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Dra. Aline David 
2022diegops10 - diegops10@hotmail.com - IP: 131.161.230.51
MÓDULO 1 - A ESTRATÉGIA NUTRICIONAL DO ZERO
MÓDULO 2 . 1 - B IOQUÍMICA DOS CARBOIDRATOS
MÓDULO 2- B IOQUÍMICA APL ICADA
- ANAMNESE NUTRICIONAL
- INQUÉRITOS AL IMENTARES
- PASSO A PASSO PARA ELABORAÇÃO DO PLANO ALIMENTAR
- ANTROPOMETRIA
- EQUAÇÕES PARA ESTIMAR A COMPOSIÇÃO CORPORAL
- B IOQUÍMICA DOS CARBOIDRATOS
- D IGESTÃO E ABSORÇÃO
- GLICÓLISE
- GL ICOGÊNESE, GL ICOGENÓLISE E GLICONEOGÊNESE
- FOSFORILAÇÃO OXIDATIVA
- CICLO DE KREBS
- FERMENTAÇÃO LACTEA E ALCOOLICA
- FRUTOSE 
- V IA DAS PENTOSES
- INTOLERÂNCIA A LACTOSE E GALACTOSEMIA
- CARBOIDRATO PARTE PRÁTICA
- INTRODUÇÃO AO METABOLISMO HUMANO
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MÓDULO 2 .2 - B IOQUÍMICA DAS PROTEÍNAS
MÓDULO 2 .3- B IOQUÍMICA DOS L IP ÍDEOS
MÓDULO 3- NUTRIÇÃO CLÍNICA APL ICADA
- B IOQUÍMICA DAS PROTEÍNAS
- D IGESTÃO E ABSORÇÃO
- S ÍNTESE PROTEÍCA
- DEGRADAÇÃO PROTEICA
- CATABOLISMO
- CICLO DA UREIA
- FENILCETONURIA 
- COLÁGENO 
- ANEMIA FALCEFORME 
- T IROSINEMIA
- PROTEÍNAS 
- PARTE PRÁTICA - PROTEÍNAS
- B IOQUÍMICA DOS L IP ÍDEOS
- D IGESTÃO E ABSORÇÃO
- B IOSSINTESE DE AG
- L IPOLISE
- CORPOS CETONICOS
- OMEGA 3 E 6
- ÓLEO DE COCO
- AG TRANS
- RANCIF ICAÇÃO
- B IOSSÍNTESE DE COLESTEROL
- AL IMENTOS FUNCIONAIS
- ADOÇANTES
- FORMULAÇÃO MAGISTRAL 
- ARTIGOS CIENTÍF ICOS
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MÓDULO 4- EMAGRECIMENTO E OBESIDADE DA TEORIA À PRÁTICA
- DEF IN IÇÃO E CLASSIF ICAÇÃO DA OBESIDADE
- OBESIDADE EM CRIANÇAS E IDOSOS
- DESENVOLVIMENTO DO TECIDO ADIPOSO BRANCO 
MARROM 
- BROWNNING E B IOGÊNESE MITOCONDRIAL
- ATUAÇÃO ENDÓCRINA DO ADIPOSO
- ALTERAÇÕES METABÓLICAS E HORMÔNIOS ASSOCIADOS
 À OBESIDADE 
- INTERL IGAÇÃO DA OBESIDADE E D IABETES MELL ITUS T IPO2 
- OBESIDADE, INFLAMAÇÃO E DOENÇAS ASSOCIADAS
- MÚSCULO ESQUELÉTICO E OBESIDADE
- ESTEATO-HEPATITE NÃO ALCOÓLICA
- EXISTE OBESIDADE SAUDÁVEL?
- GENÉTICA E GENÔMICA DA OBESIDADE
- JEJUM INTERMITENTE , T IME RESTRICTED FEEDING
 E RESTRIÇÃO CALÓRICA
- MICROBIOTA INTESTINAL E OBESIDADE
- S ÍNDROME METABÓLICA
- TRATAMENTO FARMACOLÓGICO: MECANISMO DE AÇÃO 
E INTERAÇÃO DROGA/NUTRIENTE 
- AVALIAÇÃO DE EXAMES LABORATORIAIS
- TÉCNICAS DE AVALIAÇÃO DA GORDURA CORPORAL
- TRATAMENTO E CÁLCULOS NUTRICIONAIS:
 NECESSIDADES ENERGÉTICA E DE MACRONUTRIENTES 
- F ITOTERÁPICOS, COMPOSTOS B IOATIVOS E 
NUTRACÊUTICOS: DA EVIDÊNCIA CIENTÍF ICA À PRESCRIÇÃO 
ADEQUADA
MÓDULO 5- NUTRIÇÃO ESPORTIVA DA TEORIA À PRÁTICA
- B IOENERGÉTICA NO ESPORTE
- RECOMENDAÇÕES DE CARBOIDRATOS NO ESPORTE
- RECOMENDAÇÕES DE PROTEÍNA NO ESPORTE
- RECOMENDAÇÕES DE L IP ÍDEOS NO ESPORTE
- H IDRATAÇÃO
- WHEY, CASEINA, BCAA E LEUCINA
- CREATINA, MALTO, CAFEÍNA
- N ITRATO, B ICARBONATO, BETA-ALANINA, LCARNIT INA,
TCM
- CASO CLÍNICO: H IPERTROFIA
- CASO CLÍNICO: ENDURANCE
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MÓDULO 6- NUTRIGENÔMICA DA TEORIA À PRÁTICA 
- INTRODUÇÃO À GENÔMICA E GENÉTICA 
- ERROS INATOS DO METABOLISMO 
- POLIMORFISMOS 
- OBESIDADE
- DOENÇAS COMUNS NA PRÁTICA CLÍNICA 
- TESTES GENÉTICOS 
- MENTORIA NUTRIGENÔMICA
MÓDULO 7- D IABETES MELL ITUS DA TEORIA À PRÁTICA
- METABOLISMO DA GLICOSE E BALANÇO GLICÍDICO
- D IABETES MELL ITUS T IPO 1
- D IABETES MELL ITUS T IPO 2
- D IABETES MELL ITUS GESTACIONAL
- COMPLICAÇÕES DECORRENTES DO DIABETES MELL ITUS
- MANIFESTAÇÕES DO MÚSCULO ESQUELÉTICO NO
DIABETES MELL ITUS 
- D IAGNÓSTICO E EXAMES LABORATORIAIS 
- TRATAMENTO FARMACOLÓGICO 
- EXERCÍCIO F ÍS ICO NO DIABETES MELL ITUS 
- NUTRIÇÃO NO DIABETES MELL ITUS 
- D IETAS E ESTRATÉGIAS
- NOVIDADES E PERSPECTIVAS DA TERAPIA NUTRICIONAL 
- ASPECTOS IMPORTANTES DURANTE A CONDUTA
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MÓDULO 8- DOENÇAS HEPÁTICAS DA TEORIA À PRÁTICAMÓDULO 8- DOENÇAS HEPÁTICAS DA TEORIA À PRÁTICA
- MORFOLOGIA(ANATOMIA) , METABOLISMO E FUNÇÕES
HEPÁTICAS (ASPECTOS GERAIS SOBRE O F ÍGADO)
- V ISÃO GERAL SOBRE AS HEPATOPATIAS
- AVALIAÇÃO DE FUNÇÃO E LESÃO HEPÁTICAS (EXAMES
BIOQUÍMICOS, TESTES DE AVALIAÇÃO DE FUNÇÃO E
REGENERAÇÃO, EXAME GENÉTICO ETC)
- DOENÇA HEPÁTICA GORDUROSA NÃO ALCOÓLICA
- ET IOLOGIA E F IS IOPATOLOGIA (RESISTÊNCIA
INSULÍNICA, OBESIDADE, MICROBIOTA, FRUTOSE ETC)
- OUTRAS DOENÇAS HEPÁTICAS (DOENÇA ALCOÓLICA,
HEPATITES, ENCEFALOPATIA HEPÁTICA, CIRROSE)
- MICROBIOTA INTESTINAL E F ÍGADO
- SÍNDROME METABÓLICA E F ÍGADO
- ALIMENTAÇÃO E F ÍGADO (S ÍNTESE GERAL PARA
DOENÇAS HEPÁTICAS)
- MACRONUTRIENTES
- FRUTOSE E F ÍGADO
- D IFERENTES T IPO DE GORDURA E F ÍGADO
- DEF ICIÊNCIA DE COLINA E F ÍGADO
- AGES E F ÍGADO
- LE ITE DE DERIVADOS E F ÍGADO
- F ITOTERÁPICOS, COMPOSTOS B IOATIVOS E
NUTRACÊUTICOS E F ÍGADO
- AL IMENTAÇÃO NO PRÉ E PÓS OPERATÓRIO DE
CIRURGIAS HEPÁTICAS
- CASOS CLÍNICOS: APL ICAÇÃO DA NUTRIÇÃO
INDIVIDUALIZADA DESDE A AVALIAÇÃO DO PACIENTE ,
CONSTRUÇÃO DO CARDÁPIO E DE FORMULAÇÕES
MAGISTRAIS
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MÓDULO 9- DOENÇAS CARDIOVASCULARES DA TEORIA À PRÁTICA
- DEF IN IÇÃO DE DOENÇAS
CARDIOVASCULARES
- EP IDEMIOLOGIA E PREVALÊNCIA DAS DCV
- PR INCIPAIS CAUSAS E FATORES DE R ISCO
DAS DCV
- F IS IOLOGIA DO SISTEMA
CARDIOVASCULAR E CIRCULATÓRIO
- F IS IOPATOLOGIA DAS DCV
- DOENÇAS ASSOCIADAS AO SISTEMA
CARDIOVASCULAR
- RELAÇÃO ENTRE DCV E OBESIDADE
- COLESTEROL ASSOCIADO A
ATEROSCLEROSE
- INFLAMAÇÃO E ESTRESSE OXIDATIVO
NAS DCV
- ALTERAÇÕES HORMONAIS E SONO NAS
DCV
- INTERRELAÇÃO ENTRE MICROBIOTA E DCV
- D IETA DASH E MEDITERRÂNEA
- AL IMENTOS FUNCIONAIS
- INTERPRETAÇÃO DE EXAMES
LABORATORIAIS
- INDICADORES BÁSICOS PARA AVALIAÇÃO
ANTROPOMÉTRICA NAS DCV
- TRATAMENTO FARMACOLÓGICO NAS
DCV
- RECOMENDAÇÕES NUTRICIONAIS
- MICRONUTRIENTES NAS DCV
- F ITOTERÁPICOS E NUTRACÊUTICOS COM
EVIDÊNCIAS CIENTÍF ICAS PARA AS DCV
MÓDULO 10- ALERGIAS AL IMENTARES DA TEORIA À PRÁTICA
- PR INCIPAIS D IFERENÇAS ENTRE INTOLERÂNCIAS E
ALERGIAS
- INTOLERÂNCIA À LACTOSE
- INTOLERÂNCIA À SACAROSE
- INTOLERÂNCIA À FRUTOSE
- D IETOTERAPIA NAS INTOLERÂNCIAS AL IMENTARES
- DOENÇA CEL ÍACA E SENSIB IL IDADE AO GLÚTEN
- ALERGIAS EM BEBÊS E CRIANÇAS
- D IETOTERAPIA NAS ALERGIAS AL IMENTARES
- EXAMES PARA AVALIAÇÃO DAS INTOLERÂNCIAS E
ALERGIAS
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MÓDULO 1 1 - DOENÇAS T IREOIDEANAS DA TEORIA À PRÁTICA
- CARCINOMA DA T IREOIDE
- D ISFUNÇÕES T IREOIDIANAS EM GESTANTES
- H IPERTIREOIDISMO E H IPOTIREOIDISMO
 - BÓCIO TÓXICO MULTINODULAR
- T IREOIDITE DE HASHIMOTO
- D IETOTERAPIA, TRATAMENTO NUTRICIONAL E
SUPLEMENTAÇÃO
- EXAMES B IOQUÍMICOS PARA AVALIAÇÃO DO
PACIENTE
MÓDULO 12 - DOENÇAS GASTROINTESTINAIS DA TEORIA À PRÁTICA
- INTRODUÇÃO À SAÚDE GASTROINTESTINAL
- A FUNÇÃO DO INTESTINO COMO ÓRGÃO
ENDÓCRINO
- S IBO
- S ÍNDROME DO INTESTINO IRR ITÁVEL
- MECANISMO DE AÇÃO E SUPLEMENTAÇÃO DOS
PREBIÓTICOS
- MECANISMO DE AÇÃO E SUPLEMENTAÇÃO DOS
PROBIÓTICOS
- D IETOTERAPIA E PRESCRIÇÃO NUTRICIONAL PARA
A SAÚDE INTESTINAL
- SUPLEMNTAÇÃO DE COMPOSTOS B IOATIVOS E
NUTRACÊUTICOS PARA A MODULAÇÃO INTESTINAL
- EXAMES B IOQUÍMICOS
MÓDULO 13- DOENÇAS RENAIS DA TEORIA À PRÁTICA
- INTRODUÇÃO AS DOENÇAS RENAIS
- DOENÇA RENAL CRÔNICA
- INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA
- MARCADORES DO ESTADO NUTRICIONAL NO PACIENTE RENAL
- S ÍNDROME MIA (DESNUTRIÇÃO, INFLAMAÇÃO E
ATEROSCLEROSE)
- TERAPIA NUTRICIONAL NA INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA
- TERAPIA NUTRICIONAL NA INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA
- TERAPIA NUTRICIONAL PARENTERAL NA DOENÇA RENAL
- AVALIAÇÃO DE EXAMES B IOQUÍMICOS
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MÓDULO 14- DOENÇAS IMUNOLÓGICAS DA TEORIA À PRÁTICA
MÓDULO 15- D ISTÚRBIOS EMOCIONAIS DA TEORIA À PRÁTICA
- INTRODUÇÃO AO SISTEMA IMUNE
- DOENÇAS AUTO- IMUNES (PSORÍASE, ARTRITE REUMATOIDE, LÚPUS,
ESCLEROSE MÚLTIPLA, S ÍNDROME DE SJOGREN E ESPONDIL ITE
ANQUILOSANTE)
- PARTICIPAÇÃO DO INTESTINO NO QUADRO DE DOENÇAS
IMUNOLÓGICAS
- AVALIAÇÃO DE EXAMES B IOQUÍMICOS
- TRATAMENTO DIETÉTICO E PRESCRIÇÃO DE SUPLEMENTOS
NTRODUÇÃO AS DOENÇAS EMOCIONAIS 
ANSIEDADE 
DEPRESSÃO 
TRATAMENTO NUTRICIONAL E PRESCRIÇÃO DE SUPLEMENTOS 
AVALIAÇÃO DE EXAMES B IOQUÍMICOS 
MÓDULO 16- DOENÇAS ÓSSEAS E REUMÁTICAS DA TEORIA À PRÁTICA
- INTRODUÇÃO AS DOENÇAS ÓSSEAS
- METABOLISMO ÓSSEO, PARTICIPAÇÃO DOS NUTRIENTES
- OSTEOPENIA E OSTEOPOROSE
- RAQUIT ISMO E OSTEOMALÁCIA
- DOENÇAS ÓSSEAS NA INFÂNCIA
“HIPOPARATIREOIDISMO E H IPERPARATIREOIDISMO
- TRATAMENTO NUTRICIONAL E PRESCRIÇÃO DE SUPLEMENTOS
- AVALIAÇÃO DE EXAMES B IOQUÍMICOS
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MÓDULO 17- SAÚDE DA MULHER DA TEORIA À PRÁTICA
MÓDULO 18- VEGANISMO E VEGETARIANISMO DA TEORIA À PRÁTICA
- INTRODUÇÃO À CONDIÇÃO CLÍNICA 
- ENDOMETRIOSE
- SOP
- FERTIL IDADE
- RESOLUÇÃO DE CASO CLÍNICO
- INTRODUÇÃO AO VEGETARIANISMO E VEGANISMO
- IMPACTOS POSIT IVOS DA DIETA VEGANA E VEGETARIANA
- DOENCAS CRÔNICAS E D IETOTERAPIA
- PRESCRIÇÃO DE MACRONUTRIENTES
- MICROBIOTA INTESTINAL
- AVALIAÇÃO DE EXAMES B IOQUÍMICOS
- SUPLEMENTAÇÃO DE MICRONUTRIENTES
- AJUSTE NUTRICIONAL PARA O ESPORTE E NECESSIDADES ESPECIAIS
PARA O ATLETA VEGANO E VEGETARIANO
- AJUSTE NUTRICIONAL PARA GESTANTES
- INTRODUÇÃO ALIMENTAR DO BEBÊ VEGANO E VEGETARIANO
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Dra. Aline David – 2022 
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CARBOIDRATOS 
 
 
 
CONCEITO E CLASSIFICAÇÃO: 
 
Os carboidratos são compostos extremamente abundantes na natureza e 
representam a maior fonte de combustível energético da dieta humana usual. 
Aproximadamente 50% ou mais das necessidades energéticas dos indivíduos 
provém dos carboidratos1,2. 
Os carboidratos são poli-hidroxialdeídos ou poli-hidroxicetonas, ou 
substâncias que geram esses compostos quando hidrolisadas. São formados 
por átomos de carbono, oxigênio e hidrogênio e alguns também contêm 
nitrogênio, fósforo ou enxofre. Podem ser divididos em dois grandes grupos: os 
simples, constituído pelos monossacarídeos e dissacarídeos e os complexos, 
representado pelos oligossacarídeos e os polissacarídeos2, 4. 
 
