
Depois de as ovelhas haverem terminado de beber, cada um deles foi caminhando 
numa direção diferente, e iam cantando enquan to caminhavam. Uma 
mov imen tação es t ranha irrompeu no meio daquela confusão de ovelhas. 
Então uma pequena fila começou a seguir cada um dos pastores, até que todas 
as ovelhas ficaram separadas de novo na fila do seu próprio rebanho. 
Embora os três pastores estivessem cantando, elas distinguiam perfeitamente 
seu pastor dos demais. Elas lhe identificavam a voz em razão de o conhecerem 
muito bem. Haviam crescido ouvindo-o cantar nas colinas e nas pastagens, estação 
após estação; passaram a seu lado tempo suficiente para poderem distinguir sua 
voz da de qualquer outra. 
As Escrituras nos apresentam esta mesma figura como um exemplo do nosso 
relacionamento comDeus: 
As ovelhas ouvem a sua voz, ele chama pelo nome as suas próprias ovelhas e as 
conduz para fora. Depois de fizer sair todas as que lhe pertencem, vai adiante delas, e 
elas o seguem, porque lhe reconhecem a voz; mas de modo nenhum seguirão o 
estranho; antes, fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos... As MINHAS 
OVELHAS OUVEM A MINHA VOZ; eu as conheço, e elas me seguem (João 10:3-5 - 
ênfase acrescentada) 
Neste texto o Senhor declarou que as suas ovelhas o seguiriam por 
conhecerem a sua voz. Quanto mais lhe conhecermos a voz, tanto melhores 
serão nossas condições de segui-lo. A recíproca também é verdadeira: se não 
conhecermos a sua voz, teremos dificuldade em acompanhá-lo. 
Conforme a nossa postura mental ocidental, o que quere mos é ter uma 
fórmula bem clara que nos diga como conhecer a voz do Senhor: Pensamos 
que as Escr i turas têm que tê- la, t ipo "tantos passos" para se alcançar 
isso... Muitos tentaram extrair uma fórmula dos textos bíblicos, mas na 
verdade ela não existe. O ún ico modo pelo qual podemos chegar a conhe -
cer a voz do Senhor é exatamente aquele que faz com que as ovelhas 
f iquem conhecendo a voz do seu pastor: o tempo passado com ele. 
A única coisa que temos que fazer para desenvolver tal ca pacidade é 
amar o Senhor. Entretanto, para chegar a isso é necessário que lhe peçamos. 
A oração que Jesus fez em João 17 é considerada por muitos a oração mais 
importante das Escrituras. O Senhor a terminou com estas palavras: Eu lhes 
fiz conhecer o teu nome [aos que seguem o Senhor] e ainda o farei conhecer, A FIM 
DE QUE O 
AMOR COM QUE ME AMASTE ESTEJA NELES, E EU NELES 
ESTEJA. Sabemos que Jesus era "um com o Pai". Sabemos por tanto que esta 
é a vontade do Pai. Medite nisto por algum tempo: é da vontade do Pai que o mesmo 
amor que ele tem por seu Filho esteja também em nós! 
Uma das características básicas do verdadeiro amor é a co municação. 
Compart i lhar tudo faz parte da natureza dos que se amam. Quanto mais 
amamos o Senhor, mais seremos levados a conhecer-lhe a voz, e 
conseqüentemente a segui-lo mais de perto. O primeiro passo é amá-lo a tal 
ponto que o busquemos até que o encontremos. Peça, busque, bata, mas não tome 
nenhuma direção que não seja a que leve a ter uma verdadeira e santa 
int imidade com ele. Como disse Paul Cain, um amigo meu que tem o dom de 
profecia: Cada um de nós está tão perto do Senhor quanto quer estar. Ou como diz 
Tiago: Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros. Não será esta a maior de 
todas as promessas que encontramos nas Escrituras? 
Muitas coisas que nos são comunicadas pelo Senhor não dizem respeito 
a questões de grande gravidade eterna ou es tratégica, e sim à comunicação 
de quem ama. Talvez essa seja uma das questões mais difíceis de se 
entender. Apesar de todos os nossos erros, imperfeições e fracassos, o 
Senhor realmente nos ama e deseja estar perto de nós - isso apenas porque 
sente prazer em nossa companhia. Esse tipo de verdadeira intimidade é que dará 
frutos. E nós geraremos frutos espir ituais somente por habitar Nele. 
Entretanto, se a única razão pela qual um marido tem relações com a esposa 
fosse para gerar f ilhos, o casamento se tornaria um relacionamento muito 
superf icial. O mesmo é verdade em nossa união com Cristo. 
Na história da morte de Lázaro temos uma impressionante i lustração do 
poder que há na int imidade. 
 
O Poder da Int imidade 
 
A história é revelada no capítulo 11 de João. Quando Jesus se aproximava 
de Betânia, Marta, irmã de Lázaro, saiu correndo para encontrar-se com ele. Em 
seu pesar ela censurou Jesus, dizendo-lhe: Senhor, se estiveras aqui, não teria morrido 
meu irmão. Ele lhe respondeu dando-lhe uma boa l ição sobre si mesmo 
como sendo a ressurreição. Então Maria, a outra irmã de Lázaro, veio 
também ao encontro de Jesus e igualmente o censurou. As palavras foram 
às mesmas, mas o resultado foi bem diferente. As Escrituras nos dizem que 
ele agitou-se no espírito e comoveu-se, e também que Jesus chorou. Foi então 
que Jesus ressuscitou Lázaro. Maria teve a habil idade de fazer com que 
Deus se comovesse profundamente em espírito; ela fez com que ele chorasse! Ela 
recebeu bem mais do que uma lição sobre a ressurreição. Ela obteve uma ressurreição! 
Uma das experiências por que passei como pai, que mais me tocou, foi em 
seguida ao dia do terceiro aniversário da minha filha mais velha. Em dois dias 
ela teve duas festas de aniversário: uma realizada em nossa casa e outra na 
casa de meus sogros. Ela recebeu mais presentes do que consideraríamos 
normal, e de fato se satisfez com o que estava sendo uma constante dieta de doces e 
sorvetes. Seguramente estava vivendo o melhor tempo da sua infância. 
Quando voltávamos para casa, no carro, perguntei a ela de que presente 
mais havia gostado, ou o que mais a agradara naqueles dois dias. Ela pensou 
um pouco, e com bastante seriedade e firmeza me respondeu: "Foi sentar no seu 
colo". 
Dá para você perceber o que aquelas palavras fizeram com o pai dela? O mesmo 
acontece com nosso Pai celest ial, quando depo is de todas as suas 
dád ivas e de todas as suas bênçãos, o s imples fato de estarmos com ele 
é o que mais nos dá prazer! 
Quase tudo que hoje def inimos como sendo um ministério envolve a 
prestação de um certo serviço a alguém, mas o mai or ministério de todos é 
ministrar ao Senhor. Quase tudo que atribuímos à nossa autoridade 
espir itual tem a ver com nossa capacidade de motiv ar as pessoas. 
Entretanto, a maior autoridade espiritual está naquela pessoa que consegue tocar em 
Deus e levá-lo a comover-se em seu coração. A habil idade, ou a au toridade 
que Maria demonstrou com sua at itude foi sem comparação. Ela estava tão 
próxima do Senhor que conseguiu tocar no coração dele. 
Quando conseguimos tocar no coração de Deus de forma a fazê -lo agir, 
temos uma autoridade maior que qualquer posto governamental ou espiritual 
deste mundo. Esse poder, que é o maior poder de todos, está baseado tão-
somente na int imidade que temos com o Senhor. 
Intimidade é algo que tem a ver diretamente com comunicação. Contudo 
ela não acontece num instante, nem mediante uma linguagem refinada. O 
Senhor não é um religioso, como temos a tendência de ser. Maria, que conseguiu 
comovê-lo tão profundamente, estava tão errada em sua censura a ele 
quanto Marta. Estar sempre teologicamente correto não é tão impor tante ao 
Senhor quanto parece ser para alguns cristãos. Ele olha muito mais para o 
coração do que para a mente. É claro que, se amamos a verdade, nosso 
desejo será o de estarmos corretos teologicamente também. Entretanto, 
temos que pensar antes de tudo no ponto mais importante. 
Quando a busca de frutos se torna a razão básica par a nos aproximar do 
Senhor, corremos o perigo de sucumbir ao "espí rito de Marta", à tendência de 
ficarmos com obras, e não com a int imidade. Sim, há um tempo em que 
temos que fazer nosso trabalho para o Senhor, e ele, é claro, amava muito 
a Marta. Muitas igrejas e ministérios não poderiam exist ir se não hou vesse 
"Martas". No entanto, quando ficamos entretidos demais com nosso trabalho 
para o Senhor perdemos a visão de que sentar com ele, a seus pés, tem de 
ser nossa maior prioridade. Na verdade estaremos perdendo a melhor parte. 
Podemos não entender, contudo é verdade que fomos escolhidos para sermos 
o lugar onde Ele habita. 
Não nos será possível reconhecer a voz do Senhor se não o adorarmos. 
Talvez o sinal que mais revele o que verdadeiramente estejamos adorando seja 
o que fazemos com nosso tempo livre. Quando foi a últ ima vez em que nos 
dispusemos a usar um dia de folga, ou momentos de intervalo para oração e 
jejum? A resposta a esta pergunta pode ser a expl icação de termos tanta 
dif iculdade para conhecer a voz do Senhor; para discernir o certo do errado. 
Quando desfrutamos uma verdadeira int imidade com o Se nhor, como 
reconhecemos a voz de Deus e sua vontade com respeito a nós? Em 
primeiro lugar, pelo estudo da suaPalavra; mas ainda por muitas outras 
coisas. Também teremos que considerar o papel desempenhado pelo 
Espír ito Santo, as indicações dadas por outros cristãos (diante das quais 
muitas vezes necessitamos ter humildade para poder recebê-las), e as mensa-
gens trazidas por sonhos e visões. 
Quatro Maneiras para se Ouvir 
a Voz de Deus 
Comecemos por considerar a Palavra de Deus um caminho para conhecermos a 
presença do Senhor. 
1. A PALAVRA DE DEUS 
O primeiro princípio que temos de compreender para termos um conhecimento 
adequado das Escriturais é que todo cristão pode discernir a verdade bíblica da 
mesma forma que o teólogo mais erudito. Tem havido uma conspiração diabólica 
desde o princípio para tentar impedir que a verdade seja recebida pelas pessoas 
comuns, confinando-a exclusivamente a alguns profissionais. Alguns dizem que se 
tem que adquirir um certo grau de conhecimento ou de educação, e compreender a 
ciência da interpretação bíblica antes de poder entender adequadamente as 
Escrituras. O Senhor Jesus afirmou precisamente o contrário: Por aquele tempo, exclamou 
Jesus: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da Terra, porque ocultaste estas coisas aos 
sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. 
Foi necessário que Saulo de Tarso literalmente fosse afligido por uma cegueira no 
mundo natural para (que viesse a enxergar no espiritual. Pois é isso que figuradamente 
tem que acontecer conosco. Podemos apenas discernir a verdade espiritual pelo 
Espírito mediante a graça, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos 
humildes. Ninguém pode entender corretamente as Escrituras, uma profecia, ou a 
vontade de Deus se não se mantiver em verdadeira humildade. 
O apóstolo Paulo nos advertiu sobre ai realidade de que o saber ensoberbece. 
Entretanto, ao lado disso as Escrituras também nos advertem: O meu povo está 
sendo destruído porque lhe falta o conhecimento. O cristão caminha por unia vereda 
de retidão que é estreita, e tem que ser percorrida com muito cuidado. Ternos que 
a todo o momento nos valer da graça de Deus, reconhecendo que dele dependemos 
inteiramente; que sem eles não somos nada, nem temos recursos para coisa alguma. 
Necessitamos de maneira toda especial da sua graça, a fim de nos manter humildes, 
ao buscarmos e recebermos conhecimento bíblico. Se assim não for, o próprio 
conhecimento que nos libertaria poderia apressar a nossa queda, em virtude do 
orgulho. 
Por essa razão é crucial que aprendamos a permanecer no Espírito Santo e nas 
Escrituras. O Espírito Santo é facilmente entristecido ou ofendido pelo pecado, o que 
pode ser um barômetro para nosso orgulho. As Escrituras ensinam que o Espíri to 
se aparta quando não andamos de forma correta, sendo que um dos principais 
fatores que temos que levar em conta é o de andar humildemente perante Ele. 
Somente quando formos sensíveis à sua presença é que Ele terá condições de nos dar 
conhecimento bíblico sem que o orgulho tome conta de nós. A presença do 
Espírito Santo em nossa vida tem de ser tão importante quanto à verdade bíblica. 
Precisamos ainda da direção do Espírito Santo para verdadeiramente ouvirmos a voz 
de Deus. 
2. DIREÇÃO DADA PELO ESPIRITO SANTO 
Assim como o mapa de um país não são suas montanhas, seus vales, cidades 
e vilarejos, a Bíblia é o mapa do reino de Deus, mas não é o reino. Pode-se valer 
de um mapa para ir até uma praia, mas o fato de se possuir um mapa nunca 
substituirá a realidade de se estar na praia. Temos que nos dedicar totalmente a 
conhecer as Escrituras, mas conhecê-las não é algo que poderá colocar-se no lugar de 
conhecer o Senhor. 
A Bíblia nunca teve a intenção de tomar o lugar do Espírito Santo em nossa vida, 
nem o Espírito Santo foi enviado para assumir o papel da Bíblia. Ambos têm diferentes 
funções em nos guiar à verdade e em nos manter sob a vontade de Deus. As Escrituras, 
e tão-somente elas, é que são usadas para o estabelecimento de doutrinas, ao passo que 
"a voz do Senhor" é usada para nos dar uma direção diária e também a revelação da 
vontade estratégica do Senhor. A Bíblia não encara algumas das decisões mais 
importantes da nossa vida: com quem deveremos nos casar, que profissão devemos 
escolher, onde iremos morar, e assim por diante. Essas decisões poderão nos causar 
um tremendo impacto, e realmente necessitamos do conselho do Senhor, inclusive de 
diretrizes claras sobre cada uma delas. 
Que tipo de casamento viria a ser o seu se no dia da cerimônia seu cônjuge lhe 
desse um livro que expusesse todas as suas expectativas para o relacionamento 
entre vocês - e então os dois nunca mais voltassem a falar um com o outro? 
Seria muito difícil condenar alguém que houvesse caído em tal armadi lha, caso 
essa pessoa desejasse o divórcio. Da mesma forma o Senhor não nos fez cair na 
armadilha de um relacionamento sem vida. Na realidade Deus normalmente está 
bem mais interessado em comunicar-se conosco do que nós com ele. 
Conhecer o Senhor é muito mais do que simplesmente conhecer suas obras. 
Quantas pessoas você consegue reconhecer simplesmente olhando para as mãos delas? 
Talvez, apenas com algumas exceções, a maioria das pessoas consegue reconhecer 
alguém apenas pelo rosto ou pela voz. Entretanto, são muitas às vezes em que a 
nossa atenção é dada para procurar a "mão do Senhor" (o que podemos receber 
dele, em vez de procurar ver-lhe o rosto e ouvir-lhe a voz). 
Num contraste total com o que o próprio Senhor Jesus afirmou, quando disse As 
minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem, muitas teologias 
protestantes e reformadas não apenas procuram impedir, mas na verdade chegam a 
proibir os cristãos de conhecer a voz de Deus. Essas teologias têm sua origem 
numa exagerada interpretação do grande moto da Reforma - sola scriptura (que 
significa "somente as Escrituras"). 
 
A Maior Arma da Reforma 
O grande moto da Reforma, sola scriptura, foi inicialmente escrito como uma 
reação à indiscriminada inst ituição de dogmas para as doutrinas de fé que o papa 
vinha fazendo. Muitos desses dogmas estavam até mesmo em conflito com as 
Escrituras. A justificação desse procedimento era a reivindicação de infalibilidade feita 
pelo papa; sua autoridade - disse ele - excedia a das Escrituras. Essa prática levou 
ao período de maiores trevas por que o mundo já passou. Também a esse moto 
pode- se creditar haver sido a primeira força que veio para quebrar aquelas 
trevas e possibilitar a liberação de todo o avanço espiritual que se seguiu. 
O moto sola scriptura resume o que era, sem sombra de dúvida, a doutrina mais 
importante da Reforma: um cristão nunca deve aceitar uma doutrina que esteja 
em conflito com a Palavra escrita de Deus. Entretanto, esta importante verdade 
nunca era formulada com a intenção de que não precisamos conhecer também 
a voz do Senhor para a direção da nossa vida. Se não fosse assim, ela mesma 
estaria em conflito com toda a integridade das Escrituras. 
Em João 16:7 o Senhor diz: Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, 
se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei. O 
Senhor não disse que nos conviria a sua ida para que dessa maneira ele pudesse 
nos dar um livro. Tampouco afirmou que nos enviaria um Livro que nos conduziria a toda 
a verdade. Ele nos enviaria o Espírito, isto sim. 
A Bíblia é uma das maiores dádivas que o Senhor deu ao seu povo, e somente ela 
deve ser usada para estabelecer ou julgar uma doutrina. O próprio Senhor, vez 
após vez, combateu o erro de alguém com a afirmação: Está escrito. Portanto, 
quanto mais deveremos depender da Bíblia nesse sentido! Entretanto, por mais 
importante que seja termos doutrinas corretas, andar na verdade tem um 
significado muito mais amplo. Não importando o quão corretas sejam as nossas 
doutrinas, seremos enganados se não permanecermos dentro da vontade do Senhor. 
Ser cristão é muito mais do que simplesmente conhecer doutrinas corretas. Ser cristão 
é ter um relacionamento restauradoe vivo com o Senhor. 
Ser Cristão É Mais do que Ter uma Doutrina 
Mesmo sob a antiga aliança da lei, com suas centenas de pesados mandamentos, 
de todos era requerido conhecer e obedecer à voz do Senhor. 
E disse: SE OUVIRES ATENTO A VOZ DO SENHOR teu Deus, e fizeres o que é reto diante 
dos seus olhos, e deres ouvido aos seus mandamentos, e guardares todos os seus 
estatutos, nenhuma enfermidade virá sobre ti, das que enviei sobre os egípcios; pois eu sou 
o SENHOR que te sara. (Êxodo 15:26, ênfase acrescentada) 
Agora, pois, SE DILIGENTEMENTE OUVIRDES A MINHA VOZ e guardardes a minha 
aliança, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a 
Terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras 
que falarás aos filhos de Israel. (Êxodo 19:5, 6, ênfase acrescentada) 
De lá buscarás ao SENHOR teu Deus, e o acharás, quando o buscares de todo o teu 
coração e de toda a tua alma. Quando estiveres em angústia, e todas estas coisas te 
sobrevierem nos últimos dias, e te voltares para o SENHOR teu Deus, E LHE 
ATENDERES À VOZ (...) (Deuteronômio 4:29,30, ênfase acrescentada) 
Como as nações que o SENHOR destruiu de diante de vós, assim perecereis; 
porquanto NÃO QUISESTES OBEDECER À VOZ DO SENHOR vosso Deus. 
(Deuteronômio 8:20, ênfase acrescentada) 
Quando também o SENHOR vos enviou de Cades-Barnéia, dizendo: Subi e possuí a 
terra que vos dei. Rebeldes fostes ao mandado do Senhor vosso Deus, e NÃO O 
CRESTES, E NÃO OBEDECESTES À SUA VOZ (Deuteronômio 9:23, ênfase 
acrescentada) 
Vemos aqui que a primeira geração pereceu no deserto por não crer no Senhor 
e não ouvir a sua voz. A Palavra escrita, mesmo com todos os mandamentos 
da antiga aliança, não tinha o propósito de tomar o lugar da voz de Deus e o privilégio 
de ouvi-la. Muitas vezes atribuímos as muitas apostasias do Israel da Bíblia ao 
fato de não cumprirem os mandamentos do Senhor. Contudo essas passagens 
nos mostram que a sua culpa se evidenciava igualmente por não darem atenção à 
voz de Deus. 
Assim disse Jesus aos saduceus: Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder 
de Deus. Muitos dos que conhecem as Escrituras mas não o poder de Deus se 
queixam de serem tidos no reino de Deus como cidadãos de segunda classe 
pelos pentecostais e renovados, que afirmam conhecer o poder. Essa acusação tem 
base. Entretanto, é de igual modo verdade que os que conhecem as Escrituras, mas 
não conhecem o poder de Deus consideram os pentecostais e renovados cidadãos 
de segunda classe no reino de Deus porque tendem a ter um conhecimento 
bíblico ou intelectual inferior. O fato é que os dois lados estão com a verdade, e 
ambos têm que se arrepender de seu orgulho espiritual, e reconhecer que tem 
que aprender dos que estão no outro lado. 
Se os fundamentalistas chegaram a compreender as Escri turas, foi somente 
pela graça de Deus. Se os avivados alcançaram conhecer alguma coisa do poder 
de Deus, foi exclusivamente por sua graça. Em qualquer um dos casos nada 
temos de que nos orgulhar - tudo o que recebemos foi pela graça. Poucos 
atingiram uma profundidade no conhecimento bíblico sem tropeçar por se 
haverem orgulhado desse conhecimento. E poucos chegaram a conhecer o poder 
de Deus sem tropeçar em razão do orgulho. Mesmo assim, precisamos de muito 
mais conhecimento e de muito mais poder do que o que temos agora para que 
possamos seguir plenamente o Senhor. Temos todos nós que buscar essas 
duas coisas - a Palavra e o poder -, sem nos deixar tomar pelo orgulho, que 
somente nos fará decair da graça. 
Tenho me sentido bastante animado por haver visto, nos últimos anos, 
pessoas dos dois lados humilhando-se para alcançar os que estão na posição 
oposta. Isso não teve o propósito de converter as pessoas para o seu lado, mas para 
receber a lguma coisa de las . Mu i tas pontes agora es tão sendo 
construídas entre os que conhecem as Escrituras e os que conhecem o poder 
de Deus. Os dois lados necessitam um do outro, e não cumpriremos nosso 
mandato nesta hora se não estivermos em harmonia uns com os outros. 
A Reforma obteve um grande progresso na recuperação das verdades bíblicas que 
se haviam perdido durante a Idade Média. Contudo ela ainda não se completou. E 
não se completará, até que se haja dado de novo ao Espírito Santo seu lugar na 
Igreja. Deus chamou a Igreja para se assentar com Cristo nos lugares celestiais. 
Ternos que ter o adequado equilíbrio de estar firmados na sólida verdade bíblica, 
bem como conhecer a voz do Senhor - caso contrário seremos como aquele que 
quer pilotar um avião que tem uma única asa. Não apenas nos será impossível levantar 
vôo, mas ficaremos fazendo círculos até que tenhamos a outra asa devidamente 
ligada em nós. Precisamos ter o equilíbrio necessário e certo. 
 
Um Exemplo do Equilíbrio entre a Palavra de Deus e Sua Voz 
 
O livro de Atos nos diz como deve ser a vida normal da Igreja. Nada mudou - 
hoje - no modo como o Senhor se relaciona com seu povo, em comparação 
com a maneira como se relacionava naquele tempo. O conhecimento que o 
apóstolo Paulo tinha das Escrituras lhe proporcionou uma pro funda 
compreensão quanto a Cristo e a nova aliança, bem como quanto ao plano 
geral de Deus para estender o ministério da reconciliação; também com 
relação ao plano do Senhor para que ele fosse aos gentios com esse ministério. 
Entretanto, quando o Senhor quis que Paulo se dir ig isse à Macedônia, as 
Escrituras não poderiam dar-lhe aquela direção. Ele teve que conhecer a voz do 
Senhor. 
Vemos as coisas desse mesmo modo também na vida de Pedro. Ele baseou 
sua mensagem e seu ministério nas Escrituras, mas quando o Senhor teve 
que lhe dar uma direção especial, tal como a missão de ir à casa de Cornélio 
para ser o primeiro a pregar o evangelho aos gentios, o Senhor lhe deu uma visão 
especial. Primeiro Pedro obedeceu à direção dada pelo Espírito Santo, e depois 
foi a Jerusalém para relatar o que fizera e receber a aprovação dos anciãos. 
Finalmente todos se voltaram para as Escrituras. 
Essa ação sem precedentes, nova, de pregar aos gentios, veio por f im 
estabelecer uma nova doutr ina muito impor tante: também os gentios 
deveriam receber a graça de Deus pela fé em Cristo. O recebimento do Espírito 
Santo por eles veio demonstrar o poder de Deus. Entretanto, como fizeram os 
bereanos posteriormente, 6 Os apóstolos e os anciãos provavelmente não 
aceitaram o que lhes havia sido dito até se haverem certificado mediante as 
Escrituras. 
Tal procedimento estabeleceu ainda um importante precedente na Igreja, o 
que deveria constituir um padrão para todo ministério cristão. Se uma prática 
não está claramente em contradição com as Escrituras, os cristãos têm 
liberdade de ir adiante no que sentiram ser a direção dada pelo Espíri to Santo. 
Entretanto, se tal prática resultar em algo impor tante, deve-se ter a 
confirmação pelas Escrituras, antes de ser aceita como uma doutr ina da Igreja. 
Todo crente tinha l iberdade de seguir o Senhor, ao mesmo tempo em que a 
jovem Igreja era protegida quanto a aceitar qualquer nova prática como uma 
nova doutrina ou como uma prática aceita. 
Se Pedro não houvesse feito uso da liberdade de fazer o que fez, os crentes 
judeus provavelmente nunca teriam compreendido as Escrituras com respeito 
à vontade do Senhor quanto a ser o evangelho levado aos gentios. O que ele 
fez iluminou as Escrituras; as Escrituras o confirmaram. Tanto a base sobre a 
autoridade bíblica como a liberdade do Espírito na Igreja foram estabelecidas. 
Nunca permitamos que essas duas coisas não sejam levadas em conta. Temos 
que ter em mente que muitos dos grandes empreendedores missionários da 
história iniciaram seu ministério contra o conselho de outros líderes. Sem a 
liberdade do Espírito, muitas vezes não cumpriremos a vontade de Deus. Sem 
as Escrituras, seremos levados a errar. Portanto, essas duas coisas são relevantes 
para que permaneçamos no caminho da vida! 
E ouvimos a voz de Deus mediante suaPalavra, mediante o Espirito Santo, e 
também por aquilo que nos poderá indicar um outro cristão. 
 
3. A INDICAÇÃO QUE NOS É DADA POR OUTRO CRISTÃO 
Com freqüência a voz do Senhor chegará até nós por intermédio de outra 
pessoa, e o Senhor requererá de nós que sejamos humildes para recebê-la. Por 
todas as Escrituras o Senhor gerou sua Palavra de um modo que requereu humildade 
por parte daqueles que a receberiam. Foi o orgulho que antes de mais nada provocou a 
queda do homem; e não seremos libertos das conseqüências da queda até que sejamos 
dele libertos. 
Jesus é a Palavra de Deus personificada, e Ele veio de um modo tal que 
apenas aqueles que não se importavam com aparências o receberam. Ele não 
somente nasceu em circunstâncias bastante humildes e numa nação humilde, 
como também foi criado numa de suas cidades mais humildes e desprezadas. O 
Senhor da glória veio a este mundo na condição de uma pessoa simples, 
conforme as gerações posteriores o chamariam. Apenas Os que amavam a 
verdade mais que as aparências se dispuseram a segui-lo. E esses eram os 
únicos discípulos que Ele queria ter. 
Pensamos que se homens e mulheres de prestigio, renomados, reconhecessem o 
Senhor, isso facilitaria a promoção do evangelho. No entanto as Escrituras nos dizem 
o contrário: 
Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos 
sábios segundo a carne, nem muitos poderosos., nem muitos de nobre 
I1d.S.C1171e171.0; pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do inundo para 
envergonhar OS Sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar 
as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas 
que não são, para reduzir a nada as que são; A FIM DE QUE NINGUÉM SE 
VANGLORIE NA PRESENÇA DE DEUS. (1ª Coríntios 1:26-29 - ênfase acrescentada) 
O apóstolo Paulo não eliminou totalmente os que são de nobre nascimento, os 
poderosos e os sábios deste mundo - Deus apenas não chamou muitos homens 
como esses. Se nenhum desses houvesse sido chamado, certamente iríamos 
cultuar a humildade, o que obviamente não era sua intenção. O Senhor, que 
nasceu num estábulo, teve também um dos mais caros edifícios já construídos 
como seu templo. Isso estende a verdadeira humildade à obediência. O apóstolo Paulo 
foi sábio; ele aprendeu a estar contente em qualquer situação em que se en-
contrasse. Por vezes ele aprendeu a rebaixar-se, o que fez com que em outras 
ocasiões aprendesse a ter em abundância. A questão é manter uma postura que 
independe da situação em que o Senhor nos haja colocado. 
Enquanto estivermos nesta vida, estaremos num estado de humildade. Um pobre, 
vivendo no mundo moderno, desfruta comodidades e um estilo de vida muito 
superiores aos de um rico de um século atrás. Poderemos considerar os termos pobre e 
rico como termos relativos, se olharmos a partir da perspectiva histórica. Quando 
olhamos para a eternidade, até mesmo as pessoas mais abastadas e ricas deste 
mundo são muito pobres - sua vida não passa de uma fumaça. Comparados com a 
eternidade, todos os tesouros deste mundo seriam menos que um grão de areia 
no oceano. Todos somos ao mesmo tempo muito ricos e muito pobres. A 
humildade vem por simplesmente dependermos de Deus em tudo que somos ou 
temos, até mesmo com respeito à nossa próxima respiração. 
Para quem está numa situação humilde é muito fácil demonstrar humildade. 
Entretanto essa postura não passa muitas vezes de fachada, que esconde o 
orgulho e o fingimento. O dinheiro pode ser o deus de qualquer um, não apenas do 
rico. Já vi pessoas pobres mais tomadas pela busca ao dinheiro do que muitos ricos 
que conheço. Os que são desconhecidos e que mais se ofendem pelos que são 
renomados geralmente são os que estão impregnados pela cobiça da fama. Disse 
Salomão: Uns se dizem ricos sem ter nada; outros se dizem pobres, sendo mui ricos. 
A forma mais elevada de humildade é a que é demonstrada pela sabedoria daqueles 
que aparentemente têm legitimas razões para se orgulhar, ao se comparar com os 
demais, mas permanecem humildes porque a eternidade está em seu coração. O fruto 
da verdadeira humildade sempre será a obediência, o contentamento não obstante as 
circunstâncias, e a compaixão pelos outros, não importando a situação em que o 
Senhor os tenha. Não poderemos ouvir a voz de Deus por intermédio de outras 
pessoas se não nos dispusermos a nos humilhar. 
Finalmente, Deus fala conosco mediante sonhos e visões. 
4. MEDIANTE SONHOS E VISÕES 
Desde o principio, sonhos e visões têm sido os dois principais modos pelos 
quais o Senhor tem falado a seu povo. De acordo com Joel, 2, que Pedro citou 
no dia de Pentecostes, sonhos e visões serão importantes maneiras pelas quais o 
Senhor falará a seu povo "nos últimos dias". Entretanto, este talvez seja um dos 
assuntos menos compreendidos pela Igreja. Como nos aproximamos desses dias, será 
cada vez mais importante saber como distinguiremos sonhos e visões vindos do 
Senhor cios que não provêm Dele. Temos também de saber interpretá-los. 
 