Carboidratos Simples: 
 
Monossacarídeos: 
Os monossacarídeos, também denominados de açúcares simples, 
constituem a forma mais simples dos carboidratos, sendo moléculas de baixo 
peso molecular, cuja forma empírica é representada por (CH2O). São aldeídos 
ou cetonas com dois ou mais grupos de hidroxila (OH) e podem ter de três a sete 
carbonos em sua estrutura, sendo que os monossacarídeos de quatro ou mais 
carbonos geralmente apresentam estruturas cíclicas (anéis). Podem ser trioses, 
tetroses, pentoses, hexoses ou heptoses, quando constituídos de três, quatro, 
cinco, seis ou sete átomos de carbono, respectivamente2. 
São exemplos de monossacarídeos: a glicose, a frutose, galactose, ribose, 
manose e eritrose e desoxirribose1,2,3. A glicose, também conhecida como 
dextrose, é o monossacarídeo mais abundante na natureza e é uma hexose que 
apresenta a fórmula (C6H12O6). A frutose e a galactose também são hexoses e 
também apresentam a fórmula (C6H12O6)3. 
 
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Dissacarídeos: 
Os dissacarídeos são formados por duas unidades de monossacarídeos 
com seis átomos de carbonos (hexoses), unidas por ligações glicosídicas, um 
tipo de ligação covalente que ocorre quando o grupo hidroxila (OH) de um 
monossacarídeo reage com a hidroxila de outro monossacarídeo através da 
remoção de uma molécula de água1,3. 
São exemplo de dissacarídeos: a sacarose (formada a partir da ligação 
entre uma molécula de glicose e uma de frutose), a lactose (formada a partir da 
ligação de glicose com galactose) e a maltose (formada a partir de duas unidades 
de glicose)3. 
Os monossacarídeos e dissacarídeos possuem sabor adocicado e são 
frequentemente adicionas aos alimentos para conferir palatabilidade, 
viscosidade, textura e conservação de alguns produtos alimentícios1. 
A beterraba, cana de açúcar, abacaxi e o açúcar de mesa são exemplos de 
fontes de sacarose. Já o Leite e derivados são exemplos de fontes de lactose1. 
 
Oligossacarídeos: 
São pequenas cadeias de monossacarídeos, podendo ser denominados de 
trissacarídeo, tetrassacarídeo e pentassacarídeo, de acordo com o número de 
monossacarídeos presentes em sua estrutura1. A maioria dos oligossacarídeos 
constituídos por três ou mais unidades não ocorre como moléculas livres, mas 
sim ligada a moléculas que não são açúcares, como lipídeos ou proteínas, 
formando glicoconjugados4. 
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São exemplos: maltodextrina, rafinose, inulina, oligofrutose, estaquiose, 
ciclo-heta-amilose, verbascose. Com exceção da maltodextrina, os 
oligossacarídeos são resistentes à ação digestiva nos humanos, porém as 
bactérias do intestino são capazes de digeri-las e, por isso, pode ocorrer 
flatulência após a consumo destes alimentos1,2. 
A rafinose (trissacarídeo), a estaquiose (tetrassacarídeo) e a verbascose 
(pentassacarídeo) são formadas a partir da ligação entre glicose, galactose e 
frutose e podem ser encontradas em alimentos como o feijão, ervilha, farelos e 
grãos integrais2. 
 
Polissacarídeos: 
São moléculas de grande peso molecular, compostas por longas cadeias 
de monossacarídeos. São formadas por mais de dez monossacarídeos unidos 
por ligações glicosídicas1. Se a sua estrutura for composta por apenas um tipo 
de monossacarídeo, é denominada de homopolissacarídeo. Se dois ou mais 
tipos diferentes de monossacarídeos formarem a sua estrutura, esta recebe o 
nome de heteropolissacarídeo2. 
São exemplos de polissacarídeos: o amido, o glicogênio, a celulose, as 
pectinas e as gomas1,2. 
O amido é o polissacarídeo mais comum em plantas e é o principal tipo de 
carboidrato encontrado em alimentos consumidos pelos seres humanos1,2. É 
composto por dois homopolímeros de glicose: a amilose, representada por uma 
cadeia linear sem ramificações formadas por resíduos de glicose unidas por 
ligações glicosídicas α-1,4) e amilopectina, polímero de cadeia ramificada 
formada por unidades de glicose unidas por ligações α-1,4 e ligações α-1,6 em 
seus pontos de ramificações 2. 
São exemplos de amido: arroz, inhame, batata, mandioca, milho e trigo1. 
O glicogênio é a forma mais importante de carboidrato armazenado em 
tecidos animais, localizado principalmente no fígado e músculo esquelético. Sua 
estrutura é formada pela ligação entre unidades de glicose unidas por ligações 
glicosídicas α-1,4 em sua forma linear e α-1,6 em seus pontos de ramificações. 
Difere da amilopectina pela presença de maior número de ramificações em sua 
estrutura2. 
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A celulose é o principal componente da estrutura das paredes celulares 
das plantas. Assim como o amido e o glicogênio, é um homopolissacarídeo de 
glicose. Difere do amido pelo fato de sua estrutura ser composta por unidades 
de glicose unidades por ligações β-1,4. Como a celulose não é digerida pelas 
enzimas digestóriasdos mamíferos, é considerada um tipo de fibra alimentar e 
não fornece fonte de energia para tais2. 
 
 
DIGESTÃO: 
 
Para que os carboidratos sejam absorvidos e utilizados pelas células como 
fonte de energia, estes devem ser hidrolisados até as unidades de 
monossacarídeos. As enzimas hidrolíticas envolvidas no processo de digestão 
dos carboidratos são denominadas glicosidases ou carboidrases2. 
A digestão dos polissacarídeos da dieta inicia-se na boca pela enzima α-
amilase salivar, um tipo de glicosidase envolvida na hidrolise de ligações 
glicosídicas α-1,4 presentes nos amidos da dieta. Pelo fato do alimento 
permanecer na boca por um tempo muito curto, essa fase de digestão é capaz 
de hidrolisar apenas algumas ligações α-1,4 e produzir poucos 
monossacarídeos. No entanto, a ação da amilase salivar continua no estômago 
por cerca de uma hora, até o momento em que o suco gástrico penetra no bolo 
alimentar e reduz o pH (abaixo de 4,0) desativando esta enzima. Neste ponto, 
os amidos foram parcialmente hidrolisados e os principais produtos destas 
reações são as dextrinas, polissacarídeos de cadeia curta e a maltose1,2. 
A digestão do amido é continuada após o esvaziamento gástrico. Com a 
chegado do bolo alimentar no duodeno, ocorre a liberação dos hormônios 
secretina e colecistoquinina (CCK), que por sua vez, estimulam a secreção de 
enzimas digestivas do pâncreas para o duodeno, entre elas a enzima α-amilase 
pancreática. Esta enzima é capaz de hidrolisar apenas ligações glicosídicas α-
1,4, não sendo capazes de quebrar as ligações α-1,6 presentes nas ramificações 
de alguns polissacarídeos. Desta forma, os produtos finais da ação desta enzima 
são representados principalmente por dextrinas, maltose, isomaltose e glicose1,2. 
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As dextrinas restantes da digestão são então hidrolisadas por enzimas 
denominadas glicoamilases, formando moléculas de maltose e isomaltose. 
Finalmente, maltose e isomaltose são hidrolisadas por dissacaridades presentes 
na membrana do enterócito, denominadas maltase e isomaltase, formando como 
produto final moléculas de glicose livre1,2. 
 
Fonte: Berne; Levy, 2010. 
A sacarose e lactose são hidrolisados na membrana apical (borda em 
escova) dos enterócitos, pela ação de enzimas denominadas sacarase e lactase, 
respectivamente. Após a hidrolise da sacarose são formadas moléculas de 
glicose e frutose, já após a hidrolise da lactose são obtidas moléculas de glicose 
e galactose1,2. 
Portanto, de forma geral, após a hidrolise dos carboidratos digeríveis da 
dieta, são formados como produtos finais moléculas de monossacarídeos como 
glicose, frutose e galactose, os quais são capazes de serem, então, absorvidos 
pelos enterócitos1,2. 
 
ABSORÇÃO: 
 
A parede do intestino delgado é formada por células de mucosa absortivas 
e células calciformes secretores de muco, as chamadas vilosidades, que se 
estendem para dentro do lúmem. Na superfície do lúmem, as células absortivas 
apresentam-se em projeções similares a fios de cabelos, chamadas de 
microvilosidades (borda em escova). Este tipo de projeção permite uma extensa 
área de absorção dos conteúdos intestinais2. 
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A absorção é um processo que consiste no transporte de substâncias 
presentes no lúmem intestinal para a circulação. Os monossacarídeos 
resultantes da digestão, são absorvidos de duas maneiras: por difusão facilitada 
e transporte ativo1. 
A glicose e a galactose são absorvidas nas células da mucosa do intestino 
delgado por transporte ativo, processo que exige energia e a ação de um 
receptor específico, denominado de transportadores de sódio-glicose tipo 1 
(SGLT1). Trata-se de um complexo proteico dependente da bomba de Na+/K+ - 
ATPase, que ao gastar ATP, fornece energia para o transporte desses 
monossacarídeos através da célula da mucosa intestinal. A glicose ou galactose 
ligam-se a este transportador apenas após este ter sido carregado de Na+. Desta 
forma, uma molécula de glicose e dois íons de sódio são transportados para 
dentro da célula da mucosa simultaneamente. Após este processo, a maior parte 
da glicose ou galactose transportada para o enterócito, são então transportadas 
para a circulação por outro transportador específico, o GLUT 2, desta vez, por 
difusão facilitada (sem gasto de energia), que transporta os monossacarídeos do 
enterócito para a circulação a favor do seu gradiente de concentração. Uma 
pequena porção destes monossacarídeos podem ser utilizados pelas células da 
mucosa para as suas próprias necessidades energéticas1,2. 
Já a frutose é transportada para dentro da célula da mucosa por um outro 
tipo de transportador específico, o GLUT 5. A entrada da frutose para a célula 
independe da concentração de glicose e ocorre mesmo na presença de grandes 
concentrações de glicose no meio. Esse transporte é independente do transporte 
ativo e dependente de Na da glicose, porém a sua taxa de absorção é muito mais 
lenta quando comparada com a da glicose e galactose. Após este processo, a 
frutose é então transportada da célula da mucosa para a circulação pelo 
transportador GLUT 2, o mesmo que transporta glicose e galactose para a 
circulação2. 
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Fonte: Berne; Levy, 2010. 
 
TRANSPORTE: 
 
Após absorção dos monossacarídeos pela parede intestinal, estes entram 
na circulação portal, onde são então, transportados até o fígado. O fígado é o 
principal local para o metabolismo da glicose e galactose, que são rapidamente 
captadas por ele através de receptores específicos presentes nos hepatócitos. 
Elas entram nas células do fígado por meio de transporte facilitado e logo são 
metabolizadas2. 
Tanto a galactose quanto a frutose podem ser convertidas em derivados de 
glicose no fígado. Após essa conversão, ambas seguem o mesmo destino que 
a glicose e são então, armazenadas como glicogênio hepático ou são 
catabolizadas para fornecerem energia de acordo com as necessidades 
energéticas do momento2. 
A glicose também é metabolizada pelo fígado. O restante desse 
monossacarídeo destina-se para o estoque sanguíneo sistêmico e é então 
distribuída para outros tecidos, como músculos, rins e tecido adiposo. A entrada 
da glicose para as células destes tecidos ocorre por difusão facilitada. No 
músculo esquelético e adiposo, a entrada da glicose é dependente de insulina, 
por isso são chamados de tecidos insulinodependentes. A insulina sinaliza seu 
receptor específico presente na membrana destes tecidos, que por sua vez, 
estimula a translocação do transportador de glicose (GLUT4) para a membrana, 
captando a glicose da circulação para dentro das células2. 
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É importante ressaltar que a glicose é utilizada, sob condições normais, por 
uma ampla variedade de células, apresentando importante função central no 
metabolismo e na homeostase celular. A maioria das células depende do 
fornecimento contínuo de glicose para gerar energia na forma de ATP. Por isso 
seus níveis sanguíneos devem estar sempre controlados e em quantidades 
adequadas para cumprimento de suas funções2,4. 
A manutenção dos níveis normais de glicose no sangue é uma função 
homeostática fundamental e constitui uma das mais importantes funções do 
fígado. Esta regulação se dá por meio de processos metabólicos que ocorrem 
neste órgão, podendo decorrer tanto pela remoção de glicose do sangue e seu 
armazenamento no fígado por glicogênese, tanto por processos que 
disponibilizam a glicose hepática para a circulação como a glicogenólise e a 
gliconeogênese2,4.METABOLISMO DOS CARBOIDRATOS: 
 
O destino dos monossacarídeos depende das necessidades energéticas 
do organismo e a atividade de diversas vias metabólicas são reguladas de 
acordo com essas necessidades, de forma que algumas vias podem ser 
estimuladas e outras, inibidas2,4. 
Entre as vias metabólicas dos carboidratos estão a glicogênese (síntese de 
glicogênio a partir de moléculas de glicose), a glicogenólise (quebra de 
glicogênio em vários resíduos de glicose), a glicólise (oxidação de glicose para 
fornecimento de energia na forma de ATP), ciclo de ácido tricarboxílico, também 
conhecido como ciclo de Krebs ou ciclo do ácido cítrico (oxidação do piruvato e 
acetil-CoA) e a gliconeogênese (síntese de glicose a partir de precursores que 
não são carboidratos)2,4. 
 
 
GLICOGÊNESE: 
O termo glicogênese refere-se à via pela qual a glicose é no fim, convertida 
em glicogênio. O fígado é o principal órgão responsável pela síntese e 
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armazenamento de glicogênio, sendo este responsável por cerca de 7% do peso 
úmido do fígado. O glicogênio hepático pode ser quebrado em várias moléculas 
de glicose e está pode então, ser disponibilizada para a corrente sanguínea. 
Portanto, o fígado possui importante papel na manutenção dos níveis 
plasmáticos de glicose. O músculo esquelético também é responsável pelo 
armazenamento de glicogênio, o qual represente cerca de 1% do peso úmido 
deste tecido. O glicogênio muscular não é utilizado para manutenção da 
homeostase de glicose sanguínea. Diferentemente do fígado, os depósitos de 
glicogênio no músculo esquelético são utilizados como fonte de energia para o 
próprio tecido (fibra muscular) quando há uma demanda energética muito alta, 
causada, por exemplo, por um esforço físico2,4. 
A glicogênese hepática é, portanto, fundamental para manutenção dos 
níveis normais de glicose sanguínea e a glicogênese muscular, por sua vez, é 
de vital importância para garantir uma reserva de energia instantânea para 
momentos de demanda energética2,4. 
A glicose é fosforilada assim que entra na célula, produzindo um éster de 
fosfato no carbono 6 da sua molécula. No músculo, a enzima catalisadora desta 
reação é denominada hexoquinase, já no fígado, a enzima responsável é 
chamada de glicoquinase. O produto final desta reação é a glicose-6-fosfato. A 
síntese de glicogêniope iniciada apenas na presença da glicose-6-fosfato. A 
reação da hexoquinase e glicoquinase consome energia à custa de ATP, pois a 
glicose é ativada (fosforilada)2,4,5. 
O fosfato é então transferido do carbono 6 da glicose para o carbono 1, 
pela enzima fosfoglicomutase, resultando no produto glicose-1-fosfato. Na 
reação seguinte, o fosfato da glicose-1-fosfato é somado com uma uridina 
trifosfato (UTP) gerando a uridina difosfato glicose (UDP-glicose), que atuará 
como doadora de resíduos de glicose para a formação do glicogênio2,4,5. 
É necessário que exista um molde de glicogênio pré-formado como base, 
com o qual as outras unidades de glicose se ligarão. O glicogênio inicial é 
formado quando um resíduo de glicose faz ligação com um de tirosina de uma 
proteína denominada glicogenina e neste caso, a glicogenina atua como base. 
Resíduos de glicose adicionais são ligados pela enzima glicogênio sintase para 
formar cadeias de até oito unidades2,4,5. 
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Desta forma, a UDP-glicose se une ao molde pré-existente de glicogênio 
pela enzima glicogênio sintase. Por meio desta enzima, são estabelecidas as 
ligações α-1,4 e por meio da enzima amilo1,4-1,6-transglicosidade (também 
conhecida como enzima ramificadora) as ligações α-1,6, formando o 
glicogênio2,4,5. 
A via geral da glicogênese, assim como a maioria das vias sintéticas, 
consome energia, uma vez que um ATP e um UTP são consumidos a cada 
molécula de glicose introduzida2,4. 
 
GLICOGENÓLISE: 
 
Como dito anteriormente, a energia potencial do glicogênio está contida 
nos resíduos de glicose que formam sua estrutura. De acordo com as demandas 
energéticas do organismo, estes resíduos podem ser retirados, um por vez, das 
pontas das ramificações do glicogênio, disponibilizando glicose livre para a 
circulação sanguínea e os tecidos. Este processo de fragmentação do glicogênio 
em diversos resíduos de glicose, recebe o nome de glicogenólise2. 
A glicogenólise é regulada por hormônios catabólicos, sobretudo, o 
glucagon (de origem pancreática) e a catecolamina epinefrina (produzida pela 
medula adrenal)2. 
Quando é preciso obter energia, unidades individuais de glicose são 
liberadas do glicogênio por um processo de fosforólise, no qual, ligações 
glicosídicas são fracionadas pela adição de fosfato pela enzima glicogênio 
fosforilase. Esta enzima basicamente retira uma molécula de glicose por vez do 
glicogênio, adicionando a esta glicose um fosfato, gerando o produto glicose-1-
fosfato2,4. 
Em seguida, a enzima fosfoglicomutase converte a molécula de glicose-
1-fosfato em glicose-6-fosfato, onde o fosfato é transferido do carbono 1 para o 
carbono 6 da molécula de glicose recém retirada do glicogênio. A glicose-6-
fosfato pode entrar na via oxidativa da glicose (glicólise) ou virar glicose livre 
(apenas no fígado e rins)2,4. 
A conversão da glicose-6-fosfato para glicose livre necessita da ação da 
enzima glicose-6-fosfatase. Esta enzima funciona apenas em células do fígado 
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e rins, porém não se expressa nas células musculares e nos adipócitos. Desta 
forma, a formação de glicose livre é possível apenas a partir do glicogênio 
hepático. Nesta reação a glicose-6-fosfatase retira o fosfato da glicose, tendo 
como produto final a glicose livre, que é então, transportada pela circulação 
sanguínea para outros tecidos para ser oxidada e gerar energia2,4. 
Como as células musculares não expressam a enzima glicose-6-
foafatase, o produto final da glicogenólise nesse tecido é a glicose-6-fosfato, que 
não consegue ser transportada da célula para a circulação (apenas glicose livre 
é capaz de ser transportada das células para o sangue) e, portanto, os depósitos 
de glicogênio muscular são utilizados apenas para gerar energia para as células 
musculares (energia local), enquanto que o glicogênio hepático contribui para 
gerar energia sistêmica e manutenção da homeostase da concentração de 
glicose no sangue2,4. 
 
 
GLICÓLISE: 
A glicólise é a via pela qual a glicose é degradada em uma série de reações 
catalisadas por enzimas, gerando duas moléculas de três átomos de carbono 
cada, denominadas piruvato. Durante as reações sequenciais da glicólise, parte 
da energia livre proveniente da glicose é conservada sob a forma de ATP e 
NADH4. 
A degradação da glicose ocorre em 10 etapas e em 2 fases. As 5 primeiras 
etapas constituem a fase preparatória e as 5 últimas, a fase de pagamento4. 
 
Fase preparatória: 
1. Fosforilação da glicose: Na primeira etapa, a glicose é ativada (fosforilada) 
pela fosforilação no carbono 6 de sua molécula, convertendo-se em glicose-
6-fosfato, no qual o ATP é o doador do grupo fosforil, gastando, portanto, uma 
molécula de ATP (gasto de energia). Este processo é catalisado pela enzima 
hexoquinase (e glicoquinase nos hepatócitos)4. 
2. Conversão de glicose-6-fosfato em frutose-6-fosfato: Reação em que a 
enzima fosfoglicose-isomerase (ou fosfo-hexose-isomerase) catalisa a 
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isomerização reversível da glicose-6-fosfato em frutose-6-fosfato. Não há 
gasto de ATP4. 
3. Fosforilação da frutose-6-fosfato em frutose-1,6-bifosfato: Etapa na qual 
a enzima fosfofrutoquinase-1 (PKF-1)catalisa a transferência de um grupo 
fosforil do ATP para a frutose-6-fosfato, convertendo-a em frutose-1,6-
bifosfato. Nesta reação há gasto de um ATP4. 
4. Clivagem da frutose-1,6-bifosfato: Reação na qual a frutose-1,6-bifosfato 
é clivada para a formação de duas trioses-fosfato diferentes, a aldose 
gliceroaldeído-3-fosfato e a cetose di-hidroxiacetonafosfato. Esta etapa é 
catalisada pela enzima frutose-1,6-bifosfato-aldolase, também conhecida 
como aldolase 4. 
5. Interconverção das trioses-fosfato: Apenas a molécula gliceroaldeído-3-
fosfato poderá ser diretamente degrada pelas etapas subsequentes da 
glicólise. Para isso, a enzima triose-fosfato-isomerase converte a molécula 
di-hidroxiacetona-fosfato em gliceroaldeído-3-fosfato. O resultado final desta 
etapa é a presença de duas moléculas de gliceroaldeído-3-fosfato, as quais 
serão degradas nas próximas etapas desta via metabólica. A etapa 5 
completa a fase preparatória da glicólise 4. 
 
 
 
 
 
 
Fase de pagamento: 
Nesta fase, todas as reações ocorrem de forma duplicada, uma vez que a 
molécula de glicose deu origem a duas trioses (duas moléculas de 
gliceroaldeído-3-fosfato) ao final da última etapa da fase preparatória e ambas 
seguirão o mesmo caminho 4. 
 
6. Oxidação do gliceroaldeído-3-fosfato em 1,3-bifosfoglicerato: Nesta 
etapa, a enzima gliceroaldeído-3-fosfato-desidrogenase catalisa a reação 
de oxidação do gliceroaldeído-3-fosfato a 1,3-bifosfoglicerato. A enzima 
Note que na fase preparatória da glicólise, foi consumido duas moléculas de 
ATP. 
Saldo da fase preparatória: - 2 ATP 4 
 
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desta reação, retira dois elétrons do gliceroaldeído-3-fosfato, os quais são 
armazenados na forma de NADH. Saldo desta etapa: + 2 NADH 4. 
7. Transferência do grupo fosforil do 1,3-bifosfoglicerato ao ADP: Nesta 
etapa, a enzima fosfoglicerato-quinase catalisa a transferência do grupo 
fosforil da molécula de 1,3-bifosfoglicerato para o ADP, formando 3-
fosfoglicerato e uma molécula de ATP. Saldo desta fase: + 1 ATP 4. 
8. Conversão de 3-fosfoglicerato em 2-fosfoglicerato: Nesta reação, a 
molécula 3-fosfoglicerato é convertida em 2-fosfoglicerato pela enzima 
fosfoglicerato mutase, através da “troca” do fósforo do carbono 3 para o 
carbono 2 da molécula) 4. 
9. Desidratação de 2-fosfoglicerato a fosfoenolpiruvato: Reação na qual a 
enzima enolase realiza a remoção reversível de uma molécula de água do 
2-fosfoglicerato, gerando uma molécula de fosfoenolpiruvato (PEP) 4. 
10. Transferência de um grupo fosforil do fosfoenolpiruvato para o ADP: Na 
última etapa da glicólise, ocorre a transferência do grupo fosforil do 
fosfoenolpiruvato para uma molécula de ADP, resultando na formação de 
piruvato e uma molécula de ATP. Saldo desta etapa: + 1 ATP 4. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A partir da formação de piruvato, o caminho metabólico que a glicose segue 
dependerá da disponibilidade de oxigênio dentro da célula e, portanto, diz-se que o 
caminho é aeróbio ou anaeróbio 2. 
Na fase de pagamento, quatro moléculas de ATP foram formadas (nas etapas 7 
e 10). Isto, pois as etapas desta fase ocorrem duplicadamente. 
+ 1 ATP na etapa 7 (x2) = + 2 ATP 
+1 ATP na etapa 10 (x2) = + 2 ATP 
Produção na fase de pagamento: + 4 ATP e + 2NADH 
Saldo da fase de pagamento: + 2 ATP e + 2 NADH 
 
A produção de ATP na fase de pagamento é de 4 ATP, porém como na fase 
preparatória, teve o consumo de 2 ATP, o saldo final da glicólise é, portanto, de 
2 ATP 4. 
 
+ 4 ATP 
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Sob condições anaeróbias, ou seja, em uma situação em que falta oxigênio, o 
piruvato é convertido em lactato pela enzima lactato desidrogenase. A glicose anaeróbia 
é a única fonte de energia para os eritrócitos, uma vez que, as células vermelhas do 
sangue não possuem mitocôndrias 2,4. 
Em situações aeróbias, ou seja, na presença de oxigênio, o piruvato é 
transportado para o interior da mitocôndria para participar do ciclo de Krebs, processo 
no qual, o piruvato é então, oxidado na forma de CO2 e H20 e ocorre liberação de grande 
quantidade de energia, boa parte armazenada na forma de ATP 2,4. 
 
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Fontes: Nelson; Cox, 2011. 
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CICLO DE KREBS: 
 
O Ciclo de Krebs (também conhecido como ciclo do ácido cítrico ou ciclo do ácido 
tricarboxílico) ocorre na matriz mitocôndrial. O piruvato formado a partir da glicólise é 
transportado do citoplasma (local onde ocorre a glicólise) para o interior da mitocôndria 
2,4. 
Primeiramente, o piruvato é convertido em Acetil-CoA pelo complexo piruvato 
desidrogenase, por uma reação complexa que exige um sistema multienzimático e 
diversos cofatores e vitaminas. Os cofatores deste complexo incluem a coenzima A 
(CoA), a tiamina pirofosfato (TPP), o Mg2+, o NAD+, o FAD e o ácido lipoico. O ácido 
pantotênico, tiamina, niacina e riboflavina são vitaminas que também participam deste 
processo. As enzimas do complexo incluem a piruvato desidrogenase, a di-hidrolipoil 
desidrogenase e o di-hidrolipoil transacetilase. O resultado deste processo é a 
descarboxilação e a desidrogenação do piruvato, tendo o NAD+ como aceptor terminal 
de hidrogênio. Esta reação fornece energia, pois a reoxidação do NADH através do 
transporte de elétrons produz aproximadamente 3 mols de ATP por fosforilação 
oxidativa. Esse complexo é regulado de forma alostérica negativa pelo Acetil-CoA e 
NADH, e positivamente pelo ADP e Ca2+ 2. 
Após o complexo piruvato desidrogenase, que culmina na formação de acetil-
CoA, inicia-se as reações do clico de Krebs. A condensação da acetil-CoA com o 
oxaloacetato presente na matriz é a primeira etapa deste ciclo 2. 
 
Etapas do ciclo de Krebs: 
1. Formação de citrato a partir do oxaloacetato e acetil-CoA pela enzima citrato 
sintase. Esta reação é regulada negativamente pelo ATP. (Esta reação 
promove, portanto, a formação de citrato). 2,3,4 
2. Isomerização do citrato para isocitrato pela enzima aconitase (ocorre a 
formação de isocitrato). 2,4 
3. Oxidação do isocitrato a α-cetogluarato e CO2, catalisada pela enzima 
isocitrato desidrogenase. Constitui a primeira reação de desidrogenação do 
ciclo e a energia desta reação é fornecida pela cadeia respiratória através da 
reoxidação do NADH. Nesta etapa, ocorre a primeira perda de CO2 do ciclo. 
Ela é modulada positivamente pelo ADP e negativamente pelo ATP e NADH. 
(Nesta reação ocorre, portanto, a formação de α-cetogluarato, NADH e 
CO2).2,3,4 
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4. Descarboxilação e desidrogenação do α-cetoglutarato pela enzima α-
cetoglutarato desidrogenase. Nesta etapa ocorre a oxidação do α-cetoglutarato 
à succinil-CoA e CO2. Nesta reação, o NAD+ funciona como aceptor de 
hidrogênio e um segundo carbono se perde como CO2 (formação de succinil-
CoA, NADH e CO2). 2,3,4 
5. Conversão de succinil-CoA a succinato pela enzima succinil-CoA sintase. A 
hidrólise desta reação fornece energia suficiente para conduzir a fosforilação da 
guanosina difosfato (GDP) pelo fosfato inorgânico (Pi), resultando na formação 
de guanosina trifosfato (GTP), que é um composto anidrido de fosfato de alta 
energia assim como o ATP. O GTP pode servir como doador de fosfato em 
algumas reações de fosforilação e fornecer o seu fosfato para o ADP para formar 
ATP. O GTP é convertido em ATP pela enzima nucleosídeo difosfato quianse. 
(Ocorre, portanto, formação de succinato, e GTP).2,3,4 
6. Oxidação do succinato a fumarato pela enzima succinato desidrogenase. 
Esta reaçãoutiliza o FAD como aceptor de hidrogênio. O FADH2 é reoxidado 
pelo transporte de elétrons em O2. (formação de fumarato e FADH2).2,3,4 
7. Hidratação do fumarato a malato pela enzima fumarase. Esta enzima 
incorpora os elementos da molécula de H2O pela ligação dupla do fumarato 
para formar o malato (formação de malato). 2,3,4 
8. Na última reação do ciclo, a enzima malato-desidrogenase catalisa a 
oxidação do malato a oxaloacetato, tendo o NAD+ age como aceptor de 
hidrogênio. Ocorre a formação do NADH (formação de oxaloacetato e 
NADH).2,3,4 
 
 
O ciclo de Krebs, produz, portanto, 2 moléculas de CO2, 3 moléculas de NADH, 
1 de FADH2 e 1 de ATP ou GTP. A oxidação de acetil-CoA em 2 moléculas de CO2 
envolve a transferência de 4 pares de átomos de elétrons, os quais são carregados por 
3 moléculas de NADH e por 1 molécula de FADH2 (NADH e FADH2 são os carregadores 
de elétrons do ciclo). Estes carregadores transferem os elétrons para a cadeia 
respiratória, onde ocorre a síntese de ATP e redução do oxigênio em água3. 
Para cada NADH que transfere seus elétrons, são formados 3 ATP e para cada 
FADH2, são produzidos 2 ATP. O GTP formado pelo ciclo pode ser convertido em 1 
molécula de ATP. Desta forma, a sequência de reações do ciclo de Krebs produz ao 
todo, 12 ATP. Lembrando que uma molécula de glicose dá origem a duas de moléculas 
de piruvato e, portanto, 2 acetil-CoA. Cada acetil-CoA que entra no ciclo de Krebs 
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produz ao final 12 ATP. Sendo assim, a cada uma molécula de glicose, são formados 2 
acetil-CoA e duas voltas no ciclo e, portanto, 24 ATP são produzidos2,3,4. 
O ciclo de Krebs é composto por reações que estão relacionadas à cadeia 
transportadora de elétrons e à fosforilação oxidativa, que será descrita a seguir. 
 