A Linguagem do Espirito 
O Senhor faz uso de sonhos e visões para nos introduzir em suas maneiras de 
agir - que não são as nossas - e em sua linguagem - que não é a nossa. Sonhos e 
visões são a linguagem do Espirito, e na linguagem do Espirito uma figura vale 
mais que mil palavras. Sonhos e visões geralmente comunicam muito mais que apenas 
fatos. Quando aprendermos a decodificar essas mensagens especiais, também 
aprenderemos muita coisa sobre os modos de agir de Deus. Paulo explicou isso aos 
coríntios: Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espirito de Deus, porque lhe são 
loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Porém o homem 
espiritual julga todas as coisas, mas ele mesmo não é julgado por ninguém. 
Uma parte fundamental da natureza humana é a curiosidade que nos compele a 
buscar uma compreensão mais profunda de Deus e da sua criação. O Senhor está 
cortejando a sua noiva, e a todo tempo procura atrair-nos para que o sigamos. Não 
se trata de um estratagema para nos incentivar com algo ilusório, apenas para nos 
manter em movimento, e sim um convite para nos conduzir a um outro nível de 
percepção, quando poderemos penetrar em seus mistérios. 
Quando Paulo foi levado ao céu ele ouviu muitas coisas que não podia proferir 
com palavras humanas. Ele não fez uso desse conhecimento para formar uma 
outra seita, tal como Os gnósticos, que tentaram fazer posteriormente, 
afirmando que a compreensão que tinham do conhecimento oculto Os elevara a um 
plano espiritual mais alto. Entretanto, muitas verdades espirituais simplesmente 
não podem ser limitadas por definições humanas. Não temos uma linguagem que 
possa expressá-las; tampouco capacidade mental para as entendermos plenamente. Seria 
uma heresia tentar fazer isso. 
Como você discerne se um sonho ou visão provém verdadeiramente do Senhor? 
Primeiro, tornando-se uma pessoa espiritual, que tenha o fruto do Espirito. 
 
Distinguindo a Fonte de Sonhos e Visões 
Um de nossos primeiros alvos deve ser sempre o de nos tornarmos espirituais. 
Enquanto isso não acontecer, os elementos do Espirito, tais como sonhos e visões, 
nos parecerão tolices. Quando nos tornamos espirituais, teremos condições de jul-
gar todas as coisas, porque seremos conduzidos pelo que é o Espírito da Verdade. 
Este é o principal modo pelo qual conseguiremos distinguir os sonhos e visões que 
vêm do Senhor daqueles que são apenas resultado de nossos processos mentais, 
ou que hajam vindo inclusive do inimigo. 
Primeiro, tornar-se espiritual significa ter o fruto do Espirito. Se em lugar do amor 
uma ira injusta, ou o medo e a dúvida estiverem nos influenciando, estaremos 
abertos para receber mensagens enviadas por um espirito de ira ou de medo - 
conquanto possamos pensar que hajam vindo do Senhor. Quando estiver mos com raiva 
de alguém, ou nos sentirmos atingidos por uma determinada pessoa, poderemos ter 
sonhos negativos sobre ela, se tal dor nos tocar profundamentea alma. Já 
aprendi a nunca confiar em nenhum sonho ou visão que possa haver sido 
alterado por meu presente estado de espírito. Entretanto, se experimento uma 
ira injusta em relação a alguém, e tiver um sonho ou uma visão que altere minha 
postura perante essa pessoa, inclinando-me a perdoar a ela, então provavel-
mente esse sonho haja vindo do Espírito Santo. 
O que é dado pelo Espírito Santo sempre vem com sua natureza, que é o fruto 
do Espírito: amor, alegria, paz... O ministério de reconciliação é básico para a 
obra do Espírito. Ele sempre procura reconciliar-nos com o Senhor e uns com 
OS outros. De modo contrário a este, o inimigo sempre procura trazer e manter 
divisões na Igreja. Sonhos e visões que a tuem nesse sent ido provêm do 
in im igo, e temos que descartá-los. 
O segundo modo para discernir se um sonho ou visão provém do Senhor é 
perceber que sonhos e visões nunca nos são dados para estabelecermos uma 
doutrina. 
Não temos nem mesmo um único caso em que o Senhor haja usado sonhos, visões ou 
outras revelações com o propósito de estabelecer uma nova doutrina. Esta é uma 
diretriz básica para o discernimento. Os sonhos e visões, em sua maioria, são da-
dos para uma direção pessoal, específica, tal como no caso de Paulo e seu sonho 
com o homem da Macedônia. 
Entretanto, temos exemplos de visões que foram dadas para destacar verdades 
bíblicas, tais como a visão de Pedro, que o instruiu a ir ao gentio de nome 
Cornélio. Não foi o caso de uma nova verdade. Era uma verdade pela qual a 
Igreja ainda não caminhava, e que obviamente ainda não compreendia. 
Mediante essa visão Pedro correspondeu ao que Simeão havia profetizado; o 
evangelho do Senhor seria uma luz para os gentios. Essa visão não deu origem 
a uma nova doutrina, mas deu luz a uma verdade bíblica. 
Todos gostaríamos de ter uma fórmula básica para interpretar sonhos, mas 
simplesmente ela não existe. Um dos maiores intérpretes de sonhos da Bíblia foi 
obrigado a aprender uma importante lição para preparar-se para esse tão grande 
chamado. José do Egito teve que aprender a humildade e o perdão. Pois o 
mesmo tem que acontecer conosco. 
Este dom é uma arma poderosa e grandiosa, e somente será confiada àqueles a 
quem Deus der a sua graça - os humildes. Não há dúvida de que algumas 
diretrizes poderão ajudar-nos, mas na melhor das hipóteses não passam de 
diretrizes. José não tinha diretriz alguma para determinar que vacas e espigas de 
milho representavam anos - o Espírito Santo teve que lhe dar essa informação. 
Podemos aprender com os casos bíblicos, e também com a nossa própria 
experiência; mas com respeito a toda verdadeira revelação do Espírito Santo, ele 
é que terá a chave para nos dar a interpretação; e é ele quem a moverá para abrir 
o que estava escondido. A humildade simplesmente nos abre para a graça. 
Somos todos completamente dependentes da graça, não apenas para a 
interpretação de sonhos e visões, mas para tudo mais. 
A humildade e a intimidade são chaves para ouvirmos a voz de Deus. E com 
freqüência essa intimidade requer alguma reserva da nossa parte. 
Quanto mais próximas duas pessoas se encontram, mais íntimos seus segredos 
se tornam. Será que aquele que ama continuaria a expor seu coração, se soubesse 
que tudo o que compartilhasse terminaria por cair no conhecimento público? Aqui 
não estou me referindo a doutrina ou a uma profecia das Escri turas, e sim à 
comunicação pessoal que temos com o Senhor. José não apenas teve problemas 
com os irmãos. Ele foi repreendido por seu pai Jacó, por haver compartilhado 
prematuramente os sonhos que teve. 
Amós disse: certamente o SENHOR Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar seu 
SEGREDO aos seus servos, os profetas. Muitos têm dificuldade em compreender que a 
maioria dos segredos que o Senhor compartilha conosco são para ser mantidos 
dessa forma: como segredos. Uma grande parte do poder do ministério profético 
tem a ver com um tempo certo. Temos que aprender a manter os segredos que 
nos foram revelados - até o momento em que o Senhor nos instrua a revelá-los. 
Isso é fundamental, para que dele continuemos a receber mais revelações 
importantes. 
Desenvolver um relacionamento secreto com o Senhor é crítico para o 
desenvolvimento da nossa vida espiritual. Deus olha para o coração. Ele fala 
conosco muito mais mediante o coração do que a mente. Essa a razão de Paulo 
haver orado para que fossem iluminados os olhos do vosso coração [não da vossa 
mente]. O Senhor Jesus nos instruiu a orar e também a dar esmolas em secreto 
diante do Pai, prometendo que ele nos recompensaria. Quando oramos, e 
depois dizemos a outras pessoas o quanto estivemos intercedendo, perdemos o 
galardão celestial que o Pai nos daria - isso em troca de um breve e passageiro 
reconhecimento humano. Entretanto, se orarmos, dermos esmolas, e 
ministrarmos de modo que ninguém fique sabendo, senão o Pai, estaremos 
guardando nosso tesouro no céu. Porque onde está o teu tesouro, aí estará também o 
teu coração. 
Os dons espirituais e Os chamados que hajamos recebido do Senhor estão 
envolvidos com o ministério profético, mas na essência são simplesmente um 
relacionamento de amizade com Deus. Uma das razões por que o Senhor nada 
faz sem antes revelar aos seus servos, os profetas, é que ele não quer fazer nada sem 
antes compartilhar com seus amigos íntimos o que pre tende fazer. Quando 
nosso relacionamento com o Senhor se estreita suficientemente, e temos a 
sabedoria de saber guardar os segredos até a hora certa para revelá-los, então ele 
compartilha conosco tudo que estiver fazendo. 
Alguns são enganados por crerem que Deus apenas fala acerca dos assuntos de 
natureza grave. Contudo, neste mundo os que se amam se comunicam uns com 
os outros simplesmente por desejarem se conhecer. Da mesma forma, uma grande 
parte da comunicação pessoal do Senhor conosco tem apenas esse mesmo 
motivo. Em 1 Coríntios 1:9 lemos: Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à 
comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor. Não podemos ter comunhão sem 
comunicação. 
Contudo, a comunicação que visa ao entrosamento é diferente da comunicação 
que visa ao controle. Alguns cristãos não ousam tomar as mais simples decisões, sem 
antes ouvir do Senhor. Isso pode ser decorrente de um genuíno zelo em obede-
cer-lhe em tudo. Entretanto, isso também pode ser resultado de insegurança. A 
necessidade de ouvir do Senhor quanto às decisões deste mundo não é sinal de 
maturidade, mas de imaturidade. Meu filho de 4 anos precisa ser mais vigiado que 
minha filha de 14 anos. O que mais digo a meu filho menor é: "Faça isso!" ou 
"Não faça aquilo"... Na verdade converso muito mais com minha filha mais velha. 
Entretanto, nossas palavras têm muito menos a ver com tomada de decisões, uma 
vez que ela tem como tomar a maioria das decisões sem a minha ajuda. 
Quando o Espírito Santo enviou os apóstolos Paulo e Barnabé, eles receberam dele 
uma diretriz bastante geral: "Vão aos gentios". Entretanto, a maioria das decisões que 
tiveram que tomar sobre onde e a quem ir foram tomadas por eles mesmos, porque 
eram maduros e tinham a mente de Cristo. As Escrituras revelam que o Senhor então 
lhes deu sonhos, visões e profecias, sempre que necessitaram de uma alteração no seu 
programa de viagens. Com o amadurecimento, não devemos continuar a ser levados pela 
mão, recebendo uma direção específica em t cada pequena decisão; em lugar disso, 
temos que assumir que fomos enviados. 
Entretanto, nossa visão ou sonho é às vezes apenas uma parte da mensagem de 
Deus para nós. 
Vemos em Parte 
Cada revelação importante é como uma peça de um quebra- cabeças que tem que 
ser colocada entre outras peças que já foram dadas a outras pessoas. Isso é verdade 
tanto com respeito à doutrina como à profecia. Uma Cínica denominação ou movi-
mento não está de posse de toda a verdade, e nenhum profeta tem a revelação 
completa. Mesmo que hajamos recebido a maior parte, ela ainda será uma 
pequena parte, diante da verdade comoum todo. Foi baseado nisso que o 
apóstolo Paulo disse: Nós, porém, temos a mente de Cristo. Observe que ele 
disse nós, e não eu tenho a mente de Cristo. Cada um de nós tem apenas uma 
parte da grande mente do Senhor, parte essa que tem que se juntar às demais 
do Corpo de Cristo para compor sua verdadeira mente. 
Em minha experiência, o Senhor muitas vezes tem dado partes das revelações 
de que necessito a pessoas pelas quais não sinto simpatia, ou que são 
totalmente diferentes de mim. Tenho aprendido que se alguém por alguma 
razão provoca em mim o desejo de dele me afastar, então essa pessoa é justamente 
aquela de quem devo me aproximar. Eu me conscientizo nesse momento de que 
provavelmente ela tem algo de muito valor para que eu ouça. Inevitavelmente 
descubro que aquela distância entre nós era devida a falsos juízos de minha 
parte, decorrentes de haver procurado conhecê-la segundo a carne, ou pelas 
aparências, em lugar de pelo Espírito. 
Se duas congregações numa localidade têm normalmente muitos conflitos entre si, 
dá para se dizer que ambas têm grande necessidade uma da outra. Nunca vi isso falhar. 
Isso é verdade até mesmo entre nações. Há um extraordinário destino espiritual entre a 
Inglaterra e a Alemanha, razão pela qual o inimigo tem incitado tantos conflitos entre 
essas duas nações. 
Agora que sabemos como ouvir a voz de Deus, vejamos com mais precisão como 
discernir a voz do Espírito da voz do inimigo. 
Reconhecendo a Voz do Inimigo 
Em certas ocasiões o inimigo procura imitar a voz do Senhor para enganar os 
santos. Ele não faria isso se o Senhor não estivesse falando com seu povo. E 
evidente que a única razão por que um dinheiro falso pode ser feito é o fato 
de exist ir dinheiro verdadeiro. Caminhemos mais um passo nessa analogia. 
Você afirmaria que nunca mais vai querer receber dinheiro, simplesmente porque 
existe dinheiro falso por aí? Sem dúvida sua resposta seria "não". Pelo fato de o 
inimigo procurar às vezes imitar a voz do Senhor, isso não é razão para não 
buscarmos conhecer a voz do Espíri to; na verdade essa é mais uma razão 
fortíssima para que a conheçam os! 
Entretanto, como aprender a distinguir a voz do Senhor da voz do inimigo? A 
resposta será óbvia se nos lembrarmos daquela história dos três pastores e suas 
ovelhas do Oriente Médio, com a qual comecei este capítulo: familiarizando-nos 
mais com a voz de Deus. 
Familiarizando-nos mais com a Voz de Deus 
Depois de mais de vinte anos de casamento, posso agora reconhecer a voz da 
minha mulher, esteja ela cochichando ou gritando. Ela pode estar no meio de 
uma multidão de pessoas falando ao mesmo tempo; ainda assim poderei 
reconhecer-lhe a voz instantaneamente. Consigo isso porque temos estado 
juntos por um longo tempo. Pois é também assim que temos que conhecer a voz 
do Senhor. Não há fórmulas mágicas nem atalhos: precisamos estar com ele. 
Soube de um cego que tinha um emprego no Departamento de Tesouro do 
governo americano, em Washington, D.C. Por ele passava todo o dinheiro recebido. Ele 
se tornara tão sensível ao dinheiro, que se alguém lhe passasse uma nota falsa ele a 
reconheceria instantaneamente. O discernimento que desenvolveu veio por 
conhecer muito bem as notas verdadeiras, não as falsas. Provavelmente ele não teria 
tido condições de reconhecer o dinheiro verdadeiro se houvesse passado todo o 
tempo procurando conhecer todo tipo de notas falsas que existem por aí. 
Semelhantemente, o melhor modo de diferenciar a voz do inimigo em relação à 
voz do Senhor é conhecer a voz de Deus tão bem que instantaneamente a 
reconhecemos em meio a qualquer outra voz. Os que passam a maior parte do 
tempo apenas procurando estudar quem é o inimigo - como ele trabalha, fala e 
engana - poderão vir a ter condições de reconhecer o inimigo muito bem, mas 
poderão não reconhecer a voz de Deus. Tenho aprendido a não confiar no 
discernimento de quem somente se haja aprofundado em conhecer os enganos 
do inimigo. 
 Não podemos igualmente julgar que vamos distinguir com precisão a voz de 
Deus em relação à voz do inimigo, simplesmente porque conhecemos pessoas que 
fazem isso muito bem. 
Não há Cidadãos de Segunda Classe no Reino 
Ninguém é salvo por conhecer alguém que conhece o Senhor. Também não seremos 
usados em milagres pelo fato de conhecermos alguém que tem fé para operar 
milagres. Do mesmo modo, ninguém terá condições de reconhecer a voz do 
Senhor pela simples razão de fazer parte de uma congregação na qual alguém 
conhece a voz de Deus; ou ainda por ler livros ou assistir a programas de pessoas 
com esse discernimento. O Senhor não tem netos. Cada um de nós é chamado a ser 
seu filho 
Entretanto, temos que ter o cuidado de não esperar que novos crentes confiem 
em seu próprio discernimento. Já observei muitos crentes novos se esforçando por 
ouvir a voz do Senhor. Eles estão agindo de forma prematura, apenas para serem 
enganados pelo inimigo ou pelos próprios pensamentos. Isso já tem provocado 
tamanha devastação que muitos se tornaram espiritualmente mutilados. O Senhor 
disse: As minhas OVELHAS ouvem a minha voz; ele não disse "os meus cordeiros". 
Os cordeirinhos não seguem o pastor tanto quanto seguem as ovelhas. Crentes novos 
precisam seguir outros crentes até amadurecerem o suficiente para finalmente 
conhecerem a voz de Deus. Neste sentido é sábio permanecer perto daqueles que co-
nhecem melhor o Senhor. Contudo essa não deve ser nossa posição permanente; 
temos que conhecer o Senhor por nós mesmos. 
Embora Josué haja sido um dos homens mais próximos daquele que foi um dos 
maiores homens de Deus, Moisés, ele não se satisfez com isso. Certamente era muito 
bom ser servo de Moisés, e evidentemente Josué aprendeu muito com ele. No entanto 
Josué teve que conhecer o Senhor por si mesmo. Quando Moisés saía do 
tabernáculo, Josué lá permanecia, desenvolvendo um relacionamento pessoal com o 
Senhor. 
O alvo de todo cristão deve ser o de conhecer tão bem o Senhor e sua voz, que 
possa distingui-la de todas as demais vozes deste mundo. Alguém disse certa vez: 
"Um alvo é um sonho que tem uma data para a sua realização". Não sei se poderemos 
determinar que conheceremos a voz do Senhor num certo tempo específico, mas se não 
estabelecermos um alvo, a probabilidade de realizarmos qualquer coisa irá diminuir 
sensivelmente. Deus promete ir adiante de nós, se conhecermos a sua voz - condu-
zindo-nos pelo vale da sombra da morte até a vida eterna. 
 
Capítulo 7 As muitas faces do racismo espiritual 
 
Uma das histórias mais notáveis do Novo Testamento é a que apresenta os dois 
homens no caminho de Emaús. O Jesus ressurrecto juntou-se a eles e lhes expôs as 
Escrituras que falavam dele mesmo. Aqui vemos Cristo pregando sobre Cristo! A 
unção não poderia ter sido maior. Mesmo assim eles não o reconheceram! Por quê? 
Marcos 16:12 nos revela a razão: Depois disso manifestou-se EM OUTRA FORMA a 
dois deles que estavam de caminho para o campo (ênfase acrescentada). 
Parece que as aparições do Senhor após sua ressurreição aconteceram na 
maioria das vezes numa forma diferente em relação àquelas com as quais eles 
estavam acostumados. Isso tinha um propósito que precisamos compreender, a fim de 
que reconheçamos o Senhor quando ele se aproximar de nós. Para conhecermos o 
Cristo vivo, temos de conhecê-lo pelo Espírito e não pela aparência. 
Quantas vezes falhamos em reconhecer o Senhor porque ele vem a nós 
numa forma com a qual não estamos acostumados? Se nos habituarmos à 
maneira pentecostal, não reconheceremos o Senhor se ele vier até nós na forma 
batista. Se nos acostumarmos com a forma dos renovados, não o reconhece-
remos, caso venha na forma pentecostal tradicional. A razão para isso é um 
racismo espiritual. Racismo não tem a ver tão- somente com diferentes raças 
humanas, mas com grupos que são diversos de nós, quer essas diferenças 
sejam de raça, religião, cultura, lugar geográfico ou qualquer outra natureza que 
os torne diferentes de nós. 
Se você for a LosAngeles, recomendo-lhe que visite o Museu da Tolerância. É um 
lugar fascinante, dirigido por rabinos, que exibe crimes que demonstram haverem sido 
cometidos debaixo de muito ódio, desde o início da história até o dia de hoje. 
Quando você entra no museu encontra duas portas. Uma delas tem a seguinte 
placa: "COM PRECONCEITOS"; a outra assinala: "SEM PRECONCEITOS". Se você 
ficar por ali observando, você verá que quase todos os que entram no museu tentam 
passar pela porta "Sem preconceitos". Mas, que surpresa! Essa porta está 
trancada. Não dá para passar por ela, porque todo o mundo tem algum tipo de 
preconceito. Eu tenho os meus, e você tem os seus. 
Deus quer que nos reconheçamos como somos. Ele deseja que entremos pela 
porta mareada com a condição "Com preconceitos". Somente quando 
reconhecermos a verdade com respeito a nós mesmos é que seremos libertos. 
I s s o é m u i t o m a i s do q u e q u a lq u e r q u es t ã o e n t r e pentecostais e 
batistas, ou entre os de raça negra e os de raça branca, ou ainda entre judeus e 
gentios. Trata-se de uma das formas de orgulho mais primárias: orgulho da 
carne ou de exterioridades. O racismo promove uma escravidão ao que nos é 
familiar, e que pode roubar-nos dos encontros mais íntimos com nosso Senhor. 
Quando o Senhor lamentou por Jerusalém, por haver morto os profetas e os 
que haviam sido enviados para lá, ele declarou que a casa daquela cidade 
ficaria deserta, e eles não o veriam até o dia em que estariam dizendo: Bendito o 
que vem em nome do Senhor! O que é verdade para Jerusalém é também verdade 
para a Igreja. Não veremos o Senhor até que aprendamos a abençoar os que vierem 
em seu nome. O Deus que estendeu os céus como a cortina de uma tenda é 
grande demais para habitar exclusivamente em nossa insignificante denominação, não 
importando quão grande ela possa ser. Ele é grande demais para ser encontrado 
em nossa forma de adoração, seja ela decorrente de um processo progressivo, 
seja seguindo rapidamente a forma mais nova de culto. O que verdadeiramente 
é de Cristo ainda está nascendo nos lugares em que menos esperaríamos. 
O Senhor prometeu que ao retornar separará os que tiverem a natureza do cabrito 
daqueles que tiverem a natureza da ovelha. Uma das características das ovelhas 
era: "Eu era forasteiro e me hospedastes" (tradução do autor). Um forasteiro é 
alguém diferente de nós, alguém proveniente de outro lugar, que talvez fale uma 
língua diferente, ou alguém que até mesmo seja de outra denominação. Em 
outras palavras, um dos principais fatores que nos distinguirão quanto a se somos 
ovelhas ou cabritos será nossa abertura em relação àqueles que são diferentes de nós. 
Os israelitas receberam esta ordem: Amai, pois; o estrangeiro, porque fostes 
estrangeiros na terra do Egito. Isso implica que o Senhor consentiu que os israelitas 
ficassem cativos numa terra estranha, de forma que viessem a ter compaixão 
pelos estrangeiros. Uma importante razão para que Israel tivesse compaixão pelo 
estrangeiro se encontra em Deuteronômio, 31:12: Ajuntai o povo, os homens, as 
mulheres, os meninos e o estrangeiro que está dentro da vossa cidade, PARA QUE OUÇAM, 
E APRENDAM, E TEMAM O SENHOR, VOSSO DEUS, e cuidem de cumprir todas as palavras 
desta lei (ênfase acrescentada). 
A verdadeira autoridade espiritual está em nossa compaixão. Pelo fato de 
Jesus haver sentido compaixão pelas ovelhas que estavam sem pastor, ele se 
tornou nosso Pastor. Não podemos ter compaixão daqueles de quem zombamos, 
depreciamos ou rejeitamos por serem diferentes de nós. Nunca teremos a 
verdadeira autoridade para corrigir as doutrinas de outro movimento ou 
denominação se não tivermos o amor de Deus para com eles. 
Até certo ponto parece que, apesar de doutrinas erradas, ou de quão antiquada 
seja a forma de culto de uma igreja, se os crentes dessa igreja amam os pobres, os 
órfãos, as viúvas e os forasteiros, Deus os abençoará e cuidará deles, porque 
amam e cuidam daqueles que ele deseja que sejam cuidados. Esta é a principal razão 
por que Deus abençoou os Estados Unidos: as portas americanas possivelmente 
hajam estado abertas para estrangeiros e para oprimidos mais do que as de qualquer 
outra nação. (Nem sempre os americanos Os trataram bem depois que vieram, mas seja 
como for eles foram recebidos pela nação.) 
Desse modo os países que receberam muitos imigrantes têm um potencial sem 
igual para demonstrar simpatia e tolerância para com os que vêm de diferentes 
culturas e grupos étnicos. 
 
Uma Casa de todas as Nações 
 
O Senhor chamou Sua Igreja para ser uma casa de oração para todas as nações. A 
palavra nações é traduzida do grego ethnos, ou etnias. Semelhantemente, os Estados 
Unidos se tornaram uma casa para todas as nações. Conquanto seja a intenção do 
Senhor usar os Estados Unidos em razão disso, a intenção do inimigo é conturbar 
a questão racial neste país de forma a semear ainda muito mais discórdia e 
desconfiança entre grupos étnicos por todo o mundo. 
O inimigo planejou usar a África do Sul dessa mesma forma, durante a eleição que 
ocorreu há algum tempo. Sua estratégia foi frustrada pela oração em escala 
mundial feita em favor daquele país. Contudo, quando Satanás é frustrado desse 
modo, ele procura em algum outro lugar uma forma de descarregar a sua ira. 
Quando ele viu que não tinha jeito na África do Sul, foi vingar-se na primeira nação 
mais próxima em que encontrou uma abertura; no caso, a Ruanda. 
O que aconteceu na Ruanda foi um ataque espiritual da magnitude que Satanás 
pretendia soltar sobre a África do Sul. Os missionários diziam que o povo de Ruanda era 
o povo "mais pacífico da África". Entretanto, numa certa manhã eles acordaram numa 
total e cruel insanidade. Aqueles que haviam naturalmente dado "boa-noite" a seus 
vizinhos, de repente estavam arrombando as portas de suas casas para matar 
famílias inteiras. Quando toda aquela carnificina amenizou, alguns dos que se 
haviam envolvido naquela impiedosa matança confessaram que haviam estado 
como que num transe, mal conseguindo lembrar-se do que haviam feito. Outros pareciam 
com sinceridade não acreditar haverem sido os autores daquelas atrocidades. Contudo 
foram! Tudo isso não pode ser explicado na esfera natural, visto haver sido resultado de 
uma investida espiritual. 
Ruanda foi considerada a nação mais "cristã" da África. Quase 90 por cento da 
população declarava ser participante da fé. Entretanto, a definição popular naquele 
país do que significa ser cristão está bem longe da definição bíblica. Os que afirmam 
ser cristãos, mas que não têm o Espírito de Deus, poderão ser os mais vulneráveis às 
poderosas investidas das trevas. Os cristãos nominais têm demonstrado ser as 
pessoas mais perigosas sobre a Terra; eles ainda se acham sob o domínio de 
Satanás, e o inimigo vê neles uma oportunidade (mica para empanar o brilho do 
nome de Jesus Cristo. 
Antes de cada uma das duas guerras mundiais, a Alemanha se declarou nação cristã. 
Hitler afirmou que estava ressuscitando o Santo Império Romano para estabelecer seu 
milésimo ano de reinado sobre a Terra. A maioria dos "cristãos" da Alemanha foi atingida 
por esse engano, apesar de todos os assassínios sem dó que ocorreram e de toda a 
opressão que se estabeleceu no Terceiro Reid. 
'De igual modo, os Estados Unidos declaram ser uma nação cristã. Quase 85% da 
população americana faz tal afirmação, e mais da metade afirma haver nascido de 
novo. Entretanto, onde está o fruto dessa situação? É bem provável que os registros 
celestiais contenhan na verdade apenas uma pequena percentagem da população total 
dos Estados Unidos (do mesmo modo que os maiores evangelistas reconhecem que 
menos de 10% das decisões por Cristo em campanhas evangelísticas chegam a se 
tornar membros de uma igreja evangélica). 
Quando perguntaram a Jesus que sinais ele daria para o fim dos tempos, um dos 
sinais que ele mencionou foi: Levantar-se-á nação contra nação, e reino contra reino. A 
palavra grega traduzidacomo "nação" aqui é ethnos, a mesma que vimos antes 
em Marcos 11:17. Jesus não se referia propriamente a países lutando contra outros 
países, e sim ao aumento de conflitos étnicos. 
Quase todo conflito de maior importância que tem ocorrido no mundo de hoje é 
fundamentalmente um conflito étnico, muito mais que político. Em meio a toda a 
destruição motivada por questões raciais que acontecerá no fim dos tempos, a 
Igreja é chamada a ser uma casa de oração por todos os ethnos, OU seja, por todas 
as etnias. Creio que as igrejas que não confrontarem e vencerem a fortaleza do racismo 
serão vencidas nos tempos à nossa frente. 
As "portas do inferno"5 são as portas do inimigo que se abrem para o mundo, e o 
racismo talvez seja a maior das portas que o inimigo venha a usar no- fim desta era. 
Satanás liberará alguns de seus maiores poderes para frustrar nosso chamado como 
casa de oração por todas as nações. Se lhe for possível, ele usará Os Estados Unidos 
como um instrumento para enviar a morte e a destruição numa escala sem precedentes. 
 
As Culturas Dentro do Próprio País 
As nações que receberam imigrantes de muitas etnias d iferentes, tal como os 
Estados Unidos e o Brasil, não precisam ir até outros países para alcançar as 
diversas nações. Um dos grandes missionários do nosso tempo, Bob Weiner, tem 
passado a maior parte da sua vida adulta procurando demonstrar à Igreja que 
praticamente toda nação importante do mundo está re presentada no corpo 
estudantil das universidades americanas. Num levantamento feito, sessenta 
líderes políticos do mundo receberam uma formação universitária em escolas 
americanas. Muitos dos estudantes estrangeiros se encontram solitários, 
distantes da família, dos amigos, da cultura, e estão bastante abertos ao 
evangelho. Num levantamento feito entre eles, constatou-se que um de seus 
maiores desejos (em segundo lugar, perdendo apenas para o desejo de ter uma 
educação) era ter uni amigo. 
Tanto o homem que planejou o ataque japonês a Pearl Harbor como o que nele 
comandou as forças japonesas haviam estudado numa escola americana. Os dois 
se haviam ofendido pelo tratamento discriminatório recebido dos americanos. O que na 
história teria sido diferente, se houvessem recebido outro tipo de tratamento? Um 
significativo número de líderes islamitas que agora chamam os Estados Unidos 
de "o grande Satã" também foi educado em universidades americanas. Quão 
diferente seria o mundo hoje se Os americanos houvessem amado e tra tado bem 
essas pessoas quando se encontravam em seu país! O futuro da humanidade 
poderá ser totalmente mudado se os homens se arrependerem de seu racismo e 
começarem a amar os estrangeiros que estejam em seu meio, tal como somos 
comandados a fazer. 
Muitos dos estudantes estrangeiros, nos Estados Unidos, não têm para onde ir nos 
períodos de férias. Como em muitas universidades seus alojamentos se fecham, eles 
são obrigados a ir para hotéis caros, ou têm que procurar abrigo em alguma insti -
tuição de caridade. As igrejas e as famílias que têm ido às universidades oferecendo 
hospitalidade a esses estudantes têm sido recebidas muito bem. Muitos desses 
estudantes vêm a Cristo dessa maneira. E isso não acontece pelo fato de haverem sido 
pressionados, sendo colocados frente a um auditório, e sim em razão do amor com 
que foram recebidos nesses lares. 
'O carinho demonstrado a um estudante estrangeiro, levando-o a um passeio 
de fim-de-semana para conhecer uma região de interesse turístico nas 
imediações, pode causar um impacto maior nas relações com outros países do 
que qualquer programa governamental. Os que são enviados aos Estados Unidos 
e a outras nações ocidentais para lá receberem sua formação escolar são normalmente 
os mais bem dotados, possivelmente futuros líderes das diversas esferas da 
sociedade de seu país de origem. Do mesmo modo, os que dentre eles forem levados a 
Cristo poderão causar um grande impacto para o Senhor em seu país. 
Uma das doutrinas básicas do islamismo é submeter o mundo todo a Alá, seja pela 
conversão, seja pela força das armas (Jihad para eles é "guerra santa"). 
Atualmente o islamismo é uma religião que está tendo um grande crescimento. Os 
muçulmanos estão conquistando nações inteiras, que nós cristãos estamos perdendo. 
A menos que acabemos com as restrições humanistas que nos impedem de 
compartilhar a nossa fé com estrangeiros para não infringir seus "direitos", 
continuaremos a perder muitas vidas para o islamismo. 
Uma das questões sociológicas mais intrigantes que enfrentamos é a questão 
de por que filhos nascidos de pais alcoólatras, que viveram em meio a uma 
situação perturbada pelo medo e pela violência, têm a tendência de se casar 
com alcoólatras. Por alguma razão, a dor e o medo que inevitavelmente são 
causados pelo cônjuge alcoólatra são mais fáceis de tolerar do que uma 
mudança. Isso tem sido referido como sendo "a tirania do que é familiar". De 
modo semelhante, o medo que ternos de etnias diferentes da nossa gera 
impedimentos a uma verdadeira liberdade espiritual. Em vez de temê-las, po-
deríamos aprender muito com elas. 
Essa mesma tirania do familiar é uma das principais razões por que o mundo 
permanece em pecado e os que estão presos às mais cruéis formas de religião 
permanecem totalmente dedicados a tudo que os prende. Para os seres humanos 
decaídos, um inevitável tormento mental e físico é mais aceitável que uma 
mudança. Apenas o amor pode eliminar aquele terrível temor e trazer uma 
verdadeira conversão do coração. Foi por essa razão que Paulo afirmou que a 
bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento. 
Em qualquer época há de duzentos a trezentos mil estudantes estrangeiros 
nos Estados Unidos, que se encontram sós e isolados. Há ainda milhares de 
estudantes estrangeiros vivendo em outras nações ocidentais, inclusive no Brasil. 
Embora acreditemos fortemente em missões estrangeiras, é evidente que há um 
grande campo missionário dentro do próprio país em que vivemos. Entretanto, 
o que parece é que os crentes não estão levando isso em conta. Os estrangeiros 
que se encontram em nosso meio são bem mais abertos ao evangelho do que os 
que estão no próprio país. Essas vidas preciosas necessitam do nosso amor. Elas 
precisam aceitar-nos, e depois aceitar a mensagem que temos para elas. 
Israel recebeu o encargo de amar os estrangeiros antes de receberem a ordem de lhes 
ensinar os caminhos de Deus. Em Deuteronômio 14:28,29 e 26:12 os dízimos eram 
para ser entregues aos levitas e aos estrangeiros, aos órfãos e às viúvas.' Com 
toda a ênfase que se tem dado ao dízimo, será que ele tem sido posto no lugar 
correto? 
Essa questão de se cuidar dos estrangeiros é tão importante que quando Paulo 
apresentou as qualificações que os líderes da Igreja deveriam ter, uma delas foi a 
de que o candidato a um posto de liderança tinha que ser dedicado à 
hospitalidade a estrangeiros. (E observe que a palavra grega que foi traduzida por 
"hospitaleiro" é philoxenos, que literalmente denota hospitalidade a estrangeiros e 
forasteiros.) 
Geralmente nós, os que acreditamos que estamos libertos do espírito de racismo, 
toleramos e aceitamos apenas aqueles cuja "raça" é igual à nossa. Os batistas têm 
todo o prazer em aceitar os presbiterianos, tão logo eles passem pelo batismo de 
imersão. Os pentecostais terão muito prazer em aceitar os metodistas, a partir do 
momento em que passem a falar em línguas. A igreja de ricos diz amar os pobres, 
e chega até mesmo a desejar ter pobres em sua igreja, mas bem poucos ricos têm o 
desejo de se filiar a uma igreja de pobres. A maioria das paredes que nos separam 
estão firmadas na arrogância de terem nosso ponto-de-vista aceito, e que todos se 
tornem como nós. Isso não significa, absolutamente, que devemos de forma alguma 
ceder em qualquer verdade que consideremos importante. Entretanto, se 
conseguirmos construir pontes de confiança até aqueles que não vêem as coisas 
como nós vemos, nossa amizade e nossa abertura para comeles ganhará muitos 
dentre eles para nossa posição - bem mais do que conseguimos com nossa 
hostilidade. 
A Igreja tem grande prazer em ver judeus convertendo-se ao Cristianismo, contanto 
que venham a fazer parte dela. Contudo o "movimento messiânico" é considerado 
uma afronta. Nem a igreja nem o movimento messiânico refletem verdadeiramente a 
nova criação. O modo pelo qual serei uma unidade com minha esposa não é 
transformando-a num homem! Nossa unidade acontece quando vemos as nossas 
diferenças complementando- se, em vez de entrarmos em conflito. Paulo escreveu 
que o próprio Senhor Jesus Cristo "criou, dos dois, um novo homem, fazendo a paz, 
e reconciliou ambos num só corpo com Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a 
inimizade." 
Os luteranos, Os batistas, os pentecostais, os renovados e todos os demais 
acrescentaram verdades e luz à Igreja, o que é necessário para que ela cumpra seu 
propósito. Entretanto, apesar de todo o progresso da Reforma, o fundamento da 
Igreja ainda está mais em Roma do que em Jerusalém. Assim Paulo afirmou aos 
gentios: ...não te glories contra os ramos; porém, se te gloriares, sabe que não és tu que 
sustentas a raiz, mas a raiz, a ti. Quando Israel for enxertada de volta, ela ajudará a 
Igreja a retornar às suas verdadeiras raízes, o que não lhe foi possível fazer até 
agora. Isso não é para ser mal compreendido. Não estou falando de a Igreja voltar para a 
lei ou para meros rituais. É algo muito mais profundo que isso, ainda não 
compreendido até mesmo pelo movimento messiânico. 
Entretanto, há esperança. O Senhor está para enviar outro grande avivamento! 
Esse avivamento terá o potencial de tornar a Igreja uma fortaleza contra as densas 
trevas que estão por vir no fim desta era. E por termos em nosso meio 
representantes de todas as nações, há um potencial de ação sem similares. 
 
A Luz entre as Trevas 
 
Preparando-nos para o grande mover de Deus que está por vir, um crescente 
número de avivamentos e de movimentos de renovação espiritual surgirão em 
diferentes lugares. Alguns deles virão com um impacto tal que terão manchetes 
em jornais seculares e se tornarão destaque nos noticiários de televisão. Outros 
vão crepitar como uma enorme queimada campestre, espalhando-se por quase todas 
as maiores cidades. Missionários em grande número serão enviados para outros 
países; será uma grande força missionária atuando nos últimos dias. Tudo isso 
contribuirá para derreter todo o gelo do Cristianismo europeu e americano que 
ainda se encontra congelado, dando condições para a explosão do que se tornará o 
maior avivamento jamais visto. 
Haverá uma unidade que virá de diferentes grupos étnicos, produzindo cura e 
reconciliação em nosso meio. Então toda a Igreja dará atenção às antigas feridas 
causadas nos judeus pelo Cristianismo histórico e institucional. 
Quando nós na Igreja houvermos finalmente alcançado a graça e a humildade 
necessárias para abraçar aqueles que são diferentes de nós, a verdade do 
evangelho se l ibertará da corrupção e do engano que a têm assolado desde o 
primeiro século. Então haverá um irromper do poder de Deus tal como o mundo 
nunca testemunhou até hoje. Tais serão os dias das "obras maiores". 
Enquanto esses dias não chegam, muita coisa pode ser feita para tratar desse 
racismo ainda existente na Igreja. Já se tem notícia de que uma crescente 
comunidade de crentes está construindo pontes de compreensão, de cooperação 
e de investimento comunitário entre cristãos de diferentes situações. Nos Estados 
Unidos temos um exemplo de uma ponte dessas, feita em Charlotte, Carolina do 
Norte, que passo a relatar. 
Uma Ponte de Amor entre duas Igrejas Irmãs 
Tudo teve início há alguns anos, quando uma senhora de cor, de nome 
Bárbara Brewton, perdeu o marido atingido por um tiro. Isso aconteceu no 
bairro de alta criminalidade de Charlotte, conhecido como Double Oaks. Esse 
local foi referido pelo jornal New York Times como sendo um dos pontos de maior 
violência dos Estados Unidos. Arrasada e amargurada pela perda, ela se mudou 
do local com sua família, mas depois de alguns anos Deus começou a trabalhar no 
coração dela. Aproximando-se de Jesus Cristo, sentiu da parte de Deus a direção de 
voltar para Double Oaks. 
Bárbara Brewton retornou então a Double Oaks e deu início a um trabalho com as 
crianças da localidade às sextas-feiras à noite, fazendo isso por sua própria conta. Ela 
não apenas ensinou a meninada com respeito a Jesus, como também a ajudou na 
alfabetização. Ela teve que os arrastar para fora dos pátios e das esquinas, nas 
muitas vezes em que um tiroteio irrompeu - o que acontecia com freqüência. Em pouco 
tempo ela estava ministrando não apenas a crianças, mas aos pais delas também. 
Do seu trabalho surgiu então uma igreja, a Igreja da Comunidade, tendo Bárbara 
Brewton como pastora. Reuniam-se numa casa, colocando alto-falantes nas 
janelas, de modo que na rua se podia ouvir a música e a pregação. A partir de então 
traficantes de drogas, membros , de gangues e viciados começaram a aparecer e 
foram sendo salvos. 
Não demorou muito e a igreja de Bárbara se mudou para um prédio de 
alvenaria que tivera anteriormente diversas funções, inclusive a de uni centro 
comunitário e uma casa de má reputação. O prédio tinha salas para a Escola 
Dominical, uma área de escritórios e um santuário. A igreja cresceu tão depressa 
que as pessoas nos cultos se apinhavam pelas escadarias e até fora, na calçada da 
entrada. A razão por que a igreja estava atraindo tanta gente era o fato de elas 
observarem que realmente aquela era uma igreja que se preocupava com as 
pessoas. Ela estava sem dúvida melhorando a vida das crianças e dos adultos 
em Double Oaks. Além disso haviam conseguido aumentar a segurança em toda 
a localidade, em vista de haverem obtido das autoridades locais a colocação de 
muretas de proteção do trânsito em certas ruas (o que contribuiu para diminuir 
o tráfico de drogas), bem como o aumento do policiamento. 
Nesse mesmo tempo, do outro lado da cidade, na rica zona sul de Charlotte, 
uma outra mulher, Mary Lance Sisk, sentiu que Deus a chamava para envolver-se 
com a dor existente na parte central da cidade. Mary tinha um ministério 
internacional que ensina as pessoas a orar. Seu ministério já a levou a todas as 
partes do mundo. Ela também estava bastante envolvida com a Igreja Evangélica 
Presbiteriana de Forest Hill, uma igreja importante e constituída em sua maioria por 
pessoas da raça branca. Ela então teve um contato com a pastora Bárbara, e a 
convidou para um almoço. Naquele encontro foi dado início a uma parceria que 
cresceu a ponto de se constituir num belo exemplo do que Deus pode fazer para 
juntar ethnos com ethnos. Mary e Bárbara eram duas mulheres de dois mundos 
diferentes - do branco e do negro. Contudo elas se juntaram. 
Em decorrência da amizade entre Mary e Bárbara, as duas igrejas se uniram num 
incrível relacionamento de "igrejas irmãs". Um de seus primeiros projetos foi o de limpar 
áreas públicas de Double Oaks. Uma parceria foi formada entre as duas igrejas, a 
prefeitura e grupos civis. Essa parceria em Double Oaks comprou casas em estado 
precário e em ruínas de seus donos favelados, reformou-as e as vendeu a interessados 
de baixa renda, cuidadosamente selecionados, e com planos de financiamento de juros 
baixos. A parte renovada passou a chamar-se Parque Gênesis. Gênesis significa "início", 
e aquele lugar realmente representou um novo início para aquele velho bairro. Até mesmo 
muitas daquelas ruas, que se haviam tornado sinônimas de assassinato, drogas e 
prostituição, receberam novos nomes, tais como Avenida do Vento Impetuoso e Avenida 
do Caminho da Paz. As ruas que anteriormente eram tão perigosas, a ponto de até 
mesmo os carros da polícia e as ambulâncias se recusarem a passar por elas, de repente 
se transformaram em zonas de esperança e de orgulho. 
Vendo que as instalações da Igreja da Comunidade estavam rapidamente ficando 
pequenas para as necessidadesexistentes, Mary Lance Sisk, da Igreja de Forest Hill, 
deu início à uma campanha para ajudar aquela ousada igreja, da pior parte da cidade, a 
começar a construir um centro de adoração bem maior. Formou- se então uma 
comissão que levou uma proposta à diretoria da Igreja de Forest Hill, e a diretoria fez 
algo impressionante. Embora a liderança da igreja fazia já algum tempo tivesse o 
propósito de construir uma nova área, mais ampla, para o ministério da própria 
igreja, atendendo à voz de Deus tomaram a decisão de assumir uma campanha para 
levantar 150.000 dólares, a serem entregues àquela igreja-irmã, composta em sua 
maioria de negros. 
Em maio de 1996 um banquete foi realizado. Era seu propósito dar o pontapé 
inicial naquela campanha de levantamento de fundos. Mas eles estavam atrasados! 
O alvo de 150.000 dólares já havia sido atingido! Pela palavra que foi de boca em 
boca, os membros da igreja já haviam respondido à campanha, e o alvo fora 
alcançado. Desse modo o banquete, que seria o marco inicial da campanha, na 
realidade acabou sendo um banquete de celebração. No final dele o total de 
compromissos feitos para aquela campanha já ultrapassara o dobro: eles já podiam 
contar com $320.000! Entretanto, mais importante que o dinhei ro foi o fato de 
que Membros de ambas as igrejas estavam se visitando uns aos outros, 
envolvendo-se com os ministérios e com os cultos da outra igreja, tomando 
juntos a santa ceia, orando juntos, pedindo perdão por todo preconceito do 
passado, e construindo a unidade e o entendimento. Assim, uma poderosa 
parceria estava surgindo, ao mesmo tempo em que os membros de Forest Hill 
aprendiam mais e mais sobre o ministério na parte central da cidade. 
Mediante essa experiência, uma esperança sobreveio à cidade de Charlotte, da 
Carolina do Norte. O espirito de racismo foi amarrado; impedido de se manifestar, 
fugiu da cidade. Isso poderá acontecer de maneira igual na sua igreja e na sua 
comunidade. Tudo que é necessário é haver uma pessoa - alguém como você - 
que esteja disposta a se deixar usar por Deus. 
Temos que lembrar que todos Os relacionamentos verdadeiros são construídos 
em pontes de confiança. E quanto mais resistente for a ponte, maior há de ser o peso 
que ela permitirá ser transportado por ela. Todos temos que nos perguntar a nós 
mesmos o que podemos fazer para ajudar a construir pontes para que haja uma 
reconciliação racial espiritual, verdadeira e duradoura. A alternativa é, como advertiu o 
Senhor, haver "nação (ethnos) levantando-se contra nação (ethnos)". 
 
Capítulo 8 Que a batalha se inicie! 
 