Fontes: Nelson; Cox, 2011. 
 
CADEIA TRANSPORTADORA DE ELÉTRONS: 
A energia contida nas moléculas dos alimentos é convertida em um fluxo de 
elétrons que são transportados por carregadores gerados durante a glicólise e o ciclo 
de Krebs, como é o caso do NADH e FADH2. Estes carregadores transferem os seus 
elétrons para outras moléculas e, por fim, para o oxigênio, o qual é reduzido em água 
na cadeia transportadora de elétrons3. 
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As reações desta cadeia ocorrem na membrana interna da mitocôndria e 
envolvem 4 complexos de proteínas. Estes complexos proteicos apresentam moléculas 
com diferentes potencias de redução, de forma que, os elétrons são transferidos do 
complexo de menor potencial de redução para os de maior potencial de redução3. 
De forma resumida, os elétrons são transferidos da molécula de NADH para o 
complexo 1, que por sua vez, transfere estes elétrons para a coenzima Q (também 
chamada de ubiquinona). Quando esta coenzima recebe 1 elétron, forma o radical 
semiquinona (-QH) e quando recebe 2 elétrons, forma o ubiquinol (QH2). Em seguida, o 
QH2 transfere os elétrons para o complexo 3, que por sua vez, transfere-os para os 
citocromos, os quais carregam 1 elétron por vez até o complexo 42,3,4. 
O complexo 2 recebe os elétrons do FADH2, e transferem estes elétrons para a 
coenzima Q, encarregada pelo transporte dos elétrons para o complexo 3, que por sua 
vez, transfere-os para os citocromos, os quais carregam e transferem os elétrons até o 
complexo 4, onde estes serão oxidados a oxigênio, que é então reduzido em água2,3,4. 
Os complexos 1, 3 e 4 atuam também como uma bomba de prótons. A 
transferência de elétrons intermediada por estes complexos, fornece energia suficiente 
para o bombeamento de prótons da matriz mitocondrial para o espaço intermembrana 
da mitocondrial, mediada por estes complexos. A matriz mitocondrial torna-se carregada 
negativamente e o espaço intermembrana positivamente, formando uma diferença de 
potencial eletroquímico, o que resulta em armazenamento de energia pela concentração 
elevada de prótons neste espaço. A energia eletroquímica causada por esta diferença 
de potencial elétrico na membrana, é convertida em energia química, que é fornecida 
para a fosforilação do ADP em ATP (síntese de ATP) ao final da cadeia3,4. 
A ATP sintase é uma enzima capaz de sintetizar ATP utilizando uma força 
“próton-motora” através da membrana mitocondrial interna. Essa força é garantida pela 
energia eletroquímica armazenada no espaço intermembrana pela alta concentração de 
prótons. Para a formação de 1 mol de ATP, ocorre a passagem de 4 prótons do espaço 
para a matriz mitocondrial a favor do seu gradiente de concentração, liberando energia 
para a fosforilação do ADP em ATP. Este processo de síntese de ATP, é chamado de 
fosforilação oxidativa2,3,4. 
Dessa forma, a oxidação completa de uma molécula de glicose produz 32 ATP. 
Isto pois, a glicólise produz 2 ATP e 2 NADH (cada NADH fornece 3 ATP); o complexo 
piruvato-desidrogenase produz 2 NADH (3 ATP) e o ciclo de Krebs forma, em duas 
voltas, 6 NADH (18 ATP), 2 FADH2 (4 ATP) e 2 GTP (2 ATP). 
 
 
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GLICONEOGÊNESE: 
 
Sabe-se que a glicose é um nutriente essencial para que a maioria das células 
funcionem corretamente. O cérebro e outros tecidos do sistema nervoso central, além 
das hemácias, dependem fortemente da glicose como principal fonte de energia. 
Quando o consumo dietético de carboidratos é reduzido e a concentração de glicose 
sanguínea diminui, alguns hormônios como o glucagon, ativam a via da gliconeogênese, 
que é a síntese de glicose por fontes outras que não o carboidrato, sendo o lactato, o 
piruvato, o glicerol e alguns aminoácidos (aminoácidos glicogênicos), importantes 
fontes. O fígado é o principal local responsável pela gliconeogênese, embora sob 
algumas circunstâncias, como jejum prolongado, os rins possam exercer este papel 
também2,3,4. 
 
Glicólise: 2 ATP + 2 NADH = 2 ATP + 2x3 ATP (6 ATP) = 8 ATP 
 
Complexo Piruvato-desidrogenase: 2 NADH = 2x3 ATP = 6 ATP 
 
Ciclo de Krebs (2 voltas): 6 NADH (6x3) + 2 FADH2 (2X2) + 2 GTP (2 ATP) = 
(6x3 ATP) + (2x2 ATP) + 2 ATP = 18 + 4 + 2 = 24 ATP 
 
Formação de 32 ATP a partir da oxidação de 1 molécula de glicose2,4. 
 
 
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Fonte: Nelson; Cox, 2011. 
 
Referências Bibliográficas: 
 
1.Silva SMCS, Mura JDP. Tratado de Alimentação, Nutrição & Dietoterapia. 3a 
ed. São Paulo: Editora Payá; 2016. 
 
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ed. São Paulo: Cengage Learning; 2011. 
 
3. Cozzolino SMF, Cominetti C. Bases bioquímicas e fisiológicas da nutrição: nas 
diferentes fases da vida, na saúde e na doença. 1a ed. Barueri, SP: Manole; 2013. 
 
4.Nelson, DL, Cox MM. Princípios de Bioquímica de Lehninger. 5a ed. Porto 
Alegre: Artmed; 2011. 
 
5. Marzocco A, Torres BB. Bioquímica Básica. 3a ed. Rio de Janeiro: Guanabara-
Koogan; 2007. 
6. BERNE, Robert M.; LEVY, Matthew N. (Ed.). Fisiologia. 6. ed. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2010. 
 
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PROTEÍNAS 
 
CONCEITO E CLASSIFICAÇÃO: 
Proteínas são polímeros complexos, caracterizados pela presença de nitrogênio 
em sua estrutura química. Além de constituírem o componente celular mais abundante, 
são as moléculas mais diversificadas quanto à forma e à função1,5. 
Cerca de 17% do peso corporal humano é composto por proteínas, as quais 
apresentam-se distribuídas nos tecidos, exercendo diversas funções (estruturais,enzimáticas, mensageiras, imunoprotetoras, hormonais, tamponantes, 
transportadoras, etc)1. Aproximadamente 40% das proteínas do nosso corpo 
encontram-se localizadas no músculo esquelético, 25% nos órgãos e o restante está 
presente na pele e no sangue2. 
As proteínas são moléculas formadas pela união de 20 aminoácidos diferentes, 
através de ligações covalentes, denominadas ligações peptídicas1,3. A sequência desses 
aminoácidos é determinada pelo ácido desoxirribonucleico (DNA), através dos 
processos de transcrição e tradução1. 
 
FUNÇÕES DAS PROTEÍNAS 
Como dito anteriormente, as proteínas podem desempenhar diferentes funções 
de acordo com sua estrutura química 1,2,3,5. São exemplo de funções dessas 
macromoléculas: 
ESTRUTURAL: atuam como componentes do citoesqueleto e de estruturas de 
sustentação do organismo, além de dar resistência e elasticidade aos tecidos., como é o 
caso do colágeno, queratina e tubulina, por exemplo2,5. 
ENZIMÁTICA OU CATALISADORA: catalisam as mais diversas reações químicas 
que ocorrem no organismo, atuando como enzimas dessas reações2,5. 
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TRANSPORTADORA: transportam diversas substâncias e moléculas pelo sangue 
e entre os tecidos e células, como exemplo, o transporte de oxigênio pela proteína 
hemoglobina e o transporte de glicose, aminoácidos e outras substâncias através das 
membranas plasmáticas das células por proteínas transportadoras presentes na 
membrana. O LDL e HDL também são proteínas transportadoras. A albumina é a 
proteína mais abundante no sangue e é responsável pelo transporte de uma variedade 
de nutrientes, moléculas e substâncias pelo sangue.2,5. 
IMUNOPROTETORA: participam do sistema de defesa do organismo, 
neutralizando e combatendo vírus, bactérias, e outros elementos estranhos, como é o 
caso das imunoglobulinas2,5. 
HORMONAL: atuam na regulação de hormônios, como é o caso da insulina2,5. 
CONTRÁTIL: participam da contração muscular, como é o caso da actina e 
miosina2,5. 
TAMPONANTE: atuam na regulação do balanço ácido-básico do organismo2,5. 
ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DAS PROTEÍNAS: 
Em razão da complexidade das proteínas, estas são classificadas de acordo com 
seu nível estrutural. A organização espacial da proteína é resultante do tipo de 
aminoácido que a compõe e como eles estão dispostos uns em relação aos outros3,5. 
ESTRUTURA PRIMÁRIA: representa a sequência de aminoácidos da cadeia 
polipeptídica unidos por ligações covalentes (peptídicas). Essa sequência é determinada 
geneticamente e é específica para cada proteína2,3,5. 
ESTRUTURA SECUNDÁRIA: é o arranjo dos átomos de esqueleto da cadeia 
polipeptídica unidos por ligações de hidrogênio (pontes de hidrogênio), que são ligações 
mais fracas que as do tipo covalente. Um tipo de estrutura secundária das proteínas é a 
α-hélice, um formato cilíndrico caracterizado pelo enrolamento da cadeia polipeptídica 
sobre si mesma, com interações ocorrendo a cada 4 ligações peptídicas e as cadeias 
laterais dos aminoácidos se estendem para fora. Um exemplo deste tipo de proteína é 
o colágeno2,3,5. 
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Outro tipo de estrutura secundária é a β-conformação ou folhas β, cuja cadeia 
polipeptídica é plenamente estendida, com as cadeias laterais posicionadas acima ou 
abaixo. Ambos são relativamente estáveis e fornecem força e rigidez às proteínas2,3,5. 
ESTRUTURA TERCIÁRIA: refere-se à estrutura tridimensional do polipeptídeo (a 
maneira como a proteína se dobra no espaço tridimensional). Essa estrutura resulta das 
interações entre as cadeias laterais dos resíduos de aminoácidos localizadas bem 
próximas ou distantes umas das outras. Essas interações são mantidas por ligações não 
covalentes e podem resultar em uma estrutura linear, globular ou esférica, dependendo 
do tipo de interação. As ligações que podem estar presentes na estrutura terciária são: 
ligações de hidrogênio, interações hidrofóbicas, ligações iônicas e pontes dissulfeto,2,3,5. 
ESTRUTURA QUATERNÁRIA: é a associação de 2 ou mais cadeias polipeptídicas 
(subunidades). Essa estrutura é mantida por ligações não covalentes (as mesmas 
ligações da estrutura terciária) entre as subunidades. As subunidades que compõe a 
estrutura quaternária de uma proteína podem ser iguais ou diferentes. 
Figura 1.: Nível de estrutura nas proteínas 
 
Fonte: Nelson; Cox, 2011. 
AMINOÁCIDOS: 
Os aminoácidos são as unidades estruturais básicas de todas as proteínas e são 
constituídos por carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio e em alguns casos, por 
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enxofre. Os aminoácidos presentes nas estruturas de proteínas dos mamíferos são alfa-
aminoácidos, com exceção da prolina. Um alfa-aminoácido é composto por um grupo 
amino, um grupo carboxila, um átomo de hidrogênio e um grupo R (cadeia lateral), 
sendo que todos estão ligados à um átomo de carbono, denominado carbono alfa. Cada 
aminoácido apresenta uma cadeia lateral diferente ligada ao átomo de carbono alfa1. 
Os aminoácidos podem ser classificados de acordo com sua essencialidade. Os 
aminoácidos essenciais ou indispensáveis são aqueles cujo esqueletos de carbono não 
podem ser sintetizados pelo organismo, necessitando ser consumidos pela alimentação. 
Dentre os 20 aminoácidos que compõem as proteínas, 9 são essenciais (lisina, leucina, 
isoleucina, histidina, metionina, teonina, fenilanina, triptofano e valina). Os 
aminoácidos não essências ou dispensáveis são aqueles que são capazes de ser 
sintetizados pelo organismo como é o caso da alanina, asparagina, serina, ácido 
aspártico e ácido glutâmico. Ainda há os aminoácidos condicionalmente essenciais ou 
condicionalmente indispensáveis, cujo sua síntese pode ser limitada em algumas 
condições fisiopatológicas especiais, como em certas doenças, gestação, infância, fases 
de crescimento e idade avançada. Os aminoácidos arginina, glutamina, cisteína, glicina, 
prolina e tirosina compõem essa classificação1,2. 
 