Em 16 de fevereiro de 1995 tive um sonho em que vi um exército demoníaco 
tão grande que se estendia até onde a minha visão alcançava. Ele era 
composto de diversas divisões, cada uma delas levando uma bandeira diferente. 
As principais divisões, as mais poderosas, eram as divisões do Orgulho, da 
Retidão Própria, da Reputação, da Ambição Pessoal e do Julgamento Injusto. 
No entanto, a maior de todas elas era a divisão da Inveja. O líder desse 
enorme exército era o próprio acusador dos irmãos. Eu sabia que havia ainda 
muitas outras divisões malignas além do alcance da minha visão, mas estas 
mais próximas estavam à frente dessa terrível horda do inferno que agora 
estava sendo liberada para marchar contra a Igreja. 
As armas que essa horda carregava tinham nomes marcados nas mesmas. As 
espadas tinham o nome de Intimidação; as lanças o de Traição; e as flechas tinham 
os nomes de Acusação, Mexerico, Calúnia e Crítica. Batedores e companhias 
menores de demônios com os nomes de Rejeição, Amargura, Impaciência, falta de 
Perdão e Cobiça eram enviados à frente desse exército para preparar o ataque 
principal. Eu sabia em meu coração que a Igreja jamais enfrentara nada igual a isso. 
A principal tarefa desse exército era a de provocar divisão. Ele foi enviado para 
atacar todos os níveis de relacionamento: igrejas umas em relação a outras; 
congregações e seus pastores; maridos e esposas; filhos e pais; e inclusive causar 
divisões em crianças. Os batedores eram enviados para localizar nas igrejas, 
nas famílias e nas pessoas as aberturas de rejeição, de amargura e de cobiça que 
o inimigo poderia explorar, ampliando as brechas para as divisões que estavam 
vindo em seguida. 
A parte mais chocante nessa visão era que essa horda não estava montada 
em cavalos, mas em cristãos! A maioria deles era bem vestida, respeitável, com a 
aparência de pessoas refinadas e de um bom nível de educação. Eram crentes que 
haviam se aberto aos poderes das trevas num grau tal que o inimigo os podia usar, 
e eles acreditavam que era Deus que os estava usando. O acusador sabe que uma 
casa dividida não pode permanecer de pé, e esse exército representava a última 
tentativa de provocar um tamanho esfacelamento na Igreja que ela terminasse por 
decair totalmente da Graça. 
Essa visão juntou-se com muitas outras durante um período de um ano, e foi 
apresentada no meu livro A Batalha Final. Essa profecia é uma advertência à Igreja 
quanto às batalhas espirituais que se acham à nossa frente, no século vinte e um. 
Contudo, essa não foi à primeira advertência que o Senhor me deu. 
Em 31 de dezembro de 1990 eu vira em espírito nuvens carregadas, das quais 
não haveria como escapar. Quando a tempestade estava a ponto de irromper, 
uma voz falou: "O Salmo 91 é para 1991". Percebi que embora não possamos escapar 
da i nvestida do maligno, temos de fato uma proteção em meio às nossas lutas. 
As nuvens de tempestade que estão se formando na esfera natural não 
passam de uma imagem do que está acontecendo na espiritual. O "príncipe da 
Pérsia", um dos mais fortes principados atuando na Terra, está determinado a 
afirmar sua autoridade, e finalmente exercer seu controle sobre toda ela. Embora 
esse conflito se reflita em batalhas terrestres, a verdadeira batalha acontece no 
céu. Não teremos um avanço até que o Corpo de Cristo ore e jejue com o zelo 
de Daniel, e com uma visão concentrada na restauração do Templo de Deus (que 
não é feito de alvenaria, e sim de seres humanos) e da Jerusalém celestial, cuja 
restauração se refletirá pela incorporação da Jerusalém terrena. O Corpo de Cristo 
tem de se preparar espiritualmente para essa guerra, tal como um exército terreno se 
prepararia para uma batalha. Precisamos jogar fora com a maior urgência todo o 
excesso que temos em nossa bagagem. Paulo disse a seu discípulo Timóteo: 
Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque seu objetivo é 
satisfazer àquele que o arregimentou. Ternos, portanto, que fazer o seguinte: 
-Livrar-nos do pecado e da poluição espiritual na nossa vida. 
-Livrar-nos daquelas coisas "boas" que desviam nossa atenção do nosso chamado 
espiritual. 
-Livrar-nos de dívidas e não fazer compras de maior valor sem uma clara direção 
do Senhor, tal como foi dito no Capítulo 2. (Leia 1ª Timóteo 6:3-19 e medite sobre 
esse texto.) 
Então estaremos prontos para lutar numa guerra espiritual. Nos últimos dez 
anos muito se escreveu sobre o assunto de batalha espiritual. Contudo, apesar de 
todas as teorias e de todos os gritos de guerra, muitos crentes ainda estão 
perguntando a si mesmos: O que é necessário para empreender uma guerra com 
sucesso diante do inimigo da nossa alma? 
Em minha vida descobri que oito princípios bíblicos são essenciais para 
combatermos as forças das trevas. 
Oito Pontos Chaves para uma Guerra Espiritual Vitoriosa 
1. AMAR É MAIS IMPORTANTE QUE GUERREAR 
Este é o primeiro ponto chave. Uma das repreensões mais sérias que o Senhor 
fez às sete Igrejas do Apocalipse foi a que fez à Igreja de Éfeso: "Se vocês não 
voltarem para seu primeiro amor, removerei o candeeiro de vocês". Com isso ele 
de fato estava dizendo que eles deixariam de ser uma Igreja. É necessário antes 
de mais nada amar. O maior de todos Os mandamentos é amar o Senhor. São 
em muito maior número os textos das Escrituras que nos ordenam a amar o 
Senhor do que OS que nos mandam lutarcontra o inimigo. Não há a menor 
dúvida: ternos que dedicar mais tempo a nos aproximar do Senhor do que a lutar 
contra as trevas. 
O fundamento de tudo que somos chamados a ser e a fazer se encontra em Cristo. 
Ele já conquistou a vitória. Permanecer em intimidade com o Senhor é o 
primeiro princípio da batalha espiritual. Uma vez que atendamos a ele - amando 
e adorando o Senhor - teremos então de nos lembrar de que estamos numa guerra 
com um inimigo que procura por todos os meios destruir-nos. Sendo assim, e essa é 
a grande realidade, temos que nos dedicar a lutar. 
2. TEMOS QUE NOS DEDICAR À LUTA 
Estamos numa guerra todos os dias, quer queiramos, quer não. De fato, se a 
nossa decisão for a de não lutar - desobedecendo às exortações bíblicas de 
combater o bom combate e nos revestir de toda a armadura de Deus - 
acabaremos sendo atingidos. Imediatamente depois da ressurreição o Senhor 
recebeu o direito legal de amarrar ou destruir Satanás e reivindicar a Terra 
para si. Por que ainda não o fez? Por nossa causa! A presente era é uma prova. 
Toda a Igreja está na condição da noiva que tem que provar sua devoção e 
fidelidade, tendo vitória sobre um mundo maligno, e devendo apren der a 
assumir a responsabilidade que a capacitará a reinar juntamente com Cristo. 
Deus não nos põe à prova para que caiamos, mas para que ele possa ver em 
que ponto de autoridade poderá colocar cada um de nós no seu reino eterno. 
Há um momento numa batalha em que pontos realmente importantes, até 
mesmo a vida e a morte, são decididos, e a essência de quem somos vem à luz. 
Vamos egoisticamente esconder a nossa salvação, ou lutaremos pelo que é reto e 
justo? Conduziremos outras pessoas à vida do Filho de Deus, ou daremos lugar ao 
pecado e à rebelião sempre que nos encontrarmos debaixo de pressão, levando conosco 
outros de roldão? 
Agora, quando estamos diante de um novo milênio, quando as trevas mais 
densas estão vindo sobre a Terra, os maiores conflitos entre o bem e o mal 
acontecerão. Talvez morramos durante nossa luta pelo reino, ou quem sabe 
venhamos a ser arrebatados. Entretanto, quer morramos quer sejamos arre -
batados, que isso aconteça enquanto estivermos atacando as trevas do nosso 
tempo com uma firme resolução e fazendo uso do nosso escudo da fé, para 
nos proteger diante de toda fraqueza e imaturidade. 
Nada de Paradas para Descanso na Batalha 
A exortação de Paulo aos efésios, quando eles se preparavam para batalhar contra 
o mal do seu tempo, foi no sentido de que se revestissem de toda a armadura de 
Deus. Se deixarmos de lado parte da proteção, o inimigo muito provavelmente 
encontrará nosso ponto fraco e nos atingirá bem ali. Não há tréguas nesse 
conflito. Não podemos dizer: "Sinto-me cansado; por ISSO durante algum tempo 
não quero lutar". Não podemos dizer ao inimigo: "Não me atinja em tal lugar". Ele 
logicamente não vai agir segundo as nossas regras e nossos interesses. Nem 
espere dele - jamais - um jogo limpo! Ele fará uso de tudo que puder para nos atingir. 
As Escrituras estão cheias de exemplos de pessoas que deram lugar a uma 
pequena brecha em sua vida, o que permitiu ao inimigo entrar por ela de 
maneira a alagar tudo com o mal. E não passou de uma pequena brecha! O 
grande pecado do rei Davi é um exemplo bem claro disso. Na primavera no tempo 
em que os reis costumam ir para a guerra, ele ficou em casa. O que aconteceu então? 
Ele caiu em adultério e cometeu um assassinato para acobertar o que fizera, 
tendo sido isso uma das mais trágicas quedas da graça descritas nas Escritu-
ras. O Senhor lhe perdoou, mas a espada não deixou a sua casa até que a 
tragédia atingisse alguns da própria família. O Senhor perdoará nossos 
pecados, mas sempre haverá conseqüências - colheremos o que plantamos, e 
os que estiverem sob o nosso cuidado sofrerão. 
Como Davi aprendeu, quando é hora de lutar, um dos lugares mais perigosos 
onde se permanecer é na retaguarda. Quando o inimigo nos vê em retirada, ou 
arrefecendo, ele nos combate com ímpeto ainda maior. Nunca se esqueça de que o 
inimigo não tem misericórdia nem compaixão, e que está determinado a nos destruir. 
Entretanto, ele não terá poder algum contra nós enquanto estivermos submissos ao 
Senhor, debaixo de seu senhorio, e resistindo a ele com toda a nossa vontade e 
persistência. É isso que temos que fazer. 
Precisamos ter sempre em mente que para isto se manifestou o Filho de Deus: para 
destruir as obras do diabo. Nós também fomos enviados ao mundo para destruir as 
obras do diabo. Jesus orou na noite anterior à sua crucificação: Assim como tu me 
enviaste ao mundo, também eu 05 enviei ao mundo! O mundo agora jaz sob o poder 
do maligno, mas ele nos prometeu: Ao SENHOR pertence a Terra e tudo o que nela se 
contém, o mundo e os que nele habitam. Nós estamos aqui para tomarmos a Terra e 
quebrarmos o poder do inimigo sobre ela. 
Em Lucas 10:17-19 o Senhor fez uma afirmação impressionante a respeito da 
nossa guerra: 
Então regressaram os setenta, possuídos de alegria, dizendo: Senhor, os próprios 
demônios se 1705 submetem pelo teu nome! Mas ele lhes disse: Eu via Satanás caindo 
do céu como um relâmpago. Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões 
e sobre todo o poder do inimigo, e nada, absolutamente, vos causará dano. 
Se o Senhor nos deu autoridade sobre todo o poder do inimigo, como as 
Escrituras dizem, por que simplesmente não o podemos amarrar, expulsá-lo, e 
assim acabar de uma vez com essa guerra? Os setenta não saíram naquela 
missão por iniciativa própria. Foi o Senhor que os enviou, e eles foram somente às 
cidades e aos lugares aonde o Senhor iria depois. 
O Nosso Mandato 
Em muitos aspectos os princípios para a batalha espiritual podem ser 
encontrados observando as guerras modernas, tais como a Guerra do Golfo Pérsico. 
Nesse conflito os aliados não iniciaram a batalha contra o Iraque sem um mandato 
das Nações Unidas. Também a Iugoslávia não foi atacada pelos aliados em razão do 
genocídio dos albaneses, sem que antes houvesse um mandato da OTAN 
(Organização do Tratado do Atlântico Norte). É claro que a Igreja não recebe 
seu mandato das Nações Unidas nem da OTAN. Nosso mandato é recebido do 
Senhor. 
A Igreja tem a missão geral de "ir e fazer discípulos de todas as nações". 
Contudo essa comissão, dada a todos, não nos confere a liberdade de irmos a 
qualquer lugar e a qualquer hora. O Senhor nos dá ordens específicas. Tudo que Ele 
não tratou de forma específica em sua Palavra temos que receber diretamente do seu 
Espírito. Esse é o procedimento bíblico (como foi o caso de quando Paulo e Barnabé 
foram enviados, e quando Paulo foi instruído a ir à Macedônia). 
Temos autoridade somente até o grau em que estivermos sob a autoridade do 
Senhor. É tolice atacar as fortalezas do inimigo sem um mandato Dele. 
Entretanto, quando recebemos sua ordem para agir, não podemos intimidar-nos. 
Se chegar o tempo de lutar, e não lutarmos, a "paralisia decorrente da análise" rapi-
damente se instalará. Então seremos vencidos por nossa própria indecisão. Como os 
aliados na Guerra do Golfo Pérsico demonst ra ram, quando temos um manda to 
a cumpr i r , ou um comissionamento, é preciso enfrentar as fortalezas do 
inimigo com tudo que temos, com determinação e a disposição de não cedermos em 
ponto algum. 
Ternos a informação de que as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja. As 
portas do inferno constituem os pontos de acesso do inimigo à vida de cada um de 
nós, nas igrejas locais, nas cidades e nas nações do povo de Deus. A Igreja tem 
autoridade para fechar essas portas — elas não podem p reva lece r con t ra 
nós . A Igreja é const i tu ída atualmente de muitas "nações", deno minações 
e movimentos. Se os dirigentes dos Estados Unidos têm como conseguir das 
Nações Unidas à aprovação unânime de uma resolução, e então estabelecer uma 
coalizão das mais diversas nações para lutarem numa guerra, por que não poderemos 
unir nossas forças para vencer os esquemas doinimigo? Lembremo-nos de 
que as portas do inferno não prevalecerão contra nós [a Igreja], conforme acabo de 
citar. 
Observe que o Senhor não disse "igrejas" no plural, e sim "Igreja", no singular. 
É a Igreja que tem autoridade para fechar essas portas. O inferno não pode prevalecer 
contra a Igreja (no singular), mas continuará prevalecendo contra igrejas enquanto 
estiverem divididas. Se os sírios, os egípcios, os da Arábia Saudita, Os 
americanos, os franceses, os britânicos, os brasileiros e outros puderam unir-se 
sob um único comando e lutar contra o Iraque, da mesma maneira os batistas, os 
metodistas, os presbiterianos, Os pentecostais, os renovados e outros têm sem 
dúvida alguma plenas condições de se unir para enfrentar as forças de Satanás. 
Durante a Guerra do Golfo Pérsico a Coalizão Aliada não requereu que os 
sírios se tornassem americanos nem britânicos, nem que perdessem sua soberania. 
Certamente não estou advogando que a Igreja venha a estar sob uma única 
organização, em caráter permanente. A história tem testificado, e com muita 
clareza, sobre a terrível falácia de estar a Igreja sob qualquer outra cabeça que não a 
de Jesus Cristo, sua única Cabeça. Entretanto temos certamente propósitos comuns 
que devemos tentar levar adiante juntos. Os diversos campos dentro da Igreja têm 
experimentado - e cultivado - tamanho pavor de perder seu domínio e seu maior 
status, que acabaram cedendo território ao inimigo, a fim de impedir que irmãos 
recebessem bastante e viessem a suplantá-los ou obscurecer-lhes o brilho e a 
fama! Para evitar uma autoridade excessiva temos muitas vezes optado pela anarquia, 
que é um inimigo ainda pior, um dos grandes males dos últimos dias. 
Uma congregação ou igreja local não prevalecerá contra as portas do inferno se 
não existir unidade e harmonia entre seus membros. Semelhantemente, a igreja numa 
cidade não poderá prevalecer contra as portas do inferno dessa cidade se não houver 
unidade entre as diversas igrejas locais. Ainda: serão necessários apóstolos, profetas, 
evangelistas, pastores e mestres trabalhando juntos em harmonia para que a Igreja 
esteja bem preparada, adestrada para enfrentar os ataques que possam sobrevir. 
Nenhuma denominação e nenhum movimento são completos, e nenhum deles 
poderá ser realmente eficaz em seu comissionamento pelo Senhor enquanto não 
aprender a ter um intercâmbio com os demais, e não souber funcionar em 
conjunto com eles; inclusive na própria igreja como uma unidade, pastor ou 
pastores, presbíteros e membros em união e um bom entendimento, todos se 
conhecendo, se respeitando e se entendendo. Cada um tem um propósito específico, 
mas se não estiver coordenado com os demais, na melhor das hipóteses estará 
sendo deficiente no cumprimento de seus planos. E na pior, estará ainda 
atacando e bombardeando os demais. Atualmente estamos tendo mais "baixas" 
em nosso exército causadas pelo "fogo amigo" do que pelo fogo inimigo. 
Para que a Igreja alcance vitória sobre o que atualmente nos tem afligido, 
precisamos aprender a fazer coalizões com a determinação de confrontar 
determinadas questões, com objetivos específicos, até que os mesmos hajam 
sido totalmente atingidos. Temos que pôr de lado os temores que fazem com 
que, as reuniões de pastores e líderes sejam tão ambíguas que não cheguem a 
nada. Assumindo o risco de ofender outros líderes e potências deste mundo, os 
Estados Unidos tomaram a inic iat iva, a autoridade e a l iderança quanto ao 
que era para ser feito no Iraque. Em vez de trazer divisões, aquela inic iat i -
va e resolução fez daquela que era uma coal izão das mais im prováveis 
uma unidade que conseguiu a lcançar uma ext raor d i n á r i a v i t ó r i a . O 
mandato da Ig re ja vem apenas de Deus. Adqu ir imos uma verdadeira 
autor idade espir i tual de acordo com o quanto haja mos permanecido no 
Reino. Jesus já venceu Satanás e o viu cair do céu. Como temos tudo a 
nosso favor, dever íamos ter o máximo de ousadia, ao confrontarmos as 
fortalezas do inimigo. Numa cena do filme O Urso, um enorme punia estava caçando 
um pequeno filhote de urso. Finalmente o ursinho ficou sem escape, não tendo outra 
alternativa a não ser voltar-se e enfrentar o inimigo. Para espanto do ursinho, 
entretanto, o puma começou a recuar, aterrorizado. Impressionado e vibrando com 
sua autoridade recém descoberta, o ursinho não percebeu que não era por causa 
dele que o puma retrocedia. Sem que o ursinho soubesse, um enorme urso seu 
amigo viera por trás dele para protegê-lo. O puma retrocedeu, ao ver aquele que 
estava por trás do ursinho. O mesmo acontece conosco. 
Quando o inimigo começa a fugir de nós, ele foge não pelo que somos, e sim em 
razão daquele que está conosco. Se formos sábios, permaneceremos perto de 
Jesus, nosso Irmão maior. É por isso que, depois de o Senhor haver comunicado 
aos setenta sobre a autoridade que lhes fora dada, continuou dizendo: Não 
obstante, alegrai-vos não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o 
vosso nome está arrolado nos céus: Só temos autoridade porque nosso nome 
está escrito no Livro da Vida do Senhor. Temos de conhecer a autoridade que 
temos em Cristo, mas também compreender que ela está em Cristo, e não em nós. 
3. TEMOS QUE TER A SABEDORIA DE RECONHECER NOSSA PRÓPRIA 
IGNORÂNCIA 
Lutamos contra um adversário que é bem mais sábio e mais poderoso que nós. 
Nosso inimigo tem milhares de anos de experiência fazendo o que faz. 
Embora o homem haja sido feito "menor do que os anjos", Satanás de inicio era 
um anjo de alta hierarquia, com muito mais inteligência e perspicácia que 
qualquer um de nós poderia almejar. Nunca venceremos com base em nossa 
própria inteligência, nossa força, nossa bondade ou determinação. É por isso 
que Os versículos a respeito da nossa vitória sobre o inimigo normalmente são 
cercados de exortações para que nos mantenhamos em humildade. Antes, ele dá 
maior graça; pelo que diz: DEUS RESISTE AOS. SOBERBOS, MAS DÁ GRAÇA AOS 
HUMILDES. Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de 
vós. Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros. 
Vemos aqui que a exortação para resistir ao diabo está entre duas exortações: nos 
sujeitarmos a Deus e nos chegarmos a ele. 
 Para sermos bem sucedidos em nossa resistência ao diabo temos então que nos 
sujeitar ao Senhor, nos aproximar dele. Neste texto vemos também que a 
humildade nos capacita a receber a graça de Deus. E a graça de Deus é um 
poder muito maior que o de qualquer inimigo. Os que andarem em humildade, ou 
submissão a Deus, verão os demônios fugindo. Nós nos tornamos uma presa 
fácil deles quando nos afastamos da graça de Deus, por andarmos em orgulho, o 
que significa basicamente nos valer da nossa própria força e nossa sabedoria. 
O próprio inimigo caiu quando se tornou orgulhoso. Ele sabe muito bem que o 
primeiro passo para conseguir que caiamos é nos tornar orgulhosos. Aquele, 
pois, que pensa estar em pé veja que não caia. Quando pensamos que estamos 
em pé, é ai que estamos correndo perigo de uma queda. Entretanto, quando nos 
valemos da graça de Deus e da vitória de Jesus Cristo, todas as hordas do 
inferno não conseguirão abalar- nos. A verdadeira humildade está em nos valer 
apenas da obra consumada de Cristo! 
Para vencermos batalhas espirituais temos primeiro que estar cheios de amor, 
depois nos dedicar à luta e ter a sabedoria de reconhecer nossa ignorância. 
Contudo precisamos saber quando não é hora de lutar. Isso é extremamente 
importante! 
4. SAIBAMOS QUANDO NÃO LUTAR 
Na maioria das guerras, os jovens é que lutam. Crianças e velhos geralmente 
são dispensados de atuar em combate, exceto em casos extremos. Parece que isso 
se dá muitas vezes na batalha espiritual também. No que João afirmou às 
crianças, aos jovens e aos pais, os jovens são aqueles a quem ele disse: ...tendes 
vencido o Maligno. 
Pedro exortou também os jovens: Rogo igualmente aos jovens: sede submissos 
aos que são mais velhos; outrossim, no trato deuns com os outros, cing i -vos todos 
de humi ldade, porque Deus res iste aos soberbos, contudo, aos humildes 
concede a sua graça... Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso 
adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando a lguém 
para devorar ; resist i- lhe f irmes na fé, certos de que sofr imentos iguais aos 
vossos estão se cumpr indo na vossa i rmandade espa lhada pelo mundo (1 
Pedro 5:5, 8,9) 
Novos crentes não devem ser lançados à f rente da batalha espir itual. 
Geralmente eles têm o que podem receber apenas aprendendo a 
permanecer em pé e a marchar por si mesmos. E os "pais" também 
deveriam poupar-se de um envolvimento pesado. Sua habi l idade em 
discipular e formar as pessoas é conseqüência do bom uso do seu tempo. 
Isso produz muito mais f rutos do que quando estão servindo nas 
t r incheiras. 
5. TEMOS QUE CONHECER MUITO BEM AS NOSSAS ARMAS 
As fortalezas espir i tuais do in imigo basicamente são pa drões de 
pensamento que estão em conf l i to com o Senhor e seus caminhos. Se 
compreendermos isso não seremos surpreendidos pelo fato de que o 
evangelho do reino foi a primeira arma que o Senhor deu aos se tenta 
quando os env iou ao mundo. 
Paulo descreveu em Efésios, 6:10-20 as armas com as quais se deve entrar 
num bom combate. Ele preveniu os efésios sobre a necessidade fundamental 
de se revestirem de toda a armadura de Deus. E não fez isso uma única 
vez, mas duas vezes (nos versículos 10 e 13). Quando Deus repete alguma 
coisa ele está enfatizando a seriedade da questão. E o que ele disse visava ao 
fato de eles oferecerem resistência no dia mau. 
Ternos que considerar essas armas com extremo cuidado, em nosso arsenal. 
Primeiro, temos que colocar o Cinturão da verdade. Paulo disse aos efésios: Estai, 
pois, firmes, Cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça. 
A verdade não é apenas uma arma ofensiva - quando usada como espada do 
Espír ito - mas é também uma arma de proteção. Ela pode aparecer com 
aparentes retrocessos, mas no fim sempre irá prevalecer. Como Mahesh 
Chavda (pastor titular da Igreja All Nations, em Charlotte, Carolina do Norte) 
disse: "Durante setenta anos Os comunistas af irmaram que Deus estava 
morto. Então um dia o Senhor declarou que o comunismo es tava morto! 
Agora, em todos os lugares em que os comunistas declararam como verídica 
sua doutrina do inferno, o que exis te é a maior fome da Palavra de Deus". 
Ao nos chamar para representá-lo como seus embaixadores, o Senhor não 
apenas quer que tenhamos condições de falar sobre ele, mas deseja que 
sejamos como ele é. Uma de suas características básicas é que Ele é fiel à 
sua Palavra. Para sermos iguais a Ele temos portanto que aprender a sermos 
fiéis à nossa palavra. Ela tem de ser algo que nos comprometa mais do que 
um contrato. Não apenas temos que conhecer e cumprir a Pa lavra do Senhor, 
mas cumprir a nossa própria palavra. 
Junto com a maior l iberação das trevas neste mundo, que tem ocorrido 
nos anos recentes, tem havido uma erosão bem maior na honra e na 
integridade. Isso não é verdade apenas em relação ao mundo, mas também 
com respeito à Igreja. Uma razão importante de muitas das derrotas no 
Corpo de Cristo é nossa tendência a quebrar nossos compromissos, tanto 
com o Senhor como entre nós. 
Segundo, temos que tomar o evangelho da paz. Paulo diz também: Calçai os pés com a 
preparação do evangelho da paz. É com nossos pés que andamos, e se nos 
revestirmos de toda a armadura de Deus, andaremos em paz. Essa paz de 
Deus não é apenas uma completa proteção contra o inimigo, mas é também 
uma arma ofensiva, uma vez que podemos usar nos sos pés para esmagar a 
cabeça da serpente. Paulo lembrou aos cristãos de Roma que não é o 
"Senhor das Hostes" nem o "Senhor dos Exércitos" que esmaga o inimigo, e 
sim o Deus da paz. Temos que ter o cuidado de não permit ir que nada rou -
be a nossa paz, para não sermos roubados de uma tão grande e importante 
proteção. 
Em terceiro lugar, temos que embraçar o escudo da fé. Diz o texto também: embraçando 
sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno. 
Todos os que estão em meio à luta receberão dardos inflamados lançados contra 
si. A questão é: será que vamos ser atingidos por esses dardos, ou teremos 
como evitá-los ou acabar com eles? A fé não impede o inimigo de nos atacar, 
mas atua no sentido de extinguir o que o inimigo lança sobre nós. Se ficarmos 
feridos, podemos ter a certeza de que perdemos a nossa fé. Tomemos o escudo! 
Quarto: coloquemos o capacete da salvação. Paulo diz: Tomai também o capacete da 
salvação. O capacete da salvação protege a nossa mente. Infelizmente é fácil 
sentir o impulso de nos colocar à vontade e retirar o capacete, dei xando que 
a poluição deste mundo nos ataque a mente mediante televisão, revistas, 
pessoas, e mais a confusão da vida diária. Temos que sempre estar guardando a 
mente, ou então nos abriremos à possibilidade de sermos nela atingidos com 
ferimentos fatais, que poderão nos roubar a salvação. O capacete é a nossa 
salvação, e temos que usá-lo o tempo todo. 
Finalmente, temos que usar a espada do espírito. Paulo finaliza dizendo: Tomai a 
espada do Espírito, que é a palavra de Deus. Observe que a maioria das peças que Paulo 
mencionou são de natureza defensiva, tal como o escudo da fé, por exemplo. 
Contudo, a principal arma ofensiva por ele mencionada é a espada do Espírito. 
No entanto a espada pode ser também uma arma defensiva. Quando o diabo 
atacou _Jesus, o Mestre usou a Palavra de Deus para rechaçar o inimigo. Pois 
esta é a mais poderosa das armas, e os cristãos devem aprender a usá-la 
sempre. Quanto maior for nosso conhecimento da Palavra de Deus, mais 
habilidosos seremos na guerra espiritual, e mais eficazes em nosso ataque às 
fortalezas do inimigo. 
Infelizmente, esta mais poderosa arma que o mundo pode conhecer tem 
ficado sem uso por parte de muitos cristãos. Charles Spurgeon disse certa vez que 
podemos encontrar dez pessoas que se disporiam a morrer pela Bíblia, para cada 
uma que a lê. Possivelmente esta seja uma das principais razões da ineficiência 
da Igreja no confronto com as trevas, em plena expansão em nossos dias. 
Um estudo apresentado pela revista Leadership (Liderança), uma das mais 
respeitadas e populares revistas americanas destinadas à liderança cristã, 
descobriu que menos de um por cento dos seus artigos continham pelo 
menos uma referência às Escrituras! Ironicamente, esse pobre conteúdo bíblico 
foi encontrado numa revista que procura alcançar os evangélicos tradicionais 
conservadores, o segmento que mais se orgulha de sua devoção às Escrituras! 
Talvez também devamos examinar a nossa mensagem, para assegurar seu con-
teúdo bíblico e sadio. 
Há ocasiões, é claro, em que citar apenas um versículo bíblico não é 
suficiente. Em tais circunstâncias, precisamos valer-nos da nossa autoridade 
sobre os poderes demoníacos e expulsá-los, como é demonstrado em muitos 
casos narrados nas Escrituras. 
Uma vez que saibamos usar as nossas armas, devemos ter nosso plano de 
combate. 
6. TENHAMOS NOSSO PLANO DE COMBATE 
Os setenta discípulos — que descobriram a autoridade que tinham sobre os 
espíritos malignos — não haviam sido enviados especificamente para expulsar 
demônios. Jesus simplesmente os instruíra a curar os enfermos e proclamar a 
mensagem do reino. Entretanto, alguns estudiosos da Palavra estimaram que cerca 
de um terço do ministério do Senhor na Terra foi dedicado a expulsar demônios. 
Apesar disso, foi pequena a sua menção desse ministério como sendo algo que 
nos compete realizar. A expulsão de demônios é, de fato, tão-somente uma pe-
quena parte da batalha espiritual. Se expulsarmos os demônios sem primeiro 
eliminarmos as fortalezas em que eles hajam estado nas pessoas, eles simplesmente 
retornarão, e ainda trarão sete outros, piores que eles. Entretanto, Os demônios 
que saírem porque a sua fortaleza foi demolida não terão para onde voltar. 
Umdos erros estratégicos mais comuns nas guerras da história tem sido a 
tendência de os dirigentes dispersarem suas linhas de combate, procurando 
atacar múltiplas frentes ao mesmo tempo. Reconheço que há muitas verdades 
pelas quais vale a pena lutar, mas o Senhor me advertiu: "Não o chamei para 
lutar por essas verdades". Tenho que me apegar ao plano de batalha que o 
Senhor especificou para mim, uma vez que ele chamou outros guerreiros para lutar 
por aquelas verdades. 
Quando outros tentam levar-nos para o campo de batalha deles, precisamos 
resistir. Uma das principais palavras que os cristãos têm que aprender - para que 
se mantenham dentro da vontade de Deus para a sua vida - é a palavra "Não". 
Para vencermos as forças das trevas, temos que ter nosso plano de combate. Mas 
não apenas isso; ternos ainda que conhecer nosso inimigo. Isso é 
importantíssimo. Sem estarmos a par das situações, condições físicas e 
psicológicas do inimigo, seus pontos fortes e fracos, não teremos muita chance de 
vencê-lo. 
7. TEMOS QUE CONHECER O NOSSO INIMIGO 
Como Francis Frangipane, um amigo meu, gosta de dizer: "A cada novo nível, novos 
demônios". Quanto maior autoridade espiritual tivermos, quanto maior ameaça 
representarmos para o inimigo, mais visados por ele, mais objeto do seu ataque 
seremos. O inimigo não enviou nem mesmo um principado para tentar Jesus, ou 
para peneirar Pedro; essa tarefa ele não confiou a ninguém, senão a si mesmo, 
Satanás. Quanto maior autoridade tivermos, maior será a nossa oposição. Por 
outro lado, quanto maior nossa oposição, maior será o mal que fugirá de nós, se 
efetivamente resistirmos. 
Se o nosso ministério for predominantemente com pessoas, freqüentemente teremos 
que enfrentar demônios que precisarão ser expulsos. Entretanto, se nos foi 
dada autoridade espiritual sobre cidades ou regiões, vamos ter que enfrentar po-
deres das trevas de nível mais alto. Esses são referidos nas Escrituras como 
principados, porque tais demônios não habitam em pessoas mas em regiões. 
Você expulsa demônios de pessoas, mas contra principados o que você pode 
fazer é combater. Combater, que implica lutar por uma posição e pelo domínio 
sobre ela, é a forma de combate mais exaustiva e mais no corpo-a-corpo. 
Enfrentar demônios sobre os quais não temos autoridade pode nos deixar 
feridos e nus. Contudo, confrontar principados sobre os quais não ternos 
autoridade pode ser ainda mais perigoso. Os maiores avivamentos em toda a 
história da Igreja têm sido no entanto decorrentes do fato de ela se engajar 
nesse nível de guerra espiritual. 
Antes de enfrentarmos um principado, temos que saber que é isso mesmo que o 
Senhor quer que façamos. Infelizmente o diabo nos lisonjeia, tentando nos 
seduzir a ir além do nosso chamado, ou a fazer o que Deus nos chamou a fazer, 
só que de forma prematura, ou na nossa própria força. Se o inimigo conseguir que 
ultrapassemos a esfera de autoridade que nos foi concedida naquele momento, ele 
sabe que nos faltará a graça necessária para derrotá-lo. 
Como podemos ver em 2ª Coríntios, 10:4, 5, estamos destruindo sofismas e 
toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, levando cativo todo 
pensamento à obediência de Cristo. O principal campo de batalha na guerra 
espiritual é a mente das pessoas. 
Uma das fortalezas mais poderosas que se exalta contra o conhecimento de Deus hoje é 
a teoria da evolução. Temos que confrontar especulações como esta, porque 
geralmente elas estão por trás de grandes enganos que mantêm as pessoas 
presas aos poderes das trevas. Sem nenhuma evidência aceitável que lhe dê 
suporte, essa teoria é cheia de especulações e de raciocínios à beira da 
insanidade. Por exemplo, a teoria da evolução d i z b a s i c a m e n t e q u e t o d a a 
c o m p l e x a h a r m o n i a e interdependência da natureza se deu apenas pelo acaso. 
Assim se expressou um professor universitário diante da evidência dos fatos: "Há 
uma chance maior num tufão atingir um ferro- velho e deixar atrás de si um 
Boeing 747 em perfeito estado do que a ocorrência de todos os fatores que foram 
necessários para dar condições a que a vida acontecesse sem a direção de um Ser 
supremo". 
Se a Terra se desviasse de sua órbita o equivalente a cerca de 3 milímetros numa 
distância superior a 200 metros, ficaríamos ou congelados ou fritos. Para manter 
a Terra nessa apertada faixa de espaço, que é.a distância exata em relação ao Sol, 
e que dá condições à existência da vida, é necessár ia a força gravitacional 
de todos os planetas - todos! - e alinhados tal como estão, e também a 
oscilação, e a inclinação que causam as diferentes estações do ano. Como pode 
alguém, com uma mente sã, acreditar que tudo isso aconteceu por puro acaso? 
Acrescente a isso o perfeito equilíbrio dos gases encontrados em nossa atmosfera, 
o equilíbrio dos minerais sobre a Terra, e ainda a contribuição de todas as plantas 
e animais, sem o que nada disso teria sido possível! Até hoje não temos um 
computador capaz de computar qual foi à chance de tudo isso haver acontecido por 
acaso. Dá até para se pensar que alguns desses "cientistas", que acreditam nessa 
baboseira, talvez eles mesmos é que hajam descendido de macacos, e 
possivelmente de um ancestral não muito distante! 
Entretanto, milhões de pessoas aceitam essa teoria como se fosse um fato 
irrecusável e definitivo, rejeitando a evidência da Criação e imaginando que toda essa 
imensa diversidade e harmonia que há na natureza simplesmente aconteceu por 
acaso! A larga aceitação da evolução é uma grande prova de que o engano não 
tem necessariamente que fazer sentido para que as pessoas nele creiam. Milhões 
de pessoas estão, de fato, baseando até mesmo seu destino eterno nessa 
inconsistente teoria. A lógica, então, não é uma ferramenta adequada para se 
combater tais enganos. 
É a confiável verdade bíblica, e não a lógica humana, que liberta as pessoas. 
Quando Satanás tentou Jesus, o Senhor lhe respondeu com as Escrituras? Se o Filho 
de Deus, que é a Palavra e a Verdade, usou as Escrituras como arma contra o 
inimigo, com quanto mais razão não devemos fazer o mesmo? 
Se construirmos a nossa casa sobre a fortaleza da Palavra de Deus, nenhuma 
tempestade, nenhum ataque prevalecerá contra ela - ou contra nós! Conhecer a 
Palavra do Senhor e guardá-la é fundamental para permanecermos Nele. Jesus disse: 
Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que 
quiserdes, e vos será feito. 
Finalmente, para vencermos as forças do mal, temos que ter permanentemente nossa 
atenção concentrada - até o fim. 
8. TEMOS QUE NOS CONCENTRAR ATÉ O FIM 
Muitos caem em pecado porque não mantêm a vigilância necessária quando 
sua autoridade espiritual aumenta. Esta é uma das razões por que muitos caem 
de forma trágica no final da vida. Não importa quantas almas hajamos levado à 
salvação, ou quantos demônios expulsamos; se não persistimos em nos 
submeter a Deus, em nos aproximar dele, e em resistir ao diabo, estaremos 
correndo seríssimo perigo. 
Satanás em pessoa acusa os santos diante do trono de Deus. Portanto, quanto mais 
próximos estivermos do trono, mais elevado será o nível da acusação. O Senhor 
poderia a qualquer momento fazer com que Satanás parasse de nos acusar. Só que 
ele permite isso para que possamos chegar à maturidade, e também para que os 
principados malignos de maior nível sejam combatidos. Lembre-se de como o 
espírito maligno respondeu aos exorcistas judeus: conheço a Jesus e sei quem é Paulo; 
mas vós' quem sois? Todo o inferno conhecia Paulo em virtude do seu altíssimo nível de 
autoridade, razão pela qual ele sofreu contínua oposição ao seu ministério. 
Entretanto, a cada nível de oposição, em cada oportunidade em que era açoitado, 
apedrejado ou perseguido, ele tinha a oportunidade de expulsar níveis cada vez 
mais altos do poder das trevas. Foi por isso que Paulo disse: ...em nada estais 
intimidados pelos adversários. Pois o que é para eles prova evidente deperdição, é para 
vós outros de salvação, e isto da parte de Deus. Porque vos foi concedida a graça de 
padecerdes por Cristo, e não somente de crerdes nele... 
A oposição é um sinal de que a salvação está atingindo aque la esfera ou 
circunstância. É também um sinal da destruição do inimigo nessa região. O 
Senhor tem permit ido que soframos por Ele como uma forma de guerrearmos 
na batalha espiritual. O maior ato de guerra espir itual, que venceu por 
completo o inimigo e que o saqueou foi a cruz. O sofr imento em ret idão 
desarma Satanás. 
No mesmo lugar em que o Senhor foi fer ido Ele recebeu autor idade 
para curar. O mesmo é verdade para nós. No lu gar em que o inimigo nos 
ferir , é ali que receberemos autoridade para curar. Por exemplo, aquele 
que sof reu um abuso será sensível a quem haja s of r ido abuso, e terá 
autor idade para trazer-lhe a cura. 
A luta espir itual é um fato inevitável na vida de todo cris tão. Alguns de 
nós têm mais consciência d isso que outros, mas nenhum de nós pode 
escapar à sua real idade. Deus não apenas nos chamou para ent rarmos 
em combate, mas tam bém para sermos v i tor iosos, recuperando o 
ter reno do in imigo. Jesus já assegurou nossa vitória final na cruz, e ele nos 
chama cada vez mais, para que façamos com que essa vitória seja hoje uma 
realidade em nossa vida. 
Dei in íc io a este capítu lo contando uma parte de um sonho que tive, e 
uma série de visões que recebi, e que constam no meu livro A Batalha Final. 
Naquela visão eu vi uma montanha que t inha plataformas em diferentes 
níveis, umas sobre as outras. Em cada nível havia f lechas da Verdade 
espalhadas por todo lado, que eu sabia que haviam sido deixadas por 
aqueles que haviam caído daquela posição. Todas as f le chas t inham o 
nome da Verdade do nível em que estavam. Alguns dos que lá se 
encontravam relutaram um pouco cru pegá- las, mas eu sabia que 
necessitávamos de todas que pudéssemos encontrar para destruir a grande 
horda inimiga que se achava lá em baixo. Peguei então uma f lecha, lancei -
a, e com muita fac i l idade at ing i um demônio; isso fez com que os que 
estavam comigo também começassem a pegar f lechas e as lançassem. 
Começamos a dizimar várias das divisões inimigas. Por causa disso, todo o 
exército maligno concentrou sua atenção em nós. Por algum tempo nos 
pareceu que quanto mais êxito t ínhamos, mais o in imigo no s atacava. 
Embora nossa missão nos desse a impressão de ser interminável, ela se 
tornara est imulante. 
Nossa espada aumentava quando alcançávamos um nível mais elevado. 
Por pouco não deixei a minha em algum nível infer ior , porque me parecia 
que não ir ia necessitar dela nos níveis mais altos. Contudo decidi mantê -
la comigo, por julgar que, pelo fato de me haver sido dada, deveria ter um 
propósito. Enterrei então minha espada no chão e me amarrei a e la, 
enquanto cont inuava a at i rar no in imigo. A voz então do Senhor veio até mim 
e disse: 
- Você teve a sabedoria que vai capacitá-lo a continuar subindo. Muitos caíram 
porque não usaram a espada adequadamente para se firmar. 
Ninguém mais parecia ouvir essa voz, mas muitos viram o que fiz, e fizeram 
também. 
Considerei comigo mesmo: Por que antes que houvesse to rnado tal 
decisão, o Senhor não me advertira sobre isso? Então percebi que de alguma 
forma Ele já me dissera isso antes. Então vi que toda a minha vida fora 
t reinada para àquela hora. Eu estava preparado no grau em que ouvira o 
Senhor e obedecera à sua voz durante toda a minha vida. Também sabia 
que por alguma razão minha sabedoria e meu entendimento não podi am ser 
aumentados nem tomados de mim enquanto est ivesse nessa batalha. 
Sentia-me muito grato por todas as provações que enfrentara, e lamentava 
o fato de não as haver apreciado melhor, quando por elas estava passando. 
 
Capítulo 9 Contrações de parto e terremotos 
 
O barômetro que mede a espiritualidade da Igreja está indicando um aumento 
em sua intensidade por todo o mundo. Estamos bem nos primeiros estágios de 
um grande avanço espiritual. Deus está derramando uma maravilhosa unção, 
mobilizando os santos a espalhar o evangelho e a derrubar as fortalezas. Com a 
queda que está havendo das barreiras e divisórias entre as igrejas locais, estas 
estão sendo ativadas com um novo zelo pelo Senhor. Isso não é uma visão nem uma 
profecia, e sim um fato que está sendo constatado. Por toda parte em todo o 
mundo estamos tendo genuínos indícios de avivamento. 
Junto com essas dores de parto espirituais vêm os terremotos, que ocorrem 
quando camadas geológicas, que são fundamentos da crosta terrestre, começam a 
deslocar-se e a mover-se em direções opostas. As empresas de seguro definem os 
terremotos como "atos de Deus", e elas estão certas. Entretanto, Deus não age 
arbitrariamente. O terremoto de Los Angeles, ocorrido em janeiro de 1994, e os 
contínuos abalos posteriores são sinais do juízo. Num certo sentido eles foram 
decorrentes do fato de as igrejas de Los Angeles haverem alcançado certo grau de 
unidade, e haverem orado pela cidade. 
A revista Newsweek fez uma reportagem sobre a destruição que aconteceu com 
aquele tremor e apresentou os que haviam sofrido uma maior devastação. Uma das 
citações foi: "Os estúdios de quase todo grande produtor e distribuidor de vídeos de 
pornografia dos Estados Unidos, uma indústria que aconteceu estar localizada bem 
em cima da zona atingida... Não foi por acaso que o tremor se deu às 4h31 da 
manhã. Embora o livro de Atos seja com freqüência citado como "Atos dos Apóstolos", 
ele é, na realidade, um registro dos Atos de Deus. Em Atos 4:31 lemos: Tendo eles orado, 
tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com 
intrepidez, anunciavam a palavra de Deus. 
O tremor de Los Angeles, que aconteceu às 4h31 da manhã, tinha o 
propósito de dar uma maior intrepidez aos santos na pregação da Palavra, 
especialmente aos santos do sul da Califórnia. 
 