 
 
 
 
 
Figura 5. Estrutura de um aminoácido 
 
DIGESTÃO 
H 
C alfa COOH 
R 
NH2 
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O objetivo da digestão das proteínas é liberar aminoácidos, dipeptídeos e 
tripeptídeos para serem, então, absorvidos pelo intestino delgado1. 
As enzimas responsáveis pela digestão das proteínas são denominadas 
peptidases e podem ser classificadas em duas categorias: as endopeptidases, que atuam 
sobre as ligações onternas e liberam grandes fragmentos de peptídeos para a ação 
subsequente de outras enzimas; e as exopeptidases, que atuam sobre as extremidades 
da cadeia peptídica, liberando um aminoácido a cada reação. As exopeptidades são 
subdivididas, ainda, de acordo com a posição em que atuam, sendo denominadas de 
carboxipeptidades, aquelas que atuam sobre a extremidade carboxila (COOH) do 
aminoácido, e aminopeptidades, aquelas que agem sobre a extremidade amino (NH2). 
As endopeptidades geralmente atuam no início da digestão das proteínas, quando as 
mesmas encontram-se intactas e as exopeptidades atuam no processo final da digestão, 
liberando aminoácidos, peptídeos e tripeptídeos1,2,3. 
A digestão das proteínas pode ser dividida em fases gástrica, pancreática e 
intestinal. Este processo inicia-se no estômago, onde o alimento entra em contato com 
o suco gástrico, contendo ácido clorídrico (HCL). A enzima pepsina é liberado dentro da 
cavidade gástrica sob a forma de pepsinogênio (forma inativa). No momento que o 
alimento entra em contato com o estômago, ocorre a estimulação da liberação de HCL 
pelas células parietais, resultando na diminuição do pH gástrico para 2,0, o que provocaa perda de 44 aminoácidos da estrutura do pepsinogênio. Esta alteração na molécula de 
pepsinogênio ocasiona em ativação desta em sua forma ativa (pepsina) e estimula a 
liberação de colecistocinina (CCK) no duodeno. A pepsina presente agora no estômago, 
acaba por estimular a ativação de mais pepsinogênio em pepsina por um processo 
denominado autocatálise. A CCK por sua vez, estimula a liberação de enzimas digestivas 
pelo pâncreas e pelas células da mucosa do intestino1,2,3. 
A pepsina é uma endopeptidase que atua sobre as ligações peptídicas 
envolvendo os aminoácidos tirosina, fenilanina, leucina e triptofano. Os produtos finais 
da digestão pelas pepsinas são grandes peptídeos e alguns aminoácidos livres. A ação 
da pepsina é responsável por cerca de 10 a 20% da digestão total das proteínas e sua 
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atividade termina quando o conteúdo gástrico se mistura com o suco pancreático 
alcalino no intestino delgado, onde ocorre sua desnaturação1,2,3. 
A chegado do bolo alimentar (quimo) no intestino delgado estimula a liberação 
de mais CCK e de secretina, o que resulta na liberação de bicarbonato de sódio e enzimas 
pancreáticas pelo pâncreas, respectivamente. O suco pancreático contém 
endopeptidases e exopeptidases, as quais são secretadas dento do pâncreas em suas 
formas inativas (zimogênios). O tripsinogênio, secretado pelo pâncreas no intestino 
delgado, é um zimogênio, portanto, não apresenta atividade proteolítica. Ele é ativado 
pela enteropeptidade, uma enzima localizada na membrana apical dos enterócitos da 
região duodenal. A atividade da enteroptidade é estimulada pela presença de 
tripsinigênio no intestino delgado, já a sua liberação é estimulada pela presença de sais 
biliares no mesmo. Esta enzima é responsável por ativar o tripsinogênio em sua forma 
ativa, a tripsina, que possui atividade proteolítica. A tripsina, além de atuar sobre as 
proteínas alimentares, também ativa outras pré-proteases (proteases inativas) liberadas 
pelo pâncreas, atuando, portanto, sobre o quimiotripsinogênio (forma inativa), 
liberando a quimiotripsina (forma ativa); sobre a pró-elastase (forma inativa), liberando 
a elastase (forma ativa); e sobre a pró-carboxipeptidase (forma inativa), liberando a 
carboxipeptidase (forma ativa)1,2,3. 
A tripsina e a quimiotripsina quebram as moléculas de proteínas em pequenos 
peptídeos no duodeno. Em seguida, a carboxipeptidase cliva os aminoácidos das 
extremidades carboxila dos polipeptídeos1,2,3. 
Posteriormente, as proteases pancreáticas sofrem inativação através do 
processo de autodigestão, sendo a tripsina a principal enzima responsável por essa 
inativação1,3. 
Os produtos finais da digestão de proteínas da alimentação no lúmen intestinal 
consistem em aminoácidos livres (40%) e pequenos peptídeos (60%), os quais 
apresentam cerca de 2 a 8 resíduos de aminoácidos. Esses peptídeos são 
posteriormente hidrolisados por enzimas presentes na superfície luminal, como as 
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aminopeptidases, dipeptidil aminopeptidase e dipeptidase, resultando na liberação de 
aminoácidos livres, dipeptídeos e tripeptídeos1,2. 
ABSORÇÃO: 
O epitélio intestinal apresenta mecanismos eficientes para absorver aminoácidos 
livres, dipetptídeos e tripeptídeos. Estes podem ser absorvidos por processos (Na+)-
dependente por um transporte ativo secundário ou por difusão facilitada que não 
necessita de Na+1,3. 
Na membrana apical dos enterócitos localiza-se uma proteína carregadora 
denominada de proteína transportadora de oligopepetídeos (Pept-1), que transporta 
apenas dipeptídeos e tripeptídeos, mas não os aminoácidos livres. A Pept-1 está 
localizada apenas na membrana apical dos enterócitos, estando ausente na membrana 
basolateral dessas células. Através dela, os dipeptídeos e tripeptídeos são transportados 
do lúmem intestinal para dentro das células do intestino, local que apresenta grande 
atividade das enzimas peptidases e tripeptidases, que “quebram” grande parte desses 
dipeptídeos e tripeptídeos transportados em aminoácidos livres. Os aminoácidos 
liberados por estas enzimas no meio intracelular dos enterócitos, são utilizados pela 
própria célula ou são disponibilizados para a circulação portal por meio de 
transportadores de aminoácidos localizados na membrana basolateral dos enterócitos. 
Uma pequena parte de dipeptídeos e tripeptídeos que “escapam” da hidrólise 
intracelular, é liberada para a circulação portal por meio de transportadores de 
peptídeos também localizados na membrana basolateral1,3. 
O Pept-1, presente na membrana apical, apresenta um mecanismo de transporte 
ativo, enquanto o transportador de aminoácidos e peptídeos localizados na membrana 
basolateral, funcionam a partir de um transporte facilitado (difusão facilitada)3. 
 
Figura 6. Esquema da absorção de aminoácidos e peptídeos no intestino delgado: 
transportador de dipeptídeos, tripeptídeos (Pept-1) e aminoácidos livres. 
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Fonte: Berne; Levy, 2010. 
 
TRANSPORTE E METABOLISMO: 
Após a absorção intestinal, os aminoácidos são transportados diretamente para 
o fígado através da circulação portal. Esse órgão exerce importante função na regulação 
das concentrações de aminoácidos plasmáticos. Cerca de 20% dos aminoácidos 
captados pelo fígado são liberados para a circulação sistêmica, enquanto 
aproximadamente 50% são convertidos em ureia e 6% em proteínas plasmáticas. Os 
aminoácidos liberados para a circulação, especialmente os de cadeia ramificada (AACR), 
representados pela leucina, isoleucina e valina, são posteriormente metabolizados pelo 
músculo esquelético, rins e outros tecidos1. 
O fígado é o órgão regulador do catabolismo (degradação) de aminoácidos 
essenciais, com exceção dos AACR, que são catabolizados principalmente pelo músculo 
esquelético. No fígado, parte dos aminoácidos são utilizados para síntese de proteínas, 
que são secretadas na circulação na forma de albumina e fibrina e, para a síntese de 
proteínas de vida mais curta, como é o caso das enzimas necessárias para as reações de 
catabolismo dos aminoácidos que estão na própria célula hepática1. 
O destino do aminoácido em cada tecido varia de acordo com as necessidades 
de cada um deles, as quais estão relacionadas ao estado fisiológico do organismo 
(alimentado, em jejum, esforço físico). Existe um processo dinâmico e constante de 
síntese e catabolismo proteico, o qual é específico em cada tecido, denominado 
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turnover proteico. A velocidade do turnover proteico (síntese e degradação de proteínas 
endógenas pelos tecidos) varia de acordo com a função da proteína e com o tipo de 
órgão ou tecido que desempenha esse processo1. 
Estima-se que em um indivíduo adulto com uma alimentação adequada, haja um 
turnover proteico de 300 a 400g de proteínas por dia. A taxa média de proteína renovada 
em um adulto é de aproximadamente 3% da quantidade total de proteínas do 
organismo. Por exemplo, são renovadas diariamente cerca de 5 gramas de proteínas na 
pele; 25 gramas de proteínas no sangue; 70 gramas no trato digestório; e cerca de 75 
gramas no tecido muscular. Os principais tecidos responsáveis pelo turnover proteico 
do organismo são o fígado, rins, pâncreas, plasma e mucosa intestinal1. 
Os principais fatores e variáveis que afetam o turnover proteico no organismo 
humano são a alimentação, o estado alimentado ou jejum, a concentração de 
hormônios anabólicos (especialmente a insulina) e de hormônios catabólicos (sobretudo 
o glucagon e o cortisol) e a atividade física1. 
Em estadode jejum, por exemplo, ocorre aumento da degradação proteica 
(catabolismo), no qual os aminoácidos liberados são utilizados para oxidação ou para 
gliconeogênese. Ocorre também a liberação de aminoácidos essenciais pela degradação 
proteica tecidual (proteólise), para estes serem utilizados na manutenção das funções 
de outros tecidos. O músculo esquelético e os tecidos intestinais são as principais fontes 
de aminoácidos essenciais durante o estado de jejum1. 
 
SÍNTESE PROTEICA: 
O DNA, responsável por armazenar toda a informação que controla os processos 
celulares e por determinar a sequência de aminoácidos que compõe uma proteína, é 
responsável também por direcionar a síntese proteica. Ele é composto por 4 bases 
nitrogenadas: adenina, guanina, timina e citosina, as quais são condensadas para formar 
a cadeia de DNA. A sequência de bases do DNA é única e específica para cada proteína 
que é sintetizada no organismo. Esta sequência de aminoácidos é determinada a partir 
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de uma região da molécula de DNA, denominada gene, que consiste em milhares de 
bases nitrogenadas1,3. 
A informação genética que flui da molécula de DNA para a proteína, depende de 
outra molécula, o ácido ribonucleico (RNA) para o transporte dessa informação, 
portanto, o DNA é quem determina a informação genética e o RNA é quem a transfere. 
Sendo assim, a informação genética é transmitida a partir do DNA para o RNA, por meio 
de um processo denominada transcrição1,3. 
A maioria do RNA celular é ribossomal (rRNA), sendo os ribossomos grandes 
complexos de proteínas e RNA, responsáveis pela síntese proteica. Outro tipo de RNA, 
o RNA mensageiro (mRNA), serve como um molde para a síntese de proteínas pelos 
ribossomos, transmitindo a informação do DNA para o ribossomo. Ainda há o RNA 
transportador (tRNA), que transporta os aminoácidos livres específicos à cada proteína 
para os ribossomos a partir do pool de aminoácidos presentes na célula. 
A síntese de mRNA a partir do DNA ocorre no núcleo celular e é denominada de 
transcrição. O mRNA é utilizado para levar a informação do DNA dos cromossomos 
presentes no núcleo celular para a superfície dos ribossomos, localizados no citosol da 
célula1,3. 
Após a transcrição, inicia-se o processo de síntese proteica, denominado de 
tradução. A síntese proteica ocorre no citosol e necessita de ribossomos, mRNA, tRNA 
e diversos fatores proteicos. Este processo ocorre nos ribossomos e o mRNA e tRNA se 
ligam aos ribossomos durante a síntese proteica, ordenando a sequência correta dos 
aminoácidos que irão compor a proteína nascente1. 
Após a tradução, algumas proteínas emergem a partir do ribossomo prontas para 
seu funcionamento, enquanto outras sofrem uma variedade de alterações antes de 
desempenharem suas funções. A informação que determina o destino de uma proteína 
após a tradução, reside na estrutura da própria proteína1,3. 
A síntese proteica é um processo contínuo realizado nas células do organismo. 
Em estado de equilíbrio, verifica-se que a síntese de proteínas é balanceada por igual 
quantidade de degradação proteica. Situações de ingestão inadequada de proteínas, 
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tanto por uma dieta hipoproteica, como pela alimentação ausente ou baixa em um ou 
mais aminoácidos essenciais, tem como consequência, alterações no balanço proteico, 
uma vez que a taxa de síntese de algumas proteínas corporais diminui enquanto a 
degradação proteica continua, o que favorece o fornecimento desses aminoácidos 
através de proteínas endógenas1,3. 
Tanto síntese como a degradação proteica são reguladas por alguns hormônios. 
Os hormônios responsáveis por estimular a síntese de proteínas no organismo são 
principalmente, o hormônio do crescimento (GH), a insulina e a testosterona. Já entre 
os hormônios envolvidos na degradação de proteínas, destaca-se o glucagon e os 
glicocorticoides, sobretudo o cortisol1. 
 
CATABOLISMO PROTEICO: 
Células morrem sob uma base regular e programada, denominada apoptose. As 
proteínas também são degradadas continuamente sob condições normais, pelo 
processo de turnover proteico. A meia-vida de uma proteína pode ser inferior a uma 
hora, como é o caso da insulina, ou pode ser de diversos meses, como a hemoglobina, 
por exemplo1. 
A taxa de catabolismo proteico é aumentada quando a ingestão de proteínas 
excede as necessidades do organismo, uma vez que o organismo não é capaz de 
armazenar o excesso de proteínas consumidas pela alimentação. Desta forma, todo 
aminoácido que é consumido acima da necessidade imediata é oxidado e o nitrogênio 
proveniente deste aminoácido é excretado. Esse processo é um dos principais 
mecanismos regulatórios do metabolismo proteico durante o consumo de alimentações 
hiperproteicas., no qual verifica-se o aumento da atividade de enzimas relacionadas ao 
catabolismo de aminoácidos1. 
A regulação do metabolismo proteico também permite a degradação seletiva de 
algumas proteínas “não vitais” para o organismo durante algumas situações, como o 
jejum, disponibilizando aminoácidos para a gliconeogênese. Dentre as proteínas que 
podem ser consideradas “não vitais”, inclui-se cerca de metade da massa muscular 
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corporal e algumas proteínas do tecido hepático, enquanto que as proteínas do sistema 
nervoso central, são consideradas de grande relevância para sobrevivência (proteínas 
vitais), sendo conservadas e inalteradas durante essas situações1. 
A transaminação é o primeiro passo no catabolismo da maioria dos aminoácidos 
e consiste na transferência do grupo alfa-amino de um aminoácido para o alfa-
cetoglutarato, resultando na formação de um alfacetoácido (derivado do aminoácido 
original) e um glutamato O alfa-cetoglutarato desempenha papel fundamental no 
metabolismo proteico, uma vez que é capaz de receber os grupos amino de outros 
aminoácidos que estão prestes a serem degradados, convertendo-se assim, em 
glutamato. Por sua vez, o glutamato, que é um produto comum às reações de 
transaminação, atua como um reservatório temporário de grupos amino, provenientes 
dos aminoácidos em degradação. O glutamato produzido pode ainda, sofrer 
desaminação ou ser utilizado como doador de grupo amino na síntese de aminoácidos 
não essenciais1. 
 
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Figura 7. Transaminação de aminoácidos, tendo o alfa-cetoglutarato como aceptor de 
grupo amino do aminoácido em degradação (assim que o alfa-cetoglutarato recebe o 
grupo amino, converte-se em glutamato e o aminoácido que perde seu grupo amino, 
torna-se um alfa-cetoácido). 
 Fonte: Nelson, Cox, 2011. 
 