A Questão é o Poder Espiritual, e não a Classificação 
 
O sul da Califórnia tem sido o lugar onde se encontra o trono de um dos 
espíritos de sedução mais poderosos, liberados nos dias de hoje. Um filme 
liberado para maiores de -13 anos, produzido em Hollywood, tem normalmente 
mais poder para seduzir do que alguns filmes impróprios e até mesmo pornográficos 
realizados em outras cidades. Por isso temos que depender do discernimento, e não 
da classificação da censura, para determinar que filmes vamos ver, ou que 
filmes vamos permitir que nossos filhos vejam. Não se trata do quanto de pele nua 
seja exibido; o problema reside no poder espiritual que está por trás do filme. 
O Senhor poderá acabar com toda a pornografia em todo o mundo no momento 
que quiser, mas não fará isso antes de a Igreja cumprir sua missão de ser luz do 
mundo e sal da Terra. Ele está apenas esperando que nos conservemos em 
harmonia com a sua vontade, para então agir. Quando ele determinar que é 
tempo de juizo, ele vai querer ver a sua Igreja orando nesse sentido, tal como Elias 
fez para reviver a sua nação. Uma oração eficaz foi o que tocou o coração de Deus 
com respeito ao sul da Califórnia, e ele respondeu com aquele terremoto como 
um sinal, e também como um juízo. Embora o Senhor haja demonstrado grande 
misericórdia por essa região durante todo o século vinte (começando com o 
Avivamento da Rua Azuza, e prosseguindo com grandes movimentos e ministérios 
nela baseados, sua estratégia está indo no sentido de juízos cada vez mais sérios. 
No novo milênio haverá terremotos que produzirão uma grande devastação 
em todo o sul da Califórnia, pois enquanto a Igreja estiver orando o Senhor não vai 
condescender, até que arrependimento e mudanças ocorram. Sem arrependimento, 
a maior parte da Califórnia será totalmente destruída. Seja como for, o coração de 
Deus foi tocado no que se refere ao espírito de sedução reinante no sul da Califórnia, 
e ele não vai afrouxar até que o mesmo seja removido. Oremos para que o modo 
mais fácil,o arrependimento, aconteça. 
Agora não é à hora de a Igreja abandonar a Califórnia, e sim de operar com maior 
ousadia ainda, conforme a mensagem de Atos 4:31; O mover do Espírito Santo 
no novo milênio será maior que qualquer outro mover já visto naquele Estado, 
que tanto já tem presenciado da glória de Deus. Los Angeles realmente poderá 
tornar-se "a cidade dos anjos". San Francisco e San Diego, duas outras cidades 
importantes da região, poderão tornar-se grandes faróis que iluminarão todo o 
caminho até a Ásia: Onde o pecado é abundante, muito mais graça haverá para aqueles 
que levam a luz. 
Terremotos Espirituais por todo o Mundo 
Paralelamente ao que está acontecendo na esfera natural, grandes terremotos 
espirituais estão para acontecer na Igreja por todo o mundo. A pressão tem 
aumentado em certos pontos dos fundamentos que foram lançados, e eles estão 
a ponto de deslizar, criando grandes ondas de choque. Tais alterações vão 
desarrumar o status quo e dar margem a sérios "danos estruturais" na Igreja 
visível. No entanto, apenas o que puder ser abalado será abalado; os ministérios 
e as pessoas que estiverem alinhados com os verdadeiros fundamentos da fé 
não serão danificados. Quando esses grandes terremotos espirituais terminarem, a 
maior parte da Igreja estará numa harmonia muito mais próxima do Senhor, e a 
Igreja como um todo ficará bem mais estável. 
Uma grande mudança, entretanto, é iminente, na aplicação prática do nosso 
ministério como embaixadores do reino. 
Somos Embaixadores 
Quando Paulo disse: Somos embaixadores em nome de Cristo, essa foi uma afirmação 
tão impressionante que deve haver provocado um forte impacto naqueles que a 
ouviram. Nos dias do Império Romano, a posição de embaixador era tida em alta 
conta. A comunicação entre Roma e seus embaixadores, e vice- versa, poderia levar 
meses. Assim, somente aqueles que eram considerados mais leais e sinceros eram 
escolhidos para tal posição, que às vezes requeria tornar decisões de importância 
em nome do governo de Roma. 
Mesmo com os homens da maior confiança nessas posições, os embaixadores 
somente eram destacados para um país por um período de dois ou três anos. Depois 
eram trazidos de volta. Os governos sabiam que um embaixador, após algum tempo no 
país que o hospedava, teria a tendência de absorver alguns dos traços culturais daquele 
país, o que o tornaria mais simpático. Isso ocorrendo, o embaixador se inclinaria a 
servir aos interesses da nação hospedeira mais do que aos do seu próprio país. 
Há um sentido em que temos que nos adaptar àqueles a quem fomos 
enviados, de modo a não nos tornarmos desnecessariamente ofensivos. O apóstolo Paulo 
disse: Procedi, para com os judeus, como judeu. Entretanto, quase que universal-
mente, cristãos, igrejas e até mesmo missionários comprometeram sua eficácia 
perante o reino de Deus pelo fato de se haverem tornado simpáticos demais em 
relação ao espírito da cultura em que estavam vivendo. Fomos enviados a 
representar o reino e a testemunhar realmente. Isso muitas vezes exige que nos 
movamos num espírito oposto ao espírito que prevalece normalmente no país. 
 
O Poder da Diferença 
Um conceito errado que tem sido extremamente devastador, e muito tem 
enfraquecido o testemunho da Igreja é a crença de que podemos alcançar 
melhor os que têm origem semelhante à nossa. Se viemos dos negócios, 
sentimo-nos chamados a alcançar homens de negócios. Isso parece fazer 
sentido, mas é contra a estratégia do Senhor, razão por que ele enviou Pedro 
aos judeus e Paulo aos gentios. 
De acordo com nossa filosofia quanto a missões, o Senhor deveria haver 
enviado Paulo aos judeus. Certamente eles poderiam identificar-se melhor com o 
"fariseu de fariseus" do que com Pedro. E Pedro, sendo um pescador comum, se 
entrosaria melhor com Os gentios. No entanto não era intenção do Senhor que 
seus discípulos se enquadrassem na cultura dos povos. Ele queria que eles 
chamassem a atenção! 
Tanto Pedro como Paulo foram lançados em tarefas que os tornavam ofensivos 
àqueles que desejavam alcançar. Havia somente um modo pelo qual poderiam dar 
conta da sua missão: teriam que ter unção! Esses dois homens foram impelidos a 
ter uma total dependência do Espírito Santo. Pois é exatamente nessas condições 
que ele melhor pode desempenhar a sua obra. 
Quando Pedro deixou o lugar em que tinha unção, e foi para os gentios, visitando 
Antioquia, teve tantos problemas que 
Paulo foi obrigado a repreendê-lo publicamente, porque "se tornara repreensível". De 
igual forma Paulo, quando foi aos judeus, ao visitar Jerusalém, teve problemas. O que 
estou querendo dizer é que havia um modo mais fácil para Paulo ir a Roma. 
Muitos de nossos ministérios atraem problemas pelo simples fato de não 
permanecerem no lugar da sua unção, que é o único em que sempre irão contar 
com uma verdadeira autoridade espiritual. Assim como um policial de Charlotte, da 
Carolina do Norte, não tem autoridade em Toronto, no Canadá, da mesma forma 
temos que aprender a permanecer no lugar para o qual fomos designados, onde 
então seremos eficientes. 
Este princípio é válido tanto espiritualmente como geograficamente. Muitos profetas 
decaíram da graça porque tentaram tornar-se mestres, assim como muitos mestres 
decaíram da graça por haverem tentado se tornar profetas. Muitos evangelistas 
decaíram porque tentaram se transformar em pastores, e vice- versa. Isso não nega 
o fato de que alguns têm dois, ou até mais chamados. Entretanto, nunca devemos nos 
atrever a ir além da esfera para a qual certamente fomos chamados. 
Quando nos esforçamos por ser como aqueles a quem fomos enviados, 
comprometemos nossa posição de autoridade espiritual. Isso não significa que 
devamos ter o propósito de em tudo ser diferentes. Nossa autoridade não reside no 
fato de sermos diferentes, e sim de permanecermos no Espírito Santo. Seremos 
diferentes se permanecermos no Senhor e formos fiéis à obra que ele estiver 
fazendo em nós. Assim afirmou o Senhor Jesus: Vós sois os que vos justificais a vós 
mesmos diante dos homens, mas Deus conhece o vosso coração; pois aquilo que é 
elevado entre homens é ABOMINAÇÃO DIANTE DE DEUS. 
Se formos compelidos a agir de um modo que nos torne aceitáveis pelos homens, 
estaremos fazendo o que é detestável perante Deus. A recíproca é também 
verdadeira; as coisas que são altamente apreciadas por Deus são detestáveis à 
vista dos homens. Alguém vai detestar o que estivermos fazendo. Quem afinal, 
desejamos que nos aprecie? 
O Temor de Deus 
Para representarmos o reino de Deus de maneira adequada, temos que temer a 
Deus mais do que aos homens. O profeta Elias fez uma das grandes afirmações 
bíblicas que resume o que é requerido de um verdadeiro embaixador. Na que 
parece ter sido a sua primeira profecia em público, feita diante do rei da nação, 
ele declarou: Tão certo como vive o SENHOR, Deus de Israel, PERANTE CUJA 
FACE ESTOU, nem orvalho nem chuva haverá nestes anos, segundo a minha palavra. 
Elias disse a Acabe, rei de Israel, que não estava diante de Acabe - este era apenas 
um rei, um simples ser humano. Elias não vivia a vida diante de homens, mesmo 
dos que tinham maior prestígio, e sim diante de Deus. 
Para que a Igreja cumpra seu mandato para o século vinte e um, ela necessitará 
do tipo de autoridade que Elias teve, e muito mais. Para levar as pessoas a uma 
verdadeira conversão, não queremos que se sintam confortáveis, nem com a 
nossa mensagem, nem conosco. Queremos, isto sim, que se sintam bastante 
desconfortáveis! Para que uma verdadeira conversão ocorra, as pessoas precisam 
sentir-se culpadas de seus atos, que contrastam com os atos que são de Deus. O 
apóstolo Paulo sabia disso. Ele disse: "Se agradasse ainda a homens„ VÃO SERIA 
SERVO DE CRISTO". Paulo reconhecia que seu corpo, tal como era, t inha sido uma 
tentação para os gálatas. Diante disso ou eles seriam repelidos por ele ou o 
receberiam como "um anjo de Deus", como fizeram! Quando as pessoas são atra-
ídas peloevangelho por haverem sido atraídas por nós, devemos considerar 
com seriedade tanto como está a nossa vida como o evangelho que pregamos. 
O Senhor, ao estabelecer seus fundamentos na Igreja, estes poderão muitas 
vezes mover-se em direção oposta aos movimentos da sociedade, resultando 
em grandes confrontações entre a Igreja e a ordem social, como nunca antes 
acontecera. O poder por trás da Igreja é o poder irresistível de Deus, e a Igreja 
prevalecerá. Os "terremotos" resultantes devastarão apenas os que estiverem 
firmados em falsos fundamentos. 
Levantemo-nos 
O recuo da Igreja alcançou seu limite. Agora tem início seu avanço, que 
ficará cada vez mais forte até ser notado pelo mundo todo. A Igreja marchará 
resolutamente ao campo de batalha. Até mesmo a natureza terá tremores e 
estremecimentos em testemunho de que os fundamentos do céu e da Terra 
estão se movendo em direções opostas. Contudo nosso Deus prevalecerá, e 
nossa vitória é certa. Está na hora de termos ousadia, como nunca antes. 
Não há retorno. De fato, chegou à hora de concentrar nossas forças nas 
importantes questões do nosso tempo. 
CONCENTRAÇÃO DE FORÇAS 
As Escrituras com freqüência fazem uso de metáforas militares para descrever 
nosso conflito espiritual - porque os princípios são semelhantes. Uma das mais 
antigas e mais eficazes estratégias militares é a chamada concentração de forças. 
Essa estratégia foi empregada nas vitórias militares mais importantes da história, 
inclusive na Guerra do Golfo Pérsico. 
A maioria das batalhas se desenvolve segundo certas linhas de confronto. 
Nessas linhas cada um dos lados procura manter posições defensivas, ao- mesmo 
tempo que procura encontrar, nas linhas inimigas, um ponto em que um avanço 
possa ser alcançado. Uma vez conseguida uma ruptura numa das linhas inimigas, 
tal linha entrará em colapso, pondo-se em retirada para evitar ser cercada pelas 
forças contrárias. 
As batalhas para que o coração das pessoas seja alcançado se desenvolve de 
modo semelhante, segundo linhas espirituais de confronto. Assim como nas 
guerras há diferentes batalhas em diferentes linhas de frente, o mesmo se dá no 
conflito espiritual que enfrentamos. Algumas das linhas de frente do nosso 
conflito se encontram em campos tais como: dos nossos filhos, da música, da 
mídia e das cidades. Embora todos estejamos no mesmo exército de Deus, o 
certo é que muitos cristãos estão alinhados com uma força específica, lutando 
uma determinada batalha. 
A Batalha pelos nossos Filhos 
Uma das batalhas espirituais mais desesperadoras do século vinte e um será 
para a conquista do coração de nossos filhos. Essa batalha tem se desenvolvido 
com muita violência por todo o século vinte, e na verdade se intensificará no novo 
milênio. Se não nos prepararmos para esse confronto, cada vez mais intenso, cujo 
alvo é o coração e a mente de nossos filhos, acabaremos por perdê-los para o 
inimigo, numa escala sem precedentes. Não nos contentemos em conservar tão-
somente nosso território; procuremos agressivamente conseguir uma ruptura nas linhas 
inimigas. O inimigo está seduzindo nossos filhos com uma falsificação daquilo 
que é o verdadeiro desejo do coração deles: ter um genuíno relacionamento com o 
Deus poderoso e sábio que os ama. 
Criados para Ter Comunhão 
A batalha ficando cada vez mais acirrada, nossos filhos não se manterão na 
linha por terem apenas um bom programa para jovens. Tampouco se satisfarão 
com bons sermões ou boas aulas na Escola Dominical. Deus, que é Espírito, criou 
os seres humanos com a vontade de terem um relacionamento com o que é 
sobrenatural, e essa vontade é maior durante a adolescência. Se os 
adolescentes não tiverem um relacionamento com o poder sobrenatural de 
Deus, estarão muito vulneráveis a buscar experiências com os poderes 
sobrenaturais malignos. Embora a feit içaria e a macumbaria hajam crescido 
a uma taxa surpreendente durante o século vinte, no novo milênio elas 
crescerão ainda mais rapidamente, se a Igreja não aumentar sua inf luência 
sobrenatural. O verdadeiro Cristianismo é um caminhar com o sobrenatural, 
como a Bíblia deixa muito claro. 
Ternos que ter um discernimento ainda maior, para proteger nossos filhos. 
A Necessidade de Discernimento 
Na batalha pela conquista do coração dos nossos filhos, o inimigo não fará 
jamais, evidentemente, um jogo limpo. Muito pelo contrário, ele empregará os meios 
mais horríveis e cruéis de que possa valer-se. Ele já fez com que circulassem de 
forma aloucada livros, filmes, programas de televisão e músicas com um poder 
demoníaco tal que aqueles que estiverem espiritualmente desprotegidos poderão ser 
atingidos por uma terrível Opressão espiritual, ou até mesmo possessão. Infelizmente 
muitos cristãos não reconhecem a presença do inimigo até que ele se haja alojado 
muito bem em sua vida, levantando em torno uma poderosa fortaleza. Se a Igreja não 
acordar nessa área, haverá um surpreendente aumento na violência dos filhos para 
com os pais ou para com outros jovens. 
Um acidente desse tipo aconteceu em abril de 1999, na pequena cidade de 
Kittrell, ao sul da Carolina do Norte. A mãe, Debbie Bawcum, entrou no quarto de 
seus dois filhos gêmeos por volta das 21h30, e viu uma espingarda de caça 
apoiada numa das camas. Ela havia anteriormente pedido a seu marido, um ávido 
caçador, que não guardasse armas em casa. O mais rápido possível, foi em direção a 
um dos meninos, que estava com a arma, a fim de_ pegá-la. Foi então que os tiros 
começaram. Um dos meninos atingiu Debbie em seu braço, e depois derrubou o 
pai quando este veio correndo, subindo a escada aos saltos para ajudá-la. Um tiro 
atingiu a filha do casal, Robin. 
Os dois meninos que mataram o pai t inham 11 anos de idade. "Eles estavam 
com outra cara" - disse Debbie Bawcum. - "Não eram os meus filhos. Eles tinham 
uma cara estranha. Por alguns minutos não eram os meus filhos. 
O caso que narrei não tem por intenção provocar medo em ninguém; é meu 
intuito permitir que você tenha sabedoria. Não podemos entregar a mente 
dos nossos f i lhos ao mundo e esperar que eles cresçam como crentes. 
Realmente, vivemos num território inimigo, mas não importando qual seja a 
nossa teologia ou a nossa escatologia, nosso propósito aqui não é esconder o 
inimigo, e sim enfrentá-lo em toda oportunidade. 
Os pais que deixam de disciplinar seus filhos, conforme o mandamento bíblico, 
acabarão sendo disciplinados por eles - ou lhes acontecerá algo pior. Os que não 
controlam os livros que seus filhos lêem, as músicas que ouvem, os filmes e os pro-
gramas de televisão a que assistem, não demorará muito e verão o mal surgindo 
neles, até mesmo sob a mais perversa e hedionda forma demoníaca. E isso pode 
suceder num abrir e fechar de olhos! 
Agora é hora de orar como nunca pelos pais cristãos, e também pelos que 
trabalham com os jovens, e pelos autores de livros destinados aos adolescentes. 
(Temos que orar também por todos os mestres, diretores e conselhos das 
escolas.) A Igreja tem que reconhecer que os ministérios que trabalham com 
jovens e crianças são tão importantes como os demais ministérios da Igreja. 
Esses ministérios não têm a função de apenas trazer recreação, mas preparar 
esses que constituem uma geração que foi destinada desde a fundação do 
mundo a permanecer de pé e confrontar o inimigo na hora mais negra de todos Os 
tempos. O Senhor sem dúvida abençoará enormemente, prosperará e dará 
unção às igrejas que derem recursos aos ministérios de jovens e de crianças. 
A razão por que muitos de nossos filhos rejeitaram a Igreja é o fato de não haverem 
tido contato - infelizmente! - com a Igreja real. Quando eles de fato virem o verdadeiro 
Cristianismo, eles o desejarão, porque um andar iluminado e certo na fé é o que reflete 
o modo de ser para o qual fomos criados. A Igreja vive vinte e quatro horas por dia, 
sete dias por semana. Temos de nos libertar do que nos prende a prédios e a 
programas, para que participemos da poderosa força que o Senhoragora está 
reunindo. 
Finalmente, a coisa mais importante que podemos fazer por nossos f i lhos é 
nós mesmos nos aproximarmos do Senhor. Por mais convidativo que seja o 
ambiente da igreja, nada no universo é tão atraente como o Filho de Deus. 
Quando Ele é exaltado, todos são atraídos a Ele. 
A B a t a l ha da M ús i ca 
A música constituirá outro grande campo de batalha no século vinte e um. De 
diversos modos o novo milênio será uma repetição dos anos da década de 1960, 
apenas com uma intensidade bem maior. Assim como a música dos Beatles e de 
outros grupos direcionaram aos grandes movimentos de contestação daquele 
período, a música terá um papel maior no estabelecimento do clima espiritual neste 
milênio. 
A L i n g u a g e m U n i v e r s a l 
A música é chamada de "a linguagem universal", por cruzar quase que toda a barreira 
social e política. A música é também uma linguagem espiritual que vai além do 
intelecto e alcança as fronteiras ilimitadas do coração. Os que criam essa lingua-
gem, que é universal e espiritual, têm uma poderosa arma na batalha pela 
conquista do nosso coração. O Senhor está convocando um exército de guerreiros 
da música, que serão usados como uma artilharia para bombardear algumas das 
fortalezas mais fortes do inimigo, entre as quais o racismo, as drogas, a pornografia e o 
espiritismo. 
Artistas de contato. Alguns dos artistas do Senhor se tornarão artistas de 
contato, que alcançarão audiências seculares. Deus vai dar à juventude novos 
modelos para serem por ela influenciados e seguidos, como uma alternativa aos astros 
tão populares da Música popular, extremamente degenerada, que corre 
tresloucada por aí. É importante que esses músicos do Senhor não tenham uma 
aparência religiosa nem falem com o "jargão evangélico". Entretanto, não devem 
copiar o estilo mundano. Tais cantores e músicos são verdadeiros evangelistas, 
chamados para lançar sementes que outros colherão. 
Música sertaneja. A recente popularidade da música sertaneja não acontece por 
acaso. Essa música nasceu na igreja, e o Senhor a está reivindicando para seus 
propósitos. Ele está chamando muitos destacados artistas da música sertaneja, e se 
eles responderem ao seu chamado, o Senhor os usará com grande Poder. Assim 
acontecendo, a música sertaneja, que sempre foi considerada uma música das 
classes mais baixas, terá um aumento de status e de apreço, mais que qualquer 
outro tipo de música. Se eles não responderem ao Senhor, a música sertaneja cairá 
de novo a uma relativa obscuridade. 
Música de louvor. Uma nova música de louvor surgirá com uma nova forma 
musical. Essa música atingirá as diversas gerações e se tornará popular tanto entre 
os idosos como entre os jovens. Muitos dos intérpretes musicais do Senhor terão 
a experiência de serem levados aos céus e ouvirem a música celestial. Outros 
receberão músicas e cânticos espirituais em sonhos e visões. O poder dessa 
música celestial causará um impacto sem medida na vida diária dos cristãos, por 
comunicar um verdadeiro espírito de louvor e adoração ao Senhor. Essa música 
atrairá também à fé multidões de incrédulos. 
Evangelização pela música. A Igreja tem que reconhecer seus músicos como 
soldados da linha de frente na batalha po r nossa ge ração . Surg i rá uma 
nova v isão quanto à evangelização mediante a música, de forma que muitos 
ministérios de música serão reconhecidos como sendo de verdadeiros 
missionários, e não de simples portadores de um espetáculo. Esses 
ministérios e missionários precisarão ser devidamente preparados e 
estimulados, da mesma forma que qualquer outro ministério. A música será um 
dos principais campos de batalha do novo milênio, uma vez que ela tem o 
potencial de provocar uma das maiores rupturas nas linhas inimigas, na guerra 
contra as trevas. 
A Batalha pela Mídia 
A mídia não deve ser tida como um inimigo nosso. Há inimigos da fé que 
trabalham na mídia, e ocupam posição de grande poder. Temos contudo que 
considerar a liberdade de expressão e a imprensa como uma das maiores 
bênçãos que temos. É contra produtivo gastar o tempo nos queixando da mídia 
noticiosa liberal, dos governos, ou de outros problemas, quando essa 
mesma energ ia e esse tempo ass im despendido poderiam ser usados para 
orar por tais situações. Uma verdade realmente revolucionária demais para 
alguns dentre nós, e que precisa ser de fato compreendida, é que o Senhor de 
fato ouve as nossas orações. Ele nos delegou uma impressionante autoridade: o que 
ligarmos na Terra terá sido ligado no céu, e o que desligarmos na Terra terá sido 
desligado no céu. Os crentes devem orar por todas as estações de rádio, de 
televisão, por todos os jornais e demais meios de informação em sua região, até 
que se tornem padrões da cobertura noticiosa dedicados à verdade, à integridade e à 
justiça. 
Nos últimos quarenta anos o inglês tem sido a segunda língua mais ensinada 
nas escolas de quase todas as nações, inclusive nos países da antiga União 
Soviética. Agora as notícias que são transmitidas pela televisão no mundo todo 
pela CNN e por outras estações internacionais são compreendidas nesta língua 
que tem se difundido por toda parte. Noticiários de estações seculares, 
apresentados por repórteres não crentes, contribuirão mais para a propagação 
do evangelho do que contribuíram as redes evangélicas de televisão até o dia de 
hoje. Não é para se inferir daí que as redes evangélicas não estejam realizando nada. 
Entretanto, quando os noticiários seculares, espiritualmente neutros, 
promulgarem notícias de avivamentos e de grandes atos de Deus, isso causará 
um impacto sem precedentes nos espectadores. 
A Batalha pelas nossas Cidades 
Cada batalha por uma verdade específica está sendo também lutada num 
cenário um tanto diferente e com outras estratégias. A chave para a vitória em 
cada uma delas é conseguir avançar sobre as linhas do inimigo. Nos últimos 
anos tem havido uma certa mudança na atmosfera espiritual em certas 
cidades, como por exemplo em Los Angeles. Entretanto, conseguimos no máximo 
fazer com que o inimigo recuasse um pouquinho em algumas áreas. Ainda não 
tivemos um verdadeiro avanço nessa linha de frente. Quando virmos uma cidade 
verdadeiramente conquistada para o Senhor, os cris tãos de toda a Terra se 
levantarão com um zelo, um ímpeto e uma coragem e decisão sem precedentes 
para tomarem a sua cidade, e muitas outras se firmarão como fortalezas espiritu -
ais da verdade e da justiça. 
Os avanços que têm sido conseguidos na batalha pelas cidades fizeram com 
que muitos cristãos viessem a se alinhar com a estratégia de batalha espiritual 
pela conquista de cidades. Isso criou uma importante mobilização de forças. A 
chave para a ruptura das linhas inimigas será uma força esmagadora num único 
ponto das linhas adversárias. Tais linhas nessa batalha incluirão todas as cidades e 
vilarejos, mas os maiores pontos de conflito incluirão apenas algumas das cidades 
onde is igrejas estiverem unidas, e de forma a verem acontecer um avivamento na 
localidade, mudando assim a atmosfera espiritual. Se apenas uma cidade 
importante for tomada, o inimigo se retrairá nas demais de maior importância 
do inundo. Essas linhas precisam ser urgentemente reforçadas e avançadas tanto 
quanto possível. 
Construindo o Mesmo Muro 
Como aconteceu no tempo de Neemias, cada família receberá uma parte 
específica do muro a ser concluído. Entretanto, todos estaremos trabalhando no 
mesmo muro, para permanecermos juntos e unidos como um só povo, num único 
propósito. Os que estiverem se dedicando a conhecer o poder de Deus para a cura 
não apenas serão tolerantes com Os que estiverem se dedicando ao estudo das 
Escrituras, mas também neles confiarão com respeito ao ensino, à edificação e à 
correção. Quando os que têm se dedicado ao estudo das Escrituras e ao ensino tiverem 
necessidade de cura, estes também saberão a quem recorrer. Como todos temos 
condições de nos especializar em chamados específicos, a luz quereceberemos 
ficará mais forte e concentrada. E quando a luz se concentra suficientemente, ela se 
torna um raio laser! 
À medida que amadurecermos na compreensão de todo o escopo da batalha e 
de nosso papel nela, e reconhecermos quem são os que estão do nosso lado, 
mesmo tendo uma função diferente da nossa, o Senhor terá condições de nos dar 
armas espirituais à base de raios laser, com poder suficiente para penetrar até 
mesmo nas mais fortes fortalezas do inimigo. 
 