A transferência de grupos amino de um esqueleto de carbono para outro é 
catalisada por uma família de enzimas denominadas transaminases ou 
aminotransferases. As transaminases são denominadas em relação a seus doadores de 
grupos amino específicos, pois o aceptor do grupo amino quase sempre é o alfa-
cetoglutarato. As duas reações mais importantes de transaminação são catalisadas pelas 
enzimas alanina aminotransferase (ALT) e aspartato aminotransferase (AST)1. 
Como dito anteriormente, a maioria das transaminases aceitam o alfa-
cetoglutarato como aceptor de grupos amino, com a consequente produção de 
glutamato. O oxaloacetato, em alguns casos, também pode atuar como aceptor de 
grupos amino dos aminoácidos, neste caso, produzindo o aspartato. Sendo assim, os 
grupos amino da maior parte dos aminoácidos são utilizados para produzir glutamato 
ou aspartato, que por sua vez podem ser interconvertidos pela enzima glutamato-aspartato aminotransferase1,4. 
Há também um grupo de transaminases musculares que utilizam o piruvato 
como aceptor de grupos amino. O aminoácido produzido neste caso é a alanina, que é 
lançada para a corrente sanguínea e captada pelo fígado, onde é convertida em 
piruvato, que poderá ser utilizado posteriormente na gliconeogênese. A glicose assim 
produzida é depois oxidada a piruvato pelo músculo, completando o ciclo da alanina e 
o grupo amina é posteriormente utilizado para a síntese da ureia no fígado através do 
ciclo da ureia1,4. 
A remoção do nitrogênio dos aminoácidos também ocorre por reações de 
desaminação, que resultam na formação de amônia livre. Um número determinado de 
aminoácidos pode ser desaminado diretamente (histidina), por reação de desidratação 
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(serina e treonina), pelo ciclo da purina nicleotídeo (aspartato) e por desaminação 
oxidativa (glutamato), sendo as duas últimas reações as mais relevantes e comuns, uma 
vez que o glutamato e o aspartato são os aminoácidos formados em reações de 
transaminação a partir de outros aminoácidos1,3. 
Um exemplo de desaminação muito comum é a reação catalisada pela enzima 
glutamato desidrogenase (GDH), que utiliza o glutamato, o NAD+ (ou NADP+) e uma 
molécula de água para converte-los em alfacetoácido, juntamente com a amônia (NH4+) 
(liberada do aminoácido, neste caso, o glutamato) e uma molécula de NADH1. 
 
 
O excesso de amônia nos tecidos é adicionado ao glutamato para formar 
glutamina, processo catalisado pela glutamina sintetase. Após ser transportada pela 
corrente sanguínea, a glutamina entra no fígado e NH4+ é liberado na mitocôndria 
hepática pela enzima glutaminase. Em outras palavras, o glutamato é substituído pela 
glutamina, que irá transportar a amônia para a circulação e em seguida para o fígado. 
Nesta reação, a amônia livre produzida nos tecidos pela desaminação, combina-se com 
o glutamato, produzindo glutamina, pela ação da enzima glutamina sintetase4. 
 
Glutamato + NAD
+ 
(ou NADP
+
) + H
2
O alfa-cetoácido + NH
4
+ 
+ NADH 
GDH 
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 Figura 8. Conversão do glutamato em glutamina, que irá transportar o grupo amino 
liberado por esta reação, para a circulação e em seguida para o fígado, onde será 
convertido em ureia. 
Fonte: Nelson, Cox, 2011. 
A amônia é então, transportada para a circulação pela glutamina e, 
posteriormente, é captada pelo fígado, onde é convertida em ureia pelo ciclo da ureia. 
Vale ressaltar a importância da remoção de amônia das células e de sua conversão em 
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ureia que é posteriormente excretada pelos rins, uma vez que a amônia é extremamente 
tóxica ao organismo humano1. 
O aminoácido alanina também desempenha importante papel no transporte de 
amônia para o fígado, por meio de uma via denominada ciclo da glicose--alanina. No 
músculo e em alguns outros tecidos que degradam aminoácidos como combustível, os 
grupos amino provenientes da degradação dos aminoácidos são convertidos em 
glutamato pela reação de transaminação. O glutamato pode ser convertido em 
glutamina para transporte ao fígado, como descrito anteriormente, ou pode transferir 
seu grupo amino para o piruvato pela ação da enzima alanina aminotransferase, 
formando a alanina. A alanina produzida é liberada para a circulação e em seguida, é 
captada pelo fígado. No citosol dos hepatócitos, a alanina aminotransferase transfere o 
grupo amino da alanina para o a-cetoglutarato, formando piruvato e glutamato. O 
glutamato entra na mitocôndria, onde a reação da glutamato desidrogenase libera NH4+, 
ou sofre transaminação com o oxaloacetato para formar aspartato, outro doador de 
nitrogênio para a síntese de ureia4. 
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Figura 9. Ciclo da glicose-alanina. 
Fonte: Nelson, Cox, 2011. 
 
O catabolismo dos 20 aminoácidos presentes nas proteínas envolve a remoção 
dos grupo alfa-amino, seguida pela degradação dos esqueletos de carbono resultantes. 
A degradação dos esqueletos de carbono provenientes dos aminoácidos, resulta na 
formação de sete produtos: oxaloacetato, alfa-cetoglutarato, piruvato, fumarato, acetil-
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CoA, acetoacetil-CoA e succinil-CoA. Esses produtos entram na rota do metabolismo 
intermediário, resultando na formação de glicose ou lipídio ou então, participam do ciclo 
de Krebs, com consequente oxidação a CO2 e H2O, para produção de energia1. 
Os aminoácidos que são degradados para acetil-CoA ou acetoacetil-CoA são 
denominados aminoácidos cetogênicos, como é o caso da leucina e lisina, pois os 
mesmos dão origem aos corpos cetônicos. Já os aminoácidos que são degradados para 
oxaloacetato, alfa-cetoglutarato, piruvato, fumarato ou succinil-CoA, são ditos 
aminoácidos glicogênicos, como é o caso da alanina, asparagina, aspartato, cisteína, 
glutamato, glutamina, glicina, prolina, serina, arginina, histidina, metionina, treonina e 
valina. A síntese de glicose a partir desses aminoácidos é possível, uma vez que os 
intermediários do ciclo de Krebs e o piruvato podem ser convertidos em 
fosfoenolpiruvato e, em seguida, em glicose. Existem ainda, aminoácidos que são 
cetogênicos e glicogênicos concomitantemente, como é o caso da tirosina, isoleucina, 
fenilanina e triptofano1,4. 
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Figura 10. Destino da degradação dos aminoácidos cetogênicos e glicogênicos. 
Fonte: Nelson, Cox, 2011. 
CICLO DA UREIA: 
A ureia é a principal forma de eliminação dos grupos amino provenientes dos 
aminoácidos e corresponde por mais de 90% dos componentes nitrogenados presentes 
na urina. Cerca de 11 a 15 gramas de nitrogênio são excretados diariamente na urina de 
um indivíduo adulto saudável que consome cerca de 70 a 100 gramas de proteína por 
dia. Além da ureia, há outras formas de excreção de nitrogênio na urina, como a amônia, 
ácido úrico, creatinina e alguns aminoácidos livres. A ureia e amônia são produzidas a 
partir da oxidação dos aminoácidos, enquanto que o ácido úrico e a creatinina são 
indiretamente derivados dos aminoácidos1,4. 
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O nitrogênio derivado da degradação dos aminoácidos, entra no clico da ureia, 
que ocorre no fígado, sob a forma do Íon amônio (NH4+). A condensação entre o NH4+ e 
o CO2, resulta na formação de fosfato de carbamoila, em uma reação que utiliza 2 
moléculas de ATP para cada molécula formada. Em seguida, ocorre a reação do fosfato 
de carbamoila com a ornitina, formando a citrulina. Até esse ponto, as reações do ciclo 
da ureia ocorrem na mitocôndria das células hepáticas. Em seguida, a citrulina é então, 
transportada para o citosol, onde um segundo nitrogênio (proveniente do grupo amino 
do aminoácido aspartato) entra no ciclo quando o aspartato reage com a citrulina para 
formar o argininossuccinato, em uma reação que requer 2 ATP. Posteriormente, o 
argininossuccinato é clivado para formar fumarato e arginina. A arginina é então, 
hidrolisada pela enzima arginase, formando ureia e regenerando a ornitina, que é 
transportada mais uma vez para a mitocôndria, entrando no ciclo de ureia novamente. 
Importante ressaltar que 4 ATP são consumidos na síntese de cada molécula de 
ureia1,3,4. 
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Figura 11. Ciclo da ureia. 
Fonte: Nelson, Cox, 2011. 
 
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Resumidamente, um nitrogênio da molécula de ureia é fornecido pela amônia 
livre (proveniente da degradação dos aminoácidos) e o outro nitrogênio provém do 
aminoácido aspartato. O glutamato é dito precursor imediato da amônia, através de sua 
desaminação oxidativa catalisada pela enzima GDH (reação que oxida o glutamato 
liberando amônia que é então, transportada até o fígado para entrar no ciclo da ureia). 
A transaminação do oxaloacetato, catalisada pela enzima AST, origina o aspartato que 
doa o seu nitrogênio para o ciclo da ureia. Por fim, o carbono e o oxigênio da ureia são 
provenientes do CO21.4. 
A ureia sintetizada pelo fígado é, posteriormente, liberada para a circulação, 
onde é transportada até os rins, nos quais é filtrada e excretada na urina. Uma pequena 
parte da ureia produzida difunde-se do sangue até o intestino, onde é clivada a CO2 e 
amônia (NH3) pela urease bacteriana. Essa amônia é liberada parcialmente nas fezes 
enquanto outra parte é reabsorvida pelo sangue1,4. 
 
Referências Bibliográficas: 
 
1. Silva SMCS, Mura JDP. Tratado de Alimentação, Nutrição & Dietoterapia. 3a 
ed. São Paulo: Editora Payá; 2016. 
 
2. Gropper SS, Smith JL, Groff JL. Nutrição avançada e metabolismo humano. 5a 
ed. São Paulo: Cengage Learning; 2011. 
 
3. Cozzolino SMF, Cominetti C. Bases bioquímicas e fisiológicas da nutrição: nas 
diferentes fases da vida, na saúde e na doença. 1a ed. Barueri, SP: Manole; 2013. 
 
4.Nelson, DL, Cox MM. Princípios de Bioquímica de Lehninger. 5a ed. Porto 
Alegre: Artmed; 2011. 
 
5. Marzocco A, Torres BB. Bioquímica Básica. 3a ed. Rio de Janeiro: Guanabara-
Koogan; 2007. 
6. Berne, R.; Levy, M. (Ed.). Fisiologia. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara 
Koogan, 2010. 
 
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LIPÍDIOS 
 
CONCEITO E FUNÇÕES: 
Lipídios são definidos como uma classe de compostos insolúveis em água e 
solúveis e compostos orgânicos (como a acetona, éter, clorofórmio, metanol e hexano) 
e são responsáveis por desempenhar diversas funções, tanto no organismo humano 
como nos alimentos3. 
Algumas dessas funções estão listadas a seguir: 
§ Fornecem grande quantidade de energia3. 
§ São moléculas armazenadoras de energia: a energia proveniente dos lipídios é 
armazenada na forma de triacilglicerol nas células adiposas do organismo. Essa 
capacidade de armazenar e utilizar grandes quantidades de gordura, permite aos 
seres humanos ficarem longos períodos sem se alimentarem, por exemplo3. 
§ São elementos construtores e fazem parte da composição das membranas 
celulares, auxiliando na fluidez das membranas e na passagem de substâncias 
entre elas3. 
§ Muitos lipídios atuam como hormônios e mensageiros intracelulares3. 
§ Atuam na proteção contra choques, impactos e lesões traumáticas3. 
§ Possuem função estrutural, sendo responsáveis por manter os órgãos e os 
nervos em posição adequada3. 
§ Mantém a temperatura corpórea e protegem o corpo contra baixas 
temperaturas, atuando como isolante térmico3. 
§ São fundamentais para a síntese de hormônios esteroides (sexuais) e da vitamina 
D3. 
§ A gordura da alimentação também é essencial para a digestão, absorção e 
transporte de vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K)3. 
§ Responsáveis também por inibir as secreções gástricas, retardar o esvaziamento 
gástrico e estimular o fluxo biliar e pancreático, facilitando, assim, o processo 
digestivo3. 
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§ Apresentam importante papel na qualidade e características dos alimentos, 
garantindo melhor textura, sabor, aspectos nutricionais e densidade calórica3. 
 
CLASSIFICAÇÃO: 
Os lipídios são classificados em 3 grandes grupos: lipídios simples, compostos 
e variados1,2,3. 
 
§ Lipídios simples: 
- Ácidos graxos2,3. 
- Triacilglicerol, diacilglicerol e monoacilglicerol (são ésteres de ácidos graxos 
com uma molécula de glicerol) 2,3. 
- Ceras (ésteres de ácidos graxos com álcoois): podem ser ésteres esteróis (p. ex: 
éster de colesterol) ou ésteres não esteróis (p. ex: palmitato de retinol, que são 
ésteres de vitamina A) 2,3. 
 
§ Lipídios compostos: 
- Fosfolipídios: compostos por ácidos graxos, ácido fosfórico e uma base 
nitrogenada (p. ex: lecitina, cefalinas, plasmalógenos) 2,3. 
- Esfingolípídios: contém uma base esfingosina (p. ex: esfingomielina, ceramida, 
cerebrosídeos, gangliosídeos) 2,3. 
- Lipoproteínas: partículas de lipídios em associação com proteínas) 2,3. 
 
§ Lipídios variados ou derivados: 
- Esteróis (p. ex: colesterol e sais biliares) 2,3. 
- Sesquiterpenos, clorofila, carotenoides e vitaminas A, D, E e K2,3. 
 
 
ÁCIDOS GRAXOS 
Muitos lipídios possuem ácidos graxos em sua estrutura, sendo importante 
discutir sua estrutura química e propriedades1. 
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Os ácidos graxos constituem a classe mais simples dos lipídios. São ácidos 
carboxílicos que possuem uma cadeia carbônica e uma carboxila (COOH). A cadeia 
carbônica é composta de carbono e hidrogênio e constitui a parte apolar ou 
hidrofóbica (insolúvel em água) do ácido graxo e a carboxila é a parte polar ou 
hidrofílica (solúvel em água)1,2,3. 
Os ácidos graxos são componentes importantes dos lipídios complexos e 
fornecem a maior parte das calorias provenientes das gorduras alimentares, tendo 
grande importância como nutrientes energéticos2. 
O comprimento da cadeia carbônica dos ácidos graxos pode variar de 4 a 36 
átomos de carbono. Quanto maior a cadeia carbônica, mais insolúvel em água será 
o ácido graxo1,2. 
De acordo com o tamanho de sua cadeia carbônica, os ácidos graxos podem 
ser classificados em: 
§ Ácidos graxos de cadeia curta (AGCC): possuem de 4 a 6 átomos de carbono. 
Não estão presentes na estrutura dos triacigliceróis, fosfolipídeos e colesterol 
esterificado. São produzidos pela fermentação parcial das fibras solúveis pelas 
bactérias do intestino grosso. Exemplo: ácido acético e ácido propiônico1. 
§ Ácidos graxos de cadeia média (AGCM): possuem de 8 a 12 átomos de carbono. 
Exemplo: ácido láurico e ácido caprílico1. 
§ Ácidos graxos de cadeia longa (AGCL): possuem de 14 a 18 átomos de carbono. 
Exemplo: ácido esteárico, ácido oleico, ácido linoleico e ácido linolênico1. 
§ Ácidos graxos de cadeia muito longa (AGCML): possuem mais de 20 átomos de 
carbono. Exemplo: ácido araquidônico, EPA e DHA1. 
 
Os ácidos graxos podem ser classificados, ainda, de acordo com o grau de 
saturação de sua cadeia carbônica. Quando a cadeia carbônica apresenta apenas 
ligações simples entre os átomos de carbono, o ácido graxo é denominado de ácido 
graxo saturado (p. ex: ácido butírico, ácido esteárico, ácido láurico, ácido palmítico e 
ácido caprílico). Já quando a cadeia carbônica apresenta uma dupla ligação, o ácido 
graxo é chamado de monoinsaturado (p. ex: ácido oleico) e quando apresenta mais de 
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uma dupla ligação, este é denominado ácido graxo poli-insaturado (p. ex: ácido linoleico 
e ácido linolênico)1. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fígura 1. Estrutura de um ácido graxo saturado (a) e estrutura de um ácido graxo monoinsaturado (b). 
Fonte: Adaptada de Nelson, Cox, 2011. 
 