Capítulo 10 O espírito de religiosidade 
 
No sonho que tive em 16 de fevereiro de 1995, que foi publicado em A Batalha 
Final, vi o Senhor Jesus no Jardim de Deus sob a Árvore da Vida. Parecia que todo o 
exército de Deus estava lá, ajoelhado diante do Senhor Jesus. Ele acabara de nos 
ordenar que voltássemos à batalha em atenção aos nossos irmãos que ainda 
estavam feridos. 
O Senhor não tinha uma aparência que me levasse a considerar que 
chamava muito a atenção por sua beleza. Pelo contrár io, sua aparência em 
meu sonho era um tanto comum. Mesmo assim, a graça com que se movia e 
com que falou fez dele aos meus olhos a pessoa mais atraente que vira em 
toda a minha vida. Ele ultrapassava todo conceito humano do que pudesse 
signif icar dignidade e nobreza. Nenhuma pintura que tentasse reproduzi -
lo conseguir ia tal fei to. Contudo de certa forma a maioria das pinturas que 
eu vira tinham alguma semelhança com ele. Ao olhar para ele, compreendi 
por que é tudo que o Pai ama e de que se apraz. 
O Senhor prosseguiu com sua exortação: 
—Eu lhes dei dons espirituais e poder, e uma crescente compreensão da minha Palavra 
e do meu reino, mas a maior arma que foi dada a vocês é o amor do Pai. Enquanto vocês 
andarem no amor do meu Pai vocês nunca falharão. O fruto dessa árvore é o amor do 
Pai, que se manifesta em mim. Este amor que está em mim tem de ser o seu pão de 
cada dia. 
Depois de estar no Jardim de Deus por um certo tempo, um anjo veio levar-me de 
volta ao portão. Protestei, dizendo que não queria sair. Parecendo surpreso, o anjo 
me tomou pelos ombros e me olhou nos olhos. Foi então que o reconheci. Ele era o 
anjo da Sabedoria. 
- Você nunca terá que sair deste jardim - disse ele. - Este jardim está no seu coração, 
porque o Criador, ele mesmo, está dentro de você. Você desejou a melhor parte, a de 
adorar e sentar na presença dele para sempre, e isso nunca lhe será tirado. 
Amar a Deus é o maior dos mandamentos e o maior dom que alguém possa ter. 
Jack Deere, que foi professor no Instituto Teológico de Dallas e autor do livro "Surprised 
by the Power of God" (Surpreendido pelo Poder de Deus), disse certa vez: "Ter paixão 
pelo Filho de Deus é o que vencerá mil males em nosso coração, e é a arma mais 
poderosa contra o mal em nossa vida". 
É por isso que um dos ataques mais mortais e enganosos que o inimigo tem feito 
sobre a Igreja é o que procura desviar-nos da busca e a paixão por viver esse amor. 
Sua estratégia é fazer com que nos ocupemos com o mal em nossa vida, pois ele 
sabe que nos tornaremos o que estamos contemplando. Essa tática vem sob a 
forma de um espírito de religiosidade, que é o engano do verdadeiro amor por Deus e da 
verdadeira adoração. 
Vou dar uma simples definição desse inimigo mortal da verdadeira vida espiritual: 
O espírito de religiosidade é o espírito maligno que procura substituir, na vida do crente, 
o poder do Espírito Santo por atividades religiosas. Seu objetivo principal é fazer com 
que os cristãos se apeguem a uma forma de piedade, embora hajam negado seu 
poder. Esse espírito de religiosidade é o "fermento dos fariseus e saduceus", contra o 
qual o Senhor advertiu seus discípulos. 
Jesus chamou esses ensinamentos errados de "fermento", porque o espírito 
de religiosidade atua tal como o fermento no pão. Em vez de acrescentar alguma 
substância ou algum valor nutritivo, apenas aumenta o volume do pão. O espírito de 
religiosidade também nada soma à vida e ao poder da Igreja; pelo contrário, alimenta o 
orgulho, esse sentimento pecaminoso que causou a primeira Queda e a queda de 
quase todos os homens. Satanás sabe que Deus não permanece em obra 
nenhuma que seja alimentada por orgulho. Deus inclusive se oporá a essa obra. 
Assim, uma das principais estratégias do maligno contra nós é fazer com que 
caiamos no orgulho, e o orgulho espiritual é o ponto máximo dessa forma de 
malignidade mortal. 
Satanás sabe também que uma vez na massa, é muito difícil remover o fermento. O 
orgulho, por sua própria natureza, é a fortaleza do inimigo mais difícil de ser 
removida ou corrigida. O espírito de religiosidade nos impede de ouvir a voz de 
Deus, por nos levar a acreditar que já sabemos o que Deus está dizendo e o que lhe 
agrada. Esse engano é decorrente de crermos que Deus é tal como nós, e que 
nossas posições são suas mesmas posições. Somos enganados, levados a crer que 
as repreensões, exortações e palavras existentes nas Escrituras visam corrigir 
outras pessoas, não a nós. 
A principal característica dos fariseus era a tendência de ver o errado nos 
outros, sem enxergar os próprios erros. Este é um problema na sua vida, leitor, 
caso você haja acabado de pensar que alguém que você conhece precisaria ler isto 
aqui. É até bem possível que não lhe ocorra o pensamento de que Deus colocou esta 
página em suas mãos porque é você que necessita desta mensagem. 
De fato, todos precisamos desta advertência. É urgente que nos libertemos 
deste engano devastador e permaneçamos livres. Não teremos condições de 
adorar plenamente o Senhor, em Espírito e em verdade, se assim não for feito 
conosco. 
O confronto da Igreja com o espírito de religiosidade será uma das batalhas 
heróicas que enfrentaremos nos últimos dias. Todo o mundo estará lutando nessa 
batalha. A única questão pendente é: de que lado você estará lutando? 
O Grande Engano 
Uma das características mais enganosas do espírito de religiosidade é que ele tem 
seu fundamento no zelo pelas coisas de Deus. Temos a tendência de pensar que 
esse zelo não pode ser um mal. No entanto, tudo depende da razão por que o 
cultivamos. 
Ninguém na Terra orava mais, jejuava mais, lia mais a Bíblia, ou tinha uma 
esperança maior na vinda do Messias do que os fariseus. Contudo eles foram os 
maiores opositores de Deus e do Messias. O jovem Saulo de Tarso foi motivado pelo 
zelo por Deus quando aprisionava e matava os cristãos, antes de se haver 
convertido. Talvez seja por isso que ele veio a ter um entendimento tão profundo 
acerca dessa fortaleza maligna. Assim escreveu ele sobre seus irmãos judeus: 
Porque lhes dou testemunho de que eles têm ZELO por Deus, porém não COM entendi-
mento. 
O Senhor não teve praticamente problema algum com os demônios enquanto 
caminhava sobre a Terra. Eles rapidamente se curvavam diante dele e clamavam 
por misericórdia. Por outro lado, a comunidade religiosa, conservadora e zelosa, 
crucificou o Verbo de Deus quando ele andou em seu meio. O mesmo acontece ainda 
hoje. Todas as seitas e todas as falsas religiões juntas não têm ocasionado um estrago 
tão grande nos verdadeiros movimentos de Deus como tem causado a infiltração do 
espírito de religiosidade, uma vez que os genuínos cristãos facilmente discernem as 
seitas e as falsas religiões. Entretanto, o espírito de religiosidade tem frustrado ou 
desviado quase todo movimento de avivamento até hoje, e está ainda num lugar de honra 
numa grande parte da Igreja visível. No final dos tempos, uma manifestação desse 
espírito de religiosidade tomará assento no próprio templo de Deus (que é a Igreja), 
declarando-se ser Deus e fazendo com que quase todo o mundo o siga. 
Os Dois Fundamentos 
Tal como a maior parte das poderosas fortalezas do inimigo, o espírito de 
religiosidade constrói sua obra sobre dois fundamentos: o medo e o orgulho. O 
espírito de religiosidade procura fazer com que sirvamos a Deus para ganharmos a 
aprovação do Senhor, em vez de reconhecermos que a nossa aprovação vem mediante a 
cruz de Jesus. Portanto, o espírito de religiosidadebaseia o relacionamento com 
Deus numa d isc ip l ina pessoa l , em vez d e baseá - lo no sac r i f íc io 
propiciatório de Cristo. 
Medo e orgulho são duas conseqüências básicas da Queda, e nossa libertação 
delas geralmente se dá mediante um longo processo. É por isso que o Senhor deu 
até mesmo a Jezabel um "tempo para que se arrependesse". Entretanto, embora o Senhor 
lhe haja dado esse tempo, ele admoestou a igreja de Tiatira por tolerá-la. 5 Podemos ter 
paciência com os que têm o espírito de religiosidade, dando-lhes tempo para que se 
arrependam, mas não podemos tolerar seu ministério em nosso meio enquanto 
permanecemos nessa espera! Se esse espírito não for confrontado de imediato, ele 
fará mais danos à Igreja, aos ministérios, às famílias e à nossa vida do que qualquer 
outra investida que o inimigo possa fazer contra nós. 
Vejamos agora como o medo, que oferece motivação para que o espírito de 
religiosidade atue, muitas vezes se baseia no sentimento de culpa. 
O Medo e seu Fundamento na Culpa 
Eli, o sacerdote que criou Samuel, é um bom exemplo bíblico de alguém que 
ministrava com um espirito de religiosidade fundamentado na culpa. Ele tinha 
tanto zelo pelo Senhor, que quando ouviu dizer que os filisteus haviam roubado a 
arca, caiu e morreu. Ele passara a vida procurando servir o Senhor como sumo 
sacerdote, mas a primeira palavra dada a Samuel foi uma das mais pavorosas 
reprimendas feitas nas Escrituras - e foi para Eli! 
Porque já lhe disse que julgarei a sua casa para sempre, pela iniqüidade que ele bem 
conhecia, porque seus filhos se fizeram execráveis, e ele os não repreendeu. Portanto, jurei à 
casa de Eli que nunca lhe será expiada a iniqüidade, nem com sacrifício, nem com oferta 
de manjares. (1ª Samuel 3:13,14) 
O zelo de Eli pelo Senhor baseava-se nos sacrifícios e nas ofertas de manjares que 
supostamente seriam a compensação por sua irresponsabilidade como pai. A culpa 
pode também despertar em nós um grande zelo pelo Senhor, o que nos leva 
normalmente a fazer uso de sacrifícios e oferendas como expiação por nossos 
erros. Isso é uma afronta à cruz, pois somente ela faz expiação por nossa culpa. 
Esse tipo de zelo nunca será aceito pelo Senhor, mesmo que façamos sacrifícios 
eternos. Devemos observar aqui que o Senhor não afirmou que o pecado de Eli 
não poderia ser perdoado. Ele apenas disse que o que ele fizera como expiação por 
seu pecado, mediante sacrifício e oferendas, jamais funcionaria. 
Isso não significa que devemos deixar de fazer coisas para agradar o Senhor. 
Contudo nossa motivação deve ser sempre a de fazer tudo visando ao seu 
contentamento, e não à nossa aceitação. Uma atitude é centrada em Deus; a 
outra na p r óp r i a p e s s o a , o q ue r e p r e s e n t a u m a t e n t a t i v a d e 
desconsiderar a cruz. 
É ainda digno de nota que um dos pecados dos filhos de Eli foi o fato de que eles 
desprezavam a oferta do Senhor. Eles se apropriavam dos sacrifícios e das ofertas 
trazidas ao Senhor para seu próprio uso egoísta. Os que são tomados por essa for-
ma de espírito de religiosidade muitas vezes são os mais zelosos a pregar a cruz. 
Trata-se no entanto de uma perversão, porque eles enfatizam mais a cruz deles 
do que a cruz de Cristo. Eles se deliciam com uma humilhação auto-imposta, em 
vez de na cruz de Cristo - único meio de nos tornarmos justos e aceitáveis diante de 
Deus. 
O fundamento do medo é a culpa. E o fundamento do orgulho é o idealismo. 
O Orgulho e seu Fundamento no Idealismo 
O idealismo, uma forma de humanismo, é um dos disfarces mais enganosos e 
destruidores do espírito de religiosidade. O idealismo procura impor padrões nos 
outros que vão além do que Deus requereu, ou para o que nos concedeu graça. 
Os que são controlados por esse tipo de espírito de religiosidade podem por 
exemplo condenar, afirmando não ser espiritual quem não esteja orando durante duas 
horas por dia. É possível que Deus queira que oremos duas horas por dia, mas 
ele primeiramente vai nos chamar para orarmos durante dez minutos diários. 
Depois, com a bênção que vem sobre nós com sua presença, vamos querer passar 
com ele mais tempo, e mais tempo, até não nos contentarmos com apenas dez 
minutos, depois com uma hora, depois com duas. Desse modo nossa graça cresce 
no amor por Ele e por Sua presença, mas não devido a uma pressão ou a um 
sentimento de culpa. 
Em virtude do idealismo que cultivam, as pessoas com espirito de religiosidade 
procurarão normalmente a igreja perfeita, e se recusarão a participar de qualquer 
coisa menos que isso. Constantemente criticam sua própria igreja. Os que são dirigidos 
pelo Espírito Santo, que é chamado de "o Ajudador", podem cultivar também elevadas 
esperanças em relação à sua igreja, possivelmente se doando às obras mais 
humildes, a fim de ajudá-la em seu crescimento no que diz respeito à visão e à 
maturidade. 
Quando o espírito de religiosidade tem fundamento no orgulho, isso se 
evidencia pelo perfeccionismo, onde tudo ou é preto ou é branco. Isso faz com 
que se chegue a extremos, requerendo que cada pessoa e cada ensinamento 
seja julgado como sendo ou 100 por cento certo ou 100 por cento errado. 
Somente Jesus poderia satisfazer uma condição como essa. Quando impomos 
aos outros - ou a nós mesmos - tais padrões, o resultado é um engano muito sério. 
A verdadeira graça nos transmite uma verdade que nos liberta, mostrando-nos o 
caminho que nos leva a nos libertar do nosso pecado ou o caminho para níveis 
mais elevados de maturidade espiritual. 
As pessoas dotadas de espírito de religiosidade podem destacar os problemas 
com bastante precisão, mas geralmente não oferecem soluções, a não ser 
deitar por terra o que já foi construído. Essa é a estratégia do inimigo: acabar 
com todo o progresso e produzir um desencorajamento que limitará um possível 
futuro crescimento. 
A graça de Deus nos faz subir a montanha passo a passo. O Senhor não nos condena 
por tropeçarmos algumas vezes, em nosso esforço de ascensão. Ele graciosamente nos 
levanta e nos incentiva a prosseguir em direção ao topo da montanha. Nunca devemos 
nos condenar por ainda não havermos chegado lá. O mais importante é estarmos no 
processo de subida. 
Se tivéssemos que esperar até que atingíssemos a perfeição, para então ministrar, 
ninguém estaria qualificado para isso. Considere por exemplo como estavam Os 
apóstolos quando foram deixados com o encargo de construir a Igreja. No momento da 
cruz, na hora em que Jesus tinha a maior necessidade, todos, exceto João, se 
dispersaram para longe, negaram-no e traíram-no. Quantos pastores deixariam sua igreja, 
num único fim de semana, entregue às mãos de um grupo de pessoas, tal como o grupo 
dos discípulos do Senhor? Contudo Jesus pôde deixar sua Igreja entregue a tais homens, 
não por confiar neles, mas por confiar na ação do Espírito Santo. Obediência e 
compreensão perfeitas devem ser sempre a nossa meta. Entretanto, jamais as 
encontraremos em nós mesmos. Isso só acontecerá quando estivermos permanecendo 
de forma perfeita naquele que é Perfeito. 
Um dos maiores enganos de todos é crer que já temos uma compreensão completa, 
ou que a nossa percepção e nossos atos são 100 por cento certos. Isso impede que 
tenhamos uma compreensão maior, e que ainda possamos ser corrigidos. No entanto 
Paulo afirmou: Agora vemos como em espelho, obscuramente. Em razão do que ele diz é 
que somos compelidos a sempre estar receptivos a uma perfeição maior em nossas 
crenças e em nossos ensinos. 
Jesus abençoou Pedro e lhe deu as chaves do reino um pouco antes de ter que 
repreendê-lo e chamá-lo de "Satanás". Logo depois da extraordinária bênção do 
recebimento das chaves do reino, o inimigo enganou Pedro. Contudo o Senhor não 
tomou de volta as chaves que lhe dera. Quando ele as entregou já sabia que em breve 
Pedro o negaria. Esses dois incidentes não constituem seus únicos tropeços. Muitos 
anos depois, quando ele usou as chaves para abrir a porta da fé para os judeus e os 
gentios,o último dos apóstolos, Paulo, teve que repreendê-lo publicamente, em 
razão de hipocrisia. Mesmo assim Pedro recebeu a promessa de sentar-se num 
dos doze tronos que julgarão as doze tribos de Israel.9 
O estilo de liderança adotado por Jesus foi o de dar condições a seus 
seguidores de poder cometer erros, e então aprender com os mesmos. Se exigíssemos 
que nossos filhos fossem perfeitamente maduros em tudo, isso seria contraprodutivo; 
aliás, contribuiria inclusive para reprimir-lhes o crescimento e o amadurecimento. O 
mesmo acontece na Igreja. Temos que corrigir os erros cometidos, porque é assim 
que aprendemos. Entretanto, essa correção tem que nos encorajar e nos edificar, 
e não nos condenar, nem dar um fim às nossas iniciativas, o que seria 
verdadeiramente lamentável. 
Finalmente, uma das formas mais poderosas em que o espírito de religiosidade 
age é a de construir sobre o medo e o orgulho ao mesmo tempo. 
 
O Fundamento do Medo e do Orgulho 
Os que são simultaneamente dominados pelo medo e pelo orgulho passarão 
por períodos de profunda angústia e remorso diante de seus erros. O resultado é um 
arrependimento que é simplesmente mais uma humilhação própria do que qualquer 
outra coisa, e que produz ainda mais sacrifícios na tentativa de satisfazer o Senhor. 
Passam então ao outro extremo, ficando tão convencidos de que são superiores 
aos demais cristãos e a outros movimentos que se tornam não ensináveis, 
incapazes de receber qualquer repreensão. 
Esse espírito de religiosidade é tão escorregadio que consegue safar-se de quase 
toda tentativa de confronta-1o. Se você se dirigir ao orgulho, os temores e as 
inseguranças surgirão para despertar simpatia. Se você confrontar o medo, ele se 
transformará num orgulho religioso, disfarçado de fé. Esse espírito acaba levando 
pessoas e igrejas a extremos tais que farão fatalmente que se desintegrem. 
Examinemos agora nosso próprio coração, observando alguns sinais que indicam a 
presença de um espírito de religiosidade. 
Sinais de Advertência Indicativos do Espírito de Religiosidade 
A maioria de nós é sujeita ao espírito de religiosidade, ao menos até um certo 
ponto. Paulo exortou-nos a que nos examinássemos a nós mesmos para vermos 
se realmente estamos na fé. Passe pelos sinais de advertência citados abaixo e 
verifique em que pontos você pode ter um espírito de religiosidade. 
1. Tendência a considerar, como sua principal missão, acabar com o que você crê ser 
errado. 
O ministério de uma pessoa como essa produzirá mais divisão do que obras 
permanentes. 
2. Não sabe receber uma repreensão, especialmente daqueles que você julga serem 
menos espirituais que você. 
Pense sobre a forma em que você reagiu nas últimas poucas vezes em que 
alguém tentou corrigi-lo em alguma coisa. 
3. Uma filosofia de não considerar o que os outros dizem: ...mas somente o que Deus 
diz. 
Como Deus normalmente fala por meio de pessoas, isto é obviamente um engano, e 
revela sério orgulho espiritual. 
4. A inclinação para ver mais o que está errado nos outros e nas outras igrejas do que 
o que neles está certo. 
João viu a Babilônia de um vale, mas quando foi levado a uma "alta 
montanha", ele viu a Nova Jerusalém. Se apenas estamos vendo a Babilônia, 
nossa perspectiva está errada. Os que estão tendo uma visão correta são os que 
estão procurando ver o que Deus está fazendo, e não o que Os homens estão fa-
zendo. 
5. Um sentimento de culpa opressivo, por não se sentir nunca à altura dos padrões de 
Deus. 
Esta é uma raiz do espirito de religiosidade, porque faz com que você baseie seu 
relacionamento com o Senhor no seu próprio desempenho, e não na cruz. 
6. A crença de que você foi destacado para corrigir todo o mundo! 
Os vigias e xerifes do reino de Deus que assumiram por sua própria conta 
essa posição geralmente não constroem nada; pelo contrário, eles 
normalmente mantêm a igreja numa situação incômoda e de agitação, 
podendo provocar sérias divisões. 
7. Um estilo de liderança dominador, arrogante e intolerante quanto aos erros dos 
outros. 
Como disse Tiago: A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, 
pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem 
fingimento. Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz. 
8. O sentimento de que você está mais perto de Deus do que outras pessoas, ou de 
que a sua vida ou o seu ministério estão agradando o Senhor mais do que a vida e o 
ministério dos outros. 
Este é um sintoma do grande engano de pensar que chegamos mais perto de 
Deus pelo que somos, e não unicamente por instrumento de Jesus. 
9. Orgulho de sua maturidade espiritual e de sua disciplina, especialmente quando você 
se compara com os demais. 
A verdadeira maturidade espiritual envolve crescimento até a posição de 
Cristo. Quando começamos a nos comparar com os outros, é óbvio que 
perdemos de vista nosso verdadeiro alvo: Jesus. 
10. A crença de que você está na crista da onda do que Deus está fazenda 
Isso inclui pensar que você está envolvido no que Deus está fazendo de maior 
importância. Ainda que isso fosse verdade, estaríamos novamente aqui diante de 
profundo orgulho espiritual, bem como de uma posição egocêntrica. Os que recebem 
verdadeiras missões importantes têm a graça de executá-las simplesmente porque Deus 
"dá graça aos humildes". 
11. Uma vida mecânica de oração. 
Quando você se sente aliviado ao terminar seu período de oração, ou quando 
termina de orar por todos os itens da sua lista de pedidos, você deve avaliar como 
está. Você nunca poderia se sentir aliviado por terminar de conversar com Aquele 
que você ama. 
12. Fazer o que as pessoas vão notar 
Este é um sintoma da idolatria, que significa temer as pessoas mais do que a 
Deus, e resulta numa religião que serve às pessoas em lugar de a Deus. 
13. Ter forte aversão pelas situações emocionais. 
Quando alguém sujeito a um espírito de religiosidade se encontra com a 
verdadeira vida de Deus, ela lhe parecerá excessiva, emocional e carnal. A 
verdadeira paixão por Deus é emotiva e visível. Você se lembra de que Davi 
dançou quando trouxe a arca de Deus até Jerusalém? E lembra também como 
isso causou uma aversão em sua esposa Mical que ficou estéril daquele dia em diante? 
Esse espírito crítico conduz à esteri lidade espiritual. 
14. Uso de emoções em substituição à obra do Espirito Santo. 
Você acha que choro e gemidos têm que estar presentes num arrependimento? Ou 
que a pessoa "tem que cair sob o poder de Deus" para ser por ele verdadeiramente 
tocada? Embora ambas as situações possam constituir evidências da verdadeira 
obra do Espírito Santo, você já está se deixando contaminar pela influência de 
Outro espirito, caso julgue que elas têm forçosamente que acontecer. 
Nas reuniões de Jonathan Edwards, no Primeiro Grande Avivamento, alguns dos 
que eram mais obstinados e rebeldes caíram no chão e assim permaneceram por 
vinte e quatro horas. Essas aparentemente estranhas manifestações 
estimularam o Grande Avivamento, uma vez que aqueles homens se transfor-
maram de verdade. Entretanto, Edwards afirmou que houve outros que falsearam essas 
manifestações, contribuindo assim para o fim do Grande Avivamento, mais do 
que os próprios inimigos dele. 
15. Mantendo estatísticas de sua vida espiritual. 
Você se sente melhor quanto a si mesmo porque está indo a mais reuniões, 
ou porque lê a Bíblia mais do que antes, ou porque faz mais coisas para o 
Senhor do que os outros? Todas essas atividades são nobres, mas a verdadeira 
medida da maturidade espiritual é estar mais perto do Senhor. 
16. Ficar motivado quando seu ministério parece estar melhor que outros 
ministérios. 
Isso inclui ficar desmotivado quando os outros ministérios parecem estar 
melhor, ou crescendo mais que o seu. 
17. Gloriar-se mais pelo que Deus fez no passado do que pelo que faz no 
presente. 
Deus não mudou; Ele é o mesmo ontem, hoje e para sempre. O véu foi 
removido; podemos ficartão perto de Deus quanto qualquer um do passado. 
O espírito de religiosidade procura fazer com que concentremos nossa atenção 
em comparações, em vez de simplesmente nos aproximarmos do Senhor. 
18. A tendência de suspeitar de novos movimentos ou igrejas, ou se lhes opor. 
Este é obviamente um sintoma de inveja, um dos principais frutos do espírito 
de religiosidade — e do espirito de orgulho — que perseveram em dizer que Deus 
nada faz de novo a não ser por nosso intermédio. É claro, é muito raro o 
Senhor usar alguém com tal mentalidade. 
19. A tendência de rejeitar manifestações espirituais que não compreendemos. 
Este é um sintoma de orgulho e arrogância que presume que as nossas 
posições quanto a um assunto são as mesmas que as de Deus. A verdadeira 
humildade nos mantém ensináveis e abertos, esperando com paciência pelos 
frutos, antes de fazer qualquer julgamento. É por isso que somos exortados a 
julgar todas as coisas, e reter o que é bom (e não o que é mau). 
 
20. Uma reação desmedida à carnalidade 17a Igreja. 
Muito mais carnalidade existe na Igreja, e muito menos é o que provém do 
Espírito Santo, do que até mesmo a pessoa mais crítica possa supor. Temos de 
aprender a nos libertar da nossa carnalidade e crescer em nossa submissão ao 
Espírito Santo. Entretanto, a pessoa crítica vai querer aniquilar os que ainda 
possam estar fazendo coisas na carne em 60 por cento do tempo (embora 
estejam tendo um enorme progresso, porque no ano passado estavam com 95 
por cento), em vez de ajudá-las nesse seu progresso. 
21. Uma desmedida reação à imaturidade na Igreja. 
O Senhor tolera uma certa dose de imaturidade. O meu filho de 4 anos é imaturo 
comparado com o outro de 14 anos, mas tudo bem. De fato, ele pode até mesmo 
estar bem maduro para uma criança de 4 anos. O espírito de religiosidade, cheio 
de idealismo, enxerga tão-somente a imaturidade, não levando em conta outros 
fatores muito importantes. 
22. Não conseguir participar de nada que você não considera perfeito ou próximo da 
perfeição. 
O Senhor esteve com os homens aqui na Terra, e inclusive entregou a sua vida 
a uma humanidade totalmente decaída. Os apóstolos que ele chamou e enviou para 
construir a sua Igreja provavelmente fariam parte da lista considerada por todos 
como a "dos menos prováveis de terem sucesso". Tal como Jesus, assim será a 
nossa natureza, se permanecermos nele. Não apenas veremos as pessoas como 
são, mas também como poderão vir a ser. 
23. Se durante a leitura desses sinais lhe ocorreu o pensamento de "como 
eles se aplicam a fulano e a sicrano", então você tem um sério problema 
envolvendo um espírito de religiosidade! 
Vendo a sua Nota neste Teste 
Veja agora que nota você tirou neste teste. Apenas lembre: Paulo não nos disse 
que examinássemos Os outros, ou o nosso pastor, mas a nós mesmos, conforme 
vimos em 2ª Coríntios, 13:5. Confesso que cada um desses tópicos se aplicou a mim 
no passado, e creio que alguns deles ainda hoje se aplicam. Tudo isso constitui o 
fruto de havermos comido da árvore espiritual do Conhecimento do Bem e do Mal. 
Para que tenhamos a mente renovada, de forma a libertar-nos de tal influência, é 
necessário que passemos por um processo. 
Agora que sabemos como cada um de nós foi afetado pelo espírito de 
religiosidade, olhemos para as formas desse espírito, não apenas para não sermos 
contaminados por ele, mas também para nos proteger de alguém que o possua. 
As Formas do Espírito de Religiosidade 
Já vi cinco formas em que se manifesta o espírito de religiosidade: na contrafação 
do dom de discernimento; na forma do espírito de Jezabel; na forma da retidão 
própria; na síndrome do martírio; e em alguma psicologia de auto-ajuda. 
Comecemos com a falsificação do dom de discernimento. 
1. O FALSO DOM DE DISCERNIMENTO 
O espír i to de rel ig iosidade dá à luz um falso dom de discernimento de 
espíritos. Esse dom, que é uma contrafação ou falsificação do verdadeiro dom, 
é o que procura ver o que está errado nos outros, antes de procurar ver o que 
Deus está fazendo para ajudá-los. (Se você assinalou os números 4 ou 6 do 
teste, pode ser que você tenha um falso dom de discernimento). Sua 
sabedoria tem raízes na Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, e embora a 
verdade possa vir a ser transmitida com precisão, ela é ministrada num espírito 
que mata. 
A suspeita, que é motivada pela rejeição, pela preservação de nosso território (nosso 
âmbito de ação), ou por uma insegurança de ordem geral, é o que causa este 
falso dom. Entretanto, o verdadeiro dom de discernimento somente pode funcionar com 
amor. Sempre que alguém profere uma palavra de julgamento ou de crítica a uma 
pessoa ou a um grupo, eu desconsidero essa palavra, a menos que saiba que tal 
pessoa realmente ama a pessoa ou o grupo que foi criticado, tendo ela um 
"investimento" de serviços prestados àquela pessoa ou àquele grupo. 
Quando Paulo advertiu os coríntios sobre os que ministraram com uni espírito 
de religiosidade que procurou colocar um jugo de legalismo na jovem igreja, ele 
declarou o seguinte: Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, trans-- 
formando-se em apóstolos de Cristo. E não é de admirar porque o próprio Satanás 
se transforma em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se 
transformem em ministros de justiça; e O fim deles será conforme as suas obras. 
Foi por isso que Saldo de Tarso, o fariseu, filho de fariseus se enraiveceu tanto 
contra a Igreja. As religiões que se baseiam em obras tenderão facilmente a se 
tornar violentas, especialmente quando confrontadas com os que vivem pela fé. 
Isso inclui religiões "cristãs" em que uma doutrina de obras suplantou a cruz de 
Cristo. 
Os que forem controlados por espíritos de religiosidade poderão tentar destruir 
por diversos meios - mas não o de lhes tirar a vida física - aqueles que se lhes 
opõem. Muitas das investidas de calúnias instigadas contra algumas igrejas e 
alguns ministérios são atos intempestivos desse espírito. 
O espírito de Jezabel é outra forma do espírito de religiosidade. 
2. O ESPÍRITO DE JEZABEL 
Jezabel foi à esposa ambiciosa e manipuladora do rei Acabe, o fraco dirigente 
de Israel que permitiu que ela ditasse a polít ica no seu reino. Basicamente, o 
espírito de Jezabel é uma combinação do espírito de religiosidade com o 
espírito de feitiçaria - que por sua vez é o espírito de manipulação e controle. 
Esse espírito é muitas vezes - mas não sempre - encontrado em mulheres 
profundamente feridas. O modo pelo qual as mulheres eram tratadas nos tempos 
bíblicos, e o modo como Jezabel foi tratada por haver sido dada a um rei 
estrangeiro como um ato polít ico, nos levam a entender a razão pe la qual 
e la "deu no que deu" . Mas isso não é inescusável. Toda provação na nossa 
vida nos trará amargura ou nos tornará melhores do que antes, e a cruz curará 
toda ferida espiritual, se nos voltarmos para ela. Os que estiverem profundamente 
feridos, e que não se voltarem para a cruz, poderão abrir-se para a entrada desse 
espirito maligno. 
Jezabel foi à grande inimiga daquele que foi um dos profetas mais poderosos 
do Antigo Testamento, Elias, cujo ministério representava o preparo do caminho 
para o Senhor. Uma das formas mais poderosas do espírito de religiosidade é 
o espírito de Jezabel, que procura manter a Igreja e o mundo despreparados para a 
vinda do Senhor. Esse espírito ataca o ministério profético porque o mesmo 
tem sido sempre um dos principais modos pelos quais o Senhor dá uma 
direção oportuna e estratégica ao seu povo. Jezabel sabe que afastando os 
verdadeiros profetas, as pessoas ficarão vulneráveis a seus falsos profetas, os 
quais sempre conduzem à idolatria e ao adultério espiritual. 
Quando as pessoas deixam de ouvir por algum tempo a verdadeira voz do 
Senhor, estarão muito mais propensas ao engano do inimigo. É por isso que o 
inimigo sempre procura semear nelas o orgulho. A fim de que não recebam 
nada do Senhor, o espírito de religiosidadeproduz nelas uni orgulho religioso, 
uma vez que Deus não se comunica com os que estão cheios de orgulho. 
Foi por isso que Jesus identificou os líderes religiosos de seus dias com as 
palavras "guias cegos". Eles conheciam melhor que ninguém as profecias 
messiânicas. Contudo, ao olharem para o rosto daquele que era o 
cumprimento daquelas profecias, imaginaram que ele havia sido enviado por 
Belzebu! 
Os profetas de Jezabel eram ainda dados ao sacrifício, a ponto de se 
açoitarem e cortarem o próprio corpo, para que seu deus aparecesse. Uma 
estratégia importante do espírito de religiosidade é fazer com que a Igreja se 
entregue a sacrifícios, de modo a perverter o mandamento que nos manda levar 
a cruz a cada dia. Essa perversão fará com que tenhamos mais fé em nossos 
sacrifícios do que no sacrifício do Senhor. Ela também fará uso de sacrifícios e 
oferendas para que Deus se manifeste. É uma forma do terrível engano de que 
podemos de algum modo comprar com nossas boas obras a graça e a presença 
de Deus. 
A terceira forma do espírito de religiosidade é a retidão própria. 
3. RETIDÃO PRÓPRIA 
Não nos crucificamos visando alcançar a retidão, a purificação, a maturidade 
espiritual, ou para que o Senhor se manifeste; isso nada mais seria do que uma 
magia. Cada um de nós está crucificado com Cristo. Se nos crucificarmos a nós mesmos, 
o único resultado será a "retidão própria". Isso é orgulho em sua forma mais básica, 
porque tem a aparência de sabedoria e retidão. O apóstolo Paulo nos advertiu com as 
seguintes palavras: 
Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos, 
baseando-se em visões, enfatuado, sem motivo algum, na sua mente carnal, e não 
retendo a cabeça, da qual todo o corpo, suprido e bem vinculado por suas juntas e 
ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus. Se morrestes com Cristo para os 
rudimentos do mundo, porque, como Se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: 
não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e 
doutrinas dos homens? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem. Taís 
coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa 
humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade. 
(Colossenses 2:18-23) 
O espírito de religiosidade nos fará sentir bem quanto à nossa condição 
espiritual na medida em que estejamos centrados em nós mesmos e buscando a nós 
mesmos. Quem tem orgulho se sente bem; pode ser até mesmo um tanto divertido. 
Contudo, toda a nossa atenção recai então sobre como estamos nos saindo, quão 
melhor estamos em relação aos outros. Ela na realidade não está posta na glória 
de Deus. (Se você assinalou os itens 8, 9, 10, 15 ou 16 no teste acima, pelo 
menos um certo grau de retidão própria você tem.) Isso resulta em confiarmos em 
nossa disciplina e no nosso sacrifício pessoal, em vez de no Senhor e no sacrifício dele. 
É certo que a disciplina e a disposição para o sacrifício próprio são qualidades 
essenciais em todo crente, mas a motivação por trás dessas virtudes é que 
determina se estamos sendo levados por um espírito de religiosidade ou pelo 
Espírito Santo. O espírito de religiosidade usa o medo, o sentimento de culpa, o 
orgulho e a ambição para motivar as pessoas. Já a motivação feita pelo Espírito Santo 
é o amor pelo Filho de Deus. 
Ter prazer em se auto-humilhar é um forte sintoma do espírito de religiosidade. 
Isso não quer dizer que não devamos nos disciplinar, que não devamos jejuar, ou 
esbofetear o nosso corpo, como Paulo fez. É o pervertido prazer nessas coisas que 
revela o problema, quando deveríamos ter prazer no Filho de Deus. 
Revelação Enganosa 
Em Colossenses 2:18,19 Paulo explicou que os que têm prazer em se humilhar 
acabarão freqüentemente adorando anjos e fazendo colocações impróprias de visões 
que tiveram. É desejo do espírito de religiosidade que adoremos qualquer coisa ou 
qualquer outro ser, exceto Jesus. O mesmo espírito inclinado a adorar anjos estará 
propenso a exaltar excessivamente seres humanos. Temos que ter muito cuidado com 
quem esteja indevidamente exaltando anjos, ou homens e mulheres de Deus, ou que 
esteja usando as visões que teve para obter uma indevida influência na igreja. Deus não 
nos dá revelações para assim comprovarmos nosso ministério, ou para que as pessoas 
nos respeitem mais. O fruto da verdadeira revelação será a humildade, não o 
orgulho. As Escrituras ensinam que os cristãos realmente podem ter tais 
exper iências, sendo elas úteis e necessár ias quando adequadamente 
usadas. A palavra chave no texto citado é que devemos ter cuidado com os 
que estejam tendo tais revelações e se orgulhem por causa delas. 
O espírito de religiosidade sempre alimentará nosso orgulho, enquanto a 
verdadeira maturidade espiritual sempre nos conduzirá a uma humildade cada 
vez maior. Um tal progresso da humildade é maravilhosamente demonstrado 
na vida de Paulo. Em sua carta aos Gálatas, que se considera haver sido 
escrita por volta do ano 56, Paulo declarou, na oportunidade em que visitou os 
primeiros apóstolos em Jerusalém: Eles nada me acrescentaram. Num certo 
sentido ele declarou ter tanto quanto eles tinham. Quando escreveu aos 
coríntios, referiu-se a si mesmo como o menor dos apóstolos. E por volta do ano 
61 declarou ser o menor de todos os santos? Finalmente, ao escrever a 
Timóteo no ano 65, aproximadamente, ele se descreveu como sendo o principal 
dos pecadores, acrescentando em seguida que Deus teve misericórdia dele. 
Uma verdadeira revelação da misericórdia de Deus é o maior dos antídotos para 
o espírito de religiosidade. Esse espírito não permanecerá por muito tempo 
quando crescermos na verdadeira humildade. 
Lembre-se de que as manifestações do espírito de religiosidade são: uma 
contrafação do dom de discernimento, o espírito de Jezabel (que é o espírito de 
manipulação), a retidão própria e a síndrome de mártir, que passaremos a examinar. 
4. A SÍNDROME DE MÁRTIR 
Ser um mártir da fé é uma das maiores honras que alguém pode receber nesta 
vida. Quando isso é pervertido, o que estará acontecendo será uma trágica forma de 
engano. Sempre que um espírito de religiosidade está com a síndrome de mártir, é quase 
impossível a pessoa ser liberta desse engano. Quando a coisa chega a esse 
ponto, toda rejeição e toda correção é interpretada pela pessoa como o preço que 
ela tem que pagar para "permanecer com a verdade", o que a faz afastar-se ainda 
mais da verdade e de uma possível correção. 
A síndrome de mártir pode ainda ser uma forma do espirito de suicídio. Às vezes é 
muito mais fácil "morrer pelo Senhor" do que viver por ele. Os que têm um entendimento 
pervertido com respeito à cruz muitas vezes se gloriam mais com a morte do que 
com a vida. O alvo da cruz é a ressurreição, e não o túmulo. 
Finalmente, temos que considerar como algumas formas da psicologia de 
auto-ajuda podem nos levar ao espírito de religiosidade. 
5. PSICOLOGIA DE AUTO-AJUDA 
O movimento de psicologia de auto-ajuda é uma tentativa sutil de substituir o 
poder da cruz na Igreja. Essa psicologia humanista é "um outro evangelho" e 
uma outra forma do espírito de religiosidade. De fato, Paulo assim nos advertiu: 
Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, nele radicados, e 
edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças. 
Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme 
a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo. 
(Colossenses 2:6-8) 
Todos temos necessidade de alguma "cura interior". Entretanto, muito do que 
se está chamando de cura interior não passa de um processo de desenterrar o 
velho homem e procurar fazer com que ele seja curado. O que no entanto temos 
que fazer é matar o velho homem e abandoná-lo. O modo de curar nossas 
feridas da alma não é um procedimento determinado; tampouco uma fórmula, esim simplesmente o perdão. Quando vamos até a cruz e somos aceitos com 
base no sangue de Jesus, encontramos um perfeito amor que acabará 
completamente com toda amargura e ressentimento. 
Isso parece ser muito simples, mas foi o que Paulo disse: Mas receio que, 
assim como a serpente enganou Eva com sua astúcia, assim também seja 
corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a 
Cristo. A salvação é algo simples. A libertação é algo simples. A maior estratégia do 
inimigo é enfraquecer o poder do evangelho fazendo com que nele coloquemos 
acréscimos. Foi assim que ele enganou Eva. 
O Senhor ordenara ao homem e à mulher que não comessem da Árvore do 
Conhecimento do Bem e do Mal, porque no dia em que comessem morreriam. 
Quando interrogada quanto a esse mandamento do Senhor, Eva respondeu que eles 
não poderiam comer da árvore, nem mesmo tocá-la. O Senhor não dissera coisa 
alguma com respeito a tocar naquela árvore. Acrescentar algo aos mandamentos de 
Deus é tão destrutivo quanto lhes suprimir uma parte. Os que com petulância 
pensam que podem acrescentar algo à Palavra de Deus não a respeitam o 
suficiente para guardá-la quando chega à provação. Se Satanás conseguir que 
acrescentemos algo às Escrituras, ou que dela subtraiamos algo, ele saberá que nos 
pegou, tal como conseguiu com Eva. 
Muitas filosofias e terapias "cristãs" parecem ter sabedoria. No entanto elas 
procuram substituir o Espírito Santo em nossa vida. Algumas pessoas 
realmente necessitam de uni aconselhamento, e muitos conselheiros cristãos 
de fato as levam à cruz. Contudo, outros simplesmente as estão empur rando 
para o buraco negro do egocentrismo, que as consumirá, além de procurar tragar 
junto com elas todos os que estiverem ao seu redor. Apesar da terminologia cristã, 
essa filosofia é inimiga da cruz de Cristo. 
Finalmente, como saber se estamos livres da contaminação de um espírito de 
religiosidade? Veja o teste que indica um mensageiro verídico. 
O Teste de um Mensagei ro Ver íd ico 
Em Ezequiel 37, o profeta foi levado para um vale cheio de ossos secos, e lhe foi 
perguntado se eles poderiam reviver. O Senhor então ordenou que ele 
profetizasse àqueles ossos. Enquanto ele profetizava, os ossos se juntaram, veio à 
vida e eles se transformaram num grande exército. Esse é um teste pelo qual todo 
verdadeiro ministro tem que passar. O verdadeiro profeta pode ver um grande 
exército até mesmo nos ossos mais secos. Ele profetizará vida para eles, até 
que venham à vida, e depois se tornem um exército. Um falso profeta com 
espírito de religiosidade apenas dirá o quão secos os ossos estão, enchendo-
os de desencorajamento e de condenação, e não lhes transmitindo vida nem 
poder para que vençam as circunstâncias negativas. 
Os apóstolos e os profetas recebem autoridade para construir e para 
demolir. Contudo não temos o direito de demolir se primeiro não construímos. 
Eu não dou autoridade a ninguém para corr igir os que estão sob meus 
cuidados, a menos que veja naquela pessoa um histórico em que demonstre 
haver encorajado outros. Talvez você diga que isso elimina o ministério dos 
profetas. No entanto eu afirmo que esses "profetas" é que necessi tam ser 
eliminados do ministério. Como Judas disse a respeito deles: "Os tais são 
murmuradores", vivem procurando erros nos outros, e são como rochas 
submersos em vossas festas de fraternidade. Como diz um velho provérbio: "Basta 
um burro qualquer para pôr abaixo um celeiro, mas é necessário um bom 
carpinteiro para o construir". 
O estilo de liderança do Senhor foi o de permitir que seus seguidores 
cometessem erros e depois aprendessem com os mesmos. Se exigíssemos de 
nossos filhos a perfeição, isso seria contraprodutivo. Na verdade estaria lhes 
reprimindo o crescimento e a maturidade. O mesmo é verdade com respei to à 
Igreja. Temos que corrigir os erros, porque é assim que aprendemos. No entanto a 
correção tem que encorajar e libertar, e não condenar e acabar com toda iniciativa. 
Mesmo assim, como Eli nos serviu de exemplo, ai dos pastores que alimentam 
as ovelhas e delas cuidam, mas se esquecem de corrigi-las, ou se recusam a 
isso. A verdadeira graça de Deus é encontrada no meio de dois extremos: o do espirito 
crítico de procurar erro em tudo e o de uma misericórdia não santif icada 
(demonstrando misericórdia a coisas que Deus desaprova). Cada um desses 
extremos pode ser o resultado da ação do espírito de religiosidade. A verdadeira 
religião não é um jugo pesado, mas se traduz pela maior liberdade e a maior 
alegria que a alma humana pode experimentar. Isso só é possível acontecer 
quando se conhece o Senhor e se tem comunhão com ele. Quando vemos a sua 
glória, não mais ficamos cativos de nossas qualidades, sejam elas positivas ou 
negativas; a beleza do Senhor é que tomará a nossa alma. Até mesmo os 
vinte e quatro anciãos depositam suas coroas diante dele. Este é o alvo que a 
verdadeira fé cultiva: ver o Senhor, permanecer nele, e revelá-lo a outras 
pessoas. Isso parece ser muito fácil, mas é a única resposta ao nosso grande 
dilema. 
O mundo está se tornando cada vez mais avesso à reli gião. Entretanto, 
quando Jesus for exaltado, todos serão atraídos a Ele. Porque toda a 
Criação surgiu unicamente mediante Ele, e foi feita para Ele. Todos temos na 
alma um enorme buraco, do tamanho de Jesus. Nada nos satisfará nem nos 
proporcionará paz, a não ser um genuíno relacionamento com o Senhor. 
 
Capítulo 11 A nova era e o reino de Deus 
 
O movimento da Nova Era tornou-se uma poderosa força na estratégia do diabo para 
cegar o mundo em relação ao evangelho de Jesus Cristo. Uma razão por que esse 
movimento tem tido bastante sucesso é que muitos dos seus ensinamentos re -
fletem bem de perto grandes verdades do evangelho, mas a partir delas levam a 
conclusões que estão em total conflito com a verdade mais central de todo o Cristianismo: 
a cruz. 
Devido à seriedade desse engano, é compreensível que a Igreja haja desenvolvido 
uma reação imediata até mesmo às palavras nova era. Entretanto, a forma de 
combatermos as trevas não é fugindo delas, e sim firmando nossa posição na verdade 
e rejeitando drasticamente essas trevas. A luz é mais poderosa que as trevas. 
Quando abrimos as cortinas da nossa sala à noite às trevas de fora não entram nela. 
Pelo contrário, a luz interna é que brilha nas trevas do lado de fora. Não temos que 
temer as trevas, se conhecemos a Luz, Jesus. 
O Que é o Movimento da Nova Era? 
O movimento da Nova Era é basicamente uma combinação disfarçada de feitiçaria 
com hinduísmo, de forma a torná-la aceitável pelos profissionais de colarinho 
branco. Essa forma de espiritualismo tem como alvo esse grupo de pessoas devido 
a uma razão importante. Por cerca de 5.800 anos, dos 6.000 anos da história da 
humanidade da qual se tem registro, cerca de 95 por cento dos trabalhadores eram 
agricultores. Em apenas um pouco mais de um século, essa estatística reverteu com-
pletamente, de modo que agora, no Ocidente, menos de 5 por cento dos trabalhadores 
trabalham na zona rural. Tal mudança é decorrente de avanços tecnológicos, o 
que possibilitou que esses 5 por cento produzam mais que os 95 por cento do século 
dezenove. 
Quando o Senhor previu que o saber se multiplicará, foram poucos os que 
compreenderam o grau em que isso se daria. Em meados da década de 50, no 
Ocidente, os trabalhadores de colarinho branco já excediam em número Os 
operários da indústria. Desde então essa maioria tem crescido até o ponto em que 
agora se estima que, em futuro próximo, os operários da indústria terão o mesmo 
destino dos trabalhadores rurais, compondo apenas uma pequena fração da 
população. A informação é o bem de consumo mais valioso neste mundo, e o 
negócio que acumula, interpreta, embala e transfere informações é hoje a maior 
indústria sobre a Terra. 
Os que se encontram envolvidos com essa indústria não são apenas os que 
estão em maior número, mas são os mais ricos e os mais poderosos. Eles 
constituemtambém o grupo que a Igreja tem tido cada vez menos sucesso em 
alcançar. Isso contribuiu para a proliferação do movimento da Nova Era e de 
outras seitas. 
Deus nos criou para que tivéssemos comunhão com ele. Ele é Espírito, e até que 
essa comunhão com ele seja restaurada haverá sempre um vazio espiritual no 
homem. Uma verdadeira comunhão com Deus é uma experiência sobrenatural, 
porque Deus é sobrenatural. O vazio que existe quando o homem não tem essa 
comunhão é uma fome pelo sobrenatural. Se ela não for satisfeita mediante um 
relacionamento com Deus, o diabo rapidamente a alimentará com seus substitutivos. 
 
O P o d e r d e D e u s 
O dia em que se podia ter uma neutralidade sobrenatural já era. Os que não 
conhecem o verdadeiro poder de Deus mediante o Espírito Santo se tornarão cada vez 
mais sujeitos aos poderes sobrenaturais malignos e fraudulentos de Satanás. Aqueles 
cujas doutrinas e cujos temores os tenham levado a esquivar-se do poder 
sobrenatural de Deus, e principalmente seus filhos, tornam-se presa fácil do maligno. 
Paulo deixou bem claro que o reino de Deus não consiste em palavras, mas em 
poder. Satanás sabe disso, e é seu prazer batalhar no nível das palavras (doutrinas, e 
por aí afora). Não importa o quão bem argumentemos em favor de nossas doutri-
nas, que são verdadeiras. Satanás não tem problema algum para conquistar os que não 
conhecem o poder de Deus. Uma vida de retidão é o resultado de crermos em nosso 
coração, e não em nossa mente; os que não conhecem o poder de Deus crêem no 
Senhor apenas em sua mente. 
À luz da loucura dos movimentos pentecostais, renovados, do evangelho pleno, 
da terceira onda e assim por diante, é fácil compreender por que muitos se 
esquivam dos dons do Espírito. Contudo isso é também uma das provas que 
separam os verdadeiros crentes daqueles que apenas conhecem suas crenças e 
doutrinas. Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar Os 
sábios. Somente os humildes é que alcançarão o que o Senhor está fazendo, e 
ele dará sua graça tão-somente a eles. 
Quanto mais secularizada for à sociedade, mais as pessoas terão fome do 
sobrenatural. É por isso que os ateístas de uma maneira geral são atraídos para 
as formas mais baixas de feitiçaria e de magia negra. Eles crêem tratar-se de 
poderes humanos naturais que há dentro do homem. As igrejas que rejeitaram o 
poder sobrenatural de Deus já se deixaram influenciar pelo movimento da Nova 
Era. Outros, sob diversas formas, não têm resistido ao espírito desta era. Não 
apenas aceitam como membros da igreja pessoas pervertidas e incrédulas, mas 
ainda os ordenam como pastores e líderes! 
Muitas dessas igrejas e denominações foram aos poucos se tornando totalmente 
inexpressivas, com bem pouco ou quase nenhum poder para atrair pessoas à 
conversão. E quase todas essas denominações e movimentos estão se encolhendo, 
por se haverem tornado inexpressivos e enfadonhos, até mesmo para seus 
próprios membros. Numa situação totalmente oposta a essa, as denominações e 
movimentos que pregam e caminham no poder sobrenatural de Deus não apenas 
estão crescendo, mas são sem dúvida Os movimentos religiosos que mais cres-
cem no mundo, quando considerados como um só grupo. 
O apóstolo Paulo declarou: A minha palavra e a minha pregação não consistiram em 
linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de podei; para 
que a vossa fé NÃO SE APOIASSE EM SABEDORIA HUMANA, e sim no PODER DE 
DEUS. O conflito entre o reino de Deus e o reino do mal não é apenas um 
conflito entre a verdade e o erro (embora seja isso), mas é também o 
confronto de dois poderes sobrenaturais. Ambos os lados procuram preencher o 
vazio criado pela Queda. 
Quem declara que é bíblico, mas não anda no poder sobrenatural de Deus, está 
em contradição. Toda a história do que Deus fez para a raça humana tem se 
realizado mediante seu Poder sobrenatural. Jesus não apenas afirmou que 
Deus tem poder para curar, para salvar, para libertar; ele curou enfermos e 
expulsou demônios. Jesus afirmou que assim como o Pai o enviou ao mundo, 
ele nos enviou. Era sua expectativa que seus discípulos, paralelamente a curar 
enfermos e expulsar demônios, pregassem o reino de Deus. Jesus não muda. Se 
vamos pregar o evangelho, temos que pregar tal como ele pregou, demonstrando o 
amor e o poder de Deus. 
As igrejas que não andam no poder de Deus se tornarão cada vez mais 
desqualificadas para enfrentar o crescente poder do mal que se manifestará nos últimos 
dias, conforme as profecias do Apocalipse. A primeira defesa que temos contra o 
poder sobrenatural enganoso do inimigo é conhecer o verdadeiro poder de Deus. 
Temos assim que buscar com dedicação os dons espirituais, principalmente o dom de 
profecia. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em 
verdade! 
A maioria dos crentes de hoje desejam dons espirituais, mas para que os recebam 
essa busca tem que ser feita com dedicação. Jesus determinou que para receber 
temos de pedir, buscar e bater. Quando alguém diz: "Estou aberto para receber os 
dons do Espírito", geralmente isso é uma forma de não querer de fato recebê-los. 
Tal pessoa se sente com freqüência bastante temerosa, ou então tem muito 
orgulho, não querendo arriscar-se a um fracasso. Os que apenas estão "abertos" para 
que o Senhor Os use quase nunca são por ele usados. 
Há também os que resistem ao Espírito, dizendo: "Temos que buscar Aquele 
que dá os dons, e não os dons". Isso soa espiritual, mas não é bíblico. Com 
certeza temos que buscar o Senhor, que nos dá os dons, muito mais do que 
buscar os dons em si. Contudo o mandamento é que busquemos inclusive os 
dons; as duas buscas não são mutuamente exclusivas. A busca por andar nos 
dons do Espírito é uma das formas de se buscar a Deus; e o que é mais importante: é 
estarmos sendo obedientes à Palavra. 
O amor é o dom maior, e somos informados de ser ele o caminho sobremodo 
excelente. 9 Entretanto, os dois textos que cercam este capítulo nos encorajam a 
buscar dons espirituais. Em 1 Coríntios 12:31 somos exortados a buscar com 
dedicação os melhores dons. Em 1ª Coríntios 14:1 a palavra a nós dirigida nos 
diz que sigamos o caminho do amor e busquemos com dedicação os dons 
espirituais, principalmente o dom de profecia. Os dons não cancelam nosso amor; 
pelo contrário: eles devem ser usados com amor - e são destinados a isso! 
Há ainda os que tiveram o coração endurecido pela falsa doutrina que diz que Deus já 
não atua em nosso tempo de forma sobrenatural, como atuava antes. Entretanto, nos 
últimos anos alguns dos teólogos e apologistas da fé mais brilhantes, que antes 
acreditavam que Deus não mais atuava sobrenaturalmente, mudaram de opinião após 
testemunharem um único milagre genuíno. Observe que eu disse "genuíno"; esta é a 
chave. Os que amam a Deus e procuram andar em seu verdadeiro poder muitas 
vezes acabam se fechando, em virtude de falsas manifestações c do engodo que 
ocorrem com freqüência em alguns ministérios destituídos do verdadeiro poder. 
Entretanto, muitos dos que crêem que o Senhor não mais atua de maneira sobrenatural 
estão em busca da verdade, e quando testemunham a manifestação autêntica, então 
mudam sua teologia. 
O verdadeiro Cristianismo é a verdadeira Palavra de Deus confirmada pelo verdadeiro 
poder de Deus. Jesus se dedicou a fazer e a ensinar. Freqüentemente ele realizava 
milagres antes de ensinar, porque sabia que as pessoas que houvessem tido um 
inegável encontro com Deus estariam bem mais abertas a ouvir o que ele tinha para 
lhes dizer. O mesmo é verdade hoje; as demonstrações do poder de Deus fazem com 
que os conceitos intelectuais se transformem numa verdadeira fé nos ensinos do 
Senhor. É necessário tanto a Palavra como o poder de Deus para mudar o homem 
interior. O vazio espiritual do coração tem de ser preenchido por uma verdadeira 
comunhão com Deus para que seja liberto da influência espiritual e do poder do 
inimigo. 
Tendo em vista que a filosofiada Nova Era é basicamente a falsificação da 
autoridade espiritual, só estaremos totalmente libertos do seu poder quando 
estivermos completamente submissos ao poder e à autoridade de Deus. Se não 
estivermos dessa maneira submissos, vamos nos tornar cada vez mais sujeitos a 
alguma forma de feitiçaria, à medida que nos aproximarmos do fim dos tempos. A 
Batalha de Armagedom será travada no "Vale da Decisão". Nesse dia, todos sobre a 
Terra, sem exceção, terão que tomar uma decisão: escolher entre o poder e a autori-
dade de Deus e o poder e a autoridade do maligno. 
Para vencermos o movimento da Nova Era temos que impedir que seus 
partidários estejam roubando nossas palavras e pervertendo e falsificando nossos 
ensinamentos. 
Não Permitamos que o Inimigo Roube Nossas Palavras 
nem Nossos Ensinamentos 
Não podemos permitir que o inimigo nos roube as palavras, nossas práticas e 
nossos ensinamentos. As palavras nova era não pertencem ao diabo, mas ao 
Senhor. Temos urgentemente de resgatá-las. Muito do sucesso do movimento da 
Nova Era tem vindo do roubo da elevada base de esperança quanto ao futuro que há 
no evangelho. Isso é domínio da Igreja, e temos de nos recusar a conceder um 
mínimo que seja do nosso território aos inimigos da cruz. 
Uma verdade fundamental do evangelho é que uma nova era está por vir. Uma era 
de paz, de retidão e de justiça prevalecerá sobre toda a Terra. Essa é a era em que 
Jesus Cristo reinará como o Príncipe da Paz, o Rei dos reis e o Justo Juiz. Esta é a 
verdadeira mensagem quanto à era que está por vir, a respeito da qual a Igreja é 
chamada a pregar, e cuja autenticidade cristã o inimigo está tentando subverter pelo 
movimento da Nova Era. 
Quase todo aspecto do ensino da Nova Era é uma fraudulência da verdadeira 
esperança do evangelho. Entretanto, do mesmo modo que não deixamos de usar 
o dinheiro verdadeiro em razão de alguém haver criado dinheiro falso, não 
abandonemos uma única verdade de Deus com referência ao reino que está 
vindo. Se existe dinheiro falso circulando por aí, temos que conhecer bem mais o 
que é verdadeiro, para que possamos reconhecer o falso. O mesmo temos que fazer 
com respeito às verdades essenciais do reino. O inimigo não estaria indo atrás des-
sas verdades, se não fossem tão importantes. 
Nosso Enfoque Mal Orientado quanto ao Fim desta Era 
Um dos modos pelos quais o movimento da Nova Era tem conseguido roubar a 
importante e elevada base de esperança quanto ao futuro tem sido pelo fato de a 
Igreja haver cultivado a tendência de enfocar demais o fim da presente era. Não é 
apenas o fim de uma era; é o inicio de uma nova era na qual Cristo reinará sobre a 
Terra! Para que a Igreja reivindique a elevada base de esperança para o futuro 
temos de proclamar seu início, a vinda do reino. A esperança no futuro é 
fundamental para o poder do evangelho. A era que está vindo pertence ao Senhor, e 
a mensagem da nova era a Ele pertence. 
Quando o Senhor veio a Terra pela primeira vez, Ele veio para comprar nossa 
redenção com o próprio sangue. O Salmo 24 declara: Ao SENHOR pertence a Terra e 
tudo que nela se contém, o mundo e Os que nele habitam. O preço da Terra toda, e de 
todos os seus habitantes, foi integralmente pago na cruz. 
Depois da ressurreição Jesus poderia imediatamente haver destruído o 
diabo, assumindo todo o domínio que por direito veio a ter então sobre a Terra. 
Em lugar disso, o plano de Deus era que um povo fosse primeiro remido da Terra, 
para então se tornar co-herdeiro com o Filho de Deus. Esse povo então reinaria 
com o Senhor na era que está por vir. As Escrituras testificam que o Senhor 
retornará para redimir a Terra de todas as conseqüências da Queda. Pedro se 
referiu a isso como sendo a restauração de todas as coisas. Esta é a razão por 
que até . agora toda a criação está gemendo e suportando angústias. 
As Escrituras são claras quando dizem que o fim desta era terá um tempo de 
tribulação tal como o mundo nunca experimentou. Essas profecias bíblicas não 
podem ser alteradas, e temos que ensiná-las, se é que pretendemos ensinar toda a 
verdade. Entretanto, as Escrituras são claras também ao dizer que o tempo das 
trevas mais densas será um tempo de glória para o povo de Deus. Essa glória 
não apenas está vindo sobre nós para que tenhamos uma boa aparência! Sua 
glória aparecerá em nós porque estaremos vivendo na realidade da era que virá, e 
estaremos experimentando sua glória agora mesmo. 
A Nova Era Agora Mesmo 
A maior esperança que o Senhor nos deu quanto ao seu reino é que o reino de 
Deus está PROXIMO. Os que ouvem o Senhor e Nele crêem podem viver no seu reino 
agora! Embora estejamos sobre a Terra, estamos também sentados com ele nas 
regiões celestes. Os milagres que ele realizou foram uma evidência de que o reino 
estava disponível para quem pudesse vê-lo pela fé. Quando Jesus expulsou 
demônios, Ele disse: Se, porém, eu expulso demônios pelo Espírito de Deus, 
certamente é chegado o reino de Deus sobre vós. 
A mensagem da última trombeta no livro do Apocalipse é esta: O reino do mundo 
se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos. Os 
que vivem agora na realidade do poder do seu reino estarão pregando a 
mensagem do reino. Não esperamos pelo milênio para que Jesus reine sobre nós. 
Seu reino já está "próximo" de nós; já está ao nosso alcance. 
Os que têm o Espírito Santo de Deus estão com um poder habitando em si que 
é maior do que o poder de todos os demônios juntos. Não devemos ser 
ignorantes quanto ao diabo e seus esquemas. Contudo não temos que temê-lo 
em nada que ele pretenda fazer contra nós. Quando andamos na luz, os demônios 
é que nos temem. João escreveu: 
Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de 
Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo inundo afora. Nisto reconheceis o 
Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e 
todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o 
espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já 
está no mundo. Filinhos, vós sois de Deus e tendes vencido os falsos profetas, porque 
maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo. (1 João 4:1-4) 
Se conhecemos Jesus já vencemos o anticristo. Nosso evangelho deixará de ser 
verdadeiro na medida em que Jesus não seja o centro da nossa vida. Até mesmo 
o céu não seria céu se Cristo não estivesse lá. Nossa esperança está no Rei, não 
apenas no reino. Satanás procurará oferecer todos os elementos do reino, mas 
sem Jesus; essa é a essência no movimento da Nova Era. A nossa mensagem do 
reino é que Jesus é Rei! 
Exatamente na hora em que as trevas estiverem cobrindo a Terra, a glória do 
Senhor surgirá. Isso fará com que as nações se voltem para o povo de Deus. Por fim, a 
Igreja se tornará tudo o que foi destinada a ser: a noiva de Cristo, pura e sem 
manchas. Então a luz da Igreja será ainda mais brilhante diante de um cenário 
todo em trevas. 
O Evangelho da Esperança 
Numa recente experiência profética eu me encontrei na sala do radar de um 
navio de guerra, e o Senhor estava ao meu lado. Ao olhar para a tela do radar, um 
pequeno sinal apareceu, bem à frente, aproximando-se. 
Instintivamente ordenei ao navio que se virasse para a di reita, mas o sinal 
continuava à nossa frente, e cada vez chegando mais perto. Então mandei que 
o navio se voltasse para a esquerda. O sinal continuava diretamente à nossa 
frente, mais próximo ainda. Finalmente me posicionei para receber o impacto. 
Contudo, nada aconteceu - nem mesmo um solavanco. Então o sinal 
desapareceu. Perguntei ao Senhor: 
 O que era aquele pequeno sinal? 
 Era um tempo de grande tribulação - respondeu ele. - Esse tempo está vindo, e não há 
nada que possamos lazer para evitá-lo. Entretanto, é apenas um sinalzinho na tela do radar 
que indica tudo o que Deus está por fazer Enquanto os crentes estiverem com ele,nada 
sentirão. 
Eu estava deslumbrado, mas sei que é verdade. Comparado com a eternidade, toda a 
Grande Tribulação não passa de um sinalzinho na tela do radar. Colocado numa balança, 
num de cujos braços se acha o temível poder de nosso Deus, o grande tempo de 
tribulação não consegue nem ao menos ser sentido por ela. 
Por que os pensamentos sobre o fim dos tempos absorvem tanto a nossa 
atenção? Realmente, temos que ter entendimento sobre as tribulações que estão 
por vir, e precisamos preparar-nos para elas. Entretanto, de forma alguma 
essas tribulações deveriam dominar a nossa atenção ou nossa mensagem. O 
nosso preparo para as tribulações que virão é simples: é só permanecermos com 
Jesus. Para ficarmos com Ele, temos de nos preparar com fé, e não com medo, 
para qualquer tribulação futura. Nenhuma outra religião ou filosofia neste mundo 
tem uma esperança que se compare com a que nos foi dada, em relação à era 
vindoura. 
Quando orei para que tivesse sabedoria para construir nossa comunidade de Moravian 
Falls, o Senhor me deu três instruções básicas. Ele disse que havia designado aquele 
terreno para nós; teríamos assim que construir estruturas adequadas ao panorama 
local, e que "não ofendessem a terra". Ele disse também que teríamos que levar em 
conta nossos vizinhos, porque o amor não causa dano algum ao próximo. O Senhor 
então disse: 
- O que vocês construírem terá que permanecer por mil anos! Construam, pois, 
tendo em mente futuras gerações, porque eu voltarei para reinar sobre a Terra. 
Vocês têm que construir para a era que virá, não para a que está chegando ao fim. 
Sabemos que o Senhor está prestes a julgar a Terra. Como Paulo 
escreveu: Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus. Deus é tanto 
severo como misericordioso, e seu julgamento será tanto severo como 
misericordioso: severo para com aqueles que lhe opuserem resistência, e 
misericordioso para com os que o procurarem. Todos os seus caminhos são 
perfeitos, e até mesmo seus juízos têm propósitos redentivos: 
Alegrem-se os céus, e a Terra exulte; ruja o mar e sua plenitude. 
Folgue o campo e tudo o que nele há; regozijem-se todas as árvores do 
bosque, na presença do SENHOR, porque vem, vem julgar a Terra; julgará o 
mundo com justiça e os povos; consoante a sua fidelidade. (Salmos 96:11-13) 
Os juízos de Deus são para ser buscados, e não para se resistir a eles. Se 
estamos vivendo em obediência, não necessitamos temer até mesmo os 
tempos de maior tribulação. 
A GLORIOSA ESPERANÇA 
A mensagem que Jesus confiou à Igreja contém uma esperança bem mais gloriosa do 
que qualquer utopia da era de Aquário prev is ta pe los humanistas ou 
esp ir i tua l is tas. A nossa mensagem é o reino de Deus. A mensagem que Jesus 
pregou não foi o evangelho da salvação, embora isso estivesse nela incluído. Sua 
mensagem também não foi sobre a Igreja. Em todas as suas mensagens ele 
apenas fez breves referências à Igreja. 
A mensagem do Senhor era o Reino, e esta é a mensagem que nos foi dada a pregar. 
Isso não diminui a importância da nossa salvação, nem nega o elevado posto que a 
Igreja tem em seu plano. Entretanto, a mensagem do Reino é maior que tudo isso. 
Grandes verdades estão incluídas nessa mensagem, mas elas não têm o propósito de 
desprestigiá-la. 
A mensagem do Reino é em essência uma única verdade básica, mas que 
abrange tudo: Jesus é o Rei! Ele reina, e seu reino será um reino eterno. 
Quando ele voltar para estabelecer seu Reino sobre a Terra ele não apenas 
acabará com toda guerra, mas inclusive trará harmonia a toda a Criação. O leão 
deitar-se-á ao lado do cordeiro. As crianças brincarão com cobras em plena 
segurança. Não apenas doenças e enfermidades serão removidas da Terra, mas 
até mesmo a morte terá sido abolida. As nações beberão do Rio da Vida, e 
comerão do fruto da Árvore da Vida: 
Então me mostrou o rio da água da vida, brilhante com cristal, que sai do trono de Deus e 
do cordeiro. No meio da sua praça, de uma e outra margem do rio, está à árvore da vida, que 
produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês, e as folhas da árvore são para a anã dos 
povos. Nunca mais haverá nenhuma maldição. Nela estará o trono de Deus e do cordeiro. 
Seus servos o servirão, contemplarão a sua face, e na sua fronte está o nome dele. Então já 
não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do Sol, porque o Senhor 
Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos. (Apocalipse 22:1-5) 
A verdadeira mensagem do reino tem de conter tanto a bondade como a 
severidade de Deus. Ele está vindo para trazer a paz, mas também está vindo com 
pulso de ferro para afligir as nações. Tanto o leão como o cordeiro têm de ser incluídos 
na mensagem cio reino. 
A hora mais escura e mais fria da noite acontece um pouco antes do amanhecer. 
Por algum tempo ela pode ficar ainda mais fria e escura, mas em seguida o dia do 
Senhor vem: não mais prantos, não mais dores, não mais fome, não mais 
enfermidades. Nunca mais um pai sobre a Terra abusará de uma criança inocente, e 
ninguém procurará causar qualquer tipo de mal ao próximo, nem humilhá-lo ou 
defraudá-lo. A verdade prevalecerá sobre toda mentira, e o amor prevalecerá em toda 
a Terra. 
Uma nova era está chegando, e ela será muito mais gloriosa do que qualquer utopia, 
do que qualquer filosofia ou religião que haja sido em algum tempo concebida pelo 
coração humano. 
 