Há ainda uma classe de ácidos graxos que não são sintetizados pelo organismo 
humano, devendo ser consumidos pela alimentação, denominados de ácidos graxos 
essências, os quais são poli-insaturados, ou seja, possuem mais de uma dupla ligação 
em sua cadeia carbônica. Os ácidosgraxos essenciais são o ácido linoleico (w-6) e o ácido 
linolênico (w-3)1,2,3. 
Outros exemplos de classes de lipídios são: 
TRIACILGLICERÓIS: são formados por três ácidos graxos e uma molécula de 
glicerol. Os triacilgliceróis constituem a maior contribuição de energia dos 
lilpídios alimentares1,3. 
§ CERAS: são ésteres formados por uma molécula de álcool de cadeia longa e um 
ácido graxo de cadeia longa (24 a 30 átomos de carbono) 3. 
§ FOSFOLIPÍDIOS: possuem uma molécula de fosfato e são subdivididos em 
glicerofosfolipídios e esfingolipídios1. 
Polar 
Apolar 
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- GLICEROFOSFOLIPÍDEOS: formados por uma molécula de glicerol, duas 
moléculas de ácidos graxos, um fosfato e um grupo variável unido ao fosfato3. 
- ESFINGOLIPÍDEOS: formados por uma molécula de esfingosina, um ácido graxo 
e um fosfato ligado à colina1. 
§ GLICOLIPÍDIOS: composto por esfingosina, um ácido graxo e um tipo de 
carboidrato que pode ser glicose ou galactose1. 
§ ESTERÓIS E DERIVADOS: possuem um núcleo esteroide (p. ex: colesterol e 
fitoesterol) 1. 
§ OUTROS: vitakinas lipossolúveis (A, D, E e K) e pigmentos (carotenos, clorofila e 
licopeno) 1. 
 
DIGESTÃO: 
A maior parte dos lipídios da alimentação é consumida sob a forma de 
triacilgliceróis (95 a 98%). Os fosfolipídios, o colesterol livre, o colesterol esterificado, os 
fitoesteróis e as vitaminas lipossolúveis correspondem ao restante1,3. 
A digestão dos lipídios se inicia na cavidade oral (boca), a partir da salivação e 
mastigação. Pequenas quantidades de gorduras são hidrolisadas pela enzima lipase 
lingual, produzida e liberada pelas glândulas serosas da língua. A lipase lingual hidrolisa 
a quebra da posição sn-3 dos triacilgliceróis, se este for um ácido graxo de cadeia curta. 
A digestão dos lipídios continua no estômago pela ação da lipase gástrica que hidrolisa 
parte dos triacilglideróis, especialmente os de cadeia curta e média, liberando ácidos 
graxos livres e diacilgliceróis. Além da lipase gástrica, os movimentos de propulsão, 
retropropulsão e mistura na região gástrica, desempenham importante papel na 
emulsificação dos lipídios. O processo de emulsificação gástrica é essencial para a 
hidrólise das gorduras, uma vez que é responsável por aumentar a superfície de contato 
dos lipídios, facilitando a ação enzimática sobre eles1,2,3. 
A maior parte da digestão dos lipídios ocorre no intestino delgado. A sua hidrólise 
efetiva necessita de pouca acidez, lipases apropriadas e agentes emulsificantes mais 
eficazes (como os sais biliares)2. A gordura que entra na porção superior do duodeno é 
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composta por 70% de triacilgliceróis e o restante é constituído por ácidos graxos livres 
e diacilgliceróis anteriormente digeridos, além de pequenas quantidades de 
fosfolipídios, colesterol esterificado colesterol livre, os quais ainda não sofreram 
hidrólise. A entrada de gordura no intestino estimula a liberação do hormônio 
enterogastrona (GIP) e secretina, os quais inibem a secreção e a motilidade gástrica, 
tornando mais lenta a liberação de lipídios (retardo do esvaziamento gástrico). Também 
ocorre a secreção de colecistocinina (CCK), que por sua vez, estimula a liberação de 
secreções biliar e pancreática. Os sais biliares, os fosfolipídios e os esteróis são 
componentes da bile, que é produzida no fígado e secretada pelas vias biliares no 
intestino delgado (essa secreção é estimulada pela CCK), com a função de atuar como 
um líquido emulsificante, dispersando os lipídios, formando gotículas de emulsão e 
consequentemente, aumentando a de superfície de contato do lipídio, facilitando assim, 
a ação das lipases pancreáticas sobre os lipídios no intestino delgado (para as enzimas 
pancreáticas atuarem, deve ocorrer primeiramente a emulsificação dos lipídios)1,2,3. 
A lipase pancreática, a principal enzima da digestão dos triacilgliceróis, hidrolisa 
as ligações do ácido graxo nas posições sn-1 e sn-3 do triacilglicerol, no intestino 
delgado, produzindo dois ácidos graxos livres e um 2-monoacilglicerol, os quais podem 
ser absorvidos pelo enterócito1,3. 
Os fosfolipídios da dieta e também os presentes na bile, sofrem ação da enzima 
fosfolipase A2, que clivam os ácidos graxos da posição sn-2 dos fosfolipídios, liberando 
lisofosfoglicerídios e ácidos graxos livres. O colesterol esterificado sofre ação da enzima 
colesterol hidrolase presente no suco pancreático, liberando ácido graxo livre e 
colesterol livre para então serem absorvidos. O colesterol livre não sofre ação de 
nenhuma enzima, sendo absorvido desta forma pelos enterócitos1,3. 
 
ABSORÇÃO E TRANSPORTE: 
Os produtos finais da digestão dos lipídios são principalmente: ácidos graxos 
livres, glicerol e colesterol livre. Tais produtos ainda são muito insolúveis em água, e a 
absorção destes depende da formação de micelas, que são o principal veículo para o 
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transporte dos lipídios do lúmem intestinal para a superfície da mucosa do enterócito, 
onde ocorrerá a absorção. As micelas também contêm as vitaminas lipossolúveis (A, D, 
E e K) e outros compostos lipossolúveis1,2,3. 
Próximo aos enterócitos, as micelas se dissociam e as moléculas lipídicas são 
absorvidas por difusão na porção proximal do jejuno, enquanto os ácidos biliares são 
absorvidos na porção terminal do íleo. Dentro dos enterócitos, as moléculas lipídicas 
(ácidos graxos livres, glicerol e colesterol livre) migram para o retículo endoplasmático 
liso (REL), onde são reesterificados e remontados. Portanto, no REL são formadas 
moléculas de triacilglicerol a partir dos ácidos graxos livres e glicerol; são também 
produzidos fosfolipídios a partir de ácidos graxos livres e glicerol; e formado colesterol 
esterificado a partir de ácido graxo livre e colesterol livre2,3. 
As moléculas lipídicas de triacilglicerol, fosfolipídio, colesterol esterificado, 
colesterol livre, além das vitaminas lipossolúveis, presentes no enterócito, se unem e 
formam partículas que depois da inserção de apoproteínas (ApoB-48 e ApoA-1), são 
denominadas de quilomícrons (QM). Os QM são, então, liberados nos vasos linfáticos e 
atingem a circulação venosa sistêmica através do ducto torácico1,3. 
 
Figura 2. Estrutura molecular de um quilomícron. 
Fonte: Nelson, Cox, 2011. 
 
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Na corrente sanguínea, os lipídios recebem da molécula de HDL (high density 
lipoprotein), outras apoproteínas, como a ApoC-II, ApoC-III e ApoE. A apoproteína ApoC-
II, presente no QM, estimula a atividade da enzima lipase lipoproteica ou lipoproteica 
lipase (LPL), que está localizada no endotélio dos capilares sanguíneos do tecido adiposo 
e muscular esquelético. Esta enzima catalisa realiza a hidrolise dos triacilgliceróis 
presentes no QM em ácidos graxos livres e glicerol, os quais atravessam as paredes dos 
capilares atingindo as células, onde são utilizados como fonte de energia ou são 
armazenados como gordura no tecido adiposo branco. Alguns dos ácidos graxos livres 
liberados são captados pela albumina na circulação e são, então, captados pelo fígado. 
Após a liberação de grande parte dos triacilgliceróis presentes nos QM, estes passam a 
ser chamados de quilomícrons remanescentes (QMR), os quais são reconhecidos por um 
receptor presente na membrana dos hepatócitos e, então, são captados pelo fígado por 
endocitose. Os QMR transportam para o fígado parte dos triacilgliceróis restantes, 
fosfolipídios, colesterol esterificado, colesterol livre e as vitaminas lipossolúveis, os 
quais se juntam novamente nos hepatócitospara formar uma outra lipoproteína, a VLDL 
(very low-density lipoprotein)1,2,3. 
As VLDL produzidas no fígado, são secretadas na corrente sanguínea, 
transportando consigo, moléculas de triacilglicerol, fosfolipídios, colesterol livre e 
esterificado provenientes da alimentação, além do triacilglicerol e colesterol produzidos 
pelas células hepáticas. Quanto maior a oferta de lipídios pela alimentação, mais VLDL 
é produzida pelo fígado. Assim como os QM, as VLDL são predominantemente ricas em 
triacilglicerol (alimentação e síntese hepática) e sua principal função também é 
disponibilizar ácidos graxos livres (provenientes da hidrolise dos triacilgliceróis) para o 
tecido adiposo e muscular esquelético. Para isso, a ApoC-II também presente na VLDL, 
estimula a atividade da LPL, resultando na hidrólise dos triacilgliceróis em ácidos graxos 
livres e glicerol, os quais atravessam as paredes dos capilares das células adiposas e 
musculares, onde são armazenados. Após a liberação de grande parte dos triacilgliceróis 
das moléculas de VLDL, estas são transformadas em lipoproteínas de densidade 
intermediária, denominadas de IDL (intermediate density lipoprotein). As IDL uma vez 
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captadas pelo fígado, podem ser degradas ou sofrerem ação da LPL hepática, dando 
origem a lipoproteína de baixa densidade, a chamada LDL (low density lipoprotein)1,3. 
As LDL são lipoproteínas produzidas a partir da degradação das VLDL e são 
predominantemente ricas em colesterol (proveniente da alimentação e da síntese 
hepática), que perfaz cerca de 50% do seu conteúdo. As LDL têm como principal função, 
transportar e disponibilizar o colesterol para os tecidos. A captação de colesterol pelos 
tecidos, depende da necessidade que esses tecidos apresentam em relação ao 
colesterol, e esta captação é regulada por diversos fatores, como a concentração de 
colesterol dentro das células dos tecidos. Desta forma, quando há uma necessidade de 
colesterol, as células expõem em suas membranas, um receptor que reconhece a 
apoproteína ApoB-100 presente no LDL. A captação do LDL pelo receptor específico para 
ApoB-100 ocorre por endocitose1,3. 
A atividade os receptores que reconhecem a ApoB-100, que é a única 
apoproteína presente na estrutura do LDL, é regulada por vários fatores, como a 
quantidade de colesterol presente e o tipo de ácido graxo presentes nos triacilgliceróis 
da alimentação. O aumento do consumo de ácidos graxos saturados e trans, resulta na 
diminuição da atividade do receptor de LDL e, consequentemente, na captação de LDL 
pelos tecidos. Já os ácidos graxos monoinsaturados e poli-insaturados aumentam a 
atividade deste receptor e por conseguinte, aumentam a captação de LDL pelos tecidos. 
Outros fatores não relacionadas à alimentação também podem diminuir a atividade 
deste receptor, como a idade avançada, a fase da menopausa para as mulheres e 
características genéticas como ocorre na doença hipercolesterolemia familiar. A 
redução na captação de LDL pelos tecidos e o aumento de sua concentração na corrente 
sanguínea, aumenta as chances desta molécula sofrer oxidação. A oxidação do LDL, por 
sua vez, pode resultar em um processo inflamatório que culmina na formação de placas 
de ateroma nas artérias, sendo um fator de risco para doenças cardiovasculares (DCV)1,3. 
O HDL é sintetizado pelas células do fígado e intestino e secretado no sangue 
como HDL nascente, que possui a forma discoide. A sua principal função é realizar o 
transporte reverso do colesterol, ou seja, remover o colesterol livre das membranas 
celulares e dos tecidos periféricos e transportá-lo até o fígado, onde é metabolizado e 
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eliminado na forma de ácidos e sais biliares. Conforme o HDL recebe o colesterol, este 
é estereficado e direcionado para o interior da molécula. Com o aumento da quantidade 
de colesterol esterificado em sua molécula, as partículas de HDL vão tornando-se 
esféricas e passam a ser chamadas de HDL maduros, os quais são reconhecidos pelo 
receptor presente na membrana dos hepatócitos, e são então, captados pelo fígado, 
levando consigo grandes quantidades de colesterol esterificados provenientes dos 
tecidos. A HDL é responsável, portanto, pela redução dos níveis séricos de colesterol e, 
consequentemente, pela redução dos riscos de DCV1,3. 
 
 
Figura 3. Esquema básico da digestão, absorção, transporte e armazenamento dos lipídios da 
alimentação. 
Fonte: Nelson, Cox, 2011. 
 
METABOLISMO DOS LIPÍDIOS 
LIPÓLISE: 
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Resumidamente, a lipólise é um processo pelo qual os triacilgliceróis do tecido 
adiposo são dissociados em ácidos graxos e glicerol, resultando na disponibilização 
desses ácidos graxos para diversos tecidos do organismo, onde podem sofrer oxidação 
e participarem da produção de ATP1,3. 
Para este processo ocorrer, a enzima lipase hormônio sensível (LHS), presente 
dos adipócitos, é ativada por vários hormônios como glucagon, adrenalina, cortisol e o 
hormônio do crescimento (GH). Com a ativação da LHS, ocorre a hidrólise dos 
triacilgliceróis armazenados nos adipócitos, liberando ácidos graxos livres e glicerol. O 
glicerol, posteriormente, pode servir como substrato para formar glicose pela via da 
gliconeogênese. Já os ácidos graxos livres, são transportados pela circulação ligados à 
albumina, até os tecidos, como músculo esquelético, cardíaco e fígado. Nesses tecidos 
os ácidos graxos sofrem oxidação (beta-oxidação) para produção de energia (ATP)1,3. 
 
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Figura 4. Esquema da lipólise. 
Fonte: Nelson, Cox, 2011. 
 
OXIDAÇÃO DE ÁCIDOS GRAXOS: 
Os ácidos graxos provenientes da lipólise são então, disponibilizados para os 
tecidos, onde são ativados à acil-CoA na membrana externa da mitocôndria das células. 
Este processo é catalisado por uma família de isoenzimas presentes na membrana 
mitocondrial externa, as acil-CoA-sintetases, que convertem o ácido graxo em acil-CoA 
graxo, com o gasto de 1 ATP1,3,4. 
No entanto, o processo de oxidação ocorre apenas na matriz mitocondrial, onde 
estão localizadas as enzimas da oxidação dos ácidos graxos, e para isso, estes devem ser 
transportados para o interior da mitocôndria. Os ácidos graxos com até 12 carbonos em 
sua cadeia entram na mitocôndria sem a ajuda de transportadores de membrana. Já 
aqueles com mais de 14 carbonos, que constituem a maioria dos ácidos graxos livres 
obtidos pela alimentação ou liberados pelo tecido adiposo, não conseguem atravessar 
livremente a membrana mitocondrial, necessitando de um transportador específico de 
ácidos graxos presente na membrana mitocondrial: a carnitina1,3,4. 
Para isso, o acil é transferido do átomo de enxofre da CoA para a hidroxila da 
carnitina, formando a acilcarnitina, em uma reação catalisada pela enzima carnitina-
aciltransferase I, localizada na membrana mitocondrial externa. Em seguida, a 
acilcarnitina é transportada pela membrana mitocondrial interna por uma proteína 
transportadora denominada translocase. Posteriormente, outra enzima, a carnitina-
aciltransferase II, transfere o acil-graxo para a CoA na matriz mitocondrial e a carnitina 
retorna para a superfície citoplasmática1,3,4. 
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Figura 5. Entrada de ácido graxo na mitocôndria pelo transportador carnitina. 
Fonte: Nelson, Cox, 2011. 
 