Uma visão 
 
Guerra e Glória 
Em agosto de 1993 tive uma visão da Igreja que era representada como uma 
ilha no meio de um mar. Havia muitos edifícios diferentes por toda a ilha, cada 
um dos quais entendi que representava uma denominação ou movimento dife -
rente. Os edifícios contrastavam arquitetonicamente entre si, uma vez que alguns 
bem antigos estavam ao lado de outros bem modernos. Uma guerra estava 
sendo travada entre muitos dos edifícios, que em sua maioria estavam reduzidos 
a simples estruturas, pelo efeito das bombas. Havia gente ainda morando nos 
prédios, mas quase todos os moradores estavam enfrentando fome, e feridos. 
Dois espíritos das trevas sobre a ilha comandavam essa guerra. Um deles 
chamava-se inveja, e o outro, Medo. "roda vez que um dos edifícios sofria um dano, ou 
pessoas eram feridas, esses espíritos se congratulavam entre si. 
Vi então dois espíritos poderosos e aterrorizantes surgindo sobre o mar. Eles 
se transformaram em tempestades. Um se chamava Raiva, e o outro, Anarquia. 
Agitavam fortemente o mar, formando grandes ondas que iam se quebrar na ilha. 
Logo a tempestade se tornou tão forte que parecia ser mais ameaçadora para a 
ilha do que propriamente uma guerra. 
Senti que o povo na cidade tinha que ser advertido quanto à tempestade. Diversos 
homens, que aparentemente eram guardas, estavam tentando fazer isso, mas 
ninguém lhes dava a menor atenção. As pessoas ficavam discutindo e argumentando 
entre si quanto à sua dúvida de serem ou não os guardas dignos de confiança. Isso 
era estranho, porque quem olhasse para cima veria a tempestade com Os próprios 
olhos. No entanto ninguém olhava para cima. 
As guerras ali haviam deixado tantos feridos que os hospitais — movimentos 
ou denominações que estavam proporcionando a cura das pessoas — estavam 
se tornando rapidamente os maiores edifícios da ilha. Com o crescimento dos 
hospitais, as outras facções guerreiras não Os respeitavam como um lugar em 
que até mesmo seus próprios feridos estavam sendo tratados; em vez disso eles 
estavam determinados a destruí-los, Voltando-se contra eles mais do que contra 
os demais edifícios. 
Como a guerra prosseguia, até mesmo os que não estavam seriamente feridos 
tinham a aparência de fantasmas, ou se haviam grotescamente deformado pela 
fome e pelas enfermidades. As pessoas eram atraídas a qualquer dos edifícios que 
estivesse recebendo suprimento de alimentos. Os demais então alvejavam esse 
edifício. Eu não podia compreender como até mesmo uma guerra poderia ser tão 
cruel - contudo tratava-se da Igreja! 
Em meio à batalha,alguns ainda estavam tentando ampliar suas construções, 
ou começando a edificar novos prédios, mas era em vão. Quando um edifício 
começava a subir um pouco acima dos demais, ou quando uma nova construção 
tinha início, eles se tornavam o alvo principal de todos os outros, e rapidamente eram 
reduzidos a entulho. 
Foram-me Mostrados então muitos líderes poderosos, que estavam à frente 
dessa guerra. Todos eles tinham a mesma palavra na testa: Traição. Eu me 
surpreendi, pensando como alguém poderia seguir as ordens de quem tivesse 
isso escrito sobre si. No entanto as pessoas lhes obedeciam. Lembrei-me então 
de 2ª Coríntios, 11:20: Tolerais quem vos escravize, quem vos devore, quem vos 
detenha, quem se exalte, quem vos esbofeteie no rosto. 
Um Remanescente 
Entretanto, havia alguns que pareciam como luzes em quase todos Os edifícios. 
Essas luzes se recusavam a participar da luta, mas passavam todo o tempo 
esforçando-se por reparar os edifícios ou cuidar dos feridos. Embora não se 
dessem conta, não paravam de esforçar-se no que faziam. 
Cada uma dessas luzes tinha o poder de curar ferimentos, e esse poder 
aumentava à medida que trabalhavam. Os que saravam tornavam-se luzes, 
tais como os que Os haviam curado. Essas pessoas agora tinham condições de 
fazer mais do que os hospitais, porque estes estavam sendo alvo de ataques 
demasiado cruéis. Tendo conhecimento dessa situação, os hospitais 
dispersavam seu pessoal em equipes de atendimento médico que iam por 
toda a i lha, entrando nos mais diversos edifícios. 
Havia vários pequenos acampamentos distribuídos ao longo do perímetro da 
ilha. Alguns deles estavam envolvidos na guerra entre os edifícios, e pareciam 
pretender destruir todos eles, de modo a trazer as pessoas dos mesmos para as áreas 
que ocupavam. Os líderes desses acampamentos tinham a mesma palavra — 
Traição — escrita na testa. 
Alguns desses acampamentos não estavam envolvidos com a guerra, e eles 
também eram como luzes. Estavam crescendo em autoridade, mas era uma 
autoridade de tipo diferente. Eles tinham autoridade sobre acontecimentos. Oravam 
para que não houvesse mais pequenas batalhas e para que pequenas tempestades 
se mantivessem bem longe da ilha. E estava acontecendo tal como eles oravam. 
Os dois espíritos sobre a cidade que estavam produzindo as duas grandes 
tempestades tornaram-se bastante intimidados por aqueles pequenos acampamentos. 
Senti que aqueles grupos de intercessão se encontravam de fato bem perto de 
conseguir autoridade suficiente para interromperem as maiores batalhas e as grandes 
tempestades, que obviamente eram a fonte de agitação comandada por esses grandes 
espíritos. 
A Tragédia 
Uma enorme quantidade de barcos e navios se posicionavam ao redor de toda a 
ilha, esperando poder entrar na cidade assim que a guerra terminasse. Muitas 
dessas embarcações estavam cheias de refugiados de outras guerras, e muitos 
deles feridos. Havia ainda navios que levavam reis, presidentes e pessoas que 
tinham a aparência de ser prósperas e ricas. Todos tinham medo das 
tempestades, mas não tinham como entrar na cidade por causa da guerra. 
Gemiam e gritavam bem alto, num óbvio desespero, de modo que fiquei surpreso 
por ver que ninguém na cidade Os ouvia; ninguém parecia ter nem mesmo consciência 
de que eles se achavam ali. 
Então vi o Senhor em pé, observando tudo. Sua glória era tão grande que me 
fez pensar e me perguntar por que não o vira antes, ou por que todos na cidade 
não haviam parado para adorá-lo. Para meu espanto, ninguém tinha condições 
de vê-lo. Olhei para os olhos de algumas pessoas e vi que estavam tão vermelhos que 
me admirei pelo fato de ainda conseguirem ver alguma coisa. 
Considerei comigo mesmo por que motivos o Senhor não interrompia aquela 
guerra. Pelo contrário, Ele parecia sentir prazer em simplesmente observar o 
que acontecia. Como se houvesse compreendido meus pensamentos, Ele se 
voltou para mim e me disse: 
 Essa é a minha Igreja. Essas eram as casas que as pessoas tentavam construir para 
mim. Bati na porta de cada uma delas, mas nenhuma me foi aberta. Eu teria trazido a paz, 
porque Só habito numa cidade em que haja paz. 
Em seguida Ele se virou, e apontando para as pessoas dos navios, disse: 
 Se eu permitisse que todos eles fossem agora para a cidade, eles seriam arrebatados para 
a guerra. Quando os clamores deles se tornarem mais altos que o barulho da guerra, então 
construirei um lugar para eles. 
Então ele olhou para mim com um ar muito sério e disse: 
- Permiti que isso acontecesse para que nunca mais venha a ocorrer de novo! 
É difícil comunicar o poder dessa declaração, mas ela me transmitiu um 
profundo entendimento de que o Senhor havia permitido que esse conflito 
continuasse, tendo como base uma profunda sabedoria. Então ele disse: 
- Enquanto você não compreender isso, você não poderá entender o que estou prestes a 
fazer. 
Quando os clamores dos que estavam nas embarcações se tornaram mais 
altos que o barulho do conflito na cidade, o Senhor deu uma ordem, e o mar foi 
posto em liberdade. Então grandes ondas se levantaram e passaram 
impetuosamente por toda a ilha, até cobrirem os edifícios. Os espíritos que 
eram as tempestades ajuntaram-se com Os espíritos que atuavam na ilha, e 
quase dobraram de tamanho. Então a ilha desapareceu completamente nas 
trevas dos espíritos e no mar agitado. 
O Senhor não se moveu enquanto tudo isso acontecia. Eu sabia que a minha 
única proteção era permanecer tão perto Dele quanto possível. Eu não podia 
olhar para nada, a não ser para Ele, durante aquela grande tempestade. Olhando 
para a face do Senhor, pude ver tanto um sentimento de dor como de 
determinação. 
Aos poucos a tempestade foi diminuindo e aquelas ondas tempestivas cessaram. 
Aqueles que eram luz nos edifícios emergiram e permaneceram onde anteriormente 
havia os edifícios. Então o Senhor saiu da extremidade da ilha, onde estava, e diri-
giu-se para o centro da mesma, e disse: 
- Agora vou construir a minha casa. 
Todos os que eram luz foram então voltando-se em direção ao Senhor. Ao se 
voltarem para Ele, à luz deles se tornou ainda mais forte, e cada grupo se 
transformou numa coluna viva no local em que estava. Logo ficou patente que 
aquelas colunas eram a estrutura de um edifício, que cobria quase toda a ilha. 
As colunas eram de cores, formas e tamanhos diferentes. Era difícil compreender 
como, sendo tão diferentes, aquelas colunas faziam parte de unia mesma 
estrutura. Entretanto, o Senhor parecia estar muito satisfeito com cada uma 
delas. Finalmente elas se ajustaram umas com as outras. 
Então os navios e embarcações começaram a desembarcar na ilha. Cada um 
deles era de uni país e de uma raça diferente. Logo me veio o pensamento de que, 
por maior que fosse aquele edifício, havia gente demais para ele. O Senhor olhou para 
mim e disse, com muita ternura: 
- Vamos construir tantos quartos quantos forem necessários; ninguém será 
rejeitado. 
Isso foi dito com tanta meiguice que tirei da cabeça a al ternativa de 
considerar a rejeição de alguns como uma possível solução. Considerei 
também que o problema antes era como fazer com que as pessoas viessem para 
os edifícios. Agora o maior problema era o que fazer com toda aquela gente. 
Quando cada um dos navios chegava, as pessoas que nele estavam eram 
levadas diretamente ao Senhor. Ele olhava para os olhos de cada uma delas e dizia: 
- Se você confia em mim, você morrerá por mim. 
Quando a resposta era: "Sim, morrerei por ti", imediatamente o Senhor passava 
a sua espada bem no coração da pessoa. Isso causava uma dor muito forte. 
Aqueles, porém, que se recusavam a morrer por ele, sofriam uma dor muito maior 
ainda. Os que não ficavam tensos pareciam não sentir muita dor. 
Todos eles eram levados então a um cemitério que tinha em seu portão de 
entrada a palavra Obscuridade. Vi-me compelido a segui-los. Antes de serem 
enterrados, os que haviam sido trespassados eram examinados quanto a estarem 
de fato mortos.Alguns apegavam-se à vida por muito tempo, e eram deixados de 
lado. Os que foram enterrados começaram a ressuscitar rapidamente como uma 
grande luz, e eram tal como aqueles que haviam sobrevivido na tempestade. 
Observei que o tempo em que permaneciam no túmulo era diferente para cada um. 
Alguns ressuscitaram mesmo antes de haverem sido enterrados Os que se 
apegavam à vida. 
Quando olhei para esse cemitério pela primeira vez, ele parecia ser um local 
horrível, e realmente pensei que não combinava com tudo o mais nessa agora 
gloriosa ilha. Assim que deixei o cemitério, voltei-me para trás para olhar de novo 
para ele, e sua aparência agora era bela. Não dava para entender o que estava 
diferente nele. Então um dos trabalhadores me disse, com muita convicção: 
 Não foi o cemitério que mudou; quem mudou foi você. 
Olhei para o edifício, e ele estava ainda mais glorioso que antes. Olhei para a 
ilha, e ela parecia estar muito mais bela ainda. Lembrei-me da Escritura: Preciosa é 
aos olhos do SENHOR a morte dos seus santos. Aquele trabalhador, que ainda estava 
olhando para mim, disse: 
 Você ainda não morreu, mas foi mudado apenas por haver estado perto dos que 
morreram. Quando você morrer, você verá muito mais glória ainda. 
Os que estavam emergindo do cemitério como luz eram levados para o 
edif ício, para o lugar que tinha seu nome. Alguns foram para as paredes; 
outros, para as colunas. Houve os que se tornaram janelas e portas. Contudo 
eles continuavam sendo pessoas, mesmo depois de se haverem tornado uma parte 
do edifício. 
A Prova 
Voltei para o lado do Senhor. Permanecer na sua presença era tão maravilhoso 
que eu não podia imaginar como poderia haver quem não desejasse morrer por 
ele. Entretanto, muitos dos que vinham dos navios se recusavam. Pediam que 
fossem afastados dele. Muitos dentre eles voltaram para os navios, alguns dos 
quais partiram, mas os demais permaneceram no porto. 
Alguns dos que se recusaram a morrer permaneceram na ilha e tinham permissão 
para andar por ela com liberdade, podendo até mesmo entrar na casa do Senhor. 
Pareciam sentir muito prazer na glória que havia por toda parte. Vários deles 
começaram a brilhar com glória também, mas não tinham a glória dentro de si 
mesmos; apenas refletiam a que provinha dos outros. 
Enquanto eu pensava que não era certo que tais pessoas tivessem permissão 
para ficar na ilha, o Senhor me disse: 
— A minha paciência vai ganhar muitas dessas pessoas, mas até mesmo aquelas que 
nunca chegarem a dar a sua vida, eu as amo, e me alegro por permitir que vejam a minha 
glória. Nunca mande embora os que amam a minha glória. 
Essas pessoas realmente apreciavam a presença do Senhor que se irradiava 
da casa, mas elas davam a impressão de ser tímidas e retraídas, quando o 
Senhor em pessoa chegou mais perto delas. 
Observei que os que haviam se recusado a morrer pelo Senhor começaram a 
conduzir-se como se a casa dele houvesse sido construída para eles. Senti 
desejos de ficar muito irado diante de sua grande presunção, mas não conseguia. 
Compreendi que não podia irar-me porque estava perto do Senhor. Isso me forçou 
a tomar uma decisão: ficar perto dele, ou então afastar-me, de modo a poder irar-me. 
Fiquei surpreso diante da dificuldade de tomar essa decisão, pois, honestamente, 
não estava fácil. Movido pelo medo do que estava acontecendo comigo, avancei 
alguns passos em direção ao Senhor. Ele imediatamente estendeu os braços e 
me agarrou, como se eu estivesse para cair num despenhadeiro. Olhei então para 
trás e me espantei, por ver que estivera à beira de um precipício. Se eu houvesse 
dado aquele passo, afastando-me do Senhor para poder irar-me, teria caído no 
precipício. 
Então o Senhor me disse: 
Nesta casa posso tolerar a presunção mais do que a ira. Uma ira assim daria 
novamente início à guerra. 
Fiquei então arrasado com a percepção de que eu mesmo ainda não tomara a 
decisão de morrer pelo Senhor, e que também tivera presunção em relação ao edifício 
e em relação a ele. Quando percebi esse grande mal em meu próprio coração, fiquei hor-
rorizado, e imediatamente supliquei ao Senhor que destruísse meu vil coração com 
sua espada. 
A Vida da Ressur re ição 
Quando o Senhor me trespassou o coração, surpreendi-me por não sentir 
quase nenhuma dor; é que ela parecia haver sido muito forte nos outros. Então ele me 
disse: 
- Aqueles que pedem a morte, morrem de maneira mais fácil. 
Lembrei-me do que ele disse em Mateus 21:44: Todo o que cair sobre esta pedra ficará 
em pedaços, e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó. 
Não me lembrava de haver sido levado para o cemitério, mas como se não houvesse 
passado tempo algum, saí dele de novo. Agora a glória de tudo que eu via não 
dava para ser descrita. Olhei para uma rocha, e como senti prazer com ela! Olhei 
para as árvores, para o céu, para as nuvens, e não podia acreditar na maravilha que 
estava vendo. Um pardal era mais glorioso que qualquer pássaro que eu vira. 
Pensei comigo no fato de ser ele um tesouro tão valioso, e me perguntei à razão de 
não o haver apreciado antes dessa maneira. 
Olhei então para aquelas pessoas presunçosas. Não apenas não senti tentação 
alguma de me irar, como as amei tanto que deixaria meu coração ser ferido por 
todas elas, se isso contribuísse de algum modo para seu bem. Pensei então no quanto 
abençoado eu era por poder encontrar-me e estar com elas. Agora eu queria de fato que 
elas permanecessem, e já não compreendia por que fora tentado a irar-me com 
elas - elas eram tesouros ainda maiores que o pardal! 
Então o Senhor se postou ao meu lado. Embora eu achasse que isso não seria 
possível, o fato é que ele estava ainda mais glorioso que antes, e eu podia suportar 
essa visão. Ele me disse: 
— É por isso que a morte dos que são meus é tão preciosa para mim. Os que procuram salvar 
a sua vida quase sempre a perdem, mas aqueles que perdem a sua vida por amor a mim 
encontram a verdadeira vida. Agora você conhece a verdadeira vida porque você conhece 
o amor. 
Voltei então o olhar para a casa e todos os que a compunham. Tudo e todos 
pareciam estar alimentando um grande sentimento de amor, algo mais 
maravilhoso que qualquer coisa que houvesse visto antes. Era meu desejo conversar 
com cada um deles, mas eu também não queria deixar de estar com o Senhor, 
uma vez que a sua presença tinha uma força ainda mais forte, que não me permitia 
afastar-me. Conhecendo meus pensamentos, ele disse: 
- Você não precisa ter receio algum de afastar-se de mim, porque fiz a minha morada 
em você, e estarei com você aonde quer que vá. 
Observando aquela gente presunçosa - todos Os que desfrutavam todas aquelas 
bênçãos e que até mesmo pensavam que eram a razão delas - vi que eles nem 
mesmo faziam parte do que estava sendo construído. Tendo sido uni deles fazia 
pouco, eu também sabia como o prazer que eles sentiam era pequeno, comparado com 
o que poderia ser. Assim, uma grande compaixão tomou conta de mim. Continuando a 
observá-los, vi que a consistência do corpo deles ia aos poucos diminuindo, até que 
ficaram tal como os fantasmas que vira na cidade anterior. De novo me lembrei das 
palavras do Senhor: Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a 
vida por minha causa achá-la-á. 
Em seguida vi como o edifício continuava se tornando cada vez mais alto. Quanto 
mais alto ele ficava, mais glória transpirava dele, e de maior distância podia ser 
visto. Isso fez com que ainda outros navios e pessoas viessem das tempestades que 
ainda os assolavam, as quais não tinham como afetar a ilha. Ao considerar a 
altura que o edifício poderia atingir, o Senhor se voltou novamente para mim e 
disse, como se estivesse respondendo aos meus pensamentos: 
- Não existe um limite para a altura que esse edifício pode alcançai; porque eu sou o 
fundamento, e o amor é o cimento que está sendo usado. 
Diante disso, olhei para o cimento. Era transparente, mas radiava um grande 
poder. Perguntei a mim mesmo porque não havia notado isso antes, mas agora me 
parecia bastante óbvio e cativante. Fiquei pensando no fato de como me 
tornara enceguecido, até mesmo diante das maiores maravilhas daquele edif ício, 
até que o Senhor chamou a minha atenção para elas. Isso fez com que me 
virasse para ele, observando tudo a que Ele voltava seu olhar. 
Então o Senhor ficou olhando para as pessoas que agora compunham o edifício. Ao 
tornar a olhar para elas, surpreendi-me de imediato pelo fato de que eram mais do 
que simples pessoas - eu sabia que eram "uma nova criatura" que transcendia a 
velha criatura. Elas haviam feito uma ponte entre o espaço existente e o mundo 
espiritual, e visivelmente faziam parte de ambos. Eram sem sombra de dúvida 
sobrenaturais, o que não significava que não fossem naturais. Pelo contrário: 
eram muito mais naturais do que qualquer coisa "natural" que eu houvesse visto. 
Faziam com que tudo o mais parecesse como uma sombra, e essa impressão 
aumentava, enquanto elas continuavam mudando. 
Logo a glória que provinha daquelas pessoas podia tanto ser vista como sentida, 
e sentida não como um toque, mas como uma emoção. Ao chegar mais perto dessa 
glória, ela me fez experimentar uma sensação muito boa. Era como uma maravi -
lhosa intoxicação, não como uma que toldasse a mente, mas que a iluminasse. 
Senti-me de algum modo enobrecido, não com orgulho, mas com um poderoso 
sentido de destino. Senti também uma profunda segurança, como se estivesse em 
plena harmonia com o solo, com a atmosfera, e especialmente com o Senhor e sua 
casa. Tal sentimento era tão bom que não desejava sair dali. 
Com o acréscimo das pessoas que vinham em cada navio que chegava, a 
transformação dos que já faziam parte do edifício continuava, e a glória de toda a 
construção aumentava e se expandia. Todos os que estavam no edifício se regozijavam 
muito, quando chegava um novo grupo de pessoas. 
 
Compartilhando a Glória 
 
 Quando aqueles que vieram do cemitério tornaram lugar no edifício, os que dele já 
faziam parte lhes davam a glória que tinham. E ao fazerem isso, a glória que irradiava do 
Senhor aumentava, e Ele dava ainda mais glória àqueles que haviam renunciado à glória 
que tinham. Aqueles que mais se dedicavam a compartilhar o que tinham eram usados 
para dar início à construção de mais um andar no edifício, que ia ficando cada vez mais 
alto. 
Fiquei pensando: Como isso era o oposto de toda a inveja que antes prevalecera em 
toda a cidade. Então quis meditar um pouco sobre aquela inveja, para tentar compreendê-
la um pouco mais. Contudo não conseguia. Ela era por demais irreal, como se somente 
houvesse acontecido num pesadelo. A alegria dos que compartilhavam era tão grande 
que seria incompreensível se assim não acontecesse. Quanto mais a glória era 
compartilhada, mais cada um a recebia de volta para poder dividi-la com os outros. 
Eu sabia que todos passaríamos a eternidade apenas buscando aqueles com quem 
compartilharíamos a glória. Tive uma forte impressão de que o Senhor estaria criando 
muitos mundos novos, apenas para que viéssemos a ter novos lugares para compartilhá-
la. Então compreendi que foi por isso que ele criou o universo com tamanha diversidade, 
e o criou de forma a expandir-se continuamente, em alta velocidade. Ele pusera em 
movimento uma gloriosa reação em cadeia que nunca cessaria! Não havia limites de 
tempo ou de espaço, e iríamos necessitar de todo esse universo! 
 
As Tempestades Retornam 
 
De repente a minha atenção se voltou para a tempestade, que continuava a ficar mais 
intensa no mar. Para meu espanto ela crescera muito em intensidade, e mais 
rapidamente que a casa do Senhor — e agora vinha em direção à ilha. 
Enormes ondas cobriram a ilha, e o edifício desapareceu da minha vista, embora eu 
ainda estivesse bem perto dele. A fúria dessa tempestade ultrapassava toda possibilidade 
de compreensão, mas eu absolutamente não senti medo. Eu já morrera para este mundo, 
e tinha uma vida que nunca poderia me ser tirada. Da mesma forma tão maravilhosa 
como a ilha havia sido, eu me sentia agora muito feliz de morrer fisicamente, de modo a 
ficar livre para poder levar a glória do Senhor ao restante do universo. Teria sido muito 
difícil escolher entre ficar ou partir. Então me aquietei e esperei. 
Aos poucos a tempestade foi diminuindo, e o edifício emergiu. Tanto o edifício como a 
ilha eram agora bem menores, mas eram mais gloriosos ainda. Observei então que a 
tempestade havia apenas se desviado a uma certa distância da praia, e estava 
retornando. Tudo isso aconteceu diversas vezes, e a cada vez o edifício emergia um 
pouco menor, mas bem mais glorioso. Sempre que isso acontecia à tempestade era 
também menor; elas estavam se consumindo na ilha. Em pouco tempo o máximo que a 
tempestade fazia era gerar pequenas ondas, em nada ameaçadoras. A glória da casa 
agora ultrapassava toda possibilidade de descrição por palavras humanas. 
Então as nuvens se dissiparam completamente no mais belo céu azul que eu já vira. Ao 
contemplá-lo, vi que se enchia da glória que emanava da casa. Não havia dano algum 
provocado pela tempestade, embora a casa fosse bem menor. Mesmo assim, a glória que 
agora dela emanava era muito maior que antes, e se refletia por todas as coisas. Senti 
que ela era tão grande que deveria já estar se expandindo a uma distância enorme da 
Terra. 
Então a visão mudou, e fiquei sozinho com o Senhor. Eu não sentia mais nenhum dos 
grandes sentimentos que experimentara, nem mesmo o amor. O Senhor olhou para mim 
muito sério e disse: 
— A guerra está quase no fim. É hora de se preparar para as tempestades. Diga ao 
meu povo que ninguém que tenha o sangue de seu irmão nas mãos construirá a minha 
Casa. 
Fiz o que pude para prestar atenção a essas palavras, e assim guardá-las. Ao mesmo 
tempo pensava no grande amor que sentira. Então o Senhor me disse de novo: 
— Isso foi um sonho, mas é real. Você recebeu no seu coração tudo que lhe mostrei neste 
sonho. Agora creia de coração, e meu amor voltará a ser real para você. É isso que você 
tem que buscar: conhecer o meu amor. 
 
Capítulo 12 Guerra civil na igreja 
 
Provavelmente foram muito poucas, em toda a história da Igreja, as vezes em 
que houve mais razões para se esperar um avanço da causa do Cristianismo do 
que agora no século vinte e um. Uma renovação da Igreja está acontecendo por 
todo o mundo. Movimentos de reconciliação estão confrontando importantes 
fortalezas, tais como as do racismo espiritual e de outras raízes de divisão e de 
injustiça. Novos e poderosos movimentos estão atingindo homens, mulheres e 
crianças, despertando-os para assumir seu lugar e seu destino na Igreja. No 
mundo todo, quase 200.000 novos crentes estão vindo para o Senhor a cada dia. 
Apesar de todos os seus problemas, a televisão evangélica tem contribuído 
bastante para a quebra das barreiras entre denominações e movimentos. Os 
que pertencem a uma denominação estão vendo os programas feitos por outras 
denominações, cada um enxergando méritos na forma de crer dos outros. 
Muitos eventos evangélicos chegam a reunir crentes provenientes de todo o espectro 
do corpo de Cristo, e um genuíno intercâmbio tem acontecido. Provavelmente 
haja mais unidade na Igreja hoje do que em qualquer outro tempo dos últimos mil 
anos. 
Isso é motivo para regozijo e esperança. Mesmo assim, alguns dos eventos que 
foram grandes divisores de época vieram de uma maneira inesperada e numa hora 
que parecia ser a mais improvável. É por isso que somos advertidos de que quando 
as pessoas disserem "paz e segurança", haverá repentina destruição. Creio que 
isso pode aplicar-se à presente unidade da Igreja. A maior prova da nossa unidade 
possivelmente esteja por cair sobre nós. Tudo que está acontecendo hoje se constituirá 
em fundamento para uma unidade bem maior que haverá no futuro. A grande 
prova que está por vir está na mira do inimigo, que deseja usá-la para se 
transformar em nossa maior derrota. Entretanto, se estivermos

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