Como dito anteriormente, a oxidação dos ácidos graxos acontece na matriz 
mitocondrial e ocorre em 3 etapas. A primeira etapa é a beta-oxidação,que constitui o 
processo pelo qual a maior parte dos ácidos graxos é oxidado. A beta-oxidação consiste 
em uma série de reações, pelas quais unidades de dois carbonos são removidas das 
moléculas de ácidos graxos de forma sucessiva. Antes da liberação de cada unidade de 
acetil-CoA, os átomos de carbono da cadeia acil sofrem uma degradação, que consiste 
em 4 reações: desidrogenação (remoção de hidrogênio), hidratação (adição de água), 
desidrogenação e clivagem. A finalização das 4 reações representa um ciclo da 
betaoxidação1,3,4. 
Cada dois carbonos removidos da cadeia do ácido graxo, dá origem a um acetil-
CoA. Por exemplo, o ácido palmítico de 16 carbonos passa sete vezes pela sequência de 
oxidação, perdendo dois carbonos como acetil-CoA em cada passagem. Ao final de sete 
ciclos, os dois últimos carbonos do ácido palmítico em degradação permanecem como 
acetil-CoA. Portanto, um ácido graxo de 16 carbonos sofre 7 passagens pelo ciclo da 
beta-oxidação e dá origem a 8 acetil-CoA (metade do seu número de carbonos). Um 
ácido graxo de 18 carbonos, sofre 8 passagens pelo ciclo oxidativo e dá origem a 9 acetil-
CoA, e assim por diante3,4. 
Em seguida, o grande número de acetil-CoA formados pela oxidação dos ácidos 
graxos, entram no ciclo de Krebs (etapa 2) para produção de ATP e formação de NADH 
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e FADH2, que atuam como doadores de elétrons na cadeia respiratória ou cadeia 
transportadora de elétrons (etapa 3), onde os elétrons são transferidos ao oxigênio com 
a fosforilação concomitante de ADP a ATP. A energia liberada pela oxidação dos ácidos 
graxos é, portanto, conservada como ATP4. 
 
 
Figura 6. Via da betaoxidação a partir de um ácido graxo de 16 carbonos (ácido palmítico). 
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Fonte: Nelson, Cox, 2011. 
 
 
 
 
CORPOS CETÔNICOS: 
A molécula de acetil-CoA produzida no fígado pela da oxidação dos ácidos graxos 
e dos aminoácidos cetogênicos, pode ser convertida em corpos cetônicos, os quais serão 
utilizados como fonte de energia (ATP) para diversos tecidos como cérebro, rins, 
músculo esquelético e cardíaco1,4. 
O termo corpos cetônicos refere-se ao conjunto de 3 substâncias solúveis no 
sangue e urina: o ácido beta-hidroxibutírico (beta-hidroxibutirato), que representa 
cerca de 78% dos corpos cetônicos; o ácido acetoacético (acetoacetato), que 
representa cerca de 20%; e a acetona, que representa cerca de 2%. A acetona é um 
composto volátil, que é eliminado pela respiração (via pulmonar), causando hálito 
característico. O acetoacetato e o beta-hidroxibutirato são transportados pelo sangue 
para tecidos extra-hepáticos, onde são convertidos a acetil-CoA e oxidados no ciclo de 
Krebs e cadeia respiratória, fornecendo energia necessária para tecidos como o músculo 
esquelético e cardíaco, rins e cérebro. Vale ressaltar que o cérebro é capaz de se adaptar 
a utilização de corpos cetônicos como fonte de energia apenas depois de 2 a 3 dias de 
jejum, quando a disponibilidade de glicose no sangue está extremamente diminuída1,4. 
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Figura 7. Estrutura molecular da acetona, acetoacetato e beta-hidroxibutirato (corpos cetônicos) 
Fonte: Nelson, Cox, 2011. 
A produção dos corpos cetônicos é uma consequência da gliconeogênese 
hepática, processo em que ocorre diminuição do oxaloacetato disponível para o ciclo de 
Krebs, pois o mesmo é requisitado para formação de glicose via gliconeogênese (o 
oxaloacetato é um dos precursores para formação de glicose pela via da 
gliconeogênese). Com a redução significativa dos estoques de oxaloacetato, ocorre, 
portanto, diminuição da condensação do oxaloacetato ao acetil-CoA para formar o 
citrato (primeira reação do ciclo de Krebs). Desta forma, o excesso de acetil-CoA 
produzido principalmente pela betaoxidação, que não pode entrar no ciclo de Krebs 
(devido redução do oxaloacetato), é direcionado para a formação de corpos cetônicos1,4. 
A produção de corpos cetônicos ocorre na matriz mitocondrial das células 
hepáticas a partir de duas moléculas de acetil-CoA. A primeira reação da síntese dos 
corpos cetônicos consiste na condensação de duas moléculas de acetil-CoA, catalisada 
pela enzima tiolase, formando o acetoacetil-CoA. Em seguida o acetoacetil-CoA se 
condensa com o acetil-Coa formando HMG-CoA, o qual é clivado a acetoacetato e acetil-
Coa. O acetoacetato é, então, reversivelmente reduzido a beta-hidroxibutirato pela 
enzima beta-hidroxibutirato-desidrogenase (Figura 8.). Em pessoas saudáveis, a 
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produção de acetona a partir de acetoacetato é muito pequena, e quando produzida, a 
mesma é descarboxilada espontaneamente ou pela ação da enzima acetoacetato-
descarboxilase. Pelo fato da acetona ser volátil, a mesma é facilmente excretada pela 
respiração (via pulmonar), causando hálito característico4. 
Em indivíduos com diabetes não tratada ou descompensada, a produção de 
acetoacetato é muito elevada, e consequentemente, ocorre maior produção de acetona 
e, o sangue do indivíduo apresenta grandes quantidades deste composto, o qual em 
excesso, torna-se tóxico ao organismo4. O aumento dos níveis sanguíneos de 
acetoacetato e beta-hidroxibutirato diminui o pH do sangue, causando a condição 
conhecida como acidose. A acidose extrema pode levar ao coma e em alguns casos à 
morte4. 
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Figura 8. Formação de corpos cetônicos a partir de acetil-CoA. 
Fonte: Nelson, Cox, 2011. 
 
Tanto o acetoacetato como o beta-hidroxibutirato podem ser utilizados como 
fonte de energia para tecidos extra-hepáticos, onde serão novamente convertidos a 
acetil-CoA, o qual, será oxidado no ciclo de Krebs e cadeia transportadora de elétrons 
para formar ATP. Para isso ocorrer, as moléculas de acetoacetato e beta-hidroxibutirato 
formados na matriz mitocondrial das células do fígado a partir do acetil-CoA 
(proveniente da beta-oxidação dos ácidos graxos), são então, transportados para a 
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circulação e são captados por diversos tecidos, como os descritos anteriormente. Na 
célula desses tecidos, a molécula de beta-hidroxibutirato é convertida novamente em 
acetoacetato pela enzima beta-hidroxibutirato desidrogenase. O acetoacetato é 
oxidado a acetoacetil-CoA pela enzima beta-cetoacil-CoA-transferase (também 
chamada de tioforase). Em seguida, a molécula de acetoacetil-CoA é clivada em duas 
moléculas de acetil-CoA pela enzima tiolase (Figura 9.). Perceba que esta é a reação 
inversa da formação de corpos cetônicos que ocorre no fígado. As moléculas de acetil-
CoA formadas, entram no ciclo de Krebs e depois na cadeia respiratória, fornecendo 
energia na forma de ATP aos tecidos extra-hepáticos, em situações onde a glicose 
sanguínea está extremamente diminuída4. 
 
Figura 9. Conversão do beta-hidroxibutirato e acetoacetato em acetil-CoA em tecidos extra-hepáticos. 
Fonte: Nelson, Cox, 2011. 
 
Os corpos cetônicos são usados como combustível energético em todos os 
tecidos, exceto o fígado, que carece da enzima tioforase. O fígado é, portanto, um 
produtor de corpos cetônicos para os outros tecidos, mas não um consumidor4. 
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A formação de corpos cetônicos ocorre principalmenteem jejum prolongado 
(acima de 12 horas), diabetes não tratada e dietas com redução severa de 
carboidratos1,4. 
 
Figura 10. Formação de corpos cetônicos pelas células hepáticas a partir do acetil-CoA proveniente da 
beta-oxidação dos ácidos graxos, seguido pelo transporte dos mesmos para tecidos extra-hepáticos. 
 
Fonte: Nelson, Cox, 2011. 
 
 
 
SÍNTESE DE ÁCIDOS GRAXOS 
 
A síntese de ácidos graxos ocorre principalmente no fígado, tecido 
adiposo e glândulas mamárias e é estimulada pelo excesso de acetil-CoA 
proveniente da oxidação da glicose e dos aminoácidos. Quando a alimentação 
está excessiva e vai além das necessidades do organismo no momento, ocorre 
formação excessiva de acetil-CoA a partir da oxidação de glicose a aminoácidos 
da dieta. Quando há sobra de energia (ATP) na célula, ocorre a inibição do ciclo 
de Krebs e consequentemente, o acúmulo de acetil-CoA. Esse acetil-CoA em 
excesso é transportado para o citosol da célula onde é convertido em ácido graxo 
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(uma vez no citosol, o acetil-CoA fica disponível para uma série de reações 
enzimáticas que culminará na síntese de ácidos graxos)1,3,4. 
A síntese dos ácidos graxos necessita da participação de um 
intermediário de três carbonos, o malonil-CoA, que é formado no citosol a partir 
do acetil-CoA, em uma reação irreversível catalisada pela enzima acetil-CoA 
carboxilase. A conversão de acetil-CoA em malonil-CoA (primeira reação) 
requer uma molécula de ATP e duas de NADPH para cada malonil-CoA 
formado. Para a formação do ácido graxo, a primeira molécula utilizada para 
construção da cadeia carbônica é o próprio acetil-CoA e o restante incorporado 
na molécula de ácido graxo em formação está na forma de malonil-CoA1,4. 
A enzima acetil-CoA carboxilase é ativada pela insulina e inibida pelo 
glucagon e adrenalina (epinefrina). A molécula de malonil-CoA inibe o 
transportador de ácidos graxos para a matriz mitocondrial (carnitina) e, 
portanto, inibe a oxidação dos ácidos graxos. A presença de malonil-CoA nas 
células direciona a síntese de ácidos graxos e representa a ausência da oxidação 
dos mesmos1,4. 
A reação seguinte da síntese dos ácidos graxos é catalisada pelo 
complexo ácido graxo sintase, que realiza a construção da cadeia carbônica do 
ácido graxo em reações repetitivas, constituídas por 4 etapas: condensação, 
redução, desidratação e redução. A cada passagem por essas reações, 2 átomos 
de carbono provenientes do malonil-CoA são incorporados à molécula de ácido 
graxo em formação e o outro átomo de carbono do malonil-CoA é eliminado 
como CO21,4. 
O complexo multienzimático ácido graxo sintase é composto por 7 
enzimas e é responsável pela síntese apenas do ácido palmítico (ácido graxo 
saturado de 16 carbonos), sendo este, o principal ácido graxo produzido pelos 
humanos. O ácido palmítico pode, por meio de outras enzimas, ser convertido 
em ácidos graxos com maior número de átomos de carbono e/ou insaturações1,4. 
Sendo assim, para a formação do ácido palmítico (16 carbonos) necessita-
se de 1 molécula de acetil-CoA, 7 moléculas de malonil-CoA (2 carbonos 
provenientes do acetil-CoA e 14 carbonos provenientes das 7 moléculas de 
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malonil-CoA, totalizando 16 átomos de carbono), 7 moléculas de ATP 
(necessárias para a conversão do acetil-CoA em malonil-CoA) e 14 moléculas de 
NADPH (pois cada malonil-CoA formado requer 2 NADPH)1,4. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 11. Reações da síntese do ácido palmítico. 
Fonte: Nelson, Cox, 2011. 
 
SÍNTESE DO COLESTEROL: 
O colesterol é um lipídio com funções muito importantes ao organismo, como 
síntese de hormônios sexuais, produção dos ácidos biliares, constituição e fluidez das 
membranas celulares, síntese de vitamina D, etc. Além de fontes exógenas 
(alimentação), o colesterol presente no organismo provém também de fonte endógena, 
a partir da sua produção pelas células do fígado (responsável pela produção de cerca de 
70% do colesterol endógeno), intestino, córtex adrenal, ovários, testículos e placenta1. 
A síntese do colesterol ocorre a partir da molécula de acetil-CoA proveniente 
principalmente da oxidação da glicose. A insulina estimula a atividade da enzima 
hidroximetilglutaril-CoA (HMG-COA redutase), que controla a principal etapa da síntese 
do colesterol4. 
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A síntese do colesterol ocorre em quatro estágios: 
§ 1: condensação de três unidades de acetato provenientes do acetil-CoA, 
formando um intermediário de seis carbonos, o mevalonato4; 
§ 2: conversão do mevalonato em unidades de isopreno ativadas4; 
§ 3: condensação das seis unidades de isopreno com 5 carbonos, resultando 
na formação do esqualeno, com 30 carbonos4; 
§ 4: ciclização do esqualeno para formar os quatro anéis do núcleo esteroide 
do colesterol, com uma série de mudanças adicionais (oxidações, remoção 
ou migração de grupos metil) para produzir o colesterol4. 
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Figura 12. Resumo da síntese do colesterol. 
Fonte: Nelson, Cox, 2011. 
 
A principal via de excreção do colesterol é sua conversão em ácidos biliares, que 
ao serem liberados no intestino, participam da emulsificação dos lipídios da dieta e 
representam a maneira indireta de excreção do colesterol. Cerca de 10 a 20% dos ácidos 
biliares é excretado nas fezes e o restante é reabsorvido no íleo, retornando ao fígado 
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pela circulação portal. Este ciclo é denominado ciclo êntero-hepático dos ácidos 
biliares1. 
As fibras solúveis e alguns medicamentos, alteram este ciclo, reduzindo a 
reabsorção e aumentando a excreção dos ácidos biliares pelas fezes. Isso acarreta na 
diminuição da quantidade de ácidos biliares presentes no fígado, e consequentemente, 
aumenta a produção hepática dos ácidos biliares e, portanto, aumenta a necessidade 
do colesterol pelo organismo (o colesterol é necessário para síntese dos ácidos biliares). 
Desta forma, o fígado aumenta a expressão de receptores específicos para a 
apoproteína ApoB-100, presente na molécula de LDL, aumentando, assim, a captação 
de LDL para o fígado, necessário para a síntese de colesterol e posterior produção dos 
ácidos biliares. O aumento da captação de LDL do sangue para o fígado, resulta na 
diminuição do LDL sérico e, consequentemente, reduz os riscos de oxidação de LDL e os 
riscos de desenvolvimento das DCV1. 
 
 
Referências Bibliográficas: 
 
1. Silva SMCS, Mura JDP. Tratado de Alimentação, Nutrição & Dietoterapia. 3a ed. São 
Paulo: Editora Payá; 2016. 
 
2. Gropper SS, Smith JL, Groff JL. Nutrição avançada e metabolismo humano. 5a ed. São 
Paulo: Cengage Learning; 2011. 
 
3. Cozzolino SMF, Cominetti C. Bases bioquímicas e fisiológicas da nutrição: nas diferentes 
fases da vida, na saúde e na doença. 1a ed. Barueri, SP: Manole; 2013. 
 
4.Nelson, DL, Cox MM. Princípios de Bioquímica de Lehninger. 5a ed. Porto Alegre: Artmed; 
2011. 
 
 
 
 
 
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